Percy Jackson e os Olimpianos RPG BR
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Ficha de Reclamação

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Ficha de Reclamação

Mensagem por Psiquê em Sex 07 Out 2016, 12:41

Relembrando a primeira mensagem :




Fichas de Reclamação


Este tópico foi criado para que o player possa ingressar na sua vida como semideus ou criatura mitológica. Esta ficha não é válida sob nenhuma hipótese para os 3 grandes (Hades, Poseidon e Zeus) devendo os interessados para estas filiações fazerem um teste específico, como consta aqui [link]. Para os demais semideuses, a avaliação é comum - o que não quer dizer que ao postar será aceito. Avaliamos na ficha os mesmos critérios que no restante do fórum, mas fichas comuns exigem uma margem menor de qualidade, mas ainda será observada a coesão, coerência, organização, ortografia e objetividade. Abaixo, a lista de deuses e criaturas disponíveis em ordem alfabética, com as devidas observações.









































































































































Deuses / Criaturas Avaliação
Afrodite Comum
Apolo Comum
Atena Rigorosa
Ares Comum
Centauros(as) Comum
Deimos Comum
Deméter Comum
Despina Rigorosa
Dionísio Comum
Dríades (apenas sexo feminino) Comum
Éolo Comum
Eos Comum
Espíritos da Água (Naiádes, Nereidas e Tritões) Comum
Hades Especial (clique aqui)
Hécate Rigorosa
Héracles Comum
Hefesto Comum
Hermes Comum
Héstia Comum
Hipnos Comum
Íris Comum
Macária Rigorosa
Melinoe Rigorosa
Nêmesis Rigorosa
Nyx Rigorosa
Perséfone Rigorosa
Phobos Comum
Poseidon Especial (clique aqui)
Sátiros (apenas sexo masculino) Comum
Selene Comum
Tânatos Comum
Zeus Especial (clique aqui)



A Ficha


A ficha é composta de algumas perguntas e o campo para o perfil físico e psicológico e a história do personagem e é a mesma seja para semideuses seja para criaturas. O personagem não é obrigado a ir para o Acampamento, mas DEVE narrar na história a descoberta de que é um semideus e sua reclamação.

Plágio não será tolerado e, ao ser detectado, acarretará um ban inicial de 3 dias + aviso, e reincidência acarretará em ban permanente. Plágio acarreta banimento por IP.

Aceitamos apenas histórias originais - então, ao usar um personagem criado para outro fórum não só não será reclamado como corre o risco de ser punido por plágio, caso não comprove autoria em 24h. Mesmo com a comprovação, a ficha não será aceita.

Fichas com nomes inadequados não serão avaliadas a menos que avisem já ter realizado o pedido de mudança através de uma observação na ficha. As regras de nickname constam nas regras gerais no fórum.

Lembrando que o único propósito da ficha é a reclamação do personagem. Qualquer item desejado, além da faca inicial ganha no momento de inscrição do fórum e dos presentes de reclamação (adquiridos caso a ficha seja efetivada) devem ser conseguidos in game, através de forjas, mercado, missões e/ou DIY.



TEMPLATE PADRÃO:
Não serão aceitas fichas fora desde modelo

Código:
<center>
<a href="goo.gl/6qY3Sg"><div class="frankt1">FICHA DE RECLAMAÇÃO</div></a><div class="frank1"></div><div class="franktextim">[b]— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?[/b]

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[b]— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):[/b]

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[b]— História do Personagem:[/b]

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</div><div class="frank2"></div> <div class="frankt2">Percy Jackson RPG BR</div></center>


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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por 127-ExStaff em Sex 28 Abr 2017, 14:24


atualizado!

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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Nikolai Grier em Sab 29 Abr 2017, 01:36


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Hipnos. É um deus extremamente interessante, ainda mais abrangendo a psicologia e tendo poderes relacionados com essa área, que é do meu total interesse. O deus ter poucas proles no fórum também foi algo que me incentivou a escolhê-lo, já que busco me destacar da grande massa.

— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

• Perfil Físico.
Com a pele tão macia e alva quanto a neve, seus brilhosos e redondos olhos azul-pérola ganham um gigantesco destaque em seu rosto imaculado, que partilha de um espaço para seu nariz estreito e redondo. As sobrancelhas são finas e anguladas naturalmente, assim como sua boca, que é volumosa e rosada. O cabelo fino e dourado como ouro, chama atenção por onde passa, brilhando à luz ambiente. Seu corpo é esbelto e torneado, com músculos moderadamente volumosos, por conta das atividades físicas diárias, distribuídos em não mais do que um metro e setenta de altura.

• Perfil Psicológico.
Calmo e sereno, é um ótimo analista, que está sempre buscando informações e mantendo sua mente na ativa, até mesmo enquanto dorme, literalmente. Tem uma mania predominante de fixar a visão nos olhos das outras pessoas, independente de qual seja a situação, pois acredita que a troca de olhares é algo de extrema importância, seja em batalhas, discussões ou até mesmo em demonstrações de afeto. Aprendeu essa mania, assim como diversas outras, com sua mãe, a qual educou para que não perdesse um detalhe sequer de qualquer que fosse o contexto.

Após ter tido depressão, e superado, começou a dar mais valor para os poucos momentos que vive, inclusive aos sonhos, pois adora tê-los, quase sempre lhe traz bons sentimentos em momentos de tribulação. Não se considera uma pessoa super sociável, mas sempre gosta de ter um ou dois colegas que o ajudem em tarefas cotidianas ou sirvam como entretenimento. Porém, suas demasiadas experiências com morte e sofrimento o impedem de confiar e se apegar as outras pessoas.

— História do Personagem:

Riverside, New York.
— Só vou entrar lá para pegar alguns documentos — prometeu a Doutora Carolyn, psiquiatra do famoso hospital Charles S. Williams. Vi a porta do motorista se fechar e ela subir a escadaria para a porta principal, rebolando. Seus cabelos loiros dançavam a cada passo e, tinha certeza disso, seus olhos azuis analisavam cada um que passava ao seu lado. A semelhança entre nós era indiscutível, era difícil até mesmo pensar na possibilidade de ter tido um outro alguém a quem eu deveria ter nascido semelhante.

Era outono, o vento estava furioso e gélido, por isso preferi continuar abrigado dentro do carro, aguardando. Estava vestido com uma blusa de lã, calça de moletom cinza e tênis mocassim rasteiro preto, representando nenhuma riqueza, mas todo conforto quanto possível, o que era o importante. A ascensão social da família começou com meus avós, por isso a simplicidade não era algo estranho à nós, e gostaria que jamais fosse, pois considerava algo muito bom, visto que algumas manias da elite eram totalmente fúteis e desinteressantes.

Naquela manhã, estávamos indo tomar chocolate quente em nossa padaria favorita, mas minha mãe tinha esquecido alguns documentos importantes na sua sala, por isso paramos ali. Ela era dedicada e ocupada com o trabalho, mas mesmo assim sempre procurava me dar atenção, mesmo que para isso precisasse desmarcar uma das consultas, inclusive aquele era um exemplo vivo. Não tinha amigos de verdade, mas não importava, pois sabia que podia confiar nela para tudo, não existiam segredos entre nós.

O estacionamento do hospital era gigante, proporcional ao tamanho do exuberante prédio que se erguia à frente, todo revestido de vidro espelhado, mas se encontrava tão vazio quanto um deserto. Nos canteiros, que organizavam todo o espaço, tinha árvores bem frondosas, que balançavam tanto que já estava me preparando para ver alguns automóveis esmagados por troncos. Não tinha muito o que fazer, por isso inclinei o banco e liguei o aparelho de som. Fechei meus olhos e, ao som de Florence, meus pensamentos começaram a vagar.

Alguém bateu na lata do carro com tanta força que produziu um som bem mais alto que a música, me fazendo saltar do banco e desligá-la no mesmo instante. Um belo homem de cabelos castanhos encaracolados estava com a face encostada no vidro, com o desespero estampado em seus esbugalhados olhos, parecendo um hippie. O rapaz tirou do bolso um papel velho e amassado e o abriu, colocando de encontro com o vidro, mostrando suas escritas, que diziam: Acampamento Meio-Sangue. Vi seus lábios formarem uma única palavra, “cuidado”, logo em seguida sorriu preocupadamente e saiu correndo. Meu coração estava acelerado, mas não tinha a mínima noção do que fazer, por isso só fiquei observando-o desaparecer entre os carros.

Ω

Abri a porta com um empurrão, fazendo um estrondo pela sala. A mesa, o sofá e até mesmo as cadeiras pareciam estar todas do mesmo jeito que estavam há um mês atrás, que fora a última vez que tinha adentrado no consultório de minha mãe; a única coisa diferente é que ela não estava lá. Me virei e comecei a correr pelos corredores, desesperado. Seria possível todas suas histórias e conversas serem verdadeiras? Não, isso não faz sentido, murmurei para mim mesmo, enquanto dobrava corredores e descia escadas aos tropeções. Ela devia ter voltado para o térreo pelo elevador, já que que sua sala ficava no terceiro andar, por isso não tínhamos nos encontrado. Faz sentido.

Ao virar para pegar o corredor que levava à escada do segundo andar, bati de frente com alguém, o que me fez cambalear para trás. Ao retomar a postura, pude perceber que era minha mãe, com seus olhos brilhantes fixos no meu, como se quisesse me desvendar. Olhei em volta, percebendo que algumas poucas faxineiras e enfermeiras atravessavam o corredor de um lado para o outro, carregando seus utensílios.

— Precisamos ir... — sussurrei apressadamente, agarrando a sua mão e puxando-a em direção às escadas. Olhei mais uma vez em volta, me certificando de que ninguém estava nos escutando. — Se lembra do acampamento?

Nessa hora, sua boca se contorceu e o braço se remexeu, se livrando de mim. Seus olhos se elevaram e pousaram em algo que estava fora do meu alcance visual, que fez surgir uma careta em sua face. Suas mãos agarraram minha blusa na altura do peito, e então senti os pés saírem do chão, tudo tão rápido que mal consegui raciocinar. No momento seguinte, estava caído entre pedaços de madeira, terra e algumas folhas, que antes provavelmente formava um vaso de planta. Minhas costas doíam e senti algo molhado em meu antebraço esquerdo, que ao olhar, notei que estava se transformando em uma poça vermelha-viva, causada graças a uma lasca de madeira, que havia transpassado a pele.

Minha cabeça girava, mas me obriguei a sentar e observar o que estava acontecendo, o que me fez perder o fôlego. Duas figuras idênticas à minha mãe, até mesmo nas vestimentas, brigavam entre si e a única coisa que as diferenciava era que uma delas tinha uma espada em mãos. Ouvi gritos e mulheres abandonando seus postos para fugirem pelos elevadores, enquanto outras telefonavam ou até mesmo filmavam. Tentei me levantar, mas ao apoiar os braços no chão, a dor se manifestou de forma violenta, me fazendo gritar e a visão escurecer. Senti toques por baixo dos ombros e meu corpo ser arrastado para longe do barulho de passos e coisas se quebrando.

Ao abrir os olhos, notei que era uma enfermeira que tinha me afastado do local da batalha, e que agora estava imobilizando e cobrindo meu antebraço, provavelmente para impedir que se agravasse a situação. Minha cabeça estava um caos, pois sabia que deveria ter olhado e tentado ajudar minha mãe, seja lá qual fosse, mas a dor era grande, e ver meu sangue vazando tinha prendido minha atenção. A enfermeira tinha as mãos rápidas e habilidosas, trabalhava com eficiência. Ela pegou na minha mão e fingiu um sorriso, em seguida tentou me ajudar a ficar em pé. O som de vidro se estilhaçando foi um choque, nos fazendo virar instintivamente para a origem sonora.

Um dos seres loiros estava parado perto da borda do prédio, que havia se quebrado e aberto um grande buraco na onde devia ser a parede de vidro. Suas calças estavam sujas e surradas, uma de suas mangas estava rasgada e escorria sangue da sua boca e sobrancelha. Ela mantinha seus olhos fixos lá fora, respirando rapidamente, com a espada caída aos pés. Todos a observavam, esperando uma reação, mas tudo o que a mulher fez foi olhar ao redor, pegar a arma e vir em nossa direção. Confesso, estava com medo, tanto que dei alguns passos na direção contrária.

— Precisamos ir agora! — ordenou minha suposta mãe. Primeiro achei que estivesse falando comigo, mas se dirigia à enfermeira, que acenou com a cabeça e se afastou, indo em direção às escadas. Foi somente então que o ser olhou para mim. — Sou eu, querido — disse, passando a mão por entre meus cabelos, fazendo um sorriso brotar em sua face. Minha mente estava confusa, a cabeça doía e não sabia se podia confiar em ninguém, mas aquele rosto me trouxe paz o suficiente para que eu a seguisse.

Ω

Montauk, New York.
A viagem foi extremamente silenciosa, o que foi algo inesperado para mim. Achava que tinha inúmeras dúvidas e que falaria sem parar sobre isso, mas ao me acalmar e pensar melhor, já tinha todas as respostas de questões que surgiam. Ao longo de toda a minha vida, havia sido instruído que havia um acampamento especial para proles de deuses gregos, que se aventuravam vez ou outra, tendo filhos, e que inclusive eu era um deles. Ao crescermos, achamos conseguir distinguir o mito da verdade apenas se baseando no próprio achismo e no quão coerente as coisas parecem ser, mas na verdade não passamos de jovens-adultos tolos, que duvidam do sobrenatural sem mais nem menos.

A enfermeira, Lissie, que havia se revelado ser uma dríade, nos acompanhava pela floresta, pois disse que tentaria ir despistando o nosso cheiro, para que outros monstros não nos incomodassem. Não sabia se fora necessariamente por isso, mas o único empecilho que tivemos foi a dor do meu braço. De acordo com minha mãe, o que tinha tentado nos matar era um Metamorfo, um ser que podia se moldar em qualquer forma. Também contou que não praticava golfe nos finais de semana, mas sim esgrima medieval, por isso tinha tanta habilidade com a espada, que inclusive tinha sido isso que estava no consultório, não documentos. Ela pediu desculpas pelas mentiras e jurou de dedinho que não existiam mais segredos.

Minha cabeça estava tão atolada de coisas que a viagem pareceu durar dez minutos. Ao chegarmos ao pé de uma colina, o automóvel parou. Ainda em silêncio, saímos e começamos a subir a encosta, com os passos lentos. Ambos sabíamos o que nos aguardava, eu me lembrava muito bem das suas histórias e de como mortais não podiam adentrar aquele local. Por um momento, pude processar tudo, e caí nos braços de minha mãe, deixando as lágrimas rolarem rosto abaixo, atolado de preocupações e não querendo aceitar que teria de abandoná-la.

— Ainda vamos nos ver, querido. Nas férias, você vai pra casa — confortou ela, forçando a voz serena. — Vá direto pra enfermaria, eles vão cuidar do seu braço. — Era incrível como ela fazia parecer tudo natural, como se fizéssemos aquilo todos os dias. Meus braços continuaram entrelaçados em sua cintura, mas Lissie surgiu dentre as árvores, nos apressando, temendo monstros. Me afastei e deixei que minha mãe adentrasse o carro e fosse embora, dando uma única buzinada como despedida.

A dríade ofereceu seu braço como apoio, então passamos por baixo do arco de entrada do acampamento, que pareceu reagir com minha presença. Meu corpo emitiu uma forte luz e, conta o ser da natureza, um símbolo surgiu acima da cabeça. De começo, me assustei, mas percebi que nada mais me incomodava, e ao olhar para meu braço, notei que o curativo havia sumido, assim como a lasca de madeira e o ferimento.

E, foi assim que Hipnos, o deus hippie, me assumiu como seu filho.

Spoiler:
— Caso não tenha dado para entender direito, o rapaz que bateu na lataria do carro e acordou Niko, foi o próprio Hipnos, alertando sobre o perigo e sugerindo que fosse para o acampamento.

— A mãe de Niko sempre contara para ele que o próprio era um semideus, mas o jovem jamais acreditou, até porque não tinha crença alguma, ainda mais na grega, que ele considerava estar morta.

— Alguns pontos ficaram em aberto, como a infância do garoto, seu cotidiano e tudo o mais, mas acho que são histórias para outras horas. Escolhi explicitar as dificuldades antes de chegar ao acampamento e a relação com seu pai e a reclamação. Espero que não haja problemas quanto a isso.

— Agradeço pela paciência de ter lido até aqui e peço desculpas desde já pelos erros que achará. ;-; ♥
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Andrea M. Lyserg em Sab 29 Abr 2017, 09:51


Avaliação
Ficha de Reclamação

Bem-vindo ao nosso queridíssimo PJBR! Tudo bom?

Queria começar com o fato que eu gostei bastante da sua ficha, tanto que não tenho muito a dizer. Não encontrei muitos erros (Só algumas poucas vírgulas no lugar errado, coisa que eu acabo fazendo também) e o jeito que você narrou tudo, principalmente a coisa de ter descrito Hipnos como um hippie, me prendeu até demais.

No começo fiquei um pouco assustada com as pontas soltas que você deixou, mas não o bastante para pensar em te reprovar e quando você explicou tudo eu tive certeza que deveria aprovar sua ficha.

Parabéns, Nikolai Grier, você foi aprovado.
Why don't you just come around?

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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por 128-ExStaff em Sab 29 Abr 2017, 11:43



Atualizado
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Phoebe Wang em Sab 29 Abr 2017, 18:27

- Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Gostava de ser reclamada por Nêmesis. Opto sempre pela sinceridade, a justiça e o equilíbrio e acho fascinante o facto Nêmesis ser exatamente isso: o equilíbrio, a justiça, a verdade, a vingança. Sem dúvida a minha deusa favorita mas, ao mesmo tempo, a mais incompreendida.

- Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas)

Físicas: Phoebe possui olhos castanhos um pouco em bico (devido à descendência chinesa) e cabelo curto ondulado também castanho. Tem um metro e sessenta e sete e devido a alguns problemas na infância tem uma estatura magra para a altura.

Psicológicas: Fria. Desde cedo que Phoebe escolheu deixar de acreditar na humanidade. Não tinha sido aceite por causa do seu temperamento ou maneira de pensar livre de julgamentos. Não partilhava da mesma religião que as freiras no orfanato em que passou grande parte da sua vida e, por isso, fora muitas vezes castigada.
É inteligente demais para o seu próprio bem e não consegue manter-se calada, sempre dizendo a verdade acima de tudo e não se importando com as consequências após dizer o que acha de uma pessoa. Não finge estar bem quando não está mas também não quer incomodar as pessoas com os seus problemas.
A sua mente é bem obscura, com pensamentos negros e gritantes que a impedem de dormir, mas sempre tenta superar as vozes que lhe dizem que ela não é o suficiente.
Fora isso, Phoebe é rápida a ajudar os outros, quase que por instinto. Tem um desejo de justiça incorruptível e nada a demove de fazer algo que já esteja cravado na sua mente.
Personalidade forte e tempestuosa e quando se irrita nem mesmo o mais poderoso dos charmes a consegue parar de destruir tudo e todos.

- História do Personagem

 Deshi Wang sempre gostou de aventura. E de adrenalina, se começarmos por aí. Desde cedo que ambicionou coletar uma pedra de cada país do mundo, custe o que custasse e foi pela China, o seu país natal, que começou.

 Ele viajou por toda a Ásia, uma pedra por país, não importava a cor a forma ou se estava deformada, não! Para ele todas tinham a sua própria beleza e todas elas eram únicas.

 Li esta história tantas vezes que até já perdi a conta. Lembro-me de como o meu pai decidiu mandar-me uma carta com a sua história (após eu o conhecer muitos anos depois), de como ele se tinha apaixonado na Grécia, e que na Grécia o seu coração havia permanecido para sempre, jovem, carismático e aventuroso.

 Ela era nova, bonita, com um sorriso esculpido e olhos escuros como ónix mas com um calor de desafio e equilíbrio que o deslumbrou de imediato. Lá estava ela, escrevia-me ele, a mulher que me roubou o coração.

 Sei que foi um caso de uma noite já que, quando a aurora se fez notar no país banhado pelo calmo mar Mediterrâneo, Deshi ligou para a sua mãe, minha avó, desesperado. Ela não estava em lugar nenhum! Havia desaparecido como ar por entre os seus dedos calosos. Após uma série de gritos e dinheiro gasto numa chamada intercontinental, Deshi continuou o seu caminho, derrotado e sem ânimo. Já se tinham passado dois meses desde que a sua viagem começou e a sua felicidade foi embora com a bonita e desconhecida mulher por quem ele teve a ousadia e o azar de se apaixonar.

 Nove meses depois já estava na América. Tinha havido umas complicações no Médio Oriente que o retiveram por algum tempo. Já não falava com a mãe o que lhe parecia ser há anos, mas a memória daquela que o nome ele desconhece prevalecia intacta na sua memória, como que forjada a ferro quente e ouro maciço.

