Percy Jackson e os Olimpianos RPG BR
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— {Chaos and ruin}: MOPCED para Ayla, Alaric, Bianca, Drillbit, Jhonn, Peter e Simmon

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— {Chaos and ruin}: MOPCED para Ayla, Alaric, Bianca, Drillbit, Jhonn, Peter e Simmon

Mensagem por Deméter em Qua 12 Abr 2017, 17:52


Chaos and Ruin
you better run. stay there and you'll die!

D
esde a Grécia antiga, a vida de um semideus nunca foi fácil. Atacados de todos os lados — até mesmo por seus próprios progenitores e patronos —, sempre eram quem sofriam as consequências dos problemas mitológicos. E isso infelizmente não se alterou de lá para cá; seja por serem usados como peões em joguetes das divindades, seja por servirem de alvo para monstros famintos, o destino nunca era agradável aos meio-sangues.

Um grupo em especial estava sentindo aquilo na pele, sem nem saber o porquê. Tinham passado por uma semana caótica, capaz de desestabilizá-los, e por algum motivo as suas habilidades (físicas e especiais) estavam mais fracas do que costumavam ser. Faltava-lhes paciência. E, de certa forma, paz, já que tudo sempre culminava em situações conflitantes e estressantes.

Seu único alívio foi o contato que receberam naquele final de semana, bem quando tinham ido dormir. Em seu íntimo, sabiam que a semana infernal havia acabado. Mas a presença da mulher de vestido esvoaçante e rubro em seus sonhos causava-lhes náuseas, como se não fosse um alento tão bom assim.

Ela os explicou: tinha grandes propósitos para aquele grupo, algo que seria considerado histórico, épico. Mas para isso precisava testá-los primeiro. E foi aí que ficou claro: tudo de ruim até ali estava prestes a ser substituído por algo pior, muito pior. Isso tornou-se palpável quando cada um dos sete semideuses acordou num local diferente do qual tinham adormecido, sentindo, de alguma forma, que a morte os espreitava.

Afinal, era caos e ruína por toda parte.


objetivos
não esqueçam de terminar o turno com vida

— Norteiem o turno pela narração acima, obrigatoriamente devendo colocar os dias infernais citados na introdução. Sejam verossímeis, convençam-me de que realmente tiveram dias ruins (e exijo que detalhem de pelo menos dois acontecimentos que levaram vocês a um alto nível de estresse).

— Com a chegada do fim de semana, vem também o contato, que, como de praxe, será em forma de sonho. Independente de vocês terem ou não tido contato com a divindade antes (explicações em turnos futuros rçr), não a reconhecerão. Ela não contará muito além do que eu disse, então não precisam se prolongar na interação com a deusa; basta seguirem a narração acima. No final do sonho, logo antes de acordarem, vocês vislumbrarão (muito rapidamente) uns aos outros no cenário do sonho.

— Acordarão num cenário de guerra, separados uns dos outros (ou seja, sem contato por agora). Corpos inertes estarão amontoados próximos a vocês e estrondos não muito distantes denunciarão batalhas ainda sendo travadas. Aqui, foquem nas reações dos seus personagens quanto ao que se vê, principalmente na confusão instaurada. Também perceberão que é como se estivessem mortos e acabassem de ressuscitar, levantando de uma das pilhas ao retornar à vida.

— Em determinado momento, todos ouvirão um estrondo mais próximo e, então, sons irreconhecíveis. É como se algo estivesse se aproximando. A voz da deusa surgirá na cabeça de vocês e dirá que o primeiro teste está prestes a começar, que devem agir logo se não quiserem morrer. Ela mal encerra o contato e as criaturas surgem: asas coriáceas com esporões, estatura de fúrias, mas corpo ainda mais enrugado e escuro. Não terão armas, mas parecerão tão ameaçadoras quanto se tivessem, ainda mais por suas garras e presas. São as arai, os demônios infernais das maldições.

— A quantidade de seres é grande demais para se lutar sozinho, então devem obrigatoriamente despistá-las, da forma que bem entenderem poder. Sejam coerentes, pois elas não são burras. Caso seja uma informação necessária: os únicos itens que vocês carregam são os de reclamação/ingresso nos grupos e qualquer coisa casual que possam ter camuflado em seu corpo antes de dormir. Além disso, os efeitos da semana (habilidades físicas como reflexo, velocidade, força e outros, além do efeito dos seus poderes) está reduzido à metade. Nada de PETs ou amiguinhos para ajudar.

— Tendo conseguido despistá-las (e não espero que contem unicamente com a sorte aqui, não me decepcionem), alguns de vocês necessariamente encontrarão-se em (duas) duplas. Necessariamente, três players devem ficar sozinhos: Ayla Lennox, Drillbit Jackson e Bianca Hale Somerhalder. Também cruzarão caminho com NPCs do local, aparentemente soldados feridos na guerra. Nesse momento, as arai retornam; um grupo menor agora, mas igualmente perigoso. Cada um dos componentes das duplas deverá lutar com pelo menos três delas, lembrando-se de suas limitações. Ayla e Drillbit lutarão com seis cada um, enquanto Bianca lutará com quatro. As lutas não precisam ser simultâneas.

— Inevitavelmente, os demônios matarão alguns dos NPCs que vocês encontraram. Nas batalhas que vocês travarem, os seres devem ser mortos, mas aqui há um adendo: toda vez que uma arai é morta, uma maldição cai sobre vocês, já que elas são os demônios das maldições.

— Tais maldições são referentes a pragas que já jogaram em vocês, relacionadas aos monstros que vocês já derrotaram. Se cegou um ciclope, por exemplo, acabará ficando temporariamente cego de um olho; se incendiou uma harpia, sentirá o corpo em chamas, apesar de resistências. Essas maldições não gastam HP ou MP, apenas dificultam a batalha. Cessarão quando todas as arai do recinto estiverem mortas.

— Após a batalha, encerrem o turno com um leve deslocamento, acabando por se encontrarem. Só aí perceberão: apesar do cenário destruído, aquele é um local conhecido. E vocês também se reconhecem; tanto de situações anteriores, quanto do vislumbre no sonho. Estão, afinal, no que sobrou do Acampamento Meio-Sangue, ou assim parece ser. Reajam coerentemente à descoberta de que estão ali, do local e de tudo o que aconteceu até o momento, lembrando sempre da coerência.


Adicionais
tudo sobre o local e as diretrizes — para fins de organização

— Diretrizes: missão op-contínua externa difícil; primeiro turno.

— Local inicial: NY (Ayla) e Acampamento Meio-Sangue (demais).

— Local do turno: Acampamento Meio-Sangue (outra dimensão).

— Clima: úmido e poeirento, com cinzas no ar. Ventos fortes e céu nublado.

— Extras off: poderes, armas e possíveis mascotes deverão ser colocados em spoiler ao final do post, para fins de organização.

— Adendos: informações não dadas poderão ser acrescentadas por vocês, porém com coerência. Qualquer coisa, contatem-me via MP, Fb, Wpp, carta, sinal de fumaça, etc.

— Prazo de postagem: 30 dias, vencendo no dia 12 de maio de 2017, às 23h59m.


Participantes
sobre os participantes, de players a monstros

Ayla Lennox, filha de Selene e Mentalista de Psiquê, nível 119. (PLAYER)

  • vida: 1140/1280;
  • energia: 1187/1280;

Alaric L. Carter, filho de Nyx e Feiticeiro de Circe, nível 79. (PLAYER)

  • vida: 880/880;
  • energia: 880/880;

Bianca H. Somerhalder, filha de Selene, nível 88. (PLAYER)

  • vida: 970/970;
  • energia: 970/970;

Drillbit Jackson, filho de Atena e Feiticeiro de Circe, nível 106. (PLAYER)

  • vida: 1150/1150;
  • energia: 1150/1150;

Jhonn Stark, filho de Héstia e Curandeiro de Asclépio, nível 77. (PLAYER)

  • vida: 860/860;
  • energia: 860/860;

Peter Lost, filho de Zeus, nível 55. (PLAYER)

  • vida: 640/640;
  • energia: 640/640;

Simmon Wilem Brandeur, filho de Zeus e Mentalista de Psiquê, nível 46. (PLAYER)

  • vida: 550/550;
  • energia: 550/550;

— Arai, demônios infernais das maldições, nível 10. (MONSTROS)

  • vida: 270/270;
  • energia: 270/270;
  • adendos: aqui não terão/usarão poderes, apenas o que suas habilidades passivas permitem. Considerar como uma harpia mais forte, com o adicional da habilidade ao morrer (já citada nos pontos obrigatórios).




deméter, sweetheart
SE VOCÊ NÃO COMER O CEREAL, O BANHAMMER É QUE VAI COMER! n
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Re: — {Chaos and ruin}: MOPCED para Ayla, Alaric, Bianca, Drillbit, Jhonn, Peter e Simmon

Mensagem por Bianca H. Somerhalder em Qui 13 Abr 2017, 15:05


chaos and ruin
 

please, baby
Party girls don't get hurt
A semana havia sido uma das piores da vida de Bianca, e ela não parava de pensar sobre isso nem um segundo sequer. Por ser uma semideusa, talvez ela devesse estar acostumada com uma vida razoavelmente horrível, mas nunca tinha passado por coisas como aquelas em sequência. Alguns dias atrás havia finalmente matado seu pai, o que achou que fosse a deixar em um pedestal de felicidade, mas seus pesadelos somente aumentaram: toda vez que fechava os olhos e adormecia, imagens de seus irmãos chorando e implorando pela vida do pai repassavam em sua mente, fazendo com que acordasse assustada e com lágrimas nos olhos; levantava da cama com falta de ar e náuseas, muitas das vezes se deixando cair no chão em desespero. Além disso, havia recebido uma ligação do pai de Kai — o filho da lua que ela própria matara por conta de sua maldição — convidando-a para o enterro da esposa que recentemente morrera de câncer, e Bianca achara insensível não comparecer: infelizmente, foi um erro. Fotos de Kai com a mãe adotiva estavam espalhadas pelo local, e Somerhalder não conseguiu sequer disfarçar suas emoções. Aquilo, para ela, fora como um golpe direto no coração, já que a menina detestava demonstrar quaisquer sentimentos. Também houve a presença de pequenos acontecimentos ruins, mas que a irritaram profundamente: qualquer coisa estava a incomodando.

Naquele momento, se encontrava dentro do Acampamento Meio-Sangue, e se odiava por isso tanto quanto odiava o lugar. Mas a última semana havia lhe causado mais estragos do que poderia imaginar, e seu cansaço dobrara por causa disso, de modo que precisara ir ali para procurar uma enfermaria; também sentia que suas habilidades estavam menores do que estava acostumada, e por isso seria mais seguro passar a noite junto com os semideuses novatos insuportáveis. O chalé de Selene se encontrava pouco povoado, e assim podia até ser considerado reconfortante por Bianca. Sua antiga cama ainda tinha o seu cheiro.

De algum modo misterioso, a menina conseguiu dormir sem que os pesadelos viessem à tona. Dormiu por alguns minutos gloriosos antes de imagens irromperem em sua mente, mas não eram como as de costume. Ilustravam uma mulher de vestido rubro esvoaçante com aspecto encantador, e de certa forma ela passou algum conforto para Somerhalder. Parecia que tinha sido tirado algum peso de suas costas. Ao mesmo tempo, também sentia que algo ruim estava para vir. Era uma sensação mista.

— Talvez esteja achando que as coisas vão melhorar a partir de agora... Bem, não irão — seu sorriso era assassino, quase insano. Parecia estar se divertindo muito, e Bianca achou isso curioso, talvez até incrível. — Eu tenho propósitos épicos para você e um grupo de pessoas, mas para isso preciso testá-los...

A mulher — uma deusa que Bianca não conhecia, levando em conta sua aparência esplêndida — foi embora tão rápido quanto tinha chegado, e após isso imagens rápidas passaram por sua cabeça: eram semideuses em um cenário de caos e destruição. Reconheceu Ayla, Alaric, Jhonn e Peter, mas havia mais dois meninos que ela nunca tinha visto. Não deu tempo de analisá-los por muito tempo, já que acordou segundos depois.

Diferente do que esperava, não pareceu que estava somente acordando; parecia que estava respirando depois de muito tempo sem o fazê-lo, e que seu corpo há muito não se mexia. Era como se acabasse de ressuscitar, e não tinha o feito no mesmo lugar em que se encontrava antes — o chalé de Selene —, mas sim em um cenário totalmente novo. À sua volta havia corpos para todos os lados em um ambiente nublado e com muitos ventos, e quando Bianca pensou em se arrastar para analisar algum deles, um estrondo extremamente alto a fez dar um pulo e se sentar. Aquilo era uma guerra? Apesar da surpresa e da confusão, Somerhalder sorriu: ela gostava de guerras. O sorriso, entretanto, desapareceu assim que se tocou do que estava acontecendo. Talvez aquele fosse o teste do qual a deusa falara, e com certeza aquilo devia causar receio na menina. Mas, como era orgulhosa, levantou-se e estufou o peito. Enfrentaria qualquer coisa para provar que era capaz.

Assim que o fez, outro estrondo ainda mais próximo dela veio, mas dessa vez não a pegou tão desprevenida quanto antes. Também pôde ouvir um som irreconhecível de algo se aproximando, o que a fez se virar com rapidez. O que caralhos seria aquilo?

“Seu primeiro teste está para começar. Apresse-se se não quiser morrer, querida.”, retumbou a voz da deusa, que aparentemente se encontrava só na cabeça da prole da lua. Tendo a confirmação de que aquele era o teste mencionado, Bianca aprumou ainda mais sua postura e focou toda sua atenção na direção de onde vinha o barulho, e percebeu que agora já era possível ver as criaturas.

Pareciam ser centenas de monstros, os quais Hale teve a audácia de pensar serem fúrias ao longe, mas logo reconheceu como algo mais assustador: tinham asas estranhas que ela sequer conseguia descrever com palavras do seu vocabulário, e seus corpos eram muito mais enrugados e escuros. Nunca tinha visto aquele tipo de criatura em toda a sua vida de semideusa, e pensou que mais tarde talvez descobrisse o nome. À medida que chegavam mais perto, Bianca podia ver suas garras e presas ameaçadoras, fazendo-a ter certeza absoluta de que não podia lutar com todas elas. Teria de dar um jeito de escapar.

Começou a fugir o mais rápido que podia ao mesmo tempo em que pensava em uma estratégia e, de repente, pôde sentir levemente — um resquício de poder muito menos forte do que o normal — uma fonte de água a alguns metros. As criaturas ainda estavam a uma boa distância dela e, se conseguisse correr rápido o suficiente, poderia se jogar no lago antes que essas a alcançassem.

Foi o que fez. Guiou-se até a fonte de água na maior velocidade que pôde e, assim que a avistou, jogou-se dentro dela em um salto quase olímpico, ficando ali debaixo por algum tempo. Além dos monstros não poderem a ver, pretendia despistar seu cheiro para que não a farejassem também, supondo que tivessem um bom olfato. Conseguiu ficar sem respirar por uns dois minutos seguidos, sendo que até chegou a ouvir aquele barulho inconfundível das asas passando pelo lago e indo embora. Assim que seu ar acabou e teve certeza de que não havia mais daquelas coisas, saiu do lago.

Ficou imensamente satisfeita consigo mesma ao perceber que havia conseguido. Sacudiu-se levemente para que o excesso de água em suas roupas diminuísse, e após alguns minutos andando já estava quase seca, já que o vento estava muito forte. Percebeu com indignação que cinzas do ar prendiam-se em seus cabelos, mas desistiu de afastá-las depois de algum tempo e focou-se em seu caminho.

Andou por pouco tempo e logo viu três pessoas vivas, respirando e em pé. Deduziu que eram soldados, já que suas expressões cansadas e ferimentos à vista demonstravam que estavam ali há mais tempo do que ela. Aproximou-se deles: eram dois homens e uma mulher. O homem maior tinha a pele negra e os cabelos pretos até o ombro, enquanto o outro possuía a pele pálida e olhos azuis; a mulher, morena e alta, segurava o rosto fino com dor, e Bianca reparou que sua bochecha sangrava muito. Ambos do sexo masculino tinham ferimentos, embora menos graves e perceptíveis.

Pigarreou levemente para que notassem sua presença, e todos se assustaram ao vê-la. Levaram as mãos às armas, mas Hale levantou as próprias mãos para cima para mostrar que não queria lutar. Mesmo assim, lançou um olhar breve para sua espada, e com surpresa não a viu ali. Chegou a pensar que estava sem nenhum objeto de defesa, mas com alívio percebeu que apenas os maiores e mais visíveis haviam sido retirados dela.

— Está tudo bem, eu quero ajudar... — Se contorceu levemente ao falar essa última palavra, já que odiava ter de ajudar os outros. De qualquer modo, ela também precisava deles para entender o que acontecia, então colocou em sua cabeça que era uma relação de mútuo benefício. Não era um favor se os dois lados saíam ganhando. — Onde eu estou?

Não teve tempo de receber uma resposta. As mesmas criaturas de antes voltaram fazendo um barulho de proporção menor, e Bianca as procurou com desespero. Soltou um suspiro de satisfação ao perceber que eram apenas quatro delas. Distinguiu os soldados se mexendo atrás dela para lutar, mas segurou o riso ao fazer a constatação de que eles estavam patéticos de tão machucados, de modo que não conseguiriam ajudar em nada.

Pegou sua adaga e apertou-a em sua mão, ansiosa para a batalha. A primeira criatura que chegou perto tentou rasgar seu ombro com as unhas, mas Somerhalder se abaixou bem na hora e chutou-a para longe, desferindo um murro com seu anel — que possuía uma pequena garra — na próxima que se aproximou.

Identificou os soldados fazendo força para atacar uma delas, mas o monstro estava realmente causando mais dano do que sofrendo, e Hale praguejou por não ter achado pessoas mais úteis do que aquelas. Em certo ponto, a mulher teve garras cravadas em seu estômago, o que a fez cair e não levantar nunca mais.

Os dois homens estavam fazendo o possível para pelo menos atrasar os bichos, e Bianca estava conseguindo desferir golpes precisos em seus adversários, apesar da dificuldade atual que tinha, provavelmente causada pela deusa do sonho. Em certo ponto, a prole da lua acertou sua adaga do “clube da astronomia” na cabeça do monstro, e na mesma hora ele caiu morto.

Para surpresa de Hale, ela também caiu junto. Sentiu uma dor profunda em seu estômago, como se tivesse levado uma facada naquele ponto. Demorou um pouco para que seus pensamentos voltassem a funcionar normalmente, mas, quando os fizeram, Bianca entendeu. Eram arai, os demônios da maldição; sempre que você matava alguma, uma maldição que algum monstro jogou sobre você vinha à tona. Lembrava-se de ter lido sobre elas em um livro quando era uma semideusa novata.

Levantou-se com dificuldade e, tentando ignorar a dor, agarrou um de seus shurikens e jogou numa arai cujas asas estavam em um ângulo estranho. Acertou em seu pescoço e, mais uma vez com muita dor para Somerhalder, a criatura caiu. Daquela vez, a menina sentiu que seu pescoço estava sendo puxado para fora de sua cabeça, e ela certamente achava que não podia respirar decentemente.

Foi um grito agudo que chamou sua atenção. O soldado maior estava gritando no chão de dor, aparentemente porque a arai havia enfiado os dentes afiados em seu pescoço. Ele não tardaria a morrer, e o outro já estava morto há muito, embora Hale não tivesse presenciado sua morte.

Nesse exato intervalo de tempo, um dos monstros que ainda estavam vivos se aproximou de Somerhalder sem que ela percebesse — estava deveras preocupada com as dores que sentia — e, com um movimento rápido, passou as garras no ombro da menina. Contorcendo-se de dor, ela rangeu os dentes com força pra não gritar.

Respirando com dificuldade e tentando suportar ferimentos tanto inexistentes quanto existentes, Bianca aprumou-se e pulou em cima da criatura que a atacara, enfiando sua adaga em suas costas. Essa também morreu, e daquela vez a prole da lua sentiu como se estivesse afogando, perdendo cada vez mais o ar que lhe sobrara. Estava desesperada para voltar a se sentir normal.

Sem fraquejar, mirou a ponta da arma bem no meio da cabeça do último monstro, e a arremessou como se toda a sua vida dependesse daquilo — e talvez dependesse mesmo. Acertou. A maioria de suas dores cessou de imediato. Bateu os joelhos no chão com um alívio imenso, respirando como se nunca tivesse o feito antes. Embora ainda sofresse a dor do ferimento no ombro, ele parecia realmente irrelevante diante a situação que acabara de ocorrer. Rasgando um pedaço da blusa, Bianca amarrou-o no ombro direito.

Demorou uns cinco minutos para se recuperar totalmente e recomeçar a andar. Sempre para a direita, andou por algum tempo indefinido, mas que com certeza não era muito. De repente, pareceu que estava tendo um déjà vu. Parou de se locomover e observou ao seu redor, notando com uma exclamação muda que já havia estado naquele mesmo lugar, naquela mesma situação.

Estavam parados ali Ayla, Alaric, Jhonn e Peter, além de mais dois garotos que ela não conhecia. Era a mesma cena que havia se passado em seu sonho. Olhando à sua volta, demorou a distinguir que local era aquele. Mas distinguiu: era o Acampamento Meio-Sangue.

Ficou sem reação. Não podia ser possível que o Acampamento estivesse destruído. Por mais que odiasse aquele lugar, era sempre lá que ela buscava ajuda; era sempre o lugar a que ela recorria como última opção. Como poderia estar havendo uma guerra dentro dali?

Suspirando, a menina fechou os olhos por alguns instantes. Aquilo tudo era mesmo real?

pormenores:
armas:
*As armas que se encontram em negrito são os presentes de reclamação ou objetos que podem ser camuflados no corpo de Bianca, e portanto estão com ela nesse primeiro turno:

{Falling Stars} / Shurikens [Conjunto com 10 shurikens de bronze sagrado, mas que se repõem sempre, funcionando quase como um "conjunto de shurikens infinitas". São guardadas em um estojo de couro e veludo. O alcance é limitado à força do semideus, mas não ultrapassa 25m. Podem ser atiradas até 2 por turno, e ambas seriam afetadas pelos poderes.] {Bronze sagrado} (Nível mínimo: 1) [Recebimento: Presente de Reclamação de Selene]

{Moonlight} / Adaga [Trata-se de uma adaga com a lâmina ligeiramente mais larga e curva. O seu formato é levemente arredondado – o que lembra uma lua na sua fase crescente. O cabo tem uma espécie de cobertura (como em sabres) feita de bronze sagrado, o que dá certa defesa as mãos daquele que a está empunhando. Tem uma coloração esbranquiçada e toma um tom azulado quando exposto à luz lunar. No nível 20, se torna um botton escrito "CLUBE DE ASTRONOMIA".] {Bronze Sagrado} (Nível Mínimo: 1) [Recebimento: Presente de Reclamação de Selene]

{Backstab} Adaga [Adaga de bronze sagrado. Diferente do comum, a daga possui uma empunhadura com meia guarda, que protege a mão do portador parcialmente, sem contudo interferir em seus movimentos.]

{Perfidious} Anel [Anel dourado em forma de garra, se encaixa no dedo indicador do arauto. É afiado, mas seu dano seria semelhante a de uma ponta de flecha se usado em ataque corporal, devido ao tamanho diminuto. Ainda assim, possui a capacidade de inocular veneno ao toque, seja diretamente, seja transmitindo o poder para a arma segurada. O veneno é debilitante, sendo considerado um veneno sobrenatural do nível do personagem, para fins de resistências - mas RM não se aplica - e causa a perda de 5% do HP do alvo por 3 turnos seguidos. 1 vez por missão. Adicionalmente, o anel detecta a presença de venenos em um raio de 5m do semideus, esquentando levemente como sinal, ainda que o semideus deve procurar para achar o local exato da presença da substância - a temperatura do anel indica a proximidade. Ambos os poderes só funcionam se o anel estiver sendo utilizado - apenas carregá-lo não permite nenhuma das duas coisas]

{Temptation} Colar [Colar com pingente de uma maçã com uma serpente enrodilhada. Emite um cheiro levemente adocicado. Portá-lo aumenta os poderes de charme, persuasão e lábia do Arauto em 10% sempre que em uso (efetividade e chance de acerto, mas não efeitos ou duração). Uma vez por missão pode ser ativado de forma a recuperar 20% de seu HP e MP]

— {Bravery} / Dog tag [Aparentemente uma placa normal de identificação do exército, com os dados básicos do semideus. Com uma bênção mágica contínua, abençoa seu utilizador com um bônus de 15% em sua força física e providencia uma resistência de igual nível a poderes e auras que envolvam os atributos medo e pânico.] {Prata} (Nível mínimo: 1.) [Recebimento: "Face Your Fears", treino trimestral para filhos de Selene e Hipnos. Avaliado por Ayla Lennox e atualizado por ~Lady Íris~.]

♦ {Luto} / Bandana Preta [Carregando a aura pesada do atentado terrorista ao Acampamento no réveillon, essa faixa preta do tamanho de 50cm de comprimento por 5cm de largura possui uma propriedade interessante: tais como em cerimônias lúgubres, onde se dedica um minuto de silêncio em respeito à fatalidade ocorrida, os movimentos do usuário ficam silenciados por um turno inteiro; tal "bênção", no entanto, não afeta fala ou poderes (não se poderia silenciar uma explosão, por exemplo), podendo ser utilizada unicamente em ações relacionadas à movimentação (um pulo, uma caminhada, uma corrida, o ruído de passos - desde que provindos do portador, seriam silenciados e não poderiam ser escutados, independente de poderes como "audição perfeita"). Pode ser utilizada duas vezes por ocasião (missão, evento, treino, dentre outros).] {Tecido preto} (Nível Mínimo: 1) [Recebimento: Evento de Encerramento, "Burn, Baby, Burn! - Postagem Aberta". Jan/2015.]

Colar de caranguejo gigante [Colar comum, feito de fibras de algas com uma pinça de carangueijo, avermelhada. Duas vezes por missão o portador pode soltar uma profusão de bolhas que ocupa uma área de 3m de raio ao seu redor e duram 3 turnos. As bolhas não provocam danos mas impedem a visibilidade, fazendo com que todos os ataques à distância tenham uma chance de falha de 50% por 3 turnos, não cumulativos. Adicionalmente, ao fim do poder, o solo da área fica encharcado, dificultando o equilíbrio e reduzindo a movimentação na área em 50% por 2 turnos. Para fins de resistência, os poderes do item equivalem ao nível 41. (Nível mínimo: 41) {Material: alga e pinça de carangueijo) [Ganho como recompensa pelo evento "O levante"]

Braçadeira quitinosa [Braçadeira lisa e cilíndrica, de tons avermelhados. Ao ser ativado, faz com que a pele do semideus tenha suas características alteradas, se enrijecendo, aumentando sua resistência a golpes físicos em 50% por 3 turnos. 1 vez por evento. (nível mínimo: 07) {Material: pele de carangueijo gigante} [Ganho como recompensa pelo evento "O levante"]

❃{Ilusion} / Anel [Enquanto saia do local em que tinha sido mantida prisioneira, a filha de Selene encontrou um anel no formato de uma caveira negra. Tal item exala uma constante fumaça negra que só poderá ser enxergada por aqueles que tiverem a permissão de seu portador sendo útil para a localização de se portador. De modo que as outras pessoas não enxergam a fumaça, assim a semideusa pode desejar que ninguém veja a fumaça, ou que ao menos uma pessoa a encontre. A desejo do portador e apenas uma vez por missão, a fumaça exalada aumenta deixando uma área de 3x3 completamente no escuro impossibilitando a visão de seu inimigo por três rodadas. Poderes que permitem visão no escuro são afetados em 40%, pois se trata de algo mágico não uma escuridão normal.] {Bronze} (Nível Mínimo: 30) {Nenhum Elemento} [Recebimento: Missão Save Yourserlves, avaliada por Athena e atualizada por Asclépio]

♦ {Leviathan} / Pulseira O devorador de homens.". Uma vez por missão ou evento, ao ser ativado, as letras emitem um brilho bem fraco e as semideusas são induzidas a um estado combativo acima do normal. Isso aumenta em 30% os efeitos e danos causados por ataques corpo-a-corpo. O efeito dura até duas rodadas, mas pode ser interrompido de acordo com o desejo do usuário.] {Ouro, magia} (Nível mínimo: 40) {Não controla nenhum elemento} [Recebimento: Missão - Leviathan. Avaliada por Éris e Atualizada por Asclépio]

Δ {Stetia} / Espada [Item ganho na entrada de Bianca ao grupo de semideuses, é feito de bronze sagrado e cabo do mesmo material, envolto com couro para melhor manuseio. Possui 110 cm de extensão da ponta da lâmina ao fim do cabo, sendo uma arma um tanto quanto pesada, mas podendo ser empunhada com uma única mão, ainda que requeira um pouco de força; seus atributos, porém, compensam sua dificuldade: a espada, uma vez por ocasião, pode ser envolta com uma energia de fonte desconhecida que dobra o dano causado no oponente, desde que com a lâmina da arma. A espada vem acompanhada de uma bainha de couro simples.] (Nível mínimo: 40) {Bronze sagrado e couro} [Recebimento: por Harmonia na missão "Attracting", atualizada por Asclépio.]

◆ {Luck} / Ficha de Cassino [É uma ficha de cassino comum, aparentemente. Tendo a cor vermelha e os números escritos em branco, só dá para se notar o brasão do cassino pelo toque. Sua habilidade especial é que, uma vez a cada missão e em somente uma rodada, quando ativa enquanto segura pela semideusa, ela permite que a portadora escape de somente um golpe vindo de um oponente ao teleportar-se o mínimo de distância possível para desviar-se do ataque. Caso venha mais de um golpe, o amuleto só pode ser usado em um deles, tendo que defender o outro normalmente, caso o teleporte ainda a deixe na linha de ataque - definido pelo narrador, a ficha só leva para o espaço livre próximo, mas a semideusa não define o local. Caso seja um golpe em área, aplica-se o máximo de cinco metros de raio para teleporte, se o ataque pegar mais do que a área de teleporte, os danos serão calculados normalmente. Para ativá-lo, a usuária precisa ficar rodando a ficha entre os dedos de sua mão.][Material: Plástico.][Nível mínimo: 65][Recebimento: Missão "Money Lies", avaliada por Poseidon e atualizada por ~Eos]
mascote:
*Não se encontra com Bianca nesse primeiro turno, mas talvez possa participar de turnos posteriores:

Águia [Bifrörsk possui penas totalmente brancas, e não obedece a mais ninguém além da própria dona, Bianca. Fora isso, possui as mesmas características descritas no bestiário.] [450 HP/ MP] [Adulto] [Recebimento: DIY "World, I hate you", avaliada por Tânatos e atualizada por Asclépio. Evolução: DIY "Freedom", avaliada e atualizada por Hécate.]
poderes:
Nível 1: Perícia com adagas e armas laminadas pequenas
O filho de Selene se habitua mais fácil a este tipo de arma, apresentando um aprendizado mais veloz e um manejo mais natural. Apenas para adagas, facas e punhais, armas com estruturas e alcance semelhantes, exigindo técnicas parecidas. Note que a perícia apenas implica uma dificuldade menor no manejo e aprendizado, bem como certa facilidade em utilizar as técnicas conhecidas, mas não implica em conhecimento instantâneo ou precisão absoluta. [Modificado] [passivo]

Nível 4
Gosto pelo perigo - Arautos são rodeados por uma aura que instiga seus alvos. Isso faz com que eles próprios possam se tornar uma tentação em si, como se rodeados por uma aura sobrenatural - não mudará a aparência, mas mesmo que seja feio, o arauto ainda será considerado "instigante", "carismático", "exótico" ou similar - o famoso "ele não é bonito, mas tem um certo "que" que não dá pra explicar". Seus poderes de charme são ampliados em 5% a partir deste nível, aumentando para 10% no nível 14, e mais 5% a cada 10 níveis subsequentes, chegando ao máximo de 25% no nível 44. [passivo]

Nível 14
Controle dos males IV: Hisminas - Filha que rege as discussões e disputas, situações que exigem um pensamento claro e raciocínio veloz. Por isso, seguidores da deusa da Discórdia desenvolvem uma capacidade de raciocínio acima do comum. Isso tanto faz com que consigam reagir e bolar estratégias rapidamente, quanto faz com que se recuperem mais rapidamente de ataques de confusão - habilidades e efeitos do tipo ou que visem tirar seu foco e concentração são reduzidos em 25% para oponentes de nível menor, ou 10% para oponentes de nível igual ou maior. [passivo]

Nível 17
Controle de Males V: Disnomia - Às vezes traduzida como desrespeito, outras como desordem - aspecto adotado com certa frequência e aqui representada. A partir desse nível Arautos detectam a concentração de emoções hostis e caos - seja um palanque político de debates, um ringue de luta livre ou uma guerra. O raio de sentido abrange 100m, aumentando mais 100m a cada 15 níveis após adquirir o poder. [passivo]

Nível 18
Agilidade corporal - Éris é veloz, e seus seguidores também precisam ser. Sua velocidade e capacidade de movimentação tende a ser um pouco maior do que a de pessoas comuns - cerca de 10%. Não permite que faça mais de um ataque por turno, mas aumenta suas chances de acerto em caso de ataque corporal, e suas reações de reflexo/ defesa no caso de ataques físicos. [passivo]

Nível 20
Andar silencioso - Os arautos desenvolvem uma propensão para a furtividade, e isso se reflete em sua postura e movimentação. Não quer dizer que não produzam ruído algum, mas que seus passos são mais leves e silenciosos - e, consequentemente, mais difíceis de detectar - do que o de semideuses comuns. [passivo]

Nível 21
Controle dos Males VI: Ponos - Éris é mãe de Ponos, a fadiga. Seus seguidores, por sua vez, mantém uma relação distinta com esse fator - eles não são tão afetados pela fadiga natural, conseguindo suportar esforços físicos maiores. Seu gasto de Mp para atividades naturais será sempre de 50% comparado a semideuses comuns. Isso não afeta o uso de poderes, seja da parte deles, sejam efeitos de poderes nocivos - nesse ponto, o gasto é normal. [passivo]

Nível 25
Ambidestria - Seguidores de Éris, com o tempo e o treino conseguem desenvolver o uso de ambas as mãos. A ambidestria não aumenta sua força, contudo - então, apenas armas leves ou de uma mão só conseguem ser portadas em cada mão. [passivo]

Nível 27
Controle dos Males VII: Ate - A ruína e insensatez. Arautos, apesar disso, desenvolvem uma espécie de bom senso - justamente pela proximidade desse daemon, eles sabem melhor como evitá-la. Quando em uma situação que envolve uma escolha explícita de um curso de ação, eles intuirão o caminho com menos chances de falhas. Não implica agir sobre qualquer golpe - por exemplo se deve acertar o oponente pela esquerda ou direita -  mas apenas quando a escolha é imposta a eles de forma direta a modificar os resultados de algo - tentar acertar o oponente que mantém um refém ou baixar as armas? Para ser interpretado corretamente deve-se conversar com o narrador/ avaliador. Note que apesar de indicar a chance com menos falhas, não anula a possibilidade de erro. [passivo]

Nível 45: Encontrar água
A lua interfere no movimento das águas. A partir desse nível, o filho de Selene consegue sentir fontes de água próximas, em um raio de 100m. [Novo] [passivo]

Nível 45
Controle dos Males X: Algea - Também chamada Algoz, representa as tristezas e também as dores. Neste ponto, Arautos adquirem uma resistência maior contra a dor. Apesar de ainda perderem HP normalmente por ataques, golpes que visem debilitá-los pela dor não surtirão efeitos tão drásticos - eles podem ter dificuldade em manusear uma espada com o braço quebrado, mas não pela dor, e sim pela incapacitação do membro, por exemplo. Por isso penalidades relativas à dor provocadas por oponentes até 10 níveis mais fracos deixam de ser aplicadas. [passivo]

Nível 53
Controle dos Males XI: Macas - Representante das batalhas, também acompanhava Ares com frequência. Neste nível, o Arauto ganha um aumento em sua força física (e consequentemente em ataques corporais que dependam dessa característica) de 10%, comparado a semideuses comuns. [passivo]

Nível 60
Controle dos Males XII: Neikea - O ódio. Neikea representa a sede de sangue e, apesar de não influir na personalidade do semideus, acaba influindo nas suas batalhas. Seus golpes tornam-se mais potentes, provocando um dano adicional de 5%, desde que sejam golpes físicos diretos (magias, armas a distância e poderes que não dependam de um ataque corporal não são afetados, nem o dano adicional de uma arma encantada - a porcentagem aplica-se apenas ao dano comum). [passivo]

Nível 70
Controle dos Males XIII: Fonos - A matança. Neste nível o Arauto se envolve mais em combates, resistinto às batalhas e tirando energia delas. Cada inimigo morto pelo Arauto permite que recupere 5% do seu total de HP e MP, desde que ele tenha sido responsável pela morte. [passivo]

Nível 80
Pele demoníaca - A essência do Arauto foi alterada de tal forma que agora sua pele, apesar de não apresentar alterações vísiveis, torna-se mais resistente a impactos e golpes comuns, aumentando suas defesas em 10%. [passivo]
Bianca H. Somerhalder
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Re: — {Chaos and ruin}: MOPCED para Ayla, Alaric, Bianca, Drillbit, Jhonn, Peter e Simmon

Mensagem por Drillbit Jackson em Qua 19 Abr 2017, 22:21

Δ
chaos and ruin
a time for heroes
Δ
trompe l'oeil
can you do the mind trick?
— Eu apenas me pergunto por que é tão difícil me dar o que eu quero quando eu quero — disse a mulher, afastando o olhar. À frente de Drillbit, uma imagem cintilava, assumindo a forma da deusa feiticeira.

— Eu entendo, senhora, mas, como eu disse... — começou o rapaz, tateando o local da coxa em que havia sido ferido. Embora os curandeiros já tivessem dado um jeito no machucado, Drill sempre corria involuntariamente para o local, buscando apoio nas palavras que tentava transmitir à deusa. — A missão não teve nada de simples e...

— E, não satisfeito, ainda se recusa a voltar para a ilha? — atacou a mulher, interrompendo seu discurso. — Mas, é claro: se você consegue falhar até na menor das tarefas, por que eu o aceitaria de volta? Talvez você tenha razão... — disse a deusa, dando-lhe as costas e deixando à mostra apenas as costas que brilhavam em tons violáceos. — Talvez deva ficar por aí mesmo — as palavras desceram com a força de um machado sobre o feiticeiro. No instante seguinte, Circe já havia desaparecido.

O corpo de Maxon fez sombra à porta do estábulo. A presença do filho de Ares afastou Drillbit dos pensamentos por um breve instante. Ele virou-se, mirando o garoto que parecia ter a mesma idade que ele.

— O que isso significa, então? Você não é mais um feiticeiro? — perguntou o rapaz, cruzando os braços enquanto se aproximava.

O filho de Athena pensou sobre a questão. Não sabia como responder. Ainda conseguia sentir a magia em seu corpo. Ainda assim, estava tão cansado... Esteve assim durante toda a semana. Sempre à beira de acreditar que, movida pelo remorso, Circe havia chutado o rapaz. Crendo, sempre que possível, que o que sentia não passava dos restos residuais do que, um dia, havia sido a benção que recebera da deusa. Ainda assim, seus medos eram momentaneamente afastados sempre que a deusa aparecia para ele.

— Não... Ainda não. Depois de um tempo na ilha, você começa a entender os sinais de Circe — disse o garoto, desenhando um sorriso amarelo em seus lábios. — Ela me quer na ilha. Ainda não desistiu de mim — decidiu o rapaz, tentando convencer a si mesmo. — E Quíron? Já está pronto para me receber?

— Não — retrucou o filho de Ares, afastando o olhar em direção aos sacos de estopa sobre o chão dos estábulos. — E você nem se esforça o bastante. Trabalhe de verdade, ou vá tentar consertar seus erros com Circe.

— Vai se foder, Maxon. Eu tô nessa desde o início da semana — disse o feiticeiro, apanhando um dos sacos cheios de feno. — Uma semana de trabalho pesado. E sem direito a... — começou o rapaz. Não queria admitir em voz alta, mas uma das piores partes daquela semana era que não podia fumar no acampamento. Suas mãos tremiam e o suor do esforço físico parecia se misturar ao suor frio da abstinência. — Falou com ele? Ou ele não é homem o bastante pra falar comigo? — Drill deixou escapar uma risadinha, enquanto carregava o pacote pelo estábulo. — É... Agora que eu pensei no assunto, talvez não seja mesmo.

— Eu vou fingir que não ouvi nada disso. Sua situação, como você mesmo deve saber, não está nada boa — ouviu as palavras do filho de Ares, enquanto despejava o feno para dentro de uma das baias. Maxon deu meia volta, abandonando o lugar — Mais rápido! Ainda há muito a ser feito!

— Filho da puta! — exclamou o garoto, antes de chutar a porta da baia.

Os cavalos e os pégasos se agitaram, relinchando, baforando e batucando a madeira que os encarcerava. Era a sinfonia do caos.

×××

A escuridão já havia tomado conta do chalé de Athena, quando Drill encerrou suas atividades. O suor sujava as roupas do rapaz. Ele estava cansaço demais para se importar. Seu corpo despencou sobre a cama e ele cedeu ao abraço de Morfeu.

Uma mão feminina agarrou o rapaz pelo pulso, afastando-o dos braços do deus do sono. Na escuridão, apenas o brilho escarlate do vestido parecia se iluminar. Não havia brisa ou qualquer sinal de vento. Ainda assim, o tecido dançava sobre o completo breu, quase como se tentasse escapar. Os lábios da mulher se abriram num sorriso. Devo fugir? Mas para onde fugiria?

— Não a temer, feiticeiro. Por enquanto — os lábios da mulher se moviam e, ao mesmo tempo, hipnotizavam o rapaz. — Eu pediria perdão por tirá-lo de seu descanso, mas nós nunca pedimos perdão. Nós nunca nos arrependemos. E, dessa forma, seriam apenas palavras vazias.

— Nós...?

— Shh! — sussurrou a mulher. Drillbit não se atreveu a desobedecer. — Há uma trama a se desenrolar. Algo grande. Você está pronto para o que o futuro lhe reserva, Drillbit Jackson?

— E eu posso dizer “não”? — mas a questão foi ignorada pela mulher.

— Perfeito! — exclamou a mulher, sorridente. O brilho em suas feições deu lugar à imparcialidade. — Mas a sua palavra não é o bastante. Precisarei testar vocês.

Vocês? Mas a resposta não demorou a chegar. O corpo da mulher foi engolido pela escuridão. E, logo depois, a própria escuridão foi engolida por algo muito pior. Lampejos de um campo de guerra tomaram conta da mente do rapaz. Rostos, conhecidos ou não, se destacavam no meio dos corpos dos guerreiros. Não teve tempo para pensar no que isso significava. Pois, no instante seguinte, tudo havia voltado à escuridão.

×××

Drill empurrou os corpos que o cobriam e se levantou da pilha onde seu corpo, outrora, também jazia. Sentiu o conteúdo de seu estômago se revirar. A ânsia de vômito obrigava o rapaz a se afastar dos restos humanos. Ele tossia e, ao mesmo tempo, tentava não respirar mais do que o necessário. O cheiro era insuportável.

Cambaleando por cima dos pedaços de carne dilacerada, o rapaz conseguiu voltar abandonar a pilha de corpos e pisar sobre a grama que cobria o lugar. Deu mais alguns passos para frente, afastando-se do mau cheiro. No instante seguinte, tropeçava em uma nova pilha de cadáveres.

— Ah! Caralho! — berrou o rapaz, recuando e esquivando-se dos corpos.

Ele cobriu o rosto com a gola da camisa, enquanto examinava o cenário pela primeira vez. O sol começava a se pôr no horizonte, tingindo o céu e a terra com cores quentes. Sobre o gramado verde, outros cadáveres se espalhavam. Nenhum conseguia se mover como fazia o feiticeiro. O fogo ainda ardia em alguns locais isolados, tanto nas pontas de flecha quanto em corpos sem vida. Bandeiras corroídas pelas chamas esvoaçavam pelo cenário de guerra.

Drill abaixou a gola de sua camisa. Precisava se acostumar com o cheiro. Afastou o olhar, mirando a grama no chão. Aos pés do rapaz, um objeto metálico refletia os tons avermelhados do céu. Uma lança feita de álamo gravada com a miniatura de uma coruja. O feiticeiro não colocava as mãos naquela arma havia muito tempo. Ainda assim, sabia: era a arma que havia recebido no dia em que foi reclamado por Athena. Ele apanhou o objeto, fazendo careta para ele.

— Eu não vou usar essa porcaria — reclamou o rapaz. Odiava ser lembrado que era filho de Athena. A lança rolava por sua mão, quando ele finalmente notou o bracelete de bronze sagrado que envolvia seu antebraço direito. O segundo presente que recebeu em sua reclamação. — Velha filha da puta. Se isso tem a ver com Athena, é melhor me levar de volta pro acampamento — na verdade, não gostava de nada que envolvesse a deusa da sabedoria.

No mesmo instante, um estrondo ecoou não muito longe dali. O som dos metais colidindo denunciava: a batalha ainda não havia acabado. O filho de Athena, no entanto, não era capaz de encontrar o foco do embate em seu campo de visão. Que lugar é esse, afinal? O sexto sentido do rapaz se agitava, alertando-o. Por que me parece tão familiar?

Outro barulho de explosão ecoou pelo ambiente, puxando o rapaz de volta ao cenário de batalha. De repente, ruídos que o feiticeiro era incapaz de distinguir chamaram a sua atenção. Os barulhos pareciam cada vez mais e mais próximos. E assim se inicia o primeiro desafio, Drillbit Jackson. Uma voz preenchia a mente do rapaz. Era o som melodioso da mulher de vermelho que sussurrava. É melhor agir rápido, se não quiser enfrentar a morte.

Drillbit entendeu imediatamente o que significavam as palavras da mulher. Pois, no instante seguinte, uma dúzia de criaturas saltou de trás de uma pilha de cadáveres. Tinham asas semelhantes às de um morcego e a pele negra e enrugada. Mas o que chamou a atenção do rapaz foram as extremidades pontiagudas de suas asas, denunciando o quão perigosas eram aquelas bestas.

Ele tratou de se esconder atrás uma das pilhas de corpos mais próximas. Não tinha certeza se os monstros haviam conseguido visualizá-lo por entre os vários corpos espalhados no cenário. Ainda assim, estava convicto: as criaturas rumavam em direção ao seu esconderijo. As palavras da mulher faziam cada vez mais sentido. Se não pensasse numa forma de se livrar da situação, precisaria enfrentar o grupo de criaturas.

Ele respirou fundo, visualizando o feitiço mentalmente. Posicionou os dedos à frente do corpo, de uma forma que suas mãos pareciam imitar o formato de uma pistola. O indicador e o médio de uma mão encontraram-se com os da outra. Separaram-se logo em seguida, desenhando um círculo imaginário e voltando a se encontrar na outra extremidade do círculo. Dos lábios do feiticeiro, a palavra de poder escapava:

— Illudere.

Chamas esverdeadas surgiram em volta das criaturas que se aproximavam, fazendo-as interromper o caminho. Berros de agonia escapavam dos lábios das monstruosidades. O fogo grego oscilava, oferecendo-lhes uma passagem só de ida para o submundo. Drillbit ignorou as exclamações das aberrações. Apanhou sua lança e começou a se afastar das criaturas, tentando saltar de uma pilha de cadáveres para a outra. As mulheres, preocupadas com as chamas que as cercavam, não eram capazes de notar o semideus que atravessava o campo de batalha.

Foi assim, pelo menos, durante algum tempo. Drillbit sentiu o mundo ao seu redor começar a girar. Ele lançou seu corpo para trás de mais um grupo de corpos sem vida, antes de voltar seu olhar para as criaturas que ele tentava deixar para trás. Que porra tá acontecendo? As labaredas já não assustavam mais as mulheres que, naquele momento, olhavam curiosas para a matéria esverdeada. O feiticeiro não demorou a entender: a ilusão falhava durante alguns breves instantes, desaparecendo por completo antes de voltar a aparecer.

Drillbit voltou a se esconder atrás dos corpos, sentindo a respiração pesar. Pela primeira vez, percebia que, além dos presentes de reclamação, trazia consigo as consequências de uma semana infernal. Seu corpo, seus poderes e sua mente... Tudo parecia um pouco menos eficiente do que o normal.

— Merda! — sussurrou o rapaz, antes de respirar fundo. O cenário parou de rodopiar, enquanto, não muito longe dali, as mulheres monstruosas pareciam discutir o que deviam fazer sobre as chamas que desapareciam.

Drill lançou-se outra vez para trás dos cadáveres mais próximos, seguindo com o plano. Mesmo que não estivessem assustadas, estavam distraídas o bastante para que o garoto conseguisse traçar sua rota de fuga. Assim ele prosseguiu, deixando para trás o som das vozes dos monstros.

As criaturas já haviam se perdido entre os corpos caídos, quando o feiticeiro interrompeu sua fuga. Algo se movia logo à frente. Colidia contra as armas abandonadas dos corpos desfalecidos, fazendo barulho. A figura atravessou uma parte do campo de batalha, escondendo-se atrás de uma pilha de corpos. Era pequeno demais para ser mais um dos monstros.

— Ei! — disse o filho de Athena, caminhando em direção à primeira pessoa viva naquele cenário de destruição.

É uma criança, constatou o óbvio. O corpo da garotinha, coberto de fuligem, tremia enquanto ele se aproximava. Carregava no rosto uma expressão de pânico.

— Relaxa. Eu não quero te machucar — comentou, esticando a mão para tocar o ombro da garota. Ela se esquivou, ainda lançando olhares de desconfiança para o feiticeiro. — Ok. Eu vou ficar bem aqui, tudo bem? — tentou, dando alguns passos para trás. A garota não reagiu. — Como foi que você chegou até aqui? — foi a primeira pergunta que veio à mente dele.

A garota lançou um olhar para o rapaz. Depois, virou-se em direção à pilha de cadáveres atrás dela. Colocou o rosto para fora, conseguindo visualizar, então, o campo de batalha que se escondia depois do monte de corpos. Drillbit resolveu fazer o mesmo, na outra ponta do monte de corpos.

Não muito distante dali, conseguiu distinguir a forma de três guerreiros que, armados com espadas e escudos, enfrentavam uma dezena de monstros semelhantes aos que Drill havia visto anteriormente. A disparidade era visível. Se não recuassem, não sobreviveriam ao ataque. Apesar disso, os homens não pareciam dispostos a se renderem.

— Você conhece aqueles semideuses? — perguntou o feiticeiro. Não houve resposta.

Ele afastou o olhar da batalha. Às suas costas, os monstros de pele negra dominavam a garota coberta de fuligem, abafando seus pedidos de socorro e elevando seu corpo alguns centímetros acima do chão. A criança se debatia. É que seu pescoço havia sido rasgado e o sangue se misturava à fuligem de sua pele.

Drillbit sentiu os batimentos cardíacos acelerarem. A adrenalina despertava no rapaz uma força que ele, na verdade, não tinha. O feiticeiro apertou a lança em suas mãos e observou o bracelete em seu braço vibrar, desdobrando-se num escudo médio que refletia o brilho avermelhado do sol. Sem cerimônia, os monstros arremessaram a garota sobre uma pilha de corpos qualquer e se voltaram para o semideus. Eram seis criaturas que apontavam garras e presas afiadas em direção ao filho de Athena.

— Vocês tão muito fodidas — a desvantagem numérica parecia não incomodar mais o rapaz.

As criaturas tentaram se aproximar. Drillbit, no entanto, foi mais rápido. O álamo de sua lança colidiu contra o escudo metálico. E, de repente, era como se o escudo fosse capaz de refletir todos os medos que assombravam os oponentes de seu usuário. Os monstros recuaram, amedrontados, e Drill soube usar essa brecha a seu favor.

A ponta de sua lança cortou o ar, rasgando a bochecha enrugada de uma das criaturas. Grunhidos de terror escaparam dos lábios das mulheres monstruosas. Drillbit, ao mesmo tempo, descobria que o fato de não usar uma lança há tanto tempo não seria um problema. Ele puxou a lança para si e, no instante seguinte, empurrou a arma contra o ombro da criatura que ele havia acertado anteriormente. A ponta metálica atravessou a carne enegrecida e as outras criaturas decidiram que era hora de reagir.

Esporões afiados desceram em direção ao rapaz, que conseguiu colocar o escudo à frente de seu corpo. O golpe, no entanto, fez o feiticeiro recuar. Nem mesmo a adrenalina era capaz de anular o fato de que estava cansado demais para lutar. A respiração começava a falhar, como se o ar entrasse com dificuldade em seus pulmões. Ele deu mais alguns passos para trás e viu as criaturas avançarem contra ele outra vez. Uma das mulheres monstruosas saltou sobre o rapaz. Suas presas afiadas foram cravadas no braço direito do feiticeiro.

— Me larga! —exclamou o garoto. Seu pé esquerdo foi de encontro ao joelho da besta, e a dor do chute fez a mulher se afastar. Ele apontou a lança contra a criatura e, no instante seguinte, a lâmina de bronze sagrado cravava-se no olho direito da mulher que se desmanchou num punhado de poeira.

No mesmo instante, a pele do rapaz ardeu. Sentia presas e garras rasgando-lhe a carne, mas as cinco criaturas que restavam recuavam, acuadas pelo poder do escudo. Drill sentiu as articulações dos joelhos falharem e seu corpo despencou sobre um grupo de cadáveres amontoados.

— Merda! — berrou o garoto, enquanto as criaturas se aproximavam, aproveitando-se do momento de fraqueza do rapaz.

Ele rolou para o lado, evitando as garras e presas que avançavam em sua direção. Colocou-se de pé outra vez, tentando ignorar as dores por todo o seu corpo. As bestas avançaram outra vez. Antes que se aproximassem o bastante, Drill deixou que a ponta de sua arma cortasse o ar horizontalmente, rasgando o abdômen de três criaturas, que recuaram imediatamente.

As outras duas, no entanto, continuaram a avançar. O feiticeiro colocou o escudo à frente do corpo e, no instante perfeito, empurrou a arma contra o rosto de uma delas, fazendo-a cair sobre os cadáveres que os cercavam. No instante seguinte, a segunda criatura agarrou o semideus pelo braço, abrindo os lábios e apontando as presas para o rosto do garoto. Antes que ela conseguisse concretizar seu ataque, a lança acertou o abdômen da mulher monstruosa uma, duas, três vezes seguidas, até que seu corpo se reduzisse a pó.

Dessa vez, o feiticeiro sentiu como se lâminas trespassassem seu corpo, partindo de suas costas e abrindo caminho até a parte anterior. Ele suava frio e deixava escapar alguns gritos de dor. Que porra é essa, afinal? Ele não conseguia entender. Mas sabia que era castigado sempre que enviava uma das criaturas de volta para o Tártaro.

O monstro que Drillbit havia derrubado com o escudo colocava-se de pé outra vez. Com dificuldade, o feiticeiro reagiu. Ele chutou seu oponente, derrubando-o outra vez sobre os corpos que ali jaziam. Os esporões da criatura tentavam alcançar o filho de Athena, mas, caído, o monstro não representava ameaça para ele. Assim, o menino apontou a lança contra o inimigo e deixou que a ponta caísse sobre seu corpo, perfurando-lhe a pele enrugada. O monstro se transfigurou em poeira, misturando-se aos cadáveres no chão, enquanto o filho de Athena esperava as consequências do que ele havia acabado de fazer.

Era como se ele tivesse sido atropelado por um caminhão. Todos os músculos de seu corpo doíam e qualquer novo movimento era uma nova tortura para o feiticeiro. Ele sentiu o mundo girar outra vez. Estava prestes a sucumbir. E deixar aquela mulher escrota vencer? Ele puxou o ar para seus pulmões, concentrando-se em derrotar o trio de monstros que ainda restava. Mas quando seus olhos se voltaram outra vez para o campo de batalha à sua frente, as feras já haviam desaparecido. Drill se forçou a virar o rosto, buscando qualquer sinal das criaturas ao seu redor. Nada.

Até que um grunhido, vindo do céu, chamou a atenção do filho de Athena. Os monstros abriram suas asas de morcego e, agora, flutuavam um pouco acima da cabeça do rapaz. Por vezes, ameaçavam avançar contra ela. Mas, então, voltavam seus olhares para o escudo e recuavam momentaneamente, repetindo o processo várias e várias vezes.

O feiticeiro observou com atenção os movimentos das criaturas. Estava exausto e as dores em seu corpo pioravam a cada novo assassinato. Ainda assim, forçava-se a continuar, porque, de qualquer forma, a segunda opção era a morte. Além do mais, a adrenalina do embate era a única coisa capaz de afastar as dores, mesmo que por um breve instante. Foi por isso que, quando uma das criaturas se aproximou, planejando atacá-lo, o rapaz reagiu, agarrando-a pelo pé e puxando-a em direção ao chão.

De repente, as asas que a mantinham no ar eram as mesmas que a faziam perder o centro de gravidade, despencando sobre a grama que cobria o campo de batalha. A criatura se contorcia, sofrendo as dores do impacto. O feiticeiro, não por piedade, decidiu encerrar seu sofrimento. Colocou um pé sobre o pescoço da mulher enrugada, interrompendo os movimentos de sua cabeça e, no instante seguinte, a ponta adiada de sua lança empalava o crânio da criatura, que não demorou a se transformar em poeira de monstro.

Mãos imaginárias se fecharam em volta do pescoço do garoto, numa tentativa de bloquear as vias respiratórias do rapaz. Não conseguiam, de fato, mas dificultavam a respiração do rapaz que, mesmo antes, já não estava muito boa. Drillbit não teve tempo o bastante para pensar num jeito de se livrar da situação, pois garras afiadas se agarraram à camisa do rapaz na altura do tórax. No instante seguinte, ele era içado em direção ao céu. A mulher monstruosa era forte, mas só conseguia levantar o rapaz até alguns centímetros acima do chão.

O garoto decidiu agir antes que a besta encontrasse uma forma de carregá-lo para mais alto. Sua lança apontou para cima e Drill empurrou sua arma em direção ao corpo da criatura. O monstro grunhia, enquanto o bronze sagrado perfurava sua pele enegrecida. De repente, o corpo do filho de Athena foi libertado. Ele aterrissou sobre o gramado, caindo de costas, enquanto os restos mortais do monstro cobriam-lhe o corpo. Gemeu de dor, enquanto lutava contra as mãos que apertavam seu pescoço, na tentativa de conseguir um pouco de ar. Devo ter caído de mau jeito, pensou o feiticeiro, tentando se sentar. O braço esquerdo não colaborava. Na verdade, ele sequer conseguia sentir o seu braço esquerdo. A mão que antes segurava a lança, agora deixava que a arma escapasse, rolando em direção a uma pilha de cadáveres.

— Puta que pariu, meu braço — disse o rapaz, deixando transparecer uma nota de pânico em seu tom de voz.

Ele afastou o olhar de seu membro imóvel, voltando-se para a última das criaturas. O monstro que ele havia acertado no início da batalha sobrevoava o cenário, preparando-se para investir contra seu oponente. Drill mordeu seu lábio. Precisava se defender. Ao mesmo tempo, temia as consequências de sua defesa. O que pode ser pior do que perder um braço? Várias possibilidades preencheram a mente do garoto. Todas foram imediatamente ignoradas.

A mulher-morcego ia descendo do céu, flutuando bem próxima do chão. Drillbit se colocou de pé o mais rápido que pôde. Lançou um olhar para o escudo em seu braço direito e, sem pensar duas vezes, avançou em direção à criatura.

