♦ Evento: Dupla reclamação - Ficha especial para filhos de Nêmesis

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♦ Evento: Dupla reclamação - Ficha especial para filhos de Nêmesis

Mensagem por Organização PJBR em Seg 27 Abr 2015, 16:11


Ficha especial: Filhos de Nêmesis



Dupla Reclamação

Como podem ver, os filhos de Nêmesis estão de volta! Foi um grupo do início do fórum, antigamente retirado, mas, para seguir os livros nesse ponto resolvemos re-inserir, nos aproveitando da trama para tal. Contudo, apesar de sabermos da comoção que grupos "novos" geram, também sabemos o quanto é chato upar desde o início. Por isso, resolvemos essa medida: inserindo a reclamação dupla na ficha, permitirmos, exclusivamente neste período do evento, que os players que desejem mudem de progenitor, com a aprovação através da ficha especial, tenham uma chance para isso - desde que muito bem explicada!

Como será essa ficha? Simples: Narre a segunda reclamação do personagem, inserindo na história a trama que levou Nêmesis a mantê-lo oculto, e a relação da deusa com seu progenitor atual - considerando os eventos descritos na trama atual do fórum. Lembrem-se também da coerência: quem tem uma mãe mortal, por exemplo, deverá explicar todos os furos na trama que podem ser ocasionados por isso. Iremos rever histórias e tramas passados dos personagens que se inscreverem aqui. Cada personagem tem apenas 1 chance de aprovação - caso não seja aceita, a ficha deverá apenas ser ignorada em suas futuras tramas. Caso seja aceito, o personagem perde os itens de reclamação de seu progenitor atual, bem como acesso a qualquer poder de sua lista (passivo, ativo e especial); ele imediatamente receberá os presentes de Nêmesis e terá acesso a poderes até o seu nível atual, exceto por especiais, que deverão ser conseguidos através de missão teste.

A ficha será avaliada nos moldes do fórum, precisando de ao menos 80% de rendimento, mas não há ganho em xp.

Nêmesis também ficara disponível a qualquer indefinido, como ficha de reclamação, a partir dessa data. Para players atualmente reclamados, esta será a única chance de mudança - exceto por reset, seja a pedido ou por morte, que zere toda a ficha do jogador.

Esta ficha/ mudança não é necessária para a atualização entre Quione/Despina: neste caso, filhos de Quione mudam automaticamente, e outros semideuses devem fazer a ficha normal, como indefinidos. Caso filhos de Quione queiram modificar para Nêmesis, devem fazer a ficha especial no prazo estipulado, nos mesmos moldes.

A ficha deve ser postada neste tópico

Bos sorte!

Prazo para a ficha: Até 05/05



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Re: ♦ Evento: Dupla reclamação - Ficha especial para filhos de Nêmesis

Mensagem por Connor Blaschke em Sab 02 Maio 2015, 18:57


TRUES?
O céu nebuloso daquela noite de comemorações não parecia nada convidativo, e muito menos assim estava o Acampamento Meio-Sangue, logo abaixo daquelas nuvens. Muitos semideuses formavam um círculo na Área dos Chalés, com alguns deles mais adiantados: um meio-sangue raivoso sendo dominado por três crias do deus ferreiro, um pequeno filho de Poseidon protegido por um veterano de Deméter, um filho de Apolo portando um arco e uma garota somente de calcinha e sutiã; além de Quíron, o centauro, que olhava tudo com olhos de avaliação. Todos pareciam tensos, incrédulos, com o que se passara à sua frente: o semideus raivoso acabara de atacar o filho de Poseidon, até que o veterano de Deméter, o filho de Apolo o qual carregava o arco e a filha de Éolo a qual usava roupas íntimas destacaram-se da multidão para protegê-lo, seguidos pelas crias do deus ferreiro, que seguraram o desordeiro. Para tomar conhecimento sobre o que acontecia bem debaixo do seu nariz, surge Quíron momentos depois. É claro que o semideus raivoso, de nome Vítor, um veterano filho de Ares, já cheio daquele lugar, vomitou muito mais do que acusações sobre o lar que o acolheu por tantos anos.

Esta farsa toda já me encheu há muito tempo! Quanto mais esperarão para mudar o nome desse lugar para Reformatório Meio-Sangue, ahn? Porque é isto que esse lugar é: um reformatório onde os deuses colocam seus filhos para que sejam controlados e domesticados como animais rebeldes, para depois serem usados em seus propósitos insanos! Todos, cada um de vocês, não passam disso. São adolescentes problemáticos que podem deixar o mundo de cabeça para baixo, e por isso os deuses mandam vocês para missões suicidas, onde podem ser mortos antes que façam alguma merda por aí. Digo até que o Acampamento é capaz de destruir famílias -  vidas - apenas para não ver uma profecia idiota não se cumprir, não é, Quíron?, dizia ele. E, vejam só, temos um ótimo exemplo bem aqui no centro deste círculo. Que tal começarmos por você?, agora, continuando as suas acusações, ele apontou para um confuso Enzo, que limitou-se a esperar explicações sobre aquilo. Conte para o nosso querido Enzo Deanwoody, um antigo residente fixo deste reformatório, como o Acampamento Meio-Sangue teve uma participação tão crucial na tragédia que matou toda a família dele no incêndio de dez anos atrás. Conte como o Acampamento Meio-Sangue destruiu a vida dele e de toda a sua família por um medo infantil dos deuses, Quíron, conte.

Dentre os semideuses que se destacavam no centro daquele círculo, Enzo estava muito mais pasmo que os demais - somente porque seu nome acabara de ser citado em algo que ele nem mesmo sabia que poderia ter acontecido. O que aquele semideus desordeiro dizia não poderia fazer o menor sentido, não havia como; o Acampamento Meio-Sangue não poderia ter tido um dedo de culpa no incêndio que matou a família do menestrel, não. O Acampamento Meio-Sangue fora quem o salvara da morte certa nas ruas do subúrbio de Nova Iorque, logo após o incêndio em que quase morrera.

Mas o modo como o garoto de Ares falava era tão convicto, tão decidido, que não havia sombra de mentira em suas feições ou em suas palavras. Ainda assim... era impossível. Simplesmente impossível. O acampamento fora feito para proteger semideuses, e ninguém ali era "um animal rebelde", como ele gostara de afirmar. Mesmo sem que as palavras dele maculassem a imagem do Acampamento para Enzo, o garoto sentiu Marcel andar até ele e segurar a sua mão com firmeza, como que assegurando para ele que, fosse verdade ou fosse mentira, não estaria sozinho. Agradecia aos deuses por tê-lo consigo.

— Basta! Nem mais uma palavra! — berrou Quíron, quebrando o choque que o prendia no silêncio. Seus cascos batiam nervosamente no chão - era um claro sinal de que ele estava desequilibrado, ferido com as possíveis calúnias que foram vomitadas sobre a honra do seu Acampamento.

Como quiser falou ironicamente o semideus de Ares. — Mas, sério, Deanwoody, você deveria averiguar isso - vai se divertir bastante com o que vai descobrir. E eu ainda sei o caminho da saída, velhote. Pode deixar.

A cria da guerra pegou suas espadas, que haviam caído no chão depois da batalha corporal contra os filhos de Hefesto, e embainhou-as na sua cintura. Bateu na sua roupa para tirar a poeira e, sorrindo, andou vagarosamente pelo círculo de semideuses, com todos os olhares sobre si. Assim que ele saiu da Área dos Chalés, Quíron mandou três monitores averiguarem se ele realmente sairia do Acampamento e depois mandou que todos se dispersassem, voltando aos preparativos para a comemoração. Os presentes obedeceram, exceto Enzo, Marcel, o filho de Apolo com o arco e a garota de calcinha e sutiã. Quíron encarou-os por alguns instantes, os cascos ainda batendo no chão, nervosamente, e virou-se para sair.

— Quíron, espere — chamou Enzo. O centauro parou instantaneamente, embora não tenha virado-se para olhá-lo nem aparentasse querer conversar com alguém naquele momento. — O que o Vítor disse... O que ele falou sobre...

— Pessoas como o Vítor não são nem um pouco confiáveis, Deanwoody. Eles vêm para plantar a discórdia, e tão somente isso. Qualquer pessoa com um pingo de sensatez não daria o menor crédito ao que ele disse, e acredito realmente que seja o que você deveria fazer — vociferou o centauro com uma nota de agressividade na voz, após ter interrompido o questionamento da prole de Deméter. Depois uma curta pausa, quando só então Quíron olhou para todos presentes na Área dos Chalés, ele emendou: — Não temos mais nenhum assunto por hoje, tenho que averiguar o refeitório antes do início da festa.

Então saiu, sem olhar para trás novamente.

Não era que ele acreditasse que a hipótese a qual o filho de Ares havia levantado fosse verdade, mas não podia dizer que não pensava nela, principalmente porque as lembranças agora vagueavam na mente dele fazendo-o pensar sobre o que realmente aconteceu naquela noite. Nunca havia se perguntado como o fogo surgira e como tão rápido os semideuses chegaram ali tão rápido; havia sido algum monstro atrapalhado, algum elemental do fogo? Ele não sabia, realmente não, e agora estava curioso. As dúvidas haviam sido libertadas. Era certo que a acusação feita pelo desordeiro era falsa, e o menestrel apenas provaria isso quando remontasse a tragédia que acontecera em sua vida há dez anos.


[...]


A prole de Deméter havia entrado no chalé para pegar seus outros pertences além dos que já havia pego (Farming, sua foice disfarçada de anel, e Hamelin, a flauta que ganhou de Orfeu), mas não muniu-se com muito mais do que a sua faca de caça, que embainhou próxima ao cós da calça, escondida pela sua jaqueta de couro, e o seu colar de folha, Healing, que escondeu sob a camisa de mangas longas a qual trajava. Marcel esperava-o com ar de preocupação à porta do chalé, mexendo no cabelo com as mãos, na sua mania de quando tentava dispersar seus pensamentos - e, sim, Enzo já reconhecia aquilo, porque era um ato já tão vinculado ao garoto de forma que era certo que aquela fosse a intenção. Além dos olhares do seu namorado, Enzo também sentia o olhar de muitos dos seus meios-irmãos pesarem sobre ele, como se fosse a mais nova atração do Circo dos Horrores em carne e osso. Gostaria verdadeiramente de sair dali.

