Thou shalt not kill.

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Thou shalt not kill.

Mensagem por Michael Bertrand em Seg 08 Out 2018, 04:34

Desenvolvimento da trama de Michael Allouis Bertrand, filho de Éris e Devoto de Hera. O personagem segue o alinhamento chaotic evil.

Aviso previamente que serão usadas palavras de baixo calão, narrativas sexuais, gore, violentas e trechos que se enquadrem em leis de maior idade, portanto, se não é adulto, siga por sua conta e risco ou simplesmente pule para outro tópico.

Capítulo um: Did u hear the news?
Capítulo dois: Satan has one son
Michael Bertrand
avatar
Devotos de Hera
Mensagens :
198

Localização :
Nova York

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Thou shalt not kill.

Mensagem por Michael Bertrand em Qui 11 Out 2018, 05:36

DID U HEAR THE NEWS?
O filho de Éris estava sentado nos degraus do Chalé Onze, observando o fluxo de campistas que seguia para todos os lados possíveis como formigas operárias desnorteadas. Embora um sorriso indecifrável estivesse desenhado em seu rosto, o meio-sangue não conseguia compreender o motivo de tanto comprometimento do restante. Claro, ele entendia que haviam regras e senso comum para que a ordem fosse mantida naquele lugar - afinal, era o único local no mundo que oferecia proteção e segurança para os bastardos -, mas era totalmente contra a ideia de que deviam agradecer e jurar lealdade a Quíron e seus genitores simplesmente por estarem salvos.

Michael foi tirado de seus devaneios quando escutou o trotar de passos de um cavalo e avistou o imortal instrutor dos semideuses que, desde seus onze anos, era alguém que tinha aprendido a respeitar e estudar. O centauro, para a maioria dos campistas, era alguém passível, complacente e fraco, porém tinha bastante diplomacia e poder. O moreno aprendeu com ele que a força física, apesar de bem-vinda, não serviria bem a uma mente vazia.

Sr. Bertrand — A criatura, ao se aproximar do semideus, cessou os passos e ajeitou o berrante preso ao suporte nas costas. O meio-sangue se ergueu, reverenciando o centauro e tirando dele um sorriso simpático. — Imagine! Sabe que não é necessário, não sou um deus.

De fato, pensou o garoto consigo mesmo.

Ainda assim — Mich retribuiu o mesmo sorriso simpático, sabendo que era uma simples atuação. A mesma atuação que ele fizera durante anos ali dentro. — É o mínimo que posso fazer depois do trabalho que dei ao senhor.

Sempre foi um ótimo aluno, sabe disso. Por isso não estou surpreso, conseguiu sobreviver fora das fronteiras. — Respondeu Quíron, massageando o ego do filho de Éris. — Algum motivo especial para seu retorno?

Bertrand manteve a postura, os trejeitos e o sorriso intactos, além de não interromper o contato visual com seu instrutor. Lembrou-se das palavras da própria mãe, de como ela havia o preparado para aquele momento quando retornaria ao lugar que sempre teve o desejo de abandonar. Odiava se sentir dependente de algo ou alguém, principalmente quando se tratava de viver entre os campistas, mas ali estava, sabia que não deveria ignorar seu destino - ainda mais depois da situação em Paris em que jurava ter recebido a visita de Hera. O jovem suspirou e voltou-se aos degraus do chalé, apossando-se do item que tinha roubado de sua última vítima.

Tratava-se de um bracelete feito em prata e a pena de um pavão no centro, adornada em ouro. Simples e sucinto, porém extremamente majestoso em seus mínimos detalhes. Michael entregou o item ao centauro e Quíron arqueou uma sobrancelha, curioso com o gesto do rapaz, mas o fez para descobrir do que se tratava.

Eu o recebi em Paris, durante uma provação contra um grupo de mortos-vivos — Passou a explicar, pouco preocupado com o falso testemunho que proferia. Os mortos não contam histórias e ele era um exímio mentiroso, não seria fácil descobrir a verdade acerca daquele bracelete, ainda mais considerando que a própria rainha do Olimpo era sua cúmplice. — Vê a pena entalhada?

Magnífica, eu diria — Murmurou o centauro enquanto analisava cada detalhe do item. — Disse que o recebeu?

Nisso, Michael deixou que uma expressão consternante e preocupada tomasse conta de seu rosto, contudo, ergueu o olhar e juntou as mãos atrás das costas, queria demonstrar certeza do que estava prestes a falar.

Sim, e acredito que tenha sido de nossa rainha. A rainha.

Quíron alternou o olhar de surpresa entre o filho de Éris e o bracelete que carregava, parecia não acreditar na possibilidade sugerida pelo garoto. Coçou a barba lentamente em silêncio e, após um longo suspiro, entregou o item para seu 'dono' antes de dar meia volta em direção à Casa Grande.

Venha comigo, há outra pessoa que precisa saber disso.

