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TESTE PARA FILHOS DE HADES - JULHO

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TESTE PARA FILHOS DE HADES - JULHO

Mensagem por Zeke Drewetty em Seg 20 Jul 2015, 19:12



The Blind
What do you understand about the pain?

CARACTERÍSTICAS
Aparência: As características são simples: cego dos dois olhos, porte médio/alto, vinte e dois anos, barba por fazer (não consegue usar muito bem a gillette devido a deficiência visual que vem assombrando-o desde a puberdade), cabelo castanho, bagunçado (com dificuldades de arrumação) e levemente arrepiado. Detrás do seu olhar diferencial e esbranquiçado, opaco e sem rastros de vida alguma, pode-se notar uma indiferença ao meio comum, e uma grande tristeza que isola a alma, tornando-o tanto como assustador, quanto interessante.

Psicológico: Geralmente possui um aspecto sombrio, tendo características similar a de seu pai. Não é muito social, já que por vezes também tímido, além de despreocupado referente ao estado das pessoas as quais se apega. Costuma trazer medo aos outros semideuses, tornando-o sozinho. Apresenta confusão diante a cegueira, algo que o tornou forte com o passar dos anos, mas nunca abaixa a cabeça perante a deficiência ou os problemas que se deparam em sua frente, preferindo ultrapassá-los por si só, negando quase sempre a ajuda alheia, tentando advertir a ideia de ser um "pobre coitado", sendo que só quer ser visto como uma pessoa qualquer.



ORIGEM - 3° PESSOA

7.3424.782.225. Esse é o número que representa o total da população mundial. Entre o todo, está o mais desgraçado, azarado e retardado do mundo: Zeke Drewetty. Nascido para salvar seu irmão Zachary, vítima de uma doença terminal, onde fora fruto de uma clonagem entre doze óvulos e estudos para ver qual combinava com os dados genéticos do familiar e fazer o transplante de medula quando completasse doze anos.

Dito e feito. O transplante concluiu com sucesso ao passar dos anos e o desenvolvimento do corpo do Drewetty que, sem opinião diante da mãe que o pressionava para fazer, o tornou possível. Não bastaram dois dias para o irmão, Zachary, ter um infarto e cair morto. Isso fizera Zeke pensar, desde novo, sobre o verdadeiro propósito de ser deixado no mundo: uma mera cópia descartável da engenharia genética.

A mãe suicidou-se na frente de nosso protagonista em poucas horas, vítima de depressão, com uma facada garganta. Manchado de sangue, o garoto foi deixado na casa do avô que, senão a insistência do governo, teria o largado em um orfanato milhas de distância para morrer entre profanações de freiras sobre o catolicismo.

Cresceu e, aos poucos, foi ganhando personalidade mediante os maus tratos do familiar restante. O caduco trabalhava em uma mercearia, fazendo móveis amadeirados, ocupação que isolava o idoso do mundo moderno atrás de revistas de carpintaria.

Quando completou dezesseis, aconteceu o segundo marco de sua vida.

O dia amanhecera triste, sem sol ou nuvens, apenas nublado: a inexpressividade atingia a cabeça do Drewetty com interesse, ficando por horas encarando a imensidão que era o céu, mesmo que sem motivo. Sentou-se em um sofá e lá ficou por pouco tempo. Bombardeado por um taco, despencou de cima do estofado vermelho, enxergando por uma última vez o vô empunhando a ferramenta de baseball e o cheiro de bebida no ar.

Os olhos piscavam como nunca e uma visão turva atingiu sua noção do ambiente, amarrado sobre a barra de um encosto de ferro sem entender o que estava lhe ocorrendo. Os ossos remoíam de rancor e contorcia-se no tapete de pelos de um urso, caçado pelo avô há tempos atrás, quando não era dependente de um andador. Pingos caíam de um recipiente em cima das íris escuras do rapaz, que berrou em um som tonitruante, atingindo a vizinhança toda com os gritos roucos de dor. Era metanol. Tudo se tornou escuro, até mais que a noite: estava cego dos dois olhos.

Com o passar dos anos, Zeke passou a fingir que gostava do avô, quase que a memória retirada, mas não o suficiente para retardá-lo dos acontecimentos seis anos atrás - já estava com vinte e dois. Dependente do mais velho como uma escória para a sociedade, muitas vezes debochado e esquecido entre os esguios da multidão, não levou muito tempo para fugir com um guarda-chuva e um óculos da marca Ray-Ban, que, momentaneamente, escondia sua deficiência ocular, além de, claro, as roupas que trajava.


Parabéns para você
Nessa data querida


Querida, era a palavra que certamente ele detestava. Seu aniversário de vinte e dois anos não era nem nada mais, nada menos, que uma tragédia dramática de filmes de superação. Desde o dia em que seu avô usou metanol para cegá-lo, teria se tornado uma minoria muitas vezes esquecida pela sociedade; ou, era isso que verdadeiramente achava.

Logo de manhã, o avô comprara o bolo e fizera a festinha. E, depois daquelas futilidades de sempre de um aniversário de um adulto deficiente, sentiu um profundo desejo de ir para a praia. Uma voz em sua cabeça dizia que devia ir.  Quando a única entidade materna deixou o local, Zeke foi junto, acompanhado de seu simples andador sempre à frente.

Atravessou uma rua ou outra, ao lado de um estúpido escoteiro que só se importava com o broche de “babá”, e finalmente chegou. Dispensou o gordo – sabia que ele tinha barriga, porque às vezes trombava com aquela imensa massa de banha – e sentou-se na areia, sentindo ser amortecido pelo terreno afofado.

A única coisa que escutava naquela praia deserta eram as ondas rimbombando contra a terra lamacenta, em uma melancólica visão da escuridão. Vez ou outra comentava algo, sozinho. Porque naquele mesmo instante, as suas palavras começaram a excrescer as brisas. Trejeitosas, as folhas das palmeiras balançaram lentas e obsoletas,como uma ação natural que a baixa altitude causava na região litorânea.

Os olhos negros de Zeke estavam escondidos por óculos pretos da marca Ray-Ban, para parecer mais descolado como uma pessoa comum, mas não, um cego. Miríades de pensamentos bombardeavam-no a mente fraca, encontrando a verdadeira paz naquele som aconchegante que o mar fazia.

Não demorou muito tempo para escutar estalidos e soluços, não muito distantes, que ameaçavam impiedosamente a calmaria do rapaz. Fincou o bastão, que na verdade era um andador, contra a areia e seguiu aquele som perturbador.

Os ruídos aumentaram conforme as passadas trôpegas com pausas receosas, tendo certa dificuldade para acompanhar aquele estridente barulho, mais semelhante com o tilintar do choque entre espadas gregas.  Chegando onde era ensurdecedor, perguntou o Drewetty em um tom soturno, devido à incapacidade de visão:

- Quem é você?

Nada respondeu. Por um instante, tudo ficou em silêncio. Enxergando absolutamente o escuro, o deficiente ousou mais um passinho, de modo que conseguisse sentir o dorso do ser nas pernas. Rapidamente, um movimento brusco foi feito.

Asas se abriram e o som de algo saindo da pele tomou conta de todo aquele mistério. A vítima, no caso o nosso protagonista, foi abatido com uma patada, que o enviou em contrapartida para a areia, em regresso. Afundou novamente o andador contra a terra e, quando estava fazendo força para se erguer, não tendo nenhuma ideia do que lhe estava ocorrendo, sentiu algo passar em um rasante ao seu lado, furtando-lhe o bastão e sobrevoando.

Despencou novamente no chão e garras arrancaram uma região da carne, precisamente, a epiderme. O sangue escorreu do peito e encharcou a camisa preta, que agora estava mais grudenta que o próprio corpo seboso do rapaz. Covardemente, Zeke foi montado por uma força indescritível, mas não conseguia ditar ou medir sua aparência. Sentiu três unhas aproximarem-se de sua goela, pressionando e o ameaçando arrancar sua garganta. A voz seca e carregada do, até agora deduzido como monstro, despertou:

- Diga adeus...

De repente, todo o peso foi aliviado. Pressentiu a criatura ser jogada para fora do abdômen, onde estava montada. Uma voz grossa adentrou em seus ouvidos, e um pó manchou ainda mais os trajes juvenis e o seu rosto. Além de tudo, os vasos sanguíneos pareciam cada vez mais teimosos, esvaindo o conteúdo de tom vermelho rigoroso, quase vinho.

- Vou te levar para a sua verdadeira casa, o Acampamento.

Confrangido, Zeke foi ajudado pela boa alma, que estagnava o sangue de seu busto e o curava com uma aura transcendente. Toda a dor se fora e o ferimento se fechara. O rapaz concordou com a ida ao assentir a cabeça, sem indagação alguma devido a adrenalina passada, como se houvesse feito uso de entorpecentes.


“A voz é algo extremamente sedutor. Provavelmente você já criou fantasia em relação a um atendente de telefone apenas porque ele tinha uma voz sedutora. Saiba que os homens se sentem da mesma maneira em relação à voz feminina. E não é apenas a voz em si que influencia, mas o tom dela também é muito importante. Saiba como seduzir um homem usando seu tom de voz.”

Parado no meio da calçada, em meio uma multidão no centro de Long Island, era isso que Zeke Drewetty pensava quando se lembrara do estúpido programa da Oprah Winfrey. Tragicamente deixado pelo curandeiro que ia comprar lanche na esquina por míseros trinta minutos, tinha uma pequena síntese de noção do que o aguardara. Foi aí que os clássicos “e se” bombardearam-no a cabeça: “E se outro monstro aparecer?”, “E se eu me perder?”,  “E se o meu ajudante for sequestrado?”, dentre vários.

Todo aquele momento de desespero que o cego passava, foi abordado por uma voz feminina encantadora que surgia n’outro canto da rua. Nada mais importava. Os barulhos de pessoas avulsas, os carros que passavam velozmente na estrada, agora, nada parecia relevante. Os elementos ao redor haviam, completamente, desaparecidos quando aquele canto hipnotizante atiçou os ouvidos do cego.

Seguiu o som, com desespero maior para achar a criatura na qual o profetizava. O vocifero ficou maior quando se aproximava, sendo levado através da audição. Escuridão, escuridão. Era isso que o deficiente somente enxergava. Atravessou a rua no farol vermelho, ouvindo intensas buzinas de carro percorrem o caminho - estava no meio de vários carros simples, com motoristas que passavam xingando o infeliz rapaz.  

Quase foi atropelado por um veículo maior com uma buzina ainda mais tonitruante. Contudo, fora puxado para a segunda etapa de concreto, uma calçada que cortava as duas ruas, onde só outra faixa de pedestre o aguardava e segurava o seu verdadeiro objetivo. Sorte era uma coisa que Zeke não tinha por dez anos consecutivos, visto que não nascera cego, mas sim fora cegado por seu avô. A partir do ocorrido, uma maré de azar o atingiu em 3650 dias, senão hoje.

Braços finos abraçaram o deficiente, e um perfume italiano da linha de mulheres “Dolce & Gabanna” encobriu seu faro, deduzindo ser uma jovem, mas não superior ao canto que surgia no lado conseguinte. O andador ficara na rua, sendo estraçalhado pelo caminhão. Outro problema.

- Você está bem?

- Tirando o fato que quase fui atropelado, sim.

- Como você não viu os carros?

- Eu não vejo nada.

O porte dos óculos Ray-Ban funcionava, de fato. Mais uma vez, outra garota pensara que era um homem comum de vinte e dois anos, não uma minoria taxada como incapaz. Um ar tenso foi colocado naquele cenário, mas escondido pelo praguejar da misteriosa voz que confortava Zeke.

Estava sem o andador, e quase perdeu a vida. Talvez a morte não fosse tão ruim, já que, devido às condições do rapaz, pensava severamente em ser subjugado para o reino dos falecidos. Nada mais importava quando escurava a voz. Determinado a chegar ao outro canto, perguntou para a rapariga se conseguia o levar para o outro lado. Ela disse que sim.

A moça informou que o sinal estava verde, indicando a passagem dos dois. Quando, os únicos a atravessar eram eles, um carro passou cortando o caminho, sem direção. O transporte parecia ter perdido os freios. A acompanhante se jogou com Zeke para o início da calçada a um triz de serem pegos de supetão, parando com os dois, deitados.

Na verdade, a voz é importantíssima na comunicação do ser humano. O otorrino Mr. Hughes afirma que não é apenas nos relacionamentos românticos e eróticos onde manipulamos a voz para alcançar benefícios.  “As vozes das mulheres soam mais competentes quando conversam com seus colegas de trabalho. Indivíduos também tendem a aumentar o tom de voz quando estão tentando enganar outra pessoa”.

A entrevista com o especialista do The Oprah Winfrey Show fora lembrada após todo o terceiro conflito, justamente ao pensar que estava sendo atraído por um monstro. A garota o ajudou e, depois do Drewetty tatear o corpo da mulher com calma, levantou. Encontrava-se colado à jovem, e a mão rígida dele parada na nuca da moçoila.

“Uma das formas de seduzir uma garota, é jogando ciúmes”. Outra lembrança era a dica de seu amigo mulherengo que relatava para Zeke sobre as suas experiências dentro do tal Acampamento, que até agora não sabia do que se tratava. De fato, queria provocar aquela cantora.

Não sabia se a mulher em que estava abraçado era bonita ou feia, mas o “nada”, ou só o "dane-se", era relativo em seus pensamentos.  Após tocar mais um pouco no seu rosto, para achar o ponto certo de sua boca, encontrou os rostos em um encaixe único, selando um beijo demorado nos lábios carnudos da desconhecida.

Morta de ciúmes, ou apenas raiva, a criatura no outro ponto não tão distante pulou nos dois. Exatamente, neste momento, a ajudante caridosa empurrou Zeke e abriu uma brecha para a empousai passar direto, entre os dois, sendo abatida por um carro. Dezenas de cidadãos cercaram a cena de atropelamento, preocupado com a esbelta garota que tinha sido apunhalada pelo capô do fusca.

Drewetty foi puxado por outro homem, era o curandeiro que o guiava nos esguios dos espaços que eram dados nas passagens dos habitantes do centro. A pequena, outrora preocupada e, deixada para trás, gritou:

- Me liga!
   

“Novo”. Uma palavra que definia aquele cheiro que compunha o estado e ambiente próximo ao tão dito Acampamento em que Zeke Drewetty seguia com seu ajudante curandeiro: novo cheiro, sons, toques. Mas outra vinha junta desta: estranho.

Caminhavam juntos em direção de uma praia, na busca do descanso que, pela infelicidade dos dois, o quinhão de repouso seria breve. O companheiro amparou o rapaz a sentar-se, com sua educação estranhamente e absurdamente enorme, e afirmou receoso que iria buscar lanche em uma loja de pesca não tão distante. Zeke sabia que essas saídas temporárias não eram tão boas, porque todas as vezes que tinha o deixado em um lugar, a única coisa que encontrou no meio período das passagens eram monstros e perigos diversos, afinal, era um deficiente que necessitava constantemente de ajuda, apesar de não admitir o fato de que era um pobre coitado.

Quando o parceiro deixou a praia, o Drewetty notou diversos sons de pescadores debatendo e exibindo suas conquistas a prol daquela mesma praia. Até que um sotaque veio-lhe familiar: um pescador francês que, sem pedir, assentou-se à esquerda do cego, sem perceber o problema do rapaz nunca visto antes naquela praia, devido o enganador óculos Ray-ban.

- O senhor ne savez o que aconteceu récemment! Um exemplar de golfinho-de-risso foi pego nesta mesma praia e levado por um cientista que o tratou bien, ele pesava cerca de duzentos e setenta quilogramas. Ele media assim:

Mesmo sem enxergar absolutamente nada, o cego teve a impressão de que o homem desconhecido fizera o tamanho da criatura com os braços. Continuou calado, sem ter o que comentar com o homem por nunca ter pescado na vida.

- Eu mesmo o peguei, mas não conte para os ambientalistas, certo? Esses moralistas de merda não sabem onde meter os narizes pontudos e curiosos...

O rapaz apenas concordava com a cabeça, sem ter o que pronunciar, e não mostrava rastros da deficiência, fingindo ser um homem comum.

- Sabe como eu o peguei? Criei um sistema de gatilho sobre uns pedaços de madeira entalhados na margem e presos sobre umas cordinhas finas no fundo do mar com um chicote acoplado em três anzóis e chumbo no fim da corda. Quando o golfinho mordeu a linha e a puxou, ele acionou o gatilho acima das toras e foi vítima de uma pressão que o puxou para a tora fora do lago até o encontro de vários arames que se amarraram nele no pescoço e no rabo.

- Plano muito bom.

Zeke concordou com a cabeça após praguejar uma única vez, até que o homem, estranhamente, se pronunciou:

- Aquela carne seria uma bela de uma recompensa. O projétil deu trabalho, eu encomendei justo da marca cara CR2011, modelo francês, sabe? É de uma boa empresa! Mas sabe o que é melhor? Carne humana. O senhor já experimentou?

Mesmo ouvindo extraordinariamente bem, o Drewetty pediu a repetição do homem, não crendo no que escutara sabendo que, no momento, estava perdido.

- Pode repetir?

Antes da resposta, uma voz familiar atingiu os ouvidos do cego: era o companheiro, que encostava uma placa retangular, deduzida como uma bandeja, na nuca de Zeke. O curandeiro questionou sobre a pergunta anterior do homem e ele, maleficamente, gargalhou.

O banco se partiu em dois e, após tropeçar algumas vezes, Drewetty colocou-se de pé, mantendo a compostura. A última coisa que havia sentido era uma massa progressivamente aumentada e escamas ríspidas de crocodilo.

Aquela risada tornou-se o ranger de um maxilar comprido e uma forma titânica que fazia os pescadores gritar em desespero, independentemente do que viam. O companheiro, sem tendência de ajudá-lo do perigo eminente, jogou um chicote que, apesar da cegueira do Drewetty, o fez apanhar após o bronze bater contra o busto e escorregar no corpo.

Zeke apanhou aquela massa do chicote e sentiu a corda escorregar até os pés e embolar-se no chão, junto do colar no pescoço que brilhou mais forte em um tom escarlate, dando atributos para a audição do homem. Estalou o chicote no ar, como se já soubesse usá-lo, e ficou no aguardo do monstro e seus passos, medindo a distância em que estivera a cada corrida.

O cérebro do rapaz estava a mil, e o coração bombeando como se estivesse sendo vítima de entorpecentes, daqueles que aumentam a adrenalina. O TDAH veio à tona e não parou de se mover, sem necessidade da visão, mas apenas reflexos vindos da parte divina. Antes de esperar, acabou levando uma patada do monstro no ombro, que o enviou de supetão na areia, sem largar do chicote.