Quando pronto, seguiu seu namorado para fora do Chalé 4, ainda pensando sobre o acontecido de pouco tempo. Não aguentaria muito mais ficar sem saber o que acontecera em seu passado, era muito imediatista; tirar aquilo do pensamento seria praticamente impossível. Era estranho depois de tantos anos ele estar se perguntando sobre a verdade do seu passado, de fato, e mais estranho ainda era que todos também estivessem se perguntando sobre a verdade do passado dele. Ele parecia ter virado o centro das atenções num estalar de dedos - ou melhor, em pouquíssimas palavras. E era exatamente por isso que ele engendrava uma maneira de falar com Quíron. Ou se ao menos ele lembrasse com perfeição de quem havia tirado-o das redondezas da sua casa naquela noite, se pudesse falar com ela... Não lembrava-se bem, estava escuro, com muita fumaça... Eram quatro semideuses, ele tinha certeza, e lembrava-se de flashs de uma discussão, até que uma garota colocou-o sobre um enorme mastim negro e tudo foi engolido pela escuridão... Aquela garota, ele precisava... Precisava descobrir...

O segundo chamado de Marcel fez Enzo despertar de seus devaneios sobre o passado, focando nas palavras do garoto que antes ele não tinha ouvido.

— O quê? Eu... não ouvi — respondeu-lhe Enzo, ainda tentando focar em seu presente e não em seu passado.

— Eu tava te perguntando se você tava mesmo pensando sobre o que aquele garoto disse, mas já tenho a minha resposta, pelo visto. Se quer saber, eu não posso dizer que não acredito em coisas que são feitas "pelo bem maior", porque bilhões delas acontecem todos os dias pelo mundo, então também não posso dizer que minha total fidelidade ao Acampamento Meio-Sangue me faz pensar que ele é tão bom quanto aparenta - o que não quer dizer que ele é tão ruim quanto aquele garoto disse — argumentou a prole de Afrodite. Claramente, Enzo concordava com ele, e fez questão de demonstrar isso com acenos de cabeça a cada argumento completo, mas sem manifestar-se verbalmente. Sem mais argumentos, diálogos ou mesmo palavras soltas, Enzo e Marcel caminharam lado a lado para o refeitório, de mãos dadas, onde a comemoração aconteceria. Lá, Enzo imaginara que Quíron discursaria rapidamente, o que de fato foi resumido por um "boa festa para todos" seguido de um sorriso um tanto quanto forçado, após os quais o centauro afastou-se do refeitório e a agilmente música passou a tocar. Ele estava sozinho. Era a chance de Enzo.

— Eu preciso ir falar com Quíron, mesmo — disse ele ao seu namorado, cortando-o com um altear de voz quando ele tentou protestar para que Enzo não fosse: — Sozinho, Marcel.

Ele não sabia ao certo se Quíron havia notado-o, mas caminhou por alguns metros atrás do centauro até a música estar baixa o suficiente para não atrapalhá-los num diálogo, agora já perto arsenal. Finalmente, Quíron parou, ainda sem olhar para trás, abanando vagarosamente o seu rabo.

— Acho que aqui já é o bastante, Deanwoody — falou-lhe, baixo, virando-se para o garoto. Então ele sabia mesmo que Enzo o seguia à distância. Não era tanto de se espantar. — Se veio questionar-me sobre o que aconteceu no seu passado, receio — iniciou o centauro —, a menos que a minha memória tenha sido alterada, que não tenho o que lhe falar sobre o acontecido. Os semideuses que te salvaram já não estão mais no Acampamento, já se foram deste mundo. Não vai encontrar grandes respostas por aí, Enzo.

Seu coração havia dado uma batida descompassada, fraca, e um nó se formara na garganta do semideus à menção de que descobrir a verdade sobre seu passado era praticamente improvável. Não podia ser - Quíron tinha que ter algum relato dos semideuses que o resgataram, algum deles tinha que estar acessível. A garota... A garota sabia...

— Eu me lembro vagamente que uma garota havia me tirado de perto da casa, me colocado num cão infernal e me trazido para cá depois de discutir algo com seus companheiros. Presumo que a briga tenha sido sobre... sobre entrarem na casa para resgatar os outros. Que seja. — Uma dor perpassava seu coração à medida que narrava suas lembranças, com o modo vívido com que repassavam em sua mente. — Quem era ela? Está mesmo morta?

Quíron coçou a sua barba, de cenho levemente franzido. Alguns segundos depois, pigarreou e, então, respondeu à pergunta lançada:

— Seu nome era Ammelina Perkings, uma filha de Eos. Ficou louca após a morte do seu namorado e acabou se matando antes que o Sr. D. desse um jeito nisso. Espero que esteja nos Elísios — concluiu ele, com uma expressão de pesar ao lembrar-se da garota.

Após a resposta, um silêncio sepulcral pairou sobre os dois, em que apenas se olharam profundamente. Enzo pensava, Quíron analisava-o. Mas o semideus ainda não estava satisfeito.

— Quais são os nomes dos outros semideuses que estavam lá naquela noite? Quem eram? — indagou-lhe o meio-sangue, segundos depois. Com a mesma relutância de antes, Quíron demorou a respondê-lo, avaliando se devia ou não contar. Por fim, respondeu-lhe num tom mais baixo que o anterior:

— Andrew Corner, um filho de Éolo que na época era monitor, e Jacob Smelltings, filho de Nyx. Ambos mortos em missão há quase quatro anos. Você deve lembrar: foi na mesma época do atentado no qual mataram Isaac Luftworn, aquele filho de Zeus. — Sim, Enzo lembrava-se bem do atentado ao filho de Zeus, principalmente porque aquele mesmo semideus havia livrado-o de uma grande enrascada meses antes de morrer. — E foram apenas eles.

Mentira! Enzo sabia que era mentira! Não eram apenas três pessoas naquela noite, eram quatro. Ele lembrava. Quíron estava escondendo o nome de um deles - mas por quê? Será que ainda morava no Acampamento? Será que Enzo já tinha tido contato como ele? Teria alguma informação que ele não poderia saber?

Resolveu ignorar temporariamente essa omissão e ir em outro foco que o interessava.

— Você os mandou até lá naquela noite? Ammelina, Andrew e Jacob, você que os mandou? — questionou-lhe, cuidadosamente. Era um detalhe crucial que levantava com aquela questão, que poderia vir a ser a peça chave para que a sua cabeça parasse de pensar, mesmo que o fizesse infimamente, que o Acampamento Meio-Sangue era culpado pela morte de sua família.

— Não, eu não mandei. Foi o Sr. D. quem fez isso. Naquela noite, ele mandou que Andrew chamasse Jacob e Ammelina para uma missão urgente de resgate, que fossem até o subúrbio de Nova Iorque para salvar dois semideuses de uma casa em chamas; eram você e sua irmã.

As informações giravam na mente do menestrel com uma velocidade assustadora, ligando-se, tornando a separar, encaixando e desencaixando. Sr. D. mandando semideuses resgatar duas crianças inúteis - que atípico. Uma pena, realmente uma pena, que ele estivesse fora do Acampamento naquela noite, ou seria o próximo a ser interrogado - muito embora Enzo tivesse certeza que o deus não o ajudaria em muita coisa.

A omissão de Quíron voltou a povoar a mente de Enzo nos segundos em que se seguia novamente o silêncio sepulcral. Quem seria o quarto semideus daquela noite e por que Quíron não tinha falado-lhe nada sobre ele?

— Creio que as suas perguntas se esgotaram, ou ao menos as que você quer me fazer. Agora, eu tenho mesmo que cuidar de meus afazeres. Qualquer coisa, Deanwoody, me procure amanhã. E, com um aceno de cabeça, Quíron passou por Enzo a trotes firmes, ainda em silêncio. Hesitou, contudo, a quase três metros de distância do semideus. — Eu realmente lamento pelo que aconteceu à sua família, Enzo. E até compreendo que queira entender mais sobre tudo, mas creio que essa não é a hora nem o lugar para isso. À propósito, Marcel deve estar esperando por você.

Ao concluir, o centauro iniciou um veloz galope até a Casa Grande, deixando o jovem Deanwoody sozinho com seus conflitantes pensamentos.


[...]


Um assobio alto cortou o ar noturno e um intenso piar fora ouvido em resposta; em instantes, uma enorme figura que poderia ser tomada como uma águia com perna demais desbravava o céu do acampamento, atendendo ao chamado de seu dono.

Weevil pousou majestosamente ao lado do Arsenal do Acampamento Meio-Sangue, trotando em direção a Enzo. A prole de Deméter aproximou-se do seu hipogrifo com um sorriso - embora este estivesse borrado pela sombra da preocupação com o fato de estar prestes a fazer uma enorme loucura: ele ia procurar Vítor, porque o semideus era o único que aparentava saber algo sobre o seu passado que os demais ignoravam, ou ao menos que não lhe contavam. Considerando que mal fazia meia hora desde que o semideus havia saído do acampamento, esperou que ainda estivesse pelas redondezas - e que os deuses quisessem que ele não tivesse pego a Carruagem da Danação para sair dali.

Após um comando rápido de seu dono, Weevil abaixou-se um pouco para que Enzo pudesse montá-lo, o que o garoto fez de prontidão. Tudo o que ele precisava - sua foice, sua flauta, sua faca e seu colar mágico, além dos seus tênis alados - já estava com ele, e havia apenas uma pessoa que ele queria que fosse avisada antes de poder fazer qualquer coisa. O menestrel conjurou um ser extremamente parecido com ele, e até seria mais parecido não fosse o fato de que era feito completamente de madeira, e deu-lhe uma ordem: deveria dizer a Marcel Holbrook, e tão somente a ele, que Enzo Deanwoody teria saído para uma rápida averiguação e que estaria de volta antes do amanhecer. Também deveria dizer que Enzo o amava muito e que voltaria para e por ele. Então assim fez o clone de madeira: correu até o refeitório para transmitir a mensagem para o namorado de Enzo, enquanto o verdadeiro Deanwoody preparava-se para comandar Weevil para levá-lo para fora dos limites do Acampamento.

Um sonoro pong ampliado pela audição perfeita de Enzo o deteve alguns instantes, parando alguns segundos antes de voar. Tinha alguém ali por perto, muito perto. O menestrel retirou seu anel, que instantaneamente transformou-se em uma foice, e escutou com muita atenção, chegando a captar até a respiração e os batimentos cardíacos do seu hipogrifo antes de ouvir um passo vindo da área do Arsenal. Era ali - o ser se escondia ali.

— Saia daí, sei que está atrás do Arsenal, posso ouvi-lo com clareza — falou, firmemente. — Agora.

Passos hesitantes foram ouvidos antes que um garoto, vestido para a festa com uma camisa vermelho-rubro e uma calça branca, calçando sapatênis também vermelhos, saísse de trás do Arsenal. Ele estava aparentemente desarmado, mas Enzo não baixou a sua foice - truques visuais ainda podiam enganá-lo.

— Quem é você? — indagou ao garoto, que ficou alguns segundos em silêncio antes de responder, com uma voz infantil, à pergunta feita pelo filho de Deméter.

