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— queda e ascensão (MODE / FREY, Aleksandr)

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— queda e ascensão (MODE / FREY, Aleksandr)

Mensagem por Éris em Seg 09 Abr 2018, 15:38


queda e ascensão

Quando acordou, Aleksandr não estava mais entre os vivos.

Não havia memória de onde estivera antes dali; por alguns momentos, não havia memória de quem era. Passaram-se segundos, minutos, talvez horas, mas eventualmente, o príncipe do medo recuperou parte das próprias lembranças, mas não de forma pacífica. Não. Sua cabeça doía e a visão girava, e precisou esperar mais um pedaço de eternidade até que pudesse se localizar.

Onde estava?

A terra fria e fétida, tomada de carcaças e esqueletos de animais, era desconhecida ao filho de Phobos. Um rio cortava o solo como uma ferida de guerra, feia e sangrenta, não convidativa, o primeiro impulso do semideus sendo se afastar da água pútrida e repulsiva. Aleksandr quase fugiu, e o teria feito dadas suas condições atuais, se não tivesse visto a cadavérica figura do barqueiro surgir por entre a névoa que cobria o lençol d'água.

Ao ver o sorriso macabro de Caronte, tudo tornou-se mais claro.


pontos obrigatórios


• Faça uma introdução de acordo com os fatos narrados acima, adaptando o que for necessário para a realidade, trama e visão de mundo de seu personagem. Ao final da introdução, Aleksandr deve entender que está morto e precisa ir até os salões do castelo de Hades para ser julgado;

• Sua primeira dificuldade será comprar a passagem. De acordo com a mitologia, Caronte cobra dois dracmas de ouro por passageiro, e você deve descobrir possuir um total de zero deles. Narre de forma coerente uma tentativa bem sucedida de convencer o barqueiro a te atravessar, ou, também de forma coerente, obtenha acesso a dois dracmas para pagar pela viagem;

• Ao chegar no castelo, você deve narrar sua passagem pelos corredores e salões até chegar numa sala grande. Lembre-se que a ambientação é um tópico importante na narração, então espero que seu texto cubra tais detalhes. Dentro da sala haverá um único homem vestido de armadura negra como ferro Estige. Tal homem se revelará Minos, um dos juízes do Hades;

• Você será então julgado por seus crimes e boas ações em vida. Aqui, sinta-se livre para retomar e resumir capítulos que você considere importantes na trama do personagem. Ao final do julgamento, Minos decretará como sentença a Aleksandr uma eternidade em pobreza, fome e humilhação nos Campos da Punição. Contudo, antes que o juiz bata o martelo, Hades surge no salão, ordenando que o deus menor espere;

• Após breve análise, o deus do submundo haverá te julgado útil de alguma forma e proporá um acordo: um dos mais famosos condenados dos Campos da Punição, Sísifo, havia achado um meio de fugir de seu castigo. Hades está disposto a lhe oferecer uma segunda chance no mundo dos vivos caso você consiga recapturar Sísifo e devolvê-lo a seu castigo. Aceite o acordo, destacando a insatisfação de Minos em sua narração;

• Descreva o caminho do castelo de Hades até os Campos da Punição, sendo aqui livre o uso de fontes externas como mapas e outros artifícios para uma narração o mais detalhada possível. Entenda: aqui, eu não quero que você simplesmente diga que saiu do salão do julgamento e chegou em seu destino. Espero uma jornada bem descrita e coerente com a dificuldade da missão;

• Em algum momento do caminho, você será abordado por Minos. Insatisfeito com a interferência de Hades em seu julgamento, o deus menor lhe fará um novo acordo: surgirá um portal em alguma superfície próxima que Minos dirá ser um atalho até o mundo dos vivos. Você deverá lembrar, contudo, de uma das condições de Hades quando vocês firmaram um acordo: caso Aleksandr tentasse sair de sua missão e desviar-se do caminho e chance propostos pelo olimpiano, ficaria preso para sempre no submundo, enfrentando uma eternidade de sofrimento nos Campos da Punição. Assim, você deve recusar a proposta mentirosa de Minos, fazendo com que o deus se enfureça com você. Neutralize-o, lembrando que o mesmo é uma divindade e não deve ser derrotado com facilidade;

• Continue seu trajeto até que você encontre Sísifo. Ele estará perto de uma saída do Mundo Inferior para o mundo dos vivos, e mais uma vez você deve enfrentar a escolha entre burlar o acordo com Hades e seguir o que foi estabelecido. Independente de sua escolha, Sísifo lhe atacará, mas não representará ameaça real, sendo fraco e velho, além de castigado. No entanto, você deverá descobrir que a única forma de realmente derrotá-lo é forçá-lo a voltar a tarefa de rolar a pedra. Narre de forma criativa e coerente o jeito que Aleksandr o fez voltar a seu castigo, e finalize a missão da forma que achar mais apropriada. Para fins de cálculo, Sísifo possui nível 318 (precisamente, o dobro de Aleksandr).


player


Aleksandr Frey
Nível 159;

Por esta ser uma missão de segunda chance, há algumas condições impostas ao seu personagem: você tem direito a apenas três itens de seu atual arsenal (um de defesa, um de ataque, e outro extra). Além disso, ao início da missão, você estará fraco com 0% de potencial em relação aos seus poderes e deverá aumentar tal porcentagem ao longo da missão, até que finalmente chegue ao 100%, considerando a sua progressão aos níveis partindo do nível 1 ao 100. Assim sendo, ao dizer, por exemplo, que estará com 75% do seu poder, corresponderá até o nível 75 da lista de poderes.


regras e informações


DESCRIÇÃO E HABILIDADES DE DIVINDADES:
Abaixo, segue a descrição e habilidades base de uma divindade de acordo com o bestiário do PJBR. Para efeitos de nível, considere Minos com nível 318 (precisamente o dobro de Aleksandr). Adicionalmente aos poderes disponíveis no bestiário, Minos tem acesso às habilidades das listas de poderes de Hades e Zeus. Faça bom uso dos recursos disponíveis.

Tipo: Humanóide
Nível de Periculosidade: 150
Nível Monstruoso: 150 (1.590 HP/MP)
Taxa de Progressão: 1
Status Base: 100, aumento de 10 a cada nível
Domesticável: Não (Criaturas Únicas)
Limite de Evolução: 150
Localização: -
Agrupamento: Variável
Tamanho: Humanóide/ Gigante
Névoa: Humanos normais.

Deuses (ou divindades) são as deidades que criaram e governaram o mundo e universo. Portadores de enorme poder, seres divinos reverenciados e adorados pelos mortais. Possivelmente, tratam-se das entidades mais poderosas das mitologias, cada um com sua peculiaridade e sua esfera de poder. As linhas que datam a história dos deuses é longa, mas é de conhecimento geral que os mais poderosos são conhecidos como deuses primordiais, os primeiros a existir; depois vêm os titãs, os pais dos deuses; os olimpianos, criadores dos mortais; e enfim os deuses menores, os mais recentes em sua árvore genealógica, embora tão poderosos quanto alguns dos anteriores.

Obs: Em jogo, o mais fraco dos deuses gregos terá no mínimo NM 150, ainda que existam outros que atinjam estatísticas incríveis — como os primordiais, que poderiam beirar o NM 500. Ainda assim, esse modelo pode ser utilizado para qualquer divindade de qualquer mitologia, podendo haver deuses menos ou até mais poderosos do que os gregos.

Passivos

(-) Progenitor: O deus possui todos os poderes passivos, ativos e especiais da lista de poderes do qual é progenitor/ patrono (desse jeito, Zeus tem todos os poderes dos filhos de Zeus, Hera dos devotos e por assim vai). Caso o deus não possua uma lista de poderes, o narrador poderá livremente utilizar poderes de outros progenitores ou de monstros do bestiário que se encaixem em sua esfera de poder.

(-) Imortalidade: Um deus só pode morrer por esquecimento ou por vontade própria. Portanto, podem ter seus corpos destruídos e sua força temporariamente mitigada, mas voltará à vida ao final do evento ou em até 3 turnos após sua morte, caso esta ocorra. Se seu corpo for cortado em várias partes e separado, este só retornará à vida caso elas sejam juntadas.

(-) Poderes divinos: Todos os seus poderes são superiores aos de semideuses comuns. Quando utilizando uma habilidade, ela é considerada "de fonte divina" e, portanto, ignorará certas resistências (especificadas nas descrições do próprio poder).

(-) Imunidades divinas: Deuses são intimamente ligados à uma esfera de poder. Dessa forma, são imunes a poderes e habilidades que utilizem-na como descritor (Apolo seria imune à calor, Héstia seria imune ao fogo, Poseidon à água, Afrodite à charmes e por aí vai). Cabe ao narrador determinar suas imunidades antes de uma luta começar. Adicionalmente, todos os deuses olimpianos possuem uma resistência de 50% à luz, enquanto todos os deuses ctônicos (do submundo) possuem resistência de 50% às trevas.

(-) Super-atributos: Deuses são mais fortes, rápidos e ágeis do que outros seres, principalmente os mortais. Para fins de comparação, por padrão, são o dobro mais fisicamente capazes do que seres humanos comuns, gastando até 20% a menos de MP ao realizar atividades físicas extenuantes e contínuas, e sempre sendo bem mais sucedidos.

Ativos

(-) Semi-onipresença: Deuses possuem o poder de estar em vários lugares ao mesmo tempo, ainda que não em todos. Podem ouvir preces no plano mortal e respondê-las telepaticamente com o gasto dessa habilidade, desde que o seu alvo esteja em sua área de atuação. Para fins de limitação, deuses gregos estão presentes apenas nos EUA, e portanto, fora desse país ou em outro plano, nenhuma prece será ouvida, a não ser que aquele deus esteja no plano em questão ou em seu alcance visual (por exemplo: Zeus não ouviria uma prece de seu filho que estivesse no Alaska ou no submundo, a não ser que estivesse lá também).

(25) Oneirociência: Deuses podem invadir a mente de outros durante o sono, manipulando aquele mundo como bem quiserem e bem entenderem. Eles não são detectados por nenhum meio a não ser pelo óbvio: revelando-se à pessoa com quem fez contato, assim entregando sua identidade (embora possam também falsificá-la para manipular seu alvo). O deus é capaz de utilizar essa habilidade concentrando-se fora de combate, embora possa falar e andar normalmente. Sua oneirociência possui o mesmo alcance de sua semi-onipresença (ou seja: desde que seu alvo esteja no mesmo plano, dentro da sua área de atuação (NY para os gregos) ou desde que esteja em seu alcance visual). Esse poder não possui utilidade combativa e, portanto, não pode ser utilizada numa luta. Caso queira cortar a comunicação, o alvo também pode se forçar a acordar, mas estará novamente vulnerável à invasão caso retorne à dormir.

