♦ Op de trama: No limiar - o retorno

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♦ Op de trama: No limiar - o retorno

Mensagem por 139-ExStaff em Sab 16 Jan 2016, 13:01


Trama



Explicações

As devidas atualizações foram feitas de forma padrão, com poucos descontos (exceto de não-postagem). Apesar disso, alguns personagens, seja por não postagem, por quebra de regras ou justificativas além da permitida acabaram "morrendo". Em um evento "normal" isso seria irreversível, mas isso não foi o caso deste evento em específico: tais personagens estão presos no limiar - uma região entre o mundo dos sonhos e o despertar. Contudo, eles ainda podem retornar. Como disposto antes, não há ganho do evento passado para estes personagens. Contudo, realizando a missão a seguir eles podem "retornar" - eles acordarão após o evento, mantendo toda a sua ficha, e esta missão valerá 50% de uma missão comum (150 xp), sem dracmas para eles. Outros players que desejem fazê-la também poderão, neste caso, podendo receber as recompensas normais (até 300 xp), igualmente sem dracmas. Players que estão se recuperando da "morte" podem conseguir, com 85% de rendimento, o mesmo item do evento, bem como outros players que não o possuam. Players que já possuem este item ganharão alguma outra recompensa onírica (ainda a ser definida se padrão ou não). É considerada uma OP atemporal, mas dessa vez os descontos serão aplicados normalmente.


No limiar


O personagem caiu no esquecimento: uma zona do mundo dos sonhos que mantém os restos das ilhas oníricas, criadas durante o sono de todos os sonhadores, e destruídas assim que eles acordam. Contudo, sempre há um resquício. O ambiente é confuso, mesclando características distintas - mudando rapidamente de características, algumas vezes com pistas e avisos pelos restos deixados, outras não, e abismos de escuridão e vazio interpõe-se entre elas, s vezes surgindo sem qualquer aviso. Criaturas diversas do mundo do sonho existem aí, a maioria feridas, danificadas ou esperando o fim completo, mas muitas buscas sonhadores perdidos - em especial pesadelos e seres gerados pelo inconsciente dos sonhadores, muitas vezes fugindo de qualquer padrão conhecido. O problema agora é: como acordar?


Orientações narrativas


♦ O personagem deverá descrever como caiu nessa zona e suas impressões sobre isso, passando a avaliar o local;
♦ O personagem deve andar por ao menos 3 ilhas oníricas distintas - ambientes com características próprias - descrevendo-as, lembrando das condições de esfacelamento do local;
♦ O personagem deve ter uma interação hostil nesse ambiente - o momento em que esta ocorre fica a critério do jogador, ;
♦ O personagem deve ter uma interação não-hostil, fazendo um favor a uma criatura onírica. Este favor pode envolver enfrentar um oponente (desde que distinto do ponto anterior), recuperar um item ou ambiente, encontrar outro sonhador perdido, etc, desde que fique claro na postagem; após sua realização, a criatura explicará como retornar ao "mundo real"
♦ Esse caminho/ processo para acordar deve ser descrito de alguma forma;
♦O personagem acordará em sua residência/ chalé, ou nas enfermarias/ hospital (caso tenha sido dado como morto)
♦ Prazo de postagem: 14/02.
♦ Atemporal. A avaliação e atualização dos status irá considerar os status do personagem no momento da avaliação (assim, caso poste e esteja em outra interação que tenha feito durante o período, pode ter a morte ocasionada.
♦ Zerar HP ou MP gerará a morte automática.

Personagens dados como mortos na trama que não queiram realizar a missão devem postar no registro de morte para serem atualizados; caso não o façam, serão atualizados após o prazo de postagem desta missão como "mortos".


Observações especiais: isso causou confusão no último evento. Então, serão considerados itens e poderes normalmente se coerentes ao cenário, mas não a presença de pets ou similares. Lembrando que a dificuldade é mediana. Boa sorte a todos.



