Percy Jackson e os Olimpianos RPG BR
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Ficha de Reclamação

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Ficha de Reclamação

Mensagem por Psiquê em Sex 07 Out 2016, 12:41

Relembrando a primeira mensagem :




Fichas de Reclamação


Este tópico foi criado para que o player possa ingressar na sua vida como semideus ou criatura mitológica. Esta ficha não é válida sob nenhuma hipótese para os 3 grandes (Hades, Poseidon e Zeus) devendo os interessados para estas filiações fazerem um teste específico, como consta aqui [link]. Para os demais semideuses, a avaliação é comum - o que não quer dizer que ao postar será aceito. Avaliamos na ficha os mesmos critérios que no restante do fórum, mas fichas comuns exigem uma margem menor de qualidade, mas ainda será observada a coesão, coerência, organização, ortografia e objetividade. Abaixo, a lista de deuses e criaturas disponíveis em ordem alfabética, com as devidas observações.









































































































































Deuses / Criaturas Avaliação
Afrodite Comum
Apolo Comum
Atena Rigorosa
Ares Comum
Centauros(as) Comum
Deimos Comum
Deméter Comum
Despina Rigorosa
Dionísio Comum
Dríades (apenas sexo feminino) Comum
Éolo Comum
Eos Comum
Espíritos da Água (Naiádes, Nereidas e Tritões) Comum
Hades Especial (clique aqui)
Hécate Rigorosa
Héracles Comum
Hefesto Comum
Hermes Comum
Héstia Comum
Hipnos Comum
Íris Comum
Macária Rigorosa
Melinoe Rigorosa
Nêmesis Rigorosa
Nyx Rigorosa
Perséfone Rigorosa
Phobos Comum
Poseidon Especial (clique aqui)
Sátiros (apenas sexo masculino) Comum
Selene Comum
Tânatos Comum
Zeus Especial (clique aqui)



A Ficha


A ficha é composta de algumas perguntas e o campo para o perfil físico e psicológico e a história do personagem e é a mesma seja para semideuses seja para criaturas. O personagem não é obrigado a ir para o Acampamento, mas DEVE narrar na história a descoberta de que é um semideus e sua reclamação.

Plágio não será tolerado e, ao ser detectado, acarretará um ban inicial de 3 dias + aviso, e reincidência acarretará em ban permanente. Plágio acarreta banimento por IP.

Aceitamos apenas histórias originais - então, ao usar um personagem criado para outro fórum não só não será reclamado como corre o risco de ser punido por plágio, caso não comprove autoria em 24h. Mesmo com a comprovação, a ficha não será aceita.

Fichas com nomes inadequados não serão avaliadas a menos que avisem já ter realizado o pedido de mudança através de uma observação na ficha. As regras de nickname constam nas regras gerais no fórum.

Lembrando que o único propósito da ficha é a reclamação do personagem. Qualquer item desejado, além da faca inicial ganha no momento de inscrição do fórum e dos presentes de reclamação (adquiridos caso a ficha seja efetivada) devem ser conseguidos in game, através de forjas, mercado, missões e/ou DIY.



TEMPLATE PADRÃO:
Não serão aceitas fichas fora desde modelo

Código:
<center>
<a href="goo.gl/6qY3Sg"><div class="frankt1">FICHA DE RECLAMAÇÃO</div></a><div class="frank1"></div><div class="franktextim">[b]— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?[/b]

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[b]— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):[/b]

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[b]— História do Personagem:[/b]

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</div><div class="frank2"></div> <div class="frankt2">Percy Jackson RPG BR</div></center>


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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Jake P. Frost em Sab 24 Dez 2016, 02:35


Jake P. Frost

O Florescer de um Novo Dia


- Por qual deus deseja ser reclamado e por quê?
R:
Thanatos, pelo simples fato de que o mesmo representa


- Perfil do Personagem:
Físicas:
Com seus 1,82m Jake é o que se pode chamar de adolescente esguio, seus cabelos loiros avoaçados balançam com o soprar do vento e reflete a luz que os atinge concedendo uma aura luminosa aquele jovem. Uma cicatriz em formato de Ômega em seu pulso o difere de outras pessoas e seus olhos azuis transmitem uma serenidade surpreendente que traz calma a todos que olham.
.
Psicológicas: Jake é o que se chama de pessoa carismática, com seu sorriso contagia a todos ao seu redor numa tentativa de afastar quaisquer emoções ruins que possam atingir as pessoas que o circundam, pois se existe algo que ele odeie é a sensação de tristeza. Além disso, gosta de criar amizade com as pessoas que ele conhece por sua trajetória, pois assim sempre terá aliados para qualquer coisa que pretenda fazer. Por trás desta máscara de alegria existe um jovem que sofre com as manchas que deixou em seu passado, e esta face oculta que Jake tenta esconder em situações de decisões extremas acaba por aflorar.




- História do Personagem:



Na Quinta Avenida pessoas perambulavam de um lado para o outro, carros buzinavam, mais um dia comum em Manhattan. A High School de Upper East Side seguia com sua rotina corriqueira, alunos falando alto, professores gritando e pedindo silêncio. O sinal soava e se desdobrava em uma gritaria frenética, adolescentes saem apressadamente com a bolsa sobre os ombros. Em meio aquela multidão um jovem de cabelos loiros e olhos azuis se destacava por andar serenamente, ignorando toda aquela movimentação, seu olhar vago olhava para o infinito. Aquele jovem era Jake Frost, filho adotivo de um casal de imigrantes alemães, tinha 17 anos e estava encerrando seus estudos no ensino regular. Enquanto caminhava de volta para sua residência, Jake se deparou com seu professor de Química, Horton, saindo do mesmo prédio que morava, o jovem surpreso, gritou acenando:

- Eiiii Sr. Horton!

O professor simplesmente o fitou e seguiu com seu percurso, um frio subiu correndo a espinha de Jake, aquela sensação ruim fez com que ignorasse o fato de seu professor ter acabado de sair do prédio em que morava. Saiu correndo em disparada em direção a seu apartamento e com um supetão abriu a porta e se deparou com uma visão horripilante, traumática. Sua mãe estava pendurada pelo pescoço com uma corda negra, sua barriga aberta despejava sangue no chão, os olhos brilhavam com a cor negra e de sua boca uma névoa se dissipava. Com um grito Jake caiu no chão, suas lagrimas se encontram com o sangue de sua mãe. O corpo de sua mãe começara a se contorcer e aquela névoa se expandira por todo o hall de entrada, uma voz grave e profunda ecoava daquele corpo:

-Jake Phoster Morgan, a raiva que sentes é apenas o menor dos seus problemas. Corra! Salve-se! As forças das trevas esperam ansiosamente por teu futuro. Provavelmente os campistas se alertaram e virão a seu encontro, com tudo...

Antes que aquele espírito terminasse de recitar suas palavras um grunhido adentrou na sala. Jake por reflexo virou-se para ver o que era, e com um suspiro percebeu ser seu pai. Mas logo notou que havia algo de estranho, pois seu pai simplesmente adentrou no apartamento como se aquela cena que se encontrava no hall de entrada fosse apenas uma decoração. Jake começou a se arrastar lentamente para o corredor do lado de fora de sua residência, quando a porta simplesmente se choca contra o batente, que fez um estrondo que poderia ser ouvido até mesmo do andar superior. Com o bater da porta Jake se lançou para frente caindo em cima daquela poça de sangue. Seu pai então se volta para ele e diz:

-Onde você estava indo Jake, venha aqui e tome café comigo!

-Quem é você? – Gritou Jake enquanto se levantava correndo

-Ora que pergunta estupida! Sou seu Pai, Franz Morgan!

Jake então correu para a porta e tentou abri-la, mas era praticamente impossível, parecia que ali se encontrava uma parede pois nem sequer se movia um milímetro. Ao olhar para trás observou seu pai se aproximando a passos curtos. Franz agora estava todo desfigurado, suas unhas haviam crescidos como garras, seus dentes mais pareciam abridores de lata, os olhos eram negros como a mais obscura noite de lua nova e pelos começavam as surgir por todo seu corpo. Quando aquele ser estava ao lado do corpo pendurado, ele simplesmente parou e começou a devora-lo como se aquilo fosse a melhor iguaria que alguém pudesse lhe oferecer. Jake estava paralisado de medo, aquela besta simplesmente se colocava a devorar sua mãe, e o máximo que ele conseguira fazer era chorar. Quando aquele monstro terminoude comer aquele corpo, ele virou para o jovem, todo sujo de sangue e perdido em prantos, começou a gargalhar e a falar com o mesmo:

-Ora Ora, não é sempre que posso me deparar com um banquete deste nível, um humano e um semideus. Porém antes de te devorar, por favor, com quem você estava falando antes de eu chegar?

-Ahhh, e.. eu não sei, simplesmente uma voz saiu de minha mãe, mas não era ela, PORQUE VOCÊ A MATOU!

-O que?! Eu não a matei garoto, acabei de chegar! Além disso, acho que você esta ficando louco você conversa com cadáveres! Mas chega de conversa, hora do banquete!

Após encerrar sua frase, aquele ser que agora se parecia com um cão, saltou em direção a Jake com sua mandíbula aberta. Porém, pouco antes de atingi-lo, aquele ser foi reduzido a um pó dourado. Uma flecha dourada agora estava cravada bem ao lado do rosto de Jake. Atônito, uma sombra aparecera na janela, logo aquela veneziana se abriu e por ela entraram dois jovens. Um deles era esguio de cabelos negros e uns óculos escuros, e em suas mãos havia um arco e flecha. O outro era um jovem de porte mediano e cabelos vermelhos como fogo, em sua mão direita se encontra uma espada de bronze com coloração parecida com a de seu cabelo. Os dois recém-chegados foram em direção de Jake que se colocou em posição fetal e falou:

-Por favor, não me matem!

-Calma viemos te resgatar e não te matar! – Disse o ruivo

-Sou Peter Crown. – Resmungou o jovem de óculos escuros.

-Aé meu nome é Philip McVolp. – Replicou o garoto de cabelo vermelho.

-Ahn, meu nome é Jake, mas o que fazem aqui?

-Viemos lhe buscar oras!
–Disse Peter em tom indignado.

-Mas para onde vocês querem me levar? Além do mais o que aconteceu aqui?

-Vamos te levar para um acampamento, por favor, colabore, ao chegarmos te explicaremos melhor.

Jake mesmo receoso correu para teu quarto e pegou suas coisas, junto delas levou seu taco de baseball caso precisa-se se defender. Quando foram para sacada Jake foi surpreendido com um Cavalo Alado, Pégaso. Mesmo com medo, ele pulou na garupa e viajou durante horas. O dia já estava acabando quando uma colina surgiu no horizonte, Peter apontou para lá, sorrisos estamparam as faces daqueles jovens. Mas o inesperado aconteceu, tudo desacelerou e um homem grisalho simplesmente flutuou em meio aos dois pégasos. Jake olhou atentamente e reparou que se tratava do seu professor de Química, Sr. Horton. Jake então tentou gritar mais nada saiu de sua boca, então aquele homem começou a falar, com uma voz grave e profunda, idêntica aquela que falara pelo corpo dilacerado da mãe de Jake:

-Jake, primeiramente quero que saiba que não foi minha pessoa quem matou sua mãe, tentei chegar a tempo para salva-la, mas não consegui. Sei que por dentro deve achar que estou mentindo, mas saiba que tudo que digo são deveras verídicas. Antes que me pergunte meu nome é Thanatos e sou a própria personificação da morte, sua mãe hoje diria a real verdade sobre você, mas não teve tempo. Jake você é um Semideus, Meio Humano, Meio Deus, provavelmente você iria descobrir isso está noite quando chegasse ao Acampamento, mas eu precisava falar com você. Espero que você consiga se acostumar com sua nova rotina. Até Breve Filho

Quando terminou de citar sua frase o tempo voltou ao normal e Jake gritou:

-Como assim você é meu pai?


Mas já era tarde demais, porém Peter virou para Jake como se perguntasse se ele estaria bem, com uma certa feição de preocupado ele disse:

- O que houve Jake?


-Como assim o que houve? Você não viu ele? Ele disse que era meu Pai!


-Quem é seu pai Jake, do que esta falando?

-Tantos, acho que era esse o nome dele!


-Thanatos? Você tem certeza disto?

-Sim, ele flutuou na nossa frente você não viu?

-Desculpe Jake, mas não via nada.

Continuaram a viagem e quando chegaram naquela colina, uma foice surgiu sobre a cabeça de Jake, e finalmente aquilo que ele havia comentado se tornou verdade. Uma multidão se aproximou próximo ao local de aterrisagem querendo descobrir quem era o novo campista que havia chego. Jake desceu do Pégaso e foi recebido com uma salva de palmas e um grito foi emanado por toda aquela multidão:

-Bem Vindo, Filho de Thanatos!







Vestindo: Camisa listrada preto e branco, calça preta rasgada e sapato preto

Escutando: Time - Pink Floyd

Post: 001
Jake P. Frost
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Darya Archer-Gilligan em Sab 24 Dez 2016, 20:36



Avaliação



Eu tô vendo vocês roubando o meu template. q




Jake P. Frost
Olá, Jake! Antes de qualquer coisa, seja bem-vindo ao fórum. Bom, vamos à avaliação. Devo começar lhe chamando atenção para a primeira coisa que reparei em sua ficha: o primeiro campo.

- Por qual deus deseja ser reclamado e por quê?
R: Thanatos, pelo simples fato de que o mesmo representa


Note que ficou incompleto, provavelmente sendo um erro provocado por falta de atenção. Atente-se nas próximas, ok? Mesmo que pareça um campo sem relevância da ficha, também deve passar pela revisão.

Seguindo ao perfil do seu personagem, o mesmo me surpreendeu de forma positiva. Você não se prendeu ao esteriótipo e isso confere ao personagem certa personalidade, sabe? Não que seguindo o esteriótipo isso não seja possível, apenas requer um pouco mais. Ainda nesse campo, pude já nele notar alguns erros que tornaram a se repetir no decorrer da ficha: pontuação e acentuação. Preste atenção nos trechos a seguir:

Com seus 1,82m Jake é o que se pode chamar de adolescente esguio, seus cabelos loiros avoaçados balançam com o soprar do vento e reflete a luz que os atinge concedendo uma aura luminosa aquele jovem.

Enquanto caminhava de volta para sua residência, Jake se deparou com seu professor de Química, Horton, saindo do mesmo prédio que morava, o jovem surpreso, gritou acenando

Em ambos é possível notar-se certo excesso de vírgula, tornando o texto corrido e confuso. Em ambos os casos seria uma alternativa terminar o período com um ponto, ao invés de tentar dar continuidade fazendo uso da vírgula. Uma boa dica para isso é ler a frase em voz alta, de forma pausada e natural, adicionando a pontuação de acordo com as pausas da fala. Leia dessa forma os trechos acima e os trechos abaixo (onde a pontuação foi alterada). Note a diferença.

Com seus 1,82m, Jake é o que se pode chamar de adolescente esguio. Seus cabelos loiros avoaçados balançam com o soprar do vento e refletem a luz que os atinge, concedendo uma aura luminosa àquele jovem.

Enquanto caminhava de volta para sua residência, Jake se deparou com seu professor de química, Horton, saindo do mesmo prédio que morava. O jovem, surpreso, gritou acenando.

Sendo feitas tais observações, podemos seguir com a avaliação. Sabe o que mais pegou na sua ficha? Coerência. No desenrolar dos fatos eu me vi com muitas perguntas que não conseguia responder. O seu padrasto era um monstro ou um monstro se passou por ele? Se era um monstro por que não aproveitou de um momento de vulnerabilidade (como ambos - seu personagem e a mãe dele - estarem dormindo) para se alimentar? Se o Sr. Horton chegou e viu sua mãe morta, por que ele não te encontrou e levou para um lugar seguro? Além disso, não creio que faça sentido um deus se camuflar de professor de ensino médio para ficar de olho em apenas um filho. Um deus possui obrigações e mais obrigações, além de não poder interferir/participar assim de forma direta na vida dos filhos. Você consegue entender isso? Essas quebras de coerência, mais do que qualquer erro gramático, foram o que me levaram até a minha decisão. Também tente atentar-se às emoções do seu personagem, descrevê-las e explorá-las melhor. Poxa, ele encontrou a mãe assassinada. Como ele se sente em relação a isso? E a ver todo o mundo dele virando de cabeça pra baixo?

Jake, você tem potencial pra isso. Atente-se aos pontos que eu chamei a sua atenção e tente corrigi-los. Pergunte-se em relação à coerência da sua história, releia, revise. Qualquer dúvida, qualquer esclarecimento ou reclamação, qualquer coisa, qualquer mesmo, você pode e deve me contatar: seja por mp, seja por chat, facebook, o que for. Não só a mim quanto a outros monitores e deuses, ok? No mais, é isso. Não desanime e boa sorte para a próxima.

Reprovado
Darya Archer-Gilligan
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Guido Navon em Dom 25 Dez 2016, 16:39

- Por qual deus deseja ser reclamado/qual criatura deseja ser e por quê?
Atena. A deusa da sabedoria vem incomodando minha mente desde pequeno. Sempre zombado e excluído por diferenças em conhecimento, acostumei-me a buscar refúgio em livros e pensamentos. Da filosofia platônica até Foucault, uma única figura fez-se sempre presente: Palas Atenas. Agora, a escolho para me reclamar.

- Perfil do Personagem
Físicas: Guido não é dos mais atléticos, tem uma barriguinha proeminente para seus quinze anos e seu um metro e sessenta e oito. Tinha um início de barba falha, da mesma cor que seus cabelos, um tom de castanho opaco. Os olhos eram de um castanho mais claro, mas pareciam mortos quase o tempo todo. Fundos, observavam tudo ao redor, a todo instante. Os lábios eram grossos, herança do pai. Opondo-se ao vulgar, não tinha tanta força (embora lhe apeteça). De ascendência paterna judia, compartilha a cor da pele e os traços da face com seus ancestrais: um rosto de contornos bem definidos e um branco mais escurecido pelo sol.

