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Ficha de Reclamação

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Ficha de Reclamação

Mensagem por Psiquê em Sex 07 Out 2016, 12:41

Relembrando a primeira mensagem :




Fichas de Reclamação


Este tópico foi criado para que o player possa ingressar na sua vida como semideus ou criatura mitológica. Esta ficha não é válida sob nenhuma hipótese para os 3 grandes (Hades, Poseidon e Zeus) devendo os interessados para estas filiações fazerem um teste específico, como consta aqui [link]. Para os demais semideuses, a avaliação é comum - o que não quer dizer que ao postar será aceito. Avaliamos na ficha os mesmos critérios que no restante do fórum, mas fichas comuns exigem uma margem menor de qualidade, mas ainda será observada a coesão, coerência, organização, ortografia e objetividade. Abaixo, a lista de deuses e criaturas disponíveis em ordem alfabética, com as devidas observações.









































































































































Deuses / Criaturas Avaliação
Afrodite Comum
Apolo Comum
Atena Rigorosa
Ares Comum
Centauros(as) Comum
Deimos Comum
Deméter Comum
Despina Rigorosa
Dionísio Comum
Dríades (apenas sexo feminino) Comum
Éolo Comum
Eos Comum
Espíritos da Água (Naiádes, Nereidas e Tritões) Comum
Hades Especial (clique aqui)
Hécate Rigorosa
Héracles Comum
Hefesto Comum
Hermes Comum
Héstia Comum
Hipnos Comum
Íris Comum
Macária Rigorosa
Melinoe Rigorosa
Nêmesis Rigorosa
Nyx Rigorosa
Perséfone Rigorosa
Phobos Comum
Poseidon Especial (clique aqui)
Sátiros (apenas sexo masculino) Comum
Selene Comum
Tânatos Comum
Zeus Especial (clique aqui)



A Ficha


A ficha é composta de algumas perguntas e o campo para o perfil físico e psicológico e a história do personagem e é a mesma seja para semideuses seja para criaturas. O personagem não é obrigado a ir para o Acampamento, mas DEVE narrar na história a descoberta de que é um semideus e sua reclamação.

Plágio não será tolerado e, ao ser detectado, acarretará um ban inicial de 3 dias + aviso, e reincidência acarretará em ban permanente. Plágio acarreta banimento por IP.

Aceitamos apenas histórias originais - então, ao usar um personagem criado para outro fórum não só não será reclamado como corre o risco de ser punido por plágio, caso não comprove autoria em 24h. Mesmo com a comprovação, a ficha não será aceita.

Fichas com nomes inadequados não serão avaliadas a menos que avisem já ter realizado o pedido de mudança através de uma observação na ficha. As regras de nickname constam nas regras gerais no fórum.

Lembrando que o único propósito da ficha é a reclamação do personagem. Qualquer item desejado, além da faca inicial ganha no momento de inscrição do fórum e dos presentes de reclamação (adquiridos caso a ficha seja efetivada) devem ser conseguidos in game, através de forjas, mercado, missões e/ou DIY.



TEMPLATE PADRÃO:
Não serão aceitas fichas fora desde modelo

Código:
<center>
<a href="goo.gl/6qY3Sg"><div class="frankt1">FICHA DE RECLAMAÇÃO</div></a><div class="frank1"></div><div class="franktextim">[b]— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?[/b]

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[b]— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):[/b]

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[b]— História do Personagem:[/b]

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</div><div class="frank2"></div> <div class="frankt2">Percy Jackson RPG BR</div></center>


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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Roan, Justiça Sangrenta em Dom 26 Mar 2017, 21:27


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Por Ares. Desejo fazer um personagem voltado ao combate, mas que procura estar em harmonia consigo e com o mundo ao seu redor. Ter as características de um filho de Ares pode ser legal para mostrar como isso é difícil (ou não) de ser obtido. Fora que combina com a história que criei para o personagem (se for aprovada), e com os poderes dos Vingadores de Nêmesis (se ele conseguir se tornar um).

— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

Características Físicas - Roan tem 1,90 metros de altura, esbelto, tem os músculos bem definidos, apesar de não serem imensos. Seus olhos verdes escuros podem dar a impressão de conter um brilho avermelhado durante combates (treinos marciais até o momento). Sua pele é caucasiana, tendo uma característica saudável. Não é feio mas também não é muito belo.

Costuma usar seu cabelo vermelho da cor do sangue preso em um coque, caso solto ele chega ao meio de suas costas.

Características Psicológicas - Roan tem um temperamento calmo, e devido a sua criação busca praticar a bondade, procurar pela sabedoria e ser um homem justo. Compreensivo, mesmo sabendo de sua história ele não guarda rancor de seus pais, querendo traçar seu próprio caminho no mundo, alcançando harmonia entre o seu interior e o exterior.

Gosta de refletir, meditar e apreciar a natureza, mas ainda assim sabe que apenas quando está lutando é que se sente vivo de verdade.

— História do Personagem:

Roan é o filho de Ares, deus da guerra, com a mais linda filha de Atena, Laguertha. A história que gerou o menino não é nenhum conto de fadas, mas é digna das antigas histórias gregas, que com o passar dos milênios tornaram-se apenas mitos. Devido a sua beleza Laguertha se tornou alvo da cobiça de muitos homens, e até mesmo de alguns deuses, porém esta não sentia interesse no sexo oposto, preferindo se manter casta para no futuro, se tornar uma Caçadora de Ártemis. Afrodite por sua vez sentiu ciúmes da jovem, não pela beleza desta ultrapassar a sua, mas apenas pela mulher estar tirando parte da atenção que ela recebia do deus da guerra. Assim, em toda a sua mesquinharia, Afrodite instigou Ares a fazer o que ele queria, tomar a menina para si. A intenção dela era causar um conflito entre ele e Atena, aumentando ainda mais os problemas entre eles. Essa seria a sua vingança.

Assim, Ares em toda sua impetuosidade tomou Laguertha para si, destruindo os sonhos desta de se tornar uma caçadora. Vale a pena ressaltar que a garota havia sido gerada de forma não assexuada, fruto da união de pensamentos entre Atena e um mortal estudioso. Horrorizada com o que aconteceu, a menina buscou sua mãe para ajudar-lhe a alcançar vingança, mas infelizmente para ela o plano traçado por Atena era um de longo prazo, e a jovem não estava disposta a esperar tanto tempo.

Para a surpresa de todos os envolvidos na situação, a filha de Atena descobriu estar grávida, mas devido a intervenção de sua mãe não foi capaz de abortar o bebê, porem a vingança de Atena começava a ser posta em prática com o nascimento da criança. Utilizando de seus artifícios, e aproveitando que sua própria filha não queria saber do neném, a deusa o escondeu na China de Ares e de todos os outros deuses, mais especificamente em um templo Taoísta nas montanhas Wudang.

Até seus dez anos de idade o menino tinha um dia a dia muito diferente de outras crianças. Ao acordar ele meditava (Tao Yin) e refletia o conceito do wu wei (ação sem ação), e sobe a natureza. Depois vinha o café da manhã e a prática do Quingong (cultivo e circulação de energia). Quando acabava ele limpava o templo e varria as escadas que levavam a este. Parando na hora do almoço ele descansava um pouco antes de começar a praticar o Neigong, uma série de sistemas, desde defesa pessoal e técnicas de combate, incluindo sistemas de respiração, Chi Kung (outro nome para quingong), concentração, controle da ansiedade, domínio do medo. Após a janta ele aprendia sobre a história do Taoísmo e da China, meditava por mais uma hora e iria dormir.

O que os seus mestres não sabiam é que de tempos em tempos o menino recebia visitas de uma linda mulher, que lhe contava histórias de uma terra distante, deuses diferentes, batalhas, traições, heróis. Ela aparecia muitas vezes também em seus sonhos, e com ela ele aprendeu a falar grego e inglês.

Com a sua rotina o menino desenvolveu uma personalidade calma, mas tinha de admitir que era durante a prática das artes marciais que ele se sentia realmente vivo. Por outro lado, refletir o conceito de wu wei sempre foi difícil, e por muitas vezes ele sentia ter compreendido algo, apenas para desentender logo depois. Como ter uma conduta completamente serena? Como não buscar fazer as coisas que saciarão seus desejos? Fazendo apenas o básico? Então qual o motivo de aprender artes marciais em primeiro lugar?

Quanto mais refletia, mais confuso ficava, quão mais confuso mais caótico se sentia, mais frustrado, mais longe da harmonia e mais longe do Tao. Para somar as histórias contadas pela mulher misteriosa, existência que ele não podia comentar com ninguém, vinham frequentemente a sua cabeça, e Roan ansiava por estar em uma dessas histórias, ser um dos heróis, trazendo justiça para aqueles que necessitavam. Vale a pena ressaltar que o pensamento de glória jamais passou por sua cabeça, os ensinamentos do Taoísmo realmente influenciaram a mentalidade do rapazinho, que em suas aventuras fantasiosas era sempre uma pessoa bondosa.

Ainda assim dentro de si existia uma área em conflito, que não se sentia a vontade com toda aquela paz que rodeava o menino, toda aquela busca por harmonia, e essa área era percebida também por seus mestres, que faziam o possível para auxilia-lo rumo a harmonia consigo mesmo.

Os anos passaram e Roan agora com 16 anos era o melhor quando se tratava em artes marciais no templo, não que isso fizesse alguma diferença. Apesar de ainda não ter compreendido o wu wei em toda sua completude, o jovem sentia que faltava pouco para desvendar seus mistérios. Foi nessa idade que a mulher misteriosa, que não o visitou por anos, aparecendo apenas em seus sonhos, o fez uma nova visita. Dessa vez ela lhe contou uma história sobre como o deus da guerra, Ares, havia tomado uma das filhas da deusa da sabedoria Atena, e que desta união havia nascido uma criança que fora enviada para um templo Taoísta no outro lado do mundo.

No momento em que ouviu a história Roan soube que aquela criança era ele. Mas como isso é possível? Perguntava-se. Ouviu a mulher contar sobre um acampamento nos estados unidos onde vários semi - deuses, como eram chamados as crianças dos deuses com humanos assim como ele, e recebeu dela um convite  para ir para lá. Ele teria três meses para lhe dar a resposta.

Durante esse período, por mais incrível que seja, o rapaz compreendeu o wu wei. Foi como se as peças se encaixassem finalmente. Ação sem ação. Não interferir no curso natural das coisas. Ele era um semi – deus, filho do deus da Guerra. É apenas natural que ele vá para o acampamento e conheça outros como ele.

Lembrando-se do Tao Te Ching de Lao Zi, ele conseguiu ir ainda mais além na sua compreensão.

“Se entendermos bem a natureza das coisas e conseguirmos esquecer tudo o que aprendemos que tenta ir contra ela, conseguimos fazer tudo o que é possível, com o mínimo esforço. Porque acabamos por deixar as coisas seguirem o seu curso natural. Não fazemos nada (claramente por nossa vontade própria) mas nada fica por fazer.

Devemos agir de acordo com a nossa vontade apenas dentro dos limites da nossa natureza e sem tentar fazer o que vai para além dela. Devemos usar o que é naturalmente útil e fazer o que espontaneamente podemos fazer sem interferir na nossa natureza. E não tentar fazer aquilo que não podemos fazer ou tentar saber aquilo que não podemos saber. A felicidade é essa "não ação" perfeita (wu wei 無為 ).

Para conseguirmos entender o curso natural das coisas e seguirmos o Caminho, temos que conseguir desaprender muitos conceitos. Para os podermos desaprender, é preciso que, antes, os tenhamos aprendido. Mas temos que passar a um estado muito parecido com o estado inicial em que estávamos antes de o termos aprendido.

Se abrirmos os olhos de repente, há um brevíssimo momento durante o qual o nosso cérebro ainda não analisou o que está a ver. Ainda não distinguiu as cores e as formas nem decodificou o que se está a passar à nossa frente. Os taoistas procuram viver o mais perto possível desse estado. É uma renúncia à análise, sempre imperfeita, da realidade.”

Ou seja, o segredo está em não ir contra a sua natureza. E quem era ele? Filho do deus da Guerra, da personificação da carnificina e dos conflitos. Neto da deusa da sabedoria. Fruto indesejado de uma união forçada. Discípulo taoísta em busca da harmonia.

Qual é a sua natureza? De temperamento calmo, mas que no fundo anseia por batalhas, provavelmente herança do seu pai, Acredita que o ser humano deve promover a sabedoria, ética e justiça. E que faria tudo isso com a menor quantidade de esforço possível.

Quando Atena retornou, ele a avisou de sua decisão. Ele iria para o acampamento, aprenderia o que tivesse para aprender, lutaria se tivesse de lutar, abraçaria sua natureza, conheceria o mundo e o que ele tinha para oferece-lo.

Após se despedir dos monges, que ficaram muito tristes com sua súbita partida, mas deixaram claro que ele sempre teria um lugar para retornar quando a hora chegasse, Atena mostrou-lhe o caminho que deveria seguir para chegar no acampamento. Esse caminho levou 2 anos.

Seguindo sua compreensão do wu wei, o rapaz não forçou seu caminho, deixando-se levar pelo fluxo, e devido a sua inexperiência, rodou o mundo por dois anos, passando por vários apertos, antes de finalmente alcançar seu objetivo. Ao menos agora não era mais tão inocente.

Com 18 anos, Roan se encontrava em Long Island. Seus cabelos vermelhos como sangue estavam presos em um coque, se soltos iriam alcançar facilmente suas costas. Com um metro e noventa de altura o rapaz chamava atenção, pois apesar de não ser de uma beleza sem comparação, também não era feio. Seus olhos verdes estavam calmos, um reflexo de sua mente.

Antes de adentrar o acampamento o rapaz manteve lembrou-se dos dois conselhos dados pela sua avó (já tinha descoberto quem ela era nesse ponto). Tentar se juntar ao grupo chamado “Vingadores de Nêmesis” e não contar a ninguém a relação que ele tinha com ela, nem mesmo o fato de que se conheciam. O que o rapaz não sabia é que sua mãe, Laguertha, havia entrado no mesmo grupo a 16 anos atrás, e agora era uma das manda chuvas, sem nunca ter deixado seu objetivo de se vingar de Ares de lado.


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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Katherine M. Collins em Sex 31 Mar 2017, 22:04


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Afrodite. Além de ter um irmão gêmeo, Fiorella é o mais puro esteriótipo de uma filha da deusa e achei interessante a ideia de trabalhar com isso. Ser uma filha de Afrodite tornaria sua trama mais rica e até mesmo divertida de escrever, fazendo seu desenvolvimento como personagem algo mais cativante do que seria com qualquer outro progenitor divino.

— Perfil do Personagem:

Aparência:

Uma típica garota branca que representa todos os padrões impostos pela mídia em somente um e sessenta e cinco de altura. Olhos âmbar que não expressam nada além de arrogância, corpo curvilíneo quase sempre coberto por roupas de marcas famosas e lábios que soltam mil palavras de pura crueldade para as pessoas em sua volta. Não utiliza coisas como piercings ou alargadores, acredita que são mais ultrapassados que os próprios deuses do Olimpo.

Personalidade:

Como poderia começar a defini-la? Uma pessoa tão esnobe, arrogante e egoísta como Fiorella poderia ter um livro somente para escrever as coisas ruins que fez em todos os seus anos de vida. É da alta classe e não faz questão de esconder, tratando com inferioridade todos aqueles que não tem rios de dinheiro na conta bancária e poderia facilmente ser definida como a típica líder de torcida dos filmes americanos se não fosse muito mais que isso.

Mesmo sendo a futilidade encarnada, é inteligente como o inferno e um verdadeiro gênio da moda. Tem um cinismo proporcional ao seu ego, sendo esse tão grande quanto a fortuna de sua própria família. Está longe de ser uma pessoa agradável, porém isso nada mais é do que o resultado de sua falta de convivência com outras pessoas além de seu irmão.

Por isso, caro leitor, não quero que a julgue de forma errada. Não trate Fiorella como um clichê, pois ela é muito melhor. Ela continua sendo um ser humano, continua tendo suas inseguranças e, por mais que simplesmente finja ter um coração de pedra, é a pessoa mais leal que se pode conhecer.

— História do Personagem:

A vida de Fiorella começou com Gianni Versace, ou pelo menos pouco depois de sua morte. Acredito que você saiba, certo? Que um dos maiores nomes da moda que existiram foi assassinado no dia quinze de julho de mil novecentos e noventa e sete. No entanto acho que não tem conhecimento que, dois dias após o ocorrido seus filhos nasceram.

Sim, ele teve filhos. Dois. Os gêmeos Fiorella e Matteo, nomeados desta forma por sua irmã Donatella. Ninguém compreendia a origem deles, afinal, todos tinham conhecimento da sexualidade de Gianni e não faziam a mínima ideia da identidade da mãe dos futuros herdeiros da Versace. Mal sabiam que ambos eram frutos de um acordo entre ele e Afrodite, a própria deusa do amor.

Obviamente nunca foram tratados bem pela tia, pois quem iria se dar ao luxo de gostar das pessoas que roubariam a herança da empresa que era pra ser de sua filha? Ela os odiava e lhes cobrava o inalcançável, a perfeição. E era isso que os  dois lhe forneciam.

Os noticiários enchiam a boca para falar dos gêmeos, eles sabiam manter a própria imagem e eram tudo o que as pessoas queriam ser. Belos, inteligentes, milionários e gênios da moda assim como o próprio pai. Quem não iria comentar sobre os dois? Nem sempre eram coisas boas, irrefutavelmente, no entanto seus talentos compensaram todos os deslizes cometidos.

Começaram a criar as próprias roupas quando ainda eram muito novos, por volta de seus treze anos, e nunca pararam. Desfilavam com as próprias roupas e seus nomes não saíam da boca do povo, principalmente após o ocorrido mais memorável de suas histórias.

***

Flashes. Luzes. Olhares. Mais um desfile de uma coleção feita por Fiorella em parceria com seu irmão. Ela caminhava pela passarela como se fosse a dona do mundo inteiro, como se nada pudesse abalar suas estruturas. Mal sabiam que a loira só sentia uma vontade incontrolável de vomitar todo o vazio de seu estômago. Não comia há quase uma semana e seu corpo já sentia as consequências, mas tudo pela moda.

— Essa é a última roupa? Está muito bom tanta gente me olhando, mas eu quero voltar pra casa. — questionou a um de seus assistentes, o fitando com apreensão.

— Sim, depois disso você e Matteo estão liberados.

Fechou o zíper do vestido carmim, respirando fundo uma última vez antes de regressar ao desfile. Estava prestes a encontrar o outro Versace e não tinha tempo a perder, até que esbarrou em uma das modelos. Cerrou os punhos com raiva, bufando.

— Por acaso você não olha pra frente quando anda? Que merda. — reclamou com a garota, tendo sua voz tão fria quanto o iceberg que afundou o Titanic. — Peça desculpas.

— Desculpe, não foi a intenção. — respondeu e a Versace simplesmente arqueou uma sobrancelha antes de sair dali. Não queria continuar falando com aquele tipo de gente.

Caminhou até Matteo e entrelaçou seus braços, piscando para o irmão. Ambos estavam magníficos e o símbolo rosa flutuando na cabeça deles praticamente enlouqueceu os críticos na plateia. Mesmo que não fizessem a mínima ideia do que acontecia, simplesmente sorriram e agiam como se tudo aquilo fosse planejado.

Quem não vive no mundo da moda provavelmente nunca entenderá o alívio de estar próximo ao fim do desfile, isso poderia ser comparado a beber um copo de água depois de passar pelo deserto. Também nunca entenderá a humilhação de desmaiar nesse momento ao meio de tantos aplausos e pessoas observando. Bem, foi exatamente isso que aconteceu com Fiorella Versace.

Acordou no outro dia com um tapa de Donatella em seu rosto. Estava deitada no sofá de sua sala de estar, e foi erguendo-se aos poucos antes de receber outro tapa de sua tia para recobrar a consciência definitivamente. Viu a mulher sendo afastada por seu consanguíneo que sentou ao seu lado, estava acompanhado por um empregado que trazia o café da manhã.

— Mais uma vez você estragou tudo! — gritou sua tia enquanto a garota tentava comer em paz. — Era o aniversário de dezesseis anos da morte de Gianni e você conseguiu fazer tudo errado como sempre.

— O que eram aqueles símbolos em nossas cabeças? — ignorou todo o drama da mulher e foi direta ao indagar o que realmente queria saber.

Silêncio. Essa foi a resposta de Donatella que levantou-se do sofá e começou a respirar de maneira irregular. Olhou em volta até confirmar a ausência de qualquer empregado presente naquele cômodo e voltou-se para os dois sobrinhos que a observavam temerosos.

— Vocês precisam ir embora para os Estados Unidos. — Pegou seu próprio celular e começou a digitar algo que os dois não possuíam conhecimento.

— Não sem saber o que está acontecendo antes. — Matteo segurou o pulso da tia e lhe olhou nos olhos, sério.

— Vocês são filhos de uma deusa. Literalmente. Seu pai fez um acordo com Afrodite para que perpetuasse nossa família a todo custo, para que nunca deixasse que os Versace acabassem e em troca ele teve seus únicos filhos com ela. — explicou com as mãos trêmulas, estava garantindo com que os gêmeos fossem para a América o mais rápido possível. — Irei mandar os dois para o Acampamento Meio-Sangue, hora ou outra um monstro pode aparecer e se a empresa for ameaçada por causa de dois mimadinhos eu vou mandar matar vocês. Arrumem suas coisas.

Foi uma questão de tempo até que estivessem nos Estados Unidos dentro de um dos carros que possuíam ali. Encontraram o Acampamento e desde então vivem suas vidas alternando entre o refúgio e sua vida normal. Aprenderam muitas coisas ali, entre elas descobriram que o símbolo de suas cabeças havia sido o momento em que Afrodite admitiu ser a mãe deles. O momento de reclamação.

Esclarecimentos:
O momento de reclamação aconteceu quando os dois tinham dezesseis anos. Maior parte dos detalhes que ficaram confusos aqui foram propositais e serão explicados no futuro.

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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Sebastian H. Rosenberg em Seg 03 Abr 2017, 15:34


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

♜ Why Thanatos?
É um deus que conheci a pouco tempo e me interessei bastante pelo fato dele ser a personificação da Morte, e também me atrai bastante como o PJBR construiu os filhos deste deus, as habilidades, os itens, maravilhoso. Sem contar que é maravilhoso os filhos de Tânatos ter essa aura de medo mas ao mesmo tempo uma beleza invejável.

— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

♜ Personality
Sebastian H. Rosenberg é um jovem tímido, tão doce como mel mas amargo como limão, combina isso de uma forma incrível. Mistura do bem e do mal, sensível e ignorante, isso o torna algo diferente, único pode se dizer. Acredita que tudo que acontece tem uma razão, um porquê, crê no amor mas não no amor para ele mesmo. Independente, sempre está com os pés no chão.

♜ Look
Seus olhos são amarelos como âmbar, sua pele é clara quanto a própria neve, seus lábios são levemente rosados. É alto, medindo por volta de um metro e oitenta, seus músculos não são grandes mas não é magricelo. Costuma se vestir com um suéter cor pastel, uma calça jeans escuro e tênis botinha num tom de preto escuro com detalhes branco e de metal. Seu cabelo tem um tom predominante de castanho escuro mas algumas mechas tem um tom mais claro quase branco. Muitos o consideram bonito mas ele não se importa tanto com isso.

— História do Personagem:


•••
— Sebastian, anda logo, vai se atrasar... de novo.

Chloe Rosenberg é mais uma típica mãe solteira que tem seus trinta e quatro anos de idade, na verdade, exceto pelo fato dela ter se apaixonado por um deus alguns (muitos, tá não muitos assim) anos atrás. Veja bem, não é lá o deus mais temível do Olimpo muito menos o mais famoso mas é bastante amedrontador, os que enxergavam através da Névoa o conhecem como Tânatos, a Morte, os que não tem essa capacidade o conhecem simplesmente como Morte, eu o conheço dessas duas formas e também como "pai". Como eu descobri isso? É uma longa história... Depois eu conto, vamos voltar a falar da mulher que me criou e de mais um dia típico nosso.

— Ah mãe, eu realmente preciso ir pro Acampamento? Sei lá... Não estou muito disposto.

É, eu sou assim, confronto minha mãe, sou o típico adolescente rebelde que toda mãe detesta e tem pesadelos mas no fundo ela sabe que eu a amo e vice versa. Ela me diz que eu sou parecido ao mesmo tempo que não sou com meu pai, jamais vou entender isso mas também não faço questão de entender, ela me diz que sou ignorante e frio como tal mas em alguns momentos sou sensível, impulsivo e rebelde como um dia ela fora, quer dizer, ela ainda é sensível mas nunca a vi ser impulsiva e rebelde.

— Olha aqui garoto! Só por você ser um meio-sangue não quer dizer que eu tenha medo de você não, ainda sei muito bem lançar um chinelo, uma vassoura, um livro, seja lá o que for! — disse ela respirando fundo — Filho, você já está adiando isso faz dias, você precisa ir para o Acampamento antes que algum monstro sinta o seu cheiro.

Eu disse que eu nunca havia visto ela sendo impulsiva e rebelde, não é? Mas não falei que ela não era agressiva, ah, isso ela era bastante quando eu a irritava, e eu sabia fazer isso muito bem. Ouvia seus passos subindo as escadas, seus pés pareciam que estavam pegando fogo e a cada passo parecia que ela botava mais força nos pés a ponto de quebrar os degraus da escada, estranho não? Afinal, ela é uma psicóloga, deveria ser toda zen, toda paz e amor mas não era o que acontecia, pelo menos não quando o assunto era eu, por fim, a gente acabava rindo de toda essa provocação que eu fazia e terminava tudo bem entre a gente.

— Calma dona Chloe, não se irrite.

Dei um salto rápido da cama saindo das cobertas ainda com meu traje de dormir, vulgo cueca, corri até a porta e a fechei rapidamente e girei a chave na fechadura, tranquei a porta, tirei a chave dali e a joguei em cima da cômoda que ficava ao lado da minha cama, deitei novamente, desta vez descoberto, olhava para o teto do meu quarto sem razão aparente, respirei fundo e lentamente fechei meus olhos e comecei a colocar as coisas em ordem na minha cabeça. Um silêncio predominava do lado de fora do quarto, não demorou muito e ouvi minha mãe batendo na porta parecendo que estava querendo esmagar uma peça de carne, depois de algumas tentativas ela finalmente se rendeu e desceu as escadas, estava de certa forma aliviado, desta vez eu realmente havia sentido um pouco de medo da minha mãe. Levantei-me da cama e peguei a chave na cômoda, em seguida destranquei a porta do quarto e atravessei o corredor indo na direção do banheiro, fiz minha higiene matinal e voltei para meu quarto, coloquei minha tradiocional camisa preta de mangas compridas e desci para cozinha me sentando a mesa junto de minha mãe.

— Já não lhe disse para não fazer as refeições vestido apenas com roupa íntima? E esse cabelo? Tá todo despenteado, cruzes. — disse minha mãe fechando a geladeira e colocando algo na mesa que não prestei muita atenção.

— Mas veja só, eu estou com outra roupa além de cueca, veja. — disse parecendo uma criança enquanto levantava os braços para o céu enaltecendo que estava vestido, adequadamente, da cintura pra cima — E quanto ao cabelo, não vamos receber visitas, não preciso deixar ele arrumadinho.

