Teste para filhos de Hades — Abril

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Re: Teste para filhos de Hades — Abril

Mensagem por Morgana Khaem Gorski em Qua 12 Abr 2017, 16:29

☾ death ☽
me and god, we don’t get along so now I sing: no ones gonna take my soul away.


Características Físicas:
O porte é esbelto, realçado por um corpo magro dono de uma palidez mórbida e excessiva; traços comuns àqueles que carregam a morte em seu nome. Todavia, os olhos escurecidos podem ser o diferencial: castanhos no entorno das íris, negros no interior como um par de ametistas orgulhosas e lapidadas. Exibe uma camada fina de pelos negros nos braços e pernas, com lábios rosados – secos na maioria do tempo. Os cabelos, espessos fios e delicados, estão perfeitamente delineados até a testa pequena, enquanto as maçãs da face mostram-se protuberantes e salientes. Dono de pés pequenos e dedos proporcionais, a aparência frágil que o rodeia expressa o medo sentido pela exposição ao mundo lá fora, deixando que seus sentimentos transparecerem pelo olhar flácido de um alguém que se perde num mundo finito, limitado, um mundo que, assim como ele, está morrendo aos poucos.

Características Psicológicas:
O que se pode afirmar, com certeza, é que poucos conhecem a real face de Seth. Não aquela que se mostra ao mundo através de uma janela de ilusões, mas sim aquela que ele mantém oculta atrás de uma camada erigida pelo mesmo, feita de gelo e sombras – mecanismo de defesa contra os predadores, ou melhor, os humanos. O sarcasmo é o veneno de sua voz, tal qual a ironia que insiste em espreitar pela boca, desavisada. Complacente aos inúmeros males, concorda com uma frase que foi esporadicamente associada a Maquiavel: “os fins justificam os meios”. Posicionando-se a esse favor, reflete a respeito da luxúria interna que carrega, além de um egoísmo nocivo característico de alguém que passou a vida isolado, vivendo consigo mesmo e com sua própria sombra. Passou a aceitar qualquer trauma que viesse sofrer, pois sabe que as mais difíceis situações corroboram para o aprendizado das mais importantes lições. Não acredita na bondade humana, afinal o Gorski conhece a morte e seus artifícios. Tratou, então, de conhecer seus mecanismos, suas razões e o principal: seus benefícios. Seth é fogo negro que queima, inconstante. É dor na alma sentida por motivos pessoais, é sangue que escorre das feridas de um pulso cortado por uma lâmina depressiva, é o descrente, o Anticristo e o desespero. Afinal, para ele, já não resta esperança ao mundo além de entregar-se aos braços da morte – uma querida amiga, uma velha inimiga.



1 – Crane, das verdades imensuráveis e duras.

Ele desceu do carro segundos após sua parada, empurrando a porta de metal negro. Colocando o primeiro pé para fora, sentiu os sapatos caros se atolarem na lama macia coberta com folhas mortas provindas de um carvalho não muito distante, onde as raízes grandes da velha árvore do local em questão estavam submersas numa lagoa pequena de folhas vermelhas e secas.

— É aqui. — sussurrou ao embrulho que trazia nos braços, recebendo o reconfortante silêncio da criança ali. O motorista já pegava as três bagagens pequenas que pertenciam ao recém-nascido, as quais continham roupas previamente compradas pela assistente social para os meses que se seguiriam. Somente então, Crane se permitiu olhar para a estrutura monumental que erguia-se fronte dele.

Gótica, a criatura de pedras alcançava as macias nuvens carregadas acima. Erguido numa falésia constantemente beijada pelo mar, nos confins daquele território, seria difícil encontrar a criança que, até então, tinha a existência contestada. Salvo o próprio homem, a assistente social e as freiras que os aguardavam, o sigilo sobre a vida do garoto permanecia dominante sobre eles. Ordens do pai.

Contou sete torres, duas contendo sinos antigos. Os anjos que pedra que olhavam-no causaram arrepios no homem de meia-idade; espiavam seus pecados que eram abundantes. Deixaria ali o garoto que recentemente perdera a mãe no parto? Era assustador pensar que aquele bebê que não chorava estaria entregue aos cuidados de mulheres ligadas à santidade, sabendo que a mãe de seu neto não era nem um pouco ligada à religião. Olhar o pequeno Seth, por vezes, o fazia lembrar de quando observara a mãe dele em seus braços anos atrás, chorosa. Esse bebê, contudo, padecia um cadáver frio. Silencioso, envolto em lençóis requintados tão macios quanto seda chinesa, seu descente ali seria esquecido.

— Chegou a hora. — avisou Bartolo, o velho motorista que por anos o guiara, também havia o acompanhado até ali por ser a única pessoa que confiava em vida. O internato tinha poucas crianças, afinal os pais viriam buscá-las algum dia, mas soubera que também era um orfanato. Pensou na estranheza daquilo.