(50) Teletransporte: Deuses podem desaparecer e instantaneamente aparecer em qualquer lugar que mentalize, desde que se concentre para tal. É impossível fazer isso durante um combate, no entanto, já que requer concentração e tranquilidade. Como não é possível realizar esse teletransporte em uma luta, não possui limite de usos. Gasto baixo.

(75) Metamorfose: Deuses podem adotar qualquer forma. Se metamorfoseiam em animais, outros monstros e até em outros humanos. Eles não perdem sua capacidade de fala ou de raciocínio mesmo quando transformados em criaturas que, originalmente, tenham baixa inteligência e/ ou não possam se comunicar, sendo capaz de emitir som (às vezes, com o timbre alterado) até mesmo quando metamorfoseado em certos tipos de insetos que se comunicam através de apêndices, em vez de verbalmente. Caso transformado, adquire as habilidades da criatura base e perde as suas antigas, mas não altera HP/ MP. Não se transforma em criaturas únicas, mas pode adotar formas mitológicas que possuam NP equivalente à metade de seu nível. É uma técnica de metamorfose e por isso o deus só pode ser identificado através de sua aura/ poderes de identificação, ilusão não se aplica. Uma vez a cada dois turnos, podendo voltar à forma original quando bem entender (sem limite de duração).

(100) Rajada de energia divina: O deus emite energia divina em um raio de 20m que se expande em um cone de 7m de largura. A energia não causa dano, mas é debilitante; desativando qualquer bonificação ativa (buffs) que esteja na área ou sobre alvos pegos no efeito, também invalidando auras e desligando aparelhos eletrônicos (possivelmente causando um blackout caso num ambiente urbano), como um pulso magnético. Pessoas pegas no raio também são empurrados para o limite do alcance, jogando todos para trás a não ser que gastem uma ação para resistir. O poder reduz à 0 a duração de buffs ativos, enquanto auras benéficas e similares voltam a fazer efeito depois de 2 turnos. Uma vez por ocasião.

(150) Forma divina: O deus assume uma forma brilhante e extremamente poderosa, atingindo seu verdadeiro ápice de poder ao revelar sua real identidade. Nessa forma, criaturas ou semideuses de nível/ NP 50 ou menos que observarem-no serão instantaneamente incinerados, morrendo por exposição à poder divino. Criaturas ou semideuses até o nível/ NP 100 recebem 10% de dano no HP/ MP total por turno ao encararem-no, enquanto criaturas ou semideuses além do nível/ NP 100 podem contemplar o deus em sua verdadeira forma sem sofrer danos colaterais. Um deus em sua forma divina tem de 4 a 12 metros de altura (a depender se é primordial, titã, olimpiano ou menor) e atributos físicos dobrados (o quádruplo mais forte do que um ser humano comum), e recupera 5% de seu HP a cada turno ativo, mesmo durante combates. Gasto constante.

— Esta é uma missão de segunda chance para seu personagem. Aleksandr foi morto em missão por não postagem, ou seja, caso atinja o rendimento mínimo para uma one-post difícil, o personagem terá voltado dos mortos sem nenhuma perda de itens ou nível de acordo com o sistema de morte;
— Esta missão possui prazo de 30 dias, contudo, você estará congelado para outras atividades on game até que haja postagem aqui;
— Itens e poderes em spoiler no final no post. No caso dos poderes, preferencialmente organizados por nível e tipo;
— Evite observações como "considerar todos os poderes até o nível X". Quando usar uma habilidade, cite-a e diga se é passiva, ativa ou especial (caso não o faça, o uso da habilidade será ignorado);
— Templates (com barrinha, fonte muito pequena ou que seja muito estreito) ou cores que dificultem a leitura são proibidos;
— Dúvidas, problemas? Me mande uma MP.






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Re: — queda e ascensão (MODE / FREY, Aleksandr)

Mensagem por Éris em Ter 24 Abr 2018, 18:07

Acrescidos quinze dias ao prazo dadas justificativas por parte do player.




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Re: — queda e ascensão (MODE / FREY, Aleksandr)

Mensagem por Éolo em Sab 26 Maio 2018, 23:00

Extensão concedida

O prazo final para a postagem da missão "Queda e Ascensão" por Aleksandr Frey está sendo transferido, portanto, para o dia 08/06/2018 até às 15 horas e 38 minutos, horário oficial de Brasília.

Deixando estabelecido também ao player que este prazo não será novamente extendido, pois totalizará, ao final deste prazo estabelecido, 60 dias para a postagem desta missão de Segunda Chance.

Caso não haja postagem após a finalização deste prazo, o player Aleksandr Frey estará sendo oficialmente declarado morto (ou seja, com a possibilidade de retorno sendo considerada fracassada) e, com isso, deverá seguir os procedimentos padrões acerca das Regras de Morte no aspecto que tange à 2ª morte.


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Re: — queda e ascensão (MODE / FREY, Aleksandr)

Mensagem por Henry L. Joshua em Sex 08 Jun 2018, 15:06



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Nada.

O vazio da existência era simplesmente resumido ao nada de não existir. Ou existir e não sentir nada. Era complexo, vazio… Era nada.
Frey não conseguia compreender o que ele era, onde estava, o que foi e nem qualquer coisa. Sua mente neste momento não era mais que um neurônio de um caracol.

Quem foi tudo, pela primeira vez era nada.

Sua compreensão de tempo não existia, sendo assim era impossível para ele falar quanto tempo estava ali — mesmo não sabendo onde era ali —.
Sentiu algo voltar. Não sabia o que era, mas então se recordou: Era dor. Aleksandr sentia uma dor intensa. Não uma dor qualquer ou em alguma parte, mas de uma forma que ele não sabia explicar. Sentia apenas uma enorme vontade de berrar como nunca antes. Não conseguia.

Junto com a dor, veio a consciência. Não era plena e não funcionava muito bem, mas existia.
Dor
Realidade
E morte.

Aleksandr estava, morto. O tato voltava vagarosamente e ele pode sentir frio. Sentia seu corpo jogado ao chão com alguns ferimentos, esgotado e abandonado em meio a carcaças húmidas e podres. Novamente queria berrar. Seu maior medo estava acontecendo; Tinha tido o mesmo destino que todos os heróis (ou vilões para alguns) um dia tinha.

Levantar, correr, gritar, se teleportar dali, usar algo para explodir todo o local. Eram coisas que passavam pela sua mente totalmente conturbada. Mas bem no fundo, ainda havia bastante sensatez em saber que tudo isso eram em vão. Ali era um domínio até então olimpiano. Não o deixariam sair.

Todo seu esforço “físico” foi usado para algo. Ao ouvir um barulho conhecido de algo se movimentando pelas águas rasas do lugar.
Frey levantou levemente seu pescoço para garantir ver o que estava acontecendo. Enquanto sua visão começava a se abrir, ele observava primeiro um barco de madeira podre e com mofo. Mais acima um tecido velho e surrado cobria o corpo daquele ser que se aproximava. Seu rosto não era visível, só até a parte do nariz e assim um sorriso aterrorizante e de felicidade por cumprir o seu papel de levar mais uma alma até os palácios de Hades.

Aleksandr não tinha forças para responder. Mal mal conseguia ouvir aquela criatura.
— São dois dracmas, homem.

Frey já conseguia pelo menos movimentar seu tronco.
Fez forças com as mãos para levantar-se e conseguiu se pôr sentado. Era um avanço.

A medida que o tempo passava num ritmo que ele não sabia, Frey começava a ter sua força de volta. Se levantou, conseguia ouvir consideravelmente, já não sentia tanta dor e enxergar já não era tão difícil assim.
Longe de ser normal, mas não era mais como antes, ele agora existia.

Aleksandr conquistava por partes seus sentidos, e com isso o cheiro podre do local tomou conta de seu olfato. Provavelmente vomitaria se tivesse algo no estômago.

As coisas tinham nexo agora. Frey sentia seu corpo com uma certa estranheza, como se algo estivesse faltando. Não estava em seu normal e não se recordava como tinha chegado ali. Sua mente raciocinava lentamente e ele não tinha se ligado ainda do fator principal que respondia a todos seus questionamentos momentâneos; Aleksandr Frey tinha morrido.

Não conseguia falar ainda, mas olhava ao redor de onde estava. Não tinha dois dracmas. Não tinha nada.

Aleksandr se sentia melhor para voltar a sua atenção para onde estava. Finalmente pode perceber que aquele era Caronte e que ele estava ali para fazer sua trajetória até os palácios de Hades. Frey tinha agora consciência de sua morte, mas não aceitação disso.

— O que queres? — Pela primeira vez conseguiu dizer algo. Sua voz era sonolenta e vagarosa.
A criatura estendeu sua mão deformada e com uma pele branca/esverdeada como se estivesse gangrenada. Ele queria dois dracmas, nada mais.

Isso podia ser fichinha para o semideus no mundo. Era rico, tinha um dos arsenais mais prestigiados do mundo semideus… Mas ali não tinha nada.
Frey balançou a cabeça em negação, e o deus entendeu que para sua tristeza, aquela alma não tinha o que era preciso para entrar ali. O barco começou a se afastar e a ser encoberto pela névoa que se densificam rio adentro. Se estava certo, Frey tinha que ter o pagamento, caso contrário ficaria pelas margens durante 100 anos até poder atravessar.

Se sentia cansado. Sem alternativa, Frey se recostou em um canto se apoiando em meio a ossadas, terra molhada e fedida. Por ali, cresciam algumas plantas semi-mortas cheias de lodo e a maioria estava podre. Ficou ali por um tempo, não sabia dizer exatamente quanto, mas então sua atenção voltou, como se ele tivesse despertado de um sono mas sem ter dormido.
As margens do rio, onde antes Aleksandr estava, agora outra alma jazia. A diferença dessa vez era que, nas mãos daquela alma estava o que Frey tanto almejava: Dois dracmas.

Caronte ainda não havia chegado. Era a única oportunidade que tinha de sair dali nos próximos 100 anos. Um dos poucos ramos que estavam por ali foi tirado do chão. Aleksandr se levantou e se aproximou.
— Porque traz moedas de dracmas para o mundo dos mortos? Quer comprar algo aqui?
O outro ser ainda parecia atordoado pelo pós-morte, mas consciente do que fazia ali e que esperava caronte para ser levado para seu julgamento.
— Olhe para eles. Foram todos condenados a vagar por 100 anos por tentarem comprar o barqueiro de Hades. Ele não gosta de ver dinheiro.
— Todos pagam Caronte com 2 dracmas. Este é o único jeito de passar.
— Então porque todos esses estão aí? Dois dracmas é bem fácil. Se fosse assim, não existiria almas penadas.
— Não estou tão certo disso.
Enquanto discutia, Frey ouviu mais a frente o eco da água do rio se movimentar. Caronte se aproximava e as moedas ainda não estavam nas mãos de Aleksandr. Teria que agir rápido.