— S-sou Frankie Damchumps, filho de Apolo e devoto de Hera. Quíron... Quíron me pediu que vigiasse você, e fosse lhe contar se fizesse algo suspeito — revelou o garoto. Enzo não deveria, mas acabou confiando no que ele dissera. — Você está. Quando Quíron saiu daqui, você mandou o seu clone dizer que ia sair, eu ouvi.

— E você vai me deter, garoto? — perguntou-lhe Enzo, num tom de petulância. O garoto negou com a cabeça, infantilmente. Enzo havia presumido que sim. — Então também trate de não contar nada para Quíron. O que eu vou fazer é justo; só quero saber sobre a minha própria história.

O garotinho continuava parado, olhando-o - não devia ter muito mais do que dez anos. Tão jovem e já naquele mundo, assemelhava-se ao próprio Deanwoody, mas não parecia ser digno de pena, muito menos alguém a ser subestimado; assim como Enzo esperava parecer quando tinha a mesma idade que ele.

Com o primeiro comando do menestrel, o hipogrifo abriu as suas enormes asas e preparou-se para o voo, mas, daquela vez, foi a voz do garotinho que o deteu:

— Ei! Espere! É verdade! — gritou, antes que o hipogrifo pudesse voar. Mesmo hesitante, Enzo ordenou que ele parasse, esperando que o devoto terminasse de dizer o que pretendia. O cenho do filho de Deméter foi franzido à pronuncia daquela frase. "É verdade." O que exatamente era verdade? Que ele era um filho de Apolo e devoto de Hera? Que Quíron mandara-lhe ali? Não duvidava de nada daquilo, não precisava de confirmações. Àquele sinal de hesitação, o garotinho aproximou-se alguns passos.

A prole de Deméter olhou atentamente para a criança e pôde reconhecer algumas marcas de um conflito interno: abrir e fechar de boca sem formar uma palavra sequer, morder de lábios, hesitação de passos. O que ele ia contar-lhe que deveria ser proibido ao ponto de fazer-lhe hesitar tanto?

— Eu não sei se poderia contar isso, mas... mas... Eu estava na Área dos Chalés quando Vítor Scrimgeour tentou matar Jace Agrobound — concluiu, esperando alguma reação de Enzo, que não veio. O semideus montado no hipogrifo apenas levantou uma sobrancelha como se dissesse "E o que eu tenho a ver com isso?", então Frankie tratou de reformular a sua frase: — Nós, Devotos de Hera, temos uma habilidade que deriva da nossa necessidade da verdade e da fidelidade: podemos discernir mentiras. E eu estava lá quando Vítor contou que o Acampamento Meio-Sangue foi crucial na morte da sua família.

Somando a credibilidade que Enzo dera ao garoto ao fato de já ter convivido com Devotos de Hera e saber bem que mentira é algo que eles realmente odeiam, seu inconsciente alarmava-o sobre o que ouvira. Fragmentos das palavras de Frankie agora dançavam em sua mente, unindo-se com o já dito, que ainda eram incógnitas até alguns segundos antes. Nós, Devotos de Hera, temos uma habilidade que deriva da nossa necessidade da verdade e da fidelidade: podemos discernir mentiras. E eu estava lá quando Vítor contou que o Acampamento Meio-Sangue foi crucial na morte da sua família. É verdade. É verdade, é verdade. O que Vítor disse era pura verdade - o Acampamento teve influência sobre a morte da família de Enzo e, se não fosse um pouco de sorte sua, ele também teria morrido. Agora, as palavras de Vítor reverberavam em sua mente, perturbando-o: Conte para o nosso querido Enzo Deanwoody, um antigo residente fixo deste reformatório, como o Acampamento Meio-Sangue teve uma participação tão crucial na tragédia que matou toda a família dele no incêndio de dez anos atrás. Conte como o Acampamento Meio-Sangue destruiu a vida dele e de toda a sua família por um medo infantil dos deuses, Quíron, conte.

Não podia ser, não podia. O Acampamento não faria aquilo com ele, não, não!

Você os mandou até lá naquela noite? Ammelina, Andrew e Jacob, você que os mandou? Agora era a voz do próprio Enzo que ecoava, seguida pela de Quíron: Não, eu não mandei. Foi o Sr. D. quem fez isso. Dionísio, ele... Então Ammelina, Andrew e Jacob foram mandados para exterminarem a sua família? Por que então a semideusa do cão infernal o levara de volta ao acampamento? Estava confuso, tudo muito confuso...

É verdade. Eu estava lá... É verdade.

Sem falar mais nada para a criança, ainda parada a metros de distância do hipogrifo, Enzo deu o comando para que a sua fera voasse o mais rápido que podia, além dos limites do Acampamento Meio-Sangue, em busca da única fonte viva que Enzo conhecia.


[...]


Nem bem Enzo havia saído do Acampamento Meio-Sangue, encontrara o semideus vagueando por ali, de espadas desembainhadas, murmurando contra o céu nebuloso e a neve que se amontoava no chão em plena primavera. Apesar de já ser noite, Enzo entendia que Vítor era calejado o bastante para não se preocupar com monstros que aparecessem por ali, afinal era um dos poucos semideuses com mais de vinte e um anos ainda vivo.

Enzo, ainda de foice na mão, adiantou-se com Weevil e pousou alguns metros à frente de Vítor, bloqueando a sua passagem. O semideus de Ares parou e riu para o de Deméter, olhando-o nos olhos naquela penumbra.

— Sabia que você viria, estava te esperando. Até demorou. Estava tentando tirar algo de Quíron ou daquele cara do vinho? — quis saber ele. Enzo não respondeu-lhe, apenas continuou encarando-o. — Ficar de cara feia não vai adiantar. Anda, pergunta logo o que quer.

Enzo umedeceu os lábios já ressecados por causa do frio, pensando na melhor forma de questionar o filho de Ares e perguntando-se se ele era mesmo confiável.

— O que você sabe sobre o incêndio na minha antiga casa? — indagou a prole da agricultura, olhando-o nos olhos. Sem pestanejar, o filho de Ares embainhou as suas espadas e respirou fundo, cruzando os braços sobre o peito.

— Dez anos atrás, quando eu era apenas mais um filho de Ares, um deus me mandou até o subúrbio de Nova Iorque para cumprir uma tarefa para ele, tarefa essa que deixou impressões muito fortes em mim e nos semideuses que estavam comigo. Ele mandou que matássemos uma família inteira em nome da ordem, e disse que era um "desejo dos deuses". Nós fomos até lá e cumprimos isso, é claro, porque ele estava mandando, mas não ache que foi fácil fazer isso; ateamos fogo a uma casa e tivemos que permanecer ali para ter certeza de que todos morreriam — remontara a prole de Ares, com um brilho estranho do olhar, quase como arrependimento. — Mas não deu muito certo. Um garoto havia sobrevivido, e, após discutirmos se deveríamos ou não matá-lo, um dos semideuses que estava ali levou-o para o acampamento sem esperar a decisão do grupo.

Enzo estava rígido sobre o hipogrifo, escutando cada palavra de Vítor como se fossem punhais atirados no seu coração. Então ele era o quarto semideus daquela noite, era ele quem Quíron havia escondido de Enzo... E fazia sentido, porque fora Vítor quem fizera aquelas acusações na confusão antes da festa da Semana Santa. E ele estava narrando perfeitamente o acontecido daquela noite, preenchendo as lacunas que estavam vazias na mente do filho de Deméter. Pelos deuses...

— É claro que o deus que nos mandou matá-los não ficou nem um pouco feliz, mas pareceu acalmar-se quando este semideus foi reclamado por Deméter. — Os olhos de Vítor pareceram cravar-se mais fundo nos de Enzo, como se indagasse virtualmente se ele já compreendia aquilo. Mas é claro que ele compreendia, só não tinha palavras para expressar, muito menos encontrava a sua voz. — Anos depois eu ainda sonhava com o incêndio e com as mortes que causei, assim como todos que participaram daquilo. Fiquei perturbado - todos ficaram. Foi quando a Ammelina ficou louca, quando ela se matou, foi que eu percebi que não podia ficar daquela forma porque isso poderia custar a minha vida. Eu não podia tomar o mesmo rumo que ela, então acabei me controlando. Não posso dizer que Andrew e Jacob foram por caminhos muito diferentes. Acabaram morrendo em missão. Nunca tinha realmente entendido a morte deles e encarava tudo como fatalidades. Mas não eram, garoto.

Algo na fala de Vítor minutos antes, enquanto ainda estava no Acampamento, voltara à mente de Enzo naquele momento: ]i]São adolescentes problemáticos que podem deixar o mundo de cabeça para baixo, e por isso os deuses mandam vocês para missões suicidas, onde podem ser mortos antes que façam alguma merda por aí.[/i] Andrew e Jacob teriam morrido numa missão impossível, passada por Dionísio ou qualquer outro deus? Teria mesmo sido proposital?

— Três anos atrás, eu tive uma ideia louca, de que tudo aquilo poderia ser proposital, então comecei a investigar. E puta merda! Descobri tanta coisa que o resto de amor que eu sentia por essa merda de acampamento desceu pelo ralo. Mortes... Muitas mortes... Uma profecia antiga, sobre um ceifador dos frutos da videira... Assassinatos brutais por medo, mácula nos assassinos que apenas cumpriam ordens... — Naquele ponto, Vítor parecia muito distante, à beira de um colapso. Arfava, quase chorava, de dentes trincados e olhar ensandecido. — ELES NÃO PODIAM FAZER AQUELAS COISAS, BRINCAR COM NOSSAS VIDAS! — berrava o semideus de Ares. — NÃO TINHAM O DIREITO! FUI UMA PECINHA DESCARTÁVEL, QUE ELE TENTOU MATAR SEM SUCESSO POR MUITO TEMPO! AGORA VOU DESPERTAR A IRA DO CEIFADOR E ELE E SEUS FILHOS VÃO SOFRER!

— ACALME-SE, VÍTOR! — O efeito da voz de Enzo foi forte, considerando, também, a aura que o filho de Deméter tinha, fazendo-o murmurar ao invés de gritar. — Continue... Fale o que você descobriu.

— Eles mataram cada filho de Nêmesis que tinham um meio-irmão, filho de outro deus, à pedido de Dionísio. Muitas vezes, Deanwoody... Desde a segunda guerra eles fazem isso, ela me disse! E ainda proibiram-na de ter filhos com homens que já fossem pais de outros semideuses. Ela disse que sofreu muito quando você nasceu, porque sabia que morreria... Mas você não morreu, quem morreu foi a sua irmã!

Enzo não conseguia mais entender o que ele falava. O que ele tinha a ver com Nêmesis? E por quê ela tinha certeza de que ele morreria? Sua irmã, Ravenna, o que tinha com isso? O que tinha o fato dela ter morrido?

