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Ficha de Reclamação

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Ficha de Reclamação

Mensagem por Psiquê em Sex 07 Out 2016, 12:41

Relembrando a primeira mensagem :




Fichas de Reclamação


Este tópico foi criado para que o player possa ingressar na sua vida como semideus ou criatura mitológica. Esta ficha não é válida sob nenhuma hipótese para os 3 grandes (Hades, Poseidon e Zeus) devendo os interessados para estas filiações fazerem um teste específico, como consta aqui [link]. Para os demais semideuses, a avaliação é comum - o que não quer dizer que ao postar será aceito. Avaliamos na ficha os mesmos critérios que no restante do fórum, mas fichas comuns exigem uma margem menor de qualidade, mas ainda será observada a coesão, coerência, organização, ortografia e objetividade. Abaixo, a lista de deuses e criaturas disponíveis em ordem alfabética, com as devidas observações.









































































































































Deuses / Criaturas Avaliação
Afrodite Comum
Apolo Comum
Atena Rigorosa
Ares Comum
Centauros(as) Comum
Deimos Comum
Deméter Comum
Despina Rigorosa
Dionísio Comum
Dríades (apenas sexo feminino) Comum
Éolo Comum
Eos Comum
Espíritos da Água (Naiádes, Nereidas e Tritões) Comum
Hades Especial (clique aqui)
Hécate Rigorosa
Héracles Comum
Hefesto Comum
Hermes Comum
Héstia Comum
Hipnos Comum
Íris Comum
Macária Rigorosa
Melinoe Rigorosa
Nêmesis Rigorosa
Nyx Rigorosa
Perséfone Rigorosa
Phobos Comum
Poseidon Especial (clique aqui)
Sátiros (apenas sexo masculino) Comum
Selene Comum
Tânatos Comum
Zeus Especial (clique aqui)



A Ficha


A ficha é composta de algumas perguntas e o campo para o perfil físico e psicológico e a história do personagem e é a mesma seja para semideuses seja para criaturas. O personagem não é obrigado a ir para o Acampamento, mas DEVE narrar na história a descoberta de que é um semideus e sua reclamação.

Plágio não será tolerado e, ao ser detectado, acarretará um ban inicial de 3 dias + aviso, e reincidência acarretará em ban permanente. Plágio acarreta banimento por IP.

Aceitamos apenas histórias originais - então, ao usar um personagem criado para outro fórum não só não será reclamado como corre o risco de ser punido por plágio, caso não comprove autoria em 24h. Mesmo com a comprovação, a ficha não será aceita.

Fichas com nomes inadequados não serão avaliadas a menos que avisem já ter realizado o pedido de mudança através de uma observação na ficha. As regras de nickname constam nas regras gerais no fórum.

Lembrando que o único propósito da ficha é a reclamação do personagem. Qualquer item desejado, além da faca inicial ganha no momento de inscrição do fórum e dos presentes de reclamação (adquiridos caso a ficha seja efetivada) devem ser conseguidos in game, através de forjas, mercado, missões e/ou DIY.



TEMPLATE PADRÃO:
Não serão aceitas fichas fora desde modelo

Código:
<center>
<a href="goo.gl/6qY3Sg"><div class="frankt1">FICHA DE RECLAMAÇÃO</div></a><div class="frank1"></div><div class="franktextim">[b]— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?[/b]

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[b]— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):[/b]

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[b]— História do Personagem:[/b]

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</div><div class="frank2"></div> <div class="frankt2">Percy Jackson RPG BR</div></center>


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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Ayla Lennox em Qua 24 Maio 2017, 16:34



Avaliação
A mão da reprovação chega a tremer

Matthew Dieckman

E aí, guri, tranquilo?

Antes de mais nada, seja bem-vindo ao fórum. Espero que (caso ainda esteja por aí, claro) se divirta no RPG e tal. Além disso, se tiver alguma dúvida, pode recorrer a mim ou qualquer outro player mais antigo por MP ou no chatbox.

Então, tua ficha — apesar de ser bem pequena - tem uma lista grandinha de coisas que me sinto na obrigação de comentar. Assim sendo, vamos logo ao que importa: a avaliação.

Bom, Melinoe é uma deusa cuja avaliação da ficha é mais rigorosa e a sua possui uma série de problemas não só na parte de coerência e coesão, que é o que a gente costuma observar com mais atenção, mas na estrutura como um todo. O problema começa no fato do seu texto mais parecer uma enumeração de fatos do que uma narração em si. Ok, os momentos descritos até possuem certa conexão entre si, mas não guiam seu personagem até a descoberta do mundo semidivino ou mesmo fazem menção a este.

Considerando a ascendência divina que você escolheu, não só a aparência como a personalidade são irremediáveis clichês e, acredite, esse não é o problema — adoro vê-los desenvolvidos de forma criativa. A questão aqui é que seu texto é pobre a ponto de sequer abordar esses pontos para quem lê.

However, a maior falha de todas aqui é que não existe uma abordagem do momento de reclamação. Geralmente isso acontece quando o protagonista usa um poder ou o símbolo do deus que o reclama aparece acima da própria cabeça e por aí vai.

Dito isso, só me resta aconselhar que você leia algumas fichas aprovadas anteriormente e lapide suas ideias, organize melhor sua história e seu texto.

Por enquanto, reprovado.

Gabriel/Jhonny

Olá, guri. Tudo bem?

Bem-vindo também. Como dito pro rapaz ali em cima, se tiver alguma dúvida ou estiver com dificuldades pra se achar por aqui, não hesite em procurar a mim ou qualquer outro líder/monitor (pra facilitar, a gente tem um @ bem charmoso no Chatbox), ok?

Vamos começar resolvendo essa bronca com teu nome. Por aqui, o nome que você coloca quando se registra é o nome do seu personagem (que geralmente não é seu nome off-game), então se quiser adequar isso, é só ir nesse link aqui (clica) e solicitar a mudança.

Hora de falar da ficha propriamente dita.

A ficha para Nêmesis aqui também possui uma avaliação mais rigorosa, então é bem provável que boa parte dos meus comentários dirão respeito à coerência e coesão, mas você também tem problemas na escrita. Enquanto estava lendo, encontrei deslizes na pontuação (coisa que pode ser resolvida facilmente com uma revisão mais cuidadosa ou uma leitura em voz alta do texto) e, bom, esse trecho:

[...]porém numa se sentiu como parte daquele meio pq o levou a fugir de casa, porém logo voltou para um orfanato onde passou quase toda a sua adolescência e teve diversos problemas com outros adolescendo

No texto normal, corrido, evite a linguagem informal (aquele "pq" "vc" "tb" e similares) e preste atenção na concordância e grafia correta das coisas.

Passados esses itens que provavelmente foram fruto de pressa na hora da escrita, vamos às lacunas e pontos de interrogação enormes que existem no texto. A ficha em si não precisa narrar a vida inteira do personagem, para falar a verdade, mas da reclamação, e isso pode ser em uma noite, um evento específico ou poucos minutos. Vale salientar que isso não necessariamente lhe impede de dar um background da história e trama, desde que você não "enrole", porque é aí que se corre um risco maior de errar.

Bom, assim que comecei a ler teu texto, considerando a personalidade que foi descrita, confesso que fiquei bem confusa. Tudo bem, tempos diferentes na vida do personagem, mas ainda sim... Quem somos é fruto daquilo que vivemos, isso é um fato, então o que levou o garoto a ser daquela forma? Todo mundo percebe que o mundo é cruel, mas nem todo mundo sai batendo e matando as pessoas ao redor. Não sou especialista em psicologia, mas pra esse tipo de comportamento existe um motivo — seja ele um trauma ou uma doutrina — e quanto a isso, os leitores estão às cegas.

A especialidade de Johnny era o assassinato, tudo bem novamente, mas como? Como ele aprendeu a matar? Mais importante que isso: como ele se tornou o melhor nisso? Como virou tão conhecido a ponto de ser considerado um "santo"?

Eis que um dia, o assassino mais fuderoso famoso de todos os tempos simplesmente resolve ficar de boa. Percebe o quão incoerente e vazio isso é?

Finalmente, você aborda o que deve ser interpretado momento de reclamação, mas eu vi uma prece. Uma prece por justiça. No entanto, isso não faz você filho da dama da vingança, compreende? Não existe nenhum link para com Nêmesis ou sua essência durante a trama e o gatilho é um tanto quanto falho para te fazer prole da deusa em questão.

Como a gente dá pra ver, tem bastante coisa pra ser alterada e/ou melhorada nisso. Dê uma lida em outras fichas também, peça ajuda aos mais antigos e traga à tona sua obra-prima, uma ficha onde o leitor veja com os olhos do teu personagem, sinta junto com ele e a personalidade que tu pretende mostrar escorra por entre as linhas.

Até lá, não desanime. Por enquanto, reprovado

Dúvidas, reclamações, elogios, desabafos, mimimis... MP.
Atenciosamente, Ayla.
Template devidamente roubado de alguém
Ayla Lennox
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Jessie Gauntlett em Qui 25 Maio 2017, 17:09


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Despina, pois além de ser a deusa que mais combinam com a trama que planejei, os poderes também combinam de maneira perfeita com a personalidade da Jessie ao longo da trama.

— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

Características físicas: Jessie parece uma boneca de porcelana: o rosto de feições delicadas que parecessem ter sido feitas para sorrir, os longos cílios, a baixa estatura, os cabelos - de um tom de cobre que varia com a luz - que caem em belíssimos cachos até a pele quase doentiamente pálida, praticamente tudo nela passa um ar de ''sou-tão-frágil-que-posso-quebrar''. As únicas coisas que quebram esse ar de fragilidade são as enormes olheiras embaixo dos olhos da garota, resultado de várias noites de insônia, e os olhos: intensos e observadores, são de um tom de castanho que de tão escuro, até parece negro.

Olhos cor de noite, como Peter costuma brincar.

Características emocionais: Quando se descreve a personalidade de Jessie, duas palavras praticamente opostas se juntam: doçura e irritabilidade. Sim, pois ela é um doce a maior parte do tempo, porém se irrita com muita facilidade, o que devido a aparência frágil que possui, surpreende muita gente. Essa mistura se deve, em grande parte, ao fato de que se desde que foi parar no orfanato, usa a meiguice que já possuía como escudo, e que uma hora ou outra sempre agir com doçura para todos acaba cansando.

Apesar de ter uma enorme facilidade em conversar com as pessoas, é difícil para ela fazer amizade, e coisa mais próxima que ela de amigos verdadeiros são os irmãos, Catherine e Peter.

— História do Personagem:

(27, 05, 2003 - Queen Elizabeth Hospital, Londres, Inglaterra)

Definitivamente aquele lugar era deprimente. Talvez fosse devido ao barulhinho dos aparelhos ligados aos bebês, talvez fosse devido a patética tentativa da administração do lugar de criar uma decoração alegre e animadora, talvez fosse devido a visão de tantos seres que mal haviam começado a conhecer a vida e já tinham que lutar por ela. Ou talvez ...

Bom, fosse pelo motivo que fosse, não havia como negar que a UTI neonatal do Queen Elizabeth Hospital era um lugar deprimente.

Porém naquela madrugada, o lugar possuía uma aura de paz e tranquilidade, o que era algo raríssimo.  O único ser vivo ali que aparentava estar acordado era uma mulher que usava um enorme manto negro com pontos prateados, imitando o céu noturno.

Com passos suaves, foi andando em direção a uma incubadora, onde duas bebês, identificadas pelas pulseirinhas que usavam nos pulsos como Catherine e Jessica Gauntlett, descasavam.

Elas haviam nascido a exatamente três meses atrás, porém devido a razões ainda não identificadas pelos médicos, aparentavam ter apenas ter algumas semanas, e a saúde delas ia de mal a pior.

Parando em frente da incubadora , a mulher deu um sorriso tristonho, colocou na mão encima dela e começou a murmurar em grego antigo, tão baixinho que as palavras eram abafadas pelo barulho dos aparelhos ligados as meninas.

Assim que ela começou a murmurar, uma aura negra surgiu em torno de Jessica e Catherine. Porém a medida que ela murmurando, a aura foi se tornando dourada, depois cinza e por fim desapareceu. Quando a aura desapareceu, ela parou de murmurar, apertou o manto mais firmemente contra si e desapareceu também.

(05, 02, 2010 - Residência dos Blanchard, Londres, Inglaterra)

Que estranho, pensou a menininha, cadê o papai, a Cat e o Peter?

A pequena, também conhecida como Jessica Gauntlett, ou simplesmente Jessie para as pessoas mais queridas, havia acordado há pouco tempo e agora estava completamente assustada. O motivo? Três simples razões.

Primeiro: Porque ela estava sozinha em casa, o que era no mínimo estranho, já que o pai dela, superprotetor, nunca iria sair e deixar a filha com infecção intestinal sozinha em casa.

Segundo: Porque pela hora indicada pelo pequeno relógio da Barbie que ficada na mesinha ao lado da cama dela, sua irmã gêmea, Catherine, e seu irmãozinho dois anos mais novo, Peter, já deveriam ter voltado da escola há uma hora e o pai deles nunca se atrasaria tanto para busca-lós.                                                                                                                                                                                                                              

Terceiro: Porque havia uma enorme mancha marrom-avermelhada na parte da frente da blusa do pijama que ela estava usando e que se parecia, de uma maneira bastante preocupante, com sangue.

Depois de ficar esperando por algum tempo que o pai e os irmãos chegassem, ela pegou seu ursinho de pelúcia favorito, abraçou-o com o máximo de força que conseguiu, se enrolou debaixo das cobertas e  ficou repentindo mentalmente até dormir:

''Eu devo ser sonambula e enquanto dormia, devo ter tentando devorar um frasco de ketchup. Logo, logo o pai vai chegar e vai ficar tudo bem''

(13, 08, 2012 - Orfanato Princess Margareth, alguma cidadezinha a seis horas de Londres, Inglaterra)

Infelizmente devo dizer que nada ficou bem. Cinco de fevereiro de dois mil e dez foi a última que Anthony Gauntlett, famoso arquiteto britânico e pai de Jessica, Catherine e Peter Gautlett foi visto.

O sangue no pijama de Jessie, testes forenses feitos durante a investigação do desaparecimento de Peter descobriram, pertencia ao pai da menina.

A teoria que a polícia criou a partir dessa descoberta e do fato de a casa estar totalmente revirada quando Jessica foi encontrada sozinha lá por um dos vizinhos era de ele havia sido vítima de um latrocínio e que a menina havia visto tudo, porém em choque com a tragédia que havia ocorrido ao pai, suprimiu as lembranças ou algo parecido.  

Quando interrogada sobre isso, apesar de não acreditar nessa teoria, Jessica sempre respondia algo como ''Deve ter sido isso'' ou ''Pode ser''.

Não é que não ligasse para o desaparecimento do pai, ela queria mais do qualquer um descobrir a verdade, mas tinha uma amarga certeza, vinda de sabe-se lá onde, de que nunca descobriria a verdade.

Ou que se descobrisse, não iria gostar.

Mas isso já ocorrera a quase dois anos atrás e aquele era um dia raro, pois além de ser o primeiro dia de sol que aquela cidadezinha via em muito tempo, também era o  primeiro dia em muito tempo em que Jessica se sentia realmente se sentia bem.

Cat e Peter estavam por aí aprontando das suas, e a menina dos olhos cor de noite estava sozinha na pequena e aconchegante biblioteca do Orfanato Princess Margareth, lendo um interessantíssimo livro, que continha a versão dos primeiros escritores de contos de fadas.

▬ Quem diria que na versão original de A Pequena Sereia, a Ariel morre? ▬ pensou em voz alta.

▬  É surpreendente sim, mas é melhor que aquela baboseira de E viveram felizes para sempre... não acha? ▬ respondeu uma garota, que a julgar pela voz, devia ter mais ou menos a mesma idade dela.

Surpresa ao ouvir a garota, já que achava que estava sozinha, Jessica levantou o rosto do livro para olhar quem tinha falado com ela. E viu o que a assustou e a divertiu o mesmo tempo.

A garota era quase igual a ela. A única diferença, a única coisa que fez com que Jessie não pensasse que o seu reflexo tinha saído do espelho, era que ao contrário de Jessica, aquela garota tinha a pele bronzeada, os olhos azul gelo e o cabelo loiro-platinado. Ou seja, ela era praticamente uma anti-Jessica.

▬ Quem é você?

▬  Quem sou eu? ▬ a anti-Jessica riu com a pergunta ▬ Eu sou você.

(19, 11, 2016 - Orfanato Guardian Angel, Londres, Inglaterra)

▬ Será que esse otário ainda vai demorar muito? ▬ Jessie ouviu Catherine perguntar.

Bom, ela podia entender a raiva da irmã, afinal, elas e Peter já estavam há meia hora na sala onde ocorrem as entrevistas entre os interessados em adotar e as crianças disponíveis para a adoção, esperando que o futuro adotante que manifestara interesse neles aparecesse.

Como se alguém realmente fosse querer adotar duas adolescentes com TDAH e o irmãozinho disléxico delas, Jessie pôde ouvir a voz de Emma na cabeça.

Emma era como a garota dos olhos cor de noite nomeara aquela estranha garota dos olhos cor de gelo, que desde aparecera naquela tarde ensolarada há quase quatro anos atrás, nunca mais saiu de perto de Jessica.

Geralmente, ela era só uma voz na cabeça dela, mas as vezes aparecia fisicamente, como fizera na biblioteca do orfanato do qual os Gauntlett foram expulsos um mês depois, aparentemente por algo que Peter havia aprontado.

Mas explicações à parte, foi só Emma dizer isso que o possível adotante chegou.

Ele estava usando um terno e até parecia elegante, porém o boné que ele estava usando meio que quebrava o look. Quando viram o adotante, os três Gauntlett ficaram bastante surpresos, o que rendeu um ou dois minutos de um silêncio constrangedor.

▬  Então, você é o maluco que vai tentar adotar a gente? ▬ Cat fora a primeira a falar. E ainda lançou para o homem um dos seus melhores olhares assustadores.

Jessie esperava que ele dissesse algo tipo ''Que garota atrevida!" ou que desistisse da adoção, porém o que ele fez a surpreendeu bastante.

▬ Você tem atitude, garotinha. Gostei ▬ ele disse, rindo.

Jessie decidiu naquele momento que gostava dele. Afinal não era qualquer que recebia um dos olhares assustadores da Cat e simplesmente ria.

Porém, de repente aconteceu algo muito estranho: ela começou a sentir o cheiro dele. E não era o cheiro do perfume dele, era o dele mesmo. E não era só o dele. O de Cat e Peter também.  E no mesmo instante, o estômago dela começou a roncar.

Caraca Jessica!, pensou consigo mesma, enquanto em sua mente Emma estava se acabando de rir,você está querendo ir parar em um hospício ou o quê?

(24, 05, 2017 - Aeroporto Internacional de Londres - Londres, Inglaterra)

▬ Espera aí, deixa eu ver se eu entendi direito. Você é algum tipo de meio-bode, que tem que nós levar para um tipo tipo de acampamento nos Estados Unidos, que é só para filhos de deuses gregos. O que aliás, eu, o Peter e Jessie somos? ▬ Jessica, ainda chocada com a revelação feita por John, que durante os meses que levaram para o processe de adoção ser finalizado, se tornara amigo dos Gauntlett, ouvia sem falar a conversa entre ele e Cat.

▬  O termo certo é sátiro, mas é por aí ▬ ele respondeu, rindo, o que fez a garota se lembrar de quando se conheceram. Jessie logo também se lembrou de várias coisas que haviam acontecido com ela e os irmãos desde que eram pequenos.

De repente, as revelações feitas por John não pareciam tão malucas assim.

(25, 05, 2017 - Acampamento Meio Sangue, Long Island, EUA)

A viagem fora torturantemente lenta, o pesadelo que tivera durante o voo pior ainda, com uma voz que gritava o tempo todo ''Criança amaldiçoada, criança amaldiçoada'', e Jessica mal pode conter a alegria quando finalmente chegou ao tal Acampamento.

O lugar estava em total silêncio, pois eram quatro da manhã e provavelmente todos os campistas deveriam estar dormindo, mas assim que ela, Cat e Peter pisaram no Acampamento, John olhou para os símbolos de flocos de neve brilhando acima da cabeça deles e comentou:

▬ Parece que já sabemos de quem vocês são filhos.

▬ De quem? ▬ Jessie perguntou, muito curiosa.

▬ Despina, deusa do inverno.
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Lavínia Cavendish em Sab 27 Maio 2017, 16:12



Avaliação

Jessie Gauntlett — Reprovada como filha de Despina

Jessie, seja bem vinda ao fórum (caso seja novata)!

Bem, vamos lá: Como bem sabe, a ficha de reclamação de Despina é uma das consideradas rigorosas, visto que seus poderes e armas de reclamação são um pouquinho superiores que os demais (os considerados "comuns"). Para tanto, sua ficha deve ser igualmente boa.

Confesso que fiquei um tanto confusa em muitos momentos da sua história. Acredito que descreveu muito bem a personagem logo no início — características físicas e psicológicas —, mas durante o texto perdeu um pouco dessa clareza na escrita. Logo no início eu acho que você tenha descrito a deusa do inverno visitando sua prole um pouco após seu nascimento, e possivelmente reconhecendo-a como sua legítima herdeira. Pois bem: Despina nunca, repito, nunca foi retratada usando cores escuras, tampouco o preto. Ela é deusa do inverno, anda por aí onde tem neve, e o que não é um pontinho preto no gelo? Isso mesmo, Despina.

Outra coisa: Caso a reclamação aconteça quando o semideus é um bebê, a manifestação dos poderes deve ser descrita desde a infância. Isso não é necessariamente regra, mas a lógica passeia por esse pensamento: Semideuses não reclamados podem manifestar poderes iniciais (Percy conseguia ficar um tempão em baixo d'água, por exemplo), mas após ser reclamado essas habilidades ficaram muito mais evidentes. Semideuses reclamados desencadeiam isso muito mais facilmente, como a Thalia, por exemplo. Sua personagem em momento nenhum demonstrou qualquer tipo de herança com relação as habilidades de Despina.

Caso a cena inicial não tenha sido uma reclamação, em primeiro lugar deverá fazê-la (o símbolo do deus pairando sob a cabeça, os itens aparecendo para a prole, etc), lembrando que não adianta alguém apenas dizer para seu personagem que ele é filho do deus X, e em segundo gostaria que especificasse melhor o que foi aquele ato.

Os acontecimentos em geral também ficaram um pouco confusos, entretanto bem pensados. O conselho que dou é que leia o texto como se não soubesse de nada da história, pois muitas vezes o que está na nossa cabeça é muito claro, mas isso acaba não passando para a narração. Lembre que o leitor não sabe de nada sobre seu personagem ou o background dele.

Acredito que se você repostar sua história com alguns detalhes a mais e a especificação desse momento mais importante (a reclamação), não haverá motivos para que não seja aceita no grupo de Despina. Até lá, pode tirar dúvidas ou qualquer outra coisa comigo ou qualquer outro staffer (monitores, deuses, adms). Espero ler sua próxima ficha e que ela seja aprovada! Não desista!

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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Anastasia Romanova em Sab 27 Maio 2017, 20:13


   
FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

   Despina. A escolha se deu através de questões de pura afinidade com a deusa e toda a sua história. Creio que ser filha de uma progenitora como ela é uma grande chance de criar e jogar com um personagem bem pouco explorado. Ser prole de de um deus ou deusa menor é algo que poucos buscam, mas é uma escolha totalmente compensatória e que acarreta em grande fascínio por aqueles que a escolhem.

   — Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

  Características Físicas: Ruiva com os cabelos lisos, a jovem Annabelle nunca foi exatamente 'alta' em comparação as pessoas a seu redor. Não que se considerasse muito baixa, mas os seus longos 1,60 pareciam não ser o suficiente para alcançar lugares muito elevados. Com olhos grandes e brilhantes e bochechas quase sempre rosadas a jovem menina mulher, apesar de apreciar as próprias curvas, nunca foi de se exibir com roupas extravagantes ou decotes exagerados... Mas isso não significa que não goste de se cuidar. Raras são as ocasiões em que os lábios carnudos não estejam avermelhados, mesmo que muito fracamente. Bom, para resumir, a filha do gelo não é exatamente vaidosa, mas também não deixa de se arrumar quando pede a ocasião.

Características Psicológicas: Estressada, carinhosa, chata, meiga, implicante, divertida, descuidada, animada, boba... Bem, em uma única palavra Annabelle é extremamente camaleônica. Seu temperamento muda drasticamente em questão de segundos e o que poderia ser um encontro fofo pode passar a ser uma discussão ampla sobre toda e qualquer coisa do universo. Mas a jovem não muda sem motivos. Ela mesmo se define como um diamante de várias faces que é visto de acordo com a posição do observador. Cada um pode ter um prêmio dependendo da 'chave' que usa.

