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♛ Now You See Me {MOPCID para Ernst, Kaya e Connor}

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♛ Now You See Me {MOPCID para Ernst, Kaya e Connor}

Mensagem por Eros em Sex 25 Nov 2016, 19:55

"]
now you see me
Never trust a fucking magician

Imagina-se que um show de mágicas deva ser um lugar para descontração, onde as pessoas assitam aos truques, sem saber tudo o que se passa por trás dos panos. Coincidemente, isso é uma ótima metáfora para a névoa, onde os mortais vêem apenas o que querem, deixando toda a verdade do mundo sumir diante de seus olhos.

Ernst dava mais um de shows tentando enriquecer as custas de seu público. Kaya participava da platéia, tentando sumir em meio as pessoas para que não fosse encontrada. Connor ficava abismado a cada truque, afinal, na sua época as coisas eram mais simples.

O que ninguém esperava era que o caminho dos únicos três semideuses presentes ali na sala seria unido, pela força do acaso.

♛:
- Ernst von Weizsäcker – 120/160 HP | 120/160 MP
- Kaya Mahn-Sunwoo – 130/130 HP | 130/130 MP
- Connor Blaschke – 100/100 HP | 100/100 MP


about the mission
required and additional points

pontos obrigatórios

♛ Neste post inicial eu quero que cada um descreva o dia inicial da missão, o que fizeram/faziam. Adicionem os motivos que os levaram a fazer/participar do show, além dos que eu citei;
♛ Quero uma visão ampla do local, de acordo com cada um, levando isso para o lado pessoal (medos, surpresas, superações, o que acharem necessário);
♛ Após vários truques aleatório (que quero algumas descrições por parte de Ernst), o filho de Hécate precisará de dois voluntários. Ninguém irá se dispor, então ele escolherá Kaya e Connor para subirem ao palco. Nesse momento quero uma narração detalhada dos dois semideuses, sobre como reagiram ao chamado;
♛ Antes de dar início ao truque, o show será invadido por vários homens vestidos de preto. Um deles apontará para o palco e gritrá “Está lá. Corram!” Fujam, os três separadamente, mas todos pelos fundos do palco;
♛ Encerrem o post conseguindo sair para fora do local, porém, quero que cada um me apresente um empecilho de escapatória, seja técnico, seja físico. Sejam criativos;
♛ Acréscimo de sentimentos, detalhes, tramas, ou qualquer outra coisa que enriqueça a narração são sempre bem-vindos. Sejam criativos.
pontos adicionais

♛ Missão One-Post Contínua Interna Difícil para Ernst, Kaya e Connor;
♛ Show de mágica em Cassino Cruzer, Las Vegas;
♛ Clima 27°C / 20:00;
♛ Coloquem as armas levadas em code ou spoiler ao final do texto. O mesmo deverá ser feito com os poderes, separando-os em ativos e passivos;
♛ Evitem usar templates com barrinhas ou muito estreito (não são aceitos menores de 400px), e muito menos cores cegantes;
♛ Prazo de postagem até 23h59, segundo o horário de Brasília, do dia 05/12/2016;
♛ Não há ordem para postagem, mas acho válido os participantes terem alguma conversa em off para não utilizarem de descrições tão diferentes umas das outras;
♛ O critério de avaliação final usado será o baseado neste sistema Clique;
♛ Caso alguém não poste e nem justifique, perderá 25% do status de HP e MP total;
♛ A premiação máxima consiste em: 600 XP, 75 dracmas e uma recompensa;
♛ Ao final, caso atinja 95% da premiação total, ganhará um item mediano/forte;
♛ A não postagem durante um turno de batalha será punida diretamente com morte do personagem;
♛ Agradeço se me enviar uma mensagem privada assim que postar;
♛ Boa sorte, e surpreendam-me.


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Re: ♛ Now You See Me {MOPCID para Ernst, Kaya e Connor}

Mensagem por Ernst von Weizsäcker em Dom 27 Nov 2016, 02:28

Now You See Me
missão one-post-contínua interna difícil
Andrew bateu à minha porta uma, duas, três vezes. Eu tinha uma certeza cega de que era ele; somente o meu não-tão-querido empresário seria inoportuno o suficiente para tentar me acordar antes das oito da manhã, por mais que eu já tivesse despertado havia minutos. Não o respondi apenas para ter o gostinho de ouvi-lo bufar antes de me chamar verbalmente, controlando-se pera não berrar.

— Ernst, vamos, levante! — A sua voz tinha o costumeiro tom de urgência. Para ele, era como se todo mundo tivesse pressa e passasse todo o seu dia correndo para ganhar tempo. Como empresário, Andrew era um pesadelo. — Já passou da hora de você acordar! Tem que se preparar para o show de hoje à noite!

Antes que se pergunte, eu sou mágico. Bom, não verdadeiramente mágico. Eu só entendia de efeitos visuais e tinha uma mãe que me dava o melhor presente que alguém na minha profissão poderia pedir: magia — pura e simples. Foi assim que fiz fama em pouco tempo; desafiava os críticos a desvendarem os mistérios das minhas apresentações somente para poder tripudiar às custas das suas hipóteses, uma vez que nenhum deles acertava realmente o que havia por trás dos meus truques. Não era como se algum deles chegasse e dissesse "ei, você é um filho de Hécate, por isso arrasa na magia"; geralmente, só a última parte costumava ser recorrente.

Fazer o quê se eu arrasava mesmo?

Andrew entrou no meu quarto. Deitado de costas para a porta, olhei por cima do ombro para o jovem rapaz vestido com as roupas sociais das quais eu tanto zombava, correndo meus olhos do seu cenho franzido para seus lábios crispados. Ao me dar conta do quão patético ele parecia, ri sem pudor.

Ele revirou os olhos. Fechou a porta atrás de si num clique e, provavelmente por meu sorriso ter parecido convidativo, aproximou-se a passos largos. Teria dito para ele que a mensagem que eu verdadeiramente gostaria de ter passado era "olha o frangote querendo cantar de galo", mas fui repentinamente conduzido a um vagaroso selinho.

Esqueci de dizer: meu empresário também era meu namorado. E como namorado, Andrew era um sonho.

— Temos doze horas até a apresentação. Por que está tão apressado? Sabe que eu sempre tenho tudo planejado — soltei, acariciando seu rosto depois do beijo. Aquela era uma mentira deslavada; eu nunca tinha nada planejado, sempre improvisava. Para a minha sorte, eu era ótimo nisso. E contava com ele para armar tudo para mim, é claro.

— Você planeja tudo, claro respondeu ele, estreitando os olhos para mim. — Mas temos muito o que fazer antes da apresentação. Você faz isso pelo dinheiro, então deve dar o devido esforço para ter o que quer. Anda, preguiçoso. — Só após isso é que eu levantei. Tranquei-me no banheiro pelo que me pareceram horas e só cogitei sair depois de estar mais bonito e arrumado do que tinha entrado, além de preparado psicologicamente para as cobranças do dia que me aguardava.

Eu já fazia aquilo havia meses. No começo foi difícil chamar a atenção, sendo preciso muitas ideias fantásticas em momentos inesperados e até mesmo alguns golpes sujos para abrir espaço entre os mágicos consolidados de Las Vegas, mas felizmente isso se aliviou com o tempo. Agora eu tinha um público fiel, contrato com cassinos e casas de shows, uma equipe inteira à minha disposição e muito menos esforço a ser feito a cada apresentação.

Sobre uma coisa Andrew estava certo: eu fazia aquilo pelo dinheiro. Afinal, eu tinha dívidas a serem pagas, não tinha? Contudo... não era só isso. Meu namorado ft. empresário ainda não tinha chegado fundo nas minhas motivações, não sabia de coisas obscuras que me faziam continuar naquilo. Kiara, a antiga mágica que eu auxiliava, era um deles — eu tinha certo dever com ela, como se estivesse continuando seu legado. Afinal, ela morreu por minha culpa, embora ninguém soubesse disso. Isso aflorava especialmente no Cassino Cruzer, lar do meu show naquele mesmo dia; foi lá a nossa última apresentação antes do acidente que deu fim à sua vida.

— Você não deveria estar pensando nisso — falei baixo para o espelho, focando no meu rosto inchado. Lavei-o, passei esfoliante, hidratante e, então, o enxaguei, limpando-o com uma toalha macia em seguida. Só então eu saí do cômodo, encontrando um impaciente Andrew já à porta.

Quando dei por mim, já havia tomado café, checado detalhe por detalhe o cenário daquela noite, almoçado com And e, por fim, "passado a tarde inteira revisando o que faria no show" — mas era claro que essa era a última coisa que eu tinha pensado em fazer na minha tarde livre. Sabemos que eu fiz nada mais, nada menos do que colocar The Magicians em dia, até ser novamente importunado por Andrew. Eu já disse que como empresário ele era um pesadelo?

— Está na hora de ir se arrumar. Vai logo ou chegamos atrasados.

• • •

O alçapão se abriu, deixando a fumaça contida no ambiente abaixo escapar para o palco. Sobre uma plataforma móvel havia uma forma encapuzada, sem nenhum membro à vista, que arrancou aplausos como se fosse o protagonista daquele show: eu. Aproveitando a deixa, saí do assento em que estava, retirei o boné que usava e acoplei o microfone ao meu rosto, abrindo os braços e reproduzindo um sonoro "boa noite" logo antes de fazer uma reverência para o público confuso.

— Ah, isto? — perguntei, olhando para a forma ao meu lado. Num estalar de dedos, o tecido que a cobria caiu como se não houvesse nada abaixo de si, tornando-se nada mais do que um amontoado de pano no chão. — Era só mais alguém tentando se aproveitar do meu brilho. Mas já mandei ele para o lugar que merecia: vai ter um lero pessoal com o carinha lá de baixo.

Pisquei para os espectadores, arrancando uma tímida salva de palmas. Eram muitos naquela noite: uma platéia circular apinhada de rostinhos curiosos, muitos dos quais certamente já tinham passado por ali outras vezes, loucos para ver se a fama que me precedia fazia jus ao que eu era. A maioria deles esperava um cara mais adulto, possivelmente de terno, com uma aparência séria e enigmática, mas nem de longe eu me encaixava nesse esteriótipo: eu era jovem, beirando os dezoito anos, sem barba alguma para disfarçar a idade e certamente mais magricela do que muitos ali; sem falar nas roupas largadas e modernas — bonitas, até — que quase não deixavam que eu passasse uma imagem de autoridade. Apesar de não precisar disso para continuar a ser espetacular, iria mudar esse detalhe em instantes.

— Acho que a minha entrada foi entediante demais, não foi? Não teve glamour. — Olhei para trás, como se procurasse algo, e me posicionei exatamente no centro do palco. Abri bem os braços e dei o meu melhor sorriso para o meu público. Usando de meus dotes, criei um fundo musical etéreo, como um coro de anjos anunciando a minha chegada; era a deixa para que a produção colocasse holofotes sobre mim, além de ligar o duto de ar sobre o qual eu estava, fazendo minhas vestes ulularem ao vento. E como se não fosse tudo, uma quantidade exorbitante de purpurina escapou do mesmo duto de ar, tapando com eficiência a visão dos espectadores.

