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Ficha de Reclamação

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Ficha de Reclamação

Mensagem por Psiquê em Sex 07 Out 2016, 12:41

Relembrando a primeira mensagem :




Fichas de Reclamação


Este tópico foi criado para que o player possa ingressar na sua vida como semideus ou criatura mitológica. Esta ficha não é válida sob nenhuma hipótese para os 3 grandes (Hades, Poseidon e Zeus) devendo os interessados para estas filiações fazerem um teste específico, como consta aqui [link]. Para os demais semideuses, a avaliação é comum - o que não quer dizer que ao postar será aceito. Avaliamos na ficha os mesmos critérios que no restante do fórum, mas fichas comuns exigem uma margem menor de qualidade, mas ainda será observada a coesão, coerência, organização, ortografia e objetividade. Abaixo, a lista de deuses e criaturas disponíveis em ordem alfabética, com as devidas observações.









































































































































Deuses / Criaturas Avaliação
Afrodite Comum
Apolo Comum
Atena Rigorosa
Ares Comum
Centauros(as) Comum
Deimos Comum
Deméter Comum
Despina Rigorosa
Dionísio Comum
Dríades (apenas sexo feminino) Comum
Éolo Comum
Eos Comum
Espíritos da Água (Naiádes, Nereidas e Tritões) Comum
Hades Especial (clique aqui)
Hécate Rigorosa
Héracles Comum
Hefesto Comum
Hermes Comum
Héstia Comum
Hipnos Comum
Íris Comum
Macária Rigorosa
Melinoe Rigorosa
Nêmesis Rigorosa
Nyx Rigorosa
Perséfone Rigorosa
Phobos Comum
Poseidon Especial (clique aqui)
Sátiros (apenas sexo masculino) Comum
Selene Comum
Tânatos Comum
Zeus Especial (clique aqui)



A Ficha


A ficha é composta de algumas perguntas e o campo para o perfil físico e psicológico e a história do personagem e é a mesma seja para semideuses seja para criaturas. O personagem não é obrigado a ir para o Acampamento, mas DEVE narrar na história a descoberta de que é um semideus e sua reclamação.

Plágio não será tolerado e, ao ser detectado, acarretará um ban inicial de 3 dias + aviso, e reincidência acarretará em ban permanente. Plágio acarreta banimento por IP.

Aceitamos apenas histórias originais - então, ao usar um personagem criado para outro fórum não só não será reclamado como corre o risco de ser punido por plágio, caso não comprove autoria em 24h. Mesmo com a comprovação, a ficha não será aceita.

Fichas com nomes inadequados não serão avaliadas a menos que avisem já ter realizado o pedido de mudança através de uma observação na ficha. As regras de nickname constam nas regras gerais no fórum.

Lembrando que o único propósito da ficha é a reclamação do personagem. Qualquer item desejado, além da faca inicial ganha no momento de inscrição do fórum e dos presentes de reclamação (adquiridos caso a ficha seja efetivada) devem ser conseguidos in game, através de forjas, mercado, missões e/ou DIY.



TEMPLATE PADRÃO:
Não serão aceitas fichas fora desde modelo

Código:
<center>
<a href="goo.gl/6qY3Sg"><div class="frankt1">FICHA DE RECLAMAÇÃO</div></a><div class="frank1"></div><div class="franktextim">[b]— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?[/b]

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[b]— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):[/b]

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[b]— História do Personagem:[/b]

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</div><div class="frank2"></div> <div class="frankt2">Percy Jackson RPG BR</div></center>


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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Cole Undameno em Qui 24 Nov 2016, 20:36

- Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Melinoe. Eu não vejo muitos personagens que são filhos dela, o que deixa meu personagem mais original, e eu sempre gostei de coisas de fantasmas.

- Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas)

Cole é um garoto pálido (mas nem tanto!) com um cabelo loiro e olhos castanho claro. Ele é um pouco pequeno para sua idade (14) mas dificilmente alguém percebe. Ele usa sapatos preto e uma calça preta, com a camisa do Acampamento Meio-Sangue.


Cole é um pouco obsessivo, mas também é caridoso. Ele gosta de ordem e limpeza, mas também é desajeitado e tem um pouco de problemas em fazer novos amigos, sabendo que ele é um pouco estranho. Seu defeito mortal é guardar rancor. Ele pode ficar raivoso e arrogante facilmente, e ele sempre tenta ganhar vingança contra seus inimigos.

- História do Personagem

Cole na verdade foi um acidente- seu pai nunca queria ter um filho com a deusa dos fantasmas, mas é difícil saber se sua mãe pensava o mesmo. Eles deram Cole para sua vó, e ela o colocou num orfanato.

Quando sua vó morreu, ele viveu junto com sua irmã mais velha, que não era uma meio-sangue e sua mãe não era Melinoe. Ele foi colocado numa escola por ela, e eles viveram relativamente bem.

Na manhã seguinte, quando Cole voltava da escola sozinho, viu um escorpião gigante indo até sua direção, com 3 outros meninos.

Um raivosamente atacava a calda do animal com uma lança, o outro com um arco e o ultimo com uma faca. O animal estava sofrendo pelo menos algum dano, mas ele ignorava. Ele corria atrás de Cole.

Horrorizado, Cole saiu correndo, mas o escorpião alcançou ele. Agarrou ele com uma de suas garras, e tentou acabar com Cole com sua calda, mas foi parada pela lança de um dos garotos lutando contra ele.

Quando tentou escapar das garras, Cole se lembrou de uma coisa; ele adorava usar correntes como armas. Ah, e ele também sem querer congelou um sanduíche na escola.

Arrotou na calda calda do inseto, congelando-a completamente. Um garoto pulou na cara do escorpião, deixando ele ainda mais bravo e soltou Cole.

Cole pegou uma corrente do bolso, e atirou num dos braços do escorpião.

Quando o bichano olhou de volta para Cole, os 3 atacaram ele de uma vez. Poof! O monstro desapareceu em pó.

Quando sua irmã voltou, Cole contou sobre o escorpião e sobre os 3 meninos que ajudaram ele a enfrenta-lo a ela, e também falaram sobre o Acampamento Meio-Sangue.

Sua irmã concordou em coloca-lo lá. Cole abraçou sua irmã, e depois partiu para o Acampamento Meio-Sangue.

Quando eles chegaram, já estava de noite. Estavam cantando em volta da fogueira com o resto do chalé do Apollo. Quando eles terminaram, um símbolo apareceu flutuando na cabeça de Cole. Era cinza, parecia ser um "fantasminha" metade branca e metade preta.

Era o simbolo de Melinoe.
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Franz H. Baudelaire em Qui 24 Nov 2016, 22:09

Death's Oracle
1. mamãe querida e motivos claros
Desejo ser reclamado por Macária. O meu background de trama — que envolve uma habilidade específica, futuramente ganha em DIY, a qual me permitirá ver as formas de morte de um ciclo específico de pessoas influentes na trama pessoal — pede isso, uma vez que deveria ser algo ligado à morte, ainda que sem a aura tão pesada dos deuses do submundo (Hades, Tânatos, Melinoe, etc.). Perséfone seria uma saída pela sua segunda face como deusa da primavera, mas o surgimento de Macária coube muito melhor nos meus planos, principalmente se for levada em consideração a possibilidade narrativa fornecida pelo evento passado (Les Revenants), a vasta gama de habilidades e os presentes incríveis.
Death's Oracle
2. físico agradável, mas emocional fodido
— Físico: Seu porte não é dos mais atléticos. Apesar de magro e, de certo modo, em forma, não possui músculos muito definidos e nunca contou com eles para lhe tirar das mais diversas provações que encontrou em seu caminho, preferindo usar a sua agilidade e inteligência para tal. Assim sendo, tem um corpo esguio, alongado, soando muito mais elegante do que realmente era; afinal, para um garoto de rua parecer assim... custava.

Não fosse a sujeira constantemente povoando seu físico, ele facilmente seria confundido com um modelo: tendo seu rosto em formato de coração, com cabelo cortado rente ao couro cabeludo e olhos claros muito expressivos — daquele tipo que parece revelar o misto de emoções que seu âmago comprime —, além de uma boca em certos termos grossa, desejável, que vira e mexe formavam palavras profundas, enaltecidas por sua voz rouca e tão adulta para alguém de dezessete anos... céus, ele não fazia ideia do quanto era tentador.


— Psicológico: Os muitos anos nas ruas de Ottawa foram mais educadores do que a casa dos seus pais, pensava ele. Nunca os conheceu, mas sabia que estavam lá em algum lugar; afinal, ele tinha ido parar naquele mundo de alguma forma, não tinha?

Isso o afetava mais do que ele gostava de admitir. Acabou criando uma personalidade isolada, com dificuldade para fazer amizades, para confiar em alguém. Ainda assim, permitiu-se fazer alianças nos anos em que passou nas ruas, já que furtar comida em grupo era muito mais fácil do que uma ação solitária, e já que enfrentar valentões sozinho não era uma ótima ideia, diga-se de passagem.

Ainda que recluso, sabia que esse seu afastamento era apenas uma forma de defesa. Era como paredes erguidas, muros altos para que ninguém entrasse. Mas assim que alguém entrava, surpresa: François era alguém doce, simpático e muito, muito leal; daria a sua vida por alguém que ama, muito provavelmente por não existir muitas pessoas como essa. Sábio por pensar demais e falar pouco, também é alguém para se pedir conselhos — quando já se passou da fase fechada com ele, é claro, porque antes disso ele vai fingir uma indiferença ou simplesmente fugir da conversa, já que fugir das coisas que não deixam-no à vontade é uma prática muito comum para o canadense.
Death's Oracle
3. trágica história do personagem
Ela gemia em agonia. Havia sangue empapando toda a frente da sua blusa, irrigado por um corte profundo pouco abaixo do seu diafragma, e uma de suas pernas estava virada num ângulo estranho, visivelmente quebrada. Isso, junto ao suor acumulado em sua testa, ao tom pálido de seus lábios e ao tremor de seu corpo inteiro, denunciava o óbvio: ela estava morrendo.

Ali, eu gostaria de saber quem era. Eu gostaria de saber quais eram as minhas habilidades; saber que eu podia fazer coisas fantásticas como ela havia feito o atacar, se defender e desviar do seu oponente. Mas eu não sabia. Eu me resumia a ser o garoto trêmulo que ainda estava chocado por descobrir um mundo que ainda não entendia — um com deuses e monstros —, sujando-se de sangue ao segurar no colo a garota ferida e implorando inutilmente para a sua vida não se esvair.

— Fr-Franz... —  disse fracamente a garota. Seus olhos puxados, de traços orientais, buscavam os meus, enquanto suas pequenas e finas mãos vacilavam ao tentar cruzar a distância que as separavam do meu rosto. Quando finalmente ancorou seus olhos nos meus e tocou-me fracamente, senti suas extremidades anormalmente gélidas, bem como senti que o fio que amarrava a sua alma àquele corpo estava para se romper. — E-eu... est-tou mor... morrendo...

De olhos lacrimejantes, eu neguei com a cabeça. Eu acariciei seu rosto e, automaticamente, limpei uma lágrima que escorria por seu rosto. Levei meus olhos para o ferimento que arrancava a ferro cada segundo de vida que ainda lhe restava, desejando como nunca saber uma maneira de estancar o sangramento. Kaya morreria e eu não seria capaz de fazer nada contra isso.

— E-está doendo... Fr-Franz, e-está do-doendo... — choramingava ela. Seu olhar passava a adotar aquele tom de distanciamento, não conseguindo focar-se nos meus, e mesmo sua respiração já fraquejava. Eu não aguentava mais ver aquele sofrimento. — Vo-você precisa... me... m-mat-tar... E-eu n-ão aguento m-mais...

Então, atrapalhada, ela resgatou um pequeno objeto caído ao seu lado: uma faca de lâmina bronzeada parecendo muito afiada, cujo punho era recoberto com couro. Ela entregou-me e, suplicante, repetiu a sua fala de antes. Ela estava em seu limite.

— E-eu não posso, Kaya — protestei. A minha voz falhava como se eu fosse o ferido, mas aquilo se resumia à negação de, propriamente dizendo, matar alguém que aproximou-se de mim e conquistou a minha confiança em tão pouco tempo. — Eu não posso fazer isso com você. Você vai sobreviver, eu sei... Você vai...

Ela silenciou-me com um olhar. Não sabia ao certo, mas pareceu-me ser de pena — era como se ela soubesse que não tinha mais salvação e risse ao ver minha esperança ainda viva, literalmente; os cantos da sua boca repuxaram-se para cima e revelaram seus dentes perfeitamente alinhados, no último sorriso que a Mahn-Sunwoo daria naquela vida. Uma pena que ele tenha durado tão pouco: ela pareceu sentir uma pontada em seu estômago e remexeu-se, gemendo alto pela dor.

— Faça — implorou, voltando a ter aquela expressão de sofrimento em seus olhos. Eu não me enganava: no fundo, sentia que ela estava partindo, sabia que acabar com o seu sofrimento era o melhor a ser feito. Foi por isso que, mesmo relutante, eu apoiei a faca no seu pescoço, onde a pulsação parecia mais forte, e ainda olhando diretamente em seus olhos eu a empurrei com força. A quantidade de sangue que saiu dali foi o suficiente para criar uma poça abaixo dela, fazendo-me tomar distância e encarar a cena com imenso horror.

Então, de uma hora para outra, ela parou de se agonizar. O local foi tomado por um silêncio sepulcral, em que nem mesmo a minha respiração ressoava, e um rápido arrependimento começou a se acumular em meu peito, fazendo-me andar vacilante até o corpo de Kaya.

Erro.

Quando dei o meu terceiro passo em sua direção, o cabelo loiro da garota começou a arder em chamas, bruxuleando solitariamente, enquanto sua pele parecia fumegar com vagarosidade. Então, num estalo, ela inteira se consumiu em chamas, armando um fogaréu dentro daquele galpão — que, em instantes, sumiu com o corpo da garota ao se extinguir tão fugaz quanto começou. Para a minha surpresa, seus pertences tinham sumido junto dela.

Eu larguei-me no chão, estupefato. Meu queixo caído e meus olhos esbugalhados não deixavam dúvida: a incredulidade quanto ao que eu tinha acabado de viver estava estampada na minha face. E como se só isso não bastasse, uma aura rosada cobriu meu corpo, fazendo-me respirar fundo e tentar fugir de mim mesmo. Um vidro fosco largado por ali me permitiu ver: sobre a minha cabeça, um estranho ankh parecia flutuar, como se sinalizasse a minha presença tal qual uma placa em neon.

Parecia loucura. Era demais para a minha mente, demais. Tanto que em seguida a única coisa que me lembro é de completa escuridão; então, inconsciência.

• • •

Meus olhos piscaram para se adequar à claridade do local. Despertar com uma luz forte sobre si não era uma das sensações mais agradáveis, afirmo, principalmente se você sequer conseguia se lembrar de onde estava. Tudo o que eu conseguia enxergar era um teto forrado, dotado de arabescos cuidadosamente entalhados em sua extensão.

Sentei-me bruscamente quando minha realidade me atingiu: Kaya, chamas, brilho, ankh. Olhei minhas mãos à procura da aura que me cobrira e procurei qualquer coisa espelhada para que pudesse ter uma visão melhor do meu corpo, buscando saber se o estranho símbolo que flutuou sobre mim ainda estava ali. Mas, para a satisfação dos meus padrões de normalidade, não havia nada; eu estava normal. No entanto, já parecia outro: não havia sangue em minhas roupas, que por sinal cheiravam a lavanda, e eu sequer tinha os ferimentos provenientes da batalha que enfrentei ao lado da minha amiga, pouco antes de vê-la morrer e ser consumida em chamas.

— Relaxe. O símbolo da reclamação desaparece rápido. São poucos os deuses que deixam uma benção forte nos seus filhos, como Afrodite, que inconvenientemente deixa uma benção por horas.

Num salto, eu olhei para trás. Meus olhos pararam sobre uma garota de cabelo platinado e curto sentada à minha frente, trajando uma camisa laranja, cuja estampa dizia "Acampamento Meio-Sangue", e uma calça jeans muito escura, aparentando ser recém-comprada. Ela estava sentada de pernas cruzadas, segurando uma xícara fumegante em mãos. Franzi o cenho ao perceber que só quando falou é que eu percebi a sua presença.

Havia também aquele... quarto. Parecia ser de uma casa com primeiro andar, pois a vista da sua janela era alta o suficiente para permitir a visão da copa de uma árvore próxima, parecendo ter sido plantada no jardim. A sua decoração era cuidadosa e milimetricamente planejada, tendo objetos combinando — variando entre vermelho, rosa e branco —, além de um carpete grosso e forros nas cores já citadas. Só não era muito rico em móveis: havia uma cama e um criado-mudo, além de um guarda-roupas e uma escrivaninha vazia, sequer tendo cadeira.

