♦ Trama

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♦ Trama

Mensagem por 139-ExStaff em Qui 08 Out 2015, 18:21

Relembrando a primeira mensagem :


Trama



1º turno - Threshold

O dia estava sendo mais exaustivo do que o esperado: não bastasse o frio incessante, havia ainda as obrigações e dificuldades de sempre na vida de um semideus. Seria bom um pouco de descanso. Mas dormir, para aqueles de sangue mitológico, podem  levar a pessoa bem mais além do que o esperado.


Orientações narrativas


Data: Outubro atual;
Temperatura/ clima: Sempre frio para o padrão local, independente de onde seja;
Cenário: Mundo onírico
O mundo onírico é um local volúvel, fluido e com características modificáveis que em geral refletem ou respondem de acordo com a pessoa em seu interior. Todos no mundo onírico estão inconscientes de alguma forma no plano real, sendo "criaturas astrais" - dessa forma, nada do mundo real funciona dentro do mundo onírico, exceto aos que possuem habilidade adequada para transportar tais itens de dimensão, assim como formas astrias que transpassam a barreira entre os mundos são limitadas no mundo real.


Pontos obrigatórios


♦ A introdução deve abranger a narração de alguma atividade extenuante durante o dia (sem combate a monstros); deve-se atentar que um único exercício não causa exaustão - como dito na introdução, podem ser várias coisas/ fatores - tente uma explanação geral, focando-se por fim em algo mais específico - o que requereu mais esforço;

♦ Em algum momento após isso, você consegue finalmente um instante de descanso, acabando por adormecer e entrando em uma realidade onírica. Foque nas sensações, impressões e diferenças - o personagem não precisa, necessariamente, ter consciência dentro do sonho (sonho lúcido);

♦ Nesse ponto, o semideus deve descrever visões e interações dentro dessa realidade - podem ser lembranças reais, sonhos comuns, etc, sem utilização de poderes ou ligação mitológica real, nem combates - não há uma quantia determinada, mas detalhe seus sentimentos e reações;  

♦ Em algum ponto alguma coisa muda, o afetado. Termine ao ter sua atenção chamada por algo, sem, contudo, descrever o que provocou o efeito.


Prazo e status dos players


Prazo até amanhã, dia 09/ 10 às 20h. As estatísticas e nomes dos incritos previamente serão detalhadas a seguir. Postagens liberadas.



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Re: ♦ Trama

Mensagem por Ayla Lennox em Dom 11 Out 2015, 19:46

Dreams of a lost Spring
Os olhos de Ayla marejaram, e aquilo foi o bastante para que ela desejasse sumir dali antes que o pai perguntasse qualquer coisa. Ela podia ouvir seus pensamentos "O que aconteceu aqui?" e, acima de tudo, podia saber o que ele sentia. Confusão e medo. Medo dela.

Segurando seu flanco direito, ela correu. Fugiu dali sem pensar duas vezes, passando pela porta e esbarrando em Adam. Seus passos eram rápidos, porém desajeitados, mas acima de tudo eram desesperados.

Seu corpo ardia em dor, especialmente quando começou a ofegar. Aquela tinha sido uma luta justa, mas já fazia um bom tempo desde que havia se envolvido em algo parecido com UFC.

Apoiou uma das mãos em uma árvore e parou. Seu corpo se curvou para a frente até que ela conseguisse se acalmar. Ergueu os olhos para o céu e seus joelhos pareceram ceder. Foi ao chão e apoiou as costas contra a áspera superfície da madeira.

Olhou ao redor e mais uma vez aconteceu. Cenas de fatos onde ela estivera presente começaram a se materializar no ambiente, mas não era nada agradável de ser visto.

Ela se viu caída no chão da antiga igreja, o filho de Hades estava de pé ao seu lado e manipulando as trevas. Foi então que ela viu o que havia, de fato, acontecido. A escuridão clamando por seu lugar dentro do corpo da semideusa. Ouviu seus próprios gritos agonizantes, viu cada convulsão, cada veia sua assumindo o tom escuro como ônix, assim como seus olhos.

O grasnar dos corvos irrompeu o silêncio daquela noite. Diversas aves negras voaram no céu e pareceram cortar a visão do passado. Um favor que deveria ter sido prestado aos deuses e acabou de maneira trágica.

Sabe, existe um ditado de que existem dois lobos lutando o tempo inteiro. — A voz veio junto a passos que amassavam folhas secas. Eles se aproximavam sem pressa alguma. — Um deles representa a escuridão, o outro a luz.

Aquela voz.

Você sabe qual deles vence?

O rapaz de cabelos loiros logo estava de pé ao lado de Ayla. Um sobretudo cobria seu corpo e ele fitava um ponto distante no horizonte.

O que diabos você quer, Alexander? — Disse a garota enquanto levava uma das mãos até a têmpora direita. — Se veio me matar, faça isso logo.

Ele riu.

A resposta correta seria "Aquele que você alimenta mais." — Logo sentou-se ao lado da semideusa no chão. — Sabe o motivo pelo qual o Damphyr não a temeu?

Porque ele era muito burro? — Riu de maneira seca, sem humor genuíno algum.

Não, porque ele sabia qual lobo você vinha alimentando. Ele sentiu isso em você. — Alex suspirou. — De certa forma isso me orgulha.

Te orgulha ver que eu estou virando um monstro e as pessoas sabem disso? Puxa, ótimo saber disso. — Respondeu ela fitando os olhos do garoto.

Tudo bem, faça de mim seu vilão. — Ele tocou o ombro da filha de Selene. — Mas talvez não exista nada de errado em assumir o que você realmente é.

Ela ficou em silêncio. Não sabia o que responder. Era aquela sua real natureza, seu destino?

A propósito, uma das vantagens em ter um acordo com o deus da escuridão é que eu tenho notícias de todo tipo sempre que eu quiser.

A notícia de que eu pretendo te matar assim que nos encontrarmos, já chegou a seus ouvidos? — Ela suspirou enquanto se colocava de pé. Havia percebido que aquilo não era real, mas aquilo não a impediria de tratar o momento como se fosse.

Acredite, eu sou a sua menor preocupação. O mundo que você conhece está prestes a ser emerso em uma escuridão pior do que esta. — Disse ele enquanto fazia as sombras serpentearem em suas mãos.

Com uma agilidade surpreendente, ele se colocou atrás de Ayla e cobriu seus olhos com as mãos. As palavras lhe escapavam dos lábios gélidos diretamente para os ouvidos da garota, ásperas, pausadas, eram como uma sentença.

Tudo que você ama... Será reduzido ao pó.

Então um arrepio percorreu a espinha da mentalista. Já não sentia Alexander por perto, ele havia sumido. Abriu os olhos e então um grande peso - talvez que pudesse ser comparado ao que Atlas carregava - a fez ir ao chão.

Sangue. Gritos. Fogo. Montanhas de corpos, ruínas de construções, de vidas, de sonhos estendiam-se por todo o cenário.

Estava no acampamento, mas ele já não existia mais.
Adendos:
Vamos lá, tudo que vocês vão ler aqui terá uma ligação direta com a trama pessoal de Ayla.
Coisas importantes a serem explicadas: Adam é o pai da garota. Eles tem uma ligação muito forte, etc coisa e tal; Alexander é um personagem da trama pessoal da garota que surgiu na última DIY e faz o tipo de pessoa que quer ver o circo pegar fogo. A historia das sombras também remete a o último capítulo da trama pessoal (cujo poder ainda não está na minha ficha, mas tudo bem, estou mencionando-o apenas para fins interpretativos), onde a garota passa a escuridão material dentro de si graças a esse semideus envolvido com Érebo.

Por enquanto, that's all.
Poderes:
Passivos:

◉ Nível 2. Memória fotográfica: Tudo o que você ver ou ler ficará gravado em sua memória por anos, serve tanto para imagens para textos.

◉ Nível 20. Telepatia Avançada: Controle total, podendo escolher a hora que vai escutar os pensamentos ou não e também se comunicando livremente através dos pensamentos.

Nível 3: Sentidos Aguçados
Quando está a noite, os sentidos (Visão, audição, tato, olfato e paladar) dos filhos de Selene serão mais aguçados, melhor do que qualquer meio-sangue, sendo o dobro do que um humano comum em questão de acuidade e/ou alcance. [Modificado]

Nível 9: Olhos lunares
O filho de Selene, a partir desse nível, passa a enxergar no escuro com a mesma percepção e alcance da sua visão normal. [Novo]

Nível 40: Presságio
A lua sempre foi utilizada por várias culturas em seus rituais divinatórios. Você personaliza isso, ganhando uma espécie de sexto sentido que faz com que seja difícil ser surpreendido. Não indica o perigo exato ou o momento em que será atacado, nem de onde ou de quem virá, apenas a sensação de que há perigo, uma espécie de intuição, que pode servir para indicar emboscadas e armadilhas, ou até ataques. Alguns inimigos podem ter como burlar isso, já que podem conseguir ocultar sentimentos ou pensamentos - em casos do tipo, o poder só captaria se o oponente for de nível menor. [Novo]

With: -

Wearing: Jeans, blusa branca.

Where: Camp

Listening: The Breach - Dustin Tebbutt
I sense there's something in the wind
That feels like tragedy's at hand.
Tks, Jay
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Re: ♦ Trama

Mensagem por Lana D'yer Hempstead em Dom 11 Out 2015, 19:48



— LANA D'YER : TITANIUM — TRAMA: SONHOS DA PRIMAVERA PERDIDA
I'm bulletproof, nothing to lose, fire away, fire away. Ricochets, you take your aim, fire away, fire away. You shoot me down but I won't fall.
I AM TITANIUM!

Caminhei por um longo tempo, esgueirando-me entre árvores, usando meu corpo coberto de cinzas que serviam como uma fraca camuflagem. Para minha sorte não houve nenhum novo empecilho capaz de me surpreender repentinamente, eu pude caminhar com certa calmaria, apesar de não estar nada tranquila.

Meus passos levaram-me em direção à parte da floresta onde focos de incêndio ainda eram frequentes. A temperatura fria foi mudando gradativamente, mas não ao ponto de me provocar certo desconforto. Senti o calor das brasas aquecendo-me e parei próximo a um conjunto de árvores, essas estavam intactas, ainda poupadas da voracidade das chamas. Sentei-me, escorando meu corpo cansado contra uma delas e respirei profundamente. Naquele momento consegui ter um pouco de paz, apesar de suspeitar ouvir sons de batalhas ao fundo. O barulho que mais se sobressaia ali, no entanto, era o som do estalar do fogo consumindo aquela parte da floresta. Apenas observar seu poder de destruição foi pesaroso. Eu sempre tentava fazer o máximo para exterminar qualquer ameaça, mas naquele momento nada podia fazer a não ser focar em mim mesma, além de executar uma breve análise mais detalhada do ambiente e de toda a situação que me circundava.

De primeira examinei a gravidade de meus ferimentos, eles ainda sangravam, transformando a dor que antes era ignorada em algo latente. Quanto a dor eu não poderia fazer nada, mas decidi ao menos tentar parar o sangramento. Arranquei tiras de minha própria blusa para usar sobre as feridas. Envolvi pequenos pedaços das tiras de algodão no ferimento do braço e da perna. O da cintura não recebeu nenhum tipo de tratamento, ou melhor, eu apenas pressionei a ferida a fim de estancar o sangue que fluía discretamente. Arranhões pouco profundos marcavam meu pescoço, mas pareciam o menor dos problemas.

Quando me dei por satisfeita, olhei para o céu sobre minha cabeça. A copa robusta da árvore tampava um pouco minha visão, mas eu pude observar que o céu não era comum. A fumaça cinzenta conseguia vagar naquela altura, mas não era capaz de ocultar o imenso breu que mais parecia a ausência total de qualquer resquício de realidade. Aquele céu era singular, parecia na realidade um abismo obscuro. Apesar da iluminação satisfatória que eu tinha, ela não parecia vir dali, pois nenhum astro encontrava-se naquela imensidão profundamente negra, mais escura que as próprias sombras. Encará-la me fazia acreditar que eu poderia estar me deparando com um período noturno, mas não era o que ocorria. O tempo ali parecia um grande mistério, não parecia ser noite e nem dia, não parecia ser nada além de uma realidade paralela que não mostrava grandes explicações. O mundo em que estava pouco a pouco parecia cada vez mais irreal.

Sentindo mais uma vez a confusão se apossar de mim, tive a curiosidade de provar as texturas daquilo que me rodeava. Levantei-me, apalpando o tronco firme e áspero da arvore que usara para me escorar. Ele parecia real, tão real quanto as folhas caídas sobre o solo, quanto o próprio solo de terra negra e fria que estava sob meus pés. Enquanto o céu distante parecia algo incomum, fora da realidade, o que me rodeava no plano terreno parecia extremamente verdadeiro. Conclui que ou eu havia sido transportada para um mundo inexplicável ou estava sofrendo com o pesadelo mais realista que já tivera.

O desejo por encontrar Cassidy ainda era intenso, mas eu não deixava de lembrar sobre o que havia feito contra a dríade. Nunca havia desejado ser tão covarde aquele ponto. Pensava sobre isso enquanto caminhava sem rumo definido, até começar a ouvir sons de batalha ainda mais próximos.

Quando por fim me dei conta dos sons da guerra, tratei de me camuflar em meio a alguns arbustos, então observei o que acontecia a pouco mais de trinta metros de distância. Um pequeno exército formado por esqueletos, aranhas gigantes, bestas deformadas e humanos lutavam contra soldados místicos. Tais soldados variavam em suas formas e espécies, pareciam elfos, sílfides, dríades e elementais. Ali no meio estavam até mesmo fadas, unicórnios e pégasus. Era uma pequena guerra e não foi difícil supor que lutavam pelo Reino de Lir. A partir dali não houve mais dúvidas sobre o motivo da dríade me atacar. Aqueles humanos e eu éramos da mesma espécie e tal espécie lutava pela posse daquele reino.

Mais alguns elementais, estes da água, tratavam de tentar apagar os focos de incêndios. Apesar de tudo, o lado dos místicos estava em grande desvantagem. Não demorou muito tempo para que recuassem, especialmente três figuras: um pégaso, um unicórnio e uma bela criatura com cabelos brancos e mechas prateadas. Ela voava com asas cintilantes, atrás dos dois equinos, parecia se responsabilizar pela retaguarda. A maioria do exército místico tentava formar uma barreira de proteção para o trio, usando seus próprios corpos para isso.

À medida em que o trio se aproximava, mais uma certeza se tornava clara: aquela criatura alada, de cabelos prateados era na verdade Cassidy, mas parecia um pouco mais velha e sábia. Quando tive essa certeza absoluta, achei que tudo estava bem, meu maior objetivo até o momento já havia sido concluído, eu havia encontrado minha companheira. Sem temer a nada saí de meu esconderijo, crente de que iria ter uma recepção calorosa com a pequena vindo em direção aos meus braços, dizendo o quanto estava feliz em me ver. Não foi isso o que aconteceu.

Ao me notar diante a eles, Cassidy gritou em alerta:

- Olhe, um deles! Protejam-se! – e com certa habilidade de voo fez manobras astutas, algo que parecia uma forma de prevenção e aproximação. Mas o que mais me incomodou no momento foi sua maneira de me tratar como uma ameaça. Ela parecia não me reconhecer, e o pior, parecia me tratar como inimiga, assim como a dríade fizera.

Permaneci imóvel, atordoada. Nunca em minha vida pensei que seria tratada daquela maneira por alguém que tanto significava para mim. Nada, absolutamente nada fazia sentido, mas isso não quer dizer que não machucava.

A aproximação do trio continuou, obrigando-me a tomar alguma atitude. Apenas estiquei meus braços ao lado de meu corpo e esperei. Aquilo me fez lembrar da primeira vez em que a fada e eu nos encontramos, ela não demonstrou nenhum desejo em me atacar e era isso que eu fazia naquele momento. Nunca ousaria ameaçar aquela que tanto amava, minha missão, em qualquer tipo de realidade, era sempre protegê-la. Eu preferia a morte a ter que provocar qualquer tipo de ferimento na pequena, mas outros não pensavam assim...

Foi repentino e surpreendente aquele ataque. Algo que sequer percebi que acontecera, apenas tive a oportunidade de assistir seu efeito, mas sem nenhuma possibilidade de interferir. Uma flecha atravessou o corpo da fada enquanto ela ainda estava no ar. Sangue prateado e pó cintilante respigaram sobre meu rosto. A partir de então eu vi a pequena despencar diante de meus olhos, tinha sido gravemente ferida.

O mundo ao meu redor começou a desabar, como se meus próprios sentimentos entrassem em colapso. As lágrimas, que seriam bem convenientes de aparecerem naquele momento, não foram derramadas. Eu permaneci estática, imóvel, vencida pela dor e por toda a confusão. A Floresta de Lir despedaçava-se em cinzas e pouco tempo depois eu estava despencando em um abismo negro, onde parecia ser capaz de ouvir os gemidos e lamúrias de meu coração estraçalhado. Até que parei de cair, aterrissando com firmeza em algo sólido: a ponte que erguia-se sobre mais um abismo e que ao longe mostrava uma imensa torre.

- Ela está viva. – estranhamente eu ouvi essas palavras, mas quando o choque por todo acontecido pareceu diminuir, deparei-me com um unicórnio e o próprio corpo inerte de Cassidy diante de mim. Eu não sabia se aquele ser poderia falar, mas pelo jeito a resposta era positiva, ou melhor, ele comunicava-se telepaticamente.