Quem iria construir um orfanato nos confins da Irlanda do Norte, construção essa que não tinha nada além de um mar interminável e uma igual floresta rodeando-a? Era assustador, melancólico como o pai daquela criança. Sombrio, guardado em si. O internato poderia significar a vida de Seth. Que assim fosse.

Segurava a criança com afinco, mesmo quando a Madre Superiora veio até ele, blindada em sua vestimenta negra. Os olhos azulados encararam o ser pequeno e frágil que foi entregue aos seus braços firmes e acolhedores, recebendo um beijo na testa por parte do avô. Crane não gostava de despedidas.

— Qual o nome da criança? — ela indagou. O mais velho suspirou, observando as gotículas que agora começavam a cair, uma após a outra. A nuvem negra cumpria sua promessa de chuva, a qual ele nem havia notado no momento em que chegara no fim do mundo.

— Seth. 


2 –  “A morte é vida”, por Joy.

O máximo que eu podia ver, naquele segundo, eram os cabelos molhados e pretos pertencentes ao menino que brincava sozinho no pátio. A chuva fria não parecia incomodá-lo e, vez ou outra, me enviava sorrisos alegres que eram raros de serem encontrados. Me permitia observar o corpo magro de criança, podendo afirmar com clareza que sua magreza não se limitava às pernas, como outros afirmavam. Tinha braços e um tronco fino, porém belos de alguma forma. Não parecia doente, isso não. Somente tinha dentro de si um tipo diferente de vida – uma sina estreita conectada à morte, coisa que ambos entendíamos bem.

Olhando do canto de meu quarto, dei uma risada baixa ao vê-lo tropeçar numa das raízes ocultas do carvalho no pátio. Estatelou-se na lama; a Madre iria brigar bastante por isso. Todavia, não entendiam que Seth só poderia sentir-se livre naquele tipo de clima: o inverno, sua estação predileta. Pelo menos, a neve iria cair em breve, já que eu facilmente denotava o fim do outono a partir da coloração das folhas da extensa floresta úmida que cercava o internato. As outras crianças que aqui viviam, as quais eu podia contar a dedo, não se importavam em não poderem brincar lá fora, mas eu sim, tal qual Seth Khaem.

Ele não era um menino normal, como eu ouvi dizer a cozinheira para sua assistente. Roubávamos biscoitos naquele dia – duros por estarem guardados no pote semanas depois de terem sido feitos. Seth, meu companheiro de aventuras por esse lugar, chorou a noite toda mesmo após dizer que sabia daquilo. Chorou por estar magoado, o que me causou dor também. Deduzi sua peculiar anormalidade um dia depois, quando todos os internos dali, entre seis e sete anos, brincavam na área externa. Ouvimos gritos que afogaram nossas alegres risadas, então mais tarde veio a notícia: a cozinheira seria substituída, voltaria à capital pois sofrera um acidente com a faca. O que o curioso Seth descobriu depois foi que, acidentalmente, a mulher de dentes amarelos havia dado um jeito de enfiá-la na própria barriga conforme cozinhava e picava temperos.

Eu cheguei a duvidar de meu amigo, foi um fato, mesmo na idade infantil. Teria ele causado aquele acidente? De algum modo, sim, mas não diretamente. Gorski estava comigo quando aconteceu, mas o destino tratou de punir aquela repulsiva mulher. Brincar sozinho era uma das suas especialidades, já que não compreendia as outras crianças.

Exceto por mim.

Ele me compreendia desde o segundo em que nos conhecemos. O dia de minha chegada foi o dia em que ganhou uma melhor amiga e eu, um par perfeito. Ele não sabia sobre meus sentimentos, é claro, mas eu deixava-os transparecer sempre que podia. Dizia-me, na calada da noite, que eu era abençoada por ter uma conexão com os mistérios da vida; isso se dava ao fato de um acidente, onde a morte passara próxima a mim, meses antes de meu pai decidir colocar-me naquele lugar. Contudo, Seth dizia que não era Deus o meu salvador naquele momento, nem ele sabia quem era. Arrumava-se aos domingos, mas não frequentava as missas obrigatórias, estando sujeito às punições impostas por seu comportamento errôneo. Rezar durante horas pra quê? Aquela alma estava entregue ao pecado, aceitando-o num deleite de seu toque. Eu não era tão diferente, sendo a menina travessa que sempre fui, gostava de experimentar o gosto pecaminoso que Seth se embriagava.

Ele era meu pecado, de algum modo.

Encarando-o da minha alta janela, esperava que ele viesse ao meu quarto como fazia todas as noites. Dizia sentir-se acolhido nas sombras, até mesmo furtara duas generosas fatias de bolo na cozinha para entregar-me. Dizia que necessitava de mais contato com o elemento que compunha sua alma.

— O que é? — perguntei uma vez, quando somente o luar propiciava alguma luz para meu quarto na noite em que me contou seu segredo.

