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ϟ Tempestade órfã [MOPED] — James K. Heiselmann

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ϟ Tempestade órfã [MOPED] — James K. Heiselmann

Mensagem por Simmon Wilem Brandeur em Seg 07 Nov 2016, 16:33

Tempestade órfã
MOPED — James K. Heiselmann — Hécate
Na cidade falida de Detroit, existe um orfanato abandonado, suas paredes manchadas e desgastadas pelos anos em desuso. Contudo, crianças ainda vivem lá, em meio ao descaso. Uma semideusa mais velha e indiscu-tivelmente louca, filha de Hécate, controla o lugar. Ela tem 42 anos e não é necessariamente má, só tem inúmeros parafusos a menos. Ela tenta cuidar dos pequenos da melhor maneira que consegue, mas quase nunca com um grau efetivo de acerto.

Lá, todas as crianças são mortais, abandonadas e mendicantes, maltrapilhas e magricelas. Menos uma. Uma é filha de Zeus e tem apenas 8 anos. É uma garota incrivelmente poderosa para alguém da sua idade, e não tem controle sobre seus poderes, fazendo com que a região circundante ao orfanato fique sempre envolta por nuvens escuras e uma chuva intermitente.

As crianças, apesar de não receberem o tratamento que precisam, amam a filha de Hécate mais do que tudo, pois ela lhes concede um teto, afeto e comida para que não morram de fome. Qualquer um que tentar entrar lá sem ser convidado sofrerá. Quem tentar enfrentar a mulher, sofrerá ainda mais.

Mas alguém precisa resgatar a semideusa e trazê-la até o Acampamento, o lugar onde ela sempre mereceu estar.

PONTOS OBRIGATÓRIOS

— Narre uma introdução coerente e coesa com os fatos acima citados. Fale sobre seu dia e sobre coisas que queira adicionar e que, por ventura, estejam relacionadas com sua trama.
— Descreva com precisão ambientes, emoções, pensamentos, personalidades e ações.
— Narre os pensamentos de seu personagem, também seus medos e dúvidas.
— Escreva um convocamento até a Casa Grande, onde Quíron lhe explicará tudo isso.
— Explique por que, dentre todos os filhos de Hécate, ele escolheu justamente você. Explique também, de maneira plausível, por qual razão você terá de realizar essa missão sozinho. Se quiser acrescentar algo pessoal de sua trama, seja coerente.
— Escolha as armas que quer levar, faça o que tem de fazer, e saia do Acampamento.
— Na sua ida até Detroit, exijo uma complicação mediana. Nada muito complexo, mas sim para fazer com que a viagem não seja simples.
— Ao chegar na cidade falida, você perceberá um acúmulo anormal de nuvens negras em determinada região. Saberá que o orfanato é lá. Siga até ele, de maneira coerente, pois estará distante.
— Ao chegar no orfanato, você tentará a abordagem honesta. Tentará falar por que deve levar a filha de Zeus até o Acampamento. Usará de toda a sua lábia para tentar convencer a filha de Hécate de que aquele não é o lugar apropriado. Enquanto essa conversa se desenrola, todos os outros órfãos te observarão com olhares raivosos e medrosos. Olhares de quem está acuado.
— Em algum momento durante essa conversa, algo dará incrivelmente errado. Narre o quê, por que e como. Sem saber o que fazer, você agarrará a filha de Zeus e tentará correr, fugindo dali.
— As crianças bloquearão seu caminho, te impedindo de sair. Te rodearão como fazem os lobos famintos de uma matilha. Atrás de você, a filha de Hécate aparecerá, ainda mais raivosa e louca, exatamente como uma mãe que se vê sem seu filho mais precioso.
— Enfrente ambos os desafios. Não mate a filha de Hécate, apenas a deixe desacordada. De maneira alguma machuque as crianças! Livre-se delas de alguma forma segura, inteligente e plausível. Não adiantará simplesmente correr, pois elas são mais rápidas que você.
— Tente acalmar a filha de Zeus, pois ela estará confusa e chorosa. As tempestades se intensificarão. Você não conseguirá viajar através do céu.
— Arranje uma maneira de voltar rapidamente até o Acampamento.
— Conte para Quíron o que aconteceu.
— Dê um desfecho criativo para a missão.

REGRAS E INFORMAÇÕES

— Missão one-post externa difícil para James K. Heiselmann.
— Prazo de postagem: 21 dias e uma hora.
— Deixe claro, desde o começo da missão, todos os itens que carrega.
— Lembre-se de que eu estarei avaliando toda a coerência (ou incoerência) das ações narradas por você.
— Clima na hora da batalha e da fuga: céu escuro, chuva forte e trovões, 15º.
— Local: Detroit, no estado americano de Michigan.
— A mulher do orfanato, filha de Hécate, tem nível 30.
— Poderes e armas em spoiler no final do texto.
— Não utilize cores cegantes, fonte pequena e nem templates muito estreitos.
— Avise assim que responder ao post, por favor.


STATUS

James K. Heiselmann | Filho de Hécate nível 13
— 220/220 HP
— 210/220 MP

Mulher do orfanato | Filha de Hécate nível 30
— 390/390 HP
— 390/390 MP
ϟ
Simmon Wilem Brandeur
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USA

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Re: ϟ Tempestade órfã [MOPED] — James K. Heiselmann

Mensagem por James K. Heiselmann em Dom 13 Nov 2016, 21:30


Serious?
Parte Um
A Viagem

Finalmente o treino de arco e flecha com Quíron havia acabado, pelo menos naquele dia. James realmente não gostava de lutar com arco, preferia muito mais ficar vulnerável em um combate corpo-a-corpo com sua adaga ou lança à lutar com um arco. Entretanto era uma atividade obrigatória, e aquele centauro sabia bem como prender a atenção dos campistas durante uma hora inteira de aula.
O semideus havia voltado ao acampamento há pouco menos de um mês, e desde tal dia implorava à Quíron alguma ação, alguma missão. Eu consigo, dizia James, eu fiquei fora mas não quer dizer que fiquei mais fraco ou menos preparado. Contudo aquilo não era verdade e o centauro, devido aos longos anos naquele local, vendo dezenas e dezenas de jovens com desejos e ambições, sabia disso.

- James, poderia vir aqui me ajudar a recolher as aljavas? – Pediu o centauro.
- Sem problema. Aliás, acho que a aula com flechas flamejantes foi um sucesso, - comentou, lembrando do rosto de vários com alegria e excitação ao atirarem flechas em alvos diversos.

Os próximos dois minutos se passaram sem a troca de diálogo entre os dois. O tempo passou enquanto eles tiravam as flechas de seus alvos e avaliavam as que ainda poderiam ser reaproveitadas. Os arcos e aljavas foram guardados, os alvos colocados de lado e o ambiente limpo.
Mas havia algo naquele ambiente que o tornava pesado. Era o silêncio? Talvez. Quíron sempre fora falante, desinibido e receptor, fazendo até o mais constrangido semideus se sentisse confortável em sua presença. O filho de Hécate sabia isso, afinal, se não fosse o centauro que lhe tivesse mostrado todo aquele novo mundo, provavelmente o jovem não estaria ali.

- Quíron, está tudo bem? – Perguntou James. – Algo ruim aconteceu?
- Eu preciso de você na Casa Grande após as atividades na fogueira. – Falou com seu tom de voz calmo e confiante. – Eu só peço que não comente com mais nenhum semideus, não por hora.

Com um leve aceno de cabeça o filho de Hécate confirmou sua presença. Era algo sério que abalara até um dos seres mais confiantes daquele local. O centauro não estava no seu humor normal, estava tenso, contudo não deixava transparecer com facilidade.
O restante do dia transcorreu como todos os outros: repleto com as atividades do acampamento. Contudo o que preocupava Quíron aos poucos preenchia a mente do filho de Hécate. Algo complicado havia feito o centauro se abalar e provavelmente James seria envolvido.

Calma, pensou, só espere até a noite. Ele precisava limpar sua mente e concentrar e outras coisas, e o treino com Pégaso foi o que o ajudou. Técnicas contra monstros mestrado pelos filhos de Hermes, e Artes & Ofícios com os filhos de Hefesto ajudaram o garoto a focar em treinar e ficar mais forte. Desde que voltara tinha fixado essa ideia em sua mente: ficar forte. Aproveitar o horário livre que teria após o treino de natação para aprimorar suas habilidades de filho de Hécate.
Seu objetivo era ficar forte, poderoso. Poder encontrar sua mãe e ser reconhecido, pelo menos uma vez, pelo menos por alguns instantes. Ele não aceitaria ser um dos mais fortes, precisava ser o mais forte. Aquele que os recém-chegados buscariam por proteção e por ajuda. Ele seria o exemplo que trabalho duro supera talento, e que, com esforço, seria alguém grande.

As outras atividades da tarde ocorreram com calma e sem mudanças. Foi necessário um treino intensivo, fazendo o filho de Hécate usar toda sua hora livre, para o cansar e desligar seus pensamentos de tudo. Aos poucos seus movimentos com lança se tornavam mais fluidos e na mesma proporção James se fazia privar de seus poderes, para não ficar totalmente dependente deles. Claro que os treinava, precisava daquilo para ter controle total daquela energia, contudo deveria os manter como um trunfo.
A tarde caía e o tom alaranjado do pôr-do-sol aos poucos dominava o céu no acampamento meio-sangue. E, enfim, após um agradável momento na fogueira, James estava à caminho da Casa Grande. O caminho parecia maior que o normal naquela noite, dando ao semideus tempo demais para pensar em algo que não queria. Não devia tentar prever demais o que viria a acontecer, preferia esperar para avaliar com calma a situação e tirar dela uma solução sensata.