Junto da patada, três cortes formaram-se no braço, irrompendo pingos de sangue que se davam pela presença de garras, ou era o que achava ter lhe furado superficialmente. A criatura bateu perna até a presença do rapaz deitado que, com a corda da ferramenta empunhada, ao sentir um peso sobre o chicote, amarrou na perna direita do réptil. Sem necessidade de força maior, rolou por baixo das pernas do monstro e, junto do baque, o chicote foi junto, fazendo a criatura despencar com sua enorme boca no chão.

Ao sentir um pequeno tremor com a massa caída, Zeke rastejou por cima do monstro virado para baixo, com o chicote na mão. A cauda bateu da esquerda para a direita e o arrematou para direção contrária, novamente ao chão. Sentindo ainda a ponta do chicote na cabeça da criatura, estalou a ferramenta ainda quando o Mokolé tentara levantar, o puxando para o piso e o prensando lá nem por segundos que fossem.

O cego seguiu por seu tato na linha do chicote e encontrou-se novamente acima da criatura, passando o instrumento em volta de sua cauda enorme, prendendo a região. Desfrutou da elasticidade do armamento para levar o braço no contorno do pescoço da criatura e o prender na cabeça, distorcendo o corpo do réptil. No momento em que roçou a mão no maxilar do monstro, acabou sendo pego em cheio pela boca, que atravessava a região e remoía os ossos do homem, quebrando-os, que gritava em uma dor lancinante.

O cego berrou e, com o uso do braço esquerdo intacto, puxou ainda mais a corda que contorcia o corpo da criatura, fator que o fazia morder mais forte o membro pego. Aos poucos, o monstro foi fraquejando e desapareceu no cheiro de um pó que atingia as vestimentas.

O curandeiro correu e o atendeu, o levando pelo braço não quebrado até uma caminhonete próxima, de um pescador que havia esquecido as chaves lá e corrido pela a estrada na hora da metamorfose do francês. Ligou e dirigiu, estagnando o sangue do braço do nosso protagonista com bandagens localizadas no porta-luvas, que servia como proteção para a vara de pescar.

O cheiro de floresta não mentia, guiavam-se através de árvores pelo sistema quatro por quatro, que derrapava o veículo no barro e nos morros até atingir a proximidade de um construto, dito pelo ajudante como um portão. Arrastaram-se através de uma barreira translúcida e, antes do esperado, Zeke caiu de joelhos, desmaiado pelo cansaço e a perca constante de sangue, com um símbolo reluzindo no topo de sua cabeça: era o filho perdido de Hades.  



NARRATIVA - 1° PESSOA

Desde o dia em que meu avô usou metanol para me cegar, algumas perguntas fizeram que eu exercitasse minha curiosidade; Por que ele teria feito aquilo? Quais são as minhas desvantagens como deficiente visual? Meus limites? Como ele sabia manusear aquele tipo de produto se ele não passava de um descendente indígena velho? Mas minha primeira pergunta sempre se tornava a última de alguma forma. É claro que, com o tempo, eu fui descobrindo as respostas, ou inventando as soluções mais lógicas. Meu avô havia feito aquilo para que eu lutasse por algo, mesmo que fosse por qualquer coisa, e eu decidi lutar por respostas. Eu sou testemunha viva - e não ocular - do que um único item é capaz de mudar na vida de uma pessoa, um acontecimento que modificou meu bem estar desde os dezesseis anos, só que sem a explicação. Um cheiro de morte espalhou-se na hora que meu avô deu o veredito, algo que só alguém poderia me justificar.

Os pesadelos referentes à perda do meu único antecedente eram expostos em formas de lampejos a cada noite fria no Acampamento Meio-Sangue, o que aterrorizava ainda mais qualquer hipótese sobre minhas desconfianças. O chalé requintado para herdeiros de Hades abrangia um complexo reservado, limitando-se aos perímetros de um cubículo apertado.  Duas camas macias – porém mal tratadas – acrescentavam um charme no recinto, facilitando a boa impressão de qualquer um. Fora isso, adornos cristalizados de caveiras negras e esqueléticas abandonadas no chão empoeirado castigavam a vista exótica, fazendo com que o local não se tornasse tão agradável quanto parecesse para outros semideuses distintos. Os anos letivos já haviam sido regrados de acordo com as ordens de Quíron, entretanto, sua implicância comigo parecia vertiginosa. Graças a minha falha em ambos os olhos, o cuidado do velho centauro redobrava-se diante da minha personalidade; além de ser filho do deus da Morte, o que atribuía a todos que completavam seus colares de contas uma preocupação constante.  

Passada a quinta noite seguida do mesmo sonho aterrorizante e cáustico, um alerta interior soava dentro de mim, querendo de qualquer maneira ser exposto. Dúvidas perante aos detalhes que compunham minha história durante todo esse tempo insistiam em ser questionadas, resolvidas. Dez anos exigiram tamanho esforço vindo de meu comportamento por aqui, e uma benção inconveniente havia sido aplicada acima de olhos inocentes. O fato de eu ter crescido sem a arte de enxergar causou grandes desperdícios prejudiciais durante a fase da puberdade. Fui vítima de deboches constantes, zombarias e tudo o que você puder imaginar. Diferentemente das crianças que outrora sofriam bullying quando menores, esse crime marcou minha vida até os dias de hoje. A grande sorte é que meu senso de percepção é absolutamente dobrado, ou seja, consigo distinguir rapidamente uma essência à quilômetros.  Reflexos em batalhas são ativos, livrando-me de quaisquer desarmes. E, cá entre nós, ser cego tem suas vantagens, das quais não me orgulho de relatar.

Quando os raios de sol reluziam na vitrine do chalé, despertei antes do alarme tocar. Os campos vastos e silvestres da colina inundavam a paisagem, transformando-a na forma de relevo. Esfreguei os olhos, e mesmo sem enxergar nada, cumpri meus deveres matutinos. Acostumado com o trajeto feito todas as madrugadas, furtei meu óculos da cabeceira e encaixei-o perfeitamente nas orelhas, bloqueando qualquer acesso de visão exterior. Assim como você deve estar imaginando, qualquer cego necessitaria de uma bengala-guia. Mas, felizmente, não cheguei nesse ponto. A espada na qual sempre mantenho por perto serve de instrução, demarcando os registros no carpete do recinto e gerando-me um exercício mental para gravar os pontos principais de locomoção. Até mesmo atalhos eu consegui descobrir nesse chalé! Bom, irei privá-lo da situação de caracterizá-lo, já que boa parte de meus tributos sobre o Acampamento são pura dedução, pelo fato de não poder observar.  Conforme dito antes, os outros sentidos de discernimento favorecem minhas ideias fantasiosas. Troco de roupa e consigo recuperar um tecido do guarda-roupa mofado, servindo-o até a metade da cintura. Uma jeans típica e modernizada encarregava-se de cobrir a região inferior das pernas até a canela, onde tênis amaciantes poderiam finalizar a aparência. Abri a porta do compartimento e cumpri uma estrada pigmentada com porções de pedras quebradiças na lama, onde apontavam a chegada até a Casa Grande.
 
Como previsto, o centauro que ocupava o cargo de diretor de atividades acomodava-se numa poltrona não muito distante da porta, parecendo um vigia soturno. Estalei os dedos e minha presença pareceu-lhe causar um grande susto, e enquanto eu me confortava num dos assentos vagos, Quíron transmitia uma sensação inquieta.

- Vim em busca da verdade. Exijo que me dê respostas concisas ao respeito de meu parentesco. Quando cheguei nessa espelunca, seus cuidados foram remanescentes e de suma importância no meu treinamento diário. Agora, considero-me um semideus independente. Vá direto ao ponto, centauro. E dessa vez é melhor não perder a ordem do assunto. Caso contrário, terei a honra de te detalhar cada acontecimento em meus pesadelos diários. Vocês, gregos, não são os que temem os sonhos? Pois tenho vários.

- Quando você ultrapassou os limites mágicos do Acampamento, eu havia lhe alertado sobre seu poder catastrófico. São inadmissíveis suas cobranças diante da crise na qual me encontro. Ora, rapaz, acha mesmo que conheço tudo ao seu respeito? – A voz de Quíron era acompanhada de uma rouquidão tremenda, finalizando sua advertência.

- Certo. Se você prefere assim, vejamos até onde essa história vai resultar. – Preferi encerrar a conversa antes que precauções fossem alertadas, de modo que arranjei um método cético de escapar. Levantei da poltrona enquanto aventurei-me nos gramados do campo, subindo uma ladeira ondulosa até a árvore que repousava o Velocino de Ouro, e consequentemente, teria a presença do dragão Peleu e Argos.

Ajustei o encaixe dos óculos acima do nariz e empurrei-o para trás, a fim de que ficasse firmemente pregado enquanto o comportamento militar era resgatado e substituído na postura. Assim que completei a escalada do morro, senti a presença de duas criaturas: uma delas emanava um calor exótico, e concluí que seria o dragão. Como apenas a outra opção sobrava, aproximei-me de Argos e baixei a lente. As íris de meus olhos esbranquiçados contrapuseram-se no exato momento em que o guardião pareceu pestanejar e ir contra meus princípios. Feita a troca de olhares, a criatura temeu à minha aura passiva, que totalizava em fazer seres – e não importa quais sejam os tipos – tremerem. Ele decidiu aceitar o pedido sem indagar, e me conduziu até uma locomotiva não muito eficiente, capaz de ser classificada como uma van. Ordenei que traçasse a rota até o local que guardava, sem a visão dos mortais, o Mundo Inferior do Hades.  

A viagem fora parcialmente tranquila, de maneira que nenhum de nós dois trocamos palavras. Argos estacionou rente a um edifício, que pude distinguir graças às sombras que nos cercavam. Saí do carro e dispensei-o, aniquilando sua presença. Em poucos segundos, o motor do automóvel podia ser ouvido, apontando o retorno até o Acampamento. Felizmente, aquela criatura ainda estava impregnada com resquícios do meu poder passivo, e o efeito só iria ter seu fim quando chegasse às fronteiras da colina. Invadi o interior da estrutura mantendo a espada acoplada no chão, transformando-a na ideia extensiva da bengala. O cabo da arma laceava-se tão facilmente ao redor de meus dedos que me concedia uma sensação vitoriosa, confiança e estímulo. Eu estava ciente de que nenhum mortal havia inaugurado a abertura da loja, já que ruídos não eram identificados.  Na esperança de desembocar num túnel de acesso com a localização de meu pai, todas as minhas teorias foram bloqueadas perante a um estalido violento, chocando-se contra minhas costas. Cai de joelhos no chão e perdi o óculos, urrando de dor. Um corte superficial agora residia na camada de minha pele dorsal, atiçando os sentidos audíveis de minhas orelhas.  A criatura que havia cometido o ataque covarde ronronava, auxiliando em sua identificação. Uma harpia. Provavelmente suas unhas teriam sido o instrumento usado para perfurar a blusa, mas isso não importava. Recuperei o equilíbrio enquanto procurava ganhar distância da besta, ainda mantendo a espada nas mãos.  

- Que diabos você quer aqui, bastardo? – O monstro parecia ter um timbre danificado na voz, produzindo-a numa sonoridade metálica.
 
- Eu vim ver meu pai. – Repudiei o argumento da harpia, buscando tempo para analisar o ferimento raso gerado na pele. A essa altura, minha espada elevava-se a cada palavra dita pelo bichano.

- Trate de dar meia-volta. Estamos fechados. Volte para sua terra infeliz, ou precisa de minha instrução para dizer-lhe o caminho, deficiente imundo?
 
Aquilo fora o suficiente para drenar minha sensação de dor infortuna nas costas e subir minha espada como um rifle. A lâmina da arma entrou em choque com a asa esquerda da harpia, desmoronando-a rumo ao chão. Um grito esganiçado pôde ser captado por meus ouvidos, certificando-me de que ainda estava viva. Exerci uma corrida de encontro com os gritos e fui alvejado na região da canela, dessa vez com uma nova perfurada violenta. A carne ardia dentro de meu corpo. Capotei no chão e trouxe a espada junto, rolando pelo asfalto. Enquanto o monstro recuperava sua forma e equilíbrio, foi fácil notar sua aproximação indiscreta. Convoquei o restante de minhas forças e ergui o braço, detectando um estampido surpreendente. Senti o sangue irromper da cintura e, agora, no antebraço, cravado das garras da criatura. Girei a espada por cima da cabeça e tateei as garras do monstro, decepando o braço do horrendo inimigo. Antes que me desse conta de ter vencido a harpia e feito sua vida esvair-se numa chuva de pó dourado, perdi os acessos de força e desmaiei.

À medida que o tempo foi passando, abri meus olhos e tive a esperança de enxergar a situação que ocorria. Nada. Um preto tomava conta da visão, como foi em toda minha vida. Só que, para minha surpresa, eu não estava mais no asfalto. Um “clanck” despertou minha curiosidade, de modo que sentei acima de uma tábua rígida e emadeirada. Sons doces e serenos podiam ser colhidos, como se eu estivesse velejando em alto-mar. Percebi que outra criatura dividia o barco comigo, e tomava as rédeas do comando. Agora, quanto mais perto chegávamos do destino em que meu pai estava, gritos de dor eram propagados pelo ambiente. Aquilo eram almas perdidas, subdivididas em pré-julgamento. Definitivamente, o barqueiro responsável pelo transporte até Hades estava me esperando. Resgatou-me do lado de fora. Por que fez isso? Seriam ordens do meu pai? O Mundo Inferior estava me dando boas-vindas de uma maneira trágica, digamos assim.

Atracamos num píer e com a ajuda do barqueiro subi num elevado, idêntico a uma ponte imensa. Toquei no corrimão feito de correntes e segui o caminho ordenhado pela peça, sem mesmo recompensar o transportador. Como não havia feito uma cobrança, achei melhor deixar pra lá. Afinal de contas, não seria fácil um cego achar suas moedas depois de uma batalha às escuras com um monstro. Vai ver Hades tomaria a frente das despesas em breve. Terminei o percurso quando senti um objeto repousar na minha frente, parecido com uma cadeira. Abandonei o orgulho e acomodei-me no assento, dessa vez ganhando uma percepção elevada. Os gritos frenéticos que anunciavam sofrimento de almas perdidas e jamais iluminadas preenchiam todo o espaço do Mundo Inferior. Sabe-se lá onde estaria sendo realizado o julgamento. Muito provavelmente, meu pai havia despovoado a reserva na qual eu era acolhido. Somente uma discussão de homem pra homem. Talvez fosse essa sua linha de raciocínio. Uma tosse proposital irradiava na minha frente, há metros curtos de distância.

- No que posso ser útil, filho? – A última palavra de Hades soou num ênfase tremendo, chegando quase a ser irônica. Rastros de vanglória também podiam ser aparentados em sua voz, como se estivesse numa zona de total segurança e fortificado pelos medos das pessoas.

- Não acredito que tenha sido o meu avô que acabou destruindo minha vida. Ele era apenas um índio, quase selvagem. Não teria a estética de pensamentos diabólicos como foi o caso. Naquela tarde eu senti a morte me atravessar, fora o metanol que o caduco pingou nos meus olhos forçadamente.  Aquele centauro imundo também insiste em ocultar a verdade. Economize meu tempo, resuma tudo o que foi feito do meu nascimento até hoje. – Rebati o comentário desnecessário de meu pai, esperando que pudesse ser útil na obra de desvendar algo.

- Certo, muito bem. – Ele pareceu desenvolver o argumento apresentado e fora de conduta vindo de minha parte, dando sequência na explicação depois de um forte pigarreio – Já faz algum tempo. Parece que foi ontem que pude enxergar a agonia nos olhos de sua mãe quando seu corpo mortal cedeu a mim. As lágrimas em seus olhos ao perder a vida só para ter você, meio mortal.

- Quando você nasceu sua mãe perdeu-se na loucura. Vou poupar detalhes. Em minha sã consciência, tirei sua visão para que seus reflexos fossem apurados. Obviamente o destino de um semideus, ainda mais um fruto dos Três Grandes como é o seu caso, seria entregue no Acampamento Meio-Sangue.  Minha intuição foi te preparar, Zeke. Preparar para me representar dentro daquela pocilga chamada de “lar dos semideuses”.

- Você me cegou por uma ambição própria?

- Como é que os mortais dizem? “Os fins justificam os meios”. – De longe, percebia Hades segurar a gargalhada.

Pela primeira vez, alguém citou meu nome com tamanho desleixo. Nem eu gostava dessa nomeação, sempre evitei. Que direito ele tinha de atribuir-me um nome? Tanto ele quanto minha mãe. E meu avô não fazia ideia de como se comunicar comigo. Desde então, nunca soube ao certo minha origem ou o significado do meu nome, somente quando conferi minha lista nos campistas do treinamento. Para ser sincero, gosto de ser chamado pelo sobrenome. Drewetty está excelente.  Deixando toda a reflexão sobre minha nomeação, trinquei os dentes e me dei conta de que havia sido um mero teste para Hades. Um repugno incessível começava a ser projetado diante de sua imagem para mim, gerando milhares de hipóteses fracassadas ao seu respeito: “monstro”, “demônio”, “psicopata”.  Nunca havia me encontrado naquela situação, eu estava prestes a explodir. E acabei descontando toda a conta nele, por impulso irracional de estar defronte uma divindade tão temida.

Levantei da cadeira num pulo desesperador e corri pela trilha imaginária que eu supunha, tentando tocá-lo. Maneei a espada no ar e pretendi erguê-la contra seu pescoço, mas o golpe fora em vão. Coisas pungentes agarravam-me pelos tornozelos, braços esqueléticos, e iam escalando minhas pernas num ritmo acelerado. Conforme distingui o que se tratava, repensei no território em que me abrangia. Um pensamento inoportuno surgiu na minha mente:  “Como vou deter Hades em seu próprio domínio?”. Era tarde demais. As criaturas desfiguradas e nascidas da terra puxavam-me pavorosamente para baixo, enquanto uma risada era anunciada em forma de despedida. Abri a boca para e busquei por ar, busquei pela minha honra. Do que adiantara aquela maldita viagem? Só confirmei uma opção que poderia estar inclusa nos planos. Traído pelas mãos do próprio pai. O ódio foi tomando conta de mim a cada segundo, até o momento em que fui incapacitado de proferir mais palavras. A terra havia concluído sua sucção, e de repente, fui cuspido dela de volta para o gramado do Acampamento Meio-Sangue. Nesse estado, é perceptível que fui encontrado aos berros de fúria, apavorando até as mais temíveis criaturas que ousavam tentar trespassar a barreira, e chamei a atenção de outros campistas, que conseguiram me prestar o socorro necessário e aposentar-me nas tendas da enfermaria, mesmo sem deseja-lo. A partir da noite seguinte, os pesadelos tiveram um fim decisivo. Entretanto, no lugar deles, uma imagem distorcida de meu pai formatava-se em minha mente, desfazendo todo o respeito e continência até então prestados.


