Data/hora atual: Seg 24 Set 2018, 12:26

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Em breve, reinauguração.
O Empire States despontava ao longe, com seu topo encoberto por nuvens negras e carregadas de raios. O poder de Zeus. O rei do Olimpo, envaidecido e furioso por ter perdido a base dos semideuses para Éris, não escondia a frustração e desejo de represália.

O fluxo de criaturas que partiam em busca dos aliados da deusa aumentava diariamente e, cada vez mais, o número de monstros cercando as fronteiras do Acampamento de Éris crescia. Vinham por terra, água e ar com um único objetivo: ataque. Os arautos, outrora uma ofensiva direta, sofriam baixas e se esforçavam para manter o domínio sob aquele território. Já Éris, a estrategista, utilizava cada vez mais seus recursos bélicos para contra-atacar e, dessa forma, ambos os lados estavam marcados por um único e imutável destino: morte. Mas aquele não era o rumo correto. Os deuses poderiam ter se esquecido, contudo, até mesmo eles estavam passíveis de sofrer nas mãos deste fato. Nem mesmo o próprio destino encarnado poderia escapar de sua influência. Moros sabia disso e, após inúmeras guerras entre primordiais, titãs e olimpianos, manteve-se isento no Tártaro, caído em esquecimento.

Talvez fora isso que deu chance à deusa da discórdia, mas não importava mais, ele também sabia que devia interferir diretamente no rumo que o mundo estava tomando. O deus da sorte materializou-se em um amontoado de pó negro, no salão principal do Olimpo, fazendo contraste com os alicerces e piso de ouro branco. Tomou a forma de um homem carrancudo, de pele escura como o céu noturno e cabelos brancos, assim como os olhos. Encarou o lugar e caminhou até o centro, observando as nuvens que cercavam o ambiente. O lugar, outrora silencioso e vazio, ecoou os passos de Moros e logo os deuses, um a um, tomaram lugar em seus tronos, estarrecidos com o convidado surpresa. Até que, após Hera, seu marido aparatou e os raios estrondaram do lado de fora, sincronizando com seu olhar elétrico.

— Do que isso se trata?! — Vociferou o deus supremo, esquecendo-se do velho conhecido.

— Meu senhor. — O deus dos monstros, no entanto, manteve-se cordial e reverenciou Zeus. Tal atitude foi o suficiente para acalmar os ânimos do restante, até mesmo Ares que parecia mais curioso do que ansioso para um duelo. — Pode não se lembrar de mim, mas sou Moros, filho da primordial Nyx. Carrego comigo inúmeros fardos e, portanto, sou um de vocês.

Zeus, ao contrário do restante, manteve-se em pé e desconfiado. Afinal, ele estava acostumado a ser o senhor supremo que não devia satisfação e temor a nenhuma criatura viva ou astral. Contudo, sabia da força do deus prostrado no centro do saguão.

— Bem-vindo, irmão. — O deus manteve o tom cordial, demonstrando respeito para com o 'convidado'. — Embora esteja surpreso. Faz bastante tempo.

— O que te traz aqui? — Interrompeu Hera, não conivente com a subordinação repentina do marido. Moros pigarreou e manteve o olhar focado na consorte.

— Milady. Senhores — Reverenciou o restante dos olimpianos antes de se explicar. — O destino é a ordem natural acima de todas, ele acompanha até mesmo a própria morte... e estava enfraquecido, usurpado por minha irmã, pela serpente. Só agora reuni forças o suficiente para reagir.

Os deuses constataram que, de fato, ele estava se tornando mais poderoso a cada segundo. Até mesmo seu corpo refletia aquilo, já que os músculos tornavam-se mais definidos.

— Não cometerei tal erro novamente. O destino deve prosperar acima de tudo e todos. Nos veremos novamente, irmãos.

Dito isso, um arco de estígio materializou-se na mão do deus. Era uma réplica do arco de Eros, apesar do material provindo do submundo. Moros girou o corpo calmamente para a saída do salão e, como um exímio arqueiro, puxou uma corda invisível. Logo, uma flecha que reluzia tomou forma no arco. Alguns deuses pensaram em reagir, mas Zeus manteve-se conivente, ciente do que se tratava. Assim, o deus da sorte lançou a flecha ao mundo. Ela ultrapassou os limites impostos pelas leis mundanas, modificando tempo e espaço. O mundo estava retornando ao passado, retornaria ao Caos, onde nada existia. Era uma saída trágica para o furdunço organizado por Éris, mas o deus não desejava tamanho exagero. Moros apenas queria que o destino retornasse aos trilhos.

Assim, quando o efeito da flecha se findou, o mundo ainda parecia o mesmo geograficamente. Mas tudo e todos estavam retornados ao evento que marcou e marcaria novamente o futuro dos deuses e semideuses. O exército de Cronos ganhava em números e era questão de tempo até o Titã se reerguer.

Tudo parecia sordidamente em ordem outra vez. Ainda.