♦ Trama

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♦ Trama

Mensagem por 139-ExStaff em Qui 08 Out 2015, 18:21


Trama



1º turno - Threshold

O dia estava sendo mais exaustivo do que o esperado: não bastasse o frio incessante, havia ainda as obrigações e dificuldades de sempre na vida de um semideus. Seria bom um pouco de descanso. Mas dormir, para aqueles de sangue mitológico, podem  levar a pessoa bem mais além do que o esperado.


Orientações narrativas


Data: Outubro atual;
Temperatura/ clima: Sempre frio para o padrão local, independente de onde seja;
Cenário: Mundo onírico
O mundo onírico é um local volúvel, fluido e com características modificáveis que em geral refletem ou respondem de acordo com a pessoa em seu interior. Todos no mundo onírico estão inconscientes de alguma forma no plano real, sendo "criaturas astrais" - dessa forma, nada do mundo real funciona dentro do mundo onírico, exceto aos que possuem habilidade adequada para transportar tais itens de dimensão, assim como formas astrias que transpassam a barreira entre os mundos são limitadas no mundo real.


Pontos obrigatórios


♦ A introdução deve abranger a narração de alguma atividade extenuante durante o dia (sem combate a monstros); deve-se atentar que um único exercício não causa exaustão - como dito na introdução, podem ser várias coisas/ fatores - tente uma explanação geral, focando-se por fim em algo mais específico - o que requereu mais esforço;

♦ Em algum momento após isso, você consegue finalmente um instante de descanso, acabando por adormecer e entrando em uma realidade onírica. Foque nas sensações, impressões e diferenças - o personagem não precisa, necessariamente, ter consciência dentro do sonho (sonho lúcido);

♦ Nesse ponto, o semideus deve descrever visões e interações dentro dessa realidade - podem ser lembranças reais, sonhos comuns, etc, sem utilização de poderes ou ligação mitológica real, nem combates - não há uma quantia determinada, mas detalhe seus sentimentos e reações;  

♦ Em algum ponto alguma coisa muda, o afetado. Termine ao ter sua atenção chamada por algo, sem, contudo, descrever o que provocou o efeito.


Prazo e status dos players


Prazo até amanhã, dia 09/ 10 às 20h. As estatísticas e nomes dos incritos previamente serão detalhadas a seguir. Postagens liberadas.



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Re: ♦ Trama

Mensagem por Gaspard Delevigne em Qui 08 Out 2015, 18:30



Troubled Waters




O dia no acampamento não começou exatamente como Tyler desejava. O céu estava nublado e um vento frio varria a Colina Meio-Sangue. O rapaz estava disposto a passar na Casa Grande para interrogar o indefinido que o atacara em sua última “aventura”. Ao sair do chalé com a espada que fora um presente de Quíron, sua mente começou a ficar difusa como as nuvens no céu.

— O que os deuses planejam para mim? — ele cantou enquanto seguia pela trilha da Casa Grande.

A espada refetia a pouca luz solar enquanto ele caminhava até a porta de madeira do local que esperava encontrar Quíron e o prisioneiro. Ao olhar para uma das janelas da construção, ele estreitou os olhos e parou de andar. Do que adiantaria resolver tudo aquilo com uma simples visita? Se o tal Kurt se comportasse da mesma forma psicótica do dia da “brincadeira” de detetive, não serviria de nada um depoimento.

— Ah, que raiva — o garoto bufou e virou o corpo para voltar ao chalé de Hermes. — Não consigo decidir o futuro de minha própria vida, imagine tentar reviver o passado?

Uma luz em sua mente o fez tomar a direção da floresta. Precisava de contato com o único elemento que o acolhera: Água. Com passos rápidos e ansiosos, o rapaz arrumou seu casaco cinza que cobria a camisa do acampamento e caía até a barra da cintura de sua calça jeans desbotada enquanto sentia o vento chicotear seu rosto.

Assim que passou pelas árvores e as pedras da floresta e chegou até o ponto de canoagem, encontrou os instrutores com alguns semideuses que praticavam canoagem e sorriu. Mesmo com aquele tempo, a atividade ainda divertia os campistas.  Uma náiade se aproximou do rapaz enquanto ele olhava para a barraca onde os equipamentos esportivos eram guardados.

— Incrível, não é? — ela tocou o braço do rapaz ele ele riu. — O que foi?

— Já me falaram sobre você. Cora, certo? — ela balançou a cabeça positivamente e ficou com o rosto vermelho de vergonha. — Não fique assim. Gosto de pessoas como você, que se conectam com um elemento tão renovador quanto a água.

Ele puxou a garota para o trecho de iniciantes na canoagem e tirou os sapatos e as meias. Assim que seus pés tocaram na água, ele sorriu e chamou a náiade. Ela deu uma risada baixa e se juntou ao semideus.

— Sabe de uma coisa? — ele sussurrou e olhou para o rio. Sua pose mudou, ficando mais reta e ele começou a cantar. — O que mais gosto no rio mais, é que ele ele nunca está igual. A água sempre muda e vai correndo...

O vento frio balançou os cabelos do ser da natureza. Aquela sensação, aquele contato com a água, era algo tão gratificante que ele perdia completamente a noção do tempo. O rapaz puxou Cora para mais perto e apontou para um ponto do rio.

— Mas não podemos viver assim, e este é o nosso mal — ele se abaixou até ficar com os joelhos próximos ao nível da água. — E o pior é que acabamos não sabendo... Lá na curva, o que é que vem? Sempre pergunto: Lá na curva o que é que vem...?

Uma forte dor de cabeça interrompeu a cantoria e o rapaz tombou para o lado, com metade do corpo no rio e a outra na grama baixa. A náiade soltou um grito de susto e Tyler esticou as mãos para ela. Sua mente foi invadida por uma série de imagens que ele tentava reconhecer com muito esforço: Uma canoa de madeira atravessando um rio. Uma sombra com garras perseguindo o garoto.

Quando ele abriu os olhos, a surpresa o fez levantar rapidamente. Estava no mesmo local, um rio. A diferença era a quantidade de névoa que cobria o local e os juncos que batiam uns nos outros enquanto o vento soprava. Tal sopro atravessava Tyler como se o mesmo fosse incorpóreo.

O semideus caminhou pelo local, que aos poucos se revelou uma dimensão cheia de fumaça e lodo, como em alguns de seus sonhos. As árvores tinham troncos tortos e galhos semelhantes aos dedos de alguma criatura perversa. Alguns animais sem rosto e envoltos em uma fumaça branca passavam por ali sem notar a presença do rapaz. Para o garoto, aquilo era... bizarro.

O canto de pássaros distantes servia de música de fundo daquele local que era ao mesmo tempo macabro e acolhedor. Quando Tyler deu mais um passo, sua mente o alertou de alguma coisa que o espiava e ele parou sem poder identificar o que o incomodava.


Onde: CHB Com quem? Pessoas Post: 001 Vestindo: isso


Thanks @ Lilah CG
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Re: ♦ Trama

Mensagem por Ethan Slowan em Qui 08 Out 2015, 19:23

Bad Dreams


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Assim que a dança termina, A Máfia se mistura às pessoas e, em questão de minutos, todos estão na van, assim como combinado.

— Mais um show incrível pra nossa lista! — Josh, o líder do grupo, comemora.

E então o motorista liga a van e seguimos para o circo abandonado que se tornou minha moradia nos últimos tempos. Apesar de, como já dito, ser um circo abandonado, amo morar lá. Isso porque várias pessoas do grupo ficam lá também, e é o local onde nós ensaiamos nossa coreografia.

Não demora muito para nós chegarmos e eu vou até minha cama improvisada.

— Boa noite, pessoal — digo baixo, mas numa altura suficiente para que todos escutem.

Me deito e uso o cobertor aos meus pés para me cobrir. E, claro, não preciso de muito tempo para cair no sono, graças à exaustão causada pela apresentação.

[...]

E então eu estou novamente na minha casa, com aproximadamente onze anos. Minha mãe acaba de me dar mais uma de suas aulas e depois vai trabalhar. Me despeço dela e a ouço descer as escadas do apartamento, mas o som é rapidamente substituído por um silêncio. E algo nesse silêncio me incomoda. Não sei o que e nem o porquê, mas tenho certeza de que algo está errado.

Ér:
Obs:
1°: O motivo do cansaço foi uma dança, caso não tenha ficado claro.

2°: Para entender melhor, sugiro que leia essa DIY [clique].
Poderes:
Nada aqui. q
Itens:
Nada aqui também. q


Legenda


Ações Christian "Pensamentos"



Thanks Thay Vengeance @
Ethan Slowan
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Re: ♦ Trama

Mensagem por Tobias Pratt em Qui 08 Out 2015, 19:37






Sonhos da Primavera Perdida


Com uma vassoura comum, aproveito o silêncio para limpar o chão da enfermaria. Lembro-me da época em que eu tinha que limpar toda a casa onde morava com meu pai e meu irmão, porque meu pai passava o dia todo fora e meu irmão era revoltado demais para fazer qualquer coisa útil, mas decido tentar afastar as lembranças. Para isso, dou atenção ao que faço.

Depois de varrer, pego um pequeno pano branco e limpo o balcão do estabelecimento, retirando inclusive algumas pequenas gostas de sangue.

Para dar continuidade à limpeza, organizo os livros da estante, deixando-os do modo como Will gosta. O normal é eles estarem arrumados, mas as vezes eu ou ele pegamos um livro e esquecemos de o colocarmos de volta em seu devido lugar.

Só depois de tudo terminado, percebo o quão o atendimento aos pacientes e a limpeza me cansaram. Me sento em uma cadeira, mas levanto rapidamente.

"Eu sei que ainda tenho que ir andando até o chalé e que isso vai me cansar ainda mais, mas quanto mais rápido eu chegar lá, mais cedo posso me jogar na cama."


[...]


Depois do banho, vou direto para a cama. Me deito nela e até penso em pegar o livro que estou lendo recentemente e ler um ou dois capítulos, mas sei que o sono não deixará, então apenas fecho os olhos e uso todo o conforto e a comodidade da minha cama para dormir.


[...]


— Tchau, pai! — digo, segundos antes de ouvir a porta se fechar. Como de costume, vou até um dos armários da casa e pego alguns materiais de limpeza. Ao som de uma música animada, começo a limpar toda a casa.

E então meu coração acelera. Algo começa a crescer dentro de mim, uma sensação estranha e única, e tenho apenas uma certeza: tem algo de errado aqui.

Ei, você!:
Poderes:
Ativos:

Nenhum ativo.

Passivos:

Nenhum passivo.
Itens:
Uma vassoura, um pano e um balde com água. Nenhum deles possui propriedades mágicas.

Post: 1° | Em: Mundo Onírico | Com: Por Enquanto, Ninguém

Thank's for @Lovatic, Cupcake Graphics

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Re: ♦ Trama

Mensagem por Lindsey Johnson em Qui 08 Out 2015, 19:40

Nightmares
Desde minha conversa com Elliot, eu havia começado a me esforçar bastante nos treinos. Passava o dia todo treinando com a espada e com o arco. Certo, eu estava no Acampamento não fazia uma semana, mas era uma total mudança na minha rotina. Eu nunca fui fã de exercícios físicos. Isso resultava, obviamente, em péssimos resultados nos treinos – mesmo assim, melhores do que eu esperava - e dores pelo corpo inteiro. Então por que eu continuava insistindo? Porque eu havia assimilado bons resultados com maiores chances de encontrar meu pai. Assim que eu me tornasse boa o suficiente com pelo menos uma das minhas armas eu sairia do acampamento em busca dele. Ou pelo menos era isso que eu esperava. Eu ainda não havia entendido que as coisas nunca sairiam conforme eu queria.

Já eram quase dez horas da noite. Eu estava no último treino de armas de longa distância do dia. Exausta, eu quase não conseguia mais puxar a corda do arco. Os músculos dos meus braços e das minhas costas gritavam por um descanso. Só mais um tiro, pensei comigo mesma. Mirei no alvo à quinze metros de distância. Havia algumas flechas cravadas nele, mas a maioria se encontrava no chão a sua volta. Eu estava surpresa de ter acertado mais que zero. “Limpe seus pensamentos. Se concentre apenas no alvo”, lembro do instrutor me dizer. Era o que eu tentava fazer naquele momento. Então soltei a corda, e a flecha disparou para frente. Ela ficou cravada no anel mais distante do centro. Pelo menos acertei o alvo, pensei. Eu certamente era melhor com o arco do que com a espada.

Coloquei a arma e a aljava no chão e me deixei cair ao seu lado. O cansaço tomava conta do meu corpo e eu estava toda suada. Fiquei uns cinco minutos ali, sentada, até que criei coragem de me levantar e ir até o chalé dos filhos da Despina. Enquanto andava, podia sentir minhas pálpebras pesadas. Por sorte não dormi antes de chegar no dormitório. Só tive tempo de tomar um belo banho antes do sono me dominar. Caí estirada na minha cama, e antes que eu pudesse perceber estava dormindo, e sonhando.

O mundo era um borrão escuro. A única coisa existente era eu mesma, o resto era escuridão. Estava frio, eu podia sentir isso, embora não me afetasse. Então um vulto surgiu na minha frente. Indefinível no primeiro momento, e foi ganhando forma até se transformar em uma mulher. Ela era linda, por sinal. Uma beleza glacial a qual não consigo explicar. Ela emitia uma luz fraca e fria, que não iluminava o lugar a sua volta. Por mais que eu nunca a tivesse visto antes, a reconheci imediatamente. É aquela coisa dos sonhos: você está em um lugar totalmente estranho mas sabe exatamente onde está; você não conhece, contudo, sabe com certeza.

- Mãe – eu disse. Minha voz saiu trêmula, não pude evitar. O que ela fazia ali, depois de tanto tempo? Não sabia se sentia alívio, alegria, raiva, tristeza. Não sabia se queria correr abraça-la ou gritar com ela. Mas isso é só um sonho, obriguei-me a lembrar.

- Oh, Lindsey. – Seu olhar era triste – Meus deuses, eu sinto tanto! Gostaria de poder te explicar tudo, mas não é possível, minha querida filha. Espero que me perdoe.

- Você me abandonou! – Gritei em resposta. Acho que estava com raiva – A mim e a meus irmãos! Não importa qual explicação tenha, não vai conseguir mudar o que fez. Eu já me esqueci de você. Por favor, vá embora.

E ela foi. Com um último olhar triste para mim, ela desapareceu, levando o cenário escuro junto com ela. Então eu estava em um orfanato. Não um orfanato qualquer, mas o primeiro no qual eu havia ficado. Estava em um quarto. Havia alguns berços organizadamente espalhados pelo local. Através da janela eu podia ver a neve caindo lá fora. Uma mulher segurava um bebê no colo, e cantava para acalmá-lo, pois ele chorava histericamente. De alguma forma, eu sabia que a criança era eu, no dia em que haviam me encontrado.

A cena mudou outra vez. Estava num parquinho com outras crianças do orfanato. Ao invés de brincar com elas, estava sentada em um canto, longe da bagunça. Eu observava uma família ao longe: pai, mãe e filho. Eles pareciam tão felizes juntos. “Onde estão meus pais, tia Rô?”, perguntei mais tarde a uma das mulheres que cuidavam de nós. “Eles foram viajar, minha flor. Já, já, estão de volta” ela respondeu. Eu sabia que era mentira. Apareci em um outro orfanato, quando eu devia ter uns sete anos de idade. Nessa época, alguns dos outros órfãos já haviam começado a me chamar de estranha e a me atazanar. Encontrava-me no meio de um pátio, e outras cinco crianças estavam em volta de mim, gritando. “Esquisita!”, “Lindsey vê espíritos! Vive falando com eles, por isso não conversa com a gente!”, “Onde estão seus amigos espíritos, Lindsey?”, “Eles foram embora! Era tão chata que nem eles aguentaram”, “Nem os pais dela suportaram olhar para sua cara feia por muito tempo, coitada”. Eu comecei a chorar. E o sonho mudou de novo.

Dessa vez, eu estava na escola. Devia ter por volta de doze anos de idade. Estava na hora do almoço, e eu tentava achar um lugar vazio para comer. Tentava fugir da multidão de pessoas que se espalhava por todos os lados, me sufocando. Não, eu tentava fugir de uma pessoa. Lembrava-me exatamente daquele dia. Não, pensei. Não, não...

- Lindsey...
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Re: ♦ Trama

Mensagem por Ayla Lennox em Qui 08 Out 2015, 20:26

Dreams of a lost Spring
A filha de Selene fitava o céu com o corpo apoiado no parapeito da janela em seu chalé. Suspirou pesadamente ao ver e, principalmente, sentir a calmaria que tomava conta do acampamento. Algumas folhas dançavam em um ritmo ditado pelo vento, que por sua vez levava consigo o cheiro da floresta aos quatro cantos.

Os dias dentro das fronteiras haviam feito bem a Ayla. Se sentia mais estável, um pouco mais tolerante e consciente a respeito de seus atos e de quem era. As veias escuras haviam sumido, o que era um alívio apesar de saber que as sombras dentro de si jamais desapareceria. Os treinos eram desgastantes quase todos os dias e aquele não fora uma exceção.

Seus cabelos se agitaram com a brisa gélida, assim como a blusa de botões - dois ou três números maiores que ela, diga-se de passagem - totalmente impregnada com aroma amadeirado e familiar que trajava junto apenas às roupas de baixo.