Quando a purpurina baixou, eu já estava com outra roupa: um terno justo, feito sob medida, tendo detalhes mínimos num roxo perolado. Ninguém via, mas havia uma uma faca e uma adaga embainhadas em meus tornozelos, sendo ambas armas ganhas assim que eu fiz a minha rápida passagem pelo Acampamento Meio-Sangue. Também havia um anel incrustado com lápis-lazúli em meu dedo anelar esquerdo, notório pelo seu brilho acentuado. Qualquer coisa que lembrasse meu look anterior havia sido puxada duto abaixo por cabos de aço.

— Agora sim. Sejam muito bem-vindos ao Cassino Cruzer, lar do meu tão esperado show! Espero que saiam daqui se perguntando como raios eu consigo ser tão bonito, assim como espero que gostem dos meus pequenos... truques. E já falando neles, que tal começar com um novinho em folha?

Eu andei até uma bancada próxima, vendo uma câmera aproximar-se de mim e focar-se em minhas mãos, transmitindo a cena para um enorme telão acima do meu palco — assim ficaria visível para todos os presentes. Coloquei uma coroa de louros feita de bronze sobre a mesa e depositei um pesado livro ao lado dela (meu grimório), abrindo numa página específica antes de retornar a falar com o público.

— Muito se dizia sobre magos que usavam livros antigos, chamados grimórios, para se fazer mágica. Hoje, eu pedi para que minha equipe trouxesse um especialmente de Salém, aqui mesmo nos Estados Unidos, somente para mostrar a vocês a veracidade desta informação. Acreditem ou não, farei esta coroa levitar até o seu verdadeiro dono: uma estátua de bronze que decora a ponte de Turim, na Itália. Tudo isso em tempo real.

O telão acima de mim se dividiu: metade dele mostrava a estátua na ponte de Turim, com um holofote sobre si, tendo um dos seus braços estendidos como se erguesse algo. Em sua mão deveria estar uma coroa de louros, mas para todos os efeitos, não estava; era a deixa perfeita para o meu truque.

— Agora, senhoras e senhores, o truque acontece! Motus! li a última parte diretamente do grimório, focando na coroa de louros à minha frente. Instantaneamente, ela moveu-se: primeiro tremulou sobre a bancada e, então, cedendo à minha vontade, desprendeu-se da superfície sobre a qual se apoiava, levitando vagarosamente. Quando senti que detinha o controle do objeto, movi a mão para a frente e ordenei mentalmente que fizesse um círculo no ar, circundando-me e parando acima da minha cabeça, encaixando-se com perfeição. A platéia foi ao delírio. — Calma, calma, isso foi só o aperitivo. Vejam!

Mais um mover de braços, mais uma ordem mental e a coroa saiu voando para os bastidores, desaparecendo em questão de segundos. Caminhei até o centro do palco e, com um sorriso confiante, apontei para cima. A câmera transmitindo ao vivo de Turim flagrou: a coroa de louros foi voando diretamente para a mão da estátua, encaixando-se perfeitamente nela e parecendo nunca ter saído do lugar.

Alguém puxou uma salva de palmas, acompanhada pelo restante da platéia. Assobios puderam ser ouvidos enquanto eu fazia uma curvada reverência, agradecendo pelas saudações. Em seguida, tudo o que eu ouvia eram os murmúrios da platéia. Eu tinha ido bem, mas não tanto assim. Só não sabiam que aquela era a pontinha do iceberg.

— Obrigado, obrigado... Mas acham que é só isso? Não se enganem, amores. Tem muito mais. Preparem-se, agora temos a parte interessante! — Com um duplo estalar de dedos, as luzes piscaram duas vezes, como se duas baixas de energia seguidas tivessem acontecido. Quando o telão se reestruturou, a estátua havia sumido; e para a surpresa da platéia, ela estava agora no palco, logo atrás de mim. Magicamente, a sua coroa de louros desprendeu-se novamente das suas mãos e encaixou-se em minha cabeça, mais uma vez servindo perfeitamente em mim. Aí sim posso dizer que o meu público estava impressionado. Os aplausos e a gritaria foram intensos, demorando segundos para cessarem.

— Agradeço toda a sua empolgação. De verdade. Ela só me motiva a... continuar o show. Agora, precisarei de dois de vocês da platéia, que tal? Genuínos ajudantes!

Um, dois, três segundos; ninguém da platéia se voluntariou. Completo silêncio. Até a respiração dos espectadores parecia ter cessado: era como se houvesse uma espera coletiva por voluntários combinados, ainda que eu não precisasse disso naquele show, o que acabava levando todos a uma negação à participação. Eu esquadrinhei cada assento com rapidez, notando aquela série de cadeiras enfileiradas, e me controlei para não engolir em seco. Tagarela como eu era, o silêncio era uma das coisas que mais me incomodavam; era como se houvesse uma pressão desconfortável sobre mim, algo que me empurrava para um local escuro e apertado.

Eu estava quase tendo um ataque em palco. Que deplorável.

— Já que ninguém está com síndrome de estrelismo hoje, a real estrela vai escolher os seus ajudantes — deixei escapar dos meus lábios levemente trêmulos, olhando aleatoriamente pela platéia enquanto repetia "vejamos" incessantemente. Meus olhos pararam sobre um garoto de feições invejáveis, cujo sorriso de fascínio era indubitável; seus olhos castanhos, mesmo de onde eu estavam, pareciam frios e reclusos, ainda que incrivelmente vivos. Senti uma pontada estranha no meu âmago antes de me aproximar da beira do palco, estendendo a minha mão para ele. — Venha, sei que você quer. Não precisa ser tímido!

Ele olhou para os lados, confuso, e fez cara de quem perguntava "eu?!". Abri um sorriso largo ao notar a sua confusão, chamando-o verbalmente mais uma vez antes que alguém da produção chegasse até ele e o levantasse pela mão, conduzindo-o até o palco. E uma vez que o meu primeiro voluntário-por-livre-e-espontânea-pressão chegou a um toque de distância, cumprimentando-me com um abraço que me causou certo arrepio, virei-me diretamente na direção oposta e apontei sem nem ver para quem, dizendo um alto "VOCÊ!". A escolha foi uma garota japonesa de cabelos muito loiros e pele muito branca, dotada de uma magreza frágil.

— Vamos, não se acanhe! — tornei a ludibriá-la. Uma movimentação estranha se fez presente ao lado dela, não parecendo ser ninguém da minha produção, mas anotei mentalmente que deveria agradecer a eles após o show; devido a aproximação dos brutamontes, a oriental levantou-se rapidamente e subiu no palco, cumprimentando-me com um aperto de mão. — É uma honra ter uma japonesa em meu show.

— Americana, com descendentes da Coréia do Sul — fez questão de corrigir ela.

— É, querida, tanto faz — rebati baixo o suficiente para apenas ela escutar, apesar do microfone.

— Me chama de japonesa de novo que vai ver o "tanto faz" bem no meio das suas fuças.

Decidi que ignorá-la era o melhor, conduzindo-a para o centro do palco e chamando o outro rapaz para junto dela, deixando ambos à frente da estátua. Entretanto, antes que pudesse explicar para o par e para a platéia como funcionaria o truque, uma correria apressada lotou o ambiente, de forma que a atenção se voltou única e exclusivamente para ela. Mesmo na baixa iluminação da platéia pude ver que as suas carrancas não eram leves — e isso, junto das roupas inteiramente pretas dos homens, além de um sonoro "Está ali! Corram!", me fizeram cruzar o palco com velocidade, livrar-me da coroa de louros e pegar o grimório ainda sobre a mesa, correndo para o meu alçapão e deslizando para dentro da abertura, chegando ao ambiente de baixo e correndo a toda velocidade por um motivo que ainda não entendi.

A coisa é que eu já havia visto Now You See Me vezes o suficiente para saber que quando apontam para o seu palco e parecem estar te caçando, você precisa correr. E correr muito, principalmente se você tinha o rabo preso com... algumas outras coisas.

Só não esperava encontrar Andrew — em carne, osso e completa confusão — bloqueando o meu caminho. "Merda", pensei. Meus instintos me mandavam correr, mas eu não podia simplesmente passar por ele sem ser impedido; por isso mesmo que a minha reação foi vergonhosa, para não dizer outra coisa. Mesmo para mim, empurrá-lo para dentro de um camarim compartilhado e ordenar que calasse a boca foi um puro ato de grosseria.

— Mas que... O que você está fazendo aqui embaixo? Por que não está no show, Ernst? — inquiriu o rapaz, cobrando-me explicações. Argh. Eu odiava ter que lidar com ele de vez em quando, fosse como namorado, fosse como empresário. Me soava tão irritante o fato de ele querer ter domínio de tudo, como se eu fosse a posse que ele queria regular. — E não me diga para fazer silêncio!

Virei agressivamente em sua direção, segurando Athar firmemente contra o meu peito. Fuzilei-o com os olhos, segurando a gola da sua camisa com a minha mão livre e colocando-o contra a parede, aproximando perigosamente meu rosto do seu. Quem ele achava que era, afinal?

Você é que não ouse tentar mandar em mim. Eu não sou seu. Eu sou inteira e eternamente meu. Faço o que bem entendo. E antes que faça seu costumeiro drama e diga que não te amo, que não ligo o suficiente para você, que sequer te dou satisfações, fique sabendo que tinha um bando de gente atrás de mim dois segundos atrás. Por isso eu desci. Agora faça. silêncio.

Eu apurei meus ouvidos, tentando detectar se havia algum barulho no corredor. A minha distração foi o suficiente para Andrew retirar a minha mão da sua roupa e passar por mim, retirando o ponto eletrônico no seu ouvido e jogando no chão, com o seu típico ar de quem estava sentimentalmente ferido.

— Então é isso que você acha de mim? Acha que sou alguém que faz drama, que quer te controlar? Acha que sou algum tipo de monstro ciumento?

Sério? Eu realmente teria uma DR bem ali?

— Eu... — Mordi meu lábio inferior, segurando minha língua para não proferir injúrias contra o meu namorado. — Eu preciso ir. Conversamos mais tarde. Eu ligo para você. Não quero nem imaginar o que, caso aqueles caras estiverem realmente atrás de mim, vai acontecer comigo.

Eu fiz menção de abrir a segunda porta do camarim, mas Andrew me deteve. O apertão dele em meu pulso foi o suficiente para me impedir de continuar e acabar por ser forçado a olhar de perto os seus olhos marejados, parecendo mares revoltos, cheios de fúria.

— Caso aqueles cara estiverem realmente atrás de você? Então você desceu da merda daquele palco por algo que não tinha nem certeza, botando em risco a sua carreira por algo que pode simplesmente ter sido um mal entendido? — As palavras dele me marcavam a ferro, conseguindo monopolizar a atenção do meu cérebro. Com um puxão, livrei-me dele, mas não me movi além disso; sabia que viria mais e estava louco para escutar o que ele tinha a dizer. — Não era algo que ela faria, era? Não aqui. Ela sembre amou esse cassino. Foi onde fez a sua grande primeira apresentação... e também onde fez a última. Kiara não cometeria o erro que você está correndo, Ernst.

Ouvir o nome e a referência à minha antiga chefe, mestra de tudo o que eu sei até hoje, foi tão agoniante quanto uma lâmina rompendo a minha carne. Soou-me como um soco no estômago. Afinal, como ele sabia de Kiara? Como ele sabia da primeira apresentação dela, ou da última? Isso era... impossível. Eu só o conheci depois da morte dela.