   — História do Personagem:

- Hey... Você pode me ouvir? - No fundo eu tinha consciência de quão idiota eu deveria parecer... Mas acho que aqueles garotos e garotas já estavam acostumados - A senhora não sabe o quão estranho é jogar minha comida na fogueira enquanto meu estômago ronca e falar sozinha enquanto os outros me olham... Mas eu estou fazendo, não estou? Estou fazendo por... - Por ela? Não, eu não estava fazendo isso pela mãe que me abandonara quando eu era pequena e que nunca viera me visitar. Não estava fazendo isso pela mulher imortal que se sentara em seu trono e me vira rezar dia após dia para que ela estivesse bem quando ainda era muito pequena... Já fazia muito tempo que eu deixara de fazer tudo por ela. Eu fazia isso por mim. Estava fazendo isso para que quando eu me deitasse esta noite em algum lugar quente, onde outros jovens de minha idade também se deitavam sem remorso ou ódio, eu não tivesse que ouvir os lamentos pelo abandono ou os choros de saudades... Estava fazendo isso para que pelo menos uma vez em minha vida eu pudesse simplesmente dormir. Sem pesadelos, sem memórias, sem nada. Apenas dormir. - É, eu estou mesmo fazendo isso por mim. - Completei com os olhos baixos, suspirando com certo cansaço. Por que tinha que ser assim? Por que eu não podia ser normal? Por um momento uma pequena faísca de ódio brilhou em meu peito... Não ódio por minha mãe, mas ódio pelo que eu era, mas eu não seria assim se não fosse por ela. - Sabe, eu não me importo de ser egoísta dessa vez. Não me ocupo em negar e dizer que estou fazendo por ti e por todo o amor que tenho em meu peito... Até por que você sabe quando estou mentindo, mas não me preocupo com isso. Por que? Porque quando eu era muito pequena fui abandonada pela senhora na casa de meu pai. Por alguns anos funcionou bem e tudo mais... Acho que ele tinha remorso de me deixar.. Mas o álcool serve pra isso não é? A bebida curou o remorso e depois que ele se foi não sobrou nada. Meu pai, se é que posso chamá-lo assim, me largou na frente do orfanato. Eu cresci la, sabia? As crianças tinham medo de mim. As funcionárias tinham medo de mim.. E quando eu era adotada as famílias me devolviam! Sabe por que? POR TEREM MEDO DE MIM! - As palavras escaparam em um turbilhão e várias imagens tomaram minha mente. O homem barbudo de hálito quente e cabelos negros me olhando pela janela do carro antes de se afastar do orfanato, a mulher de roupa branca que me levara para uma sala pequena e me fizera perguntas sobre tudo em mim, as primeiras crianças que tocaram minha pele e perceberam que ela era fria, o primeiro quarto que dividi com alguém, meu primeiro aniversário naquele lugar, minha primeira adoção, minha primeira devolução... Fora tudo extremamente rápido.

Um pouco impaciente usei a mão direita para arrumar uma mecha atras da orelha antes de voltar a falar, tomando fôlego com certa decepção - Sabe mãe... Eu perdi coisas demais, tive que me despedir de pessoas demais. Você se lembra não é? Tive um ou outro amigo no orfanato, mas sempre que alguém me aceitava acabava sendo adotado e eu nunca mais o via. Quando era adotada me devolviam em menos de uma semana e depois de tudo ainda tinha você. Antes eu rezava todas as noites para que você viesse me buscar ou para que simplesmente estivesse bem.. Mas você nunca respondeu, não é? Nunca tive qualquer vislumbre de que você ainda era viva ou qualquer sinal de que me ouvia. Em troca eu recebi outra coisa não foi? É, você sabe que sim. Hoje é meu primeiro dia de acampamento e não sei bem o que eu devia fazer... Na maioria dos acampamentos você vem de ônibus ou coisa assim... Mas eu tive que vir carregada por um sátiro, não é? Tive que ver o orfanato sendo queimado por aquela mulher-cobra idiota e eu não pude fazer nada... O sátiro a chamou de dracaena, sabe.. Não sei se significa algo para você, mas para mim parece um nome idiota. - Um sorriso desanimado tocou meus lábios e meu olhar se voltou para as chamas. Até que não parecia tanta loucura assim. - A única casa que tive algum dia agora não passa de cinzas e as únicas pessoas que conhecia acreditam que eu sou uma criminosa revoltada. Não que eu me importe com o que as pessoas pensam, mas não sei se essa é uma boa fama para cultivar. - Murmurei dando de ombros para a ultima parte. - Bom... Parece que agora você teria que me 'reclamar' ou algo do tipo... Um sinal, sabe? Quer dizer, claro que sabe... Mas não faz mal avisar. Olha mãe, você não é exemplar. Você não é carinhosa, não é atenciosa, não é amorosa e não chega nem perto de ser responsável, mas eu não tenho ódio por ti. Acho que deveria saber disso enquanto decide se vai se revelar ou não... Bom... Tem mais alguns 'sem-teto' por aqui, então acho que eu vou me sentar. Hum... Amém? - A palavra soou quase como uma pergunta enquanto minhas sobrancelhas se arqueavam para o fogo. - Não sei se devo ou não falar amém, então eu vou falar ok? Bom... Não demore ok? Acho que talvez eu precise sim sentir o gostinho de como é ter mãe. Han... Amém. - O 'amém' ja não era uma pergunta. Mas também não parecia religioso... Era como uma espécie de despedida, sendo a ultima palavra pronunciada antes de eu me afastar, andando para a mesa de Hermes poucos segundos antes de ver a projeção de um floco de neve ampliado girando sobre minha cabeça. Sem reação apenas voltei a encarar o vermelho vivo das chamas, boquiaberta com a 'agilidade' de minha progenitora, e assentindo com um gesto de cabeça muito leve para todos aqueles que me davam tampinhas mas costas ou coisas do tipo. Vagamente pude ouvir o centauro que me se apresentara como o diretor de atividades do Acapamento falando sorridente - Despina! - Dissera ele. O resto do jantar passara como um borrão e a ultima coisa que pude ver foi o teto azul claro do chalé para o qual eu havia sido mandada, dormindo quase instantaneamente em meio aos outros filhos da deusa de gelo.
   
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Scott Verlac em Sab 27 Maio 2017, 21:00


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Gostaria de ser reclamada como filha de Ares. Estava em dúvida entres progenitores destintos pelo falo da personagem ser uma assassina furtiva, pensei em Hérmes e Éolo por serem ágeis e furtivos, porém eu gostaria de tentar arriscar em Ares poder ser deus da guerra e seus filhos serem bons em combate, e isso encaixaria perfeitamente no perfil da Katarina.

— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

Características Físicas: Katarina mede por volta de 1,72. Sua pele é bastante clara e possuí várias cicatrizes por ela devido ao seus treinos e toda a tortura sofrida. Possuí uma tatuagem da sua família do lado esquerdo da barriga, que vai desde o quadril até a altura dos seios. Seus olhos são claros e esverdeados, porém seu olhar é sempre carrancudo, e raramente esboça um sorriso que não seja de deboche. Possuí cabelos longos e vermelhos.

Características Psicológicas: Katarina é uma mulher extremamente séria e centrada. Mata as pessoas a sangue frio sem se importar com a dor que eles vão sofrer, e sempre é movida pelo seu instinto mortífero que foi criado nela pelo seu pai adotivo. As melhores palavras para se descrever Katarina são: cética, debochada, persuasiva e interesseira.


— História do Personagem:

"Movida por um intenso instinto mortífero, Katarina usa seu talento como assassina pela glória e a elevação contínua de sua família. Embora seu fervor a leve a feitos cada vez mais grandiosos, ele também a leva a maus caminhos."

Desde pequena Katarina demonstrava um talento natural pelo combate. Ficou sabendo que era filha de Ares quando tinha por volta dos seis anos de idade, e para ela aquilo não fazia a menor diferença pois acreditava que família eram as pessoas que moravam com ela e sempre a ajudavam. E ser filha adotiva de um proeminente assassino de aluguel fez com que muitos caminhos se abrissem para ela prontamente para que pudesse seguir a doutrina das lâminas.

Ela foi treinada rigorosamente pelos melhores assassinos da sua família – sendo seu "pai" o melhor deles. Sua mãe morreu quando ela tinha entorno de nove anos. Ao contrário do que muitos achavam ela não ficou triste ou ficou chorando pelo ocorrido. Ela seguiu fortemente e isso apenas a ajudou a se tornar sem sentimentos como ela é hoje em dia.

Passou parte da sua infância e adolescência aprimorando suas habilidades. Recebia choques com frequências e diversos outros tipos de tortura para que pudesse se acostumar com eles e não entregar informações valiosas caso fosse capturada por pessoas rivais aos Du couteaus.

Ela recebeu suas adagas como um rito de passagem quando completou seus quinze anos. Diferente das garotas que sonhavam com suas festas de debutante, Katarina apenas queria receber suas próprias armas. Ela se mostrou valante e destemida quando a sua casa foi invadida por alguns assassinos que eram rivais a ela e sua família e ela sozinha defendeu o seu lar.

Não demorou para que Katarina recebesse sua primeira missão. A tarefa que lhe deram era simples, porém importante: assassinar um dos políticos de sua cidade, apenas pelo fato de estar prejudicando os mais pobres, porém isso era algo que ela não tinha conhecimento por que por questões de segurança nunca revelavam o motivo do trabalho.

Já infiltrada na casa onde ele estava, prestes a realizar o trabalho, Katarina descobriu uma oportunidade inquietante para ignorar: a chegada do prefeito da cidade. De forma sorrateira ela o seguiu até o seus aposentos, mas para o seu azar o local estava sendo protegido por um guarda. Ela silenciosamente se desfez dele da maneira como havia sido ensinada desde pequena. Logo após o feito, ela invadiu o quarto e cortou a garganta do "dono da cidade". Satisfeita com o abate, ela desapareceu noite adentro.

A exaltação de Katarina se dissipou no dia seguinte quando o objetivo principal da sua missão liderou suas tropas para cercar a casa da família dela. Eles sofreram um grande número de baixas, apesar de terem lutado valentemente, dentre os mortos estava seu pai adotivo junto de sua mãe. Furiosa com o próprio erro, Katarina foi direto à sua tarefa original.

Voltou para a casa do seu alvo e o espiou, agora fortemente protegido, percebendo que um ataque furtivo não seria mais possível, mas mesmo assim jurou a morte dele enquanto preparava as adagas. Tomada por uma fúria incomparável seus olhos começaram a brilhar em um tom vermelho. Ela iniciou o combate, desferindo um vendaval de golpes. Como se fosse uma fera ela avançava na direção dos guardas desferindo golpes com suas adagas e os guardas caíam, cada acerto trazendo-a um passo mais próxima do político.

Assim que ela ficou cara a cara com ele, Katarina cruzou suas duas adaga e desferiu o golpe final fazendo com que a cabeça do seu alvo rolasse pelo chão. Ele foi derrotado com a adaga que restaurou sua honra e a honra de sua família. Ensanguentada e ferida, ela escapou dos poucos guardas que retornaram para proteger o político e por fim retornou a sua casa como uma nova mulher. A cicatriz que ela ganhou naquela noite agora lhe serviria como um lembrete constante de que ela nunca deve deixar a sua vontade interferir no dever.

Logo após esse ocorrido, o restante da família de Katarina incentivaram ela a ir para o acampamento meio-sangue para que pudesse treinar com pessoas como ela e aumentar as suas habilidades como assassina e filha de Ares. Ela, de bom grado, aceitou a proposta apenas para se tornar mais forte.

Observações:
Bom, gostaria de citar que a reclamação dela foi no momento em que ela usou um poder ativo, que por sinal está em negrito.

Poder usado:
◊ Fúria [Nível 01]
Ares nunca foi famoso pela calma ou paciência e, quando em batalha, deixa-se levar pelo espírito de combate. O mesmo ocorre com seus filhos. Ao ativar este poder, o semideus entra em um estado parcial de fúria - ele ainda pode diferenciar amigos de inimigos, e sua mente fica focada em combate, de modo que poderes mentais contra eles são reduzidos em 10%. Contudo, isso faz com que poderes que exijam calma e concentração ou mesmo foco detalhado não possam ser ativados/ utilizados. Por outro lado, lhes fornece uma bonificação de dano de 25%, desde que em ataques corporais (seja com ou sem armas) por três rodadas (considerando apenas dano base, não proveniente de poderes, elementos e afins que a arma possua). Não modifica a chance de acerto, contudo. 1 vez por combate. [Modificado, antigo "Agressividade e selvageria]




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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Andrea M. Lyserg em Dom 28 Maio 2017, 01:54


Avaliação
Ficha de Reclamação

Isabelle Wyatt

Bom, primeiramente, seja bem-vinda ao PJBR.

Vou ser direto e sem enrolação. Eu achei a sua ficha cansativa de ser, digo pelo fato de estar dividida em apenas dois parágrafos e eles serem extensos de mais, isso cansa a visão e atrapalha bastante na leitura. Por outro lado eu achei a sua ficha um tanto quanto... Inovadora. Pelo que eu entendi, a Isabelle está fazendo uma prece/oração/reza para sua mãe, e nisso você conseguiu expor alguns detalhes importantes da personagem sem fugir da forma como queria contar. Foi brilhante.

Um adendo, quando for usar algo como fala não utilize o - e sim o —.

No mais, seja bem vinda, filha de Despina. Você está aprovada.

Katarina Du Couteau

Achei muito interessante sua proposta de trama e, como disse com Isabelle, serei direto. Gostei da sua ficha, entretanto achei a personagem levemente clichê para um assassino e vou avisá-la para ser cuidadosa ou nossa queridíssima Katarina pode ficar muito... Overpower. Narre tudo com coerência na hora de escrever sobre ela, estarei esperando mais textos seus. Também devo dizer que esperava mais de sua reclamação, em minha opinião foi algo muito simples se comparado com o resto da ficha.

Desconsiderando um erro ou outro, não tenho motivo para reprová-la. Então, Katarina Du Couteau, você está aprovada como filha de Ares.
Why don't you just come around?

Mizera e córdia
[/quote]
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por 127-ExStaff em Dom 28 Maio 2017, 12:52


atualizado!

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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Xeyun em Dom 28 Maio 2017, 19:38


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Centauros. Quero tentar fazer um espírito/criatura mágica.

— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

Características Físicas:

Xeyun, é um centauro grande, tem dois metros e trinta centímetros de altura, da ponta do seu casco dianteiro até o topo da sua cabeça. Sua parte animal tem pelos brancos e macios, que contornam os músculos definidos das quatro pernas. Em sua parte humana sua musculatura se mostra humilde, presente, mas sem perder graciosidade. Sua beleza está nos traços harmoniosos e fortes de seu rosto, seus olhos verdes como as folhagens dos bosques e seus lábios avermelhados como as flores selvagens. Seus cabelos loiros e volumosos e ondulados chegam até o final de suas costas caindo sobre sua parte animal como uma castaca dourada. E acima em sua cabeça nascem chifres que se assemelham muito com chifres de Alce, sua cor amarronzada combina com a cor da sua pele que parece uma mistura de leite com caramelo.

Características Psicológicas:

Xeyun é muito doce, se importa com a integridade dos outros e das coisas ao seu redor. Assim como também tem o impulso de proteger aquilo que é indefeso, ou aqueles que são importantes em sua vida. Ele trata desconhecidos com cautela e delicadeza. Seus inimigos já é outra história, não esconde seus sentimentos, sua indiginação e na batalha muito menos cordial, na verdade chega a beirar a ira.


— História do Personagem:

O mundo é feito de histórias, protagonistas e coadjuvantes revezando os holofotes da história do mundo. Algumas dessas são contadas, passadas entre as pessoas, atravessam a barreira do tempo. Outras não tem o mesmo destino, acabam esquecidas, no limbo do desconhecido. Entre essas duas existem também aquelas histórias, que não são esquecidas, não são repassadas, sua maldição foi não serem terminadas.

__________________
Calidão, Tessália, Grécia.
367 A.C.

Num bosque, perto da cidade de Calidão, havia um pequeno e jovem espirito da floresta, seus chifres pequenos demonstravam sua jovialidade. Ele vivia por aquele bosque onde caçava, comia, acordava e dormia, aquilo era o seu lugar o seu lar.

Numa tarde de verão, quando o calor o forçava a ir até um pequeno lago que existia no bosque tudo mudou, aquele bosque tinha sido sua vida desde que se entendia como ser vivo. Mas naquele dia tudo mudou, ele não sabia, mas muito perto dali existia uma cidade, as pessoas se mantinham longe do bosque onde Xeyun estava pois acreditavam ser amaldiçoado, que existia algum espírito mal.

Naquela tarde 3 jovens tinham saído escondido para se aventurar no tal bosque. Meniadas, Khirodon e Sona, os três estavam determinados a encontrar o espírito do bosque ou descobrir se ele era verdadeiro, mas o espírito do bosque estava ali, escondido entre a mata, seguindo-os com cautela e curiosidade.

Os três procuraram durante toda a tarde, mas não encontraram nada, afinal aquilo que procuravam estava bem atrás deles, prestando atenção a cada movimento, cada gesto. Acabaram por esquecer-se disso e resolveram refrescar-se no lago. Convencidos que a história contada por seus pais tinha sido somente uma história para crianças não irem brincar longe de suas casas.

Quando o céu tomava cores alaranjadas e o sol já ameaçava esconder-se atrás do horizonte. Os 3 decidiram voltar, Xeyun continuava observando os invasores do seu bosque. Toda e qualquer movimentação dos exploradores foi atentamente pelo jovem centauro, mas havia algo além de curiosidade, por muitas vezes, Xeyun pegava-se olhando para Sona, a única menina do grupo. Ele não sabia o que tinha sido, mas sentia-se bem sempre que olhava para ela.

Quando a tarde estava quase findando-se e a floresta se tornou escura e perigosa, 3 três pareciam ficar mais agitados e descuidados. Xeyun conhecia a floresta e fechava os olhos toda vez que sabia que algum deles iria tropeçar ou cair. O que inevitavelmente acontecia em cerca de segundos depois. Mas houve algo que nem ele poderia prever. Sona pisaria em uma fenda, prendendo seu pé e torcendo seu tornozelo.

― Me ajudem! ― Gritava a garota

Os dois amigos voltaram e tentaram, mas aquilo estava muito ruim, e então foi que Xeyun tentou ajudar. O centauro saiu do seu esconderijo em meio a mata e foi em direção a garota. Os dois amigos olharam para ele e saíram gritando, eles finalmente encontraram o espírito do bosque que iria sugar suas almas. A menina por outro lado não podia se mexer e ficou pedindo perdão, gritando por socorro e pedindo que Hades tivesse pena da sua alma.

Xeyun se aproximou calmamente e olhou o pé da garota, que ainda estava com os olhos fechados gritando uma prece. O centauro pegou a mulher nos ombros e a inclinou um pouco, e então puxando-a logo em seguida tirando o pé dela do buraco, mas não impedindo que ela piorasse a torção ainda mais. O misto de dor e terror fez a jovem desmaiar, deixando Xeyun com mais um problema em suas mãos.

Xeyun levou a garota para a clareira onde dormia e cuidou da contusão da mulher, algumas ervas foram o suficiente para controlar a torsão, ele também colheu algumas frutas que ajudariam enquanto assava o coelho que tinha caçado naquela manhã. A mulher recobrava a consciência aos poucos. Ela acordava do lado de uma fogueira que a esquentava em seu tornozelo uma mistura de ervas aliviava a dor, mas ela ainda podia sentia o sangue acumulado esquentando o local. Ela olhava para os lados sem saber onde estava, via então um cavalo deitado do outro lado do fogo, e não demorou muito para ela perceber que não era um cavalo, mas sim um centauro.

― Quem é você?! ― Fava a mulher gritando com Xeyun, que acabou tomando um susto.

― Meus deuses! Você me assustou! ― Respondia o centauro tirando o espeto de coelho que tinha acabado de derrubar em cima da fogueira.

― Desculpa ―Respondia a menina, e então ela perguntava novamente mais calma. ― Quem é você? Foi você que fez isso? ― Falava ela apontando para o próprio tornozelo.

― Meu nome é Xeyun, e sim fui eu que fiz isso. Como está?

― Melhor, obrigado. Meu nome é Sona.

― Sona… seus amigos correram bem rápido quando eu apareci. ― Falava ele estendendo o coelho para a mulher, e ela pegava um pedaço.

― Você apareceu do nada, e é bem assustado e é bem assustador no escuro.

― Sou assustador? Não sou eu que tenho 2 patas aqui. ― Falava o homem cavalo com certa indignação e a garota não conseguia segurar o riso e enquanto a garota ria Xeyun confuso ficava se perguntando o que ela havia achado engraçado.

Levou 2 dias para que o tornozelo da garota tivesse bom o suficiente, mas ela não conseguia andar, e por isso Xeyun a levou até a sua casa na cidade. A garota, que havia sido presumida morta, voltava para sua cidade montada em um centauro. Sua mãe não podia nem acreditar, era a resposta das suas preces. A garota explicou tudo para o pessoal da cidade e todos acabaram por entender que o bosque Não era habitado por um mau espírito, mas por uma boa alma.

Calidão, Tessália, Grécia.
355 A.C.

Xeyun ou “O centauro” passou a ser uma figura recorrente nas línguas dos cidadãos de Calidão. No começo ele era procurado por pessoas que precisavam de ajuda com suas doenças, guiados por Sona, que achava que ele poderia resolver os problemas dos necessitados da vila. Mas o conhecimento e a sabedoria de Xeyun chamava a atenção, e logo ele foi buscado para resolver conflitos. Agindo como conselheiro para pessoas, ele negava, pois não queria se envolver, mas sua amiga Sona sempre o convencia a ajudar.

Então ele começou a passar a ser conselheiro, e se acostumou a fazer esse papel. As pessoas de Calidão recorriam a Xeyun, para conselhos sobre suas vidas, relacionamentos e problemas. O centauro ajudava como podia, muitas das respostas eram questões de pontos de vista, coisas que sempre estiveram na frente das pessoas, mas elas não conseguiam enxergar, ou pior, não queriam enxergar.

Quando o nome de Xeyun ultrapassou as barreiras da cidade, pessoas começavam a chegar das cidades vizinhas para pedir seus conselhos. Alguns deles até o pediam para ensiná-los, e assim ele o fez, os humanos tinham uma forma de viver muito diferente. Era como se eles precisassem matar as coisas ao seu redor para continuar vivendo, mas não precisavam e ele poderia ensiná-los isso. Foi então que Xeyun se tornou professor de 2 pessoas, que se tornaram 4, e depois 8. Não demorou para que Xeyun não pudesse mais contar nos dedos quantos o ouviam.

Mas havia alguém, alguém maior e mais egoísta que não estava gostando daquilo. Hera, a rainha dos deuses, mulher de Zeus via o centauro como uma afronta. Muitas pessoas deixavam de ir ao seu templo e pedir sua ajuda ou fazer suas preces, para se reunir com o centauro em sua clareira. E ela não poderia aceitar que isso se prolongasse por mais tempo.

Hera desceu a terra, tomando a forma de humana, moldando-se na forma de Sona, a antiga amiga e amor secreto do centauro. Imitava seus jeitos, falava com sua voz, era uma imitação perfeita para levar o inocente espírito da floresta a uma armadilha terrível. A deusa procurava o centauro pela floresta, e assim que o encontrou falou da uma árvore estranha que ela havia encontrado, uma árvore como nenhuma outra.

Chamando a atenção do centauro a deusa o levou até uma das cavernas que haviam por ali perto, e no fundo de uma delas, havia uma árvore. Nascida da pedra dura, seu caule tinha uma tonalidade escura, suas folhas eram azuis como o céu e suas frutas branca como as nuvens. O cheiro que vinham das flores era hipnotizante, e fazia Xeyun se aproximar cada vez mais. A deusa criou a árvore para seus propósitos, o fruto venenoso e branco faria o espírito dormir um sono eterno.

Tudo foi explicado a ele assim que ele deu a primeira mordida no fruto, a deusa fez questão de explicar seus motivos, enquanto o centauro perdia o controle dos seus sentidos. Primeiras suas patas fraquejaram e o meio homem caía deitado sem poder sobre seus membros. Logo depois ele não podia mais sentir o cheiro das flores que havia hipnotizando-o segundos atrás. Quando tentou falar, também não saia nada de sua boca, tudo que podia fazer era ver e escutar a deusa falando, sobre como ele era uma ameaça aos deuses. E então sua visão escureceu, seu mundo se tornou escuro e logo depois quieto também.

________________

Essa foi a história que ele contou, Xeyun agora já estava conosco a um ano inteiro. Ninguém nem mesmo ele sabia seu verdadeiro Nascimento ou quantos anos ele tinha, afinal ele tinha ficado adormecido por literalmente milhares de anos. A adaptação dele ao nosso mundo foi um pouco difícil, ele ainda não entende tudo o que acontece ao seu redor, mas parece estar se adaptando melhor.