ARMAS USADAS:
♠ Colar [Colar de couro, que faz a audição do garoto aumentar em 5% em qualquer hora do dia. Pode ser usado uma vez por missão, e dura dois turnos.] {Couro} (Nível mínimo: 5) {Nenhum elemento} [Recebimento: Missão "A Praia", avaliada por Selene e atualizado por Ares]

{Darkness} / Espada [Espada de 90cm, feita de bronze sagrado. Sua lâmina mede cerca de 70 cm, e sua base é mais grossa que a ponta. A guarda-mão é em forma de um crânio que tem seus dentes pontudos virados na direção do início da lâmina, como se ela saísse de sua boca. Os olhos do crânio são feitos por dois rubis. O cabo e a espiga são revestidos por um couro escuro, o mesmo tipo usado em sua bainha. No nível 20 transforma-se em um anel de caveira] {Bronze sagrado} (Nível Mínimo: 1) [Recebimento: Presente de Reclamação de Hades]

❖ {Scale Whip} / Chicote [Chicote de 3 tiras, feito com material recoberto por escamas. O cabo é em madeira envolta por couro, dando melhor manuseio para quem o utilizar. Os braços possuem alcance de 20cm e cada um contém um pesinho pequeno de ferro na ponta.] (Material: Couro, Escamas e Ferro) {Nenhum Elemento} (Nível Mínimo: 10) [Recompensa pela missão "Silver Tongue", avaliada por Lady Psiquê e atualizada por Odisseu.]

PODERES:
PASSIVO:
Aura da Morte I [Nível 1]: O filho de Hades emana uma aura que incomoda as pessoas - não chega a afastá-las, mas elas não ficam à vontade. É algo sobrenatural, sem explicação, mas elas tem medo de morrer ao chegar perto. Não afeta  semideuses ou seres mitológicos. Esta aura também afasta as almas muito mais fracas de você.[Modificado]

Aura da Morte II [Nível 10]: A aura agora é mais intensa e forte, podendo afetar semideuses e seres mitológicos. Embora eles tenham consciência de que o medo de morrer ao chegar perto seja algo falso, não conseguem lembrar disso na hora. Humanos comuns se assustam muito facilmente. Semideuses e oponentes mitológicos só são afetados se forem de nível mais baixo. Eles se sentem incomodados, e isso pode diminuir levemente suas defesas, mas não quer dizer que vão abandonar o combate.

Respiração do Submundo [Nível 1]: O filho de Hades respira normalmente em locais de baixa pressão ou subterrâneos, fechados, desde que haja uma quantidade mínima de ar. Eles ainda são afetados por poderes de sufocamento, e condições precárias, se prolongadas, podem ser letais.

Perícia com armas laminadas [Nível 1] Por ser filho de Hades, o semideus manipula perfeitamente as armas laminadas, ganhas como presente de reclamação, e possuem uma familiaridade ainda maior se elas forem de ferro estige.

Cura I [Nível 3]: Ao ficar nas sombras, o filho de Hades se recupera involuntariamente. A cada rodada, são 5 de HP recuperados. Apenas faz efeito em locais completamente sem iluminação, ou durante a noite. A sombra de uma árvore ao meio dia, por exemplo, não tem efeito algum. Recupera no máximo 50 HP por noite.

AVE, IMPERATOR, MORITURI TE SALUTANT
Zeke Drewetty
Filhos de Hades
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Re: TESTE PARA FILHOS DE HADES - JULHO

Mensagem por Joe Gohan Jeckostez Koich em Dom 26 Jul 2015, 19:51


Diário: O Hobbit

Reclamação de Hades 1931
O Começo



☯ Características físicas:
Joe é um garoto de corpo magro, não sarado e não esquelético, apenas um garoto normal que se encontra em qualquer esquina que gosta de comer e não pratica exercícios físicos. Mas isso não o torna feio, apenas um pouco comum. Tem pele clara e levemente pálida, pois muito dificilmente sai de casa. Olhos negros e fundos causados não por noites sem dormir ou horas de televisão, mas por alguma tristeza que está dentro dele que só pode ser notada em seus tristes olhos. Tem cabelos um pouco acima do que seria permitido por seu padastro, algo que o faz se achar um garoto rebelde. Está sempre com roupas escuras ou simples, e óculos redondo e pequeno de sol.

☯ Características psicológicas:
É um rapaz calmo, que mantem os bons modos até onde pode. Não se mete em muitos assuntos e foi criado rigorosamente para ter um coração frio e seguir o trabalho do padastro de matar nazistas. Talvez, se não tivesse tido tal padastro, ele seria um garoto bom com as pessoas e tentaria ajudar o próximo. Mas isso não aconteceu. Ele se tornou um jovem prodígio e de personalidade incerta como é comum em sua idade, ainda está desenvolvendo suas emoções e procura lidar com o que está acontecendo em sua adolescência. Mesmo sendo assim, o que se pode notar é que é um garoto sozinho, não tem muitos amigos e não costuma se apegar muito as pessoas. Sempre soube que era semideus, então sabe lidar bem com a morte. Quando mais jovem sua mãe sempre escondia alguns detalhes sobre seu pai, coisas que uma simples criança não precisa saber. Já agora, Joe entende completamente e sabe da história de seu pai. Podemos ter uma ideia da bondade que habita o coração de sua mãe. Então, resumidamente: Sua mãe é uma ótima pessoa, seu pai é o deus do mundo inferior e seu padastro lhe deu uma criação fria. Junte isso em uma criança depressiva que ama o escuro e odeia os vivos.


Segunda- feira

☠ Querido diário,

Acho que essa é a hora em que eu me pergunto o porquê eu estou aqui, olhando essas folhas brancas, que terei que chamar de ‘Diário’, sendo que a primeira coisa que pensei em escrever foram motivos para eu não fazer isso.

1. O doutor Robert Berreguem não tem a menor capacidade para me diagnosticar com ‘transtornos mentais desconhecidos e não especificados’. Ele é só um velho careca e cego que ganha dinheiro para dizer que as pessoas têm doenças que nem mesmo a medicina conhece.
2. Diário é coisa de garota e eu, até onde minha mãe tenha me contado, não sou garota.
3. Diário é coisa de garota com 8 anos de idade. E eu, além de ser garoto, como já disse, tenho 15.

Espero que ninguém descubra isso, seria tão constrangedor.

Agora devo lembrar o porquê estou fazendo isso, que é devido um único e pequeno motivo: não tenho nada melhor para fazer.

Se você tivesse a vida que eu tenho, me entenderia, mas creio que logo vai me conhecer tão bem que saberá as coisas que direi antes mesmo que leia, afinal... Bom, na verdade, eu não espero que ninguém leia meu diário.

Para começar devo preencher uma ficha falando de mim:

Nome: Joe Gohan Jeckostez Koichi

Idade: 15 anos

Cidade: Pretendo voltar para Sibéria, mas por enquanto vivo em um lugar desconhecido. Sério, aqui não tem nome.

Mãe: Califas Gohan Koichi

Pai: Meu padrasto, no caso. Sargento Hiternoys Gohan Jeckostez Koichi.

Irmão: São 3. Todos mortos.

Doutor Robert disse que logo eu saberia o que falar em meu diário, e que isso melhoraria minha escrita e ampliaria meu conhecimento sobre palavras. Ou seja, Doutor Robert é um grande idiota. Até agora não sei o que contar.

– Filho, fale de coisas de sua infância – diz minha mãe. Ela está sentada em uma poltrona lendo um livro de judeus, tenho plena certeza que Sargento Hiternoys não irá gostar.

Ela tem razão. Minha infância...

Eu tinha apenas cinco anos e já sabia que tudo iria mudar. Minha mãe mantinha as duas mãos em seu rosto demonstrando preocupação. Ela me olhou apreensiva e pôs o dedo indicador na frente dos lábios em um sinal clássico de ‘silêncio’.

Fiquei parado, com apenas a cabeça entre a porta, tentando ouvir a conversa dos adultos. Eles falavam de coisas ruins como guerra, morte, Hitler...

Dois homens bem vestidos estavam tendo uma conversa acalorada com meu padrasto. Eles gesticulavam e as vezes gritavam. Apesar de minha pouca idade, entendi muito bem a gravidade daquela situação.

– Mãe, para onde nós vamos? – Perguntei logo após ela me mandar jogar todas minhas roupas em uma mala o mais rápido possível.

– Para longe, filho. Nós vamos para muito longe... – foi o que ela me falou, com lágrimas nos olhos.

O que ela se esqueceu de mencionar é que seria uma viagem de ida e sem data de volta, afinal, isso aconteceu há dez anos.

Mesmo tentando, não consigo lembrar como era minha vida antes disso. Essa é a memória mais antiga que guardo em minha cabeça. Posso lembrar perfeitamente de tudo. A roupa que minha mãe usava era simples e suja, ela estava molhada, pois tinha passado a manhã lavando roupas. Lembro-me do chapéu engraçado que Sargento Hiternoys usava quando entrou no meu quarto e me abraçou, lembro até do cheiro que entrou em minhas narinas quando os dois sargentos passaram por mim e se despediram com um aceno de cabeça. Sim, posso lembrar-me de tudo, só não lembro ninguém me falando que meu padrasto tinha sido promovido e que agora iriamos morar ali, ao lado do inferno.

A casa para qual nos mudamos era grande, azul, e com varias plantas ao redor. Eu gostava de ir brincar com um velho pássaro preto que as vezes vinha me visitar a janela de meu quarto.

Vivi todo esse tempo longe de amigos, de pessoas e de qualquer meio social que eu pudesse ter enquanto morávamos na Sibéria. Essa é a única vantagem de morar aqui.

– Esses judeus imbecis – a voz do sargento ecoou por toda a casa, fazendo minha mãe saltar da poltrona e arremessar o livro que estava lendo para debaixo do sofá.

- Olá, querido! Como foi o trabalho? – perguntou minha mãe, ainda tremendo. Por pouco ele não a tinha flagrado com o veneno nas mãos.

– HOJE FORAM MAIS TRINTE E SETE! TRINTE E SETE! – Ele se jogou no sofá passou as mãos pelos cabelos, demonstrando impaciência – Califas, eu não sei qual é o problema com esses judeus, eles poderiam renunciar sua fé e simplesmente não irem aos campos de concentração. Mas não, eles se negam a assinar a porcaria do papel e levam suas famílias inteiras para o inferno! Doze crianças...

Era isso. Minha mãe sempre teve curiosidade de saber o que eles viam de tão interessante em um Deus para morrer e matar suas crianças por ele. Ela gostava de aprender sobre esses judeus.

Como ritual, nos levantamos e fomos almoçar.

Terça-feira

☠ Querido diário,

Devo parar de escrever ‘querido’, pois isso é extremamente... estranho? Não. É inoportuno. Acabo de aprender essa palavra, minha professora de línguas deixou nossa casa com as palavras “não seja inoportuno, Joe”. Piada extremamente sem graça. Ela me mandara usar uma palavra nova por semana e, quando me impus em relatar sobre meu secreto diário, o máximo de palavras alegres e melodiosas que um humano poderia contar saíram bradando de sua boca. Orgulho se palpava em seus olhos e sua respiração ficou irregular quando ela me aconselhou a usar as novas palavras que conheci em meu diário. “Sim, sim. Irei usar” falei, um tanto perdido quando notei sua alegria.

Devo salientar que o dever foi cumprido e que meu recente início à leitura de determinadas obras literárias me fez ver o universo amplo de palavras e escrita, um jogo aberto no qual pretendo ganhar. Creio que minhas expressões tenham mudado ligeiramente, mas não se preocupe, afinal, isso sempre acontece quando leio as obrar de Arthur Doyle seguido de três horas estudando as mais variadas línguas desse vasto mundo. Em alguns parágrafos irá voltar ao normal, eu acho...

Acabei de notar que Ellie está doente. Trata-se de nossa governanta. Ela tem um metro e meio de altura, pele morena, e é extremamente gordinha. Passou a manhã tossindo e agora já é tarde. Dr. Robert veio ver a situação dela, ele não pareceu otimista, mas sorriu quando me viu escrevendo no diário.

– Muito bem, Joe! Bom garoto! – Ele falou no mesmo tom que fala com seu cachorro. Revirei os olhos, certo de que ele não veria graças ao meu chapéu de abas largas. Concordei com a cabeça e procurei esconder, com os braços, algumas frases que estava relendo. Como já disse, não quero ninguém lendo meu diário.

O dia hoje foi enfadado, mas cheio. Como pode isso? Como posso me sentir tão vazio fazendo as mais diferentes tarefas? Me sentir entediado tendo as melhores aulas de línguas com a melhor professora da região?

Não sei mais o que escrever, espero que me entenda. Estou cansado e, mais que tudo, desejo dormir. Só espero não ter novamente aqueles pesadelos, na verdade, espero principalmente não sonhar com aquele monstro me atacando novamente. Eu sei que isso parece imaturo, mas... Não, é inoportuno.

Quarta-feira

☠ Diário

Hoje foi o dia mais estranho da minha vida. Não estou falando do fato de minha mãe ter me acordado as três da manhã com os olhos cheios de lágrima para avisar que Ellie tinha morrido. Também não foi por causa do Dr. Robert ter vindo assim que minha mãe saiu do meu quarto, ele ia para o quarto da governanta, mas posso garantir que vi um vulto de uma arma em sua cintura. O mais estranho foi quando eu acordei pela terceira vez, depois que tinha recebido a notícia da morte de Ellie.

Levantei e fui até o quarto de minha mãe, ela estava deitada encolhida do seu lado da cama. Sargento Hiternoys não estava no quarto e, assim que abri a porta, minha mãe acenou, me permitindo entrar. Deitei em seus braços e quis chorar como um bebê. Ela notou meu corpo tremendo e me abraçou com força.

– Tudo bem, querido. Não precisa ter medo, a morte apenas nos deu uma visitinha.

O modo como ela falava me fez estremecer ainda mais.

– Não tenho medo da morte, mãe. Apenas... – procurei as palavras certas para falar, as palavras que nunca falei ou escrevi - ... tenho medo, apenas medo. Medo da morte, não. Medo da vida.

Senti ela sorrir e suspirar de alivio. Minhas palavras eram a mais pura verdade. Eu nunca tive medo da morte, apenas da vida. Por mais estranho que aquilo poderia parecer para mim, imaginei que era algo estranho, algo inoportuno, algo não muito normal para qualquer ser humano. Eu não me sentia um humano, me sentia um monstro.

Quinta-feira

☠ Olá, Diário,

Andei pensando em lhe dar um nome, Hobbit. Agora, vai me dizer que não é um nome perfeito para um diário? O Hobbit, A Saga Continua.

Enfim, acho que você não vai ter muita escolha, afinal, eu que mando aqui. Mas tenho que lhe falar, Hobbit, as coisas não estão fáceis. Na verdade, estão piorando drasticamente.

Eu dormia quando tudo começou. Ouvi gritos e cores fortes invadindo meu sonho como um furacão. Primeiro, tudo estava extremamente quieto, apenas cores dançavam em meus olhos. Como se tivesse consumido algum tipo de droga. Seria um cenário perfeito para aparecer unicórnios saltitantes ou pôneis coloridos, mas não foi isso que se seguiu. Eu não tive tanta sorte.

O primeiro grito que ecoou pareceu ter vindo de um humano morrendo, não sentindo dor, mas como se alguém tivesse abrido a porta do quarto depois de ter uma bela noite de sono e ver um monstro tão horrendo que imediatamente saberia que sua vida duraria apenas os próximos três segundos, e, durante esse tempo, a única coisa que teve coragem de fazer foi gritar.

As cores começaram a se agitar cada vez mais, como se o grito tivesse as acordado. Inúmeros tons de cinza, verde, laranja, amarelo, roxo. Uma voz rouca e sombria, quase monstruosa, sussurrou distante.

– A guerra vai começar – senti meu corpo estremecer, mesmo tento certeza que isso não tinha acontecido – Os deuses irão escolher seus lados, os semideuses irão travar sua luta, e os humanos vão pagar.

– Do que você está falando? – Não soube como aquilo aconteceu, mas a voz era a minha, mesmo tendo certeza que nenhum raciocínio lúcido meu seria capaz de elaborar uma frase.

– DA GUERRA! NÃO ESTAVA ME OUVINDO?

– Sim, senhor – respondi depressa.

– Meus filhos querem lutar, e seus adversários são poderosos. Você vai lutar, mas, antes, terá que aprender.

– Aprender a que? – Minha voz saiu desesperada, como se eu soubesse exatamente o que deveria aprender, mas não quisesse.

– Aprender como se deve derramar sangue.

Sentei na cama, me obrigando a sair do sonho. Eu estava suado e minha respiração era pesada.

Andei devagar até o quarto de minha mãe, o cobertor me cobria do frio e a luz era quase nada. Abri a porta devagar até notar que o sargento não estava. Então, sem receio, entrei e corri para os braços de minha mãe. Ela parecia estar acordada, pois me abraçou e começou a deslizar os dedos por meus cabelos, me acalmando. Tentei sufocar o choro, mas as lágrimas insistiam em cair.

– Outro pesadelo, amor? – Sua voz era baixa, um refúgio para mim.

– Sim. Foi pior – sussurrei. Ela concordou, como se soubesse exatamente o que tinha acontecido.

– O que... aconteceu? – Ela procurou escolher as palavras certas.

– Sonhei com ele, mamãe. Sonhei com papai.

– E o que ele disse? – ela me perguntou como se fosse algo normal.

–- Esta na hora, mamãe, esta na hora de ir...

Ela suspirou reprimindo o choro. Naquela noite, dormimos abraçados.

Sexta-feira

☠ Querido Hobbit,

Lhe escrevo sentado em uma velha poltrona. Na minha frente, uma pequena lâmpada pisca, e fotos de cantores de rock então posicionadas sobre as paredes. Minha mão esta tremendo, desculpe a letra, mas tenho sérios motivos para estar com medo, mesmo sabendo que aqui não é tão perigoso quanto lá fora. Na verdade, aqui parece ser o local mais seguro para um semideus em todo o mundo.