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Re: ♦ Op de trama: No limiar - o retorno

Mensagem por Gaspard Delevigne em Seg 01 Fev 2016, 20:17



Wide Awake




Tédio. A única palavra que definia Tyler no momento. O rapaz estava sentado em uma árvore perto da cachoeira e não tinha a menor noção do que faria no momento. Sim, sua memória finalmente fora restaurada. Todas as peças estavam reunidas e bem organizadas, mas o que ele faria?

Sair pelos quatro cantos do mundo caçando Hipnos, Perséfone ou mesmo sua mãe parecia algo extremamene infundado e absurdo. Mesmo com a proteção de Ayla, ele não poderia arriscar a própria vida por algo que nem mesmo tinha certeza de como acabaria. Além disso, correr atrás de uma divindade vingativa e birrenta não era muito inteligente de sua parte.

Esses e muitos outros pensamentos rodeavam sua mente. Tirar um cochilo parecia a melhor solução. Os olhos se fecharam lentamente. Não, cedo demais para isso. Escapar para seu mundo particular era a pior coisa a fazer no momento. Precisava permanecer lúdico e olhar o gramado ao seu redor.

Ele nem reparou em um coelho de colete que se afastava das folhagens e partia para a mata fechada. Um minuto. O coelho usava roupas? Só podia ser brincadeira. Naquele exato momento, seu braço direito começou a formigar.

Era a pulseira de areia onírica, um misterioso espólio da última visita ao mundo dos sonhos. Claro. Aquele animal levaria o rapaz para a esfumaçada terra, onde ele poderia procurar pelo deus que lá governava. Lá ele poderia finalmente saber o resto de sua história.

Levantando em um salto, o meio-sangue passou a ouvir com mais cautela os apressados passos do coelho. Não estavam muito longe. Partindo na direção do som, ele sentia a areia ficar cada vez mais agitada em seu pulso. O caminho ficava cada vez mais complexo e perigoso. Um corredor de arbustos cheios de espinhos se desenrolava logo adiante.

Contorcendo o rosto em diversas caretas, o corpo ágil e apressado do jovem ignorou cada arranhão e rasgo em suas roupas enquanto corria. Finalmente avistou o coelho fazendo uma engenhosa curva para a direita e saltando em um tronco que bloqueava o trajeto.

Fazendo o mesmo, Tyler chegou em uma clareira rodeada por arbustos floridos e misteriosos. Não lembrava de visitar aquela parte do refúgio verde antes. Próximo de onde estava, uma imensa árvore abrigava uma toca de coelho. Lá estava sua passagem para a terra difusa e turbulenta que se resumia em duas palavras: Ilha Sonhadora.

Passar pelo buraco foi o grande problema. No começo, o rastejar de seu corpo não era prejudicado pela circunferência larga e cheia de raízes. Depois de algum tempo, o oxigênio começou a escapar e o espaço dimunia a cada pedra que ele avistava.

— Não tem como isso piorar? — ele se arrependeu daquelas palavras instantaneamente.

Em um segundo, o buraco se abriu o suficiente para que o semideus pudesse ficar de quatro no chão extremamente poeirento e descuidado. No outro, não havia mais nada, nem mesmo um apoio. O berro de susto se perdeu na imensidão da queda.

A escuridão aos poucos foi substituída por lâmpadas de objetos que aparentemente também estavam caindo. Uma mesinha com uma simpática luminática com uma capa de renda passou perto dele. Abrindo a gaveta despreocupadamente, talvez por perceber que aquela transição de ambiente demoraria mais do que o previsto, não conteve a surpresa quando um palhaço saiu de dentro de uma caixa com uma cara maligna e garras de madeira no lugar das luvas.

Xícaras de chá, elefantes, flamingos e todo o tipo de coisa que alguém poderia imaginar. Tudo flutuava na interminável ausência de algum chão para enfim se espatifar. O rapaz decidiu fechar os olhos. “Não fará mal, esse lugar não vai mudar mesmo”. Eis então que um enorme colchão se aproxima da visão do rapaz. Ele estava em algum ponto que poderia ser definido como solo.

