Ficha de Reclamação para Deuses Menores

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Ficha de Reclamação para Deuses Menores

Mensagem por Organização PJBR em Qua 12 Set 2018, 12:58


Ficha de Reclamação


Este tópico foi criado para que o player possa ingressar na sua vida como semideus filho de um deus menor.  Avaliamos na ficha os mesmos critérios que no restante do fórum, mas fichas comuns exigem uma margem menor de qualidade, porém ainda será observada a coesão, coerência, organização, ortografia e objetividade. Abaixo, a lista de deuses menores disponíveis em ordem alfabética, com as devidas observações.





   
   
 
 
   
   
 
 
   
   
 
 
   
   
 

   
   
 
 

   
 
 
   
   


   
   


   
   


   
   


   
   


   
   


   
   


   
   



   


   
   


   
   

DeusesAvaliação
DeimosComum
DespinaRigorosa
ÉoloComum
EosComum
ÉrisRigorosa
HécateRigorosa
HéraclesComum
HipnosComum
ÍrisComum
MacáriaRigorosa
MelinoeRigorosa
NêmesisRigorosa
PhobosComum
PerséfoneRigorosa
SeleneComum
TânatosComum




Recompensa de reclamação


As fichas de reclamação valem, além da aprovação no grupo almejado, um rendimento de experiência de no máximo 100 xp para o jogador. O rendimento deve ser de acordo com a avaliação e só será bonificado caso o semideus tenha sido reclamado, portanto fichas rejeitadas não rendem nenhuma experiência.


Item de reclamação


Não existem mais itens de reclamação por progenitor, sendo o único presente a adaga a seguir:

{Half Blood} / Adaga Comum [Adaga simples feita de bronze sagrado, curta e de duplo corte. A lâmina possui 8cm de largura, afinando-se ligeiramente até o comprimento, que chega a 20cm. Não possui guarda de mão e o cabo é de madeira revestido com couro, para uma empunhadura mais confortável; acompanha bainha de couro simples.] {Madeira, couro e bronze sagrado} (Nível mínimo: 1) {Não controla nenhum elemento} [Recebimento: Item de Reclamação]


A ficha


A ficha é composta de algumas perguntas e o campo para o perfil físico e psicológico e a história do personagem e é a mesma seja para semideuses ou criaturas.

Plágio não será tolerado e, ao ser detectado, acarretará um ban inicial de 3 dias + aviso, e reincidência acarretará em ban permanente. Plágio acarreta banimento por IP.

Aceitamos apenas histórias originais - então, ao usar um personagem criado para outro fórum não só não será reclamado como corre o risco de ser punido por plágio, caso não comprove autoria em 24h. Mesmo com a comprovação, a ficha não será aceita.

Fichas com nomes inadequados não serão avaliadas a menos que avisem já ter realizado o pedido de mudança através de uma observação na ficha. As regras de nickname constam nas regras gerais no fórum.

A promoção da ficha acabou e a história passa a ser obrigatória a partir daqui. Boa sorte a todos.

Aviso! Acerca dos chalés dos deuses primordiais e menores, eles não existem, pois a história se passa em meados de 2008, durante a Guerra de Cronos. Apenas os chalés dos doze olimpianos estão disponíveis.


TEMPLATE PADRÃO:
Não serão aceitas fichas fora desde modelo

Código:
<center>
<a href="goo.gl/6qY3Sg"><div class="frankt1">FICHA DE RECLAMAÇÃO</div></a><div class="frank1"></div><div class="franktextim">[b]— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?[/b]

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[b]— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):[/b]

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[b]— História do Personagem:[/b]

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</div><div class="frank2"></div> <div class="frankt2">Percy Jackson RPG BR</div></center>


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Re: Ficha de Reclamação para Deuses Menores

Mensagem por Michael Bertrand em Sab 29 Set 2018, 20:49


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/qual criatura deseja ser e por quê?

Éris, a deusa da discórdia. Acredito que a escolha da divindade encaixa-se perfeitamente na trama e características de meu personagem, explicitadas logo abaixo.

— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

— Físico: É dito desde o nascimento de Michael que o semideus é portador de características angelicais, ironicamente indo contra as características reais da própria mãe. Tal fato constatou-se com maior nitidez quando o rapaz alcançou a maior idade, chegando ao seu ápice da perfeição física. O meio-sangue é dono de um corpo definido, com músculos saltados e delineados naturalmente, como se Bertrand dedicasse a maior parte do tempo para treinos físicos - embora o faça, o filho de Éris apenas foi agraciado com uma beleza estonteante.

No nascimento, a cor de seu cabelo era de uma tonalidade castanha e bastante clara, mas com o passar dos anos, tornou-se um preto semelhante ao da mãe. A íris do par de olhos possui um tom de cor entre castanho e caramelo, sendo um olhar penetrante e misterioso. Michael se vangloria de não possuir cicatriz alguma em sua pele, mesmo após anos e anos de sobrevivência e batalhas. Sua derme é quase pálida, característica herdada de Éris e possui uma barba rala.

— Psicológico: Sua mente faz contraste com seu corpo, sendo totalmente podre. A aparência inocente e angelical é a verdadeira arma do filho de Éris, servindo como uma máscara que esconde sua real natureza e intenções. De fato, o físico é a única característica humana do ardiloso semideus, já que sua natureza sórdida foi comprovada pela própria Éris ainda quando ele era um simples bebê junto ao irmão gêmeo no útero da deusa - a outra criança nascera morta sem razão aparente enquanto Michael, mesmo prematuro, mostrou-se um recém-nascido em perfeito estado.

Não é à toa que o meio-sangue age de forma tão narcisista e, de fato, doente. Bertrand é o que os profissionais da saúde mental chamam de psicopata. Sem razões aparentes, ele apresenta desprezo e amoralidade para atos como amar e se relacionar com outras pessoas através de laços afetivos profundos, além de egocentrismo extremo e incapacidade de aprender com a experiência. Não possui arrependimento algum de suas atitudes, mesmo quando desmascarado e esse transtorno nasceu com ele.

— História do Personagem:

Mil novecentos e noventa e dois. Los Angeles.
Era noite de Halloween na cidade dos anjos e se não fosse isso, os mundanos de Los Feliz descobririam que os demônios daquela festividade estavam assolando a casa de número doze. Noah Bertrand, um homem de trinta anos, retornava de um culto realizado na igreja pentecostal a cinco quadras dali. Era um homem temente ao Deus cristão e, por isso, renegava a festa pagã, sendo o único vestido normalmente com terno e roupas sociais enquanto o restante perambulava com fantasias. Em mãos, o homem carregava a Bíblia Sagrada.

A lenda acerca do dia das bruxas dizia que, nesta data específica, o véu entre o mundo astral e o mundo material cairia e os mortos andariam entre os vivos. Os demônios se arrastariam com a ajuda das almas e destruiriam tudo o que vissem, a não ser que ganhassem oferendas. Os vivos que escondessem o rosto atrás de máscaras, sobreviveriam aos ataques. Os Bertrand odiavam máscaras.

Adelaid assistia aos comerciais noturnos na televisão enquanto o jovem Michael, em sua inocência de seis anos, rabiscava um livro de desenhos. A mulher era tão elitista e conservadora quanto o filho, apesar de uma megera sem piedade. Tinha aversão a tudo e todos que representavam diferenças. O comercial era sobre os protestos consequentes do ódio racial ocorrido em Los Angeles, deixando cerca de cinquenta e três mortos. Para ela, não passava de uma besteira.

Hmpf. A América não se compara à França, mon chéri — resmungou ela para o neto enquanto tragava o cigarro. — Meu marido foi um estúpido por ter nos tirado de lá.

Todas as noites, a rotina se repetia. A velha francesa reclamava de algo e enchia os ouvidos do pequeno semideus com falácias e disseminação de ódio, pensando ter a atenção do neto. Contudo, desde aquela idade, Michael era uma criança especial - não dava ouvidos ao que os outros pensavam, se tinha um foco, não o perdia por motivos banais. E todas as noites, o foco do menino era ignorar a avó. Adelaid desligou a televisão e caminhou até a janela da sala, encarando a rua por trás da cortina.

Já era pro seu pai ter voltado. — reclamou a velha. Quando girou o corpo, seus olhos pegaram de relance os desenhos de Michael. Eram palavras e simbologias desconhecidas por ela, por isso, a mulher aterrorizou-se, tomando o caderno das mãos da criança. — Quem te ensinou isso?!

Michael manteve-se em silêncio, encarando o desespero da avó e calmamente esperando que ela lhe devolvesse os desenhos. Diante disso, Adelaid desferiu um tapa forte no rosto do pequeno e partiu em direção ao telefone fixo da cozinha, obstinada a ligar para a igreja e chamar por Noah. Naquele momento, o meio-sangue sentiu-se ofendido e desejou retaliação pela atitude da matriarca, queria vê-la sangrar, embora aparentasse calma e submissão. Enquanto Adelaid discava, Michael abandonou a pequena mesa onde estava prostrado e partiu silenciosamente em direção ao jogo de facas dispostos na cozinha.

Alô. Sim, sou eu, a srª Bertrand. Meu filho se encontra? Ah, já saiu? Ótimo! — ela vociferava com a pobre coitada voluntária da igreja, visivelmente irritada. Já o neto retirava do jogo a maior e mais afiada faca de cortar carne. — Você passou dos limites, mocinho!

O tom ameaçador desapareceu quando ela virou o rosto e notou que o neto já não estava mais no mesmo lugar de antes. Pensou que, obviamente, por ser uma criança, Michael teria fugido até o quarto para evitar o futuro castigo. Não era a primeira vez que ela o faria, mas naquela noite, o destino tinha planejado outro rumo. Adelaid largou o telefone no gancho e saiu em busca da criança, mas quando virou o corredor da sala, foi surpreendida por um ataque. O meio-sangue, ao se revelar atrás da dispensa do corredor, desferiu na barriga da avó a lâmina da faca, perfurando-a profundamente.

Diante da dor e surpresa, a reação da mulher foi se afastar em um impulso forte e desequilibrado, caindo no chão. O sangue fluía da ferida com cada vez mais intensidade e volume, revelando a força descomunal da criança. Logo o piso de madeira ao redor dela estava ensopado pelo líquido carmesim. Adelaid não tinha palavras para proferir naquele momento, sua única tentativa de sobreviver era se arrastar até a porta enquanto Michael sorria inocentemente ao ver o sangue da avó.

Mich-ael... me ajuda — a voz estava fraca e cada palavra intensificava a dor.

A resposta veio logo em seguida, quando o menino ajoelhou-se em cima da nuca da velha, ergueu seu rosto pelo cabelo loiro grisalho com força e rasgou sua garganta de ponta a ponta, aumentando ainda mais o volume do sangue no chão. Adelaid morria lentamente enquanto, mesmo imóvel, assistia o neto abandonando a faca no chão e partindo em direção à poltrona após ligar a televisão novamente. Seu último vislumbre na vida foi a fumaça de seu cigarro subindo do cinzeiro.


Se não fosse trágico, seria um belo cenário de Halloween. Noah Bertrand ficou completamente horrorizado com o que viu ao adentrar a porta da própria casa. O corpo de sua mãe já esfriava e estava completamente pálido, devido à extrema perda de sangue. O homem queria poder gritar e chorar, mas a cena era tão horrenda que o deixou paralisado de medo. O líquido vermelho tinha atingido o tapete de lã branca, paredes e alguns móveis. O mundano enxergou as mãos de Michael igualmente ensanguentadas e apoiadas nos braços da poltrona enquanto a criança assistia o telejornal alegando as mortes provindas do ódio racial, a tela com marcas de mãos em carmesim.

Quando o avistou, uma luz brilhou por toda a sala e vinha de cima da cabeça do semideus. Havia um símbolo, um crânio em estado de putrefação e uma labareda de fogo dourada brilhando intensamente.

Michael... — murmurou ele com a voz fraca. Não sabia o que o assustaria mais, encontrar o filho morto ou vivo.

Ao escutar a voz do pai, a criança saltou do sofá e prostrou-se diante dele, fitando o homem como se tudo não passasse de uma brincadeira simples. Tinha um sorriso travesso e infantil, mas ao mesmo tempo inocente e ele ergueu as mãos para mostrar à Noah o sangue da avó.

A vovó não chegou na porta.

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Re: Ficha de Reclamação para Deuses Menores

Mensagem por Caos em Dom 30 Set 2018, 11:32




Avaliação — Michael Bertrand


Michael, o primeiro filho de Éris e, possivelmente, o mais angelical que existirá. Gostei muito das características físicas do seu personagem e acredito que a personalidade foi muito bem elaborada ao longo da história. Anseio pelo desenvolvimento dessa trama no fórum!


Resultado

Aceito como filho de Éris;
Recompensa: 99 xp;
Item de reclamação padrão.



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Caos
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Re: Ficha de Reclamação para Deuses Menores

Mensagem por Sigmund Lien em Dom 30 Set 2018, 13:52


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

• Despina, a deusa do inverno. Acredito que os dois motivos ajudam na composição de o que a deusa é capaz de passar, seja de um modo sentimental/físico e, também, o que sua representação de estação, o inverno, transmite. Primeiro, a imagem de uma deusa de pele tão clara como o floco de neve que cai em sua plenitude invernal, a delicadeza dos traços e a beleza de tais; então, a incógnita do inverno. É capaz de ser belo e “companheiro” em determinado momento, mas também é mortífero. Pense na ideia de uma divisão: o inverno, no fim, seria doce e amargo para ambos os lados. Resta saber se este terá um.

— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

Físico: tal qual o floco esbranquiçado que cai e adorna os contornos de ruas, vielas, campos e florestas, em um mar alvo, a pele caucasiana da prole do inverno é uma representação exata de sua fria imensidão. Claro, para tal existe também o reflexo paternal, donde seu pai veio, terras nórdicas europeias, famosas pelas suas representações de entidades perfeitas. Os fios capilares lembram, aos montes, um emaranhado de fios dourados de um novelo. O brilho de águas nórdicas e, igualmente representado em seus olhos, as tempestades também.

Procure saber se em algum momento de sua arvore genealógica encontrará a descendência divina das entidades nórdicas. Pode, sim, parecer uma brincadeira (e muito sim, é), mas Sigmund nunca precisou trabalhar a massa muscular que lhe define os cantos do corpo. Alto. Belo. Forte. É como a representação dos deuses descritos em contos e contos, e não dos antigos, mas sim dos novos povos. Figuras em quadrinhos? Pois bem, ele lembra e aos montes. Um toque delicado e mortal. Ah, o inverno, é sempre tão surpreendente, não?

Psicológico: ora, pode unicamente uma prole do inverno ser tão frio e retraído quanto o semblante de sua estação ou, talvez, de sua mãe? Se a questão, então, depender da capacidade de Sigmund, não. Entenda, o rapaz é um mar de risos e falas. Às vezes acaba se retraindo, e isso acontece quando o inverno desce para cobrir o globo, para abraçar, em determinada parte de um determinado hemisfério, e mover o frio véu sobre os mortais (e também os não-tão-mortais assim). É durante esta época que sua aparência ganha os adornos mais belos e vistosos, contudo, é onde sua personalidade se molda aos toques costumeiros de sua postura maternal. Quando o inverno cai, existe uma distância, e em sua esfera Sigmund se colhe. Contudo, males sempre vêm para bem. Não é isso que dizem?

Acreditar que existe unicamente desgraça é pura bobagem. Sigmund costuma, como dito acima, estar rindo. Geralmente fala pelos cotovelos, apesar de ter ouvido completamente o oposto quando seu pai comenta a respeito de seus antepassados, acredita que a necessidade de evolução conforme as gerações passam o fez diferente de todos os outros.
É geralmente visto cuidando demasiadamente de sua aparência durante os meses que antecedem o inverno, e é verdade, aliás, é para o inverno que sempre está se preparando. É o auge de sua força e aparência. Por fim, e de tom mais irônico, Sigmund gosta de sentir-se aquecido. E para um bom entendedor meia-frase basta, não?

