♦ Encerramento: Burn, baby, burn! - Postagem aberta

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♦ Encerramento: Burn, baby, burn! - Postagem aberta

Mensagem por 139-ExStaff em Seg Jan 05, 2015 10:15 pm


Encerramento do  Evento



Burn, baby, burn! - Tempo de luto


Quíron havia tocado a trombeta, reunindo os semideuses. apesar da confusão geral e do desejo de saberem o que tinha ocorrido - e receberem um posicionamento oficial - o fato é que o centauro pouco disse, organizando os atendimentos aos feridos e deixando os reparos para o dia seguinte - com todos mais calmos e descansados. Muitos ainda estavam em estado de choque para realizar tais atividades, e o fogo havia atingido principalmente a floresta e a forja, na explosão final (quase afetando alguns semideuses, que minutos antes haviam ido ao depósito - mas por sorte já haviam se retirado).

Ele apontou para alguns semideuses, que sabia estarem investigando os destroços, e também para um grupo amplo que auxiliou no controle de danos, tanto dos fogos, quanto dos ferimentos. O Sr. D. também chegava, vindo do Olimpo. Ele ainda praguejava, seguido de outro grupo de campistas, mas era Quíron quem falava.

- Vocês, para a Casa Grande. Os outros, auxiliem os curandeiros no que puderem. Monitores, organizem seus chalés. Todos devem se recolher agora!

Os murmúrios de indignação surgiam, mas ele os cortou rapidamente.

- Eu sei que desejam explicações, e terão, assim que reunirmos as informações. Sei que todos desejam contar o que viram. Se acham que é uma pista, se acham que pode ajudar, depois me procurem. Por hora, acalmem-se.

Não parecia ser o suficiente, mas teria que bastar. Aos poucos os campistas se dispersavam, e quem arriscava um olhar à Quíron ainda poderia ver a face do diretor de atividades, tomada pelas sombras e pela dor. Outra tragédia havia ocorrido e ele não fora capaz de impedir.

♦     ♦     ♦

O dia seguinte ainda tinha o véu de luto. Os chalés preparavam suas mortalhas, a reconstrução começava. Os curandeiros mantinham-se em turnos, horas sem sono, sem descanso, sem parada. Os comentários eram sussurados, ninguém ousava falar em voz alta, como se uma lei do silência tivesse sido imposta. Finalmente, à hora do almoço, Quíron e Sr. D. trocaram olhares. Não podiam postergar mais. O centauro se levantou, batendo os casos no chão do refeitório - ainda danificado, mas utilizável - mais uma lembrança entre tantas do ocorrido. Não foi necessário mais do que isso para ter a atenção completa de todos.

- Semideuses... Não posso ocultar o quanto lamento pelos acontecimentos da noite passada. Eu sei que muitos tem suas perguntas, mas não temos todas as respostas, infelizmente. Conseguimos juntar algumas peças, com o auxílio de todos que testemunharam esse terrível evento... Mas ainda são apenas suposições.

Ele passava o olhar por todos a sua volta. Queria ter tanto poder quanto um deus, ser capaz de restaurar tudo - mesmo sabendo que não devia. Contudo, ali era mais um capítulo de sua sina, ver seus alunos partirem - infelizmente, dessa vez, de um jeito irreversível.

- Foi confirmada a sabotagem. Soubemos de um fugitivo, e o outro responsável não escapou de suas próprias armações. Ainda não sabemos os motivos, contudo. Nem compreendemos. Os dois auxiliaram toda a montagem dos fogos, não era estranho estarem na praia ou instalando equipamentos no local. Ainda não compreendemos como não notamos nada antes... - O tom de voz demonstrava que ele havia se perguntado aquilo mil vezes, se culpando pelo ocorrido. Todos sabiam que o centauro era imortal, que ficaria ali enquanto necessário, mas ele ainda estava abatido, como se houvesse perdido toda a vitalidade naquele curto espaço de tempo. Ele levantou a cabeça. - Mas não podemos deixar nos abater. Apesar de tudo, esse ainda é o local mais seguro a todos. Temos nossos problemas, sempre tivemos. Já passamos por uma guerra, uma guerra de proporções descomunais e ainda permanecemos. Quem fez isso que semear o caos. Quer que deixem as proteções da barreira. Quer que fiquem vulneráveis. Sei que muitos estão assustados, mas faremos o possível para mantê-los a salvo. Não entrem em pânico.

Ele suspirou, e por um momento era como se seu discurso houvesse surtido efeito, até que o sr. D ergueu-se, com os olhos roxos em fúria, quase pegando fogo.

- A menos que você seja um responsável. Se você for algum engraçadinho que está brincando de disseminar o caos, eu mesmo vou cuidar para que sirva de adubo nos campos de morango, e a todos que estiverem envolvidos!

A agitação recomeçou, até que um grito foi ouvido, na Casa Grande. Quíron levou vantagem, com seu galope. Ao chegar, o sátiro desmaiado, com uma única folha de papel nas mãos. Quíron ainda embalava a criatura quando um semideus, sem cerimônias, pegou o papel, lendo para os presentes:

"Entrem em pânico. Este foi um sinal. Não o único, não o último. Sempre estivemos aqui, só vocês não viram, porque a verdade é algo doloroso demais para admitir. A verdade é que podemos ser o seu namorado, o semideus ao seu lado, o instrutor do seu chalé. Estamos em todo o lugar. Sabemos tudo sobre vocês. Nós somos vocês."

E as perguntas, longe de serem respondidas, ganharam mais questionamentos. Quem seriam eles?


Orientações



Vocês presenciaram, direta ou indiretamente os acontecimentos - agora, devem superar isso. A postagem aqui é aberta como uma "atividade". Será permitido a cada player (tendo ou não participado do evento anterior) postar sua visão e posicionamento. O clima é de luto. Os campistas estão lidando com as perdas - mortalhas são tecidas, construções são reparadas, a contagem de dano está sendo feita. Sua postagem deve abranger onde estava quando o evento ocorreu (e, se estava fora, como soube e por quê resolveu voltar ao Acampamento), sua visão do evento e que esforços está fazendo para ajudar o Acampamento a superar - seja nas cerimônias, trabalhos manuais, enfermarias. Além disso, foque nos pensamentos do personagem e reações - sobre o clima geral, sobre a carta, sobre tudo.


Regras



♦ Interação com acontecimentos
♦ Prazo: até dia 25/ 01
♦ Uma postagem por player
♦ Avaliações só serão realizadas após o encerramento do prazo - como em todos os eventos. Tenha isso em mente e não faça flood nos tópicos de pedido.
♦ Postagem atemporal
♦ Atividade extra valendo 100 xp



♦ Aos que ainda aguardam a avaliação do evento, pedimos desculpas: Outro narrador está com problemas off, mas será postado em breve.


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Re: ♦ Encerramento: Burn, baby, burn! - Postagem aberta

Mensagem por Catherine Burkhardt em Ter Jan 06, 2015 6:49 am



Burn, baby
Depois daquela noite na praia, ninguém seria o mesmo novamente.

Emma estava destruída. Não fisicamente, pois conseguira passar por aquela noite caótica ilesa. Mas mental e emocionalmente. Quando fechava os olhos por muito tempo, ainda sentia-se lá. O forte cheiro de sangue sobre si, os corpos explodidos e estraçalhados por toda praia, a explosão das forjas por completo. Essa última fora uma das experiências mais assustadoras que já havia passado: ela viu o fogo os consumirem, sentiu o calor infernal, mas no fim de tudo, continuavam lá paralisados e vivos.

O por quê de serem poupados enquanto tantos foram mortos, lhe era um mistério.

Quando a trombeta soou, os campistas sabiam que era Quíron os chamando. Trataram de ir até o centauro o mais rápido possível: mesmo que descobrissem os culpados (Arthur, Lydia, Erick ou seja lá qual seja o seu fucking nome) ainda restava dúvidas. Dúvidas que apenas ele poderia responder.

Todo o acampamento reuniu-se, uma só força para ajudar os feridos. Pelo menos naquele dia, todos trabalharam juntos sem contestação, em silêncio. Todos perderam alguém.

A filha de Afrodite e o grupo que ela estava, porém, não precisaram ir até Quíron. Quando finalmente puderam enxergar e concluir que estavam vivos e que graças a chuva e a possivelmente o trabalho de outros semideuses os incêndios estavam contidos, lá estava o Sr. D. com sua camisa havaiana queimada.

- O centauro favorito de todos está chamando, venham. E você! Emily... Alguma coisa. Me conte sobre a bagunça no caminho. - Falou o deus, após resmungar algo que ela não identificou.

Sendo assim, a mentalista inspirou fundo para se recompôr e enquanto eles o seguiam Emma tratou de lhe explicar o melhor que pode sobre o que tinha acontecido com eles. Tinha quase certeza que aquele "Emily" era a tentativa dele dizer seu nome.

Dionísio não falou nada durante todo o percusso, então depois de falar o que tinha para falar ela calou-se e passou a observar a destruição ao seu redor. Até as áreas afastadas da praia haviam sofrido as consequências de múltiplas explosões. E por mais que quisesse correr dali, se jogar na cama e morrer, Mills continuou de pé com a expressão séria mantendo as aparências.

Quando chegaram ao ponto que a grande maioria se organizava, a única pessoa que ela pensou foi em Matias. Ele não estava nas forjas com o grupo, havia ficado na praia. Seu peito doía por imaginar que algo fatal tivesse acontecido com ele. Por isso, quando o centauro chamou mais alguns grupos de semideuses e todos juntos seguiram para a Casa Grande, puxou um semideus qualquer pelo braço.

- Matias, filho de Hipnos. Ele estava na praia. Encontre-o, por favor. - Pediu usando seu charme para fazê-lo lhe ajudar.

O rapaz acenou e só então ela prosseguiu.

Na Casa Grande, passaram horas ali. Cada um  dos quatro grupos contaram sua história detalhadamente, fazendo Emma constatar que todos que tentaram ajudar tiveram sua parcela de dor e provação. Ela também tinha que confessar que descobri que "o rapaz dos clones" estava ali lhe causou incômodo. Ainda lembrava-se de quando todos os corpos foram as ares e o sangue lhe cobriu. Por sorte, Quíron não os manteve ali pelo resto do dia. E mesmo que quisesse as respostas, precisava de um bom banho e de uma noite de sono.


No outro dia, nem mesmo tinha saído do chalé para ver o choro da perda. Três os quatro irmãos da mentalista choravam por não terem encontrado seus amados ou por ter recolhido os restos de alguém especial. O próprio conselheiro Aldrick ia de um lado para o outro organizando as mortalhas para as vítimas de seu chalé. Por alguns instantes, ela desejou ter conhecido melhor os irmãos. Mas aí, lembrou-se, seria ela a estar sofrendo ainda mais.

Como havia perdido a hora do café da manhã, a filha de Afrodite só partiu para o refeitório na hora do jantar. Pegou logo sua comida e antes que mais alguém entrasse na fila foi até a fogueira e despejou uma parte de seu alimento nas chamas.

- Ajude-nos. - Foi apenas isso que disse a mãe em um murmúrio.

Ela já tinha devorado sua comida e vez ou outra avistava uns dos que reuniram-se na Casa Grande. A todo instante, alguém de seu chalé tentava buscar informações da garota. Uma filha de Afrodite que participou do ataque e agora tinha as sobrancelhas feitas à lápis de olho não era algo que se via todos os dias no chalé 10. Mas ela recusou-se tocar no assunto. Ainda estava recente demais. E se não estivesse tão exausta tinha certeza que os pesadelos lhe atormentariam.

Em determinado momento, Quíron levantou e bateu com um dos cascos no chão parcialmente destruído do refeitório e o silêncio inundou o lugar. Ele contou de maneira resumida os eventos que aconteceram, desde a sabotagem até seu discusso motivador para que não deixassem se abater por aquela noite infernal. As palavras do centauro acalmaram todos os semideuses, mas o efeito não durou muito.

O Sr. D. levantou-se e fez uma ameaça que até Emma que era inocente sentiu um arrepio de medo passar por sua espinha.

Isso trouxe os sentimentos à flor da pele de todos os campistas à tona e a agitação voltou. Todos levantavam-se, discutindo entre si sobre o que aconteceu. Mills permaneceu sentada, ignorando cada palavra que era dirigida a ela. Não permitiria ser abalada por eles, não podia deixar suas emoções lhe dominarem.

Um grito cortou o ar e todos se calaram. Vinha da Casa Grande. A mentalista ergueu-se e junto com a grande massa, correu para lá. Seu coração disparado e sua mente traçando as piores teorias, entre elas que mais um ataque aconteceria ali. Ao chegar lá, um sátiro estava desacordado no chão. Driblando os semideuses que pararam a sua frente ela se aproximou do centauro, tomando um dos primeiros lugares do círculo que formou-se ao redor dele.

"Entrem em pânico. Este foi um sinal. Não o único, não o último. Sempre estivemos aqui, só vocês não viram, porque a verdade é algo doloroso demais para admitir. A verdade é que podemos ser o seu namorado, o semideus ao seu lado, o instrutor do seu chalé. Estamos em todo o lugar. Sabemos tudo sobre vocês. Nós somos vocês."

Quando Quíron terminou de ler o bilhete deixado na mão do sátiro, mais uma vez o silêncio afundou cada um em seus próprios pensamentos. E inconscientemente, ela olhou para os lados, encarando os semideuses ao seu redor.

Uma palavra era o bastante para descrever o olhar de todos os presentes: desconfiança.

Poderes Usados:
Passivos:
Afrodite

Beleza Estonteante (Nível 1)
Como filhos da deusa da beleza, você é naturalmente belo, sendo tal beleza notável e admirada por todos. Seus olhos têm uma coloração que não se define completamente, sendo intrigantes e como se fossem hipnotizantes; sua voz atrai, seus lábios são provocantes, seu rosto possui uma beleza harmoniosa e o corpo não fica para trás. Tudo em você chama a atenção pela beleza especial que possui, e é praticamente impossível deixar de notá-lo. Não é nenhum efeito hipnótico, contudo - apenas estético.

Dissimulação (Nível 7) [Modificado]
Pode não ser filho de Dionísio, mas sabe dissimular bem o suficiente para convencer outras pessoas. Dissimule o quanto quiser, seja inocência, choro ou alegria, pois há grandes chances de acreditarem. Lembre-se de que suas atitudes devem ser coerentes para que acreditem. Além disso, não modifica sua aura, fazendo com que suas intenções possam ser descobertas por quem tem poder para isso.

Autocontrole (Nível 9)
Suas emoções não podem lhe atrapalhar em momento algum em uma batalha ou momento importante. Você não viverá a mercê delas, você saberá controla-las facilmente podendo manter o foco em uma batalha sem ser influenciado por nenhum sentimento, a menos que seja mais forte que você. Poderes que afetem emoções como charme, medo, fúria e etc terão efeito reduzido, não fazendo efeito se proveniente de inimigos de menor poder. Se forem de nível igual a até 5 níveis acima, 50% de resistência, e de 6 a 10 níveis, 25%. Acima disso, os poderes o afetam normalmente.


Mentalista

◉ Nível 2. Memória fotográfica: Tudo o que você ver ou ler ficará gravado em sua memória por anos, serve tanto para imagens para textos.

◉ Nível 10. Empatia: Você sabe exatamente o que o outro está sentindo em termos de emoções.

Ativos:
Non usados


Equipamento:
♦ Faca [Sua lâmina bronzeada mede cerca de 24 cm, e seu cabo tem o mesmo comprimento padrão. É bastante afiada e é perfeita para ataque ágeis e rápidos. O bom desta arma é sua eficiência tanto para mãos hábeis quanto para manuseios mais inexperientes, pois é uma arma curta, fácil de esconder e ao mesmo tempo fácil de manusear. Seu punho é feito de aço, mas uma camada de couro escuro cobre o aço para que o usuário possa segurá-la firmemente. Na parte inferior da lâmina, próxima ao cabo, há entalhado as siglas do Acampamento "CHB"; uma propriedade que só os meio-sangues e criaturas místicas podem ter e usar (ajuda um pouco na destreza)] {Bronze, aço e couro} (Nível mínimo: 1) {Nenhum elemento} [Recebimento: Administração; item inscrição padrão do fórum] ~~Bainha no cinto, lado direito~~

✣ Yin Yang. [Uma espada de punho prateado e com um desenho bem talhado de uma borboleta em azul. Sua lâmina é de uma beleza diferenciada, pela divisão do cume central, metade dela possui um material negro e a outra metade é feito de prata sagrada. Seu corte é duplo e sua ponta afinada, uma espada bastante resistente. Ela possui uma habilidade de ativar um segundo modo em que a espada original se divide em duas, uma de lâmina totalmente preta e outra de prata sagrada. Nesse segundo formato a sua resistência diminui um pouco, porém seu corte fica extremo, podendo cortar metais pesados e causar efeitos sobre armas sagradas. Essa espada vem em uma bainha preta com entalhes azuis em borboletas, ela se adapta ao corpo do mentalista podendo ser usada do modo que este desejar carregar a espada.] [Materiais: Prata Sagrada e Material Negro] (Nível Mínimo: 1) {Elemento: Psíquico} [Recebimento: Presente por ser mentalista] ~~Bainha no cinto, lado esquerdo~~



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Re: ♦ Encerramento: Burn, baby, burn! - Postagem aberta

Mensagem por Bianca H. Somerhalder em Ter Jan 06, 2015 10:37 am

Cada onda reflete na areia a nova lua cheia
The mysterious ticket


Bianca estava em seu chalé conversando com alguns de seus irmãos quando ouviu a trombeta soar ao longe. Imediatamente todos ficaram em estados de alertas, mas depois se levantaram e se dirigiram para fora do local, pois já sabiam que Quíron queria se comunicar com todos eles.

Caminharam lentamente pelo local, e muitos puderam perceber o clima de luto que se apoderava do acampamento inteiro. Bianca, mesmo não tendo participado do evento do dia anterior, já estava ciente de tudo que acontecera, pois os outros filhos de Selene a tinham informado.

A garota bebera quase todas as garrafas de vodka que tinha no acampamento no dia da festa, e naquela noite estava numa ressaca intensa, e por isso permaneceu dormindo em seu chalé. Ainda bem, eu poderia estar morta agora, pensara ela. Ela não era uma garota que se importava com os outros, e mesmo que estivesse fingindo tal coisa, não estava nem aí para os que morreram.

Assim que a filha de Selene chegou ao grande grupo de pessoas que já se aglomerava por ali, pode ouvir o centauro falando o nome de algumas pessoas e os direcionando para a Casa Grande, enquanto mandava os outros que sobraram ajudarem os curandeiros.

Para ela, isso não fazia diferença nenhuma, mas a maioria das pessoas começou a reclamar, e foram cortados imediatamente por Quíron que falou alguma coisa em que Bianca não prestou a atenção.

A garota ficou encarando o rosto de cada um dos campistas, e só percebeu que estavam indo embora quando a multidão que antes estava ali, desapareceu.

***

No dia seguinte Bianca acordara exausta, pois estava ajudando os curandeiros com os feridos, mesmo assim pode perceber que a aura de luto continuava a emanar pelo local, e não se ouvia uma voz sequer fazer algum comentário idiota, como de costume. Na hora do almoço todos se dirigiram ao refeitório em silêncio - o que era muito incomum - e se depararam com um novo discurso de Quíron.

