Ficha de Reclamação para Três Grandes

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Ficha de Reclamação para Três Grandes

Mensagem por Organização PJBR em Qua Set 12, 2018 12:18 pm

Relembrando a primeira mensagem :


Ficha para Zeus, Hades e Poseidon


Esta ficha requer 70% de rendimento mínimo para ser aprovada e é avaliada de maneira muito rigorosa. Os Três Grandes — Zeus, rei dos deuses, deus do céu, trovão e relâmpago, deus da lei, ordem e justiça; Hades, rei do mundo inferior e dos mortos; e Poseidon, rei do mar, deus dos terremotos e dos cavalos — são os principais deuses e muito poderosos, portanto seus filhos devem se provar dignos.


Recompensa de reclamação


As fichas de reclamação valem, além da aprovação no grupo almejado, um rendimento de experiência de no máximo 150 xp para o jogador. O rendimento deve ser de acordo com a avaliação e só será bonificado caso o semideus tenha sido reclamado, portanto fichas rejeitadas não rendem nenhuma experiência.


Item de reclamação


Não existem mais itens de reclamação por progenitor, sendo o único presente a adaga a seguir:

{Half Blood} / Adaga Comum [Adaga simples feita de bronze sagrado, curta e de duplo corte. A lâmina possui 8cm de largura, afinando-se ligeiramente até o comprimento, que chega a 20cm. Não possui guarda de mão e o cabo é de madeira revestido com couro, para uma empunhadura mais confortável; acompanha bainha de couro simples.] {Madeira, couro e bronze sagrado} (Nível mínimo: 1) {Não controla nenhum elemento} [Recebimento: Item de Reclamação]


Teste


O teste possui enredo aberto. As poucas obrigações referem-se à ficha de reclamação: você deve responder as questões presentes nela como se fosse uma ficha comum. Além disso, há uma parte adicional: além da história, o semideus deve narrar a descoberta como filho de um dos 3 grandes em uma missão relacionada a esse progenitor. O rendimento da missão definirá a aceitação ou não do personagem no grupo desejado.

A ficha é composta de algumas perguntas e o campo para o perfil físico, psicológico e a história do personagem. Plágio não será tolerado e, ao ser detectado, acarretará um ban inicial de 3 dias + aviso, e reincidência acarretará em ban permanente. Plágio acarreta banimento por IP.

Aceitamos apenas histórias originais - então, ao usar um personagem criado para outro fórum não só não será reclamado como corre o risco de ser punido por plágio, caso não comprove autoria em 24h. Mesmo com a comprovação, a ficha não será aceita.

Fichas com nomes inadequados não serão avaliadas a menos que avisem já ter realizado o pedido de mudança através de uma observação na ficha. As regras de nickname constam nas regras gerais no fórum.




TEMPLATE PADRÃO:
Não serão aceitas fichas fora desde modelo

Código:
<center>
<a href="goo.gl/6qY3Sg"><div class="frankt1">FICHA DE RECLAMAÇÃO</div></a><div class="frank1"></div><div class="franktextim">[b]— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?[/b]

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[b]— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):[/b]

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[b]— História do Personagem:[/b]

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[b]— Missão de Reclamação:[/b]

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</div><div class="frank2"></div> <div class="frankt2">Percy Jackson RPG BR</div></center>


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Re: Ficha de Reclamação para Três Grandes

Mensagem por Drake Collins em Qua Out 17, 2018 8:41 pm


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Zeus. Pois sempre fora o deus que mais me chamou a atenção, não apenas em PJ mas na mitologia grega pura. A forma como Zeus liderou seus irmãos contra Cronos foi incrível e poder interpretar um descendente do rei dos deuses seria um privilégio.

— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

Características Físicas:

Drake é um jovem de alta estatura, medindo mais de um metro e noventa centímetros. Embora tenha apenas dezesseis anos a sua constituição física é atlética e bem distribuída, com uma forma inegavelmente vigorosa. Sua pele é branca como a neve e seu cabelo louro possui uma tonalidade dourada peculiar. Seus olhos azuis irradiam um brilho intenso e elétrico, parecendo penetrar nas almas daqueles que o fitam diretamente. Sorri com facilidade e possui uma voz firme e decidida.

Características Psicológicas:

Drake é um jovem muito inteligente e curioso, assim como enérgico e orgulhoso. Não tolera que lhe tirem sua liberdade, sentindo-se muito melhor ao ar livre, tendo um carinho especial pelo céu em suas mais variadas formas. É competitivo e perfeccionista, irritando-se caso seja superado em alguma atividade que preze verdadeiramente. Detentor de uma teimosia notável, tal característica acaba contribuindo para a sua persistência e força de vontade, ambas notáveis. Costuma ser sociável, embora seja mais o tipo que possui poucos mas bons amigos. Não confia com facilidade e tende a ver o mundo como um obstáculo, um objetivo a ser superado e domado. Se interessa por livros de ficção científica e heavy metal, tendo aprendido a tocar violão e guitarra sozinho ainda criança. Diferente do pai não é um galanteador irremediável, possuindo um lado romântico que tenta não fazer transparecer. Sabe apreciar os momentos solitários, onde pode ficar a sós consigo mesmo.

— História do Personagem & Missão de Reclamação:

Olívia era uma empresária muito bem sucedida, uma mulher detentora da mais alta educação, forte, determinada e sem medo de fazer o necessário para alcançar seus objetivos. Dedicou toda a sua vida ao seu trabalho, não se permitindo explorar os demais aspectos do mundo, como o amor. Nem ao menos possuía amigos, era vista como uma mulher fria e inalcançável, logo nada mais natural que nenhum homem estivesse à sua altura. Ao menos nenhum homem mortal.

Zeus, atraído pela singularidade de Olívia, assumiu identidade mundana para conquistá-la, e fazendo jus à sua fama fora bem sucedido. A empresária apaixonou-se completamente pelo rei dos deuses, encantando-se ainda mais ao descobrir a verdadeira identidade daquele que obterá seu coração. Com a intensa relação, não demorou para que Olívia engravidasse, tendo a gestação para si como uma benção, um fruto que por muitos anos pensou que jamais se permitiria produzir. Contudo, o amor de sua vida era nada menos que o soberano do Olimpo, e por este motivo possuía responsabilidades, responsabilidades que convenientemente fugiam de sua cabeça quando interessava-se por algum ser do sexo feminino.

Desta forma, Zeus distanciou-se pouco a pouco, até desaparecer por completo da vida de Olívia, deixando-a ainda nos primeiros meses de gravidez. Uma profunda tristeza apossou-se da jovem, sentindo o coração, outrora impermeável, partir-se como o mais frágil cristal. A partir daquele momento suas únicas felicidades vinham de sua profissão e de seu bebê, que crescia vigorosamente. Com o passar de poucos meses Olívia começou a apresentar sintomas preocupantes. Com a devida vista médica, fora diagnosticada com uma doença autoimune rara, desencadeada precocemente pela gravidez. Tendo em vista a descoberta da doença e a sua gravidade, um parto poderia ser fatal, e mesmo que não fosse seus dias estariam contados, não havia cura.

Determinada e ciente de que não havia nada mais importante em sua vida do que o seu filho não-nascido, refugiou-se em sua casa com todo o atendimento médico necessário, guardando as suas forças para a conclusão da gestação que naquele momento já se aproximava. O dia do nascimento de Drake finalmente chegou, e como bom filho de Zeus nascera durante uma estrondosa tempestade noturna. O céu era rasgado pelos mais majestosos e imponentes relâmpagos, que iluminavam o céu noturno em um espetáculo natural. O bebê nascera com a saúde perfeita, o cabelo ralo possuía a tonalidade dourada, como o da mãe, que sorria largamente ao tomá-lo nos braços pela primeira e última vez, limitando-se a nomeá-lo Drake. Seu corpo debilitado fora capaz de mantê-la viva por poucos minutos após o parto, falecendo devido a uma grave hemorragia que apenas ocorrera devido à debilidade provocada pela doença. Olívia morrera sem saber que o conselho de sua empresa a destituiu da presidência, comprando suas ações no processo. Sua súbita reclusão instigou o temor no coração dos investidores, possibilitando que concorrentes e rivais se apoderassem de toda a obra realizada pela valente mulher que morrera por seu filho àquela noite.

O recém-nascido Drake perdera a mãe, seu poderoso pai fazia-se ausente e agora mesmo a grandiosa fortuna de sua família desaparecia, deixando-o sem qualquer suporte. Sob os cuidados de empregados leais embora desamparados, o bebê fora registrado em um orfanato de Nova Iorque, mantendo consigo apenas o seu nome. O semideus cresceu e se desenvolveu em meio a um ambiente insípido, onde não recebia qualquer estímulo ou afeto. Sempre apresentara uma maturidade acima do normal, assim como uma grande inteligência e desenvolvimento emocional, o que dificultava a sua interação com as outras crianças. Por muitos anos teve a esperança de ser adotado, mas com o passar dos anos percebeu que apenas se enganava. Seu comportamento normalmente tido como antissocial e suas crescentes transgressões e escapadas em horários proibidos lhe concederam uma fama não muito agradável.

Já em sua adolescência, o rapaz sofria com a pouca liberdade que possuía, o que acabou aumentando o número de transgressões. Durante um destes atos indevidos, em seu aniversário de dezesseis anos, Drake caminhava pelas sempre diversificadas e turbulentas ruas nova-iorquinas, sentindo o toque suave da brisa gélida e calma da noite, observando o céu estrelado que sempre lhe intrigara de forma incompreensível. Por um instante notou a presença de um homem alto, vestindo um sobretudo negro e um chapéu característico que escondia boa parte de seu rosto. A figura misteriosa parecia segui-lo, e a suspeita aproximava-se da certeza a cada nova curva efetuada.

Preocupado com o que acontecia, Drake acabou desviando de sua rota habitual, deparando-se com uma área mais isolada e pouco iluminada, uma zona de prédios marcados para demolição. Uma repentina formação de nuvens pesadas indicava a chuva próxima, o semideus voltou seus olhos para trás mas já não podia mais ver ninguém. Acreditou a princípio que agira como um paranóico e aquilo não passava de uma bobagem, mas o que aconteceu em seguida provou-lhe o contrário. O vulto negro surgiu à sua frente, e com a proximidade fora possível visualizar o seu rosto com maior acuidade. O homem era alto, muito alto, e quanto mais perto mais alto parecia ser. Sua face parecia deformada, possuindo apenas um dos olhos, em tamanho exacerbado e localizado bem ao centro da cara asquerosa. – Mas que porr... – Antes que pudesse terminar a fala a criatura lançou seu imenso braço contra o corpo de Drake, que certamente seria achatado contra o asfalto caso atingido. Porém não fora atingido. O filho de Zeus sentiu braços envolvendo-o, tirando abruptamente do lugar, lançando-o ao chão e o fazendo rolar por alguns metros. – Um filho de Zeus não deveria congelar assim, rapaz. – A voz grave saia da boca de um  homem de estatura mediana e pele bronzeada, que sinceramente tinha tudo para ser normal, com exceção dos chifres e pernas de bode. – Filho de Zeus? Do que você está falando, e o que é você? – O garoto levantava-se ainda aturdido, tentando compreender o que acontecia, sem muito sucesso.

Antes que qualquer palavra pudesse ser dita, o homem de um único olho voltou a atacar, com a sua atenção voltada exclusivamente ao semideus. Dessa vez o seu corpo não vacilou, uma calma quase sobrenatural apossou-se de seu corpo, permitindo que saísse do caminho da investida bem a tempo. – Melhor assim, rapaz. Não temos muito tempo, posso te explicar tudo depois. Por agora se contente em saber que é um semideus, filho de Zeus, mais especificamente. – Ao terminar a frase lançou um pequeno chaveiro para Drake, com o formato genérico de uma espada. – O que você espera que eu faça com isso? – Dizia tentando ignorar toda a maluquice de Zeus e semideuses, caminhando para trás com o intuito de afastar-se do monstro que iniciava a próxima investida. – Eu vou derrubá-lo, você deve aproveitar essa oportunidade para acertá-lo bem nos olhos. Essa coisa é um ciclope, e ele não quer te fazer carinho. Quanto ao chaveiro, basta empunhá-lo como faria com uma espada de verdade. – O homem-bode não esperou por uma resposta, usou de sua velocidade caprina para aproximar-se do ciclope, esgueirando-se entre suas pernas. A criatura desengonçada tentava inutilmente alcançar o pequeno ser, que continuava esquivando-se com habilidade.

Drake ainda não compreendia muita coisa, mas percebia a seriedade da situação e sentia a sinceridade nas palavras daquele que o salvou e agora arriscava-se por ele. Empunhou o chaveiro como uma espada real, sentindo-se envergonhado com o ato por um mero segundo, até que o chaveiro, em frente aos seus olhos, assumiu a forma de uma verdadeira espada de combate feita da cor do bronze. – Provavelmente é a coisa menos estranha que aconteceu hoje. – Falou para si mesmo, voltando em seguida a sua atenção para o sátiro, que pareceu possuir outro chaveiro, passando a portar uma espada idêntica à sua. Com movimentos rápidos e precisos ele cortou os calcanhares do ciclope, que cedeu e caiu, mas em sua queda conseguiu segurar o pequeno chifrudo em seu pescoço, exercendo força o suficiente para sufocá-lo em pouco tempo. Drake cerrou o punho sobre a empunhadura da espada e partiu com toda a velocidade que podia dispor, avançando contra o gigante caído. Saltou sobre seu corpo e gritou ao cravar a espada em seu grande olho, afundando-a até perfurar a sua cabeça por completo. A criatura se desfez, desaparecendo sob a lua cheia. A chuva começava a cair, forte, trazendo consigo relâmpagos e trovões. – Muito bem, garoto. Meu nome é Ernie, sou um sátiro e é meu trabalho te levar pra um lugar seguro. O seu pai, Zeus, me mandou. Eu já venho te observando há algum tempo, pode-se dizer que você passou no teste. Veja o sinal de sua reclamação. – O sátiro sorriu e apontou para o alto da cabeça de Drake, levando o louro a voltar a sua atenção para cima. Um relâmpago cerúleo e brilhante flutuava sobre o semideus, que pareceu devidamente espantado.

Drake riu, respirando profundamente antes de falar. – Certo. Espero que possa me ajudar a entender melhor toda essa loucura. – O sátiro riu ainda mais alto, batendo nas costas do garoto de forma bruta, o que para ele era um gesto carinhoso e encorajador. – Vamos, o Acampamento Meio-Sangue te espera, filho de Zeus. – Os dois deixaram o local juntos, assim concluindo o primeiro capítulo de muitos da vida de Drake Collins, filho do rei dos deuses.



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Re: Ficha de Reclamação para Três Grandes

Mensagem por Hades em Qui Out 18, 2018 8:54 pm




Avaliação — Drake Collins


Oi, Drake. Não vou me prolongar muito, porque não tenho muito o que reclamar. Você não peca em coerência, nem em objetividade. Seu texto é enxuto e, mesmo assim, consegue passar tudo que eu esperava ver nele. Se eu forçar muito, consigo apontar um erro de ortografia. Mas eu também sou player e sei que às vezes um ou outro escapa à revisão. Se tivesse que apontar pra alguma coisa, seria a estrutura do texto. Os parágrafos em bloco são até bonitos de passar o olho, mas concentram muita informação e isso às vezes pode fazer o leitor se perder um pouco no fio da meada. Não vou descontar pontos disso, porque é possível que seja apenas bobagem minha. Olho pro início da avaliação e percebo que acabei me prolongando um pouco sim. Sem mais enrolação, lhe desejo parabéns e espero ler mais sobre Drake Collins em breve.

P.S.: Eu tô simplesmente revoltado que não tinha uma prednisona pra tratar a doença dessa mulher.

Coerência: 75;
Coesão, estrutura e fluidez: 37,5;
Objetividade e Adequação à proposta: 22,5;
Ortografia: 15.

Resultado

Aceito como filho de Zeus;
Recompensa: 150 xp;
Item de reclamação padrão.




Atualizado






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Re: Ficha de Reclamação para Três Grandes

Mensagem por Helena Thureau-Dangin em Qui Out 18, 2018 10:53 pm


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Desejo ser reclamada por Zeus por n motivos, mas principalmente por nunca ter interpretado uma personagem descendente do senhor do Olimpo antes e por tê-lo escolhido de acordo com as qualidades que construí para Helena.

— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

Suas características físicas poderiam ser consideradas singulares, ainda que tão comuns, encontradas em qualquer esquina de Nova Iorque. Helena foi agraciada por seus parentes, divino e mortal, com orbes azuis-céu, límpidas e espelhadas, que expressam toda sua curiosidade; nariz pontudo e fino, lábios carnudos, sobrancelhas cheias, pele clara, sorriso travesso exibido em momentos propícios. Os elogios sempre foram intermináveis para descrevê-la. Ainda que sua própria mente os aceitasse com carinho, as honrarias ao seu rosto sempre foram questionadas por ela mesma.

Assim como seu pai, Helena possui um talento natural para atrair pessoas, inspiradas por suas atitudes condescendentes. É uma líder nata, irradia autenticidade e altruísmo, porém todo o seu bom espírito acaba sendo prejudicial – quando acredita e realmente se preocupa com uma pessoa, pode se envolver demais com seus problemas e esquecer-se de cuidar de si própria.

Incisiva. Indecisa. Admiradora. Criada no meio artístico, Helena permitiu-se crescer com o caráter formado com grande sensibilidade. É curiosa e distraída, parecendo estar sempre nas nuvens e analisando aquilo que é ou o que poderia ser. Talvez esse seja o seu maior forte como uma descendente de Zeus: a observação antes da ação, embora os sentimentos estejam frente à razão. Nenna é detalhista e perfeccionista, procurando sempre aperfeiçoar suas ações, e tende a ficar frustrada quando não consegue o esperado, cobrando muito de si mesma por diversas vezes.

— História do Personagem/Missão de Reclamação:

julho de 1992 - empire state building
A figura esguia e esbelta de Hera, a encarar por uma das janelas do Empire State com um olhar indecifrável, os lábios crispados, tornava a visão assustadora para os outros olimpianos: a rainha do Olimpo, com uma expressão fria e calculista no rosto, não poderia indicar que muita coisa boa estaria por vir.