 Sentou-se na cama do quarto da pensão barata que tinha encontrado e deitou-se para trás, costas cansadas e pele suja das horas a caminhar, até que alguém bateu à porta.
Ele estranhou, semicerrou os olhos já com a forma dos grãos de arroz, e caminhou até à porta de madeira. O seu queixo caiu em espanto e ele baixou-se para apanhar o pequeno cesto, do que parecia ser prata interlaçada como tranças preciosas, e olhou para a cara adormecida da pequena bebé que jazia no berço. Ele levou-a consigo para o quarto e leu o pequeno bilhete, letras a itálico, escritas com uma eterna caneta de fina linha de ouro derretido.

“Phoebe- pura, brilhante, era uma Titânide associada à Deusa da Lua Ártemis.”

 Ele soube quem me mandara. Era impossível não saber! Quem mais poderia escolher temas da mitologia para se dirigir a outra pessoa? Era ela! Aquela que lhe roubou o coração numa noite, e despediu-se sem adeus.

 Ele encarou-me chocado. Não estava à espera de me receber, muito menos que ela o encontrasse quando ele o tinha feito e nunca descobriu para onde ela tinha ido.

 De novo, uma chamada urgente para a mãe. Mais gritos, mais dinheiro na conta do quarto, mais choro e mais palavras pouco agradáveis. Estava decidido, assim que voltasse para a China seria um escândalo total! O que pensariam as pessoas? Deshi nem estava casado!

 Mas ele não a podia abandonar. Podia?

 Bem, se ele podia ou não, não sei. Só sei que acabou por o fazer.

 Depois de coletar a sua preciosa pedra, Deshi rumou até ao orfanato mais próximo, que havia encontrado no computador da receção do decadente motel à beira da estrada, e deixou o berço à porta do local mandado por freiras. Ficou com o bilhete, mas escreveu com a sua letra torta o meu nome num papel sujo que encontrou no bolso.

 Oito anos depois lá estava eu. Sendo atingida de novo com um pontapé na barriga.

 Yria odiava-me desde que eu dei os meus primeiros passos.
Dois anos mais velha que eu e vários centímetros mais alta, Yria resplandecia com um vestido até ao joelho e caracóis ruivos a cair-lhe pela face lisa. Ela gritava ofensas e batia-me inúmeras vezes, até que uma freira a agarrou e a tirou de perto de mim. Lembro-me de não chorar ou gritar para que ela parasse. Não era porque queria fingir-me de forte, ou porque não me doía, mas uma voz na minha cabeça dizia sempre que situações destas aconteciam “A hora dela chegará. No fim, a vingança chega a todos.”.

 Dito e feito, Yria foi, no dia seguinte, sentar-se o mais longe de mim, marcas vermelhas na sua cara passos frágeis e hesitantes. Algo me dizia, talvez a experiência, que o castigo dela foi doloroso. Até hoje não me esqueço das açoitadas que recebia por me recusar a acreditar em Deus. Se Deus realmente existisse, eu teria um pai e uma mãe.

 Os meus dias eram vazios. Muitas vezes não comia por me relembrar dos insultos de Yria que me relembravam que eu não era magra ou bonita, com os meus olhos de cor comum e as minhas feições pouco convencionais, num misto de ásia e américa, ou por estar de castigo por não rezar junto das freiras. Não dormia sem ter pesadelos de ondas gigantes e trovões no céu carregado de nuvens, e numa voz profunda e horrorosa que preenchia os meus sonhos com avidez. Pouco a pouco, fui-me perdendo.

 Fugi.

 Aos onze anos estava farta da maneira de como me olhavam, ou dos castigos pungentes que recebia por não ter uma opinião igual aos demais. Com uma mala velha e quase rota e alguma roupa lá dentro, escapuli-me por entre as grades da janela e cai em cima de uns arbustos, quase torcendo um pé na queda. No breu da noite fugi pelos portões e corri. Os meus pulmões apertaram-se num nó e o meu peito firmou-se com dores, mas isso não me impediu de correr. Os meus dedos e pés estavam gelados e os meus lábios tremiam.
Foi no meio da estrada de terra batida que eu me deparei com o meu primeiro desafio.

 Uma silhueta escura estava caída no chão, cara entre as mãos e choro profundo e dorido.

 - Está tudo bem?- perguntei, aproximando-me da moça caída. Ela olhou para mim. O seu rosto era dos mais belos que já tinha visto, os seus olhos azuis brilhantes e as bochechas coradas. Mas algo estava mal.

 - Cheiro…- ela sussurrou agarrando-se ao tecido da minha camisola. Levantei-me num ápice, e afastei-me dela, quase tropeçando nos meus próprios pés. Ela ergueu-se, alta e com as roupas rasgadas, sangue e escorrer-lhe pela pele.
Tentei correr para longe dela, mas não podia voltar para trás. Ela viu o medo nos meus olhos, mas também viu que eu não me iria deixar ficar enquanto ela me magoava.

 - Pena que não és um rapaz. Cheiras tão bem.- ela correu para mim, mas eu era mais baixa e consegui-me desviar a tempo de não ser derrubada por ela. A sua unha raspou no meu braço cortando o tecido e eu gemi de dor quando a minha pele se cortou e o sangue e ensopou a manga da fina camisola. Ela sorriu, e eu pude ver o seu rosto agora desfeito.
Os seus olhos estavam vermelhos como sangue, e os seus lábios estavam ensanguentados e rachados.

 - Vem cá, querida semideusa. Posso matar-te rápido se preferires.- Ela aproximou-se de novo, mas eu dei um passo para trás, acabando por cair, as minhas mãos esfolando-se das pedras. Ela correu até mim e atirou-se para o meu corpo caído. A minha mala impediu que as minhas costas batessem fortemente contra o chão. Tentei gritar e esbracejar, o terror a tomar conta das minhas células, mas mantive-me o mais serena possível.
Talvez se eu morresse tudo parasse, a dor da rejeição. Tudo.

 “Não sejas parva, Phoebe! Tu vais lutar como a guerreira que és!” Suspirei com dor. A voz continuava a repetir o mesmo mantra, mas não era ela que estava a ser assassinada por um monstro! Levei as minhas mãos ao cabelo da criatura e puxei, fios soltos a ficarem presos entre os meus dedos. Consegui afastar minimamente o seu rosto de mim e, num momento de hesitação, atirei-lhe terra para os olhos, fazendo-a levar ambas as mãos à cara. Aproveitei para a afastar de mim com um pontapé na barriga. Os gritos de felicidade da voz ecoavam na minha cabeça. Ela dizia que estava orgulhosa de mim. E nesse momento eu senti uma onda de raiva e calor irradiar da minha pele. Não a iria desiludir, quem quer que ela fosse.

 A criatura estava estirada no chão. Tirei a minha mala, atirando-a para a berma.
Aproximei-me dela e mandei-lhe com o meu pé na cara suja e preparei-me para o fazer de novo, mas ela foi mais rápida, pegando no meu pé e puxando-o fazendo-me cair, a minha testa agora a sangrar e eu a tossir terra.

 - Podes achar-te muito forte, mas tu não és nada, comparada comigo! Diz adeus, semideusa.- a sua voz era carregada de nojo e veneno. Ela preparou-se para me partir o pescoço mas eu não ia permitir. Estava tão perto de fugir que eu não ia deixar que uma estúpida e monstruosa criatura me impedisse. Pela primeira vez eu iria lutar de volta.

 Estava escuro, mas eu consegui ver tudo o que se passava à minha volta. Os grilos, os estalares das árvores, ramos a quebrar. Tudo aconteceu rápido demais, mas eu assimilei tudo com a mesma rapidez. Antes que ela conseguisse fazer mais alguma coisa, peguei num fino galho e enfiei-lhe no olho. Ela gritou, a sua voz dolorida a ecoar pelo vazio da noite. Rodei-nos no chão e fiquei por cima dela. Bati-lhe consecutivamente com a cabeça no chão, os seus olhos rodando da sua órbitra e a sua cara a perder a cor. A minha mão encontrou uma pedra grande e terminei com a vida dela, batendo-a fortemente na sua cabeça, esmagando-a. Ela tornou-se num pó parecido a enxofre e os meus joelhos bateram no chão sem o seu corpo por baixo de mim, o que sujou ainda mais as minhas roupas. Cocei o nariz com vontade de espirrar e fechei os olhos deixando-me cair sem forças no chão, a inconsciência tomando conta de mim.

;;

 Lembro-me de estar ao lado de uma rapariga de cabelos loiros. Não sabia onde estava ou como tinha lá chegado. Recordava-me de ter estado numa luta e ter desmaiado no meio da estrada, sem forças.

 - O meu nome é Kayla e eu sou curandeira aqui no acampamento. Como te sentes?- Sentei-me confusa e encarei os seus olhos azuis e a sua pele morena. Ela era tão brilhante que os meus olhos ardiam e o seu sorriso causava-me tonturas. Ela cheirava a areia e sol.- Aqui, bebe isto, vais sentir-te melhor.

 Levei o copo aos lábios e o aroma a café quente fez-me quase sorrir. Costumava bebê-lo às escondidas das freiras, junto de dona Margaret, uma cozinheira amável que foi acabou por morrer de idade. Não comi durante uma semana, até que as freiras forçaram a comida pela minha garganta abaixo.

 De súbito, as minhas células estalaram e eu senti chamas a percorrerem as minhas veias como aço líquido. Senti-me cheia de forças e com vontade de beber mais daquele líquido.

 - É néctar. Ajuda-nos a cuidar ferimentos e recuperar forças. Sentes-te melhor agora?

 - Sim. Onde é que eu estou?- ela sorriu calorosamente, literalmente. A sua cara parecia o sol de tão iluminada que era, olhos brilhantes e cabelos entrelaçados como ouro. Senti vergonha de estar coberta por pó e não ser tão bonita quanto ela. Não era americana o suficiente ou chinesa o suficiente. Era só eu.

 - Estás no acampamento meio-sangue, o único sítio em que pessoas como nós se podem manter a salvo. Deves ter tido uma noite recheada de emoções. Vou chamar o Quíron e ele já te explica tudo.- ela desapareceu antes que eu tivesse uma chance de lhe expor as minhas dúvidas. A minha cabeça doía e parecia que ia explodir e o meu estômago revirava-se como se fosse uma máquina de lavar. Encostei a minha cabeça à parede e encarei o espaço durante longos minutos, até que o som de ferraduras de cavalo a bater no chão me fez olhar para o lado. Quase que desmaiei com a visão. Um homem era metade humano metade cavalo. Como se isso fosse possível! A sua barba estava desgrenhada e o seu cabelo encaracolado caía pela sua face. Tinha um rosto sábio e olhos antigos, como se guardasse os segredos da criação do mundo.

 - Como te chamas, criança?- ele perguntou aproximando-se. Resisti à vontade de fugir e gritar e respondi com medo.

 - Phoebe. Phoebe Wang.

 Ele assentiu e pareceu ponderar.

 - Tens alguma ideia de como vieste aqui parar?- Eu neguei. Lembrava-me da criatura mas depois eu sucumbi à minha dor. Estúpida devia ter-me mantido acordada.

 - Foste trazida pela benevolente Alecto. Ela deixou-te nos limites do acampamento antes de seres encontrada por um campista e trazida para a enfermaria.- ele disse como se fosse a coisa mais normal do mundo. Eu arregalei os olhos e toquei na minha testa, gemendo ao tocar no ferimento coberto de Band-Aids.- Estavas bastante maltratada, dormiste durante algumas horas.

 - Eu lutei com uma mulher, ela era bastante forte. Os olhos dela eram vermelhos e ela chamou-me…- encarei-o com medo que ele me achasse maluca. A minha mente não era a mais sã mas eu tinha a certeza do que tinha acontecido e tinha medo que ele me colocasse num manicómio. Talvez o facto de ele ser meio cavalo era eu fruto da minha imaginação. Aproximei a minha mão do seu torso e senti o pelo suave entre os meus dedos. Ele encarou-me estranhamente.

 - O que estás a fazer?- ele afastou a minha mão com cuidado.

 - É real… Como é que pode ser real?- perguntei assustada.

 - Ah criança, tudo vai fazer sentido a seu tempo.- ele afastou-se e sussurrou alguma coisa ao ouvido de Kayla. Ela aproximou-se ainda a sorrir.

 - Está na hora de almoço, vem tomar um banho e vestir alguma coisa que eu depois levo-te ao refeitório. Os campistas de Hermes vão adorar ter sangue novo por lá.- Ela suspirou e ajudou-me a levantar.

;;

 Tomei banho rapidamente e vesti uma t-shirt laranja que eu não consegui perceber o que dizia por causa da dislexia (agora sei que é Acampamento Meio-Sangue) e uns calções de ganga curtos que pertenciam a Kayla. O meu cabelo estava uma confusão de nós molhados e gotas de água com cheiro a mel, o shampoo da loira, o que sempre era melhor do que pó e enxofre. Kayla esperava do lado de fora com um sorriso. Não conseguia entender o porquê de ela ser sempre tão simpática e estar sempre a sorrir.

 - Ficaste fantástica! Não deves ser do chalé de Afrodite se não irias demorar séculos a preparar-te! No entanto és bem bonita…- ela falou a última parte para ela mesma, como se pensasse em algo importante e para se concentrar precisasse de falar em voz alta.

 Caminhámos lado a lado, as minhas forças já mais compactas. Não tinha comido nada desde o almoço de ontem, visto que me impediram de jantar como castigo, mas não sentia grande fome por causa adrenalina que ainda não se tinha dissipado.

 - A tua mesa é aquela dali, ao pé dos campistas de Hermes. Se tudo correr bem hoje vais ser reclamada na captura à bandeira. Tem um bom almoço.- ela abraçou-me rapidamente antes de caminhar para uma mesa onde todos pareciam como ela: sorridentes, de dentes brancos e direitos e olhos azuis como o céu. Os seus cabelos lembravam-me raios de sol de tão encaracolados e dourados. As suas peles eram todas morenas e alguns tinham sardas a cobrir as bochechas queimadas pelo sol. Caminhei hesitantemente até à mesa indicada.

 - Deves ser a Phoebe, eu sou o Andrew, filho de Hermes.- Ele sorri e dá-me espaço para eu me sentar. O meu prato estava vazio, assim como o dele e eu não via comida em lado nenhum.- Não te preocupes, é só desejar que ela parece.- ele piscou-me o olho, o que me fez revirar os olhos discretamente. Nunca tinha convivido com rapazes então era demasiado estranho esta proximidade.

 Ao fundo da cantina estava um homem com uma camisa de estampa de leopardo a olhar desoladamente para uma garrafa de vinho. O pesar nos seus olhos era doloroso.

 - Aquele é o Sr. D. Dionísio, deus do vinho, sabes? Versão resumida, ele tentou flirtar com uma ninfa que Zeus também queria e ele mandou-o para aqui. Não pode beber bebidas alcoólicas durante o tempo que está no acampamento. Sujeito engraçado, mas não fiques no lado mau dele. Ah! Se ele se enganar no teu nome ignora, ele só não quer que nós pensemos que ele gosta de nós.- estalei os dedos com nervosismo. Não conseguia acreditar no mesmo que eles, por mais que as coisas estivessem bem à frente dos meus olhos. Como era possível? Não! Isto era só um sonho e eu queria acordar já! Belisquei com força o meu braço mas nada, para além de um grito meu, aconteceu. Andrew olhou para mim confuso.

 - Tu podias acordar, mas isto não é um sonho.- Ele recitou Halsey e eu olhei-o com raiva. Não era possível. Agora, até acreditar em Deus era mais fácil do que aceitar isto.

 - Como é que podes estar tão bem com isto? Não é natural! Deus não existe e muito menos Deuses. Vocês são todos doidos, eu só quero…- levantei-me irritada, mas antes que eu pudesse continuar todas as cabeças olharam para mim, mais precisamente para algo acima da minha cabeça. Ergui o meu olhar, vendo um símbolo de uma balança flutuante em tons de cinza, abanar-se como ondas acima de mim.

- Salve Phoebe Wang, filha de Nêmesis, Deusa do destino, do equilíbrio e da vingança divina.


Olá de novo! Queria pedir desculpa por ter feito o pedido no sítio errado e queria também agradecer pelo aviso! Obrigado.
Phoebe Wang
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Will Fortune em Dom 30 Abr 2017, 11:17


RAINBOW NA ÁREA
AVALIAÇÃO

Primeiramente seja bem-vinda ao PjotinhaBr. Sei que você não sabe disso, então eu estarei avisando para que isso não aconteça novamente, okay? Bom seu nome não está adequado com as regras do fórum, por que apesar de ser um fórum sua personagem continua sendo uma pessoa, então a sua personagem deve ter nome e sobrenome (Você pode alterar ele aqui). Não teria problemas você usar Phoenixx em uma conta que fosse ser uma dríade ou espirito da água pois eles não precisam de sobrenome. Quando fizer a alteração, sua ficha será avaliada.

Se precisar de ajuda, tiver dúvidas ou apenas quiser conversar me procure ou mande mp.

Por hora está recusada.

Ps: "Emprestei" o template do Johan².
Will Fortune
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Phoebe Wang em Dom 30 Abr 2017, 16:49

- Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Gostava de ser reclamada por Nêmesis. Opto sempre pela sinceridade, a justiça e o equilíbrio e acho fascinante o facto Nêmesis ser exatamente isso: o equilíbrio, a justiça, a verdade, a vingança. Sem dúvida a minha deusa favorita mas, ao mesmo tempo, a mais incompreendida.

- Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas)

Físicas: Phoebe possui olhos castanhos um pouco em bico (devido à descendência chinesa) e cabelo curto ondulado também castanho. Tem um metro e sessenta e sete e devido a alguns problemas na infância tem uma estatura magra para a altura. O seu tom de pele é um oliva claro, levemente amarelado, e os seus lábios são finos e bem desenhados. Tem uma beleza exótica mas ao mesmo tempo simples e comum, o que a torna mais bonita ainda.

Psicológicas: Fria. Desde cedo que Phoebe escolheu deixar de acreditar na humanidade. Não tinha sido aceite por causa do seu temperamento ou maneira de pensar livre de julgamentos. Não partilhava da mesma religião que as freiras no orfanato em que passou grande parte da sua vida e, por isso, fora muitas vezes castigada.
É inteligente demais para o seu próprio bem e não consegue manter-se calada, sempre dizendo a verdade acima de tudo e não se importando com as consequências após dizer o que acha de uma pessoa. Não finge estar bem quando não está mas também não quer incomodar as pessoas com os seus problemas.
A sua mente é bem obscura, com pensamentos negros e gritantes que a impedem de dormir, mas sempre tenta superar as vozes que lhe dizem que ela não é o suficiente.
Fora isso, Phoebe é rápida a ajudar os outros, quase que por instinto. Tem um desejo de justiça incorruptível e nada a demove de fazer algo que já esteja cravado na sua mente.
Personalidade forte e tempestuosa e quando se irrita nem mesmo o mais poderoso dos charmes a consegue parar de destruir tudo e todos.

- História do Personagem

Deshi Wang sempre gostou de aventura. E de adrenalina, se começarmos por aí. Desde cedo que ambicionou coletar uma pedra de cada país do mundo, custe o que custasse e foi pela China, o seu país natal, que começou.

Ele viajou por toda a Ásia, uma pedra por país, não importava a cor a forma ou se estava deformada, não! Para ele todas tinham a sua própria beleza e todas elas eram únicas.

Ouvi esta história tantas vezes que até já perdi a conta. Lembro-me de como o meu pai decidiu mandar-me uma carta com a sua história (após eu o conhecer muitos anos depois e junto a uma amiga mortal minha que me leu a carta), de como ele se tinha apaixonado na Grécia, e que na Grécia o seu coração havia permanecido para sempre, jovem, carismático e aventuroso.

Ela era nova, bonita, com um sorriso esculpido e olhos escuros como ónix mas com um calor de desafio e equilíbrio que o deslumbrou de imediato. Lá estava ela, escrevia-me ele, a mulher que me roubou o coração.

Sei que foi um caso de uma noite já que, quando a aurora se fez notar no país banhado pelo calmo mar Mediterrâneo, Deshi ligou para a sua mãe, minha avó, desesperado. Ela não estava em lugar nenhum! Havia desaparecido como ar por entre os seus dedos calosos. Após uma série de gritos e dinheiro gasto numa chamada intercontinental, Deshi continuou o seu caminho, derrotado e sem ânimo. Já se tinham passado dois meses desde que a sua viagem começou e a sua felicidade foi embora com a bonita e desconhecida mulher por quem ele teve a ousadia e o azar de se apaixonar.