Em suma, ele disse que com certeza havia tido uma sabotagem, e que estavam tentando descobrir quem era o responsável. Como tentando animar os campistas, comentou que aquele ainda era o lugar mais seguro de todos, o que não deu nenhum resultado.

Em seguida, o Sr. D. executou uma de suas ameaças - a quais todos já estavam acostumados – e os deixou agitados.

Mas uma coisa inesperada aconteceu. Ouviu-se um grito vindo da Casa Grande, e todos correram ansiosos para descobrir o que estava acontecendo. Chegando lá, encontraram Quíron - que havia chegado antes - segurando um sátiro que tinha em sua mãe uma folha de papel.

Um semideus, que estava um pouco à frente, pegou o papel e leu em voz alta:

" Entrem em pânico. Este foi um sinal. Não o único, não o último. Sempre estivemos aqui, só vocês não viram, porque a verdade é algo doloroso demais para admitir. A verdade é que podemos ser o seu namorado, o semideus ao seu lado, o instrutor do seu chalé. Estamos em todo o lugar. Sabemos tudo sobre vocês. Nós somos vocês."

Bianca, que antes estava entediada, se agitou mais do que todos e imediatamente fiou curiosa para descobrir que eram eles . Mas depois de pensar um pouco melhor, viu que não importava quem eram, pois ela já os achava incríveis.

Armas Levadas:
{Moonlight} / Adaga [Trata-se de uma adaga com a lâmina ligeiramente mais larga e curva. O seu formato é levemente arredondado – o que lembra uma lua na sua fase crescente. O cabo tem uma espécie de cobertura (como em sabres) feita de bronze sagrado, o que dá certa defesa as mãos daquele que a está empunhando. Tem uma coloração esbranquiçada e toma um tom azulado quando exposto à luz lunar. No nível 20, se torna um botton escrito "CLUBE DE ASTRONOMIA".] {Bronze Sagrado} (Nível Mínimo: 1) [Recebimento: Presente de Reclamação de Selene
Poderes utilizados:
Passivos:
Considerar todos os passivos de Selene até nível 8
Ativos:
Nenhum ativo.



NOTAS /O/; Thanks Maay From TPO.
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Re: ♦ Encerramento: Burn, baby, burn! - Postagem aberta

Mensagem por Aimée Masney em Sab Jan 10, 2015 8:04 pm




it's the moment to live
and the moment to die, the moment to fight


TO THE LEADER, THE PARIAH;
THE VICTIM, THE MESIAH;
POST ÚNICO ― THIS IS WAR


O mundo virara de cabeça para baixo em questão de semanas; descobrira-me em situações desconfortáveis que só pensaria estar envolvida em se fosse um personagem da literatura fictícia. Era uma semideusa, não havia como o negar – ainda sentia o medo me invadir quando lembrava-me dos perigos daquela situação – e, naquele instante, com os ocorridos da noite passada, enchera-me com as responsabilidades de cuidar de mortalhas de meios-irmãos que não havia tido tempo o suficiente para conhecer.

Como monitora de chalé, sentia que era minha obrigação participar – ou ao menos ter uma noção específica de tudo o que acontecia dentro do acampamento –, porém, não sendo uma admiradora assídua de festas de quaisquer tipos, não me sentira interessada em reunir-me com os outros filhos de Hipnos na caminhada até a praia, onde diziam que haveria uma chuva de fogos de artifício. Mal sabiam que a suposta chuva seria de sangue.

Caminhava por entre os beliches com a mente quebrada de cansaço mental; suspirei pesadamente quando uma das garotas mais novas correu até mim e abraçou minhas pernas carinhosamente, deixando as lágrimas fluírem lentamente. Parecia estar no Acampamento há mais tempo que eu; não a julguei. Apenas deixei-a chorar silenciosamente, levando-me para lembranças de meus feitios da noite passada.

Estávamos no chalé de Nix, um que se encontrava extremamente vazio naquela primeira hora do dia inicial de um novo ano. Não havia nada a ser escutado que não fossem nossas respirações ofegantes da noite de amor. Pablo parecia alegre por estar comemorando o Ano Novo em minha companhia e eu me sentia finalmente feliz naquele local que me tirara de meus planos de vida. Sussurrávamos em nossos ouvidos, lançando risadas simples. Conseguíamos nos divertir com palavras, sorrisos e toques que pareciam extremamente delicados.

Entráramos em um estado de choque quando ouvimos o som de uma trombeta, largando-nos nus em cima de uma cama de casal, olhando-nos como se houvéssemos feito algo extremamente errado. Havíamos nos vestido em uma velocidade recordista; não ousamos nos tocar até chegarmos ao local, recebendo a notícia do ocorrido. E foi então que eu me senti culpada. Culpada por ter me sentido tão bem em uma noite que veio acompanhada com tanta morte.

“Está na horra de irrmos, pequenina.”, sussurrei, acariciando o topo da cabeça de minha irmã; uma de muitas por quais era responsável agora. Outros já haviam se levantado e, pegando na mão da garota, andamos juntas até o ambiente de luto extremo.

Os olhos das pessoas encontravam-se tão marejados quanto os da garota que segura-se tão fortemente a mim, buscando por uma força que eu não tinha. Porém, as palavras de Quíron, além de envolvidas pelo cansaço de uma noite sem sono, pareciam derramar a discórdia por entre os campistas, percebi imediatamente.

Se houvera sabotagem, haveria de ser de algum envolvido em atividades do próprio acampamento. Poderia ser qualquer monitor, instrutor ou simples participante. Mas, em meu âmago, refletia sobre o fato de não poder criar ressentimentos para com meus colegas e primos. Meu dever era auxiliar a resolver, apenas, sem tomar decisões precipitadas.

Houve a ameaça de Dionísio, que apenas serviu para encher ainda mais o corpo dos semideuses com o fruto da vingança. Quase pude sentir a energia do local, abrindo um leve sorriso sarcástico, como se, mentalmente, pudesse ver as faces deliciadas das deusas Éris e Nêmesis. E então veio o grito; um tão estridente que fez o pensamento se dissolver.

Corri, largando a garota em puro reflexo. Ainda podia ouvir aquele som horrendo ecoar por meus ouvidos. Vi o sátiro desmaiado e senti-me paralisada, pela dor, pela culpa, por motivos que não encontrava em lugar algum. Por um momento imaginei-o morto também.

Percebi o seu motivo quando Quíron anunciou o que estava escrito no bilhete em suas mãos. “Nós somos vocês”, dissera. Meu coração pulou dentro de meu peito. Senti-me pior do que tudo e era difícil reprimir aquela sensação de que deveria abrir espaço para a desconfiança. Extremamente difícil.

OBSERVAÇÕES:
― Considerar todos os poderes passivos até o nível onze (11);
― Nenhum poder ativo foi utilizado;
― Nenhuma arma foi levada;
― Para quem ainda não leu a minha Do It Yourself, esse espaço diminuído é descrição do dia anterior, como pode ser visto.


Aimée Masney
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Re: ♦ Encerramento: Burn, baby, burn! - Postagem aberta

Mensagem por Lina Oakwood em Sab Jan 10, 2015 9:38 pm


Discord
and Fight
Minha mente não se lembrava do fatos ocorridos logo antes da explosão, somente de uma voz de um rapaz avisando sobre uma movimentação estranha na área. Eu sabia que não lembraria do rosto do irmão por saber que agora ele fazia parte das cinzas embaixo dos meus pés. Estava me preservando de não me culpar mais ainda, embora soubesse que a voz dele ficaria em minha mente para todo sempre.

"Eu vou pegar mais coisas e afastar os combustíveis daqui. Essas forjas estão em perigo com todas essas coisas inflamáveis."

Lembrei-me da sensação que tive de retrucá-lo e da determinação que eu senti vinda dele. Acho que foi por isso que não consegui impedi-lo de ficar. A voz daquele jovem, que mal sabia o nome, ficaria na minha mente para sempre, ecoando junto com a voz de minha mãe. Era minha culpa. Minha culpa que ele tinha virado cinzas. Eu poderia tê-lo tirado antes da explosão. Poderia ter ficado e morrido junto, assim não me sentiria tão dopado naquela hora em que estava recolhendo as coisas das forjas.

- Quíron mandou todos se recolherem pros chalés! - ouvi um monitor falar, mas não tive cabeça pra descobrir quem.

Arrastei mais alguns materiais para o monte que os filhos de Hefesto fizeram com o que podia ser aproveitado, e caminhei como um zumbi por conta do cansaço de tentar apagar o fogo e o trauma de ter visto tantas pessoas mortas após conseguir ajudar no incêndio, além de todo aquele acontecimento antes da explosão. Eu queria que aquilo não acontecesse naquele dia. Eu juro que rezava para que nada desse errado. Mas deu e deu da pior forma possível.

- Mano Hicc! - ouvi Hugo e seu choro, mas não pude fazer nada.

Subi para meu quarto no chalé - deixando meu irmão ser amparado por pessoas em melhor estado do que eu -, ainda deixado intocado. Deitei-me na cama e fiquei olhando para o teto por cinco horas seguidas, não conseguindo mais pensar em nada. Eu não queria pensar, não queria sentir. Se fosse uma criança, choraria muito, mas nem isso tinha energia para fazer. Até mesmo dormir não era possível para meu estado naquele momento.

Só uma pergunta se passava na minha cabeça: "Por quê?"

**

A manhã do outro dia foi difícil. Estava mais cansado que antes, por conta da falta de sono. Quase arrastado, fui até a área das forjas para trabalhar. Se trabalhasse, talvez aquele estado dopado se mantivesse por mais um tempo e eu não precisasse sentir ainda. Usei minha força em prol das reconstruções, enquanto outros garotos preparavam as mortalhas dos filhos de Hefesto que foram identificados nos corpos mortos. Um peso enorme e invisível se pôs em meus ombros, já que não tinha contado o que aconteceu nas forjas na noite anterior.

Então, perto da hora do almoço, usei de minha autoridade como ex-monitor, enquanto ainda não havia monitor no chalé, para convocar todos os irmãos. Em meio ao meu estado de transe, consegui expressar o quão horrível era o dia de hoje e o quão fortes todos deveriam ser dali em diante. Assim, tentei transmitir a eles a força que eu não tinha.

- ... E precisamos de mais uma mortalha. - falei, ao final do discurso. - Ontem, um de nossos irmãos morreu naquela explosão.

A voz do garoto ainda se mantinha nítida e, aos poucos, meu cérebro começou a se lembrar do rosto do jovem. Era moreno e parecia que não tinha sido tão vitima do mundo semideus ainda. Tinha feições parecidas com as minhas, talvez pelo fato de termos o mesmo pai. Ele estava determinado e disposto a ajudar no que podia em meio àquela confusão.

- Eu não sei quem ele era... Provavelmente um dos novatos. Era um garoto de cabelos negros, olhos de mesma cor e pele branca. Ele... Ele estava aqui só para passar o ano novo, como eu estava. Eu... Deveria tê-lo tirado das forjas, mas ele tinha um olhar que me fez deixá-lo lá. Um olhar de determinação. Ele foi tirar os combustíveis das forjas para colocá-los no armazém e... - baixei a cabeça, mesmo que não conseguisse chorar. - É minha culpa.

Depois daquilo, eu fiquei algum tempo sem falar nada. Ao ouvir o sinal para o almoço, saí da frente dos irmãos no mesmo estado de zumbi. Cheguei sozinho, indo-me sentar na mesa de Hefesto. Aos poucos, outros irmãos meus chegaram calados e se sentaram na mesa. Queria esquecer. Gostaria muito de não lembrar mais do que aconteceu. Se Psiquê pudesse atender meu pedido, eu agradeceria.

A voz continuava a me atormentar, principalmente nas vezes que piscava longamente os olhos, muito cansado.

Notei que os olhares se pousaram na figura do centauro e também o olhei, esperando por alguma explicação. A voz grave de Quíron afastou por um momento minhas culpas, dando lugar a indagações. Então, após descobrirem que foram dois semideuses, sendo que um deles já estava morto, uma parte do peso foi retirada dos meus ombros. Alguns campistas começaram a conversar, assim que o discurso foi finalizado, mas eu estava quieto. Assustei-me genuinamente com o grito proferido por alguém e, ao notar que tinha vindo da casa grande, corri com a grande leva de pessoas para lá.

O centauro se voltou para a pequena multidão e eu pude ver Bennet caído ao chão, desacordado. Arregalei os olhos, me virando para os diretores enquanto mais perguntas se formavam em minha cabeça. O bilhete, que era em tom de ameaça, assustou muitas das pessoas que estavam lá. Porém, não ligava para o que era dito, mas sim para o estado do meu amigo.

- Quíron, Bennet está... - a palavra não saiu.

- Não. Ele está bem. - um curandeiro se apressou em dizer. - Vou levá-lo para a enfermaria, se não se importam.

Acompanhei os movimentos do curandeiro com os olhos e, assim que ele se foi, eu direcionei meu olhar para as figuras enfurecidas de Dionísio e Quíron. As pessoas estavam tendo suspeitas umas das outras e os dois imortais estavam com muita raiva. Eu não sabia o que sentir, deveria dizer.

"Eu vou pegar mais coisas..."

A culpa voltou com mais força e duas lágrimas saíram dos meus olhos, incontroláveis como a confusão de sensações na minha cabeça.

"Tirem esse sentimento agonizante de mim, nem que para isso tenham que me matar! Quero ficar em paz!"

"Por favor, me faça esquecer."


Então, uma determinação surgiu dentro do meu peito. Queria proteger todas aquelas pessoas e queria punir aquele que causou tudo aquilo. Foi essa determinação, que se espalhava como fogo, que me permitiu sair do estado de zumbi que estava e me permitiu sobrepor aqueles sentimentos ruins com uma raiva e indignação que me faziam não ficar parado. Assim, rumei para as forjas, para ajudar como pudesse.

Porém, não sabia se conseguiria dormir à noite.

Armas:
— {Contritio} / Machado [Machado duplo com lâmina de bronze sagrado, marcada com os símbolos de Hefesto. Possui runas em sua extensão, lembrando um machado vicking. É uma arma pesada, que exige as duas mãos para o manuseio. No nível 20 transforma-se em uma luva de couro batido, com o punho formando um bracelete de metal, que pode ser utilizada na forja como proteção durante o trabalho, facilitando o manuseio de materiais.] {Bronze Sagrado} (Nível Mínimo: 1) {Não Controla Nenhum Elemento} [Recebimento: Presente de Reclamação de Hefesto] (Pegou emprestado de um dos forjadores.)
— {Constructio} / Martelo [Martelo de ferreiro feito em titânio resistente ao fogo] {Titânio} (Nível Mínimo: 1) {Não Controla Nenhum Elemento} [Recebimento: Presente de Reclamação de Hefesto](Pegou emprestado de um dos forjadores)
Poderes:
Considerar passivos até o nível 63. Nenhum ativo relevante.
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Para me encontrar, você precisa trazer ouro imperial. Ai, terás de descer até o fundo do mar e procurar um gigante que me conheça. Depois, suba novamente a terra e siga as direções desse Gigante. Talvez você me encontre, talvez não.

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Re: ♦ Encerramento: Burn, baby, burn! - Postagem aberta

Mensagem por Étoiles de Médici em Dom Jan 11, 2015 1:33 pm

Tempo de luto

Kristy não esperava receber nas primeiras horas do primeiro dia do ano tantas notícias ruins de uma só vez. E muito menos da forma como recebeu. Entenda, ser acordada por um meio-irmão completamente acabado e cheio de ferimentos através de uma Mensagem de Íris não está na lista dos melhores momentos da filha de Hermes. Principalmente quando as primeiras palavras do rapaz após conseguir acordar Kris são:
- Briana está morta.
Essas três simples palavras fizeram todo e qualquer sinal de sonolência que a garota ainda apresentava ir embora. Estupefata, ela encarou a imagem de Kael, imaginando que havia dormido demais e já não era mais primeiro de janeiro, e sim primeiro de abril.
- Hã? – balbuciou depois  um longo tempo de silêncio, ainda não acreditando em seus ouvidos.
Ele respirou fundo do outro lado da M.Í., e então as palavras jorraram da boca do jovem, corridas,  confundindo a pequena mais do que explicando. Kristy se sentia como um bebê tentando montar um quebra-cabeça muito complicado, e mesmo quando ele parou de falar nenhuma peça  havia ido para seu lugar ainda.
- Deixa eu ver se entendi... Alguma coisa explodia com a Bri junto e Quíron quer matar alguém... Fale mais devagar Kael!
O semideus suspirou novamente e tornou a explicar, dessa vez aos sussurros. Quando ele acabou, uma lágrima escorreu de seus olhos azuis. Kristy desejou não ter pedido explicações. A ignorância as vezes é uma dádiva.
Ela balançou a cabeça, agarrando-se a ideia de que poderia ser apenas uma brincadeira. Mas seu meio-irmão não sorriu e nem gritou ”Pegadinha do malandro! Feliz primeiro de abril!”, ele apenas fungou, escondendo o rosto entre as mãos, que possuíam marcas recentes de queimaduras.
Infelizmente, Kael não estava brincando.
- Desculpe por eu te acordar tão cedo... E com notícias tão legais. Mas precisava falar com alguém. – ele disse, e então ergueu a mão, levando-a na direção da pequena, como se fosse tocá-la. Mas então se deteve, e tentou forçou um sorriso, que acabou se tornando uma careta, e antes de encerrar a Mensagem de Íris, disse: - Feliz ano novo, Krissie. – e a imagem se dissipou no ar, deixando o quarto de Kristy novamente escuro.

