Ficha de Reclamação para Três Grandes

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Ficha de Reclamação para Três Grandes

Mensagem por Organização PJBR em Qua 12 Set 2018, 13:18


Ficha de Reclamação para Três Grandes


Esta ficha requer 70% de rendimento mínimo para ser aprovada e é avaliada de maneira muito rigorosa. Os Três Grandes — Zeus/Júpiter, rei dos deuses, deus do céu, trovão e relâmpago, deus da lei, ordem e justiça; Hades/Plutão, rei do mundo inferior e dos mortos; e Poseidon/Netuno, rei do mar, deus dos terremotos e dos cavalos — são os principais deuses e muito poderosos, portanto seus filhos devem se provar dignos.


Recompensa de reclamação


As fichas de reclamação valem, além da aprovação no grupo almejado, um rendimento de experiência de no máximo 100 xp para o jogador — caso este tenha apresentado ao menos uma dificuldade combativa na narração. O rendimento deve ser de acordo com a avaliação e só será bonificado caso o semideus tenha sido reclamado, portanto fichas rejeitadas não rendem nenhuma experiência.


Item de reclamação


Não existem mais itens de reclamação por progenitor, sendo o único presente a adaga a seguir:

{Half Blood} / Adaga Comum [Adaga simples feita de bronze sagrado, curta e de duplo corte. A lâmina possui 8cm de largura, afinando-se ligeiramente até o comprimento, que chega a 20cm. Não possui guarda de mão e o cabo é de madeira revestido com couro, para uma empunhadura mais confortável; acompanha bainha de couro simples.] {Madeira, couro e bronze sagrado} (Nível mínimo: 1) {Não controla nenhum elemento} [Recebimento: Item de Reclamação]


Teste


O teste possui enredo aberto. As poucas obrigações referem-se à ficha de reclamação: você deve responder as questões presentes nela como se fosse uma ficha comum. Além disso, há uma parte adicional: além da história, o semideus deve narrar a descoberta como filho de um dos 3 grandes em uma missão relacionada a esse progenitor. O rendimento da missão definirá a aceitação ou não do personagem no grupo desejado.

A ficha é composta de algumas perguntas e o campo para o perfil físico, psicológico e a história do personagem. Plágio não será tolerado e, ao ser detectado, acarretará um ban inicial de 3 dias + aviso, e reincidência acarretará em ban permanente. Plágio acarreta banimento por IP.

Aceitamos apenas histórias originais - então, ao usar um personagem criado para outro fórum não só não será reclamado como corre o risco de ser punido por plágio, caso não comprove autoria em 24h. Mesmo com a comprovação, a ficha não será aceita.

Fichas com nomes inadequados não serão avaliadas a menos que avisem já ter realizado o pedido de mudança através de uma observação na ficha. As regras de nickname constam nas regras gerais no fórum.




TEMPLATE PADRÃO:
Não serão aceitas fichas fora desde modelo

Código:
<center>
<a href="goo.gl/6qY3Sg"><div class="frankt1">FICHA DE RECLAMAÇÃO</div></a><div class="frank1"></div><div class="franktextim">[b]— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?[/b]

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[b]— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):[/b]

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[b]— História do Personagem:[/b]

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[b]— Missão de Reclamação:[/b]

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</div><div class="frank2"></div> <div class="frankt2">Percy Jackson RPG BR</div></center>


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Re: Ficha de Reclamação para Três Grandes

Mensagem por Leonard Crawford em Qui 27 Jun 2019, 03:08


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Zeus/Júpiter, foi a primeira opção e achei que as características e poderes seriam legais para o desenvolvimento do meu personagem, tanto psicologicamente como em batalha, como líder e guerreiro.

— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

Leonard possui olhos azulados de seu pai e cabelos castanhos claros de sua mãe. Sua face é de traços levemente quadrados e sobrancelhas marcantes, bem grossas. Além disso, Leonard possui um corpo levemente atlético e musculoso, apesar de não ser um atleta, tendo pouca gordura no corpo e bastante musculo para uma pessoa que não pratica musculação.

A personalidade de Leonard é um tanto quanto confusa, porém pode ser facilmente resumida como uma pessoa confiante e que demonstra autoridade em suas palavras. Apesar de ser uma pessoa um tanto quanto problemática, seu senso de justiça é bastante afiado e por ter nascido em um meio de difícil convivência, o jovem apresentou muitos problemas durante toda sua vida; principalmente por quebrar regras. Isso se dá ao fato do rapaz vislumbrar as coisas com outros olhos e entender a sociedade atual como uma forma de repressão aos mais frágeis e vê suas ações como um modo de se libertar de uma ditadura imposta. Entretanto, não gosta de injustiças e covardia, podendo ser bem agressivo quando posto em provações.

Como dito anteriormente, é um jovem bem confuso, podendo ser bem sério e bem humorado, dependendo da situação; mas geralmente está sério, apresentando certa dificuldade em criar ligações com as pessoas, devido sua dificuldade em aceitar conselhos e reconhecer onde errou, mesmo sabendo reconhecer quando erra.

— História do Personagem:

Leonard é filho único de uma mulher beirando os cinquenta anos de idade, porém não pôde viver com sua mãe durante todo seu desenvolvimento. Aos cinco anos, sua mãe foi diagnosticada com problemas psicológicos graves, relacionados a delírios e alucinações, oque a levou a ser internada em um hospital psiquiátrico. Leonard nunca soube ao certo oque havia ocorrido com ela, sendo obrigado a morar com seu único avô ainda vivo, já que seu pai nunca teria assumido a paternidade, dado os fatos contados pelo próprio avô.

O rapaz cresceu nos subúrbios de Nova Iorque num pequeno apartamento de dois quartos. Apesar de ser bem inteligente, o garoto nunca fora muito focado nos estudos e tinha um grande costume em matar aula; tendo uma relação muito conturbada com seu avô, dado o fato do velho não responder suas perguntas quanto a morte de sua mãe e, além disso, sofrer de um grave problema de alcoolismo, oque o levava a espancar o garoto de maneira indiscriminada. Desse modo, eles nunca foram muito próximos, tendo uma relação beirando a necessidade de convivência.

Tais fatos fizeram o rapaz buscar a independência o mais rápido possível, para assim, acabar por encontrar um emprego em uma lanchonete local onde o mesmo ganhava um misero salario, porém capaz de sustentar seu pequeno apartamento. Vivendo uma vida ainda simplória, porém mais pacifica, dos dezesseis aos vinte e dois anos.

— Missão de Reclamação:

A missão de reclamação de Leonard começou aos vinte e dois anos, com a morte natural de seu avô aos setenta e dois anos. O rapaz, apesar de não ter uma relação muito afetuosa com o velho, compareceu ao enterro um tanto quanto indiferente com a morte do mesmo e como único ente próximo foi até sua antiga casa para recolher as coisas antigas de seu avô. Sob a forte chuva daquela noite, ele adentrou o pequeno apartamento, subindo as escadas até o segundo andar, onde ficava o lugar. Suas intenções eram a de recolher as coisas deixadas pelo seu avô para então dar um jeito nelas posteriormente. Porém recolhendo-as, ele encontrou uma série de documentos de um hospital psiquiátrico com o nome de uma mulher de nome Mary Crawford, o mesmo sobrenome de Leonard. Intrigado e ao mesmo tempo confuso, já que isso nunca havia sido informado para ele de maneira correta, o rapaz folheou os documentos a procura de alguma informação, encontrando laudos médicos relacionados a transtornos psicológicos graves como psicose e alucinações graves. De acordo com o avô de Leonard, sua mãe havia morrido de câncer, quando ele havia apenas cinco anos, oque o deixou furioso naquele instante.

Porém as datas dos laudos eram datadas de anos atrás, oque fazia o rapaz se questionar a história, pelo fato das datas ainda sim não baterem cronologicamente. Entretanto, Leonard tinha em mãos o nome de sua mãe e o hospital psiquiátrico em que ela estava, tomando a decisão de ir até lá pesquisar sobre o assunto. Sob a chuva e agora sob os raios que caiam pela noite, Leonard seguiu até o hospital com o carro antigo de seu avô, chegando lá após alguns minutos de viagem. Com o seu documento em mãos, um tanto quanto impaciente e aborrecido, Leonard chegou até o hospital psiquiátrico pedindo para visitar a mulher de nome Mary Crawford, explicando que ela seria sua mãe biológica, pessoa da qual a muito tempo ele não via e que era importantíssimo vê-la naquele momento. A recepcionista relutante, barrou sua visita, dizendo para o mesmo voltar no dia posterior e no horário correto para isso. Porém o rapaz insistiu de maneira um tanto quanto autoritária, dizendo que o pai dela havia morrido e que ele tinha de avisa-la sobre a morte dele, sendo importantíssimo para que ele pudesse viajar no dia seguinte. A mulher acabou por cedendo, dada a história e até mesmo o susto que tomou com a maneira que o jovem reagiu; devido o histórico da paciente, não havia problemas, já que a mesma não apresentava problemas de agressividade.

O jovem subiu as escadas junto a uma enfermeira que o levou até um quarto numa ala médica para pessoas com esquizofrenia, uma boa parte delas conversando sozinhas, outras quietas e outras sendo atendidas individualmente. Em um quarto, quase no fim do corredor, estava Mary Crawford. A enfermeira abriu a porta do quarto deixando Leonard entrar, dando-lhe um aviso antes.
— Você tem apenas dez minutos. — Avisou ela, fechando a porta logo depois da entrada do mesmo. A mãe de Leonard estava sentada sobre a cama, com um livro em mãos e nem sequer levantou a cabeça ao ouvir a porta abrir. Leonard se aproximou devagar e tentou chamar sua atenção.
— Mary? — Queria chama-la de mãe, porém não sabia se podia fazer isso. A mulher levantou o rosto lentamente, olhando para a face do rapaz, imediatamente percebendo os olhos azuis inesquecíveis de seu filho.
— Leonard? — Levantou eufórica, com os braços abertos deu um forte abraço no jovem, já com as lagrimas escorrendo em sua face. Ela não precisava de resposta para a pergunta. Ela passou as mãos em seu cabelo, afastando seu rosto, mas não seu corpo.
— Você é tão lindo quanto seu pai. — Ela o elogiou, com um sorriso no rosto. Porém ele não sabia como reagir e acabou por desviar o olhar por um instante, em um sorriso envergonhado. Entretanto estava feliz em vê-la pela primeira vez depois de tanto tempo, mas sua mente continuava confusa depois de tanto tempo.
— Vamos, sente-se. Tem tanta coisa que quero perguntar, meu deus... — Dizia ela, se sentando na cama e puxando-o para lá. Sua empolgação era grande, porém Leonard tinha de ser rápido naquela noite e um raio a interrompeu.
— Ele sabe que você está aqui? — Perguntou, Mary. Leonard achou que ela se referia ao pai dela e a respondeu como pôde.
— Mary, seu pai morreu. — Disse ele, tentando conforta-la ao mesmo tempo. Porém ela não sentia mais nada pelo próprio pai, ele havia colocado ela naquele lugar por tanto tempo e havia a separado do próprio filho. Ela inclinou a cabeça como sinal de falta de entendimento, concluindo com detalhes.
— Estou falando do SEU pai. — Frisou a palavra "seu", procurando dar algum entendimento para Leonard. O rapaz afastou seu tronco alguns centímetros, colocando suas mãos sobre o joelho, além do susto, demonstrava claramente sua confusão.
— Como assim meu pai? Achei que ele estava morto. — Ele respondeu, fazendo sinal de negação com a cabeça e soltando um sorriso sem graça em seu rosto.
Sua mãe então levantou, dessa vez, colocando suas mãos sobre os ombros de Leonard. Ela em seguida andou até o outro lado da sala, pegando diversos desenhos e o entregou. Eram desenhos feitos a lápis de um homem barbudo, outros mostravam águias e raios; porém ele não pode entender muita coisa enquanto folheava os papeis; mas ela fez questão de explica-lo, mesmo que aquilo fosse o motivo de estar naquele lugar.
— Este é seu pai. Zeus, O Deus das Tempestades. — Disse ela, com um tom de serenidade que fora até mesmo assustador para Leonard. Nesse momento o rapaz realmente achou que sua mãe estava louca e que não poderia ajuda-la naquele estado. Ele apenas sorriu, ainda sem graça, e colocou as folhas sobre a cama, dando a ela um ultimo abraço. Ela tentou o repreende-lo, porém soube no momento em que ele se virou que ele não a ouviria.
— Aonde você vai? — Foram as ultimas palavras dela.
Leonard saiu da sala, desnorteado e ao mesmo tempo decepcionado. Todo esse tempo havia vivido uma mentira e quando finalmente pensou ter descoberto a verdade, a loucura havia estragado todo um momento. Porém não ligava para isso, sabia que sua mãe estava viva e isso era importante para ele.

Quando ele saiu do hospital psiquiátrico, um forte trovão ressoou no céu, fazendo-o olhar pra cima e recitar na sua própria cabeça. "Zeus." Ele se manteve sério, até que viu uma águia pousar sobre o carro antigo de seu avô, pra ele, uma simples coincidência. O rapaz tentou espantar o animal, porém o mesmo ao menos se moveu e em determinado momento começou a bicar o teto do carro.
— Mas que porr* — Praguejou, Leonard, colocando as mãos sobre o teto do carro. Ele adentrou o carro e o ligou em seguida, acelerando, na tentativa de fazer a águia sair do teto do carro. Funcionou, porém, a águia, apesar de poder voar muito mais alto, se conteve a voar alguns metros do carro como se quisesse guia-lo a algum lugar. Leonard então ficou intrigado com aquilo, não podia acreditar no que seus próprios olhos podiam ver. Ele então começou a seguir a águia, que por incrível que parecia naquele momento, fazia tudo que era possível para que isso ocorresse sem problemas; diminuindo a velocidade quando necessário e até mesmo parando quando ele precisava.

Após algumas horas de viagem, eles adentraram uma estrada de chão e apesar de Leonard começar a desconfiar dos sensos de direção do animal e do seu próprio senso de sanidade, ele ainda estava intrigado com o fato da águia manter tanta proximidade com o carro, ainda por cima, visivelmente incita-lo a segui-la.

No fim da estrada, a águia parou, como se esperasse o rapaz. Leonard saiu do carro, tentando decifrar aonde havia parado. Ele tentou se aproximar da ave, que voou mais adiante, se afastando dele. Ele sorriu ironicamente, sentindo sua paciência se esgotar devagar. De inicio aquilo apesar de loucura era apenas um passeio para o rapaz, mas agora beirava a insanidade. Ele então começou a caminhar junto a águia, até chegar numa espécie de acampamento, onde a águia pousou sobre uma placa com os escritos: Camp Half-Blood. Desconcertado, Leonardo olhou para a placa, juntamente para o animal, desacreditando aonde havia chegado. Por um momento desejou ser um sonho ou loucura de sua cabeça, porém no fundo, podia sentir uma conexão divina leva-lo até aquele local.
— Que lugar é esse? — Murmurou pra si mesmo, porém apenas uma resposta vinha a mente.
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Re: Ficha de Reclamação para Três Grandes

Mensagem por Maisie De Noir em Qui 27 Jun 2019, 03:53


Avaliação



Leonard Crawford — Aprovado


Olá, Leonard! Devo lhe dizer que adorei a sua ficha. Sua história foi bem escrita e cativante. Encontrei alguns erros pelo seu texto, mas em sua maioria pequenas palavras escritas errado como: "Leonard nunca soube ao certo oque havia ocorrido com ela[...]" onde o certo seria separado; sendo errinhos bobos. Algo que você pode melhorar um pouco nos seus textos futuros é o espaço entre os parágrafos, principalmente quando há diálogo. Fora isso, sua ficha foi exemplar. Parabéns!

Qualquer dúvida ou reclamação, não hesite em entrar em contato. Boa sorte!

XP: 135 de 150 possíveis.



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Re: Ficha de Reclamação para Três Grandes

Mensagem por Éolo em Qui 27 Jun 2019, 13:21



Atualizado

por Éolo


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Re: Ficha de Reclamação para Três Grandes

Mensagem por Ariel Hargraves em Dom 14 Jul 2019, 12:10


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado e por quê?

Escolhi Hades porque quero tentar fazer um personagem com poderes nesse estilo. Algo mais relacionado com o submundo e diretamente com o mundo grego. Também quero algo que reflita a personalidade dos semideuses dos três grandes, e Hades foi o que mais me interessou entre os três.

— Perfil da personagem:
psicológicas
A mente de Ariel é quase um redemoinho. Nunca está alinhada com nada. Seus pensamentos giram, giram e giram e não chegam a ponto algum. Isso é porque ele tem hiperatividade e nunca consegue ficar quieto ou se concentrar muito bem em alguma coisa. Aliada aos problemas comuns de um semideus — como a dislexia e o déficit de atenção —, faz com que ele demore muito mais do que o aceitável para ler em inglês, mas consegue decifrar escrituras gregas muito rápido. É isso que é seu forte: decifrar as coisas. Seu raciocínio lógico é bem desenvolvido e capaz de quebrar todo tipo de código. Talvez venha daí sua obsessão recente por puzzles ou cubos-mágicos.

Ele não é autoritário e nem nada do tipo. Não herdou muita coisa de Hades ou simplesmente passou tempo demais com a mãe — eles atuaram sempre juntos. Seu altruísmo — o de Ariel — já foi um tanto problemático. Ele arriscaria a vida por literalmente qualquer um, até por um grilo prestes a ser atropelado por um automóvel em alta velocidade enquanto atravessa uma rodovia perigosa. E pior de tudo: fazia isso impulsivamente. Agora, ainda tem algo disso, mas em uma escala consideravelmente menor. Ficou um tanto negativista, sem confiar muito em palavras doces. Era uma criança doce, inclusive, mas foi moldado a ferro quente pelo tempo.

Pode ser que tenha algum problema com limites, também… Ou, quem sabe, não tenha nenhum.


físicas
Ariel é um garoto comum. Ele tem cabelo marrom, olhos pretos, um rosto de pedestre e um corpo sem muitos músculos — é até um tanto magricela, mas a mãe meio que o obrigou a treinar um pouco, por isso consegue se passar por definido. Suas roupas são aparentemente as mesmas quase sempre. Jeans surrados, uma camiseta de banda ou uma cantora pop aleatória, um tênis da Vans ou da Adidas — não tem uma marca preferida, mas gosta muito do conforto dessas duas, e são relativamente mais fáceis de serem furtadas por causa da popularidade. Além disso, tem sempre algo pendente no pescoço. Não dispensa um acessório por ali.