***


Quíron estava na pequena varanda da Casa Grande esperando o semideus. Muito se via do Sátiro e do Deus do Vinho jogar um jogo deveras estranho naquele local, em cadeiras perfeitamente estofadas e uma mesa incrivelmente polida, lisa e limpa. Naquele local era possível ter uma bela vista da imensa floresta do acampamento e isso só animava James cada vez que esse a via.
Sentado em sua cadeira de rodas, na forma humana, estava o centauro. De frente para uma mesa contendo diversas folhas, arquivos e mapas. Havia uma única mesa ali e uma cadeira em que dava de frente para o coordenador do acampamento. Conforme James se aproximava daquele local, o garoto era indicado para sentar-se à mesa.

- James, quanto tempo ficou aqui no acampamento da primeira vez que veio? – Perguntou o centauro.
- Pouco mais de um ano, talvez um ano e três meses. Um pouco mais que isso, creio. – Respondeu, confuso do tempo correto que estivera ali.
- E quando saiu eu lhe pedi duas coisas. Consegue lembrá-las? – Pediu.
- Não me deixar consumir pela ambição. – Falou, sem rodeios. Realmente o garoto era extremamente paciente e calculista, contudo poderia deixar-se levar por caminhos mais perigosos, que o levassem a um fácil poder. – E para voltar caso sentisse que era preciso.
- Eu tenho acompanhado seus treinos. –
Começou, com calma. – E eu digo no plural pois eu vejo que o senhor, James Heiselmann, aproveita cada espaço livre para treinar. Contudo vejo o seu desgaste toda noite à fogueira. Não acha que está abusando demais de sua energia? – Perguntou. Após alguns segundos de silêncio ele continuou, vendo que o semideus não mudaria de ideia a respeito dos treinos. – Não tivemos tempo para conversar depois de sua volta, contudo creio que o senhor não tem muito interesse em o fazê-lo agora. Está aflito com o que tenho à lhe falar?
- Me deixou pensando nisso desde a aula de arquearia. Vamos, Quíron, o que aconteceu? –
Finalizou.
- Direto ao assunto então, perfeito. Em Detroit há um orfanato há muito esquecido, entretanto ainda em funcionamento. A dona do local alimenta e protege as crianças do seu jeito. – Explicou, medindo e pensando cada palavra antes de as pronunciar. – Sua maioria lá é mortal, na verdade todas lá são, com exceção de uma pequena garota de oito anos.
- Vou adivinhar, ela é uma semideusa e precisa de uma carona? –
Ironizou o semideus. – Poxa Quíron, achei que era algo mais complicado. – Disparou.
- Acalme-se, jovem, está quase beirando à conclusão da história. Ela é, sim, uma semideusa, contudo levemente diferente. Seu poder não é proporcional à sua maturidade e isso é um perigo caso ela se perca em caminhos tortuosos. Ela é filha de Zeus, James, o rei dos deuses. – Continuou, enquanto reparava na atenção profunda de seu ouvinte. – E a dona do orfanato é uma senhora filha de Hécate. – Terminou.

Ok, agora está ficando divertido. – Pensou o filho de Hécate. Uma filha de Zeus no meio de alguns mortais seria fácil de distinguir, ou isso era o que o garoto esperava. Pelo menos o local seria de fácil localização, pois se o poder da garota fosse tão grande quanto o mencionado provavelmente o clima a sua volta seria levemente afetado. Entretanto havia aquele dilema: era sua meio-irmã cuidando do local.
Ele mal tinha contato com seus meio-irmãos e irmãs no acampamento. Não era por arrogância, simplesmente pelo fato que preferia ficar sozinho se possível. Era bom ter alguém para conversar e desabafar, contudo enquanto não o tinha ele teria que se contentar em conversar sozinho enquanto limpava e afiava suas lâminas.

- Argos lhe deixaria na estação de metrô se quiser. São quatro trens diferentes e um ônibus até lá e eu admito que é cansativo, contudo não vejo outra saída. – Falou com sinceridade. – Ir de pégaso não parece o meio mais sensato e eu realmente acho que o senhor não possui habilidades tão bem desenvolvidas nessa área. – Finalizou, com um sorriso. Em seguida entregou um bloco de anotações com as linhas que precisaria pegar, todas as suas paradas e estações intermediárias.
- 05:39 da manhã, Quíron? Poxa...- comentou, logo que olhou o primeiro horário de metrô. – Eu acho que consigo me preparar até lá. – Finalizou, virando as costas para o centauro.
- James, eu acho melhor você levar alguém. Eu escolhi você, dentre todos os filhos de Hécate, para essa missão. Eu sei, parece difícil encontrar o caminho certo a seguir e a direção correta a tomar. – Aparentemente ali começaria um discurso e James teria que ouvi-lo, então logo se pôs de frente para Quíron. – Eu quero que você veja como um semideus fica quando se isola, quando acha que pode fugir do próprio mundo. Sim, é assustador, mas todos aqui temos que lidar com isso, todos os dias. Você precisa se entrosar, garoto. Todos nós travamos nossas batalhas quando estamos aqui dentro, todavia não fica mais difícil se confiar num verdadeiro amigo.
- Quíron, eu realmente entendo sua preocupação. Vamos fazer um trato então. Se eu voltar... –
Tratou de corrigir a frase antes que se estendesse demais. – Quando eu voltar, eu prometo conseguir um amiguinho e treinar com ele. Eu realmente preciso fazer isso sozinho. Tenho certeza que o senhor me entende, e tenho certeza que é por isso que me escolheu. – Falou, confiante, o jovem James.
- Volte para seu chalé e arrume suas coisas, garoto. Os próximos dias serão longos e perigosos. – Finalizou. Ele entendera que não haveria argumentação ali e conformou-se.

Aquela noite seria para descansar e se preparar para o dia anterior, contudo o ato de dormir não queria fazer parte dos planos do semideus. Tudo tinha acontecido rápido demais. Há alguns dias dali teria de enfrentar uma filha de Hécate sem saber seu nível de poder e de sanidade. Era um desafio grande, talvez grande demais, e James precisava daquilo para se sentir vivo.
Mentalmente planejava suas rotas e paradas ocasionais. Pegaria a linha Montauk, em Long Island, para a estação Penn, próximo à Amityville. A primeira viagem seria curta, de apenas duas horas, sem requerer alguma parada. Após isso, uma viagem de uma hora até uma parada próximo ao Empire State Building, onde James trocaria de linha e pegaria uma extremamente próxima ao Smithsonian até uma estação próxima ao Capitol Hill, em Washington. Lá o garoto teria uma hora livre para alguma parada e nela trataria de se alimentar e se preparar para o resto do caminho. A próxima viagem seria longa, quase doze horas até a última estação. Por fim, já bem próximo de Toledo, após sua segunda grande parada, pegaria uma linha de ônibus até a estação de Detroit. Era um imenso planejamento, um dia de viagem de ida e outro para a volta. Precisava que tudo desse certo, quanto mais rápido fosse, mais rápido voltaria, pois perigos para semideuses fora de barreiras mágicas não são nada incomuns.
Eram apenas duas paradas, antes e após longos períodos atravessando estados dos Estados unidos. Haviam sim, outros caminhos, contudo a troca frequente estações seria mais seguro. Qualquer coisa que tentasse farejar o semideus teria a chance de se perder ou errar seu percurso, o que deixava o filho de Hécate realmente aliviado. E, em meio à tantos planejamentos e nervosismos às duas da manhã, o jovem por fim cedeu ao cansaço e desabou na cama.


***


04:50 da manhã. James acordou num salto já olhando para o céu temendo ter dormido demais e perdido seu horário. Claro que haviam outros períodos e outras linhas, contudo quanto mais cedo fosse mais poderia planejar e antecipar sua volta. Olhou para um relógio próximo, ainda dentro do chalé e viu que, em 50 minutos. Em pouco tempo estava pronto para sua jornada, temeroso e definitivamente nervoso. Ele normalmente ignorava seus sentimentos para deixar a razão prevalecer, pensar muito bem antes de agir. Entretanto naquela missão precisava de emoções, sinceridade, se quisesse trazer aquela criança sã e salva para o acampamento.
O garoto não usaria a camiseta do acampamento naqueles dias. Teria de se misturar bem no trajeto até Detroit e tentar chamar pouca atenção. Se preparou colocando uma camiseta cinza de mangas curtas da mesma cor de seu boné, num tom mais escuro que o normal. Suas calças jeans e botas eram de tons extremamente escuros, estas últimas totalmente pretas. Por fim, um casaco leve marrom com seus detalhes brancos. No bolso direito da calça alguns dólares americanos, em torno de vinte, para emergências.

Seria uma viagem longa, então seria melhor levar poucos equipamentos. Levaria consigo a adaga do acampamento, guardada escondida na bota do pé direito do semideus. Seu tamanho não era exagerado, logo não dificultaria os movimentos do garoto, além de ficar completamente coberta pelo cano, pouco maior que o normal, da bota que o jovem usava. De cima de sua cama guardou em seu bolso dois itens que à primeira vista eram bem comuns: Um pequeno caderno de capa dura e espirais contendo, presa em suas molas, uma caneta. Dois itens que James achava necessário levar naquela empreitada.
Uma lança e um grimório ali camuflados, sempre voltando para o bolso do garoto. Realmente, era ótimo ter aquilo. Em seguida deixou, em seu bolso, um saquinho de veludo que, em sua forma normal, se tornaria um “kit” de itens para herbologia. James duvidava que fosse precisar de algo relacionado, contudo não havia porque se preocupar com um item tão pequeno que não o atrapalharia em nada.