Os dois colidiram e Drill jogou seu corpo sobre o de seu oponente, fazendo-o despencar sobre mais um punhado de corpos. Ele se ajoelhou sobre a criatura, berrando, quando apontou o escudo em direção ao rosto da fera. Então, a borda metálica desceu sobre a mulher, como um martelo, desfigurando o rosto da adversária a cada nova pancada. Suas garras arranhavam os membros do rapaz. Uma dor que mais parecia com cócegas, perto de tudo o que o rapaz sentia naquele momento. O bronze sagrado acertou o rosto do monstro mais algumas vezes, antes que seu corpo se transformasse em poeira que cobria os corpos desfalecidos dos guerreiros.

No mesmo instante, uma onda de eletricidade percorreu o corpo do rapaz, partindo de suas mãos e fritando o corpo do garoto pelo caminho. O feiticeiro se contorceu, como se aquilo fosse aplacar a dor. Todos os nervos de seu corpo protestavam. As mãos invisíveis em volta de seu pescoço se apertavam, asfixiando-o. Sentia a pele ardem, enquanto as garras e presas imaginárias continuavam a golpeá-lo. Em sua mente, espadas atravessavam seu corpo e hematomas cobriam sua pele. Ele arquejou, enquanto praguejava mentalmente. Lembrou-se de um círculo de poder que o ajudaria. Mas com apenas uma mão funcional, era impossível invocar energia o bastante para o feitiço. Estava desistindo.

Drillbit suspirou, deixando-se cair ali mesmo, sobre o pó de monstro e os corpos empilhados. A região periférica de sua visão ia escurecendo, a mente ia se desligando e o universo ia, aos poucos, parando de fazer sentido. Até que não mais. O filho de Athena puxou o ar para dentro de seus pulmões, sentindo as mãos em volta de seu pescoço afrouxarem o aperto. Aos poucos, as dores em todo o seu corpo iam esvanecendo. Os lábios do rapaz se abriram num largo sorriso, enquanto ele ia recobrando os sentidos. E, de repente, o menino feiticeiro gargalhava de alegria, aninhado pelos guerreiros que perderam suas vidas em batalha.

Ele se levantou, deixando as risadas de lado. Ainda estava exausto e as feridas causadas pelas criaturas continuavam a marcar seu corpo. A batalha vencida, no entanto, era um motivo para o garoto não desistir. Ele apanhou sua lança, enquanto o escudo se transfigurava outra vez em bracelete. Seu olhar passeou pelo cenário de guerra e, sem seguir roteiro, começou a caminhar pelo lugar.

Na calmaria, o sexto sentido voltava a incomodar, levantando perguntas que o feiticeiro não conseguia responder. Já estive aqui antes? Era como se já tivesse seguido por aquele caminho uma centena de vezes. Drill levou uma mão aos cabelos, afastando-os de seu rosto. Não conseguia organizar os pensamentos. Ele puxou o ar para dentro dos pulmões. Um cigarro teria sido capaz de por em ordem toda aquela bagunça. Ele afastou o olhar das mãos, que tremiam, implorando pela droga.

Entres os corpos caídos, eis que surge uma esperança. Seis, na verdade. Reconhecia Ayla, Jhonn e Alaric, enquanto que os outros só lhe foram revelados nos lampejos que precederam toda aquela situação. Drill apressou o passo, juntando-se ao grupo. Uma ideia passou pela sua mente. Era isso o que a mulher de vermelho queria? Deveriam se reunir, assim como as palavras dela sugeriam?

Ele afastou a ideia por um breve momento. Era o sexto sentido resmungando outra vez. Seu olhar se voltou para a colina que se fazia de plano de fundo para os seis semideuses à frente. As engrenagens de cérebro começaram a trabalhar. Ele se voltou para o lado oposto. No horizonte era possível distinguir a linha entre o Estreito de Long Island e a praia. Não havia dúvidas: aquele era o Acampamento Meio-Sangue.

Drill inclinou a cabeça, enquanto franzia o cenho. Queria aquilo? Depois de ter dado as costas para o acampamento tantas vezes, não era de se espantar que ver o acampamento em ruína fosse um prazer para o feiticeiro. Mas seu coração dizia que era errado. Ele pigarreou, limpando a garganta, quando finalmente alcançou o grupo. Não queria mais pensar no que havia acontecido ali. Porque, por algum motivo, era doloroso.

— Alguém trouxe cigarro?



Observações:
Armas Citadas/Utilizadas:
▬ {Wisdom}/ Lança [É uma réplica da lança de Athena. O cabo da arma é branco, feito de álamo, enquanto a lâmina é prateada - apenas um efeito estético, já que seu material ainda é bronze sagrado. Perto da lâmina está engastada uma coruja, e todo o cabo foi trabalhado, não sendo linear, e sim possuindo algumas curvaturas, o que faz com que seu manuseio seja mais complexo a quem não tem a perícia adequada. Possui 1,5m de alcance][Álamo e bronze sagrado](Nível Mínimo: 1) {Não controla Nenhum Elemento} [Recebimento: Presente de Reclamação de Atena]

▬ {Strategy} / Escudo [Escudo médio de bronze sagrado. Possui uma pequena coruja entalhada em seu centro. O escudo tem uma superfície muito lisa, denotando um exímio trabalho de forja, sem imperfeições. No nível 20 transforma-se em um bracelete com entalhes similares ao do item.] {Bronze Sagrado} (Nível Mínimo:1) {Não Controla Nenhum Elemento} [Recebimento: Presente de Reclamação de Atena]
Poderes Citados/Utilizados:
Passivos


Maestria com a magia (Nível 01) ▬ Por serem feiticeiros de Circe, vocês sofreram menos perda de MP do que o normal ao usarem algum poder. [ New]

Perícia defensiva (Nível 02) ▬ Os filhos de Atena conseguem usar broquéis e escudos com mais familiaridade, intuindo até que ponto eles podem efetivamente protegê-lo e até usando-os em manobras simples (mas não de forma sobrenatural - isso depende de certos poderes ativos). A perícia não fornece ao semideus a capacidade de empunhar o item se ele não possuir condições (por exemplo, mesmo tendo a perícia alguém usando uma arma que exige as duas mãos não vai conseguir empunhar um escudo). [Modificado]

Presença imponente (Nível 05) ▬ Sua aura mágica estará mais desenvolvida. Ela se manifestará em você impondo sua presença aos outros, isso os levará a hesitar a te atacar. Fazendo com que ganhes algum tempo. [ New]

Sexto sentido (Nível 17) ▬ O feiticeiro é um ser extremamente sensorial, e tudo isso é graças ao sexto sentido, que os permite antecipar em pequenas escalas algo que irá acontecer em um futuro próximo, orientar-se em locais de pouca ou nenhuma visão usando os olhos da alma, ou servindo-lhe como um faro aguçado - usado para identificar ambientes e outros seres -, porém com mais exatidão, por tratar-se de uma extensão psíquica da mente do indivíduo.
Obs: Quando em uso, o narrador terá de dar dicas aos feiticeiros a depender das condições da atividade que este estiver executando. [ New]

Improvisar uso (Nível 20) ▬ Através da observação e raciocínio o filho de Atena consegue utilizar um item de forma não convencional ou achar substitutos adequados para realizar uma atividade:  usar um escudo como arma de ataque, um chicote como corda, uma pedra e cipó como um estilingue improvisado, etc. A coerência deve ser observada, cabendo como palavra final a avaliação do narrador. Caso tenha dúvidas, o semideus pode expor ao narrador antes de executar a ação. Os itens são provisórios, desfazendo-se rapidamente por não serem do material e nem terem passado por um processo adequado. Não mais do que 3 turnos de uso até que se quebrem/ sejam inutilizados. A habilidade apenas implica em notar o uso, por isso não possui gasto de energia. Em contrapartida, a montagem de materiais não é automática e, novamente, deve ser condizente aos materiais disponíveis. Tal habilidade não altera qualquer propriedade dos materiais. [Modificado, antigo "Habilidade oculta]

Reflexos de Batalha (Nível 23) ▬ Seus reflexos estão agora mais apurados do que nunca, e sua experiência em combate torna-o naturalmente mais esquivo, como uma segunda natureza. Sua esquiva e reflexos são ampliadas em 10%. [Modificado]

Presença imponente (Nível 47) ▬ Assim como qualquer comandante de guerra a presença de um filho de Atena impõe respeito no campo de batalha. Assim inimigos mais fracos se sentem intimidados, não conseguindo realizar o primeiro ataque direto no início do combate, perdendo a iniciativa neste caso. Emboscadas e ataques à distância não são afetados, bem como ataques de área cujo foco não seja o semideus. [Novo]

Ativos


Magia da Ilusão (Nível 17) ▬ Essa técnica faz, magicamente, que diversas ilusões (normalmente com a sua imagem, mas podem ser outras) apareçam e cercam o inimigo, o confundindo muito ao pronunciar Illudere.

Poder do Item - Amedrontar (Nível 50) ▬ O escudo gera um efeito de medo. Esse efeito faz com que oponentes mais fracos percam parte da iniciativa no combate, tendo seu ataque reduzido em 50% nos próximos 2 turnos. Afeta todos os alvos capazes de ver o escudo, e que estejam em uma distância de até 25m. 1x por missão.
Extras:
Legenda

Drillbit
Pensamentos
Outros
Voz da Mulher


Informações Adicionais


Oie sz
A missão se inicia uma semana depois da última missão que eu fiz. Nela, Drillbit falhou em colher informações sobre o clube da luta, tanto com Circe quanto com Quíron. Esse é um dos problemas enfrentados durante a missão.
Drill está caminhando, mesmo sem saber, para uma dependência do cigarro. Esse é, também, um dos problemas da semana infernal.
Decidi não incluir os itens de ingresso no grupo dos feiticeiros nesse post, porque não cabiam no plot. Drill teria dificuldade em carregar um cajado e ou lança por aí. Colocar os itens na narração e abandoná-los pelo cenário foi uma opção, mas, convenhamos, isso não ia alterar em nada o plot.
"Mate" e "love" são vocativos que Drillbit costuma usar bastante. Não usou dessa vez, mas usa. q
O título do post é uma técnica de ilusão de óptica que faz imagens bidimensionais parecerem tridimensionais. (Amém, Westworld)
That's all, folks!
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Re: — {Chaos and ruin}: MOPCED para Ayla, Alaric, Bianca, Drillbit, Jhonn, Peter e Simmon

Mensagem por Ayla Lennox em Qua 26 Abr 2017, 19:51


Chaos and Ruin
Color my life with the chaos of trouble.

Missão fuderosa
Era uma vez, sete semideuses ferrados
A mão ainda adornada com algumas marcas rubras nos nós dos dedos segurava a maçaneta de maneira firme, decidida a sair do apartamento logo, o que não necessariamente denotava satisfação na necessidade de partir.

— Aaron, saia. — Pediu pela segunda vez, visivelmente irritada, evitando encarar o rapaz nos olhos.

— Nós dois sabemos que isso não vai acontecer. — Disse, ainda bloqueando a porta. — Vamos, Ayla, já basta ter investido a semana inteira procurando ele.

— Você está sugerindo que eu desista, então? Excelente ideia, de verdade. — Bufou, claramente descontente. — Caso não tenha percebido, preciso encontrar Alexander logo.

— Varremos quase a cidade inteira. Dê um tempo, ele já deixou claro que só vai ser encontrado quando quiser que seja assim. — A voz dele era compassiva, embebida em persuasão. — Que tal um café?

Lennox suspirou.

A verdade é que estava cansada. A busca pelo filho de Hades era, no mínimo, desgastante. Sentia-se frustrada e, acima disso, o fracasso e a exaustão a faziam sentir-se irremediavelmente uma mortal novamente - e essa era uma das sensações que mais odiava. Praticamente podia ver as Parcas rirem enquanto emaranhavam mais ainda os rumos de sua história.

Seus últimos dias poderiam ser resumidos em ressacas e feridas mal curadas. Quisesse ela ou não, suas buscas começavam ou terminavam nos bares da cidade, o que costumava resultar em não muito mais do que migalhas de informação e, quando lhe sobravam vestígios de disposição ou faltava paciência, uma ou outra briga.

Cedeu. Caminhou com o rapaz até a cozinha permitindo que o aroma da bebida quente chegasse até suas narinas como um carinho e o calor que envolvia seu corpo em cada gole a abraçasse da mesma forma que um velho amigo faz.

Sem admitir que aquela era provavelmente o primeiro conteúdo não-alcóolico que ingeria em um período razoável de tempo, não se sentia alerta, mas sim acalentada. O silêncio quase taciturno entre ela e seu companheiro foi violado por uma única frase.

— Descanse, você precisa.

Ela concordou com um simples aceno de cabeça. Foi até o quarto, onde Vince dormia pacificamente em um dos cantos, e sem despir-se, literalmente desabou na cama como estava e logo a consciência nada mais era senão uma lembrança.

Não tinha grandes expectativas de sonhos agradáveis ou bons presságios. Na verdade não tinha nada, e talvez por isso o vazio nos domínios oníricos lhe era o bastante.

No entanto, até mesmo isso lhe fora roubado.

• • •

Depois de tanto tempo experimentando a vida semidivina, a mentalista acreditava já estar habituada às presenças e aparições dos imortais, mas assim que seus olhos encontraram a dama no centro iluminado do salão e seu longo vestido escarlate, foi como…

Foi como levar um soco no estômago. Súbito, forte, certeiro. Lhe tirou o ar - não de forma positiva - e fez com que suas vísceras se contorcessem em aflição. Sabia que dela nada de bom poderia vir, e isso se tornou uma certeza absoluta e incontestável assim que a voz da desconhecida rasgou o ar e chegou a seus ouvidos.

— Há algo grandioso preparado para vocês. — Seu tom fez com que um calafrio gélido percorresse a espinha da lupina. — Ah, criança… — Falou de forma aparentemente gentil, quase tenra. — Mas antes é preciso saber se são dignos, não concorda?

Não.” Era tudo que ela queria dizer, porém antes que o pensamento pudesse chegar até seus lábios e escapar pelo ar, a luz antes concentrada apenas na figura divina clamou pelo domínio do salão inteiro. O clarão preencheu o ambiente e no mesmo momento em que a mulher tornava-se uma figura evanescente, outras silhuetas acabavam por ser o foco da garota.

Estreitando os olhos, teve apenas tempo para que uma onda de reconhecimento lavasse seu rosto. Peter, Jhonn, Drillbit, Simmon, Alaric, Bianca.

As boas marés não duraram muito. As águas tornaram-se turvas, fortes e arrastaram a lupina até locais profundos e desconhecidos, levando consigo também todo e qualquer vestígio daquele cenário. Estava despertando - ou ao menos era nisso que acreditava.

• • •

Agonia.

Levantou a destra aos céus sem saber ao certo o que buscava ou suplicava. O tronco ergueu-se lentamente e tinha a boca entreaberta, porém não gritava - apesar de desejar fazê-lo naquele momento. Inspirou profundamente, sentindo o ar preencher cada centímetro de seus pulmões antes oprimidos, como se sufocados por um longo tempo.

Ofegava, estava suja, coberta de sangue e uma caótica soma de outros elementos da cabeça aos pés. Não sabia onde estava, muito menos como havia chegado ali, mas a entropia ao seu redor era absoluta. Era como nascer novamente.

O cenário de guerra foi denunciado antes mesmo que todo ambiente ao redor pudesse ser perscrutado. O aroma característico de fumaça, suor e morte foi reconhecido de imediato, sendo este último o bastante para fazer a semideusa reunir forças para ficar de pé e recusar-se a cair novamente, até por não ser apenas um aroma.

Dezenas de corpos jaziam sem vida ao seu redor, uns mais mutilados que outros, o que não significava que os ilesos haviam padecido de forma menos agonizante. Estando naquele meio, finalmente o pensamento de ter voltado à vida passou por sua mente, fazendo com que seu estômago se revirasse.

Um estrondo foi ouvido nas proximidades, deixando a mente inquieta de Ayla ainda mais alerta. Por instinto, fez com que o peso do escudo fosse sentido, bem como o da espada em sua mão dominante. Estava prestes a decidir seu rumo quando a maldita voz da dama de seu sonho fez-se presente no lugar.

”Eu sei que não concorda, que não quer nada disso, pequena…” A forma com que tratava a mentalista, tão tenra, como se houvesse alguma intimidade entre as duas lhe dava asco. ”Mas independentemente disso, o primeiro teste começa agora. Caso não queira morrer, sugiro que passe a agir. Me surpreenda.”

As palavras não puderam ser questionadas, contestadas ou sequer absorvidas. Outra coisa clamava pela atenção da prole da Lua, e ela os sentiu antes de vê-los - afinal de contas, não era difícil reconhecer criaturas ctônicas por suas auras.

Independentemente de sua ascendência divina ou realidade relativa dos deuses gregos, Ayla não fora criada em um lar católico, protestante ou mesmo judeu; mas naquele momento ela teve a certeza de que se o Demônio - ou qualquer outro nome escolhido para a personificação do mal aos olhos mortais - criasse animais de estimação, as arai seriam a escolha sem dúvida alguma.

Os corpos enegrecidos e repletos de rugas aproximavam-se em grande quantidade, pairando em pleno ar com suas asas animalescas. Era uma visão, no mínimo, horrenda, especialmente considerando a quantidade absurda de oponentes que adornava o céu como uma nuvem negra.

A cria da lua sabia que não importava o quão experiente ou forte era, ficar e lutar era uma péssima ideia. Além disso, era um alvo fácil pelo simples fato de estar só.

Começou a ir em direção à floresta que cercava o cenário e, enquanto o fazia, olhava para os lados na mesma medida que cada uma das seis imagens exatamente iguais a ela - esperava por mais e era capaz de mais, porém precisou se contentar com aquilo - surgiam. Antes que pudessem adentrar na mata densa, viraram-se para as bestas e lançaram um aceno juntamente a um sorriso debochado.

Finalmente, seguiram rumos distintos.

Enquanto corria, era possível ouvir nas proximidades os gritos de suas duplicatas ao serem alcançadas e se tornava cada vez difícil saber ao certo a hora de parar - especialmente por não saber para onde estava indo -, mas os passos da lupina cessaram assim que os borrões oscilantes de troncos, folhas e grama foram substituídos por um clarão. Tudo era luz, calor e fogo.

Apesar das nuvens, alguns raios de sol eram ousados o bastante para alcançarem a tormenta na terra. Ayla cobriu os olhos por alguns instantes até que o fulgor se abrandasse e pudesse perceber que estava em uma clareira e não mais sozinha.

Poucos metros à sua frente havia uma garota sentada no chão e um rapaz com a cabeça deitada em seu colo, parecendo estar oscilando entre a consciência e ausência desta. Acima deles, seis bestas voavam, deixando de avançar contra a dupla apenas quando impedidas pelas chamas cuspidas pela garota. Aquela façanha por si só denunciava sua natureza: Era também uma semideusa.

— Puta merda. — Praguejou.

Ergueu o escudo para evitar qualquer golpe surpresa dos ares, abaixou-se e encurtou a distância lentamente até chegar na desconhecida. Tocou seu ombro e encontrou com duas íris castanhas aterrorizadas.

— Calma, não vou machucar você. — Disse, imediatamente. — Me chamo Ayla, o que aconteceu aqui? Ele está bem?

— Sou Leah. Eu... Eu não sei. Foi tudo muito rápido, esses monstros apareceram e em alguns minutos tudo já estava assim. — Respondeu, ainda insegura. — Estávamos fugindo quando Patrick precisou enfrentar um deles. Não vi a luta, mas quando me dei conta, ele já estava caído.

— Vocês estão sozinhos? — Indagou, olhando para a nuvem de chamas e fumaça que se dissipava aos poucos.

— Não. Quer dizer, James foi buscar reforços mas ainda não voltou. — Lágrimas brotaram nos olhos da cria semidivina. — Por favor, estou com medo. Ele é meu irmão, a única família que ainda me resta. Não nos deixe aqui. — Suplicou.

O grito bestial de um dos monstros chamou a atenção das duas. Precisavam agir.

— Ei, ei. Preste atenção. — Exigiu, séria. — Me diga apenas uma coisa: Consegue manter aquelas coisas no ar com suas chamas? — Recebeu um aceno positivo como resposta. — Pois bem, faça isso quando eu der o sinal e eu dou conta do resto.

A filha de Héstia novamente aquiesceu e o espaço entre o trio e os oponentes se tornava claro mais uma vez enquanto a mentalista tirava do bolso interno da jaqueta duas shurikens. Fez com que na palma de suas mãos elas duplicassem e esperou que uma arai se começasse a se aproximar antes de arremessar as lâminas não em sua direção, mas paralelamente, como se fossem passar de raspão em seus braços.

O truque funcionou, pois a criatura não alterou sua trajetória. Já suas armas, sim. Com um sutil movimento dos dedos, os itens arremessados fizeram uma curva suficiente para atingir de forma certeira o pescoço e o tronco - na altura dos pulmões - e ali se fixarem com profundidade considerável.

— Agora! — Gritou a lupina ao ver o alvo cair no chão antes de dar o último suspiro.

Os eventos seguintes pareceram ocorrer ao mesmo tempo. A cortina de fogo estendeu-se novamente no ar, a criatura desfez-se em pó e o braço esquerdo da lupina começou a pesar, tendo a sensação de dormência se espalhando da ponta dos dedos até a altura do ombro. Não conseguia mais movê-lo. Franziu o cenho. O que diabos estava acontecendo?

O timing com a filha de Héstia não fora perfeito e uma arai conseguiu atravessar a barreira sem muitos danos, vitória celebrada com um urro bestial por todas as suas companheiras. Leah estava prestes a se levantar e investir contra ela, mas mentalmente Lennox a orientou que esperasse - tinha uma ideia. Hesitou, mas obedeceu, apenas observando a oponente aproximar-se pelo ar enquanto a lupina fitou brevemente as árvores que as cercavam.

A poucos metros de oferecer o golpe contra a semideusa, a arai finalmente viu a mão direita da mentalista mover-se como se oferecesse um forte empurrão. Seu corpo foi arremessado para longe, finalmente encontrando um galho pontiagudo que atravessou seu tórax sem muita dificuldade.

Enquanto a filha da lareira celebrou a pequena vitória com um sorriso, mais uma vez Ayla teve a certeza de que algo estava errado. Suas panturrilhas queimavam como se dois grandes cortes fossem feitos ali, e logo veio a fraqueza, fazendo com que a simples tarefa de permanecer de pé fosse um martírio e a gravidade conspirasse contra ela.

— Leah! — Uma voz masculina chamou do outro lado da clareira.

Com o canto dos olhos, percebeu três rapazes se aproximando enquanto batiam as espadas contra escudos surrados de metal, atraindo assim a atenção de duas das quatro arai restantes, estas voando na direção do grupo. Acreditou que fosse o tal James e resolveu aproveitar a oportunidade, convocando Anima e vendo a corrente ascender aos céus com rapidez, enrolando-se nos pés das arai.

— Vamos, me ajude. — Pediu, percebendo que já estava quase de joelhos por não sustentar o peso próprio corpo. — Puxe! — Ordenou enquanto largava a espada no chão e enrolava a mão livre nos elos da corrente.

O puxão foi forte o bastante para trazer as duas até o chão. Uma caindo próxima a Patrick e a outra praticamente à sua frente, ainda caída de bruços. Invariavelmente, a cria de Héstia correu em socorro do irmão, fazendo com que Ayla apenas tivesse tempo de apanhar o presente de sua patrona no chão e a cravasse no crânio da besta antes que esta se levantasse.

Apesar disso, a dor lancinante chegou à cabeça da lupina, fazendo-a gritar e largar todos os itens que ainda possuía. Sentia como se o golpe desferido anteriormente a tivesse atingido e desejou amargamente poder levar as duas mãos até as têmporas em uma fútil esperança de acabar com aquela sensação de que o próprio cérebro fosse explodir a qualquer momento.

Com dificuldade, focou a visão no reforço que pouco tempo atrás lhe parecia uma esperança. Estavam em péssimas condições e, subitamente, uma arai atravessou o abdome de um rapaz loiro com suas garras enquanto outra bloqueava os golpes de James com as asas rígidas e o empurrava para longe.

Leah estava caída e a oponente de pé, pronta para dar o último golpe. Com a mão trêmula, Lennox encontrou o bottom em sua blusa, instantaneamente assumindo sua real forma. Apertou o cabo de Moonlight com tanta força que os nós dos dedos ficaram esbranquiçados e assobiou, chamando a atenção do animal de estimação do demônio antes de brilhar, cegando-a temporariamente.

No ar, fez um X com a lâmina da adaga, vendo os feixes luminosos em forma de meia-lua seguirem até seu alvo, que se contorceu a cada acerto. Finalmente, lançou um último corte vertical, este atingindo-a da altura do pescoço até a virilha. Desfez-se em pó.

A mentalista suspirou em alívio, mas ao mesmo tempo, sentiu frio. Uma gota de suor gélida escorreu por sua espinha e conhecia aquela sensação a ponto de crer que, caso tocasse seu abdome, estaria coberto de sangue e seu rosto, pálido.

Tornava-se cada vez mais difícil manter o foco. Sua visão estava turva e ousava escurecer por poucos segundos. Apesar de não ter muito tempo para pensar, o que inquietava a filha de Selene era não saber o que estava acontecendo.

Restavam duas arai. Uma delas urrou de forma bestial, chamando a outra para que finalmente investissem contra a prole da lua. Ambas rasgaram o ar com rapidez, e Ayla apenas viu uma pequena bola de fogo sendo arremessada na direção de uma delas, deixando-a minimamente vulnerável. Compreendendo aquilo como uma deixa, soltou a adaga no ar e a ordenou um arremesso certeiro em um ponto vital qualquer. Não sendo abandonada pela sorte ou pelos dons de sua mãe, Moonlight foi diretamente até a base do pescoço da oponente, que caía no chão se debatendo antes de virar pó.

Um grande peso caiu sobre as costas da semideusa, que aos poucos ia ao chão, mas não antes de ter os ombros agarrados pela arai restante, arrastando-a contra a terra batida por quase um metro. Se sentia incapaz de levantar, já não tinha mais nenhuma arma consigo e apesar disso, vendo a face asquerosa da arai próxima à sua recusou-se a pensar que morreria ali. A saliva escorria pelas presas da criatura e esta possuía a mão erguida no ar após um soco certeiro que fez com que Lennox cuspisse sangue. Estava pronta para rasgar a traqueia da seguidora de Psiquê.

Um grito foi ouvido.

A mão com dedos e unhas tão pontiagudos e afiados como uma navalha atravessaram o abdome, rasgando todo o interior até chegar ao outro lado. Sujo, asqueroso, desagradável.

Mas ela estava viva. A boca da arai permaneceu entreaberta enquanto a vida se esvaía lentamente pela ferida e ela começava a se desfazer em pó, cobrindo o corpo da lupina, que naquela hora se sentia sufocada. O ar falhava em chegar a seus pulmões.

Finalmente se deu conta: Era uma retribuição. Alguma espécie de justiça divina pelas vezes que havia deixado seus oponentes sangrando até a morte, por vezes desmembrados, com lâminas atravessando seus corpos ou pesos extremos esmagando suas existências.

Sentiu vontade de rir. O carma realmente era uma vadia.

Aos poucos todas as mazelas abandonavam seus membros, como se incapazes de permanecer ali sem suas conjuradoras, as arai. Lentamente a sensibilidade retornava, a dor se esvaia e voltava a sentir que estava devidamente orientada e possuindo controle absoluto sobre si. Piscou algumas vezes antes de apoiar o peso do corpo nos cotovelos e erguer-se parcialmente e viu uma mão estendida à sua frente.

— Obrigada. — Falou o rapaz que julgou ser James.

Aceitou o apoio e ficou de pé, vendo ao longe as duas crias de Héstia se abraçando e indo em sua direção.

— Onde estão os outros? — Indagou ela, referindo-se aos outros rapazes que vieram.

Ele sacudiu a cabeça negativamente.

— Ethan se foi na hora que recebeu o golpe. Dylan não teve a mesma sorte, sabe? — Falou com um suspiro ao fim, deixando claro que não queria entrar em detalhes sobre a ida do amigo. — Mas o importante são os que permanecem de pé. Preciso levá-los embora, consegue se virar?

Ayla deu de ombros e mentiu que sim enquanto recolhia seus pertences e caminhava para longe dali. Por mais que não quisesse, as peças do quebra-cabeça estavam se encaixando em sua mente, fazendo da realidade uma imagem mais clara a cada passo que dava. Ela sabia onde estava.

Os fatos a esbofetearam de imediato, bem como cada uma das auras presentes ao fim do caminho que sequer sabia estar trilhando. Eram todos os indivíduos com quem havia se deparado no sonho.

As mesmas pessoas  também pareciam fitar a colina tão familiar com lampejos de incredulidade ao se deparar com chamas, construções destruídas, corpos e espadas largados ao chão. Não mais pertencia àquele lugar, era verdade, mas por um breve segundo sentiu-se a mesma garota assustada que havia cruzado aquelas fronteiras pela primeira vez. Levou uma das mãos à cabeça, permitindo que as pontas dos dedos alcançassem o próprio cabelo enquanto tentava processar aquilo que a cercava.

— Isso não pode ser possível, pode? — Perguntou a ninguém em particular.

Estava no Acampamento, ou melhor, em suas ruínas. Seriam reações comuns e aceitáveis o choro incessante ou até mesmo uma náusea incontível a ponto de culminar no vômito - uma tentativa falha de expulsar de seu interior os fatos indigestos - mas ela se recusou.

O chão já estava manchado demais.
Adendos:
itens:
{Falling Stars} / Shurikens [Conjunto com 10 shurikens de bronze sagrado, mas que se repõem sempre, funcionando quase como um "conjunto de shurikens infinitas". São guardadas em um estojo de couro e veludo. O alcance é limitado à força do semideus, mas não ultrapassa 25m. Podem ser atiradas até 2 por turno, e ambas seriam afetadas pelos poderes.] {Bronze sagrado} (Nível mínimo: 1) [Recebimento: Presente de Reclamação de Selene]

{Moonlight} / Adaga [Trata-se de uma adaga com a lâmina ligeiramente mais larga e curva. O seu formato é levemente arredondado – o que lembra uma lua na sua fase crescente. O cabo tem uma espécie de cobertura (como em sabres) feita de bronze sagrado, o que dá certa defesa as mãos daquele que a está empunhando. Tem uma coloração esbranquiçada e toma um tom azulado quando exposto à luz lunar. No nível 20, se torna um botton escrito "CLUBE DE ASTRONOMIA".] {Bronze Sagrado} (Nível Mínimo: 1) [Recebimento: Presente de Reclamação de Selene]

✣ Anima Bracelet. [Um bracelete de prata com o desenho de borboleta em ouro. Esse bracelete pode ser ativado com o desejo mental do usuário e transforma-se em uma corrente que pode medir 10m. Essa corrente é feita de prata e ouro sagrado, bastante resiste a tal ponto de ser semi-indestrutível. Ela obedecerá aos comandos mentais do mentalista com perfeição, independente do nível que ele esteja.] [Materiais: Ouro Sagrado e Prata Sagrada] (Nível mínimo 1) {Elemento: Psíquico} [Recebimento: presente por ser mentalista]

✣ Yin Yang. [Uma espada de punho prateado e com um desenho bem talhado de uma borboleta em azul. Sua lâmina é de uma beleza diferenciada, pela divisão do cume central, metade dela possui um material negro e a outra metade é feito de prata sagrada. Seu corte é duplo e sua ponta afinada, uma espada bastante resistente. Ela possui uma habilidade de ativar um segundo modo em que a espada original se divide em duas, uma de lâmina totalmente preta e outra de prata sagrada. Nesse segundo formato a sua resistência diminui um pouco, porém seu corte fica extremo, podendo cortar metais pesados e causar efeitos sobre armas sagradas. Essa espada vem em uma bainha preta com entalhes azuis em borboletas, ela se adapta ao corpo do mentalista podendo ser usada do modo que este desejar carregar a espada.] [Materiais: Prata Sagrada e Material Negro] (Nível Mínimo: 1) {Elemento: Psíquico} [Recebimento: Presente por ser mentalista]


♦ {Igni} / Pedra [À princípio, parece uma pedra comum, de tamanho suficiente para poder ser feita de pingente. algumas inscrições em runas muito antigas, misturadas com a língua celta, fazem meio que uma decoração. Seria só isso, se ela não tivesse uma habilidade especial: a de armazenar energia (MP) do seu usuário para ser usada depois. Há restrições: A pedra só pode guardar até 50% do MP total do portador, e o usuário só pode retirar, por turno, até 10% do MP armazenado. Somente o MP do usuário recarrega a pedra e, ao fazer isso, ela será recarregada por inteiro - ou seja há o desconto de 50% do MP total na hora do recarregamento (embora seja possível escolher quando recarregar) - e quando descarregada, obviamente, não oferecerá MP, este sendo retirado do usuário. Para uso deve ser portada ativamente, estando em contato com o personagem, e apenas o dono pode fazer uso da MP armazenada.] {Carga: 610 MP} (Nível Mínimo: 60) {Não controla elementos} [Recebimento: The Ballad of Mona Lisa by Poseidon][Atualizada por ~Eos]

{Weismann} / Runa [Um fragmento da Runa Weismann, que foi destruída durante a segunda Batalha dos Reis. Foi dada a Ayla e Jon pelo próprio Weismann, o Rei Prata Imortal. Pode ser colocada em um colar, pulseira e até mesmo em um anel, pois seu tamanho não é maior do que o de uma pedra brita, e tem a coloração branca. Apesar de a runa ter concedido a imortalidade para Weismann, ela não a concedeu para os semideuses, mas graças ao seu poder, os danos físicos recebidos pelos semideuses diminui em 25%, podendo aumentar progressivamente a cada dez níveis subidos. Não pode ser perdida, vendida e tampouco trocada ou dada, visto que além do poder fornecido ele é um símbolo da confiança e amizade dos Reis para com Ayla e Jhonn.] (Nível mínimo: 50) {Não controla nenhum elemento} [Recebimento: Missão "Return of Kings", passada e avaliada por Nyx e atualizada por Hécate.]

— {Silver Moon} - [Um escudo redondo de prata lunar que proporciona uma defesa eficiente para sua dona. Possui em seu centro o desenho em relevo de  um lobo (o desenho do rank dos filhos de Selene), pintado em dourado. Quando não estiver sendo utilizado, transforma-se em um relógio de prata] {Prata Lunar} (nível mínimo: 1) {Não Controla Nenhum Elemento} [Recebimento: Forjado na The Dragon's Flame, presente de Jhonn Stark.]

♦ {Lullaby} / Flauta encantada [Recebida por Ayla como um espólio de guerra, logo após o fardo de morte carregado pelo item ser limpo. Feita com uma base de alabastro recoberta inteiramente de prata, o instrumento abençoado por Orfeu agora apresenta apenas a base de um encantamento. Uma vez por missão (com o gasto de 50MP por alvo), ao entoar uma melodia suave com o item, a filha de Selene poderá transmitir suas ordens para um alvo selecionado, desde que estejam dentro do alcance sonoro do poder (30m de raio a partir da semideusa como centro). Quando usado em alguém com 5 níveis ou mais que a semideusa, esse poder não funciona. Em outros casos, a chance é de funcionamento normal. Se o alvo for ferido, o efeito se quebra, e o encanto possui duração de 2 rodadas ou enquanto a semideusa toque a flauta. A palavra final é do narrador, e dependerá também da ordem dada, que não pode ser algo que vá diretamente contra o instinto de sobrevivência do oponente (como se matar, ou coisas do gênero), nem contra as ações da semideusa (não adianta atacar e depois pedir pra um alvo não revidar). Resistências mentais e sonoras são aplicadas, assim como resistências geradas por habilidades passivas ou ativas.] {Alabastro e prata} (Nível Mínimo: 15) {Controle sonoro sobre mentes} [Recebimento: Recebido pela missão "Bad party", avaliada por Jhonn Stark e atualizada por Orfeu.]

♦ {Resistance} / Jaqueta [Feita externamente de couro negro batido(o que já dá à vestimenta a resistência de uma armadura de couro), aparentando ser uma jaqueta comum, Resistance oculta suas verdadeiras propriedades de proteção em batalha. Internamente revestida por mitral, fornece grande resistência à semideusa, além da leveza característica do material, de modo que o peso não a prejudica quase nada. Além disso, o item recebeu o encantamento defensivo contra fogo, tornando-se completamente imune ao elemento – não dá imunidade à usuária, apenas à jaqueta.] {Couro e mitral} (nível mínimo: 27) {Controle sobre o Fogo} [Recebimento: The Dragon's Flame - Forja de Harry S. Sieghart]

Elixir da Energia (titânico): Recupera 100 MP. [100 Dracmas]

♠ {Toxic}/ Moeda [É uma antiga moeda americana feita de ouro, que quando a semideusa desejar soltará um aroma doce e enjoativo, que fará todos que estiverem a até 3 metros ao redor se sentirem cansados e doentes. Pode ser usada uma vez por missão, dura dois turnos.] {Ouro} (Nível mínimo: 30) {Nenhum elemento} [Recebimento: Missão "Ringue de Luta", avaliada por Selene e att por Asclépio.]

❖ Braçadeira argilosa [Bracelete de terracota de textura rústica e irregular, de tonalidade avermelhada. Ao ser ativado o item recobre o corpo do semideus com uma camada de argila e amplia sua resistência a golpes físicos em 50% por 3 turnos. 1 uso por evento. (Nível mínimo: 07) {Material: couro} [Comprado de Lavínia Cavendish]
poderes:
Passivos

Nível 5: Perícia com armas de arremesso
O filho de Selene se habitua mais fácil a este tipo de arma, apresentando um aprendizado mais veloz e um manejo mais natural. À princípio, apenas com shurikens. A partir do nível 30, contudo, passa a se estender a agulhas e facas de arremesso. Note que a perícia apenas implica uma dificuldade menor no manejo e aprendizado, bem como certa facilidade em utilizar as técnicas conhecidas, mas não implica em conhecimento instantâneo ou precisão absoluta.[Novo]

Nível 10: Fases da lua I - Lua Nova I
Esta fase Lunar representa um ótimo momento para dar inicio as coisas diferentes ou tomar atitudes. Isso faz com que não se atrapalhem tanto ao lidar com situações e coisas inesperadas: mesmo pegos de surpresa, eles conseguirão raciocinar e planejar, fazendo com que suas estratégias tenham chances melhores de acerto, mesmo que em menor nível se comparados com filhos de Atena, por exemplo. Contudo, a estratégia tem que ter sentido e ser plausível, e o semideus precisa ter meios de realizá-la - a última palavra é do narrador. [Modificado de ativo para passivo]

◉ Nível 20. Telepatia Avançada: Controle total, podendo escolher a hora que vai escutar os pensamentos ou não e também se comunicando livremente através dos pensamentos.

◉ Nível 30. Controle da probabilidade: capacidade de alterar a probabilidade, causando acontecimentos estranhos ou impedindo acontecimentos normais. Isto inclui aumentar a sorte ou azar de alguém.

Ativos

◉ Nível 20. Ilusionismo avançado: As ilusões são perfeitas, enganando a mente do inimigo por um tempo indeterminado, a depender da sua concentração. Podendo fazer ilusões apenas de você, de objetos ou animais.

◉ Nível 11. Telecinese intermediária: Consegue mover e levitar objetos mais pesados, porém não chegando a ser aqueles bem pesados e complicados, a velocidade também aumenta, sendo proporcional ao peso.

Nível 2: Enluarado
Os filhos de Selene têm o poder de brilhar como a lua. O brilho deixa o inimigo confuso e perdido, reduzindo seus reflexos e capacidade de reação em 25%, tornando-o um alvo fácil. O brilho age por uma rodada, mas seus efeitos duram até 2 turnos no oponente. Uma vez por combate.

Nível 3: Lua cortante
Um movimento da arma projeta uma meia lua luminosa capaz de cortes afiados. Pode ser usado corpo a corpo ou à distância, alcançando até 10m por golpe. Cada ativação equivale a um uso. Apesar do efeito estético se manifestar como luz, é um ataque cortante e resistências ao elemento não se aplicam. Pode ser usado apenas com armas laminadas. [Novo]

Nível 1: Garras
Os gatos também são considerados animais noturnos, as garras desse animal são extremamente perigosas. Os filhos de Selene criam garras em sua mão, podendo provocar danos como se estivessem armados. É considerada uma arma cortante, como um bisturi ou adaga de bronze sagrado. Cada ativação dura 3 rodadas.

De item

Poder do Item (Nível 50) Controlável - Agora, o filho de Selene consegue guiar a rota da arma, conseguindo fazer desvios mas não pode alterar completamente sua rota, apenas movendo-as em um ângulo de até 90º. Pode ser usado para desviar a arma de escudos e obstáculos que estiverem em sua trajetória, conseguindo uma chance maior de acerto. A habilidade funciona apenas quando ativada, funcionando duas vezes por missão sendo contabilizada por arremesso e não por shuriken. Pode ser usado duas vezes por missão.

Poder do Item (Nível 75) Duplicata - As shurikens atiradas são duplicadas no ar. A réplica é feita de energia e age como prata lunar para definir dano e superar resistências. A duplicada possui duração até acertar seu alvo ou algum obstáculo e caso seja usado a habilidade de retornar a mão, apenas a shuriken original irá retornar. Essa habilidade funciona apenas quando estiver ativada, funcionando duas vezes por missão sendo contabilizada por arremesso e não por shuriken.

Poder do Item (Nível 25) Arma gravitacional - A arma paira no ar, atacando sozinha por 3 turnos. Afeta um único alvo apenas, dentro de uma área de até 25m de distância - acima disso, a adaga volta para o dono, mesmo não tendo terminado o tempo de ativação. 1x por missão.


observações:
Descontar a MP da pedrinha no meu arsenal;
Leah é filha de Héstia. Não julguei necessário colocar os poderes usados por ela aqui, mas caso seja, posso enviá-los por mensagem privada.

Ayla Lennox
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Re: — {Chaos and ruin}: MOPCED para Ayla, Alaric, Bianca, Drillbit, Jhonn, Peter e Simmon

Mensagem por Peter Lost em Sab 06 Maio 2017, 14:23

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Chaos and Ruin
O caos e a ruína são apenas pontos de vista
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Missão Fuderosa PJBR
A missão mais épica que você respeita
A vida de um semideus não é fácil por natureza, eu tinha plena consciência daquele fato e não conseguia deixar de atribuir todas dificuldades e todo o estresse passado em “aventuras” a algum tipo de disputa idiota entre os deuses ou coisa do gênero. Na época eu ainda não sabia o que estava por vir, sequer imaginava os horrores que iria enfrentar num futuro próximo, muito menos o que meus amigos iriam sofrer, isto é, aqueles que permanecessem vivos.

Eu sei que é normal acordar um pouco indisposto na segunda feira de manhã, mas naquela em especial eu me sentia como um lixo. Me sentia estranho, impaciente, fraco, frágil... mortal. Tudo estava no lugar certo, mas parecia tão diferente. Infelizmente, aquele sentimento se arrastou comigo por toda a semana, o que sozinho já teria transformado toda minha semana em um caos. Ironicamente, como minha vida já estava de cabeça para baixo, por que não piorar um pouco mais?

Apesar de todos os problemas daquela semana imaginei que conseguiria treinar um pouco, a fim de melhorar meu estado. O que consegui foi levar uma surra de meu companheiro de treino e ser mandado para a enfermaria por isso, trazendo de volta meu medo de não ser um filho digno de Zeus. Então, além de tudo o que eu já sentia em relação à minha condição, eu passei o resto da semana dolorido, cheio de hematomas.

Com tudo isso, pode-se pensar que a semana deve ter sido horrível, mas ainda faltava uma grande questão. Naquele exato momento eu me via em pé logo a frente de uma lápide no cemitério, o céu nublado parecia refletir os meus sentimentos e não pude deixar de pensar que talvez, naquele momento, Zeus também estivesse sentindo minha dor. Era o aniversário de morte da minha mãe.

"Pai?" indaguei mentalmente "Você poderia ter vindo pessoalmente, eu só preciso de um abraço!"

O silêncio permaneceu, e o forte sentimento de vazio parecia me consumir. Minha mãe havia morrido há um ano, exatamente no dia em que eu chegara ao Acampamento Meio-Sangue e, apesar de ter feito muitos amigos, eu nunca me sentira tão sozinho quanto naquele momento em especial.

A tristeza permaneceu em tudo o que eu fazia, mesmo nas menores coisas, mas de alguma maneira consegui atravessar pelos dias que se passavam e pareceu-me uma eternidade a espera para que sexta feira chegasse. Mas por fim, eu já estava exausto e tudo o que eu queria era o final de semana para que eu pudesse relaxar e retomar minhas energias.

Evitei demorar muito. Troquei de roupa sem retirar meu Skiá, colocando meu confortável pijama azul com pequenos raios amarelos, uma pantufa azul e joguei-me na cama. Sentia frio naquela noite, então mantive perdição em minha mão direita e cobri minha canhota com uma luva comum. Talvez tudo melhorasse no fim de semana, talvez todo o ocorrido na semana só tivesse sido uma reação normal da minha mente por conta do aniversário de morte da minha mãe. De um jeito ou de outro, eu me sentia exausto. Suspirei uma última vez, antes de pegar no sono.

Ω

Quando dei por mim, estava em pé em algum lugar extremamente escuro. Pisquei algumas vezes, tentando reconhecer onde estava, mas nada me veio à mente, obrigando-me a vagar pelo local por alguns minutos. Eu já estava com medo, queria ir embora e voltar para meu quarto, quando algo chamou minha atenção.

Meus olhos já se adaptavam com a escuridão e, não muito longe dali, consegui distinguir a silhueta de uma pessoa. Sem muita escolha corri até lá, esperando que fosse alguém que pudesse me ajudar, mas a realidade era outra. O vulto, na verdade, era uma mulher alta com a beleza digna de uma divindade, ela usava um vestido rubro que lhe caía muito bem. Eu não a reconheci, mas senti um leve calafrio passando pela minha espinha.

- Pequeno Peter. - Ela falou calmamente, sorrindo de forma nada amigável. Eu queria correr dali, mas ela sabia meu nome, talvez soubesse sobre o que estava acontecendo. - Você não teve uma semana muito boa, não é mesmo?

Tentei retrucar, mas simplesmente não consegui encontrar palavras. Fiquei ali parado, encarando-a como se ela fosse uma espécie de obra de arte.

- Algo grande está prestes a acontecer, meu garoto. - Eu não gostei da forma com a qual ela falou aquilo, minha mente gritava para que eu fugisse, mas meu corpo não me obedeceu. - Tenho objetivos ambiciosos, mas não é qualquer semideus que poderá me ajudar nesta empreitada, portanto escolhi apenas quem julgo necessário.

- E-Eu… Eu só quero ir embora, tia. - Falei, a voz saiu fraca e um pouco sem graça. Ela riu ao som da palavra tia, mas logo recuperou a compostura.

- Não pode ir embora.- Ela me olhou de cima a baixo, como se estivesse me analisando. - Pelo menos, não ainda. Sabe, os testes estão só começando, então faça um favor para a tia. – Ela pareceu cuspir a palavra. – Tente não morrer.

A mulher parou e me encarou mais uma vez, com a dúvida aparente em seu rosto. Ela parecia indecisa se deveria ou não falar o que quer que tenha passado por sua mente. Por fim, as palavras saíram de sua boca com um tom sádico de divertimento:

- A propósito, belo pijama!

Dito isso, tudo começou a se desfazer, mas ao fundo, imaginei ver semideuses, alguns conhecidos como o curandeiro Jhonn, meu meio irmão Simmon, minha velha companheira, Ayla, uma das minha amigas mais antigas do acampamento Bianca, um garoto que eu quase não reconheci, Alaric. Só não sabia quem era o último deles, mas tinha a estranha impressão de que logo o conheceria.

O que eles estavam fazendo por ali? Talvez eles pudessem me ajudar a ir embora. Eu já estava pronto para correr até eles e pedir ajuda, mas em um piscar de olhos, tudo já estava novamente imerso na escuridão.

Ω

Ainda com os olhos fechados, inspirei uma quantidade considerável de ar, como se não fizesse aquilo há um bom tempo. A sensação era boa e reconfortante, mas algo não estava certo por ali. Meu corpo começou a formigar por inteiro, uma forte ânsia de vômito apareceu de súbito e só então percebi o quanto me sentia pressionado, como se algo muito pesado estivesse sobre mim. Abri os olhos para só então entender que já não estava em minha cama.

Tentei analisar o que ocorria ali, mas abri um leve sorriso quando entendi a situação, estava sob uma pilha de… Bonecos? Não pude deixar de pensar que as pegadinhas estavam se tornando cada vez mais estranhas e elaboradas, contudo já sentia que era hora de sair dali.

Com um tremendo esforço empurrei dois bonecos que estavam sobre mim para o lado, fazendo-os rolar pelo monte de corpos inertes e então levantei-me. O que vi naquele momento foi uma das cenas mais traumatizantes em toda a minha vida, uma cena que me renderia pesadelos por muitas noites.

Eu não estava jogado em uma pilha de bonecos, mas um amontoado de corpos! Pisquei algumas vezes, tentando processar aquela visão. Havia corpos por todos os lados, o cheiro pútrido penetrava por minhas narinas, eu não conseguia encontrar ninguém vivo por perto e o que mais me assustava eram barulhos ecoando por todos os lados, denunciando que talvez a batalha não tivesse acabado. Minha mente trabalhava rápido, tentando recordar como eu chegara até ali, enquanto meus sentimentos se mesclavam em raiva, medo, preocupação e uma ânsia crescente parecia tomar conta de mim novamente.

Mas o mais importante: O que eu fazia num lugar como aquele? O acontecera comigo para eu estar jogado no amontoado de corpos? Eu participara da batalha? Será que eu estivera morto? As perguntas se formavam mais rapidamente do que eu podia respondê-las, entretanto não tive muito tempo para pensar nas mesmas, uma vez que um grande estrondo seguido por diversos sons irreconhecíveis pareceram irromper meus tímpanos. Algo estava se aproximando rapidamente.

Olhei para baixo, buscando meus pertences usuais de batalha, mas por incrível que pareça, eu ainda estava de pijama, pantufas, minha Perdição em minha mão direita e meu Skiá em meu pescoço. Prendi a respiração quando algo ecoou em minha mente, era a voz da mulher que eu encontrara em meu sonho Meu garoto, o primeiro teste logo irá começar, se não quiser morrer, é melhor se apressar.

Mal pudera pensar no significado daquela frase antes de avistar a aproximação de diversas criaturas. Tentei identificá-las, mas era a primeira vez que via aquele tipo de monstro. Se assemelhavam muito às fúrias, contudo me pareciam extremamente mais assustadoras e imaginei que estivessem ali por um único motivo… eu!

Por um breve momento de ilusão imaginei que talvez precisasse derrotá-las, mas a verdade é que seus números superavam qualquer chance de vitória que eu poderia ter. Era evidente, eu só teria um ato heroico para fazer: Semicerrei as sobrancelhas, virei-me e comecei a fugir.

Os monstros soltaram um som indistinguível, e começaram sua perseguição. Posso garantir que aquela foi uma das fugas mais difíceis da minha vida, afinal, eu não me sentia com toda minha força, ou seja, evitaria voar longas distâncias ou grandes alturas, além disso, correr entre corpos inertes calçando pantufas não é uma coisa nada agradável.

Xinguei mentalmente quem quer que tivesse me colocado ali, afinal, a divindade conseguira entrar em meus sonhos, me teletransportar, falar comigo em minha mente, invocar monstros e tudo mais, mas me dar uma troca de roupas decente, a não, aquilo deveria ser muito difícil para ela não é mesmo?

Continuei minha fuga procurando qualquer coisa que pudesse me ajudar, as criaturas se aproximavam cada vez mais e eu sabia que era só uma questão de tempo para elas me alcançarem. O que eu realmente precisava era despistá-las e depois me esconderia tentando bolar uma estratégia.

Eu não tinha muitos equipamentos ou poderes que pudessem me ajudar naquele tipo de situação, teria que improvisar. Ao longe avistei uma cortina de fumaça se formando, talvez fosse algum conhecido, talvez alguém precisasse de ajuda. Não! Era evidente que antes que eu pudesse pensar em ajudar outra pessoa, eu tinha que me livrar de minhas perseguidoras, portanto continuei correndo e então me posicionei próximo a uma pilha de corpos, eu teria poucos segundos para despistar as feras.

Assim que os monstrengos distavam de aproximadamente 10 metros de mim, concentrei energia e criei um grande flash, o qual cegou minhas perseguidoras – normalmente, eu seria capaz de cegar múltiplos inimigos em um raio de 25 metros de mim, mas como não me sentia tão forte quanto de costume, esperei que os inimigos estivessem mais próximos, a fim de ganhar alguns segundos a mais para me esconder.

Aquilo foi uma das coisas mais difíceis que fizera desde que chegara naquele estranho lugar. Normalmente usar uma habilidade daquelas seria quase tão fácil como andar ou respirar, mas o esforço feito para criar um flash foi tamanho que denunciou a mim mesmo que eu teria que guardar minhas energias, ou seja, eu realmente deveria pensar antes de usar um poder.

Assim que tudo se iluminou, consegui ouvir o urros das bestas, e foi quando soube que era o momento de despistá-las. Joguei-me para o lado, escondendo-me atrás de um amontoado de pessoas aparentemente mortas e, com forte impulso, voei pelo local o mais próximo ao chão e rápido que pude, me afastando das criaturas.

Por fim, agachei-me atrás de uma pilha de corpos, próximo à fumaça que vira poucos instantes atrás. Mesmo sem ter feito muito esforço, já estava ofegante, o suor escorria pelo meu rosto e eu e sabia que, apesar de ter despistado os monstros, cedo ou tarde eles me encontrariam.

Enquanto tentava bolar um plano de fuga, fui surpreendido por duas mãos me agarrando por trás, tentei gritar por ajuda, mas uma das mãos tapou minha boca enquanto a outra me puxou com força para trás na região da cintura.

O desespero tomou conta de mim, lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto, eu sabia o que estava por vir, só a morte me aguardava. Tentei me desvencilhar debatendo os braços e as pernas, mas de nada adiantou e lentamente eu fui puxado para baixo de algumas fileiras de corpos. Decididamente, aquele era o meu fim.

Ω

Meu coração batia tão rápido que eu tinha a forte impressão de que ele iria pular para fora de meu peito. Virei-me a fim de encarar meu agressor e, para meu grande alívio, eu olhava para alguém conhecido. Aquele era o curandeiro, filho de Héstia. Meu amigo Jhonn Stark.

Antes que pudesse dizer qualquer coisa, o garoto fez um ríspido “Shhh” e envolveu-me nos braços como se estivesse me protegendo. Sem muitas opções, eu me calei, entendendo o motivo de tudo aquilo, ele também estava sendo perseguido.

Com certa hesitação e sentimento de culpa, puxei dois grandes cadáveres para cima de mim o mais rápido que pude, eu não possuía muitas opções, mas tinha certeza que meu corpo pequeno poderia ser totalmente camuflado em baixo dos maiores.

Por fim, fingi-me de morto assim como o filho de Héstia e, apesar de eu já ter despistado as criaturas que me seguiam, percebi que meu novo companheiro não tivera tanta sorte. Um dos monstros se aproximou de nós, examinando mais cautelosamente os corpos. A besta encarou Jhonn, de forma que eu precisei prender minha respiração para evitar soltar um grito de medo.

Todas as células do meu corpo gritavam para que eu fugisse, mas permaneci imóvel tentando imaginar o que faríamos se a criatura reconhecesse o garoto. Com certeza seria o nosso fim.

Sem sombra de dúvida, aqueles foram alguns dos minutos mais longos de toda minha vida, mas por fim, a criatura se deu por vencida, soltando um urro antes de levantar voo e ser seguida pelas companheiras.

Permaneci imóvel mais alguns instantes, antes de soltar um leve sorriso aliviado e encarar o curandeiro.

- Jhonn, o que está acontecendo aqui? - Exclamei, abraçando o menino como se ele fosse um parente próximo. - Eu quero voltar pra casa!

O que ouvi a seguir foi extremamente medonho. Jhonn parecia estar na mesma situação que eu, nenhum de nós sabia o que fazer. Respirei fundo, tentando colocar os pensamentos em ordem e alcancei a mão do filho de Héstia, sem conseguir disfarçar o tremor da minha própria.

Comecei a andar lentamente, puxando o garoto junto comigo. Alguém naquele lugar deveria saber o que estava acontecendo.

- Acha que tem alguém aqui que pode nos ajudar? - Indaguei, tentando inutilmente esconder o medo em minha voz.

Contudo, antes que o curandeiro pudesse me responder, ambos ouvimos gritos ecoando. Vasculhei o local com os olhos, procurando a origem dos barulhos até que finalmente consegui avistar um grupo de guerreiros cercados pelas bestas que até então nos perseguiam. Elas não estavam tão numerosas como antes, mas possuíam a mesma aparência mortal.

Prendi a respiração tentando abafar um grito. Se corrêssemos, talvez fosse possível ajudá-los a derrotar as criaturas. Jhonn foi ágil e ditou-me seu plano: ele iria distrair as bestas e então nós as derrotaríamos. Era um plano simples, fácil de lembrar, mas eu tinha certas dúvidas sobre sua eficiência. Tentei não pensar muito e, quando dei por mim, já corria na direção do grupo transformando Perdição em espada.

Tentei alcançá-los o mais rápido que pude, eu sentia uma leve dificuldade em correr com as pantufas, mas era melhor do que correr descalço em uma zona de guerra. Por fim, ao me aproximar o bastante, consegui distinguir o grupo com dois garotos e uma garota batalhando ferozmente, enquanto um terceiro menino jazia no chão. Ao que parecia, estava vivo, mas agonizava em dor. Eu sabia que não conseguiria derrotar todos os monstros sozinhos, por isso a presença de Jhonn era extremamente reconfortante.

Antes que eu pudesse chegar até o grupo, o grupo de guerreiros começou a ser mais pressionado pelos monstros, e antes que pudéssemos fazer qualquer coisa, a morte os alcançou. Eu podia imaginar as parcas rindo enquanto cortavam a linha da vida daqueles mortais que eram aniquilados e destroçados ferozmente pelas bestas. A raiva e a frustração começavam a tomar conta de mim então, quase que instintivamente, saltei projetando o corpo para frente e avancei voando com toda a velocidade que consegui.

Jhonn distraía as criaturas por um lado e, sem que elas pudessem perceber minha presença perfurei uma pelas costas. Seu urro de dor foi abafado pelos ruídos da batalha que se seguia, logo uma chuva de pó dourado estourou próximo a mim fazendo-me tossir uma ou duas vezes. Sabia que o curandeiro estava próximo e eu já estava pronto para me virar e atacar a segunda quando senti algo que nunca sentira antes. Eu sentia como se estivesse sendo eletrocutado.

Soltei alguns gemido de dor, tentando entender o que estava havendo ali. Era aquilo que meus inimigos costumavam sentir quando eu jogava raios neles? Por um breve momento senti pena de meus antigos inimigos, aquela sensação era algo que eu desejava nunca mais sentir na minha vida.

Todo meu corpo doía e eu precisava me controlar muito para evitar espasmos de acontecerem. Forçando meu corpo a se mover e a me obedecer, encarei as criaturas e tentei analisar a situação. Jhonn era um semideus habilidoso, e podia provar aquilo enquanto lutava de igual para igual com outros cinco monstros.