— Não fale do que você não sabe, Andrew! — vociferei antes de empurrar-lhe com violência, fazendo-o tropeçar nos próprios pés e cair para trás, brecha que aproveitei para dar as costas para ele e passar pela porta à minha frente, ouvindo um berro de fúria vindo do ambiente que eu havia acabado de deixar. Deve ter sido o suficiente para atrair a atenção dos homens de preto: ouvi vozes exaltadas enquanto corria pelo corredor principal e passava porta por porta, saindo na lateral do cassino e tendo a (in)feliz coincidência de me deparar, segundos depois, com a Srta. Sou-Coreana e o Srto. Olhos-Profundos. Parecia que éramos um trio unido pelas moiras: três infelizes no momento errado, na hora errada.

Só esperava que aquela confusão cessasse no momento em que eu me trancasse em meu apartamento e pudesse respirar aliviado, sabendo que nada de errado aconteceria comigo.
And Now You Don't
observações, itens, poderes e habilidades
— Observações:

1. Sobre os pontos: misturei tudo. -q Descrevi rapidamente o dia, ok, dando mais enfoque ao começo dele — ainda que isso seja uma deixa para o restante do dia, uma vez que as cobranças do Andrew deixam muito evidentes as atividades desenvolvidas —, já colocando as motivações no meio disso. Citei rapidamente Kiara, uma NPC da trama do Ernst, e também coloquei o seu envolvimento com o tráfico (a.k.á "A coisa é que eu já havia visto Now You See Me vezes o suficiente para saber que quando apontam para o seu palco e parecem estar te caçando, você precisa correr. E correr muito, principalmente se você tinha o rabo preso com... algumas outras coisas.");

2. Ainda sobre os pontos: a visão do Ernst foi pincelada no decorrer do post, tanto quando falo da Kiara, quanto quando falo da disposição das cadeiras ou do silêncio da platéia. Espero que tenha te soado suficiente assim como soou para mim. Já os truques, por sua vez, foram desde a aparição que se desfez até o aparecimento da estátua, por mais que, aparentemente, só o truque da estátua esteja em foco. Favor considerar essa tonelada de coisa. q

3. Sobre o Andrew como empecilho: achei que foi o que mais se encaixou. A personalidade dele é bem essa; alguém que controla, regula, então seria natural que tentasse impedir ao perceber que era besteira. Além disso, é dramático e egocêntrico (ainda que depressivo) o suficiente para pouco se foder para a situação, puxando uma DR ali mesmo. Empurrá-lo foi o meio de se livrar da situação, que acabaria não tendo cessado nem tão cedo.

4. Sobre os truques: um bom mágico nunca revela seus segredos. -qq Mas para que não reste margens para dúvidas, afirmo que todas as partes foram pensadas para que fizessem sentido, por mais frágil que o plano pareça — tanto quanto parecia em Now You See Me, tão mal-falado pelos críticos. Alçapões, cabos de aço e efeitos visuais estão sempre em jogo, então não fode releva se tiver parecido impossível.

5. Sobre os itens: rebolei para conseguir colocar tudo, mas não tinha tanta justificativa. Coloquei Athar na apresentação, ok, e as facas vieram por ele sempre andar armado; o anel seria somente por costume, já que é um buff. Mas ai, difícil, viu? Espero que não tenha soado incoerente. Tentei ser criativo. E nem sei se em Salém usavam grimórios, então resolvi partilhar isso com o Ernst e, para todos os efeitos, minha possível burrice foi burrice dele também. :( Se possível, deixe-me adicionar um meio de pegar os elixires também, nas rodadas seguintes. Agradeço. q


— Itens:

♦ Faca [Sua lâmina bronzeada mede cerca de 24 cm, e seu cabo tem o mesmo comprimento padrão. É bastante afiada e é perfeita para ataque ágeis e rápidos. O bom desta arma é sua eficiência tanto para mãos hábeis quanto para manuseios mais inexperientes, pois é uma arma curta, fácil de esconder e ao mesmo tempo fácil de manusear. Seu punho é feito de aço, mas uma camada de couro escuro cobre o aço para que o usuário possa segurá-la firmemente. Na parte inferior da lâmina, próxima ao cabo, há entalhado as siglas do Acampamento "CHB"; uma propriedade que só os meio-sangues e criaturas místicas podem ter e usar (ajuda um pouco na destreza)] {Bronze, aço e couro} (Nível mínimo: 1) {Nenhum elemento} [Recebimento: Administração; item inscrição padrão do fórum]

{Graveolentiam} / Adaga [Adaga prateada, apesar de feita com bronze sagrado. Seu punho é envolto em couro, para melhor manuseio, e a lâmina possui símbolos rúnicos gravados. Acompanha bainha de couro. No nível 20, torna-se um colar de pentagrama.] {Bronze sagrado e couro} (Nível Mínimo: 1) [Recebimento: Presente de Reclamação de Hécate]

{Athar} / Grimório [Este livro pesado encadernado em couro e escritos rúnicos contém as instruções e ensinamentos necessários para que o semideus acesse seus poderes. As páginas estão em sua maioria em branco, mas, ao adquirir poder e sabedoria suficiente, a página é preenchida com a invocação disponível. Para qualquer outra pessoa, parece um livro gasto.As páginas são feitas de uma lâmina fina de bronze sagrado, e por baixo do couro da capa ela é de metal, o que o torna resistente à água, mas não indestrutível. Caso danificado, destruído ou perdido ele irá se recompor nos pertences do semideus, em seu baú. Todo grimório começa com os elementos éter e trevas (ainda que este segundo só fique disponível efetivamente após o ganho da habilidade de nível 50), mas não oferecem bonificações adicionais quanto aos elementos base.]

♠ Force / Anel [O anel é de ouro, e sua pedra pequena e delicada é de lápis-lazúli. Quando ativado pelo portador, faz com que esse tenha 10% a mais de força e agilidade. Pode ser usado uma vez por missão, dura dois turnos.] {Ouro e lápis-lazúli} (Nível mínimo: 5) {Nenhum elemento} [Recebimento: missão "A Briga", avaliada por Selene e att por Odisseu.]


— Poderes e Habilidades:

{Hécate — Passivo;} Nível 4 - Olhos noturnos: Hécate é uma deusa associada à noite. Seus filhos ganham visão na penumbra e escuridão, podendo ver normalmente nessas condições, exceto na escuridão mágica, que ainda impede a visão por sua natureza sobrenatural. Sua acuidade visual contudo ainda se mantém, sem receber ampliações se comparada à visão diurna. [Modificado] < usado para ver a platéia, apesar da pouca iluminação;

{Hécate — Ativo;} Nível 2 - Prestidigitação [Grimório]: Pequenas mágicas, que não causam dano direto mas podem ser úteis em feitos interpretativos, ou como distração: [...] cria som de fundo musical, etéreo. [Modificado] Dura 3 rodadas e o semi-deus pode alternar o efeito entre elas. Limpar, sujar, mudar a cor ou trocar um objeto de lugar tornam-se permanentes após a duração, sendo necessário outra magia (para mudar a cor, por exemplo) ou ação física (limpar, mover) para restaurar os objetos. A quantidade de material que pode ser afetada/alterada aumenta em meio quilo a cada 5 níveis, para as 4 primeiras habilidades. < usado para incrementar a entrada;

{Hécate — Ativo;} Nível 7 - Motus [Grimório]: Permite mover objetos ou criaturas, 5 kg iniciais (fixo) + 1 kg a cada dois níveis de personagem. (Ex - Um semideus de lvl 14 pode mover até 12 kg (5 no nível 7 + 7 pelos níveis de personagem). Pode empurrar, levitar, usar objetos para atacar ou movimentar como se estivesse em uso pelo próprio semideus, ainda que ações complexas (um movimento elaborado de uma daga em vez de um ataque direto comum) exijam concentração, impedindo a realização de qualquer outra ação que não a de movimento enquanto em uso para ser realizada. Ao utilizar este poder o semideus ganha esta habilidade por 3 turnos. Apesar de ser usado pelo grimório, resistência à magia não se aplica caso se tente mover uma criatura, contudo, outros poderes que afetem a movimentação e questões de peso entram em vigor. Para tentar afetar um objeto seguro por um alvo, deve ser capaz de afetar a criatura em questão.[Modificado] < usado para mover a coroa;
Ernst von Weizsäcker
Filhos de Hécate
Mensagens :
30

Localização :
Las Vegas, baby!

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Re: ♛ Now You See Me {MOPCID para Ernst, Kaya e Connor}

Mensagem por Kaya Mahn-Sunwoo em Dom 27 Nov 2016, 17:28

Now You See Me
missão one-post-contínua interna difícil
O óleo quente torrava as batatas, enchendo a fritadeira com gordura. Meu corpo também não tinha outro destino: sentia a minha pele com excesso de oleosidade de um modo grosseiro, como se houvesse uma crosta líquida cobrindo a minha pele. Odiava aquela sensação. Odiava aquele calor. Se não tivesse morrido congelada em Minnesota, até diria que sentia falta de todo aquele frio.

— Merda de vida. Merda de trabalho — resmunguei certa de que ninguém me ouviria. Naquele horário o movimento era intenso: a pausa para o lanche era comum nos trabalhos em Las Vegas, deixando lanchonetes apinhadas de gente ávida por uma boa fritura. Assim sendo, Abby (a minha patroa) não teria tempo para me ouvir e considerar me demitir, principalmente se for levado em conta que eu praticamente implorei por aquele trabalho.

Eu não tenho muito a dizer sobre isso. Passei os últimos momentos da minha miserável vida anterior sobre uma cama num chalé em Oklahoma, implorando para todos os deuses que tivessem piedade de mim e do meu filho, que não nos deixasse partir — ele tão jovem, mal tendo nascido; eu, tendo morrido já tantas vezes. Mas de nada adiantou. Ele sequer chorou quando nasceu, ou não que eu pudesse lembrar, por mais que a minha última memória da ocasião seja um borrão de escuridão, pouco antes da excruciante dor da incineração atingir a minha carne e me fazer aparecer aleatoriamente em Las Vegas, nua no meio de um show pirotécnico. Era por isso que eu tinha que me virar com o que me aparecia toda vez que renascia, e ter ido parar em Las Vegas foi um desafio; eu tive que me agarrar com unhas e dentes à primeira oportunidade que me apareceu. Implorar por um emprego não era, afinal, algo tão ruim assim.

— As batatas da mesa doze, Kaya! — berrou Abby da parte principal do estabelecimento. A sua voz era aguda e incrivelmente irritante, principalmente quando falava o meu nome. Parecia que somente por eu ser descendente de coreana, tendo por isso os olhos puxados, ela precisava dar uma entonação que eu tomava como um grunhido-de-ataque-em-artes-maciais: caiaaaaaaah! — Rápido! Mas que demora!

Gostaria de andar até lá e derramar o óleo quente na garganta dela, empurrando junto disso as batatas, que sequer estavam no ponto, tamanha era a irritação. O que ela achava? Que tudo aquilo fritaria mais rápido só porque ela queria? Uff.