Eu estava fazendo um ritual no quintal de minha casa. Cavei um buraco no chão com ajuda de uma pá e joguei algumas oferendas. Rezei em grego, invocando o espirito de Ellie. Logo, ela apareceu de forma sombria, como só os mortos fazem.

– Apenas me diga: como chego ao mundo inferior? – Minha voz era rouca e profunda, a situação era séria.

– Existem dois modos, filho de Hades – ela falou, tentando me assustar, como se pronunciar o nome de meu pai fosse algum xingamento – O primeiro, todos sabem, você precisa deixar a vida e abraçar a morte. O segundo, um pouco mais falível.

A imagem fantasmagórica de Ellie começou a dançar, uma imagem estranha apareceu.

– Los Angeles, leve dois dracmas e... O que mais se deve levar para uma reunião de família?

Admito que foi tudo muito rápido, minha mãe conseguiu duas passagens para Los Angeles e fugimos de casa, para longe do sargento. Quase não conversamos, não perguntei nada. Não perguntei se ela queria mandar algum recado para ele. Não perguntei se ela sentia saudade dele. Não perguntei se eu poderia morrer. Não perguntei sobre Ellie e nem sobre o que ela estava achando de tudo isso. Apenas obedeci minha mãe até o último segundo que esteve comigo, até quando ela me deixou de frente para um estúdio com letras em grego antigo na qual pude decifrar facilmente.

ESTÚDIOS DE GRAVAÇÃO M.A.C.

– Apenas lembre-se: é dos vivos que devemos ter medo.

– Tudo bem – ela me beijou no rosto e se virou, chorando.

Pressionei os dois dracmas na mão. Ela tinha me dado, disse que foi presente de meu pai. Novamente, não perguntei nada.

Entrei no estúdio e inspirei o doce e agradável ar da morte. Fantasmas - pelo menos foi isso que eu imaginei serem - pairavam no ar, assim que entrei, notei que todos se viraram em minha direção, como se eu fosse uma espécie de pedra preciosa que eles queriam pegar.

Um homem, alto e magro, vestido com uma roupa preta, e com uma expressão diferente dos outros, se ergueu na multidão, chamando minha atenção.

– Filho de Hades – suas palavras pareciam assustadas, como se tivesse sido pego em flagrante.

– Sim. Preciso ver meu pai – tentei soar mais corajoso do que estava.

– Não é assim tão fácil, ele precisa querer – e então a terra tremeu. Todos os fantasmas se debateram e o homem de preto correu rapidamente para uma porta que estava trancada. Ele abriu a porta as pressas e me chamou sobre o murmurar dos mortos.

– Caronte? – perguntei quando notei que atrás da porta existia um rio, feito de trevas.

– Sim. E você não deveria existir – suas palavras não foram muito estimulantes, mas logo estávamos navegando sobre o rio mais sujo e fedorento do mundo e do inferno.

– Existem outros meios de se chegar aqui, especialmente quando se é filho de Hades.

– Eu sei – cuspi as duas palavras mais mentirosas que já disse.

Não muito depois, chegamos as margens do rio. A barca ficou presa ao leito e eu desembarquei.

– Só espero que saiba o que está por vir, semideus – Caronte gritou quando estava longe demais para ter uma resposta.

Vagar pelo mundo dos mortos não era o que eu queria para as férias de verão, mas foi a melhor coisa que me aconteceu. Eu me sentia livre, como se minha verdadeira casa fosse ali, não o mundo repleto de humanos vivos.

Os fantasmas pareciam estar sujeitos a mim e tudo que eu olhava parecia ser perfeito. Assim, senti uma aura forte me puxando em um caminho. Não sabia ao certo o que era, quase uma luz me dizendo para onde deveria ir. Comecei a seguir a luz imaginando que os dracmas no meu bolso estavam mais leves. Segui por algum tempo até que, enfim, cheguei à um palácio. Logo soube que era a casa de meu pai.

Não darei detalhes de como é seu palácio, mas apenas tenha em mente que ele é no mundo subterrâneo. Os guardas de esqueleto que estavam em toda a frente me deram passagem. Admito que fiquei um pouco orgulhoso e me senti levemente importante.

As primeiras palavras que meu pai, o homem que tinha me dado a vida e amado minha mãe, disse, foram:

– Você está atrasado! – Sua voz praguejou por todo o palácio e acredito que deve ter provocando algum terremoto.

– Vim o mais rápido que pude – meu tom era quase tolo, ousando desafiá-lo.

Ele suspirou e abaixou a cabeça a balançando negativamente.

– Joe, eu sei que veio... – sua voz se acalmou e ele pareceu me entender – Apenas estou preocupado, se demorasse um pouco mais...

– A guerra que você tanto falou em meus sonhos...

– Começa hoje, e você, Joe, terá que lutar pela paz.

As palavras dele soaram em meus ouvidos e até agora posso ouvi-las. Era quase como se ele soubesse que seria derrotado e que precisava de alguém para impedir isso.

– A Segunda Guerra Mundial.

E foi assim que conheci meu pai. Não tenho muito para falar sobre o resto, pois foram repletos de gritos e anúncios de mortes. O local começou a se agitar e esqueletos apareceram para avisar que a bomba tinha estourado.

Consegui ver uma multidão de monstros reunidas em volta de meu pai lhe relatando o que estava acontecendo, enquanto ele lhe dava ordens de como prosseguir. Então ele lembrou que eu ainda estava ali e se aproximou, tocando em minha testa, me fazendo desmaiar.

Quando acordei, estava em uma escada, bêbado de sono. Uma garota morena de olhos pretos me olhava com uma expressão assustada.

– Por favor, não me mate.

– Porque eu iria te ma... – e notei que em minha mão estava uma espada, a mais sombria espada que já tinha visto. Não que eu tivesse visto muitas espadas em minha curta vida. Além disso, um anel de caveira estava em meu dedo e eu estava coberto por uma capa. Eu poderia esconder minha espada e ir tocar em uma banda de rock que não teria problemas.

Suspirei.

– Eu não vou te matar – e então notei que em meu braço estava uma faixa vermelha com um desenho preto parecido com um cata-vento. Agora eu sei que é o símbolo nazista.

Fiquei tão concentrado observando meus itens que não notei que a garota sorria enquanto me olhava e, em menos de um segundo, se transformou em algo estranho. A garota se esticou, ficando cada vez mais alta, e seu corpo começou a se fundir em pura escuridão. Seus olhos se tornaram espaços vazios e nada em seu corpo podia ser visto.

– Mas eu vou.

Ele saltou sobre mim com suas mãos indo em direção ao meu pescoço. Rapidamente estiquei minhas pernas tentando chutar o peito dele, e ainda assustado. Mas a besta pegou minhas pernas e me atirou do outro lado da rua.

Cai tossindo e com dores no pulmão. Minha espada estava a alguns metros de mim e a criatura se aproximava rapidamente. Pela primeira vez, desde que nasci, eu rezei ao meu pai.

O monstro parou no meio do caminho, me encarando e se movimentando lentamente. Olhei para meu pés e notei o motivo de sua expressão, eu estava invisível. Então, tecnicamente, eu não olhei para meus pés, apenas notei que eles não estavam onde deveriam estar.

Aproveitei minha sorte e corri para pegar minha espada. O monstro pareceu se alertar e correu saltando sobre mim e a espada, mas algo estranho aconteceu. Minha vida estava muito normal, precisava de uma coisa mais estranha acontecer.

Um garoto apareceu voando e chutou a cara do monstro, o pegando de surpresa. Saltei sobre ele, brandindo minha espada e a descendo-a no peito dele. A espada lhe foi introduzida tão fácil quanto cortaria uma manteiga, mas ele não morreu. Lentamente, ele ergueu a cabeça escura. Senti que, se ele pudesse sorri, sorriria. Então, uma garota apareceu, ela tinha um livro na mão e pronunciou uma palavra estranha.

– Mitteret! – Ela gritou. Minha espada começou a descer sobre o corpo do monstro. Fiquei mais assustado do que sou naturalmente e encarei aquilo com olhos estupefatos até ele ser partido em dois.

Lembra que eu disse que estava sentado em uma poltrona velha? Então, é na casa desses dois semideuses. Pois é, descobri que eram semideuses como eu.

Estamos em uma casa abandonada, esperando o fim da guerra. Eu poderia falar mais sobre eles e como temos nos dado bem, mas agora tenho que ir. Lamento, talvez eu lhe conte mais. Talvez.


Clica aqui:
1. Aqui está, não sei se fiz algo errado, mas se tiver pode dizer que refaço.
2. Resumidamente, a trama vai ser dele lutando na Guerra, que de acordo com o livro do tio Rick foi entre os filhos de Hades contra os filhos de Poseidon com Zeus.
3. Dúvidas, pelomordehades me faça.
4. A reclamação ocorre quando o semideus descobre que é semideus, de modo que ele sempre soube. Dessa forma, o brililho surgiu em sua cabeça quando ele era criança e, bom, ele n lembra era muito bebê.
5. É isso, enfim, obg tchau
Thanks Geovanna Mambiet @ TPO
Joe Gohan Jeckostez Koich
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Re: TESTE PARA FILHOS DE HADES - JULHO

Mensagem por Leslie Rothlow em Ter 28 Jul 2015, 17:58



Wanheda

Jessamine Wolff Hömenneg

16 anos

Italiana

Bissexual

Solteira

Semideusa


Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas...
tell me about you...

Personalidade

Mulher indomável. Deusa da obscuridade. Víbora. Encantadora e infinitamente sedutora. Apesar de ser jovem, é uma garota inteligente e estrategista, sempre pensando em algo para não ficar por baixo. Trata-se de uma garota cínica, fria, sarcástica, dissimulada, rebelde, gananciosa, arrogante e genuinamente egocêntrica. Se não quer encrencas com uma maníaca psicótica, fique longe de seu caminho. Ela simplesmente desacredita em qualquer tipo de bom senso nos humanos e justamente por isso, não dá valor à existência de ninguém. Fatal e perigosa, é perfeitamente louca ao ponto de manipular ou eliminar quem quer que seja, apenas para alcançar o que quer. Jessie é uma pessoa que gosta de mexer com a mente das pessoas ao seu redor, fazendo de tudo para o caos reinar.

De longe, é uma jovem alegre e autentica — coisa que ela também é — , mas são raras as pessoas que conhecem esse seu lado. É uma garota fria e calculista, não mede esforços para alcançar seus objetivos e não tem medo de passar por cima das pessoas para conseguir o que quer, quando está batalhando se torna uma pessoa pior ainda, não tem medo de terminar o que começa, gosta do sabor da vitória. Por isso, antes de começar uma briga, ela gosta de conhecer com quem irá lutar, pesquisando meticulosamente tudo sobre ela, seus medos, seus traumas e coisas parecidas. É extremamente vingativa, não é uma garota a considerar tímida, quando tem festa e ela é convidada, ela é uma das primeiras a comparecer, principalmente se houver drogas e bebidas. Ela tem seu próprio jeito de curtir a vida, e além de ser bipolar e meio maluca às vezes, gosta de ter uma pessoa que possa confiar. No fundo ela é uma boa pessoa, porém ainda está marcada com as cicatrizes do seu passado e para que os outros não se aproveitem dela, ela não gosta de demonstrar este lado "bom".

Não confia em absolutamente ninguém, nem pretende confiar. No máximo ela só iria unir-se a alguém para conseguir o que deseja, mas nunca que iria confiar nela e se confiar em alguém algum dia, essa pessoa deve ter feito algo para merecer sua confiança. Não limita seu poder com questões éticas ou respeito à privacidade alheia. É simplesmente uma criatura que ama a violência, destruição e tortura, e se empolga ao saber de batalhas sangrentas, e não hesita em ir para o combate mesmo que seja contra um Deus.

Físico

Quanto ao seu físico, ela tem uma pele branca levemente bronzeada, adquirindo uns 1,73 metros de altura, um corpo magro e bem curvado. Tem cabelos longos, sedosos e loiros, às vezes com pontas onduladas. Possui olhos amendoados da cor castanho-claro e uma beleza que não passa despercebida por ninguém, e usa ela algumas vezes para conseguir o que deseja. Seu sorriso às vezes é sarcástico e outras vezes atrevido, mas maior parte do tempo se torna cínica e, literalmente, sem vergonha. Mesmo sendo magra e esbelta, possuí um porte físico de uma lutadora, preparada para não depender apenas de seus dons para se proteger, pesando 55kg.

What's your history?


    DATA INFORMATION - XX – SETEMBRO – 2004 - 8 anos.

    Projeto SU057R iniciou aos tratamentos positivamente. Nenhum efeito colateral observado nos pacientes anteriores fora visto em Jessamine. Imaginamos que este avanço é devido a pouca idade do Projeto, e isto tornou à adaptação mais fácil. No entanto, a ADHD-I está se prolongando mais do que prevíamos. O tratamento se deu negativo na retirada dos sintomas e, de alguma forma houve um leve acentuo no déficit. Sua atividade cerebral é normal, e não há explicação fisiológica para seu estado. Após a uma longa discussão com outros três médicos de áreas distintas, o tratamento do Projeto Jessamine permanecerá, tendo um aumento da dose HUX03. Enquanto isto, estaremos avaliando suas estranhas habilidades, estimulando o projeto a evoluir.

    DATA INFORMATION - XX – OUTUBRO – 2006 - 10 anos.

    O Projeto Jessamine superestimou nossas expectativas. Hoje confirmamos que o seu cérebro produz um nível de ondas gama nunca antes relatado no campo da neurociência. Os resultados mostraram atividade mais elevada do segmento esquerdo do córtex pré-frontal do cérebro, se comparado ao direito. Quando um das psicólogas comentou histórias felizes, o cérebro produziu níveis de ondas gama ligados à consciência, atenção, aprendizado e memória que nunca haviam sido relatados na literatura da neurociência ou com outros pacientes sob o mesmo medicamento. A exploração do cérebro de Jessamine revelou um grande passo a melhoramento psique. A partir de hoje iniciaremos os testes físicos com pulsos magnéticos de intervalos aleatórios. Sessões que podem durar até 2 horas.

    DATA INFORMATION - XX – MARÇO – 2008 - 12 anos.

    Hoje completa 1 ano e 7 meses da descoberta da habilidade geocinética do Projeto Jessamine. Com a ajuda de estímulos radicais impomos que o projeto movesse pequenos pedaços de rochas apenas com o poder da mente. No dia XX/03 Projeto foi incentivada a atingir variado tipos de animais com tais . Os resultados foram positivos, acertando-os em cheio. Por parte do Projeto houve apenas sangramento nasal devido a grande repetição e intensidade da habilidade e dos pulsos magnéticos. Em contra ponto ainda estamos avaliando até onde a Psicose e o ADHD-I atrapalhariam em missões futuras para a Corporação. Aumentaremos as doses dos medicamentos, testes físicos e mentais.

    DATA INFORMATION - XX – MAIO – 2010 – 14 anos.

    Desde o dia XX/05 Jessamine está agindo estranha. Não aceita nenhum dos medicamentos, ferindo a si mesma e aos outros médicos quando tentaram seda-la, mas após horas e incontáveis tentativas conseguimos fazê-la dormir. Sua Psicose está fora do controle. Se continuar desta forma seremos obrigados a cessar o projeto e recomeçar da estaca zero novamente. E, isso seria uma lástima.

    DATA INFORMATION - XX – MAIO – 2012 – 16 anos.

    Após três dias, Jessamine teve uma grande melhora. Em alguns momentos o Projeto age normalmente, ouvindo e reagindo da forma esperada, mas mesmo que não saiba falar, seus olhos brilham friamente de maneira que gesticulasse um plano... Nos meus 20 anos de profissão, algo me diz que sua mente ainda é um mistério e está longe da compreensão cientifica ou humana. Alguns dos médicos, enfermeiros e até mesmo eu, passamos a ter um medo inexplicável quando estarmos perto da Jessamine. Não ficamos mais à vontade perto dela. Decidimos que os exames e medicamentos seriam efetuados quando o gás do sono surtir efeito no quarto de SU057R. Não sabemos se este é algum tipo de hipnose ou uma nova habilidade de Jessamine, mas uma coisa eu sei. Em algum momento iremos perder o controle deste Projeto. Ela está ficando mais forte e, dessa vez não terá mais volta.



ROMA, ITÁLIA
13 de fevereiro de 2004 - 23:30 pm


AONDE ESTAMOS INDO, MÃE? — Perguntei com aquele sotaque italiano.

Acho que a infância de uma pessoa deveria ser sua melhor fase, com lembranças adoráveis, momentos inesquecíveis com seus pais e tudo mais. Porém, a minha não fora assim. Talvez por um lado tenha sido, mas as lembranças que tenho não são nada adoráveis e infelizmente são inesquecíveis e traumatizantes. Minha mãe não era aquele tipo de mulher simpática, entende?

Ela sempre fora fechada, raramente conversava comigo. Não se divertia, não brincava, não me levava para passear, desde que me entendo por gente eu a acho estranho. Meu pai? Nunca o conheci. Ela me contou que ele tinha ido embora pouco tempo depois que nasci, deixando-a sem explicação alguma. Desde então ela tornou-se depressiva, não falava com ninguém, mal comia ou saia de casa, porém, eu sabia que também estávamos passando por uma crise financeira e tudo isso deve tê-la deixado cansada e perturbada, acho eu. Mas para onde ela estava me levando? Não gostava de sua expressão facial, estava mais sombria do que nunca.

Vamos passear um pouco, querida. — Deixou escapar um leve sorriso, mas qualquer um percebia que aquele era o sorriso mais falso do mundo.

Mas à essa hora? — Disse eu. — Não costumamos sair à essa hora...

Deixe de fazer perguntas, garota! — Gritou.

Tremi. Ela já era bastante intimidadora, e quando gritava, conseguia ser mais ainda. Mantive a boca fechada enquanto caminhávamos até o centro de Roma, indo em direção a parte mais agitada da cidade quando a noite chegava. Não sabia o que exatamente acontecia naquelas redondezas, só sabia que era bastante frequentada por homens e mulheres de todos os tipos. Chegamos em uma casa localizada logo na avenida, era bastante chamativa e ao meu ver parecia mais uma boate. Havia alguns casais na porta junto com os seguranças que protegiam a entrada, não me dei conta do que estava escrito na placa acima devido às várias emoções que eu estava sentindo no momento. E medo era uma delas.

As mulheres presentes na entrada usavam roupas tão curtas que pareciam ter comprado em uma loja de criança. Os homens, como de costume, estavam babando pelas pernas sedutoras que elas tinham e arranjando um jeito para levá-las à cama. Tentei não encará-los por muito tempo e continuei a caminhar de mãos dadas com minha mãe até a porta, onde dois dos seguranças cumprimentaram meu pai como se já o conhecessem de longa data e comecei a me questionar sobre várias coisas. O que estamos fazendo aqui? De onde minha mãe os conhece?