Dali, foi em direção ao pinheiro que protegia o acampamento. Por instinto pensou que ali estariam Argose e Quíron à sua espera e, realmente, lá estavam. O centauro estava em sua forma de híbrido de cavalo e homem, levando consigo uma bolsa de couro com detalhes em preto. Enquanto isso estava Argos, postado à seu lado, com uma jaqueta de nylon azul-escura escondendo o que vestia por baixo. Quieto e atento, seus diversos olhos faziam James suar cada vez que o via.
O garoto então se aproximou, cumprimentando os dois com um leve movimento de cabeça. À sua frente havia um Ford Crown Vic, um carro simples, numa cor clara, usado pelo motorista do acampamento. Este indicou para que James entrasse, contudo Quíron deteve o movimento do semideus segurando seu ombro.

- Nessa bolsa há alguns dracmas e dólares americanos. Um pouco de comida e algumas garrafas de água. Cuidado, James. Não fique muito tempo parado em nenhum lugar e sempre atento na viagem. – Comentou. – Um pequeno kit de primeiro socorros está aí dentro, nada muito complexo, contudo pode vir à ser útil.

James então partiu até a primeira estação. Durante a viagem nada conversou com o homem que dirigia. Não era falta de assunto, era a real, nua e crua timidez que não o deixava interagir com ninguém. Então, durante o caminho, postou-se a pensar na sua viagem de volta. Precisaria de um meio para voltar que não fosse o transporte público. Seria demorado demais e relativamente cansativo.
No pior dos casos, teria uma criança machucada e seu próprio corpo para cuidar e realmente não gostaria de esperar um dia inteiro pulando de ônibus e ônibus. Todavia sua mente aos poucos se recordava de um meio de transporte utilizado por semideuses. Era algo antigo que envolvia três irmãs e alguns dracmas. Entretanto aquilo era, no momento, tudo que James se recordava.


***


Então, sua primeira parada. Todo o percurso até a primeira estação, até a qual James estava postado havia lhe tomado em torno de sete horas, somando seu deslocamento até a estação e as baldeações feitas durante o trajeto. Estava agora em Washington D.C., na estação Union. James teria uma hora para se preparar e enfrentar uma viagem que duraria, pelo menos, doze horas, até Toledo.
Entretanto havia algo que preocupava o semideus desde que entrara na primeira estação. Alguma figura estranha sempre se postava próximo à ele, descia com o garoto e trocava uma conversa com uma segunda figura. Essa então embarcava junto com James e o ciclo se repetia, até a localidade atual. Poderia ser somente um pressentimento ruim, contudo seria bom planejar algo caso fosse preciso. A estação que estava era repleta de lojas e pessoas trafegando, então se suas suspeitas estivessem corretas, caso se isolasse seria abordado.

No cenário mais ruim seria um monstro atrás dele. Caso, James precisaria lutar. Sete horas em um ônibus somente com uma garrafa de água e um par de sanduíches de pasta de amendoim com geleia não o iriam sustentar por muito tempo, teria de se alimentar. Tentaria gastar pouco e em último caso o dinheiro que Quíron lhe dera. Queria ter algo sobrando caso seus planos não dessem certo e ele precisasse improvisar alguma coisa.
Na estação haviam diversos tipos de restaurantes e pequenos bares com lanches diversos. Diversos daqueles locais eram desconhecidos por James, e o que mais lhe parecia calmo era uma pequena cafeteria: Einsten Bros. Bagels. Lá o jovem pôde saciar sua fome com um volumoso sanduíche de frango e refrescar-se com um suco de laranja recém espremido.

E lá estava a figura. Uma mulher extremamente bela de cabelos negros, cujo corpo estava coberto por um largo e pesado sobretudo de couro batido, na cor marrom. Quando seus olharem se encontraram com os do semideus ela tratou de levantar, às pressas, e sair do local com um passo manco, porém preciso.
Empousa, pensou James. Duas pernas diferentes que causavam um movimento parecido com o que havia visto naquele instante. Ele realmente estava sendo perseguido e agora tinha certeza que uma batalha havia de ocorrer ali. O local estava, aparentemente, repleto de mortais que podiam ser facilmente feridos indiretamente durante um duelo.

James, então, tratou de seguir a figura de sobretudo. Ela tinha noção que estava sendo seguida, indicando isso toda vez que aos poucos dava breves espiadas para trás. A empousa levava o garoto para uma armadilha e disso ele tinha certeza. Precisava pensar em como não ser pego, contudo não perder o monstro de vista.
A empousa rumava para a parte traseira da estação, mais silenciosa e desocupada. Foi então que finalmente parou e se virou, de frente para o semideus, abrindo seu sobretudo. Era possível ver, em um short que ela usava, o par de pernas característico daquele tipo de monstro. Não portava arma alguma, pelo que ele podia observar, e aparentemente não tinha intenção nenhuma de batalha.

- Um semideus com um cheiro tão forte como o seu não deveria estar sozinho tão longe da creche. – Falou, rindo. – Filhos de Hécate tem esse cheiro diferente, acho delicioso. Entretanto hoje não sujarei minhas belas mãos, divirta-se com meu amiguinho. – Terminou, enquanto saía correndo.

James a seguia enquanto a via dobrar por um dos cantos do prédio, contudo antes que pudesse continuar eu trajeto, o monstro mais amedrontador que havia visto até então estava ali em sua frente. Às histórias, contos e descrições faziam jus à sua aparência. Corpo híbrido de humano e leão com uma cauda espinhosa. Seus olhos eram de cores diferentes, castanho e azul, enquanto sua cauda era a maior cauda de escorpião que aquele semideus havia visto.
Uma batalha aconteceria ali, e cabia ao filho de Hécate termina-la rápido para não causar efeitos colaterais na população mortal ali presente. O local estava vazio exceto pelos dois duelistas, contudo não demoraria muito até algum funcionário aparecer e James ter que inventar alguma história coerente e rezar pela ajuda da Névoa.
Sacou rapidamente sua caneta e em instantes, em sua mão, estava em posse de uma bela e poderosa lança. Deixou sua bolsa de lado e partiu para a batalha. Aquele monstro era resistente e poderia ferir James gravemente com um simples ataque. Por dedução, preferia ser atingido por suas garras à sua cauda, que provavelmente conteria um veneno extremamente poderoso.
O manticore não possuía arma alguma exceto seu próprio corpo. Era mais alto que James e muitas vezes mais forte, fisicamente, que o semideus. O garoto precisava contar com uma estratégia de batalha útil e definitiva caso quisesse terminar aquilo logo. Se desse um deslize sequer, seria morto.


***


Antes que James pudesse ter qualquer iniciativa de ataque, o monstro partiu para cima. Mesmo pesado e com o corpo repleto de músculos, seus movimentos eram rápidos. Entretanto James havia treinado por tempo suficiente para não ser abalado por aquilo. Aproveitou um terreno firme e aberto para saltar para o lado esquerdo e, com sua lança na mão direita, golpear o peito do atacante. Quando postou-se novamente em pé pode ver um corte longo, contudo não profundo, no local que havia mirado. Aquilo não era o suficiente, precisava pensar.
Ambos estavam aparentemente numa plataforma de embarque. James deduziu isso pelos trilhos que haviam de seu lado direito e pela porta com a escrita “funcionários” à sua esquerda. Algo para carga? Talvez. Teriam menos tempo então, contudo uma carta na manga. A pele do monstro era dura e resistente, dificilmente deixaria passar, com facilidade, um golpe de lança direto, visto que o semideus não tinha a força física necessária. E se atirasse o monstro contra os trilhos? Era realmente uma boa ideia, contudo estavam ali há alguns minutos e nenhum sinal de trem.

Dois planos atuais. Batalhar com o monstro até derrota-lo sem a ajuda de fatores externos, ou enrolar até um trem aparecer para tentar utilizar de seu momentum contra a criatura. Enquanto se perdia pensando em como derrotar seu oponente, relaxou por instantes e isso o fez se ferir. O manticore avançava em sua direção pronto para um golpe com seu ombro ou braço, James não havia conseguido decifrar. Contudo, quando achou que havia desviado ao recuar seu corpo, o monstro dobrou seu braço e golpeou o peito do semideus com o cotovelo.
A dor foi intensa e o jovem foi arremessado alguns metros de distância, felizmente sem chamar maiores atenções. O golpe fora certeiro e mesmo que não fosse com toda a força do monstro, havia causado um belo dano. A região irradiava dor e a cada movimento do semideus os músculos do local se contraíam. Provavelmente aquilo deixaria uma marca que demoraria a passar.

A batalha não podia se estender por muito tempo. James estava ferido e o cansaço pesava em seus ombros. O ferimento fora mais sério que pensava e cada movimento lhe provocava agulhadas intensas de dor no local, fazendo-o suar frio.
O animal, monstro ou qualquer coisa do tipo, estava confiante agora. Dava urros graves e batia com sua mão fechada no peito. Seus olhos emanavam cólera e de sua boca escorria saliva, mostrando toda sua raiva. Foi então que tudo se encaixou.  Ainda meio abalado o semideus conseguiu ver, ao longe, uma linha de trem se aproximando. Se tivesse o timing perfeito, conseguiria executar seu plano. Ele está confiante, pensou, vai ser fácil distrair esse merda.

Seria necessário ferir a criatura um pouco para despertar sua raiva e o fazer focar na batalha. O jovem teria de buscar energia para um poder, um dos primeiros que aprendera após ser reclamado, se quisesse que seu plano funcionasse. Respirou fundo e segurou com força sua lança, canalizando energia na ponta de seu dedo indicador da mão esquerda, enquanto que, com a direita, segurava sua lança.
Foi então que atacou, correu até o monstro e fez seu ataque. A criatura contraiu seus músculos das pernas para talvez desviar e atacou o ar com sua cauda em provocação. Quando James estava a poucos metros do monstro, usou sua energia para canalizar um poder que lhe permitiria lançar um feixe de luz. Quando o fez, a criatura se viu cega e sem ação, golpeando o ar à sua volta. Aproveitando disso, o semideus saltou para o lado e com sua lança golpeou, agora com real força, a perna esquerda do monstro, talhando um corte profundo.