- Mas meu poder de cura não é o suficiente. – ele suspirou de maneira pesada, continuando:

- Apenas a Rainha das Fadas seria capaz de curá-la. – o ser místico abaixou sua cabeça, parecia estar desolado, tanto quanto eu.

- Suponho que você seja Avalon. – ousei dizer após ligar algumas peças e lembranças. O unicórnio olhou para mim, parecia questionar como eu sabia. Pelo jeito minha dedução era verdadeira. Sem esperar que ele dissesse algo, prossegui:

- Não espero que acredite, mas eu não sou inimiga, pelo contrário, quero salvar todo esse Reino e principalmente Cassidy.

O olhar do ser me encarou de uma forma enigmática, beirando a algo assustador. As próximas palavras que ouvi vieram em um tom assombroso e diziam:

- Liberte a Rainha na Torre do Pesadelo e ganhe seu final merecido...

Mal ele disse aquelas palavras e tudo novamente pareceu desabar em cinzas, levando-me a uma nova parte daquele pesadelo que cada vez se tornava mais sem sentido.



◉ informações

Arsenal:

Irrelevante
Observações Importantes:

~ O post não ficou lá essas coisas, tive que fazer correndo e acabei não desenrolando melhor as ideias. Mas uma coisa que tentei deixar clara foi os sentimentos de Lana por ter que atacar uma criatura inocente, para ela é uma das piores coisas que poderia fazer. E então veio a parte mais louca, a parte em que a personagem é confundida como inimiga por aquela que tanto deseja proteger. O mundo aos seu redor desabando foi um modo de tentar mostrar seus sentimentos quanto ao ocorrido e, principalmente, após ver sua fada gravemente ferida. Não importa em que dimensão esteja, se isso ocorrer, Lana sempre sentirá como se o mundo desabasse para ela e de alguma forma podem estar usando isso contra ela.
~ Repetindo uma importante parte da trama da personagem:
O primeiro ponto fraco de Lana está nessa culpa que sente pela morte de seu pai, além da fobia descontrolada que tem por hospitais e ambientes e assuntos relacionados. O segundo ponto fraco da jovem tem um nome: Cassidy. Uma fada de sentimentos puros e ar inocente como o de uma criança. A criatura mística seguiu ao lado de D'yer após a fuga da mansão dos Verlaine. A pequenina submeteu-se à campista, sofrendo a maldição de perder todos seus poderes, tornando-se assim alguém extremamente vulnerável, frágil, e que necessita de constante proteção. Cassidy é uma pequena criatura que vive exposta aos mais diversos perigos, obrigando a Lana a manter-se sempre em alerta para protegê-la, muitas vezes colocando-se em risco sem pensar duas vezes, ainda mostrando uma personalidade completamente perversa contra aqueles que ameaçam ou ferem sua amada fada. Cassidy atualmente é a maior responsabilidade de Lana.

A relação da fada e da campista é marcada por um elo quase inexplicável, de tão diferente que é. Lana, com toda sua solidão e sentindo-se perdida em um mundo desconhecido, enxerga sua pequena mascote de igual para igual, isso porquê Cass também se encontra sozinha, em um local totalmente novo. As duas possuem suas espécies distintas, mas os semelhantes infortúnios aos quais se depararam transformaram-nas no complemento uma da outra e esse é apenas o começo. O sentimento que Hempstead desenvolve pela fada é algo que beira ao fraternal, algo totalmente protetor, verdadeiro e impulsivo. Essa relação incomum ainda renderá muitas aventuras. Como se não bastasse, as duas ainda possuem mais um ponto em comum: ambas são perseguidas pelos Verlaine.
~ Cassidy, como sempre, mostrará grande importância no sonho, apesar das duas não compartilharem o evento. Repetindo, as duas não compartilham do mesmo sonho, ou seja, nenhum ferimento adquirido pela fada deve ser levado ao seu estado real, mesmo porque, dependendo da minha inspiração, Cassidy e tudo mais nesse sonho podem ser apenas uma forma de manipulação...
~ O ser místico que usei para interação foi o unicórnio Avalon.
~E eu nem preciso explicar que o mundo místico veio logo no primeiro turno...
~ la la la
~ Qualquer dúvida, MP!
~ Beijos!

DATA INDEFINIDA || PERÍODO INDEFINIDO || CLIMA FRIO
(c)




Lana D'yer Hempstead
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Re: ♦ Trama

Mensagem por Zoey Montgomery em Dom 11 Out 2015, 19:59

A respiração da arcana estava pesada. Ela jogou o corpo do cão para o lado, levantando-se de forma trêmula. Mas que raios estava acontecendo ali? 
As pernas bambas não deixavam-na ficar de pé de forma correta, e o braço machucado doía muito. E tudo que ela queria era um curativo. Caminhou até o trono e sentou-se no mesmo, pensando em um jeito de estancar o sangramento. 
O cenário não mudara em nada. Os olhos da arcana continuavam varrendo o lugar freneticamente, como se buscasse alguma coisa que pudesse ajudá-la ali. E notou algo de errado: o cão ainda não havia desaparecido em uma nuvem de pó dourado. 
- E a rainha volta ao trono. - Uma voz soou no salão, fazendo a arcana pular de susto. - Lady Zoey. Seja bem vinda. - Um garoto de cabelos ruivos adentrou o salão, abrindo com estrondo as portas de madeira. 
Ele era alto, e possuía dentes afiados, visíveis graças ao sorriso de gato que o rapaz lançava. Andava de forma elegante, combinando com a farda azul com detalhes dourados. Ele parecia um homem da realeza, lindo como Apolo, olhos vermelhos vivos. 
Espera... Olhos vermelhos?
- Quem é você? - Perguntou, o coração martelando no peito. 
- Meu nome é Ayato. Masashi Ayato. E você é Zoey Montgomery, uma das vykrolakas. Não uma... A rainha. - Ele se curvou em uma reverência. Então caminhou até uma assustada filha do sol, pegou o braço machucado dela, e num rápido movimento passou a língua no local, lambendo o líquido escarlate e, como mágica, fechando a ferida da menina. 
- Como você...? - Ela gaguejou, espantada. Ayato sorriu e fez uma nova reverência. Pelos deuses, o que estava acontecendo ali? Onde estava, e por que havia um cara com saliva curadora? - Onde estou? 
- No palácio da Lua. - o garoto falou. - Espero que ele seja do seu agrado, sua majestade. 
Majestade? Certo, mas que merda estava rolando ali?
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Re: ♦ Trama

Mensagem por Noah G. Kalömoseuz em Dom 11 Out 2015, 20:28



Don't Trust the B**** in Chalet 26


Post - #3



Coçou a pele por cima da armadura que ainda usava. Noah não gostava de armaduras antes, e não começaria a gostar agora.. Aquela o incomodava em especial. Ela fedia a couro velho e tinha toda aquela coisa do não-grego que o semideus não simpatizava nem um pouco. No fundo, ele até se sentia confortável, mas não admitiria naquelas circunstâncias. Por falar em não-grego, aquele acampamento...

Todas as construções ali mais próximas eram quase totalmente feitas de madeira. O equivalente ao mármore no Meio-Sangue. A provável arena, onde ele estava, ficava bem no centro de tudo. Era enorme e redonda. Notou que vários caminhos saiam dela, como troncos de uma árvore, levando para além da arena, onde estava embaçado demais para o semideus reconhecer algo.

Noah não esperava uma riqueza de detalhes, mesmo. Aquilo era um sonho, não era? E até onde ele lembrava, nunca teria estado ali antes. Mas, ao mesmo tempo, era impossível sonhar com um local que não conhece, certo? Imaginou ter, bem no fundo da sua consciência, uma lembrança dali, a qual usava para dar forma a aqueles objetos. Estava com medo de se mover e ser teletransportado contra sua vontade para outro lugar de novo, ou ser engolido por gosma preta. Queria continuar ali.

Olhou para o redor mais uma vez, para os bonecos de palha com seus elmos ridículos, com flechas presas onde deveria ser a barriga e alguns cortes de espada por todo o corpo de pano. Por um instante desejou estar ali. Estar realmente ali. Conhecer além da arena. Saber para onde os galhos-caminhos levavam. E, principalmente, se certificar que ele não era o único a ter que usar aquela armadura fedorenta. Quase não queria mais acordar... E, hum, por que ele continuava dormindo?

O sonho parecia passar por uma turbulência ao pensamento do semideus. Noah ficara confuso e levemente desesperado, agora que percebeu que ainda não acordava. Geralmente, nos sonhos, as pessoas acordam quando caem, ou morrem, ou enquanto são perseguidas pelo nada. Mas não Noah. Ele passara, basicamente, por tudo aquilo e, mesmo assim, ainda dormia. O cenário tremulou. Estava na floresta, nas ruínas, na colina, no túnel e naquele acampamento ao mesmo tempo. Não havia céu, apenas copas de árvores, mas não havia troncos ligando-as ao chão. O chão estava duro e frio, mas não existia em si. Quando notou, estava caindo.

Sem baque. Sem queda. Apenas apareceu, em pé, num jardim negro. Gramas escuras e flores pretas, e um pé de romã. Uma pequena fonte jorrava fogo líquido, como lava, mas com labaredas escuras. Era um lugar bem monocromático, no geral.

- É uma pena, não é mesmo? - disse a voz doce e suave. Noah odiava aquela voz. - Você não vê? Estava tão desesperado que conseguiu até me colocar nesse sonho esquisito!

- Ah, acredite, eu nem fiz força - retrucou, sentando-se no bloco de pedras que fingia ser um banco, em frente a deusa.

- Eu preciso admitir, foi lindo ver você lutando contra o Vermelho - suspirou de prazer, olhando para o nada. - Mas eu queria ver um pouquinho mais da Mancha Vermelha.

Noah sentiu que iria se estapear até a morte. Agora que sabia que estava viajando dentro do seu subconsciente, tudo pelo que passara fazia mais sentido. Aquele com quem lutara deveria ser somente a lembrança amaldiçoada do seu ancestral. Ou a personificação de seu sangue bonificado. Provavelmente isso. O semideus encarava essa questão toda de ancestral nórdico famoso melhor depois do que passara em Chicago, mas, aparentemente, ainda havia resquícios do seu problema com ele. E a vadia do chalé 26 ali só o lembrava disso.

- Foi maravilhoso vê-lo morrer. Quer dizer, quase morrer. Meu marido se certificou para que isso não acontecesse, infelizmente...

- Você adora isso, não é? - interrompeu-a, irritado. Ele sabia que ela não estava ali de verdade. Ou, pelo menos, queria acreditar que não estava. - É como se você tivesse, finalmente, sua vingança feita por tudo que ele lhe causou.

- Ah, meu caro, não é - disse ela, fitando o semideus com um sorriso de ódio. Ainda assim, continuava maravilhosamente linda. - A minha vingança ainda acontecerá... E cairá sobre você!

Seu corpo enrijeceu. Perséfone era de uma beleza simples, suave, delicada, mas possuía seu lado maligno; era tão aterrorizante quanto o próprio Hades às vezes. Aquela era uma das vezes. Noah tinha uma imagem bem clara dela sendo apavorante em sua mente.

- Mas enfim, não a terei agora, de qualquer forma - deixou seus ombros se curvarem, conformada. Sua leveza retornando ao normal. - Ah, parece que você ainda se lembra daquele acampamento rústico e grotesco, hein? - Noah a viu se arrepiar de nojo.

- Eu... Eu já estive lá? - falou o semideus, deixando toda a sua raiva de lado por um instante. Qualquer informação sobre aquele lugar seria válida, mesmo vindo dela. - Por que eu estive lá? Como? Por que eu não me lembro?

- Por favor, não espere que eu responda essas suas perguntas estúpidas, semideus - levantou-se de onde estava, e caminhou na direção dele. Estava bem próxima do seu corpo, deixando o semideus sentir o seu odor de jardim em dia de primavera: - Você cairá morto como o nada que você e esse seu sangue podre sempre foi! Eu estarei lá, e sentirei prazer ao ver sua vida se esgotando aos poucos, enquanto seu sangue molha a terra de onde vocês vieram.

Perséfone, então, beijou-o na bochecha. O semideus sentiu sua pele esquentando a cada segundo em que a boca da deusa mantinha-se no seu rosto. Sua respiração tornara-se pesada. A pele ardia e, naquele ponto, parecia descolar do rosto. Quando pensou que não aguentaria mais, a deusa se afastou. Noah a observou recuando, sendo engolida pelo nada. Tocou sua pele, desesperado, mas ela estava como deveria. Olhou uma última vez para a sombra onde a deusa sumira, e desejou acordar naquele instante.
 



Armas Utilizadas:
Nenhuma
Poderes Utilizados:
Passivos:
Nenhumzinho -q
Ativos:
Nenhum.
Especial:
(NÃO UTILIZADO)-{Hades's Touch}/Maldição - Hades concede o poder de criação e manipulação do fogo infernal (que causa mais dano que o fogo comum, porém não fere humanos, somente seres mitológicos ▬ monstros, semideuses e afins) ao filho de Poseidon, devido o favor ancestral, entretanto, além de ser um poder difícil de controlar (mesmo para as proles do senhor do Submundo) também vai contra o controle elemental de Noah. Devido isso o 'poder' se desenvolverá em estágios (de 15 em 15 níveis), onde, somente quando chegar no nível 45, a prole de Poseidon conseguirá controlar normalmente, sem queimar-se. Nunca ultrapassará um filho de Hades de mesmo nível. Ao usá-lo as íris do rapaz tornam-se negras e seus sentimentos extinguem-se. Por se tratar de uma maldição ativa a consequência é a perda exponencial de energia caso o manipulador não modere seu poder. (Nível mínimo: 15, 45) {Controle sobre o fogo infernal} [Recebimento: DIY – Downward! atualizado por Eos]
Coisas:
Não tem muito o que explicar agora, né? A trama não tá totalmente clara, mas já deu pra entender que o draugr era o próprio ancestral (o Vermelho a que Perséfone se referia, btw) do Noah, e só estava representando a maldição dele, por isso ele não morreu; a maldição sempre continua viva, passando dentro da família e tals. Citei ele, então coloquei nas observações. A Mancha Vermelha é uma outra parada, mas não vou especificar porque a DIY ainda não foi postada. u_u' Ah, e filhos de Perséfone, perdão, mas né... -q

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Re: ♦ Trama

Mensagem por Logan Montecarlo em Dom 11 Out 2015, 20:41


lucy in the sky with diamonds
flores, cores, sabores ? post número não sei sou de humanas ? não vestindo isso
Logan estava muito animado ainda com o carrinho de kart para analisar o ambiente ao seu redor. Breu, o Bicho-papão, havia sumido logo que fora esmagado pelo filho de Perséfone, mas – pelo poder anteriormente demonstrado pelo senhor dos pesadelos – ele provavelmente não morrera, só se dissipara, indo atormentar outro meio-sangue dorminhoco. Obviamente, Logan já havia percebido que estava no mundo onírico; nada ali respeitava as leis da física, inclusive a criação aleatória de objetos e todo aquele papo de “destruir as esperanças” de Breu já colocara tal conhecimento no mentalista, de forma que ele apenas esperava acordar inteiro.

Por sinal, qual seria a distorção temporal entre a realidade e os sonhos? Logan começou a deliberar silenciosamente sobre essa questão enquanto dirigia seu kart pelos cômodos da mansão de brinquedo, que agora parecia realmente o Hotel e Casino Monte Carlo, tão imponente – ou talvez mais – do que o localizado em Las Vegas, cujo dono era seu pai. As estruturas eram imensas, luxuosas, mas não haviam clientes, sendo quase uma cidade fantasma. Riu-se ao pensar na paranoia do progenitor ao dizê-lo que vira o negócio da família vazio.

Durante esse momento inicial de deslumbramento com o Casino, o monitor acabou se esquecendo do lado de fora, mas logo que passou por uma janela aberta, no salão de jogos de azar, fitou o campo aberto de flores – rosas, violetas, margaridas –, buscando no limiar do horizonte alguma notícia de fim, sem sucesso. Então, indagou-se: o que seria aquela areia de Breu?

Pelo que sabia, existia, sim, a lenda do Bicho-papão, assim como a do Sandman; esse último era quem controlava a areia dos sonhos, dourada, guardando o sono das crianças das aflições adultas, além de manter vívida na mente dos pequeninos outras histórias fictícias, como a da Fada do Dente e do Coelho da Páscoa. [...] Fictícias?, a palavra pesou em sua consciência. Era um pouco difícil falar do que era fictício e real quando, pelo senso comum, ele mesmo – um semideus – fazia parte do plano da imaginação e dos contos infantis. Entretanto, ainda não entendia muito bem o aparecimento do senhor dos pesadelos; resolveu investigar enquanto andava por aí com seu kart.

Sua decisão foi interrompida por um estranho parado nas portas da mansão, que usava uma armadura completa de ouro de um cavaleiro grego; penas áureas saíam de suas costas, e o capacete que portava lembrava a cabeça de uma ave, com uma protuberância no nariz, quase como um bico. Em sua mão, ele não carregava uma espada, mas sim uma versão grande de um graveto morto – dois metros de uma madeira escura e ligeiramente podre retorcida, de forma que fosse tão assustadora quanto um montante. Estranhamente, esse pedaço de pau pingava, constantemente, uma água leitosa e escura. O olhar do cavaleiro desconhecido estava vidrado do lado de fora, no campo de flores.