Ao adentramos no local percebi o que ali realmente era. Um bordel. E bastante frequentado, pelo visto. Algumas mulheres faziam suas performances sobre o poste de poli dance, enquanto os homens estavam sentados à sua frente e gritando feito loucos desesperados por sexo.

O que estamos fazendo aqui, Mamma? — Perguntei. — Quero ir para casa, não gosto daqui. —

Deu uma pequena gargalhada. — Com o tempo você irá gostar, logo você irá descobrir o real propósito para o qual viemos aqui.

Antes que eu continuasse a falar, uma mulher se aproximou. Pelo modo como estava vestida, só poderia ser rica. Estava usando um longo vestido preto detalhado, algumas joias, salto alto e estava com um grande sorriso em seu rosto. Ela era alta, acho que media 1,73m por ai, era branca - muito branca, pelo visto - e seu cabelo era curto com algumas mechas coloridas, pensei que estava acontecendo um carnaval na cabeça dela quando eu a avistei.

Sarah, minha velha amiga! — Com um enorme sorriso estampado em sua face, a mulher abraçou minha mãe.

Eu disse que viria, Emily. — Sorriu e retribuiu o abraço. — Esta é a garotinha de quem eu falei para você, minha única e querida filha, Jessamine.

A mulher agachou-se à minha frente. Seu rosto pálido e um pouco deformado encarava as minhas perfeitas e delicadas feições enquanto mantinha o sorriso. Seus olhos castanhos claros pareciam tão severos de perto, frios, como se tivesse uma maldade escondida por trás desse sorriso, algo que me assustara.

Não precisa ter medo de mim, bambina. — Pegou minha mão e a segurou, olhando diretamente em meus olhos. — A titia vai cuidar muito bem de você, vamos nos dar muito bem. —

Minha mãe me deixara a sós com a mulher e a mesma me levara para seu escritório mais adentro do bordel, passando por alguns quartos onde barulhos estranhos chamaram a minha atenção. Aquele local parecia mais como a casa da bruxa má citada em João e Maria. Será que eu também seria mandada para o forno, ou seria ela? A mulher sentara em uma cadeira à frente de sua mesa e me encarava, com um sorriso sinistro em sua face.

Você será a estrela principal do meu show à partir de hoje, queridinha. — deu uma gargalhada cruel e apontou o dedo indicador para mim. — Tenho certeza de que muitos vão adorar a performance de uma garota como você, nesta idade... tu és a minha arma secreta para fazer com que os negócios aumentem, além de me fornecer a juventude que tanto adoro. Irá me render muito dinheiro e se você se comportar, terá alguns privilégios e talvez até ganhará alguns presentes. — voltou a sorrir.

Não quero ficar aqui, me deixe ir embora! — gritei, tentando abrir a porta.

Diminua o tom, garota, ou eu terei de fazer isso da pior forma possível. E cá entre nós... — levantou-se, aproximando-se de mim, tocando meu rosto com sua mão direita. — Eu adoro fazer com que minhas novas estrelas aprendam do modo mais difícil. — sibilou, voltando a sorrir em seguida.


BORDEL VON DRACHEN, ITÁLIA
24 de julho de 2012 - 00:30 pm

MINHA VIDA MUDOU completamente à partir daquele dia. Aquele lugar não era só um bordel, também era um centro de experimentos onde diversos cientistas, médicos e até enfermeiros sob o comando da Emily, testavam drogas e outras coisas nas garotas ali presas. Além de trabalhar como prostituta à noite, também fui alvo desses experimentos. Era a favorita deles. Agora, por quê? Não tinha nada de especial em mim.

Metade de meus dias eu passava trabalhando, a outra metade - assim como as outras garotas - eu passava no laboratório subterrâneo, sofrendo nas mãos daqueles malucos. Esse era o tal privilégio que aquela vadia citara no dia em que minha mãe me deixara aqui. Falando nela, nunca mais a vi desde que me trocara por dinheiro e acho bom assim, não quero vê-la nunca mais nesta vida. Caso eu a encontre, vou mostrar-lhe o que toda essa experiência fez de mim.

As garotas e eu estávamos em nosso quarto no fim do corredor, hoje à noite terá uma performance musical e advinha quem é a estrela principal? Isso mesmo, eu. Porém, não era um espetáculo musical comum como aqueles que aparecem em teatros, shows e etc e sim com várias strippers dançando sensualmente ao som da música que irei cantar. Ansiosa, Emily adentrara em nosso quarto e, pela sua expressão facial, estava animada para ver o show.

Muito bem, minhas bambinas. O show desta noite irá começar em poucos minutos e quero saber se todas estão prontas para nosso espetáculo . — disse ela, aproximando-se para verificar se estávamos prontas.

Ela estava usando um longo vestido preto com detalhes dourados espalhados pelo mesmo, estava abusando das joias e apostando no ouro naquela noite. Eu estava vestindo um longo vestido verde esmeralda, meus cabelos castanhos estavam soltos, estava com uma maquiagem básica e usando um cachecol de plumas verdes claras em volta de meu pescoço. Diferente de mim, as dançarinas strippers estavam usando só soutiens e calcinhas de cores variadas, adequado para o tipo de dança que as mesmas iriam fazer.

Estamos prontas, Emily. — afirmei, ajeitando minha trança.

E o que estão esperando? Vamos, o show vai começar. — gritou, fitando meu rosto em seguida. — Espero que comporte-se durante nossa festa, Jessie, e também espero que faça uma ótima performance ou já sabe o que irá acontecer. —

Não dei importância ao que ela falara e saí do quarto, indo ao palco. Me posicionei em frente ao microfone fixado no pedestal, virando meu olhar para alguns dos homens à minha frente. As luzes estavam apagadas, fazendo com que outras ascendessem e dessem ênfase à minha pessoa, enquanto um homem ao piano começara com uma leve batida acompanhada de outras batidas do batera ao seu lado, dando inicio ao show.

In a land of gods and monsters, I was angel. — comecei a cantar, colocando ambas as mãos no microfone. — Living in the garden of evil screwed up, scared doing anything that I needed, shining like a fiery beacon. You got that medicine I need fame, liqour, love… Give to me slowly. Put your hands on my waist, do it softly me and god we don't get along, so now I sing… — dei uma pequena pausa enquanto as dançarinas adentravam no palco e se posicionavam nos poli dancers espalhados por todo o bordel.

A plateia ia à loucura ao ver as garotas semi nuas dançando nos ferros, deixando-me mais nervosa do que o normal. Esta não era a primeira vez que eu me apresentara no bordel, o que me deixara nervosa é o fato do que irá acontecer depois que a música acabar. Algum homem subirá ao palco e fará com que eu me renda aos seus desejos sexuais, algo que nenhuma garota deveria experimentar tão jovem. Mantive o foco e voltei a cantar, fazendo gestos com as mãos para acompanhar o ritmo da música.

Após o show acabar, desci as escadinhas do palco e caminhei em direção à porta que dava para o corredor dos quartos, retirando o cachecol de plumas do meu pescoço. Aquela seria minha primeira vez. Não que houvesse alguma bondade ou ética na mente de Emily, por ela eu já teria perdido a minha virgindade a muito tempo em algum show onde vários homens pagariam pela primeira vez de uma garota inocente, mas então ele veio: Gerard, um homem extremamente rico que ofereceu uma fortuna para que Emily me mantivesse virgem até meus 18 anos, somente fazendo show e strippes para os outros, e algumas vezes, particularmente para ele, mas nunca, nunca perdendo minha virgindade.

Emily havia lhe perguntado o porquê e o homem simplesmente havia sorrido de forma irônica e respondido que era fácil encontrar uma criança inocente, mas nunca uma adulta inocente e era isso que ele queria, aquela era sua fantasia e por ela ele havia pagado o preço: R$ 1.000.500, 00. E agora, no meu aniversario de dezoito anos estava na hora do show, eu perderia a minha virgindade que havia sido guardada somente para aquele momento e quem tiraria isso era um homem que eu odiava. Mas não tanto como eu odiava Emily por colocar na minha situação, e menos também do que eu odiava a mim mesmo por não poder fazer nada para escapar daquele inferno.

Quando eu finalmente abri a porta do quarto que a tantos anos estava reservado para mim e Gerard, eu não pude evitar a surpresa que se estampou em meu rosto. A vadia da Emily havia modificado o quarto para fazer algo como um coliseu do sexo e enquanto uma cama de casal branca e simples se encontrava no centro daquele lugar, ao redor havia uma gigante arquibancada que havia mais pessoas do que eu já havia visto em toda a minha vida e em todos os shows.

Depois de me recuperar um pouco da surpresa eu andei lentamente até a cama que havia sido preparada para mim, Gerard já estava ali. Ele não era um homem bonito, eu tinha que admitir, devia está por volta de seus 40 anos, media algo por volta de 1,80, seus cabelos pretos estavam um tanto opacos e seus olhos azuis, que normalmente eu acharia lindo, reluziam com algo tão nojento que revirava meu estomago e nem mesmo seu corpo definido o fazia parecer mais atraente.

Venha aqui, hoje você será minha. — Sussurrou ele com um sorriso tão doentio como seus olhos.

Sem que eu pudesse resistir ele me puxou pela nuca e me beijou, um beijo intenso, selvagem e que fazia meu estomago se revirar com nojo, mas mesmo assim eu me mantinha de olhos abertos, olhando para todos os cantos, vendo o homem loiro da primeira vila que me observava com o interesse e o novo segurança, que não parecia ter mais do que a minha idade, talvez mais jovem. Mas o fato dele está armado com uma katana e posicionado ao lado dos outros seguranças imóveis deixava claro o que ele fazia ali. E enquanto o beijo se prolongava e me torturava, até que algo novo aconteceu. A coragem surgiu em mim. O que antes só me fazia sentir enjoo começou a me dá prazer, eu não sentia os lábios dele, não mais, agora o que eu sentia era somente um gosto doce, mais doce e delicioso do que tudo que eu havia provado antes. Retirei de minhas roupas uma bisturi. Como a consegui? Passei muito tempo no laboratório, acabei pegando-a na minha última visita, guardando-a em minhas coisas desde então. Com deliberação e quase sem consciência intencionada, cortei a garganta do homem. Quando os gritos de desespero e medo de Gerard começaram, eu que o puxei pela nuca e desferi outro ataque em sua garganta. Assim que seus protestos terminaram, o soltei, deixando-o cair na cama. Horror e medo estavam estampado em seus olhos.

O pânico foi absoluto e todos os homens e mulheres que até agora estavam observando o show com um prazer macabro começaram a gritar, menos um. O homem que havia me observado com interesse da primeira fila simplesmente pulou a grade e ficou de frente para mim, sorrindo largamente enquanto tirava um tipo de dispositivo de seu bolso, e o apertava. Por um momento nada aconteceu, mas como em um passe de mágica, todos que estavam em pânico na arquibancada simplesmente despencaram no chão tão subitamente como se um botão de “off” houvesse sido apertado, eu sabia que não mortos, eu sabia disso de alguma maneira, mas eles estavam completamente inconsciente.

Fique tranquila, garota. — Falou o homem, sentando-se na cama.

O fitei. Ele devia ter por volta dos dezessete anos ou talvez um pouco mais, seus olhos azuis me observavam com interesse e seus cabelos eram tão negros quanto a noite. Provavelmente eu teria observado ele por mais tempo, mas me lembrei que os guardas estavam ali e me virei, pronta para os ver vindo em minha direção, prontos para me arrastar para que Emily me castigassem, mas ao invés disso o que eu vi foi uma garota parada com um sorriso felino enquanto os corpos de todos os seguranças estavam aos seus pés.

Não se preocupe, viemos salvá-la. — Anunciou o homem quebrando o silencio que havia mantido até o momento e a olhando para mim com um sorriso antes de falar: — Você é uma semideusa, assim como nós dois. Soubemos que havia um bordel onde semideus estavam sendo usados como cobaias em experimentos macabros daquela bruxa, Emily. Não encontramos o restante dos semideuses presos aqui, só você. — deu uma breve pausa, notando a expressão duvidosa em meu rosto. Continuou a falar em seguida. — É, eu sei que tudo isso é muito confuso. Venha com a gente, iremos levá-la a um lugar seguro e explicaremos com mais calma tudo isso.

Assim que ele terminou de falar, uma outra pessoa surgiu no quarto.

Sua vadia! – A voz que me tirou do meu delírio era a que eu reconhecia e odiava por tantos anos, era a voz de Emily que avançava em minha direção com um olhar de fúria nos olhos, mas antes mesmo que ela pudesse fazer algo ela caiu de joelhos no chão, completamente imóvel enquanto o garoto se aproximava de nós com um sorriso nos lábios.

Olá Emily. Como sempre, usando pessoas inocentes para ficar jovem. Acho que isso não vai mais funcionar. — disse o garoto, sorrindo para ela.

Notava-se a fúria em seus olhos. Emily deu um grito e se lançou para frente. Ela lançou as mãos, e faíscas saíram delas como fogos de artifício explodindo. O garoto, então, rodou e retirou de suas roupas uma espada. A espada ricocheteou pelo ar, girando completamente, e se enterrou no peito da bruxa. Gritando e se retorcendo, ela cambaleou para trás e caiu, batendo em uma mesa próxima, que desmoronou em um caos de sangue e fragmentos de madeira.

Belo movimento, Will. — disse a garota. — Será que, pelo sangue de Zeus, podemos ir embora? —


DEPOIS QUE A BATALHA ACABARA, o garoto — Pelo visto, o nome dele é Will — e a garota que eu não sabia o nome, me levaram para um lugar dito seguro. Estávamos em uma floresta, só que não em Roma. Viajamos até Long Island, Nova Iorque, para ficar nessa floresta? Preferia ter ficado onde estava. Adentrando na floresta, chegamos em acampamento. Mas não era um acampamento comum, pelo que eles falaram. Era um porto seguro para pessoas iguais a mim. A casa dos semideuses. Eles contaram que criaturas e deuses mitológicos existem, sim. Não acreditei de primeira, claro. Quem iria acreditar? Ainda estava confusa com tudo isso. Fui levada até o pavilhão do refeitório, onde encontrei um homem conhecido como Quíron. Fiquei impressionada assim que o vi. Ele era metade homem, metade cavalo. Um centauro. Ele me explicara mais detalhadamente o que era aquele lugar, os semideuses e tudo mais envolvendo esse mundo doido deles.

Acompanhada por ele, conheci os demais lugares do acampamento. A parte que eu mais gostei dali foram os chalés, com certeza. Era incrível como cada um representava seu progenitor divino. Quando passamos pelo chalé 13, o mais gótico daquele lugar, algo de estranho acontecera. Os semideuses que estavam passando por ali começaram a me encarar. Será que meus cabelos estavam pegando fogo?

Por que estão me olhando? — perguntei.

De repente, ouvi um arquejo coletivo. Os campistas que estavam nos chalés deram um passo para fora do recinto, espantados. Notei que o rosto de todos eles estava banhado em uma estranha luz negra, como se alguém tivesse acendido um lâmpada atrás de mim. Pairando no alto de minha cabeça, havia uma resplandecente imagem holográfica: Uma caveira de fogo negro.

Morte, Jessamine Wolff Hömenneg. — disse Quíron, em tom grave. Após a imagem sumir, continuou o centauro. — Filha de Hades, senhor do mundo inferior, deus dos mortos.

What's your narrative?
Havia pouco tempo que estava nesse tal Acampamento Meio-Sangue, e já fui convocada para uma missão. Uma missão específica para mim, filha de Hades. Será que eles são iguais a Emily? Usando-me só por conta das habilidades que possuo. O que eles queriam, afinal? Tantos campistas mais experientes e me escolheram? Tem coisa aí. Mesmo relutante em fazer parte disso, não hesitei. Quíron, o centauro que me recebera no meu primeiro dia aqui, chamou-me para uma pequena reunião no pavilhão do refeitório, assim como o restante dos semideuses que iriam comigo a essa tal missão. Estava trajando roupas comuns. Uma blusa preta meio rasgada, um casaco preto e branco, calça jeans e um par de botas. Levava a espada de bronze sagrado que recebi logo após minha reclamação na bainha, acompanhada do anel de caveira e da capa negra, que também estavam comigo.

Já que tudo que eu precisava estava em posse, parti para o ponto de encontro. Chegando lá, avistei de primeira o homem metade cavalo e metade homem diante de um grupo, conversando sobre algo. Aproximei-me deles e fitei cada um, exceto o centauro que já conhecia. Uma garota, loira e bonita, porém com uma feição triste e um garoto alto e moreno. Tinham, provavelmente, dezesseis ou dezessete anos. Serão esses meus companheiros?, pensei, sorrindo para eles.

Que bom que chegou, senhorita. — disse Quíron. — Agora que está aqui, irei explicar-lhe o motivo pelo qual fora chamada.

E então ele contou. A loira — Donna, esse era o nome dela, se não estou enganada — perdeu o namorado durante um combate na última missão que participara, o que justificava seu rosto depressivo. E adivinhe o que ela quer? Buscar a alma do amado no submundo. Eis o motivo por terem me escolhido. Eles queriam me usar para acessar os domínios do meu pai, ajudar no resgate de um garoto insignificante que eu nem conhecia. Deveria estar surpresa com isso? Nem um pouco. Tsc, garotas apaixonadas são insuportáveis, pensei, prestando atenção na história trágica.

Richie, o garoto que veio a falecer, fazia parte da prole de Selene. Já a sua namorada, Donna, era da prole de Herácles. É incrível como os apostos se atraem, não é mesmo? Algum tempo depois, ela parou de falar. Lágrimas caíram de seus olhos e eu já estava pronta para acertá-la com o cabo da minha espada, porém, segurei-me com todas as forças possíveis. O garoto aproximou-se de mim e com seu olhar intimidador, me encarou.

Já que você é menos experiente que os outros e tudo mais, sua função é unicamente ajudar a acessar o Submundo. — disse ele. James, esse era o nome dele. Era da prole de Ares, com certeza. Notei em seu tom de voz que ele adorava diminuir os outros, botando em evidência os pontos fracos deles, fazendo-os sentirem-se mal.

Revirei os olhos.

Tudo bem, irei com vocês. — suspirei, continuando a falar em seguida. — E espero que esteja muito claro que não me importo com esse seu namorado morto. Apenas irei tirar proveito desse plano para ter uma conversinha com o senhor dos mortos.