— A morte. — disse em meu ouvido. Como se fosse ontem, ainda lembro dos arrepios que me percorreram o corpo, não pela palavra mórbida a mim proferida, mas pela sinceridade explícita nos olhos fundos.
Seth mudara minha concepção sobre a morte desde então, afinal, era algo ligado à vida. Como um filme, onde se tem certeza que uma hora acaba, mas os humanos errantes – era como ele chamava nossa raça – insistiam em querer viver todas as aventuras e dramas. Fazia sentido, eu sabia, por isso não o tachava como bobo ou estranho, como faziam nossos colegas. Ele era dono de uma beleza diferenciada, algo que só existia na Dádiva, como chamava a morte. Eu prometi que escreveria um livro sobre isso.

Um livro sobre a morte, elemento esse que era vida para Seth. Queria entender a morte como ele o fazia e, por fim, abraçá-la.


3 – Wolfie, de noites descrentes e sorrisos mórbidos.

Ele aceitou o destino melhor do que eu esperava ter feito. Enquanto fitávamos as inúmeras ondas distantes, azuis e ferozes por conta do princípio do inverno, a chuva abatera-se sobre o internato, surrando as lânguidas paredes de pedra e deixando as crianças encolhidas em seus cobertores de lã. O garotinho encolhido que chorava já havia perdido a fala após tanto gritar, assim como as demais crianças que tentavam consolá-lo.

Todas molhadas, vestindo preto, nunca haviam sido tão próximas dele. Achavam-no diferente, tal qual eu próprio, mas entendia algo que elas não faziam ideia: a dor de uma perda. Lembrava todas as manhãs do motivo de meu isolamento por minha mãe, pobrezinha, perdera um filho e um marido num único acidente. Era trágico, eu sabia, mas após tanto tempo relembrando de minha estadia ali, tornava-se cansativo. Não queria dizer, contudo, que eu estava curado.

Nunca estaria, tal qual Seth.

Ele fora o que mais havia sofrido naquele princípio de manhã, poucas horas após descobrirem o corpo que havia sido encontrado na praia cinzenta. As areias escuras abrigavam em seu seio a menina quebrada e molhada, com lábios roxos e cabelos que grudavam no peito que perdera os movimentos. Descoberta por Cedric e Anne, os mais inteligentes entre nós, não havia demorado até essas mesmas crianças voltarem chorosas e alarmadas. Depois, as freiras, então o restante dos poucos alunos daquele maldito lugar. Somente após darem falta de uma das alunas, somente após terem confirmado a morte após a polícia alcançar o internato e a praia, somente então foram avisar o garoto que cumpria o castigo de rezar dez “Pai Nosso” na capela pela sua falta na missa obrigatória.

Violet não parava de chorar, mas o fazia em silêncio, enquanto todos nós naquela sala comum pouco fazíamos além de fitar o menino sofrido. A morte da jovem Joy fora o primeiro choque de muitos em sua vida, mas todos diziam que havia sido um acidente ela cair do penhasco próximo ao internato. Eu sabia – por ter ouvido conversas atrás de portas – que aquilo não fora um acidente. Fora o presente de Deus transformado numa arma, o livre arbítrio humano. Ela havia pulado, eu tinha total certeza, mesmo que fosse surreal.

Ela era cheia de vida, com caracóis e margaridas nos cabelos, ou coroada com cristais de gelo durante o inverno. Havia pela morte nutrido amor, um anjo que escolheu pular do céu sem bater suas asas.

Contudo, Seth havia assentido no momento em que a notícia chegara. Somente então chorou, pois entendeu que a viagem de sua amiga não teria volta e sua única despedida fora um típico “boa noite” no pôr do sol do dia que antecedeu aquele nefasto fato.

— Foi assim, Wolfie? — seu murmúrio saiu baixo vindo até mim. As outras crianças se surpreenderam ao vê-lo dizer aquelas palavras, as três primeiras do dia. Eu, como o menino travesso que era, queria fazer um gracejo para aliviar o clima tenso. Mas sabia do que ele estava falando, afinal era o único motivo de eu estar ali. — Doeu tanto assim?

Doeu. — suspirei, sem querer lembrar. Com os dedos, afrouxei a gravata de meu terno que fedia a naftalina, inclinando-me do sofá onde estava para perto dele. — Mas é sempre assim.

— Eu não estava preparado. — ele esclareceu. Não pude evitar de erguer as sobrancelhas para aqueles dizeres, pois consegui ler as entrelinhas. Ele sabia que isso aconteceria cedo ou tarde, pois a morte é um trem que não para... Só queria ter tido tempo de falar com Joy uma última vez. — Não estava preparado para perdê-la assim. Isso é uma...

— Bosta. — completei. Ele ergueu os olhos para mim, assim como as outras crianças. Concordou comigo. Fui sempre conhecido por minha sinceridade nas palavras, mas entendi que após o ocorrido naquela frígida manhã na Irlanda, a vida de Gorski jamais seria a mesma. Ele aceitou esse peso.