Alô?, chamou a atenção do homem; aquele jeito mental de se comunicar fazia presente mais uma vez.

Olá, Logan. Ele não se mexeu. Sua atenção mantinha-se no gramado do lado de fora. O semideus permaneceu em silêncio, respeitosamente. Imaginava que fosse alguma divindade ou coisa do gênero, e esse tipo de gente não tinha lá um comportamento muito estável, costumando tender bastante para algo mais temperamental. Conheceu Breu, não é?

A pergunta dele abateu-se sobre o filho de Perséfone, que de repente sentiu-se insignificante, com todos os refletores ligados em sua direção. A aura de poder do cavaleiro de ouro era muito, muito forte.

Ah, desculpe, pediu o desconhecido. Sem fazer nada, simplesmente o clima tenso de outrora passou, e Logan quase ficou com vontade de tratá-lo informalmente. Às vezes, perco a dimensão da minha presença no sonho dos mortais. Aquele tipo de fala poderia até soar arrogante, mas – com toda aquela força espiritual – o cavaleiro tinha motivos para se gabar. Não é à toa que só uso essa armadura aqui.

Hm... Lorde Hipnos?, perguntou, meio descrente, meio receoso. Seu carrinho de kart parecia entrar em combustão interna, sem saber se deveria avançar ou desligar, como se estivesse fora de controle diante do Senhor de todo o Mundo Onírico.

Sim, respondeu Hipnos, somente, sem criar muito estardalhaço. Normalmente, na Terra, eu costumo ser bem mais fraco. Por isso, acabo às vezes esquecendo de me controlar quando estou aqui. Logan não poderia afirmar, porque o deus continuava olhando para o exterior do Casino, mas podia supor, pela diferença no tom de voz dele, que Hipnos ergueu uma sobrancelha. Você já sabe onde estamos, né?

Hm, sim. No Mundo Onírico.

Muito bem. Hipnos não desistiu de sua questão anteriormente levantada. Então, Breu te causou muitos problemas?

Ah, não muitos, mentiu sutilmente Logan, apesar de achar que havia se livrado até com certa facilidade de Breu. Digo, alguns, sim, mas nada muito extraordinário. Então, ao que Hipnos assentiu – ainda sem tê-lo fitado –, o mortal decidiu buscar algumas respostas. O que ele é?

Breu? Hipnos coçou a cabeça com o capacete, trocando o peso do corpo de um pé para o outro. Como explicar?... Bem, você deve saber que existem os monstros e espíritos malignos no mundo real, certo? Logan muxoxou um “aham”. Pois bem. Breu é, por assim dizer, um espírito maligno do Mundo Onírico. Acho que você consegue entender assim.

Sim, sim, consigo, apressou-se a concordar; a presença imponente do cavaleiro de ouro deixava-o, ao mesmo tempo, cansado e tenso. Logan presumiu que a aparição de Breu em seu sonho tinha alguma coisa a ver com o poltergeist que o perseguia antes de aliar-se a Psiquê, mas sua curiosidade falou mais alto: E por que Breu apareceu logo pra mim?

Ah, não sei bem. Hipnos deu de ombros. Breu seria um daimon da desesperança, do fracasso, da falta de expectativa. Ele tentou te deixar pra baixo, certo? Logan anuiu. Provavelmente algo relativo à sua jornada com as Moiras.

Perdão?, inquiriu Logan com a surpresa estampada em letras garrafais. Até ali as Moiras estariam envolvidas em algo?

Você sabe, as Moiras e os relances do seu futuro. O imortal não demonstrava nenhuma reação específica, talvez porque estivesse com a cabeça nas nuvens – ou melhor, nas flores do campo. Se elas te apresentarem o seu futuro e você não ter esperanças sobre ele, Breu ganhará forças, porque seus pesadelos serão mais recorrentes.

Ah, entendo. Fazia muito sentido afinal. Então, uma interrogação gigante cresceu na cabeça de Logan, que logo fez questão de transformar seus pensamentos em palavras. E por que você, Lorde Hipnos, apareceu pra mim?

Hipnos mudou novamente o peso do corpo, passando-o à outra perna.

Logan, você ainda não consegue entender isso, mas saiba de uma coisa: eu não sou culpado. Culpado de quê?, quis Logan perguntar, mas reteve-se justamente pelo aviso de Hipnos de que não compreenderia no momento. Teria que ser paciente. Quando tudo estourar, por favor, não fique com raiva de mim. Naquele ponto, já terei inimigos o suficiente e precisarei do apoio de alguns semideuses. Você é um deles.

Certo, aceitou. Mas por que eu?

O deus do sono vestiu o capacete e respirou fundo. O galho em sua mão transformou-se numa espada gigante de ouro, quase com o dobro do tamanho de Hipnos.

Espere. O tempo lhe dirá. A porta abriu-se. Provavelmente, a gente ainda vai se esbarrar por aí, mesmo que eu não ache que será tão rápido. De qualquer jeito, você foi muito educado e causou uma boa impressão em mim; espero não estar enganado a seu respeito. Mande lembranças minhas a Tânatos caso encontre-o antes. O meio-sangue demorou um pouco para fazer a relação, mas logo recordou-se que Hipnos e Tânatos eram gêmeos. Entre encontrar o deus da Morte e o do Sono, preferia ver o último antes que o primeiro. Espero que possa contar contigo.

Hipnos saiu pela porta e logo suas asas se abriram, volumosas, imponentes, e ele alçou voo, e ao longe parecia uma ave. Logan não entendeu muita coisa; mas, também, quando é que entendia?

Você pode, Lorde Hipnos. Você também foi um sujeito legal. Em silêncio, completou: Também espero não estar enganado a seu respeito.

OBSERVAÇÕES:

Poderes:
Nada de especial, eu acho. Creio já ter ficado claro que a comunicação por telepatia, pra Logan, é uma característica dos sonhos, e não do poder dele.



Referências:

Dizem que Hipnos usa uma armadura dourada, enquanto Tânatos usa outra, prateada. As ligações com Hipnos não param aí: segundo suas lendas, ele dormiria na forma de uma ave, por isso que fi-lo com um elmo de ave e tal; não obstante, a água caindo do galho na mão dele simboliza o rio Lete, já que, no livro, existe um galho pingando água do Lete no chalé de Hipnos.

O poltergeist citado, a quem Breu faz alusão, é um personagem da trama de Logan, adquirido de sua maldição “Profecia do Caos”, que já causou vários problemas pra Logan antes da criatura ter sido expulsa por Psiquê, que virou patrona de Logan justamente por esse motivo.
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thanks maay
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Re: ♦ Trama

Mensagem por Alaric L. Morningstar em Dom 11 Out 2015, 21:50



❝I'll be your nightmare
Chapter Three




A raiva e até o sadismo inibiam a dor causada pelos socos e arranhões que havia recebido há pouco. A regata branca estava suja de dourado (pelo sangue e o pó ao monstro se desfazer). Havia também sangue seco no meu próprio lábio inferior e no canto externo de uma das sobrancelhas - as feridas já estavam começando a cicatrizar. A respiração era ofegante, pesada; o cansaço começava a aparecer.

A cerca de dois metros de onde estava encostado (entre o chão e as paredes de um canto da sala), estava o corpo imóvel de William, ao lado de onde estaria o ghoul. Se sentia algum remorso? Nenhum. Aprendi que todo aquele sentimentalismo só havia me deixado fraco. Não tinha ideia do que estava acontecendo, tudo o que lembrava era de ter apagado no meio de um treinamento. Estava sonhando? Ou apenas havia sido mandado para outra dimensão? Não sabia ao certo, mas tudo parecia ser real - e pelo que lembrava, nunca sentira dor enquanto dormia. Por outro lado, era surreal. Afinal, eu havia colocado fogo naquela casa. E meu pai morto não estaria naquele estado por tanto tempo. A outra pergunta era: o que diabos aquela criatura estava fazendo ali? Pelo jeito que falava, lembrava muito Kiotris. Talvez fosse algum de seus lacaios, ou apenas fruto da minha mente que buscava por vingança - até porque a situação em ambos os momentos era quase a mesma. Ou talvez servisse de lição para ser diferente. Afinal, não estava sendo mais caçado por ela. Era eu quem caçava. E deveria aprender a deixar meus sentimentos de lado, como havia feito.

[...]

Um tempo havia se passado, e já tinha me recuperado. Levantei e comecei a investigar o local, procurando por alguma pista que levasse a pelo menos uma das respostas. Apesar de não encontrar nada, vi que nada do ambiente havia mudado. Tudo ali era como uma cópia da residência antiga. Também queria entender como alguns poderes meus não funcionavam, e também o fato de não apenas não conseguir levar nenhuma das minhas armas, mas também como não conseguia invocá-las.

Depois de vasculhar o imóvel, decidi buscar por algo lá fora. Porém, ao abrir a porta, vi que aquilo à minha frente não era uma rua de Nova Orleans.

O solo irregular, o ar podre e o cenário caótico - com inúmeros monstros (dos piores tipos) - eram inconfundíveis. "Tártaro", murmurei, lembrando-me da minha chegada àquele lugar há um tempo. A poucos metros dali, uma enorme e deslumbrante construção se fazia presente: a Mansão da Noite. "Ah, então primeiro o pai e agora a mãe?", indaguei. Quando olhei para trás, a casa desaparecera. Não que tivesse medo, mas era um saco ter que enfrentar possíveis monstros que apareceriam no caminho sem armas e com poderes limitados.

"Bem, é isso. Não tenho nada a perder", disse para mim mesmo. Talvez pudesse me ajudar em algo. Afinal, é isso o que uma mãe faz, certo? Na verdade, deveria. Mas duvidava muito que daria certo. Entretanto, assim que ia dar o primeiro passo, senti uma mão tocando meu ombro.

- Pra onde pensa que vai, rapazinho?

Após virar, notei uma mulher coberta por uma capa enorme que cobria quase todo o seu corpo. O tecido era negro, porém parecia mágico a ponto de mostrar incontáveis pontos brilhantes - era como um céu estrelado. Emanava uma aura forte, poderosa o bastante para associar a uma divindade. Sentia também a magia que seu corpo emanava. Ela tirou o capuz, revelando a pele clara e longos cabelos também pretos. Era extremamente linda.

- Nyx.
-Olá, filhinho. - Sorriu, fitando-me. - Há quanto tempo não nos vemos. É assim que fala comigo? - Era notável o sarcasmo na sua fala.
- Oi mamãe amada do meu coração, que saudade! - Devolvi a ironia. - Agora pode me explicar o que tá acontecendo?
- Nisso eu não posso te ajudar. Mas você sabe que tem problemas maiores vindo. - Ela suspirou. - Só lembre-se que sentimentos são armas que podem ser usadas a favor sim. Sei que não sou a melhor pessoa para falar sobre, mas... É a sua humanidade que o torna diferente dos deuses. Você ganhar forças através disso, assim como se fragilizar. Depende da sua sabedoria.

Em seguida a deusa sumiu, me deixando só ali. "Ah, ótima ajuda, como sempre", resmunguei mentalmente. Mas, ainda assim, uma parte minha sabia o que ela quis dizer. E sabia também que estava certa, mesmo odiando admitir aquilo.


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Re: ♦ Trama

Mensagem por Catherine Blake em Dom 11 Out 2015, 22:14


The Broken Dreamcatcher


We all have demons in us



Nem sabia dizer ao certo o que sentia. Talvez uma mistura de raiva, choque, indignação, culpa, incredulidade e compaixão. Se é que isso fazia sentido.

Deixando um pouco de lado essa questão, avaliei meu estado. Podia não ser crítico, mas também não era perfeito. Para estancar o sangramento, causado pelas garras da criatura, rasguei mais um pedaço da barra de minha blusa e amarrei no local.

Além da dor lancinante, também era afetada por um certo cansaço. Por isso, acalmei minha respiração ofegante e me sentei no chão, a olhar o sangue que escorria dos corpos. O mesmo sangue que manchava minhas mãos novamente.

Por mais que tentasse, as perguntas não paravam de ressoar em minha mente: De onde aquele monstro surgira? Como me conhecia tão bem? O que fizera para atrair aquilo?

Voltei, então, o meu olhar para a sala. Os passos ressoavam cada vez mais perto, e pude ouvir um pensamento carregado de medo e incredulidade próximo ao local. Estava, porém, confusa e abalada demais para prestar atenção.

Nada fazia muito sentido, pois tudo estava exatamente igual ali. Tudo, exceto um pequeno detalhe.

No chão, ao lado dos corpos, havia uma marca no formato de uma espiral e uma outra fotografia. Ambas estava meio escondidas nas sombras, como se não quisessem ser notadas.

Levantei e caminhei até lá devagar, cautelosa e hesitante. Controlando a pulsação acelerada de meu coração, me abaixei e peguei a foto.

Via-se que fora tirada na mesma época que tendia a esquecer. E, como nas outras, havia a mesma Catherine de cabelos curtos na frente de um galpão, com um sorriso frio no rosto. Todavia, dessa vez havia também mais três pessoas. Um garoto de cabelos pretos e olhos verdes, que abraçava a cintura da loira. Uma ruiva alta e esbelta, possuindo olhos cor de safira. E, ao seu lado... Pelo amor de Zeus!

Havia um garoto quase idêntico ao inimigo aos meus pés. Sua única diferença era possuir olhos castanhos e um sorriso gentil no rosto. Parecia tão igual e diferente ao mesmo tempo que me confundia. Era o irmão de meu ex-namorado, chamado de Scott Somerhalder. Ele sumira há muito tempo atrás, em uma fatídica noite. Uma das mais terríveis que tive, onde fora tirada essa foto.

Apenas lembrava-me das sombras a nos cercar, da fumaça e do fogo. Consequentemente, todos desviamos os olhos por um segundo e quando olhamos de novo ele já não estava mais lá.

E se ele fora instigado por isso? Aquilo somente podia ser um lembrete. Uma vingança. O preço a pagar por meus atos. A única coisa que poderia tê-lo atraído era o lado obscuro e sanguinário em mim. Eu havia causado o incêndio no passado e gostara disso. Trouxera as sombras à tona por ser quem era e o transformei em um monstro.

Esse era o meu aviso. Nunca me deixariam esquecer o que fiz, ou o que fui. As trevas faziam parte de mim, ainda que tivesse mudado. E o sangue representava uma marca no meu passado. Para falar a verdade, sempre representaria.

"Meus deuses, essa teoria fazia todo o sentido. Seria possível? Não, não podia ser." Mas era.

Fiquei tão atônita, encarando a foto, que quase não percebi o som da porta se abrindo. Só pude ver a espiral começar a brilhar em um tom de azul, bem como algumas outras que estavam por ali, iluminando a sala.

Em uma das alcovas, surgiu uma mulher. Ela tinha os cabelos dourados e usava uma túnica cinza. Um diadema de prata bem simples ornava sua fronte, combinando com seus olhos azul-acinzentados e com sua pele perfeitamente pálida. De fato, ela era tão linda que parecia uma divindade.

Antes que pudesse registrar algo a mais, a mulher já estava lá em baixo sentada em uma das cadeiras.

- Olá, minha filha. – Um sorriso sagaz curvou seus lábios. - Quanto tempo, não é?

Ao ouvir isso, um certo nervosismo se apossou de mim e precisei disfarça-lo como pude. Cada parte disto era pior ainda.

- Mais do que décadas, mãe. – Desdenhei e dei de ombros. - Por que está aqui? O que é tudo isso? Não entendo o que está acontecendo comigo.

- Ah, Catherine! Não seja tão ingênua. Isso é uma parte de quem você é. Está na hora de acertar as contas e aceitar o passado como parte de você. O que houve hoje é apenas o começo do que está por vir. Precisa estar preparada. – Seu semblante ficou sério de repente e seus olhos refletiram uma preocupação genuína. – Você é única capaz de fazê-lo.

- Como? Como se não consigo nem sequer esquecer?! Isso não pode ser parte de mim! – Sem que eu pudesse conter, meu tom de voz se elevou e revelou minha enorme frustração. - Vou acabar enlouquecendo assim.

- Ninguém nunca disse que o caminho seria fácil. Nada é fácil. Mas esquecer e fugir não é mais uma saída. Só vai se ver livre quando voltar ao passado, enfrentar os fantasmas que a atormentam e aceitar quem é. – Atena tocou a ponta de uma espiral e fez um traço até a sua origem. Em seguida, seus olhos cintilaram levemente com uma estranha luz acinzentada e ela se levantou elegantemente. – É o que posso lhe dizer por agora. Siga meus conselhos e boa sorte. Até mais.

Detê-la ou perguntar algo ficou fora de questão, visto que os símbolos emitiram uma luz azul ainda mais forte. Em resposta, as sombras também engrossaram ao meu redor, se contrapondo à luz e cobrindo o chão escarlate.

As trevas reinavam. A luz se fora. E ela desapareceu.  

Adendos:
Obs:
Bem, o primeiro mencionado na foto é o ex-namorado de Catherine e irmão do Damphyr, Daimon Somerhalder. Ele foi uma grande influência para ela dentro e fora do grupo. Dúvidas? DIY. A segunda era a melhor amiga de Catherine nos tempos obscuros e namorada do Damphyr. Logo, parte importante no grupo que ainda estou a desenvolver.

Os pensamentos ouvidos são do pai, mas ele não chega a entrar na sala. Então, não há necessidade de confronto.