— Missão de reclamação:

alguns anos atrás, quando ariel tinha seus onze anos

Hoje é um dos dias em que tudo parece dar errado. As gotas de chuva caem cada vez mais fortes e até doem um pouco quando encostam na pele com agressividade. Os cílios carregados de água ficam mais pesados e é difícil manter o foco durante uma corrida sem rumo. Para onde  vou?, repito várias e várias vezes, perdido entre os becos e as vielas nova-iorquinas. Por cima do ombro, consigo ver alguns vultos e ouvir grunhidos distantes, acompanhados de passos carregados de muita fome e raiva. É deles de quem fujo. Minhas pernas estão um pouco cansadas, querendo ceder e precisando de uma pausa para descanso. No entanto, o compasso em que o monstro se aproxima não me dá nenhuma brecha para esse luxo.

— Caramba… — exalo, baixinho.

— Não temos tempo pra isso, criança. Recomponha-se e continue. Estamos quase lá! — Pippa sussurra.

Pippa também pode ser chamada de mãe. Aliás, ela é minha mãe. Temos uma relação de mãe e filho um pouco menos convencional. Isso porque há muitas outras crianças e adolescentes sempre por perto, então temos de dosar um pouco as coisas, para que eu não pareça o favorito ou que recebo mais atenção. Confesso que gostaria de receber mais atenção às vezes, já que sou o filho de verdade, mas não faço nada a respeito. Compreendo que os outros precisam de uma presença familiar o mesmo quanto eu, e por isso não ajo possessivamente com Pippa. E, sempre que possível, por ser um pouco mais velho, tento dar um puxão de orelha ou outro para parecer mais maduro e fraternal. Há quem diga que ajo maduro demais para minha idade. Que bobagem.

— Sabe.. Se você fosse um pouco menos… — fecho os lábios para evitar atrito.

Sinto que, mesmo ocupada correndo de um monstro para não acabar devorada, Pippa me lança um olhar fuzilante. Tenho que parar com minhas sugestões impulsivas. São meio problemáticas e bastante inoportunas, reconheço. Isso porque nem terminei o que ia falar. Acho que nem devo. Afasto esses pensamentos distrativos da minha mente e retorno ao meu objetivo principal do momento: não tropeçar em nada.

Viemos até esse lado de Nova Iorque — deve ser o Bronx ou algo do tipo. Não faço a menor ideia, para ser mais exato — para resgatar uma garotinha em apuros. Acabou que estamos procurando por ela e ao mesmo tempo fugindo de um monstro que queria devorá-la e agora quer nos devorar também. É um tanto engraçado como Pippa acha as crianças do orfanato-móvel e como elas sempre são adotadas por cadeirantes ou homens de muleta — quando são. Isso é algo questionável, inclusive, mas ela deposita sempre bastante confiança em todos os pais adotivos, o que me conforta um pouco. Sei que ela não toma decisões erradas.

— Ali! — ela grita e aponta em uma direção.

Automaticamente, mudamos o rumo da nossa corrida. Atrás de uma pilha de lixo e alguns barris cheios dele também, uma garota de mais ou menos sete ou oito anos se encolhe para tentar se esconder. O cheiro é bem forte e quase me causa náuseas. Isso só não acontece porque tampo o nariz com a ponta dos dedos. Pippa me puxa e nós dois acabamos caídos no meio dos sacos. Deve ser quase uma tonelada de lixo, esparramado por um perímetro relativamente pequeno, o que faz com que o odor seja muito forte.

— Eeeeca! — sussurro, hesitante, quando sem querer encosto em algo molhado e melequento. Prefiro não descobrir de que se trata.

— Shhh!

No escuro da noite é menos fácil ver o quão bonita minha mãe é. Não que ela seja uma Giselle, mas é algo bem próximo. Seu cabelo é meio loiro, meio marrom, como se tivesse feito ombré-hair, mas ela nunca fez isso. Seu rosto é bem harmonioso e a pele bronzeada e brilhante. Ela carrega uma aljava recheada de flechas prateadas, mas não tem nada em mãos que possa utilizar para atirar.

Agradeço a sua ideia de descansar em cima do lixo, apesar dos apesares. Minhas pernas agradecem mesmo. Algo em mim me faz brincar com uma latinha que encontro na superfície das montanhas de entulho. Preciso de um pouco de distração. Fugir de um monstro é estressante. Pippa a tira de mim e joga para o outro lado do beco. Maluca! Não faça isso! Mas então eu me lembro que estava sendo perseguido por um gigante estranho há pouco. Ela faz isso para que ele vá na direção oposta. Consigo vê-lo tentar farejar algo e, com uma iluminação meia-fase, é possível ver o contorno do seu nariz torcer com o mau-cheiro do lixo também. Ele funga bem forte — é possível ouvir o ranho subir pelos canais nasais de longe — e segue um outro cheiro, talvez mais atrativo que o de resíduos, que vem da mesma direção de onde a latinha parou. A água da chuva faz um contorno brilhante no seu corpo cheio de esteroides até ele desaparecer em uma segunda viela estreita.

— Uau… Genial — brinco.

— Agradeça à essa pirralhinha pela brilhante ideia — Pippa diz.

Ela passa a mão embebida em chorume (sem perceber, eu acho) na cabeça da garotinha. Ela afasta Pippa e xinga em uma língua que parece espanhol, mas não sei dizer exatamente, porque só falo inglês.

— Acho que é a hora de irmos embora — minha mãe fala, e consigo notar uma quantia positiva de alívio na sua voz — Onde será que Mike foi parar com o meu arco?

Até me esqueço que ela usa um arco de vez em quando. Click. Algo estala em minha mente, e então uma onda de preocupação faz meu corpo inteiro tremer com um espasmo e um calafrio simultâneos. Mike! Mike! Sacudir Pippa não é suficiente para fazer que ela se lembre também, então tenho de gritar bem alto:

— Mike estava vindo por lá!

Todos nós começamos a correr na direção do gigante, até a garotinha recém-resgatada — ela, na verdade, corre arrastada. Tem de mexer as pernas o mais rápido que consegue para não acabar se machucando de verdade. Parece sempre estar murmurando algo mal-educado e ininteligível para qualquer pessoa além de ela mesma. Mesmo correndo, sou obrigado a revirar os olhos com seus menos de dez anos de ingratidão. Por favor, coopere! Você poderia ter sido fatiada e depois assada em um espeto improvisado!, é o que eu gostaria de falar, mas soaria rude e extremamente agressivo com uma criança. Por isso, prefiro ficar em silêncio e apenas comprimir os lábios em sinal de reprovação.

Quando entramos no outro beco, a cena não é surpreendente. Mike, um garoto de catorze anos, se contrapõe em uma parede, encurralado por um brutamontes de dois metros e com um moicano estiloso no topo da cabeça. Ele é um rapazinho mirrado, sempre veste uma regata não importa se faça frio ou calor. Por trás da barreira de músculos bem diante dos meus olhos, consigo vê-lo vibrar da cabeça aos pés de medo. Preciso fazer algo. Preciso fazer algo. O arco de Pippa está no chão, largado, bem aos pés do gigante, trazido por Mike até ali.

Não penso duas vezes e disparo na direção da arma. Não estava tão longe assim. As poças acabam alarmando minha chegada, eu acho. O gigante vira na minha direção, já com uma palma preparada para me acertar. Minha mãe grita lá atrás, também se perguntando de onde veio tanta impulsividade e burrice. É só assim que percebo que ele tem apenas um olho fumegante bem no meio da testa. Que estranho. É um ciclope? Tenho tempo somente de colocar a mão no arco e arremessá-lo para trás, esperançoso, sem poder pensar muito no único olho do monstro. Torço para ter adivinhado corretamente a posição que Pippa se situa. Foi uma troca dolorida. Sinto um baque forte me jogar no chão e me fazer deslizar pelo concreto úmido. Tudo começa a girar no sentido anti-horário.

Um zunido metálico corta o ar pouco tempo depois de alguma coisa mais acertar minhas costelas. Minha visão se encurta pelas laterais e tudo vai ficando mais escuro aos poucos. Algumas silhuetas aparecem na minha frente e, lá no fundo, algumas vozes conhecidas mas estranhas chamam pelo meu nome. Não consigo responder. Até tento, mas nada que possa ser compreendido escapa dos meus lábios. Uma nuvem de pó dourado cai lentamente no chão, bem na minha palma entreaberta e sem qualquer reação. Lá no fundo, borrado, mais duas sombras gigantescas aparecem. De repente, tudo fica preto.

***

Acho que estou sonhando. Para todos os lados que olho — ou tento, no meio da escuridão —, há pedras. Existe apenas um feixe luminoso em uma das paredes úmidas e, bem no meio da fresta, uma silhueta masculina alta. Eu me aproximo um pouco e sinto um calafrio percorrer a espinha, como um alerta para não chegar perto demais. Um pouco de fumaça ou talvez gelo seco, para parecer mais sombrio, escapa do mesmo buraco que alumia o ambiente.

— Ca-han — a parede fala (ou tosse).

Ou melhor: uma voz que vem da parede fala. Quase isso. Depois, parece que é a fumaça quem fala. Que confusão! Uns segundos são suficientes para um homem da mesma altura da sombra se materializar na minha frente. Ele tem os olhos fundos, pretos e penetrantes. Seu rosto não tem uma idade muito certeira, mas é provável que beire os quarenta — como indica sua voz, também. Sinto um calafrio quando ele se aproxima mais um pouco, o que se intensifica quando a misteriosa nuvem inebriante toca os meus pés.

— Como vai? — pergunta.

— É… B-bem? — a voz quase não sai, mas respondo.

— Ah, que bom que perguntou! Eu também estou ótimo, como pode ver — e é como seu sarcasmo me dê um soco no estômago. Tenho de aprender a ser mais educado.

— Ahnn… — até tento, mas nenhuma palavra completamente formatada escapa da minha boca.

Ele dá um sorriso quase simpático — seria, se a iluminação macabra não deixasse o gesto um tanto sombrio. Sua mão toca meu ombro e eu encolho um pouco o corpo com a intimidade que o homem misterioso acha que tem. Você não pode sair por aí encostando nas pessoas!, quase falo em voz alta. Ainda bem que perdi o controle das minhas cordas vocais.

— Você já está grandinho — ele emenda.

Não consigo dizer nada. Fico parado, o observando. É só um sonho, mesmo. Mas por que parece tão real?

— Acredito que deva estar se perguntando quem eu sou. Vamos lá: — ainda não soltou meu ombro. — Sou Hades — quem? — Un-hum. Hades, o deus grego, ex… Ou será que posso me chamar de Olimpiano? Aliás… Quem liga? — concordo! — Eu comando o submundo, o reino dos mortos. Mas, às vezes, dou uma escapadinha e acabo no seu mundo.

— Certo.

— E agora a parte mais importante e também mais complicada — finalmente solta meu ombro enquanto fala. — Por que isso tem de ser tão complicado? Eu sou um deus! fala mais baixo, mas consigo ouvir mesmo assim.

— Pode me levar de volta? Esse sonho está muito estranho — pergunto.

— Não — Hades vocifera austero e determinado. Não penso em fazer nenhuma pergunta além dessa depois da sua resposta extremamente clara. Sua voz ecoa pelo túnel vazio e frio.

Consigo ouvir vozes me chamando de fora da caverna. É como se meu corpo de verdade estivesse com muita vontade de acordar mas não pudesse, porque Hades me prende em um sonho esquisito. Dou um sorriso amarelo e recuo um passo, evitando ficar muito perto.

— Sabe, sua mãe foi uma pessoa muito especial para mim. Ela não é uma deusa, uma semideusa como você ou alguma coisa que derive da Grécia. Mas ela tem um dom muito, muito especial: Pippa consegue ver através da névoa. É por isso que ela enxergou esse monstro que te fez parar aqui. E é por isso, também, que anda com um arco. Nunca achou isso estranho? — Hades pergunta, mas suponho que não precise de nenhuma resposta no momento. — E isso foi o que me atraiu nela. Não tenho muitos filhos porque mortais são muito entediantes. Pippa é uma rara exceção. Tivemos um momento ou outro e, então, você nasceu.

Ele está dizendo que é meu pai. Certo, certo. Também me chamou de semideus. O que é isso?

— Tenho observado vocês dois. Especialmente você, na verdade. Temo que sua hora tenha chegado — torço para que a hora que ele menciona não seja a de morrer. Sou tão jovem! — É. Realmente.

— Minha hora? — não consigo me conter e pergunto, mesmo com os dedos trêmulos. Fecho os punhos para esconder isso.

— Hora de cumprir o seu destino, Ariel — engulo em seco quando Hades diz meu nome. — Se não entendeu ainda, você é um filho de Hades. Meu filho. E semideuses têm deveres que precisam ser cumpridos. Sinto muito que isso comece tão cedo, mas não posso mais ficar escondendo você de monstros porque seu cheiro fica cada vez mais forte com o passar dos anos. E, no final das contas, mesmo sendo interessante, Pippa é apenas uma mortal. Chegará um tempo em que ela não dará mais conta de tudo isso.

Filho de Hades. Meu filho. Pippa é apenas uma mortal.

Já não tenho nada para dizer. Minha mente se esvazia e nenhum pensamento surge.

— Agora volte. Conte à Pippa sobre mim. Ela saberá o que fazer. Sempre sabe. Acho isso incrível — um olhar nostálgico passa por seus olhos, mas ele logo afasta isso. — Que Perséfone nunca saiba sobre isso! — ele murmura para si mesmo, mas consigo ouvir de novo.

— Até mais — ele se despede, sorridente, quase orgulhoso do discurso que fez.

A névoa fica mais densa rapidamente e sobe até a altura da minha cabeça. Sinto que vou sufocar mas, subitamente, acordo.

***

Minha cabeça lateja um pouco. Não sei se pelo sonho ou por ter tomado um tapa de um ciclope. Ciclope? Meus olhos custam a abrir e, aos poucos, me integro ao que acontece pelo mundo real. Mike vacila para os lados, quase sendo golpeado por um dos dois outros ciclopes que apareceram. Eu estou um pouco longe, inclusive. Longe demais e tonto demais para poder ajudar em algo. Pippa prepara uma flecha no arco enquanto corre do outro gigante e a garotinha tira uma faca de serra de debaixo do moletom.

Não questiono muita coisa.

A menina, então, enfia sua faca serrilhada no tornozelo do ciclope que tenta devorar Mike. Ele grita bem alto, enquanto o outro explode em poeira, acertado por uma flecha no meio da testa. Depois, enrola a garotinha com seus dedos gigantescos e roliços. Ela exprime um quase-grito, exaurida e sendo esmagada pelo monstro. Não demora muito para que estoure em pó dourado também, sendo acertado pela exímia pontaria de Pippa exatamente na laringe. Apenas uma mortal.

Tento erguer a mão para comemorar, mas isso soa como um espasmo, somente. Não tenho muita força ainda. Permaneço deitado, tentando recuperar os sentidos pouco a pouco. Os outros se aproximam de mim ao notar que acordei — Pippa traz a garotinha chorando em seu colo.

— Ariel? Filho?

Filho de Hades,
completo.

Mike me levanta. Consigo, finalmente, ver tudo claramente, sem nada embaçando a visão. Reviro minha mente em busca das palavras corretas para empregar, como se fosse um tanto difícil pronunciar alguma coisa clara. Na primeira tentativa, é só um som estranho que sai da minha boca.

— Pippa, quem é Hades?


Ninguém parece entender muito bem, mas vejo Pippa franzir o cenho e aproximar as sobrancelhas, numa óbvia expressão tensa. Ela se aproxima um pouco mais e acalenta meu rosto com a mão livre depois de largar seu arco no chão. Um filete de sangue escapa da sua têmpora, mas ela não parece sentir dor, já que muda o rosto para um semblante tenro e compreensivo rapidamente.

— Temos muito o que conversar, Ariel.

Ela vira as costas e eu e Mike a seguimos. Não faço a menor ideia do que pensar agora, mas algumas coisas ficam vindo nos meus pensamentos, pulsando, precisando de respostas. Não questiono muita coisa. Acho que esse é o momento em que tenho uma conversa de pertinho com a minha mãe. Ela só não quer falar as coisas na frente das outras crianças, presumo. Semideus. Filho de Hades.


— História da personagem:
alguns anos atrás, quando ariel tinha seus quase doze anos
Pippa me contou tudo com muitos detalhes. Eu não entendi muito bem como tudo se desenrolou, mas acabei nascendo depois que o deus do submundo, Hades, conheceu minha mãe, Pippa. Ela é uma mortal extraordinária, segundo as palavras de Quíron, um centauro milenar. Consegue ver através da névoa, coisa que normalmente só semideuses, como eu, monstros, deuses e outras criaturas mágicas conseguem fazer.

— Tenho mesmo que ir? — pergunto, um tanto triste.

Com aqueles olhos de quem quer chorar mas está segurando para parecer mais forte, minha mãe passa a mão no meu rosto, tentando memorizar os meus traços, acho. Não precisa fingir, Pippa. Eu sei que você é forte. Pode chorar de vez em quando., queria falar, mas acontece exatamente o mesmo comigo. Sei que vou demorar vê-la novamente e também coloco a mão no seu rosto.

— Sim, você tem. É mais seguro lá. Quíron vai treiná-lo — ela assegura, arrumando meu cabelo. — Você vai ficar bem.

— Mas e você? Vai ficar bem, sozinha?

— Eu vou ficar bem, sim, meu Ariel. E eu nunca vou estar sozinha. Sabe disso.

A garotinha que havíamos resgatado no beco, que atende por Hazel, estava segurando no pulso de Pippa. Ela é bem simpática, no fim das contas, mas não consegue falar inglês muito bem. Ainda bem que mães como a minha existem, e eu não ligo de emprestá-la para outras crianças quando é necessário.

— Tudo bem, então.