— Quem é você? E onde... — Detive-me. Forcei um pouco a minha mente, tentando montar uma linha cronológica, mas foi difícil; o exato momento da morte de Kaya havia sido confuso demais, soando aos meus neurônios como um borrão intercalado por flashes nítidos. Mas tinha certeza que depois de ver o ankh eu havia desmaiado, exausto. — Onde eu estou? Nunca vi esse lugar antes. E nunca vi você também.

A garota bebericou da sua xícara, fazendo com que uma pausa marcasse presença entre as minhas perguntas e a sua resposta. Parecia estar pensando na melhor forma de me responder.

— Você está em Vernon, Nova Iorque. Sabe, Estados Unidos da América, essas coisas... — respondeu-me calmamente. Estreitei meus olhos para ela negando internamente aquela informação. Eu não poderia estar em Nova Iorque. Eu cresci nas ruas de Ottawa, fugindo da polícia e me virando para sobreviver como podia — e, até onde sabia, nunca havia sequer saído do bairro em que morava. Como poderia, de repente, estar em outro país? — Eu sei. É difícil de acreditar. Mas você vai encontrar muito para duvidar nessa vida, então se fosse você eu economizava essa incredulidade aí. Eu te encontrei desacordado, e como estava numa missão de busca, só te trouxe para uma rápida parada antes do Acampamento Meio-Sangue. Achei até que acordaria rápido, mas pelo visto estava cansado demais. Você fez muito esforço físico nos últimos dias, dormiu pouco?

Flagrei-me sendo guiado por suas palavras da garota, como se a simples menção aos meus últimos dias me fizesse relembrar vividamente deles, sentindo até mesmo o cansaço mental que acumulei com o estresse da ocasião.

Nas minhas memórias, sabia bem: era início de noite. Eu havia marcado de me encontrar com Kaya no galpão que usávamos como lar, chegando cedo demais ao encontro marcado — afinal, o furto que fiz para o nosso jantar foi rápido o suficiente para me fazer adiantar a chegada. E como o esperado lá estava ela, sentada sobre um colchão velho e poeirento, coberta com casacos roubados e um lençol esburacado. Por sobre todo aquele o frio, seu sorriso ainda era caloroso.

— Já chegou? — lembro-me de ter ouvido-a perguntar. Sua expressão, apesar de surpresa, deixava clara o quão agradável era aquele inesperado. — Então a partida de hoje foi rápida. Ótimo, porque eu já estava morrendo de fome, não aguentava mais esperar. Não consegui nada o dia inteiro.

Eu a conhecia havia pelo menos dois meses. Ela apareceu completamente nua no meu galpão bem no meio da madrugada, desmaiando antes de dar qualquer explicação. Por ter crescido na rua desde que podia me lembrar, tendo encontrado todo tipo de gente e passado por todo tipo de situação, cuidadosamente a cobri e esperei desperto até que acordasse, tomando cuidado para não dar brechas para um possível furto pela parte dela. Quando se vive marginalizado, nunca se sabe o que pode acontecer.

Para a minha sorte, no entanto, ela era inofensiva. Acordou horas depois perguntando onde estava e dizendo que havia sido sequestrada logo antes de ser largada ali sem roupa alguma, encontrando o meu galpão como esconderijo antes de acabar desacordada. Ela me disse que seu nome era Kaya Mahn-Sunwoo — americana, descendente de sul-coreanos. Chegar em Ottawa, segundo ela, foi um puro acidente.

Ela pediu-me para ficar pelo galpão até ter estrutura suficiente para voltar para a sua casa. Em troca, me ajudaria como pudesse — e isso significou conseguir comida e limpar o galpão, como se eu tivesse conseguido uma colega de quarto. Me soou hilário semanas depois, quando flagrei-me pensando nos nossos últimos dias.

De certa forma, era como se Kaya não quisesse partir. Dia após dia, nossa rotina era a mesma: acordar, sair para conseguir alguma comida para o café e o almoço, voltar para o galpão, conversar besteira, arrumar nossa bagunça e então sair para conseguir o jantar — tudo na base do furto rápido, tanto que nem éramos notados pelos nossos alvos. Nunca falamos sobre o retorno dela ou mesmo sobre a sua família, assim como tampouco falávamos sobre mim.

— Hoje foi fácil. Tinha um turista dando sopa — lembro de ter comentado casualmente, sentando-me com ela e dividindo o hambúrguer e a porção de batatas-fritas. — Foi uma benção. Eu também estava faminto, cansado. Depois de tantos pesadelos seguidos e depois de ficar sem almoço hoje... nada mais normal.

Depois que comemos e falamos besteira entre as mordidas, paramos alguns minutos para descansar. Após o jantar era comum que conversássemos ainda mais lorotas, falando de prospecções futuras ou de devaneios complicados, mas aquele foi um dia atípico; algo parecia diferente entre nós, como se o ambiente estivesse pesado, tenso.

Ao ouvir passos próximos ao galpão, não demorei muito para entender o que era.

Não era comum ter ninguém por ali, pois ele ficava nos fundos de um prédio abandonado; em anos, só tinha recebido uma visita, e naquele exato momento ela estava abaixo de um cobertor surrado, trançando casualmente seus cabelos loiros. Chamei a sua atenção com um chiado baixo.

Kaya olhou-me de cenho franzido, custando a entender. Então, mais passos, e só aí ela percebeu: levantou-se com rapidez e andou até perto de mim, levando misteriosamente suas mãos às costas e olhando para a entrada do local. Ela sussurrou para mim, perguntando se não havia notado que alguém tinha me seguido, mas eu não tive tempo de respondê-la: o turista que anteriormente tinha me servido de alvo para o furto entrou com um sorriso triunfante no local, erguendo seu queixo e respirando fundo. Parecia estar farejando alguma coisa.

— Dois de vocês. Isso vai ser melhor do que eu esperava. — dizia, arrogante. Kaya olhou fundo em seus olhos e pareceu posicionar-se como quem estava prestes a lutar, tirando do cós da sua calça uma faca — a mesma que usei para aliviar o seu sofrimento momentos depois, inclusive. Ela resumiu rapidamente uma explicação complicada e ainda alegou que não tinha tempo para me explicar direito, mas que, se saíssemos daquela, contaria tudo em detalhes. Por enquanto, mandou que eu me preocupasse apenas com minha vida: me manter vivo era o objetivo.

Então, algo estranho ocorreu: a minha percepção do homem se alterou, mostrando uma versão mais grotesca sua, com músculos saltados e uma carranca terrível, somados a uma altura humilhante e ao mesmo sorriso arrogante de antes, só que mil vezes mais assustador. Já achava que aquilo era um pesadelo.

O que veio a seguir foi tão estranho quanto a transformação do turista, pois ele e Kaya entraram numa batalha ágil e sangrenta, culminando na morte do homem (que na verdade foi transformado em pó, misteriosamente) e em ferimentos graves para a garota e para mim, que a ajudei como pude, ainda que isso não significasse muito. Após isso você já sabe: eu aliviei seu sofrimento, a vi ser consumida em chamas e, então, passei pelo momento que a garota à minha frente chamou de reclamação.

A garota à minha frente.

Agitei a minha cabeça, espantando as cenas torturantes que povoavam as minhas memórias. Pareci ter ficado fora do ar por segundos, pois ela me olhava como se eu fosse uma bomba prestes a explodir... ou como o louco que eu já acreditava ser. Aquilo não fazia sentido. Kaya e o turista não faziam sentido. Ela não fazia sentido.

Eu só queria que a minha cabeça parasse de doer por alguns segundos, que tudo voltasse à normalidade.

— Eu sei, você só queria que a sua cabeça parasse de doer por alguns segundos e que tudo voltasse a ser como era. Acredite, quando eu soube, pensei exatamente assim. Tudo o que eu queria era que os deuses não existissem e que eu pudesse continuar sendo uma medíocre americana, não uma semideusa caçada por monstros.

Abri a boca para peguntar como ela sabia o que eu estava pensando, mas desisti no momento em que admitir que uma garota havia lido meus pensamentos seria bizarro demais. Preferi me sentar novamente na cama e esfregar meu rosto, tentando entender. Alguém tinha que me dar uma explicação muito boa para o que estava acontecendo ali.

— Olhe, é mais fácil do que parece — começou ela, falando sobre deuses gregos e como eles de fato existiam, sobre como eles mudaram de país para país à medida que o título de "potência mundial" mudava de nação para nação. Na atualidade, estavam nos Estados Unidos da América: seu lar era o Empire State Building e o Mundo Inferior ficava em Los Angeles, ou qualquer coisa parecida. Ela me contou que esses deuses tinham filhos com humanos e que, assim, eles acabavam gerando semideuses, afirmando que havia um local especial para eles chamado "Acampamento Meio-Sangue".

— Acampamento... Como essa sua camisa? Acampamento Meio-Sangue. Meio-Sangue... alguém meio humano e meio deus. Isso não faz o menor sentido — rebati. Ela tinha um sorriso divertido no rosto, como se o fato de eu estar acompanhando a sua explicação lhe fosse satisfatório. — Vai dizer também que acabou de ler a minha mente, que o cara que me atacou era na verdade um monstro e que a minha amiga na verdade era uma semideusa?

— Para quem acha tudo isso sem sentido, até que você consegue ligar os pontos com velocidade. — Era claro: eu ainda não acreditava, e com toda a razão. O acúmulo de informações na minha mente fazia tudo se embaralhar, por mais que eu tivesse certeza do que havia visto e do que estava vendo. Eu levaria tempo para me acostumar à ideia e, mesmo assim, eu precisaria de mais provas para realmente acreditar naquilo. — Se ainda estiver duvidando, olhe pela janela. Tem um hipogrifo deitado próximo à árvore, descansando após o extenso percurso de Ottawa para cá. Garanto que você está lúcido o suficiente para notar isso.

E mesmo relutante, eu olhei. Um animal do tamanho de um corcel, com a metade frontal de ave e a metade posterior de cavalo — com pelos e penas prateadas, com bico, cascos, garras e tudo mais que se tinha direito — estava deitado à sombra da árvore, parecendo piar baixo a cada respirada do seu sono profundo. Mesmo à distância, a vista era magnífica. Magnífica e inacreditável.

— Mas que... Jesus.

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Então, ficou meio confuso, mas fiz o possível para ficar lindo, lindo. A ideia da ficha era deixar mesmo uma estrutura vaga para a trama do personagem, elencando apenas pontos fundamentais: estadia nas ruas de Ottawa; encontro com Kaya (conta existente - e minha); morte de Kaya; encontro com Renesmee (garota que o resgatou, sendo uma conta existente - e minha). Isso porque muito do que eu quero desenvolver vai ser relacionado a ganhos materiais (itens, poderes, maldições, mascotes...) e essas informações soariam repetidas se eu as colocasse aqui e, posteriormente, em uma missão. No entanto, eu fiz o necessário para a aprovação, em resumo sendo isso: narrei pinceladas da sua trama pessoal, narrei o momento da reclamação e narrei como ele ficou sabendo do mundo mitológico, ainda deixando uma brecha para questionamentos adicionais.

Kaya é uma filha de Deimos, aliás. Futuramente ganharei uma maldição para ela que vai explicar essa sua morte, sendo relacionada a uma fênix (que a faz renascer dolorosamente, ardendo em chamas - algo que tinha acontecido logo antes de ela conhecer François, quando apareceu repentinamente em seu galpão). Renesmee, por sua vez, estava em uma missão de busca no Canadá, relacionada a resquícios de um evento daqui: Les Revenants (em que semideuses buscavam filhos de Macária misteriosamente renascidos, ainda que François não seja um revenante e ainda que a missão tenha acontecido dias depois deste acontecido, uma vez que foi apenas um rápido averiguar de pistas para saber se não havia mais ninguém desgarrado por aí; por sorte, ela encontrou o semideus, retirando-o do local e levando para uma casa da sua família, em Vernon, NY).
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Atena em Qui 24 Nov 2016, 22:42


➤ Clicando aqui você irá encontrar o sistema de avaliação que deu base para os descontos aqui apresentes.
➤ Clicando aqui você poderá entender melhor o motivo de ter perdido essa quantidade de MP.  
➤ Clique aqui para entender melhor o sistema de DIY, aqui para saber mais sobre SM, e aqui para entender as dificuldades de uma missão.
Olá, Colen! Espero que esteja se sentindo muito bem vindo aqui no fórum! Qualquer dúvida, qualquer uma que tiver, não se envergonhe e me mande uma MP que lhe responderei o mais breve possível.

Agora, vamos pra sua avaliação:

Eu senti que você tentou fazer um personagem bem real, principalmente na parte da descrição, que eu particularmente acho bem chato de criar. Existe alguns aspectos que acho bom você melhorar de início, vamos lá.

Tente preencher mais a história, deixe o leitor realmente dentro daquilo que você escreveu. Fale como as coisas eram, o que aconteceu, o que ele sentiu, cores, detalhes, recheie mais seu texto. Não estou dizendo que você deve escrever uma bíblia, afinal tamanho não é qualidade, apenas sugiro que tente deixar a situação que você está escrevendo mais atrativa, entende?

Outro ponto, tente evitar a repetição do nome "Cole", use coisas como "ele" ou algo assim. Mas, crucialmente, espero que melhore a forma como narra a luta/combate. Como eu disse antes, detalhes, tente fazer com que ela não pareça algo 'jogado' na ficha, e leia várias e várias vezes para ter certeza que todas as suas ações e as ações dos monstros e de seus companheiros fazem sentidos e que não são um exagero ou incoerentes. Sugiro que leia missões de jogadores experientes e ou que peça ajuda particular de algum monitor, todos estamos aqui para lhe ajudar.

Cole Undameno você foi reprovado.


OBS: A ficha do player François Baudelaire foi posta na responsabilidade de outro avaliador
Qualquer dúvida/reclamação/mimimi/elogios/desabafos/recalques ou se quiser conversar (aw ♥), me mande MP ou contate em qualquer rede social.


O sábio escuta, o tolo discute
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Isobel em Sex 25 Nov 2016, 00:30



Avaliação

François Baudelaire

Olá! Tudo bom? Quando comecei a avaliação já começou um certo encanto por conta do template e tal... Notei em como você deve ler mais do que a média, pela qualidade de escrita, riqueza de vocabulário e tudo o mais. Estava indo muito bem, mas eu encontrei alguns erros que talvez com uma revisão você poderia notado como:

François Baudelaire escreveu:Por sobre todo aquele o frio, seu sorriso ainda era caloroso.

Tem um ponto muito importante, que me deixou com um nó na cabeça tão grande que me impediu continuar a leitura, sem sair pesquisando as localidades das cidades Ottawa, Vernon e Long Island. Então fiquei me perguntando (Se ela chegou até Vernon, o que impediu ela de chegar ao acampamento?) A viagem durou apenas um dia? Por quanto tempo ele ficou desacordado? A viagem em si ficou, de fato, incoerente e confusa.

Mas mesmo assim, a leitura foi envolvente - apesar de ser um texto extenso - e não vejo motivos para jogar todo o seu trabalho fora, por conta de uns errinhos ortográficos e um furo de localidades.

François Baudelaire, reclamado filho de Macária, a deusa da Boa Morte!
thanks juuub's @ cp!  
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Rhae em Ter 29 Nov 2016, 18:53

- Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Desejo ser uma dríade.  Minha personagem é uma criatura doce e meiga, que exala um suave perfume natural por si só. Sempre gostei de ser personagens assim, com essa personalidade, e ela combina com uma ninfa de carvalho, uma protetora da natureza.  Não só por isso, mas também pelo RPG não possuir muitos membros que são dríades, e eu me sentiria bem ocupando um espaço diferencial em quantidade.

- Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas)

Rhae tem a pele bronzeada naturalmente, com cabelos longos ondulados e da cor do chocolate. Sua estatura é baixa, sua altura mal chega aos 1.60, embora tenha um corpo desenvolvido, porém magro.  Seus olhos são da cor de amêndoas, e são circulados por cílios extremamente escuros e abundantes.
A dríade é conhecida por sua vasta paciência e um estado de humor constantemente alegre. Não se irrita facilmente, mas se for irritada, o rancor será guardado por bastante tempo.  Mostra-se constantemente solícita para ajudar seres femininos, porém é muito tímida diante da presença masculina, já que teve que fugir de sátiros loucos muitas vezes em sua vida.