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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Odollam Cerberin em Seg 29 Maio 2017, 14:50


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Perséfone. Estou mentalizando um personagem imaturo que ao passar por provações atormentadoras amadurecerá, tornando-se cauteloso para com as pessoas e sábio. Por exemplo, Odo será um menino em sua fase rebelde de início, ele baixará a cabeça apenas para seu pai. A medida que a história vai se desenvolvendo, ele se verá perdido em um mar de sofrimento e confusão, no fim ele encontrará sua guia, a Deusa. Ao criar a história e pesquisar sobre alguns Deuses, eu conclui que a história da Rainha do Submundo é a que melhor se encaixa ao espelhar a vida do meu personagem. É bom lembrar que Perséfone é conhecida por várias identidades, então acho justo criar um personagem saindo um pouco desse lado sombrio que retratam-a sempre.

— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

Características Físicas
Odo herda características físicas de quase toda a parte paterna. Jovem de olhos claros de coloração esverdeada e pele extremamente pálida, possui aparentemente cerca de 1 metro e 78 centímetros de altura. Seus cabelos são naturalmente ruivos e lisos distribuídos de forma uniforme, exceto por suas pontas que são ligeiramente onduladas. Suas orelhas possuem um tamanho fora do padrão ─ um pouco grandes demais ─ que são cobertas parcialmente por sua cabeleira. Seu nariz é relativamente “achatado”, embora seja harmonioso para com o contorno de seu rosto. Seus pelos, inclusive os da sobrancelha, seguem sua genética ruiva. Para finalizar, o rapaz não possui um porte atlético quando comparado ao padrão da sociedade atual, contudo pode-se vê-lo como alguém magro.

Características Psicológicas
Odo será rebelde de inicio, entretanto amadurecerá devido aos acontecimentos narrados em sua história. A experiência o transformará em um rapaz sábio, disposto a ouvir a todos e julgar o certo e o errado perante seu conhecimento. O seu desenvolvimento psicológico e autonomia gerará uma cautela diante pessoas desconhecidas, porém ao conhecer e ganhar uma certa intimidade ele será como uma flor desabrochando e revelando seus segredos, mostrando uma personalidade talvez oposta a de começo. Essa “bipolaridade” pode ser associada às varias identidades de sua mãe.
De forma geral, quando íntimo, Odo será sempre sincero com todos. Não conterá suas risadas em cenas cômicas e piadas, principalmente aquelas que envolvem botânica. Detém de uma paixão além do normal por Botânica, tornando-a um vício e poderá passar horas e mais horas cuidando de algum jardim ou lendo livros sobre o assunto.


— História do Personagem:


『    I. O devaneio    l    Hertfordshire, Inglaterra    』

Era uma noite de verão atípica, ventos gélidos sopravam sobre todo o condado de Hertfordshire, Inglaterra, quase que anunciando um mau presságio. Próximo ao centro daquele distrito morava um jovem ruivo de aproximadamente dezessete anos chamado Odollam Cerberin, este residia em um pequeno apartamento junto a seu pai, Darvin Parsors, um adulto próximo de seus quarenta anos que era extremamente conhecido pelo fato de agir como um gângster naquela área.

Pontualmente as onze horas da noite, o jovem Cerberin estava preparando-se para dormir. Como um ritual, o ruivo aproximava-se de sua sacada debruçando-se sobre seus apoios, o ar álgido não o incomodava, sua atenção estava voltada para uma fileira de três vasos quebrados e um breve suspiro, que não transmitia sequer metade de sua tristeza, era abafado pelos ruídos da corrente de ar.

Na noite anterior seu pai havia chegado bêbado, entrado em seu quarto e destruído todos os jarros de plantas, visto que Darvin não suportava o fato de seu filho homem venerar flores, esboçando um preconceito inerente para com Odollam. Alguns minutos se passaram enquanto o ruivo refletia sobre sua vida sem chegar em resposta alguma. Guiado pelo sono, Cerberin segue em direção a sua cama virando-se antes pela última vez aos vasos destruídos, seu semblante tornava-se severo naquele instante.

Não era comum para o ruivo ter sonhos ou pesadelos enquanto adormecido, porém naquela noite isso estaria para mudar. Subitamente o jovem se vê em um jardim, ele não reconhecia de forma alguma aquele lugar, entretanto tinha conhecimento de botânica suficiente para nomear algumas flores do local. O jardim era repleto de variadas flores, desde rosas vermelhas comuns até as mais raras videiras Jade, impressionando-o. Próximo a um espaço aparentemente destinado à família dos cereais estavam duas mulheres conversando, uma aparentemente mais velha que a outra. Cerberin conseguia ouvir claramente ambas.

— O que está fazendo, minha filha? — indagou a mulher de aparência mais velha, complementando em seguida — Não me diga que... — abriu-se espaço para um silêncio pungente entre as donzelas.

— Eu sei que não deveria estar fazendo isso, mãe. — retrucou a mulher mais nova de longos cabelos castanhos, acrescentando — Mas eu não posso mais ignorá-lo. O aroma está acabando, os monstros o caçarão. —finalizou enquanto seus olhos estavam fixos em um pequeno vaso que segurava sobre as mãos, neste vaso era possível notar uma planta média com flores de cor branca.

— Imaginei que este momento chegaria, mesmo banhando a criança sob as pétalas mais raras, o aroma iria se esvair com o tempo. — informou a mais velha que em seguida sussurrou — Se ele descobrir, o semideus correrá bastante perigo. — após ouvir a última frase a mulher de longos cabelos castanhos esboçou um semblante deveras preocupado.

— Meu pequeno fruto deve sobreviver. — a jovem mulher afirmou com convicção, adicionando posteriormente — O verão está acabando, quando eu descer novamente às profundezas, poderei reclama-lo caso necessário, dessa forma ele não ousará atacar um filho meu sob minha própria proteção. — o diálogo foi interrompido assim que as mulheres perceberam um vulto próximo as flores. Era tarde demais, a visão foi sobreposta por uma escuridão absoluta, o jovem ruivo sentira todo o frio que aquelas trevas produzia. Através das sombras Odollam pôde ver olhos vermelhos intensos, estes faziam com que seu coração acelerasse de forma anormal, o medo era profundo e um sussurro finalizou aquela visão.

Bastardo. Bastardo. Caminhe para mim, sua existência será apagada.

O adolescente acordou eufórico, parecia que havia tomado uma cápsula de epinefrina e o efeito chegara de uma só vez. Intensamente suado, o jovem sequer tentou entender o que havia acontecido, ele simplesmente correu até o banheiro, despiu-se e ligou a ducha. Enquanto as gotículas de água caiam sobre seu corpo, o ruivo começava a raciocinar sobre aquele sonho. As mulheres, a conversa e a última visão não se encaixavam em sua mente, aquela planta cuja flores eram brancas não saia de sua cabeça também, pois ele de fato nunca havia visto algo semelhante. Sua conclusão foi mais que óbvia: um simples pesadelo.

A manhã era anunciada com o nascer do sol, o ruivo já estava devidamente uniformizado para ir ao colégio público da região. Na cozinha ele pôde ver seu pai debruçado sobre a mesa enquanto segurava uma garrafa de destilado, ignorando-o abriu a geladeira e procurou algo para saciar sua fome. A decepção cotidiana não o afetou, assim como ele imaginava, a geladeira estava somente com bebida alcoólica. Odollam fechou então a porta da geladeira, chutando-a posteriormente e dirigindo-se até a saída de seu apartamento.


[ ... ]


Caminhando pela calçada a feição do rapaz era nitidamente emburrada, pois sentia-se cansado devido a noite anterior e com fome. Enquanto percorria seu caminho, a poucos metros dele, um gato de coloração inteiramente branca parou miando incessantemente. O humor do ruivo não era bom, este chutou o gato contendo um pouco de seu mau humor, o felino grunhiu de dor e afastou-se. Sua caminhada foi suspensa após ver uma senhora de cabelos grisalhos varrendo a calçada em frente a uma floricultura, esta por sua vez notou a presença do menino e aproximou-se dele parando sua tarefa.

— Bom dia, meu filho. — cumprimentou a senhora, que em resposta ganhou apenas uma leve movimentação da cabeça do rapaz em sinal de afirmação, então a senhora o adverte — Isso não são maneiras de responder sua querida vovó.

— Você não é minha vó! — afirmou o ruivo, com um mau humor arrepiante.

— Aconteceu algo, meu querido? — perguntou a idosa esboçando em seu rosto uma clara tristeza.

— Não. — respondeu Odollam, seco. A idosa então retirou de seu avental uma flor bastante conhecida pelo rapaz, esticando-a próximo a ele para que pegasse-a. A flor possuía seu caule inclinado, a coloração de suas seis pétalas era inteiramente branca com a exceção de seu centro, amarelo, que continha estames e o estigma.

— Narciso! — exclamou Cerberin, pegando-a. O semblante do jovem mudara repentinamente para algo mais leve, aquela flor realmente havia afetado seu humor.

— Prefiro você dessa forma, meu querido. — disse a idosa e complementou — Entre! eu quero mostrar-te algo.

Ambos adentraram na floricultura. Desde sua infância Odollam passava a maior parte de seu tempo naquele lugar, era aquela idosa que o ensinava tudo sobre plantas, além do jovem possuir uma facilidade inusitada para aprender aquele assunto. Eles caminhavam por corredores com dezenas de plantas, flores e até mesmo pequenas árvores, quando a mulher de cabelos grisalhos para em frente  de uma mesa contendo uma planta peculiar em sua superfície. Cerberin fica paralisado no exato momento que seus olhos encontram a imagem da planta, era exatamente aquela que a mulher em seu sonho estava segurando.

— Um cliente me encomendou esse raríssimo, e perigoso, exemplar! Advinha seu nome? —  a senhora parecia bastante empolgada de apresentar aquele exemplar para o menino.

— E-eu n-n-não sei... — gaguejou o ruivo, este ainda estava assimilando a situação.

— Cerbera Odollam! Não é uma coincidência? — questionou a idosa, seu olhar estava preso a beleza da planta.

Era uma pequena árvore, seus frutos ainda eram verdes, porém podia-se ver o desabrochar de flores brancas em alguns de seus galhos. A animação da velha era tanto que ela não havia notado a pertubação do ruivo, então começou a explicar.

— Ela é mais conhecida como Árvore do Suicídio, pois suas flores e sementes são altamente tóxicas. A ingestão dessa planta mata pelo efeito de um glicosídeo potente chamado Cerberin, seu sobrenome! Esse glicosídeo começa a fazer efeito em uma hora e os sintomas podem ser nomeados como sendo de uma “morte gentil”, outra curiosidade é que esse componente químico fica indetectável após o envenenamento, então eu sempre faço um questionário e um termo de compromisso para meus clientes. Nunca se sabe a índole da pessoa.

O ruivo ficaria igualmente animado se não estivesse perdido devido a alta quantidade de informação que tivera absorvido. Ao mesmo tempo que Odollam havia descoberto que sonhara com aquela planta na noite anterior, ele descobria que seu nome estava relacionado ao vegetal. Uma planta perigosa de beleza indescritível, uma morte-súbita e componentes para um assassinato. O rapaz estava juntando os detalhes, ele agora sabia que sua mãe gostava de botânica e tinha um gosto peculiar, assim como ele. Por um momento ele questionou se havia tido uma visão sobre sua mãe, mas era algo impossível, visto que ele jamais a conhecera.

— É bastante coincidência sim. — respondeu, colocando a palma de sua mão direita sobre a barriga afim de conter o barulho da mesma roncando, sem êxito.

— Meu filho, por que não me disse que estava com fome? — perguntou a mulher, antes que ele tivesse tempo para respondê-la, acrescentou — Espere um instante, vou buscar algo.

Virando-se de costas para o garoto a velha seguia em direção a uma geladeira nos fundos da loja. Enquanto isso, Odollam ficava frente a frente para com a planta. O ruivo era fanático por plantas e aquela era uma raríssima, além de agora ter um significado especial para ele. A idosa voltava  dos fundos e estendia sua mão que segurava uma sacola cheia de frutas.

— Não é muito, mas espero que seja o suficiente para te manter em pé. Ah, e é saudável. — dizia a mulher de cabelos grisalhos, esboçando um sorriso desnorteante.

— Obrigado, eu não tenho como te agradecer... — respondeu Cerberin, ruborizado.

— Poupe-me, você é meu neto querendo ou não. Agora vá, olhe o horário, está atrasado. — informou a idosa, estendendo a sua outra mão com três sementes, adicionando — Leve-as, presentes meus. Não direi quais são, quando crescerem você deve me dizer seus nomes.

Um abraço encerrava aquela cena em despedida. Enquanto o jovem colocava-se a caminho do colégio um tanto afoito, a idosa questionava-se sobre o perfume do rapaz a medida que sua imagem sumia pela calçada.

Ué, hoje ele não está com um cheiro de flores do campo. Será que ele esqueceu de passar perfume?


[...]


Ainda que um pouco atrasado, Odollam conseguira chegar a tempo em seu colégio, todavia aquele realmente não era seu dia. Na entrada havia apenas um jovem de quase dois metros de altura vestido com um uniforme do time de beisebol, segurava um bastão com quase metade de seu tamanho e possuía um boné escondendo seus cabelos e parte de seu rosto. Cerberin havia guardado as sementes em seu bolso, já estava suficientemente alimentado e segurava a flor de Narciso em sua mão direita. Assim que passou próximo ao rapaz, ele teve tempo apenas de recuar sua mão em resposta a dor, pois de forma precisa a mão que estava segurando a flor fora atingida por um bastão, despedaçando cada parte de seu presente. A dor era intensa, porém a ira que o ruivo iria demonstrar seria de acordo.

— Ora, ora, ora. Temos aqui uma mariquinha, será que eu esbarrei sem querer em algo seu? — perguntou em tom sarcástico o rapaz possuidor do taco de beisebol, levantando brevemente a aba do boné deixando visível parte de seu rosto cheio de espinhas.

— Eu vou fazer você engolir cada pétala dessa flor, babaca! — responde o ruivo, furioso.

Cerberin que antes estava com o olhar fixo no chão analisando o dano que a flor recebera, agora cerrava seus punhos firmemente direcionando um olhar fulminante para o individuo à sua frente. Odollam ameaçou uma investida contra o grandalhão, mas foi impedido por algo em sua visão. Quando seus olhos encontraram o de seu adversário, algo incomum aconteceu. O rosto espinhento do encrenqueiro ficou embaçado dando lugar a uma fisionomia diferente. Um olho negro e pele cor de areia, foi o que ele achou que viu, embora rapidamente o rosto espinhento tinha assumido novamente a sua forma.

— Mas o que é você? — indagou o ruivo, perplexo.

O questionamento foi totalmente ignorado pelo brutamontes, que imediatamente acertou o tórax do jovem utilizando o bastão com uma força capaz de reter a respiração do mesmo, este caindo em seguida de joelhos. O ruivo não conseguia de forma alguma inspirar oxigênio, caído, sem força alguma para revidar. Talvez tenha sido sorte, talvez o destino, mas alguém apartou o massacre que seria aquela briga.

— O que está havendo aqui ? — questionou o Diretor em tom autoritário, aproximando-se.

— Nada, senhor. — o espinhento tentava conter sua preocupação, não sendo eficaz.

— Muito bem, você — apontou o Diretor para o jovem caído — para a enfermaria e logo depois dirija-se para a aula de História. Enquanto isso, você — apontou na direção do grandalhão — na minha sala, agora.

Felizmente Odollam não havia sofrido nada além de pequenos hematomas, recebeu os primeiros socorros e em seguida dirigiu-se para a aula de História, como ordenado. Sutilmente o jovem entrou na sala pelos fundos, e ali permaneceu sentado. O professor notara a presença do ruivo, mas já tinha sido informado que um aluno chegaria atrasado por causa de pequenos problemas. Sem pausas, o senhor de estilo hippie continuava a explicar o assunto do dia, lendo trechos de algum artigo.

— “ [...] A papoula e o narciso são as plantas a ela dedicadas. A papoula devido ao fato de ter abrandado a dor de sua mãe na ocasião de seu rapto. E o narciso, pois estava colhendo esta flor quando foi raptada por Hades. A ela também são associadas as serpentes. [...] Para concluir, Perséfone é o arquétipo que nos auxilia em nossa descida a nossa própria profundeza. Ela é um guia, um psicopompo. A mediadora entre a realidade externa e a subjetividade interna. É ela, portanto, quem pode nos auxiliar na compreensão do significado simbólico de nossos próprios sofrimentos. ” — finalizou a leitura com um breve suspiro, direcionando seu olhar para todos da turma, ele determinou então  — Tragam-me um trabalho sobre a Mitologia Grega para a próxima aula, estão liberados.

O sinal tocou assim que o professor havia terminado de proferir suas últimas palavras. O ruivo estava novamente perdido em pensamentos, não que ele não houvesse prestado atenção nas palavras do professor, pelo contrário, aquilo mexeu de alguma forma com seu interior.

Perséfone... Eu gostaria que você fosse minha guia neste momento, poderia te mostrar algumas flores enquanto você me contaria o segredo para compreender o por quê de eu ter que passar por tanto sofrimento.  ” — desejou Cerberin, esboçando um pequeno sorriso.

Passando alguns minutos, Odollam levantou-se e foi em direção à saída do colégio, voltando para o seu apartamento. O rapaz sentia algumas dores incomodando-o, mas aquilo não o manteria mais nem um segundo naquele lugar, obviamente ele não queria ter o azar de se deparar com o grandalhão novamente, um grandalhão que ele nunca havia visto por ali para ser específico.  


[...]


『    II. A descoberta    l    Hertfordshire, Inglaterra    』

Chegando no apartamento, o jovem encontra sentado no sofá seu pai, Darvin. O homem estava ligeiramente bêbado e exatamente no momento em que o ruivo passou por ele tentando ignora-lo, este o segurou pelo pulso. O medo. Aquele sentimento era frequente em sua alma quando tinha que lidar com aquele cara, ele sabia exatamente o que estava para acontecer, era algo rotineiro.

— Por que minha janta não “tá” pronta? —  falou Darvin com um pouco de dificuldade.

— E-eu acabei de chega-gar do colégio, pai. — respondeu o ruivo.

Era óbvio que ele não se importava, uma fúria sem motivo aparente surgia em Darvin, ele naturalmente já era agressivo, mas quando bebia tornava-se um monstro. Levantando-se ele pegou um cinto previamente preparado na lateral do sofá, o medo fazia com que Odollam agisse, este se debatia sem resultado algum, sua força física não se comparava com a de seu pai. Vinte, vinte um, vinte dois. O ruivo tinha aproximadamente vinte e três marcas de cinto em seu corpo que, por ter pele pálida, obtinha uma coloração extremamente roxa. Não parou por ali, Cerberin recebeu dois socos em seu rosto, um deixou seu olho esquerdo inchado enquanto o outro cortou-o na boca. Saciado, Darvin o largou e este correu em direção ao seu quarto, trancando-se. Não era mais medo, agora aquele sentimento era um ódio, rancor e desejo de simplesmente matá-lo. Mas para onde ele iria? Não existia caminho para seguir senão ficar com o bêbado autoritário, o garoto sentia-se perdido. Cansado, deitou-se sobre a cama ignorando suas dores e ferimentos, naquele momento de alguma forma ele foi abraçado por algo ou alguém, caindo no sono.

Era mais uma manhã anunciada pelo nascer do sol. O rapaz já havia se vestido com a roupa do dia anterior e tentou esconder seus ferimentos com alguns esparadrapos, não sendo bastante sucedido. Abriu a porta de seu quarto e certificou-se que seu pai estava dormindo, com passos silenciosos passou pela sala e em seguida saiu pela porta da frente. Naquele dia ele torcia para a idosa não estar varrendo o chão, o que não aconteceu. Lá estava ela no mesmo lugar de sempre. Ao avistar o ruivo aproximando-se, ela notou seus ferimentos e correu até ele.

— O que houve, meu filho? — perguntou a mulher de cabelos grisalhos, não contendo sua preocupação.

— Eu cai da escada. — respondeu Cerberin, exitante.

— Você não me engana! Foi aquele crápula, não é mesmo? Vou denúncia-lo hoje mesmo. — comunicou a idosa com um olhar sério em seu semblante.

— Não! — exclamou Odollam que continuou em seguida — Eu não pedi para que você faça isso, me deixe cuidar dos meus problemas.

— Você não me parece apto para cuidar de si mesmo. — desabafou a senhora de idade.

— Eu não me importo com o que você pen... — gritou o ruivo, que foi interrompido por um humano com metade do seu tamanho, praticamente um anão.

— Você não deveria falar assim com pessoas que querem seu bem, amador. — disse o anão, debochando.

— Quem é você? — gritou Odollam, olhando para baixo. Neste momento mais uma vez sua visão ficou turva, dessa vez ele pôde ver uma criatura com metade do corpo parecido com o de um bode e pequenos chifres sobre sua cabeça. Com aquela imagem em sua mente, ele emendou assustado — O que é você?

— Seu primo, ora bolas. — respondeu o anão — Eu estava aqui conversando com essa graciosa senhora sobre como eu gostaria de te reencontrar, e você me recebe assim? — finalizou.

— Não reconhece seu primo? — perguntou ingenuamente a mulher de cabelos grisalhos.

— A senhora não está vendo? Esse cara é um monstro! — gritou novamente o ruivo, apontando para os pés do anão, este não conseguia conter sua tremedeira.

— Meu filho, você está alterado! Vou pegar um copo de água com açúcar, vamos sentar todos juntos e conversar. — sugeriu a idosa, virando-se de costas e adentrando na floricultura.

— Olha aqui rapaz — iniciou o anão — Você é claramente um semideus, eu pude sentir seu cheiro desde ontem e a Névoa não está mais te enganando. Eu vi um ciclope te massacrando, quando eu ia intervir um humano o fez primeiro. Agora que consegui chegar em você antes que aquele ciclope, devemos fugir daqui. — esclareceu a criatura como se fosse algo inteiramente normal, apontando por fim em direção ao fim da rua.

— Primeiro! Eu não sei o que é você — exclamou o ruivo, sendo interrompido posteriormente pela criatura.

— Eu sou um Sátiro, gênio. E você é um semideus, filho de um Deus com um mortal, capiche? — tentou explicar novamente o pequeno, estalando os dedos em sinal de pressa.

— Você só pode estar drogado. — concluiu Cerberin.

Em meio aquela discussão, o previsível aconteceu. Perante os dois surgiu um corpo de aproximadamente dois metros de altura, sem o efeito da Névoa ambos puderem ver o que era aquilo, um ciclope cuja idade era de um bebê. Em sua mão direita estava um martelo rústico de bronze. Apoiado sobre o martelo, ele falou.

— Ora, ora, ora. Temos mais um convidado para a festa ? — questionou o ciclope, rindo.

— Owow, olha só o que você fez — o sátiro apontou para o ciclope — Eu deveria deixar você virar comida de monstro burro.

— Você deveria manter sua boca fechada, inseto. Saia do meu caminho, a cabeça desse semideus vale algo no submundo. — advertiu o grandalhão.

— Você é um... — o jovem demorou até assimilar tudo aquilo, o choque de realidade era grande demais. Ele agora conseguia ver nitidamente o rapaz que outrora o atacou e era capaz de identifica-lo graças a aulas do professor de História.

O tempo não era algo que o ciclope daria para eles, rapidamente o monstro assumia uma postura ereta levantando seu martelo do chão. Lento, o ciclope começou a andar, em oposição o sátiro e o ruivo começaram a retroceder. Eles não haviam notado, mas o grandalhão havia levado-os para um beco sem saída próximo a floricultura.

— Muito bem, matarei os dois e levarei a cabeça do sátiro em cortesia. — sussurrou o brutamontes.

— Ao meu sinal, você colará seu corpo na parede, não retruque — cochichou o sátiro para o semideus, que mantinha-se estático. — Agora!

Assim que o ciclope levantou o martelo e irrompeu contra eles, ambos pularam opostamente para as paredes mais próximas. O martelo atingiu com sucesso a parede atrás deles, destruindo-a e liberando uma grande saída. Sem sequer trocarem palavra alguma, correram através daquela nova abertura. Algo no sangue do semideus fervia enquanto eram perseguidos pelo ciclope, ao atingir um local deserto e cheio de grama algo aconteceu. Toda parte da grama que o semideus pisava começou a crescer raízes em seu caminho, dificultando a locomoção do brutamontes. O sátiro observou aquela ação e parecia que concordava com a ideia, sacando de sua pequena mochila uma flauta de bambu. A melodia receosa era espalhada através do ar, logo em seguida raízes maiores começavam a crescer entre eles e o grandalhão, chegando ao ponto em que elas enroscavam-se em seu pé, isto o fez tropeçar e cair, posteriormente sendo imobilizado por uma dezena de raízes. Aquela chance não foi desperdiçada, no final do gramado havia um táxi parado, eles abriram a porta do transporte e em uníssono ordenaram.  

— Dirija, agora! — após a ordem, o sátiro complementou — Para o aeroporto mais próximo, por favor.


[...]


