Ficha de Reclamação

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Ficha de Reclamação

Mensagem por Hera em Sex 07 Out 2016, 12:41

Relembrando a primeira mensagem :




Fichas de Reclamação


Este tópico foi criado para que o player possa ingressar na sua vida como semideus ou criatura mitológica. Esta ficha não é válida sob nenhuma hipótese para os 3 grandes (Hades, Poseidon e Zeus) devendo os interessados para estas filiações fazerem um teste específico, como consta aqui [link]. Para os demais semideuses, a avaliação é comum - o que não quer dizer que ao postar será aceito. Avaliamos na ficha os mesmos critérios que no restante do fórum, mas fichas comuns exigem uma margem menor de qualidade, mas ainda será observada a coesão, coerência, organização, ortografia e objetividade. Abaixo, a lista de deuses e criaturas disponíveis em ordem alfabética, com as devidas observações.




 
 


 
 


 
 


 
 


 
 


 
 


 
 


 
 


 
 


 
 


 
 


 
 


 
 


 
 


 
 


 
 


 
 


 
 


 
 


 
 


 
 


 
 


 
 


 
 


 
 


 
 


 
 


 
 


 
 


 
 


 
 


 
 


 
 


 
 



Deuses / CriaturasAvaliação
AfroditeComum
ApoloComum
AtenaRigorosa
AresComum
Centauros(as)Comum
DeimosComum
DeméterComum
DespinaRigorosa
DionísioComum
Dríades (apenas sexo feminino)Comum
ÉoloComum
EosComum
Espíritos da Água (Naiádes, Nereidas e Tritões)Comum
HadesEspecial (clique aqui)
HécateRigorosa
HéraclesComum
HefestoComum
HermesComum
HéstiaComum
HipnosComum
ÍrisComum
LegadosComum
MacáriaRigorosa
MelinoeRigorosa
NêmesisRigorosa
NyxRigorosa
PerséfoneRigorosa
PhobosComum
PoseidonEspecial  (clique aqui)
Sátiros (apenas sexo masculino)Comum
SeleneComum
TânatosComum
ZeusEspecial (clique aqui)



A Ficha


A ficha é composta de algumas perguntas e o campo para o perfil físico e psicológico e a história do personagem e é a mesma seja para semideuses, criaturas ou legados. Aqui, ressaltamos e relembramos a existência de um sistema de Legados no fórum. Com as recentes mudanças na ambientação do fórum, também, deixamos aqui explícito que os novatos que decidirem seguir para o acampamento, estarão vivendo sob a tutela e regência de Éris. Os que desejarem ser guiados por Quíron e campistas aliados do Olimpo, devem seguir para o Clube da Luta. Mais informações no tópico de trama geral do fórum.

Plágio não será tolerado e, ao ser detectado, acarretará um ban inicial de 3 dias + aviso, e reincidência acarretará em ban permanente. Plágio acarreta banimento por IP.

Aceitamos apenas histórias originais - então, ao usar um personagem criado para outro fórum não só não será reclamado como corre o risco de ser punido por plágio, caso não comprove autoria em 24h. Mesmo com a comprovação, a ficha não será aceita.

Fichas com nomes inadequados não serão avaliadas a menos que avisem já ter realizado o pedido de mudança através de uma observação na ficha. As regras de nickname constam nas regras gerais no fórum.

Lembrando que o único propósito da ficha é a reclamação do personagem. Qualquer item desejado, além da faca inicial ganha no momento de inscrição do fórum e dos presentes de reclamação (adquiridos caso a ficha seja efetivada) devem ser conseguidos in game, através de forjas, mercado, missões e/ou DIY.



TEMPLATE PADRÃO:
Não serão aceitas fichas fora desde modelo

Código:
<center>
<a href="goo.gl/6qY3Sg"><div class="frankt1">FICHA DE RECLAMAÇÃO</div></a><div class="frank1"></div><div class="franktextim">[b]— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?[/b]

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[b]— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):[/b]

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[b]— História do Personagem:[/b]

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</div><div class="frank2"></div> <div class="frankt2">Percy Jackson RPG BR</div></center>


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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Jasmine Grinderwald em Dom 27 Maio 2018, 15:46


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Tenho essa personagem por um tempão porque pensei cuidadosamente a respeito do que queria para ela, e com a abertura do sistema de legados, finalmente descobri. Pretendo que Jasmine seja filha de Macária e neta de Hipnos.

— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

Fisicamente, Jasmine possui uma beleza discreta, com poucas curvas a serem mostradas, além da pele alva, que não demonstra qualquer mácula, aparentando uma sensação sedosa ao toque. Sua altura pode ser considerada mediana, com pouco mais que 1,65m. As madeixas possuem um tom de loiro mel, que harmoniza perfeitamente com os olhos azuis expressivos e recheados de ingenuidade. Tudo nela aponta para uma posição de fragilidade, fazendo com que as pessoas ao redor se importem com a semideusa, tentem confortá-la. No entanto, em um contraste maravilhoso, sua forma de andar remete à nobreza, a coluna sempre perfeitamente ereta aliada aos ombros projetados para que mantenham o conjunto da obra. Sua voz é calma e doce, sendo um alívio aos ouvidos desesperados.

Psicologicamente, Jasmine é danificada. Tendo crescido em um lar abusivo, possui sérios problemas de confiança, embora reconheça a existência de pessoas genuinamente boas. Tende a manter-se isolada, acostumada à vivência solitária em Berlim, o que lhe rendeu apelidos referentes à pessoas esnobes quando ainda vivia no chalé de Hermes. O ser humano tendia a ser agressivo com o que não entendia e Jasmine... Ela era uma enorme incógnita. No entanto, mesmo preferindo ficar longe dos outros, a Grinderwald é extremamente empática. Consegue compreender emoções e sentimentos, processando-os com clareza. Calma e concentrada, a alemã é perfeitamente capaz de fazer decisões sob pressão, uma de suas grandes vantagens.

— História do Personagem:

A história de Jasmine Grinderwald não começa com a nossa protagonista. Irônico, não é? Para você entender a confusão que originou a loira, tem que voltar no tempo e se deparar com uma história de amor esquisita, que pode não agradar aos mais sensíveis, mas a verdade deve ser contada e apreciada.

{ Jörn Ruschel, início da vida }

Jörn Ruschel era um bebê lindo. Gordinho, com finas madeixas loiras e traços delicados, ele era o sonho de qualquer mãe, exceto que os braços que o seguravam quase não possuíam mais vida alguma correndo nas veias. A mulher respirava com dificuldade, as lágrimas escorrendo por suas bochechas e caindo na testa infantil, que ainda encontrava-se manchada pelo sangue do parto. Ela daria qualquer coisa para que fosse forte, para que pudesse ver seu filho crescer, mas sabia que seu momento se aproximava com rapidez. Em uma prece silenciosa, desejou apenas que seu bebê tivesse uma boa vida, que fosse capaz de enfrentar qualquer dificuldade com justiça e tranquilidade.

— Não se preocupe com isso. — O bebê foi retirado dos braços da mãe, que olhou para cima com algum esforço. A imagem da desconhecida que segurava seu bebê lhe trazia uma sensação de calmaria, os olhos da moribunda se esforçando para gravar quaisquer detalhes de sua salvadora, como os longos cabelos negros e as vestes esbranquiçadas. Talvez fosse uma alucinação devido à proximidade da morte, mas a mulher no chão podia jurar que a morena flutuava. Ela ajeitou o bebê em seus lençóis manchados de sangue e saiu do banheiro, demorando alguns bons minutos para voltar. Talvez nem tivesse demorado tanto. Talvez a agonia da falta de respiração fizesse o tempo parecer mais longo. De qualquer forma, a morena ajoelhou-se para que pudesse ser vista pela loira sem grande esforço. — Ele ficará bem, eu prometo. Sinto muito pelo que está prestes a acontecer, não me agrada levar mães que acabaram de conhecer seus filhos. No entanto, seu amor por ele me alcançou e é por isso que estou aqui. Você merece paz. — Macária estendeu a mão suave, esperando que a outra a aceitasse, mas não ficou surpresa quando ela hesitou. Era natural.

Os olhos azuis fitaram a deusa por algum tempo, fazendo com que a morena meneasse a cabeça em concordância. Ela entendia aquele desejo e, se ter certeza de que seu filho seria protegido na medida do possível facilitasse a transição, a divindade aceitaria o pedido. Seu coração era bondoso, afinal de contas. Um sorriso final desenhou-se no rosto da moribunda, representando uma beleza enorme para Macária. A expressão da loira se atenuou, os olhos parecendo vidro. Um último suspiro deixou seus lábios. Seria conduzida com tranquilidade naquela noite. Quanto à criança, Macária sabia ser proibido exercer influência ativa na vida de um humano, mas teria que cumprir sua promessa de alguma forma.

{ Jörn Ruschel, dezoito anos }

Os olhos azuis de Ruschel encaravam o céu estrelado de Berlim enquanto esperava por sua companhia. Quem olhasse para o rapaz poderia perceber em seu semblante a natureza gentil e reservada que florescera durante os anos nele, mesmo após uma vida semelhante à de Jasmine. Os seres humanos eram diferentes, lidavam com as coisas de forma diferente. Talvez Jörn aceitasse melhor os abusos aos quais foi submetido porque eram provenientes de estranhos empregados do orfanato - apesar de ter recebido grande ajuda de sua protetora -, enquanto as experiências traumáticas da outra lhe haviam sido infligidas pela pessoa que deveria lhe amar e proteger, que compartilhava de seu próprio sangue. De qualquer forma, o loiro, no auge de sua juventude, aguardava pacientemente, sentado no banco do parque.

— Você já não depende mais de mim. Cumpri minha promessa. — O alemão virou o rosto de forma que pudesse ver a morena que havia se materializado ao seu lado. Um sorriso se desenhou em seus lábios ao constatar que Macária não o olhava, parecendo até ruborizada, embora a luz do luar impedisse uma visualização detalhada da expressão dela.

— Você sabe que não precisa ser assim. Gosto de conversar com você e nossos encontros são o ponto alto do meu dia. — Havia algo de sedutor na tranquilidade que Jörn exalava. A divindade sabia ser a influência do pai dele, embora nunca tivesse se achado no direito de revelar ao loiro sobre a identidade de seu ascendente. Hipnos tinha seus motivos para não tê-lo reclamado, fossem quais fossem, não era um segredo dela para revelar.

— Meu trabalho é complexo, não tenho tempo para ser babá. Não me leve a mal... São as normas de nossa existência. Você precisa seguir sozinho, eu preciso fazer minha ronda. Talvez nos encontremos novamente em breve. — A deusa se levantou, disposta a se despedir de seu protegido e encerrar a relação entre ambos. Não conseguiu deixar de observá-lo por uma última vez, apenas o tempo necessário para que fosse induzida ao erro pela milionésima vez.

— Sabe... Você foi a única pessoa para quem me abri. — Jörn se levantou, aproximando-se da mulher. Estendeu a mão e acariciou o braço dela. — Eu te peço para que não me deixe. Não hoje. Não sem uma despedida à altura de nossa história. — Macária sabia que não estava encerrando aquilo pela idade de Ruschel. Estava apaixonada por ele e sabia que a história estava fadada ao fracasso. Sentia-se envergonhada de ter se deixado ficar vulnerável a quem devia proteger, a quem era praticamente seu próprio filho. No entanto, quando os lábios do alemão procuraram os seus, ela não tentou escapar. E por algum tempo depois, ainda estaria presa às lembranças dele, uma criança sendo gerada em seu ventre.

{ Jasmine Grinderwald, dias atuais }

Cochichos espantados enchiam o ambiente ao redor do corpo adormecido da semideusa indefinida. Acima de sua cabeça, no travesseiro, um par de adagas com os cabos enfeitados por flores e runas repousava. Macária havia finalmente se manifestado, embora a história de Jasmine pareça um pouco diferente da que ela própria vem contando há algum tempo. Primeiro, a semideusa esperava ser filha de um deus, visto que a avó sempre mencionou a morte da mãe durante o parto e não havia figura paterna presente em seu crescimento. Segundo, o sobrenome de Jörn e o de Jasmine não concordavam entre si. Terceiro... Se Hipnos não havia reclamado Ruschel, qual era o motivo da tênue aura dourada que iluminava a alemã inconsciente, que só podia ser vista se fosse dedicada exclusiva atenção a isso? Quarto, qual era a probabilidade de que os dois deuses se manifestassem ao mesmo tempo?

Aparentemente, ainda havia muito a ser descoberto a respeito de Jasmine Grinderwald porque, como uma boa introvertida, sua passagem pela vida, inclusive no que tangia à guerra atual, era uma enorme incógnita. Neutra, escondia-se no Clube da Luta, mas se precisasse, ergueria-se contra os olimpianos também. Seguia apenas as próprias vontades.

Spoiler:
Como a Jasmine já é alguém ativa no fórum, não vejo necessidade de reprisar a história dela, então é. Tem bastante da história dela nas missões realizadas.
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Mark Assis em Dom 27 Maio 2018, 17:01


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Gostaria de Ser reclamado por Ares, pois meu personagem se encaixa melhor com esse deus.

— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

Características Físicas:

Mark tem um tom de pele pardo. O garoto não tem muitos problemas com o corpo, muito pelo contrário, ele até gosta dele. O mesmo tem 1,75 de altura, chegando a pesar 70 quilos, mas seu peso não é algo que deixa o rapaz gordo, pois ele tem um corpo forte, com vários músculos definidos e quase nada de gordura.

O jovem tem cabelos pretos, olhos castanhos escuros que quando fica com raiva, chega a aumentar bastante. Sua boca chega a ser de tamanho mediano, o que é considerado "normal". Em sua cara, o mesmo tem uma cicatriz na bochecha de um corte profundo. A parte em seu peito esquerdo estava com mais uma marca, mas nem tão intensa quanto a de seu rosto.

Características Psicológicas:

Mark não é do tipo de cara calmo, muito pelo contrário, o mesmo tem um "pavio curto". Estourado como ele é, facilmente arruma confusões em ruas, escolas, e até mesmo em alguns lugares sem sentido.

Devido ao seu comportamento agressivo, são poucas as pessoas que conseguem se manter perto dele sem ouvir reclamações ou até ameaças, mas em certo momento ele decidiu tentar melhorar, coisa que não havia ter dado quase nenhum resultado.

Isso deixou o mesmo meio frustado e abalado por não conseguir ter muitos amigos, e só convive com um tipo de pessoa que conseguia suportar todo o ódio do garoto.

Por não ter um pai presente, o mesmo sentia-se mais isolado, o que fez ele ser um pouco menos carismático e até um pouco emburrado com as coisas.

Ele sempre achava que era o dono da razão, que nunca estava errado e, também achava que era o cara mais forte do mundo, como se nada pudesse o deter ou parar em uma briga. Em poucas palavras, ele realmente se achava muito.

— História do Personagem:

É estranho pensar que em um dia você está voltando pra casa, e no outro você está treinando para uma grande guerra que estava por vim. Confesso que nunca fui do tipo de cara que acreditava em mitologia, mas isso só durou a partir do momento em que eu começava a fazer parte dela. Vou explicar melhor o que acontece no decorrer da história que irei contar.

Eu tinha apenas meus 16 anos recém feitos e não estava preparado pra nada do que estava por vir, mas tive que ficar, aliás nunca é tarde para tentar certo?