Ela tentou resistir mas por fim acabou soltando uma risada abafada enquanto comia um pequeno pedaço de bolo de padaria, ela alternava entre mordidas no bolo e goladas em seu café, de longe eu era fã de café mas devo dizer que o dela era espetacular. A propósito, eu disse como minha mãe é? Acho que não, né? Bom, ela é uma mulher do tamanho médio, não é tão baixinha quanto a nossa vizinha de baixo, mas não era maior do que eu, seus cabelos eram longos e encaracolados tem um tom lindo de castanho mas algumas mechas de loiro, seus olhos são castanhos escuros e é magra, digo, não é uma tábua de passar-roupas mas não é um bujão de gás ambulante.

Após terminar seu café, ela pegou um papel-toalha e cuidadosamente o passou próximo da boca retirando as migalhas de bolo que ainda havia ali e tomando o máximo de cuidado possível para não borrar seu batom apesar de ser extra matte, levantou se e atirou o papel na lixeira fazendo uma cesta digna de três pontos, segurei o pão na boca e bati algumas palmas em seguida voltei a segurar o pão com uma das mãos enquanto tomava suco, ela estava vestida para ir trabalhar, tinha seu próprio consultório então ia com combinações diferentes todo os dias, algumas vezes eu a ajudava escolher na noite anterior, por mais que não pareça, eu entendia de moda, não muito mas sabia opinar muito bem nos looks da minha mãe, ela tem que estar bonita, afinal, nunca se sabe quando vai aparecer um homem maravilhoso pra ela.

— Até mais, mãe. Bom trabalho. — disse me virando olhando para ela enquanto saía pela porta, ela se virou e apenas deu um sorriso para mim e acenou com a mão, em seguida, saiu pela porta e a trancou, terminei meu café e subi para meu quarto, tirei a camisa e voltei a estar vestido apenas com minha cueca, deitei-me na cama com braços e pernas abertas olhando para o teto novamente, arrastei meu braço direito em busca de encontrar minha cômoda, peguei ali meu celular e meu par de fones e logo o coloquei nos ouvidos, desbloqueei meu celular e fui a minha playlist e a deixei tocando, voltei a ficar com os braços abertos olhando para o teto, respirei fundo novamente e estampei um sorriso no canto da boca.

•••

Eu prometi a vocês que iria contar como eu descobri que sou filho de Tânatos, não é? Então chegou a hora...

Por todas as escolas que eu já passei (devo ter passado por umas quatro diferente só no fundamental) eu nunca estava interessado em realmente aprender o que estavam ensinando, exceto quando o assunto era mitologia grega nas aulas de história ou literatura nas aulas de português, são duas paixões mas que mesmo assim fico com preguiça de me aprofundar mais quando chego em casa, voltando ao que interessa, e por essa falta de interesse eu ficava desenhando e ouvindo música, de início os professores reclamavam mas depois de algum tempo eles já nem ligavam mais para o meu comportamento.

Eu já era um pouco diferente na aparência, eu sempre me destacava na altura, cresci muito rápido no começo da adolescência, meus olhos eram da cor de âmbar e ao contrário da maioria dos garotos da minha idade eu não gostava de esportes, com exceção de vôlei e queimada, e adorava literatura e história. Voltando a aparência, sempre tive uma beleza invejável, meu cabelo sempre tinha um corte perfeito e caía muito bem sobre meu rosto, seus traços e cores, tinham cores como o de minha mãe, era castanho escuro mas com mechas de um loiro e muitas das garotas sempre ficavam me cercando, a princípio me incomodava mas depois aprendi a lidar, bom, aprendi a lidar com as garotas, mas não com seus namorados que sempre achavam que eu estava dando em cima de suas parceiras.

Certo dia eu estava quieto, ainda este ano, no fundo esquerdo da sala desenhando enquanto ouvia música, era mais um dos meus tradicionais desenhos da Morte vagueando por uma floresta em plena lua cheia, ela estava na roupa como sempre é descrita pelos mortais e por onde ela passava deixava um rastro de morte, seja em animais ou nas plantas. Um garoto chegou a mim e me cutucou, era Sean, o Cheroso, ele tinha esse apelido por sempre ficar extremamente fedido depois das aulas de educação física e ás vezes depois do intervalo que era quando podíamos comer, tirei meus fones e parei o desenho e olhei para ele.

— Que foi, Sean? — perguntei com um semblante frio o fuzilando com os olhos.

— Hoje. Na queimada. Você e eu, você vai me pagar. — disse ele tentando soar amedrontador o que falhou.

— Já acabou? Posso voltar a ter paz ou você ainda vai me incomodar? — perguntei dando um tom mais alto na voz mas permanecendo com o mesmo semblante.

Ele se retirou e voltou para sua carteira, como sempre, nossa professora de matemática nem percebeu o que aconteceu, ela era baixinha e gordinha, já devia passar de seus cinquenta anos mas aparentava mais dos sessenta e cinco, seus cabelos eram escuros e estavam amarrado em um coque, estava de costas passando a matéria no quadro. Dei uma olhada ao redor e percebi do outro lado da sala, um grupo de quatro meninas que não paravam de me olhar com um semblante bobo como se estivessem vendo o galã de suas séries.

Algumas aulas depois estávamos na quadra divididos em dois times de garotos que o próprio professor havia dividido, mas para minha sorte (ou não), Sean e seus amigos (que a propósito são tão grandes como ele, eu devo dar o tamanho deles mas eles eram grandes para cima e para os lados, felizmente não cheiravam como Sean), no outro time, que era no qual eu estava, tinha alguns nerds e alguns outros garotos que eram conhecidos por ter habilidades incríveis envolvendo atletismo (só que não), okay, pra variar eu iria ficar no fundo da quadra de queimada apenas desviando da bola evitando as bolas que Sean e seus guarda-costas tentavam atirar em mim com imensa força. Começou o jogo e o time de Sean tinha a bola, ele começou e logo acertou um dos garotos nerds que foi atingido com a bola na barriga e saiu escorregando pela quadra dois metros para trás sem fôlego, ele jogou a bola de volta pra nós e saiu engatinhando tentando recuperar o ar e sentou na arquibancada; deram a bola em minha mão para que eu pudesse lançar, tá certo que eu gosto de queimada, mas me aproximar da linha que divide os campos para lançar e ver que um dos grandões vai segurar e logo jogar no meu rosto não era uma coisa que eu gostava, mas arrisquei, me aproximei da linha do centro e lancei a bola em qualquer direção, a barreira que Sean e seus amigos faziam cobria quase o campo inteiro, logo não era difícil de acertar um e por sorte acertei uns deles era o Zé-Mané, quer dizer, era este o apelido dele no grupinho.

— Pode deixar que vou te vingar, Zé. — disse Sean batendo no peito com tamanha força que parecia querer ficar sem ar.

O jogo continuou e aos poucos percebi que estava sozinho no campo direito da quadra, o jogo era seis contra seis, pra nossa sorte, Sean e seus colegas davam um grupo de seis mas havia sido reduzido a três, sobrando Sean, o Cheroso, Angelo, o Guloso e Jorge, o Lerdo, não entendi como o Jorge não foi atingido por uma bola, ele era lerdo, não sabia se desviar direito, meu time estava reduzido a um e que no caso era eu, a aula já estava quase acabando e o professor decidiu que era hora de terminar logo aquilo, deixou que Sean e seus amiguinhos pegassem uma bola cada um e tentassem me acertar, pois já havia tempo que só eu estava em campo e estava conseguindo desviar bem das bolas. Jorge lançou a primeira e desviei escorregando pra direita, Angelo lançou a segunda e desviei me agaixando, quando olhei pra cima percebi que Sean estava na linha do centro, com sangue nos olhos e a bola na mão, senti que meu coração parou e voltou a bombear aceleradamente, ouvi o zunido da bola passando e notei que ela havia acertado algo que não era eu mas era ao mesmo tempo, pois é, bastante confuso até pra mim, o alarme soou e terminou a aula de educação física, chegamos a conclusão que havia sido apenas algo envolvendo o reflexo do Sol e que Sean realmente errou e o jogo terminou em empate, isto é, nenhum time foi reduzido a zero. Entretanto, eu sabia que não havia sido só o Sol, ou o vento que havia desviado a bola, ele tinha disparado com imensa força na direção exata do meu rosto.

Cheguei em casa ao fim da tarde como sempre e minha mãe já estava em casa, lhe dei um abraço e subi rapidamente para meu quarto para poder descansar.

— Precisamos conversar. — disse quando a abracei e logo subi pelas escadas rumando para meu quarto.

Ela não entendeu bem o porquê disso mas ficou sentada no sofá da sala de estar esperando eu descer, troquei minha roupa e joguei minha mochila em cima da cama e desci e sentei-me ao sofá junto dela e contei para ela tudo que havia acontecido na aula de educação física, de início ela estava normal mas assim que contei que Sean havia me acertado mas ao mesmo tempo não tinha me acertado seus olhos pesaram e ela mordeu os lábios como se estivesse escondendo algo de mim, pra variar.

— Uma duplicata. — sussurrou minha mãe para si mesma como se estivesse lembrando de algo.

— Oi!? Duplicata!? O que diabos você está falando, mãe? — perguntei não entendendo o que ela estava falando.

Ela segurou minhas duas mãos e as colocou em cima de suas pernas enquanto passava seus dedos por elas, ela tentava me contar aos poucos sobre meu pai, eu nunca havia o conhecido e nem fotos dele tinha, aos poucos que ela contava eu sentia um aperto no peito, a voz da minha mãe falhava em alguns momentos e dava algumas pausas como se estivesse recuperando o fôlego.

— Então... Eu sou filho da Morte? — perguntei pasmo ainda tentando ligar os pontos e entender tudo aquilo, ela assentiu com a cabeça — Isso explica o porquê de eu ter vários desenhos dela, algo dentro de mim sabia disso, eu suponho. — disse ainda pasmo olhando para o rosto de minha mãe mas sem focar em qualquer parte da face dela, eu estava distante, pensando, tentando assimilar tudo aquilo — E a duplicata é um dos poderes herdados dos filhos de Tânatos... — ela assentiu novamente e logo me deu um abraço forte me apertando, eu não fui capaz de retribuir, minha cabeça estava a mil, eu era um semi-deus, sempre li sobre mitologia grega e sempre gostei, quando era menor eu sonhava em ser um e agora eu descubro que realmente sou um meio-sangue, e sou filho de Tânatos, a Morte.

Corri para as escadas e subi rapidamente para meu quarto sem tropeçar, tranquei a porta do meu quarto e coloquei meus fones de ouvido, deixei minha playlist tocando e me afoguei na cama, quando me dei conta havia adormecido e só acordei na hora do jantar, fui ao banheiro e tomei um banho pra esfriar a cabeça, voltei para meu quarto e coloquei minha cueca samba-canção e minha camisa preta de mangas compridas, desci as escadas e me juntei a mesa com minha mãe, peguei um prato e me servi do que tinha ali na mesa.

— Está melhor? — perguntou ela enquanto nos servia com suco natural de abacaxi, tinha um semblante triste estampado em seu rosto.

— Ah, claro, exceto pelo fato de eu ser filho da Morte! Eu estou ótimo, não podia estar melhor. — disse em um tom alto e percebi no que tinha falado e olhei para o rosto da minha mãe e percebi como ela estava triste com tudo aquilo — Me desculpe... — respirei fundo — Não é sua culpa, quer dizer, não é culpa de ninguém, vocês se apaixonaram e me tiveram, mas... por que eu não podia saber antes? — perguntei ainda intrigado com aquilo.

— Seu pai uma vez me disse para que lhe contasse apenas quando você descobrisse isso por conta própria, se eu lhe contasse antes você seria mais vulnerável a monstros. assim como qualquer outro meio-sangue que descobre sua identidade, e por mais que seu pai seja a Morte, ele não iria querer um filho dele morto. — disse ela tentando me explicar — Agora que você sabe, deve ir ao Acampamento Meio-Sangue para poder treinar, aqui você estará muito vulnerável.

— Acampamento Meio-Sangue? Esse lugar realmente existe? E se existe, ele fica aqui nos Estados Unidos? — perguntei como um semblante de frustração no rosto.

Ela assentiu com a cabeça e simplesmente paramos com o assunto, jantamos em silêncio e eu ainda ficava com um olhar vasto sem foco, eram mais coisas pra eu assimilar mas aos poucos eu entendia tudo aquilo. Terminei de comer e coloquei meu prato na pia, como sempre, a louça ficava por minha conta e minha mãe foi pra sala assistir um pouco de TV antes de dormir, assim que terminei de lavar a louça, secar e guardar em seu devido lugar, subi as escadas retornando para meu quarto.

— Boa noite, mãe. — disse enquanto subia as escadas calmamente. Cheguei ao meu quarto e me tranquei novamente, tirei a camisa e me deitei, coloquei meus fones novamente, fui para de baixo das cobertas e não demorou muito para eu adormecer.

Tive um sonho um tanto quanto esquisito esta noite, era noite, madrugada na verdade, eu estava em um manto preto, encapuzado caminhando em um lugar que parecia ser de terra, havia uma névoa baixa que me cobria até a altura dos pés, continuei vagando lentamente pelo lugar sem rumo aparente, a névoa se dissipou e percebi que eu estava "passeando" em um cemitério, notei que havia um espelho alguns metros a frente, corri até ele e olhei meu reflexo, não podia ver meu rosto, estava encapuzado, e o manto cobria todo meu corpo, retirei o capuz e fiquei perplexo com o que vi, eu estava mais pálido que o comum, notei que em minhas costas havia uma grande lâmina quase tão curva como a meia lua, coloquei as mãos nas costas e puxei tal lâmina e percebi que era uma foice, sua lâmina era prateada como a lua e seu cabo era de uma madeira escura, estava perplexo com tudo aquilo, notei que em meu dedo médio da mão direita havia um anel de ferro com uma grande safira negra incrustada representando uma caveira. Em seguida, uma duplicata de como eu estava hoje cedo na aula de educação física (suéter branco, calça jeans preta, tênis All Stars botinha, preto com detalhes em branco) surgiu ao meu lado.

— Aceite o que você é, aceite o que somos, Sebastian. — disse a duplicata enquanto levantava a mão e tocava meu ombro, assim que senti seu toque eu acordei.

Acordei em um sobressalto, estava ofegante, olhei para os lados e saltei da cama indo em direção do espelho, eu estava normal, pelo menos ainda estava, senti que aquele sonho era real.

E foi assim que começou a minha vida como filho de Tânatos.

•••

Após adiar por alguns dias, finalmente chegou o dia de eu ir para o Acampamento Meio-Sangue antes que monstros que me alcançassem em minha casa e acabasse devastando o lugar. Acordei com minha mãe me avisando que já era hora de me levar pra lá, me levantei da cama e fui para o banheiro fazer minha higiene matinal, voltei para o meu quarto e me troquei, desci para a cozinha e tomei meu café da manhã e fomos para fora. Entramos no carro de minha mãe e não demorou muito para que começassemos a sair dali, demorou mais do que eu esperava mas fomos conversando no caminho, o assunto? O de qualquer mãe quando leva um filho pra dormir fora "juízo", "toma cuidado", "passe o filtro solar", blábláblá, mas sabia que ela queria o meu bem.

Ao chegarmos, subimos a Colina Meio-Sangue, avistei uma grande árvore, um pinheiro para ser específico, era o pinheiro de Thalia, filha de Zeus, é uma história complicada. Ao chegarmos ao topo da colina avistei um homem que vinha trotando em nossa direção, sim, trotando, da cintura para cima ele era um homem comum que parecia ter um pouco mais de cinquenta anos, vestia uma camiseta laranja que aparentava ser do Acampamento e da cintura para baixo era um cavalo, de acordo meu conhecimento, era um centauro.

— Sebastian Heartflower Rosenberg? Estava lhe esperando... faz alguns dias. — disse o centauro me cumprimentando, não fazia ideia de como ele sabia meu nome mas algo me dizia que tinha dedo da dona Chloe no meio disso.

Assenti com a cabeça que ele havia acertado meu nome e em seguida olhei para minha mãe, com um gesto com as mãos ela indicou que eu poderia ir, que estaria em boa companhia, antes de ir, lhe dei um abraço forte e demorei para soltá-la.

— Vou sentir sua falta, mãe. — disse com os olhos fechados segurando para não me derramar em lágrimas.

— Você será muito bem recebido aqui, Sebastian, o Acampamento Meio-Sangue lhe acolherá de braços abertos independente de seu progenitor divino. — disse o centauro tentando me consolar provavelmente já sabendo que sou filho da Morte.

Desci a colina na companhia do centauro, estávamos conversando sobre o Acampamento, eu fazia diversas perguntas a respeito do lugar, afinal, já tinha lido bastante sobre mitologia grega, olhei para trás e lá estava minha mãe me observando, acenei para ela e o gesto foi retribuído, por um momento senti um aperto no peito mas ao mesmo tempo senti um alívio, ficando longe de minha mãe eu não iria atrair nenhum monstro que pudesse nos atacar e eu não queria que nada de mal acontecesse a ela.

Observação ♜:

♜ PS
Já solicitei a troca de nick (link) porém ainda não foi feita;
Sebastian foi reclamado aos 16 anos.
Percy Jackson RPG BR



Sebastian H. Rosenberg
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Lilian Esmé em Ter 04 Abr 2017, 11:46


 
FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

 A deusa escolhida foi Melinoe, deusa dos fantasmas. Depois de fracassar como Dríade eu decidi optar por uma ficha mais criteriosa justamente para forçar-me a conseguir um resultado melhor no quesito de narração sem perder um enredo da personagem que será deveras interessante.

 — Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

Lilian não é um tipo de garota normal. Não por causa de seu TDH e nem pela dislexia. Ela é mentalmente perturbada devido a sua descendência o que lhe causa alucinações. Para ela, nada na vida interessa, pois acredita que aquilo tudo irá acabar no grande final. É incontrolável, insensível e sempre tenta se mantiver indiferente a tudo e todos. Possui segredos que até mesmo ela se assusta ao lembrar, porém não possui remorso algum. Já que passou a maior parte de sua vida presa em seu quarto, suas alucinações variam de monstros para demônios, o que são quase a mesma coisa. Lilian não possui habilidades básicas de comunicação e muito menos teve contato com o mundo exterior até os seus dezesseis anos, por isso é extremamente complicada e de índole duvidável.

Possui um físico comum, cabelos negros como a noite e pele branca como a neve. Seus olhos são fundos e é extremamente magra para a sua idade, dando-lhe um ar medonho. Suas feições são bem traçadas em seu fino rosto e marcas de abuso sempre podem ser vistas nos braços da garota que tenta esconde-los com seus trajes longos e fechados.


 — História do Personagem:

Meu nome é Lilian e essa é a história de como eu morri.

Tudo começou numa noite fria de inverno na Downtown Avenue de Los Angeles. Jhonnatan Esmé era um homem de negócios que havia caído de paraquedas em L.A durante uma das migrações da Coreia. Ele havia trabalhado no exército coreano por anos, servindo a pátria e tendo visto coisas que nenhum homem tinha visto na América ocidental. Destruição, caos, guerra, ditadura... Tudo isso estava gravado na mente de Esmé que decidiu ao auge de seus trinta e dois anos deixar o país às pressas.

Jhonnatan atravessou o oceano rumo a América onde finalmente encontrou refúgio e um porto seguro para recomeçar a vida. Ele havia usado todas as suas economias e seus serviços prestados para alugar um pequeno edifício na parte baixa de L.A, abrindo seu negócio que seria muito lucrativo de acordo com as expectativas. Uns hotéis simples para abrigar pessoas desamparadas que chegavam de outros países ou simplesmente precisavam de um lugar para ficar; esse era o propósito do homem que ali começaria o seu plano futuro.

As coisas deram certo a inicio: bancos auxiliaram financeiramente, hóspedes decidiam ficar no hotel por alguns dias e a economia que até então estava quebrada começava a crescer. Tudo estava bem, até que a aparição aconteceu. Jhonnatan nunca havia se questionado o motivo de ter pagado tão pouco numa propriedade comercial tão grande e quando ele resolveu questionar já era tarde demais.

Os primeiros hóspedes — uma família de imigrantes espanhola — haviam sido mortos da noite para o dia em seu próprio quarto. O casal de idosos havia sido destripado até a morte enquanto os dois filhos novos se jogaram da janela do nono andar. Este havia sido o primeiro ocorrido na época e chocado, o proprietário recorreu as autoridades em busca de respostas, sem sucesso algum.

Inexplicavelmente mais mortes aconteceram ali com mais e mais frequência. Suicídios, assassinatos inexplicáveis, tudo... O legado e esforço de Jhonnatan começavam a cair a cada dia com seus hóspedes abandonando o local com medo da morte, afinal, quem gostaria de dormir e acordar sem vida? Desesperado e sem opções Esmé decidiu investigar o passado do edifício. Numa vistoria nos interiores do prédio ele identificou que o porão do local estava repleto de vigas de madeira cruzadas entre canos do encanamento. Ele havia deduzido na época que seriam apenas vigas de sustentação, mas estava enganado.

O solo era sagrado até a colonização americana. Uma tribo nativo-americana residia ali e de acordo com as histórias registradas nos livros de história da biblioteca central, uma maldição existia para aqueles que buscassem refúgio em um local sagrado. Tudo se encaixou perfeitamente: as mortes, o barateamento e tudo mais. Jhonnatan havia comprado uma propriedade amaldiçoada e agora sentia-se de volta a Coréia; preso a uma desgraça eterna.

Esmé não se deixou abalar. Ele procurou ajuda nos mais diversos tipos de locais de L.A, recorrendo desde ciganos a místicos e até ilusionistas. Nenhum conseguia tratar do caso do Hotel Cecil. Jhonnatan já estava perdendo as esperanças quando havia decidido agir por conta própria. Sozinho no hotel tarde da noite ele tentaria entrar em contato com a antiga civilização que o amaldiçoava.

A neve caia do lado de fora do edifício e o vento forte atingia as janelas do hall de entrada do pequeno hotel Cecil. Todo o salão estava escuro, imerso na penumbra que se esvaía apenas no centro do mesmo devido a pequenas chamas alaranjadas sobre algumas velas, três no total. Jhonnatan estava ajoelhado frente às objetos e sua expressão era de puro terror, como se estivesse de volta à guerra. Ele tremia e mal conseguia segurar uma pequena cruz de madeira na mão esquerda que logo caiu contra o piso de linóleo emitindo um ruído. O silêncio foi quebrado pela voz rouca do rapaz que em lágrimas falava consigo mesmo.

“Se vocês estão aí, por favor, me ajudem. Eu lhes imploro. Venham a meu chamado.”

Ninguém respondeu o que levou o homem ao desespero. Ele tocava a cruz com a ponta dos dedos e forçava a voz ainda mais.

“Eu lhes ofereço qualquer coisa, só me deixem em paz! ME AJUDEM! POR FAVOR!”

Ele gritou as últimas palavras, curvando-se para frente em prantos. As lágrimas geladas caíam por seu rosto rumo ao solo que agora se iluminava em uma luz incandescente esverdeada. Jhonnatan se afastou assustado e crente que talvez houvesse dado certo seu contato. Pequenas ondas fantasmagóricas surgiram do piso, tomando uma forma humanoide de meio metro de altura. Ela se dividiu, exibindo-se como uma meia dúzia de fantasmas translúcidos. Índios em roupas rasgadas e até mesmo animais selvagens estavam ao redor do homem que vibrava de emoção.

“Me ajudem, por favor! Eu só preciso que isso dê certo!”

“Você deve sofrer. Este local é sagrado e todo e qualquer homem que residir deve sofrer” A voz fantasmagórica parecia ainda mais assustadora.

“Por favor... Eu vos imploro... Eu faço qualquer coisa... Qualquer coisa...”

O silêncio tomou conta do local e Esmé encarou os fantasmas que pareciam congelados agora. Dentre eles, sobre o ar uma mulher havia surgido. Ela era composta pelo mesmo material dos fantasmas, porém, seu corpo parecia oscilar entre as formas. Seu vestido branco longo uma hora translúcido pairava no ar e seus longos cabelos negros também. Seu olhar era vazio e sua boca podia ser vista a distância devido a coloração vermelha. A mulher era assustadoramente sedutora e planou até tocar o chão, fitando o homem antes de questiona-lo.

“Você faria qualquer coisa para salvar este lugar sagrado?”

“Qualquer... Coisa... Quem é...” Disse Jhonnatan, boquiaberto.

“Eu posso lhe ajudar, mas quero algo em troca. Sua alma. Se me entregar sua alma, esta lugar estará livre da maldição, porém, você estará condenado para sempre.”

“Eu... aceito”. O rapaz respondeu sem hesitação.

“Você não teme a morte, mortal?” Questionou a deusa.

“Eu já... Eu já vi a morte... Todo santo dia... Eu só... Quero uma segunda chance, chance...”

Melinoe franziu o cenho, encarando fixamente o homem que continuava a tremer caído em seus pés. Ela fez um gesto com as mãos, liberando os fantasmas da aldeia de sua paralisia. Eles gritavam para que ela parasse pois iria interferir em toda uma civilização e crença. A deusa apenas acenou mais uma vez e todos eles se dissolveram no ar.

“Antes da sua crença, existe uma hierarquia. E nesta, eu sou a rainha absoluta. A rainha dos fantasmas.”

Melinoe voltou a atenção ao rapaz.

“Você tem coragem e bravura. És o primeiro mortal a me impressionar com tamanha vontade... Eu livrarei seu recinto e em deixarei viver... Mas saiba que o seu futuro não será como imagina. Eu não posso interferir em crenças distintas diretamente, mas posso direciona-las... Você aceita o trato, Jhonnatan?”

Jhonnatan se encolheu, abraçando as pernas contra o abdome e abaixou sua cabeça antes de responder a rainha doas fantasmas.

“Eu aceito”

Esmé havia feito um trato com Melinoe que simplesmente o violou naquela noite. Ela cessou a maldição, trazendo prosperidade e limpando toda a reputação do hotel Cecil por anos. Jhonnatan havia finalmente se livrado de todo o tormento — ou achava que tinha — até a noite de 26 de setembro, a mesma data da firmação do trato com a deusa. Todo o hotel estava desacordado e silencioso quando um choro pode ser ouvido. Os funcionários despertaram, correndo em busca da origem da lamentação entre os cômodos internos da dispensa. Uma das cozinheiras finalmente havia encontrado: um bebê estava enrolado sobre um manto cinza no chão de um dos banheiros dos funcionários. Ela comunicou então a Jhonnatan que a inicio achou ser apenas uma criança desaparecida, mas logo entendeu.

Melinoe havia cessado a maldição e a passado para a próxima geração da família de Jhonnatan que era meu pai. Revoltado, ele tentou chamar a deusa mais uma vez, sem sucesso e em fúria tentou me asfixiar. Milagrosamente, ele fora impedido pelos subordinados que me salvaram e garantiram a minha segurança por algumas semanas. Esmé decidiu então trancafiar-me em um dos quartos do hotel — 316 — onde eu não teria acesso a ele e muito menos aos hóspedes. Ele tinha medo da maldição destruir seu império e encarregou seu melhor funcionário de minha supervisão.

Lillith Crayne era uma idosa de 70 anos que trabalhava para meu pai por pelo menos meia década. Ela passou uma boa parte da vida cuidando para que eu nunca deixasse o quarto, presa para sempre ali e sendo impedida de viver. Lillith havia me ensinado a andar, falar e me comportar como uma pessoa normal. Ela também lia livros e histórias de como o mundo era fora do quarto: uma grandiosa civilização moderna em ascensão ao futuro e isto me deu esperanças para crer que um dia eu sairia dali.