O perigo havia cessado, estes já estavam a quilômetros de distância daquele ciclope. O silêncio no táxi era integral, o sátiro compreendia a situação, ele sabia que não era fácil absorver todos os acontecimentos. A pequena criatura embora quieta, estava tentando descobrir o motivo de não ter sentido o cheiro do semideus anteriormente, visto que aquela área era monitorada por ele há anos, aquilo de fato era um mistério para ele. O ruivo estava encolhido em um canto do táxi, tremendo. O sátiro pôde sentir que ele estava ferido, novamente tocou uma melodia com sua flauta de bambu, a melodia era diferente, era harmoniosa. Aos poucos os hematomas e ferimentos que Cerberin havia recebido naquele dia sumiam de forma mágica, o cansaço do taxista também desapareceu por completo. Podia-se notar que Odollam estava começando a entender aquele mundo, ou pelo menos obrigando-se a entender. Chegaram ao aeroporto mais próximo já de noite, e o silêncio foi quebrado pelo semideus.

— Obrigado por me salvar. — admitiu o jovem, envergonhado.

— Olha só, o ruivinho pode ser grato também! — brincou o sátiro.

— Não torne as coisas mais difíceis para mim, vai. — respondeu Cerberin, sorrindo de canto de boca.

— Está preparado para viajarmos mais algumas horas? — indagou o sátiro.

— Para qualquer lugar, longe daqui — disse o ruivo, enfatizando — bem longe daqui.

— Estou surpreso. — falou o sátiro, olhando de cima para baixo o semideus.

— Com o quê ? — perguntou Odollam.

— Você me parece mais maduro... É estranho, eu sei! Mas no momento em que te vi você mais parecia um adolescente em fase rebelde, só que agora a maneira que você está lidando com os fatos demonstra algo diferente. — explicou o sátiro, sentando-se em um banco e procurando suas passagens que havia comprado anteriormente.

— É mesmo? Eu acho que todo meu sofrimento tinha que contribuir em algo no fim das contas. — assumiu o jovem.

O sátiro decidiu não perguntar sobre aquela afirmação, parecia que o semideus esteve em constante sofrimento fazia muito tempo. Em poucos minutos anunciaram pelo auto falante o voo que deveriam pegar, então se adiantaram até o check-in e inspeção. Nada mais surpreendia o garoto, era óbvio que qualquer agente do aeroporto jamais deixariam eles embarcarem, eles eram bastante duvidosos, mas por algum encanto não tiveram problemas em relação a isso. Já acomodados dentro da aeronave, o avião levantava voo. Agora bem mais confortáveis, um diálogo descente entre o semideus e o Sátiro surgia.

— Eu sou Odollam Cerberin, desculpe-me não me apresentar antes. — iniciou o ruivo.

— Sou Flip-Flops, seu sátiro guia. É nosso dever levar vocês, semideuses, ao Acampamento Meio Sangue. Lá vocês estarão protegidos e receberão um treinamento adequado. — disse o sátiro.

— Essa história de semideus... Como você sabe que sou um semideus? — questionou Odollam e adicionou — Eu nunca conversei com meu pai sobre minha mãe, era meio impossível, eu só sei que ela gostava de botânica devido ao meu nome. — esclareceu o rapaz, contente por poder conversar sobre sua mãe com alguém.

— Sua mãe é uma Deusa, rapaz. Seu cheiro te identifica como semideus, não é atoa que aquele ciclope pôde te encontrar. Ainda bem que você teve uma ideia genial! — exclamou Flip-Flops.

— Oi? Que ideia? — questionou o semideus, um pouco confuso.

— Ora bolas, as raízes. Não vai me dizer que... — o sátiro havia pausado sua fala, a ficha havia caído, era óbvio que o garoto não sabia que conseguia fazer aquilo, então continuou — Esqueça. Só espero que Zeus não derrube nosso avião, com certeza você não é filho de Hades ou Poseidon, graça aos Deuses. — finalizou o sátiro, que logo em seguida pulou de sua cadeira devido ao som de um trovão.

— Quem é minha mãe? — perguntou Cerberin, seu semblante esboçava uma nítida tristeza, afinal ele foi deixado às traças com seu pai, um ogro em forma de gente.

— Rapaz, que pergunta difícil! Eu diria que você é filho de alguma Deusa ligada à botânica, esse é meu instinto. Quando você for reclamado, teremos certeza. —  disse o sátiro, confiante.

— E para onde vamos, afinal? — questionou o ruivo, ignorando o fato de não conhecer a identidade de sua mãe, mas em seu interior estava contente por saber mais sobre ele mesmo.

— Costa norte de Long Island, Montauk. Vamos para New York, baby. —  o sátiro respondeu a última questão, pois logo em seguida o mesmo caiu no sono, nem mesmo a turbulência gerada no domínio de Zeus o acordou.


[...]


『    III. O prelúdio: semente    l    Montauk, New York    』

Após o desembarque, eles pegaram mais um transporte até chegar na Costa norte de Long Island, não tiveram problemas durante o trajeto. O semideus teve tempo suficiente para refletir sobre os últimos acontecimentos daquela semana. Em um curto período ele foi inserido em um mundo totalmente diferente do qual estava acostumado. Embora feliz por não precisar ver seu pai tão cedo, estava triste por deixar a mulher de cabelos grisalhos sem sequer dar adeus. No fundo ele esperava poder vê-la novamente.

— Chegamos, bem vindo ao Acampamento Meio Sangue, semideus! Eu te guiarei até o chalé de Hermes, você ficará por lá enquanto não for reclamado. — informou Flip-Flops.

— Mas eu não estou vendo nada! —  exclamou o ruivo, que em seguida recebeu um pequeno empurrão do sátiro, transpassando uma barreira invisível e avistando em seguida uma colina com uma grande árvore que não estava ali no primeiro momento. —  Mas o que é isso?

— Aquela é conhecida como o Pinheiro de Thalia, é lindo né? Ele protege nossas fronteiras. — relatou o sátiro.

Eles então seguiram próximo ao topo da colina, estes já conseguiam avistar parte do acampamento. O jovem Cerberin estava encantado com aquele pinheiro, ele emitia uma aura confortável. Ao aproximar-se um pouco do pinheiro, o jovem sentiu em seu bolso uma estranha vibração, colocou a mão pela abertura e descobriu três sementes, eram as sementes que a idosa havia lhe presenteado.

— Olha só, eu reconheço duas dessas sementes. Uma é de narciso! A outra de papoula! E essa é de... — o sátiro fez uma pausa, confuso, uma vez que nunca tivera visto aquele tipo de semente.

— Cerbera Odollam. — completou o ruivo, seu peito estava contendo uma imensidão de sentimentos, desde saudades, ódio, remorso até a dor.

O sátiro ficou espantado devido ao conhecimento do garoto, permanecendo em silêncio. O rapaz já não conseguia conter para si todo aquele sofrimento, ele não sabia o que fazer, estava perdido. Instintivamente ajoelhou-se próximo ao pinheiro e cavou três buracos, depositando a semente de papoula, narciso e Cerbera Odollam, respectivamente. Cuidadosamente ele empurrava a terra de volta para os buracos que haviam sido abertos, enquanto ele realizava essa ação, lágrimas incontroláveis escorriam por seus olhos esverdeados. As gotas umedeceram parte da terra que ele movia, aquelas lágrimas continham uma mistura de sentimentos que o mesmo estava sentindo, inclusive o sentimento de estar perdido, solitário. A terra assumia um fraco brilho de coloração violácea, e de forma imediata, as flores cresciam sincronizadamente. A papoula, o narciso e a árvore do suicídio estavam lado a lado. Um simbolo sobre a cabeça do semideus brilhava, também de coloração violácea. Era claro a simbologia, continha uma papoula no centro, enquanto nas laterias existiam um narciso cada, o caule destes narcisos tinham formato de uma pequena serpente.

— Filho de Perséfone, seja bem vindo. — sussurrou o sátiro, abaixando sua cabeça em sinal de respeito para com a Deusa.

O ruivo já não tinha mais lágrimas para despejar, o sofrimento que ele havia passado serviu de experiência, amadurecendo-o e tornando-o mais cauteloso e menos impulsivo. Embora um pouco mais adulto, ainda faltava um pedaço em sua alma a ser preenchido, até que seu vazio foi completado exatamente no momento em que sua mãe o reclamou para si, respondendo sua prece outrora feita. Agora Cerberin possuía uma guia, Perséfone ao reclama-lo demonstrou seu amor materno. Em sinal de agradecimento e respeito, o rapaz ajoelhado curvou-se perante as flores tocando sua testa no chão.



Percy Jackson RPG BR







Referências:
ㄨ Fontes de pesquisa utilizadas como base de realidade para a narração

1. http://www.cafecomjung.com/mitologia/
Acessado em 28 e 29 de maio de 2017. Dados sobre Perséfone se encontram quase no final do artigo.

2. https://en.wikipedia.org/wiki/Cerbera_odollam
Acessado em 28 e 29 de maio de 2017. Foi retirado dados sobre a planta, assim como o glicosídeo.
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Alicia Woodward em Qua 31 Maio 2017, 01:27


   
FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

   Afrodite, pois além de a admirr muito, gostei bastante dos presentes de reclamação e dos poderes.

   — Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

Características físicas: Seu corpo é perfeitamente distribuído em 1,70 de altura. Os fios loiros atingem um pouco mais da metade de suas costas em forma ondulada, contrastando as imperceptíveis mechas castanhas. Alicia é dona de olhos penetrantes e hipnotizantes de um tom esverdeado incomum. A pele meio bronzeada deixa a tona seu passado, não negando suas origens. Seu sorriso é encantador e contagiante, capaz de demonstrar toda a simpatia que Alicia possui e guarda para aqueles que forem merecedores da tal.

Características psicológicas: Para Alicia atos dizem mais do que palavras, ou seja, a menina sempre irá agir melhor do que dizer algo. Amante das pequenas coisas, é do tipo que se apaixona pelos menores atos, por sorrisos, por trocas de olhares e até por um apertar de mãos.

A loira sempre está de bom humor, mais do que qualquer um, adora semear o amor e juntar casais apaixonados, porém, preocupa-se tanto em semear o amor que se esquece de encontrar o seu. Totalmente confiável e amiga, nenhum segredo que lhe fora confiado sairá de sua boca. Discreta, a garota odeia chamar a atenção dos outros, prefere que notem nela por conta própria sem motivo concreto, apenas por curiosidade em saber quem realmente ela é.

Não pense que Ali é apenas uma garota bonita, ela é muito mais do que isso. Além do mais, odeia aqueles que só se aproximam por conta de sua beleza, eis ai um dos motivos para não ter encontrado um verdadeiro amor.

Trair sua confiança ou duvidar de sua amizade é a maior ofensa que alguém poderá fazer a ela, porém, com uma boa conversa acredita que tudo pode se resolver e sempre estará de braços abertos para perdoar e acolher qualquer um que precisar.

   — História do Personagem:

Talvez sua ligação com o mar não fosse por acaso. Talvez a sensação de renascimento que sentia quando entrava em contato com a água salgada não fosse apenas uma sensação. Talvez tivesse a ver com sua origem, com suas raízes ou com sua verdadeira progenitora.

Nascida às beiras do Pacífico, no Havaí, em uma família amante do surfe que já carregava consigo o título de melhores surfistas de toda a costa Banzai-Pipeline, Alicia é a caçula de três irmãos, e também, a única menina de sua família.

Seu pai e seus irmãos sempre a viram como o “tesouro” da família, ou seja, eram superprotetores e chegavam a tratá-la como uma criança algumas vezes. Sua mãe, bom, dizia o seu pai que ela falecera no dia em que Ali nascera, porém, a loira nunca acreditou muito nisso, pois nunca achou uma foto de Eleanor grávida dela, apenas de seus dois irmãos. Porém, tentava afastar este pensamento de sua mente e acreditar no que lhe era dito.

As aulas de surfe iniciaram em meados de seus oito anos de idade, ali mesmo, em Pipeline, palco de ondas gigantes, tubulares e perfeitas. A garotinha nunca teve medo do mar e muito menos de ondas, afinal, sentia-se ligada a ele.

Era sempre a mesma coisa, Alicia arriscava-se nas ondas e os três homens de sua vida ficavam com o coração na mão, morrendo de medo de perderem-na para as ondas. As quedas eram simultâneas e esperadas, mas nem isso fez com que ela desistisse de aprender a surfar.

A medida que o tempo corria, a loira crescia e se tornava uma jovem bela, sedutora e apaixonante. Por onde passava arrancava olhares hipnotizados de homens e olhares de inveja e admiração de algumas mulheres. Era engraçado porque sua beleza não tinha nada a ver com a de sua mãe, o que a fazia suspeitar ainda mais de uma possível traição por parte de seu pai.

O número de amigos de Alicia era razoavelmente alto, eram mais meninos do que meninas, e estes na maioria das vezes acabavam por se deixarem seduzir pela beleza da adolescente que por sua vez não sabia o que fazer. Era tudo muito confuso para ela, afinal, nem ela mesma achava-se tão bonita assim, por que será que todos se apaixonavam tão fácil por ela?

O dia de sua primeira competição profissional enfim chegara. Após oito anos de treinamentos intensivos, competições amadoras e torneios beneficentes. Aquele também era o dia de seu décimo sexto aniversário e ela, particularmente, esperava mais do que aquilo para o tal dia.

Alicia polia sua prancha, nervosa, ansiosa e confiante, ciente de que teria e iria ganhar um prêmio naquele dia. Foi então que alguém bateu na porta de seu quarto, invadindo-o em seguida.

Seu pai e uma mulher de uma beleza estranha pareciam apavorados. Estavam ofegantes e praticamente cuspiam as palavras:

- Alicia você precisa ir com ela, chegou a hora. – Seu pai dizia.

- O que? O que tá acontecendo aqui? Eu não vou a lugar algum!

- J. J. você ainda não contou a ela? – A mulher perguntava meio intolerante.

- Não, não contei. Eu estava esperando a hora certa.

- Espera aí! – Ali gritou, sem entender nada. – Vocês podem, por favor, me explicar o que está acontecendo aqui? – Seus olhos estavam arregalados e a aquela altura ela já sentava sobre sua cama.

J. J. dirigiu-se até sua filha e sentou-se do seu lado. Pegou em suas mãos delicadamente e a olhou nos olhos, suspirando, nervoso, porém logo começou a dissertar sobre o que a mulher falava.

- Bom, minha filha. Eu sei que você já suspeitava sobre você não ser filha de Eleanor, sei que procurou fotos por todas as caixas e álbuns e nunca achou nenhuma em que ela estivesse grávida de você ou com você nos braços. – Suspirou. – Sabe, Ali, eu amei muito a Lea, eu a amei incondicionalmente, mas aí ela faleceu. Exatamente um ano depois da morte dela eu conheci sua verdadeira mãe. – Os olhos do homem se enchiam de lágrimas. – Ela era mágica. A beleza dela era incomparável, era divina. Seu jeito era encantador e seu olhar despertava nos homens uma paixão avassaladora. Eu não sabia com quem eu estava me metendo até que tivemos nossa primeira noite juntos... – O silêncio pairou sob o ambiente e as lágrimas vinham agora de ambas as partes. – Alicia, ela era um ser divino, e você herdou parte da divindade dela.

A loira não conseguia pronunciar nenhuma palavra. Logo, a mulher estranha se intrometeu.

- Então, Alicia, como seu pai dizia: você é filha de uma deusa. Porém, a deusa só será revelada assim que chegarmos ao Acampamento Meio-Sangue, e para isso você deve estar pronta dentro de cinco minutos. Um sátiro disfarçado que estava na sua escola teve uma emergência e pediu para o Acampamento enviar alguém para te buscar. Pegue suas coisas mais importantes e uma muda de roupa, Long Island nos espera. – A mulher era fria.

Sem perguntar nada, a menina levantou-se e pegou uma muda de roupa, enfiou tudo dentro de uma mochila e trocou de roupa. O seu estado era de choque, como assim filha de uma deusa? E o pior, ela acreditava em tudo porque para ela, tudo fazia sentido.

Despediu-se de seu pai e de seus irmãos rapidamente, mas com abraços longos e apertados. Apenas disse que os amava e que voltaria para visitá-los assim que lhe fosse permitido, afinal, sua liberdade estava nas mãos da mulher friamente estranha.

Todo o percurso fora feito em silêncio, desde casa até o aeroporto e desde o aeroporto até Nova Iorque. Assim que pegaram o táxi para Long Island a mulher começou a falar coisas que Alicia ignorava constantemente, sua mente estava embaralhada demais para ficar escutando a conversa de uma louca.

Após um tempo, o táxi estacionou em uma estrada deserta, totalmente estranha. A moça desceu do veículo e fez um gesto para que a semideusa a acompanhasse. Assim que desceram, as portas do táxi se fecharam e ele sumiu em disparada pela estrada, sem deixar nem sequer um rastro.

Os instantes seguintes poderiam ser descritos como uma trilha pela floresta da encosta em busca do tal Acampamento. A jovem começava a se sentir cansada e descrente de tudo aquilo, até que seus olhos puderam contemplar a construção grega, as pilastras e o grande nome “Acampamento Meio-Sangue”.

- Até que enfim. – Sussurrou a protagonista, tranquila.

- Olha só, ela fala. – Brincou a mulher puxando-a para que andasse mais rápido.

Após alguns minutos, ambas estavam paradas em frente à entrada do local, a mulher adentrou o recinto primeiro e tornou-se uma espécie de ninfa, daquelas que você acha que só existem em contos de fadas. A loira suspirou e fechou os olhos, passando lentamente pela barreira invisível. Assim que suas pálpebras se abriram ela pode ver que já estava dentro de seu novo lar, daquele lugar que seria a sua nova casa e que um símbolo brilhava acima de sua cabeça.

Várias garotas escandalosas vinham em sua direção, pulando e gritando coisas como “Seja bem vinda irmãzinha!”, ou “Abram alas para a nova filha do chalé 10”. Todas a abraçavam e sorriam animadas, enquanto Alicia não entendia nada daquilo mas deixava sorrisos escaparem pois estava feliz em ser bem acolhida em sua nova casa.

A mulher estranha enfiou-se no meio das garotas eufóricas e parou em frente a recém-chegada, sorriu e pegou em suas mãos.

- Bem vinda ao Acampamento Meio-Sangue, irmãzinha.

Para uma deusa nascida do mar, uma filha amante do mar.
   
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Max Sedgwick em Qua 31 Maio 2017, 03:00


   
FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Phobos. Estive pensando em novas formas de interpretar personagens e me veio em mente algo meio esquisito e sombrio, porém ainda com traços extrovertidos e felizes. Optei entre alguns deuses, mas no fim acabei me sentindo mais atraído pelo Deus do medo, tema em que quero englobar o personagem.

   — Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

 
Características físicas


Ombros largos, abdômen definido - embora um tanto magricelo -, quadril ideal ao seu porte físico, esbelto, moreno e alto. Um corpo perfeitamente adequado ao trabalho de dançarino, embora Max prossiga nos caminhos de sua mãe, nas ramificações mais radicais do surf. Os fios de coloração preta acompanham o trajeto até os ombros em ondas volumosas e ligeiramente desidratados, resposta da exposição prolongada do esportista ao Sol. A pele bronzeada e com textura de pêssego não destona em qualquer parte de sua silhueta.

Características psicológicas


Sedgwick esbanja carisma e simpatia em qualquer ocasião, mesmo que seja difícil devido a seu parentesco divino. Sua essência extrovertida o faz amigável e autoconfiante, apesar de não contribuir para que seja alguém de extrema lealdade. Esses aspectos são indefensáveis em qualquer momento. Sua personalidade, entretanto, é uma caixa de surpresas, guiado pelos instintos destrutivos das tempestades, com sua inconstância temporal.

Em certos períodos, quando o clima está encoberto e trovejante, passa a ser violento e conduzido pelos instintos de autoproteção e defesa pessoal, tóxico o suficiente para que todos que o cercam se dispersem; nas temporadas em que o céu se encontra domado pela calma e serenidade, azul e repleto de nuvens, Sedgwick é um adolescente inteiramente aberto e arrojado, num contraponto em que sua simpatia parece triplicar.

Seu senso de autoproteção parece não existir e, quando se vê em risco, considera que não há nada a perder e abusa dos limites. Em razão de sua natureza e criação voltada ao perigo constante — crescendo em um âmbito em que a radicalização é natural e pouco ameaçadora —, tende a possuir um comportamento menos retido e, em vista disso, é pouco respeitoso aos mais velhos, exigindo de uma quantia maior de tempo para adquirir certa complacência.

   — História do Personagem:

 Um arco-íris estampava o céu extremamente azul e manchado com nuvens esbranquiçadas. O clima ameno era um dia perfeito para se passar a tarde no parque, embora Max não sustentasse da sensação de felicidade enquanto corria e gritava de maneira alarmante, atraindo a atenção de todos os presentes no local. Ao seu lado, um garoto com pernas de bode que alegava ser seu protetor parecia ultrapassá-la em uma velocidade absurda, apesar de Sedgwick ser um atleta de triatlo altamente treinado para correr.

— Estamos conseguindo! — esbravejou Simon, o rapaz estranho que acompanhava Max durante a corrida.

— O que você é, afinal?! — Max não hesitou e perguntou em voz alta, observando as pernas do amigo cobertas por densas camadas de pelo.

— Eu sou um sátiro protetor júnior e eu preciso te proteger, como meu título diz... — ele explicou, acelerando a velocidade da corrida.

Atrás da dupla dinâmica, um rapaz com a aparência de um habitante de um sítio mantinha a velocidade estável. Seu porte físico era desmesurado, próximo dos dois metros e meio e, vez ou outra, lançava galhos flamejantes na direção de Max e Simon. Ante sua força descomunal que se perdia durante os lançamentos, sua inteligência minúscula parecia o desfavorecer em muito.

O rapaz que parecia ter se sobrecarregado com uma carga desmedida de esteroides ganhava proximidade com o decorrer do tempo e seus arremessos, todos longes de acertar alguém, eram contínuos e minusculamente precisos.

— Então me proteja, por favor! — implorou Max, gritando.

— Estou tentando. Olha, precisamos pegar um táxi! — na mesma frequência do timbre de Max, o sátiro o
respondeu, impaciente.

Nova Iorque era cheia de táxis, a etapa mais difícil seria encontrar um vazio sem nenhum cliente. Próximos o bastante da calçada, os acenos se sobressaíam perante a multidão de pedestres que os cercava. Talvez por sorte, uma horda de sedans de tintura amarelada os rodeou e, de imediato, seus condutores abriram as portas.

— Para onde nós vamos, Simon?! — perguntou o garoto, atrelando as mãos nos fundos do bolso para procurar por dinheiro.

— Long Island. Algum de vocês vai para lá? — Simon respondeu e arqueou as sobrancelhas, mesclando o fite entre os taxistas. Metade dos veículos acelerou e deixou a dupla para trás; a distância gigantesca tornava a viagem cansativa, apesar, dois automóveis os esperaram embarcar.

Simon e Max se acomodaram no táxi mais próximo, permeando um sorriso de desculpas pelos lábios na direção do motorista que recusaram. O rapaz da retaguarda foi tirado à força de seu carro pelo gigante que perseguia os adolescentes outrora e arremessado na direção do gramado verdejante do parque aos berros.

O carro onde o sátiro e o garoto estavam alojados disparou em alta velocidade, cortando o trânsito nova-iorquino a pedido de Simon. Dentro do automóvel detrás, o gigante tomou o assento da condução, todavia, seu veículo permaneceu parado, uma vez que não fazia a mínima noção de como dirigir. Demonstrando sua fúria por ter falhado num banquete primal que Max poderia ter se tornado, arrancou o volante e o arremessou para a frente, estourando o vidro e, por muito pouco, não atingindo o táxi em que o semideus jazia.

— O que é aquilo atrás da gente? — Max inquiriu, arfando.

— Um lestrigão. Eles comem pessoas como você, semideuses, mas são muito burros.

— Percebi... semideuses?! Tipo dos livros de mitologia?

— Sim, você é um.

— Você está brincando comigo — inquieto, a prole de uma divindade ainda desconhecida cruzou os braços em frente ao abdômen e focou sua visão no espelho acima do motorista.

Pelo reflexo, conseguia ver uma imagem translúcida estampar o espaço acima de sua carranca, flutuando delicadamente. O brilho da figura reluziu por todo o interior do táxi e Simon alargou um sorriso no rosto, compreendendo o significado do gesto divino para com Max. As dúvidas ambíguas do garoto se multiplicaram e seu olhar atônito demonstrou sua sensação de incerteza.

— Max, filho de Phobos. Sempre te achei meio assustador, sabia? — o sátiro brincou.

Max pareceu perplexo com o que acabou de ver. Seus olhos mal piscavam e a expressão de espanto suscetível adornou seu rosto por um bom tempo; durante o trajeto até Long Island, recusou abrir a boca para pronunciar qualquer palavra. Embora não compreendesse tudo o que Simon havia dito, preferiu não perguntar por mais nada. Talvez tudo somente piorasse dali em diante.
   