A imagem do jardim plantado ao seu mando continuava a mesma: tulipas, rosas silvestres e margaridas, todas espalhadas, bem cuidadas e podadas. Sem dúvidas, uma linda vista. Sua atenção foi desviada para outro ponto em Manhattan, embora seu olhar tenha permanecido penetrante. “Você não deveria estar aqui.”, sussurrou Hera com a voz carregada em desprezo, para ninguém em particular. As palavras pairaram no ar, rodopiando pela sala como uma notável ameaça.

Zeus não era perfeito. Quebrava regras que ele mesmo impunha, incluindo o Tratado que deveria garantir sua segurança e de seus irmãos, assim como o equilíbrio do mundo.

setembro de 2008 - escola de ensino médio the dome
Tap. Tap. Tap. Faziam os meus dedos inquietos, desesperados enquanto buscavam algo de interessante durante a aula de Física - possivelmente a matéria mais entediante existente - para desenhar. Estava preparada para me arremessar contra o quadro negro, desesperada para acabar com todas aquelas fórmulas que começavam a embaralhar-se bem diante dos meus olhos, mais uma coisa fora de meu controle. Não havia nada que eu pudesse fazer para impedir a dislexia de me pregar peças o tempo inteiro, ao que parecia.

Conseguia sentir os olhos de Lily Loe, minha colega de quarto e surpreendentemente dupla em mais de uma aula durante as quintas-feiras, cravados em mim como facas. Lily pensa em mim como uma delinquente desordeira, cujo único propósito seria atrapalhar a concentração dos alunos esforçados; devo admitir que ela não está completamente errada. Ainda acredito que seja um milagre uma quarta escola me aceitar, depois de todo o meu histórico escolar desastroso e problemático. Justamente por esse motivo, eu tentava me esforçar bastante para não trazer mais nenhum problema para minha mãe - ela já tinha o suficiente com o que se preocupar, agora que suas fotografias não vendiam mais como antes e os jornais não a procuravam tão frequentemente para analisar obras famosas. Pelo visto, o pensamento da minha mãe a respeito dos movimentos artísticos estavam se tornando obsoletos.

Respirei fundo e observei outros pontos da sala, tentando focar pelo menos em alguma coisa específica (e não prejudiciais à minha sanidade mental, como a matéria no quadro e a fúria de Lily Loe) e dei de cara com alguém encarando-me diretamente ao lado de fora da sala, pela janela. Endireitei-me na cadeira e desviei o olhar, tentando demonstrar o quanto estava desconfortável. Eu absolutamente não me sentia bem com pessoas me encarando, ainda mais quando ele parecia saber que eu estava encarando. Encarando enquanto ele me encarava, até que a coisa mais esquisita já presenciada por mim aconteceu: o rapaz puxou um celular cheio de cobras saindo pelas entradas de fone de ouvido e carregador. Inconscientemente, soltei um grito e acabei derrubando o meu material, atraindo, é claro, todas as atenções – nem precisei ouvir o professor me colocar para fora no mesmo instante. Sem qualquer relutância, recolhi as minhas coisas com o rosto fervendo (tanto pelo susto quanto pela vergonha) e o coração acelerado.

Quando puxei a maçaneta, porém, um choque atingiu a minha mão tão violentamente que quase a senti queimar. Exclamei alto pela segunda vez naquele dia. O que, de verdade, estava acontecendo comigo? Eu gostaria de ligar para minha mãe, mas não tinha um telefone celular. Aparelhos assim eram um luxo. Enquanto ouvia as risadas ecoarem na sala, apressei-me pelo corredor vazio e tomei a direção contrária do escritório, indo diretamente para a saída da escola, e, como a minha "sorte" não tinha fim, esbarrei em mais uma aberração.

Era um desastre para a moda. Um homem vestia calça de moletom e a parte de cima do que parecia ser um pijama, além de um elmo com asinhas douradas, que se mexiam de verdade. Engoli em seco e afastei a ideia de explodir ali mesmo. “Ahn, sinto muito.” Desculpei-me antes de desviar do estranho, que gargalhou. Era oficial: a maluquice no dia de hoje não estava em falta. “Não precisa ter pressa, Helena Thureau-Dangin. De fato, seu guardião já deveria estar aqui, mas parece que aconteceram alguns imprevistos no caminho...” Olhei para ele em total confusão. Nunca tinha visto aquele homem na vida, e, ainda assim, ele sabia meu nome e não dizia nada minimamente compreensível.

“Desculpe, nós nos conhecemos? Realmente não sei do que está falando.” Tentei soar o mais calma e educada possível, na situação em que me encontrava. Ainda sentia agitação dentro de mim. “Ah, acontece de eu saber uma coisa ou duas sobre você. E o que posso te dizer, Helena, é que você está em perigo; não só isso, como alguém muito poderoso precisa te manter segura. Eu não posso te ajudar diretamente por ordens bem restritas, mas nada que não me impeça de te dar uma carona. Se você correr, pode encontrar uns amigos meus no caminho.” Certo. Um desconhecido parecia saber mais sobre mim mesma do que eu, só fazia afirmações duvidosas e era muito suspeitos. Então sair dali realmente parecia a opção mais viável, e foi o que fiz.

É claro que eu nem ao menos procurei pelos tais amigos, afinal, tinha até medo do que poderia acabar encontrando. Em vez disso, tinha pegado o ônibus para casa e agora estava frente a frente com a minha mãe, Daliah Thureau-Dangin: sim, descendente de arqueólogos e historiadores franceses, e, assim como todos eles, se dedicava ao estudo de tudo isso. Pinturas, projetos e livros estavam sempre acumulados em nosso apartamento, ao ponto de eu mal conseguir sentir outro cheiro que não fosse de tinta.

Mais uma vez, havia algo errado. Mamãe não disse nada, mas eu pude ver por sua expressão preocupada, linhas do rosto franzidas e rosto inchado. Sem dúvidas ela tinha chorado, e aquilo era algo que não acontecia desde... bem, desde que eu era muito pequena. Muito mesmo. “Mãe?” Eu me aproximei. Ela sorriu de um jeito cansado, o que me deixou uma maior pilha de nervos ainda. “Tudo bem?” Me sentei ao seu lado no sofá, e ela suspirou.

“Hels, precisamos conversar” Um arrepio espalhou-se por toda minha espinha com as palavras, mesmo pronunciadas de forma calma e controlada. Eu estava esperando que aquele fosse somente mais um dia louco, como tantos outros que já tinha vivenciado antes. Depois de uma pausa incrivelmente longa, ela umedeceu os lábios e disse, suavemente: “É sobre o seu pai.”

setembro de 2008 - long island
A noite agora caía sobre as estradas de Nova Iorque. As estrelas davam um alô, e eu estava longe o suficiente da cidade para poder vê-las de perto. A visão do céu me deslumbrava... e eu não queria pensar no motivo para isso.

Todas as informações ainda giravam em minha mente. Embora eu ainda não conseguisse digerir tudo aquilo, o brilho nos olhos da minha mãe e tudo em seu semblante indicava que aquela era a mais pura verdade. Eu, filha de Zeus? Quer dizer, Zeus... Zeus, de verdade? Seria demais para qualquer um, porém tudo o que eu tinha presenciado nas últimas horas davam à teoria o benefício da dúvida. Preferi acreditar.

Voltando para o presente, estou dentro de um táxi e meu objetivo era encontrar duas pessoas num lugar que não conhecia. Mamãe disse que são como eu e me levariam para um lugar seguro para nós. Na verdade, eles é quem deveriam me buscar no apartamento, só que foram interceptados no meio do caminho. E, pode acreditar, quem quer que estivesse atrapalhando os planos de resgate, deixou um buraco bem bonito na parede da nossa sala de estar depois de explodi-la; mais uma razão para eu acreditar em toda a loucura. Só esperava que minha mãe continuasse sã e salva na casa da vovó.

Estava tão absorta nos meus próprios pensamentos sobre a situação que mal percebi quando o carro começou a desacelerar. E desacelerou mais uma vez. O motorista tentou pressionar o pedal com força, mas, outra vez, o veículo ficou mais lento. Meus olhos foram até o símbolo do tanque próximo ao volante: indicava 'vazio'.

"Ah, ótimo" Resmunguei. O motorista tentou se desculpar, e eu apenas confirmei com a cabeça, já que não podia me atrasar. Dei-lhe alguns trocados pela carona até ali e desci, enfrentando a rodovia sozinha, esfregando os braços enquanto caminhava pelo desconhecido. Sim, estava escuro, e sim, era perigoso e, sim, era assim que todo mundo morria nos filmes de terror, mas eu precisava encontrar os outros semideuses a quem minha mãe se referiu. Minha vida talvez dependesse disso.

Antes que eu me afastasse muitos passos do táxi, ouvi uma voz feminina atrás de mim, surpreendendo-me totalmente.

"Ei, você vai descer aqui? O  táxi 'tá livre?" Tentei não demonstrar o meu choque, e a avaliei. Parecia ter minha idade, tinha o cabelo cortado bem curto e pele bronzeada, além de ser um pouco mais baixa. Levava uma mochila nas costas.
"Quê? Ah, não. Eu desci porque está sem combustível. De onde você saiu?" Perguntei inquisitivamente, estreitando os olhos. "Não te ouvi chegando."
"Eu sou silenciosa assim mesmo, é de família." A garota respondeu apressadamente, antes de olhar para trás. "Se eu fosse você, sairia logo daqui. Ou correria. Correria bem rápido daqui."
"E por qual motivo exatamente?"
"Bem, provavelmente estão me alcançando... Digo, se eu tivesse um táxi a disposição, seria diferente, mas como não tem nenhum..."
Cruzei os braços, prestes a soltar um suspiro. "Dá pra falar um pouco mais devagar? Quem está te alcançando? Tem alguém te perseguin...?"
A garota voltou a andar, deixando-me pra trás. "Na verdade, é alguma coisa, não alguém, mas esquece. Está tudo bem."

Algo em mim gritava que não tinha nada de bom ali, portanto a segui. "Peraí, tá tudo bem mesmo? Qual seu nome? E por que você está no meio do nada?"
"Está, sim, é Harriet e estou indo para um acampamento."
Parei de andar. "Acampamento? Que tipo de acampamento?"
Diferente de mim, Harriet começou a andar mais rápido ainda. "Ah, acampamento de verão, ué."
"Estamos no outono." Observei, apressando o passo atrás dela.
"Tanto faz."
Estava prestes a lançar mais uma pergunta quando avistei alguma coisa se aproximando depressa pela pista.
"O que é aquilo?"
Harriet xingou num idioma diferente, embora eu tenha conseguido compreender que era algo bem ruim. "Você consegue enxerg...? Deixa pra lá, não importa agora. Aquilo ali é exatamente do que estou fugindo. Quimeras. A cidade está infestada delas e não faço a menor ideia do motivo."
Um rosnado alto quebrou o silêncio da noite e arrepiou-me por inteira. Coloquei força nos pés e comecei a correr com Harriet.
"A gente não está perto desse tal acampamento?!" Gritei para ser ouvida, já que ela estava bem mais adiantada do que eu.
"Ali!" Ela berrou de volta.
Nós duas começamos a ganhar velocidade, contornando árvores e pulando pedras e troncos. Atrás de nós, as quimeras deixavam fagulhas.
"N-Nós devemos estar perto agora... Não tenho muito senso de direção..." Ela murmurou, alto o suficiente para que eu conseguisse captar algumas palavras.
"Você o q..." Comecei a protestar, mas ao invés disso gritei ao prender o pé na raiz de uma árvore. As palmas das minhas mãos se abriram para suavizar a queda, e senti uma rocha afiada cortar o meu joelho. Mordi o lábio com força, grunhindo.
"Ah, droga!" Harriet reclamou, parando para me ajudar. "Levanta! Elas tão ganhando velocidade!"

Outro rosnado encheu os meus ovidos e virei-me a tempo de ver uma enorme quimera arrastando-se bem em minha direção. Desviei para o lado oposto e gemi de dor, checando a perna – sangue se espalhava pela minha calça.

"Cuidado!" Harriet berrou para me alertar antes de se atirar em minha frente, me jogando no chão enquanto a quimera avançava sob as nossas cabeças. Consegui sentir todo o calor de suas chamas.

Tão rápido quanto tinha caído, estava em pé outra vez, com Harriet me apoiando em seu ombro para andarmos mais rápido na direção de um ponto específico entre as árvores: a luz do acampamento para o qual estávamos indo. Logo nos encontrávamos frente a frente com um grande arco que marcava a entrada.

"EI!" Harriet urrou outra vez. "Vem logo!"

Por algum motivo, eu não conseguia me mover. Estava parada com os olhos vidrados no arco, como se ondas que irradiavam energia, como um chamado me invadisse. Me virei lentamente para as quimeras que me cercavam, observando-as. Eu soube que elas também sentiram. O poder. Estavam me rondando, enquanto rugidos eram emitidos de suas gargantas. Eram caçadoras e eu era a presa.

Atrás de mim, conseguia ouvir o som abafado de várias vozes gritando, porém nenhuma me alcançando de verdade.

Os olhos de uma das quimeras brilhou e ela finalmente avançou, tomando coragem suficiente para me desafiar.

Continuei de pé, incapaz de sair do ponto onde estava.

Paralisada.

Repentinamente, um braço me agarrou pelos ombros e senti que alguém me carregava para deixar a floresta, ultrapassando as barreiras do acampamento.

Um trovão estrondou no céu, fazendo as estruturas do ambiente tremerem.

E, pela primeira vez naquele dia, me deixei ser levada pelas trevas da inconsciência.

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Re: Ficha de Reclamação para Três Grandes

Mensagem por 146-ExStaff em Sex Out 19, 2018 10:26 am




Avaliação — Helena Thureau-Dangin


Fico triste em ter que fazer essa avaliação para você, Helena. Sua escrita é maravilhosa e me senti tão envolvida com a personagem que parece que eu já a conhecia. Os detalhes acerca da semideusa e do background foram esplêndidos, mas faltou uma coisinha obrigatória no seu teste: o momento da reclamação.

Li e reli seu texto tentando perceber esse momento, mas não encontrei. Seu personagem pode descobrir ser filho de um deus da maneira que desejar, mas a narração do momento em que o olimpiano reclama a criança como seu filho deve ser exposto no texto (toda aquela história de aparecer um símbolo sobre a cabeça, lembra?). Adicione esse item em sua ficha e tenho certeza que será a próxima cria de Zeus do PJBR.

Parabéns até aqui e espero sua segunda tentativa!


Resultado

Reprovada como filha de Zeus;




Atualizado






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Re: Ficha de Reclamação para Três Grandes

Mensagem por Helena Thureau-Dangin em Sex Out 19, 2018 11:12 pm




FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Desejo ser reclamada por Zeus por n motivos, mas principalmente por nunca ter interpretado uma personagem descendente do senhor do Olimpo antes e por tê-lo escolhido de acordo com as qualidades que construí para Helena.

— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

Suas características físicas poderiam ser consideradas singulares, ainda que tão comuns, encontradas em qualquer esquina de Nova Iorque. Helena foi agraciada por seus parentes, divino e mortal, com orbes azuis-céu, límpidas e espelhadas, que expressam toda sua curiosidade; nariz pontudo e fino, lábios carnudos, sobrancelhas cheias, pele clara, sorriso travesso exibido em momentos propícios. Os elogios sempre foram intermináveis para descrevê-la. Ainda que sua própria mente os aceitasse com carinho, as honrarias ao seu rosto sempre foram questionadas por ela mesma.

Assim como seu pai, Helena possui um talento natural para atrair pessoas, inspiradas por suas atitudes condescendentes. É uma líder nata, irradia autenticidade e altruísmo, porém todo o seu bom espírito acaba sendo prejudicial – quando acredita e realmente se preocupa com uma pessoa, pode se envolver demais com seus problemas e esquecer-se de cuidar de si própria.

Incisiva. Indecisa. Admiradora. Criada no meio artístico, Helena permitiu-se crescer com o caráter formado com grande sensibilidade. É curiosa e distraída, parecendo estar sempre nas nuvens e analisando aquilo que é ou o que poderia ser. Talvez esse seja o seu maior forte como uma descendente de Zeus: a observação antes da ação, embora os sentimentos estejam frente à razão. Nenna é detalhista e perfeccionista, procurando sempre aperfeiçoar suas ações, e tende a ficar frustrada quando não consegue o esperado, cobrando muito de si mesma por diversas vezes.

— História do Personagem/Missão de Reclamação:

julho de 1992 - empire state building
A figura esguia e esbelta de Hera, a encarar por uma das janelas do Empire State com um olhar indecifrável, os lábios crispados, tornava a visão assustadora para os outros olimpianos: a rainha do Olimpo, com uma expressão fria e calculista no rosto, não poderia indicar que muita coisa boa estaria por vir.

A imagem do jardim plantado ao seu mando continuava a mesma: tulipas, rosas silvestres e margaridas, todas espalhadas, bem cuidadas e podadas. Sem dúvidas, uma linda vista. Sua atenção foi desviada para outro ponto em Manhattan, embora seu olhar tenha permanecido penetrante. “Você não deveria estar aqui.”, sussurrou Hera com a voz carregada em desprezo, para ninguém em particular. As palavras pairaram no ar, rodopiando pela sala como uma notável ameaça.

Zeus não era perfeito. Quebrava regras que ele mesmo impunha, incluindo o Tratado que deveria garantir sua segurança e de seus irmãos, assim como o equilíbrio do mundo.

setembro de 2008 - escola de ensino médio the dome
Tap. Tap. Tap. Faziam os meus dedos inquietos, desesperados enquanto buscavam algo de interessante durante a aula de Física - possivelmente a matéria mais entediante existente - para desenhar. Estava preparada para me arremessar contra o quadro negro, desesperada para acabar com todas aquelas fórmulas que começavam a embaralhar-se bem diante dos meus olhos, mais uma coisa fora de meu controle. Não havia nada que eu pudesse fazer para impedir a dislexia de me pregar peças o tempo inteiro, ao que parecia.