— História do Personagem:

Torvard sentiu o álcool quente trazer gosto ao paladar, mas descer rasgando sua garganta.
Estava sentado à mesa de sua cozinha, uma pequena elevação com não mais do que três espaços para pessoas, redonda, feito de mármore e, essa noite, sem qualquer peça que pudesse atrapalhar o inicio de sua bebedeira. E em pé, ao seu lado, a mulher permanecia quieta.
Recebera a companhia dela não tinha muito tempo, e se surpreendeu quando a viu com o semblante tão sombrio do que costumava aparecer. Sabia que o inverno estava por acabar, mesmo assim, não precisava necessariamente o assombrar de tal forma.

Despina bateu à porta trazendo um cesto de junto aos braços, escondido pela manta azulada que cobria todo seu corpo e, dentro de tal, um pequeno corpo permanecia em silencio. A criança dormia como uma folha de árvore no inverno. Não se mexia. Os braços estavam bem juntinhos ao pequeno tronco e encontrava-se virado para o lado oposto ao de sua mãe, ou seja, de alguma forma sentia a presença paterna.
Deixa-me passar, Torvard, não posso demorar aqui — e esperando um simples gesto do homem, a dama de fios dourados atravessou o portal retangular que formava a porta. Despina deslizou para o interior, até a pequena sala que ali havia, deixou o cesto bem posto sobre o sofá e encarou o homem.
Na face de Torvard a surpresa era seu principal semblante.
O que é que acontece por aqui? — ele perguntou, ainda incrédulo, olhando da mulher para o cesto e novamente para a bela dama. — Se o que posso imaginar...
A criança é nosso fruto — respondeu Despina, e foi até o cesto passar os finos dedos sobre a enorme bochecha exposta, enquanto a outro era amassada pela face ao permanecer deitado. — E por isso vim o entregar a ti. Peço que cuide dele, Torvard. O que pode fazer por mim ou melhor, por ele?

Foi este o momento qual Torvard engoliu em seco e caminhou apressadamente para a cozinha. Lá, em alguma prateleira, havia álcool suficiente para matar sua sede repentina. Era uma informação simples: aquela criança era seu filho, contudo, por que ainda estava se sentindo tonto e perdido?
As semanas anteriores haviam se tornado um caos. Perdera o emprego e tivera de vender o carro para conseguir um sustento adequado. Ainda, claro, mantinha uma vida minimamente confortável pela venda de suas obras literárias baseadas em seu antepassado genealógico, mas a vinda de uma criança tornava, agora, tudo um pouco mais complicado.

Torvard sentiu o álcool quente trazer gosto ao paladar, mas descer rasgando sua garganta.
Limpou a boca com as costas de sua destra e respirou fundo. Jogando a cabeça para trás conforme se ajeitava na cadeira. Despina se aproximou, quase como quem flutuava, e ainda mantendo os pés descalços. O frio não era problema para ela, ele sabia.
Você chegou em um mau momento — Torvard quebrou o silencio, novamente tomando do álcool e limpando a boca agora de qualquer jeito. — Eu não posso cuidar de uma criança. E-eu nem QUERIA uma criança, para começo de conversa. Eu estava feliz com você em uma noite e na outra, sumiu. Depois me volta com uma criança. Este inverno tem sido tão rigoroso, Despina, por que não fica?

Ele percebeu pelo olhar cristal dela que tudo aquilo não funcionaria. Como um professor e um historiador, Torvard sabia que deuses nunca eram flexíveis. Ela não ficaria e não aceitaria outro termo que não tomar conta da criança.
E o choro dela se ouviu da sala.
Ambos atravessaram o pequeno corredor e Despina parou antes de se aproximar. Foi Torvard quem deu o passo mais largo até alcançar o cesto. A criança chorava com a barriga para cima, os pés recuados e as mãos à frente dos olhos. O manto branco cobria a pele, contudo, parecia quase que como camuflado ao pequeno corpo.

O que eu faço? — ele disse em baixo tom, ainda exalando o pouco álcool que bebera, mas suficiente para lhe alterar permanentemente. —  O que eu faço?
Ame-o — respondeu Despina, agora se pondo ao lado de Torvard e notando a expressão da prole, quem se aquietou momento anterior ao ouvir o baixo resmungo do pai, quem tentava fungar para não deixar o choro chegar. — É uma pequena parte nossa, mas é sábio que terei meu tempo com ele. Olhe — ela estendeu a mão para a face da criança e de sua manga pequenos cristais de neve desceram até o pescoço da criança, criando uma espécie de colar. — Este é o nosso pequeno floco de neve, Torvard. Apenas cuide dele, aprenda a ama-lo e um dia ele descobrirá sua vida. Até lá mantenha-o longe de toda a escuridão.

O que isso quer dizer? — ele perguntou, agora erguendo a face para Despina.
Que o inverno será pior daqui para frente.


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Re: Ficha de Reclamação para Deuses Menores

Mensagem por 144-ExStaff em Dom 30 Set 2018, 16:11




Avaliação — Sigmund Lien


Sigmund, o que posso falar a respeito de sua introdução ao personagem? Magnífica? Um texto curto e cheio de um sentimentalismo subjetivo, espero muito do seu personagem então não me decepcione!


Resultado

Aceito como filho de Despina:
Recompensa: 95 xp;
Item de reclamação padrão.



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Re: Ficha de Reclamação para Deuses Menores

Mensagem por Cassie Hudsson em Dom 30 Set 2018, 16:39


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Melinoe. Uma deusa que carrega a ira, mas também as tristezas de uma legião de fantasmas. Cassie, por mais feliz que aparenta ser, carrega a melancolia da morte e o que ela trás para o ser humano. A curiosidade para o que se espera após a morte, o que se estende quando a alma já não habita mais o corpo. Cassie possui todas as características para ser filha de Melinoe, tendo sempre uma reflexão sobre esses assuntos, e ligada diretamente aos fantasmas de seu passado.

— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

Psicológicas: Cassandra não é uma mulher patriarcal como se espera de uma alma antiga, pelo contrário, teve uma criação aberta que a permitia pensar como bem desejava. Possui um humor sarcástico e o dom de risos fáceis e demorados, entretanto, ainda sim pode ser vista sobre uma melancolia vaga, escondida por entre as cicatrizes do passado. É reclusa quanto seus próprios pensamentos e sentimentos, talvez pelo trauma de estar crescendo sem as pessoas amadas. Ainda sim, é determinada em seus objetivos e nunca desiste de um amigo ou alguém, sempre disposta a lutar por um mundo melhor. Como qualquer pessoa, seus defeitos se traçam em um egoísmo emocional, não sabendo lidar com despedidas e muito menos em se desfazer de bens materiais. Tem uma personalidade forte quanto seus ideias, se tornando teimosa em discussões e não dando o braço a torcer para outros pensamentos.

Físicas: Os longos cabelos ondulados descenderam de seu pai, mas os olhos azuis eram profundos de uma maneira irreconhecível. A pele pálida vem em contraste com uma boca rosada e fina, além de um rosto arredondado e sereno. Cassandra é uma garota bonita para ser vista, exótica em outras palavras. Seu corpo foi projetado com curvas mas nunca passando de um peso específico, tornando-a magra. Apesar de ser baixa, sua estatura não é miúda ou pouco valorizada, sendo bem distribuída nas áreas necessárias.


— História do Personagem:

Querido Billie,

As fortes marés carregam segredos obscuros demais para serem desvendados. Você mesmo muito me disse que a vida era repleta de cenas confusas que serviam para buscar conhecimento dentro de nós mesmos, e que a morte não significava necessariamente um fim.
Me encontro em um pequeno quarto, com camas de metal e estranhas estruturas que brilham quando apertamos um botão. Tudo é tão mágico e diferente, tão especial...Se ao menos eu tivesse descoberto a tempo as questões de minha própria vida, talvez pudesse ver seu envelhecimento e abraçado Molly com maior força. Sinto que não cumpri meu papel como filha, assim como desrespeitei uma regra que me colocou anos a frente de sua existência.

Espero que tenha vivenciado seus dias com felicidade, e não amargurado pela falta de mim e de nossas conversas profundas. Espero que esteja me esperando pelo Elísio, rindo descontroladamente de nossos espetáculos, e que compreenda que nunca deixarei de te amar.

Com carinho, de sua filha Cassie!


***
24 de Maio de 1910

Sua carroça pulava por entre os pedregulhos da estrada, embora nenhuma das meninas pudesse perceber a silhueta negra que seguia a trupe misteriosamente. Cassandra e Molly Hudsson eram filhas de Billie, um ator esplêndido no circo Pipoca Doce. Ambas frutos de amantes desconhecidas, feitas de amores baratos que se encontrava em bordéis de esquina, mas ainda sim preciosas na vida de seu pai.

Uma leve chuva caía por entre os panos que serviam de portas para o veículo, a medida que se aproximavam do que futuramente seria Las Vegas, uma cidade propícia a se tornar um centro de cassinos e hotéis luxuosos, plateia essencial para uma trupe de vinte artistas profissionais. Cassie era uma bailarina e Molly, uma cigana fajuta que roubava moedas por baixo das saias longas.

— Desçam, desçam — gritou o velho Elir, exigindo que montassem acampamento para o próprio espetáculo que ocorreria pela noite. As irmãs trocaram risinhos e olhares, observando os garotos que se aglomeravam para dar boas-vindas aos estrangeiros.

Cassie estreitou seus olhos, vislumbrando uma figura ao longe na multidão. Seu longo casaco negro se arrastava pela areia, escondendo um rosto deformado que causava calafrios em sua pele. Quando piscou novamente, nada havia no mesmo lugar. Não ligou, frequentemente podia enxergar pessoas que outros não conseguiam, embora poucos acreditassem em suas palavras.

OITO HORAS DEPOIS
Desceu dos palcos improvisados, cansada pela apresentação mal feita que a trupe provocara na cidade. Molly havia desaparecido por entre algumas ruelas, usando seus dons sacanas para enfiar sua língua afiada na boca de homens casados e empresários amadores, certamente uma garota interessante.

Ela, por outro lado, estava intrigada pela visita célebre do capuz negro. A silhueta se movia rapidamente por entre as carroças velhas e ruas estreitas. Pode ouvir Billie gritar para que retornasse antes da meia noite, na certeza de que poderiam comer salsichas fritas de jantar, mas estava concentrada demais seguindo os passos do fantasma.

O espírito a guiou até uma estabelecimento grande e luminoso. Parecia como uma pousada de beirada, convidando-a para beber cerveja com os moradores mais velhos e ouvir suas histórias inventadas. Antes que entrasse ao local, o capuz negro caiu por entre as sombras da noite, revelando uma mulher pálida de longos cabelos negros, um sorriso sombrio escapou de sua boca e desapareceu por entre alguns cavalos que pastavam ao lado.

Observou uma placa com as escritas “Lotus Hotel and Casino”, abrindo a porta de madeira em seguida. O interior era muito diferente do que aparentava, com caixas grandes e metálicas que abrigavam espécies de...jogos? Uma imensidade de jovens diversos pareciam se divertir em mesas e bares, todos com roupas estranhas e curtas demais para a época.

Não demorou muito para que alguns a puxassem para perto de mesinhas. O tempo pareceu desacelerar por entre seus dedos finos e pálidos, e esqueceu-se de nomes que eram importantes. Uma pequena coceira se submetia em seu cérebro, como se algo estivesse lutando para sair, mas ela continuou a jogar  incontrolavelmente.

Sentiu um aperto quente em seu ombro. Cassandra desviou seus olhos para a figura de um garoto alto. Seu olhos se pareciam muito com os próprios da garota, mas suas roupas eram estranhas — Cassie...Precisamos sair. Agora!

Ela puxou seu ombro de volta, relutando em largar o paraíso por conta de um desconhecido. Outros jovens surgiram a sua volta, convidando-a para novos jogos e novas aventuras dentro do Lotus Hotel. Mas o menino não desistiu, empurrando os outros com tremenda força e puxando-a pelo braço para fora do estabelecimento. Cassie gritou horrorizada com a violência, pedindo para que ele a largasse imediatamente.

O estranho eventualmente a largou. Observou que o mundo a sua volta estava muito diferente do que se recordava. Grandes prédios emergiram por entre um céu límpido e azul, cercados por pessoas apressadas que falavam estupidamente em caixinhas de metal e usavam estranhos casacos negros e maletas marrons — Onde estou? Como me trouxe rapidamente para cá?

— Você está em Las Vegas — foi tudo que lhe disse. Ela estreitou seus olhos, achando a cena toda engraçada. Las Vegas? Impossível. Não existia estruturas gigantes em sua época, nem sabia se era possível construí-las. Então recordou-se que era manhã, o pai ficaria furioso com seu atrasamento.

Tentou correr mas foi forçada a se manter quieta — Cassie. Estamos em 2008. Não tenho tempo para explicar o que ocorreu, mas todos que você conhece estão mortos. Por favor, espera aqui fora enquanto busco algo lá dentro. Não faça nada estúpido….Aliás, me chamo August.

August sumiu para dentro de Lotus Hotel, deixando-a reflexiva sobre a calçada do estabelecimento. Observou o tempo que percorria por entre aquelas pessoas, o garoto só poderia estar falando a verdade. Uma dor súbita cresceu em seu peito, enquanto as lágrimas subiam em seus olhos azuis. Molly...Billie...A vida havia passado e nenhum deles presenciara mais nenhum momento em sua presença, teria sua irmã tido filhos? Seu pai casado? Talvez conquistado uma casa de verão no interior do país?

24 HORAS DEPOIS

Cassandra abriu os olhos lentamente, observando o teto de madeira que se estendia por toda sua visão. August estava ali, com o rosto marcado por um sangue escuro e seco. Recordou-se da viagem cansativa que tiveram até o acampamento, sobre o monstro que os atacara quase na entrada do acampamento meio-sangue. Se chamariam ciclopes? Não, eram cães. Ela não sabia exatamente.

— O que aconteceu? — pode falar. Sentiu o braço doer com um movimento pequeno. Outros olhos curiosos a observavam de perto, inclusive meninas com suas estranhas calças jeans. Um alívio se estendeu sobre o peito, estava feliz que pudessem usar a roupa que bem entendessem naquela nova era.

— Você desmaiou, Cassie — August sorriu. Haviam criado uma amizade nesse meio tempo, ainda mais pelo jovem tê-la salvado de um destino cruel sobre o hotel — Nada mal para a primeira vez em batalha, embora tenha surtado quando a coloquei em um táxi…Mas suponho que seja uma reação comum.

Abriu um sorriso, pela primeira vez desde que descobrira que era uma semideusa. Durante o caminho para o acampamento, o garoto explicou tudo que ela poderia saber em curto momento, sendo apenas interrompido pelo monstro que os esperava na estrada para a tão esperada chegada ao seu novo lar — Vocês, jovens do futuro, são extremamente estranhos, meu caro.

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Re: Ficha de Reclamação para Deuses Menores

Mensagem por 146-ExStaff em Dom 30 Set 2018, 17:11




Avaliação — Cassie Hudsson


Que ficha maravilhosa! Adorei sua personagem e a história que você criou para ela. Não tenho nada para criticar, quero ver o desenvolvimento da sua personagem ao longo do RPG! Parabéns!


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Aceita como filho de Melinoe:
Recompensa: 100 xp;
Item de reclamação padrão.



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Re: Ficha de Reclamação para Deuses Menores

Mensagem por Evangeline K. Manske em Dom 30 Set 2018, 18:57


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?
Desejo ser reclamada por Melinoe. Considero Melinoe uma das deusas mais sombrias da mitologia: seu nascimento vem de um engano, e sua rejeição no mundo mortal a torna melancólica e sofrida. Evangeline foi criada duramente desde que nasceu, e o desprezo com que seu pai a via só foi aumentando gradativamente; por isso, creio que a deusa escolhida se encaixe bem na história da personagem, já que ambas conhecem o sofrimento de serem deixadas de lado.

— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):
Características físicas: Sua pele é pálida como a neve e seus olhos azuis como o oceano. Seu cabelo longo e ondulado é naturalmente preto, mas Evangeline periodicamente o descolore para que as semelhanças com o pai se tornem menores; assim, ele sempre assume um tom de loiro bem claro. Seu rosto fino tem características delicadas: seus lábios são bem desenhados, e o nariz pequeno arrebitado lhe dá uma aura de atrevida que ela faz por merecer. Os cílios são naturalmente grandes, e as sobrancelhas são levemente erguidas de uma forma que a deixa sexy. Os dentes, brancos e perfeitos, fazem seu sorriso impressionar qualquer um.

Já sua estatura é mediana, em torno de 1.70, e o resto do corpo a fazem ser uma perfeita bonequinha. Pernas longas e cintura fina, acompanhadas de uma bunda e peitos avolumados. Tudo isso a transformam numa garota linda e, portanto, perigosa. As mentes astutas sabem usar a beleza como uma vantagem.

Características psicológicas: **Recomendo que leiam a história antes das características psicológicas. Isso fará o desenvolvimento dessas se formar de modo natural e não corrido como virá nas próximas linhas.** A criação de Evangeline foi dura, e isso a fez crescer e se tornar uma garota ambiciosa. Ela tem um lema que sempre segue: ambição, vingança e liberdade. A garota quer provar a todos que pode conseguir o que quiser, ao mesmo tempo em que quer se vingar daqueles que a fizeram sofrer quando era fraca; ainda mais, quer ser livre e poder fazer o que quiser. Por ter sido criada presa e suas ações sempre terem sido controladas, liberdade é uma das coisas que ela mais preza; por isso, por vezes acaba fazendo coisas estúpidas somente para mostrar que pode.

Desde pequena ela sempre soube que havia algo de errado dentro dela; algo escuro e perigoso. Por ter crescido com um pai e irmão religiosos ao extremo, sempre tentou esconder isso para si.  Entretanto, acontecimentos fizeram seu segredo despertar: Manske gostava de ver as pessoas sofrer; não lhe importava o estado dos outros, contanto que ela mesma estivesse bem. Era sádica e, após ter de admitir isso para o mundo, não conseguiu mais esconder. A partir disso, se tornou cada vez mais agressiva e esnobe, embora saiba controlar isso para ter relacionamentos com pessoas que podem lhe fornecer benefícios. De todo modo, não consegue matar: sempre teve um bloqueio em relação a isso, e um dos seus maiores medos é o jeito como vai se sentir quando ultrapassar essa linha.

— História do Personagem:
Florença, 13 de julho de 2001: sexta-feira

— Papà, sta suonando il campanello!¹ — Gritou Joshua, de cinco anos, da sala de visitas. O garoto estava deitado no sofá vendo uma missa que acontecera há três anos atrás, e seu grito de aviso assustou os pais na cozinha. Bartholomew e Bethel Manske estavam conversando aos sussurros para que o garoto não ouvisse, imersos na discussão sobre a traição do vizinho perante a sua mulher. Quando ouviram o filho, se puseram de pé em um salto.

Tentaram se recompor da surpresa de serem interrompidos, mas a cara de desgosto era óbvia quando se dirigiram para a sala; se Joshua não fosse apenas uma criança, certamente teria notado. Os Manske nunca recebiam visitas inesperadas, fosse porque eram intoleráveis com seu religiosismo fanático, fosse porque não gostavam de abrir a casa para pessoas de fora. Ainda assim, ali estava a campainha tocando, deixando de servir de enfeite.

— Andiamo, Joshua. Ti porterò di sopra² — disse o pai com a voz grave, lançando um olhar significativo para a mulher. Fosse o que fosse aquela visita, não queriam que o garoto tivesse nenhuma influência de fora do seu meio religioso. Enquanto Bartholomew subia com o filho para o seu quarto, Bethel se dirigiu para a porta com os lábios comprimidos. Colocou a mão na maçaneta já preparada para mandar a pessoa embora com rapidez, mas foi surpreendida.

Não havia ninguém parado ali. Ao olhar para baixo, notou apenas um pequeno embrulho no batente, acompanhado de uma carta endereçada a Bartholomew. Abaixou-se rapidamente, consumida pela curiosidade, e soltou uma exclamação de espanto ao ver que o embrulho era, na verdade, uma criança. Uma menina de enormes olhos azuis idênticos aos de Barth e uma pele pálida que quase refletia o sol; Bethel tomou a carta nas mãos, abrindo-a sem pensar duas vezes.

Barth,

Sei que te decepcionarei ao te dar essa notícia, mas não tenho mais o que fazer: essa é nossa filha, que nasceu no início do dia. Nunca saberei se se arrepende do que aconteceu após o enterro de sua mãe, mas queria lhe informar que eu não o faço. Demos luz a uma menina linda! Peço que escolha o seu nome com sabedoria e a crie com carinho. Ela será grande um dia.

Afetuosamente, Melinoe.

Bethel estagnou no local em que estava. Quando Bartholomew desceu novamente as escadas, a mulher já havia cogitado todas as possibilidades sobre qual ação tomar; para a infelicidade do homem, tinha decidido pela mais drástica.

— Ti sto lasciando³ — disse com a voz seca. O homem inicialmente não entendeu, mas, ao ver sua mulher se levantando, pôde captar a pequena menina depositada no batente. Ela estava com os grandes olhos azuis abertos e se remexia impaciente.

Era idêntica ao pai. Mas, por pura ironia, havia estragado a vida dele.


Florença, 13 de agosto de 2010: sexta-feira

Nove anos e um mês. Evangeline marcou mais um risco na parede de seu quarto, contando os dias que podia sair de casa. A cada mês, no dia do seu mesversário, o pai a deixava fazer algo de sua escolha, e naquele dia ela queria sair sozinha. Como o combinado era de que ele não podia negar, a garota só teria de lidar com as consequências depois. Vestiu o vestido mais bonito que tinha: azul — combinando com seus olhos — com detalhes brancos, sua sapatilha preta de sempre e arrumou os cabelos negros. Com um sorriso no rosto, desceu as escadas de sua casa.

— Papà, ho già deciso cosa fare in questo compleanno⁴ — disse radiante ao chegar na mesa de café, encarando tanto o pai quanto o irmão com ansiedade. Joshua soltou um risinho de complacência, já sabendo o que a irmã iria pedir. Tinha votado que o pai não a deixaria fazer o que ela pretendia, mas Evangeline sabia que tinha um dom especial de manipular as pessoas. — Ho intenzione di lasciare la casa da solo.⁵

Bartholomew deixou cair o copo que estava em suas mãos. Abriu a boca para gritar com a menina em uma expressão furiosa, mas ela logo o interrompeu. Ergueu a mão mandando-o parar, e rapidamente abriu um sorriso inocente que, por trás, escondia uma garota manipuladora. Talvez, se algum dos dois — pai ou irmão — percebesse isso, tentariam abafar sua personalidade forte com ensinamentos bíblicos; mas ninguém nunca parava pra prestar atenção na pequena Eviee.

— Hai promesso che potrei scegliere qualsiasi cosa. A Dio non piacciono le bugie…⁶ — As sobrancelhas de Joshua se ergueram, e a expressão no rosto de Bartholomew subitamente ficou vazia. Escondendo o sorriso, Evangeline apenas deu de ombros. Havia conseguido o efeito que queria.

Sem conseguir proferir nenhuma palavra, o pai apenas confirmou com a cabeça. Abertamente sorrindo, Manske acenou para os dois e se dirigiu para a porta. Abriu-a e saiu para a rua antes que o homem se arrependesse da decisão que tomara. Já tinha planos do que fazer; mesmo sem ter pedido o pai anteriormente, sabia que conseguiria convencê-lo de deixá-la fazer o que quisesse.

Andou diretamente para o parque de diversões que estava instalado ali perto. Havia combinado de sair com Serena, uma garota que conhecera quando fugira de casa na semana passada. Não era muito longe de sua casa, e em mais ou menos dez minutos já estava no ponto marcado. Quando ergueu os olhos para revistar o local, logo viu a outra sorrindo para ela a alguns metros de distância. Sorriu também, andando para chegar até lá.

— Achei que não teria chegado ainda — falou em inglês. Serena era americana, e não falava italiano tão fluentemente quanto Evangeline falava inglês. Essa última, que se divertia aprendendo idiomas novos, orgulhava-se dos muitos que falava aos apenas nove anos.

— Saí mais cedo de casa porque meus pais estavam discutindo… Como conseguiu convencer o seu a vir? — Perguntou com um sorriso, sabendo da dificuldade que Eviee tinha com o pai. O assunto se desenrolou de forma leve e, horas depois, as meninas ainda estavam sentadas num banquinho isolado do parque, conversando e rindo abertamente. Eram raros os momentos que Evangeline tinha de total paz daquele jeito, e gostava de aproveitar a liberdade da melhor forma possível. Por diversas vezes passou pela sua mente fazer coisas irresponsáveis como escalar a roda gigante — simplesmente porque podia! —, mas não quis sugerir suas ideias e parecer maluca perto de Serena.

Somente às cinco da noite Manske começou a cogitar a possibilidade de ir embora. Não havia combinado um horário com o pai, mas sabia que não era saudável extrapolar. A outra menina aparentemente sabia disso, porque ficava mais triste a cada minuto que se passava. Foram enrolando, mas às seis horas foi impossível continuar com isso. Serena se levantou e puxou Evangeline pelas mãos, que teve um súbito arrepio com o contato. Sorriram uma para a outra e, ao se abraçarem, demoraram mais do que o normal. Os rostos se aproximaram e os olhos se encontraram, e parecia que nenhuma das duas queriam sair dali.

Entretanto, um empurrão chegou nelas antes que percebessem. Tanto Evangeline  quanto Serena caíram, mas essa acabou batendo a cabeça no banco que estava atrás de si, soltando um grito de dor; Manske, que caíra sentara, observou o garoto de uns quinze anos que havia as empurrado.

— Sei del diavolo!⁷ — Gritou. Manske entendeu o que estava acontecendo, mas torceu para que Serena não, fosse por causa do idioma ou por desconhecimento do preconceito. Eviee, entretanto, crescera com religiosos, e sabia que o que estava fazendo era errado na cabeça deles. Não ligava, entretanto. Não era religiosa, e para ela aquilo era completamente normal!

Algo dentro dela destrancou de súbito. Sempre soube que havia alguma coisa obscura dentro dela, mas tentava esconder aquilo de toda forma. Podia ser cética quanto à religião, mas o que tinha intrínseco a ela era ruim demais para revelar para qualquer pessoa; até aquele momento, sempre fingira que estava tudo normal com ela. Mas não estava. E ver Serena caída ali, machucada por causa de um menino tosco e preconceituoso, a fez querer libertar o que ela tinha de pior. Pegou um pedaço de ferro que estava jogado ao seu lado, e logo em seguida se levantou do chão.

O garoto arregalou os olhos, mas não teve inteligência o bastante para correr. Evangeline levantou o objeto e, dois segundos depois, havia descido ele contra o rosto do outro. Repetiu isso não soube quantas vezes, mas sabia que não queria parar. Parou não por vontade própria, mas porque alguém a agarrou por trás e a distanciou do menino agora sangrando. Quando olhou para ver quem era, encarou diretamente os olhos azuis de Joshua.

— Papà saprà di questo…⁸ — E quando ele olhou com nojo para Serena, Evangeline soube que ele estava falando não só da agressão que cometera, mas também de seu envolvimento com uma garota.

Talvez pudesse ter suportado aquilo, mas, ao olhar para trás, não viu tristeza ou complacência nos olhos de Serena. Viu medo. Medo da própria Evangeline, que espancara um garoto com um pedaço de ferro.


Portland, 13 de junho de 2014: sexta-feira

Doze anos e onze meses. Era seu mesversário, mas o pai não a deixaria sair de casa naquele dia. Na verdade, ele já não a deixava desde o episódio de quatro anos atrás. Os Manske se mudaram de Florença para Portland uma semana depois daquilo, e Evangeline nunca mais pisou para fora de casa. Estava num castigo eterno por causa do que era.

No início se sentira culpada. Não por Serena, mas por espancar o garoto. Mas aos poucos foi entendendo que não poderia mudar aquilo, e que nem precisava ter vergonha. O que tinha de obscuro dentro dela a tornava especial, e a partir daquele pensamento a fez forte. Não conversava mais com o pai ou com o irmão, que a abandonara no momento em que mais precisava, e não sentia falta deles. Estava se preparando para o momento certo de se tornar independente.

— Evangeline, o papai está chamando você aqui embaixo — chamou Joshua. Já não conversavam mais em italiano. O pai os proibira, tentando arrancar deles qualquer passado que porventura tivessem. Após quatro anos morando ali, era provável que os vizinhos ainda não soubessem que Bartholomew tinha dois filhos, e não apenas um.

Suspirando profundamente, a menina levantou-se da cama. Tinha uma expressão fria de quem já não ligava mais para coisas, e a comprovação disso vinha dos braços totalmente cortados com navalhas. O pai abominava tal ação e, como que para provar que era livre mesmo quando presa, Evangeline cortava os braços para irritá-lo; não ligava para a dor. Somente para a liberdade. Levantando as mangas da blusa e soltando os cabelos agora loiros, desceu as escadas e foi até a cozinha, onde os parentes estavam terminando de comer.

— Estamos saindo para a igreja. Você pode ir com a gente se quiser — disse num forte sotaque italiano. Tanto o pai quanto Joshua se esforçaram para acabar com o sotaque que tinham, mas não eram tão bons assim naquilo. Evangeline, a única pessoa que conseguia se passar por americana na família, forçava o próprio sotaque apenas por diversão.

— Estou bem aqui. Não gosto de adorar gente que não existe.

Disse com rispidez, referindo-se ao deus que o pai acreditava. Bartholomew comprimiu os lábios rapidamente e logo os abriu para falar algo, mas parou no meio da ação. Vira os braços da filha. Foi correndo em direção a ela, os olhos inundados de ódio. Joshua, sabendo o que viria a seguir, soltou um lamento.

— Eu já falei pra você parar com isso! Quer que todo mundo saiba que minha filha é doente? Eu disse que ia te quebrar na porrada da próxima vez que fizesse isso!

Com um riso, Evangeline deu de ombros. Era exatamente isso que queria e, se o pai ainda não percebera, era ainda mais burro do que ela esperava. Pensou em proferir tais palavras, mas não teve tempo o suficiente. A mão fechada de Bartholomew veio ao encontro de seu rosto inesperadamente, fazendo o seu nariz sangrar no mesmo instante.

Joshua gritou de surpresa, mas não adiantou. O homem novamente fechou os punhos para bater. A menina, entretanto, não se encolheu; a primeira coisa que pensou em fazer foi agarrar um dos pratos que estava na bancada e, no segundo seguinte, estava chocando ele contra a cabeça do pai. Ele caiu na mesma hora, desmaiado.

— Cosa stai facendo?!⁹ — Gritou Joshua, esquecendo-se de falar inglês. Ele sempre o fazia na hora do desespero, mas parecia que mal havia percebido naquele momento. Começou a caminhar até Evangeline, porém parou no meio do ato. Olhava para sua cabeça aterrorizado, aparentando estar mais perdido do que nunca.

Quando olhou também, Manske ergueu as sobrancelhas. Um pequeno fantasma translúcido estava acima da sua cabeça. Não sabia o que significava, mas tinha certeza de que descobriria. Fincou as unhas nas palmas das mãos para se acalmar e, quando o fez, uma clareza veio para sua cabeça. No momento em que encarou o irmão, parecia duas vezes mais velha do que realmente era. Aquele era o sinal que estava esperando para ir embora.

— Ti sto lasciando. Non pensare di seguirmi o ti ucciderò.¹⁰

E, com aquelas palavras, deu as costas ao irmão. Saiu para a rua pela primeira vez em anos, e o ar pareceu muito mais fresco do que nunca. Estava livre, e pretendia aproveitar daquela liberdade o máximo que podia.

traduções:
Os personagens inicialmente moram em Florença, na Itália, e portanto a maioria dos diálogos são em italiano.

1. Papai, a campainha tá tocando!;
2. Vamos, Joshua. Vou te levar lá pra cima;
3. Estou te deixando;
4. Papai, já decidi o que vou fazer nesse aniversário;
5. Vou sair de casa sozinha;
6. Você prometeu que eu poderia escolher qualquer coisa. Deus não gosta de mentiras...;
7. Vocês são do diabo!;
8. Papai vai saber disso...;
9. O que você está fazendo?!;
10. Estou deixando vocês. Não pense em me seguir ou eu vou te matar.