Psicológicas: O ser humano é permeado por duas interações essenciais: a individual e a compartilhada. A mente de cada indivíduo é um barco, no qual seus tripulantes são as várias faces de uma mesma pessoa. A cada momento, uma das faces esta no timão, levando a embarcação pra direção desejada, não sem relutância das partes que se opõem a decisão. Logo, toda decisão nada mais é que o triunfa da parte que a acolheu. Assim, sempre que vês alguém dizendo ‘’Eu quero, mas não consigo!’’, nada mais é que duas pessoas, duas partes, uma que quer e a outra que discorda, num feroz embate. Esse embate, essa troca de farpas é a interação individual. O ser faz-se e refaz-se a todo momento, é fluido, como Heráclito descreveu. (Esse, por conseguinte, é o campo de estudo da psicologia)
A interação compartilhada, por sua vez, é o fruto das ações de duas pessoas ou mais, que afetam a si próprias e aos vizinhos. A comunicação, a luta, a caça, a coleta, a procriação são exemplos de interações compartilhadas que os primitivos já usavam. Essas ligações atingem um nível macro, formando sociedades, reinos, crenças, ideias, heróis. Toda ideologia que atinja mais de um ser já esta enraizada na sociedade. (Esse é o campo de estudo da sociologia).
É dessa forma que Guido vê o mundo. Não dividido em dois, como descrito, mas uma coexistência e síntese dessas potências, uma cadeia simbiótica entre seres que se necessitam, mas ainda assim ignoram esse fato. Tudo é ligado de alguma forma, e uma comunidade pode ser bem estudada em um sujeito, assim como um sujeito pode ser estudado analisando sua convivência corriqueira.
Não se engane, isso não fez do garoto uma pessoa fria e insensível, mas pelo contrário, alguém amigável, que sabia sempre dosar o que falava, com quem e porque falava. Era acalorado com quem devia, reflexivo com quem necessitava. Mesmo que um pouco excluído, ainda o procuravam quando tinham problemas. Era quase um psicólogo para os que estavam a sua volta. Todo ser é submetido a sua mente, e por consequência, a suas emoções e sentimentos. A lógica não só se aplica, mas reina imponente sobre isso. A união da racionalidade e do sentimentalismo o fez forte.

- História do Personagem


As luzes iam se apagando uma a uma, denunciando que o toque de recolher estava prestes a bater. O orfanato onde morava tinha regras flexíveis, reflexo de sua diretora, a Senhora Brígida, afável como a mãe que nenhum deles tivera. No entanto, a hora de dormir era quase sagrada. Todos os dias, assim que batia meia noite, todos deveriam estar nas camas. Até no natal. Guido contava os riscos que Amélie tinha feito na porta de madeira. De seu leito, conseguiu distinguir quinze traços, mas pensava que havia mais. Fazia isso para pegar no sono.
Sonhos eram sempre frequentes, mas esse fora diferente. No devaneio, viu-se no escritório da diretora. Sentia o ritmo cardíaco aumentar. Noventa, noventa e cinco, cem. A respiração parecia cansada, como se houvesse desempenhado esforço físico há pouco. Seus olhos percorriam a sala vorazmente. Manifesto comunista, coruja empalhada, mesinha de centro, pisca-pisca que muda de cor a cada quinze segundos, janela entreaberta, brisa gelada de inverno, bola de tênis no canto esquerdo em relação à porta, porta quebrada, cheiro de carne assada. Fechou os olhos, tentando se acalmar. Respirou fundo e expirou, como de praxe. Ouvia vozes baixas resmungando qualquer coisa.

– Ele tem quinze anos! Deveria ter ido há tempos pro acampamento? O que estava pensando em fazer? – a voz parecia irritada.

– É minha responsabilidade! Eu decido quando o garoto vai, foi confiando a mim! Sem mais discussões. – era Brígida, a diretora do orfanato. Nunca tinha visto um tom tão descontrolado vindo dela. Guido permanecia com os olhos fechados, se concentrando.

– Esse é o terceiro monstro, Vaz. O terceiro! Já não acha que é hora?

– Devo torcer o braço. O garoto deve ir.
Quando abriu os olhos, estava sentado em sua cama, com os raios de sol invadindo suas pupilas pelo vidro opaco da janela. Sentia um leve desconforto no estômago, e uma vaga lembrança do que comera no café da manhã do outro dia. Alguém perguntou seu estado, e ele respondeu roboticamente a primeira coisa que lhe veio a cabeça:

– Fluindo. – Heráclito teria gostado da resposta, se estivesse vivo. A filosofia grega era sua companheira nas tardes de quinta feira, muito embora ele tenha uma paixão especial por Hegel, os gregos eram pais de todo o saber, e Atena a mãe. Olhou em volta, as crianças mais novas dormiam. Amélie, nascida um ano depois dele, já tinha um sorriso caloroso no rosto. Ele se desculpou pela resposta e completou devolvendo o sorriso.

– Acordem minhas amoras, é natal, época de alegria e felicidade, segundo o consentimento ocidental! Vamos, todos vão ganhar abraços e, com sorte, livros! – sua voz era de liderança, como todas as manhãs. Apesar de ser um garoto exótico, sabia lidar com as crianças que se encontravam no mesmo estado que ele.

Pouco a pouco, os pequenos iam levantando, cansados, mas assim que compreendiam qual era a data, pulavam das camas numa velocidade estonteante. O quarto todo estava idêntico, com exceção da ausência das aranhas – que o assustam até hoje – e um broche de coruja, a mesma que vira empalhada no sonho, que estava em cima do seu travesseiro. Guardou no bolso, e acompanhou os outros no café da manhã.

Era manhã de natal. E da mesma forma que os outros quinze natais, Guido se sentia sozinho. Costumava dizer que era um tempo para os suicidas. Foi abandonado na porta da casa da Diretora, ainda sem um ano completo. Consta que seu sobrenome era Navon, que significa sábio em hebraico, mas nunca procurou saber. A cultura judaica era negada ao máximo por ele. Tinha certo receio do pai por ter-lhe abandonado. E da mãe, sabia muito pouco.

A coruja no bolso parecia ter esquentado. Socou a mão e a retirou. As letras em grego estavam um pouco superficiais, mas já podia ler o nome: era ‘’Palas Athena’’. Sempre teve facilidade com o grego. O que o fazia ainda mais próximo da filosofia das polis. Lia todos os livros em grego antigo. Se surpreendia com a rapidez com que aprendeu a língua e a quantidade de escritos que Brígida tinha no escritório.

–Guido? Guido? Venha cá, preciso falar com você. – a voz da Diretora estava trêmula, muito destoante do costume.

–Hey! Buongiorno, Principessa! Stanotte, t’ho sognata tutta La notte! – recitou as falas mais tocantes do filme A Vida é Bela, de Roberto Benigni, cujo protagonista era a inspiração para seu nome.

Entrou na sala. Tudo exatamente igual no seu sonho. Até o Manifesto Comunista, o que ele não esperava, visto que Brígida era apartidária. O dono da outra voz, a grave e rouca, era um senhor corpulento, calvo e baixinho, que parecia andar sempre irritado. Eles conversaram e explicaram toda a situação, tudo que havia ocorrido em sua vida.

– Certo, eu sou um semideus ou coisa parecida. Quem é meu pai ou mãe? – mesmo que sentisse Atena, ainda tinha dúvidas. Nunca conhecera nenhum dos seus pais.

– Você parece já saber, não é, garoto?
Assentiu com a cabeça. Sentiu cada gota de sangue correndo pelo corpo, suas pupilas dilatarem, os lábios ressecarem. Passava por uma surpresa, as reações do corpo eram normais.

– Para onde irão me levar?

– Acampamento Meio Sangue.

Agarrou o broche de coruja, e passou seus dedos sobre ele. Pressentia que estava tudo prestes a mudar.

Considerações:
Esse não é o tipo de texto que costumo fazer, sou mais adaptado com textos reflexivos, estarei aceitando muito bem dicas pra melhorar minha narração, já que não é meu forte. Achei o site bem estruturado e curioso, estou gostando. Sobre as características psicológicas, pode ter ficado um pouco confuso, mas juro que é a primeira vez que tiro essa teoria da minha cabeça e ponho no papel, so, sorry. Obrigado por ter lido <3
Guido Navon
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Kalled C. Almeida em Seg 26 Dez 2016, 22:13



Avaliação



Eu tô roubando esse template. q




Guido Navon

Meu caro, você apresentou uma narrativa breve, porém corrida. Achei interessante o fato de que você tentou demonstrar suas experiências dentro do orfanato; afinal é muito importante que conheçamos os detalhes sobre os semideuses que chegam ao Acampamento.

Porém nem tudo é um mar de rosas, logo preciso lhe falar sobre alguns deslizes, como o fato de que você poderia se valer de pontuação ou separar os parágrafos para que sua narrativa não ficasse corrida. Fora isso sua narrativa foi boa, mas o fator reprovativo foi o fato de não ter descrito sua reclamação. Entenda que para ser reclamado é preciso algum sinal forte de sua ligação com o progenitor e não houve isso em sua narrativa. Por enquanto...

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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Orfeu em Ter 27 Dez 2016, 09:11

mal feito, feito!
atualização (ou quase isso)
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Guido Navon em Ter 27 Dez 2016, 13:15

- Por qual deus deseja ser reclamado/qual criatura deseja ser e por quê?

Atena. A deusa da sabedoria (além da civilização, deusa das artes, estratégia em batalha, da justiça e da habilidade!) vem incomodando minha mente desde pequeno. Sempre zombado e excluído por diferenças em conhecimento, acostumei-me a buscar refúgio em livros e pensamentos. Da filosofia platônica até Foucault, uma única figura fez-se sempre presente: Palas Atenas. Agora, a escolho para me reclamar.

- Perfil do Personagem

Físicas: Guido não é dos mais atléticos, tem uma barriguinha proeminente para seus quinze anos e seu um metro e sessenta e oito. Tinha um início de barba falha, da mesma cor que seus cabelos, um tom de castanho opaco. Os olhos eram de um castanho mais claro, mas pareciam mortos quase o tempo todo. Fundos, observavam tudo ao redor, a todo instante. Os lábios eram grossos, herança do pai. Opondo-se ao vulgar, não tinha tanta força (embora lhe apeteça). De ascendência paterna judia, compartilha a cor da pele e os traços da face com seus ancestrais: um rosto de contornos bem definidos e um branco mais escurecido pelo sol.

Psicológicas: O ser humano é permeado por duas interações essenciais: a individual e a compartilhada.

A mente de cada indivíduo é um barco, no qual seus tripulantes são as várias faces de uma mesma pessoa. A cada momento, uma das faces esta no timão, levando a embarcação pra direção desejada, não sem relutância das partes que se opõem a decisão. Logo, toda decisão nada mais é que o triunfa da parte que a acolheu. Assim, sempre que vês alguém dizendo ‘’Eu quero, mas não consigo!’’, nada mais é que duas pessoas, duas partes, uma que quer e a outra que discorda, num feroz embate. Esse embate, essa troca de farpas é a interação individual. O ser faz-se e refaz-se a todo o momento, é fluido, como Heráclito descreveu. (Esse, por conseguinte, é o campo de estudo da psicologia).

A interação compartilhada, por sua vez, é o fruto das ações de duas pessoas ou mais, que afetam a si próprias e aos vizinhos. A comunicação, a luta, a caça, a coleta, a procriação são exemplos de interações compartilhadas que os primitivos já usavam. Essas ligações atingem um nível macro, formando sociedades, reinos, crenças, ideias, heróis. Toda ideologia que atinja mais de um ser já esta enraizada na sociedade. (Esse é o campo de estudo da sociologia).

É dessa forma que Guido vê o mundo. Não dividido em dois, como descrito, mas uma coexistência e síntese dessas potências, uma cadeia simbiótica entre seres que se necessitam, mas ainda assim ignoram esse fato. Tudo é ligado de alguma forma, e uma comunidade pode ser bem estudada em um sujeito, assim como um sujeito pode ser estudado analisando sua convivência corriqueira.

Não se engane, isso não fez do garoto uma pessoa fria e insensível, mas pelo contrário, alguém amigável, que sabia sempre dosar o que falava, com quem e porque falava. Era acalorado com quem devia, reflexivo com quem necessitava. Mesmo que um pouco excluído, ainda o procuravam quando tinham problemas. Era quase um psicólogo para os que estavam a sua volta. Todo ser é submetido a sua mente, e por consequência, a suas emoções e sentimentos. A lógica não só se aplica, mas reina imponente sobre isso. A união da racionalidade e do sentimentalismo o fez forte.

- História do Personagem

As luzes iam se apagando uma a uma, denunciando que o toque de recolher estava prestes a bater. O orfanato onde morava tinha regras flexíveis, reflexo de sua diretora, a Senhora Brígida, afável como a mãe que nenhum deles tivera. No entanto, a hora de dormir era quase sagrada. Todos os dias, assim que batia meia noite, todos deveriam estar nas camas. Até no natal. Guido contava os riscos que Amelie tinha feito na porta de madeira. De seu leito, conseguiu distinguir quinze traços, mas pensava que havia mais. Fazia isso para pegar no sono.

Sonhos eram sempre frequentes, mas esse fora diferente. No devaneio, viu-se no escritório da diretora. Sentia o ritmo cardíaco aumentar. Noventa, noventa e cinco, cem. A respiração parecia cansada, como se houvesse desempenhado esforço físico há pouco. Seus olhos percorriam a sala vorazmente. Manifesto comunista, coruja empalhada, mesinha de centro, pisca-pisca que muda de cor a cada quinze segundos, janela entreaberta, brisa gelada de inverno, bola de tênis no canto esquerdo em relação à porta, porta quebrada, cheiro de carne assada. Fechou os olhos, tentando se acalmar. Respirou fundo e expirou, como de praxe. Ouvia vozes baixas resmungando qualquer coisa.

– Ele tem quinze anos! Deveria ter ido há tempos pro acampamento? O que estava pensando em fazer? – a voz parecia irritada.

– É minha responsabilidade! Eu decido quando o garoto vai, foi confiando a mim! Sem mais discussões. – era Brígida, a diretora do orfanato. Nunca tinha visto um tom tão descontrolado vindo dela. Guido permanecia com os olhos fechados, se concentrando.

– Esse é o terceiro monstro, Vaz. O terceiro! Já não acha que é hora?

– Devo torcer o braço. O garoto deve ir.

Quando abriu os olhos, estava sentado em sua cama, com os raios de sol invadindo suas pupilas pelo vidro opaco da janela. Sentia um leve desconforto no estômago, e uma vaga lembrança do que comera no café da manhã do outro dia. Alguém perguntou seu estado, e ele respondeu roboticamente a primeira coisa que lhe veio a cabeça:

– Fluindo. – Heráclito teria gostado da resposta, se estivesse vivo. A filosofia grega era sua companheira nas tardes de quinta feira, muito embora ele tenha uma paixão especial por Hegel, os gregos eram pais de todo o saber, e Atena a mãe. Olhou em volta, as crianças mais novas dormiam. Amelie, nascida um ano depois dele, já tinha um sorriso caloroso no rosto. Ele se desculpou pela resposta e completou devolvendo o sorriso.

– Acordem minhas amoras, é natal, época de alegria e felicidade, segundo o consentimento ocidental! Vamos, todos vão ganhar abraços e, com sorte, livros! – sua voz era de liderança, como todas as manhãs. Apesar de ser um garoto exótico, sabia lidar com as crianças que se encontravam no mesmo estado que ele.

Pouco a pouco, os pequenos iam levantando, cansados, mas assim que compreendiam qual era a data, pulavam das camas numa velocidade estonteante. O quarto todo estava idêntico, com exceção da ausência das aranhas – que o assustam até hoje – e um broche de coruja, a mesma que vira empalhada no sonho, que estava em cima do seu travesseiro. Guardou no bolso, e acompanhou os outros no café da manhã.

Era manhã de natal. E da mesma forma que os outros quinze natais, Guido se sentia sozinho. Costumava dizer que era um tempo para os suicidas. Foi abandonado na porta da casa da Diretora, ainda sem um ano completo. Consta que seu sobrenome era Navon, que significa sábio em hebraico, mas nunca procurou saber. A cultura judaica era negada ao máximo por ele. Tinha certo receio do pai por ter-lhe abandonado. E da mãe, sabia muito pouco.

A coruja no bolso parecia ter esquentado. Socou a mão e a retirou. As letras em grego estavam um pouco superficiais, mas já podia ler o nome: era ‘’Palas Athena’’. Sempre teve facilidade com o grego. O que o fazia ainda mais próximo da filosofia das polis. Lia todos os livros em grego antigo. Surpreendia-se com a rapidez com que aprendeu a língua e a quantidade de escritos que Brígida tinha no escritório.

–Guido? Guido? Venha cá, preciso falar com você. – a voz da Diretora estava trêmula, muito destoante do costume.

–Hey! Buongiorno, Principessa! Stanotte, t’ho sognata tutta La notte! – recitou as falas mais tocantes do filme A Vida é Bela, de Roberto Benigni, cujo protagonista era a inspiração para seu nome.

Entrou na sala. Tudo exatamente igual no seu sonho. Até o Manifesto Comunista, o que ele não esperava, visto que Brígida era apartidária. O dono da outra voz, a grave e rouca, era um senhor corpulento, de cabelos encaracolados, baixa estatura, com chifres saindo da cabeça – não que isso fosse normal – e parecia andar sempre irritado. Trajava-se de forma comum, salvo a ausência de sapatos que revelava cascos no lugar de pés.

– O q-que você é? – os olhos de Guido mantinham-se fixos nas partes incomuns do homem. O homem o fitou docilmente, e respondeu:

– Muito prazer, Guido. Meu nome é Hazel. Sente-se, precisamos conversar.

Hazel e Senhora Brígida lhe explicaram tudo, desde seu nascimento. O quanto o pai se assustara com a notícia de que sua mulher era uma deusa, sua facilidade para ler em grego, a natureza de sua mãe. Atônito, o garoto permaneceu calado até o fim. Acabado a confissão, permaneceu quieto por um tempo, perguntando:

–Isso é tudo muito estranho. Vou precisar de um tempo pra digerir. – lançou um sorriso carinhoso pra Brígida, e completou: – Minha mãe, no caso, é?

– Você parece já saber, não é, garoto? Você é filho de Atena. – Hazel apontou para o bolso do petiz, que carregava o broche com as inscrições do nome da mãe.  

Assentiu com a cabeça. Sentiu cada gota de sangue correndo pelo corpo, suas pupilas dilatarem, os lábios ressecarem. Passava por uma surpresa, as reações do corpo eram normais.

– Para onde irão me levar?

– Acampamento Meio Sangue. Lá você estará seguro.

Agarrou o broche de coruja, e passou seus dedos sobre ele. Pressentia que estava tudo prestes a mudar.
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Vitor S. Magnus em Ter 27 Dez 2016, 17:08


Avaliação
Guido Navon


O
lá garoto. Sinto dizer que vou ter que dar um quote na avaliação do Kalled. (Desculpe, Kall.)

Kalled C. Almeida escreveu:Meu caro, você apresentou uma narrativa breve, porém corrida. Achei interessante o fato de que você tentou demonstrar suas experiências dentro do orfanato; afinal é muito importante que conheçamos os detalhes sobre os semideuses que chegam ao Acampamento.