Em uma fração de segundo, um dos monstrengos posicionou-se no ponto cego do filho de Héstia, e eu sabia que se ele tomasse aquele ataque, provavelmente seria derrotado e morto. Forcei meu corpo a se mover independente do que sentia e, com um rugido de dor, cortei a criatura em duas partes. Finalmente as bestas restantes perceberam a minha presença na luta.

Eu já estava quase me acostumando a me mover com aquele sentimento de ser eletrocutado, quando de supetão, senti outra coisa estranha. Eu me sentia esmagado, como se estivesse soterrado por vários quilos de… Bem… Qualquer coisa…

Sem muito o que fazer sendo forçado a ajoelhar. O peso aparente que eu sentia sobre mim era enorme e ficou evidente que eu precisaria de um grande esforço para me mover. Com o canto do olho, eu conseguia ver uma das inimigas avançando em minha direção. Era o fim!

Fechei os olhos com força, esperando o ataque que iria definir minha derrota, não queria nem mesmo ver o que estava prestes a ocorrer ali. Nada aconteceu. Abri um olho devagar, bem a tempo de ver pó dourado voando por todos os lados e um garoto em pé logo a minha frente. Jhonn me salvara.

Aparentemente, ele também sentia algo de diferente ao derrotá-las, uma vez que sua expressão se contorceu como se estivesse em dor e ele começou a se debater no chão. Eu sabia que tinha que fazer algo, só não sabia exatamente o que.

Apoiei em meus próprios joelhos e levantei-me com grande esforço. O simples fato de estar em pé já fazia com que gotas de suor surgissem em minha testa, estava claro que teríamos que terminar a luta o mais rápido possível.

Uma das três criaturas restantes já avançava em minha direção enquanto suas companheiras pareciam saborear daquele momento, soltando barulhos que eu imaginei ser algum tipo de risada sinistra. Era perceptível que eu precisava dar ao Jhonn tempo para se recuperar. Sem muitas esperanças de sucesso, levantei Perdição na vertical, tentando defender-me do ataque.

O impacto entre minha lâmina e as garras da criatura foi grande, empurrando-me alguns centímetros para trás. Usei toda minha energia para resistir ao seu ataque. E senti-me aliviado ao perceber que aqueles poucos instantes foram suficientes para que me companheiro conseguisse se recuperar. Foquei-me então na criatura com quem estava lutando, deixaria meu companheiro cuidar das outras duas.

Afastei-me do epicentro do combate, tentando ganhar espaço para avançar com velocidade, mas a besta me pressionava, acompanhando cada passo meu. Mais uma vez ela avançou contra mim, jogando-me para trás.

Assim que bati as costas no chão, senti como se o mundo estivesse girando, tudo parecia confuso. Precisei piscar algumas vezes para me situar. Minha espada ainda estava em mãos e minha inimiga já mergulhava em minha direção se preparando para o ataque final. Sem pensar muito, talvez por experiências em combates e por reflexo muscular, rolei para o lado bem a tempo de ver a criatura prender as garras no chão no mesmo lugar onde minha cabeça estava a poucos instantes.

A adrenalina corria em minhas veias, eu sabia que aquela poderia ser minha única oportunidade de vitória. Antes que a fera conseguisse se desprender do chão onde sua garra se fixara, joguei meu corpo por cima dela em um último movimento desesperado e perfurei seu pescoço com Perdição.

Ao mesmo tempo em que a criatura se desfazia, eu sentia uma forte lâmina perfurar minha barriga inteira. Não pude deixar de soltar um berro, as lágrimas escorrendo de meus olhos, se misturando com o suor e pó dourado preso ao meu rosto. Eu havia sido atingido?

Olhei para baixo, procurando o ferimento, mas não havia nada além da dor extrema. A vontade de vomitar era monotonicamente crescente com a dor. Eu ainda estava ofegante, mas voltei meus olhos para Jhonn mais uma vez, tentando ver como ele se saía em sua própria batalha. Só havia uma criatura faltando e, para meu espanto, Jhonn Stark estava ajoelhado de braços abertos, permitindo que o próximo ataque acontecesse.

Tentei chamá-lo, mas minha voz não parecia alcançar o menino. O último monstro avançou contra ele, e eu não consegui me segurar, levantei-me e comecei a correr em sua direção. Eu não sabia o que fazer, devido ao meu combate, estava extremamente distante do menino.

Estiquei a mão para tentar alcançá-lo, as lágrimas ainda escorrendo de meus olhos, o desespero era tudo o que sobrava em meu ser e toda a cena parecia passar em câmera lenta. Eu não sabia o que fazer, não daria tempo de salvá-lo. Por fim, acabei tropeçando e finalmente percebi o inevitável, Jhonn Stark estaria morto em poucos instantes.

Jogado ao chão, não me permiti desviar o olhar, o curandeiro me ajudara diversas vezes, me salvara há pouco quando ajudou a me esconder na pilha de corpos e eu havia falhado com ele. Permaneci ali deitado, rezando inutilmente para que algum deus intervisse no ataque de nossa inimiga.

A besta mergulhou contra o filho de Héstia, que recebeu o ataque no tórax. O que vi em seguida foi algo que nunca vira antes. O garoto, apesar de ter sofrido um golpe certeiro, continuou inteiro e então começou seu contra-ataque.

Seus movimentos eram incríveis, aos meus olhos o Jhonn Stark que eu via diante de mim parecia brilhar como um dos grandes heróis da mitologia, o que fez com que eu me sentisse um pouco inseguro por estar ali. Eu não estava mais lutando com os monstrinhos de sempre, agora a briga parecia ser mais desafiadora, e um único erro poderia nos matar. Simplesmente não sabia se eu conseguiria sobreviver àquilo, muito menos queria ser um peso morto para meu companheiro.

Não demorou muito para que a criatura se transformasse em um monte de poeira dourada. Eu ainda não entendia como Jhonn pudera ser tão heroico, mas é isso que os herois fazem, não é mesmo? Eles aparecem no momento de maior dificuldade.

Os efeitos de minhas maldições pareciam estar sendo amenizados, mas o curandeiro parecia imóvel. Levantei-me ainda com dificuldade e me aproximei dele.

- Jhonn. - Falei enxugando as lágrimas – Você está bem?

Nada. Ele parecia fora de si, soluçava, tremia e demonstrava uma expressão de extrema tristeza enquanto fitava o vazio. Estaria ele tendo alguma visão? Eu não sabia o que fazer, passei a mão em frente de seus olhos e pude jurar que ele balbuciava algumas palavras, as quais eu mesmo não consegui identificar.

- Jhonn, você está ai? - Encostei em seu ombro, mas o gesto não pareceu ter efeito algum.

Sem pensar muito chacoalhei o garoto, com uma mão em suas costas e a outra em seu ombro.

- Jhonn! - Eu quase gritava, o desespero retornava para mim mais uma vez. - Acorda!

Por fim, em um solavanco, o garoto pareceu retornar a sua consciência. Nós ficamos nos olhando por alguns momentos, seu rosto parecia confuso e eu tinha estranha impressão de que ele estava me analisando. Tentei afastar aquele pensamento, logo antes de meu companheiro tentar se levantar.

Avancei para ajudá-lo mas ele se colocou de pé com muita rapidez. Ainda envolto em pensamentos, ele murmurou algo que eu não consegui decifrar muito bem e então as palavras seguintes me acertaram em cheio.

- Vamos lá, garoto. Está na hora de reagrupar.

Aquela havia sido o melhor conjunto de palavras desde que chegara naquele local amaldiçoado. Mas reagrupar com quem? Jhon tivera alguma espécie de epifania ou algo do gênero? Tentei reunir as peças daquela situação, mas nada parecia fazer sentido para mim. Sem muitas opções, agarrei a mão do filho de Héstia, o medo era evidente em meu rosto.

Tentei limpar a sujeira em meu pijama enquanto era guiado pelo meu companheiro. Decididamente eu teria que trocar de roupas o quanto antes, afinal, eu estava em uma zona de guerra e usava um pijama sujo com pantufas. Tentei ignorar aquele pensamento, até que finalmente nos deparamos com semideuses conhecidos.

Olhei em volta, estávamos todos juntos novamente, eu conhecia quase todos ali, eram os mesmos rostos que eu vira em meu sonho na noite anterior. Resisti a tentação de correr até Ayla, ela sempre fazia com que eu me sentisse seguro, e encarei o único garoto que não conhecia. Para meu espanto ele apenas perguntou se alguém possuía cigarros.

Eu já estava pronto para perguntar se alguém sabia onde estávamos, mas não era preciso. As pilhas de corpos, o sangue derramado, os edifícios destruídos. Tudo aquilo era irrelevante, eu conseguiria reconhecer o local em qualquer estado. Mais uma vez, uma lágrima escorreu de meu rosto, eu queria chamar minha mãe, queria que meu pai pudesse me ajudar. Nenhum monstro, divindade ou aventura poderia ter me preparado para aquela cena.

O local destruído era o Acampamento Meio-Sangue. Era o meu lar.

Adendos:
Arsenal:
♦ Perdição [Espada com lamina de bronze sagrado. A arma se adequa em peso e tamanho ao usuário, seu cabo é de aço negro com um fino revestimento de couro preto para melhor manuseio e tem um comprimento padrão. A arma não tem nada de especial em relação a uma arma de bronze sagrado comum, exceto pelo fato de que, quando a espada não esta em uso, ela se torna uma luva negra com as letras “PL” bordadas em branco, indicando que ela só funciona com Peter.] {Bronze Sagrado, Aço Negro, Couro e Tintura} (Nível mínimo: 9) {Nenhum elemento}

▲ {Skiá} / Colar [Trata-se de um colar feito inteiramente de prata que ostenta um pequeno pingente de ônix lapidado cuidadosamente no formato de um relâmpago. O item concede o usuário a habilidade de, uma vez por evento/missão, absorver um ataque não físico (mágico ou elemental), desde que o adversário tenha no máximo até o mesmo nível que o jogador.] (Prata, Ônix) {Nível mínimo: 40} (Não controla nenhum elemento) [Recebimento: Missão - "The Lost Boys" / Avaliada por Ayla Lennox e Atualizada por Psiquê.]
Poderes:
Poderes passivos:
Perícia com armas laminadas (Nível 1)- Filhos de Zeus são bons com espadas, as manejando com certa familiaridade.

Voar (Nível 5) - Será seu poder característico. É muito útil e aperfeiçoado quando quiser.

Vigor de Touro (Nível 6) - Como um dos símbolos de seu pai é o touro, seu vigor é maior que os outros semideuses, podendo correr e afins por mais tempo.

Defesa Elétrica (Nível 29) - Consiste em uma defesa absoluta composta de energia ambiente ou corporal, mas é pequena, aumentando apenas 10% das defesas do semideus.
Poderes Ativos:
Flash cegador II (Nível 9) - Cega o adversário, como tempo do flash mais longo. Afeta todos os que estão ao redor, em um raio de 25m. Duração de 1 rodada.
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Re: — {Chaos and ruin}: MOPCED para Ayla, Alaric, Bianca, Drillbit, Jhonn, Peter e Simmon

Mensagem por Simmon Wilem Brandeur em Dom 07 Maio 2017, 19:36

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chaos and ruin
to fight the hordes, and sing and cry. valhalla, I am coming!
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one-post contínua externa difícil
narrada por simmon wilem brandeur, mentalista filho de zeus
— Eu juro que essa é a primeira vez que isso acontece...

A voz do filho de Zeus se fez ouvir pelo ar, ainda grave como o som de chuva se derramando sobre rochedos escuros, mas muito mais cansada e lenta. Seus olhos pesavam, seus músculos tremiam como se em uma dança sem ritmo e sem compasso, seus cabelos pretos pareciam quase cinzas e seus lábios estavam semelhantes ao branco de um papel. Respirava fundo, o ar entrando já cansado em seus pulmões e seus nós dos dedos tão claros que mais pareciam ossos expostos.

À sua frente, em uma clareira relvada da floresta, uma semideusa jazia totalmente nua sobre uma toalha de piquenique, suas coxas afastadas e seus seios fartos belamente expostos e iluminados pela luz clara e serena do luar. Olhava para Simmon com um misto de desprezo e pena. De fato, não era um olhar agradável. Ela nem sequer suava. Degradante. Seus dedos de unhas pintadas tamborilavam por sobre sua pele macia, esperando algo acontecer. Mas era óbvio que nada aconteceria. Essas coisas não funcionam assim.

— Sophie, tu é filha de Afrodite. Não pode fazer... alguma coisa?

A garota revirou os olhos e soltou um suspiro baixo e entediado. Juntou lentamente as pernas outrora afastadas, ergueu a coluna e jogou os cabelos castanhos por sobre os ombros. Estava tão desanimada que nem mais ostentava o encanto característico dos filhos da deusa da beleza e da sexualidade. Seus olhos já procuravam suas peças de roupa espalhadas aleatoriamente pela grama.

— Talvez eu pudesse, embuste, mas não sei se iria querer.

Quem suspirou dessa vez foi Simmon. Essa resposta o deixava irritado e com raiva, mas que culpa tinha a jovem? Ele a prometera muitas coisas e, agora, não conseguia cumprir nem a mais simples delas. Não era capaz nem de transar. Ultrajante demais. Realmente, aquela era a primeira vez que aquilo acontecia e o semideus se sentia tão perdido quanto um estagiário sem experiência. Olhou para baixo. Olhou para cima. Olhou novamente para baixo. Suspirou mais uma vez. Jogou a cabeça para trás e levantou-se. Achou sua cueca presa em um galho baixo, sua camisa jogada na grama e sua calça amassada sobre uma pedra cinzenta. Demorou um pouco para encontrar shaed, que se disfarçava casualmente relaxada entre outras sombras, mas por fim também a recolheu.

Após os dois se vestirem, encaminharam-se juntos até os dormitórios. Não havia sinal das harpias. Na primeira oportunidade que surgiu, ambos se separaram, rumando por caminhos diferentes e se despedindo com um aceno embaraçosamente envergonhado. Simmon praguejou baixinho. Estava indignado consigo próprio, com os deuses, com a filha de Afrodite e até mesmo com Quíron. Por conta disso, enquanto dirigia-se até o primeiro chalé, iniciou uma análise profunda e minuciosa de seu dia, tentando encontrar qualquer ação que pudesse ter desencadeado a maldita impotência. A verdade, porém, é que tudo de ruim que acontecia não havia começado naquela data, mas sim há pelo menos uma semana. Nos últimos sete dias, o caos tinha tomado conta da vida do semideus e muitas coisas, tanto grandes quanto pequenas, haviam dado errado.

Tudo se iniciara segunda-feira, quando Simmon acordara com uma tremenda dor de cabeça e um peso extraordinário sobre os ombros, como se estivesse de ressaca após beber muito. A verdade, porém, era que ele não bebia há pelo menos um mês. Entretanto, não achou naquilo nada de surreal, afinal, na vida todos têm um dia ruim em que as coisas parecem deslocadas. Tirando isso e o fato de quase se afogar no lago após uma tentativa malsucedida de canoagem, o resto daquelas 24 horas decorrera com uma tranquila regularidade.

O dia seguinte fora um pouco pior, já que a dor de cabeça não passara (pelo contrário, aumentara) e o peso nos ombros se espalhara também por suas costas e pernas. Quase não comera, pois seu apetite reduzira pela metade, e seus olhos começaram a ficar inexplicavelmente vermelhos e irritados. Além disso, seus cabelos passaram a perder um pouco do brilho, ficando cada vez mais opacos. Alguns semideuses já o olhavam com preocupada curiosidade.

A quarta-feira não apresentou nenhuma piora na condição física do mentalista, mas, em compensação, o que aconteceu durante aquele dia acabou sendo muito pior. Após o almoço, no qual comera apenas um pedaço de pão com uma fatia de lombo canadense e um ovo cozido, o filho de Zeus rumara à arena, onde daria uma aula de esgrima e lança, exatamente igual às outras centenas que já ministrara (aqui se faz necessário ressaltar que o jovem era excelente com ambas as armas, além de ser monitor e um excelente orador, portanto aquele era seu trabalho e ele o realizava com maestria e precisão).

Contudo, em algum momento do treino, por descuido causado pelo estranho cansaço, Simmon parou de prestar atenção no que uma dupla de jovens semideuses fazia. Estavam lutando com lanças de madeira, aparentemente inofensivas, mas, em uma súbita explosão de raiva, um deles, uma filha de Ares, começara a golpear seu adversário, filho de Hipnos, com maldade e força desproporcional. O resultado? A cria do filho do sono recebera um golpe na vista e ficara permanentemente cega. Bem, pelo menos esse era o diagnóstico primário. Talvez os curandeiros pudessem fazer algo a longo prazo. Talvez não.

O que importava era que Simmon levara a culpa pelo acontecido. E de fato sentia-se culpado — mas não muito, uma vez que o filho de Hipnos era um babaca miserável e indescritivelmente cretino para sua idade. Quíron advertira impiedosamente o mentalista e Dionísio o fulminara com o olhar, bravo demais para sequer falar (e isso fora algo bastante raro, já que aquele falastrão bêbado sempre reclamava de tudo). O problema de fato chegou em seu auge no momento em que o filho de Zeus, possuído pelo estresse, não aceitou as críticas e xingou o deus do vinho em todos os seis idiomas que falava, sendo, após isso, banido de lecionar por um ano e um dia. No caso, este último fato em particular fora a única coisa boa daquele dia. Por fim, voltando ao chalé um, o semideus deitara em sua cama e logo dormira, independentemente de ser quatro horas da tarde, de estar com razoável fome e de não ter tomado banho após o treino.

Obviamente, o resto da semana fora ainda pior. Nada dava certo e tudo dava errado. Os olhos de Simmon coçavam como que cheios de minúsculos e invisíveis grãos de areia e seus ouvidos zumbiam como que habitados por centenas de cigarras viciadas em cocaína. Além disso, havia todas as dores e incomodações supracitadas, mas que ele já se acostumara a contragosto. E, para fechar a semana com chave de ouro, acabara de se tornar um broxa. Definitivamente não estava sendo fácil.

Por conta disso tudo, não foi estranho quando o filho de Zeus entrou em seu chalé e resolveu, após o encontro pavoroso com Sophie, não tirar shaed antes de se deitar. A verdade é que tal capa era a única coisa que parecia certa e direita naquele mundo torto e estranho. Era a única coisa que permanecia maleável e confortável, até mesmo razoavelmente cálida e afável, como a luz distante das estrelas incandescentes que alinhavava seu tecido umbroso. Por causa dessa semana totalmente desconcertante e implacável, a atitude de Simmon, de cobrir seu rosto com o capuz de sombras para que suas lágrimas não fossem vistas deslizando pela barba malfeita, fora totalmente e indubitavelmente aceitável e compreensível.

Mesmo chorando não tardou a dormir, e mesmo dormindo não tardou a sonhar.

Quando seus sentidos já cruzavam a fímbria distante e opaca da onírica localidade, algo o despertou. Algo não. Alguém. Simmon viu-se encarando um ser em forma de mulher que vestia-se do mais vermelho vestido, cuja cor destacava-se em meio às trevas nebulosas e intransponíveis que se agigantavam ao redor. Era esplendorosamente assustadora e temerosamente bonita. Irreconhecível, sim, mas familiar em algum aspecto. Sua voz era firme como são firmes as grandes montanhas do fim do mundo. Falava como se não precisasse de fôlego, como se não precisasse sequer abrir a boca.

— Não temas, varão.

Mas o filho de Zeus não temia. Aquela semana estranha fora um enigma não solucionável, um quebra-cabeça que não podia ser montado pois lhe faltava uma peça. Mas aí estava ela, a peça final. A solução. Simmon sentia-se receoso, sim, e muito cansando também, mas não com medo. Sabia que ali tudo terminava e algo novo, e quem sabe terrível, iniciava. Sentia a excitação de fazer algo bom mas proibido, aquele frio na barriga característico, sobrepor ao cansaço físico e mental que ainda possuía.

— Há algo enorme se desenrolando. Algo épico que talvez seja grandioso demais para ti. Talvez não. Veremos.

Os olhos do filho de Zeus brilharam em uníssono com aquelas palavras. Como cria do rei dos deuses, a glória máxima era o que sempre almejava, mesmo que não sabendo, mesmo que não querendo. Fazia parte de seu DNA divino. Estava em seu cerne, em seu espírito, em sua pele. Estava dentro do tutano de seus ossos.

— Mas antes, uma provação. Tu e outros seis. Sete almas. Número melhor não há. Permaneçam vivos.

Tudo desapareceu com a mesma rapidez que havia surgido. Simmon sentiu-se sugado e engolido pela escuridão circundante, como que içado pelos ombros. Viu seus seis companheiros, sendo que alguns eram conhecidos. Viu Ayla. Tentou gritar, chamando-a. Falhou. Tudo girou, se transformou, cresceu e solidificou-se por um momento, e então parou, diminuiu, se espalhou e caiu em ruínas no instante seguinte.

É complicado explicar o que aconteceu em seguida. O filho de Zeus sentiu a escuridão entrar por suas narinas e preencher seus pulmões. Sentiu suas mãos e seus pés se contorcerem em espasmos mortais. Sentiu o negrume entrar em suas veias e artérias, dominando à força seu sangue e parando seu coração. Sentiu o ar escapar ligeiro de sua boca e o sopro faltar em seus lábios. Sentiu os músculos amortecerem e depois abandonarem toda a sensibilidade. Por fim, perdeu tudo: o sentido, o medo, a alma.

E estava morto.

Mas foi com um fôlego gélido, desesperado e profundo que voltou a sentir vida. Estava deitado sobre cadáveres sujos e ainda quentes. A fuligem cobria o ar como uma neve negra. Tossindo, o filho de Zeus se pôs sobre as pernas, deixando a coluna ereta depois do que parecera uma vida. Sua respiração era curta e rápida, como se tivesse desaprendido a inalar o ar. Virou-se e percebeu que, momentos atrás, estivera estirado sobre um monte de corpos mortos. Sentiu a garganta embolar. Engoliu. Fechou os olhos. Outro embolo. Outra engolida.

Abriu as pálpebras que guardavam íris azuis. O cansaço ainda consumia lentamente seu corpo, como formiga em ácido fórmico. Sim, era uma dor paradoxal. Ao longe, ouvia o som de espadas se chocando como gatos bravos. Era o som de combate e de gente. Alongou os braços, tentando raciocinar sobre o sonho que tivera. Ainda sentia a excitação em seu âmago, mas o ambiente ao seu redor, repleto de corpos e de trincheiras escavadas e de armas e de morte e de mortos e de cheiro de fuligem e carne e cabelo queimados tornava tudo um pouco mais sombrio. Um pouco? Muito mais sombrio. Estava acordado, mas saíra de um sonho. Será que saíra? Pelo que sabia, podia estar sonhando naquele exato momento. Só que o aroma de podre no ar e as bocas escancaradas cheias de dentes que não mais mastigariam não pareciam falsas ou criações de sua mente.

Maldição. Arrepiou a pele toda e os cabelos também. Apertou os dedos em torno do punho da espada. Espada? Olhou boquiaberto para a mão direita e percebeu ali Förlust. Remexeu-se inquieto e, de súbito, sentiu um balançar pesado nas costas. Era familiar. Era a lança Åska. Seus dois presentes de Zeus. Algo estava acertadamente errado. Notou também um bracelete em seu pulso esquerdo cuja alma era de corrente e, ao longo da perna direita, em sua bainha adaptavelmente ergonômica, Motsatt escondia-se. Suas armas estava perfeitamente distribuídas por seu corpo, dividindo de forma igual seus pesos, exatamente como o mentalista fazia. Só que ele não tinha feito isso. Não fora ele que selecionara tais armas. Algo estava erroneamente certo. Pelo menos também carregava shaed. Ela não combinava com o resto, não mesmo, mas deixava Simmon feliz. Sorte.

Inesperadamente, porém, ouviu ao longe um grande barulho no céu. Barulho de guerra mortal e de asas batendo. Barulho de sangue e de briga. Barulho de coisas se aproximando. Varão, eis o primeiro teste, disse a voz da mulher de vestido vermelho em sua mente. Então, contrastando com o céu acinzentado, uma nuvem de criaturas negras rasgou o ar como faca queimada. Eram nuvem pois estavam distantes, mas o filho de Zeus contou pelo menos 30 seres. Sentiu um arrepio que subiu por seu peito e parou em sua testa. Aí sentiu medo, também. Combate seria suicídio. A mão que segurava Förlust já estava com os nós de seus dedos brancos. Praguejou, transformou a espada em anel e correu.

Pensou em se esconder em meio aos corpos, cavar nas pilhas de homens como se cavasse areia, mas um soluço de vômito cresceu em sua garganta. Precisava pensar rapidamente em outra coisa. O ambiente ao seu redor era mais vazio que um deserto e, tirando as trincheiras, mais reto que terreno aplainado. Se cada morto fosse uma semente, em alguns anos haveria ali uma floresta de gente. Que pensamento mais idiota. Pelo menos as trincheiras serviriam como covas, depois que tudo acabasse. Que cemitério grande da porra.

Então riu com tudo aquilo e a calma do riso o fez pensar melhor. Era óbvio, não era? As trincheiras. Migrou para a mais próxima e, com a sutileza de um felino, jogou-se lá dentro. Esqueceu, porém, do cansaço que sentia e, ao tocar na terra preta e molhada e funda do fundo do buraco, sentiu cãibras na coxa esquerda. Apertou os dentes e xingou baixinho. O sol encontrava-se numa posição meio angular do céu, fazendo sombras pretas dentro da trincheira. Simmon encostou-se em uma das paredes de terra e, bem quietinho, cobriu-se com shaed. Envolveu os pés, a cabeça e então os braços. Ficou imóvel, camuflado, a um passo do invisível. Ouviu o barulho dos seres voando perto e perto e perto, e então longe e longe e longe. E aí não ouviu mais nada, só sua respiração ofegante e suada.

Com um salto esticado, agarrou-se à beirada da trincheira e subiu novamente ao plano do chão. Se antes parecia que morrera e voltara à vida, agora realmente saía da cova. Olhou o céu e não viu nenhum daqueles seres. Tampouco os viu no chão. Pareciam criaturas um pouco familiares. Não se chamavam arai? Certamente já ouvira falar delas, em uma das antigas aulas que Quíron lecionara. Lembrava até mesmo de ter feito um asterisco ao lado da anotação no caderno. Sim, algo era muito importante a seu respeito, mas já fazia tantos anos que aquilo se perdera nos recônditos mais distantes e inebriados de sua mente, que relembrar agora se tornara uma tarefa impossível.

Com raiva, chutou uma pedra, mas praguejou baixinho, pois não era pedra coisa nenhuma, e sim um capacete cheio de pó com uma cabeça infantil, de uma criança de no máximo seis anos, decepada dentro. Sem saber muito bem como proceder, começou a caminhar em frente, observando o terreno e mentalmente elaborando nele centenas de possíveis armadilhas caso precisasse guerrear, pois obviamente estava no epicentro de uma batalha gigantesca. Entretanto, ao contornar um monte de corpos empilhados como troncos de lenha, Simmon deparou-se com três semideuses reunidos de forma belicosa. Três homens. Sabia que eram semideuses por causa de suas vestes, seus cheiros e suas auras. Reconheceu um deles: Alaric, filho de Nix, que já estivera junto em uma empreitada há algum tempo.

— Ah, então vocês também foram convidados para a festa — disse o filho de Zeus, com uma falsa desenvoltura compassada. Os dois semideuses aleatórios trocaram olhares confusos e cansados, mas algo no brilho inebriante dos olhos de Alaric transpareceu que ele entendera o que Simmon falara, que também tivera contato com a divindade escarlate. O mentalista encarou a prole de Nix e franziu as sobrancelhas — Fico grato por não estar sozinho.

O filho da noite respondeu algo, mas naquele instante a mente de Simmon estava voltada, involuntariamente, para outro lugar. Mirava os céus com desconforto e anseio. Sentia uma incomodação vagar pelo ar e arrepiar sua nuca, como se estivesse sendo observado perigosamente. Então, vindas da fímbria oriental do firmamento, seis criaturas exatamente iguais às que foram anteriormente despistadas emergiram, voando perversamente com suas asas de couro queimado. Desta vez, contudo, miravam exatamente o grupo ali reunido, no olhar a raiva e o ódio de uma vingança afrontada. Os espinhos de suas asas pingavam retaliação em forma de desgosto.

— Estes seres são perigosos demais em conjunto — pronunciou-se pela primeira vez um dos outros semideuses dali. — Melhor seria se nos separássemos em dois grupos, não acham?

O filho de Zeus cerrou enraivecidamente os dentes, seu olhar ligeiro e perspicaz analisando o terreno que se agigantava ao redor. Naquele átimo, calculava em sua mente sagaz todas as possibilidades de confronto existentes, com suas particularidades e probabilidades inerentes. Isso não era nenhum poder ou algo do tipo, mas sim toda a experiência adquirida em sua vida, com todas as quase-mortes que sofrera e todos os inimigos que enfrentara. Tinha 21 anos, mas já experienciara uma existência para mais de um século.

— Okay, bonitão, tu tá certo. Vem cá, vai lutar do meu lado — ordenou atentamente o filho de Zeus, prontamente obedecido pelo rapaz. — Alaric, tu fica com esse aí. Cada dupla protege a retaguarda da outra. Não morram, por favor. Confio em vocês.

Quando as arai se aproximavam derradeiramente, o companheiro de Simmon deu um passo à frente e ergueu as mãos na direção dos seres. No mesmo instante, uma nuvem gigantesca de gafanhotos surgiu no ar de forma compulsiva, envolvendo três das seis criaturas e separando-as das demais. As que não foram cercadas pelos insetos continuaram rumando até o filho de Nix e seu parceiro, mas as outras três foram desviadas, para que o filho de Zeus e o filho de Apolo (finalmente agora reconhecido por seu poder) pudessem atacá-las e aniquilá-las.

As arai a nuvem de gafanhotos finalmente afastou e de lança em riste o filho de Zeus à batalha entrou. Simmon era poderoso, rápido, forte e metódico, lutando com a bravura e a raiva de um deus nórdico. Trazia em seu sangue, carne e ossos a força do trovão; carregava o ardor e o caos do relâmpago no punho de sua mão. O mentalista era inteligente, sagaz e ardiloso, vencendo tudo com a paciência de um dia chuvoso. O furor, o ímpeto e o poder de sua força eram imparáveis, e os anseios mortais de sua arma eram incansáveis.

O filho de Apolo dispersou os gafanhotos, mas as arai ainda se encontravam atordoadas e desorientadas. Por conta disto e por conta de estar enfrentando dois semideuses simultaneamente, a primeira arai não tardou a morrer. Teve a lança do filho de Zeus atravessada em seu tórax antes de sequer estabilizar seu voo. Grunhiu baixo, gemendo com sangue preto escorrendo por sua pele tenebrosa e desfazendo-se em pó não muito tempo depois. Entretanto, antes que o sabor doce da vitória molhasse seus lábios, Simmon sentiu uma vertigem atravessar-lhe o crânio horizontalmente e caiu de joelhos no solo empoeirado. A arma vacilou de sua mão, mas ele não a soltou, segurando-a firme. Contudo, estava surdo e com o equilíbrio levemente afetado.

Capengou desgraçado e aturdido pelo campo de batalha. Não ouvia as vozes ou os gritos ou os choques de espadas. Na verdade, parecia que seus ouvidos estavam destruídos e dilacerados, como se uma faca tivesse lhe atravessado o crânio de orelha a orelha. Escancarou a boca, sentindo um medo frio e perverso adentrar seu âmago, pois lembrou, naquele momento, de um lestrigão que matara desta mesma forma, com sua adaga rasgando-lhe os tímpanos.

Aquilo tudo era muito estranho. Contudo, mesmo atordoado, firmou as pernas e mirou as outras duas arai restantes. O filho de Apolo lidava com uma apenas, já que a outra ainda mostrava-se aturdida e vacilante, tossindo e cuspindo como se tivesse engolido diversos insetos. Dessa forma, Simmon rumou até o rapaz e o auxiliou na batalha, pois assim, em número maior, seria mais fácil derrotar a criatura. O solar semideus gritou algo, sua boca remexendo-se com raiva e força, mas o mentalista nada ouviu. Entretanto, leu sua mente e entendeu que o outro queria que ele golpeasse a criatura por trás.

Movendo-se na quietude e no vácuo da surdez recentemente adquirida, o filho de Zeus posicionou-se exatamente atrás da criatura alada, que nesse instante aparava os golpes do filho de Apolo com seus espinhos mortais. Então, simultaneamente, ambos os semideuses começaram a atacar a besta, que girava e subia e descia para proteger-se dos golpes. Simmon percebeu que a lança era inútil em um ataque tão próximo, por isso largou-a e sacou Motsatt e, num reflexo ágil, dividiu-a em duas espadas mais finas. Com golpes ligeiros e certeiros, o fim da criatura mostrava-se próximo e sedento. E de fato logo veio. O mentalista atacou-a com a mão esquerda e viu uma brecha surgir num rápido instante. Aproveitou-a. Com um corte vertiginoso e preciso, arrancou-lhe uma das asas.

Contudo, no pequeno instante entre o corte e a queda, naquele momento solene em que tudo parecia terminado, o filho da luz parou de atacar. Havia baixado a guarda. Burro. Enquanto caía, a arai esticou a única asa restante e, com suas garras, rasgou a garganta do semideus em três lugares. Cortes profundos. Sangue e lágrimas. Ambos caíram no chão, um antes do outro. O ser demoníaco ainda resistia, girando estupidamente através da poeira, fisicamente incapacitado de fazer qualquer coisa útil. Com uma estocada firme, exatamente no centro do pescoço, Simmon arrancou-lhe a cabeça deformada, finalizando sua vida débil. Uma poça larga de sangue sinalizava que a prole de Apolo, se não já morta, morria aos solavancos. Não havia nada a ser feito em prol dele.

Com um arrepio forte e incontrolável, Simmon sentiu frio. Sentiu os músculos enrijecerem e travarem. Sentiu os olhos pesarem e os dentes baterem. Era um frio terrível, maior e mais forte do que jamais sentira. Então estancou, não por causa da sensação gélida, mas por finalmente lembrar o que representava o asterisco ao lado da anotação que fizera anos atrás. Ele lembrava de cada vida que tirara, de cada morte específica que proporcionara, por isso não se espantou ao recordar o que era tão importante a respeito das arai: eram os demônios das maldições, invocadas inconscientemente no último suspiro antes da morte, para vingarem a dor e o sofrimento sentidos por aqueles que padeciam. E Simmon, antes de sua segunda ida ao acampamento, quando escondia-se de cidade em cidade, sempre buscando não morrer, prendera um damphyr na câmara fria ainda funcionando de um açougue abandonado. Deixara o termostato na temperatura mais baixa possível e não saíra defronte a porta durante os dias que se passaram, para ter certeza da morte da criatura.

Sentia na pele o que aquele indivíduo sentira. Teve pena. Quase. Com um grito (que não ouviu), remexeu-se como que inundado por um calor (que não sentiu), e tratou de caminhar em direção à última arai sobrevivente. Com passos lentos e doloridos, movia-se sentindo infinitas agulhas de gelo atravessando-lhe os músculos. Pensou em Alaric, se ainda estaria vivo ou não, mas aquilo não importava tanto. Não agora, pelo menos. Não antes de terminar com tudo.

A derradeira criatura cuspia os últimos insetos. Aproximava-se lentamente de Simmon, analisando-o, não sabendo se a dor que estampava era verídica ou mais uma armadilha. Cada movimento feito pelo filho de Zeus lhe trazia dor, mas a dor lhe trazia raiva e a raiva lhe trazia força e a força lhe trazia calor, mesmo que subjetivamente. Gritou mais uma vez, como um leão, como um trovão, batendo uma espada na outra e encarando a arai com sangue e fogo no olhar. O choque das espadas gerou um brilho audacioso e feroz, um brilho claro como um relâmpago, e mesmo mouco e com frio, Simmon atacou.

O ser possuía dois esporões, um em cada asa, mas o mentalista possuía duas espadas, uma em cada mão. Ambos golpeavam e defendiam, entre gritos e guinchos, entre cortes e estocadas, entre raiva e poder. Mesmo gélido, Simmon movia-se com a sutileza de quem conhece muitas coisas. Mesmo com raiva, ele dava golpes certeiros e categóricos, sem pressa ou afobação. Mesmo cansado, desviava e aparava os ataques com movimentos precisos e milimétricos. Não dava dois passos quando apenas um era necessário. Não golpeava duas vezes quando apenas uma era fundamental. Sua raiva era abundante e infinita, mas sua força era calculada e comedida.

Esquerda, direita, esquerda, esquerda, desvia. Direita, esquerda, direita, direta, protege. Direita, esquerda, corte lateral, desvia. Esquerda, esquerda, corte duplo, protege. A mente do mentalista funcionava como uma engrenagem perfeita e bem lubrificada. Dedicava total atenção ao que fazia. Sua concentração era máxima, mas a dor, o silêncio e o frio o impediam de vencer. Se nada mudasse, se nada fizesse a balança pender para o lado do semideus, aquela luta duraria dias, até um dos dois desabar de cansaço.

Mas Simmon finalmente lembrou de algo. Sim, ele podia mudar as coisas. Podia pender a balança. Então, com um último sorriso e um último golpe, mudou sua sorte e aumentou o azar da criatura. Controlou a probabilidade, como um deus, como Destino. Desviou uma última vez e, com um golpe certeiro e duplo, dividiu a criatura no meio, separando seu tronco em dois pedaços distintos. Ela desfez-se em pó antes de atingir o chão.

Mas seu sorriso logo desapareceu em pedaços. Simmon sentiu dois cortes paralelos em suas costas, da nuca até os glúteos e, com um grito abafado, teve a sensação de ter a espinha dorsal arrancada com um puxão só. Sentiu uma dor excruciante, tanto física quanto mental, e desabou no chão, imóvel, vazio, inerte. Lembrou da empousa que arrancara a coluna, uma vez, usando dois ganchos e um caminhão, com a ajuda de um engenhoso filho de Atena. Ao cair, o jovem não morrera, mas naquele momento específico, mais do que em qualquer momento de sua vida, do fundo de sua alma e com todas as suas forças, desejou muito estar morto.

Contudo, não estava. No que pareceram infinitos minutos, ficou caído daquele jeito, todo desmontado. Mas aos poucos começou a sentir o movimento dos dedos dos pés e a conseguir abrir e fechar as mãos. Algum tempo depois já conseguia manter-se em pé, mesmo que cambaleando. Também já ouvia e não sentia mais frio. Avistou Alaric, sujo e abalado, vindo em sua direção. Ele mesmo não deveria estar melhor. Agarrou sua lança no chão, fez uma breve prece para o ex-companheiro cria de Apolo, desejando que fosse bem recebido onde quer que acabasse e, ladeado pelo filho da noite, seguiu em frente, não sabendo ao certo para onde ir, mas indo mesmo assim.

Algum tempo depois, após cruzarem uma leve colina, ambos os semideuses se viram em um lugar conhecido. Parcialmente conhecido, aliás. A grama, os pavimentos, os lagos, as construções, tudo era familiar, mas algo estava errado. Incrivelmente e totalmente e bizarramente errado. Simmon agachou-se no chão, sentindo a terra fina com a ponta dos dedos. Tudo estava morto e destruído. Acabado. Devastado. Caótico. Arruinado. Sentiu outra ânsia de vômito. Engoliu de novo.

Ergueu o olhar e avistou, além de Alaric, outros cinco semideuses aproximando-se. A primeira que viu foi Ayla, tão incrível quanto uma lua dupla espelhada em um céu e um lago. Então Jhonn, o curandeiro amigável, e Peter, seu meio-irmão filho de Zeus. Os outros dois não eram conhecidos, mas a garota lhe era familiar. Talvez a tivesse visto em algum canto do mundo. O garoto desconhecido, que pelo cheiro era filho de Atena com uma pitada de misticismo, perguntou sobre cigarros. A casualidade da pergunta tirou Simmon de seus pensamentos perturbadores. O filho de Zeus não tinha cigarros. Não fumava havia um tempo. Olhou para o jovem e respondeu:

— Se tu quiser beber, tenho umas garrafinhas de Jack perdidas aqui em algum lugar da minha capa — e, sem esperar resposta, tratou de procurar os itens nos diversos bolsinhos internos de sua shaed.

Detalhes:
Itens:
ϟ {Shaed} / Capa [Feita inteiramente das mais diversas sombras, foi costurada delicadamente com a luz da lua e das estrelas, balançando conforme a própria vontade, mesmo sem vento. É bastante maleável, podendo se transformar naquilo que seu portador desejar, seja uma capa curta, uma pelerine, um cachecol, uma capa longa com capuz ou qualquer coisa entre isso. Como a escuridão das sombras é o principal material de sua composição, ela fornece uma grande camuflagem à noite ou em ambientes escuros, tornando seu portador "invisível", mas na verdade ele está camuflado, furtivo. Porém, o ambiente deve ter sombras que possam proporcionar tal camuflagem, ou seja, um quarto com pouca luminosidade funcionaria, mas não a sombra de uma árvore às quatro horas da tarde. Apesar disso tudo, praticamente todas as pessoas e semideuses pensam que, embora bem feita e sofisticada, ela seja uma capa comum. Tem diversos bolsinhos em seu interior, que podem guardar os mais variados objetos] {Sombra, luz lunar e luz estelar} (Nível Mínimo: 20) {Camuflagem} [Recompensa pela DIY: "Mão-Leve"] — Cobrindo o semideus, na forma de uma longa capa com capuz.

ϟ {Åska} / Lança [Feita inteiramente de bronze sagrado, sua ponta é maior do que a de lanças comuns, possuindo a forma de um raio. Isso acaba deixando-a mais difícil de manejar (para quem não é acostumado), porém, em contrapartida, pode causar danos potencialmente maiores, ainda mais se considerado o seu peso, pois até seu cabo é metálico. Esse dano adicional, contudo, não é inerente à arma, mas sim depende do manuseio e das habilidades do semideus.] {Bronze sagrado} (Nível Mínimo: 01) [Presente de Reclamação de Zeus] — Presa às costas.

ϟ {Förlust} / Sabre [Possui o punho aberto, com o pomo no formato de uma cabeça de águia. Seu cabo anatômico permite o manejo mais fácil de cortes circulares (quando se luta a pé) e de cortes oscilantes (quando montado no cavalo/pégaso). É feito de bronze sagrado e seu punho é revestido por couro. Vem junto de uma bainha de couro. No nível 20, transforma-se em um anel de aço. Entalhadas pela superfície circular do objeto estão a cabeça e asas de uma águia.] {Aço e couro} (Nível Mínimo: 01) [Presente de Reclamação de Zeus] — Mão direita, em forma de anel.

ϟ {Puls} / Bracelete [É quase todo feio de prata, sendo a única exceção o entalhe de uma borboleta, preenchido com ouro. Esse bracelete pode ser ativado com o desejo mental do usuário, transformando-se em uma corrente que pode medir até 10 metros. Essa corrente é feita de prata e ouro sagrado, sendo extremamente resistente, chegando ao ponto de ser semi-indestrutível. Ela obedecerá aos comandos mentais do Mentalista com perfeição, independente do nível que ele esteja.] {Ouro Sagrado e Prata Sagrada} (Nível Mínimo: 01) {Psíquico} [Presente por ser Mentalista] — Pulso esquerdo, em forma de bracelete.

ϟ {Motsatt} / Espada [Possui o punho prateado com um desenho bem talhado de uma borboleta, em azul. Sua lâmina é de uma beleza diferenciada, pois é dividida exatamente ao meio, no cume central. Uma metade é feita de um material negro e a outra metade é feita de prata sagrada. Seu corte é duplo e sua ponta é bastante fina. É muito resistente. Possui uma habilidade que ativa um segundo modo, no qual a espada original se divide em duas, uma de lâmina totalmente preta e outra de prata sagrada. Nesse segundo formato, a sua resistência diminui um pouco, porém seu corte fica extremo, podendo cortar metais pesados e causar efeitos sobre armas sagradas e celestiais. Essa espada vem em uma bainha preta com entalhes azuis de borboletas. Tal bainha se adapta magicamente ao corpo do Mentalista, podendo ser usada do modo que este desejar carregar a espada.] {Prata Sagrada e Material Negro} (Nível Mínimo: 01) {Psíquico} [Presente por ser Mentalista] — Presa ao cinto, posicionando-se ao longo da perna, de forma firme e em sua bainha adaptável.

ϟ {Lysergsäure} / Pílulas mágicas [Pequena caixa de plástico contendo cinco pílulas de coloração amarelada (se assemelha a "Tic Tac"). Cada uma dessas pílulas tem uso único (ou seja, após o item ser usado cinco vezes, será apenas uma caixa vazia, podendo ser descartada do arsenal). O conteúdo, caso ingerido, potencializa em 25% os sentidos do usuário, permitindo-o uma melhor percepção de imagens ou sons, por exemplo — útil para encontrar algo a distância ou evitar um ataque surpresa, desde que seja possível. Vale lembrar que apenas estimula o desempenho, não significa que é certeza e tampouco o faz enxergar na escuridão ou o que foi oculto. Também aumenta em 25% sua resistência a ataques físicos, diminuindo assim a sensação da dor. Esses efeitos duram até dois turnos após uma pílula ser ingerida, uma vez por evento ou missão. O uso de mais de uma pílula por vez não faz as porcentagens acumularem, sendo apenas um gasto em vão.](Contador de pílulas restantes: 05) {Não controla nenhum elemento} (Nível Mínimo: 20) [Recebimento: Missão "Dirty Work", por Alaric L. Carter e atualizada por Psiquê] — Em um dos diversos bolsinhos de shaed.
Poderes:
Por nível, em ordem crescente:


DE ZEUS:


— Perícia com armas laminadas (Nível 1) - Filhos de Zeus são bons com espadas, as manejando com certa familiaridade. [PASSIVO]

— Vigor de Touro (Nível 6) - Como um dos símbolos de seu pai é o touro, seu vigor é maior que os outros semideuses, podendo correr e afins por mais tempo. [PASSIVO]

— Intimidação (Nível 7) - O filho de Zeus intimida mais facilmente os outros devido a sua posição. Na prática, exercem influência sobre qualquer criatura mundana através da palavra, assustando-as - não as afasta do combate, isso depende do tipo de criatura, mas pode ter um bom efeito em mortais. Contra semideuses e monstros, só os afeta se forem de nível menor ao semideus (ao menos 5 níveis), desestabilizando-os em combate, reduzindo suas defesas em 10%. Precisa de uma demonstração, seja uma ação intimidativa ou palavras de provocação. [PASSIVO]

— Eletro-percepção (Nível 11) - Assim como alguns animais, como os tubarões, que detectam estímulos elétricos, sua percepção é melhorada dentro de um raio. 10m iniciais, mais 1m adicionail por nível. Dentre desse raio, você é capaz de notar mudanças sutis geradas pela movimentação dos seres ao redor e, portanto, não recebe ataques críticos provenientes de ataques surpresa, mas não quer dizer que consiga prever os ataques completamente, já que não é como se soubesse os movimentos que estão planejando, e sim que estão perto. [PASSIVO]

— Defesa Elétrica (Nível 29) - Consiste em uma defesa absoluta composta de energia ambiente ou corporal, mas é pequena, aumentando apenas 10% das defesas do semideus. [PASSIVO]


DOS MENTALISTAS:


— Nível 2. Memória fotográfica: Tudo o que você ver ou ler ficará gravado em sua memória por anos, serve tanto para imagens para textos. [PASSIVO]

— Nível 10. Empatia: Você sabe exatamente o que o outro está sentindo em termos de emoções. [PASSIVO]

— Nível 18. Motivador: Palavras de incentivo sempre dão certo quando são propagadas por você, podendo animar ou desanimar alguém, o motivando ou desmotivando a fazer algo. [PASSIVO]

— Nível 20. Telepatia Avançada: Controle total, podendo escolher a hora que vai escutar os pensamentos ou não e também se comunicando livremente através dos pensamentos. [PASSIVO]

— Nível 30. Controle da probabilidade: capacidade de alterar a probabilidade, causando acontecimentos estranhos ou impedindo acontecimentos normais. Isto inclui aumentar a sorte ou azar de alguém. [PASSIVO]
Observações:
O poder que o filho de Apolo usou foi esse aqui:

Nível 25
Pestes solares: Algumas pragas são relacionadas à Apolo e ao sol e temperaturas elevadas. Por conta disso, este semideus conseguirá invocar uma nuvem de gafanhotos ou moscas. Os insetos não causam danos, mas atrapalham a visão e movimento, reduzindo movimentação, ataque e defesa em 50% enquanto ativas, de todos na área exceto filhos de Apolo. Os insetos podem ser destruídos normalmente pelo uso de armas ou poderes, ou dispersos, mas até que isso ocorra não se afastarão dentro do tempo limite do poder. Eles podem ser controlados por outro semideus, mas não atacarão o invocador original, podendo apenas ser dispersados. Caso não sejam derrotados ou afastados de alguma forma, a nuvem se dissipa em 3 rodadas. Ocupa uma área de 10m². Apenas 1 vez por combate.

Além disso, se possível, ouça a música "Immigrant Song — Led Zeppelin", analisando bem sua letra e entendendo as referências. Ela dá um ótimo tom para a maneira brava, metódica e raivosa que o Simmon luta com seus inimigos.
Simmon Wilem Brandeur
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Re: — {Chaos and ruin}: MOPCED para Ayla, Alaric, Bianca, Drillbit, Jhonn, Peter e Simmon

Mensagem por Jhonn Stark em Dom 07 Maio 2017, 23:19


Chaos and Ruin
I see Fire

Missão fuderosa
Era uma vez, Sete semideuses ferrados
Se havia uma palavra que de forma alguma poderia ser utilizada para descrever o atual estado do curandeiro, essa palavra seria bem.

A semana havia se superado no quesito de dias ruins subsequentes. Geralmente era algo que podia ser atribuído a alguma divindade extravagante, um monstro enlouquecido ou algum ocorrido mágico completamente incompreensível. Mas naquele caso, infelizmente, não conseguia achar um culpado além de si próprio.

Inicialmente veio a frustração no serviço: suas atividades na enfermaria eram algo que ele utilizava para se sentir melhor, que lhe davam paz. Mesmo sendo um trabalho que custava muito esforço, a devoção a Asclépio era sua prioridade. Infelizmente, nos últimos dias a frequência de acidentes e queixas havia aumentado exponencialmente. Devido a isso, ele não conseguia manter o ritmo de sempre.

Infelizmente, os vivos não eram os únicos que tomavam seu tempo: alguns fantasmas do passado também cobravam um pouco de sua atenção e sanidade. Às vezes, ele podia sentir seus olhares. Ouvir suas vozes. Nos piores dias, tinha vislumbres daqueles que tinham partido antes da hora.

Adrian, que sacrificou sua vida para salvá-lo. Que fez com que ele fizesse o juramento a Asclépio, jurando ter um compromisso com outras vidas. Kristy, que apesar da idade, foi uma guia e referência como curandeira. Véroz, que foi um amigo de longa data naquela vida terrível enquanto pôde.

Seus sonhos eram atormentados por esses e outros fantasmas de companheiros que ele nunca foi capaz de salvar. Pelo sangue que ele sentia ter nas mãos, e pela lacuna que ele sentia que nunca poderia curar com algumas poções ou preces. As palavras de acusação de sua mente faziam com que perdesse madrugadas de sono no chalé buscando o conforto que ninguém podia transmitir.

O cansaço físico e mental trazia consigo uma brecha enorme para o descuido, o que desencadeou vários dos eventos ruins dos dias seguintes: pequenos acidentes no preparo de poções. Atrasos e erros de iniciante em missões. Da última vez, acabou na própria enfermaria quando foi atingido por um piano — Sim, um piano. Uma longa história que envolvia o resgate de um semideus, uma apresentação em um conservatório de música e alguns lestrigões que não pareciam apreciar tanto a arte.

Foi dispensado temporariamente de todas as suas atribuições até que estivesse em uma situação psicológica que não fosse prejudicial a si mesmo ou a qualquer outra pessoa. Era uma forma bonita do acampamento dizer que queria ele vivo, mas também deixava subjetivamente a afirmação de que ele era incapaz de fazer o que devia.

E ele odiava sentir que não dava conta.

No fim da semana, respirou profundamente enquanto se jogava na cama. O rangido que veio a seguir era a única coisa que quebrava o silêncio sepulcral do chalé de Héstia, considerando que o crepitar das chamas de uma lareira central não era o bastante para perturbar a paz de ninguém.

Na verdade, nada relacionado à sua mãe divina parecia perturbar a paz de ninguém. Isso incluía até mesmo seus irmãos, que deviam estar em algum treino ou atividade extra como uma desculpa para que ele pudesse ter um momento sozinho. Podia não ser mais oficialmente um conselheiro do chalé, mas sua família ali ainda mantinha os traços clássicos e hereditários de empatia e respeito para com ele.

O garoto encolheu-se na cama como uma criança de cinco anos, esperando que o sono viesse para tirá-lo dali. Para acabar aquela droga de semana, libertá-lo de uma vez daquela agonia.

"Talvez" Pensou. "Com o fim da semana, as coisas ruins também vão embora."

Fechou os olhos, entregando-se à escuridão e ao silêncio. Seus pensamentos foram se apagando, perdendo força para os domínios de Hipnos. Após um intervalo de quase um mês, Jhonn Stark teria uma noite de sono tranquila e apropriada. Tudo iria melhorar com a chegada do dia seguinte, é.

Mas na verdade, tudo estava prestes a ficar pior. E talvez o dia seguinte nunca viesse.

* * *

A escuridão o envolvia novamente, quase que de forma física. Seus infinitos tentáculos se estendendo em um abraço gélido e arrepiante. O silêncio ali não era pacífico e tranquilo como o do chalé de Héstia, de forma alguma: era um silêncio que gerava tensão e expectativas. Que trazia consigo o medo de alguém — ou algo — que pudesse estar à espreita.

Ele soltou a primeira leva de palavrões. Conhecia aquele tipo de lugar: o covil frio e macabro do qual deuses e outras entidades gostavam de controlar semideuses como suas marionetes. Não sabia quem estava por vir, mas não estava muito receptivo àquele tipo de visita.

Foi então que ela apareceu: Assim como qualquer outra deusa, esplêndida e intimidante ao mesmo tempo. Usava um longo e esvoaçante vestido vermelho, e mantinha um sorriso firme no rosto. Por ter se tornado uma pessoa desconfiada com o passar dos anos, o filho de Héstia não tinha certeza de se o sorriso era de simpatia ou apenas de diversão por estar naquela posição de poder.

E aquela aura... Havia algo de errado com ela. Não era nada semelhante à de Tique, sua segunda patrona. Tique era imprevisível, mas a energia que passava era serena, controlada e amistosa. A força emanada pela nova deusa exercia uma pressão esmagadora, um sentimento de aprisionamento e volatilidade absurda. O curandeiro teve que se controlar para evitar a onda de náuseas que acompanhou a aparição daquela misteriosa figura.

Ela o encarou, mantendo a mesma expressão no rosto. — Filho de Héstia. — Disse. "Filha da puta", ele segurou entre os dentes. Não queria arrumar mais problemas, mas não estava no clima de limpar a sujeira de outro deus. — Eu tenho grandes propósitos para você. Para você e para os outros, claro. — Ele ergueu uma sobrancelha. "Outros?"

Mas conforme seus sentidos se mostravam mais despertos, pôde sentir. Energias turvas, sentimentos oscilantes e obscurecidos pelo cenário mágico do lugar. Havia outras pessoas ali.

— Tenho em vista algo grandioso, magnífico. Nenhum de seus feitos poderá ser comparado em dimensão ao que eu estou guiando-o a fazer. — Ele suspirou e acompanhou-a em sua próxima palavra. Aquela sempre presente nos acordos mediados no mundo semidivino. — Porém... Antes eu precisarei testá-los.

Ele tinha muitas coisas para perguntar. Várias críticas também, já que aquela maníaca tinha aparecido do nada com testes que ele nunca pediu pra fazer. E claramente, ele estava muito hesitante. Tinha certeza de que toda a desgraça que choveu naquela semana não passaria de um chuvisco perto do que estava por vir.

Mas não teve tempo de dizer nada.

Um clarão repentino iluminou o ambiente, permitindo que enxergasse outras seis figuras distribuídas no salão e tão assustadas quanto ele. O semideus se espantou ao perceber que os rostos eram todos conhecidos: Ayla. Bianca. Simmon. Alaric. Peter. Drillbit. As presenças que tinha sentido eram todas de conhecidos seus.

Mas com a mesma rapidez que teve para surgir, a luz se foi. A escuridão afastou-a para longe, mostrando que ali era seu domínio e que os semideuses ali eram seus reféns. Mais tangível que nunca, se alastrou por todo o corpo de Stark, causando uma pressão intensa, esmagadora.

Aos poucos, o curandeiro perdeu a consciência e mergulhou outra vez no vazio.

* * *

Acordou assustado, tossindo e com o impulso de se levantar. Seu corpo doía, suas juntas estavam adormecidas e alguns pontos de seu corpo apresentavam uma sensação de calor causada por uma fonte desconhecida, quente e pegajosa.

O barulho era intenso. Podia ouvir gritos, explosões e grunhidos desesperados de todos os lados. Levantou-se subitamente e analisou os arredores em um segundo, constatando que definitivamente aquele não era o seu chalé.

Pilhas de corpos estavam amontoadas por todos os lados. Feridos fugiam, alguns poucos ainda lutavam em seu melhor estado. Criaturas coriáceas e humanoides atacavam em revoadas, instaurando o caos e a desordem por onde passavam. Nuvens de fumaça se erguiam alto no céu, indicando os danos que o fogo fez e ainda iria fazer enquanto se alastrasse. Era um cenário de guerra.

Notou que estava com seus itens normais, ou pelo menos o básico deles: o relógio e o anel, o colar de Asclépio, seu cinto de facas e uma braçadeira mágica. O garoto sentiu o cheiro metálico que tomava o ar, que impregnava suas roupas. Sangue.

Ouviu um bater de asas próximo e agressivo. Instintivamente ativou seu escudo, erguendo-o no ar bem a tempo de ouvir o ruído metálico de garras arranhando o objeto. Um guincho frustrado foi dado pela criatura agressora, que se afastava e preparava um segundo ataque.

Ele então assumiu uma postura defensiva, procurando as ameaças mais próximas. Uma nova revoada de criaturas como aquela seguiam na direção daquele campo de guerra, o que não parecia nem um pouco bom.

Apesar de se considerar razoavelmente poderoso, Stark estava em desvantagem numérica absurda ali. Sendo assim, chegou à conclusão de que não precisava ser o mais poderoso, apenas o mais inteligente.

Encarou a crescente quantidade de fumaça das redondezas, concentrando-se em um truque antigo que viria a calhar naquele instante.

As nuvens cinzentas de quatro pontos diferentes subiram como colunas e seguiram juntas para uma região central, formando um grande "X" acima da cabeça do filho de Héstia. Este então dispersou-as para a formação de uma cortina que iria obscurecer a visão de seus oponentes.

Ele seguiu por baixo daquele escudo de ocultação, evitando as garras que rasgavam o mesmo e o bater cada vez mais próximo e perigoso de asas. Ele não olhava para trás, mas sua visão periférica era o bastante para ver algumas cenas grotescas de pessoas que não tiveram um método eficiente de fuga.

Algumas eram puxadas para os céus antes de serem arremessadas de volta ao chão, uma massa inerte de ossos quebrados, sangue e carne dilacerada. Outras eram pegas no chão e destroçadas ali mesmo. Aquelas que só podiam ser ouvidas... bem, seus gritos aterrorizados indicavam que era melhor não ver o que estava sendo feito a elas.