Depois de tanto tempo, ainda podíamos ver o menino que se isolava conforme crescíamos. Algumas das poucas crianças eram levadas por seus pais, mas isso nunca ocorreu comigo ou com o próprio Seth. Inclusive, ele amaldiçoava quem quer que fosse o seu pai por tê-lo ali deixado. Eu ainda falava com ele, era bem recepcionado em nossos diálogos graças à frieza existente em ambos. Ainda assim, a amargura que ele trazia consigo por conta do suicídio da pequena Joy Mitchel havia abalado seus alicerces interiores, os quais seriam seus pináculos de sustento à alma. Destruído por dentro, era esse seu estado.

E o pior: eu também entendi que a culpa era sua, de certo modo.

Exalava uma aura de morte que o consumiu por tantos anos, uma flor venenosa que desabrochou numa explosão. Somado ao clima mórbido que rodeava o internato desde Joy, não se via nenhum resquício de alegria após aquele trágico dia. Ela era a única âncora que o prendia ao mundo dos vivos e, como se fora, já não havia nada para sustentar o frágil garoto. Eu desisti de tentar fazê-lo dar risadas, mas o persegui uma noite quando notei que seus pés seguiam pelo corredor.

Provavelmente, notou-me também, mas se permitiu ser seguido até a capela nos fundos. Ali, apontou um dedo na cara do Senhor, blasfemou e profanou aquele lugar sagrado durante a madrugada, somente para cair chorando ali mesmo por lembrar da amiga que perdera por conta de uma morte precoce.

— Ela é tão boa, mas machuca demais! — dissera Seth quando desistira de tentar lutar, somente com a voz embargada pelo choro. Mais tarde, lembrando daquilo, assustei-me ao perceber que de fato não era à Joy que se referia. Era à própria Morte, ofendendo-a mesmo sendo um elemento vital de sua própria vida.

Me perguntei porquê o menino magrelo e sombrio permanecia isolado conosco; sua família entendia sua ligação com o além? De algum modo, a aura de melancolia que possuía deixava-nos desconfortáveis ou acanhados, mas não a mim. Eu já vi o rosto da morte uma vez, tem alguma semelhança com esse garoto.

Mas, talvez, o motivo pelo qual Seth esteja confinado no internato seja igual o meu: proteção. Não por devaneios de uma mãe paranoica como a minha, mas por um motivo sério que o deixava em constante estado de medo quando um novo carro chegava, fosse o padre aos domingos ou uma das freiras que sempre iam à capital comprar mantimentos. Sequer ele sabia o que supostamente estaria atrás dele, mas uma vez me disse:

— Os corvos me disseram, assim como as estátuas de anjos me confirmaram. Não posso reclamar da morte, pois dela sou fruto.

Nunca vou esquecer seus olhos no momento em que me segredou aquilo. Também nunca esquecerei as brasas nos olhos do suposto advogado que veio buscá-lo na primavera seguinte; de terno preto como o breu, emanando sombras grossas como tinta. Aquilo não era humano. Mas quem daria ouvidos a uma criança como eu?

O internato Sta. Agnes, afinal, estava tão impregnado de morticínio quanto o próprio Khaem.


4 – Abandon all hope ye who enter here.
* A narrativa se passa na atualidade, com Seth já sendo um campista, durante o fim do inverno.


Observando o rubro celestial do poente, pouco se podia ver além dos contornos dos altaneiros pinheiros distantes. Com a janela aberta, permitia que o aroma de bétulas e carvalhos adentrassem no alpendre baixo como um mensageiro, trazendo consigo as lembranças de um inverno distante daquele próprio.

No vale das lânguidas dores gravadas na mente, ele podia visualizar a menina que sorria de canto quando tímida, ou que gargalhava, exuberante em beleza, quando alegre. Nunca esquecera os cabelos meio ruivos, meio loiros, indecifráveis e inconstantes. Abraçando o próprio corpo, vestindo negro, em silêncio prestava luto àquela que havia perdido em vida. O aniversário da morte de Joy Mitchel ainda residia em seu coração como uma fria correnteza, abrindo cicatrizes que ele tentava sempre enterrar.

A saída do Sta. Agnes por meios misteriosos fora esclarecida quando chegaram à capital irlandesa. A família, a história no qual cresceu rodeado, o entendimento de suas origens e dores – vieram à tona pelos lábios secos daquele advogado que, sob o comando de seu pai, viera lhe transportar do seu isolamento. Assim, alegara, ele ficara seguro por toda a vida até que chegasse o momento de ser transferido ao acampamento até então desconhecido.

Agora ele sabia a verdade. Seth, sendo então um membro do chalé treze, pouco fazia a não ser isolar-se; não atrás de paredes, pois delas estava farto, mas sim em seu próprio mundo. Era perceptível que poucos conheciam sua real face de sentimentos, fraquezas e dores, pois até mesmo isso era evitado. Estava morto – alegavam uns. Não era uma total mentira, no fim das contas.

Ergueu-se quando ouviu batidas leves, talvez até mesmo receosas, na porta do quarto que lhe pertencia. Abrindo-a, deparou-se com o sujeito alto e forte, com olhos claros e uma lira nas mãos. Com um olhar de canto, Khaem identificou-o rápido, abrindo ainda mais a porta escura para permitir ao outro passagem.