O lar das crias da lua era um lugar bem tranquilo, de forma que apenas um ou dois dividiam o lar com Ayla e ainda sim, quase sempre saíam em viagens ou passavam as noites fora envolvendo-se com atividades diversas. Com exceção da própria semideusa, estava vazio. Ou ao menos deveria estar.

Lennox desviou as íris azuis do grande tapete opaco que era o céu noturno para o amontoado de lençóis e travesseiros na outra extremidade do quarto.

O peitoral despido e levemente arranhado de seu namorado subia e descia profundamente - talvez tanto quanto seu sono - em intervalos regulares. Mordeu o lábio inferior de maneira quase inconsciente ao observar Frederick ali.

Ainda sentia o corpo do rapaz trazendo-a para perto, envolvendo-a em um abraço forte, como se escondesse em si uma ânsia, um grito mudo de desejo por ela na única intenção de fazer dos dois um só.

Deuses... O que foi que nós fizemos? Pensou enquanto tentava conter o riso. Sabia exatamente o que tinham feito, e dificilmente se arrependeria.

Ei, lobinha. — A voz rouca de Fred a chamava. — O que está fazendo aí?

Não sei, pensando no lugar mais adequado para comprar minha mortalha pra caso Quíron fique sabendo o que aconteceu aqui. — Deu de ombros.

Nah, você pode fazer isso amanhã. — Ele gesticulou com a mão como se aquilo não fosse importante. — Vamos, você precisa dormir.

E você precisa ir 'pro seu chalé. — Falou enquanto jogava o jeans do filho de Nyx em seu rosto. — Nos vemos amanhã.

Viu o rapaz se trocar e logo se esgueirar pela porta com o maior silêncio possível - o que era quase como ver um touro caminhando numa loja de porcelana. Rindo, jogou-se no colchão e começou a reparar que a exaustão estava cobrando seu preço.

Fechou os olhos. A escuridão veio e a cobriu como um manto. Dessa vez, não a temeu.

• • •

Sonhos sempre são vistos de forma banal por pessoas comuns. Para alguns não passa de uma grande mistura de fatos e imaginação feita por um subconsciente sem nada melhor para fazer. Já outros encaram como um escape, uma fuga da realidade. Algo que pode ser muito bom.

Semideuses podem ser muitas coisas, mas o "normal" não é um termo que se encaixa em qualquer descrição. O que encontravam durante seus sonos poderiam ser visões do passado ou até mesmo agouros, presságios de um futuro não tão distante ou até mesmo uma outra realidade.

Naquela noite, para a mentalista, o sonho era tudo e ao mesmo tempo não era nada.

Estava em um lugar escuro e que aos poucos tomava forma. Piscou uma, duas, três vezes até conseguir discernir contornos, texturas e afins. Sentia-se como uma criança que estava conhecendo tudo pela primeira vez.

Mas a questão é que aquela não era a primeira vez da garota ali.

Alguns pinheiros estendiam-se pelo cenário rodeando uma clareira. Uma humilde construção encontrava-se no centro da área descampada, um primeiro andar.

O pequeno batente que dava no pequeno terraço já estava desgastado o bastante para que, assim que o homem que saiu da casa o pisasse, ele rangesse como se estivesse gemendo em agonia.

Ayla estreitou os olhos e deu um passo na direção da figura masculina. Cabelos castanhos e escuros, olhos verdes e a barba por fazer. O porte físico era de alguém com seus, no máximo, trinta anos. Apesar de ser um mero mortal, poderia muito bem ser confundido com uma prole divina.

Começava a ver o que Selene havia desejado nele.

Pai. — Sussurrou.

Adam terminou de vestir sua jaqueta e ergueu os olhos até a semideusa. Não disse nada, apenas... Sorriu.

Uma onda de calor lavou todo o corpo da garota. Correu e lançou-se nos braços do humano sem perceber o quanto havia sentido a falta daquele indivíduo.

As mãos ásperas e calejadas graças aos afazeres braçais afagaram os longos cabelos tão negros quanto os próprios domínios de Nyx pertencentes a Ayla. A cria da Lua sussurrava alguns pedidos de desculpa ininteligíveis enquanto mantinha o rosto escondido na blusa do pai.

Está tudo bem. — Falou ele enquanto segurava as maçãs do rosto da filha. — O importante é que você voltou.

A mentalista concordou com um aceno de cabeça e logo encostou sua testa na do humano.

Junto ao pai, era como se todas as suas resistências caíssem por terra. Logo sentiu seus pensamentos, suas memórias escapando até Adam. Flashes surgiram diante de si.

A invasão do acampamento onde lutou junto a outros semideuses para defender o lugar; a noite em que impediu que um meio-irmão realizasse um ritual mágico; o resgate de algumas crias divinas que estavam perdidas no mundo mortal; rostos de seus amigos, aprendizes, monitores e afins.

O cenário se alterava conforme as imagens surgiam, como se estivesse revivendo cada um dos momentos. Era algo conhecido como mundo Onírico, mas ela não sabia - provavelmente por não estar muito atenta durante os discursos dados pelas proles de Hipnos.

Tudo era tão real, tão... Bom.

Você parece que esteve muito ocupada sendo uma heroína por aí, não é mesmo? — Perguntou a figura paterna enquanto ria. — Vamos entrar, isso merece algum tipo de comemoração.

Sim, estava de volta. Gostava de como aquela afirmação soava, teria de volta seu lar, seu pai, sua vida normal.

Foi quando estava caminhando em direção à porta da frente que sentiu tudo ser arrancado de si com a mesma rapidez que a esperança havia sido plantada em sua mente.

Havia algo errado ali, podia sentir.

Uma risada seca e sarcástica preencheu o lugar. Sombras escapavam pelas frestas da porta e algo se agitou dentro da semideusa.

Colocou a mão em sua cintura buscando uma de suas armas, algum item mágico, qualquer coisa.

Nada.

Merda. — Xingou.

Tudo que lhe restava era rezar para que aquilo não passasse de um fruto podre de sua imaginação conturbada. Quase esqueceu que os deuses não costumavam ouvir suas preces.

Adendos:
Vamos lá, boa parte do que vocês vão ler aqui terá uma ligação direta com a trama pessoal de Ayla.
Coisas importantes a serem explicadas: Adam é o pai da garota. Eles tem uma ligação muito forte, etc coisa e tal; As visões são de acontecimentos como O Levante e algumas missões realizadas anteriormente, mas em especial à última DIY (cujo poder ainda não está na minha ficha, mas tudo bem, estou mencionando-o apenas para fins interpretativos), onde a garota passa a escuridão material dentro de si graças a um semideus envolvido com Érebo.

Outra observação importante: Acho que a situação no início do texto está bem implícita, nada que necessite ser colocado em spoiler e afins. Espero que não gere nenhum problema, mas caso aconteça, o staffer é livre paraeditar o trecho.

Por enquanto, that's all.
Poderes:
Passivos:

◉ Nível 2. Memória fotográfica: Tudo o que você ver ou ler ficará gravado em sua memória por anos, serve tanto para imagens para textos.

◉ Nível 20. Telepatia Avançada: Controle total, podendo escolher a hora que vai escutar os pensamentos ou não e também se comunicando livremente através dos pensamentos.

Nível 3: Sentidos Aguçados
Quando está a noite, os sentidos (Visão, audição, tato, olfato e paladar) dos filhos de Selene serão mais aguçados, melhor do que qualquer meio-sangue, sendo o dobro do que um humano comum em questão de acuidade e/ou alcance. [Modificado]

Nível 9: Olhos lunares
O filho de Selene, a partir desse nível, passa a enxergar no escuro com a mesma percepção e alcance da sua visão normal. [Novo]

Nível 40: Presságio
A lua sempre foi utilizada por várias culturas em seus rituais divinatórios. Você personaliza isso, ganhando uma espécie de sexto sentido que faz com que seja difícil ser surpreendido. Não indica o perigo exato ou o momento em que será atacado, nem de onde ou de quem virá, apenas a sensação de que há perigo, uma espécie de intuição, que pode servir para indicar emboscadas e armadilhas, ou até ataques. Alguns inimigos podem ter como burlar isso, já que podem conseguir ocultar sentimentos ou pensamentos - em casos do tipo, o poder só captaria se o oponente for de nível menor. [Novo]

With: -

Wearing: Jeans, blusa branca.

Where: Camp

Listening: Dream - Imagine Dragons
I sense there's something in the wind
That feels like tragedy's at hand.
Tks, Jay
Ayla Lennox
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Re: ♦ Trama

Mensagem por Christian Marshell em Qui 08 Out 2015, 21:11



Sweet Dreams
Join the darkness

Já era tarde, e Frederick não fazia ideia de como o chalé de Selene poderia estar tão vazio, mas também não importava. Depois de treinar durante a tarde inteira, sua mente estava inteiramente voltada para o que acontecia ali dentro, e não ligava nem um pouco para as consequências que aquilo poderia trazer. Os riscos de certa forma tornavam aquilo mais desafiador, deixava tudo ainda melhor do que realmente era. Foram momentos em que a consciência fora deixada de lado por ambos para que então pudessem fazer tudo que sempre desejaram com o outro.

Ao fim de tudo, enquanto a semideusa caminhava até a janela mais próxima trajando uma das camisetas de Marshell, o filho da noite se perguntou o que aconteceria se em algum momento alguém tivesse aberto aquela porta e pego os dois em seu momento mais íntimo. Quase que instantaneamente acabou por convencer-se de que tinha acontecido, tinha corrido bem, e não havia motivo algum para se arrepender dos atos que antecederam aquele momento.

— Ei, lobinha... — chamou suavemente de onde estava sem se esforçar para ocultar um pequeno sorriso. — O que está fazendo aí? — perguntou fitando-a com certa curiosidade.

— Não sei, pensando no lugar mais adequado para comprar minha mortalha pra caso Quíron fique sabendo o que aconteceu aqui. — Ayla respondeu dando de ombros.

Recostando-se no travesseiro e respirando fundo antes de soltar suavemente o ar do peito, voltou a observar a semideusa, escondendo até de si mesmo a ideia de que se o centauro descobrisse, ambos estariam definitivamente encrencados. Não sabia que tipo de punição era aplicada para coisas do tipo, mas tinha a impressão de que passava longe de lavar os pratos de todos os campistas.

— Nah, você pode fazer isso amanhã... — concluiu fazendo um gesto que dava a entender que aquilo não tinha importância. — Vamos, você precisa dormir. — convidou-a dando espaço para que a semideusa deitasse mais uma vez consigo.

— E você precisa ir pro seu chalé. — retrucou a semideusa jogando as calças jeans do garoto sobre ele. — Nos vemos amanhã.

Após um longo suspiro, Frederick se sentou no colchão deixando seus pés tocarem o chão. Com certa preguiça, levantou-se para se despedir da garota com um último beijo antes de colocar sua roupa e prosseguir sorrateiramente para fora do chalé de Selene a fim de chegar ao seu chamando o mínimo de atenção possível. Caso alguém o visse, poderiam no máximo criar boatos que nunca seriam comprovados.

Chegou ao seu próprio chalé ignorando todos os olhares que recebia durante o percurso até sua cama. Então, sem enrolar mais nem um segundo, tirou os tênis e se jogou sobre o colchão. Não demorou pra que o sono o atingisse, forçando-o a fechar os olhos e dormir. Desta vez esperava não ter a visita de seus pesadelos recorrentes.

•••

Mais uma vez um sonho foi iniciado assim que Marshell começou a dormir. O cenário formado era semelhante ao de um quarto de criança. Não conseguia dar detalhes de nada, sua visão deixava tudo borrado como se todo o cômodo fosse feito de manchas borradas. Identificou, porém, que ele era a própria criança, e do lado de fora da porta, algo forte e com garras afiadas tentava entrar a qualquer custo. A porta tremia a cada batida e não suportaria por muito tempo.

De um segundo para o outro, tudo mudou. Acordava agora com sua idade atual nas fronteiras do Acampamento, como se tivesse desmaiado no local. Mas nem tudo era igual. A grama não parecia tão verde e nenhum semideus era visto, mesmo do local privilegiado em que se encontrava. Rapidamente começou a olhar em volta sem entender o que tinha acontecido, e como não poderia obter respostas ficando parado, traçou caminho para o anfiteatro.

No caminho para o lugar esperado, notou que todo o Acampamento estava em ruínas. Mesmo com a ausência de corpos, havia sangue espalhado por todo o lado. Armas espalhadas pelo chão, paredes destruídas e focos de incêndio eram encontradas com frequência. Neste momento, Frederick tinha certeza de que nada de bom poderia acontecer ali. Seus sentidos apitavam como nunca, mas não tinha nenhuma de suas armas consigo.

Como se esperasse a deixa, o filho da noite identificou um barulho de passos. Nuvens acinzentadas cobriram o céu, e por mais que não fizesse ideia do que estava por vir, Marshell sabia que deveria se preparar para um combate. Seja lá o que tinha causado todo aquele estrago, ainda estava ali, e pretendia terminar o serviço.

Adendos:
Então, fiz uma pequena mudança no sonho porque achei uma boa forma de unir este evento com a trama do personagem. No começo, quando ele se vê como uma criança em um quarto, o sonho tem ligação com a trama do Fred. Quando ele muda, entra no contexto desse evento.

Sobre o que veio antes do sonho... Espero que não tenha problemas por ser o que é, mas não ficou nem um pouco explícito. Tentamos narrar de uma forma que desse pra entender o que se passou, mas sem deixar o texto inadequado para o fórum.

Único poder que importa neste post:
Nível 18 - Audição Perfeita: - O menestrel, como músico, tem uma ótima audição, só que por ser mais que um musico normal, essa audição chega a ser perfeita podendo "sentir" todo o local, se transformando em uma segunda visão. E o menestrel poderá também estar um passo a frente do rival, pois ouve até os ventos.


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Re: ♦ Trama

Mensagem por Willow Demurrage em Qui 08 Out 2015, 21:37


U



m barulho cortante e violento preencheu o ar – ao longe, porém a concentração impedia que a filha de Íris pensasse sobre os ruídos. Certamente os ventos traçavam curvas sinuosas no ar e davam início aos mais diferentes sons, provocando assovios falsos, sacolejando as arvores de um lado a outro, chegando a gelar os ossos de quem tinha de enfrentá-lo – o que, infelizmente, era o caso da semideusa.

Min havia chegado ao acampamento há pouco tempo, depois de passar um tempo em casa, com a mãe adotiva e a tia. E, se sentindo culpada pelo longo tempo sem entrar em ação, a adolescente havia dedicado os dias a arena ou a atividades diversas. E, naquele dia, ela se dedicava a escalada. E não demorou a que gotas de suor brotassem, evidenciando o esforço que a semideusa fazia. Que, convenhamos, não era pouco. E, ela continuou lutando contra a parede, tentando atingir o topo, porém seus esforços eram em vão. Afinal seus músculos ardiam pelo excesso de movimento que ela havia se submetido nos últimos dias.

E Min se sentia cansada, terrivelmente cansada.

Ela desceu, retirando os equipamentos e quase se jogando no chão, devido a dores musculares, porém não o fez por motivos óbvios.


- Que droga! – Min praguejou, decidindo ir descansar um pouco no chalé. Afinal seus esforços seriam completamente inúteis caso o seu corpo não fosse capaz de sequer suportar seu peso.


Porém, assim que ela alcançou a trilha dos chalés um estrondo de fez presente, fazendo com que ela pulasse devido ao susto, pronta para agredir o engraçadinho. Mas assim que a filha de Íris se virou pode observar que se tratava de um rapaz um tanto maior que si e de feições tipicamente europeias, com olhos azuis e cabelos claros. Era Laurence, um filho de Apolo que costuma ser o melhor amigo da semideusa, assim como uma espécie de irmão.


- Cara, que frio! – Ele exclamou, rodopiando os olhos claros de um canto a outro, parando para observar a amiga suja de terra e suada. – Nojenta.


- Você me assustou e ainda me chama de nojenta? Sinceramente, eu já selecionei melhor as minhas amizades viu, querido. – Min falou, lançando olhares falsos de censura para o filho de Apolo que riu.


- Estamos sendo possuídos pelo frio, Minzinha. Meu corpo sensual precisa chegar no chalé logo, estou louco para descansar minha bunda em um lugar quente. – Laurence falou, casualmente. – Vamos logo, te deixo na porta do seu chalé e aproveito para difamar a monitora asiática, que não toma banho e fica se esfregando no chão.

E, eles seguiram pela trilha, se xingando e se agredindo a cada passo. Certamente quem os assistisse acharia que eram malucos ou se odiavam de uma forma profunda. E obviamente a primeira opção era de longe a mais sensata.


- Byeee. – O garoto falou, sonoramente e ambos se separaram. Min adentrando no chalé e Laurence seguindo para o próprio chalé.


-x-


Ela, uma garota que aparentava nem ter completado a dezessete anos ocupava uma das camas, encolhida pelo frio e completamente envolvida por cobertores, mal notando o barulho dos ventos. Os cabelos negros e longos estavam mal penteados, quase tendendo a cair sob o rosto alvo de Min – o que felizmente não ocorreu.

Min estava limpa e pronta para descansar, apenas por alguns minutos. Ela foi capaz de murmurar para ela mesma. E, por fim as pálpebras pesaram e a escuridão a engoliu por pouco tempo, deixando o seu corpo tão leve e tão etéreo... Ela se lembrou vagamente da infância, quando sentava no colo da cigana, que lhe beijava as bochechas com carinho, e contava histórias antigas e esquecidas, de civilizações que ruíram.