Enfim, o pouso. Ao redor de Tyler, uma floresta. Os sons de diversos pássaros e das folhas voando entre as árvores eram hipnotizantes e agradáveis. Por um momento, o campista esqueceu de seu objetivo naquela exótica terra. Os pés estavam descalços, mas o solo não tinha pedras os galhos para incomodar a caminhada.

Tudo estava coberto por uma fina camada de névoa leitosa e espessa, diferente daquela que oculta o mundo mitológico do mortal. O som de passos apressados entre arbustos despertou o meio-sangue do transe e ele viu o coelho parar na sua frente e conferir seu relógio de bolso. Um momento, ele tinha um relógio?

— Está atrasado — o animal deu uma bronca no garoto. — Ela não vai gostar de te ver fora do horário marcado.

— Ela quem? — perguntou o Spring com curiosidade.

A resposta foi uma série de interjeições e repetições da frase “está atrasado” enquanto seu guia sumia pela névoa do horizonte. Dando continuação à caminhada, ele explorou um pouco mais o ambiente, Precisava entender o motivo de estar ali e quem seria “ela”.

O que encontrou foi minimamente assustador e bem bizarro, para ser mais preciso. Em um determinado ponto da floresta tropical, as folhas gigantescas e exuberantes perdiam a cor e ficavam pálidas como cadáveres. Algumas estavam se desfazendo em areia. A mesma da pulseira que o semideus carregava.

“Então esse é o tal mundo onírico. Estranho. Da última vez que estive aqui, tudo parecia em ordem. Agora as coisas estão esquecidas. Seu pensamento só confirmava o que via. Animais que surgiam para observar o novo visitante abaixavam a cabeça. Não era um sinal de respeito, mas de tristeza. Como se soubesse de algo realmente ruim que poderia acontecer naquele local.

O mais estranho das criaturas era que praticamente todas apresentavam um defeito. Algumas tinham patas e asas cheias de buracos, outras não possuíam cabeça ou membros e ainda algumas tentava conservar o material que escorria de seus indesejáveis poros. Areia.

— Intrigante, não é? — uma voz grave e debochada sussurrou perto de onde o rapaz estava. — A maioria dos sonhadores entraria em pânico ao ver o estrago que fizeram nessas terras.

Primeiro, um sorriso. Longo e cheio de dentes brancos. Logo depois, olhos verdes e orelhas pontudas seguidos da cabeça e de um rabo flutuante que balançava como um pêndulo. As listras negras no corpo cinzento contribuíam para o visual macabro daquele felino.

— Chesire — Spring sorriu. — Você não pertence à terra de outra sonhadora? O que faz aqui?

— Desde quando eu fiquei preso àquela terra nojenta? — o escárnio era palpável em cada palavra. — Alice é uma psicopata e insana que jamais deveria ter saído de casa. Muito menos da clínica. Eu sou um dos poucos que pode vagar de ilha em ilha sem sofrer muitos danos. Essa região do sonho é perigosa, Tyler.

— Me enviou aqui para falar o que já é bem óbvio? — o garoto riu e o gato fez o mesmo. — Sei muito bem que não deveria estar aqui. Se você é um emissário de Hipnos, ande logo. Não vou e nem quero ficar nessa sepultura onírica.

Com uma risada longa e alta, ele se virou e todo o corpo foi revelado. Muitas cicatrizes em seu corpo esquelético indicavam o tal “preço” que as criaturas pagavam por mudar de domínio constantemente. Ele acompanhou o sonhador flutuando acima de sua cabeça.