Agora que tudo fora explicado, estávamos prontos para partir, felizmente. Não tivemos problemas na maior parte do caminho para Los Angeles, embora Donna acabara não resistindo e chorava. O que eu fiz para merecer isso, Zeus?, resmunguei para mim mesma. Para chegar na entrada do submundo tivemos que pegar alguns táxis, até pegamos carona com alguns motoqueiros e, antes do final do dia, chegamos ao nosso destino. Havia recebido de Quíron instruções de como eu poderia abrir a passagem para o reino dos mortos, embora eu nunca tivesse testado essa habilidade. Retirei da bainha a espada que trouxera e fechei os olhos, concentrando-me o máximo possível. Fiz exatamente o que me instruíram e uma passagem se abriu, revelando escadas que desciam para a escuridão.

Impressionada, Donna deixou escapar um sorriso, descendo com pressa as escadas. James fora atrás dela. Coloquei Darkness de volta em sua bainha e caminhei, seguindo os dois. A cada degrau que passava, eu sentia uma sensação de conforto. Inspirei o ar pesado e prossegui, me deparando com os companheiros no final da escadaria. Ao pé da escada, à margem de águas escuras, um barco aguardava.

Esse é... — engoli em seco, admirada.

James estendera a mão e entregou ao homem as moedas, resistindo ao máximo para não fazer aquilo. O homem dirigiu-se à barca e fez menção para que subirmos. Observei atentamente cada coisa que passava durante a viagem. Tudo ali era incrível. Bom, também era bastante assustador. Estava sentindo algo que parecia ter se perdido há muito tempo... Eu estava me sentindo. Casa, pensei. Afastei esse pensamento doido balançando a cabeça e retornei o olhar à minha frente. Não muito tempo depois, chegamos na margem oposta do rio. Desci da barca com um pulo e vi, pela primeira vez, o castelo Hades. Era simplesmente magnífico e tenebroso.

O que faremos agora? — perguntou Donna, choramingando.

Vamos entrar. — respondi, virando o olhar para ela. — Ou quer brincar de boneca aqui fora?

Deixei um sorriso felino escapar e então avançamos, adentrando no castelo. Antes mesmo de encontrar o caminho para o trono, fomos encurralados por três grandes cães. Seus olhos vermelhos como sangue nos encaravam, mas devo admitir que os pelos negros e lustrosos dos animais eram de uma beleza magnífica. Seus dentes e garras eram tão afiados quanto minha espada. Será esse nosso fim? De repente, as feras começaram a nos empurrar, guiando-nos até algum lugar do castelo. Fomos levados à sala do trono de Hades. O senhor dos mortos estava sentado em um trono de ossos, com o olhar fixado em nós e acariciando a barba negra como se estivesse imaginando a melhor maneira de nos torturar. Ao seu lado estava uma mulher. A princípio pensei que fosse um fantasma. O vestido esvoaça em torno dela como fumaça. Os longos cabelos escuros flutuavam e ondulavam como se não pesassem nada. O rosto era bonito, porém mortalmente pálido. Seu vestido tinha todas as cores misturadas — flores vermelhas, azuis e amarelas brotavam no tecido —, mas era estranhamente desbotado. Seus olhos eram do mesmo jeito, multicoloridos mas esmaecidos.

Ora, ora. — disse Hades, fitando cada uma de nós.

Seus olhos chamejaram como se quisesse incinerar todos.

Pensei que nunca fosse conhecê-lo, pai. — o encarei.

Hades olhou para a mulher ao seu lado. Voltou-se para mim. Seu olhar se abrandou só um pouco, como se pedra fosse mais macia que aço.

Vejo que cresceu, Jessie.

Para você é só Jessamine.

O que faz aqui?

Donna deu um passo à frente, ajoelhando-se perante o deus.

Viemos pedir-lhe um favor, senhor. — disse ela, tentando conter as lágrimas. — Há pouco tempo, meu namorado perdera a vida em uma batalha contra um Damphyr. Poderia, gentilmente, deixarmos levar sua alma de volta?

O senhor dos mortos deu uma gargalhada.

Está falando sério, garota?

Ela balançou a cabeça, afirmando que sim. Agora fora a vez da mulher rir, contendo-se o máximo possível.

Deixe a alma do garoto voltar conosco, Hades. — ordenei, dando um passo à frente.

O deus lançou-me um olhar penetrante.

Não será fácil recuperá-la, claro. — retornou a coçar a barba. — Façamos assim. Se conseguir derrotar o monstro que invocarei, deixarei que fiquem com a alma do garoto. Caso contrário, terão que ir para casa e esquecê-lo para sempre.

Um silêncio percorreu pela sala.

Tudo bem. — Darkness saiu da bainha no instante em que a puxei, erguendo-a contra o deus. — Mostre-me seu guerreiro, pai.

Com um sorriso em seu rosto, ele estalou os dedos. Um esqueleto ergueu-se do chão, posicionando-se.

Comecem! — gritou.

Avancei.

Com a espada em punho, tentei golpeá-lo. Porém, no instante em que seria golpeado, defendeu-se com sua espada. Desferiu um chute contra mim, jogando-me no chão. Levantei soltando um grunhido irritado e quase inaudível, uma leve ardência em meu joelho denunciava que ele havia sido machucado. A reclamação sambava na ponta de minha língua... E morreu lá assim que pude olhar ao meu redor. O que eu havia pensado sobre batalhas estava totalmente errado. Não era nada divertido. Minha respiração começava a ficar irregular, a adrenalina era bombardeada por um coração que batia disparado. Avancei mais uma vez, efetuando uma sequência de golpes, buscando o ponto fraco do esqueleto. Mas ele bloqueou todos os golpes.

O quê? — indaguei, engolindo em seco.

Não precisei de meio segundo para encarar o esqueleto e avançar novamente, dando um salto para o lado esquerdo do mesmo logo depois, dando outro salto até chegar em sua retaguarda. Avancei por trás, erguendo a espada durante o caminho. O movimento da espada seria perfurador, uma estocada direta nas costas feia e ossuda. Girou, usando a lâmina da espada para defender-se mais uma vez. Eu não conseguia acertá-lo. O bronze sagrado gemeu ao colidir com o metal da outra espada. Dei um passo para o lado, brandi Darkness num arco à altura do crânio do esqueleto e voltei a me movimentar. Girei o pulso, levando a arma até a barriga do meu adversário, tentando perfurá-lo. Inclinei-me para frente, levantando o calcanhar, reduzindo a minha base, deixando minha postura reta e o peito para fora, para assim não perder o equilíbrio durante o ataque e para tentar evitar os ataques do mesmo com facilidade, vindo de várias direções, usando várias posições.

Fora inútil. O esqueleto deu um giro, manuseando a espada para bloquear a minha, desferindo um outro chute em mim. Dei uns passos para trás. Minha respiração já estava ofegante. O que eu deveria fazer? Antes mesmo que pudesse achar uma resposta para isso, o monstro avançou. Desferiu em minha barriga uma investida com a base de sua espada, dando um soco em meu rosto com aquele punho ossudo. Caí no chão.

Isso é o bastante. — disse Hades, fazendo com que o esqueleto retornasse ao solo.

Donna começou a chorar. James continuava sem falar nada, frio como gelo. Me levantei, passando a mão em meu rosto. Virei meu olhar para Donna, afogando-se em suas lágrimas. Abaixei a cabeça.

Não é tão boa quanto pensei, Jessie. — disse o senhor dos mortos, sorrindo.

Deixe-me tentar novamente. — pedi.

Não. Lhe expliquei muito bem os termos. — Hades olhou novamente para a mulher ao seu lado. — Perséfone, leve-os de volta para casa.

Ela acenou e três rosas vermelhas apareceram aos nossos pés. — Esmaguem-nas e elas os levarão de volta ao mundo dos vivos. — disse ela.

Espero que suas habilidades estejam em um nível superior quando nos encontrarmos novamente, Jessie. — disse Hades, estalando o dedo mais uma vez, desaparecendo na escuridão em seguida.

Eu fracassei. Fracassei na frente daquele que se diz meu pai. Donna, James e eu, pisamos as rosas que nos levariam de volta para o mundo. Mas eu me pergunto: O que esse fracasso irá significar para mim?

Explicações:
► Embora tenha participado de experimentos no bordel, Jessamine não irá demonstrar agora os efeitos colaterais disso.

► ADHD-I é como os cientistas chamam um outro experimento.

► Wanheda significa "Comandante da morte".

Poderes usados:
Geocinese I [Nível 1]: Pode mover pequenos pedaços de rocha e formações minerais, arrancando-os do chão, levitando-os, o que sua imaginação quiser. uma por vez, as quais não fazem mais do que distrair o inimigo ou atrapalha-lo, porém as pedras não são grandes o bastante para causar machucados sérios. Rochas sagradas ou abençoadas não podem ser manipuladas. [Ela usara esse poder durante um experimento.]

Aura da Morte I [Nível 1]: O filho de Hades emana uma aura que incomoda as pessoas - não chega a afastá-las, mas elas não ficam à vontade. É algo sobrenatural, sem explicação, mas elas tem medo de morrer ao chegar perto. Não afeta semideuses ou seres mitológicos. Esta aura também afasta as almas muito mais fracas de você.[Modificado] [Ela usara esse poder durante alguns experimentos.]

Armas:
{Darkness} / Espada [Espada de 90cm, feita de bronze sagrado. Sua lâmina mede cerca de 70 cm, e sua base é mais grossa que a ponta. A guarda-mão é em forma de um crânio que tem seus dentes pontudos virados na direção do início da lâmina, como se ela saísse de sua boca. Os olhos do crânio são feitos por dois rubis. O cabo e a espiga são revestidos por um couro escuro, o mesmo tipo usado em sua bainha. No nível 20 transforma-se em um anel de caveira] {Bronze sagrado} (Nível Mínimo: 1) [Recebimento: Presente de Reclamação de Hades]

{Void}/ Anel [Anel de caveira que absorve a energia vital das almas dos oponentes mortos, armazenando-as. As almas guardadas podem ser usadas como um combustível na forma de um "buff", ampliando o poder de ataque do semideus em 10% por 3 turnos a cada alma utilizada. A alma utilizada segue ao submundo após isso. Esse efeito pode ser usado apenas 2x por missão. Adicionalmente, 1 vez por missão o filho de Hades pode gastar uma alma coletada para recuperar 10% de sua HP e MP.] [Almas coletadas: 0]{Bronze} (Nível Mínimo: 1) {Não Controla Nenhum Elemento} [Recebimento: Presente de Reclamação de Hades]

{Shadow} / Capa [Capa feita de escuridão, lã negra e fios de obsidiana. Com uma magia muito parecida com a do elmo de Hades, a capa faz com que o semideus fique invisível em meio as sombras, mas não modifica o odor do semideus, não diminui o barulho de suas ações ou modifica a estrutura corporal do semideus. A capa pode ser usada em partes do copo ou no corpo inteiro, mas ao passar por um foco de luz a camuflagem passa a ser inútil. Ao usar essa capa apenas como um acessório de vestimenta, mesmo estando sobre a luz ela concede um aumento de 10% na potencia dos poderes referente ao medo que o semideus usar.] {Lã}(Nível mínimo: 1) {Não Controla Nenhum Elemento} [Recebimento: Presente de Reclamação de Hades]

Leslie Rothlow
Filhos de Hades
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Quando eu era apenas uma garota, dizia ser uma deusa... e vivia nos céus. Algumas vezes me pergunto porque desci. | Poético. Ass.: ídolo

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Re: TESTE PARA FILHOS DE HADES - JULHO

Mensagem por Lucy Scarlett em Ter 28 Jul 2015, 21:47

Lucy Scarllet
Teste para filha de Hades



Características Físicas: Lucy é uma garota baixa. Seus longos e ondulados cabelos são castanhos; seus olhos são dourados como âmbar e sua pele é pele branca como papel. Gosta de usar jeans surrados e camisetas largas, e não se importa muito com a aparência. É uma garota bonita, apesar de não perceber isso.

Características Psicológicas: Lucy é uma garota que não leva desaforo para casa. Sempre foi durona e briguenta, e jurou a si mesma nunca mais chorar por nada. Não aceita muito bem o fato de ser uma semideusa, ou que seu pai seja o senhor do submundo, ou que esteja sempre em perigo por culpa de sua aura. É um tanto quanto antissocial, mesquinha, e sempre pensa nela em primeiro lugar. A única pessoa que lhe importa é sua meia-irmã mais nova, Luna. Não é muito amigável e, dependendo da situação, é cínica, antipática e cruel. Lucy criou essa máscara, a fim de esconder seu medo.

[center]História:[center]
    Dia 31/10/2013

    Quem eu sou? Sinceramente, eu não sei. Ou pelo menos não sabia, até a noite de Halloween. 

   Sempre fui uma pessoa antipática. Motivo? Bom, não sou do tipo de gente que tolera muitas pessoas por perto. Mas não só isso. Era como se eu afastasse as pessoas. Como se elas tivessem medo de mim. Isso era estranho, apesar de eu ser meio ranzinza à vezes.

   Eram cinco e meia da tarde, e eu estava indo para casa. E por onde eu passava, almas me olhavam e recuavam.

  Desde que eu me entendo por gente, consigo falar com os mortos. Não sempre, claro. Eu nunca fui até eles: eles sempre vêm até mim. Sempre estão de passagem, e nunca incomodam a mim ou a outros vivos.

   Suspirei. Como hoje é o dia do Halloween, significava que o véu dos mundos estaria mais fino e fácil de atravessar. Ótimo. Como se não bastasse, eu teria de passar a noite na rua com minha meio-irmã mais nova, Lucy, indo de casa em casa pedindo doces ou travessuras.

   Cheguei em casa e fui recebida por minha mãe, que estava no hall de entrada.

   - Tadaima, okassan... – falei para ela. Minha mãe sorriu.

   - Okaeri, Lucy. – minha mãe se chama Yuuki. Sabe, ela e eu somos japonesas. Tá, ela é japonesa. Sou só descendente. Ela é uma mulher bem bonita, considerando que tem 40 anos: seus cabelos são negros, sedosos e curtos. Sua postura, impecável. Sua pele é branca como papel.

   Minha mãe é uma ótima advogada, e uma mãe excelente. Ou seria, se não fosse pelo fato de que ela quer que eu fale, às vezes, em japonês. Não que eu não goste, na verdade não ligo. Mas às vezes, enche o saco!

  - Você vai levar sua irmã, não é? – ela perguntou, sorrindo. – Para pedir doces na rua... – Suspirei, frustrada.

  - Mãe, ela não é minha irmã! – respondi, fechando a cara. Não me entenda mal, não é que eu não goste da Luna. Na verdade, eu a amo. Mas é que, para mim, ser “irmã” é ser filha do mesmo pai e da mesma mãe. Ou seja, de ambos os pais. E não só apenas de um.

  Depois que meu pai abandonou a mim e à minha mãe quando eu era apenas um bebê, ela casou-se novamente com Bill, um empresário. Ele é um homem sério, mas ao mesmo tempo bondoso. Sempre notei que ele ama muito a minha mãe.

  Quando fiz 5 anos, Luna nasceu. E eu comecei a notar o quão diferente eu era de minha meio-irmã. Ela é loira, dos olhos verdes. E eu sou morena, dos olhos âmbar. Estranho? Com certeza! Deveríamos ser parecidas, não? Comecei a fazer perguntas para minha mãe do motivo de eu ser diferente de Luna, e ela disse que quando eu fosse mais velha, eu saberia.

  E, no meu aniversário de 15 anos, ela me conta que Bill não é meu pai. Oh! Que inusitado! Isso era mais que óbvio para mim. Quando perguntei quem era meu pai, ela se limitou a responder:

  - E-Eu não me lembro, Lucy. Só sei que ele não pôde ficar conosco. Mas ele era um homem lindo e amável. – só. Se ela estava mentindo? Provavelmente. Só por ter gaguejado logo no começo. Acham que eu não conheço minha mãe?

   Após as minhas palavras, a vi franzir o cenho, em desaprovação.

   - Não ouse repetir isso, Lucy Scarllet! – ela falou, apontando o dedo para mim. – Luna é sim sua irmã!

  - Meia-irmã! – rebati, encarando-a. Sempre fui uma garota difícil, com o temperamento um tanto quanto... Explosivo. Mamãe diz que herdei isso de meu pai. – Eu não tenho obrigação nenhuma de levar a pentelha para pedir doces ou travessuras na rua! – falei, tirando meus sapatos no hall e correndo para as escadas logo depois. Subi até chegar ao segundo andar, entrando em meu quarto e trancando a porta logo em seguida.

   Exausta, fui direto para minha cama. Sempre que eu discutia com minha mãe, ficava cansada.  Ela tinha o dom para me cansar em uma briga. Tá certo que nem foi uma briga tão... Bom, nem foi uma briga. Exagero meu? Com certeza!

   Suspirando, peguei meus fones de ouvido mas, antes que eu tivesse a chance de colocá-los no ouvido para escutar Metallica, fui surpreendida por algumas batidas na porta. Revirei os olhos e, de má vontade, pus-me de pé, destrancando e abrindo a porta de meu quarto. E, para a minha surpresa, Luna estava ali.

   Seu resto delicado estava com um semblante triste. E isso, estranhamente, fez com que eu me sentisse mal. Mas logo me recompus.

   - O que quer aqui, Luna? – perguntei para minha meio-irmã. Ela apenas me encarou.

   - Lucy... – sua voz era calma. Mas eu sentia a tristeza que vinha dela. – Por que você não gosta de mim? – perguntou. Engoli em seco. Ela nunca me fizera essa pergunta antes.

   - Não é que eu te odeie, Luna... – forcei um sorriso. Fiz-lhe um cafuné e, depois, ajoelhei-me em sua frente. – O que acha de sairmos para pedir doces, hein? – mudança de assunto: essa era minha especialidade.

   Ela me encarou, com os olhos brilhando. O assunto sobre eu supostamente “não gostar dela” fora esquecido. Apesar de ser minha meio-irmã... Não nego que a amo demais. “Então por que o drama com sua mãe?” você deve ter pensado. É que sou uma pessoa difícil. Não tenho jeito para lidar com as pessoas. Pode-se dizer... Antissocial. E sempre digo algo que magoa a outra pessoa. E eu tenho muito medo de magoar Lucy. Claro que não é só por isso: sou esquisita, estranha, falo com gente morta! Acha que eu quero Lucy perto de tudo isso?

     - Podemos mesmo? – ela perguntou, abrindo um sorriso. Confirmei com a cabeça e, após me dar um abraço, Luna correu porta afora, indo vestir sua fantasia.