Escolhi Atena, a mãe dela, com a finalidade de dar mais ênfase na trama da personagem. Uma vez que a mãe a alerta sobre seu destino e sobre a escuridão presente em Catherine.

Armas Utilizadas:
-v-
Poderes Utilizados :
Passivos:
Atena:

Nível 7

Visão Noturna - A coruja é o animal sagrado de Atena e como seu filho este semideus tem mais facilidade em ver no escuro. Mas não se engane! Isso não quer dizer que sairá vendo igual uma coruja - a acuidade e alcance visual não são alterados. Poderá, contudo, encontrar todos os detalhes do local, seja da batalha, do relevo ou do ambiente. Filhos de Atena tem a capacidade de distinguir objetos mesmo em meio à escuridão, não necessitando de uma grande luminosidade para ver (mas ainda é necessária uma luz mínima/ penumbra).

Nível 19

Sentidos ampliados: Visão e Audição - Assim como as corujas, o filho de Atena terá sua visão e audição otimizadas, tendo sua acuidade e alcance ampliados em 50%, de forma que se tornam mais perceptivos ao que ocorre à sua volta.

Mentalistas:

◉ Nível 20. Telepatia Avançada: Controle total, podendo escolher a hora que vai escutar os pensamentos ou não e também se comunicando livremente através dos pensamentos.
Ativos:
Nenhum



The peoples chance, but the past does not all rights to Miss!


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Re: ♦ Trama

Mensagem por Azriel Blackthorn em Dom 11 Out 2015, 22:18



sonhos de outono.


Encontre o que ama e deixe isso matá-lo

O filho de Nix voltou a andar.

Estou sonhando?, perguntou-se novamente, olhando para a cidade em ruínas. Depois de ter matado a mulher, encontrava-se novamente sozinho. Apenas ele em meio ao caos. Se estou, olhou para o céu, para as mãos, para os destroços, é real demais. Lentamente, continuou a caminhar e observar tudo com assombro.

Aquilo parecia tão real para ele porque era como o seu íntimo: uma bagunça. O sonho — agora, tinha certeza de que era um — era como uma projeção das suas dúvidas e anseios. Quem sabe sua alma já não tivesse assuntos mal resolvidos de outras vidas? A julgar pelo histórico da mitologia grega, isso seria bem possível. Como se já não bastasse os seus próprios problemas...

Mas e o fantasma?, refletiu, já não prestando tanta atenção no ambiente a sua volta.

Aquela era a maior dúvida, para a qual não tinha uma resposta precisa. Espíritos malignos representavam assuntos inacabados ou mal-agouro e dor — passado e futuro. Fosse um, fosse outro, não tinha motivos para comemorar. A única certeza era que sua maldição o consumiria de alguma forma. E se sua intuição estivesse certa, sonhos como aquele se tornariam cada vez mais recorrentes.

Passado e futuro.

Ethan parou de andar quando, alguns metros à frente, deparou-se com o destino — literalmente. As Parcas estavam sob um véu negro, ocultando-lhes a aparência decadente e cadavérica. Encaravam fixamente o filho de Nix, embora ele não pudesse dizer o propósito delas ali. Hesitante, aproximou-se das três velhas, sentindo um aperto na boca do estômago. Aquele tipo de aparição nunca tinha um bom significado.

Olá, Ethan, as três vozes falaram juntas. Deve estar se perguntando por que estamos aqui, pareceram ler os pensamentos do semideus. Ele assentiu. Somos responsáveis por tecer o fio da vida, determinar presente, passado e futuro; determinar o quanto você vive. “Vida e morte”, enfatizaram.

Ethan esperou que continuassem. Quando percebeu que não o fariam, perguntou:

— E qual é a minha ligação com isso?

Exatamente, isto: Você não tem ligação, concluíram elas, fazendo-o carregar o sobrolho. Alguns seres têm uma importância maior para as coisas, para o equilíbrio. Caos e Ordem. Você pode não entender o que falaremos agora, mas um dia..., havia incerteza naquelas palavras, como se o futuro fosse obscuro até mesmo para elas. Essa ideia parecia loucura. Você, Ethan, não tem um destino. Nós não tecemos o seu fio da vida, ao dizerem isso, estenderam as mãos vazias.

Ele não soube como reagir. Uma dezena de sentimentos o golpearam ao mesmo tempo: dúvida, hesitação, negação, surpresa... medo. O que aquilo queria dizer? Se a compreensão fugia até mesmo do poder das Parcas, como ele poderia entender? Era um fardo pesado demais para carregar.

— Eu... não entendo — manifestou-se, mas já estava sozinho. E estava sozinho em todos os sentidos.
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Re: ♦ Trama

Mensagem por Rumi Hayes em Dom 11 Out 2015, 22:54


i dreamed a dream
And there are storms we cannot weather




♦ Trama - Página 4 USGY3rD

Local: Chalé de Zeus, Acampamento Meio-Sangue — Mundo Onírico
Período: Noturno
Trama: Turno III — Alive?

O Obssessor perde a forma de Jamie e, em poucos segundos, torna-se uma pilha de pó que — por vez — mistura-se ao gélido vento que continua correndo pela clareira.

Respiro fundo, aliviado por ter conseguido derrotar a criatura, mas, apesar do Obssessor já ter voltado para o seu lugar de origem, o ferimento em meu ombro ainda lateja.

Olho em volta em busca de outros inimigos, porém percebo que estou sozinho. O silêncio se faz presente na clareira e o único som que escuto é o da minha respiração.

Deito-me sobre o chão, cedendo ao cansaço, e fecho os olhos. Repasso mentalmente os últimos acontecimentos: as imagens, os sons, o ataque... não entendo como isso aconteceu, mas, no fim, não faz diferença.

Sinto uma exaustão tomar conta da minha mente e então paro de pensar. Vejo apenas a escuridão à minha frente e, neste momento, é o suficiente para manter-me tranquilo.

ϟ

Abro os meus olhos e fito o sombrio céu estrelado sobre mim. Estou deitado de costas, flutuando sobre um lago negro de águas escuras que refletem as estrelas. Se alguém estivesse me olhando de cima provavelmente acharia que estou deitado sobre o céu.

Sinto o frio da gélida água e então percebo que estou totalmente pelado. Estranhamente, tal fato não me incomoda. De alguma forma, sinto-me tranquilo e seguro, como se eu não fosse um intruso no ambiente, mas fizesse parte do mesmo.

Não sei como cheguei aqui, porém, mais uma vez, não tem importância.

O vento sopra e movimenta a água, fazendo-a passar por mim. Um arrepio percorre o meu corpo pelo frio e um alarme soa em minha mente, trazendo lembranças à tona.

Vejo um homem queimado, com o rosto de Jamie, atacando-me. Lembro-me dos diálogos que surgiram entre a luta e uma frase em especial fica se repetindo em minha mente: Seria uma pena se a versão verdadeira envolvesse um raio, não é?

Uma ideia começa a se formar em minha mente, mas, então, fogos de artifícios riscam o céu, colorindo-o com diversas cores.

Nado até a margem do lago e encontro uma muda de roupa: cueca, calça jeans, camiseta regata branca e all star; visto a roupa e caminho na direção da floresta onde provavelmente há alguém comemorando algo.

ϟ

A cena que vejo está levemente desfocada, como se eu estivesse visualizando a memória de outra pessoa.

Vejo Jamie ferido e ensanguentado ao lado de um dragão morto. Minha mãe solta mais uma rajada de fogos e abraça o meu padrasto, sorrindo, orgulhosa por seu marido humano ter conseguido derrotar um dragão sozinho. Eles dois se beijam e eu tento desviar o olhar, mas não consigo. Estou vendo a imagem através dos meus olhos, porém parece que está se passando em minha mente.

Escondo-me atrás de um arbusto e continuo observando o casal. Depois que se beijam, eles pegam um cálice com vinho e brindam satisfeitos pelo resultado da caçada. Ingerem o líquido e depois se beijam novamente, dessa vez mais intensamente, trocando carícias.

Jamie tira as vestes da minha mãe e ela faz o mesmo com ele, despindo-o totalmente. Tento fechar os olhos para não ver a cena, porém algo está prendendo minha atenção.

Sinto-me constrangido por ver um momento íntimo dos meus pais e, quando penso que terei uma memória traumatizante do meu padrasto transando com minha mãe, tudo fica pior.

Uma chuva tempestiva começa a cair, acompanhada de raios e trovões. Os amantes se separam e se vestem rapidamente. Eles sorriem da situação, nem um pouco constrangidos.

Uma ventania chega ao ambiente e a chuva fica ainda mais forte. Um raio cai em uma árvore, derrubando-a, e o som de trovão ecoa pelo local. Agora há preocupação no olhar das duas pessoas.

Jamie estende a mão para a minha mãe; no entanto, antes que ela consiga tocá-lo, um raio cai diretamente nele.

Ele urra de dor e começa a tremer como se estivesse tendo um ataque epilético. Suas vestes entram em combustão, queimando-o. O vento espalha o fogo pelo corpo do meu padrasto e a chuva só consegue apagar o incêndio depois que o homem tomba sobre o chão, morto.

Então era disso que ele estava falando.

Minha mãe, até então paralisada pelo ocorrido, cai sobre os joelhos e começa a chorar. Ela aparentemente teme levar uma descarga elétrica se tocar em Jamie, então precisa sofrer sem acariciá-lo. Não precisa checar os pulsos do meu padrasto para saber que ele morreu, uma vez que os olhos do homem continuam abertos e desfocados.

Enquanto minha mãe chora, uma névoa negra surge em volta dela. Neste momento, não consigo vê-la e tento me aproximar para ajudá-la, só então percebo que não posso interferir no que está acontecendo.

É uma lembrança ou um sonho.

Depois de alguns minutos, a névoa se dissipa e no lugar da minha mãe está um cisne negro. Não entendo o que está acontecendo, mas agora sei o que aconteceu ao meu padrasto e à minha mãe. Agora sei o que o Obssessor quis dizer com a frase irônica.

Sinto um ódio se formar em meu ser e só uma pergunta surge em minha mente: quem fez isso?

ϟ

Estou na clareira mais uma vez.

Ainda é noite, porém não há lua ou estrelas visíveis no céu. O chão não está molhado e não há forte ventania.

É um ambiente tranquilo e reconfortante, então sinto-me calmo. Não há outras pessoas, não há animais; apenas eu e a natureza.

Sento-me no chão e uma pontada de dor chega ao meu ombro. Não vejo ferimento algum no local, mas está doendo. Dizem que a dor é psicológica, então direciono meus pensamentos para algumas histórias dos livros que eu li.

Quando finalmente consigo relaxar e esquecer todos os problemas, o mundo parece dissolver em minha volta e o cenário muda mais uma vez.

ϟ

O ambiente que me cerca nada mais é que um jardim muito belo e bem cuidado com flores de diversas cores e espécies.

Há uma bela mulher ruiva sentada em um dos bancos no jardim, trajando vestidos elegantes e medievais; seu rosto está coberto por um véu, mas ainda é possível ver o brilho de seus intensos olhos verdes. Ela parece bastante confortável enquanto conversa com algumas ninfas do bosque.

Observo as mulheres por alguns minutos e depois vejo que as ninfas se afastam, deixando a ruiva sozinha.

Sou apenas um observador, então não consigo me mexer ou falar. Nem entendo o motivo de estar vendo a cena que parece ter acontecido há séculos.

Enquanto a mulher acaricia seus cachos ruivos — apreciando os cantos dos pássaros e recebendo um banho solar — um belo, enorme e gracioso cisne surge no jardim. Vejo a mulher prender o fôlego, maravilhada com tamanha beleza.

A criatura, percebendo que recebeu a almejada atenção da bela dama, move suas belas plumas prateadas com enorme excitação e inicia uma dança atraente e sensual que exala paixão.

A mulher fica encantada e o cisne se aproxima, acariciando a dama com suas plumas e tocando-a com seu longo pescoço.

Aparentemente excitada e com o rosto corado, a ruiva se deita sobre a relva do jardim e, em seguida, o cisne deita sobre ela.

Conheço a história e a lembrança se desfaz antes que eu veja a cena de zoofilia — a qual, penso eu, não terminou apenas com o sexo entre uma mulher e um cisne.

Sinto o ódio pulsar em mim e eu não o afasto. Deixo-o se aproximar e ficar comigo. Preciso mantê-lo.

Agora eu sei quem foi.

ϟ

De volta à clareira.

— Agora você sabe quem foi — diz uma voz feminina tão sombria que atiça os meus piores sentimentos. — Agora você entende.

— Sim — confirmo, virando-me para encarar a mulher. No entanto, não há outra pessoa além de mim.



------------------------



Observações essenciais:


  • Bem, creio que tenha explanado o motivo do Obssessor ter aparecido para o Albus na forma de Jamie. O fato está totalmente ligado à trama pessoal da personagem.
  • Em determinada parte do texto, tem uma cena levemente picante, mas não coloquei em spoiler porque o ato não chega a ser consumado e tudo ficou bem implícito.
  • Sobre o sonho relacionado à mitologia, optei por continuar ligando o fato à trama de Albus e escolhi o mito de Leda e o Cisne como base para essa parte do enredo.
  • É isso. Obrigado por ler e espero que você tenha se divertido. <3

    Arsenal:

    Nada.
    Poderes&Habilidades:

    Passivos:
    ϟ
    Ativos:
    ϟ

    Bestiário:

    • O padrasto de Albus na verdade é: "Obssessores: Dedicados a atacar pessoas ou tipos de criaturas específicas, geralmente algo relacionado à sua morte, ou a alguma maldição. De todos, é o que detém maior poder de materialização e ilusão, mas são mais destrutivos - mesmo suas ilusões são mais diretas, praticamente reais. Afetam mais o emocional dos seus alvos - medo, paranoia, ansiedade e insegurança são gerados pela simples aura destes fantasmas. Seus poderes causam o temor mesmo daqueles geralmente imunes, além de conseguirem driblar a mente mesmo dos guardiões da memória e semideuses comumente imunes a esse tipo de poder, e de afetarem o ambiente ao seu redor. Além das ilusões básicas - usadas pelas aparições - vai além: insetos no corpo do alvo, pele sendo rasgada, objetos que tomam vida e atacam - são todas ilusões provocadas por este tipo de criatura, e que de tão reais não apenas abalam, mas também provocam dano. Além disso, toques físicos, socos, sentimento de peso, como se algo estivesse segurando ou atacando o semideus são todos efeitos de obssessores. Sugam vida pelo toque, recuperando-se de ataques dessa maneira, e são propensos a efeitos cinematográficos: sons, luzes que piscam, gritos, sangue nas paredes, vidros quebrados. Deleitam-se com o medo alheio. Aparentam-se geralmente da pior maneira possível: corpo humano, de como era em vida, sempre com ferimentos abertos, sangue e deterioração, e manipulam a energia local com efeitos menores, como cheiro de carne podre e vento gelado." Criatura retirada da sugestão de Eos para bestiário.



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Re: ♦ Trama

Mensagem por Christian Marshell em Dom 11 Out 2015, 23:02



Sweet Dreams
Join the darkness

Enquanto o corpo negro já sem vida queimava no fogo, Frederick observava enquanto as chamas dançavam em conjunto com o vento que ganhava mais e mais força. Relâmpagos se formavam conforme as nuvens tempestuosas se tocavam, iluminando o céu que já não tinha mais nada de azul aparente. Era esperado que logo começasse a chover, entretanto, ainda era possível andar mais um pouco antes que a tempestade de fato tivesse inicio. Naquele ponto, era claro que aquilo era um pesadelo, mas não se assemelhava em nada com os que a prole da noite presenciava noite após noite. Era como se fosse arrancado de sua própria consciência.

Ainda com a espada em mãos, suspirou e deu meia volta para então traçar caminho para lugar nenhum. Não sabia para onde ir, o que tinha acontecido ali ou o porquê de estar naquele pequeno universo paralelo, mas tinha certeza de que nada de bom viria dali. Um ser que pudesse ser derrotado tão facilmente não teria capacidade de causar toda aquela destruição, e, além disso, se fosse o caso, tudo deveria ter acabado com sua morte. Mas a situação continuava a se agravar. O terreno do Acampamento estava completamente desfigurado, os lugares pareciam trocados, seguir pelos caminhos que conhecia não ia adiantar. Restava apenas a opção de continuar vagando sem rumo em busca de alguma resposta ou dica.

Enquanto caminhava, notou que tudo aquilo parecia real demais. Podia sentir o vento, o calor ao se aproximar do fogo, o frio ao se afastar, como se estivesse de fato ali. Aquilo o preocupava. Sabia muito bem por experiência própria que alguns sonhos poderiam ser reais a ponto de causar a morte de semideuses desavisados. Por sorte, ele sabia disso e estava atento a tudo em volta, temendo e levanto tudo aquilo a sério.

Enquanto olhava para o cenário no qual fora jogado, refletia sobre o ser que o atacara anteriormente. O que ele poderia significar? De alguma forma, aquilo era a única coisa que fazia sentido por não fazer sentido de uma forma familiar. Era o único aspecto presente naquela loucura que se ligava com seus pesadelos comuns. Mesmo assim, nunca tinha comentado sobre as visões que tinha enquanto dormia para ninguém, e tentava convencer a si mesmo de que aquilo era apenas uma coincidência.