- História do Personagem
Numa noite estrelada em que a lua estava em seu auge, completamente cheia, uma pequena árvore nascia. Era um carvalho-roble, uma caducifólia que possui uma copa redonda e ficaria bem extensa com o passar dos anos.  Junto com ela uma menininha nascia também, parecendo ter por volta dos 10 anos de idade, apesar de ter acabado de ser criada.

As dríades dos bosques vizinhos batizaram-na Rhae. Não tinha um certo significado, era somente por ser um nome considerado bonito e exótico, assim como a menina. Ela era sempre alegre durante a primavera e o verão, um pouco deprimida durante o outono e mais introvertida no inverno. Mas mesmo com suas fases, conseguia conquistar a afeição de suas amigas dríades e até de alguns sátiros – no qual sempre fugia.  

A menina viveu por muitos anos somente nas florestas, tecendo cestas de trigo ou objetos parecidos, ou cantando à luz do luar para fazer com que as plantas germinassem mais rápido. Até que, em um dia em que Rhae estava distraída brincando com as flores, humanos apareceram no seu bosque.  Assustou-se com os mesmos, e rapidamente se escondeu em uma árvore próxima. Nunca havia visto algum antes, somente ouvia falar sobre eles em lendas. Pensava inclusive que não passavam somente de mitos folclóricos para fazer com que as dríades menores não se afastassem muito de suas árvores originais, para protegê-las. Mas não era.  Um grupo de lenhadores apareceu em frente ao seu carvalho-roble.

Ela tremeu de medo. Suou frio enquanto o grupo de homens – altos e com um ótimo porte físico – se aproximavam com gigantes machados. “O temível machado” ela pensou. Esse era o instrumento que humanos utilizavam para cortar árvores e matar diversas dríades! Ela não poderia deixar que isso acontecesse.

Num momento louco de coragem misturada ao desespero, Rhae pulou da árvore até um lenhador enquanto ele se preparava para cortar sua árvore.

- TIRE SUAS MÃOS IMUNDAS DO MEU CARVALHO, HUMANO!

Foi o que ela disse. Lembrando que ela ainda aparentava ser uma criança, mas dessa vez por volta dos 13 anos.  
Ela agarrou a cabeça de um deles e girou ferozmente sobre ela, gritando com fervor. Os outros homens, que eram apenas mais dois, pareciam não entender o que se passava. Um deles simplesmente riu da situação, obviamente não vendo a menina como uma ameaça. O lenhador em que Rhae “atacava” conseguiu tirar a dríade de cima de sua cabeça e a colocou no chão.

- O que você está fazendo aqui, menina? Está  louca? – o mesmo disse, com uma expressão engraçada em seu rosto, como se não soubesse se ria ou se ficava surpreso.

Mas Rhae não demonstrou medo algum, apesar de estar terrificada. No exato momento começou a cantar, e alguns troncos de árvores prenderam os três homens, que gritaram sem entender e xingaram a menina. Ela correu velozmente até a anciã dríade do bosque local, que assumiu a situação. Rhae nunca soube do que aconteceu com os homens, mas nem queria saber.  Foi nesse momento que o Acampamento começou a ser construído, e ela estava curiosa para conhecer os tão famosos semideuses.

Com o passar dos anos, Rhae deixou de ser uma menina e aprendeu melhor a controlar a natureza ao seu redor.  Ela demorou para chegar à maturidade, já que o tempo de vida de sua árvore é grande. Nos tempos  atuais, Rhae teria a aparência de uma garota no fim de sua adolescência. A mesma realiza alguns trabalhos instrutores com chicote no acampamento, já que tem uma habilidade natural para tal e que aprendera em sua “adolescência” com ninfas mais velhas, e realiza períodos nos campos de morangos, colhendo as frutas. Evita contato humano devido às más experiências, mas conversa de vez em quando.
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Darya Archer-Gilligan em Ter 29 Nov 2016, 22:09


Avaliação




Rhae Solecnocsav
Olá! Primeiramente queria te desejar as boas-vindas ao fórum (seja essa a sua primeira vez ou não). Devo dizer que fiquei bem feliz com a sua escolha por dríade, os seus motivos sendo genuínos. Não sei se é o meu humor (q), mas sua escrita me passou uma sensação de tranquilidade e calma; além disso, achei bem interessante e original a sua interpretação dos humanos como "criaturas mitológicas" (uma certa inversão de papel à qual não estamos acostumados e, pessoalmente, eu nunca levei em conta). Contudo, não posso deixar certas críticas de lado, sendo o ponto mais grave foi em relação à coerência. Durante o momento do "confronto", sua personagem utiliza habilidades incoerentes com o nível da mesma; lembre-se que por mais velha ou experiente a sua personagem seja, ainda está restrita ao sistema de habilidades por níveis. Caso queira consultar as habilidades de dríades, as mesmas se encontram aqui(link).

Também chamo a sua atenção para a forma com que certos períodos ficam estruturados. Por exemplo:

Sua estatura é baixa, sua altura mal chega aos 1.60, embora tenha um corpo desenvolvido, porém magro.

Leia a frase acima em voz alta. Não soou muito bem, certo? Em ocasiões desse tipo é interessante que tente se alterar a organização da sentença até que se chegue a um resultado que soe melhor. Veja como uma simples reestruturação pode fazer diferença:

De baixa estatura, sua altura mal chega aos 1.60m, sendo o seu corpo, embora magro, desenvolvido.

Também recomendo que detalhe melhor as suas ações. Não ficou muito claro, por exemplo, o que a sua personagem fez no trecho "Ela agarrou a cabeça de um deles e girou ferozmente sobre ela, gritando com fervor.", sendo necessário não apenas reler a sentença algumas vezes quanto avançar no seu texto para entender a movimentação. Tente evitar ambiguidades do tipo e, novamente, ler em voz alta e tentar enxergar sentido no que foi dito.

Além disso, aconselho que dê uma lida no tutorial para fichas de reclamação (link), sendo algo que pode te esclarecer em alguns quesitos.

Posto principalmente a questão de coerência, não vejo escolha a não ser reprová-la. Porém não desanime, ok? Apenas atente-se aos pontos citados e torne a postar a sua ficha. Havendo qualquer dúvida, reclamação, desabafo (ou qualquer, qualquer mesmo, coisa em que possamos ser úteis), não hesite em contatar a mim ou a outros monitores (identificados com um @ no chatbox) e deuses. Bem vinda novamente e boa sorte.

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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Psiquê em Qua 30 Nov 2016, 15:39




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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Rhae em Qui 01 Dez 2016, 09:29

- Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?


Desejo ser uma dríade.  Minha personagem é uma criatura doce e meiga, que exala um suave perfume natural por si só. Sempre gostei de ser personagens assim, com essa personalidade, e ela combina com uma ninfa de carvalho, uma protetora da natureza.  Não só por isso, mas também pelo RPG não possuir muitos membros que são dríades, e eu me sentiria bem ocupando um espaço diferencial em quantidade.

- Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas)

Rhae tem a pele bronzeada naturalmente, com cabelos longos ondulados e da cor do chocolate. De baixa estatura, sua altura mal chega aos 1.60m, sendo o seu corpo, embora magro, desenvolvido. Seus olhos são da cor de amêndoas, e são circulados por cílios extremamente escuros e abundantes. 
A dríade é conhecida por sua vasta paciência e um estado de humor constantemente alegre. Não se irrita facilmente, mas se for irritada, o rancor será guardado por bastante tempo.  Mostra-se constantemente solícita para ajudar seres femininos, porém é muito tímida diante da presença masculina, já que teve que fugir de sátiros loucos muitas vezes em sua vida.

- História do Personagem

Numa noite estrelada em que a lua estava em seu auge, completamente cheia, uma pequena árvore nascia. Era um carvalho-roble, uma caducifólia que possui uma copa redonda e ficaria bem extensa com o passar dos anos.  Junto com ela uma menininha nascia também, parecendo ter por volta dos 10 anos de idade, apesar de ter acabado de ser criada. 

As dríades dos bosques vizinhos batizaram-na Rhae. Não tinha um certo significado, era somente por ser um nome considerado bonito e exótico, assim como a menina. Ela era sempre alegre durante a primavera e o verão, um pouco deprimida durante o outono e mais introvertida no inverno. Mas mesmo com suas fases, conseguia conquistar a afeição de suas amigas dríades e até de alguns sátiros – no qual sempre fugia.  

A menina viveu por muitos anos somente nas florestas, tecendo cestas de trigo ou objetos parecidos, ou cantando à luz do luar. Até que, em um dia em que Rhae estava distraída brincando com as flores, humanos apareceram no seu bosque.  Assustou-se com os mesmos, e rapidamente se escondeu em uma árvore próxima. Nunca havia visto algum antes, somente ouvia falar sobre eles em lendas. Pensava inclusive que não passavam somente de mitos folclóricos para fazer com que as dríades menores não se afastassem muito de suas árvores originais, para protegê-las. Mas não era.  Um grupo de lenhadores apareceu em frente ao seu carvalho-roble. 

Ela tremeu de medo. Suou frio enquanto o grupo de homens – altos e com um ótimo porte físico – se aproximavam com gigantes machados. “O temível machado” ela pensou. Esse era o instrumento que humanos utilizavam para cortar árvores e matar diversas dríades! Ela não poderia deixar que isso acontecesse. 

Num momento louco de coragem misturada ao desespero, Rhae pulou da árvore até um lenhador enquanto ele se preparava para cortar sua árvore. 

- TIRE SUAS MÃOS IMUNDAS DO MEU CARVALHO, HUMANO! 

Ela pulou da árvore até uma distância próxima de um dos homens e pegou um chicote feito de cipó que se encontrava preso ao seu cinto, ameaçando-o.

Lembrando que ela ainda aparentava ser uma criança, mas dessa vez por volta dos 13 anos.  
Os outros homens, que eram apenas mais dois, pareciam não entender o que se passava. Um deles simplesmente riu da situação, obviamente não vendo a menina como uma ameaça. O lenhador em que Rhae tentava ameaçar simplesmente gargalhou.

- O que você está fazendo aqui, menina? Está  louca? – o mesmo disse, com uma expressão engraçada em seu rosto, como se não soubesse se ria ou se ficava surpreso. 

Mas Rhae não demonstrou medo algum, apesar de estar terrificada. Ela pegou impulso, levando o braço para trás e para frente, junto com o chicote, e chicoteou o chão próximo ao homem que falava com ela.

- Eu estou avisando, saiam logo daqui. Vocês não deveriam estar aqui, é uma área florestal protegida!

Os três se entreolharam com um sorriso de lado, e um deles resolveu se pronunciar.

- E quem vai nos impedir? Você? Uma menininha brincando de cowboy com esse chicote?

Ela não sabia o que seria um "cowboy", mas levou aquilo como ofensa. Chicoteou o estômago daquele lenhador e gritou por ajuda. Os outros dois lenhadores agarraram-na por trás e tiraram o chicote de suas mãos, e embora a menina tentasse se soltar, esperneando e gritando, ela não conseguiu. Até que um deles bateu em sua cabeça e ela perdeu a consciência.

No dia seguinte ela acordou novamente em sua árvore. Por um momento, pensou que tudo aquilo havia sido um sonho, mas descartou a ideia ao sentir a dor em sua cabeça. Saiu da árvore e encontrou com uma dríade anciã daquele bosque, que disse a ela para descansar e ficar tranquila, pois elas haviam tomado conta dos humanos. Rhae nunca soube do que aconteceu com eles, mas nem queria saber.  

Semanas depois, foi dada a notícia de que um  Acampamento para semideuses começaria a ser construído, e ela estava curiosa para conhecer os tão famosos filhos dos deuses com mortais.

Com o passar dos anos, Rhae deixou de ser uma menina e aprendeu melhor a controlar a natureza ao seu redor.  Ela demorou para chegar à maturidade, já que o tempo de vida de sua árvore é grande. Nos tempos  atuais, Rhae teria a aparência de uma garota no fim de sua adolescência. A mesma realiza alguns trabalhos instrutores com chicote no Acampamento, já que tem uma habilidade natural para tal e que aprendera em sua “adolescência” com ninfas mais velhas, e realiza períodos nos campos de morangos, colhendo as frutas. Evita contato humano devido às más experiências, mas conversa de vez em quando.

Obs.: Desculpe pelos erros, realmente eles precisavam ser corrigidos. Espero que agora a ficha esteja completa! Obrigada pela atenção aos detalhes :)
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Isobel em Qui 01 Dez 2016, 16:30

(B)ounty
Rest in the quick sand
Primeiramente, minhas boas vindas ao fórum! Depois, eu queria dizer que eu li as duas versões da ficha. É bem empolgante para mim que haja uma nova dríade no acampamento, principalmente por eu ser a única dríade ativa no fórum.

Sobre a sua ficha anterior, note que você foi reprovada por questões de coerência que é o que mais pesa em todas as avaliações por aqui. Confesso que não notei grande evolução de um texto para o outro, talvez por se tratar da mesma história e também ser uma versão corrigida do texto anterior.

Não vejo motivos para não aprová-la, mas como da monitoria das dríades, me vejo na obrigação de lhe dar algumas dicas.

Use templates. Essa é uma prática amplamente utilizada pelos players aqui no fórum para deixar o texto esteticamente atraente e, consequentemente, deixar a leitura um pouco mais interessante. Sugiro que o texto seja postado em forma justificada, não de forma centralizada. Desta forma você pode usar o 'code' de centralizado para um título ou uma informação de maior destaque.

Quando se narra em terceira pessoa, não é muito fácil imprimir as emoções dos personagens. Eu sofro com isso e sei que é realmente complicado, mas não é impossível. Dramatize sem dó! Esse aqui é um jogo de interpretação, e quanto mais você coloca de personalidade e quanto mais autêntico for, mais interessante fica o seu texto.

Rhae, protetora do carvalho-roble!
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Marvin Morrysson em Sab 03 Dez 2016, 15:30

Ficha De Reclamação



- Thanatos

-Físicas, um garoto pálido de olhos vermelho escuros, com braços magros e aparência mórbida, cabelos negros e arrepiados em um topete, usa roupas comuns e camisas de banda maiores que seu tamanho, de vez em quando usa uma blusa preta com capuz, porém só a usa quando está de mal-humor.

-Emocionais, é um garoto centrado, tenta ignorar o fato de nunca ter tido um pai por perto, já que desde os 11 anos já sabia que o pai era um deus grego. Gosta de passar o tempo treinando suas habilidades e se aprimorando, já que sempre acha que não está forte o suficiente.


- Thanatos é um deus que tem muitas semelhanças com o personagem, e o único "substituto" de Hades, já que não tenho experiência para jogar como filho de um dos 3 grandes. Mas acabei achando a dinâmica de Thanatos mais interessante conforme fui lendo mais à respeito.


Marvin era um garoto estranho, nenhuma criança gostava dele na escola, ele era sempre caçoado, e alguns até tinham um pouco de medo dele, já que morava no terreno de um cemitério. Sua mãe morava sozinha com ele, e eles não tinham muito dinheiro para se sustentar, então ela alugou um casebre no cemitério local, desde então a família ficou conhecida como "Os caras emos", muitos achavam que pelos cabelos da mãe serem ajeitados em uma franja ela tinha uma certa ligação com a cultura emo, e se mudar para um cemitério não ajudava na defesa de tal indicação, mas na realidade ela se mudara para alí para sempre ter a proteção de seu ex-marido Thanatos, para que seu pequeno Marvin pudesse desfrutar de uma vida saudável.

Marvin costumava causar calafrios até nos adultos, já que no primário era pego conversando com corvos, alguns professores indicaram psiquiátras para a mãe, Emma, mas ela não o levou, pois sabia que isso era um dom dado a ele.

Em certa noite Marvin foi pegar um copo de leite na geladeira, sua mãe dormia, então, ouviu um barulho estranho vindo lá de fora, ele nunca teve medo, muito menos do escuro, pelo contrário, se sentia confortável nele, então, foi ver o que havia acontecido, quando em um repente, a porta foi quebrada e um Javali enorme entrou pela porta, ao que parecia, ele viera de um monte que ficava atrás da casa, nesse momento Marvin pulou para a frente e uma foice surgiu das sombras em suas mãos, ela foi suficiente em um golpe, para abater a fera, os grunhidos do bicho, porém, acordaram sua mãe, que ao ver as duas metades de um monstro selvagem em sua sala de estar, falou para o filho toda a verdade sobre seu pai, e este se conformou e resolveu adotar as filosofias do pai como suas.
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Lavínia Cavendish em Sab 03 Dez 2016, 20:13



Avaliação


Marvin Morrysson — Reprovado como filho de Tânatos

Olá Marvin! Seja bem vindo ao fórum. Bom, meu conselho pra você é ler algumas das fichas aprovadas e tomar como uma base para sua história. Achei a narração muito corrida, sem maiores detalhes ou particularidades. Apesar da ficha para Tânatos ser considerada menos rigorosa, deve tentar fugir dos clichês e realmente dar vida ao seu personagem.