Deu um passo à frente se aproximando mais da margem num ato de quem buscava garantir que estava firme sobre o que dizia.
— Ele se aproxima. Procure o ramo com uma próxima alma… Ou agonize durante cem anos para conseguir chegar aos palácios. Afinal, já temos a eternidade para descansar, não é mesmo?!
A alma ficou inquieta. Aleksandr viu caronte se aproximar novamente e ainda não tinha os dois dracmas, mas aparentemente seus dons de manipulação eram inerentes a morte. Poucos heróis conseguiram enganar caronte, e ele não estava a fim de entrar nessa lista nas condições atuais que se encontrava. Enganar uma alma perdida e desnorteada parecia melhor com sua situação.
Não demorou e o espírito se aproximou, abrindo a mão com os dois dracmas em direção a Frey.
— Me dê o ramo de Acácia.

Sem pressa, Frey observou o barco chegar às margens. Caronte observava tudo de forma tranquila. Aleksandr entregou o ramo verde musgo e pegou os dois dracmas, voltando a se aproximar da margem mas de forma sútil, sem demonstrar desespero.
— E você… Não vai atravessar?
— Não estou aqui para isso. Sou uma alma superior as comuns.

Dito isso, Caronte estendeu sua mão. Frey que estava pouco à frente da margem, entregou os dois dracmas e esperou até que a mão do barqueiro se fechasse. Em um sinal com a cabeça, Caronte permitiu que o rapaz subisse ao barco, e foi o que ele fez.

Em seguida, ficou quieto observando a alma colocar na mão estendida de caronte o ramo colhido às margens do rio aqueronte e negociado como se fosse um ramo de Acácia abençoado por Perséfone.
O que aconteceu foi que a mão de caronte incinerou o ramo, o transformando em pó.
O barqueiro acenou negativamente com a cabeça, e repetiu o que em outro momento tinha dito a Aleksandr.
— Dois dracmas.
— Ele disse que você não aceitava dinheiro… Só o ramo de Acácia!
Caronte não respondeu, somente voltou suas duas mãos ao remo negro e então deu as costas a alma. O barco começou a se movimentar, e Frey agora ia a caminho da entrada do submundo real. Se o que sabia estava certo, lá seria julgado pelos três juízes de Hades, mas por enquanto evitava pensar nisso.

O rio parecia se fechar como se navegassem por dentro de uma caverna que cada vez mais se afunilava. Pelo rio, itens começavam a surgir boiando e eles eram os mais diversos possíveis.  Aleksandr nunca tinha lido ou ouvido muito sobre aqueles locais e não tinha muita certeza de onde estava. Nas margens secas e pútridas ainda existam almas jogadas, esperando que um dia fossem levadas para cumprir o que fosse destinado a elas para sempre.

Logo o rio começou a escorrer e pelo fim da caverna, Aleksandr viu luzes surgir. Eram avermelhadas e ele então percebeu que tinha chegado ao seu destino. O rio se transformou em uma tênue linha como névoa e eles saíram da caverna. O barco de Caronte agora seguia como se flutuasse. Os itens pelo caminho aumentavam.

Relógios, papéis, bonecas, brinquedos, chapéus, faixas… Tudo que se pudesse imaginar.

Mais abaixo de onde o barco passava, Frey observava crateras com labaredas de fogo e criaturas agonizando. Manteve seu corpo dentro do barco e evitou continuar olhando. Até onde se lembrava, não conseguia saber bem a índole de seus atos em vida. Evitava então olhar para o que poderia ser seu provável destino; A eternidade em fogo e dor.

O barco se movia vagarosamente. Caronte parecia não ter pressa de chegar. Os palácios do local eram todos negros e cheio de chamas por todos os lugares. Ele não sabia bem para onde estava indo, mas Caronte se aproximou do palácio central. O barco ia descendo levemente até que parou aos portões. Quando se levantou, Frey se virou para a entrada que era um grande portão negro de arquitetura antiga. Alguns pontos em chamas iluminavam levemente o local, mas não tiravam de forma alguma o ar sombrio daquilo. Lá dentro, Aleksandr já via partes da criatura que guardava os portões. Cérbero olhava atento a todas as almas abatidas que caminhavam de forma vagarosa salão adentro. A mente de Aleksandr se preparava para absorver aquilo tudo.

— Siga até o fim dos caminhos. Alguém irá te receber lá.

Frey com cuidado desceu do barco e ficou alguns segundos parados na entrada do palácio. Até agora ele era somente mais um ali. Mais alguns minutos e ele seria julgado ao seu destino que prosseguiria até a eternidade.

Sem delongas, Aleksandr seguiu o fluxo de almas que caminhavam portões a dentro. Já passado os portões, a ambientação não ficava muito mais animada. Tudo tinha um aspecto ruim, sem cores vivas ou qualquer coisa animada. As cores pretas prevaleciam em quase tudo: Paredes, castiçais, velas, e pelos cantos havia ossadas espalhadas.

Ao centro, um tapete vermelho surrado e muito antigo se esticava até onde ele não conseguia ver mais. A entrada era grande e muito aberta, mas quanto mais caminhava palácio adentro, mais se fechava , se tornando um corredor extenso.

Frey passou sem dificuldades pelo guarda do inferno. Cérbero não parecia muito incomodado com nada por ali. As coisas fluem normal e as almas seguiam seu caminho, até porque, ao observar o cão gigante com três cabeças ninguém muito inteligente tentaria fugir ou sair do rumo destinado.

Nos corredores as coisas não eram diferentes. Tudo continuava sombrio e a única luz era de poucas velas que se prendiam nas paredes. Ossos também apareciam por toda a parte e tudo era bem clássico, como ele pensava que seria. Frey tinha vontade de ter descido ali quando em vida e talvez ter feito algo que o colocasse na história para sempre. Mas não tinha descido. Agora, estava ali como qualquer um, e seus feitos quando em vida não seriam vistos como positivos.

Depois de andar pensando em várias coisas e seguindo uma fila de almas que caminhavam juntas a ele, o corredor acabou. De alguma forma, as almas foram ficando para trás, e quando Aleksandr se deu conta, estava caminhando sozinho no sentido de uma porta redonda. A arquitetura do local agora mudava um pouco. Se sentia como em uma igreja francesa ou algo desse tipo. Não conseguia enxergar o que estava do outro lado, somente via escuridão, mas seguiu o único caminho disponível.

Ao ultrapassar a porta, a sala se tornou clara. Velas se acenderam pelas paredes revelando uma sala negra onde ele aparentemente estava sozinho. O chão era quadriculado entre preto/branco, e mais a frente numa tribuna, um homem estava sentado. Não conseguia ver seu rosto, e o corpo era coberto por uma armadura negra como as águas do aqueronte, ou como a lâmina de seu antigo machado.

Sem ouvir qualquer barulho, Frey percebeu que as portas estavam fechadas. Não existiam janelas ou qualquer tipo de saída. Ele estava na sala de seu julgamento. Enquanto Aleksandr dava alguns passos a frente, se colocando ao centro da sala, o homem da tribuna se colocou de pé revelando seu rosto antigo e feio. Frey não sabia quem era, e novamente tinha arrependimento de não conhecer melhor sobre o submundo.
— Aleksander Tiseu Frey… Eu sou Minos. E estou aqui para julgar seu destino pós-morte. Antes de começar, gostaria de fazer alguma consideração?

Não respondeu. Um leve sinal em negativo com a cabeça mostrava sua posição sobre a pergunta.
— Então vamos começar!

Minos… Aleksandr não tinha a menor ideia de quem era Minos. Tentava recordar qualquer coisa relacionada ao homem, mas não conseguia achar nada, a não ser que ele tivesse errado seu nome e se chamasse Midas, o que não deveria ter acontecido.

— Você passou grande parte da vida em treinamento na Rússia, jovem alma. É engraçado ver sua dedicação quanto ao seu poder, o quão forte era e o quão pouco fez com isso. Não consigo ver algo muito expressivo sobre você. Nem bom, nem ruim.
— Sempre me dediquei a me fortalecer e estar pronto para quando a grande guerra chegasse. Intrigas e confusões entre deuses menores e semideuses nunca me interessaram.
— Ah sim, eu vejo isso. Inclusive sua boa relação com os olimpianos durante grande parte de sua vida. Lutaria por eles na grande guerra, não é, Frey?! Usaria seu poder pelo bem e por aqueles que de certa forma, mantém a ordem no mundo, apesar de tudo.
— Sim… Treinei para isso, como você mesmo disse.

Minos saiu da tribuna, se colocando mais a frente na sala e andando de um lado para o outro, como se pensasse no que iria dizer. Mas algo em Frey sabia que ele já tinha tudo calculado.

— Tem algo estranho aqui, Aleksandr… Como buscava servir ao Olimpo se em seus últimos meses possui um histórico de atuação junto a Éris. Isto é falso?
— Não foi bem assim que aconteceu.
— Ah não?! Traiu os Olimpianos em Alcatraz por Éris, agiu como um covarde e entregou seus aliados a morte apenas para agradar a discórdia. Ou melhor… Teria outro motivo para fazer isso?

Havia… Havia sim, mas ele não iria dizer. Não que fosse preciso, afinal Minos parecia estar acima do bem e do mal, e iria jogar isso na cara de Aleksandr logo mais.

— Fez tudo isso para no fim receber a alma de Allan Frey. Traiu os Olimpianos que jurou proteger durante sua vida inteira, manchou sua honra traindo Josh Kimoy e os semideuses que lutavam em nome do acampamento meio sangue. — Minos caminhava de volta a sua tribuna. Agora falava em alto tom enquanto disparava suas acusações. — Como se não fosse suficiente, se uniu a Éris e aceitou receber a alma de Allan Frey, trazendo a vida o semideus que mais causou danos ao Olimpo e que nunca deveria ter saído de seu castigo eterno!
— Fui enganado. Não sabia que Éris estava falando de receber a alma de Allan quando fizemos o acordo.

E era verdade. Eris tinha pedido para que Aleksandr o servisse, mas ele não entendeu bem as palavras traiçoeiras da deusa. Mas aparentemente, Minos não estava ligando muito para isso.

— Não existem meias verdades por aqui, rapaz. O Mundo Olimpiano se prepara para uma grande guerra da qual você jurou lutar. Grandes poderes são como fardos, e você se livrou dos seus assim que pode, apoiando Éris e se alinhando ao inimigo.