Ela sentiu seu corpo ser tragado, como se tivesse sido posto em um liquidificador, mas não havia corpo. Ela flutuava.

E, por fim, ela chegou a algum lugar. Um lugar peculiar e estranho, ela diria. Mas, era calmo e tranquilo o suficiente para que ela se sentisse confortável. Era uma espécie de floresta clara, com arvores altas e diversas plantas. E, tudo aquilo seria normal se tudo não fosse feito de sorvete.
Eram arvores diversas, com vários sabores. Algumas com caldas escorrendo pelas copas como se fossem uma espécie de seiva deliciosa. Min salivou, observando o mundo gelado.


Lexa & Maya



Coisas:

Manas, ta frio, então o sonho da Min é ice cream, psé.
Itens:
Vários nadas

Poderes:
ATIVOS:
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PASSIVOS:
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Re: ♦ Trama

Mensagem por Alaric L. Morningstar em Qui 08 Out 2015, 23:08



❝I'll be your nightmare
Chapter One




- Noventa e oito... No-ven-ta e... Nove... C-cem! - Rangendo os dentes, o suor percorria todo o meu corpo. Com a centésima flexão, liberei toda aquela tensão e deitei no chão, com a cara na grama, os braços já doendo. - Ah, merda, ainda tenho uns quilômetros pra correr. - Praguejei, lembrando de que as atividades não tinham se encerrado (e não estava nem um pouco a fim de apostar corrida e perder novamente para um cão infernal). Virei-me e olhei para o céu azul, tentando normalizar a respiração enquanto ao mesmo tempo procurava descansar um pouco e me distrair.

Fazia um bom tempo desde minha última visita ao Spa & Resort CC, já que minha maior parte do tempo havia sido ocupada pelo cargo de monitor no acampamento, onde ficara mais frequentemente, responsável pelo chalé vinte e oito. Minha vida não parava, a constante busca por ficar cada vez mais forte me dominava. Não que fosse filho de Nêmesis, mas o desejo de vingança corria nas minhas veias. Além do mais, precisava ser bom o bastante para me manter respirando em meio ao mundo carregado de monstros que esperavam meio-sangues de forma tão hostil quanto um cão raivoso espera por seu bife. Queria deixar de ser caçado, acabar com todos aqueles fantasmas do passado. E como se não bastassem aquelas criaturas, ainda tinham os deuses, que faziam de seus filhos fantoches, ratos de laboratório, aqueles que fazem o serviço sujo. Era para isso que treinava. Para não apenas sobreviver, mas viver. Mesmo não sendo cria de Ares, precisava desenvolver meu corpo para os combates. Sabia que ainda tinha minha parte humana, não era uma máquina. Tinha que me manter bem resistente - não poderia depender eternamente dos meus poderes.

Mas todos aqueles pensamentos foram se perdendo aos poucos. Apesar de tentar reunir forças para levantar, não conseguia fazê-lo - talvez pelo cansaço -, até sentir um sono imenso preencher todo o meu corpo. As piscadas eram cada vez mais demoradas, e não sabia o que diabos estava acontecendo para sentir aquilo. Tudo bem, talvez tenha perdido algumas horas de sono com certas coisinhas, mas ainda assim aquilo não era normal. Aos poucos ia perdendo a consciência, e após um bocejo, meus olhos se fecharam e não voltaram a abrir. E foi aí que eu apaguei.

[...]

O ambiente era familiar, embora estivesse totalmente destruído. As mobílias estavam quebradas, no chão, tudo ali era desordem. Um cenário não muito diferente da última visita. A casa dos Mikaelson.

Estava no meu antigo quarto, e toda a lembrança daquele dia vinha à mente. "Ah, de novo não... O que tô fazendo aqui?", perguntei a mim mesmo. Sabia que semideuses tinham pesadelos frequentemente, mas sonhar com aquilo... Realmente era algo complicado. Por mais que tentasse esquecer todo aquele episódio, sempre voltava para mim. Era como se ainda não tivesse resolvido. Talvez realmente fosse verdade, e só colocaria um fim naquela história quando o coração de Kiotris parasse de bater. E a maldição dos Mikaelson teria seu fim.

"Eu não ligo mais para isso. Aquele velho Alaric morreu", disse mentalmente a mim mesmo, respirando fundo. Até que, então, um ruído interrompeu todo aquele fluxo de pensamentos, fazendo-me parar para focar naquilo. Mesmo sem carregar arma alguma, mostraria que eu era o pesadelo ali.



coisinhas:

Bem, não precisa spoiler pra itens, né? Já que não foi possível levar e tal. Nesse turno não coloquei também spoiler pros poderes porque não há necessidade (até porque foram poucos os que sobraram das restrições). Alaric tava fazendo um treino físico, pra ficar mais forte também em relação ao corpo (tendo em mente que poderes não eram tudo em batalhas). Acho que o excesso disso leva à exaustão, certo? Bem, depois de dormir, a realidade que abordei nesse turno foi relacionada à trama do personagem: a casa de sua família, que havia sido destruída.
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Re: ♦ Trama

Mensagem por Zoey Montgomery em Qui 08 Out 2015, 23:36

Zoey encarava Vladimir intensamente. A loira flexionou os joelhos pela milionésima vez, enquanto o damphyr sorria e alongava o corpo. Um suspiro saiu dos trêmulos lábios da pequena.

- Qual é, Vlad. - queixou-se, batendo os dentes. - Você me tirou da cama às cinco da manhã, e está me fazendo correr neste frio desgraçado! 

- Não seja molenga, Z. - ele respondeu, afagando a cabeça da menina. Os longos cabelos prateados do rapaz estavam presos em um rabo de cavalo baixo; ele usava uma calça cinza de moletom, combinando com uma blusa de mangas longas pretas como o breu. Já a menina usava uma calça de moletom preta, com uma blusa de mangas longas azul celeste.

Estava extremamente frio, mais que o normal, e aquilo era estranho para a menina. Nunca a temperatura caíra tanto, a ponto de gelar até os ossos, e o rosto da loira doía graças ao vento e por culpa do tempo o qual estava ali correndo com o amigo.

Na noite anterior a menina fizera uma visita na mansão do amigo, para perguntar algumas coisas referentes ao que aconteceu em sua última saída do acampamento, e por ter ficado muito tarde dormiu em um dos quartos vagos. Afinal, acabaram a conversa eram quase quatro da manhã. E, às cinco, o damphyr a tirara da cama para que fossem correr.

- Vlad, estou cansada. - os olhos da menina voltaram-se para um relógio que havia em um dos postes do Central Park, e constatou que eram quase nove horas da manhã. - Corremos tanto assim? 

O damphyr deu de ombros, e voltou a correr. Com um suspiro pesado, Zoey o acompanhou. Cada passo que dava o corpo da garota gritava de dor, a cabeça parecia que ia explodir, e tudo que ela queria era sua cama. Não estava com cabeça nem para pensar no que conversaram durante a madrugada. Com um rápido movimentos de mãos, ela esfregou os olhos para espantar o sono. 

***************************************

Correr até a mansão dos Stark foi um trabalho difícil. As pernas bambas da pequena gritavam por um descanso, assim como o corpo e a mente dela. Rindo da cara de zumbi da arcana, Vladimir segurou-a gentilmente pela mão e conduziu a garota para dentro, levando-a até a sala de estar e deixando que a mesma caísse no sofá. 

E assim que encostou sua cabeça nas macias almofadas com capa de cetim os olhos pesaram, e a mente da menina começou a vagar para longe. Até que adormeceu completamente.

*******************************

Ao abrir os olhos, a menina não sabia onde estava. Era uma sala de trono, ampla e bem iluminada pelas luzes da lua, que adentrava pelas janelas abertas, assim como a brisa suave e revigorante, com cheiro de orvalho. Pelo farfalhar, devia haver alguma floresta por perto, e o som do pio das corujas fez a pequena sorrir.

- Onde estou? - sussurrou. Aquele lugar lhe parecia levemente familiar, desde as pedras na parede até o trono feito de ouro. O tapete escarlate com detalhes em dourado fazia um caminho desde a porta atrás de si até as escadarias que levavam ao assento do rei. E, a passos lentos, a menina caminhou até o trono e tocou o mesmo com as pontas dos dedos.

Ela tinha certeza que já estivera ali. Mas quando? E por quê?

E, de repente, um frio desceu a espinha da arcana, e uma pontada nas costas a fez engolir em seco. A dor não fora física, mas sim sensorial, o que fez a loira levantar a guarda. Era como se alguém estivesse observando-a, e isto a deixava inquieta.

roubado de
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Re: ♦ Trama

Mensagem por Rumi Hayes em Qui 08 Out 2015, 23:39


once upon a dream
And I know it's true that visions are seldom all they seem




♦ Trama USGY3rD

Local: Chalé de Zeus, Acampamento Meio-Sangue — Mundo Onírico
Período: Noturno
Trama: Turno I — Threshold

Sinto-me livre enquanto corro pela floresta.

O vento beijando o meu rosto e balançando meus cabelos, a respiração acelerada, a pulsação cardíaca semelhante às frenéticas batidas das asas de um beija-flor, o cheiro de terra úmida, a adrenalina que percorre o meu corpo... tudo isso faz com que eu me sinta intensamente vivo.

Estou correndo há quase uma hora, minhas pernas imploram por descanso, mas preciso adquirir maior resistência física. Que tipo que caçador eu seria se não conseguisse correr atrás da presa? É com esse pensamento que me obrigo a continuar o exercício, apesar do cansaço e da exaustão.

Tudo seria mais fácil se o trajeto fosse reto como uma rodovia; mas o ambiente natural, com terreno irregular e obstáculos imprevisíveis me ajudam a raciocinar rapidamente em busca de uma manobra para continuar o percurso. Às vezes, tropeço em algum buraco ou em um galho caído e me repreendo por não ter prestado tanta atenção. Preciso cobrar muito de mim mesmo, assim como ele cobrava.

Desacelero a corrida assim que vejo a bandeira que indica o fim do circuito. A floresta é muito grande — e perigosa, pelo menos é o que dizem —, então, como ainda sou novato nessa terra de deuses e monstros, atenho-me à área que não é tem tantas árvores e, assim, ainda recebe iluminação solar.

Minhas pernas latejam quando eu finalmente paro de correr. Inspiro e expiro profundamente para estabilizar a respiração, diminuir a pulsação na cabeça e desacelerar as batidas cardíacas.

Consegui percorrer o circuito cinco vezes em cinquenta e seis minutos. Talvez eu teria conseguido mais se já não estivesse tão cansado quando iniciei o exercício.

Ah, sim, ser semideus não é tão fácil quanto parece, veja só minha rotina: de manhã, assim que acordo, vou à arena treinar arquearia ou combate contra monstros; durante a tarde, treino esgrima, às vezes limpo os estábulos e corro na floresta; durante a noite, quando não estou tão cansado, estudo criaturas mágicas e leio alguns livros ou histórias em quadrinhos. Claro, faço as refeições nos intervalos, tomo banho duas ou três vezes por dia, mas só descanso mesmo durante a noite.

No entanto, hoje estou me sentindo mais esgotado que o de costume; mas já era esperado, uma vez que tenho treinado arduamente nas últimas semanas. Então, temendo acabar adormecendo na floresta e ser devorado por alguma criatura estranha, caminho em direção ao chalé de Zeus para descansar um pouco antes da última refeição do dia.

ϟ

Ao chegar no chalé de Zeus, pego o livro “A Coisa” do Stephen King, e sento na cama para ler a segunda parte. No entanto, sinto meus olhos pesarem assim que inicio a leitura, então coloco o livro no criado-mudo ao lado e me entrego à exaustão acumulada nos últimos dias.

♦ Trama 4ZodYU8

— Está na hora de acordar, Alby — diz Alicia enquanto abre as cortinas do quarto para deixar a luz matinal clarear o cômodo. — O vovô disse que hoje é o grande dia.

Sento-me na cama e pisco algumas vezes até os meus olhos se acostumarem à claridade. Grande dia? Do que ela está falando? Levanto-me e vou ao banheiro fazer a minha higienização matinal.

Fito o meu reflexo no espelho e uma estranha sensação percorre o meu corpo, como se eu estivesse esquecido algo importante. Balanço a cabeça na tentativa de afastar o pensamento, mas, claro, não adianta. O alarme de que há algo errado continua emitindo um barulho na minha cabeça.

— Rápido, Alby! — grita Alicia do lado de fora do banheiro. — Não temos o dia todo.

Não me dou o trabalho de responder, apenas ligo o chuveiro, entro debaixo da água e torço para que o banho faça eu me sentir normal novamente.

ϟ

Visto calça jeans, camiseta regata branca, jaqueta preta de couro e calço um coturno preto de cano longo. Desço a escada que dá acesso à cozinha e encontro minha família reunida.

Algo está diferente..., penso novamente.

— Albus, estás atrasado. Acaso esquecestes que hoje tua mãe irá para a grande caçada? — questiona meu avô com sua voz grave e fria.

Balanço a cabeça e sorrio, mas, na verdade, eu não sei que grande caçada é essa. Olho para a minha mãe e noto que ela está pensativa, apesar de não ter nenhuma expressão facial que indica tal fato. Eu apenas a conheço.

A sensação volta mais uma vez, como um lembrete, e dessa vez estranho o fato da minha família parecer mais jovem.

— Posso acompanhá-la até a porta, mãe? — pergunto, mas ela balança a cabeça.

— Você sabe que não — diz ela com um tom acusador. — Vocês não têm permissão de me ver partir.

Assinto como se soubesse do que ela está falando.

— Não custava tentar, não é? — sorrio para disfarçar minha suposta amnésia.

— Chega de conversa — fala meu avô. — Adeus, Erza.

— Adeus — despede-se minha mãe. Como de costume, não há troca de carícias ou abraços. — Cuide da sua irmã, Alby.

— Pode deixar — falo, olhando para Alicia que está estranhamente quieta. Ela retribui meu olhos e depois fita minha mãe, então percebo que ela está prestes a chorar, mas se mantém quieta por temer a reação do meu avô.

— Cuide-se também, mãe — diz minha irmã.

Vejo minha mãe atravessar a porta e, assim que ela deixa o imóvel, um estrondo ecoa pelo ambiente e — junto ao som — um turbilhão de imagens invade minha mente.

O nascimento da minha irmã, o treinamento com o meu avô, a despedida da minha mãe, os meus aniversários, as caçadas, a casa sendo atacada, a notícia de que minha mãe não voltaria, a partida da minha irmã, o desaparecimento do meu avô, a solidão, a descoberta do mundo grego... O mundo parece girar em minha volta e nada faz sentido.

Eles não estão mais novos, eu é que estou mais velho, constato em meio aos outros pensamentos.

Encosto-me na parede, temendo cair, mas as lembranças continuam: o Acampamento Meio-Sangue, os treinamentos, as missões, as notícias sobre o meu avô, os monstros... Coloco as mãos na cabeça e fecho os olhos, implorando para que os pensamentos parem.

— CHEGA! — grito.

Não há casa, Alicia ou avô. Tudo o que há é o vazio e a escuridão.

Abro os olhos e estou em uma clareira, no meio de uma floresta. As árvores em volta formam um círculo perfeito e o espaço é tão grande quanto um campo de futebol. A lua brilha no céu, acompanhada por milhões de pontos luminosos.

O alarme continua a soar em minha mente.

A princípio, acho que estou sozinho, mas então, em meio ao silêncio e à solidão, eis que surge uma voz.

Não, não uma voz qualquer, mas uma familiar.

Sinto um arrepio percorrer por meu corpo e tenho certeza que tal sensação não foi provocada pelo frio do ambiente. Viro-me na direção em que o som foi emitido e meu coração acelera quando me deparo com o autor da voz.

Fodeu.



------------------------



Observações essenciais:


  • No início, Albus está correndo pela floresta (algo com atletismo) para adquirir resistência física.
  • Decidi explorar um pouco da trama pessoal de Albus nesse evento, então, bem, acredito que mais para frente ficará mais fácil compreender a história que envolve a família de Albus — eles são caçadores.
  • Sonhos são diferentes, geralmente não cronológicos e levemente bagunçados. Creio que tenha dado para perceber que o Albus voltou para a casa, no entanto para um tempo diferente. Quero dizer, ele é um rapaz com 19 anos, mas ele tinha aproximadamente 10 anos quando vivenciou o momento em que Erza vai para a grande caçada — por isso ele estranha o fato da família estar mais jovem e tal.
  • É isso. Obrigado por ler e espero que você tenha se divertido. <3

    Arsenal:

    Nada.
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Re: ♦ Trama

Mensagem por Heron Devereaux em Sex 09 Out 2015, 00:51


I haven't slept in two days
'cause cold nostalgia chills me 'till the bone




Juntei as mãos à frente dos lábios, esfregando uma na outra, enquanto baforava um pouco de ar quente contra as duas. Conseguia sentir o clima frio atingindo meus ossos e articulações. Um abraço apertado, mas frígido, de Despina. Se for verdade a afirmativa de que o frio aproxima as pessoas, ela não funciona para mim. Muita coisa havia acontecido, desde que as barreiras mágicas do acampamento começaram a rachar. Tudo havia mudado. Eu havia mudado. E, naquele momento em especial, me sentia mais só do que nunca. Emma, minha aprendiz, refugiava-se no esconderijo de Circe. Não que isso me incomodasse. Pelo contrário. A solidão era um dávida. Mas, naquele momento, eu desejava que houvesse alguém que pudesse me ajudar.