Nove meses depois já estava na América. Tinha havido umas complicações no Médio Oriente que o retiveram por algum tempo. Já não falava com a mãe o que lhe parecia ser há anos, mas a memória daquela que o nome ele desconhece prevalecia intacta na sua memória, como que forjada a ferro quente e ouro maciço.

Sentou-se na cama do quarto da pensão barata que tinha encontrado e deitou-se para trás, costas cansadas e pele suja das horas a caminhar, até que alguém bateu à porta.
Ele estranhou, semicerrou os olhos já com a forma dos grãos de arroz, e caminhou até à porta de madeira. O seu queixo caiu em espanto e ele baixou-se para apanhar o pequeno cesto, do que parecia ser prata interlaçada como tranças preciosas, e olhou para a cara adormecida da pequena bebé que jazia no berço. Ele levou-a consigo para o quarto e leu o pequeno bilhete, letras a itálico, escritas com uma eterna caneta de fina linha de ouro derretido.

“Phoebe- pura, brilhante, era uma Titânide associada à Deusa da Lua Ártemis.”

Ele soube quem me mandara. Era impossível não saber! Quem mais poderia escolher temas da mitologia para se dirigir a outra pessoa? Era ela! Aquela que lhe roubou o coração numa noite, e despediu-se sem adeus.

Ele encarou-me chocado. Não estava à espera de me receber, muito menos que ela o encontrasse quando ele o tinha feito e nunca descobriu para onde ela tinha ido.

De novo, uma chamada urgente para a mãe. Mais gritos, mais dinheiro na conta do quarto, mais choro e mais palavras pouco agradáveis. Estava decidido, assim que voltasse para a China seria um escândalo total! O que pensariam as pessoas? Deshi nem estava casado!

Mas ele não a podia abandonar. Podia?

Bem, se ele podia ou não, não sei. Só sei que acabou por o fazer.

Depois de coletar a sua preciosa pedra, Deshi rumou até ao orfanato mais próximo, que havia encontrado no computador da receção do decadente motel à beira da estrada, e deixou o berço à porta do local mandado por freiras. Ficou com o bilhete, mas escreveu com a sua letra torta o meu nome num papel sujo que encontrou no bolso.

Oito anos depois lá estava eu. Sendo atingida de novo com um pontapé na barriga.

Yria odiava-me desde que eu dei os meus primeiros passos.
Dois anos mais velha que eu e vários centímetros mais alta, Yria resplandecia com um vestido até ao joelho e caracóis ruivos a cair-lhe pela face lisa. Ela gritava ofensas e batia-me inúmeras vezes, até que uma freira a agarrou e a tirou de perto de mim. Lembro-me de não chorar ou gritar para que ela parasse. Não era porque queria fingir-me de forte, ou porque não me doía, mas uma voz na minha cabeça dizia sempre que situações destas aconteciam “A hora dela chegará. No fim, a vingança chega a todos.”.

Dito e feito, Yria foi, no dia seguinte, sentar-se o mais longe de mim, marcas vermelhas na sua cara passos frágeis e hesitantes. Algo me dizia, talvez a experiência, que o castigo dela foi doloroso. Até hoje não me esqueço das açoitadas que recebia por me recusar a acreditar em Deus. Se Deus realmente existisse, eu teria um pai e uma mãe.

Os meus dias eram vazios. Muitas vezes não comia por me relembrar dos insultos de Yria que me relembravam que eu não era magra ou bonita, com os meus olhos de cor comum e as minhas feições pouco convencionais, num misto de ásia e américa, ou por estar de castigo por não rezar junto das freiras. Não dormia sem ter pesadelos de ondas gigantes e trovões no céu carregado de nuvens, e numa voz profunda e horrorosa que preenchia os meus sonhos com avidez. Pouco a pouco, fui-me perdendo.

Fugi.

Aos onze anos estava farta da maneira de como me olhavam, ou dos castigos pungentes que recebia por não ter uma opinião igual aos demais. Com uma mala velha e quase rota e alguma roupa lá dentro, escapuli-me por entre as grades da janela e cai em cima de uns arbustos, quase torcendo um pé na queda. No breu da noite fugi pelos portões e corri. Os meus pulmões apertaram-se num nó e o meu peito firmou-se com dores, mas isso não me impediu de correr. Os meus dedos e pés estavam gelados e os meus lábios tremiam.
Foi no meio da estrada de terra batida que eu me deparei com o meu primeiro desafio.

Uma silhueta escura estava caída no chão, cara entre as mãos e choro profundo e dorido.

- Está tudo bem?- perguntei, aproximando-me da moça caída. Ela olhou para mim. O seu rosto era dos mais belos que já tinha visto, os seus olhos azuis brilhantes e as bochechas coradas. Mas algo estava mal.

- Cheiro…- ela sussurrou agarrando-se ao tecido da minha camisola. Levantei-me num ápice, e afastei-me dela, quase tropeçando nos meus próprios pés. Ela ergueu-se, alta e com as roupas rasgadas, sangue e escorrer-lhe pela pele.
Tentei correr para longe dela, mas não podia voltar para trás. Ela viu o medo nos meus olhos, mas também viu que eu não me iria deixar ficar enquanto ela me magoava.

- Pena que não és um rapaz. Cheiras tão bem.- ela correu para mim, mas eu era mais baixa e consegui-me desviar a tempo de não ser derrubada por ela. A sua unha raspou no meu braço cortando o tecido e eu gemi de dor quando a minha pele se cortou e o sangue e ensopou a manga da fina camisola. Ela sorriu, e eu pude ver o seu rosto agora desfeito.
Os seus olhos estavam vermelhos como sangue, e os seus lábios estavam ensanguentados e rachados.

- Vem cá, querida semideusa. Posso matar-te rápido se preferires.- Ela aproximou-se de novo, mas eu dei um passo para trás, acabando por cair, as minhas mãos esfolando-se das pedras. Ela correu até mim e atirou-se para o meu corpo caído. A minha mala impediu que as minhas costas batessem fortemente contra o chão. Tentei gritar e esbracejar, o terror a tomar conta das minhas células, mas mantive-me o mais serena possível.
Talvez se eu morresse tudo parasse, a dor da rejeição. Tudo.

“Não sejas parva, Phoebe! Tu vais lutar como a guerreira que és!” Suspirei com dor. A voz continuava a repetir o mesmo mantra, mas não era ela que estava a ser assassinada por um monstro! Levei as minhas mãos ao cabelo da criatura e puxei, fios soltos a ficarem presos entre os meus dedos. Consegui afastar minimamente o seu rosto de mim e, num momento de hesitação, atirei-lhe terra para os olhos, fazendo-a levar ambas as mãos à cara. Aproveitei para a afastar de mim com um pontapé na barriga. Os gritos de felicidade da voz ecoavam na minha cabeça. Ela dizia que estava orgulhosa de mim. E nesse momento eu senti uma onda de raiva e calor irradiar da minha pele. Não a iria desiludir, quem quer que ela fosse.

A criatura estava estirada no chão. Tirei a minha mala, atirando-a para a berma.
Aproximei-me dela e mandei-lhe com o meu pé na cara suja e preparei-me para o fazer de novo, mas ela foi mais rápida, pegando no meu pé e puxando-o fazendo-me cair, a minha testa agora a sangrar e eu a tossir terra.

- Podes achar-te muito forte, mas tu não és nada, comparada comigo! Diz adeus, semideusa.- a sua voz era carregada de nojo e veneno. Ela preparou-se para me partir o pescoço mas eu não ia permitir. Estava tão perto de fugir que eu não ia deixar que uma estúpida e monstruosa criatura me impedisse. Pela primeira vez eu iria lutar de volta.

Estava escuro, mas eu consegui ver tudo o que se passava à minha volta. Os grilos, os estalares das árvores, ramos a quebrar. Tudo aconteceu rápido demais, mas eu assimilei tudo com a mesma rapidez. Antes que ela conseguisse fazer mais alguma coisa, peguei num fino galho e enfiei-lhe no olho. Ela gritou, a sua voz dolorida a ecoar pelo vazio da noite. Rodei-nos no chão e fiquei por cima dela. Bati-lhe consecutivamente com a cabeça no chão, os seus olhos rodando da sua órbitra e a sua cara a perder a cor. A minha mão encontrou uma pedra grande e terminei com a vida dela, batendo-a fortemente na sua cabeça, esmagando-a. Ela tornou-se num pó parecido a enxofre e os meus joelhos bateram no chão sem o seu corpo por baixo de mim, o que sujou ainda mais as minhas roupas. Cocei o nariz com vontade de espirrar e fechei os olhos deixando-me cair sem forças no chão, a inconsciência tomando conta de mim.

;;

Lembro-me de estar ao lado de uma rapariga de cabelos loiros. Não sabia onde estava ou como tinha lá chegado. Recordava-me de ter estado numa luta e ter desmaiado no meio da estrada, sem forças.

- O meu nome é Kayla e eu sou curandeira aqui no acampamento. Como te sentes?- Sentei-me confusa e encarei os seus olhos azuis e a sua pele morena. Ela era tão brilhante que os meus olhos ardiam e o seu sorriso causava-me tonturas. Ela cheirava a areia e sol.- Aqui, bebe isto, vais sentir-te melhor.

Levei o copo aos lábios e o aroma a café quente fez-me quase sorrir. Costumava bebê-lo às escondidas das freiras, junto de dona Margaret, uma cozinheira amável que foi acabou por morrer de idade. Não comi durante uma semana, até que as freiras forçaram a comida pela minha garganta abaixo.

De súbito, as minhas células estalaram e eu senti chamas a percorrerem as minhas veias como aço líquido. Senti-me cheia de forças e com vontade de beber mais daquele líquido.

- É néctar. Ajuda-nos a cuidar ferimentos e recuperar forças. Sentes-te melhor agora?

- Sim. Onde é que eu estou?- ela sorriu calorosamente, literalmente. A sua cara parecia o sol de tão iluminada que era, olhos brilhantes e cabelos entrelaçados como ouro. Senti vergonha de estar coberta por pó e não ser tão bonita quanto ela. Não era americana o suficiente ou chinesa o suficiente. Era só eu.

- Estás no acampamento meio-sangue, o único sítio em que pessoas como nós se podem manter a salvo. Deves ter tido uma noite recheada de emoções. Vou chamar o Quíron e ele já te explica tudo.- ela desapareceu antes que eu tivesse uma chance de lhe expor as minhas dúvidas. A minha cabeça doía e parecia que ia explodir e o meu estômago revirava-se como se fosse uma máquina de lavar. Encostei a minha cabeça à parede e encarei o espaço durante longos minutos, até que o som de ferraduras de cavalo a bater no chão me fez olhar para o lado. Quase que desmaiei com a visão. Um homem era metade humano metade cavalo. Como se isso fosse possível! A sua barba estava desgrenhada e o seu cabelo encaracolado caía pela sua face. Tinha um rosto sábio e olhos antigos, como se guardasse os segredos da criação do mundo.

- Como te chamas, criança?- ele perguntou aproximando-se. Resisti à vontade de fugir e gritar e respondi com medo.

- Phoebe. Phoebe Wang.

Ele assentiu e pareceu ponderar.

- Tens alguma ideia de como vieste aqui parar?- Eu neguei. Lembrava-me da criatura mas depois eu sucumbi à minha dor. Estúpida devia ter-me mantido acordada.

- Foste trazida pela benevolente Alecto. Ela deixou-te nos limites do acampamento antes de seres encontrada por um campista e trazida para a enfermaria.- ele disse como se fosse a coisa mais normal do mundo. Eu arregalei os olhos e toquei na minha testa, gemendo ao tocar no ferimento coberto de Band-Aids.- Estavas bastante maltratada, dormiste durante algumas horas.

- Eu lutei com uma mulher, ela era bastante forte. Os olhos dela eram vermelhos e ela chamou-me…- encarei-o com medo que ele me achasse maluca. A minha mente não era a mais sã mas eu tinha a certeza do que tinha acontecido e tinha medo que ele me colocasse num manicómio. Talvez o facto de ele ser meio cavalo era eu fruto da minha imaginação. Aproximei a minha mão do seu torso e senti o pelo suave entre os meus dedos. Ele encarou-me estranhamente.

- O que estás a fazer?- ele afastou a minha mão com cuidado.

- É real… Como é que pode ser real?- perguntei assustada.

- Ah criança, tudo vai fazer sentido a seu tempo.- ele afastou-se e sussurrou alguma coisa ao ouvido de Kayla. Ela aproximou-se ainda a sorrir.

- Está na hora de almoço, vem tomar um banho e vestir alguma coisa que eu depois levo-te ao refeitório. Os campistas de Hermes vão adorar ter sangue novo por lá.- Ela suspirou e ajudou-me a levantar.

;;

Tomei banho rapidamente e vesti uma t-shirt laranja que eu não consegui perceber o que dizia por causa da dislexia (agora sei que é Acampamento Meio-Sangue) e uns calções de ganga curtos que pertenciam a Kayla. O meu cabelo estava uma confusão de nós molhados e gotas de água com cheiro a mel, o shampoo da loira, o que sempre era melhor do que pó e enxofre. Kayla esperava do lado de fora com um sorriso. Não conseguia entender o porquê de ela ser sempre tão simpática e estar sempre a sorrir.

- Ficaste fantástica! Não deves ser do chalé de Afrodite se não irias demorar séculos a preparar-te! No entanto és bem bonita…- ela falou a última parte para ela mesma, como se pensasse em algo importante e para se concentrar precisasse de falar em voz alta.

Caminhámos lado a lado, as minhas forças já mais compactas. Não tinha comido nada desde o almoço de ontem, visto que me impediram de jantar como castigo, mas não sentia grande fome por causa adrenalina que ainda não se tinha dissipado.

- A tua mesa é aquela dali, ao pé dos campistas de Hermes. Se tudo correr bem hoje vais ser reclamada na captura à bandeira. Tem um bom almoço.- ela abraçou-me rapidamente antes de caminhar para uma mesa onde todos pareciam como ela: sorridentes, de dentes brancos e direitos e olhos azuis como o céu. Os seus cabelos lembravam-me raios de sol de tão encaracolados e dourados. As suas peles eram todas morenas e alguns tinham sardas a cobrir as bochechas queimadas pelo sol. Caminhei hesitantemente até à mesa indicada.

- Deves ser a Phoebe, eu sou o Andrew, filho de Hermes.- Ele sorri e dá-me espaço para eu me sentar. O meu prato estava vazio, assim como o dele e eu não via comida em lado nenhum.- Não te preocupes, é só desejar que ela parece.- ele piscou-me o olho, o que me fez revirar os olhos discretamente. Nunca tinha convivido com rapazes então era demasiado estranho esta proximidade.

Ao fundo da cantina estava um homem com uma camisa de estampa de leopardo a olhar desoladamente para uma garrafa de vinho. O pesar nos seus olhos era doloroso.

- Aquele é o Sr. D. Dionísio, deus do vinho, sabes? Versão resumida, ele tentou flirtar com uma ninfa que Zeus também queria e ele mandou-o para aqui. Não pode beber bebidas alcoólicas durante o tempo que está no acampamento. Sujeito engraçado, mas não fiques no lado mau dele. Ah! Se ele se enganar no teu nome ignora, ele só não quer que nós pensemos que ele gosta de nós.- estalei os dedos com nervosismo. Não conseguia acreditar no mesmo que eles, por mais que as coisas estivessem bem à frente dos meus olhos. Como era possível? Não! Isto era só um sonho e eu queria acordar já! Belisquei com força o meu braço mas nada, para além de um grito meu, aconteceu. Andrew olhou para mim confuso.

- Tu podias acordar, mas isto não é um sonho.- Ele recitou Halsey e eu olhei-o com raiva. Não era possível. Agora, até acreditar em Deus era mais fácil do que aceitar isto.

- Como é que podes estar tão bem com isto? Não é natural! Deus não existe e muito menos Deuses. Vocês são todos doidos, eu só quero…- levantei-me irritada, mas antes que eu pudesse continuar todas as cabeças olharam para mim, mais precisamente para algo acima da minha cabeça. Ergui o meu olhar, vendo um símbolo de uma balança flutuante em tons de cinza, abanar-se como ondas acima de mim.

- Salve Phoebe Wang, filha de Nêmesis, Deusa do destino, do equilíbrio e da vingança divina.


Olá de novo (pela terceira vez)! Voltei a publicar porque tive de alterar o meu nome que não estava de acordo com as normas.



Obrigado!
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Phoebe Wang em Dom 30 Abr 2017, 18:34


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Gostava de ser reclamada por Nêmesis. Opto sempre pela sinceridade, a justiça e o equilíbrio e acho fascinante o facto Nêmesis ser exatamente isso: o equilíbrio, a justiça, a verdade, a vingança. Sem dúvida a minha deusa favorita mas, ao mesmo tempo, a mais incompreendida.

— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

Físicas: Phoebe possui olhos castanhos um pouco em bico (devido à descendência chinesa) e cabelo curto ondulado também castanho. Tem um metro e sessenta e sete e devido a alguns problemas na infância tem uma estatura magra para a altura. O seu tom de pele é um oliva claro, levemente amarelado, e os seus lábios são finos e bem desenhados. Tem uma beleza exótica mas ao mesmo tempo simples e comum, o que a torna mais bonita ainda.

Psicológicas: Fria. Desde cedo que Phoebe escolheu deixar de acreditar na humanidade. Não tinha sido aceite por causa do seu temperamento ou maneira de pensar livre de julgamentos. Não partilhava da mesma religião que as freiras no orfanato em que passou grande parte da sua vida e, por isso, fora muitas vezes castigada.
É inteligente demais para o seu próprio bem e não consegue manter-se calada, sempre dizendo a verdade acima de tudo e não se importando com as consequências após dizer o que acha de uma pessoa. Não finge estar bem quando não está mas também não quer incomodar as pessoas com os seus problemas.
A sua mente é bem obscura, com pensamentos negros e gritantes que a impedem de dormir, mas sempre tenta superar as vozes que lhe dizem que ela não é o suficiente.
Fora isso, Phoebe é rápida a ajudar os outros, quase que por instinto. Tem um desejo de justiça incorruptível e nada a demove de fazer algo que já esteja cravado na sua mente.
Personalidade forte e tempestuosa e quando se irrita nem mesmo o mais poderoso dos charmes a consegue parar de destruir tudo e todos.


— História do Personagem:

Deshi Wang sempre gostou de aventura. E de adrenalina, se começarmos por aí. Desde cedo que ambicionou coletar uma pedra de cada país do mundo, custe o que custasse e foi pela China, o seu país natal, que começou.

Ele viajou por toda a Ásia, uma pedra por país, não importava a cor a forma ou se estava deformada, não! Para ele todas tinham a sua própria beleza e todas elas eram únicas.

Ouvi esta história tantas vezes que até já perdi a conta. Lembro-me de como o meu pai decidiu mandar-me uma carta com a sua história (após eu o conhecer muitos anos depois e junto a uma amiga mortal minha que me leu a carta), de como ele se tinha apaixonado na Grécia, e que na Grécia o seu coração havia permanecido para sempre, jovem, carismático e aventuroso.

Ela era nova, bonita, com um sorriso esculpido e olhos escuros como ónix mas com um calor de desafio e equilíbrio que o deslumbrou de imediato. Lá estava ela, escrevia-me ele, a mulher que me roubou o coração.

Sei que foi um caso de uma noite já que, quando a aurora se fez notar no país banhado pelo calmo mar Mediterrâneo, Deshi ligou para a sua mãe, minha avó, desesperado. Ela não estava em lugar nenhum! Havia desaparecido como ar por entre os seus dedos calosos. Após uma série de gritos e dinheiro gasto numa chamada intercontinental, Deshi continuou o seu caminho, derrotado e sem ânimo. Já se tinham passado dois meses desde que a sua viagem começou e a sua felicidade foi embora com a bonita e desconhecida mulher por quem ele teve a ousadia e o azar de se apaixonar.

Nove meses depois já estava na América. Tinha havido umas complicações no Médio Oriente que o retiveram por algum tempo. Já não falava com a mãe o que lhe parecia ser há anos, mas a memória daquela que o nome ele desconhece prevalecia intacta na sua memória, como que forjada a ferro quente e ouro maciço.

Sentou-se na cama do quarto da pensão barata que tinha encontrado e deitou-se para trás, costas cansadas e pele suja das horas a caminhar, até que alguém bateu à porta.
Ele estranhou, semicerrou os olhos já com a forma dos grãos de arroz, e caminhou até à porta de madeira. O seu queixo caiu em espanto e ele baixou-se para apanhar o pequeno cesto, do que parecia ser prata interlaçada como tranças preciosas, e olhou para a cara adormecida da pequena bebé que jazia no berço. Ele levou-a consigo para o quarto e leu o pequeno bilhete, letras a itálico, escritas com uma eterna caneta de fina linha de ouro derretido.

“Phoebe- pura, brilhante, era uma Titânide associada à Deusa da Lua Ártemis.”