x x x

Susan não estava nada feliz. Foi acordada por sua filha as sete horas da manhã do primeiro dia do ano, sendo requerida para uma viagem urgente de volta para o acampamento meio-sangue. Algo grave havia acontecido, ela sabia, mas não conseguia nenhuma reposta coerente de sua filha, Kristy.
Sabendo que a pequena conseguiria de qualquer jeito o que queria, mesmo se não fosse levada até lá por sua mãe, Susan decidiu lhe dar uma carona até Long Island, ainda perguntando a cada instante o que tinha acontecido.
Mas Kristy não disse nada. Temia que se respondesse tudo se tornaria real, como se ainda fosse parte de um sonho ruim. Assim que o carro parou em frente a Colina Meio-Sangue, ela correu para fora, sem mesmo responder a despedida de sua mãe. Continuou correndo, concentrando-se nos seus pés batendo contra a grama, na respiração ficando pesada e nas batidas rápidas de seu coraçãozinho.
Tudo podia ser um pesadelo. Ou uma brincadeira. Mas não real. Negava-se a crer.
Ela venceu a Colina, passou ainda em disparada pela Casa Grande, e seu mundo desmoronou. Ofegante, ela caiu de joelhos, os olhos começando a arder. Piscou, na inútil tentativa de tentar afastar as lágrimas, enquanto registrava a atual situação de seu lar.
Construções estavam destruídas. Se via marcas de incêndio por todo lado. Campistas passavam por ela carregando grandes sacos pretos, indo na direção do anfiteatro. Corpos.
A curandeira obrigou-se a se levantar, mesmo com os seus músculos pesados como chumbo. Um pé atrás do outro, ela foi caminhando na direção do Chalé XI. Nunca pensou que veria o acampamento meio-sangue daquele jeito. Já havia presenciado ataques contra o lugar várias vezes, mas nenhum como aquele. E logo nesse, quando ela não estava presente para ajudar, as coisas acabaram tão mal.
Kris deixou suas coisas no Chalé de seu pai, fez algumas perguntas e acabou indo até a praia, o lugar onde tudo começou. Se por onde tinha passado estava tudo destruído, a praia e a floresta em volta estava dez vezes pior. Kael estava lá, com uma cara horrível. Parecia não ter dormido um único minuto, tinha curativos por todo o braço e trabalhava como um robô, ajudando a limpar a praia de toda a tralha incinerada.
Assim que ele a viu, largou o que fazia e correu em sua direção, erguendo a semideusa no ar enquanto lhe dava um abraço de quebrar ossos. No mesmo instante a realidade atingiu Kristy, libertando-a de seu estado de descrença.
Não era um pesadelo. Muito menos uma brincadeira. Era real. E não havia como fugir.
Os fogos foram sabotados. Muita gente morreu. Muita coisa explodiu. Briana morreu. Logo Briana, a amorosa namorada de Kael, a filha de Afrodite que apresentou o acampamento para Kristy quando esta chegou há tanto tempo atrás. A mesma semideusa que sonhava em ser professora. Que usava Kris como uma Barbie em toda santa festa do acampamento, vestindo-a e a arrumando, como se a garota fosse mesmo uma boneca. Morta.
A pequena chorou como nunca havia chorado no ombro do meio-irmão. Permitiu-se ser a criança assustada que era, o que não fazia há muito tempo. Ela havia aprendido a ser forte, que sua sobrevivência dependia de sua força. Mas era tempo de luto, e Kristy era apenas uma criancinha assustada.

x x x

Durante o restante da manhã, Kristy e Kael trabalharam na  praia. Não falaram nada, e nem era preciso. Quando o sinal para o almoço soou, eles largaram o que faziam e foram juntos para o pavilhão do refeitório em silêncio. A pequena sabia que devia ajudar os outros curandeiros, mas primeiro tinha que se certificar que seu meio-irmão favorito não faria nenhuma loucura após a morte da namorada. E ela também não sabia se tinha condições de ajudar feridos no momento.
Kris não conseguia parar de pensar. E  se mais pessoas queridas tivessem morrido? E se ela estivesse ficado para o réveillon, algo teria mudado? Ela poderia ter ajudado? Salvado alguém, quem sabe? Ela afastou os pensamentos da cabeça e se sentou na longa mesa designada para o Chalé XI. O clima do ambiente era tão pesado que quase dava para se tocar.
Não se parecia nem um pouquinho com o refeitório que havia deixado no dia trinta, quando foi para a casa de sua mãe em Nova Iorque. Ninguém fazia piadas, ninguém ria, ninguém brincava. Aquele era mesmo o acampamento meio-sangue?
Ela percebeu que Quíron começava a falar, mas o discurso daquela vez não era o mesmo. Tentou se concentrar no centauro, mas não conseguiu prender sua atenção nele por muito tempo, os olhos vagando sem rumo. Mal reagiu ao comentário de Dionísio, mas o grito que se seguiu conseguiu roubar sua atenção.
Parecia vir da Casa Grande, e quando ela se virou para Kael, percebeu que ele já não estava mais ali. Alarmada, levantou-se, buscando o rapaz no meio da pequena multidão que já se dirigia as presas para o local de onde veio o grito. Kristy se juntou a eles, correndo enquanto procurava o meio-irmão, sem sucesso. Aproveitando-se de sua pequenez e de sua velocidade, ultrapassou muitos na corrida, saindo do meio da confusão e conseguindo encontrar o garoto em um círculo que se formava em volta de algo, bem em frente a Casa Grande.
Assim que se juntou a ele, percebeu que o algo era na verdade um sátiro desacordado. A semideusa observou enquanto alguém pegava da mão dele um papel, e o lia para todos. As palavras mal foram lidas e o ar se encheu de perguntas e de olhares de desconfiança.
Ao lado de Kristy, Kael fechou as mãos em punhos, parecendo querer socar a cara de cada um dos presentes, até descobrir quem seria parte “deles”.  A curandeira automaticamente segurou um de seus braços, e sussurrou, de forma que apenas ele pudesse ouvir:
- Não faça besteira! Não dá pra saber quem eles são. Mas um dia vamos descobrir, e aí sim, eles irão pagar!
O rapaz pareceu ponderar por um instante, e então relaxou, livrando-se do braço da pequena.
- É. Eles vão pagar.
Kris observou ele se afastar, mas ficou parada em seu lugar enquanto fazia uma promessa silenciosa para si mesma. Eles iriam pagar. E Kristy garantiria isso.

Observações:
Kael e Briana são NPC's fixos criados por mim (bom, Briana era. rsrs)
Poderes usados:

Passivos

Considerar todos os poderes passivos dos filhos de Hermes e dos curandeiros de Asclépio até o nível 69, mas especialmente esse:

Nível 40
Super Velocidade - Você é realmente rápido, visto de quem você é filho. A sua velocidade máxima se equipara à velocidade de um carro comum. [Hermes]

Ativos


Nenhum.
Armas:
Nenhuma.


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Re: ♦ Encerramento: Burn, baby, burn! - Postagem aberta

Mensagem por Louise Dupain em Dom Jan 11, 2015 1:47 pm


Without a Word ☭
But while you wave goodbye, I'll be getting closer


Minha avançada e precoce inteligência não estava sendo suficiente para assimilar todos os acontecimentos das últimas horas. Eu entendia o que havia ocorrido, obviamente, mas não compreendia. Por quê? Por que alguém causaria tamanha destruição?

Um enorme pesar se instalara em meu coração quando Tadashi se afastou de mim. Ele disse para que eu procurasse um local seguro e em seguida saiu correndo — provavelmente para socorrer alguém.

Eu abri a boca para contestá-lo quando notei a familiar determinação em seus olhos escuros — fitando-me por sobre os ombros — então apenas aquiesci e decidi obedecê-lo. Observei-o até que sumisse do meu campo de visão, depois corri na direção de alguns feridos que precisavam de ajuda.

Sem as habilidades dos curandeiros, eu não tinha muito que fazer, mas prestei meu suporte aos mais capacitados e consolei os feridos que não tinham chance de viver — esperando que tivessem ao menos companhia em seus momentos finais.

Fechei alguns olhos vidrados, pressionei alguns ferimentos na tentativa de estancá-los e proferi palavras doces e motivacionais. Quanto mais eu ajudava as pessoas, mais desgastado emocionalmente eu ficava.

Em toda a minha vida — quatorze anos —, eu nunca havia presenciado tamanha tragédia. O caos era tão intenso que quase podia ser tocado. A aflição e o temor aumentavam cada vez mais em meu âmago e precisei de uma grande determinação para não desmoronar. Eu não estava ferido, então precisava ajudar os que estavam. Eu não poderia simplesmente me sentar no chão e chorar — o que de fato era meu desejo.

Quíron ordenara que todos se recolhessem em seus respectivos chalés — ou nas enfermarias, no caso dos curandeiros — e o comunicado chegara aos meus ouvidos através de um semideus que me era desconhecido. Acatei a ordem do centauro e me direcionei ao Chalé de Hefesto.


Andei por todo o chalé, procurando por Tadashi, mas ele não estava lá. Questionei alguns meios-irmãos se o viram, porém todos responderam negativamente. O medo que eu sentia se expandiu, deixando-me sem fôlego, com a boca seca e o coração acelerado.

De repente, todos os sentimentos ruins que eu estava sufocando foram liberados. Deitei em minha cama, quase sem força para permanecer em pé, sentindo a exaustão sobre os meus ombros, e fechei os olhos.

Meus pensamentos se voltaram às cenas das últimas horas. Os mortos, os feridos, a destruição... Meu peito parecia encolher com cada lembrança. Por quê? Por quê?

Tentei controlar a minha respiração, para me acalmar, mas não consegui. As imagens fluíam por minha mente e eu não conseguia impedi-las. Onde você está, Tadashi? Onde você está?

Fiz esforço para me levantar, mas minhas pernas fraquejaram e eu caí na cama. Permaneci deitado, paralisado pela preocupação, mas então um pensamento surgiu: talvez ele esteja prestando auxílio aos curandeiros, nas enfermarias.

Respirei fundo, sentindo gratidão e alívio. Como eu não levantei essa hipótese antes?, pensei quase sorrindo. Estiquei meus braços, estalei os meus dedos e deixei que o cansaço tomasse conta de mim.

Um, dois, três... Senti o sono se aproximar e o recebi de braços abertos.

●●●

Acordei com a sensação de não ter dormido. Eu havia apagado completamente, mas ainda sentia cansaço e exaustão. Tentando não pensar muito, fiz minha higienização matinal e me voluntariei para ajudar a preparar as mortalhas para os filhos de Hefesto que foram encontrados e identificados em meio aos corpos mortos.

Foquei meus pensamentos somente em tal atividade, bloqueando todos os outros. Às vezes, as lembranças do dia anterior tentavam surgir, mas eu as bloqueava pensando em fatos aleatórios sobre robótica.

As horas foram passando e já era perto da hora do almoço quando um de nossos meios-irmãos convocou todos os filhos de Hefesto. Eu não o conhecia, mas ouvi um garoto informar a outro que aquele era Hiccup, o ex-monitor.

Ouvi atentamente o que Hiccup tinha a dizer, percebendo que ele não estava tão bem quanto queria aparentar.

— ...E precisamos de mais uma mortalha — falou ele, ao final do discurso motivacional. — Ontem, um de nossos irmãos morreu naquela explosão.

Eu não conhecia todos os filhos de Hefesto, mas tal fato não me impediu de ficar triste. Afinal, se ele estivesse vivo, poderíamos ser amigos. Peguei uma das mortalhas, já me aproximando um pouco mais de Hiccup.

— Eu não sei quem ele era... Provavelmente um dos novatos — meu coração começou a acelerar. Não havia muitos filhos de Hefesto que eram novatos. — Era um garoto de cabelos negros, olhos de mesma cor e pele branca. — Minha respiração ficou fora de controle e senti uma vertigem tomar conta de mim. — Ele... Ele estava aqui só para passar o ano novo, como eu estava. Eu... Deveria tê-lo tirado das forjas, mas ele tinha um olhar que me fez deixá-lo lá. Um olhar de determinação. Ele foi tirar os combustíveis das forjas para colocá-los no armazém e... — Hiccup baixou a cabeça e eu deixei que a mortalha caísse de minhas mãos. — É minha culpa.

As lágrimas, as quais eu não havia percebido se aproximar — tamanho era o choque —, jorraram de meus olhos. Um soluço irrompeu de minha garganta e me esforcei a sair correndo do Chalé de Hefesto.

Não pode ser! Não é possível! Por quê? POR QUÊ?

Corri por alguns metros, mas minhas pernas fraquejaram e caí no chão sobre os meus joelhos. Não senti a dor física, porque o buraco em meu peito era muito maior.

Fechei os olhos, sentindo as gotículas salgadas escorrerem até chegar aos meus lábios, e ergui minha cabeça para cima.

— POOOOOOOR QUE, DEUSES? POR QUÊ? — deixei o grito, até então preso em minha garganta, sair.

Meu corpo tremeu por causa da dor que eu sentia. Tadashi não deveria ter morrido. A culpa não era de Hiccup, como ele próprio acreditava, mas minha. Meu irmão não teria morrido se não tivesse ido ao Acampamento para passar o ano novo comigo.

— AAAAAAAAAAAAH! — gritei, na vã tentativa de colocar para fora o pesar que me envolvia.

— E agora, Tadashi? Tínhamos combinado que eu ia estudar na mesma faculdade que a sua... Você... Você não deveria ter me abandonado! Volte, Tadashi, por favor... — implorei, mas sabendo que ele não voltaria.

— Quanta dor para alguém tão jovem — ouvi uma calorosa voz dizer. — Abra os olhos.

Passei a mão em meus olhos, enxugando parte das lágrimas, e fitei o rosto do autor da voz. Cabelos castanhos, olhos claros e serenos, e expressão facial de ternura. O rapaz me abraçou, sem emitir qualquer outro som, e os meus sentimentos foram intensificados.

Chorei descontroladamente. Eu teria vergonha de minha atitude se não estivesse tão desestruturado.

— Ele... ele... se foi — falei em meio aos soluços de choro. — Ele se foi e n-não vai voltar.

O rapaz deu tapinhas nas minhas costas, ainda em silêncio. Afastei-me do semideus e enxuguei meus olhos com as barras da camisa. Ele colocou a mão direita sobre o meu peito e aos poucos a dor foi sendo amenizada.

— Sou Mark, filho de Héstia — falou ele com seu tom de voz caloroso. — Eu não posso deixar você sentir tamanha dor agora. Peço desculpas por estar amenizando a sua dor, mas, por causa das circunstâncias, você precisa ser forte. Muitas pessoas aqui ainda precisam de nós. Você poderá viver o seu luto, mas não agora. Desculpa.

A voz de Mark, aos poucos, foi acalmando a tempestade em meu ser. Quando ele terminou de falar, eu já estava me sentindo melhor e mais calmo. Eu sentia que era errado não estar sofrendo por meu irmão, mas também sabia que ele não ia querer que eu deixasse os outros semideuses desamparados. Afinal, ele havia morrido por ter ajudado um. Então, como Mark dissera, eu poderia lamentar depois a perda que sofri.

— Meu nome é Hiro e eu sou filho de Hefesto — falei quase sussurrando. — Obrigado.

— Precisamos ir. Hora do almoço. Ficarei ao seu lado — disse ele.


Caminhamos até o refeitório, onde estavam os semideuses em boas condições, Quíron e Dionísio. Eu não me sentei à mesa de Hefesto com meus meio-irmãos e Mark permaneceu ao meu lado.

Eu ainda sentia, embora distante, aflição e sofrimento. No entanto, a presença do filho de Héstia apaziguava quase que completamente os sentimentos ruins.

Fitei o centauro, como todos os presentes faziam, e foquei minha atenção em suas palavras. As palavras de Quíron me fizeram levantar algumas perguntas, principalmente sobre quem era o fugitivo.

Não senti prazer em saber que um dos sabotadores da festa de fogos havia morrido, uma vez que este poderia ter sido, também, o autor da explosão que causou a morte de meu irmão; mas senti a necessidade de que a justiça fosse feita e o culpado que havia fugido pagasse por tudo o que havia causado. Que as Parcas cuidem de você, infeliz.

Como de praxe, assim que o discurso de Quíron terminou, as conversas começaram. Em outro momento, eu teria criado inúmeras teorias sobre o fugitivo, mas eu estava cansado demais para tais atos.

Um grito muito alto ecoou pelo refeitório, vindo da Casa Grande. Meu coração acelerou, mas logo fiquei calmo novamente.

— Vamos, Hiro — disse Mark, já caminhando em direção ao local do qual o grito havia sido emitido.


Um sátiro estava desmaiado quando chegamos e um semideus estava com um papel na mão, prestes a ler o que estava escrito.

Arrepios percorreram meu corpo à medida que o semideus foi lendo em voz alta o conteúdo do papel. Fitei os olhos de Mark, que assumira uma expressão apreensiva, mas não falei coisa alguma.

Aquele bilhete, claramente, era uma forma de disseminar a desconfiança entre os semideuses.

Adendos:

— Poderes e armas não foram utilizados neste post.
— Mark é uma conta minha, então... Tenho minha autorização. [?]
— Tadashi é um npc que faz parte da trama do Hiro/Hiccup.
— Hiro e Hiccup não se conhecem.*

companion: mark humor: abalado/normal post: 001
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Re: ♦ Encerramento: Burn, baby, burn! - Postagem aberta

Mensagem por Isobel em Seg Jan 12, 2015 4:41 pm



A Mentira de Quíron
 


Quíron mentiu. O acampamento não era tão seguro quanto ele dissera todos esses anos. Isobel não confiava plenamente no centauro, mas não conseguia acreditar que ele teria coragem de mentir tanto. Era óbvio que o acampamento era um lugar criado para despreparar semi-deuses e retardar espíritos da natureza. Desde que Isobel chegará ela aprendera um pouco sobre o comportamento humano, ela não nega, mas ela não havia recebido treinamento algum que lhe pudesse ser útil quando o assunto é proteger sua árvore.

Grande parte da floresta tinha sido atingida por um incêndio na noite anterior e por pura sorte, Selma - a árvore de Isobel - não foi atingida pelas chamas de uma explosão de uma festa. A dríade não estava traumatizada, pois nem presenciou os acontecimentos bizarros que suas primas comentavam, uma vez que ela foi fazer a visita anual ao tronco caído de sua falecida amiga, Florence.

Ela estava sim, muito triste por perder algumas colegas e ao mesmo tempo muito indignada... Como isso pôde ocorrer? Ainda mais em um local onde um deus olimpiano e um centauro experiente eram 'responsáveis'? Desde a morte de Florence a donzela não se sentia segura e desconfiava de tudo, e se enganou nos últimos três meses acreditando que tudo iria mudar, que agora ela estava segura, que aprenderia a defender a floresta e ajudaria a natureza a continuar seu ciclo. Mas depois disso ela teria tanta certeza?


♦     ♦     ♦


Era manhã e Isobel ajudava a servir o café da manhã aos campistas. Ela notou que muitos dos que ela via habitualmente não estavam, que grande parte estava com queimaduras feias, feridos por conta das explosões que tinham acontecido na praia. Os líderes de chalé, Quíron e Dionísio não estavam contentes e um clima pesado de luto pairava pelo ar. A jovem não conhecia profundamente ninguém mas estava triste, pois sabia bem o que era a dor de uma perda.

Quíron se levantou e anunciou coisas... Coisas essas que que até a dríade sabia. Nada era revelador e todos pareciam procurar um culpado... Isobel pouco se preocupava com o culpado, se preocupava mais com a falta de assertividade dos organizadores do evento. Mesmo ela que aprendia aos poucos sobre o comportamento humano, sabia que não era uma boa ideia fazer uma queima de fogos tão perto de uma floresta. O ideal seria que levassem os fogos a uma balsa, e explodissem os fogos no mar, de modo com que as chamas não se espalhassem de forma tão fácil, de forma com que os barulhos não prejudicassem a audição dos espectadores... Amadores... Definitivamente, a donzela não achava aqueles seres superiores as plantas no quesito inteligência.

Indiferença. Pouco importa se estão atacando o acamamento, ela não ligava. Ligava mais para a falta de preparo do acampamento. Como o próprio centauro disse, o lugar passou por dificuldades estrondosas há alguns anos... E mesmo assim não preparou para outra possível ameaça? Será que eles acreditavam mesmo que Cronos era a única ameaça? Amadores...