Outro ponto que destaco é a questão da reclamação do personagem — hora em que o deus faz aparecer o símbolo sobre a cabeça do meio-sangue, sabe? Dê a devida atenção ao fato, já que é a parte mais importante desse teste.

Caso precise de maiores explicações, sinta-se livre pra me contatar via MP, posso ajudar no que for possível em literalmente qualquer coisa. Não desista, espero avaliar sua próxima ficha e aprová-lo como emo cria de Tânatos!

Dúvidas, reclamações, desabafos: MP
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white winter hymnal


I was following the pack all swallowed in their coats, with scarves of red tied round their throats, to keep their little heads from fallin in the snow and I turned round and there you go...


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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Psiquê em Dom 04 Dez 2016, 13:44




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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por James Harper Winchester em Qua 07 Dez 2016, 15:45

- Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê? Héstia, pois além de ela ser a minha deusa predileta em toda a mitologia grega, combina com a trama que planejei para James.

- Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas)

Apesar de sempre ter gostado de literatura, bibliotecas e estudo, sempre me mantive em atividades esportivas, tendo assim um físico bom. Nada comparado aos corpos enormes dos jogadores de futebol americano, estou mais para um corpo esbelto e definido, cabelos desgrenhados que dificilmente perco tempo penteando, olhos claros que variam um pouco o tom dependendo da luminosidade.

Além disso costumo usar roupas básicas, nada de cores vibrantes, normalmente preto, branco e cinza ou até azul que vem a ser a minha cor preferida.

Falo bastante, essa é a minha principal característica com certeza, sempre procuro algo para falar ou comentar, talvez para disfarçar meus defeitos como timidez perto de meninas e um pouco de insegurança com as novidades, ser um semideuses por exemplo. Sou bem atento a tudo que acontece, curioso ao extremo e bem carinhoso com as pessoas que são boas comigo, levando até a ser protetor, acho que isso me levou a ser expulso algumas vezes das escolas...

Tirando a mulher do meu pai, gosto bastante da minha família e sei que vou me dar bem com meus futuros irmãos, sou muito racional em determinadas situações e amante da leitura e músicas.

- História do Personagem

Meu pai chegou a casa informando que eu iria com ele para Nova York no fim de semana, seria uma viagem grande até lá, já que moro em Londres. Meu pai se chama George Winchester, ele é um dos diretores da área de ciência humanas da universidade de Oxford em Londres, então é normal ele viajar pelo mundo em conferências, pensei ser mais uma, mal sabia que tudo fora planejada para mim.

Subi as escadas da casa para meu quarto, joguei uma mala preta na cama para arrumar minhas coisas, em uma mochila de mão coloquei alguns biscoitos, água e livros para passar o tempo durante a viagem com meu lazer predileto. Quando peguei meu MP4 em cima do criado mudo eu percebi uma foto minha, mais novo, no colo do meu pai as margens do rio Tâmisa, comecei a lembrar-me do passado. Meu pai me criou praticamente sozinho, jamais mencionou como conheceu minha mãe ou onde, porém pela minha idade eu sabia que fora nos Estados Unidos onde ele deu aula por dois anos. Para auxiliá-lo ele contou com meus avós que moraram na minha casa até que ele conheceu uma mulher, Julie Harper.

Durante meu crescimento eu apresentava uma facilidade no aprendizado, comecei a falar bem antes que os outros e por gostar das noites que meu pai contava história, quando eu dormia com minha avó ela não lia para mim, então aprendi a ler para dormir tranquilo, foi o primeiro passo para meu passatempo predileto. O tempo passou e fui crescendo, uma criança como outra qualquer, tirando apenas os problemas de dislexia que me obrigava muitas vezes a usar lentes corretivas. Eu tinha alguns amigos, nenhum inimigo e excelentes notas na escola, passava o resto do dia em casa, tudo normal e feliz até a chegada de minha madrasta.

Assim como meu pai, Julie era uma professora, belos cabelos loiros caídos nos ombros, porém nunca gostou de mim, talvez por eu ter sido fruto do relacionamento que meu pai diz ter sido o melhor. Eu tinha onze anos quando comecei a me sentir mal em casa, como se não fosse meu lugar e se acentuou quando ela ficou grávida e passou a não trabalhar pela gestação e depois criação da Mary, logo ela quem convivia comigo o dia todo e não mais meus avós. Cada vez mais eu ia para biblioteca usá-la como fuga da minha realidade e deu certo, ler agora era parte da minha vida.

Tudo isso ficou no passado agora, tenho 16 anos sou mais independente, nem mesmo a Julie se intromete na minha vida por que evito falar com ela, até gosto da minha meia irmã Mary. Vesti um casaco por que meu pai me esperava na porta de entrada de casa, despedi-me da minha irmã com um beijinho e um sorriso falso para madrasta, claro que ela não gostou e me olhou torto. Quando estávamos entrando no táxi meu pai disse:
- Ainda contra meu relacionamento com a Julie, Jay?
- Não pai, só não gosto muito da Julie.

Entramos quietos até as primeiras curvas quando eu perguntei:
- Conferência pai?

-Não filho, dessa vez é para sua segurança.

- Como assim?

-Não falaremos sobre isso agora.

Eu já conheço meu pai o suficiente para saber que não adianta forçar uma conversa quando em seus planos ela ocorrerá em outro momento então mantive minha atenção no livro que tinha em mãos. Pegamos o voo pela tarde, chegaríamos de noite aos Estados Unidos. Um pouco depois de decolar achei que era hora de descobrir quais eram os problemas com minha segurança.

- Pai, por que estamos indo a Nova York?

- Bem filho, isso tem haver com sua mãe e quem ela é. Eu a conheci durante uma conferência em Stanford onde dei aula por dois anos. Rtornou com você nos braços após ter sumido me contando tudo sobre ela e que você teria que ser criado longe dela, eu apenas respeitei e te trouxe comigo para Londres.

-:E por que agora estamos voltando?

- Sua mãe me disse que quando atingisse certa idade não poderia ficar em qualquer lugar por que existem seres que ameaçariam sua vida, por isso teria que levar você no único lugar seguro.

- Quem é minha mãe?

- Uma mulher importante e única, a mulher que mais amei, mas por agora não deve saber mais, pois será mais perigoso.

Olhei meu pai com certa dúvida, somente agora que ele me contava essas coisas e realmente estava nervoso e preocupado, por que a todo o momento ele coçava sua cabeça, coisa que eu também faço quando estou nervoso. O avião pousou de noite e não fomos para nenhum hotel descansar, pegamos um carro já alugado antes da viagem em uma agência perto do aeroporto e pegamos a estrada. Eu consegui ler que estávamos indo para Long Island, sabia apenas que era uma das ilhas que compõe Nova York assim como Manhattan.

- Pai, onde estamos indo?

- Para sua nova casa filho, o único lugar seguro. Sua mãe têm outros filhos, terá outros garotos especiais como você.

- Especiais como problemáticos?- Digo por que sempre fui taxado com mais inteligente que os outros, logo o diferente sempre é um problema. Não gostava de tirar dez sempre por isso, errava questões de propósito e muitas vezes eu errava no meio da aula somente para parecer como os outros, para tentar ser normal. - Eu sou um problema?

- Não filho, você é melhor que os garotos comum e também mais importante, contudo deve ser trenado para fazer a diferença. Estamos chegando pelo endereço dado.

Olhei pela janela apenas mato a minha direita e uma trilha aberta. O carro parou ao lado do caminho de terra, virei para meu pai em dúvida e ele sorriu dizendo:

- Basta seguir esse caminho e chegará ao Acampamento Meio Sangue. Quando alguém lhe perguntar quem é sua mãe, diga o nome dela, Héstia.

Peguei minhas coisas e caminhei no escuro ouvindo o barulho vindo de algo a minha frente. Quando atingi o topo da Colina, após encontrar uma placa eu tive uma impressão leve de que meu pai estava certo, de que aqui é meu lugar.

Assim que entrei no Acampamento, o símbolo de uma lareira brilhou acima da minha cabeça, indicando que eu era um filho de Héstia.
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Romeo Brunworn em Sab 10 Dez 2016, 08:09


Escolhi Melinoe como a mãe de Romeo. Os poderes da deusa casam perfeitamente bem com o que eu planejei para a personagem, e por isso eu gostaria que fosse reclamado por ela. A Mediunidade consegue suprir a necessidade da personagem de ficar sozinha e é um bom motivo para ser rejeitado pelos mortais.


PERSONALIDADE. Romeo não chega a ser astuto, embora tenha um raciocínio rápido e uma bravura razoável. Regularmente, enfrenta perigos inesperados decorridos do estilo de vida perigoso e precisa de pulso firme para superá-los. Geralmente, passa a maior do tempo sozinho ou conversando com fantasmas, embora não seja nenhuma espécie de antissocial ou sociopata. Sua preferência pela reclusão é clara, mas não o impede da comunicação social. Para Brunworn, confiar em si mesmo é essencial e, apesar da ambivalência da sua personalidade, também transmite o sentimento à outras pessoas. Não é alguém que se arriscaria para auxiliar alguém, por mais próximo que seja. A autossegurança é mais relevante que qualquer outra coisa.


APARÊNCIA. Os cabelos razoavelmente longos não destonam de sua coloração original em muito, sempre tingidos em um marrom claro. Os olhos esverdeados são o contraste do seu rosto empalidecido que compartilham da desentoação com as madeixas. Romeo possui uma suavidade etérea nas suas feições, bastante suaves e precisas. O nariz pequeno e os lábios consideráveis, em conjunto com o rosto magro e a estatura elevada o fazem parecer bonito. As vestimentas não são capitais para o garoto, que utiliza o que for mais confortável ou necessário na ocasião. Sendo bastante distante do luxo, não se importa em vestir roupas baratas ou, até mesmo, rasgadas.


— Eu já tive muitas formas. Há muitos anos atrás eu fui um elefante. Morri quando tentaram me caçar para arrancar as minhas presas de marfim. É realmente angustiante passar pelo fim do túnel, sabe, Liza.

Romeo estava acomodado em um dos quatro cantos do cômodo rústico e azulado que tinha para dividir entre si mesmo e as aparições que somente o próprio era capaz de ver. Sua estadia no orfanato era isolada, já que as outras crianças e adolescentes não gostavam da sua companhia. Portanto, isolar-se em uma única sala não era uma opção ou uma prioridade; era uma condição obrigatória. Liza era a personagem mais frequente dos seus delírios. A amiga de longa data sempre possuía uma história na ponta da língua para contar e entreter Romeo. Para acompanhá-la, o rapaz tratava de pôr em prática toda sua criatividade para arquitetar seus contos de vidas antepassadas.

— Eu entendo como é. Quando eu parti de onde você está, foi bastante difícil e doloroso.

Liza não passou da idade que Romeo possuía. Os dezoito anos foram limitados por uma corda em seu pescoço, que foi presa em uma pedra e atirada no fundo de um lago. Apesar de nunca ter contado com muitos detalhes como foi que teve sua juventude subtraída, o órfão desconfiava que sua própria mãe a tivesse confiscado o direito de viver. Seus relatos eram sempre vagos e inconsistentes, mas remetiam sempre num ponto fatídico: a mãe de Liza nunca gostou de tê-la como filha. Não pela sua sensatez ou pela sua incrível e controversa rebeldia zelada, mas por nunca ter desejado compartilhar da herança do bisavô. Liza era adorada pelo ancião, que adicionou seu nome no testamento com a maior parte dos bens.

O fantasma esteve presente em todos os momentos, desde a pouca idade de Romeo. O primeiro contato entre os dois aconteceu no instante em que, ainda criança, o garoto foi abandonado na porta do orfanato. Liza foi a única capaz de consolá-lo. De primórdio, houve um estranhamento derivado da forma como Brunworn falava sozinho — sobrenome que Liza o deu, que anteriormente pertencia ao seu único e excepcional amigo, que também faleceu. Desde então, ambos compartilham de um sentimento de afeto mútuo, um pelo outro. O laço era inquebrável e, aparentemente, eterno.


— A minha hora chegou, Romeo. Eu posso partir.

— Você não pode me deixar, Liza.

— Eu estou indo para um lugar melhor. Você não está feliz por mim?

— Não. Eu quero que você fique comigo.

— Isso é fácil para quem está vivo, não acha?

Liza correu para abraçar Romeo. Mesmo que um não pudesse, de fato, sentir o outro, o garoto teve calafrios percorrendo sua espinha com a proximidade do espectro. Parecia haver algo semelhante à eletricidade que atraía os dois corpos — um tateável e o outro não — para mais perto. De pouco em pouco, a visibilidade de Liza era tomada. As pontas dos seus cabelos pareciam esfarelar pelo ar num rastro que se misturava com o azul das paredes. Ao mesmo tempo que as poucas lágrimas que conseguiam escorrer pelas bochechas de Romeo deslizavam por sua pele, eram evaporadas e levadas junto do ectoplasma que constituía Liza.

Por um breve segundo, afastaram-se. As entreolhadas rápidas consumiam a ligação que outrora possuíam. A presença de Liza já não era mais forte o suficiente para ocasionar qualquer espécie de sensação física. Agora, restava somente o seu rosto, bruxuleante. A sua feição flutuava em frente aos olhos amargurados de Romeo. A insistência do rapaz talvez a tenha permitido ficar por mais alguns instantes, não suficientes, mas apropriados para sanar uma longa e permanente ausência. Liza o olhou tão profundamente como jamais havia feito. A amizade de um semideus e um fantasma foi tão duradoura até o momento de uma separação súbita. Romeo se sentiu, ali, preparado para partir também.

Precisava, no entanto, armazenar toda a coragem que possuía dentro de si. Todas as lembranças e as memórias retornavam uma a uma aos seus olhos cansados e já avermelhados de choro. O coração não mais palpitava com anseio e vontade de viver como antes. Agora, os batuques lentos e pesarosos anunciavam a dor da perda e do luto permanente. Depressa, amarrou os lençóis resguardados no guarda-roupas para construir um cordão consistente. Depois, o amarrou uma ponta no ventilador de teto e a outra no pescoço. Mas não conseguiu ser bravo o suficiente para enfrentar o desafio de saltar do banco que o mantinha a salvo.

Estendeu a extensa linha até a janela e a amarrou em móveis pesados. Passou dezesseis longos anos — pelo menos os que conseguiu contar sem se perder — aprisionado no interior do orfanato e, agora, pulou para fora sozinho, da mesma maneira que chegou. Não conseguiria permanecer no mesmo local que presenciou a partida da única figura fraternal que um dia possuiu. Em meio aos bosques de concreto nova-iorquinos, Romeo se foi para sempre.


Já em Nova Iorque, o método encontrado para se estabelecer foi a criminalidade. O ensino médio incompleto, assimilado com a ausência de uma outra experiência trabalhista não o permitiram se empregar fixamente. Deste modo, sua alternativa mais acessível foi a prática de delitos. Não era muito difícil, todavia, invadir residências da periferia para usufruir da comida durante a madrugada. Em casos mais afortunados, Romeo conseguia até mesmo uma cama luxuosa para dormir ao compenetrar mansões mais robustas e menos seguras. Estas, por sua vez, eram mais difíceis de ser encontradas e, portanto, o sono leve era uma regalia regrada muito preciosa.

Justamente nas ruas suburbanas que conheceu sua nova maior e melhor amiga — não tão presente ou efetiva nos momentos mais complicados como Liza, mas, no mínimo, no mesmo patamar de companheirismo. O tempo custava passar quando se vivia perdido pelos becos e vielas obscuras. Kris, como Romeo a chamava convidativamente, o ofereceu um lar não muito soberbo, mas confortável e na medida exata que necessitava. A garota parecia ser tão misteriosa quanto o próprio. Em alguns momentos, sibilava palavras estranhas para realizar peripécias pequenas. Sobretudo, os dois encontraram um no outro um porto seguro em quem confiar. Pela primeira vez, Romeo se sentiu abraçado de verdade e não por um dos fantasmas que era capaz de enxergar.

Nunca duvidou da veracidade da própria visão. E sempre teve razão em confiar em si mesmo. Kristina nunca foi tão sábia, mas conhecia muito mais o mundo que Romeo. As informações foram repassadas pouco a pouco, numa escala compreensível ao semideus. Agora, Brunworn conseguia rematar o porquê dos seus desvarios: não era um humano qualquer ou alguém com condições psíquicas comprometidas. Era muito mais que isso. Romeo Brunworn era um semideus. Mas os seus parentes divinos eram incógnitos tão imprecisas quanto quem o abandonou num orfanato durante a noite. Embora o desalento o consuma com constância, presentemente detém um princípio fundamental que utiliza como alicerce para se manter vivo: descobrir quem é.