Conseguia sentir os olhos de Lily Loe, minha colega de quarto e surpreendentemente dupla em mais de uma aula durante as quintas-feiras, cravados em mim como facas. Lily pensa em mim como uma delinquente desordeira, cujo único propósito seria atrapalhar a concentração dos alunos esforçados; devo admitir que ela não está completamente errada. Ainda acredito que seja um milagre uma quarta escola me aceitar, depois de todo o meu histórico escolar desastroso e problemático. Justamente por esse motivo, eu tentava me esforçar bastante para não trazer mais nenhum problema para minha mãe - ela já tinha o suficiente com o que se preocupar, agora que suas fotografias não vendiam mais como antes e os jornais não a procuravam tão frequentemente para analisar obras famosas. Pelo visto, o pensamento da minha mãe a respeito dos movimentos artísticos estavam se tornando obsoletos.

Respirei fundo e observei outros pontos da sala, tentando focar pelo menos em alguma coisa específica (e não prejudiciais à minha sanidade mental, como a matéria no quadro e a fúria de Lily Loe) e dei de cara com alguém encarando-me diretamente ao lado de fora da sala, pela janela. Endireitei-me na cadeira e desviei o olhar, tentando demonstrar o quanto estava desconfortável. Eu absolutamente não me sentia bem com pessoas me encarando, ainda mais quando ele parecia saber que eu estava encarando. Encarando enquanto ele me encarava, até que a coisa mais esquisita já presenciada por mim aconteceu: o rapaz puxou um celular cheio de cobras saindo pelas entradas de fone de ouvido e carregador. Inconscientemente, soltei um grito e acabei derrubando o meu material, atraindo, é claro, todas as atenções – nem precisei ouvir o professor me colocar para fora no mesmo instante. Sem qualquer relutância, recolhi as minhas coisas com o rosto fervendo (tanto pelo susto quanto pela vergonha) e o coração acelerado.

Quando puxei a maçaneta, porém, um choque atingiu a minha mão tão violentamente que quase a senti queimar. Exclamei alto pela segunda vez naquele dia. O que, de verdade, estava acontecendo comigo? Eu gostaria de ligar para minha mãe, mas não tinha um telefone celular. Aparelhos assim eram um luxo. Enquanto ouvia as risadas ecoarem na sala, apressei-me pelo corredor vazio e tomei a direção contrária do escritório, indo diretamente para a saída da escola, e, como a minha "sorte" não tinha fim, esbarrei em mais uma aberração.

Era um desastre para a moda. Um homem vestia calça de moletom e a parte de cima do que parecia ser um pijama, além de um elmo com asinhas douradas, que se mexiam de verdade. Engoli em seco e afastei a ideia de explodir ali mesmo. “Ahn, sinto muito.” Desculpei-me antes de desviar do estranho, que gargalhou. Era oficial: a maluquice no dia de hoje não estava em falta. “Não precisa ter pressa, Helena Thureau-Dangin. De fato, seu guardião já deveria estar aqui, mas parece que aconteceram alguns imprevistos no caminho...” Olhei para ele em total confusão. Nunca tinha visto aquele homem na vida, e, ainda assim, ele sabia meu nome e não dizia nada minimamente compreensível.

“Desculpe, nós nos conhecemos? Realmente não sei do que está falando.” Tentei soar o mais calma e educada possível, na situação em que me encontrava. Ainda sentia agitação dentro de mim. “Ah, acontece de eu saber uma coisa ou duas sobre você. E o que posso te dizer, Helena, é que você está em perigo; não só isso, como alguém muito poderoso precisa te manter segura. Eu não posso te ajudar diretamente por ordens bem restritas, mas nada que não me impeça de te dar uma carona. Se você correr, pode encontrar uns amigos meus no caminho.” Certo. Um desconhecido parecia saber mais sobre mim mesma do que eu, só fazia afirmações duvidosas e era muito suspeitos. Então sair dali realmente parecia a opção mais viável, e foi o que fiz.

É claro que eu nem ao menos procurei pelos tais amigos, afinal, tinha até medo do que poderia acabar encontrando. Em vez disso, tinha pegado o ônibus para casa e agora estava frente a frente com a minha mãe, Daliah Thureau-Dangin: sim, descendente de arqueólogos e historiadores franceses, e, assim como todos eles, se dedicava ao estudo de tudo isso. Pinturas, projetos e livros estavam sempre acumulados em nosso apartamento, ao ponto de eu mal conseguir sentir outro cheiro que não fosse de tinta.

Mais uma vez, havia algo errado. Mamãe não disse nada, mas eu pude ver por sua expressão preocupada, linhas do rosto franzidas e rosto inchado. Sem dúvidas ela tinha chorado, e aquilo era algo que não acontecia desde... bem, desde que eu era muito pequena. Muito mesmo. “Mãe?” Eu me aproximei. Ela sorriu de um jeito cansado, o que me deixou uma maior pilha de nervos ainda. “Tudo bem?” Me sentei ao seu lado no sofá, e ela suspirou.

“Hels, precisamos conversar” Um arrepio espalhou-se por toda minha espinha com as palavras, mesmo pronunciadas de forma calma e controlada. Eu estava esperando que aquele fosse somente mais um dia louco, como tantos outros que já tinha vivenciado antes. Depois de uma pausa incrivelmente longa, ela umedeceu os lábios e disse, suavemente: “É sobre o seu pai.”

setembro de 2008 - long island
A noite agora caía sobre as estradas de Nova Iorque. As estrelas davam um alô, e eu estava longe o suficiente da cidade para poder vê-las de perto. A visão do céu me deslumbrava... e eu não queria pensar no motivo para isso.

Todas as informações ainda giravam em minha mente. Embora eu ainda não conseguisse digerir tudo aquilo, o brilho nos olhos da minha mãe e tudo em seu semblante indicava que aquela era a mais pura verdade. Eu, filha de Zeus? Quer dizer, Zeus... Zeus, de verdade? Seria demais para qualquer um, porém tudo o que eu tinha presenciado nas últimas horas davam à teoria o benefício da dúvida. Preferi acreditar.

Voltando para o presente, estou dentro de um táxi e meu objetivo era encontrar duas pessoas num lugar que não conhecia. Mamãe disse que são como eu e me levariam para um lugar seguro para nós. Na verdade, eles é quem deveriam me buscar no apartamento, só que foram interceptados no meio do caminho. E, pode acreditar, quem quer que estivesse atrapalhando os planos de resgate, deixou um buraco bem bonito na parede da nossa sala de estar depois de explodi-la; mais uma razão para eu acreditar em toda a loucura. Só esperava que minha mãe continuasse sã e salva na casa da vovó.

Estava tão absorta nos meus próprios pensamentos sobre a situação que mal percebi quando o carro começou a desacelerar. E desacelerou mais uma vez. O motorista tentou pressionar o pedal com força, mas, outra vez, o veículo ficou mais lento. Meus olhos foram até o símbolo do tanque próximo ao volante: indicava 'vazio'.

"Ah, ótimo" Resmunguei. O motorista tentou se desculpar, e eu apenas confirmei com a cabeça, já que não podia me atrasar. Dei-lhe alguns trocados pela carona até ali e desci, enfrentando a rodovia sozinha, esfregando os braços enquanto caminhava pelo desconhecido. Sim, estava escuro, e sim, era perigoso e, sim, era assim que todo mundo morria nos filmes de terror, mas eu precisava encontrar os outros semideuses a quem minha mãe se referiu. Minha vida talvez dependesse disso.

Antes que eu me afastasse muitos passos do táxi, ouvi uma voz feminina atrás de mim, surpreendendo-me totalmente.

"Ei, você vai descer aqui? O  táxi 'tá livre?" Tentei não demonstrar o meu choque, e a avaliei. Parecia ter minha idade, tinha o cabelo cortado bem curto e pele bronzeada, além de ser um pouco mais baixa. Levava uma mochila nas costas.
"Quê? Ah, não. Eu desci porque está sem combustível. De onde você saiu?" Perguntei inquisitivamente, estreitando os olhos. "Não te ouvi chegando."
"Eu sou silenciosa assim mesmo, é de família." A garota respondeu apressadamente, antes de olhar para trás. "Se eu fosse você, sairia logo daqui. Ou correria. Correria bem rápido daqui."
"E por qual motivo exatamente?"
"Bem, provavelmente estão me alcançando... Digo, se eu tivesse um táxi a disposição, seria diferente, mas como não tem nenhum..."
Cruzei os braços, prestes a soltar um suspiro. "Dá pra falar um pouco mais devagar? Quem está te alcançando? Tem alguém te perseguin...?"
A garota voltou a andar, deixando-me pra trás. "Na verdade, é alguma coisa, não alguém, mas esquece. Está tudo bem."

Algo em mim gritava que não tinha nada de bom ali, portanto a segui. "Peraí, tá tudo bem mesmo? Qual seu nome? E por que você está no meio do nada?"
"Está, sim, é Harriet e estou indo para um acampamento."
Parei de andar. "Acampamento? Que tipo de acampamento?"
Diferente de mim, Harriet começou a andar mais rápido ainda. "Ah, acampamento de verão, ué."
"Estamos no outono." Observei, apressando o passo atrás dela.
"Tanto faz."
Estava prestes a lançar mais uma pergunta quando avistei alguma coisa se aproximando depressa pela pista.
"O que é aquilo?"
Harriet xingou num idioma diferente, embora eu tenha conseguido compreender que era algo bem ruim. "Você consegue enxerg...? Deixa pra lá, não importa agora. Aquilo ali é exatamente do que estou fugindo. Quimeras. A cidade está infestada delas e não faço a menor ideia do motivo."
Um rosnado alto quebrou o silêncio da noite e arrepiou-me por inteira. Coloquei força nos pés e comecei a correr com Harriet.
"A gente não está perto desse tal acampamento?!" Gritei para ser ouvida, já que ela estava bem mais adiantada do que eu.
"Ali!" Ela berrou de volta.
Nós duas começamos a ganhar velocidade, contornando árvores e pulando pedras e troncos. Atrás de nós, as quimeras deixavam fagulhas.
"N-Nós devemos estar perto agora... Não tenho muito senso de direção..." Ela murmurou, alto o suficiente para que eu conseguisse captar algumas palavras.
"Você o q..." Comecei a protestar, mas ao invés disso gritei ao prender o pé na raiz de uma árvore. As palmas das minhas mãos se abriram para suavizar a queda, e senti uma rocha afiada cortar o meu joelho. Mordi o lábio com força, grunhindo.
"Ah, droga!" Harriet reclamou, parando para me ajudar. "Levanta! Elas tão ganhando velocidade!"

Outro rosnado encheu os meus ovidos e virei-me a tempo de ver uma enorme quimera arrastando-se bem em minha direção. Desviei para o lado oposto e gemi de dor, checando a perna – sangue se espalhava pela minha calça.

"Cuidado!" Harriet berrou para me alertar antes de se atirar em minha frente, me jogando no chão enquanto a quimera avançava sob as nossas cabeças. Consegui sentir todo o calor de suas chamas.

Tão rápido quanto tinha caído, estava em pé outra vez, com Harriet me apoiando em seu ombro para andarmos mais rápido na direção de um ponto específico entre as árvores: a luz do acampamento para o qual estávamos indo. Logo nos encontrávamos frente a frente com um grande arco que marcava a entrada.

"EI!" Harriet urrou outra vez. "Vem logo!"

Por algum motivo, eu não conseguia me mover. Estava parada com os olhos vidrados no arco, como se ondas que irradiavam energia, como um chamado me invadisse. Me virei lentamente para as quimeras que me cercavam, observando-as. Eu soube que elas também sentiram. O poder. Estavam me rondando, enquanto rugidos eram emitidos de suas gargantas. Eram caçadoras e eu era a presa.

Atrás de mim, conseguia ouvir o som abafado de várias vozes gritando, porém nenhuma me alcançando de verdade.

Os olhos de uma das quimeras brilhou e ela finalmente avançou, tomando coragem suficiente para me desafiar.

Continuei de pé, incapaz de sair do ponto onde estava.

Paralisada.

Repentinamente, um braço me agarrou pelos ombros e senti que alguém me carregava para deixar a floresta, ultrapassando as barreiras do acampamento.

Um trovão estrondou no céu, fazendo as estruturas do ambiente tremerem.

E, pela primeira vez naquele dia, me deixei ser levada pelas trevas da inconsciência.

setembro de 2008 - acampamento meio-sangue

Sonhei com nuvens de tempestade. Elas preenchiam o céu, sobrepondo-se umas sobre as outras para criar um tom acinzentado e deprimente. O ar pesado e úmido, tornando a respiração pesada. Foi por causa de todos os tons neutros que não prestei atenção no homem que se camuflava entre as nuvens, como se fosse o próprio céu.

“Helena.” Me sobressaltei diante da voz, fixando o olhar no homem perto do nevoeiro. Ele não parecia ter mudado nada: usava terno, a postura continuava ereta, a gravata bem amarrada e uma barba concedendo-lhe uma expressão de seriedade, que me fazia querer me tornar mais responsável imediatamente. Para completar, nossos olhos eram idênticos. Não tinha erro.
“Pai.” Eu ofeguei, tendo a visão esquisita de um sorriso fechado ser esboçado no rosto do meu pai. Senti meu estômago revirar. Aquilo definitivamente não combinava com ele.
“Hels.” Ele repetiu, a voz tornando-se suave. “Olhe só para você, está crescida.”
“É, faz quase duas décadas.” Comentei, sentindo a minha voz arranhar a gargante. Parecia que tinha gritado durante o dia inteiro, mas deveria ser apenas o ar rarefeito. Se minha fala o ofendeu de qualquer maneira, meu pai não se deixou intimidar.
“Bom, é verdade. Você provavelmente deve ter várias perguntas para me fazer.” Algumas? Eu tinha pelo menos milhares. Não consegui responder. “De qualquer forma, você gostou do Acampamento? Uma boa ideia, não é? Um acampamento de verão para metade de deuses” O som de seu riso me fez lembrar de uma ventania soprando contra árvores. Estranho. “Quem diria que uma coisa como essa poderia existir? Mas é seguro aqui, e você estará fora do caminho de quaisquer males.”
“Não vou ficar” Interrompi.
“Como?”
“Eu disse que não vou ficar. Não posso. Preciso voltar para ajudar a minha mãe e a minha avó.” Levantei o rosto para encará-lo. “Lembra delas?”
“É claro que me lembro. Sinto muito apreço pela sua mãe, até os dias de hoje. Como poderia esquecer?”
“É uma maneira bem engraçada de demonstrar afeto, deixar a família assim.”
Os lábios dele se fecharam numa finíssima linha.
“Mais do que ninguém, você já deveria saber que isso não seria possível. Tenho meus deveres e responsabilidades como o senhor do Olimpo. Fiquei pelo tempo que pude.”
“O senhor, então, deveria saber que nenhuma desculpa será boa o suficiente. Sinto muito, não sei se serei capaz de perdoá-lo. Por que não aparecer pelo menos uma vez?” Repliquei, elevando um pouco o meu tom de voz. Meu pai ficou em silêncio e uma breve pausa, parecendo durar uma eternidade, nos atravessou.
“Não posso consertar o passado, porém preciso garantir que esteja segura no futuro. Você ficará no Acampamento Meio-Sangue, Helena.”
“Não posso fazer isso com a minha família, não como você fez.” A decepção em minha voz era perceptível e senti vontade de começar a chorar.
“Não é algo de que pode simplesmente fugir. Não pode voltar para a cidade e esquecer do que passou, fingir que tudo isso não existe. Faz parte de você e está no seu sangue.”
“Não vai me fazer mudar de ideia.”
Zeus bufou e balançou a cabeça em seguida. “Sim, estou percebendo. Você deixou isso bem claro.” Ele se calou, antes de acenar com a cabeça. “Foi bom te ver, Hels.”
Senti um baque no fundo do meu peito, sabendo que ele diria adeus de novo e desapareceria. Talvez tivesse sido dura demais, e só queria o meu pai de volta. Mas essa pessoa não era o meu pai.
Eu não o conhecia.
Mesmo assim, abri a boca, pronta para chamá-lo novamente e para fazer as perguntas que me perturbavam...

Acordei com um sobressalto. Sentei tão rápido na cama que o cobertor foi arremessado no chão. Pisquei várias vezes, tentando recuperar os sentidos. O sonho pareceu tão vívido e tangível, deixando-me ao mesmo tempo nostálgica, vazia, cheia, confusa.

O quarto em que me encontrava estava frio e vazio e apenas o som da chuva era ouvido. Fui até a porta, descobrindo que estava trancada, mas a janela certamente não estava.

Uma vez fora dali, comecei a correr, sem um rumo definido. Não parecia ter muita gente acordada, eram por volta das quatro da manhã; aproveitei para dar uma volta nos arredores, antes de ser surpreendida por um garoto – só podia ser um meio-sangue, aparecendo assim, do nada.

“Espertinha ou suicida?” Ele perguntou. “Essas matas são perigosas e você não faz ideia do que está fazendo. As quimeras...”
“Certo, entendi o recado.” Grunhi. Não era a minha intenção ser grosseira com o garoto, mas a situação dos últimos dias estava me deixando muito irritada.
O garoto pareceu nem ter me ouvido. “Como ia dizendo, o sangue nas suas veias atrairá certas coisas até aqui e eles não se importarão com quem você é ou com sua família. Você precisa voltar para a Enfermaria. Sinto muito.” Pisquei. Então monstros viriam atrás da minha mãe e da minha avó; me lembrei do quão impotente me senti na noite anterior. “Você vai se adaptar e quem sabe consiga enfrentar uma quimera sem nem parar para pensar.”

Então eu teria de escolher entre deixar a minha família ou trazer perigo para ela ao voltar. Suspirei, passando a mão pelos cabelos, com a decisão pesando em minha cabeça.