 

   Eram sete e meia da noite, e nós estávamos caminhando pela calçada. Crianças e adolescentes andavam de um lado para outro, com as mais variadas fantasias: bruxas, fadas, gnomos, fantasmas... E, falando em fantasmas, havia ali os falsos... E os verdadeiros.

   Almas penadas, que andavam de um lado para o outro, passando pelos vivos, sem que os mesmos percebessem. Mas os mortos não se aproximam de mim. Não mesmo. Assim, mantenho Lucy por perto. Mais por precaução.   

   E então, o avistei. Meu pesadelo vivo. Um garoto alto, com cabelos loiros, curtos e arrepiados e olhos azuis escuros. Ele usava a fantasia de Legolas, do Senhor dos Anéis. Um arco e uma aljava, ambos dourados, estavam em suas costas. O garoto é uma pessoa animada e alegre. E bem bonito, na verdade. Mas vivia dando em cima de mim, e nunca me deixava em paz.

   Assim que me avistou, ele sorriu e correu até minha irmã e eu.

   - Lucy! – ele disse, abrindo um luminoso sorriso. – É um prazer ver você! – o garoto me abraçou e eu comecei a lutar para me soltar.

   - Chase, me solta! – falei para ele. Então, o projeto de Legolas me soltou e olhou para mim.

   -Ah, Lucy, você é tão má! – ele fingiu uma cara triste, levando a mão à testa e fazendo drama. Revirei meus olhos para o garoto.

   - Para de drama, projeto de Legolas. – falei, franzindo o cenho.

   - É... Lucy... – Luna me chamou, e eu olhei para ela com uma cara de “diga, pirralha”. Então ela continuou: - Vocês são namorados?

   E, nesse momento, eu quase me engasguei com minha própria saliva. Mas que diabos... Chase apenas se limitou a rir e a afagar a cabeça de minha meio-irmã.

   - Oh! Mas que menina mais observadora! – ele falou, sorrindo. Sério, será que ele nunca cansava de sorrir? – Quem é você, pequena fada? – perguntou, observando a fantasia de minha meio-irmã.

   - Ela é Luna, minha meio-irmã. – falei, antes que a pirralha pudesse responder. Meu... É... “Amigo” levantou as sobrancelhas.

   - Você tem uma irmã e nunca me contou? – seu tom de voz estava sério. Estranhei isso, mas logo me senti frustrada por ele me cobrar esse tipo de coisa. Quem ele pensa que é?

   - Nunca lhe contei porque não te interessa! – rebati, pegando no pulso de Luna e arrastando-a pela calçada. – Vamos, Luna. Vamos continuar a pegar doces para você.

   - Ai! Lucy, me solta, isso machuca! – ela reclamou, mas não dei atenção a ela. Só queria distância daquele garoto. O que não adiantou muita coisa, pois ele nos seguiu.

   Resolvi ignorá-lo. Enquanto caminhávamos, Luna me perguntava sobre Chase: se ele era meu namorado, se eu gostava dele, se ele era carinhoso comigo, porque eu o tratava mal... E, a esse ponto, nós havíamos chegado à esquina e minha paciência já estava zerada. Encarei-a com raiva.

   - Luna! Nós não somos namorados! – falei para ela. – Chega garota, cansei! Se quiser pedir doces, vai sozinha! – soltei a mão de minha meio-irmã e atravessei a rua.

   - Lucy! Espera! Eu... – e, de repente, uma batida alta e gritos me fizeram virar para trás. E, assim que eu vi a cena, senti meu corpo inteiro amolecer.

   Um carro. Uma batida. E uma vida perdida. A vida de Luna. Um carro havia atropelado minha meia-irmã. Ela estava no chão, caída, com seu pescoço virado em um ângulo estranho. À sua volta, havia uma poça de sangue. Em seu corpo, havia escoriações e sua perna estava com uma fratura exposta. Seu vestido, antes rosado, agora estava vermelho e rasgado.

   Caí de joelhos no chão, meu estômago revirando. E então, coloquei meu lanche da tarde para fora. Comecei a tremer como louca e lágrimas acumularam-se em meus olhos. Senti um par de mãos ao meu redor. Eu sabia que era Chase, pois ele havia me seguido até ali.

   - Lucy... Vem, vamos sair daqui... – sua voz era gentil e doce. Mas demonstrava certo... Medo? Seria isso?

   Meu coração batia freneticamente. Minha respiração estava acelerada. E só uma coisa martelava em minha cabeça: que eu era a culpada pela morte de Luna.

   - LUNA! – gritei, em meio a meu desespero e lágrimas, o nome de minha meia-irmã ecoando pela noite.

   Dia 2/11/2013

   Estávamos no velório de minha meia-irmã. Eu estava com meu vestido preto. Meus cabelos estavam desgrenhados, pois não sentira vontade de arrumá-los. As pessoas que por mim passavam, davam os pêsames. Mas eu não ligava. Não queria ouvir das pessoas que elas sentiam muito. Soava... Falso. Superficial.

   Não fui ver o corpo de Luna no caixão. Entraria em colapso se eu visse. Mais do que eu já estava. Eu não conseguia pensar em nada. Não conseguia falar nada. Eu não havia comido ou dormido já faziam dois dias.

   Estava sentada num banco perto da parede oposta à aquela caixa de madeira, olhando para o vazio. Não conseguia parar de pensar o quanto eu era culpada. Se eu não tivesse soltado a mão dela! Lágrimas silenciosas rolaram meu rosto, enquanto meu coração começava a disparar novamente.

   Pus-me de pé e saí daquele lugar. Não iria aguentar ficar ali. Assim que passei pelas portas da frente da funerária, deparei-me com Chase. Ele estava com uma camiseta preta, jeans, casaco preto e tênis. Seu olhar, que sempre transbordava alegria, agora demonstrava tristeza.

   - Lucy... – ele disse, me puxando para um abraço. Estranhamente, eu não rejeitei. Acho que estava tão em choque pela morte de Luna, que não me importava com o resto. – Sinto muito.

   “Sinto muito.”. Como eu odiava essas palavras.

   - É minha culpa, Chase. – sussurrei, as lágrimas ainda caindo.

   O garoto alisou minha cabeça, tentando me consolar. Não deu certo.

   - Lucy, sei que é um mau momento, mas precisamos conversar. – Chase me olhou nos olhos e, por um momento, seu olhar ficou sério. Então, ele sentou-se no chão e eu repeti seu gesto, sentando-me ao lado dele.

   Não estava a fim de papo, mas... Parecia que era algo sério. Então, parei para ouvi-lo.

   - Aquele carro... Queria atropelar você. – Chase falou, por fim.

   Surpresa, virei meu rosto em sua direção.

   - Como assim, do que você está falando?

   - Você não é uma pessoa normal, Lucy. Levei um tempo para perceber de quem você é filha, mas após coletar alguns dados e, depois de ontem, finalmente descobri.

   - O que? Do que você está falando? – perguntei-lhe, completamente confusa. Chase me encarou, seu olhar preocupado. – Como assim o carro queria me atropelar?

   Chase suspirou.

   - Lucy, você sabe quem é seu pai? – neguei com a cabeça. Por que ele estava perguntando do meu pai agora? – Eu desconfiei. – ele suspirou. – Você é como eu. Uma semideusa.

   Uma o quê? Meu cérebro não conseguia processar essa informação. Uma o quê? Semideusa? Como assim? Isso é ilógico, e impossível. Deuses não são reais. Empurrei-o, ou pelo menos tentei. Chase apenas segurou-me pelos pulsos.

   - Você está louco, Chase. Vá embora! – falei para ele. Meu coração batia freneticamente e minha respiração estava acelerada.

   - Estou? Tem certeza? – ele me empurrou, até que eu ficasse contra a parede. – Você vê pessoas mortas, não é? As pessoas geralmente ficam longe de você, certo? Não só elas, mas as almas também.

   Meu queixo caiu. Como ele...

   E, de repente, minha mãe saiu de dentro da funerária, acompanhada de Bill. Seus olhos estavam inchados e vermelhos. Nas suas trêmulas mãos, um lenço encharcado por suas lágrimas.

   - Mãe... – falei. Meu “amigo” me soltou, e eu fui em sua direção, mas parei assim que vi seu lhar. Uma mescla de raiva e ódio me atingiu, fazendo meu corpo paralisar e começar a tremer de leve.

   - A culpa é sua. – ela disse. – Por ser filha daquele homem!A CULPA É TODA SUA! – ela falou, indo em minha direção e sendo parada por Bill. Meu padrasto me olhou com solidariedade.

   - Yuuki. Não diga isso. – ele falou, abraçando minha mãe. Meu coração falhou algumas batidas, e eu senti que me despedaçava por dentro. A raiva que eu vira em seu olhar... Caí de joelhos, completamente sem chão.

   - E você, Chase. Leve-a aquele lugar. O Acampamento Meio-Sangue. Não quero mais essa garota em minha casa! – e, após essas palavras, ela virou as costas e saiu.

   Eu estava tão concentrada em minha própria culpa, que nem me lembrei de resistir quando Chase me puxou para cima e me colocou em uma van. Tudo era muito confuso: filha daquelehomem, minha mãe dissera. Acampamento Meio-Sangue. Que raios de lugar era esse, afinal? E quem era meu pai?

   Comecei a chorar de desespero e amargor. Chase colocou um braço em meus ombros e não disse nada. Pela primeira vez, permiti-me ficar feliz por isso: uma das melhores formas de confortar alguém era ficar em silêncio.

   Não vi para onde a van ia, ou quem estava dirigindo. Para mim, isso agora não importava. Na verdade, nem ligava para isso.

   - O que eu disse antes era verdade, Lucy. – ouvi Chase falar. Olhei para ele.

   - Quem sou eu? Ou melhor, o que sou eu? – perguntei, entre soluços.

   - Você é uma semideusa. – o garoto falou, após soltar um suspiro. – Assim como eu. Sua mãe é mortal. E, seu pai, um deus. – ele deu um sorriso, passando o polegar em minhas bochechas, limpando a trilha de lágrimas.

   - Quem é seu pai?

   - Apolo, o deus do sol, da música, etc, etc, etc... – ele falou, movimentando as mãos em um gesto contínuo. – Já você...

   - O que tem eu? – perguntei. Antes, ele dissera que havia descoberto quem era meu pai. Depois do que houve hoje, não ficaria surpresa com qualquer notícia que ele me desse. Quem diria que eu estava tão errada? – Você disse que sabia quem é meu pai. Conte-me! Por favor!

   Vi Chase hesitar por um momento, como se ponderasse sobre me contar quem era meu pai. Novamente, meu coração falhou algumas batidas. Medo. Era isso que eu sentia agora. Medo de descobrir a verdade.

   - Sim, eu descobri. – ele respondeu, cauteloso. O garoto abriu a boca para falar algo, quando o motorista da van parou. Chase suspirou, um tanto aliviado. – Venha. Vou levar você para alguém que possa te contar isso de uma forma... Melhor que eu.

   Então, ele me puxou para fora da van, e eu me deparei com uma colina, de grama verde-clara e, no topo, um pinheiro. Havia algo enroscado nele. Um lagarto gigante. Não, não era um lagarto. Era um...

   Recuei.

   - Aquilo é um...

   - Dragão. – Chase sorriu. – Não se preocupe, Peleu não vai lhe fazer mal nenhum. – e então, tomando minha mão, o garoto me conduziu colina acima. Passamos por Peleu, o dragão, e eu senti meu queixo cair quando vi o que havia colina abaixo.

   Um acampamento. Mas não um acampamento qualquer: o tal acampamento meio-sangue. No lado oposto à colina, havia o mar. E, perto dele, haviam vários chalés, de diferentes cores. De um lado, havia a floresta. Havia também um campo de plantio, que não consegui identificar bem o que era. Vi uma arena, um pavilhão, uma espécie de anfiteatro...

   Chase me conduziu pelo acampamento, e todos os outros... Hum... Campistas, me olhavam estranhamente. Enquanto me conduzia para o local que ele chamou de Casa Grande, onde morava o diretor do acampamento, o garoto me dizia o que aquele lugar realmente era: um acampamento para treinamento de semideuses, pois o mundo lá fora era perigoso para crianças como nós. Contou-me, também, que todos os seres mitológicos eram reais.

   Era difícil assimilar tudo. Era muita coisa para minha cabeça. Deuses, monstros, semideuses... Eu nem havia superado um trauma, e já vinha mais coisa para eu superar? Seria impossível.

   Quando nos aproximamos da Casa Grande, vi que, na varanda, havia um híbrido de homem e cavalo. Um centauro. Assim que nos aproximamos, ele me encarou.

   - Senhorita Scarllet... – ele disse, fazendo uma pequena reverência. – Meu nome é Quíron, o monitor de atividades do Acampamento Meio-Sangue. – o centauro sorriu, depois virou-se para Chase. – Obrigada por trazê-la em segurança, Chase.

   - Por nada, senhor Quíron. – e, após se despedir de mim, o garoto saiu de lá, deixando-me a sós com o centauro.

   - Então, senhorita Scarllet, sei que está passando por um momento bem difícil... – Quíron falou, alisando a barba. Olhei para baixo, escondendo-me em meus cabelos, que caíram ao redor de meu rosto. – Mas quero que me acompanhe. Vou levá-la até sua nova casa.

   Levantei os olhos.

   - Nova casa? – perguntei, meu coração acelerando. Ele assentiu.

   - Sim, sua nova casa. Venha comigo. – o centauro trotou para fora da varanda, e eu o segui. Caminhamos pela área dos chalés, e ele foi me dizendo a qual deus grego os chalés pertenciam. Chalé 1, Zeus; Chalé 2, Hera; Chalé 3, Poseidon; Chalé 4, Deméter; Chalé 5, Ares; Chalé 6, Atena; Chalé 7, Apolo; Chalé 8, Ártemis; Chalé 9, Hefesto; Chalé 10, Afrodite; Chalé 11, Hermes; Chalé 12, Dionísio.

   E, então, Quíron parou na frente do chalé 13. Ele era feito de pedras negras, que eu reconheci: obsidiana, vidro vulcânico. Na entrada, haviam tochas, que portavam um fogo verde. Era, de certa forma, assustador.

   - E este chalé, Quíron? Pertence a qual deus grego? – perguntei. Em algum lugar dentro de mim, eu temia saber. Mas eu já estava tão chocada que nenhuma outra notícia me chocaria por hoje.

   - Este chalé pertence ao seu pai, Lucy. Hades, o deus do submundo.

   Como eu estava enganada. Essa notícia fora o ponto alto de meu dia. E, mais uma vez, eu sentia o mundo desaparecer debaixo dos meus pés.
 

[center]TRAMA:[center]

   Faziam alguns dias que eu estava no Acampamento Meio-Sangue. O lugar era legal e tudo mais, mas eu sentia saudades de casa, da minha mãe e o que eu mais queria era poder voltar. Queria mesmo. Mas eu não podia. Ela me mataria.

   Mas eu não conseguia dormir. Em meu chalé, o máximo que eu conseguia fazer era olhar para o teto. Os roncos de meus irmãos enchiam meus ouvidos, e isso deveria fazer com que eu me sentisse bem e segura, afinal eles era, tecnicamente, minha família, certo? Errado. A cada dia que eu ficava ali, eu me sentia mais e mais sozinha e impotente. Tantos semideuses poderosos e tudo que eu conseguia fazer era, no máximo, levitar pedras a 30 centímetros do chão. Nível de inutilidade? Cem por cento.

   Eu queria tanto voltar naquele dia, e impedir a mim mesma de soltar a mão de Lucy! Queria poder... E uma ideia me veio à mente. Claro! Sou filha do deus dos mortos, certo? Então eu, tecnicamente, poderia fazer o que eu pensava.

   Com meu coração aos pulos, levantei-me da cama e, sem acordar meus irmãos, troquei de roupa, colocando minha calça legging, camiseta do Nirvana, casaco de frio e botas. Peguei minha espada e saí do chalé, indo até a área dos estábulos. Eu havia arrumado algo para fazer, mas Quíron nunca deixaria que eu fosse. Não sozinha, pelo menos. Mas não queria ninguém me atrasando.

   Abri a porta dos estábulos, que rangeu audivelmente. Olhei para os lados e, depois, adentrei rapidamente, com medo de que alguém me visse a me dedasse para Quíron ou o Sr. D. Então, caminhei até a última baia, onde havia o único pégaso no acampamento que gostava de mim.

   - Buttercupp! – falei, abrindo um sorriso mínimo. O pégaso me encarou e relinchou em desaprovação. – Sei que é tarde, mas poderia me dar uma carona até o cemitério?

   Buttercupp relinchou como quem diz “Você é louca?”. Então, eu tirei do bolso do casaco algo que eu havia pegado no chalé antes de sair: torrões de açúcar. Estendi a mão para o pégaso, que pareceu se acalmar. Mas, mesmo assim, olhou-me desconfiada.

   - Por favor, Buttercupp! – implorei. – Te dou mais torrões de açúcar quando voltarmos, o que acha? – propus. Mesmo não gostando muito da ideia, ela se aproximou de mim e, após comer os torrões, deixou que eu montasse em seu lombo. Saímos do estábulo, Buttercupp abriu as asas e levantou voo.

   O ar noturno era frio, e cortava meu rosto. A lua estava alta no céu, e iluminava o caminho que eu e o pégaso trilhávamos. Não haviam nuvens, tornando nossa visibilidade total.

   Eu sei que isso é algo irresponsável. Mas o que eu posso fazer? Eu queria visitar minha irmã, nem que eu tivesse que procurar por ela, lápide por lápide.

   Assim que avistei o cemitério, pedi para Buttercupp pousar. A contra gosto, ela o fez. Paramos entre algumas lápides mais novas. O vento continuava frio e sinistro, mas eu não me importava. Depois que descobri meu parentesco divino, eu havia perdido meu medo de muitas coisas. Meu medo do escuro, meu medo de fantasmas... Meu medo de morrer.

   Eu agia com mais indiferença que antes, claro. Tudo uma fachada. Não permitia que os outros se aproximasse com facilidade, e nem queria que eles se aproximassem.

   Ajeitei uma mecha do meu cabelo azul atrás da orelha, e comecei a procurar pela lápide de minha irmã.

   - Sidney Grohrs, Melinda Houst... – murmurei os nomes gravados nas pedras frias. Procurei por mais de uma hora, mas não havia encontrado ainda. Minhas pernas doíam, e eu queria sentar.

   Continuei caminhando por entre as lápides, até que escutei um barulho, fazendo os pelos de meu braço se arrepiarem. Olhei para os lados, procurando por quem, ou melhor, o que fez o barulho.