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Re: Ficha de Reclamação para Deuses Menores

Mensagem por 144-ExStaff em Dom 30 Set 2018, 21:13




Avaliação —  Evangeline K. Manske


Bebezinho, infelizmente tive que fazer uns descontos por uma incoerencia de datas, porém jamais jogaria um trabalho de alguém fora por causa disso, seja bem vinda e eu estou ansioso para sua trama!


Resultado

Aceita como filho de Melinoe:
Recompensa: 80xp;
Item de reclamação padrão.



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Re: Ficha de Reclamação para Deuses Menores

Mensagem por Elizabeth Crawley em Dom 30 Set 2018, 21:56


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Macária. A escolha do progenitor está relacionada diretamente com a personalidade da Elizabeth, pois acredito que a influência é inevitável e deve-se manter a coerência. Macária é a boa morte, uma deusa ctônica que se destaca pela calma e empatia, estas marcadas pela obscuridade que um deus do submundo carrega. Assim é Elizabeth.

— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

Tem um 1,75m de altura e pele morena clara, com cabelos castanhos escuros levemente ondulados na altura do ombro. É uma mistura de ascendências latino-americanas com chinesas, o que reflete em suas feições. Seus olhos são levemente puxados, seu nariz pequeno e arredondado e seus lábios são estreitos e carnudos. Tem um corpo de curvas discretas e músculos firmes, embora não seja atlético. Na maior parte do tempo, rejeita maquiagens e roupas extravagantes, abusando da simplicidade estética na moda.

Quanto a sua personalidade, Elizabeth sente emoções com muita intensidade, negativas ou positivas, mas não é de demonstrá-las. Pior ainda, tende a reprimi-las e ignorá-las até não poder mais. Odeia conflitos, mas é teimosa o bastante para não dar o braço a torcer uma vez que se vê em um. Não gosta de lugares lotados ou de estar cercada por pessoas desconhecidas em geral. Reconhecida por sua lealdade e embora tenha uma tendência a fazer o bem, gosta de manter certa distância entre si mesma e outras pessoas, quebrando essa barreira apenas quando necessário.  Nutre um forte desgosto por mentiras e faz o possível para evitá-las. É bastante racional, além de curiosa. Sua mente se inquieta diante de um mistério, o que muitas vezes a faz entrar em problemas.

— História do Personagem:

Às oito da manhã, a sineta ressoou nos dormitórios, acordando as garotas para mais um dia escolar.

Elizabeth, como sempre, foi uma das primeiras a acordar. Seus ouvidos eram sensíveis à sons altos até mesmo em seu sono, então era raro que não percebesse o toque do sino do internato, que indicava o início ou o fim de alguma parte da rotina diária da Cackle’s Academy.

Além disso, dessa maneira ela era uma das primeiras no banheiro de seu andar, evitando as filas e o agito que era quando as suas companheiras de ano acordavam.

Cackle’s era um internato só para garotas localizado no oeste do Canadá. Sua avó paterna, Violet, lhe enviara para lá assim que completara 12 anos. Ao longo das décadas de vida política, a matriarca erguera o status da família Crawley praticamente sozinha, os estabelecendo entre os mais influentes do país. E mesmo que delicadeza e suavidade jamais foram característica proeminentes na personalidade de Violet, perder o filho mais velho, David, para um acidente de avião e posteriormente o marido para o câncer pareceu ser a gota d’água. Tornou-se amargurada e um tanto rancorosa e a responsabilidade de cuidar da única filha de David exigia dela algo que não era capaz de dar: afeição. Então, na primeira oportunidade que teve, despachou a neta para um internato, pois se não estava apta para dar o que a menina precisava, pagaria a quantia necessária para que ela fosse bem cuidada.

Cinco anos depois, Elizabeth podia finalmente dizer que não ressentia a avó. Pouco se lembrava do pai, que morreu quando ainda era muito nova, mas havia visto o rosto dele nas fotografias espalhadas pela mansão dos Crawley o suficiente para tê-lo gravado em sua mente. E a semelhança entre ela e seu pai era visível. Portanto, entendia quão doloroso era para Violet a ter por perto, mesmo que a sensação de abandono pesasse em seu peito. Sabia que a avó lhe amava, do jeito distante e frio que somente um inglês conseguia amar, e era ao menos interessada no futuro da neta ao interagirem quando Elizabeth era enviada para casa durante os feriados. Mas aprendera desde cedo que, na maior parte das vezes, o amor não solucionava todas as coisas nem vencia todas as barreiras.

Além disso, gostava bastante da vida em Cackle’s Academy. A rotina rígida que tanto irritava as estudantes era algo prazeroso para Elizabeth, que tinha o hábito de pensar demais e de ficar muito ansiosa quando não seguia um planejamento. Estudar sempre fora uma tarefa difícil com seu diagnóstico de déficit de atenção, porém as tutoras particulares extracurriculares que sua avó pagava eram de grande ajuda, fazendo-a até mesmo aprender a gostar de estudar. Afinal, não cairia bem para uma Crawley ter más notas.

Cackle’s tinha até mesmo um ótimo incentivo para esportes e, mesmo que adorasse a área de humanas, era ali onde realmente se sobressaia. Descobrira ser muito boa em atletismo, em particular ginástica, o que diminuía ainda mais seu tempo livre — não que Elizabeth tivesse amigos para aproveitar a folga das aulas para curtir qualquer coisa. A diretoria havia contratado um segundo treinador naquele mês e embora ainda não tivesse praticado com ele, já ouvia comentários peculiares sobre o treinador.

A morena acordara naquela quarta-feira especialmente animada. Hoje ocorreria a semestral feira de livros e a típica palestra com Helena Beauchamp, uma professora americana de literatura que se associara ao internato para realizar aqueles eventos no ano de ingresso de Elizabeth. O tópico do debate variava bastante, mas sempre parecia revolver ao redor de clássicos literários que envolvessem a Grécia Antiga, o que para a maioria das alunas se tornara chato e desinteressante.

Como as outras garotas achavam que a própria Elizabeth era chata e desinteressante, ninguém ficou surpreso quando ela desenvolveu uma estranha fascinação — ou obsessão, dependendo do ponto de vista — pela Grécia Antiga e pela excêntrica mulher que parecia compartilhar sua paixão pelas mitologias e filosofias da época. Miss HB, como Helena falou para que elas a chamassem, tinha a mesma altura que Elizabeth e sempre se vestia da mesma forma: longo vestido preto, cabelos escuros presos em um firme coque, maquiagem leve quase imperceptível. Não mudara nada nos últimos 5 anos, mas isso não era algo que a menina gastava tempo analisando.

Miss HB parecia gostar dela depois de ter sido a escolhida no primeiro ano de palestras para levar a mulher num tour ao redor do internato. Nos encontros consecutivos, nunca havia esquecido seu nome e sempre deixava uma cópia do livro que seria o tópico da discussão seguinte com ela. Elizabeth era sempre a primeira a chegar ao auditório e a última a sair e em ambas as situações Miss HB parecia encantada em conversar com ela.

Depois de ter tomado banho, se trocado e devorado o café da manhã no refeitório, Elizabeth apressou-se para o auditório, com a edição bem conservada de Odisseia segura em suas mãos, com um sorriso mal contido de animação em rever a mulher.

Quando chegou à porta dupla do auditório, abriu-a discretamente e esgueirou-se para o interior do local. As luzes já estavam acesas e o palco já estava arrumado com os materiais ilustrativos da apresentação. Imediatamente, a garota rumou para os bastidores, saltando para cima do palco com facilidade.

Já estava com a saudação na ponta da língua quando reparou que a pessoa que estava nos bastidores não era Miss HB. Era uma jovem mulher, apenas alguns anos mais velha do que Elizabeth, com longos cabelos pretos soltos e roupas prateadas. E quando ela se virou, seus olhos eram azuis, não castanhos.

— Elizabeth Crawley? — Questionou a estranha e a garota recuou dois passos, franzindo a testa e abraçando o livro contra seu peito.

Nunca havia visto aquela mulher na sua vida e havia algo diferente em seu olhar. Algo muito mais maduro do que uma pessoa daquela idade transmitia. E embora sorrisse, tinha um ar de seriedade e desconforto de quem não está acostumada a desconhecidos.

— Onde está Miss HB? — Retrucou a morena, ignorando a pergunta da outra completamente.

Por um segundo, a mulher fez uma expressão confusa, antes de soltar um som de entendimento e sorrir novamente.

— Ela não pode vir para a palestra. Mas nos mandou até você. Viemos lhe buscar, Elizabeth. Você não está mais segura aqui.

O pulso da mais nova estava cada vez mais acelerado, pois aquela situação a estava deixando nervosa. Seu primeiro instinto era de sair correndo: afinal, o que aquela estranha dizia soava perigosamente como um sequestro. Mas sentiu-se curiosa. E um tanto confusa. Recuou mais alguns passos — e embora tivesse observado a ação atenciosamente, a mulher não vez nenhum movimento para se aproximar —, mas não fugiu.

— O que isso quer dizer? Você acha mesmo que vou acreditar que você conhece Miss HB? Ou que eu vou te seguir por aí? — Interrogou a garota, cerrando seus punhos nas laterais do livro (tinha plena intenção de usá-lo como arma, caso a situação piorasse) e usando sua voz mais ameaçadora, embora estivesse absolutamente aterrorizada. — Me diga quem você é ou irei chamar minhas professoras agora.

A postura relaxada da mulher de prata não se alterou e sua expressão era serena, como se já esperasse por essa reação. E o que ela falou em seguida, bem, mudou a vida de Elizabeth para sempre.

— Meu nome é Jaime Swan. Você, Elizabeth, é uma semideusa, assim como eu. Filha de um mortal com uma deusa grega. Nós, semideuses, temos um cheiro bastante distinguível para monstros. Achamos que um deles encontrou você e se infiltrou aqui. — Contou a mulher, como se aquilo fosse a coisa mais simples e óbvia do mundo, deixando que Elizabeth se virasse para fazer seu cérebro assimilar todas aquelas improváveis informações. — Como estávamos na área, caçando esse monstro, sua mãe pediu para que tirássemos você daqui.

E foi assim que ela descobriu que tudo o que achava que ser ficção, era verdade e que não sabia absolutamente nada sobre o que realmente era.

Até aquele instante, sua mãe era um completo mistério. Ninguém sabia quem era ou de onde viera, quando seus pais haviam se relacionado ou onde encontrá-la. Nem mesmo os detetives particulares que Elizabeth contratara dois anos atrás foram capazes de achar qualquer informação sobre sua progenitora. Já havia até desistido de um dia encontrá-la, simplesmente colocando esse abandono na lista e fazendo o que podia para ignorar a falta que uma mãe e um pai fazia.

Mas convencê-la que tudo aquilo era real foi mais demorado do que o esperado e quase fatal. Afinal, Elizabeth precisou quase ser assassinada por uma criatura saída dos livros de mitologia grega que tanto lia para acreditar no que Jaime lhe dizia. Jaime que era, além de semideusa, uma caçadora de Ártemis.

E somente mais tarde, quando o amanhecer estava próximo de chegar e ela se encontrava numa das tendas do acampamento das servas da deusa da caça, dividindo comida e bebida com elas, descobriu que Miss HB era sua mãe. Helena Beauchamp era a deusa da boa morte. Sua palestrante preferida era Macária.

Observação:
Eu sei que o final ficou vago, mas tenho uma justificativa para isso: Elizabeth virará Caçadora de Ártemis, então assim que essa ficha for aprovada pedirei uma missão narrada para conseguir a entrada para o grupo extra. E, se possível, fazer essa reclamação ao fim da missão. É isto por favor, não me reprova, tio(a)
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Re: Ficha de Reclamação para Deuses Menores

Mensagem por Silvia Royce em Dom 30 Set 2018, 22:30


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/qual criatura deseja ser e por quê?

Íris. A deusa é benevolente, empática e calma, sempre vendo o melhor lado nas coisas, o que combina completamente com a personalidade da personagem e com os planos que tenho para a trama dela.

— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

Físicas:
Silvia tem cabelos e olhos castanhos, corpo esguio e tem altura na média para sua idade (13 anos, no momento atual da trama). Pratica tênis, portanto consegue correr rapidamente e tem boa coordenação motora. Também já praticou karatê na infância, mas apenas no modo como era ofertado na escola, o que não lhe conferiu reais habilidades de luta, embora tenha noções de autodefesa.

Psicológicas:
Silvia é uma jovem tranquila e compreensiva, que tem a rara habilidade de controlar suas próprias emoções para dar apoio a outras pessoas, quando necessário. Sempre tenta ver o lado positivo das coisas e cuidar dos outros à sua volta. Quando sua vida vira de cabeça para baixo, porém, a garota passa por um período de catatonia e silêncio, demorando para conseguir sorrir novamente.

— História do Personagem:

DIAS ATUAIS

São seis da manhã. Silvia acorda com um estrondo. O que está acontecendo? Ela ainda não sabe, mas está a poucos segundos de descobrir. Àquela hora, o máximo que poderia estar havendo em casa é o pai fazendo a barba e a garota tem certeza de que ele não faz tanto barulho assim durante o processo. Ela desce da cama e sente o chão gelado sob seus pés. Um gemido chama sua atenção, especialmente porque ela reconhece vir de seu pai, e é seguido por um guincho estranho. Por um estranho instinto, ela dispara na direção da porta do quarto e a abre rapidamente. Primeiro vê uma forma estranha voando para fora da casa pela porta dos fundos. Ela não sabe se é um animal, um humano ou qualquer coisa mais insana do que isso. Também não se digna a pensar nisso no momento, pois seus olhos recaem sobre o corpo do pai em agonia, ensanguentado e portando um olhar que parece dizer "perdoe-me" antes de perder o brilho da vida e deixar que uma faca suja de uma gosma estranha caia de sua destra inerte.


TRÊS ANOS ANTES

A noite estava fria, do jeito que Silvia aproveitava para tomar uma grande caneca de chocolate quente e se enrolar cedo nas cobertas para dormir por longas horas. Não era sempre, mas ela tinha seus momentos de ceder à preguiça. Naquela noite, porém, a garotinha não conseguia dormir. Seus pensamentos voltavam-se para o evento que ocorrera na escola durante a manhã, do qual ela não fizera a menor questão de participar. Afinal, para quem renderia homenagens?

— Pai... — ela chamou da porta de seu quarto. Joseph Royce estava deitado no sofá da sala, assistindo a algum filme na TV, sem, contudo, prestar tanta atenção. Parecia meio aéreo em seus pensamentos... — Pai.

O homem se ergueu sobre os cotovelos e virou a cabeça na direção da porta do quarto da filha.

— Oi, princesa. O que houve?

Silvia respirou fundo. Não queria realmente fazer aquela pergunta, mas sentia que precisava de respostas.

— Desculpa por perguntar, mas... por que você nunca fala da minha mãe?

Joseph suspirou fundo. Aquele maldito evento de dia das mães da escola! Silvia fingira não se importar, mas estava mais do que claro o quanto ela estava machucada com toda aquela situação.

— Venha cá. Sente-se aqui.

A pequena menina obedeceu prontamente e foi aconchegada nos braços do pai, que tanto a amava.

— Princesa... eu não falo porque tenho medo de que você sinta raiva da sua mãe. Não quero que você tenha um sentimento como esse no seu peito. É uma escuridão perigosa demais para uma menina de luz como você.

— Ela fez algo que me deixaria com raiva?

— Não, meu amor, não fez. A questão é que sua mãe não pode estar tão presente em sua vida como nós gostaríamos...

Silvia arregalou os olhos.

— ENTÃO ELA ESTÁ VIVA?

— Está. Eu nunca lhe disse que ela estava morta porque seria mentira. Filha, sua mãe tem obrigações muito importantes e essas obrigações trazem proibições. Uma delas é não poder viver com a gente e ser parte de uma família. Ainda assim, ela sempre dá um jeito de saber sobre você e de protegê-la. Você ainda é muito jovem para entender tudo agora, mas logo eu poderei explicar tudo.