Nunca fui um ótimo aluno na escola, muito pelo contrário, fui fazer minha primeira amizade com 15 anos de idade, e sério aquilo era algo fora do comum. Carl (meu amigo) era parecido comigo, estressado, impulsivo e sempre julgava estar certo, assim como eu. A gente tinha várias brigas, mas isso sempre me deixou mais próximo dele, coisa que eu nunca havia entendido, até porque não faz sentido, como duas pessoas tão parecidas se dariam tão bem e ao mesmo tempo tão mal? Acho que depois daquilo nossa amizade só tinha a crescer ainda mais.

Um certo dia eu estava voltando pra casa com o mesmo, mas foi a partir daquele dia que minha vida estava pra mudar bruscamente. Sim uma vida cheia de "bichos" estranhos e lutas sem fim entre deuses e nós semideuses. Sim, eu havia descoberto isso a pouco tempo, mas foi algo que me chocou muito, até porque não é sempre que você descobre ser filho de um deus né? Digo não deve ser tão comum né?

Ele estava indo comigo para casa, quando decidimos sair do caminho normal e nem tão convencional. Eu queria conhecer mais a cidade era novo ali em Nova York e não me dava tão bem a não ser com ele. Pegamos um atalho ou uma encruzilhada, julgue como quiser. Estávamos caminhando normalmente até um cara estranho abordar-nos e disser:

— Ei moleques, passem tudo que tem, rápido to com pressa!

Ele era da minha altura, magro, roupas escuras e uma touca na cabeça tampando o seu rosto. A voz dele era medonha e totalmente estranha, eu nunca tinha o visto nas ruas comuns da cidade, mas não abaixei minha cabeça, até porque não sou covarde, e retruquei para o mesmo:

— E seu não passar, vai fazer o que?

Foi ai que vi os olhos dele brilhar de raiva, e então o mesmo apontou a faca para meu rosto e me desferiu um golpe cortante e profundo na minha bochecha esquerda. Nesse momento eu me mantive calmo. Foi então que Carl entrou no meio e deu um soco no rosto do homem. O assaltante parecia nem ter sido afetado pelo soco dele, o que achei estranho, até porque ele era bem forte pra não machucar alguém. O rapaz de touca revidou dando uma facada no abdômen do meu amigo. Foi nesse momento que tudo mudou, e eu percebi que não era mais o mesmo desde então. Eu via o sangue de Carl se escorrer abdômen abaixo e a faca cravada ali, então comecei a sentir meu sangue subir, uma fúria enorme subir sobre minha cabeça fazendo assim com que a adrenalina em meu corpo o controlasse. Com o sangue de meu pai na veia, dei uma rasteira no rapaz e comecei a socar sua nuca, na intenção de nocautear o mesmo. Após nocautear o rapaz, fui falar com o ferido, e então ele havia me dito:

— Pegue o kit médico na minha bolsa e me ajude a estancar o ferimento na esquina mais próxima.

Peguei o kit dele e me perguntava sempre, porque diabos ele teria um kit médico na bolsa? Mas não me importei em perguntar isso e então ajudei o mesmo a ir até a esquina movimentada que estava a uns 20 metros dali, algo razoavelmente perto. Foi complicado, pois pela primeira vez senti medo de um amigo meu morrer. Eu estava tentando de tudo para ajudar ele, mas não sabia fazer nada, foi então que pedi a ajuda a uma moça- ela era morena, tinha mais ou menos a minha altura, pele branca, e olhos escuros-, e por sorte ela sabia estancar ferimento, e ajudou a gente. Logo em seguida curiosa com o que havia ocorrido a mesma perguntou a Carl:

— O que aconteceu com vocês?

Ele não estava afim de contar, então retrucou a mesma:

— Foi uma briga, apenas isso.

Após ele disser isso a moça olha pra gente com uma cara meio desconfiada, como se já soubesse de algo ou do que se tratava.

Estávamos voltando para a casa novamente quando ele olha para mim e pergunta:

— Como você fez aquilo? Aquilo não era comum Mark.

Eu o retruquei falando calmamente:

— Eu não sei explicar, deve ser instinto, não sei dizer.

Nesse exato minuto, olho para uma loja de espelhos e vejo um símbolo em cima da minha cabeça, parecia um tipo de javali com duas lanças cruzadas no mesmo. Imediatamente olho para meu companheiro que estava distraído e digo:

— Você também viu isso? Esse símbolo em minha cabeça?

O mesmo da um sorriso pra mim e fala:

— Finalmente está pronto...semideus.

Eu estava completamente pasmo com isso, mas não me assustei e perguntei a ele:

— Me desculpa a pergunta, mas o que é um semideus?

Carl olha pra mim com a famosa cara de deboche e diz:

— Vamos pra sua casa arrumar suas coisas, no caminho eu te explico melhor.

No caminho para casa (que era a 2 quadras dali) ele havia conseguido me explicar um pouco sobre os semideuses, mas ainda sim, queria saber para onde iriamos e o que iremos fazer nesse tal "Acampamento meio-sangue". São coisas que eu não havia obtido respostas, pois estava com vergonha de perguntar a Carl.

Ao chegar em casa, ele e minha mãe já sabia sobre quem eu era, e então ambos concordaram em me levar a um lugar próximo desse acampamento e faríamos o restante da viagem apé, o que ele dizia não ser muito tempo.

A viagem até um ponto, foi completamente calma, mas eu sentia que não seria sempre assim, não agora sem minha mãe. Olhei para Carl e o mesmo estava me entregando uma faca, ela era estranha, não era material comum, mas também não sabia identificar o que era, mas ele havia me dito, que era pra atacar alguns tipo de monstros que poderia vir pelo caminho.

Fazia um tempão que eu havia entrado na mata, estava anoitecendo já, e o pior de tudo estava com fome, e não havia nada de comer ali perto. Foi então que tive a brilhante ideia de tentar mudar o trajeto da viagem, mas não foi pra pegar comida e sim ajudar um homem que estava ali perto. Avisei a Carl que já voltava, e fui atrás do mesmo.

Estava caminhando em direção a algo que parecia um homem, obviamente estava constantemente sobre a vigia de Carl, que assim como eu, era um semideus mais experiente. Ao chegar mais perto o homem se vira contra mim e fala:

— Oi jovem semideus, está pronto para a morte?

Ao falar isso, o homem se transforma em um monstro com asas e garras enormes, pronto para me matar. Imediatamente meu companheiro tenta chegar o mais rápido possível para me ajudar, mas o monstro já estava voando em minha direção. Ao ver a cena dele voando para cima de mim, minha única reação foi dar uma cambalhota para o lado esquerdo do monstro e empunhar minha faca. Por sorte isso deu certo, as garras do monstro não me atingiram e eu sai ileso, o que deu tempo do meu amigo chegar e falar:

— Acho melhor você sair daqui sua fúria nojenta!

Logo essa tal de "Fúria" retruca:

— Do que você me chamou semideus inútil!

Carl estava com apenas uma faca parecida com a minha e mesmo foi para cima dela. A fúria tentara pegar ele com suas garras, mas o mesmo conseguira desviar e se esconder atrás de uma árvore, foi quando tive uma ideia para prender o monstro em uma árvore. Tentei chegar perto dele para falar o plano. Estava complicado, mas quando consegui, falei baixo no ouvido dele:

— Serei a isca, tentarei fazer ela me pegar com suas garras e irei correr em direção a uma árvore, quando ela tiver perto o suficiente vou tentar pular para o lado de alguma forma e fazer ela ficar presa na árvore, e então você vem e mata ela com sua faca.

Ele havia concordo com plano, pois era tão bom, mas como muitos dizem, fácil falar e difícil fazer.

Sai atrás da árvore e fui correndo em direção a vista do monstro. Quando ele me percebe, começo a execução do plano. Tudo estava para dar acerto, mas ouve um problema, eu pulei um pouco tarde demais e uma das garras dela havia cortado um pouco profundo o meu peito, nada que pudesse atrapalhar. A fúria acerta meu peito com um pouco de força, mas sua outra garra acaba ficando presa na árvore, foi então que eu começara a distrair ela falando:

— Tá difícil de sair desse lugar né? Mas então me fala passarinho feio, como é ser mais fraco e burro do que um novo semideus?

Eu estava ganhando tempo para Carl chegar por trás e dar o golpe final no bicho, mas a discussão estava legal até ela falar:

— Não sei pergunta pra sua mãe depois que matamos ela.

Quando ela falou aquilo, eu podia sentir aquela sensação novamente, meu sangue subindo, minha raiva se erguendo e minha força aumentando, mas foi então que falei a ela:

— Quando vocês a mataram?

O monstro com aquele olhar medonho respondeu:

— Assim que vocês chegaram. Vergonhoso, um semideus que não consegue nem proteger sua família.

Meu sangue subia cada vez mais e sentia minha arma gritar, mas eu não tinha o que fazer, ela estava protegendo o seu corpo com suas garras soltas. Foi então que ela se desfez em pó, ai que eu vi, Carl finalmente havia matado o monstro. Logo em seguida, cravo a faca que ele me dera no chão e começo a chorar, ele olhava para mim chorando e tomou coragem para perguntar:

— Mark, o que aconteceu?

Eu tento me estabilizar e limpar as lágrimas e olho para Carl e respondo:

— Eles mataram minha mãe.

Ele me olhava com um olhar de dó, mas tivemos que seguir o caminho para o acampamento.

Desde então venho treinando duro para ficar mais forte e proteger todos os amigos que fizer em minha jornada que estava prestes a começar.
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Maisie De Noir em Dom 27 Maio 2018, 17:55

Avaliação

Jasmine Grinderwald — Reclamada como filha de Macária legado de Hipnus.

Jasmine, devo lhe parabenizar pela forma que escreve. É cativante e prende o leitor na forma como conta a história. Apesar disso eu realmente gostaria que tivesse contado mais da sua personagem. Sim, há missões e posts espalhados pelo fórum, mas o avaliador não é obrigado a correr atrás deles para conhecer sua história. Isso quase me fez reprova-la, porém no pouco que você escreveu sobre a sua própria personagem julguei que já contou parte da vida dela.

Mark Assis — Reclamado como filho de Ares.

Hey, Mark! Devo dizer que venho acompanhando o desenvolvimento da sua ficha e também da sua história, o que me deixa feliz em ver como você melhorou. Ouviu os conselhos e fez as mudanças necessárias o que deixou seu texto bem melhor em muitos aspectos. O único ponto que eu mantenho é em relação a pontuação. Apontei alguns já e não vi uma mudança. Outro toque é em relação ao monstro: as Fúrias são "mulheres" e também ao constatar o bestiário o nível delas é superior ao que seu personagem conseguiria matar. Fique atento a isso em postagens futuras, mas ainda assim sua ficha possuiu o necessário para aceita-lo. Parabéns!

Aguardando atualização
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Zeus em Dom 27 Maio 2018, 19:02



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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Luciel Blake em Seg 28 Maio 2018, 15:19


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Athena, por se adequar como filho da deusa.


— Perfil do Personagem:

— Aparência:
Luciel é um rapaz com feições delicadas, e cabelo loiro que chega até seus ombros, com a pele extremamente clara, sendo quase albino, mede 1,60 e pesa por volta de 70kg, apesar de suas feições delicadas, ele não se importa com sua aparência, sendo quase sempre visto com o cabelo ou a roupa bagunçada.

— Personalidade:
Se acha superior a outros semi-deuses por ser filho de athena, chegando a ser inconsequente em certos momentos, apesar de sua inconsequência para certos atos, ele consegue manter facilmente a calma em momentos difíceis, raramente revela o que pensa ou sente aos outros, sendo difícil até para seus amigos mais próximos saberem o que ele pensa ou quer.
— História do Personagem:

Lu vivia em uma casa simples com seu pai, Alex Blake e seu meio-irmão Matt Ross, que sempre o maltratara pelos motivos mais imbecis possíveis, como por Luciel ser o favorito entre os 2, ou por achar que o jovem rapaz trazia desgraça para casa, que já havia sido atacada duas vezes desde o seu nascimento. Apesar de tudo isso, era um local alegre de se viver, e não havia como o pequeno protagonista dessa ficha ficar triste, pois de fato era o favorito por ser filho de uma Deusa, recebia as melhores partes de tudo, tirava as melhores notas na escola e tinha ótimos amigos, até aquele dia.

                                  27/12/2017

Um dia antes de seu aniversário, todos na casa de Lu estavam tensos, mas o jovem semideus não entendia por quê. Enquanto o tempo passava e ele estudava para uma prova de admissão em uma escola qualquer, já que não poderia mais permanecer na anterior devido a problemas financeiros, ele escutou um grito vindo da cozinha, seguido de algo demolindo, que o assustou, o fazendo se esconder no armário. Após poucos segundos, ouviu novamente os gritos e sentiu uma súbita rajada de ar vinda de seu quarto. Antes que pudesse agir, as portas de seu armário foram arrancadas, e a sua frente estava seu melhor amigo, com estranhas pernas de... Bode.
Antes que pudesse ter alguma reação, fora puxado para a realidade com um forte soco, vindo de seu meio-irmão mais velho, que também estava ali, seguido de gritos que ele não conseguiu entender. Estava atordoado pelo golpe, tudo que sentiu foi ser puxado para longe pelo homem-bode, onde passou pela cozinha e viu a destruição notando diversas penas pelo local, memorizou aquela cena para estudar enquanto pensava qual criatura poderia ter feito aquilo, já que a sua frente estava uma espécie de Sátiro concluiu que poderia existir criaturas como Fúrias, Harpias e... Deuses

                                  01/01/2018

 Havia se passado quatro dias que fora levado pelo sátiro para o acampamento, estava sendo perseguido por uma fúria desde que fugiu, seu amigo sátiro havia ficado para trás a fim de protege-lo, ele se encontrava no início da colina machucado e cansado enquanto ainda era perseguido pela serva de Hades, se fora alcançado... Significava que seu amigo morrerá, aquilo o abalou porém tinha sido avisado que não deveria se deixar abalar, quando estava próximo da Árvore de Thalia sentiu algo perfurar seu calcanhar o fazendo cair, a Fúria estava próxima do rapaz o suficiente para mata-lo sem dificuldades, até que... (Deus Ex Machina) Um forte brilho com um livro no centro apareceu, ele havia sido Reclamado por Athena, fazendo a Fúria fugir assustada pelo brilho, após a mesma fugir ele se levantou e adentrou o acampamento, sabia que deveria honrar sua Mãe por protegê-lo, e faria mesmo que isso significasse ser o melhor Herói.


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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Jeff Smith em Seg 28 Maio 2018, 15:39



Avaliação


Luciel Blake: Reprovado como filho de Atena.

Caro Luciel, vamos começar. Em primeiro lugar, peço que você se ambiente com a trama global do fórum. Aqui, o acampamento está destruído. Mais detalhes nesse link.

Agora vamos falar da ficha em si. Como Atena não sai tendo filhos com qualquer um, a aprovação para ser filho dela é mais rigorosa. Requer uma atenção especial. Não digo que você tem que escrever dez páginas de post apenas para ser reclamado, mas é bom você desenvolver um pouco mais seu personagem. Situações que são muito parecidas com as do livro podem passar, contudo é interessante desenvolver essas situações e não apenas passar por elas rapidamente. Atente-se a isso.

Outro fator que fez pesar em sua reprovação foi que, ao ler seu texto, percebi que a quantidade de erros de digitação no seu texto é um pouco acima do recomendado. Não há muitos erros gramaticais. Apenas esses erros, que podem ser melhorados com uma boa revisão.