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Petala Champoudry em Qua 31 Maio 2017, 12:20

• CÓDIGO:

FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Afrodite. Pois acredito que a vitória só pode ser alcançada por aqueles que são belos. Com a inteligência você viaja pelo mundo, mas apenas com a beleza você pode desfrutar dele.  Assim como minha mãe, não meço esforços para usar da minha aparência para conseguir o que eu quero.

— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

- Características físicas: tenho 16 anos, sou loira, branca, 1.60 de altura, magra. Meus olhos não tem uma cor bem definida.

- Características psicológicas: Sou orgulhosa, teimosa e egoísta. Não estou acostumada e ter que pensar nos outros, já que pensar apenas em mim mesma me manteve viva todo esse tempo. Faço mais o estilo solitária e sou vaidosa, apesar de não fazer muito esforço para ser bela.

— História do Personagem:

_ Pétala, seu acompanhante vai te buscar aqui às 22 horas. Ele mandou entregar esse vestido para que você usasse no jantar.

_ Ok, Lia. Obrigada. Qualquer coisa estou lá em cima.

Subi lentamente as escadas que dava para a republica onde eu morava junto a mais 4 garotas. Ainda no lance de escadas anterior a entrada já podia escutar as meninas rindo e fazendo alguma bagunça. Geralmente eu até gostava da energia delas, mas eu sabia que não podia desenvolver qualquer tipo de vínculo, não com o meu histórico. Só naquele ano já tinha mudado duas vezes, aquela estadia estava sendo a mais longa em toda a minha vida, provavelmente minha próxima estádia deveria ser um manicômio, caso continuasse a ver monstros me perseguindo.

_ Boa noite Pé!  Hoje você deu sorte. Essa festa está sendo falada por toda a alta sociedade.

_ Só estou interessada no cachê, Luna. Ainda não paguei o aluguel. Preciso me arrumar, querem me ajudar? – Sorri para as meninas que logo se empolgaram e fomos todas para o meu quarto.

_ Garota, como você faz para ser tão bonita? Seu rosto é perfeito, não me admira ter sido escolhida para essa festa.

_ Senti um pouco de inveja, Luna! – Gabriela riu enquanto segurava duas opções de sapato. Automaticamente todas nós optamos pelo mesmo sapato: alto, fechado e num tom nude opaco.

Adorava me arrumar. O tempo que eu passava olhando para o meu reflexo no espelho me permitia sair da melancolia que insistia em me perseguir. Àquela altura as meninas já tinham saído, já estava vestida e só faltava alguns retoques na minha maquiagem.

_ Pétala, seu cliente chegou. Ele pediu para você se apressar. – Lia disse da porta da sala

_ Já estou quase pronta. ~  Gritei do banheiro.

Reforcei meu batom e por um instante admirei minha maquiagem perfeita. Com minha bolsa clutch já em mãos fui em direção a saída, onde fui interceptada por Luna.

_ Leva meu casado, ele combina com o vestido e lá fora está frio. A propósito, você está divina.

Olhei sem graça para baixo. Não pelo elogio, já estava acostumada até, mas pelo gesto protetor. Por toda a minha vida tive que me virar sozinha, sem ter alguém que se preocupasse comigo. Não cheguei a conhecer minha família, então vivi por entre orfanatos até o dia em que eu decidi cuidar de mim por conta própria e abraçar a vida de acompanhante de luxo. Já que minha única habilidade estava relacionada a minha aparência. Depois sorri para ela, talvez estivesse na hora de me doar um pouco e me permitir sentir parte delas.

Lá estava ele, encostado no seu Porsche preto enquanto mexia no celular, devia ter uma 30 anos, talvez, e era muito bonito. Caminhei em sua direção e o barulho do meu salto o fez olhar instintivamente para minha direção. Adorava aquela feição que eu despertava nas pessoas: eles se embriagavam da minha aparência. Andei lentamente, contra o vento, fazendo assim meus cabelos acompanharem o movimento e deixar tudo aquilo mais intenso. Olhava-os nos olhos enquanto caminhava, demonstrando segurança e sensualidade. Por alguns segundos sabia que eu o dominava apenas com a minha presença, e aquela vulnerabilidade era graciosamente fatal. Cheguei próxima a ele e sorri, olhando-o dissimulando inocência.

_ Você está deslumbrante, por incrível que pareça mais até que na foto. Meu nome é Gabriel.

_ Pétala Champoudre. ~ Disse abraçando meu corpo e fechando um pouco o casaco para me proteger do frio.

_ Que cabeça a minha! Entre.  ~ Ele abriu a porta do carro e fechou assim que eu entrei. Ele arrancou o carro e disse que eu poderia escolher a estação de rádio que eu quisesse. Me senti um pouco incomodada, alguma coisa estava errada. Minha nuca arrepiava levemente com a atmosfera.

_ A festa não é no centro da cidade? ~ Disse intrigada e meus sentidos estavam todos alertas. _ Essa rua dá para a saída.

_ Sim, preciso fazer uma parada num posto aqui e depois voltaremos. ~ Ele sorriu para fingir ser amigável. Eu sabia de alguma forma que aquilo era uma mentira. Apertei minha bolsa e tentei disfarçar meu medo.

Gabriel parou o carro num posto abandonado e ao lado tinha uma reserva florestal. Era tudo muito escuro e não tinha nenhum sinal de pessoas pelas redondezas. Tirou o cinto e se virou para mim.

_ Sua beleza faz jus a sua mãe. ~ Ele afastou minha franja com os longos dedos da mão.

_ O que você sabe sobre minha mãe? ~ Estava morrendo por dentro mas precisava dissimular e disfarçar enquanto pegava meu spray de pimenta de dentro da bolsa.

_ Mais um caso de semideus que não conhece o progenitor. Clássico. Porém, não vou te matar sem antes provar da sua beleza. Seria um desperdício.

Num movimento rápido tirei o spray da bolsa e joguei nos seus olhos. Deixei-o gritar e corri para dentro da floresta. Corri sentindo o vento frio tocar meu rosto e as folhas das plantas rasteiras cortar minhas pernas devido a velocidade que eu passava por elas.  Não sabia onde eu estava e nem para onde estava indo. Atrás de mim a voz do Gabriel cortou o silêncio da floresta .

_ Não adianta correr garota. Seu cheiro vai me mostrar onde você está.

Corri desesperada e tudo aconteceu muito rápido em seguida. Senti um puxão e em seguida estava no ar indo com tudo em direção ao chão. Meu salto tinha quebrado e com a força da queda fui jogada para um barranco onde rolei até ser parada por uma árvore num impacto nada sutil.

_ Seu sangue tem um cheiro maravilhoso! Quero provar mais dele. ~  A voz do Gabriel estava próxima, não o suficiente para ele me ver, mas estava quase, eu podia sentir.

Levantei com dificuldade, tanto pela dor quanto pelo salto, e continuei a andar. Sangue escorria pelo canto da minha boca. Depois de andar mais um tempo e perceber que não daria mais conta, encostei numa árvore e respirei fundo.  A dor se atenuava com o movimento mecânico da respiração. Ao alcance dos meus olhos vi um pedaço de madeira, eu sabia que não teria forças para disputar contra o Gabriel, mas eu não iria desistir sem lutar. Toda a minha vida eu fui guerreira, no final dela não seria diferente.

_ Doce Pétala, me deixe provar do seu cheiro mais uma vez. – A voz de Gabriel estava diferente. Eu podia sentir seus passos se aproximando.

Contei o tempo certo e assim que ele estava ao meu alcance eu girei o meu corpo para pegar mais velocidade e o ataquei com o pedaço de madeira. Com o impacto do golpe a madeira estourou e cortou minhas mãos.  Foi quando eu observei Gabriel e não pude conter o grito. Seu aspecto era horrível.

Gabriel:

Como se eu nem o tivesse golpeado tão forte Gabriel se investiu contra mim com uma força inumana e me jogou contra uma árvore. Cuspi mais sangue e senti os pés pesados dele sobre meus seios pressionando-me contra o chão frio da floresta. Uma lágrima escorreu pelo meu rosto borrando minha maquiagem. Aquele era o meu fim.

Mais ao fundo uma música de flauta tomou conta de todo o lugar. Ergui um pouco minha cabeça para olhar na direção e vi outro monstro, metade homem e metade bode. Depois tudo ficou escuro.

[Vozes ao fundo]

_ Ela é uma semideusa, isso é certo para todos nós.

_ É claro que sabemos e isso é mais um motivo para manda-la embora, já corremos risco o suficiente aqui. Não precisamos de um ponto de atração para outros monstros.

_ Podemos ao menos ajudá-la a sair daqui. Uma criatura tão bela não merece um fim como esse.

_ Tudo bem, alimentem-na e levem-na para o acampamento.  Lá ela não será mais nossa responsabilidade.

Eu estava encostada numa árvore. Tentei levantar e senti uma dor excruciante que me forçou a permanecer onde estava. Então aquele monstro que parecia com um bote se aproximou. Tentei levantar e correr, porém meu corpo não me obedecia, no lugar da resposta ao estimulo eu apenas sentia dor.

_ Acalme-se semideusa. Eu não vou te machucar. Muito pelo contrário, eu te salvei daquele Orc. Meu nome é Jack e eu sou um sátiro.

Meus olhos estavam esbugalhados, eu estava em choque. Se não fosse pela dor, eu diria que aquilo era tudo um pesadelo. Minha respiração estava forte e rápida.

_ Do que você me chamou? E o que é um Orc?  

_ Vou te explicar enquanto te levo para um lugar onde você estará a salva. Mas antes tome um pouco disso. Vai te fazer sentir melhor. ~ Ele colocou um cantil na minha boca e derramou um liquido que fez queimar a minha garganta enquanto descia. Pouco tempo depois senti as forças voltarem para o meu corpo. Então Jack me ajudou a levantar. Fomos andando até um acampamento e tudo o que ele me dizia parecia tão surreal, mas explicava todas as coisas que eu achava ter visto quando criança.  

Chegando no acampamento fomos recebidos por um homem metade cavalo e aquela visão me tirou o folego.

_ Olá minha querida, seja bem vinda. Meu nome é Quíron, me acompanhe, vamos cuidar dos seus ferimentos e te explicar o que está acontecendo.

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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Logan Montecarlo em Qui 01 Jun 2017, 05:09


Xeyun, vou ser sincero quando digo que sua ficha me deixou na dúvida.

Em primeiro lugar, eu te oriento a não usar números, como em "naquela tarde 3 jovens", porque fica melhor quando é escrito por extenso, como em "naquela tarde três jovens". Isso pode parecer um detalhe, mas muda bastante conforme você lê; principalmente, ajuda.

Também aponto alguns probleminhas em relação a vírgulas e pontos que você demonstrou, por exemplo, na passagem: "quando o céu tomava cores alaranjadas e o sol já ameaçava esconder-se atrás do bosque.", porque, nesse caso, você lançou mão de uma oração subordinada, mas não deu uma oração principal a ela para se agarrar. Com isso, a leitura acaba ficando meio truncada, mas foram em algumas situações só, enquanto em outras você fez direitinho. Por isso, não acho que seja um erro-padrão seu; provavelmente foi desatenção ou um pouco de falta de experiência/cuidado, nada que com um pouco de treino já não passe a ser automático.

Em outro trecho, você esqueceu o verbo da voz passiva. Isso é complicado porque prejudica o entendimento do leitor; embora eu tenha compreendido o que aconteceu, se fosse uma situação mais genérica ou sem contexto, qualquer leitor ficaria perdido. A situação foi a seguinte: "toda e qualquer movimentação dos exploradores foi atentamente pelo jovem centauro", viu?, que faltou um verbo depois de "atentamente"?

Existem outros pormenores técnicos, como letra maiúscula/minúscula e pontuação antes/após travessões, mas isso são coisas que até nossos avaliadores pecam de vez em quando.

De toda forma, eu acho que você escreve bem. E você teve uma boa ideia: gostei muito da premissa de "um centauro adormecido desde a Grécia Antiga". É uma trama muito boa.

Faço minhas ressalvas quanto ao aparecimento de Hera. Não consigo pensar em um motivo para as pessoas deixarem de ir ao templo dela para se encontrarem com Xeyun. Também acharia estranha a intervenção direta dela, mas como foi na época da Grécia Antiga, acho mais válido/normal que os deuses fossem mais próximos; apenas atente-se porque, atualmente, é difícil um deus intervir assim na vida de alguém. Provavelmente, Hera usaria um de seus devotos, entende?, e não precisaria descer do Olimpo para resolver esse problema, a menos que nenhum de seus devotos conseguisse.

Confesso que tô ansioso pra saber como você saiu desse sono milenar aí. É uma coisa que, talvez, alguns avaliadores poderiam barrar, mas eu acho um... detalhe interessante. Tô te dando um voto de confiança, basicamente.

Por isso, eu te recomendo dar uma olhada em aspectos mais técnicos da escrita. Leia alguns posts por aqui, analise as leituras que faz, e leia as avaliações que são feitas para entender onde todo mundo erra (e onde você também poderia errar). Tenho certeza que isso vai te ajudar. De toda forma, aceito como centauro.




Odollam, eu já curti sua ficha na parte em que tu escolheu a deusa de quem quer ser filho. Perséfone, cara, Perséfone!

Enfim, piadas à parte, sua descrição me chamou atenção. Em especial, eu gostei da forma como tu pensa em um desenvolvimento pro personagem, dando uma imagem de como ele é atualmente e de como ele será. Isso não é um comentário de avaliador puramente seco, é mais de um leitor interessado: ter alguma linha de desenvolvimento é ótimo, mas não se deixe ficar fechado muito aos próprios planos e permita-se ser surpreendido pelas coisas que o Odollam vai te contar que nem você tinha imaginado. Equilibrando bem as suas ideias com as coisas que o personagem espontaneamente diz, você pode criar algo bem legal de ser acompanhado.

Logo no começo, eu vi que tu escreve bem. Você acerta o lance dos travessões — que muita gente erra, então você tá bem —, consegue pontuar bem, tem um bom equilíbrio dos parágrafos. Todos os apontamentos que eu poderia fazer em relação à sua escrita são sugestões de como eu faria, mas nenhum deles diz respeito especificamente a algo errado ou incorreto. O único, acho, mais digno de atenção, é no trecho "colocando a palma de sua mão direita sobre a barriga afim de conter o barulho da mesma roncando", porque esse "afim" tá errado, pois, como expressa finalidade, deveria ser "a fim de", separado.

Acho que minhas maiores ressalvas são quanto ao tamanho da ficha. Assim, eu não sou ninguém para falar que você escreveu muito ou pouco, mas acho importante frisar, sempre, que tamanho não é qualidade. Mesmo assim, eu friso que adorei como você parece ir incluindo pequenos elementos, como não ter passado perfume no primeiro dia e ter sido atacado pelo ciclope. Esse tipo de coisa é bem interessante, quando a gente analisa o todo. Outra coisa que me pira, em especial, são nomes com significados, e eu curti muito a sua referência em relação à flor.

Uma coisa que achei meio estranha foi a aparição do ciclope no segundo ato, quando ele tá com o sátiro. Quer dizer, o ciclope literalmente apareceu? Tipo, se teletransportou, se materializou? Porque foi isso que ficou parecendo, e não seria bem assim que acontece. E não entendi muito esse tipo de coisa, porque você mandou muito bem da primeira vez, identificando-o com a Névoa, depois embaçando um pouco e depois sem a Névoa. Mas é um erro relevável.

Gostei como tu simplificou uma parte irrelevante para a história, que seria toda a burocracia relacionada ao aeroporto, mas, ainda assim, toma cuidado. Para a ficha de reclamação, ok, eu não quero saber como foi todo o seu problema pra entrar no voo. Mas, em uma missão, por exemplo, você seria um menor - menor? - desacompanhado do responsável, sem dinheiro, sem documentos (você não pegou quase nada consigo, se pegou algo, certo?), tentando entrar em um aeroporto e pegar um avião. Tipo, seria bem difícil; a menos que o sátiro tivesse seus contatos, ou houvesse algum semideus trabalhando por ali, esse tipo de coisa. Ficou faltando esse tipo de justificativa, mas não é nada grave, para uma ficha de reclamação, então só toma cuidado nas próximas vezes.

Enfim, achei sua história bem legal. Meio cansativa em alguns trechos, talvez pelo tamanho, mas o cerne dela é bom. Acho que você consegue sintetizar melhor alguns tópicos, sem necessariamente simplificar em excesso partes importantes. Fica atento com isso!

Tudo isso pra dizer que, mesmo Perséfone tendo uma ficha rigorosa, você conseguiu chegar lá e foi reclamado como filho de Perséfone!




eu vou avaliar só isso porque é o que consigo antes de dormir. atenção que faltaram três fichas aí em cima, pessoal!

(se tudo der certo, entro no orfeu daqui a pouco e atualizo vocês)
((do contrário, outro adm faz isso))
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por 127-ExStaff em Qui 01 Jun 2017, 13:05


atualizado!

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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Robert D. Manastorm em Sex 02 Jun 2017, 02:35


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Hefesto. Não tenho um forte motivo ou algo do tipo, eu apenas gosto do deus e tenho apreço pela arte de forjar. Além disso, eu precisava de um deus do fogo para poder dar início à minha trama.

— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

Uma das características físicas mais marcantes do jovem Robert são seus olhos. Isso porque o olho esquerdo possui um tom de castanho que se aproxima muito do vermelho, enquanto o olho direito possui um tom muito claro de azul, como os de sua mãe. Os cabelos do rapaz são castanhos, embora pareçam negros na ausência de luz. Possui um metro e oitenta e cinco de altura, e pesa oitenta quilos, com um corpo bem definido e mais musculoso que o comum.

Robert gosta de ser apenas uma pessoa normal, normalmente demonstrando não mais que o ordinário de suas capacidades. No entanto, possui inteligência e raciocínio lógico muito acima da média, e geralmente deixa-se guiar por esse lado racional, não se prendendo demais a qualquer emoção(o que não é uma regra, apenas a maneira geral de agir). É criativo, embora não tenha demonstrado essa habilidade em sua juventude, e a hiperatividade é um dos traços mais presentes dentre as características psicológicas. Longe de ser alguém quieto, o rapaz normalmente fala muito e nunca está completamente parado. Não gosta de seguir regras, a desobediência vem com extrema facilidade ao jovem e uma das coisas que mais odeia é sentir-se limitado ou preso a algo ou alguém.

— História do Personagem:

O primeiro ponto, e talvez o mais importante deles, a ser dito a respeito de Robert é que sua vida foi absolutamente normal. Simples assim. Nenhum ataque de monstros ao longo da infância, nenhuma expulsão ou histórico de coisas estranhas acontecendo ao longo da vida do rapaz, nada disso. Ele simplesmente teve uma vida comum e repleta de coisas comuns de uma pessoa comum. Claro, ele sabia que ele não se encaixava nesse grupo de pessoas. Sua mãe havia o ensinado desde cedo sobre quem - ou o que - ele era, mas Robert era tão extraordinariamente ordinário que apenas acreditava que a mãe dizia a verdade graças aos dons que esta possuía. Dons para controlar o gelo e a neve, coisa que a própria moça dizia que o Manastorm seria capaz de fazer um dia. Porém, os anos passavam e isso simplesmente não acontecia.

O rapaz sabia desde muito cedo que era um filho de Hefesto, e também sabia que a sua mãe era uma filha de Quione. Seus conhecimentos a respeito do mundo mágico não iam assim tão além. A mãe sempre dizia a ele que o Senhor das Forjas o protegia, e que essa era a razão para que nenhum monstro jamais houvesse aparecido para atacá-lo. Mas, com o passar dos anos, o jovem Robb podia notar a incerteza na voz de Alexandra, que talvez pensasse que o filho havia simplesmente nascido sem qualquer dom, seu ou de seu pai. E o tempo apenas pareceu confirmar essa teoria, pois o filho de Hefesto envelhecia e parecia cada vez mais distante da realidade dos semideuses. Era apenas um adolescente comum, cursando o ensino médio. Tinha alguns amigos, algumas pessoas que detestava, algumas matérias chatas para estudar. Novamente, a vida mais comum que se pode imaginar.

Partindo desse ponto, essa é a história de como toda essa vida mundana simplesmente acabou.

...

— Eu não consigo sentir qualquer cheiro vindo dele, Alex — dizia uma voz desconhecida, de dentro do quarto da mãe de Robb. O rapaz não costumava ser curioso, porém, em dezessete anos de sua vida, a mãe nunca havia trazido qualquer pessoa à casa, e por isso o jovem semideus estava muito intrigado com a identidade do homem que falava com ela. Não havia tido a oportunidade de analisá-lo, então tudo o que viu foi um rapaz alto e com um chapéu muito engraçado adentrando a casa. — É quase como se não houvesse qualquer presença divina nele, simplesmente não sinto nada.

— O que isso quer dizer, Phil? — Perguntou Alexandra, com uma voz que demonstrava leve preocupação. A mulher era fria e insensível com praticamente tudo, mas quando se tratava de seu filho ela simplesmente não conseguia esconder as emoções, que insistiam em se expressar. Já Robert sentiu o coração acelerar, respirando profundamente para se manter controlado enquanto uma sensação ruim se espalhava pela barriga. Os dois estavam falando dele. — Ele não é um semideus?

— Sinceramente, eu não sei dizer o que ele é — respondeu o homem, rapidamente. — Gelo e fogo... Eu sequer sei como é possível que ele tenha nascido. Não sei nem como foi possível que você e Hefesto... — o rapaz parou de falar, mas Robb havia compreendido perfeitamente o que ele queria dizer. — De qualquer forma... se houver qualquer sinal, qualquer gota de sangue divino naquele garoto, ela está completamente dividida. Um lado deve estar suprimindo o outro, ambos se contendo de maneira igual e impedindo que qualquer traço se revele. Mesmo meu olfato, como um sátiro protetor antigo, não consegue detectar nada.

— Você precisa levá-lo ao Acampamento — Robert aproximou-se um pouco mais da porta para ouvir melhor. Acampamento? Já havia ouvido a mãe falar algo sem sentido sobre um acampamento enquanto dormia, mas apenas isso, e a curiosidade simplesmente não o deixava sair dali. Precisava ouvir toda a conversa, especialmente quando era sobre ele. — Robb nunca demonstrou qualquer interesse por invenções e criações, tampouco pela neve e frio, não há nada que o ligue a nós. Apenas lá vão saber o que fazer.

— Você tem certeza disso, Alex? — A voz masculina pareceu bastante apreensiva. — Sabe bem que a vida de um semideus não é nada fácil. Talvez nenhum traço divino seja melhor do que viver como um de vocês... talvez isso seja uma benção, e não uma maldição.

— Eu pensei muito a respeito disso, Phil... E por mais que eu entenda toda a dor e sofrimento que virão a ele como um semideus, há um motivo pelo qual ele deve ser treinado e aprender a controlar seus poderes — a mulher respondeu, respirando profundamente. — Quíron me impediu de contar, quando eu o visitei há vários anos. Por isso não posso dizer a você o que é... Mas aquele garoto... O meu filho... tem um destino terrível para enfrentar. Apenas dominando seus poderes ele será capaz de prevalecer

— Mas por que eu? — Ele perguntou, ainda no mesmo tom. — Você é uma meio-sangue. Pode entrar no acampamento... Por que você mesma não o leva?

— Eu acho que Dionísio ainda não me perdoou pela minha última passagem por lá. Você se lembra o que aconteceu, tenho certeza — ela respondeu, em tom sério. — Eu daria tudo para acompanhá-lo, porém chegar perto demais do acampamento colocaria tanto a minha vida quanto a dele em risco.

— Entendo... neste caso, diga a ele para fazer as malas. Eu irei levá-lo.

...

Cerca de um dia depois, o rapaz e o sátiro estavam quase chegando ao seu objetivo final. Haviam seguido grande parte do percurso de avião, e uma parte menor de carro. Porém, o veículo acabara enguiçando na estrada, e por isso caminhavam o quilômetro final a pé. No trajeto, Phil havia explicado muito ao jovem, tanto sobre o modo que o acampamento funcionava – rotinas, funcionamento dos chalés, atividades e muitas coisas desse tipo - quanto sobre ele mesmo. Coisas que sua mãe não havia explicado nunca, como a mera existência do Manastorm ser algo completamente não natural e ilógico, e algo no tom de voz do híbrido dizia ao semideus que não era apenas pelo fato de ser filho de Hefesto e neto de Quione.

— A esperança de sua mãe é que com o treino no acampamento você possa despertar o seu lado divino, mas eu não tenho tanta certeza — dizia o sátiro, enquanto os dois caminhavam a reta final de seu percurso ao tal Acampamento Meio-Sangue. — O que eu posso afirmar sem dúvida alguma é que existem dois destinos para você. Ou você continua como está e passa a ser apenas um humano, o que sinceramente não é algo ruim... Muitos meio-sangues dariam tudo para poderem ser apenas pessoas normais. Ou... você se torna um semideus da elite. Quem sabe até consiga se tornar um líder de chalé algum dia.