A leste, o sol começou a iluminar o horizonte. A chuva tinha se tornado amena, porém as nuvens se fecharam ao redor do acampamento como um telhado cinzento, escurecendo apenas a área em que estávamos. Olhei para cima, erguendo uma sobrancelha e tentando entender o que era aquilo; não percebi enquanto o menino se ajoelhou, inclinando a cabeça, assim como também não percebi um trovão e pequenos raios acima de mim, parecendo girarem ao meu redor. O garoto, por outro lado, parecia saber muito bem o que significavam: um símbolo, uma marca, uma bênção.
Uma reclamação.
“Saudações à Helena Thureau-Dangin, filha do Senhor dos Céus – o grande Zeus.” Ele murmurou. Nem parei para ponderar como sabia meu nome, continuava boquiaberta.
“Tudo bem.” Sussurrei. “Tudo bem, vou ficar aqui. Por ora.”
O semideus se levantou, olhando para o que me pareceu uma infinidade de locações no meio do acampamento.
“Vamos voltar. Tenho a impressão de que já devem estar terrivelmente ansiosos em relação ao seu sumiço agora. Imagine só até descobrirem sua filiação... Ah, cara. Quíron vai ter um trabalhão.”

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Re: Ficha de Reclamação para Três Grandes

Mensagem por Hades em Dom Out 21, 2018 6:24 pm




Avaliação — Helena Thureau-Dangin


Boa noite, Helena. Sua ficha não me deixa muita margem para reclamar. Fiquei preocupado quando as quimeras começaram a aparecer, mas você soube lidar com elas sem deixar a história incoerente, sem ações fora da realidade de sua personagem. Na verdade, até estou interessado no motivo pelo qual a cidade está infestada de quimeras. Espero ler mais sobre isso em breve. Não houve problemas sérios em ortografia. Em alguns pontos, você foi até mais objetiva do que o que se exige. A falta de reação de Hermes quando você encerra a conversa com ele e a falta de menção à destruição na sala de estar durante a conversa com sua mãe (que é citada uns parágrafos à frente) dá uma sensação de que os fatos estão "picotados". Quanto à estrutura do texto, você trocou as cores que usa para Helena e para o restante dos personagens na conversa com Harriet e durante o sonho com Zeus. Mas essas coisas descontariam poucos pontos. Seria muita insensibilidade minha retirá-los numa ficha de reclamação. Peço apenas que se atente aos pontos que eu citei e tente não cometê-los nos posts futuros. Sem mais, desejo parabéns e boa sorte para você, Helena.

Coerência: 75;
Coesão, estrutura e fluidez: 37,5;
Objetividade e Adequação à proposta: 22,5;
Ortografia: 15.

Resultado

Aceita como filha de Zeus;
Recompensa: 150 xp;
Item de reclamação padrão.




Aguardando Atualização






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Re: Ficha de Reclamação para Três Grandes

Mensagem por 147-ExStaff em Seg Out 22, 2018 9:31 am



Atualizado
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Re: Ficha de Reclamação para Três Grandes

Mensagem por Cheryl Lewis Habsburg em Sab Out 27, 2018 1:16 pm


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Zeus. A personagem que eu criei se encaixa com o temperamento e o que pensei para sua trama condiz com o deus escolhido. Alem disso sempre estudei mitologia grega e acho a historia de Zeus uma das mais incríveis.

— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

Cheryl sempre foi uma garota pálida, cabelos longos, negros e ondulados. Possui um maxilar quadrado e um queixo pontudo, sua testa é levemente mais larga que o normal o que a faz ter raiva e esconder com uma franja. Possui ombros curtos e finos, é esguia e alta e possui as pernas levemente tortas. Seus pés são maiores que o normal (38) e seu busto em compensação... bom, seus seios são medianos, se podemos assim dizer. Possui uma cintura pequena e quadris delineados. — Cheryl não é muito receptiva com pessoas novas, é divertida e atenta, gosta de conversar com os amigos e acima de tudo ama a companhia de seu irmão gêmeo Emmett, ao qual respeita mais ate que seus próprios pais. Ela e o irmão são extremamente ligados e protetores um com o outro e isso moldou sua forma de agir conforme amadurecia. Cheryl não é nada feminina, gosta de praticar esportes, lutar e se testar, ela é uma garota forte que quer se provar e atingir seus objetivos sem a ajuda de ninguém.

— História do Personagem — Missão de Reclamação

Voltávamos do ginásio esportivo da minha vizinhança em Richmond. Eu e meu irmão treinávamos lá para as regionais e competições em que participávamos no time da cidade; eu no arco e flecha e ele nas artes marciais. Ja Bell era ginasta, embora não disputasse mais depois que virou modelo... pelo menos mantinha o esporte porque ajudava em sua saúde e ela gostava de ter alguma coisa em comum com a gente. Sempre treinamos às quartas, sextas, sábados e hoje no domingo. Nossos horários eram as seis, saiamos de casa com o pai de Bell e voltávamos sozinhos de ônibus as doze e quinze da tarde. Já eram doze e dezessete quando passamos pela entrada do ginásio, eu estava com meu arco e flecha nas costas embalados na bolsa de couro e Emmett carregava o seu consigo, pois embora ele praticasse artes marciais curtia o arco assim como eu. Ja nossa amiga Bell vinha com seu colã e calça jeans, as bolsas no ombro e os cabelos amarrados em um coque bem alto como sempre - Senhoras e senhores, Arabella, a melhor ginasta desse mundo, aplausos, aplausos. - debochava de minha amiga enquanto aplaudia e reverenciava a garota de costas para a rua - Emmett quase matou o Paul hoje. - ri debochando do garoto que se achava o bad boy do pedaço, sempre soltando alguma gracinha ou dando em cima de mim nas horas vagas - Mentira dele eu vi ele quase estrangulou o nojento, bem merecido. - comento rindo após Mett se defender dizendo que eu estava exagerando, enquanto isso eu atravessava a rua, eles logo atrás de mim - Ta vendo porque somos melhores amigas? - ri quando ela concordou comigo e comentou sobre o evento, Mett apenas riu e revirou os olhos enquanto nós duas andávamos lado a lado três passos a frente dele. Mett sempre ficava atrás, acho que respeitava nosso espaço de garotas para fofocas e ficava andando la atrás com suas mãos nos bolsos da calça mesmo assim sempre interagindo conosco no caminho inteiro de volta para casa.


Pegávamos um ônibus e andávamos cerca de dois quarteirões até chegar em casa, Bell morava duas casas acima da nossa no outro lado da rua, mas como hoje tinha churrasco em casa ela foi com a gente direto para lá, até porque nossos pais namoravam desde que tínhamos quinze anos, eles contraíram esse relacionamento depois que Mett e eu fizemos amizade com Bell. Foi bom, minha mãe sempre esteve sozinha então quando começou a namorar o pai dela isso fez bem para sua autoestima e foi bom ter mais gente em casa com o passar do tempo, embora eles adiassem se casar, não me pergunte o porque, nunca entendi a cabeça desses dois - Cê quer apostar quanto que a mamãe inventou de fazer aquele pão de alho de novo? - murmurei para Mett enquanto cruzávamos a esquina da nossa rua, na varanda da casa amarela dona Esther parecia aflita com o telefone na mão conversando com certo nervosismo, ela nem nos notou passar, culpa do carro cinza escuro e da árvore grande que tinha naquele trecho da calçada, enquanto continuamos a caminhada notei que não só ela estava nervosa, como o senhor Petters parecia receoso e aflito, olhava para nossa casa enquanto a porta de sua casa entreaberta demonstrava pessoas andando de um lado para outro dentro da residência, quando nos viu ele nos encarou por alguns longos segundos e adentrou sua casa deixando a porta aberta, estava escuro, mas ainda consegui notar a silhueta de sem rosto e mão apontando para nossa casa. Fiquei confusa, havia acontecido alguma coisa de tão grave para eles estarem tão nervosos? Decidi apressar o passo, Emmett e Arabella também pareciam ter notado já que andaram tão rápido quanto a mim. Na entrada aberta da garagem que dava para o quintal de traz notei vasos de planta quebrados, rachados e terra espalhada, lixo rasgado e algumas coisas depredadas como nossa janela, cerca do jardim e gnomos entortados, ate mesmo minha bicicleta estava jogada, o pneu torcido embaixo do carro com traseira amassada - MAMÃE! - eu não consegui pensar corri para dentro enquanto deixava o arco e a flecha deslizarem pelo meu ombro, consequentemente eles caíram, mas não dei importância, apenas prossegui passando pelo arco da garagem até chegar no quintal onde vi minha mãe caída no chão no colo de Anthony que estava muito machucado assim como ela, porém, ainda parecia lúcido e bem comparado a ela, sua barriga estava cortada, dava pra notar já que sua blusa estava despedaçada em seu corpo, a sua pele estava completamente arranhada e suja de sangue, seus cabelos desgrenhados e rosto suado e machucado estavam tão pálidos que mal a reconheci - Mãe! - cai no chão segurando em seu braço direito, Thony estava sustentando seu corpo muito cabisbaixo e triste, estava tão machucado, mas não consegui dar muita atenção, só consegui ver Arabella correndo até ele completamente nervosa, já Mett estava comigo no chão segurando seu ombro a meu lado - Mas o que aconteceu aqui?! - questionei Thony que não conseguia falar, se bem que minha mãe não deixou, ela logo me cortou e puxou minha mão tomando minha atenção para si - Cheryl você tem que me escutar, você não é quem pensa que é, você tem que encontrar seu pai! - ela ficou rouca e sua voz falhou, tremia tanto que mal conseguia segurar minha mão - Holly não faça esforço! - pediu Thony enquanto a segurava com carinho, concordei com ele num 'éh' meio cabisbaixo, mas ela não nos escutou, como sempre - Eles precisam saber a verdade Anthony, você tem que me prometer de que vai contar tudo a eles, mostre para eles, eles precisam saber a verdade para se protegerem. Me prometa Anthony! - ele chorando prometeu com um gesto da cabeça e a beijou o topo da testa - Filha, me perdoa por ter mentido, eu não podia arriscar sua vida, tinha que proteger vocês dois, meus filhos. Me perdoem, amo vocês com toda minha vida. - ela olhou para Emmett com olhar triste e lacrimejando, segurou em seu rosto e acariciou enquanto o encarava com atenção - Cuida da sua irmã, não deixe que nada de mal aconteça a ela e nunca confie em ninguém além da sua família; Sua irmã, Anthony e a Arabella. - advertiu. Ela ainda comentou algo que não entendi bem o significado - Tem uma caixa embaixo da minha cama, ela tem uma chave daquele cofre lembra? Tudo o que precisarem vai estar la. - comentou ela com aquele olhar preocupado, ele pareceu entender, de alguma forma era algo que apenas os dois sabiam - Mãe se poupa você tem que melhorar, você não vai nos deixar! Você vai ficar boa e vai assistir a mim e ao Mett na final... - até então eu me contive e a deixei falar, mas eu estava chorando tanto que não consegui ouvir mais ela falar daquela forma, se despedindo - Você vai melhorar, eu sei que vai. - a mulher não conseguiu me olhar por muito tempo, gemeu de dor e apertou minha mão com força enquanto sua expressão ficava cada vez mais fraca - Eu fiz o meu melhor, tudo o que sempre fiz foi para o bem de vocês. Tem um lugar para pessoas como vocês, o Thony vai explicar tudo, la vocês vão achar pessoas que são como vocês, que podem te ajudar. - disse ela com a voz baixa e fraca, demorou minutos até que ela conseguisse dizer todas aquelas coisas para nós quatro, mas quando terminou ainda sorriu e teve a brecha para me fazer chorar mais uma vez - Acima de tudo, saiba que amo vocês Abelinha. - e seu sorriso doce me comoveu, ela olhou para Emmett ao mesmo tempo que me encarava, chorei como um bebezinho e minha visão já estava embaçada demais, mesmo assim consegui ver seus olhos fechando e sua cabeça caindo no colo de Mett. Thony a agarrou num abraço triste que me fez chorar, queria ter dado mais um abraço nela, ter dito que eu a amo e que eu a amaria sempre e que a perdoava não importa o que tenha feito, mas não consegui e só o que pude fazer foi me jogar nos braços de meu irmão e chorar o máximo que conseguia.


Depois da morte da minha mãe vários carros chegaram, ambulâncias e polícia que os vizinhos pediram. Anthony não nos deixou lidar com nada, Emmett me levou para dentro e Arabella ficou comigo enquanto ele voltava para ver se Anthony precisava de algo. Eu não estava acreditando no que estava acontecendo, eu não conseguia raciocinar, Bell acabou me dando uns calmantes depois de muita resistência minha e eu dormi. Quando acordei já estava em um carro junto de Bell e Mett, Thony dirigindo o veículo por uma estrada completamente estranha, uma área rural totalmente distante da nossa casa, imaginava - O que esta havendo? Onde estamos? Cade a mamãe? - disse com o rosto marcado pelas lagrimas que secaram em minha pele - Não sei, Anthony disse que estamos indo para um acampamento de pessoas especiais... Deve ser algum tipo de retiro hippie, sei lá. - encarei Anthony no volante, ele parecia nervoso com algo e eu só estava enfurecida - E a mamãe? E o enterro? Mett, cadê a mamãe? - as lagrimas rolaram pelo meu rosto novamente e Emmett agarrou minha cabeça com cuidado me pondo entre seus braços - Eu estou aqui, lembra quem foi que nasceu primeiro? Eu. Então não se preocupa, vou cuidar de você... Confia em mim? - concordei com a cabeça meio as lagrimas. Queria me fazer de forte, mas eu perdi todas as defesas quando fui aninhada pelo meu gêmeo mais velho... naquele momento passei a deixar minha proteção toda por conta dele e me permiti chorar o quanto queria.


Estava enfurecida com Anthony, enquanto eu estava ali suplicando que ele falasse comigo, a unica coisa que ele conseguia me responder era - Eu entendo. Soquei o banco do motorista por traz, Emmett tentou me segurar me pedindo para me controlar, mas ele sabia que eu estava com muito ódio para dar qualquer ouvidos a ele - Não Bell, não vou me acalmar, por que ele simplesmente viu minha mãe morrer e agora esta fugindo. Por que ele saiu vivo e ela não? Por que ele não a defendeu?! Olha o tamanho dele? Ja viu o tamanho da minha mãe? Ele podia te-la defendido, só estava com uns arranhões, enquanto ela estava completamente acabada! - Emmett segurou meus braços e tentou me conter, mas eu o soltei imediatamente o empurrando para longe - Não tenta defende-lo! Por que você deixou que ele nos trouxesse? Você devia ter ao menos nos feito esperar o enterro dela Emmett! - exclamei furiosa e chorando enquanto o encarava. Então o carro derrapou e girou na pista fazendo com que nós quase capotássemos.


Paramos e Anthony aparentemente apavorado saiu com exaspero do carro, gritou com Bell no banco do passageiro para que ela pegasse a arma no porta luvas e se esticou para o teto do carro. Segundos depois pude ver meu arco de competição e o de Mett serem retirados do teto. Ele esticou a mão para dentro do carro e pegou a arma que Bell lhe entregava - Querida, venha para cá e fique perto de mim... Rápido Arabella! - vi minha amiga ainda estremecida ir ate ele e quando tentei acompanhar seu trajeto com os olhos, ainda meio atordoada, vi o rosto apavorado de Anthony na janela a meu lado gritando para que eu saísse e pegasse meu arco. Eu não estava entendendo, Emmett levou três segundos para me fazer acordar e correr para fora. Eu fui com ele ate os arcos e os peguei, Thony estrava abrindo o porta malas, pegou nossos coldres de flechas e nos entregou olhando para o horizonte como se esperasse por alguma coisa - Ele sumiu... Ele estava naquela curva, como ele sumiu?! - olhei ao horizonte, a curva estava tão distante que as arvores, quando observadas com apenas um olho não chegavam nem a ter a altura do meu dedo mindinho - Mas a curva esta a metros daqui, esta a noite, você esta delirando Anthony, vamos voltar pra casa! - pedi, mas ele apenas ignorou. Ele olhou ao redor e não viu nada, assim como a mim - Me escuta Cheryl! Você, Emmet e Bell são semideuses! Vocês e Emmett são filhos de Zeus, Arabella é filha de Perséfone... Nesse momento tem um bicho muito feio e perigoso querendo nos matar, aquele que atacou sua mãe, ele veio atras de vocês, mas como sua mãe estava com uma blusa e um casaco seu, alem da sua casa ter seu cheiro, a criatura foi primeiro ate ela e eu não pude fazer nada. Ele apareceu de repente, eu não consegui protege-la, ela não deixou, ele parecia só ver a ela e quando tentei chamar a atenção dele aconteceu isso. - ele então mostrou o ferimento com curativo ainda recente, havia um pouco de sangue nele o que me deixava preocupada, pois poderia abrir a qualquer momento - E você espera que eu acredite nisso? Será que você não vai respeitar a morte da minha mãe? O que, te deram morfina demais e você enlouqueceu?! Você esta me falan... - quando ia terminar a frase ele puxou Bell e correu berrando que fugíssemos. A adrenalina subiu a níveis alarmantes quando olhei na direção do foco da visão de Anthony, vi então uma criatura de uns dois metros de altura vindo em nossa direção em alta velocidade. Emmett puxou a mim e começamos a correr imediatamente, mas ultrapassamos Anthony com tanta facilidade. Seu ferimento começou a abrir e ele caiu no chão - Mett! - exclamei vendo meu irmão gêmeo para poucos metros a minha frente. Ele pegou uma flecha de ferro e mirou no monstro de chifres e patas que começava a esmagar nosso carro. Arabella tentou pegar seu pai, mas ele lhe entregou sua arma e ela começou a atirar - Tenta mirar nele Bell! - exclamei apavorada. - Mett Pega o Anthony, rapido! Eu distraio a coisa! - berrei enquanto acenava para a besta e corria para o milharal à minha direita. A passos largos fui tomando distancia da besta, mas ele parecia estar mais focado em Thony e Bell - AQUI! AQUI SUA COISA FEIA E PODRE! - gritei com todo o folego do meu corpo, minha cabeça latejou de dor, mas mesmo assim, tomara pela adrenalina, conseguia manter o foco e entender o que deveria fazer "Se concentre, mantenha o foco, você sabe onde atingi-lo" uma voz na minha cabeça parecia me encorajar. Sempre escutei essa voz, era minha mente me dando conselhos eu pensava - VEM AQUI! - disparei uma flecha seguida da outra, as minhas flechas eram feitas de aço com uma ponta aguda e afiada para fincar mais fácil nos alvos - OLHA EU! METT SOCORRO! - berrei, não queria saber o que estava havendo, o bicho já estava vindo atras de mim e parecia ter um jato nas pernas já que me alcançava tão rápido. Ouvi tiros e o mostro foi atingido nas costas quase próximo a cabeça, mas o tiro nem o derrubou, apenas o fez berrar e somente aquele berro já me fez tremer. Mirei outra flecha em sua cabeça, parada desta vez, e atirei quando senti meu braço mais firme. A flecha atingiu o seu rosto e pelo berro e sua reação constatei que tinha acertado em cheio. O bicho levou as patas ao rosto e cambaleou e naquele instante entendi que eu não podia esperar algo acontecer. Corri o mais rápido que pude. Sem parar fui acompanhada por Emmett, por algum motivo Arabella veio conosco exasperada. A criatura ainda atordoada dei meia volta e começou a nos seguir pela estrada - Precisamos derrubar ele... Mett na cabeça, Bell atira na barriga dele, é grande você não vai errar. - afirmei a ela e logo paramos. A criatura vinha a passos largos, mas felizmente pude pegar uma flecha e ao meu berro atiramos todos ao mesmo tempo. Emmett e eu acetamos sua cabeça novamente e Bell atingiu o peito da criatura. O bicho caiu um segundo depois.