Todas estas esperanças foram massacradas quando Lillith partiu. Era muito cedo e a velha adentrou no quarto escuro onde eu estava. Ela carregava consigo uma bandeja com alguns alimentos para o meu café da manhã restrito a uma dieta a base de brioches e água potável. A porta havia se fechado as suas costas e ela assustou-se, derrubando toda a comida no chão de madeira já apodrecida. Ajoelhada e limpando tudo com o próprio vestido, Lillith fora atingida com um candelabro na nuca. O objeto planou no ar, arremessando a si próprio contra a cabeceira da cama onde eu ainda dormia. Algumas horas se passaram e só então eu despertei, deparando-me com a única pessoa qual se importava morta em meus pés.

Eu gritava em desespero, segurando seu rosto enrugado sobre as pernas e com as mãos clamava para que ela voltasse. Alguns minutos chorando e a voz dela ecoou no quarto.

“Lilian. Não chore, meu bem.”

“Lillith! Onde você esta?”

“Me escute. Você precisa se acalmar. Se não, eles irão perceber e vir atrás de você, como fizeram comigo”.

“Como assim? Eu não entendo. Quem virá, Lillith?”

“Você é uma menina tão doce... Não merecia passar por tudo isso. Eu sempre acreditei em você, sendo uma filha pra mim... Lembre-se: você deve manter o controle e...”

A voz da idosa sumiu repentinamente, deixando apenas o silêncio tomar conta.

“Lillith! O que houve?”

“Ela não pode te ouvir.”

“Quem está ai?” Questionei assustada.

“Seus amigos. A razão do seu viver” As vozes se misturavam em um tom macabro enquanto formas  etéreas surgiam no quarto. Elas tomavam forma lentamente até exibir figuras humanas que pareciam indígenas.

“O que...”

“VOCÊ DEVE PAGAR PELOS ERROS DELE. SEU MONSTRO! MORRA!”

As vozes gritaram e todos os móveis do quarto começaram a se movimentar de um lado para o outro. Roupas e malas começaram a pairar no ar, girando violentamente em todas as direções. Joguei para o canto do quarto enquanto todas as figuras se aproximavam com suas garras a mostra. Minha cabeça latejava e todo meu corpo parecia estar se decompondo quando uma única voz fez com que tudo parasse.

“Vá, meu bem. Você é meu legado. Tens todas as armas que precisa, agora lute!”

Meu corpo se eriçou e todos os espíritos pararam por um instante, chocados. Um símbolo brilhante surgiu acima de minha cabeça enquanto meus olhos também se iluminavam. Minha voz se carregou de poder, sendo escutada em alto e bom som.

“Pra trás, almas penadas. Eis aqui o legado de Melinoe, a Rainha dos Fantasmas. Desapareçam!”

A última palavra havia ecoado num tom mais alto, ampliando em área e cessando todas as aparições do quarto que em questão de segundos voltou a se tornar silencioso. O último vislumbre qual me recordo era o de sentir todo o poder esvair-se junto a meu corpo que desabou contra o chão e meu pai arrombando a porta para verificar se estava tudo ok.

E claro, eu não estava bem.



Considerações/Ler:


Eu espero que tenha sido agradável ler a ficha e realmente me empenhei mais na história da personagem que tem tudo para ser boa. A história é inspirada na maldição real do hotel Cecil (inclusive o prédio, o local e demais informações foram retiradas da maldição real!) que pode ser lida aqui neste link. Obrigada! https://misteriossemexplicacao.wordpress.com/2013/11/10/a-maldicao-do-cecil-hotel/
 
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Zoey Montgomery em Ter 04 Abr 2017, 22:35


Avaliação


Andrea M. Lyserg - Aprovado
Bom, bom, o que dizer? Sua ficha, apesar de uma história breve, foi muito bem encaminhada no objetivo da ficha: sua reclamação. Não vejo motivos para lhe reprovar, sendo que sua escrita foi bem elaborada. Meus parabéns e bem vindo!

Roan, Justiça Sangrenta - Não Reclamado
Migo, olares :>
Seguinte, antes de postar sua ficha, peço que ajuste seu nick, deixando-o com nome e sobrenome neste link bem aqui. Ai você reposta sua ficha, ok? Até lá, boa sorte <3

Fiorella Versace - Aprovada
Bom, bom, o que dizer? Sua ficha foi simples, mas sua escrita é fluida. Em personalidade sua personagem é uma típica filha de Afrodite, e espero acompanhar mais de seus textos em sua estadia pelo acampamento. Bem vinda!

Sebastian H. Rosenberg (Kira Lux) - Aprovado
Olá jovem :>
Bom, o que dizer sobre sua ficha: seu jeito de reclamar seu personagem foi diferente geralmente as pessoas usam os símbolos de seus parentescos divinos :v
Foi uma boa história, deveras interessante e que me instigou a continuar lendo até o final. Bem vindo!
Obs.: Foi pedido a mudança de nome. Favor alterar.

Lilian Esmé (Cath Lins) - Aprovada
Uma história deveras interessante, srta. Esmé, principalmente somado à maldição do lugar. Foi um post bem elaborado e bem escrito, com uma história desenvolvida. Bem vinda!

Aguardando atualização

Em caso de dúvidas ou reclamações, estou disponível.
Eu avaliei enquanto escutava o Yakko Warner cantar os nomes dos países, então desculpem qualquer coisa q
E Sil, valeu o template qq
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Hécate em Qua 05 Abr 2017, 11:31



Atualizado!







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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Austin Orchid em Dom 09 Abr 2017, 01:45


FICHA DE RECLAMAÇÃO
✿ Por qual deus deseja ser reclamado/qual criatura deseja ser e por quê?
Perséfone. Gosto bastante dela em geral, sua história, o fato dela ser deusa da primavera, o fato de que ela é maravilhosa mas sabe usar um salto pra matar. Gostei da forma que o fórum construiu os filhos delas e vai ajudar pra criar meu personagem.

✿ Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

— Físicas
Alto, medindo um metro e oitenta e dois, é magro, pesa sessenta quilos, corpo definido, seus músculos são levemente avantajados. Sua pele é clara o que realça seus olhos azuis, seu cabelo é arrepiado e tem um tom de castanho que gera uma harmonia entre sua pele e seus olhos, seus lábios são levemente rosados. Costuma se vestir com camisa sem mangas acompanhado de um blazer, calça na maioria das vezes escuras e tênis preto botinha com detalhes em metal.

— Psicológicas
Austin esbanja sua simpatia e carisma demonstrando ser uma pessoa extrovertida e em boa parte do tempo, uma pessoa feliz e bem humorada. Divertido, sempre buscando contagiar os outros com sua alegria; paciente e inteligente, Austin sempre procura o melhor momento para executar suas ações, sejam elas em combate ou fora deles.

✿✿✿

✿ História do Personagem:
Nico Orchid é só mais um pai solteiro que teve um fruto de um amor proibido, tem seus trinta e nove anos de idade, desse amor proibido nasceu a minha pessoa, Austin Orchid, só que essa relação não foi proibida só porque eles me tiveram ainda solteiro e sim porque minha mãe é uma deusa, literalmente uma deusa, aquelas da mitologia grega, pra ser mais específico, sou filho de Perséfone, a deusa da primavera logo ela é deusa em vários sentidos, nos livros diz que ela é bela, não tanto quanto Afrodite, mas bela o suficiente para seduzir qualquer homem. Perséfone não é muito popular assim, fora a sua beleza, ela é conhecida também por ter sido presa no Submundo por um bom tempo. Como eu descobri que sou filho de Perséfone? É uma história engraçada, mas daqui a pouco eu conto, vamos falar um pouco mais da minha vidinha junto do meu pai no Canadá.

✿✿✿

— Austin, estou indo pro trabalho, toma cuidado e cuide bem das nossas flores.

Meu pai é professor de biologia em uma das escolas particulares de ensino médio no Canadá. É um homem com um tamanho médio, um metro e setenta e seis, pesava pouco mais do que eu mas não tinha a famosa barriguinha de chopp, seus cabelos eram lisos e castanhos como o meu mas já tinha alguns fios grisalhos que não eram muito perceptíveis. Foi um grande pai pra mim, me educou e me deu carinho sem faltar dinheiro para nos dar conforto.

— Tudo bem pai, pode deixar. Bom trabalho.

Ainda era manhã, por volta das nove da manhã, mas a escola em que meu pai dava aula era quase do outro lado da cidade então ele demorava pra chegar até lá, e ainda revisava sua aula no tempo que sobrava.

Levantei-me da cama, estava vestido apenas com uma cueca branca e camisa preta sem mangas, fui até a cozinha ainda sonolento e abri a geladeira em busca de algo para eu devorar, fiquei alguns segundos olhando para a geladeira sem saber o que procurar e por fim peguei um iogurte e fui para a mesa, comi dois pedaços de bolo enquanto tomava meu iogurte. Ao terminar a refeição, cheguei a cadeira para trás e estiquei minhas pernas bocejando enquanto passava a mão direita pela minha cueca, subindo para a barriga.

— Tanta coisa pra fazer, mas tanta preguiça. — disse passando a mão em meus cabelos enquanto bocejava.

Fui até o banheiro e fiz minha higiene matinal, lavei o rosto e fiquei encarando o espelho enquanto arrumava o meu cabelo que mais parecia um ninho do que cabelo. Fui até a sacada do apartamento e apanhei o regador, o enchi com água e molhei as plantas que plantamos em pequenos vasos. Fui até a sala e liguei o nosso hometheater e coloquei na minha playlist, assim que a primeira música começou a tocar eu comecei a arrumar o apartamento inteiro, terminei de arrumar a casa inteira no meio da tarde, era pouco mais de três horas da tarde, me joguei no sofá e suspirei, aliviado.

Fiquei jogado ali no sofá com uma almofada atrás da cabeça, estava com o braço esquerdo tampando o rosto enquanto ouvia minhas músicas, quando percebi eu havia adormecido e acordei algumas horas depois com o meu pai chegando do trabalho, ao acordar, fiquei assistindo televisão enquanto meu pai me contava como havia sido o dia dele na escola, nunca estava estressado, sempre dizia que as salas na qual ele dava aula eram maravilhosas e não tinha problema algum com os alunos.

Novamente fui até o banheiro e tomei meu banho para me livrar daquele sono, após isso fui para meu quarto e me troquei e em seguida voltei para a cozinha e comecei a preparar o jantar enquanto meu pai estava avaliando os trabalhos de seus alunos, assim que terminei nos jantamos juntos e após terminar a refeição eu lavei a louça e fui para meu quarto dormir enquanto meu pai ficou na sala ainda avaliando os poucos trabalhos que restava. E assim eram os dias no Canadá junto do meu pai.

✿✿✿

Eu havia dito que iria lhes contar como eu descobrir ser um semi-deus, não é? Bom, está na hora de contar então.

Era mais um dia comum na minha escola, eu sentava na última carteira da parede esquerda (que era a parede da porta) ao lado do armário da professora do primeiro ano do fundamental que era de manhã, e na minha frente sentava a minha melhor amiga naquele recinto, Sophie Oaks, a primeira aula era de artes e por isso nem nos incomodamos, ficamos conversando a aula inteira. A última aula do dia, a sexta n ocaso, era de educação física e já havíamos sido avisados que seria futebol de salão então nem me empolguei, setenta porcento (talvez mais) da minha turma era constituída por garotos, e a maioria deles são fanáticos por esporte, principalmente futebol de salão e basquete, isso de longe me interessava e por isso eu não me enturmava com eles.

As aulas foram passando, e eram poucas que Sophie e eu dávamos alguma atenção para o que o(a) professor(a) explicava. Após a terceira aula temos meia hora de intervalo para podermos descansar e ficar livres dos professores um pouco, e também, conversar com os alunos de outras salas, eu e Sophie nos mantínhamos em um canto isolado e ouvíamos música no telefone celular dela, por sorte tínhamos o mesmo gosto musical o que enrijecia o laço de amizade que mantínhamos.

Chegada a sexta aula, nos dirigimos para a quadra, o colégio era imenso, era um daqueles colégios particulares que mães e pais sonham para seus filhos, os garotos e garotas que iriam participar do jogo foram para o vestiário se trocar, como eu e Sophie não iríamos fomos direto para a quadra e ficamos em uma das mais altas fileiras da arquibancada, a quadra é como uma de basquete, mas tem gols para poderem jogarem futebol de salão e pequenos buracos no meio da quadra para poderem colocar o suporte para a rede de vôlei, havia também a piscina de natação que ficava no externo do colégio. Algumas outras garotas, metidas e entojadas, também não quiseram participar mas nem nos preocupamos em conversar com elas, afinal, não gostávamos das Mentojada, nome que Sophie deu para o grupinho delas.

Sophie e eu ficávamos conversando sobre assuntos aleatórios, muita das vezes era músicas e garotos (me esqueci de mencionar que sou assumidamente homossexual), algumas vezes nós virávamos nossa atenção ao jogo e sempre ocorria alguns pequenos acidentes que nos fazia dar risada, na maioria das vezes eram chutes que iam extremamente errado ou quando alguém caía.

Por fim, a aula acabou e os garotos e garotas foram para o vestiário se lavarem, o restante estava liberado, eu, junto de Sophie, fui até a sala e peguei minha bolsa, caminhamos até o corredor principal e fomos em direção a saída, ela pegava um caminho quase igual ao meu, porém, hoje eu iria dar uma volta nas redondezas da cidade, ver um pouco a vegetação do Canadá.

Avisei ao meu pai que iria chegar um pouco mais tarde, ele concordou e disse que me esperaria para o jantar, já que ele é um desastre na cozinha. Fui em direção a um bosque que era livre de animais selvagens que pudessem atacar os moradores das redondezas, me aproximei de uma árvore e coloquei a minha bolsa como um travesseiro e me deitei, fiquei observando ali o pôr do sol enquanto respirava o ar mais leve e puro do local.

Tudo estaria ótimo se não fosse por uma criatura estranha que desceu em rasante na minha direção, quando percebi eu rolei para o lado e ela passou reto caindo na terra, mas rapidamente se levantou e se limpou da terra que havia em suas asas, parei para observar melhor, era uma mulher com feições de aves de rapina, ao invés de braços ela tinha asas como de um pterodáctilo, seus pés era como de uma águia,  e seus cabelos eram extremamente mal cuidado, ela abriu sua boca (esta qual tinha presas amareladas, imundas) e emitiu um grito na minha direção. Levantou voo mais uma vez e repetiu o movimento anterior, desta vez eu estava parado no chão, assustado sem saber como reagir, ela desceu em um rápido rasante e veio mostrando suas presas em minha direção com um semblante perverso, entretanto, algo que eu não reconheci de imediato a atingiu e a jogou contra uma das árvores com grande impacto.

Quando percebi, era um garoto que devia ter minha idade, ele vestia trajes informais, um short jeans desfiado, uma camisa de manga curta branca e por cima um blazer preto que estava até metade do braço, usava um gorro preto e tênis preto com detalhes em branco e metal, ele estava com uma espécie de foice em mãos, a criatura alada se levantou e foi na diretriz do garoto que acabara de me defender, ele simplesmente cravou a lâmina de sua foice no peito da criatura e ela se desintegrou. O garoto se aproximou de mim e eu senti meus olhos pesarem e minha vista ficar escura, meu corpo parecia mais pesado e quando percebi, havia ficado desacordado.

Quando recobrei a minha consciência fui abrindo meus olhos lentamente, ainda pareciam pesados, minha vista estava embaçada e parecia que tinha pontos prateados e pretos dançando na minha frente, fiquei piscando algumas vezes tentando fazer com que aqueles pontos sumissem e minha visão ficasse melhor, consegui após muitas tentativas, eu estava no banco direito da frente do carro encostado na janela, virei minha cabeça lentamente para a esquerda e notei que havia uma pessoa, o analisei, de forma lenta, dos pés a cabeça, percebi que era o garoto que me salvava pela suas roupas, ao notar seu rosto com maior precisão e desta vez sem estar com a vista embaçada ou estar sendo atacado por um monstro percebi que ele era no mínimo atraente, provavelmente eu enrubesci, rapidamente virei meu rosto para a minha janela para não mostrar isso.

— Para onde está me levando, afinal? — perguntei com a cabeça encostada na janela do carro.

— Acampamento Meio-Sangue. — disse-me ele sem tirar a atenção da estrada.

— Oi!? Este é o lugar em que filho dos deuses gregos ficam, não? Bom, pelo menos foi o que eu estudei. — disse espantado.

— Então você estuda mitologia grega, já é um bom começo. — disse o garoto ignorando a minha pergunta — E por acaso você sabe que criatura foi aquela que lhe atacou?

— Ahn... acho que não, deixa eu tentar me lembrar, estou com um pouco de dor de cabeça. — disse esfregando a mão esquerda no rosto tentando me recordar da aparência da criatura enquanto tentava assimilar ela com as descrições que já havia estudado — Uma Harpia?

Ele apenas assentiu com a cabeça, quando me dei conta do que havia dito fiquei demasiado apavorado, o silêncio predominou dentro do automóvel por alguns minutos, fiquei a observar pela janela enquanto passávamos pela estrada a caminho do tal Acampamento Meio-Sangue até que resolvi quebrar o gelo que havia entre nós.

— Qual é seu nome? — perguntei virando meu rosto na direção do dele tentando me controlar para não enrubescer.

— Sebastian Heartflower Rosenberg, prazer. — se apresentou sem tirar atenção do volante e da estrada.

— Sei que não perguntou o meu mas é Austin Orchid, o prazer é todo meu. — disse com um sorriso estampado no rosto. — A propósito, aonde estão minhas coisas? Já que estou indo pro Acampamento, não vai dar pra eu viver com essa roupa que estou no corpo.

— Você está certo. — disse ele assentindo com a cabeça — Por isso seu pai já havia sido informado, passamos em sua casa enquanto você estava desacordado e pegamos os pertences essenciais. — explicou.

— Oi? Quer dizer, você foi na minha casa e mexeu nas minhas coisas? — perguntei um pouco assustado lembrando de como o quarto era um ninho — Digo, aquilo é uma desorganização.

— Devo concordar contigo. — ele sorriu de canto enquanto assentia com a cabeça — Mas por fim conseguimos pegar algumas coisas. — disse-me — A propósito, seu pai alguma vez lhe disse quem era sua mãe?

Apenas balancei a cabeça em sinal de não, fiquei demasiado decepcionado pois meu pai nunca havia comentado comigo que eu era filho de uma deusa, ele sabia que eu adorava estudar mitologia grega e escondia esse fato de mim, um fato importante, a identidade da minha mãe.

— Entendo como você se sente, Austin. — disse ele parecendo que estava lendo meus pensamentos — Minha mãe também escondeu de mim que eu era filho de um deus, descobri isso por conta própria e fui para o Acampamento. Passamos por situações parecidas, mas vai por mim, ele guardou isso de ti para lhe proteger.

Fiquei refletindo naquelas palavras por um bom tempo, quando notei estávamos já no Acampamento ou a gasolina do carro havia acabado, paramos em frente a uma colina, lá no alto tinha um imenso pinheiro, seu tamanho era descomunal e eu podia sentir algo mágico naquela árvore, descemos do carro e Sebastian veio para o meu lado e se encostou na porta assim como eu.

— É a Colina Meio-Sangue. — disse-me — E aquele é o Pinheiro de Thalia — apontou o indicador para o pinheiro.

Fiquei boquiaberto, já ouvira falar do tal Pinheiro de Thalia, a filha de Zeus, mas nunca pensei que aquilo realmente fosse real. Virei-me para Sebastian e fui tentar abraçá-lo como agradecimento mas ele simplesmente passou reto e começou a subir a colina na minha frente, corri atrás dele e o acompanhei na subida. Chegando no topo da colina um menino moreno com uma camiseta de mangas curtas num tom de laranja, tinha algo estampado mas eu estava com preguiça de ler então não dei muita atenção, desci os olhares e percebi que ao invés de pernas comum ele tinha pernas peludas e cascos de bode, meu dia estava cada vez mais surpreendente, seu cabelo era razoavelmente encaracolado e escuros, deduzi que era um sátiro.

— Enfim você retornou, Sebastian! — disse o sátiro correndo na direção do garoto — E pelo visto trouxe o menino em segurança, bom saber que não teve nenhum problema.

— Érr, bem... Só teve uma Harpia que tentou atacá-lo mas eu consegui chegar a tempo sim, felizmente. — disse ele aliviado — Vamos descer, Austin? Lhe levarão em um tour para lhe apresentar o Acampamento inteiro, espero que se dê bem e seja reclamado logo. Quem sabe você não é meu meio-irmão? — disse ele com um leve sorriso no rosto.

Estampei um sorriso falso em meu semblante e desci logo atrás dos dois que conversavam entre si sobre como foi o ocorrido envolvendo a Harpia, desci a colina de cabeça baixa.

— Não podemos ser meio-irmãos, não quando eu me sinto atraído por você... — murmurei para mim mesmo sentindo meu rosto esquentar, provavelmente enrubesci.

Ao descer toda a colina dei de encontro com vários campistas mas nenhum pareceu perceber que eu era novato, em poucos segundos, um homem com pele bronzeada e cabelos levemente grisalhos, da cintura para baixo o homem era um cavalo, um centauro, supus, já nem estava mais com cabeça para ficar assustado ou surpreendido com aquilo.

— Austin Orchid, é um prazer conhecê-lo, fico feliz por estar intacto sem nenhum machucado. — disse-me ele com um sorriso no rosto — Venha criança, vou lhe mostrar o Acampamento e aonde ficará até ser reclamado.

Quis dizer que meu coração estava machucado mas percebi que seria drama demais então guardei para mim mesmo e o acompanhei no guia turístico pelo local.

OBS:

Desculpa se a ficha ficou ruinzinha, estava com bloqueio criativo.

Fiz uma missão antes de postar esta Ficha e gostaria que fosse avaliada e considerada. link
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Aisha Suarili em Seg 10 Abr 2017, 00:44


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Dionísio. Ele é o Deus dos prazeres da vida, festas, bebida e muito mais. Não conhecia Dionísio, nem nunca pesquisei sobre ele, mas logo me apaixonei pelo mesmo e como é descrito no PJBR, são tantos Buffs e Debuffs que este Deus apresenta que podem ser úteis para várias estratégias no futuro.

— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

Físicas:

Aisha é uma mulher negra com o corpo e rosto de dar inveja. Seus cabelos são negros, lisos e longos, seus olhos também são da coloração preta, estes são expressivos realçando todo o seu rosto. Seus lábios são carnudos, estão sempre enfeitados com uma cor chamativa como; rosa, ciano, roxo e amarelo. A garota mede envolta de um metro e setenta e dois, pesa sessenta e três quilogramas. Sempre se veste com roupas curtas que apresentam alguma parte do seu corpo, desde barriga ao seus seios. Suas roupas favoritas são coloridas e estampadas, seu corpo sempre é carregado com anéis, pulseiras, bonés e colares.

Psicológicas:

O sol é para as flores o que os sorrisos são para a humanidade. Animação, criatividade e insanidade são os ingredientes certos para uma vida feliz, pelo menos para Aisha. Com bastante confiança a garota se joga em cada batalha com muito animo e agindo sem pensar, a vida é mais alegre quando temos surpresas.

— História do Personagem:

Sempre fui uma negrinha bem agitada, quando criança adorava participar das festinhas e brincadeiras. Quando mais jovem fui largada pelo meus pais, com isso fui criada pela minha avó, uma senhora de idade que adora tirar uma pestana, vulgo, dormir bastante. Sempre adorei beber suco de uva e outras bebidas, mas as que continham a fruta em si me atraiam bastante, além desse fato engraçado, sempre fui uma atriz, quando não conseguia uma boneca ou queria arranjar uma discórdia mergulhava em lágrimas de crocodilo, todos caiam neste truque e acabam caindo até hoje. Apesar de ter sido "abandonada" sempre me mantive feliz, criativa e animada, não deixava nada me abalar, precisava ser algo bem, bem dramático para me para que conseguisse tal feito. Fui crescendo e crescendo, me tornei uma moça (obviamente). Seios largos e volumosos, quadril farto e um rosto delicado foram a combinação perfeita para chamar a atenção de qualquer rapaz, no entanto, nunca quis um relacionamento sério, sem falar que nenhum dos meus namoros duraram muito.

Bem, minha avó sempre foi uma mulher bem calma, interessada apenas em se deitar e cochilar, ela sempre foi muito liberal, mas sua única regra era: "Não traga nenhum raparigo para a minha casa". Ela é aquela clássica mãezona, sempre dando conselhos e trabalhando para segurar as despesas. A velha Beth (Sim, este é o seu nome), aceitou sem hesitar a minha guarda, talvez ela soubesse que eu sou um anjo, mas eu me pergunto todos os dias o que fiz para ser abandonada?

Hoje estou vivendo em uma das periferias do Brooklyn, estudando em outra escola. Vai fazer exatamente, um mês que estou parada mofando naquele lugar, é todo santo dia a obrigação de ficar lá. Os professores planejam dar uma festa na escola, algo bem simples e meia-boca, não que eu frequentasse festas de alto luxo e com as melhores bebidas do mundo, mas via e lia sobre algumas em revistas e na internet, mas talvez seja necessário para nos conhecermos.

✨✨✨

Finalmente a sexta-feira havia dado as caras e a Festa de Boas Vindas estava chegando com tudo, todos os boys e girls da escola estavam se preparando para esse baita festão. Como sempre, eu tinha que causar como sempre fiz nos outros bordeis, digo, escola.

Esta sou eu, Aisha Suarili, prazer. Posso ser uma pessoa complicada, festeira e talvez um pouco explosiva. Estes pontos já me tiraram de várias escolas e relacionamentos, triste? Claro que não, é um motivo de orgulho pelo menos para mim, é meu jeito de agir e não tenho vontade alguma de ser santinha, é sempre bom causar um pouquinho. Eu sempre tive problemas com professores ou diretores, eu acho que deve ser alergia ou algo do tipo, sério, eu não aguento ver alguém mandando em mim, sempre acabo respondendo de uma forma educada, só que não. Hoje em dia estou em uma nova escola no Brooklyn, todos parecem bem legais e vários garotos fazem o meu tipo, não vou mentir. Os superiores estão criando uma festinha brega casual pro povo se conhecer, quero com muita certeza arrasar, ser o centro das atenções como sempre, talvez seja algo complicado, mas não para mim.

Voltando para a historia todos estavam preocupados e animados com essa tal festa que aconteceria a noite. Um dos corredores estava dominado por uma galera fedorenta, seria o time de Futebol? Não, era apenas um bando de gente transpirando de emoção, argh, que nojo. Aquela multidão olhava atentamente para um cartaz recém colocado, que povo mais estranho, talvez fosse melhor evitá-los, mas a curiosidade sempre mata o gato, acabei por também olhar o cartaz (que também era brega e estava recheado de Glitter que se compra em qualquer lojinha), aquele anuncio chamativo dizia logo de cara "Se preparem para a festa ás 20:00", era melhor eu decidir o que vestir o quanto antes possível, precisava arrasar como sempre faço. O sinal tocava e todos seguiam para suas salas, foram bem ligeiros e eu continuava a olhar para aquela coisa brega, não me culpe as cores eram tão hipnotizantes, por fim me retirei dali como a última e segui para minha sala com calma.

— Ei, você não devia estar na sala?

Disse Edward, o monitor de corredor, como ele apareceu tão rápido? Que desaforado. Ele era tão certinho e me dava um nojinho, as vezes eu duvido que ele tenha quinze anos, ele age como alguém de quarenta e oito, não gostava dele, queria que ele queimasse no fogo do inferno? Claro.

— Você não devia estar na sala também? Vamos se poupar.

Respondi de forma irônica e engraçadinha, talvez pudesse sair ilesa daquela. Olha, apesar de não gostar do Edward, ele era bonitinho, mas a alma dele já estava condenada. Aquele rapazinho me olhou de forma bem "dãr", com aquela voz fina e grossa recheada de hormônios ele me respondia de forma vulgar e soberana, vocês sabem que eu não levo desaforo pra casa.