— Eu... não sei o que quero — disse o jovem semideus, em resposta. E realmente não sabia. Nunca tivera problema algum com a sua vida normal, e mesmo que a vontade de poder fazer as coisas que sua mãe fazia existisse, não era algo que o influenciava tanto assim. — Sei que minha mãe deseja que eu seja como ela, que eu aprenda a lutar e a me defender, e que eu possa proteger aos outros também. Mas eu não entendo o que há de errado com a minha vida antiga. Com meus amigos, com minha escola, com tudo o que eu tinha. Não sei porque não continuar com isso.

— Não há nada de errado, Robert. É só que... — O sátiro fez uma pausa, olhando de um lado para o outro com uma expressão preocupada e ao mesmo tempo alerta. — Robert, se prepare para correr quando eu disse — ele disse, ao mesmo tempo em que tirava os sapatos, revelando os cascos de bode que o semideus havia visto antes. Robert sentiu o seu coração acelerar um pouco, e olhou para trás, nervoso. Porém, não conseguia enxergar absolutamente nada. Apenas colinas e plantações para onde quer que se olhasse, mas ninguém além deles caminhava pelo local. — Agora!

Robert colocou-se a correr sem sequer pensar sobre isso, moveu-se por puro instinto na direção de Phil. Apenas após alguns segundos de explosão ousou olhar para trás, para ver algo o perseguindo. O semideus não sabia o que era, mas pela primeira vez em sua vida sentiu medo de morrer. O coração acelerava, os músculos queimavam enquanto ele corria sem parar, seguindo Phil pelo caminho que o sátiro escolhia. O barulho do que quer que fosse aquilo se chocando com diversos obstáculos pelo caminho ecoava no ouvido do rapaz, enquanto a maioria dos seus pensamentos era completamente desligada. Seu instinto de sobrevivência era tudo o que tomava conta.

— Mais rápido, vamos! — Gritou o sátiro, ao ver que aquilo estava se aproximando. — Estamos perto, agora não, agora não...

Robert acelerou, assim como Phil, mas cada passo do gigante era como dois do rapaz, e ele via que a cada segundo o que quer que aquilo fosse ficava mais perto. Mais e mais perto. E pouco tempo depois ele viu duas pessoas vindo em sua direção. Elas trajavam armaduras e tinham lanças e escudos empunhados, e corriam o máximo que podiam para alcançar Robert e o sátiro, mas o semideus sabia que era tarde demais para isso. Faltava pouco. Três... Dois... Um... BUM. O rapaz foi derrubado com força sobre o chão, sentindo um enorme peso caindo sobre ele. Sua visão ficou turva na mesma hora, e ele sentiu que o ar abandonava o seu corpo.

Ele via os dois guerreiros se aproximando mais rápido, mas sabia que seria tarde demais quando chegassem. A sua respiração ficava cada vez mais pesada, seu corpo já havia desistido de tentar lutar para escapar da pressão que o prendia ao chão, e não havia qualquer chance de sobrevivência. A visão embaçada começou a se tornar negra quando o pulmão do rapaz queimou com a última vez que ele puxaria o ar... Como um humano. Um estridente som tomou conta de todo o lugar, um barulho muito parecido a uma explosão, e o jovem sentiu frio. Antes de perder completamente os sentidos, o rapaz conseguiu ver algo brilhando sobre sua cabeça.

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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Logan Montecarlo em Sex 02 Jun 2017, 05:22


Ei, Alicia, tudo bom?

De imediato, eu te digo que não tive nenhum problema com as primeiras respostas, porque elas foram bem tranquilas e bem desenvolvidas. E, também, digo que só fui me lembrar que tava avaliando uma ficha quando cheguei na primeira competição da Alicia, porque até então estava tudo tão bem feitinho que não vi nenhum problema digno de comentário. Simplesmente, esqueci do meu dever (ops!), que era avaliar, e curti a ficha.

Inclusive, o primeiro "erro" - que está, sim, errado, segundo a norma culta da língua e tudo mais - é tão pequeno que poderia passar facilmente despercebido. Na frase "aquele também era o dia de seu décimo sexto aniversário e ela, particularmente, esperava mais [...]", há a troca de sujeito entre uma oração e outra, então, a vírgula deveria ser usada. Dessa forma, ficaria "aquele também era o dia [...] aniversário, e ela, particularmente, esperava mais [...]". Isso é algo bem pequenininho, e muita gente esquece, mas ajuda na leitura quando você está acostumado, sabe? Explicando um pouco melhor, o primeiro sujeito é "aquele", que conjuga o verbo ser/estar em "era"; já o segundo sujeito é "ela", que conjulga o verbo esperar em "esperava". Assim, deveria haver uma vírgula antes do "e" [ou da conjunção que fosse, se não me engano].

Outra comentário que eu tenho a fazer é sobre os travessões. Não use o hífen, use o travessão. Eu sei que eu usei no meu parágrafo de cima, mas fiz isso justamente pra você perceber a diferença — e, de certa forma, se acostumar — a essa prática. É um erro bem comum, mas muito fácil de ser consertado, então não vale a pena perder ponto bobo por isso, né? Lógico que você nunca vai morrer porque fez isso, mas podem custar uns pontinhos de xp, que todo mundo gosta, né?

Eu preciso salientar um ponto da sua narração, que é quando a Ali chega no Acampamento. Eu achei, sinceramente, muito interessante como você descreveu "uma trilha pela floresta da encosta", buscando o Acampamento, porque — e isso eu nunca tinha parado pra pensar — é meio assim que deveria ser. Não sei, ninguém seria tão rígido a ponto de negar uma ficha que fala que, logo na colina, já tem um portal escrito ACAMPAMENTO MEIO-SANGUE, mas eu achei bem legal esse toque a mais que você deu. Foi algo diferente das fichas normais, sabe?, e achei muito legal. Nas suas próximas narrações, já adianto, são esses detalhezinhos que, às vezes, diferenciam um texto "ok sem erros" de um texto com erros, mas que prende o leitor. Parabéns.

Minhas únicas ressalvas estão quanto à companhia da mulher. O termo "ninfa", se não me engano, é bem amplo, então você usou de uma generalização que impediu você de "errar" completamente. No entanto, se você pensou em uma dríade, eu acho que seria muito complicado ela viajar até o Havaí e voltar pra Long Island, sabe? É muito tempo longe da planta dela; embora elas possam fazer isso se forem bem fortes, eu acho que seria mais plausível se a Alicia fosse "passando de dríade em dríade", por assim dizer, com uma fazendo um trajeto, depois deixando-a com a próxima e coisa assim. Isso, claro, se você quisesse usar dríades; a ninfa poderia ser uma ninfa do ar, mas, de qualquer jeito, fica meio estranho colocar só uma para acompanhá-la o caminho inteiro, porque as ninfas são muito ligadas à natureza, eu acho, e dificilmente abandonariam seus locais de proteção para esse tipo de serviço; é por isso, aliás, que os sátiros que acompanham os semideuses.

Depois, eu achei estranho que a mulher dita estranha, como uma ninfa, se aproximou da Alicia e a cumprimentou como "irmãzinha". Quer dizer, então, que ela não era uma ninfa, mas uma filha de Afrodite? Essas surpresas são muito interessantes — quebrar a expectativa do leitor é um bom recurso —, mas, às vezes, precisa ser melhor trabalhado, pra não causar confusão, como foi o caso.

Mesmo assim, não acho que haja nenhum problema na sua ficha a ponto de levar à sua recusa. Faltaram ataques de monstros, sim, mas não acredito que eles sejam sempre necessários — mas eu gostaria de ver, talvez, uma justificativa para ela não ter sido perseguida nunca —, ainda mais porque filhas de Afrodite são ditas possuírem um cheiro menos atrativo, se não me engano, com raras exceções. Mas toma cuidado com esse tipo de coisa, ok?

E sinta-se em casa, pois você foi reclamada como filha de Afrodite.




Max, sua ficha me conquistou logo nas características, ainda mais combinadas com o avatar.

Em especial, por dois detalhes: pouquíssima gente pensaria na desidratação de cabelos expostos ao Sol, mas você pensou; e o seu avatar, com os efeitos dele, combina muito bem com sua personalidade "caixa de surpresas" e "inconstância temporal". Sério. Nas fichas de reclamação, pelo template padrão, não há tanta possibilidade de personalização, mas eu acho importante quando o personagem é construído por elementos além do texto, por exemplo, com um avatar que tenha significado, um nome interessante, um template que seja completamente dentro do "conceito" desenvolvido, e tal. Enfim, isso tudo foi mais um ataquezinho de um leitor do que, de fato, um avaliador. AHAHHA

Agora mais dentro da minha função, quero dizer que suas respostas iniciais foram muito bem desenvolvidas, e você está de parabéns por elas. Então, vamos à história.

Ela começou muito bem e interessante. De verdade, eu achei muito legal como você jogou primeiro a situação momentânea (da perseguição), pulando uma parte biográfica que, às vezes, nem é necessária e acaba mais cansando do que atraindo o leitor. Minha única ressalva nesse ponto é que, se o rapaz dos "esteroides" estava jogando galhos flamejantes, talvez os presentes no local não estivessem muito plácidos, ainda mais pela possibilidade de começar um incêndio — considerando que vocês estavam em um parque —, e eu senti falta dessa ambientação, porque criou um estranhamento no contexto. Não é um erro, não chega a ser um erro; mas é uma sugestão, porque melhoraria o geral, e também essa confusão poderia diminuir uns pontinhos de xp se o narrador achasse cabível.

E, olha, fora esse comentário, eu acho que só posso te elogiar. De verdade.

Eu adorei como tu foi sintético, mas contou tanta coisa. A naturalidade do Simon com o Max demonstra algum tipo de intimidade, então você não precisava falar "eles eram amigos" e sei lá o quê, que é o que todo mundo faz. Você escreve muito bem, no quesito de "estar tudo certinho", mas, mais do que isso, você soube explorar um recurso muito interessante de narrativa para evitar que a ficha se tornasse maçante. Isso é, sério, especial. Primeiro, porque pouquíssimas pessoas pensam em fazer isso; segundo porque um negócio como a ficha de reclamação, maçante por natureza, não ser maçante é uma coisa e tanto, de verdade. AHAHAAHA

Talvez ela tenha ficado meio curtinha, mas eu acho que ela foi precisa e objetiva. Pode comemorar, porque você foi reclamado como filho de Phobos!




de novo, só consegui avaliar duas fichas antes de eu ficar cansado.

AS FICHAS DE PETALA CHAMPDOURY (aqui) E ROBERT D. MANASTORM (aqui) AINDA PRECISAM DE AVALIAÇÃO

(se tudo der certo, entro no orfeu daqui a pouco e atualizo vocês)
((do contrário, outro adm faz isso))
(((normalmente, eu acabo não entrando no orfeu, e deméter aparece pra salvar o dia)))
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por 128-ExStaff em Sex 02 Jun 2017, 11:06

Atualizado
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Will Fortune em Sex 02 Jun 2017, 14:19


RAINBOW NA ÁREA
AVALIAÇÃO

Olá Petala! Seja bem-vinda ao PJBR! Bom, vamos por partes. Eu achei a sua ficha razoável e pelo fato de Afrodite ser uma ficha de avaliação comum, você poderia passar, porém, contudo, toda via, o mais importante para a aprovação não aconteceu. Deveria ser um símbolo em cima da cabeça da personagem, o uso do poder dos filhos de Afrodite, ou as armas de reclamação aparecendo.

Outra coisa, quando iniciar uma fala use — e não _ ou -.

Então por ora, você está reprovada.

______________________________________

Olá Robert! Seja bem-vindo ao PJBR. Não irei enrolar muito. Eu gostei bastante da sua ficha, achei sua história interessante. Sua narrativa é boa e não é cansativa de se ler. Uma única coisa que eu acho que poderia ter sido explorado um pouco mais teria sido o momento em si da reclamação, porém não deixou de narrá-la então não tem o por que não te aprovar.

Seja bem-vindo, Cria da Forja. Aprovado.


Ps: "Emprestei" o template do Johan².
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Alejandro Gutierrez em Sex 02 Jun 2017, 15:49


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado e por quê?

Eu pensei em algo, não muito diferente, mas gostaria de fazer acontecer. Procurei um pouco sobre os deuses, e acho que Héstia, como deusa do lar, dos laços fixos e da família, se encaixa melhor; por sua personalidade e pelo que simboliza. Outro fator que foi bastante relevante foi a neutralidade da deusa. Héstia é uma das poucas deidades que não possui rivalidades e é respeitada mutuamente. Isso pode ser levado para a trama de diversas maneiras, influenciando muito nas escolhas.

— Perfil do Personagem:

físico
Alejandro tem traços mexicanos e venezuelanos. A ascendência mista casou perfeitamente bem em sua aparência. É alto, tem um porte robusto, mas não exagerado. A pele é bronzeada, quase chegando em um tom naturalmente mais escuro, típico da região equatorial, onde a exposição ao Sol é ainda mais constante. Os cabelos são enrolados e bastante escuros. Os olhos castanhos tem as íris semelhantes à uma lareira: intensos, e parecem crepitar labaredas.

psicológico
É impossível dizer que Alejandro deixa alguém de lado ou causa desconforto em qualquer pessoa. Ele sabe incluir a todos dentro de um abraço aconchegante e quentinho. Preza muito, também, pela intensidade das coisas. Não faz nada pela metade ou com má vontade. Para ele, ou há integridade, ou não há nada. Gosta de ser consumido pela companhia e pelos momentos, aproveitar o máximo possível, sem deixar nada de lado.


— História do Personagem:

— Cara, nós já estamos chegando?

Não sei dizer ao certo o que nos colocou nesta situação: dois homens muito, muito grandes nos perseguiam, atirando pedregulhos e tudo o que encontravam pela frente em nossa direção. Rebert disse que eram lestrigões e queriam me assassinar. Deuses, o que foi que fiz? Já fazia mais ou menos meia hora que corríamos sem uma direção muito precisa, mas Rebert disse que sabia para onde estava indo.

Ah, esqueci de contar.

Rebert não é mais o meu amigo. Nããão! Ele é meu amigo, mas não é a mesma pessoa. Acho que ainda é a mesma pessoa, mas... Ele tem pernas diferentes agora. De bode, e às vezes produz sons de bode também. Não questionei nada porque não tive tempo. Não houve tempo nem mesmo para me espantar. Acredito que minha confusão seja justificável. Pelo menos ele não ficou bravo quando disse que seu cecê fazia sentido.

Consigo ver um pequeno portal se formando no horizonte, bem no topo de uma colina. Do lado das colunas de pedra está um pinheiro gigantesco, uma estátua grega e um dragão de metal. É um dragão de verdade. De metal. Não me entendia mais. Um animal gigantesco, de bronze, não me espantava, mas fugia de dois homenzarrões.

— Relaxe, o dragão está do nosso lado! — Rebert entendeu minha preocupação, mas não deixou de correr. Trotar, quero dizer.

São muitas informações de uma vez só. Chacoalho a cabeça, afastando esses pensamentos. Estavam pesando tanto que começaram a atrapalhar minha corrida. Na verdade, talvez seja a inclinação da terra que me atrasa. No entanto, não atrapalha em nada os dois gigantes que estão logo atrás. Chequei isso quando olhei por cima dos ombros e quase tropecei num galho.

Quando olhei de novo para Rebert, ele estava rolando no chão. Uma pedra o atingiu bem nas costas e fez com que rolasse colina acima. O dia estava todo do avesso. O impacto foi tão forte que, em vez de o derrubar, o fez subir ainda mais.

— Ei, você está bem? — parei para ajudá-lo a se levantar.

Ele estava meio tonto, mas aceitou meu apoio e continuou correndo junto a mim. Olhei para trás mais uma vez, para os lestrigões, e por sorte consegui abaixar a cabeça para não ser atingido por uma pedra bem na nuca. Ufa! Conforme ficamos mais próximos do portal de pedra, uma silhueta equina também se forma lá em cima. Aliás, é uma mistura de cavalo e humano, como se tudo isso já não tivesse sido suficiente.

Ouvi um silvo do lado do meu ouvido, bastante próximo. Uma flecha passou por ali no mesmo instante, mas não encostou em mim. Tentei acompanhar sua trajetória, mas tudo o que consegui captar foi uma explosão de poeira dourada no lugar em que um dos gigantes estava. O outro vacilou um passo, mas não demorou muito para explodir com uma terceira flecha que o atingiu entre os olhos. A segunda tinha interrompido uma pedra que me acertaria direto na bunda. Estava com sorte, muita, muita sorte mesmo.

Terminamos o resto da trilha em caminhada. Rebert estava um pouco manco por causa de sua queda, que pode ter machucado alguma coisa. Eu escapei ileso, por infortúnio do destino, que não conseguiu me pegar dessa vez. Rebert sorriu, olhando para cima de mim. O centauro — acho que posso chamá-lo assim, já estou me familiarizando com essas coisas novas — também fez a mesma coisa. Depois, eu fiz.

Eu senti o mesmo calor que sentia quando estava perto da lareira de casa me envolver. Uma chama ardia como se estivesse ali, mas não queimava o meu cabelo. Não entendi do que se tratava, e Rebert parecia tão confuso quanto eu, tentando decifrar alguma mensagem.

O centauro estendeu a mão para nós dois, passando a apoiar o sátiro — sim, Rebert me disse que era um sátiro, antes de sermos perseguidos. Com a outra, colocou o arco nas costas, junto com a aljava e me cumprimentou. Não sabia se deveria somente apertar sua mão ou me curvar, mas fiz os dois para garantir.

— Seja bem vindo, filho de Héstia — ele disse, com uma voz que me deixou constrangido. Parecia ter milênios de conhecimento — sou Quíron, e você?

Agora sim eu estava de queixo caído, perplexo.
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Kalled C. Almeida em Sex 02 Jun 2017, 17:17


MÚSICO NA ÁREA
AVALIAÇÃO

Alejandro, sua ficha foi simples e rápida. O problema foram alguns erros de ortografia e gramática, algumas palavras foram escritas de formas errôneas, e nem por isso você foi reprovado. Atente mais para o tempo de sua narração, uma hora você narrou no pretérito perfeito, depois no imperfeito e em algum momento parecia estar no presente. Mas você apresentou uma qualidade mínima desejável e espero que você possa melhorar mais
Então, você está Aprovado.


Ps: "Emprestei" o template do Johan².

ATÉ AQUI TÁ TUDO ATUALIZADO - orfeu
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Petala Champoudry em Sex 02 Jun 2017, 17:53


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Afrodite. Pois acredito que a vitória só pode ser alcançada por aqueles que são belo. Com a inteligência você viaja o mundo, mas apenas com a beleza você pode desfrutar dele.  Assim como minha mãe, não meço esforços para usar da minha aparência para conseguir o que eu quero.

— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

- Características físicas: tenho 16 anos, sou loira, branca, 1.60 de altura, magra. Meus olhos não tem uma cor bem definida.

- Características psicológicas: Sou orgulhosa, teimosa, egoísta e uma vadia (a propósito adoro ser). Não estou acostumada e ter que pensar nos outros, já que pensar apenas em mim mesma me manteve viva todo esse tempo. Faço mais o estilo solitária e sou vaidosa, apesar de não fazer muito esforço para ser bela (sabe como é, fui desenhada assim).

— História do Personagem:

Hoje no Acampamento Meio Sangue.

_ Minha história não é muito diferente dos demais semideuses que estão perdidos pelo mundo. Você quer mesmo saber?  ~ Rolei os olhos com impaciência. _ Tudo bem, sente-se.

Há seis anos e alguns meses atrás Orfanato Mercy First -  Brooklyn.


Andávamos apressadas em direção a saída, não podíamos fazê-los esperar mais, talvez até mudassem de ideia.

_ Pétala, tenho uma boa impressão quanto a esse casal. Acredito que dessa vez você encontrará um lar de verdade. Venha aqui deixa eu arrumar uma coisa. ~ Maria tirou a mecha que estava caindo sobre meus olhos e prendeu-a deixando meu penteado perfeito.

_ Eu não quero mais ir, Maria. Estou cansada de ser tratada como um animal e ser devolvida tantas vezes. ~ Olhei para o chão e fiquei pensativa. _ Não vai demorar muito até eles me acharem maluca também.

O rosto de Maria se apagou, então ela se ajoelhou para ficar da minha altura.

_ Minha linda criança, lembra do nosso combinado? ~ Ela segurava meus ombros para certificar que eu não desviaria. Fiz que sim com a cabeça _ Monstros não existem. Isso é só sua imaginação criativa. Não fale para eles que você consegue ver isso e tudo ficará bem. Ok? ~Maria sorriu tentando me encorajar. Fiz o mesmo e caminhei até a nova família.

O casal estava esperando no início das escadas com um sorriso que eu já tinha visto várias vezes.

_ Uau, como você é linda. ~ A mulher ajoelhou e me abraçou. _ Meu nome é Keyla, mas me chame de mãe. Ok? Esse é o seu pai, Roger. ~ Roger passou a mão no meu cabelo e o bagunçou levemente.

_ Oi mãe, oi pai.  ~ Sorri. Sabia exatamente como agir para fazê-los se sentir bem.

_ Onde estão os registros dela? ~ Keyla se virou para Maria.

_ Aqui esta, todos os demais documentos estão na pasta pessoal dela, dentro da mala. Venha me dar um abraço Pétala. Vou sentir saudades. ~ Corri para Maria e a abracei. Não cheguei a conhecer minha mãe e ela foi o mais perto disso que eu já cheguei a ter.

_ Olha só Roger, o aniversário de 10 anos dela está chegando. Precisamos correr para organizar a festa. Venha Pé, vamos tomar um sorvete. ~ Segurei a mão dela e entrei no carro.

Hoje no Acampamento Meio Sangue.

_Consegui ter uma vida normal por cerca de 6 anos com essa família. Eles realmente eram muito bons para mim. Me tratavam como uma filha, a única que eles tinham. Me colocaram na melhor escola, me encorajavam a participar dos concursos de beleza da escola, do bairro, óbvio que eu ganhava todos, olhe bem pra mim, não tinha nem graça participar. ~ Acendi um cigarro e dei uma tragada. _  Aceita um trago? Não? Tudo bem.  ~ Dei mais uma tragada e fitei por um tempo o horizonte. _ Se eu parei de ver os monstros nesse período? Claro que não. E quanto mais velha eu ficava maior era a frequência em que eles apareciam, fosse na escola, nos desfiles, no shopping. Se tem uma coisa que a Maria estava errada era quanto isso ser apenas imaginação de criança.  Hunf... Bom, deixe-me continuar....

Ano passado, minha antiga casa. - Brooklyn.


Estava voltando do shopping e estava chovendo muito quando eu cheguei em casa vi a porta aberta e estranhei aquilo, meu pai nunca deixava a casa desprotegida.

_ Mãe? Pai? Onde vocês estão? ~ Todo o chão da minha casa estava sujo de barro e com pegadas. Segui aquelas marcas até a cozinha e tudo aconteceu rápido demais. Minha mãe estava sendo erguida por um monstro que depois eu fui conhecer por Orc. Mais ao lado, aos pés da mesa, o corpo do meu pai jazia com sangue escorrendo por todo o seu corpo.

_ Filha, corre!!! ~Minha mãe gritou para me proteger, mas eu estava paralisada. Eu já tinha visto muitos monstros, apesar dos sustos eles nunca tinham me atacado, nem feito mal a ninguém próximo a mim. Fui   tirada do transe pelo barulho de ossos sendo quebrado. Aquele Orc acabara de quebrar o pescoço dela. Gritei como nunca antes tinha feito e subi as escadas que davam para o meu quarto. Tranquei a porta e comecei a olhar ao redor.

Ouvi a criatura subir as escadas e começar a socar a porta da minha casa. Sabia que a minha porta não ia durar muito então corri até a minha cama, peguei a minha mochila e na minha penteadeira peguei meu espelho de mão, era o único presente que eu tinha da minha verdadeira mãe. Coloquei-o dentro da mochila e corri para a janela. Assim que o Orc arrombou a porta eu saltei.

Hoje no Acampamento Meio Sangue.

_ Claro que uma garota normal ao saltar de um andar ia se machucar mas eu era cheeleader e ginasta na escola, querido, eu sei como fazer um bom pouso. Mas aquele dia está gravado para sempre na minha mente, consigo lembrar de cada detalhe como se fosse ontem. Depois daquele dia  minha vida nunca mais foi a mesma. Conheci pessoas erradas. Pessoas que queriam usar da minha aparência para resolver os problemas deles. Eu não tinha muita escolha, não iria voltar para o orfanato e não tinha mais ninguém para cuidar de mim, então resolvi fazer isso por conta própria.

Num prédio velho qualquer do Brooklyn.

_ Já estou aqui na porta e estou pronta para subir. ~ Disse impaciente.

_ Ok, lembre-se do que precisa fazer, pegue o bagulho custe o que custar. Custe o que custar Pétala.  ~ Jhon estava nervoso.

_ Não é a minha primeira vez, John. Pega leve. Vou desligar. ~ Eu estava  linda. Um vestido preto longo com uma abertura em “v” na lateral, cabelo preso num rabo de cavalo bem alto e um salto alto discreto.  
Toquei o interfone.
 