O som do trem se fundia com o urro de dor da criatura. Havia uma pequena brecha ali até que o monstro recuperasse sua visão, e James precisava aproveitar. De costas para o trilho, o garoto se preparou. O monstro, com a visão em processo de recuperação, avançou com toda sua cólera. Contudo, aquele seria seu último movimento. James, com um giro de corpo, desviou e com o cabo de sua lança golpeou as costelas do monstro com força, fazendo-o cair nos trilhos.
O que se sucedeu fora brutal. Uma colisão entre aquela gigantesca massa metálica em alta velocidade contra a criatura. James só ouviu um urro de raiva antes do monstro se desfazer em pó dourado e o garoto virar de costas para avaliar o ambiente. O local, graças aos deuses, estava ainda vazio. A adrenalina aos poucos desaparecia e a dor aumentava na mesma proporção que o cansaço aparecia.

A batalha havia durado pouco, provavelmente menos de cinco minutos, contudo o cansaço era grande. O semideus não estava triste, pelo contrário estava animado e empolgado. Era sua primeira real batalha em tempos e ele havia ganhado sem se precipitar ou se ferir muito. Entretanto não devia se deixar levar pela confiança ou teria o mesmo destino daquele monstro. Um turbilhão de emoções rondava a mente do jovem e agora era hora de cuidar dos ferimentos. Esperava ele que naquele kit de primeiro socorros houvesse um pouco de néctar.


***


Felizmente James estava correto. Uma Pequena porção de néctar e ambrosia estava ali disposta. Não eram grandes quantidades, na verdade se o meio-sangue realmente ingerisse o que fosse preciso provavelmente não sobraria nada e, portanto, não o fez. Uma pequenina porção de ambrosia e alguns goles de néctar já eram suficiente. Seu ferimento não melhoraria por completo, continuaria com pequenas agulhadas, leves e suportáveis, fazendo o semideus se contentar com o resultado.
Havia sido uma batalha rápida, com um misto de sorte e paciência. Dessa vez o garoto não se deixou levar totalmente por instinto e emoções, tratou de visualizar um cenário agradável para o desfecho daquilo. Era realmente complicado manter a calma em uma batalha em que sua vida estava em jogo, entretanto caso não o fizesse os resultados poderiam ser catastróficos.

O resto da viagem se sucedeu cansativo, porém à salvo. James se deteve frequentemente a observar suas costas e arredores, buscando a empousa que poderia ter seguido o garoto após a batalha. A segurança de uma viagem longa com uma quantidade enorme de mortais a sua volta não era o suficiente, logo James percorreu todo o percurso até Detroit com sua caneta às mãos.
Sua segunda grande parada não fugiu dos padrões. Tinha parado, comido, caminhado pelo local em busca de perigos maiores e descansado até sua próxima viagem. Por sorte nada de ruim acontecera, ou nada que James tivesse visão pelo menos. Finalmente, após um longo tempo de viagem chegara até Detroit. A viagem havia demorado um pouco e quando alcançou o coração da cidade já passavam das oito horas da manhã. Seu objetivo agora era localizar o orfanato e, quanto mais rápido possível, resgatar a garota.

Ao pensar nisso, James direcionou sua mente para a viagem de volta. Eram três irmãs que pilotavam o veículo, disso ele tinha certeza. Aos poucos suas lembranças voltavam e o garoto ficava mais aliviado. TRÊS IRMÃS CINZENTAS. Teve uma epifania. Havia ouvido de semideuses que retornavam de missões sobre o uso de alguns dracmas jogados em uma estrada que trariam um transporte mágico. Era disso que ele precisaria para a volta. Seria rápido e eficiente, mas lembrar do que faltava era o que lhe perturbava.
Estava postado frente à estação de Detroit enquanto pensava nisso. Pensando que talvez desse certo, jogou um dracma no chão e esperou algo acontecer. Nada, de lado algum. Devia haver algum tipo de prece ou pedido para o automóvel se aproximar. Contudo, não podia perder muito tempo. 6:30 da manhã era o que indicava o relógio da estação.

A temperatura do ambiente estava tranquila, em torno dos 27 graus celsius. O céu limpo e sem nuvens, entretanto...Havia uma certa discrepância naquele clima. Uma parte da cidade, muito pequena, um raio de cinto metros talvez, estava totalmente diferente. Era distante, contudo seu contraste com o clima atual fazia a mudança saltar aos olhos.
James respirou fundo e aos poucos entendeu o que se sucedia. Nuvens escuras e chuvas contínuas se destacavam em um clima limpo e confortável. Quíron havia mencionado a intensidade precoce do poder da filha de Zeus na mente do filho de Hécate as coisas finalmente se encaixaram. A aura da criança, tão forte quanto era, alterava o clima à sua volta. A inexperiência fazia-a modelar o clima e isso poderia ser perigoso.

James estava distante, mas poderia chegar durante um tempo de caminhada. Seria atrapalhado pelo trânsito e talvez fosse necessário pegar algum ônibus de circulação interno. Por sorte, às suas costas e preso na parede da estação, havia um diagrama com as linhas de ônibus da cidade. Ele sabia que o orfanato aparentemente ficava à leste, contudo localizar no mapa era uma tarefa um pouco mais complicada. Para o azar do garoto, às suas costas no momento que tentava desvendar o diagrama, passava o ônibus que instantes depois James esperaria para tomar.
Demorou alguns minutos para se localizar, habilidade que nunca dominara, e, por fim, decidiu qual linha seria melhor pegar. Demoraria pelo menos uma hora, calculando os desvios e paradas ocasionais. Chegaria na casa por volta das dez horas da manhã. James já tinha seu plano em mente. Conversaria um pouco com a dona do local e tentaria avaliar sua relação com as crianças, principalmente com a filha de Zeus. Conforme a intimidade desta com a filha de Hécate, haveria algumas formas de abordá-la sem assustar ou causar grandes conflitos. O caminho era longo e tomaria aquela uma hora inteira para pensar.


***


James K. Heiselmann
Filhos de Hécate
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Re: ϟ Tempestade órfã [MOPED] — James K. Heiselmann

Mensagem por James K. Heiselmann em Dom 13 Nov 2016, 21:43


Serious?
Parte Dois
O Encontro

Se estivesse bem cuidada e tratada, aquela casa seria algo extraordinário. Tinha um amplo quintal e jardim, ambos cercados por um muro baixo com cercas, algumas tortas e outras enferrujadas e gastas, de ferro. Um pequeno portão ornamentado dava para um simples e usado caminho de pedras cinzas e achatadas que seguiam até a casa. Com seus dois andares e realmente longa, conseguia abrigar fácil uma quantidade alta de pessoas. Janelas com diferentes adornos e algumas com cortinas, outras com venezianas e até uma pequena sacada, cobriam as paredes da casa.
O telhado era baixo e dividia cor com os adornos das janelas e da porta da frente. Era um marrom escuro, um pouco gasto com telhas caídas, algumas quebradas e outras apenas deslocadas. As paredes e muro, outrora amarelos já haviam perdido sua cor há tempos. O desbotado e pequenos musgos cobriam lugares aleatórios das partes descritas. Durante o dia era realmente uma casa a ser admirada, mesmo antiga e “abandonada”, contudo à noite provavelmente seria algo amedrontador.

O sol das dez batia na casa e revelava algumas rachaduras e manchas do tempo. Era uma casa, sim, descuidada, entretanto o interior poderia estar tão conservado que tudo virasse uma antítese gigantesca – pensou o semideus. O garoto respirou fundo e avançou. O pequeno portão de ferro estava aberto, então seguiu seu caminho, não se preocupando em fechá-lo. Na porta, um pouco abaixo de um olho mágico, no centro da porta, havia uma pequena argola de ferro para bater à porta. Enferrujada e suja, era a última opção do garoto para ser notado. Apenas bateu duas vezes na porta e aguardou.
À porta, em poucos instantes, havia uma pequena garota ruiva. Tinha provavelmente seus seis anos e vestia um simples vestido azul com flores laranja. Sardas cobriam a zona superior de suas bochechas e seu nariz. Era magra e alta para a idade. Olhou James de cima a baixo algumas vezes e paras às costas do garoto, procurando uma segunda pessoa.

- Olá meni...senhor. – Falou, se corrigindo. – Precisa de alguma coisa?
- Meu nome é James. Eu vim à procura da senhora que cuida de vocês. –
Explicou o semideus.
- Ah, Ivana. Ela está na cozinha, eu vou chamar ela. – Antes que James pudesse contestar, se viu de frente para uma porta fechada em seu rosto.

À seu lado, postado num dos adornos da janela à sua esquerda havia um corvo. Olhava James e mexia sua cabeça em diversos ângulos. Não era jovem, pelo que James podia observar, contudo também não demonstrava sinais de velhice. Na verdade, se observasse bem, haviam corvos demais naquela casa. Pelo menos uns quatro no telhado, uns dois espalhados pelo muro e aquele, na janela. Ele sabia da ligação dos filhos de Hécate com o animal, mas uma quantia daquela em uma casa que sua meio-irmã morava há tempos era realmente suspeito.