Eu a abraço como se reunisse toda a força que já tive durante a vida nos braços. Ouço até seus ossos estalarem, mas continuo apertando. Minhas costas também doem um pouco, porque Pippa me aperta com a mesma intensidade. É uma dor boa, até. Tem uma pitada de saudade antes mesmo de eu fitar seu rosto pela última vez.

Entro no táxi e Pippa encosta a porta, acenando por fora do vidro. Na frente, Quíron pilota, de uma maneira muito misteriosa, que prefiro nem mesmo descobrir como. Apenas rezo para todos os deuses do mundo para que não acabemos batendo em um poste assim que ele fizer a primeira curva. O centauro acelera e minha mãe e Hazel ficam para trás, ainda acenando. Pippa sustenta um sorriso trêmulo e não demora muito para cobrir o rosto, escondendo o choro. Assim que percebo, desmorono também. Uma lágrima escorre pela bochecha, mas não tenho muito tempo para fraquejar, já que Quíron interrompe o silêncio constrangedor. Ainda bem!

— Sua mãe é muito especial. Você vai vê-la de novo, não se preocupe — ele me consola, e sinto confiança em suas palavras.

— Sim, ela é — concordo, e passo a observá-lo pelo espelho do motorista. Quíron, por outro lado, mantém os olhos focados no asfalto.

— Não é todo dia que um semideus como você aparece. Ela tomou a decisão correta, como tem feito há algum tempo. Talvez agora suas memórias desembaracem um pouco, acredito. Sua mãe tem feito uma missão espetacular no mundo mortal — e, então, reconheço sua voz. — Ela tem resgatado semideuses. Mantém outras crianças como você vivas. Se ficassem sozinhas, talvez acabassem desaparecidas para sempre.

Entendo o que ele diz. Os ciclopes que nos atacaram há dias atrás estavam sedentos por carne fresca, e nós parecíamos bem apetitosos para eles. Penso um pouco na voz de Quíron. Lá no fundo das memórias, consigo me lembrar do seu rosto, que vejo refletido no espelho. Ele é o homem de cadeira de rodas que sempre aparecia para adotar as crianças.

— E as outras crianças? Hazel, Mike? Por que não estão vindo comigo?


— Não chegou a hora ainda — ele me olha pelo mesmo espelho, e então viro a cabeça para a janela. — Não sabemos se são semideuses, na verdade, embora sua mãe palpite que sim. Os monstros vieram atrás de você, não de Mike ou Hazel. Acabaram encontrando a garota por causa do seu cheiro, e ela tem um dom como sua mãe. É estranho e deveria ser um pouco mais incomum, mas coisas estranhas tem acontecido o tempo todo ultimamente.

Por um instante, tinha até me esquecido que sou um semideus.

— Caso eles sejam... Bem, saberemos em breve, e por enquanto estão bem seguros com a sua mãe. Sabe disso tanto quanto eu. — ele retoma a fala.

Depois disso, um silêncio perdura no carro. Consigo ouvir o atrito do pneu no asfalto por um longo período de tempo, até que as edificações altas e cinzas dão espaço para uma paisagem verde e silvestre. Desato o cinto de segurança quando o carro estaciona em frente a um campo de morangos imenso. Quando fixo o olhar, um imenso arco ornamental de mármore aparece bem diante dos meus olhos. Lá atrás, algumas cabanas e umas construções bem diferentes.

No topo do arco, as figuras começam a se movimentar até que consigo lê-las sem dificuldade alguma. Acampamento Meio-Sangue.

— Seja bem vindo ao seu novo lar, Ariel — Quíron diz e caminha na direção do Acampamento. Eu não tenho outra alternativa se não acompanhá-lo.

Hora de cumprir seu destino. Tudo ainda é muito novo, mas nada é muito questionável. Um deus apareceu para mim em um sonho, dizendo que sou seu filho. Depois, centauro. Não tem como não acreditar no que dizem. Espero que o Acampamento seja legal, pelo menos.

ariel:
Bem. Eu optei por colocar fragmentos temporais em vez do texto corrido contando sem muitos detalhes sobre a história da personagem. Achei que se encaixaria melhor. Mas desde o momento em que a ficha se passa até agora, Ariel mudou um pouco, por isso a personalidade descrita dessa forma. Também optei pela reclamação tradicional: deus aparecendo no sonho e contando tudo, já que se trata de um dos maiores. Espero que tenha sido uma leitura legal.
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Ariel Hargraves
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Filhos de HadesAcampamento Meio-Sangue

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Re: Ficha de Reclamação para Três Grandes

Mensagem por Katherine J. Villeneuve em Dom 14 Jul 2019, 13:51


Avaliação



Ariel Hargraves — Aprovado


Puts, tua narrativa é incrível. Atingiu tudo o que precisava com maestria, você tem um vocabulário bacana e um personagem que cativa. Gostei muito da organização do seu texto e de como tudo foi apresentado. Parabéns!

Qualquer dúvida ou reclamação, não hesite em entrar em contato. Boa sorte!

XP: 150 de 150 possíveis.



Atualizado




Katherine J. Villeneuve
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Re: Ficha de Reclamação para Três Grandes

Mensagem por Emmanoelle Galbraith em Qua 24 Jul 2019, 11:38


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Poseidon. A princípio tive dificuldades, mas ao começar a moldar a personagem e ela começou a ter sua própria personalidade, percebi que como filha de Poseidon seria uma interessante evolução de poderes e caminho pessoal.
É claro que ser filha de um dos Grandes confere poderes interessantes, mas não quero seguir o caminho do herói de forma comum, pretendo dar uma pegada diferente com o que posso moldar sendo cria do deus dos mares.

— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

Emmanoelle Galbraith
15 anos; atualmente
Elena Galbraith, mãe; Aurora Galbraith, avó materna; Coco, dálmata, fêmea, 5 anos;

físico
De beleza ímpar, pele alva, seus cabelos são loiros e longos e emolduram seu rosto de feições marcantes, com olhos de um verde azulado – que estranhamente alteram-se entre os dois tons – são expressivos, as maçãs do rosto proeminentes, nariz alongado e lábios delineados.
Mede 159 cm, de aparência fluída e pequenina, mas possui considerável força nos membros superiores e seus ombros são estreitos com braços e pernas alongados.
Tem uma pequena cicatriz abaixo da sobrancelha direita que adquiriu após um acidente doméstico e outra na região do abdômen, causada por uma cirurgia de emergência.

psicológico
Sua personalidade é, no mínimo, genuína. Há o contraste de uma impetuosidade característica com gentileza e calmaria, aparenta-se muito com o mar. Não consegue esconder seus sentimentos, seu semblante sempre a entrega com carrancas – quando contrariada ou enfadada – ou sorrisos largos e brilho nos olhos.
Apesar de ser comunicativa (“língua afiada”, segundo sua avó), tem personalidade mais reservada, possuindo poucos amigos, que incluem sua mãe e avó. Demora um pouco a confiar nas pessoas, mas ao fazê-lo é fiel e proativa.
Pode ser um tanto presunçosa, às vezes, mas no fim revela até certa insegurança e por isso se reafirma. Por ser nova, pode apresentar algumas ações imaturas e a maioria de seus rompantes, quando age de maneira tempestiva, é dado a esse motivo.
Por baixo da aparência de durona, é uma menina doce e afável, gosta muito de animais – e qualquer pessoa que goste de animais, de uma forma ou outra, é uma boa pessoa – e o mar é sua maior paixão.

preferências
Nadar e brincar com Coco, fotografia, biologia, viajar com sua mãe (lugar preferido: Círculo Polar Ártico), cozinhar com sua avó (prato favorito: Lasanha), A Era do Gelo.


— História do Personagem:

INTRODUÇÃO
Emmanoelle Galbraith, é filha de Elena Galbraith, médica veterinária que estuda a vida marinha de forma ávida. Desde seu nascimento, Emma – como costuma ser chamada, viajou pelos mares com sua mãe a bordo do Rei dos Mares, um barco à vela.
Quando Emma fez 10 anos, sua mãe decidiu fixar morada e acabou aceitando emprego em um centro de vida marinha no Havaí, convidando para morar com elas sua própria mãe, Aurora, que veio de Nova York para ajudar a cuidar da neta.
As três moram em uma pequena casa de frente ao mar na ilha de Oahu.

DESENVOLVIMENTO
A história como semideusa de Emmanoelle começa muito cedo. Sua mãe não sabia de fato a origem do homem com quem se envolvera, apenas que ele era “um homem do mar”. Quando nasceu, recebeu uma visita inesperada dele que lhe deu conselhos em relação a segurança da filha, mas ela só foi entender poucos anos depois.
Aos dois anos, as duas foram atacadas, enquanto estavam de passagem por Miami. Sorte ou destino, Quíron e alguns semideuses estavam investigando o local e salvaram as duas, mas não sem as ferirem antes.  
Alguns anos depois aconteceu novamente, mas Elena já estava mais esperta e conseguiu escapar, porém, as duas acabaram caindo e Emmanoelle bateu a cabeça com força.
Foi aí que ela viu novamente o homem que amou, ele caminhou do mar segurando um tridente e tocou no rosto da filha, sem dizer uma palavra, voltou para o mar. Mais tarde Elena pesquisou na internet e em livros sobre mitologia grega e associou a imagem do Tridente ao deus dos mares. Poseidon.
Desde, então, a menina nunca mais tocou no assunto de monstros com a mãe, como se tivesse esquecido de tudo. As duas nunca paravam no mesmo local muito tempo, estavam sempre viajando em rotas calmas e distantes – não se afastando mais de dois dias do mar.
Depois de algum tempo, Elena percebeu que não acontecia mais nenhum incidente e decidiu dar um lar fixo para Emma, então se mudaram para o Havaí e permaneceram lá até Emma ter sido reclamada.
A dúvida de Aurora e Elena foi sanada, a menina era realmente semideusa.


— Missão de Reclamação:

meados de 2007, EUA, 8:00 am
Querida, você pode ficar quietinha enquanto a mamãe resolve isso, por favor? – Elena falou de forma carinhosa, mas firme com a filha que corria de um lado para o outro em sua frente segurando uma estrela-do-mar.

Emmanoelle tinha apenas 3 anos, mas era muito esperta e ativa. – Quero brincar, mamãe! – Respondeu a menina com sua voz cristalina e palavras enroladas, continuando a correr.

Elena Galbraith é médica veterinária, especialista em vida marinha com foco na superfamília Pinipedia – focas, morsas, elefantes-marinhos, leões-marinhos e lobos-marinhos. Viajava pelo mundo estudando e fazendo sua pesquisa, quando conheceu um homem e apaixonou-se, gerando Emma.

Ela não toca muito no assunto, nem mesmo com sua mãe, o período de gravidez foi complicado devido a ausência do pai e o trabalho que exige muito dela, mas tudo mudou quando o pequeno pacotinho loiro que corria a sua frente, Emma, nasceu.

As duas estavam em um porto nos Estados Unidos, a mulher entregava ao responsável do local toda a papelada para que seu barco ficasse ancorado por um tempo e assim as duas fossem visitar Aurora, mãe de Elena.

Emmanoelle continuou a correr com sua estrela-do-mar em pequenos círculos, enquanto sua mãe conversava brevemente. De repente, a água lhe chamou atenção e ela aproximou-se da beirada do píer, tentando tocar o mar, mas este estava distante demais daquela localização pela maré.

Quero nadar, mamãe! – Disse ela com uma careta ao não conseguir o feito de tocar a água – Agora! Agora! Agora!

Agora, não! Nós vamos ver a vovó, certo? – disse Elena fechando a bolsa e prestando atenção em sua filha.

Agora sim! – Reafirmou a menina batendo o pequenino pé no chão.

Agora, não, sua teimosinha! – Falou a mãe abaixando-a para pegá-la no colo.

Agora sim! – Disse de novo e com ênfase.

O mar atrás da garota, antes distante da borda do píer, agora estava próximo, quase tocando-lhes os pés, estava revolto e formando ondas que respingaram no rosto de Elena de forma violenta, mas não pareciam importunar a pequena. Ela olhou confusa para a água e depois para o rosto da filha que sorria e batia as mãos pequeninas na água que chegou até elas pelas ondas.

Quero ficar com a água, mamãe! – Falou Emma de forma enrolada. Sua mãe sorriu fracamente e carregou a menina, abraçando-a começou a andar na direção oposta.

As duas deram as costas para o píer, Elena olhou uma última vez para onde estavam e não avistou água alguma, tudo parecia silencioso e calmo. “Ele veio dar ‘oi’”, divagou ela e andou com mais firmeza para longe do mar, querendo colocar entre as duas e ele a maior distância possível.

meados de 2017, oceano pacífico, noite.
Você errou feio nessa saída, ein? – Comentou Emmanoelle saindo da escotilha e subindo para o convés. Sua mãe, Elena, olhava preocupada para o céu e para o mar que pareciam ficar a cada segundo mais revoltos.

Não estava na previsão do tempo ISSO! – Defendeu-se ela.

Nunca acredite em jornais, mocinha! – Disse Emma sarcástica.

A mãe revirou os olhos e jogou um salva-vidas em direção da adolescente – Use isso, se as coisas ficarem feias, já sabe!

A menina abriu a boca para falar, mas um trovão irrompeu o céu e fez estremecer todo o barco que agora rebatia-se para todos os lados com as ondas. Ela olhou preocupada para o horizonte, todos os lados estavam tenebrosos, então correu até onde a mãe estava e buscou a bússola, mas ela girava para todos os lados.

Isso quebrou? – Perguntou ela dando batidinhas com a mão e olhando novamente.

Bom... Não até agora! – Respondeu a mãe. Ela segurava o leme, mas o barco não parecia mais querer obedecer aos comandos da mesma.

E, então, a chuva desabou do céu com toda força, como se fosse um pedido dos trovões e relâmpagos que cortavam a noite e travavam uma luta com os mares que respondia a altura.

Aqui não é rota de ciclones e muito menos de tempestades... – Gritou Emmanoelle a sua mãe. As duas estavam com expressões impassíveis, mas começavam a temer a inesperada tormenta.

Emma, desça para a escotilha e fique lá! – Gritou a mãe quando o barco foi chacoalhado por uma onda enorme.

Nunca! – Gritou a menina em resposta, segurando-se ao mastro próximo – É mais perigoso! E eu não vou deixar você aqui sozinha!

- EMMANOELLE! – Gritou a mãe, mas ele foi abafado por um trovão.

O barco era chacoalhado pelas ondas e ele rangia pelo esforço, tentando atravessar o mar revolto. Emma tentava tirar o cabelo do rosto, enquanto a chuva castigava seus olhos e sua pele. Suas mãos tremiam e seu corpo parecia acompanhar o movimento.

Elena não enxergava com clareza, apenas pensava “Se algo der errado, a salve. Por favor, a salve! Por favor, a salve!”, enquanto tentava controlar a direção em que o barco era jogado.

De repente, um dos mastros rangeu alto e a corda escapou com tamanha violência que cortou o ar pesado da tempestade. Emma arfou de surpresa e se lançou em direção para tentar conter, mas sua mãe segurou-a. – Fique no leme, segure firme! – Ordenou e passou a direção. E há uma regra: quando o capitão lhe passa a direção, você sempre deve obedecer.

A loira segurou o leme com força, deixando proeminente os nós dos dedos, para tentar mantê-lo o mais estável possível. Observou com a última luz fraca da lanterna lateral sua mãe correr desequilibrada, segurando nas cordas, até chegar no mastro principal.

A vela estava caída e formava um bolsão que impulsionava o barco contrário ao movimento das outras. A corda estava no alto e para poder alcança-la era necessário subir até uma parte do mastro. A mãe era experiente e com um impulso, usando de estacadas subiu até o suficiente para alcançar a corda.

Emmanoelle olhava com espanto a mãe lutar contra a natureza e tentar subir. O barco sacodia com mais intensidade agora que a vela principal fazia um contrapeso, como se já não bastasse os ventos e o mar. E, então, esse momento durou um segundo.

O barco sacolejou fazendo uma curva perigosa, o pé de Elena escorregou, suas mãos não foram capazes de mantê-la estável e ela caiu, batendo a cabeça em uma das estacas, sendo jogada no mar.

Emma gritou, mas sua mãe afundara no mar violento e escuro. Não pensou em mais nada, seus olhos arregalados eram castigados pela chuva e seu coração martelava contra suas costelas. “Mamãe!”, ela pensou aturdida.

Nade, venha para o mar!” uma voz ecoou em sua mente. Apesar de suas mãos tremulas, ela arrancou o colete salva-vidas e pulou atrás da mãe na água, sem pensar duas vezes.

Ao tocar no mar gélido, ao invés de sentir frio e medo, sentiu-se acolhida e engolfada pela água. Não teve muito tempo de respirar e sabia que se demorasse muito iria perde-la.  

Nadava com destreza, mas tudo estava escuro demais e o pânico começou a tomar conta de seus pensamentos; implorava por ajuda e implorava que achasse sua mãe, enquanto seu corpo imergia no mar.

Por um milagre, reconheceu os cabelos loiros de Elena e nadou com o último fôlego que tinha, agarrando o braço da mulher, porém já não tinha mais forças, seu fôlego estava no fim e a superfície parecia tão distante.

Sentiu o desespero do ar no fim e piscou com força enquanto tentava nadar rumo a superfície, mas sua atenção se voltou como uma estranha sombra que parecia se aproximar delas. Ficou ainda mais desesperada, batendo os pés com o resto de energia que tinha, enquanto segurava a mãe pela cintura – que parecia pesar mais do que realmente – tentando se afastar da presença que se aproximava sem esforço.

Abandonou a empreitada quando o peso da mãe foi tamanho que ao invés de avançarem em direção a superfície, afundaram. Emma piscou com a cabeça já enuviada e deixou-se levar pelo mar, enquanto a sombra se revelava ser um... Homem? A última coisa que se lembra era de um par de olhos verdes, um tridente e o sentimento de segurança antes de desmaiar.

***

Acorde, Emma. Está na hora de voltar!”, uma voz ecoou urgente, despertando-a. Levou menos de um segundo para se dar conta de tudo, ela ainda estava na água e sua mãe permanecia em sua frente, desacordada.

