The owner of the wind

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The owner of the wind

Mensagem por Simmon Wilem Brandeur em Dom 31 Maio 2015, 18:35



E se eu dissesse pra você, querida, que a razão vai bem além da vida?
Que aquilo que procuramos no movimento, está, na verdade, nas dobras do vento?

E seu eu dissesse que a massa sem forma nos informa que o certo vai bem além da norma?
Que sentido não há em buscar alimento, se eu me alimento do conhecimento do vento?

E se eu dissesse pra você, meu bem, que a dúvida é muito além que mas e porém
Que o vento é eternamente mutável, saudável, frio e muitas vezes palpável
Não estável, nem controlável, talvez amável, pois cresce...

E... e se eu não dissesse?


Aqui ficará minha história, o meu relato único em forma de DiY.

Não teria mais o que falar, porém creio que alguns avisos são necessários para o bem estar do maior número de pessoas; pois bem: Uma "história" não quer dizer uma "história feliz". Digo isso pois provavelmente haverão coisas ruins por aqui. Porém, independente das coisas que serão narradas, será uma boa narração. Feita como deve ser feita. Não ficará ruim. Como é um relato fiel, obviamente existirão palavrões e xingamentos. Querendo ou não, a vida é cheia deles, entao trate de acostumar-se com isso. Também, é provável que você não entenda uma ou duas passagens que aqui serão escritas. Mas elas são para isso mesmo. Foram criadas assim, são imutáveis, e assim serão escritas e descritas. Algumas delas, para alívio e compreensão, serão explicadas no futuro. Outras, porém, não. E assim será eternamente.

Não espero que você goste, mas espero que aprecie. Não é necessário gostar de algo para reconhecer que este algo é bom e bem feito. Obrigado.

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Re: The owner of the wind

Mensagem por Simmon Wilem Brandeur em Seg 01 Jun 2015, 21:51



The owner of the wind Ga4T3JI

No meio do caminho eu senti minha perda, que estava ao lado da pedra.
E em meio a luz errada da falha esquerda, eu me senti em súbita queda.
O sangue corre quente por minhas veias, sinto o mundo lutando por mim.
Já não me conformo em observar janelas, eu já não desejo nenhum fim.
Já perdi meu medo, reencontrei minha sede e paixão por sentir dor.
Já não sou vítima da tempestade, me torno agora seu causador.

Prefácio

Olá.

Antes de mais nada, gostaria de agradecer a sua presença. Sei que deve estar atarefado com seus afazeres diários, os quais te podem ser obrigatórios ou não; mas isso não vem ao caso. O que vem ao caso é que sabemos que poderia estar fazendo qualquer outra coisa; desenhando, brincando, escrevendo, bebendo, transando ou até mesmo estudando. As possibilidades são infinitas. Porém, antes de todas estas coisas, você escolheu ler a minha história. Fico grato.

Porém, talvez alguns de vocês possam estar lendo isto por obrigação, como uma tarefa de seus cargos. Para esses, então, eu peço desculpas.

O que eu quero dizer, é que todo homem conhece uma história. Você pode até não concordar, mas é um fato. Repito e acrescento: todo homem conhece pelo menos uma história. Qual? A sua própria. E esta é a minha.

Por muitos anos ela ficou guardada apenas na minha mente, como se fosse aquele livro velho, que fica esquecido e escondido debaixo de inúmeros objetos, apenas juntando poeira. Sendo basicamente ignorado. Porém, estou passando por uma fase onde sinto que a minha essência está se perdendo. Olho no espelho e não reconheço o reflexo que me encara de volta. É desesperador. Desta forma, derrubei a grande pilha de objetos que estavam em cima do livro, agarrei-o com as duas mãos, dei um grande sopro, afastando de vez a poeira, e estou abrindo-o para que todos possam ver. Quero me reencontrar no meu passado, para que, no meu presente, eu volte a ser eu. Confuso? Talvez; mas é por isso que você, caro leitor, está lendo tais palavras.

Não sei o que você espera encontrar aqui. Na verdade, nem eu sei muito bem como irei retratar os aspectos da minha vida que aqui serão narrados. Sou do tipo que não pensa, só escreve. Minha história é, por si mesma. Minhas narrações, meus versos e poemas, os fatos ditados aqui são. Só são. Eu sou aquele que sou. Aquele que é.

Talvez você esteja confuso, ou até mesmo entediado, por isso irei resumir minha história em poucas palavras: cresci como garoto comum, me descobri semideus, viajei, conheci, fui ao inferno e voltei, amei e fui amado, cultivei amizades e fui traído, matei... e não morri.

Isso é tudo. É o firme alicerce no qual minha vida está construída. São os registros do meu passado, a vida do meu presente e o terreno, no qual construirei meu futuro. Sinta-se grato por saber isso. Pelo menos isso. Só isso.

Mas é claro que tem mais. E creio que, se você está lendo até aqui, é porque não desistiu e quis conhecer o resto da história. Mas já adianto; será um trajeto longo, demorado e muitas vezes confuso. Mentes sadias poderão se deteriorar com o passar do tempo. Não recomendo àqueles que têm facilidade em se deprimir. Pode ser até perigoso, quem sabe?

Vou privar vocês de grande parte das coisas que vivi. Na verdade, vou começar num ponto onde, mesmo depois de grande, eu deixei de ser uma pessoa e passei a ser eu. Difícil de entender, talvez, mas creio que, com a narração que virá a seguir, você entenderá.

Enfim, boa leitura. Que os deuses abençoem tua vida, deixando-a farta e alegre. Que a sorte esteja sempre ao seu favor e que, por fim, a força esteja com você, semideus.

The owner of the wind 8STwNsZ

Inciso I

Era uma noite amena de outubro, sabe? Aquela época do ano onde você percebe no ar que o frio não demorará muito a chegar. Eu tinha pouco mais de 20 anos, e já havia passado por mais coisas que a maioria das pessoas mais velhas que eu. Isso me cansava.

Cheguei no prédio onde morava. Estava com frio e meu pensamento flutuava bem acima das nuvens. Eu estava, por assim dizer, no piloto-automático. Lembro vagamente de ter cumprimentado o recepcionista com um abraço. Ele era meu amigo. Seu nome era Jim. Peguei o elevador, apertei o botão com o número “27” e subi. Eu odiava escadas. Eram escuras, silenciosas. E também me deixavam cansado.

Enquanto o elevador subia, encostei a cabeça numa das paredes de lata e cochilei. Acordei com o som da sineta indicando que havia chegado no andar predeterminado. Abri os olhos no instante em que abriram-se as portas. Entrei no meu apartamento.

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Inciso II

Da altura difusa do último andar do edifício, eu observava, olhando através dos vidros frios da minha janela, os carros trafegando pela rua lá embaixo. Abri os vidros com resoluta calma, erguendo-os para cima, a fim de poder observar melhor.

No asfalto que se encontrava dezenas de metros abaixo, os carros eram como pequenas formigas, indo de um lado para o outro, como se um grande pote de açúcar tivesse sido deixado aberto. Abri um sorriso fraco com esse pensamento, o que era no mínimo estranho, pois ultimamente nada mais fazia-me rir.

Com uma lentidão forçada, desci a mão até o bolso de minha calça e tirei de lá um maço de cigarros contendo um único deles, já meio amassado e torto. Retirei-o de lá, amassando a embalagem logo em seguida e jogando-a por cima dos ombros. O vento estava forte, portanto posicionei a mão na frente do dito cujo, fazendo uma espécie de barreira contra a ventania e, com uma maestria vulgar, acendi-o com um isqueiro que tirara do bolso interno de minha jaqueta.

Com o tal cigarro na boca e com uma habilidade descomunal, como se já tivesse feito aquilo várias vezes, subi e sentei-me no parapeito da janela. Senti o vento no rosto como jamais sentira antes, tocando-me, desbravando-me, conhecendo-me. Era um vento que vinha para fazer sentir-me vivo outra vez. Pelo menos mais uma vez. Uma última vez. Isso me fez sair do piloto-automático, então traguei fundo, puxando a fumaça para a distância mais longínqua de meu pulmão, enquanto a ponta em brasa do cigarro brilhava a minha frente, como se fosse uma nova e grande estrela. Lembrei de algo que lera uma vez, de um filósofo alemão, Nietzsche provavelmente, o qual havia escrito que “é necessário ter um caos dentro de si para poder dar à luz a uma estrela cintilante”. Entendi as palavras. Entendi Nietzsche. Pela primeira vez havia compreendido aquela frase até seu cerne. Eu era aquilo, vivia aquilo.

Eu, Francis, não sabia como o caos que em mim existia havia sido criado. Não sabia se tinha aparecido do nada absoluto, ou se sempre existira, coabitando comigo num estado contido, dócil e adestrado. Na verdade, isto não importava tanto, não importava mais, pois tal já existia. Não havia como voltar atrás. Não adianta lamentar a morte de alguém, quando foi você mesmo que engatilhou a arma.

Traguei fundo outra vez, quase vendo a fumaça escura entrando vagarosa, calma e decidida em meus pulmões, como se fosse uma assassina astuta e esperta, a qual sabe que matar uma pessoa aos poucos é muito mais fácil e prazeroso do que matá-la rapidamente. Eu morria aos poucos. Cada tragada, cada baforada, era mais um golpe contra a consciência que eu tanto lutava em guardar. Cada vez que eu jogava fumaça ao alto, quase podia ver traços da minha alma indo junto, distanciando-se definitivamente de seu lugar original. Além de tudo isso, cada centímetro a menos no cigarro era um centímetro a mais para perto da sepultura, da cova fria e rasa. De fato, era uma maneira muito masoquista de morrer, assim, aos poucos.

Era como desejar a morte, bem lá no fundo e, ao mesmo tempo, querer permanecer vivo o máximo possível. Eram coisas opostas. Antítese. Amálgama. Contraponto.

Pensar em morte me fez lembrar daquela garota. Aquela dos olhos cor de madeira, castanhos como o tronco do carvalho, como a terra arada, como a tempestade que chega. Me fez lembrar de seu sorriso e de como seus olhos fechavam enquanto ria. Me fez lembrar de como me sentia uma pessoa melhor e, de fato, como me esforçava para melhorar só porque ela pedia. Me fez lembrar de como o calor de seus braços parecia apagar toda dor, toda mágoa, toda lágrima.

Mas, por fim, me fez lembrar da dor. A dor de ver o caixão sendo fechado pela última vez. A dor de ver o buraco negro, de terra, com os lados retos demais para comportar toda a grandiosidade que ela, a garota, representara para mim. A dor de ver o caixão sendo baixado no buraco, na cova. A dor de ver a lápide, cinza demais, nada parecida com os lábios dela, vermelhos. Senti saudade. Senti falta. Desejei estar perto. Olhei para o cigarro, com seu papel branco, o fumo, o filtro. Ele estava me matando...

Só que ele não era rápido o suficiente.

Olhei pra baixo novamente. O tráfego havia diminuído consideravelmente, porém ainda pontilhavam muitas luzes, algumas fixas, outras piscando em um ritmo constante. Essas últimas, confesso, me atraíam bastante.

Deixei o cigarro preso na boca e, utilizando de calma e desenvoltura compassada, coloquei-me de pé na janela. Meus braços agarravam firme a janela detrás de mim, o que era no mínimo ridículo. Subitamente soltei umas das mãos, e com ela desatei lentamente o nó de minha gravata, que apertava e prendia firme meu pescoço. Engraçado como eu não gostava de sentir-me sufocado. Engraçado pensar isso logo agora, logo antes do que eu iria fazer.

Depois de desatar o nó e tirar a gravata de meu pescoço, deixei-a cair pelos ares. Foi ligeiramente engraçado vê-la bailando, caindo lenta, indo pra lá e pra cá. Concluí que algo mais pesado cairia mais rápido e mais reto.

Em seguida, fumei o cigarro até o fim, cada vez mais devagar, sempre soltando a fumaça mais lentamente do que a vez anterior. Eu queria terminar pelo menos isso, sabe? Joguei a bituca pelos ares, vendo sua ponta brilhante se tornar uma das luzes da cidade, até diminuir a ponto de eu não poder distingui-la. Confesso que ela caiu elegantemente.

Por fim, lembrei dela novamente. Do abraço. E deixei-me cair. Queria abraçá-la, mesmo que para isso, fosse necessário primeiro dar um abraço na morte.

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Inciso III

Não espero que você entenda o que eu senti enquanto caía. Nem eu consigo explicar. Durou apenas alguns segundos mas foi como se eu deixasse de existir. Como se deixasse de ser eu. Era leve. Era ar. Era vácuo. E então senti medo. Pode ser engraçado pensar, mas enquanto via as janelas passando velozes por mim… sim, eu tive medo de morrer.