— Você acha que conseguiremos?

— Claro que sim!

A dupla dinâmica, guiada pelos dotes místicos de Kristina, infiltrou-se em uma mansão gigantesca. Por fora, era construída com uma alvenaria cara e bastante lúcida. Os tons de branco a faziam ser iluminada mesmo durante a noite. Com os passos ocultos na surdina, ultrapassaram os limites do portão arrombado com as técnicas furtivas da comparsa. Romeo tentou não atrapalhar, já que ainda era inexperiente na arte do roubo. Não estava munido de nada, ao contrário de Kristina, que empunhava uma pequena adaga na mão esquerda e uma bolsa transversa em seu tronco.

— O que eu faço? — Romeo perguntou, inquieto.

— Me dê cobertura. Caso algo aconteça, eu te dou um sinal. Dessa vez, você só olha, tudo bem?

— Tudo bem.

Depois de explicar sua tática, Kristina desapareceu na mescla de escuridão e arbustos que fortificavam os jardins da missão. A aflição inquietante quase não deixou que o semideus aguardasse a amiga. Não custou muito para ouvir um grito intrínseco e agudo, advindo de trás da muralha de estruturas verdes. Romeo não esboçou qualquer reação. Não conseguiu raciocinar com velocidade e permaneceu petrificado até que a silhueta de Kristina aparecesse outra vez, agora com os cabelos desajeitados e estáticos para cima, com uma mancha avermelhada na camiseta.

— O que houve?! — a voz trêmula, acompanhando o estado de todo o corpo.

— Não me pergunta! Corre!

Kristina recusou-se a permanecer parada como Romeo e continuou correndo, descontrolada. A movimentação das suas pernas era difícil de ser acompanhada; as duas bambeavam em uma agilidade incrível, como se sua sobrevivência dependesse delas. Ainda paralisado, Brunworn retrocedeu os olhos arregalados para a moita. Diretamente conseguiu perceber do que Lorfaulk corria: uma imensa criatura, beirando os dois metros de altura. Era um misto de humano e um gigante, talvez. Estava assustado demais para conseguir deduzir.

Romeo abriu a boca, mas nenhum resquício de vocalização ousou escapulir para expressar seus sentimentos. Em vez de um grito, algo semelhante à fumaça esvaiu da região. A névoa de tez esbranquiçada se espalhou pelo ar adiante, entrando em contato com a criatura excêntrica. Conforme era consumido parcialmente pela nuvem, seus movimentos se tornaram mais brandos e calmos até mimetizar a mesma posição de Romeo: parados. O primeiro contato que teve com uma criatura do submundo anulou toda sua coragem e qualquer resquício de audácia que ainda possuísse. Estava apavorado.

Na única brecha que o destino abriu para que fugisse, enfim conseguiu aproveitar-se. As pernas dispararam na direção contrária da mansão, matrizados como foco na rua. Romeo atravessou o portão até alcançar Kristina, que o aguardava do lado de fora. Assim que permeou os limites da residência, a semideusa tratou de fechá-la com o cadeado novamente. Antes de partir definitivamente para casa outra vez, aguardaram por um breve instante, necessário para recuperar o fôlego e a firmeza dos membros estarrecidos pelo susto.


Os encontros com Kristina foram vagarosamente se tornando mais escassos, até o ponto em que eram desencontros. A semideusa detinha o conhecimento acerca do seu parentesco celestial — Hécate, a deusa da feitiçaria ou algo semelhante — e havia recebido um convite especial para o Acampamento Meio-Sangue. O lugar era um ponto seguro para todos os semideuses, onde eram acobertados por uma barreira mística que não permitia a entrada de outros monstros, como Lorfaulk o informou. Romeo só conseguia o associar ao orfanato. Uma localidade repleta de adolescentes sem uma paternidade definida, prontos para se sobressair sobre os outros ou atormentá-los o máximo que for possível.

A partida de Liza foi uma perda dolorosa. Em seguida, Kristina se foi. Romeo não concordou em acompanhá-la, sequer sabia se era, de fato, um semideus com total certeza. Somente as palavras da amiga eram sua solidificação da desconfiança de suas origens. Suas buscas on-line, na internet, eram incessantes. Todas acometiam em um mesmo resultado: as divindades divinas e suas relações com aparições espectrais e afins. Brunworn não conseguia, entretanto, concluir o seu parentesco com qualquer entidade divina. Parecia impossível acreditar que, em algum momento, teve contato com alguma das figuras que via na tela do computador.

Apesar do ceticismo, ainda havia uma abertura para a crença. Romeo dormia todas as noites com sua provável mãe em mente — sua intuição o guiava de que, caso tivesse um parente do panteão grego, seria uma mulher. Os nomes perpassavam por sua cabeça, inconstantes e inconsistentes. Seus sonhos eram sempre os mesmos, apesar de serem tão reais que não pareciam criações da sua mente. O garoto se levantava de sua cama todas as noites e, inconscientemente, caminhava até a direção de um espelho ou uma superfície capaz de refletir uma imagem. Sentia os pés formigarem em cada passo e, no instante em que entrava em contato com seu próprio reflexo, ele estava adornado de uma aura mista de tons esverdeados e prateados; algo fantasmagórico e sobrenatural. Em seu subconsciente, uma voz feminina o alertava: "Fuja antes que eles venham."

Não conseguir discernir o real do irreal não permitiu que partisse junto com Kristina. Permaneceu, desse modo, no mesmo lugar de sempre em Nova Iorque, apesar de sentir o corpo esfriar sempre que próximo da noite. Já reconhecia que, em algum momento, levantaria da cama para ver o que sempre via. O seu futuro é uma interrogação contínua. Romeo é corajoso, mas tem medo de enfrentar o que não conhece. Talvez consiga fazê-lo sozinho, como sempre fez.

+:
Eu tentei trabalhar um ponto mais humano da personagem, já que ela não tem muita noção de quem é ou o que faz no mundo. A nova amiga do Romeo, Kris, é uma personagem que já existe [Kristina Lorfaulk] e eu pretendo que os dois trabalhem juntos numa trama conjunta (não somos a mesma pessoa no off).
poderes utilizados:
Mediunidade [Nível 1] [Passivo] Mediunidade é a habilidade de ver e se comunicar com fantasmas. Como filhos da deusa dessas criaturas, esses semideuses herdam tal capacidade desde seu nascimento, mesmo que não saibam de suas origens. Contudo, não implica em qualquer autoridade sobre os fantasmas.

Hálito Congelado [Nível 1] [Ativo] O filho de Melinoe possui o hálito espectral. Isso faz com que, ao utilizar tal habilidade, consiga espelir uma névoa de capacidades congelantes. O alcance limita-se a apenas 1,5m, afetando apenas um alvo. Pode congelar um objeto ou congelar um membro do oponente, inutilizando o uso da parte corporal afetada por 3 turnos. Isso provoca dano (baixo e não contínuo) por congelamento, além de uma penalidade de 25% em ações que utilizem/ dependam da parte corporal afetada, mas não provoca dano interno nos órgãos. O congelamento dura 3 rodadas. Pode ser utilizado 1 vez a cada 5 rodadas.[Modificado]
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Ayla Lennox em Dom 11 Dez 2016, 21:18



Avaliação
A mão da reprovação chega a tremer
Isabelle Beaumont:

Bom, fico feliz que Héstia combine com a trama que você planejou para James e espero que se adeque à sua também!

Ok, brincadeiras à parte (até porque não sei se houve alguma confusão com mudança de nome desde que você postou a ficha ou qualquer coisa do gênero), vamos ao que importa: A avaliação propriamente dita. Prometo ser o mais breve possível e, como de costume, justa em cada palavra aqui. Bora lá.

De cara, dá pra perceber que você tem problemas com a pontuação especialmente no que diz respeito à divisão dos períodos. Vou destacar alguns exemplos e as devidas correções abaixo, mas vou logo dar a dica que costuma resolver 99,9% desses casos:

Leia o texto em voz alta.

"Meu pai chegou a casa informando que eu iria com ele para Nova York no fim de semana, seria uma viagem grande até lá, já que moro em Londres."

Meu pai chegou a casa informando que eu iria com ele para Nova York no fim de semana. Seria uma viagem grande até lá já que moramos em Londres.

"Tudo isso ficou no passado agora, tenho 16 anos sou mais independente, nem mesmo a Julie se intromete na minha vida por que evito falar com ela, até gosto da minha meia irmã Mary."

Tudo isso ficou no passado. Agora tenho 16 anos e sou mais independente - nem mesmo a Julie se intromete na minha vida porque evito falar com ela. Em contrapartida, até gosto da minha irmã Mary.

Prosseguindo, outro fato que me incomodou um pouco foi o fato de você apresentar facilidade no aprendizado quando o TDAH, que é uma marca nos semideuses, faz com que ocorra justamente o contrário. Além disso, você associa a dislexia com um problema de visão, o que não é uma abordagem correta desse transtorno.

Percebi também uma oscilação nos tempos verbais e senti sua narração muito corrida, sabe? Como se você estivesse mais colocando fatos isolados de forma vaga em sequência do que realmente contando uma história.

Apesar de cumprir o exigido de narrar o momento da reclamação, eu confesso que fiquei com sérias dúvidas se deveria ou não aprovar você. Apesar da deusa não possuir uma avaliação rigorosa, acho que a ficha ainda está muito bruta, existem aspectos que podem - e devem - ser corrigidos, melhorados.

Acerte a questão do seu nome (seja o problema no texto ou na sua ficha de personagem), atente para os aspectos apontados por mim e terei o prazer de lhe dar as boas vindas como cria de Héstia da próxima vez, mas por enquanto....

Reprovado(a).

Romeo Brunworn:

Olá, rapaz.

Eu realmente não tenho o que comentar sobre sua ficha. Foi impecável nos aspectos de ortografia, organização e até mesmo na coerência. Todos os trechos e cortes temporais desde a introdução foram bem colocados e se desenrolaram de forma surpreendentemente boa.

Você tem muito potencial e é fácil ver isso. No mais, meus parabéns e seja muito bem-vindo, cria de Melinoe.

Aprovado.

Dúvidas, reclamações, elogios, desabafos e mimimis... MP
Aguardando atualização

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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Psiquê em Seg 12 Dez 2016, 13:39




Atualizado!




How fickle my heart and how woozy my eyes, I struggle to find any truth in your lies. And now my heart stumbles on things I don't know, my weakness I feel I must finally show. Lend me your hand and we'll conquer them all but lend me your heart and I'll just let you fall, lend me your eyes I can change what you see, but your soul you must keep totally free
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Annabelle Blanchard em Seg 12 Dez 2016, 17:20



Ficha de Reclamação


- Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Héstia, pois os poderes combinam de maneira perfeita com a trama planejada para as gêmeas Blanchard.

- Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas).

Características físicas: Annabelle parece uma boneca de porcelana: o rosto de feições delicadas que parecessem ter sido feitas para sorrir, os longos cílios, a baixa estatura, os cabelos - de um tom de cobre que varia com a luz - que caem em belíssimos cachos até a pele quase doentiamente pálida, praticamente tudo nela passa um ar de ''sou-tão-frágil-que-posso-quebrar''. As únicas coisas que quebram esse ar de fragilidade são as enormes olheiras embaixo dos olhos da garota, resultado de várias noites de insônia, e os olhos: intensos e observadores, são de um tom de castanho que de tão escuro, até parece negro.

Olhos cor de noite, como Peter costuma brincar.

Características emocionais: Quando se descreve a personalidade de Annabelle, duas palavras praticamente opostas se juntam: doçura e irritabilidade. Sim, pois ela é um doce a maior parte do tempo, porém se irrita com muita facilidade, o que devido a aparência frágil que possui, surpreende muita gente.

Apesar de ter uma enorme facilidade em conversar com as pessoas, é difícil para ela fazer amizade, e coisa mais próxima que ela de amigos verdadeiros são os irmãos, Catherine e Peter.

- História.

(29, 05, 2000 - Queen Elizabeth Hospital, Londres, Inglaterra)

Definitivamente aquele lugar era deprimente. Talvez fosse devido ao barulhinho dos aparelhos ligados aos bebês, talvez fosse devido a patética tentativa da administração do lugar de criar uma decoração alegre e animadora, talvez fosse devido a visão de tantos seres que mal haviam começado a conhecer a vida e já tinham que lutar por ela. Ou talvez ...

Bom, fosse pelo motivo que fosse, não havia como negar que a UTI neonatal do Queen Elizabeth Hospital era um lugar deprimente.

Porém naquela madrugada, o lugar possuía uma aura de paz e tranquilidade, o que era algo raríssimo.  O único ser vivo ali que aparentava estar acordado era uma mulher que usava um enorme manto negro com pontos prateados, imitando o céu noturno.

Com passos suaves, foi andando em direção a uma incubadora, onde duas bebês, identificadas pelas pulseirinhas que usavam nos pulsos como Catherine e Annabelle Blanchard, descasavam.

Elas haviam nascido a exatamente três meses atrás, porém devido a razões ainda não identificadas pelos médicos, aparentavam ter apenas ter algumas semanas, e a saúde delas ia de mal a pior.

Parando em frente da incubadora , a mulher deu um sorriso tristonho, colocou na mão encima dela e começou a murmurar em grego antigo, tão baixinho que as palavras eram abafadas pelo barulho dos aparelhos ligados as meninas.

Assim que ela começou a murmurar, uma aura negra surgiu em torno de Annabelle e Catherine. Porém a medida que ela murmurando, a aura foi se tornando dourada, depois cinza e por fim desapareceu. Quando a aura desapareceu, ela parou de murmurar, apertou o manto mais firmemente contra si e desapareceu também.

(05, 02, 2007 - Residência dos Blanchard, Londres, Inglaterra)

Que estranho, pensou a menininha, cadê o papai, a Cat e o Peter?

A pequena, também conhecida como Annabelle Blanchard, ou simplesmente Belle para as pessoas mais queridas, havia acordado há pouco tempo e agora estava completamente assustada. O motivo? Três simples razões.

Primeiro: Porque ela estava sozinha em casa, o que era no mínimo estranho, já que o pai dela, superprotetor, nunca iria sair e deixar a filha com infecção intestinal sozinha em casa.

Segundo: Porque pela hora indicada pelo pequeno relógio da Barbie que ficada na mesinha ao lado da cama dela, sua irmã gêmea, Catherine, e seu irmãozinho dois anos mais novo, Peter, já deveriam ter voltado da escola há uma hora e o pai deles nunca se atrasaria tanto para busca-lós.                                                                                                                                                                                                                              

Terceiro: Porque havia uma enorme mancha marrom-avermelhada na parte da frente da blusa do pijama que ela estava usando e que se parecia, de uma maneira bastante preocupante, com sangue.

Depois de ficar esperando por algum tempo que o pai e os irmãos chegassem, ela pegou seu ursinho de pelúcia favorito, abraçou-o com o máximo de força que conseguiu, se enrolou debaixo das cobertas e  ficou repentindo mentalmente até dormir:

''Eu devo ser sonambula e enquanto dormia, devo ter tentando devorar um frasco de ketchup. Logo, logo o pai vai chegar e vai ficar tudo bem''

(17, 05, 2009 - Orfanato Princess Margareth, alguma cidadezinha a seis horas de Londres, Inglaterra)

Infelizmente devo dizer que nada ficou bem. Cinco de fevereiro de dois mil e sete foi a última que Anthony Blanchard, famoso arquiteto britânico e pai de Annabelle, Catherine e Peter Blanchard foi visto.

O sangue no pijama de Belle, testes forenses feitos durante a investigação do desaparecimento de Peter descobriram, pertencia ao pai da menina.

A teoria que a polícia criou a partir dessa descoberta e do fato de a casa estar totalmente revirada quando Annabelle foi encontrada sozinha lá por um dos vizinhos era de ele havia sido vítima de um latrocínio e que a menina havia visto tudo, porém em choque com a tragédia que havia ocorrido ao pai, suprimiu as lembranças ou algo parecido.  

Quando interrogada sobre isso, apesar de não acreditar nessa teoria, Belle sempre respondia algo como ''Deve ter sido isso'' ou ''Pode ser''.

Não é que não ligasse para o desaparecimento do pai, ela queria mais do qualquer um descobrir a verdade, mas tinha uma amarga certeza, vinda de sabe-se lá onde, de que nunca descobriria a verdade.

Ou que se descobrisse, não iria gostar.

Mas isso já ocorrera a quase dois anos atrás e aquele era um dia raro, pois além de ser o primeiro dia de sol que aquela cidadezinha via em muito tempo, também era o  primeiro dia em muito tempo em que Annabelle se sentia realmente se sentia bem.