No mais, não desanime. Se precisar, peça ajuda aos membros mais velhos do fórum para deixar seu texto cada vez mais polido. Se ainda houver qualquer dúvida, reclamação ou sugestão, pode enviar MP para mim. Boa sorte na próxima.

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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Ramonna Völker Rothschild em Qua 30 Maio 2018, 15:50


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Ramonna será filha de Hécate por alguns motivos bastante significantes para mim, primeiramente, a patrona da feitiçaria já é uma conhecida de muitos anos, acredito saber o suficiente para interpretar um personagem que seja prole da mesma. Em segundo lugar, por ter esse contato com a divindade não só em termos mitológicos, acabei por criar uma afinidade e admiração grande pela mesma.

— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

Físicas - Ei, espera ai… Quem é aquela ali? Bom, não pode ser qualquer uma, afinal, não conseguimos ver com frequência aquele tom de ruivo pelas ruas. Aah, aquela pele branca repleta de sardinhas a deixa ainda mais bonita e lhe transforma em uma figura angelical e atrativa para os olhos...Os olhos, castanhos como carvalho e a boca vermelha destacavam sua face harmônica.
Bem, não vamos ser seres deselegantes e falar de sua estatura física de forma rude não é mesmo?! Maaaas, a garota era dona de um corpo muito bem distribuído, não tão magra, porém, não tão avantajado. Me atrevo a dizer que aquela cintura deveras seria cobiçada por qualquer pessoa.

Psicológicas Doce menina, com um ar de mistério que é inevitável, mas que confesso ser um charme sem limites! Ramonna desde nova atraia os olhares de terceiros, mas acabava os encantando de verdade com sua simpatia, postura e, com toda certeza, pela sua lealdade incontestável.
Uma jovem que preza pelo respeito, centrada e que sempre conseguiu atingir seus objetivos até o momento. Ah pequena Ramonna… Será que ainda manterá a sanidade quando as coisas começarem a fugir do seus controle?

— História do Personagem:

04:45 P.M 15/01/1997 - New York, USA


James tinha nos lábios um sorriso maroto que a tempos não vestia no rosto, seus olhos miravam o corpo nu da mulher na cama de lençol branco. Ele coçava com uma das mãos o próprio abdômen nu enquanto na outra trazia o celular que acusava algumas chamadas perdidas de Madelaine, sua esposa - Desculpe querida, estou meio ocupado agora - O ruivo respondeu mentalmente antes de jogar o aparelho de volta na penteadeira em frente a cama.

— Você está pronto pra outra, James? - Os cabelos negros dela caiam sob as costas no momento em que a mesma se apoiou nos joelhos na cama, os olhos tão escuros quanto os fios encaravam o homem e sua voz soava em tom de desafio e um pouco de deboche, mas mesmo assim, não deixava de ser sexy - Ou o rapazinho já não dá conta?

— Mas você está falando com um Rothschild... - Ele riu sorrindo de forma maliciosa enquanto avançava pela cama de maneira lenta até alcançá-la -Nós não cansamos.

[...]

06:00 P.M


— Você me serviu bem, não tenho do que reclamar dessa vez - Ela se vestia com tranquilidade. Primeiro as peças íntimas, seguidas pelo corselet preto e enfim pelo vestido vermelho que deveras lhe caia muito bem.

James ainda se encontrava deitado na cama tomando fôlego. Aquela mulher fora incrível e ele ousava a compará-la com sua esposa em termos de “habilidade”.
Ele ergueu os olhos encarando ela quando a mesma alcançou a porta calçando os saltos, em sua cabeça se perguntava se não devia contar sobre sua situação real, mas concluira que não, já que não estenderia aquele caso.

— Vamos nos falar denovo em breve, não se preocupeEla sorriu de canto abrindo a porta. Antes de sair, ela olhou sobre o ombro rindo para James -Eu sei da sua mulher, querido .

Ela passou pela porta e fechou a mesma em suas costas. James arregalou os olhos e levantou da cama correndo escancarando a porta novamente, porém, já não havia sinal daquela mulher, era como se ela houve desaparecido no ar.


01:23 A.M 10/09/1997 - Estocolmo, Suécia


A campainha do Rothschild soava desesperadamente. Seja lá quem estivesse apertando, não tinha nenhum pingo de paciência e muito menos respeito, afinal, aquela era hora de se tocar a campainha de alguém?! Definitivamente não. Thason vestiu o robe às pressas, procurou na beira da cama pelos chinelos sem muito sucesso enquanto bocejava de sono.

Mas quem será uma hora dessas?! - O mordomo passou pela pequena porta do quarto de empregado, cruzou a cozinha e enfim alcançou a sala principal onde a campainha ainda tocava loucamente. Ele suspirou, piscou lentamente algumas vezes até que o som da campainha parou quando os dedos do homem rodaram a maçaneta da porta.
Os olhos de Thason miraram a varanda da casa vazia enquanto o vento começa a se fazer forte do lado de fora. Aparentemente, aquela confusão auditiva se tratou de uma pegadinha de muito mal gosto de algum adolescente que passara por ali. Ainda atento, o homem deu um passo pra fora com a intenção de verificar se não havia alguém escondido nos arbustos na frente da casa, porém, fora impedido ao tropeçar em uma espécie de caixa larga que não tinha visto antes, afinal, não havia de fato olhando para o chão antes.
Ele suspirou alto uma segunda vez enquanto se abaixava, analisou a caixa que trazia a tampa cheia de furinhos, não sabia exatamente o que havia ali dentro, porém, seja o que fosse, estava começando a se mexer ali dentro. Com o auxílio do guarda-chuva que se encontrava no suporte ao lado da porta do lado de fora, Thason ergueu lentamente a tampa da caixa temendo haver algo horrível ali dentro. Os olhos do mordomo se arregalaram ao mirar o interior da caixa.

— Meu deus! - O homem arqueou as sobrancelhas levando as mãos para dentro da caixa. Ali estava uma menininha de cabelos alaranjados e pele clarinha que aparentava ter pouco dias de vida - Quem seria capaz de deixar uma coisinha dessa nesse frio!

Thason a pegou nos braços com cuidado, se esforçando para não acordar a pequena. Como já se era de esperar, os donas da casa haviam acordado como todo o escândalo na porta assim como ele e, naquele momento, já se encontravam parados na escadaria encarando a porta aberta e as costas do mordomo.

— O que está acontecendo aí Thason? - A voz de Madelaine soava sonolenta e cansada. Mesmo naquele estado psicológico, a mulher de pouco menos de 30 anos conseguiu manter sua pose elegante e firme ao lado do marido que, assim como ela, também era repleto de sono.

Ela desceu os degraus amarrando o cordão do roupão vermelho, seus passos apesarem de serem lentos, ainda eram preocupados, afinal, algo estava acontecendo em sua casa. Sem muita demora, a mulher alcançou o mordomo que se virou, ainda com a porta aberta, para ela com uma expressão não muito clara. Thason, deu um passo para frente mostrando a pequena menina em seus braços que agora resmungava ainda de olhos fechados, aparentemente ela começara a sentir frio, considerando o tecido onde fora enrolada era quase tão fino quanto uma folha de papel.

— Senhora, ela fora deixada na vossa porta, dentro daquela caixa ali - Com um balanço de cabeça, o mordomo apontou com os olhos para a caixa ainda parada na mesma posição em que fora colocada em frente a porta escancarada.

Madelaine contorceu os lábios, em sua cabeça processava a informação que acabara de receber. Para ela, aquilo era uma grande benção já que não podia ter filhos, mas ao mesmo tempo, a imagem de alguém abandonando uma criança tão pura, inocente e indefesa lhe assustava e revirava o estômago de uma forma que não viera acontecer antes.
Sem pensar muito, a mulher tirou o roupão do corpo, tomou a criança nos braços e a enrolou no mesmo lhe mantendo aquecida, automaticamente, as bochechas da criança ruborizaram em resposta ao ato da mulher que começa instantaneamente a criar um vínculo materno com a menina. Madelaine lhe aconchegou nos braços encarando a menininha por um longo tempo em silêncio.

James observava os acontecimentos ainda da escada. O homem sabia que aquilo não havia acontecido por acaso. A mente de James viajava para alguns meses atrás onde se envolvera com uma mulher desconhecida em uma de suas viagens de trabalho, tudo que conseguia pensar era no como aquela mulher conseguira encontrá-lo ali, tão longe dos Estados Unidos e o motivo de não tê-lo procurado durante a gravidez que o mesmo nem imaginava ter acontecido.

Thason puxou a caixa para dentro da sala, fechou a porta atrás de suas costas e vasculhou a caixa em busca de qualquer pertence da criança e até mesmo de seus pais biológicos. Com as sobrancelhas arqueadas, o mordomo tirou de dentro da caixa uma manta lilás bordada com o nome Ramonna, um pequeno livro de capa preta protegido com tranca, porém, sem a chave e,no fundo da caixa, havia também uma carta onde no envelope amarelado vinha em letras vermelhas em uma caligrafia impecável os dizeres “Para os Rothschild”.
Isso está muito suspeito para o meu gosto... - O mordomo pensava consigo mesmo enquanto segurava a carta em uma das mãos e com a outra entregava os objetos para James que já se encontrava ao lado da esposa ainda observando a pequena menina buscando outras semelhanças com a menina fora os cabelos alaranjados.

—Senhor, a criança também trouxe uma carta remetida diretamente a vocês - Finalmente Thason entregou a carta nas mãos do patrão que lhe encarava com cara de preocupado, afinal, James já suspeitava do que se tratava, porém, não se permitia contar a verdade para a esposa e tão pouco permitiria que ela soubesse por outras bocas.

— Obrigado Thason, mas agora você já pode se retirar, quero conversar a sós com a minha mulher- James tentou soar da forma mais tranquila possível e como sempre, o mordomo, obedeceu a ordem sem titubear.

[...]

02:10 A.M


— O que quer fazer com ela Madelaine?- O homem se sentou em uma das poltronas próximo de onde a mulher ainda estava de pé. Ele tinha em si o mesmo ar de preocupado que antes, porém, dessa vez, não nítida qual o real motivo da preocupação, a esposa, a criança ou a traição  - Vai entregá-la ao conselho?

— Claro que não! Vamos cuidar dela, James.- Os olhos de Madelaine não saiam do pequeno bebê em seu colo. Deveras, a mulher estava encantada e disposta a criar a menina - Ela será nossa herdeira.

Madelaine deu as costas para James e subiu as escadas indo para um dos quartos do primeiro andar.
James suspirou. O homem abriu o envelope que trazia a “carta” em si e um pequeno broche de ouro em formato de lua minguante. Seus olhos correram pelo bilhete

“Cuide da minha criança como se fosse totalmente de seu sangue.
Eduque, faça dela uma grande mulher, pois quando chegar a hora, ela virá até mim e seguirá o seu destino como filha de uma deusa.
Ramonna é seu nome.

Hécate”

O coração de James bateu acelerado, aparentemente, a menina de fato era sua bastarda. Ele não sabia o que era mais inacreditável naquele momento, a mulher que se envolvera ser uma “deusa”, sua esposa ficar perdidamente apaixonada pela menina ou o fato dela ter surgido ali, tão longe de onde fora concebida ao mundo.
James guardou o bilhete e o broche de volta no envelope e recolheu os pertences da criança, era tudo muito estranho pra ele, mas o ruivo teria de se acostumar, iria criar sua própria filha como se ela não fosse legítima - Que grande merda você fez James…


03:50 P.M 20/09/2007 - Estocolmo, Suécia


Tenha calma Monnie, você precisa manter a classe mesmo com esses idiotas falando asneiras - Mentalmente Ramonna se repreendia enquanto o próprio corpo em si respondia mantendo a postura. Cabeça ereta, olhar adiante e os braços esticados e apoiados sobre sua carteira. Seu nariz mais afinado lhe deixava com um aspecto de superioridade todas as vezes que a menina tomava aquela postura.
A ruiva se encontrava na primeira carteira da terceira fileira de sua classe, ao seu lado direito se sentava um garoto magricelo cujo os pais eram divorciados e o mesmo morava com o pai que passava mais tempo trabalho do que na própria casa, seu nome era Robert, do lado esquerdo as gêmeas Granger ocupavam a primeira e segunda carteira, Maggie e Makenzie, eram duas garotinhas de estatura média, cabelos loiros e metidas a besta, supostamente, os pais das duas eram donos das maiores empresas do ramo laticínios na região de Estocolmo, mas as duas meninas eram nojentas, mimadas e mal educadas.

— Olhem só pra mim, meu nome é Ramonna Völks Rothschild e eu sou um robozinho perfeito- Makenzie imitava as feições da ruiva de pé em frente a turma enquanto andava de maneira mecânica de um lado pelo outro proxima ao quadro.

Monnie se esforçava para se manter neutra e inabalável para com as risadas e chacota das outras crianças ali presente. Graças a educação que vinha recebendo de seus pais através dos anos, a menina tinha sucesso nessa tarefa, pois fora ensinada por Madelaine que as pessoas eram maldosas, mas que ela era alguém muito melhor e que não deveria se deixar abalar com os comentários dos outros. Ela suspirou e virou o pescoço com calma e graça ainda na mesma posição, vasculhou a sala com os olhos vendo cada uma das crianças que se deixavam rir.

— Ôh, o que foi Ramonna? Procurando papai e mamãe? - Maggie estava debruçada sobre a carteira da garota - Ah não, eles não são seus pais de verdade não é mesmo??

— Claro que meus pais são… meus pais - A menina sorriu de canto se virando de lado em sua cadeira apoiando agora as mãos em seu colo.

— Todo mundo diz que não! Você não tem nada da sua mãe e seu pai... - Maggie se ergueu novamente e olhou para todo o restante da sala voltando a tagarelar em tom alto para que todo mundo pudesse lhe ouvir com clareza - O seu pai pinta o cabelo de ruivo para você acreditar ser filha dele.

A ruiva arregalou os olhos por um momento e se levantou da cadeira. Naquele momento, Ramonna começava a ser tomada pelo sentimento de raiva e ódio, quem aquela garota pensava que era para falar mentiras como aquelas para ela e todo o resto da turma?!
Monna caminhou para cima de Maggie, seu rosto era vazio. A irmã Granger começava a recusar e a se sentar na cadeira vazia a qual deveria pertencer a professora nos momentos de aula enquanto Makenzie se afastava e se unia ao resto da turma que começa a se amontoar em volta das duas, porém, em uma distância segura com a intenção de acompanhar uma possível briga.

— Você não sabe nada sobre a minha vida pessoal, você conhece apenas aquilo que nós deixamos que você saiba -  Ramonna tremulava a voz de forma bastante assustadora para uma criança de dez anos. Suas mãos se apoiavam nos braços da cadeira e seu corpo se projetava ao pouco para cima de Maggie - Não ouse abrir sua boca suja para proferir mentiras sobre a minha família.

Subitamente os olhos de Ramonna ficaram de um púrpura vivo, seu corpo estremeceu e as pilhas de papel que se encontravam amontoadas sobre as primeiras carteiras começaram a voar se espalhando mesmo sem qualquer ventilador ou janela aberta por onde poderia surgir uma brisa criando confusão pela sala toda. Maggie acabou por se assustar com os olhos da ruiva e acabou caindo no choro e gritos desesperados que acabou por tomar conta das outras crianças.
Monna não conseguia compreender o que tinha acabado de fazer exatamente, a menina se sentia poderosa, porém, a sensação de poder que exalava de seu corpo lhe deixava completamente amedrontada e os gritos das outras crianças estavam colaborando para a situação.