De volta a sua tribuna, Minos ergueu o martelo. Frey observou sem qualquer reação o homem continuar a bradar palavras firmes. Afinal, o que podia fazer. Era uma alma contra um dos três juízes do submundo.

— Eu, Minos, em minhas atribuições condeno Aleksandr Tiseu Frey a eternidade de miséria. Sentirá a maior fome já conhecida por uma alma todos os dias até o fim de sua existência e permanecerá em derrota e humilhação abaixo de todas as almas nos Campos de Punição!

O martelo que oficializou a sentença estava quase batendo na mesa. Mas então um cheiro forte de podridão tomou a sala.
As velas se apagaram e o breu se juntou ao centro como se formassem uma figura. A visão de Aleksandr ficou turva e quando voltou a enxergar novamente, a presença na sua frente era aterradora.  

Quando identificou o elmo negro que impedia Frey de ver o rosto da criatura, ele logo se colocou de joelhos em reverência. Hades havia parado seu julgamento.
O Deus dos Mortos estava ali por algo.

Aleksandr já tinha estado a frente de Hades diversas vezes. O contato com os Olimpianos não era assim tão raro para alguém como ele, e isso somente diminuiu quando saiu da Rússia e foi para os EUA, se envolvendo nos casos de Allan e consequentemente com Éris.
O deus usava vestes negras cobertas por uma imensa capa rasgada que parecia liberar leves labaredas de um fogo negro. A simples presença dele ali naquela forma esgotava mais ainda Aleksandr, mas no fim, a condenação não tinha sido concluída.

— Não achei que iria precisar fazer isso tão cedo… Você desapontou os olimpianos. Isso deve ser algo ligado a sua família, acredito.
Hades fazia uma clara referência a Allan, que também tinha se dedicado a maior parte do tempo ao Olimpo, mas nos últimos anos de vida, se uniu a Éris e atordoou o Olimpo por um bom tempo, antes de ser morto nas entradas daquele mesmo palácio.

— Senhor. Você sabe tudo que esse jovem armou nos últimos anos. A ligação com Allan e tudo mais. - Minos falava como se já soubesse o que estava por vir. E realmente devia saber, afinal não devia ser algo muito comum o próprio deus do submundo aparecer em todo julgamento antes da sentença ser dada.
— As obviedades podem ser guardadas, Minos. Não preciso ser lembrado delas. Estou aqui porque de certa forma, Aleksandr, você realizou muitas obras paras os deuses… Em especial para mim. Fato é que concisamente com sua descida ao mundo dos mortos ou não, algo aqui saiu de ordem.

Aleksandr voltou a se colocar de pé enquanto observava Minos com uma expressão furiosa. Frey começava a entender do que se tratava aquilo, afinal se algo saiu da linha para os deuses, quem colocava de volta no lugar?

— Não vou me prolongar, Aleksandr. Quero selar um pacto. — Um pacto com o deus do inferno… Que beleza. — Sísifo fugiu de seu castigo. Capture Sísifo e eu o deixarei voltar ao mundo dos vivos. Falhe, e estará condenado. Saia de sua missão e estará condenada. Tente burlar o acordo de alguma forma, e estará condenado. Está de acordo ou já posso te enviar aos campos de punição?
— Estou!
O filho de Phobos não pensou duas vezes antes de dar sua resposta. Tudo bem ter que achar uma alma que já tinha enganado a morte duas vezes. Afinal, se desse errado não teria nada a perder.

— Hades...
O deus dos mortos levantou a mão em sinal de silêncio, interrompendo Minos de concluir sua fala, e então voltou a atenção a Frey.

— A condenação está suspensa até o desfecho de sua missão. Boa sorte, Frey.

Sem demoras, Hades se transformou em um monte de sombra negra junto a Minos, e então os dois sumiram. Nesse instante as velas voltaram a se acender e a porta de entrada estava aberta.
Aleksandr agora tinha que saber onde estava, para onde iria e como achar Sísifo.
Frey já estava pronto para sair, mas então ao dar uma última olhada para a sala, ele pode observar um pacote feito de pano negro no local onde Hades tinha surgido. Parecia uma espécie de bolsa velha. Ao se aproximar e abrir o embrulho cuidadosamente, Aleksandr sorriu ao ver alguns itens que já eram conhecidos.
Colocou sua antiga capa negra ao redor do pescoço, prendendo ao corpo e segurou o arco de Épiro.

Ter contato com seus antigos itens o fizeram ter uma extrema vontade de sair dali. Não podia aceitar sua morte num momento como aquele. Precisava prender Sísifo e o levar de volta a seu castigo, caso contrário ficaria ali pela eternidade. Não tinha se dedicado tanto em vida para acabar daquela forma.

Parecia que cada segundo ali, Aleksandr se sentia melhor. Mais revigorado e mais capaz de agir. As portas estavam abertas, e ele então saiu correndo em busca do antigo rei que tinha enganado a morte.

No caminho de saída do castelo de Hades, Frey andava em movimentos rápidos, quase como uma leve corrida. As almas cansadas e em movimentos desgastados iam em sentido contrário, Frey percorria todo o corredor de paredes negras do qual tinha entrado, até chegar aos portões do palácio. Ficou parado por um instante e então sacou o arco, puxando uma flecha de luz negra que estava claramente intensificada pela energia do lugar.

Frey tentava se lembrar de algum mapa que tivesse visto, algum desenho ou informação quanto vivo que o fizesse chegar até os campos de punição. A frente, o caminho de onde ele tinha vindo, que era onde Cérbero ficava. Além disso, uma passagem para cima e uma descida de onde ouvia alguns sons, mas nada muito alto.

Seguiu pelo caminho a direita. Aleksandr marchava em uma leve subida feito de terra negra e socada. Pedras negras fechavam o caminho ao redor formando uma espécie de estrada não muito larga. Pelos caminhos, hora ou outra achava almas e corpos velhos jogados pelos campos. Provavelmente criaturas que se perderam a buscar seu julgamento e não tinham mais forças para sair dali.
Em alguns lugares os soldados esqueletos de Hades garantiam a ordem. Com roupas de infantaria antigas, olhavam Frey passar com um rosto não muito positivo. Obviamente que a vontade de Hades devia ser conhecida por eles, e assim ele não tinha problemas em seguir, não até agora, pelo menos.

Ao olhar para trás, Frey tinha subido um belo caminho já. O palácio de Hades agora era visto de cima, e logo ao lado os campos de asfódelos. Agora, tinha uma visão melhor de onde estava e para onde ia. Acima, podia ouvir vozes agonizantes e gritos, junto a um barulho de certa forma peculiar… Como a batida de um martelo. O pavilhão do julgamento estava próximo.

Aleksandr seguiu subindo pelo caminho que estava antes enquanto percebia os barulhos se intensificarem. Batidas, gritos e acusações… Mais gritos.

Ao se aproximar por cima, Frey pode observar os pavilhões de julgamento como uma caldeira. A visão não era nada boa.
Almas formavam filas e mais filas enquanto os três juízes do submundo decretavam as punições de cada um sem qualquer demora. De dez julgados, nove eram condenados aos campos de punição com penas parecidas com a sua. Miséria, fome e humilhação.

Dali, Aleksandr assistia aos rápidos julgamentos de almas atordoadas que muitas das vezes nem tinham se dado conta de onde estavam.
Continuou assistindo por alguns minutos, até que se deu conta de algo. Um dos juízes não estava mais em seu post.
Frey não via mais Minos. Por pouco tempo.

— Então está realmente decidido a seguir essa missão que lhe foi dada. Achará o astuto Sísifo e o prenderá?
— Como Hades ordenou, Minos.
— Sabe que Sísifo apesar de velho e já meio caduco por anos rolando uma pedra, ainda é mais poderoso e antigo que você, não é?! Digamos que eu também me compadeço por sua causa. Acredito que seus últimos pecados tenham sido por amor ao seu irmão e a não aceitação de sua morte. Mas te pedir para prender alguém como Sísifo é te dar um desgaste que não tem motivo. Já está condenado ao fracasso antes de começar sua missão.
— Se sabe tanto da minha história quando disse no meu julgamento, sabe também que já realizei façanhas mais difíceis. Preciso seguir caminho, Minos. Esse não é meu lugar e quero voltar ao mundo o mais rápido possível.
— Não dúvido. E é exatamente por isso que estou aqui. Como um dos juízes do submundo, eu tenho alguns poderes por essas áreas. Te ofereço algo mais fácil. Suba ao mundo mortal e arrume um ramo de Acácia verdadeiro. Um de meus seguidores irá te encontrar e trazer o ramo até mim. Te dou o prazo de dois anos para isso.

Com um aceno de mão, Minos fez as rochas do lado esquerdo se moverem, e então um portal não muito grande apareceu. Do outro lado ele via um parque com muitas árvores. Algo parecido com o Central Park.

— Não sou um qualquer, Minos. Irei repetir. Preciso seguir meu caminho e achar Sísifo, até mais.
Aleksandr não pode dar um passo antes de nas mãos de Minos surgir uma lâmina negra de ferro estígio. Sua feição era a mesma de quando Hades tinha revogado sua sentença. Tinha ódio nos olhos, e pelo sacar da lâmina, não iria deixar Frey seguir seu caminho tão facilmente assim.

Minos avançou numa velocidade que Frey nunca tinha visto. A lâmina foi usada para tentar cortar a cintura do jovem ao meio. Usando a haste firme do arco, Aleksandr tentou parar o golpe, e conseguiu. Porém, o impacto o jogou em meio às rochas, visto a imensa força em que ele empunhava a arma. Ficou de quatro tentando se levantar, mas foi impedido antes disso. Um raio de alta voltagem atingiu se corpo e o arremessou mais longe, em meio as diversas rochas que se espalhavam por ali. Minos continuou avançando enquanto Frey nem conseguia se pôr de pé.
— Pra que tentar, Frey? Não conseguiria nem em sua totalidade de poderes.

Ele estava certo. Frey não tinha chances. Tudo bem que já estava morto, mas afinal, seria incinerado por Minos antes que pudesse realizar qualquer ação. Fugir era impossível e continuar ali era “suicídio”, se alguém morto podia falar nisso.

Quando Aleksandr se colocou de pé, Minos já estava em sua frente. Em um movimento falho, o filho de Phobos puxou a corda imaginária de seu arco e buscou atingir o deus no peito com uma flecha. Porém, a flecha bateu na armadura estígia e sumiu, arrancando um sorriso de Minos que firmava cada vez mais sua superioridade.
A lâmina negra sumiu da mão de Minos e o deus se aproximou, desferindo uma série de socos no rosto de Frey. Os socos eram tão fortes que impediam Aleksandr até mesmo de cair no chão. Seu corpo ia sendo empurrado de um canto ao outro enquanto o deus continuava a série sem qualquer piedade.