Nos limites da selva, as plantas, pedras e a própria terra convergiam em um único material dourado e poeirento, como se faltasse uma peça no engima para ser encaixada e deixar tudo em ordem. Felizmente não havia um abismo aguardando dois viajantes. No lugar dele, um extenso rio de sentido único se formava a partir de todos aqueles sedimentos cintilantes. Uma canoa sem barqueiro estava descansando e se equilibrando nas volumosas águas.

Sem pronunciar palavra alguma, Cheshire pousou em uma das extremidades do veículo e Tyler olhou para o rio. Longe de ser medo, angústia, desespero ou agonia que impediam seu avanço. Era algo mais antigo em sua essência. Ansiedade. Depois de sofrer tanto por um perverso jogo da rainha do submundo, ter suas memórias recuperadas enchia seu peito com essa sensação precoce de querer fazer tudo e não poder. Ainda não.

O suspiro que se seguiu foi mais longo do que o comum. Precisava ser. Um grande passo em sua jornada seria dado ao atravessar as defeituosas fronteiras de sua mente. Finalmente o rapaz entrou no barco e começou a remar. Em suas leituras na biblioteca do acampamento, diversos contos sobre os suplícios das almas no rio que dividia o reino dos vivos do submundo foram encontrados. Nenhum deles explicava que, na travessia do Lete, não havia sofrimento, prazer ou desgosto.

Apenas a inexistência. O vazio cósmico e esmagador entre o ser e o deixar de ser. Ali sim, todas as esperanças eram deixadas. Ali, todos os sonhos incompletos e infundados vagavam sem rumo em uma dimensão completamente distorcida e fantástica. Relógios marcavam horas em mostradores absurdos. Para completar, uma harpa servia como som ambiente, regendo a confusão de sonhos perdidos e incompletos.

— Esse é o limiar do onírico — o guia felino narrava. — Um limbo de crenças e desejos que não tiveram a chance de saírem da mente dos seres vivos.

O rio começou a desacelerar. Estavam chegando a mais uma ilha. Um deserto. Dunas cinzentas e sem vida decoravam o ambiente. Aquele foi o primeiro lugar onde a palavra “dor” ganhou seu significado literal. Estátuas titânicas estavam espalhadas aleatoriamente no cenário. Algumas cabeças de pedra ou mármore choravam e manchavam o solo com suas poças de sangue.

As poucas aves que ali passavam tinham um objetivo bem nítido: procurar seu leito de morte. Já chegavam exauridas e despedaçadas. Bicos tortos e penas arracadas por um inimgo invisível ou inimaginável que ninguém saberia explicar origem ou razão para existir. Os berros agonizantes enchiam os ouvidos do rapaz que fazia de tudo para avançar naquele campo de punição a passos largos e decisivos junto de seu amigo flutuante.

O tempo que passou ali não poderia ser medido e mesmo Tyler não se importava. Seu único desejo era sair dali. Os olhos castanhos e antes sonolentos agora lutavam para continuar abertos, atentos. Precisava ver, sentir e saber de tudo. Um mal necessário, talvez.

Certeza ele teve quando os pés afundaram em um pedaço de terra molhada e fedorenta. O cenário havia mudado. Um pântano mais extenso do que a última ilha sonhadora.

— Enfim, chegamos — o guia comentou enquanto esticava as garras em um galho retorcido de uma árvore cheia de cipós que formavam uma cabeleira verde. — Seu último teste, Tyler Spring.

— Teste? — ele estranhou. — Não me disse que esse tormento era só um teste. Se soubesse, jamais teria perseguido aquele coelho.

— Ah, o pobre Tiberius — a risada macabra e desdenhosa fez a nuca do rapaz se arrepiar. — Não deve esar muito longe, o coitado. Cuidando de sua mãe, a mortal mais bela que já vi.

— Minha mãe está aqui? — a pulseira vibrou e a areia se esticou até formar uma katana dourada e brilhante. A lâmina estava bem próxima do pescoço do tirano de bigode. — Chega de enrolação, Chess. Eu quero a verdade.

— E terá — ele se afastou da arma e continuou a sorrir. — Assim que resgatar a dama dos cabelos de ébano. Se puder, claro.