Ele soube quem me mandara. Era impossível não saber! Quem mais poderia escolher temas da mitologia para se dirigir a outra pessoa? Era ela! Aquela que lhe roubou o coração numa noite, e despediu-se sem adeus.

Ele encarou-me chocado. Não estava à espera de me receber, muito menos que ela o encontrasse quando ele o tinha feito e nunca descobriu para onde ela tinha ido.

De novo, uma chamada urgente para a mãe. Mais gritos, mais dinheiro na conta do quarto, mais choro e mais palavras pouco agradáveis. Estava decidido, assim que voltasse para a China seria um escândalo total! O que pensariam as pessoas? Deshi nem estava casado!

Mas ele não a podia abandonar. Podia?

Bem, se ele podia ou não, não sei. Só sei que acabou por o fazer.

Depois de coletar a sua preciosa pedra, Deshi rumou até ao orfanato mais próximo, que havia encontrado no computador da receção do decadente motel à beira da estrada, e deixou o berço à porta do local mandado por freiras. Ficou com o bilhete, mas escreveu com a sua letra torta o meu nome num papel sujo que encontrou no bolso.

Oito anos depois lá estava eu. Sendo atingida de novo com um pontapé na barriga.

Yria odiava-me desde que eu dei os meus primeiros passos.
Dois anos mais velha que eu e vários centímetros mais alta, Yria resplandecia com um vestido até ao joelho e caracóis ruivos a cair-lhe pela face lisa. Ela gritava ofensas e batia-me inúmeras vezes, até que uma freira a agarrou e a tirou de perto de mim. Lembro-me de não chorar ou gritar para que ela parasse. Não era porque queria fingir-me de forte, ou porque não me doía, mas uma voz na minha cabeça dizia sempre que situações destas aconteciam “A hora dela chegará. No fim, a vingança chega a todos.”.

Dito e feito, Yria foi, no dia seguinte, sentar-se o mais longe de mim, marcas vermelhas na sua cara passos frágeis e hesitantes. Algo me dizia, talvez a experiência, que o castigo dela foi doloroso. Até hoje não me esqueço das açoitadas que recebia por me recusar a acreditar em Deus. Se Deus realmente existisse, eu teria um pai e uma mãe.

Os meus dias eram vazios. Muitas vezes não comia por me relembrar dos insultos de Yria que me relembravam que eu não era magra ou bonita, com os meus olhos de cor comum e as minhas feições pouco convencionais, num misto de ásia e américa, ou por estar de castigo por não rezar junto das freiras. Não dormia sem ter pesadelos de ondas gigantes e trovões no céu carregado de nuvens, e numa voz profunda e horrorosa que preenchia os meus sonhos com avidez. Pouco a pouco, fui-me perdendo.

Fugi.

Aos onze anos estava farta da maneira de como me olhavam, ou dos castigos pungentes que recebia por não ter uma opinião igual aos demais. Com uma mala velha e quase rota e alguma roupa lá dentro, escapuli-me por entre as grades da janela e cai em cima de uns arbustos, quase torcendo um pé na queda. No breu da noite fugi pelos portões e corri. Os meus pulmões apertaram-se num nó e o meu peito firmou-se com dores, mas isso não me impediu de correr. Os meus dedos e pés estavam gelados e os meus lábios tremiam.
Foi no meio da estrada de terra batida que eu me deparei com o meu primeiro desafio.

Uma silhueta escura estava caída no chão, cara entre as mãos e choro profundo e dorido.

- Está tudo bem?- perguntei, aproximando-me da moça caída. Ela olhou para mim. O seu rosto era dos mais belos que já tinha visto, os seus olhos azuis brilhantes e as bochechas coradas. Mas algo estava mal.

- Cheiro…- ela sussurrou agarrando-se ao tecido da minha camisola. Levantei-me num ápice, e afastei-me dela, quase tropeçando nos meus próprios pés. Ela ergueu-se, alta e com as roupas rasgadas, sangue e escorrer-lhe pela pele.
Tentei correr para longe dela, mas não podia voltar para trás. Ela viu o medo nos meus olhos, mas também viu que eu não me iria deixar ficar enquanto ela me magoava.

- Pena que não és um rapaz. Cheiras tão bem.- ela correu para mim, mas eu era mais baixa e consegui-me desviar a tempo de não ser derrubada por ela. A sua unha raspou no meu braço cortando o tecido e eu gemi de dor quando a minha pele se cortou e o sangue e ensopou a manga da fina camisola. Ela sorriu, e eu pude ver o seu rosto agora desfeito.
Os seus olhos estavam vermelhos como sangue, e os seus lábios estavam ensanguentados e rachados.

- Vem cá, querida semideusa. Posso matar-te rápido se preferires.- Ela aproximou-se de novo, mas eu dei um passo para trás, acabando por cair, as minhas mãos esfolando-se das pedras. Ela correu até mim e atirou-se para o meu corpo caído. A minha mala impediu que as minhas costas batessem fortemente contra o chão. Tentei gritar e esbracejar, o terror a tomar conta das minhas células, mas mantive-me o mais serena possível.
Talvez se eu morresse tudo parasse, a dor da rejeição. Tudo.

“Não sejas parva, Phoebe! Tu vais lutar como a guerreira que és!” Suspirei com dor. A voz continuava a repetir o mesmo mantra, mas não era ela que estava a ser assassinada por um monstro! Levei as minhas mãos ao cabelo da criatura e puxei, fios soltos a ficarem presos entre os meus dedos. Consegui afastar minimamente o seu rosto de mim e, num momento de hesitação, atirei-lhe terra para os olhos, fazendo-a levar ambas as mãos à cara. Aproveitei para a afastar de mim com um pontapé na barriga. Os gritos de felicidade da voz ecoavam na minha cabeça. Ela dizia que estava orgulhosa de mim. E nesse momento eu senti uma onda de raiva e calor irradiar da minha pele. Não a iria desiludir, quem quer que ela fosse.

A criatura estava estirada no chão. Tirei a minha mala, atirando-a para a berma.
Aproximei-me dela e mandei-lhe com o meu pé na cara suja e preparei-me para o fazer de novo, mas ela foi mais rápida, pegando no meu pé e puxando-o fazendo-me cair, a minha testa agora a sangrar e eu a tossir terra.

- Podes achar-te muito forte, mas tu não és nada, comparada comigo! Diz adeus, semideusa.- a sua voz era carregada de nojo e veneno. Ela preparou-se para me partir o pescoço mas eu não ia permitir. Estava tão perto de fugir que eu não ia deixar que uma estúpida e monstruosa criatura me impedisse. Pela primeira vez eu iria lutar de volta.

Estava escuro, mas eu consegui ver tudo o que se passava à minha volta. Os grilos, os estalares das árvores, ramos a quebrar. Tudo aconteceu rápido demais, mas eu assimilei tudo com a mesma rapidez. Antes que ela conseguisse fazer mais alguma coisa, peguei num fino galho e enfiei-lhe no olho. Ela gritou, a sua voz dolorida a ecoar pelo vazio da noite. Rodei-nos no chão e fiquei por cima dela. Bati-lhe consecutivamente com a cabeça no chão, os seus olhos rodando da sua órbitra e a sua cara a perder a cor. A minha mão encontrou uma pedra grande e terminei com a vida dela, batendo-a fortemente na sua cabeça, esmagando-a. Ela tornou-se num pó parecido a enxofre e os meus joelhos bateram no chão sem o seu corpo por baixo de mim, o que sujou ainda mais as minhas roupas. Cocei o nariz com vontade de espirrar e fechei os olhos deixando-me cair sem forças no chão, a inconsciência tomando conta de mim.

;;

Lembro-me de estar ao lado de uma rapariga de cabelos loiros. Não sabia onde estava ou como tinha lá chegado. Recordava-me de ter estado numa luta e ter desmaiado no meio da estrada, sem forças.

- O meu nome é Kayla e eu sou curandeira aqui no acampamento. Como te sentes?- Sentei-me confusa e encarei os seus olhos azuis e a sua pele morena. Ela era tão brilhante que os meus olhos ardiam e o seu sorriso causava-me tonturas. Ela cheirava a areia e sol.- Aqui, bebe isto, vais sentir-te melhor.

Levei o copo aos lábios e o aroma a café quente fez-me quase sorrir. Costumava bebê-lo às escondidas das freiras, junto de dona Margaret, uma cozinheira amável que foi acabou por morrer de idade. Não comi durante uma semana, até que as freiras forçaram a comida pela minha garganta abaixo.

De súbito, as minhas células estalaram e eu senti chamas a percorrerem as minhas veias como aço líquido. Senti-me cheia de forças e com vontade de beber mais daquele líquido.

- É néctar. Ajuda-nos a cuidar ferimentos e recuperar forças. Sentes-te melhor agora?

- Sim. Onde é que eu estou?- ela sorriu calorosamente, literalmente. A sua cara parecia o sol de tão iluminada que era, olhos brilhantes e cabelos entrelaçados como ouro. Senti vergonha de estar coberta por pó e não ser tão bonita quanto ela. Não era americana o suficiente ou chinesa o suficiente. Era só eu.

- Estás no acampamento meio-sangue, o único sítio em que pessoas como nós se podem manter a salvo. Deves ter tido uma noite recheada de emoções. Vou chamar o Quíron e ele já te explica tudo.- ela desapareceu antes que eu tivesse uma chance de lhe expor as minhas dúvidas. A minha cabeça doía e parecia que ia explodir e o meu estômago revirava-se como se fosse uma máquina de lavar. Encostei a minha cabeça à parede e encarei o espaço durante longos minutos, até que o som de ferraduras de cavalo a bater no chão me fez olhar para o lado. Quase que desmaiei com a visão. Um homem era metade humano metade cavalo. Como se isso fosse possível! A sua barba estava desgrenhada e o seu cabelo encaracolado caía pela sua face. Tinha um rosto sábio e olhos antigos, como se guardasse os segredos da criação do mundo.

- Como te chamas, criança?- ele perguntou aproximando-se. Resisti à vontade de fugir e gritar e respondi com medo.

- Phoebe. Phoebe Wang.

Ele assentiu e pareceu ponderar.

- Tens alguma ideia de como vieste aqui parar?- Eu neguei. Lembrava-me da criatura mas depois eu sucumbi à minha dor. Estúpida devia ter-me mantido acordada.

- Foste trazida pela benevolente Alecto. Ela deixou-te nos limites do acampamento antes de seres encontrada por um campista e trazida para a enfermaria.- ele disse como se fosse a coisa mais normal do mundo. Eu arregalei os olhos e toquei na minha testa, gemendo ao tocar no ferimento coberto de Band-Aids.- Estavas bastante maltratada, dormiste durante algumas horas.

- Eu lutei com uma mulher, ela era bastante forte. Os olhos dela eram vermelhos e ela chamou-me…- encarei-o com medo que ele me achasse maluca. A minha mente não era a mais sã mas eu tinha a certeza do que tinha acontecido e tinha medo que ele me colocasse num manicómio. Talvez o facto de ele ser meio cavalo era eu fruto da minha imaginação. Aproximei a minha mão do seu torso e senti o pelo suave entre os meus dedos. Ele encarou-me estranhamente.

- O que estás a fazer?- ele afastou a minha mão com cuidado.

- É real… Como é que pode ser real?- perguntei assustada.

- Ah criança, tudo vai fazer sentido a seu tempo.- ele afastou-se e sussurrou alguma coisa ao ouvido de Kayla. Ela aproximou-se ainda a sorrir.

- Está na hora de almoço, vem tomar um banho e vestir alguma coisa que eu depois levo-te ao refeitório. Os campistas de Hermes vão adorar ter sangue novo por lá.- Ela suspirou e ajudou-me a levantar.

;;

Tomei banho rapidamente e vesti uma t-shirt laranja que eu não consegui perceber o que dizia por causa da dislexia (agora sei que é Acampamento Meio-Sangue) e uns calções de ganga curtos que pertenciam a Kayla. O meu cabelo estava uma confusão de nós molhados e gotas de água com cheiro a mel, o shampoo da loira, o que sempre era melhor do que pó e enxofre. Kayla esperava do lado de fora com um sorriso. Não conseguia entender o porquê de ela ser sempre tão simpática e estar sempre a sorrir.

- Ficaste fantástica! Não deves ser do chalé de Afrodite se não irias demorar séculos a preparar-te! No entanto és bem bonita…- ela falou a última parte para ela mesma, como se pensasse em algo importante e para se concentrar precisasse de falar em voz alta.

Caminhámos lado a lado, as minhas forças já mais compactas. Não tinha comido nada desde o almoço de ontem, visto que me impediram de jantar como castigo, mas não sentia grande fome por causa adrenalina que ainda não se tinha dissipado.

- A tua mesa é aquela dali, ao pé dos campistas de Hermes. Se tudo correr bem hoje vais ser reclamada na captura à bandeira. Tem um bom almoço.- ela abraçou-me rapidamente antes de caminhar para uma mesa onde todos pareciam como ela: sorridentes, de dentes brancos e direitos e olhos azuis como o céu. Os seus cabelos lembravam-me raios de sol de tão encaracolados e dourados. As suas peles eram todas morenas e alguns tinham sardas a cobrir as bochechas queimadas pelo sol. Caminhei hesitantemente até à mesa indicada.

- Deves ser a Phoebe, eu sou o Andrew, filho de Hermes.- Ele sorri e dá-me espaço para eu me sentar. O meu prato estava vazio, assim como o dele e eu não via comida em lado nenhum.- Não te preocupes, é só desejar que ela parece.- ele piscou-me o olho, o que me fez revirar os olhos discretamente. Nunca tinha convivido com rapazes então era demasiado estranho esta proximidade.

Ao fundo da cantina estava um homem com uma camisa de estampa de leopardo a olhar desoladamente para uma garrafa de vinho. O pesar nos seus olhos era doloroso.

- Aquele é o Sr. D. Dionísio, deus do vinho, sabes? Versão resumida, ele tentou flirtar com uma ninfa que Zeus também queria e ele mandou-o para aqui. Não pode beber bebidas alcoólicas durante o tempo que está no acampamento. Sujeito engraçado, mas não fiques no lado mau dele. Ah! Se ele se enganar no teu nome ignora, ele só não quer que nós pensemos que ele gosta de nós.- estalei os dedos com nervosismo. Não conseguia acreditar no mesmo que eles, por mais que as coisas estivessem bem à frente dos meus olhos. Como era possível? Não! Isto era só um sonho e eu queria acordar já! Belisquei com força o meu braço mas nada, para além de um grito meu, aconteceu. Andrew olhou para mim confuso.

- Tu podias acordar, mas isto não é um sonho.- Ele recitou Halsey e eu olhei-o com raiva. Não era possível. Agora, até acreditar em Deus era mais fácil do que aceitar isto.

- Como é que podes estar tão bem com isto? Não é natural! Deus não existe e muito menos Deuses. Vocês são todos doidos, eu só quero…- levantei-me irritada, mas antes que eu pudesse continuar todas as cabeças olharam para mim, mais precisamente para algo acima da minha cabeça. Ergui o meu olhar, vendo um símbolo de uma balança flutuante em tons de cinza, abanar-se como ondas acima de mim.

- Salve Phoebe Wang, filha de Nêmesis, Deusa do destino, do equilíbrio e da vingança divina.


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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Vitor S. Magnus em Dom 30 Abr 2017, 21:07


Avaliação
Phoebe Wang


B
em vinda, garota. Parabéns pela ficha, gostei bastante.

Indo aos termos técnicos... Não tenho realmente muito o que falar. Apenas tome cuidado com a ortografia (ela conta muito aqui no fórum), às vezes você deixa uma palavra errada aqui, uma incompleta ali, mas não foi nada que tenha alterado o resultado dessa avaliação, mas talvez de próximas. Leia e releia seu post para não conter erros ortográficos que possam te tirar pontos. Fora isso, tá tudo bem elaborado e organizado, visto que você se dedicou bastante à ficha.

No mais, tome cuidado com algumas referências para não interferirem nas avaliações e siga bem sua trama. Continue escrevendo bem e melhore cada vez mais. Parabéns novamente!

Phoebe Wang reclamada como filha de Nêmesis.

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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Emília LeBlanc Elderwood em Seg 01 Maio 2017, 02:23


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/qual criatura deseja ser e por quê?

Desejo ser uma maravilhosa quenga da floresta Dríade. O fato dela ser uma criatura não muito escolhida me atraiu bastante, fui analisar melhor seus poderes e gostei bastante a partir dos primeiros níveis — e principalmente, as habilidades de suporte — o que influenciou mais ainda na minha escolha, faltou uma coisa ou outra para ser perfeito para mim, mas acho que consigo por meio das Do-It-Yourself. Quanto a trama, tenho algo em mente mas nada muito certo.

— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

  • Psicológicas/Personalidade: Emília tem uma personalidade muito forte. Ao contrário de muitas outras Dríades, ela não é muito amorosa, doce, meiga, ou coisa do tipo, cresceu ao redor de sentimentos perversos e foi isso que ela se tornou, sendo raramente tomada por algum sentimento bom.

    Inteligente, estrategista, dedicada, fria, são as principais características que resume esta peculiar dríade.

    Tem seus próprios propósitos e esta disposta a conseguí-los. Utiliza de sua beleza, lábia, persuasão — e também, da falsidade — para facilitar a conclusão de seus objetivos e sua vida.

  • Físicas: Mede um metro e setenta e cinco, é magra, tendo curvas muito bem desenhadas e seios voluptuosos, seu cabelo é de tamanho médio tendo um tom vívido de vermelho, ambos os olhos são completamente negros, sua pele tem um leve tom amarelado mas nada que a deixe uma mulher estranha, sendo bastante semelhante a uma mulher de aparência avantajada.

    Veste-se com uma bota — que se estende até sua coxa sendo ao mesmo tempo sua calça, como uma legging — feita de um carvalho que não envelhece, usa um manto de folhas que cobre apenas suas partes íntimas e tem algo semelhante a uma touca em sua nuca, este, também tem quatro asas de libélulas, duas delas em um leve tom de rosa e outras duas que ficam por cima em um tom de verde-água, usa manoplas do mesmo carvalho que cobrem ambos os antebraços, no entanto, este tem um leve tom de púrpura simbolizando a magia que a dríade possui.


— História do Personagem:

Eis aqui a história de como eu, Emília LeBlanc Elderwood, nasci. Era uma vez... uma árvore, ai ela entrou em processo de parto, ficou dezoito horas no hospital, e, por fim, me pariu. Fim. Óbvio que não foi assim, pode parecer estranho, mas sim, eu tenho um leve senso de humor, okay? Vamos a real história de como esta linda dríade que vos fala chegou a esse mundo.

No início do século XVIII, na América do Sul, em específico no Brasil, na Floresta Amazônica, existiu uma linda árvore, o país ainda estava no seu primeiro século após a abolição da escravidão decretada pela princesa Isabel, também não tinha feito nem um século após a proclamação da républica do país.

Um pesquisador norte-americano chegou àquela floresta, ainda era uma mata não muito conhecida, e como o homem era rico e fascinado pelo estudo da vegetação, decidiu se arriscar na selvagem Floresta Amazônica, enquanto em sua estadia no país, ficou em uma pequena cidade próxima a sua área de estudos.

Em seus primeiros dias, o nova iorquino se encantou por uma das mais velhas árvores que ainda existiam no local, era imensa e não lhe faltava folhas apesar da sua idade, alguns animais usavam o local como moradia, principalmente pequenos pássaros, a árvore era realmente magnífica, não havia um ser vivo que não a admirasse.

Durante todos os seus dias dos dois anos em que viveu no local, o pesquisador nunca deixou de de visitar a árvore, era uma paixão imensa, era como se ele pudesse ver o antigo espírito da natureza que a habitava. No entanto, esse amor foi um problema.

Faltando uma semana para seu período de pesquisa acabar e o homem poder voltar para seu país, ele decidiu levar um pedaço de sua amada consigo, tirou uma casca da árvore juntamente da seiva da mesma, no dia seguinte, a árvore já não era a mesma, a velhice agora fazia efeito, estava morrendo aos poucos e demoraria poucos dias para que ela, de fato, morresse.

O pesquisador não sabia o que fazer, caiu aos prantos, passou duas noites dormindo ao lado da árvore, tentou buscar soluções, mas de nada adiantou. Por fim, ele decidiu aceitar a morte de sua amada árvore.

Porém, no último dia, antes do homem partir, ele novamente visitou a árvore, e, novamente, parecia que ele via o espírito que habitava a árvore, era como se ela pudesse falar com ele através dos sentimentos que um tinha com o outro, o pesquisador de nome Josierg decidiu levar consigo uma semente, e prometeu a ela que a plantaria no local mais adequado que ele já havia postos os pés.