Dizem que, logo antes da morte, a sua vida inteira passa por seus olhos. É mentira. Não foi isso que me aconteceu. Eu não vi nada do que vivi. Na verdade, eu vi tudo o que não tinha vivido. Não sei se todas aquelas imagens eram obra da minha imaginação ou se algum ser poderoso, como as Parcas, estava me fazendo ver aquilo. O fato é que eu vi. Mais do que isso, eu desejei estar vivo, desejei fazer aquilo se tornar real, palpável.

Então, ainda caindo, eu chorei, sentindo e vendo a gravidade fazer minhas lágrimas subirem, como se não tivessem peso. Pensei nela outra vez e lembrei de uma conversa que tivemos. Lembrei também de uma promessa que havia feito. Lembrei do sorriso dela, e isso queimou meu peito. Então, assim como minhas lágrimas, eu desejei não ter peso. Desejei subir, deixar de cair e, logo após pensar, o meu salvador apareceu.

Eu via-o. Era o vento. Podia ver cada curva sinuosa que ele fazia pelo ar, podia ver as lufadas, os sopros, as correntes. Podia ver onde ele havia passado e, acredite ou não, podia prever onde ele iria.

Todos sabemos que o vento é eternamente mutável, mas ali, naquela noite e naquela hora, eu sabia onde o vento iria. Não podia controlá-lo, mas podia aliciá-lo, atraí-lo, seduzí-lo. E acredito que ele também podia isso comigo. Dessa forma, direcionei o vento e ele também me direcionou, pra cima. Parei de cair. Flutuei. Ainda sentia as lagrimas quentes brotando, mas o calor que eu sentira segundos atrás, quando lembrara do sorriso dela, havia cauterizado o buraco em meu peito. Ainda doía, é claro. Talvez até mais, mas eu sabia que iria passar.

Não lembro que altura estava quando tudo isso aconteceu. Não lembro o que houve depois. Há uma lacuna na minha mente. Creio que seja assim porque eu estava me curando. Melhor ainda, estava sendo curado. Minha alma estava ficando saudável outra vez.

Só recordo e ganho consciência outra vez quando meus pés tocaram no chão de novo. Olhei pra baixo e discerni apenas o contraste do meu All-Star branco contra a pedra escura da calçada. Ainda olhando para meu tênis, sentei devagar na calçada e escorei minhas costas na parede do edifício. O meu edifício. Baixei minha cabeça, colocando-a no meio dos joelhos e fiquei ali, respirando. Só então percebi que estava ofegante. Além disso, apenas nesse momento percebi que não estava mais na companhia do vento. Estava tudo parado, calmo. Mas era a calmaria que antecede a tempestade. Eu sabia disso. Podia sentir o cheiro de chuva no ar, antes de qualquer outro.

Então choveu. Mas era uma chuva diferente, eu notei. Diferente no quê? Não sei. Mas parecia uma chuva antiga. Conhecida. Familiar. Pensei no meu pai. Será que ele estava me vendo? Se sim, o que será que havia pensado das minhas atitudes? Estaria orgulhoso, por eu ter abandonado a ideia de suicídio, ou extremamente decepcionado, por eu ter sequer considerado-a? Não sabia responder aquelas perguntas. Um suicida arrependido é corajoso ou ainda mais fracassado? Não sei, só sei que me vi falando algo:

— Pai, eu morri, eu…

Um relâmpago riscou o céu, seguido de um trovão que fez meu peito vibrar:

— Peço, como filho, como criatura, que tu me guies por onde eu for…

Outro relâmpago. Outro trovão. Não sei se Zeus estava me ouvindo. Não sei se alguém estava escutando minhas palavras. Mas eu continuei falando, como se estivesse num diálogo:

— Não, não, não não, NÃO! Eu morri… — Repeti, porém acrescentei — Eu mudei. Eu não tenho mais tristeza, mas eu… eu tenho raiva. Raiva de quem eu era. Do que eu fiz.

Então me calei. Você pode não entender o por que de eu estar falando essas palavras, mas creio que elas eram minha única opção. Eu queria viver, porém nunca conseguiria viver tranquilo sabendo que eu era um covarde. Não ficaria bem sentindo pena de mim mesmo. Então, em vez de sentir esse sentimento ridículo, pena, eu resolvi sentir raiva. Raiva é mais forte. Raiva é mais motivadora. Raiva é muito mais destrutiva.

Levantei-me num salto. Obriguei-me a colocar um sorriso no rosto, e percebi que estava com muita vontade de sorrir. Mas então percebi que o que eu queria mesmo era rir, do fundo da minha garganta, e assim o fiz. Em seguida gargalhei, de dentro do meu estômago. Ri como nunca havia rido na vida. Passei os próximos minutos rindo e caminhando, até a portaria. Eu poderia subir voando, veja bem, mas estava a fim de um pouco de conversa, afinal, era uma noite maravilhosa.

Só agora percebo como a mudança foi drástica. Me tornei outra pessoa tão rápido que mais parecia... uma possessão. Porém, naquela hora, tudo pareceu muito natural. Pareceu necessário. É incrível como uma experiência de quase morte aflora nossos instintos de sobrevivência. Naquela ocasião, mudar era sobreviver.

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Inciso IV

Cheguei na portaria e abri a porta com pressa. Jim, o porteiro que amava ser chamado de “recepcionista”, levantou de sua cadeira, assustado:

— Senhor Underwood, o senhor… o que está… aqui em baixo... de novo?

Parei. Virei a cabeça lentamente para ele, sorri, e disse, devagar:

— Jim! De fato, eu não devia estar aqui. Porém, essa é uma longa história, então, para seu próprio bem, volte para sua cadeira e esqueça que me viu passar.

O homem ergueu uma sobrancelha e por um segundo pareceu que ia acatar minha ordem. Mas era tolice esperar que alguém tão burro fizesse isso:

— Senhor, eu devo registrar toda entrada e saída que acontece nesse lugar. Se eu registrar duas ve…

Então comecei a gargalhar, atrapalhando sua tola argumentação. Estava rindo de verdade e com tanta intensidade que tive de apoiar uma mão num dos joelhos e apertar minha barriga com a outra. Ainda rindo, caminhei até Jim, apoiei uma das mãos na mesa que nos separava e com a outra, de forma rápida e imprevisível, ergui-o pelo colarinho, bagunçando os objetos que estavam em cima da mesa e derrubando a cadeira onde ele estivera sentado:

— Você não entende, entende, seu grande porco? — Minhas palavras saíram em tom baixo, calmas e pausadas. Eu raramente gritava. — Eu estou pouco me fodendo para o que você tem de fazer ou quais são as suas obrigações. — Os olhos do homem estavam arregalados, o medo visivelmente estampado em seu rosto. Dei um soco na mesa, rápido mas barulhento, que ecoou pela sala toda. — Eu pago pra morar aqui, desta maneira eu entro e saio a hora que eu quiser e ninguém tem nada a ver com isso. Agora senta essa bunda gorda na cadeira, assiste televisão durante a madrugada e, amanhã, quando nos vermos novamente, eu não quero que você lembre disso, entendeu?

O velho balançou a cabeça vigorosamente. Soltei-o, virei as costas e subi os 27 andares correndo. Como eu amava a escuridão das escadas! Abri a porta do meu apartamento, fui até meu quarto, joguei-me na cama e dormi rapidamente. Eu nunca me sentira tão bem.

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Poderes:
ZEUS
— Voar (Nível 5) - Será seu poder característico. É muito útil e aperfeiçoado quando quiser. PASSIVO
— Vigor de Touro (Nível 6) - Como um dos símbolos de seu pai é o touro, seu vigor é maior que os outros semideuses, podendo correr e afins por mais tempo. PASSIVO
— Intimidação (Nível 7) - O filho de Zeus intimida mais facilmente os outros devido a sua posição. Na prática, exercem influência sobre qualquer criatura mundana através da palavra, assustando-as - não as afasta do combate, isso depende do tipo de criatura, mas pode ter um bom efeito em mortais. Contra semideuses e monstros, só os afeta se forem de nível menor ao semideus (ao menos 5 níveis), desestabilizando-os em combate, reduzindo suas defesas em 10%. Precisa de uma demonstração, seja uma ação intimidativa ou palavras de provocação. PASSIVO

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Re: The owner of the wind

Mensagem por 123-ExStaff em Qua 03 Jun 2015, 13:38



AVALIAÇÃO
DO-IT-YOURSELF DE MATTHEW FRANCIS UNDERWOOD

Avaliação feita por Tânatos

Rapaz, eu curti muito ler o seu texto e a sua história. Sinceramente, sem exageros, podereia ficar bastante tempo lendo sobre você e seu personagem. Parecia que eu estava lendo um livro verdadeiramente publicado, dos tipos que viram best-sellers em primeira pessoa da língua.

Não posso deixar de iniciar a sua avaliação o elogiando quanto ao modo de expor os acontecimentos de sua história. O mecanismo de escrever de forma que fique parecendo que você conversa com o leitor é genuíno e muito agradável. Por diversos momentos me peguei pensando estar imerso na fantasia de um acontecimento mitológico.

Quanto à parte chata do trabalho de um avaliador, posso lhe dizer que desta vez não encontrei erros tão significativos assim, embora você ainda tenha cometido alguns, graças à linguagem informal que você empregou para promover o texto. Sendo assim, só peço que revise mais de duas vezes o seu texto antes de enviá-lo aos tópicos do site.

Continue assim, rapaz. Não vejo a hora de saber mais sobre você e suas histórias mirabolantes. Um abraço do tio da morte mais amado do Brasil sil sil.


Coerência
200/200
Coesão e Fluidez
100/100
Ortografia e Organização
38/40
Objetividade e Adequação
60/60
Total
398 EXP


Recompensas: 398 EXP

Descontos: -x-

Dúvidas ou reclamações? MP!
Aguardando a atualização.






Atualizado!



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Re: The owner of the wind

Mensagem por Simmon Wilem Brandeur em Dom 19 Jul 2015, 14:46


mão-leve
algumas habilidades úteis


Prólogo

C
hegava o alvorecer. O filho do relâmpago esparramava-se pelo chão acolchoado do ambiente. Seus cabelos erguiam-se revoltados e descuidados, desajeitados demais para serem considerados bonitos, e alguns fios já se tornavam esbranquiçados pela idade. Sua pele estava alva, bem mais clara do que já fora, e seus olhos, outrora azuis como o mais belo céu do meio dia, estavam escuros como águas profundas em um oceano distante.

Esses mesmos olhos vagueavam pela sala branca, pelas paredes macias, pela cama estreita, como se tudo aquilo fosse novo e misterioso. Iam e vinham, exploradores, como se cada coisa gritasse por sua atenção ou estivesse prestes a explodir.

Então, com certa dificuldade, uma vez que seus braços estavam atados em uma camisa de força, o homem postou-se em pé. Caminhou trôpego e descalço até sua cama e, num movimento audacioso, jogou seu corpo contra o colchão. Era realmente difícil tentar deitar sem usar os braços.

Ficou assim, sem cobertor, durante algum tempo, até sua respiração acalmar. Nesse instante, a porta de seu aposento abriu-se, vagarosa e pesada, e um senhor de jaleco e cabelos brancos, portando óculos de lentes redondas, entrou, segurando um pequeno gravador preto na mão direita.

— Olá, Simmon. Vejo que você acordou cedo hoje — Disse o homem, após fechar cuidadosamente a porta.

O outro, filho do relâmpago, piscou apressadamente algumas vezes antes de responder:

— Na verdade eu dormi bem pouco, Dr. Underwood — Um silêncio superficial pairou no ar, marcado pela respiração rápida do homem de braços atados — Eu não… eu não dormi... não. Nada. Tinha muito barulho. É. Barulho grande. Os travesseiros ficaram contando fofocas a noite toda, esses bandidos.

O homem de jaleco, um médico, ergueu uma de suas alvas sobrancelhas. Na verdade, o lugar ficara no mais denso silêncio durante a noite toda, mas ele não iria discutir, então preferiu partir para um campo mais seguro da conversa:

— Você está com uma cor bem melhor. Isso é muito bom.

O paciente inclinou a cabeça, como se raciocinasse, encarando o velho doutor nos olhos.

— Eu tinha alguns espelhos, sabe. Eles eram coloridos e bem falantes, mas suas palavras, às vezes, eram sinceras demais — Soltou uma risadinha baixa, gutural, falando em seguida num tom brincalhão e conspiratório, como se contasse um segredo — Aí eu quebrei todos eles. Ficaram todos bastante magoados, ah sim. Se estilhaçaram em milhares de pequenos caquinhos, absortos demais em sua própria verdade. Aí os de branco os levaram daqui, pobrezinhos. Pareciam tão pequenos.

Respirou fundo, calmo, e prosseguiu:

— Mas a minha cor boa deve ser por causa do néctar. Eu gosto muito. Tem gosto de milk shake de morango com sushi feito com peixes novos e curiosos. Eles me trazem isso todo dia, sabe? Meus amigos. — Franziu o cenho, juntando as duas sobrancelhas, visivelmente em dúvida — Quer dizer, faz tempo que eu não tomo… e meus amigos...