Para a frustração do meio-sangue, o animal desapareceu antes de qualquer pergunta. Estava por conta própria. A katana, por mais que ele tentasse, não se desfazia. Parecia se alimentar da necessidade do rapaz de se defender. O único problema: qual a ameaça?

Andar no pântano jamais seria uma tarefa fácil. A pegajosa névoa que acompanhava o rapaz desde a selva era um dos motivos da arma cintilante estar sempre na frente de seu corpo. O cheiro, som, o menor sinal de vida. Inexistente. Apenas o gotejar de alguns troncos mortos e o canto triste de uma sereia preenchiam aquela atmosfera.

Sereia. Incomum em uma ambiente tão sujo e triste. O ex-guia de Tyler estava certo. Ele deveria resgatar sua mãe, onde quer que estivesse. Mas, primeiro, precisaria vencer os desafios daquelas desoladas poças de lama. O lamento ficava mais elaborado e alto cada vez que os pés entravam na água verde e impura.

No lugar do choro, um silvo alto saiu de uma pedra próxima de onde o moreno estava. A lâmina da arma onírica brilhou mais uma vez. Estavam perto. O chiado raivoso e o som de algo saindo da água foi suficiente para que o semideus rolasse para a esquerda e evitasse o ataque. A névoa começou a abaixar, mas o inimigo sem rosto continuou sua investida.

Em um movimento cego, a espada cortou o ar enevoado e um chiado de dor se projetou na clareira. A besta se revelou. Um Quetzacoalt. A serpente alada não conseguia surpreender mais sua vítima. Uma das escamas foi arrancada pelo golpe da nova companheira de Spring.

A crista do animal se eriçou e a boca se fechou em um sorriso cínico. Quando um passo foi dado na direção da serpente, sua cauda se enroscou nos tornozelos do oponente e o arremessou em uma árvore do outro lado da “arena”. Felizmente, o rapaz era resistente. Além disso, era bem esperto. Quando seu corpo se aproximou do tronco, ele se preparou para o impacto e sorriu quando a árvore se desfez em névoa. Afinal, era uma dimensão etérea e incompleta.

Uma série de golpes se seguiu quando o meio-sangue se levantou. Alguns foram revidados. As escamas da besta ardiam em contato com a lâmina dourada, obrigando a elaboração de um novo plano de ataque. As presas se tornaram mais letais do que antes, agindo com mais eficácia graças a desenvoltura da estrutura corporal e o gracejo das asas.

Marfim contra areia onírica, um combate difícil de prever. No entanto, nenhum dos dois envolvidos refletia profundamente sobre o assunto. Era uma questão de vida ou morte. Bem, talvez a morte ali significasse algo maior do que ir para o submundo. Vagar eternamente no vórtex atemporar e vazio do limiar da terra dos sonhos.

Um deslize foi suficiente para que a cauda fina e traiçoeira marcasse a pele do semideus, que segurou um grito de dor e caiu no chão com o impacto do ataque recebido. Ele já esperava por isso. No instante que a monstruosidade alada avançou em sua direção, a katana estava bem posicionada. O olhar de surpresa de seu oponente bastou para que ele confirmasse seu óbito.

Estava acabado. Aquela etapa, talvez. Um caminho mais longo precisava ser trilhado. Chafurdar naquela lama sem vida era mais fácil agora, o Spring sabia dos riscos que corria. Esse, então era o segredo. Tomar ciência do que estava ao redor. Essa era a ruína de muitos sonhadores que apareciam esporadicamente entre as pedras exibindo um ou dois dedos esqueléticos apontando para a mesma direção: o horizonte.

Uma grande árvore, a mais intacta de todas naquele local, ocultava o que estava por vir com sua cortina de folhas e cipós verdejantes. Tyler sorriu. Era a mesma sensação de apresentar uma peça na escola de teatro. A ansiedade, o medo de erra um único movimento ou fala.