A dúvida estava marcada no rosto de Enzo, de forma que o filho de Ares chegara mais perto ao ponto de agarrar a perna do menestrel, montado no hipogrifo, quase implorando para que ele entendesse.

— Você é o semideus da profecia! É você quem ceifará os frutos da videira, é você quem vingará todas essas mortes! — gritava ele. Enzo fazia que não com a cabeça, ainda não entendendo, olhando de cenho franzido para o jovem que ainda estava agarrado à sua perna. — A profecia diz que um filho da justiça, com outro semideus em sua família, virá para ceifar os frutos da videira. Por isso que tantas mortes ocorreram, porque os deuses, à pedido de Dionísio, queriam evitar isso. Não queriam que mais nenhum filho de Nêmesis que tivesse um meio-irmão de outro deus sobrevivesse, pois havia chances de ele ser o semideus da profecia. Mas você burlou isso, Enzo! Você é o meio-sangue da profecia!

— Você está louco, Vítor! Eu não posso ser o meio-sangue dessa suposta profecia, porque sou filho de Deméter, não de Nêmesis; não há como — protestou o menestrel.

— Não, não... Ela me contou. Depois da morte da sua irmã, que deveria ter sido preservada por não ter nada a ver com a história, ela pediu para Deméter que te reclamasse, e prometeu que você serviria à deusa da agricultura como um verdadeiro filho - a deusa, irada por sua filha ter morrido, aceitou. E você cumpriu isso sem saber, tanto que ainda acredita que é um filho de Deméter. Mas pense bem, Enzo: você sempre foi igual aos outros, sempre teve os mesmos ideais ou as mesmas atitudes frente a problemas iguais? Sei que não, ela me disse... Você sempre foi diferente porque é filho de Nêmesis, e vai matar cada filho de Dionísio que puder encontrar! — berrava o semideus, novamente desvairado. Estava bem diferente do que era minutos antes, quando iniciaram a conversa.

— Você está louco! — bradou Enzo. Em sua mente, os fatos que ele contava pareciam permanecer mais do que deviam, ligando-se a outros já ditos. Queria ter as mesmas habilidades de Frankie para descobrir se o que aquele semideus lhe contava era verdade, mas apenas Devotos de Hera tinham aquela ligação natural com a verdade; ou ao menos... Ao menos...

Enzo transformou Farming de volta em anel e sacou Hamelin do bolso de sua jaqueta, levando a flauta aos lábios. Soprando-a, produziu um som perfeito: era uma música mais agitada, de suspense, com um intuito simples: mostrar-lhe a verdade.

Os olhos de Vítor saíram de foco por um instante, quando o menestrel percebeu que a sua música havia surtido efeito. Soltou a perna de Enzo e afastou-se alguns passos, ainda olhando para o filho de Deméter, que agora havia parado de tocar a sua flauta.

— Diga-me: tudo o que você falou sobre o meu passado, incluindo essa tal profecia e o que Nêmesis disse, é verdade? — Os segundos que decorreram desde a pergunta até o filho de Ares responder pareciam eternos. O coração de Enzo batia descompassadamente e um frio repentino subia de seu estômago.

— É completamente verdade — respondeu Vítor. Não podia ser possível, não tinha como. A sua Música da Verdade nunca falhara, mas aquilo não poderia ser verdade! Estava errada!

Mas antes que Enzo pudesse decidir se estava ou não errada, trombetas soaram de dentro do Acampamento Meio-Sangue e Enzo reconheceu, da pior maneira que pôde, que ele estava sendo atacado.


[...]


Era um caos total: monstros atacando semideuses, até matando alguns, enquanto eles tentavam se agrupar para defender o acampamento; o refeitório, quando Enzo chegou lá, estava completamente desarrumado, com as mesas viradas e a comida espalhada. No trajeto até lá, Enzo vira, dos céus, ataques em vários outros pontos, com os mais variados monstros, e soube que era uma invasão completa. Via mortos, feridos e muitos - muitos - monstros. Mas nada fez para ajudar. Tudo o que lhe interessava era salvar Marcel e, se encontrassem com algum amigo, também o faria, mas não moveria um dedo para ajudar o Acampamento. Não depois de tudo o que sabia ter acontecido.

Vasculhou em vão o Refeitório e a Área dos Chalés, ajudando vez ou outra um amigo em apuros; nenhum monstro o atacara porque já estavam suficientemente ocupados com os outros semideuses para isso. Se o atacassem, ele exterminaria - nada ficaria no caminho entre ele e seu namorado.

Foi até a praia para ver se o seu namorado havia ido para lá, mas tudo o que encontrou foram mais monstros e alguns semideuses lutando, dentre os quais ele reconhecia alguns monitores. Um corpo pequenino estava ensanguentado na areia da praia, que Enzo dolorosamente reconheceu como Frankie, o devoto que ajudara-lhe momento antes quando estava para sair do acampamento; mas ainda não havia sinal de Marcel.

Passou pela floresta sem ver muito, por causa das copas volumosas das árvores, e voltou a pastorear toda a batalha, buscando seu namorado. Chamava por ele, gritando, mas a balburdia da batalha deixava difícil essa comunicação verbal. Durante minutos, Enzo procurou por seu amado, rezando aos deuses que ele estivesse bem, porque não se perdoaria caso algo de ruim acontecesse ao garoto pelo filho de Deméter - ou melhor, pelo possível filho de Nêmesis - ter se ausentado.

À medida que as batalhas diminuíam e semideuses que estavam em outros locais chegavam até o refeitório, novamente se dispersando para ajudar em outros lugares, Enzo ficava ainda mais aflito; Marcel não aparecia de modo algum e ninguém a quem o menestrel indagava parecia ter visto-o. Será que Frankie tinha estado com Marcel? Será que os dois estavam na praia e o filho de Afrodite fora morto junto com o de Apolo?

Não, não podia. Marcel era um ótimo lutador, estava bem, tinha que estar.

Montado em seu hipogrifo, o menestrel voltara rapidamente a vasculhar o acampamento, retornando a praia e verificando a área perto de onde Frankie havia morrido. Nem sinal de Marcel. O garoto entrou na floresta, desta vez à pé, com Weevil em seu encalço, gritando pelo seu namorado desesperadamente, alimentando a esperança de que ele estava, sim, vivo e que tudo acabaria bem. Mas conhecia as tragédias gregas, conhecia que em geral acabavam em morte.

Orou repetidamente ao seu patrono, Orfeu, e até mesmo a Afrodite, que protegessem o seu Marcel. Orou para que ele estivesse vivo, são e salvo, seguro em algum lugar só esperando para que a invasão acabasse, e que pudesse encontrá-lo, para que ainda estivesse acessível. Ele precisava estar.

Quando o filho de... de... Hm. Quando o menestrel voltou ao Refeitório, a balburdia havia acabado, e todos os semideuses se aglomeravam ali. De onde estava, viu um garoto branco, alto, com uma camisa branca - tendo uma caveira com uma rosa entre a dentição como estampa - completamente descabelado e com sangue escorrendo de sua testa, muito provavelmente com outros ferimentos, mas vivo; assim como todos que ali estavam. A sensação que o peso do mundo saíra de cima dos seus ombros foi reconfortadora, e tudo o que Enzo conseguiu fazer foi correr para abraçar o seu namorado.

— Eu temi tanto, tanto, que você tivesse... — sussurrou o menestrel para o filho de Afrodite, que abraçava-o com intensidade. — Te procurei desde que as trombetas soaram. Eu estava fora dos limites e...

Um brilho cor-de-palha surgiu ao redor de Enzo, causado - como ele percebeu - por um símbolo ondulante que estava acima de sua cabeça: era trigo recém-colhido, girando vagarosamente como sinal de que Enzo era filho de Deméter; assim como acontecera anos antes, na sua reclamação. Quando o semideus olhou para os outros, vários símbolos como o fantasma de Melinoe, a coruja de Atena e até o galo de Eos surgiram sobre a cabeça de alguns semideuses, como uma segunda reclamação. Além destes símbolos de reclamação, enormes flocos negros de neve surgiram sobre outras cabeças - e dentre os donos dessas cabeças, Enzo reconheceu filhos de Quione. Os símbolos não faziam sentido: todos aqueles semideuses já tinham sido reclamados. Então por que motivo aquela segunda reclamação acontecia?

Então Enzo lembrou-se da sua suposta verdadeira mãe, Nêmesis, e quando o seu símbolo que pairava sobre a sua cabeça - assim como todos os outros que surgiram sobre a cabeça de alguns semideuses, exceto os flocos de neve negros, que permaneceram - silenciosamente rasgou-se, dando lugar ao símbolo de uma balança equilibrada, tudo para ele fez sentido.

Era o símbolo de Nêmesis. A verdade. Afinal, a sua música não falhara e Vítor não mentira - ele era mesmo filho dela. Mas e os outros? Eles também eram, tinham acabado de ser reclamados... Mas a profecia não se aplicaria a eles? A nenhum deles? Enzo seria o semideus que ceifaria os frutos da videira?

A balburdia novamente recomeçara quando os símbolos apareceram, fazendo os semideuses se perguntarem o que diabos estava acontecendo. De todos ali, Enzo desconfiava, era o que mais sabia sobre tudo aquilo, mas duvidava muito que suas palavras fossem algo relevante aos ouvidos daquele semideuses; quando a barulheira estava no limite, uma luminosidade roxa surgiu do nada para acalmar os ânimos, e dela saiu o deus que, até o momento, Enzo mais odiava: Dionísio.

Sendo ou não o semideus da profecia, Enzo tinha certeza que cuidaria de ceifar alguns filhos de Dionísio por conta própria, somente pelo prazer de atormentar o deus que matou toda a sua família. Ah, ia, isso ia.