Uma pausa estendeu-se, antes dele continuar, como se não tivesse interrompido seu relato:

— O senhor viu como o céu está bonito hoje?

O velho médico lançou seu olhar pela sala. Ela não tinha janelas e nem nada que pudesse demonstrar a aparência do céu lá fora. Simmon começou a rir, baixinho.

— Pelo visto eu sei mais do que deveria. Mas não, de fato, não sei. Não é isso. O que aconteceu é que o vento contou para seu primo ar que o céu estava azul, lindo como um ribeirinho novo e limpo. E como o senhor mesmo pode perceber, esta sala está cheia de ar.

Simmon fechou os olhos, inspirando e expirando lentamente. Repetiu aquilo umas cinco vezes e, quando abriu os olhos novamente, eles eram de um negrume escuro e frio, distante demais do azul escuro anterior. Sua voz era séria, velha e pesada, como um pedregulho alisado pela água gélida de um rio.

— E eu sei do ar. Conheço ele, sabe? Sei seu nome. Eu lembro dos esquecidos e eles não esquecem de mim. — Sua voz era brava e orgulhosa — Então, num respeito mútuo, esse mesmo ar que rodeia seu frágil crânio, Dr. Underwood, cochichou a real aparência do céu em meu ouvido.

Outro silêncio invadiu o aposento, bem mais pesado e espesso que o anterior. Os olhos do internado voltaram-se para a cama, onde agora ele já estava sentado, e sua expressão ficou subitamente triste.

— Eu não gosto de dormir aqui. Esse colchão tem cheiro de carne queimada, de sangue e de pepino — Seus olhos brilharam e, como o sol reaparecendo de trás das nuvens, ele estampou no rosto um sorriso grande e sincero — Todavia, o chão é quente. E ele grita menos. E fica mais perto dela.

— Entendo, Simmon.

O médico o interrompeu educadamente. Estava razoavelmente nervoso com aquilo tudo. Como o paciente poderia saber se o céu estava bonito ou não? Sem dúvida era apenas uma suposição, um palpite. Mas o interessante era que, de fato, o dia estava lindo e o céu azul. E aquela outra parte, onde Simmon citara seu crânio... seria uma ameaça? Talvez. Mas mesmo que fosse, o que alguém preso numa camisa de força poderia fazer? E sim, é claro que o médico sabia que o quarto dela ficava no andar inferior, mas como Simmon poderia ter conhecimento de tal informação?

Deixando de sucumbir em seus pensamentos, Dr. Underwood reestabeleceu o foco. Especular não é, e nunca será, uma característica de um homem sábio. Por fim, suspirou. Estava ali para realizar outra tarefa.

— Que bom que encontrou um lugar de seu agrado. Quão disposto você se sente para continuar nossa história?

O paciente amarrado sorriu, com seus dentes alvos e limpos:

— Eu me sinto muito bem. E o senhor?

— Eu também me sinto bem, Simmon. Vamos começar?

O homem mais jovem balançou a cabeça pra cima e pra baixo, eufórico. Dr. Underwood colocou seu mini gravador em cima de uma de suas pernas, apertou o botão e um barulho agudo e baixo foi ouvido.

• Gravando.

The owner of the wind 8STwNsZ

Inciso I

Uma tênue fumaça subia ousada e lenta da ponta em brasa de um charuto, que descansava preguiçosamente, como um gato ao sol, num cinzeiro de porcelana pálida. Eu estava sentado defronte a uma mesa de madeira escura, clássica, rica e imponente. Dois copos de uísque repousavam rígidos, um em cada extremo. Do outro lado do móvel, de frente para mim, o líder de uma família da máfia italiana local me encarava, esperando uma resposta. Eu o conhecia como don Trevisan.

Soltei o ar, devagar e pensativo. Era uma pedido de difícil realização, todavia o chefe mafioso prometera uma generosa recompensa por tal feito.

— O que me diz? — Sua voz era calma, calculada e precisa, dita com cuidado milimétrico. Era um homem que falava pouco, mas dizia muito.

Ergui os olhos pra ele, sustentando seu olhar. O que ele me pedia era difícil, se não impossível. Nenhum homem comum poderia realizar aquilo.

Só que eu não era um homem comum.

Claro que ele não sabia disso. E era melhor que continuasse assim, pois quanto maior fosse a aparente dificuldade, maior seria meu lucro. E um homem como este tinha muitos benefícios para oferecer. Não só dinheiro, veja bem, mas toda sorte de favores e influências.

— O que o senhor me pede, padrino, é algo... — Dei uma pausa significativa, para demonstrar o quanto aquilo era improvável. Fingindo não encontrar palavras suficientes, baixei os olhos e encarei minhas mãos, embaraçado.

— Compreendo que é difícil, bambino. — Percebi que ele havia caído na minha armadilha, pois seu tom de voz apresentava o nível esperado de condescendência. Porém, nesse momento, um silêncio assustadoramente tenso tomou conta do aposento. Tive o cuidado de manter o olhar baixo. De maneira metódica, o mafioso virou o rosto e olhou para seu consigliere. Ambos pareciam entender o que aquele olhar significava. Depois de um longo momento de quietude, e parecendo pensar cuidadosamente nas palavras que diria, perguntou:

— O que mais eu poderia lhe oferecer?

Se você nunca negociou algo tão arriscado e volátil, provavelmente não deve entender o quanto aquelas palavras eram importantes. Irei tentar explicar: eu estava na casa de um importante líder mafioso acostumado a prestar favores, ouvir pedidos, ver lágrimas e dar ordens. Mais do que isso, eu usufruía de sua hospitalidade e de sua bebida, mas, contrariando todas as expectativas, era ele quem estava apelando. E você sabe, quem apela vai, cedo ou tarde, acabar fazendo concessões. E era exatamente isso que eu precisava, portanto tive que controlar meus lábios, impedindo-os de se curvarem num sorriso.

— Nada, padrino, eu... — Tudo estava correndo como o planejado, mas ainda era preciso fazer algumas coisas, dessa forma tratei de colocar a dose certa de pesar e medo em minha voz — Receio que nada que o senhor possa oferecer seja suficiente para pagar o... — Então estanquei, erguendo os olhos e parecendo perdidamente nervoso, gesticulando trêmulo em direção ao copo, à lareira, ao aposento onde estávamos — Perdão, não estou falando de... é tudo muito aconchegante... o senhor é um homem muito bom...

O don ergueu a mão, interrompendo minha divina atuação. Baixei a cabeça, visivelmente embaraçado.

— Fale. Qualquer coisa.

Algo soltou-se dentro do meu peito. Me senti aliviado, leve e bem-disposto. Eram essas palavras que eu estava buscando, mas tratei de ficar em silêncio. Depois de chegar tão longe, não iria deixar a euforia estragar tudo. Passaram-se dez segundos. Vinte. Quarenta.

Ergui a cabeça, franzi a testa, juntei as sobrancelhas e falei como se fosse uma criança que tem vergonha de pedir um brinquedo caro:

— Quero todo dinheiro que o senhor ofereceu antes, padrino — Minha voz era calma, e eu estava tendo o cuidado de aparar e controlar a excitação que sentia — E também quero um apadrinhamento formal. Quero uma carta ou algum documento que sirva como identificação. Quero algo que eu possa apresentar em qualquer bar, hospedaria, hotel, loja de penhores, guilda de agiotas, banco ou casa de família, que pertençam ao senhor. Algo que demonstre que prestei um favor e que devo ser tratado com cuidado e honra.

Era um pedido sem-limites. Duvidei que ele já houvesse retribuído qualquer favor com uma coisa do tipo, algo tão simbólico e importante. Só que era um preço razoável e ele sabia disso. Nesse momento, o mafioso começou a rir, gargalhando de verdade, do fundo da barriga, tão exaltado que teve de apoiar a mão na mesa. Não tenho dúvidas de que, caso estivesse de pé, se dobraria todo de tanto rir.

Quando aquela cena já começava a ficar estranha e incômoda, ele parou. Mas ainda conservava um sorriso brincalhão nos lábios. Semicerrou os olhos, apontando o dedo pra mim de forma conspiratória:

— Você é um garoto ousado, ah é sim.

Dei um sorriso nervoso, visivelmente aliviado.

— Devo dizer que sou, sim, senhor.

O homem levou seu copo até a boca, tomando o resto de uísque que repousava ali. Balançou a cabeça, sem desviar os olhos de mim, como se respondesse algo para si mesmo.

— E eu devo dizer que essa é uma qualidade que prezo.

Abaixei novamente a cabeça, embaraçado e envergonhado com o elogio explicito. Sei interpretar um bom papel quando necessário. Pelo canto do olho, vi don Trevisan gesticular, chamando seu consigliere, que cochichou uma porção de coisas em seu ouvido, baixo demais para eu ouvir.

Após um momento de silêncio, o mafioso gesticulou, afastando seu homem de confiança. Havia tomado a decisão. Esperei e, sinceramente, não precisei fingir que estava suando frio.

— Está feito! — Disse ele, dando um soco barulhento no tampo da mesa. Também não precisei fingir o susto. — Mas quero tudo o que disse antes, capicci? Quero os dois colares e nada menos!

Assenti profusamente, aliviado com a resposta.

Capisco, padrino — Nervoso, apertei sua mão e disse — É bom negociar com o senhor.

Com um sorriso amarelo e com um brilho estranho nos olhos, quase maligno, ele respondeu:

— Eu que o diga, bambino, eu que o diga...

Um de nós dois iria sair de toda essa situação com bem menos do que pedira. Mas é claro que eu ainda não sabia disso.

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Inciso II

— Você não acha que foi medroso demais? Quero dizer, por que ele contrataria alguém que, descaradamente, demonstrou tanto medo antes de aceitar um trabalho tão importante?

Abel me tirara do devaneio que eu havia criado, onde estava formulando mentalmente alguns planos. Ele me encarava, com o olhar visivelmente receoso e carregado de desaprovação. Seu cabelo cor de areia lhe descia até acima dos olhos, que eram negros como a noite e refletiam o copo de cerveja que estava pousado na mesa abaixo.

Chert! — Aleksei respondeu em meu lugar, xingando — Abi seu tolo, você obviamente não conhece o tipo de gente que Trevisan é — Sua voz era grave e carregada de sotaque do leste euroupeu, que fora ainda mais perceptível graças à primeira palavra, onde ele demonstrara seu extenso conhecimento sobre os palavrões russos. Seus olhos verdes, profundos e soturnos, contrastavam com seu cabelo e barba, que eram negros como a sombra — Esses mafiosos querem sempre sentir-se maior que todos. Maior que nós.

Nós três estávamos em um bar que costumávamos frequentar. Esses dois, Abel e Aleksei, eram meus melhores amigos, e eram tão desiguais quanto qualquer dupla poderia ser. Tal lugar não era chique, mas também não era uma porcaria de beira de estrada. Possuía o aspecto típico de um bar que é frequentado por pessoas que querem beber num bom ambiente, mas que não querem pagar muito para isso. Eu, por outro lado, tinha um apreço especial por bebidas extremamente baratas e por garçonetes libidinosas e voluptuosas, então, obviamente, aquele era um dos meus recintos favoritos.

O garoto de cabelos louros não pareceu dar muito valor para o comentário de Aleksei.

— Mas se tudo, tudinho, até mesmo esse drama fajuto, aconteceu exatamente como disse nosso querido amigo Simmon — E ergueu seu copo de cerveja na minha direção — Então ele mais parecia um gatinho assustado, sem mãe e sem comida, do que um ladrão nato capaz de roubar uma casa — Bateu com o copo na mesa, elevando a voz e derramando um pouco do líquido na madeira escura — Ainda mais aquela casa!

— Hei, cuidado aí! — Eu disse, entrando na conversa. Minha voz soou risonha e brincalhona — Se ficar repetindo esse gesto, vai ter que pagar a próxima rodada.

Abel bufou, deixando de lado a carranca e abrindo um sorriso de três palmos.

— Como se eu não fizesse isso sempre.

Meio sorrindo, meio gargalhando, ergui as mãos, tomando posse da palavra.

— O fato é que Leksi está certo no que diz respeito ao tratamento que esses mafiosos desejam, principalmente don Trevisan, ou seja, ponto pra ele — Pisquei um olho para o russo, que balançou a cabeça, sorrindo — Porém, eu volto a dizer que, quanto mais despreparado eu pareça estar, mais brilhante será minha chegada triunfal, com os dois colares em mãos. Essa é a causa de todo esse... como você chamou? Todo esse drama, Abi.

Fiz uma pausa, deixando Abel digerir a informação. Enquanto ele balançava a cabeça em concordância, tomei um gole da minha cerveja e continuei.

— E como sou atordoantemente brilhante e inteligente, será apenas questão de tempo até que eu receba todos os louros por mais uma vitória. Lembrem-se, meus caros, que mais importante do que cumprir suas tarefas, é fazer uma boa apresentação.