O que acontecia ali era nojento, mas Isobel tinha um um plano - continuar a aprender mais - e continuaria a segui-lo. Por enquanto, ela era invisível perante aos outros, mas em breve todos veriam o legado que ela vai deixar ao mundo. Indignada, ela seguiu para a floresta, logo ela teria aulas sobre o 'Comportamento Humano'.
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Re: ♦ Encerramento: Burn, baby, burn! - Postagem aberta

Mensagem por James Mont'Castio em Ter Jan 13, 2015 9:39 am




Someone Told Me

(Jake Bugg ft. James Mont’Castio)


James acordara tarde demais, o que parecia no mínimo cômico - senão irônico - para um filho de Hipnos.

Qua léo ploblema? — perguntou ainda meio sonolento, coçando os olhos com as mãos.

Seu parceiro, um curandeiro, fora quem chamara o colega no chalé. Ele estava aflito e com um ar quase doente; havia fuligem na maior parte de seu corpo, como se tivesse passado por uma tempestade de cinzas.

— JAMES! — ele virou-se para dar um tapa no loiro, que finalmente pareceu acordar de fato, ficando lúcido. — Os fogos, James. A queima de fogos, a praia...

Emocionado, o companheiro se retesou, não parecendo conseguir transformar os pensamentos em palavras.

— Não tô entendendo nada — comentou, cruzando os braços e virando o rosto de lado, acostumando ainda a visão à luminosidade e às formas ao seu redor.

Provavelmente, Mont'Castio era um dos únicos que dormia durante a queima de fogos. Em parte, porque não via sentido naquelas comemorações, como Natal, Halloween, Dia das Crianças, aniversários... Simplesmente, não entrava na sua cabeça o motivo daquelas coisas existirem - e, tampouco, de serem tão festejadas. Talvez, a sua preguiça em ir atrás das histórias das festividades explique um pouco disso.

— Eu nem gosto de ano-novo — e suspirou. — Já estamos em 2015? Não mudou nad... — James fora interrompido por um choro entrecortado por soluços.

— Os fogos, James. — O semideus ergueu a cabeça e o fitou com olhos vermelhos, cheios de lágrimas. — Deu tudo errado.




Com "tudo errado", ele esperava algo como "a bebida acabou". A verdade foi que, ao chegar na praia, encontrou um campo de batalha - ou o que restara dele.

Corpos jogados a torto e a direito, armas ocasionais por aí, pedaços de humanos... Mont'Castio segurou o estômago para não vomitar, respirando fundo. Logo, entendeu a gravidade da situação e pôs-se a trabalhar: improvisando macas e fazendo curas rápidas aqui e ali, conseguiu até mesmo produzir algumas poções fracas e simples, distribuindo-as aos mais necessitados.

Assim, esperava ocupar sua mente. Simplesmente, não cabia na sua cabeça o cenário a sua volta.

Aquilo não deveria ser real; parecia mais um pesadelo.

Infelizmente, filhos de Hipnos devem ser um dos melhores seres para distinguir o sonho da realidade. Definitivamente, o Acampamento estava destruído.




Já era quase hora do almoço quando Gwen, uma curandeira ruiva, bateu à enfermaria do garoto de Hipnos, que - por milagre das circunstâncias - não dormia.

Por sua enfermaria ser numa pequena caverna, abrigara ali os semideuses mais relacionados aos hábitos noturnos, apagando todas as luzes e impedindo da luz entrar, para bonificar os poderes de cura dos próprios, além do tratamento que prestava individualmente a cada: quando não estava realizando pequenas intervenções cirúrgicas mais simples ou cicatrizando ferimentos, preparava poções ou controlava o sono dos pacientes para que se tranquilizassem, acalmando suas mentes.

— E aí? — questionou a jovem, pulando alguns que estavam acomodados em colchões pela falta de leitos.

O filho de Hipnos suspirou e deu de ombros.

— Todos dormiram. Estou dando o meu máximo — e, dito isso, abriu os braços, apontando para uma série de conta-gotas. — Enquanto descansam, eu pingo gotas de poções em seus lábios, para manter o tratamento contínuo... — ele explicou com certo pesar. Queria fazer mais, mas não conseguia.

Gwen pareceu captar esse sentimento de melancolia na fala de Mont'Castio.

— Ei, Jamie, relaxa. — A garota bagunçou os cabelos do jovem. — As coisas vão melhorar.

Ele realmente apreciava tal posicionamento otimista. Não que ele fosse pessimista, mas fazia mais a linha realista-depressiva.

As notícias ainda corriam soltas pelo Acampamento. Cenas do campo encontrado ainda rondavam sua cabeça, e ele simplesmente...

— É tão horrível. — James fechou o punho, com os nós dos dedos brancos. — É uma coisa tão cruel, tão banal, tão... — gritou, sem perceber, até que ela o calou com uma mão.

Olhando ao redor, percebeu que o seu descontrole emocional afetara o sono de alguns poucos que acordavam confusos.

— Bem — suspirou pesadamente —, eu estou ok. Só preciso trabalhar, assim não penso no que aconteceu.

Gwen torceu o lábio, mas o ajudou a cuidar dos feridos.

— Talvez — disse ela ao terminar —, você devesse fazer justamente o contrário: pensar sobre. James deu de ombros e bocejou. — Aliás, você já dormiu hoje? Está nesse ritmo desde quando? — Seu tom parecia o de uma mãe, meio brava com o filho, mas ao mesmo tempo meio preocupada.

— Desde hoje, quando me acordaram. — James deu-lhe as costas e comçeou a ralar algumas ervas, como se estivesse próximo de começar outra poção. — Mas também não preciso dormir muito, o que é bom, porque consigo cobrir mais turnos de vigília e... — Gwen não o deixou prosseguir, segurando os pulsos dele e os soltando dos instrumentos de trabalho.

— Pare, James. Você está se matando. Já se olhou no espelho hoje?

Não quebrei nenhum espelho hoje, pensou em responder, mas até o seu senso de humor aparentava estar afetado.

Ele estava prestes a responder-lhe quando um semideus ofegante apareceu na porta da enfermaria e fez um sinal energético para eles. Gwen olhou com uma cara de eu cuido disso, e portanto Mont'Castio apenas se apoiou na sua mesa, apertando uns botões na cafeteira e conseguindo fazer um expresso, tomando-o após algumas poções próprias para se manter sóbrio.

Após alguns minutos de conversa, o desconhecido foi embora, e Gwen retornou com uma expressão pesada, hesitante, como se não quisesse falar as coisas da forma como lhe disseram.

— Então, não aconteceu nenhum outro ataque a princípio, nada em grande escala... — começou a menina, mas James soltou um suspiro.

— Desembucha.

— Ahn, foi mesmo uma sabotagem. Quíron discursou para acalmar os ânimos no refeitório, mas a euforia de Dionísio fez a coisa toda parecer uma farsa. — A ruiva mordeu os lábios, ainda segurando o resto da conversa. Fuzilando-a com os olhos, James conseguiu fazê-la continuar. — Um sátiro foi atacado na Casa Grande. Havia, hm, um papel lá.

James engoliu em seco, franzindo o cenho e respirando fundo, preparando-se para o que quer que viesse. Todavia, a notícia o pegou desprevenido, sendo mais forte do que esperava.

Abalado, foi um alvo fácil para a desesperança. As palavras proferidas ainda ecoariam muito em sua cabeça.

Entrem em pânico. Este foi um sinal. Nós somos vocês.




(Informações)

Equipamentos:
Bolsa de Componentes Mágicos / Bolsa (Nela são guardados desde objetos para preparo de poções até bisturis e utensílios médicos [ela possui espaço infinito para tais coisas e somente para tais coisas; também aparece e desaparece, dependendo exclusivamente da necessidade do semideus]) {Couro} (Nívem mínimo: 1) (Controle sobre nenhum elemento)[Presente de Curandeiro]

— Colar do Serpentário / Colar (o formato e o estilo da confecção lembram uma serpente dourada; nunca pode ser perdido, vendido ou retirado a força, pois identifica os curandeiros e, portanto, não é considerado um item nas contagens para missões, eventos e tramas, embora ainda seja preciso citá-lo) (seu efeito principal é o de, quando retirado do pescoço, se transformar em um dos itens a seguir: uma réplica quase totalmente semelhante do Bordão de Asclépio (ou seja, uma espécime de bastão rústico e fino envolvido por uma serpente de escamas feitas de prata envenenada que podem ser tão afiadas quanto uma espada, possuindo o mesmo potencial de corte de uma arma laminada; ele se adapta completamente ao tamanho e porte físico do usuário). {Prata, madeira e veneno} (Nível mínimo: 1) (Controle sobre nenhum elemento) [Presente de Curandeiro]

Poderes:
Passivos:

Relógio biológico alterado: O filho de Hipnos precisa dormir menos do que os outros mortais - ainda que acabe passando mais tempo dormindo por causa de seus poderes. Nesse nível, ele passa a necessitar de uma hora a menos de sono que um semideus/ humano comum, dormindo apenas 7h por noite. A cada 5 níveis acima, o tempo de sono diminui 1h, até chegar a um mínimo de 4h por noite, sendo este o período necessário para que seus poderes façam efeito. [Modificado. Antigo "Corpo e Mente Sadio"]
Visão noturna - Filhos de Hipnos são ligados à escuridão, podendo ver normalmente durante a noite ou em locais não-iluminados, desde que a escuridão não seja mágica.[Novo]



{Olhar Clínico}
— Descrição: Há uma espécie de lenda urbana que diz “grandes médicos sabem o que o paciente sente apenas de olho”. Pois bem, isso se aplica aos aprendizes, mas de uma forma diferente: ao avistar alguém, consegue “ver” as informações de saúde deste indivíduo (por exemplo, possíveis fraturas, doenças, batimentos cardíacos, oxigenação, vida, energia e situações psicológicas e sociais). Estas informações aparecem em forma de dados e gráficos para o aprendiz, como na tela de um monitor de hospital.
— Restrições: Situações psicológicas e sociais só se aplicam a pessoas que deixarem o curandeiro ter esse conhecimento, o que resume a, normalmente, aliados.
— Informações Extras: Não há.

{Aprendiz Formado}
— Descrição: O primeiro passo para tornar-se um médico relevante é concluir o ensino superior desta área. Interpreta-se que, ao não desistir, o indivíduo em questão está realmente interessado em sua função desenvolvida. Estima-se, também, que o conhecimento deste já será bem mais completo do que aquele que entrou há tempos atrás e contarão inclusive com uma maior prática. Sendo assim, os equívocos iniciais já se tornarão mais raros. Este dom inclui o conhecimento sobre a aplicação de remédios no momento oportuno e de talas quando necessário.
— Restrições: Operações complexas exigem mais vivência e ainda não possam ser alcançadas.
— Informações Extras: Inspirado em “Aplicação de Remédios”, antigo poder passivo de nível três, e em “Criação de Talas”, antigo poder passivo de nível seis; créditos parciais a Renan Xavier. O campo “Conhecimentos Médicos” é liberado a partir da conquista deste poder.

{Perícias com Equipamentos Médicos}
— Descrição: Desde um estetoscópio até um bisturi: qualquer que seja o instrumento médico, o aprendiz de Asclépio saberá utilizá-lo com perfeição e, em casos extremos, pode invoca-los sem gasto de energia para – e somente para – intervenções cirúrgicas ou hospitalares, ou seja, sem fins ofensivos.
— Restrições: A utilização dos instrumentos deve ser interpretada e, se for usada de forma errônea, ignorada; é importante ressaltar que estes instrumentos só podem ser invocados pelo aprendiz quando este está exercendo o ofício da medicina.
— Informações Extras: Inspirado em “Perícia com Instrumentos Cirúrgicos”, antigo poder passivo de nível vinte e cinco; créditos parciais a Renan Xavier.

{CONHECIMENTO MÉDICO — Biologia Celular I}
— Descrição: Biologia celular (histologia e citologia) é o ramo da biologia que estuda as células no que diz respeito à sua estrutura, suas funções e sua importância na complexidade dos seres vivos. Com a invenção do microscópio óptico, foi possível observar células nunca antes vistas pelo homem: as células. Os componentes que dão vida à célula compreendem: a membrana citoplasmática, o núcleo, as mitocôndrias, os retículos endoplasmáticos, os lisossomos, o complexo de Golgi, o nucléolo, os peroxissomos, os centríolos, o citoesqueleto, o cloroplasto e a parede celular, sendo este último encontrado em bactérias, fungos e vegetais.
— Bonificações: O aprendiz adquire o conhecimento sobre o funcionamento das células. Dessa forma, suas curas (apenas curas feitas por poderes ou métodos convencionais; nada de poções) adquirem um bônus de dez.
— Observações Extras: O bônus de dez só é ministrado àqueles poderes ou métodos que visem realmente a cura (seja de vida ou energia), ou seja, àqueles que já possuem recuperação de vida ou energia.

{Resistência a Sonolência}
— Descrição: Não são poucas as vezes que os médicos fazem plantão e ficam por mais de horas sem descansarem ou tirarem um leve cochilo, trabalhando excepcionalmente bem mesmo com as suas más condições. Assim, os aprendizes, com prática, adquirirão a capacidade de não dormirem tão facilmente e não serem pegos em efeitos de soníferos ou qualquer golpe que vise à dormência deles.
— Restrição: Como o próprio poder já diz, não é imunidade, apenas resistência. Portanto, metade do efeito é cancelada, e o arredondamento é feito para baixo.
— Informações Extras: Não entra nessa resistência forças divinas.

{Tranquilidade}
— Descrição: Médicos necessitam, constantemente, de tranquilidade e calma para realizar uma operação. Afinal, o que menos poderiam querer seria cometer um erro por nervosismo. Lógico que isto passa a ser uma das habilidades dos curandeiros, podendo resistir a efeitos de medo, pânico e paranoia.
— Restrições: A resistência é fraca, contudo, e só retira metade do efeito; e os arredondamentos são feitos para cima.
— Informações Extras: Idealizado por Sadie Bronwen.

{Concentração}
— Descrição: Os médicos, regularmente, devem operar um paciente que lhe dá prazer e lhe provoca os mais sórdidos desejos e o fazem com frieza de quem se preparou anos para tal situação. Sendo os aprendizes aguardados como curandeiros responsáveis do Acampamento, eles também devem desenvolver essa concentração. Então, efeitos de charme, sedução e confusão mental possuem seu efeito anulado, caso o utilizador seja mais forte em níveis do que o aprendiz.
— Restrições: Se o outro for mais forte em níveis, o efeito funciona normalmente.
— Informações Extras: Não há.

{CONHECIMENTO MÉDICO — Anatomia I}
— Descrição: Anatomia (latim tardio: anatomia) é o ramo da biologia no qual se estudam a estrutura e a organização dos seres vivos, tanto na parte externa quanto na parte interna. Alguns atores usaram este termo incluindo na anatomia igualmente o estado das funções vitais (respiração, digestão, circulação sanguínea, etc) para que o organismo viva em equilíbrio com o meio ambiente, o que é o equivalente à morfofisiologia (grego: morphe, forma + logos, razão, estudo).
— Bonificações: Por possuir um grande conhecimento anatômico, os aprendizes poderão identificar mais facilmente os problemas do paciente, porém somente quando o problema for físico.
— Observações Extras: Exames ainda são necessários, em casos mais complexos. A única anatomia conhecida é a dos humanos.

{CONHECIMENTO MÉDICO — Embriologia}
— Descrição: A embriologia é a ciência que trabalha a formação dos órgãos e sistemas de um animal, a partir de uma célula. Faz parte da biologia do desenvolvimento. O desenvolvimento embrionário dos animais inicia-se pela relação sexual, gerando o zigoto ou ovo.
— Bonificações: Os aprendizes, uma vez por ocasião, poderão estimular o crescimento de algum vegetal, animal ou humano.
— Observações Extras: Esse estímulo não significa que é instantâneo. Poderia, por exemplo: deixar a grama num local ligeiramente mais alta para esconder alguma armadilha ou objetos pequenos; diminuir o tempo de uma gestação (metade); crescer um filhote, liberando-o da necessidade de amamentação; etc. Essa ocasião, quando na enfermaria, é limitada a uma vez por paciente a cada atendimento (isto é, se o paciente sair e voltar em outro momento, poderá ser usado novamente).
Ativos:
— Toque Curativo: Poder de efeito rápido e instantâneo. Com uma aura luminosa a envolver a mão do aprendiz, este poderá restaurar a vitalidade de alguém que não seja si mesmo em quinze pontos. Pode ser usado até duas vezes na ocasião inteira; uma vez por post, quando se está na enfermaria. O custo é de cinco de energia a cada uso.

— Toque Energético: Poder de efeito rápido e instantâneo. Com uma aura luminosa a envolver a mão do aprendiz, este poderá restaurar a vitalidade de alguém que não seja si mesmo em quinze pontos. Pode ser usado até duas vezes na ocasião inteira; uma vez por post, quando se está na enfermaria. O custo é de cinco de vida a cada uso.

— Descanso I: O cansaço é um inimigo muitas vezes pior que armas. Ao utilizar este poder, com contato dos dedos do curandeiro ao paciente – que não poderá ser si mesmo –, este último ficará isento de qualquer tipo de canseira. Os efeitos serão como se o doente tivesse acabado de dormir por oito horas (que é o recomendado para um homem adulto).

— Panis et Circenses: Crê-se que, nos tempos do Império Romano, fora empregada a política do “Pão e Circo” (do latim: “Panis et Circenses”), cujo intuito principal era alimentar e divertir o povo para distraí-los da vida política. Como saúde não deixa de ser um aspecto nutricional e mental, os protegidos de Asclépio poderão invocar alimentos e bebidas puras e nutritivas, garantindo a sobrevivência do grupo quando este não tem condições boas de alimentação. A comida é apenas a necessária para fartar os indivíduos e nunca sobrará, pois os envolvidos conseguirão comer tudo; além disto, é totalmente pura, ou seja, livre de insetos, pragas, venenos, vírus, bactérias, e coisas semelhantes.

— Anestesia I: A dor causada por machucados pode, agora, ser aliviada pelos curandeiros de forma mística. Tocando os músculos feridos, consegue retirar quaisquer dores do paciente, o que pode ajudar até mesmo na concentração e na calma deste.

— Cicatrização I: Agora o dom de cicatrizar cortes e ferimentos inicia o seu desenvolvimento nos seguidores de Asclépio. Ao tocar as feridas abertas, estas se fecharão em uma rodada, impedindo hemorragias e sangramentos. Este poder ainda não pode ser usado em si mesmo e não restaura nada, servindo apenas para cicatrizar lesões. A cicatriz ficará no local, ainda que as contusões sejam pequenas.