— Já vou, Abby, já vou! Jesus... Quando finalmente estavam prontas, arrumei as batatas sobre uma bandeja e andei com pressa até a bancada frontal do estabelecimento, passando pela portinhola que dividia a área de clientes da de funcionários, finalmente depositando o pedido para que os clientes aproveitassem da comida. Só quando ia voltar para o interior do estabelecimento é que vi a figura magra, com olheiras e cabelo em desalinho, além de uma barba visivelmente por fazer.

Anthony estava parado à porta, muito, muito atrasado.

Abby o fuzilou com o olhar, indo para a área interna da lanchonete como se o intimasse a segui-la. Ele, depois de me dirigir um olhar vacilante, a seguiu com uma pressa assombrosa. Eu me limitei a continuar atendendo os clientes e a tentar não ouvir o que discutiam, por mais que fosse difícil não notar a gritaria. Abby era uma mulher escandalosa, principalmente quando se tratava do seu filho, Anthony. O fato dos dois trabalharem juntos não era exatamente uma dádiva para qualquer um ali.

— Dormi demais — confessou ele assim que juntou-se a mim no balcão, já olhando os pedidos que ainda estavam a esperar. Caso ainda não tenha entendido, a divisão de tarefas era simples: eu servia e limpava, Anthony cozinhava e Abby gritava — e ainda assim eu atuava como quebra-galho, por mais que detestasse cozinhar e preferisse economizar as minhas cordas vocais. — Tenho tido insônia no começo da noite, mas caio em sono profundo depois disso. Não entendo.

— Deve ser estresse, muita coisa na cabeça — comentei casualmente, fingindo que não sabia ser as cobranças infinitas da sua mãe e, de quebra, os problemas com o lucro da lanchonete, àquela altura praticamente inexistentes.

— A única coisa que está na minha cabeça sem parar é o quanto você é magnífica e o quanto eu gostaria de sair contigo. É uma pena que você seja tão esquiva e consiga, de um jeito tão fácil, me deixar tão desconfortável. — Deixei meu queixo cair, abismada, detendo-me no movimento de jogar uma embalagem de pão na lixeira. Era a primeira vez que ele dava abertamente em cima de mim; em todas as outras indiretas, eu me safava como uma serpente passando por espaços estreitos. Ele não pareceu se deixar abalar com o meu visível choque. Deu de ombros como quem dizia "whatever". — Vê? Esquiva.

A questão era simples: eu só não dava bola para ele por não me deixar render tão fácil, não tão de primeira. Eu gostava do jogo que era a sedução; para mim, era uma das melhores partes de um relacionamento, a conquista. Não que eu me fizesse de difícil... eu só não me fazia de fácil.

No entanto, tinha que reconhecer: ele era bravo, objetivo e persistente. Acho que já estava na hora de dar uma chance a ele. Foi por isso que joguei o lixo no cesto e voltei à bancada para cortar o pão, sorrindo de canto sem olhar para ele, ainda que o rapaz fosse o motivo do meu sorriso. Quando terminei de montar o hambúrguer e passei por ele para ir deixar o pedido, sussurrei:

— Quem sabe não saímos qualquer dia desses...

• • •

Eu ria alto depois de ouvi-lo imitar a sua mãe chamando o meu nome, subindo num banco para reproduzir um golpe de kung-fu, atraindo a atenção das pessoas ao redor. Ele estava — e era — lindo, com aquelas mesmas olheiras e aquela mesma barba por fazer, com aquele seu sorriso sincero e seus olhos calorosos, profundos e tão cativantes. Suas roupas eram de segunda mão, o máximo que seu dinheiro podia comprar, mas para isso eu não ligava; não por vestir roupas de segunda mão também, mas por já ter aprendido que a aparência simplesmente não importava. Anthony era magnífico sem precisar estar num terno feito sob medida, como um terço das pessoas naquela cidade usava.

— Não sei por que ela botou na cabeça que meu nome se pronuncia assim. É cáia, não caiaaaaah!

Estávamos no meio de um encontro, horas depois de ele dar abertamente em cima de mim. Havia me convencido de que a minha noite seria melhor com ele, me levando para um tour pela cidade, conseguindo me fazer querer ir para um local reservado com ele. Não pense besteira, não; eu iria para um lugar reservado com ele para não me manter tão à vista. Digamos que eu não possa... ahn, ser identificada.

— Ela acha que está em algum dos filmes do Jack Chan, só pode — continuou brincando ele. Num salto, desceu de onde estava e deu uma volta completa no próprio eixo, parando na direção de um cassino grande e luxuoso da tão iluminada Las Vegas. O letreiro em neon dizia "Cassino Cruzer", muito embora eu tenha lido "Canino Cruze" num primeiro instante. Eu tenho certo grau de dislexia. — Ela deveria ser contratada por algum estabelecimento dessa cidade, algo com filmes. É capaz de ter algo assim por aqui. Ela se daria bem.

Àquela altura, eu só ouvia o que ele dizia. A minha mente estava divagando para o espaço de tempo entre o fim do meu expediente e o horário do meu encontro com Anthony, focando num momento específico: quando, à tarde, depois de estar convencida a sair com ele, eu fui até a lateral daquele cassino para esconder minhas armas atrás da sua lixeira, sabendo que estaria por ali à noite. Se algo de muito errado viesse a acontecer, não queria estar desarmada, à beira de uma nova morte; cinco delas já era mais do que o suficiente.

— Então... — continuou a falar ele, parecendo incomodado com a minha distração. — Por que exatamente você está olhando para o vão entre aqueles dois cassinos, Kaya?

Eu pisquei os olhos, voltando a minha atenção para ele. Por instinto, a resposta saiu sem que eu sequer parecesse pensar:

— Achei ter visto alguém ali. Mas deve ter sido engano. Desculpe ter ficado meio distraída... mas concordo. Sua mãe com certeza daria uma ótima franquia de filmes — "... de terror", completei mentalmente. Não pegaria muito bem xingar a mãe dele logo no primeiro encontro.

— Acho que ela já está em pauta demais aqui, você não? — disse ele, aproximando demais seu rosto do meu. Pude sentir seu hálito fresco antes de, bruscamente, um homem de preto trombar distraidamente em Anthony, virando-se na nossa direção para pedir desculpas.

Seus olhos encontraram os meus. Meus olhos encontraram os seus. Eu esquadrinhei suas feições anos mais velhas, mas tão igualmente suas... Tinha as mesmas cicatrizes tortas na lateral do seu rosto, a mesma magreza excepcional e a mesma pele negra marcante, desprovida de pelos.

Seu nome era Keegan. Ele foi o meu primeiro assassino.

Quando ele se deu conta de quem eu era, tentou falar algo ao telefone, mas eu golpeei seu braço com força e o obriguei a largar o celular por consequência, vendo o aparelho deslizar pela avenida antes de ser estraçalhado por um carro em alta velocidade. Chutei o seu estômago enquanto ele ainda estava embebido na surpresa e olhei para Anthony como quem pede desculpa, correndo desenfreada em seguida.

Quantos metros até as espadas? Quantos mais da ESCORP estavam por ali? Quais eram as chances de eu sair fugida da cidade sem ser pega — e morta — mais uma vez?

Cheguei ao vão entre os dois cassinos, parando na porta lateral do Cruzer. A lixeira estava metros à frente, mais ao fim do beco; mas para o meu azar, uma forma corpulenta vinha dali, denunciando o óbvio: se eu corresse para pegar as espadas, certamente acabaria tendo que entrar em combate, e eu não daria conta de tantos se aparecessem em número igual ao que apareceu da primeira vez que me pegaram.

Furtiva, entrei no cassino. Podia jurar que tinha ouvido passos atrás de mim.

Percorri um labirinto de camarins, salas de jogos e ambientes-depósitos, tentando avidamente achar algum meio de sair dali sem ser notada ou, de alguma forma, me esconder indubitavelmente bem. Fui esperta o suficiente para pegar roupas extras: um casaco negro com plumagens e sapatos de salto — que apesar de me atrapalharem na corrida, me fariam ter facilidade ao me misturar com a multidão do cassino. Para o meu azar, acabei entrando no que me parecia ser uma sala de reuniões, me deparando com um rapaz aos beijos com um homem mais velho, provavelmente estando acima dos trinta. O crachá pendurado no peito do mais novo informava: "Andrew Baelish - Empresário de Ernst von Weizsäcker".

— Oh. Desculpem. Eu não queria atrapalhar. — Mais uma vez pensando rápido, olhei ao redor como quem procura algo, logo antes de emendar: — Estava procurando o banheiro. Vocês podem me dizer onde fica ou...

— Fica perto do palco principal. Você veio para ver o show do Ernst, o... prodígio de Las Vegas? — perguntou o homem de mais idade, eventualmente parecendo limpar os cantos da sua boca. Pelo jeito, havia sido um beijo e tanto.

— Ah, sim, vim sim — menti para ambos. — Muito obrigado. Não tinha visto. Vou... retornar ao... palco. Desculpem mais uma vez por ter atrapalhado. — Então, fechei a porta. As coisas lá dentro pareceram esquentar, mas de outra forma: o rapaz mais novo pareceu se exaltar, dizendo que "ninguém deveria ter visto" e que Ernst o "mataria se descobrisse". Não que aquilo fosse exatamente da minha conta, é claro.

Quando lembrei que estava em fuga, tornei a procurar uma saída, porém daquela vez com especificidades: estava buscando a porta de acesso ao palco, sabendo que poderia encontrar a saída por ele. E depois de pouco mais de dois minutos, passei pelas portas duplas e me deparei com uma platéia lotada, além de um grupo de pessoas cujo uniforme dizia "staff" perto de onde eu havia surgido. Uma mulher se destacou do grupo e me olhou com estranheza, guiando-me verbalmente para um assento ali perto. Fui obrigada a me sentar quando um locutor avisou para ninguém sair dos seus lugares, pois o show estava prestes a começar.

Ótimo.

Meus instintos me fizeram olhar atentamente cada detalhe do local, procurando a saída mais próxima. Havia uma diretamente à minha frente, do outro lado do palco, além de dois distintos acessos aos bastidores: corredores ínfimo em vãos entre algumas fileiras de assentos. A minha busca por saídas acabou me dando uma visão ampla do local também: parecia ser uma enorme casa de shows dentro do cassino, com uma capacidade fácil para quinhentas pessoas — e com lotação máxima naquela noite. No centro, o palco elevado e intimidador chamava toda a atenção, praticamente monopolizando o foco do público.

Apesar do local me dar certos arrepios e do constante pensamento de que a qualquer momento os capangas de Keegan entrariam correndo pelo palco, caçando-me, me forcei a ficar por ali; como disse, me misturar à multidão era o melhor a ser feito. Foi assim que acabei envolvida no show de mágica que aconteceu naquela noite.

Não posso dizer que realmente prestei atenção ao que via, pois minha mente estava preocupada demais para eu sequer notar, por exemplo, como raios o mágico havia trocado de roupa tão rápido. Ele até que era bom; conseguia prender a atenção das pessoas à minha volta sem muita dificuldade, indo de um truque para outro com uma facilidade incrível. Quando a coroa louros, feita de bronze, saiu voando para os bastidores, admito que me senti impressionada — principalmente porque logo depois ela apareceu na mão da estátua real, supostamente situada em alguma cidade da Itália.