Abel, que já estava com o brilho característico do álcool em seu olhar, deu um sorriso grande e verdadeiro perante meu monólogo. Aleksei, todavia, manteve o olhar baixo, taciturno e calado como sempre, apenas erguendo seu copo com vodka pra mim, em um brinde silencioso.

Já disse que eles eram meus melhores amigos, eu sei; mas a verdade é que eles eram muito mais do que isso. Abel era o brilho radiante da luz solar numa manhã clara, enquanto Aleksei era a água fria e sombria de um poço artesiano, que acaba de vez com a sede.

Continuamos bebendo noite a dentro. Experimentamos pelo menos um gole de cada bebida do lugar. Fizemos inúmeros brindes, cada um ligeiramente mais louco e exagerado que o outro. Éramos jovens e felizes. Não tínhamos medo. Ah, éramos tão tolos.

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Inciso III

No quesito prático, minha tarefa era simples: eu deveria roubar dois colares gêmeos para don Trevisan. Apenas isso. O grande problema residia no fato de que um dos colares estava guardado na Maison du Soleil, uma das maiores mansões de Chicago, pertencente a família Lafaiete, quase tão antiga quanto a própria cidade e que tinha os mais variados tipos de segurança para proteger sua casa; já outro colar... bem, o outro estava enterrado num cemitério grande e antigo, junto do cadáver do pequeno herdeiro dessa família, que morrera dezesseis meses atrás, aos quatorze anos.

Don Trevisan não me dera um prazo para realizar a tarefa, então eu tive bastante tempo para organizar um plano. No fim, eu precisei de 13 dias, dois blocos de notas, 6 mapas e incontáveis noites de sono, para conseguir planejar tudo com perfeição. Naquele tempo, nos meados dos anos 80, tudo era bem mais difícil de se conseguir, mesmo para mim, um jovem forte e vigoroso que pena havia chegado na casa dos 20 anos.

Meu plano, em resumo, era o seguinte: primeiro, eu roubaria o colar que estava no cemitério, pois se fizesse o contrário, roubando primeiro o da mansão, tinha certeza que colocariam seguranças em volta do túmulo da criança. E isso não seria nem um pouco agradável. Após pegar esse colar, eu rumaria até a mansão e, usando de todas as minhas habilidades, chegaria até o cofre e pegaria o outro colar.

O que poucas pessoas sabem é que, por mais bem feito que seja um plano, ou quão hábil seja seu praticante, ele tem grandes chances de dar errado se não for realizado no momento certo. Por isso, mesmo tendo o plano pronto em mãos, eu esperei até a semana seguinte, onde o chefe da família Lafaiete receberia a chave da cidade, num grandioso e esplendoroso jantar no Four Seasons Chicago Hotel. Esse, como vocês todos podem ver, era o momento certo. Mais do que isso, era o momento perfeito. Demoraria meses até eu ter outra oportunidade como aquela.

Dessa forma, tratei de colocar o melhor traje de gala que possuía. Atei delicadamente minha gravata dourada, lustrei habilmente meu sapato de bico fino e penteei o cabelo da melhor maneira que pude. Como não tinha barba, minha pele era lisa, macia e delicada, mas com traços firmes e másculos, que deixavam minha face jovem mas não infantil. Confesso que minha beleza era tão útil quanto uma espada ou faca. Ela já abrira tantas portas quanto minha chave-mixa. Era uma ferramenta de uso constante, tão essencial quanto meus poderes. De certa forma, não deixava de ser um poder por si mesma.

Sai de minha casa pela porta da frente, como faria qualquer homem normal. Carregava minha faca presa numa bainha na panturrilha, minha soqueira guardada preguiçosamente no bolso interno do meu casaco e minha corrente, bem disfarçada na forma de um bracelete, no pulso direito. No esquerdo, um relógio de aço brilhante marcava as horas com seus ponteiros agudos e delicados. Sorri. Meu plano era perfeito, o momento era perfeito e, se me desculpam o comentário, eu estava perfeito.

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Inciso IV

Estava voando sobre a propriedade dos Lafaiete. Podia ver Maison du Soleil, com todos os seus jardins, suas janelas, suas portas e suas piscinas. Era grande, gigante de verdade. Não tenho dúvidas que, de alguma forma, o Olimpo inteiro caberia dentro de seus terrenos.

Talvez para um olho descuidado, a casa estivesse com seu aspecto normal. Um olhar típico não revelaria nada de interessante ou diferente. Mas, se você fosse o tipo certo de pessoa, que tem o olhar apurado como o de uma águia, e tivesse passado mais de vinte dias estudando cada centímetro daquela casa, provavelmente perceberia que o número de janelas com luzes acesas era consideravelmente menor, indicando que grande parte dos seus residentes não estavam ali. E eu, meus caros, era esse exato tipo de pessoa.

Isso mostrou-me que sim, a família Lafaiete não estava em casa. A essa hora, já deviam estar nos salões de festa do Four Seasons Chicago Hotel. Olhei para meu relógio e marquei as horas. Decidido, colei os braços junto ao corpo e ordenei ao vento que me levasse para longe dali, rumando para o norte. Sentia a doce melodia, da corrente de ar frio e noturno, sussurrar sua canção de uma nota em meus ouvidos, tão densa quanto linda, tão cortante quando esplendorosa, tão mortal quanto inocente.

Não lembro ao certo quanto tempo voei, mas sei que cedo ou tarde acabei chegando ao Graceland Cemetery. Confesso que um arrepio frio como uma lança de gelo cruzou minhas costas, partindo de minha nuca e descendo pela espinha, como mil agulhas frias. Um trovão, longínquo e distante, berrou forte no exato momento em que meus pés pousaram na grama escura do lugar. O vento impetuoso lançava meus cabelos ao ar como se fossem labaredas de fogo negro, fazendo-os dançar nas mais variadas direções. Meus passos, que outrora eram firmes e decididos, agora estavam leves e medrosos, como se pudessem fugir dali ao menor problema. E de fato podiam. A grama gemia inquieta sob meus pés e, quanto mais eu aproximava-me do túmulo, mais eu sentia seus folículos diminuírem, como se prendessem a respiração.

Ao chegar no local, ergui meus olhos e contemplei tudo de uma vez: um grande túmulo, quase tão grande quanto uma capela, erguia-se suntuoso, com o mármore tão branco que parecia osso. Era imponente e sólido, sem divisão aparente, como se tivesse sido esculpido diretamente de uma rocha, numa parte única. Era alto, mas seu pé direito decaía um pouco, dando ao lugar um aspecto terrivelmente moderno e frio. Duas portas de vidro destacavam-se, exatamente no centro da fachada, com a figura de um anjo desenhada no próprio vidro de cada uma. Dois anjos, como se fossem guardiões ou vigilantes, expectadores da morte alheia.

Cauteloso, aproximei-me das portas e agachei-me, analisando sua fechadura. Era grande, mas ao contrário do que todos pensam, quanto maior é um trinco ou fechadura, mais fácil é de abri-lo. Peguei minha chave-mixa e, durante alguns segundos, com os olhos fechados, remexi naquele furo de cobre, como se fosse um cirurgião experiente e cuidadoso. O som seco de um clique me avisou que as portas estavam, agora, destrancadas. Sorri e abri as duas lentamente. Peguei dois vasinhos de flores que estavam lá dentro e coloquei-os na frente delas, impedindo-as de fechar.

A câmara interna do túmulo era tão grande quanto um apartamento de quatro cômodos. Contrariando seu aspecto exterior, o lado de dentro era composto de um mármore escuro, muito frio. Meus passos ecoavam pelo aposento, não encontrando resistência nenhuma, e findavam-se na longínqua parede dos fundos. Exatamente no centro do lugar, ao chão, haviam quatro cortes no mármore, que formavam um retângulo, indicando uma tampa. Em cada ponta do retângulo repousava uma sombria argola de ouro. E era ouro, eu tinha certeza. Conhecia muito bem aquele material.

Puxei um dos pares de argolas e vi que a tampa negra era mais leve do que eu imaginava, uma vez que levantara alguns centímetros com a minha força. Entretanto, infelizmente, não consegui tirá-la de seu encaixe, pois, pelo visto, só poderia ser removida se as quatro argolas fossem puxadas ao mesmo tempo. E eu só tinha duas mãos, obviamente. Abaixei a cabeça e olhei meus braços, conferindo... sim, de fato, apenas duas. Praguejei baixinho entre dentes e afastei-me, para poder observar melhor. Iniciei alguns planos, mas descartei-os logo em seguida. A tampa era desajeitada, mas não pesada. Quantos quilos provavelmente tinha? Uns 50? Não, acho que um pouco mais, em torno de uns 75 quilos. Talvez eu pudesse usar da minha telecinese e erguer o objeto de mármore...

Franzi a testa, apertei os dentes e gesticulei com as mãos, para cima. Lentamente, e vibrando o solo debaixo de meus pés, vi a tampa levantar-se, vagarosa, erguendo uma nuvem de poeira, alguns centímetros do chão. Fiz um pouco mais de força e ela ergueu o suficiente para sair de seu encaixe. Movi-a para o lado e ela pousou, com um baque seco e tinido, no chão de pedra.

No buraco que se abrira, um caixão negro do tamanho médio de uma criança deitava-se rígido em meio a cascalhos brancos de calcário, como que aninhado e pronto para dormir. Coloquei a mão na frente do nariz e da boca, tentando impedir que o cheiro da podridão adentrasse em mim.

Com certo nojo, entrei no buraco recém descoberto e, com calma, como que tentando convencer-me de que aquela era a única maneira de fazer aquilo, destravei os quatro trincos que prendiam a tampa do caixão. Com um empurrão, joguei-a para o lado, deixando minha visão aberta para a cena a minha frente. Eu já vira muitos cadáveres, veja bem, mas todos tinham sido mortos recentemente, e muitos ainda conservavam o calor de um ser vivo, como se apenas dormissem. Portanto, nada no mundo poderia me preparar para aquilo.

A mandíbula do menino se escancarava putrefata, torta para um lado, pendendo, como se presa por invisíveis fios. Seu cabelo se tornara claro e pestilento, quase branco, mas não tão branco quanto sua pele, que parecia fina e encolhida. Suas bochechas estavam encovadas, praticamente extintas, e seus dentes eram amarelos, escuros e podres. Suas mãos, cruzadas sobre a barriga, pareciam de porcelana, e apresentavam unhas amareledas e quebradiças, grandes, muito grandes. Alguns vermes brancos e larvas gosmentas entravam e saíam de seu nariz e ouvidos, e onde uma vez ficavam seus olhos, jaziam dois buracos, vazios e escuros, como se fossem túneis que levavam diretamente para a boca do inferno. Mas, pior do que tudo isso era o cheiro. Eu tive que me segurar para não vomitar justamente em cima do garoto — ou o que sobrara dele.

Entretanto, intacto como se houvesse sido colocado ali recentemente, um colar de prata, com o pingente de uma lua crescente, descia-lhe pelo pescoço e por cima das vestes. Pensei em dar um puxão, arrebentando-lhe a corrente, mas aquilo não seria sensato. Meu contratante não iria gostar nem um pouco de tal atitude. Desta forma, ergui devagar a cabeça do garoto — mais por medo e nojo do que por cuidado — e desprendi o objeto de seu pescoço, mas não antes de sua mandíbula soltar-se e cair fedorenta por sobre seu peito miúdo. Com uma expressão de tremendo asco, deixei a cabeça do garoto cair, batendo pútrida na madeira escura, e levantei-me ligeiro, saindo do buraco.

Pensei em fechar as tampas e deixar tudo direito e organizado, para que passassem anos até alguém perceber o que acontecera ali. Porém, ao pensar em ficar mais tempo perto daquele cheiro repugnante, desisti prontamente da ideia.

Que tremendo filho da puta eu era, não é mesmo? Destruíndo túmulos e roubando dos mortos. Nenhuma recompensa boa poderia vir de atos como aqueles. Certamente, algum dia, eu pagaria caro por violar a santidade lúgubre da morte. Ah, sim, deveria pagar. Mas aquele dia não era hoje. Eu era ladrão mesmo, até o tutano dos ossos, e roubava quem quer que fosse, onde quer que fosse e como quer que estivesse. Não pude deixar de rir com esse pensamento.

Desta forma, aproveitei antes de sair para desenroscar as quatro argolas de ouro que estavam na tampa de mármore. Guardei-as gentilmente no bolso. Elas deviam valer algum dinheiro e, já que eu estava roubando, bem, que roubasse direito.