Canção de ninar - O semi-deus murmura uma canção, ou recita as palavras. Um alvo escolhido que esteja dentro da área do som fica sonolento. Inimigos que sejam 5lvl mais fracos ou mais, caem imediatamente no sono, acima disso e até 5 lvl acima do semi-deus, ficam lentos, e seus ataques recebem penalidade de 25%. Acima de 5 lvl não são afetados. Dura 3 turnos, mas se o alvo adormecido for ferido ele desperta. 1 ativação a cada 5 turnos.[Substitui o antigo "Sono Reverso I"]

Coma induzido - O filho de Hipnos consegue alterar seu próprio metabolismo ou de um aliado a ponto de minimizar gastos energéticos. O gasto é cobrado no momento da ativação do poder, mas após isso não há custo de MP. Neste estado, o semideus perde completamente a consciência (mesmo o poder passivo "Consciência Expandida" não é considerado, quando aplicado a si próprio) mas os efeitos de fome e sede são reduzidos, possibilitando que o semideus sobreviva o dobro do tempo sem esses recursos (em geral, um humano sem as duas coisas sobreviveria em média 3 dias). Com o coma, o ar respirado também é em menor quantidade, favorecendo em casos de aprisionamento. Além disso, a velocidade da corrente sanguínea e batimentos é reduzida, diminuindo efeitos de sangramento em 50%. O tempo mínimo de coma é de 1 dia, e o máximo de 7. O coma requer um estado de relaxamento, só podendo ser aplicado em aliados por este motivo.[Novo]

Toque entorpecente - Seu toque adquire a capacidade de entorpecimento da Morfina, e você pode tanto usá-lo a favor de um aliado ou contra um inimigo. Quando usado em um aliado reduz em 50% as penalidades (não os danos) de ferimentos contínuos por 3 rodadas. Contra inimigos, provoca dormência e paralisia no membro afetado [ não no corpo inteiro], por 3 rodadas. Inimigos com 5 lvl acima tem a paralisia reduzida a um turno. Com 10 lvl acima não são afetados. Essa habilidade não afeta os órgãos do adversário,de forma que não é possível fazer o pulmão, rim ou coração do oponente pararem de funcionar. Essa habilidade pode ser usada uma vez a cada cinco rodadas, e necessita de contato físico para que funcione. Cada oponente pode ser afetado uma vez por combate.[Novo]

Sono tranquilo - O filho do deus do sono, conseguirá fazer com que o sono de um de seus aliados seja tranquilo, de forma a fazer com que ele relaxe e recupere 5 MP por rodada que estiver dormindo. Caso seu aliado esteja sobre efeito de algum pesadelo, esse poder apenas anula os efeitos do poder de pesadelo, desde que o oponente que tenha feito o poder seja do mesmo nível ou mais fraco que o filho de Hipnos. Caso seja mais forte, os efeitos do pesadelo apenas serão reduzidos pela metade. Se aplica apenas a efeitos que atrapalhem o sono.[novo]

Gás Sonífero - Abrindo as mãos, o filho de Hipnos emana gases soníferos, fazendo com que, num raio de 5 metros, qualquer um durma, menos a prole de Hipnos. Caso o alvo possua o mesmo nível ou seja mais forte que a prole de Hipnos, o gás fará apenas com que ele fique sonolento, reduzindo a força de seus ataques e reflexos em 25%. Para que essa habilidade funcione, o alvo deverá inalar o gás através da respiração - portanto, criaturas que não respiram tornam-se imunes. A cada rodada que essa habilidade ficar ativa, ocorrerá gasto normal de MP do semideus que a estiver usando, mas pode ser usada por no máximo 3 turnos por combate. Afeta aliados. Alvos adormecidos acordam se forem feridos. [modificado]
Poções:
{Poção Vitalícia Simples} Uma poção de coloração esverdeada-pálida, caso tenha sido formulada do jeito correto, e de gosto ligeiramente azedo; é particularmente básica e, portanto, não necessita da especialização ‘Alquimista’. Seu principal efeito é o de, após ingerida pela boca como um líquido, recuperar a vida do paciente. Por questões de segurança, só pode ser consumida uma dose a cada turno.
~ Tempo: Uma rodada.
~ Efeito: Recuperar trinta de vida.
~ Doses Produzidas: Uma.
~ Ingredientes: Um copo de leite de cabra (disponível em sacos com a medida ideal na Bolsa de Componentes Mágicos); trinta gomos de laranja (disponível em porções decimais na Bolsa de Componentes Mágicos); dez gramas de tiras de casca de limão siciliano raladas (tiras disponíveis na Bolsa de Componentes Mágicos; ralador disponível na enfermaria; balança disponível na enfermaria).
~ Modo de Preparo: Faça uma oração rápida a Asclépio. Primeiro, pesque as tiras da Bolsa de Componentes Mágicos, as rale no ralador disponível na enfermaria e pese-as adequadamente com a balança disponível na enfermaria. Depois de tirar os outros ingredientes da Bolsa de Componentes Mágicos, despeje o leite com os gomos num copo e os misture durante um minuto. Então, salpique as tiras raladas na mistura e dê uma rápida remexida (apenas o suficiente para adquirir a tonalidade adequada). Sirva a poção ao paciente.




{Poção Energética Simples} Ao ser produzida da forma apropriada, a poção adquirirá uma tonalidade arroxeada e um gosto frutífero refrescante e adocicado; comum e imprescindível para os curandeiros, ela não precisa da especialização ‘Alquimista’ para ser feita. O efeito dela é, quando sorvida para dentro dos lábios, restaurar a energia do cliente. É óbvio e claro que ela não pode ser ingerida em excesso e, portanto, seu uso só é liberado uma vez a cada turno.
~ Tempo: Uma rodada.
~ Efeito: Recuperar trinta de energia.
~ Doses Produzidas: Uma.
~ Ingredientes: Duas xícaras de suco de maçã (disponível em sacos com a medida de uma xícara na Bolsa de Componentes Mágicos); vinte gramas de amora em pó (disponível em porções quinzenais na Bolsa de Componentes Mágicos; balança disponível na enfermaria); três folhas de hortelã (disponível em ramos com cerca de cinco folhas por ramo na Bolsa de Componentes Mágicos).
~ Modo de Preparo: Faça uma oração rápida a Asclépio. No início, retire dois sacos de amora em pó e os pese até conseguir o peso necessário. Após isso, escolha dois sacos de suco da Bolsa de Componentes Mágicos e o despeja num copo. Coloque as gramas de amora na bebida e mexa até ficar com a cor certa. Por fim, ponha duas folhas na bebida e outra na boca do paciente. Sirva a poção ao paciente.



{Poção Vitalícia Média} Se criada corretamente, a poção irá adquirir uma coloração semelhante à Poção Vitalícia Simples, porém desta vez será um pouco mais brilhante do que a anterior e será um pouco mais escura. O gosto da poção, a princípio, é azedo, contudo vai se tornando refrescante conforme é ingerida. Este tipo de poção só poderá ser criados por Alquimistas, uma vez que ela é mais avançada que a sua antecedente. Por questões de segurança, só uma dose pode ser ingerida uma vez por turno.
~ Tempo: Uma rodada.
~ Efeito: Recuperar sessenta de vida.
~ Doses Produzidas: Duas.
~ Ingredientes: Um copo de leite de cabra (disponível em sacos com a medida ideal na Bolsa de Componentes Mágicos); trinta gomos de laranja (disponível em porções decimais na Bolsa de Componentes Mágicos); dez gramas de tiras de casca de limão siciliano raladas (tiras disponíveis na Bolsa de Componentes Mágicos; ralador disponível na enfermaria; balança disponível na enfermaria), duas sementes de pimenta-do-reino (disponíveis em sacos de dez sementes na Bolsa de Componentes Mágicos).
~ Modo de Preparo: Faça uma oração rápida a Asclépio. Primeiro, pesque as tiras da Bolsa de Componentes Mágicos, as rale no ralador disponível na enfermaria e pese-as adequadamente com a balança disponível na enfermaria. Depois de tirar os outros ingredientes da Bolsa de Componentes Mágicos, despeje o leite com os gomos num copo e os misture durante um minuto. Então, salpique as tiras raladas na mistura e dê uma rápida remexida (apenas o suficiente para adquirir a tonalidade adequada). Por fim, ponha as duas sementes de pimenta-do-reino na boca do paciente. Sirva a poção ao Paciente.



{Poção Energética Média} Ao ser produzida da forma apropriada, a poção adquirirá uma tonalidade arroxeada, levemente brilhante e um gosto frutífero de refrescante e adocicado; também como a poção vitalícia média, esta só pode ser criada por aqueles curandeiros que decidiram tornar-se Alquimistas. Por questões de segurança, ela só pode ser ingerida uma vez por turno.
~ Tempo: Uma Rodada.
~ Efeito: Recuperar sessenta de energia.
~ Doses Produzidas: Duas.
~ Ingredientes: Duas xícaras de suco de maçã (disponível em sacos com a medida de uma xícara na Bolsa de Componentes Mágicos); vinte gramas de amora em pó (disponível em porções quinzenais na Bolsa de Componentes Mágicos; balança disponível na enfermaria); três folhas de hortelã (disponível em ramos com cerca de cinco folhas por ramo na Bolsa de Componentes Mágicos); dez gramas de açúcar (disponíveis em sacos de vinte gramas na Bolsa de Componentes Mágicos; balança disponível na enfermaria).
~ Modo de Preparo: Faça uma oração rápida a Asclépio. No início, retire dois sacos de amora em pó e os pese até conseguir o peso necessário. Após isso, escolha dois sacos de suco da Bolsa de Componentes Mágicos e o despeja num copo. Coloque as gramas de amora na bebida e mexa até ficar com a cor certa, em seguida despeje cuidadosamente o açúcar. Por fim, ponha duas folhas na bebida e outra na boca do paciente. Sirva a poção ao paciente.




Só passando pra frisar que, embora tenha tudo isso aí de poderes, ele usou-os ou na enfermaria (sem gastar energia) ou num longo período de tempo após o término das lutas, ou seja, não é como se tivesse se acabado de gastar MP, fora que ele mesmo faz poções e as ingere.

James Mont'Castio
James Mont'Castio
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Re: ♦ Encerramento: Burn, baby, burn! - Postagem aberta

Mensagem por Drake Darkrain em Ter Jan 13, 2015 8:35 pm



flames

Como qualquer um, Drake curtia o ano-novo. Por vezes sorrindo mais alegre, em meio aos amigos, o filho de Héstia bebia, ria e brincava com os outros meio-sangues, tal qual um adolescente normal.
"Vamos, está quase na hora dos fogos", alguém comentou, puxando-o pelo braço, enquanto um pequeno grupo os acompanhava.
Assim como a maioria, Drake foi para a praia. E, assim como a maioria, foi pego pelo maior acidente de que já se tivera notícia no Acampamento Meio-Sangue.

Atrás de si, as chamas consumiam um apartamento e já se alastravam pela estrutura do prédio.
Rindo, o bêbado quebrou uma garrafa de vodka e, com ela, ameaçou os policiais ao seu redor.
"Vocês são uns babacas mesmo", ele gritou, tirando o maço de cigarros do bolso.
Com a ajuda de um isqueiro, acendeu-o e tragou o fumo, inspirando fundo e então soltando a fumaça em círculos, demonstrando uma habilidade de poucos. A bem da verdade, ter quinze anos e já ser tão experiente no tabaco era algo
nem um pouco louvável.
"Otários!", reclamou quando lhe disseram para abaixar as mãos. Ele apontou para um carro da frota, onde - no banco de trás - repousava um bebê, que choramingava serenamente.
O prédio ainda flamejava.
"Ela gosta de mim, seus merdas", e riu. Sua sobriedade era questionável, senão inexistente. "Fui eu quem a salvou do fogo!", urrou e ergue um pedaço de vidro acima da cabeça, mas apenas o jogou contra o chão.

E foi assim que Drake assumiu a personalidade de Heron, o antiherói.
"ELE ESTÁ ACORDANDO!", alguém gritou próximo.
Drake começou a fazer algum esforço, mas percebeu estar afetado demais, e portanto se entregou às areais do sono novamente.

"Para de chorar, garoto", gritou o diretor do orfanato onde Drake vivia. Dando-lhe uma bofetada com o dorso da mão, acrescentou: "Os teus novos pais estão chegando logo!"
Sentado no chão, o pequenino puxou as pernas para junto do peito e afundou o rosto entre os joelhos, choramingando baixinho.
Ele só não queria apanhar hoje.
"Que raiva de você, moleque!", gritou o homem, que usava uma gravata vermelha. Num rápido acesso de raiva, pegou o brinquedo próximo a Drake e jogou-o às labaredas da lareira. "Quem sabe assim, você creça!", urrou.
O loirinho esperou até a batida da porta anunciar a saída do senhor, para só então aproximar-se do fogo, onde seu brinquedinho se derretia com o calor. Inocentemente, tentou pegar o objeto, apenas para conseguir uma queimadura de terceiro grau em metade do braço direito.


E foi assim que Drake assumiu a personalidade de Lion, a vítima.
"ELE ABRIU OS OLHOS!", alguém gritou, antes de jogar o corpo inerte de Drake por cima do ombro e sair correndo.
Sacolejando, o filho de Héstia deixou-se levar, perdendo a noção de tempo e espaço até ser jogado num colchão, onde deitou e tossiu, cuspindo sangue para o lado.
Uma menina de cabelos ruivos apareceu ao seu lado e trocou palavras com o carregador de Drake. O louro apenas enxergava duas formas, sombras, como se tivesse mergulhado num barril de vodka escura e o líquido ainda o entorpecesse.
Onde eu?..., chegou a perguntar em um murmúrio quase inaudível.
A menina tocou-o, e subitamente Drake sentiu-se um pouco melhor, ainda que acabado.
"Relaxe, por favor", ela disse. Uma lágrima caiu dos olhos castanhos dela e molhou o rosto de Drake.




Na enfermaria, o jovem apenas recebeu notícias. Sem permissão para ir embora, Drake pernoitou por lá duas vezes, até se recuperar o suficiente para conseguir andar com as próprias pernas.
E nada o afetou tanto - nem o episódio de Heron, nem o episódio de Lion - ao saber que todos choravam nos leitos de parentes mortos.
Exceto, talvez, a carta. A carta encontrada junto ao sátiro da Casa Grande, que todos falavam tanto.
Deitado em sua cama, no chalé, Drake piscou os olhos, num certo conflito em sua cabeça, enquanto Heron dizia que Eles eram os heróis, e Lion defendia o Acampamento.
Sem opinião formada, de uma coisa, ele sabia: não passaria em branco naquele conflito.
Fosse para o Bem.
Fosse para o Mal.


Drake Darkrain
Drake Darkrain
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Re: ♦ Encerramento: Burn, baby, burn! - Postagem aberta

Mensagem por Kyle Loran em Qua Jan 14, 2015 12:09 pm

Primrose Explosions
Dentro do Acampamento, como de se esperar, o clima era horrível. Kyle perdeu a conta de quantos morreram, mas o número conseguia exceder os dos figurantes daqueles filmes de ação que só servem pra mostrar o quão mortal é a situação sem matar os personagens principais. Todo adolescente normal que se prezasse parecia profundamente abalado. Conhecidos, amigos, namorados. Mortos. Bem, como muitos perceberam, Kyle não era um adolescente normal e nem se prezava. O ânimo festivo dos filhos de Dionísio era uma característica apreciada, mas tudo tem seu limite. Ninguém parecia aceitar suas sugestões de como retomar a festa de ano-novo imediatamente. Porra, tinha feito a investigação toda pra que? Se fosse pra perder uma mão, que rolasse uma festinha depois. Mas não. Todo mundo parecia num funeral eterno nos últimos dias. Nessas horas em especial, sentia falta das atitudes de Alaska. Talvez os dois arrumariam uma mortalha para sambar em cima no meio de funeral, se ainda estivesse viva. A cara das pessoas normais quando faziam esse tipo de coisa era impagável.

Seguiu, suspirando, para a reunião na Casa Grande. No caminho, mortalhas, destruição, gente morta, e gente que queria estar morta. Tomou uma distância razoável da fila do grupo, antes de passar correndo por uma mortalha alaranjada. Improvisou alguns passos em cima do tecido, ignorando o provável defunto em baixo daquilo.

- VAMOS FESTEJAR, PESSOAL! - Provocou, antes de sair correndo para seu destino.

Não tirou seu tempo para olhar a cara de quem enterrava o corpo, mas presumiu que não era boa, o que era seu objetivo. Pra que ficar chorando na morte dos amiguinhos? Quando Alaska morreu, Kyle fez o que para consolar-se? Foi a uma festa. E foi foda. Agora, depois de esperar meses para o caralho da festa de ano-novo, tudo havia acabado, e não se deram nem ao trabalho de tentar tudo de novo. Tinham que aprender com a mãe de Kyle, aquela mulher que ele esqueceu o nome. O seu quinto marido tentou te matar? Beba. Obama ganhou a eleição? Beba. Perdeu um pedaço da orelha? Beba. Ta feliz? Beba. Ta com fome? Beba. A vida era mais simples e agradável desse jeito. Finalmente entrou na Casa-Grande, atrasado, como de se esperar. A reunião prosseguiu por dezenove eternidades, essas as quais o semideus passou muitas em um universo paralelo mais legal.  Não falou nada por, até porque não tinha nada a dizer.  Tinha ferrado a mão, descoberto uns bichos de metal e sido explodido várias vezes, tipo todo mundo no evento. Mas tinha algo mais... o que era? Alguma coisa tinha chamado sua atenção. Antes quase dormindo, pulou de sua cadeira com um ânimo surpreendente, interrompendo um discurso qualquer de um figurante.

- AHÁ!!!!! - Exclamou, pela vitória pessoal - Eu achei uma maçã no meio da bagaça toda, e quando eu peguei ela, ela explodiu. Agora tenta seguir meu wild raciocínio aqui: Explosões, maçãs simbólicas, gente com um símbolo da anarquia, e a Laura fodendo todo mundo com areia e cerol. Ignorem essa última parte. Enfim, ÉRIS!!! A tiazinha que tem a ver com anarquia, explosões, e maçãs simbólicas, mas não tem a ver com a Laura fodendo todo mundo com areia e cerol. É isso, falous valeus.

Em seguida, saiu correndo para a porta da casa grande, abrindo-a com um chute. Levou as mãos ao lado das orelhas, balançando-as como um gangster prestes a soltar um verso de uma batalha de rap.

- Water tribe - Completou, alto e devagar, saindo da sala. Quíron fuzilaria-o com o olhar se não estivesse emo gótico, mas Dionísio contentou-se com uma mão na testa, como que arrependendo-se de ter um filho daquele tipo. Se Kyle estudasse mais sobre mitologia grega ou não fosse retardado, saberia que aquele era seu pai.

O dia seguinte seguiu normalmente. O filho de Dionísio comia casualmente, quando Quíron chegou e leu uma mensagem que dizia algo do tipo " vai todo mundo morrer". Maneiro.






OBS:


Oi. Então, o evento foi lindo, agradecendo pela terceira vez aqui a todo mundo que participou ou narrou. Como de costume, tem umas referências no texto e falas do Kyle, então se você não entendeu isso da Laura ou o negócio de "Water Tribe", não tente entender. Se você entendeu os dois sem pesquisar no google, você é xeroso/a, e ganhou um biscoito virtual e um tapa na bunda. Xau.

Kyle Loran
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te observando enquanto vc dorme

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Re: ♦ Encerramento: Burn, baby, burn! - Postagem aberta

Mensagem por Vicka L. Danniels em Qua Jan 14, 2015 7:34 pm


 

 


 
That fucking god(dess?) is a badass


 
Um capuz cobria o rosto de Vicka, que exbia um semblante de desentendimento e curiosidade — na medida do possível para quem já havia esquecido como é ter emoções. Os acontecimentos da noite anterior ainda eram claros em sua mente. Toda vez que fechava os olhos, o barulho das explosões fazia eco nos seus ouvidos e, caso se concentrasse bastante, o cheiro de fumaça entupia suas narinas também. Mas... A única perguntava que pairava em sua mente não poderia ser respondida por nenhum semideus, deus ou divindade ali presente: o que estava acontecendo? O que havia causado aquilo? E o principal: que bilhete era aquele que leram em voz alta? Eram muitos pensamentos aleatórios, fragmentos de ideias e teorias pairando em sua cabeça ao mesmo tempo, e a semideusa quase poderia dizer que estava distraída.