Emmanoelle segurou-a com força e instintivamente usou toda a força para nadar e segundos depois, tirando forças de algum lugar, emergiram. Tudo ainda estava muito confuso, mas a mãe estava desacordada, com um corte profundo na testa e a menina não sabia quanto tempo estavam submersas.

Estranhamente, o mar estava calmo e não chovia, parecendo que toda aquela tempestade havia sido um sonho estranho e distante. O barco permanecia parado, boiando à deriva como a espera das duas.

A menina nadou com a mãe a tiracolo, ao chegar no barco uma corda com uma boia estava esperando perto da escada. Emmanoelle amarrou em sua mãe pelos ombros e cintura e subiu as escadas, chegando lá em cima usou o mastro para fazer uma manivela e puxou sua mãe.

Os minutos seguintes foram de medo, enquanto tentava acordar a mãe. Quando a mulher abriu os olhos, uma alegria exausta inundou a menina e ela caiu deitada de costas arfando pelo esforço, se sentindo tremendamente cansada.

Você pulou atrás de mim? – Perguntou Elena encarando a filha.

Sim! – Respondeu ela fracamente.

Você não deveria... – Começou com a expressão aterrorizada.

Você está viva, não está? – Disse Emma sentando-se e tirando o cabelo dos olhos – Você estava sem colete, provavelmente desacordada, após ter a ideia de ‘girico’ de subir em um mastro durante uma tempestade e se eu não pulasse você teria morrido. Eu nado bem, você sabe.

Eu sei, mas... – Retrucou.

Mas, nada! Você deveria me agradecer – Disse ofendida e continuou falando de forma mais branda enquanto ajudava a mãe que estava fraca a se levantar – Eu nado melhor e sou mais forte do que imagina... Apesar que acho que apaguei pela falta de oxigênio, até imaginei coisas, sabia? Um homem nadando até nós, ele segurava... sei lá... um tridente nas mãos.

Um homem? – Elena falou com a voz um tom mais agudo.

É, cada coisa né... – Falou a menina divertida – Já pensou? Um homem do nada aparece a salva a gente. Tipo: “Ah, estava nadando por aí e encontrei vocês duas quase morrendo... Decidi ajudar”. Oxigenação cerebral é importantíssimo, certeza que alguns neurônios meus entraram em hipóxia!

Emma, a gente precisa conversar!

meados de 2017, Nova York, 9:30 am
É O QUÊ? – disse Emmanoelle em sobressalto.

Sua mãe, avó e um homem recém-chegado em uma cadeira de rodas, que se chamava Quíron, olhavam-na com segurança.

Meio-sangue, Emmanoelle! – Repetiu o homem com a voz rouca e firme – É isso que você é! Filha de um deus e uma mortal, sangue divino e humano corre em suas veias. O melhor dos dois mundos ou o pior deles, aí é com você!

Gente, vocês estão bem? – Perguntou ela olhando para os três e testando a veracidade e sanidade de suas palavras – Querem que eu chame um médico?

Sem brincadeiras, filha! – Disse a avó repreendendo-a.

Ela realmente se parece com ele, Elena! – Falou Quíron divertido.

Você disse que meu pai era um oceanógrafo! – Falou Emmanoelle ofendida, como se o fato da profissão alterada fosse o maior dos seus problemas. “Um deus?”, tentava afastar o pensamento de sua cabeça.

Eu pensei que era! – Disse a mãe – Na verdade, até você nascer. Eu e seu pai ficamos juntos um ano, viajamos juntos e ele conhecia tanto e me ensinou tanto sobre o mar, até que um dia ele sumiu...

Deuses... – Quíron deu de ombros como se fosse esperado.

Logo depois, descobri estar grávida. Foi muito difícil no começo... – Elena suspirou – Mas, assim que você nasceu, tudo mudou. Ele apareceu na porta do hospital, pegou você no colo... Me disse que era especial e que corria perigo.

"Me aconselhou sempre a ficar no mar, que ele não podia te ver, mas iria sempre ajudar. Por isso demoramos tanto a nos estabelecer e quando aconteceu escolhi o Havaí por ser envolto ao mar."


"No começo eu não entendi o perigo, mas quando você tinha dois anos fomos atacadas por um tipo de monstro mitológico. Não é uma cicatriz de cirurgia de apêndice que você tem, você nunca sequer teve uma gripe, enquanto fugíamos fomos feridas e, ah.... Eu fiquei com tanto medo. Foi aí que conheci Quíron e entendi algumas coisas."

Salvamos sua mãe e você, depois prometi que ficaríamos de olho! – Quíron completou a história.

Aconteceu algumas vezes quando pequena, não sei mesmo como não se lembra! – disse a avó – Eu e Elena depois dos seus 10 anos até achamos que tudo havia acabado, que você não era... “isso”, que só foi um engano, mas...

Seu pai veio até você na semana passada! – Recordou a mãe.

Como assim? Que pai? Onde? – Perguntou ela confusa.

A tempestade, quando caí na água e você pulou para me salvar... Poseidon veio até você! – Falou Elena arriando os ombros como se estivesse aliviada.

Sua conexão com a água, Emmanoelle, sempre foi algo sugestivo, mas que não era confirmativo. – Trovejou Quíron com a mão na barba espessa – Eu sugeri a sua mãe que não a deixasse frequentar competições de natação na escola, seu tempo era inumanamente impossível. O que você achava ser metros, eram quilômetros; o que parecia segundos, eram minutos e você iria chamar atenção desnecessária.

O acontecimento da semana passada é só mais uma prova, uma menina de 12 anos não seria capaz de fazer o que fez.

É, mas eu tive ajuda... – Disse com a voz fraca, ainda dividida entre acreditar ou não.

Não foi apenas ajuda, Emmanoelle! Foi uma reclamação – informou Quíron – Mais como um teste de paternidade, na verdade. Ao aparecer aquele dia, ele não só reclamou diante a você como filha, mas perante o mundo todo. Inclusive, já está matriculada no acampamento.

Um silêncio mortal se estabeleceu no pequeno quarto de hotel, Emmanoelle olhava para suas mãos pousadas em seu colo em silêncio, enquanto os adultos a encaravam ansiosos.

É... Muito estranho! – Falou ela por fim.

Realmente! – Disse Quíron – Eu entendo, mas agora devemos ir para o Acampamento. Lá é o único lugar que estará a salvo, enquanto treina, pois após ser reclamada um alvo é colocado em suas costas e de sua família ainda mais.

Seus olhos correram para sua mãe assustados e ela foi até a cama abraçando-a. – Tudo bem, Emma! Vamos ficar bem! Eu já esperava que esse dia chegaria.

No caminho vocês podem conversar e vamos tirar todas as dúvidas que tiver, senhorita! – Ele sorriu para Emma e ela viu algo familiar nisso.

Ela estava realmente confusa, mas concordou. “Semideusa. Poseidon. Acampamento Meio-Sangue. ‘Sangue divino e humano corre em suas veias...’”.

CONSIDERAÇÕES:
A parte de desenvolvimento da história ficou corrida, pois como escrevi demais na Missão, queria dar uma ideia geral da história, mas mais compacta. Desculpem se ficou confuso -q juro que é legal.
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Re: Ficha de Reclamação para Três Grandes

Mensagem por 153 - ExStaff em Qua 24 Jul 2019, 22:01


Avaliação



Emmanoelle Galbraith — Aprovada


Você escreve maravilhosamente bem e de forma cativante. Adorei a forma como se dedicou em fazer a sua ficha, inclusive no perfil onde geralmente não dão muita atenção. Espero poder mais coisas suas. Parabéns!

Qualquer dúvida ou reclamação, não hesite em entrar em contato. Boa sorte!

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Re: Ficha de Reclamação para Três Grandes

Mensagem por Mia Leonheart em Sex 26 Jul 2019, 06:07


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Zeus. Estudando um pouco o seu casamento com a divindade Têmis, um evento que simboliza a própria concepção de poder absoluto se submetendo à justiça, a história da minha personagem trabalha com a sua concepção de justiça e a resistência à corrupção oriunda do poder. Esse poder pode ter muitas facetas, desde a forma mortal chamada de sistema jurídico, até o reino fantástico, onde mortais se submetem a seres onipotentes, caprichosos e orgulhosos, senhores do seu próprio ser e, portanto, intangíveis ao julgamento humano. Zeus se encaixa nessa história como a figura de poder máximo dentro do Olimpo, um parentesco divino que põe em cheque os ideais da personagem.

— Perfil do Personagem

Características Físicas

Apesar de sua pouca idade, Mia possui o corpo físico de uma mulher deslumbrante. Aos 17 anos, seu semblante é delicado e sutil, com linhas faciais que acentuam sua feminilidade e uma expressão suave, bem resolvida sobre si mesma, que costuma passar a impressão de que sabe exatamente onde está, o que quer e acima de tudo, qual o seu papel no mundo. Seu cabelo, composto por fios flavescentes e escurecidos pela linhagem sanguínea materna, caem através do rosto até findarem na altura dos ombros. Seus olhos azuis acinzentados, um contraste expressivo ao padrão castanho da família da mãe, são provavelmente uma das poucas características físicas que compartilha com o pai. A maquiagem facial percorre caminhos simplistas que acentuam sua postura como uma futura operadora do Direito, mantendo o traçado natural e meramente dando ênfase ao olhar analítico e profundo que costuma fazer mediante o desconhecido e o que lhe atrai os olhos.

Características Psicológicas

A característica marcante na delicada e complexa estrutura psicológica de Mia Leonheart é o seu senso de justiça. Filha de um casal de policiais, ela foi instruída desde muito cedo a respeito do papel da lei e da ordem na sociedade moderna, do papel do crime como uma forma de força antagônica e malévola que busca trazer o caos ao mundo. Sua mãe era o seu maior ícone; quando fardada, pouco se diferenciava de uma heroína. Essa aspiração por tornar-se semelhante a ela lhe aproximou ao longo dos anos do ramo jurídico, mas até o fatídico dia em que sua mãe foi acusada e julgada injustamente por um crime supostamente de autoria de outrem, seus olhos permaneciam fechados para a corrupção e as outras doenças sociais intrínsecas ao mundo que vivia. Esse impacto tornou a anteriormente calada Mia em uma mulher mais forte do que era, mas igualmente com mais dúvidas a respeito da "lei" que sempre defendera como correta e do sistema que julgava protagonista em um combate contra as forças do mal. Percebera que o mundo não era preto e branco, mas pincelado por tons cinzentos que tornavam impossível julgar perfeitamente um ato como bom ou maligno.

Por causa dessa frustração, sua confiança nas outras pessoas abalou-se gravemente, o bastante para demonstrar-se um tanto quanto agressiva em certos momentos, embora o espírito de justiça latente, ardendo em seu peito como lampejos de eletricidade, aos poucos tomasse forma mais tangível e expressiva em suas atitudes, não permanecendo calada diante de injustiças e causando problemas por empenhar-se sempre "do lado errado" da guerra. Ela também desenvolveu um estranho senso de humor em situações de risco, algo que costuma manter a sua sanidade mental a níveis controláveis e ajuda a evitar crises de pânico, em detrimento do ocorrido com sua mãe e o escape súbito para a América.

— História do Personagem:

Mia nasceu em Cambridge, leste da Inglaterra, filha de Isabelle Leonheart com um homem desconhecido. Oficial de policia e mãe solteira, Isabelle desdobrava-se como podia para que Mia crescesse como uma mulher correta e independente, ao passo em que suas noites dentro de uma viatura de policia eram sinuosas e incertas, uma amalgama entre altruísmo e insanidade, fazendo o seu nome como um membro imprescindível dentro da corporação. Como policial era imbatível, um nome temido dentro da esfera criminal, mas como mãe era frágil; enfrentava sérios problemas financeiros, vícios que lhe davam a falsa sensação de bem estar e a árdua tarefa de criar uma criança inteligente demais para que não fizesse perguntas.

Para Mia, sua mãe era uma heroína. Por muitas vezes descansava no sofá assistindo Pucca e deparava-se com a notícia urgente de que um Cartel fora desmascarado ou um sequestro foi desmanchado pela Oficial Leonheart. Aquilo estalava em seu peito com um ardor indescritível, uma mistura de orgulho e aspiração; desejava que um dia pudesse tornar-se como aquela mulher. Em casa, as perguntas pareciam simplesmente infindáveis. Você ficou com medo? Quantos deles você prendeu? Usou sua arma? Posso ser como você quando eu crescer? E como uma boa mãe, Isabelle lhe colocava a par de forma didática e bem explicada os vários casos de roubo, furto, sequestro e das investigações que costumava ouvir os peritos explicando dentro da central de policia.

Sozinha, Isabelle aos poucos aproximou-se do capitão de policia, Benjamin, e um namoro descompromissado pouco a pouco desenvolveu-se em um casamento duradouro. Benjamin não somente admirava a mulher que Isabelle era, como também mostrou-se um padrasto engajado em ajudar na criação de Mia. Para a menininha de nove anos, o homem era como um pai. Ensinava o dever de casa, contava tantas histórias quanto a própria mãe acerca dos casos da policia e acima de tudo, representava a figura paterna que por muito tempo esteve ausente naquele núcleo familiar. Com a adolescência sobreveio o amadurecimento e o caminho da heroína fardada aos poucos lapidou-se no sonho de tornar-se uma juíza da vara criminal.

Meses antes que completasse os dezesseis anos, os mundos que sempre caminharam lado a lado se chocaram e a vida de Mia pareceu desandar como um trem descarrilhando, tombando sobre os trilhos e trazendo o caos aos incontáveis vagões que compunham a sua estrutura. Em uma noite de inverno, enquanto dormia tranquilamente em seu quarto, fora despertada por um estrondo na porta da frente da casa. Passos pesados ecoavam através dos corredores da casa e um vozerio ensurdecedor pareceu acomodar-se dentro da residência Leonheart. A farda negra, outrora um signo de heroísmo para Mia, tornou-se o seu maior pesadelo. A policia civil estava em posse de um mandado de busca e apreensão à casa da atual Sargento Leonheart. Benjamin, Mia e Isabelle foram agrupados na sala e após vasculharem o sótão e os cômodos da casa, um par de policiais retornou com um estranho pacote da mesma proporção de um tijolo, retangular e selado por fitas brancas. Mia não precisava ser experiente no dialeto composto por códigos e números bizarros que a policia utilizava em campo para que compreendesse o que estava acontecendo: sua mãe fora pega em posse de uma quantidade anormal de drogas em sua residência.

Mia conhecia as normas de Direito o bastante para compreender que mediante os fatos, era inegável para qualquer juiz que sua mãe estivesse envolvida uma traficante de um esquema bem mais complexo do que meramente um punhado de drogas. Em poucos meses, o julgamento teve inicio e a mídia divulgava o caso da heroína caída, a mulher que vendera a sua reputação em prol do dinheiro. Mia não compreendia, quiçá não aceitava o injusto efeito dominó com que as coisas aconteciam. Ben usou de seu poder e influência para aliviar a pena de Isabelle, mas em dado momento precisou reservar-se ao papel do homem que nada sabia para que pudesse cuidar de Mia. A pedido de sua mãe, ele se  mudou com a jovem para Seattle, nos Estados Unidos, longe dos holofotes e certamente do julgamento que cairia sobre a filha de uma traficante. A sentença condenatória foi decretada poucos dias após a viagem.

— Missão de Reclamação:

Você ficou acordada até tarde outra vez, Mia? — Ben indagou. Suas cordas vocais eram especialmente hábeis em emitir vocábulos trovejantes, tão imponentes que ninguém ousaria duvidar de sua autoridade.

Não! — Mia respondeu de forma monossilábica. Ben franziu o cenho e a expressão suave transmutou-se em seriedade e descontentamento. Estava descalço, mas as passadas rápidas assemelhavam-se a marcha de um punhado de soldados de coturno. Subiu as escadas como se estivesse invadindo um covil de ladrões, mas parou diante da porta do quarto, completamente imóvel. Cordialmente deu três batidas na porta branca e lisa, pedindo permissão para que entrasse. Escutou o barulho que julgou como livros caindo da cama e em instantes, a trava que mantinha o quarto fechado se desativou.

O quarto de Mia consistia em um pequeno cômodo com espaço o suficiente para uma cama, um criado mudo e uma escrivaninha, todos abarrotados com papéis, fitas, muita cola e comida. Ben suspirou profundamente e encarou a jovem com um olhar de desapontamento.

A senhorita Diaz me encontrou na rua mais cedo e disse que a luz do seu quarto esteve acesa a madrugada inteira. — Revelou.

A senhorita Diaz está mentindo — Mia replicou, quase como se estivesse a milhas de distância daquela conversa. Descansava sobre uma cadeira, com ambas as pernas dobradas como se tivesse terminado de meditar com alguma técnica japonês bizarra. Uma blusa preta com o símbolo dos Yankees em amarelo e uma calça comprida cinza lhe acompanhavam naquele maremoto de livros, folhas e sujeira.

Estaria, sim, se a escola também não tivesse acabado de me ligar dizendo que você faltou por seis dias seguidos. Eu espero uma confissão, mas se for necessário um interrogatório...

Ela acomodou-se melhor na cadeira e colocou as mãos para o alto, em sinal de paz. —— Certo, culpada! Eu estava ocupada com algumas coisas e não pude ir pra escola.

Imagino que isso explique a luz acesa durante a noite. — Provocou, a espera de uma resposta.

Vem cá, eu te mostro. — Convidou, apoiando o braço destro na mesa enquanto o canhoto apontava em direção a parede, onde um punhado de jornais recortados, mapas e anotações pessoais descansavam, conectados por uma confusa rede composta por fita isolante. — Você disse que minha mãe estava investigando um esquema de venda de drogas quando foi presa, mas sua condição como marido te impediu de ir a fundo nas investigações dela. Bom, eu conheci uma pessoa que me apresentou a alguém que conseguiu entrar no sistema da policia de Cambridge e baixou todos os dados recolhidos pela minha mãe enquanto investigava. — Explicou. Ela parecia especialmente orgulhosa de si mesma pela conquista. Benjamin, por outro lado, não parecia nada alegre com aquilo.

Um amigo de um amigo, Mia? Isso é mesmo sério? Hackear o sistema de uma unidade de polícia estrangeira é crime! Onde você estava com a cabeça? — Sua voz estremeceu e a expressão descontente tornou-se uma fúria mansa, aos poucos se intensificando. —Se sua mãe soubesse disso...