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Inciso V

Com uma gargalhada infame, pousei num dos telhados mais altos da Maison du Soleil, tão leve quanto uma pluma soprada pelo vento. Caminhei decidido, com uma desenvoltura compassada, pelas telhas escuras e frias de porcelana, até chegar num beiral de onde era possível avistar uma sacada, cerca de cinco metros abaixo. Alguns seguranças eram visíveis, minúsculos, no solo lá embaixo, porém, a altura longínqua do telhado onde eu estava, e também minhas roupas escuras, me deixavam praticamente invisível. Desta forma, agachei-me e segurei-me no limite do telhado com a ponta dos dedos. Respirei fundo duas vezes e, graciosamente, deixei-me cair, como um gato, na laje da sacada.

Revisei pela décima quinta vez o bolso do meu casaco, constatando, aliviado, que os seis objetos continuavam ali, intactos. Quatro argolas, um colar e uma soqueira. Todos aninhados deliciosamente no tecido escuro do traje.

A sacada dava para um quarto com as luzes apagadas. Intuí que ele estava deserto. Na verdade, eu torci. Até o mais detalhado dos planos precisa contar um pouco com a sorte. As portas que davam entrada para o quarto estavam trancadas, como deveriam; só que nada, nada mesmo, no mundo todo, está trancado para mim. Com a mesma facilidade de antes, abri as duas portas e adentrei. O lugar estava tomado pelo breu noturno, e a nesga de lua que pairava no céu não chegava a iluminar bem as coisas.

Caminhei decididamente pelo quarto, mas sempre com o olhar atento. Por mais que conhecesse os caminhos que percorriam aquela residência — por intermédio das plantas que estudara —, era sempre possível topar com um ser vivo indesejado, que poderia arruinar com tudo, caso tivesse a boca demasiada grande, a voz alta por demais ou tempo suficiente para gritar. Graças a sorte que rodeia a maioria dos gatunos noturnos, não encontrei nenhuma vítima em potência para minha soqueira.

Como o número de seres vivos presentes naquela casa se limitava a serviçais — uma vez que todos os moradores de verdade estavam na festa —, meu percurso até o quarto do casal, que também servia de sala para abrigar o cofre, foi de um tédio indescritível. Até mesmo a tensão e o receio que pairavam sobre mim, de ser interceptado por alguém, desapareceram sumariamente nos minutos seguintes. A casa era grande mesmo, tão grande que o aborrecimento tomou conta de meu ser nos primeiros cinco minutos de trajeto — dos trinta e sete que eu demorei para chegar ao quarto.

Foi uma das meia-horas mais longas da minha vida. Nem mesmo pensar no futuro e grandioso êxtase de meu contratante — tão grande quanto minha recompensa — ajudou a tirar a carranca de enfado, que dominava meu rosto, meu cérebro e minha alma, ao finalmente adentrar no quarto do casal Lafaiete.

Imagine um país rico como os Estudos Unidos. Agora, imagine a terceira maior cidade deste pais. Em seguida, imagine a família mais antiga e importante desta cidade. Imagine também o casal principal e herdeiro de tudo que esta família possui. Por último, imagine o quarto que este casal, por ventura, possa possuir. Agora triplique todo esse luxo e estará imaginando, mais ou menos, toda a glória e esplendor do recinto que eu ocupava naquele momento.

O quarto era maior do que todas as seis casas que eu já frequentara. Juntas. Maior do que cinco vezes o tamanho delas. Maior do que as casas juntas de todos os construtores que haviam construído as minhas seis casas. Maior do que o espaço interno de cada casa, cada carro e cada terreno de cada empregado que trabalhava ali. Maior que... ah, acho que você entendeu. Enfim, saiba que, se o piloto fosse bom o suficiente, um jatinho comercial poderia decolar dali de dentro.

Sem me atar a medos ou pudores, comecei a vasculhar cada canto do recinto. Remexi em guarda-roupas, cômodas, estantes, camas (sim, mais de uma), bancadas, escrivaninhas, quadros, tapetes e tapeçarias. Demorei vinte e seis minutos para encontrar o cofre que, por fim, estava escondido atrás do espelho de um dos quatro banheiros que o quarto possuía.

Infelizmente, não portava nenhum artefato para abrir aquele cofre. Ele era grande e feito de aço pesado, com a superfície lisa e polida. Uma verdadeira obra de arte no formato de uma pequena fortaleza. Como nenhum objeto poderia satisfazer meus desejos indecentes de ladrão, abaixei a cabeça e fiz uma pequena prece à Psiquê. Ela já me abençoara uma vez, e creio que poderia abençoar novamente. Fiquei alguns segundos de olhos fechados, apenas implorando. Quando abri-os, o cofre pareceu estranhamente familiar, como se fosse um velho amigo. Coloquei as duas mãos nele e pude sentir suas histórias e seus segredos. E ele tinha muitos segredos. Estava abarrotado deles. Eram tantos que ele nem conseguia mais aguentar. Então, mentalmente, pedi gentilmente para que ele revelasse parte de seus segredos para mim. Tive que insistir um pouco, porque ele era um perfeito cavalheiro, honrado e tudo mais, porém minha língua sutil, cheia de prosa e de elogios, acabou por convence-lo. Girei algumas vezes a roda onde deveria se colocar a combinação, e o cofre se abriu, todo aliviado, para mim.

Dentro dele haviam muitos objetos, mais do que eu poderia contar rapidamente. Nenhum me pareceu extremamente valioso no quesito de valer algum dinheiro, mas para estarem ali, deveriam ser valiosos de alguma outra forma. Entretanto, nenhum me interessou. Após analisar rapidamente, meu olhar cravou num pequeno estojo negro com a costura de uma lua e uma estrela. A lua tinha a mesma forma do colar que estava comigo. Coloquei rapidamente a mão dentro do meu casaco e conferi, novamente aliviado, que o colar ainda estava ali, junto com seus parceiros de bolso.

Peguei o estojo que estava dentro do cofre e abri-o. Um colar de ouro, com o pingente de uma estrela, também dourada, repousava quieto e dorminhoco em seu encaixe. Do seu lado, um encaixe vazio parecia gritar desesperado por companhia. Decidi atender a seus pedidos, tirando o outro colar do meu bolso e ajeitando-o dentro do estojo. Sorri. Eles eram uma linda combinação. Lua e estrela. Astros do céu noturno. Ambos pertencentes à Noite.

Virei-me para ir embora e, só agora, constatei que o quarto se encontrava numa verdadeira bagunça, com roupas, papéis, gavetas e objetos espalhados pelos mais diversos lugares. Decidi deixar assim, da mesma maneira como decidi não organizar tudo no cemitério. Queria que as pessoas soubessem o que tinha acontecido. Queria que soubessem que foram roubadas. Queria que soubessem que, nem a mais poderosa família de Chicago, com todo seu poder e influência, era párea para mim.

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Inciso VI

Meu contratante era misterioso e reservado. Só o havia encontrado uma vez, mas ele era do tipo de ser que ninguém recusaria um pedido. Além disso, havia me dito que quando eu estivesse com a posse dos dois colares, me encontraria. Assim, após sair da mansão Lafaiete e voar pelo ar frio noturno, fiquei, pela primeira vez na noite, sem rumo definido. Assim, meio a contragosto, decidi voltar para minha casa, e já estava a caminho de lá quando a escuridão tomou conta do espaço ao meu redor, quente e macia, me fazendo sentir-me puxado, espremido, empurrado e comprimido. Não necessariamente nessa ordem. Fechei os olhos.

Era ela.

Quando abri-os novamente, me vi sentado num banco de madeira, de frente para um mar enorme. Era noite, mas era uma noite diferente. Estranha. Ao meu lado, sentava uma mulher de pele alvíssima, usando um vestido negro como o mais escuro céu, mas que também era brilhante e colorido. Além disso, seu tecido parecia mover-se de um jeito organizado e sutil, hipnótico. Seus cabelos eram negros, porém seus olhos, que não possuíam nenhuma parte escura, eram brilhantes, como dois sóis ou uma infinidade de supernovas.

— Olá, filho de Zeus.

Sua voz ribombou dentro de mim, como um relâmpago. Estremeci.

— Olá, senhora Nix.

Ela virou o rosto para mim e eu me senti subitamente insignificante e vazio.

— Dê-me os colares.

Aquilo não foi um pedido, mas sim uma ordem. Mesmo assim, ela fora bastante educada, pois se quisesse, poderia arrancar as duas coisas de mim facilmente. Sem sequer pensar em demorar-me, coloquei rapidamente a mão no bolso de meu terno e tirei de lá o estojo negro, que continha os dois colares.

— Por que alguém tão poderosa como você se importaria com isso?

Logo essas palavras saíram de minha boca, arrependi-me de ter dito-as. Nix arqueou levemente uma sobrancelha, tão leve que quase nem reparei.

— No que lhe concerne os assuntos de uma deusa primordial, varãozinho? Cala-te agora mesmo, se não desejas conhecer a verdadeira escuridão.

Sua voz não foi alta, como um grito raivoso, nem baixa, como um sussurro de ódio. Foi no tom usual, o que era pior ainda, pois mostrava que ameaças como aquela lhe eram tão naturais quanto respirar. Se é que respirava. Durante alguns segundos, senti a pressão ao meu redor cair.

— Porém, fostes um bom mortal. Mereces retribuição. Dar-te-ei três respostas completas e um presente feito especialmente por mim, para ti.

Tudo voltou ao normal e eu senti um alivio enorme dentro de mim. Aquilo era melhor do que eu poderia esperar.

— Escolhas com sabedoria, varãozinho.

Pensei por alguns segundos, e a pergunta praticamente gritou em minha mente.

— Onde estamos?

Nix nem sequer pensou.

— Murmansk, Russia. Tenho uma extrema estima por este lugar. A noite mortal, minha pálida essência, dura meses nesta parte do mundo.

Assenti, assombrado com seu poder. Ela me levara ali em pouco mais de alguns segundos. Incrível. Parti para uma outra pergunta, que me incomodava ainda mais.

— Por que eu?

Novamente a resposta foi imediata. Suspeitei que ela lia meus pensamentos.

— Porque és ladrão. Porque tens o tipo certo de escuridão dentro de ti. Porque assim o Destino quis, através de tua profecia.

Perdi o ar e senti uma ligeira tontura vertiginosa. Do que ela estava falando? Eu não sabia de profecia nenhuma. Sem pensar direito, falei:

— O quê?! Que profecia?

— O oráculo dos deuses sentenciou algo para ti, algo que não tenciono revelar-te.

Já ia abrindo a boca para fazer outra pergunta, quando a voz de Nix aplacou-me em cheio.

— Três de três. Abra tua boca de mortal para perguntar-me outra coisa, e serás teu último ato como vivente.

Engolhi em seco, consciente de minhas limitações e do medo acachapante que crescia dentro de mim. A deusa levantou-se do banco e parou na minha frente. Era muito maior do que qualquer humano comum. Devia ter uns três metros.

— Aqui está tua última recompensa.

Sua mão, delicadamente — e como se aquilo fosse tão normal quanto colher uma flor —, arrancou um pedaço de seu vestido e entregou-o a mim. Quando toquei na coisa, senti sua textura macia e sua temperatura morna. Além disso, ao meu toque, o pedaço do vestido transformou-se numa longa capa.

— Vista-te com ela. É feita de sombras e costurado com a luz dos astros noturnos. Shaed é seu nome. Tu deves achá-la apropriada, como gatuno que és.

Sem pestanejar, vesti-me com a capa. Ela era do tamanho perfeito, pois deixava de arrastar no chão por alguns centímetros. Era morna e de tato agradável. Nunca, em toda a minha vida, me sentira tão bem dentro de alguma veste.

— Fostes muito valioso, varãozinho. Este é um presente para que nunca esqueças deste contato. Foi feita por esta voz que te falas. Use-a com sabedoria.

De repente, duas grandes asas negras apareceram nas costas da deusa. Eram maiores do que qualquer par de asas que eu já vira, e tão negras como o mais profundo abismo.

— Como tua última tarefa, mate o italiano.

Antes que eu pudesse sequer perguntar "o quê?", suas asas me envolveram e nós giramos e giramos e giramos. Me senti tonto e quando pensava que, caso déssemos mais um giro, eu vomitaria, tudo parou e eu encontrei-me parado subitamente no chão frio de casa.

Meio desnorteado, sentei em minha cama. Ela queria que eu matasse don Trevisan. Já ia levantar-me para fazer isto, quando me senti subitamente fraco e mal-disposto. Bom, de certo que isso poderia ser deixado para outro dia.

Desta forma, sem despir a roupa e nem os sapatos, deitei-me na minha cama, apenas enrolado em minha Shaed, que era morna e confortável. Adormeci rapidamente.


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Epílogo

Um silêncio demorado e longo pairou sobre o quarto, onde médico e paciente se acomodavam. Simmon, ainda preso em sua camisa de força, encarava Dr. Underwood nos olhos.

— Só isso, Simmon?

O paciente assentiu, balançando a cabeça.

— O resto seria especulação, doutor. E está na hora do almoço, não está? Sinto o cheiro de carne daqui.