Mas naquele instante, a mente do curandeiro só tinha um foco: encontrar as presenças conhecidas que estavam largadas à própria sorte naquele caos. Se eles conseguissem se unir, com certeza teriam chances maiores de sobreviver e vencer o desafio da deusa.

Um forte ardor tomava seu peito. Sua respiração estava ofegante — Seu pequeno truque estava funcionando bem, mas custando em proporções que ele nunca tinha visto. No tempo em que se afastava da confusão, conseguiu sentir a presença de três dos seis outros semideuses. Um deles estava se aproximando cada vez mais.

Stark podia sentir as garras rasgando o ar bem ao lado de sua cabeça. Não conseguiria segurar a cortina de fumaça para mais um ataque, de forma alguma aquilo daria certo. Estava quase chegando no outro semideus. Só mais um pouco e...

E então, ele viu o clarão. Um vulto desesperado recuava cautelosamente, tão perdido quanto ele estava, beirando uma pilha de corpos. Naquele instante, Stark tomou a medida mais arriscada do dia até o momento. Talvez, porém, tenha sido o que os salvou.

Ergueu as cortinas de fumaça de uma vez só, mergulhando na direção da pilha de corpos. Enquanto seus agressores eram distraídos pela fumaça e os agressores do outro semideus estavam atordoados pela luz, puxou seu novo aliado para baixo e caiu imóvel junto aos corpos dos guerreiros mortos. — Shhh. —Disse, envolvendo o outro de forma protetiva e fingindo da melhor forma possível uma morte convincente. Pela estatura e facilidade com que havia o agarrado, além do pijama chamativo, só podia ser uma pessoa: Peter.

As predadoras astutas não estavam mais atordoadas pelos truques dos dois semideuses. Algumas delas pousaram na pilha para uma inspeção mais detalhada, uma delas com o rosto encarando diretamente Stark.

Ele podia sentir o cheiro de seu hálito pútrido, da morte que o aguardava ali. Entretanto, manteve o rosto inexpressivo e o corpo sem movimentos. O sangue que cobria seu corpo e os mortos ao seu redor eram sua melhor esperança além da de que monstros demoníacos não tinham memória fotográfica. Se tivessem, saberiam que ele estava vivo e fugindo cinco segundos atrás.

Mas para a sorte dos dois, a criatura não parecia ter encontrado neles algo atrativo o bastante para brincar. Ela apenas bufou em frustração, dando um grito estridente para os céus antes de voar para longe.

Jhonn suspirou aliviado. Fingir de morto funcionava contra bruxas-morcego do inferno também, não só contra ursos.

Notou que sua aura de tensão e medo estava se disseminando para o mais novo, que se forçava a não tremer com suas próprias angústias. Sentiu uma culpa forte, retomando seu estado emocional mais razoável e acolhedor possível. Ouviu as palavras de Peter e sentiu o peso que vinha com seu abraço.

Ele não sabia o que fazer. Ele não tinha como levá-los para casa. Outra vez, estava impotente diante do destino.

O que estava acontecendo ali? ”Eu também queria saber”, pensou. — Coisas ruins. Coisas bem ruins. — Foi só o que pôde responder. Ele também queria voltar para casa tanto quanto Peter, mas não sabia como. Não sabia se voltariam. — Mas vai ficar tudo bem, ok? Vamos sair dessa juntos.

Começou a andar, arrastado pelo filho de Zeus, imerso em seus próprios pensamentos e dúvidas. Tentava encontrar os outros semideuses que viu em seu sonho, tentava encontrar uma forma de sobreviver e não xingar uma deusa maníaca até a morte.

Mais uma série de gritos foi ouvida, quebrando seu raciocínio. Prestando atenção, Stark pôde distinguir um pequeno grupo de guerreiros — Quatro pessoas, sendo três garotos e uma garota — cercado e predado por um conjunto menor de demônios coriáceos.

Estavam feridos e encurralados, apontando suas armas em total desespero para as oponentes. Estavam exaustos, apavorados, totalmente impotentes ali.

Stark cerrou os punhos, cansado daquele absurdo. Largou a mão de Peter enquanto sua espada tomava forma em sua mão. — Eu vou focar a atenção delas, ok? — Seu escudo surgia novamente no outro pulso. — Faça o que puder para nos manter vivos, mas tome cuidado.

Não sabia quais os motivos doentios da divindade que os colocou ali, mas se era um espetáculo que ela queria, era isso que ela teria.

Começou a avançar na direção da batalha, os sons de seus gritos somando-se ao barulho intenso dos choques entre a espada e o escudo. Aquilo foi o bastante para dar aos monstros a noção de que ele estava ali. Duas das criaturas largaram seu alvo anterior, que por pouco já não havia se tornado uma carcaça vazia.

Uma delas teve as garras furiosas barradas por seu escudo. O filho de Héstia deu um giro rápido e intenso de sua espada, cortando a lateral do abdome da segunda e fazendo com que ela recuasse. A outra também ajustava sua posição em pleno ar para um outro golpe.

Outro dos demônios havia agarrado um dos guerreiros restantes, dilacerando-o vorazmente com suas garras impiedosas. Os outros estavam muito ocupados em suas próprias batalhas para ajudar, além de que seus semblantes transpareciam a exaustão daquela batalha. Duas das outras criaturas partiam para atacá-los outra vez, agitando as asas e fincando as garras em seus corpos.

O filho de Héstia estendeu a mão de sua espada para frente, canalizando suas forças. Em instantes, diversos projéteis incandescentes tomaram forma, sendo disparados nas criaturas que estavam ali adiante. As chamas não eram suficientes para matar, de forma alguma: estavam dispersas e enfraquecidas. Mas a chave daquela estratégia era o incômodo que causava, que fez com que as feras ficassem irritadas o bastante para de fato mudar seu foco de ataque.

Ergueu seu escudo novamente. Ouviu um urro bestial partindo de algum ponto atrás de si, o que só podia significar que Peter estava cumprindo sua parte do trabalho direito.

Se defendia com dificuldade das criaturas remanescentes, que o arrastavam cada vez mais para trás. Além de seu escudo, não tinha muito mais proteção para evitar uma dilaceração lenta e excruciante.

Ele ouviu uma gargalhada vitoriosa atrás de si, junto a um bater de asas frenético e perigosamente próximo. Seu sangue gelou ao perceber que não tinha todas as criaturas em plena vista. Aquela que tinha ferido anteriormente estava descendo em sua direção, ávida por seu sangue enquanto sua defesa estava ocupada. Mais uma fração de segundo e ele estaria condenado pelo rasante letal, quando de repente…

Uma lâmina surgiu dos céus, acertando a criatura e desfazendo-a em pó dourado. A espada de Peter. Os demônios remanescentes se reagruparam nos céus, tomando consciência de que Lost também era um inimigo imediato ali. Então, Stark cedeu à confusão ao ver o filho de Zeus ser atirado ao chão por uma força invisível e incompreensível. Ninguém tinha feito aquilo.

Outra criatura descia na direção do filho de Zeus, preparando suas garras para um golpe rasante e letal. Sem pensar duas vezes, o filho de Héstia correu naquela direção, girando sua espada e cravando-a na carne da fera do submundo. Talvez, se ele soubesse no que estava se metendo, não teria seguido de forma tão impulsiva.

Mas foi no momento em que o golpe resultou em uma explosão de pó dourado que ele soube. Soube com o que estava lidando, sentiu aquela magia milenar atingí-lo e deixá-lo totalmente impotente.

A primeira maldição: Nova York, 2014. Fogo, muito fogo. Um presente que um lestrigão estava disposto a retornar diretamente do inferno.

Sentiu um ardor que consumia sua pele, rasgava seus tecidos e o forçava a se curvar. Se curvar em dor, que era a única coisa que ele conseguia sentir naquele instante. Ele só havia sentido isso uma vez na vida: a queimadura que tinha de “recordação” nas costas queimava como se estivesse sendo causada novamente por fogo negro, como se ele ainda fosse aquele garoto assustado no Havaí que não fazia ideia de que havia coisas das quais sua mãe não poderia protegê-lo.

Ouviu sons de luta e de lâminas. Apesar de como se sentia, não podia se manter naquilo, ou acabaria morrendo. Levantou-se, ainda sentindo o formigamento intenso e voraz das queimaduras em seu corpo. Segurar sua espada e seu escudo era o mesmo que segurar cactos espinhosos.

Sua segunda oponente veio dos céus enquanto ele ainda se erguia, batendo em seu escudo e arremessando-o novamente ao chão. Ela tentava mantê-lo preso ao chão, estendendo as garras para dilacerar sua face. O curandeiro erguia o escudo no intuito de bloqueá-la. Ativou sua braçadeira para evitar danos maiores. Mas o que podia fazer ali? Estava no chão, com o papagaio do Satanás querendo um pedaço da sua alma, não era fácil ter planos.

De repente, uma ideia clássica veio à sua mente. Concentrou-se, focando na face horrenda acima de seu rosto. Na arai que queria acabar com sua vida. E então, focou todas as suas forças na sua energia interior, e na sensação ardente que percorria todo o seu corpo.

Sem mais delongas, soprou uma rajada de chamas que se espalhou pela face sombria da criatura, que agonizou alguns instantes antes de ser reduzida ao pó.

O garoto se ergueu, colocando-se diante da última monstruosidade que teria que deter naquele dia. Ameaçou erguer sua espada na direção da besta, mas… algo estava errado. Ele não conseguia fazer isso.

A segunda maldição: San Francisco, 2016. A culpa de uma fera que a condenou à ruína. Risadas de um Damphyr podiam ser ouvidas na mente de Stark, que sentia seus membros estáticos, como que paralisados por uma força maior. Ele tinha que receber aquele golpe.

A fera alada partiu em sua direção, descendo em um mergulho voraz e audacioso. Como um relâmpago, o golpe atingiu o semideus diretamente no peito. Apesar da proteção mágica de sua braçadeira, ainda pôde sentir as garras da criatura arranharem seu tórax e deixarem uma sensação extra de queimação.

As dores despertaram novamente seus sentidos, libertando-o do transe de batalha. No próximo golpe da criatura, adotou uma postura mais evasiva e golpeou-a fortemente com um giro da lâmina.

Mas a fera ainda tinha sobrevivido. E novamente, a sensação de prisão voltou a tomar conta do corpo do garoto de Héstia. Um truque tão útil na luta contra monstros agora se voltava contra ele, e aparentava ser contínuo. Não adiantaria nada se ele não resolvesse aquilo em um único e direto ataque.

Novamente, ele esperou. Tinha conhecimento de batalhas anteriores sobre a eficiência de seu próprio poder, então se estava provando do próprio veneno, talvez houvesse uma chance de evitar maiores danos. Apenas precisava do primeiro contato e…

Foi instantâneo. Quando as garras começaram a rasgar sua pele, seus membros ficaram livres para agir. Com um movimento direto vindo de baixo, o semideus partiu a arai restante ao meio, erguendo uma última cortina de poeira dourada.

Mas essa poeira o envolveu, apesar de sua luta. Tornou-se escura em uma fração de segundo, enegrecida pela última maldição que teria que enfrentar ali.

Em um instante, tudo ao seu redor sumiu. Apenas restavam ecos de agonia, dor e pilhas de corpos. Não havia luz, ou um horizonte: apenas a escuridão. Gotas quentes começavam a pingar do céu, gotas de sangue que encharcavam seu corpo e o preenchiam com uma agonia incessante.

A terceira maldição: Chicago, 2017. Um filho de Melinoe atormentado por seus demônios interiores, perdido na loucura do poder e das almas que havia condenado. Da mesma forma com a qual sua vida foi perdida por ter sua loucura aflorada, entregava seu universo ao filho de Héstia.

Foi então que a fundação abaixo de seus pés começou a tremer, movendo-se. Um infindável mar de rostos dos que pereceram por sua culpa, ou foram vítimas diretas do garoto. Dezenas de corpos que buscavam arrastá-lo com suas mãos impiedosas para aquele vazio profundo de arrependimentos, terror e agonia.

E ele tremia, imóvel. Soluçava, angustiado, enquanto não conseguia forçar seu corpo a não se render. A loucura daquela maldição… era um abismo que ele jamais imaginaria ser tão profundo. A sensação de detectar algumas das presenças ali, presenças de amigos, levados com antecedência para o hades, era tentadora e inebriante.

Seus pés foram puxados, como que arrastados por areia movediça. Ele gritava. Negava. Mas nada parecia adiantar para afastar os infinitos monstros, pensamentos e companheiros que faleceram no decorrer de uma curta jornada. Ele, o grande filho de Héstia, estava aterrorizado e impotente.

Mas então, de repente, ele sentiu algo em suas costas. Um movimento brusco, bem além de seus soluços e sussurros ofegantes. Ouvia um som… uma voz?

— Jhonn! — Dizia a voz. — Acorda!

* * *

Ele despertou com um salto. Saiu do campo de batalha de sua própria mente e retornou para… é, um campo de batalha que com sorte seria apenas em sua mente. O jovem Peter o encarava com uma expressão preocupada no rosto, e o filho de Héstia percebia que novamente estava canalizando as energias de suas emoções da maneira errada.

Levantou-se, tentando manter a compostura apesar da dificuldade. Suspirou pesadamente enquanto encarava o mais novo, imaginando que males ele teve que enfrentar ali. Pensando no que ele tinha presenciado em seus instantes de loucura. Mas não focou sua atenção nisso: tinham outras questões a resolver ali.

— Creio que a primeira fase desse joguinho doente já acabou. — Sussurrou, mais para si mesmo do que para seu companheiro. — Vamos lá, garoto. Está na hora de reagrupar.

Suas habilidades novamente entraram em ação. Embora um pouco confusas, foram capazes de sentir e guiar os dois semideuses em meio a todo aquele caos na direção de seus aliados e conhecidos, as mesmas pessoas que vislumbraram em seus sonhos.

Mas infelizmente, ao encontrá-las e vê-las de longe, Stark não teve apenas a visão aliviada de quem tinha seus colegas vivos. Não, isso não era possível para o tipo de vida que eles levavam ali. Que as pessoas da zona de guerra levavam ali antes do caos ascender ao domínio total.

Havia corpos por toda parte. Construções em chamas. Espaços inteiros em ruínas. Mas por todo o tempo que havia passado lá após a descoberta de sua ascendência divina, o curandeiro podia distinguir com perfeição o que era cada coisa.

Podia ver isso nos olhos dos outros também. Eles enxergavam o lago, antes de ser tomado por um forte tom rubro. Os corpos dos campistas. A imponente construção central que antes era a casa grande, agora em chamas. Ao longe, além das ruínas dos chalés, Stark via sua enfermaria — Todo o seu esforço, trabalho e história — em pedaços.

Não sabia como falar. Não lembrava a maneira correta de respirar. Diante do turbilhão de memórias e emoções que passavam por sua mente, havia apenas uma certeza absoluta: aquele não era um campo de batalha.

Era sua casa.

Adendos:
Armas:
♦ Faca [Sua lâmina bronzeada mede cerca de 24 cm, e seu cabo tem o mesmo comprimento padrão. É bastante afiada e é perfeita para ataque ágeis e rápidos. O bom desta arma é sua eficiência tanto para mãos hábeis quanto para manuseios mais inexperientes, pois é uma arma curta, fácil de esconder e ao mesmo tempo fácil de manusear. Seu punho é feito de aço, mas uma camada de couro escuro cobre o aço para que o usuário possa segurá-la firmemente. Na parte inferior da lâmina, próxima ao cabo, há entalhado as siglas do Acampamento "CHB"; uma propriedade que só os meio-sangues e criaturas místicas podem ter e usar (ajuda um pouco na destreza)] {Bronze, aço e couro} (Nível mínimo: 1) {Nenhum elemento} [Recebimento: Administração; item inscrição padrão do fórum] No cinto.

— {Phoenix} / Espada [Espada de 90 cm, com sua lâmina medindo cerca de 75 cm. É feita de um cristal único e especial, a espada é longa e fina, com um corte afiadíssimo e infalível. Sua guarda-mão tem um formato de taça, porém, com delicados formatos de chamas queimando na direção da lâmina, como se a consumissem; seu punho é feito de aço. Vem junto de uma bainha coberta por malha de aço e couro branco. Quando não está em uso, se transforma em um anel de prata com o desenho de uma chama.] {Cristal, Prata e Aço} (Nível Mínimo: 1) {Controle sobre o Fogo} [Recebimento: Presente de Reclamação de Héstia adaptado por Harry S. Sieghart] Espada na mão direita.

— {Scorched} / Escudo (Escudo circular feito de ouro e prata com várias camadas destes materiais. No centro do escudo está desenhado uma lareira, o símbolo de Héstia. Na parte interior do escudo, ou seja, onde há um encaixe para o usuário por o seu braço há uma espécie de almofada, simbolizando o "conforto". Útil para aguentar ataques fortes. Quando não está em uso, se transforma em um relógio de ponteiros feito de ouro com a parte interior de ouro branco.] {Prata e Ouro} (Nível Mínimo: 1) {Controle sobre o Fogo} [Recebimento: Presente de Reclamação de Héstia adaptado por Harry S. Sieghart] Escudo no braço esquerdo.

- {Flame} / Faca de Arremesso [Faca de arremesso de ouro solar, com o cabo de couro. Também pode ser usada para combates diretos. Apresenta o entalhe de uma fogueira em sua lâmina.] {Ouro Solar} (Nível Mínimo: 2) {Não controla elementos} [Recebimento: forjado por Harry S. Sieghart] Att por Hécate. Dentro do cinto.

- {Flare} / Faca de Arremesso [Faca de arremesso de ouro solar, com o cabo de couro. Também pode ser usada para combates diretos. Apresenta o entalhe de uma fogueira em sua lâmina.] {Ouro Solar} (Nível Mínimo: 2) {Não controla elementos} [Recebimento: forjado por Harry S. Sieghart] Att por Hécate. Dentro do cinto.

- {Burn} / Bainha [Cinto de couro com uma fivela de prata comum, que quando pressionada, transforma o cinto em um parecido, com 3 bainhas de facas, sendo duas delas laterais (para as facas de ouro solar) e uma na parte de trás do cinto (para a faca de bronze).] {Ouro Solar} (Nível Mínimo: 1) {Não controla elementos} [Recebimento: forjado por Harry S. Sieghart] Att por Hécate. Forma de cinto.

- {Black Fire} / Marca [Uma marca queimada na pele do semideus com o fogo negro que os poderes curativos de Daryl não conseguiram tirar. Ela pode até ser esteticamente feia, mas oferece uma resistência de 10% a poderes relacionados a Fogo Negro.] {Queimadura} (Nível Mínimo: 15) {Não controla elementos} [Recebimento: Missão Heat, passada e avaliada por Hefesto.] Queimadura nas costas.

{Winged Sneakers} / Tênis [Um par de tênis azulados, que tem como detalhes alguns desenhos de ventos. Ao bater seus pés um no outro por três vezes, o usuário começa a voar. Consegue chegar em alturas e alcançar velocidades consideráveis. Para descer, basta fazer as mesmas ações que fez para subir que ele diminuirá a altitude aos poucos. Quando está sendo usado em solo confere ao semideus que o calça um aumento de cerca de 10% em sua agilidade. {Couro} (Nível Mínimo: 20) {Não controla nenhum elemento} [Recebimento: Missão "Chama da Esperança" narrado e avaliado por Dom Demon/William Véroz; atualizado por ~Lady Íris~] Calçados.

Braçadeira quitinosa [Braçadeira lisa e cilíndrica, de tons avermelhados. Ao ser ativado, faz com que a pele do semideus tenha suas características alteradas, se enrijecendo, aumentando sua resistência a golpes físicos em 50% por 3 turnos. 1 vez por evento. (nível mínimo: 07) {Material: pele de carangueijo gigante} [Ganho como recompensa pelo evento "O levante"] Pulso direito.

— Bolsa de Componentes Mágicos / Bolsa (Nela são guardados desde objetos para preparo de poções até bisturis e utensílios médicos [ela possui espaço infinito para tais coisas e somente para tais coisas; também aparece e desaparece, dependendo exclusivamente da necessidade do semideus]) {Couro} (Nívem mínimo: 1) (Controle sobre nenhum elemento)[Presente de Curandeiro] Atualmente, esperando convocação.

— Colar do Serpentário / Colar (o formato e o estilo da confecção lembram uma serpente dourada; nunca pode ser perdido, vendido ou retirado a força, pois identifica os curandeiros e, portanto, não é considerado um item nas contagens para missões, eventos e tramas, embora ainda seja preciso citá-lo) (seu efeito principal é o de, quando retirado do pescoço, se transformar em um dos itens a seguir: uma réplica quase totalmente semelhante do Bordão de Asclépio (ou seja, uma espécime de bastão rústico e fino envolvido por uma serpente de escamas feitas de prata envenenada que podem ser tão afiadas quanto uma espada, possuindo o mesmo potencial de corte de uma arma laminada; ele se adapta completamente ao tamanho e porte físico do usuário). {Prata, madeira e veneno} (Nível mínimo: 1) (Controle sobre nenhum elemento) [Presente de Curandeiro] pescoço.

{Help} / Anel [Um anel de prata, com um pequeno pedaço de rubi preso nele. Abençoado por Asclépio, este anel permite ao curandeiro, aumentar seu limite de cura nas técnicas curativas em 20%, ou seja, se uma técnica permite o curandeiro recuperar 100 HP ou MP, usando este anel ele conseguirá curar 120 de HP ou MP, sem qualquer gasto extra. No caso de um número não exato, o valor é arredondado para baixo. Não tem influência sobre técnicas de ressuscitação. Dura dois turnos, uma vez por ocasião.] {Titânio e Rubi} (Nível Minímo: 45) {Controle sobre Cura} [Recebimento: Missão "O guerreiro da cura", avaliada por Macária e atualizada por Asclépio.] Mão esquerda.

{Weismann} / Runa [Um fragmento da Runa Weismann, que foi destruída durante a segunda Batalha dos Reis. Foi dada a Ayla e Jon pelo próprio Weismann, o Rei Prata Imortal. Pode ser colocada em um colar, pulseira e até mesmo em um anel, pois seu tamanho não é maior do que o de uma pedra brita, e tem a coloração branca. Apesar de a runa ter concedido a imortalidade para Weismann, ela não a concedeu para os semideuses, mas graças ao seu poder, os danos físicos recebidos pelos semideuses diminui em 25%, podendo aumentar progressivamente a cada dez níveis subidos. Não pode ser perdida, vendida e tampouco trocada ou dada, visto que além do poder fornecido ele é um símbolo da confiança e amizade dos Reis para com Ayla e Jhonn.] (Nível mínimo: 50) {Não controla nenhum elemento} [Recebimento: Missão "Return of Kings", passada e avaliada por Nyx e atualizada por Hécate.] (No colar)
Poderes:
Passivos:
Héstia

Sensitivo [6] - Ao encontrar uma pessoa, você reconhece o que ela está sentindo. Aqueles que possuírem qualquer tipo de resistência ou aura relacionadas a esse poder e que tiverem no mínimo 10 níveis a mais que o Filho de Héstia, a anulação dessa habilidade é imediata. Mesmos níveis ou 5 abaixo do filho de Héstia, reduz-se para 50% a eficiência do poder.

Empatia [14] - O filho de Héstia emana involuntariamente uma aura, cuja funcionalidade é única: compartilha os sentimentos atuais com os mais próximos. Se estiver triste ou contente, esse sentimento se apoderará de alguém com nível inferior (5 pra mais), mas se a diferença de nível não existir ou for maior da parte da outra pessoa, essa influência sentimental não tem efeito. {Novo}

Localização empática III [45] - O filho de Héstia encontra qualquer conhecido por meio dos seus sentimentos, mas é preciso que ambos estejam na mesma cidade. A habilidade pode ser contida por poderes de resistência mental e empática; portanto, semideuses que possuírem tais resistências e forem de nível igual ou superior ao filho de Héstia conseguem manter-se ocultos, mas, do contrário, não. {Novo}

Asclépio

Minimizar danos (Nível 65)
Por seus conhecimentos médicos, curandeiros desenvolvem um senso de autoproteção, uma vez que, cientes dos pontos frágeis de sua anatomia conseguem lutar de forma defensiva com mais efetividade, se expondo e dando menos brechas para ataques de oponentes. Suas defesas são ampliadas em 10% a partir deste nível. [Novo]

Constituição firme (Nível 70)
A saúde e aspectos físicos do curandeiro chegam em seu ápide. Neste nível, eles se tornam resistentes à danos impactantes, com uma bonificação de 10% nas defesas, além de não sofrerem tanto com debilidades provocadas por ossos quebrados e similares, mantendo parte da movimentação/ habilidade do membro. A penalidade assim pode ser reduzida, mas a última palavra é do narrador. [Novo]
Ativos:
Héstia

Projéteis flamejantes [7] - Inicialmente, condensa e solidifica o fogo na forma de pequenos dardos que imediatamente são atirados contra um único alvo, causando apenas queimaduras. Mediante a grande evolução do personagem (nível 32) pode controlar os projéteis como quiser e lançá-los para qualquer canto. Os projéteis alcançam dez metros, no máximo, e quanto mais se cria, mais se cansa. {Novo}

Fumocinese III [50] - Tem facilidade em manipular a fumaça já existente, podendo dá-la formas mais complexas. Consegue também exalar pequenas quantidades do material, o que ainda requer alguma concentração. Nesse nível, o usuário pode moldar espécies de sinais de fumaça mágicos, que ao tomar formas bastante verdadeiras, tornam-se de fácil entendimento.

Asclépio

-
Obs:
- Como podemos ver, as maldições ficaram explicadas em pequenos pontos em negrito durante o momento de ocorrência. Cada uma se refere a um tipo de habilidade utilizada por Jhonn para matar seus inimigos, e sendo em maior parte de situações que foram narradas mesmo com o personagem: A primeira se refere ao poder de olhar incinerador, que faz o oponente sentir que está queimando. Também é referência a queimaduras normais causadas pelo Jhonn. A segunda é referente ao poder de culpa, que faz um oponente acatar um ataque após ter golpeado o personagem. O efeito, no post, se repetia a cada golpe. A terceira se referia à capacidade dos curandeiros de ampliar a suscetibilidade dos oponentes a efeitos mentais, e a um semideus louco que foi afetado por ela.
- Uma das maldições foi dada por um semideus, é. Mas já discuti isso, e seguindo a lógica dos livros, tá de boa.
- Acho que por enquanto só. q
Yay, mission!:

Jhonn Stark
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Re: — {Chaos and ruin}: MOPCED para Ayla, Alaric, Bianca, Drillbit, Jhonn, Peter e Simmon

Mensagem por Alaric L. Carter em Sab 13 Maio 2017, 04:04


chaos and ruin
i'm not ruined, i'm ruination.

darkness never dies
Fine, make me your villain.
Merda... — Praguejou baixo, enquanto saía da lamborghini, que já não estava em um estado muito bom. — Ah, merda! — Xingou, dessa vez mais alto, finalmente analisando os estragos no carro após a perseguição anterior. Haviam arranhões, partes amassadas e até buracos provenientes de tiros. E, também, com alguma falha no motor. "Isso que dá mexer com esses mafiosos fodidos", suspirou, lembrando-se da perseguição de mais cedo, que mais parecia cena de algum Velozes e Furiosos.

Alaric estava em um canteiro de obras, onde provavelmente um prédio estaria sendo construído. Uma área grande, mas abandonada naquele momento — aliás, já era tarde da noite. Mesmo que não soubesse exatamente que horas eram, ser filho de Nyx lhe permitia alguns dons, incluindo certa orientação noturna — embora, naquele dia, seus sentidos não estivessem tão afiados assim. Na verdade, não exatamente naquele dia, mas nos últimos, em geral. Carter não sabia o que estava acontecendo com seus poderes, mas era evidente que havia algo de errado. Talvez fosse a morte se aproximando.

O feiticeiro voltou a entrar no automóvel, retirando o primeiro CD que encontrara ali — Appetite for Destruction, Guns N' Roses. Com o dedo médio no buraco que havia no centro do objeto, movia-o procurando pelo ínfimo arco-íris que sua parte inferior formaria, enquanto a mão livre vasculhava por um dracma em seu bolso.

Não foi fácil conseguir realizar aquela ligação, mas, com certo sacrifício (e alguma paciência perdida), a mensagem de Íris finalmente pareceu funcionar. Do outro lado havia David, um filho de Hefesto habilidoso e que, nas horas vagas, auxiliava Alaric e suas bugigangas.

Ei, preciso de um favor. — Com o cansaço evidente na voz, o feiticeiro quebrou o silêncio após cumprimentar o amigo. — Tive que fugir de meia dúzia de mafiosos chineses armados e enfurecidos. Mas a lamborghini... — Suspirou, e o outro assentiu, já presumindo o que teria acontecido. — Eu estou em um canteiro de obras na saída de Chinatown, próximo à estação de metrô. Estarei esperando. — Embora cogitasse se realmente aceitaria aquele fardo, o filho de Hefesto acabou por assentir; mas indagou sobre o que Carter faria a seguir, preocupado com ele. — Vou passar a noite no acampamento. É perto daqui mesmo. — A cria da noite deu de ombros, antes de se despedir de David.

"Para o acampamento", repetiu mentalmente, antes de indagar como exatamente chegaria lá. Sem mais nenhum dólar ou nem mesmo seu carro, que outra opção teria para sair dali? A resposta surgiu quando, enquanto procurava por uma saída, encontrou os dracmas que ainda lhe restavam em seu bolso. E atirou um deles ao chão.

Stethi, O harma diaboles. — Conjurou, em grego antigo, para que seu transporte surgisse em meio ao asfalto mesclado à terra da construção. O filho de Nyx não demorou para adentrar à Carruagem da Danação. — Acampamento Meio-Sangue.

[...]

Alaric permanecera quieto em sua viagem, ignorando toda aquela típica confusão que havia entre as Irmãs Cinzentas e apenas repensando sobre como sua própria vida já vinha sendo um completo caos.

Primeiro, era um refém de uma organização "secreta" e apocalíptica que o utilizava como um rato de laboratório, descontando nele também a frustração que o feiticeiro causara ao quase destruí-la (e libertar a maioria de seus antigos prisioneiros). Até que finalmente conseguira fugir, mas ainda havia parte dos inimigos no seu rastro.

No meio da semana, estava em Las Vegas, onde finalmente conseguiu despistar seus sequestradores. Era sua segunda casa, onde se sentiria bem outra vez — afinal, estava livre agora. Carter já era veterano naqueles jogos; contava não apenas com o talento, mas também com suas habilidades mágicas para fazer a sorte virar ao seu caminho. Precisava arrumar dinheiro, e aquele seria o jeito mais rápido e divertido.

Mas, estranhamente, naquele dia, seus poderes haviam falhado consigo. Era a primeira vez em anos de prática, de experiência como semideus. E, novamente, sua vida voltaria a tornar-se um inferno.

Ele perdeu tudo — ou quase. Quando percebeu, estava endividado, e a cobrança não tardou a chegar. As habilidades herdadas da deusa da noite já não pareciam tão efetivas quanto antes, e nem mesmo as de sua patrona, Circe. Mal conseguia se defender, e chegou a indagar-se, inclusive, se aquilo seria um efeito colateral da tortura sofrida pela Apocalipse.

Dois dias depois da fuga de Vegas, estava agora em Nova Iorque. Chinatown, onde acabou indo para a cama com a mulher do chefe da máfia chinesa (e ele só soube disso quando vira os capangas perseguindo-o). Mais uma vez, tivera que fugir. E então ali estava, dessa vez mais fodido que nunca, tendo que retornar à sua primeira morada como meio-sangue.

Quando o táxi mitológico parou, no alto da colina, Carter deixara ao trio de motoristas mais algumas das únicas moedas gregas que ainda guardava consigo.

[...]

Num outro momento, estava de volta ao chalé vinte e oito, numa nostalgia indescritível. O lugar, embora estivesse mais vazio do que quando o deixara, ainda lhe era confortável. Após um banho, Alaric não pôde resistir a jogar-se sobre a cama macia, ainda vestindo a camiseta de algodão e alguns dos acessórios que ficavam sempre consigo, como o colar que recebera quando protegera aquele mesmo acampamento de um ataque de monstros. E, sem demora, o cansaço o levou a cair no sono. O problema era que, sendo um semideus, sonhos muitas vezes tornavam-se pesadelos; e estes, por sua vez, mesclavam-se à realidade, já que o véu que a separava da fantasia tornava-se ínfimo.

Embora finalmente pudesse relaxar, ainda havia certa inquietude, mesmo no mundo onírico. Tudo o que o filho da noite vira era a silhueta feminina, no centro do salão escuro. O tecido cintilava num vermelho vívido, como se fosse banhado em sangue, e que tinha um brilho próprio, que iluminava o lugar, contrastando em meio as sombras. Mas não era somente a roupa; a mulher exalava algo... divino. A beleza imponente, que também misturava-se à ameaça visível em seu olhar e aura. Como um belo convite à morte.

Olá, querido. — Os lábios da divindade curvaram-se num sorriso no canto de sua boca, enquanto se aproximava a passos lentos de Alaric. — Tenho algo para você. Um trabalho grande, perigoso... mas que lhe trará glória. — Aquele mesmo sorriso abriu-se ainda mais, ela o fitava nos olhos, e o homem pôde sentir um arrepio percorrer-lhe.

O feiticeiro cogitou negar, mas sabia que deuses não davam ouvidos aos bastardos. Aquilo já lhe acontecera incontáveis vezes anteriormente; e, de costume, havia mais uma sujeira entre divindades que o mestiço deveria limpar. Fosse por homens ou imortais, desde novo era fadado a ser um mercenário.

A mulher assentiu, sabendo que, de qualquer forma, Carter faria o que ela queria.

Há outros como você lá fora. Veremos como se sairão no nosso teste. — Ela cortou o silêncio.

Então, a deusa mesclou-se às sombras, desaparecendo dali. E essa mesma escuridão pareceu crescer ao redor do meio-sangue, como se o engolisse. Num par de segundos, conseguiu enxergar através de brechas outras seis imagens familiares. Mas nada pôde fazer, já que, no outro instante, aquelas mesmas sombras fecharam-se ao seu redor, e ele não viu mais nada.

[...]

Carter esperava acordar em sua cama, no chalé vinte e oito. Mas, quando voltou a abrir os olhos, estava deitado sobre uma pilha de corpos sem vida. Um outro defunto estava prestes a ser adicionado à pilha, quando o semideus imediatamente rolou para o lado, desviando-se.

Ele se levantou com certa dificuldade, e enquanto observava a si mesmo, notara que havia voltado dos mortos.

Puta merda. — Resmungou, ajeitando-se entre os inúmeros corpos que o circulavam. Quando seu olhar analisou a área ao redor, percebeu que estava num cenário de guerra. O mundo estava em caos, tudo era ruína. E o filho de Nyx ressuscitou no campo de batalha com roupas de dormir.

Ainda vestia a mesma camiseta de algodão, junto da calça de moletom. Além do colar de equiceph por dentro da blusa, ele notou também o que Circe havia lhe dado anos atrás, que pendia para fora da vestimenta, o diamante cintilando sobre seu peito. E, quando olhou para seus pés, vira uma corrente um tanto familiar — o primeiro presente que recebera, diretamente de sua mãe.

"O que diabos...", mas não teve tempo de indagar, já que, a poucos metros dali, um forte estrondo retumbou, seguido de grunhidos, gritos e explosões.

"Espero que permaneça vivo até nosso próximo encontro, Alaric", a voz da deusa ecoou uma última vez em sua mente. Logo em seguida, uma sensação incomum tomou seu íntimo, algo como uma premonição. Estava prestes a ser atacado.

O feiticeiro se abaixou, como um reflexo, e recolheu Abism, segurando-a firmemente enquanto sentia o metal frio contrastar com o calor da batalha. Uma criatura passara voando acima de sua cabeça, um corpo meio humanoide, meio demoníaco. Embora sua mente não colaborasse naquele momento, sabia que aquilo não lhe era estranho.

Ele sentiu uma outra aproximação atrás de si. A mão livre foi até o bolso, na esperança de encontrar a chave que originava Skyscraper — e, por sorte, ela ainda estava ali. Mas, dessa vez, não foi preciso atacar.

Ei, ei, ei, calma aí. Precisamos nos juntar para acabar com essas arai. — Havia uma dupla de meio-sangues, que ostentavam aquela mesma camisa laranja do acampamento. Um deles se aproximou, apresentando-se. — Vlad, de Despina.

Carter franziu o cenho. Arai... aos poucos, as coisas começavam a fazer sentido, como peças de um quebra-cabeça se juntando. Sendo filho de Nyx, sabia também da existência de outras crias de sua mãe — quer dizer, a maioria dos demônios.

Deixou a chave no bolso, pelo menos por enquanto; ambas as mãos seguravam elos de Abism. Alguns segundos depois, Alaric notou uma terceira aproximação; dessa vez, um rosto conhecido. Simmon, um dos integrantes do ataque à Apocalipse.

E fico feliz por ter saído inteiro, Brandeur. — Soltou uma risada ríspida em resposta. — Certo, então vamos nos separar, à la Scooby-Doo. — Assentiu, sorrindo. E fitou o filho de Despina, recém-conhecido. — Bora, Scooby.

O ex-companheiro de Vlad — que agora estava com a prole de Zeus — foi o primeiro a mover-se. Enquanto as arai se aproximavam, usou um poder até então desconhecido pelo feiticeiro, fazendo com que uma nuvem de insetos surgisse para atrapalhar parte da dúzia de monstros que vinham na direção dos quatro.

Alaric assentiu, sentindo o sangue esquentar em suas veias, carregado de adrenalina. "Não me falhem agora", pensou consigo mesmo, lembando-se da falha recente em suas habilidades. Mas, dessa vez, até mesmo por precaução, não tinha a intenção de usar sua magia. Não naquele momento. Era uma briga à moda antiga.

"You want a battle? Here's a war."

Assim que a criatura estava próxima o bastante, o filho de Nyx rebateu-a com a corrente, fazendo um movimento semicircular com os braços; um golpe rápido e forte. Vlad atirava flechas nas outras duas, mais para distraí-las — Carter entendia seu plano. Depois de separar os demônios em trios, agora aniquilariam uma por vez.

A arai voltou a avançar no feiticeiro, furiosa pelo golpe sofrido. E desviou do segundo, quando a corrente fez um arco no ar, em diagonal. Mas Alaric era um semideus experiente, principalmente com Abism. A primeira arma que manejara, que lutava há oito anos, e que herdava certa maestria de Nyx

Ele saltou para o lado, esquivando a investida inimiga. Em seguida, rapidamente, lançou a corrente ao redor dela, como se a laçasse. E puxou, segurando a arma firmemente com ambas as mãos e fazendo com que a criatura fosse ao chão. Os elos metálicos agarravam seu pescoço, envolviam-no, enquanto o filho da noite apertava cada vez mais, estrangulando-a ao mesmo tempo que a imobilizava.

Não vou conseguir segurar as outras por muito tempo. — Vlad gritou pelo barulho ao fundo, claramente cansado e usando seus poderes para atrasá-las ao máximo. O feiticeiro assentiu, finalizando o primeiro demônio.

Mas, assim que o monstro morrera, o meio-sangue sentiu uma pontada de dor agoniante no olho esquerdo. Era como se houvesse algo atravessando-o, como uma faca.

E então se lembrou, finalmente. Aqueles eram seres de vingança, criados no último suspiro de outros monstros que perdiam a vida, como uma maldição. Agora, Alaric pagava pelo primeiro que havia matado: um ciclope, assim que chegara ao acampamento — por sinal, com a própria faca que recebera lá. Oito míseros anos para aquela praga. "Filho da puta!"

Mas não havia tempo para reclamar. Por pouco, seu companheiro não fora devorado pelas outras duas arai.

Sai da frente! — Bradou para o outro, que saltou para trás. Alaric arremessou Abism entre a cria de Despina e os monstros, como se os afastasse por um segundo. Agora, com parte da visão comprometida, o olho direito percorria todos os cantos, tentando cobrir qualquer ponto cego. E, ao fundo, viu Simmon e seu companheiro travarem sua própria luta. — As asas. Consegue congelar as de pelo menos uma delas? — Perguntou ao filho de Despina, quando se juntaram novamente. Ele assentiu, embora estivesse cansado. Teria que ser certeiro, mesmo sem um dos olhos. — Pode deixar que cuido delas.

Enquanto Vlad concentrava-se para sua criocinese, Alaric também respirava fundo, focando nas criaturas que voavam acima deles. Haviam algumas flechas cravadas em partes do seus corpos, mas ainda estavam firmes na batalha. O feiticeiro mantinha Abism em apenas uma das mãos, a outra envolvendo a chave no bolso com firmeza.

Uma fina camada de gelo começou a surgir sobre as asas de uma delas, que pareceu pesar — e atrapalhar seu vôo. Carter aproximava-se lentamente, enquanto sacava o pequeno objeto. Até que, num outro instante, a criatura pareceu fraquejar, incapaz de manter-se no ar pelo plano bem-sucedido. A cria da deusa da neve mantinha seu foco, utilizando as últimas forças para aquilo. O feiticeiro saltou contra o demônio que caía, Skyscraper já como espada na mão direita; e a lâmina bronzeada encontrou o peito da oponente, perfurando-a.

A criatura tentou revidar, mas o ataque fora mortal. O sangue negro escorria pelo metal, e a segunda maldição não tardou a cair.

Todo o ar em seus pulmões se esvaíra, a garganta e as vias respiratórias pareceram fechar. Ele acabou soltando as armas que carregava, e, sem fôlego, caiu de joelhos, buscando novamente respirar; mas não conseguia. Naquele instante, um sussurro veio como uma brisa em seu ouvido. Kiotris.

"VADIA FILHA DA PUTA", tentou gritar, mas não tinha ar pra isso. Matou-a por vingança — a mulher que assassinara toda a sua família —, e agora sofria da praga dela. Sentia o sufocamento que a mesma passara quando a enterrou ainda viva, mesmo que estivesse na beira da morte.

Caído sobre a terra batida, perdendo as forças, viu — com apenas um dos olhos — a terceira e última arai descer o vôo em sua direção. Ela avançava lentamente, como um psicopata sorridente ao ver a presa em suas mãos. Alaric engoliu em seco.

Mas, no outro bolso, sentiu a esfera dourada pulsar, como um chamado. O colar antigo, a única lembrança de sua amada desaparecida. Naquele momento, era como se ela estivesse ali, ao seu lado, dando seu último suspiro. O filho de Nyx abriu o pingente; de um lado, o retrato da mulher, e, do outro, uma pequena rosa. Seus dedos passaram pela imagem da francesa, e depois foram até a flor. Se não fosse por toda a adrenalina, se não tomado pelo ódio e pela bravura, provavelmente já teria desmaiado. Mas seu corpo era movido pelo próprio espírito guerreiro, que ardia enquanto vida ainda tinha.

Vlad surgira inesperadamente, saltando com uma adaga por trás do monstro num último esforço. Com o golpe, a criatura sibilou, e Carter aproveitara este momento para arremessar o objeto minúsculo em sua boca aberta.

Vinte. O demônio alado engasgou, mas não pareceu dar muita importância àquilo. Dezenove, dezoito. A arai voltou a levantar vôo com o garoto em suas costas, soltando-o em seguida e voltando a mergulhar para atacá-lo. Dezessete, dezesseis. O feiticeiro rosnou, olhando para a prole de Despina e reconhecendo o ato heroico. "Não foi em vão". Quantos outros haviam morrido em seu lugar? Quinze, catorze. Treze, doze, onze. "Fleur de lis", a imagem de Blair surgiu à sua mente. Dez, nove, oito. Alaric já perdia suas forças, não conseguiria levar mais tempo. Sete, seis...

Cinco. O monstro finalmente deixou o corpo de Vlad, dilacerado. Quatro. Abriu as asas, junto de um sorriso demoníaco, triunfante. Três. Estava a cerca de cinco metros de Alaric, e aos poucos começou a se aproximar para a última presa. Dois segundos.

Um.

Num instante, veio a explosão logo à frente do filho de Nyx, a violência do impacto fez com que rolasse por meio metro sobre o solo. Estava feito, todas as arai mortas. Ele fechou os olhos, prestes a entrar no sono profundo. Até o ar voltar a invadir seus pulmões.

De início, foi como um choque. E engasgou enquanto tentava recompor a respiração; antes acelerada, depois voltava ao normal. Aos poucos, sentia a força voltar a cada membro de seu corpo, embora o cansaço pesasse mais.

Do outro lado, Simmon estava numa situação semelhante. A prole de Nyx recuperou a espada e a corrente, retornando a primeira como chave e devolvendo ao próprio bolso onde antes estava.

Espero que não tenha respingado sangue de arai em você. — Comentou, recompondo-se.

[...]

A dupla caminhou mais alguns passos por entre as ruínas que o filho da Noite demorou a reconhecer: era uma guerra em pleno Acampamento Meio-Sangue.

Apesar de não haverem muitos rostos conhecidos, ele enxergou outros cinco que havia visto anteriormente, depois do contato com a deusa. Ayla, a ex-namorada do irmão falecido. Bianca, a... bem, ex-namorada mesmo. Drillbit, o único feiticeiro remanescente, além de Carter. Jhonn, o curandeiro particular e amigo de longa data. E Peter, que tinha como um irmão mais novo. Talvez fosse coincidência estarem os sete reunidos ali, mas isso era algo impossível de acreditar quando se era um semideus. Qualquer fosse o plano da divindade misteriosa, sabia que, se aquele era o primeiro teste, a morte ou a verdadeira glória estavam mais próximas do que nunca.

Improvável. — Corrigiu a líder dos mentalistas, no típico tom brincalhão. Então voltou-se ao filho de Atena, ainda com o sorriso no rosto, tentando quebrar a tensão. — Bem, meu chalé é logo ali. Pode ir lá ver se ainda sobrou algo. — E deu de ombros, por fim, até encarar o mais novo da turma. — E você, garotão, é o mais estiloso dos sete.


coisinhas:

explicaçãozinha básica:

Apocalipse é uma organização secreta e bem estruturada (até tecnologicamente), chefiada por semideuses psicopatas e mercenários que fazem de tudo para lucrar usando outros meio-sangues (como pegar as semideusas na rua e usar de prostitutas, etc). Além disso, são inimigos do acampamento. Longa história, mas enfim. O Alaric reuniu um timezinho, achou a base dos caras e fez uma bagunça lá (quase os destruiu por completo). Mas, enquanto os outros fugiram (incluindo os ex-prisioneiros), ele ficou pra "segurar" os caras, "se sacrificando", mas né, não mataram ele — pegaram pra torturar e fazer uns testes lá. Depois ele teria conseguido fugir, daí vem todo o enredo da missão, que ele foge, vai pra Vegas (lugar que mais frequentava) tanto pra se distrair quanto arrumar grana fácil, mas acaba perdendo tudo (como se tivesse perdido seus dons nisso). Aí teve mais treta, fugiu, parou em Chinatown, se ferrou de novo... e acabou no camp. :v
armas e itens:

— {Abism} / Corrente [Corrente feita de bronze sagrado, mas com uma tintura que deixa o metal escuro, quase como ferro estígio; mede cerca de 4,0 m. No nível vinte, torna-se uma corrente menor e mais fina, dessas usadas como adorno, ou um cinto com fivela de opala negra, dependendo da vontade do semideus.][Material: Bronze Sagrado][Nível Mínimo: 5][Recebimento: Presente de Reclamação de Nyx, modificado em Dragon Dovahkiin] ~> Em mãos. Usada para matar a primeira arai.

— Relíquia Mágica [Colar simples e básico, podendo ser levado e escondido em qualquer lugar. Sua corrente é de prata negra, e cintila à noite. Seu pingente é em forma de pentagrama, feito de diamante. Duas vezes por missão e durante 2 rodadas, tendo no mínimo uma rodada de intervalo cria uma barreira mágica de cor roxa, esta cobre todo o feiticeiro. Protege contra ataques mágicos – principalmente - e ataques a longa distancia – lanças, bumerangues, correntes, flechas etc.; ataques diretos não são repelidos][Prata Negra; Diamante;] (Item de Feiticeiro) {Controle Mágico} [Presente de Reclamação por Circe] ~> Pescoço, por fora da camisa.

◆ {Skyscraper} / Espada elétrica [Espada que mede aproximadamente 100 cm, com lâmina de 80 cm feita de Bronze Sagrado, que serve tanto para corte quanto para perfuração. Se assemelha com uma bastarda, podendo ser usada tanto com duas mãos (o que a deixa mais ágil e precisa) quanto com uma mão (o que diminui a agilidade e precisão, exigindo mais força). Seu cabo é feito de madeira resistente, sendo coberta por um material isolante e emborrachado, de modo que a eletricidade não é conduzida para essa parte, e é onde há menos concentração desta, para o próprio semideus que a usa não sofrer dano. Com isso, esse material se dispersa na lâmina, mais concentrada na parte mais próxima à ponta, e quando é ativada conduz descargas elétricas. Quando o inimigo é atingido por elas, é paralisado por dois turnos. Transforma-se em uma chave quando não é ativada.][Material: Bronze Sagrado, madeira e eletricidade][Nível Mínimo: 20][Recebimento: comprado de Oliver H. Greyback, modificado em Dragon Dovahkiin e atualizado por Ares] ~> Bolso. Usada para matar a segunda arai.

— {Daredevil} / Colar de Equiceph [Colar feito de couro entrelaçado adornado com uma ferradura feita de ferro. Três vezes por evento, o colar pode ser ativado, fazendo seu usuário dobrar sua força física, de modo que a potência de seus golpes físicos e com armas corpo a corpo também dobre durante duas rodadas. Ao estar ativado, armas que sejam originalmente empunhada com ambas as mãos pode ser empunhada com apenas uma sem redução em seus movimentos.][Material: Couro e ferro][Nível mínimo: 42][Recebimento: Evento "O Levante"] ~> Pescoço, por dentro da camisa.

— Braçadeira quitinosa [Braçadeira lisa e cilíndrica, de tons avermelhados. Ao ser ativado, faz com que a pele do semideus tenha suas características alteradas, se enrijecendo, aumentando sua resistência a golpes físicos em 50% por 3 turnos. 1 vez por evento. (nível mínimo: 07) {Material: pele de caranguejo gigante} [Trocado com Nicholas Greylaw] ~> Braço direito.

— {Trapaça} / Camiseta [Camiseta feita de algodão com capuz que se adequa ao tamanho do dono, dada a Andrew por Quíron como recompensa por destruir uma organização secreta que havia no acampamento. Uma vez por missão, o usuário, ao colocar o capuz, poderá ficar invisível por três turnos.][Algodão][Nível Mínimo: 5][Não controla nenhum elemento][Recebimento: Comprado de Jack S. Czarevich]

♦ Devil / Anel [Um anel de prata com uma pedra de ônix no centro. Ele produz um jato de sombras que empurra o monstro/semideus por 4m e o deixa atordoado por dois turnos. Pode ser usado duas vezes por ocasião] {Prata e ônix} (Nível Mínimo: 30) {Leve controle sobre escuridão} [Recebimento: Comprado de Jack S. Czarevich] ~> Anelar esquerdo.

♠ {Explosion}/ Colar [É um colar com corrente de couro, que seu pingente é uma caixinha redonda e dourada. Ao abri-la, lá dentro há uma rosa, que quando for jogada em algum local, depois de 20 segundos causará uma explosão com o raio de destruição de 3 metros. Assim que a ação acabar, outra rosa aparecerá no pingente. Pode ser usado uma vez por missão.] {Couro e ouro} (Nível mínimo: 10) {Nenhum elemento} [Recebimento: Treino OUAT, A Bela e a Fera. Passado por Selene e att por Odisseu] ~> Bolso. Usado para matar a terceira/última arai.
poderes e habilidades:

PASSIVOS

Nível 1
Perícia com correntes - Filhos de Nix ganham esta arma de reclamação, possuindo uma familiaridade natural com ela. Contudo, isso apenas significa que possuem uma facilidade maior de manuseio, mas não que seus golpes serão perfeitos ou infalíveis, ainda que as chances para isso sejam maiores ao utilizar este tipo de armamento. É uma perícia evolutiva, que depende do nível e esforço do personagem.

Nível 4
Solidez parcial: Por ser Hécate a tríplice do mar, céus e terra, o feiticeiro poderá assumir em seu corpo a resistência de rochas presentes no solo e com isso tornar-se um pouco mais resistente a ataques físicos ou parecidos. Obs: Não barra super forças ou ataques muito fortes.

Nível 11
Sentido temporal - O filho de Nix tem consciência de quanto tempo falta para amanhecer - momento em que seus poderes voltarão ao nível normal - e saberão a hora aproximada no período noturno, desde que sejam capazes de visualizar o céu e não se encontrem em um local modificado magicamente. ~> Apenas citado no início do post, na tentativa de prever o horário.

Nível 17
Sexto sentido: O feiticeiro é um ser extremamente sensorial, e tudo isso é graças ao sexto sentido, que os permite antecipar em pequenas escalas algo que irá acontecer em um futuro próximo, orientar-se em locais de pouca ou nenhuma visão usando os olhos da alma, ou servindo-lhe como um faro aguçado - usado para identificar ambientes e outros seres -, porém com mais exatidão, por tratar-se de uma extensão psíquica da mente do indivíduo.

Nível 19
Premonição: Quando o filho de Nyx está correndo algum risco de serem atacados ou mortos de surpresa, eles têm uma premonição, um sentimento de perigo. Este sentimento os alerta para que fiquem em guarda, e apenas se eles forem o alvo original - um acidente ou desvio não seria alertado, como uma bala perdida, por exemplo, por não fazer deles o foco (algo que afete uma área nao seria notado) - e não revela a localização do inimigo ou o tipo de ataque. Além disso, não os afeta se estiverem inconscientes ou dormindo.


ATIVOS

-

VLAD (NPC)

Nível 30
{Criocinese avançada} O poder aumenta, podendo congelar objetos de porte grande, e quando em área o espaço afetado passa a ser de um raio de 5m. Agora pode dar forma ao gelo, e esta será definida. Pode congelar criaturas vivas ao toque, mas só congelará completamente criaturas pequenas (até 1m de altura) não as matando, mas paralisando-as por 2 turnos. O gasto é por turno utilizado. Pode ser combinado com outros poderes, mas aumentando exponencialmente seu custo.A resistência é maior, e inimigos mais fracos dificilmente serão capazes de quebrar o gelo, mas inimigos de nível igual ou superior ainda terão capacidade para isso, seguindo a proporção do nível anterior do poder. Lembrando que não adianta criar coisas muito complexas: tentar criar um veículo de gelo não funcionará, por mais que se gaste energia e por mais complexas que sejam as peças, pois movimentá-lo exigiria outros fatores, como a geração de energia para tal, que só é possível através de combustão - então, seu veículo não passaria de uma estátua. Objetos mais simples, por outro lado, não apresentam impedimento, como objetos sem partes móveis ou sésseis (uma faca, dardo de gelo ou mesmo ferramentas mais simples). Criaturas maiores podem ser afetadas conforme o aumento do nível - 10 níveis acima para criaturas entre 1m e 1,5, 20 níveis para criaturas humanóides até 2m, e mais 10 níveis adicionais a cada 2m de tamanho.[Modificado] [ATIVO] (usado para congelar as asas de uma das arai)
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Re: — {Chaos and ruin}: MOPCED para Ayla, Alaric, Bianca, Drillbit, Jhonn, Peter e Simmon

Mensagem por Deméter em Dom 14 Maio 2017, 12:35


Chaos and Ruin
you better run. stay there and you'll die!

N
em todas as maldições foram capazes de pará-los. Tampouco o fez todas as batalhas e toda a penúria. Reunidos, os sete escolhidos pela divindade encararam a realidade horrorizante: acontecia, bem diante dos seus olhos, o fim do Acampamento Meio-Sangue.

E se estavam verdadeiramente num cenário de guerra, se as pilhas de corpos eram mesmo reais e se cada um dos presentes esteve realmente sobre uma delas... aquilo significava que eles estavam mortos? Mas se estavam mortos, como é que levantaram, armados, e botaram a sua existência em xeque por mais algumas vezes?

Era exatamente o que o centauro, que impotentemente observava tudo de longe, se perguntava. Quando enfim as 30 arai foram dizimadas — provando ao ser que aqueles sete realmente estavam novamente de pé —, ele saiu de seu esconderijo e trotou vagarosamente na direção da mínima reunião.

O timbre robusto de Quíron chegou aos ouvidos do grupo como um sussurro, ordenando que recuassem imediatamente. Juntos, por vontade própria ou o motivo que fosse, todos o seguiram. O olhar de pura esperança do Diretor era impossível de esconder.

— Não há tempo para papear, mas... — ele iniciou, não sabendo ao certo como conduzir a conversa. Parecia prestes a dizer algo muito confuso, que nem mesmo ele entendia. — Estava contando com vocês para segurarem as pontas por enquanto, e então... tudo acabou de um segundo para o outro. Mas agora vocês estão aqui de novo. Eu... Eu não sei se consigo explicar o que aconteceu. E não sei se há tempo para isso.

Quíron curvou os ombros, exaurido, envergonhado. Estava em seu limite havia dias. Fraco demais para lutar, inutilizado demais para fazer algo que não fosse se esconder e esperar pelo pior. Estavam vencidos, afinal. Quase todos os campistas estavam mortos. E os que não estavam, logo estariam. Seres da natureza não mais existiam, tendo sido os primeiros a serem aniquilados quando aquela loucura toda começou. Só restavam Quíron, Rachel, poucas almas resistentes e... bem, aqueles sete.

Foi aí que a mente dele se iluminou, fazendo-o olhar com um fio de esperança para o grupo — até então silencioso. Algo perigoso passou por sua mente. Algo um tanto antigo, mas que o preocupou em níveis absurdos. Um último recurso que precisaria ser acionado pelos combatentes restantes.

— Eu preciso que vocês rumem para a Casa Grande. Está em chamas, mas tenho certeza de que O Oráculo está vivo — disse rápido demais, lembrando tardiamente que deveria dar nexo ao que proferia. — Rachel está lá. Escondida num vão subterrâneo. E há... um plano. Ela tem uma solução. Salvem-na. Se conseguirem sair com vida, essa pode ser a nossa salvação.

E assim que o centauro terminou seu falatório, a voz já conhecida pelos sete voltou a ecoar em suas respectivas mentes: "O primeiro teste já foi, crianças. Agora preparem-se para o segundo. Seu retorno para casa está sob a Casa Grande. Falhem na busca e morrerão. E desta vez será permanente."


objetivos
não esqueçam de terminar o turno com vida²

— O primeiro ponto aqui é entender o que se passa. Guiem os personagens de maneira coerente ao apresentado, portando-se coerentemente de acordo com as situações que emergiram. Não sejam rasos aqui. Uma vez que este será um turno fundamentalmente mais introspectivo, de sondagem e dificuldades geralmente não-combativas, cometer um deslize aqui é pecar irremediavelmente na Adequação à Proposta (coisa brevemente cometida no turno anterior, devo destacar).

— Independente do motivo que os leva a isso (e o explicitem, por favor), vocês irão se deslocar. Levem em conta este mapa. Estarão partindo de algum ponto no limiar da Floresta, na parte mais próxima aos chalés, e deverão rumar para a Casa Grande. Saibam que o refeitório está completamente destruído, bem como os chalés e qualquer outra coisa naquela direção. A parte superior do mapa está toda tomada, enquanto a inferior tem apenas pontos de combate.

— Desloquem-se em grupo até a Casa Grande. Como a rota por perto dos Chalés é inviável (por causa da grande concentração de monstros), margeiem pela floresta e sigam por alguma rota entre o Estábulo e a Arena. Em algum momento, alguns dos corpos ali caídos se levantarão, não parecendo dar sinal de ataque, mas também não parecendo exatamente amigáveis.