— Claro, claro... Você é novata e já causa sem pensar? Isso vai pro seu professor, que falta de decência.

Ele me entregou uma folha amarelada com letras deformadas, olha, esperava mais Edward... Esperava mais. Eu estava tão cansada daquela conversa que logo peguei o papel e segui para minha sala, para que continuar algo que já esta no fim?

— Ah tá.

Caçoei e segui meu caminho. A aula se aproximava do fim e a sala se mantinha em silêncio, aonde foi parar a animação e nervosismo daquele povo? Bem, minha escola é estranha. Duas horas depois, o sinal novamente tocava e este anunciava o fim do maldito dia, sem contar que o festão estava se aproximando. Com o sinal a galera que é bem educada e formal também começou a gritar, olha eles são bem estranhos e bipolares, talvez eu seja a estranha aqui. Estava tão apressada que quase não dei atenção para os meus "amigos", segui para fora daquele inferno e com um piscar de olhos já estava na rua.

— Aisha, aqui! EI AISHA!

Quem estava gritando meu nome? Seja quem for devo fingir que não conheço? Bem, era Claire, uma amiga de infância, ela estava como sempre; roupas acabadas e com bebidas alcoólicas. A esfarrapada estava sentada na arquibancada de uma quadra de basquete pública, ela parecia feliz como sempre, a vida dela parecia tão simples e boa. Claire tinha apenas 18 anos e vivia como ninguém, a mesma carregava um engradado de cerveja e um cigarro em sua boca, ela era toda cagada, mas era livre.

— Oi Claire, tudo beleza? O que você tem ai?

Respondi com um sorriso no rosto, eu era a única companhia para Claire, era curioso como ela conseguia dinheiro, mas ela sempre dava um jeito de arranjar vinhos baratos ou cigarros, isso era uma das coisas que me fazia gostar dela.

— Eu comprei algumas cervejas e essa garrafa de vinho... Bem ruim, não vou mentir. Se quiser.

A garota direcionava o vinho em minha direção, eu logo peguei sem medo, era vinho meu povo, vinho, uva, álcool, suco, tudo de bom. Tomei aquilo com tanto prazer, engolia cada ML com tanta vontade, foi algo mágico. Claire se assustava e eu também me assustava, o que tinha de ruim naquilo?

— Como você gostou disso? Argh, você é estranha.

Era incrível como Claire não havia gostado do vinho, aquele sabor amargo e forte de Uva com Álcool fazia meu paladar dançar sem parar. Aquele final de tarde havia sido realmente confortante, ele acabou por valer pelo resto do dia sem falar que ele havia me acalmado e me preparado para a grande festa. Claramente, havia passado tempo demais com a minha velha amiga, estava na hora de ir para casa e arranjar uma boa roupa, o evento começaria logo e queria ser a primeira a chegar. Acabo por esticar o meu pulso e observar o relógio, o tempo voou é já era dezoito e trinta e oito, estava na hora de me despedir de Claire e agradecer pela bebida amarga e deliciosa. Com a voz apressada e com o tom um pouco rude me despeço da garota.

— Ei, muito obrigada por isto, precisava tomar algo para me alegrar. Tchauzinho.

Estava com tanta pressa que não consegui ouvir as despedidas de Claire. Acabei por correr em disparada em direção ao condomínio em que eu morava junto com minha avó, Beth. Aquele prédio estava sempre caindo aos pedaços, me enchia de vergonha morar naquele lugar, me pergunto quantos assassinatos foram investigados naquele lugar. Subi as velhas escadas enferrujadas de aço azulado, olhava para os demais condomínios e todos pareciam estar em condição precária, realmente, o meu larzinho estava muito melhor. Deslizo minha mochila até o chão, com uma mão recolho uma das chaves do meu bolso e com a outra força a maçaneta para trás, assim abrindo a velha porta. Entrando naquele lugar com cheiro de detergente, logo sou atacada pela velha Beth, ou melhor minha avó, ela sempre foi muito carinhosa e logo me recebia com uma bandeja de bolinhos. A dona estava vestida com um vestido florido e em seus pés um par de pantufas rosadas, seus cabelos crespos e grisalhos estavam presos a uma rede de cozinha.

— Oi meu amor, tudo bom? Quer uns bolinhos de banana? Acabaram de sair do forno, prove, está uma delícia.

Ela oferecia aquelas coisas como se fossem a melhor coisa do mundo, eles estavam estranhos e pareciam murchos, como falar "não" para alguém que você ama? Bem, você desvia do assunto. A respondi com bastante calma, ela partiu em direção da cozinha para fazer mais uma de suas receitas demasiada exóticas. Então segui com rapidez para o meu quarto, que estava um tanto quanto bagunçado.

— Estou com um pouco de pressa, mas muito obrigada vovó, tenho que ir para a grande festa.

Dentro daquela zona, coloco minha mochila em cima da cama e vou direto para o banheiro tomar um belo banho para poder limpa e cheirosa, precisava estar no glamour esta noite, em seguida vou em direção ao meu armário e escolho as roupas certas, um cropped listrado, jeans azuis e tênis brancos, bem moleca.

✨✨✨

Já estava na hora, segui para fora do condômino e voltava para o caminho da escola, mas desta vez maravilhosa, esbanjando glamour e beleza com as minhas roupas. Como de costume passava pela mesma quadra que havia encontrado Claire, estranhamente ela se mantinha no mesmo lugar e parecia estar comendo algo, decidi que era melhor não incomodá-la. Cheguei em meu destino, logo aquela escola brega havia se tornado ainda mais brega, se é que isso é possível, mas nela foi feito um charme, aquelas cores e luzes chamativas, que arraso. Dentro daquele edifício, aquele povo perfumado e bem vestido me encantava, com certeza encontraria meu paquera. A música estava sempre mudando, a cada minuto conseguia conversar com uma pessoa nova, realmente, aquela festa estava bombando.

Apesar da música alta, logo um forte barulho era emitido do portão, algo cortante batia contra aquela porta imensa de ferro, quem será o retardado? Bem, com gentileza abria a porta... Claire? O que ela estava fazendo ali, é porque estava esfaqueando aquela coisa? Estava sem escolha, devia tentar fala com ela.

— Ei Claire, você tá bem?

Perguntei, com medo e preocupação.

— Você, filha de Dionísio! Seu tempo acabou, devemos matá-la imediatamente!

Claire estava drogada ou o que? Outra tentativa de falar com ela? Talvez. Coloquei uma de minhas mãos sobre o ombro de minha amiga, a mesma me atacava com um golpe rápido, que por sorte ela errava. Eu implorava por ajuda e entrava novamente na escola, pedia por socorro mas ninguém conseguia me ouvir, aquela música alta e conversas constantes faziam com que meus gritos sumissem, eu estava tão assustada. Com uma tentativa desesperadora corri em direção a cantina, aquele lugar já era um pavor de dia, imagina em plena as nove da noite? Me mantive escondida de baixo de uma das mesas, rezei várias e várias vezes para que não fosse pega. Depois de longos minutos, escuto a porta do cozinha se abrindo e fechando bruscamente, o cheiro de gás se espalhava por todo o local, Claire voltava a falar coisas confusas e sem sentido, devia me manter otimista.

— Aisha Suarili, filha de Dionísio... Aonde você está? Você pode continuar escondida e esperar que tudo exploda em um piscar de olhos, você pode morrer sozinha ou queimar até a morte junto de seus amigos.

Que sigo para a cozinha, tento dialogar mais um pouco, mas novamente não obtive sucesso, ela estava vindo em minha direção devagar, rapidamente vasculhei pelos armários da cozinha em busca de algo para me defender, várias coisas úteis como grandes facões cegos, enferrujados, dei de encontro com um cutelo diferente, parecia novo e polido, o peguei e sem pensar duas vezes o arremessei contra Claire, com bastante sorte aquela coisa afiada atingira o crânio da garota, ela colocou a mão no cabo do cutelo e o puxou, a fenda que se abriu em sua testa era imensa e logo começou a jorrar um pó estranho e Claire se desfez aos poucos. Sentei-me no chão por alguns segundos, estava apavorada com aquilo, notei que o gás ainda estava ligado, me levantei e o desliguei, passei a mão em minhas roupas tirando a sujeira dela. O que diabos havia sido aquilo?

✨✨✨

Voltei para a festa mas não consegui curti muito, aquela cena ainda ficava em minha cabeça, e afinal, quem é Dionísio? Ao chegar em casa minha vó ainda estava acordada me esperando, estava balançando em sua cadeira enquanto assistia um desses programas de reportagens sobre as belezas do mundo. Contei para ela o ocorrido na festa, ela parecia preocupada, deixou a televisão no mudou e segurou em minhas mãos, respirou fundo e então disse que acreditara em mim, não esperava por isso.

— Oh minha neta querida, eu acredito em você. — disse ela acariciando minhas mãos com as suas — Por gentileza, minha querida, poderia pegar minha bolsa?

Assenti com a cabeça e me levantei do sofá e fui até o criado mudo e peguei uma das minhas bolsas personalizadas de minha avó que ela mesma fazia manualmente, entreguei-a e ela começou a vasculhar como se estivesse em busca de algo pequeno, por fim ela achou o que queria, era um pequeno papel, na verdade um cartão, que nem esses que tem o número da pizzaria, do gás, essas coisas.

— Faça uma visita a este homem, ele poderá lhe ajudar. — disse-me ela entregando o cartão, estava com um olhar pesado se segurando para não cair nas lágrimas.

Era o cartão de um psicólogo que já tinha alguns anos no ramo, eu já ouvira falar seu nome mas nunca me importei, confiei em minha vó e prometi a ela que já na segunda-feira iria conversar com o tal de Mark. Depois disso fomos dormir.

O fim de semana foi bom, só uma vez tive um pesadelo com a cena envolvendo Claire e eu mas nada muito preocupante, chegada a segunda-feira só consegui marcar um horário durante o período de aula, estava feliz por dentro? Com certeza, e por fora também. Demorei uns quinze minutos para chegar no consultório do tal Mark, notei que ele era um cadeirante que já devia ter mais de quarenta anos, contei-lhe a minha situação e ele parecia se intrigar a cada palavra que saía da minha boca.

— Ah, e ela me chamou de "Filha de Dionísio" ou algo assim, quem diabos é Dionísio, afinal?

Ele levantou seus óculos e coçou seu olho esquerdo, respirou fundo e dirigiu sua cadeira de rodas para a janela, coçou sua barba e finalmente começou a falar, me contava sobre mitologia grega, que as histórias sobre os deuses eram reais que ainda nos dias de hoje haviam filho deles.

— Bom, de acordo com essa garota, você é filha do deus Dionísio, não podemos dar essa certeza enquanto ele não reclamar por você, mas sua personalidade é semelhante até com o que é listado sobre o deus, temos várias pessoas como você, você deve ir para o Acampamento Meio-Sangue. Avise sua avó, devemos partir logo, mais monstros a encontrarão e tentarão matá-la.

Sem palavras acabei por desmaiar, se passou algumas horas ate que eu acordasse e estava acordada em minha casa, minha vó estava tão orgulhosa que logo começou a chorar, eu estava tão feliz que esperava que partisse logo, evitando o sofrimento emocional e físico de minha avó. Recolho minhas malas, tudo que era necessário, segui junto de Mark em direção a um táxi, a viagem seria realmente longa e graças ao psicólogo tudo foi pago. A minha nova vida começaria em algumas horas, dias ou noites.
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Deméter em Seg 10 Abr 2017, 14:16


Ficha de reclamação

— Austin Orchild: reprovado.

Eu diria que se fosse uma ficha comum e um único detalhe tivesse sido mudado na sua narração, eu ainda te aprovaria. Mas infelizmente não é, e infelizmente você, como a player abaixo, esqueceu de algo fundamental: a reclamação. Você descobriu que é um semideus, ok, esse é um passo importante, porém não é tudo. O principal objetivo da ficha de reclamação é mostrar o momento em que o deus te assume como filho, algo que não foi mostrado aqui. Saiba que foi exatamente por esse motivo que você acabou sendo reprovado.

Mas como essa também é uma ficha rigorosa, devo citar aqui outros pontos, especificamente na coerência. Responda-me: como soube do Acampamento, exatamente? Você fala que estudou mitologia, mas o camp não está listado num livro qualquer. Logo, você não teria como saber, a menos que alguém tivesse te contado — e não contariam a menos que você fosse um semideus. Essa parte ficou deveras incoerente.

Você também pareceu encarar a situação com normalidade, por mais que eu entenda que apenas pensei isso pela falta de uma dramatização da confusão que o personagem sentiu. E como o Sebastian descobriu onde você morava, também? E como a luta com a harpia foi tão fácil, rápida? Esses detalhes importam, tente deixá-los o mais claro possível, para facilitar o entendimento. Cometer deslizes assim numa missão acabaria te levando diretamente para o Hades.

Outro ponto que preciso citar é a sua construção de períodos. Já te foi dito que precisa tomar cuidado com as vírgulas, porque estava colocando-as no lugar de pontos e acabando por prolongar uma frase que poderia ser muito mais curta, facilitando o entendimento. E aqui também repito a dica que te deram: leia seu texto em voz alta, com calma. Se houver uma pausa, coloque vírgula; uma pausa maior, ponto. E se atente ao uso de ponto-e-vírgula e travessão também, eles são importantes, ainda que diversas vezes estilísticos.

Por fim, reforço: você não escreve mal. Sua ideia foi boa, no cerne. Sua criatividade também é boa. As críticas construtivas que coloquei aqui são fundamentalmente para você melhorar, então não leve para o lado pessoal ou desista, huh? Apenas modifique o que apontei e atente-se para não cometer os mesmos erros, porque é assim que se evolui enquanto escritor: com trabalho árduo! Te espero na próxima avaliação, Austin. ^^


— Aisha Sualli: reprovada.

Doeu ter que te reprovar, sinceramente. Sua ficha ficou incrível — e creio que isso tenha sido por você ter colocado tão bem a personalidade da personagem em sua narração. Claro que houve um deslize e outro, um parágrafo muito grande aqui, uma frase que poderia ter sido encurtada ali, pequenos deslizes de coerência acolá... mas nada que te levasse à reprovação direta.

Nada, a não ser pelo ponto principal da ficha de reclamação: a narração do momento em que o deus te assume como filha. Foi algo que eu disse na avaliação acima, e é algo que reforço aqui. Descobrir que você é uma semideusa, lutar contra um monstro, ir ao acampamento... tudo isso pode ser considerado fundamental. Mas mesmo sem qualquer um desses pontos, uma ficha de reclamação pode simplesmente funcionar. Sem o momento principal, no entanto, quando você é de fato reclamada, a ficha perde o seu sentido. E foi unicamente por isso que tive que te reprovar.

Recomendo que acrescente isso à sua ficha. Narre como foi, como se sentiu, onde estava, quem estava com você e outros detalhes que achar importante. Mostre que pode completar essa ficha com a mesma maestria que usou antes, no restante da narração, ok? Te espero na próxima avaliação, Aisha. ^^



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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Austin Orchid em Seg 10 Abr 2017, 21:55


FICHA DE RECLAMAÇÃO
Por qual deus deseja ser reclamado/qual criatura deseja ser e por quê?
Perséfone. Gosto bastante dela em geral, sua história, o fato dela ser deusa da primavera, o fato de que ela é maravilhosa mas sabe usar um salto pra matar. Gostei da forma que o fórum construiu os filhos delas e vai ajudar pra criar meu personagem.

Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

— Físicas
Alto, medindo um metro e oitenta e dois, é magro, pesa sessenta quilos, corpo definido, seus músculos são levemente avantajados. Sua pele é clara o que realça seus olhos azuis, seu cabelo é arrepiado e tem um tom de castanho que gera uma harmonia entre sua pele e seus olhos, seus lábios são levemente rosados. Costuma se vestir com camisa sem mangas acompanhado de um blazer, calça na maioria das vezes escuras e tênis preto botinha com detalhes em metal.

— Psicológicas
Austin esbanja sua simpatia e carisma demonstrando ser uma pessoa extrovertida e em boa parte do tempo, uma pessoa feliz e bem humorada. Divertido, sempre buscando contagiar os outros com sua alegria; paciente e inteligente, Austin sempre procura o melhor momento para executar suas ações, sejam elas em combate ou fora deles.

✿✿✿

História do Personagem:
Nico Orchid é só mais um pai solteiro que teve um fruto de um amor proibido, tem seus trinta e nove anos de idade, desse amor proibido nasceu a minha pessoa, Austin Orchid, só que essa relação não foi proibida só porque eles me tiveram ainda solteiro e sim porque minha mãe é uma deusa, literalmente uma deusa, aquelas da mitologia grega, pra ser mais específico, sou filho de Perséfone, a deusa da primavera logo ela é deusa em vários sentidos, nos livros diz que ela é bela, não tanto quanto Afrodite, mas bela o suficiente para seduzir qualquer homem. Perséfone não é muito popular assim, fora a sua beleza, ela é conhecida também por ter sido presa no Submundo por um bom tempo. Como eu descobri que sou filho de Perséfone? É uma história engraçada, mas daqui a pouco eu conto, vamos falar um pouco mais da minha vidinha junto do meu pai no Canadá.

✿✿✿

— Austin, estou indo pro trabalho, toma cuidado e cuide bem das nossas flores.

Meu pai é professor de biologia em uma das escolas particulares de ensino médio no Canadá. É um homem com um tamanho médio, um metro e setenta e seis, pesava pouco mais do que eu mas não tinha a famosa barriguinha de chopp, seus cabelos eram lisos e castanhos como o meu mas já tinha alguns fios grisalhos que não eram muito perceptíveis. Foi um grande pai pra mim, me educou e me deu carinho sem faltar dinheiro para nos dar conforto.

— Tudo bem pai, pode deixar. Bom trabalho.

Ainda era manhã, por volta das nove da manhã, mas a escola em que meu pai dava aula era quase do outro lado da cidade então ele demorava pra chegar até lá, e ainda revisava sua aula no tempo que sobrava.

Levantei-me da cama, estava vestido apenas com uma cueca branca e camisa preta sem mangas, fui até a cozinha ainda sonolento e abri a geladeira em busca de algo para eu devorar, fiquei alguns segundos olhando para a geladeira sem saber o que procurar e por fim peguei um iogurte e fui para a mesa, comi dois pedaços de bolo enquanto tomava meu iogurte. Ao terminar a refeição, cheguei a cadeira para trás e estiquei minhas pernas bocejando enquanto passava a mão direita pela minha cueca, subindo para a barriga.

— Tanta coisa pra fazer, mas tanta preguiça. — disse passando a mão em meus cabelos enquanto bocejava.

Fui até o banheiro e fiz minha higiene matinal, lavei o rosto e fiquei encarando o espelho enquanto arrumava o meu cabelo que mais parecia um ninho do que cabelo. Fui até a sacada do apartamento e apanhei o regador, o enchi com água e molhei as plantas que plantamos em pequenos vasos. Fui até a sala e liguei o nosso hometheater e coloquei na minha playlist, assim que a primeira música começou a tocar eu comecei a arrumar o apartamento inteiro, terminei de arrumar a casa inteira no meio da tarde, era pouco mais de três horas da tarde, me joguei no sofá e suspirei, aliviado.

Fiquei jogado ali no sofá com uma almofada atrás da cabeça, estava com o braço esquerdo tampando o rosto enquanto ouvia minhas músicas, quando percebi eu havia adormecido e acordei algumas horas depois com o meu pai chegando do trabalho, ao acordar, fiquei assistindo televisão enquanto meu pai me contava como havia sido o dia dele na escola, nunca estava estressado, sempre dizia que as salas na qual ele dava aula eram maravilhosas e não tinha problema algum com os alunos.

Novamente fui até o banheiro e tomei meu banho para me livrar daquele sono, após isso fui para meu quarto e me troquei e em seguida voltei para a cozinha e comecei a preparar o jantar enquanto meu pai estava avaliando os trabalhos de seus alunos, assim que terminei nos jantamos juntos e após terminar a refeição eu lavei a louça e fui para meu quarto dormir enquanto meu pai ficou na sala ainda avaliando os poucos trabalhos que restava. E assim eram os dias no Canadá junto do meu pai.

✿✿✿

Eu havia dito que iria lhes contar como eu descobrir ser um semi-deus, não é? Bom, está na hora de contar então.

Era mais um dia comum na minha escola, eu sentava na última carteira da parede esquerda (que era a parede da porta) ao lado do armário da professora do primeiro ano do fundamental que era de manhã, e na minha frente sentava a minha melhor amiga naquele recinto, Sophie Oaks, a primeira aula era de artes e por isso nem nos incomodamos, ficamos conversando a aula inteira. A última aula do dia, a sexta n ocaso, era de educação física e já havíamos sido avisados que seria futebol de salão então nem me empolguei, setenta porcento (talvez mais) da minha turma era constituída por garotos, e a maioria deles são fanáticos por esporte, principalmente futebol de salão e basquete, isso de longe me interessava e por isso eu não me enturmava com eles.

As aulas foram passando, e eram poucas que Sophie e eu dávamos alguma atenção para o que o(a) professor(a) explicava. Após a terceira aula temos meia hora de intervalo para podermos descansar e ficar livres dos professores um pouco, e também, conversar com os alunos de outras salas, eu e Sophie nos mantínhamos em um canto isolado e ouvíamos música no telefone celular dela, por sorte tínhamos o mesmo gosto musical o que enrijecia o laço de amizade que mantínhamos.

Chegada a sexta aula, nos dirigimos para a quadra, o colégio era imenso, era um daqueles colégios particulares que mães e pais sonham para seus filhos, os garotos e garotas que iriam participar do jogo foram para o vestiário se trocar, como eu e Sophie não iríamos fomos direto para a quadra e ficamos em uma das mais altas fileiras da arquibancada, a quadra é como uma de basquete, mas tem gols para poderem jogarem futebol de salão e pequenos buracos no meio da quadra para poderem colocar o suporte para a rede de vôlei, havia também a piscina de natação que ficava no externo do colégio. Algumas outras garotas, metidas e entojadas, também não quiseram participar mas nem nos preocupamos em conversar com elas, afinal, não gostávamos das Mentojada, nome que Sophie deu para o grupinho delas.

Sophie e eu ficávamos conversando sobre assuntos aleatórios, muita das vezes era músicas e garotos (me esqueci de mencionar que sou assumidamente homossexual), algumas vezes nós virávamos nossa atenção ao jogo e sempre ocorria alguns pequenos acidentes que nos fazia dar risada, na maioria das vezes eram chutes que iam extremamente errado ou quando alguém caía.

Por fim, a aula acabou e os garotos e garotas foram para o vestiário se lavarem, o restante estava liberado, eu, junto de Sophie, fui até a sala e peguei minha bolsa, caminhamos até o corredor principal e fomos em direção a saída, ela pegava um caminho quase igual ao meu, porém, hoje eu iria dar uma volta nas redondezas da cidade, ver um pouco a vegetação do Canadá.

Avisei ao meu pai que iria chegar um pouco mais tarde, ele concordou e disse que me esperaria para o jantar, já que ele é um desastre na cozinha. Fui em direção a um bosque que era livre de animais selvagens que pudessem atacar os moradores das redondezas, me aproximei de uma árvore e coloquei a minha bolsa como um travesseiro e me deitei, fiquei observando ali o pôr do sol enquanto respirava o ar mais leve e puro do local.

Tudo estaria ótimo se não fosse por uma criatura estranha que desceu em rasante na minha direção, quando percebi eu rolei para o lado e ela passou reto caindo na terra, provavelmente se machucando mas nada muito grave que a parasse, rapidamente se levantou e se limpou da terra que havia em suas asas, parei para observar melhor, ainda paralisado de susto, era uma mulher com feições de aves de rapina, ao invés de braços ela tinha asas como de um pterodáctilo, seus pés era como de uma águia, e seus cabelos eram extremamente mal cuidado, ela abriu sua boca (esta qual tinha presas amareladas, imundas) e emitiu um grito na minha direção. Levantou voo mais uma vez e repetiu o movimento anterior, desta vez eu estava parado no chão, sem saber como reagir. Repetiu o rasante anterior, porém, desta vez estava muito mais furiosa por não ter conseguido me acertar anteriormente, eu não entendia como tinha conseguido, tive um reflexo que nunca tivera antes, mas desta vez eu acho que não teria a mesma sorte de novo, fiquei paralisado, extremamente assustado, minhas pernas estavam bambas e eu sentia minhas palmas transpirarem. Entretanto, algo interrompeu o avanço da criatura alada na minha direção, inicialmente parecia um simples vulto que atingiu o monstro, mas logo pude olhar melhor.

Era um garoto que devia ter minha idade, ele vestia trajes informais, um short jeans desfiado, uma camisa de manga curta branca e por cima um blazer preto que estava até metade do braço, usava um gorro preto e tênis preto com detalhes em branco e metal, ele estava com uma espécie de foice em mãos, a criatura alada se levantou e foi na diretriz do garoto, enfurecida, suas garras e seu bico pareciam ter aumentado de tamanho, quase o dobro, ferozmente ela partiu na direção do garoto que acabara de me salvar, ela cravou suas patas no peitoral do meu mais novo herói e sangue começou a jorrar da ferida, mas logo aquilo se desfez, o monstro se demonstrou ainda mais furioso, porém, confuso.

O garoto saltou da copa de uma das diversas árvores que haviam ali, girou sua foice no ar e a cravou na asa esquerda da criatura fazendo com que ela urrase de dor enquanto sua asa era rasgada, agitou suas asas e conseguiu levantar voo por alguns segundos, foi o suficiente para jogar o menino contra uma árvore, ele levantou-se e limpou o sangue que escorria no canto da sua boca, ofegante, empunhou novamente sua foice enquanto fitava o monstro alado se debater contra a dor que sentia, entretanto, este, começou a ignorar a dor e fuzilou com os olhos o garoto, partiu em sua direção, agora sem poder voar, desferiu um corte na diretriz de sua barriga, teria feito uma grande ferida, porém, conseguiu bloquear o ataque com a ajuda de sua foice, a criatura abusou da proximidade e usou seu bico e o cravou no braço esquerdo do menino abrindo um ferimento que não parecia ser de grande profundidade mas que certamente era sério.

Agora empunhando a foice só no braço direito, correu na direção da criatura alada que havia se distanciado após o ataque, correu arrastando a lâmina no chão levantando uma certa poeira, desferiu um corte na diagonal contra o peitoral da criatura que não teve tempo para se esquivar, se contorceu de dor, caiu de joelhos enquanto jorrava algum tipo de... areia? Não estava conseguindo enxergar muito bem, minha vista estava começando a embaçar e perder o foco, apenas pude ver o último movimento, cravou o cabo da foice na cabeça do monstro atravessando e saindo pela sua boca, urrava de dor, seu grito era ensurdecedor mas logo se desfez naquele mesmo pó que saía de seu ferimento no peitoral. Por fim, acabei desmaiando.

Quando recobrei a minha consciência fui abrindo meus olhos lentamente, ainda pareciam pesados, minha vista estava embaçada e parecia que tinha pontos prateados e pretos dançando na minha frente, fiquei piscando algumas vezes tentando fazer com que aqueles pontos sumissem e minha visão ficasse melhor, consegui após muitas tentativas. Eu estava no banco direito da frente do carro encostado na janela, virei minha cabeça lentamente para a esquerda e notei que havia uma pessoa, o analisei, de forma lenta, dos pés a cabeça, percebi que era o garoto que me salvava pela suas roupas, ao notar seu rosto com maior precisão e desta vez sem estar com a vista embaçada ou estar sendo atacado por um monstro percebi que ele era no mínimo atraente, provavelmente eu enrubesci, rapidamente virei meu rosto para a minha janela para não mostrar isso, entretanto, com esse movimento rápido pude perceber a dor de cabeça que estava, ainda lembrava de algumas cenas do combate e aos poucos todas vinham a minha mente e eu me lembrava precisamente do ocorrido.