Ela saiu correndo pelo corredor, desceu três lances de escadas e fora se esconder na biblioteca. Ali era o refúgio da menina.

[...]

06:00 P.M


— Onde está a minha filha?!- Madelaine urrava na diretoria. Cerca de duas horas atrás a loira havia recebido uma ligação do colégio de Ramonna onde a professora parecia um tanto perturbada e não sabia explicar exatamente o que havia acontecido pela chamada, o que a deixou deveras preocupada com a menina - Eu quero ouvir a Ramonna. Encontrem-na.

Dyllan, o diretor da Sta. Delassie suspirava observando Madelaine de forma histérica, de fato, o homem se admirava com o como o comportamento da filha era totalmente diferente da mãe… Bom, pelo menos quando as duas não se encontravam no mesmo lugar. Com a expressão cansada o diretor se aproximou do microfone que ficava ligado no circuito interno de som.

— Ramonna Völks Rothschild, apresente-se na sala do diretor imediatamente - A voz de Dyllan ecoou grave por todas as coisas de som espalhadas pelo colégio. Soou salas de aula, banheiro, pátios, até mesmo silenciosa biblioteca onde a garota se encontrava-Madelaine Rothschild se encontra aqui.

Monnie estava  encolhida em dos cantos da sessão restrita quando escutou o chamado pelo auto-falante. Seu corpo teve alívio finalmente desde o episódio dentro da sala de aula.
De forma tranquila, a garota se levantou, ajeitou o rabo de cavalo e por fim bateu as mãos sobre as roupas na expectativa de se livrar de qualquer sujeira. Em passos exatos Ramonna passou pela biblioteca com a cabeça erguida… Estava voltando a manter sua postura confiante, afinal, sua mãe estava lhe esperando e certamente gostaria de entender o que de fato estava acontecendo.

A diretoria se encontrava no primeiro andar, portanto, a ruiva não leu mais de 5 minutos para alcançar a porta de madeira e vidro fosco por onde conseguia ver a silhueta das pessoas que se encontravam lá dentro: Aparentemente, um homem e uma mulher. Ramonna entrou.
Dylan estava sentado em sua cadeira logo atrás da escrivaninha muito bem organizada onde uma placa brilhante de metal reluzia com o dizer “Diretor Dylan Rarpeer”, sua expressão era cansada como sempre, dava a impressão de que sempre passava as noites em claro. Madelaine se endireitava na desconfortável dos visitantes, seus olhos se encheram de alegria imediatamente ao se deparar com a filha, porém, por respeito a ele, tomou a postura de uma verdadeira lady e se permitiu apenas em dar um grande sorriso seguido de um suspiro de alívio.

— Ah querida! Fiquei preocupada quando ligaram dizendo que você havia sumido da sala de aula em meio de uma confusão com colegas - A loira deu toda atenção para a menina e demonstrava de fato seus sentimentos em suas palavras - A senhorita Morgan me disse que uma das alunas lhe contou que você havia ocasionado tudo. O que realmente aconteceu meu bem?

— Mamãe, eu me mantive controlada durante todo o momento que pude. Antes de sair, apenas pedi para que Maggie não falasse mentiras ao nosso respeito - Ramonna se sentou no banco próximo a porta e cruzou as pernas abaixando a cabeça se recordando dos fatos - Elas insistiam em me chamar se adotada e inventar mentiras sobre o papai.

Madelaine engolira seco, as palavras que Monna dizia lhe causavam arrepios na espinha. De fato, a ruiva não sabia da verdade ainda e agora Madelaine se encontrava numa posição desfavorável pois estava vendo diante de seus olhos que sua pequena filha estava descobrindo a verdade por outros.

— Sinto muito por isso, querida...- De repente, Madelaine perdera completamente a pose se adiantou até a filha se abaixando para que ficasse na altura da mesmo enquanto sentada no banco. Ela tinha o rosto agora carregado de vergonha, não havia planejado contar a verdade para a menina daquela forma, mas ja não tinha mais volta - Elas não mentiram sobre isso.

Ramonna faltou o ar. Tudo tomara outra forma para a menina.
Em sua cabeça a ruiva tentava processar aquela informação, não entendia o motivo de seus pais terem mentido pra ela por todo aquele tempo e a deixaram ser exposta ao ridículo. Seu coração apertava e uma lágrima escorreu pelo rosto, porém, ela se recusava a chorar, se recusava a perder a postura ali.

— Quero ir embora- Ramonna se levantou e continuou parada esperando pela autorização.

— Querida, vamos conversar sobre isso, tudo bem?- Madelaine pousou as mãos sobre os ombros da garota lhe encarando com preocupação - Só queríamos proteger você.

— Eu só quero ir para casa… Mamãe

09:27 A.M 17/03/2015 - Estocolmo, Suécia


Tinha tudo pra ser um dia maravilhoso já que fazia sol em Estocolmo, porém, para Monnie aquela manhã era cinza e uma das mais tristes de toda sua vida… Madelaine não conseguira vencer o câncer e naquela segunda, deixou de respirar.

Pela primeira vez, Ramonna chorou em público. A garota tentava se manter firme, mas ao ver o caixão de Madelaine ser abaixado as lágrimas não se continham e lhe molhavam a face. James tentava manter a garota sob controle, mas a cada momento a dor apenas aumentava para ela.
Ramonna deixou cair sobre o caixão uma rosa vermelha enquanto seus joelhos iam ao chão ao lado da cova - Mamãe… - Todos já davam as costas e se afastavam do funeral, sobrava ali apenas a jovem e seu pai. O perto da garota doía, seu coração estava despedaçado e queimava cada vez mais, em sua cabeça surgia todos os momentos bons que vivera com a mãe e o sentimento de ódio me tomava… Por que tinha que ter tirado Madelaine dela?!
A cada soluço, cada lágrima, fazia com que a energia de Ramonna se acumulasse e como se fosse uma explosão invisível, veio a tona com grito de dor da garota. Ela estava de olhos fechados, James deu alguns passos para trás protegendo o rosto do vento que agora soprava sem dó, terra se erguia no ar, as flores dos túmulos próximos eram carregadas para longe.
Ela chorava desesperadamente.

— RAMONNA! - James se exaltou gritando com a jovem. Ramona se ergueu ainda de olhos fechados e o vento parou instantaneamente.

[...]

DUAS SEMANAS DEPOIS


Ramonna estava encolhida sentada na claraboia de seu quarto, seus olhos miravam a rua pela janela no segundo andar da casa. Na rua, crianças brincavam em suas bicicletas e patins, a jovem sorriu brevemente com a lembrança de quando ganhara seu primeiro patins de Madelaine… Mal acreditava no que havia acontecido.

James adentrou no quarto sem nem mesmo bater, em suas mãos trazia uma caixa razoavelmente grande. Ele encarou a própria filha por um tempo antes de chamar a atenção da garota com um chiado da garganta.

— Querida… Gostaria de mostrar uma coisa que a sua mãe não mostrou- O homem suspirou colocando a caixa sobre a cama dela e a abriu tirando os objetos que foram entregues junto com ela quando fora adotada - Isso é seu.

Ramonna se virou ainda sentada na claraboia, seus miravam os objetos em cima da cama. Uma manta, um livro e um envelope.
Em passadas lentas e cansadas a garota alcançou a cama, examinou mais de perto cada um dos itens. Primeiro a manta macia e que cheirava a roupa guardada, trazia seu nome bordado de forma cuidadosa e elegante. Depois o livro preto de capa surrada que infelizmente não conseguia abrir, aparentemente havia se colado as paginas já que a tranca havia se soltado dele com os anos. Por último, tomou o envelope em mão se sentando na cama acompanhada de James.

— Por que mamãe não me deu isso antes?

—  Madelaine tinha medo de você se juntar a sua verdadeira mãe - James engoliu seco e suspirou olhando para o envelope nas mão da filha - Ela tinha medo de você descobrir que os seus “dons” são coisa da sua mãe… Eu sempre achei que ela deveria ter te contado quando mais nova. Nós sabíamos mas mesmo assim permitimos que você sofresse e passasse por todos os momentos ruins em que  seu poder se espalhava, mas foi para tentar te proteger, querida.

— Me proteger?! - Ramonna não conseguia acreditar no que estava ouvindo. Todos aqueles anos tentando lidar com seu “problema” sozinha, tentando ser uma garota normal com medo de seus pais não a quererem mais, para no fim, descobrir que eles sempre souberam até mesmo o motivo dela ser diferente - Vocês fizeram com que eu me achasse louca!

James não disse nada, sabia que a garota tinha razão e por mais que se lamentasse por isso, não podia desfazer a situação. Ele se levantou e caminhou até a porta do quarto.

— Me perdoe, minha filha - O homem se retirou batendo a porta em suas costas.
Ela suspirou com os olhos fechados absorvendo aquele momento antes de finalmente abrir o envelope que já estava em estado de deterioração. Com cuidado, tiro de lá de dentro o broche de ouro em meia lua que, de fato, lhe encantou à primeira vista. Com as pontas dos dedos Ramonna puxou para fora o papel da carta.
Os olhos da garota percorreram cada palavra daquele bilhete diversas vezes… Seria mesmo possível que fosse filha de uma deusa? Era confuso, porém, explicava bem a diferença da jovem. Um suspiro escapou pelos lábios, sabia que apartir daquele momento sua vida mudaria.



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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Melinda Thompson em Qua 30 Maio 2018, 17:40


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Ramonna Völker Rothschild — Reprovada como filha de Hécate


Hello, darling. Sem mais delongas, cá estão minhas críticas:

O primeiro ponto que levantarei é o mal uso do travessão (—). Você os usou corretamente antes das falas que iniciavam um parágrafo, porém não os utilizou para encerrar a fala ou para começar uma nova linha de fala, usando um traço (-) ao invés. Preste muita atenção nisso no futuro.

Ela passou pela porta e fechou a mesma em suas costas. James arregalou os olhos e levantou da cama correndo escancarando a porta novamente, porém, já não havia sinal daquela mulher, era como se ela houve desaparecido no ar.

No trecho destacado, se encontra três exemplos de erros que foram repetidos ao longo do texto: repetição de termos/palavras, mal uso de vírgulas e erro de conjugação.

Por duas vezes ao se referir à porta você foi redundante. A segunda oração está muito rápida, sem pausas entre as ações, dificultando a leitura. O verbo haver está conjugado no pretérito perfeito, quando o correto deveria ser o pretérito imperfeito, ou seja, houvesse. Um exemplo de como esse parágrafo poderia ter sido melhor estruturado é este:

Ela passou pela porta e a fechou em suas costas. James arregalou os olhos e levantou-se correndo da cama, escancarando-a novamente, porém já não havia sinal daquela mulher. Era como se ela houvesse desaparecido no ar.

Novamente falando sobre o mal uso de pontuação, dê uma olhada nesse trecho:

A ruiva se encontrava na primeira carteira da terceira fileira de sua classe, ao seu lado direito se sentava um garoto magricelo cujo os pais eram divorciados e o mesmo morava com o pai que passava mais tempo trabalho do que na própria casa, seu nome era Robert, do lado esquerdo as gêmeas Granger ocupavam a primeira e segunda carteira, Maggie e Makenzie, eram duas garotinhas de estatura média, cabelos loiros e metidas a besta, supostamente, os pais das duas eram donos das maiores empresas do ramo laticínios na região de Estocolmo, mas as duas meninas eram nojentas, mimadas e mal educadas.

Foram seis longas linhas de informações com apenas vírgulas. Fica difícil de ler, confuso e atrapalha completamente o fluxo do texto. Vou dar um exemplo de como esse trecho poderia ser sido redigido, para melhor compreensão do leitor:

A ruiva se encontrava na primeira carteira da terceira fileira de sua classe. Ao seu lado direito, sentava-se um garoto magricelo chamado Roberto, filho de pais divorciados que morava com o pai, que passava mais tempo no trabalho do que na própria casa. Ao seu lado esquerdo, as gêmeas Granger, Maggie e Makenzie, ocupavam a primeira e segunda carteira, duas garotinhas de estatura média, cabelos loiros e metidas a besta. Supostamente, os pais delas eram donos das maiores empresas do ramo de laticínios na região de Estocolmo, mas as duas eram nojentas, mimadas e mal educadas.

Observe também que você esqueceu da preposição de e da contração no nesse trecho, algo que não aconteceu uma única vez ao longo da ficha.

Por fim, temos alguns erros de digitação que uma revisão mais atenta teria remediado, como a palavra recusar ao invés de recuar; colocar conjugações do verbo é no lugar de estar; uso do pronome me quando o correto seria lhe; apartir escrito junto embora o certo seja a partir separado; entre outros.

A única razão para eu não ter aprovado você é o fato da ficha de reclamação de Hécate ser rigorosa. Já tinha até escrito que você foi aprovada antes de fazer essa análise aprofundada e concluir que você precisa de um pouco mais de atenção na hora de revisar. Sua trama foi extremamente cativante e bem estruturada, me prendendo do início ao fim, porém, dessa vez, não será o bastante para aprová-la.

Revise sua ficha, conserte os deslizes apontados e reposte sua ficha. E então, terei muito prazer em aprová-la.


Dúvidas ou reclamações, é só mandar por mp.
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Ramonna Völker Rothschild em Qua 30 Maio 2018, 19:24


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Ramonna será filha de Hécate por alguns motivos bastante significantes para mim, primeiramente, a patrona da feitiçaria já é uma conhecida de muitos anos, acredito saber o suficiente para interpretar um personagem que seja prole da mesma. Em segundo lugar, por ter esse contato com a divindade não só em termos mitológicos, acabei por criar uma afinidade e admiração grande pela mesma.

— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

Físicas - Ei, espera ai… Quem é aquela ali? Bom, não pode ser qualquer uma, afinal, não conseguimos ver com frequência aquele tom de ruivo pelas ruas. Aah, aquela pele branca repleta de sardinhas a deixa ainda mais bonita e lhe transforma em uma figura angelical e atrativa para os olhos...Os olhos, castanhos como carvalho e a boca vermelha destacavam sua face harmônica.
Bem, não vamos ser seres deselegantes e falar de sua estatura física de forma rude não é mesmo?! Maaaas, a garota era dona de um corpo muito bem distribuído, não tão magra, porém, não tão avantajado. Me atrevo a dizer que aquela cintura deveras seria cobiçada por qualquer pessoa.

Psicológicas Doce menina, com um ar de mistério que é inevitável, mas que confesso ser um charme sem limites! Ramonna desde nova atraia os olhares de terceiros, mas acabava os encantando de verdade com sua simpatia, postura e, com toda certeza, pela sua lealdade incontestável.
Uma jovem que preza pelo respeito, centrada e que sempre conseguiu atingir seus objetivos até o momento. Ah pequena Ramonna… Será que ainda manterá a sanidade quando as coisas começarem a fugir do seus controle?

— História do Personagem:









04:45 P.M 15/01/1997 - New York, USA


James tinha nos lábios um sorriso maroto que a tempos não vestia no rosto, seus olhos miravam o corpo nu da mulher na cama de lençol branco. Ele coçava com uma das mãos o próprio abdômen nu enquanto na outra trazia o celular que acusava algumas chamadas perdidas de Madelaine, sua esposa - Desculpe querida, estou meio ocupado agora - O ruivo respondeu mentalmente antes de jogar o aparelho de volta na penteadeira em frente a cama.