Mas ela não sabe, ta legal? Ela está presa, acusada injustamente de um crime que eu sei que ela não cometeu. Eu preciso encontrar uma forma de provar que ela é inocente... — Mia bradou furiosamente, cerrando os punhos e encarando o padrasto com um olhar de descrença.

Haviam evidências, Mia. Você não pode negar a verdade.

Eu posso e farei isso, pode ter certeza. Você não entende, nunca entendeu. Em quase dois anos a unica coisa que fez foi discursar que é o momento de seguir em frente e esquecer a mamãe. Parece que esqueceu ela no momento em que foi presa! — Acusou-o, seu rosto queimando em fúria. Naquele momento, uma serpente elétrica rasgou o firmamento em um clarão resplandescente e se extinguiu tão ligeiro quanto havia nascido. — Minha vida desmoronou naquele dia, Ben. Eu não tenho rumo, não tenho planos, eu... só tenho isso. —— Sua expressão feroz foi suavizando, mas renasceu novamente em uma ultima frase. — Mas você não precisa entender isso. Você nunca foi família.

Mia... eu tenho sido paciente e compreensivo com você desde que nos mudamos pra América, mas autocontrole... é diferente de indiferença.  — Uma melancolia gélida pincelou a si mesma no rosto de Benjamin. Ele engoliu em seco, piscou um pouco mais que o habitual, como se estivesse aturdido com as palavras de Mia, e vagarosamente caminhou para fora do cômodo, dobrando a direita e entrando em seu próprio quarto. Mia arrependeu-se no instante em que a silhueta do homem desapareceu além da porta. Convencida de que escolhera palavras cruéis para com aquele que era agora a sua única família, pensou em ir atrás de Ben e desculpar-se, mas o toque do celular atraiu a sua atenção.

Seu contato desconhecido tinha notícias.

Mia, é você?
Alô, diga. Tem alguma novidade?
Bem, eu me dei ao luxo de analisar um pouco mais a fundo os dados que te enviei e... bem, eu descobri uma coisa.
Não está esperando um convite para vir até aqui me contar, certo? Diga logo.
Bem, aqueles caras que sua mãe estava investigando... parece que há um contato na América, algo sobre fecharem um negócio importante que pode crescer em algo bem maior do que Cambridge.
Isso é... se eu encontra-lo, estarei um passo mais próxima de descobrir a verdade.
O ponto de encontro é em Manhattan, te envio os detalhes sobre o contato e a localização por e-mail. Se não for nenhuma pegadinha, provavelmente se encontrarão em alguns dias, então sugiro que tenha pressa.
Eu estarei lá.

Uma possibilidade remota era a chama necessária para que Mia viajasse para o outro lado do país em busca de respostas. Arrogância e tolice exacerbada caminhavam de mãos dadas entre as sinapses neurais da garota; não tinha provas concretas a respeito do que fora informado pelo companheiro desconhecido, não detinha meios de retornar para Seattle após e nem mesmo tratava-se de uma informação capaz de virar o jogo no caso de sua mãe. Tratava-se de mera infantilidade, uma tentativa inocente de mostrar a si mesma e a Benjamin que estava fazendo algo por sua mãe, mesmo que colocasse a sua vida em risco para tanto.

Em poucos dias viajando, estava finalmente a porta de seu destino final, Nova York. As coordenadas GPS em seu e-mail serviram como bussola através de uma cidade infestada por vida, luzes e sons aparentemente infinitos. Levaram-na para sudeste, além da cidade, nas redondezas de uma zona portuária abarrotada de marinheiros. Era onde deveriam reunir-se, onde encontraria a verdade e o ponto zero para que finalmente pudesse provar a inocência de sua mãe. Mia permaneceu por ali até que o astro luminoso desfalecesse no céu e desse lugar ao zênite lunar. Pouco a pouco os empregados da companhia responsável pelo porto foram se espalhando, retornando aos seus lares e transformando o lugar outrora movimentado em um cemitério.

Devem estar perto, só pode... — Sussurrou para consigo mesma. Mia escondeu-se entre dois containers azulados, cuja proximidade tornava improvável que qualquer adulto se escondesse ali e formava um sombreado sobre a divisa. Seu corpo diminuto e esquivo permitiu-lhe, com uns poucos arranhões nos ombros e nas pernas, esgueirar-se e encolher-se no pequeno espaço, permanecendo em silêncio até que figuras desconhecidas assomaram-se da região em carros completamente escuros. Em questão de segundos, as gangues se reuniam no que lhe pareceu, a princípio, uma espécie de confraternização macabra, onde homens e mulheres armados até os dentes se cumprimentavam com beijos e abraços. Mia permitiu-se apertar mais um pouco para que escutasse melhor, com o intuito de estar a par do que planejavam com tudo aquilo, mas vontade nenhuma moldaria a realidade ao seu favor. Uma reunião de negócios não revelaria conspirações a respeito de uma policial de outro continente, era irracional que assim o fosse. Viajara para o outro lado do país, presenciara uma negociação que poderia tirar-lhe a vida se suspirasse um pouco mais alto e não tivera nenhuma resposta satisfatória a respeito do que procurava.

Naquele momento sua mente tomou um breve suspiro, reorganizou as ideias e permitiu-se construir um pensamento sólido e coerente sobre o que faria. Era chegado o momento de retornar ao seu lar em Seattle.

Mas sua imprudência era a chama para um circuito de eventos muito mais caótico e imprevisível do que pensara ser possível. Sua expressão facial murchou em pânico e a adrenalina fez arder cada centímetro do seu corpo quando o celular tocou, a sinfonia Helium, a mais conhecida daquele modelo. Assustados, os meliantes sacaram suas armas e dispararam contra os containers, que embora robustos o suficiente para que aguentassem os disparos de algumas poucas pistolas e não fossem capazes de atingir a imprudente garota, mostraram-se úteis o suficiente para que em um surto de ligeireza e temor, a menina se despachasse dali com a maior pressa e urgência com que poderia fazer seus músculos trabalharem. A mente apenas concentrava-se em correr, desviar de obstáculos pelo caminho e dobrar em ruas completamente desconhecidas.

Não sabia onde estava, tampouco para onde iria em uma cidade desconhecida. Seus ouvidos pareciam surdos a quaisquer coisas que não fossem o som dos passos ao seu encalço e as balas zunindo ferozmente pelo ar. Felizmente, estavam distantes demais para que fossem de fato uma ameaça real, o que de certo significava que era uma jovem muito afortunada, ou talvez o destino estivesse apenas construindo o cenário para algo muito, muito pior.

Completamente exausta, Mia se curvou um pouco e apoiou as mãos nos joelhos, respirando com dificuldade e sentindo o suor frio escorrer através da testa, passando pelo rosto e perdendo-se no asfalto. O órgão mais importante do corpo, responsável por bombear sangue através de inúmeros vasos sanguíneos, parecia a beira de um colapso tamanha era a responsabilidade atribuída a ele pelos demais órgãos. Se estivesse em casa, desabaria na cama e dormiria por talvez um ou dois dias, mas estava longe, bem longe de casa. Foi quando uma voz familiar surpreendeu-lhe:

Eu não queria ter que fazer isso, Mia. Você deveria ter morrido com os traficantes, sabia? Tudo seria tão fácil...

A Leonheart aos poucos virou-se para trás, avistando uma silhueta disforme, envolta em um manto cinzento, cheio de fuligem. — Essa voz... você é a pessoa que me ajudou... — Sua expressão assutada desmanchou-se em descrença. Fora manipulada tão habilmente que estava do outro lado do país, distante de casa, em busca de uma informação que só parecia certa de se obter porque estava cega demais em sua busca por justiça. — Você... quem é você?

Não se faça se sonsa, semideusa, você sabe muito bem o que eu sou! — O rapaz vociferou, impondo uma palavra desconhecida sobre a jovem. Semideusa. Se bem conhecia a mitologia, tratavam-se dos filhos nascidos entre um ser divino e um mortal. Talvez estivesse delirando, tão incerta do que deveria fazer e tão desesperada que sua mente começara a lhe pregar as mais atípicas peças. Não estava louca, talvez só... cansada.

Você não é real! — Declarou, sem nem mesmo um pingo de convicção em suas palavras.

O rapaz removeu o seu manto com um movimento violento dos braços, rasgando o tecido em lascas inúteis, mas quando a menina reparou-lhe diretamente, inúmeras penas enfeitavam os seus braços, quase como se fosse um pássaro. Pouco estudara a respeito dos limites do delírio humano na escola, mas o medo, somado a adrenalina bombardeando suas sinapses neurais a cada instante, foram suficientes para que não ousasse questionar mais. — Seu pai tem muitos filhos, mas certamente sentirá a morte de um deles! — A criatura garantiu-lhe com tanta convicção que a menina pouco construiu pensamentos a respeito de como um pássaro humanóide conhecia Benjamin. Ela simplesmente correu.

Seus passos guiaram-na para além da cidade, deixando para trás o cinza das ruas por uma miríade de tons que caminhavam do verde ao amarelo, do púrpura ao azulado. A floresta pouco a pouco tornou-se mais densa, escura e abarrotada por sons animalescos da fauna local, mas de alguma forma a menina mostrou-se minimamente hábil o suficiente para que não tropeçasse tantas vezes quanto o necessário para que fosse pega, se ralando e arranhando através dos galhos, mas permanecendo em fuga. — Já chega! Eu nem sei o que é você! — Ela berrou furiosa, sem esperar que seus sentimentos de confusão fossem o combustível para uma súbita virada naquela contenda. Chispas elétricas saltaram de suas mãos como se estas fossem geradores elétricos, reunindo-se na forma de uma espiral energética e partindo como um pequeno turbilhão ao encalço da monstruosidade alada.

A eletricidade era particularmente frágil, lenta e inofensiva, mas ainda era energia e, em contato com a flora e o oxigênio, deu origem a uma reação de combustão, um incêndio de pequenas proporções que aos poucos germinava em algo maior, mais perigoso e mais incontrolável. A criatura já não ostentava da mesma liberdade para voar livremente em ataque uma vez que a floresta ardia em chamas, mas suas tentativas apenas causava-lhes queimaduras que diminuíam a sua velocidade e em contrapartida ampliavam a cólera. — Eu disse para ir embora! — Mia ordenou, incerta de como deveria proceder naquela situação, mas compreendendo que permanecer ali por muito tempo lhe faria perder a consciência, afinal o fogo já se alastrara por pouco mais de 3 metros e seus passos para trás logo seriam bloqueados por alguma árvore grande ou emaranhados de cipós no caminho. Foi naquele momento desesperador que uma seta dilacerou o vento e zuniu através das chamas, acertando em cheio a testa da criatura, que aos poucos desfez-se até não sobrar nada. As chamas permaneceram queimando, consumindo a gramínea mais próxima, mas no ápice do quão louco tudo aquilo parecia, podia jurar que árvores humanoides trataram de apagar as chamas.

Sua mente estava fragilizada pelo choque de tantas coisas e o corpo ansiava por um descanso, mas a consciência permanecera intacta. Não estava em condições de questionar a criatura metade homem e metade cavalo que lhe salvara com uma arma pouco moderna e por isso, limitou-se a assentir com a cabeça como se a conhecesse. Aos trotes o híbrido aproximou-se de Mia, fitando o seu semblante acabado.

Você, semideusa, o que aconteceu aqui? — Questionou.

Uma pessoa pássaro me perseguiu, joguei um raio nela e você apareceu, trotando e atirando flechas. Eu vim aqui por respostas sobre a minha mãe, mas parece que me envolvi com algo ainda mais problemático, não é? — Ela questionou. Sua cabeça parecia prestes a entrar em colapso, mas os instintos permaneciam em alerta, como se sua psique fosse construída para suportar o combate.  

Você... atirou um raio? Bem, minha jovem, temo que sim, você se meteu em algo muito mais sério. A harpia parecia especialmente interessada em você e duvido que seja mais uma vítima qualquer.

Você pode me ajudar a voltar para Seattle? Tudo isso... eu não deveria estar aqui, preciso voltar pro meu pai. —— Mia pediu, embora soubesse que fosse impossível.

—— Você sabe demais e não tem treinamento, temo que deveria vir comigo para um lugar mais... amistoso de se ter essa conversa do que a floresta.

—— Bom, não é como se eu tivesse escolha, você nem é humano.

—— Isso é óbvio, minha querida. Sou um centauro do Acampamento Meio-Sangue. A verdadeira descoberta aqui é que talvez você não seja humana. Temo que o rei do Olimpo tenha tomado outra mortal como amante.

E sem muito pestanejar, centauro e semideusa galgaram floresta sinuosa a dentro, perdendo-se na escuridão e findando em uma alta colina, de onde era possível enxergar enormes casebres de madeira, campos de morangos e mais além, uma espécie de lago. Benjamin jamais lhe perdoaria por aquilo.

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Re: Ficha de Reclamação para Três Grandes

Mensagem por Zéfiro em Sex 26 Jul 2019, 11:13


Avaliação



Mia Leonheard — Aprovada


Sua história foi incrivelmente interessante, me prendendo do início ao fim, o que para mim é o mais importante. Sua escrita e impecável e leve, tornando-a nada cansativa. A história foi bem explicada e não deixou pontos vagos. Só achei dois erros tão pequenos que não vão valer descontos. O primeiro sobre travessões duplos, um errinho sobre digitação. E essa frase:

”Mia Leonheard” escreveu:... era inegável para qualquer juiz que sua mãe estivesse envolvida uma traficante de um esquema bem mais complexo do que meramente um punhado de drogas.

A frase ficou um pouco confusa, mas nada que prejudicasse o nível do seu texto.

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Re: Ficha de Reclamação para Três Grandes

Mensagem por Zack Dwytter em Qui 15 Ago 2019, 16:23


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Zeus. Em 2016, já era filho do deus no fórum, mas em minha ausência retiraram. O personagem que quero desenvolver se envolve na trama do progenitor, sua ascensão e seu deslocamento como herdeiro do olimpiano.

— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

Zack sempre se colocou acima dos outros. Apesar da infância e história não reveladas ainda, a sua juventude o redirecionou numa gama competitiva de corridas ilegais em becos e até mesmo no próprio Centro de Nova Iorque, onde ficou conhecido por sua habilidade no drift e rápida troca de marcha. Um competidor que nunca perdeu, psicologicamente, é dotado do ego e da soberania parentaria, nunca “levando desaforo para casa” ou se deixando rebaixar, já que se considera o mais alto numa hierarquia imaginária.

Em quesito de aparência, o semideus tem tudo para se chamar de padrão. Alto, cabelo loiro bem cortado e arrepiado, olhos azuis tão penetrantes que colocam medo em qualquer indivíduo mortal, porte físico atlético e bronzeado, adotando todas as características do pai, Zeus. De qualquer modo, nunca abandonou os amigos, e é bem severo no quesito de fidelidade. Sendo um líder, sabe usar a hora certa e ser punho firme suficiente para decidir o que é melhor para o grupo. Também estratégico, mas humano, se preocupa na segurança de cada indivíduo a que convive, como uma família.

— História do Personagem:

Na Instalação Correcional de Auburn, ser detento de uma penitenciária não significa apenas fazer aliados ou treinar ao ar livre, como vemos nos filmes. Lá, os presos precisam pagar para obter todos os seus direitos: desde dormir deitado e beber água até evitar surras. Acredita-se que, para sobreviver em condições de calma mínima, é necessário pagar em torno de 300 dólares por mês.

Todo esse dinheiro era redistribuído entre as gangues. E elas se responsabilizam por apartar os guardas com grande parte da renda, comércio e produção de drogas, resoluções mercenárias e diversos outros que nem mesmo eu, o narrador, posso citar.

O sistema de facções dentro da cadeia funcionava em funções. A mais alta liderava, com alto poder representativo no exterior, enquanto as baixas, divididas entre roubo/violência/inteligência eram chefiadas por seus serviçais em troca de maços de cigarro e algumas drogas não tão pesadas como maconha.

Quando se entra em Auburn, obrigatoriamente você é designado para uma das três. Caso você seja um fodido que deu sorte, é selecionado para a da liderança. Essas ocasiões só acontecem se faltar gente na camarilha superior, coisa que nunca sucedia. Nunca ninguém chegou a não aceitar o sistema imposto pelos mais perigosos bandidos do país. Todos queriam uma vida fácil e sem procedentes dentro do xadrez.

Esse fato não se aplica a Zack Dwytter, a nova putinha de Auburn. Quando o selecionaram para a sessão de inteligência, encarregados da produção de drogas e mapeamento do reformatório, um não bastou para avacalhá-los. Seus olhos tão azuis quanto os relâmpagos no céu penetravam qualquer mortal como se estivesse pronto para fatiá-los, e ninguém ousava, dentro das quatro paredes, submetê-lo, nem mesmo os policiais.

- Hora do almoço, seus vermes!

A voz do Policial SaintHarmon retumbou dos megafones e as celas foram abertas. Em sua cela particular, por causa do período judicial ainda alarmante – em decisão se Dwytter era ou não culpado de extorsão de veículos importados, o loiro acobertado pelo macacão laranja atravessou os corredores junto da meia centena de marmanjos até o reformatório.

Nas mesas, também havia a divisão de facções. Ninguém da liderança se sentava com a da violência, seus seguranças, e ninguém da violência se sentava com os do roubo, simpatizados por sua habilidade de furtar o depósito dos guardas e compartilhar informações sobre segurança e objetos “de valor”.

Zack estava inserido no canto ao lado da lixeira, sentado com as pernas estendidas. Avaliava cada um dos detentos, todos cochichando sobre uma ação de fuga do chefe da liderança, B-Ray, e seus dois companheiros, T-Dog e Emmet. Soube a partir de Ryan e B.O.B, dois palermas da sessão da violência que erraram o buraco do recipiente e quase acertaram os restos da carne podre do refeitório em seu cabelo, por dias não lavado.