É claro que aquele vídeo deveria ser falso. Também deveria ter algum tipo de cabo na coroa de louros, pois não acreditava que ele fosse genuinamente um feiticeiro, como os filhos de Hécate que Alec, meu antigo mestre, havia citado para mim uma vez. Era impossível que algum deles se desse o ridículo papel de entreter uma platéia mórbida apenas por dinheiro, gastando dons que poderiam ser muito melhor utilizados.

Não é?

— Ele é bom — ouvi um homem de meia idade, logo ao meu lado, comentar com a mulher que parecia ser sua esposa. Ela riu em desdém, soltando um desaforo ao final. O homem franziu o cenho e enterrou-se na cadeira, olhando fixamente para o mágico enquanto resmungava para si mesmo: Que mulher eu fui arranjar...

Creio que a opinião dela e de muitos ali mudou no exato instante em que ele anunciou o próximo passo: as luzes piscaram e, para choque geral, a estátua do vídeo agora estava no centro do palco, deixando todos embasbacados. Como ela tinha aparecido ali tão rápido?

— Se esse cara é bom assim para fazer aparecer coisas, vou pedir para ele fazer o contrário sumir algumas da minha vida — comentou novamente o homem, olhando feio para a acompanhante. Quase disse para os dois que concordava plenamente, mas fui distraída: repentinamente, senti um holofote se acendendo sobre mim, precedido por um sonoro "VOCÊ!" vido do palco.

Por um momento, achei que fosse Keegan. Mas eu estava igualmente ferrada.

Olhei para a fonte da luz e só então para a frente, descobrindo que era o mágico quem apontava para mim. Atrás de si havia um desconfortável e tímido garoto, parecendo ser um dos voluntários para o show. Se eu bem havia entendido, a segunda "voluntária" seria eu.

Engoli em seco, sentindo o pânico crescer em minha glote — o que com certeza era uma sensação traiçoeiramente engraçada para um filho de Deimos. A questão não era simplesmente ser o centro das atenções por alguns segundos, era ser um alvo certo para qualquer um que me procurasse ali. Fosse pelo holofote, fosse por estar sendo convocada ao palco, eu daria muita sorte se não acabasse sendo encontrada por Keega & companhia.

"Pensa, pensa", ordenava à minha própria mente. Eu estava estática na cadeira, ouvindo-o me chamar e emendar frases que eu não entendia bem, tudo parecendo passar em câmera lenta. A atenção do público estava em mim, consumindo o restante de foco que eu conseguia ter — mas ainda assim consegui pensar no melhor: sair dali o mais rápido que podia.

— Encontramos, Keegan — sussurrou uma voz ao meu lado. Esbugalhei meus olhos para o ser corpulento que anteriormente andava pelo beco, desviando minha atenção para os dois brutamontes atrás dele, sentindo uma mão gelada tatear meu coração no exato segundo em que deram um passo na minha direção.

Mudança de planos: o palco era a minha melhor saída.

Fui recebida pelo jovem mágico, que agora de perto me soava jovem demais. Suas feições de adolescente me fizeram perguntar-me mentalmente quantos anos ele tinha, paralelamente ao ímpeto claro que era a necessidade de sair dali. Não queria nem imaginar o que aconteceria comigo se o pessoal do Keegan pusesse as mãos em mim.

O ilusionista disse que era uma honra ter uma japonesa em seu show. Automaticamente rude, o corrigi, distraída:

— Americana, com descendentes da Coréia do Sul. — Ele resmungou algo que tomei como um "tanto faz", e novamente soando grossa e um tanto agressiva, emendei: — Me chama de japonesa de novo que vai ver o "tanto faz" bem no meio das suas fuças.

Quando não estava nervosa, eu era um amor de pessoa.

Virei para a platéia e me deixei ser conduzida ao centro do palco, ficando lado a lado com o outro voluntário. Disfarçadamente olhei para onde os meus três perseguidores estavam anteriormente, encontrando ali um vazio incrivelmente incômodo. Se não estavam na mesma posição de antes, poderiam estar em qualquer lugar, à espreita de um descuido meu. Eu teria que ser muito cuidadosa se não quisesse acabar fatiada como um presunto.

Poderia aproveitar aquela brecha e ir direto para os bastidores. Com sorte, encontraria novamente o acesso para o vão ao lado do cassino, resgatando as minhas espadas e até mesmo outros pequenos pertences, tendo uma chance de me manter inteira.

Mas era claro que as moiras cuidariam de deixar tudo mais interessante, não é mesmo?

Uma segunda movimentação estranha tomou conta do show, arruinando de todas as formas a perfeição do espetáculo que o mágico preparava. Nós três — eu, o garoto ao meu lado e o jovem ilusionista — esbugalhamos os olhos para um grupo de homens de preto, misteriosos e visivelmente perigosos, que nos fizeram prender a respiração com um simples olhar. E como se isso não bastasse, eles gritaram um sonoro "Está ali! Corram!".

Não restava dúvidas: eu é que estava ali. Eles estavam atrás de mim. Só não entendi por que o ilusionista e o primeiro voluntário começaram a correr depois que eu fiz o mesmo, logo antes de me livrar daqueles malditos saltos — uma péssima escolha agora que eu precisava de velocidade.

De soslaio, vi o mágico sumir por um alçapão, enquanto o primeiro voluntário seguia por um acesso aos bastidores. Eu corri para o mais perto de mim e me fiz sumir entre a infinidade de portas, trancando-me numa saleta que servia de depósito para velhas máquinas de jogos, só então respirando fundo antes de tentar colocar meus pensamentos em ordem. Eu precisava de uma distração, e das boas.

Deixei meu corpo relaxar e concentrei-me em materializar uma segunda Kaya, exatamente como eu estava vestida. Em segundos, o meu clone apareceu à minha frente, olhando-me firmemente como se aguardasse uma ordem.

— Você vai chamar a atenção. Quero que saia correndo na direção oposta à minha, fazendo barulho e provocando gritarias, precisa atrair aqueles caras para perto de você. Entendidas? — O clone acenou com a cabeça, passando agilmente pela porta e saindo furtivamente pelo corredor. Não tinha certeza em que momento seria seguido, então esperei um longo minuto antes de espiar a movimentação da área externa e só aí silenciosamente andar pelos bastidores, tentando encontrar a saída.

Quando cheguei de novo à sala onde consegui o casaco negro, vi a mesma funcionária do cassino (a com um uniforme que informava "staff") parada mais à frente do corredor, confusa. Assim que o seu olhar encontrou o meu, me arrependi amargamente de não ter tentado buscar outra saída que não fosse o vão do cassino. Era óbvio que haveria alguém da produção ali.

— Ei, você! — exclamou ela, ainda que baixo. Parecia ter ciência de que eu estava sendo perseguida, fosse pelo motivo que fosse. — Você é que trouxe aqueles caras para cá e arruinou o show, não foi? Desconfiei que tinha algo de muito errado no momento em que você passou pela área de funcionários, garota. A sua sorte foi Andrew ter me avisado que havia uma garota perdida nos bastidores.

Engoli em seco, andando vagarosamente para ela e, de guarda baixa, tentei acalmá-la. Olhar por cima do meu próprio ombro não era uma prática rara.

— Acalme-se. Eu não tive nada a ver com isso. Eu só corri porque me assustei, nem conheço aqueles caras — comecei a argumentar. Ela não parecia convencida, estreitando os olhos para mim a cada palavra que eu proferia.

— Explique isso para a polícia, assim que eu a chamar, sua penetra!

Àquela altura eu já estava a um braço de distância. Concentrei minha energia em dois dos meus dedos e toquei-os agilmente no pescoço da funcionária, torcendo seu braço com violência no momento seguinte e tentando colocá-la contra a parede. O meu azar foi ser mais leve e fraca do que ela: a mulher pegou impulso na parede e jogou seu corpo para trás, tentando me empurrar contra a outra parede, esta às minhas costas. A minha sorte foi soltá-la antes disso, escapando do choque contra a superfície.

Ela era rápida. Desferiu um soco na minha direção, mas eu abaixei o suficiente para não ser atingida, detive seu punho com uma de minhas mãos e soquei a sua barriga com o máximo de força que consegui reunir, soltando a área em que antes segurava somente para dar uma cotovelada em seu rosto.

Só então corri, deixando a mulher ferida e com náuseas. Fui ágil o suficiente para não ter tempo de ver a reação dela, enfrentando mais uma infinidade de corredores antes de finalmente passar pela porta lateral do cassino, dando de cara com o ilusionista de antes. Ele parecia assustado e sem fôlego, tanto quanto eu. Perguntei-me se deveria mandá-lo correr, tirá-lo daquela situação que era só minha, mas não tive tempo: pela mesma porta que eu havia acabado de passar, o primeiro voluntário surgiu, também sem fôlego, tomando a palavra.

— Desculpem por isso. Os caras, a confusão, a correria... É tudo culpa minha.

Resgatei meus itens e olhei para ele, confusa. Do que diabos ele estava falando? Era tudo culpa minha, não era? Ou eu estava muito, muito enganada?
And Now I Quickly Run
extras, observações, itens, poderes e habilidades
— Observações:

1. Sobre a minha maldição: ainda não é algo oficial, mas logo vai ser. Preciso narrar que morrerei pela sexta vez antes de finalmente conseguir a colocação da descrição dela no meu perfil, uma vez que isso poderia atrapalhar o sistema de mortes — uma vez que a sua sétima morte funcionaria como a primeira morte comum de qualquer outro player. Para mais informações, MP ou wpp. q Citei a maldição quando citei a sua vida anterior, e provavelmente citarei mais de acordo com o desenrolar da missão. That's all.

2. Sobre os itens: rebolei para conseguir colocar tudo, mas não tinha tanta justificativa. Tive a ideia de esconder tudo por ali mesmo, num vão (como citei 1532484 vezes), uma vez que Kaya sabia que estaria por ali à noite. Mas ai, difícil, viu? Espero que não tenha soado incoerente. Tentei ser criativo. q²

3. Sobre os NPCs: Sarah é a chefe chata; Anthony é o filho bonitão da chefe, com quem Kaya estava começando a sair; Keegan é o algoz de Kaya; Alec é o seu antigo mestre, a esta altura já morto; por último ainda temos o bebê, que sequer nasceu direito, aparentemente. Quem sabe não coloco um filho dela num futuro, não é mesmo? -q Para mais informações, MP-me.