— Você está pronto pra outra, James? — Os cabelos negros dela caiam sob as costas no momento em que a mesma se apoiou nos joelhos na cama, os olhos tão escuros quanto os fios encaravam o homem e sua voz soava em tom de desafio e um pouco de deboche, mas mesmo assim, não deixava de ser sexy — Ou o rapazinho já não dá conta?

— Mas você está falando com um Rothschild... — Ele riu sorrindo de forma maliciosa enquanto avançava pela cama de maneira lenta até alcançá-la —Nós não cansamos.

[...]

06:00 P.M


— Você me serviu bem, não tenho do que reclamar dessa vez — Ela se vestia com tranquilidade. Primeiro as peças íntimas, seguidas pelo corselet preto e enfim pelo vestido vermelho que deveras lhe caia muito bem.

James ainda se encontrava deitado na cama tomando fôlego. Aquela mulher fora incrível e ele ousava a compará-la com sua esposa em termos de “habilidade”.
Ele ergueu os olhos encarando ela quando a mesma alcançou a porta calçando os saltos, em sua cabeça, se perguntava se não devia contar sobre sua situação real, mas concluira que não, já que não estenderia aquele caso.

— Vamos nos falar denovo em breve, não se preocupe —Ela sorriu de canto abrindo a porta. Antes de sair, ela olhou sobre o ombro rindo para James — Eu sei da sua mulher, querido .

Ela passou pela porta e a fechou em suas costas. James arregalou os olhos e levantou-se correndo da cama,  escancarando-a novamente, porém já não havia sinal daquela mulher, era como se ela houvesse desaparecido no ar.


01:23 A.M 10/09/1997 - Estocolmo, Suécia


A campainha do Rothschild soava desesperadamente. Seja lá quem estivesse apertando, não tinha nenhum pingo de paciência e muito menos respeito, afinal, aquela era hora de se tocar a campainha de alguém?! Definitivamente não. Thason vestiu o robe às pressas, procurou na beira da cama pelos chinelos sem muito sucesso enquanto bocejava de sono.

Mas quem será uma hora dessas?! - O mordomo passou pela pequena porta do quarto de empregado, cruzou a cozinha e enfim alcançou a sala principal onde a campainha ainda tocava loucamente. Ele suspirou, piscou lentamente algumas vezes até que o som da campainha parou quando os dedos do homem rodaram a maçaneta da porta.
Os olhos de Thason miraram a varanda da casa vazia enquanto o vento começa a se fazer forte do lado de fora. Aparentemente, aquela confusão auditiva se tratou de uma pegadinha de muito mal gosto de algum adolescente que passara por ali. Ainda atento, o homem deu um passo pra fora com a intenção de verificar se não havia alguém escondido nos arbustos, porém fora impedido ao tropeçar em uma espécie de caixa larga que não tinha visto antes, afinal, não havia de fato olhando para o chão antes.
Ele suspirou alto uma segunda vez enquanto se abaixava, analisou a caixa que trazia a tampa cheia de furinhos e não sabia exatamente o que havia ali dentro, porém, seja o que fosse, estava começando a se mexer. Com o auxílio do guarda-chuva que se encontrava no suporte ao lado da porta por fora, Thason ergueu lentamente a tampa da caixa temendo haver algo horrível ali dentro. Os olhos do mordomo se arregalaram ao mirar o interior da caixa.

— Meu deus! — O homem arqueou as sobrancelhas levando as mãos para dentro da caixa. Ali estava uma menininha de cabelos alaranjados e pele clarinha que aparentava ter pouco dias de vida — Quem seria capaz de deixar uma coisinha dessa nesse frio!

Thason a pegou nos braços com cuidado, se esforçando para não acordar a pequena. Como já se era de esperar, os donos da casa haviam acordado com todo o escândalo da campainha assim como ele e, naquele momento, já se encontravam parados na escadaria encarando a porta aberta e as costas do mordomo.

— O que está acontecendo aí Thason? — A voz de Madelaine soava sonolenta e cansada. Mesmo naquele estado psicológico, a mulher de pouco menos de 30 anos conseguia manter sua pose elegante e firme ao lado do marido que assim como ela, também era repleto de sono.

Ela desceu os degraus amarrando o cordão do roupão vermelho, seus passos apesarem de serem lentos, ainda eram preocupados, afinal, algo estava acontecendo em sua casa. Sem muita demora, alcançou o mordomo que se virou, ainda com a porta aberta, para ela com uma expressão não muito clara. Thason, deu um passo para frente mostrando a pequena menina em seus braços que agora resmungava ainda de olhos fechados, aparentemente ela começara a sentir frio, considerando que o tecido onde fora enrolada era quase tão fino quanto uma folha de papel.

— Senhora, ela fora deixada na vossa porta, dentro daquela caixa ali — Com um balanço de cabeça, o mordomo apontou com os olhos para a caixa ainda parada na mesma posição em que fora colocada em frente a porta escancarada.

Madelaine contorceu os lábios, em sua cabeça processava a informação que acabara de receber. Para ela, aquilo era uma grande benção já que não podia ter filhos, mas ao mesmo tempo, a imagem de alguém abandonando uma criança tão pura, inocente e indefesa lhe assustava e revirava o estômago de uma forma que não viera acontecer antes. Sem pensar muito, tirou o roupão do corpo, tomou a criança nos braços e a enrolou no mesmo lhe mantendo aquecida.
Automaticamente, as bochechas da criança ruborizaram em resposta ao ato da mulher que começava instantaneamente a criar um vínculo materno com a menina. Madelaine aconchegou a pequena criatura em seus braço e lhe observou por um longo tempo em silêncio.

James vigiava os acontecimentos ainda da escada. O homem sabia que aquilo não havia acontecido por acaso. A mente de James viajava para alguns meses atrás onde se envolvera com uma mulher desconhecida em uma de suas viagens de trabalho. Tudo que conseguia pensar era no como aquela mulher conseguira encontrá-lo ali, tão longe dos Estados Unidos e por qual motivo não lhe procurou durante a gravidez que o mesmo nem imaginava existir.

Thason puxou a caixa para dentro da sala, fechou a porta atrás de suas costas e a vasculhou em busca de qualquer pertence da criança ou de seus pais biológicos. Com as sobrancelhas arqueadas, o mordomo tirou de lá uma manta lilás bordada com o nome Ramonna e um pequeno livro de capa preta protegido com tranca, porém, sem a chave. No fundo da caixa, havia também uma carta onde no envelope amarelado vinha em letras vermelhas em uma caligrafia impecável os dizeres “Para os Rothschild”.
Isso está muito suspeito para o meu gosto... - O mordomo pensava consigo mesmo enquanto segurava a carta em uma das mãos e com a outra entregava os objetos para James que já se encontrava ao lado da esposa.

— Senhor, a criança também trouxe uma carta remetida diretamente a vocês — Finalmente Thason entregou a carta nas mãos do patrão que lhe encarava com olhar preocupado, afinal, James já suspeitava do que se tratava, porém não se permitia contar a verdade para a esposa e tão pouco permitiria que ela soubesse por outras bocas.

— Obrigado Thason, mas agora você já pode se retirar, quero conversar a sós com a minha mulher — James tentou soar da forma mais tranquila possível e como sempre, o mordomo, obedeceu a ordem sem titubear.

[...]

02:10 A.M


— O que quer fazer com ela Madelaine?— O homem se sentou em uma das poltronas próximo de onde ela ainda estava de pé. Ele tinha em si o mesmo ar de preocupado que antes, porém dessa vez, não tão nítido o real motivo da preocupação. Seria esposa, a criança ou a traição?  — Vai entregá-la ao conselho?

— Claro que não! Vamos cuidar dela, James.— Os olhos de Madelaine não saiam do pequeno bebê em seu colo. Deveras, estava encantada e disposta a criar a menina — Ela será nossa herdeira.

Madelaine deu as costas para James e subiu as escadas indo para um dos quartos do primeiro andar.
James suspirou alto e emfim abriu o envelope que trazia a “carta” em si e um pequeno broche, de ouro em formato de lua minguante. Seus olhos correram pelo bilhete.

“Cuide da minha criança como se fosse totalmente de seu sangue.
Eduque, faça dela uma grande mulher, pois quando chegar a hora, ela virá até mim e seguirá o seu destino como filha de uma deusa.
Ramonna é seu nome.

Hécate”

O coração de James bateu acelerado. Aparentemente, a menina de fato era sua bastarda. Ele não sabia o que era mais inacreditável naquele momento, a mulher com quem se envolvera ser uma “deusa”, sua esposa ficar perdidamente apaixonada pela menina ou o fato dela ter surgido ali, tão longe de onde fora concebida ao mundo.
James guardou o bilhete e o broche de volta no envelope recolhendo os pertences da criança logo em seguida. Era tudo muito estranho pra ele, mas o ruivo teria de se acostumar. Iria criar sua própria filha como se ela não fosse legítima - Que grande merda você fez James…


03:50 P.M 20/09/2007 - Estocolmo, Suécia


Tenha calma Monnie, você precisa manter a classe mesmo com esses idiotas falando asneiras - Mentalmente Ramonna se repreendia enquanto o próprio corpo em si respondia mantendo a postura. Cabeça ereta, olhar adiante, os braços esticados e apoiados sobre sua carteira. Seu nariz mais afinado lhe deixava com um aspecto de superioridade todas as vezes que a menina tomava aquela postura.
A ruiva se encontrava na primeira carteira da terceira fileira de sua classe. Ao lado direito, sentava-se um garoto magricelo cujo os pais eram divorciados e o mesmo morava com o pai que, infelizmente passava mais tempo no trabalho do que na própria casa. Do lado esquerdo, as gêmeas Granger, Maggie e Makenzie, eram duas garotinhas de estatura média, cabelos loiros e metidas a besta. Supostamente, os pais delas eram donos das maiores empresas do ramo de laticínios na região de Estocolmo. Provando que boas condições de vida não significava bons modos, as duas eram nojentas, mimadas e mal educadas.

— Olhem só pra mim, meu nome é Ramonna Völks Rothschild e eu sou um robozinho perfeito — Makenzie imitava as feições da ruiva de pé em frente a turma enquanto andava de maneira mecânica de um lado pelo outro proxima ao quadro.

Monnie se esforçava para manter-se neutra e inabalável para com as risadas e chacota das outras crianças ali presente. Graças a educação que vinha recebendo de seus pais através dos anos, a menina tinha sucesso nessa tarefa, pois fora ensinada por Madelaine que as pessoas eram maldosas, mas que ela era alguém muito melhor, que não deveria deixar-se abalar com os comentários dos outros. Ela suspirou virando o pescoço com calma e graça ainda na mesma posição e vasculhou a sala com os olhos vendo cada uma das crianças que se deixavam rir.

— Ôh, o que foi Ramonna? Procurando papai e mamãe? — Maggie estava debruçada sobre a carteira da garota — Ah não, eles não são seus pais de verdade não é mesmo??

— Claro que meus pais são… meus pais — A menina sorriu de canto virando-se de lado ainda na cadeira com as mãos apoiadas em seu colo.

— Todo mundo diz que não! Você não tem nada da sua mãe e seu pai... — Maggie se ergueu novamente, olhou para todo o restante da sala voltando a tagarelar em tom alto para que todo mundo pudesse ouvir-lhe com clareza — O seu pai pinta o cabelo de ruivo para você acreditar ser filha dele.

A ruiva arregalou os olhos por um momento e se levantou da cadeira. Naquele instante, Ramonna começava a ser tomada pelo sentimento de raiva e ódio. Quem aquela garota pensava que era para falar mentiras como aquelas para ela e todo o resto da turma?!
Monna caminhou para cima de Maggie, seu rosto era vazio. A irmã Granger começava a recuar e a sentar-se na cadeira vazia a qual deveria pertencer a professora nos momentos de aula.  Enquanto isso, Makenzie afastava-se e se unia ao resto da turma, que começa a se amontoar em volta das duas em uma distância segura com a intenção de acompanhar uma possível briga.

— Você não sabe nada sobre a minha vida pessoal, você conhece apenas aquilo que nós deixamos que você saiba — Ramonna tremulava a voz de forma bastante assustadora para uma criança de dez anos. Suas mãos se apoiavam nos braços da cadeira e seu corpo projetava ao pouco para cima de Maggie — Não ouse abrir sua boca suja para proferir mentiras sobre a minha família.

Subitamente os olhos de Ramonna ficaram de um púrpura vivo, seu corpo estremeceu e as pilhas de papel que se encontravam amontoadas sobre as primeiras carteiras começaram a voar, espalhando-se mesmo sem qualquer ventilador ou janela aberta. Maggie acabou por se assustar com os olhos da ruiva. Choro e gritos desesperados que acabara por tomar conta das outras crianças.
Monna não conseguia compreender o que tinha acabado de fazer exatamente.  A menina sentia-se poderosa, porém a sensação que exalava de seu corpo deixava-lhe completamente amedrontada em união dos gritos das outras crianças.

Ela saiu correndo pelo corredor, desceu três lances de escadas e fora se esconder na biblioteca. Ali era o refúgio da menina.

[...]

06:00 P.M


— Onde está a minha filha?!— Madelaine urrava na diretoria. Cerca de duas horas atrás, havia recebido uma ligação do colégio de Ramonna. A professora parecia um tanto perturbada e não sabia explicar exatamente o que havia acontecido pela chamada, o que a deixou deveras preocupada com a menina — Eu quero ouvir a Ramonna. Encontrem-na.

Dyllan, o diretor da Sta. Delassie, suspirava observando Madelaine. Ela se encontrava de forma histérica. De fato, o homem se admirava pelo comportamento da filha se totalmente diferente da mãe… Bom, pelo menos quando as duas não se encontravam no mesmo lugar.
Com a expressão cansada o diretor se aproximou do microfone que ficava ligado no circuito interno de som.

— Ramonna Völks Rothschild, apresente-se na sala do diretor imediatamente -— A voz de Dyllan ecoou grave por todas as caixas de som espalhadas pelo colégio. Soou nas salas de aula, banheiros e pátios. Por fim sua voz se fez na silenciosa biblioteca onde a garota se encontrava — Madelaine Rothschild se encontra aqui.

Monnie estava  encolhida em dos cantos da sessão restrita quando escutou o chamado pelo auto-falante. Seu corpo teve alívio finalmente desde o episódio dentro da sala de aula.
De forma tranquila, a garota se levantou, ajeitou o rabo de cavalo e por fim bateu as mãos sobre as roupas na expectativa de livrar-se de qualquer sujeira. Em passos exatos Ramonna passou pela biblioteca com a cabeça erguida… Estava voltando a manter sua postura confiante, afinal, sua mãe estava lhe esperando e certamente gostaria de entender o que de fato estava acontecendo.

A diretoria se encontrava no primeiro andar, portanto, a ruiva não levou mais de 5 minutos para alcançar a porta de madeira e vidro fosco. Pela vidraça, conseguia ver a silhueta das pessoas que se encontravam lá dentro: Aparentemente, um homem e uma mulher. Ramonna entrou.
Dylan estava sentado em sua cadeira logo atrás da escrivaninha muito bem organizada onde uma placa brilhante de metal reluzia com o dizer “Diretor Dylan Rarpeer”, sua expressão era cansada como sempre, dava a impressão de que sempre passava as noites em claro. Madelaine se endireitava na desconfortável dos visitantes. Seus olhos se encheram de alegria imediatamente ao se deparar com a filha, porém por respeito a ela, tomou a postura de uma verdadeira lady e se permitiu apenas em dar um grande sorriso seguido de um suspiro de alívio.