Cat e Peter estavam por aí aprontando das suas, e a menina dos olhos cor de noite estava sozinha na pequena e aconchegante biblioteca do Orfanato Princess Margareth, lendo um interessantíssimo livro, que continha a versão dos primeiros escritores de contos de fadas.

▬ Quem diria que na versão original de A Pequena Sereia, a Ariel morre? ▬
pensou em voz alta.

▬  É surpreendente sim, mas é melhor que aquela baboseira de E viveram felizes para sempre... não acha? ▬ respondeu uma garota, que a julgar pela voz, devia ter mais ou menos a mesma idade dela.

Surpresa ao ouvir a garota, já que achava que estava sozinha, Annabelle levantou o rosto do livro para olhar quem tinha falado com ela. E viu o que a assustou e a divertiu o mesmo tempo.

A garota era quase igual a ela. A única diferença, a única coisa que fez com que Belle não pensasse que o seu reflexo tinha saído do espelho, era que ao contrário de Annabelle, aquela garota tinha a pele bronzeada, os olhos azul gelo e o cabelo loiro-platinado. Ou seja, ela era praticamente uma anti-Annabelle.

▬ Quem é você?

▬  Quem sou eu? ▬ a anti-Annabelle riu com a pergunta ▬ Eu sou você.

(19, 04, 2016 - Orfanato Guardian Angel, Londres, Inglaterra)

▬ Será que esse otário ainda vai demorar muito? ▬ Annabelle ouviu Catherine perguntar.

Bom, ela podia entender a raiva da irmã, afinal, elas e Peter já estavam há meia hora na sala onde ocorrem as entrevistas entre os interessados em adotar e as crianças disponíveis para a adoção, esperando que o futuro adotante que manifestara interesse neles aparecesse.

Como se alguém realmente fosse querer adotar duas adolescentes com TDAH e o irmãozinho disléxico delas, Belle pôde ouvir a voz de Emma na cabeça.

Emma era como a garota dos olhos cor de noite nomeara aquela estranha garota dos olhos cor de gelo, que desde aparecera naquela tarde ensolarada há quase quatro anos atrás, nunca mais saiu de perto de Annabelle.

Geralmente, ela era só uma voz na cabeça de Annabelle, mas as vezes ela aparecia fisicamente, como fizera na biblioteca do orfanato do qual os Blanchard foram expulsos um mês depois, aparentemente por algo que Peter havia aprontado.

Mas explicações à parte, foi só Emma dizer isso que o possível adotante chegou.

Ele estava usando um terno e até parecia elegante, porém o boné que ele estava usando meio que quebrava o look. Quando viram o adotante, os três Blanchard ficaram bastante surpresos, o que rendeu um ou dois minutos de um silêncio constrangedor.

▬  Então, você é o maluco que vai tentar adotar a gente? ▬ Cat fora a primeira a falar. E ainda lançou para o homem um dos seus melhores olhares assustadores.

Annabelle esperava que ele dissesse algo tipo ''Que garota atrevida!" ou que desistisse da adoção, porém o que ele fez a surpreendeu bastante.

▬ Você tem atitude, garotinha. Gostei ▬ ele disse, rindo.

Annabelle decidiu naquele momento que gostava dele. Afinal não era qualquer que recebia um dos olhares assustadores da Cat e simplesmente ria.

Porém, de repente aconteceu algo muito estranho: ela começou a sentir o cheiro dele. E não era o cheiro do perfume dele, era o dele mesmo. E não era só o dele. O de Cat e Peter também.  E no mesmo instante, o estômago dela começou a roncar.

Caraca Annabelle!, pensou consigo mesma, enquanto em sua mente Emma estava se acabando de rir,você está querendo ir parar em um hospício ou o quê?

(10, 12 , 2016 - Aeroporto Internacional de Londres - Londres, Inglaterra)

▬ Espera aí, deixa eu ver se eu entendi direito. Você é algum tipo de meio-bode, que tem que nós levar para um tipo tipo de acampamento nos Estados Unidos, que é só para filhos de deuses gregos. O que aliás, eu, o Peter e Annabelle somos? ▬ Annabelle, ainda chocada com a revelação feita por John, que durante os meses que levaram para o processe de adoção ser finalizado, se tornara amigo dos Blanchard, ouvia sem falar a conversa entre ele e Cat.

▬  O termo certo é sátiro, mas é por aí ▬ ele respondeu, rindo, o que fez a garota se lembrar de quando se conheceram. Annabelle logo também se lembrou de várias coisas que haviam acontecido com ela e os irmãos desde que eram pequenos.

De repente, as revelações feitas por John não pareciam tão malucas assim.

(11, 12, 2016 - Acampamento Meio Sangue, Long Island, EUA)

A viagem fora torturantemente lenta, o pesadelo que tivera durante o voo pior ainda, com uma voz que gritava o tempo todo ''Criança amaldiçoada, criança amaldiçoada'', e Annabelle mal pode conter a alegria quando finalmente chegou ao tal Acampamento.

O lugar estava em total silêncio, pois eram quatro da manhã e provavelmente todos os campistas deveriam estar dormindo, mas assim que ela, Cat e Peter pisaram no Acampamento, John olhou para os símbolos de lareira brilhando acima da cabeça deles e comentou:

▬ Parece que já sabemos de quem vocês são filhos.

▬ De quem? ▬ Annabelle perguntou, muito curiosa.

▬ Héstia, deusa da lareira.
see ya, gabs

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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Isobel em Ter 13 Dez 2016, 15:23

Avaliação
Reclamação
Annabelle Blanchard Primeiramente bem vinda ao acampamento meio-sangue. Eu sou Isobel, concelheira das dríades e estarei por aqui para poder te orientar no que for possível!

Não tem como eu não começar falando dos acertos (que foram muitos) em seu post. Você fez o que eu, particularmente, espero ler em toda narração. Você deu um show de interpretação e envolveu o leitor completamente em sua história. Confesso que quando li a aparência física pensei em um clichê que a maioria dos inscritos no fórum tentam fazer, mas quando comecei a ler a história vi que não importa se esse perfil de personagem é clichê ou não, você conseguiu atingir os objetivos de interpretação desse tipo de persona e é muito difícil! Parabéns!

Mas como conselheira devo apontar algumas poucas imperfeições que encontrei, coisas que com uma revisão atenta do texto não aconteceriam.


@Annabelle Blanchard escreveu:Annabelle, ainda chocada com a revelação feita por John, que durante os meses que levaram para o processe de adoção ser finalizado

@Annabelle Blanchard escreveu:também era o  primeiro dia em muito tempo em que Annabelle se sentia realmente se sentia bem

Annabelle Blanchard Reclamada Filha de Héstia!

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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Kyle Miller em Ter 13 Dez 2016, 15:35

- Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?
Atena, além de ser minha deusa favorita, ela é a mais adequada para a personagem que eu tenho em mente.

- Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas)

Características físicas: Kyle tem uma altura razoável para sua idade, olhos cinzas, cabelos loiros que vão só até seu ombro e tem a pele pálida.

Características psicológicas: A garota sempre expõe seu ego e orgulho. Ainda procura um propósito em amar, um sentimento que para ela já foi esquecido, ou talvez só escondido como jeito de se defender. Sempre com uma barreira invisível em sua volta, assim não deixando ninguém se aproximar.

- História do Personagem

Voltando da escola, não ligando para o lindo e ensolarado dia em Nova Iorque, minha única vontade é de chegar em casa. Pego dois ônibus antes de chegar na casa da minha "mãe", abri a porta sem delicadeza alguma, e a fechei com mais força do que o necessário. Essa é a minha forma de falar para os meus "pais" que eu havia chegado. Subo as escadas e entro no meu quarto, sendo ele bem simples tem uma cama de solteiro no canto do quarto, uma estante cheia de livros encostada na parede, uma mesa e cadeira que ficam no outro canto do quarto e um armário. Coloco minha mochila no chão do lado da mesa e me jogo na cama. 

Seguro o meu colar de coruja com força. Meu pai me deu ele antes de morrer quando eu tinha cinco anos, eu fui adotada por um casal de amigos seus, essas mesmas pessoas cuidam de mim até hoje como se eu fosse sua filha, mas desde a morte do meu pai acabei me fechando para todos. Não sei quando mas acabei dormindo.


[...]


Escuto batidas na porta.

- Kyle! - Disse a Ashley que é a minha mãe adotiva.

- O quê? - Disse sem me importar em mostrar meu mau humor.

- O Dylan está lá em baixo te esperando. - Murmurei um "tá" e ela saiu.

Me levantei da cama, penteei meu cabelo, e peguei qualquer roupa no armário para sair rápido. Em alguns minutos já estava descendo a escada, e o Dylan já estava do lado da porta me esperando.

- Você acabou dormindo né? - Ele ri.

Dylan é o garoto mais irritante e insistente que eu já conheci, sendo o único que ouso chamar de "amigo". Usando o mesmo chapéu azul de sempre, com uma camisa branca e uma calça jeans folgada.

- Sim.

- Vamos! - Saímos da casa.

Segui ele até a parada. Pegamos um ônibus que para em frente ao shopping. A senhora Ashley me deixa sair contanto que seja com alguém, ela se preocupa comigo, ela me ama como uma mãe amaria sua filha. Em cerca de dez minutos já estávamos descendo. Já íamos entrar no local quando o Dylan começa a cheirar o ar intensamente. Eu até cheirei para saber o que ele sentia quando ele franziu levemente o cenho.

- Já nós encontraram! - Ele falou tentando esconder o desespero. - Temos de ir para o acampamento.

O quê? 

- Acampamento? Mas eu nem avisei aos meus pais.

- Não temos tempo. Vamos!

- Isso não seria justo, eles se preocuparão comigo. - Disse tentando não aumentar o tom de voz, porque já estava ficando com raiva.

- Avisaremos quando chegarmos.

Ele me puxa pelo pulso sem me deixar argumentar.

- Dylan! - Quase gritei.

- Por favor, prometo que assim que chegarmos lá avisaremos sua família.

Fechei a cara. Dylan Pega o primeiro táxi que aparece, ele fala o caminho para o motorista, e depois se vira para mim e conta sobre a mitologia, fala que tudo é real, que deuses ainda existem e que eles vinham para terra e tinham relações com humanos assim nasciam os semideuses e falou ainda que eu era uma, e claro eu não acreditei, mesmo que isso fizesse sentido para certas coisas que já aconteceram comigo, assim quarenta minutos passaram voando. Ainda confusa, com raiva e... Preocupada? 

- Garoto tem certeza de que é aqui? - Disse o motorista.

- Sim. - Dylan pagou o senhor e saiu quase correndo.

Desci do carro. mas sem pressa, fiz isso só para irritá-lo. Começamos a andar em direção a uma colina, até quê... QUE DROGA É AQUELA?

- Por pã - Dylan conseguiu dizer.

Uma mistura de mulher, com garras afiadas, cabelos em chamas que não pareciam afetá-la, uma das suas patas? talvez, são de burro e a outra de bronze, as duas desproporcionais para seu corpo

- O que é aquilo...

- Uma empousa! Aqui pegue isso. - Ele me oferece uma faca.

Empousa... Isso não é possível, eu pensei que ele estivesse brincando com a minha cara.

- O qu--

- Corra! suba a colina e peça ajuda no acampamento. - Ele coloca a faca na minha mão mas eu a devolvo.

Eu não sei o que fazer. A empousa vem em nossa direção, e eu paralisei de medo, o Dylan corre para o lado, e com a pedra que ele havia pego do chão, joga em direção a aquela mulher. Sendo uma jogada certeira no rosto, a empousa olha para ele furiosamente, e vai em sua direção, mas antes olha para mim como se dissesse "Você sera a próxima" e logo depois o olhar que ela me lançou fez meu corpo estremecer.

- KYLE! - Dylan gritou. - CORRA!

Corri, eu joguei todo o medo que estava sentindo para "de baixo do tapete", confusão isso definia o que estava sentindo naquele momento. Cansada, quando já havia subido quase toda a colina olhei para trás, e vi o Dylan com uma marca de três garras gravadas em seu peito, sua blusa que antes era branca agora está tingida com seu próprio sangue, ele se arrastava para alcançar a faca que estava a centímetros de distância, seu chapéu azul caído no chão, mostrando chifres na cabeça do garoto. Meu peito doí, foi por isso que eu me fechei para o mundo, por que estava com medo de sentir essa mesma dor novamente, meu amigo precisa de ajuda!

Deixei o cansaço de lado, mesmo que eu chamasse a atenção da empousa eu não saberia o que fazer, eu sou fraca e inexperiente, eu corri com tudo o que tinha e o que não tinha, depois de passar por um pinheiro grande com um tipo de pele de cordeiro dourado em cima, gritei por ajuda o mais alto que consegui, algumas pessoas apareceram, e vieram correndo até mim.

- Dylan. Empousa. Perigo! - Disse pausadamente para respirar.

As pessoas não precisaram de mais nada para correr com espadas em suas mãos. Uma luz verde me cerca, olho para cima e vejo um simbolo de coruja em cima da minha cabeça. Um homem de cabelo grisalho e barba irregular sentado em uma cadeira de rodas aparece na minha frente.

- Nós cuidaremos da empousa e do seu amigo sátiro. Seja bem vinda ao acampamento meio-sangue filha de Atena. - O homem me olha acolhedoramente.

Eu senti um alivio extremo, senti que meu amigo ficaria vivo! Não sei por que mas eu apaguei.


[...]


Acordei em um sobressalto, procurei a empousa, e encontrei o Dylan sentado em uma cadeira, foi então que me lembrei que havia conseguido ajuda do acampamento. Sem perceber me vi sorrindo. Sem ligar para as perguntas que ainda tinha.
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Silvia Kawasaki em Qui 15 Dez 2016, 01:19


Avaliação


Kyle Miller:
Olá, Kyle. Seja bem-vinda ao nosso querido Pejotinha! Vamos à sua avaliação! A primeira coisa que eu notei foi o tempo que você usa na narração. Você descreve as situações no presente, na maior parte do tempo, e isso é um grande risco porque você pode cometer deslizes. E você cometeu. Em diversos momentos do texto você oscilou entre o tempo presente e o pretérito, deixando o texto confuso.

Outro problema da sua fica foi a concordância e os erros de pontuação. Ocorreu omissão de vírgulas em muitas partes, verbos que não concordavam com os sujeitos... Enfim, dê uma boa revisada na sua ficha e também tente não correr tanto com a história. Claro que encher linguiça não é legal, mas tente contextualizar mais as situações. Atena tem ficha rigorosa, então preste mais atenção à sua escrita e logo irá conseguir. Boa sorte para uma próxima vez.

Por enquanto, ficha reprovada.

Dúvidas, reclamações, dicas ou qualquer coisa em que eu possa ser útil, basta contatar por mp.

Aguardando atualização
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Alejandro Welch em Qui 15 Dez 2016, 23:09


Ficha de Reclamação

para centauro


Qual criatura deseja ser e por quê?

Centauro, por ter uma futura trama conjunta com outros players que possuem seres da natureza.

Características do personagem:

Físicas:
Da cintura para cima, Alejandro é um jovem de pele morena e cabelos pretos geralmente bagunçados, com olhos na mesma cor. Da cintura para baixo é um cavalo altivo e forte de pelo marrom brilhoso.

Psicológicas:
Alejandro é introspectivo, não costuma falar muito. Tem um sonho que o atormenta desde pequeno e deseja um dia descobrir se é, na realidade, uma visão. Por conta disso e por ter crescido sozinho, evita falar muito e acaba sendo tímido.

História do personagem:

Estou correndo por uma floresta escura, meus pés doem horrores, mas eu não posso parar. Ele está bem atrás de mim e está gritando que não me adiantará nada fugir. Por algum motivo eu acredito nele, principalmente porque tenho total consciência de que não estou correndo em minha total velocidade. E por que não estou em minha total velocidade? Porque tenho pés! Olho para baixo e me amaldiçoo por ter pedido para tê-los, mas... eu realmente pedi? Não consigo me lembrar! Tudo o que sei é que meus cascos se foram juntamente com meu corpo de cavalo e agora eu me pareço com todos os semideuses, inclusive no quesito morte iminente. Sinto sua mão gelada em minhas costas e me sacudo para me livrar dele. É nesse momento que me vejo caindo, rolando por um enorme declive e minha visão se apaga.

Já tinha perdido as contas de quantas vezes esse sonho me atormentara. Desde que me entendia por gente a tal fuga na floresta de um inimigo que eu não imaginava quem era me acordava de súbito, com o corpo suando e com arrepios me instigando a fugir. Não tinha conhecido meus pais, não sabia nada sobre minha história e nem o motivo de ser tão diferente de todo mundo, por isso vivia à margem desde sempre. Invisível. Ser meio humano e meio cavalo era uma droga.