— Você tem certeza? — ele indagou. De certo modo, ao refletir sobre a pergunta do loiro, Seth lembrou de repensar a ideia durante uma noite inteira. Era arriscado o que pretendia fazer, todavia qualquer sentimento de aflição ou medo era sobrepujado pela raiva e pela amargura que nele faziam morada.

— Você não precisa ir. — Seth murmurou. Seu amigo, o qual ele sempre chamara simplesmente por “Menestréu”, o encarou com as íris glaucas. Era bonito, de certo modo, mas como em toda alma, era visível a morte que nele reinava. Talvez não diretamente, mas ao seu redor, um tormento eterno e cruel.

— Vou honrar o deus que sirvo. — disse, orgulhoso pelo posto no grupo servente ao deus da música. O que não cabia a Seth era insistir para que Magnus ficasse, afinal seria ele uma parte primordial do que o jovem semideus precisava realizar a fim de ter êxito em sua jornada. Deixar a porta aberta fez com que um irritante gato, mascote de algum semideus, adentrasse no recinto.

Magnus xingou pelo susto ao ter o animal encostando-se em suas pernas, contudo Khaem abaixou-se, estendeu a mão e acariciou a cabeça do bicho de pelos negros. Como esperado, quebrando a camada de arrogância imposta pelo felino, deixou que os dedos pálidos deslizarem por ele. O olhar encantado do filho de Hermes, o qual servia a Ordem de Orfeu, tentava encontrar um ponto ainda invisível na personalidade de Gorski.

— Sabe, eu achei que tivesse aversão à coisas que estão vivas. — disse baixo, o timbre forte irritando o gato apelidado por “amigo”. Seth ajoelhou-se mesmo que a criatura estivesse indo embora, a cauda balançando aos passos precisos.

— E tenho. — suspirou, puxando do baú não muito distante de seu alcance a espada que um dia havia recebido de seu progenitor. — Mas esse gato é engraçado.

— Certo. Sabe usar isso? — Magnus indicou a espada batizada como Darkness, a qual era um item de suma importância para aqueles que eram frutos do Submundo. Pegou-se fitando a lâmina, lisa e afiadíssima.

— Claro que não. — sorriu, sem humor. Levantou sob aquele velho olhar analítico de Magnus, com a pesada lira nas mãos grandes. Conforme o sol lá fora baixava, a Noite abrangendo a vida e seus mistérios, deduziu que a hora de partir seria essa, já que englobava a esfera de poder que era marca registrada de seu pai: as sombras. Tendo em mente que aquela viagem não seria tão longa, ou ele esperava que não fosse, não precisariam se preocupar com o dia seguinte.

Se voltassem vivos, afinal.

— Chegou a hora. — sussurrou.



///



Uma vez fora dos limites mágicos do vale onde se assentava o Acampamento, já não sentia-se seguro como antes. Mesmo que Magnus fosse alto e robusto, além de possuir um treinamento avançado em combate, seria quase impossível sair despercebido dos monstros que atentavam contra sua espécie – sendo aquele meio-sangue filho de um pai poderoso, teriam inúmeros obstáculos pelo caminho, contanto que fossem rápidos naquilo que pretendiam.

Ele nunca estivera em Nova York antes, mas mesmo de dentro do táxi, apreciar a luminescência da cidade global era um evento mágico. Como a aurora irlandesa que brilhava nas noites invernais e rígidas, o espetáculo de luzes que se dava ali era proveniente dos incontáveis arranha-céus, carros e placas. Era nauseante sair de um cenário de anormal calmaria como a Irlanda e o Acampamento para submergir numa selva de luzes, tecnologia e pedras.

— Você gosta? — ouviu o parceiro perguntar, um sorriso nos lábios róseos do seguidor de Orfeu. Era uma agradável companhia e, pela primeira vez, se enxergava um sorrisinho nos lábios do príncipe do Mundo Inferior.

— Sim.

Lembrando que os domínios de Hades situavam-se numa colcha sob a terra, inacessível sem suas passagens especiais, era exatamente por um meio desses que planejavam entrar na terra dos mortos. Perguntava-se, em seu âmago, qual seria o sentimento que viria a ter naquele lugar de dor e desilusão, afinal sentia algo semelhante todas as manhãs quando acordava. Por acidente, os dedos tocaram de leve na parte chata da espada em seu colo presa numa bainha própria. Ainda assim, era possível sentir o frio emanado pela lâmina. Reconfortante, gelada como sua vida.

Com alguns dólares, Magnus satisfez o gordo taxista quando saltaram do veículo amarelo típico daquela cidade. Olharam o limiar do quarteirão que era conhecido por abrigar um dos parques mais famosos do mundo, situado em Manhattan. Estava escuro, mesmo com postes de luminosidade aqui e ali. Quando passaram por um, a lâmpada interna oscilou, mas manteve-se acesa. Intrínseco àquela escuridão amorfa, Seth sentia-se completo. Como era de se esperar, aquele elemento o fortalecia mesmo que minimamente, deixando seu corpo mais relaxado e a mente mais precisa.