Porém nem tudo é um mar de rosas, logo preciso lhe falar sobre alguns deslizes, como o fato de que você poderia se valer de pontuação ou separar os parágrafos para que sua narrativa não ficasse corrida. Fora isso sua narrativa foi boa, mas o fator reprovativo foi o fato de não ter descrito sua reclamação. Entenda que para ser reclamado é preciso algum sinal forte de sua ligação com o progenitor e não houve isso em sua narrativa.

Guido, preste atenção em cada detalhe da avaliação dele. Ele disse que sua narração foi muito rápida e curta. Ou seja, dê mais detalhes, mostre coisas mais interessantes. Você simplesmente repostou a mesma ficha colocando parágrafos que o Kalled aconselhou. Explore as características psicológicas do seu personagem na ficha. Coloque situações onde ele se encontra que possam mostrar o lado semideus dele e não simplesmente mande um sátiro buscá-lo. Apresente o momento de reclamação, porque é um dos pontos obrigatórios pra uma aprovação.

Siga essas dicas que você pode se dar bem. Qualquer coisas nós monitores estamos à disposição não tenha vergonha de chegar junto.

Por enquanto... Reprovado.

Qualquer dúvida, reclamação, stress... Só enviar MP


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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Alois Mircea em Qui 29 Dez 2016, 00:56

Ficha de Alois Mircea

- Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Reclamo por Ares. Porque? Guerras sempre fizeram parte de minha vida pessoal (Off) sejam elas pessoais (Problemas do dia-dia) e até mesmo guerras ficticias (RPG, Jogos e etc). Sou um verdadeiro apaixonado por estratégias de guerra e tudo que engloba este mundo, nada mais justo que fazer o um filho forjado para a guerra. Filho de Áres. (Preferia pegar algo mais mitologia nórdica.. Mas nhé.. Percy..)

- Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas)

Vindo de uma provincia localizada no Norte do Rio Danúbio (Valáquia - Romênia). O estrangeiro Alois Mircea ostenta um largo peito varonil, uma pele ligeiramente morena (Tipica dos Romênos), cabelos encaracolados, pernas grossas e braços fortes. Fruto de sua propria genética, a qual foi ricamente favorecida por Marte, no reinado de Átila, o Huno.
Natasha Mircea, a mãe solteira de Alois era filha de um dos mais notórios combatentes Nazistas, ela transmitiu todo o conhecimento que adquiriu de seu pai para o filho, como se fosse uma relíquia de família, transmitindo a ele um comportamento estratégico e sobrevivente, e claro, o comportamento dominativo dos Nazistas.

Alois cresceu em um periodo de paz, suas unicas experiencias vividas de guerra, vieram de seus incontáveis sonhos, os quais inclusive provou do fio da navalha e até mesmo o gosto do mais grosso calibre, sonhos tão vividos que até mesmo ele se perguntava os porquês de tudo aquilo.. No fim, ele é uma pessoa de comportamento neutro (Nem bom ou ruim) e um dignissímo "Bon Vivant"

- História do Personagem

Irei dividir a história em duas partes, Tambem irei contar a história da mãe e avô

Major Dracul e Natasha
- Um conto de Pai e Filha

Alois foi o nome de seu avô, Major Dracul, apelido dado por sua brutalidade em campo de batalha. Ele foi um exímeo combatente Nazista, o qual viveu seus ultimos dias em conflitos internos na Valáquia, a guerra nunca pode sair de seu sangue, um sentimento compartilhado com todos de seu esquadrão, os quais fundaram uma força para-militar que faziam a segurança do local.
Natasha cresceu a sombra do pai, visto que não possuía mae. O periodo pós guerra rendeu a toda europa uma grande perda a sua população. Ela não tinha tantos amigos, vivia atrás de Dracul, carregando suas armas e aprendendo com seu pai os prazeres da Bebida e Guerra... Não demorou muito para que ascendesse assim como ele aos "negócios" da familia, Natasha ousou se mudar para um local distante, alegando ao pai que naquela cidade típica de "quase interior" havia nada além de mato e pouco futuro.. Natasha ousou se mudar para o Rio de Janeiro (Brasil). Fundando um sistema similar a "Máfia", usando seus conhecimentos herdados do pai para dominar aquele local e viver uma vida digna a de uma Senhora da Guerra, chegando a um ponto que até a propria policia local temesse a sua fúria... Seu reinado não durou sequer 10 anos... Acabou misteriosamente engravidando de seu primeiro e único filho. O qual a forçou a trabalhar as escuras. Mantendo sigilo até mesmo do pequeno Alois sobre seus negócios...

Alois
- A Ascenção De Um Pequeno Dragão

Seu nome era Alois, Natasha queria que fosse assim como seu pai, além de um exímeo combatente, um homem de coração puro, astuto como uma raposa e feroz como um Dragão. Alois, nascido em solo Brasileiro cresceu forte como um touro, dono de uma força e determinação incomum, o qual assim como Natasha se afeiçoou pelas artes de combate e guerra, chegando a superar sua mae em conhecimento, perdendo apenas pela falta de pratica, sua mae sempre o ensinou tudo oque sabia, menos o manejo de armas e suas funções... Rezava para que Alois não herdasse o mesmo destino que ela e seu avô trilham. Procurando sempre manter as aparencias de seus assuntos "extra-curriculares" em sigilo absoluto. Alois cresceu até os seus 15 anos sem saber sobre a Máfia Mircea... Mas logo tudo iria mudar...

- Test Your Might (Teste sua força)

Era dia de uma excurção de escola organizada as preças. O local era deveras estranho, o Museu das Armas e Artefatos de Guerra.. Um tanto longe daquele local.. O dia inspirava maus agouros para o jovem Alois, um dia muito frio, incomum de solo carioca.. Garoava tão finamente naquele dia que o obrigava a usar casaco. Aquele Museum era conhecido por todos por portar uma variedade grande de armas usadas ou não em guerra. Até mesmo continha armas tão bem conservadas que pareciam nunca terem sido ultilizadas. Naquele mesmo dia, o Exercito Brasileiro havia adquirido os novos Fuzís de Assalto Leve (PARAFAL, CAL. 7,62) estocados exclusivamente naquele mesmo Museum por pura preguiça de Recrutas.
A viagem foi calma, animada. Alois estava feliz, conversava com seus amigos sobre as diversas histórias que sua mae havia compartilhado com ele, sobre seu avô... Mas demorava apenas duas palavras para ser francamente sensurado por sua Professora Conservadorista, a qual incriminava o Major Dracul como insensato e um completo diabo.

Após chegar no local.. Tudo parecia tão claro para Alois que ele nem sequer precisava ver os nomes das armas que já sabia seus nomes e oque faziam.. Os textos históricos eram tão vividos em sua mente que mais parecia que havia vivido tudo aquilo e transcrevido. Conseguindo facilmente discernir a mentira da mais completa verdade em uma guerra. Tudo aquilo o facinava de tal forma que até mesmo se perdia de toda a escola... Sendo atraído por uma estranha vóz que a pouco tempo foi instruído por sua mae a se afastar... Uma voz tão sedutora e encantadora que fazia seu coração palpitar de emoção, passo após passo ele seguia rumo a escuridão.

??? - Venha... Jovem combatente... Irei guia-lo para a batalha...

Seu sangue esquentava a mesma medida que sua destra segurava fortemente um colar que sua mãe o havia dado com tanto carinho, o qual ela disse a ele sempre manter proximo. Após diversos passos, ele podia ver uma mulher com face perversa, segurando uma lança em sua destra, era sem duvidas a mesma voz que o chamou até aquele local. Ela definitivamente não era humana, possuía olhos de coloração avermelhada, com uma fenda em seu centro, como os olhos de uma besta, sem dúvidas uma habilidosa Ninfa... O fugor da batalha tomava seu pequeno corpo, oque o impulsionaria para o combate.

Ninfa - Η ψυχή του νεαρού αρνιού θα είναι δικό μου! Για τους ανθρώπους μου ΔΟΞΑ

As palavras dela deixavam o jovem paralizado, sem saber oque fazer... A segurança naquele local era nula, tornando aquele local completamente obscurecido pelos mais diversos caixotes que foram entregados mais cedo. Aquela lingua era estranha, provocava um tremendo baque nele... Embora dominasse perfeitamente inglês, Romêno e Português. Nunca em sua vida ouviu tal dialeto.

Ninfa - καταστρέφομαι... χαθεί από τη λεπίδα μου, ο γιος του Άρη! (Pereça... Pereça por minha lâmina! Filho de Ares!)

As ultimas palavras soavam com clareza em toda mente de Alois, fazendo cada sentido do corpo dele gritar como um só. A adrenalina da batalha o fazia se jogar para o lado, enquanto apanhava rapidamente uma baioneta. aremessando-a em direção a Ninfa, a qual rapidamente atingia aquele objeto com sua espara, o ricocheteando para longe. Ele chegava a apanhar um dos fuzís já municiados, destravar e atirar. Mas com sua impericia com aquele armamento, acabava por errar todos os seus tiros e por fim, ter o fuzil cortado ao meio... Sem esperanças, ele pegava o colar que sua mae lhe deu, retirando-o do bolso... O colar ardia em chamas, as quais tomavam todo o grande salao sem sequer queimar, chamas místicas que expurgavam a Ninfa juntamente a força de Alois

- Depois da Tempestade.
Sua conciencia sómente foi recobrada em um carro desconhecido... Escoltado por homens de terno negro, vizinhos seus, os quais trabalhavam secretamente para Natasha em meio a Máfia... Toda história da família foi explicada a Alois no instante de seu embarque para os Estados Unidos da América, junto a uma mulher que seria sua "babá". Natasha não entrou em detalhes, mas...

Natasha havia conhecido um concorrente a Máfia ao chegar no Brasil, diversos confrontos diretos e indiretos foram travados entre os mesmos, que compartilhavam de um colérico fogo, não apenas em combate como a cama. Mas logo após a ultima batalha, foi revelado a ela que ele possuía nenhum interesse no local, mas sim na força dela e de seu avô. A possivel mãe de seu mais poderoso herdeiro.

Alois vive até os dias de hoje nos EUA, recentemente ingressou ao Acampamento Meio-Sangue, aos seus 17 anos.
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Silvia Kawasaki em Qui 29 Dez 2016, 12:41


Avaliação


Alois Mircea:
Olá, Alois. Seja bem-vindo ao nosso querido Pejotinha! Vamos à sua avaliação! Amigo, você tem uma história interessante, pelo que consegui compreender, mas a ortografia e a concordância sabotaram sua ficha. Erros de grafia como "exímeo" onde deveria ser "exímio", falta de acentuação em diversas palavras, falta de vírgula em diversos lugares... tudo isso deixou a ficha confusa e meio que cansativa.

Outro ponto foi a questão das falas. Numa narrativa como a sua não é preciso colocar o nome do personagem antes da fala, você deixa isso claro no texto. Colocar o nome antes da fala ocorre em peças de teatro (como os livros de Shakespeare), ok? Outra coisa: não coloque as falas em grego para depois traduzir. Deixe claro na narrativa que o personagem falou em uma língua X (não necessariamente o grego, claro) e coloque o texto já em português. Se você quiser pode até usar o itálico para mostrar que era em outro idioma.

P.S.: os romenos não tem a pele morena. O cabelo geralmente é escuro, sim, mas a pele é clara. Exemplos são a ginasta Nadia Comaneci e o ator Sebastian Stan.

Por enquanto, ficha reprovada.

Dúvidas, reclamações, dicas ou qualquer coisa em que eu possa ser útil, basta contatar por mp.

Aguardando atualização
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Rhutrey Arkle em Qua 04 Jan 2017, 11:58





If you come for me...

Want Retribution or Revenge?






-------- Desejo ser reconhecido como filho de Nêmeses porque justiça deve ser trazida a todos.

Características Psicológicas: Organizado; Analítico; Sadomasoquista com oponentes; Bipolar (lutando a favor/contra filhos de Zeus).

Características Físicas: 70Kg; 1,80m de altura; Magro, mas definido; cabelos pretos; olhos escuros.

Quando pequeno eu era o que as pessoas poderiam chamar de "inquieto" comparado às outras crianças. Não gostava dessa comparação porque não acho que seja algo justo de se fazer, ninguém gosta de ser comparado a outras pessoas, principalmente nas situações que mostram diminuição de importância. Foi assim que comecei a odiar essas pessoas que se achavam e agiam como melhores do que qualquer outro indivíduo. A arrogância e orgulho deles me enoja só de ouvir falar seus nomes.

E entre esses nomes há um em especial: Travis O'Brien.
Travis era um filho de comerciante da classe alta da cidadela onde eu vivia juntamente com meu pai (que também não ficava atrás, mas sem exageros) até saber de minha ascendência materna e paterna. Ele não parava de gabar-se das posses de sua família para quem quer que fosse.
Do fundo da minha alma desejei e disse que ele teria seus privilégios perdidos pelo fato de ostentar todo aquele ego desmedido e a fortuna não merecida. Eu tinha 10 anos na época quando falei essas coisas e, dois dias depois, a casa onde Travis morava fora saqueada e levaram somente os pertences dele. A partir daí que Guilhermo, meu pai, percebeu os indícios dos poderes herdados de minha mãe “descendo a vara” nas pessoas.

Ele contou que havia conhecido uma mulher, na época juíza da vara criminal do estado, e se apaixonou por ela. A moça sempre falava que o envolvimento não era justo para ele ou a mim futuramente porque ela iria embora. Meu pai não se importou e prosseguiu com o romance.

Depois de um tempo ela engravidou e gerou-me (Rhutrey) deixando aos cuidados dele. Guilhermo recebeu a explicação de que agora estava envolvido com uma deidade grega e que eu deveria ser levado ao Acampamento Meio-Sangue. Essa última parte não aconteceu porque ele morreu antes.

Enquanto vagava pelo país a procura desse tal acampamento encontrei um semideus chamado Baldwin que disse poder me ajudar. O feri e fugi porque aquele filho de Zeus matou meu pai e queria tirar a minha vida. Até hoje não confio em nenhum deles, pois pensam que o fato de serem da prole dele garante algum benefício a mais que outros. Estão errados e farei com que todos percebam isso, mesmo que tenha de derrubar um por um.


Presentes de Reclamação: {Balance}/ Espada longa de uma mão. [Seu formato é simples, com a guarda reta e empunhadura anatômica, de couro avermelhado. Sua cor é prateada, com entalhes discretos. Possui 1,30 de tamanho total, sendo que a lâmina corresponde a 1,10m. Transforma-se em um anel no nível 20.]{ Bronze sagrado e couro. } (Nível Mínimo: 1) [Recebimento: Presente de Reclamação de Nêmesis]







TAGS: BALDWIN, NÃO ADIANTA FUGIR! HAHAHAHAHA

Lost in Space by Caah at tdn ,

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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Lavínia Cavendish em Qua 11 Jan 2017, 14:10



Avaliação


Rhutrey Arkle — Reprovado como filho de Nêmesis

Rhutrey, seja muito bem vindo ao PJBR! Já devo iniciar dizendo que seu texto está muito estreito para as regras de ficha de reclamação, que esclarecem ali na primeira postagem uma largura de texto maior do que 400 px. Atente-se aos detalhes para que não tenha seus textos ignorados das próximas vezes.

Passando para o texto, logo no início sua quase-mãe ficaria um pouco triste em ler o próprio nome escrito errado. É Nêmesis, e não Nêmeses. Leviosa.

Não gostei da descrição das características tanto físicas quanto psicológicas, e nestas últimas aconselho a pesquisar um pouco os próprios termos que colocou. Ser bipolar não é isso que você expôs, lutar contra e/ou a favor de um mesmo grupo é apenas ser um personagem de alinhamento neutro, bipolaridade é um distúrbio mental bem mais complexo. Pelas características físicas eu poderia citar em média a metade dos semideuses do mundo, então não teve nada muito relevante ali também.

Seu texto também não apresentou o único e obrigatório propósito da ficha de reclamação: A reclamação. Desenvolva melhor a história do seu personagem, adicione detalhes e mantenha uma linha de narração constante. Explicite o momento em que Nêmesis o reconhece como filho e os motivos para tal. Tome cuidado com a coerência dos fatos.

Aconselho fortemente a trocar de template, ou ao menos editá-lo para que as cores fiquem mais legíveis (você me fez sofrer lendo nesses tons de azul) e o texto mais largo e espaçado. Temos em nossos parceiros alguns fóruns de códigos muito bons.

Lembre-se que está prestando um teste para ser filho de uma deusa cuja categoria é rígida, então deve caprichar o máximo possível. Caso necessite de mais algumas dicas ou explicações pode entrar em contato comigo ou qualquer outro monitor de chalé pelo chatbox ou MP. Boa sorte da próxima vez, espero ver sua ficha aprovada no futuro!

Dúvidas, reclamações, desabafos: MP
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Edward Beck em Ter 17 Jan 2017, 15:48



Ficha de Reclamação

para filho de Macária



Observação inicial: o texto está todo em negrito devido a um bug na página, causado por algum template acima ¬¬

Por qual deus deseja ser reclamado?

Macária, a deusa da boa morte. A deusa é a que melhor se encaixa para a trama deste personagem.

Características do personagem:

Físicas:
Cabelos pretos, olhos azuis, corpo atlético, 1,80m de altura, 72kg. É ágil, apesar da altura, e sabe ser bem discreto (silencioso) para agir.

Psicológicas:
Silencioso, quieto, nunca fez amigos. Entretanto, sabe conquistar facilmente a confiança de qualquer pessoa quando quer, sendo bastante encantador e persuasivo. Mas o que realmente caracteriza Edward Beck é seu impulso assassino, algo que ele odeia e mesmo assim não consegue se libertar. Tem um argumento bastante absurdo para os crimes que comete e espera se livrar desta psicose algum dia.

História do personagem:

Cresci com um homem que fez de tudo para me fazer verdadeiramente feliz, mas sempre me neguei a isso. Não sei quando começou exatamente, mas desenvolvi uma teoria de que as pessoas mais felizes deveriam morrer logo, de forma pacífica, sem sofrimentos. A felicidade deveria ser o ápice da vida e viver mais era-me sinônimo de ter mais oportunidades para sofrer. Desta forma, privei-me de todos os prazeres da vida e assumi a missão de dar às pessoas seu merecido descanso e retirar delas a possibilidade de se tornarem tristes outra vez.

O homem que tentou me fazer feliz era meu pai. Por mais que tentasse se aproximar, ele sempre pareceu estar distante demais de mim, como se fizéssemos parte de mundos diferentes. Se eu soubesse antes que isso era verdade... Ele foi minha primeira vítima. Tinha sido meu aniversário e eu não quis convidar ninguém. Comemos um bolo, assoprei as velas, quatorze velas. Ele me disse que era o homem mais feliz do mundo e que não importava se eu não queria ninguém. Saber que era suficiente para mim era o que o fazia o homem mais feliz do mundo.