O médico concordou e, devagar, desligou o gravador. Levantou-se vagaroso de sua cadeira.

— Continuamos depois do almoço, que tal?

— Seria mais do que perfeito, doutor.

O velho concordou e virou as costas, indo em direção a saída.

— Coma rápido, para eu poder contar-lhe como matei aquele italiano capenga e seus serviçais macambúzios.

O doutor estancou. Esperou alguns segundos e, ignorando aquilo, saiu e fechou a porta.

Uma vez do lado de fora, rumou por um corredor até chegar à sala de enfermagem daquela ala. Sentou-se rígido em sua cadeira e aguardou seu almoço. Antes da comida chegar, um dos enfermeiros sentou ao seu lado e pediu:

— E aí? Como foi com ele dessa vez? Ah, eu daria tudo para vê-lo falar em vez de só gritar, que é o que sempre faz quando entro naquele quarto.

Dr. Underwood virou-se para ele, com bondade nos olhos, e disse, calmamente.

— Ele foi bem melhor desta vez. Contou seu relato do começo ao fim. Sem pausas e sem devaneios. Parece que ele gosta disso. Mas...

O enfermeiro ergueu uma sobrancelha.

— Mas o que, doutor?

O velho suspirou.

— Mas ele continua com aquelas ilusões, de que tem poderes, que é filho de Zeus e tudo mais.

O enfermeiro riu tanto que quase caiu da cadeira.

— Bem, se tudo corresse de maneira normal, não teria motivos para ele estar aqui, não é mesmo? É claro que isso é tudo fruto de sua loucura. Ele é psicótico, ah se é. Tudo isso não passa de alucinações, obviamente.

O velho doutor olhava a parede em branco, confuso e com o olhar distante. Quando falou, sua voz não parecia realmente uma afirmação, pois estava carregada de incertezas. Na verdade, parecia que ele estava falando consigo mesmo, tentando convencer-se daquilo que dizia.

— Claro. Alucinação.

The owner of the wind 8STwNsZ

Detalhes importantes

Informações explicativas:
Antes de tudo, é necessário ressaltar que, por mais que o nome da conta tenha mudado, essa DiY ainda é uma continuação da DiY anterior. Alguns detalhes da condição atual do personagem mudaram também, mas de resto é tudo igual. A história da DiY anterior continua valendo e de fato aconteceu. Sei também que muitas coisas ficaram sem explicação, mas é assim mesmo, para criar todo um clima de mistério. O nome do médico é igual ao nome que eu possuía anteriormente, mas é apenas uma homenagem que estou fazendo.

Quanto a história desta DiY: ela se passa em dois tempo. Um é o presente, onde Simmon, um louco internado num hospital psiquiátrico, conta sua história para um médico. Esse tempo é narrado em terceira pessoa. O outro tempo é o passado, que é a história contada por Simmon. Este é narrado em primeira pessoa (por Simmon, obviamente). Nessa DiY, Simmon narra fatos do seu passado que aconteceram no início dos anos 80.

Desta forma, tanto o "Prólogo" quanto o "Epílogo" são no presente, enquanto todos os "Incisos" são no passado.

Quanto ao cofre da mansão ser mecânico, e a mansão não apresentar nenhuma câmera de vigilância, isso se deve ao fato de que tal tecnologia ainda não existia, pelo menos não nessa DiY. Caso realmente exista, ignore, pois todas as histórias deste site se passam num mundo paralelo, rsss.

Quanto ao fato de Nix aparecer, isso não é tão incomum, afinal, ela tem que vir para Terra para ter filhos com mortais. E também não é incomum ela ter pedido um favor para Simmon, pois afinal, os deuses vivem fazendo esse tipo de coisa o tempo todo.

E no final é citada uma profecia sobre Simmon, a qual ele não ouviu ainda. Isso também é normal, pois a primeira profecia sobre Percy, nos livros, também não é dita na presença dele. Aliás, é provável que ele nem tivesse nascido. Então, tudo bem rolar uma profecia sobre alguém e esse alguém não estar presente na hora que a mesma for revelada.

Sobre a cidade russa: http://br.rbth.com/arte/2013/01/20/conheca_murmansk_a_cidade_da_noite_e_do_dia_polares_17279.html

Acho que é só ♥
Armas:
ϟ {Skarp} / Faca [Possui uma lâmina de bronze sagrado que mede cerca de 24 cm, sendo este também o tamanho do cabo. É bastante afiada e perfeita para ataques ágeis e rápidos. Seu punho é feito de aço e revestido por uma camada de couro, tornando fácil seu manuseio. Na parte inferior da lâmina, próximo ao cabo, estão entalhadas as siglas do Acampamento: "CHB". Isso faz da faca uma propriedade exclusiva de meio-sangues e criaturas místicas.] {Bronze sagrado, aço e couro} (Nível mínimo: 13) {Nenhum elemento} [Administração]

ϟ {Havskatt Käke} / Soqueira [Feita com o osso da mandíbula de um peixe feroz, possui pontas muito agudas que a deixam bastante afiada. Porém, não é muito resistente. Sua cor é marfim. {Osso} (Nível mínimo: 13) {Nenhum elemento} [Missão: "Be Careful, they byte!"]

ϟ {Puls} / Bracelete [É quase todo feio de prata. A única excessão é o entalhe de uma borboleta, preenchido com ouro. Esse bracelete pode ser ativado com o desejo mental do usuário, transformando-se em uma corrente que pode medir até 10 metros. Essa corrente é feita de prata e ouro sagrado, sendo extremamente resistente, chegando ao ponto de ser semi-indestrutível. Ela obedecerá aos comandos mentais do Mentalista com perfeição, independente do nível que ele esteja.] {Ouro Sagrado e Prata Sagrada} (Nível Mínimo: 13) {Psíquico} [Presente por ser Mentalista]
Poderes:

ZEUS

ϟ Respiração aérea (Nível 2) - Você poderá respirar em ar rarefeito. Muito útil após aprender a voar.[PASSIVO]

ϟ Voar (Nível 5) - Será seu poder característico. É muito útil e aperfeiçoado quando quiser.[PASSIVO]

MENTALISTAS

ϟ Nível 2. Memória fotográfica: Tudo o que você ver ou ler ficará gravado em sua memória por anos, serve tanto para imagens para textos.[PASSIVO]

ϟ Nível 10. Empatia: Você sabe exatamente o que o outro está sentindo em termos de emoções.[PASSIVO]

ϟ Nível 13. Tecnopatia: Habilidade de se comunicar com as máquinas tecnológicas, elas irão seguir os seus pensamentos, por exemplo, invadir bancos de dados, mudar os semáforos, tudo que estiver ligado a tecnologia e também controla coisas mecânicas.[PASSIVO]

ϟ Nível 18. Motivador: Palavras de incentivo sempre dão certo quando são propagadas por você, podendo animar ou desanimar alguém, o motivando ou desmotivando a fazer algo.[PASSIVO]

ϟ Nível 11. Telecinese intermediária: Consegue mover e levitar objetos mais pesados, porém não chegando a ser aqueles bem pesados e complicados, a velocidade também aumenta, sendo proporcional ao peso.[ATIVO]
Sugestão de desconto:
HP: 0 / MP: 44 (4x nível do poder ativo)
Recompensa almejada:
ϟ {Shaed} / Capa [Feita inteiramente das mais diversas sombras, foi costurada delicadamente com a luz da lua e das estrelas. É bastante maleável, podendo se transformar naquilo que seu portador desejar, seja uma capa curta, uma pelerine, um cachecol, uma capa longa com capuz ou qualquer coisa entre isso. Como a escuridão das sombras é o principal material de sua composição, ela fornece uma grande camuflagem à noite ou em ambientes escuros, tornando seu portador quase invisível. Também protege aquele que a usa, diminuíndo o dano de ataques de umbracinese em 40%, de ataques cortantes em 30% e de ataques perfurantes em 20%. Como é feita de sombra, não se rasga nunca e balança segundo sua própria vontade, mesmo quando não sopra nenhum vento ou brisa. Apesar disso tudo, praticamente todas as pessoas e semideuses pensam que, embora bem feita e sofisticada, ela seja uma capa comum. Tem diversos bolsinhos em seu interior, podendo guardar objetos] {Sombra, luz lunar e luz estelar} (Nível Mínimo: 23) {Exerce influência nas sombras e na luz} [Recebida na DiY "Mão-Leve"]

Como a DiY foi suficientemente longa, creio que, além da recompensa acima, eu também poderia receber a experiência normalmente. Sinceramente e com amor ♥



A oportunidade cria o furto, mas o ladrão já nasce feito

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Re: The owner of the wind

Mensagem por Hades em Ter 21 Jul 2015, 15:51



Então, Simmon, quanta coisa pra ler! Mas tranquilo, esperava um conteúdo grande assim vindo de ti. Eu gostaria de ter avaliado sua primeira DiY para entender e compreender melhor seu personagem, mas essa segunda foi o suficiente. Talvez eu tenha sorte de avaliar seu próximo trabalho, filho de Zeus. Eu espero que você se sinta bem com a avaliação e que tenha alcançado seu objetivo, sim, estou tentando ser educado. Será avaliado de acordo com o sistema atual, que pode ser lido aqui.

Primeiro devo dizer, o modo como narra é algo que eu valorizo muito em players. É até impossível pensar que posso encontrar erros no seu post, afinal, sabe usar palavras com criatividade, leveza e de forma que não bagunce a cabeça do leitor. Pois então, vamos para o primeiro critério:

Coerência (50)
Não há razão para descontar um ponto sequer em Coerência, visto que a maioria das ações de seu personagem foram consideradas por mim possíveis até mesmo para um humano. Aliás, como foi explicado, o tipo de tarefa designada ao seu personagem realmente era normal de acontecer nos anos 80, qualquer lugar era lotado por mafiosos e seus carrascos. Simmon utilizou sabiamente as habilidades herdadas do pai e você soube interpretar bem. Aqui você não verá nenhuma crítica.

Coesão, estrutura e fluidez (25)
Estrutura e fluência: bem, você usou com total eficiência ambos os quesitos, já que um está ligado ao outro - como pode ser explicado no tópico do sistema. Aqui eu levei em conta a sua escrita e o modo como usou as famosas conjunções e claro, a forma como foi lida por mim. As ações de Simmon fluíram perfeitamente ao serem lidas e imaginadas, você sabe interpretar muito bem o seu personagem. Não vi motivos para descontar pontos aqui também e tomei a liberdade de dividir os pontos, ambos os quesitos valendo cada um dez pontos.

Coesão: aqui também não tem muita coisa que devo ressaltar, as ações e pensamentos foram muito bem colocados por você. Portanto, para completar o trio de pontos, aqui valerá cinco.

Objetividade e adequação à proposta (15)
Uma narração direta, mesclada com pensamentos e comentários que não causaram em momento algum dificuldade na leitura, pelo contrário, somaram pontos ao agradável. Eu não quero falar novamente como sua narração é boa e tudo mais, pois acabaria se tornando puxação de saco e Ares só puxa o saco pra castrar.

Ortografia e organização (10)
Ortografia: "Como um aspecto puramente formal, a Ortografia lhe renderá descontos em caso de erros excessivos e/ou muito gritantes [...]". O que não foi o seu caso, obviamente, visto que o único erro encontrado em todo seu post foi um único, bobo, irrelevante, o tipo de erro que você ignora por saber que, provavelmente, não foi proposital. Bem, eu citaria aqui para não parecer que digo isso apenas para encher linguiça na avaliação, mas sua DiY está grande em quantidade de palavras - porém, caso seja sua vontade, posso apontar pessoalmente (MP) tal erro. Mas sinceramente, é uma besteira. Cinco pontos em Ortografia.

Organização: sua organização está uma beleza, realmente não tive problemas em distinguir a mudança de tempos na narração, as observações separadas em spoiler e o template está perfeito, sendo essa uma opinião pessoal. Aproveitando para deixar uma dica, também sendo uma sugestão pessoal minha e não necessariamente algo obrigatório a ser seguido: quando narrado momentos em que seu personagem agiu com habilidades, peço que coloque um tipo de sinal (*,¹,² entre outros) no texto e no spoiler, para que possa ser identificado. No mais, cinco pontos em Organização.

Resultado total: 100.
Resultado em xp: 400. Porém, deve ser resolvida a questão do item. Só depois disso a recompensa em xp será avaliada novamente a oficializada e, sim, mesmo depois de modificado, você receberá algum desconto na recompensa básica.

{— Coerência: 200/200; — Coesão, estrutura e fluidez: 100/100; — Objetividade e adequação à proposta: 60/60; — Ortografia e organização: 40/40}

Desconto sugerido levado em conta.

Observações:
O item almejado foi levado ao grupo da Staff e eis o que foi dito: "Tem um monte de poder no item. Ele precisaria escolher entre a resistência a um tipo de ataque ou a camuflagem". Portanto, peço que faça sua escolha para que isso possa ser resolvido o quanto antes, não demore.