A peça se inicia, as cortinas abrem. Deitada sonolenta e pacífica em seu leito de mármore, a mulher dos longos cabelos negros. Duas grossas lágrimas brotaram dos olhos do galante salvador que desbravou o mundo para resgatar a Bela Adormecida.

— Era você o tempo todo — ele riu e limpou o lado direito do rosto. — Na floresta. No cemitério. Sempre tentando me mandar uma mensagem, ou mesmo uma lembraça de quem eu era e da força que eu tinha.

Os dois corpos estavam bem próximos. As mãos cruzadas no ventre do vestido rosa seguravam um lírio. Alvo sinal de paz entre almas conturbadas e obscuras. O abraço do filho com sua amada mãe foi o mais calaroso possível. Ele precisava daquele ardor. Precisava sentir, uma vez em sua vida, que estava seguro e que finalmente havia cumprido seu objetivo. O suspiro da donzela foi suficiente para acordar o salvador de seu hipnotismo emocional. As delicadas mãos acariciaram o cabelo daquele que ela tanto adorava.

— Eu sabia, você não desistiria — ela sussurrou e lágrimas também caíram de seus olhos. — Chesire foi tão compreensivo quando pediu que me resgatasse. No final, somente seu sentimento mais puro me despertou.

— Aquelas bruxas — ele riu e acariciou o rosto da mãe. — Você não me contou. Nada. Isso doeu, mãe. Me machucou muito.

— Não havia outra alternativa — ela se levantou e ajudou o filho a fazer o mesmo. — Hipnos estava irredutível naquele momento. Não queria quebrar o acordo. No entanto, depois que você entrou em seus domínios pela primeira vez, o senhor dos sonhos percebeu seu potencial.

— Mesmo assim, Perséfone foi capaz de me seduzir — ele rosnou ao lembrar da vingativa divindade. — Me empurrou no cemitério e forjou seu túmulo. Eu sabia, no fundo, que era mentira. Ela havia aprisionado o corpo, mas a essência vagava nesse limbo arenoso. Assim que a patrona de Ayla me devolveu as memórias, eu tive certeza. Poderia encontrar você.

Os dois se abraçaram longamente. O tormento enfim acabara. De alguma forma, eles sabiam que a saída estava próxima. Toda ilha tinha seu limite, ao menos naquele plano. As árvores, aos poucos, convertiam-se em pilares conforme os pés sonhadores buscavam na lama uma maneira de tocar a grama do mundo mortal mais uma vez.

Das pedras, longas plataformas se formavam, encaixando cada pedaço corretamente, como em um jogo de montar e desvendar. O mármore era frio, mas não gelava seus pés. A sensação, naquele santuário, era nula. Como a maioria das coisas que viu durante a travessia com o guia felino. Um portal de enormes proporções se estendia depois de alguns degraus.

— Vá — a mulher sorriu. — Não posso passar por aqui. Meu carceireiro ainda tem assuntos a resolver comigo.

— Mas mãe, eu não posso...

— Seu pai o aguarda, você sabe muito bem disso. — ela encostou uma última vez no rosto de seu filho.

— Justamente, eu ainda não sei se ele vai...

— Acorde, Tyler

***

— Acorde — Xerxes berrava e sacudia o corpo do semideus aos prantos. Seu colar de pentagrama brilhava com o reflexo das velas em cada canto do quarto. — Não é possível, você não pode dormir por tanto tempo.