Já em Nova Iorque, Josierg apressou-se para poder gerar a sua amada novamente, foi até Long Island, próximo do Acampamento Meio-Sangue — apesar de que, o pesquisador não sabia da existência do local — e lá ele plantou, com todo o cuidado e carinho, a semente, ali, naquela terra, formou-se um embrião que se desenvolveu lentamente, aos poucos.

Infelizmente, Josierg faleceu quatro meses após a morte de sua amada, foi por entoxicação alimentar, um trágico fim para um magnífico e bondoso homem como ele.

Já um broto, a pequenina semente germinava seus pequenos ramos, mostrando-se ao mundo, deixando sua beleza para quem quisesse ver. Certo dia, um homem de aparência peculiar, ele era bronzeado da cintura pra cima, sem sequer um pêlo na cabeça, normal até aqui, porém, da cintura para baixo, ele tinha partes de um cavalo negro, desses que você veria em grandes guerras.

Ele notou aquele pequeno broto dentre muitas outras árvores, aproximou-se, e cuidadosamente retirou o broto daquele solo e o levou para o popular Acampamento Meio-Sangue, o centauro sentiu o frágil espírito que habitava naquele pequenino broto de uma árvore que não era nativa do país.

Plantou-a próximo do rio, e desde então, os campistas respeitaram o brotinho, acreditando que habitava nele, uma dríade, e estavam certos. No entanto, o seu crescimento foi extremamente lento, mais do que esperado, tempo suficiente para o século virar.

O broto crescia aos poucos conforme a presença de sentimentos, porém, nessa idade eu já sentia as coisas ao meu redor então me recordo de parte do que eu sentia. Senti felicidade, campistas saltando de alegria, senti tristeza, campistas caindo aos prantos, senti raiva, ódio, saudade, amores intensos, desejo de vingança, decepção.

Certo dia, durante a refeição dos campistas, em que eles jogavam parte de sua comida na fogueira e rezavam ao seu progenitor divino, senti algo de estranho dentro de mim, algo querendo sair, foi aí que, uma imensa orquídea em tons de roxo e rosa surgiu na copa da árvore e foi desabrochando lentamente, enfim, eu me levantava, poderia dizer, que desabrochava junto com aquela belíssima orquídea, por fim, tirei meu corpo por completo de dentro da flor e da árvore e estava consciente, ali nasceu uma dríade conhecida como: Emília LeBlanc Elderwood.

Todos foram avisados e cessaram rapidamente a sua refeição para poder me ver, ainda na copa da árvore, eu estava sentada acima da minha flor que servia como um trono. Ao alcançarem minha árvore, todos se admiriram com tamanha beleza, não só os sátiros mas até mesmos outros campistas mais velhos ficaram boquiabertos com a minha beleza, e graças a ela, todos fizeram questão de, no mínimo, me tratarem como alguém importante, fui rodeada, principalmente, por sátiros, proles de Afrodite e de Perséfone.

Eu admirava o horizonte, eu sentia o ar, o calor, o frio, a chuva, a neve, as emoções, mas nunca havia visto ou sentido com uma pele diferente, era uma árvore, agora eu tinha consciência e movimentos próprios, a felicidade era inevitável.
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Ethel N. Dmitry em Seg 01 Maio 2017, 07:22


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?
Escolhi a Deusa Hécate por sua representatividade na área mágica. O mundo oculto sempre me chamou atenção, tanto, que sou tarólogo e conhecedor de certos cultos. Além disso, sou um grande fã de Sabrina, the teenage Witch (Salem eu te venero) e HP haha. Devido a isso, acho a Deusa a melhor escolha. Pois, além da minha familiaridade com seus domínios, acho-a interessantíssima

— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

Características Físicas:


Ethel é um menino de aparência frágil. Sua pouca estatura, cerca de 1,68m, somados a palidez de sua pele e pouco porte físico dão esse quê de fragilidade e androginia, porque não?
Além do pequeno e pálido corpo, Ethel é dono de longos cabelos negros, que caem aveludadamente até suas costas. O seu rosto é fino e angular, o que acarreta numa aparência aristocrática. Seu nariz é protuberante e cheio de sardas, o que contrasta com a delicadeza de seus outros traços. Os olhos possuem uma anomalia genética, são heterocromáticos, em outras palavras, um de cada cor. Seu olho direito possui uma cor incomum, um azul-violeta ala Elizabeth Taylor e o esquerdo é dono de um purpura enegrecido. Seu andar é leve e seus gestos calculados.

Características Psicológicas:

Por ser uma prole de Hécate e ser regido pelo signo de gêmeos, a característica tríplice da Deusa, junto a dualidade de seu signo, acarretam em um semi deus de humor muito volúvel. Porém, a personalidade em si, pode ser descrita como tímida, gentil, sóbria e seria. Contudo, essa serenidade e passividade podem ser jogadas a lona devido ao seu chamado “Humor do dia”, as explosões e mudanças de humor podem acarretar em momentos de estresse, rebeldia e até certo percentual de violência, de fato, as mudanças de humor podem ocorrer, mas, sua sobriedade sempre sai vencedora nessa batalha de diversos humores lutando por um momento para se expressarem. Sua personalidade serena, não o excluí de desejos aventureiros ou desinibidos.
Assim como outros semi deuses, Ethel possui Dislexia e TDAH. Entretanto, seu aprendizado nas antigas artes, magia e mitologia grega, parece ser intocado por esses transtornos. Dessas artes, o tarot é a sua preferida <3

— História do Personagem:

O ruído dos pneus do velho Ford Explore da minha tia Rita na estrada, sempre foi umas das minhas melhores lembranças/sons favoritos. Contudo, nessa noite de 13 de agosto, seu reconfortante barulho não era capaz de acalmar meu coração. De longe dava para ouvir os sons produzidos pelas criaturas noturnas, que na noite em questão, cantavam com demasiado empenho. Pois, essa era a Noite.

Você deve estar se perguntando: --“Quem diabos é esse garoto?”. Bem, essa era uma pergunta que eu julgava saber.

Xx


Todo ano era isso, sempre que essa época especifica chegava, a casa se tornava uma tremenda bagunça. Minhas tias, Rita e Medéia, são praticantes de uma religião muy nobre e antiga, derivada das culturas grega e celta. Devido a isso, com a aproximação da noite consagrada a sua maior divindade, Hécate, as preparações costumam ser demasiadamente cansativas. Outrossim, a pequinês do nosso coven não ajuda muito, somos só nós três desde que me recordo.

Ademais, esse ano as coisas seriam um pouco diferentes. Com a chegada dos 15 anos, também chamada de idade do amadurecimento, a iniciação ao culto era possível. Segundo as antigas escrituras, as iniciações de quaisquer membros, devem ser feitas no sabbath consagrado a Deusa. Bem, foi isso que minha tia Rita disse. Contudo, no fundo no fundo, eu sei que algo está por vir e não tem nada a ver com isso.

Mesmo as vezes sendo cansativa ou até chata, magia para mim é algo vital. Não a magia que destrói como alguns almejam, mas, a magia nas pequenas coisas. O cheiro de incenso impregnado nas roupas das minhas tias, a infinita variedade de plantas e ervas que, dependendo de como administradas, poderiam causar danos ou cura-los, até mesmo a simples complexidade dos ciclos lunares e seus atributos, tudo isso é querido por mim e sempre será.

Minha educação magica começou ainda na segunda infância. Contudo, faz-se necessário dizer, que frequentei até esse período uma escola normal, com diversos alunos, professores, aulas regulares, matérias e todo o mais. No entretanto, desde criança era notória minha TDAH e dislexia, contribuindo para péssimas notas em um modelo arcaico de educação. Mas é obvio que mesmo com esses argumentos minhas tias me obrigaram a frequentar a escola para segundo elas: “—Aprender noções básicas de literatura, matemática e história.”

A escola foi um saco, se me permitem a colocação. Todavia, logo me vi livre dela e a verdadeira “escola” começou. As lições ministradas pelas minhas tias eram passadas de forma lenta e compassada, alguns ritos simples, ervas medicinais, historiologia de deuses e artes antigas, como o tarô. Mas não se preocupem eu também recebia educação normal em casa. Infelizmente.

Notaram que depois de todo esse lenga-lenga eu não mencionei meus pais? Bem, é porque nem mesmo eu sei algo sobre eles. Quer dizer. Não sabia nada até poucos dias atrás.

Xx

Era noite. Uma chuva fina e lânguida caía do céu e batia calidamente no vidro da janela. Logo abaixo dela, era possível observar alguém sentado ao chão. Cabelos negros e longos, pele pálida e aspecto fino. Uma figura que não poderia ser ignorada.

Sentado no frio chão do meu quarto, embaralhando cartas que eram longas demais para minhas mãos, tento exercitar minhas habilidades de interpretação. Tarô era algo “fácil” para mim. No entretanto, qualquer barulho poderia me desconcentrar. Devido a isso, minhas tentativas naquela noite não estavam sendo nada produtivas. Não com aqueles ruídos.

--- Minha gente, assim não dá! – Digo elevando meu tom de voz. Mesmo assim, os ruídos ainda continuam sendo ouvidos.

Tento ao máximo ignorar tudo aquilo e contínuo com o jogo. Após embaralhar mais um pouco, mentalizando fortemente a pergunta a ser respondida, coloco o monte de cartas em minha frente e pouso minha mão a poucos centímetros acima dele. A pergunta ainda contínua fresca em minha cabeça. “O que me espera nos próximos dias?”. Pode parecer até parecer bobo, mas perguntas como essas, são as que geram respostas mais complexas dos Arcanos.

Desloco o montante um pouco para a direita e o abro em um movimento de mão em sentido direita-esquerda. O resultado é um arco formado de cartas cor preta com detalhes dourados. Suplicando por respostas aos Arcanos, elevo minhas mãos um pouco acima das cartas e escolho uma. Sem virá-la, arrasto-a para abaixo das outras e só aí.....

O barulho de uma porta sendo aberta bruscamente rompe por toda a casa. – Aarrgr. – Digo e reviro os olhos. Com todo o clima místico perdido, resolvo finalmente descer as escadas e ver o que estava acontecendo lá embaixo.

Minha casa é um pouco grande. Dois andares. Um pouco de jardim na frente. Fachada Vitoriana. O sonho Americano. Contudo, essa normal casa americana, guardava em seu interior muitos segredos. O pé direito e laje do andar térreo eram vencidos por uma escada de Jacarandá. A qual eu agora descia para entender o motivo de tanto reboliço.

Chegando ao início da escada, paro rapidamente. A porta que dá acesso ao quarto de minhas tias estava levemente aberta, o que me dava uma pequena visão do que estava dentro, mas que também poderia denunciar-me. Quase evitando respirar, escuto a discussão que estava sendo desenrolada ali dentro.

--- Medéia, a situação não é muito oportuna. Não devemos discutir. A missão é proteger a criança até que esteja pronta.
Disse a irmã de expressões preocupadas e cabelos negros.

--- Irmã, a situação nunca será oportuna, não enquanto estivermos falando da prole da Rainha, deixá-lo junto aos seus o mais rápido possível é o certo a ser feito. Já não podemos escondê-lo. Seu cheiro está forte, não percebe?
Avidamente era colocado pela irmã de cabelos ruivos e aparência fresca.

--- Não posso deixa-lo simplesmente ir - disse num sussurro abafado.

--- Mas é preciso! – Falou Medéia indo de encontro a sua irmã e a abraçando – A situação é clara, não vê? A nossa proteção já não é tão eficaz. Cada vez mais corvos pousam em nossos muros, os cães circulam a entrada do jardim. Eles sentem uma presença fraca é claro, mas os atrai mesmo assim, coisas piores poderão sentir também – Disse afagando os cabelos de sua pequena irmã – Os mais fortes incensos, nossos cheiros ou até mesmo sua maconha medicinal não poderá mais esconde-lo. Ele precisa do acampamento – Pontuou, causando um fraco sorriso na outra.

--- Está bem. Você está certa. Sendo assim, faremos isso na grande noite sim? Quando o aspecto da mãe estiver sob a luz.

Antes que elas continuassem a falar, me afasto da porta e ponho-me a subir as escadas. A mão na boca em choque e olhos perdidos explicam bem meu estado físico depois de ouvir tal conversar. Minha mente tão inquieta foi tomada por um combustível poderoso. A dúvida. “Quem era a Mãe?” “Quem poderia encontrar-me ou melhor, o que?’ “O que era esse acampamento?”. Antes que eu notasse, já estava dentro do meu quarto. Olho para as cartas e abaixo-me um pouco para virar o Arcano esquecido.

A morte. O décimo terceiro Arcano. O Arcano sem nome.
Era isso que o futuro próximo me reservava.

Xx

Depois de algumas horas na estrada, chegamos a algum distrito no Norte de Long Island. Além da grande costa, o local era repleto de bosques com árvores de grande porte. Espinheiros, olmos, carvalhos e alguns outros que estavam muito longe para minha visão alcançar.

Chegando a uma abertura no bosque, o velho Ford continuou prosseguindo. Ao chegarmos em uma clareira no meio das arvores, paramos. Minhas tias saíram do carro indo em direção aos fundos do mesmo, para pegar os itens necessários para o ritual de chamado. Suas vestes negras farfalham com os movimentos realizados por elas, aos poucos, sob o intenso brilho de uma lua Cheia. O chão sem grama alguma, ia ganhando pouco a pouco, o desenho de um pentagrama contornado por um círculo. Juntos ocupavam no mínimo 5m² do solo arenoso.

Em seus cinto pontos, um archote com apoio metálico foi acesso. No meio, um altar de pedra fora construído, duas pedras retangulares de apoio e uma apoiada acima das duas outras servindo de base. Sobre ela, foram colocadas algumas oferendas para início do feitiço, são eles: Vinho, mel, algumas carnes cruas. Além disso, algumas ervas e raízes queimavam. Sendo assim, fui chamado a me juntar a elas.

--- Venha criança – Falou acentuadamente Tia Rita, erguendo seu braço em minha direção.

Desde que finalmente chegamos, minhas pernas não tinham parado de tremer um segundo sequer e meu coração parecia acompanhá-las. Contudo, minha sede por respostas venceu o tremor do meu ser. Abro a porta do querido carro e caminho na direção de tia Rita. Diferente das suas vestes, eu usava um traje todo branco, que caia até pouco depois dos meus joelhos. Meus cabelos negros estavam controlados por tranças gregas feitas por tia Medéia, seguradas por uma fita púrpura, como a cor de um dos meus olhos.

Tudo ao meu redor salpicava magia. O ar estava carregado. O coaxar de sapos e rãs era ouvido, junto com o arrastar de outras criaturas noturnas. A noite me acolhia como uma velha amiga e confortava um coração confuso.

--- Permaneça na frente do círculo, querido, não tenha medo. A voz angelical de Tia Medéia cortou o ar.

--- Não tenho, não mais. Digo. Me posiciono em frente ao círculo, no local onde seria o Sul, enquanto elas estavam respectivamente no leste e oeste.

Sem que eu percebesse, o cântico começou:

Vai-se o dia, sobe a Lua
Álgida treva no arco celeste
Olhai de frente a sombra nua
Pés ao caminho do bosque agreste

Ladra lá longe, augúrio da Sorte
Cães do abismo, porteiro da Morte
Árvore egrégia na encruzilhada
Gélido altar na bruma estrelada

À fria luz do silêncio astral
Sibilam os ventos por entre as pragas
Conclave na névoa da Hoste Espectral
Mais trasgos e bruxas, corujas e magas

Urdindo sortilégio
Pedindo privilégio
À Vingadora
Aterradora

Pálida face de lívido plasma
Em trono augusto de funda caverna
Tríplice Rainha da Corte Fantasma
Reina Suprema na Noite Eterna


Enquanto minhas tias entoavam a canção repetidas vezes, a fumaça gerada pelos archotes, se juntava com a das oferendas e juntas, subiam ao alto, sendo consagradas a noite. E como a noite infinita ela surgiu, vestida de escuridão e estrelas, sua imagem formou-se no centro do círculo, Alta e majestosa, o rosto inatingível pelo tempo, não possuía idade. Percebendo a presença, a canção parou e ouviu-se a figura da Deusa:

Quando o Universo atravessou os umbrais da existência
Em um fogo cósmico brilhante como um raio
Eu, Hécate, testemunhei o primeiro nascimento
Eu, Hécate, observava de soslaio
Enquanto a escuridão se tornava firmamento
Enquanto "O Nada" paria "O Tudo", que ainda haveria de ser
Eu existi entre os dois, caótica, poderosa, potente
Sol e Lua, Terra e Céus, Hades e o Olimpo ainda a nascer
Existo no entre mundos, no crepúsculo, e no Sol poente
Sou o sopro que deixa seus pulmões vazios
Sou o grito desesperado do recém-nascido
Moro nas juras de amor sussurradas ao ouvido
E nas lágrimas da verdade, ricas em sal
Pois sou a zona cinzenta entre o bem e o mal
Ah... mas o que se criou há de se destruir
Tudo é cinza, e reino absoluta. Não há mal ou bem
Meu é o reino que não tem Rainha ou Rei
Meu é tudo o que não pertence a ninguém
Como portadora da chave, eu permaneci e permanecerei
E quando o Universo deixar de existir, aqui estarei.


--- Óh grande Titã da magia, a quinze anos tu nos concedeu uma missão. Criar e cuidar de sua prole, sem que a mesma soubesse de sua ancestralidade, até que estivesse pronta. – Disse tia Rita. A voz mesmo sendo proferida em bom som, era respeitosa e expressava obediência. – Eis ela aqui, boa senhora, nossos esforços não conseguiriam o proteger por mais tempo – Apontando para mim. – Guiei-a pelos futuros caminhos.

Ao escutar as palavras dela, meu coração parou. As palavras ecoavam em minha mente, o choque de tal revelação foi desolador. 15 anos vividos sob uma penumbra agora eram incendiados por chamas vermelhas provindas da verdade. – Não, nã... n.. – As palavras não saiam da minha boca. Era impossível. Minha educação permitia acreditar em deuses, mas daí ser filho de um deles? Ainda mais a maior Deusa de minha ordem? A própria Deusa tríplice. Não, não poderia ser verdade, eu nem tenho nada especial...
Memorias vem átona em minha mente ainda afetada pelo dito. Corvos pousando em frente à janela do meu quarto, cobras agindo de forma pacifica e relaxada em minha presença, cães antes agitados, tornarem-se dóceis ao meu olhar, a familiaridade com as artes antigas, a facilidade em entender algumas escrituras magicas. A tormenta de sentimentos cai sobre mim e pela primeira vez ouso olhar nos olhos da figura que emerge da fumaça.

Uma voz profunda como o oceano e acalente como o calor de uma fogueira rasga o silencio deixado sobre o local. – Consigo sentir o que se passa em sua cabeça, minha linda criança. – Com a afirmação saindo de sua boca, lagrimas brotam de meus olhos. – Assim como levar o espirito de seu pai para as profundezas do reino infernal, deixa-lo, foi devastador. Porém uma dor que aprendi a conviver com o passar das eras. – Seu profundo e antigo olhar pendia sobre mim. Enquanto falava, sua forma ás vezes tremeluzia, devido a movimentação da fumaça pelo vento. – Aproxime-se e terá suas respostas. – Acredito que aquilo não era um pedido, tanto que minhas pernas moveram automaticamente para frente.

Ao aproximar-me. Curvou-se. E com um movimento de seu braço, tocou o topo de minha cabeça com seus dedos. Por um momento, uma onda de calmaria atravessou meu coração, deixei que seu “toque” me conforta-se, mesmo que parecendo simples, aquele leve tocar de seus dedos em minha cabeça acalmou a tempestade que encobria meu espirito. – Feche seus olhos. – Disse minha mãe. Prontamente, minhas pálpebras se encontraram e a escuridão de minha mente me acolheu.

Todavia, a escuridão não permaneceu por muito, imagens de um homem começaram a surgir aos poucos. Seus olhos possuíam uma cor muito incomum, um azul-violeta, que logo reconheci sendo a cor de um dos meus olhos. Seus cabelos eram curtos e negros, sua altura não era tão grandiosa, mas o calor de seu sorriso era gentil e acolhedor.

Enquanto as imagens seguiam, uma mulher de estatura média aproxima-se dele com um bebe nos braços. Em sua face, um sorriso grande caloroso era dirigido a criança e logo depois a ele. Seus rostos por um momento congelaram e aos poucos foram virando-o para mim. Com suas belas feições saudando me, as memorias que a mim eram transmitidas, logo se apagavam e uma voz emergiu ainda em meu subconsciente.