- Senhor...corvo? É loucura minha ou você me entende? – Perguntou, inocente e levemente animado para ouvir o animal.
- Larry, mas gostei da parte do senhor. Seu cheiro é parecido com o dela, sabia? Vocês tem uma aura parecida. – Falou o corvo. Tinha a voz rouca e fraca, mas entendível pelo garoto.
- Então é verdade, você me entende. Eu devo me preocupar com esse local? – Perguntou.
- Ela nos cuida há tempos então não espere nenhum segredo ou algo do tipo. – Disparou, deixado claro seu posicionamento. – Ela tem bom coração, mas muito tempo no isolamento e protegendo o local a tornou meio confusa, perdida. Escolha bem suas palavras quando falar com ela. Qualquer deslize e ela pira. – Finalizou.

James sabia que o diálogo havia acabado quando o corvo voou da janela para o muro, se juntando com seus companheiros. Ela havia cativado os corvos tempo suficiente para deixá-los confortáveis ao redor da casa e, provavelmente, provendo informações e segurança para os residentes. Caso fosse inspecionar a casa em busca de entradas e rotas de fuga, seria visto e provavelmente delatado. Precisava planejar bem sua estratégia caso quisesse voltar mais tarde.
Então, a porta abriu. A primeira coisa que saltou a seus olhos fora um robe roxo, desbotado e rasgado em alguns lugares. Pantufas da mesma cor e cabelos numa mescla de cinza, preto e branco estavam presos em um coque no alto da cabeça, levemente frouxo. Olheiras rasas estavam abaixo de seus olhos, esses que tinham a cor verde. Sim, os olhos. Eram belos e profundos, transpareciam sabedoria, porém também sofrimento.

- O que quer aqui, semideus? – Perguntou. Sua voz era rasgada, como o raspar de um garfo de alumínio em um prato de cerâmica. Seus olhos percorriam o semideus várias vezes enquanto esperava alguma resposta e procuravam algo atrás deste, qualquer perigo que fosse. Frequentemente no acampamento sentia auras e energias vindo de semideuses, sentindo seus poderes. Entretanto aquilo era algo maior que a sua própria, muito mais que o dobro da sua. Assim como James sentira a algo dela, o mesmo acontecia na troca e, desse modo, ambos sabiam as identidades do outro.
- Eu me chamo James. Vim apenas para conversar, se me permitir, Ivana. – Pediu, com calma. Precisava se concentrar para não se distrair com tremenda aura e choque que havia tomado. Havia sim, visto auras grandes de meio-irmãos, contudo estar frente-a-frente com um, tão próximo, e poder conversar era diferente. Era como se pudessem se entender e mostrar o quão podiam evoluir e melhorar.
- Não...quer dizer...sim. – Tentou se expressar. Seu olhar conseguia demonstrar, ao mesmo tempo, nervosismo e superioridade. Era como se estivesse preparada para ser atacada ou atacar, no menor deslize. – Tem uma mesa ali. Sente.

Aos poucos a filha de Hécate se afastava e abria espaço para James entrar na casa e assim ele fez. De cara via um longo corredor que aparentemente tinha toda a extensão da casa como comprimento. No seu fim, uma porta mais à direita e uma escadaria que, por dedução, dava para o segundo andar. Três portas do lado direito do corredor davam para ambientes distintos e uma na esquerda para uma sala de estar com sua porta entreaberta revelando o cômodo. Também à esquerda, antes da sala de estar havia um pequeno hall de entrada. Um tapete vermelho com detalhes em dourado enfeitava o chão abaixo de uma bela mesa redonda de madeira maciça que abrigava pelo menos seis pessoas. O local por dentro não era nada destruído quando comparado ao exterior. Entretanto era fácil notar as marcas do tempo.
Paredes com pinturas levemente descascadas e o chão, de madeira, com manchas diversas deixavam isso claro. Era possível entender uma ordem ali, uma organização que na mente de alguém funcionava. Entrando na área de visão do garoto, a senhora puxou duas cadeiras, vizinhas, e indicou para que James se sentasse em sua frente.

- O que quer aqui. – Perguntou Ivana sem pestanejar. Sua vontade de proteger aquele local era forte e aos poucos isso se transparecia para James.
- Eu sou um meio-sangue, como pôde notar, e vivo hoje no acampamento meio-sangue. – Falou e esperou para continuar. Como não havia interrupções, prosseguiu. – Eu estava aqui perto para cuidar de um problema com uma jovem perdida e quis passar. Conhecer um irmão ou irmã é bom. – Terminou.
- Ah, visitas. – Falou, com um misto de decepção e nervosismo. – As últimas visitas aqui tentaram machucar minhas crianças e acabaram não saindo daqui. Os monstros andam mais espertos. A gente precisa se cuidar, cuidar dos nossos. – Explicou.
- Quantas crianças moram aqui? – Indagou. Precisava entender mais sobre o local e seus habitantes. Melhor seria se pudesse andar pelo local e mapeá-lo mentalmente. Rotas de fuga e entrada eram essenciais para caso algo acontecesse e James precisasse se envolver. Todos esses pensamentos povoavam a mente do garoto enquanto esperava a resposta dela.
- Doze. Meninos e meninas. – Disparou. Não havia muita satisfação em dar aquela resposta, estava revelando informações demais e o jovem pôde perceber isso. Sua mente buscava alguma desculpa para caminhar e explorar o local, e repentinamente ela surgiu.
- Banheiro. Tem algum aqui embaixo? – Pediu. Era básico e levemente bobo pedir algo como aquilo logo após entrar, mas tinha de entender o local.
- Fim do corredor. – Respondeu em seco, se levantou e entrou no cômodo à direita logo após a porta.

Quando James levantou conseguiu identificar o cômodo como a cozinha do local. Não parecia muito grande e, com a senhora na cozinha, teria pouco tempo para examinar o local. Caminhou pelo corredor e finalmente entendeu os outros dois cômodos. O próximo, em ordem da porta para a saída aos fundos, era uma ampla sala de jantar. Não havia uma grande mesa disposta, mas várias pequenas e algumas prateleiras áreas pelo local. Após ele, um banheiro. Simples, contudo limpo, havia somente o necessário. Um vaso sanitário, chuveiro com cortina de plástico, pia e torneira com um espelho acima.
Após sair do banheiro, James explorou a porta dos fundos. Era de madeira com uma pequena moldura com vidro para ter a visão de seu exterior. Estava aberta e era possível ver um quintal com ligação ao jardim da frente pelos dois lados. À esquerda do corredor havia uma escadaria, também de madeira, com um corrimão perfeitamente limpo e cuidado. Pelo visto os quartos estavam na parte de cima e provavelmente James não teria acesso. Descobriu isso quando, ao ameaçar subir, sentiu uma mão em seu ombro, detendo o garoto.

- O banheiro é ali, não aí. – Falou, enquanto indicava conforme falava os pronomes. Seu olhar e expressão corporal nervosa e abatida haviam desaparecidos e agora a preocupação com misto de raiva dominavam a filha de Hécate. As mudanças de humor eram um pouco assustadoras, ainda mais com uma aura tão intensa como aquela.
- Perdão, eu só queria conhecer um pouco do local. – Se desculpou. Não queria irritar aquele ser. Ele podia facilmente, esperava, sair do local, mas seriam as crianças que teriam de lidar com alguém irritado na casa.
- Já conheceu. Sai. – Sem rodeios, falou. Aos poucos ela se acalmava e voltava à sua aparência vulnerável e simples. Contudo, a mente do garoto ainda lembrava da imagem que vira alguns instantes atrás. Uma mulher forte, determinada à proteger os seus, pronta para arriscar.
- Obrigado pelo banheiro. – Agradeceu James e saiu. Precisava agora entender o local e planejar seus próximos passos. Se vacilasse, por um instante que fosse, colocaria muitas vidas inocentes em risco.

Ao sair não avistou corvo algum. Nenhum no telhado, nenhum no muro ou na janela. Era realmente estranho, mas não tinha tempo para pensar naquilo. Era hora de observar e entender a casa, caminhou então para os fundos. Havia um pequeno conjunto de brinquedos infantis feitos de ferro. Balanços, gangorras e cavalos presos à molas em placas no chão. Não estavam novos, contudo podia ver um pouco de cuidado nos parafusos e correntes que ligavam os brinquedos. A água de chuva havia deixado manchas neles e isso os deixava com um ar sombrio.
Havia uma janela no lado direito, segundo andar. Era de um quarto, com uma luminária descuidada e suja. Avaliou, então, o lado direito da casa enquanto voltava à seu jardim. Haviam duas janelas para dois cômodos, que em suma pareciam iguais em tamanho pela visão precária do primeiro andar e com o sol nos olhos. Uma pequena janela indicava outro banheiro como primeiro cômodo à esquerda do que, deduzia ele, dava à escada. Dois quartos para órfãos, um banheiro e um quarto para Ivana. Por sorte, ou azar dependendo da visão, as grades dispostas na janela da sala de jantar do segundo andar davam um pequeno apoio para umas iguais em um dos quartos para órfãos. O problema de subir havia sido resolvido, havia agora de descobrir como entrar.

***

Nada, nenhum plano. Não havia como entrar, as janelas deviam ser trancadas. Pelos fundos ele lembrava de uma tranca no interior da casa que impossibilitava essa passagem. Sua entrada seria a porta da frente e, dessa vez, não teria plano algum. Teria de formular soluções conforme os problemas apareciam. O que lhe incomodava, contudo, era aquele clima. A garota estava estável, pois o clima não mudava. O que aconteceria se ela se descontrolasse? Um poder como aqueles seria complicado passar despercebido. Monstros apareceriam e, se James não encontrasse uma forma de voltar rapidamente para o acampamento.
Se aproximava o horário tradicional de almoço, às doze horas. James havia passado alguns minutos dentro da casa e um bom tempo caminhando pela quarteirão para analisar a casa e as casas ao redor. Caso seu pensamento estivesse certo, as crianças estariam todas juntas almoçando e seria um bom momento para avistar e reconhecer a filha de Zeus. Não podia deixar transparecer a vontade de levar a criança para o acampamento com urgência, teria de conversar com calma e entender sua personalidade.