Na verdade, a repugnância de Zack não o afetava, mas sim a dos outros. Ser um sem facção representava quase a mesma coisa que ser um estuprador. Estar exposto era um medo que carregava dia após dia. Por isso, dispensava os banhos, onde provavelmente seria surrado e cercado. Os outros lugares eram todos monitorados por câmeras entre suas paredes de cimento não pintadas e policiais fardados com walkie-talkies nos ombros para quaisquer ocasiões. O papel de segurança máxima bem ocupado.

Depois do almoço, o cronograma apontava o horário livre na quadra de basquete ao ar livre, toda desfigurada. As linhas que demarcavam o garrafão e os limites eram todas empoeiradas pelas pedras não eliminadas, sem grama, e o terreno não fértil. O calor não era pior que o ar, tão abafado que se tornava difícil de respirar. O horizonte tremia por conta da temperatura, se alguém tentasse observar mais de dez metros em diante.

O relógio bateu e todos os detentos foram empurrados para a saída do reformatório, descendo o segundo e o primeiro andar até o campo aberto. Novamente, Zack estava sozinho, sempre provocado por falas soltas e esbarrões, muitos dizendo que B-Ray seria encarregado da sua morte, já que não respeitou sua autoridade a partir que negou participar do sistema de camarilhas.

O interesse sobre sair da prisão era gritante. A resposta judicial seria promulgada em três meses, e após quatro dias dentro de Auburn Dwytter sentiu que não sobreviveria sequer duas semanas. Não conseguiria sozinho. Precisava falar com os chefes da liderança.

Entre alguns passos tortos por causa do desgaste e má alimentação, finalmente atingiu a arquibancada. A primeira fileira estava totalmente dominada pelos membros da liderança, e não levou nem quinze segundos para todos cercarem Zack.

Estava rodeado por onze homicidas de pele escura e porte alto, como grandes armários de corte de cabelo afro e mangas arreganhadas. O espaço encurtado dificultou mais ainda a respiração do loiro de um metro e oitenta e cinco, e lá de cima da arquibancada estava B-Ray, um negro barrigudo com a dentadura destacada por outro na barba rala, muito parecido com o quadro do 50 Cent.

- Primeiro você ridiculariza minha autoridade negando o sistema de facções, blú, depois aparece aqui como se nada tivesse acontecido? Porra, blú! Levem ele daqui! Eu quero esse merda, blú, na minha cela em cinco minutos, blú!

No meio de toda aquela gritaria anunciada pelo líder, se perguntou o motivo de tantos “blú”, e mordeu a língua para não dar risada. Zack perambulou os olhos azuis entre a multidão para ver se mais alguém também estava segurando a gargalhada, mas não encontrou ninguém. Não era a hora de bancar o engraçado, por mais que fosse abusivamente cômico a deficiência fonoaudióloga do maioral. Teve os braços agarrados e imobilizados, sendo arrastado violentamente.

- Espera! Eu posso ajudar! Eu posso! Eu soube que você está tentando fugir de Auburn. Eu tenho informações!

E todos congelaram por um instante quando Zack citou a fuga de Auburn, um assunto extremamente delicado por lá. O chefão soltou um sorriso torto e desceu um degrau da arquibancada, mandando liberarem os braços do rebelde e o deixarem falar.

- Eu sou piloto. Quando estavam me guiando até a entrada, ouvi um dos supervisores do portão da Ala Sul dizer que vão entregar os suprimentos pela madrugada de amanhã, mais ou menos às seis da manhã, por um caminhão.

Interessado, B-Ray curvou a barriga farta para frente e se destacou entre seus capangas, que brevemente desfizeram a roda e deixaram ambos conversarem frente a frente.

- E o que mais, blú?

- Vai ter que me deixar participar para saber mais.

- Me encontre, blú, na cela às nove horas. T-Dog e Emmet, venham comigo, blú.

B-Ray deu uma última encarada no novato de Auburn, como se quisesse mata-lo por ter sido desafiado na frente de todos mais uma vez. O latino-americano, T-Dog, foi na frente, coberto até as canelas de tatuagens. Já Emmet, um branco de cabelo raspado, muito parecido com um nazi skinhead, foi atrás.

Ao esgotar o tempo de ficar ao ar livre, Zack esperou em sua cela até dar a hora, marcada de tudo o que precisava para sobreviver: um edredom, um colchão velho, um travesseiro duro e uma privada, fora as revistas pornográficas que os policiais bondosamente entregavam, quase todas as páginas grudadas de porra, que o loiro nem ousava tocar.

Quando o horário bateu no relógio com o ponteiro menor marcado no nove, Zack foi o primeiro a chegar à gaiola de B-Ray, maior que as demais, sem contar com seus dois capangas. O toque de recolher é determinado para as dez horas, até lá todas as portas ficavam abertas para visitas diversas.

- Soube que você competiu com um milionário e foi preso.

A voz aguda de Emmet, o skinhead, assumiu aquele ambiente. Zack só fez concordar, sem querer relembrar o passado naquele momento importante. Em seguida, apareceram Polly Dee, inteligência, DeShawn, segurança, Marco e Aguiar, ambos os latinos da facção do roubo. Finalmente D-Ray iniciou a reunião.

- Como informado por Zack, acontecerá um carregamento amanhã, blú. O portão ficará disponível na Ala Sul, que não é tão monitorada, blú, durante uns trinta minutos, como sempre. Temos duas viaturas, blú. Zack abrirá o caminho no primeiro e DeShawn seguirá no segundo, blú.

- Quem irá no segundo carro?

A pergunta veio de Polly Dee, da inteligência. Ele era um misto de cientista maluco com dreads, óculos de hippie e pele morena. Seus espasmos musculares frequentes apontavam uso constante de cocaína e heroína, consequentes pela falta de uso. Materiais assim eram difíceis de conseguir.

- Estamos em oito pessoas, blú. Zack, T-Dog, Emmet e eu ficaremos no primeiro carro, blú. No segundo, DeShawn, Marco, Aguiar e você, blú.

Todos ficaram quietos após a resposta, esperando que o grande e gordo B-Ray continuasse a planejar as ações.

- O caminhão de entregas chegará as seis, blú. Cinco e quarenta e cinco nós sairemos das celas para chegar seis e quinze no estacionamento, blú. Seis e quinze porque é o tempo dos guardas descarregarem as caixas e se ocuparem dentro do edifício.

- E como faremos para sair das celas?

- Calma, porra, blú! É por partes, abestalhado! Polly Dee conseguirá o acesso para o sistema elétrico de Auburn e abrirá nossas celas, blú. O guarda que se encarrega do corredor recebeu uma boa quantia do lucro passado, blú, para ficar de bico calado, blú.

- E se nos localizarem?

A pergunta agora veio de Marco, acompanhado do parceiro Aguiar, ambos de cabelo raspado e bigode. Os dois ostentavam tatuagens de uma caveira cruzada por espadas no pescoço, parrudos.

- Eu faço o blackout. Toda rede de iluminação de Auburn será cortada. Ficarei monitorando as redes de segurança pelas câmeras até todos saírem. Estão com o “olho de Deus”, amigos.

Polly Dee sorriu com todos os seus dentes amarelados, fazendo um sinal de paz e amor nas mãos. B-Ray se sentiu tão orgulhoso que travou por um momento, tomando um susto, pulando e prosseguindo, voltando a andar de cá para lá na cela.

- DeShawn, fora o papel de segundo motorista, cumprirá a segurança, assim como Marco e Aguiar, blú. Nos encontraremos todos lá, blú, e Zack comandará o caminho, blú. Prove que sabe fazer alguma coisa além de me desrespeitar, moleque.

Zack assentiu e permaneceu de braços cruzados, pensativo. B-Ray, Emmet e T-Dog mandaram todos saírem, ao passo em que o líder puxava uma maleta preta debaixo da cama, aberta, com todas as cédulas verdes ostentando milhares e milhares de dólares contrabandeados dentro e fora de Auburn.

- O que está olhando, blú? Vai embora, porra!

Dwytter se fingiu de desentendido e chamou Polly Dee, DeShawn, Marco e Aguiar para a sua cela particular, menor que a do chefão da camarilha da liderança. Faltavam exatos dez minutos para o toque de recolher.

- Ouçam bem, já que não temos muito tempo. No final disso tudo, B-Ray, Emmet e T-Dog sairão com o dinheiro que eu sei que vocês também viram. Provavelmente, apenas B-Ray, se ele não matar os dois. Em alguma parte do plano, vamos se separar, quando cada um cumprir seu papel como “peça”. E quando acontecer, seremos abatidos.

- Como tem tanta certeza? Eu vou me mandar! Eles não vão conseguir me ver.

A palavra veio de DeShawn, maior que todos os outros membros da equipe. Portava duas tatuagens no antebraço, uma dizendo “Lucy” e outra “DeLary”. Zack as indicou com o queixo, observando tudo ao seu redor, o talento em liderança e convencimento à tona.

- Acredito que sejam seus filhos. Nunca conseguirá dormir sabendo que tem alguém atrás de você. Eu sei bem como é isso. B-Ray não está sozinho. Para chegar até o lugar que ele chegou, ele teve que fazer amigos dentro e fora de Auburn. E eles não rejeitariam uma ordem dele.

- Estou com você.

Polly Dee foi o primeiro a concordar, e os outros fizeram o mesmo depois de três minutos. O toque de recolher foi anunciado por uma sirene, e todos os detentos se encaminharam até suas celas, para uma boa noite de sono.

O céu ainda estava escuro quando a equipe acordou. Um tranco na porta foi o suficiente para eles despertarem, a luz vermelha do cadeado eletrônico passou para a verde anunciando o progresso do papel do hippie da inteligência.

Zack arrumou o macacão laranja e saiu da cela, olhando pelo lado dos corredores e se reunindo até a cela de B-Ray silenciosamente. Cada passo, um suspiro. Cada suspiro, uma batida rápida no coração. Se fosse pego, sua pena seria aumentada e toda a chance de “boa conduta” seria eliminada do contrato.

Todos os prisioneiros estavam lá, sendo Dwytter o último a chegar. Comandados pelo gordo afro americano, a trupe rastejou entre o piso até encontrar o primeiro andar, montado por pilares e colunas de cimento, onde nos cantos a lanterna de cerca de cinco guardas rodeava o local.

Por cada virada do segurança do flanco esquerdo, mudavam de pilar. DeShawn, Marco e Aguiar estavam na frente, como grandes barreiras. Já B-Ray em seguida, coordenando o avanço. Zack estava muito bem acompanhado de T-Dog e Emmet, que não paravam de vigiá-lo.

Assim que atingiram o corredor para descer ao térreo, separados por um portão de ferro, uma voz alarmou os missionários num frio na espinha, como se estivessem perdidos. Quando olharam por cima dos ombros, lá estavam três policiais armados até os dentes de metralhadoras.

- Vocês! Parados!

E Dwytter sentiu o coração bombardear o peito de tanta palpitação. Suando frio, nenhuma palavra foi proferida pelo bando, todos tentando raciocinar o que estava acabando de acontecer. Todo o esforço, plano, confraternização forçada, jogados pelos ares por um descuido.

No que o trio de policiais andou na direção da equipe para algemá-los, o portão de ferro controlado na sala de gestão desceu e os esmagou, uma ação feita pelo cê-dê-efe do Polly Dee, encolhido atrás dos monitores que televisionavam através das câmeras. As armas pararam do outro lado, longe do alcance da equipe, pela infelicidade de cada um.

- O que estão esperando, blú? Vamos!

Chegaram finalmente ao estacionamento. A escuridão era apenas iluminada pela torre de vigilância, o farol percorrendo de um lado para o outro num ritmo ridiculamente devagar. O portão estava aberto e todos os guardas dentro do refeitório, descarregando os suprimentos. Duas viaturas estavam bem estacionadas, e Zack não tardou para entrar.

- Nós iremos para o leste e vocês irão para o oeste. Não vamos nos encontrar mais depois da fuga, blú.

No banco da frente, consigo, estava B-Ray. No traseiro, seus dois capangas. Polly Dee estava no outro carro com DeShawn, Marco e Aguiar. Depois de conectar ambos os fios vermelhos abaixo do painel do volante, e orientar para o segundo motorista fazer o mesmo, a ligação direta funcionou. Engatou a marcha e deu ré, sem cantar pneu até a saída dos portões. Ninguém sentiu falta.

B-Ray mandou estacionar o carro em uma floresta, para fazer uma ligação, após a saída de Auburn ter sido concluída. Quando Zack saiu, foi abordado por T-Dog pelas costas, abraçado e imobilizado. Trincou os dentes e falou como se já soubesse, afobado. Emmet demorou um tempo para revelar o que estava fazendo, terminando de amarrar o soco inglês nos nós dos punhos.

- Você achou mesmo que eu ia te deixar livre depois da merda que você fez, blú? Ninguém desafia B-Ray! B-Ray é o rei! Agora os meus companheiros irão te matar, blú.

Antes que Emmet concluísse o primeiro murro, o farol do segundo carro apareceu embelezando a cena. DeShawn, Marco, Polly Dee e Aguiar saíram, confiscando T-Dog das costas de Zack e abatendo Emmet com uma coronhada. Desesperado, B-Ray caiu de cócoras no chão, estapeando o ar e clamando por piedade, coisa que não foi concedida por Aguiar, o primeiro a pisotear seu rosto.

Depois de todo o sangue ser espalhado, lá estavam os cinco se encarando, com uma expressão vitoriosa e de cansaço. Na mão de B-Ray, a maleta cheia de dinheiro. Era outro caminho a se enfrentar.

- Podem dividir o dinheiro entre vocês. Eu não quero. Só vou precisar do carro.

Concordaram sem fazer birra, afinal, eram criminosos. Quanto menos gente para dividir, melhor. E tinha muito dinheiro para ser repartido. Zack assumiu o volante, se despediu, e engatou novamente a ré. Polly Dee acenou e gritou, um sorriso fanático no rosto.

- Para onde você vai?

- Atrás do homem que me colocou aqui.

— Missão de Reclamação:

Quando Zack fugiu da cadeia, a única coisa viável a se fazer era: fugir. E passou fugindo de tudo ao longo desse período de libertação. A cadeia da Califórnia o trouxe pesares, mas, ao mesmo tempo, benefícios. Sabia lidar com tudo no mundo – pelo menos, era o que pensava, até ser atacado por Górgonas num penhasco três meses atrás. Já estava ciente da sua descendência divina, e também dos monstros mitológicos que se conflitavam apenas para arrancar um pedaço do loiro de olhos azuis. Não entendia o motivo de tantos virem. Uma delas disse que o sangue dele era “sagrado”, “mais apetitoso que os outros”, “mais nutritivo”, e outros adjetivos que você consiga imaginar. Mas, depois de matar e atropelar dezenas, estava gritantemente cansado.

- Vá visitar o seu pai, Zeke. Vá ao Olimpo.

Foi a última coisa que ouviu de uma Mensagem de Íris, dotada na sua dimensão de um centauro de nome Quíron e dezenas de campistas espiando sua gravação-comunicativa divina. Depois de explicar todo o ocorrido e os motivos para o ex-presidiário fugitivo, não restavam mais dúvidas. Era um semideus. E precisava cumprir aquela meta, caso quisesse que revelassem a localização do tal Acampamento Meio-Sangue e sua barreira impenetrável. A oportunidade de nunca mais ter que fugir, nem dos perigos mortais, pegou Dwytter de maneira apreensiva: o que jamais pensou em negar a oferta.

Com o endereço dado ao Empire State Building e seu andar absurdamente alto, que acreditou não existir, manobrou o carro pela 5° Avenida e turbinou os motores em direção de um dos prédios mais altos do mundo.

Estacionou entre as ruas 33° e 34° Oeste e abandonou o muscle car preto e decorado, desocupando o assento. Fechou a porta com delicadeza, dando as costas para o veículo arranhado e quase inteiramente destruído. Quando pensou finalmente chegar, escutou o ganido esganiçado de uma criatura, a qual não tardou de mergulhar do céu e ataca-lo com as suas poderosas garras afiadas.

Grande parte da jaqueta de motoqueiro de couro de Zack havia sido destroçada, e parte da sua coluna também, de cima até a cintura rasgados. O sangue banhou o asfalto, onde o provável filho de Zeus estava largado, tossindo para suportar a perda de energia agravante. A harpia pousou seus pés de galinha no cimento seco, e se aproximou do loiro desfalecido.

De supetão, para a infelicidade da harpia, uma projeção banhou o topo da cabeça de Zack de uma aura exclamativa. A aparição de um raio por entre seus fios loiros indicava soberania e poder, anunciando realmente o proclamado por Quíron: era uma cria perdida de Zeus. Uma adaga dourada se materializou na mão de Dwytter, como um presente repentino, e ele não demorou para cravá-la na carne da barriga da criatura, atravessando-a conforme uma propagação de energia elétrica atiçava os dois corpos numa rajada desprezível.

Quando o monstro submundano desapareceu, Zack cambaleou até o interior do salão de entrada do Empire State Building, o sangramento minimizado. A espada que girava na mão direita ao lado da cintura não parecia assustar os humanos lá presentes, que provavelmente estavam enfeitiçados pelo agente da névoa. Dwytter, ainda com o raio no alto da cabeça, sequer precisou barganhar o porteiro, que automaticamente abriu o elevador – com o símbolo de Ômega num dos botões, o mais alto, o qual apertou.

Num estopim, o elevador subiu e um choque estremeceu o para-raios do Empire State, anunciando a chegada. A modelação de mármore logo na entrada escalava numa escada até o topo do salão imperial, composto de diversos tronos alinhados e desocupados, exceto o central, a qual uma figura gigante e barbuda estava esperando.

- Não temos muito tempo.

- Pai?

- Você conseguirá sua vingança assim que me ajudar. Hera não está contente por eu ter estabelecido aquele acordo com Hades e Poseidon sobre quebrar a regra de gerar filhos legalmente uma única vez, tornando você, Zeke Drewetty e Zane Dywetter crias dos Três Grandes oficiais. O propósito disso tudo você ainda irá descobrir, já que uma grande ameaça se aproxima. Vocês deverão deixar as diferenças e competições de lado para se unir, e então salvar o Olimpo e a Terra mais uma vez da ameaça de um monstro inigualável.

- Mas, mas...