Minos parou em um rápido movimento, e antes que Frey fosse ao chão, o deus desferiu um chute com extrema pressão contra o peitoral do semideus, o que foi suficiente para o jogar longe.
Frey caiu quase inconsciente na beira rochosa. Abaixo do precipício que ele se encontrava os julgamentos aconteciam.

O deus menor então surgiu logo acima de Aleksandr, pisando em seu peitoral e dando um leve sorriso.

Ao semideus, restava algum de seus poderes. Tentava a todo custo ativar suas lâminas medonhas para afastar Minos dali, mas era em vão. Seus poderes pareciam não funcionar, de alguma forma. Nada funcionava.

Seu arco estava jogado pelo chão, não conseguia cobrir seu corpo com a capa para se defender, e todos seus poderes pareciam não ter qualquer utilidade. Minos tinha vencido.

Em um rápido movimento a lâmina negra voltou a aparecer na mão do deus.
— Você deve estar se perguntando, Aleksandr. Porque estou batendo numa criatura tão desprezível que já está morta? A resposta é simples.

Em segundos, a lâmina foi tomada por uma aura negra cintilante que dançava ao redor de toda a arma. Frey sentia dor somente de estar próximo aquela chama. Sentia como se sua alma estivesse sendo sugada completamente, e isso é porque a lâmina nem tinha entrado em contato com seu corpo.
— Essa lâmina não é uma coisa qualquer. Os campos de punição são bons demais para vocês Frey’s. Vocês devem ser extirpados do mundo dos vivos e até mesmo do mundo dos mortos. Essa chama destrói almas, Aleksandr. Sua existência irá acabar, sua alma vai ser completamente destruída para que o mundo tenha a certeza de que nunca mais irá ver sua existência.

Minos soltava faísca de seus olhos. Não só junto a chama poderosa da lâmina, o deus começou a soltar raios de seu corpo que começaram a envolver a arma. Aquilo era o suficiente para fazer o que o deus tinha dito. Com a arma empunhada, Minos se prontificou em a cravar no peitoral de Aleksandr atravessando todo seu corpo e seu coração, e foi nesse momento que ele fez sua última súplica. Era sua última carta.

Se lembrava de quando Allan tinha enfrentado Lilith Doutzen. A luta era impossível de ser vencida, visto o imensurável poder da filha de Éolo comparado com o poder do filho de Phobos. E da mesma forma que Allan virou a batalha, Aleksandr derrotou o deus Minos.

Quando a arma tocou o corpo de Frey, Minos se arrepiou, e sem alguma explicação aparente Aleksandr permaneceu em seu normal.
A arma atravessou o corpo de Frey como Minos queria, mas então o corpo do deus começou a colapsar e seu corpo mortal e alma divina sentia agora o que Aleksandr teria sentido.

Minos começou a berrar enquanto seu corpo era fritado pela chama negra que ia rachando seu corpo todo de dentro pra fora. Seus olhos começaram a aumentar até que explodiram e em seguida seu corpo começou a jorrar sangue dourado pelos buracos que a chama negra que destruía almas havia feito.
A arma sumiu enquanto o deus colapsou, e então seu corpo explodiu de uma forma inexplicável.

Não sabia bem se ele realmente tinha morrido, mas não estava mais ali.
Já o semideus, ficou deitado por algum tempo, se recuperando da série de socos que tinha recebido.


Frey se levantou. Estava cansado de uma forma que não sabia explicar. Mas pelo visto, havia vencido Minos. Os campos de punição estavam próximos e Sísifos estava por lá. Ele agarrou o arco caído e então voltou a avançar no mesmo caminho de antes. Se sentia exausto e seu rosto doía como nunca.

Quanto mais seguia para longe dos pavilhões dos julgamentos, maior o som de gritos ficavam. Uma energia aterradora tomava o local e a iluminação mais a frente era muito forte. Frey já podia ver as imensas labaredas de chamas surgirem pelo céu negro, sinalizando que os campos de punição estavam próximos.

Se guiava pelos gritos de sofrimento que eram soltos por quem estava condenando a eternidade de dor por ali. Se Frey não fosse bem sucedido em sua missão, pelo menos já estaria perto de onde iria passar o resto de sua existência, que seria sofrendo junto àquelas almas.

Logo conseguiu avistar a entrada do local. Guardada por soldados esqueletos com armaduras e armas bastante poderosas, o local era cercado por trincheiras e lâminas no chão junto a muitos arames farpados e labaredas de fogos que subiam e deixavam as cercas perfeitas, evitando que qualquer alma condenada aquele local pudesse de alguma forma deixar ali. Menos Sísifo, pelo visto.

Se aproximava agora de forma mais vagarosa. O cenário não era positivo e não sabia o que poderia acontecer por ali.
Quando se aproximava, Aleksandr sentiu um leve cheiro de rosas. Ao redor somente existia rochas negras que se estendiam montando um chão rochoso e difícil de caminhar. Frey não sabia o que fazer.

— Ei. Ei. Você! Me ajude aqui, venha.
Aleksandr olhou ao oeste e num local mais baixo um homem velho e magro com roupas surradas tentava empurrar as rochas do chão. Do chão, Frey via também uma luminosidade natural. Resolveu se aproximar, visto que não existia ninguém próximo deles e os campos de punição ainda estavam um pouco distantes.

Com o arco em mãos, Aleksandr seguiu até ele, ficando na retaguarda observando o homem limpar o caminho. E no chão, um caminho para o mundo vivo se abria cada vez mais que o homem tirava as pedras.

— Vai ficar só olhando?

Não era difícil de saber. Suas mãos eram todas calejadas e a sua facilidade em manusear as pedras, além de ser o único ser por ali entregavam sua identidade. O caminho já permitia a passagem de um corpo, principalmente alguém desnutrido como aquele senhor.

— Bem, eu estou indo. Vai vir comigo? Os guardas logo virão me procurar. Se não for vir, feche o caminho por favor.
Sísifo começou a se esgueirar pelo buraco antes mesmo que Frey pudesse falar algo. Ele tinha pressa pelo visto, e não parecia muito ameaçador. Aleksandr na maior naturalidade agiu, então.

Puxou rapidamente uma flecha no arco que empunhava e então a soltou sem demora, acertando o ombro direito do antigo rei. O impacto o jogou contra o chão de rochas, o afastando da passagem.
— Eu sou o guarda que estava te procurando, Sísifo.

O homem velho tinha dificuldade de se levantar. Quando se pôs de pé, Frey percebeu que suas costas deviam ter algum problema, alguma espécie de corcunda.
— Seu desgraçado. Como se atreve!
Com as mãos vazias, Sísifo tentou desferir um soco contra Aleksandr, mas era lento demais e fraco demais. Sua desnutrição impedia que tivesse qualquer êxito numa luta.

Aleksandr desviou e então acertou a cabeça do senhor de idade com uma cotovelada. Se sentia agredindo seu avô.

Novamente Sísifo caiu ao chão. Dessa vez demorou um pouco mais para se levantar devido a força do golpe.
— Seu idiota. Pode me socar quantas vezes quiser. Não pode me matar.
O velho começou a se arrastar buscando fugir de Aleksandr, e foi então que ele viu o que realmente tinha que fazer. Teria que colocar Sísifo de volta em seu castigo. Não havia como derrotar quem já estava morto.
Frey então se concentrou, e o cenário ao redor começou a mudar, não de verdade, apenas nos pensamentos do velho. Sua mente era fraca e surrada pela idade e pelo tempo que tinha passado nos campos de punição.
Sendo assim, o medo se tornava mais fácil de injetar, afinal a manipulação mental era como roubar doce de uma criança.

Ali no cenário de Aleksandr, Sísifo observava Zeus e Hades o olharem. Os deuses tinham os olhares fixos ao homem  como se o condenassem por algo.

— Venha aqui, sísifo. Só eu posso te livrar deles.

— Não… Eles vão me pegar. Eu voltarei ao meu castigo. — Suas palavras eram de quem estava num estado de medo muito intenso.
Aleksandr se aproximou, deixando que o homem continuasse enfrentando seus medos — e perdendo.

Frey se abaixou, e com a mão carregada de puro terror, tocou a panturrilha de Sísifo, injetando um estado de medo tão profundo que fez o homem entrar num estado de choque. Sísifo tremia como se tivesse uma convulsão e não conseguia ter nenhuma reação a nada. Era hora de levar o condenado de Zeus de volta a sua punição.

Um saco de osso e o corpo de Sísifo.
Não existia qualquer diferença. Frey não sabia quanto tempo aquele estado de terror iria durar, então com o corpo do homem em seus braços, saiu correndo de volta ao caminho em direção aos campos de punição, onde colocaria Sísifo de volta para carregar seu fardo.

Quando se aproximou dos guardas dos portões, eles logo cercaram a entrada, forçando Frey a parar e a explicar o que fazia ali.
— Hades me enviou. Trago Sísifo que fugiu de sua punição e o colocarei de volta onde deve ficar para todo sempre.
Demorou alguns segundos, mas então os soldados de esqueletos saíram da frente de Aleksandr.

Não estava mais tão cansado, apesar que tempos carregando aquele homem que só tinha ossos estavam fazendo seus braços doerem.

Dentro dos campos de punição, o terror tomava conta por todos os cantos.
Pessoas agonizando, sendo dilaceradas por criaturas infernais, queimando até só restar ossos e em seguida seus corpos voltavam ao estado perfeito para que pudessem ser queimadas novamente. Esses eram alguns dos castigos comuns por ali. Frey via criaturas horrendas das profundezas do inferno que nunca nem sabia da existência. Estavam ali castigando as almas que tinham sido condenadas, e não pareciam achar isso muito ruim.

Seguiu em direção ao pico que era visível de onde estava, imaginando que por ali ficava o castigo de Sísifo.

Os castigos agora pareciam mudar ao redor de onde ele passava. Agora via vários corpos amontoados em um lamaçal pútrido. Os corpos tentavam se mexer e sair dali de alguma forma, mas cada vez mais ficavam mais cobertos e atolados entre eles, tornando impossível qualquer movimentação. Para piorar, criaturas espetavam aqueles que conseguiam assumir lugares mais altos entre os corpos, os forçando a voltar para o meio dos outros. Decidiu assim que iria seguir seu caminho e parar de olhar ao seu redor.