Suspirei, voltando a segurar a enorme pá. O estábulo, naquela manhã, estava coberto de estrume de pégasos. Alguém precisava limpar toda aquela merda. Por algum maldito motivo, Quíron havia decidido que eu deveria cuidar dessa tarefa. O velho escroto não larga do meu pé. Pensei, enquanto afundava a pá num pequeno monte de esterco. Apanhava um bom punhado do material, para depois despejá-lo em um carrinho que permanecia sempre ao meu lado. Dessa forma, a manhã tediosa ia passando vagarosamente.

Parecia que o lugar estava enfeitiçado. Quando mais estrume eu tirava, mais cheio parecia o estábulo. Não demorou, até que o esforço do trabalho esquentasse meu corpo. O suor escorria pela minha testa e percorria todo o meu corpo, ensopando a camisa branca, assim como o par de calças jeans surradas.

O sol já brilhava no meio do céu azul e límpido, quando um pequeno sátiro surgiu nos portões de entrada do estábulo. Meu trabalho já estava no fim, e eu torcia para que aquela criaturinha da natureza tivesse sido enviada para informar que eu já estava livre daquele “castigo”. Um erro crasso.

— Termine o serviço, Jackson. Quíron quer que você reorganize alguns livros e documentos da biblioteca.

— O quê?! Mas que filho de uma vaca! — berrei, jogando a pá no chão e me recusando a continuar o trabalho.

— Modere suas palavras, semideus — disse o sátiro, deixando um sorrisinho escapar de seus lábios. — Você não quer acumular mais um punhado de tarefas, não é?

Cerrei o punho, fitando o garoto com pés de bode, enquanto apanhava a pá que havia sido lançada no chão. Aquele dia já estava ruim o bastante. Eu sabia que argumentar não era sensato. Com certeza, eu apenas conseguiria piorar meu dia um pouquinho mais. Como um cachorrinho obediente, baixei a cabeça e atendi a todos os desejos de Quíron. Afinal, não podia abandonar o acampamento, nem o chalé de Athena. Não ainda.

×××


Quando finalmente consegui me livrar dos afazeres, o sol já começava a se esconder por trás das colinas mais distantes. Um dia inteiro perdido a serviço do acampamento. Meu corpo doía por completo e cada novo passo em direção ao chalé de Athena era uma tarefa difícil. Estava exausto demais para continuar andando, de forma que resolvi descansar no primeiro chalé de surgiu à minha frente.

Pelas janelas do chalé de Selene, não se via nada além de escuridão. Talvez esteja vazio. Imaginei, antes de começar a ouvir sons estranhos que partiam do chalé. Não sabia o que estava acontecendo ali e, para ser sincero, não me importava. Sentei na varanda do chalé, recostando-me sobre a parede da fachada. Estava tão cansado, que era difícil manter as pálpebras abertas. A cada segundo, permanecer acordado se tornava ainda mais difícil. Resistir parecia inútil. Lentamente, me deixei levar pelo sono.

×××


Primeiro, havia apenas escuridão. Mas o lugar começou a ser preenchido por uma névoa densa e acinzentada, que se espalhava por todo o lugar. A névoa começou a assumir formas cada vez mais maciças. No instante seguinte, não havia mais escuridão.

Pude reconhecer o lugar assim que ele surgiu á minha frente. Eu estava no Queens, no início da noite, olhando para a fachada da minha casa. Foi naquele lugar que passei toda a minha infância. Senti meu coração se apertar, enquanto a respiração se tornava cada vez menos ritmada.

É fato que eu havia passado por vários momentos ruins naquele lugar. Mal conseguia contar as várias vezes em que apanhei do meu pai alcoólatra, naquela mesma casa. Ainda assim, havia um sentimento de saudade que crescia dentro de mim. Se eu entrar agora mesmo, talvez encontre minha madrasta, me esperando para o jantar. O pensamento me fez correr disparadamente em direção à casa. A ideia de rever aquela que havia sido como uma mãe para mim me enchia de uma alegria que eu não conseguia sentir havia muito tempo. Mas a euforia acabou, assim que minha mão tocou a maçaneta da porta.

Meus dedos pareciam mais longos que o normal e se distorciam, como imagens borradas. Não seja burro, Drillbit. Ela está morta, assim como essa casa. Era a verdade. Da última vez que estive naquele lugar, a casa estava em chamas e as carnes de minha mãe derretiam, envolvidas pelas enormes labaredas. Recuei por um instante. Não sabia o que fazer. Tudo aquilo parecia bom demais. Na minha experiência, coisas boas não aconteciam com semideuses e, na maioria das vezes, acabavam se convertendo em armadilhas. Apesar de tudo isso, o desejo de adentrar o lugar só crescia dentro de mim. Arrisque. O que de mal pode acontecer?

Girei a maçaneta repentinamente, abrindo a porta e saltando para dentro da casa. Aspirei o ar, sentindo o cheiro bom que vinha da pequenina cozinha.  O lugar era apertado demais e os móveis pareciam muito grandes para o lugar. Havia uma pequena televisão na sala, além de duas poltronas acinzentadas e um sofá vermelho, onde meu pai costumava deitar para assistir seus programas ridículos. Daquela vez, no entanto, o sofá estava vazio.

Olhei para o calendário que ficava sobre a televisão. Os números, no entanto, assumiam formas que eu não conseguia reconhecer. Eu já havia lido um pouco sobre o assunto. As evidências apontavam que se tratava de um sonho. Foda-se. Sonho ou não, ainda parece bom demais.

Johanna saiu do pequeno cubículo que era nossa cozinha. Ouvir sua voz mais uma vez me deixou um pouco atordoado.

— Chaz vai jantar conosco?

— C-como é que é? — perguntei.

— Chaz... — ela disse, esboçando um sorriso. — Seu amigo que usa muletas.

— Ah... — tudo parecia semelhante ao dia em que a casa pegou fogo. Até as perguntas da mulher. — Com certeza.

Johanna assentiu, retornando à cozinha. Comecei a dar mais alguns passos, até chegar à mesa de jantar. Tudo parecia tão real. Era como se eu estivesse revivendo aquele momento. E eu sabia que, se não fizesse algo para impedir o que aconteceria ali, teria que assistir minha mãe pegando fogo mais uma vez. Meus olhos se fixaram na janela do quintal, onde eu sabia que uma figura sombria surgiria e sussurraria palavras que colocariam fogo em todo o lugar num passe de mágica. Dessa vez, no entanto, seria diferente. Eu impediria os acontecimentos e salvaria Johanna.

A silhueta obscura não demorou a aparecer. Dessa vez, no entanto, o formato da sombra parecia completamente diferente. Para mim, não importava. Impediria o invasor de qualquer jeito.

— Ei! Você aí! — gritei para a pessoa que espreitava pela janela. — Prepare-se para um chute na bunda!


Observações:

Armas e Pets:
Nenhum
Poderes:
Passivos

Considerar todos os passivos de Athena e dos Feiticeiros, até o nível 64. Destacam-se os seguintes:

Sabedoria (Nível 16 - Athena) ▬ A sabedoria mais do que o conhecimento reflete a habilidade de aplicar ele de forma efetiva. Está vinculada à consciência e a atenção do personagem em relação ao mundo. A sabedoria vai além da inteligência e, por isso, é apenas agora que tal habilidade é adquirida. Os filhos de Atena agora tornam-se capazes de avaliar melhor sua situação, adquirindo uma espécie de bom senso: quando confrontados em uma situação de escolha, com base nas informações que possuem, são capazes de decidir o caminho menos danoso. O resultado final, contudo, ainda pode ser modificado, uma vez que a base dessa decisão é o conhecimento do próprio personagem, que nem sempre é completo. Cabe ao narrador definir até que ponto o conhecimento do semideus influencia, e ser justo ao indicar sua melhor opção - que não necessariamente será bem sucedida. Não se aplica a situações comuns de combate. [Modificado]

Ativos

Nenhum
Sobre:
Legenda

Drillbit
Pensamentos
Outros



Informações Adicionais


Tô usando o Sabedoria pra justificar como eu descobri que se tratava de um sonho. Mas, independente disso, o personagem é mesmo bastante observador (até mesmo por causa de Athena). Durante o texto, são citados algumas evidências que comprovam que se trata de um sonho.
Quando eu cito "mãe", deve ser entendido como a madrasta que criou Drillbit. Expliquei isso no texto, mas estou repetindo aqui para reforçar.
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Re: ♦ Trama

Mensagem por Lana D'yer Hempstead em Sex 09 Out 2015, 02:02



— LANA D'YER : TITANIUM — TRAMA: SONHOS DA PRIMAVERA PERDIDA
<
I'm bulletproof, nothing to lose, fire away, fire away. Ricochets, you take your aim, fire away, fire away. You shoot me down but I won't fall. I AM TITANIUM!
Teria eu virado uma rata de biblioteca? As extensas horas em que passava naquele local, rodeada por silêncio e livros empoeirados me fazia considerar essa possibilidade. Apesar de meu objetivo ali ser muito especial, já que se resumia apenas a obsessão de conseguir mais respostas sobre minha ligação com Astéria, Aurora e seus mistérios, naqueles dias eu fazia muitos acreditarem que minha descendência vinha da sábia Athena, o que eu duvidava veementemente.

Cassidy, como uma fiel companheira, permanecia ao meu lado, mas as informações passadas por cada livro pouco importavam à pequena fada, que encontrava muita dificuldade para ler tantas letras do alfabeto grego. O que aquela criatura graciosa mais procurava era por livros repletos de imagens e poucas legendas. Seus preferidos eram especialmente aqueles que relatavam as diversas histórias relacionadas ao reino fantástico das fadas. Quando ela encontrou o título: "Conheça o misterioso Reino de Lir", entrou em polvorosa. Aquele era seu reino, sua antiga casa.

- Laninha, eles falam sobre meu antigo lar. – disse ela toda animada. Enquanto isso eu desfolhava mais folhas inúteis de um livro também inútil que não contava nada de novo sobre a deusa das estrelas.

- Que bom, Cass! – respondi, não mostrando nenhum tipo de empolgação, concentrada apenas em ler as informações vazias que o livro me passava.

A maior verdade era que eu estava sendo uma completa insensível nos últimos dias, preocupada mais com meus desejos. Estava dominada por certo egoísmo. Enquanto isso minha pequena só pensava em me ajudar, como sempre, mas às vezes implorava sutilmente por atenção.

- Olha, Laninha, eles mostram uma imagem bem parecida. – ela levou o livro aberto na direção de meus olhos, mas logo eu o afastei de uma maneira ríspida, não dizendo nada, o que arrancou dela um comentário:

- Nossa, como eu sinto saudades da Floresta de Lir. Lá pelo menos eu era ouvida com atenção, apesar de não ser uma fada com poderes impressionantes, não se comparada com a Rainha. – Cassidy disse com certo pesar em se tom, tentando passar mais uma vez a mensagem. Ela estava cansada de toda minha desatenção sobre seus assuntos. Eu era realmente culpada por ignorá-la às vezes, parecia pouco me importar com seus problemas, mas somente parecia. Não era verdade que eu não me importava, pelo contrário, eu buscava desesperadamente uma forma de nos manter seguras e talvez Astéria, ou seu mito, pudesse me dar alguma esperança.

Compreendendo a reclamação de minha pequena, desisti de devorar o restante de livros que tinha escolhido para ler naquele dia. Joguei meu corpo cansado para trás, sentindo a cadeira em ponto de virar por causa do peso e da maneira desajeitada que havia me jogado. Pela primeira vez após muitas horas me dei ao direito de observar o que tinha ao meu redor. Cassie e eu éramos uma das poucas criaturas que se encontravam no local. A madrugada estava prestes a cair e ao me dar conta disso, o maldito relógio natural fez meu corpo sentir o peso de tantas horas de pesquisa. Eu não havia dormido por quase 24 horas, estava me matando naquela busca e não via nenhum resultado. Por fim, comecei a sentir os efeitos de minha mente exausta, sendo marcada também pelo frio que assolava o Acampamento. Na biblioteca ele não era tanto, mas do lado de fora poderia gelar nossos ossos.

Os olhos pesados passaram a sentir uma grande dificuldade de se manterem abertos, eles adquiriram vontade própria, sucumbindo à minha exaustão. Após finalmente parar, deixar de devorar linhas e mais linhas de pouca história, minha condição humana prevaleceu, sobrepujando-se à minha obsessão. Eu não aguentei mais. Quando levei meu corpo para frente, logo deitei minha cabeça contra o apoio de meus braços, eu os havia preparado para servirem como travesseiro. Imaginar a cena pode fazer dela algo patético, mas foi o que aconteceu. Eu me ajeitei sobre meus braços, pela primeira vez deixando de me importar com pesquisas. Não tardou para que dormisse, mas antes consegui ouvir ao longe o tom doce da minha fada que dizia:

- A Floresta de Lir já passou por um grande ataque, até as fadas tiveram que entrar em combate. Eu participei do exército e tive um unicórnio como companheiro, seu nome era Avalon. Foi uma época difícil...

O tom suave da fada foi a última coisa que ouvi, a partir de então parti rumo a uma realidade fantástica, algo que em breve seria considerado um grande pesadelo.

Eu poderia dizer que viagens astrais que me levavam ao mundo dos sonhos não eram novidades, experimentei muitas delas desde minha entrada no Acampamento. Desta vez, sem a noção do que era ou não real, encontrava-me em um mundo completamente diferente. Esse parecia ter sofrido com um evento devastador.

O cheiro forte de queimado e cinzas impregnaram-se em minhas narinas, isso foi a primeira coisa que senti antes mesmo de olhar o que tinha ao meu redor. Quando por fim tive a capacidade de analisar o que me circundava, deparei-me com um ambiente apocalíptico, mas a área não era urbana. Às minhas costas uma grande floresta se estendia, mas o verdejante característico de um ambiente como aquele havia ficado para trás, assim como toda a beleza que deveria expor aos olhos de qualquer um. A floresta estava cinzenta, morta, com sua vegetação parecendo ter sido consumida pelo fogo.

As cinzas estavam por todos os ângulos, desde o lugar onde pisava, até o ar sobre minha cabeça. Este serpenteava ao ritmo dos ventos, sendo embalado pela melodia funesta e aterradora que me arrancava intensos arrepios. Fumaça saia de todos os lugares, especialmente das árvores que deveriam ser as mais robustas e que demorariam mais tempo para serem consumidas e consequentemente derrubadas. Folhas e mais folhas, arbustos, qualquer tipo de vegetação que não tivesse sido varrida pelo fogo estava escura, em um tom cinzento carbonizado. A visão era apavorante e ao mesmo tempo triste de se ver.

Muitos metros adiante, ainda às minhas costas, uma área montanhosa impunha-se, mas seu estado era muito mais infeliz. Se na área em que eu estava não existia vestígio de fogo que ainda queimava, em meio àquela montanha eu podia encontrar vários focos grandes de incêndio. Eles pareciam arder em uma intensidade faminta, querendo dizimar qualquer resquício de vida que ainda restava.

Naquele momento meu coração pesou, lamentando por tudo o que havia sido perdido no local. Eu de alguma forma sabia que muitas vidas haviam sido ceifadas por ali. Abalada, fui dominada pelo instinto e levei minhas mãos ao colar starline, passara a ter a mania de sempre buscá-lo quando me encontrava em situações difíceis, o amuleto me dava forças. Mas eu não o encontrei, ele não estava onde deveria estar, o que era muito estranho, pois nunca mais me separava dele. A ausência do colar me fez perceber que não era apenas ele que me faltava, mas também todas minhas armas e itens, eu não carregava nada comigo, o que já me fez sentir a insegurança que costumava sentir certo tempo atrás. Ali, naquele espaço que definhava por algum evento catastrófico ainda inexplicável, eu estava completamente vulnerável, sem nada para me defender. Sentia-me completamente nua.

Esqueci um pouco de observar o que estava às minhas costas para encarar a imensa ponte de pedras que estava diante a mim. Era longínqua, quase infinita e muitos, mas muitos metros depois, uma torre alta elevava-se toda imponente, ela parecia perfurar o céu de cor cinza. Contudo, ainda havia algo muito mais estranho. A ponte aparentava se erguer sobre um abismo profundo. Em cada um de seus lados o vazio reinava absoluto, sendo coberto por uma névoa densa. Os ventos que iam e vinham por debaixo do caminho de pedras pareciam uivar como lobos maquiavélicos e famintos. Aquele lugar era aterrorizante, não apenas por sua aparência, mas por tudo o que me fazia sentir e pensar. Ele parecia um local bem propício a me levar até a morte.

Como se não bastasse estar envolta pelo caos e vazio, eu ainda sentia o frio a ponto de congelar as partes mais sensíveis de meu corpo. Os dedos, de tão gelados, doíam e mostravam certa dormência. Certa de que não poderia ficar parada, decidi caminhar para explorar aquele ambiente e encontrar uma forma de sair dele. Não gostaria de permanecer ali por mais um minuto sequer.

Tomei o caminho da ponte, escolhendo-a aleatoriamente. Dei poucos passos, sentindo a revolta dos ventos balançar meus cabelos, fazendo meus ouvidos zunirem devido ao som sempre constante. Até que tudo parou repentinamente. Institivamente segui o ritmo, também parei. Como não havia nada visível diante a mim, decidi olhar trás, ainda mais temerosa, ainda mais assustada e confusa...