Talvez fosse por isso que eu sonhava em ter pernas humanas, mas eu me amaldiçoava no meio do sonho por tê-las pedido e isso era uma das coisas que me deixavam mais atordoado. Existia mesmo alguma maneira de transformar meu corpo daquela maneira ou o sonho não passava de um devaneio? Fosse como fosse, tudo o que eu podia fazer era continuar fugindo. Do quê, exatamente, eu não sabia, mas sentia que estava em perigo de novo e precisava recolher minhas coisas mais uma vez.

Durante meus 14 anos de viagem vi algumas coisas meio perturbadoras. Havia alguns tipos de humanos diferentes de outros. Esses diferentes usavam lâminas afiadas das mais diversas e lutavam contra seres que não se pareciam com os animais comuns, nem com as outras pessoas. Eram seres... como eu. Alguns tinham um olho só, outros tinham mais de dois braços, outros tinham cauda de cobra no lugar das pernas. Todos esses tipos eram mortos pelos humanos diferentes e os outros humanos pareciam nem ver!

Era como se dois mundos convivessem juntos e não soubessem da existência um do outro, mas o que eu sabia era que jamais poderia fazer parte de nenhum dos dois. Nunca soube lutar, nunca tinham me dado uma arma. Tentar fazer contato com qualquer tipo de humano era suicídio e, por mais que nada fizesse muito sentido, eu ainda prezava pela minha vida e pela esperança de um dia descobrir o que eu era e qual era o meu lugar no mundo.

Assim, eu viajava pelas florestas e me mantinha escondido de todos, me alimentando de frutas e quase morrendo diversas vezes por ingerir ervas tóxicas. Nunca soube bem em que sentido minha viagem ocorria, mas foi numa fria noite de dezembro que cheguei a um lugar completamente diferente dos demais. A estranheza começava no fato de que todo o país estava frio e coberto de neve, mas, a partir de um certo ponto, a floresta tinha a temperatura amena mais agradável que já senti na vida!

Acreditando que era apenas uma onda de calor ou qualquer coisa assim, segui em frente e busquei explicações para a vivacidade das cores no local, o cheiro delicioso de mata sem poluição, o ar puro... Tudo era absolutamente perfeito, como num paraíso! E foi aí que comecei a acreditar que eu estava morto, afinal não havia outra explicação que fizesse sentido para aquela mudança súbita de ambiente, certo? Errado. E eu descobri isso logo a seguir, quando um garoto de olhos puxados apontou uma flecha afiada em minha direção.

— Por favor, não! Não me mate! — Implorei em pânico, tremendo por ficar frente a frente pela primeira vez com um dos humanos diferentes que matavam seres híbridos como eu.

— Uou! Calma, calma, fala baixo! Estou perseguindo um monstro há uma hora, mas ele sumiu! Você não viu um cão infernal por aí não, viu?

— Q-Quê? Por favor, me deixe ir embora, eu não vou fazer mal a você.

O garoto me olhou como se eu tivesse três cabeças. Não que ser um cavalo da cintura para baixo seja algo normal, claro, mas ele me olhou realmente confuso, como se eu estivesse falando alguma coisa louca. Ele abaixou o arco e a flecha e me analisou de cima a baixo, como se quisesse descobrir todos os meus segredos. Considerei a possibilidade de correr, mas provavelmente ele me acertaria com a flecha e eu estaria acabado.

— Você não é daqui, né? É novato? Nunca te vi no acampamento.

— Acampamento?

— É, estamos no Acampamento Meio-Sangue. Sabe, o único lugar seguro para semideuses.

— Semideuses? Você quer dizer os humanos diferentes que matam os seres misturados, igual eu?

— Quê? Tá maluco? Eu nunca mataria um centauro. Vocês são caras legais, são do bem. Bom, pelo menos eu nunca vi um centauro do mal... Espera. Você não sabe o que você é? — Desta vez ele me olhou realmente preocupado e sua expressão ficou ainda mais grave quando eu balancei a cabeça em negativa. — Quer saber, vem comigo. Preciso te apresentar a alguém que vai esclarecer tudo. Vem!

Eu deveria ter ido logo se soubesse o quanto tudo iria mudar, mas arrisquei trotar para longe assim que o garoto virou as costas. Ouvi-o me chamar durante algum tempo, mas logo ele se calou e concluí que ele tinha desistido de me caçar. Os sons daquela floresta eram diferentes de qualquer outro e realmente demorei para me acalmar e tentar descansar ali. Quando estava quase relaxando, ouvi a voz do garoto de novo, agora acompanhada de uma voz de homem adulto. Fiquei mais em pânico do que nunca!

O garoto contava ao homem exatamente tudo o que tinha acontecido quando me encontrou e estranhamente não falava sobre me matar, o que me surpreendeu bastante. Eles estavam muito próximos e ficavam cada vez mais. Minha coragem de fugir tinha ido embora completamente e tudo que consegui fazer foi me abaixar atrás de um grande arbusto e torcer para ninguém me encontrar. Minhas preces, por sinal, não foram atendidas, porque um rosto barbudo e o garoto de olhos puxados surgiram subitamente dando a volta em minha barricada.

— Te achei! — O garoto disse, com um sorriso que não possuía um pingo de maldade.

Mas o que realmente me surpreendeu foi o homem adulto ao lado dele. Não era um humano, era um híbrido de homem e cavalo exatamente como eu! Fiquei boquiaberto, sem palavras, sem ação. O homem riu e me ofereceu sua mão para ajudar-me a ficar de pé novamente. Disse que era muito bom ver um centauro jovem como eu e que precisava me explicar muita, muita coisa!

* * *

Saber sobre o mundo da mitologia grega esclareceu tudo sobre minha vida. Bom, quase tudo. Eu ainda não sabia o que o sonho significava e Quíron, o centauro adulto, e Bryan, o garoto de olhos puxados, também não faziam ideia do que poderia ser. Mas, honestamente, naquele momento aquilo não importava. Eu agora sabia quem eu era, sabia que os outros misturados que eu vira serem mortos eram monstros vindos do submundo e que eu nada tinha a ver com eles.

Um mundo novo se abriu para mim naquela noite e finalmente encontrei um lar. Por mais complicado que tudo parecesse, era o que fazia total sentido para mim. Ainda tinha uma certa curiosidade sobre os humanos e suas duas pernas, mas era bom saber que o título de "monstro" não se encaixava para mim. Estava disposto a conhecer mais de mim mesmo, me fortalecer e aprender mais, ser como Quíron, talvez. Era diferente e ainda cheio de interrogações, mas era o início de algo realmente novo para mim.

~*~

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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Kalled C. Almeida em Sex 16 Dez 2016, 16:32


Avaliação

Alejandro Welch:

Olá, Alejandro meu caro centauro. Sua ficha foi nova pra mim, pois nunca tinha avaliado uma ficha de criatura. E por ser minha primeira só posso dizer que você está reprovado. Não há nada de errado na sua ficha, eu só nunca tive a chance de reprovar uma criatura, espero que entenda. Boa tarde.

Falando sério agora, apesar da sua ficha ser nova pra mim eu fiquei muito satisfeito e interessado ao lê-la e creio que você tem muito potencial, logo eu me sinto coagido e muito contente em lhe dizer que você está aprovado. Bem vindo, jovem centauro.
Aguardando atualização
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Jack Blackmount em Dom 18 Dez 2016, 23:38

▬ Por qual Deus você deseja ser reclamado?

Desejo ser reclamado, por Atena, deusa da sabedoria e da estratégia em batalha, afim de honrar o seu nome e mostrar que a sabedoria é capaz de exceder até o mais alto nível de poder.

▬ Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas)

  • Características Físicas: Jack Blackmount possui 1, 70 m de altura; pesa exatamente 52 Kg; o tom branco de sua pele evidencia poucos pelos loiros em seus braços; a íris de seus olhos possuem coloração cinzenta-clara; Seu cabelo tem coloração loiro platinado.



  • Características Psicológicas: calculista e estratégico, Jack é sempre calmo e tenta estar sempre um passo na frente de quem quer surpreender (seja numa relação de amizade ou em uma batalha). Pensa em suas iniciais interações, não como um meio de conseguir amigos, mas um modo de se achegar a pessoas cujas características venha a complementar as suas e se tornem potenciais ao seu lado. Porém, quando estas pessoas são consolidadas em seu ambiente de amizade, se tornam significativas em sua vida. Diante de situações de exacerbada pressão, procura congelar suas emoções, afim de não se precipitar em alguma atitude, muito embora isso não o faça acertar em todas as vezes. Odeia que o enganem ou o atraiam e o fato de não conseguir sair de um enigma, algo que prenda sua mente, possui igual efeito sobre o mesmo.



História


Eu não dormia bem há tempos! Mal tinha a ideia de tempo e espaço. Precisava me localizar: uma cama de solteiro bibox, com detalhes de madeira em um tom marrom escuro, bem como o móvel de madeira modulado, que pegava duas paredes, uma atrás da cama e a outra ao lado (respectivamente, tinha a largura em média 2,80m e 3,50m), uma janela redonda que permitia a luz do Sol iluminar o quarto azul escuro. Na cama debaixo, o notebook que meu pai me dera no meu último aniversário. Sim, estava no meu quarto e sim, ainda era 2016.

Enquanto me levantava, uma coisa se colidiu contra a minha janela, me dando um susto. Foi um vulto preto. Poderia ser um outro pombo que, assim como os outros, achara que o arco da minha janela fosse um bom lugar para descansar. Decidi ignorar o evento extremamente estranho e me levantei da cama.

Abri a porta de madeira do meu quarto e me vi no corredor do meu apartamento. Paredes pintadas com tinta a óleo de cor branca e chão com porcelanato preto formavam o mesmo. Caso virasse a direita, daria para o banheiro ou o quarto do meu pai - no qual ele deveria estar - uma coisa que eu não desejava. Virei a esquerda e saí na sala. A sala, preenchida com um sofá de couro preto na direção de uma mesa de vidro baixa e, posteriormente, de uma televisão de 38 polegadas, apoiada em um painel de cor acinzentada. Em cima da mesa de centro, havia uma coruja de ouro, que parecia supervisionar tudo.

Na parede atrás do sofá, a porta branca que dava para a cozinha. Passei por ela e entrei no outro cômodo, afim de preparar o meu café, despreocupado com as horas. Afinal, já havia passado para o 2º ano do ensino médio e a última coisa que eu deveria fazer era ocupar minha mente com preocupações. Já fora bastante difícil para conseguir boas notas com o déficit de atenção e dislexia. Talvez estivesse na hora de viver uma vida despreocupada... pelo menos até que o meu pai acordasse e voltássemos a brigar.
Peguei um prato e o pus na bancada de madeira clara. Fui até a geladeira, e... o telefone toca.

– Alô?

– Seu pai já acordou? Estou quase chegando – dizia a nova namorada do meu pai, uma mulher de 32 anos, um pouco nova e talvez louca demais para namorar um cara de 40. Certa vez a vi sozinha, falando com o arco-íris refletido pelo uso de uma mangueira de borracha. Isso já foi o suficiente para ficar com o pé atrás.

Olhando para o relógio e verificando que ainda eram 8:20 da manhã, disse:

– Parece ter se adiantado hoje, Jessie. Acho melhor comprar alguns pães, já que pretende tomar café conos... – antes que eu terminasse, desligou o telefone. Ela normalmente não ligava para as minhas grosserias. Como eu queria que ligasse!

Não gostava de Jessie! Ela entrara há pouco tempo na família e nunca direcionava uma só palavra a mim além do necessário, ficava sempre me observando. Outra coisa que me irritou bastante foi o fato de tentar começar a tomar conta das finanças da casa. Ora, não sei como o meu pai conseguiu aquela mulher irritante, mas talvez se minha mãe...

Eu pensava nela desde o momento em que, na minha infância, meu pai dissera que havia ido trabalhar no exterior. Foi quando que, em um momento de não sobriedade, alguns anos depois, me disse que ela havia falecido. Eu o questionei como, quando e onde ela morreu, onde fora enterrada, mas ele sempre me respondera com o silêncio ou desconversava.

Estava perdendo bastante tempo com o ele. Não podia suportar como ele poderia reter detalhes tão importantes quanto a algo que não se resumia a apenas a sua vida, mas a minha também. Certa vez fui tentar procurar certidões de casamento, mas não encontrei nada. Parece que ela simplesmente não havia existido. Além do mais, tentei procurar minha certidão de nascimento e saber o nome dela ou buscar, ao menos, o local onde nasci, mas não consegui. Não encontrei nenhum documento referente a este tipo de coisa. Como sempre, meu pai escondia a minha mãe de mim.

Muitas vezes briguei com ele por causa disso. Certa vez, ele e eu estávamos gritando um com o outro, quando vizinhos começaram a esmurrar a porta do nosso apartamento, com o fim de entrar e interferir a discussão. Porém, isso não traria minha mãe de volta, então, não daria fim a discussão.

O que mais queria era sair daquela casa. Ter dinheiro o suficiente para estudar filosofia, como o meu pai, trabalhar e continuar a estudar com o dinheiro recebido, mesmo que isso significasse morar em uma cabana de madeira com cupins, pernilongos e triatoma infestans, o famoso barbeiro. Sempre fui ávido por conhecimento, seja qual for a sua origem: sempre fui um cara muito cauteloso e tinha noção que, mais cedo ou mais tarde, poderia aplicar tudo o que havia aprendido no decorrer da minha vida.

Quer saber? Perdi o apetite. Sai da cozinha e fui até o banheiro, tomando cuidado para não acordar o meu pai.

Abri a porta grande e larga de cor branca que dava para o banheiro. Lá, assim que entrei, me deparei com o espelho acima da pia de mármore preto, vi o quanto estava cansado: meus olhos, de íris cinza-claro, estavam envoltos por veias vermelhas que ardiam e coçavam. Meu cabelo, loiro bem claro, baixo dos lados e um pouco volumoso em cima, estava bem bagunçado. Decidi não me importar com isso e lavei o meu rosto.

Depois disso, fui até o meu quarto, peguei uma bermuda preta, roupa íntima e uma blusa do álbum The Dark Side Of The Moon, da banda Pink Floyd.

Entrei no banheiro e tomei um banho gelado. Depois que terminei, sequei-me e pus a roupa. Assim que saí do banheiro, a campainha faz um barulho estridente – Havia ficado ruim uns dias antes, mas como o meu pai trabalhava muito em Harvard, acabou por não consertar.

Relutante, fui até a porta e, respirando fundo, eu a abri e ela estava lá: uma mulher branca e magra, usando um sobretudo acima do joelho, com sapatilhas pretas. Seus cabelos eram castanho escuros e usava óculos de sol.

– Seu pai já acordou? – Disse Jessie, entrando na sala e me empurrando levemente para a esquerda. Assim que passou por mim, o cheiro de perfume empesteou a sala – espero que sim! Afinal, ele e eu vamos fazer compras hoje.

– Nesta hora da manhã? Não que eu ligue para ele, mas não poderia esperar até que chegasse à tarde para explorar o meu pai?

Ela já estava na metade do corredor quando se virou para mim e disse:

– Não acha melhor dar uma volta, moleque? Deixe os adultos conversar um pouco.

Naquele momento, senti meu rosto ferver, meu punho se fechar e meus músculos se contrair. Ignorei e, quando ela se voltou para a direção do quarto e entrou no mesmo, vi que era o momento perfeito para sair. Talvez o conselho dela me valesse de algo.

Entrei no meu quarto e coloquei um tênis preto All-Star. Me arrastei pela cama para pegar a carteira, que sempre ficava embaixo do travesseiro. Lá haviam 40 dólares, o suficiente para ir ao McDonald’s e comer quando a fome voltasse – e, me conhecendo bem, com certeza voltaria com bastante intensidade.

Saí do quarto e reparei que a porta do quarto do meu pai estava entreaberta. Deduzi que Jessie se deitara ao seu lado e, enquanto o acordava lentamente, colocava em sua cabeça que deveria comprar um vestido de 400 dólares para ela.

Enfim, fui até a sala para sair, até que olhei pela janela e vi uma grande nuvem de pombos que se deslocavam em várias direções. Além do fato das nuvens aparentarem estar pesadas, decidi levar um guarda-chuva. Vai que os pombos tenham dor de barriga.

Desci as escadas de degraus de pedras brancas, cujas paredes que a circundavam tinha coloração amarela clara, quase num tom branco. Normalmente, desceria pelo elevador, mas na semana passada estava com um problema – enguiçou com uma senhora do 4º andar. Eu não queria ter a mesma experiência – então decidi descer a escada.