— Com certo esforço, perceberão que cada um dos seres é alguém da trama de vocês, mas não um simples alguém; é a pessoa que mais te deixa emocionalmente instável, no lado bom da coisa. Não precisa ser necessariamente um(a) parceiro(a) romântico(a), mas exijo que seja alguém que deixe o passo a seguir árduo demais.

— Sem mais nem menos, cada uma das sete aparições atacarão vocês, individualmente. O foco aqui não é o embate em si; claro que deverão narrá-lo como algo importante, mas quero que narrem o sentimento de estar batalhando com essa pessoa, que explorem o lado emocional dos personagens e, fundamentalmente, exprimam a dificuldade de ter que matar o oponente, tentando não morrer. A cada golpe desferido ficarão cada vez mais emocionalmente instáveis, independente de resistências (alô mentalistas nn). Mesmo que saibam que não são reais, algo lhes faz agir como se fossem verdadeiros, como se sua mente estivesse inebriada.

— A depender da personalidade de cada personagem, o golpe final pode ser dado por outro participante, mas o ponto acima deve ser seguido por todos, reiterando, também, o primeiro ponto obrigatório do turno: narrações emocionalmente rasas causarão desconto. Não esqueçam disso.

— Efeitos citados no turno anterior (cansaço e similares, por causa da semana, e diminuição em 50% na efetividade de habilidades físicas, de lista e especiais) ainda estão valendo. Exceto quanto às maldições das arai, tudo continua na mesma.

— Após o embate contra os seres chegar ao seu devido fim, terminem o trajeto até a Casa Grande. Rachel já estará escapando, correndo para vocês como se soubesse perfeitamente que iriam buscá-la. E aqui acontece o maior turno de interação, onde ela revela: vocês estavam mortos e de alguma maneira ressuscitaram, mesmo que o Acampamento tivesse perdido o contato com os deuses. A maioria dos semideuses está morto, dentro e fora dos limites, e nem mesmo o Olimpo, Atlântida ou o Mundo Inferior escaparam da destruição. Está tudo perdido, por causa de uma guerra. E a causadora disso está concentrada no Pavilhão do Refeitório, mandando suas tropas se recolherem, deixando apenas as arai para eliminar os mais fracos, que ainda resistissem. De alguma forma, Rachel diz que ela espera pelos sete.

— Então, com uma manifestação do Espírito de Delfos, vocês ouvem uma profecia (não precisa necessariamente ser criada, mas se o fizessem seria uma grata surpresa alô lusca). Ela conta sobre sete semideuses renascidos das cinzas, que salvarão o Acampamento de todo o caos e a de toda a ruína. Diz também que eles enfrentarão a loucura e a possessão, cabendo a si o dever de vencer e manter viva a chama da mitologia grega.

— Reagindo coerentemente a isso, encerrem o turno com suas impressões sobre todo o ocorrido até o momento (desde o primeiro turno), focando em pontos que foram fundamentais para seus personagens. As reações quanto a revelação de Rachel devem ser as mais claras, e aqui reitero pela segunda vez o primeiro ponto obrigatório do turno. Não me decepcionem, kids. <3


Adicionais
tudo sobre o local e as diretrizes — para fins de organização

— Diretrizes: missão op-contínua externa difícil; segundo turno.

— Local: Acampamento Meio-Sangue (outra dimensão).

— Clima: úmido e poeirento, com cinzas no ar. Ventos fortes e céu nublado.

— Extras off: poderes, armas e possíveis mascotes deverão ser colocados em spoiler ao final do post, para fins de organização.

— Adendos: informações não dadas poderão ser acrescentadas por vocês, porém com coerência. Qualquer coisa, contatem-me via MP, Fb, carta, sinal de fumaça, etc.

— Prazo de postagem: 15 dias, vencendo no dia 29 de maio de 2017, às 23h59m.


Participantes
sobre os participantes, de players a monstros

Ayla Lennox, filha de Selene e Mentalista de Psiquê, nível 119. (PLAYER)
  • vida: 1130/1280;
  • energia: 1080/1280;

Alaric L. Carter, filho de Nyx e Feiticeiro de Circe, nível 79. (PLAYER)
  • vida: 870/880;
  • energia: 860/880;

Bianca H. Somerhalder, filha de Selene, nível 88. (PLAYER)
  • vida: 960/970;
  • energia: 960/970;

Drillbit Jackson, filho de Atena e Feiticeiro de Circe, nível 106. (PLAYER)
  • vida: 1140/1150;
  • energia: 1079/1150;

Jhonn Stark, filho de Héstia e Curandeiro de Asclépio, nível 77. (PLAYER)
  • vida: 830/860;
  • energia: 612/860;

Peter Lost, filho de Zeus, nível 55. (PLAYER)
  • vida: 620/640;
  • energia: 590/640;

Simmon Wilem Brandeur, filho de Zeus e Mentalista de Psiquê, nível 46. (PLAYER)
  • vida: 550/550;
  • energia: 540/550;

— Revenantes, simulações de entes próximos, nível 1. (MONSTROS)
  • vida: 100/100;
  • energia: 100/100;
  • adendos: apesar de serem fracos e estarem desarmados, contam com a manipulação emocional (que não é causada por eles, aliás), o que dificulta muito o embate.




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Re: — {Chaos and ruin}: MOPCED para Ayla, Alaric, Bianca, Drillbit, Jhonn, Peter e Simmon

Mensagem por Deméter em Ter 30 Maio 2017, 11:33

À pedido dos players misericórdia, ninguém postou, prazo estendido em 15 dias, encerrando-se às 23h59m do dia 13 de junho.



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Re: — {Chaos and ruin}: MOPCED para Ayla, Alaric, Bianca, Drillbit, Jhonn, Peter e Simmon

Mensagem por Ayla Lennox em Sex 02 Jun 2017, 12:34


Chaos and Ruin
Color my life with the chaos of trouble.

Missão fuderosa
Era uma vez, sete semideuses ferrados
O cenário ao redor dos semideuses era, acima de tudo, entrópico. A desordem instalava-se de forma absoluta no que outrora havia sido o acampamento - tudo parecia uma espécie de decisão de última hora, uma pintura realizada com um desleixo obsceno e sicário pelo responsável -, e pela primeira vez em muito tempo o caos se apresentava de forma opressora, esgueirando-se de forma audaciosa até os pensamentos da garota.

A inquietação que se formava dentro da lupina poderia ser vista como energia. Energia essa que criava perguntas, hipóteses a respeito do como, quando e porquê das coisas à sua frente, mas que também fazia com que ela se sentisse pronta para destruir qualquer coisa. Seu sangue fervia, impelindo-a diretamente em direção à necessidade que sua porção mortal possuía de encontrar um culpado para tudo aquilo; com os punhos cerrados, Ayla cogitava a possibilidade de blasfemar contra todos os deuses que conhecia, mas resolveu focar sua atenção de volta às demais crias semidivinas ao seu redor.

O olhar de Stark parecia mais pesado, opaco pela desolação ao fitar a própria enfermaria em ruínas ao longe. Por mais que tivesse vontade de abraçar o amigo, limitou-se a apoiar a mão em seu ombro e mentalmente sussurrar que dariam um jeito naquilo.

A estranha sensação de alegria e temor se fazia presente na consciência da mentalista ao notar a irmã nas proximidades, bem como Peter, que circulava por entre os demais rapazes, puxando conversa com uma naturalidade absurda. Bom, a justificativa para isso era simples: existiam circunstâncias infinitamente preferíveis - circunstâncias que não envolviam riscos de vida - para encontrá-los que não a atual.

O silêncio começava a se fazer presente novamente, de forma que ela pretendia violá-lo com a própria voz, mas o som de cascos contra o chão de grama e terra batida se apresentou de forma inesperada, aproximando-se aos poucos e a impedindo por alguns instantes de dizer qualquer coisa.

Não há tempo para papear, mas… — todas as íris se voltaram para Quíron, que se manifestava de forma um tanto quanto hesitante  — Estava contando com vocês para segurarem as pontas por enquanto, e então…

Foi aí que ela parou de ouvir - ou pelo menos de prestar atenção. Cruzando o braços, ofereceu ao centauro um olhar de incredulidade, como se duvidasse da incompetência que via transbordar nas palavras dele. De súbito, a face do diretor iluminou-se ao comentar que o Oráculo ainda desfrutava do fôlego de vida em algum lugar da Casa Grande, apesar de ainda consumida pelas chamas, e possuía uma espécie de solução, uma chance para dar um fim àquilo.

Todos se entreolharam, hesitantes.

Com exceção de Peter, claro. Nem mesmo o gato Cheshire seria capaz de competir com o sorriso nos lábios da cria de Zeus, que praticamente saltitava diante daquela possibilidade, já acatando o pedido de Quíron.

Lennox suspirou e fitou os demais, oscilando o foco entre Drillbit, Simmon e por último Bianca. Sua voz esgueirou-se preguiçosamente até as mentes de todos ali presentes, exceto Lost e obviamente o diretor - afinal de contas, o centauro não precisava saber o que realmente os motivava ali. “Considerando nossa sorte, é bem provável que não seja nada, mas podemos acabar com alguma coisa que nos ajude a entender o sonho.” Fez uma pausa, lembrando-se da mulher em vestes escarlates. “Ou a descobrir quem era filha da puta que vimos lá”

Não sabia se aquilo seria o bastante para convencê-los, mas já era melhor do que a meia verdade que entregou para os ouvidos do diretor.

Em algum momento esse foi o nosso lar. — Deu de ombros. — Acho que devemos essa ao acampamento, ou pelo menos aos que chegaram aqui tão ingênuos e perdidos quanto nós.

Todos tiveram a oportunidade de dizer algo, e acabaram por aceitar a proposta do centauro, que não demorou para começar uma série de palavras de motivação e agradecimentos animados, em sua maioria ignorados ou respondidos com tímidos acenos de cabeça conforme os semideuses o deixavam para trás. Ayla viu as costas dos colegas e aguardou alguns segundos até crer que estava sozinha com Quíron antes de dar alguns passos em sua direção. Ele a encarava com uma expressão confusa, mas mantinha lampejos de empolgação adornando a própria face.

Me escute bem, porque eu vou ser direta e por isso pretendo dizer tudo uma única vez, sim? — Sua resposta foi um franzir de cenho e nada mais, o que considerou o bastante para prosseguir. — Eu não sei o que aconteceu aqui e também não espero que você explique, mas quero deixar claro que o sangue de todos esses semideuses está nas suas mãos. — As palavras eram frias e duras como mármore ao apontar para as pilhas de corpos ao longe. — Não me importo com quem ficará o crédito caso consigamos resolver essa bagunça, Quiron, a questão aqui não é essa. É que você era o responsável, era com você que todos os que pereceram estavam contando — finalmente colocou o indicador contra o peito do centauro — e você optou por se esconder como o fraco que é, incapaz até mesmo de clamar pela ajuda dos deuses. — E finalmente ela deixou um riso seco e breve escapar. — Depositar as esperanças em sete adolescentes desnaturados… Torça para que essa tenha sido uma boa escolha, porque vai ter que conviver com ela até o fim da sua vida.

Praticamente cuspindo as palavras, fitou com o canto dos olhos o meio-homem, que abriu e fechou a boca algumas vezes, falhando miseravelmente na tentativa de encontrar qualquer coisa que parecesse minimamente adequada para ser dita naquele momento.

Não estava ciente da presença da irmã ali até que seus olhos se encontrassem. Bianca lhe ofereceu vestígios do que poderia ser um sorriso, não sabia dizer ao certo, e tocou seu braço, a chamando para ir embora dali. Lennox colocou as mãos nos bolsos da jaqueta e pôs-se a caminhar lado a lado com a mais nova em um silêncio estranhamente confortável, deixando para trás uma silhueta inconsolável que aos poucos se misturava com as sombras das árvores do bosque.

Como um ator aguarda a deixa para fazer sua entrada dramática em um espetáculo teatral, a voz da mulher misteriosa novamente se fez presente, fazendo com que o coração da garota perdesse o compasso por uma fração de segundo.

“O primeiro teste já foi, crianças. Agora preparem-se para o segundo.” Disse, deixando evidente o divertimento com o desenrolar dos fatos. “Seu retorno para casa está sob a Casa Grande. Falhem na busca e morrerão. E desta vez será permanente.”

Podendo ela ouvir ou não, mentalmente respondeu a dama de vermelho sem muita educação, consistindo o revide basicamente em uma impossibilidade anatômica.

Jhonn ia na frente - talvez por conhecer melhor o ambiente dentro das fronteiras - e vez por outra, com a ajuda de seus sapatos voadores ou outro semideus, acusava a presença de monstros, apontava para algum caminho inviável e explicava os motivos e as alternativas. Todos o seguiam sem muita agitação e em cada passo a lupina analisava os arredores ainda com a visão um tanto quanto turva pelo ceticismo - não era incapaz, mas sentia-se indisposta a aceitar os fatos.

Dois puxões em sua blusa foram o bastante para retirá-la do torpor da incredulidade.

Eu… Ahn… Posso segurar sua mão? — Peter a encarava com aquela profundidade azul céu nos olhos que ela tanto sentia falta.

Está com medo, garoto perdido? — Indagou ela, erguendo uma das sobrancelhas, mas mantendo um tom tranquilo.

Ele de imediato negou com veemência qualquer possibilidade de temer o que quer que fosse, mas assim que entrelaçou aqueles pequenos dedos com os seus, Lost pareceu ter uma espécie de peso invisível removido de suas costas. Lennox invejava a habilidade que alguns outros semideuses possuíam de transmitir calma ou outros sentimentos positivos, mas ao ver o alívio, ao ver Peter voltar a ser a criança que conhecia, quase acreditou ser capaz disso a sua maneira.

Vamos lá, estamos quase ficando para trás. — Falou, já se preparando para a necessidade de acompanhar o ritmo do mais novo na caminhada.

O caminho se traçou de forma a evitar os chalés, pois além do risco, apenas os afastaria do objetivo final. Quando passaram pelas proximidades da arena, ninguém ousou adentrar o recinto - afinal de contas, nada além do peso sufocante da aura de morte os aguardava ali - e o crepitar distante de algumas construções em chamas se misturava ocasionalmente a murmúrios do grupo. Peter, que segurava a mão da semideusa, contava como havia derrotado as arai com a ajuda de Stark sem esconder um pingo de orgulho pelos feito heroico, sendo enaltecido sem muita cerimônia pela mentalista. Aos olhos dela, ele merecia acreditar por mais alguns bons anos que a vida semidivina era composta apenas por grandeza e glória.

A monotonia em tons de verde e marrom das árvores foi violada pelas sinuosas curvas azuladas que cortavam o Acampamento. A visão das águas pareceu despertar a consciência de Ayla para as próprias condições. Sangue, suor e terra  formavam uma amálgama desagradável que maculava sua pele e partes de suas vestes.

Estava imunda.

Ei, garoto. — Chamou a atenção da cria de Zeus. — Se importa em ficar com o resto do pessoal um pouco? Acho que já estamos perto da Casa Grande, peça para fazermos uma pausa. Eu volto já, prometo, é que o rio fica logo ali e eu preciso me limpar.

Sem titubear, Lost aquiesceu com um movimento de cabeça e correu até quem julgou ser Alaric enquanto Ayla caminhava vagarosamente até as margens. Suspirou. Abaixou-se até ficar quase de joelhos e apanhou um pouco de água fria com as mãos, imediatamente lavando o próprio rosto e o pescoço. Mal teve tempo de concluir ou de fato empenhar-se na tarefa, pois passos firmes contra o cascalho das margens denunciaram a aproximação de alguém.

A voz de barítono pertencente a Simmon não demorou para chegar aos ouvidos da lupina questionando algo sobre a água. Permitiu-se baixar a guarda por alguns instantes, não por crer que estavam seguros, mas pela presença de algo familiar ali.

Sinceramente, não sei. — admitiu, olhando para os lados e novamente encontrando pilhas de corpos nas proximidades. — Parece limpa, mas por correr, fica difícil saber o quanto desses respingos de morte escorreram das margens até aqui. — Respondeu de forma serena enquanto passava a esfregar uma mão na outra, vendo a sujeira assumir tons mais claros até que nada houvesse senão a palidez das próprias palmas.

Brandeur pareceu ponderar as palavras que recebera em resposta brevemente, mas finalmente optou por encher o próprio cantil. Foi ao fim dessa tarefa que a voz tempestuosa do rapaz a pegou desprevenida.

Seu sorriso parece... enferrujado. Há quanto tempo não o usa?

Por algum motivo, sentia-se incapaz de mentir para Simmon. Confiava que o rapaz não estava concentrado em procurar rachaduras em sua mente grandes o bastante para chegar até seus pensamentos - era como um acordo silencioso entre os dois -, fossem eles superficiais ou mais profundos, e isso era o bastante para inspirar honestidade no que diziam.

Eu... — refletiu a respeito do que dizer por breves instantes — Eu realmente não me atrevi a contar, Simmon. Acho que não seria uma boa ideia. — e diante de tal afirmação pincelada com tons enfadados, fios de ironia puxaram seus lábios, fazendo com que uma sutil curva se formasse no canto.

Dito isso, retirou a jaqueta em um movimento rápido, permanecendo apenas com a blusa branca cobrindo a parte superior do corpo. Delicadamente bateu o tecido com o dorso da mão para expulsar o excesso de terra ali presente, finalizando o processo passando a palma úmida em algumas manchas rubras até que sumissem.

Eu não diria enferrujado, cansado pode acabar sendo uma palavra mais precisa nessa descrição. — Bufou,

Tão cansado quanto ela, que valeu-se do silêncio, permitindo que as olheiras tão fundas quanto a própria culpa e as feridas mal curadas falassem por si. A prole do trovão voltou a falar enquanto Ayla vestia-se novamente e ficava de pé, ainda prestando atenção em seus dizeres.

Você veio aqui lavar as mãos? — Indagou ele, por fim.

Podemos fingir que foi só isso. — Ela riu e, apesar de por apenas um tempo tão curto quanto um piscar de olhos, foi como se algo ruim dentro de si começasse a rachar. — Mas na verdade eu precisava organizar meus pensamentos, sabe? Ainda é estranho como os fatos se desenrolaram desde antes de chegarmos aqui, Simmon, especialmente considerando que eu estava quase pronta para… — tropeçou nas palavras, incerta, mas resolveu prosseguir assim que ergueu os olhos e encontrou as íris do mentalista a fitando com curiosidade. — para sumir. — Disse, sem esconder a frustração na própria voz. — Não espero que você compreenda, mas eu preciso de um tempo longe disso tudo. Preciso esquecer que as parcas riem conforme tecem e dão nós cegos no meu destino, preciso sentir, mesmo sendo uma mentira, que não sou uma peça no tabuleiro dos deuses.

A prole de Zeus a respondeu e a empatia entre os dois pairou no ar, quase como se os unisse em um abraço desajeitado. Eram as desventuras divinas maestros capazes de unir aquelas duas melodias melancólicas e rebeldes tão bem a ponto de formar harmonia - não que pudesse ser ouvida e apreciada por todos, mas isso pouco importava - como naquela conversa.

Recebeu um peteleco na testa, mas estava preocupada demais em absorver todos os dizeres trocados naquele recesso para fingir indignação com aquele gesto, de certa forma, tenro.

Sinta, tu tá viva. — Não conseguiu evitar de refletir por quanto tempo aquela afirmação seria verídica. — Pense, pois tudo o que eu disse pode parecer sem sentido a princípio, mas se tu olhar bem, talvez encontre algo importante perdido em suas entrelinhas subjetivas.

Evitando os olhos do mentalista, por alguns instantes se perdeu na imensidão do mais puro ônix que era a shaed do garoto, agora como um sobretudo. Ergueu o rosto e aproximou-se devagar, depositando um beijo tão leve na bochecha do mentalista que mais poderia ser ele a promessa de um toque do que o gesto propriamente dito.

Não, não parece sem sentido, Brandeur. — Praticamente sussurrou. — Só espero que não seja tarde demais para encontrar encontrar… O que quer que seja.

Dito isso, virou-se de forma que era capaz de ver além da outra margem que ficava a pouco mais de três metros. Não precisariam se esforçar muito para contemplar os contornos distintos da Casa Grande, mesmo que estivesse ainda ao longe. Em adição a isso, mais ruínas e corpos aguardavam do outro lado, assim como fora durante todo o percurso.

Vamos chamar o pessoal. — Sugeriu e assobiou alto o bastante para que todos virassem o rosto para a dupla. Simmon acenou e os cinco se aproximaram em passos lentos. — Podemos atravessar aqui mesmo, já que a água não deve ir muito além da nossa panturril…

De súbito, algo fez com que os pelos da nuca da mentalista se eriçassem. Não mais se moveu ou falou. Os outros fizeram o mesmo, mas apesar do estado de alerta coletivo, nada acontecia - nenhum monstro, nenhuma explosão, sequer uma ameaça -, o que não significava que os sentidos semidivinos os traiam.

O inesperado resolveu manifestar-se de forma simples: alguém levantou.

A poucos metros, uma mulher ergueu o tronco do chão até que ficasse sentada. De estatura baixa e cabelos pretos curtos, não lhe era familiar e também não parecia ter idade para ser uma campista. Seus olhos eram adornados com um foco distante, quase vazio. Ela olhou para os lados e então resolveu ficar de pé, sem parecer notar a presença dos sete, o que fez com que uma expressão interrogativa se formasse na face da seguidora de Psiquê.

Dentro de um raio de vinte metros, alguns outros corpos passavam pelo mesmo processo em condições variadas, mas não pareciam estar fingindo para despistar algum oponente e também não aparentavam estar envolvidos em uma batalha recentemente. Algo estava errado.

Todos pareciam imersos na mesma necessidade instintiva de ter em mãos as próprias armas, aproximando lentamente as mãos dominantes até os cabos das espadas ou adagas, mas o rapaz de cabelos loiros manfiestou-se pelo que pareceu a primeira vez desde que havia pedido por cigarros. Deu um passo à frente e estendeu a mão ao lado do corpo, pedindo silenciosamente para que nada fizessem.

Eles não estão nos atacando. Ao menos não ainda. — Falou em tom pouco mais alto que um sussurro. — Não faz sentido investir agora, mates.

Ayla tentava acompanhar com olhares rápidos o despertar de indivíduos distintos que, a princípio mantinham-se de costas para o grupo. No entanto, Drillbit tinha razão, apesar de não se mostrarem  presenças amigáveis, não pareciam prestes a iniciar um combate

Sim, mas quem são eles e o que estão fazen…

E naquele momento não somente as palavras pareciam incapazes de deixar sua boca como todos os outros sons tornaram-se lembranças, ruídos dissonantes, quase como zumbidos longínquos. Do outro lado do rio, um semideus apoiava seu peso nos cotovelos e se erguia com agilidade até sentar e tentar se orientar, reconhecer o chão úmido que o cercava, saber onde estava.

Ela, por sua vez, se preocupava em reconhecer o tom oscilante entre azul e verde de suas íris, linhas faciais rígidas, a barba por fazer, o cabelo bem aparado e tão escuro quanto o próprio céu noturno - as feições que por tanto tempo havia procurando encontrar nas ruas ou esquecer chegando ao fim de garrafas de uísque. Sabia que ele não havia sido ferido, pois não existia em suas vestes sequer uma gota de sangue, mas acima disso, sabia de coisas que não podia ver naquele momento - o juramento feito a ela e ao deus da música marcado a tinta na própria pele, a meia-lua prateada em sua jaqueta, a herança das sombras que o havia acorrentado por tanto tempo.

Fosse ele qualquer outra pessoa, de imediato a verdade reluziria tão intensamente quanto o próprio sol, diria com todas as letras que aquilo não era - não podia ser - verdade e a traria de volta à razão, remediando-a com doses de sensatez.

Mas a questão era exatamente essa: não se tratava daquilo que era ou não real, mas do que ela - há muito tempo - não sentia.

E se naquele momento a fazia sentir, fazia sentido.

Frederick.

A presença dele era inebriante a ponto de fazê-la ir a seu encontro com um caminhar quase inconsciente, percebido apenas quando a água corrente fria já passava de seu tornozelo. O trajeto de uma margem até a outra foi feito esquecendo totalmente os outros seis ou qualquer outra coisa que não os dois.

O momento em que os olhares se encontraram fez com que os dois permanecessem imóveis por duas ou três respirações antes dela aproximar a palma de sua mão no peito de Marshell. Aquele instante, por qualquer romântico adepto a clichês, poderia ser descrito de imediato como na primeira vez que se viram, mas nada seria tão impreciso e errôneo. Ela não o amava na primeira ocasião que se encontraram.

Foi como a primeira vez em que acreditou nas palavras dele.


Algum lugar de Montauk próximo às fronteiras,,
pouco mais de dois anos atrás.


Noite. Frio. Havia um castelo, uma voz distante que o chamara em sonho e relíquias com poderes antigos. Não sabia muita coisa - nenhum dos dois sabia - mas temiam o que quer que estivesse por vir. Malditos fossem os deuses e não ele. Apesar disso, era inexistente outra alternativa.

Ele iria embora. Precisava encontrar uma forma de quebrar os grilhões enegrecidos que o puxavam para a escuridão. Ela não gostava daquilo, não queria permitir. O garoto sabia, e por isso interrompeu as negações da namorada envolvendo o rosto da semideusa em suas mãos, impedindo que visse qualquer coisa que não fosse ele.

— Eu vou voltar por você.

Daquela vez, era verdade.


O toque gentil da mão do semideus em seu rosto foi o bastante para trazê-la de volta à realidade. Ela piscou algumas vezes, tentando dar sentido ao que via, mas tudo que conseguiu foi perceber que seus olhos agora estavam marejados.

E então o som seco do tapa contra a face do rapaz ecoou. A expressão perdida no rosto dele começava a ser substituída por outra que ela não se deu o trabalho de identificar, entretanto ele não se moveu um centímetro que fosse.

Você prometeu. — Foi a única coisa que escapou da boca da mentalista. — Prometeu que voltaria.

Acampamento Meio-sangue,
aproximadamente um ano atrás.


Dentro das fronteiras, aquela era uma tarde de calmaria estranha, como aquelas que precedem uma catástrofe fora de proporções conhecidas - mas é claro que nenhum deles possuía sequer uma pista do quão precisa era essa comparação.

A mentalista tinha as costas apoiadas no peito do menestrel e, à sombra de uma árvore qualquer, os dois observavam de forma distraída a luz solar se esgueirar por entre as folhas até atingirem o chão. Conversavam sobre tudo e nada ao mesmo tempo, faziam planos para amanhã, o dia seguinte e depois dele como se fossem dois adolescentes mortais com a dádiva da ignorância.

Era um dia lindo demais para as coisas darem errado, mas a noite reservava mais do que um encontro e experiências agradáveis nos domínios oníricos para os dois e, apesar de ter dito que assim seria, ele não a veria de novo no amanhã. Nem no dia seguinte.

Tampouco no que viria depois.


Você. Você me deixou.

Fosse pela acusação ou pelo simples fato de ouvir a voz dele novamente, ela não saberia dizer, mas o fato era que ela chorava. Não um choro infantil e copioso, mas sôfrego, reprimido por vergonha. O primeiro soluço sequer chegou a se concretizar, foi interrompido, sufocado.

Literalmente.

A pressão dos cinco dedos contra a traqueia da semideusa se fazia crescente, fazendo com que o instinto de sobrevivência clamasse o trono das ações de Ayla. Em um movimento rápido, com a mão espalmada, desvencilhou a mão que a segurava, já agarrando Marshell pela jaqueta e usando de uma alavanca para levá-lo ao chão. A primeira lágrima escorreu por seu rosto ao vê-lo caído.

Mas que merda, Frederick, do que você está falando?! — Gritou a plenos pulmões, exasperada. — Por todos os malditos deuses, essa é a única coisa que você não tem o direito de dizer, porra!

E outro soluço escapou enquanto a garota levava as duas mãos com os dedos entrelaçados até a nuca, erguendo os olhos aos céus em busca de qualquer lampejo de esclarecimento caísse do firmamento. No entanto, apenas as lembranças pesaram sobre suas costas.

Acampamento meio-sangue,
aproximadamente um ano atrás.


De todas as coisas que ela odiava em enfermarias - o branco, o cheiro asséptico, os sorrisos forçados -, o silêncio já não se encontrava mais nessa lista. Era seu amigo em boa parte do tempo. Foi a ele que recorreu naquela tarde por longas horas.

Ele havia partido.
Ele. Outros estavam de pé, outros contavam sobre como haviam lutado até encontrarem o caminho de volta - provando que os lampejos contemplados pelos curandeiros e filhos de Hipnos e roubados pela seguidora de Psiquê ao velar o sono profundo dos campistas não era ilusão. Outros. Não ele.

A garota havia esperado demais, insistido demais, batalhado o bastante pelos dois. Estava ferida pelos dois e as paredes daquela enfermaria - mais tarde resumida a móveis de cabeça para baixo, papéis pelo chão e janelas quebradas - eram testemunhas daquilo.

No entanto, jamais havia sido ela a desistir.


Uma rasteira a pegou de surpresa, fazendo com que chegasse ao chão com um baque surdo, permitindo que tivesse uma visão rápida dos arredores, se tornando consciente de que não estava sozinha, que os outros também estavam imersos nas próprias batalhas.

O peso de Fred estava sobre seu corpo, erguendo o punho, pronto a socá-la. Ela não soube dizer o porquê, mas não se viu capaz de resistir imediatamente. Era uma ideia tentadora crer que ele estava apenas magoado e perdido, que por alguma razão aquela era a única forma de levá-la embora dali para um lugar melhor onde pudessem experimentar a redenção juntos.

Mas doía. Doía o encontro do punho do garoto contra sua face, doía o sangue cuspido antes que ela erguesse corpo com a ajuda dos pés e cotovelos, invertendo assim as posições. Doía saber que as gotas salgadas que caíam de sua face até a do filho de Nyx nada significavam.

O que está fazendo, Frederick? — Mais soluços vieram antes da súplica. — Por favor, chega, pare. Vamos para casa.

Colocando os pés na altura do estômago da mentalista, Frederick a empurrou com força, fazendo com que ela ficasse de pé em passos incertos. Estava prestes a avançar contra a garota novamente quando algo o impediu de mover mais um músculo que fosse.

Ayla. — Alguém a chamou. — Não é ele. Não é real, nenhum deles é! — Ela conhecia aquela voz. — Ele se foi, Ayla, nós sabemos disso. — E mesmo que não tivesse encontrado com seus olhos o dono daquela voz, soube de imediato quem era.

Alaric.

Acabe com isso. — Gritou o feiticeiro. — Deixe-o ir de vez.

Ela tremia. Percebia aos poucos e de forma amarga que o seguidor de Circe estava certo, jamais o teriam de volta e, se não desse um fim àquilo naquele átimo, jamais experimentariam algo além dos efeitos colaterais da perda que por tanto tempo guardava como uma represa agora prestes a ruir. E ela e Carter estavam mais do que cansados do vazio latente deixado pelo seguidor de Orfeu.

Queria ser Luna mais uma vez. Queria ter as ações guiadas por seu lado irracional, quase animalesco, e não lembrar ou se arrepender do que faria a seguir. Só que as coisas não eram simples assim, não poderia escolher não sentir o que restava de seu coração ser despedaçado.

No momento em que o bottom na blusa tornou-se uma adaga nas mãos da filha de Selene, existia uma mescla difícil de discernir nos olhos de Frederick. Talvez fosse a aceitação do fim, talvez uma última súplica. Não importava muito, pois logo que Moonlight atravessou de forma impiedosa a caixa torácica do semideus, eles se tornaram vagos novamente, escuros, provando que não pertenciam ao verdadeiro Marshell.

Isso é um adeus. — Ela sussurrou, sentindo o peso já quase sem vida cair por sobre a lâmina até que Lennox a puxasse de volta.

Os joelhos do rapaz chegaram ao chão antes do restante do corpo, permitindo que ele caísse de lado, sendo capaz de, em seu fôlego restante ver os pés da garota se afastando lentamente, sem saber o quanto era difícil resistir à tentação de olhar para trás uma última vez.

Procurou por Alaric, não demorando para vê-lo perdido no próprio embate com uma desconhecida. Chamou por Anima, prendendo os pés da garota e dando um puxão que a fez estar à mercê da gravidade. Rezou para que o filho de Nyx aceitasse a brecha para dar um relativo desfecho ao que o prendia à jovem, aquela seria sua forma de agradecer.

Ouviu os gritos de Peter em algum lugar. O que restava de bom dentro da garota sob hipótese alguma permitiria que algo machucasse o garoto, portanto ela correu de imediato, seguindo o som da voz do filho de Zeus até encontrar um corpo encolhido no chão e uma mulher de costas para ela empenhada em afligir a criança.

Soltou um palavrão antes de agarrar com firmeza a cabeça da mulher - não se importava quem era, queria ver o amigo seguro. Uma mão no topo, outra na altura do queixo. Com um puxão lateral rápido, o estalo do pescoço se quebrando foi ouvido. De pé, viu a incredulidade e o horror estampados no rosto de Lost assim que a adulta caiu com o rosto na terra úmida.

Se deu conta do que fez e as pernas imediatamente ficaram bambas. Era a mãe do garoto. Todos os eventos dos últimos minutos a atingiram como um jab certeiro e ela nada foi capaz de fazer além de se ajoelhar, abraçar a cria do trovão e chorar.

Me perdoe. Me perdoe. — Suplicava a ele e a si mesma.

Ele se debatia, gritava incontrolavelmente entre um soluço e outro. Provavelmente a odiaria por algum tempo, mas ela não o julgaria - também se odiava um pouco naquele momento. Naquele instante de tormenta, permitiu que o choro lavasse sua alma, preenchesse aquela tarde cinzenta até afogar a própria culpa, fazendo com que o carmesim derramado por suas mãos se tornasse apenas uma lembrança pálida e distante.

* * *

Os sete nunca pareceram - ou pareceriam algum dia - tão unidos e tão sozinhos ao mesmo tempo. Ostentavam semblantes quase indistinguíveis, mas que poderiam ser facilmente rotulados como soturnos, durante toda a aproximação vagarosa até a Casa Grande. Secretamente existia a gratidão pela famigerada pergunta "Você está bem?" não ter sido proferida por nenhum deles.

Não demorou para que uma silhueta ruiva de passos ágeis se tornasse o foco do grupo. Rachel diminuía a velocidade conforme a figura dos semideuses se tornasse mais clara para ela. A poucos metros, parou e concentrou-se apenas na tarefa de recuperar o fôlego.

Suas roupas - um jeans simples e a camisa do acampamento - denotavam que suas últimas horas não foram exatamente fáceis. Sujas, rasgadas e até mesmo queimadas em alguns pontos, eram provas de que ninguém havia sido poupado daquela tormenta.

Então… vocês… — Falava ela entre uma inspiração profunda e outra. — Realmente voltaram à vida.

As crias semidivinas ponderaram a afirmação, aguardando que o oráculo prosseguisse.

Era difícil acreditar que fosse mesmo acontecer, especialmente considerando que o Acampamento perdeu o contato com todos os deuses. — Prosseguiu, passando a mão pelas mechas alaranjadas rebeldes. — Isso é diferente de qualquer outra coisa que já experimentamos. Nenhum lugar resistiu. Olimpo, Mundo Inferior, até mesmo Atlântida… — Admitiu ela, visivelmente triste. — Por culpa dessa guerra, quase todos os semideuses estão mortos e é como se tudo já estivesse perdido.

Que guerra, Rachel? Do que está falando? — Interrompeu Ayla com o cenho franzido.

A responsável por isso ainda está aqui. — Não era uma resposta, porém o simples artigo feminino foi o bastante para causar reações imediatas no grupo. — As tropas estão se recolhendo para o pavilhão do refeitório às ordens dela. As arai deveriam apenas eliminar os mais fracos que, por sorte, resistiram.

Ela suspirou pesadamente antes de dizer:

Eu estive esperando, pessoal. — Confessou, mesmo que não a compreendessem. — Estive esperando pelos Sete.

E essa foi a última frase que proferiu com a própria voz. O espírito de Delfos tomou conta do corpo da garota, rasgando o ar com uma profecia nova. Falava sobre ascensão, um renascimento de sete indivíduos das cinzas. Eles enfrentariam a loucura e coisas piores - o caos e a ruína -, mas no meio disso tudo havia uma espécie de promessa.

Uma esperança.

Seriam os responsáveis por salvar o acampamento, venceriam e fariam com que a chama até então bruxuleante da mitologia voltasse a queimar intensa e viva. Se entreolhavam no que parecia uma contagem silenciosa para ter certeza que eram pelo menos a quantidade numérica certa.

A lupina aguardou e ouviu os companheiros à espera de alguma decisão. Fossem eles os escolhidos ou não, só eles pareciam capazes de fazer algo, e ela estava disposta a ir até o próprio inferno com aqueles seis que a cercavam. Não achava que tinha mais nada a perder.

Certamente não havia vivido como uma heroína, mas se fosse aquela sua hora, não se importaria de morrer como uma.
Adendos:
itens:
{Falling Stars} / Shurikens [Conjunto com 10 shurikens de bronze sagrado, mas que se repõem sempre, funcionando quase como um "conjunto de shurikens infinitas". São guardadas em um estojo de couro e veludo. O alcance é limitado à força do semideus, mas não ultrapassa 25m. Podem ser atiradas até 2 por turno, e ambas seriam afetadas pelos poderes.] {Bronze sagrado} (Nível mínimo: 1) [Recebimento: Presente de Reclamação de Selene]

{Moonlight} / Adaga [Trata-se de uma adaga com a lâmina ligeiramente mais larga e curva. O seu formato é levemente arredondado – o que lembra uma lua na sua fase crescente. O cabo tem uma espécie de cobertura (como em sabres) feita de bronze sagrado, o que dá certa defesa as mãos daquele que a está empunhando. Tem uma coloração esbranquiçada e toma um tom azulado quando exposto à luz lunar. No nível 20, se torna um botton escrito "CLUBE DE ASTRONOMIA".] {Bronze Sagrado} (Nível Mínimo: 1) [Recebimento: Presente de Reclamação de Selene]

✣ Anima Bracelet. [Um bracelete de prata com o desenho de borboleta em ouro. Esse bracelete pode ser ativado com o desejo mental do usuário e transforma-se em uma corrente que pode medir 10m. Essa corrente é feita de prata e ouro sagrado, bastante resiste a tal ponto de ser semi-indestrutível. Ela obedecerá aos comandos mentais do mentalista com perfeição, independente do nível que ele esteja.] [Materiais: Ouro Sagrado e Prata Sagrada] (Nível mínimo 1) {Elemento: Psíquico} [Recebimento: presente por ser mentalista]

✣ Yin Yang. [Uma espada de punho prateado e com um desenho bem talhado de uma borboleta em azul. Sua lâmina é de uma beleza diferenciada, pela divisão do cume central, metade dela possui um material negro e a outra metade é feito de prata sagrada. Seu corte é duplo e sua ponta afinada, uma espada bastante resistente. Ela possui uma habilidade de ativar um segundo modo em que a espada original se divide em duas, uma de lâmina totalmente preta e outra de prata sagrada. Nesse segundo formato a sua resistência diminui um pouco, porém seu corte fica extremo, podendo cortar metais pesados e causar efeitos sobre armas sagradas. Essa espada vem em uma bainha preta com entalhes azuis em borboletas, ela se adapta ao corpo do mentalista podendo ser usada do modo que este desejar carregar a espada.] [Materiais: Prata Sagrada e Material Negro] (Nível Mínimo: 1) {Elemento: Psíquico} [Recebimento: Presente por ser mentalista]


♦ {Igni} / Pedra [À princípio, parece uma pedra comum, de tamanho suficiente para poder ser feita de pingente. algumas inscrições em runas muito antigas, misturadas com a língua celta, fazem meio que uma decoração. Seria só isso, se ela não tivesse uma habilidade especial: a de armazenar energia (MP) do seu usuário para ser usada depois. Há restrições: A pedra só pode guardar até 50% do MP total do portador, e o usuário só pode retirar, por turno, até 10% do MP armazenado. Somente o MP do usuário recarrega a pedra e, ao fazer isso, ela será recarregada por inteiro - ou seja há o desconto de 50% do MP total na hora do recarregamento (embora seja possível escolher quando recarregar) - e quando descarregada, obviamente, não oferecerá MP, este sendo retirado do usuário. Para uso deve ser portada ativamente, estando em contato com o personagem, e apenas o dono pode fazer uso da MP armazenada.] {Carga: 610 MP} (Nível Mínimo: 60) {Não controla elementos} [Recebimento: The Ballad of Mona Lisa by Poseidon][Atualizada por ~Eos]

{Weismann} / Runa [Um fragmento da Runa Weismann, que foi destruída durante a segunda Batalha dos Reis. Foi dada a Ayla e Jon pelo próprio Weismann, o Rei Prata Imortal. Pode ser colocada em um colar, pulseira e até mesmo em um anel, pois seu tamanho não é maior do que o de uma pedra brita, e tem a coloração branca. Apesar de a runa ter concedido a imortalidade para Weismann, ela não a concedeu para os semideuses, mas graças ao seu poder, os danos físicos recebidos pelos semideuses diminui em 25%, podendo aumentar progressivamente a cada dez níveis subidos. Não pode ser perdida, vendida e tampouco trocada ou dada, visto que além do poder fornecido ele é um símbolo da confiança e amizade dos Reis para com Ayla e Jhonn.] (Nível mínimo: 50) {Não controla nenhum elemento} [Recebimento: Missão "Return of Kings", passada e avaliada por Nyx e atualizada por Hécate.]

— {Silver Moon} - [Um escudo redondo de prata lunar que proporciona uma defesa eficiente para sua dona. Possui em seu centro o desenho em relevo de  um lobo (o desenho do rank dos filhos de Selene), pintado em dourado. Quando não estiver sendo utilizado, transforma-se em um relógio de prata] {Prata Lunar} (nível mínimo: 1) {Não Controla Nenhum Elemento} [Recebimento: Forjado na The Dragon's Flame, presente de Jhonn Stark.]

♦ {Lullaby} / Flauta encantada [Recebida por Ayla como um espólio de guerra, logo após o fardo de morte carregado pelo item ser limpo. Feita com uma base de alabastro recoberta inteiramente de prata, o instrumento abençoado por Orfeu agora apresenta apenas a base de um encantamento. Uma vez por missão (com o gasto de 50MP por alvo), ao entoar uma melodia suave com o item, a filha de Selene poderá transmitir suas ordens para um alvo selecionado, desde que estejam dentro do alcance sonoro do poder (30m de raio a partir da semideusa como centro). Quando usado em alguém com 5 níveis ou mais que a semideusa, esse poder não funciona. Em outros casos, a chance é de funcionamento normal. Se o alvo for ferido, o efeito se quebra, e o encanto possui duração de 2 rodadas ou enquanto a semideusa toque a flauta. A palavra final é do narrador, e dependerá também da ordem dada, que não pode ser algo que vá diretamente contra o instinto de sobrevivência do oponente (como se matar, ou coisas do gênero), nem contra as ações da semideusa (não adianta atacar e depois pedir pra um alvo não revidar). Resistências mentais e sonoras são aplicadas, assim como resistências geradas por habilidades passivas ou ativas.] {Alabastro e prata} (Nível Mínimo: 15) {Controle sonoro sobre mentes} [Recebimento: Recebido pela missão "Bad party", avaliada por Jhonn Stark e atualizada por Orfeu.]

♦ {Resistance} / Jaqueta [Feita externamente de couro negro batido(o que já dá à vestimenta a resistência de uma armadura de couro), aparentando ser uma jaqueta comum, Resistance oculta suas verdadeiras propriedades de proteção em batalha. Internamente revestida por mitral, fornece grande resistência à semideusa, além da leveza característica do material, de modo que o peso não a prejudica quase nada. Além disso, o item recebeu o encantamento defensivo contra fogo, tornando-se completamente imune ao elemento – não dá imunidade à usuária, apenas à jaqueta.] {Couro e mitral} (nível mínimo: 27) {Controle sobre o Fogo} [Recebimento: The Dragon's Flame - Forja de Harry S. Sieghart]

Elixir da Energia (titânico): Recupera 100 MP. [100 Dracmas]

♠ {Toxic}/ Moeda [É uma antiga moeda americana feita de ouro, que quando a semideusa desejar soltará um aroma doce e enjoativo, que fará todos que estiverem a até 3 metros ao redor se sentirem cansados e doentes. Pode ser usada uma vez por missão, dura dois turnos.] {Ouro} (Nível mínimo: 30) {Nenhum elemento} [Recebimento: Missão "Ringue de Luta", avaliada por Selene e att por Asclépio.]

❖ Braçadeira argilosa [Bracelete de terracota de textura rústica e irregular, de tonalidade avermelhada. Ao ser ativado o item recobre o corpo do semideus com uma camada de argila e amplia sua resistência a golpes físicos em 50% por 3 turnos. 1 uso por evento. (Nível mínimo: 07) {Material: couro} [Comprado de Lavínia Cavendish]
poderes:
Passivos

Nível 40: Presságio
A lua sempre foi utilizada por várias culturas em seus rituais divinatórios. Você personaliza isso, ganhando uma espécie de sexto sentido que faz com que seja difícil ser surpreendido. Não indica o perigo exato ou o momento em que será atacado, nem de onde ou de quem virá, apenas a sensação de que há perigo, uma espécie de intuição, que pode servir para indicar emboscadas e armadilhas, ou até ataques. Alguns inimigos podem ter como burlar isso, já que podem conseguir ocultar sentimentos ou pensamentos - em casos do tipo, o poder só captaria se o oponente for de nível menor. [Novo]

Nível 10: Fases da lua I - Lua Nova I
Esta fase Lunar representa um ótimo momento para dar inicio as coisas diferentes ou tomar atitudes. Isso faz com que não se atrapalhem tanto ao lidar com situações e coisas inesperadas: mesmo pegos de surpresa, eles conseguirão raciocinar e planejar, fazendo com que suas estratégias tenham chances melhores de acerto, mesmo que em menor nível se comparados com filhos de Atena, por exemplo. Contudo, a estratégia tem que ter sentido e ser plausível, e o semideus precisa ter meios de realizá-la - a última palavra é do narrador. [Modificado de ativo para passivo]

◉ Nível 20. Telepatia Avançada: Controle total, podendo escolher a hora que vai escutar os pensamentos ou não e também se comunicando livremente através dos pensamentos.

◉ Nível 30. Controle da probabilidade: capacidade de alterar a probabilidade, causando acontecimentos estranhos ou impedindo acontecimentos normais. Isto inclui aumentar a sorte ou azar de alguém.

Ativos

-
observações:

Falas
Ayla - Outros - Pensamentos

Os trechos em itálico são memórias de Ayla e Frederick (aos que não sabem, o ex-namorado dela que morreu no evento dos sonhos da primavera). Existem referências às tramas pessoais e interações entre os dois. Qualquer dúvida, MP.
A forma utilizada por Alaric para paralisar Fred será devidamente explicitada no post dele.

Ayla Lennox
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Re: — {Chaos and ruin}: MOPCED para Ayla, Alaric, Bianca, Drillbit, Jhonn, Peter e Simmon

Mensagem por Drillbit Jackson em Ter 13 Jun 2017, 17:35

Δ
chaos and ruin
a time for heroes
Δ
i can't explain it, i love the pain
and I love the way your breath numbs me like novacaine
Drill puxou o ar sujo do campo de batalha, enchendo os pulmões. Uma mão chegou aos fios dourados, afastando-os de seu rosto. A outra largou a lança que segurava, deixando-a cair sobre a grama. Aposto que isso é o mais fodido que eu vou conseguir ficar, em qualquer que seja o sentido. Seus olhos miravam o grupo à frente. Eram seis. Todos pareciam tão confusos quanto ele. Focava o rapaz mais próximo. Os cabelos tão negros quanto a capa que cobria seu corpo. Deixou um sorrisinho se formar em seu rosto.

— Obrigado, mate. Mas não seria a mesma coisa.

Ouviu a voz do outro feiticeiro em meio ao restante do grupo. Mesmo enfraquecidos, era impossível não sentir a magia um do outro. Drill manteve o sorriso, mas balançou a cabeça, descartando a sugestão do outro rapaz.

Mirou o chão de grama, afastando o olhar do grupo. Suas vozes se perdiam na mente do filho de Athena. Ele levantou as mãos à frente de seu rosto. Os membros se agitavam involuntariamente. Drill cerrou os punhos, na tentativa de afastar os tremores. Era inútil.

Cerrou, então, os dentes, furioso consigo mesmo. Revoltado com a ideia de que não era capaz de controlar seu próprio corpo. Ele afastou o olhar de si mesmo, sendo o primeiro a reconhecer a silhueta do centauro que ziguezagueava entre os corpos caídos.

— Filho da puta — praguejou, colocando no rosto uma expressão que se assemelhava ao asco. — Olha quem veio nos receber — o feiticeiro balançou a cabeça em direção a Quíron. Numa explosão de fúria, o filho de Athena levantou os dedos médios para o animal que se aproximava. As mãos outra vez em seu campo de visão. O movimento conseguiu acentuar os tremores do rapaz. Por esse motivo, ele recolheu os dedos tão rápido quanto pôde, afastando-se do grupo.

Drill deu alguns passos na direção oposta ao centauro sem, de fato, abandonar a conversa. A audição melhorada permitia que o rapaz, mesmo isolado, conseguisse ouvir as palavras que eram ditas. O som desgastado da voz de Quíron martelava a mente do feiticeiro. Seu discurso era incapaz de esclarecer o que realmente havia acontecido ali. Cada refinado detalhe daquele encontro inesperado parecia contribuir para o descontrole emocional do feiticeiro. Ele respirou fundo outra vez. Sentia a boca seca. Outro efeito da abstinência. Precisava se livrar daquela situação o quanto antes. Do contrário, atravessaria uma linha da qual não haveria mais volta. Era a morte que, outra vez, espreitava.

A voz melodiosa de Ayla propagou-se em sua mente. Tentava racionalizar a situação. O filho de Athena balançou os ombros, declarando neutralidade. A emoção parecia tomar controle de suas ações. Sabia que o caminho correto era em direção à Casa Grande. Ao mesmo tempo, queria gritar, espernear, apontar a parte afiada de sua lança contra o pescoço do centauro. Precisava culpar alguém pelo que estava acontecendo. Precisava descontar em alguém o descontrole que partia de si mesmo.

— Vamos margeando a floresta. Assim vamos chamar menos atenção.

Nada. Nenhuma reação. O feiticeiro apanhou sua arma e seguiu o caminho indicado, como já havia feito outras vezes em sua vida. Era o vira-lata dos deuses, afinal. Um cachorro bem treinado por Quíron. Esculpido à imagem e semelhança dos grandes heróis gregos. Por que, então, não se sentia como tal?

Outra voz ocupava sua mente. A mulher de vermelho voltava, trazendo ameaças maiores do que as anteriores. O primeiro teste já foi, crianças. Agora preparem-se para o segundo. Seu retorno para casa está sob a Casa Grande. Falhem na busca e morrerão. E desta vez será permanente. Foda-se, vadia.

Ele manteve-se afastado durante a caminhada. Os olhos voltavam a se fixar nos outros personagens daquele pesadelo. Alguns mais experientes. Outros, nem tanto. Será que se sentiam da mesma forma? Será que odiavam a situação tanto quanto ele odiava? As questões martelavam sua mente. Ainda assim, eram um alívio. Pensar era, afinal, o que sabia fazer de melhor.

Um som diferente alcançou seus ouvidos. Palavras de empatia. Drill deixou um sorriso se formar no canto de sua boca. A menina se aproximou. Parecia entender, mesmo que parcialmente, o que se passava dentro dele.

— Você tá com uma cara de quem não tá curtindo isso aqui, amor.

— Você também não parece se importar o bastante, love — respondeu, alinhando seus passos aos da garota. — Então, por que você tá nessa, afinal? — continuou, balançando os ombros. — Nada melhor pra fazer?

Ele levou a mão livre ao pescoço, massageando a si mesmo. A resposta da semideusa não o satisfazia. Não a culpava, é claro. O feiticeiro sabia tanto quanto ela. Com sorte, conseguiriam arrancar alguma coisa da menina de cabelos vermelhos.

As palavras da semideusa conseguiram, entretanto, desenhar outro sorriso no rosto dele. Ouvir as baboseiras daquele velho? Sério?

— Não sei não. Acho que uma bala no meio da testa seria mais misericordioso do que ter que ouvir qualquer coisa que venha daquele filho da puta — declarou. Uma nota de repulsa se escondia em suas palavras. Se fosse minimamente decente, voltaria o caminho e marcaria o rosto do centauro com alguns golpes. Mas não era. Por isso, limitava-se a satirizar a situação. — Sou Drillbit, aliás. Drillbit Jackson.

— Bianca Hale Somerhalder, filha de Selene. O prazer é todo seu — respondeu quase que automaticamente.

Bianca, repetiu mentalmente, tentando fixar a palavra. Andaram por alguns instantes, antes que a semideusa quebrasse o silêncio mais uma vez. Queria saber se o filho de Athena marava no acampamento e, principalmente, o quanto levaria para chegarem à Casa Grande. Sua pergunta trazia, ao mesmo tempo, uma enxurrada de lembranças. Odiava mesmo aquele lugar? Muita coisa havia acontecido ali. Algumas ruins, é verdade, mas algumas boas também.

— É. Por mais tempo do que eu gostaria de admitir — replicou, fazendo uma careta. Com uma das mãos, apontou para a pequena coleção de água de escapava da floresta. — Esse é o riacho Zéfiro. E, logo à frente, está a arena. Já estamos quase na metade do caminho.

Sim, parece que aquele lugar havia sido, por muito tempo, um refúgio. Um lar. Agora, não passa de um ponto estratégico. Um lugar onde poderia passar um tempo, sem se preocupar com as ameaças do mundo externo. Seus olhos atravessaram o cenário. Bom, pelo menos era assim antigamente.

— Agora eu tenho uma cobertura no Upper East Side. Se a gente sobreviver a essa, você pode dar uma passada por lá. Mi casa es su casa.

Drill ouvia o entusiasmo nas frases da garota. Do ponto de vista de Bianca, Los Angeles parecia, de fato, fantástica. Ele não saberia dizer. Já esteve algumas vezes na Califórnia. Nunca, no entanto, em busca de diversão. O que mais chamou sua atenção, no entanto, foi a última frase da garota.

— Tem tanta certeza assim? De que vamos sobreviver? — questionou, franzindo o cenho. Não havia dúvida de que Bianca era como ele. Sobreviver é a prioridade. O resto que se foda. — Bom, não vamos nos perder de vista, então. Se o trem descarrilhar, podemos largar tudo pra trás. Eu até deixo você escolher entre Nova Iorque e Los Angeles.

— Tudo bem, amor. Vou ficar de olho em você.

Bianca se afastou, enquanto eles deixavam para trás a arena e o arsenal do acampamento. A conversa com a filha de Selene foi um antídoto para as preocupações do rapaz. Mas o efeito era de curto prazo e suas inseguranças, outra vez, atacavam. Ele colocou ambas as mãos no cabo da lança, como forma de bloquear os tremores, e seguiu assim durante todo o restante do trajeto.

O rio que cortava o acampamento surgiu em seu campo de visão. Ele tomou um tempo para correr todo o percurso da água, em busca de qualquer espécie de ameaça ao grupo. Mas a corrente de água parecia tão tranquila quanto tudo ao seu redor. Ele respirou fundo outra vez, com certa dificuldade. Sobreviver ia, aos poucos, se tornando uma tarefa mais difícil.

Drill alcançou a margem das águas. Poucos centímetros separavam os pés do filho de Athena do rio. Examinou o obstáculo por alguns longos instantes. Tinha medo. Não da água, não do rio, mas do que encontraria na margem oposta. Se Rachel guardava consigo a última esperança para os semideuses, não havia sentimento mais justo, naquele momento, do que o medo.

Sem fazer cerimônia, arremessou sua lança para o lado oposto do rio.

— Acho que podemos atravessar por aqui — comentou com ninguém em especial. Por isso, não esperava respostas. Ainda assim, franziu o cenho. Era o sexto sentido apontando: algo estava errado.

O feiticeiro afastou os olhos da água, voltando-se para os outros seis semideuses. Seus rostos petrificados, em direção a um único ponto do cenário.

— O quê? — questionou o rapaz, mirando o mesmo local.

Não muito distante dali, um corpo movia-se em meio às pilhas de cadáveres. Desajeitada, a mulher tentava colocar-se de pé. Num instante, mais um grupo de outros corpos sem vida pareceu, de repente, ganhar uma segunda chance. Com o canto dos olhos, ele viu os semideuses à sua volta levarem as mãos às armas que carregavam. Colocou-se à frente dos seis. O braço ao lado do corpo, bloqueando a passagem.

— Eles não estão nos atacando. Ao menos não ainda. Não faz sentido investir agora, mates — os olhos focados nos semideuses que levantavam, esperando qualquer reação agressiva.

Algo se mexia num monte de cadáveres mais próximo. Ele deu mais alguns passos para frente. Sem medo, mas cuidadosamente. Drill inclinou-se para frente, franzindo o cenho. Uma mão atravessou a pilha de corpos, fazendo-se visível. Ele agarrou o membro, puxando-o para fora. A semideusa cambaleava, enquanto tentava se manter de pé. Os cabelos da garota emolduravam o rosto angelical até caírem sobre seus ombros. Um verde-claro hipnotizante cintilava nos olhos amendoados. Os lábios avermelhados se abriam num sorriso. Aquele que só ela sabia fazer.

— Oi, bebê. Sentiu saudades? — sussurrou Davina, divertindo-se com a situação. No rosto de Drillbit, descrença, surpresa e confusão.

— Davina, que merda é essa? — a ideia de que feiticeira tivesse tentando defender o acampamento já era absurda. A isso, no entanto, somava-se o fato de que a menina, assim como ele, acabara de ressuscitar de uma pilha de cadáveres.

Dizer que Davina e Drillbit eram como irmãos seria subestimar a relação entre os dois. Eram muito mais do que isso. Quando Drill era menos do que ninguém, Davina fez-se mãe e cuidou do rapaz. E, juntos, eles cresceram. O céu era o limite. Dois amigos disputando a atenção de uma única deusa. Até que, de repente, a amizade já não era o bastante. Sentimentos, frustrações, sorte, revés. Precisavam um do outro. Carregar o fardo de ser um semideus era uma tarefa mais simples quando os dois compartilhavam o peso. Mas, é claro, platonismo não dura pra sempre. De repente, eram amantes. Nunca exclusivos, mas sempre disponíveis um para o outro. Inseparáveis. Um sempre encontrava um jeito de voltar para os braços do outro. Dessa vez, pelo jeito, não havia sido diferente.

Davina mordeu o lábio inferior. Os olhos fixos no filho de Athena. Afastou uma mecha de cabelos castanhos que se colocava à frente de seu rosto, escondendo-os atrás da orelha.

— Ah, você já vai descobrir — o punho da feiticeira atravessou o ar. Ele sentiu a mandíbula dançar em seu rosto. O golpe atingiu sua bochecha esquerda e o fez cambalear na direção oposta. Apoiou as mãos sobre os joelhos. Uma risada escapava de seus lábios, junto com a saliva e o sangue que escorriam em direção ao chão.

— Vagabunda — sussurrou, limpando a mistura escarlate com as costas das mãos. Voltou ao nível do rosto da garota, fazendo careta. — E o que foi que eu fiz pra merecer essa... — o punho da garota voltou a se mover. Sua mão direita interceptou o golpe, fechando-se em volta da mão da semideusa. — Acho que já chega.