_ Alguém aí contratou meus serviços.

Um homem alto e negro abriu a porta e me encarou. Fiz uma bola com o chiclete e toquei seu peito.

_ É você? ~ Sorri provocando-o.

_ Não, ele esta te esperando lá em cima. ~ Aquele cara não estava muito feliz, porém eu podia perceber que eu o atraia, sexualmente, claro.

_ Não vai me revistar? ~ Mordi o lábio.

_ Não preciso. Apenas abra a sua mala. ~ Assim que eu abri a mala lá tinha alguns objetos sexuais: um chicote, um consolo, algemas, ele ficou desconfortável.

_ Bom, então vamos? Não tenho a noite toda. ~ Subimos os degraus sem dizer uma palavra para o outro.

Quando ele abriu a porta da casa o cheiro daquele lugar me deu náuseas.

_ Ora ora ora pensei que tinha contratado uma puta e não uma deusa. ~ Um homem saiu de um dos quartos e veio até a minha direção. Na sala tinha mais 4 homens, um deles estava armado, não fazia ideia dos demais.
_ Estou ansiosa para ver o seu... ~Olhei para suas genitais. _ Poder.

_ Você vai adorar o tamanho do poder do papai aqui. ~ Ele me deu um tapa na bunda.

Todos na sala deram uma risada discreta. Então fui guiada para o quarto. Assim que entramos o homem, [Comentário feito interrompendo a história: _ Que se eu não me engano se chamava Pedro, não sei ao certo, foram tantos, enfim vamos continuar...] já pulou na cama e deu alguns tapinha nela como quem me convida para deitar. Eu fui direto para a mesinha que tinha ao lado da janela e coloquei minha maleta. Lá observei o local.

_ Vista bonita. ~ Menti, claro. Mas ter visto uma escada de incêndio justamente naquele quarto me animou.

Abri a maleta e peguei meu chicote, coloquei na mesa e comecei a tirar a roupa.

_ Você é maravilhosa. Parece até uma atriz de Hollywood .  ~ Ele já estava nu e excitado. Terminei de tirar meu vestido e fiquei apenas com minhas roupas intimas.

_ Você vai fazer o que eu pedir? Se fizer eu vou te recompensar, papaizinho. ~ Disse enquanto o tocava. Ele foi à loucura.

_ Tudo o que você quiser, gostosa. ~ Sorri e peguei minhas algemas. Comecei a beija-lo da barriga até o pescoço, subi nele e o prendi na cama com elas.

_ Espero que você aguente, papaizinho. ~ Voltei até a mesa e peguei meu chicote, desferi um golpe nele que gemeu de prazer. Voltei a subir nele e tirei a parte de cima da lingerie. Seu corpo tremeu com a visão.
Beijei-o mais uma vez e enquanto o fazia puxei a base do meu chicote que se transformou numa faca. Enfiei de uma só vez no pescoço dele enquanto tampava a boca com a outra mão para que ele não gritasse. Esperei até seu corpo dar o último suspiro de vida e desci dele.

_ Nem era tão grande assim. ~ Disse olhando para o corpo dele.  Após me vestir fui até o outro lado da cama e puxei o anel que estava na sua mão direita.  _ Tudo isso por um anel. Tudo que eu quero agora é um banho.
Peguei minha maleta e desci a escada de incêndio.

_ John, já estou com o anel, onde você está? ~  Disse no celular enquanto andava bem rápida por entre os becos do Brooklyn.

_  Há duas ruas do nosso ponto de encontro, pode ir pra lá que eu já estou chegando.

Hoje no Acampamento Meio Sangue.

_ Se eu tenho algum remorso? Claro que não. Esses homens não são o que podemos chamar de pais de família. ~ Sorri de meia boca e dei mais um trago no meu cigarro. _ Mas acredite, eu sou uma boa garota.

De volta ao Brooklyn

Já estava no local que tinha marcado com o John, sentada numa escada que dava entrada a um prédio que estava abandonado. Aquele lugar estava mal iluminado e bem sujo. Próximo a uma caçamba de lixo eu podia ver um mendigo dormindo.

_ Bom, pelo menos estou acompanhada. ~ Ironizei enquanto passava um batom. Pude ouvir o barulho da moto do John chegar.

Ele desceu e veio na minha direção sorrindo super sexy. Adorava aquele homem.

_ Boa garota. Cadê a mercadoria? ~  Ele estendeu a mão e eu entreguei o anel.  Assim que eu dei o anel uma lança transpassou o peito dele pelas costas e o sangue de John jorrou no meu rosto.
Assim que o corpo dele caiu eu pude ver quem o tinha feito: Uma mulher com uma calda de cobra no lugar das pernas.

_ Ssssemi deusssssa. Pude ssssentir ssssseu cheiro de longe. ~  Não tinha pra onde correr, estava num beco sem saída. Fui dando passos para trás até que ela desferiu um golpe na minha direção. Coloquei a maleta na frente e ela a perfurou. Todas as minhas coisas caíram no chão.

_ Eu vou te comer. ~ Ela era horrível, estava tendo que lutar contra meu medo para continuar encarando-a, mas eu precisava dissimular e esquecer qualquer sentimento que me atrapalhasse a me manter viva.

_ Girl, você não faz o meu tipo, até já tentei com outras garotas, mas... com você não vai rolar.

Atrás dela John deu uns tiros nela pelas costas. Aproveitei e peguei o chicote que também tinha caído.  E me afastei. A mulher resistiu aos tiros e enfiou a lança na cabeça dele.

_ Agora você é a próxxxxxima! ~ Ela veio sorrindo na minha direção, certa que eu seria um alvo fácil.
[Comentário interrompendo a narração: _ E pra ser sincera eu era mesmo. Mas o que aconteceu naquele dia mudou tudo.]

Eu estava tremendo. Estava travada. Ver John morto e aquela mulher cobra vir na minha direção me fez entrar em transe. Tudo aquilo me fez lembrar da morte dos meus pais e como eu fui impotente, exatamente como ali. Uma lágrima de raiva desceu pelo meu rosto. A mulher cobra levantou a lança pronta para dar o golpe final.

_ Pare. Vadia. ~  A mulher cobra parou me obedecendo. Sua expressão era de confusão. Eu apertei tão forte a base do chicote que meus dedos ficaram brancos. Ao meu redor uma aura rosa brilhou muito forte. _ Eu não vou mais correr.  Eu não vou mais gritar como se fosse uma garotinha indefesa.  Desferi um golpe com meu chicote bem no rosto dela. Ela estava imóvel, exatamente como eu ordenara.  Desferi vários golpes de chicote com uma agilidade que eu desconhecia.

_ Isso é pelos meus pais! ~ Uma chicotada. _ Isso é pelo John. ~ Mais chicotadas. ~ _ Isso é pela minha maquiagem! ~ Puxei o cabo do chicote e cravei o punhal na garganta dela.

O monstro explodiu na forma de poeira e a lança caiu no chão.  Eu estava com a adrenalina alta e senti meu corpo formigar. Quando eu olhei para cima uma vi um símbolo, uma pomba, se materializar sobre a minha cabeça. Uma energia muito grande tomou conta do meu corpo e uma luz branca me envolveu. Senti meu cabelo ser puxado levemente, minha barriga endurecer um pouco e meus seios aumentarem. Quando a luz se foi eu estava com um vestido novo e meu cabelo preso num coque. Na minha mão direita estava o espelho que eu carregava desde a infância.

_ Uau… Eu já vi uns semideuses serem reclamados, mas uma filha de Afrodite foi a primeira vez. E tenho que dizer, estou sem fôlego. ~ O mendigo falou lá do outro lado.

_ Quem é você? ~ Posicionei o chicote mais uma vez.

_ Calma semideusa, não me machuque. Eu fico pelas ruas a procura de semideuses e por sorte te encontrei aqui. ~ Ele deu uma pausa. _ Eu sabia o que você era desde o momento que você chegou aqui. Mas eu decidi ver o que aconteceria.  Sua aura é poderosa.

_ Eu não estou entendendo nada. ~ Olhei meu reflexo no espelho, eu estava diferente, mais bonita.

_ Eu sou um sátiro. Meu nome é Lion. Eu posso te levar para um lugar onde todas as suas dúvidas serão respondidas. Só preciso que confie em mim. ~ Quando ele saiu das sombras pude ver melhor como ele era: metade homem e metade bode. Por algum motivo, diferente dos demais monstros que eu já vi, ele não me dava medo. Não sabia explicar o “por que”, mas sabia que podia confiar nele.

Ele chamou um táxi e fomos parar num acampamento.

Hoje no Acampamento Meio Sangue.

_ E foi assim que eu vim parar aqui.  Cheia de perguntas que vieram a ser respondidas pelo Quiron. Na verdade até hoje eu tenho algumas dúvidas, mas pela primeira vez, no chalé 10, eu me sinto em casa. ~ Terminei meu cigarro.
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Kalled C. Almeida em Sab 03 Jun 2017, 15:41


MÚSICO NA ÁREA
AVALIAÇÃO

Petala Champoudry
Bom, você demonstrou um certo avanço desde sua última ficha, e como meu colega comentou faltava o momento de reclamação, dessa vez você o narrou e por isso você está Aprovada.


Ps: "Emprestei" o template do Johan².
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por 128-ExStaff em Sab 03 Jun 2017, 18:42

Atualizado
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Dante M. Cry em Seg 05 Jun 2017, 02:13


   
FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

   Melinoe. A escolha foi feita por dois motivos. Primeiramente fora Temer Primeiro foi pelo fato de amar correntes como arma e ela ser um dos presentes de reclamação contou muito. Segundo foi pelo fato de querer fugir do padrão de filho de Melinoe, pois a maioria, se não todos, que eu vi tem aquela coisa de serem esquizofrênicos, loucos e coisas do tipo. Sei que eles podem ver espíritos e fantasmas mas eu gostaria de explorar de outra maneira.

   — Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

  Características Físicas: O garoto tem sua pele pálida e fria como um dia nevado. Seus olhos são no formato típico de orientais porém é um pouco arredondado e fino com a coloração castanha. Seu cabelo também possuí a cor castanha assim como de seus olhos. Ele tem por volta de um e sessenta e oito de altura, sendo considero uma rapaz baixo para a sua idade. Seu corpo é um pouco definido porém o garoto é mais magro do que musculoso.

Características Psicológicas: Hyun Ho tem uma personalidade bastante mutável. As vezes ele é estressado e ranzinza, as vezes é bastante meigo e amigável com as pessoas (nesse caso na maior parte do tempo). Apesar de seu humor se alterar com certa facilidade o asiático não costuma ficar muito tempo com o seu humor alterado e raramente guarda mágoa das pessoas pois sabe que todos são humanos, apesar de semideuses, e humanos erram com certa frequência. Sempre disposto a ajudar as pessoas necessitadas e lutar por aquilo que crê ser o certo.

   — História do Personagem:

Para Hyun Ho, os problemas não passam de paredes de tijolos para se atravessar com os golpes de sua corrente dada por sua mãe. Embora ele tenha crescido no lado errado da lei, o asiático agora usa seu conhecimento de criminalidade para servir os semideuses que passam dificuldades assim como ele já passou.

Uma criança que cresceu na periferia sem lei de Pyongyang devido ao fato de se tornar órfão logo cedo, Hyun Ho aprendeu a assaltar e a trapacear para sobreviver. O roubo e o desmanche de aparelhos eletrônicos deram a ele as habilidades de um mestre da mecânica, enquanto a vida nas ruas lhe ensinou a depender somente de si mesmo.

Quando tinha seis anos, um grupo de criminosos viu um brilho no jovem delinquente e o abraçou em sua alçada. Ao completar onze anos, o asiático já havia se tornado uma cúmplice titular e apreciava a emoção de cada golpe. Seu irmão por sinal odiava a ideia dele ter se juntado ao grupo.

Sua atitude mudou quando um assalto a uma indústria de mineração não deu certo. Ele foi forçado a decidir entre fugir com sua equipe e tentar resgatar os mineradores inocentes presos em um túnel que desabou. Hyun Ho decidiu bancar o herói. Enquanto procurava por uma maneira de liberar os trabalhadores dos escombros, ela descobriu não ser normal como os demais.

Um brilho esverdeado surgiu em cima de sua cabeça junto de uma corrente com espinhos em sua mão. Sem tempo para questionamentos e através de improvisação, o menino moveu os braços e desferiu vários golpes devastadores nos escombros, cuja força demoliu o pedregulho. Uma vez que os trabalhadores pudessem se salvar, elo abandonou a cena.

Depois deste trabalho que deu errado, o asiático desfez sua conexão com a equipe. Ele voltou a uma vida solitária de crime para se sustentar junto com o irmão mais velho, mas roubando apenas de outros criminosos.

Passando-se quatro anos depois do ocorrido o tio, irmão do pai de Hyun ho, encontrou os jovens e os levou para casa, e lá ele foi se familiarizando com o fato de ser um semideus já que o homem contou toda a historia de sua mãe e do mundo mitológico. Logo de inicio ele não conseguiu aceitar muito bem, porém depois de refletir bastante resolvera ajudar as pessoas com seus dons.

Seu tio implorou para que o rapaz fosse para o acampamento meio-sangue pois não queria que ele tivesse o mesmo destino que o seu filho teve. Pagou uma viagem para Hyun ho e seu irmão irem até o local, deixando o asiático na total responsabilidade de seus consanguíneo, porém ele morreu assim que deixou o semideus na entrada do acampamento.

Atualmente Kang Hyun Ho está se adaptando ao novo lar, aos novos irmão, a nova vida no geral.
Considerações finais:
Perdão pela ficha não estar tão grande quanto o esperado, mas creio contei a história do personagem como ela realmente foi sem acrescentar muitos detalhes(Pois pretendo fazer algumas diy no passado dele apenas por questão de trama mesmo). Me desculpe por não estar no formato de narração pois eu, particularmente, acho muito difícil fazer uma ficha nesse formato.
No mais é apenas isso sz


   
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Amelia Amsel em Seg 05 Jun 2017, 13:26


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Éolo. A trama da minha personagem está envolta em um desejo claro de mostrar que você não precisa ter poderes fenomenais, um pai ou mãe famosos ou a índole corrompida pra ser considerada forte. E, de qualquer forma, Éolo é conhecido por sua agilidade e gosto da ideia dele possuir uma filha atrapalhada.

— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

Características físicas: Possui mechas escuras e longas, mas que se perdem no meio de todas as tranças que usa. Contrastando com o tom de seus cabelos, sua pele pálida, geralmente coberta por tecidos grossos, revela o clima de sua terra natal. Os olhos —  apesar de azuis, ao nascer —  parecem ter absorvido a cor cinza do céu nublado acima de sua casa, se tornando uma mistura pouco identificável até para os seres mais atentos. Tudo isso é irrelevante, entretanto, porque, no final, sua aparência se torna uma contradição: o nariz fino descendente de nobres não combina com as mãos marcadas por conta do trabalho manual.

Características Psicológicas: O traço mais determinante da personalidade de Amelia é, com certeza, o fato dela não se enxergar em sua própria família, em não se ver como parte de um meio. Seu vilarejo é rústico, simples e, ainda assim, elegante; ela, por outro lado, uma confusão ambulante e que tropeça em seu vestido a cada cinco metros. Mesmo assim —  e talvez por conta disso — , a garota não consegue fazer outra coisa além de agradar a mãe. Por isso, se esforça ao máximo em tudo que tenta: junto com livros em sua cabeça para criar postura, carrega, também, a crença de que regras estão ali para serem obedecidas, mesmo que não sejam sempre justas. Tinha nascido covarde, mas seu instinto protetor não permitia esse lado aflorar, afinal, quem poderia livrar sua irmã mais nova de armadilhas para ursos? Certamente não o seu padrasto! Um homem intelectual e altamente crítico nunca poria suas mãos em algo que não fosse a mais fina caneta do mercado. E é ai que Amelia entra: determinada, com uma vontade insaciável de cumprir seu dever e de garantir que tudo está em seu lugar. Até mesmo porque, na maioria das vezes, a ordem não está lá porque Amelia esbarrou nela.

— História do Personagem:

O céu cinza coberto por nuvens há muito não era interessante para Amelia. Sentada em cima da grama fofa, no meio do pasto de uma fazenda qualquer em sua vila, a menina prestava atenção em como a paisagem nunca havia mudado desde que nascera. As nuvens e suas posições não eram as mesmas, sabia, mas era uma tendência humana considerar apenas aquilo que era perceptível importante. Ou, ao menos, imaginava que era assim, não tinha tido muito contato com pessoas diferentes em sua vida.

Por crescer em uma comunidade tão afastada da civilização moderna, sua perspectiva e cosmovisão eram totalmente fora da realidade da maior parte do mundo —  algo que, de novo, imaginava ser verdade, pois não tinha certeza. E como poderia? Havia descoberto a existência de novos estilos de vida apenas alguns meses antes, quando o seu tio Fred, em uma de suas conversas, deixou escapar a informação valiosa.

Era de se pensar que adultos contariam para os jovens que nem todo mundo nascia, crescia e vivia em fazendas, plantando o que comiam, montando o que usavam, tecendo o que vestiam, mas foi apenas em seu aniversário de dezessete anos que lhe deixaram saber, e por acidente!

Desde então, seus pensamentos, que antes eram tão monótonos e, odiava admitir, previsíveis, foram tomados por uma onda de questionamentos e indagações. Não conseguia imaginar algo que fosse responsável por todo o trabalho árduo que realizavam, nem sabores que não fossem frescos. Havia algo mais delicado e preciso do que a mão de uma costureira experiente? Algo mais contraditório do que o doce azedo de um morango?

Estava perdida, mas isso era animador. Podia, finalmente, sair da segurança do recife e nadar no alto mar de sua imaginação.  E aquela era, na verdade, uma das melhores metáforas que poderia fazer, afinal de contas, não sabia nada sobre o mar, assim como não sabia nada sobre o mundo de fora.

Tudo o que seu tio havia lhe explicado era sobre o manufaturamento e a industrialização (o que não lhe era muito útil, visto que não sabia o que os termos significavam). Imaginou que ele havia feito de propósito; escolhido à dedo partes que considerava desinteressantes sobre o mundo para que, assim, pudesse impedir a menina de ter vontade em conhecê-lo. Enganado estava ele, porém. Apenas a deixou mais curiosa.

Enganado em partes, se fosse bem admitir. Sempre tivera curiosidade sobre o que estava além dos limites da vila, porém nunca o suficiente para que seu sentimento de culpa fosse ultrapassado por completo. Não queria nem ponderar a reação que sua mãe teria se descobrisse que sua primogênita estava por ai pulando troncos e entrando na floresta profunda. Todas as outras, entretanto, eram até imagináveis: seu padrasto diria algo sobre dá-la de comida aos ursos —  um termo não tão popular entre aquela comunidade conservadora, mas ele era um homem à frente de seu tempo —, o padeiro reclamaria sobre a proibição de trabalho forçado aos jovens e as moças solteiras fofocariam sobre o possível namoro que estava ocorrendo.

Ao pensar sobre todos, Amelia ria. O que ela desejava com a fuga, na verdade, era ver o resultado das guerras, principalmente da que levou a reclusão de seu povo em um país estrangeiro. Se realmente encontrasse vontade e rebeldia para ultrapassar a ponte de madeira, procuraria o homem mais sábio da região e lhe perguntaria sobre o tópico proibido do qual ninguém nunca tinha aceitado a discutir com ela.

Uma onda de depressão espalhou-se em seu corpo ao analisar seus planos pouco prováveis, entretanto. Com que cara e coragem? Se tudo estivesse tão avançado quanto o seu tio descrevia — uma informação que a morena não confiava por completo, pois não sabia como ele possuía tal conhecimento —, o quão bobo seria de sua parte se tivesse dúvidas sobre algo tão banal? O que o homem, sábio como prometia, pensaria que ela era?

"Uma completa leiga no assunto" — respondeu a si mesma, descruzando suas pernas apenas para colocar a esquerda sobre a direita, mudando-as de posição. De súbito, uma outra pergunta surgiu em sua cabeça: teriam os homens criado a cura para o formigamento?

Não teve tempo para prolongar sua divagação. Um menino, loiro, alto e esguio — também conhecido como o motivo dela estar ali — veio em passos ligeiros, ziguezagueado para não bater nas crianças ou ovelhas. Sua felicidade no rosto e inquietação nos membros eram tantas que qualquer um que o visse pensaria que tinha descoberto a cura para a pneumonia. Qualquer um menos Amelia. Ela tinha noção do porquê.

E não estava contente.

— Não ouse tentar convencer-me — disse ela, quando a distância entre os dois bastava para que pudessem se ouvir sem gritar. Ele decidiu aproximar-se por completo antes de aderir uma expressão confusa e continuar a conversa, parando em frente à garota ainda sentada.

— Ao menos sabe para quê venho? — cruzando os braços e fazendo seus suspensórios vermelhos dobrarem, perguntou.  

— Para ludibriar-me em algum plano perfeito ou uma fuga irrecusável. — Pretendendo caminhar enquanto conversavam, Amelia levantou-se de forma brusca, limpando os pedaços de grama que se prenderam em seu vestido longo e azul. — Mas tal como todas outras vezes, Pete, os recuso. — Arrebitou o nariz que sua mãe tanto tinha orgulho.

Estava aproveitando a oportunidade de ser grosseira na frente da única pessoa que, sabia, não a julgaria. Pelo contrário, tentaria a convencer de que não havia jovem mais bem comportada do que ela em toda a Inglaterra. Apenas para, logo após, começar um discurso sobre como não tinha certeza porque não havia visitado todo o país e que, de forma bem entusiasmada, deveriam fazer isso.  

— Na verdade, estou ciente de que minhas fugas são recusáveis, graças aos seus últimos trinte e seis comentários. — Peter lançou um olhar bem humorado para a menina, que retribuiu, por sua vez, com uma expressão envergonhada, mas risonha. — Mais uma vez, contudo, creio que meu plano é perfeito. — A menina não parecia convencida, focando a sua visão em qualquer direção que não fosse ele; e o loiro sabia que esse era apenas um de seus jeitos de evitar revirar os olhos. — E não tens prova contra ele, senhorita, visto que nunca tentamos nenhum.

— Nunca tentamos nenhum por não serem perfeitos. — De forma óbvia, levantou as sobrancelhas enquanto os seus lábios formavam um sorriso de vitória.

— Isso — parou de andar, virando seu corpo para que estivesse encarando a menina — se chama argumentar em círculos.

— Isso — ela, por sua vez, fez o mesmo, fazendo com que a diferença de tamanho entre os dois fosse notável; Peter sorriu diante da constatação — se chama ser pertinente e temer a morte. — E sua feição terminaria em um tom cômico mais uma vez, porém a menção do comportamento humano a fazia lembrar de sua ignorância socialmente hereditária. Peter assistiu os cantos da boca da menina que, antes, apontavam para cima, descerem gradativamente até que ele se viu obrigado a perguntar:

— O que te aflige, minha cara? — com um tipo de olhar que qualquer pessoa descreveria como paciente, questionou. Ouvir Amelia suspirar profundamente preparou a sua mente para prestar toda a atenção possível.

A menina, diante daquela pergunta, decidiu ponderar. O que realmente a afligia?

— Pete, — chamou-o pelo apelido — por que desejas tanto sair deste lugar? — Sem conseguir encontrar uma resposta, tentou procurar alternativas para que pudesse escolher. Talvez sentia o mesmo que seu amigo, afinal.

Amigo este que juntou as sobrancelhas antes de inclinar sua cabeça para o lado.

— Por que não o desejaria, senhorita? — Levantou os ombros, se afastando alguns passos para trás, referindo-se à floresta e ao vilarejo que os cercavam. — Consegue ver algo aqui que te agrada? — Esperando uma resposta, virou sua cabeça para que seu olhar encontrasse o dela.

— Não falo sobre coisas que te são agradáveis, Pete. Sei bem que nada te favorece mais do que a liberdade. — Aproximando-se do menino, parou onde ele estava; perto de uma pequena cerca de pedras, criada para manter os animais dentro dos limites da fazenda. Sem perceber, eles haviam ultrapassado o extremo canto do vilarejo, estando agora longe da visão de todos aqueles que poderiam criticá-los. — Pergunto sobre outra coisa. — E, quando a menina não continuou, Peter, que estava olhando para a frente, foi obrigado a virar seu rosto mais uma vez, com uma expressão incentivadora.

— Sobre o quê? — Apenas o olhar não havia sido o suficiente.

— Assim como o seu, meu coração deseja fugir e viver em um mundo além dessas copas.  — Começou a falar como se ninguém estivesse ali para ouvir. — Mas não posso deixar de questionar se seria prudente de nossa parte apenas desistir de tudo que conhecemos por meras aventuras. — Subitamente lembrando-se de quem era filha, girou sua cabeça de forma rápida para que Peter percebesse sua expressão de confusão clara. Não estava ali para dar respostas, mas para obter ajuda. — Mamãe sempre diz que, quando mais jovem, queria deixar este lugar, também. E que sabe: se tivesse o feito, estaria tomada por profunda amargura.