Silvia ficou quieta por um tempo. Pensativa. Sua mãe estava viva, mas não podia viver como uma pessoa normal, com família e lazeres e tudo o que qualquer pessoa no mundo deveria ter direito de ter.

— Você fala com ela?

— Falei poucas vezes, mas ela permite que eu saiba que ela olha por você.

— Tem algo que eu possa fazer para agradá-la? Eu sei que ela não pode vir me ver, mas... eu tenho uma mãe! Hoje foi dia das mães... Eu queria dar um presente. Posso?

Joseph sorriu com ternura. Silvia não percebeu por ter apenas 10 anos àquela época, mas o sorriso do homem trazia uma sombra de tristeza. Ele escondia um segredo que se desdobrava em vários traumas diferentes e tudo o que ele queria fazer era proteger sua pequena. Sabia que o momento de revelar tudo a ela se aproximava, mas não seria agora. Ainda não. Ela ainda era só uma criança. A criança dele. A princesa dele. Não de um mundo paralelo e fantasioso, cheio de criaturas místicas superpoderosas.

— Pode sim, meu amor. Como você, ela adora o arco-íris.


DIAS ATUAIS

Sirenes são ouvidas ao longe. Depois um pouco mais perto. Depois ficam quase ensurdecedoras, mas Silvia permanece caída de joelhos ao lado do corpo do pai. Seu olhar parece encarar os olhos sem vida do homem assassinado, mas ela não os fita verdadeiramente. Não fita qualquer coisa. Não ouve qualquer coisa. Alguém chamou uma ambulância... ou seria a polícia? Ela não sabe e muito menos questiona. Não consegue tirar os olhos de cima do pai.

Alguém diz palavras inaudíveis e passa as costas dos dedos pela face da menina, limpando lágrimas que ela não sentiu caírem. Então a mesma pessoa desconhecida parece tentar levantá-la, mas ela não quer sair de onde está. Outras pessoas chegam e começam a mexer no corpo de Joseph e é apenas nesse momento que Silvia tem alguma reação. Uma explosão. Ela grita, esperneia, espanca os paramédicos que estão ali apenas para fechar os olhos do pai dela e colocarem-no em um saco zipado e preto. Os paramédicos erguem os braços em autodefesa, mas nem tentam dizer para a pequena parar. Entendem a dor.

Não, não entendem. Só podem imaginar.

* * *

Silvia agora está sentada diante de um delegado. Não chora mais, mas não encara ninguém nos olhos. Ela abraça os joelhos dobrados, se protegendo de algo que não sabe o que é. Sente-se com cinco anos de idade, sozinha e desprotegida, como na única vez em que se perdeu do pai. Mas agora ele não vai aparecer no fim do corredor para pegá-la no colo e dizer que está tudo bem. Ele não vai...

— Sua vizinha, Sra. Albertina Higgins, nos disse que você se chama Silvia. Foi ela que chamou a polícia. Pode nos dizer que você viu, Silvia?

Nenhuma resposta. O que ela viu? O que pode dizer em resposta àquele desconhecido, que age como se fosse seu amigo íntimo?

— Silvia? Você viu quem invadiu sua casa?

— Voava — ela consegue dizer, sem nem perceber o que faz. Sem perceber que não faz o menor sentido. Uma coisa que voava invadiu sua casa e matou seu pai. Obviamente os policiais não acreditam. Consideram que ela ainda está em estado de catatonia. Pedem para que a levem a uma ala especial e que a mantenham em observação. Ela não ouve quando dão essas ordens. Apenas é levada.

* * *

Alguém aparece. É um senhor de cadeira de rodas. Seu olhar é calmo e tranquilizador, o único que consegue ser sustentado por Silvia desde o incidente, mas ela nota que ele também traz consigo certa carga de preocupação. Ainda assim, algo nele faz com que ela se sinta segura. O policial que o acompanha termina de ler um documento e diz que "está tudo ok", mas a garota não tem ideia de como alguma coisa pode estar ok nesse momento. Quem é esse homem? Ele diz algo sobre estar sob as ordens de Íris, quem quer que essa pessoa seja, e ser seu guardião. Diz que vai levá-la para um lugar seguro. Silvia teme estar sendo levada para um orfanato ou um manicômio, vê-se a ponto de contestar, mas mantém-se calada. O pai está morto. A mãe... bem, ela nunca apareceu. O desenho de arco-íris feito três anos antes só servira para pegar poeira!

Deixando-se ser levada, a garota se vê em uma van com cheiro de morangos. Ela não vê o motorista, está fitando a lataria do veículo do outro lado. O homem de cadeira de rodas tenta conversar, diz que tudo será esclarecido com uma certeza assustadora, mas Silvia tem sabe que é só mais uma daquelas falas para dar apoio emocional à vítima de um trauma. A van, depois de algum tempo (que ela não faz a menor questão de marcar), inicia uma subida. Presa pelo cinto de segurança, a garota não faz a menor menção de se apoiar e deixa a inércia comandar. Por fim, eles passam por um pinheiro frondoso, notável mesmo àquela hora da noite, e torna-se possível ver luzes amareladas e alaranjadas como em uma pequena cidade iluminada por lampiões.

— Chegamos.

O homem de cadeira de rodas, de cujo nome Silvia não recorda, estende a mão para ajudá-la a descer, e é impossível para a garota não ficar impressionada com o que vê. Definitivamente aquilo não é um orfanato e muito menos um manicômio. O homem percorre com Silvia uma trilha que desce a colina e, quando os dois saem do meio das árvores, a visão fica ainda mais impressionante. Há uma série de construções que a garota jamais poderia pensar que existiriam no mundo... atual. Frontões e pórticos, um pavilhão cheio de colunas gregas a céu aberto, som de ferro batendo contra ferro e... aquilo é um homem-bode?

— Que lugar é esse? — É a primeira vez desde o incidente da manhã que ela realmente fala alguma coisa. Pensa, com certa obviedade, que receberá a resposta do homem ao seu lado, mas é uma voz feminina que alcança seus ouvidos.

— Seja bem-vinda ao Acampamento Meio-Sangue. Obrigada, Quíron. Acho que devo assumir daqui.

Do meio das árvores, surge uma mulher vestida de linho branco leve, com cordões de pedras coloridas que Silvia acha lindos e delicadas pulseiras douradas. A garota quase se engasga com a simples presença da desconhecida mulher, como se algo dentro dela a reconhecesse, mas ela não tem ideia ainda do que pode ser. Mas a coisa mais impressionante na mulher é seu par de olhos. Silvia sabe que os seus próprios não mudam de cor, mas os daquela mulher o fazem o tempo todo, como um caleidoscópio altamente hipnotizante.

Quíron, o homem de cadeira de rodas, deixa, então, Silvia e a desconhecida. O coração da garota parece saltar várias batidas. Ou bate mais vezes do que deveria. Ela não sabe dizer. Tem um milhão de perguntas a serem feitas! Por que está aqui? Quem é o tal Quíron? O que é esse Acampamento Meio-Sangue? Fariam exames em seu corpo? Por que todas as construções seguem um padrão tão antigo? Por que há uma área com outras construções ainda mais peculiares? O que diabos isso tudo tem a ver com a morte de seu pai? Morte... A palavra tem gosto amargo mesmo sem ser pronunciada. Mas o mais importante no momento é a pergunta que lhe escapa aos lábios antes mesmo que a garota possa filtrar:

— Quem é você?

A resposta não poderia ser mais intrigante e só serve para trazer mais questionamentos e abrir as portas para uma realidade que será, deste momento em diante, a vida da jovem Silvia Royce:

— Eu sou Íris, a deusa do arco-íris e mensageira dos deuses. Eu sou sua mãe.

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Re: Ficha de Reclamação para Deuses Menores

Mensagem por 146-ExStaff em Seg 01 Out 2018, 13:09




Avaliação —  Elizabeth Crawley


Que ficha linda! To muito feliz em ler tantas narrações boas, caramba. Você desenvolveu muito bem sua personagem e também a história, fiquei curiosa para acompanhar a Elizabeth no grupo das caçadoras agora, viu? Trate de colocar essa garota no grupo. Parabéns!


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Avaliação —  Silvia Royce


É fidelidade que fala, né? Uma vez Íris, sempre Íris. Nem preciso dizer o quanto você está aprovada, seja bem vinda de volta. Ave, Silvia Royce, primeira filha do arco-íris!


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Re: Ficha de Reclamação para Deuses Menores

Mensagem por Florence Andrews em Ter 02 Out 2018, 12:57


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Despina. A escolha se deu através de questões de pura afinidade com a deusa e toda a sua história. Creio que ser filha de uma progenitora como ela é uma grande chance de criar e jogar com um personagem bem pouco explorado. Ser prole de de um deus ou deusa menor é algo que poucos buscam, mas é uma escolha totalmente compensatória e que acarreta em grande fascínio por aqueles que a escolhem

— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

Características Físicas: Loira com os cabelos lisos, a jovem Florence nunca foi exatamente 'alta' em comparação as pessoas a seu redor. Não que se considerasse muito baixa, mas os seus longos 1,60 pareciam não ser o suficiente para alcançar lugares muito elevados. Com olhos grandes e brilhantes e bochechas quase sempre rosadas a jovem menina mulher, apesar de apreciar as próprias curvas, nunca foi de se exibir com roupas extravagantes ou decotes exagerados... Mas isso não significa que não goste de se cuidar. Raras são as ocasiões em que os lábios carnudos não estejam avermelhados, mesmo que muito fracamente. Bom, para resumir, a filha do gelo não é exatamente vaidosa, mas também não deixa de se arrumar quando pede a ocasião.

Características Psicológicas: Estressada, carinhosa, chata, meiga, implicante, divertida, descuidada, animada, boba... Bem, em uma única palavra Florence é extremamente camaleônica. Seu temperamento muda drasticamente em questão de segundos e o que poderia ser um encontro fofo pode passar a ser uma discussão ampla sobre toda e qualquer coisa do universo. Mas a jovem não muda sem motivos. Ela mesmo se define como um diamante de várias faces que é visto de acordo com a posição do observador. Cada um pode ter um prêmio dependendo da 'chave' que usa.

— História do Personagem:

- Hey... Você pode me ouvir? - No fundo eu tinha consciência de quão idiota eu deveria parecer... Mas acho que aqueles garotos e garotas já estavam acostumados - A senhora não sabe o quão estranho é jogar minha comida na fogueira enquanto meu estômago ronca e falar sozinha enquanto os outros me olham... Mas eu estou fazendo, não estou? Estou fazendo por... - Por ela? Não, eu não estava fazendo isso pela mãe que me abandonara quando eu era pequena e que nunca viera me visitar. Não estava fazendo isso pela mulher imortal que se sentara em seu trono e me vira rezar dia após dia para que ela estivesse bem quando ainda era muito pequena... Já fazia muito tempo que eu deixara de fazer tudo por ela. Eu fazia isso por mim. Estava fazendo isso para que quando eu me deitasse esta noite em algum lugar quente, onde outros jovens de minha idade também se deitavam sem remorso ou ódio, eu não tivesse que ouvir os lamentos pelo abandono ou os choros de saudades... Estava fazendo isso para que pelo menos uma vez em minha vida eu pudesse simplesmente dormir. Sem pesadelos, sem memórias, sem nada. Apenas dormir. - É, eu estou mesmo fazendo isso por mim. - Completei com os olhos baixos, suspirando com certo cansaço. Por que tinha que ser assim? Por que eu não podia ser normal? Por um momento uma pequena faísca de ódio brilhou em meu peito... Não ódio por minha mãe, mas ódio pelo que eu era, mas eu não seria assim se não fosse por ela. - Sabe, eu não me importo de ser egoísta dessa vez. Não me ocupo em negar e dizer que estou fazendo por ti e por todo o amor que tenho em meu peito... Até por que você sabe quando estou mentindo, mas não me preocupo com isso. Por que? Porque quando eu era muito pequena fui abandonada pela senhora na casa de meu pai. Por alguns anos funcionou bem e tudo mais... Acho que ele tinha remorso de me deixar.. Mas o álcool serve pra isso não é? A bebida curou o remorso e depois que ele se foi não sobrou nada. Meu pai, se é que posso chamá-lo assim, me largou na frente do orfanato. Eu cresci lá, sabia? As crianças tinham medo de mim. As funcionárias tinham medo de mim.. E quando eu era adotada as famílias me devolviam! Sabe por que? POR TEREM MEDO DE MIM! - As palavras escaparam em um turbilhão e várias imagens tomaram minha mente. O homem barbudo de hálito quente e cabelos negros me olhando pela janela do carro antes de se afastar do orfanato, a mulher de roupa branca que me levara para uma sala pequena e me fizera perguntas sobre tudo em mim, as primeiras crianças que tocaram minha pele e perceberam que ela era fria, o primeiro quarto que dividi com alguém, meu primeiro aniversário naquele lugar, minha primeira adoção, minha primeira devolução... Fora tudo extremamente rápido.

Um pouco impaciente usei a mão direita para arrumar uma mecha atras da orelha antes de voltar a falar, tomando fôlego com certa decepção - Sabe mãe... Eu perdi coisas demais, tive que me despedir de pessoas demais. Você se lembra não é? Tive um ou outro amigo no orfanato, mas sempre que alguém me aceitava acabava sendo adotado e eu nunca mais o via. Quando era adotada me devolviam em menos de uma semana e depois de tudo ainda tinha você. Antes eu rezava todas as noites para que você viesse me buscar ou para que simplesmente estivesse bem.. Mas você nunca respondeu, não é? Nunca tive qualquer vislumbre de que você ainda era viva ou qualquer sinal de que me ouvia. Em troca eu recebi outra coisa não foi? É, você sabe que sim. Hoje é meu primeiro dia de acampamento e não sei bem o que eu devia fazer... Na maioria dos acampamentos você vem de ônibus ou coisa assim... Mas eu tive que vir carregada por um sátiro, não é? Tive que ver o orfanato sendo queimado por aquela mulher-cobra idiota e eu não pude fazer nada... O sátiro a chamou de dracaena, sabe.. Não sei se significa algo para você, mas para mim parece um nome idiota. - Um sorriso desanimado tocou meus lábios e meu olhar se voltou para as chamas. Até que não parecia tanta loucura assim. - A única casa que tive algum dia agora não passa de cinzas e as únicas pessoas que conhecia acreditam que eu sou uma criminosa revoltada. Não que eu me importe com o que as pessoas pensam, mas não sei se essa é uma boa fama para cultivar. - Murmurei dando de ombros para a ultima parte. - Bom... Parece que agora você teria que me 'reclamar' ou algo do tipo... Um sinal, sabe? Quer dizer, claro que sabe... Mas não faz mal avisar. Olha mãe, você não é exemplar. Você não é carinhosa, não é atenciosa, não é amorosa e não chega nem perto de ser responsável, mas eu não tenho ódio por ti. Acho que deveria saber disso enquanto decide se vai se revelar ou não... Bom... Tem mais alguns 'sem-teto' por aqui, então acho que eu vou me sentar. Hum... Amém? - A palavra soou quase como uma pergunta enquanto minhas sobrancelhas se arqueavam para o fogo. - Não sei se devo ou não falar amém, então eu vou falar ok? Bom... Não demore ok? Acho que talvez eu precise sim sentir o gostinho de como é ter mãe. Han... Amém. - O 'amém' ja não era uma pergunta. Mas também não parecia religioso... Era como uma espécie de despedida, sendo a ultima palavra pronunciada antes de eu me afastar, andando para a mesa de Hermes poucos segundos antes de ver a projeção de um floco de neve ampliado girando sobre minha cabeça. Sem reação apenas voltei a encarar o vermelho vivo das chamas, boquiaberta com a 'agilidade' de minha progenitora, e assentindo com um gesto de cabeça muito leve para todos aqueles que me davam tampinhas mas costas ou coisas do tipo. Vagamente pude ouvir o centauro que me se apresentara como o diretor de atividades do Acapamento falando sorridente - Despina! - Dissera ele.
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Re: Ficha de Reclamação para Deuses Menores

Mensagem por Kurt LeBeau em Ter 02 Out 2018, 15:52


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Eu gostaria de ser reclamado como filho de Éolo, Deus dos ventos. Assim como os ventos eles podem mudar de uma leve brisa para uma ventania destruidora facilmente. Quero explorar, descobrir as capacidades deles e usá-lo para me entender. Me comporto em off de um modo muito parecido com o que descrevi acima e vejo em Kurt a possibilidade me projetar e ter uma outra visão de como eu ajo.

— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

Cabelo loiro bem claro e bagunçado ao melhor estilo Jack Frost. Corpo atlético mas nada exagerado, embora tenha passado boa parte da vida praticando natação e participado de diversas competições. Meus olhos são azuis meio acinzentados e os considero meu charme pessoal. Peso uns 67 quilos e tenho 1,73 de altura. Quanto a como penso e costumo agir… isso tende a variar bastante. No geral sou tímido com pessoas novas e bem solto com aqueles que conheço melhor. Quando numa situação nova costumo me prender àquelas pessoas que já conheço enquanto vou quebrando o gelo com outras pessoas com piadas nem sempre agradáveis. Tem o fato de minha mente e meu humor serem confusos, as vezes minha mente simplesmente explode de ideias ou fica vazia como caixa de pizza na terça-feira. Já o meu humor pode ir do “Ela me deixou, eu não posso mais viver nesse mundo” ao “Isso são muffins?” sem o menor esforço. Ah, quase esqueci da minha língua afiada e sarcasmo crônico, lembre sempre deles.


— História do Personagem:

Tudo começou quando eu não passei na faculdade. Agora estou no carro com minha mãe, Anne Marie LeBeau. Seus cabelos pretos e lisos estavam meio desarrumados devido ao cansaço da viagem e olhos mel pareciam vidrados na estrada.

Para onde ela estava me levando? Um acampamento militar. Porque estou indo pra um acampamento militar? Por conta de um acordo de que se eu não passasse na faculdade seria enviado para lá. Eu não fiz acordo com ninguém, isso foi entre os meus pais e, mesmo meu pai tendo nos deixado há muito tempo, minha mãe decidiu mantê-lo. Juro que fiz de tudo pra passar, mas é difícil ler quando as letras dançam na folha e brilham como o Edward do Crepúsculo.

Eu estava assistindo a um episódio de Dr. House no meu MP4 antes da minha mãe frear o carro com tudo. Aparentemente ela estava falando comigo mas eu não ouvi por conta dos fones de ouvido.

— Você tá me testando? — Perguntou ela enquanto voltava a dirigir. — Eu já disse que detesto quando você fica de fones no carro.
— Desculpa mãe. — Tirei os fones, enrolei no MP4 e guardei no porta-luvas. — Mas é uma viagem longa de Ottawa até esse acampamento. Não tinha nenhum mais perto de casa? Assim eu poderia te ver mais vezes. — Perguntei mesmo sabendo a resposta.
— Eu perguntei a mesma coisa ao seu pai na época, ele disse que tinha de ser esse. — Falamos em uníssono, mas continuei. — É eu sei, mas, porque manteve a promessa? Ele nos deixou.

Percebi logo depois que tinha pisado na bola, minha mãe evitava falar sobre a palavra com “P”.

— Eh... Descu…
— Não, tudo bem Kurt.— Os olhos dela lacrimejavam. — Já está na hora de você saber algumas coisas.
— Ah meus Deus, meu pai era gay?!

Ela tirou a mão do volante e me deu um tapa.

— Para de ser idiota menino, seu pai não era gay. Eu o coloquei pra fora de casa.
— Você o quê? Porquê?
— Seu pai viajava muito, aos quatro cantos do mundo se brincar, e bem... — O desconforto era evidente no rosto dela.
— Você descobriu que ele tinha amantes?

Minha mãe esbugalhou os olhos me olhando rápido e voltando a olhar para a estrada.

— O que foi? Acha que eu tenho o quê, dez anos por acaso?
— Não mas... Você fala como se fosse algo tão normal…
— Mon Cher, sinto te informar mas não existe casamento perfeito.
— Onde você anda aprendendo essas coisas?
— House mãe, House.

Ela continuou dirigindo o Focus como se estivesse com uma arma apontada pra cabeça, decidi simplesmente ignorar isso e olhar pela janela do jeito mais Adele possível. Comecei a devanear e por motivos de não sei porquê lembrei da história de como minha mãe conheceu meu pai.

Quando ela conseguia uma folga do trabalho de contadora num hospital, viajava até a Califórnia só para poder praticar Kitesurf. Numa dessas folgas malucas a pipa dela e de um outro cara (nem imagino quem seja) se enroscaram e eles tiveram um acidente feio, quer dizer, mamãe teve. Deslocou o calcanhar esquerdo e o braço direito, esse outro cara, meu pai, não se machucou, tirou ela da água nos braços e a acompanhou até o Hospital. Eu juro que preferiria não saber mas eu fui feito nesse mesmo dia no hospital, minha mãe às vezes simplesmente fala demais.

Felizmente essa cena horrível saiu da minha cabeça quando minha mãe baixou os vidros do carro deixando o ar de Nova Jersey invadir minhas narinas. Cheirava a fumaça e chuva mas minha mãe parecia não se importar, se não estivesse dirigindo era capaz de colocar a cabeça pra fora como um cachorro. Ela simplesmente adora sentir o cheiro dos lugares e das coisas.

— Meia hora até o acampamento. Ou uma hora se pararmos pra comer alguma coisa.
— É? Tipo o quê?
— Sushi?
— Você é a melhor mãe do mundo, veille.
— Me chamou de quê? - O tom dela mudou
— Nada. - Respondi rápido
— Acabou de ganhar uma viagem sem escalas para o acampamento.
— Droga. Posso ao menos assistir alguma coisa no MP4?

Ela me olhou de canto e meio desgostosa permitiu. House já estava cansativo, hora de ver o careca mais carismático do mundo: Aang.

Infelizmente chegamos antes que o Aang e o Zuko conseguissem chegar ao topo da escadaria dos Guerreiros do Sol, felizmente eu já tinha assistido a esse episódio e sei que eles vão dançar pros últimos Dragões vivos.

Eu imaginava ver logo de cara um bando de garotos fardados correndo num pátio mas a única coisa que vi foi uma colina esverdeada.

— Onde está o acampamento?
— Do outro lado da colina.
— Não tem nenhuma via de acesso pra carros?
— Vai pegar sua mala, preguiçoso.

Desci do carro, abri o porta-malas e tirei minha mala preta lá de dentro, ela tinha algumas mudas de roupas, agasalhos, uma bota e um chinelo. Parei ao lado do carro onde minha mãe me esperava, ela me abraçou e me beijou na testa.

— Espera, não vai comigo?- Perguntei apreensivo.
— Nope, boa sorte.
— Mas...- Antes que eu pudesse retrucar ela entrou no carro e ficou me olhando, esperando que eu subisse.

Detestei isso, pessoas novas me assustam um pouco, fora que eu não sabia o que teria que fazer, com quem falar. Mas prossegui mesmo assim.

NOTA MENTAL: Da próxima vez compre uma mala de rodinhas, subir uma colina carregando uma mala nas costas é exaustante. Porém, com esforço, consegui chegar ao topo, a essa hora minha mãe já tinha ido embora, eu estava por minha conta.

Dei uma olhada ao redor, à minha direita havia um pinheiro com uma pedra verde ao lado e abaixo da colina, no meio do vale, eu esperava ver barracas, canhões, a bandeira americana num mastro não encontrei nada disso. No lugar tinham construções coloridas e diferentes, adolescentes caminhando com camisetas laranjas, um vasto campo de morangos iluminados pelo pôr do sol... Que tipo de acampamento militar é esse?

Descendo a colina pude observar mais claramente as coisas. As construções coloridas aparentemente eram chalés para os campistas. Consegui discernir um palco próximo aos chalés, bem como uma quadra de vôlei e, claro, uma casa azul enorme. Ela deveria ter uns quatro andares e era toda no estilo vitoriano, provavelmente era a sede do lugar, onde se fazia o alistamento e afins.

Andei naquela direção e olhei para baixo no intuito ignorar alguns poucos olhares em mim, eu só não contava que o pessoal do vôlei fosse perder a bola e um dos garotos esbarraria em mim tentando alcançá-la.

— Oh, desculpa aí novato.- Disse ele tentando nos equilibrar.
— Tá tudo…- Eu tinha mantido meu olhar meio baixo até perceber que o garoto tinha pernas de BODE.- Mas que merda é essa?!

Olhei para o rosto do garoto, ele não parecia ser muito mais velho que eu, mas já tinha uma barbicha e CHIFRES, ele me olhava como se eu fosse um maluco.

— Que fantasia é essa cara?- Pode-se dizer que eu estava em surto.
— Calma, você é novo, deixa eu te explicar.- Ele estendeu os braços na minha direção e eu fiz a coisa mais sensata do mundo: corri.

Provavelmente eu não fui muito longe, lembro de sentir uma porrada na nuca e cair no chão.
Sonhei com os sushis que minha mãe prometeu. Quando acordei estava deitado num sofá dentro de uma sala bem aconchegante. Paredes de madeira, uma lareira com uma cabeça de leopardo acima dela, que eu JURO ter me dado língua. A minha frente havia um homem numa cadeira de rodas tomando chá com biscoitos, ele talvez tivesse idade para ser meu avô.

— Boa noite, meu jovem. Aceita um pouco?

Ele trajava um paletó marrom de lã com remendos nos cotovelos e uma gravata verde que não combinava com a camisa xadrez que usava por baixo nem com a manta que cobria suas pernas. Tinha uma barba bem aparada mas o cabelo parecia um ninho de ratos. Levantei levando a mão à cabeça dolorida.

— Não, obrigado. Eu acho que seu leopardo me deu língua.
— Perdoe a falta de educação do Seymour.
— Espera, então ele realmente fez isso?

O senhor olhou para Seymour em tom de reprovação.

— Garanto que isso não vai se repetir.

Coloquei a outra mão na cabeça, ela doía bastante, mas não sei se era pela pancada ou pela confusão que eu estava vivendo.

— Ah, claro. Me pediram para pedir desculpas por isso. Um de nossos campistas achou que essa fosse a melhor forma de te acalmar, mas já conversei com ele sobre isso.
— Pancadas gratuitas, um garoto com chifres e patas de bode, uma cabeça de leopardo viva… Será que você pode me explicar o que está acontecendo?
— Acalme-se meu garoto, todos se sentem assim num primeiro momento. Meu nome é Quíron, e este é o Acampamento Meio-Sangue, o lugar mais seguro para semideuses.
— Kurt LeBeau. Você disse semideuses? Tipo o Hércules da Disney?

Ele riu.

— Eu preciso mesmo ver esse filme, a maioria o menciona quando chega aqui. Mas, respondendo à sua pergunta… Sim e não. Esse acampamento é para semideuses gregos, Hércules é o nome romano de Herácles e sim ele é um semideus filho de Zeus, mas nem todos os meio-sangues são filhos dele.
— Então acho que minha mãe me deixou no lugar errado. Era para eu estar num acampamento militar.
— Ah, então foi isso o que ela te disse? As desculpas dos pais estão ficando cada vez melhores. Você é um semideus meu garoto, do contrário, não teria conseguido entrar aqui.
— Eu? Um semideus? Não, não, não, deve ter algo errado, minha mãe é normal, eu acho que saberia se ela fosse uma deusa.
— É? Mas e seu pai?
— Não o conheci, ele foi embora quando eu nasci.- Sei que estava mentindo, mas ele não precisava saber a verdade.
— Sinto por isso, é um comportamento reprovável mas muito comum. Sua mãe nunca mencionou o nome dele?
— Sim, mas acho que não existe um deus grego chamado Todd Brancroft.

Ele fechou o rosto de modo pensativo.

— Não lembro de nenhum deus que tenha usado esse nome anteriormente. De toda forma, temos duas opções: você assistir ao filme de orientação ou passarmos a noite conversando, está tarde todos já jantaram e devem estar dormindo.
— Acho que prefiro a conversa. Posso pegar uma xícara?

Acho que essa noite conquistou o lugar de noite mais confusa da minha vida, a primeira foi quando precisei aprender química orgânica, as estruturas das substâncias simplesmente voavam pelo quarto.

Quíron me explicou o básico da mitologia grega (criaturas místicas, a confusa árvore genealógica dos deuses) e que os deuses da Grécia Antiga agora moravam no Empire State, disse que nem todos os semideuses levaram uma vida tão tranquila como a minha, o que me fez pensar na vez em que todas as janelas da sala de aula explodiram quando um garoto beijou a garota que eu gostava ou quando soprei as velas do meu bolo de aniversário e elas bateram na parede, comentou algo sobre uma névoa mágica que esconde algumas coisas das pessoas normais. E também mencionou algumas regras básicas do tipo “Não vá para a floresta sozinho” ou “Não saia do seu chalé à noite ou será devorado por harpias” O que diabos são harpias? Pelo que eu entendi são mulheres meio pássaro.

— Quase me esqueci. De manhã pode levar as suas coisas para o chalé 11, é lá onde ficam os semideuses que não sabem quem são seus pais. Hermes apadrinha todos.
— Tudo bem, eu só não entendi uma coisa… Minha mãe sabia que esse não era um acampamento militar?
— Possivelmente, mas não a culpe Kurt. É difícil para os pais explicarem essa situação, eu já venho fazendo isso há séculos.
— Literalmente séculos?
— Sim. Desde o tempo de Herácles.
— Ah, tudo bem então.- COMO ELE AINDA ESTÁ VIVO? O cara tem o quê? Quatro mil anos mais ou menos?
— Descanse, terá um dia longo amanhã.- Não sei se ele usou alguma magia comigo, mas pouco depois de deitar de novo no sofá eu adormeci.

Pela manhã, mais coisas bizarras. Quíron me acompanhou até o chalé 11 mas pouco antes de sairmos ele se levantou da cadeira de rodas, a manta caiu no chão mas suas pernas não se moveram. A cintura foi ficando mais longa e de início achei que ele estava usando roupas de baixo de veludo muito compridas, mas à medida que ele foi se erguendo da cadeira percebi que era a parte de baixo de um animal musculoso e com pelos brancos: um cavalo.

— Finalmente. Fiquei tanto tempo confinado lá dentro que minhas juntas ficaram doloridas.
— Você é um…- A falta de palavras era por conta da minha surpresa e de eu realmente não saber o que ele era.
— Um centauro, talvez encontre outros por aqui, agora venha. Vamos conhecer seus aposentos temporários.

O chalé 11, diferentemente dos outros, não era tão especial. Ele realmente parecia um chalé, os outros lembravam imagens de livros de história de um aluno entediado que ficou desenhando por cima delas. No caminho até lá, Quíron explicou que o chalé era para os filhos de Hermes, mas como ele era patrono dos viajantes todos os novatos indefinidos ficavam lá até que fossem reclamados por seu pai ou mãe e que antes o número de indefinidos era muito maior, mas depois que um tal de Percy Jackson dar uma dura nos deuses eles passaram a reclamar os filhos com mais frequência, mas ainda demorava um pouco.

Entrei e a maioria dos olhares na sala de estar se voltaram para mim. Quíron não pôde entrar por conta da sua nova altura então pediu para que um garoto chamado Marvin Greig me acomodasse.

— Venha, os quartos são lá no primeiro andar.- Disse Marvin.

Assenti com a cabeça e o segui até o segundo andar e depois até o Quarto dos Indefinidos. O lugar era ,basicamente, um conjunto de beliches com um tipo de armário ao lado. Comecei a arrumar minhas coisas até perceber que Marvin estava com o braço estendido para me entregar algo.

— Aqui, vai precisar disso. A maioria dos meus irmãos não respeita os objetos dos outros.

Quando olhei mais atentamente para a mão dele vi um cadeado simples com uma chave.

— Obrigado.- Peguei o cadeado e o usei para trancar o armário mesmo não tendo nada de valor dentro.
— Olha, sei que isso tudo é novo… Posso te apresentar o resto do lugar. - Uma corneta soou ao longe.- Depois do café, estou morrendo de fome.