Ao que tudo indicava, não existia mais nenhum ser vivo no Acampamento do mundo paralelo. E então, quando Frederick sentiu que finalmente poderia abaixar a guarda, todo o cenário a sua volta começou a mudar. Era como se fosse sugado para uma viagem nas sombras. Tudo ao seu redor se distorcia e tornava-se negro em uma velocidade inimaginável até que em um piscar de olhos, estava de pé em uma espécie de saguão enorme que possuía a decoração de um castelo dos tempos medievais. No fundo do recinto encontrava-se uma lareira, e sentada em frente a ela estava uma pequena garota morena de pele esbranquiçada trajando um vestido alaranjado que continha uma estampa que lembrava o fogo em movimento.

Hesitante, Frederick caminhou sem fazer barulho algum até a garota que, mesmo com a aproximação obvia do semideus, permaneceu olhando para as chamas. Ao chegar perto, pode ver que a garota de aspecto frágil estendia os braços como quem deseja se aquecer, mantendo os olhos de íris amareladas fixos.

— An... Com licença? — perguntou Frederick. — Por um acaso foi você que me trouxe até aqui?

A garota continuava a observar as chamas, ignorando completamente a presença do semideus, e permaneceu assim por cerca de quinze segundos, até que finalmente se virou e fitou o garoto com um sorriso amistoso.

— Não. — respondeu. Sua voz era doce e calma, forçando Marshell a se acalmar mesmo sem vontade.

— E por um acaso sabe me dizer onde estou ou por que estou aqui?

— Pobre semideus... — lamentou a garota. — Tão perdido... Vejo trevas em seu destino, mas isso tudo pelo que está passando não diz respeito a você especificamente. — explicou. — Isso é apenas o começo de algo muito maior. Você já provou um pouco do que está por vir, não é?

Frederick esperava que a garota não estivesse falando do que ele estava pensando. Como ela poderia saber do ataque ao Acampamento? Como saberia que ele tinha lutado para defender o lugar no punho? Estaria ela falando mesmo sobre isso?

— Quem é você? — perguntou. — Você realmente está aqui?

A garota sorriu ao ouvir as perguntas, mas demorou um pouco até começar a respondê-las.

— Sou Héstia. — disse por fim. — E quanto à segunda pergunta... Sim e não. Tecnicamente sou apenas parte de tudo isso, uma representação de esperança criada pela sua mente, talvez. A veracidade sobre minha presença depende apenas de você. Então me diga, eu sou real? — perguntou.

O silêncio respondeu a pergunta. Frederick não sabia o que estava acontecendo, e aquele diálogo estava apenas deixando tudo mais confuso. As palavras pareciam não fazer sentido algum, assim como todo o resto.

— Ao menos sabe como eu posso acabar com esse pesadelo? O que devo fazer pra acordar? Estou preso aqui?

— Frederick... Você ainda não entendeu não é? Isso já não está mais sobre o seu controle. A verdadeira pergunta é: O que você vai fazer agora?

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Re: ♦ Trama

Mensagem por Kaine Rembrandt em Dom 11 Out 2015, 23:24


MORFEU
Evento

O ombro ardia como a própria chama do inferno. Não era natural. Não era humano. Em seu ano de experiência no séquito de Asclépio ele nunca ouvira falar de nada parecido. Era indescritível, horrível, e o curandeiro gritava e berrava coisas desconexas e sem sentido. Não entendia nada, apenas a dor. E quando estava quase desmaiando, já caído no chão, ela parou. Simples assim.

Abriu seus olhos e viu que o cenário havia mudado de novo. Ou melhor... não havia cenário. O lugar todo era breu. Na sua frente, encarando-o, estava o homem que ele achara ter matado. Ele olhava-o como um felino que pega sua caça e William achou ter visto um riso no canto da boca dele.

— A dor foi por ter me "derrotado" em meu próprio mundo, mesmo eu não usando tudo o que posso. — falou, sua voz arrastada e cheia de poder causou medo no curandeiro.  — Mas você provou ter o que eu preciso.

— E o que eu tenho? — Perguntou, enquanto levantava-se do chão frio e negro.

— Logo saberá. Agora eu estou indo embora. Minha presença começou a ser sentida, e não quero ter que enfrentar um deus. Não agora. Nos veremos de novo, William Véroz. — Sua imagem ficou distorcida e ele desapareceu. Junto com ele foi embora também a escuridão.

Estava de volta ao asfalto arruinado, mas o Sol não brilhava mais. Na verdade, a única coisa que estava no céu eram nuvens. E neve. A mudança brusca de temperatura teria assutado o filho de Éolo, mas ele estava mais uma vez com seus poderes e com isso conseguiu fazer com que sua temperatura corporal não caísse. O deserto amarelo dera lugar ao deserto branco. E assim como o lugar estava ausente de adereços, o ar estava ausente de sons. Fora o leve barulho do vento que passava, arrastando a neve de um canto ao outro, não havia nada que perturbasse o ambiente.

Posso me acostumar com isso, pensou, enquanto se deitava de barriga para cima no chão fofo e ficava observando as nuvens.

A calmaria, todavia, não durou muito. Um clarão na sua frente chamou-lhe a atenção. Mais uma vez, ficou cego por alguns instantes, antes de a luz cessar e deixar no lugar onde estava uma pessoa.

— Onde ele está? — Perguntou, o tom de urgência em sua voz era evidente.

— Pelo amor de Zeus quem é você? — perguntou de volta o curandeiro. — Não bastasse aquele outro cara agora outra pessoa aparece pra perturbar meu sonho.

— Você disse outro cara. Como ele era? O que ele disse? Onde ele está? — Aproximou-se de Véroz a cada pergunta que fazia, quase como se quisesse amedrontá-lo. O semideus, contudo, já havia recuado demais. Decidira que iria arrancar ao menos algumas informações daquele homem.

— Sim, sim, outro cara. Mas diga primeiro o seu nome. Não vai arrancar nada de mim antes disso.

— Se é isso que quer, muito bem. Eu sou Morfeu, deus dos bons sonhos, e me foi dada a tarefa de capturar aquele homem que estava aqui com você. Agora me responda a pergunta: Onde ele está? - A voz do deus se tornou forte e autoritária, quase uma ordem.

— Pra falar a verdade — começou — eu não sei onde ele está. O cara simplesmente apareceu, todo vestido de preto, me atacou, eu matei ele mas não matei, depois disse que íamos nos ver de novo e sumiu. Daí 'cê apareceu e o resto da história já sabe.

— Tem certeza que isso é tudo, mortal?

— Até onde eu lembro sim. Agora, pode dizer qual o nome daquele cara? Ficar chamando ele de "cara" é meio chato.

— Huum, é claro. Seu nome é Sonho, ou Sandman, ou diversos outros nomes. Enfim. Não posso falar nada além disso, e pelo que parece você também não sabe mais de nada. — O deus pareceu esperar por uma respostas de Véroz, mas tudo que ele conseguiu foi um dar de ombros. Respirou fundo. — Estou indo agora. Aproveite a noite e bons sonhos. — Outro clarão e o deus sumiu.

O nome Sandman não era estranho para William. Lembrava-se de ter visto ele em algum lugar no acampamento. Decidiu procurar quando e se voltasse a sua realidade, afinal o monstro tinha-lhe feito passar por algo horrível e o mínimo que ele queria era vingança.

etc:
Explicação:
- É dito nos pontos obrigatórios que o local deveria estar frio para o padrão local, mas isso seria em uma situação "normal", onde quem fez o sonho estivesse no comando dele, o que não foi o caso. Por algum tempo - no segundo turno e no início do terceiro - quem tomou posse do controle do sonho do personagem foi o Sandman, por isso a chuva que caia estranha, por isso os poderes não podendo ser usados e por isso o corpo dele era feito de areia. Não coloquei isso no turno anterior porque postei faltando 2 minutos -q, e minha única preocupação era... postar (?).

- E não, não sou muito bom em encher linguiça. Prefiro post's diretos q.  
Armas:
- Nenhuma
Poderes:
- Nenhum

Monstros:
Fiz a ficha de dois monstros citados anteriormente. Elas não estão completas, mas as informações básicas estão aí. Ah, e adoraria se colocassem algum deles no bestiário oficial sz.


Bestiário



Anjos Lamentadores


Tipo: Indefinido
Nível de Periculosidade: Indefinido
Nível Monstruoso: Indefinido
Taxa de Progressão: Indefinido
Status Base: Não há.
Domesticável: Não.
Limite de Evolução: Não há.
Localização: Qualquer estátua em qualquer lugar do mundo pode ser um.
Agrupamento: Sozinho, em grupo, varia muito.
Tamanho: Depende da estátua. Pode ser algo pequeno, um cão por exemplo, até algo enorme, como a Estátua da Liberdade.
Névoa: Sua forma não muda.

Tão velhos quanto o próprio universo, esses monstros alienígenas conseguem mandar sua vítima para o passado com um simples toque, alimentando-se da energia temporal criada pelo distúrbio na vida dessas pessoas. Porém, eles apenas se movem se não estiverem sendo observados. Se forem vistos, imediatamente ficam travados e viram pedra. Além disso, eles dominam seus adversários entrando em seus olhos quando são vistos, ficando na memória e tomando conta da mente da vítima. Quando estiver enfrentando um deles, não pisque! Pisque e você morrerá! Isso porque, além de tudo, são bastante rápidos.

Passivos:

(-) Defesa definitiva: Os anjos só podem se mover quando não estão sendo observados. Assim que alguém olha para ele, seu corpo se solidifica e vira pedra, na posição que está durante o movimento. Não podem ser mortos pois estátuas de pedra não morrem.

Ativo:

(-) Morte silenciosa: Qualquer toque do Anjo Lamentador envia a vítima para um passado anterior a sua própria linha temporal. A vítima não morre, contudo, e nem sente dor ou coisa do tipo. O único ponto negativo disso é que ele precisa se adaptar a época para qual foi enviada, não podendo voltar ao seu tempo de origem por meios não-divinos. O Anjo se alimenta da energia deixada pela viagem no tempo da vítima.



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Bestiário



Sandman



Tipo: Indefinido
Nível de Periculosidade: Indefinida
Nível Monstruoso: Indefinido
Taxa de Progressão: 1
Status Base: 100 HP/MP, com acréscimo de 10 HP/MP por nível.
Domesticável: Não
Limite de Evolução: 30
Localização: Não possui uma localização definida.
Agrupamento: Solitário - monstro único.
Tamanho: Mediano.
Névoa: Sua forma não muda.

Descrição aqui.

Passivos:

(-) You said my name!: Ele sempre sabe quando alguém usa seu nome, em qualquer versão que seja. Sandman, Devaneio, Oneiros, (Lorde) Moldador, Kai’Ckul e Sonho são apenas algumas das formas como ele é conhecido. Dizer o nome dele não significa que ele vai te atormentar a noite, mas cuidado ao repetir muitas vezes em vão. Nunca se sabe quando ele está de mau humor.

(5) Regeneração: Quando ferido no mundo onírico, o Sandman recupera HP passivamente a uma taxa de 5% do seu valor total por turno. A recuperação continua até sua barra de vida ser totalmente preenchida.

Ativos:

(5) Arma de areia: O Sandman consegue moldar a areia dourada que constitui seu corpo e transformá-la em uma arma. O tamanho varia de uma simples adaga até um machado de guerra, mas o peso dela não atrapalha em nada a movimentação do monstro, já que ele controla a areia com o pensamento.

(20) Controle dos sonhos: Quando o Sandaman invade o sonho de alguma pessoa ou semideus ele consegue controlar o ambiente ao seu bel prazer. Pode fazer com que coisas impossíveis aconteçam, como uma chuva de magma, por exemplo. A dor que a vítima sente é a mesma que ela sentiria no mundo real. Contudo, o Sandman não consegue matar alguém no mundo onírico e nem os ferimentos causados chegam ao corpo real, servindo mais como uma forma de tortura. Há uma barreria nesse poder. O monstro pode dominar apenas o ambiente, mas nunca a pessoa em si. Exemplificando: ele pode fazer com que uma armadilha apareça no chão mas não pode fazer com que a vítima caia nela.

(30) Durma!: Quando no mundo real o Sandman consegue colocar alguém para dormir durante 5 turnos, tendo como objetivo o uso pleno de seus poderes. Resistências são aplicadas normalmente.



Tks Maay from TPO


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Re: ♦ Trama

Mensagem por Ianna D. Belikov em Dom 11 Out 2015, 23:29

Funebribus
Post único. mimimi. vestindo (?).

─  Mundo Onírico;
─ Localização e horário não definidos;

Precisei me sentar com as costas eretas contra uma das paredes a fim de que pudesse me recuperar das pontadas de dor proporcionadas pela curta batalha. A loira ficou de pé, os braços cruzados, os olhos a me encararem com certa desconfiança.

- Eu ainda não entendi direito, mas acho que não tenho todo o tempo do mundo para conversar com você. Então... Vai falar? - Massageei minha nuca devagar, suspirando.

- Tudo bem, tem razão. - Ela se sentou à minha frente, as pernas cruzadas e as costas eretas tão características minhas. Senti uma pontada de raiva. - Você não é você e eu não sou eu. - Deu de ombros e parou de falar, como se aquela frase enorme explicasse tudo. Bufei, sentindo as sobrancelhas se contraírem.

- Nossa, foi um momento de epifania. Obrigada pela sua sabedoria, sou uma nova pessoa. - Minhas palavras pingavam ironia e pude perceber a mulher revirar os olhos.

- Você é burra desse jeito mesmo? Estou quase me arrependendo de não ter te matado. - Calei-me, percebendo que ela sabia como me atingir. - Esse corpinho aí, gata, não é seu. Nem a personalidade. - Ianna 2 se ajeitou, vendo como as palavras me atingiam. Se eu expressava alguma coisa com o rosto naquele momento, devia ser pura confusão. - Você deixou os Mênades há muuuuito tempo atrás, quando os liderava. Dionísio, então, prometeu fazer que sua vida fosse um inferno. Com suas habilidades bem conhecidas acerca da mente, ele retirou qualquer memória sua a respeito de ter participado anteriormente do grupo, além de ter modificado sua aparência para a dessa mulher aí. Dessa forma, ele te reintegrou aos seguidores da farra sob uma nova identidade, uma vez que seria um vexame ter alguém que o desrespeitara tão gravemente no grupo. Você não sente uma ânsia estranha ao vê-lo, como se aquela relação não fosse natural? - Assenti, com a cabeça girando pelo tanto de novas informações que estavam sendo assimiladas. - É o seu cérebro tentando te avisar. Sou eu tentando voltar aos controles. No entanto, sua nova personalidade, a que veio com esse corpo aí, é tão forte que me subjugou, deixando-me como apenas uma lembrança quase apagada do que você foi um dia. Você virou a Ianna, quando deveria ser Chlöe. - Se eu tivesse pena de mim mesma, já teria pedido para que a explicação acabasse quando Dionísio fora mencionado, mas fui deixando fluir à medida que ficava mais e mais enrolada. Estranho, não é?

- Mas... E as minhas lembranças? E Walter? - Senti os olhos arderem, algo estava errado naquilo tudo.

- Bom, esse é o seu mérito. Suas lembranças também despertaram em minha cabeça. Walter te criou a vida inteira, a ligação era forte demais, assim como a conexão com seu filho. - Encarei-a, subitamente alerta. Não podia acreditar no que saía de seus lábios.

- Como assim? Eu não tenho um filho. - Franzi a testa, querendo expulsar os últimos minutos da mente antes que ficasse louca.

- Puta merda, tenha foco, ok? – Assenti, as mãos começando a tremer. - Você tem um filho. Por isso fugiu da academia de Walter. Ficou com medo do que ele faria com você caso descobrisse. Em parte, o mérito foi meu, por colocar toda aquela imagem do seu padrasto agressivo em sua cabeça. - Ela deu de ombros, como se não se importasse. Na verdade, era quase como se ela se vangloriasse pelo trabalho que havia feito. - É por esse motivo que você é o meu maior medo. Eu temia que você virasse Ianna por completo. No entanto, nunca descobri como tomar as rédeas. Aquele deus desgraçado deve ter feito um trabalho muito bom. – Ela sorriu. - Mas... Já deu minha hora. Fique bem, ok? – Antes que eu pudesse abrir a boca para responder, Chlöe se dissipara em escuridão.

Nada daquilo fazia sentido, o que me fazia cogitar acerca do quanto eu deveria acreditar naquela mulher. Quer dizer, ela era apenas uma metamorfose do monstro que me assustara durante toda a vida, praticamente, mesmo que fosse um medo desconhecido para mim. Até que ponto tudo aquilo poderia ser verdade? Olhei em volta, o andar subitamente limpo prendendo minha atenção. Aquilo poderia significar um problema resolvido? Levantei-me do chão, batendo nas roupas por força do hábito, a fim de que tirasse a poeira que pudesse estar presa à elas. Ao me virar, pude notar que uma porta surgira durante a conversa com a loira e que eu estivera escorada nela por alguns minutos. Já percebendo que as coisas estavam fora de seu normal, não senti medo, colocando a mão na maçaneta e abrindo a passagem.

Para minha surpresa, o lado de dentro aparentava ser o escritório de Dionísio no Acampamento. O deus estava sentado com uma taça de suco de uva à sua frente, lendo um jornal. Adentrei a sala, quieta como um cordeiro, atraindo toda a atenção de suas pupilas arroxeadas para mim. Suas mãos depositaram o jornal sobre a mesa de madeira maciça, a manchete saltando da primeira página: Nova York enfrenta caos.