Depois daquele horror voltamos para Anthony, mas ele já estava quase desacordado, Bell foi tentar reanima-lo e então a seguimos - Thony, fica com a gente, por favor, não vamos perder você tambem. - Emmett disse segurando sua cabeça e sua mão. Fiquei em pé a seu lado tentando entender tudo o que estava acontecendo, não sabia se socorria Thony ou olhava a besta a metros de mim - Cherry, me perdoa, eu não fiz por mal, eu e sua mãe só tentamos proteger vocês. Vocês precisam ir! Ali ó, depois daquelas arvores, tem uma trilha estreita, siga ela e vocês vão chegar ao acampamento, é um arco de madeira enorme depois de uma arvore bem alta no meio da floresta, la eles vão ajudar vocês... - ele disse disparado como se soubesse que tinha pouco tempo. Bell chorava tanto e eu estava começando a sentir raiva por perde-lo tambem, era tão injusto - Vão! Emmett, a caixa de madeira da sua mãe, ta no porta malas. Bell, filha, me perdoa, acredita em mim, eu fiz tudo o que pude, só quero que vocês fiquem bem. Protejam uns aos outros, filha amo você... E-eu te amo mais do que tudo, me desculpa e prometa que vai para o acampamento... - em prantos ela jurou. Em seguida Anthony morreu nos braços de Bell, Emmett sem esboçar expressões se levantou e foi ao carro - Eu sinto muito Bell, sinto muito mesmo, me perdoa. - ela se agarrou a mim - Vamos meninas, rápido. - exclamou Emmett nos puxando. [...] Pouco tempo depois, cerca de vinte minutos, chegamos ao tal acampamento que ele falou tanto. A entrada era iluminada por fogo e eu apenas conseguia encarar uma silhueta vir ate a entrada nos receber. Emmett foi na frente e eu logo atras segurando Bell e meu arco. Levou dois dias para que ela se recuperasse do trauma. Eu e Emmett tambem ficamos feridos, acabei curando feridas que eu nem sabia que tinha como um corte no tornozelo e uma torção no tornozelo, tambem tinha uma dor forte na cabeça que só passou depois dos cuidados que recebi daquelas pessoas. Momento mais tarde quando acordei na enfermaria fui recebida por um homem meio homem e meio cavalo, a princípio desmaiei, mas depois de me recuperar do choque entendi o que ele me dizia, dei atenção a ele por algum motivo. Se eu tivesse tido este tipo de explicação mais cedo, talvez aquelas tragédias pudessem ter sido evitadas... Lamento que anos de mentira tenham me tirado minha mãe e meu padrasto apenas por que meu pai é uma divindade que nem mesmo vi uma vez na vida.

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Re: Ficha de Reclamação para Três Grandes

Mensagem por Hades em Ter Out 30, 2018 5:15 pm




Avaliação — Cheryl Lewis Habsburg


Oi, Cheryl. Infelizmente vou ter que reprovar a ficha, principalmente pelo fato de que não há reclamação nela. A reclamação acontece quando o símbolo do pai/mãe divino brilha acima da cabeça do semideus. Não consegui achar menção a esse acontecimento durante a ficha.

Já que estamos aqui, queria apontar alguns problemas da ficha, para que você possa consertá-los e eu possa aprová-la da próxima vez. Acredito que o post não tenha sido revisado. Em muitas situações, você esquece letras e acentos. Aí "até" se transforma em "ate", "defendê-lo" vira "defende-lo" e assim por diante. Peço que dê uma lida no post para corrigir esse errinhos.

Outro problema que eu notei foi o uso da pontuação. Cito o trecho abaixo como um exemplo:

@Cheryl Lewis Habsburg escreveu:- Cê quer apostar quanto que a mamãe inventou de fazer aquele pão de alho de novo? - murmurei para Mett enquanto cruzávamos a esquina da nossa rua, na varanda da casa amarela dona Esther parecia aflita com o telefone na mão conversando com certo nervosismo, ela nem nos notou passar, culpa do carro cinza escuro e da árvore grande que tinha naquele trecho da calçada, enquanto continuamos a caminhada notei que não só ela estava nervosa, como o senhor Petters parecia receoso e aflito, olhava para nossa casa enquanto a porta de sua casa entreaberta demonstrava pessoas andando de um lado para outro dentro da residência, quando nos viu ele nos encarou por alguns longos segundos e adentrou sua casa deixando a porta aberta, estava escuro, mas ainda consegui notar a silhueta de sem rosto e mão apontando para nossa casa.

São mais ou menos 7 linhas com apenas um ponto final, onde poderiam caber vários. Veja uma sugestão de correção:

@Cheryl Lewis Habsburg escreveu:— Cê quer apostar quanto que a mamãe inventou de fazer aquele pão de alho de novo? — Murmurei para Mett enquanto cruzávamos a esquina da nossa rua. Na varanda da casa amarela dona Esther parecia aflita com o telefone na mão conversando com certo nervosismo. Ela nem nos notou passar. Culpa do carro cinza escuro e da árvore grande que tinha naquele trecho da calçada. Enquanto continuamos a caminhada notei que não só ela estava nervosa, como o senhor Petters parecia receoso e aflito. Olhava para nossa casa enquanto a porta de sua casa entreaberta demonstrava pessoas andando de um lado para outro dentro da residência. Quando nos viu ele nos encarou por alguns longos segundos e adentrou sua casa deixando a porta aberta. Estava escuro, mas ainda consegui notar a silhueta de sem rosto e mão apontando para nossa casa.

Percebo que você usa muito a vírgula no lugar do ponto final. Isso é bom. Significa que você sabe pontuar, mas talvez não saiba bem quando usar um ou outro. Caso sinta dificuldade com isso, peça ajuda de algum jogador mais experiente.

Por fim, cito uma coisa menor que não teria interferido tanto, mas que, de certa forma, incomoda: o uso de hífen no lugar de travessão para separar falas.

Espero que você consiga seguir as sugestões deixadas por mim e aguardo ansiosamente uma segunda tentativa. Caso tenha alguma dúvida, estou à disposição.

Resultado

Reprovada como filha de Zeus.




Atualizado






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Re: Ficha de Reclamação para Três Grandes

Mensagem por Cheryl Lewis Habsburg em Ter Out 30, 2018 10:44 pm


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Zeus. A personagem que eu criei se encaixa com o temperamento e o que pensei para sua trama condiz com o deus escolhido. Alem disso sempre estudei mitologia grega e acho a historia de Zeus uma das mais incríveis.

— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

Cheryl sempre foi uma garota pálida, cabelos longos, negros e ondulados. Possui um maxilar quadrado e um queixo pontudo, sua testa é levemente mais larga que o normal o que a faz ter raiva e esconder com uma franja. Possui ombros curtos e finos, é esguia e alta e possui as pernas levemente tortas. Seus pés são maiores que o normal (38) e seu busto em compensação... bom, seus seios são medianos, se podemos assim dizer. Possui uma cintura pequena e quadris delineados. — Cheryl não é muito receptiva com pessoas novas, é divertida e atenta, gosta de conversar com os amigos e acima de tudo ama a companhia de seu irmão gêmeo Emmett, ao qual respeita mais ate que seus próprios pais. Ela e o irmão são extremamente ligados e protetores um com o outro e isso moldou sua forma de agir conforme amadurecia. Cheryl não é nada feminina, gosta de praticar esportes, lutar e se testar, ela é uma garota forte que quer se provar e atingir seus objetivos sem a ajuda de ninguém.

— História do Personagem — Missão de Reclamação

Voltávamos do ginásio esportivo da minha vizinhança em Richmond. Eu e meu irmão treinávamos lá para as regionais e competições em que participávamos no time da cidade; eu no arco e flecha e ele nas artes marciais. Ja Bell era ginasta, embora não disputasse mais depois que virou modelo... pelo menos mantinha o esporte porque ajudava em sua saúde e ela gostava de ter alguma coisa em comum com a gente. Sempre treinamos às quartas, sextas, sábados e, hoje, no domingo. Nosso horário era às seis, saíamos de casa com o pai de Bell e voltávamos sozinhos de ônibus às doze e quinze da tarde. Já eram doze e dezessete quando passamos pela entrada do ginásio, eu estava com meu arco e flecha nas costas embalados na bolsa de couro e Emmett carregava o seu consigo, pois, embora ele praticasse artes marciais, curtia o arco assim como eu. Já nossa amiga Bell vinha com seu colã e calça jeans, as bolsas no ombro e os cabelos amarrados em um coque bem alto como sempre — Senhoras e senhores, Arabella, a melhor ginasta desse mundo, aplausos, aplausos. — Debochava de minha amiga enquanto aplaudia e reverenciava a garota de costas para a rua — Emmett quase matou o Paul hoje. — Ri debochando do garoto que se achava o bad boy do pedaço, sempre soltando alguma gracinha ou dando em cima de mim nas horas vagas — Mentira dele, eu vi. Ele quase estrangulou o nojento, bem merecido. — Comento rindo após Mett se defender dizendo que eu estava exagerando, enquanto isso eu atravessava a rua, eles logo atrás de mim — Tá vendo porque somos melhores amigas? — ri quando ela concordou comigo e comentou sobre o evento, Mett apenas riu e revirou os olhos enquanto nós duas andávamos lado a lado três passos à frente dele. Mett sempre ficava atrás, acho que respeitava nosso espaço de garotas para fofocas e ficava andando lá atrás com suas mãos nos bolsos da calça mesmo assim sempre interagindo conosco no caminho inteiro de volta para casa.



Pegávamos um ônibus e andávamos cerca de dois quarteirões até chegar em casa. Bell morava duas casas acima da nossa no outro lado da rua, mas como hoje tinha churrasco em casa, ela foi com a gente direto para lá, até porque nossos pais namoravam desde que tínhamos quinze anos, eles contraíram esse relacionamento depois que Mett e eu fizemos amizade com Bell. Foi bom, minha mãe sempre esteve sozinha, então quando começou a namorar o pai dela isso fez bem para sua autoestima e foi bom ter mais gente em casa com o passar do tempo, embora eles adiassem se casar, não me pergunte o porquê, nunca entendi a cabeça desses dois — Cê quer apostar quanto que a mamãe inventou de fazer aquele pão de alho de novo? — murmurei para Mett enquanto cruzávamos a esquina da nossa rua. Na varanda da casa amarela dona Esther parecia aflita com o telefone na mão, conversando com certo nervosismo ela nem nos notou passar, culpa do carro cinza escuro e da árvore grande que tinha naquele trecho da calçada. Enquanto continuamos a caminhada notei que não só ela estava nervosa, como o senhor Petters parecia receoso e aflito, olhava para nossa casa enquanto a porta de sua casa entreaberta demonstrava pessoas andando de um lado para outro dentro da residência. Quando nos viu ele nos encarou por alguns longos segundos e adentrou sua casa deixando a porta aberta. Estava escuro, mas ainda consegui notar a silhueta de sem rosto e mão apontando para nossa casa.


Fiquei confusa, havia acontecido alguma coisa de tão grave para eles estarem tão nervosos? Decidi apressar o passo, Emmett e Arabella também pareciam ter notado já que andaram tão rápido quanto a mim. Na entrada aberta da garagem que dava para o quintal de trás, notei vasos de planta quebrados, rachados e terra espalhada, lixo rasgado e algumas coisas depredadas como nossa janela, cerca do jardim e gnomos entortados, até mesmo minha bicicleta estava jogada, o pneu torcido embaixo do carro com traseira amassada — MAMÃE! — Eu não consegui pensar. Corri para dentro enquanto deixava o arco e a flecha deslizarem pelo meu ombro, consequentemente eles caíram, mas não dei importância. Apenas prossegui passando pelo arco da garagem até chegar no quintal onde vi minha mãe caída no chão no colo de Anthony que estava muito machucado assim como ela, porém, ainda parecia lúcido e bem comparado a ela. Sua barriga estava cortada, dava pra notar já que sua blusa estava despedaçada em seu corpo, a sua pele estava completamente arranhada e suja de sangue, seus cabelos desgrenhados e rosto suado e machucado estavam tão pálidos que mal a reconheci — Mãe! — Cai no chão segurando em seu braço direito, Thony estava sustentando seu corpo muito cabisbaixo e triste, estava tão machucado, mas não consegui dar muita atenção, só consegui ver Arabella correndo até ele completamente nervosa. Já Mett estava comigo no chão segurando seu ombro a meu lado — Mas o que aconteceu aqui?! — Questionei Thony que não conseguia falar, se bem que minha mãe não deixou, ela logo me cortou e puxou minha mão tomando minha atenção para si — Cheryl você tem que me escutar, você não é quem pensa que é, você tem que encontrar seu pai! — Ela ficou rouca e sua voz falhou, tremia tanto que mal conseguia segurar minha mão — Holly não faça esforço! — Pediu Thony enquanto a segurava com carinho. Concordei com ele num 'é' meio cabisbaixo, mas ela não nos escutou, como sempre — Eles precisam saber a verdade Anthony, você tem que me prometer de que vai contar tudo a eles, mostre para eles, eles precisam saber a verdade para se protegerem. Me prometa Anthony! — Ele, chorando, prometeu com um gesto da cabeça e a beijou o topo da testa — Filha, me perdoa por ter mentido, eu não podia arriscar sua vida, tinha que proteger vocês dois, meus filhos. Me perdoem, amo vocês com toda minha vida. — Ela olhou para Emmett com olhar triste e lacrimejando, segurou em seu rosto e acariciou enquanto o encarava com atenção — Cuida da sua irmã, não deixe que nada de mal aconteça a ela e nunca confie em ninguém além da sua família. Sua irmã, Anthony e a Arabella. — advertiu. Ela ainda comentou algo que não entendi bem o significado — Tem uma caixa embaixo da minha cama, ela tem uma chave daquele cofre lembra? Tudo o que precisarem vai estar lá. — Comentou ela com aquele olhar preocupado, ele pareceu entender, de alguma forma era algo que apenas os dois sabiam — Mãe, se poupa você tem que melhorar, você não vai nos deixar! Você vai ficar boa e vai assistir a mim e ao Mett na final... — Até então eu me contive e a deixei falar, mas eu estava chorando tanto que não consegui mais ouvi-la falar daquela forma, se despedindo — Você vai melhorar, eu sei que vai. — a mulher não conseguiu me olhar por muito tempo, gemeu de dor e apertou minha mão com força enquanto sua expressão ficava cada vez mais fraca — Eu fiz o meu melhor, tudo o que sempre fiz foi para o bem de vocês. Tem um lugar para pessoas como vocês, o Thony vai explicar tudo, lá vocês vão achar pessoas que são como vocês, que podem te ajudar. — Disse ela com a voz baixa e fraca. Demorou minutos até que ela conseguisse dizer todas aquelas coisas para nós quatro, mas, quando terminou ainda sorriu e teve a brecha para me fazer chorar mais uma vez — Acima de tudo, saiba que amo vocês Abelinha. — E seu sorriso doce me comoveu, ela olhou para Emmett ao mesmo tempo que me encarava, chorei como um bebezinho e minha visão já estava embaçada demais, mesmo assim consegui ver seus olhos fechando e sua cabeça caindo no colo de Mett. Thony a agarrou num abraço triste que me fez chorar, queria ter dado mais um abraço nela, ter dito que eu a amo e que eu a amaria sempre e que a perdoava não importasse o que tivesse feito, mas não consegui e só o que pude fazer foi me jogar nos braços de meu irmão e chorar o máximo que conseguia.



Depois da morte da minha mãe vários carros chegaram, ambulâncias e polícia que os vizinhos pediram. Anthony não nos deixou lidar com nada. Emmett me levou para dentro e Arabella ficou comigo enquanto ele voltava para ver se Anthony precisava de algo. Eu não estava acreditando no que estava acontecendo, eu não conseguia raciocinar, Bell acabou me dando uns calmantes depois de muita resistência minha e eu dormi. Quando acordei, já estava em um carro junto de Bell e Mett, Thony dirigindo o veículo por uma estrada completamente estranha, uma área rural totalmente distante da nossa casa, imaginava — O que está havendo? Onde estamos? Cadê a mamãe? — Disse com o rosto marcado pelas lágrimas que secaram em minha pele — Não sei, Anthony disse que estamos indo para um acampamento de pessoas especiais como nós... Deve ser algum tipo de camping hippie, sei lá. — Encarei Anthony no volante, ele parecia nervoso com algo e eu só estava enfurecida — E a mamãe? E o enterro? Mett, cadê a mamãe? — As lágrimas rolaram pelo meu rosto novamente e Emmett agarrou minha cabeça com cuidado me pondo entre seus braços — Eu estou aqui, lembra quem foi que nasceu primeiro? Eu. Então não se preocupe, vou cuidar de você... Confia em mim? — Concordei com a cabeça meio as lágrimas. Queria me fazer de forte, mas eu perdi todas as defesas quando fui aninhada pelo meu gêmeo mais velho... naquele momento passei a deixar minha proteção toda por conta dele e me permiti chorar o quanto queria.