Tento me livrar deste demônio interior desde aquela noite, há cinco anos. Não sei o que tomou meu corpo, mas a visão de seu peito parando de se mover ainda me causa os piores pesadelos. Desse dia em diante, as coisas só pioraram. A polícia só apareceu na velha casa dias depois e eu já estava longe dali, observando as pessoas de uma forma que elas nem podiam imaginar. Eu as via felizes, completamente realizadas, e sentia o ímpeto de dar a elas uma boa morte, sem sofrimentos.

Sempre acontecia à noite. Toda manhã seguinte era um tormento. Apesar de não saber o que me dominava, eu tinha total consciência do que fazia e me lembrava de tudo depois que o monstro adormecia dentro de mim outra vez. Um monstro, era isso que eu era. É o que ainda sou! Dia após dia eu esperava encontrar uma cura, esperava conseguir me controlar quando os ataques vinham, mas não podia contar com ninguém. Buscar ajuda não era uma opção, qualquer pessoa fugiria ou chamaria a polícia. Eu precisava de cura, apesar de merecer retaliação e linchamento.

O tempo passou e as coisas não melhoraram. Já não me lembrava mais de onde tinha vindo e não tinha a menor ideia de para onde estava indo. Os assassinatos continuavam e meu sofrimento aumentava. Uma coisa inusitada aconteceu e foi quando percebi que estava ficando louco, totalmente louco. Depois de matar um jovem casal, um símbolo brilhou sobre minha cabeça. Parecia uma mortalha acompanhada de uma coroa de flores.

Pouco depois, um par de adagas, um manto e um par de botas surgiu em meu esconderijo. Digo que surgiu, mas na verdade nem me lembro se já não estavam lá antes. Fiquei louco, sei que fiquei. Desde esse ocorrido, há dois anos, vim tentando ao máximo ficar longe das pessoas. Me embrenhei no meio da floresta e fiz de tudo para não ver mais ninguém. Infelizmente, a floresta não é segura.

Fugindo de ursos, acabei indo parar numa cidadezinha afastada e meu pânico de tornar a ser um assassino em série retornou com força total. Não sei se por sorte ou por azar, mas fui encontrado por um padre muito gentil que me acolheu em seu lar para órfãos. Nunca lhe disse meu sobrenome, idade ou quaisquer outras informações mais profundas sobre mim.

Estou no orfanato ainda hoje e é por isso que estou fazendo este relato. Acho que meu problema está voltando e estou desesperado. Se eu cometer mais um crime... céus, se eu cometer mais um crime, não me importo mais com quem me encontre. Deixo aqui minha história, por mais que esteja cheia de furos e talvez confusa, para que peguem e deem um fim a isso se eu tornar a matar alguém.

Ainda não sei o que foi aquela coisa que brilhou em minha cabeça, se é que brilhou de fato... nem de onde vieram as armas que mantenho escondidas. Só quero ter paz. Sei que matar as pessoas é errado e não sei o que é este demônio que me domina, mas preciso me livrar dele. Nem que, para isso, seja eu quem precise morrer.

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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Lavínia Cavendish em Qui 19 Jan 2017, 16:14



Avaliação


Edward Beck — Aprovado como filho de Macária


Olá, Edward! Pra começar, o bug estava em seu próprio template hahaha (já arrumei, por nada).

Confesso que sua história me intrigou bastante. No início, estava tentada a reprová-lo, mas depois fui entendendo mais o seu personagem. Macária é uma deusa que não assassina, ela torna o momento da morte das pessoas que julga merecedoras muito mais agradável do que seu pai (Hades) costuma fazer. Suas motivações para tal são até justificáveis, visto que o semideus não necessariamente precisa seguir o alinhamento de seu progenitor.

Você escreve bem e introduziu os pontos necessários para a reclamação em seu texto. A única coisa que senti falta foi talvez um pouco mais de esmero no início da ficha, como nas descrições físicas e o motivo para escolher o progenitor. É bom tentar fugir dos clichês do nosso fórum (como o "se encaixa na história do personagem e blablabla") — queremos saber os MOTIVOS.

Mas, como achei uma trama bem interessante, devo aprová-lo como novo filho da Boa Morte. Lembre-se disso, pois querendo ou não, Macária julgará suas ações de agora em diante. Bem vindo!

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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por 127-ExStaff em Dom 22 Jan 2017, 21:12


atualizado!

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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Leliel Stravos em Qui 26 Jan 2017, 03:14


   

Por qual deus deseja ser reclamado?

Desejo ser reclamado por Nyx, primordial da noite. O desejo, pois é no período noturno que me sinto mais em paz, que cada átomo do meu corpo se agita em contentamento. Na noite, não há olhares de julgamento, nem reclamações mesquinhas. Não há barulho – ao menos não deveria haver – e o silêncio reconfortante me permite pensar sobre tudo com muito mais clareza. A noite também é o momento mais belo do dia para mim – o que é um pouco irônico, na verdade – não porque é escura, mas porque é o horário em que mais nos aproximamos da imensidão do universo, em seu mundo de estrelas e constelações distantes. Não é algo perceptível na cidade, mas para quem já passou uma noite no meio do campo, sem as luzes interferindo com a visão, posso dizer que é a visão mais linda que já tive o prazer de presenciar em minha vida. É por tais motivos simples e nada mais, porque coisas simples tendem a ser as únicas que valem a pena.

Características do personagem:

Físicas:
Leliel pode ser descrito como um milagre divino em forma de humano. Digo isso pois seu nascimento já é algo controverso, não tendo um pai para chamar de seu. Foi gerado a partir da união entre uma mulher mortal e a deusa primordial Nyx, ambas muito parecidas em aparência física. O garoto – ou garota, como as vezes tende a se identificar – tem o corpo mirrado, mesmo para a idade, não passando dos 1,50m de altura, se um pouco mais. Tem os lábios avermelhados naturalmente e a pele esbranquiçada, pálida por conta da falta severa de sol. O cabelo é preto e ligeiramente confuso, parando na metade de seu ombro. Não é dotado de muita força física, mas é de grande agilidade, tanto por conta da estrutura de seu corpo quanto pelas inúmeras horas que gastou correndo dos garotos de seu orfanato. É extremamente andrógino, contendo traços tão femininos quanto masculinos, levando-o a ser considerado como uma garota ou como um garoto em diferentes momentos.

Psicológicas:
Tanto quanto possa ser de uma aparência física simples, embora um pouco marcante, sua estrutura psicológica é ligeiramente mais complicada de descrever. A falta de um cromossomo Y natural, ainda que suprido pelo Ichor divino de Nyx, levou-o a desenvolver comportamentos distintamente femininos, em adição ao que seria esperado de um garoto de sua idade. A perseguição incessante que sofreu no orfanato por parte dos outros garotos, justamente por ser andrógeno, levou sua mente a criar duas vozes “vivas”, manifestações de seu subconsciente ferido e carente de atenção: Adha e Manthos.

Adha é a voz da razão, doce, suave e sempre gentil. Sua voz é semelhante a da mãe mortal de Leliel, ou pelo menos parte do que ele lembra dela.

Manthos é insano, grosso e geralmente cruel, ainda que se preocupe tanto com Leliel quanto Adha faz. É a manifestação da sua raiva, o ódio frio que o consome por dentro depois de tanto sofrimento em sua curta vida.

Ambos aparecem e somem em momentos aleatórios, sem o controle de Leliel, geralmente se fazendo presentes em situações de grande perigo ou de estresse, especialmente as que contém grande impacto emocional.

Afora isso, Leliel é um garoto tão normal quanto poderia ser: gosta da chuva, da noite, do silêncio e de histórias em quadrinho, embora não leia muitas. Ama mitologia e ficção de fantasia, embora não necessariamente a grega. Tem uma predileção por qualquer deus que represente a magia, a noite e o umbral, as trevas. Apesar de sua dislexia e de sua hiperatividade crônica trata-se de um garoto bastante inteligente para a idade, embora vez ou outra seus distúrbios mentais lhe impeçam de se aprofundar demais em alguns assuntos.

Sabe ser doce, assim como Adha. Sabe ser cruel, como Manthos, mas tudo o que mais deseja é ser aceito e ser amado novamente.


História do Personagem:

“O bater de suas asas repousa em nossos ouvidos
Como distante trovoar
Como a lua cortante no umbral
Ela é uma estrela cadente, um pensamento decadente
O doce torpor da mente embalado pelo beijo do sonhar
Bela Leliel, anjo da noite
Você esteve longe por tempo demais”.


- Se você pudesse viver apenas mais um dia da sua vida, o que gostaria de fazer, Lel? De que forma você gostaria de viver?

A voz que ecoou pelo beco escuro de uma das ruas mais movimentadas da cidade era suave, doce, como o afago carinhoso de uma mãe que muito ama o seu pequeno filho. Não era feminina nem masculina, coexistindo em sua dualidade singular, tal como a do garoto deitado sobre uma poça de seu próprio sangue no recanto mais profundo da fenda desconexa naquele confuso emaranhado de edifícios.

- Se eu pudesse, gostaria de – ao invés de apenas existir – poder viver por apenas um dia. Só um.

O corpo esparramado no chão não era muito alto. Na verdade, não deveria ter mais que um metro e cinquenta. Sua pele esbranquiçada, quase doente, contrastava com o preto-sujo do beco, destacando-o como uma vela que iluminava a escuridão. Tinha os lábios avermelhados, quase roxos por conta do frio. Estava morrendo.

- Não seja tolo. Porque você gostaria de viver? É chato. Morrer, morrer, morrer. O outono é a estação das coisas mortas, mas também é a época mais bonita do ano, Lel. Você nunca esteve tão belo. Belo. Bela!

Houve o som de uma terceira voz, antinatural e rouca como a de um animal selvagem que havia aprendido falar havia dois dias. Seu tom barítono reverberava nos paralelepípedos gastos do chão, expressando profundo descontentamento para com o garoto e para com a primeira voz.

- Você é um idiota, Manthos. Nosso garotinho está machucado e você se mantém aí parado como uma sombra, dizendo que ele está bonito! Louco, louco, você é louco!

- O único idiota aqui é você, Adha! Eu disse para a nossa garotinha matar aqueles porcos estúpidos antes que eles tentassem fazer qualquer coisa. E ela me obedeceu? Não. Não! Olha como terminou. Está feliz, Adha?

As vozes soavam em uma cacofonia de gritos ensurdecedores, de berros sem fim. O garoto no chão – ou garota? Não sabia dizer, nunca soube – se contorcia, a ferida aberta e profunda próxima ao seu pulmão tornando difícil respirar. Nunca se sentira tão frágil e as vozes de seus companheiros não o ajudavam a se concentrar.

- Adha, Manthos. Parem, por favor. Minha cabeça está... doendo.

Mesmo estando tão ferido, a voz dolorida do jovem garoto, que não deveria ter mais do que treze anos de idade, era doce, límpida como orvalho recém-feito. Se assemelhava – em sua dor – a do coro de mil anjos chorando em agonia e tristeza.

- Você deveria tê-los matado, pequenino. Matado, matado! Deveria ter lhes arrancado as tripas para fora com os dentes e se poupado de tal dor. Dor! Você está em dor agora, eu sinto essa dor. Que dor terrível, como é ruim. Faça parar, Adha, faça parar!

Tal como o sussurro do vento, a voz grossa de Manthos soava aos ouvidos de Leliel, mesmo que não houvesse ninguém naquele beco além de si mesmo. Era louco, demente? Ou era apenas o fruto de uma imaginação carente por amor, por afeto? Não sabia, não se importava. A morte era um lugar melhor, a inexistência levaria a dor para longe, para o nada.

A noite lhe dava conforto que o dia não possuía, mesmo na morte.

- O que posso fazer, Manthos? Precisamos de um médico, de ajuda. Ah, como eu desejo ter uma cabeça, um tronco e pernas e braços. Um corpo para poder andar... o que posso fazer por você, minha doce Leliel, tão ferida, tão desamparada?

Ele não sabia como responder, para além de esperar a morte. A dor já era quase surda, desvanecendo aos poucos conforme a vida deixava seus olhos cansados. Em sua mente infantil, estimava que tinha menos de cinco horas de vida, se o ritmo que seu próprio sangue escorria para fora continuasse constante. Mas não sabia, não tinha como saber. Não sabia sequer quanto tempo já estava ali, jogado ao chão, pronto para fechar os olhos por uma última vez. Que ironia, que felicidade. Morreria no seu horário favorito: na noite! A doce, bela noite. Como era bonita.

Já não tinha mãe, tendo sido despejado em um orfanato depois que sua figura materna morrera em um assalto. Não tinha pai, nunca conhecera o homem e sequer sabia se ele de fato existia. Não tinha irmãos, nem amigos que o acomodariam em seus braços aconchegantes naquele momento de dor. Não tinha nada, nada além de si mesmo e de Adha e de Manthos.

Mas quem eram Adha e Manthos, se não extensões de si mesmo, de sua mente irreparável e danificada?

Então, só tinha a si mesmo? Quis chorar, mas preferiu não o fazer. Chorar doía e a dor no coração era mais tortuosa do que a dor em seu pulmão.

Aos poucos, Leliel sentiu sua consciência se perder. Adha e Manthos haviam se calado e o som das risadas dos adolescentes do orfanato que haviam lhe esfaqueado simplesmente por ser feminino demais já eram uma lembrança distante, uma memória indesejada. Queria se afogar na noite, na bela noite, que a tudo envolvia e consumia no seu breu.

Leliel quase pôde sentir felicidade naquela falta de algo, como se um abraço quente o tomasse por completo, envolvendo seu corpo em brumas de calor e de afeto. A escuridão era uma amiga bem-vinda, agarrando-lhe os braços e pernas com gavinhas de sombra.

- Quíron! Quíron! Eu encontrei ele. Eu o encontrei. Eu disse que não era uma boa ideia deixar minha vigia por uma noite. Eu disse!

Uma voz grossa e preocupada soou em seus ouvidos quase surdos pelo sono. A dormência era constante, inibindo seu senso de percepção. Com os olhos semifechados e borrados pelas lágrimas não derramadas, conseguiu aperceber-se apenas de um homem alto, com pernas peludas e o brilho distinto de um arco-íris desfocado quebrando a escuridão do beco. Água gotejava, preta aos seus olhos como o umbral para o qual se arrastava.

Daquele momento em diante, não percebeu mais nada. É conveniente, no entanto, que se fizesse notar o símbolo arroxeado que brilhou no topo da cabeça do garoto, feito de sombras e do breu, na forma de uma estrela em lua crescente.  E, em meio aos braços fortes do Sátiro que aos poucos lhe forçava a beber uma golada de néctar divino, Leliel ouviu um breve, doce sussurro em seu ouvido.

Você não está sozinho, minha pequena, doce poeira de estrela.
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Lucas Coutinho em Qui 02 Fev 2017, 00:43

Por qual deus deseja ser reclamo / qual criatura deseja ser e por quê ?

- Pensei bastante e quero que o avaliador da ficha escolha o meu parentesco divino. Os semideuses não tem a opção de escolher quem será seu pai ou mãe, e ao avaliar essa questão, acho que não saber quem é o meu possível parente divino, causa em mim interesse e um desafio maior para escrever.

Perfil do personagem.

Características Físicas – Lucas é um garoto de 13 anos, tem 170 cm , é magro, não corpulento, mas também não é flácido. Moreno de olhos castanho claro e cabelo de mesma cor, é alguém que impressiona no primeiro olhar.

Características Psicológicas – Lucas é fechado, raramente fala sobre si, não tem muitos amigos devido a constante mudanças e a não ser muito sociável. Feliz de sua própria maneira, Lucas Coutinho é alguém que se aproxima e se envolve bastante nos seus relacionamentos. É extremamente confiante e orgulhoso.

História do personagem.

Eu estava em constante mudança. Essa é uma das poucas coisas que eu posso afirmar com total certeza na minha vida. Eu, meu pai e minha mãe, nós três já fomos para todos os tipos de lugar, desde San Diego para Nova York, onde moramos hoje.
Eu fui adotado pelo casal Coutinho quando tinha apenas 21 meses de vida, e descobri que eles não eram meus pais biológicos aos 9 anos, mas nunca me questionei minha verdadeira origem. Eles eram meus pais. Sempre foram.
E assim pensei ser, até que no dia 1 de fevereiro de 2017, minha vida mudou pra sempre.
Cidade nova, escola nova, vida nova. É essa a frase que os Coutinho costumam dizer todo começo de ano.

------------ 1 de Fevereiro de 2017 ------------

O dia amanheceu da pior forma. O frio era intenso e a chuva fina cortava o céu nublado de Nova York, e eu, particularmente, odiava dias nublados. Odiava ficar trancado em casa, enquanto poderia estar em um parque ou em um jogo de futebol.
Levantei da cama e segui para cozinha, onde meus pais estavam conversando.
- Não, isso não faz sentido algum George – disse minha mãe.
- Bom dia, Lucas, não tínhamos o visto ai, desculpe. Como foi sua noite de sono ? – falou meu pai.
Eu quase não dormi noite passada, estava ansioso com o colégio.
- Bem – menti.
- Que ótimo, pegue um sanduíche e vá se aprontar. Sairemos em instantes.
Eu realmente não estava no modo de sair de casa. Bati a cabeça na parede no caminho para o banho e quase derrubei minha escova de dente na privada. Porém eu estava um pouquinho de nada animado, bem no fundo me sentia confiante. Então estufei o peito, me olhei no espelho e disse:
- Cidade nova, escola nova, vida nova. Vamos lá, não pode ser tão ruim.