- Como pode ver, não é o melhor momento, Ianna. - O deus cruzou os braços, avaliando minha reação. Mantendo a expressão cuidadosamente neutra, aproximei-me dele.

- Também não tenho certeza se era o melhor momento quando me transformou em alguém que não sei quem é. - Sua boca se esticou em um sorriso manhoso, quase felino.

- Não sei do que está falando, querida. - O rosto de Dionísio me provocou arrepios, misturado à ansiedade que eu sentia em descobrir a verdade por trás de tudo. Fechei o punho, enfiando-o na mesa com tanta força que um pedaço da madeira quebrou, caindo no chão com um baque.

- Você vai me explicar o que está acontecendo. E vai me explicar agora. - Vi-o gargalhar alto, um rosnar se misturando ao riso e fazendo-me recuar.

- Eu estou lhe ajudando. Somente me agradeça e não me perturbe mais. - Num ímpeto, sorri e me aproximei novamente, abaixando-me até que meu rosto ficasse a centímetros do dele. Seus olhos se arregalaram, a respiração acelerando. Eu conhecia aquele olhar. Fosse quem fosse a mulher que havia me emprestado sua aparência, devia mexer profundamente com o deus.

- Sei ser escrota também, amor. Você vai desejar nunca ter me atraído de volta. - Levantei-me, deixando Dionísio observar meu corpo, e saí da sala, batendo a porta atrás de mim. Estava de volta ao espaço vazio, sentindo-me muito bem.

adendos:
Pra começo de conversa, é importante ressaltar um ponto do segundo turno: o monstro enfrentado era conhecido, sim, mas sua forma, não. Como assim, Andy? Como ficou claro aqui, no terceiro turno, Chlöe não era o maior medo de Ianna. Ter o corpo totalmente possuído por Ianna era o maior medo de Chlöe, uma vez que a inconsciência ainda pertence à loira. Por causa disso, Ianna não teria como conhecer a loirinha e, portanto, não teria medo dela.

Então, ficou confuso? Chlöe possui uma identidade nova. Em uma missão, há muito tempo atrás, ela era líder dos Mênades e optou por brigar com Dionísio, retirando-se do grupo depois de ofender ao deus. Dessa forma, ele planejou uma vingança, que envolvia forçar Chlöe a permanecer no grupo, como lacaia pessoal. Apagou as memórias dela e mudou sua aparência, além de, aos poucos, Ianna ir conseguindo recuperar suas próprias memórias, subjugando sua personalidade original e forçando a cabeça a esquecê-la, mas não por mérito próprio, como Chlöe pensa. Dionísio a está transformando, pouco a pouco, na Ianna original, inserindo as lembranças da moça nessa cópia feita por ele. A forma que a loira achou para tentar alertar a morena foi, justamente, através do bicho-papão, onde conseguiu se manifestar claramente. Como dito antes, é tudo trama q Ah, sobre a mesa quebrando: é um sonho, poderia acontecer qq

Teve muito diálogo, né? Desculpa qq

poderes:
passivos:
-x-
ativos:
-x-
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Re: ♦ Trama

Mensagem por Benjamin Traveller em Dom 11 Out 2015, 23:52



Sonhos da Primavera Perdida



3 . UMA NOVA ROSA


— V
OCÊ NÃO É O HARRY. — MINHA VOZ TORNARA-SE INEXPRESISVA.

O monstro estava caído ao chão — morto eu diria. Nunca tinha visto algo tão peculiar. Quais seriam suas capacidades? Apenas se transformar em pessoas? Duvidava que sim. Mas me perguntava se eu já o tinha visto antes. Algo estranhamente semelhante havia acontecido quando eu tinha apenas oito anos. Novamente flashback percorreram-me os olhos: estava eu em frente a escola esperando meu pai chegar.
Ele chegara como de costume vestindo sua roupa de trabalho. Corria até ele, mas nem se quer um abraço me deu, e isso havia sido muito estranho, porém, mais estranho ainda foi quando tomamos uma rota diferente, para um lugar totalmente contrário a minha casa. De repente, na esquina eu via um homem exatamente igual ao meu pai, aquele sim era meu pai, que sorriu ao me ver. Pensei que estava ficando maluco ao ver duas pessoas idênticas, mas o homem ao meu lado desaparecera sem deixar quaisquer rastros. O homem que fingira ser meu pai era esse mesmo monstro? Eu não sabia ao certo, mas tudo parecia que sim.

Aproximando-me do humanóide, eu via o sangue escorrer dos ferimentos, um fluido escuro e cinzento empregnava o chão de madeira velha da pequena varanda. O cheiro acre grudava-se no ar, mas se o vento permanecesse constante, ele logo se dissiparia. Com o pé, virei sua cabeça afim de melhor o examinar, sobretudo não via nada que já não tivesse percebido. A lamparina que ainda estava acessa, iluminava minhas costas e todo o cômodo principal atrás de mim. Agora olhando a floresta, invadiu-me o rosto um forte e gélido vento que soprava do norte. Sentia-me aliviado por enfim estar sozinho, todavia, ao mesmo tempo sentia medo. Não se ouvia nada além do vento que soprava as folhas e o ragner da porta, eu tremia só de pensar que poderiam haver outras criaturas andando por ali. Voltei para a sala principal e mecanicamente me sentei numa das cadeira (também de madeira) para pensar melhor no que fazer.

A imagem do meu tio me veio a mente, recordava-me dele como se o tivesse visto ontem: alto e musculoso, media cerca de dois metros de altura (ele foi o único da família que chegara a esse tamanho). Seus pelos do corpo eram evidentemente aparentes, e sua barba geralmente sempre a fazer, mostrava-se curta porém bem cheia. Apesar dos quarenta e dois anos, seus cabelos ainda não eram grisalhos, o que era
um de seus tantos orgulhos. Seu hobbie era caçar animais, dentre todos eles, os ursos eram seus favoritos. Eu nunca aprovava esse tipo de passa-tempo, embora não tivesse escolha, eu acabara me acostumando com tal atitude, e infelizmente, aprendendo um pouco de suas artimanhas: armadilhas e outras atividades, como por exemplo camuflagem. Porém, agora vejo o quanto eu mudei: esse fora o primeiro "dia" que eu matara alguma coisa na vida, e estranhamente não sentia nenhum remorso ou pena. "Esse é meu garoto.", ele teria dito. Nós éramos muito próximos, juntamente com seu irmão (meu pai), nós sempre costumávamos sair juntos a passeios. Sacudi a cabeça voltando a cabana, olhando minha situação real.

Em cima da mesa, encontrava-se um caco de vidro. Quando o peguei, percebi ser um espelho e então me olhei.
Profundamente, observei-me.

— Nem mais
você se parece comigo. — suspirei.

Meus olhos pareciam cansados, como se eu não dormisse a dias, o que era irônico, pois agora eu sabia que estava sonhando. Meu cabelo, bagunçado, dava-me um ar displicente, enquanto as sobrancelhas mostravam-se completamente inexpressivas.
Definitivamente não sou eu., pensei. O novo Eu se mostrava destemido, porém, sua compaixão desaparecera junto com a vida do monstro, agora, meus olhos pareciam insensíveis e meu sorriso, esse eu já não tinha mais. Desvaneci tais pensamentos e meu tio retornara à mente, como um imã eu o atraia, ou seria o contrário. De qualquer modo, sentia-me estar sendo avisado por mais algum perigo, e repentinamente ouvi sua voz como se estivesse ao meu lado, a lembrança de um dia em que me dissera a mesma coisa:

— Chris, se tem uma coisa que você não vai querer, é esquecer acesa a lamparina durante a noite. Use-a somente quando precisar, e apenas na pior das hipóteses. Não vai querer animais invadindo seu sono.

Fitando a lamparina que tinha suas chamas dançantes, subitamente meu coração gelou ao notar a lembrança que me ocorrera. Controlei o impulso de imediatamente apagar a luminária a gás, contudo, essa tal nova
parte de mim queria mantê-la acesa e mostrar ao meu tio que eu havia mudado, não era mais aquele garotinho sensível, agora eu era capaz de fazer qualquer coisa. Seria mesmo? Definitivamente não!, enfureci-me. Esse novo Eu se mostrava ter outras características: egoísta e presunçoso. Afastei-me dele e tentei ser eu mesmo, o que estava ficando cada vez mais difícil.

— Seja lá onde você estiver, tio, não posso ficar aqui para descobrir.

Olhando rapidamente a janela, passou-se em minha imaginação uma terrível criatura invadindo a cabana. Sabia que não era verdade, mas estremeci quando percebi que era
uma das possibilidades. Pensei duas vezes antes de desligar a lamparina, pois logo mais eu me decidira em pegar mais cápsulas para a escopeta. Tão rápido quanto poderia ser, corri novamente até (próximo) o armário, onde havia deixado a caixa de munições no chão. Agachando-me, destravei a arma e comecei a carregá-la, foi preciso apenas três projéteis. Sua capacidade máxima era de seis cápsulas, e como prevenção pensei em levá-las comigo, porém era impossível ter comigo uma caixa daquele tamanho, cuja medida era semelhante a uma caixa de sapatos. Em seguida, desliguei a lamparina, inundando-me novamente na escuridão sobrepujante.

Sai da cabana convicto que: eu deveria voltar ao farol e achar Harry. Calmamente eu andava pelo bosque, às vezes me tremiam os ossos com os ventos que me cortavam a pele. Demorei para achar a saída, por sorte não me perdi entre as árvores. A lua ainda brilhava vermelha no céu, porém não mais nuvens se viam. Quando o farol se despontou pela costa, senti um forte anseio em correr até ele. Segurando minha vontade, andei devagar para não perder o fôlego novamente. A dor em meu testículo voltou logo assim que a adrenalina saira do meu corpo. Retornavam as fisgadas e me doíam o abdômen. Tentei me esquecer da dor, porém não era algo que pudesse ser simplesmente deixado de lado.

Andando até a entrada do farol, percebi que o mar se embravescia. A maré se enchera de virtude, e as ondas se prolongavam muito altas. O que poderia estar acontecendo? Pela segunda vez no mesmo sonho, quando eu fazia uma opção ele conspirava à minha derrota. Na primeira quando eu escolhi minha casa, agora quando escolhi Harry. O mar comecera a se encher ainda mais, inundando toda a costa e me tragando com suas águas. Fui puxado para o fundo, e quando não mais conseguia respirar, via uma flor se aproximar. Tão bela e formosa, ela parecia intacta mesmo em baixo da água. Ela não só era linda, como também de si saia uma perfeita melodia, porém, a sua volta a água tornava-se vermelha. Antes de acabar meu fôlego, tentei tocá-la, mas seus espinhos perfuraram meus dedos e todo aquele líquido carmesim fora injetado em mim. Meus músculos se contraíam em espasmos e sentia meus olhos se fecharem, e desmaiei.

Acordei olhando um lindo céu azul. O sol que estava pouco inclinado, injetava sua luz formando perfeitas sombras do jardim ao meu redor. Não sentia mais dor, apenas uma sensação desconfortável dentro de mim. Uma sensação nova, totalmente desconhecida. Levantei-me sem qualquer dificuldade e percebi que a arma não estava mais comigo, a princípio não fiquei aliviado. Olhei ao meu redor e tudo que via era a perfeição. Um campo gramado se extendia por todo o horizonte, toda sorte de flores cresciam por todo o solo fértil, juntamente com diversos arbustos e árvores mais ao longe. Um doce aroma inundava todo o espaço, impregnava-se no ar como se nunca mais fosse acabar. A minha frente apareceu uma mulher, saudável e bonita eu diria. Usava um vestido estampado com rosas, não muito longo, ele era de alças. Sentia-me protegido enquanto a olhava, mesmo que embora ainda sentisse a estranha sensação dentro de mim. De repente, pétalas começaram a girar a sua volta, e todo o tempo começara a mudar: nuvens preencheram o céu vazio, árvores se distorciam e flores lançavam seus perfumes ao ar, mostrando-se completamente venenosas e letais. Sua boca se abriu, e dela ecoou uma voz perfeitamente harmoniosa, sua voz inundava meus ouvidos assim como o aroma que me inundava as narinas.

— Christopher, meu filho. Mostrar-lhe-ei todo o poder que um dia terás, mas para isso, deverás escolher entre as pessoas que amas, ou o poder que desejas. Terás que se abster dos humanos, e como minha rosa serás: belo, e letalmente venenoso. Decida pela sua vida, meu filho. — ela desaparecera num forte clarão.

Espontaneamente, fechei-me os olhos antes que ela desaparecesse, e agora me via ainda mais perdido.
Quem seria aquela mulher? Descobri minha mãe? Tais perguntas precisariam ser feitas a alguém que pudesse me ajudar assim que eu acordasse dos sonhos. Agora a tempestade vinha, e o glorioso céu azul dava lugar as nuvens negras.

Ficha: EM BREVE
Trama: EM BREVE

Música: Roslyn - Bon Iver
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Re: ♦ Trama

Mensagem por Oliver H. Greyback em Dom 11 Out 2015, 23:55


All night long
the nowhere bar & the lady in black
Olhei outra vez para os lados. À esquerda, o carro ainda apontava os faróis para mim, me levando a um certo ofuscamento na visão. À direita, a rua continuava, assim como para todos os outros sentidos. Lancei um olhar indiferente ao corpo que jazia ali, praticamente a meus pés, fazendo-os se banhar em sangue. A primeira coisa que meio veio à mente depois de alguns segundos de confusão foi entrar no carro, e sair dali.

Tomei a direção de onde o mesmo parecia ter vindo, após fazer um retorno. Eu não me lembrava de ter dirigido algum automóvel antes, mas consegui dirigir aquele com extrema facilidade, mesmo que o vidro trincado atrapalhasse um pouco.

Fui subindo as marchas rapidamente, até chegar uma altíssima velocidade. O som do motor era o único que enchia aquela rua praticamente sem fim, e após passar inúmeros cruzamentos já não sabia se valia a pena continuar, mas era o que me restava.

Em certo ponto, o carro parou de acelerar, rapidamente perdendo velocidade na neve. Acabou a gasolina, foi meu primeiro pensamento. Em seguida percebi que ele não havia apenas parado de andar, mas que o farol se apagara. Suspirei, um pouco triste. Era para ser assim, é claro. Peguei o taco que roubara do homem sem face e desci do veículo, voltando a andar pelas ruas ermas. O clima era o mesmo, mas dessa vez apenas o som da neve se amassando sob meus pés estava presente. Seria esse meu fado? Vagar eternamente por essa noite desconhecida e inabitada? Fiquei pensando o que poderia acontecer a seguir, mas algo interrompeu minhas ideias.

Era um som, muito baixo. Parei para tentar ouvir melhor, e percebi após alguns segundos que era o som de algo rangendo, ao longe. Metal tilintando levemente, o que aguçou ainda mais minha curiosidade. Meio que sem saber o porque (como boa parte das coisas que fizera até agora), olhei em volta, visando as fachadas, à procura de algo que ao mesmo tempo sabia e não sabia o que era. Até encontrar.

A poucos passos de mim, uma placa sustentada por duas correntes fixadas a uma haste se balançava, suavemente. Era dali que vinha o som, agora bem mais audível. E era ali que eu devia entrar. Parecia ser um bom bar, e me senti na obrigação de explorar o local. Simplesmente girei a maçaneta e empurrei a porta, conseguindo ver como era o local por dentro. E fiquei impressionado, admito.

A iluminação alaranjada que atingiu minhas pupilas fê-las se contraírem. Um leve burburinho pairava no ar, mas cessou quase que por inteiro quando adentrei. Todos os presentes, não mais que uma dúzia, se viraram para me ver. Instantaneamente me lembrei: estava sem roupa! Quando olhei para baixo, percebi que já estava vestido: um colete sobre camisa branca, além de uma calça cinza. Sapatos pretos reluzindo completavam o visual. Olhei para frente outra vez, avaliando o ambiente: algumas mesas redondas, com quatro cadeiras em volta cada. Havia um vitrô dando para a rua, um bilhar ao canto, e no outro uma bancada com vários bancos enfileirados a frente. Apenas duas mesas tinham gente em volta, e outra meia dúzia estada sentada nos bancos do balcão.

Todos retiraram o olhar de mim, e me pus a andar. Sempre guiado por aquilo que não sabia o que era, apenas sabia que deveria seguir. A madeira rangia levemente sob meu andar enquanto me dirigia para um dos bancos avulsos, e assim que sentei, o barman (havia algo em sua aparência que me deixava inquieto, mas não conseguia entender o que era) perguntou se eu queria algo para beber. Fiz uma cara de pensativo, e realmente estava, em seguida pedindo apenas vodka.

Ele franziu o cenho:

- Não temos isso aí.

- Ele vai querer um vinho - interferiu uma moça que estava no banco, ao meu lado. Ela usava um vestido preto e um colar de pérolas; seus cabelos eram castanho claro e encaracolados, escorrendo até a metade do braço e seus olhos da cor de uvas verdes. Sua pele possuía um tom bastante claro, e a feição carismática era ornada por um sorriso. Senti uma sensação estranha, apesar do momento ser o mais tranquilo desde que eu chegara até ali.

- Quem é você? - Eu perguntei, friamente. Sem querer.

- Quem sabe um dia descubra. - Ela disse, em tom sério. Por mais estranho que pareça, aquilo me deu um certo alívio. Estava fazendo a coisa certa, não é? - Achei interessante a sua luta com meu subordinado, se me permite dizer. Mas você foi um pouco precipitado, faltou cautela em alguns momentos.