Adendos:
Observações e explicações:
Certo, acabou. Mas nem tudo tá explicado direitinho em ON para o Enzo, então, para resumir bem, dexô botar em miúdos aqui:

No começo de tudo, Enzo vivia com Ravenna e Theodore (sua irmã e seu pai, respectivamente) numa casa no subúrbio de Nova Iorque. Muito antes dele nascer, uma profecia - que eu mostrarei em DIY's futuras - dizia que um filho de Nêmesis, nascido após a Segunda Guerra, numa família em que um semideus de outra deusa também existisse, seria o ceifador dos frutos da videira. Dionísio, tomando a "videira" como ele mesmo e "os frutos" como os seus filhos, pediu a Zeus que fizesse Nêmesis contar a localização de todos os filhos que ela teve e proibindo-a de ter outros filhos com homens que já fossem pais de semideuses. Com isso, por medo de algum dos filhos de Nêmesis que tinham meios-irmãos de outros deuses viessem a ser o semideus da profecia, um a um eles foram mortos. Ela, supostamente, não teve mais nenhum filho daquela forma. Não até ter Enzo - embora tenha escondido outros filhos por outros motivos, uma vez que o motivo que criei é "particular" à trama do Enzo. Quando descobriu, Dionísio ficou furioso e mandou que matassem as duas crianças: tanto a de Nêmesis quanto a do outro progenitor. Quando os semideuses que ele mandou fazer isso atearam fogo na casa dos Deanwoody, Ravenna supostamente morreu, despertando a ira de Deméter por ter a sua filha supostamente assassinada por motivo nenhum; como Enzo havia sobrevivido, Nêmesis fez um trato com a deusa da agricultura, oferecendo seu próprio filho para servir à Olimpiana como uma de suas crias, prometendo que ele vingaria a morte da verdadeira filha de Deméter quando estivesse na hora. Tomada pela fúria, Deméter aceitou, e jurou pelo Estige que protegeria Enzo, servindo-lhe como mãe, até que ele pudesse vingar a morte de sua verdadeira filha, matando um dos filhos de Dionísio. Na noite da invasão ao acampamento, quando Vítor - o tal filho de Ares - contou que o Acampamento Meio-Sangue tivera participação crucial na morte da família de Enzo, ele decidiu investigar isso e é o que eu narro aqui, sendo o ponto principal a conversa dos dois. Com a reclamação por Nêmesis, ele decide se vingar de Dionísio, e só depois de matar alguns filhos do deus é que ele sabe da profecia. Quando ele fica sabendo o motivo pelo qual quase morreu e sua irmã também, além de seu pai de fato ter morrido, ele decide realizar o que a profecia dizia. Ele vai ceifar os frutos da videira. :v

Observações extras:

1) Esta ficha foi feita como complemento de uma pequena DIY postada aqui [clique!], mas posso resumir a parte mais importante aqui: era hora de se arrumar para a festa da Semana Santa. Enzo fazia isso e Marcel esperava-o no chalé do então filho de Deméter, quando um garoto - que é Jace, um NPC sem muita aparição por aqui - começa a pedir ajuda. Achando que fosse algo mais sério, todos saem dos seus chalés, incluindo Enzo, e vão ver o que acontece: é Vítor, um filho de Ares, que sabe de muita coisa sobre o acampamento, coisas essas que os outros desconhecem, tentando matar um filho de Poseidon. Alguns se metem nisso, incluindo uma garota de roupas íntimas - que atrai a atenção de Vítor para as suas curvas -, um filho de Apolo que atira flechas contra o de Ares e o próprio Enzo, que, com uma rajada de vento, faz o filho de Ares parar de atacar. Quíron chega e Vítor inicia uma série de acusações, entre elas que o acampamento foi o responsável por massacres, incluindo, como aqui está fragmentado, a família de Enzo. É o ponto de partida para esta ficha.

2) Mesmo antes do evento de reclamação dupla ser postado, eu já planejava fazer uma virada dessas na trama, então apenas modifiquei parcialmente para que ele tivesse outra progenitora. Foi a oportunidade de ouro para fazê-lo, assim, virar as costas para o camp. Podem até averiguar que depois da mudança de nome, e consequentemente de personagem and trama, não há mais nada que fale da trama do semideus além desta DIY que acabei de citar, o que a faz, junto dessa ficha, serem as únicas postagens sobre a história dele até o presente momento.

3) Eu seeeeei que ficou grande e até maçante, mas eu tenho sérios problemas em enxugar coisas assim para que fiquem mais objetivas. Li e li novamente tentando cortar partes, mas para mim ficaria sem sentido se tirasse qualquer coisa que tem aqui. ç.ç

4) Não sei se consegui expressar isso, mas Enzo já tava tão fuck-se para tudo que nem mesmo a revelação sobre a profecia chocou-o tanto mais. Foi tanto choque seguido no coitado que foi ficando mais difícil expressar isso, até que eu acho que poderia ter sido ainda maior, mas né... Espero ter passado a impressão que eu queria.

5) Sim, eu mudei drasticamente o rumo de uma trama grupal e até mesmo consegui uma conta nova (a da Ravenna, que é sim uma conta existente, que pode ser stalkeada vista aqui [clique!]), apostando todas as fichinhas nessa mudança. Creio ter meios de consertar se não der certo... mas né. q

6) Ammelina, Andrew e Jacob foram mortos em missão, mas não por meios naturais; foram mortos porque Dionísio quis vingar-se do trabalho mal-feito, e Vítor apenas sobreviveu por saber se cuidar muito bem. Em outras palavras, ele era um alguém muito poderoso, e os esforços discretos de Dionísio não afetaram-no diretamente, embora tenham matado muitos amigos e parentes do semideus. Contudo, não viverá muito mais tempo. ~spoilers everywhere

7) Tudo o que eu expliquei aqui e que não está claro na ficha é porque pode ser considerado como início de trama e, como tal, não deveria conter muitas informações em ON-game. Espero que, explicando aqui, tenham compreendido.

8) Como disse, Vítor meio que esperava por Enzo, então não saiu dali. Queria causar o efeito que causou em Enzo, para que ele ficasse putão e decidisse começar a matar filhos de Dionísio, muito embora vá abranger muito mais do que isso.

9) Estou procurando coisas para explicar, mas não estou mais encontrando. Por favor, se tiverem mais dúvidas, procurem-me por MP, wpp, fb, etc. antes de tomarem uma decisão e eu acabar não passando por esse motivo. D:
Poderes e Habilidades:
[Menestréis]
Passivos relevantes:
Nível 18 - Audição Perfeita: - O menestrel, como músico, tem uma ótima audição, só que por ser mais que um musico normal, essa audição chega a ser perfeita podendo "sentir" todo o local, se transformando em uma segunda visão. E o menestrel poderá também estar um passo a frente do rival, pois ouve até os ventos.

Ativos:
Nível 13 - Música da Verdade: Tocando uma música de suspense e agitada, seu personagem pode de certa forma entrar na mente do inimigo (que tem que estar escutando a música), podendo fazer uma única pergunta e ele responder a mais pura verdade. Só pode ser usada uma vez por missão.

[Deméter]
Passivos relevantes:
¤ Aura da Natureza — Os filhos e filhas de Deméter tem uma aura naturalmente apaziguadora, como a natureza quando está em equilíbrio; suas feições são mais leves, tornando as interações mais fáceis, embora a mesma feição suave possa se tornar uma mais dura e severa, refletindo o trabalho árduo na agricultura (ou quando a natureza está em desequilíbrio). Essa aura também permite uma cura nos pontos de hp/mp, embora essas sejam esporádicas e sirvam mais para pequenas curas. {Modificado} ~> Não citado, mas ativado naturalmente quando o semideus de Ares começou a atacar o de Poseidon, no início da ficha.

Ativos:
{Nível 18} ¤ Clone de Madeira II — Agora, você já é capaz de fazer mais de um clone, podendo chegar a criar, no máximo, 3. Eles tem 50 de HP e tem as mesmas habilidades passivas ou combativas (não inclui ativas que gastem MP) e são mais resistentes e ágeis. Eles duram por três turnos se não forem destruídos antes. (No nível 30, pode criar 5 com 70 de HP cada)
Itens levados/usados:
♦ {Farming} / Foice [Foice druídica. É uma foice curta de lâmina extremamente recurvada, em forma de "c". Seu manuseio é mais complicado do que o de foices comuns, mas seus danos tendem a ser maiores, apesar de exigir proximidade para o bom uso, devido ao pouco alccance. Além disso, pelo seu tamanho pode ser empunhada com uma mão só. No nível 20 transforma-se em um anel.] {Bronze sagrado} (Nível Mínimo: 1) {Não Controla Nenhum Elemento} [Recebimento: Presente de Reclamação de Deméter]
♦ {Butcher} / Faca de caça [A faca de caça é feita de metal, tendo um de seus gumes com serra, enquanto o outro gume é apenas cortante, mas recurvado, causando mais dano na entrada e saída do ferimento. Sua lâmina tem cerca de 30 centímetros, e a empunhadura é de metal recoberta com couro, simples, com guarda para mão. Acompanha bainha simples de couro][Bronze sagrado e couro, sem elemento e sem nível mínimo]
♦ {Floatings} / Tênis [Um par de tênis encantados que se encaixam perfeitamente no pé do utilizador, assim como pode ter sua aparência e cores mudadas sempre que quiser. A cada uma hora, o utilizador dos tênis poderá flutuar ou voar em uma velocidade mediana por 15 minutos, tendo que esperar mais uma hora para poder voar novamente. Em equivalente a posts, o tênis alado funciona apenas por dois turnos, sendo que após seu uso o semideus deve aguardar oito turnos para poder novamente usar seus tênis. Sempre que o tempo estiver acabando o tênis emite um som e vibra levemente para avisar o utilizador que sua "carga" acaba em 1 minuto. O tempo de vôo não acumula, ou seja, não passa de 15 minutos contínuos após a ativação.] (Nível Mínimo: 15) {Sem Elementos} [Recebimento: Prêmio recebido de Éolo pela missão "I'm Sick Demigod".]
♦ {Healing} / Colar [Um colar com pingente de folha inteiramente prateado. Pode ser ativado uma vez por ocasião, e quando ativado libera uma leve aura verde que roda o utilizador por três turnos, recuperando 10 de HP e MP em cada um deles, chegando a um total de 30 HP/MP.] {Prata} (Nível Mínimo: 15) {Sem elemento} [Recebimento: Éolo por cumprir a missão "Lost On The Woods".]
— {Hamelin} / Flauta transversal [Possui três partes (bocal, corpo e pé), sendo feita de prata com um revestimento em preto (verniz), sendo um aerofone. Executa com perfeição todos os poderes de menestrel.] {Prata e Verniz} (Nível Mínimo: 1) {Música} [Recebimento: Presente por se juntar aos Menestréis de Orfeu]



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Re: ♦ Evento: Dupla reclamação - Ficha especial para filhos de Nêmesis

Mensagem por Henry Rothesay em Dom 03 Maio 2015, 17:28








Não basta ser atacado por inúmeros monstros, ter boa parte do acampamento destruído e um estranho símbolo aparecer em sua cabeça; ainda não posso conseguir dormir uma hora se quer pelo barulho que alguns de meus meios-irmãos faziam. O sol que tanto amo, nascia antes que conseguisse entrar no reino de descanso governado por Morfeu. Minha mente não conseguia parar de pensar no momento em que acabei sendo salvo pelo monitor de Nyx e um grupo de campistas, todos que se empenharam com todas suas forças a deterem os monstros que tentavam destruir nossa floresta. Ter tido o símbolo de meu progenitor rompido foi como ter minhas emoções lançadas em ventos que não podia controlar; ventos tempestuosos que faziam eu não saber mais quem era.