Estava no chalé de Hermes. O filho de Hécate, os gêmeos, Samantha, Alaric e Leslie rodeavam sua cama. A dúvida tomou conta de sua mente. Aquilo realmente aconteceu? A resposta surgiu da maneira mais inesperada. O brilho de uma lâmina na mesa ao lado de seu leito. A katana faiscava enquanto seu material se movia constantemente. A areia dos sonhos. Ele sabia o que fazer.

arma usada:
O oneiromante: Esta pulseira é feita de um material dourado trançado, cujas partículas parecem sempre em movimento (para mortais comuns, será visto como ouro). Em situações comuns, não possui qualquer efeito, sendo que seus poderes se manifestam apenas enquanto o usuário dorme ou toca alguém dormindo (nesse caso, o usuário se mantém acordado e no mundo "normal" e o contato não deve ser rompido). O primeiro efeito é que seu usuário ou a pessoa tocada por ele sempre saberá em que direção está o "coração do sonho" - região do reino onírico aonde ficaria o palácio de Hipnos e dos oneiros e a origem da areia do sono. Não sabe a localização exata, ou a distância, tampouco os obstáculos. O segundo ponto é uma capacidade de dano/ enfrentamento maior contra criaturas puramente oníricas (ou seja, sonhos e pesadelos que "nasceram" neste mundo, mas não poderes de adormecimento ou relativos, nem poderes de outros sonhadores - pessoas que se encontram no mundo onírico mas que não nasceram/ não pertencem a ele -, ainda que criaturas criadas pelas areias do sono e pesadelos invocados de forma material são afetados mesmo no mundo normal); o dano do persnagem sempre será 20% maior contra estes seres. O terceiro efeito pode ser utilizado apenas uma vez por ocasião, pelo usuário ou pela pessoa tocada: ativando a pulseira ela será capaz de se transformar em uma ferramenta onírica; tal ferramenta é feita de areia dourada e não terá habilidades ou poderes especiais, mas será efetiva contra criaturas/ coisas do mundo onírico; o tipo de ferramente deve ser possível de ser carregado com as duas mãos e pode variar da ocasião ou necessidade - uma chave para abrir uma porta onírica, uma marreta para derrubar uma parede ou uma arma, para um combate - mas após a transformação, o item não se modifica, e nunca terá propriedades especiais; o item também faz efeito sobre outros sonhadores e sua criação dura 3 turnos. [Nível mínimo: 5] [Areia do sono]{Controle sobre material onírico}.

obs:
Primeiro: o gato não mandou que Tyler matasse a cobra. Nos pontos de orientação foi dada a liberdade para encaixar a interação hostil em qualquer parte da narração, por isso ela ficou no final. O objetivo de Chesire era que a mãe do semideus fosse encontrada e acordada. Isso só aconteceu graças ao contato com as lágrimas do garoto.

Segundo: a ordem de cenários segue uma lógica. Primeiro, a selva que Dante enfrentou antes de sua aventura no inferno. Depois, na travessia do Lete, a citação da placa nas portas da grande caverna "Deixai toda a esperança". Em seguida, o deserto que está presente em todas as histórias das Mil e Uma Noites, com suas esperanças despedaçadas e monumentos em ruínas. O pântano representa a instabilidade de uma mente: estar entre o molhado e o seco. O perigo e a segurança.

obs 2:
aproveitei o gancho da missão para citar alguns pontos da minha trama, qualquer dúvida pode ser sanada no histórico do meu personagem da biblioteca e no tópico de DIYs. Obrigado.


Onde: Mundo Onírico Com quem? SonhosPost: 001 Vestindo: Isso


Thanks @ Lilah CG
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Re: ♦ Op de trama: No limiar - o retorno

Mensagem por 139-ExStaff em Dom 28 Fev 2016, 19:19

Olá! Vou falar da parte ortográfica antes, por ser a mais simples/ visível, ok?

Errinhos de digitação: extremamene/ extremamente; dimunia/ diminuía; luminática/ luminária; engima/ enigma; arracada/ arrancadas; inimgo/ inimigo; esar/ estar; atemporar/ atemporal; lembraça/ lembrança; calaroso/ caloroso; carceireiro/ carcereiro.

Concordância: uma ambiente/ um ambiente.

A grafia de Chesire também variou no texto (aparecendo também como Cheshire).