Chegando lá em baixo, dei um rápido “oi” para o porteiro, que imediatamente, de sua cabine, abrira o portão para mim. Assim que pisei na calçada, meus planos mudaram: não estava com fome, queria ler. Então, pensei em pegar o ônibus para a biblioteca mais próxima, mas talvez ficasse com muita fome mais tarde, por isso decidi ir andando e não gastei o dinheiro.

Uma hora ou outra, a multidão de pessoas que passava por mim, desviava sua atenção para a nuvem de pombos que pairava acima de nós. Apertei um pouco mais forte o meu guarda-chuva, na mão direita.

Havia chego na biblioteca, cujo pátio de fora possuía uma bandeira dos Estados Unidos, balançando graças ao forte vento. Abri a porta dupla de madeira e entrei em um universo arrebatador: demasiadas prateleiras preenchidas com os mais diversos livros. Apenas o cheiro do lugar parecia me trazer certa calmaria. Olhei para um relógio e marcavam 09:53.

Me aproximei da prateleira de política e peguei O Príncipe, de Maquiavel, um livro que atribuo caráter estratégico, não político. Me afundei nas observações históricas feitas por Maquiavel e suas conclusões retiradas meio delas.

Um zumbido, do lado de fora. Talvez o constante barulho do lado de fora da biblioteca – na qual se encontrava com mais duas ou três pessoas, no máximo – tivesse sido obstruído pelo meu interesse em O Príncipe. Quando me voltei para fora, vi pessoas correndo para todos os lados. Um incrível engarrafamento se formara na frente da biblioteca e eu não sabia o que poderia estar acontecendo.

Ainda com o livro em mãos, mas deixando o guarda-chuva de lado, me dirigi até a janela e percebi algo estranho: aquelas pessoas estavam correndo de pombos medonhos!

Meu cérebro explodiu! Como poderia, os pombos, todos em um grande grupo, estar atacando cidadãos? É claro que o desenvolvimento da civilização em seus demasiados aspectos, fora nociva a biosfera, mas isso não justificava o fato dos pombos atacarem seres humanos de modo organiza... – meu pensamento, um tanto medíocre, fora interrompido com um pombo que batera no vidro da janela. Em questão de segundos, pude observá-lo bem e pus em evidência fatos que tornava impossível considerar aquela ave como um pombo: para começar, possuía penas de aço e eu não sei como se mantinha no ar; seu bico era de bronze e sua aparência, monstruosa, bem como seus olhos que brilhavam insanamente.

Depois desses segundos em que o havia analisado, ocorrera algo mais estranho: ele simplesmente se virou e soltou um som absurdamente ensurdecedor. Porém, não estava simplesmente expressando uma característica natural de sua espécie, mas, aparentemente, estava chamando outros, como se dissesse: “Ei, aqui está ele!”

No mesmo momento em que isso aconteceu, duas outras aves entraram pela janela. Rapidamente me abaixei e os estilhaços de vidro caíram sobre mim e, provavelmente, se aglomeraram no meu cabelo.

Levantei os olhos para eles e os vi circulando a ampla sala que da biblioteca. Ouvi o quebrar de mais vidros na sala do lado, esperava que fossem as outras pessoas fugindo do ataque e não mais aves demoníacas.

Duas vieram na minha direção. Rolei para direita e uma delas passou direto pela janela quebrada – aquelas aulas de judô, haviam servido para algo – Porém, a outra, mais esperta, afundou seu bico nas minhas costas e o retirou rapidamente, se preparando para outro ataque. Com dificuldade me pus em pé novamente, usando como suporte um pedestal branco que segurava um jarro de flores de plástico ao meu lado direito.

A outra ave, que antes se mantivera voando em círculos no teto, veio direto para cima de mim. Não tive outra opção senão pegar o vaso de flores ao meu lado. Foi o que fiz. Pus a mão direita na base inferior do vaso e o joguei na direção da ave grotesca. Seu corpo colidira com o do vaso, resultando no característico som de porcelana se quebrando. A ave que outrora já experimentara da minha pele, se preparava para outro ataque: abriu suas asas um pouco longe e tomou impulso como um foguete na minha direção.

Mais uma vez, fiz um rolamento para a direita, o que me levou para o centro da sala. A ave passou ao lado dos meus ouvidos e fincou-se numa prateleira de livros. Rapidamente corri para a prateleira e, como a maior força que pude fazer, pulei em cima da grande prateleira e a forcei para baixo. Tudo que pude ouvir foi o estrondo feito pela queda da mesma e o último bater de asas da grotesca ave.

Mais barulhos ensurdecedores atrás de mim: primeiramente, entraram cinco aves. Depois, mais cinco e estava começando a ficar preocupado.

Num impulso, fui obrigado a lançar O Príncipe em meio a nuvem de pássaros que se formava no teto da biblioteca. Usando isso como distração – por mais que aparente não ter funcionado muito bem – fui em direção as escadas e as subi, correndo.

Chegando no próximo andar da biblioteca, havia mais um degrau que dava para uma porta dupla. Abri rapidamente e fechei com toda a minha força, segurando nas alças de ambas as portas. Ora, aquelas coisas estavam fazendo força do outro lado e parecia que estavam ficando mais fortes – ou estavam chegando mais delas.

Para a minha sorte, havia um esfregão do lado da porta esquerda. Me movimentei rapidamente, peguei-o e o coloquei entre as duas alças em que segurava. Certo, agora tinha alguns minutos para pensar no que fazer para me ver livre disso.

No andar de cima, ficavam muitos livros de caráter universitário. Haviam 4 estantes de 2 metros enfileiradas, tanto na direita quanto na esquerda. Pensei na possibilidade de, estimulando um incêndio, arrumar algum meio de eletrocutá-los depois de molhá-los com sprinklers. Porém, em uma biblioteca, não poderiam haver sprinklers.

Ao lado das primeiras estantes de livros da esquerda e direita, havia um extintor de incêndio de cada lado – daqueles médios.

Certo, agora era apenas aproveitar do que eu tinha em mãos: dois extintores e centenas de livros – a porta chacoalhando atrás de mim.

Resolvi adentrar mais na sala. No final, haviam duas janelas quadradas e uma ala que parecia ser própria para reuniões. Lá havia um quadro branco e cadeiras voltadas para o mesmo. Em cima de uma das primeiras cadeiras da esquerda, havia uma garrafa de álcool 90%, provavelmente usado para limpar a lousa branca – me perguntei o motivo pelo qual havia um álcool com aquela concentração para este fim, deveria fazer parte de um estoque antigo – peguei-o e um plano já estava se formando em minha mente, quando, mais uma vez, o barulho vindo da porta começou a se tornar alarmante.

A voz de uma mulher, suave e segura soou na minha cabeça: “Olhe ao seu redor, criança”. Bem, estava preocupado com o fato de, além de disléxico, ter se tornado esquizofrênico.

Mesmo assim, olhei ao redor e, atrás de mim, no lado oposto da sala, havia uma armadura medieval, com uma espada prata de tamanho médio sendo segurada pelas duas mãos, apontada para baixo. Ela se encontrava dentro de uma vitrine retangular, na qual havia um papel colado na parte dianteira do vidro, dizendo algo sobre ser uma armadura antiga. Não me dei ao trabalho de ler: golpeei a vitrine com meu cotovelo – e Deus, como aquilo doeu – e retirei a espada, que era mais pesada do que eu achava. Segurei em seu cabo e a arrastei no chão. Peguei o extintor e levei para a última estante da direita.

Certo, era isso ou nada: no teto, não muito alto, havia uma lâmpada fluorescente acesa – os funcionários que estavam varrendo o local um pouco antes deveriam ter esquecido de apagar as luzes – e era ela a minha passagem para fora dali ou para dentro daquelas da barriga daquelas aves.

Primeiramente, abri a tampa da garrafa de álcool e comecei a lançar o conteúdo no teto, ao redor da lâmpada, e continuei fazendo um caminho em direção as estantes. Além disso, também joguei um pouco nos livros. Quando a garrafa já estava acabando, fiz uma linha que ligava as duas primeiras estantes. Fiz tudo isso rapidamente, uma vez que este tipo de álcool evapora bem depressa.

Já estavam se formando fendas na porta e a cabeça daquelas coisas já estavam passando por elas. Tinha pouco tempo.

Segurei a espada atrás das costas, com dificuldades e a lancei, sem equilíbrio e precisão em direção a lâmpada fluorescente. A lâmina passara uns 10 cm abaixo da lâmpada, mas para a minha sorte, o cabo a acertou e, imediatamente, com uma pequena faísca, o fogo começou a tomar conta do teto e, depois, atingiu as primeiras prateleiras e fumaça estava começando a tomar conta de toda a sala.

Consegui pegar a espada e fui em direção a última fileira, onde se encontrava o extintor de incêndio. Rapidamente, tirei a minha camisa e a pus no extintor, direcionando o mesmo para a janela quadrada, não muito distante dali – em média 2 metros.  

Ouvi o barulho da porta sendo destruída e o barulho que aquelas aves faziam. Era agora ou nunca.

Ergui a espada para cima e atingi o gatilho do extintor, que imediatamente começou a lançar um jato, impulsionando-o em direção a janela. Quando a atingiu, a única coisa que vi, fora um extintor com camisa do The Dark Side Of The Moon rompendo uma janela e uma nuvem de corvos indo em direção ao mesmo.

Certo, comecei a fraquejar. Parece que a fumaça negra havia começado a tomar conta dos meus pulmões.  A espada caíra da minha mão – ficara incrivelmente pesada – e comecei a ouvir sirenes de bombeiros do lado de fora.

Meus olhos começaram a se fechar e a visão tornou-se turva, mas consegui ver o vulto de alguém se aproximando de mim e me levantando com os dois braços. Depois disso, tudo ficou escuro.

...

Quando abri os olhos, me deparei com a paisagem passando rapidamente ao meu lado – o que me deixou um tanto enjoado. Estava em um táxi, sabia apenas disso.

Balancei a cabeça e pus as mãos nos olhos. Quando as tirei, olhei para a minha esquerda e lá estava Nathan, um amigo que fizera no último ano de aulas. Ele possuía cabelos cacheados de cor castanho-claro. Seus olhos também eram castanhos, porém escuros. A tonalidade de sua pele era um pouco amarelada. Estava vestindo uma camisa laranja e usava calças jeans e tênis pretos.

– E aí, cara? – Disse ele, me avaliando com seu olhar e esperando uma justificativa ou algo assim.

– Como... o que estou fazendo aqui, com você? – Perguntei tentando entender o eu estava acontecendo.

Ele apertou os lábios e disse:

– Eu te encontrei e te salvei. Você estava sendo atacado por aqueles pombos, galinhas ou seja lá o que aquilo for – ele deu de ombros, muito embora parecia já ter conhecimento acerca do assunto.

Olhei para o meu colo e vi a espada que conseguira na biblioteca. Minha cabeça doía.

Nathan voltou a falar:

– Estamos indo para um local mais seguro, Jack. Você vai se sentir bem lá.

Suas palavras foram interrompidas pelo motorista do táxi, um homem gordo, com cabelos pretos e ondulados, que usava uma camisa havaiana, o qual disse em tom alarmante:

– O que aquela maluca está fazendo no meio da rua?

Deveriam ser mais ou menos 12 horas. A rua estava deserta, sem trânsito de carros, mas mesmo assim tive dificuldade para enxergar a mulher a quem o motorista se referia, mas então, no final da rua, observei uma Jessie um pouco mais sombria, enfiada dentro de um sobretudo marrom e com óculos escuros.  

Ela ergueu a mão e com um movimento suave o carro levantou-se do chão, girou no ar e colidiu-se com um poste luz.

Estilhaços de vidro estavam sobre todo o chão, mas consegui engatinhar para fora do carro. Quando me levantei, do outro lado, Nathan já havia tirado o motorista desacordado. Havia algo de singular em Nathan: para começar estava sem calças e para completar, suas pernas eram peludas. No lugar de pés, tinha cascos de bode.

Embora tivesse acabado de sofrer um acidente, estava chocado com aquilo que vira. Nathan veio na minha direção para falar algo. Porém, antes que pudesse completar a sua fala, saiu votando para atrás de mim, caindo de costas no asfalto. Olhei para frente e lá estava ela: Jessie, com seu sorriso sarcástico.

Ela vinha devagar, com passos leves e calmos. Eu não sabia o que estava acontecendo, mas de uma coisa tinha certeza: precisava me defender dela.

Corri na direção do carro, para pegar a espada, mas a mesma voou em direção ao poste paralelo ao que colidimos.

Virei-me pare ela, sem saber o que fazer. Ela sorriu mais uma vez e ergueu a mão na minha direção: cortes profundos começaram a surgir na minha pele – rosto, braços e tronco.

Mal conseguia ficar em pé. Me ajoelhei. Ela estava 10 metros a minha frente. Fui engatinhando para o poste esquerdo, onde se encontrava a minha espada, enquanto ela dizia:

– Seu pai mandou lembranças, garoto! Na verdade, seu nome foi a última coisa que pronunciou quando eu o matei! – Ela gargalhou friamente e continuou – Bem, pode correr para o seu brinquedo. Você não tem mais pelo o que lutar: seus pais, estão mortos! Eu os matei!

Segurei o cabo da espada e, em cima do meio fio, consegui me levantar e ficar em pé, mesmo com os joelhos bambos. Só tinha um plano, mas não sabia se daria certo. Ao menos, nas minhas condições, com certeza as probabilidades eram pequenas.

Conforme ela se aproximava, mais fundos ficavam os cortes. As lágrimas pela dor que estava sentindo e pelo o que ela acabara de falar, se misturaram no meu rosto. Permaneci lá, esperando a minha chance.

Ela estava se deslocando para o meio fio, quando ergui a espada para atrás das costas – do mesmo jeito que na biblioteca – só que agora parecia estar pesando muito mais. Tive que fazer muita força e, assim, soltando um grito de dor lancei a espada, não na direção dela, mas para o alto.

Quando lancei, Jessie sorriu com deboche e disse:

– Esperava mais de você, criança – a espada caíra ao lado de seu pé esquerdo – Patético.

Sua expressão logo mudou quando notara que eu estava rindo, mesmo com minha pele cheia de cortes profundos.

– Você está exatamente onde eu precisava que estivesse – então apontei para cima.

Tudo o que ela pôde ver foi um fio cortado indo em sua direção. Não teve tempo de se esquivar. Assim que a extremidade partida tocou o seu corpo, houve uma explosão e tive de tampar os meus olhos.

Me ajoelhei diante de tanta fraqueza e dor. Até que ouvi Nathan, atrás de mim:

– Jack, sua cabeça... – ele apontava para uma forma tremeluzente acima dos meus cabelos.  Princípio pensei que fosse fogo, mas não. Por mais estranho que aquilo fosse, era uma coruja com luz amarelada. Nathan se ajoelhou, abaixou a cabeça e continuou – Atena, deusa da sabedoria e estratégia em batalha.  

Não consegui olhar muito tempo. Caí de bruços e, a última coisa que me lembro, era de Nathan despejando um líquido com gosto de pavê na minha boca, uma das minhas sobremesas favoritas.
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Kalled C. Almeida em Seg 19 Dez 2016, 10:41


Avaliação

Jack Blackmount:

Meu jovem, sua ficha foi para uma deusa criteriosa e acredito que você saiba disso. A parte das aves de Estinfália ou "corvos" foi bem interessante. Mas em alguns momentos deixou a desejar como em certos momentos que você divide o seu tempo textual em dois como a personalidade de um Olimpiano em conflito.
@Jack Blackmount escreveu:

Enfim, fui até a sala para sair, até que olhei pela janela e vi uma grande nuvem de pombos que se deslocavam em várias direções. Além do fato das nuvens aparentarem estar pesadas, decidi levar um guarda-chuva. Vai que os pombos tenham dor de barriga.


Note que neste caso seria mais conexo escrever: “..., decidi levar um guarda chuva. Caso os pombos tivessem dor de barriga.” Ou ao menos por esse trecho em forma de pensamento
“- Vai que os pombos tenham dor de barriga. – pensei”.

Isso se repetiu algumas vezes, mas por um instante comecei a relevar, no entanto alguns erros ortográficos foram cometidos e me alertaram ainda mais sobre o seu texto em um formato geral. Por fim, a forma como você concluiu o texto deixou a desejar, você disse ter um plano para derrotar Jessie. Só que você não o descreveu e isso foi um erro que em uma missão ou narrativa poderia ter lhe prejudicado.
Logo, ficha reprovada

Aguardando atualização
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Psiquê em Qua 21 Dez 2016, 11:20




Atualizado!




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Re: Ficha de Reclamação

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