◉ informações

Arsenal:

Irrelevante
Companheira Fiel:

Criatura mística/Fada [Nome: Cassidy]: Cassidy é uma raríssima fada irlandesa. Antigamente, possuía o poder de alterar seu tamanho, mas após fugir com Lana para o Acampamento revelou uma maldição que cerca aquelas fadas que se afastam do habitat natural. Devido a esta razão precisou se submeter à campista, recebendo também a punição por tal ato: perder seus poderes e características naturais, ficando restrita a uma forma diminuta de 1,00 m. A fada possui um tamanho de uma criança e possui mentalidade infantil de uma criança e inocente, tendo seus pensamentos mentais relacionados a de uma criança de seis anos de idade. Ela não possui nenhum poder atualmente, e por causa de sua punição perdeu suas asas, tendo que se deslocar andando como se fosse uma humana. Possui seu HP menor que MP por ser uma criatura mágica e seus ataques são em sua maioria mágicos. Graças a sua natureza mística possui uma pequena resistência fixa a poderes mágicos que não possuem componentes físicos - 10%, independente do nível de poder. Possui conhecimentos de cajados e cetros, mas não possui nenhum no momento. Novos poderes e habilidades só poderão ser conquistados em DIYs individuais, um único de cada vez. [60HP|140MP][Nível de resistência imutável][Ganha em DIY, atualizada por ~Lady Íris~]
Observações Importantes:

~A tal atividade que levou Lana a se sentir completamente exausta foi a leitura, ela passou quase 24 horas apenas lendo, nem teria como inserir outra coisa nesse meio.
~ Cassidy, como sempre, mostrará grande importância no sonho, apesar das duas não compartilharem o evento.
~ Bem, vou manter um suspense e só revelar a ligação do sonho com a trama da Lana no próximo turno, isso porque é obrigatório, se não só falaria no final.
~ Digamos que Reino de Lir e das Fadas foram as primeiras coisas que a fada conseguiu entender em grego.
~ la la la
~ Qualquer dúvida, MP!
~ Beijos!

DATA INDEFINIDA || NOITE || CLIMA FRIO
(c)






Lana D'yer Hempstead
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Re: ♦ Trama

Mensagem por Ianna D. Belikov em Sex 09 Out 2015, 02:12

Funebribus
Post único. mimimi. vestindo (?).

─  Academia Angry Fists;
─ Noite;

As pesadas portas de madeira me encaravam, familiares e reconfortantes. Chamavam-me para perto, desafiavam-me a passar por elas. Respirei fundo, pensando em quanto tempo havia se passado desde que eu partira, deixando Walter sem nem mesmo uma despedida. Franzi a testa, sem querer saber se realmente gostaria de vê-lo naquele momento, com nada mais que um simples "oi, tudo bem?" formulado. Suspirei pesadamente, já aceitando as consequências do que viria a seguir. Aproximei-me das portas e as empurrei sem coragem alguma, ouvindo-as ranger como um porco no matadouro. Sorri ao sentir o aroma peculiar de cigarro e canela que empesteava o local, com um gosto de saudade ameaçando irromper em lágrimas. Com um pouco mais de determinação, caminhei em direção ao escritório de Walter, já tentando formar algum discurso cabível que tentasse explicar meu sumiço. Não, sumiço não. Minha fuga.

- Quem é vivo sempre aparece, não é mesmo? - "Droga." Virei-me e o vi, sorrindo com as mudanças notáveis em sua aparência. Depois de alguns anos, os cabelos grisalhos coroavam sua cabeça, sufocando os poucos fios negros que tentavam aparecer, as rugas ao redor dos olhos eram mais pronunciadas, assim como as da testa, que denunciavam quase involuntariamente os momentos nos quais o homem se zangava. Os dentes amarelados pelo uso constante da nicotina me saudavam em um sorriso gostoso e sincero, amolecendo meu coração. Corri até ele, vendo-o largar os colchonetes que carregava para me abraçar, deixando que meu rosto afundasse no seu pescoço.

- Eu queria dizer algo para você, explicar tudo, mas não sei se posso. - Walter me silenciou com um chiado. Soltou-me e pude ver a expressão dele, já séria. Opa, essa geralmente era a hora na qual o sermão começaria, mas não daquela vez. Seus olhos me esquadrinharam de cima a baixo, como se buscasse algo.

- Você está fora de forma. Não acredito que abriu mão do treinamento. - Corei com a repreensão implícita e abri a boca para balbuciar um pedido de desculpas, mas o homem já se abaixava, apanhando um dos colchonetes. Ao levantar, jogou-o sem delicadeza alguma contra mim, começando a colocar-me novamente no "cabresto", na linha. - Espero que ainda saiba o básico do que fazemos aqui. - O desafio estava lançado.

[ ... ]

- Eu... - Jab com a direita. - Não... - Jab com a esquerda. - Aguento... - Cruzado com a direita. - Mais! - Arfei antes de desferir um gancho contra o saco de pancada, os braços já exaustos com o treinamento. Encarei os nós dos dedos, já arroxeados àquela altura, torcendo para que o instrutor me desse um descanso.

- Ora, ora. Veremos se a senhorita ainda deixará o kickboxing de lado depois dessa lição. - Ele sorriu e me jogou uma toalha, que instantaneamente levei ao rosto, secando-o com força. Walter me fizera treinar por cinco horas seguidas, período de tempo que eu sabia ser bom demais para alguém que aparentemente não treinava há, pelo menos, uns cinco anos. Claro que minhas missões me deixavam em sintonia com meu corpo, mas o homem achava que eu era uma moça comum, não sabia que eu passava meu tempo me arriscando como petisco de monstro. Pensando bem, nem precisava saber.

Sentei no chão, respirando fundo e deixando os músculos relaxarem. Não demorou para que a exaustão me derrubasse sem nem pedir permissão.

─  Mundo Onírico;
─ Localização e horário não definidos;


- IANNA, ACORDA! - Meus olhos se abriram de repente, como se uma descarga elétrica percorresse meu corpo. Um garotinho me encarava, debruçado sobre mim, causando-me certo receio. Minha mente ainda não estava desperta o suficiente para assimilar o que quer que estivesse acontecendo ali, por isso apenas coloquei a criança ao meu lado e respirei fundo, piscando algumas vezes.

- Filho, já falei que não pode subir assim em cima da sua mãe. - EPA, EEEEEPA! Minha boca simplesmente havia despejado palavras sem que estas fizessem o mínimo sentido para mim. Eu não tinha nenhum filho, até onde sabia da minha própria vida. Quer dizer, eu sabia que não tinha descendentes e que nunca tinha visto aquele quarto de paredes azuis na vida. Onde eu estava?

- Qual é, Ianna? Vamos logo. Não quero me atrasar hoje. - Assenti e me levantei, percebendo ter perdido os controles do meu corpo. Era como um daqueles momentos onde você acorda, tem percepção, mas não consegue se mexer, sabe? Naquele caso, eu parecia uma intrusa no meu próprio corpo, visto que ele parecia ter vida sozinho. Minha casca se espreguiçou e saiu do quarto, com o garotinho correndo à frente. Por todos os deuses, o que diabos estava acontecendo ali?

Cheguei ao que parecia ser uma cozinha, já buscando por utensílios e afins. Sabia que iria fazer panquecas e cheguei a sentir o gosto na boca, como uma lembrança há muito deixada de lado. A questão era que eu não sabia, em hipótese nenhuma, cozinhar. Meu choque foi grande ao ver minhas mãos trabalhando de forma ágil, começando a fazer o café-da-manhã com uma precisão impecável. Talvez tivesse visto alguém fazer aquilo em algum lugar e estivesse apenas reproduzindo em um modo zumbi. Talvez... Sei lá.

[ ... ]

O garoto acenava, se despedindo enquanto entrava no ônibus escolar. Eu, já acostumada à ideia de ser uma simples observadora mesmo que aquilo me assustasse para caramba, apenas acenava de volta, sorrindo. Depois, fechei a porta e me dirigi ao banheiro, na intenção de tomar um banho milagroso que me colocasse de volta no lugar.

Olhei-me no espelho, tendo certeza absoluta de que aquele era meu rosto, mas ele não me obedecia. Permanecia sério e com os olhos fixos na superfície vítrea. Então, meu corpo se aproximou da decoração, deixando-me cara a cara com meu reflexo. Foi então que meu eu refletido se movimentou, levando as mãos ao vidro, fazendo meu coração acelerar e eu, consequententemente, dar um pulo para trás, torcendo para que aquilo não passasse de uma ilusão. Voltei a me aproximar do espelho com cautela, nem dando importância ao fato de que o corpo novamente me pertencia por conta da curiosidade temerosa. Então, o reflexo novamente se movimentou, a expressão desesperada, os punhos tentando esmurrar o espelho pelo lado de dentro... Era tão surreal que fiquei a encarar, embasbacada, esquecendo-me do meu temor. Foi aí que a Ianna do espelho me olhou nos olhos e enunciou duas frases que gelaram minha espinha.

- Ajude-me, por favor. Você precisa me deixar descansar. - O espelho explodiu e, com ele, a casa foi pelos ares, deixando-me em pé em meio à escuridão, sem ter sido afetada pela destruição. Ok. Acho que posso ter me excedido antes. Aquilo, com certeza, era a maior loucura desde que eu abrira os olhos. Por algum motivo, meus pelos se eriçaram e um arrepio me desceu pela costa, indicando a única coisa que eu deveria ter sentido desde mais cedo. Perigo.

adendos:
A trama da personagem será explorada a partir de DIYs muito em breve, explicitando o porquê desse ambiente estranho onde Ianna acordou, sem conseguir gerir o próprio corpo. Levei em consideração que, por mais que aconteçam coisas estranhas em um sonho, cê não vai ter reações normais como aconteceria no mundo real. O medo não seria tão evidente e afins, por isso Ianna não narra como se estivesse assustada, de fato. Não foi um erro de aproveitamento de personagem, foi a situação que permitiu que Ianna não se prendesse aos sentimentos da personagem, levando-a a explicar mais o que acontece do lado de fora da cabeça dela, mesmo em primeira pessoa. Obrigada por ler q
you can be a sweet dream or a beautiful nightmare.
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Re: ♦ Trama

Mensagem por Noah G. Kalömoseuz em Sex 09 Out 2015, 03:08



Sonhando...


Evento - Primavera



Sempre que surgir uma ideia brilhante como, sei lá, criar um furacão na praia, pense na quantidade de cocô de pégaso que você vai ter que limpar depois, ok?

Mas não era só a limpeza de estábulo... Ajuda na limpeza do refeitório, aula de canoagem, instrução nas atividades com pégasos (porque, aparentemente, falar com eles "facilita o processo"). Noah pagava o preço por sua exuberância. Pelo menos fora isso que Quíron quisera que ele acreditasse, mas Gustin sabia que a punição estava relacionada com a quase-confirmada aposta entre ele e o Sr. D (que Quíron perdera), mas tudo bem. Sem ressentimentos, apenas uma dorzinha no fundo do peito. E uma lágrima. E um draminha, claro.

Depois do dia se arrastar lentamente entre carregar sacos com cocô, escovar pégasos rabugentos, tirá-los do estábulo, colocá-los no estábulo, levar os pratos para a cozinha, limpar os restos da guerra de comida dos filhos de Ares... Lidar com os pégasos era ainda mais difícil que controlar os filhos de Ares. Na verdade, era quase uma competição para ver quem era mais orgulhoso e briguento: Ares vs. Pégasos. Noah sentiu a semelhança que tinha com eles, mas não admitiu isso em voz alta, porque era vergonhoso demais.

Então chegara o tão aguardado ponto em que as atividades eram encerradas, e Noah poderia, pelos deuses, finalmente voltar para o chalé e fazer o que tem feito de melhor nos últimos dias: dormir. Não que ele conseguisse pensar ou sentir algo enquanto caminhava para o chalé. Era um zumbi. Um muito bonito e cansado.

De repente, se viu no banheiro. Debaixo do chuveiro. Vestindo alguma roupa. E, finalmente, se jogando na cama. Foram flashes. Seus movimentos eram feitos no puro instinto e reflexo; seus olhos mal estavam abertos. Enquanto afundava a cabeça no travesseiro, teve um último vislumbre do seu confortável, seguro e quentinho (e com cheiro de peixe) chalé. Seu corpo começava a mergulhar para dentro da cama.

***

Abriu os olhos assim que sentiu que tocava em areia úmida. Será que seus instintos o tinham levado à floresta do Acampamento? Olhou ao redor e só viu árvores. Noah nunca foi especialista em formações de florestas, mas tinha certeza que nunca tinha visto uma como aquela nos lugares em que fora, dentro ou fora dos Estados Unidos. Levantou a cabeça, mas não viu o céu. As copas das árvores se uniam, formando um tapete verde que o impedia de enxergar qualquer coisa através delas. Suspirou pesadamente quando começou a considerar que aquilo não passava de mais um truque idiota dos deuses que não tinham coisa melhor para fazer.

Não seria a primeira vez que ele era transportado, contra sua vontade, para um lugar distante. O filho de Poseidon se encostou na árvore atrás dele e cruzou os braços. O quê que ele tinha que fazer agora? Esperar? Geralmente, em momentos como aquele, os deuses surgiam logo em seguida, envoltos em fumaça de discoteca e falando algo sem sentido, esperando que os semideuses compreendessem e, calados, fizessem o que eles mandavam.

O semideus percebeu que tinha algo errado quando, passado algum tempo, nenhum deus idiota tinha surgido dos arbustos, ou de dentro de alguma árvore (ou era uma árvore). Será que os gastos divinos estão sendo cortados, e ninguém pode fazer teleporte instantâneo para lugares exatos?, pensou. Não era um bom momento para piadinhas ruins. Sentia, além do clima estranhamente frio, uma tensão no ar - o silêncio -, que o sufocava levemente.

Tentou levantar, mas a gravidade parecia funcionar de maneira diferente ali. Apoiou-se na árvore para se erguer, mas não conseguiu. Seu corpo pendeu para frente, deixando o cabelo cair sobre seus olhos. Arregalou-os quando viu uma mecha ruiva. Uma pontada na testa, seguida de uma sensação de estar girando o manteve naquela posição. Ruivo? Enquanto o mundo girava sem direção, uma luz muito forte, vinda de lugar nenhum, o obrigou a fechar os olhos.

Via, por entre as pálpebras, o brilho diminuindo lentamente.

O chão estava seco e duro. Abriu os olhos rapidamente e virou-se para os lados ao perceber que estava em outro lugar. A respiração estava ainda mais pesada. O peito doía como se estivesse correndo por horas.

As pedras caídas, os muros pela metade, as marcas no chão que deixara quando fugiu... Viu todos os seus sentimentos serem sugados pelas sombras. Era impossível não lembrar daquele lugar. Vira sua mãe pela primeira e última vez ali. Fora ali que ele fugira. Covarde. Deixara sua mãe para trás, para ser morta por quem o buscava. Ele, não ela. A gravidade começava a agir estranho outra vez, mas Noah nem tentou lutar. Seu corpo era puxado para a grande poça de líquido negro que se encontrava embaixo dele, dessa vez. Afundou.

Sentiu-se engolindo a gosma negra. Ela queimava seu corpo por dentro. Ela descia por sua garganta e se alojava no estômago. De algum modo, ele conseguia ver todo o percurso da gosma, o que o fazia sentir ainda mais dor. Sentiu que ia vomitar, mas antes que fizesse algum esforço para isso, a gosma começou a sair de seu corpo por todo lugar possível.

Caiu na floresta outra vez. Levantou-se usando o dobro de força que o normal, mas a gravidade estava como sempre. Deu um leve salto por conta da força usada. Correu. Desviava as árvores, sem rumo, sem motivo. Apenas corria. A floresta era sempre a mesma. Nada mudava. As árvores continuavam surgindo em sua frente; idênticas. Os arbustos. As raízes que saltavam para fora do chão.

Até ouvir um arbusto mexer, parando no mesmo instante.

Paralisado.

Seu corpo tremia de ansiedade e pavor. Tentou acalmar a respiração para o quer que estivesse por vim.  



Armas Utilizadas:
Nenhum
Poderes Utilizados:
Passivos:
Nenhumzinho -q
Ativos:
Nenhum.
Coisas:
Noah é meio lento, mesmo. Eu não quis colocá-lo lá já sabendo que é um sonho e tudo o mais, pra não "facilitar" as coisas. Foi outro motivo d'eu ter explorado mais os cenários e a relação dele com eles, do que interagir com outros personagens (porque todo mundo que Noah conhece, morreu -q).
Template roubado de Katherine B. Angelline



Noah G. Kalömoseuz
Noah G. Kalömoseuz
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Aqui, ali, acolá. -q

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Re: ♦ Trama

Mensagem por Benjamin Traveller em Sex 09 Out 2015, 06:19



Sonhos da Primavera Perdida



PRÓLOGO


N
ÃO MAIS QUE DE REPENTE, O SOL FICARA TOTALMENTE NEGRO. AS cortinas do universo se abriram, revelando não mais o esplêndido azul, mas o negro profundo da escuridão eterna. Chamas negras reduziram minha casa a cinzas, mas nenhuma lágrima caíra no meu rosto. No horizonte, pude ver o chão se desmoronar, então sai em direção oposta. O mais rápido que pude, corri em direção a grande árvore, porém nem mesmo ela saíra impune. A árvore outrora verde, agora tornara-se cinza. Seus galhos — retorcidos e longos — ruíam com chamas pretas, e não se viam mais suas folhas. Um tom fantasmagórico foi dado ao local. O sol parecia estar envolvido por alguma película negra. Quanto mais chacoalhava, mais tentava se libertar. Mesmo correndo, pude ver rupturas (enormes) se abrirem e aparecerem em volta da bola negra. Foi de repente, quando o sol explodiu enviando fortíssimas rajadas de todo o seu poder. Dessa vez eu pude escutar. Aterrorizei-me quando ouvi. Meu coração gelou com a surpresa, fazendo-me parar de correr. O clarão do sol que brilhava incessantemente, ofuscou-me as vistas novamente, impiedoso e vingativo, ele vociferava suas ondas de luz. Porém, dessa vez eu senti a dor que outrora não sentira. Pude (incrivelmente) ouvir o forte som da luz dizendo: você fez a escolha errada. Sombriamente, a voz parecia-me familiar. O chão abriu sob mim, e fui engolido.