Com velocidade, Frey já conseguia ver o sopé do monte, e lá estava um pedregulho que tinha duas vezes o tamanho de Sísifo. A pedra tinha manchas de sangue e parecia desgastada e o pico era muito íngreme. Não devia ser fácil para alguém com aquele corpo levar uma pedra daquele tamanho até o topo.

Quando parou ao sopé, Frey percebeu que estava um pouco afastado do resto das punições. O local não era silencioso, mas os gritos de dor e sofrimento aconteciam um pouco mais longe de onde estava.

Aleksandr jogou o corpo de Sísifo no chão e o choque foi o suficiente para que o homem despertasse. Seus poderes de medo não mais estavam ativos, e o estado de choque ja não existia mais, visto que Frey buscando voltar Sísifo ao seu estado normal agora compartilhava sua resistência com ele, por alguns leves segundos.

Frey pisou no peitoral do homem e puxou o arco, mirando uma flecha negra em sua cabeça e pronto para atirar à queima roupa.
— Eu te condeno a voltar a sua punição, Sísifo. Se de alguma forma tentar fugir eu iria te amarrar a essa rocha e te largar aqui, o que irá dificultar seu trabalho quando voltar a consciência.
— Você não pode fazer isso. Eu cheguei tão próximo. Sabe o que é empurrar isso por mais de mil anos? Tem uma noção?
— Eu não me importo. — Aleksandr tirou o pé do peito do homem, mantendo a flecha pronta para atirar.
— Volte a empurrar, agora!

Não havia nada a fazer. Frey já estava forte o suficiente para forçar o homem a empurrar a pedra se assim quisesse, e ele sabia disso. Sísifo não fugiria dessa vez, e só restou a ele se arrastar em prantos até voltar a encostar as mãos calejadas e surradas ao mármore.

Com a cabeça baixa, Sísifo começou a mover a pedra de forma vagarosa. Fazia uma força imensa e demorava minutos para mover centímetros da pedra. Aleksandr sentiu uma leve pena, mas como um bom Frey sua mente funcionava para si primeiro.

Sísifo estava de volta ao seu trabalho.


Em minutos, Aleksandr sentiu algo repuxar seu corpo. Sua visão se tornou turva e ele sentia como se seu cérebro virasse gelatina.
Quando conseguiu enxergar novamente, estava numa sala negra, mas luxuosa.
Ao seu lado duas mesas enormes se estendiam com diversos tipos de comida, e mais a frente dois tronos negros estavam postos. Estava na sala de Hades.
— Você conseguiu, Frey. Tinha minhas dúvidas, mas você conseguiu.
— Estou livre? Posso voltar ao mundo dos vivos?
O deus balançou a cabeça e estendeu a mão. A frente de Aleksandr surgiu um pergaminho antigo e uma pena negra.


— Está deixando o mundo dos mortos por minha misericórdia para com alguém que já nos serviu e nos foi útil. Com isso, acredito que seja necessário garantir que não volte a andar por caminhos que desagradam o Olimpo. Concorda?
— Sim, Senhor.
— Por isso, quero que assine esse pergaminho. Ele é um trato onde está acordando de nunca adentrar nenhum grupo que se posicione contrário aos olimpianos, e também te impede de ir contra os deuses em qualquer guerra que surgir. Brigue com os semideuses que não goste. Faça o que quiser. Mas não irá novamente se unir a rebeliões contra o Olimpo. Está de acordo?

Claro que algo assim iria existir. Por qual motivo Hades iria permitir a vida de um semideus extremamente poderoso se ele pudesse de sua vida não fosse útil?!
Ademais, não via problemas significativos naquilo. Restou a Frey segurar a pena e assinar o que tinha sido proposto, sabendo que agora estava novamente alinhado aos deuses do Olimpo e ao acampamento que infelizmente tinha ajudado a destruir.

— Entrarei novamente em contato, Aleksandr. Ainda está em divida comigo e espero não te ver por aqui tão cedo.






A visão de Frey se fechou completamente. Por um segundo era como se ele não existisse, mas então seu corpo surgiu numa maca de hospital. Estava com diversos ferimentos e queimaduras, além de não ter forças para acordar, quase uma espécie de coma induzido.
Mas apesar de tudo, estava vivo.



*NPC's
Aleksandr Frey


Item Usado:

♦️{Arco de Épiro} / Arco [O Arco de Épiro é uma arma criada por um filho de Hades em busca de poder. Ele não possui corda como um arco normal e, ao puxar o lugar onde ela deveria estar, uma flecha envolta em luz negra é materializada. Essa flecha, além de causar o dano habitual, tem seu efeito aumentado em 25% graças à potência da luz negra. De noite, o dano causado aumenta ainda mais e sobe para 50%. Filhos de deuses relacionados à luz, como Apolo, possuem uma resistência de 25% a esse efeito — isso significa que de dia a luz negra não os afeta, e de noite afeta apenas 25%.] [Ferro estígio, magia] [Nível mínimo: 50] [Não controla nenhum elemento] [Recebimento: comprado de Josh Kimoy]

♦️ {Capa Viva} / Capa [Uma capa totalmente negra e extensa, indo até a canela de seu dono e cobrindo todo seu ombro e costas — aproximadamente 1,70m de altura. Dada por Éris a um de seus arautos, a capa perdeu a maioria de seus poderes ao ser roubada, ficando somente com um destes. A capa possui uma grande largura, para que seja puxada para frente de seu usuário ao desejo do mesmo, e compartilha a consciência com seu dono (ou seja, quando julga necessário, conversa com o mesmo sobre coisas que acontecem ao seu redor). Inicialmente feita de tecido, essa capa peculiar pode se solidificar em adamante quando o dono quiser, formando assim um escudo nas partes do corpo que estão cobertas por ela. A ativação do poder dura 5 turnos no total, sem a necessidade deles serem subsequentes (ou seja, o usuário tem a liberdade de ativá-la e desativá-la quando quiser, desde que o número de turnos utilizados não ultrapasse 5). Pode ser usado uma vez por missão/evento/trama.] {Tecido comum e adamante} {Nível 25} {Por ser um tecido vivo, só obedece ao dono e não pode ser vendida} {Recebimento: recompensa pela DIY "The End of Begin", avaliada por Perséfone e atualizada por Quíron}

Poderes Usados:

♦️Passivos♦️

Sede de sangue [Nível 06] - Quando em batalha, efeitos que busquem desviar os filhos de Phobos de combate são reduzidos em 50%, a menos que o inimigo tenha ao menos 5 níveis acima. Isso é válido para charme, confusão e efeitos distrativos em geral.[Novo]

Aura do Medo II [Nível 10] – Como Aura do Medo I, mas agora a aura é um pouco mais proeminente, passando a afetar os instintos das criaturas ao redor de forma mais forte. Mesmo oponentes resistentes ainda sofrerão 50% do efeito, se forem do mesmo nível do semideus ou abaixo, o que pode atrapalhar sua iniciativa, ainda que nem tanto como faria com quem não tem esse tipo de poder. Agora, passa a afetar mesmo monstros do submundo, desde que sejam criaturas vivas - construtos, fantasmas, esqueletos, etc, não são afetados, uma vez que não possuem os mesmos mecanismos de emoção do que criaturas normais.[Modificado]

Coragem no medo [Nível 55] Aliados a até 50m de distância passam a compartilhar de sua resistência a medo. Adicionalmente, sua aura deixa de afetar aliados, a menos que deseje isso. [Novo]

♦️Ativos♦️

Vertigem III [Nível 40] – Um dano que será convertido totalmente no inimigo com o dobro da força. Por exemplo, se o filho de Phobos receber um corte no braço que tiraria 20 HP, ele não perderia nada e o inimigo receberia o corte com o dobro da força, ou seja, perderia 40 HP. Pode ser usado em até três ataques sofridos e funciona com qualquer tipo de ataque. Não é cumulativo com os outros níveis, substituindo-os.

Pesadelo [Nível 15] - O semideus filho de Phobos pode entrar na mente do adversário e criar um cenário favorável para amendontrar seu inimigo. Quando ativada essa habilidade, o inimigo acaba vivenciando seu pior pesadelo, como uma ilusão de ótica. Isso faz com que ele recue e entre em defensiva. Dependendo do nível do semideus, pode fazer o adversário entrar em tormenta, ficando incapaz de batalhar.

Contato Aterrorizante II [Nível 32] – Através de um simples toque, é possível aterrorizar o inimigo de tal forma que ele será incapaz de agir ofensivamente por uma rodada, e o medo (mais controlável) permanecerá indefinidamente.

Medo paralisante [Nível 38] - Ficar paralisado de medo é uma realidade. Com esse poder, o filho de Phobos é capaz de comandar um inimigo, paralisando-o com uma palavra. O efeito dura 2 rodadas em inimigos mais fracos, e 1 em inimigos de nível igual ou superior - o efeito se quebra se o oponente for ferido. [Novo]





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08/06/2018
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Re: — queda e ascensão (MODE / FREY, Aleksandr)

Mensagem por Eos em Sex 22 Jun 2018, 01:06

Avaliação

Antes de iniciar, friso aqui a questão da dificuldade, que não foi abordada de modo adequado durante toda a missão, e isso interfere de forma geral na avaliação. Comentários quanto a isso foram feitos de modo mais específico em alguns pontos chave da narrativa.

O primeiro ponto seria da organização: o template possui largura e letras boas para leitura, mas a falta de padronização de parágrafo não é uma falha somente estética (entrando na questão de organização e ortografia), atrapalhando a leitura e quebrando a continuidade do texto, além de haver em mais de um ponto confusão nas cores e formatação utilizadas durante as falas.

Logo no começo, alguns erros básicos de pontuação ("Aleksandr estava, morto.") e outros de grafia (húmido, com "h", não é de uso corrente no Brasil; mesmo aceito dentro da língua, não seria adequado). Ainda na mesma frase, uma questão de concordância ( Tinha tido o mesmo destino que todos os heróis (ou vilões para alguns) um dia tinha - O correto seria "tinham", pois faz concordância com "todos"); além disso, a frase deveria ter iniciado com letra minúscula após o sinal de pontuação, uma vez que não era um ponto final (fato que ocorre em outros trechos). O mesmo erro de concordância se repete logo a frente ("tudo isso eram em vão").

A repetição de alguns termos não ajuda, o que aliado à forma adotada e as frases quebradas acabou passando a impressão de algo truncado e pouco fluido.

A passagem de tempo (mesmo para um lugar atemporal) foi pouco explorada, bem como a questão do cenário: não há qualquer exame do local, a narração da repulsa pela água (como pedido) ou uma observação mais atenta até a chegada do barqueiro (e, nesse ponto, um tanto falha: por que e como a descrição das águas como rasas, sem nem ter observado o rio anteriormente? E como o personagem teria essa noção?).