Ele afastou seu rosto. Viu o punho direito da menina passar perto de sua face. A feiticeira parecia determinada a resistir. O olhar se encontrou com o dela. Num instante, sentiu seu coração se desfazer em milhares de pedacinhos. Ela carregava aquela expressão no rosto. Aquele olhar voraz. Aquele que ele conhecia, mas que nunca havia sido direcionado para ele. Aquele reservado para os inimigos.

— D. Filha da puta, a gente não pode conversar antes de você... — ele sentiu o joelho da feiticeira subir contra seu abdômen. Revirou os olhos, recuando. Não queria lutar, mas não se deixaria apanhar.

No rosto da garota, nada além de ódio. Os lábios trancados. Nenhuma palavra. Nenhuma explicação. Apenas agressividade em cada célula de seu corpo. Não eram os golpes que derrubavam Drillbit. Era a atitude da garota, de quem ele sequer conseguia arrancar um motivo.

— D. Eu... Por favor... — as palavras presas na garganta. Sentiu os olhos marejarem. Não queria lutar. Não lutaria.

Relaxou o corpo, e deixou que Davina tomasse conta. A feiticeira o agarrou pelas vestes e ambos despencaram sobre as águas do rio. Drill submergiu. A semideusa, em um nível acima da água corrente, segurava o corpo do outro. Eventualmente, ele morreria afogado. Ou, pelo menos, era o que a menina pensava. Para Jackson, respirar debaixo d’água era como respirar fora dela. Seus olhos mantinham-se focados na garota. A imagem oscilava de acordo com o movimento das águas.

Levou as mãos ao rosto da menina. Os dedos trêmulos tateavam a pele íntegra da garota. Um movimento desesperado. Queria lembrar como era tocá-la. Sentir sua pele contra a dela uma última vez.

Suas mãos desceram em direção ao pescoço. Ele cerrou os olhos. Não queria ver. Não podia. Os dedos fecharam-se em volta da garganta e os polegares pressionaram a cartilagem tireoide da menina.

A água abafava os sons e os sentimentos do filho de Athena. Ele pressionou o pescoço da garota, enquanto ela tentava lutar contra a falta de ar, até sentir as mãos que o agarravam perderem a força. Drill emergiu, aninhando o corpo da feiticeira. As lágrimas se misturavam à água do corrente. Ele tocou o rosto da menina outra vez.

— Desculpa. Desculpa. Desculpa — inclinou-se, deixando seus lábios tocarem a outra bochecha. — Me desculpa — continuou. Mas nenhum dos pedidos foi capaz de trazê-la de volta. Ele sabia disso, é claro. Era besteira negar: era um animal racional. Ele afrouxou o abraço em volta do corpo de Davina. A menina escapou de seus braços, seguindo o trajeto indicado pelas águas do rio. O corpo seguiu a correnteza, e Drillbit tomou algum tempo para observar a menina desaparecendo entre as curvas, as pedras e os desníveis do corrente.

Quando já não se via mais sinal da semideusa, o transe em que o feiticeiro se encontrava foi quebrado. Ele esfregou os olhos com as costas das mãos, afastando as lágrimas. O lábio inferior tremia. Perder um amigo era desesperador. Matar um amigo era devastador. Não tenho tempo pra isso, decidiu. Ele apoiou as mãos sobre as pedras cobertas de musgo, colocando-se de pé. Atravessou o rio, em direção à Casa Grande. Apanhou sua lança, enquanto afastava os cabelos molhados de seu rosto. Quando virou-se outra vez para os outros seis semideuses do grupo, seu rosto já era, novamente, uma imagem indecifrável. Engarrafar sentimentos. Sabia que pagaria o preço mais cedo ou mais tarde. Por enquanto, preferia fingir que nada havia acontecido.

O grupo atravessou o rio, cada um a seu tempo. As roupas do semideus grudavam em seu corpo. Mas os ventos que sopravam naquele instante encarregavam-se da tarefa de, aos poucos, secar suas vestes. Rumaram juntos, outra vez, em direção à Casa Grande. Só alguns passos foram necessários, no entanto. Das ruínas mastigadas pelo fogo, a menina de cabelos vermelhos escapou em sua direção. Rachel atravessou o espaço entre eles às pressas. As bochechas vermelhas puxavam ar para os pulmões, quando a garota finalmente chegou até o grupo.

Rachel iniciou seu discurso. Parecia certa de que os sete haviam sido puxados do inferno. Drill fez uma careta. Mesmo naquele mundo bagunçado e cheio de coisas absurdas em que viviam, escapar da morte era quase impossível.

— Era difícil acreditar que fosse mesmo acontecer, especialmente considerando que o Acampamento perdeu o contato com todos os deuses — continuou a garota, trazendo mais dúvidas para a mente do feiticeiro.

Se os deuses abandonaram essa pocilga, eu não os culpo. Mas quem é a mulher de vermelho? Até então, não havia pensado na possibilidade de que, talvez, sequer fosse uma divindade. Mas, ainda, que outro ser teria o poder que arrancar sete semideuses de suas covas?

A ruiva afirmava: nenhum lugar era seguro. Fugir não era mais uma opção. Na verdade, não havia mais para onde fugir. Os deuses, protegidos no castelo acima das nuvens. Os semideuses, aniquilados pelo inimigo que, equipado com forças acima de nossa capacidade, preparava-se para destruir tudo o que se colocasse em seu caminho.

— A responsável por isso ainda está aqui — disse a menina.

— Aqui? Como assim, “aqui”? — questionou o feiticeiro. Rachel não se demorou a responder.

Drillbit se perdeu em suas ideias. Estavam em maior número e a guerra já havia sido vencida. Por que, então, o oponente recolhia suas tropas? Preparavam-se para uma nova investida, isso era certo. Contra quem? A ruiva tratou de responder suas questões mais uma vez. Sua voz oscilava entre o grave e o agudo. Os olhos cintilavam em tons de azul. A menina perdia o controle de si mesmo, entregando-se ao oráculo.

Trazia notícias ruins, sobre caos e ruína. Tempos difíceis para todos e, principalmente, para o acampamento. A profecia, no entanto, apontava uma nova oportunidade de consertar o que havia sido quebrado. Sete, para ser mais exato. Rachel voltou a si, enquanto o oráculo adormecia em seu corpo. A mensagem não poderia ter sido mais clara.

Chama da mitologia grega... Meu pau. Outra vez, era colocado na situação de herói. Um caminho que preferia não seguir. Não ansiava por glória. Não buscava realização pessoal. Não enxergava vantagem em morrer no lugar dos outros. Em morrer no lugar dos deuses. Cadê vocês agora, filhos da puta? Cadê você, Athena? Se vocês não vão levantar as bundas de seus tronos, não esperem que eu o faça.



Observações:
Armas Citadas/Utilizadas:
▬ {Wisdom}/ Lança [É uma réplica da lança de Athena. O cabo da arma é branco, feito de álamo, enquanto a lâmina é prateada - apenas um efeito estético, já que seu material ainda é bronze sagrado. Perto da lâmina está engastada uma coruja, e todo o cabo foi trabalhado, não sendo linear, e sim possuindo algumas curvaturas, o que faz com que seu manuseio seja mais complexo a quem não tem a perícia adequada. Possui 1,5m de alcance][Álamo e bronze sagrado](Nível Mínimo: 1) {Não controla Nenhum Elemento} [Recebimento: Presente de Reclamação de Atena]

▬ {Strategy} / Escudo [Escudo médio de bronze sagrado. Possui uma pequena coruja entalhada em seu centro. O escudo tem uma superfície muito lisa, denotando um exímio trabalho de forja, sem imperfeições. No nível 20 transforma-se em um bracelete com entalhes similares ao do item.] {Bronze Sagrado} (Nível Mínimo:1) {Não Controla Nenhum Elemento} [Recebimento: Presente de Reclamação de Atena]
Poderes Citados/Utilizados:
Passivos


Respiração aquática (Nível 03) ▬ Você consegue respirar embaixo d'água, graças a tríplice de sua Hécate que também a permite certo domínio sobre o mar. [ New]

Sentidos ampliados: Visão e Audição (Nível 19) ▬ Assim como as corujas, o filho de Atena terá sua visão e audição otimizadas, tendo sua acuidade e alcance ampliados em 50%, de forma que se tornam mais perceptivos ao que ocorre à sua volta.

Sexto sentido (Nível 17) ▬ O feiticeiro é um ser extremamente sensorial, e tudo isso é graças ao sexto sentido, que os permite antecipar em pequenas escalas algo que irá acontecer em um futuro próximo, orientar-se em locais de pouca ou nenhuma visão usando os olhos da alma, ou servindo-lhe como um faro aguçado - usado para identificar ambientes e outros seres -, porém com mais exatidão, por tratar-se de uma extensão psíquica da mente do indivíduo.
Obs: Quando em uso, o narrador terá de dar dicas aos feiticeiros a depender das condições da atividade que este estiver executando. [ New]

Analisar inimigo (Nível 24) ▬ Ao olhar para um inimigo, filhos de Atena tem uma noção de seu nível de poder. Não define habilidades específicas, mp, hp ou coisa do tipo, apenas o nível de personagem, com uma margem de 5 níveis de erro para mais e para menos. [Novo]

Identificando o Terreno (Nível 25) ▬ agora os filhos de Atena conseguirão, com uma rápida analisada ao seu redor, saber detalhes como profundidade de um rio, tipo de solo, de pedras, de árvores, etc. Isso permite que elaborem melhores estratégias utilizando o ambiente ao seu redor. Contudo, não detecta alterações mágicas, e sua percepção pode acabar falhando por isso. Detalhes mais técnicos como a profundidade do rio, citado anteriormente - podem ser apenas gerais, dentro de uma certa faixa - por exemplo, se ele dá pé ou não, mas não qual a exatidão em metros. Não detecta a propriedade dos elementos - que tipo de solo ou se a água é potável, por exemplo.


Ativos


Extras:
Legenda

Drillbit
Pensamentos
Outros
Voz da Mulher


Informações Adicionais


Olar
Drill não conhece ninguém desse grupo muito bem, o que por si só já justificaria o fato de que ele ainda tá analisando a situação, sem se envolver muito com o grupo. Ayla e Drill já tiveram um encontro anteriormente, que pode servir pra explicar porque ele concordou tão facilmente com o julgamento dela.
"Mate" e "love" são vocativos que Drillbit costuma usar bastante.
O título do post é um trecho de Bad Things, porque acho que a música e o clipe têm tudo a ver com Davina e Drill.
That's all, folks!
Drillbit Jackson
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Re: — {Chaos and ruin}: MOPCED para Ayla, Alaric, Bianca, Drillbit, Jhonn, Peter e Simmon

Mensagem por Bianca H. Somerhalder em Qua 14 Jun 2017, 13:46


chaos and ruin
  

please, baby
Party girls don't get hurt
Foi difícil para Bianca nos primeiros momentos. A descrença tomou lugar para o desespero, um desespero que pensava principalmente em seu benefício próprio: aonde ela iria procurar por enfermaria agora? E, além disso, de qual local ela falaria mal para todos os semideuses? Teria de arrumar outro, com certeza. Piscou diversas vezes para afastar aqueles pensamentos, forçando-se a assumir uma posição de total indiferença.

Apesar de ter tido incrível dificuldade em ignorar o que acontecia, Hale voltou à sua irremediável realidade; ela não era de se importar, e tampouco tinha ligações emotivas com o acampamento. Dizendo isso para si mesma, suspirou profundamente e empinou o nariz. ”Que se foda esse lugar, deusa vadia”, pensou, desejando profundamente que aquela divindade, quem quer que fosse, pudesse ler seus pensamentos naquele momento. Enquanto afastava os cabelos arruivados do rosto, outros questionamentos começaram a surgir na mente da prole da lua.

Queria saber se aquilo tudo era mesmo real. Parecia real, as dores eram — com certeza — reais, as pessoas eram reais. Mas e toda aquela situação? O acampamento, que sempre levara a fama de seguro e impenetrável — embora já tivesse sido invadido — estava mesmo sendo destruído, ou aquilo era só uma ilusão da deusa que os atormentava? Sobretudo, estavam mesmo mortos antes de toda aquela confusão começar? E, se estavam, como reviveram? Nada tinha resposta concreta, e isso fazia com que Somerhalder quisesse arrancar a primeira cabeça desconhecida que visse em sua frente.

Para deixar que os pensamentos fluíssem e, então, ela pudesse voltar a agir normalmente, Bianca começou a cravar as unhas nas próprias mãos, aflorando uma pequena dor suportável. Tudo começou a ficar mais claro aos poucos, e a menina conseguiu focar nos seis semideuses que a acompanhavam naquele mar de dúvidas. Pôde finalmente observá-los mais do que por alguns segundos, e desfrutou disso com um olhar curioso; alguns interagiam entre si, embora ninguém se atrevesse a tomar uma providência e seguir andando.  
 
Estava prestes a fazer algum comentário irônico sobre a cena, mas foi interrompida pela sua própria audição, que captou a palavra “bebida”. Seus olhos percorreram os companheiros até focarem em um garoto cujo nome ela não sabia, mas segurava uma mini-garrafa de uísque como se sua vida dependesse daquilo. Depois de alguns segundos, Bianca percebeu que ela também dependia. Aproximou-se dele com passos leves.
 
— E aí, amor — sorriu e deu uma piscada. Suas atitudes despreocupadas quase faziam-na esquecer de que estavam no meio de uma guerra. De todo fato, realmente não se importava. Não mais. Apontou para a bebida do menino e levantou as sobrancelhas. — Eu realmente podia dar pra você agora se me desse uns goles disso aí.

O desconhecido olhou a prole da lua da cabeça aos pés, o que a fez abrir um sorriso ainda maior. Esperando algum comentário no mínimo esnobe, colocou as mãos na cintura e jogou os cabelos para trás. Não foi decepcionada. Com uma expressão despreocupada, o outro olhou de esguelha para os que estavam próximos e respondeu com um sorriso meio de lado.
 
— Por mais que eu seja meio exibicionista, tem muita gente aqui. Deixemos isso pra depois. Transar estando ligeiramente bêbado é muito mais gostoso.
 
Em seguida, estendeu uma mini-garrafa de vodka. Hale só faltou dar pulos de contentamento. Vodka era sua bebida preferida, embora a sensação de ficar bêbada fosse boa de qualquer jeito. Estendeu a mão direita e pegou o objeto, levando-o a boca no mesmo instante. O líquido desapareceu em questão de segundos, fazendo a menina dar um sorriso satisfeito. Quando voltou a encarar o semideus, percebeu que ele havia se sentado na grama recentemente destruída do acampamento, que agora, além de tudo, também possuía cinzas e ligeiras marcas de sangue. Achou engraçado o ato, considerando a situação caótica em que se encontravam.
 
— Bianca Hale Somerhalder, filha de Selene. O prazer é todo seu — apresentou-se rapidamente, devolvendo a garrafinha para o menino logo em sequência. De modo levemente embriagado, abaixou-se até que ficasse próxima dele e deu um beijo em seu rosto, sorrindo; era sua maneira silenciosa de agradecer por aquela bebida.

Seu sorriso aumentou quando o garoto se apresentou. Simmon, filho de Zeus e mentalista de Psiquê, e outras muitas nomeações que ela achou particularmente interessantes. Passou rapidamente pela sua cabeça o fato de anotar tudo aquilo para se lembrar depois, mas a proximidade de ambos fez com que o pensamento logo se perdesse em meio a tantos outros. O hálito com um leve cheiro de uísque a deixava com vontade de se aproximar ainda mais.

— Quer que eu sente do seu lado ou em cima de você, amor? — Sorriu com deboche, achando a situação divertida. Embora de fato quisesse que fosse a segunda situação, posicionou-se no chão com um pouco de alívio. Realmente estava cansada. ”Brincadeirinha”, disse baixinho, referindo-se à insinuação anterior. — O que tá achando dessa merda toda? Porque eu não vejo a hora de ir pra casa.
 
Sem muito esforço, Bianca pôde sentir que Simmon estava se contendo. Isso a deixava fervendo por dentro, além de fazer crescer sua vontade de provocá-lo ainda mais. Talvez por, ao contrário do menino, não conseguir esconder suas vontades, a prole da lua se aproximou ainda mais. Colocou seu cotovelo no joelho dele, apoiando seu queixo ali. Sorriu.

— Acha que, se conquistasse respeito, ele se manteria para sempre? Há histórias de pessoas que o perderam por muito pouco — a conversa fazia Hale se lembrar da famosa discussão sobre ser respeitada ou ser temida. Era fácil desvendar o que ela escolheria, considerando seu histórico de assassinatos. Sem perceber, ela falou em voz alta o que pretendia ficar só em sua cabeça. — Eu preferiria ser temida do que respeitada.

Não demorou mais do que alguns segundos para perceber que estava divagando. Piscando repetidamente para se concentrar no filho de Zeus, deu um sorriso meio travesso e balançou os ombros, indicando que falara aquilo sem querer. Encostando a cabeça no ombro do garoto, suspirou profundamente.

— Se sairmos daqui vivos, amor — deu uma pausa, pensando no que propor. Era difícil, já que não conhecia muito bem os gostos de Brandeur. Desistiu rapidamente daquilo, com preguiça de começar um jogo que não tinha vontade de jogar. — Tudo bem, já sei. Se sairmos daqui vivos você pode me pedir o que quiser. É uma promessa.

Encarou Simmon de muito perto, de modo que seus narizes quase se tocavam. Sorrindo, tentou deixar aquilo como um desafio para o outro. ”Me surpreenda”, sua mente gritava. A curiosidade para descobrir o que seria pedido era como uma chama para mantê-la viva.
 
Como se estivesse se libertando da castidade, o filho de Zeus aproximou-se mais ainda, repousando sua mão na coxa da menina. Animada por finalmente ter conseguido a atenção que queria, Hale molhou os lábios e sorriu discretamente. Simmon levantou as sobrancelhas, fazendo ela se perguntar o que ele de fato pensava.
 
— Antes de pedir, vou terminar com essa merda de tarefa e mostrar quem de fato sou. Aí sim, quando tu souber cada nota que me move, não me negará nada.
 
Somerhalder queria dizer que, a qualquer momento de sua vida, nunca o negaria nada. Estava abrindo a boca quando, inesperadamente, Simmon sorriu maliciosamente e colou sua boca na dela, mordendo seu lábio inferior ao mesmo tempo em que apertava sua coxa com destreza. Assim que o menino se afastou, Bianca pôde perceber que havia ficado uma marca da mordida, o que a deixou satisfeita. Abriu um sorriso também.
 
Entretanto, no melhor momento da conversa, foram interrompidos. Brandeur, dizendo que tinham companhia, levantou-se e estendeu sua mão para a prole da lua. Curiosa para descobrir do que ele falava, pegou na sua mão e deu um selinho nos seus lábios após ficar de pé, como uma despedida. Apostava que não teriam tempo para se falar tão cedo.
 
Ia dizer alguma coisa do tipo “tudo bem, nos falamos depois”, mas não estava tudo bem. Não para Bianca, que pôde ouvir o trote pesado de Quíron na direção do grupo. Virou-se para olhar, e — com uma pequena felicidade — notou que o diretor do acampamento possuía uma expressão cansada, quase derrotada. Era como se ele tivesse perdido tudo que importava para ele, e nada mais fizesse sentido; Bianca conhecia bem aquela sensação. O sentimento de aversão ao centauro mesclou-se com o de contentamento pelo seu estado. Somerhalder desejava que ele sempre estivesse em seu pior momento possível.

— Este cavalo velho ainda está vivo? Devia ter morrido junto com os outros — disse num tom alto, não conseguindo se conter. Quíron e a filha de Selene, em tempos anteriores, já haviam tido mais discussões do que consideravam saudável. O desentendimento de ambos foi o primeiro passo para o ódio dela a tudo que remetesse ao acampamento.  
 
Percebeu prazerosamente que não só ela havia se revoltado. O menino desconhecido — que provavelmente era feiticeiro, pela sua aura parcialmente parecida a de Alaric —, xingou o homem e levantou seus dedos do meio, arrancando uma risada de Bianca. Além dele, a prole da lua pôde ver que a irmã tinha uma expressão incrédula no rosto, quase indignada. Por outro lado, Peter parecia ansioso para abraçar Quíron e dá-lo uma coroa, como se ele fosse seu herói. Hale achou aquilo extremamente irritante, mas não levou em conta, já que o menino era muito novo.  

De todo modo, talvez por curiosidade, Somerhalder atendeu ao homem. Recuou à sua chegada, calando-se para ouvir o que estava dizendo. No final, percebeu que não ouvira nada. Até tentou, mas os corpos, o fogo e o caos estavam chamando sua atenção mais do que deveria. Havia uma mulher morta, em especial, que possuía quase uma lagoa de sangue embaixo de si, atraindo Bianca. Seus olhos brilhavam àquela visão, pedindo para que ela fosse degustar do líquido escarlate brilhante.  

Naqueles momentos de discurso chato, foi como se pudesse avistar mais do que à sua volta. Pela primeira vez desde a descoberta de que era o acampamento, notou que a fumaça dos lugares em chamas era muito maior do que de outra vez que houvera um ataque ao local. Tinha mais corpos do que ela podia contar em um dia inteiro, e tudo, todas as construções, pareciam parcialmente ou totalmente destruídas. Era pior do que pensara anteriormente, mas naquela hora já não se importava tanto. Na verdade, já até achava atraente aquele novo visual.  

Porém, quando percebeu um silêncio crescente entre o grupo, virou-se, curiosa. O centauro se calara, e agora curvava os ombros como se não houvesse mais nenhuma solução para aquele desastre. Sua vergonha e cansaço proporcionou um sorriso alegre em Somerhalder, que agora possuía um olhar atento.  Pensou em fazer algum comentário, mas nem ao menos sabia sobre o que comentar, já que não havia ouvido as palavras de Quíron.

Ninguém precisou se pronunciar, porém; como num estalo, o homem levantou a cabeça e seu olhar trazia esperança, coisa que há muito já não sentia. Começou a falar agitadamente, e Bianca quase não conseguiu compreender as frases confusas. Mas conseguiu juntar as palavras Oráculo, escondida, salvem-na e plano. Achou graça que o velho estivesse depositando suas esperanças não só em sete semideuses, mas em sete semideuses e uma mortal clarividente.
 
Por alguns segundos ninguém falou nada. Bianca chegou a achar que, tirando a criança de Zeus, ninguém mais ficaria para ajudar; ela realmente queria ir embora e fazer qualquer coisa que não fosse seguir ordens de Quíron. Porém, enquanto considerava os prós e contras, a voz de Ayla surgiu em sua mente: ”Considerando nossa sorte, é bem provável que não seja nada, mas podemos acabar com alguma coisa que nos ajude a entender o sonho. Ou a descobrir quem era filha da puta que vimos lá.”
 
De fato Hale queria descobrir quem era a deusa, além de saber por que caralhos ela estava infernizando a vida dos sete. As palavras de Lennox fizeram efeito, e em um instante a menina estava levemente animada para aquela missão. Conseguiu até se convencer de que não estava obedecendo a Quíron, mas sim indo atrás de respostas para as próprias perguntas.
 
— Eu não tenho nada de melhor para fazer com o resto do meu dia mesmo — disse, irônica como sempre.
 
Os semideuses subitamente começaram a dar respostas meio evasivas, todos concordando com a proposta do centauro velho; era perceptível que a maioria se encontrava desanimada, e talvez por isso o homem começou a os incentivar com frases como “vocês são incríveis, vão conseguir!” ou “o acampamento deverá a vocês pra sempre!”. Também ficou perceptível, depois de alguns comentários, que não davam a mínima para os incentivos. Os acenos de cabeça e os sorrisos amarelos somente serviam para não deixar Quíron falando de todo sozinho.
 
Em um momento em que todos começaram a se afastar em direção à Casa Grande, Bianca olhou de relance para trás. Percebeu que Ayla, achando estar sozinha com o centauro, continha uma expressão de aversão; ele, por outro lado, mantinha sua face animada. Somerhalder, sem saber o que se passaria, resolveu esperar para ver. Sua curiosidade não a deixava nunca.
 
De repente a irmã começou a cuspir palavras agressivas, todas elas insultando a existência do diretor do acampamento. Hale conseguiu gravar as palavras “fraco” e “incapaz”, e a ideia de enviar um colar para ele escrito essas duas coisas pareceu fantástica. Também achou muito engraçado a expressão que o centauro fez, abrindo e fechando a boca várias vezes, sem nem saber o que dizer. Foi o ápice do dia da semideusa, cada vez mais satisfeita com a situação.
 
Quando pretendia virar-se e fingir que não havia visto a cena, provavelmente para dar mais intimidade à Ayla, essa começou a andar. Seus olhos se encontraram, e rapidamente Bianca se esforçou para esconder o quão feliz estava com aquele momento. Um olhar sincero e compreensivo assumiu sua expressão enquanto ela tocava o braço da outra para que pudessem sair dali, agora caminhando juntas.
 
Sem dúvida, Bianca se sentia mais confortável ao lado da irmã do que da maioria das pessoas; era como se Lennox sempre a lembrasse, mesmo que inconscientemente, de tempos antigos, quando Hale ainda era menos impura e experiente. As lembranças por si só a davam uma sensação de nostalgia e liberdade, como se ela pudesse ser qualquer coisa. Sem perceber, sua mente começou a divagar e seus olhos desfocaram da realidade.
 
Sua paz não durou muito, entretanto. A voz da deusa, após poucos segundos de caminhada, retornou à mente de Somerhalder e, imaginou ela, nas dos outros também. Trazia consigo novas informações, as quais estavam sendo esperadas pela prole da lua desde que derrotara as arai. "O primeiro teste já foi, crianças. Agora preparem-se para o segundo. Seu retorno para casa está sob a Casa Grande. Falhem na busca e morrerão. E desta vez será permanente."
 
Depois daquilo foi como se a caminhada tivesse passado a ser bem mais interessante. Sua respiração se tornou mais leve e os pés menos cansados. Não estava somente obedecendo ordens de Quíron, como tanto evitara pensar; seu destino realmente era a Casa Grande, local onde estava Rachel. E se uma mortal fosse a fazer voltar para casa, talvez devesse considerá-la menos repugnante que os outros da mesma raça. A expressão de Hale tornou-se suave, quase como se estivesse ansiosa para uma nova descoberta.
 
Talvez por estar satisfeita com a informação que recebera, talvez por realmente não conhecer muito o acampamento, Bianca sequer prestou atenção no trajeto que faziam. Sabia, entretanto, que não estavam fazendo o caminho mais curto, mas achava que Jhonn deveria ter suas razões para isso, já que era ele quem se mantinha na frente. Pensou em se aproximar do amigo, mas não sabia o que faria caso ele ainda estivesse triste — pessoas ficavam tristes por tanto tempo? A menina não sabia. Era péssima em lidar com sentimentos, e não seria ela a melhor para  consolá-lo.

Olhou, então, para as pessoas que estavam mais perto dela, curiosa para saber como estavam se sentindo. O menino que levantara os dedos para Quíron, em particular, chamava sua atenção mais do que os outros. Ele tinha uma expressão neutra, mas mantinha seus olhos fixos em algum ponto que Somerhalder não conseguia identificar. Pensou que seria mais fácil conversar com ele do que com alguém triste.
 
— Você tá com uma cara de quem não tá curtindo isso aqui, amor — disse logo que se aproximou, levantando as sobrancelhas para mostrar que estava realmente curiosa. Sorriu um pouco, olhando ao seu redor. A destruição estava presente em toda a parte. — Não se importa com nada disso, né?

Mesmo que inconscientemente, Bianca agradeceu mentalmente pelo menino não começar a se debulhar em lágrimas e lamentar pelo acampamento. Apesar de já ter visto que ele não ligava, sentia um medo estranho de ter de lidar com os sentimentos dos outros. Contente com a reação despreocupada, sorriu ainda mais do que antes.
 
— Pergunta difícil. Eu só acordei aqui, não tive muito poder de decisão se queria ou não vir — disse meio ressentida e irritada ao mesmo tempo, sem saber se teria vindo caso tivesse escolha. Provavelmente não. A imagem do acampamento a dava repulsa a cada segundo. — Acho que até ter de ouvir Quíron falar por meia hora seria “melhor pra fazer” do que isso aqui.

Em seguida, dando uma risadinha, lembrou-se de como o centauro parecia desolado anteriormente. Aquela lembrança era como sua piada particular, que a fazia feliz a qualquer momento. O menino, percebia ela, nutria tanto ódio contra o homem quanto ela; entretanto, ele convertia esse ódio em raiva, enquanto a prole da lua convertia em ironia. Eram perspectivas diferentes das coisas, embora remetessem ao mesmo fato: Quíron era, com certeza, um filho da puta.

— Caralho, obrigada por também perceber o quanto ele é escroto e nojento — seus olhos brilharam quando proferiu essas palavras. As palavras que Ayla usara para se referir ao velho voltaram em sua cabeça: fraco e incapaz. — Bianca Hale Somerhalder, filha de Selene. O prazer é todo seu.

Apresentou-se da mesma forma pela segunda vez no dia. Era como um discurso já decorado. Sorrindo, prendeu os cabelos em um coque e tentou entender em qual parte do acampamento estavam. Depois de muito esforço, percebeu que não fazia ideia. Para ela, aquele lugar parecia igual em toda parte.

— Você mora ou morava aqui? Não tenho a mínima noção se estamos pertos ou não.

Drillbit realmente conhecia o local. Parecia que, apesar de não morar ou se importar com aquele lugar mais, um dia já havia sido parte daquilo tudo. Bianca, por mais que nunca fosse querer morar no acampamento — se ele ainda existisse depois daquilo tudo —, tinha certa inveja e repulsa por quem o fazia. Depois de tanto tempo, tinha finalmente se conformado de que não nascera para a paz e segurança. E sim para o caos.

Observou com atenção os lugares para onde o semideus apontava, mas não conseguiu encontrar em suas memórias nenhum momento que passara ali. Decepcionada, focou somente na notícia boa: estavam praticamente na metade do caminho. Estava, de certo modo, ansiosa para descobrir se poderia ir embora rápido.

— Nova Iorque é um lugar mágico. Bebida, drogas e sexo. É perfeito — disse automaticamente. Logo depois, sentiu um pouco de saudades da diversão. Daria muita coisa para poder estar em uma boate naquele momento, sem nenhum compromisso. — Eu moro em Los Angeles, é como uma cidade saída dos cinemas! Irei te apresentar, um dia. Mas primeiro temos que decidir se a festa de “sobrevivência à missão” vai ser na sua casa ou na minha. Porque nós vamos sobreviver.

Entre todas as coisas de que tinha certeza no mundo, sobreviver àquela missão não estava entre elas. Entretanto, quando Hale dizia as coisas em voz alta, ela parecia acreditar que era verdade. E funcionou. A frase soou agradável para ela mesma, embora, no fundo de seu coração, ainda palpitasse a insegurança.

— Não tenho certeza, mas não faz mal fingir que tenho — o sorriso era irônico. Se tudo desse errado, ainda tinha a possibilidade de deixar tudo para trás e simplesmente cuidar de sua própria vida. Mas aquilo provavelmente não funcionaria na prática. Havia pessoas demais ali com quem ela se importava. Ela ocultou aquele fato de si mesma, tentando continuar otimista. Ficou imensamente satisfeita quando viu que Drillbit tinha o mesmo tipo de pensamento que ela. — Tudo bem, amor. Vou ficar de olho em você.

Então, dando uma piscadinha e um sorriso discreto, saiu andando um pouco para o lado, tendo seus próprios questionamentos martelando em sua cabeça. Passou alguns minutos pensativa, quieta; porém, momentos depois de atravessarem um riacho que aparentemente cortava o acampamento, viu uma movimentação inesperada. Vários corpos, em sincronia, começaram a se levantar. Não fizeram nenhum movimento, de início, mas suas expressões vazias davam um certo arrepio em qualquer um. Era como se não tivessem almas.
 
De repente, ao correr os olhos pelos mortos-vivos, foi como se uma corrente de ar num ambiente de temperatura negativa passasse pela sua coluna. Todos os seus pelos se eriçaram e, ao mesmo tempo, seu coração começou a bater mais forte. Seus pés parecia criar raízes naquele chão, de modo que Bianca se sentia incapacitada de se mover. Ali, parado em sua frente, estava Kai Sprigelman Welmed, seu irmão de sete anos.
 
Los Angeles, dois anos atrás

 
Kai estava sentado no sofá à sua frente lendo uma revista estranha, cuja capa tinha o desenho de um homem com a cueca por cima das calças. Bianca, por diversas vezes, pensou em perguntar qual era o encanto que ele tinha por aquilo, mas desistiu no meio do ato. Seu sorriso ao ler as palavras dentro de balões fazia com que a menina se esquecesse até do motivo por qual estava ali.
 
Como se acordasse de um sonho, avistou Helena, a mãe adotiva de Kai, entrando na sala. Ela sorria gentilmente e parecia disposta a ajudar com qualquer coisa. Assim que a mulher sentou-se ao lado do filho, esse largou o que estava lendo e encarou Somerhalder com certa ansiedade. Ele estava há dias esperando que Bianca conversasse com sua mãe, para que assim pudessem viajar juntos para Nova Iorque. A prole da lua sorriu forçadamente, tentando ser o mais gentil possível.
 
— Senhora Welmed, é um prazer conhecê-la — a educação excessiva fez a mulher abrir um sorriso. Embora não se pronunciasse, era possível perceber que se mantinha calma. — Prometi para Kai que conversaria com você, já que quero levá-lo para Nova Iorque comigo… Tenho alguns parentes lá.
 
Pura mentira. Depois de muita insistência do irmão, também filho de Selene, Bianca havia concordado em apresentá-lo o acampamento. A ideia não havia sido recebida de muito bom grado pela menina, mas, depois de muito pensar, finalmente cedeu. Não sabia recusar muitas coisas para Kai. Helena levantava as sobrancelhas, mas não parecia surpresa. Provavelmente o filho já havia falado algo com ela.
 
— Tudo bem, querida, Kai já me falou disso — claro, ele era ansioso em excesso para esperar pela irmã. Ao receber um olhar reprovador da menina, ele deu de ombros e abaixou as cabeças. Entretanto, sabia que Bianca raramente conseguia se enraivecer com ele, e por isso manteve os olhares travessos. — Você pode levá-lo, contanto que me dê notícias frequentes.
 
Antes que Hale pudesse falar qualquer coisa, Kai pulou em seus braços, a abraçando como se fosse a última coisa que quisesse fazer em toda a sua vida. Após alguns segundos, deu um beijo em seu rosto, mais feliz do que ela jamais o vira.

 
— Kai, eu senti tanto a sua falta… — A voz de Bianca era triste, nostálgica. Após conseguir sair de seu torpor, aproximava-se de Kai a passos lentos. Seu coração batia cada vez mais forte, mas a menina não conseguia sentir somente felicidade, e sim um misto de saudade e culpa pelo que havia feito. — Por favor, me perdoe pelo que fiz.
 
O irmão, até então imóvel, começou a andar lentamente na direção da semideusa, com expressões que variavam de raiva para incredulidade. ”Ele não parece o Kai, está tão frio”, pensava Bianca. Apesar disso, não tinha coragem para acreditar que não era o menino. Seu coração falava mais alto que a razão.
 
— Você é um monstro, Bianca — sua voz doce e inocente tinha um toque de crueldade, o que fez Somerhalder dar um passo em falso. As lágrimas começaram a se acumular em seus olhos, embora estivessem sendo seguradas ao máximo. O irmão, ao estar a apenas um passo da garota, sorriu. Um sorriso frio. — Você não merece estar viva. Deveria ter morrido no meu lugar.
 
Era verdade. Por mais que odiasse ouvir aquilo, Hale concordava plenamente. As lágrimas começaram a escorrer ao mesmo tempo em que suas pernas bambearam, fracas demais para aguentar o peso da menina. Seus joelhos bateram no chão com um baque surdo. Agora estavam cara a cara, na mesma altura. Esticando a mão, Bianca tentou alcançar o irmão.
 
— Por favor, Kai. Eu sei que sou um monstro, mas preciso de você — o menino, evitando o toque da outra, deu um passo para trás. O braço de Somerhalder caiu pesadamente, sem ter no que se escorar. Talvez por estar confusa e desequilibrada, sequer viu quando Kai pegou sua adaga. A mesma adaga que ela tinha; a adaga que ela tinha o ensinado a usar.
 
Com uma rapidez incrível, Welmed encostou sua arma na garganta de Bianca ameaçadoramente, sem aparentar um pingo de compaixão ou amor. Seus olhos estavam rasos e sem emoções, e sua mão direita, que agora recostava na pele de Hale, se encontrava fria, sem nenhum resquício de calor humano.
 
Provavelmente por causa disso, a menina encontrou coragem para reagir. Segurou seu pulso e o rodou, fazendo-o largar a adaga e gritar de dor. Ao largá-lo, viu seus olhos tristes e surpresos, cheio de dores; a culpa instantaneamente se abateu sobre ela.
 
— Você não mudou nada, continua a mesma coisa...
 
Los Angeles, nove meses atrás

 
Bianca Hale Somerhalder acordou confusa, levando a mão aos olhos para protegê-los do sol forte que acompanhava a chuva. Sua visão estava turva, e nada ali fazia sentido; a cabeça ardia incessantemente, e as dores em seu corpo pareciam insuportáveis . Resolvendo se levantar, a menina apoiou a mão ao lado de seu corpo para se sentar. O estranho foi que, quando o fez, sentiu algo macio e molhado. Olhou para o lado, e um arquejo desesperado escapou de sua garganta.
 
Ali no chão, coberto de sangue, estava Kai Welmed, o irmão de Bianca. Pelos primeiros trinta segundos, provavelmente, a menina jurara descobrir quem havia feito aquilo e, além de tudo, por qual motivo. Quem mataria alguém tão doce e inocente? Os pensamentos giravam rapidamente quando, de repente, avistou uma espada suja de sangue. Não era qualquer espada; sua espada estava a alguns metros de distância, coberta pelo líquido escarlate em toda a sua superfície. Pegou-a nas mãos com lágrimas nos olhos que ela teimava em deixar sair, mas infelizmente não conseguiu retê-las. Um misto de incredulidade e horror se apossou dela à medida em que foi percebendo o que acontera: ela havia matado o próprio irmão.
 
Debruçou-se sobre o menino de joelhos e, agora com as lágrimas rolando solto, abraçou-o num ato desesperado. Aquilo não podia ser real. Seu rosto, mãos e roupas tornavam-se rapidamente escarlate, todos sujos de sangue. Pela primeira vez, aquilo não era uma atividade deleitosa para a prole da lua. Sua cabeça girava e, junto com ela, seus pensamentos. Havia matado a única pessoa que amava incondicionalmente. E se considerava um monstro por isso.

 
— Você, ao contrário, mudou muito, Kai — as palavras finalmente saíram da boca de Bianca. Não sabia quanto tempo ao certo havia permanecido calada, apenas remoendo as palavras que o irmão a fizera engolir. Naquele momento, todas as lembranças do menino vinham à tona, lembrando-a de como ele realmente era. — Você era doce, alguém que me perdoaria por qualquer coisa. Até mesmo pela atrocidade que cometi.
 
O menino sorriu com ironia e, novamente, aproximou-se. Daquela vez sequer tentou atacar a menina, mas o toque carinhoso que a concedeu foi pior do que qualquer ferimento de adaga que pudesse ter feito. As lágrimas que rolavam eram não só de pesar, mas também de saudade. De culpa. De amor. De carinho. Ela amara Kai demais. Mas ele estava morto.
 
— Você está morto — disse com confiança. Não sentia toda essa confiança, contudo. Na verdade, sentia que podia desmaiar a qualquer hora; estava zonza e enjoada. Apertando os punhos, suspirou profundamente para clarear seus pensamentos. — Me sinto culpada porque te matei. E, se te matei mesmo, você não está vivo. Você não é o Kai, ele nunca seria como você.
 
E, pegando uma adaga idêntica à que tinha sido apertada contra seu pescoço, Bianca a enfiou no coração do menino. Uma última lágrima solitária desceu pelo seu rosto, parando exatamente em cima de onde estava o ferimento recente. Havia matado o irmão duas vezes, e se sentia péssima por isso.
 
X X X
 
Havia demorado cerca de dois minutos para ter coragem de abandonar o corpo do irmão, mas conseguira. Naquele momento, andava como um zumbi junto com os outros semideuses, sem nem saber o que se passava ao seu redor. Todas as suas ações eram automáticas, sem sentido. Não conseguia tirar a imagem de Kai na cabeça, a acusando de coisas que ela realmente fizera.
 
Nem ao menos se importava se estavam a vendo daquele estado; na verdade, não passava pela sua cabeça que alguém poderia estar interessado no que ela sentia, já que cada um tinha seu demônio próprio para combater. Do seu jeito especial (sem demonstrações), estava agradecida por ninguém se intrometer no momento pessoal de ninguém. Era como um acordo geral, embora ele não tivesse sido feito de fato.
 
Somerhalder dava passos atropelados, como se novamente estivesse aprendendo a andar. Porém, ao contrário da primeira vez, a dor estava acompanhando a caminhada árdua. Quando estava prestes a se sentar no local em que estava mesmo e morrer de desidratação, ouviu uma voz irritante falando coisas que deveriam ter sentido, mas para Bianca não tinham. Forçou seus sentidos ao máximo para conseguir focar a atenção no amontoado de cabelos ruivos que ela imaginava ser Rachel.
 
— … Diferente de qualquer outra coisa que já experimentamos. Nenhum lugar resistiu. Olimpo, Mundo Inferior, até mesmo Atlântida… — Sua expressão era muito triste, quase parecida com a de Quíron mais cedo, embora muito menos feia. Bianca imaginou uma mistura das duas pessoas, mas quase não achou graça. Era difícil esquecer Kai. — Por culpa dessa guerra, quase todos os semideuses estão mortos e é como se tudo já estivesse perdido.
 
A prole da lua estava realmente pensando em ignorar tudo aquilo e, quando Ayla perguntou sobre alguma guerra com a qual Bianca não se importava, a ideia de somente fingir que estava ouvindo foi fortemente cogitada. Suspirou profundamente, tentando não mandar Rachel ir à merda. Será que ela poderia só falar umas coisas que ajudassem, pra variar?
 
Entretanto, quando sua atenção já estava vagando para outra coisa, a frase “a responsável por isso ainda está aqui” penetrou em seus ouvidos, despertando-a. Toda sua preocupação anterior com Kai foi momentaneamente esquecida, de modo que, naquele momento, sua pretensão principal era achar a deusa e voltar pra casa. Viva. Aí sim poderia se lamentar o quanto quisesse.
 
E, aparentemente, teriam que rumar ao refeitório.
 
— Eu estive esperando, pessoal — disse Rachel, deixando a maioria ali confusa. Ninguém realmente sabia o que caralhos ela estava falando. — Estive esperando pelos Sete.
 
Bianca ainda estava processando a informação quando, de repente, uma voz estranha falou no lugar de Rachel. O Espírito de Delfos. Uma profecia. Uma profecia que citava o renascimento daqueles sete, que clamava suas ascensões. E, apesar de tudo que estavam enfrentando, ainda havia a esperança. Havia o sentimento de que podiam salvar todo o acampamento, juntamente com suas vidas.
 
Juntamente com a chama da mitologia grega, que tanto sustentava a vidas daqueles sete.
 
Tudo começou a girar na cabeça de Somerhalder, a deixando confusa. Primeiramente, ficou meio irritada porque, para salvar a sua vida, teria também de salvar o acampamento. Secundariamente, começou a se sentir curiosa. Estavam perto de descobrir quem era a deusa filha da puta? O brilho em seus olhos aumentou consideravelmente, implorando por descobertas.
 
Sem querer, começou a se lembrar daquilo que Simmon havia falado, ainda antes da maior parte daquilo. “Aqui tenho a oportunidade de conquistar fama e respeito”. Sim, eles de fato tinham. E Bianca esperava, do fundo do seu ser, que saísse dali com algo melhor do que entrara. Porque, sem dúvidas, já havia perdido coisa demais.
 
E não pretendia perder mais nada.
 
pormenores:
armas:
*As armas que se encontram em negrito são os presentes de reclamação ou objetos que podem ser camuflados no corpo de Bianca, e portanto estão com ela nesse turno:
 
{Falling Stars} / Shurikens [Conjunto com 10 shurikens de bronze sagrado, mas que se repõem sempre, funcionando quase como um "conjunto de shurikens infinitas". São guardadas em um estojo de couro e veludo. O alcance é limitado à força do semideus, mas não ultrapassa 25m. Podem ser atiradas até 2 por turno, e ambas seriam afetadas pelos poderes.] {Bronze sagrado} (Nível mínimo: 1) [Recebimento: Presente de Reclamação de Selene]
 
{Moonlight} / Adaga [Trata-se de uma adaga com a lâmina ligeiramente mais larga e curva. O seu formato é levemente arredondado – o que lembra uma lua na sua fase crescente. O cabo tem uma espécie de cobertura (como em sabres) feita de bronze sagrado, o que dá certa defesa as mãos daquele que a está empunhando. Tem uma coloração esbranquiçada e toma um tom azulado quando exposto à luz lunar. No nível 20, se torna um botton escrito "CLUBE DE ASTRONOMIA".] {Bronze Sagrado} (Nível Mínimo: 1) [Recebimento: Presente de Reclamação de Selene]
{Backstab} Adaga [Adaga de bronze sagrado. Diferente do comum, a daga possui uma empunhadura com meia guarda, que protege a mão do portador parcialmente, sem contudo interferir em seus movimentos.]
 
{Perfidious} Anel [Anel dourado em forma de garra, se encaixa no dedo indicador do arauto. É afiado, mas seu dano seria semelhante a de uma ponta de flecha se usado em ataque corporal, devido ao tamanho diminuto. Ainda assim, possui a capacidade de inocular veneno ao toque, seja diretamente, seja transmitindo o poder para a arma segurada. O veneno é debilitante, sendo considerado um veneno sobrenatural do nível do personagem, para fins de resistências - mas RM não se aplica - e causa a perda de 5% do HP do alvo por 3 turnos seguidos. 1 vez por missão. Adicionalmente, o anel detecta a presença de venenos em um raio de 5m do semideus, esquentando levemente como sinal, ainda que o semideus deve procurar para achar o local exato da presença da substância - a temperatura do anel indica a proximidade. Ambos os poderes só funcionam se o anel estiver sendo utilizado - apenas carregá-lo não permite nenhuma das duas coisas]
 
{Temptation} Colar [Colar com pingente de uma maçã com uma serpente enrodilhada. Emite um cheiro levemente adocicado. Portá-lo aumenta os poderes de charme, persuasão e lábia do Arauto em 10% sempre que em uso (efetividade e chance de acerto, mas não efeitos ou duração). Uma vez por missão pode ser ativado de forma a recuperar 20% de seu HP e MP]
 
— {Bravery} / Dog tag [Aparentemente uma placa normal de identificação do exército, com os dados básicos do semideus. Com uma bênção mágica contínua, abençoa seu utilizador com um bônus de 15% em sua força física e providencia uma resistência de igual nível a poderes e auras que envolvam os atributos medo e pânico.] {Prata} (Nível mínimo: 1.) [Recebimento: "Face Your Fears", treino trimestral para filhos de Selene e Hipnos. Avaliado por Ayla Lennox e atualizado por ~Lady Íris~.]
 
♦ {Luto} / Bandana Preta [Carregando a aura pesada do atentado terrorista ao Acampamento no réveillon, essa faixa preta do tamanho de 50cm de comprimento por 5cm de largura possui uma propriedade interessante: tais como em cerimônias lúgubres, onde se dedica um minuto de silêncio em respeito à fatalidade ocorrida, os movimentos do usuário ficam silenciados por um turno inteiro; tal "bênção", no entanto, não afeta fala ou poderes (não se poderia silenciar uma explosão, por exemplo), podendo ser utilizada unicamente em ações relacionadas à movimentação (um pulo, uma caminhada, uma corrida, o ruído de passos - desde que provindos do portador, seriam silenciados e não poderiam ser escutados, independente de poderes como "audição perfeita"). Pode ser utilizada duas vezes por ocasião (missão, evento, treino, dentre outros).] {Tecido preto} (Nível Mínimo: 1) [Recebimento: Evento de Encerramento, "Burn, Baby, Burn! - Postagem Aberta". Jan/2015.]
 
Colar de caranguejo gigante [Colar comum, feito de fibras de algas com uma pinça de carangueijo, avermelhada. Duas vezes por missão o portador pode soltar uma profusão de bolhas que ocupa uma área de 3m de raio ao seu redor e duram 3 turnos. As bolhas não provocam danos mas impedem a visibilidade, fazendo com que todos os ataques à distância tenham uma chance de falha de 50% por 3 turnos, não cumulativos. Adicionalmente, ao fim do poder, o solo da área fica encharcado, dificultando o equilíbrio e reduzindo a movimentação na área em 50% por 2 turnos. Para fins de resistência, os poderes do item equivalem ao nível 41. (Nível mínimo: 41) {Material: alga e pinça de carangueijo) [Ganho como recompensa pelo evento "O levante"]
 
Braçadeira quitinosa [Braçadeira lisa e cilíndrica, de tons avermelhados. Ao ser ativado, faz com que a pele do semideus tenha suas características alteradas, se enrijecendo, aumentando sua resistência a golpes físicos em 50% por 3 turnos. 1 vez por evento. (nível mínimo: 07) {Material: pele de carangueijo gigante} [Ganho como recompensa pelo evento "O levante"]
 
❃{Ilusion} / Anel [Enquanto saia do local em que tinha sido mantida prisioneira, a filha de Selene encontrou um anel no formato de uma caveira negra. Tal item exala uma constante fumaça negra que só poderá ser enxergada por aqueles que tiverem a permissão de seu portador sendo útil para a localização de se portador. De modo que as outras pessoas não enxergam a fumaça, assim a semideusa pode desejar que ninguém veja a fumaça, ou que ao menos uma pessoa a encontre. A desejo do portador e apenas uma vez por missão, a fumaça exalada aumenta deixando uma área de 3x3 completamente no escuro impossibilitando a visão de seu inimigo por três rodadas. Poderes que permitem visão no escuro são afetados em 40%, pois se trata de algo mágico não uma escuridão normal.] {Bronze} (Nível Mínimo: 30) {Nenhum Elemento} [Recebimento: Missão Save Yourserlves, avaliada por Athena e atualizada por Asclépio]
 
♦ {Leviathan} / Pulseira O devorador de homens.". Uma vez por missão ou evento, ao ser ativado, as letras emitem um brilho bem fraco e as semideusas são induzidas a um estado combativo acima do normal. Isso aumenta em 30% os efeitos e danos causados por ataques corpo-a-corpo. O efeito dura até duas rodadas, mas pode ser interrompido de acordo com o desejo do usuário.] {Ouro, magia} (Nível mínimo: 40) {Não controla nenhum elemento} [Recebimento: Missão - Leviathan. Avaliada por Éris e Atualizada por Asclépio]
 
Δ {Stetia} / Espada [Item ganho na entrada de Bianca ao grupo de semideuses, é feito de bronze sagrado e cabo do mesmo material, envolto com couro para melhor manuseio. Possui 110 cm de extensão da ponta da lâmina ao fim do cabo, sendo uma arma um tanto quanto pesada, mas podendo ser empunhada com uma única mão, ainda que requeira um pouco de força; seus atributos, porém, compensam sua dificuldade: a espada, uma vez por ocasião, pode ser envolta com uma energia de fonte desconhecida que dobra o dano causado no oponente, desde que com a lâmina da arma. A espada vem acompanhada de uma bainha de couro simples.] (Nível mínimo: 40) {Bronze sagrado e couro} [Recebimento: por Harmonia na missão "Attracting", atualizada por Asclépio.]
 
◆ {Luck} / Ficha de Cassino [É uma ficha de cassino comum, aparentemente. Tendo a cor vermelha e os números escritos em branco, só dá para se notar o brasão do cassino pelo toque. Sua habilidade especial é que, uma vez a cada missão e em somente uma rodada, quando ativa enquanto segura pela semideusa, ela permite que a portadora escape de somente um golpe vindo de um oponente ao teleportar-se o mínimo de distância possível para desviar-se do ataque. Caso venha mais de um golpe, o amuleto só pode ser usado em um deles, tendo que defender o outro normalmente, caso o teleporte ainda a deixe na linha de ataque - definido pelo narrador, a ficha só leva para o espaço livre próximo, mas a semideusa não define o local. Caso seja um golpe em área, aplica-se o máximo de cinco metros de raio para teleporte, se o ataque pegar mais do que a área de teleporte, os danos serão calculados normalmente. Para ativá-lo, a usuária precisa ficar rodando a ficha entre os dedos de sua mão.][Material: Plástico.][Nível mínimo: 65][Recebimento: Missão "Money Lies", avaliada por Poseidon e atualizada por ~Eos]
mascote:
*Não se encontra com Bianca nesse primeiro turno, mas talvez possa participar de turnos posteriores:
Águia [Bifrörsk possui penas totalmente brancas, e não obedece a mais ninguém além da própria dona, Bianca. Fora isso, possui as mesmas características descritas no bestiário.] [450 HP/ MP] [Adulto] [Recebimento: DIY "World, I hate you", avaliada por Tânatos e atualizada por Asclépio. Evolução: DIY "Freedom", avaliada e atualizada por Hécate.]
poderes:
Nível 1: Perícia com adagas e armas laminadas pequenas
O filho de Selene se habitua mais fácil a este tipo de arma, apresentando um aprendizado mais veloz e um manejo mais natural. Apenas para adagas, facas e punhais, armas com estruturas e alcance semelhantes, exigindo técnicas parecidas. Note que a perícia apenas implica uma dificuldade menor no manejo e aprendizado, bem como certa facilidade em utilizar as técnicas conhecidas, mas não implica em conhecimento instantâneo ou precisão absoluta. [Modificado] [passivo]
 
Nível 4
Gosto pelo perigo - Arautos são rodeados por uma aura que instiga seus alvos. Isso faz com que eles próprios possam se tornar uma tentação em si, como se rodeados por uma aura sobrenatural - não mudará a aparência, mas mesmo que seja feio, o arauto ainda será considerado "instigante", "carismático", "exótico" ou similar - o famoso "ele não é bonito, mas tem um certo "que" que não dá pra explicar". Seus poderes de charme são ampliados em 5% a partir deste nível, aumentando para 10% no nível 14, e mais 5% a cada 10 níveis subsequentes, chegando ao máximo de 25% no nível 44. [passivo]
 
Nível 14
Controle dos males IV: Hisminas - Filha que rege as discussões e disputas, situações que exigem um pensamento claro e raciocínio veloz. Por isso, seguidores da deusa da Discórdia desenvolvem uma capacidade de raciocínio acima do comum. Isso tanto faz com que consigam reagir e bolar estratégias rapidamente, quanto faz com que se recuperem mais rapidamente de ataques de confusão - habilidades e efeitos do tipo ou que visem tirar seu foco e concentração são reduzidos em 25% para oponentes de nível menor, ou 10% para oponentes de nível igual ou maior. [passivo]
 
Nível 17
Controle de Males V: Disnomia - Às vezes traduzida como desrespeito, outras como desordem - aspecto adotado com certa frequência e aqui representada. A partir desse nível Arautos detectam a concentração de emoções hostis e caos - seja um palanque político de debates, um ringue de luta livre ou uma guerra. O raio de sentido abrange 100m, aumentando mais 100m a cada 15 níveis após adquirir o poder. [passivo]
 
Nível 18
Agilidade corporal - Éris é veloz, e seus seguidores também precisam ser. Sua velocidade e capacidade de movimentação tende a ser um pouco maior do que a de pessoas comuns - cerca de 10%. Não permite que faça mais de um ataque por turno, mas aumenta suas chances de acerto em caso de ataque corporal, e suas reações de reflexo/ defesa no caso de ataques físicos. [passivo]
 
Nível 20
Andar silencioso - Os arautos desenvolvem uma propensão para a furtividade, e isso se reflete em sua postura e movimentação. Não quer dizer que não produzam ruído algum, mas que seus passos são mais leves e silenciosos - e, consequentemente, mais difíceis de detectar - do que o de semideuses comuns. [passivo]
 
Nível 21
Controle dos Males VI: Ponos - Éris é mãe de Ponos, a fadiga. Seus seguidores, por sua vez, mantém uma relação distinta com esse fator - eles não são tão afetados pela fadiga natural, conseguindo suportar esforços físicos maiores. Seu gasto de Mp para atividades naturais será sempre de 50% comparado a semideuses comuns. Isso não afeta o uso de poderes, seja da parte deles, sejam efeitos de poderes nocivos - nesse ponto, o gasto é normal. [passivo]
 
Nível 25
Ambidestria - Seguidores de Éris, com o tempo e o treino conseguem desenvolver o uso de ambas as mãos. A ambidestria não aumenta sua força, contudo - então, apenas armas leves ou de uma mão só conseguem ser portadas em cada mão. [passivo]
 
Nível 27
Controle dos Males VII: Ate - A ruína e insensatez. Arautos, apesar disso, desenvolvem uma espécie de bom senso - justamente pela proximidade desse daemon, eles sabem melhor como evitá-la. Quando em uma situação que envolve uma escolha explícita de um curso de ação, eles intuirão o caminho com menos chances de falhas. Não implica agir sobre qualquer golpe - por exemplo se deve acertar o oponente pela esquerda ou direita -  mas apenas quando a escolha é imposta a eles de forma direta a modificar os resultados de algo - tentar acertar o oponente que mantém um refém ou baixar as armas? Para ser interpretado corretamente deve-se conversar com o narrador/ avaliador. Note que apesar de indicar a chance com menos falhas, não anula a possibilidade de erro. [passivo]
 
Nível 45: Encontrar água
A lua interfere no movimento das águas. A partir desse nível, o filho de Selene consegue sentir fontes de água próximas, em um raio de 100m. [Novo] [passivo]
 
Nível 45
Controle dos Males X: Algea - Também chamada Algoz, representa as tristezas e também as dores. Neste ponto, Arautos adquirem uma resistência maior contra a dor. Apesar de ainda perderem HP normalmente por ataques, golpes que visem debilitá-los pela dor não surtirão efeitos tão drásticos - eles podem ter dificuldade em manusear uma espada com o braço quebrado, mas não pela dor, e sim pela incapacitação do membro, por exemplo. Por isso penalidades relativas à dor provocadas por oponentes até 10 níveis mais fracos deixam de ser aplicadas. [passivo]
 
Nível 53
Controle dos Males XI: Macas - Representante das batalhas, também acompanhava Ares com frequência. Neste nível, o Arauto ganha um aumento em sua força física (e consequentemente em ataques corporais que dependam dessa característica) de 10%, comparado a semideuses comuns. [passivo]
 
Nível 60
Controle dos Males XII: Neikea - O ódio. Neikea representa a sede de sangue e, apesar de não influir na personalidade do semideus, acaba influindo nas suas batalhas. Seus golpes tornam-se mais potentes, provocando um dano adicional de 5%, desde que sejam golpes físicos diretos (magias, armas a distância e poderes que não dependam de um ataque corporal não são afetados, nem o dano adicional de uma arma encantada - a porcentagem aplica-se apenas ao dano comum). [passivo]
 
Nível 70
Controle dos Males XIII: Fonos - A matança. Neste nível o Arauto se envolve mais em combates, resistinto às batalhas e tirando energia delas. Cada inimigo morto pelo Arauto permite que recupere 5% do seu total de HP e MP, desde que ele tenha sido responsável pela morte. [passivo]
 
Nível 80
Pele demoníaca - A essência do Arauto foi alterada de tal forma que agora sua pele, apesar de não apresentar alterações vísiveis, torna-se mais resistente a impactos e golpes comuns, aumentando suas defesas em 10%. [passivo]
Bianca H. Somerhalder
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Re: — {Chaos and ruin}: MOPCED para Ayla, Alaric, Bianca, Drillbit, Jhonn, Peter e Simmon

Mensagem por Peter Lost em Qui 15 Jun 2017, 00:32

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Chaos and Ruin
O caos e a ruína são apenas pontos de vista
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Missão Fuderosa PJBR
A missão mais épica que você respeita
Ao meu ver, nem todos pareciam estar abalados pela situação do acampamento, meu irmão Simmon parecia oferecer algum tipo de bebida para os demais campistas e o garoto desconhecido parecia estar louco atrás de cigarros. O cenário era uma mistura de caos e ruína, onde podia-se ver corpos sem vida e edificações tão familiares reduzidas a destroços. Eu achava extremamente difícil encarar o local, não conseguia aceitar o que estava acontecendo.