Ouviu-se um baque na madeira a minha frente. Era o funcionário depositando a taça de vinho de forma pouco carinhosa no balcão, e em seguido indo para longe. Consegui murmurar um obrigado, e logo em seguida, respondi a moça:

- Pois é, eu estava meio atordoado ainda... Na verdade acho que estou meio zonzo desde que cheguei aqui.

Olhei para o taco de baseball que havia depositado no chão, apoiando-o na parede do balcão.

- Ele te atacou por causa da aura, eu acho. A sua é bem diferente da maioria dos outros semideuses... E é por isso que foi convidado. Existe algo importante que depende apenas de você, embora não possamos culpá-lo se não colaborar.

- Algo me diz que é isso que quero. Mas não é uma viagem que esteja disposta a tomar assim, sem muitas explicações.

- Compreendo, essas explicações virão em hora. Beba o vinho.

Encarei o líquido vermelho, interessado naquela história. Ergui uma sobrancelha, intrigado. O som de vento passando pelas frestas voltara a ser ouvido. O que seria, dessa vez?

coisas:
poderes:
Nenhum relevante
observações:
Deve ter ficado bastante coisa meio sem sentido/sem explicação mas isso é proposital, afinal é um sonho. Muitas vezes algo estranho acontece e o personagem mal nota (como o bar ter vitrô e estar iluminado, mas a luz não ser vista pelo lado de fora), achei isso coerente porque num sonho acontece um monte de coisa estranha e eu pelo menos não fico me perguntando, só sigo na história :V:. O objetivo era ser algo mais misterioso e inusitado. E desculpe pelo tamanho, não to conseguindo me controlar :/
♦️ Thanks, Andy 'O' ♦️
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Re: ♦ Trama

Mensagem por Logan H. Smitters em Seg 12 Out 2015, 00:00



O Pesadelo
de uma pequena criança
 Os pesados passos pareciam se aproximar cada vez mais lentamente. Se não fosse pelo meu treinamento eu com certeza teria continuado acuado contra aquela parede. Quando os passos finalmente pararam em frente a porta do quarto onde eu estava pensei em pegar meu arco e atirar contra a porta, mas estranhamente meus equipamentos não estavam comigo, sempre carrego pelo menos um.

Finalmente o ser adentrou o quarto, algo não muito legal, pois era meu avô que estava em minha frente. Bem, não exatamente meu avô tinha a cara dele, mas o corpo estava mais para o do Smeagol de Senhor dos Anéis. Mesmo sedo obvio que não era ele meu cérebro parecia não saber disso, e o medo começará a voltar ao meu corpo. Mas outra coisa também surgia dentro de mim. Um desejo de vingança. Eu finalmente tinha idade para revidar o que ele havia feio comigo.

Em um movimento rápido corro em direção a ele, e com o punho direito fechado desferi um soco em seu tórax. Algo que ele parece nem sentir. Com um igualmente rápido movimento ele me atira para fora do quarto. Minhas costas batem com força contra um espelho pendurado no corredor. Após isso levanto-me e tento o atrair para uma luta pela casa.

*****


Quando finalmente chego a cozinha corro em direção a uma das gavetas, abrindo-a e pegando uma faca, e rodando em meu próprio eixo a atiro em direção ao monstro, este que apenas caiu no chão, com a faca em seu peito.

Finalmente sento-me em um sofá na sala, parando para analisar meus ferimentos. Uma serie de hematomas nas costas, um olho roxo e um nariz sangrando, coisas básicas.  

Agora podia finalmente parar para entender o que havia acabado de acontecer. Primeiro eu estava em minha antiga casa; Segundo algo com cara de meu avô havia acabado de aparecer ali; E por fim, mas não menos importante eu estava sem minhas armas, se o acampamento pode te ensinar uma coisa essa coisa seria a não sair no mundo mortal sem suas armas e eu havia acabado de fazer isso, o que estava extremamente errado. Aquilo tudo só podia ser um pesadelo, não tinha como ser real.

Olhando novamente para o corpo em minha cozinha a vontade de vingança aparece em mim novamente, olhar para o rosto de meu avô causava isso.

-Vamos lá garoto, faça o que você quer fazer. - Disse uma voz que eu não conseguia reconhecer.

-Quem é você e como você sabe o que eu quero fazer? - indaguei a voz.

-Vou te dar um dica: eu que coloquei essa vontade de vingança em você.

-O que você quer Nêmeses? - Pergunto  

-Quero que você me encontre criança, tem muita coisa que você precisa saber sobre esta casa, e sobre você, para me encontrar venha a este local que está agora.- E com essa ultima frase tudo voltou a ficar silencioso.

Ter que voltar a essa casa em um sonho já era terrível, agora voltar na vida real seria impossível, mas Nêmeses parecia ter informações sobre algo que tem haver comigo, logo que eu saísse desse sonho me dirigiria para aquela maldita mansão, com ou sem consentimento de Quiron, eu tinha que chegar lá.


Spoiler:
Eu sei ta uma bosta :V:
Explicaçaõ: primeiro eu coloquei o post do turno 2 nesse aqui, pra não ficar estranho e confuso os posts, e dei uma resumida.
segundo o bicho lá é um copiador.
terceiro, nemeses aparece porque ela ta na trama do Ray, ela que salvou ele dps dele ser abandonado. O resto agora só em DIY

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Re: ♦ Trama

Mensagem por 139-ExStaff em Seg 12 Out 2015, 02:20


Trama



4º turno - Wake up

Quando achava que  tudo estava bem, algo voltava a ferir o tecido onírico: o mundo à sua volta se altera, e mais uma vez o pesadelo começa. Conseguiria acordar antes que fosse tarde demais?

Orientações narrativas



Data: Outubro atual;
Temperatura/ clima: Sempre frio para o padrão local, independente de onde seja;
Cenário: Mundo onírico
O mundo onírico é um local volúvel, fluido e com características modificáveis que em geral refletem ou respondem de acordo com a pessoa em seu interior. Todos no mundo onírico estão inconscientes de alguma forma no plano real, sendo "criaturas astrais" - dessa forma, nada do mundo real funciona dentro do mundo onírico, exceto aos que possuem habilidade adequada para transportar tais itens de dimensão, assim como formas astrias que transpassam a barreira entre os mundos são limitadas no mundo real.



Pontos obrigatórios


♦ Narre aqui uma passagem de tempo/ mudança de cenário. Dentre as visões, mudanças de temperatura/ ambiente, e imagens e sons confusos (que não devem ser aprofundados, exceto pela percepção de que não é um sonho comum) até que o mundo começa a desmoronar ao seu redor.

♦ Antes de sair do local,encontra uma sombra humanóide: ela terá poderes de um semideus de nível igual ao seu, mas será imune a seus poderes (danos físicos e elementais funcionam normalmente, mas qualquer manipulação emocional, mental, sedução e similares e resistências afins não funcionam, enquanto você não apresenta nenhuma resistência contra o inimigo).

♦ Narre o combate por um tempo;

♦ A sombra não possui rosto nem sexo definido, e, depois de um combate difícil, ela o golpeia fatalmente. Você ouve uma única frase antes de despertar: "vai desejar que seja apenas um pesadelo";

♦ Acorde, com uma reação adequada e pensamentos/ sentimentos sobre isso, encerrando o evento.


Prazo e status dos players


Terça-feira (13/10), às 24h. (Ampliado pelo atraso na última postagem)

Status

Atenção: O HP será atualizado apenas na avaliação, considerando as ações, combates e etc; o player pode morrer por zerar isso na narração - então seja coerente - bem como por rendimento na avaliação final. Caso tenha justificado com outro ADM, peça que ele encaminhe as justificativas, e o status será ajustado de acordo, caso haja alguma falha. Organizado por ordem alfabética. Boa sorte no último turno!

Alaric L. Carter:  510/ 438

Albus Wright: 210/ 74

Ayla Lennox: 940/ 940

Catherine Blake: 370/ 342

Christian Arryn:  127/ 12 (não postagem do 3º turno)

Christopher V. Louis: 100/ 100

Drillbit Jackson: 720/ 608

Enzo Deanwoody: 620/ 520

Ethan Melrose: 220/ 151

Frederick Marshell: 670/ 670

Ianna D. Belikov: 755/ 488

Ignactius Bajer: 25/ 90 (não postagem do 2º turno)

Isobel: 100/ 0 (coma) -  prazo de 24h para se recuperar em uma enfermaria após o térmmino do 4º turno, valendo como total o patamar anterior (100/ 100), caso esteja em missão e não se recupere, o status será atualizado, podendo ocasionar a morte durante a postagem. Efeito do abandono com justificativa.

Jhonn Stark: 700/ 65

Kyle Loran: 300/ 108

Lana D'yer Hempstead: 603/ 740

Lindsey Johnson: 100/ 92

Logan Montecarlo: 470/ 382

Mariana A. Lima: 210/ 139 (Não postagem do 3º turno)

Min Duchamps: Morta (não postagem sem justificativa dos 2º e 3º turnos)

Noah G. Kalömoseuz: 470/ 470

Oliver H. Greyback: 710/ 446

Raleigh H. Geiszler: 112/ 112 (Penalidade por atraso (1º turno) e por não postagem justificada (2º turno)

Tobias Pratt: 180/ 180 (Não postagem 3º turno)

Tyler Spring: 130/ 130

William Véroz: 570/ 410

Zoey Montgomery: 650/ 650



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Re: ♦ Trama

Mensagem por Gaspard Delevigne em Seg 12 Out 2015, 14:58



Troubled Waters




A areia começou a se movimentar no mesmo ritmo do vento. Vozes, gritos, cheiros e sensações se misturavam com a ventania. Tyler olhou para todos os lados, mas só via a mesma faixa amarela cercada por gigantescos muros de rocha bruta. O vento ficou cada vez mais forte e as nuvens cobriram o grande astro de tempos em tempos.

Algumas pedras se revelaram com o movimento da areia e um redemoinho começou a se formar na frente do semideus. A temperatura, antes amena, esfriou rapidamente e a areia se transformou em neve aos poucos. O redemoinho se intensificou e descobriu outras rochas ao redor do garoto, enquanto o mesmo lutava para não ser sugado.

A ventania se estabilizou e diminuiu de intensidade gradativamente. No lugar de uma tempestade de gelo, uma sombra com forma humana surgiu de onde a neve parou de rodopiar. A criatura carregava um arco e uma aljava nas costas. Assim que as armas foram retiradas, Tyler recuou e tropeçou em um grande galho enegrecido.

A neve caía no local, mas não causava qualquer sensação de frio no garoto. Só pode ser um sonho. A cópia, Psiquê, essa neve. Eu preciso sair daqui. Naquele momento, as paredes estalaram e algumas pedras rolaram para o chão. Com um som alto e poderoso, uma coluna de pedras de diversos tamanhos desmoronou atrás do semideus. O pesadelo estava piorando.

— Escute — ele pegou o galho e o usou como bastão de apoio. — Precisamos sair daqui. Não adianta me atacar, eu...

Um zunido foi o suficiente para que Tyler girasse o bastão e desviasse a flecha vinda do ser de sombra. O inimigo guardou a flecha e avançou na direção do garoto. Uma coluna de pedras caiu em cima da sombra, e fez o semideus arregalar os olhos enquanto o chão tremia e rachava.

Tentáculos escuros se ergueram dos escombros e o homem sombrio se formou novamente. Desta vez ele não carregava um arco. Suas mãos estavam livres e brilhavam com uma energia azul clara. Ao inclinar a cabeça, um sopro gélido saiu de onde seria a boca da criatura e empurrou Tyler para longe.

— Desgraçado! — ele parou atrás de uma rocha e segurou com mais firmeza seu cajado retorcido. Ao ver uma pedra de tamanho mediano perto dele, não mediu esforços e jogou na cara do inimigo.

A sombra recuou com o impacto e se ajoelhou. Juntando as mãos, ele criou uma bola de gelo que partiu na direção do garoto. O bastão não foi suficiente para desviar o ataque, pois inúmeros projéteis eram lançados na direção do pobre Tyler. As bolas batiam no paredão e formavam buracos pela intensidade do disparo e quantidade de magia da neve dentro dele.

Mais pedras caíam e agora o chão se dividia em listras pedregosas que soltavam pedras para um abismo silencioso. Em um pulo ágil, Tyler ficou na mesma listra que a sombra, mas não conseguiu ver seu oponente. Ao receber uma bolada na perna, ele se abaixou com a dor e olhou para trás. Lá estava seu inimigo. Ao tentar avançar na direção dele, a sombra sumiu.

— Vai brincar de esconder? Bastardo! — ele berrou para a tempestade que se formava no céu enquanto o cenário se desmoronava. — Vai ver só quando eu te dar um s...

Em um movimento brusco, Tyler se virou para o outro lado da faixa de pedra e deu de cara com a sombra. Esta agarrou o bastão e furou o peito do rapaz com violência. Uma risada brotou do rosto da sombra, que abriu uma boca vermelha e sussurrou no ouvido de um semideus ofegante e coberto de sangue.

— Vai desejar que isso seja apenas um pesadelo — ele largou o garoto na direção do abismo e a visão dele ficou turva.

***

— NÃO! — Tyler berrou. Ao abrir os olhos, percebeu que ainda estava no rio, mas agora uma multidão de seres da natureza e alguns semideuses olhavam para ele. Os sátiros e ninfas se dispersaram com suspiros de alívio e deixaram apenas alguns semideuses no local, além do garoto confuso avaliando se o que acontecera poderia ou não ser somente um sonho.


Onde: Nightmare Com quem? Pessoas Post: 003 Vestindo: isso


Thanks @ Lilah CG
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Re: ♦ Trama

Mensagem por Lindsey Johnson em Seg 12 Out 2015, 16:00

Nightmares - Parte 4

Tudo estava preto novamente. Não sabia se havia escolhido a porta certa ou não, mas algo me dizia que isso não importava naquele momento. Comecei a andar e a vasculhar o local, porém não havia nada para ser encontrado ou visto. Então vozes desconhecidas começaram a falar coisas indecifráveis. Olhei em volta alarmada; teria mais alguém ali? Se tinha, não fui capaz de enxergar. Tentei me concentrar no que as vozes diziam, mas estavam confusas e abafadas. Imagens começaram a aparecer no fundo escuro, como uma projeção em um telão. As vozes agora acompanhavam as pessoas que surgiam na escuridão. Também não fui capaz de identifica-las. As imagens passavam rapidamente, sem me dar tempo de ver muita coisa. Então, de repente, elas estavam por toda parte, me transportando de um lugar para outro. Vi neve caindo em um parque vazio; uma mulher com um brilho estranho; um homem de terno com um bebê no colo; crianças correndo; um sátiro. A temperatura subia e descia como se estivesse confusa também. O que está acontecendo?, pensei.  Um casal discutia avidamente, gritando um com o outro. Monstros atacavam semideuses. Ouvi gritos, pedidos de socorro, palavras que não pude entender. Mas o pior – a pior parte de tudo aquilo... eu vi Elliot morrendo.

Em algum momento no meio disso tudo, as projeções começaram a sumir. Não, essa não é a palavra correta. Desmoronar, essa se encaixa melhor. Como se eu tivesse tacado algo pesado nelas, partindo-as como vidro. As imagens se quebravam em centenas de pedaços e caíam, caíam e caíam num abismo sem fim. Então eu estava caindo também. Eu gritava tão alto que pensei que meus tímpanos estourariam. Não posso morrer assim, supliquei mentalmente. Não posso. Bom, eu não morri. Ao invés de me chocar contra o chão e ser esmagada, simplesmente parei de cair. Quando olhei para os lados, vi que estava deitada em algo branco e duro. Gelo, percebi. Onde estou? Levantei-me devagar e olhei em volta. Eu estava em cima de um lago congelado, em um parque vazio e coberto de neve. Haviam árvores e arbustos espalhados pelo local, todos vestidos de branco. Do outro lado da rua, prédios e mais prédios. Sabia exatamente onde me encontrava. Aquele era o lugar onde o ciclope havia atacado Elliot e eu, no dia em que eu descobrira ser filha de uma deusa grega. Uma pessoa estava de pé do outro lado do lago. Ela olhava diretamente para mim, mas eu não conseguia ver seu rosto.

- Quem é você? – perguntei. – Por favor, me diga que você não quer me matar também.

A pessoa não respondeu. Ao invés disso, começou a avançar, andando na minha direção. E foi então que percebi. Não é uma pessoa. O que quer que aquilo fosse, realmente tinha o formato humano, com braços, pernas e cabeça. Mas não havia rosto. Além disso, a figura era toda preta, como uma sombra, impossível de definir sexo, idade ou qualquer coisa. Comecei a recuar, passo por passo. Temia que a qualquer movimento brusco meu aquilo disparasse em minha direção. De qualquer forma, logo a sombra me alcançaria. Olhei em volta, procurando qualquer coisa que pudesse usar como arma, contudo, no meio do lago não havia nada. Teria que ser combate corpo a corpo.