Estava enfurecida com Anthony, enquanto eu estava ali suplicando que ele falasse comigo, a única coisa que ele conseguia me responder era — Eu entendo. — Soquei o banco do motorista por trás, Emmett tentou me segurar me pedindo para me controlar, mas ele sabia que eu estava com muito ódio para dar quaisquer ouvidos a ele — Não Bell, não vou me acalmar, por que ele simplesmente viu minha mãe morrer e agora está fugindo. Por que ele saiu vivo e ela não? Por que ele não a defendeu?! Olha o tamanho dele? Já viu o tamanho da minha mãe? Ele podia tê—la defendido, só estava com uns arranhões, enquanto ela estava completamente acabada! — Emmett segurou meus braços e tentou me conter, mas eu o soltei imediatamente o empurrando para longe — Não tenta defendê-lo! Por que você deixou que ele nos trouxesse? Você devia ter ao menos nos feito esperar o enterro dela Emmett! — Exclamei furiosa e chorando enquanto o encarava. Então o carro derrapou e girou na pista fazendo com que nós quase capotássemos.



Paramos e Anthony aparentemente apavorado saiu com exaspero do carro, gritou com Bell no banco do passageiro para que ela pegasse a arma no porta luvas e se esticou para o teto do carro. Segundos depois pude ver meu arco de competição e o de Mett serem retirados do teto. Ele esticou a mão para dentro do carro e pegou a arma que Bell lhe entregava — Querida, venha para cá e fique perto de mim... Rápido Arabella! — Vi minha amiga ainda estremecida ir até ele e quando tentei acompanhar seu trajeto com os olhos, ainda meio atordoada, vi o rosto apavorado de Anthony na janela a meu lado gritando para que eu saísse e pegasse meu arco. Eu não estava entendendo, Emmett levou três segundos para me fazer acordar e correr para fora. Eu fui com ele até os arcos e os peguei, Thony estava abrindo o porta-malas, pegou nossos coldres de flechas e nos entregou olhando para o horizonte como se esperasse por alguma coisa — Ele sumiu... Ele estava naquela curva, como ele sumiu?! — olhei ao horizonte, a curva estava tão distante que as árvores, quando observadas com apenas um olho, não chegavam nem a ter a altura do meu dedo mindinho — Mas a curva está há metros daqui, é noite, você está delirando Anthony, vamos voltar pra casa! — Pedi, mas ele apenas ignorou. Ele olhou ao redor e não viu nada, assim como eu — Me escuta Cheryl! Você, Emmet e Bell são semideuses! Vocês e Emmett são filhos de Zeus, Arabella é filha de Perséfone... Nesse momento tem um bicho muito feio e perigoso querendo nos matar, aquele que atacou sua mãe, ele veio atrás de vocês, mas como sua mãe estava com uma blusa e um casaco seu, alem da sua casa ter seu cheiro, a criatura foi primeiro até ela e eu não pude fazer nada. Ele apareceu de repente, eu não consegui protegê—la, ela não deixou, ele parecia só ver a ela e quando tentei chamar a atenção dele aconteceu isso. — Ele então mostrou o ferimento com curativo ainda recente, havia um pouco de sangue nele o que me deixava preocupada, pois poderia abrir a qualquer momento — E você espera que eu acredite nisso? Será que você não vai respeitar a morte da minha mãe? O que? Te deram morfina demais e você enlouqueceu?! Você está me falan... — Quando ia terminar a frase ele puxou Bell e correu berrando que fugíssemos. A adrenalina subiu a níveis alarmantes quando olhei na direção do foco da visão de Anthony, vi então uma criatura de uns dois metros de altura vindo em nossa direção em alta velocidade. Emmett puxou a mim e começamos a correr imediatamente, mas ultrapassamos Anthony com tanta facilidade. Seu ferimento começou a abrir e ele caiu no chão — Mett! — Exclamei vendo meu irmão gêmeo para poucos metros à minha frente. Ele pegou uma flecha de ferro e mirou no monstro de chifres e patas que começava a esmagar nosso carro. Arabella tentou pegar seu pai, mas ele lhe entregou sua arma e ela começou a atirar — Tenta mirar nele Bell! — exclamei apavorada. — Mett Pega o Anthony, rápido! Eu distraio a coisa! — berrei enquanto acenava para a besta e corria para o milharal à minha direita. A passos largos fui tomando distância da besta, mas ele parecia estar mais focado em Thony e Bell — AQUI! AQUI SUA COISA FEIA E PODRE! — gritei com todo o fôlego do meu corpo. Minha cabeça latejava de dor, mas mesmo assim, tomada pela adrenalina, conseguia manter o foco e entender o que deveria fazer "Se concentre, mantenha o foco, você sabe onde atingi—lo" uma voz na minha cabeça parecia me encorajar. Sempre escutei essa voz, era minha mente me dando conselhos, eu pensava — VEM AQUI! — disparei uma flecha seguida da outra, as minhas flechas eram feitas de aço com uma ponta aguda e afiada para fincar mais fácil nos alvos — OLHA EU! METT SOCORRO! — berrei, não queria saber o que estava havendo, o bicho já estava vindo atrás de mim e parecia ter um jato nas pernas já que me alcançava tão rápido. Ouvi tiros e o monstro foi atingido nas costas quase próximo a cabeça, mas o tiro nem o derrubou, apenas o fez berrar e somente aquele berro já me fez tremer. Mirei outra flecha em sua cabeça e, parada desta vez, atirei quando senti meu braço mais firme. A flecha atingiu o seu rosto e, pelo berro e sua reação, constatei que tinha acertado em cheio. O bicho levou as patas ao rosto e cambaleou e naquele instante entendi que eu não podia esperar algo acontecer. Corri o mais rápido que pude. Sem parar fui acompanhada por Emmett, por algum motivo Arabella veio conosco exasperada. A criatura ainda atordoada deu meia volta e começou a nos seguir pela estrada — Precisamos derrubar ele... Mett na cabeça, Bell atira na barriga dele, é grande você não vai errar. — Afirmei a ela e logo paramos. A criatura vinha a passos largos, mas felizmente pude pegar uma flecha e ao meu berro atiramos todos ao mesmo tempo. Emmett e eu acertamos sua cabeça novamente e Bell atingiu o peito da criatura. O bicho caiu um segundo depois.



Depois daquele horror voltamos para Anthony, mas ele já estava quase desacordado, Bell foi tentar reanimá-lo e então a seguimos — Thony, fica com a gente, por favor, não vamos perder você também. — Emmett disse segurando sua cabeça e sua mão. Fiquei em pé a seu lado tentando entender tudo o que estava acontecendo, não sabia se socorria Thony ou olhava a besta a metros de mim — Cherry, me perdoa, eu não fiz por mal, eu e sua mãe só tentamos proteger vocês. Vocês precisam ir! Ali ó, depois daquelas árvores, tem uma trilha estreita, siga ela e vocês vão chegar ao acampamento, é um arco de madeira enorme depois de uma árvore bem alta no meio da floresta, lá eles vão ajudar vocês... — Ele disse disparado como se soubesse que tinha pouco tempo. Bell chorava tanto e eu estava começando a sentir raiva por perdê-lo também, era tão injusto — Vão! Emmett, a caixa de madeira da sua mãe, tá no porta-malas. Bell, filha, me perdoa, acredita em mim, eu fiz tudo o que pude, só quero que vocês fiquem bem. Protejam uns aos outros, filha amo você... E-eu te amo mais do que tudo, me desculpa e prometa que vai para o acampamento... — Em prantos ela jurou. Em seguida Anthony morreu nos braços de Bell, Emmett sem esboçar expressões se levantou e foi ao carro — Eu sinto muito Bell, sinto muito mesmo, me perdoa. — Ela se agarrou a mim — Vamos meninas, rápido. — Exclamou Emmett nos puxando.

Pouco tempo depois, cerca de vinte minutos, chegamos ao tal acampamento que ele falou tanto. A entrada era iluminada por fogo e eu apenas conseguia encarar uma silhueta vir até a entrada nos receber. Eu estava tão atordoada que tremi quase dando um salto quando ouvi trovoadas no céu — Vamos meninas, vai chover... — Comentou ele. Olhei para o céu, a luz dos relâmpagos atravessava as nuvens. De repente, quando volto a olhar adiante dou um salto pisando no pé de Bell, ela grita e me empurra resmungando que eu fui descuidada. Eu estava prestes a me desculpar e novamente berrei quando a observei, fiquei sem palavras. No alto da cabeça de cada um dos dois havia coisas... Não tem como explicar com palavras o que vi. Na cabeça de Emmett haviam raios e um brilho surreal rotacionando, acima da cabeça de Bell eram... flores? Mas o mais estranho foi o espanto deles, acima de mim havia o mesmo efeito que no de Emmett, raios e trovões como se a tempestade nos céus tivesse sobre nossas cabeças — Olá semideuses, sejam bem-vindos ao acampamento Meio Sangue... — Eu estava nervosa e provavelmente drogada, pois, quando notei um homem meio cavalo meio humano estava nos encarando. Ele me acalmou e nos explicou o que estava acontecendo — Zeus? Como... Então é verdade? — olhei desacreditada para Mett. Ele me disse que éramos filhos de Zeus e que aquele era um acampamento para semideuses como nós. Em seguida o hom… Centauro, enfim, fez uma leve reverência que eu sinceramente achei demais para começo de conversa, mas não reclamei. Apressado, ele nos conduziu para dentro do Acampamento dizendo que estávamos em perigo do lado de fora. Eu não tinha para onde ir, estávamos sozinhos, então não fui embora e apenas concordei em ficar enquanto Mett dissesse que estava tudo bem. Hoje em dia não consigo aceitar como fui burra e mente fechada, ignorei tudo e a todos, talvez se eu tivesse os ouvido e aceitado mais cedo tudo não teria sido diferente? Pelo menos ainda tenho Mett comigo, isso é o que importa.

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Re: Ficha de Reclamação para Três Grandes

Mensagem por Kawonin James em Qua Out 31, 2018 8:34 pm


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Hades, Rei do Submundo. Por que não ser um filho de um deus como ele? Além de governar todo um reino, possui um grande poder sobre os mortos e outras criaturas do local, James se daria bem com um pai desses, principalmente por causa de sua personalidade.

— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

Características Físicas: James é um menino esguio e claro, puxado para um tom pálido, com olhos cinzas tão escuros que parecem quase negros, herdado da genética de seu progenitor. Seus cabelos lisos e loiros são curtos, porém cheios. Apesar do garoto ter apenas 13 anos, seu semblante e traços físicos o tornam mais velho em comparação as crianças da sua idade. Possuí, aproximadamente, 1.64m de altura, não se destacando dos demais, mas seu estilo de roupa engomada e formal faz com que pareça um jovem executivo de 18 anos.

Características Psicológicas: A personalidade do garoto não é nada fácil de entender. Possui um leve tom de superioridade em relação aos seus colegas, por conta disso, possui poucos amigos ao seu redor. Seus olhos negros normalmente o fazem uma pessoa fria e impedem algum tipo de socialização com os outros. E, por algum motivo sobrenatural, causa medo nas pessoas, tendo como consequência uma solidão avultada no jovem, sempre achando que poderia se virar sozinho no mundo.

— História do Personagem:

James nasceu em uma pequena cidade dos Estado Unidos chamada Portland, Oregon. Cresceu junto de sua mãe, Vivian Hale e seu padrasto, Krist Kurk. Ambos eram médicos e passavam dias e noites no hospital em que trabalhavam. Sempre teve uma infância solitária e triste. Sua mãe nunca lhe dera muita atenção, pois sempre saia, quando livre, junto com seu padrasto, dizendo que deveria curtir a vida ao lado de quem mais amava (como se não amasse o garoto). Também foi um menino de poucas amizades, raramente algum colega de classe aproximava-se dele para ter algum relacionamento. Não sabia o paradeiro de seu pai e nem se importava, principalmente porque havia o abandonado e o deixado com alguém que nem o amava.

Por conta da alta condição financeira de sua família, sempre conseguiu o que pedia. Porém, para ele aquelas coisas eram fúteis, pois nada saciava a sua necessidade de amor, tanto materno quanto paterno. Quanto mais crescia, mais depressivo e solitário ficava, raramente mostrando um sorriso sequer. Sua rotina apenas melhorou quando um colega chamado Desmond entrou em sua vida, deixando-a um pouco menos solitária. O amigo, também de 13 anos, o seguia para cima e para baixo. Nunca deixou James sozinho, suportando até as piores críticas vindas do mesmo.

— Missão de reclamação:


A manhã chegara límpida e fria, com o final do outono e o início de um longo inverno. A neve cobriu, progressivamente, as ruas e as calçadas daquela cidade. James caminhava com seus colegas, tranquilo e entediado. Ouvia uma música no último volume em seu fone de ouvido, ignorando a presença de todos ao seu redor. As respirações das crianças misturavam-se em nuvens de vapor no ar da manhã quando Desmond, um dos amigos de Kawonin, pressionou o seu ombro e retirou o fone de ouvido do garoto.

— Você não está nos ouvindo não, cara? Queremos saber o que você acha de comemorarmos meu aniversário lá em casa?! — James sentiu-se um pouco irritado pelo feito de Desmond e revirou os olhos, aceitando a escolha do colega só para ele parar de encher o saco.

— Tudo bem, por mim tanto faz. Agora tem como devolver a merda do meu fone? — Um silêncio tomou conta do ambiente, enquanto Kawonin recebia seu pertence e colocava-o de volta em seu ouvido, abstendo-se, novamente, das interações.

Odiava a escola, tinha o pensamento de que aquele lugar era onde as pessoas iam quando não conseguiam estudar sozinhas e precisavam do apoio de um tutor. Além disso, os professores frisavam na necessidade de realizar socializações com os alunos e o quanto isso gerava mais conhecimento e empatia para com os outros. "Que merda. Por que mamãe sempre teima em me arrastar para a escola?". Um vento tênue soprava através dos portões da instituição. Os olhos negros de James fixavam-se nas barras desgastadas de ferro e em alguns alunos com roupas desleixadas, afundando seus pés na montanha branca. Revirou os olhos e ergueu, levemente, a cabeça mostrando superioridade.  

— Por que você não coloca um pouco de alegria neste seu rosto apático? Acho que um sorriso combina muito com a sua cara! — Desmond era um menino um pouco persistente. Sempre do lado de James, desde a 1ª série do Ensino Fundamental. O garoto lembrava exatamente como fora o encontro dos dois. James estava sentado no fundo da sala, sozinho, como sempre, e Desmond sentou-se ao seu lado, derrubando um pouco do sorvete que tinha em mãos. Com uma fúria assombrosa, Kawonin quase matara seu colega, porém de um jeito inusitado, Desmond tentou redimir-se sendo seu amigo, por isso sempre esteve ao seu lado.

— Acho que se você cuidasse da sua vida e me deixasse só, talvez eu sorriria. — O semideus afirmou com um tom arrogante, não se incomodando com o lado emocional do colega.

O caminho entre o portão da escola e a sala de aula fora tranquilo, sem nenhuma interceptação e faladeira dos outros ao seu redor. A vontade de correr dali, deitar-se em sua cama aconchegante, feita de espuma, e cair em um profundo sono era demasiado, porém, sabia que se isso acontecesse, sua mãe faria qualquer coisa para trazê-lo de volta, então James não tinha nenhuma escolha a não ser ouvir o blá, blá, blá de seu docente. Quando ajeitou seu material e pequeno corpo na carteira, observou o professor adentrar no recinto. O docente era um homem sem barba, de olhos claros e musculoso (um sonho de consumo de mulheres). Com, aproximadamente, dois metros de altura, sua presença no local era poderosa e marcante. Com sua voz rouca e forte, começou a lecionar a matéria de História.

— Depois que os Titãs foram derrotados, na divisão do mundo Poseidon ficou responsável pelos mares, Zeus responsável pelo céus, também chamado de deus dos deuses, e Hades tornou-se o senhor do submundo! — No momento em que o professor proferiu o último nome, um arrepio percorreu toda a espinha de Kawonin, como se aquele substantivo próprio fizesse algum sentido na cabeça do garoto.

— E por hoje é isso, pessoal. Quero para a aula que vem um breve resumo sobre a mitologia grega. Estão liberados! — O semideus fechava o seu material, porém o nome Hades ainda perturbava sua mente, vagando em fantasias e tentando descobrir qual o verdadeiro significado daquele nome.

— Que estranho! Primeira vez na vida que vejo Kawonin James pensando. O que seria essa coisa que está rondeando sua pequena cabeça?! — Desmond gritava a todo pulmão para toda a sala ouvir, o semideus olhou friamente para o menor e fuzilou-o com o olhar — Preciso repetir quantas vezes para voce cuidar da sua vida? — Levantou-se abruptamente da carteira e bateu sua mão na mesa, demonstrando sua fúria interior. Passo a passo, foi aproximando de Desmond que ia, lentamente, em direção a saída da sala. Medo fixou em sua expressão. Por um breve momento, pensou que iria morrer naquela hora. No entanto, Kawonin só passou do seu lado e sussurrou suavemente — Pare de cuidar das vidas alheias. — Atravessou a porta e foi à saída da instituição.

(...)


O ambiente no exterior da escola continuava o mesmo, frio e nevoso. James manteve-se junto ao seu casaco de couro para impedir que o frio congelasse seus músculos e ser. Tremia enquanto caminhava, calmamente, em direção a sua casa. Nervoso com tudo o que tinha acontecido agora a pouco, o garoto não via a hora de sumir daquele local para nunca mais voltar.