   E, de repente, senti o mundo virar. Caí de costas no chão.  Haviam me passado uma rasteira. O céu acima de mim ainda era negro, mas alguns pontos de luz dançavam à minha frente. O barulho de cobras ficou mais alto.

   Rapidamente, pus-me de pé e puxei minha espada da bainha. Em minha frente, havia uma mulher. Ou melhor, uma criatura com tronco de mulher e, da cintura para baixo, ela era um réptil. No lugar das pernas, haviam duas serpentes. Demorei um pouco, mas reconheci de um dos livros que eu lera no acampamento: ela era uma dracaena

   - Filha de Hades! – ela disse, com os olhos brilhando. – Sabia que a encontraria aqui! – a mulher-cobra disse, brandindo uma lança em minha direção. Automaticamente, apontei minha espada para ela.

   - Sabe quem eu sou e mesmo assim quer me matar? – perguntei. – Você é mesmo muito tola. Sou uma das mais poderosas filhas de Hades, monstro. Por que acha que vim sozinha até aqui? – blefei, esperando que ela caísse. E, claro, ela não caiu.

   - Acha que eu acreditaria nisso, filha de Hades? – ela perguntou, rindo. “Bom, eu esperava que sim” pensei, mas guardei para mim mesma.

   Rodei o cabo da espada, fazendo-a dar um giro de 360º, passando pelas costas e palma da minha mão, agarrando o cabo quando ela voltou para a palma. Sim, eu tinha certa habilidade com espadas feitas de ferro estígio. Perícia com ferro estígio, por assim dizer. Era uma espécie de habilidade dos filhos de Hades.

   - Você vai morrer, semideusa. Faz muito tempo que eu não mato um da sua espécie. – ela disse, e então partiu para cima de mim com sua lança.

   Lancei-me para o lado, desviando por pouco de seu ataque. Se tinha uma coisa que um de meus... Meio-irmãos haviam me ensinado era a capacidade de invocar almas com a espada. Não gostava de perturbar a paz de quem já havia partido, mas... Então, em meio a meu desespero escondido e minha falta de opção, me concentrei.

   E, de repente, duas mãos esqueléticas surgiram da terra, erguendo os corpos logo em seguida. Só dois? Bom, era melhor que nada! Os esqueletos olharam para mim, como se esperassem ordens. Ordens que viriam de mim.

   Um arrepio percorreu minha espinha. Mas eu precisava dizer algo a eles.

   - É... Distraiam a dracaena, sim? – e, como se sua vida (ou seria morte?) dependesse disso, os esqueletos partiram para cima do monstro. Eu iria atacá-la por trás. Vi ali algumas pedras, do tamanho de uma bola de boliche.

   Concentrei-me em levitá-las, e atirei-as no monstro, enquanto ela lutava com os esqueletos. Depois, corri para me esconder entre as lápides, ainda levitando pedras e atirando-as. A dracanea levantou o escudo que portava, para se defender.

   Minha chance.

   Corri até avistar as costas dela e, quando consegui, parti para cima. Meu maior erro. Quando estava para penetrar sua pele com minha espada, ela se virou e bateu com o escudo em meu corpo, lançando-me no chão. A dracaena riu.

   - Achou que me enganaria com esse truque ridículo, semideusa? – ela perguntou.

   Dei-lhe um sorriso provocador.

   - Achou que esse era meu plano? – perguntei, encarando-a. Outro blefe, mas que funcionou melhor que o primeiro. Seu olhar ficou confuso, e eu vi minha chance. Chutei seu escudo e pus-me de pé rapidamente, perfurando-a com a espada de ferro estígio.

   Quer saber meu outro erro? Estar tão perto dela. Antes de se desfazer em pó, o monstro mordeu meu ombro. Gritei de dor e caí de costas no chão, sentindo meu corpo inteiro começar a parar de se mover.

   Comecei a respirar rapidamente e minha consciência começar a se desvair.  Não por causa do veneno da dracaena, mas pelo fato de eu ter gastado muita energia levitando aquelas pedras. Pensei, então, em tirar um cochilo ali mesmo ou chamar por Buttercupp para que ela me levasse de volta para o acampamento, quando ouvi passos. Meu coração acelerou e minha mente entrou em um conflito de querer descansar e querer que meu corpo se defendesse, o que me causou uma grande dor de cabeça. Mas eu não conseguia me mexer, o que me fazia descartar a segunda opção.

   E eu me sentia muito cansada, como se eu não tivesse dormido por, sei lá, umas três semanas. Então, apenas fiquei ali, torcendo para que, seja lá quem fosse, se ia me matar, que fizesse isso rapidamente. E, antes de perder a consciência, só pude ouvir sua voz.

   - Você me dá muito trabalho, Lucy. – e então, eu apaguei.

 

   Acordei em um quarto. Olhei para o teto. Era negro como o céu noturno. Sentei-me, mas senti-me tonta e comecei a cair lentamente, como se tudo estivesse em câmera lenta. Então, duas mãos seguraram meus ombros.

   - Não faça isso! Descanse! O veneno da dracaena fora retirado de ser organismo, mas você não pode ficar se mexendo assim! – escutei uma voz feminina ao meu lado. Olhei e me deparei com uma mulher. Seus cabelos eram negros como a noite, e seus olhos demonstravam uma frieza que me cortava por dentro. E tenho certeza que ela faria isso comigo se pudesse. – Meu senhor pediu para que mandasse você descansar, Lucy. – ela continuou. Depois, pôs-se de pé e caminhou porta afora.

   Meus olhos estavam arregalados. Eu sentia isso. Quem era aquela mulher? E onde eu estava? Olhei para o quarto. As paredes eram negras como obsidiana. O chão, era de ladrilhos pretos e brancos e, no centro, havia uma caveira desenhada (legal o que se pode fazer com alguns ladrilhos). Não haviam janelas. A luz do lugar era responsabilidade de algumas tochas com fogo grego.

   A única saída do lugar era a porta por onde a mulher passara, e eu estava pensando nas possibilidades de sair dali, quando um homem adentrou a porta, seguido pela mulher. E meu queixo caiu.

   O homem era bonito até. Tinha cabelos negros, e olhos âmbar, assim como os meus. Ele trajava uma vestimenta grega tão negra quanto as paredes do aposento onde eu me encontrava. Dele, eu sentia uma aura poderosa. A aura da morte. Então eu soube de quem se tratava.

   - Hades. – falei, por fim. O deus ergueu uma sobrancelha.

   - É assim que recebe seu pai, Lucy? – ele perguntou, me encarando. Depois, vi que lançou um olhar de desculpas à mulher ao seu lado. E eu finalmente soube quem ela era: Perséfone, sua esposa. Minha... Madrasta.

   - O que espera que eu faça? Te abrace e chore de felicidade em seu colo? – perguntei secamente. As narinas de Hades inflaram e seus olhos tomaram um brilho perigoso.

    - Olhe como fala comigo, mocinha! Sou seu pai!

   - Um bem negligente, não acha? – rebati e eu achei que ele fosse me fulminar ali mesmo.

   - Você é bem ousada, Lucy. Gosto do seu gênio. – ele falou, e eu notei que meu pai fazia força para se controlar. – Enfim, eu sei o motivo de você estar aqui.

   - Aqui... Onde? – perguntei, meio confusa, levando a mão ao ombro onde a dracaena me mordera. Hades riu, como se eu tivesse feito uma piada.

   - Nos meus domínios, é claro. Você está no mundo inferior. – ele me encarou. Em seus lábios, havia um sorriso. Mas em seus olhos, um sentimento que não consegui reconhecer. Desgosto? Raiva? Descrença? Não consigo dizer qual era. Mas, seja como for, era claro que ele não queria que eu estivesse ali.

   - Uma filha de meu senhor que nem sabe onde está. – Perséfone falou, com ironia na voz.

   - Querida, por favor. Poderia nos deixar a sós? – Hades lhe pediu. A deusa olhou para ele e depois para mim. Bufou, e então saiu do quarto.

   Hades suspirou, como se já tivesse passado por aquela situação algumas vezes. E, sinceramente, eu não me importava.

   Eu tinha um motivo para estar ali. E ia seguir em frente com meu plano. Não iria voltar atrás! Não mesmo!

   - Me desculpe por Perséfone. Ela não é muito... Paciente com meus filhos.

   - Puxa, nem imagino o porque... – sussurrei, enquanto olhava para minhas mãos, as quais eu havia cruzado em meu colo. Hades pareceu ignorar meu comentário.

   - O que eu quero dizer... – ele continuou. – É que sei o motivo de sua visita, Lucy. – ergui os olhos e encarei seu rosto imortal, surpresa. Ele... Sabia?

   - Não sei do que está falando, pai. – menti, e ele se limitou a me lançar um olhar frustrado.

   - Francamente garota, você é uma péssima mentirosa! – falou, irritado. – Você está aqui para levar sua irmã de volta, não é?

   Meu coração quase parou. Sim, esse era meu plano. Entrar no mundo inferior, procurar por Luna e, assim que encontrá-la, levá-la de volta para o mundo dos vivos, dando-lhe outra chance de vida. Poxa vida, minha meia-irmã só tinha dez anos quando morreu. Isso é justo? Claro que não!

   Eu é quem deveria estar morta, não ela.

   - Era para eu estar morta, pai. – falei, desviando meus olhos, vendo algo de interessante em minhas mãos. – Não Luna. Foi um erro ela morrer. E estou aqui para consertar esse erro. Vou achá-la e levá-la de volta.

   Hades não disse nada. Ficou imóvel em seu lugar. O que foi pior de que se tivesse dito algo. Então ele suspirou e caminhou até minha cama, sentando-se ao meu lado. Era estranho ver que o deus dos mortos era uma pessoa... Amável, até. Sempre tive uma imagem negativa de Hades. E, ver que eu estava errada, me surpreendia.

   - Lucy. – ele disse, e eu me obriguei a olhá-lo. – Você não pode fazer isso.

   - Mas pai... – comecei, mas ele levantou a mão em um gesto para que eu me calasse. E, pela primeira vez, obedeci.

   - Os mortos não podem voltar à vida. Você com certeza deve ter vindo para cá com o intuito de ressuscitar sua irmã, mas não posso permitir que faça isso. Não é seguro. Entenda, você é só uma mortal. Não pode mexer com coisas da vida e da morte. Luna está morta. E, se você tentar procurar por ela, terei que te castigar de um jeito que você não vai gostar. – Hades disse. Depois, ele se levantou. – Se recupere. Assim que estiver melhor, vou enviá-la para o mundo dos vivos em segurança. -  e saiu do quarto, me deixando sozinha.

   Lágrimas de raiva e frustração surgiram em meus olhos. Não podia fazer com que minha irmã voltasse à vida. Injusto? Totalmente. Em minha raiva, soquei a parede. Eu voltaria para o mundo dos vivos de mãos vazias.

PODERES UTILIZADOS::
Aura da Morte I [Nível 1]: O filho de Hades emana uma aura que incomoda as pessoas - não chega a afastá-las, mas elas não ficam à vontade. É algo sobrenatural, sem explicação, mas elas tem medo de morrer ao chegar perto. Não afeta  semideuses ou seres mitológicos. Esta aura também afasta as almas muito mais fracas de você.[Modificado]

Respiração do Submundo [Nível 1]: O filho de Hades respira normalmente em locais de baixa pressão ou subterrâneos, fechados, desde que haja uma quantidade mínima de ar. Eles ainda são afetados por poderes de sufocamento, e condições precárias, se prolongadas, podem ser letais. 

Perícia com armas laminadas [Nível 1] Por ser filho de Hades, o semideus manipula perfeitamente as armas laminadas, ganhas como presente de reclamação, e possuem uma familiaridade ainda maior se elas forem de ferro estige.[Modificado]

Ativos

Necromancia I [Nível 1]: Pode invocar os mortos fazendo o ritual de cavar um buraco no chão, lançar oferendas à eles como cerveja, refrigerante e comidas de drive-thru. Depois, basta cantar em grego antigo quatro versos sobre invocação de mortos, dizendo o nome do fantasma que quer invocar ao final de cada verso. Quando o fantasma escolhido aparecer, deixe-o bebericar e comer a oferenda. Então, virará um espectro e poderá se comunicar com você por até duas rodadas. Nem sempre o fantasma aparecerá e se a lua estiver cheia, o processo tem mais chances de dar certo. O espectro poderá mentir, dependendo de quem ele é e sua relação com o filho de Hades. Apenas um fantasma por invocação, e no máximo uma invocação diária.

Geocinese I [Nível 1]: Pode mover pequenos pedaços de rocha e formações minerais, arrancando-os do chão, levitando-os, o que sua imaginação quiser. uma por vez, as quais não fazem mais do que distrair o inimigo ou atrapalha-lo, porém as pedras não são grandes o bastante para causar machucados sérios. Rochas sagradas ou abençoadas não podem ser manipuladas.

[spoiler=OBSERVAÇÃO:] Esse texto não é um plágio, só reutilizei-o. Qualquer coisa, tenho como provar]



Coloca algo aqui se quiser :3
Lucy Scarlett
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Re: TESTE PARA FILHOS DE HADES - JULHO

Mensagem por Zeus em Sab 01 Ago 2015, 11:14


Avaliação
Vamos ver como você foi...


Zeke Drewetty: Reclamado

Começou seu post muito bem, Zeke. Descreveu o psicológico da personagem de uma forma realista, e em conjunto com a aparência criou algo muito consistente.

Devo-lhe confessar que a primeira parte de sua narração me deixou um pouco chocado. Zeke sofrera desde pequeno e nas mãos do avô experimentou o inferno. O jogo de emoções da personagem, em conjunto com sua habilidade de descrição, fez com que eu conseguisse visualizar toda a situação.

Não é fácil interpretar uma personagem com deficiência visual, mas nos primeiros parágrafos de seu texto, ficou clara a sua maestria no assunto.

Com a ausência da visão, os outros sentidos se tornam mais aguçados, e isso ficou claro nas batalhas que a personagem enfrentou. Mesmo com o curandeiro o auxiliando, Zeke realmente sofrera alguns ferimentos e precisava de um tratamento mais eficaz. Com coerência, você narrou a exaustão do semideus bem no momento em que Hades o reclamou.

Na segunda parte de sua narração, onde você narrou na primeira pessoa, os conflitos e percepções ficaram ainda mais fortes e bem descritos.

A forma como encontrou de ir até os domínios de Hades e o encontro com o deus não deixaram a desejar, e a reação do semideus diante as confissões do pai foram coerentes.

Em todo o seu texto encontrei apenas um errando de espaçamento, creio. Nada que gere algum tipo de desconto para seu texto.

Sua narrativa foi muito bem projetada e arquitetada, não há possibilidade de você não ser reclamado. Meus parabéns, filho de Hades.

Joe Gohan Jeckostez Koich: Não Reclamado

A maneira como escolheu fazer sua ficha foi um tanto quanto interessante, porém, em vários  momentos de seus relatos eu fiquei bem confuso.

Um diário serve para as pessoas colocarem seus relatos, lembranças e acontecimentos diários, mas você começava descrevendo o ocorrido e de repente narrava como se estivesse presenciando a mesma cena novamente... foi um pouco confuso, sim.

O momento do combate ficou meio estranho também, pois você narrou que a garota se transformou e no parágrafo seguinte, sem nem detectar que a criatura era um monstro, começou a referir-se a garota como "ele".

O combate em si foi bem criado e a intervenção de outros semideuses também foi bacana, mas em seu texto faltaram duas exigências para a aprovação: ● Narração da chegada ao acampamento e a reclamação.

Em spoiler no final do post você alegou que Joe fora reclamado quando era um bebê e não se lembrava por ser muito pequeno, mas você poderia ter resolvido isso com a narração curta no início do texto em terceira pessoa ou pela visão da mãe do garoto sobre o acontecimento.

E a chegada ao acampamento nem foi mencionada, o que também influenciou na sua reprovação.

Em seu spoiler percebi uma boa vontade em corrigir a narração caso houvesse algum erro. Erros gramaticais: nada a comentar, apenas um ou dois errinhos bobos que encontrei em seu texto, nada relevante comparado ao todo.

Notei também que o semideus parecia muito familiarizado com os dracmas, então, se ele já tinha algum conhecimento prévio de sua origem, isso não ficou tão claro no texto.

Espero que refaça sua ficha e tente novamente no próximo mês. Qualquer dúvida, envie-me uma MP!

Jessamine Wolff Hömenneg: Reclamada

Logo que li suas características pensei: esse teste promete! Você foi minuciosa em criar toda a personalidade de Jessamine. Conseguiu mostrar os dois lados da semideusa e ainda frisar que poucos a conhecem em determinados aspectos, o que me deixou curioso em relação a seu teste.

No momento em que li os relatórios da experiência "Projeto Jessamine", me intriguei ainda mais com a história.

Continuei a ler o post e fiquei totalmente focada nele, mas percebi alguns errinhos, como por exemplo no seguinte trecho:
"Tentei não encará-los por muito tempo e continuei a caminhar de mãos dadas com minha mãe até a porta, onde os dois seguranças cumprimentaram meu pai como se já o conhecessem de longa data e comecei a me questionar sobre várias coisas."
-> De onde saiu seu pai nesse contexto? Fiquei realmente confuso e isso deu uma quebrada na leitura.

Em determinado ponto da história, Jessamine se descreve usando um vestido verde esmeralda e fala que seus cabelos estão soltos, em seguida, ajeita sua trança. Ficou um tanto incoerente o trecho e novamente deu uma quebrada na leitura.

Encontrei mais erros por falta de revisão em seu texto, porém, a luta foi muito bem especulada e construída. O fracasso diante Hades foi algo inesperado, porém muito coerente. Apenas revise mais o seu texto, Jessamine. Você tem um potencial incrível e sabe prender o leitor. Bem vinda, filha de Hades.

Lucy Scarlett: Não reclamada.

Teste não avaliado pelo seguinte motivo: Caso queira repostar um teste feito anteriormente e não avaliado pelo motivo de não cumprimento do horário, deverá postar usando a conta que fez a primeira postagem do teste em questão. Caso não o faça, converse com algum administrador com antecedência mínima de 10 dias. Como você não conversou com um adm e não tenho como averiguar se o post é realmente seu, o seu teste será anulado. Decisão tomada em conjunto com o Administrador Asclépio.


Atualizado.
Por Asclépio


Corrija um sábio e o fará mais sábio.
Corrija um ignorante e o fará teu inimigo.
Zeus
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Re: TESTE PARA FILHOS DE HADES - JULHO

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