Olhei atentamente para o que sobrara do acampamento, procurando as ruínas que poderiam ser o que um dia fora o chalé um, mas não consegui distinguir com exatidão o local dentre os escombros. Aquilo fez com que um sentimento de solidão e tristeza dominasse meu corpo, eu já não queria mais continuar lutando. Sentia como se tudo aquilo fosse inútil, afinal, eu não tinha mais nada para proteger.

Como Zeus poderia ter deixado aquilo acontecer? Como qualquer um dos deuses pudera permitir aquela destruição? Mantive-me cabisbaixo, tentando não demonstrar a raiva e a frustração que eu sentia.

"Pai..." pensei, enquanto fechava os olhos e cruzava as mãos a frente do peito "Se estiver me ouvindo, por favor nos ajude. Por favor, me diga que isso é só um sonho!"

Nada. O céu manteve-se estático da mesma forma que estivera desde que eu acordara. Suspirei uma última vez e caminhei entre todos os conhecidos, tentando puxar conversa com alguns. Apesar de todas as minhas incertezas, me acalmava muito saber que não estava sozinho.

- Filho da puta! - Consegui escutar a voz do único garoto que não conhecia no nosso grupo, o tal de Drillbit. - Olha quem veio nos receber.

Meu coração acelerou-se rapidamente ao ver a quem o garoto se referia. Era Quíron! Fiquei ali olhando o ser magnífico se aproximando, sua expressão parecia uma mescla de surpresa e esperança. Mas ele rapidamente fez menção para que o seguíssemos.

Não há tempo para papear, mas… — Foquei o centauro enquanto ele começava sua pequena explicação. Eu nunca ficara tão feliz em vê-lo como naquele momento e, apesar dele se mostrar um tanto confuso e sem jeito, foi impossível segurar o grande sorriso que se formava em meus lábios. — Estava contando com vocês para segurarem as pontas por enquanto, e então… tudo acabou de um segundo para o outro. Mas agora vocês estão aqui de novo. Eu... Eu não sei se consigo explicar o que aconteceu. E não sei se há tempo para isso.

Por um breve momento, todos se mantiveram calados. Eu não entendia como não poderiam estar contentes ao ver Quíron, afinal, eu o via como uma espécie de pai e guardião. Ayla, em especial, cruzou os braços de forma a brusca e sua expressão era - ao meu ver - de total desprezo para com o recém chegado.

Precisei segurar o implacável sentimento de correr e abraçar o homem-cavalo, mas por fim ele tornou à sua fala, dizendo que precisava que nosso grupo se dirigisse até a Casa Grande. Rachel – o Oráculo – deveria estar lá e provavelmente corria grande perigo.

Não precisei de muito tempo para responder. Um pedido de Quíron para salvar uma amiga? Não havia como negar, antes que eu pudesse perceber, as palavras já pulavam para fora de minha boca com um entusiasmo que eu mesmo não imaginara ter.

- Pode deixar com a gente, Quíron! Nós não vamos decepcioná-lo!

Não cheguei a pensar muito no que os meus companheiros pensariam daquela proposta, mas estava certo de que eles iriam me acompanhar, afinal, eles não recusariam um pedido do centauro… Recusariam? Antes que eu pudesse refletir mais sobre o assunto, Ayla também assentiu à proposta, o que me deixou extremamente animado.

Subitamente, antes que minha mente pudesse pensar num plano estratégico, a voz fria e dura da divindade voltou a ecoar em minha cabeça, fazendo um calafrio passar pela minha espinha. "O primeiro teste já foi, crianças. Agora preparem-se para o segundo. Seu retorno para casa está sob a Casa Grande. Falhem na busca e morrerão. E desta vez será permanente."

Aquele conjunto de palavras não poderia ter sido escolhido de forma mais cruel. Mantive o olhar em meus pés, pensativo. A cada segundo que se passava eu me sentia mais nervoso, tenso e até mesmo amedrontado.

Começamos nossa caminhada, guiados por Jhonn Stark. O garoto havia se colocado à frente de nossa expedição, dizendo-nos que conhecia um caminho que evitaria possíveis conflitos com monstros e como ninguém havia contrariado o curandeiro eu também resolvi aceitar sua decisão.

Sabia o quão poderoso era o filho de Héstia, assim como a maioria dos meus companheiros. Para dizer a verdade, eu me sentia extremamente deslocado por ali. Tantos herois formidáveis em um só local e eu, o garoto que caminhava vestindo um pijama de raios e pantufas. O sentimento de desconforto e medo foi piorando à medida que afastávamos de Quíron.

Não demorou muito para que eu me aproximasse da filha de Selene, Ayla. Eu já a encontrara em missões no passado, ela havia se tornado uma grande amiga e alguém em quem eu confiava imensamente. Estiquei meus bracinhos e agarrei sua blusa, dando dois leves puxões para chamar a atenção da menina.

- Eu… Ahn… Posso segurar sua mão? - A minha voz era trêmula, mas fitei a menina de forma determinada.

- Está com medo, garoto perdido? - A menina retrucou, erguendo uma de suas sobrancelhas.

- Eu não tenho medo de nada, ok? - Retruquei a primeira coisa que me veio a mente. Evidentemente era mentira, eu estava aterrorizado, mas não queria demonstrar… Não para Ayla.

Não esperei pela sua resposta, agarrando a mão da menina. Imediatamente senti-me mais tranquilo, como se aquele aperto de mãos fosse algum tipo de poder mágico que me protegeria de qualquer mal.

- Vamos lá, estamos quase ficando para trás. - Ela falou por fim, o que fez com que a gente acelerasse o passo para acompanhar os demais campistas.

Ω

Margeamos a floresta por um longo tempo, todos pareciam um pouco mais a vontade do que no início de nossa jornada. Talvez estivessem se acostumando com a situação ou simplesmente já tivessem aceitado o nosso destino, porém eu ainda me sentia muito inquieto, tentando puxar conversa com minha companheira de viagem.

Eu a contei tudo o que havia acontecido desde que acordara naquele inferno, até os feitos heroicos que realizara ao lado de Jhonn Stark. Sempre achei engraçado como as coisas parecem muito mais simples quando contadas do que quando são vividas. De qualquer forma, mesmo aquilo não parecia me deixar completamente tranquilo, afinal, de um dos lados o cenário permanecia o mesmo cheio de árvores e toda aquela aura de morte esperando no fim da floresta, do outro a versão acinzentada e destruída do acampamento, com focos de combate em diversos lugares, causando-me um sentimento maior de impotência a cada olhada.

Tentei manter a cabeça no lugar, imaginando que logo estaria tudo bem, meu pai não me deixaria ali sozinho, deixaria? Balancei a cabeça, tentando afastar qualquer tipo de pensamento inoportuno e, quando dei por mim, estávamos próximos a uma espécie de córrego.

Neste momento, Ayla soltou minha mão e disse para que eu esperasse com os outros campistas, aparentemente ela iria até o riacho para se limpar – ou algo assim. Não hesitei, apenas acenei com a cabeça e corri até meus outros companheiros, todos pareciam mais tranquilos e relaxados, fazendo com que eu também me sentisse melhor.

Mesmo em meio a uma missão extremamente perigosa, eu me via distraído e perdido em pensamentos, de forma que levei um grande susto ao sentir um toque suave sobre meu ombro direito. Virei-me com o olhar ligeiramente assustado e, para minha surpresa, ali estava Simmon, meu meio-irmão.

- Ei Peter, pronto para salvar o mundo? - Sua voz era estranhamente acolhedora e reconfortante, fitei sua silhueta enquanto o garoto se agachava até que estivéssemos praticamente com a mesma altura.

- Mas é claro! - Exclamei de súbito, como se esperasse aquela pergunta há muito tempo. - Eu sou um grande herói, quase tão grande como você!

Soltei um sorriso com aquela frase. A simples ideia de ser como qualquer um daqueles semideuses já me fazia ficar animado e, mesmo não tendo muito contato com o meio-irmão, era inevitável vê-lo como uma espécie de modelo a ser seguido.

Franzi o cenho pensativo e voltei-me para o garoto.

- Você acha que o papai nos abandonou aqui?

Como de costume, um breve silêncio pareceu dominar aquela conversa após a pergunta. Eu já me acostumara a ter minhas perguntas desviadas quando eram relacionadas ao deus do trovão, mas daquela vez foi diferente.

- Ah, não. Tenho certeza que ele tem um plano pra resolver tudo isso. Não é a toa que ele é o mais poderoso de todos, né? - Aquela frase me fez ver um raio de esperança em meio a toda aquela situação sombria. Mas meu irmão deveria ter razão, eu não tinha com o que me preocupar, meu pai realmente era o mais poderoso de todos. - Enfim… Jhonn me contou como você derrotou aqueles bichos. Disse que você foi muito corajoso. Se continuar assim, será maior que todos nós. E muito mais descolado, é claro. Eu mesmo queria ter um pijama assim.

Não pude deixar de esconder a felicidade, enquanto o sorriso brotava em meus lábios e minhas bochechas se tornavam cada vez mais rosadas. Simmon realmente estava dando um apoio emocional que eu não esperava ter naquele momento.

- Tem razão. Papai nunca nos deixaria aqui se tivesse outra opção. - Disse de forma tranquila e pensativa. - Um dia vou derrotar todos os monstros e ajudarei o papai a manter o mundo a salvo!

A empolgação era crescente, eu me sentia mais vivo do que nunca desde que chegara naquele lugar infernal. Voltei os olhos curiosos para meu meio-irmão, analisando-o de cima a baixo. Ele realmente parecia um heroi poderoso, cheio de poderes e responsabilidades. É… Seria ótimo ser como ele algum dia.

Foquei o olhar em sua capa, ela não parecia muito especial e, ao meu ver, um tanto desconfortável. Estendi o braço e a segurei com uma das mãos, tentando sentir o tipo do material com a qual ela havia sido feita.

- Você consegue lutar usando isso? - As palavras pularam de minha boca antes que eu pudesse pensar.

- Sim, consigo lutar com ela. Na verdade, até ajuda com alguns movimentos mais acrobáticos. É mais fácil desarmar alguém com ela, além da proteção que me oferece. Digamos que é quase… um indivíduo. Quase viva. - Eu estava um pouco cético em relação à fala de meu irmão, mas por via das dúvidas, dei um pequeno passo para trás um pouco amedrontado pela possibilidade de uma cama ser quase viva. - Além disso, quando preciso, ela me ajuda a esconder-me. Mas o mais legal é que possui muitos bolsinhos na parte interna, deixando-me guardar diversos objetos. Inclusive, tenho um presente aqui pra ti. Quer?

Assim que ouvi o som da palavra presente prendi a respiração e minhas bochechas ficaram ainda mais rosadas, logo eu estaria parecendo um pimentão. Simmon teria algo para mim? Soltei um leve sorriso de felicidade e acenei positivamente com a cabeça de maneira quase frenética.

- Quero sim! Quero sim! - Minha voz animada saía mais fina, de forma que eu mal conseguia me controlar. - O que é? Uma arma? Uma magia poderosa? Ou melhor - Silenciei-me por um breve momento, deixando minha mente vagar nas inúmeras possibilidades. - ...Talvez uma sobremesa?

Fiquei encarando-o com olhos vidrados em seus movimentos enquanto ele colocava uma das mãos dentro da própria capa e fuçava em seus bolsinhos. Por fim, aconteceu a melhor situação possível, meu meio-irmão sacou um pedaço de chocolate.

- Exato. Um pedacinho de chocolate pra ti. - Disse-me estendendo o braço para entregar-me o doce.

Eu mal pude conter toda minha animação, agarrando o chocolate com as duas mãos. Naquele momento eu não me via em uma missão aterrorizante e letal, mas me concentrava quase que exclusivamente em meu doce, o mundo não parecia tão complicado aos olhos de um garoto de 11 anos.

Enquanto me deliciava naquele pequeno pedacinho de esperança Simmon pareceu avistar algo, então ele aproximou-se de mim e envolveu-me em um abraço amigável e reconfortante.

- Se cuida, Peter. - Ele disse. - Caso precise de alguma coisa, pode contar comigo. Mas por agora vou até o riacho dar uma lavada nos meus pertences.

- Obrigado, irmãozão. - Disse com a boca melada de chocolate. - Quando crescer quero ser igual a você!

O garoto pareceu contente com aquele comentário, exibindo um leve sorriso no rosto cansado ele passou a mão em meus cabelos, bagunçando-os. Por fim, se afastou deixando-me sozinho por alguns instantes. Esfreguei o rosto com o intuito de tirar o chocolate, limpando-as na calça que usava.

Bati as mãos em minhas vestes, tentando tirar a sujeira do pijama. Era inútil, eu precisaria de uma espécie de lavadora de roupas mágica para poder usar aquela roupa de novo. Soltei um leve sorriso com aquele pensamento, era a primeira vez que pensaram no que faria se sobrevivesse àquela tarefa.

Levei os olhos mais uma vez para as ruínas do acampamento quando percebi algo peculiar: alguns corpos pareciam estar se levantando por todos os lados. Um sorriso ainda maior se formou em meu rosto, minha primeira reação foi virar-me para meus companheiros com a intenção de chamá-los para ver aquilo, mas pelo que parecia, todos já haviam notado o mesmo que eu.

Alguns olhavam a cena de forma surpresa e ouso dizer que alguns pareciam até com medo. Não entendi, de forma que precisei retomar o olhar para as criaturas. Inicialmente, não reconheci nenhum deles, contudo uma delas olhava para mim, os seus olhos castanhos, os cabelos escuros e aquele sorriso meigo. Foquei nesta imagem por alguns instantes, era impossível não reconhecer aquela pessoa, era minha mãe.

Fiquei ali plantado no chão, eu queria correr e abraçá-la, mas como aquilo era possível? Nesta mesma semana eu havia visitado seu túmulo, deixara flores juntamente com meus sentimentos. Ela não poderia estar ali!

Lembranças de dias mais felizes pareciam inundar minha mente, e então a imagem em meus pensamentos me levou para longe daquele lugar, em uma das minhas mais antigas memórias:

Meu aniversário de quatro anos, um pequeno bolo de chocolate sobre a mesa de madeira. O quarto era iluminado unicamente pela luz bruxuleante da vela. Estávamos apenas eu e minha mãe, o silêncio era quase que total, a não ser pela tempestade ao lado de fora da casa que tinha tudo para deixar qualquer criança de quatro anos amedrontada, mas não a mim. Eu adorava aqueles raios e toda aquela tormenta.

- Você é tão corajoso quanto seu pai, Peteco. - Disse-me ela enquanto eu puxava sua manga e apontava para o lado de fora da janela. O tom doce e reconfortante de sua voz fez com eu abrisse um grande sorriso. Era a primeira vez que ela falara de meu pai. - Por que não come seu bolo, querido? Um dia você será meu herói grande e forte!


Uma pequena lágrima surgiu em meus olhos, escorrendo pela minha bochecha de forma silenciosa e, até certo ponto, dramática. Inconscientemente dei um pequeno passo em sua direção, já ignorava todos os outros e tudo o que acontecia à minha volta, tinha medo de falar alguma coisa e ela sumir bem diante dos meus olhos. "Talvez… Talvez ela tenha voltado a vida, assim como nós..." pensei. Meu coração batia acelerado, minhas mãos tremiam, eu precisava chegar até ela!

- M-Mamãe? - As palavras pularam de minha boca mais parecendo um sussurro do que qualquer outra coisa.

Estiquei o braço para ela, como se estivesse tentando alcançá-la. Um gesto extremamente impensado e infantil, mas se eu pudesse apenas tocá-la para me certificar de que a mulher realmente estava ali... Outra memória veio me veio à mente.

Primeiro dia de aula, minha mãe me acompanhara até a esquina da rua de casa. Ambos esperávamos ansiosos o ônibus escolar, o dia estava extremamente ensolarado e eu não conseguia manter-me calmo.

- Mamãe, por que não pode ir comigo? - Minha voz tímida e a dúvida real em minhas palavras fez com que minha mãe soltasse uma leve risada.

- Porque não, Peteco! - Ela passou as mãos em meus cabelos, puxando-me para perto de si. - Você é um menino muito especial, e quando as pessoas perceberem isso, elas irão querer estar com você, não precisa ter medo de ir sozinho!

- Você é minha mãe, é obrigada a me achar especial! - Exclamei incrédulo. - E se eles só me acharem estranho?

Antes que ela pudesse responder qualquer coisa, o ônibus amarelo com a palavra
Escolar nas laterais cruzou a esquina, de forma que ela se apressou a me dizer todos os cuidados que um garoto de seis anos deveria ter durante essa nova etapa.

Por fim, subi no veículo, o qual estava cheio de crianças me encarando. Tentei ignorar os olhares enquanto minhas bochechas assumiam um tom rosado, denunciando minha vergonha. Olhei uma última vez de relance para a minha mãe e, apesar de seu grande sorriso, seus olhos deixavam escapar diversas lágrimas, de forma que não consegui deixar de pensar: "
Por que está chorando, mamãe?"

Eu já estava há poucos metros dela, meu braço ainda esticado se aproximava de seu rosto. Meu coração se acelerava, enquanto todas as células do meu corpo pareciam me dizer que aquilo era uma má ideia. Ignorei todos os meus sentidos e, por fim, meus dedos se encontraram com sua bochecha fria. Neste instante, o sorriso meigo em seu rosto se retorceu em uma expressão sádica e seus olhos se arregalaram, fitando-me.

Ela avançou contra mim, mas por reflexo soltei um grito e pulei para trás, desviando de sua investida. Eu não queria lutar contra minha mãe, estava evidente que ela estava sendo controlada por algum tipo de magia obscura ou coisa do gênero. As lágrimas escorriam de meus olhos, a adrenalina corria pelo meu corpo, e minha mente me forçava a não atacar aquela pessoa.

- Mamãe, para com isso! - Gritei com a voz alta e clara, acusando o desespero em minha mente, mas a figura não parou seus ataques incessantes.

Eu não tinha como lutar. Joguei o corpo para o lado, mas não consegui ser rápido o suficiente para desviar, de forma que ela agarrou minhas pernas, derrubando-me no chão. Eu não sabia o que fazer, mas gritava desesperadamente para que ela parasse com aquela loucura, se não fosse pelo barulho de todas as outras batalhas sendo travadas naquele lugar, minha voz ecoaria por toda a floresta.

Com uma das mãos segurei a cabeça dela, usando toda minha força para empurrá-la para longe e com a outra eu tentava tirar seu corpo de cima de mim. A diferença em nossos pesos tornava a tarefa de me desvincilhar da mulher extremamente difícil, para piorar, eu não conseguiria atacá-la, não enquanto ela ainda fosse minha mãe.

- Por favor! – Exclamei, com o pouco de esperança que me restava em meio às lágrimas e aos soluços. – Mamãe, sou eu! Sou seu filho, o Peteco!

Ela nem sequer pareceu ouvir meu apelo, arranhando-me nos braços e no abdômen com suas unhas compridas. Debati o corpo com força, usando as pernas como uma espécie de alavanca até que, finalmente, eu consegui fazê-la rolar para o lado. Sabia que não teria muito tempo, então levantei-me e corri.

Eu não sabia para onde ir, mas não poderia continuar ali. As lágrimas e o suor em meu rosto se uniam. Eu sabia que aquela não poderia ser minha mãe, mas por algum motivo, eu sentia como se fosse. E convenhamos, eu não conseguiria derrotar minha mãe, era impossível até mesmo tentar!

- Mas mamãe, a culpa não é minha! - Eu repetia aquela frase diversas vezes. - Eu tento ler as coisas que a tia coloca na lousa, mas as palavras parecem estar embaralhadas.

- Peter Lost, acha que é bonito um garoto de oito anos ficar inventando desculpas para não copiar a matéria? - Sua voz era severa e eu me sentia mal por estar sendo repreendido, afinal, eu não estava contando mentira nenhuma.

- Mamãaae!! A culpa não é minha! - Exclamei, jogando a cabeça para trás irritado com aquela discussão.

- Peter, já chega! Você é tão teimoso quanto seu pai! - Ela então se calou, como se estivesse arrependida pelo que acabara de falar.

O silêncio se manteve por alguns instantes.

- Onde o papai está? - Indaguei, franzindo o cenho.

Ela se esquivara daquela pergunta diversas vezes durante minha vida, entretanto eu não conseguia manter minha curiosidade. As lágrimas começaram a escorrer de seus olhos em um choro silencioso. Por que eu sempre a fazia chorar?

- O papai tem um trabalho muito importante, Peteco. - Ela respirou fundo, olhou-me nos olhos com aparência visivelmente abaldada. - Quando for mais velho você vai entender.

Eu não sabia o que fazer, na verdade eu nem mesmo entendia o que estava acontecendo. Apenas aproximei-me timidamente dela e a abracei. Ela retribuiu o gesto, sorrindo em meio as lágrimas.

- Quem diria que você seria meu heroizinho, meu amor?


Corri o mais rápido que minhas pantufas me permitiram, mas a criatura pareceu se sentir mais contente com aquela fuga, como se estivesse jogando um jogo onde eu era a caça e ela a caçadora. Não demorou muito até que eu tropeçasse. Era o meu fim, eu não conseguiria.

- Para! Para! Para! Para!... - As palavras eram cuspidas tão rápido que eu nem conseguiam pensar em mais nada, eu apenas repetia aquilo como um CD riscado.

Ainda deitado, eu me encolhi em posição fetal em meio permitindo que as lágrimas, os soluços e o desespero tomassem conta do meu ser. Abracei meus joelhos e a única coisa que conseguia pensar era "Minha própria mãe estava tentando me matar!".

Logo, ela já estava em pé ao meu lado. Sua expressão de completo prazer ao me ver jogado em posição fetal foi uma das coisas mais traumáticas que eu presenciei em toda minha vida tanto antes quanto depois daquilo. As lágrimas e o suor pingavam na grama próxima ao meu rosto, continuar lutando era impossível.

Minha mãe era uma mulher ocupada, seus dois empregos e seu trabalho cuidando da casa e de mim eram sempre exaustivos, mas não importava a ocasião, ela sempre tinha tempo para estar comigo. Naquela manhã, em especial, a mulher se mostrava extremamente ansiosa.

- Mamãe, o que está acontecendo? - Indaguei.

- Não é nada, Peteco. Eu estou atrasada para o trabalho! - Disse-me ela, apesar da correria seu sorriso estava impecável, como sempre. - Mas agora que você já tem dez aninhos, acho que posso te contar alguns segredos.

- Segredos?

- Algumas coisinhas sobre seu pai e… - Ela me olhou pensativa. - … E sobre você.

- Sério? O que é?

- Vamos fazer o seguinte, hoje vou te buscar na escola, passamos naquela sorveteria que você adora e eu te conto tudo o que quiser saber!

- Promete? - Perguntei um tanto cético

- Claro que prometo, Peteco!

- Promete de dedinho? - Perguntei novamente levantando o dedinho para ela.

- Não seja bobo! - Ela soltou uma risada enquanto abraçava meu dedinho com seu próprio – Depois da escola, tudo o que quiser saber, meu heroizinho!

Mas aquela foi a última vez que eu a vi com vida.


- Já chega! Me desculpe, mamãe. Eu te amo! - Foi a única coisa que consegui falar, a voz trêmula em meio aos soluços fazia com que a agonia fosse evidente. - Não pude ser o seu herói, me desculpe!

Levei a mão ao rosto e fechei os olhos o mais forte que pude, mas o ataque não veio. Mantive-me em posição fetal por tempo o bastante antes de tomar coragem para olhar o cenário novamente. No local onde minha mãe se estivera em pé a poucos segundos estava a filha de Selene, Ayla Lenox.

Minha primeira reação foi tentar gritar em desespero, afinal, a garota havia matado minha mãe, mas assim que abri a boca, meu estômago se revirou, fazendo-me vomitar. Já estava farto daquela situação, eu só tinha vontade de desistir de tudo e aceitar nossa derrota.

Por mais que tentasse, não conseguia parar de chorar, minhas mãos tremiam e o mundo todo parecia rodar. Eu mantive-me imóvel naquela ridícula posição, perdendo aos poucos a vontade de continuar vivo.

A garota ajoelhou-se ao meu lado, me envolvendo em seus braços. De início eu senti uma vontade quase incontrolável de empurrá-la, voar para longe daquilo tudo e nunca mais volar. Como ela poderia querer me consolar logo após ter feito aquilo? Eu sabia que era a única opção, mas não como conseguiria aceitar?

- Me perdoe… - Aquelas duas palavras eram repetidas constantemente, de forma que eu não tive outra opção senão abraçá-la de volta.

Entrelaçados em um abraço, choramos nossas mágoas. Na época, eu fui um tolo em pensar que era o único que havia passado por um momento difícil e traumático, mal sabia quais as dificuldades que Ayla passara há poucos instantes e ainda sim tivera forças para me ajudar.

Eu não me sentia mais tão sozinho.

Ω

Aparentemente, todos haviam travado batalhas extremas, as quais exigiram muito mais do que apenas esforço físico. Todos exibiam expressões cansadas e desanimadas, aquele havia sido um golpe baixo para a moral de todos nós. Eu mesmo evitava ficar perto de Ayla, a garota me salvara, mas o preço havia sido muito caro.

Há poucas horas eu acreditava que poderia fazer o impossível, agora eu me sentia apenas um garoto inútil. As cenas da última batalha se mesclavam com minhas memórias e eu sabia que aquele se tornaria um trauma que me acompanharia por um longo tempo.

Conforme íamos nos aproximando da Casa Grande, mais ansioso eu ficava. Queria terminar tudo aquilo para poder voar para longe, talvez fugir para algum lugar escondido onde semideuses, monstros e nem mesmo os deuses, me achariam.

Meu pensamento foi cortado assim que vi um vulto correndo em nossa direção. Em um primeiro momento, assumi o pior e já me preparava – mesmo que sem vontade alguma – para mais uma batalha. Porém, para minha surpresa, o vulto era uma garota de cabelos ruivos e sardas nas bochechas. Era Rachel, o Oráculo.

Ela se aproximou de nós como se nossa presença já fosse esperada. Suas roupas pareciam tão ruins – ou até mesmo piores – do que as minhas, contudo a garota parecia estar bem. Por um breve momento eu tive a impressão de que tudo já estava terminando, que logo estaríamos de volta à normalidade. Infelizmente, era apenas uma ilusão.

Então… vocês…— A garota ofegava, parecendo um tanto cética e surpresa ao mesmo tempo. — Realmente voltaram à vida.

Todos ficamos calados, eu não sabia exatamente o que estava acontecendo, na verdade, ninguém parecia saber.

Era difícil acreditar que fosse mesmo acontecer, especialmente considerando que o Acampamento perdeu o contato com todos os deuses. — Prosseguiu, tentando colocar os próprios pensamentos em palavras que fizessem sentido.. — Isso é diferente de qualquer outra coisa que já experimentamos. Nenhum lugar resistiu. Olimpo, Mundo Inferior, até mesmo Atlântida… Por culpa dessa guerra, quase todos os semideuses estão mortos e é como se tudo já estivesse perdido.

As vozes de meus companheiros pareceram emergir em meio à conversa. Eu não tinha ideia do que dizer, então mantive-me calado enquanto todos diziam o que achavam. Entretanto, uma fala de Rachel me prendeu a atenção.

A responsável por isso ainda está aqui. As tropas estão se recolhendo para o pavilhão do refeitório às ordens dela. As arai deveriam apenas eliminar os mais fracos que, por sorte, resistiram.

Aparentemente eu não fora o único a me interessar por aquilo, todos pareciam reagir de uma forma ou de outra, era evidente que tínhamos a mesma ideia em mente. Me perdi em meus pensamentos, tentando botar sentido naquela informação. Se a responsável por isso estava no pavilhão do refeitório, eu iria derrotá-la com certeza. Meu pai ficaria orgulhoso, eu sabia que ficaria. A voz de Rachel mudou subitamente, era perceptível que a garota não estava mais ali, e sim o Oráculo.

O espírito de Delfos começou a recitar sua profecia, eu não entendi muito bem, mas ele falava sobre sete semideuses renascidos que enfrentariam horrores como a loucura e a possessão para tentar salvar a chama da mitologia grega.

Mais um momento silencioso se iniciou. Olhei para os lados e recomecei a contagem que fizera inúmeras vezes durante todo o trajeto, sim, nós eramos os sete. Voltei os olhos para o chão, os pensamentos inundavam minha mente. O mundo todo parecia estar dependendo de nós.

Afastei-me alguns passos do grupo e olhei novamente para toda a destruição no acampamento. Tudo ainda parecia um sonho distante. Levantei a direita de forma que conseguia enxergar minha arma Perdição que se encontrava em sua forma de luva com as iniciais "PL" bordadas, aquele havia sido o primeiro contato real que fizera com meu pai, ele mesmo havia me dado aquela arma. Não era muito poderosa, mas era a última ligação que eu tinha com a minha família.

Eu tinha medo de falhar. Tinha medo de decepcionar meus amigos, os deuses e meu pai. Apesar do que todos diziam, ser filho de Zeus era uma das piores maldições, afinal, todos exigiam muito de mim e, para piorar as coisas, esperavam que eu atingisse as mais altas expectativas.

Daquela vez não era diferente, mas a derrota não significaria apenas ser um filho não digno de Zeus, significaria que nós havíamos falhado com o mundo todo. Respirei fundo, as imagens da minha luta mais recente voltaram à minha mente, atormentando-me brutalmente.

Balancei a cabeça tentando afastar aqueles pensamentos, forçando-me a imaginar coisas boas. Era difícil. Ironicamente, a voz de minha mãe começou a ecoar em minha mente, dizendo-me uma única frase "Você é meu heroi, Peteco!".

Cerrei os punhos, a raiva se acumulava dentro de mim. Transformei Perdição em uma espada e fitei meu próprio reflexo em sua lâmina de bronze. Encarei-me nos olhos e, pela primeira vez, vi algo que nunca havia visto antes, eu não estava mais fitando o garoto amedrontado de sempre, era como se uma chama queimasse no fundo dos meus olhos, não uma chama literal, mas uma chama imaginária, a chama da determinação, a chama da Mitologia Grega.

Era verdade, eu não fora o heroi de minha mãe, havia falhado com ela. Não deixaria aquilo acontecer com meu pai também. Pela primeira vez olhei para o céu estático sem nenhum pedido em mente, apenas enviei uma mensagem sem saber se ela seria ouvida.

"Não se preocupe papai, dessa vez eu é que vou salvá-lo..."

Adendos:
Arsenal:
♦ Perdição [Espada com lamina de bronze sagrado. A arma se adequa em peso e tamanho ao usuário, seu cabo é de aço negro com um fino revestimento de couro preto para melhor manuseio e tem um comprimento padrão. A arma não tem nada de especial em relação a uma arma de bronze sagrado comum, exceto pelo fato de que, quando a espada não esta em uso, ela se torna uma luva negra com as letras “PL” bordadas em branco, indicando que ela só funciona com Peter.] {Bronze Sagrado, Aço Negro, Couro e Tintura} (Nível mínimo: 9) {Nenhum elemento}

▲ {Skiá} / Colar [Trata-se de um colar feito inteiramente de prata que ostenta um pequeno pingente de ônix lapidado cuidadosamente no formato de um relâmpago. O item concede o usuário a habilidade de, uma vez por evento/missão, absorver um ataque não físico (mágico ou elemental), desde que o adversário tenha no máximo até o mesmo nível que o jogador.] (Prata, Ônix) {Nível mínimo: 40} (Não controla nenhum elemento) [Recebimento: Missão - "The Lost Boys" / Avaliada por Ayla Lennox e Atualizada por Psiquê.]
Poderes:
Poderes passivos:
Vigor de Touro (Nível 6) - Como um dos símbolos de seu pai é o touro, seu vigor é maior que os outros semideuses, podendo correr e afins por mais tempo.

Defesa Elétrica (Nível 29) - Consiste em uma defesa absoluta composta de energia ambiente ou corporal, mas é pequena, aumentando apenas 10% das defesas do semideus.
Poderes Ativos:
Nenhum poder ativo utilizado.
Observações:
- Legenda:
Peter (Eu)
Drillzinho bb
Quíron
Divindade que colocou a gente nessa... Aff...
Aylazinha amor <3
Simmon irmãozão :D
Mamãe
Rachel

- Na segunda parte do texto, quando ocorre a luta, as memórias do Peter vão aparecer em itálico pra você não ficar confuso e tal... <3

- Na conversa com a Rachel, o Peter não fala nada porque ele ta abalado e não quer saber de mais nada...

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Re: — {Chaos and ruin}: MOPCED para Ayla, Alaric, Bianca, Drillbit, Jhonn, Peter e Simmon

Mensagem por Jhonn Stark em Sab 17 Jun 2017, 23:58


Chaos and Ruin
I see Fire

Missão fuderosa
Era uma vez, Sete semideuses ferrados
Sua mente ainda vagava por entre os escombros do que restava de seu lar. O acampamento, antes um refúgio confiável dos filhos dos deuses, agora era uma terra banhada em sangue inocente. Conforme seus olhos passavam por aquele quadro caótico, como se pintado por uma criança com um senso artístico muito bizarro, via de relance algumas coisas que feriam sua alma e levantavam mais uma imensidão de perguntas.

Os símbolos de alguns chalés podiam ser facilmente identificados nas pilhas de corpos: Bandeiras com o sol brilhante de Apolo; carruagens quebradas com o javali de Ares; Escudos iguais ao dele, com as chamas sagradas de Héstia.

Sua respiração ficou acelerada. Via diante de seus olhos a imagem de irmãos sendo massacrados. De Chelsea, sua assistente, sendo soterrada nas ruínas da enfermaria. Pensava em sua própria figura emergindo de uma daquelas pilhas de mortos, como se tivesse escapado das garras do Hades só para voltar a jogar aquele jogo doentio.

O toque de Ayla o impulsionou de volta à realidade, trazendo um mínimo conforto diante da desgraça em que estavam afundados. Ele segurou sua mão, sentindo o calor e a vida que ainda pulsava  ali. Vida. Ainda estavam vivos. Talvez, no fim das contas, tudo ainda pudesse ficar bem.

As auras e emoções intensas dos sete ali reunidos faziam uma nova bagunça em sua cabeça, mas ele conseguiu se focar o bastante para administrar aquilo. Afinal, tinha prática naquele tipo de situação. Observava todo aquele ódio, amargura, tristeza e lástima tentando descobrir como auxiliar os amigos dentro daquele terreno perigoso — Afinal, com toda a instabilidade que se acumulava ali, um deslize em suas mentes podia ser fatal.

Inspirou o ar lentamente, tentando manter uma fachada sólida. Talvez não fosse um líder superpoderoso, mas podia ser um guia centrado.

Stark sentiu uma nova presença se aproximando, e ouviu a voz familiar chamando-os para perto de si. O trote lento que todos ouviram pareceu trazer uma nova onda de emoções complicadas, devido à relação instável entre alguns do grupo e o acampamento: Quíron estava ali.

Ele sentiu a apatia de alguns, a esperança do centauro e o alívio de Peter — Que era o único semideus ali que ainda tinha uma visão feliz daquela vida, como em um conto de fantasia onde tudo vai dar certo para os bonzinhos, sempre. Sentiu por si só uma série de emoções difíceis de lidar, mantendo uma posição rígida e aguardando as palavras do diretor do acampamento.

— Não há tempo para papear, mas... — ele iniciou, pisando naquele terreno delicado. Não estava em condições físicas e psicológicas de trazer um discurso cem por cento efetivo, estava óbvio. — Estava contando com vocês para segurarem as pontas por enquanto, e então... tudo acabou de um segundo para o outro. Mas agora vocês estão aqui de novo. Eu... Eu não sei se consigo explicar o que aconteceu. E não sei se há tempo para isso.

O garoto ficou atento aos detalhes nas palavras, sentindo um calafrio ao conectar o que ouviu no fim daquilo. "Segurarem as pontas. Tudo acabou. Vocês estão aqui de novo." Podia ser só uma paranoia, mas talvez... Talvez antes eles estivessem mortos, no fim das contas.

Conforme seguia o discurso, Stark mergulhou mais ainda na profundidade de seus sentimentos: Quíron, o grande e poderoso conselheiro do acampamento, estava com medo. Medo, vergonha, tristeza por tudo aquilo. Pediu, talvez pela última vez, um favor àqueles que um dia já foram seus pupilos.

Salvar Rachel na casa grande. Proteger o acampamento. Tentar salvar o mundo. Um modelo típico de algo que tendia a não dar certo. De qualquer forma, eles não pareciam ter muita escolha. E não bastasse o senso básico de dever ali, uma voz ainda menos desejável para o grupo que a de Quíron ecoou em suas mentes.

"O primeiro teste já foi, crianças. Agora preparem-se para o segundo. Seu retorno para casa está sob a Casa Grande. Falhem na busca e morrerão. E desta vez será permanente." Stark tentou manter em sua mente o máximo de xingamentos que conseguia lembrar: Se a deusa tinha poder para mandá-los ali e falar em suas mentes, teria para ouvir aquele básico ”VÁ SE FODER”.

Ouviu então a voz de Ayla, tanto em sua cabeça quanto em seus ouvidos. Concordou com cada palavra proferida ali, disposto a seguir naquela briga deles contra o mundo por mais alguns momentos.

— Então… — Disse o filho de Héstia, erguendo um pouco a voz para que todos os colegas escutassem. — Seguindo as leis da sensatez, eu guio o caminho.

* * *

Permanecia a uma altura razoável do chão, utilizando-se dos seus sapatos mágicos para tal. A cada instante, tomava a liberdade de se concentrar e tentar sentir alguma aura familiar — ou viva — que estivesse pelas redondezas. Evitou a todos os custos seguir pela área dos chalés por dois motivos: o perigo óbvio da área exposta e a consciência de que seria uma passagem que abalaria muito mais o emocional do grupo.

Passou pelas redondezas da arena sem ao menos olhar para seu interior. A aura hostil e o odor metálico exalados do local indicavam o que iria encontrar por ali.

Pela floresta, os tons vívidos da natureza eram cortados muitas vezes por grandes borrões negros e cinzentos, que marcavam a destruição da natureza. As águas que contemplava estavam límpidas, mas pelo simples fato da correnteza já ter levado o carmesim para longe. Podia ver alguns cadáveres espalhados, assim como durante toda a extensão de seu trajeto.

Ouviu o chamado de Ayla, que estava um pouco mais afastada com Simmon. Todos poderiam seguir por aquela porção tranquilamente, e talvez chegassem à casa grande em alguns instantes. Sem nenhum ataque ou qualquer desgraça que o universo pudesse trazer. Tudo estava indo muito bem, até que…

Ayla parou de falar. Um silêncio tomou aquela região. De repente, um a um, alguns dos mortos começaram a se levantar.

Mas não da mesma forma que eles haviam levantado. Aqueles que agora se erguiam apresentavam um estado mais letárgico, vazio. Era como se não tivessem noção do ambiente hostil em que estavam, da guerra que estava sendo travada ali. Nem ao menos tinham se dado o trabalho de reparar nos sete enquanto se colocavam de pé.

Stark ergueu a espada sem pensar duas vezes. Por outro lado, um dos seus companheiros tinha observado a situação de um ponto de vista diferente.

— Eles não estão nos atacando. Ao menos não ainda. — Falou Drillbit em um tom baixo. — Não faz sentido investir agora, mates.

O curandeiro concordou silenciosamente, revertendo a arma à sua forma de anel. Se não havia a necessidade de um confronto, não deveriam desperdiçar tempo e energia com aquilo. Dali, ele seguiria até a casa grande, encontraria o oráculo e manteria todos vivos. Todo esse processo poderia ter sido bem simples caso ela não tivesse aparecido.

Ouviu o som de passos arrastados. Virou-se instintivamente, bem a tempo de ver aquela figura de cabelos ruivos destoando de todo o ambiente cinzento e destruído ao seu redor.

Diferente de alguns dos outros, era evidente que ela havia retornado dos mortos: as manchas de sangue em suas roupas e em sua pele pálida eram mais rubras que os seus cabelos. Suas íris sem brilho encaravam a expressão de um Stark aterrorizado, vacilante, enquanto ela avançava sem preocupações em sua direção.

Com seus poderes, o filho de Héstia não conseguiu sentir nenhuma mínima energia emanada do corpo da garota. Não sentia sua vida, sua energia, sua presença. Estava diante de sua pupila, de mais uma pessoa que tinha jurado proteger, e que agora estava morta.

Suas mãos vacilaram. Seus instintos tentaram alertar sobre o perigo, mas seu corpo não ouvia.

Quando estava perto o bastante, ela correu em sua direção, derrubando o curandeiro no chão. Antes mesmo que ele pudesse recuperar o ar, suas mãos gélidas já fechavam sua garganta em um aperto intenso. — Chelsea… — Ele tentou sussurrar, bloqueado pela versão irreconhecível da garota sensível com quem ele trabalhou por tanto tempo. As unhas arranhavam sua carne, gerando um ardor intenso.

Instintivamente, cerrou um dos punhos e desferiu um soco no rosto da filha de Hipnos. O aperto em seu pescoço sumiu enquanto ela cambaleava para longe. Enquanto ele se erguia, podia ver o rosto ressentido de Drevoir, a marca avermelhada que se formava em seu rosto. De um dos corpos caídos, a garota tomou uma espada, avançando novamente.

Ele bloqueou o primeiro golpe ativando novamente sua própria lâmina. Olhou-a fundo nos olhos, torcendo para que pudesse colocar um pouco de razão em sua mente. — Chelsea! — Gritou, não tão apaziguador quanto deveria. Bloqueou um segundo golpe nesse tempo. Sua voz estava vacilando. — Essa não é você. Pare, não precisamos fazer isso.

— Eu preciso levá-lo comigo… você não entende. — Ela falou, quase que em um sussurro. — É a sua vez de ter o destino que todos nós tivemos. — Um calafrio subiu pela espinha do filho de Héstia. — O destino que todos nós tivemos por sua culpa!

Ela. Véroz. Adrian. Grandine. Naquele futuro aterrorizante, todo o acampamento. Ele tinha feito aquilo com todo mundo. Naquela guerra, tinha se separado mais uma vez de quem devia ter por perto, e todos agora estavam mortos. Chelsea era apenas mais uma vítima de sua incompetência.

Um terceiro giro da lâmina de Drevoir foi barrado com um ruído forte e metálico. Stark aproveitou-se da brecha e desferiu um golpe lateral que feriu levemente a garota no abdome. Seu grito surpreso, o sangue… ”O que diabos eu estou fazendo?” Pensou ele, ofegante e em pânico. Vagou em seus pensamentos por tempo o bastante para que ela se aproveitasse.

A ruiva golpeou-o perto do cabo da espada, atirando-a para longe. Um forte chute no peito fez com que ele fosse ao chão mais uma vez. Ela ajoelhou-se acima do mesmo, erguendo a espada uma última vez. — Você falhou em sua promessa. Nossa promessa.

Acampamento Meio-Sangue.
Seis meses antes.

— Qual a sua razão de estar aqui, Jhonn? — A ruiva perguntou ao curandeiro. O consultório, no fim do turno, estava mais monótono do que nunca. Suas mãos passavam com agilidade pelos vidros de éter e poções entre as prateleiras, embora não fizesse muito tempo que trabalhava ali. — Digo… Além de ficar vivo, claro. Qual sua razão de seguir pelo caminho que está seguindo?

Ele suspirou, dando um breve sorriso. — Eu acho que é um pouco egoísta e impossível, mas… eu quero me tornar forte o bastante para escapar do que o destino tem para nós. — Falou. Permaneceu em silêncio por alguns instantes, organizando os pensamentos. — Quero que não tenhamos que temer por cada missão, fazendo piras pros nossos irmãos. Que não lidemos com a perda de pessoas que nos são importantes, ou com o pensamento de que poderíamos ter feito melhor.

Quando disse isso, viu-a abaixar a cabeça em concordância. Suas experiências eram um pouco diferentes, mas podia sentir que a garota já tinha lidado com aquele tipo de situação.

— E além disso… As pessoas desse mundo estão muito quebradas, quebradas além do que Asclépio pode curar. Eu quero trazer paz pra essas pessoas. Enquanto eu viver, quero poder levar essa paz comigo. Esse é meu voto como semideus e como curandeiro. — Ele riu, seguindo com um tom de zombaria que atingiu para a própria ambição e olhando sua assistente. — É engraçado, não?

Ela, ao invés de assumir a impossibilidade daquilo, sorriu. — Bem… — Ela parou por um segundo. — engraçado ou não, quero que você saiba que está seguindo o caminho certo. — E voltou a guardar os infindáveis itens cirúrgicos da sala. — E caso pareça muito impossível… bem, somos dois, certo? Então sobra meio impossível para cada um. — Ergueu uma das mãos, quase que em um juramento. — Palavra de escoteira.

Ele foi pego de surpresa com aquela resposta, parando o que estava fazendo.

Naquela bagunçada e silenciosa sala de atendimentos, ele sorriu e sentiu o tipo de paz que queria passar.

— Tem razão. “Meio impossível” é algo que podemos conquistar.


Lágrimas tomavam seus olhos enquanto ele via a morte certa se aproximar. Ouvia ao longe as vozes de seus outros amigos em suas próprias lutas. Amigos que ele precisava auxiliar. Ouvia deles que aquilo não podia ser real.

Real ou não, ele não poderia cumprir sua parte do acordo morto. Tinha um grupo de amigos para levar para casa.

Então, antes que a lâmina pudesse descer em seu abdome, puxou suas facas douradas do cinto. Usou-as para golpear a espada lateralmente, desviando-a de sua rota, e para atravessar o tórax da semideusa.

Os olhos dela tornaram-se vítreos, sem movimento algum. A espada caiu ao lado do seu corpo. De onde as pequenas lâminas foram inseridas, o sangue começava a formar uma poça que manchava definitivamente a camisa branca de botões.

Então, com o que poderia ser a sombra de um sorriso, seu cadáver desabou sob o corpo de Stark. O tempo pareceu passar mais devagar, talvez algumas eras, até que ele conseguisse afastá-la e se erguer. O tempo em que chorou e abraçou o corpo sem vida que antes carregava a esperança de que talvez o mundo pudesse ter uma chance.

* * *

Todos seguiram em silêncio pelo trajeto final até a Casa Grande. A aura de terror e aflição que todos carregavam era mais intensa do que Stark jamais havia sentido. Pela sensatez que ainda o restava, decidiu não invadir seus espaços. Se sua experiência foi dolorosa, não poderia desmerecer a dor da luta alheia.

Assim que chegaram na Casa Grande — Ou na verdade, no que restava dela — viram uma figura que saía de lá e se aproximava deles. Rachel, o oráculo.

— Então… vocês… — Ela disse, hesitante. Suas emoções também conflitando entre si. — Realmente voltaram à vida.

Todo o grupo permaneceu sem uma resposta apropriada. Não tinham noção do que diabos estava acontecendo, tanto quanto ela.

— Era difícil acreditar que fosse mesmo acontecer, especialmente considerando que o Acampamento perdeu o contato com todos os deuses. — Ela continuou, movendo as mãos por entre seus cabelos longos e bagunçados. — Isso é diferente de qualquer outra coisa que já experimentamos. Nenhum lugar resistiu. Olimpo, Mundo Inferior, até mesmo Atlântida… Por culpa dessa guerra, quase todos os semideuses estão mortos e é como se tudo já estivesse perdido.

— Que guerra, Rachel? Do que está falando? — Ayla questionou.

— A responsável por isso ainda está aqui. — Rachel pareceu não ter ouvido a pergunta anterior, mas a simples menção a quem fez aquilo foi capaz de fazer um calafrio percorrer a espinha de Stark. Seria ela a filha da puta que tinha os colocado ali? Eles precisavam ter uma conversa. — As tropas estão se recolhendo para o pavilhão do refeitório às ordens dela. As arai deveriam apenas eliminar os mais fracos que, por sorte, resistiram.

Ela suspirou pesadamente.

— Eu estive esperando, pessoal. — Confessou. — Estive esperando pelos Sete.

E essa foi a última frase que proferiu com a própria voz. Stark já tinha visto manifestações do espírito de Delfos antes, então não ficou cem por cento jogado ao chão em um estado impotente quando o mesmo começou a falar através de Rachel. Ascensão, um renascimento de sete indivíduos das cinzas. loucura e males muito mais complexos — o caos e a ruína. E uma promessa de salvação.

A chama da mitologia poderia ser restaurada. O mundo poderia ser protegido. Um minuto de silêncio foi necessário para que os presentes digerissem o que havia sido dito.

Era uma missão insana. Mais do que suicida, com certeza. Algo impossível de ser feito aos olhos humanos.

O curandeiro estava com medo. Mais do que jamais antes. Seu lar estava destruído, sua família havia sido devastada e havia alguém que estava disposta a deixar tudo aquilo muito pior. O sangue de Chelsea encharcava sua camisa, o odor metálico ainda provocando náuseas nele. Quem mais teria que morrer ali até que fosse feito um sacrifício suficiente?

Eram muitas perguntas. Mas mesmo assim, Stark assentiu para Rachel e encarou seus companheiros, dando um breve sorriso. — Bem, chegamos até aqui. Estamos todos muito fodidos, mas estamos vivos. Então… acho que podemos pelo menos tentar, certo? Mais uma luta juntos antes do fim do mundo?

As auras ficaram menos pesadas. Ele virou-se na direção do refeitório, compelido a ir atrás da deusa de seu sonho e acabar com aquela insanidade. Podia até ser uma missão impossível de ser cumprida aos olhos humanos, mas ele não ligava mais. Os sete estavam juntos, com um objetivo em comum.

Sendo assim, a tarefa ficava apenas meio impossível.

Adendos:
Armas:
♦ Faca [Sua lâmina bronzeada mede cerca de 24 cm, e seu cabo tem o mesmo comprimento padrão. É bastante afiada e é perfeita para ataque ágeis e rápidos. O bom desta arma é sua eficiência tanto para mãos hábeis quanto para manuseios mais inexperientes, pois é uma arma curta, fácil de esconder e ao mesmo tempo fácil de manusear. Seu punho é feito de aço, mas uma camada de couro escuro cobre o aço para que o usuário possa segurá-la firmemente. Na parte inferior da lâmina, próxima ao cabo, há entalhado as siglas do Acampamento "CHB"; uma propriedade que só os meio-sangues e criaturas místicas podem ter e usar (ajuda um pouco na destreza)] {Bronze, aço e couro} (Nível mínimo: 1) {Nenhum elemento} [Recebimento: Administração; item inscrição padrão do fórum] No cinto.

— {Phoenix} / Espada [Espada de 90 cm, com sua lâmina medindo cerca de 75 cm. É feita de um cristal único e especial, a espada é longa e fina, com um corte afiadíssimo e infalível. Sua guarda-mão tem um formato de taça, porém, com delicados formatos de chamas queimando na direção da lâmina, como se a consumissem; seu punho é feito de aço. Vem junto de uma bainha coberta por malha de aço e couro branco. Quando não está em uso, se transforma em um anel de prata com o desenho de uma chama.] {Cristal, Prata e Aço} (Nível Mínimo: 1) {Controle sobre o Fogo} [Recebimento: Presente de Reclamação de Héstia adaptado por Harry S. Sieghart] Espada na mão direita.

— {Scorched} / Escudo (Escudo circular feito de ouro e prata com várias camadas destes materiais. No centro do escudo está desenhado uma lareira, o símbolo de Héstia. Na parte interior do escudo, ou seja, onde há um encaixe para o usuário por o seu braço há uma espécie de almofada, simbolizando o "conforto". Útil para aguentar ataques fortes. Quando não está em uso, se transforma em um relógio de ponteiros feito de ouro com a parte interior de ouro branco.] {Prata e Ouro} (Nível Mínimo: 1) {Controle sobre o Fogo} [Recebimento: Presente de Reclamação de Héstia adaptado por Harry S. Sieghart] Escudo no braço esquerdo.

- {Flame} / Faca de Arremesso [Faca de arremesso de ouro solar, com o cabo de couro. Também pode ser usada para combates diretos. Apresenta o entalhe de uma fogueira em sua lâmina.] {Ouro Solar} (Nível Mínimo: 2) {Não controla elementos} [Recebimento: forjado por Harry S. Sieghart] Att por Hécate. Dentro do cinto.

- {Flare} / Faca de Arremesso [Faca de arremesso de ouro solar, com o cabo de couro. Também pode ser usada para combates diretos. Apresenta o entalhe de uma fogueira em sua lâmina.] {Ouro Solar} (Nível Mínimo: 2) {Não controla elementos} [Recebimento: forjado por Harry S. Sieghart] Att por Hécate. Dentro do cinto.

- {Burn} / Bainha [Cinto de couro com uma fivela de prata comum, que quando pressionada, transforma o cinto em um parecido, com 3 bainhas de facas, sendo duas delas laterais (para as facas de ouro solar) e uma na parte de trás do cinto (para a faca de bronze).] {Ouro Solar} (Nível Mínimo: 1) {Não controla elementos} [Recebimento: forjado por Harry S. Sieghart] Att por Hécate. Forma de cinto.

- {Black Fire} / Marca [Uma marca queimada na pele do semideus com o fogo negro que os poderes curativos de Daryl não conseguiram tirar. Ela pode até ser esteticamente feia, mas oferece uma resistência de 10% a poderes relacionados a Fogo Negro.] {Queimadura} (Nível Mínimo: 15) {Não controla elementos} [Recebimento: Missão Heat, passada e avaliada por Hefesto.] Queimadura nas costas.

{Winged Sneakers} / Tênis [Um par de tênis azulados, que tem como detalhes alguns desenhos de ventos. Ao bater seus pés um no outro por três vezes, o usuário começa a voar. Consegue chegar em alturas e alcançar velocidades consideráveis. Para descer, basta fazer as mesmas ações que fez para subir que ele diminuirá a altitude aos poucos. Quando está sendo usado em solo confere ao semideus que o calça um aumento de cerca de 10% em sua agilidade. {Couro} (Nível Mínimo: 20) {Não controla nenhum elemento} [Recebimento: Missão "Chama da Esperança" narrado e avaliado por Dom Demon/William Véroz; atualizado por ~Lady Íris~] Calçados.

Braçadeira quitinosa [Braçadeira lisa e cilíndrica, de tons avermelhados. Ao ser ativado, faz com que a pele do semideus tenha suas características alteradas, se enrijecendo, aumentando sua resistência a golpes físicos em 50% por 3 turnos. 1 vez por evento. (nível mínimo: 07) {Material: pele de carangueijo gigante} [Ganho como recompensa pelo evento "O levante"] Pulso direito.

— Bolsa de Componentes Mágicos / Bolsa (Nela são guardados desde objetos para preparo de poções até bisturis e utensílios médicos [ela possui espaço infinito para tais coisas e somente para tais coisas; também aparece e desaparece, dependendo exclusivamente da necessidade do semideus]) {Couro} (Nívem mínimo: 1) (Controle sobre nenhum elemento)[Presente de Curandeiro] Atualmente, esperando convocação.

— Colar do Serpentário / Colar (o formato e o estilo da confecção lembram uma serpente dourada; nunca pode ser perdido, vendido ou retirado a força, pois identifica os curandeiros e, portanto, não é considerado um item nas contagens para missões, eventos e tramas, embora ainda seja preciso citá-lo) (seu efeito principal é o de, quando retirado do pescoço, se transformar em um dos itens a seguir: uma réplica quase totalmente semelhante do Bordão de Asclépio (ou seja, uma espécime de bastão rústico e fino envolvido por uma serpente de escamas feitas de prata envenenada que podem ser tão afiadas quanto uma espada, possuindo o mesmo potencial de corte de uma arma laminada; ele se adapta completamente ao tamanho e porte físico do usuário). {Prata, madeira e veneno} (Nível mínimo: 1) (Controle sobre nenhum elemento) [Presente de Curandeiro] pescoço.

{Help} / Anel [Um anel de prata, com um pequeno pedaço de rubi preso nele. Abençoado por Asclépio, este anel permite ao curandeiro, aumentar seu limite de cura nas técnicas curativas em 20%, ou seja, se uma técnica permite o curandeiro recuperar 100 HP ou MP, usando este anel ele conseguirá curar 120 de HP ou MP, sem qualquer gasto extra. No caso de um número não exato, o valor é arredondado para baixo. Não tem influência sobre técnicas de ressuscitação. Dura dois turnos, uma vez por ocasião.] {Titânio e Rubi} (Nível Minímo: 45) {Controle sobre Cura} [Recebimento: Missão "O guerreiro da cura", avaliada por Macária e atualizada por Asclépio.] Mão esquerda.

{Weismann} / Runa [Um fragmento da Runa Weismann, que foi destruída durante a segunda Batalha dos Reis. Foi dada a Ayla e Jon pelo próprio Weismann, o Rei Prata Imortal. Pode ser colocada em um colar, pulseira e até mesmo em um anel, pois seu tamanho não é maior do que o de uma pedra brita, e tem a coloração branca. Apesar de a runa ter concedido a imortalidade para Weismann, ela não a concedeu para os semideuses, mas graças ao seu poder, os danos físicos recebidos pelos semideuses diminui em 25%, podendo aumentar progressivamente a cada dez níveis subidos. Não pode ser perdida, vendida e tampouco trocada ou dada, visto que além do poder fornecido ele é um símbolo da confiança e amizade dos Reis para com Ayla e Jhonn.] (Nível mínimo: 50) {Não controla nenhum elemento} [Recebimento: Missão "Return of Kings", passada e avaliada por Nyx e atualizada por Hécate.] (No colar)
Poderes:
Passivos:
Héstia

Nível 1

Proficiência com espadas - Filhos de Héstia possuem uma ligação natural com espadas, conseguindo manejá-las com mais facilidade do que outros semideuses de nivel similar que não possuam a perícia, mesmo que não tenha experiência anterior. É algo evolutivo, e não implica em golpes indefensáveis ou aprendizado imediato.

Nível 6

Sensitivo - Ao encontrar uma pessoa, você reconhece o que ela está sentindo (de forma geral, ainda que não saiba o que provoque a alteração sentimental). Aqueles que possuírem qualquer tipo de resistência ou aura relacionadas a esse poder e que tiverem no mínimo 10 níveis a mais que o Filho de Héstia, a anulação dessa habilidade é imediata.