4. Sobre os truques: Kaya estava distraída demais para se atentar a todos, ou mesmo a detalhes como o chamado ao outro voluntário. Foi um misto de nervoso, distração (por parte do casal ao lado) e seu deficit de atenção, que apesar de não ser citado, é bem presente em todos os semideuses. Espero que não tenha soado incoerente.²


— Itens:

♦ Faca [Sua lâmina bronzeada mede cerca de 24 cm, e seu cabo tem o mesmo comprimento padrão. É bastante afiada e é perfeita para ataque ágeis e rápidos. O bom desta arma é sua eficiência tanto para mãos hábeis quanto para manuseios mais inexperientes, pois é uma arma curta, fácil de esconder e ao mesmo tempo fácil de manusear. Seu punho é feito de aço, mas uma camada de couro escuro cobre o aço para que o usuário possa segurá-la firmemente. Na parte inferior da lâmina, próxima ao cabo, há entalhado as siglas do Acampamento "CHB"; uma propriedade que só os meio-sangues e criaturas místicas podem ter e usar (ajuda um pouco na destreza)] {Bronze, aço e couro} (Nível mínimo: 1) {Nenhum elemento} [Recebimento: Administração; item inscrição padrão do fórum]

{Panic} / Espada [Uma espada longa, com a lâmina medindo 70cm, mais 20 cm de empunhadura. Sua lâmina é feita em bronze sagrado, mas é trabalhada e tingida de preto. O cabo da arma é feito em ébano, reforçado com metal e revestido em couro e a empunhadura simula um dragão negro. Vem junto de uma bainha de couro escuro. No nível 20, Panic se transforma em uma braçadeira da cor da espada.] {Ébano, couro e Bronze Sagrado} (Nível Mínimo: 1) [Recebimento: Presente de Reclamação de Deimos]

{Crash} /Espada [Uma espada longa, com a lâmina medindo 70cm, mais 20 cm de empunhadura. Sua lâmina é feita em bronze sagrado, mas é trabalhada e tingida de vermelho. O cabo da arma é feito em mogno, reforçado com metal e revestido em couro, e a empunhadura simula um dragão vermelho. Vem junto de uma bainha de couro de tom vermelho escuro.]{Mogno, couro e Bronze Sagrado} (Nível Mínimo: 1)  [Recebimento: Presente de Reclamação de Deimos]

♦ Reflex / Caco de vidro [Um caco de vidro de um espelho quebrado. Com ele, Vanessa conseguiu ferir o duplo e derrotá-lo. Por conta disso, o caco acabou sendo enfeitiçado: Uma vez por missão, o objeto poderá, ao refletir luz para o olho de um oponente, causar-lhe ilusões que o atordoam por uma rodada. Para resistência, considerar nível mínimo. Esse nível pode ser aumentado por meio de outras missões e/ou DIY.] (Vidro) {Nível Mínimo: 3} (Recebimento: Parque do Terror, avaliada por Poseidon e atualizada por ~Eos)


— Poderes e Habilidades:

{Deimos — Passivo;} Nível 1 - Desconforto: A aura do filho de Deimos provoca essa sensação nas pessoas ao redor; é inerente, independente da índole dele. Dessa forma, criaturas de nível mais baixo sentem-se pouco a vontade perto do semideus, evitando aproximar-se. Isso faz com que ataques corpo-a-corpo vindo de criaturas nestas condições sejam reduzidos em 10%. Resistência a medo é aplicada. O semideus pode "desligar" a aura se assim desejar a partir do nível 15. [Modificado, antigo "Aura Maléfica I"] < citado por Anthony no começo do post;

{Deimos — Ativo;} Nível 1 - Clone: O semideus cria um clone de si, porém fraco e frágil.  O clone não possui autonomia, apenas imitando as ações e falas do semideus, e surge ao lado do filho de Deimos. Seus ataques não provocam dano, mas tampouco é uma ilusão: o clone é sólido, e apenas visões que determinem o poder/ aura do oponente podem notar qual é o original, desde que o alvo seja de nível acima do semideus. Dura 3 turnos, 1 uso por combate. [Modificado] < usado para distrair quem quer que estivesse atrás dela;

{Deimos — Ativo;} Nível 3 - Toque Maldito: Ao mínimo toque do filho de Deimos, um semideus de até cinco níveis acima sentirá náuseas e mal-estar, ficando com suas defesas reduzidas em 25% por dois turnos. Mas deve haver contato direto, como um aperto de mão, por exemplo. Usos não cumulativos. < usado para causar náuseas na mulher da produção;
Kaya Mahn-Sunwoo
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Re: ♛ Now You See Me {MOPCID para Ernst, Kaya e Connor}

Mensagem por Connor Blaschke em Sab 03 Dez 2016, 20:11

Now You See Me
missão one-post-contínua interna difícil
Na tela, uma parede com papel decorativo muito gasto ostentava letras tortas, desenhadas à mão com tinta preta; era o alfabeto inteiro, do "a" ao "z". Não era só isso, também: havia uma série de pisca-piscas enfileirados sobre as letras de modo que cada luzinha ficasse sobre uma delas, intencionalmente. À frente de tudo isso havia uma desesperada senhora, perguntando inconsolavelmente às luzes onde seu filho estava. A resposta veio logo, assim que as luzes começaram a piscar.

Primeiro acendeu-se a que estava sobre o "r", depois a que estava sobre o "i" e então a que estava sobre o "g", passando para a que estava sobre o "h" e, por fim, acendendo sobre o "t". Right. A palavra seguinte eu já sabia, é claro: here. O filho dela estava ali. Mas como poderia tirá-lo de lá, como poderia salvá-lo? Sem falar, é claro, que havia um monstro no meio daquilo tudo, chamado de Demogorgon pelos garotos da série. Ele deu certo sinal de vida quando a mulher perguntou o que fazer, recebendo "r", "u" e "n" como resposta.

What the fuck... comecei a falar, alarmado. A cena foi capaz de me causar certo arrepio. Quase me levantei do sofá quando o Demogorgon saiu da parede atrás da mulher, fazendo-a berrar alto e sair correndo desembestada. Pareceu ser a deixa para Brooklyn pular sobre o sofá, largando-se inesperadamente ao meu lado. — JESUS!

Eu pulei de onde estava, segurando firmemente o cabo da minha espada — repousada sobre a mesa de centro —, apontando-a de modo vacilante para meu mestre. Ele riu desenfreadamente da situação, só parando quando precisou recuperar o fôlego. Jerk.

— Você precisa relaxar mais, Connor. Não é como se a qualquer momento fosse aparecer o Degomormon para te levar para essa outra dimensão, ou o que quer que for. — Para ele era fácil falar; não vivia sob a pressão de ser levado de volta para um cassino mágico, tendo escapado de lá de maneira desastrosa o suficiente, causando danos à estrutura e fúria nos seus proprietários. Para mim, aquele monstro poderia aparecer sim, mas bem mais humanoide e exponencialmente mais perigoso.

— Primeiro: é Demogorgon, não Degomormon. Segundo: você sabe bem que eu espero ser caçado a qualquer momento, Brooklyn. Argh. — Larguei minha espada sobre a mesa e tornei a me sentar no sofá, tomando cuidado para manter uma distância segura dele; poderia ser perigoso se ficasse próximo o suficiente para ser tocado, principalmente se eu sabia não ser capaz de resistir à sua sedução.

Brooklyn era lindamente persuasivo.

— Você vai passar o dia inteiro vendo série? — perguntou, disfarçando a sua leve aproximação. — Sério que não consegue pensar em nada mais... interessante? Eu tenho várias hipóteses. Tenho certeza que você vai amar todas.

Eu revirei os olhos, mantendo-me calado enquanto fingia ainda assistir o episódio de Stranger Things. O senti se aproximar mais, mais e mais, mas nada dizia — sabia que fazer alarde seria o suficiente para ele dar o bote. E digamos que eu não iria exatamente lutar contra isso.

— Algo mais interessante? Com você? Resolveu que vamos treinar, mestre? cortei-o. Ele fazia aquilo por divertimento; gostava de seduzir, levava qualquer um para a cama por simples diversão, como um reflexo do tipo faceiro que era a sua mãe, Perséfone — até onde eu sabia. Eu, no entanto, levava as coisas mais a sério. Aquele ato de puro capricho me broxava, apesar dos pesares. Ver alguém tão bonito me dando tanta bola, mesmo que de maneira fútil, e mesmo assim ser obrigado a não achar que ele fazia aquilo por mim, não pelo meu gênero... era pedir demais.

Eu sei. Acho-me hipócrita por ter um pensamento desses e ainda assim me deixar levar tão facilmente pela sedução do meu mestre.

— Eu tinha pensado em ir no show de um amigo hoje à noite, na verdade... Mas pelo visto você prefere Stranger Things. — O rapaz levantou-se do sofá e parou à porta da sala, olhando para mim por cima do ombro. — Seria bom para você fazer coisas comuns dessa época, principalmente para Vegas. Um show de mágica te faria bem. Ensinamento do seu mestre.

Eu olhei para o seu rosto, tentando decifrar o que havia por trás daquele convite, mas soou-me completamente verdadeiro. Eu revirei os olhos e encarei a tela mais uma vez, ainda sentindo a presença de Brooklyn no ambiente. Ele sabia que eu ia ceder.

Fine. Mas só depois desse episódio.

— Relaxa. A apresentação é às oito. Temos tempo — disse, enfim saindo. Quando finalmente foquei de verdade na tela, já não entendia mais nada, sequer sabendo que parte estava. Brooklyn tinha o dom de me deixar desconsertado.

• • •

Havia um homem gordo ao meu lado. Não, não apenas gordo. Obeso. Ele poderia facilmente ocupar dois assentos daquela fileira de bancos, mas espremia-se em um, visivelmente desconfortável (e não saberia dizer se era por isso ou por minha culpa, devido a uma aura... ruim que eu tinha descoberto ter). Na minha época, nada disso era real. Não havia tanta porcaria sendo vendida a cada esquina, e consequentemente não havia tantos obesos povoando a cidade. Nossas políticas sociais eram às vezes tão escassas...

Era isso que eu me permitia pensar quando, na verdade, eu gostaria de estar xingando Brooklyn. Era ele que deveria estar sentado ao meu lado, não aquele monte de gordura, não. Mas eu fui ludibriado. Havia ido com ele até a entrada e, então, ele escapou ao dizer que tinha visto um conhecido, não voltando até então. Como resultado, tinha perdido o seu lugar — e eu tinha perdido uma companhia. Maldita hora em que aceitei o maldito convite.

— Senhoras e senhores, por favor, mantenham-se em seus lugares. O show está para começar — ecoou uma voz pelo ambiente, causando um burburinho geral. Parecia que a excitação quanto a aparição do mágico era geral, levando todos à loucura somente ao se mencionar que o espetáculo já ia se iniciar. Eu, ainda carrancudo, me larguei no meu assento e cobri o rosto com uma das minhas mãos, exasperado.

Sucks.

Tudo começou com uma encenação capaz de monopolizar o meu foco. Uma forma que eu julguei ser o mágico saiu de um alçapão, deixando escapar fumaça ao mesmo tempo que o fazia. A platéia foi à loucura, aplaudindo e assobiando, gritando para a forma que havia aparecido. No entanto, para a surpresa geral, um garoto pulou para o palco, removeu um boné, pareceu colocar algo em sua orelha e agradeceu os aplausos, reduzindo a forma que havia aparecido a nada. Foi o suficiente para me fazer sentar ereto na cadeira e prestar a devida atenção, embasbacado. No meu tempo havia mágica, mas não assim.

Boquiabri-me a cada passo do seu show. A mudança de roupa foi fantástica — por mais que eu tenha achado a purpurina um pouco demais... —, a levitação foi delirante e ver aquilo no vídeo, voando, me fez berrar em excitação. Era um wow atrás do outro, estava quase me levantando do meu assento para aplaudir, arrancando olhares de escárnio do obeso ao meu lado.

"Buddy, não sou dessa época, nunca vi nada disso", tive vontade de dizer, mas ele naturalmente não entenderia, e a minha falta de tato com a comunicação com toda a certeza me faria explicar tudo pela metade, enrolando-me por inteiro.

Assim sendo, preferi ignorá-lo. Eu era bom nisso.