Seu pai foi um maravilhoso homem, mas teve seu fio cortado muito cedo, poucos dias depois desse momento. – Falou a Deusa. – Eu mesma o guiei para os salões do mundo inferior. Conduzindo-o para um descanso feliz. Mas você, pequena criança, deixei sob o cuidado das irmãs de seu pai, para que pudesse ter uma vida normal ao menos até que os perigos de ser um semideus o impedissem disso. Com isso, o acampamento meio-sangue entra. – diz Hécate. – Acampamento meio-sangue? O que é esse lugar? E porque não é seguro aqui? – Finalmente sou capaz de dizer algo. – Ao ouvir-me, a voz da Deusa emerge. – O acampamento não é nada mais que um local seguro. Onde outros semideuses estão seguros de ataques de monstros e são treinados para combatê-los. – Disse e prosseguiu. – Devido sua ancestralidade, seu sangue, tu serás caçado por monstros mitológicos, suas tias devem ter contado a respeito deles em aulas, sim? – Diz e eu confirmo com a cabeça, mesmo sem saber se ela pode ver. – Lá você será treinado para combatê-los e ajudar outros semideuses. Também conhecera outros semideuses como você e até irmãos terás. Tu não estarás sozinho. Não mais.

Aos poucos meus olhos foram abrindo, a minha frente, a figura da deusa ainda fazia-se presente. Seus olhos fitavam-me, não de maneira vazia, mas carinhosamente e novamente sua voz fez-se ouvida. – Agora vá minha cria, a partir daqui poderá achar a entrada de seu futuro lar e casa. Ao terminar de falar sua figura sumiu, deixando apenas uma leve fumaça reduzida, provinda ainda dos archotes.

--- Trouxemos uma pequena sacola com alguns de seus pertences e roupas, querido. – Disse tia Medéia com sua reconfortante voz. – Infelizmente, para onde está indo não podemos segui-lo. Terminou de falar e entregou uma mochila azul, que logo coloquei nas costas. Provavelmente não as veria por um bom tempo. – Agora vá, pequeno Ethel. Disse tia Rita aproximando-se de nós. Seus cabelos negros esvoaçavam levemente. Abracei-as ambas, não sei por quanto tempo, mas quando as larguei, a noite já não prevalecia tanto assim no céu. Com um leve adeus, despedi-me das minhas amadas tias e segui caminho dentre as árvores.

Seguindo um extinto quase primordial, meus pés levavam-me adiante, seguindo trilhas escondidas e passagens entre árvores. A paisagem não mudava muito, as árvores ficavam pouco fechadas, mas não precisei de muito tempo para ficar diante de um grande pórtico. No alto estava gravado as seguintes escrituras “Acampamento meio sangue”. Atravessei-o. Não muito depois, avistei a figura de dois adolescentes atléticos vindo em minha direção. Ao notarem minha presença, vieram logo em minha direção, estavam vestidos de armadura de couro, elmo e todo o mais.  

O amanhecer agora já raiara. O negro véu e a cálida luz que antes cobriam o céu foram rapidamente sendo substituídos pelo caloroso sol e a luminosidade do dia. A luz invadia todo o local, uma vasta extensão de terra cercada pelo bosque, escondido de monstros e olhos curiosos por uma barreira intransponível, segundo o campista que me acompanhava. Logo via-se uma imponente construção azulada. Ao pisar no primeiro degrau que dava acesso a entrada da majestosa porta, surge uma das criaturas mitológicas que estudará, um centauro.
Nesse momento, vi pelo reflexo de seus olhos algo brilhante surgiu sob minha cabeça.

--- Bem vindo, campista do chalé 16. Ou, melhor dizendo, Filho de Hécate. Disse sorrindo.

Realmente, a carta da morte tinha razão, uma grande mudança surgiu em minha vida e olha, agora eu posso responder quem diabos eu sou. Eu, Ethel N. Dmitry, sou Filho de Hécate.
Referências :
http://mahoutatsuryu.blogspot.com.br/2015/03/hecate-tita-das-bruxas.html Acessado em 30/04/2017
A carta da morte no tarô de Marselha não significa implicitamente a morte de alguém. Pode conter significados diversos. Sendo eles, fim de uma situação ruim, um novo começo, renovação de espirito e etc  


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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Andrea M. Lyserg em Seg 01 Maio 2017, 12:46


Avaliação
Ficha de Reclamação


Emília LeBlanc Elderwood

Garota, que pisão de ficha! Devo dizer que ela já começou a me prender no instante que vi que você não era o típico clichê de dríade fadinha da floresta que quer a paz mundial, isso já me chamou bastante atenção. Não tenho muito a falar de sua ficha, afinal, poucos foram os erros que acabei encontrando (Na verdade nem erros mesmo eram, só umas repetições de palavras nos parágrafos que me incomodou) e eles passaram batido.

Adorei que você mostrou detalhadamente como nasceu, contando a história que foi necessária ocorrer para que você nascesse. Não tenho motivos para lhe reprovar, moça. Parabéns e bem-vinda ao PJBR, você foi aprovada.

Ethel N. Dmitry

Devo lembrá-lo que Hécate é uma deusa de avaliação rígida, então me perdoe se eu acabar pegando pesado demais contigo. Gostei muito da sua ficha e o que vou apontar é para que você mesmo melhore, principalmente porque me chamou muito a sua utilização do tarô na ficha.

A ortografia e gramática são coisas que contam muito aqui no fórum, por isso devo dizer que vi alguns erros bem bestas seus e que simplesmente não deveriam acontecer, sabe? Vou falar de alguns deles aqui para que você possa corrigir no futuro, porém devo apontar que eles são principalmente de acentuação.

Abaixo, vou listar esses erros já corrigidos e com a alteração destacada, ok? Aqui vamos nós:

Contudo, essa serenidade e passividade podem ser jogadas a lona devido ao seu chamado “humor do dia”
Nesse caso, a palavra dentro das aspas não necessitava começar com letra maiúscula.

Sua personalidade serena não o excluí de desejos aventureiros ou desinibidos.
Nesse caso, tirei uma vírgula que havia presente entre as palavras "serena" e "não". Como já diz constantemente outra monitora daqui, leia o texto em voz alta e notará quando algum lugar tem necessidade de uma vírgula ou não.

Você deve estar se perguntando: “Quem diabos é esse garoto?”. Bem, essa era uma pergunta que eu julgava saber.
Não entendi qual foi a dos três hifens, porém eles não eram necessários. Hífen só é utilizado na hora de separar palavras, sabe? Tipo "bem-vindo" e outros.

Minha gente, assim não dá! Digo elevando meu tom de voz. Mesmo assim, os ruídos ainda continuam sendo ouvidos.
Novamente os hifens! Para início de falas você precisa colocar a travessão, esse é um erro muito comum aqui no fórum e por isso estou te alertando para que não se repita.

Tento ao máximo ignorar tudo aquilo e continuo com o jogo.
A pergunta ainda continua fresca em minha cabeça.
Devo dizer que sou péssimo com essas coisas de paroxítonas, proparoxítonas e oxítonas, mas isso foi algo que você realmente não deveria ter errado. Leia as duas palavras em voz alta, no seu texto você colocou um acento agudo nas letras que destaquei e eles simplesmente não existem nesses casos.

Esses foram os casos que mais me chamaram atenção e decidi te dar um puxãozinho de orelha por causa deles. Na próxima vez, revise, leia em voz alta e até peça a opinião de outras pessoas para que, assim, seus textos fiquem ainda melhor. Gostei muito da sua ficha, de verdade, mas por ser uma avaliação rígida não posso te aprovar nesse caso.

Ether N. Dmitry, não desista! Mesmo que por enquanto você esteja reprovado.
Why don't you just come around?

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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por 127-ExStaff em Seg 01 Maio 2017, 13:23


atualizado!

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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Kit Orkwood em Ter 02 Maio 2017, 15:53


FICHA DE RECLAMAÇÃO
1. Por qual deus deseja ser reclamado e por quê?

Meu principal objetivo é incorporar a promiscuidade numa personagem. Todavia, atrelada a essa característica estão os sentimentos, o desejo físico e, acima de tudo, o amor, como algo inesperado e recorrente. Afrodite é a escolha certeira para agrupar tudo isso em um único semideus.

2. Perfil da Personagem:

2.1. Kit leva o pronome semideus a sério, inclusive em sua aparência. Seus traços delicados conseguem, sem grandes esforços, fazer com que seu rosto e corpo em conjunto remetam ao aspecto divino. O porte atlético e a estatura pouco na acima da média integram a silhueta de um anjo encarnado. Olhos claros, assim como o cabelo, arrematam uma versão masculina e adolescente da deusa do amor.

2.2. Equilibrar dois contrapontos é uma tarefa difícil de ser executada, mas Kit exerce essa função muito bem. Consegue dominar as extremidades de uma personalidade culta tanto quanto de uma inculta. Flexível — com e sem conotação sexual — pode defini-lo da melhor maneira possível. Gosta de filosofia e literatura na mesma quantia que gosta das redes sociais. Sua volatilidade faz com que se encaixe em quase todos os espectros sociais na maior facilidade e, se combinada com sua suasão, o torna o centro das atenções em todas elas.

Sabe ser envolvente e encantador em qualquer ocasião. Para os mortais, é o adolescente perfeito do colegial e com um futuro promissor. Sua única dificuldade é manter a reputação. Nunca toma muito tempo para que alguém descubra que atrás da cortina de impecabilidade, há alguém arrogante e que se importa somente consigo mesmo. Desleal, cheio de si mesmo e medíocre. Quando seu outro lado vem a tona, Kit tende a desaparecer sem deixar rastros.

3. História da Personagem:


III.
Levanto, ainda atordoado. Mal sinto as minhas pernas. Quando abaixo o olhar para verificar como estão, minha cabeça lateja e meus joelhos dobram por instinto. Meus braços são meu único sustento e tremem incontrolavelmente. Há uma poça de sangue e água de chuva logo a minha frente. Com a luz da manhã recente, o meu reflexo, aos poucos, aparece.

O que vejo me espanta, a princípio. Algumas gotas vermelhas escorrem do meu queixo e alcançam o chão. Elas vem de cortes acima das sobrancelhas, nas bochechas, do nariz e da boca. Forço um sorriso para averiguar se meus dentes estão inteiros e, por um único segundo, sinto a felicidade de ainda os possuir. Noto que algumas parcelas do meu cabelo não estão mais lá e sim espalhadas pelo concreto ao meu redor.

Do parapeito de uma janela do prédio a minha direita, um felino espreita minha situação. É um gato doméstico branco com as extremidades do corpo num tom entre o âmbar e o caramelo. Ele lambe a pata, despreocupado e salta de janela em janela, descendo do quarto andar até mim. Em sua coleira está escrito "Gato", que provavelmente é seu nome. Quem diabos dá o nome de Gato para um gato? Entre um ronronado e outro, Gato se esfrega em mim.

Esqueço que estou completamente destruído e com alguns ossos possivelmente fraturados com a aparição do felino. Ele ergue os olhos para o topo da minha cabeça e eu repito a ação, utilizando a poça para visualizar minha reflexão. Há uma ave, algo entre um pombo e um cisne, carregando uma rosa no bico alçando voo logo ali. Tento capturá-la com as mãos, mas sequer consigo tocá-la. Quando fecho os dedos ao seu redor, ela desaparece.

Sento no piso sujo de sangue, cacos de vidro, alguns trapos de roupa e muito lixo. De relance, estudo o beco e retorno meu foco ao nascer do Sol. Gato me faz companhia. Lapsos dos ocorridos passam pela minha memória, mas tento afastá-los no momento. Sou grato por ainda estar vivo. E quanto ao que estava acima da minha cabeça há pouco tempo... Huh...

I.
Enquanto perambulo pela cidade, não é difícil encontrar outras pessoas com a mesma idade e os mesmos problemas que eu. Já me disseram que eu poderia ser um semideus. Nunca acreditei muito nessa baboseira, mas muito do que acontece pode ser provado com essa alternativa. Explica o porquê de uma enorme perseguição contra mim, principalmente vinda de professores ou adultos que encontro nos supermercados ou no shopping.

Mas sempre dou um jeito. Quase sempre dá certo. Eles costumam me encurralar nos becos das boates que frequento. Alguns me oferecem dinheiro em troca de prostituição, mas sou um fã do amor e não me vendo dinheiro. Sempre sei o que é furada e o que não é, para falar a verdade.

Ainda dentro do Uber, configuro a legenda de uma foto para fazer um post no Instagram. Tenho muitos seguidores, e ser convidado para festas já é do meu feitio. Não perco nenhuma, mesmo sabendo que quase todas acabam em encrenca para o meu lado. Desta vez, espero que nada ocorra errado. Permaneço olhando para a tela do celular, vendo as notificações de curtidas sendo atualizadas rapidamente.

Não demora muito para estacionar em um local cheio de luzes coloridas. Ao lado há um espaço similar a um beco, com muito lixo espalhado pelo chão. O céu está nublado, preparado para a chuva. Nada disso me incomoda. Entrego o dinheiro para o motorista e aperto o passo para entrar no clube de uma vez. "Kit Orkwood". Em vez de mostrar minha identificação para o segurança depois de dizer meu nome, viro meu telefone para mostrá-lo meu perfil no Instagram.

Logo na recepção, sou recebido com uma bandeja abarrotada de drinks. Pego apenas um e, conforme meus passos se estendem ainda mais para o interior da casa noturna, minha audição se perde na música extremamente alta.

II.
— Ei, cara, vamos com calma! — digo.

Tento acalmar o ritmo de dois rapazes que me assediam desde que entrei. Não é que eu não goste desse tipo de coisa, mas desta vez me sinto desconfortável, como se algo nos dois estivesse errado. Mal consigo entender o que dizem ou quão rápido se movimentam; apenas sigo a direção da saída dos fundos, usando as paredes como apoio para não cair no chão.

Assim que a porta de metal se fecha em minhas costas, as vozes de ambos parecem mais claras. São dois assaltantes, acredito eu. Que droga! Eu aperto os passos, mas não consigo caminhar tão rápido enquanto atordoado pela enorme quantia de álcool que ingeri. Eles me alcançam e não demora muito para que um punho venha na direção do meu rosto. Sequer tenho tempo para murmurar de dor ou pedir por socorro, e um segundo punho me atinge.

Ouço a porta de metal se abrir mais uma vez e, em seguida, desabo no chão. Sinto alguns baques fortes encaminhados por todo o meu corpo e depois tudo some. Somente um zumbido permanece no fundo do meu subconsciente, me dizendo que ainda estou vivo. Pelo menos isso. Não sei dizer porque disso tudo. Talvez aquele papo de semideus seja verdade.

oie:

só pra esclarecer, mas acho que isso até ficou claro: os fatos não estão organizados em ordem cronológica, mas os números podem guiar a sequência dos cortes temporais. os dois homens que atacam kit são dois monstros, só não revelaram quais são. como no fato 3, talvez não tenham feito o trabalho direito e deixado kit vivo, ou talvez tenham sido interrompidos. isso fica a critério de quem lê. o importante é que o menino sobreviveu. bjusss

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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Hamira Abdalah em Ter 02 Maio 2017, 18:09


FICHA DE RECLAMAÇÃO
1. Por qual deus deseja ser reclamado e por quê?

Tendo em mente os conceitos do feminismo intrínsecos à trama, acredito que Atena seja a deidade ideal para performar a consanguinidade divina da semideusa, que busca não só por aceitação como também por sabedoria, força e garra no cotidiano.

2. Perfil da Personagem:

— é de personalidade forte, acreditando ser motivo de inspiração. luta por igualdade entre homens e mulheres tanto no mundo mortal quanto no meio divino, remontando o espírito indômito de grandes figuras do acerco grego. tem certo fascínio para com a mãe e a deusa ártemis.

— admite sempre a si própria que beleza nunca é fundamental. valoriza a sagacidade e a petulância daqueles que a cercam, mesmo optando por estar acompanha por outras garotas. ensina o valor da coragem, da audácia, e do quanto é importante ser sincero consigo mesmo.

— porta-se com excelência mediante conflitos, nunca dando o braço a torcer - é teimosa e cabeça dura - e principalmente adora transitar agressões físicas especialmente quando em confronto com oponentes do sexo masculino.

— sempre leal, faz de tudo para proteger aqueles que ama. em contradição, tem extrema dificuldade em se manter fiel em relacionamentos amorosos pelo simples fato de não enxergar homens como uma necessidade.

— autoritária, não se deixa ser levada com facilidade pelas ideias de terceiros, trançando os próprios planos e seguindo-os com devoção. não trabalha muito bem em equipe, por outro lado, para não se comprometer com fracassos.



3. História da Personagem:


— é fruto do amor conturbado entre atena e uma professora muçulmana da academia de ciências da síria. foi batizada com o nome da avó, que morreu nos escombros de um hospital bombardeado.

— engenhosa por natureza, consideraram-na precoce demais para a idade. na escola encontrou problemas para se encontrar com outras crianças, na época, por ser séria demais. levou tempo até que conseguisse conquistar a afeição dos colegas de classe.

— os conflitos no país já existiam quando ela nasceu. por conta da tensão de uma guerra prestes a eclodir nas principais cidades, foi privada do mundo e cresceu reclusa. até hoje não sabe o que é diversão.

— foi criada pela mãe que sempre batalhou para lhe dar uma vida digna. ama muito a genitora e a enxerga como um exemplo a ser seguido. amadureceu muito cedo, principalmente por ser a responsável pelo zelo da casa. aos oito anos de idade já sabia cozinhar, lavar e passar.

— por conta dos paradoxos psicológicos - a hiperatividade e a dislexia - acreditou ser uma vergonha para a família, e buscou exaustivamente consertar a si própria com estudos pesados e notas altas. descobriu sua grande paixão pela história mundial e por muitos anos desejou se tornar uma historiadora de renome.

— seu ódio por homens começou quando perdeu amigas para os costumes islâmicos - religião nativa. para os adeptos, meninas de onze anos já eram aptas ao matrimônio, não importando a idade dos pretendentes. um dia, chorou enquanto fazia a mãe jurar que nunca a faria passar por tamanha desgraça. em resposta, obteve um sorriso e a promessa de que 'desde que fosse valente, seria dona do próprio nariz'.

— as primeiras alucinações ocorreram durante a passagem pela puberdade. frequentemente vislumbrava imagens de monstros e feras atrozes, principalmente no meio estudantil. não teve coragem de contar para ninguém, com medo de que fosse taxada como louca. porém, suas visões deixaram de ser inofensivas no momento em que foi alvo de um ataque, aos treze.

— quase violentada por um funcionário da escola - que mais tarde revelou-se um lestrigão - conseguiu escapar das garras da criatura e fugir de encontro as ruas do capitólio, onde foi abordada por uma calamidade de conhecimento global. a síria entrava no apogeu de um confronto onde seus habitantes eram chacinados por mísseis que despencavam dos céus, expelidos por aeronaves que sobrevoavam o país.

— no meio da tragédia, vivenciou perdas inigualáveis; colegas de turma, conhecidos, vizinhos. poucos restaram para apará-la no desastre que se sucedeu por dias. conseguiu reencontrar a mãe, que a levou para um lugar seguro situado nos confins da universidade iraquiana.

— passou fome, medo e frio, até que conseguissem escapar sem serem acometidas por explosões de proporções absurdas. ao raiar do dia, a cidade estava irreconhecível, às margens da aurora que prenunciava o fim da hierarquia política e o estopim para que grupos criminosos tomassem o controle do pouco que tinha restado do município.

— uma voz veio à sua cabeça, reconfortante. dizia-lhe que tudo ficaria bem desde que seguisse com afinco as orientações que foram perpassadas. ela não sabia, mas sua mãe celestial, atena, prezava pelo seu bem estar e gostaria que ela permanecesse forte mesmo imersa na terrível calamidade.

— juntas, mãe e filha adentraram em um barco dois dias depois. nerissa, a matriarca, afirmava existir um lugar seguro no outro continente. um lugar para pessoas como a filha, dita especial.

— foi numa noite fria que perdeu a mãe, ainda em alto mar. até hoje recorda do corpo inerte que a abraçava, abnegando o calor que asseguraria a própria sobrevivência para dar a ela chances melhores de escapulir da situação desastrosa que se encontravam. quando lembra do rosto da mãe, sempre chora.

— custou uma parcela de horas para que fosse socorrida por uma náiade. guiada até uma bacia oceânica que desaguava nos limites da ilha de long island - onde situava-se o acampamento meio-sangue - desmaiou devido o cansaço e a exaustão.

— acordou semanas depois na enfermaria, tratada com esmero por olhos bondosos e gentis de filhos do deus-sol. curada da insolação, hidratada e parcialmente recuperada, no mesmo instante foi reclamada como progênie da deusa da sabedoria.

— no acampamento fez uma nova família. descobriu a existência de irmãos e, principalmente, ter laços com uma divindade de extrema importância no panteão grego. passou a se tornar uma semideusa competente que luta pelos despojados e em favor de dias melhores.

— heroína.