Colocou a mão nos bolsos do casaco, enquanto sentava perto de um grupo de garotos que teciam uma mortalha. Como sempre, havia chegado de fininho, com calma e delicadeza, sem ser notada. Ainda olhava ao redor, observando os rostos tristes e abatidos, muitos com olheiras. Aquele era um dos momentos que Vicka costumava pensar em como o comportamento humano chega a ser estúpido e sentimental demais. Todos derramando lágrimas e berrando por explicações lógicas. Tolos. Mesmo que ela ainda conseguisse sentir algo de verdade, seria racional demais para se apegar a alguém. A perda de sua mãe e avó eram cicatrizes o suficiente. Já tinha uma vingança para se preocupar...

Mas a mente da filha de Hermes também se ocupava em outras atividades além de desprezar os outros. Estar na floresta, ver o que viu, ter acontecido o que aconteceu... De alguma forma, toda a situação instigava a curiosidade da meio-sangue. Sabia que não deveria ter saído do chalé quando ouviu a primeira das explosões, mas não poderia ficar parada enquanto o único lugar "seguro" que conhecia era dizimado. Se o acampamento deixasse de existir, onde poderia se esconder? Onde poderia parar e pensar, por poucos segundos, no seu próximo movimento? Havia penetrado pouco na floresta, enquanto tentava saber o que havia causado aquilo tudo, podendo ver o fogo ao longe, mas ainda tinha chances de fugir antes que ele se alastrasse. As pegadas na terra... Nunca havia sido uma rastreadora habilidosa, mas não era característico ver marcas de sapato tão profundas no solo do bosque.

Ainda havia o maldito bilhete. Poderia ser algum idiota desocupado e renegado ferrando com o lugar que havia ferrado com ele, ou alguém realmente estava brincando com aqueles semideuses. "Quem fez isso quer plantar o caos." As palavras ficaram na sua mente por bastante tempo, a figura de Vicka encarando o horizonte — que se resumia em construções destruídas e chamuscadas. Elas começaram a ecoar, e ecoar...

Até que ela veio.

"Curiosa, Vicka? Vamos, vamos. Vamos resolver. Você quer isso. Você quer achá-los. Vamos, vamos."

Apertou os olhos, mantendo sua postura firme e ereta. Não cairia ali. Não se deixaria ser dominada ali. Vai embora. Eu não preciso de você. A coisa ficava mais preocupante a cada dia. As lembranças de Vicka ficavam mais confusas a cada semana. Espaços curtos e vazios em sua memória, recordações calmas e perfeitas demais. Aquele ainda era seu problema principal. Mas... Todo o ocorrido havia tenção. Simplesmente queria, necessitava, resolver aquilo antes de seguir com todo o resto que havia planejado.

— Garota, não vai ajudar não? — Vicka saiu de seus devaneios quando um dos garotos ao seu lado chamou-a. — Até quem está chorando faz alguma coisa. Vai arrumar o que fazer.

A semideusa não questionou, poupando saliva, e olhou para outro grupo de meios-sangues que reconstruíam algum prédio. A filha de Hermes não se lembrava o que ficava ou acontecia naquele pequeno pedaço destruído entre tudo, mas manteve as aparências e passou um pedaço de madeira ou outro, pregando coisas aleatoriamente. Em sua mente, ainda pairavam ideias sobre o que era aquilo tudo, e algum idiota ao fundo começou a gritar sobre maçãs simbólicas. Vicka sentia uma curiosidade descomunal apossar-se de si, e resolveu que cederia, pela primeira vez em muito tempo, àquela sensação.

Não era um idiota banido do acampamento. Muito menos alguém com um péssimo senso de humor.

Eram os deuses. E eles estavam em guerra.

Mais uma vez.

Saindo sem ser percebida, a garota tentou identificar, na multidão, o rapaz que havia tomado o bilhete do sátiro. As palavras já se embaralhavam na sua memória, e ela sabia que não era culpa de nenhuma segunda personalidade psicopata. Apenas... Droga, pensou demais sobre o assunto. Enquanto passava para a área aparentemente não destruída do acampamento, observou um último filho dos deuses trabalhando, e reconheceu sua voz quando gritou com algum irmão. Levantando uma sobrancelha, a garota foi até ele, parando bem atrás do rapaz e esperando ser notada.

Com um susto, o maio-sangue se virou para ela, com uma expressão de pura confusão no rosto. Vicka quase sorriu. Quase.

— O bilhete que você leu. Eu quero saber o que estava escrito nele. — Rapidamente, o garoto passou o papel para Vicka, que leu as palavras repetidamente até memorizá-las. — Toma. — Devolveu a carta para o semideus e saiu de vez do local, sem olhar para trás. Outra parte que precisasse de ajuda na reconstrução seria menos suspeita.

Contudo, Vicka tinha uma certeza: precisaria sair do acampamento mais cedo que o planejado. E acharia o deus que fez aquilo. Pois se poder para quase destruir um lugar supostamente protegido magicamente, ele teria poder para poder suficiente para conceder uma parte dele para Vicka.

Seja quem fosse.

Onde quer que estivesse.
 

 
Extras

leia-me:
Um post emo gótico vampiro raro e diferente
agora é sem zoeira sdbfsfb:
No post informativo da Eos, ela disse que precisávamos postar o posicionamento do personagem em relação a todo o corrido. Talvez não tenha ficado tão claro assim, mas é por causa da personagem e da narração que eu levo com ela, para ficar coerente com seu "psicológico": a Vicka está indiferente às mortes. Ela não prezava por ninguém ali, mas as explosões repentinas despertaram um pouco da curiosidade dela. Então ela está indo atrás do que está acontecendo, e futuramente, de acordo com o que acontecer na trama dela ou do fórum, ela finalmente tomará um posicionamento definitivo, mas, que de alguma forma, tenha saída para ela.


 Thanks, Thiago Leveck.
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Re: ♦ Encerramento: Burn, baby, burn! - Postagem aberta

Mensagem por Logan H. Smitters em Qui Jan 15, 2015 7:50 pm


Boom!
E acabou… ou não.


O pior de tudo que acontecera durante toda a “treta” na praia? Foi o desgraçado ter fugido e o meu ferimento no ombro que não era grande coisa fisicamente, mas psicologicamente era bastante doloroso. Ele usara minha flecha contra mim e ainda havia feito brincadeira com o grupo, como se houvesse planejado tudo aquilo. Tá eu menti, o machucado era grande coisa sim, a flecha havia entrado pelo menos uns quatro centímetros em meu ombro e aquilo doía pra cara... ca. Mas depois cuidaria disso, agora queria somente ir para meu chalé, colocar um curativo básico (não um Band-aid, obrigado, mas não.) e dormir.

Antes mesmo de começar a andar a trombeta de Quíron é tocada e seu som vem da praia, então movimento-me para lá, mas andar era assim: um passo rápido igual a muita dor no ombro, então obviamente demoraria pra chegar lá.

A praia estava destruída,era melhor encomendar outra porque essa já era, lugares pegando fogo, buracos gigantes, destroços pra todos os lados, sangue pra todos os lados, partes de corpos pra todos... Bem você já entendeu, ela estava muito ferrada.

Meu grupo estava reunido perto do centauro, e este tentava organizar os curandeiros e etc. Ouvindo o que Quíron dizia me aproximava de meu grupo. No fim ele nós chamou para a Casa Grande, juntamente com outros grupos de semideuses.  Se tivesse escolha eu iria direto pra o chalé e pronto, mas queriam todas as informações possíveis. A caminhada ate a Casa Grande foi difícil e dolorosa, já que tentava acompanhar o ritmo do resto do pessoal.

Lá, vários deram suas informações e Quíron somente prestava atenção, sem esboçar nenhuma reação.

- Não to a fim de ser um dos últimos então vou falar agora, obrigado. – faço uma pausa para limpar a garganta, então continuo – O que eu sei é isso: Eu tava sentado tomando meu refri, então tudo começa a explodir, meu refri voa de minha mão e me jogo no chão, quando eu levantei a praia estava igual ao inferno, talvez pior, tanto faz. Pulando a parte que me junto com o grupo, um cara aleatório passa as ordens e falo com uns filhos de Hefesto vou para as forjas, indo pra lá ocorrem mais explosões na praia e um bando de borboletas-do-capeta-de-metal aparecem, uma explode e um gás igualmente do capeta aparece, mas ele só toca minhas costas. Depois disso Meredith aparece e o cara malvado aparece, uma flecha vai pra ele e magicamente ele devolve ela no meu ombro. O resto disso vocês devem saber. O ferimento esta doendo muito, então obrigado e tchau. HÁ, quase esqueci, o desgraçado muda de forma, ele é um maluco aleatório ai, uma garota e o cara que deu ordem pra gente no começo de tudo. – Com isso deixo a reunião e vou direto para meu chalé, e lá faço um curativo e deito-me, mas a culpa não saia de minha cabeça, eu poderia ter tentado pegar ele, poderia ter pegado, deveria, mas ele havia fugido e não haviam mais nada a ser feito pra reparar isso.

***

Outro ano, novas chances, novas oportunidades, um novo dia feliz, ou não. O acampamento acordou mais triste que funeral, se bem que era basicamente isso que acontecia, juntamente com a retirada de destroços. Muitas mortalhas eram preparadas e queimadas, todos estavam de luto, a maioria perdera alguém, amigos, namorado ou namorada e esses tipos de coisas. O chalé organizava as mortalhas de nossos irmãos mortos, mas não conhecia nenhum deles, então o tal sentimento de tristeza que se abatera sobre muitos de meus irmãos não caia sobre mim.

Só sai do chalé para o almoço, havia ficado a manha toda no chalé. No caminho para o refeitório vários semideuses andavam chorando, tristes ou simplesmente pareciam abatidos. No refeitório devoro meu almoço o mais rápido que posso, apesar de só usar minha mão esquerda, já que o ferimento ainda doía e movimentar o braço direito é quase impossível, precisava ir o mais rápido possível em alguma enfermaria.  De repente Quíron e o Sr. D. se levantam e dão o tal “pronunciamento oficial”. Um silencio caiu sobre todos, ninguém ousava falar enquanto o centauro estava de pé. De uma forma engraçada e muito amedrontadora Sr. D. ameaçou os culpados. Após isso todos discutiam sobre os acontecimentos. Enquanto faziam isso eu apenas saia do refeitório e me afundava em meus pensamentos e em minha culpa, mas tudo isso foi cortado por um grito vindo da Casa Grande e por um centauro trotando rapidamente em direção a mesma.

Chegando lá juntamente com vários semideuses vejo que a um sátiro caído, e em sua mão um bilhete, alguém pega esse bilhete e o lê:


"Entrem em pânico. Este foi um sinal. Não o único, não o último. Sempre estivemos aqui, só vocês não viram, porque a verdade é algo doloroso demais para admitir. A verdade é que podemos ser o seu namorado, o semideus ao seu lado, o instrutor do seu chalé. Estamos em todo o lugar. Sabemos tudo sobre vocês. Nós somos vocês."  


O silencio mais uma vez cai sobre todos, e vários estavam com caras assustadas e com muito medo, mas eu apensa olhava para todos e saia de lá em direção as enfermarias.

Poucos eram os confiáveis a partir de agora. As únicas certezas que posso ter é que o tal lugar mais “seguro” pra semideuses no mundo agora não era mais seguro, e que algo grande estava vindo.

Logan H. Smitters
Logan H. Smitters
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Re: ♦ Encerramento: Burn, baby, burn! - Postagem aberta

Mensagem por Logan Montecarlo em Sex Jan 16, 2015 11:24 am


stop the world cause i wanna get off with you
lexis skönhet • post único • vestindo isso

AVISO +14

O post contém palavrões e insinuações que, embora não explícitas, podem deixar alguns constrangidos. O leitor tem a liberdade de pulá-lo, mas assumirá quaisquer responsabilidades por lê-lo.




Logan colocou a boxer e vestiu a blusa branca.
— Passa a minha calça? — e fez um sinal de cabeça para um monte próximo de Lexis, que só jogou a roupa dele para o garoto.
Novamente vestidos, saíram rápido a ponto de ouvirem o narrador gritar UM MINUTO! Agrupando-se à multidão de pessoas que se juntava para ver os fogos da praia, ambos ficaram meio abraçados: ele, atrás dela, com as mãos envolvendo a cintura alheia; ela, à frente dele, com as mãos sobre os braços alheios.
TRINTA SEGUNDOS!, o narrador do espetáculo gritou, e Logan virou Lexis rapidamente, apenas para beijá-la rápido, meio urgente, mas com ternura, como se a única coisa que quisesse fosse que aquele momento fosse eterno - e, por um momento, ele se sentiu infinito.
CINCO! QUATRO! TRÊS, DOIS, UM! O casal já estava preparado, apenas esperando...

ZERO!
Aquela fração de segundos foi estranha.
Primeiro, os fogos demoraram mais do que o previsto para explodirem. Segundo, o grito de FELIZ ANO NOVO ficou preso na garganta do locutor, esperando as luzes dos fogos se acenderem. Terceiro, todo o Acampamento se tornou o melhor exemplo de "Caos".
Na praia, bombas. Na floresta, fogo. No anfiteatro, gritos.
A torrente de emoções foi tão forte que causou uma espécie de curto-circuito na cabeça do garoto, que teve que erguer barreiras mentais para se blindar do desequilíbrio dos outros.
O mundo limitava-se a acabar.
"Logan, o quê?...", ela questionou-lhe em pensamentos, virando-se para o garoto. De reflexo, ele puxou-a para baixo; e, sobre a cabeça de ambos, uma perna humana passou voando.
— Eu não... — As palavras morreram enquanto saíram, porque o mentalista não conseguia expressar tudo o que queria. Seu olhar se cruzou com o de Lexis, e ele teve uma única certeza. — Não para de correr.
E, repentinamente, segurando a mão dela, saiu em disparada.
Pulando troncos e alguns cadáveres, Logan trilhava com Lexis um caminho aparentemente seguro, fugindo da confusão inicial. De soslaio, ele observou semideuses se juntarem e começarem a cuidar de tudo o que acontecia, mas não teve tempo de se prender a detalhes, porque a segurança da filha de Afrodite estava em jogo.
Quando saltou por cima de uma mureta, visualizou a distância que faltava até chegar aos chalés.
Merda, praguejou internamente.
Parando, pegou a garota no colo e desacelerou o tempo ao redor de ambos, assim como depois acelerou-o para chegar mais rápido. Ultrapassando o Pátio de Estátuas e a trilha que levava aos chalés, parou a frente de um que era rosa e purpurinado demais.
— Lexis, escuta bem, fica aí — avisou, com preocupação evidente em seu semblante, pulando os degraus da escada e a colocando no chão. — Não saia independente do que aconteça. Eu volto quando puder. — Então, lhe veio uma necessidade de serem aquelas as últimas palavras, caso ele... se machucasse gravemente, por assim dizer. — Eu te amo.
Empurrou-a para dentro e bateu a porta, com força o suficiente para que ela não conseguisse abrir tão facilmente. Virou-se para o massacre que ocorria lá em cima.
Logan correu para o seu suicídio.

[...]
Era um cenário de guerra.
Corpos, espalhados pelo chão, sangravam. O líquido era sugado pelo solo, como se a terra precisasse da água escarlate. Ossos e membros mutilados não eram raros.
Logan se revezou entre alguns serviços: ajudar na fuga dos sobreviventes, auxiliar a retirada daqueles que não podiam andar, controlar as chamas da floresta.
Quando a trombeta de Quíron soou, ele permitiu-se relaxar o peso das pernas e ajoelhar-se no chão, desolado.
Lágrimas percorriam seu rosto sujo de fuligem e tristeza.


[...]
Após organizar seus irmãos e se livrar dos cuidados exagerados dos curandeiros, Logan cumpriu sua promessa: foi direto para o chalé de Afrodite, com o intuito de encontrar Lexis.
Ele usou dos nós dos dedos para bater na porta e entrou logo, não esperando ser anunciado ou coisa assim.
E havia um filho da puta na cama da sua namorada.
E, num acesso de raiva, Logan cuidou daquilo: com um aceno de mão, lançou o guri a dois metros de distância do chalé, fazendo-o voar através da janela.
— Qual é a merda do seu problema, Logan?
A voz dela o atingiu como um martelo na cabeça. Contudo, a fúria retornou, e ele iniciou a discussão:
— Meu problema? Eu te trouxe aqui, são e salva, pra tu me trair com um otário qualquer?
— Te trair? Acorda, garoto, eu não tenho nada contigo. E, por favor, você me deixou sozinha, certeza que foi comer alguma garotinha qualquer.
— Te deixei sozinha, mas em segurança. Eu não fui comer alguém, só cuidar do que o velho estúpido do centauro mandou — gritou, não se importando se alguém ouviria — , mas já no seu caso dá pra perceber que escolheu transar com um idiota. — Houve um silêncio rápido, em que ele acrescentou baixinho: — E não tem nada comigo porque não quer.
— Você não chame o Henry de idiota, porque ele ao menos veio na festa que eu organizei. Já você... Nem pra passar por cinco minutos pra dar apoio na primeira merda de festa que eu dei. Você é o idiota. Ou vai dizer que naquele dia também tava salvando o mundo?
Depois de tudo isso, o lado racional dele pareceu vir a tona, e Logan tirou alguns segundos para respirar fundo.
— A gente gozou junto há um minuto do ano-novo. Ou eu preciso te lembrar de tudo o que a gente conversou lá na festa? Que droga, Lexis, eu gosto de você. Bela maneira de demonstrar que também gosta de mim, transando com Henry.
— A gente conversou? Nós conversamos? Ah, Logan, me poupe. Eu queria ir pro iglu contigo para que a gente conversasse, e você praticamente me forçou a transar. — Foi a primeira pontada no peito de Montecarlo. — Não trocamos nem uma dúzia de palavras e você considera aquilo uma conversa? — Lexis secou uma lágrima com o dorso da mão. Foi a segunda pontada no peito de Montecarlo. — Eu gosto de ti, caralho, mas... que merda, você me deixou sozinha. — Foi a terceira... — De novo. — ... pontada no peito de Montecarlo.
— Eu não sabia que, tipo, queria conversar. — Seu tom era mais calmo, controlado. Envergonhado, olhou para o lado. — Você pareceu tão frágil emocionalmente que acabou propagando os pensamentos sobre... o Logan — comentou, referindo-se ao carinha mortal dela, que era seu homônimo. — Achei que quisesse se distrair pra não pensar nele. Desculpa, pequena, desculpa.
— Você... — Skönhet abaixou a cabeça, diminuindo o timbre para algo próximo a um sussurro. —  Você viu? Eu não queria... Foi automático, eu não queria que você visse.
— Vi — admitiu, recobrando a sua sobriedade, meneando a cabeça e dando de ombros. — Mas não dá pra fingir que ele não existiu pra ti, pequena, e eu entendo isso. — Sorriu, naquele seu jeito único, no canto dos lábios, o mistério infindável do seu sorriso irônico, quase malicioso. — Vem cá, deixa disso, e vamos parar de brigar — e abriu os braços.
Lexis correu pra cima dele, jogando-se no garoto e apertando-o com força. Deitando a cabeça em seu peito, choramingou de leve.
— Logan... deita comigo?
— Deito. — Então, o clima foi cortado por uma tosse débil, meio doente. — Ai, mas abraça um pouco mais fraco que eu tô dolorido, guria.