Mesmo com as explicações do Senhor D. não entendia aquela dupla reclamação, Nêmesis? Lágrimas cobriam meu pranto quando imaginava minha mãe não ser aquela meiga senhora que a muitos anos conhecia; talvez o único ponto que se esclarecia acabou sendo a raiva de meu pai, o modo como mesmo desejando que um dia o substituísse na presidência de suas empresas, não era capaz de demonstrar amor por minha existência. Eu precisava de explicações, por que Éolo teria feito tamanha brincadeira? Quais os motivos de ajudar a me proteger enquanto estava na parte oriental de nosso globo terrestre? Derrotado eu praticamente desmaiava, não tinha mais forças para pensar e se quer fazer algo produtivo.

[...]

Com toda certeza, aquela manhã se estendendo até a tarde não foi o único momento em minha vida que sonhei. Certamente não seria a última vez e meus sonhos ainda poderiam ser mais reais do que aparentavam; porém o assombro das imagens fazia eu não entender aonde estava. Muitos eram os barulhos de bombas explodindo, navios sendo afundados e gritos pavorosos emergindo de destroços navais. Os ventos uivavam furiosamente enquanto observava uma frota de navios sendo destroçados por aviões com o símbolo do Japão. O lugar aonde estava sem dúvida alguma era protegido, mas o que aquele fato tinha de relação com minha existência? A cena aos poucos escureceu, até que por breves segundos ficasse completamente imerso em uma escuridão sem fim.

Ao conseguir novamente enxergar algo, uma mulher com roupas de motoqueira conversava algo com um ser que pouco já tinha visto, mas muito conhecia, o deus dos ventos. Aparentemente eles faziam algum acordo, não conseguia nada ouvir e meu corpo não se mexia. Quando a mulher olhou em meus olhos, uma estranha sensação percorreu todo o meu corpo; os ventos dançaram ao meu redor e tudo se foi como fumaça, deixando para trás apenas a imagem do monastério no qual tinha vivido grande parte de minha vida.

- Acorda, acorda! Meus olhos voltavam a abrir, deixando minha visão cega por alguns instantes antes de reconhecer a face de um meio-irmão que também tinha sido repentinamente reclamado pela deusa abandonadora de filhos. - Levanta china, um grupo comandado pelo monitor de nosso pa... er, de Éolo "capturou" um elemental de ar que aparentemente serve o deus. Ele parecia animado, não entendia muito bem o porquê, mas sem questionar o seguia.

[...]

O grupo estava em meio a praia, aparentemente interrogando o que seria um humanóide feito completamente de uma densa camada de ar. - Explique o que significa essa traição de seu mestre! Não nos faça ter que viajar até seu reino para chutar aquela bunda repleta de gases. Mesmo que William tentasse segurar o jovem de cabelos cacheados que brandia furiosamente, as palavras ditas tinham sim um certo ar verdadeiro, não duvidava que os mais extremistas ousassem tentar fazer aquela façanha. - Eu nada sei, já disse... Mandei outros elementais responsáveis por algumas correntes de vento levarem uma mensagem ao deus. A voz do monstro era como ouvir um vendaval frio que arrepiava todo meu corpo.

Antes que a confusão se intensificasse, uma grande ventania fez as folhas das árvores próximas balançarem com grande velocidade, mal conseguia enxergar algo com a cortina de areia que se formava em nossa frente. Da mesma maneira que aquele fenômeno veio, ele se foi, deixando para trás três humanóides parecidos com o capturado. - Saudações campistas, viemos a mando de nosso soberano rei e senhor, Éolo, aquele que controla todos os ventos. Todos ficaram um pouco receosos. - O deus não quer ser incomodado com os acontecimentos que se passaram aqui nesse acampamento, principalmente com relação ao acontecimento referente a senhora Nêmesis. Muitos se irritavam mais, meu coração batia forte e meu queixo sedia para baixo; como aquele que chamei de pai poderia se comportar tão monstruosamente perante todos nós? Mesmo que seus mensageiros explicassem que o Senhor dos ventos estava ocupado fazendo uma busca para o Olimpo, ainda assim esperava mais daquele porco traidor.

- Não desejamos ou podemos demorar, já que estamos ajudando em tal busca. Eles se afastavam um do outro. - Nosso Senhor acredita que devem estar interessados em saber sobre a relação que possui com Nêmesis e blá, blá, blá; mas antes que eu possa começar, peço que notem o fato de apenas seus filhos com traços orientais terem sofrido a dupla reclamação. Todos se olhavam e constatavam o que o humanóide dizia. - Espero que esses seres de carne sejam bons em História. Um pouco impaciente, uma das legítimas proles do deus pedia para que fossem logo ao que nos interessava. Os seres se transformaram em algo como soldados humanos feitos de ar. - Alguns anos atrás, em meio a Segunda Guerra Mundial; alguns japoneses ousaram atacar uma importante base da marinha dos Estados Unidos da América, mais precisamente Pearl Harbor. A voz do ser conseguia ser tão chata quanto dos monges que lecionavam aquela matéria quando eu era menor. - O que poucos sabem é que muitos filhos de Éolo morreram naquele ataque; mais precisamente todos que estavam prontos para servirem como pilotos de aviões em porta-aviões. Furioso com aquela situação, o deus pediu a Nêmesis que desse uma oportunidade para aquela guerrilha se equilibrar; e assim firmaram um acordo no qual o Senhor dos ventos cuidaria de todos os filhos da deusa que vivessem nas terras orientais, e em troca foi responsável por arquitetar o chamado "Ataque Doolittle". Lembrava-me das visões de meu sonho, seriam elas imagens do que o mensageiro estava contando?

Os seres de ar trocavam de forma para exemplificarem tudo o que tinham falado, praticamente estávamos boquiabertos assistindo a apresentação de uma peça de teatro um tanto quanto estranha. O único que ainda se mantinha em sua forma continuava a narração de nossa história. - Claro que a deusa apenas equilibrou, não favorecendo em nada e todos os pilotos de tal operação morreram ou foram capturados por japoneses. Apesar de terem destruído apenas fábricas e campos de petróleo, aquele pequeno ato aumentou a moram de todos os norte-americanos, daquele momento em diante os EUA de fato entraram em meio à guerra e... Bem, o restante acredito que já saibam sobre o desfecho de tal guerrilha. Todos se entreolharam. - E aonde a promessa de Éolo entrou nessa história? As criaturas pareciam medonhamente rirem. - Éolo deixou que todos os filhos de Nêmesis orientais desfrutassem de seus poderes, além de ajudar a proteger alguns monastérios nos quais puderam treinar até se verem preparados para começarem suas aventuras; pequenos passarinhos que saíram de seus ninhos para voarem ao redor do mundo. Tudo parecia começar a fazer um pouco mais de sentido... O lugar onde treinei e fui criado, meu passado e de alguns de meus meios-irmãos presentes... Antes que as criaturas elementais pudessem ir embora, um outro garoto ainda parecia ter dúvidas. - E os filhos ocidentais? O jovem tinha lágrimas em seus olhos. - Não temos permissão para responder essa pergunta, com toda certeza é um fato que será dito para aqueles que sejam peças de tal história, não é o caso de vocês olhinhos puxados. Novamente uma terrível ventania tomava conta de toda a praia, e quando já era seguro abrir os olhos estávamos sozinhos.

Não troquei uma palavra se quer com nenhum dos presentes, nem mesmo ousei condenar um deus ou outro; minha cabeça não sabia o que pensar. Amargurado e completamente revoltado com ambos os progenitores divinos, por não mais sentir o poder dos ventos correr em meu sangue me exilava; a confusão em minha mente já estava formada e talvez apenas meu mestre que estava a viver em Nova Iorque poderia me ajudar. O meu destino não era mais o mesmo, meus desejos se transformaram em amargo e minha felicidade deu lugar à falta de emoções; aquele era um novo eu resurgindo das brumas do tempo, eu sou Li Hu Yong e prometo a mi mesmo que não descansarei até encontrar paz de espírito em meio a todas as verdades e mentiras que já tiverem sido contadas a mim.


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Re: ♦ Evento: Dupla reclamação - Ficha especial para filhos de Nêmesis

Mensagem por Zeus em Qui 28 Maio 2015, 15:00


Avaliação

Ares

Então Enzo, pronto para o programa do Ratinho? Deveria ter pedido o exame de DNA rapaz. Eu realmente gostei do seu teste. Foi estenso e isso é verdade, mas não é algo exatamente ruim ou bom. Amo quando conseguem fazer algo sucinto e de extrema qualidade, mas essa ficha em si realmente não é fácil ou algo a ser feito superficialmente. Você tem uma criatividade muito aguçada, além de interpretar de uma maneira muito interessante seu personagem, gosto de suas narrações. Não tenho muito o que falar, ficar tietando uma ficha admirávelmente boa é algo que deixa uma avaliação as vezes chata de se ler; você sabe das capacidades que possui. Apenas gostaria que lembrasse o fato de sua trama pessoal não poder sobrepor a trama global, então busque a trabalhar da melhor maneira possível para que tenha relação com nossa trama, ou seja, seja coerênte com os acontecimentos do fórum; tenho certeza que conseguirá trabalhar bem isso e fará uma trama interessante. No mais pode bater e xingar Deméter garoto, o exame está em minhas mãos e você é filho de Nêmesis.

Eos

Oi Li. Seus problemas são mais com a escrita do que com enredo, e creio que você sabe disso e que precisa/ pode se aprimorar. Tome cuidado com a concordância. Por exemplo, aqui: Não basta ser atacado por inúmeros monstros, ter boa parte do acampamento destruído e um estranho símbolo aparecer em sua cabeça; ainda não posso conseguir dormir uma hora se quer pelo barulho que alguns de meus meios-irmãos faziam. - o ideal seria "minha cabeça" não sua, para concordar com a sequência (posso, conjugado em 1ª pessoa) ou reformular a frase inteira. Vírgulas também se infiltraram aonde não deviam, ocasionando pausas desnecessárias. Alguns trechos sem sentido: "lágrimas cobriam meu pranto" - pranto é choro, logo "lágrimas cobriam meu rosto/ o pranto cobria meu rosto" seria o adequado - acabou ficando um pleonasmo sem sentido. Cuidado com outros detalhes "se quer" = se deseja; "sequer" = locução advsersativa/ "sedia" = sede, (sediar um evento); "cedia" = rompia, caía. Outros erros foram apenas de digitação (moram/moral).