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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Johan O. Griffiths em Ter 02 Maio 2017, 18:23


THE BLACK HOUND
AVALIAÇÃO

Menos é mais. Sua ficha mostra isso. Não precisou de tantas linhas para criar um personagem com carisma único e que desperta curiosidade. Eu, particularmente, gosto de personagens que fogem do padrão e o seu, com certeza, se encaixa nesse tipo. As características positivas harmonizadas às negativas instigam o leitor a querer descobrir mais sobre Kit Orkwood – pessoalmente, estou curioso para ver como você irá incluir a filosofia em seus textos.

Quanto a sua escrita, não vejo comentários a tecer que não sejam elogios. Não encontrei nenhum erro ortográfico que salte aos olhos em minha primeira leitura, portanto não acho justo buscar esse tipo de coisa como se eu fosse uma espécie de professor de gramática. Você tem estilo e descreve situações de forma deleitosa, conseguindo se expressar com poucas palavras. Talvez a escolha de não apresentar os “capítulos” – os chamarei assim por conveniência mesmo – em ordem cronológica me causou certa estranheza. Não vi necessidade para isso. Eu teria optado pela ordem “normal”. Mas isso é critério seu, obviamente.

Talvez pudesse reclamar da falta de um desenvolvimento maior no embate – ou surra – descrito. Foi bastante breve. Gostaria de ter tido mais detalhes, não necessariamente a solução do mistério. Mas foi bem corrido. Entretanto, entendo que possa ter sido sua intenção. Longe de mim dar “pitaco” na narrativa dos outros. O andamento de sua trama eu deixo com você. Que seja divertida, antes de tudo, para aquele que a escreve – não que não tenha disso para mim, ela realmente foi. A reclamação foi feita de forma sutil, também me despertou interesse para descobrir o motivo de Afrodite reclamá-lo em um momento como aquele. Espero ler algo sobre no futuro.

Nada mais a declarar. Parabéns pela ficha. Kit Orkwood foi RECLAMADO como filho de Afrodite.
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Silvia Kawasaki em Ter 02 Maio 2017, 19:41


Avaliação


Freya Darkholme:
Olá, Freya, seja bem-vinda. Ok, essa foi a ficha mais diferentona que eu já li em seis anos de PJBR e, infelizmente, só tenho uma coisa boa a ressaltar nela: a ortografia é muito, muito boa.

Olha só, a iniciativa de fazer uma personagem ativista e tal é bem bacana, mas você começou a escorregar na coerência quando disse lá nas características da personagem que luta pela igualdade entre homens e mulheres e logo depois diz que a semideusa odeia homens. Espera, me explica: ela quer direitos iguais ou vantagem feminina?

Depois veio a questão da mãe mortal. No islamismo, mulheres só trabalham se for absurdamente necessário para sua sobrevivência. A escolha da profissão que você deu à Nerissa foi correta, porém você também cita que a sua personagem se sente uma vergonha para a família. Se as duas têm família, a mãe não precisaria trabalhar.

Outra incoerência em relação à mãe é o fato de ela ter tido um relacionamento homossexual. Bem, para o islamismo, a homossexualidade é proibida por lei tanto para homens quanto para mulheres. Você cita a revolta da sua personagem, nunca a da mãe, então Nerissa não se revoltaria contra as próprias crenças assim.

Por fim, você não incorporou na ficha o momento da reclamação e isso é um requisito chave da ficha de reclamação. É regra. Sem ela, sem reclamação.

Sugiro que você refaça sua ficha incluindo o ponto principal e analisando muito atentamente as questões de coerência. Do contrário, você/sua personagem pode ter o maior de todos os ideais, mas infelizmente não irá passar pela ficha.

Bônus: o fórum é narrativo. O formato das postagens é sempre narrativo. Embora as regras da ficha de reclamação não proíbam uma história em tópicos, como você fez, é altamente aconselhável que você a faça em formato de narração. Minha resposta aqui quanto a isso não é um padrão de todos os avaliadores, talvez algum outro fosse aceitar, mas acredito que terá mais chances se enquadrar sua ficha nos padrões de todas as demais postagens on no fórum.

Boa sorte na próxima! Por enquanto, ficha reprovada.

Dúvidas, reclamações, dicas ou qualquer coisa em que eu possa ser útil, basta contatar por mp.

Aguardando atualização
Silvia Kawasaki
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por 128-ExStaff em Ter 02 Maio 2017, 20:42



Atualizado
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Cristoff em Qua 03 Maio 2017, 02:06

FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Qual criatura deseja ser e por quê?

Desejo ser um tritão. Confesso que tenho vontade de criar uma criatura dessas desde que surgiu a possibilidade de poder usá-las no fórum. Cheguei a fazê-lo, aliás, mas apesar de ter criado e dado vida ao personagem, o doei no meu tempo de baixa atividade por aqui. A vontade, no entanto, não passou. E como precisarei de alguma criatura que sirva de "protetora" por questões de trama, cá estou eu fazendo ficha pela segunda vez; então, sobretudo, encare como uma união do útil ao agradável.


— Perfil do Personagem (características físicas e psicológicas):

Físicas — Tendo nascido no mar no Mar Amarelo, muito próximo à península coreana, Cristoff herdou algumas características orientais: olhos puxados, queixo marcado e pele pálida, mas não a baixa estatura. Também por isso sempre foi do tipo mais esguio, com músculos magros — por seus anos de treinamento em Jeju — e corpo alongado, conferindo ao tritão um ar mais altivo.

O cabelo e os olhos são detalhes à parte, chamativos demais para serem esquecidos. Com fios muito finos e naturalmente brancos, o ser da natureza, já pálido, passava um aspecto fantasmal; e isso também parecia ser um prelúdio do gosto perceptível que ele possuía por tudo que fosse branco. Em contrapartida, suas íris negras e densas, como o escuro das profundezas dos oceanos, pareciam quebrar essa mistura de cores, colocando a ausência delas em seu lugar.

Psicológicas — Cristoff sempre foi do tipo extrovertido, ou 4D, como costumavam dizer os mais velhos de sua espécie. Muito comunicativo e de atitudes engenhosas, chamava atenção por onde aparecia, não passando despercebido pelos olhos de quem quer que fosse. Junto a isso vinha sempre seu bom humor constante e os abraços que pareciam curar qualquer cansaço ou irritação; sempre lhe disseram que ele tinha jeito para o curandeirismo, afinal.

Sagaz, astuto e furtivo, ainda que usando tudo isso para o melhor que poderia — fruto de sua sensibilidade aflorada e do seu caráter inabalável —, foi um dos tritões treinados em Jeju, na Coreia do Sul. Tudo isso por mérito e honra. Inteligente e treinado em combate, foi elevado ao cargo de soldado do exército de Poseidon, mas logo foi realocado, colocado num grupo especial que partia para o Pacífico Norte, com o intuito de chegar ao Acampamento Meio-Sangue.

Apesar de toda a sua sensibilidade e aparente infantilidade, não é fraco. Era o tritão mais forte de seu pelotão, psicologicamente falando. Por ter uma grande aptidão a trabalhar como médico em batalhas, sempre teve o sangue frio quanto a isso, aguentando bem mais do que seus iguais aguentariam, e reagindo muito melhor sob pressão do que muito semideus por aí.


— História do Personagem:

A nereida que deu a luz ao jovem tritão desfaleceu pouco após o parto. Pariu Cristoff nas águas quentes de verão, em Sinan, ao sul da Coreia do Sul, mas foi cruelmente ferida por um pescador local — que, julgando-a como sereia por estar nadando como peixe, disparou um arpão contra a criatura, que desfez-se em bolhas depois de muito sofrer. Isso deixou o rapaz órfão, já que nunca teve notícias de seu pai.

Foi criado por Naeyeon, uma ninfa coreana. Ela o amamentou, o criou e o viu crescer, tornando-se o jovem brilhante que tanto a orgulhou. Havia até mesmo instruído os primeiros passos de seu treinamento de batalha — já que ela era de alta patente no Exército de Poseidon —, lembrava-se.

— Nana-noona — dizia o pequeno garoto, desequilibrando-se com o peso do tridente que segurava. Estavam em algum lugar da costa, usando uma praia deserta para o digno treinamento do tritão. — Nana-noona, eu não consigo!

Ele tentou abrir mais a base, como Naeyeon lhe instruiu. Também tentou segurar bem o tridente e manter seu tronco firme. E tentou outras coisas mais, que nem mesmo a memória fotográfica da General era capaz de reproduzir; mas, no fim, acabou caído na areia, com a arma pontiaguda largada ao seu lado. Chorava.

— Nana-noona! — exclamou mais uma vez, com a voz embargada pelas lágrimas do fracasso. Mas daquela vez seu timbre soou encorpado demais, como se o pequeno tritão tivesse crescido dez anos em dez segundos. Não havia sido assim na ocasião, havia? — NANA-NOONA!

Quando a voz de Cristoff soou perto de seu ouvido, a ninfa sobressaltou-se, sendo arrancada de suas memórias. Prontamente puxou o arco que estava ao seu lado e colocou uma flecha em sua corda, tensionando-a enquanto sagazmente mirava entre os olhos de seu alvo. Foi o suficiente para fazer o rapaz levantar as mãos em rendição, sabendo que não escaparia caso ela resolvesse soltar a flecha.

— Abaixe isso, Nana-noona! Desculpe, eu não quis te assustar! — começou a argumentar, sabiamente implorando o perdão de sua omma postiça. Ela suspirou e abaixou sua arma, novamente tomando o assento da sala quando percebeu que foi um susto à toa. Estava visivelmente cansada. Cristoff sabia que ela vinha pensando demais nos problemas que os cercavam, preocupando-se enquanto deveria estar descansando. E, parcialmente, a culpa era dele. — Eu ia perguntar onde tinha colocado o pote de algas, mas acho melhor procurar sozinho. Ao menos não vou ter flechas sendo apontadas para o meu cérebro — gracejou.

Tomou o lugar ao lado da sua omma, sorrindo abertamente enquanto aninhava-se no ombro dela. Inspirou o forte cheiro de mar que vinha da ninfa e deu-lhe um de seus melhores abraços, deixando que tomasse conta o silêncio confortável que sempre pairava entre os dois.

Era uma conversa sem palavras, nesses casos.

— Eu vou estar perto, noona. Sabe que vou. E a Yoona vai comigo, huh? Não se preocupe com isso — disse tranquilizadoramente, muito embora a mulher não fosse exatamente do tipo que se acalmava com palavras. Era estranho o efeito apaziguador que Cristoff tinha.

— Ya, eu sei. Não me diga o que fazer — repreendeu, deixando claro o seu território; ela era quem mandava ali. — Não é com o fato de estar partindo para o outro lado do mundo que eu estou preocupada, Cristoff. Estou com medo do que te espera lá. A América não é como aqui; vivemos em guerra, mas não há oponentes tão fortes para se batalhar. Lá é a terra dos deuses agora.

Ela tinha razão. Os perigos na península coreana nem chegavam aos pés do que aguardava Cristoff e seu pelotão. A infinidade de monstros e semideuses que encontraria seria absurda, e nem todos estariam muito dispostos a ignorarem-no, deixando-o partir ileso. Uma hora ou outra, precisaria batalhar.

O que Naeyeon não contou era que não era bem esse o motivo de suas preocupações, afinal.

— Não se preocupe, noona. Se algum monstro resolver encrencar comigo, dou o meu melhor sorriso. Você mesma disse que não há quem resista a eles, não foi? — indagou-lhe um tanto retoricamente, abrindo um convidativo mostrar de dentes. Logo, um reflexo daquele sorriso apareceu nos lábios de Naeyeon, fazendo a ninfa afagar seu pequeno tritão. — Viu só? Indefensável!

Cristoff nem imaginava o que se passava na cabeça dela naquele momento. Mas se pudesse ler pensamentos, descobriria que ela estava travando uma árdua batalha contra suas lágrimas, sabendo a falta que seu pequeno faria. Cuidava dele desde muito novo, afinal. Era praticamente a sua mãe. Praticamente.

— Oh, Cristoff — interveio, segundos depois daquele pensamento lhe ocorrer. Tinha algo para contar ao garoto, algo que nunca havia contado a ele ou a qualquer ser próximo. Algo sobre o futuro do ser da natureza. — Pequeno... escute.

— Hm, noona? — Suas orbes negras exprimiam grande curiosidade, tendo até mesmo afastado a cabeça para poder olhar melhor para o rosto de sua noona. Havia algo indecifrável ali; um misto de apreensão, medo e ansiosidade. — O que foi?

— Antes de ir, há algo... Há algo que você precisa saber. Sobre o que lhe aguarda.

Cristoff endireitou-se no sofá e franziu o cenho. Olhava-a com extrema atenção. Sua omma nunca falava daquela forma, tão hesitante e temerosa. Ela sempre foi uma mulher concisa. E o fato de ser um assunto relativo ao tritão apenas piorava tudo, chegando a causar até mesmo uma pontada de nervosismo em seu estômago.

— Você lembra-se da sua mãe? Lembra-se da última vez que a viu? — indagou-lhe depois de muito encará-lo, notando o quão tenso se encontrava o jovem. A estranha pergunta o fez forçar o cérebro o máximo que pôde, buscando memórias longínquas, há muito apagadas. O mais sólido que conseguiu foi um sorriso maternal, logo antes de um grito agoniante cortar o silêncio; a época da morte de sua mãe.

— Eu... acho que sim, noona. Mas por que isso agora?

E como se aquela fosse a deixa programada, a ninfa sentou-me melhor de frente para o rapaz e tomou suas mãos para si. Narrou pela quinquagésima vez o assassinato da mãe do tritão, elencando os pontos que ele já sabia: foi atacada por um pescador quando ele a viu nadando rápido demais para qualquer humano, acabando por disparar um arpão em sua direção por impulso. Desde então, o rapaz estava sendo criado pela mulher que o narrava aquela história, como bem sabia.

Mas ela chegou a uma parte da qual o rapaz não tinha ciência. Uma profecia. Profecia antiga, repassada à mulher por uma antiga curandeira de seu pelotão; uma ninfa tão velha quanto os próprios mares, que a repassou como um segredo que ela deveria carregar até a sua morte. E, pelo que havia entendido, a profecia se referia a Cristoff. Ao menos ele era o único tritão órfão indo para os Estados Unidos na última década, caso bem lembrasse dizer a profecia.

E ela lembrava-se muito bem, obrigado.

— Você está destinado a algo grande, meu pequeno. Algo muito grande. Tenho certeza de que estará preparado quando for a hora, mas é necessário que saiba de agora... — disse ela, sendo o mais clara que podia. — Você é o ponto de partida para a queda ou a salvação da Coreia do Sul. Não sei como, quando ou por quê. Mas você é. A sua nação depende de você. E eu preciso ter certeza de que entenderá este chamado quando for a hora.

A mente do tritão se embolou. Ele franziu novamente o cenho e olhou-a um tanto torto, como se aquele assunto repentino fosse incrivelmente antiquado. "Profecia?", pensava ele. "Eu tenho uma profecia? Alguém previu algo que eu faria? E... como assim, queda ou salvação da Coreia do Sul?"

Apesar de ser alguém que fugia dos padrões de normalidade, algumas reações que tinha eram perfeitamente típicas — como a visível confusão daquele momento. Naeyeon já esperava por isso, somente pelo que conhecia de seu pequeno. Mas também sabia que, apesar de tanto pensar, logo mais ele entenderia. E faria a coisa certa, também.

— A profecia fala de um tritão órfão cruzando o mundo para ser a queda ou a salvação da sua nação. Sendo mais específica, ela fala de "um filho dos mares", mas acredito que a sua ascendência dê conta de te encaixar nesse quesito. Quem me contou isso disse que eu seria a pessoa certa para repassar essa profecia, embora nem mesmo ela soubesse o porquê. E creio que por ter te criado, Cristoff, fui a melhor escolha para guardar esse segredo.

Ela continuou falando, mas o tritão não foi tão ouvidos assim. Deixou-se levar. Pensou no motivo de estar indo para a América — que era conquistar seu sonho de ser um tritão protetor, como tantos sátiros faziam — e no que isso implicava. Se sua omma estivesse mesmo certa, era lá que encontraria seu destino. E isso dizia muitas coisas, mas, para o jovem tritão, apenas uma delas era importante: ele estava fazendo o certo ao ir para os EUA.

A última coisa que passou por sua mente foi a insegurança quanto ao que lhe aguardava. Era tão atípico que, apesar da confusão, encarou aquilo com uma normalidade assombrosa. Foi como se nem sequer estivesse diante de uma enorme missão. Foi como se fosse apenas mais um ponto na sua "Lista Do Que Fazer": 1. viajar para os EUA; 2. chegar ao Acampamento; 3. treinar, treinar e treinar; 4. salvar a Coreia do Sul quando o chamado for feito; 5. comprar meias e cuecas extras para a viagem e a estadia.

Omma... O-omma... interveio, cortando o discurso da mulher pela primeira vez em anos. Segurou firme em suas mãos e sorriu abertamente, cravando seus olhos nos dela. — Está tudo bem. E vai ficar tudo bem. Não precisa se preocupar comigo, huh? Ou com essa profecia. Minha cabeça está mais embolada do que alga em rede de pesca, mas eu sei que vou lidar bem com isso. Se é mesmo meu destino, o farei bem. Afinal, sou seu pequeno, não sou? Aprendi com a melhor!

E, de fato, ele era o pequeno de Naeyeon. E ela era a melhor. Mas era a melhor omma que ele poderia ter tido, sobretudo. Afinal, Cristoff, tritão do Mar Amarelo, soldado de Poseidon e, mais futuramente, ser protetor do Acampamento Meio-Sangue, não poderia ser o pequeno de qualquer uma. Ele era grande demais para isso.

Abre:
Eae vamo avalia? n Olha, nunca soube bem o que botar aqui. Aqui, digo, na parte da história. Seres da natureza não têm reclamação; eles simplesmente nascem, já divos assim mesmo. Como poderia, então, fazer algo para suprir isso? Pois é, eu também não sei bem.

Resolvi colocar um apanhado geral de sua trama, não sendo profundo a ponto de fugir da proposta, mas elencando informações objetivas (ou ao menos tentei, sorry se deu errado). Em meio a esse bolo narrativo, citei pontos importantes, como: o fato dele ser órfão; o fato dele ter sido criado por Naeyeon; o fato de ter sido treinado em Jeju; o fato de ter sido soldado no exército marítimo de Poseidon (coisa que eu nem sei se existe, mas tomei a liberdade de inserir, servindo como eixo de trama pessoal minha); o fato de estar indo para o Acampamento (algo que vai demorar bagarai pra acontecer, ou teria sido essa a narração aqui); seu maior desejo (virar um protetor, like a sátiros); e sua profecia (importantíssima para a minha trama grupal). Tentei também exprimir ao máximo a personalidade dele, focando um pouco no 4D, mas não fugindo do modo centrado de ser, em assuntos sérios (ainda que pareça estar brincando).

Se isso não é o suficiente, diz aí que nóis resolve. s2
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Johan O. Griffiths em Qua 03 Maio 2017, 13:04


THE BLACK HOUND
AVALIAÇÃO

Fique tranquilo, não deu errado. A meu ver, o resumo da trama serviu perfeitamente para a ficha. Não consigo pensar em algo diferente que você possa ter feito, tendo em vista que conseguiu, com maestria, introduzir a sua backstory e fundar as bases para eventos futuros.

A personalidade é cativante. Gostei bastante o uso dos abraços e sorrisos, gestos que deveriam ser tão corriqueiros em nossos dias e que, infelizmente, não são tão apreciados como deveriam, como artifícios tranquilizadores. Aqui vemos como uma personagem pode utilizá-los de forma positiva e sincera. Eles externam bem o caráter de Cristoff. Senti vontade de ver essa positividade e bom-humor postos à prova.

Não encontrei erros na ortografia. À primeira vista, é um texto estruturalmente perfeito. O fato de uma criatura da natureza vinda de outro país buscar ingressar no Acampamento Meio-Sangue é bem inovador. Desperta a curiosidade naturalmente. Espero ler mais sobre a trama conjunta citada em breve.

Ademais, nada resta a não ser parabenizá-lo pela incrível ficha apresentada. Cristoff aceito como Tritão.
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por 127-ExStaff em Qua 03 Maio 2017, 13:54


atualizado!

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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Alaska J. Solzhenitsyn em Sab 06 Maio 2017, 02:11


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê? Hefesto, porque eu quero uma forja.

— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):
FÍSICAS

Alaska possui longas madeixas ruivas que vão até a altura de sua fina cintura. Seus olhos são azuis de um azul intenso que muda de acordo com a claridade, por vezes claro e outras escuro. A pele é alva e pálida, facilmente adquire um outro tom quando a garota se vê numa situação constrangedora. Seu rosto - salpicado por pequenas sardas - exibe os lábios levemente carnudos e naturalmente rosados.
Mesmo possuindo um metro e sessenta e oito, a garota não se considera baixa como as pessoas afirmam e não vê problemas com a própria altura, exceto quando determinada pessoa a chama de "nanica".