Caso veja problemas na avaliação, entre em contato com a Staff. Não sentirei problemas em avaliá-lo novamente ou dar lugar a outro avaliador.
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Re: The owner of the wind

Mensagem por 142-ExStaff em Sab 01 Ago 2015, 23:15

Atualizado, com nova descrição, em acordo com o player:

ϟ {Shaed} / Capa [Feita inteiramente das mais diversas sombras, foi costurada delicadamente com a luz da lua e das estrelas, que balança conforme a própria vontade, mesmo sem vento. É bastante maleável, podendo se transformar naquilo que seu portador desejar, seja uma capa curta, uma pelerine, um cachecol, uma capa longa com capuz ou qualquer coisa entre isso. Como a escuridão das sombras é o principal material de sua composição, ela fornece uma grande camuflagem à noite ou em ambientes escuros, tornando seu portador "invisível", furtivo; o ambiente deve ser realmente escuro, ou seja, um quatro com pouca luminosidade funcionaria, mas não a sombra de uma árvore às quatro da tarde. Apesar disso tudo, praticamente todas as pessoas e semideuses pensam que, embora bem feita e sofisticada, ela seja uma capa comum. Tem diversos bolsinhos em seu interior, podendo guardar objetos] {Sombra, luz lunar e luz estelar} (Nível Mínimo: 20) {Camuflagem} [Recebida na DiY "Mão-Leve"]

Recompensa ganha: 300 xp.
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Re: The owner of the wind

Mensagem por Simmon Wilem Brandeur em Sex 04 Set 2015, 02:36

Multicultural
entre putas, ladrões e heréges

Prólogo

O doutor Eric Underwood terminava de maneira lenta seu almoço. Ele estaria, em breves minutos, no quarto de um de seus pacientes, conhecendo melhor o seu mais novo estudo, um homem completamente louco, perdido em suas faculdades mentais e que se auto intitulava filho de Zeus.

Seu nome era Simmon.

Depois de comer todos os pedaços de salmão grelhado que se espalhavam suculentos por seu prato, o doutor limpou os cantos da boca e encaminhou-se para o quarto do doente. Seus passos ecoavam altos pelos corredores daquele sanatório.

Quando estava no meio do caminho, Dr. Underwood encontrou uma enfermeira. Chamava-se Mary e já passava da casa dos 40 anos, além de ser razoavelmente gorda e possuir bigode.

— Apresse-se, doutor — Falou a mulher com sua voz fanha e seu habitual sorrisinho maroto, que exibia seus dentes grandes e amarelos — Alguém está te esperando.

O homem ergueu uma sobrancelha, intrigado.

— Quem está me esperando?

O sorriso da velha senhora esticou-se mais, como se fosse uma lona de circo. Parecia mesmo estar se divertindo com a situação.

— Seu paciente, o tal de Simmon. Aquele do 313. Quando fui dar seu remédio, ele mandou avisar que era pra você terminar logo seu salmão e ir correndo continuar a história dele. Sujeito apressado.

O doutor prendeu a respiração, atônito. De que forma um paciente trancafiado na ala de vigilância máxima e preso por uma camisa de força, poderia saber o que ele almoçara, minutos atrás, sozinho em seu escritório? Aquilo não fazia o menor sentido. Com um aceno de cabeça e suando frio, ele despediu-se da enfermeira, dirigindo-se apressado até o lugar onde Simmon se acomodava.

Passou seu crachá pelo leitor digital, fazendo a porta pesada se abrir com um rangido de metal frio, e adentrou no recinto.

— Olá, doutor! — A voz grave de Simmon se fez ouvir pela sala acolchoada — Eu iria te contar sobre como matei o velho italiano, certo? Porém, lembrei que devo falar sobre um assunto tão interessante quanto, ah sim, muito interessante. Envolve prostitutas.

O paciente suspirou, inclinando a cabeça para o lado, como se tentasse lembrar de algo.

— Quero dizer, eles me lembraram. Mas no final das contas é tudo a mesma coisa, não é?

Simmon parou de falar. Olhou ao redor, fazendo seus olhos passearem pelo chão, pelas paredes, pelo teto, como se procurassem algo. Remexeu-se inquieto dentro da camisa de força. Suspirou e relaxou. Voltou, então, a encarar Dr. Underwood, continuando a conversa como se nunca a tivesse interrompido.

— Vou contar a primeira vez que usei um revólver! Isso não é fantástico? Você gostaria de ouvir, não gostaria?

Os olhos cinzas do médico perscrutaram as feições serenas e amigáveis do paciente. Ele havia mesmo matado todas aquelas pessoas que dizia? Havia realmente realizado todos os atos horrorosos que relatava? Se sim, como se tornara louco? Ou sempre fora, mas em um estado dócil e contido? Eric resolveu ignorar, pelo menos por enquanto, o fato de que o doente parecia saber mais do que deveria.

— Claro, Simmon. Seria um prazer. Posso ligar o gravador?

O louco sorriu com seus dentes brancos e limpos.

— Que educado, Eric. Estou gostando de ver. Só espere um segundo.

O paciente virou a cabeça para o lado, olhando para o canto mais afastado e escuro da sala. Arregalou os olhos, como se finalmente tivesse encontrado o que procurava. Seu sorriso, outrora brilhante e altivo, desmanchou-se em gotas de ódio destilado. Seus olhos brilharam furiosos e veias saltaram de sua testa e pescoço. Sua voz foi pesada e fria, como um pedregulho alisado pelo rio, e seu olhar mirava um ponto específico, como se falasse com alguém. Explodiu em gritos.

— Cala a boca! CALA-A-PORRA-DA-BOCA, SEU INÚTIL! Fique quieto pelo menos uma vez! E saia daqui! Saia, saia, saia!

Parou de gritar e respirou fundo rapidamente. Seu peito subia e descia, enquanto suas feições, outrora terríveis e diabólicas, voltavam ao normal. Quando já não existia nele mais nenhum traço de violência ou raiva, virou-se novamente para o médico. Seu sorriso era incandescente como sóis ao meio-dia.

Dr. Underwood não esboçou reação alguma. Estava acostumado com aquele tipo de comportamento. Mas aquele sujeito parecia ser um pouco diferente. Não falava como uma pessoa normal. Não parecia ter apenas uma voz dentro de si. Ele era muitos. Sabia coisas demais para seu próprio bem.

— Perdão, doutor, mas todo homem tem seus demônios para cuidar. Pode começar a gravar.

Assentindo com a cabeça — e tentando não pensar que estava sendo mandado por um louco —, Dr. Underwood apertou algum dos botões no aparelho que trazia nas mãos, fazendo um silvo agudo percorrer o ambiente. Simmon começou a falar.

Gravando


Prostitutas

A chama amarelada da ponta acesa do cigarro clareava a sala, definindo as arestas sombreadas das coisas, e também clareava o meu pensamento sombrio, aquecendo com seu fogo e luz as emoções que a tempos estavam frias. A fumaça que subia e minha esperança que decaía eram grandezas inversamente proporcionais.

Repousei o cigarro no cinzeiro de lata e levantei, abotoando a camisa branca com listras cinzas que a tempos não estava tão abarrotada. Larguei shaed por sobre os ombros e procurei minha carteira no bolso da calça, tirando dali uma nota de 100 dólares amassada. Dirigi-me até a mesa de cabeceira, de madeira escura, ao lado da cama de casal onde repousava o corpo adormecido de uma prostituta, e coloquei ali o dinheiro. Deixei também dois cigarros. Em seguida, encaminhei-me para a porta.

Porém, antes de alcançar a maçaneta, ouvi batidas pesadas contra a madeira oca. Que situação estranha, afinal, havia levado a prostituta até aquele motel razoavelmente barato exatamente para não atrair aquele tipo de atenção. Outras batidas, dessa vez mais fortes e apressadas. Virei o rosto para a mulher e notei que ela agora já estava acordada, também olhando para a porta.

— Seus amigos?

Ela baixou a cabeça, como se estivesse envergonhada e arrependida. Certo, eram amigos dela, ou pelo menos fora ela que avisara que estávamos ali. Por quê? Não fazia a mínima ideia, entretanto, acreditava que logo iria descobrir.

— Você é uma puta nos mais variados sentidos, hein?

Antes de abrir a porta, peguei novamente o cigarro que havia largado por sobre o cinzeiro e coloquei-o na boca, dando uma tragada longa e espessa. Soltei a fumaça devagar e lenta, que subiu ao céu em espirais perfeitas de breu. Abri a porta.

Três sujeitos carrancudos adentraram no recinto, empurrando-me para o lado. Vi os três analisarem a sala, a prostituta e, derradeiramente, a mim, que já estava escorado numa parede, o olhar sombrio e calculado. Só que, antes de sequer poder perguntar o que estava acontecendo, levei um murro em cheio no nariz, que fez meu cigarro voar para longe, numa confusão de sangue e faíscas em brasa.

Com a mão na frente do rosto, tentando estancar a dor e o sangue, ouvi a prostituta gritar, enquanto um dos homens a impedia de fugir. Ergui lentamente minha cabeça — pois estava receoso que meu nariz se desmontasse em dezenas de pedaços caso eu a erguesse rapidamente — e encarei tanto os sujeitos quanto a cena à minha frente. Todos me encaravam de volta.

— Mas que merda vocês estão fazendo aqui?!

O maior dos homens, que pelo jeito estúpido de olhar e se portar deveria ser o líder, respondeu-me:

— Lembrancinha de don Trevisan. Ele está muito chateado contigo, fedelho. Quer as coisas que você pegou pra ele. E quer logo.

Os dois colares, claro. Fazia uma semana que eu os tinha entregado para a deusa Nix, mas don Trevisan não fazia a mínima ideia disso. Além do que, a deusa deixara claro que o próximo lugar que aqueles italianos deveriam visitar eram seus próprios túmulos, numa viagem só de ida.

Olhei para a garota, que era segurada por um dos homenzarrões. Ela deveria ser uma espécie de chamariz, que me atraíra e em seguida revelara minha posição. Sorri. Fazia anos que eu não era enganado daquela maneira. Na verdade, fazia tanto tempo que eu nem conseguia dizer quanto. Mas ela tinha conseguido, essa piranha.

Vendo que meu nariz não iria mais sangrar, resolvi que era hora de jogar com as cartas que tinha. E meu caro, eu só jogo para ganhar. Coloquei sigilosamente a mão direita em um dos bolsos internos de minha shaed, aproveitando para encaixar bem firme nos dedos a soqueira de osso que repousava suavemente em meio ao tecido macio e, de maneira lenta e metódica, agachei-me e apanhei do chão o meu cigarro. Ainda estava aceso. Dei algumas puxadas rápidas para acendê-lo mais.

— Existem outras maneiras de lembrar alguém, sabiam? — Falei as próximas palavras de maneira pausada e ameaçadora — Violência só gera violência.

Segurei o cigarro pelo filtro, enquanto encarava os homens ao meu redor. Então, numa explosão rápida de fúria, joguei a bituca acesa no homem que estava mais perto, deixando-o assustado. Aproveitando sua distração, acertei-lhe um gancho no queixo, fazendo-o desmaiar e cair no piso escuro como se fosse uma árvore seca. Vi um dos outros sujeitos colocar a mão dentro do paletó. Devia estar procurando uma arma, certamente.

— Ah, você não vai pegar isso.

Com toda a força que possuía, joguei meu corpo nele, nos fazendo cair de forma pesada no chão de madeira. A arma que ele tentara pegar voou ao acaso. Dei três socos ligeiros e fortes no lado esquerdo de seu rosto, abrindo um corte comprido e profundo que ia da têmpora até o final da mandíbula. Desacordou.

Virei-me, então, para o último dos capangas, aquele que segurava a prostituta. Estava apontando uma arma para a cabeça da mulher, sua mão tremendo enquanto o suor escorria denso por sua face. Antes que ele pudesse fazer qualquer ameaça, resolvi falar, afinal, era eu quem estava dando as cartas, e não ele.

— Você vai falar para seu chefe que eu irei entregar os colares quando quiser. Só eu mando na minha vida, entendeu? Mais ninguém.

Ele engatilhou a arma, fazendo a mão tremer ainda mais. Que coisa ridícula, não é mesmo? Ter tamanho poder de fogo e não ter coragem para utilizá-lo. A vida é cheia dessas injustiças. Uma dúvida surgiu em minha cabeça, risonha. Indaguei-o.

— Você acha que pode me chantagear com essa puta? Por favor, eu sei que foi ela que avisou que estávamos aqui. Se quiser matá-la, vá em frente, não dou a mínima.

O desespero foi visível nos olhos dos dois. De um lado, o capanga, que me vira derrubar seus colegas de maneira rápida e fácil. De outro, a prostituta, que via em mim a única maneira de se livrar de seu possível assassino. E no meio de ambos, com o nariz ligeiramente dolorido, porém bem mais alegre, estava eu, descompromissado e feliz. Quando os adversários são babacas, é muito fácil virar a mesa a seu favor.