Nível 8

Visão das Chamas - O fogo representa também a energia da vida. A partir desse nível, filhos de Héstia conseguem ver as chamas internas das pessoas, conseguindo saber sobre seu estado de saúde geral (cansado, ferido, próximo da morte, etc) apenas com o olhar. Na prática, sabe quanto de vida um aliado possui. Bloqueios de aura também afetam esta visão. [Novo]

Nível 9

Detectar vida - A lareira era considerada o "coração" da casa, e a chama do fogo é simbólicamente relacionada à chama da vida. Considerando isso, o semideus consegue detectar "vida" ao seu redor, em uma área de 50m de raio. Precisa de concentração. No primeiro nível, detecta a presença ou ausência de seres vivos na área, no segundo,  a intensidade (considerando a quantia de vida atual) e no terceiro a localização aproximada dentro dessa área. Não gasta energia mas requer concentração. Não detecta seres "não-vivos", como elementais, construtos e mortos-vivos, por exemplo, nem distingue que tipo de vida seria (apesar de sentir a intensidade dessa aua, assim, um animal pequeno tenderia a ser visto como uma aura fraca comparado a uma pessoa,mas uma árvore milenar pode possuir uma aura forte).[Novo]

Nível 20

Localização empática - Diferente de "Detectar vida", localização empática permite ao semideus detectar uma criatura específica, desde que tenha interagido com ela antes e saiba ao menos seu nome. Focando-se na aura da criatura e se concentrando, o semideus consegue localizar o alvo, desde que em um raio de 100m. Amplai-se em 100m a cada 5 níveis posteriores. Cada turno de concentração varre uma área de 50m de raio. [Modificado]

Nível 37

Território familiar - Ao lutar em um lugar considerado como seu "lar" seus atributos físicos (força, velocidade, resistência) recebem uma bonificação de 10%. Considera-se lar o local em que tenham passado ao menos 1 semana consecutiva, tendo sido bem recebidos/ acolhidos. Deve haver comprovação em on. Caso saia do local por mais de 24h, a ligação só volta a funcionar 1 semana após o retorno. Considera apenas 1 local por vez. [Novo]

Nível 40

Aliado notável - Héstia era bem quista por todos, dado seu temperamento pacífico e diplomático. Ao trabalhar em conjunto com qualquer semideus (mesmos objetivos, cientes dos planos/ presença um do outro e numa área de 25m dentro do campo de visão) o semideus ganha um bônis de 10% na efetividade das ações, mas e fixo, não se somando, independente de com quantos aliados está trabalhando. [Novo]

Nível 55

Protetor - Filhos de Héstia, dado seu temperamento, tendem a ser protetores, lutando melhor defensivamente ou com algo a defender. Ações defensivas ou de auto-sacrifício visando proteger um aliado recebem bonificação de 20% na efetividade. [Novo]

Asclépio

Minimizar danos (Nível 65)
Por seus conhecimentos médicos, curandeiros desenvolvem um senso de autoproteção, uma vez que, cientes dos pontos frágeis de sua anatomia conseguem lutar de forma defensiva com mais efetividade, se expondo e dando menos brechas para ataques de oponentes. Suas defesas são ampliadas em 10% a partir deste nível. [Novo]
Ativos:
Héstia

-

Asclépio

-
Obs:
- Então. Apesar dos pesares, foi.
- Vou ficar usando a lista nova a partir de agora, já que saiu. Vamo ver o quanto o nerf me lasca. q
- Sim, a Chels tava desarmada e depois se armou. Me pareceu bem dentro da legalidade.
- Por favor, não me mata, obg sz
- Pode parecer fora do personagem, mas acho que foi justificável ele mesmo matar ela, até por motivos de que a promessa deles precisa que ele esteja vivo pra salvar o mundo, né. q
SAIU ESSA MURRINHA!:

Jhonn Stark
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Re: — {Chaos and ruin}: MOPCED para Ayla, Alaric, Bianca, Drillbit, Jhonn, Peter e Simmon

Mensagem por Simmon Wilem Brandeur em Qui 22 Jun 2017, 21:34

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chaos and ruin
to fight the hordes, and sing and cry. valhalla, I am coming!
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one-post contínua externa difícil
narrada por simmon wilem brandeur, mentalista filho de zeus


Acampamento Meio-Sangue, 03 de abril — Cinco anos atrás.


O pôr do sol era lindo da beira do lago. O casal sentava sobre uma grama verde primaveril que estendia-se em todas as direções como um tapete fofo. Comiam ameixas e romãs e bebiam chá gelado, devidamente armazenado em uma garrafa térmica. Riam de forma que a luz solar era menos brilhante que suas almas; se amavam de forma que quem passasse por ali também reluzia e sentia-se mais vivo. Eram dois adolescentes, ambos com pouco mais de dezesseis anos, que presumiam estar no auge da vida, em sua melhor fase e forma. A garota, entretanto, parecia levemente ansiosa, pois guardava um segredo que desejava contar ao mundo. Um segredo que certamente mudaria sua vida. Suspirou, olhou para o garoto e tomou coragem.

— Simmon, preciso te contar algo.

O filho de Zeus, que até então mantinha os olhos no céu sem nuvens, revirando uma semente de romã na boca e refletindo que jamais merecera algo tão gratificante, girou rapidamente o rosto até mirar suas íris azuis na menina, primeiro em seus lábios e depois em seus olhos. Suas pupilas dilataram e ele sorriu. Entretanto, percebeu que a semideusa mantinha a expressão séria, portanto empertigou-se e inclinou levemente a cabeça.

— O que foi, amor?

A jovem mordeu o lábio inferior, nervosa.

— Hoje mais cedo eu fui à enfermaria, por causa daquele corte de adaga no ombro e tal. Aí, enquanto recebia o tratamento, comentei… comentei com Gina que minha menstruação estava atrasada. Ela fez uns exames e… bem, ela disse que… que a gente vai… que eu… que eu vou ter um bebê.

Simmon engasgou-se com a semente de romã e começou a tossir igual um pato rouco. Quando enfim recobrou a compostura, após longos minutos de vergonhosa agonia, segurou a mão da garota com força e, entre sons incompreensíveis e balbuciações sem sentido, disse:

— Uau, isso é… uau. Isso é louco. É bem louco. Isso é muito louco. Tu tem certeza… claro que tem, se não nem me contaria, mas… uau. Estamos grávidos. Quer dizer... Joanna, tu tá grávida. Tu tá grávida? Tu tá grávida. Caramba, tu tá realmente grávida.

Após o que pareceram horas, os dois conseguiram finalmente ter uma conversa civilizada e chegaram à conclusão que, sim, ela estava de fato grávida. A menina ainda contou que, por ser tão jovem, a gravidez poderia apresentar algumas complicações, mas que as enfermarias do Acampamento forneceriam todos os itens necessários para que tudo saísse da melhor maneira possível. Após ambos pararam de tremer, abraçaram-se como duas peças de um quebra-cabeça que se completavam e formavam um padrão realmente bonito. A ideia de não ter a criança sequer passou por suas mentes. Eram tão jovens e tão felizes; tão perfeitos e sem cicatrizes. Ah, sim, eram tão inocentes. Tão tolos. Tão despreparados.


Tão frágeis.

________________________________________


Os sete semideuses reuniram-se nas ruínas do que um dia fora o Acampamento, todos eles igualmente curiosos e perplexos. Cada um reagira à destruição de uma forma, conforme sua própria experiência com o lugar. Entretanto, apesar do cenário devastador, apenas Jhonn e Peter pareciam realmente abalados e comovidos com tudo; somente eles dois pareciam prestes a chorar. Todos os outros demonstravam uma mistura simples de espanto, descrença, perplexidade e… leve indiferença? Sim. Cada um apresentava um nível dessa mistura, adequado às suas personalidades e seus traumas.

Simmon, entretanto, sentia-se confuso a respeito de seus sentimentos. Não acreditava muito no que via; não acreditava muito no que sentia. A última coisa que lembrava, antes de toda aquela confusão, era de se deitar para dormir, após uma semana incrivelmente bizarra e medonha. Então, havia recebido uma visita ao mesmo tempo imponente e sombria, com uma promessa de glória e dificuldades. Após isso, acordara em meio à uma pilha de corpos, respirando como um abestado que morrera recentemente. Mas não morrera. Era óbvio que não morrera. Não se lembrava de morrer. Não havia nenhum sentido naquilo tudo.

O filho de Zeus estava com dor de cabeça, pois nada ali tinha nexo e coerência. Se de fato morrera, como poderia estar vivo outra vez? Sabia que as coisas não funcionavam daquela maneira antinatural. Mortos não permaneciam mortos? Desde que o mundo era mundo, sim, permaneciam. Entretanto, tudo ao seu redor gritava, dizendo que ele havia cruzado as portas da morte e, mesmo assim, estava ali de pé, respirando arduamente aquele ar carregado de decadência. Se as coisas seriam assim, se a mulher de vermelho realmente tinha esse poder, não teria nada que ele, um simples semideus, pudesse fazer.

Dessa forma, tomou a única decisão que poderia tomar: jogaria aquele jogo até o fim. Se alguém, de fato, tivesse todo o poder que aquela divindade aparentava ter, Simmon gostaria de se aproximar e, quem sabe, talvez até ganhar algo em troca. Olhou ao redor de forma minuciosa, analisando a destruição que tomava conta de tudo. Sim, a verdade do mundo era simples: meio pão é melhor do que nenhum; quando não temos nada, qualquer coisa nos serve.

Há alguns segundos, o filho de Zeus oferecera bebida ao garoto que cheirava como um filho de Atena misturado com incenso e almíscar. Este, porém, recusara. Por isso, o mentalista já desconfiava dele. Alguém com o mínimo de decência não negaria algo tão inestimável e precioso como álcool, principalmente naquelas circunstâncias em que se encontravam. Pessoas já haviam morrido por menos. Pensou, por fim, que o filho da sabedoria não era, de fato, tão sábio assim. Simmon o olhou com um misto de tédio, desalento e decepção.

— Álcool e tabaco são parecidos: se usados em exagero, nos aproximam da morte — sorriu de forma enigmaticamente cansada, mas calma e sincera. — Entretanto, meu uísque dá uma vibe melhor do que qualquer cigarro. Pelo menos é o que dizem…

Em seguida, após encontrar um punhado de garrafinhas perdidas em um dos diversos bolsinhos de sua shaed, abriu uma delas com compassada facilidade e verteu todo o líquido em três goles ligeiros e graciosos. Que coisa maravilhosa. Única coisa melhor do que beber um bom uísque, era beber um bom uísque acompanhado de boas pessoas. Por conta disso, mirou o olhar no restante dos semideuses e perguntou, com sua voz grave e cadenciada:

— Alguém aí aceita uma bebida? A lógica me diz que vocês também enfrentaram aquelas criaturas safadas, portanto creio que não seria de todo ruim descansar um pouco enquanto se toma algo para esfriar a mente e aquecer o espírito. Uns golinhos não vão embebedar ninguém. Merecemos uma folga.

Após fazer o convite, Simmon deu de ombros e mergulhou profundamente em seus pensamentos, distanciando-se do mundo através de uma névoa espessa e ébria. Quem poderia ser a mulher de vestido vermelho? Será que a conhecia? Será que se disfarçava? Normalmente, passaria bons minutos pensando nisso, entretanto, o caminhar suave da única garota dali que ainda não conhecia lhe trouxe novamente à realidade. Aproximava-se com a sutileza de uma gata, mas com a periculosidade de uma leoa. Seus olhos, desejosos de alguma coisa, brilhavam. Alcançou o filho de Zeus e o mirou com intensidade.

— E aí, amor — ela fez-se ouvir, piscando e sorrindo de maneira serelepe. Sua voz preenchia a distância que os separava com uma frieza doce. Fez um ligeiro aceno em direção à garrafa que o mentalista segurava, levantando as sobrancelhas de maneira inquisidoramente lasciva. — Eu realmente podia dar pra você agora se me desse uns goles disso aí.

Obviamente, aquela frase acabou por tirar totalmente Simmon de seu devaneio anterior, despertando sua mente e, até mesmo, outras partes de seu corpo, mesmo que ligeiramente. Com resoluta calma, ele passou a observar mais atentamente a garota à sua frente, pois esta agora despertava mais o seu interesse. Mirou os cabelos, que brincavam entre o castanho e o ruivo, e também a linha suave de seu pescoço. Observou a pele clara, branca, fácil de marcar, e o contorno viçoso dos lábios que ele certamente molharia... com bebida. Antes, porém, finalizou a observação percebendo as curvas de seu corpo e notando como elas sugeriam muitas coisas. Olhou ao redor, para o pessoal que reunia-se à suas costas. Pensou três vezes. Não, ainda não.

— Por mais que eu seja meio exibicionista, tem muita gente aqui — disse ironicamente, sorrindo de canto e estendendo uma garrafinha de vodka para a semideusa. Não esticou muito o braço, pois queria fazê-la se aproximar. — Deixemos isso pra depois. Transar estando ligeiramente bêbado é muito mais gostoso.

Foi perceptível como ficou satisfeita ao pegar o objeto. Álcool era o néctar sagrado daqueles que já cresceram. Ela abriu conscientemente a garrafa e engoliu gulosamente e naturalmente o líquido. Tinha experiência. Seu sorriso de satisfação valeu mais do que qualquer esforço que Brandeur pudesse ter havido ao roubar a bebida. Enquanto isso acontecia, ele se abaixou e sentou-se na grama seca, pois não conseguia relaxar totalmente estando em pé. Assim, ao se apresentar como Bianca e filha de Selene, a semideusa precisou curvar-se para encostar os lábios na bochecha de Brandeur. Tinha um cheiro bom.

— Bianca é legal e combina com a tua pele. Sou Simmon, filho de Zeus, mentalista de Psiquê, representante terreno do sarcasmo divino, mentiroso compulsivo, pseudo-filósofo e padroeiro dos poetas, das putas e dos que morrem de amor — apresentou-se com sua voz trovejante de barítono.

A garota estava tão próxima que resistir à tentação de puxá-la foi algo difícil. Contudo, como o perfeito cavalheiro que fingia ser, manteve-se quieto e respeitoso. Isso por fora; por dentro gargalhava e queimava, não tendo dúvidas de que o prazer realmente seria dele.

— Chegar até aqui não deve ter sido muito divertido. Tu não gostaria de sentar?

A resposta da semideusa foi exatamente o que Brandeur esperava: ironia com um toque preciso de libertinagem. Adorava esse tipo de pessoa; adorava esse tipo de mulher. Seu sorriso era branco como era branca sua tez, e sua voz era a partícula incendiária que provocava a insensatez. Tinha hálito morno e olhar quente. Sentou-se ao lado do filho de Zeus, que teve de resistir à tentação de passar a mão por sua cintura a fim de trazê-la para mais perto de si.

— Acho tudo isso bom e ruim — respondeu à pergunta séria da garota, ajeitando delicadamente uma mecha do cabelo de Bianca em volta de sua orelha. — Eu poderia estar fazendo muitas outras coisas, é claro, mas aqui tenho a oportunidade de conquistar fama e respeito. Há coisas aqui que não aprenderia em nenhum outro lugar. Gosto disso. — Virou-se para a filha de Selene e lhe ofereceu outro sorriso, dessa vez mais sincero do que sacana, mas ainda atrevido e animado. — Além disso, tô conhecendo pessoas legais que, talvez, não conheceria em outro lugar. Pessoas que talvez eu encontre mais vezes; pessoas que eu espero encontrar mais vezes.

Como que percebendo o fogo que queimava internamente em Simmon, Bianca aproximou-se ligeiramente e repousou suavemente seu cotovelo no joelho do mentalista, sorrindo, em seguida, de forma igualmente voluptuosa e graciosa. Fez uma pergunta sobre respeito, a mesma pergunta que o filho de Zeus já se fizera tantas vezes. Até quando seria possível manter a estima adquirida?

— Talvez tu tenha razão. Mas o fato é que ser temido acaba gerando ódio naqueles que temem. A repressão sempre acaba gerando rebeldes mergulhados em raiva, e a raiva é explosiva demais para poder ser controlada.

A filha de Selene pareceu pensar ligeiramente no que Brandeur dissera, avaliando suas palavras. Em seguida, o presenteou com outro de seus sorrisos matreiros e deitou a cabeça em seu ombro. Após um breve silêncio e uma leve divagação, prometeu conceder ao filho de Zeus algum desejo, qualquer coisa que ele viesse a querer, independente do que fosse. Então, ergueu o rosto e encarou o garoto muito de perto, quase encostando em seu nariz. Sorriu mais uma vez, de forma semelhante às anteriores, mas muito mais atrevida e sexual. Parecia estar prendendo o ar, ansiosa e desejosa por algo.

Nesse instante, Simmon decidiu parar de jogar e avançar alguns passos. Entretanto, manteve a calma e a morosidade, pois sabia que um fogo acendido lentamente haveria de queimar por um tempo maior. Assim, tratou de diminuir ainda mais a distância que os separava, aproximando-se tanto de Bianca que pode sentir sua pele arrepiar e seu coração bater ligeiramente mais rápido. Mais alguns centímetros e poderia até mesmo roubar o fôlego de seus lábios.

Colocou, então, de forma precisa e firme, a mão direita na parte alta da coxa esquerda da garota, em uma posição bastante próxima de sua virilha. Manteve, contudo, uma distância proposital, que revelava mais de suas intenções do que qualquer outra coisa. A mão encaixou-se perfeitamente ali, absoluta, como que dominando-a e dizendo que a jovem pertencia ao semideus. Brandeur ergueu uma sobrancelha, então, insinuando que, mesmo tendo plena consciência de que não conseguiria controlar todo caos e todo fogo que Bianca tinha, era atrevido o suficiente para se queimar inteiro.

— Antes de pedir, vou terminar com essa merda de tarefa e mostrar quem de fato sou — sussurrou baixinho com sua voz grave e quente. — Aí sim, quando tu souber cada nota que me move, não me negará nada.

Porém, antes de a garota poder responder, Simmon aproximou totalmente sua boca da dela, como que pronto para beijá-la. O atrevimento coquete, porém, falou mais alto. Não a presentearia tão facilmente com um beijo de língua. Ainda não. Sorriu maliciosamente e deu-lhe uma mordida no lábio inferior, nem tão forte e nem tão fraca, mas o suficiente pra deixar uma marca temporária. Também apertou, durante a mordida e com a mão inteira, a perna da semideusa, usando todos os dedos e pegando firme em seu corpo, envolvendo grande parte de sua coxa a fim de sentir seu calor e de sugerir que desejava mais do que aparentava.

Iria comentar, então, a respeito do gosto bom que Bianca tinha, mas notou uma agitação ligeira tomar conta de todos os semideus ali perto. Ergueu rapidamente o olhar e percebeu uma figura conhecida aproximando-se. Uma figura que, dada a degradação do lugar em que se encontravam, Simmon já dava como morta. Era Quíron, o velho e lendário centauro. O semideus levantou-se de sobressalto e estendeu a mão para que Bianca pudesse se erguer também.

— Levante-se, senhorita, temos companhia.

A filha de Selene levantou-se e emendou um selinho em Brandeur, como um sinal de despedida e de pacto firmado. Ela ainda lhe devia um desejo, e o garoto entendeu aquilo como que uma reafirmação de suas palavras. Estava aí outro motivo para continuar em frente e terminar aquilo tudo de uma vez: Bianca.

Simmon migrou, então, sua atenção para o centauro. Olhava para a velha criatura de forma desconfiada, pensando que este poderia ser uma armadilha ardilosa para matá-los. Contudo, algo perdido em sua voz e dentro do brilho de seus olhos fez o mentalista acreditar nele. Assim, aproximou-se o suficiente para poder discutir o que quer que fosse.

— Não há tempo para papear, mas... —  Quíron iniciou o assunto, fazendo uma pausa confusa e mentalmente dolorida. Parecia não entender o que precisava falar; parecia não entender o real significado do que falava. — Estava contando com vocês para segurarem as pontas por enquanto, e então... tudo acabou de um segundo para o outro. Mas agora vocês estão aqui de novo. Eu... Eu não sei se consigo explicar o que aconteceu. E não sei se há tempo para isso.

A velha criatura deveria estar senil. Poucas mentes sobreviveriam ao caos e à ruína que os cercava, caso vivenciassem tudo. Quíron parecia ser aqueles que quebravam psicologicamente quando tudo se perdia. Veja bem: era bem provável que o centauro já tivesse experienciado diversas guerras, cada uma mais sangrenta que a outra. Entretanto, para estar aqui, agora, vivo, haveria de ter vencido todas. Mas aquela atual, aquela que os cercava, ele perdera. E isso estava visível em seu semblante envergonhado e moribundo. Era possível ver todas as mortes que não pudera evitar, bailando macabras em meio a fogueiras sangrentas nas íris de seus olhos puídos. E ele sabia que a culpa era dele.

Simmon decidiu não falar nada para o centauro, pois sua própria mente já era o pior castigo que poderia vir a ter. Haveria de ser atormentado por si mesmo até que morresse, e mesmo depois de putrefato e perdido, sofreria constantemente em meio aos campos de punição, pois nada feito em vida, até aquele momento, haveria de equilibrar a balança de suas ações, a fim de minimamente justificar todas as vidas perdidas bem debaixo de seus cascos fendidos.

O filho de Zeus virou de costas antes mesmo que a velha criatura terminasse de falar. Teve tempo, ainda, de ouvir a respeito de Rachel e a última esperança de salvação. Mas que salvação? Vencer aquela batalha salvaria tudo? Haveria paz forte o suficiente para esquecerem a carnificina? Em uma guerra tão grande e devastadora, com tantas mortes e perdas, não há vencedor; quando coisas assim acontecem, todos perdem.

Logo após tudo isso acontecer, a voz familiar e fria da deusa que os levara até ali voltou a ecoar em suas mentes. Dizia sobre um segundo teste, sobre um retorno para casa, e sobre uma morte permanente. A última parte arrepiou a nuca de Simmon e o fez remexer o pescoço. Entretanto, como explicitado anteriormente, o filho de Zeus já havia tomado uma decisão. Meio pão sempre era melhor do que pão nenhum, e ele estava ali para devorar até mesmo as últimas migalhas e então matar o padeiro enforcado em suas próprias tripas.

A voz agradável, mas ligeiramente raivosa de Ayla entrou sem permissão em sua mente, reafirmando o que já tinha a intenção de fazer. Dessa forma, Simmon seguiu os demais, sem olhar consideravelmente para nenhum lugar específico e muito menos para Quíron. Percebeu, contudo, que a colega mentalista ficara para trás, assim como Bianca. Decidiu deixá-las, pois eram irmãs e ele não queria atrapalhar nada. Então, seguiu soturnamente, enfurnado em sua capa, pensando em um nada tão complexo que quase parecia algo factual.

Após diversos minutos de severa introspecção, nos quais simplesmente caminhara sem de fato perceber o que se passava no mundo exterior à sua mente, o olhar do filho de Zeus caiu subitamente sobre o membro mais novo do grupo. Uma carranca feia desenhou-se no rosto do mentalista, pois Peter era puro e inocente, ou pelo menos muito mais puro e inocente do que qualquer um dos outros ali presentes. E era seu meio-irmão, no fim das contas, mesmo que não conversassem muito; mesmo que não conversassem nem o suficiente. Simmon sentiu-se imprestável.

De forma ligeira, procurou algo nos bolsinhos de sua shaed. Brandeur tinha alma de viajante, por isso sempre carregava as mais diversas provisões, a fim de estar preparado para qualquer imprevisto que surgisse, fosse ele bom ou ruim. Ao encontrar o que procurava, trocou a carranca por um sorriso genuíno. Com passos lentos e, de certa forma, tímidos, aproximou-se do meio-irmão e, com um toque suave em seu ombro, chamou sua atenção:

— Ei, Peter, pronto pra salvar o mundo? — Perguntou entusiasmado, enquanto agachava-se para ter os olhos na mesma altura dos do garoto.

O menino virou-se rapidamente, levemente assustado. Contudo, ao ver Simmon e perceber sua pergunta, abriu um sorriso grande e quase gritou a resposta, de tanta empolgação. Parecia estar com aquela frase pronta, e a disse com tanta vontade que era como se a tivesse ensaiado várias vezes.

— Mas é claro! Eu sou um grande herói, quase tão grande como você!

Após essa explosão de autoconfiança, contudo, o menino pareceu ligeiramente apreensivo e pensativo. E, dada a situação e a falta de contato, Brandeur jamais poderia ter esperado que aquela pergunta surgisse logo naquele momento, logo para ele.

— Você acha que o papai nos abandonou aqui?

A sinceridade da dúvida de Peter atingiu em cheio o peito de Brandeur. Era uma pergunta tão complexa, cheia de tantas dúvidas e incertezas, que o deixou momentaneamente sem reação. A língua afiada do mentalista sempre encontrava algo capcioso para dizer, mas dessa vez não conseguira deixar de ficar imóvel e em silêncio. Quietudes assim raramente aconteciam; poucas coisas ou pessoas deixavam o falante semideus sem palavras. Peter quase conseguira, pelo menos por alguns segundos.

— Ah, não — Simmon respondeu, engolindo em seco. — Tenho certeza que ele tem um plano pra resolver tudo isso. Não é a toa que ele é o mais poderoso de todos, né? Enfim… Jhonn me contou como tu derrotou aqueles bichos. Disse que tu foi muito corajoso. Se continuar assim, será maior que todos nós. E muito mais descolado, é claro. Eu mesmo queria ter um pijama assim.

O sorriso de Peter fez com que Brandeur sentisse alívio por mentir. Quer dizer, não era bem uma mentira. Não era uma verdade, tampouco. Era uma indecisão, a certeza sobre algo que não estava certo. Ninguém merecia sofrer naquela idade. Não mais do que já vinha sofrendo, pelo menos. Não se fosse possível evitar. E, se no decorrer daquela aventura, Peter precisasse de ajuda e Zeus não aparecesse voando através das nuvens do céu, Simmon mesmo rasgaria a terra para ajudá-lo. Qualquer presença paterna era melhor do que nenhuma.

— Héracles, o nosso irmão, foi um semideus antes de virar um deus. Tu parece tão forte quanto ele. Talvez possa até ajudar nosso pai no Olimpo, hein?

A empolgação nos olhos do menino foi evidente. Dessa vez, Brandeur falava a verdade ou, pelo menos, com mais veracidade. Peter realmente era muito forte. Percebeu os olhos da criança brilhando em admiração e, por fim, pousando sobre shaed, sua capa de trevas. Com seus dedos pequenos e ágeis, tocou o tecido e sentiu sua composição. Pareceu não perceber que era feito de pura sombra costurada com luz estelar. Pareceu não perceber que era um pedaço do próprio manto de Nix.

— Sim, consigo lutar com ela. Na verdade, até ajuda com alguns movimentos mais acrobáticos. É mais fácil desarmar alguém com ela, além da proteção que me oferece. Digamos que é quase… um indivíduo. Quase viva. Além disso, quando preciso, ela ajuda a me esconder. Mas o mais legal é que possui muitos bolsinhos na parte interna, nos quais posso guardar diversos objetos. Inclusive, tenho um presente aqui pra ti. Quer?

Ante tais palavras, Peter prendeu o ar e tingiu as bochechas de um vermelho vivo. Dessa vez, era ele quem não esperava algo assim de Simmon. Entretanto, passado o susto inicial, abriu um sorriso largo e juvenil. Crianças são algo mágico e o mentalista as achava particularmente gentis e educadas.

— Quero sim! Quero sim! — A voz do menino soou estridente e alegremente exaltada. — O que é? Uma arma? Uma magia poderosa? Ou melhor… talvez uma sobremesa?

Brandeur soltou uma gargalhada grave e baixinha, pois o menino de fato acertara qual seria o presente. Como um mágico misterioso, Simmon colocou a mão dentro da capa e fingiu procurar algo. Após uma breve caça, finalmente tirou uma pequena barra de chocolate e a presenteou ao meio-irmão.

— Exato. Um pedacinho de chocolate pra ti.

O menino pareceu extremamente feliz e satisfeito com tudo aquilo. E Simmon, apesar de toda aquela máscara de sobriedade e introspecção que usava, também sentiu-se feliz e transbordante. Logo em seguida, contudo, percebeu que Ayla desgarrara-se do grupo e partira sozinha em direção ao rio do Acampamento. Dessa forma, despediu-se de Peter, dando-lhe um abraço e bagunçando seus cabelos. Fez uma promessa para si mesmo, inaudível e mental: tentaria se aproximar mais do irmão.

Após isso, verificou outra vez os bolsinhos de sua shaed, encontrando ali um cantil simples. Seria bom ter água potável, caso precisasse. Dessa forma, seguiu até às margens do rio, tão velho quanto as pedras escorregadias que ali repousavam, a fim de encher o objeto. Rumou exatamente para o mesmo ponto em que Ayla se encontrava. Talvez ela tenha sido o principal motivo que o levou até lá; talvez não. Eis uma dúvida que jamais será resolvida.

Ao chegar na fimbria que separa a terra do rio, o jovem agachou-se e observou as ondinhas regulares que se formavam entre os pedregulhos.

— Será que ainda dá pra beber essa água? — Perguntou em poucas palavras, mas dizendo muito.

A semideusa pareceu reconhecer a voz de Simmon, demonstrando então ficar visivelmente mais tranquila e assim baixando a guarda. Avaliou o lugar em que se encontravam; o sangue, os caídos, a morte. Fazia isso enquanto lavava as mãos, esfregando uma na outra e limpando a pele. Sua tez era alva como a luz de uma lua crescente.

— Sinceramente, não sei. Parece limpa, mas por correr, fica difícil saber o quanto desses respingos de morte escorreram das margens até aqui.

O filho de Zeus observou atentamente a espuma leve formada pela agitação das muitas moléculas aquáticas, ponderando a respeito do que dissera Ayla; ponderando a respeito da própria Ayla.

— De fato, não temos como saber. Encherei mesmo assim.

De forma delicada e precisa, encheu o cantil pacientemente. A pressa não importava. Queria aproveitar aquele momento de calmaria; queria aproveitar aquele momento com a garota. Virou o rosto para a semideusa e a observou atentamente, mas com ternura.

— Seu sorriso parece... enferrujado. Há quanto tempo não o usa?

A filha de Selene explicou-se com pinceladas breves e Simmon sorriu de leve com a primeira resposta da jovem. É, também sabia o que era ser sigiloso. Se cada segredo que ele carregava valesse o seu peso em ouro, o filho de Zeus certamente sucumbiria ao cansaço e à fadiga. Cada um tinha o direito de expor o quanto quer da verdadeira vida que lhe pertence, e Brandeur respeitava isso.

— A vida é longa e o mundo também. E os problemas, infelizmente. E as ausências. E mais tudo o que não deveria ser. Não te parece que o cansaço se tornou inerente aqueles que são humanos? — Fez uma pausa, pensativo. — Ou a quem é meio humano, como nós, sei lá?

Olhou mais uma vez para as águas ligeiras e frias e misteriosas que deslizavam velozes e voláteis pelo leito cavado na terra. Virou o rosto para Ayla. Será que... será? Deu uma risada curta que mais pareceu uma respiração ofegante solitária.

— Você veio aqui lavar as mãos? — Perguntou, ironicamente.

A filha de Selene o respondeu com um riso ligeiro, mas brilhante o suficiente para deixá-la ainda mais bonita. Sua simplicidade e determinação agradavam muito ao filho de Zeus, mesmo que ele não deixasse isso sempre claro. Simmon, então, encarou a semideusa exatamente como vinha fazendo anteriormente, mas de uma forma um pouco diferente, de uma alteração tão leve quanto a diferença entre um céu noturno com nuvens e um céu noturno vazio. Uma mudança tão sutil, tão etérea, tão imperceptível, mas ainda assim sem deixar de ser uma mudança.

Era como se a visse inteira, como se ela tivesse meio metro de profundidade e ele conseguisse atravessá-la com o olhar, com o entendimento. Ela, na verdade, era muito mais profunda e complexa do que isso, mas naquele momento específico, ele a via com clareza. Não era um poder; não lia sua mente. Era apenas uma empatia natural, um acordo silencioso entre os desígnios e as dores de ambos.

— Ah, garota, eu sei muito bem o que tu sente. Eu mesmo já senti. Eu mesmo ainda sinto, dependendo da lua. Por isso fugi para longe da intervenção divina. Por isso parei de usar poderes por um tempo. Por isso quase pensei em matar todo mundo.

Simmon levantou-se e modelou shaed magicamente, colocando nela um par de mangas e escondendo seu capuz. Agora, parecia quase um sobretudo feito inteiramente de sombras. Depois, olhou novamente para Ayla e deu um sorriso tenro.

— Então deixe-me te dar um conselho, pequena. A vida semidivina é tão complexa, cheia de tantas coisas para se fazer e tantos caminhos para se seguir que, na verdade, se torna invariavelmente simples: faça o que quiser, não mudará nada. Não existe apenas bem e mal. O mundo não se divide em dois espectros opostos. É maior que isso, mais volátil e mais indefinível. Há caos, há bondade, há regras, há maldade, há riso, há neutralidade, há choro e há uma espécie de amálgama disso tudo. Há mais e há menos e há nada. No fim, tu é o teu próprio inferno e o teu próprio paraíso. Não te desperdice.

O filho de Zeus aproximou-se lentamente da lupina e, de leve, deu-lhe um peteleco nostálgico na testa, relembrando outro momento, outro encontro, outra Ayla e outro Simmon.

— Sinta, tu tá viva. Pense, pois tudo o que eu disse pode parecer sem sentido a princípio, mas se tu olhar bem, talvez encontre algo importante perdido em suas entrelinhas subjetivas.

Após isso, a garota aproximou-se lentamente de Simmon e, com a rapidez de um beija-flor, presenteou-o com um beijo leve e breve na bochecha. O mentalista pensou em puxá-la para mais perto de si, prendendo-a em uma abraço firme, a fim de senti-la de verdade, mas demorou demais e o momento passou. Ayla se afastou e respondeu, em um sussurro que somente o filho de Zeus ouviu:

— Não, não parece sem sentido, Brandeur. Só espero que não seja tarde demais para encontrar encontrar… o que quer que seja.

Após tais palavras, virou-se e observou ao longe. Simmon também o fez e percebeu que, caso cruzassem o rio naquele exato ponto, poderiam cortar caminho. Entretanto, uma tensão pegajosa subitamente pairou no ar, arrepiando a todos, mesmo os que estavam mais distantes. O filho de Zeus sentiu-se alerta e desconfiado, como se estivesse no meio de uma arena, prestes a lutar pela vida. Contudo, rodeava-se de amigos e conhecidos. Aquilo não fazia muito sentido.

Então, de uma das diversas pilhas de corpos que se estendiam em todas as direções, um cadáver voltou a vida, inesperadamente e subitamente, como que reanimado por uma força mágica. E o sucederam outros seis corpos, de inúmeras pilhas, igualmente abruptos em seu levantar. Merda. Aquilo realmente não era algo bom. Outra vez a morte era subjugada pela deusa, que levantava cadáveres com extrema facilidade. Quais seriam as extensões de seus poderes?

Simmon desejou que o anel em sua mão direita se transmutasse em seu sabre, e assim aconteceu. Não sabia quem eram os mortos revividos, e tampouco sabia quais eram suas intenções ou tarefas, mas sabia que qualquer cadáver caminhante não era algo natural, e coisas não-naturais eram, pouco variavelmente, ruins ou maléficas. Tinha experiência com isso. Já encontrara demônios e coisas piores do que demônios. Matara vários e negociara com outros, mas jamais confiaria em algum.

Ouviu a voz do filho de Atena, dizendo que não fazia sentido investir contra as criaturas naquele momento. Mas o que ele sabia? Brandeur não confiava nele, desde o começo daquilo tudo. Então partiu em frente, passo ante passo. Mesmo preparado, não pretendia lutar, e sim entender o que eram os seres e por que estavam em pé.

Entretanto, ao tentar focalizar o rosto do ser que estava mais a frente, percebeu que não era um morto-vivo. Na verdade, não parecia morto em nenhum aspecto. Respirava, até. Não eram seres ou criaturas; eram pessoas, vivas, com sangue correndo nas veias. Aquilo fazia menos sentido a cada momento.

E então, de forma totalmente natural, uma dessas pessoas se virou e encarou Simmon de frente, nos olhos. Nesse instante, algumas coisas aconteceram ao mesmo tempo: o coração do filho de Zeus deu uma batida forte, cheia, vigorosa, e então parou; suas mãos tremeram e seus joelhos também, o sabre vacilou e caiu no chão, erguendo poeira pútrida com um estrépito.

E, por fim, a pessoa sorriu, e era uma garota e estava grávida e era linda.

Era linda.


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Nova Iorque, 14 de dezembro — Cinco anos atrás.


Fazia frio dentro do bar. Com exceção da música melancólica que tocava baixinho, um silêncio arredio e volátil sussurrava em volta dos objetos ali postados, contornando e destacando suas falhas. Simmon jazia grave, envolto na quietude como se esta fosse uma capa protetora. Sentava em uma banqueta alta, bebendo com serena determinação, evitando de forma estupidamente falha pensamentos tortuosos. Seus olhos amalgamavam obtusamente azul e vermelho, pois havia pranteado copiosamente nas horas anteriores. Naquele instante, o jovem era menos do que já fora. Era mais uma casca do que gente. Era mais a sombra de algo do que o algo em si. Na verdade, é possível dizer que, naquele momento específico, Simmon não era.

Naquela noite, era a décima terceira vez que o jovem repousava um copo vazio sobre o mogno escuro e limpo do balcão. Já sentia a boca ligeiramente adormecida pela ebriedade, mas ainda não estava bêbado, ou pelo menos não tão bêbado quanto desejava estar; não tão bêbado quanto sentia que merecia estar. Suas mãos tremiam caoticamente, veias arroxeadas saltando aos olhos. Agouravam as muitas hemorragias físicas e psicológicas que aconteceriam em um futuro próximo. Respirava de forma pesada, sempre soltando mais ar do que inalara; era bem provável que, a cada respiração, perdia um pouco do próprio fôlego. Morria devagar, preso por dores em cordas invisíveis, conservado em álcool e mergulhado em lava, ao som de
Simon & Garfunkel.

Antes de o jovem filho de Zeus pedir a próxima bebida, porém, a porta do estabelecimento se abriu e por ela passou um tipo meio avesso. Era pálido como são pálidas as velas em capelas mortuárias, e tinha olhos escuros como são escuras as tumbas pútridas de cemitérios pavorosos. Não seria imaginação se as almas presentes no bar sentissem que o ambiente esfriara. O recém-chegado observou ligeiro a todos ali sentados, até avistar Simmon, que ainda decidia se pedia mais um White Russian ou algo mais etílico. O outro caminhou pesadamente, vencendo a distância que o separava do filho dos céus e pousando a mão em seu ombro de forma nostálgica.

— Te procurei a noite toda, primo.

Simmon o olhou e riu, mas não de alegria. Era um riso de escárnio, debochado e arredio. Um riso de repulsa, asco, angústia e aversão. Um riso que demonstrava que ele não se importava com as tentativas frustradas do outro para encontrá-lo. Um riso que trazia à tona um sentimento de insignificância e descaso pelas regras amistosas e éticas aplicadas sobre aqueles que vivenciam o luto. Um riso de desespero, mas também de ódio. Um riso niilista, característico daqueles que perderam o mundo.

— Foda-se. Vá embora.

O recém-chegado franziu as sobrancelhas e aproximou-se ainda mais, sentando também sobre uma das banquetas. Pediu uma garrafa d’água ao responsável pelo bar, pois pretendia diminuir os efeitos do álcool entremeados sem intermitências pelo sangue e pelos músculos da carne triste do filho de Zeus. Pretendia consolá-lo, também, mas tinha pouco ou nenhum jeito para a coisa, por isso o que pretendia de fato era levá-lo novamente ao Acampamento Meio-Sangue, onde alguém cuidaria disso. Deixar Brandeur assim, perdido e se perdendo, era como soltar uma bomba nuclear no mundo inteiro. Era catástrofe certa.

— Joanna será sepultada pela manhã. — Silêncio profundo, triste. — E o bebê também. Nasceu morto. Você precisa se recompor até lá, não vai qu-

Nesse instante, entretanto, Simmon ergueu-se rapidamente, agarrando o recém-chegado pela garganta. Usou sua mão grande e forte para apertar com força o pescoço magro do sujeito, desejando que seus dedos se juntassem e esmagassem sua carne infernal. No último instante, todavia, decidiu que a morte não lhe apetecia, e assim jogou o outro por sobre as demais banquetas. Este caiu como um boneco de cera, quebrando os objetos em dezenas de pedaços e lascas, uma mancha vermelha e latente preenchendo sua garganta: cinco marcas de dedos indicando o quanto estivera perto de uma morte inútil.

— Eu te proíbo de falar dela! Juro pelo rio Estige que, se na minha presença tu abrir a boca mais uma vez para pronunciar qualquer coisa minimamente ligada a ela, eu te mando para o mais profundo abismo do Tártaro, onde nem o teu pai vai conseguir te achar, não importa o quanto tu reze e grite e chore.

Em seguida, tirou uma nota de 50 dólares do bolso e jogou-a sobre o balcão. Encaminhou-se até a saída, chutando qualquer estilhaço de madeira que porventura estivesse em seu caminho. Antes de passar pela porta, porém, virou-se e mirou o outro, que tentava encontrar o equilíbrio enquanto se levantava em meio às banquetas quebradas.

— Escute três vezes, bastardo: por que tu acha que pode supor que eu gostaria de estar lá? Mortos estão mortos. Carne apodrece. — Fez uma pausa, sentindo o gosto das palavras que estava falando; eram amargas. — Ela não está viva e jamais vai voltar a estar.


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Simmon vacilou e caiu de joelhos. Perdera a força das pernas e já não conseguia mais ficar em pé. Seu queixo tremia e seu peito parecia imerso em um poço de xarope; respirar era difícil, falar era difícil, manter-se ereto era difícil. Joanna morrera. Falecera há mais de cinco anos. O filho de Zeus sabia disso. Não a vira sendo enterrada, mas sabia. Todos sabiam. Morrera durante o parto do filho que jamais tiveram. Morrera ainda jovem, ainda adolescente. Vivera pouco, de forma arriscada a fim de salvar vidas, e morrera durante um dos momentos de maior felicidade que poderia vir a ter na vida. Os deuses eram miseráveis, sempre foram, mas Brandeur só percebera isso depois de sua morte.

Com extrema dificuldade, o mentalista levantou-se e, inebriado por lembranças e dores antigas, caminhou em direção a Joanna, a mão esticada como um mendigo ou um flagelado suplicando pela mínima atenção de um bom samaritano. Cada passo doía, não fisicamente, mas psicologicamente e emocionalmente. Ela também caminhava em sua direção, o sorriso brincalhão e inocente que sempre estivera presente em momentos de descontração. O brilho nos olhos era o mesmo de sempre e, quando chegou perto, parando na frente de Simmon com uma ruga de indagação franzindo em sua testa, inundou o ar com seu perfume de amoras maduras e tulipas primaveris. O cheiro dela. O cheiro dela.

E estava ainda grávida, como se sua morte tivesse, de alguma maneira, mantido o bebê alimentado e estável. Nada naquilo fazia sentido e jamais iria fazer, mas era ela. Tinha certeza que era. Tudo dizia e mostrava e gritava que era ela, a Joanna de sempre, a mesma garota que ele amara e cuidara de todas as maneiras que conseguira. E então ela falou, e quando abriu a boca sua voz era indiscutivelmente a mesma, do timbre fino e cantado, como se cada frase tivesse sua musicalidade própria e fosse o refrão da música mais bonita.

— Por que você não morre, amor? Eu estou aqui, mas você sabe que é temporariamente. Só que, se morrer, se matar, poderá se juntar a mim logo logo. Eu sinto tanto a sua falta.

E então Simmon chorou pela primeira vez. Não muito, não abundantemente, mas pouco, de forma escassa e baixa. Chorou porque já pensara nisso, e já tentara isso, e já desistira disso tantas vezes que já se sentia totalmente seguro. Não mais tentaria se matar... pelo menos até aquele momento. Mas a voz dela, e o semblante ao pedir, e o movimento dos lábios dizendo que sentia a falta dele, fizeram tudo aquilo retornar. Suas mãos pararam de tremer, pois não mais sentia-se nervoso, não mais sentia medo. Na verdade, sentia-se completo, muito mais completo do que jamais fora desde a partida dela.

Abaixou-se para pegar o sabre, para então cortar o próprio pescoço, ou perfurar seu fígado ou seus pulmões, ou qualquer outra maneira de morrer. Contudo, nesse instante, roçou o rosto na barriga de Joanna. Sentiu seu calor, mas sentiu também um leve chute, delicado, do bebê ali dentro. Do seu bebê, o bebê deles. Do bebê de que seria pai, um dia. Do bebê que não mais seria pai, em nenhum dia.

E aí lembrou de todas as coisas que planejara fazer quando soubera da gravidez, para ser alguém mais correto e também um pai melhor para esse bebê. De como pensara em mudar cada aspecto de seu mundo para melhor cuidar da criança que seria sua, e assim garantir que o mundo dela fosse melhor que o seu, para que ela não precisasse fazer as escolhas que ele precisava. Lembrou da promessa que fizera ao filho não nascido; a promessa de que faria da vida algo melhor de se viver. E, então, soube pela primeira vez que o amor pelo filho que nunca viu superava em muito o amor que ainda sentia por Joanna.

E então Simmon chorou pela segunda vez. Chorou de raiva de tudo, dos deuses, das Parcas, do mundo. Chorou um choro frio e igual a todos os outros que chorara desde a morte dela e da criança. Choros estes de vingança, de ódio por perdas. E chorou, agora, também, porque sabia que havia coisas demais o prendendo à Terra. Vínculos demais, coisas excessivas a resolver para que, de alguma forma, todo o esforço feito, todo o amor perdido e toda a esperança renegada pudessem ser, de alguma forma, vingados. Para que o mundo fosse melhor ou pelo menos mais justo. Para que o mundo, depois que ele morresse, independente de quando isso acontecesse, fosse um lugar melhor do que quando ele chegara.

Mas Joanna pareceu perceber isso. Viu que Simmon não tiraria a própria vida; viu que não venceria tão facilmente na conversa. Dessa forma, quando Brandeur voltou a endireitar a coluna, afastando a mão do sabre e encarando-a enquanto balançava a cabeça em negativa, ela resolveu mudar a abordagem.

— Você é fraco, Simmon. Te falta ódio.

E foi aí, nesse momento, que o filho de Zeus percebeu que algo não estava totalmente certo. Mesmo que aquelas palavras o magoasse, por virem de Joanna e principalmente por serem verdade, ele sabia que ela jamais falaria algo assim. Não estando totalmente bem; não se estivesse em pleno controle de suas faculdades mentais. Então passou a prestar mais atenção nos atos da jovem. Por conta disso, dessa atenção, conseguiu desviar quando a semideusa tentou lhe acertar uma cabeçada, por estar perto.

— O quê?! Amor, o que tu tá fazendo? Eu sei que tu está triste, mas eu não posso morrer! Não ainda.

Na sequência, Joanna partiu pra cima do mentalista, desferindo vários socos em sua direção. O jovem desviou de todos, pois a garota nunca fora boa em combates, já que sempre se machucava quando ia à Arena, e também por ter os movimentos diminuídos por estar grávida. Dessa forma, incapaz de fazer outra coisa, Simmon foi apenas se afastando e desviando, impotente demais para pensar em algo; dolorido demais para fazer algo.

Então, quando a oportunidade de desferir um golpe surgiu, após se esquivar de vários socos, Brandeur fechou bem os punhos e preparou-se para acertar um único murro certeiro e parar com aquilo tudo. Agora tinha certeza que Joanna não estava bem, que estava sendo controlada. Não passou por sua cabeça que aquela pudesse não ser sua namorada morta.

Entretanto, no momento derradeiro, quando tudo estava perfeitamente pronto para desferir o golpe, o jovem não conseguiu. Hesitou. Lembrou da vez que a menina contara, entre soluços e arrepios, que seu padastro a espancava quando criança. Depois, lembrou do momento que lhe dera um beijo em cada olho, em uma brincadeira interna, dizendo que jamais a machucaria. Por isso sua mão não se mexeu; seu braço travou, seus nervos basicamente amorteceram. Seu subconsciente sabia que ele não queria machuca-la. E, no momento desse vacilo, a jovem utilizou dessa brecha para lhe acertar um chute na virilha, no meio das pernas, que o derrubou no chão com um estrondo.

Era a pior dor física que ele poderia sentir; que qualquer homem poderia sentir. Entretanto, mesmo com a aflição excruciante que sentia, Simmon pensou rápido e passou uma rasteira na semideusa. Ela também cairia com um estrondo, exatamente como ele, mas o jovem tratou de segurá-la, logo antes de atingir o chão, para que não se machucasse. Todavia, a jovem estava indefesa, de costas pro chão, então o filho de Zeus agarrou-a por trás, passando o braço por seu pescoço.

A intenção era lhe aplicar um mata-leão, a fim de imobilizá-la, e foi isso que o semideus tentou fazer. Apertou-a com força, para que ela logo dormisse, contudo, independente de quanta força ele colocasse, ou quanto tempo a segurasse, ela resistia em dormir, debatendo-se raivosa e dando socos onde alcançava em Simmon; estes acertavam, majoritariamente, o seu joelho. Machucavam mais a ela mesma do que ao garoto.

Em seguida, Simmon apertou mais, mas ela não apagava. Aí apertou mais, e permanecia acordada e se debatendo. Então ele apertou mais, e gritou enquanto apertava; não sabia bem o que fazia, pois sentia-se confuso, já que nenhuma pessoa normal aguentava tanto assim. Então apertou-a com toda a força, também tentando esticar seu pescoço, para que pudesse obstruir com mais facilidade o ar. Mordeu o lábio e prendeu a própria respiração. E aí, nesse momento, enquanto suas veias saltavam e seus nervos pulavam, ele errou os cálculos. Sentiu um leve estalo e o som de ossos se partindo e a sensação de cartilagens sendo esmagadas. Bem, pelo menos preferia acreditar que foi um erro; jamais saberemos, há que não gosta de pensar nisso.

E então Simmon chorou pela terceira vez. Chorou porque percebeu que Joanna morrera. Chorou porque ela morrera mais uma vez, uma segunda vez. Chorou porque a vira grávida de novo, e agora também a via morta, coisa que não vira anteriormente, porque fugira, covarde como era; covarde como é. E dessa vez ele a matara; um assassinato, mais um entre tantos, mas o pior de todos. Por conta disso, Simmon se desfez em centenas de milhares de pedacinhos. Fez-se pó puído, e depois pó encharcado com as próprias lágrimas. E exatamente como há cinco anos atrás, Simmon sentiu-se menos, sentiu-se nada. Outra vez, Simmon sentiu que não era.

Se sabe pouco a respeito do que aconteceu depois, apenas que Simmon sentiu um buraco negro crescer em seu âmago e uma estrela morrer de forma fria em sua mente. O resto de seus atos foram feitos no piloto automático. Como um verme sem expressões, Brandeur arrastou o corpo de Joanna até o rio e, sem ter coragem de se despedir, ou de fazer qualquer coisa minimamente decente, a viu ser levada pela correnteza. Pelo menos não a deixou apodrecendo na terra.

Após ajuntar o sabre do chão, Simmon desviou rapidamente o olhar para ver como estavam seus companheiros. Nesse instante já percebera que cada um ali enfrentara algo semelhante a ele. Cada um com suas dores e seus demônios e seus amores. Todos pareciam abalados, uns mais e outros menos. Talvez ele fosse um dos menos afetados, pois já enfrentara aquele mesmo luto uma vez. Pegou, então, sua shaed, e transformou-a novamente em uma capa longa, com capuz. Diminuiu o passo e, enfurnado na escuridão das sombras mornas de sua veste, afastou-se dos demais. Ficou atrás de todos. Não se sentia digno de nada, nem de se aproximar deles.

Por estar longe, quase não percebeu a chegada do Oráculo. Só notou que estava ali quando o volume de seus cabelos ruivos chamou sua atenção. Aproximou-se pouco, ficando razoavelmente perto, o suficiente para escutar sua voz. Ouviu sobre ressurreições e sobre o contato perdido com as divindades. Pensou em Zeus e em Peter e depois em sua própria criança que morrera. Sentiu vontade de vomitar, mas engoliu e permaneceu ali, ouvindo. Ficou sabendo, então, que a deusa escarlate esperava as sete almas no refeitório. E daí?

Entretanto, quando tudo parecia levemente esclarecido, Rachel subitamente se contorceu e foi envolvida por uma névoa ébria esverdeada. Sua voz engrossou e se multiplicou, como se fossem muitas em uma só. Já vira aquilo antes, quando recebera sua própria profecia; uma profecia que ainda não se concretizara; uma profecia que achava que, provavelmente, nunca se concretizaria.

Essa nova profecia, contudo, falava de sete semideuses renascidos do nada, das cinzas. Falava que enfrentariam, de alguma maneira, adversidades físicas e mentais. Falava também de uma responsabilidade que ele não queria ter, mas que se obrigaria a realizar, pois havia muitas promessas para cumprir e muito o que salvar.

Afastou-se dos demais e, escondido, vomitou. Dessa vez não conseguiu segurar. Abriu, então, mais uma das garrafinhas de uísque e lavou a boca com álcool. Tomou outras três. Sentia-se, mais uma vez, e não pela última vez, perdido. Sentia-se quebrado, desmontado. Muitas das coisas que acreditava piamente já não faziam sentido; muitas das coisas que achava impossível acontecer mostravam-se reais e palpáveis.

Lembrou de Peter, então. E de Ayla e de Bianca. Lembrou de juras quebradas. Lembrou que, momentos atrás, estava decidido a prosseguir. Mas agora... agora? Nem sabia mais o que queria. Sabia, no entanto, que não estava psicologicamente bem, e que não devia tomar decisões naquele momento. Dessa forma, decidiu continuar firme, pelo menos por enquanto, pelo menos até ter certeza do que não sabia.

Continuou afastado de todos. Não queria opinar. Onde fossem, iria, e talvez pudesse até fazer o certo. Talvez não. As coisas pareciam canhestras demais para se estabelecer uma ordem agora. Foda-se tudo. Simmon só queria mesmo era afundar o mais longe que conseguisse dentro de si mesmo. Se possível, gostaria de se implodir.

Talvez a melhor contribuição que poderia fazer pro mundo fosse se apagar dele.


Detalhes:
Itens:
ϟ {Shaed} / Capa [Feita inteiramente das mais diversas sombras, foi costurada delicadamente com a luz da lua e das estrelas, balançando conforme a própria vontade, mesmo sem vento. É bastante maleável, podendo se transformar naquilo que seu portador desejar, seja uma capa curta, uma pelerine, um cachecol, uma capa longa com capuz ou qualquer coisa entre isso. Como a escuridão das sombras é o principal material de sua composição, ela fornece uma grande camuflagem à noite ou em ambientes escuros, tornando seu portador "invisível", mas na verdade ele está camuflado, furtivo. Porém, o ambiente deve ter sombras que possam proporcionar tal camuflagem, ou seja, um quarto com pouca luminosidade funcionaria, mas não a sombra de uma árvore às quatro horas da tarde. Apesar disso tudo, praticamente todas as pessoas e semideuses pensam que, embora bem feita e sofisticada, ela seja uma capa comum. Tem diversos bolsinhos em seu interior, que podem guardar os mais variados objetos] {Sombra, luz lunar e luz estelar} (Nível Mínimo: 20) {Camuflagem} [Recompensa pela DIY: "Mão-Leve"] — Cobrindo o semideus, na forma de uma longa capa com capuz.

ϟ {Åska} / Lança [Feita inteiramente de bronze sagrado, sua ponta é maior do que a de lanças comuns, possuindo a forma de um raio. Isso acaba deixando-a mais difícil de manejar (para quem não é acostumado), porém, em contrapartida, pode causar danos potencialmente maiores, ainda mais se considerado o seu peso, pois até seu cabo é metálico. Esse dano adicional, contudo, não é inerente à arma, mas sim depende do manuseio e das habilidades do semideus.] {Bronze sagrado} (Nível Mínimo: 01) [Presente de Reclamação de Zeus] — Presa às costas.

ϟ {Förlust} / Sabre [Possui o punho aberto, com o pomo no formato de uma cabeça de águia. Seu cabo anatômico permite o manejo mais fácil de cortes circulares (quando se luta a pé) e de cortes oscilantes (quando montado no cavalo/pégaso). É feito de bronze sagrado e seu punho é revestido por couro. Vem junto de uma bainha de couro. No nível 20, transforma-se em um anel de aço. Entalhadas pela superfície circular do objeto estão a cabeça e asas de uma águia.] {Aço e couro} (Nível Mínimo: 01) [Presente de Reclamação de Zeus] — Mão direita, em forma de anel.

ϟ {Puls} / Bracelete [É quase todo feio de prata, sendo a única exceção o entalhe de uma borboleta, preenchido com ouro. Esse bracelete pode ser ativado com o desejo mental do usuário, transformando-se em uma corrente que pode medir até 10 metros. Essa corrente é feita de prata e ouro sagrado, sendo extremamente resistente, chegando ao ponto de ser semi-indestrutível. Ela obedecerá aos comandos mentais do Mentalista com perfeição, independente do nível que ele esteja.] {Ouro Sagrado e Prata Sagrada} (Nível Mínimo: 01) {Psíquico} [Presente por ser Mentalista] — Pulso esquerdo, em forma de bracelete.

ϟ {Motsatt} / Espada [Possui o punho prateado com um desenho bem talhado de uma borboleta, em azul. Sua lâmina é de uma beleza diferenciada, pois é dividida exatamente ao meio, no cume central. Uma metade é feita de um material negro e a outra metade é feita de prata sagrada. Seu corte é duplo e sua ponta é bastante fina. É muito resistente. Possui uma habilidade que ativa um segundo modo, no qual a espada original se divide em duas, uma de lâmina totalmente preta e outra de prata sagrada. Nesse segundo formato, a sua resistência diminui um pouco, porém seu corte fica extremo, podendo cortar metais pesados e causar efeitos sobre armas sagradas e celestiais. Essa espada vem em uma bainha preta com entalhes azuis de borboletas. Tal bainha se adapta magicamente ao corpo do Mentalista, podendo ser usada do modo que este desejar carregar a espada.] {Prata Sagrada e Material Negro} (Nível Mínimo: 01) {Psíquico} [Presente por ser Mentalista] — Presa ao cinto, posicionando-se ao longo da perna, de forma firme e em sua bainha adaptável.

ϟ {Lysergsäure} / Pílulas mágicas [Pequena caixa de plástico contendo cinco pílulas de coloração amarelada (se assemelha a "Tic Tac"). Cada uma dessas pílulas tem uso único (ou seja, após o item ser usado cinco vezes, será apenas uma caixa vazia, podendo ser descartada do arsenal). O conteúdo, caso ingerido, potencializa em 25% os sentidos do usuário, permitindo-o uma melhor percepção de imagens ou sons, por exemplo — útil para encontrar algo a distância ou evitar um ataque surpresa, desde que seja possível. Vale lembrar que apenas estimula o desempenho, não significa que é certeza e tampouco o faz enxergar na escuridão ou o que foi oculto. Também aumenta em 25% sua resistência a ataques físicos, diminuindo assim a sensação da dor. Esses efeitos duram até dois turnos após uma pílula ser ingerida, uma vez por evento ou missão. O uso de mais de uma pílula por vez não faz as porcentagens acumularem, sendo apenas um gasto em vão.](Contador de pílulas restantes: 05) {Não controla nenhum elemento} (Nível Mínimo: 20) [Recebimento: Missão "Dirty Work", por Alaric L. Carter e atualizada por Psiquê] — Em um dos diversos bolsinhos de shaed.
Poderes:
Nenhum.
Observações:
Peço perdão pelo vacilo.
Simmon Wilem Brandeur
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Re: — {Chaos and ruin}: MOPCED para Ayla, Alaric, Bianca, Drillbit, Jhonn, Peter e Simmon

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