Assim, decidiu novamente entrar na casa. Bateu na porta e lá estava quem ele buscava. Era uma aura grande, tão grande quanto a de James. Nenhum mortal teria uma aura daquelas, era definitivamente a filha de Zeus. Cabelos loiros encaracolados, olhos azuis e um pouco mais baixa que as crianças de sua idade. O semideus sabia que ela tinha oito anos e, com uma aura daquelas, era surpreendente que não houvesse uma horda de monstros em busca dela. A filha de Hécate tinha feito um bom trabalho protegendo o local e, por isso, James tentaria ao máximo evitar conflitos.
Os olhos da garota saltaram e por um momento ela sentiu algo que a garota, nem James, conseguiram explicar. Entretanto antes que pudessem conversar, uma senhora de cabelos grisalhos interveio, postando seu braço atravessado na porta, na altura do queixo do garoto. Seus olhos estavam com raiva e frequentemente olhavam para a garota e para seu irmão.

- O que quer? – Perguntou, com seus olhos agora cravados no pescoço do garoto.
- Algo para comer? – Pediu James.
- Tia Ivana, ele tá com fome. Ajuda ele por favor, tia. – Pediu a pequena garota.
- Beth, você quer que ele coma com a gente? – Indagou a senhora, deixando a raiva dissipar e olhando com um pouco de pena para o semideus postado à sua porta.
- Deixa ele comer, tia. Ele deve estar com fome. Eu tava com fome, lembra? – Olhou para sua amiga, com um olhar calmo e confortante.

Cedendo ao olhar piedoso da garota, Ivana simplesmente deixou o garoto entrar. Antes que o jovem pudesse procurar por onde sentar, uma pequena mão quente segurou a sua e o conduziu para a mesa circular no hall. Ali haviam apenas três pratos. Na frente de um estava um garoto de cabelo raspado e olhar animado enquanto cortava seu bife. No outro, Beth, a filha de Zeus, sentara logo após conduzir James à uma cadeira ao seu lado. Ivana olhou para este e rapidamente da cozinha trouxe um prato, igual ao dos que à mesa sentavam, para que o semideus pudesse comer. Logo, sentaram-se.
Poda ser ouvido o bater dos talheres e a conversa baixa das crianças na sala de jantar, enquanto a mesa que James estava pesava um silêncio ensurdecedor. Mesmo com quatro pessoas à mesa comendo, ainda sim a falta de alguma conversação estava destruindo a mente do filho de Hécate.

- Então, Beth, como é o orfanato? – Perguntou. Precisava entender a motivação da garota ao ficar ali.
- Eu gosto, é bom. – Respondeu, em seco. Logo Ivana terminou seu prato e dirigiu-se à cozinha para guarda-lo. – Ela às vezes deixa a gente meio confuso. Mas toda semana vem gente procurando por mim e quer machucar ela. Eu pergunto se ela quer que eu saia, mas ela não se preocupa. Não entendo, sabe? – Terminou.
- Sei. Eu realmente sei. – Falou James, com um pouco de tristeza na voz. Era horrível ser um semideus e não entender o que acontecia. James, como todo semideus reclamado, entendia agora a sensação de se sentir diferente sem entender o porquê.
- Acho melhor ir embora. Tá incomodando as crianças. – Falou Ivana. Rapidamente recolhera os pratos das crianças da sala de estar e essas assistiam ao diálogo dos dois.
- Ivana, eu não sei se ela pode ficar aqui. É perigoso, você sabe. – Falou, enquanto levantava. Fora uma frase impulsiva, de fato, mas era o que estava pensando durante toda a refeição. – O acampamento pode ser bom para ela.

Aos poucos mais crianças se postavam ao redor deles, em um semicírculo frente à porta. Assistiam a cena vidrados, seus peitos arfando rapidamente enquanto assistiam ao início daquela discussão. Estava, realmente, assustados. Alguém havia invadido seu espaço e agora precisava sair. Eles queriam proteger aos outros, mas também à si mesmos.

- Sai daqui. Ela fica comigo. – Falou Ivana, se aproximando de James. A raiva aos poucos tomava conta do seu corpo e isso era indicado por seu lábio inferior tremendo e sua respiração acelerada.
- Lá a gente tem gente forte, que pode proteger ela. Ela sabe que é diferente, que estão atrás dela. Se voc...- E não pôde terminar aquela frase.
- AQUI TAMBÉM TEM GENTE FORTE! – Gritou Ivana. Com sua mão direita tentou golpear o rosto do garoto com um tapa, e mesmo que James tivesse chance de se defender, nada fez. As crianças agora demonstravam o verdadeiro medo. Olhos parados e umas segurando a mão do seu amigo mais próximo.
- Eu vou levá-la, é minha missão. – Terminou.

Quando James segurou a mão de uma Beth confusa, foi barrado na porta por uma corrente humana de crianças na porta, ouviu o urro de uma Ivana ensandecida e ouviu o característico som de uma adaga sendo desembainhada, soube que teria de batalhar.

***

- Solta ela. – James ouviu de Ivana. A seu lado, uma Beth chorosa fazia, conforme soluçava, raios estourarem no exterior da casa. Aos poucos o clima mudava – a temperatura baixava e a tempestade se firmava. A pequena diferença do clima das redondezas em relação ao clima da cidade agora se tornava um grande abismo. Um céu quase que totalmente negro e repleto de nuvens pesadas e escuras cobria o céu. Uma chuva forte com raios estalando próximos e cada vez mais altos fazia o ambiente tremer e as crianças se assustarem.
- Beth, eu vou precisar que você cuide dos seus amigos. – Falou James. Tinha se ajoelhado e colocado seus olhos no nível dos dela para não assustá-la. – Eu sei como você está se sentindo e posso ajudar, meus amigos podem também. Lá não vão aparecer pessoas más para machucar seus amigos e Ivana. Eu te prometo. – James tentou avançar até Ivana que demonstrava raiva pura, contudo não havia avançado para não atingir suas crianças. Entretanto antes que James pudesse chegar mais perto, a roda de crianças se fechou ao redor deles, todas elas querendo proteger sua cuidadora. – Beth, por favor, fale com... – E foi cortado.
- PAREM! – Ouviu, da filha de Zeus. Em meio aos soluções e lágrimas havia tirado forças para disparar aquilo para seus irmãos.

As crianças haviam se distraído e era disso que James precisava. Pulou pela corrente humana, segurou a cintura da filha de Hécate e ambos caíram ao chão. Não ouviu passos se aproximando e quando rolou para o lado para se afastar de um golpe de adaga viu o grupo de crianças tentando acalmar sua filha chorosa. Agora, já de pé, tentava caminhar, de costas, para a escada ao fim do corredor. Ivana golpeava com raiva e sem pensar, o que dava a James uma certa noção de seus próximos golpes. Girando seu corpo um pouco para os lados, ou recuando para trás, havia conseguido desviar de todos os golpes.
James esperava não ver o limite dos poderes da mulher. Ela era muito mais forte que James e a raiva faziam dela um alvo realmente assustador. Toda vez que falara com James, mal abria sua boca e revelava sua arcada dentária. Agora, ensandecida, mostrava dentes muito mais afiados na boca que um humano normal. Pareciam presas animais e uma mordida poderia facilmente rasgar a carne da pele do semideus.

James, aos poucos, conseguia alcançar sua caneta e caderno para poder fazer alguma coisa naquela batalha. Seu oponente, contudo, não levava um grimório e tal fato fazia o garoto sentir um pouco de alívio. A maioria dos poderes que ele conhecia precisavam esse item para serem projetados. Quando chegou ao fim do corredor, soube que precisava subir a escada. Travar uma batalha num espaço com crianças era perigoso, algumas poderiam acabar feridas. Quando sentiu o frio da caneta em suas mãos, um sensação de alívio apareceu.
Quando clicou na caneta com o polegar do dedo direito, golpeou o rosto da atacante. Girou seu pulso e com o cabo da lança acertou o queixo de Ivana, fazendo-a recuar para se recuperar. Não podia se estender muito na batalha ou a raiva de seu oponente iria diminuir e ela começaria a se concentrar mais na batalha. Entretanto, não queria matá-la e não o faria. Preferia ter de se machucar ao ponto de não conseguir se mexer a ter de eliminar um semideus, principalmente um meio-irmão. Teria de esquecer todo seu treino de velocidade e golpes de lança focando na lâmina para se preocupar agora com o cabo. Era resistente e daria um bom golpe caso acertasse.

Aproveitou o deslize de Ivana para subir o lance de escada o mais rápido possível. Ao alcançar o segundo andar, se deparou com outro corredor. À sua esquerda haviam três cômodos que James já previra e à sua direita um cômodo um pouco maior que os outros. À sua frente havia um pequeno espaço com uma janela, um tapete, dois sofás e uma mesa de centro. Era aberto e não haviam muitos móveis. Teria de ser o suficiente para batalhar. Ao ouvir os passos de Ivana subindo a escada, com velocidade, preparou uma magia.
Em sua mão direita concentrou energia. Rapidamente ali se formou uma esfera de éter que podia ser arremessada. Aquele fora um dos primeiros golpes que James aprendera para concentrar energia e expelir. Quanto mais praticava, mais forte ficava e, nesse em particular, havia ficado bom. Quando viu cabelos grisalhos despontando pela escada, arremessou a esfera de energia. Isso deu tempo para o garoto sacar seu caderno e transformá-lo em um grimório. Com sua mão direita contemplava seu grimório aberto e com a direita, sua lança.