— Aqui. — disse o Menestréu quando pararam uma não tão longa caminhada pelo Central Park. A passagem secreta para acessar o reino de seu pai estava próxima, o filho de Hades podia sentir isso; e mesmo com aquele sentimento, a sensação de perigo eriçou os pelos de sua nuca. Girou o corpo, mas não encontrou nada além de árvores que farfalhavam por conta do vento que soprava. O trabalho que se seguiria era todo de Magnus agora.

— Eu cubro você. — Seth avisou. Era engraçado, de certo modo, irônico e doloroso. Afinal, o mais treinado de ambos e consequentemente o mais apto a fornecer qualquer tipo de proteção era o próprio Magnus, mas sua missão ali era abrir a Porta de Orfeu, que lhes garantiria acesso ao Mundo Inferior. Sendo assim, a expectativa para Gorski era aguardar até aquilo ser concluído.

Todavia, como qualquer semideus, sentia que o perigo estava próximo agora. Puxou a espada que era sua, revelando a extensa lâmina balanceada perfeitamente para ele. Senti-la o fazia sentir-se confiante, sensação essa rara de ser alcançada pelo semideus. Logo, não tardou para que aquela antiga sensação de perigo aflorasse na forma do inimigo: vagaroso, saiu da escuridão com os olhos amarelos e sanguinários arrastando-se pela grama gelada até encostarem no garoto magro.

O sorriso de canto indicou a satisfação ao ver uma presa que aquele ser bestial julgava ser delicioso e, em poucos segundos, percebeu o mais velho que tocava uma lira – a melodia parecia fúnebre agora. Quase pôde imaginar os olhos assustados de Magnus sob a presença da dracaena, todavia era a Seth quem procurava. Tomando conhecimento daquilo, não demorou para que os passos iniciassem um lento processo de afastamento, atraindo a criatura para longe do músico que se concentrava em abrir a passagem.

— Pai, me ajude. — pediu em silêncio quando o medo cresceu, somente então notando que era a primeira vez que pedia algo para Hades. Percebendo que seu cheiro servia de radar ao monstro que o perseguia, comemorou em silêncio e aliviado quando Magnus foi esquecido, tendo para si a atenção da mortífera mulher-cobra. Suas íris negras repousaram sobre a lança irregular de madeira que possuía, assim como um escudo assimétrico de material semelhante, porém com marcas que denunciavam antigos combates travados. A língua bifurcada percorreu os lábios e escamas, um deleite ao seu suposto jantar.

Investiram um contra o outro e, embora qualquer conhecimento sobre esgrima fosse arcaico para ele, deixou-se guiar pelo instinto secreto que havia em qualquer semideus. A lança, contudo, veio num borrão marrom – quase negro – contra seu rosto, sendo desviada por um triz devido ao garoto ter recuado no mesmo instante. Logo, gritou com voracidade quando desceu a espada sobre a oponente. Erguendo o escudo, a dracaena absorveu o impacto quando a lâmina quebrou apenas um pouco a madeira, enterrando-se ali quando rachaduras surgiram na defesa da outra. Uma das pernas, a qual tinha o formato de uma imensa e robusta cauda de serpente, moveu-se contra Khaem num estalo de chicote, atingindo o menino na lateral.

Tombou, percebendo que a ardência nas costelas se dava ao fato de a potência do ataque ter feito um corte nas inúmeras camadas de tecido que trajava, rompendo os ligamentos fiados do sobretudo e o moletom por baixo. Os dedos magros ainda seguravam com força o cabo da espada, todavia para ela não teria muita utilidade partindo do princípio que não sabia usá-la – sua última tentativa havia provado tal isso.

Sua defesa sempre foram as palavras afiadas e o sarcasmo, mas tais elementos não matavam monstros, mas afastavam alguns. Pessoas, por exemplo.

— Me dê forças. — pediu a Hades. Pondo-se em pé novamente, viu que agora sua oponente desferia um arco perfeito com a lança. Com um pulo para trás, encolhendo a barriga o máximo que pôde, Seth conseguiu evitar o golpe, revidando com uma reta estocada, a qual a dracaena facilmente se esquivou do mesmo modo que ele fizera segundos atrás. Todavia, a escuridão da noite que o envolvia pareceu recobrar a ousadia que sempre teve.

Deu um passo para a frente, tentando um arco diagonal de baixo para cima, teve o golpe aparado pela lança de madeira pesada. O bronze da lâmina, porém, partiu a arma de outrem com extrema facilidade, dividindo aquele objeto em duas partes desiguais. Aproveitando o segundo de surpresa de sua inimiga, chutou-a com força o suficiente para fazê-la recuar. Feito isso, avançou ainda mais. Agora, desceu sobre ela como um ser sombrio, uivante e sedento por sangue.