- Eu sei que é muita informação, mas me ocorreu da mesma forma quando soube, na minha origem, que meu pai, Cronos, havia tentado me devorar, e que já tinha concluído sua digestão dos meus irmãos. Eu aprendi, treinei e voltei para combatê-lo. Você é meu herdeiro, Zack, apesar de por enquanto ser o mais fraco dos meus. Cumpra as tarefas que Hera determinou, sobreviva, e reúna seus primos. Eles estão passando pelo mesmo treinamento, mas você... foi o primeiro a saber, provavelmente.

- Quem são eles? Me dê a localização!

- Não, por enquanto ainda não me foi relatado pelo Oráculo. Siga o destino, Zack. Ele nunca erra. Agora você precisa ir.

Numa batida do raio mestre, Zack desapareceu e foi enviado para uma Colina completamente diferente, no pé de uma árvore gigantesca. Ao aguardo, Quíron já mantinha o cajado amadeirado na mão, montando um meio sorriso torto:

- Seja bem-vindo ao Acampamento Meio-Sangue, filho do deus dos deuses.
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Re: Ficha de Reclamação para Três Grandes

Mensagem por Éolo em Dom 18 Ago 2019, 14:57

Zack, sua Ficha de Reclamação foi ignorada já que não faz sentido você recuperar tanto o Progenitor quanto níveis usando o Homecoming e querer usar a ficha de Reclamação para ganhar XP. Há diversas atividades para isso bem como missões então te convido a participar delas.


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Re: Ficha de Reclamação para Três Grandes

Mensagem por Guilherme Vidar Bouwknech em Seg 09 Set 2019, 17:58


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Escolhi Zeus pois é um deus que eu sempre tive uma grande vontade de ser filho, porém, a dificuldade atribuída em alguns RPGs sempre acabou me fazendo desistir antes que eu conseguisse de fato adentrar esse grupo. Fora isso, sempre tive uma grande paixão pelos poderes de Zeus envolvendo eletricidade. Também valorizo nesse deus a liderança, influência e também o respeito que atribuem a ele, sendo essas características que eu também quero para o personagem em questão.

— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

Características Físicas:

Hunter possui olhos verdes, cabelo levemente loiro na tonalidade um pouco escura, sobrancelhas curtas e com pouca quantidade de pelos. Possui rosto comum, porém levemente atraente, queixo redondinho e rosto levemente quadrado. Seu porte físico é musculoso e atlético, não há nenhum sinal de cicatrizes ou até mesmo tatuagens ao redor de seu corpo.

Características Psicológicas:

Trata-se de um garoto extremamente amigável e com grande senso de empatia. Também possui grandes sentimentos de competitividade e gosta de estar rodeados de amigos, é um menino extremamente extrovertido e engraçado e que lida com os mais diversos tipos de pessoa. Acima de tudo, é extremamente humilde e valoriza família e colegas mais do que qualquer outra coisa, tornando a filosofia de Hera válida para a sua vida. Não há nenhum registro de problema ocorrido com ele durante seu crescimento, ele não possui nenhum trauma nem algum bloqueio que o impeça de agir socialmente e trata-se de uma pessoa livre de qualquer vergonha, sendo grande parte do tempo bem direto e transparente com as pessoas com quem convive durante o dia-a-dia.

Em seu interior, ele é um semideus extremamente justo, leal, fiel e com grande necessidade de expor afeto por outras pessoas, gostando de ser transparente o suficiente como dito anteriormente. Não possui nenhum relacionamento íntimo e jamais teve contato com a sua parte sexual, colocando-se como assexual mas embora ele não saiba, ele é restritamente homossexual. Curiosamente, Hunter não possui nenhuma malícia e talvez seja por isso que ele nunca tenha se envolvido em uma enrascada amorosa ou em algum gesto de afeto mais intenso.

No acampamento, é um garoto que valoriza bastante os irmãos e colegas que gosta de treinar bastante, vive sorrindo e é completamente aspirante a psicólogo, sendo essa uma das profissões que ele mais gostaria de seguir no futuro, mas antes, tinha que concluir seu objetivo dentro do acampamento: Não ser encaixado no estereótipo de um típico filho dos três grandes.


— História do Personagem:

Hunter é um semideus comum, porém completamente sobrecarregado devido ao fato de ser filho de Zeus. Talvez, as pessoas esperem algo de extremamente sobrenatural vindo dele mesmo que o mesmo se encontre descobrindo seus poderes nesse período curto de tempo que observou algumas coisas divergentes em relação aos demais. Em sua missão de reclamação, ele teve contato com o que achou extremamente fenomenal e que o deixou bastante contente. Tal missão ocorreu em seus dezessete anos, sua mãe escondia que ele era filho de tal deus por conta de sua própria segurança, então, ele nunca chegou a questionar de fato sobre o seu pai verdadeiro, temendo que magoasse a mãe caso tocasse no assunto.

Criado normalmente como um ser humano comum, Hunter era um menino extremamente inteligente e considerado nerd por grande parte da turma. Possuía grande dificuldade em leitura pois seu cérebro era ligado a uma outra língua que ele não tinha nem ideia que possuía conhecimento, talvez fosse comum, pelo menos era o que ele pensava. Curiosamente, adotou o latim como sua segunda língua e sempre que pode escreve livros baseados nessa mesma para que possa escrever sem ninguém entender o que se passa em seu texto, podendo extravasar sem que ninguém o julgue de fato. Algum tempo depois, o garoto criou um laço extremamente forte e intenso com o grego, querendo intensificar-se na cultura do país natal da linguagem onde aprendeu a respeito dos deuses e demais criaturas que envolviam a mitologia que até então, para ele, era apenas para criar boas histórias.

Ainda na época de sua adolescência, o garoto teve contato com várias pessoas e criou vários amigos com os quais dividia grande parte do tempo e dava grande atenção, afinal, ele valorizava bastante as relações interpessoais e gostava da troca de experiência que poderíamos ter ao contactar os demais. Principalmente sondado por garotas, Hunter era extremamente amigável e sempre aberto a novidades, sendo completamente apaixonado por elas e totalmente fissurado em tecnologia, ainda mais nos dias atuais onde tudo está tecnológico até demais e a robótica está em plena ascensão, sendo essa sua principal paixão.

Na mesma época, ele possuía alguns traços memoráveis de Zeus assim como a comunicação com águias e grande conhecimento a respeito dos campos cartográficos: norte, sul, leste e oeste. Por mais que quisesse entender, ele nunca conseguia e achava aquilo um dom de uma pessoa superdotada, mas tinha grande percepção que aquilo não era comum para uma pessoa como ele, mas, acostumado a ser apaziguado pela mãe, deixou essas pequenas demonstrações de poderes provindos de Zeus de lado e seguiu em frente, preferindo ocupar seu tempo com mais pessoas e também com os seus estudos.

Nunca se envolveu em conflitos e também procura evitá-los, não gosta de confusões e sempre que nota alguma procura interrogar os conflituosos para que ocorra um diálogo que apazigue a situação, deixando a paz perdurar por mais tempo e impedir que agressões ocorram. Atualmente, seu principal objetivo é se enturmar com todos no acampamento para que possa operar em equipe com os demais e desenvolver laços mais intensos do que os vividos no mundo humano comum.

Novamente, em sua missão de reclamação, Hunter enfim descobriu aquilo que já suspeitava: Era filho de Zeus e possuía grandes poderes que o colocaria em um patamar acima de alguns, mesmo querendo que aquilo fosse extremamente normal. Ele tratou a descoberta com grande comicidade quando um de seus poderes assemelhou-se a um jutsu de Naruto, acredite se quiser, ele era bastante fissurado naquele anime e sempre que podia, brincava com o jutsu em questão.


— Missão de Reclamação:

Observar o acampamento inteiro correndo para uma direção só era uma coisa completamente estranha mas que as vezes era comum. Não dei muita atenção a esse fato, estava no acampamento recentemente e tinha que entrar numa missão de reclamação que descobriria qual deus eu tinha descendência embora já tivesse uma vaga ideia. Talvez, um deus que envolvesse eletricidade e até mesmo manipulação de energia, Zeus era uma possibilidade mas eu negava para mim mesmo esta por sua vez. Não poderia ser, eu era completamente diferente de um filho de Zeus, talvez a pessoa mais acessível e humilde dentro do acampamento. Não ser reclamado ainda estava me deixando aflito e ansioso, ainda assim, seguia completamente alegre por estar circundado de pessoas que estavam na mesma situação que eu e que compartilhavam a descendência divina não importando qual deus fosse.

– Por que estão todos correndo naquela direção? – Observei novamente um grupo de pessoas com um elmo com pelugem vermelha em seu topo, caracterizando os filhos de Ares, alguma coisa de errado estava acontecendo dentro do acampamento. Porém, eu não tinha ideia se poderia participar ou não, talvez fosse uma questão de segurança que eu ficasse ainda dentro da enfermaria, onde eu ainda havia não dito que estava. A notícia de ser semideus fora algo que me deixou completamente desestabilizado e sem ar, o suficiente para que parasse por algumas horas dentro da mesma e recebesse atenção especial. – Eu quero participar, me deixa ir! – Reclamava sobre a cama ainda coberto embora o calor fosse sentido por mim. Os enfermeiros por sua vez, negavam e enfim, foram para outra parte da enfermaria para pegar alguns soros para que eu enfim os tomasse e pudesse receber alta.

Secretamente ou não, levantei-me e tirei tudo que estava ligado ao meu corpo de maneira brusca e caminhei para o lado de fora da enfermaria, o caos parecia instaurado e as pessoas encontravam-se desesperadas. Foi nesse momento que uma figura peculiar dirigiu-se até mim e declarou que eu tinha uma missão.

– Você deve ser aquele novato. – Ele disse, era alto e fazia com que eu erguesse o rosto para que pudesse melhor o ver, talvez, chamado por Quíron - o líder do acampamento – num momento como aqueles fosse extremamente importante.

– De fato eu sou... Isso... Que tá acontecendo... É normal? – Perguntei enfim, não obtive resposta se for desconsiderado o silêncio que fora feito, talvez por efeito de causa.

– Sua primeira missão pelo acampamento é retirar aquela criatura que encontra-se na fronteira do acampamento e matá-la, sabemos que você possui características únicas que envolvem eletricidade e pelo que parece, a criatura não se porta bem diante da mesma. – Ele ergueu uma adaga e me entregou e eu olhei para ela assustado, tinha pouca noção de combate e tampouco sabia utilizar os poderes. Guiado pela bússola mental, dirigi-me até a fronteira do acampamento olhando diversas vezes para trás esperando que aquela missão fosse uma brincadeira.

Ao chegar, todos os combatentes pararam e a criatura começou a se manifestar de maneira irônica e completamente debochada perante minha presença.

– Mais um pra cair igual aos demais? – Ela proferiu, era uma criatura estranha. Nunca tinha visto aquilo, era uma criatura até mesmo que não deveria nem existir.

– O que faz aqui? – Perguntei de relance, observando os demais semideuses se afastarem, não entendi muito bem aquilo.

– O que você faz aqui? É perda de tempo. – A criatura de duas cabeças enfim falava, aparentava ser um humano, porém de características femininas, uma cabeça grudada na outra e virada na direção oposta, nas mãos da mesma, garras afiadas. Além disso, a voz da criatura era melódica e possivelmente poderia ser equiparada com a beleza de Afrodite por mais peculiar que ela fosse.

– Andei sabendo que você não gosta nem um pouco de um raiozinho. – Comentei debochando na medida em que segurava a adaga nas mãos com grande força, não poderia dar para trás.

– E você sabe por que sou privilegiada? Não existe nenhum semideus nesse acampamento capaz de me deter... Filhos de Zeus são extremamente raros e estão todos ausentes, você não pode ser filho daquele deus nojento, irresponsável e desprezível. – Ela respondeu, atribuindo críticas ao deus em questão.

– Então... É isso? – Perguntei levemente confuso deixando a adaga cair, levemente desconfortável com a notícia mas ficando atordoado com a mesma e aquela voz – extremamente melódica e persuasiva – começava a me incomodar e se eu deixasse, acabaria me voltando contra todos. Dei de ombros e aproximei minhas duas mãos e comecei a atritá-las com grande força, fazendo alguns lampejos de eletricidade saírem das mesmas. Aquilo estava apenas confirmando que eu possuía poderes semelhantes ao de Zeus... Semelhantes? Não existe meio termo, eu sou filho de Zeus!

– Mas o quê? – A criatura assustou se ao ver aquilo e eu dei um sorriso.

– Eu vou por um fim nisso, eu garanto pra você... Sabe por quê? Porque essa é minha missão! – Juntei as palmas da mão e fiz os raios virarem uma esfera de eletricidade não tão grande, porém mediana e que concentrava uma carga elétrica suficiente para que causasse danos ou deixasse a criatura de duas cabeças paralisada para que os outros pudessem cortar suas garras e darem um fim nela. – Eu sempre preguei a paz, mas você está incomodando a nossa. – Disse ainda concentrando a energia e por fim, disparei a correr e a criatura hesitou, querendo acreditar que aquilo não estava acontecendo.  Talvez não causasse grande impacto, mas sua hipersensibilidade fosse o suficiente para que ela ficasse extremamente coagida. – Rasengan! – Gritei de maneira engraçada e enfim, fiz a esfera chocar-se contra o corpo da mesma e dissipar toda a sua energia elétrica pelo corpo dela.

– Agora, amarrem as mãos dela! – Pedi e fui prontamente atendido pelos filhos de Afrodite com seus chicotes que por sua vez, imobilizaram ainda mais a criatura. – Eu sou filho de Zeus e você está completamente errada em achar que somos ausentes. Eu estou aqui! – Fiz questão de deixar aquilo bem evidente. A criatura levemente atordoada pela eletricidade estática era então imobilizada, tinha suas garras cortadas.

– O que vão fazer com ela? – Perguntei.

– O mesmo que fazemos com todas as criaturas que tentam invadir o acampamento antes da fronteira da árvore de Thalia. – Uma pessoa respondeu, possivelmente um filho de Ares. Quíron de longe assentiu e sorriu para mim, eu havia enfim descoberto que era filho de Zeus.

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Re: Ficha de Reclamação para Três Grandes

Mensagem por Connor Anderson em Dom 13 Out 2019, 22:51


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado e por quê?

Zeus, por ser o líder do Olimpo e pela carga que isso traz ao psicológico de seus filhos.

— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

Físicas:
Cabelos pretos, olhos castanhos, pele branca. Connor é alto e tem compleição física equilibrada, agilidade e um ar de superioridade natural que ele não faz a menor questão de esconder. Sempre muito bem vestido, faz questão de se certificar constantemente de estar perfeitamente alinhado.

Psicológicas:
Connor sempre se cobra muito, exigindo o melhor de si mesmo e cumprindo as regras, conforme foi ensinado. É frio, costuma fazer o que for preciso para cumprir seus objetivos, ainda que isso inclua mentir e enganar.

— História do Personagem:

— Acorde, Connor.

A voz serena, mas bastante firme da conhecida mulher acabou com os sonhos do jovem. Ele abriu os olhos. As íris castanhas encararam a abóbada branca do coreto. Estava no jardim da casa de Amanda, a mulher que o criara desde que se entendia por gente, e ainda era madrugada.

— Já estou acordado.

Amanda nunca mentira para o rapaz a respeito de suas origens, ao menos de modo geral. Era como a organização funcionava: pegava crianças especiais em tenra idade e as transformava em máquinas sem sentimentos e nem empatia, que dominariam o mundo e eliminariam os mais fracos, quaisquer que fossem. E, desde o início, essas crianças sabiam que, por mais bizarro que pudesse parecer, eram semideuses.

Connor era um semideus. Filho de um dos deuses que eram temas de suas aulas de História Antiga e Latim. De qual deles? Ele ainda não sabia e nem questionava. Sabia apenas que Amanda, uma das líderes do Instituto de Desenvolvimento para Jovens Superdotados (nome claramente disfarçado para se manter entre os mortais), contava a ele apenas o que era necessário. Tendo sido criado apenas para obedecer e não questionar, Connor parecia um androide. E, com certeza, era o melhor androide da organização.

— Está na hora do seu treinamento. Sabe que atrasos não são tolerados.

— Não vou decepcioná-la.

— Sei que não vai. Agora levante-se e faça o que precisa fazer.

Connor obedeceu prontamente. Passando pela pesada porta que dava acesso à área de treinamento, o rapaz se viu mais uma vez em meio a bonecos, espadas, facas, dispositivos que cuspiam rajadas de fogo e mas um bando de outras maluquices a que nenhum menino de sua idade tinha acesso. Não do lado de fora da fortaleza do instituto. Na verdade, Connor não sabia se os demais meninos e meninas com quem estudava tinham a mesma criação, afinal ele era o único que a líder Amanda Stern fizera questão de treinar de perto, e, nas salas de aula, a interação era proibida. "O foco é constante, o contato é distração, a distração é prejudicial", era o que sempre diziam.

Fora assim desde o princípio. Connor não fazia ideia se já tinha vivido algo diferente em sua vida. Desde que se entendia por gente, acordava antes do Sol, treinava para manter seu corpo em perfeita forma, tomava um banho rápido e tão objetivo quanto qualquer outra coisa que fazia, vestia-se com impecável alinhamento e nem mesmo seus cabelos tinham fios fora do lugar, então deixava a mansão de Amanda e caminhava até o instituto.

Nunca olhava para os outros na rua, nunca tinha sentido o coração palpitar por uma garota e não fazia a menor cerimônia para demonstrar sua superioridade quando podia. Se alguém perguntasse, essa era sua história. Mas quem perguntaria? Ninguém se interessava por um garoto esquisito que parecia um robô. Ele era invisível. Fazia apenas o que tinha que fazer e voltava para a mansão para encerrar o dia e começar um novo.

— Missão de Reclamação:

15 de agosto de 2019
As coisas começaram a mudar quando, em um dia estranhamente nublado e cheio de trovões, Connor foi abordado por um garoto despenteado e de aparência desesperada, que balbuciava coisas completamente desconexas.

— Eu sou uma pessoa! Eu sou livre! Eles não podem me tratar assim! Vamos embora! Você é uma pessoa!

— Do que você está falando?

— Eu estou vivo! Vivo... Estou vivo... Não sou uma máquina. Eu vou para o Acampamento Meio-Sangue. Eu vou ser livre...