— Para onde está me levando, afinal? — perguntei com uma voz semelhante a quem está sob efeitos de anestésicos ao mesmo tempo que sente enjoo.

— Ao seu novo lar. — disse-me ele sem tirar a atenção da estrada.

— Lar? Do que você está falando? — perguntei ainda tonto.

— Por acaso você já leu sobre mitologia grega, semideuses e essas coisas?

— Ah sim, me interesso um pouco. — disse esfregando a mão esquerda no rosto.

— E por acaso você sabe que criatura era aquela que lhe atacou?

Negativei com a cabeça e ele respirou fundo.

— Era uma Harpia. — disse-me dando uma pequena pausa. — Ela estava atrás de você pelo fato de você ser um semideus.

Quando ele disse que eu era um semideus minha dor de cabeça parecia ter aumentado, parecia que minha cabeça poderia explodir a qualquer momento. Ele começou a contar sobre algo de ser um semideus, quando descobre, não dei muita atenção, a dor de cabeça só piorava aos poucos.

— Tá e se isso realmente for verdade, como você sabia que ela ia me atacar naquele exato momento?

— Na verdade eu não sabia, digo, tínhamos um certo alguém lhe vigiando, ele suspeitava dessa sua origem, então ele foi nos levar um relatório e chegamos a conclusão que em alguns dias você seria atacado e eu fui designado para vir lhe proteger, para dar tempo do sátiro retornar, mas pelo visto você foi atacado antes do previsto.

— Isso não faz o mínimo sentido, eu não consigo entender, acho que é minha dor de cabeça. — falei enquanto passava a mão direita pelo rosto o esfregando.

Continuamos na estrada por vários minutos em silêncio, apesar de estar com dor de cabeça, aquele silêncio me agoniava, a dor se dissipava aos poucos e só assim pude perceber o ferimento enfaixado no braço esquerdo dele, me lembrava da cena, aos poucos fui ligando as coisas e passei de confuso para assutado, aquilo não fazia sentido pra mim, eu nem sabia da minha origem e já tentaram me matar, quem diabos era aquele garoto? Eu deveria confiar? Por mais que ele fosse bonito não faz bem confiar em que lhe coloca dentro de um carro e está em uma estrada.

— A propósito, qual é seu nome... garoto? — perguntei-o ainda um pouco sonolento mas sem dor de cabeça ao menos.

— Sebastian Heartflower Rosenberg, prazer. — disse-me ele sem tirar a atenção do volante.

Olhei para o banco de trás do carro e havia uma mochila e uma mala que ou eram minhas ou eram idênticas as que eu tinha, estava com muita preguiça para questionar agora, apenas fiquei feliz por ele estar me raptando mas me deixando com roupas.

— Ah, prazer, me chamo Austin Orchid. — apresentei-me.

— Faz alguma ideia de quem seja sua progenitora divina?

Apenas a balancei a cabeça para os lados negando, comecei a pensar em vários motivos para meu pai não ter me contado, não ter me confiado uma informação importante daquelas, mas fazia sentido, ele nunca me mostrara fotos delas e até seu nome ele evitava falar.

— Sei como você se sente, Austin. Quando eu descobri que era filho de algum deus da mitologia grega fiquei com raiva da minha mãe por ter me escondido isso, mas acredite em mim, isso foi para o seu bem. — disse-me Sebastian como se pudesse ler a minha mente.

Fiquei refletindo naquelas palavras por um bom tempo, quando notei a gasolina do carro devia ter acabado ou chegamos ao nosso destino, paramos em frente a uma colina, lá no alto tinha um imenso pinheiro, seu tamanho era descomunal e eu podia sentir algo mágico naquela árvore, descemos do carro e Sebastian veio para o meu lado e se encostou na porta assim como eu.

— Eis aqui o Acampamento Meio-Sangue, seu novo lar, lar dos semideuses. — disse ele respirando o ar do local — Aquele é o Pinheiro de Thalia, ele que protege a fronteira mágica que há no acampamento. — disse ele apontando para o pinheiro — Sei que você vai ficar confuso com tudo isso, lá dentro lhe explicarção melhor.

Fiquei boquiaberto. Virei-me para Sebastian e fui tentar abraçá-lo como agradecimento mas ele simplesmente passou reto e começou a subir a colina na minha frente, corri atrás dele e o acompanhei na subida. Chegando no topo da colina um menino moreno com uma camiseta de mangas curtas num tom de laranja, tinha algo estampado mas eu estava com preguiça de ler então não dei muita atenção, desci os olhares e percebi que ao invés de pernas comum ele tinha pernas peludas e cascos de bode, meu dia estava cada vez mais surpreendente, seu cabelo era razoavelmente encaracolado e escuros, deduzi que era um sátiro.

— Enfim você retornou, Sebastian! — disse o sátiro correndo na direção do garoto — E pelo visto trouxe o menino em segurança, bom saber que não teve nenhum problema.

— Érr, bem... Só teve uma Harpia que tentou atacá-lo mas eu consegui chegar a tempo sim, felizmente. — disse ele aliviado — Vamos descer, Austin? Lhe levarão em um tour para lhe apresentar o Acampamento inteiro, espero que se dê bem e seja reclamado logo. Quem sabe você não é meu meio-irmão? — disse ele com um leve sorriso no rosto.

Estampei um sorriso falso em meu semblante e desci logo atrás dos dois que conversavam entre si sobre como foi o ocorrido envolvendo a Harpia, desci a colina de cabeça baixa.

— Não podemos ser meio-irmãos, não quando eu me sinto atraído por você... — murmurei para mim mesmo sentindo meu rosto esquentar, provavelmente enrubesci.

Ao descer toda a colina dei de encontro com vários campistas mas nenhum pareceu perceber que eu era novato, em poucos segundos, um homem com pele bronzeada e cabelos levemente grisalhos, da cintura para baixo o homem era um cavalo, um centauro, supus, já nem estava mais com cabeça para ficar assustado ou surpreendido com aquilo.

— Austin Orchid, é um prazer conhecê-lo, fico feliz por estar intacto sem nenhum machucado. — disse-me ele com um sorriso no rosto — Venha criança, vou lhe mostrar o Acampamento e aonde ficará até ser reclamado.

Quis dizer que meu coração estava machucado mas percebi que seria drama demais então guardei para mim mesmo e o acompanhei no guia turístico pelo local.

✿✿✿

Meus primeiros dias no Acampamento Meio-Sangue não foram fáceis, era treino atrás de treino, fiquei alojado no Chalé 11, ali ficavam os filhos de Hermes, o deus mensageiro e os indefinidos, aqueles que seus progenitores divinos ainda não haviam reclamado e eu não era uma exceção. No segundo dia, um trio de filho de Hermes me pregaram uma peça, enquanto eu esperava na fila para poder tomar banho.

Eles pegaram meus pertences e o esconderam no Punho de Zeus, mas, para dificultar as coisas, fizeram uma caça ao tesouro com algumas pistas, a primeira estava em cima do meu saco de dormir, obviamente, a segunda estava nos campos de morangos, a terceira e última estava no estábulos do acampamento, mas não deixavam isso tão claro, o trio não devia passar de quatorze anos mas sabiam fazer um bom enigma. Me seguraram por horas na caça ao tesouro, até que o toque de recolher começou e eu ainda não havia recuperado meus pertences. Uma das harpias do acampamento me avistou e começou a me perseguir loucamente, eu me esgueirava pelas árvores e arbustos mas de nada adiantava, a harpia conseguia sentir meu cheiro e em poucos segundos me localizava. Por fim, eu lancei a minha faca — que ganhei quando cheguei no acampamento — como distração e ela mordeu a isca, se distraiu por alguns segundos com a lâmina e logo eu sumi dali retornando para a segurança do Chalé 11.

Poucos dias depois eu fui reclamado por Perséfone, a deusa da primavera. Estava na floresta, no rio especificamente, um dos meus lugares preferidos daquele local, ainda era cedo, não havia tido nem o almoço, eu estava em calmaria comigo mesmo e com a natureza, pássaros ficavam ao meu redor, a poucos centímetros de mim entendendo que eu não demonstrava ameaça a eles, podia ouvir o som do rio correndo e dos espíritos da água que ali habitava.

Algo assustou os pássaros fazendo com que eles recuassem, abri meus olhos e notei que havia algum brilho que vinha de mim, não encontrava de mais até que olhei para cima da minha cabeça e havia um pequeno símbolo emitindo um brilho, ao certo eu não sabia o que era aquilo mas logo tratei de me levantar e correr até a Casa Grande.

Chegando lá, dei de encontro com Quíron, ele também percebeu o brilho acima da minha cabeça e logo me abraçou e me parabenizou, eu não tinha certeza do que era, mas ao que tudo indicava era minha reclamação, finalmente minha mãe havia me assumido, algumas pessoas me rodeavam curiosos para saber precisamente a que chalé eu pertencia.

— Austin Orchid, sua mãe, enfim, o reclamou. Austin Orchid você pertence ao Chalé 26! Sua mãe é Perséfone, a deusa da primavera! — exclamou Quíron elevando os braços para os céus e logo começou a bater palmas.

Em seguida, todos ali presente imitaram o centauro e começaram a me aplaudir, alguns dos filhos de Perséfone foram diretamente até a mim me abraçar e me guiar até o meu novo chalé.

Mais a noite, durante a refeição, eu sempre despejava parte da minha comida a Hermes agradecendo por me receber no seu chalé apesar das pequenas façanhas que eram cometidas contra mim, mas esta noite, eu a joguei em nome de Perséfone.

— Obrigado, Perséfone, obrigado por me reclamar como seu filho, honrarei seu nome. — murmurei para mim mesmo.

A refeição continuou, nos últimos minutos, quando alguns já começavam a se retirar, Quíron os impediu, dizendo que haveria algo um pouco especial, ele retirou de um saco uma espada e um escudo que tinham detalhes como flores.

— Aqui Austin, isto é teu. — disse Quíron se aproximando — Flowerblade e Flowershield são seus por direito, sua mãe lhe da esse presente para que sempre se lembre dela e possa ser forte para honrá-la.
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Silvia Kawasaki em Seg 10 Abr 2017, 22:06


Avaliação


Austin Orchid:
Oi, moço das orquídea! Tá bão? Vamos avaliar você, sim? Olha, amigo, a ficha de Perséfone é rigorosa e foi por pouco que não te reprovei. Veja bem, sua história é boa, de verdade, mas você precisa ter cuidado com as vírgulas. Você as engoliu em alguns momentos em que eram necessárias e as colocou em outras ocasiões desnecessárias. Atente-se a isso, ok? A off da Ayla Lennox sempre aconselha todo mundo a ler o texto em voz alta, ajuda mesmo. Mas sua história foi boa e vale a pena aprovar. Espero te ver crescendo no jogo logo, viu? Seja bem-vindo oficialmente!

Ave, Austin Orchid! Reclamado como filho de Perséfone!

Dúvidas, reclamações, dicas ou qualquer coisa em que eu possa ser útil, basta contatar por mp.

Aguardando atualização
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Hécate em Seg 10 Abr 2017, 22:09

Bu!





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.:: deusa da magia e das encruzilhadas :: mestra da névoa :: adm do pejotinha ::.

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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Aisha Suarili em Seg 10 Abr 2017, 23:23


 
FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Dionísio. Ele é o Deus dos prazeres da vida, festas, bebida e muito mais. Não conhecia Dionísio, nem nunca pesquisei sobre ele, mas logo me apaixonei pelo mesmo e como é descrito no PJBR, são tantos Buffs e Debuffs que este Deus apresenta que podem ser úteis para várias estratégias no futuro.
 
— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

 Físicas:

Aisha é uma mulher negra com o corpo e rosto de dar inveja. Seus cabelos são negros, lisos e longos, seus olhos também são da coloração preta, estes são expressivos realçando todo o seu rosto. Seus lábios são carnudos, estão sempre enfeitados com uma cor chamativa como; rosa, ciano, roxo e amarelo. A garota mede envolta de um metro e setenta e dois, pesa sessenta e três quilogramas. Sempre se veste com roupas curtas que apresentam alguma parte do seu corpo, desde barriga ao seus seios. Suas roupas favoritas são coloridas e estampadas, seu corpo sempre é carregado com anéis, pulseiras, bonés e colares.

 Psicológicas:

O sol é para as flores o que os sorrisos são para a humanidade. Animação, criatividade e insanidade são os ingredientes certos para uma vida feliz, pelo menos para Aisha. Com bastante confiança a garota se joga em cada batalha com muito animo e agindo sem pensar,   a vida é mais alegre quando temos surpresas.

 — História do Personagem:

 Sempre fui uma negrinha bem agitada, quando criança adorava participar das festinhas e brincadeiras. Quando mais jovem fui largada pelo meus pais, com isso fui criada pela minha avó, uma senhora de idade que adora tirar uma pestana, vulgo, dormir bastante. Sempre adorei beber suco de uva e outras bebidas, mas as que continham a fruta em si me atraiam bastante, além desse fato engraçado, sempre fui uma atriz, quando não conseguia uma boneca ou queria arranjar uma discórdia mergulhava em lágrimas de crocodilo, todos caiam neste truque e acabam caindo até hoje. Apesar de ter sido "abandonada" sempre me mantive feliz, criativa e animada, não deixava nada me abalar, precisava ser algo bem, bem dramático para me para que conseguisse tal feito. Fui crescendo e crescendo, me tornei uma moça (obviamente). Seios largos e volumosos, quadril farto e um rosto delicado foram a combinação perfeita para chamar a atenção de qualquer rapaz, no entanto, nunca quis um relacionamento sério, sem falar que nenhum dos meus namoros duraram muito.      

 Bem, minha avó sempre foi uma mulher bem calma, interessada apenas em se deitar e cochilar, ela sempre foi muito liberal, mas sua única regra era: "Não traga nenhum raparigo para a minha casa". Ela é aquela clássica mãezona, sempre dando conselhos e trabalhando para segurar as despesas. A velha Beth (Sim, este é o seu nome), aceitou sem hesitar a minha guarda, talvez ela soubesse que eu sou um anjo, mas eu me pergunto todos os dias o que fiz para ser abandonada?

 Hoje estou vivendo em uma das periferias do Brooklyn, estudando em outra escola. Vai fazer exatamente, um mês que estou parada mofando naquele lugar, é todo santo dia a obrigação de ficar lá. Os professores planejam dar uma festa na escola, algo bem simples e meia-boca, não que eu frequentasse festas de alto luxo e com as melhores bebidas do mundo, mas via e lia sobre algumas em revistas e na internet, mas talvez seja necessário para nos conhecermos.

 
✨✨✨

 Finalmente a sexta-feira havia dado as caras e a Festa de Boas Vindas estava chegando com tudo, todos os boys e girls da escola estavam se preparando para esse baita festão. Como sempre, eu tinha que causar como sempre fiz nos outros bordeis, digo, escola.

 Esta sou eu, Aisha Suarili, prazer. Posso ser uma pessoa complicada, festeira e talvez um pouco explosiva. Estes pontos já me tiraram de várias escolas e relacionamentos, triste? Claro que não, é um motivo de orgulho pelo menos para mim, é meu jeito de agir e não tenho vontade alguma de ser santinha, é sempre bom causar um pouquinho. Eu sempre tive problemas com professores ou diretores, eu acho que deve ser alergia ou algo do tipo, sério, eu não aguento ver alguém mandando em mim, sempre acabo respondendo de uma forma educada, só que não. Hoje em dia estou em uma nova escola no Brooklyn, todos parecem bem legais e vários garotos fazem o meu tipo, não vou mentir. Os superiores estão criando uma festinha brega casual pro povo se conhecer, quero com muita certeza arrasar, ser o centro das atenções como sempre, talvez seja algo complicado, mas não para mim.

 Voltando para a historia todos estavam preocupados e animados com essa tal festa que aconteceria a noite. Um dos corredores estava dominado por uma galera fedorenta, seria o time de Futebol? Não, era apenas um bando de gente transpirando de emoção, argh, que nojo. Aquela multidão olhava atentamente para um cartaz recém colocado, que povo mais estranho, talvez fosse melhor evitá-los, mas a curiosidade sempre mata o gato, acabei por também olhar o cartaz (que também era brega e estava recheado de Glitter que se compra em qualquer lojinha), aquele anuncio chamativo dizia logo de cara "Se preparem para a festa ás 20:00", era melhor eu decidir o que vestir o quanto antes possível, precisava arrasar como sempre faço. O sinal tocava e todos seguiam para suas salas, foram bem ligeiros e eu continuava a olhar para aquela coisa brega, não me culpe as cores eram tão hipnotizantes, por fim me retirei dali como a última e segui para minha sala com calma.

 —  Ei, você não devia estar na sala?

 Disse Edward, o monitor de corredor, como ele apareceu tão rápido? Que desaforado. Ele era tão certinho e me dava um nojinho, as vezes eu duvido que ele tenha quinze anos, ele age como alguém de quarenta e oito, não gostava dele, queria que ele queimasse no fogo do inferno? Claro.  

 —  Você não devia estar na sala também? Vamos se poupar.

 Respondi de forma irônica e engraçadinha, talvez pudesse sair ilesa daquela. Olha, apesar de não gostar do Edward, ele era bonitinho, mas a alma dele já estava condenada. Aquele rapazinho me olhou de forma bem "dãr", com aquela voz fina e grossa recheada de hormônios ele me respondia de forma vulgar e soberana, vocês sabem que eu não levo desaforo pra casa.

 —  Claro, claro... Você é novata e já causa sem pensar? Isso vai pro seu professor, que falta de decência.

 Ele me entregou uma folha amarelada com letras deformadas, olha, esperava mais Edward... Esperava mais. Eu estava tão cansada daquela conversa que logo peguei o papel e segui para minha sala, para que continuar algo que já esta no fim?

 —  Ah tá.

 Caçoei e segui meu caminho. A aula se aproximava do fim e a sala se mantinha em silêncio, aonde foi parar a animação e nervosismo daquele povo? Bem, minha escola é estranha. Duas horas depois, o sinal novamente tocava e este anunciava o fim do maldito dia, sem contar que o festão estava se aproximando. Com o sinal a galera que é bem educada e formal também começou a gritar, olha eles são bem estranhos e bipolares, talvez eu seja a estranha aqui. Estava tão apressada que quase não dei atenção para os meus "amigos", segui para fora daquele inferno e com um piscar de olhos já estava na rua.

 —  Aisha, aqui! EI AISHA!

 Quem estava gritando meu nome? Seja quem for devo fingir que não conheço? Bem, era Claire, uma amiga de infância, ela estava como sempre; roupas acabadas e com bebidas alcoólicas. A esfarrapada estava sentada na arquibancada de uma quadra de basquete pública, ela parecia feliz como sempre, a vida dela parecia tão simples e boa. Claire tinha apenas 18 anos e vivia como ninguém, a mesma carregava um engradado de cerveja e um cigarro em sua boca, ela era toda cagada, mas era livre.

 —  Oi Claire, tudo beleza? O que você tem ai?

 Respondi com um sorriso no rosto, eu era a única companhia para Claire, era curioso como ela conseguia dinheiro, mas ela sempre dava um jeito de arranjar vinhos baratos ou cigarros, isso era uma das coisas que me fazia gostar dela.

 — Eu comprei algumas cervejas e essa garrafa de vinho... Bem ruim, não vou mentir. Se quiser.

 A garota direcionava o vinho em minha direção, eu logo peguei sem medo, era vinho meu povo, vinho, uva, álcool, suco, tudo de bom. Tomei aquilo com tanto prazer, engolia cada ML com tanta vontade, foi algo mágico. Claire se assustava e eu também me assustava, o que tinha de ruim naquilo?

 — Como você gostou disso? Argh, você é estranha.

 Era incrível como Claire não havia gostado do vinho, aquele sabor amargo e forte de Uva com Álcool fazia meu paladar dançar sem parar. Aquele final de tarde havia sido realmente confortante, ele acabou por valer pelo resto do dia sem falar que ele havia me acalmado e me preparado para a grande festa. Claramente, havia passado tempo demais com a minha velha amiga, estava na hora de ir para casa e arranjar uma boa roupa, o evento começaria logo e queria ser a primeira a chegar. Acabo por esticar o meu pulso e observar o relógio, o tempo voou é já era dezoito e trinta e oito, estava na hora de me despedir de Claire e agradecer pela bebida amarga e deliciosa. Com a voz apressada e com o tom um pouco rude me despeço da garota.

 — Ei, muito obrigada por isto, precisava tomar algo para me alegrar. Tchauzinho.

 Estava com tanta pressa que não consegui ouvir as despedidas de Claire. Acabei por correr em disparada em direção ao condomínio em que eu morava junto com minha avó, Beth. Aquele prédio estava sempre caindo aos pedaços, me enchia de vergonha morar naquele lugar, me pergunto quantos assassinatos foram investigados naquele lugar. Subi as velhas escadas enferrujadas de aço azulado, olhava para os demais condomínios e todos pareciam estar em condição precária, realmente, o meu larzinho estava muito melhor. Deslizo minha mochila até o chão, com uma mão recolho uma das chaves do meu bolso e com a outra força a maçaneta para trás, assim abrindo a velha porta. Entrando naquele lugar com cheiro de detergente, logo sou atacada pela velha Beth, ou melhor minha avó, ela sempre foi muito carinhosa e logo me recebia com uma bandeja de bolinhos. A dona estava vestida com um vestido florido e em seus pés um par de pantufas rosadas, seus cabelos crespos e grisalhos estavam presos a uma rede de cozinha.  

 — Oi meu amor, tudo bom? Quer uns bolinhos de banana? Acabaram de sair do forno, prove, está uma delícia.

 Ela oferecia aquelas coisas como se fossem a melhor coisa do mundo, eles estavam estranhos e pareciam murchos, como falar "não" para alguém que você ama? Bem, você desvia do assunto. A respondi com bastante calma, ela partiu em direção da cozinha para fazer mais uma de suas receitas demasiada exóticas. Então segui com rapidez para o meu quarto, que estava um tanto quanto bagunçado.

 — Estou com um pouco de pressa, mas muito obrigada vovó, tenho que ir para a grande festa.

 Dentro daquela zona, coloco minha mochila em cima da cama e vou direto para o banheiro tomar um belo banho para poder limpa e cheirosa, precisava estar no glamour esta noite, em seguida vou em direção ao meu armário e escolho as roupas certas, um cropped listrado, jeans azuis e tênis brancos, bem moleca.

 
✨✨✨

 Já estava na hora, segui para fora do condômino e voltava para o caminho da escola, mas desta vez maravilhosa, esbanjando glamour e beleza com as minhas roupas. Como de costume passava pela mesma quadra que havia encontrado Claire, estranhamente ela se mantinha no mesmo lugar e parecia estar comendo algo, decidi que era melhor não incomodá-la. Cheguei em meu destino, logo aquela escola brega havia se tornado ainda mais brega, se é que isso é possível, mas nela foi feito um charme, aquelas cores e luzes chamativas, que arraso. Dentro daquele edifício, aquele povo perfumado e bem vestido me encantava, com certeza encontraria meu paquera. A música estava sempre mudando, a cada minuto conseguia conversar com uma pessoa nova, realmente, aquela festa estava bombando.

 Apesar da música alta, logo um forte barulho era emitido do portão, algo cortante batia contra aquela porta imensa de ferro, quem será o retardado? Bem, com gentileza abria a porta... Claire? O que ela estava fazendo ali, é porque estava esfaqueando aquela coisa? Estava sem escolha, devia tentar fala com ela.

 — Ei Claire, você tá bem?

 Perguntei, com medo e preocupação.

 — Você, filha de Dionísio! Seu tempo acabou, devemos matá-la imediatamente!

 Claire estava drogada ou o que? Outra tentativa de falar com ela? Talvez. Coloquei uma de minhas mãos sobre o ombro de minha amiga, a mesma me atacava com um golpe rápido, que por sorte ela errava. Eu implorava por ajuda e entrava novamente na escola, pedia por socorro mas ninguém conseguia me ouvir, aquela música alta e conversas constantes faziam com que meus gritos sumissem, eu estava tão assustada. Com uma tentativa desesperadora corri em direção a cantina, aquele lugar já era um pavor de dia, imagina em plena as nove da noite? Me mantive escondida de baixo de uma das mesas, rezei várias e várias vezes para que não fosse pega. Depois de longos minutos, escuto a porta do cozinha se abrindo e fechando bruscamente, o cheiro de gás se espalhava por todo o local, Claire voltava a falar coisas confusas e sem sentido, devia me manter otimista.

 — Aisha Suarili, filha de Dionísio... Aonde você está? Você pode continuar escondida e esperar que tudo exploda em um piscar de olhos, você pode morrer sozinha ou queimar até a morte junto de seus amigos.  

 Que sigo para a cozinha, tento dialogar mais um pouco, mas novamente não obtive sucesso, ela estava vindo em minha direção devagar, rapidamente vasculhei pelos armários da cozinha em busca de algo para me defender, várias coisas úteis como grandes facões cegos, enferrujados, dei de encontro com um cutelo diferente, parecia novo e polido, o peguei e sem pensar duas vezes o arremessei contra Claire, com bastante sorte aquela coisa afiada atingira o crânio da garota, ela colocou a mão no cabo do cutelo e o puxou, a fenda que se abriu em sua testa era imensa e logo começou a jorrar um pó estranho e Claire se desfez aos poucos. Sentei-me no chão por alguns segundos, estava apavorada com aquilo, notei que o gás ainda estava ligado, me levantei e o desliguei, passei a mão em minhas roupas tirando a sujeira dela. O que diabos havia sido aquilo?

 
✨✨✨

 Voltei para a festa mas não consegui curti muito, aquela cena ainda ficava em minha cabeça, e afinal, quem é Dionísio? Ao chegar em casa minha vó ainda estava acordada me esperando, estava balançando em sua cadeira enquanto assistia um desses programas de reportagens sobre as belezas do mundo. Contei para ela o ocorrido na festa, ela parecia preocupada, deixou a televisão no mudou e segurou em minhas mãos, respirou fundo e então disse que acreditara em mim, não esperava por isso.

 — Oh minha neta querida, eu acredito em você. — disse ela acariciando minhas mãos com as suas — Por gentileza, minha querida, poderia pegar minha bolsa?

 Assenti com a cabeça e me levantei do sofá e fui até o criado mudo e peguei uma das minhas bolsas personalizadas de minha avó que ela mesma fazia manualmente, entreguei-a e ela começou a vasculhar como se estivesse em busca de algo pequeno, por fim ela achou o que queria, era um pequeno papel, na verdade um cartão, que nem esses que tem o número da pizzaria, do gás, essas coisas.

 — Faça uma visita a este homem, ele poderá lhe ajudar. — disse-me ela entregando o cartão, estava com um olhar pesado se segurando para não cair nas lágrimas.

 Era o cartão de um psicólogo que já tinha alguns anos no ramo, eu já ouvira falar seu nome mas nunca me importei, confiei em minha vó e prometi a ela que já na segunda-feira iria conversar com o tal de Mark. Depois disso fomos dormir.

 O fim de semana foi bom, só uma vez tive um pesadelo com a cena envolvendo Claire e eu mas nada muito preocupante, chegada a segunda-feira só consegui marcar um horário durante o período de aula, estava feliz por dentro? Com certeza, e por fora também. Demorei uns quinze minutos para chegar no consultório do tal Mark, notei que ele era um cadeirante que já devia ter mais de quarenta anos, contei-lhe a minha situação e ele parecia se intrigar a cada palavra que saía da minha boca.