Desviei meus pensamentos para Brooklyn, observando ao redor para ter certeza de que ele não havia entrado depois, mas não encontrei seus cabelos loiros em lugar algum. Encontrei uma cabeleira que parecia com a dele, igualmente loira, mas era feminina — e foi assim com outras tantas até que eu desistisse e admitisse, enfim, que ele tinha me dado um bolo.

Nota mental: matar Brooklyn na primeira oportunidade que tivesse.

Minha rápida e costumeira distração foi boicotada pelo piscar rápido e intenso das luzes, fazendo-me olhar rapidamente para o palco, alarmado. Lá, no lugar que deveria estar vazio, havia assustadoramente a estátua que deveria estar na Itália, segundo o mágico. Naturalmente, o vídeo estava sem escultura alguma.

Que tipo de bruxaria era aquela?

Uni-me ao coro enlouquecido que foi aquela platéia, levantando-me sem hesitação enquanto ainda tentava crer — e descobrir — como é que ele tinha feito aquilo aparecer tão rápido. Brook costumava me falar sobre como as coisas tinham mudado desde que entrei no Hotel e Cassino Lotus, sobre como Las Vegas tinha evoluído, e com ela todas as suas atrações. Apesar das histórias incríveis que ele me contava, ver era diferente de ouvir; nenhum dos relatos dele me impediram de ficar maravilhado com o truque.

"Maravilhoso, não é mesmo?", ouvi ecoar na minha mente. A brusca telepatia me fez prender a respiração e levar a mão costumeiramente ao meu quadril, esperando segurar o cabo da espada que infelizmente não estava comigo. Depois de soltar o ar ao notar de quem se tratava, atentei-me ao que ele continuava a dizer: "Ernst é ótimo no que faz. Um verdadeiro artista. Muito embora... conte com certa ajuda. À propósito, desculpe por ter sumido. Motivos de força maior. Só relaxe e aproveite o show, mas depois venha aos bastidores. Quero falar pessoalmente com você."

Brooklyn Skarsgard era um ser ininteligível, mas numa coisa tinha razão: Ernst era ótimo no que fazia. Foi por isso que após o rápido choque ao ouvir meu mestre falando em minha mente, tornei a sorrir como um bobo, sentindo meus olhos faiscarem ao esquadrinhar a maravilha que tinha se tornado aquele espetáculo. Ouvi-lo me chamar para fazer parte da apresentação pareceu coroar a noite.

Meu sorriso parecia cristalizado, eternamente abobalhado em meu rosto, mas ainda assim não deixava de parecer surpreso enquanto meus ouvidos processavam o "Venha, sei que você quer" de Ernst. Virei para os lados tentando ver se ele não estava falando com alguém próximo, mas todos olhavam para mim, parecendo ter plena certeza de que eu é que era o escolhido.

Jesus. Eu queria ir. Eu queria participar do show, ser um ajudante naquela coisa toda, mas não era como se fosse fácil ficar frente a tantas pessoas — sendo alvo de olhares e comentários, tendo que ser o centro das atenções. Também tinha o fato de eu não poder ser reconhecido; se os capangas do Lotus me vissem, eu estaria morto. Literalmente.

Neguei com a cabeça, mantendo-me firme. Eu não iria. Queria que ele pudesse me ouvir e, enfim, parasse de me encarar com aqueles olhos azuis profundos, que parasse de parecer... me envolver... numa...

Damnit, Ernst era lindo.

— Vamos — disse gentilmente uma garota esguia e de pele muito negra, cuja camisa informava "staff". Devia ser alguém da produção. Tentei dizer "não vou", mas ela me segurou pela mão gentilmente, paradoxalmente olhando fundo em meus olhos como se estivesse prestes a me açoitar se eu não me levantasse. Pareceu ser um comando claro que eu obedeci com rapidez, levantando-me e deixando que ela me levasse até o palco.

Ernst me recebeu com um abraço capaz de me fazer arrepiar dos pés à cabeça, ainda que não tenha demonstrado isso. Ele me olhou profundamente por um segundo e, então, virou-se com velocidade para o outro lado da platéia, gritando um "VOCÊ!" muito sonoro. Só não vi de quem se tratava porque Brooklyn fez o favor de se meter na minha mente pela segunda vez naquela noite.

"Não se anime muito, ele tem namorado. E o cara dá de dez a zero em você. Além disso, você tem idade para ser pai do Ernst, acorda." Naturalmente, fiquei com vontade de mandá-lo... hm, dar uma volta por aí. Brooklyn pareceu ler esse pensamento também, rindo em minha mente antes de continuar: "Uuuuh, ele tá irritadinho. Se acalma aí. Mesmo que você fosse da idade do Ernst e mesmo que ele estivesse solteiro, ainda assim você não teria a menor chance. Ele não gosta de caras pobres ou estranhos; e você coincidentemente é ambos. Nunca o conquistaria por inteiro, desista. Agora foco, lembre-se que os caras do Lotus estão atrás de você. Corra ao menor sinal de perigo."

Fechei meus olhos e apertei meu maxilar, visivelmente irritado. Não que eu ligasse por ser menosprezado pela única pessoa que poderia chamar de "amigo"; isso já tinha acontecido tantas vezes que nem mesmo me importava mais, nem me dava o trabalho de fingir que sim. O que me irritava profundamente era duvidarem que eu poderia fazer alguma coisa, receber ordens contrárias a uma mínima vontade minha. Brooklyn ia ver quem é que não tinha chance alguma por ali, quem é que não seria capaz de conquistar Ernst por inteiro. Ah, isso ia.

Quando tornei a atentar-me fielmente ao meu entorno, Ernst estava conduzindo uma garota para o palco, ajudando-a a subir. A sensação de ver aquela infinidade de rostos ao meu redor — incluindo o da garota — era desconfortável, fazendo-me alisar meu braço enquanto os observava de soslaio. Foi então que os vi entrando: usaram as portas principais do ambiente, seguindo enfileirados enquanto circundavam o palco, ainda estando na platéia. Não tive tempo de maquinar muito enquanto era conduzido para a frente da estátua.

Assim que eles disseram as suas primeiras palavras, comunicando uns aos outros que estava ali, no palco o que tinham ido perseguir, eu lembrei das palavras de Brook: "Agora foco, lembre-se que os caras do Lotus estão atrás de você. Corra ao menor sinal de perigo." Não hesitei; corri para fora do palco, pegando um dos acessos para os bastidores (ou assim esperava que fosse), não ligando para os outros dois que estavam comigo.

Ernst e a garota ficariam bem se não me seguissem. Eu tinha certeza de que os caras eram funcionários do Lotus, que me perseguiam na esperança de me levar de volta ao local... ou na de me matar.

Dei passos desenfreados e mais largos do que eu podia, evitando olhar para trás pelo simples fato de preferir manter os olhos no labirinto que já me parecia ser aquele cassino. Nos corredores que eu seguia, havia uma infinidade de portas; todos ambientes de jogos ou camarins, eu presumia. Ocorreu-me que Brooklyn estava ali em algum lugar, que eu deveria me encontrar com ele, no entanto presumia que não teria tempo para procurá-lo e, ainda assim, salvar a minha própria pele ao mesmo tempo.

Entrei numa sala aleatória quando ouvi um barulho no corredor anterior ao que eu tinha passado, me encontrando num ambiente cheio de roupas de gala e alguns trajes que muito me pareciam peças de fantasias. Escondi-me atrás de uma arara de roupas na esperança de ficar invisível até que meus perseguidores sumissem, se dispersassem.

"Onde você está?", ouvi novamente meu mestre falar em minha mente. Pelo seu tom sóbrio — que ele usava sempre que assumia o controle de uma situação mais séria —, Brooklyn parecia estar ciente dos caras que tinham invadido o show. Eu disse mentalmente que estava numa sala que parecia ser um depósito de roupas, descrevendo como podia. Depois disso, não respondeu mais.

Quando estava prestes a chamá-lo mentalmente pela segunda vez, uma luz azulada inundou a sala, fazendo-me tapar os olhos para não ficar cego. Antes que eu sequer pudesse abri-los, senti uma capa sendo jogada em mim, além de sentir um cabo rígido cutucar o meu braço.

Levantei meus olhos para ver Brooklyn portando aquela sua expressão confiante, segurando Darkness com uma de suas mãos, ainda embainhada. Peguei meus itens e os coloquei sobre meu corpo: atei Shadow às minhas costas e pus minha espada na cintura, amarrando sua bainha ao meu corpo. Não tinha a menor ideia de como ou por que ele tinha levado meus itens até o show de Ernst.

— Fique aqui. Vou despistar esses caras, criar uma ilusão sua e depois ver como o Ernst está... ou onde está. Não saia daqui. advertiu-me. Ele saiu da sala e, em protesto, eu o segui, mas fui surpreendido quando ele removeu a espada de sua bainha e a apontou para a minha garganta, encostando a sua superfície gélida na minha pele.

— Você não manda em mim. É meu mestre, não meu dono — falei, sabendo que a lâmina não avançaria um centímetro para a frente, não já estando tão perto de me perfurar. Ainda assim, senti uma leve pressão na área, como se ele segurasse a lâmina com mais fúria após ouvir as minhas palavras.

Na mesma medida que eu não gostava de receber ordens, por mais lógicas que fossem, Brooklyn não gostava de ser contrariado.

— Não banque o transgressor, Connor. Estou falando o que é o melhor para você. Sabe que é melhor ficar bem escondido; do contrário, por que correu quando os caras apareceram — como bem mandei? E por que entrou aqui? Pare de ser teimoso pelo menos uma vez na vida e fique. aqui.

Engoli em seco enquanto sustentava o seu olhar. Responder a isso seria um suicídio: ou admitiria que estava errado e deveria ficar ali, ou admitiria que pelo menos uma vez na vida eu já havia largado a sua teimosia e atendido-o uma vez. Assim, calei-me como se estivesse consentindo e deixei que ele partisse, esperando alguns segundos antes de passar pela porta do depósito e voltar a correr ao procurar a saída.

Às vezes a minha mente era um enrolado de fios de arrogância, prepotência e transgressão.

Deparei-me a certa altura com uma porta velha e gasta, tendo "saída de emergência" em seu topo. "Bingo", pensei, caminhando rapidamente até ela e a forçando, concluindo que ela deveria estar trancada. Pelas marcas em sua extensão e pelo trinco levemente torto, eu diria que já havia sido maltratada várias vezes; e também pelos vidros embaçados e até meio rachados, arriscaria-me a dizer que era inútil tentar usá-la para sair.

Só provei isso quando usei a minha espada para tentar destrancá-la, forçando-a na fresta da passagem para fazê-la abrir a todo custo. Tudo o que eu consegui foi sentir a madeira maciça resistir fielmente, não cedendo nem por um segundo. Mas que raios de saída de emergência era aquela?

Chutei-a com cuidado para não me machucar (apenas para descontar certa raiva) e tornei a correr, procurando por outra saída. Dei sorte de não encontrar nenhum cara do Lotus, nenhuma ilusão de Brooklyn ou o meu próprio mestre, tendo sido a única dificuldade para sair a então desativada saída de emergência.

Depois de uma infinidade de corredores, salas e andares, encontrei um caminho tortuoso para fora do cassino: uma porta para um vão na lateral do local, acabando por chegar a um beco mal-iluminado. O detalhe era que eu não havia sido o único a chegar ali; a outra voluntária e Ernst, o mágico, também estavam ali, todos ofegantes e muito assustados. A culpa era toda minha.