----------------------------

Definitivamente, era tão ruim. O colégio parecia um internato triste e deprimente. As paredes estavam cobertas de teia de aranha e o chão não passava de mármore sujo e mal polido, e para variar, eu cheguei atrasado. Abri caminho entre alguns alunos perdidos no corredor e entrei na sala 14.
- Ora, vejam se não é o primeiro atrasado do ano. Espero que isso não se repita, senhor... – murmurava uma senhora de meia idade, usando uma roupa roxa e óculos enormes, também roxos.
Comecei a questionar o motivo de tanto roxo, mas percebi que todos estavam me encarando.
- Coutinho. Lucas Coutinho. – Estiquei minha mão para um aperto de mão amigável.
A senhora, que deduzi ser a professora, simplesmente me ignorou e aponto uma banca no fim da sala. Dirigi-me até lá silenciosamente. Quando sentei, ela começou a falar algumas coisas sobre a Escola 3 Milênios, ressaltando a importância de cooperação entre os alunos, por mais ou menos 60 minutos quando foi interrompida por um sino estridente. Todos nós, alunos, seguimos para o pátio, provavelmente para o intervalo.
O espaço era grande. Tinha uma pequena fonte no meio, com bancos ao redor e bonitas plantas nos cantos, dando uma ar diferente do vivenciado dentro do colégio. Sentei-me em um dos bancos e fiquei em silêncio, contemplando à vista.
- Bonito, né ?
Eu juro, se não tivesse levado um susto tão grande, eu poderia ter socado aquele garoto. Um menino, que aparentava ser apenas dois ou três anos mais velho que eu, estava sentado ao meu lado, com uma expressão de puro fascínio nos olhos.
- Hã... É sim – respondi.
- Prazer, pode me chamar de Louis.
O garoto usava uma calça muito folgada, porém sapatos que se enquadravam perfeitamente no seu pé, seguido de uma longa meia. Minha mãe, Daisy, teria dado uma aula de como se vestir àquele garoto. Pra variar, ele ainda usava um gorro amarelo, que ficava horrível com o uniforme azul da escola 3 Milênios. Ainda assim tentei ser o mais simpático possível.
- Sou Lucas. Então, você aprecia... fontes ?
Ele riu.
- Tipo isso. Você tem tempo? Quero te mostrar uma coisa.
Tenho que admitir, fiquei meio desconfiado no começo, mas acabei cedendo. Caminhamos pelo colégio, passando pela biblioteca, lanchonete e salas de aula, até que chegamos... Ali.
Era no fundo do colégio, tinha o muro de saída, Louis tinha me levando par fugir.
- Hã, cara... Tem certeza que isso é permitido?
- Não tenho tempo de explicar, apenas me siga, estamos sendo vigiados.
Eu sufoquei uma risada e um grito ao mesmo tempo. Quem era aquele cara e por que estava dizendo que estávamos sendo vigiados?
E como se meus pensamentos estivessem sendo lidos, duas mulheres saíram de dentro da caçamba de lixo, que estava encosta no muro. Mesmo estando completamente apavorado, notei ( e fiquei abismado ) que as mulheres eram empousa. Eu sei disso porque li uma matéria uma vez sobre monstros da mitologia grega, mas... ELAS EXISTIAM ? ? ?
- Fala sério, sátiro, você achou que se safaria dessa? Levar um semideus direto para o acampamento sem nenhum obstáculo? – ironizou uma das empousai.
Meu coração batia extremamente forte. Eu esta tonto e com dor de cabeça, e o fato de ter sido chamado de semideus e de ouvir que Louis era um sátiro, me espantavam. Mas eu não duvidei. Se haviam empousai na minha frente, querendo devorar minha carne e sugar meu sangue, o que impediria aquele garoto de tirar as calças e se mostrar meio homem meio bode ?
Eu estava muito assustado e não conseguia raciocinar direito, mas ouvi Louis, o provavelmente sátiro, dizer para eu me acalmar e me manter atrás dele, afirmando ter um plano.
Minha visão estava destorcida, provavelmente pelo fato de eu estar nervoso, aterrorizado, nada confiante e prestes a morrer, mas vi o seguinte: o bode rasgar sua calça, mostrando um frasco de líquido verde, que aparentava ser fogo e jogar nas empousai. Assim que ele jogou, uma das aberrações jogou a outra diretamente para o frasco, enquanto eu e Louis pulamos na caçamba de lixo e em seguida por cima do muro, para fora do colégio. Continuamos correndo, e correndo fomos, até a outra empousa nos alcançar.

Estávamos em um bosque e o dia começava a virar noite. Eu não faria ideia de onda estávamos se não tivesse visto uma placa que dizia: LONG ISLAND.
Eu sinceramente esperava que o sátiro tivesse outro frasco daquele, seria extremamente útil. Ele disse para continuar correndo, que logo viria ajuda, então foi o que fizemos. Desviávamos e pegávamos atalhos pelas árvores, pulando rios e chutando texugos que apareciam no caminho, mas a empousa não parecia se cansar ou nos perder de vista. Até que ela sumiu.
- Estamos muito perto do acampamento, continue andando! – murmurou Louis.
- Não, não vou para acampamento algum, a besta nos perdeu de vista, temos que voltar, eu tenho que voltar. Meus pais me esperam.
- Você está prestes a conhecer seu verdadeiro pai, garoto.
E exatamente um segundo depois dessa notícia impactante, eu sofri um verdadeiro impacto. Literalmente. A empousa tinha pulado de uma árvore e cravado suas garras no meu ombro, prestes a me abocanhar, quando um adolescente surgiu das sombras e a vaporizou.
- Vocês chegarem bem na hora. E a propósito, sou Liam Paim, filho de Hades.

--------------------------------------

Logo entendi o porquê de “ bem na hora “, várias crianças e adolescentes estavam sentados em volta de uma fogueira, cantarolando e se divertindo. Meu ombro já estava sarado, graças a uma coisa chamada néctar que Liam me deu. Ele e Louis explicaram exatamente o que era o acampamento, que chamavam de Meio-Sangue, o que eu era e os desafios que iria enfrentar de agora em diante. Naquele momento, eu me senti entre dois amigos. Louis tinha 36 anos, mas aparentava 15 ( coisa de sátiro), e Liam tinha realmente 15 anos. Eu agradeci a ele umas cem vezes e fiquei totalmente boquiaberto pelo fato de ele ser filho de Hades. Era muito irado.
Nos juntamos a fogueira, e eu fui apresentado aos campistas, por um centauro. Sim, um centauro. Eles me receberam bem, dando tapinhas nas minhas costas e mostrando seus respectivos parentes divinos
“ E eu sou Troy, filho de Hécate, eu cheguei aqui semana retrasad...” contava um garoto da minha idade, quando, de repente, se ajoelhou perante minha pessoa. Assim como todos outros campistas. Eu fiquei sem entender, até que olhei pra cima e havia um símbolo brilhando sobre minha cabeça.
O momento estranho cessou quando Liam Paim se levantou.
- É isso ai! Bem-vindo, Lucas Coutinho, semideus, filho de...

Novo lugar. Nova família. Nova vida.

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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Silvia Kawasaki em Qui 02 Fev 2017, 12:51


Avaliação


Leliel Stravos:
Olá, Leliel. Seja bem-vindo(a) ao nosso querido Pejotinha! Vamos à sua avaliação! Olha, vou te confessar uma coisa: eu estava morrendo de medo de ficar confusa demais lendo sua ficha. Você criou um personagem muito diferente do usual e quando colocou nas características psicológicas algo como "O garoto, ou garota,...", realmente temi que a ficha ficasse embolada demais e afetasse meu lado semideusa disléxica. Mas, porém, todavia, contudo, ficou incrível! Ficha simples, pequena e ao mesmo tempo deliciosamente detalhada. Consegui entender bem a vida do personagem com uma das histórias de ficha de reclamação mais rápidas que já li. Além da escrita muito boa! Adorei. Ficha aprovada!

Ave, Leliel Stravos, reclamado como filho de Nyx!

Lucas Coutinho:
Olá, Lucas. Seja bem-vindo ao nosso querido Pejotinha! Vamos à sua avaliação! Muito bem, Lucas, eu gostei dessa ideia de me transformar em um Chapéu Seletor "Semidêusico", de verdade. Não é bem a ideia do fórum, mas até que seu argumento no início da ficha fez sentido e, enquanto eu estava lendo, tive até uma ideia sobre quem poderia ser seu/sua progenitor/a. Só que você teve alguns percalços no caminho. Apesar da história boa e do fato de que você sabe escrever legal, vi alguns errinhos com pontuação (principalmente vírgulas) e a estrutura do seu post não é muito agradável aos olhos. Aqui, por não ser como nos livros e cadernos (que possuem margem), costumamos dar enter entre parágrafos e falas. Também não se dá espaço entre uma vírgula e uma palavra ou entre pontos de interrogação. O que acabou tirando pontos da sua ficha foi a estruturação, de fato, e me deixou com uma dúvida cruel por aprová-lo ou não. Mas sua história é boa e o chalé para o qual você foi selecionado não exige uma avaliação tããããão rigorosa assim e você conseguiu cumprir 88% da nota total (com os critérios que utilizamos no fórum). Assim, depois de muito pensar, aprovo sua ficha, mas te aconselho a corrigir esses errinhos e olhar os posts de campistas mais experientes, ok?

Ave, Lucas Coutinho, reclamado como filho de Apolo!


Dúvidas, reclamações, dicas ou qualquer coisa em que eu possa ser útil, basta contatar por mp.

Aguardando atualização
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por 127-ExStaff em Sab 04 Fev 2017, 14:31


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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Zachary Dewin em Sab 04 Fev 2017, 17:48


THE DEVIL’S CHILD
FICHA DE RECLAMAÇÃO


- Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Uma vez li em uma entrevista em que George R. R. Martin disse que existem dois tipos de escritores: os arquitetos e os jardineiros. Os arquitetos têm sua estória toda planejada e caminham linearmente em direção ao seu fim. Os jardineiros plantam a semente (ideia) e a cultivam, deixando-a crescer, ramificar-se e florescer naturalmente. Ou seja, mesmo que saibam como começa a narrativa, não têm conhecimento de como ela vai acabar. Apenas escrevem. É mais ou menos isto que busco com esse personagem. Pesquisei brevemente os poderes, presentes e história dos deuses disponíveis e Hécate simplesmente me pareceu atraente para escrever. Um início de estória surgiu e minha mente e, enquanto escrevo esta ficha, espero que ela se desenvolva naturalmente em um conto que seja atrativo e que proporcione momentos de entretenimento aos leitores/avaliadores e, principalmente, a mim.


- Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas)

A primeira vista, Zachary não parece ser um rapaz muito atraente. Beira a um metro e oitenta de altura. Seu corpo é magro, não muito atlético. Sua pele é clara, como se não fosse acostumado a tomar sol.   Entretanto, há algo nele que chama a atenção daqueles ao seu redor. Talvez seja o profundo escuro de seus olhos. As suaves sardas que salpicam-lhe o nariz. Os cabelos escuros e desalinhados que caem negligentemente sobre os olhos. A ligeira curva presente nos cantos de sua boca. Talvez belo não seja a palavra certa para descrevê-lo, mas há algo de diferente no rapaz. Algo que o torna incrivelmente encantador. Alguma coisa charmosa em seu jeito de agir. Ou o jeito de andar. Ninguém sabe dizer ao certo. É como se fosse mágica.

Agora, neste momento, convido os avaliadores a esquecerem de que devo apresentar as características psicológicas de Zachary. Se acalmem, não quer dizer que eu não vá descrevê-las. Porém, gostaria de não fazê-lo aqui, neste tópico. Minha proposta é gradativamente exibi-las durante a narrativa da história do personagem. Diferentemente do tradicional, em que eu daria tudo mastigado e vocês leriam, eu gostaria que vocês absorvessem a informação e realmente entendessem, com sua própria interpretação, que tipo de pessoa é Zachary. Podemos?


- História do Personagem

Zachary Dewin, o filho do Arcebispo da Arquidiocese de Nova York, era, para todos os efeitos, perfeito. Antes de prosseguirmos, porém, um esclarecimento é necessário. Como um Arcebispo poderia ter um filho se sua Instituição prega o voto de celibato? Apesar de essa cultura vir se alterando, ainda assim não seria um impeditivo para o homem atingir um cargo tão alto na Santíssima Igreja Católica? Bem, a história que contam é que Zachary não é, realmente, filho de sangue do Arcebispo.

Dizem as más línguas, assim como as boas (esse é um fato bastante comentado entre os fiéis da região), que após um culto particularmente longo da Catedral de São Patrício, no qual todos já haviam deixado o lugar, o Arcebispo, como um bom católico que era, permaneceu sozinho no templo para uma noite de vigília e oração. Durante a madrugada, porém, teve suas atividades eclesiásticas interrompidas. Ao escutar o barulho das portas se abrindo, ergueu-se vagarosamente e postou-se de pé com dificuldade. Aos cinquenta e sete anos, suas juntas não eram tão saudáveis quanto na juventude.

Ao se dirigir à entrada, deparou-se com algo que lhe tirou o fôlego. As fofocas informam que ao encarar o bebê dentro do cesto que haviam depositado às portas da Catedral, logo na noite que reservara para rezar, o Arcebispo entendeu que Deus havia lhe dado uma tarefa a ser cumprida. Ele, que nunca poderia se casar, havia sido abençoado com o dever de criar um filho.

Mas que filho. Os fiéis frequentadores do culto do Arcebispo, assim como seus conhecidos, sempre enchiam a boca para elogiar Zachary Dewin. Aluno nota dez, que colega de sua sala não invejava suas conquistas? Aprendiz de organista na Igreja de São Patrício, tendo aulas com o próprio diretor de música do templo. Extremamente educado e sociável, com um sorriso fácil nos lábios, sempre estava a interagir com os fiéis, que sempre exibiam semblantes de deleite com as conversas. Comportado, o garoto, apesar de já possuir dezoito anos, não parecia ser interessado em sair durante a noite, preferindo, segundo o Arcebispo, permanecer em casa estudando ou rezando. Para quase todos, Zachary era o exemplo do que um filho perfeito seria.

Ah, as aparências. Elas sempre foram fatores influenciadores na convivência social. A imagem, em nossa sociedade, é algo muito caro e deve ser sempre zelado, afinal, ninguém quer ser mal visto aos olhos do próximo. Aparentemente, o Arcebispo e seu filho adotivo viviam uma vida perfeita, invejada por quase todos. Ninguém de fora poderia questionar. Entretanto, existiam duas pessoas que sabiam que as aparências construídas por eles poderiam não ser reflexo da realidade.

●●●

O vulto encapuzado se movimentava com cautela pelas ruas de Hell’s Kitchen. Já passavam das quatro horas da manhã. Mesmo as movimentadas ruas de Manhattan, que nunca realmente dormiam, estavam mais lentas. Na área residencial, pela qual Zachary caminhava em direção à sua casa, não havia uma pessoa à vista.

Enquanto andava, levou os dedos em direção ao nariz, sentindo seu odor. O cheiro do tabaco era evidente. Fungou, sentindo os resquícios do pó em seu nariz serem sugados para dentro. Por um momento, parou, fechando os olhos e sentindo o ambiente ao seu redor. A eletricidade que sentira passar por seu corpo algumas horas atrás estava quase esgotada. Um vento frio lambia-lhe as faces e as deixavam parcialmente dormentes. Não sentira esse frio antes. Talvez não estivesse em condições de sentir.

Retomou sua caminhada, já avistando o prédio em que morava. Fazendo absoluto silêncio, contornou a entrada principal e entrou em um beco lateral à construção, no qual, acoplada às paredes do edifício, estava uma escada de incêndio. As grades rangeram um pouco quando o garoto se içou para cima, subindo um degrau de cada vez. Primeiro. Segundo. Terceiro. Quarto. Quinto. Sexto. Finalmente, sétimo andar. O garoto espiou pela janela da sala, constatando que as luzes da casa estavam todas apagadas. Bom sinal, sua chegada iria ser tranquila. Com cuidado, a abriu e guindou o corpo para dentro, fechando-a logo após.

Mal teve tempo para respirar, aliviado, quando o abajur próximo à televisão se acendeu. O Arcebispo se ergueu da poltrona, um cinto em suas mãos. Lançou-lhe um olhar de profunda reprovação, o qual não foi sustentado por Zachary, que baixou a cabeça. Em silêncio, o rapaz tirou o moletom e a camisa, deixando-os cair no chão, indo postar-se de costas para o pai. Não fez careta quando sentiu o couro chicotear suas costas. Uma. Duas. Três. Cinco. Dez vezes. Não emitiu um ruído. Não alterou sua expressão. Sabia que isso irritaria o Arcebispo. Sabia que logo ele recorreria à fivela de metal do cinto para obter resultados.

Na décima terceira chibatada, sentiu o metal afundar em sua pele. O garoto deixou escapar um gemido. Seu pai, motivado pela reação, lhe bateu mais sete vezes. Zachary sentiu as lágrimas encherem-lhe os olhos enquanto o Arcebispo se retirava aos seus aposentos, não dizendo nada além de:

- Amanhã, oito horas.

O garoto também foi ao seu quarto, sentindo as costas latejarem dolorosamente. Ao mirar-se no espelho, constatou que os sulcos provocados pela fivela sangravam. Terminou de se despir e colocou o pijama, deitando de borco em sua cama. Tal tipo de punição era comum em sua casa. Apesar de nunca ter revelado o motivo expressamente, o garoto sabia o porquê do rigor do pai. Sabia que, no momento em que o Arcebispo o aceitara sob seus cuidados, ele havia atrasado sua escalada na hierarquia da Igreja. De que maneira provar para os cabeções da Fé de que merecia ascender? Fácil, diga que cuidar da criança abandonada fora uma missão sagrada. Crie um filho perfeito. Obrigue-o ter as melhores notas. Force-o dedicar-se às atividades da Igreja. Impeça-o de sair para se divertir. Faça com que todos acreditem que ele era perfeito, realmente, um milagre. Ou melhor, que os cuidados do Arcebispo eram dignos de um milagre.

Todo plano, entretanto, possuía falhas. Zachary não podia ser domado vinte e quatro horas por dia. Iria enlouquecer. Ou pior. Sim, pior. A ideia de tirar a própria vida já passara centenas de vezes pela cabeça do garoto. Entretanto, antes de chegar a tal ponto, encontrara um escape. Zachary passou a fugir a noite. Encontrou conforto com pessoas que não eram dignas da presença imaculada do filho do Arcebispo. Com elas, se benzia com líquidos os quais não eram água benta. Ingeria substâncias que com certeza não eram hóstias. Vinho, entretanto, às vezes era presente. Oh, sangue do Senhor.

Zachary socou seu travesseiro. Amanhã, às oito horas da manhã, deveria sustentar o espetáculo de pantomima. Fingir ser o garoto perfeito. Conversar com os estúpidos que perdiam suas horas da manhã para ouvir o Arcebispo discursar. Fingir que rezava junto dos demais, enquanto, em sua cabeça, contava os segundos para sair dali. Ah, se falhasse. Não poderia cometer um deslize. A surra que recebera naquela noite era leve em comparação do que já aguentara. O pai desconfiava do que fazia durante a noite. Entretanto, sabia que seu círculo de conhecidos nunca iria descobrir as escapadas de Zachary, uma vez que não saiam na hora que ele saia e não frequentavam os lugares que ele frequentava. Logicamente, a companhia era completamente diferente.

As surras mais pesadas eram reservadas para ocasiões que colocassem o disfarce do rapaz em perigo. Uma frase mal dita. Uma expressão equivocada. Um gesto mal colocado. Não imaginava o que o Arcebispo faria com ele se, de repente, o garoto desistisse de fingir. Não ousava, tampouco.