PSICOLÓGICAS

Alaska é uma garota sorridente e alegre, independente e impaciente. Se há palavras que possam descrever Alaska, essas duas últimas são excelentes. Como desde bem nova se viu sem a presença de um familiar - e mesmo recebendo auxílio de sua segunda mãe -, a garota se mostrou uma sobrevivente no quesito quase morar sozinha. Sendo a ruiva que é, Alaska não poderia deixar de representar o temperamento das suas "xarás", logo, o status “pavio curto” faz parte dela.

— História do Personagem:
Memórias de Alaska Jones
2006, November
Meu Lar. Brooklyn, New York.


Sunset Park era um bairro único em Nova Iorque, era o lugar no qual todo meu universo se desdobrava com toda aquela atmosfera latino-americana que só podia ser encontrada naquelas “bandas” da cidade. Vivíamos em um pequeno apartamento, no quarto andar de um prédio muito velho e vermelho, que ficava na esquina 7º Avenue com a 42ª Street.
Naquela época, meu mundo se resumia a quatro coisas: a loja de ferramentas do tio Sam, Grace, as tardes de aventuras no Sunset Park – o parque* –, com James e Lucy, e, não menos importante, Elizabeth; minha mãe de criação.
Posso dizer com toda certeza que aqueles foram uns dos melhores anos da minha vida. A inocência e a ignorância são considerados uma dádiva quando se é um semideus. Eu me recordo como se fosse ontem, daquela tarde fria de novembro...
Era fim de tarde, o sol estava se pondo com seus últimos feixes de luz escondendo-se atrás das construções do Brooklyn. E, como sempre, nós – James, Lucy e eu – estávamos na loja de ferramentas de tio Sam. Por mais incrível que parecesse, eu amava brincar de criar itens e as minhas habilidades para colocar o que eu imaginava em prática deixava ambos os meus amigos admirados.
─ Já está ficando tarde... ─ James, o mais responsável entre nós chamou minha atenção. Encarei-o com um ar chateado, preferia mil vezes ficar na loja de Sam à voltar para casa e enfrentar Grace. Ela era uma mulher problemática que apenas descontava seus problemas em mim, Grace era minha mãe.
─ Vamos, Alaska. ─ ele insistiu levando Lucy, sua meia irmã, em direção à porta. Lucy era a mais nova de nós, nos acompanhava para não ficar sozinha em casa, ela era uma criança adorável. ─ Você pode jantar na nossa casa. ─ o moreno completou por fim, arrancando um suspiro aliviado de meus lábios, não iria encarar Grace naquela noite.

2009, July.
Devaneios. Sunset Park, Brooklyn.




Como sempre meu pai continua ausente em minha vida. Grace nunca me contou quem ele era, o que fazia ou, se ao menos, queria que eu viesse ao mundo. Minha progenitora nutria um misto de ódio e amor por ele que chegava a ser inexplicável. Ele era o motivo das nossas desavenças e, de certa forma, por causa de Grace, eu o culpava pela situação que eu enfrentava todos os dias.
Na minha concepção, meu pai conseguia ser pior que minha progenitora. Afinal, ele havia me abandonado enquanto, Grace, mesmo me odiando, ainda permitiu que eu vivesse com ela. Todavia, ela sempre afirmava com veemência que a culpa era minha por ser quem eu era. Mas, afinal, o que eu realmente era?
Alguns anos depois eu descobriria sobre o que ela falava.
Dava para descobrir antes, todavia, eu preferia ignorar todos os sinais. Era mais fácil fingir que todos aqueles seres estranhos que eu via, eram uma ilusão ou algum fruto de minha fértil mente. A verdade é que: eu era diferente. Não aquele diferente do tipo especial, mas do tipo esquisita e incomum.
Mal sabia eu que aquele era meu mundo.
Para minha sorte, James estava lá. Ele me protegia e era meu porto seguro. Mesmo quando eu achava que ele não acreditava em mim, ele me demonstrava o oposto. James S. Moore era o único que via o mesmo que eu. Ele me entendia de uma forma que ninguém mais conseguia, acredito que era porque compartilhávamos daquele destino cruel e traiçoeiro que era ser um semideus.

2016, June.
Meu Mês. Sunset Park, Brooklyn.


O mês de Junho era o meu mês. Eu o inaugurava comemorando meu aniversário.
Naquele ano completaria quinze anos muito bem vividos. Eu frequentava o Abraham Lincoln High School, uma escola pública do Brooklyn. Como sempre, eu me encontrava na casa dos Moore, visto que, mais uma vez, minha mãe sequer fazia questão de se lembrar que tinha me dado a luz naquele dia.
Todavia, graças a Deus havia Elizabeth. A mulher fazia questão de comemorar aquele dia e eu a amava por toda atenção e carinho que ela me dava, ela era como uma mãe para mim. Assim, todos os anos, ela fazia o sua tradicional torta de limão e a quesadilha de camarão, comida típica de minhas raízes latinoamericanas. Aquelas eram as minhas comidas prediletas.
Devo ressaltar que a comida de tia Beth, como eu gostava de chamá-la, beirava a perfeição. A mulher realmente havia nascido para cozinhar, suas mãos faziam os mais deliciosos dos quitutes que alguma vez na vida tive a chance de provar.
Aquele mês eu consideraria como o melhor de minha vida visto que esse seria um dos últimos momentos de paz que teria, pois, a partir do mês seguinte, os seres esquisitos deixariam de ser sombra e passariam a ser figuras constantes em meu dia a dia.


2009, July.
Descoberta. Sunset Park, Brooklyn.

“Conheceis a verdade, e a verdade vos libertará” – João 8:32

Descobrir a verdade sobre as minhas origens não foi uma situação de risco do tipo "vida ou morte", muito menos uma revelação com o símbolo de um martelo brilhando no topo da minha cabeça (na realidade, essa história fica para mais tarde, visto que realmente aconteceu). A realidade era que, tudo ao meu redor não passava da mais pura das mentiras. A única verdade era que eu possuía dons e, infelizmente, eles tinham ascendência divina. Havia motivos, de certa forma sobrenaturais, que explicavam minha aptidão para inventora/mecânica/engenheira.
Ate mesmo tio Sam era uma mentira.
Ele era um sátiro e sempre estivera de olho em mim a pedido de meu pai, eu nunca soube definir meus sentimentos em relação a esta informação, visto que, de certa forma, Hefesto se importava comigo. Naquele mesmo dia, Sammuel cumpriu seu papel e revelou-me toda a verdade. Para ele, era vital que eu fosse para o acampamento aprender a me defender, só assim eu poderia sobreviver ao destino fatídico que o mundo reservava para todos os semideuses: sobreviver às profecias.


Spoiler:
Eu sei, está tosco. Mas espero que dê para passar c:
*Sunset Park - Existe o bairro chamando assim e um parque/campo dentro do bairro.
Percy Jackson RPG BR


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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Will Fortune em Sab 06 Maio 2017, 02:28


RAINBOW NA ÁREA
AVALIAÇÃO

Primeiramente seja bem-vinda ao PjotinhaBr! Bom vamos do início. Sua ficha foi M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-A. Tipo sério mesmo. Eu nunca tinha visto uma ficha nesse estilo, sem ser uma narração, e sim contando algumas partes da vida da personagem. Isso foi realmente incrível.

Gostaria de te pedir apenas duas coisas. Primeiro é que quando terminar um parágrafo e for começar outro deixe um espaço entres os dois parágrafos, pois para pessoas ceguetas como eu, isso facilita bastante. Segundo é que quando for posta, tenta manter o teste com a mesma cor (No começo a letra preta e depois em cinza), Ta bom?

Lembre-se de dar descontos pra mim em sua forja. Você está aprovada, filha de Hefésto.


Ps: "Emprestei" o template do Johan².
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por 127-ExStaff em Sab 06 Maio 2017, 13:47


atualizado!
Em fichas futuras (construídas pela player ou avaliadas pelo monitor em questão), lembrar de seguir o modelo estipulado no início do tópico. Fichas muito fora do padrão devem ser — e serão — ignoradas, exigindo repostagem. Atenta.

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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por America Beaumont em Seg 08 Maio 2017, 16:28


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

A divindade que nitidamente mais se encaixa na trama de America é Eos por expressar um carácter de jovem caprichosa e despreocupada, que vive amores intensos e efêmeros. A personagem em questão é uma adolescente tímida, porém sorridente, que possui o desejo de abraçar o mundo. Não se amedronta facilmente, e deseja levar a paz onde quer que for.

Outro ponto que me levou a escolher a deusa foi perceber a falta de players que são seus descendentes, e pretendo dar um destaque para esta deusa tão esquecida por muitos.

— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

• Características físicas:

America possui longas madeixas loiras, um corpo esguio e visivelmente frágil, porém sempre muito saudável. Braços e pernas compridos, a garota possui cerca de 1,70 de altura. Seu rosto é dono de traços únicos, com um zigomático ressaltado, e o nariz levemente empinado. Seus olhos, porém, são de uma escuridão intensa.

• Características psicológicas:

Sorridente e tímida, America possui poucos amigos, mas é sempre muito fiel e leal a estes. Não se abala facilmente, e está sempre a buscar coisas novas. Apaixonada por fotografia, a garota sempre anda com uma câmera semiprofissional que ganhou dos pais no aniversário de 15 anos. Aliás, America possui 17 agora. Seu carisma contagia as pessoas a sua volta, e mesmo sem dizer uma palavra ela consegue encher o ambiente com uma força vital incompreensível pelos meros mortais. Mas ela sabe que possui algo especial. Meiga e dócil, é uma menina fácil de lidar, e nunca causou problemas para a família.

— História do Personagem:

Deve ser mais uma história comum, de uma semideusa que foi atacada e salva por um sátiro, ou por outro semideus, você deve estar pensando. Pois se prepare, coloque os cintos, e se ajeite na poltrona, pois estou aqui para te contar os detalhes mais surpreendentes da minha vida, e tenho certeza que vou te fazer mudar de ideia.


Miami, Flórida.
― Por favor, America. Temos que ir pra casa. Quantos pores-do-sol você já não fotografou antes? ― Gritava Alec, impaciente, parado na orla da praia esperando por mim. Realmente, eu já havia fotografado mais alvoradas dos que eu poderia contar entre os dedos das mãos e dos pés, mas cada um era diferente do outro, e aquele ali estava incrível. Foquei minha lente mais uma vez, tentando captar algumas nuvens baixas que se posicionavam acima do astro poente, obtendo uma imagem magnífica. Satisfeita com o resultado, me levantei, soltei a câmera – que se manteve presa em meu pescoço pelo tirante – e bati a areia que havia e acumulado na altura do joelho.

― Antes de irmos para casa, quero passar no Burger King. Eu estou faminta. ― Disse enquanto caminhava na direção de meu irmão, encaixando nossos braços assim que o alcancei. Alec sorriu, e escorei a cabeça em seu ombro enquanto caminhávamos.

A lanchonete ficava a algumas quadras de casa, então pegamos nossos lanches e fomos comendo enquanto andávamos. Era meu aniversário, e Alec havia me dado um novo bracelete de bronze com as iniciais A. A. gravadas. Não era um presente caro, nem algo que chamasse muito a atenção, mas estava carregada de valor sentimental. Meu relacionamento com ele sempre foi o melhor possível, não me recordava nem se quer de uma briga que tenhamos tido. Sempre estivemos presentes um para o outro.

Eram 18:00 e minha festinha – que prefiro chamar de confraternização, já que tinha um total de 10 convidados – estava marcada para as 20:00, e eu ainda nem tinha ido buscar os salgados. Assim que chegamos no portão de casa, Alec se prontificou a buscar enquanto eu ficaria em casa para ir arrumando as coisas, e me arrumando também. Esperei que ele se afastasse e adentrei o portão, e foi quando tudo começou a ficar estranho.

Uma carga negativa tomou conta do espaço assim que entrei nos limites da residência. Um calafrio subiu pela minha espinha, e os pelos da minha nuca se eriçaram. Ao alcançar a porta percebi que estava aberta, o que era algo incomum, já que meus pais sempre a deixavam fechada. Entrei em desespero. Empurrei a porta com força e entrei correndo dentro da casa, mas não durou muito. Após alguns passos senti um impacto na nuca, e de repente tudo ficou preto.


― America, venha aqui, não seja tímida. Venha conhecer sua nova família. ― A menininha loira de apenas três anos estava escondida atrás do sofá, torcendo para ninguém a achar. Ela não queria sair dali, tinha medo que a moça brilhante nunca mais a visitasse. A criança fechou os olhos com força, balançando-se com os braços envolta das pernas, quando sentiu uma mão pousar sobre seu braço.

― Não tenha medo. Eles não vão te fazer mal. Eles farão por você tudo que eu deveria ter feito. Me perdoe, America. Prometo que irei te visitar. ― A moça brilhante estava sentada ao lado dela, olhando-a nos olhos. Uma lágrima rolou no rosto da menina, que evaporou assim que chegou na bochecha.

― Você promete mesmo? ― Perguntou a garota, quase soluçando. A moça balançou a cabeça em aprovação, e em seguida inclinou-se para dar um abraço em America.

― Agora vá, eles estão esperando por você. Vá ser feliz, garota.


Tudo era um borrão.

Meus olhos demoraram a focar, talvez pelo fato de que a única luz no local provinha de uma fenda das cortinas. Mas eu sabia onde eu estava. O quarto dos meus pais. Quando minha pupila finalmente se adaptou, consegui identificar ambos, amarrados, amordaçados e desmaiados no chão do cômodo. Meu primeiro instinto foi gritar. E foi também meu primeiro erro. Tentei me levantar para ajuda-los, e foi quando identifiquei amarras nas minhas pernas e nos meus pulsos. Eu precisava fazer alguma coisa para ajudar meus pais. Então quando ouvi passos no corredor.

Ao abrir a porta, um homem usando um lenço no rosto adentrou o local, seguido por outro que não usava nada. Mesmo de rosto limpo era difícil identificar seus traços no quarto escuro. Este segundo trazia uma arma de fogo nas mãos, enquanto o primeiro estava de mãos vazias. O que possuía a arma parou exatamente na minha frente, inclinando sua cabeça ao me analisar.

― Entregue a espada e deixaremos seus pais vivos.

― A espada? Qual... qual espada? ― Gaguejei enquanto perguntava, já fazendo meu cérebro pensar em todas as espadas que tinha visto na vida.

― Eu te disse, ela ainda não recebeu. Você fez tudo isso à toa. ― Disse o cara que usava o lenço. A vestimenta sobre o rosto distorcia um pouco sua voz, mas ainda assim ela parecia um pouco familiar.

― BESTEIRA! Ela está completando 17 anos, já deveria ter sido reclamada. ― Ele apontou a arma para a cabeça do meu pai que ainda estava desmaiado. ― A espada ou ele.

― EU NÃO SEI DE ESPADA NENHUMA! Juro que não sei. Por favor, não o machuque. ― Sentia as lagrimas rolando pelo meu rosto enquanto implorava pela vida do meu pai. A expressão do rapaz, agora um pouco mais nítida, passou de confusa para surpresa.

― Ela ainda acha que eles são os pais dela. ― Então abriu um sorriso e começou a gargalhar. Eu não entendia mais nada. Tudo que eu queria era sair dali e tirar meus pais vivos comigo. O rapaz gargalhava com vontade, uma gargalhada talvez até mesmo contagiante. ― Deixa eu te contar um segredinho. Eles não são seus pais. ― E antes que eu pudesse esboçar qualquer reação, o garoto apontou a arma novamente para a cabeça do meu pai e puxou o gatilho sem pensar duas vezes.

E o sangue jorrou.


― A mãe morreu no parto e o pai foi preso enquanto roubava alimentos de um supermercado parar de o que comer a ela. ― Disse a assistente do orfanato aos pais. America estava brincando em um parquinho a alguns metros deles enquanto eles a analisavam sem que a garota soubesse. ― Outro casal cogitou adotá-la mas desistiram quando souberam que ela tem dislexia.

― Isso não é problema para a gente. ― Respondeu a esposa, ainda olhando para a menina. ― Olha como ela é linda, amor. É ela, eu tenho certeza. Foi com ela que sonhei.

― Vocês têm algum outro filho já? ― Perguntou a assistente.

― Não. Será nossa primeira. E única.


O garoto do lenço se moveu tão rápido que meus olhos não foram capazes de acompanhá-lo. Em um instante ele estava ao lado da porta, e no seguinte empunhava uma adaga contra a garganta do outro.

― O que você está fazendo? Pare com isso. ― A diversão sumiu do rosto do rapaz, dando espaço ao desespero. Eu não entendia o que estava acontecendo, só queria que aquilo acabasse. Queria que fosse um pesadelo, e que eu acordaria a qualquer momento.

― Cansei de fazer parte disso. Essa sua busca incessante por itens dos outros deuses. Eu to cansado de matar pessoas inocentes, cansado de enganar pessoas. E essa é a única solução. ― A adaga escorregou pelo pescoço do garoto, fazendo um corte retilíneo por onde começou a jorrar o liquido vermelho escuro e borbulhante. Sua expressão de susto se manteve, até mesmo quando seu corpo parou de responder e seus olhos fixaram-se no nada.

O garoto do lenço aproximou-se de mim, e por algum motivo eu não senti medo. Talvez por finalmente ter o reconhecido. Alec cortou as amarras que me prendiam e tirou o lenço do seu rosto. Sua expressão era de arrependimento.

― Antes de começar com qualquer desculpa, desamarre a mamãe, vamos colocá-la em um local onde ela não veja essa barbárie assim que acordar. ― Me levantei, secando as lagrimas que ainda estavam a rolar, e ajudei Alec a levar a nossa mãe para o ouro quarto. ― Agora diga o que tiver que falar.

― Isso não deveria ter acontecido. Eu deveria ter partido assim que percebi que você não tinha sido reclamada, mas...

― Reclamada? O que você quer dizer com isso?

― Você é filha de uma deusa grega. Se eu não estiver errado, filha de Eos, e quando eles assumem isso, o símbolo surge sobre sua cabeça, e você ganha alguns presentes. Armas, na verdade. Chord está recolhendo itens de reclamação de todos os deuses, pois, segundo ele, que possui todos as armas dos deuses, se torna um deus. Ele estava, já que agora está morto.

Nada fazia sentido até o momento.

― Você quer que eu acredite que deuses gregos existem, e que eu sou filha de uma. Eu esperava uma desculpa mais decente. ― Me levantei e me dirigi até a porta.

― Nós não somos irmãos. ― Paralisei no momento em que ele disse essa frase. E então ele prosseguiu. ― Eu sou o que chamam de Mentalista de Psiquê. Eu cheguei na sua vida faz dois meses, com o intuito de encontrar sua arma de reclamação. Todas as memorias que você tem comigo são falsas, eu nunca existi no seu passado. ― Em menos de uma hora eu descobri que toda felicidade da minha vida era uma farsa. Meus pais podem não ser meus pais, meu irmão nunca existiu.

― Eu não sei o que dizer.

― Eu mudei nesses dois meses. Eu fiz aquilo hoje, porque eu me apaixonei por ti nesse tempo. Sei que você pode não querer nada comigo, talvez nunca me perdoar, mas me deixe te ajudar. Existe um local, em Nova York, se chama Acampamento Meio-Sangue. É o local mais seguro para quem é como nós.

― VOCE QUER QUE EU DEIXE A MAMÃE SOZINHA? ― Então me virei e reformulei. ― Digo, a MINHA mãe. Ela pode até não ser minha mãe biológica, como você está dizendo. Mas ela me criou com muito amor, e agora ela perdeu o papai. Não vou simplesmente procurar segurança para mim. Ela precisa de mim.

― Monstros podem te achar aqui...

― Cala a boca, Alec! To cansada dessa história já. É melhor você ir embora. ― Caminhei até a porta do quarto e a abri. ― Agora.

O garoto levantou-se da cama e fez seu trajeto até a passagem, onde parou por alguns segundos, me encarando, enquanto eu olhava para outro lado. Então ele abaixou a cabeça e prosseguiu, porta a fora. Bati-a com toda a força e desatei em lágrimas. Me sentei na cama, afundando o rosto entre as mãos, quando senti um toque em meu braço. Abri meus olhos e vi algo – ou melhor, alguém – que eu não via a muitos anos. A moça brilhante.

― Você está traçando seu destino, minha filha. Talvez essa seja a última vez que poderemos nos encontrar. Boa sorte. ― Seu sorriso me aqueceu, e seu toque delicado fez algo novo surgir em mim. No mesmo instante que a moça sumiu uma aura rosada surgiu sobre minha cabeça, e uma espada e um escudo apareceram no chão. Aquilo era uma reclamação. Eu realmente era filha de uma deusa então. Uma filha de Eos. Uma semideusa.
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