Em enredo, sua sorte na coerência foi nenhum outro filho de Éolo ter postado. Ainda assim, foi suficiente - mas seria melhor se houvesse explicado mais coisas - o lapso temporal, por exemplo, ainda que dê a entender que o trato se mantém até os dias atuais. Outro ponto: seria interessante explicar as coisas em off - isso realmente deixa confuso, pq vc supoe que todos sabam de sua história/ trama particular e isso é uma suposição errada - nem é papel do narrador aleatório saber - o player nesse caso que prrecisa detalhar o necessário pra ser compreendido
pelo enredo, apesar dessas falhas nas explicações, ainda dá pra aprovar
mas tome mais cuidado essa questão no futuro atuais, seria interessante mais explicações, em off sobre essas questões.



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Re: ♦ Evento: Dupla reclamação - Ficha especial para filhos de Nêmesis

Mensagem por Phoebe Wang em Sab 29 Abr 2017, 16:22

- Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?
Gostava de ser reclamada por Nêmesis. Opto sempre pela sinceridade, a justiça e o equilíbrio e acho fascinante o facto Nêmesis ser exatamente isso: o equilíbrio, a justiça, a verdade, a vingança. Sem dúvida a minha deusa favorita mas, ao mesmo tempo, a mais incompreendida.

- Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas)

Físicas: Phoebe possui olhos castanhos um pouco em bico (devido à descendência chinesa) e cabelo curto ondulado também castanho. Tem um metro e sessenta e sete e devido a alguns problemas na infância tem uma estatura magra para a altura.

Psicológicas: Fria. Desde cedo que Phoebe escolheu deixar de acreditar na humanidade. Não tinha sido aceite por causa do seu temperamento ou maneira de pensar livre de julgamentos. Não partilhava da mesma religião que as freiras no orfanato em que passou grande parte da sua vida e, por isso, fora muitas vezes castigada.
É inteligente demais para o seu próprio bem e não consegue manter-se calada, sempre dizendo a verdade acima de tudo e não se importando com as consequências após dizer o que acha de uma pessoa. Não finge estar bem quando não está mas também não quer incomodar as pessoas com os seus problemas.
A sua mente é bem obscura, com pensamentos negros e gritantes que a impedem de dormir, mas sempre tenta superar as vozes que lhe dizem que ela não é o suficiente.
Fora isso, Phoebe é rápida a ajudar os outros, quase que por instinto. Tem um desejo de justiça incorruptível e nada a demove de fazer algo que já esteja cravado na sua mente.
Personalidade forte e tempestuosa e quando se irrita nem mesmo o mais poderoso dos charmes a consegue parar de destruir tudo e todos.

- História do Personagem

Deshi Wang sempre gostou de aventura. E de adrenalina, se começarmos por aí. Desde cedo que ambicionou coletar uma pedra de cada país do mundo, custe o que custasse e foi pela China, o seu país natal, que começou.

Ele viajou por toda a Ásia, uma pedra por país, não importava a cor a forma ou se estava deformada, não! Para ele todas tinham a sua própria beleza e todas elas eram únicas.

Li esta história tantas vezes que até já perdi a conta. Lembro-me de como o meu pai decidiu mandar-me uma carta com a sua história (após eu o conhecer muitos anos depois), de como ele se tinha apaixonado na Grécia, e que na Grécia o seu coração havia permanecido para sempre, jovem, carismático e aventuroso.

Ela era nova, bonita, com um sorriso esculpido e olhos escuros como ónix mas com um calor de desafio e equilíbrio que o deslumbrou de imediato. Lá estava ela, escrevia-me ele, a mulher que me roubou o coração.

Sei que foi um caso de uma noite já que, quando a aurora se fez notar no país banhado pelo calmo mar Mediterrâneo, Deshi ligou para a sua mãe, minha avó, desesperado. Ela não estava em lugar nenhum! Havia desaparecido como ar por entre os seus dedos calosos. Após uma série de gritos e dinheiro gasto numa chamada intercontinental, Deshi continuou o seu caminho, derrotado e sem ânimo. Já se tinham passado dois meses desde que a sua viagem começou e a sua felicidade foi embora com a bonita e desconhecida mulher por quem ele teve a ousadia e o azar de se apaixonar.

Nove meses depois já estava na América. Tinha havido umas complicações no Médio Oriente que o retiveram por algum tempo. Já não falava com a mãe o que lhe parecia ser há anos, mas a memória daquela que o nome ele desconhece prevalecia intacta na sua memória, como que forjada a ferro quente e ouro maciço.

Sentou-se na cama do quarto da pensão barata que tinha encontrado e deitou-se para trás, costas cansadas e pele suja das horas a caminhar, até que alguém bateu à porta.
Ele estranhou, semicerrou os olhos já com a forma dos grãos de arroz, e caminhou até à porta de madeira. O seu queixo caiu em espanto e ele baixou-se para apanhar o pequeno cesto, do que parecia ser prata interlaçada como tranças preciosas, e olhou para a cara adormecida da pequena bebé que jazia no berço. Ele levou-a consigo para o quarto e leu o pequeno bilhete, letras a itálico, escritas com uma eterna caneta de fina linha de ouro derretido.

“Phoebe- pura, brilhante, era uma Titânide associada à Deusa da Lua Ártemis.”

Ele soube quem me mandara. Era impossível não saber! Quem mais poderia escolher temas da mitologia para se dirigir a outra pessoa? Era ela! Aquela que lhe roubou o coração numa noite, e despediu-se sem adeus.

Ele encarou-me chocado. Não estava à espera de me receber, muito menos que ela o encontrasse quando ele o tinha feito e nunca descobriu para onde ela tinha ido.

De novo, uma chamada urgente para a mãe. Mais gritos, mais dinheiro na conta do quarto, mais choro e mais palavras pouco agradáveis. Estava decidido, assim que voltasse para a China seria um escândalo total! O que pensariam as pessoas? Deshi nem estava casado!

Mas ele não a podia abandonar. Podia?

Bem, se ele podia ou não, não sei. Só sei que acabou por o fazer.

Depois de coletar a sua preciosa pedra, Deshi rumou até ao orfanato mais próximo, que havia encontrado no computador da receção do decadente motel à beira da estrada, e deixou o berço à porta do local mandado por freiras. Ficou com o bilhete, mas escreveu com a sua letra torta o meu nome num papel sujo que encontrou no bolso.

Oito anos depois lá estava eu. Sendo atingida de novo com um pontapé na barriga.

Yria odiava-me desde que eu dei os meus primeiros passos.
Dois anos mais velha que eu e vários centímetros mais alta, Yria resplandecia com um vestido até ao joelho e caracóis ruivos a cair-lhe pela face lisa. Ela gritava ofensas e batia-me inúmeras vezes, até que uma freira a agarrou e a tirou de perto de mim. Lembro-me de não chorar ou gritar para que ela parasse. Não era porque queria fingir-me de forte, ou porque não me doía, mas uma voz na minha cabeça dizia sempre que situações destas aconteciam “A hora dela chegará. No fim, a vingança chega a todos.”.

Dito e feito, Yria foi, no dia seguinte, sentar-se o mais longe de mim, marcas vermelhas na sua cara passos frágeis e hesitantes. Algo me dizia, talvez a experiência, que o castigo dela foi doloroso. Até hoje não me esqueço das açoitadas que recebia por me recusar a acreditar em Deus. Se Deus realmente existisse, eu teria um pai e uma mãe.

Os meus dias eram vazios. Muitas vezes não comia por me relembrar dos insultos de Yria que me relembravam que eu não era magra ou bonita, com os meus olhos de cor comum e as minhas feições pouco convencionais, num misto de ásia e américa, ou por estar de castigo por não rezar junto das freiras. Não dormia sem ter pesadelos de ondas gigantes e trovões no céu carregado de nuvens, e numa voz profunda e horrorosa que preenchia os meus sonhos com avidez. Pouco a pouco, fui-me perdendo.

Fugi.

Aos onze anos estava farta da maneira de como me olhavam, ou dos castigos pungentes que recebia por não ter uma opinião igual aos demais. Com uma mala velha e quase rota e alguma roupa lá dentro, escapuli-me por entre as grades da janela e cai em cima de uns arbustos, quase torcendo um pé na queda. No breu da noite fugi pelos portões e corri. Os meus pulmões apertaram-se num nó e o meu peito firmou-se com dores, mas isso não me impediu de correr. Os meus dedos e pés estavam gelados e os meus lábios tremiam.
Foi no meio da estrada de terra batida que eu me deparei com o meu primeiro desafio.

Uma silhueta escura estava caída no chão, cara entre as mãos e choro profundo e dorido.

- Está tudo bem?- perguntei, aproximando-me da moça caída. Ela olhou para mim. O seu rosto era dos mais belos que já tinha visto, os seus olhos azuis brilhantes e as bochechas coradas. Mas algo estava mal.

- Cheiro…- ela sussurrou agarrando-se ao tecido da minha camisola. Levantei-me num ápice, e afastei-me dela, quase tropeçando nos meus próprios pés. Ela ergueu-se, alta e com as roupas rasgadas, sangue e escorrer-lhe pela pele.
Tentei correr para longe dela, mas não podia voltar para trás. Ela viu o medo nos meus olhos, mas também viu que eu não me iria deixar ficar enquanto ela me magoava.

- Pena que não és um rapaz. Cheiras tão bem.- ela correu para mim, mas eu era mais baixa e consegui-me desviar a tempo de não ser derrubada por ela. A sua unha raspou no meu braço cortando o tecido e eu gemi de dor quando a minha pele se cortou e o sangue e ensopou a manga da fina camisola. Ela sorriu, e eu pude ver o seu rosto agora desfeito.
Os seus olhos estavam vermelhos como sangue, e os seus lábios estavam ensanguentados e rachados.

- Vem cá, querida semideusa. Posso matar-te rápido se preferires.- Ela aproximou-se de novo, mas eu dei um passo para trás, acabando por cair, as minhas mãos esfolando-se das pedras. Ela correu até mim e atirou-se para o meu corpo caído. A minha mala impediu que as minhas costas batessem fortemente contra o chão. Tentei gritar e esbracejar, o terror a tomar conta das minhas células, mas mantive-me o mais serena possível.
Talvez se eu morresse tudo parasse, a dor da rejeição. Tudo.

“Não sejas parva, Phoebe! Tu vais lutar como a guerreira que és!” Suspirei com dor. A voz continuava a repetir o mesmo mantra, mas não era ela que estava a ser assassinada por um monstro! Levei as minhas mãos ao cabelo da criatura e puxei, fios soltos a ficarem presos entre os meus dedos. Consegui afastar minimamente o seu rosto de mim e, num momento de hesitação, atirei-lhe terra para os olhos, fazendo-a levar ambas as mãos à cara. Aproveitei para a afastar de mim com um pontapé na barriga. Os gritos de felicidade da voz ecoavam na minha cabeça. Ela dizia que estava orgulhosa de mim. E nesse momento eu senti uma onda de raiva e calor irradiar da minha pele. Não a iria desiludir, quem quer que ela fosse.