[...]
Um contrato silencioso foi fechado entre ambos de que não se separariam mais naquele dia. Depois de descansarem um pouco na cama da garota, foram para o refeitório almoçar. Quando Lexis se sentou à mesa de Perséfone e os filhos da deusa pareciam que iam protestar, Logan calou todos com um olhar duro e cortante, como um líder.
Os avisos de Quíron não surpreenderam Logan, mas ele sabia que o centauro apenas deixava as coisas mais leves. A verdadeira irritação de Dionísio parecia sintetizar melhor o espírito do Acampamento: uma desconfiança leve entre todos, onde os laços poderiam ser desfeitos rapidamente.
Algumas pessoas ficaram mais exaltadas, e Logan só bateu com a mão na mesa para calar todos as reclamações provindas da prole de Perséfone. Um grito alto o suficiente para ser ouvido a distância chegou ao refeitório, e ocorreu uma breve confusão para saírem todos. Logan esperou até que Lexis estivesse de pé de seu lado para segurar a mão dela e prosseguir com todos.
Ao chegar lá, observou que Quíron tomava um pequeno corpo entre os braços e que um papel caía meio flutuante, sem ninguém aparentar perceber, como um pequeno bilhete. Apertando duas vezes a mão de Lexis, ela aliviou a pressão, e Logan pediu licença até chegar à frente, levitando o papel até si com a telecinese.
Entrem em pânico ele começou, sentindo um leve tremor por todo o seu corpo, mas continuou a ler. — Este foi um sinal. Não o único, não o último. Sempre estivemos aqui, só vocês não viram, porque a verdade é algo doloroso demais para admitir. A verdade é que podemos ser o seu namorado — e, de relance, olhou pra Lexis, que assentiu com a cabeça, como que se assegurasse que confiava nele —, o semideus ao seu lado, o instrutor do seu chalé. Estamos em todo o lugar. Sabemos tudo sobre vocês. — Logan hesitou um pouco antes de ler a última frase. — Nós somos vocês.
Logan abaixou o olhar para Quíron, que devolveu a mesma inexpressão estampada no rosto do Montecarlo. Ele guardou o bilhete no bolso e desceu do "palanque", tomando Lexis em seus braços, enquanto alguns campistas tentavam falar consigo, mas apenas os ignorava e dizia que somente lera o que estava escrito, de vez em quando permitindo que um ou outro confirmasse o que dizia ao emprestar o bilhete.
Ele deu um beijo na testa da filha de Afrodite e olhou para cima. Tempos difíceis se anunciavam.
Era hora de estreitar vínculos.

OBSERVAÇÕES:
Pode até parecer enrolação algumas coisas, mas tudo tem um significado.
1) O começo é pra mostrar onde ele estava na hora da queima de fogos e as impressões iniciais.
2) A parte em itálico é pra dar uma ideia sucinta de como ele ajudou, afinal é monitor.
3) A discussão com a Lexis é pra demonstrar o quanto ele estava abalado emocionalmente por causa de tudo aquilo, e a reconciliação também expressa um início de melhora.
4) A postura de "liderança", tanto diante dos irmãos, quanto ao ler o bilhete, é pra demonstrarem que ele está melhorando, além de refrisar o seu papel como monitor.
5) No post da VICKA, ela diz que o semideus que leu guardou o bilhete consigo, e só por isso que botei o bilhete no bolso.
PS: Eu falei que o Logan leu o bilhete porque não diz nada que tal atitude seja proibida, assim como ninguém fez isso antes. Se alguém fizer isso depois - dizer que o próprio personagem leu -, é considerado como atitude incoerente e tal, então cuidado.
Qualquer coisa, MP-me.
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thanks maay
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Re: ♦ Encerramento: Burn, baby, burn! - Postagem aberta

Mensagem por Lexis Skönhet em Qua Jan 21, 2015 9:13 am


in a tidal wave of mystery
you'll still be standing next to me
post único • at refeitório • with logan • listening safe and sound by capital cities • wearing isso
— Eu te amo, Lexis.

Por um momento, meu corpo todo pareceu em êxtase. Apesar do caos que se instalara no acampamento após a virada do ano, um sorriso surgiu nos meus lábios.

O sorriso se desfez quando ouvi gritos vindos de longe. A realidade me atingiu. Não era um "eu te amo, durma bem, amanhã passo aqui para tomarmos café da manhã juntos". Muito provavelmente, Logan sequer voltaria.

Então, veio o desespero.

Eu o amava. Amava aquele filho da puta sádico, amava aquele gay metido a pegador, amava aquele Logan. Mas perdi a chance de deixar que ele soubesse disso, talvez nunca mais o visse.

Deixei que as lágrimas tomassem minha face, rolando livres pelas minhas bochechas. Confusa, meio perdida, procurei a minha cama. Me joguei sobre o colchão e tomei nos braços o travesseiro, apertando-o como se aquilo fizesse Logan voltar, afundando nele o rosto, chorando.

Eu te amo, Logan.

•••

Revirei os olhos, mas acabei sorrindo.

— Mimimi. Tu é muito chato, sabia? — Ele riu baixinho e me deu um selinho. — Obrigada por, tipo, passar a noite comigo, foi incrível, mesmo.

— Ei, pode parar por aí, isso 'tá com cara de "foi ótimo transar com você, nunca mais vou te ver na vida". — Caí na gargalhada com a falha tentativa de imitar uma garota. — Você não vai se livrar de mim tão ce...

E Henry simplesmente saiu voando.

•••

Falar sobre as guerras que eu e Logan travamos fora da cama tem se mostrado horrível pra mim. Ultimamente, eu tenho odiado expor o lado retardado/pseudo-agressivo do filho de Perséfone. Em suma, ele voltou ao chalé de Afrodite após ter me largado lá sozinha, encontrou Henry deitado comigo na cama e lançou ele pela janela. Eu, por outro lado, agi racionalmente e mandei ele ir se foder. Mentira, não mandei, fiquei com medo de que ele aceitasse a sugestão e agarrasse a primeira vadia de Afrodite que passasse. Considerando que ele deveria estar puto com o mundo e comigo — já que acabara de jogar um amigo meu pra fora do chalé simplesmente por este estar deitado na minha cama —, eu dificilmente seria a garota que ele iria agarrar, fazendo com que o conselho perdesse parte da graça.

Enfim. Brigamos, choramos — eu, no caso —, nos resolvemos e, surpreendentemente, não transamos. Por fim, perto do horário do almoço, fomos juntos para o refeitório. Fui conduzida por Logan até a mesa do chalé vinte e seis. Ao sentar-me, alguns filhos de Pérsefone pareciam dispostos a usar os talheres para me partir ao meio. Ver Logan calar todos como um líder fez com que uma sensação similar a "CHUPEM, VAGABS, AQUI EU QUE MANDO, CURVEM-SE" corresse pelo meu corpo. Apesar de esfregar na cara ser algo extremamente legal e saudável, temia que Logan se irritasse a ponto de me expulsar dali. Dessa forma, um sorriso irônico e um olhar de desprezo para cada um que protestara bastou.

Para quem passou a noite enfiada do chalé, com medo de obter informações detalhadas sobre o que ocorrera, o discurso de Quíron foi bem esclarecedor. Contudo, sabia que o centauro tentava aliviar um pouco as coisas, transmitir, através das palavras, alguma segurança.

Todos sabíamos que ninguém mais estava seguro.

A fala de Dionísio me fez sorrir, mesmo que por apenas um segundo. Logo me senti culpada por esboçar alguma alegria em meio à tanta destruição.

As conversas nas mesas de cada chalé voltaram, mas tão breve foram novamente cessadas. Todos os campistas se calaram quando um grito atravessou o refeitório. Vinha da Casa Grande.

Imediatamente, todos se dirigiram ao edifício, encontrando Quíron com um sátiro em seus braços. Desacordado, para não dizer morto. Logan pareceu ver alguma coisa e aproximou-se. Vi ele pegar um bilhete que estava junto com o híbrido.

Sentia a tensão se espalhar pelo meu corpo, aumentando a cada frase que Logan dizia. Certamente, não era a única com essa sensação.

Foi um alívio tê-lo perto novamente. Quando pude, apertei-o o máximo que conseguia, mantendo nossos corpos o mais colados possível. Logan era meu porto seguro.

As palavras que ele acabara de ler fixaram-se na minha mente, não as esqueceria tão cedo.

"Nós somos vocês."

Observações:
Oi.
Então, não queria narrar a briga com o Logan pra não ficar tão parecido com o post dele. Pra quem quiser ler, só deixar de ser preguiçoso e subir um pouco a página ou clicar aqui.
Obrigada, Pedro, o revisor mais chato do mundo ♥
Tchau.
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Re: ♦ Encerramento: Burn, baby, burn! - Postagem aberta

Mensagem por Ana M. Thernadier em Qua Jan 21, 2015 12:22 pm

Aviso de classificação etária:

♦ Encerramento: Burn, baby, burn! - Postagem aberta O-choro-e-livre-para-todos-os-publicos
O post a seguir não contém nudez, vocabulário chulo e/ou coercivo, conteúdo adulto, insinuações, violência. Porém, apresenta uma versão diferenciada da situação de um personagem ausente no atentado e nas consequências a seguir. Dada a margem aberta de interpretação, a narração se passará em um lugar diferente de onde todos estão, mantendo a premissa intacta: O luto.
Por questões linguísticas, o post a seguir pode conter informações incoesas no idioma de leitura, mas notas serão adicionadas na intenção de esclarecer tais discrepâncias.


Há um pesar que não pode ser falado. Há uma dor que continua. Camas, locais, funções, todos vazios em chalés, corações e estabelecimentos vazios. Amigos do Acampamento estavam mortos e enterrados.¹


Auld Lang Syne


A festa de Ano Novo era originalmente concebida com a ideia de celebrar a revolução do ano, de acender novas chamas em novas almas, de cantar sobre o amanhã. Mas o amanhã, para alguns, nunca veio.
Atentado, lhe disseram em vozes trêmulas, explosões, mortes, destruição, caos. Eram poucas palavras que não conseguiam nem chegar perto de descrever racionalmente o que havia acontecido durante a queima de fogos edição deluxe.
Mary não estava lá. Não tinha motivos para celebrar a passagem de dois minutos insignificantes, e sequer havia amigos para comemorar o fim desses cento e vinte segundos. No entanto, não se sentia nem um pouco sortuda por ter escapado daquilo. O impacto havia sido tão forte que até ela se sentia abalada. Mesmo já tendo se passar tantas horas após o ocorrido.
Pessoas haviam morrido. Pessoas desconhecidas. Pessoas que poderiam se tornar amigos. Não era o suficiente para fazê-la chorar, porém já passava do estado de mãos trêmulas.
As reuniões a seguir exigiram muita força de vontade para conseguir manter a ordem e se de fato produtivas. O centáuro falava, o deus ameaçava, os incrédulos ponderavam, os enlutados se preocupavam mais com o que perderam do que o que aconteceria a seguir. Silêncio e agitação se alternavam, contribuindo para a atmosfera se tornar mais pesada. Era muita coisa pra acompanhar.
Depois, a correria. A garota não correu junto com a maioria, pois um grupo específico (que sequer se mexeu ao ouvir o grito) despertara sua atenção e curiosidade. Eram aproximadamente nove campistas, tão próximos e inertes que pareciam estátuas. Se apoiavam em todos segurando um ao outro no ombro, impedindo qualquer tentativa de separação. Se um caísse, os outros o segurariam. Ou todos cairiam juntos. Seria engraçado ver algo assim.
Observando aquilo, uma memória de um período não tão distante à chegada de Mary no Acampamento Meio-Sangue despontou. Ironicamente, era em um acampamento de verdade, daqueles com barraca e dias e refeições cuidadosamente contados. Nessa ocasião, na última noite anterior ao retorno de todos envolvidos para suas respectivas vidas, havia a tradição de cantar uma canção de despedida ao redor de uma fogueira. Não era algo muito ritualístico ou emocional, mas de certa forma todos que participassem daquilo terminavam chorando ou emocionalmente instáveis. E depois, tudo ficava bem.
''Parece o tipo de coisa que eles precisam agora'', pensou consigo mesmo. Então, sem escrúpulos, aproximou-se de todos os que ficaram, ostentando um sorriso amistoso na cara.
- Que tal uma fogueira na orla do bosque? - Disse, tentando conquistar a confiança de pelo menos um deles. Não contava com conseguir logo de cara. Dadas as circunstâncias, era difícil conseguir cooperação. - Sem mortalhas, sem luto...
- Não. - O garoto mais alto, mais ou menos no meio da ''corrente'' foi inflexível. Os outros ainda demonstravam estar em choque e não esboçaram reação. Aproximação direta, inútil.
A garota, sentindo-se desajeitada, coçou as mãos e arrastou o pé no chão úmido daquele refeitório. Eles deviam estar querendo silêncio. Tentou, então, usar a tática do nevermind e sair dali com uma deixa.
- Se alguém quiser fazer algo mais do que parecer um voluntário para o terceiro filme da Centopéia Humana, eu estou lá.
Então virou-se e caminhou, pesarosa e desacompanhada, na direção dos pinheiros congelados.

Quando chegou, descobriu que boas intenções nem sempre são acompanhadas de inteligência. O chão estava repleto de neve, e qualquer lenha caída era inútil para uma fogueira. O único combustível disponível estava nos pinheiros, altos demais para uma adolescente com menos de um metro e cinquenta e cinco. Frustrada após inúmeras tentativas de escalada falhas, encostou-se em um tronco e lamentou a existência do inverno.
Alguns corpos se aproximavam ao longe, mais ou menos três.
- Você disse que tinha uma fogueira. - Era um dos garotos que estava no grupo. Sua expressão era algo desapontada.
- Bem, quanto a isso... - Mary desculpou-se, levantando os braços. - Eu esqueci que no inverno é impossível fazer uma fogueira do nada.
- T-talvez eu possa a-ajudar... - Adiantou-se o menor dos três. A menor, na verdade. Era uma criança franzina, embalada em roupas de inverno como uma bola e com o rosto marcado de lágrimas secas. Ela tirou do bolso um pequeno isqueiro, acendeu-o e colocou-o no chão. Era pouca coisa, mas suficiente.
O momento, então, era contemplação solitária.


- Should old acquaintance be forgot and never brought to mind?
- A garota começou a cantar, distraída.²
- Essa música... - Só então a terceira garota falava alguma coisa, e dava para perceber que sua voz estava embargada de emoção. Era de se esperar, pois aquela canção invocava o espírito da nostalgia e da saudade. No momento, era uma emoção agridoce. E a ocasião era ideal.
Auld Lang Syne (clica) é uma canção tradicionalmente utilizada durante a passagem de ano, principalmente em países falantes do inglês. Durante esse momento, todos eram supostos a formar um círculo conjunto ao redor de uma fogueira, cruzando as mãos na frente do corpo de forma que o vizinho da direita pegasse na mão esquerda e o vizinho da esquerda pegasse na mão direita, fazendo uma corrente. A letra da música, apesar de icônica, era desconhecida pela grande maioria das pessoas após o refrão. Mas Mary sabia como contornar aquilo, já que depois disso todos apenas murmuravam a melodia. Aproximando-se daquele ínfimo fio de fogo, cruzou os braços e convidou seus companheiros a fazerem o mesmo.
Por sorte, o gesto não foi encarado com estranhamento, mas sim aceitação. E então os quatro estavam lá, unidos não apenas pelos apertos de mão, mas também pela empatia do momento.



For Auld lang Syne, my dear
For Auld Lang Syne
We'll take a cup of kindness yet
For days of Auld lang Syne
[justify]



E então, a parte que era originalmente cantada em escocês. Como esperava, eles começaram a cantar de boca fechada, acompanhando a melodia mas sem falar nenhuma palavra. Mary resolveu se adiantar e começou a cantar uma verso que não pertencia à versão original.³
- Por que perder a esperança de nos tornar a ver? - Estando de olhos fechados, não chegou a ver a reação. Mas como prosseguiram normalmente, tomou coragem para continuar. - Por que perder a esperança, se há tanto querer?



Não é mais que um até logo,
Não é mais que um breve adeus
Bem cedo junto ao fogo,
Tornaremos a nos ver.


dates, outras pessoas que se importavam com elas. Mas tudo isso, após a explosão, desapareceu. Eles não deviam estar lá, talvez devessem, mas não daquele jeito. Auld Lang Syne não deveria ter sido cantado agora, mas sim no exato segundo em que o calendário terminavam. Auld Lang Syne não devia significar ''Tempos bons, mas passados'', e sim ''renovação.'' Ela devia ter estado lá junto da multidão, mas seu pensamento era tão egoísta e cínico. Devia ter ajudado, investigado, socorrido, ou talvez morrido, ao invés de se isolar e ser inútil.
Logo, o abraço ganhou mais dois pares de braços. Estavam todos ali, juntos, e aquilo iria passar. A dor não deveria ser suportada sozinha, mas sim compartilhada. Mesmo sendo impossível falar alguma coisa naquela situação, a empatia coletiva encarregava-se de espalhar e reconfortar todos os quatro.
E, novamente, o momento era de contemplação. Mas, desta vez, não era solitária.



Notas, considerações.:

¹ - Referência à música Empty Chairs at Empty Tables, do musical Les Miserables.
² - A gravação foi feita no idioma original, visando preservar a originalidade da canção, assim como o verso.
³ - No terceiro momento, a canção foi passada para uma versão em português, mas deve ser interpretada como se tivesse sido cantada no idioma dos falantes, no caso o Inglês.
As informações dadas sobre Auld Lang Syne são verídicas, tendo como fontes [/url]o artigo na Wikipedia (em inglês) e o documentário ''How Auld Lang Syne Took Over the World'' (inglês, sem legenda). Foi inserida no post com a intenção de servir perfeitamente ao momento de luto e enriquecer o testo com uma informação não muito conhecida por pessoas de fora dos países falantes de inglês.

Sem poderes relevantes;
Sem itens relevantes.
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Re: ♦ Encerramento: Burn, baby, burn! - Postagem aberta

Mensagem por Laura Martins em Qua Jan 21, 2015 3:07 pm

Um dia algumas vidas vão para o céu, mas "no mesmo dia" nascem outras vidas também. Os significados de "dia" são diferentes para cada pessoa. O importante é como você se sente ao enfrentar o dia de "hoje". - Erza Scarlet
Isso é apenas o começo...
Depois de ter meus ferimentos curados (causados principalmente por eu ter estado na praia na hora que tudo deu errado e também por eu ter agido de modo completamente estúpido naquele e em vários outros momentos), eu me sentia outra pessoa e conseguia novamente pensar com clareza, de modo que consegui por meus pensamentos em ordem. Não que eu já estivesse 100% bem. Não conseguia tirar o que havia passado na praia da minha mente e ficava muitas vezes repetindo a mim mesma mentalmente: burra, idiota, retardada, desgraça que nunca devia ter nascido. Além dessa auto-depreciação, eu não conseguia mais dormir bem e passava a maior parte do tempo sozinha, pois tudo me lembrava daquele terrível acontecimento.