— Ah querida! Fiquei preocupada quando ligaram dizendo que você havia sumido da sala de aula em meio de uma confusão com colegas — A loira deu toda atenção para a menina e demonstrava de fato seus sentimentos em suas palavras — A senhorita Morgan me disse que uma das alunas lhe contou que você havia ocasionado tudo. O que realmente aconteceu meu bem?

— Mamãe, eu me mantive controlada durante todo o momento que pude. Antes de sair, apenas pedi para que Maggie não falasse mentiras ao nosso respeito — Ramonna se sentou no banco próximo a porta e cruzou as pernas abaixando a cabeça se recordando dos fatos — Elas insistiam em me chamar de adotada e inventar mentiras sobre o papai.

Madelaine engolira seco, as palavras que Monna dizia lhe causavam arrepios na espinha. De fato, a ruiva não sabia da verdade ainda e agora Madelaine se encontrava numa posição desfavorável pois estava vendo diante de seus olhos que sua pequena filha estava descobrindo a verdade por outros.

— Sinto muito por isso, querida...— De repente, Madelaine perdera completamente a pose. Se adiantou até a filha abaixando-se o para que ficasse na altura da mesma enquanto sentada no banco. Ela tinha o rosto agora carregado de vergonha, não havia planejado contar a verdade para a menina daquela forma, mas ja não tinha mais volta — Elas não mentiram sobre isso.

Ramonna faltou o ar. Tudo tomara outra forma para a menina.
Em sua cabeça, tentava processar aquela informação. Não entendia o motivo de seus pais terem mentido por todo aquele tempo acabando deixar que fosse exposta ao ridículo. Seu coração apertava e uma lágrima escorreu pelo rosto, porém ela se recusava a chorar, se recusava a perder a postura ali.

— Quero ir embora— Ramonna se levantou e continuou parada esperando pela autorização.

— Querida, vamos conversar sobre isso, tudo bem?— Madelaine pousou as mãos sobre os ombros da garota lhe encarando com preocupação — Só queríamos proteger você.

— Eu só quero ir para casa… Mamãe

09:27 A.M 17/03/2015 - Estocolmo, Suécia


Tinha tudo pra ser um dia maravilhoso já que fazia sol em Estocolmo, porém para Monnie aquela manhã era cinza. Uma das mais tristes de toda sua vida… Madelaine não conseguira vencer o câncer e naquela segunda, deixou de respirar.

Pela primeira vez, Ramonna chorou em público. A garota tentava manter-se firme, mas ao ver o caixão de Madelaine ser abaixado as lágrimas não se continham e lhe molhavam a face. James tentava manter a garota sob controle, mas em cada momento a dor apenas aumentava para ela.
Ramonna deixou cair sobre o caixão uma rosa vermelha enquanto seus joelhos iam ao chão ao lado da cova - Mamãe… - Todos já davam as costas e se afastavam do funeral, sobrava ali apenas a jovem e seu pai.
O peito da garota doía, seu coração estava despedaçado e queimava cada vez mais. Em sua cabeça surgia todos os momentos bons que vivera com a mãe e o sentimento de ódio me tomava… Por que tinham que ter tirado Madelaine dela?!
Cada soluço e lágrima, fazia com que a energia de Ramonna se acumulasse. Como se fosse uma explosão invisível aquele poder veio a tona antecedido por grito de dor da garota. Ela estava de olhos fechados, James deu alguns passos para trás protegendo o rosto do vento que agora soprava sem dó.Terra se erguia no ar, as flores dos túmulos próximos eram carregadas para longe.
Ela chorava desesperadamente.

— RAMONNA! — James se exaltou gritando com a jovem. Ramonna se ergueu ainda de olhos fechados e o vento parou instantaneamente.

[...]

DUAS SEMANAS DEPOIS


Ramonna estava encolhida sentada na claraboia de seu quarto, seus olhos miravam a rua pela janela no segundo andar da casa. Na rua, crianças brincavam em suas bicicletas e patins, a jovem sorriu brevemente com a lembrança de quando ganhara seu primeiro patins de Madelaine… Mal acreditava no que havia acontecido.

James adentrou no quarto sem nem mesmo bater, em suas mãos trazia uma caixa razoavelmente grande. Ele encarou a própria filha por um tempo antes de chamar a atenção da garota com um chiado da garganta.

— Querida… Gostaria de mostrar uma coisa que a sua mãe não mostrou— O homem suspirou colocando a caixa sobre a cama dela e a abriu tirando os objetos que foram entregues junto dela quando fora adotada — Isso é seu.

Ramonna se virou ainda sentada na claraboia, seus olhos miravam os objetos. Uma manta, um livro e um envelope.
Em passadas lentas e cansadas a garota alcançou a cama, examinou mais de perto cada um dos itens. Primeiro a manta macia e que cheirava a roupa guardada. Trazia seu nome bordado de forma cuidadosa e elegante. Depois o livro preto de capa surrada que infelizmente não conseguia abrir, aparentemente havia se colado as páginas já que a tranca havia se soltado dele com os anos. Por último, tomou o envelope em mão se sentando na cama acompanhada de James.

— Por que mamãe não me deu isso antes?

—  Madelaine tinha medo de você se juntar a sua verdadeira mãe— James engoliu seco e suspirou olhando para o envelope nas mão da filha — Ela tinha medo de você descobrir que os seus “dons” são coisa da sua mãe… Eu sempre achei que ela deveria ter te contado quando mais nova. Nós sabíamos mas mesmo assim permitimos que você sofresse e passasse por todos os momentos ruins em que  seu poder se espalhava, mas foi para tentar te proteger, querida.

— Me proteger?! — Ramonna não conseguia acreditar no que estava ouvindo. Todos aqueles anos tentando lidar com seu “problema” sozinha, tentando ser uma garota normal com medo de seus pais não a quererem mais, para no fim, descobrir que eles sempre souberam até mesmo o motivo dela ser diferente — Vocês fizeram com que eu me achasse louca!

James não disse nada, sabia que a garota tinha razão e por mais que se lamentasse por isso, não podia desfazer a situação. Ele se levantou e caminhou até a porta do quarto.

— Me perdoe, minha filha — O homem se retirou batendo a porta em suas costas.
Ela suspirou com os olhos fechados absorvendo aquele momento antes de finalmente abrir o envelope que já estava em estado de deterioração. Com cuidado, tiro de lá de dentro o broche de ouro em meia lua que, de fato lhe encantou à primeira vista. Com as pontas dos dedos Ramonna puxou para fora o papel da carta.
Os olhos da garota percorreram cada palavra daquele bilhete diversas vezes… Seria mesmo possível que fosse filha de uma deusa? Era confuso, porém, explicava bem a diferença da jovem. Um suspiro escapou pelos lábios, sabia que a  partir daquele momento sua vida mudaria.



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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Maisie De Noir em Qua 30 Maio 2018, 22:29

Avaliação
Ramonna Völker Rothschild — Reprovada.

Olá, sweetie. Infelizmente ainda não posso aprova-la. Você escreve muito bem, não posso negar, mas encontrei vários erros no decorrer da sua história, incluindo alguns que a Catherine até mesmo havia citado. Agora eu vou mostrar alguns que eu pude notar.

[...]ele ousava a compará-la com sua esposa em termos de “habilidade”.
Aqui você poderia usar "ousava a comparar" ou então "ousava comparar-lhe"

Os olhos de Thason miraram a varanda da casa vazia enquanto o vento começa a se fazer forte do lado de fora. Aparentemente, aquela confusão auditiva se tratou de uma pegadinha de muito mal gosto de algum adolescente que passara por ali. Ainda atento, o homem deu um passo pra fora com a intenção de verificar se não havia alguém escondido nos arbustos, porém fora impedido ao tropeçar em uma espécie de caixa larga que não tinha visto antes, afinal, não havia de fato olhando para o chão antes.
Ele suspirou alto uma segunda vez enquanto se abaixava, analisou a caixa que trazia a tampa cheia de furinhos e não sabia exatamente o que havia ali dentro, porém, seja o que fosse, estava começando a se mexer. Com o auxílio do guarda-chuva que se encontrava no suporte ao lado da porta por fora, Thason ergueu lentamente a tampa da caixa temendo haver algo horrível ali dentro. Os olhos do mordomo se arregalaram ao mirar o interior da caixa.
Isso tudo é um parágrafo só? Seriam dois? Está enorme e cansa apenas de olhar. Devo dizer que o problema em relação a separação dos parágrafos se estende por todo o texto e não apenas nessa parte.

— Vamos nos falar denovo em breve, não se preocupe —Ela sorriu de canto abrindo a porta.
O correto aqui seria "de novo". Aproveitando essa citação para falar de outro erro que se repete que é a falta do ponto final após acabar a fala. Isso aconteceu dezessete vezes! É muita coisa para deixar passar.

Em relação ao uso dos poderes que você descreveu no post mais de uma vez, devo lhe dizer que é apenas permitido o uso de poderes de acordo com o seu nível. Eu dei uma olhada na lista de Hécate e não possui. Seria incoerente ela fazer essas coisas.

Por último um fato que ele, sozinho, já te reprovaria. É de conhecimento geral que no momento da reclamação deve narrar o aparecimento do símbolo do progenitor sobre a cabeça do personagem, o que você não fez em momento algum. Apesar da explicação que deu, essa parte ainda é necessária.

Enfim, sei como é difícil escrever pelo celular. Sugiro que você peça ajuda a alguém para que dê uma revisada para você antes que poste novamente. Infelizmente não foi dessa vez, mas continue tentando e boa sorte na próxima!

Qualquer dúvida ou reclamação, é só entrar em contato comigo.

atualizado



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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Teodoro Carvalho em Seg 11 Jun 2018, 13:41

Olá, eu entrei no meu login mas nao apreceu nenhuma ficha para fazer, apenas essa explicaçao.
Como eu faço a ficha?
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Maisie De Noir em Seg 11 Jun 2018, 14:06

Dúvida respondida via MP.
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Kieran Davenport em Sex 15 Jun 2018, 13:35


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Desejo me tornar filho de Aurora com legado em Invidia, ambas versões romanas de Eos e Nêmesis, respectivamente. Pensei bem sobre quais genitores seriam a melhor opção para esta personagem e, como fiquei em dúvida entre as duas deusas, decidi me aproveitar do sistema de Legados. Creio que será uma ótima forma de desenvolver a personagem, levando em conta as características que ele herdará das duas, conflitando com seu lado humano.

— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

— Físico: Kieran é um rapaz de perfil físico invejável. Como legionário do acampamento romano, ele sempre esteve envolvido nos mais variados treinos desde muito cedo, fator que influenciou em seu corpo atual. De pele bronzeada, mas não tanto quanto os filhos de Apolo, lembrando o alvorecer. O rosto possui traços perfeitos, com um nariz protuberante, porém fino, e um maxilar quadrado coberto por uma barba rala que aumenta de tamanho no queixo e bigode, formando um cavanhaque com fios que alternam entre preto e ruivo. Os cabelos são naturalmente de cor castanha-escura, com mechas em loiro cobre. Seguindo a sua linhagem de descendente de Roma, seus olhos são profundos e pretos, com um brilho que pode ser facilmente notado por quem os encara. Possui um brinco argola pequeno na orelha direita.

Os músculos são bem distribuídos em seu porte de 1.85 m e 80 kg. Bíceps, tríceps e abdome são bem delineados, assim como as pernas, ombros e costas. Para aqueles que não reconhecem a força de Roma, o confundiria facilmente com um filho do deus da guerra, embora seu corpo seja apenas resultado de anos em treinamentos diversos. Davenport possui uma tatuagem no antebraço direito, referente à sua origem no Acampamento Júpiter — de coloração preta, um sol no meio de um leme quebrado, seguido abaixo pelas letras SPQR e cerca de dez riscos acerca do tempo servindo a Legião Fulminata.

— Psicológico: Outrora um rapaz agradável, doce e altruísta, a psiquê atual de Kieran é um caso a parte do esteriótipo dos filhos de Aurora. Geralmente se tratando de crianças leais e calorosas para com todos, visando o bem estar geral, Davenport tornou-se alguém misterioso e fechado, escondendo a maioria das informações quando se deixa envolver ou interagir com alguém. Não se sabe exatamente quando nem o quê transformaram o rapaz em uma pessoa egoísta e indiferente, mas algumas características se manteram. Ele é extremamente leal aos seus objetivos, ignorando até mesmo seus verdadeiros ideais e punindo aqueles que o traem, algo marcante de seu legado em Invidia. Independente de seu alinhamento, Kieran defende a justiça de forma que ele nunca ficará contra aqueles que possuem a razão, analisando bem as diferenças de cada lado.

— História do Personagem:

A CAMINHO DE LONG ISLAND;

Eu estava fugindo de meu passado. Nada mais me prendia em Nova Roma e, com os legionários em meu encalço, ficar afastado daquela região era a opção mais inteligente a se fazer naquele momento. Um traidor, era como eles me chamavam. Um desleal, uma vergonha. Todos os meus companheiros de coorte, que há muito haviam feito juras de amizade, não hesitaram em erguer tochas e lâminas para me caçar. Expulso de meu próprio lar, acusado de dar fim à vida da única pessoa com quem eu realmente tinha criado uma relação de afeto. Como eu poderia assassinar o homem que amava? Ainda assim, o Senado me acusou sem prova alguma.

Mas eu sabia o que realmente tinha acontecido, ao menos o suficiente para entender que minha jornada estava tomando um novo rumo, diferente de tudo que havia planejado. Ficar em Nova Roma até envelhecer, com minha família? O destino era mais engenhoso do que aquilo. Assim, chegamos ao ponto atual, onde eu estou em um ônibus seguindo a rota para Long Island. Não tinha certeza se o endereço estava correto, mas torcia para que fosse. De qualquer forma, sabendo da rixa entre meu povo e os helenos, eu não esperava uma recepção calorosa do Acampamento Meio-Sangue e seria melhor assim. Minha mente estava envolta em uma aura de rancor e vingança, de modo que eu não conseguiria ser gentil com nenhum deles.

O horário da viagem foi estratégico, já que ao encarar o horizonte de fora do transporte, consegui enxergar os primeiros raios de luz do alvorecer. Senti-los era como um revigor, a presença de Aurora me aliviava. Os deuses não podiam interferir na vida dos filhos de forma alguma, não diretamente, ao menos. Contudo, mesmo ciente disso, eu estava ressentido de que minha própria mãe não havia feito nada para me ajudar antes de ser escorraçado do Acampamento Júpiter. Seria possível que minha irmã tinha razão? "Nossos deuses são egoístas, Kieran!"

Com licença, meu jovem. — a voz de uma senhora me tirou de meus devaneios. Encarei-a, quase levando a mão à faca escondida em meu coldre por baixo da jaqueta. Apesar do tom de voz carrancudo, ela emitia um sorriso um tanto simpático. Vestia um casaco de pele preto e carregava, em uma bolsa de ombro, um cachorro de raça chihuahua. — Poderiam ceder espaço para esta pobre velhinha? Os meus pés estão me matando!

Foi então que lembrei que havia um rapaz sentado ao meu lado. Claro que esqueceria de sua presença, já que ele passara a maior parte da viagem dormindo com um capuz cobrindo todo o rosto e a cabeça encostada na janela. Se pudesse taxá-lo de semideus, diria ser filho de Somnia. Quando notei que ele mal havia reagido à pergunta da senhora, revirei os olhos e me ergui do assento, um tanto contrariado. Ajeitei a mochila nos ombros e me agarrei a qualquer alicerce do ônibus, lembrando-me vagamente das viagens ao Brasil.