1 . FAROL DO PESADELO


E
M MEUS SONHOS TUDO TREMIA, E ENTÃO QUANDO ACORDEI, SENTI alguém me balançando. Mesmo com toda a escuridão do dormitório, uma luz se incidia no meu rosto. Por que a uma hora dessas?, perguntei-me. Minhas pupilas adaptaram-se a luz, e pude notar (borradamente) uma pessoa a minha frente. Segurando uma lanterna, Harry esgueirava ao lado da cama e tentava me acordar. Minha nossa, que sono profundo você tem! Pelo menos não ronca, dizia ele. Esfreguei o peito das mãos nos olhos para então enxergar melhor. Ele estava não apenas segurando uma lanterna, como também segurava uma mochila, e parecia muito bem agasalhado. Entre um tom calmo e ansioso, ele me perguntava se eu queria sair com ele, para um passeio. Pela sua voz, percebi que ele esperava um "sim", mas infelizmente não conseguiria fazer isso por ele — era o que pensava.

— Não posso, ainda não me sinto preparado.

— Mas você vai estar comigo! Prometo proteger você de qualquer coisa! — sua voz tinha um tom de súplica.

Olhei ao redor, todos os outros ainda estavam dormindo. Fiquei pensando que horas devia ser. Talvez fosse madrugada, ou quase já o nascer do sol. Só sabia que: a única luz ali, provinha da lanterna, o resto, escuridão. Fiquei alguns segundos olhando seu lindo rosto e pensando na possibilidade:

— Vamos.

Sorriu timidamente, e eu retribui. Puxei ele para se juntar a cama comigo enquanto eu ainda não estava com nenhuma vontade de sair dela. Ele desligou a lanterna e deixou sua mochila deslizar pelo braço até o chão, fez-se pouco barulho. E então começamos a fazer aquilo que você já deve saber. Não, não é aquilo que os adultos fazem, ainda não chegamos nessa fase.

Seu relógio não marcava mais que oito horas quando deixamos o acampamento, isso era bom, pois passaria o dia inteiro com ele. Era ótimo sentir o ar de fora das proteções. O clima estava frio, e ficava cada vez mais. O vento uivava por entre as árvores, e enquanto as folhas dançavam pelo ar, pássaros se escondiam em seus ninhos afim de escaparem do frio. Vestia-me casual: usava meu suéter vermelho-sangue, por cima uma jaqueta marrom-claro, e ainda um cachecol de quase mesma cor, porém mais escuro. Calças jeans cobriam-me as pernas, no final bordas dobradas davam mais aparência as botas beges de cano médio que ostentavam em meus pés. Pulseiras, a maioria presente de amigos, envolviam meu pulso: duas no esquerdo junto a um relógio adequado com o conjunto, e outras no direito. Apesar de não aparecerem, eu sempre as usava. Andávamos pela cidade para um passeio: e eu não sabia qual seria.

Por causa de toda nossa empolgação, ele havia se esquecido de dizer porquê fomos à cidade, mas isso não me incomodava muito. Só o fato de sair do acampamento ao seu lado, para mim bastava. Sabia que ele iria me proteger se algo acontecesse, e desde o primeiro dia que eu chegara, sentia que poderia confiar nele. Por fim, depois de muito tempo, paramos em uma casa. Não muito luxuosa, ela era pequena até, porém conservada. Olhava o movimento da rua enquanto ele se aproximava da porta. Escutei a voz de Harry chamar por "mãe". Alguém apareceu na porta, e de longe a vi. Uma senhora, cabelos grisalhos e pouco corcunda. Suas rugas mostravam anos de experiências vividas. Sua pele, pouco flácida, mostrava o caminho longo que percorrera. Quantos anos ela devia ter? Algum número na casa dos oitenta anos, presumia eu. Apesar de já idosa, seu sorriso ao ver o filho dava mais do que satisfação. Não imaginava que ela poderia ter tanto vigor para sorrir, tão jovial e contente. Harry correu para abraçar sua amada mãe, e eu o segui — lentamente.

Enquanto ela sorria, parecia ter menos de sessenta anos. Era incrível o poder de um sorriso verdadeiro. Tão incrível que contagiaria qualquer um. Ela veio até mim, seu andar era saudável e seu abraço vigoroso apesar da idade. Mas que menino mais lindo, ela disse. Parecia que já me conhecia a anos enquanto falava comigo, e eu tentava ser o mais simpático possível. Harry me convidou para entrar, assim como sua mãe também o fez. A casa era humilde, poucas mobílias e não muito espaço. Logo vieram duas crianças — gêmeas — correndo pela casa.

— Parem de correr meninos! O tio de vocês chegou! — os garotos vieram rapidamente, contente em perceber a presença do tio.

Então ao que indicava, Harry tinha um irmão, ou mais, ainda não sabia. Dissera-me que sua mãe se chamava Elizabeth. Numa sala ao lado, uma mulher sentava no sofá. Suas roupas gastas, demonstravam uma vida não muito fácil. Ela estava grávida. Era fácil perceber uma mulher grávida com mais de sete meses de gestação, presumia eu. Senti algo fervilhar em meu estômago. Não sabia o que era. Pena? Talvez. Então Harry passou por mim e foi até a moça no sofá, e me chamou dizendo:

— Essa é minha irmã, Chris. — apresentou-me a ela. — Eline, meu amigo Christopher.

Parecia cansada, mas feliz. Acima de tudo, ela sorria como a mãe. A propósito, não conseguira notar nenhuma semelhança entre Harry e sua mãe, muito menos com sua irmã. Fiquei pensando se teria algo a ver com o fato de ele ser um semideus, mas não achava nenhuma hipótese plausível. Ele conversava com sua irmã. Entusiasmado, ele dissera que havia trazido presentes. Sorridente, ele pôs sua bagagem no sofá e tirou vários presentinhos de bebê. Fiquei apaixonado com tanto amor ao que Harry estava fazendo. Ele estava ajudando a cuidar de sua irmã, não só dela, mas também do bebê, seu sobrinho. Fiquei imaginando se ele fazia isso sempre. Ou se ele também havia ajudado outras pessoas. E será que ele também havia feito a mesma coisa com os dois gêmeos? Afinal, de quem os dois eram filho? Depois de alguns minutos a sós com ele, perguntei-lhe quem eram os pais dos gêmeos e ele me respondeu:

— De Eline. O namorado a abandonou quando ela ficou grávida pela segunda vez. — senti o pesar em sua voz.

Meu estômago revirou e tudo que consegui dizer foi: Eu sinto muito. Eu observava enquanto ele ajudava sua mãe na cozinha. Era linda essa harmonia. Mais tarde, todos nos sentamos na mesa para tomar café-da-manhã. Mesmo humilde, a dona tinha alguns eletrodomésticos caros. Perguntei-me se Harry havia lhe dado e, depois do que vira hoje, acreditava que sim. Todos nos sentamos à mesa — redonda e não muito espaçosa. Eu ao lado de Harry, em sequência Eline e sua mãe juntas ao lado das crianças. Todos pareciam alegres e conversavam mais do que comiam, os gêmeos porém, pareciam mais entretidos com o pão. Na mesa, contavam-me suas vidas. E foi aí que eu percebi porque não via nenhuma semelhança entre eles: Harry fora "adotado" com um ano de idade, enquanto Eline tinha apenas dois anos. Com aspas porque ele não havia sido adotado de fato. Sua mãe biológica era muito amiga da senhora Elizabeth, que às vezes tomava conta de seu pequeno Harry. Em um dia chuvoso, Margen (a verdadeira mãe) deixou seu bebê com a senhora, e saíra de casa para comprar roupas a seu filho, infelizmente antes de voltar, ela sofrera um acidente de carro, fatal. Sem qualquer outro parente da jovem Margen, Elizabeth via-se obrigada a tomar conta da criança, porém fazia com gosto e nunca havia deixado de amá-lo. Então, Elizabeth cuidava sozinha das duas crianças — que por sinal tinham quase a mesma idade —, pois seu esposo falecera de tuberculose quando tinha apenas quarenta e dois anos. Desde a morte do esposo, ela veio cuidando e sustentando a casa. Mesmo tendo a vida difícil, o sorriso nunca lhe tinha saído do rosto. Isso era incrível.

Na mesa, todos riam e agora contavam besteiras. Falavam coisas alegres e todos sorriam.”O passado é passado” disse a dona Elizabeth. Enquanto isso, na mesa as crianças esperavam aflitas por um bolo recheado — aparentemente de cenoura, e a cobertura de chocolate. Eline e Harry conversavam, e a senhora perguntava sobre mim. Passou-se um tempo e fomos para a sala, onde haviam dois sofás, aconchegantes, porém não muito grandes. Antes do ponteiro do relógio — pendurado acima de um rack — marcar meio dia, Harry começava a se despedir. Esse foi o único momento em que eu vira seus rostos tristes. Ninguém queria que ele fosse embora, mas mesmo assim, demonstravam esperança, porque sabiam que Harry voltaria outra vez.

✲ ✲ ✲


CORRÍAMOS PELA PRAIA COMO SE PERTENCÊSSEMOS AO MAR. SEGURAVA MEU par de botas com uma mão, e andava descalço, assim como ele. Tocando a areia com os pés nus, permitia-me a sensação do frio entre os dedos até o calcanhar. Parecíamos dois malucos andando pela praia com o frio que fazia, porém, eu até gostava. Não havia ninguém além de nós, significava que era apenas nós dois. nós dois. Quando me disse que íamos passear, não havia passado pela minha cabeça uma praia, ainda mais nesse frio, porém, a vista era realmente linda, e estava valendo a pena. O que era o frio comparado ao amor?

— Rápido, Chris! Quero te mostrar um lugar! — mais rápido que eu, ele sorria e me chamava a alguns metros de distância.

Tirando forças de todo meu ser, eu enfrentava o vento — que estava quase contra mim — e a areia fofa que afundava-me o pé. Quando o alcancei, pude ver o objetivo: um farol bem distante. Ele me olhou esboçando um largo sorriso no rosto e perguntou:

— O que me diz? — com o polegar, apontou para trás.

Sem repondê-lo, aproximei-me sorridente e dei-lhe um beijo — mais demorado que eu presumira. Puxou-me pela mão e fomos correndo até o farol, que ainda parecia longe. Em alguns momentos, tive de parar para respirar um pouco mais fundo. Ele respeitava meu limite, e como recompensa tascava-me um beijo. Até que, ele parou e falou para que eu subisse em suas costas, disse que me carregaria sem muito esforço, aceitei. Minhas mãos agarravam-se em seu tronco durante a caminhada. Sabíamos que eu não estava mais tão cansado, porém continuávamos assim porque queríamos. Às vezes beijava seu pescoço, e ele ria dizendo que isso o deixava excitado. E então, chegamos ao pé do farol.

A torre era tão alta que devia medir mais de quinze pessoas. Nós nos entreolhamos e eu sabia a pergunta em seu olhar.

— Sim eu consigo. Não viemos até aqui para não subir, sem contar que a vista deve ser linda

— Com certeza é. — olhava para o topo.

— Perde quem chegar por último. — roubei-lhe um beijo e corri. Juntei todo o resto de minhas forças.

Logo mais, foi como eu pensei: ele deixaria que eu chegasse primeiro. Seu sorriso ia de um canto ao outro. Quando terminara de subir as escadas, correu até mim. Sem tempo de recuperar o fôlego, ele começou a me beijar.

— Perdi! — dizia entre os beijos. — Agora sou todo seu.

Com as costas na parede, sentia seu peito contra o meu, ou melhor: seu casaco contra o meu. Porém, mesmo assim a sensação era parecida, e não deixava de ser prazeroso estar ali com ele, mesmo estando nós com tantas roupas. Faltava menos de uma hora para o pôr do sol, e para minha surpresa, ainda tínhamos um lugar para ir. Onde? Esse eu também não sabia. Descemos a escadaria em espiral e chegamos a terra firme. Puxou-me suavemente pelo braço em direção oposta a entrada do farol. Subíamos um pequeno morro, e lá de baixo pude notar uma pedra estranhamente uniforme bem em seu topo. Embora a colina não fosse alta, era de perder o fôlego. Nos aproximamos do grande rochedo e nos sentamos — sentara atrás de mim com suas pernas abertas para que eu ficasse mais próximo a ele. Seus braços envolviam-me o tronco, e apesar do vento frio, sentia sua respiração quente sobre meu pescoço. Dali, a vista era tão formosa quanto a do farol. O sol, aos poucos ia se pondo, e nós apenas observávamos sem dizer qualquer palavra. E quando ele começara a beijar o mar, tornou-se imensamente laranja, e então Harry disse:

— Estou apaixonado por você, Chris. — falou baixo em meus ouvidos.

Eu o olhei e dei-lhe um beijo tão longo quanto podia. Via-se por debaixo de minhas pálpebras, a luz alaranjada fundindo-se ao mar, e dentro do meu corpo, uma chama que crescia vigorosamente. ”Também estou apaixonado por você, Harry.” Disse-lhe logo após o longo beijo. Voltamos a olhar o mar egoísta, que agora tomava o sol todo para si.

✲ ✲ ✲


ERA TARDE DA NOITE QUANDO VOLTAMOS AO ACAMPAMENTO. O VENTO CORTAVA nossos lábios e fadigava nossos rostos. A prateada lua brilhava na negritude da noite. Olhava o rosto de Harry, que iluminado pelo satélite, tornava-se ainda mais charmoso. De mãos dadas, descíamos a colina meio-sangue em direção ao acampamento que parecia sereno e com pouco movimento. Embora estivéssemos cansados, o dia não poderia ter sido melhor. Entramos no dormitório dos filhos de Hermes, e para nossa surpresa, lá também estava angustiantemente frio. Faltavam poucas horas para a maioria dos campistas irem dormir. Alguns terminavam seus exercícios na arena, outros, brincavam em volta da fogueira. Eu, porém, não aguentava mais ficar em pé. Harry havia ido tomar seu banho, e logo depois dele fui eu. A água quente trocava calor com meu corpo frio, no começo fora doloroso até que eu me acostumasse com a variação de temperatura. Saí do banheiro já com uma roupa quentinha, e para meu alívio, as janelas foram fechadas. Isso significava que alguns campistas já se preparavam para dormir. Minha cama ficava distante de Harry, e nós nos encontramos para nos despedir.

— Boa noite, lindo.

— Boa noite. — repondi-lhe com um beijo.

Deite-me. Cobri-me com o grosso cobertor forrado na cama e descansei-me a cabeça no confortável travesseiro. Fechei os olhos, e logo me viera a imagem de Harry. O dia fora tão perfeito que nada poderia arruinar-me a noite. Ou poderia? Subitamente, senti-me desligando do mundo. Inconscientemente sabia que estava caindo no sono. Relutei para dormir de fato, até porque, eu gostava dessa sensação: quase dormindo, quase acordado. Porém, exaurido, logo dormi.

Por debaixo das pálpebras, pude notar o clarão a minha frente. Mesmo sem querer abrir os olhos, fui forçado pela minha curiosidade para fazê-lo. Com dificuldade, consegui enxergar nada mais que apenas a luz me ofuscando. Um branco total. Mas era como se eu fosse imune a essa dor. Com o tempo, minha vista foi se adaptando, e o clarão se dissipando. Sem sofrer qualquer dano, pude notar onde estava, ou melhor dizendo: o nada a minha volta. Deitado de bruços, empurrava o chão com as mãos para me levantar. A grama pinicava meus dedos. Levantando-me às pressas, senti-me a cabeça girar e minhas mãos procurarem algo para se escorar. Apoiei-as nos joelhos enquanto levantava, não queria perder ainda mais o equilíbrio. Em volta de mim não havia nada, a não ser o chão gramado que tocava o horizonte. Não se ouvia barulho de absolutamente nada, porém, eu não duvidava que fosse possível escutar o som da luz, de tal maneira que seria indescritível explicar sem nunca ter escutado.

Olhei ao meu redor: o campo gramado desnivelava-se em pequenas ondulações disformes. Ao longe, notei uma casa, não menos distante que
cem quilômetros. Semicerrei os olhos, e pude identificá-la como parte da minha vida. Não demorei e percebi que era a minha casa. Hesitei para andar em sua direção quando um grande clarão apareceu distantemente atrás de mim. Rapidamente olhei para trás e pude ver uma grande explosão de luz, mas, o que me preocupava era o fato de eu não escutar nenhum som. Mesmo não querendo, algo me forçava a esperar aquilo se dissipar. Quando tudo se "aquietou", no lugar do clarão estava uma árvore. Mesmo tão longe, ela era muito maior que minha casa. Imensamente formosa, ao longe viam-se cipós escorrerem à sua volta. Haviam três densas camadas de folhas, um pequeno espaçamento entre elas fazia aparecer os troncos, largos e grossos. Meus instintos indicavam que a árvore me chamava, porém, eu não fazia ideia do que estava acontecendo. Acima de tudo, eu estava mais do que curioso. Tinha de tomar uma decisão quanto a qual direção seguir, isso eu sabia — no meu subconsciente.