Este trecho foi especialmente confuso:

Aleksandr não tinha forças para responder. Mal mal conseguia ouvir aquela criatura.
— São dois dracmas, homem.

Quem fala, a quem se dirige? Se o barqueiro está tão perto, como não interferiu/ presenciou a cena de Frey com o NPC? (E aqui a confusão aumenta, pois a cena é narrada como se Caronte ainda não tivesse se aproximado, e aquela fosse sua primeira passagem).

A pontuação prejudicou em vários momentos, afetando a coesão e fluidez da leitura:

"Longe de ser normal, mas não era mais como antes, ele agora existia." - O ideal aqui seria o uso de ":" no lugar da segunda vírgula.

O texto dá voltas, repetindo coisas já ditas e, por vezes, se contradizendo: o personagem já declarava ter percebido a morte logo no início (indo contra o enunciado), apenas para repetir toda essa percepção novamente, agora após ver o barqueiro, dizendo que só então se dava conta do que lhe ocorreu (mas e a narração anterior?).

Outra frase com inadequação na pontuação: "Ficou ali por um tempo, não sabia dizer exatamente quanto, mas então sua atenção voltou, como se ele tivesse despertado de um sono mas sem ter dormido." - Falta a vírgula antes do segundo 'mas" (que, por sinal, poderia ter sido substituído por outro termo de mesmo sentido, como "porém", por exemplo). No "parágrafo" seguinte, mais erros: "As margens do rio, onde antes Aleksandr estava, agora outra alma jazia. A diferença dessa vez era que, nas mãos daquela alma estava o que Frey tanto almejava: Dois dracmas." - "Às margens" é uma locução que exige crase, e depois de dois pontos a frase deve seguir em letra minúscula.

Em seguida, outra frase que deixa o texto novamente confuso: "Caronte ainda não havia chegado.". Sendo assim, quem havia pedido dracmas a ele antes? Olhe todo este trecho, vários parágrafos acima:

Aleksandr se sentia melhor para voltar a sua atenção para onde estava. Finalmente pode perceber que aquele era Caronte e que ele estava ali para fazer sua trajetória até os palácios de Hades. Frey tinha agora consciência de sua morte, mas não aceitação disso.

— O que queres? — Pela primeira vez conseguiu dizer algo. Sua voz era sonolenta e vagarosa.
A criatura estendeu sua mão deformada e com uma pele branca/esverdeada como se estivesse gangrenada. Ele queria dois dracmas, nada mais.

Isso podia ser fichinha para o semideus no mundo. Era rico, tinha um dos arsenais mais prestigiados do mundo semideus… Mas ali não tinha nada.
Frey balançou a cabeça em negação, e o deus entendeu que para sua tristeza, aquela alma não tinha o que era preciso para entrar ali. O barco começou a se afastar e a ser encoberto pela névoa que se densificam rio adentro. Se estava certo, Frey tinha que ter o pagamento, caso contrário ficaria pelas margens durante 100 anos até poder atravessar.

Logo em seguida, "Caronte" aparece com letras minúsculas (lembrando que é um nome próprio - e foi um erro que se repetiu mais para frente também, novamente com o nome do barqueiro e depois com Sísifo), e no diálogo a cor das falas foi trocada, gerando estranheza. Outra falha de concordância: existir, diferente de haver, admite flexão, devendo concordar com o que é dito ("não existiriam almas penadas").

Nesse trecho, o maior problema foi a falta de descrição do cenário: é impossível ao leitor visualizar a cena ou entender o motivo da barganha: ora, se Aleksandr arrancou um ramo da margem do rio (o que em momento algum é narrado ou fica claro no texto), o que impediria outra alma de fazê-lo também? A fala também não possui sentido: "Procure o ramo com uma próxima alma… "

A questão do ramo é a principal em termos de coerência: em nenhum momento cita o personagem colhendo algo, segurando algo ou afim: a planta aparece magicamente em sua posse no meio da narrativa.

No trecho seguinte, o problema foi na formulação/ falta de alguns elementos (inseridos por mim em negrito):

"e ele não estava a fim de entrar nessa lista nas condições atuais em que se encontrava. Enganar uma alma perdida e desnorteada parecia ser o melhor comna sua situação."

Outro ponto que deve tomar cuidado é com a escolha de palavras: nem sempre o termo adotado passa a ideia adequada ou de forma mais clara. Isso ocorre ao falar sobre o rio, na seguinte frase "Logo o rio começou a escorrer" - em que sentido? Se no sentido de fluir, fica desconexo, já que é um rio, e em nenhum momento foi narrado como algo parado; se está transbordando, pra onde essa água iria?

A seguir você ainda narra ainda estar no barco, narrando as crateras em chamas como se em um patamar abaixo do rio (até aí, compreensível); contudo, começa a narração sobre os palácios sem qualquer introdução do cenário, que novamente fica perdido: "O barco se movia vagarosamente. Caronte parecia não ter pressa de chegar. Os palácios do local eram todos negros e cheio de chamas por todos os lugares. Ele não sabia bem para onde estava indo, mas Caronte se aproximou do palácio central." - Em que parte ficavam: nas margens, em um nível superior, em alguma encosta montanhosa, lá embaixo, junto às crateras? Quantos eram, como eram? A descrição é genérica e pouco explorada, enquanto que o ponto da missão pedia detalhamento no caminho.

A seguir você narra a entrada. "Alguns pontos em chamas iluminavam levemente o local, mas não tiravam de forma alguma o ar sombrio daquilo. " - Aqui, o pronome ideal seria "dele", já que faz referência a "local"; melhor ainda seria a reestruturação: "Alguns pontos em chamas iluminavam levemente o local, mas não tiravam de forma alguma seu ar sombrio."

Mais erros de concordância: "Frey com cuidado desceu do barco e ficou alguns segundos parados na entrada do palácio."

"Aleksandr seguiu o fluxo de almas que caminhavam portões a dentro. " (Que deveria ser "adentro", já que apesar de existir, a expressão "a dentro" possui outro sentido).

Aqui a repetição de termos poderia ser evitada: "Já passado os portões, a ambientação não ficava muito mais animada. Tudo tinha um aspecto ruim, sem cores vivas ou qualquer coisa animada.". Lembrando que essa repetição permeia toda a narrativa.

Na frase seguinte há falhas de pontuação e a mudança de tempo verbal: "As coisas fluemiam normal e as almas seguiam seu caminho, até porque, ao observar o cão gigante com três cabeças, ninguém muito inteligente tentaria fugir ou sair do rumo destinado."

Aqui, mais um trecho que poderia ter sido melhor detalhado: "Agora, estava ali como qualquer um, e seus feitos quando em vida não seriam vistos como positivos." Isso porque parágrafos antes, é narrado que o personagem não se lembrava se seus feitos eram bons ou ruins. Isso poderia ser uma referência à recuperação da memória/ habilidades? Sim, se tivesse sido descrito dessa forma, e não jogado de forma aleatória.

Na frase mais adiante, um erro um pouco mais complexo: "estava caminhando sozinho no sentido de uma porta redonda" - aqui, por sentido se referir a direção, o correto seria o uso de outra preposição ("em sentido a") ou a mudança da expressão ("na direção de").

Aqui não é necessariamente errado, mas há uma quebra da fluidez: "Eu sou Minos. E estou aqui para julgar seu destino pós-morte. " Isso ocorre pelo "E" dar uma sensação de continuidade que não se encaixa com o encerramento da frase anterior. As opções ideais seriam ou não ter finalizado a frase com um ponto final, ou ter iniciado a segunda oração sem o "E", direto no "Estou".

A troca de cores ocorre novamente neste diálogo.

Aqui, também caberiam notas condizentes à trama do personagem - o uso de spoiler não é apenas para poderes e itens, mais para quaisquer informações que auxiliem na compreensão do texto, o que era extremamente necessário aqui, caso não desejasse inserir isso no texto (como realmente não foi feito, cabendo ao leitor ter que procurar as informações por fora para tentar entender algo).

Aqui, mais uma falha de pontuação e outra de coerência:

"Afinal, o que podia fazer.? Era uma alma contra um dos três juízes do submundo." - Como sabia serem três juízes? Durante toda a narrativa o texto insiste em dizer que ele não sabia muito sobre o submundo, que nunca estudou sobre o local, que não conhecia os termos; tampouco Minos se apresentou como "um dos juízes" - ele se apresentou como "o" juiz, e foi dito que era a única figura na sala além de Aleksandr.

Em seguida, uma questão de conjugação/ tempo verbal: "O martelo que oficializou a sentença estava quase batendo na mesa. " - Ao falar "finalizou" você dá a ação por encerrada, o que não é o certo, o correto seria "oficializaria".

Outra questão de concordância: "As velas se apagaram e o breu se juntou ao centro como se formassem uma figura. "

Já aqui, a impressão que dá é de que se refere a um terceiro personagem: "Quando identificou o elmo negro que impedia Frey de ver o rosto da criatura, ele logo se colocou de joelhos em reverência. " - Se queria dizer que foi uma ação do juiz, deveria ter deixado claro, utilizando "Minos" em vez de "ele", e se era uma ação de Frey, a frase deveria ser alterada: "Quando identificou o elmo negro que o impedia de ver o rosto da criatura, Frey logo se colocou de joelhos em reverência.". Percebe a diferença?

A incoerência não ocorre apenas na formulação das frases. Um ponto sobre este tópico é chamado de coerência com o cenário. Neste caso, ela é ferida neste trecho: "Aleksandr já tinha estado a frente de Hades diversas vezes. O contato com os Olimpianos não era assim tão raro para alguém como ele, e isso somente diminuiu quando saiu da Rússia e foi para os EUA, se envolvendo nos casos de Allan e consequentemente com Éris." - Lembrando que, ainda que o fórum seja mais amplo, ele ainda segue algumas diretrizes básicas no que tange ao alcance dos deuses, então como a presença deles seria maior fora dos EUA?

Ainda nessa mesma parte, pela questão da cor, não fica claro se seria fala do personagem ou uma oração do narrador intercalada (nesse caso, fugindo da estrutura do texto, sendo colocado em primeira pessoa quando todo o restante da narrativa é em terceira).

Falha de concordância (provavelmente por digitação) logo a seguir: "Saia de sua missão e estará condenada."

No parágrafo seguinte, um caso de redundância: "interrompendo Minos de concluir sua fala" - o ideal, pela fluidez, seria apenas "interrompendo Minos" ou, no caso da frase completa, "impedindo Minos de concluir sua fala".