Calado novamente, pude me ater aos pensamentos acerca de meus planos. Se eu estava certo, meu ex-namorado estaria convivendo com a contraparte grega de nosso mundo, fosse por vontade própria ou influência de alguma divindade. Caso contrário, eu estava indo direto pra um beco escuro e sem saída. Seria possível uma pessoa simplesmente desaparecer para o limbo? Claro, havia também a possibilidade de morte, embora o maldito fosse o legionário mais forte de nossa época. Ainda assim, se fosse o caso, eu teria de retornar para a California e resgatá-lo do submundo, mas precisaria esperar a poeira abaixar.

Encarei novamente o ambiente fora do ônibus, tendo a atenção tomada pela chuva que se iniciava. Meus olhos, no entanto, foram enganados por uma ilusão. Ou seria realidade? Não sei ao certo, contudo, eu enxerguei de relance uma alcateia de lobos correndo ao encalço do transporte, passando por entre as ínumeras árvores ao redor da estrada. Um calafrio percorreu minha espinha e eu pude sentir a bufada de ar em meu pescoço, exatamente como no dia em que eu havia sobrevivido aos desafios de Lupa e dado as costas à ela. A grande loba. Estaria ela também me caçando?

Au, au!

Novamente, tive a atenção voltada para a senhora e seu cachorro. A pequena criaturinha estava, dessa vez, fora da bolsa, latindo para mim. A cena era um tanto quanto divertida. Ao encarar sua dona, notei que ela me devolvia um olhar de curiosa e um sorriso sinistro. Seus dentes, outrora brancos e perfeitos, tornaram-se amarelos. Não julguei, afinal, era algo comum. Abaixei-me para afagar os pelos do cachorro, mas senti a mão da senhora barrando meu peito.

Hm... desculpe. — afirmei, tentando me erguer novamente.

Contudo, senti um arranhão em meu abdome, exatamente onde a mão da velha repousava. Me soltei em um impulso e, ao olhar para baixo, vi que havia um rasgo em minha camiseta e meu abdome sangrava. As mãos da mulher assumiram uma forma enrugada e seus dedos cresceram, tornando-se garras afiadas de bronze assim como nos pés, o que explicava o corte em meu corpo. O rosto da senhora estava mais enrugado do que o normal e seu casaco transformou-se em um par de asas coriáceas, como de morcegos. Ela gargalhava enquanto o pequeno chihuahua transmutava-se em uma criatura de pelo lustroso, olhos vermelho sangue e presas tão afiadas quanto uma adaga, do tamanho de um guepardo adulto, seu latido tornando-se ainda mais pavoroso. Uma Benevolente e um cão infernal.

Você está condenado, meio-sangue! — gritou ela, chamando a atenção do restante dos passageiros confusos.

O cão infernal saltou em minha direção, mas o rapaz encapuzado logo botou-se na minha frente, erguendo um escudo de bronze e usando-o para impedir o ataque da criatura feroz. A minha fantasia logo provou-se realidade: ele era um meio-sangue e, mesmo me defendendo, poderia ser um legionário em meu encalço. Não ficaria parado observando tudo ir pelos ares, correndo o risco de ser atacado por dois monstros do inferno e um semideus. Saquei a faca presa ao coldre e concentrei minha própria energia ao redor da lâmina, recobrindo-a com a luz do alvorecer que passava pelas janelas. Enquanto o rapaz desconhecido tentava interferir nos ataques da Benevolente, sobrou pra mim sobreviver às investidas do cachorro.

Ele desferiu uma patada na direção de meu rosto e eu, com bons reflexos, agachei-me para evitar. Como contra-ataque, atingi o peito da criatura com a lâmina, sabendo que o elemento luz faria ainda mais estrago atingindo uma criatura do submundo. No entanto, apenas rasguei a carne, não a perfurando. Mesmo ferido, o cão abocanhou meu ombro e, com a força da mordida, fiquei atordoado, sendo facilmente jogado contra o chão. Eu enxergava ele tentando morder meu rosto e usava o braço bom para tentar segurar sua boca, o que não foi uma boa ideia. Senti os dentes afiados rasgando meus dedos enquanto o sangue jorrava. Seria possível que eu havia me tornado tão fraco? Mesmo ferido, consegue agarrar minha faca e usar a lâmina contra o focinho do animal, que recuou em meio a grunhidos de dor.

Ouvi um estrondo de vidro se quebrando e olhei para frente: a Fúria havia ferido o motorista e o ônibus estava desgovernado. Ela fugiu e, antes que eu pudesse me erguer, ouvi a voz do outro semideus.

Segure-se!

Tive tempo apenas de obedecê-lo, me segurando na base de um dos assentos ao meu lado. E então, o ônibus bateu de frente a outro veículo, causando um impacto estrondoso. Meus olhos se fecharam e tudo se tornou escuro.

O CLUBE DA LUTA

Pisquei inúmeras vezes até meus olhos se fixarem no teto acima de mim. O lugar era completamente diferente do que eu imaginava que seria o submundo, afinal, depois de um acidente como aquele, apenas um milagre poderia me salvar. Minha boca estava seca, meus olhos ressecados e com pedaços de remela nos cantos, meu corpo mal reagia aos meus comandos. A dor de cabeça era sinal de que eu havia dormido por muito tempo, como era comum acontecer. Felizmente, ao olhar para o lado, consegui ver uma bandeja contendo um pedaço de ambrósia, um copo de água e néctar.

Como se sente, carinha? Quase não sobreviveu, hein! — o rapaz era completamente ruivo, de pele branca e olhos cor de âmbar. Ele vestia o mesmo casaco do rapaz encapuzado do ônibus, mas era impossível ser o próprio, caso fosse, deveria estar no mínimo deitado, como eu. Tinha apenas algumas escoriações já tratadas e sorria, como se nada tivesse acontecido. — Você já sabe que é um semideus, certo? Porque eu vi o que você fez com a faca. E pra desviar do ataque de um cão infernal, precisa ser treinado. De quem é filho?

Muitas perguntas em menos de um minuto, James. — a segunda voz já era de um homem mais velho. Procurei pelo dono e, embora minha visão continuasse instável, consegui enxergar um centauro. Não era a primeira vez que via um, mas julgando o porte físico, o arco e o pelo branco, era Quíron, o instrutor dos gregos. Sua presença era uma mescla de alívio e intimidação. — Deixe-o processar tudo.

Claro, erro meu. Eu sou James, James Archeron, filho de Atena. Esse é Quíron.

Engoli em seco, tentando erguer metade do corpo para enxergar melhor. Foi quando notei que minha mão direita estava completamente enfaixada e pior: tinha a sensação de que faltavam-me dedos! O outro garoto, James, notou minha curiosidade e surpresa, reagindo com uma cara de nojo.

Ah, claro, aquela mordida do cão infernal... na próxima, use luvas de ferro. Seu dedo anelar e mindinho já eram!

Assim, ergui o braço para enxergar melhor a situação, tentando tirar o curativo da mão. Mas logo o centauro me segurou pelo pulso, completamente desnorteado com o que via e algo me dizia que não era sobre a ausência dos dedos. Claro, a tatuagem de legionário. Ele com certeza reconheceria no primeiro minuto.

Eu... eu posso explicar. — tentei falar, mas a garganta seca era um empecilho.

O seu lugar não é aqui, meu jovem. James, procure o Sr. D. e diga que...

Antes que Quíron pudesse concluir a ordem, o ambiente foi tomado por um tom de cor salmão e por segundos eu não reconheci de onde vinha aquela luz, até olhar pra cima. Havia um símbolo acima de minha cabeça, encarando bem, consegui ver o sol nascendo em meio a portões, como o amanhecer. Não era exatamente o mesmo sinal de Aurora, mas compreendia do que se tratava: uma segunda reclamação. Minha mãe havia finalmente reagido a toda a desgraça em minha vida, dando-me uma segunda chance.

Eos... — James e Quíron comentaram, em uníssono.

Aurora. Filho de Aurora, com legado em Invidia. — corrigi, já recuperando os sentidos. — E eu preciso de ajuda.

Passiva de Eos:
Nível 1

Corte de luz: O filho de Eos cria uma lâmina de luz solar, que corta e queima o inimigo ao ataque (ainda que o dano da queimadura seja pequeno). Pode ser usada para recobrir uma arma, aumentando seu dano ou como uma lâmina em si. Se usada sozinha, terá o comprimento de 80cm de lâmina, como uma espada longa. Dura 3 rodadas, mas pode ser mantida. Gasto pequeno de MP.
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Kieran Davenport
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Zelda Blackthorn em Sex 15 Jun 2018, 15:20


avaliação
ficha de reclamação

Kieran Davenport — Reclamado como filho Eos/Aurora e legado de Nêmesis/Invídia.

Hey, hey, Kieran, seja bem-vindo ao PJBR aka Pejotinha!

Primeiramente, eu gostaria de expressar o quanto apreciei sua ficha. As características do personagem — tanto físicas quanto psicológicas — foram detalhadas, e, conforme pude notar ao longo da história, muito bem abordadas.

Gostei muito da trama envolvendo o lado romano da mitologia, bem como os demais elementos utilizados na construção da história (inclusive, foi uma honra ter sido citado, obrigado!). Estou muito curioso para saber como o Kieran será desenvolvido, então acompanharei seus próximos posts.

Os pontos obrigatórios foram cumpridos, e não encontrei erros graves, então a aprovação da ficha é muito merecida.

Parabéns!


Bem, eu gostaria de destacar alguns deslizes que encontrei na narração (só para evitar repetições futuras, já que em missões pode haver desconto por causa de erros gramaticais).

@Kieran Davenport escreveu:A cena era um tanto quanto divertida. Ao encarar sua dona, notei que ela me devolvia um olhar de curiosa e um sorriso sinistro.

Aqui, creio que foi um erro de digitação, então nem tenho muito o que comentar.

@Kieran Davenport escreveu:Me soltei em um impulso e, ao olhar para baixo, vi que havia um rasgo em minha camiseta e meu abdome sangrava.

A ênclise pode ser considerada a colocação básica do pronome, pois obedece à sequência verbo-complemento. Assim, o pronome surge depois do verbo. Emprega-se geralmente nos períodos iniciados por verbos (desde que não estejam no tempo futuro), pois, na língua culta, não se abre frase com pronome oblíquo. Fonte. Dessa forma, "soltei-me" seria o indicado.

@Kieran Davenport escreveu:Mesmo ferido, consegue agarrar minha faca e usar a lâmina contra o focinho do animal, que recuou em meio a grunhidos de dor.

Creio que este foi mais um caso decorrido de digitação. O verbo "conseguir" não foi conjugado na primeira pessoa do passado, destoando, portanto, do tempo verbal utilizado na frase.

@Kieran Davenport escreveu:Tive tempo apenas de obedecê-lo, me segurando na base de um dos assentos ao meu lado.

A ênclise também é empregada nas orações reduzidas de gerúndio (desde que não venham precedidas de preposição "em"). Assim, "segurando-me" seria o indicado nesse caso.

@Kieran Davenport escreveu:Mas logo o centauro me segurou pelo pulso, completamente desnorteado com o que via e algo me dizia que não era sobre a ausência dos dedos.

Recomenda-se o emprego da vírgula antes da conjunção “e” quando há orações aditivas de sujeitos diferentes a fim de criar-se uma leitura mais clara. Uma vírgula (ou um travessão) antes da conjunção em destaque deixaria o sentido mais claro.

@Kieran Davenport escreveu:Havia um símbolo acima de minha cabeça, encarando bem, consegui ver o sol nascendo em meio a portões, como o amanhecer.

Eu recomendaria a reformulação da frase, usando ponto ou ponto e vírgula para separar a primeira sentença da segunda, uma vez que o sentido passado na forma atual é de que o símbolo acima da cabeça está encarando bem.


É isso, moço. Você escreve muito bem, então já deve ter alguma experiência com narração. Espero que você goste daqui. Abração. <3

Qualquer dúvida ou reclamação, entre em contato comigo.

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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Zeus em Sex 15 Jun 2018, 15:39



atualizados

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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Annelise Fontana em Qua 20 Jun 2018, 22:36


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?
Afrodite. A deusa resume em si o puro poder de feminilidade e independência amorosa. O amor deve ser vivido sem medida alguma, sendo livre e solto, um passarinho fora da gaiola.
— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas – preferencialmente separadas):
• Características Físicas: Annelise mede 1,73m, e tem um corpo considerado de padrões estéticos perfeitos. Pesa 64kg, tem um IMC (Índice de Massa Corporal) de 22,15, busto com 93cm, cintura de 70cm, quadril de 102cm, braço de 31cm e coxas com 63cm. Resumindo, aquilo que as modelos tentam chegar e raramente conseguem, Annelise tem por natureza. Possui cabelos lisos e castanhos, com fios chegando até a metade das costas. Seus olhos, de “cigana dissimulada”, encantam com sua cor, combinando com as mechas dos cabelos. A boca carnuda e bochechas coradas, com um tom de pele bronzeado, lembrando as origens mexicanas do seu pai.