Hesitei poucos segundos para então, seguir em direção a minha casa, mas algum estranho sentimento se apossava de mim. Parecia não chegar nunca, e quanto mais eu corria, mais afastado ficava. Não mais que de repente, o sol ficara totalmente negro. As cortinas do universo se abriram, revelando não mais o esplêndido azul, mas o negro profundo da escuridão eterna. Chamas negras reduziram minha casa a cinzas, mas nenhuma lágrima caíra no meu rosto. No horizonte, pude ver o chão se desmoronar, então sai em direção oposta. O mais rápido que pude, corri em direção a grande árvore, porém nem mesmo ela saíra
impune. A árvore outrora verde, agora tornara-se cinza. Seus galhos — retorcidos e longos — ruíam com chamas pretas, e não se viam mais suas folhas. Um tom fantasmagórico foi dado ao local. O sol parecia estar envolvido por alguma película negra. Quanto mais chacoalhava, mais tentava se libertar. Mesmo correndo, pude ver rupturas (enormes) se abrirem e aparecerem em volta da bola negra. Foi de repente, quando o sol explodiu enviando fortíssimas rajadas de todo o seu poder. Dessa vez eu pude escutar. Aterrorizei-me quando ouvi. Meu coração gelou com a surpresa, fazendo-me parar de correr. O clarão do sol que brilhava incessantemente, ofuscou-me as vistas novamente, impiedoso e vingativo, ele vociferava suas ondas de luz. Porém, dessa vez eu senti a dor que outrora não sentira. Pude (incrivelmente) ouvir o forte som da luz dizendo: você fez a escolha errada. Sombriamente, a voz parecia-me familiar. O chão abriu sob mim, e fui engolido.

Como se tudo tivesse sido engolido, eu via apenas uma escuridão total. Até que, de repente fui
cuspido para fora do abismo, caindo num lugar a pouco conhecido. A minha frente, não muito distante, estendiam-se metros de concreto o alto farol. Embora desligado, ele parecia estar abandonado. Ele estava maior ou era apenas impressão do meu subconsciente? Perguntou-se meu eu interior. Minha audição voltara ao normal, agora eu escutava o som do mar puxando a praia. A lua, não mais prateada, brilhava estranhamente vermelha no céu. Subitamente ouvi um grito vindo da torre. Novamente senti um aperto no peito, e o coração gelar. Minha respiração ficou ofegante em segundos, e além do mar, agora eu escutava o próprio som do meu coração, batendo alto e vigorosamente. O que me deixou mais insano? Era a voz de Harry.

Ficha: EM BREVE
Trama: EM BREVE

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Re: ♦ Trama

Mensagem por Ignactius Bajer em Sex 09 Out 2015, 11:04



Caso ?:  O menino que percebia demais.



1 - childhood

Tem certeza de que esse carro nos levará ao próximo caso estranho, James? Ele me parece meio acabado.

Ig e James estavam completamente suados de tanto correr naquele dia. Monstros, semideuses malucos e muitas outras coisas os atrapalharam em muitos dos casos estranhos que a polícia não resolvia e eles tinham que entrar em ação. Não ganhavam muita coisa além de dinheiro para transporte e comida, mas era um tanto prazeroso fazer aquele trabalho. No final, tudo isso tinha começado com a curiosidade do filho de Hermes sobre o filho maluco de Hécate que o atacara e morrera um dia depois.

Naquela hora, o jovem encarava um carro que o filho de Athena tinha conseguido arrumar. Era um Chevette quase com o piso soltando e que parecia que iria pegar fogo a qualquer momento. Enferrujado, mal andava sem soltar fumaça. Os estofados dos bancos estavam furados e a única coisa mais ou menos intacta do carro era a caixa de marchas. Ig olhou para James e depois para o carro.

— Ele não vai aguentar a viagem.

— Vai sim. Pelo menos tem que aguentar, pois foi o que deu pra fazer com o que ganhamos do último caso. — falou o parceiro, que já entrou no carro logo após. — Anda. Ou você quer ficar aqui e virar comida de monstro?

Ig não pensou muito antes de entrar no carro quase inutilizável e partir de Houston o mais rápido possível. Principalmente quando viu, ao fundo, um cão infernal com sua gloriosa capacidade de corrida avançar na direção dos dois semideuses. Com um grito de "Pisa forte no acelerador agora", os jovens saíram com o máximo de velocidade que aquele veículo poderia oferecer.


[...]


À noite, no meio da estrada, o cansaço abateu o filho de Hermes. A corrida que fez para fugir dos cães infernais e de grupos de monstros e semideuses renegados, além da própria estafa da viagem e dos vários pregos que aquela lata velha e fumacenta deu — com direito a brigas e carro quase explodindo na maioria das vezes em que pifava —...

"— Que legal, James! Eu não sou mecânico, cara! — disse, após levar um belo choque ao mexer em alguns fios.

— Você é o único que entende dessas coisas aqui. Se eu tivesse um livro de mecânica, dava para entender alguma coisa sobre isso. — falou o filho de Athena, que estava vendo o amigo tentar fazer alguma coisa pra ressuscitar o carro.

— Só porque eu consigo fazer ligação direta de modo avançado e você não, não quer dizer que eu saiba mexer nisso. — revoltou-se Ig, quase jogando a chave de fenda que estava em sua mão na cara de James."

...Fizeram com que sua energia beirasse a casa dos zero. Quase dormindo no volante, o jovem conseguiu aguentar por algum tempo aquela condição. Mas assim que entraram na auto-estrada, Ig dirigiu o veículo para o acostamento e cutucou o parceiro logo após parar o carro.

— Troca comigo? Não vou conseguir aguentar a viagem.

Os dois trocaram de lugar e, assim que o carro ligou novamente, o filho de Hermes adormeceu.


[...]


Bem... Não era comum que Ig tivesse sonhos com seu passado, mas cá ele estava de volta ao orfanato em que fora criado. Ele via um pequeno Ig perguntar as coisas para o mágico e sentiu uma nostalgia imensa. Talvez aquela fosse a única lembrança boa que estava na sua infância: A brisa de outono, o parquinho vazio e a pequena conversa que tivera com o ilusionista.

Observando melhor os arredores, percebeu um pouco de sangue no parquinho, proveniente de um garoto que acabou se machucando no balanço. Também notou o escorregador cheio de terra — essa foi uma boa ideia que teve quando era criança para aumentar a velocidade das crianças no brinquedo — e ao fundo alguns meninos colocando a cabeça de um menor dentro da pia externa — isso era uma prática comum entre os veteranos do orfanato —, o que o deixou muito revoltado com o que acontecia, mas resolveu não intervir.

Ignorando aquilo, viu as freiras conversarem animadamente sobre alguma coisa, o que o fez indagar sobre o que estariam conversando. Em uma das janelas, estremeceu ao ver o pároco-mor olhar para onde estava — não o pequeno Ig, mas o grande Ig — e sorrir antes de sair da janela. Dizendo a si mesmo que aquele cara não estava olhando para si, retirou a imagem de sua cabeça e voltou-se à cena retratada naquela lembrança.

Sentou-se em um banco, terminando de ver a cena e viu o loirinho sorrir e correr em direção à freira, escondendo o baralho e o livro nas calças. As outras freiras não viram aquele movimento e, portanto, não confiscaram o que ele carregava.

— Vamos Ig. Toque de recolher. — ouviu a freira dizendo para o garoto.

Após aquela cena, ele olhou para o céu acima de si e para a natureza do local. A paisagem de fim de tarde do orfanato era bonita, por mais que suas lembranças dali fossem tão ruins. Assim que anoiteceu, pensou se não poderia continuar ali por algum tempo. Ele tinha consciência de que aquilo era um sonho, mesmo que a tivesse adquirido ao encarar o pôr-do-sol. O jovem suspirou e levantou do banco, quando algo estranho aconteceu.

Em meio a uivos e silhuetas estranhas fora do orfanato, ele ouvia sinistramente o seu nome:

— Vamos Ig. Toque de recolher.

E, após isso, o filho de Hermes sacou sua adaga. A expressão se transformara para uma de medo, enquanto o céu ficava cada vez mais estrelado acima de si.

Coisas:
Poderes:

Nivel 1 - Agilidade
Você como filho de Hermes terá uma agilidade maior que outros campistas inclusive voando com seus tênis alados. [Passivo]

Armas:

{Maximum} / All-Stars [All-Stars brancos com detalhes pretos. Ao comando de seu dono, estes materializam asas brancas nos calcanhares. As asas possibilitam o semideus sobrevoar até uma altura de vinte metros, após tal altura as asas perdem força e podem parar de funcionar no meio do ar. Caso o semideus esteja segurando uma outra pessoa ou objeto acima de 50 quilos enquanto voa, conseguirá atingir apenas metade da força e velocidade normal. As asas não conseguem voar por tempo ilimitado, ficando ativas por 10 turnos, mais um adicional a cada nível do semideus - 11 turnos no nível 1, 12 no nível 2 e assim sucessivamente. Em situações em que não se tem medidas de turnos (em uma OP onde esteja descrevendo fora do contexto de combate - lembrando que turno é equivalente a ação, então mesmo nesses casos seria possível calcular desde que em uma luta) o semideus consegue utilizar o item por tempo, durante 1 minuto por nível, seguindo o mesmo sistema. O tênis fornece a perícia necessária para sua utilização ao portador.] {couro e borracha} (Nível Mínimo: 1) {Não Controla Nenhum Elemento} [Recebimento: Presente de Reclamação de Hermes]


{Comunication} [Um celular básico e comum de cor preta e com detalhes espelhados. Diferente dos celulares feitos pelos humanos, esse celular funciona para se enviar uma mensagem para outro filho de Hermes, de modo que os meio-irmãos possam se comunicar sem necessitar do uso de mensagens de íris. Claro, além disso, possui outras funções, como acesso a internet e joguinhos. Por funcionar em uma frequência divina, os monstros não são atraídos pelo uso desse celular. Outro grande diferencial é que, ao digitar uma senha, o celular invoca duas serpentes pequenas (uns 50 cm cada), feitas de dados digitais (ou seja, não são físicas, mas só funcionam em locais em que "haja sinal"), uma fêmea e outra macho, que podem ajudá-lo fornecendo informações; não são úteis em batalha e, se "destruídas", somente retornam para o celular, permanecendo lá até o final da missão, mas possuem um extenso conhecimento de mitologia e da história humana, podendo responder quase qualquer coisa que seja de conhecimento geral, ainda que nem sempre com precisão, uma vez que a internet está cheia de informações falsas. Quem decide o sucesso, no entanto, é o narrador. As propriedades funcionam exclusivamente na mão do filho de Hermes portador desse celular.]{Metal e circuitos eletrônicos}(Nível Mínimo: 1) {Não Controla Nenhum Elemento} [Recebimento: Presente de Reclamação de Hermes]

{Quick Cut} / Adaga [Uma adaga com lâmina de 20cm feita de bronze sagrado, mas com o metal com uma estranha coloração esverdeada e empunhadura no formato de uma serpente enrodilhada, com a boca do animal aberta dando espaço à lâmina. Vem junto de um pequeno suporte (bainha) adaptável à cintura, pernas ou tornozelos. No nível 20, torna-se um chaveiro em forma do caduceu de seu pai, porém obviamente reduzido.] {bronze sagrado} (Nível Mínimo: 1) {Não Controla Nenhum Elemento} [Recebimento: Presente de Reclamação de Hermes]



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Re: ♦ Trama

Mensagem por Connor Blaschke em Sex 09 Out 2015, 14:22


Lost in Dreams
— living in a parallel reality —

Por mais que dezenas de motivos me fizessem abandonar o Acampamento, uma coisa eu tinha que concordar: a vida que eu levava lá era boa. Realmente boa. Acordar tarde, comer, passar o dia como um vagabundo, treinando vez ou outra quando não me metia em confusão, comer de novo e dormir — tudo de graça. E fora do Acampamento... bem, as coisas eram bem diferentes.

Meu dinheiro humano não era o suficiente para que eu tivesse um lugar para dormir e ainda sobrasse para comprar comida; ou era um, ou era outro. E como a comida me era mais fundamental no mundo exterior... eu encontrava-me limpando um velho galpão para passar algumas noites.

Poderia ter sido bem mais fácil se não fosse a condição horrível em que ele se encontrava: caixas enormes amontoadas pelo centro do ambiente, montes de madeira podre espalhadas pelo local, engradados de garrafas com montes de poeira e até pestes como ratos grandes demais para serem considerados normais. Ia ser uma delícia limpar aquilo tudo.

— Eu assumi isso quando saí daquele lugar. Agora vou ter que aguentar.

Larguei minhas mochilas próximo à parede metálica do galpão com cuidado para não quebrar nada e comecei os trabalhos empurrando as caixas maiores contra a parede mais próxima, tentando aproveitar mais o espaço disponível; surpreendentemente, elas eram mais pesadas do que eu imaginei, fazendo-me usar mais força do que achei necessário. O fiz com cerca de duas delas antes que começasse a ofegar de cansaço. O que tinha naquelas caixas, afinal? Chumbo?

Voltei até a minha mochila e peguei a  minha flauta, levando-a aos lábios e tocando uma música firme e grave focando em mim mesmo — logo senti uma energia correndo por meu corpo, fazendo-me sentir-me capaz de levantar qualquer peso.

Ali, nada melhor que a música da força para me dar uma mãozinha.

Após guardar a minha flauta de volta na mochila, voltei a aproximar-me das caixas para empurrá-las em direção às paredes. Logo eu já havia afastando todas, sobrando-me muito mais espaço o que antes. Mas claro que somente aquilo não era o suficiente — ainda havia a madeira, as garrafas e as pragas.

Pensando em fazer uma fogueira para me aquecer à noite, passei a separar as madeiras secas das podres, colocando-as em duas pilhas distintas. Era claro que havia muito mais madeira podre do que qualquer seca, e era claro também que a podre não poderia permanecer ali. Eu tinha certas manias de limpeza, sim.

Ao perceber que já havia uma boa quantidade de madeira para ser retirada, passei a carregá-las para fora, dando diversas viagens para poder concluir meu trabalho. Ao término, apenas a madeira seca restava, e já sendo organizado, juntei uma pequena pilha que seria o começo da minha fogueira e outra pilha maior, que alimentaria o fogo no decorrer da noite.

Respirei um pouco e sentei-me. Precisava de água e, tão logo, de comida. Mas eu ainda estava demasiado longe de acabar por ali.

— Nota mental: me instalar numa casa mobiliada da próxima vez. E que fodam-se os moradores.

Sem mais descanso, passei a cuidar dos engradados de garrafas. Enquanto afastava-os a um canto, me veio a sagaz ideia de usar um daqueles engradados como banco. Claro! Sentar-me novamente no chão não ia ser muito agradável, muito menos levando em conta o quão sujo aquilo estava.Por isso, juntei os engradados junto das caixas maiores e, de um deles, retirei todas as garrafas, virando-o de cabeça para baixo e colocando-o próximo à pilha que seria a fogueira momentos depois.

Então, só restavam as pragas.

Olhei ao redor para os ratos que passavam com frequência, pensando em como me livrar deles; foi quando me veio uma ideia fundamentalmente simples: com um assobio alto e cortante, chamei Weevil ao galpão, que logo veio atender-me.

— Com fome, garoto? Tem uns petiscos pra você pelo galpão, não deixe nenhum espaçar, hein? Preciso de um banho e de comida. Volto logo. Comporte-se.

[...]

Eu estava exausto. Após limpar todo o galpão, eu finalmente tinha tido um horário de descanso — havia acabado de comer quase tudo que tinha trazido da lanchonete, logo depois de ter acendido a fogueira e me recostado perto de meu hipogrifo para descansar um pouco. Weevil também estava satisfeito; com tantos ratos por ali, ele matara sua fome em questão de segundos.

Mesmo sendo relativamente cedo para se dormir, o cansaço pós-faxina estava vencendo os meus olhos. Cada vez mais, fazia-os pesar, e vez ou outra eu cochilava rapidamente, acordando sobressaltado, até que por fim decidi não mais resistir, deixando-me entrar no Mundo Onírico.

E, de repente, eu me via em casa. Não no galpão, não no Acampamento — em minha casa.

O mesmo cheiro de canela, advindo do leite com tal iguaria que meu pai insistia em fazer todas as noites, inundava a casa como um odor próprio, assim como a música — Beatles, a banda preferida dele — tocava baixinho por toda a casa, como ele sempre gostava de deixar. Contudo, não havia as costumeiras risadas que eu e Ravenna, minha irmã, dávamos com frequência, ou mesmo as gritarias das bagunças com meu pai. Aquilo me parecia fundamental para que fosse real.

Da sala, onde eu estava, caminhei para a cozinha, encontrando-a da mesma forma de sempre: bem limpa e metodicamente organizada, sem uma sujeira sequer; mas, ainda assim, não era-me natural.

— Mas que diabo...? — proferi, semicerrando os olhos, antes de ouvir algo que me atraía: vozes.