De maneira extremamente previsível e imbecil, ele virou a arma na minha direção. Sua mente burra parecia tentar esboçar uma espécie de plano

— Finalmente você está raciocinando, meu caro —Enquanto falava, não me atrevi a perder o contato visual com ele — Mas ainda é pouco. Você não me conhece. Não tem compreensão do meu poder. Não entende o que me move.

Vi o sujeito empalidecer ainda mais. Seus olhos escuros iam de lá para cá, como se tentassem encontrar um lugar para onde fugir. De maneira semelhante, passei cuidadosamente o meu olhar pela sala, pensando no que poderia fazer para não levar uma bala diretamente no crânio.

Então, meu olhar focou em um objeto metálico, diretamente atrás do último capanga em pé. Uma arma. Era a pistola que o segundo capanga tentara usar, mas que tinha voado longe. Foi extremamente difícil impedir meus lábios de se abrirem num sorriso, mas consegui, porque sou um ótimo ator.

— Você vai me deixar sair daqui são e salvo — A voz do último bandido estava fraca e tremendo — Ou eu juro, velho, eu juro que explodo a porra dos teus miolos!

Enquanto respondia o pobre coitado, fazendo toda uma encenação para ludibria-lo, usei de minha telecinese para levitar o artefato de fogo silenciosamente. Sem ele perceber, ergui a arma na altura de sua cabeça, apenas afastada alguns centímetros.

— Não se preocupe, meu amigo, você vai sair daqui.

Com a mente, engatilhei arma e, antes que o capanga pudesse raciocinar sobre que barulho era aquele, o revólver 38 cuspiu uma bala, enchendo a sala com cheiro de pólvora, sangue e gritos da prostituta, que viu o líquido quente e vermelho cair meloso por sobre ela. O último dos empregados de don Trevisan tombou pesado no chão, o crânio aberto e carbonizado, mostrando que, por incrível que pareça, ele tinha um cérebro no final das contas. Caminhei lentamente e me agachei ao seu lado.

— Mas vai sair dentro de um saco preto.

Ainda usando a telecinese, mirei a arma na cabeça de seu antigo dono, descarregando três projéteis em seu rosto tosco. O barulho fez o outro capanga, aquele que parecia ser o líder, acordar lentamente, ainda meio zonzo. Pensei também em mata-lo, entretanto, ele me era muito mais útil estando vivo. A prostituta olhava toda aquela cena sentada na cama, as lágrimas quentes vertendo por sua face e o olhar horrorizado me encarando. Ela não tinha a coragem necessária para tentar fugir.

— Uhn... o que diabos aconteceu aqui? — O líder do bando ergueu a cabeça, analisando o espetáculo de carnificina que se estendia pelo aposento. Também me viu, agora já de pé, na sua frente. Arregalou os olhos — Puta que pariu, puta que pariu, puta que pariu! Não me mata, cara, pela porra da Virgem Maria, não me mata!

Encarando-o com um sorriso grande no rosto, eu falei, de maneira delicada e calma, como se tentasse explicar para uma criança que tudo não passava de um pesadelo.

— Hei, relaxa, não vou te matar, shhhhh — Minha voz era pausada. A mesma voz usada por um adestrador que tentava domar um cavalo arredio — Eu preciso que você faça um favorzinho, tudo bem?

O capanga assentiu, nervoso. O que mais ele poderia fazer?

— Volte até seu patrão e diga para ele que, em três dias, irei encontra-lo para resolvermos esse pequeno negócio, entendeu? — O homem balançou a cabeça enfaticamente — E aproveite para dizer que, se ele tentar me encontrar antes disso, vai arder no fogo eterno da perdição, onde ninguém nunca o irá encontrar, não importa o quanto ele reze.

Aproveitei a frase de efeito e dei um choque na barriga do sujeito, fazendo-o pular de susto. Ficou subitamente branco, suando frio. Não estava acostumado com esses “poderes mágicos”.

Olhei para a prostituta, ainda na cama, e em seguida para o último empregado vivo. Eu precisava dele, mas e dela? Não precisava nem um pouco. Porém, eu não era nenhum retardado. Ela não merecia morrer.

Prostitutas. Pois é, confesso que eu tinha uma queda por aquela "classe trabalhadora". Ah, e antes de sair, guardei novamente os 100 dólares dentro da carteira. Por mais que eu gostasse de brigar, nunca iria pagar para fazer isso.


Epílogo

O paciente encarava Eric Underwood com um sorrisinho desafiador no rosto.

— É isso que você tem para hoje, Simmon?

O louco balançou afirmativamente a cabeça de maneira infantil, ainda sem deixar de sorrir.

— Não tem possibilidade de você contar mais?

Simmon mexeu o rosto para os lados, negativamente. O sorriso doentio não deixava seus lábios de jeito nenhum. O velho médico suspirou e virou-se, rumando para a saída. Porém, a voz do filho de Zeus se fez ouvir.

— Mas eu quero te contar mais um detalhe, doutor. Posso? — Olhou para o gravador — E isso tem que ficar somente entre nós.

O médico guardou o pequeno aparelho dentro do bolso do jaleco branco, aproximando-se de Simmon.

— Por favor, doutor, chegue mais perto.

Underwood deu três passos.

— Mais perto.

O médico não se moveu.

— Por favor, Eric. É um segredo. Preciso cochichar em seu ouvido.

O doutor ergueu uma sobrancelha. Aquilo era muito estranho. Mas afinal, o que não era estranho no que se referia a loucos? Além disso, o paciente estava preso em uma camisa de força. Não oferecia nenhum perigo. Dessa maneira, aproximou seu ouvido do rosto de Simmon. O louco sussurrou, risonho.

— Você sabia que somos personagens? Você, a enfermeira gorda de bigode, eu, a prostituta e os capangas. Fazemos todos partes de uma história. Alguém está escrevendo sobre nós, sabia?

O velho médico permaneceu por algum tempo em silêncio, antes de finalmente falar.

— Como assim, Simmon?

O louco revirou os olhos.

— Uma pessoa, que eu ainda não descobri quem, está escrevendo sobre mim. E sobre o senhor, consequentemente. Não sei se essa pessoa escreve para um livro, um jornal, um fórum ou uma revista, mas escreve. E ele pode fazer tudo. Qualquer coisa. Se ele escrevesse que eu iria sair voando agora, bem, eu faria exatamente isso.

Simmon encarava o médico de olhos arregalados, as írises azuis brilhando como dez mil lagos cristalinos.

— É por isso que eu sei o que o senhor comeu no almoço. E é por isso que eu sei que no bolso esquerdo de sua calça tem um bilhete onde está escrito a palavra "fim". Um bilhete que nem mesmo o senhor sabia que existia. Na verdade, acho que é ele que está me fazendo falar tudo isso. Curioso, não é mesmo? Ter todo esse poder. Nós somos apenas seus personagens.

Simmon ficou em silêncio. Underwood, extremamente confuso, afastou-se do garoto e saiu da sala. Dirigiu-se até seu escritório e, com as mãos tremendo, procurou algo no bolso esquerdo da calça. Encontrou um pequeno papel que fora dobrado três vezes. Abriu-o, vendo três letras maiúsculas escritas em preto:

FIM.


Detalhes importantes

Informações explicativas:
Sei que muitas coisas ficaram sem explicação, mas é assim mesmo, para criar todo um clima de mistério.

Assim como a anterior (e provavelmente todas as que vierem a seguir) essa DiY se passa em dois tempo. Um é o presente, onde Simmon, um louco internado num hospital psiquiátrico, conta sua história para um médico. Esse tempo é narrado em terceira pessoa. O outro tempo é o passado, que é a história contada por Simmon. Este é narrado em primeira pessoa (por Simmon, obviamente). Nessa DiY, Simmon narra fatos do seu passado que aconteceram no início dos anos 80.

Desta forma, tanto o "Prólogo" quanto o "Epílogo" são no presente, enquanto o "Prostitutas" é no passado.

Se você não faz a mínima ideia do que são os dois colares citados na narração, ou quem diabos é don Trevisan, por favor, leia a DiY anterior.

Lembre-se que Simmon é um louco. Você decide se deve acreditar em tudo o que ele diz. Ou não.

Acho que é só ♥
Itens:
ϟ {Havskatt Käke} / Soqueira [Feita com o osso da mandíbula de um peixe feroz, possui pontas muito agudas que a deixam bastante afiada. Porém, não é muito resistente. Sua cor é marfim. {Osso} (Nível mínimo: 13) {Nenhum elemento} [Missão: "Be Careful, they byte!"]

ϟ {Shaed} / Capa [Feita inteiramente das mais diversas sombras, foi costurada delicadamente com a luz da lua e das estrelas, balançando conforme a própria vontade, mesmo sem vento. É bastante maleável, podendo se transformar naquilo que seu portador desejar, seja uma capa curta, uma pelerine, um cachecol, uma capa longa com capuz ou qualquer coisa entre isso. Como a escuridão das sombras é o principal material de sua composição, ela fornece uma grande camuflagem à noite ou em ambientes escuros, tornando seu portador "invisível", furtivo. Porém, o ambiente deve ser realmente escuro, ou seja, um quarto com pouca luminosidade funcionaria, mas não a sombra de uma árvore às quatro horas da tarde. Apesar disso tudo, praticamente todas as pessoas e semideuses pensam que, embora bem feita e sofisticada, ela seja uma capa comum. Tem diversos bolsinhos em seu interior, que podem guardar diversos objetos] {Sombra, luz lunar e luz estelar} (Nível Mínimo: 20) {Camuflagem} [Recebida na DiY "Mão-Leve]
Poderes:
ZEUS

ϟ Intimidação (Nível 7) - O filho de Zeus intimida mais facilmente os outros devido a sua posição. Na prática, exercem influência sobre qualquer criatura mundana através da palavra, assustando-as - não as afasta do combate, isso depende do tipo de criatura, mas pode ter um bom efeito em mortais. Contra semideuses e monstros, só os afeta se forem de nível menor ao semideus (ao menos 5 níveis), desestabilizando-os em combate, reduzindo suas defesas em 10%. Precisa de uma demonstração, seja uma ação intimidativa ou palavras de provocação.[PASSIVO]

ϟ Eletro-percepção (Nível 11) - Assim como alguns animais, como os tubarões, que detectam estímulos elétricos, sua percepção é melhorada dentro de um raio. 10m iniciais, mais 1m adicionail por nível. Dentre desse raio, você é capaz de notar mudanças sutis geradas pela movimentação dos seres ao redor e, portanto, não recebe ataques críticos provenientes de ataques surpresa, mas não quer dizer que consiga prever os ataques completamente, já que não é como se soubesse os movimentos que estão planejando, e sim que estão perto.[PASSIVO]

ϟ Objetos elétricos (Nível 17) - Pode tocar um objeto e transmitir sua eletricidade para ele, podendo transmitir seus poderes por ele - ainda gasta a energia de ativação do poder usado.[PASSIVO]

MENTALISTAS

ϟ Nível 18. Motivador: Palavras de incentivo sempre dão certo quando são propagadas por você, podendo animar ou desanimar alguém, o motivando ou desmotivando a fazer algo.[PASSIVO]

ϟ Nível 1. Telecinese iniciante: Consegue mover objetos não muito pesado, quanto mais leve for, mais rápido é a levitação.[ATIVO]
Sugestão de desconto:
HP: 10 (soco no nariz)/ MP: 4 (4x nível do poder ativo)

ϟ
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Re: The owner of the wind

Mensagem por Hera em Sex 11 Set 2015, 11:41


Avaliação
do-it-yourself

Ai que saco te avaliar zzzz não tem nada de errado zzzz

Brincadeiras à parte, realmente sua DIY ficou muito interessante e bem escrita. Gostei muito da estrutura que você montou, narrando de duas maneiras e expondo todos os fatos perfeitamente (o que mostra sua grande capacidade, já que poderia dar bem errado caso você não soubesse se organizar).

Fico feliz em te avaliar e acompanhar a história do Simmon, vê-lo evoluir desde aquela narrada que desenvolvemos até aqui. Você escreve cada vez melhor - se é que isto é possível - e não tenho nada para reclamar, apenas parabenizo mais uma vez por uma história envolvente e criativa.


▬ Coerência: 200/200
▬ Coesão, estrutura e fluidez: 100/100
▬ Objetividade e adequação à proposta: 75/75
▬ Ortografia e organização: 25/25
▬ Total: 400 XP

▬ Descontos: 10 HP / 4 MP

Dúvidas, reclamações, desabafos: MP.


~ Atualizado


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Re: The owner of the wind

Mensagem por 117-ExStaff em Sex 15 Jan 2016, 14:50

Tópico mandado para o Tártaro a pedido do dono do mesmo.
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Re: The owner of the wind

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