• Características Psicológicas: é uma garota tipicamente narcisista. Preocupa-se com a aparência de um modo que isso fica acima de qualquer outra coisa, e passa a maior parte do tempo cuidando do próprio corpo. Contudo, não chega a ser metida ou convencida, pela criação mortal que teve. Annelise é bastante altruísta, deixando-se levar pela doçura dos idosos e das crianças muito facilmente, o que faz com que seu coração seja mole como uma manteiga. Indecisa como ninguém, não gosta de escolher nada, desde comida preferida até que caminho seguir. Extremamente responsável, odeia atrasos e esperas, sendo sempre bastante pontual e rígida com os próprios compromissos. Nunca teve um namoro que durasse, e nunca se prendeu a ninguém, pois acredita que aquele que vá prender seu coração tenha aparecido, ou sequer nascido. Se apaixona muito fácil, como quem troca de roupa, mas se desapega muito rápido também, normalmente sendo ela o motivo da desilusão de tantos homens que passaram por seus encantos. Sua TPM é pesada, e deixa Annelise muito sensível, preferindo ficar sozinha para chorar.
— História do Personagem:
Em 2002, a agência de modelos Fontana estava em seu auge. O dono, Pablo, era o solteiro mais cobiçado de New York. Mexicano de 32 anos, cabelos bem cortados e porte de galã, ainda eram solteiro quando sua fortuna começava a sair dos milhões e virar bilhões. No meio de sua fama, do sucesso da sua empresa e da sua ascensão, Pablo conheceu uma americana encantadora, que roubou seu coração em alguns minutos de conversa numa mesa de bar. O homem pensava que não ia mais encontrá-la, mesmo depois da noite maravilhosa que tinham passado juntos. Ela deixou um telefone que não existia, um endereço falso e só um primeiro nome. Durante alguns dias, Pablo procurou sem cansar pela misteriosa loira que tinha o deixado em devaneio.
Nove meses e meio se passaram depois do sumiço da mulher misteriosa, e Pablo acordou em sua mansão com alguém insistente tocando a campainha. Eram seis da manhã de uma segunda-feira, e seus empregados ainda estavam arrumando o café. O homem desceu as escadas e deu de cara com a mulher na sua sala de estar, e ela segurava um bebê. Pablo estava atônito, não sabia o que dizer. Queria se aproximar dela, perguntar porquê tinha ido embora, e porquê estava ali meses depois, com um bebê no colo. A mulher pediu para conversarem à sós, e eles foram – os três – para o escritório.
Lá, todos os segredos foram revelados. A mulher se revelou Afrodite, a deusa do amor e da beleza. Pablo demorou a crer, riu, passou as mãos nos cabelos, olhou para a mulher diversas vezes. Ela mostrou alguns poderes, e então ele pôde acreditar. E ao ver a criança mais de perto em seus braços, também teve a certeza de que era sua filha. Os traços mexicanos não podiam negar a descendência, e a beleza herdada da deusa também não podia ser escondida. A olimpiana enfim disse ao empresário que a garota precisava ser criada por ele. Como? O homem se perguntava, e perguntava à ela. Como ela ia aparecer na mídia com um bebê do nada, de uma mulher misteriosa? Afrodite contou também da névoa, e que ela poderia manipulá-la para que nada parecesse tão confuso quanto a realidade.
Entraram em acordo. A menina nunca poderia encontrar-se com a mãe, e, ao completar quinze anos, deveria ser levada para o Acampamento Meio-Sangue, onde conviveria com outros iguais a ela, e alguns até seriam seus irmãos. Pablo podia escolher o nome dela, e decidiu por juntar o nome da sua própria mãe, Ana, e da sua avó, Elise. Annelise foi nomeada, e recebeu o último beijo de Afrodite, sendo também seu último encontro com ela.
Os anos passaram com tranquilidade, a menina cresceu, famosa como o pai, e tornou-se uma modelo aclamada pela mídia, mesmo com pouca idade. Os Fontana ficavam cada dia mais ricos e mais famosos, e Annelise aumentava a cada dia sua lista de pretendentes, se envolvendo com eles ou não. Os dias da garota se resumiam à sessões de fotos, entrevistas, eventos de publicidade. As aulas eram em casa, tinha professores particulares, aprendeu a tocar piano e falava o inglês e o espanhol. O único defeito em sua vida era a falta que sentia da sua mãe. De alguma forma, sabia que, ao olhar-se no espelho, sentia a presença de mais alguém com ela, mas nunca tinha caído a ficha de que a presença poderia ser da sua mãe.
30 de Janeiro de 2015, Pablo resolveu fazer a maior das festas de 15 anos já vistas pelos americanos. Annelise foi a estrela da noite, curtindo cada momento de seu brilho, divertindo-se com seus amigos – a maioria próximos apenas por interesse –, fazendo alguns novos relacionamentos, tirando milhares de fotos para recordação. Assim que a festa acabou, seu pai chamou-a para o mesmo escritório onde tinha visto Afrodite pela última vez. Abriu o jogo para a menina: contou toda a verdade acerca do seu nascimento e de sua descendência. Parecia loucura, num primeiro momento, e nada se encaixava na cabeça de Annelise. Mas, seu pai, guiado pelas instruções que a deusa deixou antes de partir, mostrou para a filha que tudo fazia sentido. Os relacionamentos que nunca deram certo, a vontade de ficar com todos e não ficar com ninguém. O narcisismo, o charme, os problemas de dislexia e déficit de atenção.
Ela relutou em acreditar, mas sabia que seu pai não inventaria uma mentira tão grande. Então, era filha de uma deusa. Uma deusa poderosa...e linda. Apesar de não aceitar os motivos da mãe em nunca entrar em contato com ela, tentava compreender. Tentava compreender como filha e como mulher. Agora, sabia também que precisava ir para um tal acampamento, onde a vida seria melhor por lá. Seu pai levou-a pessoalmente, não podendo passar da entrada, pois era um mero mortal – Annelise descobrira isso depois –, e a menina enfrentou o restante sozinha.
E então, simplesmente, assim que saiu da Casa Grande, acompanhada de Quíron, um holograma cor-de-rosa com uma pomba branca brilhou em cima de sua cabeça, e ela foi reconhecida como prole de Afrodite naquele momento.
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Cuzão em Qua 20 Jun 2018, 23:10


avaliação
ficha de reclamação

Annelise Fontana — Reclamada como filha de Afrodite.

Vamos lá, hora da avaliação.

Primeiro de tudo, gostaria de dizer que foi uma leitura rápida e bem tranquila, sem erros graves no que tange a gramática. Mas esteticamente é um pouquinho complicado de se localizar na sua leitura pelo seguinte motivo: a falta de espaçamento entre parágrafos.

O texto deu uma emboladinha que dificultou um pouco a leitura e um leitor desatento com certeza desistiria de ler. Bom, tirando isso, gramática: houveram erros de digitação e de concordância verbal no meio da narrativa, algo que uma revisão simples dá conta de forma excepcional, ok?

No mais, acho que não tenho mais o que pontuar.

Bem-vinda ao fórum e divirta-se, além de continuar sempre melhorando.

Qualquer dúvida ou reclamação, entre em contato comigo.

E valeu pelo template que eu não pedi, Mark sz

Aguardo atualização


[/quote]
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por 139-ExStaff em Qua 20 Jun 2018, 23:26

Atualizado
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Ficha de Reclamação

Mensagem por André Marski em Seg 25 Jun 2018, 02:40


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Despina, pois uma deusa que nasceu da violência, foi rejeitada pela mãe, desprezada pela irmã e temida pelos homens, e ainda assim consegue encontrar espaço no coração para amor e confiança (mesmo que dificilmente) depois de tanto sofrimento merece o respeito de qualquer um.


— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

Físicas: André é bem alto para a média das outras crianças de 12 anos, possui cabelos castanho escuros no verão, e no inverno eles se tornam quase brancos, sendo que a transição ocorre na primavera e no outono, para não chamar muito a atenção, seu pai e sua tia davam lhe um "remedio" especial, gosta de deixá-los longos, mas também usa frequentemente toucas para esconde-lo, por se sentir envergonhado de ser diferente.
A pele é bem pálida, como neve ao ser tocada pelo Sol, e os olhos castanho escuros até o momento da reclamação

Psicológicas: Introspectivo, quieto, sério, geralmente muito calmo, tímido, dá a impressão de ser muito frio e distante, mas os poucos que conseguem se aproximar percebem que ele também é extremamente leal, solicito e bondoso, sendo capaz até de abrir mão de sua mansidão típica para defendê-los. Tem um grande complexo de culpa e acha que é responsável pelo mundo inteiro, possui uma boa auto-confiança mas uma péssima auto-estima
André sempre foi visto como esquisito, mais alto que todo mundo, parecendo um fantasma, calado, sua chegada nos lugares fazia com que seus colegas como que congelassem. Mas como não era exatamente medo que sentiam dele, não demorava muito para que virasse alvo de piadinhas e brincadeiras de mau gosto, como apelidos colados no armário, bolas de neve atiradas sem aviso prévio e a exclusão de grupinhos para qualquer coisa que fosse.
Bom, pelo menos até que algum infeliz resolvesse tentar bater nele ou implicar com as poucas pessoas que tentavam ser legais com ele, geralmente professoras ou uma alma bondosa qualquer, nesse momento, parecia que toda a fúria e mágoa contidas escapassem de uma vez, e não foram raras as vezes que sua força anormal mandou coleguinhas para a enfermaria, engraçado que era sempre inverno quando isso acontecia...
Por causa desses incidentes que mais cedo ou mais tarde ocorriam, ele precisou mudar várias vezes de escola, tendo inclusive que estudar em casa nas vezes que seu pai não conseguia uma escola que o aceitasse fora do tempo normal.
Essas complicações com os colegas que não gostavam dele, a timidez que não o deixava conversar com os poucos que gostavam e as mudanças constantes acabaram por deixá-lo sem muitos amigos, sendo que além dele mesmo, se abria apenas com seu pai e sua tia. Essa solidão também fez com que ao invés de brincar com amigos, acabasse por dedicar seu tempo a estudos e a música, como a dislexia não tornava a leitura muito fácil, ele assistia video aulas ou gravava aúdios sobre seus temas preferidos e ficava ouvindo enquanto caminhava por ai.
Toca piano muito bem, é afinado para cantar, sabe quase tudo sobre história e geografia, fala inglês, português e arranha um poquinho de alemão, francês e espanhol

— História do Personagem:

Esdras Nascimento era um ex militar  brasileiro, que ao servir algum tempo pela ONU no Congo, desiludiu-se com as atrocidades da guerra e resolveu pedir licença das forças armadas e começou a lecionar história para o ensino médio. No inicio de seus trinta anos, uma mudança tão brusca foi dificil de lidar, ainda mais quando sua esposa veio a falecer em um tiroteio, apenas por estar na hora e lugar errados.
Com uma carreira sólida rejeitada, a pessoa que amava morta, a família distante e não muito bem quista, Esdras tinha tudo para chutar o pau da barraca, mas com uma resiliência estóica, seguiu em frente, afinal, o que restava a ele?
Talvez essa recusa em desistir perante as desgraças, ou talvez por gostar de correr sem camisa pela praça de noite no inverno do Sul do país, herança do passado militar, ou ainda ambos os fatores, que tenham chamado a atenção dela, mas isso ele nunca perguntou.
Era uma visão fascinante, alta, com um semblante rígido (talvez fosse militar também?), cabelos loiros quase brancos e uma pela tão pálida que parecia brilhar com a luz da Lua, a distância parecia um fantasma correndo para alcança-lo, mas ao aproximar-se erá nítido que parecia-se mais com um anjo.
Percebendo que ele não tinha palavras, ela começou a conversa perguntando se podia correr junto com ele, que mais do que rapidamente permitiu, se atrapalhando todo para colocar a camisa que estava pendurada na bermuda enquanto um leve rubor atravessava sua face.
Depois de várias corridas, alguns cafés e uma disputa amigável de xadrez, aconteceu em uma noite fria de inverno, e qual a surpresa dele quando meses depois ela reaparece com uma criança e uma história digna dos deuses. Claro que a descrença veio primeiro, mas depois de alguns milagres pequenos ele finalmente se convenceu, mesmo a contragoso, de que aquela bela mulher era uma deusa grega, e de que eles não poderiam viver juntos, apesar dela vir visitá-los sempre que possivel, mas com a condição de que fosse tratada como uma "tia distante", para o bem da criança, disse ela. Mas mesmo assim, Esdras parecia ter encontrado um propósito de novo, e nunca amou ninguém como amou aquele pequeno ser em seus braços.

André seria o nome dele, cujo significado em grego simboliza a força que seria necessária para ele superar os desafios que encontraria, pois ocmo Despina havia avisado, nem todos os seres mitológicos são aliados, e além dos problemas de André na escola, havia outro motivo para as mudanças constantes, o cheiro meio sangue atrai todos os tipos de monstros.
E é por isso que, prestes a completar 13 anos, e logo depois de mais uma expulsão, Esdras chama seu filho na sala, e sua tia, que o acostumou a chamá-la apenas de "senhora", e que estava de "férias de seu trabalho no Alaska" para um conversa, e explica toda a situação para ele, dizendo que não é mais seguro para ele ficar no Brasil, de que ele iria para um internato nos EUA, etc etc. Claro que ele não acreditou em nada disso, e achou que era apenas uma desculpa que inventaram para não jogar na cara dele que ele era um inutil que não consegue ficar nem um ano numa escola e apenas assente com a cabeça e já sai para começar a  fazer as malas.
Semanas depois, com alguns dias de atraso devido a neve na estrada, ao já estar próximo do que seria o "internato",  André e seu pai paralizam se ao ouvir um uivo assustador, e ao se virarem, vêem uma enorme forma canina rosnando em direção a eles, canina não, lupina, mas ao perceber a diferença, André sente apenas o empurrão que seu pai lhe dá segundos antes de uma boca cheia de dentes se fechar onde ele estava, e então vê seu pai pulando em cima do lobo que ja havia se virado para dar outro bote. No entanto, ao perceber que estava sendo atrapalhado, a fera tira a atenção da criança e a coloca sobre o pai, mordendo o na altura do abdômen, e o jogando para o lado. Mal o sangue jorra da ferida, André só se percebe gritando em direção ao monstro dando murros com todas as forças que tem no enorme corpanzil, apenas para ser empurrado com um movimento de corpo e ver os olhos amarelos o fitando e as presas afiadas formando como se fosse um sorriso de escárnio.
Ao perceber sua impotência diante da situação, ele apenas fecha os olhos e em meio as lágrimas consegue ver sua tia, senhora, mãe, Despina...  sussurando que, para salvar a si e a seu pai, o poder do inverno precisaria ser dele. Claro! Despina era a deusa do inverno na mitologia grega! Então, se ela era mesmo sua mãe...  Concentrou-se no frio do ambiente, nos flocos que caiam e na raiva que sentia por seu inimigo, e viu sua lágrimas congelarem, o seus punhos tornarem-se como gelo e num grito de fúria investiu contra a fera, que ao perceber a mudança na presa, também havia investido, urrando.
Algum tempo depois, encontram um garoto de olhos e cabelos brancos, descalço e sem agasalho, carregando um homem ferido, mas com o ferimento estancado por agasalhos infantis e pele de lobo, provavelmente cortada com a faca nas mãos do menino, e que se mostraria mais tarde pertencer ao pai. Depois de tomarem o homem e mandarem alguém levá-lo a um hospital, os moradores do acampamento se viram para perguntar ao menino o que estava acontecendo, mas o encontram desmaiado, com o símbolo de sua mãe sobre ele, provando sua ascendência.
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Zelda Blackthorn em Seg 25 Jun 2018, 11:04


avaliação
ficha de reclamação

André MarskiReprovado.

Hey, André, primeiramente, seja bem-vindo ao PJBR!

Moço, sinto muito por reprová-lo, mas a ficha para ser filho de Despina tem uma avaliação mais rigorosa. Você escreve bem, usa boas palavras (algumas mais rebuscadas, gosto), contudo pecou no quesito narração (abaixo vou tentar explicar o que estou querendo dizer).

A história na ficha de reclamação ficou mecânica, sem sentimentos (apenas informar que os olhos estão com lágrimas não coloca emoções no texto), quase como uma biografia (você escreveu os relatos da vida do André, mas não descreveu, entende?), o que tornou a leitura monótona e sem fluidez.

Escrever em terceira pessoa ou contar a história dos acendentes do personagem não é um problema, desde que os fatos sejam narrados, não apenas citados. Por exemplo, ao invés de mencionar o que determinado personagem diz, você pode inserir o diálogo no texto; e, na parte do combate contra a fera lupina, você poderia ter descrito a cena com detalhes, abordando melhor os sentimentos e as reações de André.

Quanto aos erros gramaticais, é bom atentar-se ao uso da conjunção "e" (clica!) e às falhas de digitação ("ocmo", por exemplo); as aspas também foram usadas desnecessariamente, então, na reformulação da ficha, tente mudar isso.

Não sei se você está familiarizado com a trama do PJBR, mas o acampamento atualmente está sob o domínio dos arautos de Éris (não é um grupo dos mocinhos), então os semideuses que vão para o acampamento estão de acordo com a ideologia dos arautos. O Clube da Luta atualmente está funcionando como o antigo Acampamento Meio-Sangue. (Dá uma lida no tópico da trama, se possível.)

No mais, a base da história ficou ótima, então indico que use esse texto como uma espécie de roteiro, e descreva as cenas já escritas, deixando o ambiente/personagens mais concretos e completos.

Se quiser ver o tutorial que dispõe os aspectos para uma boa ficha de reclamação, é só clicar aqui!

Qualquer dúvida ou reclamação, entre em contato comigo.

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Re: Ficha de Reclamação

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