Aqui faltou a ligação "Parecia que a cada segundo ali". A vírgula nessa mesma frase está mal posicionada, devendo ser eliminada. Na realidade, poderia ter juntado as orações, deixando o período maior e mais fluido: "Parecia que a cada segundo ali Aleksandr se sentia melhor, mais revigorado e capaz de agir."

Algumas frases parecem incompletas, faltando uma ligação entre as sentenças, o que poderia ser resolvido de forma simples: "As almas cansadas e em movimentos desgastados iam em sentido contrário, enquanto Frey percorria todo o corredor de paredes negras do qual tinha entrado, até chegar aos portões do palácio."

Em termos de detalhamento, cai novamente nas descrições genéricas, tipo "ele ouviu sons" - de que tipo? Por que não investigou? O que lhe chamava (ou não chamava) a atenção? Uma vez que narra em terceira pessoa com narrador onisciente, você tem toda a abertura para explorar essas nuances, e isso não é realizado.

Novas falhas de revisão: "Aleksandr marchava em uma leve subida feitoa de terra negra e socada." "Um dos juízes não estava mais em seu posto."

Aqui, nova quebra de coerência: como Minos foi até ele? Usou algum poder, se teleportou, foi andando? Frey não reparou antes, mas como reagiu? Não há descrição de surpresa, medo, raiva, absolutamente nada - sequer é dado o posicionamento dos personagens.

No diálogo, uma falha com relação ao ponto pedido: Não há dúvida ou hesitação, mas também não há menção às condições impostas por Hades - o semideus apenas dispensa a proposta (e de novo não é aprofundado a questão sentimental/ envolvimento do personagem).

Aqui, uma nova observação com relação ao spoiler: ele também serve para dados do oponente. Que poder usou, como usou, quando usou. Mesmo se for algo criado, e não de uma lista, a ideia geral deve ficar clara ao leitor/ avaliador. Alguns narradores, inclusive, não consideram o que não estiver em spoiler, o que anula também uma boa parte das descrições. Não foi o caso - eu considerei, mas com descontos. O problema maior foi a falta de pesquisa sobre as habilidades do oponente, e falta de aproveitamento delas (eram duas listas completas e mais as habilidades divinas, e apenas dois poderes dentre isso tudo foram utilizados, sem sequer serem discriminados na postagem). Também destaco que a narrativa seguiu o modelo comum, como se o personagem fosse vivo, e não era bem o caso: o personagem estava no mundo dos mortos, mas não era uma visita - ele estava efetivamente morto.

Ainda na batalha, outro ponto: Mesmo que o poder de Aleksandr funcionasse, as imunidades e resistências de Minos foram ignoradas (Imunidades divinas: Deuses são intimamente ligados à uma esfera de poder. Dessa forma, são imunes a poderes e habilidades que utilizem-na como descritor (Apolo seria imune à calor, Héstia seria imune ao fogo, Poseidon à água, Afrodite à charmes e por aí vai). Cabe ao narrador determinar suas imunidades antes de uma luta começar. Adicionalmente, todos os deuses olimpianos possuem uma resistência de 50% à luz, enquanto todos os deuses ctônicos (do submundo) possuem resistência de 50% às trevas.) Dessa forma, mesmo o golpe rebatido não o afetaria, já que é ligado a sua esfera particular. E isso era apenas um dos poderes divinos descritos. Lembrando que o ponto pedia dificuldade, mas novamente a abordagem apenas cita isso ("ah, apanhei um pouco e depois fiz uma oração, usei um poder e venci e venci"). As ações são resumidas, e impedem o verdadeiro desenvolvimento do enredo. Qual a linha de raciocínio do personagem? Como ele avaliava a situação? O próprio Minos, qual a motivação? (Ainda mais que, se realmente matasse Frey, ele estaria indo diretamente contra Hades, enquanto que se só o incapacitasse ele provaria seu ponto - e ele tinha um leque de opções pra isso, que foi simplesmente ignorado - no fim, as ações descritas quebram a coerência do cenário).

Depois, sobre o encontro com Sísifo, uma questão real: sendo Hades deus do submundo, ciente da localização das almas, e sabendo que Sísifo fugiu de sua posição, por quê de todos os lugares que poderia ter colocado o NPC você o narra ainda nos arredores dos campos de punição? Que necessidade teria o deus de achá-lo, se ele não havia saído do domínio aonde foi colocado? Veja, primeiro você narra que estava se aproximando da entrada do local, conseguindo ver o cenário e os guardas, depois diz que os campos ainda estavam distantes - você se contradiz e fica impossível saber qual o local exato da cena. Não há coerência nesse ponto, da mesma forma que a situação narrativa foi simplista, saindo a esmo e encontrando-o por mero acaso - o que vai contra a dificuldade da missão. Não há qualquer trabalho de pesquisa, rastreio ou dificuldade adicional, além do encontro com Minos, que era um ponto obrigatório, e mesmo narrando diversas vezes que não conhecia o submundo, não sabia de informações sobre o local, não há qualquer problema ou erro de orientação, qualquer observação detalhada do cenário, nada que indique qualquer surpresa, cautela ou tentativa de adaptação ao ambiente. Lembrando ainda da inteligência do NPC, que é uma de suas características principais, mesmo que ele não possuísse força física, e em nenhum momento isso foi utilizado (ele mal fez questão de se esconder, entregou sua fuga pro primeiro que apareceu e não tomou qualquer precaução nem sobre o lugar do túnel).

No embate com ele, as descrições também conflitam: narra que Sísifo já se esgueirava pelo buraco (no chão, lembrando - o que indica que ou teria que entrar de cabeça no espaço, mergulhando, ou pularia dentro dele para entrar) mas depois diz que a flecha o afastou (o que, como coloquei acima, devido a posição de Sisífo, seria impossível).

Mais para o fim, uma frase completamente sem sentido: "Por qual motivo Hades iria permitir a vida de um semideus extremamente poderoso se ele pudesse de sua vida não fosse útil?!"

O final é mais uma observação, uma vez que a narradora deixou em aberto para ser adequado ao texto. Contudo, considerando que o retorno à vida seria o prêmio ao atingir o rendimento, e não uma certeza, o encerramento não está de acordo com a premissa geral da narrativa, dando por certo algo ainda não definido.

No geral, a missão peca em vários níveis. O básico seria a pontuação e a construção das frases: no primeiro caso sendo mal colocada em diversos pontos (vírgulas em excesso, meia linha no lugar de travessão, etc) e, no segundo, com a repetição de termos em demasia (inclusive o nome do personagem) e períodos curtos e mal conectados (um reflexo do primeiro ponto). Seria necessária uma revisão geral, com a supressão de certos termos ou melhor uso de pronomes para sanar essa falha, que ocasiona uma perda de coesão grave (maior que a perda ortográfica) e torna o texto cansativo e difícil de ler. Apesar do que apontei na avaliação, isso ocorre em bem mais trechos do que os destacados, e por isso merece atenção - não é uma falha pontual, mas constante.

Na parte de coerência, infelizmente isso se mantém, seja pela formulação deixar alguns trechos confusos, seja pela própria narração em si. Você é prolixo em vários momentos, focando em algo já dito, por vezes enrolando demais ou se contradizendo em determinados pontos, enquanto que o que necessitaria de foco é deixado de lado. Algumas informações essenciais para o completo entendimento não são descritas ou explicadas, seja na narrativa (preferencialmente) ou em off (desde apontamentos de trama à habilidades de oponentes), para o leitor se contextualizar, sendo descrito como se o leitor pudesse visualizar exatamente o que você imaginou. Não há observância de certos pontos do cenário (seja o mundo mitológico em si, sejam os recursos disponibilizados pelo fórum que poderiam servir de apoio, como a possibilidade de uso de imagens - em spoiler - e outros dados, ou mesmo contato com o narrador para dúvidas sobre como abordar o que foi pedido) e mesmo as ações dos personagens são suprimidas/ ignoradas - como numa sequência de imagens em que alguns frames são retirados. Da mesma forma, os pontos não foram cumpridos de maneira integral ou satisfatória, sendo parcialmente ignorados ou tendo a dificuldade e complexidade amenizadas (e isso no texto como um todo).

A questão da prolixidade interfere no quesito objetividade: ser redundante demais ou sucinto demais são dois lados da mesma moeda, e ambos aparecem em alguma medida no texto. Ainda nesse tópico, no que corresponde à adequação, a dificuldade geral deixou a desejar, não sendo explorada justamente pelos cortes narrativos.

Por mais que saiba os motivos que levaram à não postagem e posterior morte, bem como as justificativas para aumento de prazo (tendo concordado com isso), no que tange à avaliação isso já não se aplica: aqui, eu analiso o texto, e não o que o levou a ser feito como foi. Dito isso, a impressão geral é de que a narrativa foi corrida, sem revisão e feita às pressas, apesar dos 60 dias que foram colocados para o seu desenvolvimento. Infelizmente, ela não condiz com o esperado de uma OP difícil, resultando na pontuação final.

Pontuação final


Coerência: 160 de 250
Coesão: 30 de 75
Ortografia e Organização: 35 de 50
Objetividade e Adequação à proposta: 30 de 75

Total: 255 de 500 = 51% de rendimento

Considerando que a missão de segunda chance não considera rendimento de sobrevivência (uma vez que o personagem já está morto) e sim de recompensa para garantir a chance de retorno (que precisa de 85%):

Pontuação insuficiente. Personagem morto.

Orientações


De acordo com o sistema, essa é a segunda morte nesta conta. Sendo assim:

▬ Pela segunda vez, o campista perderá todos os itens, dracmas, moradia, poderes especiais (independente se da lista oficial ou não), pets e o grupo extra, sendo obrigado a mudar de nome (devendo este ser diferente dos nomes anteriores). Ainda assim, o personagem manterá 50% dos níveis que possuía no momento da morte, arredondado para baixo (Então, se ao ter a segunda morte o personagem era nível 41, ele retorna como nível 20). A mudança de progenitor não é obrigatória. Caso escolha manter o progenitor atual, ele manterá os itens de reclamação básico (excetuando-se as modificações dos mesmos) e não precisará de uma nova ficha. Caso resolva mudar de progenitor, ele deve comunicar o narrador que validou a morte dentro do prazo de até uma semana após isso, sendo inserido no grupo de mortos mas podendo realizar uma nova ficha de reclamação, desde que dentro do padrão do fórum (fichas comuns são avaliadas normalmente, fichas avaliadas com rigor manterão o padrão de avaliação e testes devem ser realizados nas datas específicas, não havendo certeza de aprovação apenas pela morte do personagem). Enquanto não escolher um novo progenitor (ou avisar que manterá o antigo) e mudar de nome, o player não poderá retomar o jogo.

O registro de morte e as respectivas mudanças devem ser informadas AQUI.



Eos
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