●●●

- Ah, Zachary, faculdade de Direito? – perguntou, com prazer, a Sra. Montgomery, uma velhota que frequentava cada missa realizada pelo Arcebispo. A vontade do rapaz era fazer uma careta. Suas costas ardiam e ele se sentia sonolento devido à hora que fora dormir noite passada. Olhar para os olhos da velha decrépita também lhe trazia um pouco de irritação. A Sra. Montgomery era conhecida pela quantidade de fofocas que fazia e por ter herdado uma grande quantidade de dinheiro com a prematura morte de seu marido. Zachary respirava a falsidade que emanava da velha. Sabia que só frequentava a Igreja para manter as aparências. Se havia alguém naquele lugar que acreditava menos em Deus do que o rapaz, esse alguém era ela. Ao invés disso, porém, exibiu o sorriso mais encantador que conseguira fazer, transparecendo felicidade como nunca sentirá na vida.

- Sim, fui aceito na Universidade de Columbia – Disse Zachary, imediatamente assumindo um tom solene e erguendo os olhos para o céu. Interrompeu a fala para fazer o sinal da cruz – graças ao nosso Deus, misericordioso. Tudo foi possível graças à sua vontade. Mas fique tranquila, ainda vou continuar a tocar o órgão.

Terminou a frase com um sorriso brincalhão que arrancou gostosas gargalhadas da senhora. O restante dos fiéis que ainda se encontravam na Catedral lançaram olhares divertidos à conversa. Seu pai, que conversava mais a frente, lançou-lhe um olhar de aprovação. Aproximou-se e o envolveu com os braços, no que parecia um carinhoso abraço paternal. Eu seus ouvidos, porém, sussurrou:

- Você fez o sinal da cruz com a mão esquerda.

Ao se afastar, Zachary fez força para manter o sorriso.

●●●

Naquela noite, o Arcebispo havia usado a chibata. A chibata era especial. Somente era usada quando Zachary cometia algum erro relacionado à religião. Era inadmissível que o filho de tal homem santo pudesse se equivocar em tal matéria. A ambição do Arcebispo exigia que Zachary, como um milagre que era, respirasse a palavra do Senhor e agisse de acordo. Se não seguisse a risca, que fosse pelo caminho da penitência.

Suas costas, já doloridas anteriormente, pareciam em fogo. O rapaz estava cansado daquilo. Tirando aquele pequeno detalhe, ele havia sido perfeito. Inspirava simpatia, confiança e, se atrevia a dizer, desejo dos demais. Um mísero detalhe lhe custara a integridade de suas costas. Fazia tempo que não recebia uma surra como essas. Suas costas haviam sangrado de uma maneira que obrigou o Arcebispo, depois de agredir o rapaz, tratar seus ferimentos com um kit de primeiros socorros para que ele não precisasse ir ao hospital com uma infecção. Isso geraria perguntas constrangedoras.

Zachary esperou. Quando o Arcebispo finalmente dormiu, se esgueirou para seu quarto. Seu pai dormia pacificamente. Mesmo no escuro, o rapaz conseguia ver seu peito subindo e descendo lentamente por baixo dos cobertores. Não parecia que havia acabado de arrancar sangue de seu filho. O garoto apertou a faca com força. Seria fácil mata-lo agora. Poderia dar-lhe um fim. Mas que sentido teria? Ele morreria durante o sono. Não se arrependeria dos próprios pecados. O garoto desceu a mão.

Não contra o pai, mas para a cômoda ao lado de sua cama. Silencioso, abriu a gaveta e subtraiu o molho de chaves que abririam as portas da Catedral. Não iria acabar com a vida do Arcebispo. Iria acabar com seu projeto.

Como uma sombra, se dirigiu ao próprio quarto e se agasalhou, rumando para a sala logo em seguida para saltar pela janela e descer as escadas de incêndio. Já passavam das três da madrugada, mas as ruas estavam estranhamente desertas. Mesmo assim, rumou em direção ao Rockefeller Center, que ficava defronte à Catedral. Pela primeira vez na vida, agradeceu ao pai por ter escolhido morar em um bairro próximo do templo. Fazia bastante frio. Zachary sentia os pés congelarem e seu hálito se condensava a sua frente em forma de fumaça.

Após quase meia hora de caminhada, alcançou seu objetivo. Pela primeira vez na vida, observou a Catedral de São Patrício por espontânea vontade. Nunca havia visitado o local se não fosse por ordem do pai. Agora estava ali em sua liberdade. Apreciou-a por um momento. Era grandiosa. Construída ao estilo neogótico, suas duas torres riscavam o céu de uma forma ainda mais imponente que os arranha-céus ao seu redor.  Era incrível como não havia ninguém ali guardando o local, um dos maiores pontos turísticos da cidade. Talvez pensassem que Deus protegeria sua santa casa. Não de Zachary.

Encontrando uma porta lateral, o rapaz lutou um pouco com o molho de chaves até acertar qual era a correta para destrancar a fechadura. Ao adentrar a Catedral, pôde novamente reverenciar a arquitetura do local. O teto se erguia muitos metros acima de sua cabeça. As colunas seguiam dispostas paralelamente em direção ao altar principal, no fundo do templo. Era grandiosa. Tanto esforço feito em nome de um deus. Era culpa de um deus que nem ao menos acreditava que ele sofrera tanto. Não somente ele. Atrocidades atrás de atrocidades foram, e são, cometidas em nome de deuses. Era muita hipocrisia. O ser humano não devia buscar justificativas do divino para fazer coisas que eles mesmos tinham vontade de fazer. Colonizar. Conquistar. Controlar.

- É tudo culpa sua – disse, aproximando-se do altar principal. Atrás dele, havia uma pequena estátua de Cristo crucificado e, pendurado no altar, pintado no pano, havia uma bela imagem do rosto sereno de Jesus com os olhos fechados. A última coisa que esperava era que fosse acontecer era receber uma resposta do filho de Deus.

- Não, a culpa é toda sua.

Zachary saltou para trás. Seu coração veio á boca. Por um momento absurdo, pensou que a pintura de Jesus havia lhe respondido. Concluiu que seu pai devia estar acordado e o seguiu para ver o que estava a aprontar. Virou-se, porém a Catedral continuava deserta. Tornou os olhos para a pintura, incrédulo. A imagem parecia estranhamente borrada, como se fumasse embaçasse a sua visão, alterando a obra de arte. No lugar de um rosto de Jesus, contemplava três rostos iguais de uma bela mulher de cabelos escuros.

- A culpa é sua – repetiu a imagem, confirmando a absurda suspeita do rapaz de que a tela havia falado com ele. Os rostos o encaravam com solenidade, havia algo de compaixão em seus olhares. Era como se sentissem pena.

- A culpa é minha? – questionou Zachary, arregalando os olhos, ainda não acreditando que estava conversando com uma obra de arte – É minha culpa que ele me bate quase todos os dias? Minha culpa que tenha que viver em uma mentira?

- Sim, Zachary, é sua. Todo ser humano tem caminhos a trilhar, opções a fazer. Cabe a cada um agarrar as oportunidades que são apresentadas. Escolher um caminho é essencial.

- Eu não tive outra opção, não tive outro caminho! – berrou o garoto. Por algum motivo, aquele comentário o machucara. Encarou as três faces da mesma mulher que o observava. Havia algo de familiar em sua expressão. Os olhos escuros. As curvas nos cantos da boca. O rapaz levou a mão aos próprios lábios, muito similares aos da imagem.

- Não? Existem várias coisas que você poderia ter feito, Zachary. Dar queixa à polícia. Fugir de casa. Revelar a mentira. Tirar a própria vida. Ou a vida de seu pai. São caminhos que se você tivesse tomado, talvez sua vida tivesse sido um pouco menos pior. Mas não, você ficou imóvel, apático. Diante da encruzilhada, ao invés de seguir viagem, você se sentou e aguardou. Você não tentou mudar seu destino, você apenas o aceitou.

O garoto sentia como se tivesse recebido um soco no rosto. A figura misteriosa havia desenterrado os receios de Zachary, seus arrependimentos. Coisas que ele pensara em fazer, mas não tivera a coragem. O rapaz sentiu as lágrimas saltarem de seus olhos. Como era possível que aquela pintura soubesse tanto sobre ele?

- Quem é você? – murmurou depois de minutos de silêncio – Como você...?

- Eu sou Hécate, deusa da magia, da bruxaria e das encruzilhadas – interrompeu a deusa, fitando o garoto com interesse – Neste lugar, há dezoito anos, eu me deitei com seu pai e concebi seu filho, na mesma noite.

Várias coisas naquela frase beiravam ao absurdo. O garoto, cético como era, se sobressaltou ao ouvir a palavra “deusa”. “Magia” e “bruxaria” também não pareciam tão reais para ele, mas como poderia questionar, se naquele exato momento, estava conversando com uma pintura feita em um pedaço de pano? Também nunca ouvira falar de um ser humano que conseguisse dar a luz logo no mesmo dia da concepção.  Mas não foi isso que lhe chocou.

- Se deitou com meu pai... Então quer dizer...

- Sim, criança. Eu sou sua mãe. Naquela noite, o Arcebispo quebrou seus votos comigo. Ele é seu pai de sangue.

Zachary a observou, perplexo. A surpresa, entretanto, passou a dar lugar à raiva. Não poderia ser. Depois de todos esses anos, o pai nunca lhe dissera que era realmente seu pai. No fundo, sempre atribuiu o tratamento que o Arcebispo lhe dava ao fato de ser adotado. Uma criança indesejada, que alguém abandonara na porta da catedral e que ele se viu na obrigação de cuidar. Nem ao menos compartilhavam o sobrenome. Mas não. Era assim que ele tratava seu próprio sangue.

- C-como você... – murmurou Zachary, furioso – ele é um monstro! Como você pôde desejar esse tipo de pessoa?!

- É tão estranho assim que a deusa da magia se interesse por um sacerdote? – perguntou Hécate, um sorriso entretido crispando-se em seus lábios. Parecia se divertido com a reação do rapaz – Magia sempre será magia, não importa do que a chame. Os seres humanos sempre mascararam seu poder atrás da religião, menino. Magia sempre foi a exteriorização da vontade e da crença da humanidade. É mais fácil canalizar essa vontade se você acredita em algo maior, algo com que você possa explicar o sobrenatural, mesmo que ele não tenha explicação. Seu pai tem poder, garoto. Esconde-se atrás da máscara de seu deus cristão, mas sua palavra atinge centenas de pessoas que vêm para este lugar somente para ouvi-lo falar. Você tem ideia que tipo de influência ele pode exercer sobre pessoas? Isso é poder.

- N-não, eu...

- Mais do que isso – interrompeu Hécate, fitando Zachary com interesse – ele foi capaz de criar uma das maiores ilusões que já vi para os parâmetros de um mortal. Ele criou um ser humano perfeito. Ou melhor, a ilusão de um ser humano perfeito, do filho perfeito. Sim, Zachary, talvez a maneira com que ele tenha lhe tratado seja abominável, mas julgar esse tipo de coisa está fora de minha alçada. O que posso reconhecer é que ele teve a capacidade de fazer com que todos ao seu redor acreditassem que um garoto praticamente quebrado por dentro fosse íntegro. Você é capaz de negar a capacidade de seu pai quanto a isso?

O garoto não podia negar. Nem falar, tampouco. Observava, desconcertado, as três faces de sua suposta mãe. Ela não somente tinha conhecimento do tipo de tratamento que vinha sido conferido a ele, mas congratulava as ações do Arcebispo. Ela estava genuinamente impressionada com as ações dele.

- Por quê aparecer agora, então? – Questionou Zachary, sentindo as mãos tremerem. Não sabia o que sentia. Um misto de raiva, perplexidade e um pouco de medo eram alguns sentimentos que conseguia identificar no fundo de sua mente.

- Depois de anos, Zachary, você finalmente escolheu se mover. Admito que demorou um pouco mais do que eu esperava, porém aqui está você. Talvez não tenha sido a melhor opção, mas o parabenizo por fazê-la. Por chegar aqui, eu lhe ofereço três caminhos.

As três cabeças se projetaram para frente, como se pretendessem sair da pintura. Foi o que aconteceu. Do pano, a figura de uma mulher com três cabeças emergiu, postando-se de pé em frente a Zachary. Em suas mãos, e deusa ostentava duas tochas, que lançavam luzes oscilantes na catedral escura e projetavam sombras fantasmagóricas no lugar. Ela vestia uma túnica negra. Sua imagem ainda parecia meio borrada, como se seu corpo inteiro fosse circundado por névoa.  Com um gesto gracioso, ela brandiu as tochas primeiro à sua esquerda, depois à direita e finalmente à sua frente. Nos lugares que apontara, uma densa névoa se espiralou, erguendo-se um pouco mais alta que Zachary, tomando a aparência de três portais.

- Agora, meu filho, você deverá fazer uma escolha – Disse Hécate, contornando os portais e pondo-se ao lado de Zachary. Ela apontou para o primeiro portal, anunciando – Se escolher o portal da esquerda, você será levado para casa, como se nada tivesse acontecido. Seu pai nunca saberá que você escapuliu durante a noite. Entretanto, você notará uma melhora em sua maneira de agir. Perceberá que ele não vai lhe tratar da maneira como vem fazendo. O caminho da direita levará ao caminho que buscou ao vir aqui. Você vai encontrar a maneira de destruir o projeto de vida de seu pai.

- E o do meio? – perguntou Zachary, ao constatar o silêncio da deusa. Ela lhe sorriu. O garoto sentiu um formigamento estranho na boca do estômago, uma sensação quase desconhecida. Quase nunca recebera alguma demonstração real de afeto em sua casa.

- O caminho do meio – continuou a deusa, fazendo um aceno com a mão. O rapaz notou que sobre o altar, no lugar em que era colocada a bíblia durante as cerimônias, um grosso livro encadernado em couro aparecera. Junto dele, uma faca prateada, semelhante àquelas usadas para sacrifícios em certos rituais pagãos – o levará para um lugar seguro. Livre de monstros e outras coisas que possam vir a lhe ameaçar. Lá, você encontrará seus semelhantes, outros filhos de deuses.

- Nenhum monstro ou coisa do tipo me ameaçou antes – disse Zachary, descrente. Ainda que estivesse na presença de uma deusa, crer em monstros era outra história.

- Magia, criança, é algo que não é tão fácil de ser explicada. Existem certos tipos de lugar que possuem poder. Lugares que servem como refúgio. Lugares os quais as pessoas depositam suas esperanças, suas crenças, seus desejos, sua fé. Você passou a maior parte de sua vida aqui, neste templo. Também ao lado de um homem que, apesar de todos os defeitos, vive sua vida em nome de um deus. Nem mesmo eu tenho respostas para tudo. Mas a fé humana sempre gerou resultados exteriores. Um ato divino? O próprio poder do ser humano? Não sei dizer, mas a fé de seu pai e daqueles que frequentam este lugar, com certeza, protegem este lugar e, com isso, a você também.

O garoto permaneceu em silêncio. Por alguns longos minutos, o único som que havia dentro da catedral era o crepitar das tochas da deusa, que observava Zachary com interesse, como se ansiasse para saber qual seria sua resposta. Em sem interior, a coisa que mais desejava era fugir. Mas sua vida seria tão ruim assim se o pai parasse com suas agressões? Mas então, tudo que o pai lhe fizera passaria impune. Um sentimento de vingança o impedia de escolher o caminho da esquerda. O portal da direita o atraia. Talvez não fosse viver a melhor vida, mas teria a satisfação eterna de ter frustrado o plano de seu pai.

O garoto já se encaminhava para o caminho à direita, quando palavras soraram em sua cabeça: “você não tentou mudar seu destino, você apenas o aceitou”. Ele ergueu os olhos para a deusa, que lhe sorria calorosamente, como se soubesse da decisão que acabara de tomar. Sem dizer uma única palavra, o garoto apanhou a faca prateada no altar e se dirigiu a um pedaço de parede lisa próxima, bem a vista de todos que entrarem na catedral. Ali, talhou:

"Meu nome é Zachary Dewin e meu pai é o Diabo."

Achando que precisava dar maior dramaticidade, desenhou um enorme pentagrama embaixo. Hécate o observava em silêncio, um sorriso divertido trespassando seus lábios. Acompanhou com os olhos o garoto adiantar-se, colocar o grimório embaixo do braço e se dirigir ao portal do meio.

- Muito sagaz. Ao mesmo tempo em que irá fugir da vida que odeia, conseguiu uma maneira de abalar os planos de seu pai. Se me permite dizer, escolheste uma frase realmente inteligente. Ao mesmo tempo em que quebra a ideia de ser um filho perfeito, ao danificar as paredes deste templo sagrado, você vai de encontro aos ideais cristãos ao usar o nome de seu diabo e se proclamar como seu filho. Se o Arcebispo fosse o homem santo que afirma ser, e seu filho fosse um milagre, isso nunca aconteceria. Não somente, ao afirmar que seu pai é o diabo, você está colocando uma mensagem para aqueles que conseguirem interpretar, dizendo que seu pai não é um homem tão bom assim. E, claro, as pessoas realmente acreditarão que foi você quem escreveu a frase, pois apenas seu pai e alguns outros possuem as chaves para a catedral e somente você terá desaparecido na manhã seguinte. Realmente, bastante inteligente. Você não escolheu um caminho, mas dois deles. Ou, como prefiro acreditar, o seu próprio. Parabéns.

Zachary a observou. Notou que ela parecia extremamente satisfeita. O olhar de pena que ela lhe dirigira mais cedo não estava mais lá. Agora, pela primeira vez na noite, pôde constatar que a deusa parecia orgulhosa ao pousar seus olhos no filho, como se sua resposta a agradasse imensamente. Se fosse realmente filho da deusa das encruzilhadas, nada mais justo do que escolher seu próprio caminho.

- Essa é sua interpretação – disse Zachary, cruzando o portal do centro, dentre aqueles que sua mãe lhe apresentara.

- Muito bem, Zachary Dewin, filho de Hécate.
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Silvia Kawasaki em Dom 05 Fev 2017, 01:57


Avaliação


Zachary Dewin:
Olá, Zachary. Seja bem-vindo(a) ao nosso querido Pejotinha! Vamos à sua avaliação! Pelas cracas na barba de Poseidon, garoto, você escreve bem demais! O que eu posso dizer?Houve apenas dois errinhos, coisa de digitação mesmo, deslizes que em nada afetaram sua narrativa. Me intrigou desde o início, quando se recusou a explicitar as características psicológicas. Adorei o suspense e adorei a forma como você conduziu a história. Foi incrível! Espero que essa história floresça naturalmente como o jardim que você deseja que ela seja. Sem mais elogios a tecer, meus parabéns!

Ave, Zachary Dewin, reclamado como filho de Hécate!


Dúvidas, reclamações, dicas ou qualquer coisa em que eu possa ser útil, basta contatar por mp.

Aguardando atualização
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por 127-ExStaff em Dom 05 Fev 2017, 15:13


atualizado!