A criatura estava estirada no chão. Tirei a minha mala, atirando-a para a berma.
Aproximei-me dela e mandei-lhe com o meu pé na cara suja e preparei-me para o fazer de novo, mas ela foi mais rápida, pegando no meu pé e puxando-o fazendo-me cair, a minha testa agora a sangrar e eu a tossir terra.

- Podes achar-te muito forte, mas tu não és nada, comparada comigo! Diz adeus, semideusa.- a sua voz era carregada de nojo e veneno. Ela preparou-se para me partir o pescoço mas eu não ia permitir. Estava tão perto de fugir que eu não ia deixar que uma estúpida e monstruosa criatura me impedisse. Pela primeira vez eu iria lutar de volta.

Estava escuro, mas eu consegui ver tudo o que se passava à minha volta. Os grilos, os estalares das árvores, ramos a quebrar. Tudo aconteceu rápido demais, mas eu assimilei tudo com a mesma rapidez. Antes que ela conseguisse fazer mais alguma coisa, peguei num fino galho e enfiei-lhe no olho. Ela gritou, a sua voz dolorida a ecoar pelo vazio da noite. Rodei-nos no chão e fiquei por cima dela. Bati-lhe consecutivamente com a cabeça no chão, os seus olhos rodando da sua órbitra e a sua cara a perder a cor. A minha mão encontrou uma pedra grande e terminei com a vida dela, batendo-a fortemente na sua cabeça, esmagando-a. Ela tornou-se num pó parecido a enxofre e os meus joelhos bateram no chão sem o seu corpo por baixo de mim, o que sujou ainda mais as minhas roupas. Cocei o nariz com vontade de espirrar e fechei os olhos deixando-me cair sem forças no chão, a inconsciência tomando conta de mim.

;;

Lembro-me de estar ao lado de uma rapariga de cabelos loiros. Não sabia onde estava ou como tinha lá chegado. Recordava-me de ter estado numa luta e ter desmaiado no meio da estrada, sem forças.

- O meu nome é Kayla e eu sou curandeira aqui no acampamento. Como te sentes?- Sentei-me confusa e encarei os seus olhos azuis e a sua pele morena. Ela era tão brilhante que os meus olhos ardiam e o seu sorriso causava-me tonturas. Ela cheirava a areia e sol.- Aqui, bebe isto, vais sentir-te melhor.

Levei o copo aos lábios e o aroma a café quente fez-me quase sorrir. Costumava bebê-lo às escondidas das freiras, junto de dona Margaret, uma cozinheira amável que foi acabou por morrer de idade. Não comi durante uma semana, até que as freiras forçaram a comida pela minha garganta abaixo.

De súbito, as minhas células estalaram e eu senti chamas a percorrerem as minhas veias como aço líquido. Senti-me cheia de forças e com vontade de beber mais daquele líquido.

- É néctar. Ajuda-nos a cuidar ferimentos e recuperar forças. Sentes-te melhor agora?

- Sim. Onde é que eu estou?- ela sorriu calorosamente, literalmente. A sua cara parecia o sol de tão iluminada que era, olhos brilhantes e cabelos entrelaçados como ouro. Senti vergonha de estar coberta por pó e não ser tão bonita quanto ela. Não era americana o suficiente ou chinesa o suficiente. Era só eu.

- Estás no acampamento meio-sangue, o único sítio em que pessoas como nós se podem manter a salvo. Deves ter tido uma noite recheada de emoções. Vou chamar o Quíron e ele já te explica tudo.- ela desapareceu antes que eu tivesse uma chance de lhe expor as minhas dúvidas. A minha cabeça doía e parecia que ia explodir e o meu estômago revirava-se como se fosse uma máquina de lavar. Encostei a minha cabeça à parede e encarei o espaço durante longos minutos, até que o som de ferraduras de cavalo a bater no chão me fez olhar para o lado. Quase que desmaiei com a visão. Um homem era metade humano metade cavalo. Como se isso fosse possível! A sua barba estava desgrenhada e o seu cabelo encaracolado caía pela sua face. Tinha um rosto sábio e olhos antigos, como se guardasse os segredos da criação do mundo.

- Como te chamas, criança?- ele perguntou aproximando-se. Resisti à vontade de fugir e gritar e respondi com medo.

- Phoebe. Phoebe Wang.
Ele assentiu e pareceu ponderar.

- Tens alguma ideia de como vieste aqui parar?- Eu neguei. Lembrava-me da criatura mas depois eu sucumbi à minha dor. Estúpida devia ter-me mantido acordada.

- Foste trazida pela benevolente Alecto. Ela deixou-te nos limites do acampamento antes de seres encontrada por um campista e trazida para a enfermaria.- ele disse como se fosse a coisa mais normal do mundo. Eu arregalei os olhos e toquei na minha testa, gemendo ao tocar no ferimento coberto de Band-Aids.- Estavas bastante maltratada, dormiste durante algumas horas.

- Eu lutei com uma mulher, ela era bastante forte. Os olhos dela eram vermelhos e ela chamou-me…- encarei-o com medo que ele me achasse maluca. A minha mente não era a mais sã mas eu tinha a certeza do que tinha acontecido e tinha medo que ele me colocasse num manicómio. Talvez o facto de ele ser meio cavalo era eu fruto da minha imaginação. Aproximei a minha mão do seu torso e senti o pelo suave entre os meus dedos. Ele encarou-me estranhamente.

- O que estás a fazer?- ele afastou a minha mão com cuidado.

- É real… Como é que pode ser real?- perguntei assustada.

- Ah criança, tudo vai fazer sentido a seu tempo.- ele afastou-se e sussurrou alguma coisa ao ouvido de Kayla. Ela aproximou-se ainda a sorrir.

- Está na hora de almoço, vem tomar um banho e vestir alguma coisa que eu depois levo-te ao refeitório. Os campistas de Hermes vão adorar ter sangue novo por lá.- Ela suspirou e ajudou-me a levantar.

;;

Tomei banho rapidamente e vesti uma t-shirt laranja que eu não consegui perceber o que dizia por causa da dislexia (agora sei que é Acampamento Meio-Sangue) e uns calções de ganga curtos que pertenciam a Kayla. O meu cabelo estava uma confusão de nós molhados e gotas de água com cheiro a mel, o shampoo da loira, o que sempre era melhor do que pó e enxofre. Kayla esperava do lado de fora com um sorriso. Não conseguia entender o porquê de ela ser sempre tão simpática e estar sempre a sorrir.

- Ficaste fantástica! Não deves ser do chalé de Afrodite se não irias demorar séculos a preparar-te! No entanto és bem bonita…- ela falou a última parte para ela mesma, como se pensasse em algo importante e para se concentrar precisasse de falar em voz alta.

Caminhámos lado a lado, as minhas forças já mais compactas. Não tinha comido nada desde o almoço de ontem, visto que me impediram de jantar como castigo, mas não sentia grande fome por causa adrenalina que ainda não se tinha dissipado.

- A tua mesa é aquela dali, ao pé dos campistas de Hermes. Se tudo correr bem hoje vais ser reclamada na captura à bandeira. Tem um bom almoço.- ela abraçou-me rapidamente antes de caminhar para uma mesa onde todos pareciam como ela: sorridentes, de dentes brancos e direitos e olhos azuis como o céu. Os seus cabelos lembravam-me raios de sol de tão encaracolados e dourados. As suas peles eram todas morenas e alguns tinham sardas a cobrir as bochechas queimadas pelo sol. Caminhei hesitantemente até à mesa indicada.

- Deves ser a Phoebe, eu sou o Andrew, filho de Hermes.- Ele sorri e dá-me espaço para eu me sentar. O meu prato estava vazio, assim como o dele e eu não via comida em lado nenhum.- Não te preocupes, é só desejar que ela parece.- ele piscou-me o olho, o que me fez revirar os olhos discretamente. Nunca tinha convivido com rapazes então era demasiado estranho esta proximidade.

Ao fundo da cantina estava um homem com uma camisa de estampa de leopardo a olhar desoladamente para uma garrafa de vinho. O pesar nos seus olhos era doloroso.

- Aquele é o Sr. D. Dionísio, deus do vinho, sabes? Versão resumida, ele tentou flirtar com uma ninfa que Zeus também queria e ele mandou-o para aqui. Não pode beber bebidas alcoólicas durante o tempo que está no acampamento. Sujeito engraçado, mas não fiques no lado mau dele. Ah! Se ele se enganar no teu nome ignora, ele só não quer que nós pensemos que ele gosta de nós.- estalei os dedos com nervosismo. Não conseguia acreditar no mesmo que eles, por mais que as coisas estivessem bem à frente dos meus olhos. Como era possível? Não! Isto era só um sonho e eu queria acordar já! Belisquei com força o meu braço mas nada, para além de um grito meu, aconteceu. Andrew olhou para mim confuso.

- Tu podias acordar, mas isto não é um sonho.- Ele recitou Halsey e eu olhei-o com raiva. Não era possível. Agora, até acreditar em Deus era mais fácil do que aceitar isto.

- Como é que podes estar tão bem com isto? Não é natural! Deus não existe e muito menos Deuses. Vocês são todos doidos, eu só quero…- levantei-me irritada, mas antes que eu pudesse continuar todas as cabeças olharam para mim, mais precisamente para algo acima da minha cabeça. Ergui o meu olhar, vendo um símbolo de uma balança flutuante em tons de cinza, abanar-se como ondas acima de mim.

- Salve Phoebe Wang, filha de Nêmesis, Deusa do destino, do equilíbrio e da vingança divina.

♦ Evento: Dupla reclamação - Ficha especial para filhos de Nêmesis Tumblr_o4viiu03K01tb1s1bo1_500
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Re: ♦ Evento: Dupla reclamação - Ficha especial para filhos de Nêmesis

Mensagem por 149 - ExStaff em Sab 29 Abr 2017, 16:50

Evento encerrado
Erro de tópico

Boa tarde, Phoenixx. Então cara, esse tópico aqui era exclusivo do Evento para reclamação extra de Nêmesis, e já foi encerrado. Caso você queira fazer uma ficha de reclamação, você deve postar aqui.

Outra coisa, para que você possa jogar, seu nome tem que estar dentro dos conformes também. Aqui você pode ver as regras de como devem ser os nomes, e também efetuar o pedido de troca para poder jogar livremente.

Aliás, bem-vindo ao Percy Jackson RPG BR, e qualquer outra dúvida pode entrar em contato comigo por MP, ou com qualquer outro Deus ou monitor.



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Re: ♦ Evento: Dupla reclamação - Ficha especial para filhos de Nêmesis

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