Instantes se passaram e Ivana não subiu as escadas. James aos poucos se aproximava delas quando, antes que pudesse reagir, foi atingido por uma grande esfera de energia. Recebeu aquela quantidade de energia direto no peito e, se estivesse de costas para a janela, sido arremessado para a rua. Contudo sentiu suas costas baterem na parede e uma dor espalhar por todo seu tronco. A golpe do manticore não havia curado totalmente e sua dor aos poucos se somava com a do golpe que tomara.
Subindo, da escada, estava Ivana. Em suas mãos havia um grande tomo de couro e perfeitamente cuidado. Limpo e perfeitamente adornado, era um dos mais belos grimórios que James havia visto. Comparado ao seu, aquele era imenso. Parecia que Ivana o levava com tanta leveza, como se estivesse conectada com o livro.

- Carcerem. – Falou Ivana., enquanto empunhava seu livro.
James, entretanto, não entendeu até que suas pernas foram presas por correntes negras. Não eram físicas, mesmo que James pudesse as sentir. Faziam força em suas pernas e cintura impossibilitando seu movimento.
– Agora, James, o senhor vai entender porque ninguém mexe com minhas crianças. Corax. – Entoou, outra magia que James desconhecia. Aos poucos asas brotava de suas costas, negras como a de um corvo, e davam uma aparência aterrorizante para a filha de Hécate. Por um momento o semideus viu ela vacilar. Eram duas magias poderosas e, mesmo com toda aquela energia, projetar tanto e tão rápido poderia ser fatal. – Motus. – Falou e outro feitiço projetou. James conhecia esse e sabia que algo grande viria. À seu lado, um sofá veio em sua direção. Conseguiu, por sorte, se abaixar e não ser atingido pelo sofá. – Motus. – Ouviu novamente e desse não pôde desviar. A pequena mesinha de centro acerou o rosto de James e fez o garoto cair. As correntes haviam se dissipado e a tontura aos poucos aparecia na mente do jovem. Contudo, se apoiando nos joelhos conseguiu, com muita dificuldade, levantar. À sua frente havia uma Ivana sorrindo, contudo trêmula, abanando suas asas de corvo. O movimento que fizera projetara uma corrente de ar forte que fez James atingir, novamente, as costas contra a parede.

Eu vou morrer aqui, James pensou. O oponente do jovem era forte demais. James não tinha aproveitado seu ínfimo momento de vantagem e agora não conseguia ao menos reagir ou desviar dos ataques. Desde que recebera aquela esfera de energia havia perdido as esperanças. A tática de fazer seu oponente se esforçar ao máximo para gastar sua energia não tivera efeito. Mesmo trêmula, Ivana ainda se mostrava muito resistente. Diferente dela, James já estava acabado. Seus músculos tremiam e seu peito latejava. Um corte no supercílio fazia o sangue escorrer e cobrir sua visão no olho esquerdo. Sua cabeça doía e seu corpo cedia ao cansaço.
Não havia o que fazer, devia haver uma brecha ali. James estava de pé, apoiado de costas na parede, que o havia ferido diversas vezes. Não havia soltado seu grimório e lança e não os faria, precisava se ater à suas armas. Havia treinado o suficiente para sair de situações complexas e se Ivana viesse para próximo, podia tentar um contra-ataque. Contudo, antes que pudesse se preparar, sentiu um par de mãos o agarrar, quebrar a janela, e o largar no jardim. Mesmo sendo segundo andar, a dor fora imensa. O garoto havia girado seu corpo para não cair diretamente de costas e conseguiu. Seu ombro esquerdo foi o alvo do impacto e James tivera certeza que o havia deslocado.

- Acabou, semideus. Isso é o que acontece com quem machuca minhas crianças. – Ouviu Ivana pronunciar.

Mãos apertavam seus pescoço e por instante o filho de Hécate viu estrelas. Com seu braço bom tentava impedir de ser sufocado, mas sem sucesso. Entretanto, após um tempo, o sufocamento parou. James tinha a visão manchada por um misto de chuva e sangue e por segundos não pôde entender o que acontecia. Usou seu braço bom para tentar melhorar sua visão e conseguiu. Viu, montado em seu peito, Ivana com um olhar surpreso e penoso. Suas asas de corvo aos poucos diminuíam e as penas caíam. Suas mãos ainda no pescoço de James não mais apertavam e, junto a elas, havia uma mão pequena e infantil.
À seu lado havia Beth. Ainda chorava e tremia, mas segurava as mãos de Ivana com a sua. A filha de Zeus, mesmo assustada, havia salvo James. A tempestade não havia cessado e isso se mostrava pelo estado emocional da garota, contudo havia ali uma brecha. Quando Ivana abriu a boca para falar, suas presas se mostraram e rapidamente Beth se afastou. Isso deu a James uma oportunidade. Olhou antes para Beth e essa fez um aceno com a cabeça. Ela havia consentido que Ivana estava fora de controle e isso havia motivado o filho de Hécate. Com seu cotovelo direito golpeou o rosto de sua irmã e inverteu, com dificuldade, suas posições.

Seu braço esquerdo pendia inerte colado em suas costelas. James não iria se atrever a movimentá-lo. Seu joelho direito estava atravessado ao longo da cintura de Ivana, para que esta não se movimentasse. Ela não era forte fisicamente e os anos sem cuidar de sua força física fazia James ter uma grande vantagem no combate corpo-a-corpo. Era angustiante e difícil atacar um meio-irmão tão velho e frágil, mas precisava fazê-lo. Ambos os golpes que James havia desferido no rosto de seu oponente haviam resultado em um nariz inchado e vermelho, que corria sangue de ambas narinas e cobriam os lábios.
Ele precisava encerrar aquela luta. Viu, à seu lado, sua lança e a pegou. Com o cabo golpeou a têmpora direita de Ivana e a viu apagar. Tinha usado toda sua força para sair do aprisionamento e a golpear, então logo após isso, se viu caído no chão de costas. Não ligava mais para a chuva e o sangue cobrindo seu rosto. Na verdade, sentia que a chuva o lavava e o limpava do que havia feito ali. Cada gota o causava um alívio e por instantes esqueceu da dor. Entretanto, não havia momento pior para descansar.

- Beth, precisamos ir. – Falou, mesmo no chão. Havia se ajoelhado e seus braços, ambos, estavam imóveis ao lado de seu corpo. Sentiu a mão pequenina da jovem limpar seu rosto e seus olhos se encontraram. – Os homens maus vem aqui porque sabem que você é forte. Precisamos deixar seus amigos bem. Onde eu moro os homens maus não vem, os monstros não ousam chegar perto.

James, contudo, demorou para assimilar a cena. Em sua frente, Beth segurava duas mochilas. Uma era a de James, atravessada por seu peito e posta quase à seus pés devido ao grande comprimento da alça. A outra, florida e pequena colocada em suas costas, era a sua, e se mostrava cheia. A garota mostrava que iria embora com James e este ficou surpreso. Tão pequena mas mesmo assim tão madura. O fardo de ser uma filha de Zeus havia sido posto em seus ombros cedo demais e ela, surpreendentemente, havia aprendido a lidar com aquilo.

- Todo mundo que veio aqui queria me enganar, mas você é diferente. A gente é parecido, a gente tem poderes. – Falava em meio à soluços e lágrimas. – Eles vão ficar bem se eu for embora? – Perguntou.
- Os monstros vão parar de vir, e eu tenho certeza que a Ivana consegue protege-los. Ela é muito forte. – Falou James, e sentiu uma lágrima escorrer por seu rosto. Do bolso tirou um dracma e arremessou na rua às suas costas. – Stêthi ‘Ô hárma diabolês – disse. Quando ouviu uma freada brusca às suas costas e o barulho de portas se abrindo, soube que havia feito o correto.

Arrastou-se até o carro e conseguiu se atirar no banco de trás. Com ele, Beth aos poucos se aproximava, contudo relutante. Deu uma última olhada na casa e correu até Ivana para depositar um sincero beijo em sua bochecha conforme sua cuidadora acordava. Correu, então para o carro e pulou no banco, ao lado de James.

- Acampamento meio-sangue. – Disse, antes de apagar.

***

A viagem até o acampamento fora, para James, apenas um instante. Adormecera, ou cedera para o cansaço, no táxi das irmãs cinzentas. Pelos deuses, ou por pura sorte, havia lembrado do comando para invocar aquele automóvel. A viagem passara num instante e James, em meio a sonhos e pesadelos, havia acordado algumas vezes. Na primeira, para ver um centauro o retirar do táxi, na segunda para se sentir sendo colocado em uma maca e na terceira, para sentir o sabor da ambrosia em sua boca.
Estava na Enfermaria Central. Havia estado lá meses antes, quando retornou para o acampamento. A soma de vários ferimentos antigos e novos o havia feito pedir uma ajuda da curandeira do local, que não recordava o nome. Rapidamente estava se sentindo melhor, contudo fora requisitado para se apresentar no dia seguinte, para ser avaliado. Nunca o fizera.

Quando acordou, finalmente, estava onde deduzira. O local, felizmente, estava vazio exceto pela familiar curandeira. James sentia seu corpo melhor, contudo ao tentar se mexer sentiu várias pontadas de dor por locais variados do corpo. Ao fazer isso, grunhiu baixo e indicou para a outra pessoa no local que havia acordado.
Rapidamente esta correu até o garoto e verificou seu estado físico. Um pouco de néctar foi oferecido a James e este o bebeu sem pestanejar. Após um tempo a garota confirmou que nada grave havia acontecido e começou a discursar.

- Se eu falo para você aparecer no dia seguinte, você aparece. Beleza? – Estava um pouco brava mas também mostrava preocupação no olhar. – Vou chamar Quíron. – Saiu.