O risco no ar veio de cima de sua cabeça quando a espada foi baixada, repelida somente pelo escudo da dracaena; até mesmo esse item em breve se partiria, visto que a madeira não é para o bronze forte que tinha consigo. Ademais, ouviu uma nova canção no ar – sem letra, apenas uma melodia que se propagou até ambos. Em poucos segundos, viu a inimiga ter os olhos dilatados enquanto visões aleatórias se passavam em sua mente, distraindo-a momentaneamente. Seth chutou o escudo da mulher-cobra, fazendo-a cambalear, a guarda abaixada.

Somente assim, pulou para ela. Horizontal, da esquerda para a direita, a espada partiu-a na cintura. Viu, por segundos, um conjunto de tendões e escamas serem arrebentados antes de a criatura se desfazer em pó dourado, algo característico quando se tratava da morte de monstros gregos. O alívio que o tomou foi demasiado, encarando um Magnus que o ajudara com a tortuosa melodia que confundira a dracaena.

— Está aberta. — indicou o Menestréu. Seth fitou as rochas que se abriam num canteiro escuro, a gruta abrindo a boca rochosa a fim de engolir qualquer forasteiro. O interior escuro emanava uma sinistra aura de medo e morte, mas diferente das outras pessoas, ele sentia-se bem com aquele meio. — Você lutou melhor do que eu esperava.

— Minha morte não era aqui, nem agora. — Seth confessou. Logo o Gorski tomou a dianteira da dupla, precipitando-se para dentro com passos firmes nas pedras e terra do piso. Estava na hora de encarar a face de sua essência: o rei dos mortos.



///



— Bem-vindo, príncipe. — Magnus não tinha humor na voz. De certa maneira, aquele diante de si o lembrava de seu real motivo ali: Joy. Khaem não teria visitado aquela terra se não fosse necessário averiguar onde estaria a alma da pequena criança que, por sua causa, cometera suicídio anos atrás. Ela se lembraria dele? Teria a menina algum tipo de ressentimento?

Afastou aqueles pensamentos, a dor não era necessária agora.

— Esse lugar. — era sua primeira vez naquele reino que, de certo modo, era parte de si. Sentia-se abrigado e protegido, com toda aquela carga de sofrimento e amargura completando seu interior com horríveis energias. Ele ajoelhou-se sob um único joelho, os dedos pálidos tocando a areia preta que estendia-se junto com a faixa que percorria o Hades. O Estige era palco de promessas e possuía juras sagradas em suas lendárias águas, assim como o lixo facilmente descartável dos corações dos homens errantes. — É horrível, mas eu me sinto tão vivo.

— Isso não faz sentido. — Magnus crispou os dentes, os olhos fechados numa tentativa de não ouvir os gritos distantes no que seria a área dos Campos da Punição. — Não há vida aqui.

— Também não há vida em mim, somente uma fraude.

Os passos o traíram depois, levando-o ao caminho que se dava ao castelo de seu pai. Percebeu o voo sobre a dupla pouco depois, quando fitou a face de um dos demônios alados: lembrava, vagamente, o advogado que um dia fora lhe buscar no Sta. Agnes na Irlanda do Norte. A passagem não lhe havia sido negada ao palácio, contudo ele sabia o que devia ser feito.

— É uma jornada que tenho que fazer sozinho a partir de agora. — olhou para Magnus na entrada, sem sequer ter avançado mais um passo para o interior daquele monstro de pedras escuras e sombras. — Qualquer coisa, volte.

— Não vou deixá-lo. — Magnus disse, mas Seth já adentrava na morada do deus dos mortos. Quando a paisagem se limitou a paredes e tochas de fogo vermelho, já não existia medo. O que era necessário se dava somente no sentimento amorfo e crescente de solidão. Lembrou de Wolfie, lembrou de Joy, principalmente dela.

Empurrou as portas altas da sala do trono, os olhos fixos naquele que o aguardava. As sombras nas paredes negras se mexiam, inconstantes, assim como o filho do deus ali presente.

— Você blasfemou contra o Deus cristão, mas perde as palavras ao me ver. Não há nada a dizer ao seu pai? — encarou a silhueta magra e alta, elegante e paciente. Virou devagar, revelando um rosto anguloso e complacente. Ele sabia de seus sentimentos, das palavras presas que ele ensaiara por anos. O pior eram os olhos: podia ver-se neles; somente mais um garoto rebelde e irritado por algo tão belo como a Morte. — Thanatos me disse sobre suas tentativas, mas recusei-as. Diga-me, filho: quando foi que parou de usar o pulso esquerdo?

— Por que? — ignorando a pergunta, fez a sua própria.

— A garota queria entendê-lo, assim como eu quis entender a obsessão de Perséfone pelas flores e pela vida lá fora. Acho que após tanto tempo, nós nos acostumamos a lugares como esse. — Hades tocou o anel de caveira em seu dedo magro. — Ela queria fazer parte de um mundo no qual não tinha lugar, mas poucos nascem para entender a morte como você ou seus irmãos.

— Então foi minha culpa? — Seth desviou a face, os olhos fixos nos sapatos meio sujos pela queda no Central Park durante o conflito com a dracaena. Ele ouviu o suspiro do pai, logo escutou seus passos quando o deus se aproximou.