Saímos do chalé de Hermes e andamos pelo gramado central até o refeitório. Eu já não imaginava mais cabanas de madeira e janelas com redes contra insetos, mas um templo grego em tamanho real já era demais.
No alto duma colina, colunas gregas enormes feitas de mármore e ligadas por uma borda externa se projetavam para cima dando uma ótima vista para o mar. Mas o que me deixou mais curioso foi a falta de um teto.

— Eeh… O que vocês fazem quando chove?- Apontei para cima.
— Não chove aqui dentro.- Marvin respondeu.
— Claro que chove, em qualquer lugar do mundo chove ao menos de vez em quando, até em desertos.- Isso não era 100% verdade mas não era uma mentira total.
— Hãã… Como explicar… O acampamento é magicamente protegido das coisas externas como chuva, neve, monstros e até humanos, ou da maioria deles pelo menos.

Parei por alguns segundos para refletir.

— Então vocês tem um guarda-chuva mágico?
— É, quase isso.- Ele tinha um riso preso no rosto.

O interior era tão fenomenal quanto o exterior. No centro queimava um enorme fogueira próxima a uma rachadura no chão e circundada por longas mesas de madeira cobertas com toalhas roxas. Alguns campistas já estavam sentados comendo e conversando.

— Cada chalé tem sua mesa, geralmente você faz suas refeições sentado ao lado de seus irmãos e irmãs. Como você ainda é um indefinido fará suas refeições comigo e meus irmãos.- Ele sorriu apontando para a mesa onde um grupo de garotos tinha espalhado tachinhas por cima da mesa e apontavam para uma outra mesa mais distante.
— Certo, mas eu ainda tenho uma pergunta. Vamos assar a comida naquilo?- Apontei para a fogueira.
— Não.- Disse ele entre risos.- O braseiro só serve para oferecermos comida aos deuses, nossos pais e mães, então tente colocar um pouco mais de comida no prato para eles.
— Mas... seu eu não sei quem ele é, o que faço?
— Apenas tente ser genérico, sem citar nomes ou algo do tipo.

Sentamos na mesa destinada ao chalé 11 e nos servimos das bandejas das harpias. Ele colocou o clássico ovos com bacon americanos, eu fiquei com uma omelete. Ele me deu um tapinha no braço quando eu estava prestes a dar uma garfada, olhei pra ele o vi indo até o braseiro. Entendi que deveria fazer o mesmo. Levantei e entrei na fila que se formou, quando cheguei no braseiro cortei um pedaço da minha omelete e joguei nas chamas.
Fiquei encarando-o enquanto pedia para que qualquer um que estivesse ouvindo que acordasse o meu pai pois eu estava aqui. Senti uma brisa trazendo o cheiro de mar ao pavilhão antes de voltamos para a mesa e eu perceber que agora haviam copos onde estávamos sentados.

— Hum… peça o que quiser ao copo mas nada alcoólico por favor, já tivemos problemas com coisas assim.
— Qualquer coisa mesmo?- Perguntei ao filho de Hermes.
— É, você vai se surpreender.
— Esse lugar todo já está fazendo isso.- Olhei para o copo.- Frozen de limão.


O gelo começou a subir do fundo do copo e extrapolou seus limites, mas não caiu. Olhei para Marvin com a cara mais incrédula que eu já tinha feito e depois olhei pro copo.

— Simplesmente uau.

Comecei a apreciar o meu frozen junto com a omelete até Marvin começar a falar de boca cheia.

— Entoum, voxê já matou agum moinstro?
— Engula primeiro, fale depois.- Assim ele o fez.
— Eu disse: Então, você já matou algum monstro?
— Ah… não.
— Não?
— Bem, se baratas contarem então sim.
— Só contam para os filhos de Afrodite, você bem que poderia ser um deles. Bem vestido, desarrumadamente elegante...- Ele apontou com a faca para uma mesa que eu definiria como a mesa dos populares.
— Espero que não tenha sido uma ofensa. Mas voltando aos monstros... Todos que chegam aqui já mataram um?
— A maioria, mesmo que por acidente. No geral eles nos seguem pelo cheiro divino que exalamos, isso acontece pelo telefone e internet também, por esse motivo não usamos celulares.- Lembrei da minha mãe me dando o meu MP4 quando eu pedi um celular e dando uma desculpa esfarrapada.
— Mas como se comunicam em emergências? Pode não ter uma cabine telefônica por perto.
— Mensagens de Iris.
— Íris tipo a parte do olho?
— Íris tipo arco-íris, fazemos um arco-íris surgir usando água, alguns já usaram até CD's, jogamos um dracma – Ele tirou uma moeda de ouro do bolso.- e dizemos com quem queremos falar.
— Okaaay… cara, quando vai aparecer aquele cara com um microfone e dizer que isso é tudo uma pegadinha?
— Infelizmente não é. Os novatos demoram pra aceitar, eu mesmo levei duas semanas. Você está se saindo bem. Tirando a situação com Jezz.
— Jezz?
— É, o sátiro que você se esbarrou quando chegou e depois surtou.
— Ah meu deus, todos sabem?
— A maioria, e nós costumamos falar “meus deuses” por aqui. Falando nisso, de onde você é? Com certeza não é daqui.
— Ottawa, Canadá.
— Ah sim, nem todos vão gostar de você, já aviso logo.
— Tudo bem, já estou acostumado.

O papo voltou ao tema de monstros e assim ficou por um bom tempo até ele mencionar os metais mágicos e lembrar de uma coisa.

— Temos que pegar seu kit de boas vindas.
— Acho que isso não ser coisa boa.
— Mais ou menos, tem uma faca e alguns dracmas.
— Você disse… faca?

Sim, eu sou louco por facas. Na verdade por armas em geral. É meio comum no Canadá pais levarem seus filhos para caçar mas como eu não tinha um pai presente simplesmente ficava na vontade, minha mãe não me deixava nem ter um canivete. Saímos do refeitório e fomos até a Casa Grande (que nome óbvio). Eu meio que apressei Marvin Greig que queria me mostrar o lugar mas eu estava mais animado em possuir minha própria faca.

Quando chegamos Greig me pediu que esperasse do lado de fora. Eu estava tão animado que só percebi que estava dando pulinhos de alegria quando uma garota baixinha passou por mim e riu. Corei e me encostei numa viga da varanda, logo depois Marvin colocou a mão no meu ombro.

— Seja responsável. Ela mata monstros e você também, mas ,já que é feita de bronze celestial, é inofensiva para humanos.— Tomei a faca das mãos dele e a admirei.

Ela tinha um cabo de aço com couro e as letras CHB gravadas perto do mesmo. Ele também trouxe uma sacola com moedas, mas eram menos importantes. O bronze sagrado tem um reflexo único o que deixava a faca muito mais bonita.

Quíron saiu de dentro da Casa Grande e veio até a nós.

- Greig, acompanhe o LeBeau em seu primeiro dia de treino, já está na hora de começarmos a lapidá-lo.
- Por onde acha que deveríamos começar?- Questionou Marvin.
- Você quem sabe.- O centauro o olhou de modo travesso.

Eu mal terminei de ouvir a resposta e já me vi sendo arrastado pelo braço, mas ainda pude ouvir o riso de Quíron atrás de nós. Gritei para Marvin perguntando aonde estávamos indo mas ele parecia ter me ignorado. Passamos pelo que pareceu ser todo o acampamento mas eu duvidava que tivéssemos realmente feito isso.

Nós chegamos numa área onde havia várias paredes com pedras coloridas presas nelas, mas o que mais me chamou atenção foi o fato de haver mais de uma e em diferentes formatos e posições. Tive um mau pressentimento sobre aquele lugar.

- Bem-vindo ao meu lugar preferido no acampamento o complexo de escalada.
- Jura? Achei que era trabalho de arte moderna.- Ele me olhou como todas as outras pessoas quando eu era sarcástico sem motivo.- Desculpe.
- Tudo bem, mas nem todos aqui são complacentes como eu. Bem, vamos começar no nível dois?
- Não acha melhor começar no um?
- Já fez isso antes?
- Não.
- Então... nível dois.- Ele me empurrou pelos ombros até uma parede que teria facilmente vinte metros de altura.

Ele começou a ajustar o equipamento em mim, o que me deixou bastante desconfortável. Alguns minutos de desconforto e eu estava pronto para não morrer quando caísse da parede.
Comecei a subir apoiando um pé numa pedra roxa e usando para tomar impulso para alcançar uma vermelha que me pareceu ótima para apoiar e teria sido se ela não estivesse solta. Olhei para o filho de Hermes que estava assobiando e olhando noutra direção.

Dessa vez segurei uma amarela que estava bem segura mas era mais baixa que a vermelha. Procurei alguma que parecesse não estar solta e escolhi uma cinza que, por sorte, estava bem presa. Depois disso tentei me apoiar numa azul que estava solta, mas não caí, já contava com essa possibilidade então não apoiei todo meu corpo nela.

Olhei para baixo, devia ter subido somente uns dois metros e meus dedos já doíam. Me perguntei se realmente isso tudo era necessário e imaginei alguém tendo que fugir de centauros como Quíron.

Algumas pedras depois eu já estava na marca de cinco metros e foi quando senti algo batendo na minha cabeça, passei a mão no cabelo e senti areia. Ouvi Marvin me chamando e olhei para ele.

— Esqueci de avisar, pedras podem cair lá de cima. Tome cuidado.

Com tanta coisa pra esquecer ele esquece justamente daquela que vai me deixar com um olho roxo. Continuei subindo, desta vez num ritmo mais rápido devido a minha raiva. Amarela, azul, branca… opa, branca não, verde, verde, laranja. Continuei num bom ritmo até sentir mais areia caindo. Olhei para cima e vi uma pedra vindo na minha direção ela provavelmente tinha o tamanho da minha mão espalmada. Levantei o braço no intuito de me defender da pancada.

Senti uma brisa, a luz do sol sumiu rápido, esperei por uns quinze segundos e nada de pancada. Olhei para cima e tinha uma NUVEM acima de mim, não no céu mas duas pedrinhas acima.

— ME TIRE DAQUI GREIG!- Gritei me soltando das pedras.
— Tá legal, tá legal.- Ele começou a andar na direção da parede me trazendo pra baixo.

Assim que me afastei da parede a nuvem sumiu e a pedra caiu fazendo um baque seco.

— Ainda bem que a culpa te fez parar a pedra.- Falei enquanto lutava para tirar todo o equipamento.
— Eu não fiz aquilo, Hermes não controla nuvens.
— Estamos sozinhos aqui,- Olhei ao redor para ter certeza.- se não foi você, quem foi?
— Ei, esquentadinho, olhe pra cima.

Eu estava esperando a vingança da pedra mas me deparei com algo bem estranho: Eu virei um The Sims.

Acima de mim um disco cinza e azul-claro brilhava e dentro dele havia uma nuvem e desenhos que eu reconheci de mapas como indicações de ventos.

— Olha só, agora sabemos quem é seu pai.
— Porquê? O que aconteceu aqui? O que isso significa?
— Você acabou de ser reclamado. Seu pai é Éolo, o Deus dos Ventos.
— Existe algo que não tenha um deus grego?

Marvin parou por alguns instantes e respondeu:

— Acho que não.
— Isso significa que eu vou sair do seu chalé?— Disse num tom um tanto chateado.
— Não, Éolo não tem um chalé próprio no acampamento, então você continuará conosco.


Kurt:
Poderes:
Passivos:
Olfato apurado I [Nível 1]: O olfato dos filhos de Éolo é muito mais apurado do que o de um humano comum. Neste nível, ele funciona como o olfato de um animal, como um cão, para fins de identificação de nuances de odor, podendo captar mudanças sutis no ar nesse sentido, por exemplo. Não consegue, contudo, identificar o tipo de criatura com a qual está lidando nem um alvo específico.

Ativos:
Nuvem Particular [Nível 1]: O semideus consegue manipular uma pequena quantidade de ar, condensando-o na forma de uma nuvem com esforço, e usando sua filiação divina consegue fazer com que ela flutue e voe. É frágil nesse nível podendo carregar itens extras com custo de MP para mantê-la ativada, caso seja cancelada a mesma irá se desfazer e o item, cairá. Não suporta mais do que 5kg. Além disso, a nuvem não é sólida: uma pessoa não poderia se apoiar nela, por exemplo, mas também não modifica o peso dos itens, que mantém a forma e as características.

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Re: Ficha de Reclamação para Deuses Menores

Mensagem por Mark Castle em Ter 02 Out 2018, 17:34


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê? Phobos. A trama de Mark se encaixa perfeitamente com essa divindade, junto com a escolha para grupo extra.

— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):
— Características Físicas: Mark possui um cabelo castanho bem feito e invejável. Este entra em conjunto com seus olhos, também castanhos, e uma barba rasa de mesma cor. Possui várias tatuagens, que não possuem cores. Seu porte é definido, porém esguio, mesmo com seus treinos e cotidiano agitado. Possui algumas cicatrizes de guerra em seu torso e costas.

— Características Psicológicas: O filho de Phobos nunca foi de falar muito, e isso não mudou após descobrir sua descendência divina. Por motivos pessoais, recusou a entrada no Acampamento Meio-Sangue. Desde então, vive como mercenário, realizando contratos para quem pagar mais. Realçou seu calculismo e oportunismo justamente para não perder seus dracmas, muito menos sua reputação. Todavia, ao contrário do que muitos pensam, ele possui um código de honra pessoal: Jamais machucar inocentes não envolvidos com seus contratos. Esse ponto é o único traço de empatia encontrado no rapaz.

— História do Personagem:
Eu bati a cabeça muitas vezes tentando achar uma trama pra esse personagem, mas eu simplesmente não consigo. Me perdoem por isso. Vou fazer uma narrada que vai decidir a trama do personagem.
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Re: Ficha de Reclamação para Deuses Menores

Mensagem por 144-ExStaff em Ter 02 Out 2018, 19:41




Avaliação —  




Resultado- Florence Andrews

Aceita como filho de Despina:
Recompensa: 90xp;
Item de reclamação padrão.


Resultado- Kurt LeBeau

Aceita como filho de éolo
Recompensa: 97xp;
Item de reclamação padrão.


Resultado- Marco G. Salvatore

Aceita como filho de Phobos
Recompensa: sem recompensa
Item de reclamação padrão.








Atualizados






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Re: Ficha de Reclamação para Deuses Menores

Mensagem por Will M. Fortune em Ter 02 Out 2018, 20:48


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?Íris

Em todos os fóruns que já joguei de PJ é a deusa que menos tem filhos, por isso gostaria de explorar a lista de poderes com o que tenho em mente pro personagem.

— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

DESCRIÇÃO FÍSICA:
O garoto possuí um e oitenta e três de altura. Seu corpo é bem definido e atlético sendo considerado forte para a sua idade. Seu cabelo é loiro escuro quase se assemelhando ao castanho. Seus olhos são bem indefinidos, as vezes parecem ser azuis e outras parece ser verde sempre dando um ar de mistério ao olhar dele. É um caucasiano típico da Russia, sendo assim sua pele é clara, porém um pouco mais bronzeado do que as pessoas da Europa.

DESCRIÇÃO PSICOLÓGICA:
Will sempre foi do tipo que ama proteger as pessoas ao seu redor, procurando na maior parte do tempo ser uma espécie de líder para eles, encorajando sempre que possível. O garoto se estressa um fácil de mais, contudo perdoa as coisas na mesma velocidade, esquecendo da sua raiva em questão de minutos. Está sempre tentando manter o sorriso nos lábios até mesmo quando esta de mau humor ou em uma situação que seja um pouco delicada. É capaz de guardar algo que o machuque para não ferir os sentimentos de terceiros.

— História do Personagem:

Aquele modo que reclama sem precisar da ficha.
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Re: Ficha de Reclamação para Deuses Menores

Mensagem por Astéria Rustkosky em Ter 02 Out 2018, 21:01


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Hipnos. Gosto do deus e acredito que ele se encaixe na trama que elaborei para a Astéria (já pedi pra trocar de nome).


— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

    Psicológicas
Quando se trata de Astéria, definir uma personalidade e ater-se à ela é algo difícil. Talvez, isso aconteça devido à sua predisposição - e um certo esforço de sua parte - em ser uma inconstância. Com motivos que nunca são plenamente conhecidos e tampouco desvendados, e pode "jogar" para o time dos malvadinhos até o último momento, para então dispensá-lo e voltar-se para os bonzinhos. É alguém aparentemente indiferente a tudo e todos, preferindo manter-se fora de intrigas e confusões, frequentemente passando despercebida graças à sua natureza tranquila, apesar de sempre certificar-se de saber o que está acontecendo a todo momento. Pode andar de mãos dadas com ambos o caos e a ordem, sem qualquer tipo de escrúpulos, com um único pensamento em mente; sobrevivência.

    Físicas
É uma garota com uma figura esguia, e um olhar atento, perceptivo até demais. Sua beleza e aparência fazem com que seja subestimada frequentemente, mas o sorriso que está sempre presente no rosto denuncia-a para um observador bom o suficiente. Este possui diferentes significados e interpretações, o mais comum sendo um leve puxar de lábios, como se ela soubesse mais do que está deixando parecer - e, frequentemente, esse é o caso. O resultado acaba sendo uma expressão despreocupada que, combinada com uma voz quase que melódica, e uma postura por vezes desleixada, dá a ela a perfeita máscara para usar.


vcs me perdoem mas ikky n teve saco, nem imaginação pra fazer uma história bonitinha, viu?
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Re: Ficha de Reclamação para Deuses Menores

Mensagem por Kara Willians em Ter 02 Out 2018, 23:09


   
FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Perséfone. Escolhi a deusa por questões de personalidade e principalmente a trama da personagem, qual será de um grau mais sombrio e diferente do que sempre escrevo (minha última conta era de Afrodite e acho que agora seria uma boa hora de renovar um pouco e me desafiar).

   — Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

Físicas
Kara sempre foi magra e esguia, além de um pouco alta. Seu corpo não se adaptou muito bem a puberdade e agora, com 16 anos, enfrenta alguns problemas para se adaptar a rotina de treinamentos do acampamento. Medindo 1,70m, Kara se esforça ao máximo para recuperar seu peso regular. Suas longas madeixas escuras como a noite esconde quase sempre seu olhar desconfiado e semblante triste. Seus olhos se destacam nesta grande confusão, em uma tonalidade âmbar que chama a atenção de todos. Após adquirir sua liberdade do cativeiro, passou a vestir roupas confortáveis e características como vestidos floridos e longas camisetas em tons avermelhados.

Apesar disto a principal característica de Kara são seus óculos. Arredondado e feito de ferro, ele cobre suas bochechas e equilibra sua miopia não-diagnosticada até então.

Psicólogicas
Para Kara, a vida é uma dádiva.
Após quase uma vida toda em cativeiro, a semideusa desenvolveu uma série de problemas psicológicos que a assombram até hoje. Muito desconfiada, a garota evita ao máximo o contato com outros semelhantes com medo de perder sua maior conquista: a liberdade. Apesar de seus traumas e medos, ela aprendeu a conviver com todos e consegue controlá-los até certo ponto. Sempre fora uma sonhadora nata, com sonhos e esperanças para um futuro grandioso onde possa finalmente viver feliz e em paz. Agora no acampamento, visa encontrar com cautela seu destino.

   — História do Personagem:

 Desdém


Kara nunca havia entendido os motivos de sua existência.
A sala era fria e escura, seus pés tocavam o chão e seu corpo tremia. As feridas recentes eram como uma coleção de troféus grandiosa qual ela não se orgulhava. Sua pele estava manchada de sangue e suor devido aos cortes e queimaduras do último encontro com Seul. e isso a impedia de concentrar-se em um som que ecoava pelo longo corredor a sua frente. A única fonte de luz era uma grande abóbada no teto, cortando a escuridão do cômodo quase sem vida onde havia passado a maior parte de sua vida. Como havia parado ali? O que havia feito de ruim para o universo lhe punir com tamanha crueldade?

Sua dor diária não se comparava a vida que havia levado nos últimos anos. Desde que se lembra, Kara era escrava de seu pai. Seul era um homem doentio e sádico que nunca havia superado a perda de sua mulher. Um jovem misterioso e curioso, estudante de botânica em uma universidade renomada do estado havia conhecido uma bela jovem durante um comício de idéias e negócios com grande empresas. Ele havia contado a história milhares de vezes. “Como a puta da sua mãe destruiu a minha vida”, repetia enquanto preparava seus materiais tóxicos. Ela era uma investidora e o amor de sua vida, enquanto ele era apenas um brinquedo um tanto quanto curioso para aquele momento. O sexo era divino, quase enlouquecedor, ele se gabava. Incrível como apenas três dias foram o suficiente para que ela fizesse o que os deuses sabem fazer de melhor: desaparecer.

Seul estava desesperado e sedento por mais. Era como uma droga para seu corpo e coração. A deusa havia desaparecido e logo seus pilares começavam a se corromper. Primeiro foi sua mente; seu trabalho acadêmico foi um fracasso, nenhuma empresa lhe deu mérito e sequer atenção e com isso, a revolta tomou conta de seu segundo pilar; corpo. Ele destruiu todo o laboratório e trabalho de anos e logo depois, tentou o suicídio. Suplicava pelo amor de sua vida e estava agoniado. Engraçado como ele não era o único.

Quando estava quase desistindo, ele teve sua resposta. A deusa havia lhe encontrado bêbado na antiga mansão de seus pais já falecidos em Virgínia do Oeste. Ela não o reconhecia mais, infelizmente. O homem estava em seu limite, jogado no salão principal. Ele tentou implorar por dignidade a bela morena que finalmente havia retornado. Todos sabem que os deuses são imprevisíveis e nada confiáveis; a moça havia decidido lhe ajudar, mesmo sem abdicar de seu lado divino. Deuses, monstros, mitos e criaturas… como um reles mortal reagiria a grande quantidade de informações despejadas de uma única vez?

Seul não suportava e entendia simultaneamente tudo. Havia encontrado uma deusa e a transformará numa razão, uma motivação para sua vida e nada mais importava. A calmaria havia durado pouco tempo, infelizmente. A divindade trazia consigo não apenas o conhecimento do mundo olimpiano, mas também um presente. Grego. O rapaz estava disposto a qualquer coisa para participar do incrível mundo que havia conhecido, desde que estivesse ao lado de seu ídolo. Naquela noite, Kara havia sido entregue para Seul que novamente foi abandonado pela deusa que não podia fazer mais nada.

Sozinho e com um recém-nascido, Seul estava sozinho novamente. Aquele bebê foi o estopim para sua insanidade tomar conta. Ele poderia ter dado um fim, mas teve uma ideia melhor: criar uma nova divindade para adorar e estudar.

— ◘ —

Kara não gostava de lembrar-se desta história, pois ela era a vilã. O erro. O mal entendido. Era como se existir fosse errado, inadmissível. O que era a sua dor física comparada ao questionamento de toda sua existência por todos aqueles anos? Seul havia forçado a garota a diversos testes, estudos e principalmente experimentos. Ele havia exposto a garota as maiores adversidades possíveis — queimaduras, sensores, agrotóxicos — como uma forma de validar a descendência de sua prole. Os anos se passaram e a garota havia chegado ao seu limite: não tinha forças para se levantar e mesmo assim seu pai a forçava dia e noite. Ele precisava incitar a garota, a fim de despertar seu poder e usufruir deste. Neste fatídico dia, Kara teve a certeza que não tinha uma família e estava sozinha. Seu único desejo era morrer para dar um fim a aquele sofrimento.

Estava de volta em sua cela, machucada e cansada. Tentava ouvir novamente o som por trás da porta a distância, mas sem sucesso. Um estrondo quebrou o silêncio do local, seguido de um grande baque. A porta se abriu, revelando um senhor esguio e pálido. Ele vestia um longo jaleco esbranquiçado, calças escuras e tinha óculos grande. Seu cabelo era bagunçado, como o se tivesse acabado de acordar de uma tarde de sono mal dormida. Em seus braços estava um garoto que esperneava desesperadamente. Vestia roupas sujas e tentava grita contra o corpo de Seul. Ele o arremessou contra a parede, investindo com o pé contra seu rosto já machucado.

— Seu verme! Você vai apodrecer aqui dentro. Acho bom começar a me obedecer, ou ficará como aquela vadia ali. — disparou enquanto apontava para a cela de Kara.

Ela estremeceu, afastando-se e pressionando suas costas contra a parede gelada. Ele se aproximou lentamente enquanto pressionava os óculos contra o próprio rosto.

— Sua desgraçada! Quando eu voltar eu quero ver essas feridas fechadas, ou… ou… — Ele bateu contra o ferro, assustando a garota que começou a chorar — Vadiazinha… é como a tua mãe.

Ele respirou fundo antes de trancar a cela do novo refém, seguindo para fora dali em seguida. Kara tentava manter a calma, mas seus ferimentos pareciam arder ainda mais devido ao seu estado.

— Você… esta bem? — Sua voz era trêmula e fraca.

— Não… — Indagou o garoto, tossindo contra o chão. Seu semblante podia ser visto na penumbra.

— Ele logo vai voltar… Melhor fingir de morto.

— Cale a boca. — Resmungou entre tossidas secas.

— Eu avisei… Argh… — Kara pressionou o braço junto a seu corpo.

Ela sabia que aquele era mais um semideus. Seul havia decidido brincar com os deuses além de sua mãe. Divulgava secretamente a moradores de rua e principalmente crianças em troca de comida a sua localização, prometendo redenção e o aconchego dos deuses. Pobres crianças… caíam direto em sua armadilha diabólica e se tornavam cobaias de seu trabalho doentio. Ela havia ouvido suas reclamações por horas com seus informantes e já havia visto barbaridades com os primeiros que haviam passado por ali.
Kara tentou não pensar na quantidade de menores mortos por pura obsessão de seu pai enquanto o tempo passava. A chuva caía sobre o teto, gotejando sobre a terra suja onde estava deitada. Havia aprendido a cobrir seus ferimentos com terra umedecida para aliviar a dor. O garoto parecia incapacitado de alguma forma do outro lado do corredor e tentou chacoalhar as grades por um tempo, sem sucesso algum. Tentara conversar com ele uma, duas, três vezes e não obteve uma resposta decente. Era sempre um murmúrio ou xingamento.

Ele lembrava a garota do começo de seus dias presa naquele inferno. Quando ainda tinha uma dose de esperança de que sua mãe viria lhe salvar a qualquer momento. Patética e belo ao mesmo tempo. A temperatura caiu e Seul retornou em busca de uma cobaia. Abriu a porta e caminhou até a cela de Kara, abrindo a fechadura e a agarrando pelo braço.

— Você esta sempre suja! Tenha dó! — Ele a puxava com força, carregando-a com os dois braços.

— Me solta! Está me machucando…

— Você ainda não aprendeu, não é mesmo? — Ele a soltou e agaixou antes de continuar — você é meu maior tesouro neste buraco de casa. As crianças pararam de vir e eu sempre terei você. Agora vamos!


Ele a agarrou pelo cabelo, arrastando-a para fora da sala. O garotinho gritou por ajuda antes da porta se fechar, em vão, enquanto Kara era levada para mais uma sessão de tortura.


A cadeira era desconfortável e fria. Revestida em aço e repleta de ferragens soldadas a maçarico, seus pés estavam presos com amarras de cobre que deixavam sua pele marcada. Ela sentia o sangue novamente escorrer pelo braço esquerdo e um cheiro forte de samambaias invadia suas narinas. Era sempre o mesmo lugar: uma sala retangular comprida com luzes LED brancas espalhadas por entre mesas repletas de plantas. Ao fim da sala a cadeira de experimentos estava disposta. Era ali que seu pai a testava e forçava seu limite.

— Por favor colabore… — Seul se aproximava da garota, encarando fixamente seus olhos — Eu vou te matar. E você não quer morrer.

— Quero… — Fraquejou Kara.

— Basta! — Ele estapeou seu rosto, seguindo para a mesa mais próxima.

Kara realmente queria morrer. Cada segundo naquele lugar a tornava louca como seu progenitor e aquela não era a vida que desejava. Nunca desejou sequer ter nascido. Essa era a sua única vontade.

O que ela não esperava era o sucesso. Seu pai aproximou-se com uma pequena máscara de gás e naquele instante ele congelou. Seus olhos estavam abertos como nunca e o equipamento caiu contra o chão. Kara não sentia mais dor e sua cabeça parecia ter sido esvaziada momentaneamente. Seu corpo estremeceu e sua voz ganhou força enquanto o a energia pulsava sobre sua cabeça.

— A morte… Traz consigo a beleza… O vislumbre da escuridão é o ápice da desistência. Perséfone. — A última palavra ecoou por todo o ambiente, deixando seu pai boquiaberto.

— Eu consegui… finalmente…

— Eu não… Eu…

Toda a energia e força se esvaiu. Kara sentiu o pânico tomar conta novamente de si e estava fadada a fracassar mais uma vez. A esperança foi arrancada de sí mais uma vez e pior: era o motivo de sucesso de seu progenitor louco. Seu coração disparou e lágrimas rolaram de seus olhos. Seul levantou-se devagar enquanto ria em um tom perverso.

— Eu sabia que iria funcionar. Você é o meu maior sonho.

— Mãe… — Murmurou Kara, cabisbaixa — Ajude-me…

— Ela não pode te ouvir. Foram anos e você ainda não aprendeu que ela é uma vadia, como todos os outros? Sua fodida, eu nem acredito nisso! Venha aqui, hora do seu gás.

“Kara. Não desista. Abrace o seu destino e torne-se a sua própria esperança”

A voz suave ecoava na mente da garota que se contorceu com o primeiro toque do homem em seu corpo. Ela enrijeceu-se para frente, enquanto seus olhos tornaram-se negros. Assustado, Seul saltou para trás e fora surpreendido por uma de suas mesas. As plantas criaram vida própria, agarrando sua cintura e pernas com força. Kara tremia ainda amarrada à cadeira que começava criar raízes em seus pés. Sua força se esvaiu quando o homem se retorcia e gritava. As grossas raízes enrolaram-se em seu pescoço, enforcando-o brutalmente até a morte.

Assim que o corpo de seu pai parou de se mover, Kara desabou. Seu corpo havia retornado ao normal e suas feridas ardiam ainda mais. Era como se ela tivesse corrido por horas e horas, sem nenhum rumo. Com a visão turva, ela inclinou-se para frente, sem forças.

A filha de Perséfone estava livre de seu pesadelo. Ou era o que achava pelo menos.

LER:


A habilidade utilizada foi

Constrição I: O filho de Perséfone invoca raízes que brotam do chão. A princípio, elas enlaçam um inimigo até a cintura, impedindo-o de se movimentar por três rodadas.

Ao caso, ela só enforcou o pai de Kara devido a este estar em contato direto com o chão.

   
Percy Jackson RPG BR



   
Kara Willians
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Re: Ficha de Reclamação para Deuses Menores

Mensagem por Dionísio em Qua 03 Out 2018, 00:42




Avaliação —  Will M. Fortune


Ficha "OK!". Sem mais.


Resultado

Aceito como filho de Íris;
Sem recompensa.
Item de reclamação padrão.


Avaliação — Jessamine H. Julie


Ficha aceita. Estou curioso para ver como a personagem vai se portar na trama, que lado vai tomar, de acordo com a personalidade descrita.


Resultado

Aceita como filho de Hipnos;
Sem recompensa.
Item de reclamação padrão.

Avaliação —  Kara Willians


Kara, devo dizer que sua ficha foi a mais criativa que vi nos últimos tempos! Houve alguns erros de ortografia, e talvez a descrição psicológica pudesse ser um pouco mais detalhada, mas você passou porque foste muito criativa. Fiquei realmente interessado em ver sua personagem no RPG. Parabéns! Boa sorte.


Resultado

Aceita como filha de Perséfone;
Recompensa: 85 de xp.
Item de reclamação padrão.



ATUALIZADOS






Dionísio
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Re: Ficha de Reclamação para Deuses Menores

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