 — Ah, e ela me chamou de "Filha de Dionísio" ou algo assim, quem diabos é Dionísio, afinal?

 Ele levantou seus óculos e coçou seu olho esquerdo, respirou fundo e dirigiu sua cadeira de rodas para a janela, coçou sua barba e finalmente começou a falar, me contava sobre mitologia grega, que as histórias sobre os deuses eram reais que ainda nos dias de hoje haviam filho deles.

 — Bom, de acordo com essa garota, você é filha do deus Dionísio, não podemos dar essa certeza enquanto ele não reclamar por você, mas sua personalidade é semelhante até com o que é listado sobre o deus, temos várias pessoas como você, você deve ir para o Acampamento Meio-Sangue. Avise sua avó, devemos partir logo, mais monstros a encontrarão e tentarão matá-la.

 Sem palavras acabei por desmaiar, se passou algumas horas ate que eu acordasse e estava acordada em minha casa, minha vó estava tão orgulhosa que logo começou a chorar, eu estava tão feliz que esperava que partisse logo, evitando o sofrimento emocional e físico de minha avó. Recolho minhas malas, tudo que era necessário, segui junto de Mark em direção a um táxi, a viagem seria realmente longa e graças ao psicólogo tudo foi pago. A minha nova vida começaria em algumas horas, dias ou noites.

✨✨✨

O acampamento era um lugar belo, com muita natureza e construções rústicas, dava a impressão que eu estava em um clipe infantil preparada para cantar a música da Fazenda do Tio Lobato, porém, um pouco mais drogada (Lá na fazenda tinha uma Quimera, ia ia o). Eu sentia em meu coração algo forte, uma sensação de amor e animação, eu não estava bêbada, mas estava tão feliz por estar no meio do nada sem entender nada, minha vida tinha um propósito. Junto deste sentimento, em minha cabeça um símbolo brilhante e baladeiro de uma Videira surgia com o tempo, o que significava isto? Um cretino olhava para mim e gritava para os demais enquanto apontava aquele dedo imundo para minha cara, da onde esse figurante surgiu? Vá te catar.

— Olhem lá! Uma Filha de Dionísio!

Com esta frase o menino e outros desconhecidos se aproximavam de min, perguntas e perguntas sem parar, eu mal havia chegado e já me sentia famosinha. Que arraso. Aquele povo estranho se aproximava de min, junto com o vexame que dava umas boas pauladas na minha cara. Eles me levantaram e me jogava pro alto e logo me seguravam de novo, e gritavam "Filha de Dionísio!", brega? Brega, mas eu adorei a recepção.

A noite chegou com tudo e um banquete grande feito um jegue foi preparado, eu não estava preparada para comer tanto com aquela quantidade de pessoas desconhecidas me observando, jamais havia visto aquelas pessoas na vida, mas tinha o interesse de conhecer cada um deles, iria agir como a simpática santinha que todos amam e depois me soltaria devagar. Sentada naquele mesão com os demais, comia a carne de algo que eu não sabia, era cabrito? Jegue? Cavalo? Demônio? Enfim, não importava estava com um gosto delicioso e comeria aquilo com todas as minhas forças. Olhava em minha volta, um bando de gente tacava comida contra uma fogueira que queimava sem dó nem piedade, eles pediam coisas e rezavam com tudo que tinham, alguns jogavam em nome de alguns Deuses e outros de outros Deuses, eu admirava aquilo e sentia que devia fazer o mesmo. Me levantei e recolhi um pedaço de carne do meu prato, caminhei em direção daquela fogueira e atirei a carne contra a mesma, me ajoelhei e rezei em nome de meu pai, Dionísio, agradeci por toda bebida que bebi na minha vida, toda festa que participei, por toda contenda que eu causei e por todas as crises existenciais que ele me fez passar. Toda aquela comida havia acabado e com isso toda a multidão foi embora, segui para o meu dormitório e dormi tranquilamente naquela cama de madeira.

"Toc, toc" Era o som que estava na porta, um cavalão, digo homão, digo cavalão homão, chamava em meu nome, o mesmo me entregava um bastão decorado, aquela coisa feia se chamava Tirso, eu não gostava dela mas de forma estranha parecia que eu sabia usa-la, enfiar aquilo em lugares peculiares dos monstros seria a coisa mais maravilhosa da minha vida.

— Seja bem vinda Filha de Dionísio, isto lhe pertence. Sua aventura começa agora.

O homem cavalo era bem educado e direto, minha nova vida esta começando, eu estava tão feliz e esperava conquistar grandes feitos. Cuidado mundo, uma nova Filha de Dionísio estava na cidade, segurem suas bebidas e as marimbas alheias que estou chegando com tudo.

 
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Deméter em Seg 10 Abr 2017, 23:48


Ficha de reclamação

— Aisha Suarili: reclamada como filha de Dionísio.

Fiquei bem feliz que não tenha desistido, Aisha! Sua narração é realmente boa, como bem já disse, e só não foi aprovada pela falta do momento da reclamação — algo que você cumpriu dessa vez. Alguns adendos quanto a construção frasal aqui ainda são feitos, já que em determinados momentos você poderia ter substituído vírgulas por pontos, por exemplo. Mas além disso, nada mais a comentar (a não ser uma pequena falta de dramatização quanto à descoberta de ser uma semideusa). Por isso, meus parabéns, filha de Dionísio!


atualizado!




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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Eun Su Bin em Ter 11 Abr 2017, 15:35


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Apolo. O deus do sol as vezes até parece manjado, mas isso não o faz menos... DEUS, e é olimpiano ainda por cima. Acredito que Subin sendo prole de tal personalidade divina terá contraste com sua personalidade e alguns de seus jeitos que não se encaixam tão calorosamente para um filho do Sol, mas ainda assim, as coisas se tornariam um pouco mais interessante desta forma, ainda mais por seguir na trama como um Curandeiro.

— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

Embora seu corpo franzino de estatura alta e pele pálida o deixe com um aspecto de recém desfalecido - juntamente com o amontoado de fios médios e negros -, seu rosto partilha de traços finos e suaves, além das bochechas suavemente elevadas, destacando um poucos dos lábios finos, porém chamativos que se contrastam com o claro da pele e sua respectiva cor avermelhada.

E muito do oposto do que se pode conceituar devido ao físico, Subin é um guerreiro determinado e se empenha em todas as atividades, ainda que prefira ficar a cuidar dos outros feridos à sua volta. Quase sempre sorridente, feliz e cantante, algumas vezes ele tem uma queda de ânimo e sua mente se preenche com pensamentos negativos e desejos que não seriam aceitos no acampamento, como se fosse uma espécie de maldição gratuita – talvez seu pai não tenha gostado de suas composições –. Calmo, é difícil vê-lo perder a cabeça – só se estiver em uma das crises – até mesmo durante missões ou atividades um pouco mais complicadas, as que viessem despertar frustação e repulsa, como limpar os estábulos, por exemplo. Amigável e de fácil socialização, não irá haver muitas dificuldades para qualquer um que tente se aproximar dele, porém é Oito ou Oitenta. É raro, mas Subin ainda é gente e por ser desta natureza, assim como ele gosta, ele também desgosta, criando um vínculo negativo com a pessoa, fazendo seu sorriso sumir por apenas estar dividindo espaço com tal.  

— História do Personagem:

O motivo ainda está bem explícito, talvez fossem apenas as Parcas querendo brincar, nas Eun Heejin não tinha qualquer conexão com as esferas de poder de Apolo para que ele fosse atraído por uma florista na Califórnia. Ou talvez, tivesse sido a beleza dela. Talvez Perséfone fique irritada, mas sua tinha uma beleza tão peculiar que até mesmo as flores que acabavam de desabrochar pareciam velhas perto dela.

Não demorou muito para acontecer o que acontece com a maioria dos outros semideuses. Sua mãe ficou grávida de uma divindade e Apolo partiu. Mas um pequeno detalhe. A grávida estava louca. Antes de partir, Apolo resolveu revelar sua natureza, contou-lhe quem era e sua posição no Olimpo, e Heejin sempre tivera um físico muito forte, se fosse apenas uma porrada poderia ter aguentado, mas sua mente era fraca, ao contrário da carne. Aos poucos, sua mente fora se corroendo com as ideias da mitologia, tornava-se cada vez mais obcecada pelos deuses. Ela queria se tornar como um deles, ela queria virar uma deusa, nem que se tivesse de usar a criança em seu ventre para conseguir o objetivo. Ela estava pronta para se tornar imortal do jeito mais baixo possível.

Desde que nascera sua mãe não desgrudava de si, não por puro instinto maternal como todas as outras mães normais fazem, mas sim com medo de que Apolo ou qualquer outro deus levasse seu único meio de conexão com eles, chamado de Eun Su Bin. E fora assim que sua infância sempre prosseguira, de uma maneira totalmente privada, sequer frequentava escola, suas aulas eram particulares e dormia na mesma cama que sua mãe, com o pulso algemado ao dela – Não que isto detenha alguma divindade –. Todavia a mulher nunca explicara para a criança o motivo de tamanha “proteção”, mas também nunca a questionara, desenvolveu-se assim, este era o seu padrão de vida normal, a única coisa que sabia era o que sua mãe falava: ”Ele vai voltar, Subin-ah. Ele me levará ao Monte e você irá se tornar um dos melhores”. Era isto quando o pouco de sanidade atingia o resto de cérebro da mãe, outrora o menino tinha algumas marcas por volta do seu corpo que levava alguns dias para sumirem, no entanto não tinha ninguém lá para o proteger das ameaças e das palavras jogadas.

Para se aliviar o pequeno adotou, involuntariamente, o hábito de escrever músicas e poemas, todos quase sempre com significados pesados, perguntando-se se algum dia poderia conhecer a denotação da palavra liberdade como constava no dicionário. Sua mente dizia que isto nunca ocorreria, não enquanto estivesse vivo.

Mas tudo mudou quando em uma tardezinha, saíra com a mãe para o mercado – sim, ela não tinha coragem para o largar sozinho em casa para lhe dar com a surpresa desagradável de que ele fora levado quando voltasse – e estranhamente a rua estava deserta e o céu mais escuro com o comum, apresentando apenas alguns clarões dos fenômenos elétricos. Não demorou muito para começar a chover também. Isto mudou o trajeto do mercado para uma loja de conveniência, era mais perto de casa. O semideus estava atado à mãe com uma pulseira metálica, para que não fugisse, ele tinha de a seguir para todos os lugares, até mesmo ao banheiro. Quando estava no caixa, não tinha o arbítrio de mexer nos doces que tanto instigavam o seu paladar e curiosidade naquele momento, mas um terceiro sentimento surgiu quando olhou para o vendedor, seu rosto não era mais tão humano e sequer masculino, aparentava ser algo como uma galinha gigante, mas sem bico e suas penas pareciam de um animal já quase que morto. O moreno recuara para detrás da mãe e fechou os olhos por um breve período, quando os abriu a harpia já estava sob o balcão e o encarava de maneira assustadora, e, sua mãe que antes não queria sequer passar um momento longe do filho, estava entregando ao monstro e sussurrava coisas se algo de importante fosse acontecer a ela por estar cooperando. A prole ainda era pequena e magra, mas dificultava o voo da besta alada que não tinha se suspendido no ar por mais de dois metros, porém ainda o levava, segurando-o pelos pulsos estendidos e presos nas garras. Abaixo de si e alguns metros atrás sua mãe parecia comemorar, esticando os braços aos céus como se esperasse que um ovini a sugasse para as nuvens. E na sua frente, tinha algum outro monstro, aparentava ofegar. Ao contrário da que a carregava, este era um homem da cintura para cima, apresentando duas pequenas protuberâncias no topo da cabeça, abaixo do tronco seu corpo se assemelhava à parte traseira de algum animal como jumento, burro ou bode.

Suas pálpebras forçavam a se manterem fechadas, lutando contra a luz artificial das lamparinas penduradas nas pilastras de madeira do lugar. A cabeça e algumas partes do corpo doíam como se tivesse caído, assim como em seu sonho em que tinha sonhado em ter sido carregado por alguma coisa estranha e depois apareceu uma outra coisa estranha e atacou a primeira, deixando que ele caísse sobre um carro prateado. Seus olhos ainda permaneciam fechados quando se sentou, abrindo-os apenas ao notar duas mãos tocarem em seus ombros, o rosto era totalmente desconhecido para ele, fazendo-o com que reagisse de maneira agressiva. Empurrou as mãos do outro rapaz e pegou uma lanterna que estava em cima de um criado mudo como arma. – Quem é você?! – Seus olhos lacrimejavam por frustração e medo, as mãos tremiam tanto que era bem capaz que ele golpeasse a si mesmo com o objeto.  Subin não ficou para ouvir a resposta, embora fosse pequeno e não tivesse costume de praticar atividades, era ágil. Jogou a lanterna na direção do rosto do rapaz mais alto e então correu, passando por debaixo das pernas do curandeiro e saiu da cabine. Do lado de fora ele se deparou com uma cena que jamais imaginava presenciar. Tinha algum tipo de construção para qualquer direção que olhasse, correu então para a mais movimentada. O lugar era cheio de gente e todos sentavam ao redor de uma fogueira. – SOCORRO! – Passou a gritar repetidas vezes, mas eles conversavam tão entusiasmados e em um tom elevado que não o ouviram. Seu pequeno corpo só se tornou notável quando seu corpo brilhou dourado, como se fosse sua própria fonte de luz e calor. Deparando-se com o estranho acontecimento, seu desespero só aumentou. Sua resposta fora voltar a correr, mas seu pé bateu contra o outro e o fez tropeçar, batendo a cabeça nos pedregulhos perto da fogueira, e então filho de Apolo mais novo fora reclamado, de uma maneira muito vergonhosa por sinal.
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Blair Graves em Qua 12 Abr 2017, 12:22


 
FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Desejo a reclamação por Hipnos, que, sendo um daemon grego, tem o poder de interferir no espírito dos morais. Blair sempre fez isso à sua maneira, em seu mundo, e descobrir ser filha de um deus tão parecido com ela pode não ser uma coisa tão boa quanto deveria.

  — Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

Físicas:
Blair tem cabelos e olhos castanhos, pele clara, 1,65m e 56kg. De corpo esbelto e magro, costuma chamar atenção por onde vive, ainda que não seja alta como as outras garotas de seu convívio social.

Psicológicas:
É uma garota confusa. Sente que não encontrou seu lugar verdadeiro no mundo, odeia o lugar em que foi colocada e acha que nunca conseguirá se livrar dele. Vivia uma vida frustrada e de falsidade até decidir tomar uma drástica decisão em certo verão...

  — História do Personagem:

Não é legal viver em um meio que você odeia. Com certeza não. Mas quando você não conhece outro mundo, outra realidade, será que fica mais fácil aceitar e incorporar os dogmas sociais que estão ao seu redor? Blair Graves aposta todas as suas fichas que não. E ela vem fazendo essa aposta alta — e ganhando — há muito, muito tempo.

A jovem herdeira da fortuna Graves aprendeu desde muito cedo que as aparências são o que realmente importa no mundo. "Não interessa se você está um caos por dentro, mostre-se inteira", dizia sua mãe. Tudo começou quando Blair ouviu-se citada como a "herdeira sem pai" em uma rodinha de supostas amigas de Eleanor. Aquelas mulheres dissecavam sua mãe com tanta crueldade que feriu a pequena garota, de apenas 5 anos, de morte.

Mais tarde, depois de desaparecer em seu quarto enquanto a festa de lançamento da nova linha de perfumes da mãe rolava, Blair foi encontrada ainda chorando. Não sabia mais se era por causa da ausência jamais explicada a fundo do pai ou por tudo o que ouviu ser dito da mãe por aquelas mulheres que, segundos depois, estavam lhe sorrindo com toda a falsidade do mundo.

— Não chore, Blair. Não podemos chorar, você entende? — A mãe disse, sentando-se ao lado da filha na cama.

— Não! Não entendo! Aquelas bruxas estavam falando mal de você, mamãe! Por que você é amiga delas?

Eleanor pensou que não conseguiria fazer a filha compreender a complexidade em que precisaria viver toda a sua vida, mas a garota entendeu bem até demais. Em sua mente infantil, Blair concluiu que todo mundo vivia em um faz-de-conta, mas a diferença crucial era que não havia final feliz ao encerrar a história, porque os vilões conviviam com os mocinhos dia após dia e ninguém jamais parava de brincar. "Faz de conta que você está feliz", "faz de conta que não há problema algum". Por trás, quando os atores deixavam os figurinos dos personagens em segundo plano, suas verdadeiras faces e emoções eram mostradas e não eram segredo, de fato, para ninguém.

Blair só demorou a entender a razão para que isso ocorresse. Percebeu alguns anos depois que as pessoas eram falsas não apenas por serem vilões em uma história sem heróis (não, nem sua mãe era uma heroína, ela constatou tardiamente), mas porque tinham a necessidade de aparentar ter a melhor vida do mundo. Blair, para vergonha própria, viu-se cada vez mais mergulhada nesta realidade. Não podia negar que o poder de influenciar as meninas de sua idade por ser a filha de Eleanor Graves era delicioso, era mesmo. Todas faziam o que ela queria e quando queria. Todas a viam como um ideal de sorriso, de moda, de tudo. Mal sabiam o quanto a garota estava em frangalhos por dentro.

— Mostre-se inteira! — Ela aprendeu a repetir a si mesma.

* * *

Aos doze anos, a ausência do pai deixou de ser um problema real. Já fazia algum tempo que deixara de julgá-lo por ter abandonado sua mãe grávida, percebeu que fazia com ele o mesmo que todos a sua volta faziam uns com os outros: tirar conclusões precipitadas sem um panorama completo. Conhecendo aquela sociedade como a palma de sua mão (talvez até mais), Blair questionou-se sobre o motivo do pai ter fugido. Talvez tivesse descoberto que nada ali era real, provavelmente nem a mulher com quem estava a ponto de ter um bebê. Não o culpou mais desde então.

O mundo de princesa de Blair parecia perfeito para quem o olhasse de fora. Pessoas de fora de seu círculo social, menos favorecidos, por assim dizer, costumavam dizer que aquela menina nunca saberia o que era ter um problema financeiro na vida. Seria errado dizer que a frustração e crescente depressão da jovem era um problema financeiro? Garanto que não. O dinheiro que girava nas altas rodas era simplesmente o principal problema dos vilões daquele conto sem fadas.

Dois anos depois veio a explosão. Férias nos Hamptons, como não poderia deixar de ser. Todos os riquinhos iam para lá a fim de tirarem um tempo longe do que lhes era comum o ano todo, mas, querendo ou não, todos se encontravam e as conversas eram sempre as mesmas, só que com roupas de verão. Charlie Benson tinha descoberto a arte do beijo no ano letivo passado e tentava atacar todas as meninas do seleto grupo dos abastados moradores do Upper East Side. Todas o odiavam, tinham-lhe extrema repulsa, mas aceitavam suas cantadas porque as famílias eram amigas — nos negócios apenas, Blair sabia e desconfiava que todos os outros sabiam também, embora aceitassem melhor que ela.

Seu ensino médio estava para iniciar. Nova escola, mesmas pessoas, maiores cobranças. Ali começaria a traçar seu perfil profissional, ali começaria a trilhar o caminho para Yale, a universidade que a mãe tanto prezava. Ah, a Ivy League! Sonho de tantos, pesadelo de muitos! Blair nem queria começar naquele jogo sangrento em que adolescentes passam da fase da influência e começam de fato a ser falsos uns com os outros, engolindo os colegas a seco enquanto lhes sorriem porque precisarão deles no futuro. Todos herdeiros de uma fortuna e da maldição de não poder viver a própria vida.

Blair fugiu.

Correu quando não podia ser notada pelos demais, embrenhou-se pela floresta e se arriscou como nunca antes. O quê? Blair Graves, no meio do mato? Só se fosse de forma artística, para um ensaio fotográfico — coisa que ela odiava. A garota cortou a pele perfeita e nem se importou. Gostou, na verdade. Queria macular aquela tez perfeita, tão bem tratada, aquela embalagem de porcelana chinesa que escondia o que ela era por dentro: tão vazia que tinha somente poeira e teias de aranha.

Não sabia quanto tempo se passara, não sabia se alguém já lhe procurava. Talvez a mãe estivesse preocupada, mas os demais? Provavelmente deviam estar pensando que ela fora a vítima mais recente de Charlie Benson, quem sabe o que poderiam estar fazendo juntos...! Quando a noite caiu, Blair se assustou. Somente ali, no escuro, percebeu que estava sozinha realmente e o que fora libertador antes tinha se tornado em algo aterrorizante.

Haveria feras na floresta? Logo descobriria que seres muito estranhos viviam ali. Dentes de criaturas com dentes extremamente ameaçadores até meninas que viviam em árvores. Blair pensou ter enlouquecido. Buscou a orla da floresta e viu-se muito longe de onde estava a casa de sua mãe e de seus conhecidos. Nunca tinha estado em nenhuma das casas que lhe davam as costas no momento e imaginou quão longe tinha ido para fugir de si mesma. Importava? Talvez. Quem sabe tinha feito uma bobagem... Provavelmente deveria voltar para a vida que tinha. A simples ideia causou-lhe aversão.

Blair invadiu uma das poucas casas de veraneio vazias àquela hora. Ter privilégios por vezes lhe permitira aprender e fazer coisas erradas, arrombamento não era algo assim tão absurdo. Roubou o que podia da inocente família que talvez estivesse na praia ou na casa de outra pessoa, a quem provavelmente odiava mas com quem sempre socializava. Céus, como Blair odiava aquilo tudo. Causava-lhe repulsa, verdadeiro nojo. Saiu da casa mais rápido do que entrou, carregando comida de todo tipo em uma mochila, também roubada.

Passou a caminhar e correr à margem da floresta, se escondendo vez ou outra para não ser interrogada por algum curioso. Dias se passaram. A menina, já magra, emagreceu mais ainda, mas continuava seguindo sua viagem para lugar nenhum. Começava a sentir-se desamparada e louca, irreversivelmente agora. Toda hora parecia ver um par de olhos amarelos ou vermelhos, dentes ameaçadores ou meninas com orelhas de elfo e pele esverdeada. Tinha certeza que estava maluca quando se deparou com o garoto mais lindo que já vira na vida. Mal sabia ela que tudo iria mudar dali a alguns dias.

Ele a levou para uma caverna e a alimentou. Foi gentil, carinhoso e cuidadoso. Cuidou de seus ferimentos e parecia venerá-la com todas as suas forças. Blair ficava fraca perto dele, mas achava que era uma fraqueza boa, que era amor. Coitada... Demorou algum tempo para perceber que o rapaz não a deixava chegar nem perto da abertura da caverna mais. Dizia-lhe que era para protegê-la das feras, que ele era quem cuidaria de tudo e que o papel dela era ser protegida por ele. Era seu tesouro, ele dizia.

O lindo rapaz pareceu não ser mais tão encantador assim, exceto quando estava mais perto dela. Blair continuava fraca perto dele e coisas estranhas passavam por sua cabeça. Queria tocá-lo, sentir sua pele sob seus dedos, queria que ele a tocasse mais do que apenas os castos carinhos nos braços e nas bochechas. Desejava-o com intensidade que desconhecia quando ele estava perto e sonhava em deixá-lo com a mesma força quando ele se afastava. Havia algo de muito errado acontecendo ali. Ela sentia isso. Era maior que qualquer mentira, qualquer influência tentada por parte dos meninos bonitos de seu círculo social. Aquele cara não era normal.

Tentou fugir. Perdeu a conta de quantas vezes. Não sabia se foram muitas ou poucas porque sua mente parecia cada vez mais entorpecida. Ouvia ruídos estranhos do lado de fora da caverna e desejava saber o que eram, mas jamais conseguia chegar muito perto. E todas as vezes resultavam em uma fraqueza maior. O rapaz chegava cada vez mais longe e ela sabia que logo estariam em um nível de ligação sem retorno. Ela o quisera antes e o repudiava agora, mas não conseguia simplesmente lutar contra ele. Até que um novo rapaz apareceu e ela nem estava acordada para assistir seu salvamento.

O misterioso sequestrador a pusera para dormir e deitara-se ao seu lado, como se fossem realmente um casal. Um jovem cheio de seus próprios demônios buscava provar-se valoroso para um grupo de pessoas diferentes de todo o resto do mundo. Uma luta que Blair jamais saberia descrever se estivesse acordada aconteceu, o sequestrador revelou-se uma espécie de vampiro, um damphyr, ela soube mais tarde. Seu salvador disse que a levaria para um lugar seguro, exatamente as mesmas palavras que a levaram em cativeiro para aquela caverna. Mas mesmo assim, mesmo desconfiando, ela aceitou a ajuda. Só queria sair dali.

Era noite alta e a jovem só conseguiu ver as feições do jovem guerreiro quando finalmente encontraram o luar. O que a fez arquejar não foram apenas os inúmeros ferimentos, mas a estranha aparência que este tinha com seu captor. Talvez a cor dos olhos fosse diferente, o tamanho dos cabelos também. Não sabia o que a impressionava mais, mas percebeu que, se o rapaz lhe quisesse fazer algum mal, teria feito lá dentro mesmo. Ele queria ajudá-la. O motivo? Não sabia. Sua expressão de surpresa logo foi desanuviada e ela esperava não ter sido rude demais ao mostrá-la.

Seu nome era Zachary Dewin, ele havia se apresentado ainda na caverna. Blair se apresentou enquanto caminhavam — e pareciam se perder — por entre as árvores, mas aparentemente ele já sabia seu nome. Provavelmente seu captor o tinha dito, era a única forma que ele tinha de saber, certo? Passou-se meia hora e Zachary não parecia gostar de conversar, então o trajeto pareceu ainda mais longo. Não que ela tenha realmente se importado, demoraria a confiar realmente em alguém depois do que passara.

Em determinado momento, o garoto fez uma magia. Agora sim Blair acreditou que tinha enlouquecido de vez. O fato de o rapaz ter uma adaga e estar todo ferido numa floresta não era bem um fator de suspeita, mas... magia? A garota sentiu seu corpo estremecer e viu o rapaz ao seu lado quase cair. Instintivamente, ajudou-o a ficar de pé e recebeu, pela primeira vez na vida, um olhar de agradecimento real. Perguntou-lhe o que ele tinha feito, ele respondeu que a ocultou. De quê, exatamente, ela não tinha ideia. Ele falou que monstros não a encontrariam e ela não sabia mais no que pensar.

Ouviram passos. Um grupo surgiu, liderado por um garoto de capacete e armadura. Mas o que é isso? Aparentemente, alguém chamado Quíron mandara uma equipe de resgate para a floresta quando Zachary demorou a retornar. O líder explicou que os encontrou ao sentir a aura do salvador de forma parcial, interferida pela presença de outro semideus. Semideus?! Então, a aura do salvador foi sentida por inteiro novamente, como se o suposto semideus que o acompanhava tivesse desaparecido.

— Pensou que eu a tinha matado, não é? — Zachary perguntou e Blair notou a raiva em sua voz. Por que alguém que o conhecia pensaria isso? Ela pensar, tudo bem, não fazia ideia de quem ele era, mas outros? Quem seria o misterioso herói que parecia passível de acusações. Blair não percebeu, mas, naquele momento, ligou-se emocionalmente ao filho de Hécate de forma mais íntima do que com qualquer outra pessoa que já tivesse encontrado na vida. Mesmo o damphyr, afinal aquilo foi artificial.