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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Kirstie C. Mason em Qua 08 Fev 2017, 17:53



   
   
   








Ficha de Reclamação
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Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Macária. Dentre todos os deuses disponíveis no fórum ela é a melhor que se encaixa na trama criada para o personagem. Também é uma deusa bastante interessante.  

Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas)

Henry é um rapaz com uma beleza bastante comum. Seu maxilar é quadrado dando um ar sexy nessa região. Seus cabelos possuem um tom castanho escuro assim como a cor de seus olhos. Suas sobrancelhas são um pouco arqueadas deixando ele com uma cara mais séria quando não está sorrindo. Possui um metro e sessenta e sete, sendo considerado baixinho para sua idade(17). Seu corpo possui músculos um pouco definido devido ao seus treinos na época em que vivia no acampamento. Sua pele é um pouco morena, sendo considerado pardo.

O garoto é uma pessoa adorável e amável com todos. Sempre bastante humorado o garoto não gosta de ver ninguém ao seu redor triste. Ele nunca gosta de tomar frente das situações por achar que é um péssimo líder. Apesar de não ter sido reclamado isso nunca o abalou psicologicamente como a maioria dos indefinidos do acampamento.

História do Personagem

A casa estava perfeitamente limpa, como se alguém raramente ficasse lá, ou apenas ia para dormir, o que não seria estranho já que seu pai era um cientista e passava a maior parte do tempo fazendo pesquisas. Henry olhou para a estante da sala e viu algumas fotos de quando era pequeno.  

Segurou um dos quadros e um pequeno sorriso surgiu em seus lábios. Por mais que tivesse crescido no acampamento desde o seus seis anos ele tinha boas lembranças de seu pai. O garoto se sentou em uma das poltronas do local enquanto tirava um pouco do pó daquele quadro.  

Tudo naquele local ficou nostálgico fazendo Henry se lembrar do dia em que teve a conversa com seu pai. Lembrou do momento em que lhe foi revelado ser filho de uma deusa, sobre o mundo mitológico. Para ele aquilo, naquele momento, soou como algo bom, afinal a maioria das crianças sempre sonham em ser heróis e aquilo era o mais próximo para ele.  

Conforme crescia no acampamento foi aprendendo ainda mais sobre esse novo mundo, o que não o fez crescer com raiva ou ressentimentos de seu pai, afinal sabia o quão perigoso era para ambos viverem juntos. Por fim sorriu e colocou o quadro em seu devido lugar.  

Resolveu que iria esperar por um tempo na esperança de que ele voltasse. Mas aquilo havia sido uma perda de tempo. Esperou por umas três horas e nada. Então decidiu ir dar uma volta por long island para matar o tempo mais rápido.

Tudo naquela pequena cidade parecia ser extremamente calmo. Nenhuma sinal de monstros ou perigo. Não conhecia o lugar direito, então o máximo que poderia fazer era caminhar pra conhecer melhor.

Ao passar por um beco Henry ouviu uma voz clamar por socorro, de imediato retirou sua faca da bainha na cintura e correu em direção a voz sem hesitação. Mas quando menos esperou recebeu uma pancada em sua nuca, o fazendo cair desacordado no chão.

O rapaz foi recobrando seus sentidos pouco a pouco. Pode perceber que estava em uma sala branca repleta de luzes em cima dele. Sua tentativa de levantar foi falha, seus pulsos e seus pés estavam presos, e ele estava completamente nu em cima de uma maca.

— Alguém?! — Gritou o rapaz. — Onde eu estou? Como eu vim parar aqui?

Uma figura ao fundo da sala começou a se movimentar até a direção da maca. Henry forçou sua visão para melhor enxergar e pode perceber um rapaz alto se aproximar dele. Um jovem ruivo e de olhos negros, sua pele era extremamente pálida e com sardas pelo seu rosto.

— Você é tão bonito, sabia? Foi uma pena ter que te nocautear daquele jeito. — Ele aproximou seu rosto perto do ouvido do garoto. — Poderia ter abusado de você inconsciente, mas não curto muito incestos. — Riu debochando.

— O que você vai fazer comigo? Por que me trouxe aqui?! — Questionou ao ruivo. — O que quer de mim?

— Eu? Não quero nada. — Ele apontou para uma grande vidro na frente da sala. — Mas ele pode te responder.

Uma luz se acendeu no vidro. Foi então que o indefinido notou um homem de cabelos grisalhos, de aparentemente quarenta anos. Ele apertou um dos botões na enorme mesa a sua frente e então sua voz ecoou por toda a sala.

— Bem vindo ao meu laboratório, Henry. — A voz soava familiar para o garoto porém não recordava de imediato. — Não se preocupe, não irei lhe machucar... — Um silêncio predominou mas logo foi interrompido pela voz do homem. — Filho.

— Pai?! O que é isso? Por que estou aqui? — Questionou o garoto.

— Desde o dia em que te mandei para o acampamento eu comecei minhas pesquisas com essas coisas. Sabe o quão injusto isso é? Só alguns serem escolhidos, só alguns terem sangue de deuses. Dai eu pensei, por que não fazer as pessoas escolherem se querem ou não essa vida? Mas infelizmente nenhum sobreviveu aos experimentos. Então irei testar em você, meu preciso filho, o sangue do meu sangue. — Riu por um momento e então se dirigiu ao ruivo. — Pegue o sangue da górgona que você capturou ontem e faça o seu trabalho.

— Isso é insano! Você não sabe com o que está lhe dando! — Gritou Henry tentando se soltar da mesa. — Você vai se arrepender disso com os resultados, quando souberem o que faz, você será caçado.

A luz do vidro se apagou e o ruivo caminhou até uma pequena mesa com rodas e a levou para mais perto de onde Henry estava. Ele colocou um par de luvas e pegou uma seringa com um líquido meio esverdeado.

— Relaxa, Henry, não vai doer nada. — O ruivo enfiou  agulha no braço direito do garoto e injetou o líquido fazendo com que ele arfasse de dor. — Bom, pelo menos não em mim. — Riu.

As veias do braço do rapaz começaram a ficar negras e a pele na região começou a ficar acinzentada. Henry gritava com a dor do líquido entrando em seu corpo, se debatia ao máximo tentando se soltar. Pouco a pouco ele ia se acalmando e parando de bater, assim como sua pulsação ia cessando. Sua braço voltou a normal, porém já não existia mais vida naquele corpo.

— Doutor, ele morreu, assim como todo o resto. — O ruivo olhando para o vidro.

— Leve ele para o necrotério. Afinal ele já não tem mais utilidade para nós. — Disse sem remorso.

E foi o que o ruivo fez. O deixou na sala com vários outros cadáveres, e totalmente sem iluminação.

Henry se via caindo em lugar totalmente negro, como se estivesse dentro de uma caixa. Aos poucos a velocidade da queda ia diminuindo até ele simplesmente estar flutuando, o que foi o suficiente para ele conseguir ficar em pé no imensidão do nada.

Uma voz surgiu na escuridão. Era calma, suave e ao mesmo tempo empostada e totalmente feminina. Ela passava paz para o garoto a cada palavra pronunciada.

— Henry, meu filho. Finalmente chegou a hora. — Disse a voz.

— Filho? Quer dizer que você é minha mãe? Macária? — Pronunciou Henry totalmente confuso.

— Sim, sou a sua mãe. A deusa da boa morte. — Macária mantinha seu tom suave. — Me perdoe por não ter lhe reconhecido antes. Mas creio que tudo aconteça no momento certo. Tudo que aconteceu nesses anos foram para te tornar uma pessoa melhor e mais sábia, para não cair na perdição como esse seu irmão. — A imagem do ruivo surgiu.

— Então quer dizer que ele é seu filho... Agora a parte do incesto faz sentido. — Comentou. —Tudo bem não ter me reconhecido, eu não guardo mágoas, mãe. Afinal deuses tem seu trabalho e o contato com seus filhos é raro. Então o que fazemos aqui? — Questionou.

— Seu pai foi longe de mais, Henry. Suas experiências mataram muitas pessoas, inclusive o próprio filho. Mas essa ainda não é a sua hora. Irei te trazer a vida novamente você tem que pará-lo. Mas antes deverá ir para o acampamento novamente e treinar seus novos poderes.

Naquele momento uma luz rosada surgiu em volta do garoto. Em seu corpo surgiu um manto o cobrindo por completo, um par de botas cobriam seus pés, e em suas mãos surgiram duas adagas.

— Obrigado. Mãe. — Disse Henry sorrindo.

— Agora você deve sair dai. Você está no caminho da luz. No caminho certo. Mas não se esqueça que as sombras são aliadas.

O rapaz acordou no necrotério. Respirou fundo tentando recuperar o fôlego que a um tempo havia sido tomado dele.  Ele observou todo o local e concluiu que não poderia sair dali sem que todos pudessem ver ele fugindo.

Ficou pensando nas falas de sua mãe, tentando encontrar uma maneira de se ajudar. A frase que ficava em sua mente era "As sombras são aliadas". Notou então que ao fundo da sala ela era ainda mais escura, já que a pouca luz que passava por baixo da porta atingia só o começo da sala.

Caminhou em direção a escuridão e sentiu como se ela o abraçasse, quando notou já estava do lado de trás do laboratório. Já era por torno de umas nove da noite e o local estava bastante escuro mas nada que pudesse impedir ele de enxergar um caminho para fugir. Por fim ele correu para longe do lugar em direção a cidade.

Abre sz:
Bom, algumas coisas que ficaram em aberto eu irei explicar na minha primeira diy, como o ruivo, as experiências do seu pai, e como o sangue de górgona o afetou fisicamente.

Item usado no teleporte para fora:
{Embrace} / Manto [Manto leve, de um tecido negro e fluido. Apesar de não fornecer bonificações efetivas na defesa, seu efeito permite ao usuário teleportar-se pelas sombras. A distância permitida por viagem equivale ao nível do semideus x10 em Km (no mínimo 1/ 10 desse valor por viagem). Permite até 3 usos por missão. Há uma chance de falha na localização final caso não se conheça o lugar a ser visitado. Pesquisas, imagens, fotos e similares podem reduzir isso. Não é possível atravessar barreiras mágicas com este poder.] {Tecido} (Nível mínimo: 1) {Nenhum elemento} [Recebimento: Presente de reclamação de Macária]

A descida pro inferno é fácil.
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Silvia Kawasaki em Qui 09 Fev 2017, 01:17


Avaliação


Henry Von Helsen:
Olá, Henry. Seja bem-vindo(a) ao nosso querido Pejotinha! Vamos à sua avaliação! Olha, eu gostei da sua história, de verdade. Parece ser um tanto interessante e espero que você a desenvolva realmente bem nas próximas postagens. Devo ressaltar, porém, que você pareceu correr um pouco em alguns momentos. Por exemplo, eu gostaria muito de ter lido uma descrição mais detalhada do efeito do sangue de górgona ou da reação à primeira conversa com Macária, mesmo que ele aceite a ausência dela. Mesmo assim, foi uma história boa e que foge do padrão "reclamado --> acampamento", o que me agradou demais. Minha dica é que você explore mais as emoções do seu personagem e dê uma revisadinha no texto para não deixar alguns errinhos passarem, ok? Então...

Ave, Henry Von Helsen, reclamado como filho de Macária!


Dúvidas, reclamações, dicas ou qualquer coisa em que eu possa ser útil, basta contatar por mp.


atualizado!
moms demé passou por aqui. ♥
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Adam Lancastrian em Qui 09 Fev 2017, 19:13

- Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?
Nemêsis, encaixa com a trama e história do personagem, bem como a minha história como player no fórum

- Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas)
Físico
Cabelo escuro, olhos mais escuros ainda, 1,85m de altura, corpo levemente robusto, uma cicatriz é evidente no seu rosto, chegando na altura dos olhos e começando próxima ao maxilar, a mesma não é tão saliente, porém visivel claramente.

Psicológico
Muito quieto e moderadamente tímido, sempre evita contato com outros humanos a não ser que isso seja realmente necessário, apesar de tudo tem bom coração e procura sempre o melhor para aqueles que o cercam.

- História do Personagem

Crescendo em orfanatos, suas fugas já se tornaram frequentes, o garoto não conhecera sua mãe e seu pai o abandonara quando ainda bebê, sabia o nome do indíviduo, mas não fazia muita questão de lembrar-se dele.

Sua única lembrança clara de seu pai estava estampada em seu rosto, uma cicatriz que lhe atravessava a beleza, não muito profunda e já gasta pelo tempo, mas mesmo sabendo que a causa dela era seu pai, não tendo ideia do como ou porque disso, não guardava rancor devido à ela, o que lhe soava estranho cada vez que se olhava frente à um espelho.

Quando não estava nos orfanatos estava tentando levar a vida nas ruas de NY, missão que cumpria com certa facilidade contra todas as expectativas.

Sua calma e frieza diárias foram bruscamente interrompidas.

Era uma manhã de sábado, próximo ao central park, não haviam muitas crianças, talvez devido ao horário. Estava um pouco frio e nublado, nada que a blusa leve e com poucas cores de Adam não resolvessem.

Vender jornais para uma banca fora seu mais novo negócio, infelizmente. Tendo o mundo de notícias o tempo todo em seus celulares e computadores, as pessoas já não tinham tanto interesse no papel, como todo dia dizia o velho Oakfried, imigrante dos anos 50 com a barba branca por fazer e dono da velha banca da praça.

-Havia um tempo que as pessoas davam bom dia umas às outras rapaz! Acredite se quiser - Falou o velho.

Adam não tinha muitos interesses na conversa de seu empregador, procurou concentrar-se em suas falas complexas e duradouras voltadas ao público que passava:

-Jornal!!! Ó o Jornal!!!

Era um serviço estressante e que nada combinava com seu estilo quieto e retraído, o rapaz não era lá o melhor vendedor de todos os tempos, mas algo despertara sua curiosidade naquele dia, jurara ter visto esqueletos andando em pleno central park, devia estar alucinando, já que pessoas estavam passando por aquele local e não ouvira nem sequer um grito ou espanto dos que passavam, ou talvez fossem fantasias, normal.

Curiosamente vira novamente um pequeno grupo atrás de algumas árvores, seriam três ou quatro, movido pela curiosidade largou os jornais no estande e caminhou na direção deles.

-Oh rapaz, se for no banheiro de novo vou descontar dos seus trocado, tá de sacanagem já?

Ignorando o murmúrio clássico agressivo do velho continuou na direção, aproximando-se com olhar fixo na região que jurava ter visto algo, passo a passo seguiu curioso.

Assim que aproximou-se pode notar, não havia ninguém em seu redor, não estava mais no central park, de repente o ar era mais denso, suava frio, uma mão lhe puxou pela boca.

-Apenas observe - Era uma voz fria e estranhamente paralizante, sua visão voltara diferente, estava paralizado, como em um flashback onde ele não pertencia àquela cena o jovem viu.

Era um homem lutando com algum tipo de monstro gigante, nevava muito, não demorou para que visse um bebê, jogado com uma toalha não muito longe de onde o corpo do homem lutava bravamente com um humanóide que dava o dobro do tamanho e o triplo da espessura do pobre guerreiro.

Tentava interferir, queria ajudar, não se movia, aquilo crescia dentro dele, repentinamente gelo caia de aparentemente lugar nenhum, um cristal gigante de gelo, indo na direção do bebê com sua toalha, o homem se jogara por cima no que se desvencilhara da criatura, seu corpo serviu como escudo humano, mesmo assim sangue saía do bebê, um pequeno corte atravessava seu rosto, o monstro avançava contra os dois, seria o fim.

Estava de volta em NY, o central park estava ali, os esqueletos que jurava ter visto eram apenas árvores mais velhas e mal cortadas, com o pequeno porém que havia uma mão em sua boca.

-Fui eu que fiz isso à ele. - Disse a voz

Ao virar-se abruptamente Adam desferiu um golpe veloz contra a voz que lhe sussurrava, em vão cortava o vento no meio do parque.

O sentimento de ódio e fúria lhe eram agora incontroláveis, não pensava, não agia, apenas sentia, tudo escureceu de repente.

-Deseja vingança meu querido? - Uma voz feminina lhe ecoara.
-Anseio mais que tudo - Respondera rapidamente, sem nem saber como
-Isso prova quem você é.
-Mas.. Mas... Quem é você?
-Nêmesis, sua mãe

Acordara no banheiro do parque, estranhamente longe do ponto onde estava, não sabia explicar nada, exceto o ódio que o corroía por dentro, precisava saber mais.
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Re: Ficha de Reclamação

Mensagem por Amy Delacour em Sab 11 Fev 2017, 12:00


Amy 
Delacour

Ficha de Reclamação
Thanatos


Por qual deus deseja ser reclamado, por quê?

Eu desejo ser reclamada por Thanatos porque a cor é muito bonita porque eu gosto da ideia da diferença entre personificação e deus, e acho que com Thanatos, dá pra explorar BEM esse lado, além de ter uns poderes/armas iniciais legais pra trama que combinam com a maravilhosa deusa Amelie. Acho que é isso mesmo.


Perfil do Personagem

Psicológicas: Amelie é uma garota que viveu na pele o cárcere e a falta de afeto, tornando-se uma pessoa fria, porém necessitada de atenção. Vive à beira da insanidade constantemente, como se estivesse na beirada do penhasco. Ao lado de seu amado, é capaz de fazer qualquer loucura para agradá-lo. É extremamente inteligente, devido aos anos de leitura e estudo, mas facilmente coagida, principalmente por Jack. É vulnerável, visto que estabilidade mental não é uma das características que compõem a loira.

Físicas: Com um metro e sessenta e cinco de altura e alguns quilinhos a menos para fazer o gênero gostosa, Amelie faz o típico estereótipo europeu. O rosto fino empalidecido contém traços finos e delicados. Olhos não muito grandes que contemplam tons azuis como a água caribenha, nariz arrebitado e lábios quase finos que frequentemente apresentam um sorriso largo, exibindo dentes perfeitamente alinhados. Seus cabelos são quase brancos, na altura do sutiã. O corpo é esguio, sutilmente atlético, de quem passou anos fazendo ginástica.



História
Amy Delacour

1997 — Atualmente
a filha da morte

1997 — Primavera



Uma mulher chorou dentro do hospital de Montreal. Silêncio. A criança chorou de volta. Mais silêncio.

— É uma menina!