— Odeio minha mãe, ela sempre fica paparicando aquele homem inútil que pensa que pode substituir meu pai. Odeio meus amigos... Na verdade, não tenho nenhum porque eles só sabem cuidar das vidas alheias. Odeio minha vida, nem sei qual é meu objetivo na Terra?! ODEIO TUDO! — Sua voz reverberou por toda a vizinhança, parecendo alcançar a infinitude do horizonte. De repente, ao longe, uma "ave" vinha em sua direção em grande velocidade, James franziu as sobrancelhas ao avistá-la, perguntando-se o porquê de uma ave estar voando sozinha em um tempo frio como aquele. Porém, quanto mais ela se aproximava, maior ela ia ficando, angustiando o garoto. Quando a 10 metros de distância de James, percebeu que aquilo, realmente, não era uma ave, mas, sim, um ser monstruoso. Sem tempo de gritar, foi jogado ao chão por Desmond (de onde ele tinha aparecido? Ninguém fazia ideia).

— Q-Q-QUE M-MERDA É ESSAAA?! — Kawonin gritava inconformado em direção a Desmond. — V-VOCÊ E-ESTÁ VENDO A-AQUILO? — O semideus mal conseguia falar de tão surpreso e medo. Nunca tinha sentido aquela sensação até aquele exato momento. Piscou os olhos algumas vezes, enquanto a hárpia preparava-se para um segundo ataque.

— Fique abaixado, te explico daqui a pouco... Filho de Hades — Desmond sorriu ao olhar James tremendo com as mãos protegendo sua cabeça e em posição de cocorinhas, enquanto acima dele um simbolo de caveira era projtado.







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Re: Ficha de Reclamação para Três Grandes

Mensagem por Luke Olivieri em Qui Nov 01, 2018 11:30 am


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Desejo ser reclamado por Poseidon. O deus dos mares traz uma oportunidade interpretativa interessantíssima, porque permite que meu personagem atinja um espectro de personalidade muito maior que qualquer outra divindade que eu consiga imaginar. Vou tomar por exemplo o próprio Percy Jackson na saga Heróis do Olimpo: Nico possui um lado sombrio, que é revelado quando ele mata o filho de Orco, e Jason possui sua posição consolidada como um líder heroico e imponente.

O Nico não assume a faceta de liderança do Jason, nem o Jason assume a faceta sombria de Nico, mas o Percy assume os dois papéis facilmente, porque seu lugar como filho de Poseidon dá ampla margem para isso: Enquanto o Jason vai ser sempre o "Capitão América" do céu, Percy consegue assumir o papel de líder majestoso em diversas passagens e como exemplo temos a chegada dele à Nova Roma e a descrição que a Hazel faz dele, mas o filho do deus dos mares também consegue assumir o papel sombrio de Nico, e como exemplo temos a luta dele contra a Ankhlys, em que ele quase afoga a deusa em seu próprio veneno, em uma demonstração assustadora de ódio e poder.

Além das possibilidades narrativas para meu personagem, a divindade pela qual tenho mais apreço na mitologia é Poseidon, e o semideus de quem mais gosto é Belerofonte, filho desse deus. Não tenho motivos para não escolher Poseidon
.  


— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

Características físicas: Luke possui uma boa estatura, medindo respeitáveis 1,86 metros, possui ombros e costas largas, pernas fortes, braços fortes e é surpreendentemente ágil para seu tamanho. Possui cabelos castanhos um tanto quanto cacheados, muito similares às estatuas de Teseu, com olhos na mesma tonalidade do cabelo. Não é impressionantemente bonito, mas pode ser considerado acima da média nesse aspecto. Possui dezesseis anos.

Características Psicológicas: É inteligente, possui um raciocínio assustadoramente rápido, reagindo ao perigo em uma fração de segundo. Luke possui um temperamento forte, vingativo e é, por vezes, excessivamente agressivo. Enérgico, imponente e vigoroso, Luke intimida as pessoas por suas opiniões contundentes, e apesar disso, possui riso fácil.

Os contrastes entre sua raiva constante e seu riso fácil são bastante similares aos contrastes na personalidade do próprio Poseidon, que hora acalma os mares e faz belas obras como os cavalos ou a fonte em Atenas, mas hora perde o controle emocional e destrói cidades inteiras.

Luke pode parecer calmo e tranquilo à primeira vista, mas é tão imprevisível quanto o mar.
— História do Personagem:

Mary era uma moça bonita, com 1,79 metros de altura, magra, cabelo loiro e olhos verdes, mas tinha um defeito fatal: o vício em álcool.

Aos 17 anos, Mary decidiu ir a uma festa junto com seu irmão, Johnny, que era quase tão bonito quanto ela. O garoto tinha 19 anos na época, e era absolutamente impulsivo, mas cuidava da irmã como ninguém jamais cuidou, principalmente depois que os irmãos ficaram órfãos por causa de um acidente de avião que ceifou a vida de seus pais há 8 meses. Naturalmente, a festa era regada à bebida alcoólica e outras substâncias não tão bem aceitas pela sociedade de forma geral, mas que ajudavam os irmãos a esquecer, ainda que momentaneamente a situação em que se encontravam.

Ao sair da festa, Mary e Johnny tiveram uma discussão acalorada, porque ela queria ir embora de Taxi, mas ele queria dirigir o carro de volta para casa, mesmo bêbado. Mary deixou seu irmão falando sozinho e foi embora como havia decidido.

Mais tarde, ao chegar em casa e ligar a televisão em um canal de notícias, ela viu o que seria o último vislumbre de seu irmão, com o rosto irreconhecível, em destroços de um veículo em chamas: Johnny havia morrido aos 19 anos, deixando Mary completamente desamparada. Não aguentando ver toda a sua família morta, Mary roubou um carro e dirigiu por 8 horas sem parar, refletindo sobre toda sua vida, sobre como Deus a teria, em sua visão, a abandonado.

Buscando aliviar sua dor e pesar, Mary optou pela única saída que via: se jogaria de um penhasco com o carro roubado e morreria afogada. Ocorre que ao reclamar sobre como o divino a teria abandonado, ela chamou a atenção de uma divindade poderosíssima: Poseidon, o deus dos mares, da água, dos terremotos e dos cavalos escutou toda a sua dor e estava pronto para recebê-la assim que o carro batesse na água.

Tocado pela triste história da moça, Poseidon se viu repentinamente atraído por ela, e com ela gerou Luke. No entanto, sendo Poseidon um rei, jamais poderia abandonar sua vida para criar a criança, nem poderia lhe demonstrar afeto, pois isso poderia atrair a ira de deuses e monstros: Mary estaria mais uma vez por conta própria, mas dessa vez não estaria sozinha. O garoto agora era sua motivação para viver.  

Mary se mudou para uma cidade sem praias, nem mar próximos, para manter Luke afastado de seu pai: ela se ressentia porque acreditava que o deus deveria ajudá-la na criação do garoto, e portanto, decidiu que se Poseidon não vai cuidar dela e nem da criança, então seria melhor que vivessem afastados.

Luke cresceu forte e vigoroso, capaz de proezas físicas impressionantes, mas acreditava que seu era um homem comum que havia se furtado de suas responsabilidades e abandonado a família. Longe do mar, não havia absolutamente nada que indicasse sua natureza semidivina.

— Missão de Reclamação:

O que eu vou contar para você pode parecer legal à primeira vista, mas a verdade é que ser um semideus não é legal. Na verdade mesmo, ser um semideus é extremamente legal, e ser um filho de Poseidon? É simplesmente o que existe de mais legal em toda essa história de ser semideus. Muitos colegas poderiam dizer que é difícil ser um semideus, mas eu te digo que difícil mesmo é aturar uma mãe alcoólatra que te mantém em uma cidade minúscula sem praia nem mar por perto: eu me sinto como um peixe fora da água! Talvez literalmente. Estabelecemos aqui que ser filho de Poseidon é muito bom, e que meu problema mesmo é ser filho de Mary,então agora eu vou começar a contar como eu descobri meu pai.

Aos quinze anos de idade, eu andava com um amigo chamado Tom. Esse amigo havia acabado de tirar a habilitação, e havia também ganhado um carro de seu pai, e por isso decidimos comemorar dando umas voltas pela cidade. Uma forte chuva começou, e em um determinado momento o carro aquaplanou, bateu em uma guia de calçada e capotou. Nós tivemos apenas alguns cortes superficiais, mas isso foi o suficiente para deixar minha mãe ainda mais maluca que o normal: ela tem pavor de acidentes de carro.

Minha mãe nunca antes havia me deixado ir à praia nas férias de verão, mas depois do acidente com o Tom, ela acabou cedendo aos meus pedidos eu finalmente pude conhecer o mar. Nessa viagem, fomos o Tom, o Donny, que era um nerd que eu havia conhecido há alguns meses na escola e eu.

Donny era um sujeito estranho, coxo e insistia em sempre usar um gorro na cabeça. Tom era baixinho, de pele bronzeada e cabelos castanhos. Formávamos um trio e tanto.

Eu estava ansioso para visitar a praia, e assim que acabamos de arrumar as coisas no hotel, eu insisti em irmos para lá. Os garotos concordaram, e nós aproveitamos o resto da tarde daquele dia vendo o mar e sentindo a brisa vinda do oceano. Quando a noite caiu, Donny e Tom quiseram subir, mas eu quis aproveitar aquele momento um pouco mais, e apesar dos acalorados protestos de Donny, fiquei sozinho na praia por um tempo: e quando eu digo sozinho, eu realmente falo sozinho, já que não havia mais ninguém ali.

A paz e a tranquilidade não duraram muito: ao longe, vi uma mulher se afogando. Olhei ao redor procurando alguém, mas só havia eu. Então, de maneira absolutamente estúpida, eu corri até o mar e nadei o mais rápido que pude para chegar até ela.

- Acalme-se! Eu estou chegando para te ajudar, e com certeza alguém vai chegar para me ajudar depois! - Gritei.

Eu nem sabia que sabia nadar, o fiz por puro instinto. Quando cheguei perto, no entanto, a mulher parou de se debater.

- Filho de Poseidon. - Eu olhei para os lados para ver se ela estava falando de mim. - Como você me enoja. Eu vou matar você, bem aqui no território do seu pai: eu cansei de ser um espírito de água doce, vocês, humanos tóxicos se julgam superiores o suficiente para jogar seus dejetos na minha casa e Poseidon não faz nada contra isso! Eu não serei tão leniente, não agora que o destino colocou você tão próximo de mim.

Tentando entender o que exatamente significa "leniente", eu fui puxado por uma força descomunal para o fundo do mar, como se fosse sugado por um ralo gigante. O mais surpreendente, no entanto, é que eu não precisava respirar. Na verdade, acredito que eu estava respirando, só que água: fisiologia de semideus aquático, não tente entender.

Eu não seria morto por afogamento, o que já era um excelente começo, então puxei a moça pelo pé direto para a água: o controle dela sobre o elemento era muito maior do que eu poderia alcançar mesmo naquela situação extrema, então eu apelei: quando ela desceu com o puxão, eu a agarrei pelos cabelos e comecei a desferir socos na cabeça dela com toda a força que eu podia reunir, o que não era muita coisa embaixo de toda aquela água.

Ela manipulava o elemento para me afastar, mas no desespero, com toda a adrenalina, eu conseguia mantê-la presa pelos cabelos. Acontece que ela também podia respirar embaixo da água, o que seria um problema.

Concentrado, eu tentei fazer a água ajudar no movimento dos socos, ao invés de reduzir o impacto, e isso surtiu efeito: um dos socos acabou nocauteando o espírito das águas, e eu a levei para a praia.

- O que? Porque você me trouxe para cá? - Ela parecia confusa quando acordou.

- Eu não queria deixar que se afogasse. Embora dizer que achei que você poderia se afogar pareça estupidez. - Ela riu.

- Escute, você disse que sou filho de Poseidon. O que isso significa? O que é você?

- Você é um semideus, filho do deus do mar, e eu senti seu cheiro porque sou um espírito da água. Me revoltei por causa dos mortais e descontei tudo em você, me desculpe.  - Ela estava muito mais calma agora.

Diana, o espírito da água, me guiou até o Acampamento Meio- Sangue, que se encarregou de enviar avisar minha mãe de tudo o que aconteceu: agora que meus poderes despertaram, viver fora da proteção mágica daquele lugar era suicídio.

Assim que cheguei ao Acampamento, um tridente azul brilhante se acendeu acima da minha cabeça, como um halo, sinalizando para todos que eu era filho do deus dos mares, antes mesmo do que eu hoje sei que se trata de uma cerimônia voltada para reclamações, em volta da fogueira.

Em minha primeira noite, eu tentei conversar com meu pai por meio de oração, pedindo que ele limpasse o rio de onde veio a Diana, e pedindo que ele me guiasse nessa nova fase de adaptação. Mas é como eu disse antes: Ser filho de Poseidon não é o problema, ser filho de Mary é que é. Eu sabia que venceria quaisquer desafios que a vida me impusesse.

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Re: Ficha de Reclamação para Três Grandes

Mensagem por Mari Seo em Sab Nov 03, 2018 7:42 am


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

Poseidon. Seria minha primeira vez interpretando o filho do deus dos mares, e o faria de forma a sair um tanto da linha. Quando vejo os mitos, vejo a personalidade de Poseidon como invejosa, vingativa, cólera e afins. Quando o vejo pelo mar, torna-se um deus que depende de terceiros elementos [ os ventos fazem as ondas, por exemplo ]; que é profundo e complexo como o mar; que pode ser um deus cheio de vida, mas também do contrário, bem como é o mar. É, eu vejo Poseidon como um deus tanto melancólico, irmão do meio [ honestamente, pior irmão ] e que é péssimo com qualquer tipo de relações [ principalmente amorosas ] e por isso prefere a companhia dos peixes. Gostaria de desenvolver um personagem quais esses lados do deus pudesse ser refletido.

— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

Características Físicas. Diz que ainda está a crescer e, pelas roupas que continua perdendo, de fato não ficará nos seus 179 centímetros. Mal fez dezessete, afinal. Mari é pálido, demais - e grande parte do motivo é o padrão coreano que faz as pessoas fugirem do sol e usar produtos que empalidecem. Os olhos são escuros, mostrando-se um tom mais alaranjado somente quando exposto ao sol ou em algum lugar mais iluminado. Ele é do tipo magro e esguio, com pouco músculo, que come e come e se frustra, pois apesar de não engordar também faz difícil a tarefa de ganhar massa. Os fios, à primeira vista, parecem negros, mas assim como os olhos, em lugares mais iluminados é possível perceber que são um pouco mais claros.

Características Psicológicas. Talvez tão raro quanto ser filho de quem é ter olhos da cor que tem, sua persoanlidade disnorteia um tanto do que espera-se de um filho de Poseidon. Na verdade, deve ter a ver mesmo com o meio qual fora criado - e até faz sentido, afinal, as características e comportamento do mar muda de acordo com sua localização, pois fatores externos influenciam. Não só as sérias de preconceitos e dificuldades qual Mari tivera que passar o moldou como um garoto bastante reservado e calado, mesmo que tenha mil e uma coisa dentro de si, como também seu crescimento na sociedade coreana em si - é bastante respeitoso e educado;o grupo, o todo, é mais importante que o indivíduo, por isso um país coletivista e que, consequentemente, forma jovens que não podem se expressar. Mari tentará sempre fazer o que for certo e melhor para o grupo, mesmo que não seja algo bom para si, pois assim é um pensamento coletivista. Mas é claro, há sempre aquele pedaço da natureza, da personalidade própria, qual nem mesmo o meio pode influenciar - e assim, Mari tem seus momentos de cólera, de iniciativas e preferir ações mais que palavras; tem seus muitos pensamentos de indignação, inveja e raiva, que muitas vezes o leva à impulsividade ou o faz sentir prazer com certas dosagens vingativas.

— História do Personagem && Missão de Reclamação:


  • Aviso de trigger; gatilhos: tentativa de suicídio, leves pensamentos suicídas

              O que as pessoas mais esquecem sobre o TDAH é o fato de que destrói você - destrói sua capacidade de socializar, sua confiança sobre suas habilidades, ainda que estas sejam incríveis, e sua auto-estima. Ter TDAH e dislexia sempre fez Mari sentir-se como se fosse o mais idiota e o perfeito alvo para todos os olhos, dedos apontados e negar de cabeças. Perfeito como o pior de todos, principalmente naquela sociedade onde até mesmo para um garoto "normal" a saída mais fácil para fora de toda aquela pressão e cobrança é o suicídio. A Coréia do Sul é o país com a maior taxa de suicídio do mundo, afinal.

              Com o vento de começo de Novembro soprando gelado em seu rosto, Mari estava pronto para ser parte dos dados.

              Sentia-se estupidamente cansado. Quebrado, machucado. Mas a campanha na Ponte Mapo funcionava: Mari havia perdido a noção do tempo enquanto conversava com os escritos e imagens colocadas na ponte da maior taxa de suicídio. Nada daquilo o havia feito mudar de ideia, de qualquer maneira. E como se não bastasse, agora poderia ser também chamado de louco - mas não é como se tivesse para quem contar sobre os rostos tristes de mulheres que viu flutuar na água do rio Han. Mulheres estas que se juntaram para observá-lo com aquele olhar de quem sabem o que estaria a acontecer. Elas até formaram um meio círculo, e Mari não saberia dizer se era para segurá-lo antes de seu corpo estatelar na água ou se para receber o seu cadáver. O cochicho delas, de alguma coisa, só o deixou mais decidido.

              Provavelmente, falavam dele.

             Provavelmente, já sabiam que é um garoto sem pai, filho de mãe solteira e jovem que traiu aquele que seria seu marido. Dentro de uma sociedade tão machista como aquela, a ausência de um patriarca, em todos os sentidos, era uma vergonha.

              Provavelmente, já sabiam que futuro algum ele teria em qualquer empresa, como espera-se de todo jovem coreano, pois sequer conseguia ler direito. Seu currículo não o levaria para nenhuma universidade.

              Mari era feito de tudo o que a sociedade coreana abominava e não fazia questão de disfarçar. De fato, perfeito como o pior de todos.