Chegaram à orla da floresta depois de pouco tempo. Blair se apresentou ao grupo, mas viu que a tensão ali era pesada demais para tentar mais algum contato. Em determinado momento, Zachary voltou-se para ela e garantiu que já estavam chegando. Pareceu-lhe estranhamente protetor. Blair sorriu com sinceridade pela primeira vez em muito, muito tempo. Um sorriso tímido a alguém em quem ela, de fato, começava a confiar, apesar de seus mistérios. Blair queria conhecê-lo melhor, desvendá-lo talvez. Esperava que ele fosse a primeira pessoa verdadeira com quem ela teria algum tipo de relação. Ansiava por isso, ansiava por sinceridade.

— Obrigada — ela conseguiu dizer, tocando-lhe o braço gentilmente num ímpeto tão natural que só percebeu depois o que tinha feito, quando a sensação da pele dele ainda formigava em seus dedos. Alcançaram o gramado. A luz vinda do local parecia quase irreal depois de tanto tempo no escuro. Não, não era a luz do local. Eram tochas, ora essa, como poderiam ser tão fortes?

Era cor de caramelo, cheirava a leite quente e marshmallows, envolvia-a por completo. Zachary a olhava com expressão curiosa. Na verdade, olhava para cima de sua cabeça, assim como todos os outros. Ela o espelhou e viu a estranha imagem holográfica de uma flor meio redonda. Papoula...? De seu ramo, gotas leitosas caíam e desapareciam em lugar algum. Não sabia o que significava aquilo, mas o líder do grupo que os acompanhava ajoelhou-se, seguido dos demais:

— Ave, Blair Graves. Filha de Hipnos.

* * *

Blair agarrou-se ao braço de Zachary, não entendendo coisa alguma do que ocorria ali. Viu-se caminhando por um lugar estranho. Parecia um acampamento, mas tinha armamentos em tudo que era lugar. Os chalés onde os prováveis campistas dormiam eram mais esquisitos do que tudo que Blair já tinha visto na vida, fugiam totalmente do padrão "clean" e chique que estava acostumada. Gostou instantaneamente.

Foi levada a uma casa de veraneio azul e branca, onde um homem barbudo e de cadeira de rodas deu-lhe as boas-vindas. Parecia ser o diretor do local, mas tinha um jeito tranquilo e acolhedor ao falar com ela, totalmente verdadeiro. Blair também gostou dele com facilidade, exceto pela parte em que pediu-lhe para acompanhar os meninos de armadura em um tour pelo local. Queria ficar ali, descansar, talvez saber quem era Zachary Dewin afinal... Mas não pôde, afinal Quíron, o diretor, precisava de uma conversa particular com o rapaz.

A garota retornaria ali mais tarde, para relatar o que houve, assistir a um vídeo explicativo que esclareceria todas as estranhezas mal explicadas pelo Clube da Armadura, e também para falar com a mãe no único computador que existia em todo o acampamento. Descobriu que Eleanor estava preocupada, mas viu que sua expressão suavizou instantaneamente ao saber que a filha tinha encontrado o lugar mais perto da realidade de seu pai possível.

— E os outros? O que vai dizer a eles? — Blair questionou, sabendo o quanto as aparências contavam naquele meio.

— Não se preocupe. Eles não acreditariam se eu dissesse a verdade mesmo, arrumarei alguma mentira.

Despediram-se. Blair foi levada ao chalé que correspondia aos filhos de Hipnos. Tinha irmãos! Algo realmente novo estava começando em sua vida. Ocupou uma cama próxima à janela e percebeu que tinha visão privilegiada do chalé de Hécate caso a janela de lá também estivesse aberta, mas não avistou Zachary, como esperava. Talvez ele estivesse na enfermaria, pensou corretamente e quedou-se a deitar em sua nova cama. Foi o sono mais tranquilo que Blair já tivera.

~*~
 
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Lavínia Cavendish em Sex 14 Abr 2017, 17:07



Avaliação


Eun Su Bin — Reclamado como filho de Apolo



Adoro esses nomes. Well, sinta-se bem-vindo caso seja novato!

Gostei muito da sua narração e do background do seu personagem, você fugiu do padrão e eu gosto muito dessas inovações. Achei o momento da reclamação um tantinho corrido, mas ainda assim bem válido. Seus erros de ortografia são bem poucos e facilmente corrigíveis, em alguns momentos você acabou pecando como na frase "[...] as coisas se tornariam um pouco mais interessante* desta forma [...]", mas creio que seja apenas um erro de digitação. Espero que desenvolva bem seu personagem, boa sorte!



Blair Graves — Reclamada como filha de Hipnos




Blair, sua ficha foi esplêndida! Gostei muito da sua narração e do enredo da sua personagem, você soube descrever sem  tornar maçante uma história com muita vida e que realmente me envolveu. Peguei algumas referências, por sinal.

Não tenho do que reclamar, não encontrei grandes erros de ortografia ou coerência. Espero vê-la desenvolvendo a personagem no fórum e avaliar suas futuras missões. Seja muito bem-vinda e uma boa sorte!

Dúvidas, reclamações, desabafos: MP
© lavínia cavendish






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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Deméter em Sex 14 Abr 2017, 17:31


atualizado!




deméter, sweetheart
SE VOCÊ NÃO COMER O CEREAL, O BANHAMMER É QUE VAI COMER! n
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Ethel N. Dmitry em Sab 22 Abr 2017, 19:04


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?
Escolhi a Deusa Hécate, por sua representatividade na área mágica. O mundo oculto sempre me chamou atenção, tanto que sou tarólogo e conhecedor de certos cultos. Além disso, sou um grande fã de Sabrina, the teenage Witch (Salem, eu te venero) e HP haha. Devido a isso, acho a Deusa a melhor escolha. Pois, além da minha familiaridade com seus domínios, acho-a interessantíssima.
— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

Características Físicas:
Ethel é um menino de aparência frágil, sua pouca estatura, cerca de 1,68m, somados a palidez de sua pele e pouco porte físico dão esse quê de fragilidade e androginia, porque não?
Além do pequeno e pálido corpo, Ethel é dono de longos cabelos negros, que caem aveludadamente até suas costas. O seu rosto é fino e angular, o que acarreta numa aparência aristocrática. Seu nariz é protuberante e cheio de sardas, o que contrasta com a delicadeza de seus outros traços. Os olhos possuem uma anomalia genética, são heterocromáticos, em outras palavras, um de cada cor. Seu olho direito possui uma cor incomum, um azul-violeta ala Elizabeth Taylor e o esquerdo é dono de um purpura enegrecido. Seu andar é leve e seus gestos calculados.
Características Psicológicas:
Por ser uma prole de Hécate e ser regido pelo signo de gêmeos, a característica tríplice da Deusa, junto a dualidade de seu signo, acarretam em um semi deus de humor muito volúvel. Porém, a personalidade em si, pode ser descrita como tímida, gentil, sóbria e seria. Contudo, essa serenidade e passividade podem ser jogadas a lona devido ao seu chamado “Humor do dia”, as explosões e mudanças de humor podem acarretar em momentos de estresse, rebeldia e até certo percentual de violência, de fato, as mudanças de humor podem ocorrer, mas, sua sobriedade sempre sai vencedora nessa batalha de diversos humores lutando por um momento para se expressarem. Sua personalidade serena, não o excluí de desejos aventureiros ou desinibidos.
Assim como outros semi deuses, Ethel possui Dislexia e TDAH. Entretanto, seu aprendizado nas antigas artes, magia e mitologia grega, parece ser intocado por esses transtornos. Dessas artes, o tarot é a sua preferida <3

— História do Personagem:
O ruído dos pneus, do velho Ford Explore da minha tia Rita na estrada, sempre foi umas das minhas melhores lembranças/sons favoritos. Contudo, nessa noite de 13 de agosto, seu reconfortante barulho não era capaz de acalmar meu coração e muito menos, os sons produzidos pelas criaturas noturnas, que na noite em questão, cantavam com demasiado empenho. Já que essa era à Noite.
Você deve estar se perguntando, “Quem diabos é esse garoto?”. Bem, essa era uma pergunta que eu julgava saber.
Xx
Todo ano era isso, sempre que essa época especifica chegava, a casa se tornava uma tremenda bagunça. Minhas tias, Rita e Medéia, são praticantes de uma religião muy nobre e antiga, derivada das culturas grega e celta. Devido a isso, com a aproximação da noite consagrada a sua maior divindade, Hécate, as preparações costumam ser demasiadamente cansativas. Outrossim, a pequinês do nosso coven não ajuda muito, somos só nós três, desde que me recordo.
Ademais, esse ano as coisas seriam um pouco diferentes, com a chegada dos meus 15 anos, a minha iniciação ao culto era agora possível e junto à grande noite, a revelação de iniciação seria contemplada por mim. Bem, foi isso que minha tia Rita disse, mas no fundo eu sei que algo está por vir e não tem nada a ver com isso.
Mesmo as vezes sendo cansativa ou até chata, magia para mim é algo vital, não a magia que destrói como alguns almejam, mas, a magia nas pequenas coisas, como, o cheiro de incenso impregnado nas roupas das minhas tias, que sentia mesmo de longe, a infinita variedade de plantas e ervas que dependendo de como administradas poderiam causar danos ou cura-los, até mesmo à simples complexidade dos ciclos lunares e seus atributos, tudo isso é querido por mim e sempre será.
Minha educação magica, começou ainda na segunda infância. Contudo, faz-se necessário dizer, que frequentei até esse período, uma escola normal, com diversos alunos, professores, aulas regulares, matérias e todo o mais. Claro que, fui um péssimo aluno, desde criança era notória minha TDAH e dislexia, contribuindo para péssimas notas em um modelo arcaico de educação. Mas é obvio que, mesmo com esses argumentos, minhas tias me obrigaram a frequentar a escola para, segundo elas, “—Aprender noções básicas, de literatura, matemática e história.”
A escola foi um saco, se me permitem a colocação. Todavia, logo me vi livre dela e a verdadeira escola começou, claro que, tudo era me passado de forma lenta e compassada, alguns ritos simples, ervas medicinais, historiologia de deuses e algumas artes antigas, como o tarot.
Notaram que depois de todo esse lengalenga, eu não mencionei meus pais? Bem, é porque nem mesmo eu sei algo sobre eles. Mas aqui vai algo que presenciei numa noite dessas, escutei uma discussão bem acalorada entre tia Rita e tia Medéia, na qual as duas divergiam sobre algo, bem pra falar a verdade, acho que era sobre mim.
Flashback on:

--- Medéia, a situação não é muito oportuna. Não devemos discutir, a missão é proteger a criança até que esteja pronta.
Disse a irmã de expressões preocupadas e cabelos negros.
--- Irmã, a situação nunca será oportuna, não enquanto estivermos falando da prole da Rainha, deixá-lo junto aos seus o mais rápido possível, é o certo a ser feito. Já não podemos o esconder, o cheiro está forte, não percebe?
Avidamente era colocado pela irmã de cabelos ruivos e aparência fresca.
--- Não posso deixa-lo simplesmente ir - disse num sussurro abafado.
--- Mas é preciso! – Falou Medéia indo de encontro a sua irmã e a abraçando – A situação é clara, não vê? A nossa proteção já não é tão eficaz, cada vez mais corvos pousam em nossos muros, os cães circulam a entrada do jardim. Eles sentem uma presença fraca é claro, mas os atrai mesmo assim, coisas piores poderão também – Disse afagando os cabelos de sua pequena irmã – Os mais fortes incensos, nossos cheiros ou até mesmo sua maconha medicinal não poderá mais esconde-lo, ele precisa do acampamento – Pontuou, causando um fraco sorriso na outra.
--- Está bem, você está certa, faremos isso na grande noite sim? Quando o aspecto da mãe estiver sob a luz.
Um Ethel com o ouvido colado à porta, assustou-se com o conteúdo da conversa, perguntas flutuavam em sua mente. “Quem era a Mãe?” “Quem poderia encontra-lo ou melhor, o que?’ “O que era esse acampamento?” Enquanto sua cabeça zunia com as informações, suas pernas automaticamente o levaram dali, para o conforto do escuro de seu quarto.
Flashback off

Desse dia em diante, a única carta que retiro do meu deck é a morte.
Bem, logo eu saberia o porquê.
Xx

Depois de algumas horas na estrada, chegamos a algum distrito no Norte de Long Island, além da grande costa, o local era repleto de bosques, com arvores de grande porte, como espinheiros, olmos, carvalhos, alguns outros que estavam muito longe para minha visão alcançar.
Chegando a uma abertura no bosque, o velho Ford continuou prosseguindo até chegar em uma clareira no meio das arvores, ali parou. Minhas tias saíram do carro, indo em direção aos fundos do mesmo, para pegar os itens necessários para o ritual de chamado. Suas vestes negras farfalham com os movimentos realizados por elas, aos poucos, sob o intenso brilho de uma lua Cheia, o chão sem grama alguma, ganhava pouco a pouco o desenho de um pentagrama contornado por um círculo, que juntos ocupavam no mínimo 5m² do solo arenoso.
Em seus cinto pontos, um archote com apoio metálico foi acesso, no meio, um altar de pedra construído com duas pedras retangulares de apoio e uma apoiada acima das duas outras servindo de base. Sobre ela, foram colocadas algumas oferendas para início do feitiço, são eles: Vinho, mel, algumas carnes cruas. Além disso, algumas ervas e raízes queimavam. Sendo assim, fui chamado a me juntar a elas.
--- Venha criança
– Falou aveludadamente Tia Rita, erguendo seu braço em minha direção.
Desde que finalmente chegamos, minhas pernas não tinham parado de tremer e meu coração parecia acompanhá-las. Contudo, minha sede por respostas venceu o tremor do meu ser. Abro a porta do querido carro e caminho na direção de tia Rita. Diferente das suas vestes, eu usava um traje todo branco, que caia até pouco depois dos meus joelhos, meus cabelos negros estavam controlados por tranças gregas feitas por tia Medéia e seguras por uma fita purpura, como a cor de um dos meus olhos.
Tudo ao meu redor salpicava magia, o ar era carregado, o coaxar de sapos e rãs era ouvido, junto com o arrastar de outras criaturas noturnas. A noite me acolhia como uma velha amiga, confortando um coração confuso.
--- Permaneça na frente do círculo, querido, não tenha medo.
A voz angelical de Tia Medéia cortou o ar.
--- Não tenho, não mais.
Digo, enquanto me posiciono em frente ao círculo, onde seria o Sul, enquanto elas estavam respectivamente, no leste e oeste.
Sem que eu percebesse, o cântico começou:
Vai-se o dia, sobe a Lua
Álgida treva no arco celeste
Olhai de frente a sombra nua
Pés ao caminho do bosque agreste

Ladra lá longe, augúrio da Sorte
Cães do abismo, porteiro da Morte
Árvore egrégia na encruzilhada
Gélido altar na bruma estrelada

À fria luz do silêncio astral
Sibilam os ventos por entre as pragas
Conclave na névoa da Hoste Espectral
Mais trasgos e bruxas, corujas e magas

Urdindo sortilégio
Pedindo privilégio
À Vingadora
Aterradora

Pálida face de lívido plasma
Em trono augusto de funda caverna
Tríplice Rainha da Corte Fantasma
Reina Suprema na Noite Eterna
Enquanto minhas tias entoavam a canção repetidas vezes, a fumaça gerada dos archotes se juntava com as das oferendas e juntas subiam ao alto, sendo consagradas a noite. E como a noite infinita ela surgiu, vestida de escuridão e estrelas, sua imagem formou-se no centro do círculo, Alta e majestosa, o rosto inatingível pelo tempo, não possuía idade. Percebendo a presença, a canção parou e ouviu-se a figura da Deusa:
Quando o Universo atravessou os umbrais da existência
Em um fogo cósmico brilhante como um raio
Eu, Hécate, testemunhei o primeiro nascimento
Eu, Hécate, observava de soslaio
Enquanto a escuridão se tornava firmamento
Enquanto "O Nada" paria "O Tudo", que ainda haveria de ser
Eu existi entre os dois, caótica, poderosa, potente
Sol e Lua, Terra e Céus, Hades e o Olimpo ainda a nascer
Existo no entre mundos, no crepúsculo, e no Sol poente
Sou o sopro que deixa seus pulmões vazios
Sou o grito desesperado do recém-nascido
Moro nas juras de amor sussurradas ao ouvido
E nas lágrimas da verdade, ricas em sal
Pois sou a zona cinzenta entre o bem e o mal
Ah... mas o que se criou há de se destruir
Tudo é cinza, e reino absoluta. Não há mal ou bem
Meu é o reino que não tem Rainha ou Rei
Meu é tudo o que não pertence a ninguém
Como portadora da chave, eu permaneci e permanecerei
E quando o Universo deixar de existir, aqui estarei.
--- Óh grande Titã da magia, a quinze anos tu nos concedeu uma missão, criar e cuidar de sua prole, sem que a mesma soubesse de sua ancestralidade, até que estivesse pronta.
Disse tia Rita, a voz mesmo sendo proferida em bom som, era respeitosa e expressava obediência.
Eis ela aqui, boa senhora, nossos esforços não conseguiriam o proteger por mais tempo
Apontando para mim
. – Guiei-a pelos futuros caminhos.
Ao escutar as palavras dela, meu coração parou, suas palavras ecoavam na minha mente, o choque de tal revelação foi desolador. 15 anos vividos sob a penumbra, agora eram incendiados por chamas vermelhas provindas da verdade.
Não, nã... n..
As palavras não saiam da minha boca, era impossível, minha educação permitia acreditar em deuses, mas daí ser filho de um deles? Ainda mais a maior Deusa de uma ordem? A própria Deusa tríplice. Não, não poderia ser verdade, eu nem tenho nada especial...
Memorias vem átona em minha mente ainda afetada pelo dito, corvos pousando em frente à janela do meu quarto, cobras agindo de forma pacifica e relaxada em minha presença, cães antes agitados, tornarem-se dóceis ao meu olhar, a familiaridade com as artes antigas, a facilidade em entender algumas escrituras magicas. A tormenta de sentimentos cai sobre mim e pela primeira vez ouso olhar nos olhos da figura que emerge da fumaça.
Uma voz profunda como o oceano e acalente como o calor de uma fogueira rasga o silencio deixado sobre o local.
Consigo sentir o que se passa em sua cabeça, minha linda criança.
Com a afirmação saindo de sua boca, lagrimas brotam de meus olhos.
Assim como levar o espirito de seu amado pai para as profundezas do reino infernal, deixa-lo, foi devastador, porém uma dor que aprendi a conviver com o passar das eras.
Seu profundo e antigo olhar pendia sobre mim, enquanto falava sua forma as vezes tremeluzia, devido a movimentação da fumaça pelo vento.
Aproxime-se e terá as suas respostas.
Acredito que aquilo não era um pedido, tanto que minhas pernas moveram-se automaticamente para frente.
Ao aproximar-se dela, sua figura curvou-se e com um movimento de seu braço, tocou o topo de minha cabeça com seus dedos. Por um momento uma onda de calmaria atravessou meu coração e deixei que seu “toque” me conforta-se, mesmo que parecendo simples, aquele leve tocar de seus dedos em minha cabeça acalmou a tempestade que encobria meu espirito.
Feche seus olhos.
Disse minha mãe. Prontamente, minhas pálpebras se encontraram e a escuridão de minha mente me acolheu. Todavia, a escuridão não permaneceu por muito, imagens de um homem começaram a surgir aos poucos, seus olhos possuíam uma cor muito incomum, um azul-violeta, que logo reconheci sendo a cor de um dos meus olhos, seus cabelos eram curtos e negros e sua altura não era tão grandiosa, mas o calor de seu sorriso era gentil e acolhedor. Enquanto as imagens seguiam, uma mulher de estatura média aproxima-se dele com um bebe nos braços, em sua face um sorriso grande caloroso era dirigido a criança e logo depois a ele. Seus rostos por um momento congelaram e aos poucos foram virando-se o para mim, com suas belas feições saudando me, as memorias que a mim eram transmitidas, logo se apagavam e uma voz emergiu ainda em meu subconsciente.
Seu pai foi um maravilhoso homem, mas teve seu fio cortado muito cedo, poucos dias depois desse dia.
Falou a Deusa.
Eu mesmo o guiei para os salões do mundo inferior, conduzindo-o para um descanso feliz. Mas você pequena criança, deixei sob o cuidado das irmãs de seu pai, para que pudesse ter uma vida normal, ao menos, até que os perigos de ser um semideus o impedisse disso. Com isso, o acampamento meio-sangue entra.
diz Hécate.
Acampamento meio-sangue? O que é esse lugar? E porque não é seguro aqui? – Finalmente sou capaz de dizer algo. – Ao ouvir-me, a voz da Deusa emerge. – O acampamento não é nada mais que um local seguro, onde outros semideuses estão seguros de ataques de monstros e são treinados para combatê-los. – Disse e prosseguiu. – Devido sua ancestralidade, seu sangue, tu serás caçado por monstros mitológicos, suas tias devem ter contado a respeito deles em aulas, sim? – Diz e eu confirmo com a cabeça, mesmo sem saber se ela pode ver. – Lá você será treinado para combatê-los e ajudar outros semideuses, também conhecera outros semideuses como você e até irmãos terás. Tu não estarás sozinho. Não mais.
Aos poucos meus olhos foram abrindo, a minha frente a figura da deusa ainda fazia-se presente. Seus olhos fitavam-me, não de maneira vazia, mas carinhosamente e novamente sua voz fez-se ouvida. – Agora vá minha cria, a partir daqui poderá achar a entrada de seu futuro lar e casa. --
Ao terminar de falar sua figura sumiu, deixando apenas uma leve fumaça reduzida, provinda ainda dos archotes.
--- Nós Trouxemos uma pequena sacola com alguns de seus pertences e roupas, querido. – Disse tia Medéia com sua reconfortante voz. – Infelizmente, para onde está indo não podemos segui-lo. Terminou de falar e entregou uma mochila azul, que logo coloquei nas costas. Provavelmente não as veria por um bom tempo. – Agora vá, pequeno Ethel. Disse tia Rita aproximando-se de nós. Seus cabelos negros esvoaçavam levemente. Abracei-as ambas, não sei por quanto tempo, mas quando as larguei, a noite já não prevalecia tanto assim no céu. Com um leve adeus, despedi-me das minhas amadas tias e segui caminho dentre as arvores.
Seguindo um extinto quase primordial, meus pés levavam-me adiante, seguindo trilhas escondidas e passagens entre arvores, a paisagem não mudava muito, as arvores ficavam pouco fechadas, mas não precisei de muito tempo para ficar diante de um grande pórtico, que possuía gravado as seguintes escrituras “Acampamento meio sangue”. Atravessei-o. Não muito depois, alguns sentinelas vinham em minha direção, provavelmente era hora de troca de guarda, devido ao horário.
O amanhecer agora já raiara, o negro véu e a cálida luz que antes cobriam o céus foram rapidamente sendo substituídos pelos caloroso sol e a luminosidade do dia. A luz invadia todo o local, uma vasta extensão de terra cercado pelo bosque, escondido de monstros e olhos curiosos por uma barreira intransponível, segundo o campista que me acompanhava. Logo via-se uma imponente construção azulada. Ao pisar no primeiro degrau que dava acesso a entrada, da majestosa porta, surge uma das criaturas mitológicas que estudará, um centauro.
Nesse momento, vi pelo reflexo de seus olhos algo brilhante surgir sob minha cabeça.
--- Bem vindo, campista do chalé 16. Ou, melhor dizendo, Filho de Hécate. Disse sorrindo.
Realmente, a carta da morte tinha razão, uma grande mudança surgiu em minha vida e olha, agora eu posso responder quem diabos eu sou. Eu, Ethel N. Dmitry, sou Filho de Hécate.
Referências :
Textos retirados do site http://mahoutatsuryu.blogspot.com.br/2015/03/hecate-tita-das-bruxas.html, visitado em 21/04/2017
A carta da morte no tatot de Marselha não significa morte em si, mas um recomeço, fim de algo que atormenta a pessoa e etc

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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Johan O. Griffiths em Sab 22 Abr 2017, 20:51


THE BLACK HOUND
AVALIAÇÃO

Seu personagem é interessante. O vocabulário é vasto. Sua escrita é linda. De verdade. Absolutamente deleitosa. Seu uso das palavras é espetacular. Gostei muito do estilo do personagem que quer criar e fiquei legitimamente curioso para ver o que você fará com ele. A estória bolada é bem interessante e possui muito potencial, visto seu prévio conhecimento de tarot e ocultismo. Eu, que sou um completo leigo nesse tipo de assunto, senti vontade de me aventurar nesse tipo de tema.

Particularmente, não gostaria de reprovar nenhuma ficha por erros de português (até porque eu não sou professor de gramática). Se o deus pretendido por você fosse um de ficha “comum”, eu nem ao menos consideraria a ideia de reprová-la. Apenas daria os seguintes toques e ficaria por isso mesmo. Entretanto, visto o caráter de rigor da prole de Hécate, alguns adendos são necessários. O uso de vírgulas. Cuidado. Não se separa o sujeito do verbo. Cuidado com os excessos. Leia o texto em voz alta (costuma ajudar). Algumas crases foram colocadas indevidamente. A falta de acentuação em algumas palavras também esteve presente. Escrever o texto em programas como “word” ajudam nesse ponto.

Particularmente, eu não me envolvo no estilo de escrita, mas se eu pudesse dar uma dica, seria para pular uma linha entre os parágrafos. Torna a narrativa mais organizada. Menos maçante (não que a sua tenha sido). O uso do “flashback on” e “flashback off”, ao meu ver, empobreceu um pouco seu texto. Crie a cena para o flashback com as palavras que você tão bem usa. Não há necessidade de cortar seu texto com esse tipo de expressão.

Visto tudo isso, sinto em REPROVAR a sua ficha. De verdade. Eu acho que as postagens no fórum servem como diversão e escapes em nossas rotinas. Atrasar sua vida com uma reprovação por critérios absolutamente formais não me agrada. Infelizmente, estamos sujeitos às regras da Administração. Organização e ortografia são critérios que devem ser levados em conta. Se atente aos erros apontados. É certo que você será aprovado na próxima postagem, caso sanados os vícios. Sua escrita é muito boa. Não desanime.
Johan O. Griffiths
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Benjamin H. McOnely em Sab 22 Abr 2017, 22:47

FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado e por quê?

Desejo ser filho de Deméter. O motivo é extremamente simples: esse personagem se baseia em outro meu de tempos atrás, que foi a minha primeira conta efetiva aqui (exceto por uma avulsa, que nem chegou a ser reclamada). Tenho um carinho enorme pelo personagem, e como não poderia deixar de fora um detalhe tão importante quanto a progenitora (♥), cá estou eu fazendo ficha para filho de Deméter.


— Perfil do Personagem (características físicas e psicológicas):

Físicas — Benjamin é, em essência, alguém que não parece vir de onde veio. É americano, um verdadeiro novaiorquino, mas não tem traços ocidentais; seus olhos puxados — ainda que devidamente arredondados e mais abertos do que a maioria dos coreanos — e seu queixo quadrado denunciam que ele não tem a menor chance de possuir ascendência americana. Possui as sobrancelhas grossas e naturalmente anguladas, além de maçãs protuberantes e uma boca carnuda, proporcional ao seu rosto. O cabelo é liso e de corte repicado, geralmente disposto para cima sem muito cuidado. Já seu corpo é de músculos magros desde que podia se lembrar. Nada a se vangloriar, mas também nada a se envergonhar; aquelas proporções combinavam com ele, afinal.