— Desculpem por isso — comecei a falar. Suas testas estavam enrugadas, deixando clara a falta de entendimento da dupla perante a minha fala. Tomando fôlego, continuei: — Os caras, a confusão, a correria... É tudo culpa minha.

— Sua? — indagou Ernst, vacilante. Eu só confirmei com a cabeça, desviando meus olhos dos dele e deixando-os cair nos da garota — pouco antes de ela sair do cenário, indo até uma lixeira próxima —, sentindo-a tentar decifrar-me. Só esperava não ter que explicar muito para nenhum dos dois; se contasse a Ernst qualquer fato relativo ao que Brooklyn havia me dito, não o conquistaria nunca.
And Now I Disappear
extras, observações, itens, poderes e habilidades
— Observações:

1. Sobre o Hotel e Cassino Lotus: coloquei isso no pedido de missão, mas estou reforçando aqui, por via das dúvidas. Resumidamente, Connor acabou entrando no local depois da morte da sua mãe, ficando lá desde os anos 70, quando recebeu a visita de uma mulher e foi retirado dias depois por Brooklyn, que acabou por se tornar mestre do filho de Hades. Ambos saíram de lá de um modo desastroso o suficiente para fazer com que Connor fosse caçado, ainda que isso seja mais paranoia dele do que qualquer outra coisa.

2. Sobre os itens: rebolei para conseguir colocar tudo, mas não tinha tanta justificativa. Tive a ideia de fazer Brooklyn ter ido pegá-los, usando um teletransporte, uma vez que ele sabia que Connor estava desarmado. Mas ai, difícil, viu? Espero que não tenha soado incoerente. Tentei ser criativo. q²

3. Sobre o Brooklyn: já sabe que é o mestre do Connor, filho de Perséfone e Mentalista de Psiquê. Também é amigo do Ernst e está investigando o namorado do rapaz, crente de que há algo de muito errado ali. Ainda não contou isso para Connor, mas esse foi o motivo do sumiço no início da noite, quando chegaram para ver a apresentação.

4. Sobre os truques: Connor viu a maioria, mas em dados momentos estava distraído demais para se atentar a todos, ou mesmo a detalhes como o chamado do outra voluntária. Foi um misto de nervoso, distração (por parte do Brook) e seu deficit de atenção, que apesar de não ser citado, é bem presente em todos os semideuses. Espero que não tenha soado incoerente.²

5. Sobre a cronologia: bom, isso se passa no final de julho de 2016, acho. A maioria das minhas narrações vai ser acronológica; ou seja, vai variar entre passado, presente e futuro, por assim dizer. Obviamente está valendo para as três contas. Fazendo esse adendo (que só agora lembrei de colocar) para ficar tudo organizadinho. É tudo.

6. Sobre as personalidades: tecnicamente, estão em construção. Pode haver pequenas falhas nos três, porque geralmente imagino uma coisa e quando vou escrever sai outra. É a primeira narração das três contas. Releva aí. s2

7. Sobre a dificuldade: caso não tenha ficado claro, foi a porta, mas eu também consideraria a presença de Brooklyn como uma rápida dificuldade, uma vez que houve certa relutância no final da interação dos dois, quando Connor tentou quebrar uma ordem expressa. Tentei fugir da intervenção de terceiros, uma vez que as duas que já fiz (a de Ernst sendo o Andrew e a de Kaya sendo a moça da produção, ainda que nenhum dos dois tenha sido uma batalha real) foram assim.


— Itens:

♦ Faca [Sua lâmina bronzeada mede cerca de 24 cm, e seu cabo tem o mesmo comprimento padrão. É bastante afiada e é perfeita para ataque ágeis e rápidos. O bom desta arma é sua eficiência tanto para mãos hábeis quanto para manuseios mais inexperientes, pois é uma arma curta, fácil de esconder e ao mesmo tempo fácil de manusear. Seu punho é feito de aço, mas uma camada de couro escuro cobre o aço para que o usuário possa segurá-la firmemente. Na parte inferior da lâmina, próxima ao cabo, há entalhado as siglas do Acampamento "CHB"; uma propriedade que só os meio-sangues e criaturas místicas podem ter e usar (ajuda um pouco na destreza)] {Bronze, aço e couro} (Nível mínimo: 1) {Nenhum elemento} [Recebimento: Administração; item inscrição padrão do fórum] < no cós da calça;

{Darkness} / Espada [Espada de 90cm, feita de bronze sagrado. Sua lâmina mede cerca de 70 cm, e sua base é mais grossa que a ponta. A guarda-mão é em forma de um crânio que tem seus dentes pontudos virados na direção do início da lâmina, como se ela saísse de sua boca. Os olhos do crânio são feitos por dois rubis. O cabo e a espiga são revestidos por um couro escuro, o mesmo tipo usado em sua bainha. No nível 20 transforma-se em um anel de caveira] {Bronze sagrado} (Nível Mínimo: 1) [Recebimento: Presente de Reclamação de Hades] < na cintura;

{Void}/ Anel [Anel de caveira que absorve a energia vital das almas dos oponentes mortos, armazenando-as. As almas guardadas podem ser usadas como um combustível na forma de um "buff", ampliando o poder de ataque do semideus em 10% por 3 turnos a cada alma utilizada. A alma utilizada segue ao submundo após isso. Esse efeito pode ser usado apenas 2x por missão. Adicionalmente, 1 vez por missão o filho de Hades pode gastar uma alma coletada para recuperar 10% de sua HP e MP.] [Almas coletadas: 0]{Bronze} (Nível Mínimo: 1) {Não Controla Nenhum Elemento} [Recebimento: Presente de Reclamação de Hades] < no dedo anelar direito;

{Shadow} / Capa [Capa feita de escuridão, lã negra e fios de obsidiana. Com uma magia muito parecida com a do elmo de Hades, a capa faz com que o semideus fique invisível em meio as sombras, mas não modifica o odor do semideus, não diminui o barulho de suas ações ou modifica a estrutura corporal do semideus. A capa pode ser usada em partes do copo ou no corpo inteiro, mas ao passar por um foco de luz a camuflagem passa a ser inútil. Ao usar essa capa apenas como um acessório de vestimenta, mesmo estando sobre a luz ela concede um aumento de 10% na potencia dos poderes referente ao medo que o semideus usar.] {Lã}(Nível mínimo: 1) {Não Controla Nenhum Elemento} [Recebimento: Presente de Reclamação de Hades] < nas costas;


— Poderes e Habilidades:

{Hades — Passivo;} Aura da Morte I [Nível 1]: O filho de Hades emana uma aura que incomoda as pessoas - não chega a afastá-las, mas elas não ficam à vontade. É algo sobrenatural, sem explicação, mas elas tem medo de morrer ao chegar perto. Não afeta  semideuses ou seres mitológicos. Esta aura também afasta as almas muito mais fracas de você.[Modificado] < citado ao descrever o desconforto do homem obeso ao lado de connor;
Connor Blaschke
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Re: ♛ Now You See Me {MOPCID para Ernst, Kaya e Connor}

Mensagem por Eros em Seg 05 Dez 2016, 19:24

now you see me
Never trust a fucking magician

Os três acabaram se encontrando novamente na saída dos fundos, e, após avaliarem as possibilidades, acabaram optando por seguirem caminhos separados, onde teriam mais chances de passarem despercebidos. Talvez tivesse dado certo, se todos não tivessem sido pegos despreparados antes de bolarem um plano realmente eficaz.

No momento que saíram do beco, ainda reunidos, um comboio os cercou, descendo vários homens fortes e vestidos de preto. Eles precisariam unir suas habilidades para tentarem sair daquela emboscada. Mas será que isso seria suficiente para safar a pele do trio?

♛:
- Ernst von Weizsäcker – 120/160 HP | 120/160 MP
- Kaya Mahn-Sunwoo – 130/130 HP | 130/130 MP
- Connor Blaschke – 100/100 HP | 100/100 MP


about the mission
required and additional points

pontos obrigatórios

♛ Como dito na introdução, neste post quero que vocês apontem alternativas que teriam, e um motivo coerente por terem optado seguirem sozinhos (mesmo não conseguindo);
♛ Serão cercados por três SUV’s pretas, descendo cerca de 3 seguranças de cada uma. Logo, temos três adversários por player. Lutem e desenvolvam da forma que acharem mais conveniente, desde que coerentemente. Caso leve algum deles a knockout, não mate. Para título de informação, os homens são meros mortais, porém, treinados pela CIA, portando dominam a arte de uma luta corpo a corpo;
♛ Por mais que temos 3 para 1, quero que unam suas habilidades e técnicas. É dependendo do desenvolvimento deste turno que desenvolverei o restante da trama;
♛ Em momentos diferentes vocês serão derrotados, seguindo a ordem: Connor, Ernst, Kaya, respectivamente. Cada um será colocado em uma SUV diferente, separando o grupo. Os homens que lutaram contra vocês não entrarão, apenas vocês;
♛ Cada um encontrará um homem diferente sentado no banco de trás, juntamente com você, porém todos aparentam estar na casa dos 40 e vestem ternos. As demais descrições ficam para vocês;
♛ Encerrem o post com o homem falando o nome de vocês. Sejam criativos;
♛ Acréscimo de sentimentos, detalhes, tramas, ou qualquer outra coisa que enriqueça a narração são sempre bem-vindos. Sejam criativos.
pontos adicionais

♛ Missão One-Post Contínua Interna Difícil para Ernst, Kaya e Connor;
♛ Ruas de Las Vegas;
♛ Clima 27°C / 20:00;
♛ Coloquem as armas levadas em code ou spoiler ao final do texto. O mesmo deverá ser feito com os poderes, separando-os em ativos e passivos;
♛ Evitem usar templates com barrinhas ou muito estreito (não são aceitos menores de 400px), e muito menos cores cegantes;
♛ Prazo de postagem até 23h59, segundo o horário de Brasília, do dia 15/12/2016;
♛ Não há ordem para postagem, mas acho válido os participantes terem alguma conversa em off para não utilizarem de descrições tão diferentes umas das outras;
♛ O critério de avaliação final usado será o baseado neste sistema Clique;
♛ Caso alguém não poste e nem justifique, perderá 25% do status de HP e MP total;
♛ A premiação máxima consiste em: 600 XP, 75 dracmas e uma recompensa;
♛ Ao final, caso atinja 95% da premiação total, ganhará um item mediano/forte;
♛ A não postagem durante um turno de batalha será punida diretamente com morte do personagem;
♛ Agradeço se me enviar uma mensagem privada assim que postar;
♛ Boa sorte, e surpreendam-me.


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Re: ♛ Now You See Me {MOPCID para Ernst, Kaya e Connor}

Mensagem por Eros em Qui 15 Dez 2016, 17:05

PRAZO ESTENDIDO ATÉ O DIA 22 DE DEZEMBRO DE 2016, ATÉ AS 23:59 (HORÁRIO DE BRASÍLIA) SOB JUSTIFICATIVAS ACEITÁVEIS. EM CASO NÃO POSTAGEM DENTRO DO PRAZO, PUNIÇÕES SERÃO APLICADAS.


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Re: ♛ Now You See Me {MOPCID para Ernst, Kaya e Connor}

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