              A conversa com a Ponte Mapo, no entanto, teve parte do objetivo cumprido: deu tempo suficiente para que alguém chegasse e segurasse os pés de um suicida. Pablo não segurou os pés de Mari literalmente, mas ao gritar o nome deste, fez o solado do tênis surrados do dono do nome colar no chão. Fez um xingamento sair baixinho e misturar-se com o ar poluído de Seoul e os olhos apertarem como se todo o corpo doesse de repente. E dói, mas lá no âmago. Mari levou frações de segundos para dizer à si que teria que preparar-se para mil e duas lições de moral - e, honestamente, não estava nada a fim. Por isso que, com o assovio do vento e o toque do mesmo que faz congelar sua espinha, o corpo destravou e ele se apressou para agarrar as barras e subir. Pularia de uma vez, sem cerimônias; ignorando a respiração penosa em coro das mulheres na água. Mas Pablo foi rápido. Os corpos de ambos logo fizeram-se no chão, após um baque um tanto doloroso. Pablo tinha convicção tentando disfarçar o medo no hangul de sotaque forte quando diz:

              — Sua áurea é especial, Mari - você vai entender. Você é o cara mais forte que já conheci. E vamos juntos para aquela bolsa de natação para a América, não é? Lembra? Você conseguiu. Um dos poucos que conseguiu. Já tem as passagens compradas, Mari.

              E Mari rir, porque se chorasse naquele momento seria de raiva. Ele tenta livrar-se do abraço apertado do amigo, debatendo-se e não maneirando na violência. Até que para alguém cansado, Mari tentou com vigor se libertar, mas como alguém casando… cansou. Pegou-se suspirando, fechando os olhos e, sem querer, pensando no que havia tentado fazer alguns segundos atrás. A culpa pesa os ombros: havia escolhido o caminho mais fácil. Não, não queria morrer. Mas, oras, impossível manter-se forte sempre, para sempre. Impossível ser diferente e assim sentir-se naquele mundinho onde pessoas vivem de máscaras e aparências; transformam-se em peças moldadas. Coréia do Sul era um lugar difícil demais; pesado demais. Como conseguir viver sem encaixar-se? Sem encontrar sua própria tribo? Quando a busca por sua própria identidade não lhe é permitida? Quando sequer sente que tem a família ao lado? Mari processou tarde o lembrete que eram as palavras do amigos: de fato, havia conseguido a bolsa como atleta, e mesmo assim fora do país que deveria ser sua casa. Mas seria só assim para conseguir ter uma formação, não é? Como aqueles garotos de filmes que se prendem à esportes pois reconhecem não terem nenhuma outra capacidade. Triste, para dizer o mínimo.

              — Para ser honesto, acho que fui levado mais por raiva que por tristeza. — Mari finalmente falou após tempos em silêncio, machucando a garganta seca pelo frio.

              Pablo não disse nada. Ambos levantaram-se e o estrangeiro, ainda que relutante, soltou o coreano. Fora um silêncio estranho que rodeou os dois garotos enquanto caminhavam para o começo da ponte. Mari podia sentir o olhar cauteloso de Pablo, e podia ter certeza que o rapaz estava pronto para segurá-lo em qualquer movimento suspeito. Naquele momento, agradeceu nao precisar falar nada; agradeceu que o som fosse somente do rio Han mais agitado, do vento assobiando novamente e do barulho de carros. Infelizmente, o barulho do carro velho de sua mãe era inconfundível - e como se para não restar mais nenhuma dúvida, a mulher baixinha fez-se visível. Ela e toda sua cara vermelha e molhada pelos olhos chorosos. As solas do tênis surrados novamente colaram no chão, e desta vez a dor na cerne fora maior que antes. Porque dentre tantas pessoas, ela era a última que gostaria de ver. A última por quem ser abraçado e ter a camisa ensopada com as lágrimas; Ter o peito socado trocentas vezes - cada soquinho mais fraco que o outro - e a culpa indo mais fundo com o que seguia.  Não precisava perguntar para Pablo para saber que fora por ele que ela soube onde estava e que deixou o trabalho mais cedo para encontrá-los. Aquilo certamente teria um desconto no salário miserável que ela ganhava.
 
              —Eu- — Mari tentou falar algo para livrar-se daquilo - dele e sua mãe - e foi interrompido por um tapa que deixou a bochecha esquerda queimando.

              A realização do que havia acabado de acontecer pareceu vim logo depois em forma de olhos esbugalhados, mão tapando a boca e mais choro da baixinha. Sua mãe havia lhe dado um tapa no rosto. Os três pareciam espantados. A tensão, de repente, era tão profunda que ninguém percebeu a mudança no ar bem mais atrás, na metade da Ponte Mapo. Ninguém que não Pablo, que tentou gritar por Mari quando este afastou-se abruptamente da mãe e recuou os passos necessários para mais perto da criatura. A visão demorou um tanto para processar a imagem quando virou-se, mas quando fez já era tarde: seu corpo tombou no chão após uma rasteira. A queda repentina que lhe custou um baque na cabeça, deixou-o atordoado, então era difícil compreender aquilo. A cauda longa de cobra não condizia com o busto de mulher, mas não é como se esse fosse o maior problema para Mari - não se deixasse de olhar isoladamente e analisasse o conjunto: o fato de que uma mulher metade cobra, em si, existia e estava ali. Claro, a cabeça que doía como inferno, junto ao psicológico abalado por anos, também era um grande problema.

              — Finalmente. Agradeça as espectadoras do rio e todo alvoroço que fizeram. — a coisa disse com um meio sorriso composto de sarcasmo. Isso e algo mais que Mari não conseguiu identificar, pois logo tinha os ombros sendo enrolados pela cauda novamente.

              Dessa vez, no entanto, tendo a metade-cobra mais perto de si, a parte mais fina da cauda terminou ao redor de seu pescoço. Ele ouviu sua mãe gritar, ou jura que si. O aperto, de pouco em pouco, começou a fazer difícil respirar. A criatura também falava algo, recitava alguma coisa sobre ter sido difícil pois cheiro de cigarro e poluição ser horrível para as narinas e outras coisas quais Mari não conseguiu entender. Ele só fazia debater-se e, em algum momento, começar a perder os sentidos. E apesar da visão embaçada e o aperto no peito, Mari tinha certeza que, de repente, havia sido lançado pelo ar e logo elançado pela água gelada.

              Ele podia jurar que sentiu mãos. Talvez, isso - e a água gelada - que o fizera abrir os olhos e  vagarosamente despertar. Há quanto tempo estava afundando? O quão fundo do rio estava? Engraçado, pois no fim havia terminado como programou antes de Pablo chegar e segurá-lo. O esforço de seu único amigo - se é que conseguia considerá-lo assim - havia sido em vão. De qualquer maneira, iria morrer; e não estava com medo. Um pouco surpreso e amargo com a reviravolta, mas não com medo da morte. A não ser que os rostos daquelas mulheres e as mãos delas em si fizessem parte do processo - isso sim dava medo. Mari se debateu para afastar-se das figuras, deixou um grito grave rasgar a garganta e foi seu erro. Percebeu que estaria à se afogar. As mãos em si, então, tornaram-se mais firmes. Sem saber por quem ou se não passava de algo de sua cabeça, Mari era empurrado e puxado para cima até que expelido, quase literalmente, para fora do rio. Outro baque que o deixava atordoado acontecia, mas dessa vez mais pois procurava por ar como se sua vida dependesse disso - e de fato, dependia. Mari estava entre tosses e areia grudada nas roupas molhadas quando Pablo o encontrou com o olhar que carregava coisas demais para alguém que acabou de livrar-se da morte entender - tão dono de uma mente nublada naquele momento, que sequer percebeu as pernas animalescas do outro rapaz ou os mahucados no mesmo. No entanto, surpresa era um sentimento óbvio demais para deixar escapar e fora deixada ainda mais clara quando Pablo exclamou:

              — Po-poseidon? Você é filho de Poseidon? — A primeira reação de Mari, que ainda encontrava-se um tanto fraco, foi olhar atrás de si, pois uma coisa era certa: Pablo olhava para algum lugar que não ele. O coreano, porém, lembrou-se de algo mais importante; muito mais urgente que filhos ou Poseidon.

              — Onde… a cobra? — a voz de Mari saiu rouca, difícil; bem como foi para se fazer em pé. A expressão de Pablo, enfim, mostrou-se com somente um sentimento junto com a lembrança.

              —Mari, — Pablo engoliu em seco. — Precisamos levar sua mãe para o hospital. Agora.

              E lá estava ela novamente: a dor no âmago; na cerne.


&&.

              — Foi em Busan, quando fiquei um tempo com seu avô antes de vim a falecer. Eu o conheci na praia de Haeundae, durante o pôr do sol. — a voz da sua mãe era fraca, bem como ela parecia estar. Ainda sim, bem melhor que quando chegaram no hospital.
           
              Pablo havia desintegrado a mulher-cobra, ou melhor, a Dracaenae, como disse que era o nome da criatura. Mari nunca ouviu sobre algo do tipo. Não há matérias que falem tanto sobre mitologia grega nas escolas coreanas - provavelmente, em nenhuma das escolas da Ásia Oriental. Na verdade, pode-se dizer que deuses gregos ou romanos mal são assuntos que se passa de boca em boca. A história dos países orientais não têm nada a ver com gregos ou romanos, tampouco os deuses destes. Guiados, em geral, pelo Taoísmo e Confucionismo, tinham uma forma de ver o mundo completamente diferente e assim construíram-se. Mari saberia dizer sobre os deuses e criaturas japonesas, alguns outros chineses, mas somente o básico sobre a mitologia grega. E como se não bastasse, tinha certa afeição pelo Budismo - então, como realmente entender e acreditar que Pablo o achou na beira do rio pois havia um símbolo luminoso sobre sua cabeça? O símbolo de um tridente; o símbolo de Poseidon, seu pai, que aparentemente resolveu gritar a paternidade após o filho ter sido enforcado, jogado e quase morrido afogado enquanto sua mãe recebia uma lança que era para acertar Pablo, mas atravessou seu ombro.

              — Ah, ótimo. Como se não fosse suficiente ser um bastardo, sou também um mestiço. — Mari retrucou a mãe com acidez que era visível até mesmo em seu meio sorriso.

              — Tantas coisas e é nisso que você se pega? — Pablo, quem o coreano não deixou sair do quarto e tinha o braço enfaixado, julgou. O que fez o sangue de Mari ferver.

              — Você tem noção de como fazem a vida de um mestiço o inferno na escola? Ou melhor, em qualquer lugar da merda desse país?

              Aberração, às vezes Mari achava que os olhares que deram para a garota novata no ano passado a chamavam de aberração. Literalmente, fora chamada de sangue-sujo - e não, não estavam em nenhum filme de Harry Potter. Ela simplesmente não era uma coreana de verdade. Sendo uma nação tão homogênea, é valioso manter a pureza do sangue e quem desvirtua tal integração é julgado. Pablo nunca entenderia, mas sua mãe sim. Mari suspirou e deixou o corpo cair sobre a cadeira ao lado da maca do quartinho miúdo, então confessou:

              — Desculpa, mas… mas isso tudo não é fácil de digerir. Na real? Como saber que não estou vivo nesse momento? — ele riu soprado, olhando para os sapatos sujos. — Porque nada disso parece real. Poseidon sendo meu pai… — engoliu em seco, voltando a olhar para a mãe. Pablo foi mais rápido em interromper qualquer pensamento de Mari.

              — Você está vivo. E o que aconteceu… foi tudo real. — o amigo, o sátiro, tocou-lhe o ombro e encarou-o nos olhos. — Agora… — Pablo pareceu pedir desculpas com o olhar para a mãe do semideus. — Precisamos mudar as passagens para os Estados Unidos para o mais próximo possível. E mesmo assim já aviso que não será uma viagem tão divertida.

              — Tudo bem. — era a mãe de Mari que dizia, oferecendo uma tentativa de sorriso reconfortante. Parecia que ela queria convencer de que tudo daria certo, mas talvez só quisesse dizer para ela mesma. — Já planejávamos ir para lá, não é, Mari? Meu irmão mora lá. A ocasião não era bem a que espera-

              A movimentação brusca de Mari chamou a atenção dos outros dois. Com a expressão séria, ele segurou a maçaneta da porta e abriu a mesma. Antes que pudesse sair, disse por cima do ombros:

              — Não sei qual a tua, mas pelo o que sátiro explicou no caminho para cá, eu vou para um lugar para pessoas como eu, resultado de pessoas como você. Honestamente, espero que esteja indo pelo meu tio, e não por mim. Porque eu não quero que você vá.

              E não olhou para trás, perdendo o choro da mulher que queria, somente uma vez na vida, fazer as coisas certas. O peso de suas palavras só bateram depois, bem depois, quando já era tarde.
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Re: Ficha de Reclamação para Três Grandes

Mensagem por Hades em Dom Nov 04, 2018 9:31 pm




Avaliação — Cheryl Lewis Habsburg


Cá estamos de novo, minha querida. Em comparação à última avaliação, consigo perceber que você melhorou os aspectos da ficha que eu apontei. Fico muito contente com isso.

Ainda consigo notar alguns problemas com pontuação, como "ja" em vez de "já". Também percebo certa dificuldade com a pontuação. Bem menos agora, é claro. E peço que você continue se policiando em relação a esses problemas. Não gostaria de citar um por um como da última vez, mas espero que a mensagem de que ainda há pontos a serem melhorados fique com você.

Também queria falar quanto à criatura enfrentada. O texto dá a entender que se trata do minotauro, apesar de não ser muito específico quanto a isso. Atente para o fato de que o minotauro é uma criatura que estaria acima da capacidade de três semideuses inexperientes. Gostaria de descontar alguns pontos por isso, embora não vá reprová-la exclusivamente por isso (até porque não há uma descrição específica do minotauro no fórum).

O problema principal, a falta do momento da reclamação, foi resolvido por você. Por isso, decido aprová-la, esperando que você siga melhorando no quesito Ortografia. Sem mais enrolação, parabéns, semideusa.

Coerência: 65;
Coesão, estrutura e fluidez: 37,5;
Objetividade e Adequação à proposta: 22,5;
Ortografia: 12.

Resultado

Aceita como filha de Zeus;
Recompensa: 137 xp;
Item de reclamação padrão.



Avaliação — Kawonin James


Olá, Kawonin. Sua ficha estava indo muito bem. Mas a narração se encerra abruptamente. Como notei que falta um pedaço do template, minha teoria é de que falta uma parte da missão de reclamação na sua ficha. Como a ficha não traz o momento da reclamação, serei obrigado a reprová-lo. Peço que verifique se minha teoria está certa e reposte a ficha com as correções necessárias.

Resultado

Reprovado como filho de Hades.



Avaliação — Luke Olivieri


Boa noite, Luke. Não tenho muito a dizer. Acho que você conseguiu seguir adequadamente a proposta da ficha.

Tenho que apontar alguns erros de ortografia. Note que não usamos "cabelo loiro", já que cabelo se refere a cada um dos fios da cabeça. O certo, nesse caso, seriam "cabelos loiros". Veja também o seguinte trecho:

@Luke Olivieri escreveu:- O que? Porque você me trouxe para cá? - Ela parecia confusa quando acordou.

Três coisas me incomodaram aqui. A primeira, o "que" é sempre acentuado quando aparece em final de frase. A segunda é que, nesse caso, "por que" seria a forma correta. Finalmente, aponto também para o uso de hífen no lugar de travessão para sinalizar fala. Corrigindo, o trecho ficaria assim:

@Hades escreveu:— O quê? Por que você me trouxe para cá? — Ela parecia confusa quando acordou.

Mas esses são erros pequenos e de forma alguma me fariam reprová-lo. Peço, no entanto, que atente para o que eu apontei na avaliação. Sem mais enrolação, parabéns, semideus.

Coerência: 75;
Coesão, estrutura e fluidez: 37,5;
Objetividade e Adequação à proposta: 22,5;
Ortografia: 13.

Resultado

Aceito como filho de Poseidon;
Recompensa: 148 xp;
Item de reclamação padrão.



Avaliação — Mari Seo


Nossa. Boa noite, Mari. Gostei muito da ficha. Nunca tive muito contato com a cultural oriental. Seu texto é bem educativo quanto ao assunto, sem se tornar maçante ou entediante. Você também sabe muito bem traçar um desenho da personalidade do seu personagem. Também, apesar de não ser um especialista, acho que você soube fazer um bom retrato de um possível transtorno psicológico.

A ficha traz alguns problemas de ortografia. Acho que você escreve muito bem, de forma que penso que o motivo dos erros seja, principalmente, a falta de revisão do texto. Aponto o seguinte trecho das características psicológicas do personagem para reforçar meus argumentos:

@Mari Seo escreveu:Talvez tão raro quanto ser filho de quem é ter olhos da cor que tem, sua persoanlidade disnorteia um tanto do que espera-se de um filho de Poseidon. Na verdade, deve ter a ver mesmo com o meio qual fora criado - e até faz sentido, afinal, as características e comportamento do mar muda de acordo com sua localização, pois fatores externos influenciam. Não só as sérias de preconceitos e dificuldades qual Mari tivera que passar o moldou como um garoto bastante reservado e calado, mesmo que tenha mil e uma coisa dentro de si, como também seu crescimento na sociedade coreana em si

São erros pequenos e simples de se resolverem, mas que, acumulados assim, incomodam um pouco.

Por último, queria só apontar que em determinado momento, você fala em "áurea". Essa palavra tem a ver com ouro e não se encaixa bem na situação. Acho que a palavra que você estava buscando era "aura".

Bom, dito tudo isso, espero que você dê uma revisada em seus futuros textos. E eu espero ler mais deles em breve, também. Parabéns, semideus.

Coerência: 75;
Coesão, estrutura e fluidez: 37,5;
Objetividade e Adequação à proposta: 22,5;
Ortografia: 13.

Resultado

Aceito como filho de Poseidon;
Recompensa: 148 xp;
Item de reclamação padrão.




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Re: Ficha de Reclamação para Três Grandes

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