Anunciou o médico. Todos pararam para olhar o bebê, como se fosse a única coisa que importasse no mundo. Não era difícil de perceber que, se caísse o teto sobre eles, fariam de tudo para manter a menina viva. Observaram seus olhos de cor tão cristalina e profunda, que era destino, todos se perderiam por ali. Era quase careca, exceto por fiapos claros como a lua que parecia abençoar seu nascimento. Chorava com força, como quem lutasse contra a morte. Pobre garotinha chorona. Gravidez de risco, parto de emergência. Estava mais próxima da morte do que ela jamais imaginaria

— Ela não está reagindo — Gritou a enfermeira. E nem iria. Enquanto sua mãe jazia morta, o bebê perdera atenção. Certa do que faria, a mulher, vestida com uma capa escura como ébano, que aparecera na sala assim que ouviu o choro da recém nascida, pegou-a em seus braços e quando notada por uma das enfermeiras, sumiu ali mesmo.


2002 — Primavera


— Parabéns pra você nesta data querida... — Sua mãe cantava em frente à cinco velas brancas enquanto Amelie sorria.

— Hoje que eu vou sair daqui, mamãe? — Falou assim que a música acabou, enquanto mexia no chantilly do bolo com o indicador. Estavam em uma casa, mas Amy vivia no porão, com paredes de ferro. Não entendia o real motivo, aquela que a criara nunca dissera nem uma palavra sobre isso.

— Não querida, mas olha o que eu trouxe para você! — Mostrou uma grande coleção de bonecas que distraiu a garota.


2012 — Primavera



Fazia meses que não via sua mãe. Recebia comida por um buraco e vez ou outra ganhava alguns livros, que mantinham a loira entretida. Aos poucos, as paredes foram se tornando pequenas para sua humilde coleção, composta de enciclopédias, línguas, dicionários e todos esses livros que eram constantemente descartados por se tornarem ultrapassados. Sabia de cor e salteado sobre as guerras mundiais, saberia montar todo e qualquer tipo de arma, cozinharia para um casamento se fosse o caso. Teoricamente. Aprendera pelo menos quatro línguas e, se ler livros fosse o suficiente, estaria formada em psicologia.

— Amelie, Amelie, Amelie, no que tanto pensas? — Falou sua mãe, divertida, trazendo um bolo e uma pequena caixinha.

— Quando vou sair daqui? — Questionou, as orbes azuis refletindo a pouca luz do local.

— Assim que você fizer 18 anos, Amelie. Vou lhe entregar para alguém que saiba domesticar você.

As palavras alcançaram a criança com força, porém, ao invés de surtar ou chorar como gostaria de fazer, riu, como se ouvisse a piada mais engraçada da história.

— É isso que eu sou? Uma aberração? Um animal de circo? — Gritou em plenos pulmões, assustando a mulher que, devido aos anos, não se defenderia se atacada. — Eu quero sair daqui.

— Pois bem, pequena Amelie. Vou lhe entregar meu celular. E você pode escolher qualquer contato ali e pedir ajuda. Todos sabem o que você é. Escolha com sabedoria.

Surpreendida com a resposta, tomou o celular bruscamente e começou a buscar nos contatos um nome de seu interesse. Jack N. Kerr. Piscou. E mais uma vez, toda risonha, discou seu número.

— Algum problema, Pamela? — Disse a voz, e nos segundos seguintes, pode ouvir que o homem se afastava de um local barulhento para poder lhe escutar melhor.

— Jack? É a Amélia. Preciso de ajuda — Pediu, baixo, esperando que soubesse quem era, de forma receosa.

— Ora ora ora. Até que enfim. Estou indo lhe buscar. — Prestou atenção na forma presunçosa de falar, rindo, como se aquilo fosse esperado. — Querida? — Perguntou, respondendo com uma interjeição curta — Mate-a. Ela não merece ficar viva depois do que lhe fez. — A ligação caiu, ou ele apenas desligou na sua cara. Mandou sua localização e encarou a mulher, que esperava sentada, os olhos faiscando. Entre obedecer um estranho ou ficar na companhia de alguém que estava com muita raiva, optou pela primeira opção, tomando a faca que usara no jantar como sua arma. A velha, no entanto, não tentou se defender. Não clamou por perdão, até parecia aproveitar a forma com que falecia. Acolheu a morte como sua igual, embora, mesmo que nenhuma das duas soubesse, era sua maior inimiga.

Ao soltar o corpo no chão, não sentiu raiva, remorso ou rancor. Sentiu-se ainda mais feliz, embora não soubesse o que fazer no tempo em que esperaria Jack. Encarou a caixinha que estava na mesa e a abriu, suspirando ao perceber que era apenas mais uma das armas que havia pedido. Subiu as escadas e passeou pela casa, com luzes que queimavam seus olhos.

Curiosa como era, abriu cada gaveta na casa, carregando consigo um revólver prateado e um bastão de baseball. Encontrou, sem demora, o armário de onde saiam suas roupas, que resolveu trocar. Optou por uma regata branca e calça jeans preta, buscando também uma jaqueta. No final, vagou pela casa na torcida para encontrar algo mais bonito do que os tênis desgastados que recebia, encontrando, em um quarto que parecia inabitado por anos, saltos. Colocou-os e se admirou no espelho, questionando mentalmente o porquê de tanta preocupação com sua aparência. Abandonou o pensamento quando encontrou maquiagens, objetos que recebia com raridade, maquiando-se sutilmente antes de ouvir a campainha.

— Já vou! — Gritou e correu para a porta, com cautela para destrancá-la, com o taco empunhado em sua mão esquerda. Encontrou o visitante encostado na batente, com os lábios formando um sorriso aberto. Perdeu o ar por um momento, ao analisar o rapaz. Com pelo menos 20 anos, Jack era bem mais alto que ela, com aspecto cadavérico escondido por baixo da camisa social branca e da calça escura. Seus olhos eram azuis e tão profundos que poderia se perder ali, como poderia. O nariz era pontudo e o sorriso era estonteante.

— Olha garotinha, sem querer ser rude — Resmungou de má vontade, sem tirar o sorriso dos lábios — Está frio. Ou você me convida para entrar ou vamos logo.

— Você é o Jack? — Questionou, ainda atordoada. Esperava alguém... Mais velho, só para começar. Ele parecia ter saído de uma propaganda cara, a pele aveludada, os lábios vermelhos naturalmente, as bochechas rosadas, os fios de cabelo perfeitamente alinhados.

— Jack, Joseph, Joe, como preferir. As pessoas me chamam de Joker. — Assentiu abrindo passagem para o rapaz. Quando ele entrou – o barulho do sapato social ecoando frio no chão, fechou e trancou a porta da casa, parando no meio da sala. — O que fez com Isley?

— Matei-a. — Ele riu, e, aproximando-se dela rapidamente, colocou as mãos em seu rosto como se fosse beijá-la. Tentada com esse pensamento, deixou-se levar.

— Boa garota, muito boa. Mas... Vamos conversar um pouquinho. — Soltou-a repentinamente e sentou na cadeira que se localizava na ponta da mesa, colocando os pés em cima do tampo. Seguindo-o incerta, e sutilmente desapontada, sentou-se próxima aos pés dele, com a ideia de que, se sentasse em uma cadeira, pareceria mais indefesa do que já estava. Pousou o taco em seu colo, depois de cruzar as pernas e encará-lo, novamente observando todos os detalhes de seu rosto e imaginando como seria estar em seus braços que agora estava cruzados em seu próprio colo. Podia ver o peitoral pelos botões abertos e, antes que pensasse mais do que deveria, o rapaz lhe cortou — O que você sabe?

— Teoricamente? — Falou, certa de si, sem esperar sua reação — Sobre muitas coisas. — Encarou o rapaz, que acenou para que ela continuasse. Queria impressionar, mas começou a falar coisas simples, que estudara com afinco — Sei sobre armas, qualquer uma. Montar e desmontar. Mitologia. História. Geografia. Matemática. Sei quatro línguas. Moda. — Cada item levantava um dedo — Sobre você, nada. Sobre aquela senhora, menos ainda. Não tive contato com ninguém. Hoje é meu aniversário.

A última sentença saiu automaticamente, e ela tapou a boca assim que terminou, fazendo com que o rapaz levantasse uma sobrancelha com uma risada solta saindo pelos lábios entreabertos.

—  Parabéns? Bom, preciso que confie em mim. Vou lhe contar minha história. — Falou, enquanto ela se levantava e ia até a cozinha. Quando voltou com suas mãos ocupadas com dois copos cheios de água, viu que ele abaixara as pernas, e direcionara seu corpo para a mesa, colocando braços esticados e mãos entrelaçadas próximos ao pequeno corpo que já se encontrava sentado no mesmo local de antes, virada totalmente para ele. — Nasci em Londres, e não muito diferente de você, cresci em uma cela de um hospital psiquiátrico. Até que Pamela me resgatou. Eu tinha onze anos. Ela me manteve em outro lugar por quatro anos até que me apresentou uma pessoa que fez de tudo para que eu me tornasse o oposto do que sou hoje. — Riu sem humor — Quando fiz dezessete, fui enviado para o acampamento meio-sangue, e lá fui treinado até que matei meu rival. Fui renegado. E bom, ninguém nunca mais quis eu por lá. Vim para o Canadá e Isley me encontrou. Fez-me jurar lealdade em troca de proteção. Não lhe contei o que aconteceu nos Estados Unidos e nem que eu não era o bom garoto que ela criou. Quando soube de você, quis lhe resgatar na hora, mas não tinha sua localização. Até hoje. — Ele sorriu. Amelie, no entanto absorvia suas palavras em choque e suspirou. — Você já pode perguntar, se quiser.

— Certo. Quantos anos você tem? Que lugar é esse? Que treino é esse? Por que você queria me resgatar? — Falou rapidamente, os olhos azuis arregalados e um sorriso imperceptível surgindo em seus lábios. "Nem que eu não era o bom garoto que ela criou." A frase cintilava em sua mente com curiosidade. Ao beber a água, uma gota escorreu pelo canto de seu lábio, que Jack limpou instintivamente, causando certo arrepio na garota.

— Tudo bem, por partes — Ele lhe disse, sem esperar a garota se recuperar no toque — 22. Acampamento Meio-Sangue. É um local pra gente como a gente. Filhos de deuses com humanos, sabe? Enfim...

— Desculpa, acho que eu perdi alguma coisa

— Você estudou mitologia certo? — A loira acenou — Lembra de Perseu? Hércules? Teseu? — Fez que sim novamente — Somos como ele. Eu sou filho de Athena. Não sei quem é seu pai, mas vamos descobrir.

— Como você sabe que era meu pai?

— Porque sua mãe morreu quando você nasceu.


2012 — Verão


Amelie acordara depois de ouvir algo na cozinha. Encarou o relógio e se levantou, observando ao redor. Havia três semanas que Joseph a salvara de sua prisão. Levou-a para sua casa, uma mansão enorme, de decoração extremamente singela. Tudo, desde as paredes até os mais pequenos itens encontrados em aparadores estavam em escala de cinza. No quarto em que fora hospedada, nada era mais escuro que o tom de grafite presente na parede que acomodava a cama.

Quando o barulho retornou, saltou da cama, colocando apenas uma camiseta – que ele lhe emprestara para dormir, já que seu pijama estava coberto de sangue e ela deixara em seu cativeiro –  e caminhou até lá, no porte de uma faca. Desceu as escadas na ponta dos pés, caminhou até a cozinha e lá, encontrou o loiro contra a porta, as costas encostadas na bancada em ilha.

— A HÁ! — Amelie gritou e se abaixou quando viu que ele se virara apontando uma arma prateada.

Cacete, garota. — Falou baixo, quase abafado pela risada estridente da menina, que já havia se levantado e tentava, com muito custo subir onde o rapaz estava anteriormente apoiado. A casa era obviamente feita sob medida pra ele, já que todos os moveis eram altos demais. Ele trocara de posição, dessa forma, encarava os movimentos que, mesmo sem sua intenção, eram graciosos. Cansado de vê-la sofrer, deu um passo em sua direção com as mãos em sua cintura. Sorriu ao ver que ela trancara a respiração e se aproximou ainda mais, levantando-a e colocando na bancada — Não é hora de criança estar na cama, Amelie?

Seu hálito fresco bateu contra sua pele, de forma com que ela conseguisse sentir o cheiro de cigarros mentolados. Seu cheiro amadeirado levemente coberto pela nicotina. Podia sentir sua mão lhe prender com força e sem perceber enlaçou as pernas na cintura do mais velho, que soltou o ar entredentes. Viu que ele lhe puxou contra seu corpo e aproximou-se mais ainda.

— Eu não sou mais criança. — Riu de leve, segurando o queixo do loiro. Ele não se deixou levar e logo soltou seu quadril, prendendo o rosto da garota com força entre os dedos. Estava machucando, mas ela não ousaria lhe falar. Ganhou um beijo rude e sentiu ele lhe soltar bruscamente, quase arremessando a cabeça dela para trás.

— Vá dormir. Não quero ouvir choro de criança tão cedo. — Ouviu, e sabia que ele estava rindo, mesmo depois de receber a visão de suas costas. Sua frase havia sido ambígua, ela podia perceber. Desceu da bancada devagar e saiu, sem que antes roçasse seu corpo no dele.


2012 — Outono



Amelie ouvia um som alto. Esfriara significativamente, o que lhe causava anseio por ficar mais tempo naquela cama quente e macia. Mas não. Sua mente sempre buscava por mais e mais momentos ao lado daquele que estava sempre entre lhe dar um beijo ou um tiro. Colocou um roupão por cima da camisola que usava e vagueou pela mansão em busca da música. Podia reconhecer Bach de longe, e continuou se aproximando até alcançar a batente da porta que estava escancarada. No meio de uma sala gigantesca, coberta de armas de todos os tipos, havia um piano de cauda, preto e finamente lustrado, sendo tocado pelo loiro. Parecia confiar no que estava fazendo e esmurrou as teclas quando errou uma nota.

— A culpa não é dele se você não estuda, sabe? — Falou baixo, notando seu desconforto logo que saiu de onde estava para sentar ao lado do rapaz que lhe encarava com incredulidade, como se não soubesse do que estava falando.

— Você não cansa de ser petulante, não é? — Ouviu, abafado pelo som das teclas que voltaram a ser marteladas, ainda por uma composição de Bach. — Por que não está dormindo?

— Poderia lhe perguntar o mesmo, Jax — Tinha doçura em sua voz, de forma perigosa. Ele parara de tocar e a encarava como se fosse lhe matar. Ela no entanto, sorria encalistrada, aproximando-se cada vez mais, sem se preocupar com o risco que corria tão perto assim. Ele ligou o piano, fazendo-o tocar e a puxou pela mão. Por alguns minutos, sentiu que ele não era o rapaz com quem convivia. Ele lhe segurava com carinho e lhe conduzia com calma. Não sentiu o medo que lhe seguia sempre que estava com ele. Nem mesmo a tensão de quando era tocada, sempre entre o limite da agressão. Sentia-se quase protegida. Dançavam pelo cômodo como se fossem um só corpo, ele rindo e ela lhe encarando a todo momento. A música estava para acabar quando ele a soltou de forma rude, quebrando o encanto. Quando acordou do que parecia um sonho, estava arremessada no chão, com a parte de trás de seu corpo dolorida, sozinha.

Voltou para seu quarto, colocou as roupas que comprara recentemente, alcançou sua arma prateada, o cartão e o celular que havia ganhado e saiu porta afora daquela casa que parecia um castelo mal assombrado. Caminhou por horas, e quando notou, o sol já raiava. No meio de Montreal, achou o que parecia um pub e sentou por ali, com a maquiagem que fizera no outro dia borrada pelas lágrimas que estavam decididas em sair.

— Meninas bonitas chorando a esse horário significam apenas uma coisa: namorado. — Ouviu, levantando os olhos com curiosidade, sorrindo logo em seguida.

— Eu não tenho namorado. — Retrucou sem demora, mesmo incerta do que falara. Antes mesmo de voltar a falar, o celular tocou e ela nem pensou para atender, com a voz melosa — Alô?

— Volte para casa, Amelie.

— Eu não quero, Joker. Eu não vou voltar. — Chorou irritada e do outro lado, ouviu um suspiro.

— Vou te buscar.

Não era a primeira vez que ouvia o outro lado da linha mudo. Ele nunca falava muito, mas quando o fazia, lhe causava arrepios.

— Era seu namorado? — O homem perguntou e ela sorriu, dando de ombros. Agora podia notar a decoração do local, cheia de caveiras e foices para todos os lados. — Eu sinto muito garotinha. Pamela foi bem específica com suas ordens. Temos que levá-la ao acampamento.

O rapaz se aproximou sem hesitar, de forma com que Amelie desse apenas alguns passos até ser alcançada. Por reflexo, grudou os dedos na foice grudada na parede, antes de ser erguida do chão. "Isso pesa horrores" Debateu-se até cair, notando que seu revólver caira longe de seu corpo e levantando em um salto com a foice empunhada perfeitamente, como se fosse mágica, já que nunca nem tocara em uma – sua especialidade eram armas de fogo. O homem murmurou alguma coisa, exibindo agora uma espada, que antes era apenas uma bengala. "Aprenda a ver por trás da névoa, ou vai estar sempre em desvantagem" Soava a voz do rapaz em sua cabeça. Não teve tempo de raciocinar o que ele falava, já que a espada já estava quase em cima dela. Defendeu-se com o cabo da foice, logo deferindo um chute no estômago daquele que urrou de dor e raiva. Usou a lâmina para lhe acertar o braço e viu a espada tombar com o impacto. Com o homem caído, caminhou até o brilho prateado que jazia no chão e mirou no homem, respirando fundo e carregando a arma sem muita pressa.

— Não adianta me matar, filha da morte. Seu destino está selado. Seja do nosso lado ou do lado dele.

— Tanto faz. — Zombou, atirando em seu peito.

O som do tiro entrou em sincronia com o freio exagerado do carro. O rapaz, com trajes formais, entrou no recinto e sem parar, atirou em todos aqueles que presenciaram a cena do tiro, cuja qual não seria acobertada pela névoa. Depois, passou o braço pelos seus ombros estreitos, encarando-a com firmeza, enquanto ela guardava a arma em sua cintura.

— Filha da morte. Thanatos. — Ela afirmou, como se fosse um segredo a selar entre os dois. Ele deu de ombros, como se entendesse a citação e o silêncio fez império no recinto. — De que lado nós estamos, Jax?

— Do lado certo, pequena Amy. — Ele a beijou por um momento longo antes de separar seu corpo do dela e oferecer sua mão. — Precisamos ir. — Fez que sim e entrelaçou sua mão na dele, já desarmada, segurando com a mão livre o braço do rapaz, esfregando-se como uma gata sem dono. — Espere no carro, preciso fazer uma coisa.

Caminhou até o banco do passageiro e esperou, feliz. Quando viu, toda a área do bar estava em chamas. O rapaz entrou no carro e deu partida, a encarando. Aos poucos, a risada dos dois preencheu o carro. Com as mãos entrelaçadas, rumaram à casa do rapaz, ela com a certeza de que tinha vivido o último dia normal de sua vida.

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