— Perdoe-me pela indelicadeza, senhorita, mas creio que sua mãe balbucia tolices. — Esperando um olhar recriminante por parte da menina que não veio, continuou. — Como alguém pode ter certeza sobre algo que nunca tentou? É simplesmente ilógico e uma tentativa clara de convencê-la a ficar.

— Do mesmo modo, Pete. — Levemente, balançou a cabeça em negação. Olhando para o horizonte, a menina parecia desconectada. — Amamos todas as coisas que aqui estão e pessoas diversas nos incentivam a permanecer. E se meu estimado tio realmente sabe o que diz, o mundo que nos espera é assustadoramente diferente. — Achando palavras para expressar aonde queria chegar, virou a cabeça para encarar o loiro, vendo o a luz do sol, agora poente, refletir em seu rosto um pouco mais marcado pela cor do que o dela.  — Como acha motivos? Como encontra coragem para desafiar e negar toda a sua criação? — Seu tom não era de julgamento, mas de dúvida.

Percebendo mais do que a menina, Peter decidiu fazê-la enxergar o que estava dizendo.

— É o que te impede, então? — Observou os olhos claros curiosos — O que te faz sofrer por considerar sua própria felicidade? — Sem perceber, estava ficando zangando com a passividade de Amelia. O único motivo dele continuar ali era ela, afinal. — Sente que está os traindo?

Amelia não respondeu, mas era uma fiel seguidora do consentimento silencioso — e Peter sabia disso.

— Sempre negou meus convites de fuga dizendo que achava tolo enfrentar o que desconhecia. Mas há muito não encontra desculpas para convencer a si mesma de que ficar aqui é a melhor opção — falou como se fosse uma conclusão ao caso, ainda levemente indignado — É isso que tira teu sono. Não conseguirá enganar a si própria por muito mais tempo.

— Mas e quanto a nossas famílias? — perguntou de forma rápida e desesperada, querendo afastar todos os pensamentos de concordância que passou a ter.

— Não iremos perecer, Amelia. — Aumentou o tom de sua voz de tal forma que, por pouco, não chamou a atenção de um dos fazendeiros metros à distância. Percebendo isso, voltou ao volume moderado, mas ainda respirava exasperadamente. — Afastar-se de casa não é o mesmo que pular em um abismo sem volta. Árvores continuarão árvores, trilhas permanecerão trilhas, nossas famílias subsistirão em paz e nós estaremos bem. Se sua opinião mudar, apenas me informe e encontrarei prazer em acompanhá-la de volta. Mas se dê a possibilidade de escolha. — Seus olhos castanhos pareciam queimar a pele da menina, tal a maneira como a encarava. Mais uma vez, decidiu não responder e viu a esperança nos olhos de Peter, aos poucos, murchar.

— Não vim para mostrar-te planos novos, senhorita. — Em comparação com antes, sua voz era quase inaudível, e ele se recusava a manter contato visual com Amelia; a grama, agora, parecia mais interessante. — Estou aqui para que nos despeçamos. — A menina, então, sentiu seu coração bater mais rápido; sabia que, uma hora ou outra, ele se cansaria de esperar por sua aprovação, mas não pensava que fosse tão cedo. De súbito, teve a vontade de segurá-lo pela mão e obrigá-lo a permanecer ao seu lado, mas não era justo. Amelia não conseguiria prender outra pessoa; a si mesma já era o suficiente.  

— Quando parte? — Já sabia do que se tratava, afinal. Lhe restava, apenas, abaixar a cabeça e sucumbir em suas lamentações.

— À noite. — Parecia querer fazer o mesmo, mas permaneceu o seu olhar fixo na menina. Queria sentir algo a mais do que desânimo , entretanto, nunca conseguia ficar bravo com Amelia. Já havia tentado várias vezes.

— Tão cedo? — Diante da nova informação, se viu obrigada a levantar o olhar e procurar abrigo nos tons em castanho. Encontrou intensidade e calor, mas não eram confortantes. Causavam, nela, uma angústia tremenda ao lembrar-se de que poderia não vê-los mais.

— Vem comigo. — Apressou-se para concluir quando percebeu a discussão que causaria. — Não para fugir, mas fazer companhia. Poderá voltar para cá quando alcançarmos a ponte — disse, e esperou por uma resposta, olhando atento para a menina à sua frente.

Ela, pela primeira vez, não sentiu a extrema relutância que aparecia toda vez que a ponte era mencionada. Seu melhor amigo estava partindo, afinal, e não tinha garantia alguma de que se veriam outra vez. Desejava, na verdade, que o caminho durasse várias horas, para que, talvez assim, a despedida não doesse tanto.

Mas estava sem forças; a discussão, as novas perspectivas, o choque da saída de Peter haviam drenado toda e qualquer energia armazenada em sua mente. Não conseguiu encontrar ânimo para responder ou acenar a cabeça, deixando que seu corpo, lentamente, caísse no peitoral do menino, andando alguns passos para a frente. Como era alto, o rosto de Amelia ficava abaixo de seus ombros, e ele pôde passar os braços em volta da menor, em um abraço tão perfeito que parecia ensaiado.

Apenas longos suspiros puderam ser ouvidos.

-X-

— Se me permite a franqueza, senhorita — com certa dificuldade ao falar por conta de sua posição, Peter chamou a atenção da outra, que andava atrás dele. — Estou olhando para o seu arco há tempos e ainda me é difícil acreditar que o trouxe.

Estavam, agora, passando por dentro da floresta, no meio da noite. No começo, Amelia não havia se importado com o fato de que teriam que andar curvados frequentemente por conta das árvores e galhos que possuíam alturas variadas, mas, após vinte minutos, tudo aquilo se tornou incômodo. Amelia, entretanto, se recusava a admitir que estava mais cansada do que seu amigo por conta da arma que havia decidido trazer; Peter tinha um físico mais preparado, somente.

— Com o tempo descobrirá, meu caro Peter, que não são todos aqueles tão tapados quanto um peixe. — Agora, finalmente, puderam se levantar por completo, já que as árvores se tornaram mais altas, aliviando um peso em ambas as costas. — Ao pensar melhor, entretanto, lembro-me que até peixes fogem de seus predadores. O senhor encontra graça ao andar em direção a eles. — O menino achava hilariante o temor de Amelia, mas escolheu manter seu contentamento para si.

— Seria isso uma tentativa de convencer-me a ficar, senhorita Amsel?  — Empurrava todas as folhas do caminho e só as soltava quando a menina também já havia passado por elas. — Porque se estou correto, elas são tão falhas quanto as das sua mãe.

— Ouso dizer que seu ego cresceu de forma estupenda desde o último verão, senhor Gate. — Sorrindo, passou na frente do companheiro, enquanto ele prendia um galho longe do rosto dela. Ele a seguiu com o olhar. — Trago o meu arco comigo porque voltarei sozinha para a vila, se não notou. Acha correto que eu ande desprotegida em tais condições? — E, esperando para que ele a alcançasse, colocou as mãos na cintura, parada.

— Não, certamente não — completamente sério e já ao seu lado, respondeu. — Mas não foi esta a minha pergunta. —  Continuaram a se olhar em meio à mata densa. Se não se conhecessem a tanto tempo, diriam que o escuro da noite os impediam de reparar em cada canto de seus rostos, mas se conheciam; e estavam encantados.

— É óbvio o que desejo a sua permanência — falou. — Meu egoísmo só não é o suficiente para que eu te convença a ficar. — Levaram alguns instantes para que Peter, após suspirar, respondesse. Parecia estar analisando não só aquela situação, como, também, alternativas e consequências.

— É melhor seguirmos caminho. A ponte está próxima. — E, sem olhar para trás, prosseguiu com passos largos. Amelia, ainda com medo, não esperou muito para fazer o mesmo.

— E o senhor se incomodaria em me contar como sabe o caminho de forma tão certeira? — Correu para poder ficar ao seu lado, e não mais atrás. Cruzando os braços, tratou de normalizar a respiração antes que se tornasse irritante.

— Nunca fugi, mas isso não significa que não observei a área. — Olhou para a menina sem mudar a posição de seu pescoço,  que apontava para a frente. — Meus planos perfeitos não se montam sozinhos, afinal. — Amelia se contentou em apenas balançar a cabeça em negação, sem responder. Pelo resto do caminho — que foi pouco — o ritmo não se alterou: movimentos precisos, mas não tão apressados, coberto por um silêncio que seguiu os dois. Até que Peter moveu o último amontoado de galhos do lugar, revelando a tão esperada ponte e seu rio turbulento.

— É aqui. — Peter destacou o óbvio. Sua voz, diante do som que as ondas poderosas causavam, teve que aumentar alguns tons para poder ser audível. Amelia, mais uma vez, se deu o luxo de não responder, apressando seus passos para que o menino pudesse, finalmente, soltar os pedaços de madeira. Sem ter coragem para iniciar as despedidas, abraçou a si própria — evitando ao máximo acabar sendo espetada com a fina arma que trazia — por conta das fortes rajadas de vento e, consequentemente, do frio que elas causavam. Com seus pés afastados do penhasco por alguns poucos metros, chutava pedaços de pedra e terra solta, apenas para que pudesse vê-las voar e cair no grande acúmulo de água. Contemplando todo o ambiente, analisando as novas emoções que adentravam seu ser, determinou: alguma coisa não estava certa.

Mesmo não sabendo o quê ou tendo provas concretas, dentro de seu corpo, algo doía. Não era dor de saudade, entretanto; estava com o coração apertado desde que soube da partida de seu amigo, mas a sensação era diferente. Aquilo era diferente. Era intenso, ríspido e dilacerante como o ar daquela noite. Foi o que percebeu assim que pisou para fora da floresta, e o sentimento não tinha diminuído quando o loiro, que, naquele momento, já estava ao seu lado, tentou iniciar um outro diálogo.

— Se sente bem, senhorita? — Ele, por sua vez, não parecia preocupado. Com a mão esquerda segurando o braço oposto pelo cotovelo atrás de suas costas, sua expressão não mostrava nada além neutralidade. A menina, como o conhecia bem, sabia que estava tentando disfarçar a melancolia, mas não conseguiu achar em si a vontade para consolá-lo; ainda tentava decifrar o que era aquele sentimento intruso em seu coração. Ela, então, sem outra opção, olhou para ele, esperando por algum tipo de complemento que não tardou a chegar. — Está calada desde que nos aproximamos do rio, algo a incomoda? — terminou, em tom sereno.

Ela queria contar. Queria convencê-lo de que algo estava errado, que alguma coisa não terminaria bem. Contar que não era parecido com intuição e que, não, não tinha nenhuma prova além do sentimento que permanecia em suas entranhas, mas que acreditava ser verdade. Acreditava em seu medo, na súbita vontade de chorar que se espalhou por seu corpo e em todas as setas imaginárias que apontavam para a ponte. Ela cairia. Cairia levando não só a vida de Peter como a de Amelia, porque não conseguiria continuar sem ele. Tinha que dizer.

Mas não o fez.

Mais uma vez, sua coragem não foi o suficiente para sobressair a sensação de estar comandando a vida do garoto. Confusões aconteciam e emoções eram subjetivas, afinal. Nada impedia aquilo tudo de ser apenas projeções de uma mente fértil e temerosa; apenas sua vontade de não se afastar do amigo misturado com o pavor pelo desconhecido. Mesmo que tivesse constatado o contrário minutos antes, sua mente foi rápida em lhe convencer de que, sim, estava ficando maluca em suas próprias contradições. Era mais fácil acreditar nisso do que admitir que, mesmo prevendo o perigo, deixaria Peter continuar com o plano.

Ao analisar sua conclusão, entretanto, franziu o cenho. Com o coração batendo rápido, percebeu, naquele instante, e somente nele, o que deveria ter visto há muito tempo: se algo acontecesse com Peter, seria sua culpa. Se não contasse e algo realmente ocorresse, estaria desperdiçando a chance que o destino havia lhe dado. A dor que lhe atingiria se Peter morresse seria escruciante o suficiente, mas, se acontecesse diante daquelas condições, o arrependimento que tomaria conta da sua vida seria insuportável — e não no sentido eufemista da palavra.

Não poderia impedi-lo de fazer algo que não tinha certeza, entretanto. Principalmente, não algo que ele queria de tal forma, há tanto tempo. E foi isso que passou a considerar, também. Como explicar ou como lidar com o fato de que, talvez, ela realmente estava ficando maluca e que nada aconteceria com Peter se ele fosse seguir seus sonhos? Matar as vontades do amigo seria pior do que matar as suas próprias vontades. Tinha certeza, aliás, que o loiro iria preferir morrer a não tentar; e o faria alegremente, sabendo que, ao menos, não havia desistido — não era covarde como ela.

E, então, se viu em um impasse: ambas as opções, se guiadas para os piores cenários, poderiam causar grande dano. Dano este que, ela, com o emocional tão frágil que tinha, não conseguiria aguentar, mesmo se tentasse o seu máximo. Todas elas a machucariam e, dependendo das variáveis, também a Pete.

Em pouco tempo e com seu limitado conhecimento em estratégia, tentou achar uma solução; qual escolha não deixaria ela viver sem Peter como consequência?  

Em questão de segundos, passou a sentir, entendeu o que sentia, recusou-se a admitir o que entendeu e, decidida, virou o rosto para o menino para o responder.

— Seria possível te acompanhar até o outro lado, Pete? — Nem mesmo ela sabia o que estava fazendo. Talvez sua mente estivesse agitada demais para raciocinar corretamente, mas havia encontrado uma alternativa: se estivesse correta sobre a ponte, não poderia afastar Peter da morte, mas poderia evitar a vida sozinha. Morreria com ele, se fosse necessário.

O menino, por sua vez, banhado em inocência, apenas moveu sua glabela de forma confusa.

— Certamente, senhorita. — A morena presumiu a dedução do outro: provavelmente, achou que esse era o motivo de sua quietude. Era melhor assim, de qualquer forma. — Por que não seria? — E, então, mostrou um leve sorriso que, mesmo em meio a total escuridão, reluziu. Amelia não encontrou forças para retribuir na mesma intensidade; todas as suas energias estavam concentradas em controlar os batimentos cardíacos e disfarçar o quanto suas mãos tremiam. Também se concentrava em piscar de forma rápida, impedindo as lágrimas de se acumularem. Para sua sorte, entretanto, Peter sempre fora emocionalmente ignorante para perceber tais coisas. Explicar porque estava tão aterrorizada estava fora de questão.

O mais velho foi o primeiro a começar a andar. Seus passos eram firmes, ágeis, decididos; se alguém de fora o notasse, nunca perceberia a mudança radical que aquilo causaria em sua vida, tamanha a sua confiança. Millie, por outro lado, tinha que coordenar as pernas para que não caíssem a cada passo que dava; assim como suas mãos, elas tremiam, temendo o futuro. Não deixou que aquilo atrapalhasse suas intenções, entretanto — mesmo não tão estável quanto, ela estava logo atrás de Peter quando ele pisou, pela primeira vez, na estrutura de madeira, não deixando sua falta de coragem diminuir, também, sua velocidade.

— Não acha a sensação boa? — Peter perguntou, quando viu a menina agarrar a sua cintura, após os primeiros cinco movimentos de pés. E, não, não achava. O que ela sentia estava muito longe de felicidade, na verdade; sentia que estava muito metros acima de qualquer superfície estável e segura, sendo sustentada somente por alguns pedaços de corda, tábuas e estacas. Sentia as suas pernas, ainda fracas, quase caírem a cada passo dado. Sentia, também, o vento ficar cada vez mais forte à medida em que se aproximavam da outra extremidade, assim como sentia uma terrível vontade de correr de volta para a sua aldeia e obrigar Peter a ficar ali com ela até morrerem.

Foi só depois de chegarem na metade do percurso, entretanto, que sentiu o que não queria: o movimento que a madeira passou a fazer, de um lado para o outro. Não era fraco, como quando causado apenas pelo andar de quem passava, mas inesperado, imprevisível. Não era coisa da sua cabeça, também, porque notou os músculos do corpo do loiro tensionarem por baixo de seu casaco, em um sinal claro de medo. Além disso, seus pés cambaleavam levemente, e uma onda de tontura estava começando a mexer com a sua cabeça. A cada segundo que passava, assim como o ar, o balanço ficava mais forte, deixando ambos sem opções.

— Sentes o mesmo que eu, Millie? — A menina conseguia ouvir o quão seca a sua boca estava. Agora, precisavam segurar nas cordas laterais para que não fossem atingidos pela inércia.

— Fala sobre o vento assustadoramente forte ou a ponte que se move quando deveria estar parada? — Não mais abraçada a Peter, se encontrava completamente insegura, paralisada. Para ela, o vento não somente aumentava a cada segundo, como também fazia crescer a intensidade de cada aumento.

Se, antes, sentiam o leve mover da ponte, agora, precisavam gritar um com o outro para serem ouvidos. Talvez por conta disso, o menino não respondeu a pergunta de Amelia; não que ela estivesse esperando por uma, também. Tudo o que mais queria, no momento, era sair daquele conjunto frágil que os suportava.

Viu o loiro prestar atenção na extremidade que desejavam alcançar e, com dificuldade, visto que a ponte apenas complicava o processo, focou a sua visão na área que ele parecia observar em específico, espremendo os olhos. No mesmo instante, entretanto, arrependeu-se: uma das duas estacas que mantinha as cordas presas estava, aos poucos — mas, ainda assim, rápido demais —, se desafixando da terra fina. Aparentemente, tal estaca havia sido colocada próxima à superfície do solo, e, naquele ponto, Amelia passou a se perguntar como havia aguentado tanto tempo.

— Que tipo de construtor faria algo parecido? — gritou, sabendo que Peter identificaria sobre o que estava falando. O menino não tornava a sua face visível, pois suas costas bloqueavam a visão, mas ela conseguiu enxergar a expressão irritada do amigo em sua mente, quando ouviu sua resposta.

— Se nosso povo tem mais de um século nessa região, senhorita, quando pensa que isso foi construído? — Graças aos seus nervos que não estavam em suas melhores condições, a fala de Pete aderiu um tom de grosseria mais do que de educação. Foi por conta deles, também, que não conseguiu se desculpar. Estava muito ocupado tentando, forçadamente, andar para trás, ainda de costas, empurrando Amelia consigo. — Vamos para o outro lado. — E, então, os dois viraram por completo, começando a correr em direção à terra firme. Tarde demais. Enquanto prestavam atenção na estaca que estava, de um forma frágil, presa ao solo, a outra, oposta, era retirada completamente pela força impetuosa do vento. Quando perceberam o que estava acontecendo, Peter só teve tempo de gritar o nome de Amelia antes que os dois se desestabilizassem e fossem lançados para o rio.

Ou, ao menos, deveriam ter sidos lançados.

O mais velho, de alguma forma que, se perguntassem anos depois, ele não conseguiria descrever, agarrou-se à corda antes presa conseguindo, também, devido a sua proximidade, alcançar a mão de Amelia que segurou firmemente em retorno. Isto tudo, claro, em uma pequena fração de segundos, organizados pelo impulso de caçador que já havia dentro do menino e o desespero protetor que instalou em seu coração ao ver a menina que amava cair.

Conectados apenas pelas mãos, não conseguiam sentir, apenas imaginar ambos os corações batendo de forma estupidamente rápida, representando a mesma agonia que poderia ser vista refletida em seus olhos.

Os castanhos, arregalados, de Peter, junto com a respiração exasperada e a quantidade de veias que poderiam ser vistas de seu pescoço revelavam não só a aflição, mas o esforço que fazia para segurar os dois corpos em uma corda que, temia, não iria suportar por muito tempo.

Amelia, por outro lado, não podia abrir os seus o suficiente para a cor ser percebida; tanto por conta dos resíduos de poeira que, vez ou outra, alcançavam a parte sensível de seu rosto, quanto pela a quantidade de lágrimas que, antes guardadas, escolheram se revelar. Não importava mais, afinal de contas. Ela estava certa. O que havia sentido antes de tudo aquilo acontecer estava certo; o medo, a previsão, e a antecipação faziam sentido. Ela não estava louca. E não conseguia odiar algo mais do que odiava ser sã. Pete estava em perigo, a alguns momentos de uma queda mortal ou extremante debilitante — não queria pensar em si, porque focava sua atenção nele. Como poderia salvá-lo?

— Não tenha medo, senhorita.  — Embora não estivesse visivelmente chorando, a emoção que guardava em sua voz conseguia demonstrar o que sentia: puro e completo remorso. Enquanto Amelia tentava, à todo instante, manter-se presa à mão suada e escorregadia do menino, pôde ouvi-lo falar: — Irei tirar você daqui. — Como se buscasse por ar, não media esforços para levantar o braço em que a menina se prendia, apenas para desistir antes de encontrar a corda. Era um hábil escalador,  conseguiria sair daquela posição rapidamente se estivesse sozinho, com ambas as mãos livres; na situação em que estava, entretanto, não havia chances de salvação.  

E Amelia sabia disso.

Sabia da força e agilidade de Peter, assim como sabia do quanto ele desejava conhecer o mundo. Sabia todas as suas felicidades, mágoas e inquietações. Sabia de seus pesadelos, de quando tinha retirado o seu primeiro dente e da vez em que deixou um peixe engolir o pingente de sua mãe. Sabia que o menino não estaria tanto tempo em perigo se não estivesse segurando sua mão. Sabia que seu corpo preparado, mas ainda assim magro, não aguentaria por muito mais tempo. E sabia mais: sabia a si. Sabia das emoções que estava sentido, e sabia como não eram medo da morte. Pelo menos, não da sua. Sabia que não se importava o suficiente com o seu próprio corpo para que se desesperasse por conta dele e que, naquela hora, não pretendia guardá-lo. Sabia o quão convidativo as ondas do rio soavam.

E, quando aquela corda desceu mais metros ao partir outra ligação, forçando um grito de terror sair da boca de Pete, soube porque estava ali.

Àquele ponto, o menino também já havia se deixado tomar por gemidos e lágrimas. Algumas caíam próximas o suficiente para que Amelia pudesse ver, mas apenas as observava com passividade. Havia se desconectado. Não conseguia mais sentir medo pelo amigo e, majoritariamente, não conseguia sentir pena de si. Dentro de seu coração, havia paz: a sua escolha já havia sido feita. Pete ficaria bem.

Era para isso que havia sido avisada, afinal. Para que, após tantos anos ganhando a presença de Pete, pudesse presenteá-lo com uma nova chance. Não entendia se, de alguma forma, se não tivesse o seguido, o menino não teria conseguido se segurar ou algo do tipo, mas não importava, de qualquer forma. Nenhum outro cenário havia ocorrido e, naquele, só havia uma coisa a fazer.

Quando os olhos do menino deixaram de apontar para cima, encontrando o rosto da garota, puderam, por alguns instantes, se admirar. A menina sorridente, mas ainda transbordando em lágrimas, com a voz serena, foi a primeira a dizer:

— Me perdoa. — Mas não parecia arrependida. Do contrário, na verdade; estava mais confiante ali do que em toda a sua vida. Fechou os olhos, ao som dos altos protestos do menino que, finalmente, havia entendido o que ela iria fazer, apenas para eliminar em si qualquer dúvida do que estava fazendo, caso a julgassem depois.

Respirou fundo e, quando voltou a enxergar a luz, ela estava mais clara. E com motivos: um pequeno furação havia se formado em cima de sua cabeça. Pete, ainda desnorteado  com a decisão de Amelia, não percebeu a peculiaridade, mesmo estando em uma posição perfeita para isso. Amelia, entretanto, estando atenta, tomou aquilo como um sinal. Estava fazendo a coisa certa.

Pensou ter ouvido uma voz desesperada responder que não, não a perdoaria se ela ousasse fazer o que planejava, mas não teve tempo o suficiente para responder. Deixou de segurar a mão de seu amigo, levando apenas alguns instantes para que o suor presente em ambas fosse responsável para que, por completo, deixassem de se tocar. Todos os esforços de Pete para continuar agarrado à Amelia eram tão intensos quanto os seus gritos, mas foram em vão.

Pela primeira vez, a menina estava livre.


leiam sz:


1° - Sim, ela sobrevive. Pretendo explicar melhor em DIY, mas posso dizer que ela cai no rio e, por conta de uma proteção causada pelo ar (éolo, duh), o impacto não é tão forte. Caçadoras que estavam por perto viram o momento da queda e, conscientes da semideusa, a levaram para o camp.

2° - Se como ela fica sabendo do mundo exterior te deixou confuso, parabéns pra mim! É intencional. Também narrarei melhor em outros posts.

3° - O uso de pronomes dos personagens não revelam nada além da personalidade de cada um. O Pete chama a Amelia de senhorita porque gosta de implicar, já que são bem próximos. Ela também brinca, às vezes, chamando ele de senhor.

4° - Ela previu a queda da ponte, sim. Mas disso eu não posso revelar nada. Também é trama.

5° - eu amo o Jon









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Amelia Amsel
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