O garoto saiu correndo, como se fugisse de alguém desesperadamente. Connor franziu o cenho e observou enquanto o menino se afastava com uma espada, igual às que ele mesmo usava em seus treinamentos, presa às costas. Sentiu-se estranhamente perturbado, o que acendeu um sinal de alerta em sua mente — situações incomuns não deveriam tirá-lo do controle. Alguma coisa teria acontecido com aquele rapaz, mas ele nada tinha a ver com aquilo. Provavelmente, era apenas um dos fracos dos quais ouvira falar, que não suportavam a exigência que o instituto fazia pela perfeição. Era mais um covarde. Um divergente.

Connor bateu a mão no local onde o garoto apertara em seu braço, desamarrotando o casaco cinza e preto do uniforme, e apertou a gravata. Caminhou com passos firmes em direção à escola e não ocupou mais a mente com o rapaz desesperado de antes. Esperava alcançar sua sala de aula e sentar-se à mesa como sempre fazia, aguardando a chegada do primeiro professor pacientemente, sem desviar a atenção do quadro negro à frente da turma. Mas nada ocorreu como o esperado naquele dia.

Ao alcançar a escola do instituto, Connor avistou Amanda, com seu olhar firme e impassível de sempre. De início, temeu ter se atrasado, mas o encontro com o aluno divergente fora breve demais para prejudicar seu perfeito adiantamento. O que poderia fazer com que sua mentora se deslocasse da mansão até a escola, então? A resposta veio quando o diretor, Elijah Kamski, passou o braço por trás dos ombros de Connor e o conduziu ao amontoado de líderes do instituto que ali se encontrava.

— Temos uma missão para você, Connor — anunciou Amanda, deixando bem claro que não havia a menor possibilidade de recusa.

— O que devo fazer?

— Um aluno divergiu hoje. Como você sabe, não podemos tolerar fraquezas, mas sempre fazemos o possível para resgatar nossos divergentes, entender o que causou seus problemas e cortar o mal pela raiz. Hoje, você será o responsável pelo resgate desse divergente.

Connor nunca tinha feito aquilo. O máximo que ele sabia era que alguém sempre era designado para trazer de volta o aluno rebelde. Caso as coisas não fossem resolvidas, o aluno nunca mais era visto. Treinado para nunca questionar, Connor nunca soube o que acontecia depois ou os motivos que pautavam os procedimentos do instituto. Agora saberia. Ou, pelo menos, saberia o que lhe fosse permitido saber.

— Já se sabe o que causou a divergência?

— Isso é você que tem que descobrir. E resolver.

— Sabemos o nome dele?

— Daniel. Um PL600.

— Teve contato com algo que possa ter desencadeado a divergência?

— Não que saibamos. Ele estava tão isolado dos demais quanto qualquer outro. Resolva, Connor. Mostre que posso me orgulhar do semideus astucioso que criei.

Connor assentiu prontamente e, dando meia volta, seguiu em direção ao carro previamente preparado pelo diretor para auxiliá-lo na missão. Dentro do veículo, um escudo, uma espada, facas e algumas moedas gregas, dracmas, para um caso de necessidade. Connor pegou uma das moedas e começou a movê-la entre os dedos com extrema habilidade, analisando detalhadamente a rua pela qual o divergente Daniel tinha passado, buscando pistas.

Algumas quadras foram percorridas até que o rapaz conseguisse encontrar o colega desesperado. Ao longo do caminho, Connor percebeu algumas latas públicas de lixo reviradas, pessoas com olhares preocupados e, mais perto do cerne da confusão, manchas de sangue. Daniel estava ferido, o que tornava a situação mais delicada, especialmente porque o rapaz estava armado.

O carro parou. Ainda de dentro, Connor viu que as várias pessoas reunidas no solo olhavam para o alto de um prédio, de onde Daniel ameaçava se jogar. A abordagem seria complicada. Connor olhou para os equipamentos com os quais poderia contar e optou por esconder uma faca às costas, abaixo do casaco do uniforme. Se Daniel visse a arma, poderia se desesperar, não era a melhor opção. Guardou, então, a moeda no bolso e saiu do carro, arrumando a gravata novamente e sentindo os cabelos serem fustigados pelo vento frio que anunciava uma pesada tempestade.

Com extrema segurança do que estava fazendo, ainda que fosse sua primeira vez, o jovem semideus indefinido caminhou diretamente para a entrada do prédio, pouco se lixando para o cerco policial montado no local. Se fosse preciso, daria um jeito de convencê-los. Amanda sempre dizia que, com um pouquinho de persuasão e habilidade, os humanos eram passíveis de ver qualquer coisa que um semideus quisesse. Alguns semideuses conseguiam coisas incríveis. Graças à Névoa, Connor se lembrava, o véu mágico que impedia os humanos de enxergar como o mundo realmente era. Criaturas frágeis demais para a verdade...

— Ei, ei, ei! Calma aí, moleque! — Um homem, identificado como Capitão Allen, bateu a mão espalmada no peito de Connor, fazendo-o parar de caminhar imediatamente e encará-lo.

— Olá, capitão. O meu nome é Connor. Sou estudante do Instituto de Desenvolvimento para Jovens Superdotados. Fui enviado para convencer Daniel a não fazer nenhuma bobagem.

— Ah, que legal... Um esquisito querendo pular e outro esquisito mandado ao resgate! Saia daqui, garoto. Isso é algo para a polícia resolver.

— Com todo o respeito, capitão, mas que avanço a polícia conseguiu até agora?

Allen pareceu completamente contrariado e enfurecido.

— E você acha que vai conseguir algo diferente?! Pelo menos ele ainda não pulou! Temos pessoas especializadas nesse tipo de situação, moleque! Saia daqui antes que eu o prenda!

— Senhor, eu sei em que ambiente o Daniel estava. O senhor não. Eu sou colega dele na escola e sou o mais próximo da realidade dele que o senhor pode encontrar no momento. Permita que eu vá e, se eu não conseguir, poderá me prender e atribuir a possível morte dele a mim.

O capitão ficou boquiaberto.

— Está propondo abrir mão da sua liberdade e ser responsabilizado por uma morte se não der certo?

— Sim.

— Como pode ter tanta certeza de que vai conseguir?

— Eu nunca falho, senhor.

Sem esperar qualquer resposta ou permissão, Connor furou o bloqueio e adentrou o prédio, lançando um olhar ao colega lá em cima antes de entrar. Assim que pisou no interior da construção, um forte trovão ribombou no céu, fazendo o garoto sentir o solo tremer sob seus pés. O som da chuva torrencial alcançou seus ouvidos, ele começou a temer pelo que acontecia lá em cima. Precisava conseguir alcançar Daniel e retirá-lo de lá. Amanda não aceitaria o fracasso. Ele mesmo não aceitaria. Foi criado para ser bem sucedido em tudo o que fazia.

Chegou ao terraço. O prédio não era um dos mais altos de Detroit, mas era o suficiente para causar uma tragédia. Daniel estava atordoado, encharcado de chuva e com um estranho corte no braço direito. Não estava mais armado e se segurava a uma coluna de concreto que sustentava uma antena lá no alto. Qualquer raio poderia atingi-lo e, da maneira mais esquisita possível, o céu passou a ser intensamente riscado pelas descargas elétricas assim que Connor deitou os olhos no colega.

— DANIEL! — Chamou, tentando fazer sua voz se sobressair aos retumbantes trovões.

— SE AFASTA! NÃO VEM ATRÁS DE MIM!

— ESTOU TENTANDO TE AJUDAR, DANIEL! — Disse Connor, dando lentos passos na direção do colega.

— EU QUIS A SUA AJUDA! EU QUERIA FUGIR! MAS VOCÊ NÃO DISSE NADA! EU NÃO VOU VOLTAR PARA AQUELE LUGAR!

— ACALME-SE, DANIEL! EU ENTENDO QUE A PRESSÃO É MUITO GRANDE... — tentou blefar, mas não deu certo.

— VOCÊ NÃO ENTENDE! SE ENTENDESSE, TERIA VINDO COMIGO! ELES PRENDEM A GENTE! COLOCAM NÚMEROS EM NOSSOS UNIFORMES COMO SE FOSSEM NÚMEROS DE SÉRIE! NÃO SOMOS ROBÔS PARA SERMOS SEPARADOS POR NOSSAS HABILIDADES! EU SOU UMA PESSOA!

— NÃO SOMOS ROBÔS! NÓS SOMOS SEMIDEUSES! NÃO PODEMOS AGIR COMO PESSOAS COMUNS!

— VOCÊ NEM SABE O QUE É SER UM SEMIDEUS! VOCÊ É SÓ UM RK800, NÃO É?! TREINADO PARA SER UM LÍDER, PARA INVESTIGAR E RESOLVER CRISES! MAS EU NÃO! EU NÃO SOU MAIS PL600, EU SOU O DANIEL! EU NASCI DE ALGUÉM E NEM MESMO SEI DE QUEM! ELES DIZEM QUE SOMOS FILHOS DE DEUSES, MAS COMO PODEMOS SIMPLESMENTE ACEITAR ISSO SEM SABER QUEM ESSES PAIS E MÃES SUPOSTAMENTE SÃO?

— NÓS SABEMOS QUEM ELES SÃO, DANIEL. APOLO, AFRODITE, POSEIDON, ZEUS... — o som do nome do líder do Olimpo fez trovões ainda mais altos ribombarem no céu e assustarem o aluno divergente. Connor manteve-se impassível.

— SABER OS NOMES DELES NÃO SIGNIFICA NADA, CONNOR! SE UM DELES É MEU PAI OU MINHA MÃE, EU QUERO QUE ME RECONHEÇA! EU QUERO SABER QUEM EU SOU DE VERDADE! FUI CRIADO PELO INSTITUTO DESDE SEMPRE E APRENDI SOBRE TUDO, MAS NÃO SEI NADA SOBRE MIM MESMO.

— SAIA DAÍ E VENHA COMIGO! EU VOU TE AJUDAR, EU PROMETO! — Mais um blefe, mas Connor estava disposto a dizer o que precisasse para cumprir sua missão. Tinha que levar Daniel vivo de volta para o instituto e não falharia. O que quer que estivesse passando pela cabeça do menino, com certeza era algo que poderia ser facilmente tratado.

— VOCÊ NÃO PODE PROMETER NADA! EU TIVE UM SONHO, CONNOR! UM SONHO COM UM LUGAR ONDE EU POSSO ME SENTIR EM CASA! UM LUGAR ONDE EU NÃO VOU SER TRATADO COMO UMA MÁQUINA E ONDE VOU PODER APRENDER SOBRE MIM! MAS EU TENHO MEDO... TENHO MEDO DE ESTAR DELIRANDO... ENTÃO EU VOU PULAR! E, SE NENHUM DEUS ME SALVAR, EU VOU SABER QUE ERA TUDO MENTIRA!

— SE VOCÊ MORRER, NUNCA VAI SABER DE MAIS NADA! NÃO FAÇA ISSO, DANIEL!

— É O ÚNICO JEITO. ESPERO QUE NÃO SEJA UM ADEUS, CONNOR.

Tudo pareceu ficar em câmera lenta. Connor viu Daniel fechar os olhos e se deixar cair para trás. Sentiu o coração acelerar e, naquele momento, não soube se era por ver um colega se jogar de um prédio ou por ver o sucesso da missão escapar por entre os dedos.

Viu-se correndo. Esforçou-se para correr mais rápido do que o princípio daquela queda livre que o corpo de Daniel faria em direção ao chão. Sentiu uma onda elétrica percorrer seu corpo da cabeça aos pés, uma sensação que jamais tinha sentido antes. Estendeu a mão, viu pequenas faíscas de eletricidade a envolverem e quase se desconcentrou por não entender o que aquilo significava, mas manteve o controle e alcançou a camisa do uniforme de Daniel, fechando-se tão fortemente que não se abriria nem se o garoto quisesse. Além disso, seus pés estavam grudados ao chão. A estática trabalhando em seu corpo como se fosse controlada por ele, mas ele não tinha ideia de como aquilo estava acontecendo.

Trouxe o colega de volta para o meio do terraço. Daniel chorava, balbuciava que não era digno como seu colega. Connor não conseguia compreender, até que viu a imagem de um raio, o raio mestre de Zeus, pairar sobre sua cabeça ao mesmo tempo que uma aura azulada encobria seu corpo. Ele não entendia o que era aquilo e, antes mesmo de conseguir questionar, tudo desapareceu, deixando-o apenas com Daniel e a tempestade no topo do prédio.

* * *

Horas depois, Connor estava de volta à mansão de Amanda, sentado no banco largo e acolchoado do coreto que ficava no centro do jardim, o mesmo local onde, por várias vezes, fora acordado por sua mentora. O garoto olhava para as estrelas e seus pensamentos voavam longe. Gostava daquele lugar, sentia-se em paz com a brisa noturna que corria por ali. Dormir ali era garantia de noite sem pesadelos, o que nem sempre era possível.

— Você está muito calado, Connor. Pensei que estaria orgulhoso do sucesso em sua primeira missão.

— Eu estou.

— Hoje, você mostrou aos humanos uma pequena parte da sua superioridade. Logo, eles perceberão como somos melhores e não precisaremos mais nos esconder atrás da Névoa para que eles não vejam o mundo como realmente é. Eles saberão que estão cercados de monstros e de problemas que não podem enfrentar. Clamarão por nós. E estaremos preparados e concentrados em nossa missão. Você não está se ocupando com pensamentos desnecessários, está?

— Não...

— Então o que passa por sua mente, Connor? Porque há algo te incomodando e eu não gosto disso. Não quero nada tirando seu foco.

Connor respirou fundo e finalmente olhou para sua mentora.

— Daniel... Daniel disse que sonhou com um lugar. Um lugar diferente, que era uma casa para ele... — Amanda pareceu inquieta. — Ele disse que não sabia se o sonho era real ou uma ilusão e que a única forma que ele via para descobrir a verdade era se jogando. Se os deuses o salvassem... se o pai ou a mãe dele o salvasse... ele saberia que era alguém. Que estava vivo...

— Ele estava delirando, Connor. Os cientistas estão analisando e fazendo os devidos exames para entender o que causou esse problema. Logo ele voltará ao normal. Eu entendo que, sendo sua primeira missão, você tenha ficado mais impressionado do que deveria, mas isso não deve continuar.

— Eu só não entendo... Não entendo por que ele pediu para ser reconhecido, se jogou de um prédio e... e quem foi reconhecido fui eu! Eu vi o raio mestre de Zeus, Amanda. E eu nem tinha pedido por isso! Por que não aconteceu o mesmo com o Daniel? Era o que ele mais queria!

— Não cabe a nós entender os desígnios dos deuses, Connor. Eles fazem o que têm que fazer, quando querem fazer. Nós devemos apenas aceitar, obedecer e honrar a força e o poder deles, mantendo-nos perfeitos para cumprir as missões que nos são dadas. Pensei já ter te ensinado isso.

— Ensinou, sim. Desculpe-me por questionar.

— Vá se deitar. Você teve um dia diferente e, a partir de agora, suas missões serão mais frequentes. O reconhecimento por Lorde Zeus só demonstra que eu estava certa. Você é o nosso melhor semideus, Connor. Você nos guiará ao futuro.

10 de outubro de 2019
O carro parou a poucas quadras da entrada da floresta, longe de olhares curiosos e de possíveis sentinelas. Connor conhecia muito bem cada uma de suas orientações. Tinha feito algumas missões pelo instituto depois do caso de divergência de Daniel, todas bem sucedidas. Começara a aprender a dominar poderes simples que herdara de seu pai e, agora, partia para a missão mais importante da história do Instituto de Desenvolvimento para Jovens Superdotados — uma infiltração no local mais contrário ao que Connor conhecia.

O jovem deveria se tornar um membro do Acampamento Meio-Sangue, uma organização milenar, comandada pelo lendário centauro Quíron, responsável por manter semideuses a salvo dos monstros e, principalmente, longe das vistas dos humanos. Segundo Amanda, o acampamento era um local que transformava os semideuses em pessoas fracas, que se acomodavam em ficar na encolha, escondidos, como se fossem inferiores aos mortais. Tudo do que o instituto discordava. O trabalho de Connor ali seria demonstrar a superioridade natural dos semideuses e levar aquele lugar de desonra à ruína, plantando a semente do instituto nos demais campistas.

Uma nova fase se iniciava para o filho de Zeus e ele estava decidido, como sempre, a ter completo sucesso em sua longa missão. Sabia que precisaria reportar ao instituto de tempos em tempos e não pretendia decepcionar seus superiores. Treinara bastante, sabia o que precisaria dizer a Quíron quando chegasse e o que deveria omitir. Tinha plena convicção de suas habilidades e de suas intenções em apenas melhorá-las, qualquer que fosse o preço.

Sendo deixado pelo carro, viu-se diante da densa floresta. Em algum lugar por ali, estaria a entrada para o Acampamento Meio-Sangue e ele a encontraria. Estava na hora de começar. Connor aprumou suas roupas e deu o primeiro passo. Daquele momento em diante, ele seria um campista.
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Connor Anderson
Connor Anderson
Filhos de ZeusAcampamento Meio-Sangue

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Re: Ficha de Reclamação para Três Grandes

Mensagem por Melinoe em Seg 21 Out 2019, 21:43


Avaliação



Hunter M. Markstrom — Aprovado

Os únicos poucos problemas que encontrei em seu texto foram relacionados a vírgulas e, de todo modo, nada era grave demais para acarretar seu reprovamento. Fora isso, apenas se atente ao uso da primeira e da terceira pessoa: você alternou entre essas durante a história e a missão, o que não é recomendado.

XP: 140 de 150 possíveis.


Connor Anderson — Aprovado

Garoto, sua ficha ficou incrível! Achei a história desenvolvida criativa e cativante, e realmente me deu vontade de acompanhar as próximas aventuras do seu semideus. Apesar de ser uma personalidade relativamente entendiante — quer dizer... você nem sente nada —, você conseguiu elaborar isso de modo que ficasse extremamente interessante. Não encontrei nenhum erro em sua ficha, meu parabéns!

XP: 150 de 150 possíveis.



Atualizado




Melinoe
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Re: Ficha de Reclamação para Três Grandes

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