Psicológicas — Apesar de ser completamente guiado por seu emocional, Ben não é um tolo impulsivo como se costuma ver por aí. Tem emoções inteligentes. Como uma rocha, suporta muitas adversidades que aparecem sem sequer reclamar, internalizando tudo e enterrando no fundo de seu âmago, até que aquilo seja totalmente anulado. Também sabe dar a devida atenção aos tropeços que lhe atingem, separando o que deve ser levado em consideração e o que deve ser descartado como lixo. Mas ainda assim há pontos que o fazem fraquejar, como a depressão que teve em certo ponto da sua vida, o fato de ter fracassado dezenas de vezes na busca por seu pai biológico e a perda de um semideus muito próximo de si: Enzo.

Sempre foi alguém pacífico e meigo, agradável de se estar. Tinha uma aura naturalmente calmante, como se estar em sua presença fosse o descanso que qualquer semideus precisava. Entretanto, nunca foi de se abrir totalmente num primeiro contato, sempre soando quieto, introvertido e por vezes antipático, ainda que não fosse.

É obstinado o suficiente para não tirar suas motivações da cabeça, mas sempre foi dominado por uma passividade descomunal, incapacitando-o de agir tanto quanto deveria. Por isso é que arrastou a busca por seu pai biológico durante os dez anos que passou no Acampamento: dos treze aos vinte e três. Atualmente encontra-se indiferente à sua vida de meio-sangue, dividindo um apartamento no Upper East Side com John e Hyunwoo, dois dos seus poucos amigos (semideuses) que duraram até a vida adulta.


— História do Personagem:

18h37m — 22.04.2017
Upper East Side
Apartamento 712, Quinta Avenida

Cumpri o ritual de sempre.

Prendi a mochila num gancho próximo assim que fechei a porta atrás de mim. Retirei os sapatos maquinalmente, sequer contando com a ajuda das mãos, e limpei meus pés no carpete do vão de entrada. Despi-me do blazer gasto que cobria meus ombros já enquanto avançava pela sala, jogando-o sobre as costas do sofá em que Hyunnie certamente agarrava-se com Kayee — seu caso não-oficial, que já deveria ter virado namorado. Ignorei o visível ósculo e cumprimentei ambos antes de trancar-me em minha suíte, livrando-me das peças de roupa restantes para ir tomar um banho emergencial.

Minha imagem pós-banho era contrastante com a pré. Eu parecia renovado, outra pessoa. Perante o espelho, um sorriso facilmente formou-se em meus lábios. Até mesmo meus cabelos aparentavam estar em perfeito alinhamento, diferente do estado grudento de minutos antes.

Era assim desde muito pequeno: banhos quentes sempre revigoravam-me, inexplicavelmente. E quanto mais quente, melhor. Anos depois, já no Acampamento Meio-Sangue, descobri que meu gosto por coisas quentes não limitava-se a banhos, especificamente; e o Chalé de Héstia que o diga.

— Aish... Foram bons tempos — falei mais alto do que pretendia, acabando por verbalizar um dos pensamentos mais verídicos que eu já tinha tido em toda a minha vida.

Realmente, tinham sido bons tempos. Dez longos anos no Acampamento Meio-Sangue; dos treze aos vinte e três. Agora aos vinte e quatro, morando com dois dos amigos que fiz no reduto de semideuses, todo o meu passado parecia muito distante. Tinha me tornado um homem de negócios, abrindo a minha própria floricultura. Havia virado um adulto. Meu momento de reclamação, todas as minhas batalhas, os encontro com os deuses, aquilo que mais me motivava... Tudo, absolutamente tudo, parecia ter ficado para trás.

Exceto pelos infortúnios que todo semideus tem por sua vida inteira.

Naquela tarde, não cheguei a pensar que o bater incessante na porta do meu quarto pudesse ser mais um desses infortúnios. Estava tudo calmo demais, sem sequer uma aparição de monstro por semanas — algo motivado pelas relíquias que John, Hyunwoo e eu carregávamos desde que nos mudamos. Encontrar um monstro àquela altura do campeonato era quase improvável. Um deus, então... impossível. Ainda mais se era um progenitor; uma das entidades que te colocava no mundo e nunca mais contatava, largando-te à sua própria sorte.

Mas a situação aparentemente impossível enfim aconteceu.

— Ben! — chamou a voz rouca de John, num notável tom de preocupação que, em quase doze anos, eu só havia ouvido três míseras vezes. Só isso já foi capaz de me alarmar. Afinal, o filho de Nêmeis era relapso demais para se importar até mesmo com a própria morte, por isso nunca gastava seus nervos com absolutamente nada. — Erm, venha aqui. Rápido. Tem uma visita para você.

E aí eu entendi. Visita. Nós nunca tínhamos visitas. Eu nunca tinha visitas. E se naquele momento alguém esperava-me na sala de estar do meu apartamento, não poderia ser alguém corriqueiro. Afinal, a maioria dos nossos conhecidos àquela altura já estava morto ou desaparecido. O restante permanecia no Acampamento, sabendo que a morte os espreitava, ávida para capturar suas almas a qualquer segundo.

A visita à minha espera não poderia ser um semideus. No mínimo, o centauro cadeirante que comandava o Acampamento tinha encontrado um motivo impertinente o suficiente para voltar a me procurar. Provavelmente iria tentar desenterrar a minha vontade de realizar qualquer trabalho para ele ou para os deuses.

Aliás, a outra opção seria ter um deus à minha espera. No máximo seria Zeus em pessoa, pronto para me fulminar por um motivo que eu nem bem entenderia.

Resolvi parar de divagar sobre quem me esperava e troquei-me rapidamente. Coloquei roupas casuais antes de irromper pela porta e dar de cara com um John emburrado, de braços cruzados, ainda parado à soleira. Por que não havia voltado para a sala?

— A companhia não era muito agradável — disse ele como se tivesse lido a minha mente, o que eu não duvidava que tivesse acontecido. Caminhamos lado a lado, em direção à entrada do apartamento. — E garanto que você vai achar a mesma coisa quando... ela começar a falar sobre nutrição. E saúde. Saúde sexual, especificamente.

Na sala, Hyunwoo e Kayee estavam sentados lado a lado. A cabeleira do filho de Atena parecia completamente desgrenhada, enquanto a camisa do outro rapaz estava abotoada de maneira errada. Ambos estavam amarrotados, como se tivessem sido pegos no flagra... de novo.

De frente ao casal, uma mulher rechonchuda, de vestido floral, tagarelava infindavelmente. Seu cabelo estava acobreado naquela tarde, revolto num penteado topetudo e um tanto antiquado. Com um forte sotaque inglês, ela sequer parecia estar nos Estados Unidos por décadas.

— ...vocês, então é por isso que nós, deuses, sempre preferimos um contato íntimo mais saudável. Vejam Atena e Héstia, por exemplo. Nem mesmo chegam aos finalmentes! É por essas e outras que eu queria ser uma deusa casta. Seria um alívio fazer brotar meus filhos absolutamente do nada, como Zeus fez com Dionísio e a própria Atena. Bem nutridos como nascem... Céus, nem queiram imaginar como é o parto de uma deusa!

Ali, minha mãe era uma espécie de Adele olimpiana. Só um tanto mais divina que a cantora. Mas igualmente bonita. E com uma pitada de nutricionista feat. sexóloga.

— Mas que... — comecei a dizer, atraindo a atenção da mulher. Suas orbes azuis desviaram-se dos rostos constrangidos de Hyunwoo e Kayee e focaram-se em mim, parecendo ver até mesmo através da minha alma. Um sorriso iluminou seu rosto. E por sua vez, meu estômago caiu. A sensação de borboletas revirando-se e subindo por meu esôfago era irrefreável, tudo pela simples aparição da mulher ali.

Tive certeza: depois de dez anos sem um mísero contato, Deméter em pessoa tinha ido me ver.

— Meu bebê! — exclamou como se fosse a mãe mais coruja do condado, levantando-se de supetão para apertar minhas bochechas logo antes de puxar-me para um abraço sufocante. Não tinha certeza se havia sido amamentado pela mulher, mas certamente criei um asco por seus seios desde aquele abraço.

Quase asfixiaram-me.

— Você está tão... tão...

— Gay? — sugestionou John, fazendo-me fuzilá-lo por reflexo e arrancando um menear afirmativo da deusa. Ela estava concordando com aquilo? — O quê? Não me olhe feio assim. Não é porque você é filho de Deméter que pode se considerar pansexual. Não é como se fosse sair comendo árvores a torto e a direito, é? Digo, coitadas das dríades.

Crescido. E magro. Mas apesar do cérebro de passarinho e das piadas de péssimo gosto, ele tem razão. Quando te vi pela última vez, Benjamin, ainda tinha dúvidas quanto a sua sexualidade. Agora... bem, nem mesmo alguém alheio como o beberrão do Dionísio deixaria de perceber.

Da última vez.

Fechei meus olhos com força, lutando a todo custo para a lembrança daquele dia não voltar à tona. Mas foi em vão. Logo me vi novamente na ampla entrada da fazenda, com o homem parado perto da porteira. Areia o envolvia até o pescoço, sufocando-o, engolindo-o aos poucos. Ao meu lado, um sátiro disputava uma batalha acirrada contra um gegene, enquanto eu me esforçava para manter outro deles longe, agitando uma barra de ferro que eu havia encontrado por ali.

— Resista! — bradei para o homem, que apenas grunhiu em resposta. Agitei mais firmemente a barra à minha frente, cutucando o monstro e evitando que ele segurasse-a, já que eu duvidava muito que conseguisse equiparar a força dele com a minha. Ele sorria em escárnio, como se soubesse que eu não seria capaz de detê-los e, ainda, salvar a vítima da areia. Sua função ali parecia ser meramente me segurar por tempo suficiente.

— Ele não vai durar muito! E nós também não, se um bom milagre não acontecer! — avisou o ser da natureza, balindo ao final da frase. Teria sido cômico caso já não fosse trágico o suficiente.

Ele tinha razão. Um milagre precisava acontecer. E, se pudesse ser visto pelos olhos dos mortais, realmente teria sido um. Ali, no meio de toda aquela confusão, um brilho verde explodiu de mim, encobrindo-me, e uma foice acompanhada de um escudo apareceram flutuando bem à minha frente. Sobre a minha cabeça, o símbolo de um punhado de trigo pôde ser visto, como se fosse uma holografia qualquer — embora algo me dissesse que não era.

Os monstros estacaram. O casulo de areia parou de afundar. E, mais atrás disso tudo, uma mulher de vestido esvoaçante apareceu olhando com imponência, como se perguntasse: o que irá fazer agora, Benjamin?

Eu larguei a barra de ferro e segurei a foice com ambas as mãos. O gegene ainda estava parado, mas isso não durou muito tempo. Ele enfim avançou; eu, brandi a foice. A lâmina atingiu seu pescoço no exato momento em que seu braço me alcançou, fazendo seu corpo — agora poeirento e fétido — desabar sobre mim numa nuvem espessa.

Às minhas costas, vislumbrei o sátiro aproveitar-se da distração do segundo monstro e atingir-lhe com os cascos, logo antes de cravar uma adaga em sua jugular, explodindo o gegene numa nova novem poeirenta.

E apesar disso tudo, não conseguimos ser eficientes.

Retornamos a olhar para o casulo, mas ele parecia já ter sido engolido pelo solo havia muito. A mulher também tinha desaparecido. No entanto, ainda pude ouvir sua voz em minha mente: "Você batalhou bem, meu pequeno. Mas não bem o suficiente. Deixou algo para trás, e, mais cedo ou mais tarde, vai ter que buscá-lo. Vai querer buscá-lo. Parta em paz, treine e fique mais forte. Os perigos são inimagináveis. E seu pai precisa de você."

Meu pai. O homem que havia apaixonado-se por Deméter durante um festival de halloween, levando abóboras para serem esculpidas. O homem que havia me deixado na adoção porque não confiava que eu estivesse seguro ali com ele, num mundo de semideuses. E o homem que eu enfim encontrei, mas que foi tragado pela terra mesmo antes de conseguir trocar poucas palavras comigo.

— Ben! — bradou o filho de Nêmesis pela segunda vez, levando-me de volta à realidade. Eu estava caído, provavelmente atingido muito fortemente pela ocasião que ainda me causava pesadelos, mesmo que eu nem bem soubesse o porquê. Minha mãe mantinha-se parada onde estava, encarando-me de cenho franzido. Teria sido ela a reavivar aquela memória, de maneira tão... palpável?

— Bom, eu creio que isso encurta a conversa fiada — disse ela sem muitos rodeios. Seu tom abobalhado de antes deu lugar a um mais polido, quase como o que ouvi da última vez, quando fui reclamado. — Melhor irmos para a sala. Não vim aqui à toa, como bem deve imaginar.

É, eu imaginava bem.

— Mas antes... uma perguntinha. Vocês sempre ficam com esses atos libidinosos por qualquer lugar da casa ou o quê? — indagou-nos, aparentando estar realmente interessada. A personalidade e os interesses dela eram tão voláteis que cheguei a compará-la com Éolo, o senhor dos ventos; seria uma dupla e tanto.

— Agarramentos? Ah, não. Claro que não. Somos pessoas compostas. Só fazemos isso quando quando ficamos sabendo que uma deusa virá nos visitar. Repentinamente. Gostamos de passar a imagem de um bando de semideuses tarados.

A deusa olhou-o de cima a baixo. Então, volveu os olhos dele para mim, só aí voltando para ele. Parecia estar julgando a nossa amizade, como se questionasse o motivo de eu ter me aproximado de alguém com uma língua tão afiada. E acredite, eu me fazia a mesma pergunta todo santo dia. Mas não era como se a mulher que praticamente me abandonou fosse o exato padrão de "companhia" para mim, ou mesmo pudesse exigir muito de quem se aproximava.

Sem se dar ao trabalho de responder, virou-se na direção de uma das poltronas e sentou-se, encarando-nos na espera de tomarmos a mesma atitude. Eu fiz o mesmo, tomando o lugar logo ao lado de Hyunwoo; John manteve-se de pé, jogando meu blazer para o lado e encostando-se nas costas do sofá.

— Não vou falar nada demais. Na verdade, creio já ter falado tudo o que precisava, meu pequeno — disse ela, visivelmente citando a fala de nosso primeiro encontro, logo após a minha reclamação. — Mas você parece ter esquecido disso. Te mandei aquele sátiro para salvar a sua pele. E você o levou para a fazenda do seu pai, em Oregon, acabando por... bem, precisar de ajuda. Na ocasião eu te disse para voltar ao Acampamento, treinar e ficar mais forte, coisa que você já está agora.

Eu nem sequer assentia. Apenas a observava, hipnotizado e chocado demais para ter qualquer pensamento com nexo. A deusa parecia estar mesmo atuando como uma mãe, dando uma bronca por desobedecer as suas ordens. Foi a primeira vez que senti algum vínculo clichê com ela: raiva pela situação em que estava.

— Por que você não fez o que eu disse? Está forte. Preparado. Pode ir buscá-lo agora. Mas por que não foi, Benjamin? — indagou-me pela última vez, fazendo revolver aquele misto de sensações em meu âmago. Meus olhos arderam. Mais memórias vieram à tona.

Eu treinando. Eu tendo pesadelo nas primeiras semanas no Acampamento, vendo-me envolto na tumba de areia que levou meu pai biológico. Eu suplicando em orações para ela, Deméter, me ajudar, implorando para que o salvasse do que quer que tivesse levado-o. Eu enfim indo atrás do meu pai, com John e Hyunwoo em meu encalço, mas quase matando nós três.

Eu, enfim, conseguindo um pouco de êxito. Uma luta. Com uma deusa. Primordial. Ou um pouco da essência dela, que foi capaz de esgotar-me o suficiente para que eu acabasse quase morto. Então, os ataques a Jenette e ao meu pai adotivo — duas das pessoas que eu mais prezava no mundo, que eu mais queria proteger. E a minha ruína sucessiva em diversas área da minha vida, que arrastaram-me para uma profunda depressão, afastando tudo e todos de mim.

Vi Jinwoo dizendo que não me reconhecia mais. Vi John e Hyunwoo implorando para que eu voltasse a ser o que era. Vi Quíron dizendo que eu deveria sair do Acampamento, buscar ajuda médica. E vi meu pai — não o biológico, mas o que me adotou, o meu verdadeiro pai — dizendo que tudo aquilo só aconteceu porque eu estava seguindo as ordens de uma mulher que nunca mais tinha aparecido na minha vida, procurando por um homem que me largou num lar adotivo, ferindo as poucas pessoas que se importavam comigo.

E foi aí que eu parei. Desisti de tudo. Decidi que não deveria mais me preocupar com nada daquilo: semideuses, monstros, deuses. Nada. Não importava aquela loucura toda. Só o que importava era estar bem. E se para estar bem eu deveria me isolar daquela vida, isso era exatamente o que eu faria.

E assim eu fiz. Acabei naquele apartamento com Hyunwoo e John, que nunca, em hipótese alguma, desistiram de mim.

Ela ainda ousava perguntar por que eu tinha desistido?

— Não é justo você vir aqui. Não depois desse tempo todo. Não exigindo algo que sabe que não posso cumprir! — grunhi para ela, segurando-me para não explodir de tão cheio que estava. — Eu não me importo mais com essa vida. Ele não era o meu pai. Meu pai é Bernard McOnely, um novaiorquino comum, com a merda de uma vida comum. E minha mãe morreu durante o meu parto. Esse sou eu!

— Não, esse não é você. Não pode simplesmente deixar de ser um semideus, Benjamin. Tente dizer isso aos monstros. Tente dizer a eles para não atacá-lo. Não irá funcionar, e você sabe bem disso. Você é quem você é: um meio-sangue, filho de Deméter.

E, novamente, aquele brilho esverdeado me encobriu. O símbolo da colheita pairou holograficamente sobre a minha cabeça, fazendo Kayee soltar um grito agudo e levantar-se de súbito, apesar de saber perfeitamente que éramos semideuses. Farming e Corn novamente surgiram, absolutamente do nada, e praticamente imploraram por meu toque.

Então, tudo repentinamente cessou. As armas caíram aos meus pés. O holograma sumiu, junto do brilho esverdeado. E a mulher levantou, decidida, impondo sua voz ainda mais altivamente.

— Não negue seu destino, Benjamin. Pois ele nunca negará você. Ele irá te encontrar, uma hora ou outra. E se você não estiver atento o suficiente, ganhará uma passagem só de ida para o Hades. E eu não poderei fazer nada por você desta vez.

E sem nem deixar sua despedida, explodiu em um montante de trigo, deixando um Kayee estupefato, um Hyunwoo com informações demais para lidar e um John estranhamente silencioso. E eu? Bom, não sei ao certo. Acho que estava tentando colocar cada memória em seu lugar, ainda sem cair a ficha de que minha mãe tinha ido até ali somente para me dar uma bronca, aparentemente. E pensar, agora, que a deusa fez questão de simular uma segunda reclamação unicamente para me lembrar de quem eu era...

— Eu não vou voltar àquela vida infernal — falei para ninguém específico. — E não quero que nenhum de vocês voltem, também. Já nos livramos dessa vida. Não vamos nos meter no meio dessa loucura de novo.

E foi assim, pisando duro em direção ao meu quarto, que condenei pela segunda vez a minha vida. Mas daquela vez não somente ela: a de John, Hyunwoo, Kayee e Jenette também.

Adendos:
Observações:
1. Como bem disse no começo da ficha, Benjamin é um personagem antigo meu. Pretendo reaver todo tipo de ligação dele, incluindo progenitora, grupo extra, acontecimentos marcantes e similares. Assim sendo, como não narrei a morte do personagem quando desisti dele (por mudança de nome), adiantei a cronologia do personagem para uma idade mais avançada (24 anos), remontando sua vida com narrativas no passado. A ficha foi uma exceção, acontecendo por meio de lembranças em meio ao "ponto de partida" da trama nova que estou compondo.

2. Todos os nomes aqui citados — exceto por Bernard, já que ainda não temos humano no fórum — são de personagens existentes/que logo irão existir. Como creio já estar claro, Hyunwoo e John são amigos dele. Kayee é o peguete/ficante/etc. de Hyunwoo, sendo um mortal que vê através da névoa. Jenette é a irmã adotiva. Jinwoo é seu ex-namorado, a essa altura afastado do rapaz, por mais que tenham mantido uma relação muito próxima mesmo depois do término.

3. Fiquei receoso ao postar a ficha assim, mas creio que não haverá problema. O propósito, como o próprio nome diz, é mostrar o momento da reclamação — aspecto que dominou aqui, já que toda a narrativa foi construída ao redor disso. A "segunda reclamação" foi apenas uma simulação, para que Benjamin lembrasse de quem era e do caminho que deveria seguir. A primeira foi a cena literal, uma lembrança vívida do momento em que foi reclamado. Espero não ter ficado confuso. E que você também encare como o suficiente.

4. Tecnicamente, o Benjamin já é, em termos do fórum, high level. Mas isso não está em sua ficha, e não posso simplesmente começar a conta do zero, como se realmente fosse nível 1. Por isso é que optei pelas narrativas inteiramente no passado (exceto pela ficha), remontando a trama do Benj.

5. Deméter, além de ser a mãe do garoto, está inteiramente relacionada à sua trama pessoal. Assim como ela, outros deuses também estão, como o primordial citado — e espero que tenha tido uma vaga ideia de quem seja. risos Por esse motivo é que ela apareceu duas vezes para o rapaz, sendo muito mais do que qualquer semideus recebe em vida; mas é somente e tão somente porque ela quer algo que seu filho pode dar, além de ter a glória de dizer que, finalmente, uma prole sua foi heróica o suficiente para se destacar em meio aos demais semideuses.

That's all. *inseguro* q
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Kalled C. Almeida em Dom 23 Abr 2017, 18:03


MÚSICO NA ÁREA
AVALIAÇÃO

Seu personagem é interessante. Com toda certeza, essa é uma ficha peculiar e ao mesmo tempo empolgante; imaginei claramente os personagens e suas reações durante toda sua narração. Acredito que essa trama será trabalhosa, mas ao final de tudo será bem satisfatória tanto para o criador, como para os leitores. Erros foram quase nulos e, por isso, não serão citados.

Só posso dizer, seja bem vindo Benjamim. Ou seria bem vindo de volta?
Ps: "Emprestei" o template do Johan.
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Deméter em Dom 23 Abr 2017, 20:05


atualizado!




deméter, sweetheart
SE VOCÊ NÃO COMER O CEREAL, O BANHAMMER É QUE VAI COMER! n
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Aniss em Sex 28 Abr 2017, 13:51


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Desejo se reclamada como uma Dríade. Não tenho nenhum motivo especifico e creio que criar um personagem não convencional contribuirá para meu repertório de escrita.

— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

Físicas: Aniss é uma dríade como qualquer outra: possui estatura baixa para a sua idade e sua pele possui uma pigmentação rosada que contrasta com seu belo vestido de pétalas. Seus olhos são completamente negros, desviando a atenção de suas madeixas esverdeadas que lhe caem sobre os ombros. A característica mais marcante de seu visual são seus sapatos: um par de botas com pequenos girassóis na lateral que definitivamente lhe da um charme encantador.

Psicológicas: Por ser a personificação de um sentimento tão puro e belo, Aniss tem uma personalidade amigável. Ela é gentil e extremamente carinhosa com todos seus amigos espíritos da natureza, além do alto astral contagiante. Possui um único defeito: é completamente vulnerável a emoções, sendo emotiva o suficiente para ser abalada por situações simples que não afetariam um semideus ou mortal comum. Amante da natureza e do amor puro, a dríade espera encontrar o amor de sua vida pela floresta do acampamento e tenta ao máximo ajudar a todos que desejam o mesmo.


— História do Personagem:

Você sabe o que significa Aniss?
Segundo o vocabulário do reino selvagem, Aniss significa “promessa de amor” ou algo como “Amor duradouro”. Esta descrição é a melhor de todas sabe? Eu não sei explicar muito bem, mas eu lhe garanto que o amor vale a pena. Eu sei bem disso pois nasci através dele.

Tudo começou a muito tempo atrás, durante o que os mortais e semideuses chamam de Segunda Guerra Mundial. A Alemanha era palco de uma nação desolada e desesperada pela vitória como seres supremos, uma raça superior e tendo que lidar simultaneamente com os estragos causados pelos conflitos que ali aconteciam. Dá pra acreditar que uma dríade como eu nasceria de um lugar como aquele? Pois é. Ianna Whez era uma mulher mortal da época que trabalhava num orfanato próximo a um dos campos de concentração nazista antes de tudo ser destruído que felizmente se apaixonou por um soldado de guerra chamado Hanz Schuz. Eles eram tão lindos junto! Durante seu curto período de descanso Hanz sempre escapava do pesadelo sombrio dos campos e corria para sua amada que sempre estava lá para recebê-lo.

Não é incrível como do caso e destruição um sentimento tão belo pode nascer? Os dois viveram as espreitas por muito tempo, sempre tentando ignorar a guerra eminente e lutando um pelo outro. Pelo seu sentimento. Infelizmente o local onde a donzela residia fora bombardeado, causando sua morte instantaneamente. A moça antes de partir havia exigido uma única coisa antes do ataque a seu amado: que ele passasse os últimos segundos de sua vida ao seu lado. E assim ele o fez. Eles morreram juntos, de mãos dadas e aos prantos.

O sentimento é tão puro, tão verdadeiro pode superar qualquer obstáculo e até mesmo eras. É aí que eu entro nesta história trágica. As lágrimas dos amantes que tocaram o chão permaneceram intactas no solo através do tempo, gerando um embrião delicado e frágil ali. Muito tempo se passou e a civilização mortal evoluiu até o dia em que o broto foi finalmente realocado para a grande América junto a uma expedição de antiguidades. Destroços do orfanato foram expostos no museu de Nova York junto a outros objetos antigos e foi durante uma noite fria de inverno que eu nasci.

O segurança do museu havia deixado seu posto por alguns instantes para encontrar sua amada aeromoça que havia vindo de longe para ficar consigo por alguns dias. Eles se encontraram no corredor em frente à exposição dos destroços, abraçando-se na escuridão da sala e beijando-se em seguida. O sentimento renasceu novamente, trazendo à tona todas as emoções dos amados de uma era anterior em uma nova geração. Uma rosa lilás brotou dos destroços, brilhando e tomando forma junto a um ser que tomava consciência de si mesma: eu, Aniss.

Chocados, os amados correram assustados antes que eu pudesse ao menos tentar acalma-los ou pedir por ajuda. Foi quando eu encontrei a jovem Perséfone, rainha do Submundo. A deusa havia me observado pelas eras e aguardava meu nascimento há tempos, afinal, o mundo precisava de mais amor. Ela explicou toda a minha existência e meu propósito, além de conceder um local seguro onde eu poderia ajudar a todos a minha volta: o acampamento meio-sangue. Com a ajuda da deusa eu fui transportada até o acampamento onde resido até hoje e com toda certeza pretendo semear o mais puro amor entre todos. Bom... É isso. Essa é a minha história. Essa sou eu. Aniss.


Considerações/Ler:

A história da personagem é narrada pela sua perspectiva e por isso o formato do texto. Obrigado
Percy Jackson RPG BR



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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Will Fortune em Sex 28 Abr 2017, 14:18


RAINBOW NA ÁREA
AVALIAÇÃO

Primeiramente seja bem-vinda ao PjotinhaBr. Não tenho muito o que dizer da sua ficha. Eu a achei maravilhosa, a sua ideia de fazer ela ter nascido de um amor em meio a guerra foi simplesmente incrível! Amei a maneira como escreveu pois fazia o leitor querer ler mais (Assim como eu fiquei rs), e espero poder acompanhar a sua trama enquanto a tiver desenvolvendo no fórum. Sua escrita é impecável.

Seja bem-vinda, Dríade Aniss! APROVADA
Ps: "Emprestei" o template do Johan².
Will Fortune
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Re: Ficha de Reclamação

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