Em outros trechos a palavra não apresentava grafia errada, mas sentido; por exemplo: "Precisava permanecer lúdico" (que deveria ser "lúdico", ma ver que lúdico tem significado totalmente diferente; algo lúdico é algo relativo à diversão, prazer).

O coelho, se a intenção é dizer que ultrapassou o tronco saltando, deveria ser "por ele" - dizer que saltou em um tronco seria dizer que saltou estando sobre ele, ou ao lado dele, dependendo da descrição.

Em alguns trechos, faltou a concordância adequada, esquecendo-se do plural na frase (especialmente na parte que descreve as criaturas).

De escrita, faltou certa transição nas frases - quando encontra a canoa no rio, por exemplo. O uso das frases curtas quebrou a narrativa em pontos em que deveria haver continuidade.

Outro ponto, na queda:

" O rapaz decidiu fechar os olhos. “Não fará mal, esse lugar não vai mudar mesmo”. Eis então que um enorme colchão se aproxima da visão do rapaz. " - Se estava de olhos fechados, como dizer que "se aproxima da visão"?

Em alguns trechos, faltou a pontuação após a fala e, em outra frase, o ponto foi trocado por uma vírgula, enquanto a oração seguinte começou com letra maiúscula.

Agora, vamos à trama/ coerência!

A transição entre realidade e sonho não ficou tão clara, e em alguns pontos deu a entender que o personagem sabia o que acontecia/ conhecia o caminho - mas não deixa claro como teria esse conhecimento, uma vez que ninguém explicou nada antes ("Lá estava sua passagem para a terra difusa e turbulenta que se resumia em duas palavras: Ilha Sonhadora."/ “Então esse é o tal mundo onírico. Estranho. Da última vez que estive aqui, tudo parecia em ordem. Agora as coisas estão esquecidas”. ). Isso também é visto na primeira interação com o gato, que tenta explicar para ser desprezado com "isso é óbvio".

Sobre o Lete: que indicação possuía para saber que era o rio? Você joga a informação, mas não a desenvolve.

Da interação hostil - sendo um sonho, dados do bestiário não precisariam ser seguidos à risca, mas uma observação em off nesse caso manteria a coerência. Como isso não ocorreu, supõe-se os dados base e, pelo bestiário, Quetzacoalt (Couatl) seriam sempre benignos. Já as serpentes Anfípteras são menores, não são inteligentes e vivem em grupo (mas, pela descrição, aparentemente você usou um couatl).

Novamente, na luta, algumas ações ficaram incoerentes (quando é golpeado contra a árvore, a descrição dá a entender que, ou sabia que ela se desmancharia, ou que controlou seu "desmanche").

Em termos de coerência, a espada não deveria durar tanto também (são apenas 3 turnos em uma narrada, logo, ao descrever vários golpes, você induz que passa muito mais tempo do que isso).

Faltou se aprofundar nisso - a descoberto do ambiente ao redor, do seu funcionamento, de como era afetado por ele.

Outra questão: o favor devia ser para a criatura e ela mostraria o caminho. No final, o favor não foi para ela (em nenhum momento foi explicada a interferência do gato ou por quê ele seria ligado à sua mãe para pedir aquilo) e não foi ele que o guiou para a saída.

Esses pontos interferiram um pouco no desempenho final.

Coerência: 140 de 200
Coesão: 80 de 100
Ortografia e Organização: 34 de 40
Adequação e objetividade: 55 de 60

Total: 309 de 400 = 77, 25%

Descontos: - 40 HP, - 20 MP

Recompensa: Fluidez onírica.

Passivo. Em cenários oníricos, o deslocamento do personagem é ampliado em 50%, permitindo que demore menos em explorações e, consequentemente, se canse menos. Isso acontece mesmo que não esteja ciente de que está em um sonho. Não afeta ataque/ defesa ou movimentação de combate. [Evento: Limiar; avaliado e atualizado por ~Eos]
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Re: ♦ Op de trama: No limiar - o retorno

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