— Não. — Hades admitiu. — Mas a morte está sempre disposta a ensinar algo. Ensinou-lhe algo, Seth? Pelo menos a pequena Joy morreu rápido. Sem dor, apenas foi beijada pelo mar frio.

— Onde ela está? — perguntou o filho. Era doloroso pensar que estava tão próximo de sua amiga, mas tão distante ao mesmo tempo.

— Escolheu renascer. — o progenitor colocou as mãos nos ombros do filho. Aquilo o felicitou, de certo modo, afinal sua amiga havia sido designada aos Elísios; todavia era inviável o tão almejado pedido de desculpas, pois Joy se esvaíra perante seus dedos. Era frustrante, como todo aquele lugar em si. — A vida é difícil, mas o descanso eterno espera a todos.

— Nem todos aqui estão descansando. — disse ao pai, os pensamentos presos nos campos de dor às almas pecadoras. Naquele inferno, pensou que seria lá o seu lugar. Era um assassino, de certo modo, a própria aceitação do fato por Seth acarretando num estado de dor latente. — E quanto a mim? Diz-me porquê não fui aceito...

— Você tentou várias vezes, filho. — Hades disse a última palavra com cautela. — Mas o propósito que lhe fora designado pelas Parcas não atende ao seu chamado pela morte. Ainda há vida em você.

— Não há. — insistiu, fraco, pois havia. Isso o machucava em demasia, saber que a morte estava tão próxima... Era possível esticar o braço e tocar sua face fria. Oh, Natureza, que crueldade é essa para com tua cria? — O que ainda vivia em mim era Joy, mas essa parte se esvaiu quando ela se foi novamente.

— Vai tentar mais uma vez? Remédios ou uma adaga só servirão para causar dor. — foi alertado. Os passos o faziam recuar daquele homem, deus dos mortos que em sua cria alimentava raiva e desespero.

— Eu já desisti de tentar me matar, papai. Mas, se Joy morreu tentando entender a morte como eu, tenho culpa no cartório. Preciso sentir a dor da punição.

— Seth... — Hades chamou, mas o filho já ia embora. Foi encontrar Magnus nas portas do palácio, mas não trocaram uma palavra até o momento em que voltaram ao mundo dos vivos. Um mundo o qual não fazia parte.

Presentes de Reclamação:

{Darkness} / Espada [Espada de 90cm, feita de bronze sagrado. Sua lâmina mede cerca de 70 cm, e sua base é mais grossa que a ponta. A guarda-mão é em forma de um crânio que tem seus dentes pontudos virados na direção do início da lâmina, como se ela saísse de sua boca. Os olhos do crânio são feitos por dois rubis. O cabo e a espiga são revestidos por um couro escuro, o mesmo tipo usado em sua bainha. No nível 20 transforma-se em um anel de caveira] {Bronze sagrado} (Nível Mínimo: 1) [Recebimento: Presente de Reclamação de Hades]

{Void}/ Anel [Anel de caveira que absorve a energia vital das almas dos oponentes mortos, armazenando-as. As almas guardadas podem ser usadas como um combustível na forma de um "buff", ampliando o poder de ataque do semideus em 10% por 3 turnos a cada alma utilizada. A alma utilizada segue ao submundo após isso. Esse efeito pode ser usado apenas 2x por missão. Adicionalmente, 1 vez por missão o filho de Hades pode gastar uma alma coletada para recuperar 10% de sua HP e MP.] [Almas coletadas: 0]{Bronze} (Nível Mínimo: 1) {Não Controla Nenhum Elemento} [Recebimento: Presente de Reclamação de Hades]

{Shadow} / Capa [Capa feita de escuridão, lã negra e fios de obsidiana. Com uma magia muito parecida com a do elmo de Hades, a capa faz com que o semideus fique invisível em meio as sombras, mas não modifica o odor do semideus, não diminui o barulho de suas ações ou modifica a estrutura corporal do semideus. A capa pode ser usada em partes do copo ou no corpo inteiro, mas ao passar por um foco de luz a camuflagem passa a ser inútil. Ao usar essa capa apenas como um acessório de vestimenta, mesmo estando sobre a luz ela concede um aumento de 10% na potencia dos poderes referente ao medo que o semideus usar.] {Lã}(Nível mínimo: 1) {Não Controla Nenhum Elemento} [Recebimento: Presente de Reclamação de Hades]





Wherever you are I dissolve into nothing; So far no signs of life Wherever we are We'll find home Though we know we've lost the way Through the void we've gone astray But you are not alone We'll find home

Morgana Khaem Gorski
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Teste para filhos de Hades — Abril

Mensagem por Hera em Qua 10 Maio 2017, 12:27



Avaliação

Seth, não tenho muito o que reclamar de sua ficha! Achei uma narração muito boa e objetiva, não enrolou muito e deixou as coisas esclarecidas. Acredito que vá fazer um bom personagem, seja bem vindo ao fórum e parabéns pela aprovação como filho de Hades!

Hera
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