James tentou se mover, novamente, e sentiu dores. Seu braço esquerdo ainda doía, mas agora estava no lugar. Seu tronco era o local que mais doía, contudo não tanto quanto antes. Seu corte aparentemente havia sido suturado e a dor de cabeça havia passado. Havia se ferido bastante naquela missão, contudo achara uma brecha. Por pouco não havia cedido ao medo e ao desespero, conseguira manter a calma.
Esses pensamentos habitavam a mente do garoto até que outro tomou seu lugar: Beth. Como estava? Havia chegado bem? Ficaria? Tudo perturbava sua mente que ficava confusa. Quando Quíron chegasse iria perguntar e precisava de respostas concretas. Esperou até que o centauro chegasse e em alguns minutos isso aconteceu.

- Parece que o senhor levou uma boa surra, James. – Falou, rindo. – Uma dica, não se olhe no espelho. – Continuou.
- Ela está bem? – Perguntou. Não queria muito saber de como estava. Sua preocupação era com a filha de Zeus.
- Sim. Conversei com ela e após uns dias ela entendeu a situação. Ela vai ficar. – Respondeu o centauro.
- Dias? Calma aí. Quanto tempo eu fiquei aqui? – Indagou.
- Três dias, James. Eu falei, foi uma boa surra. – Falou, enquanto seu sorriso desaparecia e ele tomava um ar mais sério. - Seu trabalho foi bom. Ela chegou aqui sem ferimentos, mas um pouco assustada sobre como você estava machucado. Ela é forte e irei ajudá-la a controlar seus poderes. – Respirou fundo e continuou. – Descanse agora, James. Vai precisar.

Quíron saiu do local e deixou James sozinho. Com força este se ergueu na cama e viu seu reflexo em um espelho próximo. Seu rosto estava um pouco inchado e havia um corte profundo em supercílio esquerdo. Ergueu sua camiseta com seu braço menos dolorido e pode ver um grande hematoma disforme no meio de seu peito. Estava realmente ferido e precisava de descanso.
Precisava mesmo, pois o simples fato de se erguer o causou tontura e logo desabou na cama com sua vista turva. Finalmente estava no acampamento. Fora uma missão complicada e realmente complexa. Longa e emocionalmente tensa, havia deixado marcas no semideus além das físicas. Contudo, se quisesse provar seu valor e sua força para sua mãe, precisava enfrentar desafios como aquele. Eu vou aparecer aí um dia, pensou, e vou ser mais forte que você imagina. Praguejou em silêncio e, por fim, dormiu.
Adendos:


Poderes utilizados ao longo da missão:

Passivos:


Crocitar - O corvo é um dos animais associados a Hécate, e seus filhos podem falar livremente com eles - mas não comandá-los. Eles podem fornecer informações, mas não agirão contra sua própria vontade. O resultado depende da inteligência e percepção do animal. Este poder não invoca, apenas permite a comunicação.

Detectar Magias - Filhos de Hécate detectam auras mágicas naturalmente. Não se aplica necessariamente a seres mitológicos - uma quimera é uma criatura mitológica, mas não necessariamente mágica - ainda que possa estar portando algum item encantado - caso em que poderia ser detectada; o mesmo se aplica a semideuses, sendo que apenas grupos específicos lidam com magias (ainda que outros semideuses possam emitir auras pelos itens). O raio da detecção é de 5m por nível de personagem. Auras fortes são detectadas mais facilmente, enquanto auras fracas (com metade do nível do personagem ou menos) podem passar desapercebidas. Isso não implica que sempre saberá quando algo mágico se aproxima, uma vez que ainda que seja uma habilidade inerente e sem custo de energia, requer concentração e intenção de localização - exceto para auras muito fortes (magias de criaturas com o dobro de níveis do personagem, ou itens com nível mínimo 10 níveis acima do filho de Hécate), devendo ficar parado em um local, sem realizar outras ações alémd a fala. Na primeira rodada de concentração determina a presença ou ausência de auras mágicas, na segunda, a intensidade da aura mais forte, e na terceira a localização e intensidade de todas as auras mágicas dentro do raio determinado. Não determina o que exatamente emite a aura (se uma criatura ou item) o que torna a detecção mais genérica - você não pode localizar uma pessoa, criatura ou itens específicos dessa forma.
Ativos:


Faíscas: como deusa que rege os caminhos, seus filhos tem o poder de sinalizar a direção. Apontando o dedo na direção desejada, eles conseguem lançar um feixe de luz sinalizador, como um fogo de artifício, composto de energia mágica (éter) e com alcance de 50m. Não causa dano, mas em combate pode deixar o inimigo cego por duas rodadas se direcionado á sua visão, provocando a perda de 50% no ataque e defesa no próximo turno. Além disso, um inimigo cego não poderá utilizar ataques visuais (ainda que também fique imune a eles).

Arcanum: Os feiticeiros concentram sua energia mágica [éter] na palma da mão, criando uma pequena esfera com cerca de 10cm de energia. Ela pode ser atirada contra oponentes a até 5m de distância, e explode ao entrar em contato com alguma superfície, gerando uma explosão de 2m de raio. Ataque de energia. Uma esfera por utilização. Ganha uma esfera adicional no nível 30. Por ser energia pura, concentrada, não se aplica RM.


Imagem de referência para a viagem até Detroit:

http://i.imgur.com/g42rISS.png

Imagem de referência para o Orfanato:

http://i.imgur.com/qTuZlXF.png






James K. Heiselmann
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Re: ϟ Tempestade órfã [MOPED] — James K. Heiselmann

Mensagem por Isobel em Dom 08 Jan 2017, 15:16

Tempestade Órfã
Avaliação
Considerações:
Logo no primeiro parágrafo você diz:

@James K. Heiselmann escreveu:Eu consigo, dizia James, eu fiquei fora mas não quer dizer que fiquei mais fraco ou menos preparado

Isso causa uma certa confusão, que você consegue resolver destacando os pensamentos com um itálico ou mesmo colocando-as entre “aspas”.

Certifique-se de que deu os espaçamentos corretos entre as linhas e parágrafos.

A missão ficou extremamente extensa! Mas hora nenhuma tirou a qualidade do texto, você escreve de forma evolvente, interpreta as personagens com extrema maestria! Foi maravilhoso poder avaliar sua missão, você tem uma preocupação, que a maioria dos jogadores desse RPG não tem, que é a de simplesmente interpretar! Eu admiro verdadeiramente essa qualidade. Parabéns!


@James K. Heiselmann escreveu:Olhou para um relógio próximo, ainda dentro do chalé e viu que, em 50 minutos.

Em 50 minutos aconteceria o quê? Termine suas frases moço!

Começou o texto muito bem sem erros ortográficos relevantes. Mas com o passar das linhas, pude notar pequenos deslizes, que foram crescendo e se acumulando até se tornarem grandes o suficiente para poder citá-los. É claro que eu não vou pontuar todos eles, mas saiba que são erros perceptíveis e que podem ser facilmente corrigidos com apenas uma leitura de revisão em voz alta. Não desanime e não deixe a ansiedade te atrapalhar, se não revisou o texto inteiro, não poste. Tente conversar com o narrador e pedir um tempinho extra, te garanto que com a justificativa certa não veremos problemas em aumentar o seu prazo.

Em determinado momento da primeira batalha a personagem tinha visto o monstro e desferido um golpe, o monstro ainda não tinha revidado e você diz estar ali há minutos, o que me faz pensar: “o que os dois estavam fazendo esse tempo todo se não aconteceu quase nada?”

Você passa horas narrando um movimento de batalha que acontece em poucos segundos e isso é normal. Mas se atente na noção de tempo, a batalha foi dois golpes e um truque e isso nem de longe dura cinco minutos. (Se não quem lê, fica com a sensação de que está vendo aquelas batalhas do Dragon Ball, que demora cinco episódios para se concluir, mas acontecem apenas três movimentos). A descrição da batalha em si foi muito boa, mas ter dito que durou cinco minutos... Estragou um pouco sabe? Batalhas mortais costumam ser bem rápidas mesmo, não se preocupe.

Falando em tempo, você se preocupa com a contagem de tempo num todo... Não sei bem se isso é para mostrar algum sinal de ansiedade da parte da personagem ou do escritor. Se for da parte da personagem, tente fazer isso em momentos pertinentes, pra não deixar seu texto cheio de informação desnecessária, na real, ninguém se importa. A não ser quando se tem um prazo a cumprir para uma tarefa que salvaria alguma coisa, como devolver o raio mestre para Zeus até o Solstício, buscar o Velocino de Ouro antes que monstros destruam o acampamento...

Na segunda parte achei que você fez um bom trabalho. Eu confesso que eu teria feito diferente, mas essa é a graça né? Um ponto que eu tenho que apontar é a forma como você voltou para o acampamento. O Taxi das Gréias só funciona em Nova Iorque. Não vou considerar que a missão foi um fracasso total por conta desse detalhe mas é justo que eu desconte pontos em coerência.

No geral, você fez um bom trabalho. A minha dica é que abuse mais da criatividade e tente encurtar mais seu texto. Tem muitos detalhes e isso é legal, de verdade. Mas alguns realmente não tem necessidade. Também, quanto maior o texto, mair as chances de errar, você fez um bom trabalho, mas devido ao acumulo de pequenos erros, o rendimento não foi tão bom.

Coerência (40/50)
Coesão, estrutura e fluidez (13/25)
Objetividade e adequação à proposta (13/15)
Ortografia e organização (8/10)
74% de rendimento.

Ademais
Vida: 120/220
Energia: 144/220

Recompensas
370 xp + 74 dracmas
Isobel
Dríades
Mensagens :
94

Localização :
Floresta

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Re: ϟ Tempestade órfã [MOPED] — James K. Heiselmann

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