Rumei para a escada e subi rapidamente, com um nervosismo estranho no peito... era como se eu estivesse muito perto de encontrar algo realmente importante, como se minha família estivesse a um passo de distância... e poderia estar, não poderia? As vozes, eu notei, estavam vindo do último quarto, o do meu pai. Elas não pareciam divertidas... estavam mais como preocupadas. Com o quê, eu não sei. Talvez fosse com o fato de ter alguém ali com eles que não fizesse parte da sua realidade. Talvez...

Realidade. Aquilo não era real. Eu estava sonhando. Eu nunca teria como vê-los de novo ou ouvi-los de novo. Aquilo fora tirado de mim por um deus idiota, e o sonho só me lembrava mais do meu desejo profundo de fazê-lo pagar por isso. Dionísio ainda me pagaria caro por tirar a minha felicidade com aquele incêndio.

— Eu vou ceifar seus frutos, seu filho da mãe! — berrava. Não sabia o poder dele ali, mas julgava que não apareceria para me confrontar. De qualquer forma, uma ruptura atingiu aquele cenário antes que algo mais pudesse me acontecer, chamando a minha atenção. E a julgar pela realidade em que eu estava, não sabia se aquilo era ruim ou péssimo.
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Re: ♦ Trama

Mensagem por Mariana A. Lima em Sex 09 Out 2015, 16:13


Sonhos.


❝COMO QUE SKYPE,
STOP E ZIZPHUS JOAZEIRO
PODERIAM SER O PRELÚDIO PARA A DESTRUIÇÃO?❞


Exaustão era o que eu sentia no momento. Estando no meu limite, nunca pude imaginar que trabalhar em uma enfermaria fosse tão cansativo assim. Mas as corridas para socorrer pacientes, as suturas que tinha de fazer, a energia mágica que gastava e, principalmente, as brigas que tivera que apartar dentro da enfermaria foram o que me mostraram o contrário do que antes pensava. Trocando de turno com Thiago, como se estivesse tocando na luva de um companheiro de luta para ele tomar meu lugar, saí como se fosse um zumbi. Ou como um lutador que acabava de ter limpado o chão com a própria cara.

A marca Mariana de panos de chão não era a melhor marca do mundo, gravem isso.

Cumprimentava alguns campistas que me davam oi com um aceno e um sorriso cansado. A única coisa em que pensava era em um banho e minha cama. Um banho na minha cama seria o ideal, se o colchão não absorvesse água. Ao chegar no chalé, mais cansada do que burro de carga, peguei meu jaleco e joguei dentro do box do banheiro do chalé, entrando nele logo após. Depositei todas as peças de roupa em cima da pia, enquanto ligava o chuveiro.

Tecnicamente, após o estremecer inicial da água fria, não sentia muita coisa. Sangue, suor e fluídos desciam pelo ralo do banheiro e, enquanto tomava banho, aproveitava para lavar o jaleco e minhas roupas, utilizando de magias domésticas para me ajudar. Após algum tempo, saí do local carregando as roupas molhadas e, depois de me vestir e estender as roupas na janela de meu quarto, me deitei na cama.

Foi muito fácil dormir após isso.

[...]

Eu já falei que sonho de semideus é muito filho da puta? Se não, saiba agora que o é. Sério. Pense numa coisa ruim pra caramba, fios. Agora multiplique isso por cem. Isso é o que é um sonho de semideus. Não falo em quesito pesadelos e o escambau. Falo no quesito de que: Esta porra vai acontecer um dia e você está completamente frito, otário.

Pois bem, cá eu estava em uma lembrança minha: Aquelas conversas no Skype. Lembrava-me de estar ouvindo meus amigos — aproveito para mandar um salve para o Mestre, Jen, Jon, Fred (o nome dele não é Fred, mas eu o chamo assim) e Gio, que estavam nessa chamada — enquanto jogávamos uma partida de Stop. E, se isso não aconteceu, provavelmente é porque não era Stop, mas enfim.

Estávamos comentando sobre palavras que existiam ou não. Tipo Ziziphus Joazeiro como fruta. Sério, nunca comi isso e ô nome estranho. Parece nome de estrangeiro pobre ou de mãe maluca e diferente. Enfim... Estávamos fazendo isso quando, do nada, minha mãe grita:

— Mariana, vá comer! Cê não comeu nada hoje!

E isso causou uma explosão de gargalhadas do outro lado. Enquanto eu retrucava, dizendo que não estava com fome, meu sonho ia mudando aos poucos. Coisa de sonho normal, afinal sempre muda. A chamada no skype ainda estava aberta, meus amigos ainda jogavam Stop, mas eu não estava no meu quarto. Estava em uma floresta. Era completamente normal isso acontecer, principalmente por eu ser muito fã de RPG.

Enquanto dava uma desculpa qualquer para encerrar a chamada antes que o computador virasse um arbusto, algumas pessoas passavam conversando. Falavam sobre alguma coisa que todo NPC falava. Tipo: "Você viu como está esse tempo louco? Aquele mago anda causando de novo!"

Então, ao tentar me aproximar dos NPCs, algo me chamou a atenção. Levantei meu cajado em direção a um arbusto à frente, pronta para falar qualquer coisa e soltar uma magia — tipo "Kamehameha" ou "Leigun" ou ainda "Pre-pa-ra" —, mas algo me dizia que aquela coisa naquele sonho não era normal. Eu sei o que vocês vão falar: "Mas o seu quarto virar do nada uma floresta também não é normal!", porém o que eu quero dizer era que não era um acontecimento igual aos meus sonhos comuns.

Era diferente. Só que eu não sabia, por ora, explicar como.

Coisas:
Poderes:

Lvl 1 – Pericia com Feitiços: Eles conseguem realizar feitiços e magias com mais facilidade. [Passivo]

Armas:
{Graveolentiam} / Adaga [Adaga prateada, apesar de feita com bronze sagrado. Seu punho é envolto em couro, para melhor manuseio, e a lâmina possui símbolos rúnicos gravados. Acompanha bainha de couro. No nível 20, torna-se um colar de pentagrama.] {Bronze sagrado e couro} (Nível Mínimo: 1) [Recebimento: Presente de Reclamação de Hécate]

{Athar} / Grimório [Este livro pesado encadernado em couro e escritos rúnicos contém as instruções e ensinamentos necessários para que o semideus acesse seus poderes. As páginas estão em sua maioria em branco, mas, ao adquirir poder e sabedoria suficiente, a página é preenchida com a invocação disponível. Para qualquer outra pessoa, parece um livro gasto.As páginas são feitas de uma lâmina fina de bronze sagrado, e por baixo do couro da capa ela é de metal, o que o torna resistente à água, mas não indestrutível. Caso danificado, destruído ou perdido ele irá se recompor nos pertences do semideus, em seu baú. Todo grimório começa com os elementos éter e trevas (ainda que este segundo só fique disponível efetivamente após o ganho da habilidade de nível 50), mas não oferecem bonificações adicionais quanto aos elementos base.]

♠ Directions/ Bússola [A bússola possui uma coloração prateada, que brilha levemente. Essa parece com uma outra qualquer, e funciona como uma em horas normais, mas, quando Mariana estiver perto da presença de algum monstro, o objeto começará a vibrar e ficará quente.] {Prata} (Nível mínimo: 5) {Nenhum elemento} [Recebimento: Missão "A Nova Amiga", avaliada por Selene e att por ~Eos]

— Bolsa de Componentes Mágicos / Bolsa (Nela são guardados desde objetos para preparo de poções até bisturis e utensílios médicos [ela possui espaço infinito para tais coisas e somente para tais coisas; também aparece e desaparece, dependendo exclusivamente da necessidade do semideus]) {Couro} (Nívem mínimo: 1) (Controle sobre nenhum elemento)[Presente de Curandeiro]

— Colar do Serpentário / Colar (o formato e o estilo da confecção lembram uma serpente dourada; nunca pode ser perdido, vendido ou retirado a força, pois identifica os curandeiros e, portanto, não é considerado um item nas contagens para missões, eventos e tramas, embora ainda seja preciso citá-lo) (seu efeito principal é o de, quando retirado do pescoço, se transformar em um dos itens a seguir: uma réplica quase totalmente semelhante do Bordão de Asclépio (ou seja, uma espécime de bastão rústico e fino envolvido por uma serpente de escamas feitas de prata envenenada que podem ser tão afiadas quanto uma espada, possuindo o mesmo potencial de corte de uma arma laminada; ele se adapta completamente ao tamanho e porte físico do usuário). {Prata, madeira e veneno} (Nível mínimo: 1) (Controle sobre nenhum elemento) [Presente de Curandeiro]

❖ {Antidote} / Colar [O colar feito na enfermaria é composto de um pequeno frasco como pingente, preso a uma corrente fina de bronze. Ele tem forma de prisma e contém no interior um líquido cor-de-rosa, capaz de aumentar as habilidades físicas de Mariana (velocidade, esquiva, força, etc) em 10% quando ingerido. Só pode ser utilizado uma vez por evento/missão, com duração de um turno. Após esvaziado, o pequeno frasco leva 24 horas para encher-se magicamente de novo.] {Bronze, Vidro e Poção} (Nível mínimo: 10) {Elemento: Habilidades Físicas} [Recompensa pela missão "Poison", avaliada por Lady Psiquê e atualizada por Odisseu.]

Mariana está sonhando doideiras. Mas não eram suas doideiras normais.
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Re: ♦ Trama

Mensagem por Catherine Blake em Sex 09 Out 2015, 16:56


The Broken Dreamcatcher


We all have demons in us



Desembainhei a espada e encarei o filho dos Ventos.  

O céu apresentava uma tonalidade alaranjada e a brisa era bastante gélida, caracterizando um frio fim de tarde.

Nada definiria melhor o resto do meu dia do que tédio e inquietação. Até tentei prestar atenção em alguns livros, mas eles me pareciam estranhamente cansativos. Então, acabei por procurar algo mais ativo. Talvez, para ocupar minha própria mente e parar de pensar em meus “demônios” internos. Do contrário, enlouqueceria.

- Vamos lá, dear. Se ganhar de mim, podes escolher o que quiser. – Sorri maliciosa para Bryan, meu namorado, arqueando as sobrancelhas em um claro sinal de desafio.

Ele apenas avançou pela minha direita, projetando a lâmina para as minhas costelas. Em contrapartida, desviei para lado e girei o corpo. Aproveitando-me do instante em que ele vacilou e deixou seu ponto fraco à mostra, fiz um movimento diagonal com a lâmina. Meu alvo era todo o tórax dele.

Assim, dito e feito.

O corte foi somente superficial, porém foi o suficiente para provocá-lo.

Avancei mais uma vez e projetei a lâmina, em “X”, para atingir o seu ombro. O garoto recuou um pouco, antes que minha lâmina o tocasse, e aparou o golpe com a espada. Nossas lâminas começaram a se movimentar uma contra a outra, em uma louca dança. Sem que nenhum de nós recuasse, os movimentos eram diversos. Diagonal, horizontal, diagonal, vertical, horizontal, direita, esquerda, direita, esquerda e direita.

Até que, então, nossas lâminas se prenderam uma a outra. Ouvindo-as retinir com o contato, encarei seus olhos azuis. Aproximei-me dele devagar, como se fosse beijá-lo, mas desviei na mesma hora. Ele ficou tão atônito que me deu a chance de desvencilhar a minha lâmina da dele, com um giro completo de meu corpo, e colocar a ponta da espada em seu coração.

- Primeira regra: nunca deixe o inimigo distrai-lo. – Disse, pressionando de leve o metal contra ele. O filho de Éolo soltou uma risada, deixou a espada cair, me puxou para si e beijou-me rapidamente.

- Quando o inimigo é minha namorada, isso é meio complicado. – Deu de ombros e suspirou, ainda sorrindo. – Logo, você não pode me culpar.

Como estava exausta, apenas embainhei a espada, revirei os olhos e retribui o sorriso dele. Ele era, de fato, impossível em algumas horas. Com a respiração ofegante e o suor ainda escorrendo pelo meu corpo, toquei seus lábios brevemente e deixei a arena. Olhei uma vez para trás, dirigindo uma piscadela astuciosa para meu parceiro de treino.

**

Mal acabei de tomar um banho, já desabei na cama. E como nada poderia ser perfeito, os sonhos vieram atormentar meu sono. Não era um sonho comum, e sim um sonho muito mais estranho e perturbador.

Para muitos, isso era uma benção. Mas para mim sempre era uma maldição.

**

No começo, tudo estava escuro e embaçado.

Aos poucos, a escuridão se dispersou. E, logo, consegui ver um local bem conhecido por mim. No início, fiquei bem surpresa e confusa, pois meus sonhos nunca me levaram até ali antes. "Então, por que ir agora? E, especialmente, por que ali?" Pensei, sem obter resposta. Nada disso me parecia muito normal e muito menos certo. Algo me incomodava ali.

Estava em meu próprio quarto, na minha casa em Chicago. Ele era bem simples e continha apenas os móveis essenciais: uma cama, uma estante, uma escrivaninha e uma cômoda. Toda a decoração e os móveis variavam em tons de cinza e, principalmente, preto. Nas paredes, via-se milhares de pôsteres de bandas de rock e as estantes estavam abarrotadas de livros de terror. Havia ainda uma porta de vidro que dava para uma sacada, com vista para toda a cidade.

Já que o silêncio reinava ali, parecia não haver nenhuma vida no local.  

Sentia-me feliz e aliviada por estar em casa depois de tanto tempo, vendo as luzes de uma Chicago bem ativa, mesmo durante a noite.

No entanto, isso logo passou. Olhei de novo o quarto e vi uma perturbadora fotografia, em cima da cômoda. Caminhei até lá e peguei o porta-retratos devagar, analisando a foto com cuidado. Lá, via-se uma Catherine mais jovem de cabelos curtos. Além disso, seu estilo era bem dark. Ela usava roupas pretas, cheias de spikes e tachas, junto com uma forte maquiagem também preta. Conseguia distinguir facilmente que época era aquela. A pior e mais obscura fase de minha vida.

De repente, a alegria se transformou em tristeza e culpa ao me lembrar daquela época terrível. Quase deixei o porta-retratos cair, devido às lembranças sangrentas e horripilantes em minha mente que me assombravam até hoje. Então, ouvi um barulho e vi a maçaneta ser girada.

Uma figura masculina de jaleco e óculos surgiu na porta. Ele tinha inconfundíveis olhos azuis, uma estatura bem elevada, um cabelo loiro meio grisalho e um sorriso leve no rosto. Meu próprio pai, desaparecido há quase um ano. Só a visão dele, fez meus olhos se encherem de lágrimas.

- Catherine? Você está aqui? Mas eu pensei que... – Sem deixar que terminasse, estreitei-o em meus braços.

Ele ainda cheirava a café e produtos químicos, exatamente como eu me lembrava. E isso apenas fez a saudade apertar mais meu coração, envolvendo-me em um estado de estupor. Sabia que nada disso era real, porque lembrava-me dessa cena. Mas ao mesmo tempo.... Tudo parecia tão vívido e ideal. Quase como se toda a minha vida de semideusa fosse nada mais que um delírio.

- Senti tanto a sua falta, pai. – Consegui falar, mesmo que sentisse minha garganta se fechar.

- Minha garota, se acalme. Estou bem aqui o tempo todo. – Ele soltou um leve riso e me apertou mais junto de si, afagando meus cabelos. -  E o pesadelo já passou.

No instante em que ele disse isso, senti uma sensação estranha. Era como se eu estivesse sendo seguida de perto ou como se as sombras estivessem ali, só esperando para me puxar às suas profundezas.

Fosse como fosse, ela arrepiou toda a minha espinha e fez com que um suor frio se acumulasse em minhas mãos. Automaticamente, meus ombros enrijeceram de tensão. Se antes achava que havia algo errado, tinha certeza agora.

A temperatura abaixou cada vez mais e uma névoa esbranquiçada começou a cobrir o chão. Não entendia o que acontecia e nem de onde viera aquilo. Todavia, previa que não era nada bom.

- Não. Na verdade, o pesadelo acaba de começar.  – Sussurrei, mal conseguindo pronunciar as palavras.

Adendos:
Armas Utilizadas:
Treino:

✣ Yin Yang. [Uma espada de punho prateado e com um desenho bem talhado de uma borboleta em azul. Sua lâmina é de uma beleza diferenciada, pela divisão do cume central, metade dela possui um material negro e a outra metade é feito de prata sagrada. Seu corte é duplo e sua ponta afinada, uma espada bastante resistente. Ela possui uma habilidade de ativar um segundo modo em que a espada original se divide em duas, uma de lâmina totalmente preta e outra de prata sagrada. Nesse segundo formato a sua resistência diminui um pouco, porém seu corte fica extremo, podendo cortar metais pesados e causar efeitos sobre armas sagradas. Essa espada vem em uma bainha preta com entalhes azuis em borboletas, ela se adapta ao corpo do mentalista podendo ser usada do modo que este desejar carregar a espada.] [Materiais: Prata Sagrada e Material Negro] (Nível Mínimo: 1) {Elemento: Psíquico} [Recebimento: Presente por ser mentalista]

Mundo Onírico:
-v-
Poderes Utilizados :
Passivos:
Treino:

Nível 3

Combatente ágil - Filhos de Atena tendem a ser mais esguios e velozes do que fortes, em termos físicos. Isso faz com que tenham mais chances de acerto em combates corporais com armas de curta distância. Sua agilidade usando armas corpo a corpo é ampliada em 10% durante as batalhas.

Mundo Onírico:
-v-
Ativos:
Nada



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Catherine Blake
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Re: ♦ Trama

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