A forma humanoide estava bem próxima agora. Dez metros de distância, talvez menos. Uma bola branca surgiu em sua mão e, antes que pudesse fazer alguma coisa, ela jogou em mim, me derrubando. Essa coisa tem os mesmos poderes que eu. Fiquei de pé o mais rápido que consegui enquanto a sombra se preparava para lançar outra bola de neve. Dessa vez, no entanto, consegui desviar. Decidi devolver na mesma moeda. Lancei um bolo de neve nela, mas esta desviou. Joguei outra e mais outra, sem acertar nenhuma. Droga. Ela estava perigosamente perto agora, pronta para acabar comigo. Sem aguentar esperar mais, ataquei. Foi um erro, eu sei. A sombra agarrou meu braço antes que eu conseguisse atingi-la e desferiu um soco contra o meu estômago. Então torceu meu braço, fazendo-me girar, e chutou minhas costas. Tropecei para frente e deslizei, fazendo o maior esforço para não cair no chão. Respirando com dificuldade, consegui me firmar, voltando meu olhar a coisa bem na hora em que ela ia me socar outra vez. Segurei seu braço com uma mão e tentei acertar sua cabeça com a outra, mas ela me agarrou de novo. Sem poder usar os braços, dei uma joelhada onde deveria estar sua barriga. Ela soltou meu braço, e, ao contrário do que eu esperava, agarrou-se à minha cintura e começou a me empurrar, até me derrubar no gelo. Em cima de mim, ela começou a socar meu rosto. Uma, duas, três vezes, até que consegui agarrar seu braço. Senti meu lábio inferior rasgando e a dor se espalhando por todo meu rosto.

- Você não vai me matar! – gritei para a sombra. Consegui fazê-la girar, ficando em cima dela. Agora eu socava seu rosto seguidamente. Mas ela era mais forte que eu, e conseguiu me jogar para trás. Nós duas ficamos de pé ao mesmo tempo, uma encarando a outra. – Vai se arrepender disso. – Como se esperasse uma deixa, partiu para cima de mim. Consegui me esquivar e dei um soco em suas costelas. Aproveitei os nano segundos em que ela se curvou de dor e passei uma rasteira nela, derrubando-a. A sombra não gostou disso. Ela agarrou minha perna e me puxou para o chão. Caí estirada ao seu lado. Tentei me levantar, mas estava sem fôlego. Então a figura humanoide se levantou e começou a me chutar. Uma dor dilacerante tomou conta do meu corpo quando duas das minhas costelas se partiram. Depois, ela agarrou minha cabeça pelos cabelos e começou a soca-la no gelo. Minha visão ficou turva e avermelhada. Tudo que sentia era dor. Eu quase implorei para que ela acabasse logo com isso. Então a sombra ergueu minha cabeça mais uma vez, e eu esperei pelo golpe final.

- Vai desejar que seja apenas um pesadelo. – ouvi sua voz disforme dizer. Então ela desceu minha cabeça, e tudo ficou preto.

***
Acordei sobressaltada. Sentei-me na cama, olhando em volta assustada, mas não havia mais o que temer. Estava no chalé novamente, todos dormiam tranquilamente. Passei as mãos no meu rosto, limpando o suor. Então toquei meu pescoço, meus braços, minhas costelas. Sem machucados ou arranhões, nem cicatrizes. Está tudo bem, Lindsey. tentei me acalmar. É só um sonho, não é real. É só um sonho.
Mas eu sabia que não era.

Merely the sound of your voice made me believe that, that you were her just like the river disturbs my inner peace. Once I believed I could find just a trace of her beloved soul, once I believed she was all then she smothered my beliefs.





Observações:
Elliot é o único amigo de Lindsey no Acampamento. Ele é o sátiro que a levou até lá. Nesse dia, eles foram atacados por um ciclope no mesmo parque em que Lindsey está no sonho. Tudo isso está na ficha de reclamação.
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Re: ♦ Trama

Mensagem por Zoey Montgomery em Seg 12 Out 2015, 16:54



Sonhos de Uma Primavera Perdida
Zoey encarava Ayato intensamente, incerta sobre o que o garoto lhe falara. Ela era o que, uma vyko... Vriko... Qual era a palavra difícil que ele usara mesmo?

Um estrondo fez a arcana olhar para os lados, e constatar que o cenário estava começando a mudar: as paredes de tijolos começaram a desaparecer, assim como o trono onde estava sentada, e a menina caiu de bunda no chão duro, feito de pedras, igual o caminho de tijolos que levava ao palácio de Oz.

E foi apenas isto que a arcana conseguiu distinguir. Pela primeira vez ela sentiu como uma pessoa com quatro graus e meio de miopia se sente: o cenário estava borrado, e não havia sons que conseguisse dizer com exatidão de onde vinham ou de quem eram.

- Ayato... - a loira olhou para frente, mas o garoto havia desaparecido. E de repente, como se fosse feito de pixels, o mundo começou a se desfazer. Blocos começaram a ascender aos céus, fazendo com que Zoey entrasse em pânico e começasse a correr. Até avistar uma sombra.

A arcana não sabia dizer como aquele ser era, quem era ou se era homem ou mulher. Ela só sabia de uma coisa: lhe causava arrepios. Abraçou o próprio corpo, como se esse simples ato pudesse protegê-la de seja lá quem fosse aquela sombra.

- Q-Quem é você? - perguntou, dando um passo para trás. Um arrepio desceu a coluna de Zoey quando um som estranho soou no ar, como uma risada macabra, antes da sombra atacar, com algo que a loira não conseguiu identificar. Aquilo era uma foice?

Instintivamente a menina lançou-se ao chão, um zunido passando acima da sua cabeça. Rolando o corpo para o lado, a arcana colocou-se de pé e encarou seu adversário. Ele lançou-se novamente para cima da pequena, que levou as mãos à frente do corpo, visando usar sua telecinésia para pará-lo.

Mas não foi isso que aconteceu. Por alguns segundos a sombra parou, mas logo ela levantou um "braço", ou foi isso que a menina pensou que fosse, e lançou a arcana no ar, fazendo-a bater em uma árvore e cair de barriga no chão.

- Minha magia... - sussurrou, o coração batendo forte no peito. A respiração estava pesada. Por que sua magia não funcionara? O que estava acontecendo ali?

A sombra aproximou-se devagar, a arma em mãos. A loira colocou-se de pé com dificuldade, a visão embaçada e a respiração pesada. E, rápido como a luz, Zoey sentiu apenas uma dor momentânea na altura do coração. Os olhos voltaram-se para baixo e qual foi sua surpresa ao ver o "braço" da sombra em seu peito.

A visão começou a escurecer, e as pernas fraquejaram. O corpo pesou, e a menina começou a cair, mas foi segurada pela cintura por aquela sombra.

- Vai desejar que seja apenas um pesadelo. - a voz da sombra chegou aos seus ouvidos. E então tudo ficou escuro.



Zoey sentou-se de súbito no sofá, arfando, os olhos arregalados, coberta de suor e a mão direita no peito, onde fora golpeada. Tudo aquilo não passará de um sonho, para alívio da menina. Mas por que não se sentia confortável?

- Z? - a doce voz de Vladimir preencheu a sala quente. - Você está bem? - o damphyr ajoelhou-se ao lado do sofá, tocando os ombros da menina gentilmente.

- V-Vlad... - ela sussurrou, antes de abraçá-lo, as lágrimas rolando sua face.

Quem era aquela sombra, e o que queria dizer com "vai desejar que seja apenas um pesadelo"?

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Zoey Montgomery
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Re: ♦ Trama

Mensagem por Benjamin Traveller em Ter 13 Out 2015, 03:39



Sonhos da Primavera Perdida


4 . NASCE A ESCURIDÃO


A
CHUVA SE FORMAVA NO MAIS ALTO DOS CÉUS, E SUBITAMENTE EU ESCUTAVA os trovões se aproximando. Onde estaria aquela mulher? pensei. Não fazia ideia, mas algo me dizia que ela não voltaria, pelo menos não nesse sonho. No campo, eu me tornava o único alvo dos raios, contudo se eu não saísse dali depressa, não sobraria Christopher para contar história. Meus pelos se ouriçaram quando percebi os clarões se esparramarem pelas nuvens, e estridentes sons os acompanhavam, invadindo meus ouvidos com poder e autoridade. Os raios costuravam as nuvens com suas linhas retorcidas e com suas cores vibrantes vociferavam: "Boom!" O sol que outrora iluminava o dia, mais uma vez cedera às sombras e novamente a escuridão tomava forma. Para onde eu iria? Não havia para onde fugir, nem sequer um lugar para me esconder da tempestade. Como se já não bastasse todo o reboliço, as coisas ainda poderiam ficar piores.

Num estalar de trovões, a chuva começou a cair. As gotas, que eram densas e pesadas, explodiam sobre as flores e o solo. O surgimento de um tornado era iminente, pois os ventos vorazmente empurravam as nuvens indolentes. Subitamente, o mundo começou a ruir. Novamente o horizonte se desmoronava e levava consigo toda sorte de vida. As árvores eram engolidas pelo abismo sem fim, e pedregulhos saiam das fendas perfurando o ar com admirada fúria. Pontiagudas, as rochas cresciam tão altas como templos diabólicos.
O que está acontecendo? pensei incrédulo. Um furacão se formava relativamente distante de mim, embora longe, seus ventos eram tão fortes que meus cabelos voavam descoordenadamente e facilmente arrancavam as flores, que rodopiavam pelos ares sem rumo e sem direção. Completamente molhado, eu tentava correr na direção oposta do tornado, mas eu estava pesado demais e logo me cansara. Desisti e me conformei que meu fim logo chegaria, não havia mais nada que eu pudesse fazer. O ar úmido se esfriava ainda mais, e agora meu corpo não tremia apenas de frio, mas o medo da morte me sondava. As sombras ao meu redor começaram a se mover tão depressa quanto o furacão, e a minha frente, meus olhos se arregalaram quando de repente elas tomaram forma.

Erguendo-se do solo, as sombras tomavam a forma de uma pessoa. Completamente negra, ela parecia imponente e sombria, embora pouco translúcida, ela parecia tão maciça quanto qualquer corpo de verdade. Não se viam os olhos, os músculos, ou qualquer outro detalhe, e isso a tornava ainda mais sinistra.
O que ela poderia querer de mim?, suspirei com medo. Eu não deveria me entregar a morte com facilidade, mas isso não era um opção. Sem qualquer desejo, eu não teria chances contra ela nem se conseguisse lutar.

— Está com medo? — sua voz era um conjunto de vozes distorcidas, soavam uníssonas em diferentes timbres.

Meu coração acelerou e quando cheguei ao ponto de recuar alguns passos, exclamei comigo mesmo:
Espere aí! Como ousa ser assim!? Onde está o mesmo garoto que tirou a vida de um monstro? Naquele momento não me importava que o inimigo estava adiante, apenas fechei os olhos e imersei na minha própria consciência, dividia entre bem e mal onde a luz sobrepujava a escuridão.

Encontrava-me sentado num salão branco (sem janelas e portas), pensativo, eu procurava por alguma motivação. Algum objetivo que me fizesse ter desejo à vida, e logo descobri: minha família, meus amigos e Harry, porém logo viera a ruína, desgraça e perdição. Então a lembrança de uma mulher me invadia a mente. A mulher que dizia ser minha mãe, a mesma mulher que havia mostrado todo o poder que um dia eu poderei ter. Sua perfeita voz sooava ecoando entre o salão branco e meus ouvidos, e novamente falava:
"Decida pela sua vida, meu filho. Você e somente você poderá fazê-lo." Ela enfatizava. Ainda imerso no meu ser, continuei a buscar por motivações e me surpreendi quando me deparei em um espelho. Eu via meu reflexo, porém ele estava mudado: mais sombrio e apático.

O sorriso não estava no rosto, os olhos estavam insensíveis, mas confiantes. Ele emanava um poder e se mostrava imponente e presunçoso, e enquanto eu o olhava, percebi que, embora fosse a parte sufocada de mim, ele na verdade era meu verdadeiro ser. Destinado a me tornar o que a sempre adiei, levantei a mão e toquei minha própria imagem no espelho. Nossas mãos se tocaram e uma leve oscilação fez-se notar no tecido da realidade. Minha mão cruzou o espelho, logo eu o atravessara por completo e nossos corpos se fundiram em apenas um ser. Recebi a mesma onda de veneno que a flor me dera (no mar), porém eu não sentia a dor, e fora mais confortante do que se poderia imaginar. Do outro lado do espelho — onde
agora eu me encontrava — era frio e escuro, e embora eu estivesse sozinho, podia sentir a escuridão como minha melhor amiga dentro de mim. Abri os olhos convicto que não havia falhado na minha busca, e um sorriso sarcástico roubava minha sanidade.

Fitava a sombra a minha frente. Apesar da grande desvantagem, eu estava determinado a lutar. Minha respiração não estava mais ofegante, nem meus olhos vacilavam diante o oponente. Aquele garoto alegre, medroso e gentil desaparecera. O espanto saíra do meu rosto, e dentro de mim tudo que eu sentia era um vazio, confortável e sombrio.

— O que foi? Não vai mais fugir? — ele parou a poucos metros. Pensava me intimidar.

Eu pensava rápido e calculava todos os movimentos possíveis, analisando a situação, velozmente corri até ele desferindo um chute rasgando o ar. Ele demonstrou ser ágil e facilmente se esquivara do meu golpe, porém, como haviam me ensinado, antes mesmo que ele preparasse sua outra esquiva, eu cortava o ar com um soco acertando em cheio seu peito. Não aconteceu o que eu temia: mesmo sendo uma sombra, ele não era intangível.

— Nada mal. — soava sarcástico.

Logo em seguida, sua mãos se transformaram em lâminas negras e afiadas. Avançou em minha direção tão rápido que meus olhos não conseguiram acompanhar seus movimentos. Fiz o máximo que pude, e mesmo assim não fora o suficiente. Sua mão esquerda fez um corte em meu peito, e logo em seguida sua outra lâmina rasgara meu abdômen abrindo um enorme talho. Todo meu interior latejava, e sangue escorria sobre minha roupa. Apertei o ferimento e logo ele se intensificara, porém, meu rosto não demonstrava dor e nem meus olhos mostravam surpresa.
Ignorando a dor que me inundava no corpo, juntei todo o resto de vigor que ainda me restara e bravamente avancei contra ele. Novamente ele tentou se esquivar, mas antes que eu errasse, acompanhei seus movimentos e com o punho cerrado, acertei-o no abdomên o fazendo gemer. (De certo fora o soco mais forte que eu dera em toda minha vida.) Cambaleou para trás e com as mãos ele pressionava a barriga, e recompondo a postura novamente se concentrou em mim.

— Será preciso muito mais do que isso para me derrotar. — bravejou.

— Então veremos.

Minhas vísceras se contorciam em espasmos, gritavam e latejavam de dor. Meu coração pulsava fortemente para bombear todo o sangue que eu perdia em demasia, e minhas veias pareciam não aguentar a pressão. Era evidente a hemorragia externa, e mesmo que eu ganhasse a luta meu corpo não sobreviveria. Mas antes disso, eu não aguentaria permanecer em pé nem sequer por mais um minuto, mas com certeza isso não significava que eu deveria me entregar à derrota. Qualquer esforço que fazia me doía todo o corpo. Mesmo assim, eu não deixava ele perceber que a dor me consumia, e para ele, eu parecia aguentar o combate até o fim. Infelizmente, ele estava enganado.

Ele ergueu seu ego com um sorriso maléfico e sem hesitar avançou contra mim. Senti suas mãos dilacerarem minha carne, tão profundo que trespassaram meu abdômen saindo pelas costas. Me ergueu como se eu fosse um boneco enquanto toda a gravidade fazia o resto do trabalho. Gemi de dor e meu corpo não aguentava a pressão. Minha boca se inundou com um líquido carmesim e pude sentir o gosto do sangue: tão doce e venenoso quanto o aroma das rosas. O mundo parava silenciosamente a minha volta enquanto meus olhos iam se fechando. A adrenalina envenenava meu corpo e retirava toda minha dor, enquanto meu coração pulsava lentamente e tudo realmente parava de
funcionar. Antes do meu último peido sonoro, sua voz sinistra falou sombriamente:

— Vai desejar que seja apenas um pesadelo.

Pude sentir os átomos se desligando de meu ser.
Morri.




EPÍLOGO:
A ROSA NEGRA


A
CORDEI ASSUSTADO E COM A RESPIRAÇÃO OFEGANTE. TIREI A COBERTA de cima de mim e incrédulo levantei a blusa para conferir se eu realmente havia morrido. Respirei fundo e freneticamente pisquei os olhos lembrando-me que fora apenas um sonho, ou não tão "apenas" assim, eu diria. Todos ainda dormiam e o sombrio silêncio ainda inundava o dormitório, talvez indicando que faltasse muito para o amanhecer. Levantei da cama com a certeza de que não iria dormir novamente, mas antes que procurasse por Harry, escutei algo cair aos meus pés. Aquele simples barulho de bronze parecia um estridente som agudo dentro do dormitório. Notei ao pé da cama o cabo da minha faca de bronze, e me abaixei para pegá-la. Seu material estava frio ao primeiro toque e surpreendi-me quando ela não estava . Fincada em sua lâmina de bronze, uma linda rosa negra aparecia. Ainda cheia de vigor, seu aroma era peculiar e exuberante, sobrepujava a qualquer outro odor do quarto — fazia-me lembrar da mulher do sonho. Sim! Só pode ser dela! Um sorriso despontou em meus lábios, presunçoso até. Sentado na cama, eu observava a flor e tentava me lembrar da mulher, porém muitas cenas do meu sonho eram apenas escuros borrões. Sentia-me diferente, um estranho sentimento que ainda não conseguia explicar e um grande silêncio dentro de mim, embora não me lembrasse o porquê, sabia que algo havia acontecido e eu não era mais o garotinho que costumava ser.

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