- x -

No dia seguinte, dirigi-me ao refeitório na hora do almoço e sentei na mesa do meu chalé, ficando com a cabeça abaixada e uma expressão de pura tristeza no rosto. Apesar disso, ouvi atentamente as palavras de Quíron e sr. D, ficando aliviada em saber que talvez o acampamento ainda fosse um pouco seguro, até que ouvi um grito vindo da Casa Grande e sai correndo como a maioria. Acabei por me deparar com um sátiro desmaiado e um papel em suas mãos, este que foi lido rapidamente por um semideus.
Novamente o pânico me apoderou. Droga, ali devia ser um lugar seguro! Pela primeira vez em um bom tempo, desejei que meu pai estivesse ali. Ele sempre sabia me confortar quando coisas ruins aconteciam e as frases que ele me dirigia nesses momentos me acalmavam. Olhei então ao meu redor, encarando os semideuses próximos. "Nós somos vocês". Parecia impossível confiar em alguém agora, sendo que qualquer um poderia ser como eles.
Senti uma mão tocar meu ombro e me virei rapidamente, assustada, mas relaxei quase que automaticamente ao ver que era o meu "herói", o semideus que havia me tirado da praia e me levado a enfermaria. Seus olhos castanhos fitavam o nada e eu percebi pela sua expressão que ele estava completamente enfurecido com aqueles semideuses. Ele então olhou para mim e abriu um sorriso mínimo, dizendo um singelo "vai ficar tudo bem". Não que eu acreditasse naquilo, mas ouvir aquelas palavras me acalmaram um pouco.
Era bom saber que havia alguém que talvez eu pudesse confiar naquele acampamento.
OBS:
- O semideus de quem eu falei é apenas um NPC que vai ajudar na "recuperação" da minha personagem, que está com TEPT (transtorno do estresse pós-traumático) e por causa dele não consegue fazer nada para ajudar o acampamento.
- Nenhuma arma ou poder revelante.
NOTES :Apenas siga em frente. Sempre em frente em seu caminho de luz.
Thank's Lyra' @CUPCAKEGRAPHICS

Laura Martins
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Re: ♦ Encerramento: Burn, baby, burn! - Postagem aberta

Mensagem por Romeo M. Ästelo em Qui Jan 22, 2015 12:36 am



Astronaut




Era noite. Sobre o chalé de Nix, ele meditava.
Escalara-o com certa facilidade, pendurando-se no parapeito da janela e então se puxando pra cima do telhado. Ali, encontrando o reconforto do silêncio, sentou-se de pernas cruzadas e apertou suas pernas e seus braços, aliviando a tensão diária do próprio corpo, em técnicas de relaxamento que ensinaram-no já no Acampamento.
Ao longe, alguns ruídos de comemoração vinham do anfiteatro.
Max girou a cabeça naquela direção por duas vezes, enquanto alongava a coluna. Decidira não ir ao local porque não entendia aquelas festividades mortais, afinal não se recordava de ter contato com elas quando mais novo. Parando para refletir, nem se lembrava do conceito de mais novo...
Balançando a cabeça, evitou pensar naquilo. Por muitas vezes, tinha aquele tipo de "lapso", onde faltava a memória de alguma coisa básica: uma ideia, uma palavra, uma lembrança específica e detalhada...
Enfim, inspirou fundo e manteve o ar nos pulmões, retirando aqueles pensamentos de sua cabeça. Ao espirar, já se encontrava numa dimensão própria - e distante.

Estava escuro. Estrelas acima de sua cabeça pontilhavam o firmamento. A imensidão negra do mar mesclava-se e confundia-se com a linha que a separava do céu no horizonte.
Pessoas eram pontos indistintos ao longe: etnia, gênero, idade, altura - nada era exatamente preciso ao observá-las, devido à distância.
A noite o abraçava e o tocava com dedos macios e leves, descobrindo-o aos poucos, delineando as curvas de seu corpo, desenhando o perfil do garoto.
O estado em que se encontrava poderia ser dito próximo ao da nirvana; perto de atingir o equilíbrio, de alcançar a paz interior.
Nem a falha queima de fogos o tirara da concentração em que estava.
De longe, percebia-se que fora algo grandioso, e Romeo precisou manter o foco para não sair do seu misto de calma e tranquilidade.
Humanos corriam. Os corpos que não foram atingidos pelas explosões corriam de lá, buscando a segurança de seus chalés. Outros, mais dados a heróis, formavam alguma organização por lá, talvez pensando em diminuírem os danos ou salvarem o mundo.
Via o rosto dos que chegavam assustados à área dos chalés, com lágrimas nos olhos. Sabia que deveria ajudar de alguma maneira, mas se resumiu em prosseguir com a meditação.
Não entendia a necessidade humana de viver.


Quando eram perto de quatro horas da manhã, já com as coisas mais calmas - "calmas", a bem da verdade -, Max desceu do chalé e adentrou-o, para não ter problemas com as harpias, embora já tivesse descansado o que tinha para descansar.
Então, prosseguira com o seu dia-a-dia normal. Enquanto os outros campistas choravam, investigavam, preparavam ritos funerários, ele seguiu a rotina: tomou café, ajudou nos estábulos e nos campos de morango, treinou um pouco na arena e ainda banhou-se, numa ducha rápida antes de almoçar.
Alguns criticavam-no por ser indiferente a todos os acontecimentos; outros o agradeciam por ser tão controlado e manter o resto das atividades no Acampamento, garantindo a manutenção de serviços básicos que acabariam esquecidos.
Maximiliano só não compreendia o tamanho da comoção.
No refeitório, desejou comer uma excêntrica salada com cookies e frango defumado e, de bebida, optou por uma latinha de refrigerante de melão. Queimou na fogueira a mesma quantidade de sempre; e somente numa oferenda geral aos deuses, como sempre, sem se preocupar em denominar nomes específicos dos que morreram ontem - hoje, aliás.
Após as palavras tranquilizadoras de Quíron e o aviso de Dionísio, ouviu-se o grito do sátiro. Todos ergueram-se e correram para ver o que acontecia.
Todos menos Max.
O filho de Nix observou os adolescentes saírem e baixou novamente o olhar ao prato, continuando a comer. De fato, não era curioso.
Ainda mastigava quando um irmão seu chegou perto e tocou no seu ombro. Max lhe lançou o que os mortais chamavam de "olhar indagador", apesar de não ter certeza se essa técnica funcionaria.
Há algo errado, e o semideus girou a cabeça pelo pavilhão, como se repensasse se deveria estar ali, muito errado acontecendo.




— Embora o Romeo seja tratado no texto como Max, eles são a mesma pessoa, já que é um nome composto: Romeo Maximiliano.

— Creio que a atitude do personagem de não fazer nada, de ser quase "passivo" possa ocasionar descontos, por isso quero explicar que o Max é assim: totalmente distante, peculiar, inumano. Não, não é como se ele fosse um deus ou coisa assim, mas ele simplesmente não é barrado por códigos morais éticos e não sente a maioria dos sentimentos, como a curiosidade (exemplificada no texto). Isso tem relação com a trama dele, mas eu tomei essa atitude para colocá-lo como alguém diferente, afinal todos nós "vemos os humanos sob a ótica humana", mas e se houvesse alguém que não fosse humano? É um pouco a resposta dessa pergunta que eu quero explorar. A título de curiosidade, eu o baseei em alguns traços de "O Pequeno Príncipe" (Antoine de Saint-Exupéry), "O Guia do Mochileiro das Galáxias" (Douglas Adams) e "O Teorema Katherine" (John Green). Enfim, para ajudar também, segue a personalidade dele no tópico abaixo.

— Já em relação às psicológicas, a mais marcante é a certa distância que ele passa. Quase como se não estivesse no recinto, com a cabeça longe, acaba por ouvir mais do que falar, absorver mais do que propagar.  Talvez por conta disso, é frequentemente descrito como frio ou calculista, quase como se quisesse sempre procurar pela melhor estratégia antes de tomar uma atitude. Na realidade, só é meio aéreo às vezes, além de extremamente sutil e discreto, como um astronauta.



Romeo Maximiliano Ästelo




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Re: ♦ Encerramento: Burn, baby, burn! - Postagem aberta

Mensagem por Hendrik Austin Wyatt em Qui Jan 22, 2015 3:11 am



contos de fadas, volume 1
capítulo um, o atentado — vamos brincar de matar? sim! que legal, você começa morrendo

Eu queria muito ir na festa, sabe?

Quero dizer, todo mundo gosta de festas, e nada me impedia de ir, exceto uma irmã minha que ficou preocupadinha comigo. Ela disse algo bem infantil, como: "Não é o tipo de lugar para você! Hendrik, você não tem nem dez anos!"

E depois eu que sou a criança. Bom, de qualquer jeito, para o bem geral da nação, eu resolvi não ir, até porque eu não iria lá pra ficar cuidando de gente maluca, daqueles tipos que endoidam ao se depararem com as bebidas que tem álcool.

Francamente, vou te contar um segredinho: nunca vi graça naquilo. Uma vez, eu até cheguei a provar escondido, mas tinha um gosto horrível.

Enfim, vamos voltar à história. Eu acabei ficando lá pelo chalé. Daí, pra provar praquela besta da minha irmã que conseguiria ficar super bem lá na festa, eu disse pra mim mesmo que ia ficar acordado a noite inteira.

Acabei dormindo.

Mas há uma razão muito óbvia para isso! Sentado na cama, eu estava de braços e pernas cruzados (e isso não significa que estava emburrado, como os adultos insistem), quando um movimento do lado de fora do chalé chamou minha atenção. Eu olhei pra lá e vi uma silhueta humanoide.

Meio bravinho, assumo, saí da minha cama e fui atrás do vulto. Ele parecia tão entretido em brincar com alguma coisa mecânica que nem me percebeu chegando por trás.

"Olá, moço. A minha mãe me ensinou a não fazer barulho...", e foi aí que eu apaguei.

Acordei na minha cama, com a mesma irmã toda preocupada bagunçando os meus cabelos. Havia um curativo na minha cabeça. Ela sorriu quando eu abri os olhos.

"Que houve?", perguntei meio confuso, bocejando e me espreguiçando.

"Muita coisa, Hendrik", comentou com o olhar pesado. "Muita coisa houve."

Mas aquelas não eram as respostas que eu queria, né. Então, assim que pude levantar, saí por aí e fui pro mesmo local onde tinha achado o moço que me desmaiou.

Não havia nenhum sinal dele, mas a destruição denunciava que realmente muita coisa houve. A areia da praia revirada, as mortalhas sendo tecidas, a comoção geral...

Outro segredinho pra você: eu não estava nem um pouco triste, mas achava que todo mundo ia me achar meio do mal se eu contasse, então mantive as aparências e agi da forma que esperavam. Sabe, eu só queria era dar um bons cascudos no moço que fez tudo aquilo, mas sem ressentimentos.

De qualquer jeito, eu continuei com o meu dia normal no Acampamento, até que a hora do almoço chegou.

Mordendo meu hambúrguer, eu quase não percebi quando Quíron começou os avisos, mas o silêncio geral me fez prestar atenção. Mais louco do que aquilo, foi a ameaça da Dionísio, que me fez rir - e, imediatamente, sofrer uma opressão social alheia, apesar de eu não entender porque tinha que me manter sério se o que ele falara foi engraçado.

Mais louco ainda foi o grito da Casa Grande.

Com minha curiosidade fervilhando e um sanduíche na mão, corri pra lá até que a multidão me impediu de ver o que acontecia.

"Com licença", eu falei, abrindo espaço, nem que pra isso precisasse chutar algumas canelas. Quando cheguei na frente, um rapaz lia um bilhetinho com uma simplicidade de palavras que eu fiquei quase feliz em entender tudo.

Mais um segredinho para sua lista: odiava o jeito como os adultos se referiam a coisas simples com palavras difíceis. Eles pareciam gostar de complicar a vida.


— E, então, aqui estou eu te contando tudo — disse o garoto para uma pelúcia macabra de alguma espécie de demônio alado, que parecia ter sido remendado várias vezes, com costuras a mostra. Nos degraus do chalé de Fobos, Hendrik sorriu de uma maneira meio doentia, mas normal às crianças. — Eu sei que a história foi legal, mas nem cheguei ainda na melhor parte: o sangue seco na praia.
Hendrik Austin Wyatt
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Re: ♦ Encerramento: Burn, baby, burn! - Postagem aberta

Mensagem por Masha Lothbrok em Dom Jan 25, 2015 4:13 pm

Burned
Its coming down, down, down.




   
   
   


Um ciclo viciante. Para os antigos astecas, o fim de um ciclo sempre acabava em tragédia. E como definir o que acabara de acontecer de outra forma? Os corpos se espalhavam pelo chão regado a sangue, jogados e lavados pelas lágrimas dos semideuses que se lamentavam. O silêncio da noite era cortado de forma dolorosa pelos gritos e lamentos dos que haviam se safado, se é que se podia ser chamado assim. A pior dor sempre era a das que sobreviviam. Não era sempre assim, ou pelo menos não era o que diziam?

"I don't know where I'm at
I'm standing at the back
And I'm tired of waiting
I'm waiting here in line
I'm hoping that I'll find
What I've been chasing"



Ali estava ela, entre os corpos de amigos, conhecidos e completos estranhos. Pessoas que haviam significado algo para alguém, haviam tido amigos e família. Momentos antes estavam festejando a chegada do novo ano, e então o caos se instalara. Ali estava ela, perdida e esperando sem saber o que. Queria ser útil, mas não sabia o que fazer. Sem saber ao certo o que fazia, andou por entre os corpos mutilados, agachando-se ao lado de alguns deles para segurar mãos cobertas pela fuligem. Dizia palavras que esquecia logo a seguir, recebia olhares que levaria pelo resto da vida. Chorou até que não lhe restassem mais lágrimas, e invejou silenciosamente os olhares de paz de alguns que partiam. Acariciou corpos que esfriavam rapidamente sobre o seu toque, presenciou últimos suspiros, palavras sem sentido que perdiam-se na imensidão da noite e adeus que se gravavam a fogo dentro de si.

Em certo momento, sentiu que não podia mais. Com o corpo curvado pelo peso da dor, ergueu a cabeça ao céu, belo demais para uma péssima noite, e pediu por respostas aos deuses. Não conseguia mais se movimentar, ainda que a vontade de gritar fosse forte demais. Quis fazê-lo, mas não tinha forças para isso, nem para nada. Quis atirar-se aos céus, mas não tinha asas. Estava presa, afundando, afundando e afundando. Sentiu os joelhos cederem e braços se erguerem para segurá-la. Não sabia de quem eram, mas apenas agarrou-se ao seu calor como se sua vida disso dependesse. E no momento, eles eram tudo o que importava.

"I shot for the sky
I'm stuck on the ground
So why do I try?
I know I'm gonna fall down.
I thought I could fly
So why did I drown?
I'll never know why
Its coming down, down, down."



Amparada por aqueles braços, mas sem saber exatamente como, chegou ao chalé. Sentiu-se desabar sobre a  cama, e encolheu-se em volta de seu próprio corpo, em uma posição fetal. Como aqueles braços eram sua única ligação com o mundo real, com o chão, agarrou-se a eles ainda mais forte, levando-os consigo ao colchão, deixando-se embalar por eles, que pareciam tão familiares. Uma voz feminina e rouca sussurrou um "Vai ficar tudo bem ao seu ouvido" e ela apegou-se a isso com tudo o que pode, era só em que queria acreditar. Virou-se contra a garota, sem saber o que ela ali fazia, mas não havia tempo para perguntas. Apenas deixou que toda a frustração e tristeza do dia a dominassem, assim como as lembranças, até cair em um sono repleto de explosões.

***

Masha acordou e um turbilhão de memórias a invadiram, deixando-a atordoada. Sem querer acreditar, ergueu o tronco rapidamente, olhando ao redor e encontrando olhos vermelhos e inchados, pessoas se embalando, encontrando naqueles companheiros de chalé o apoio para suportar aquilo. O que mais queria encontrar ali naquele momento, porém, — aqueles olhos verdes — ali não estava.

Deixando que a decepção se juntasse àquela sensação de luto, levantou-se pesadamente de onde estava e cumprimentou com um leve aceno de cabeça aos conhecidos, sem olhar-lhes nos olhos. Praticamente correu para fora do chalé, tentando não se perguntar sobre quantos haviam partido ou estavam gravemente feridos. Simplesmente não se sentia pronta para encarar aquilo, não suportava as memórias e pensamentos; estava sendo covarde sim, mas não havia outro jeito. Seus passos perdidos a levaram até uma área atingida pelo fogo, e rapidamente a garota se pôs a ajudar na reconstrução, afinal sempre fora boa com aquilo, e um trabalho manual talvez fosse capaz de afastá-la de todo aquele pesar.

Sentia-se ainda entorpecida quando seus pés a levaram automaticamente para o refeitório, sem qualquer ordem expressa. Sentou-se na costumeira mesa do chalé 11, mas, diferentemente do que era habitual, esta não se encontrava na costumeira bagunça; o mais completo silêncio reinava ali, salvo alguns soluços que escapavam periodicamente de algum semideus. Estes uniam-se como jamais haviam estado antes, como se soubessem que aquela era a única forma de suportarem.

Então, quando o som de cascos batendo sobre o assoalho soaram, a Lothbrok ergueu os olhos de sua comida intocada para encarar o centauro. Com as palavras ditas, olhou ao redor, para aquelas pessoas que naquele pouco tempo que ali havia passado já haviam se tornado sua família. Ela não poderia ir embora mesmo que quisesse; não tinha um lugar para onde correr, nunca tivera. Mais do que nunca, era seu dever ficar, e, ali, encarar todas as dificuldades. Assim, estendeu a mão até o garoto ao lado, um pequeno garoto de 9 anos, novo demais para ter que encarar aquilo tudo, envolvendo-o em um abraço, e viu o gesto se repetir em outros lugares. Talvez a sabotagem estivesse causando a desconfiança, mas também causava a união. Todo mundo precisava de alguém em quem se reconfortar.

Foi quando uma nova agitação teve início, com vários semideuses saindo de seus lugares para descobrir o que vinha agora. Masha, porém, permaneceu em seu lugar, ocupada demais consolando o garotinho, que agora estava em prantos. Não precisou esperar muito mais, porém, para que soubesse do recado: logo uma moça voltou à mesa, repetindo as palavras que haviam sido lidas.

— Não vamos deixar que tomem o que é nosso. — disse, erguendo a cabeça para os que ainda dividiam a mesa, encarando rostos desconfiados e desolados, enraivecidos e desesperados — Não vamos deixar que nos separem. E para isso, precisamos nos manter mais unidos do que nunca. — e ergueu o braço esquerdo, tomando entre sua mão a da pessoa ao lado, e em breve todos faziam o mesmo. Não deixariam que acabassem com aquele vínculo.



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