Bertrand deixou que o centauro seguisse na frente enquanto um meio sorriso formava-se em seu rosto. Ele sabia exatamente quem precisava ouvir aquela história e, se Quíron tinha levado a sério ao nível de conversar com o Sr. D., o meio-sangue sentia-se cada vez mais próximo de seu objetivo. Caminhando pelo acampamento, o filho de Éris notou que recebia olhares de desconforto e curiosidade do restante dos campistas - alguns velhos conhecidos e outros novatos -, fato que o fez se lembrar dos momentos infelizes de sua infância ali dentro. Inspirou profundamente e ergueu o rosto para demonstrar superioridade sem sequer retribuir os olhares. Em questão de poucos minutos, a dupla alcançou o belo casarão azul.

Era, talvez, um dos imóveis mais belo dentro daquelas fronteiras e, por isso, Michael tinha o enorme desejo de destruí-la um dia. Afinal, a Casa Grande era o alicerce do lugar e vê-la em escombros representaria o início de uma Nova Era. Os olhos do moreno brilhavam enquanto sua mente imaginava o lugar em chamas.

Sinta-se a vontade. — Disse Quíron enquanto enfiava o traseiro equino dentro do portal mágico de sua cadeira de rodas e transformava-se no indefeso Mr. Brunner.

Michael adentrou o lugar após o imortal e, quase que de imediato, sentiu o calor gerado pela lareira esquentá-lo. Nunca tinha estado ali antes e sentiu-se completamente estarrecido com tanto luxo que o deus e o centauro viviam ali dentro. Engoliu em seco, lembrando-se das noites horríveis no Chalé de Hermes, onde precisava dividir o pouco espaço que tinha com indefinidos e muitas vezes era expulso do próprio beliche. Odiou os deuses ainda mais por aquilo, mas manteve a expressão amigável no rosto.

Quíron pediu para que ele se sentasse no sofá enquanto entregava uma caneca de café amargo, o preferido do semideus. Em seguida, o centauro cadeirante disse que voltaria em breve e seguiu até os corredores do casarão, deixando o herdeiro da discórdia sozinho. Ao bebericar o café, Michael viu sua mente invadida pelas lembranças novamente.


A arena não era tão convidativa a noite, principalmente em tempos de chuva, transmitia a sensação de perigo para a maioria dos semideuses. Mas não para Mich, era como se aquele fosse o único momento em que poderia escapar da rotina e perseguição do restante do dia. Teve a sorte de conseguir a autorização de Quíron para realizar treinos também durante a noite, já que vez ou outra, o garoto perdia o sono e passava a madrugada inteira virado. Treinar tirava-lhe a energia e, com isso, voltava a dormir. Era ótimo, pois não precisava se preocupar com as harpias vigilantes.

O semideus desferiu um soco direto contra o boneco de combate corporal e sentiu mais um pingo de suor escorrer pelo rosto. Respirou profundamente, alongando pescoço e braço enquanto esperava alguns segundos para repetir o treino. Foi quando ele escutou passos ecoarem do outro lado da arena e, ao se virar, deparou-se com Alvarez e sua dupla de imbecis.

Alvarez Reys era um filho de Ares que seguia o esteriótipo perfeitamente. Extremamente egocêntrico, andava com camisetas sem manga para que os músculos ficassem exibidos e gostava de se gabar da cicatriz na região do ombro como lembrança de um duelo em que ele tinha sobrevivido, sempre com uma expressão nojenta de escárnio e satisfação no rosto. Os outros dois eram os gêmeos Blossom, filhos de Deimos, ironicamente os mais covardes que só se garantiam quando nas costas do filho de Ares.

Michael suspirou e tentou ignorá-los, mas como era de se esperar, foi notado pelo trio.

Veja só quem gosta de se aventurar. Treinando pra me derrotar? — Questionou Alvarez, tirando dos outros dois uma risada forçada. — Talvez Quíron precise saber sobre sua fugidinha noturna, aberração.

Mesmo se eu quisesse, não seria difícil te superar. — Devolvou o filho de Éris na mesma proporção de maldade. Virou-se para eles, sabendo o que viria a seguir. — Vá em frente... aparentemente eu sou o único com autorização pra estar aqui.

Alvarez não conseguiu evitar que a expressão de escárnio fosse substituída por uma de raiva, ele odiava ser contrariado, era como uma criança mimada que quebrava os brinquedos quando escutava o que não queria. Talvez fosse daquela forma pois a maioria dos outros filhos de Ares o respeitavam e, automaticamente, ele criou um senso de superioridade com o restante do Acampamento. Mas Bertrand era um dos campistas com mais tempo ali dentro e, desde os sete anos, foi convencido de que seria melhor que todos. Diante da afronta, o latino fez um gesto com a cabeça e ordenou que os filhos de Deimos agarrassem Michael, imobilizando seus braços.

O filho de Éris manteve-se quieto, sem reagir, apenas deixando um sorriso provocador tomar conta de seu rosto. Covardemente, Alvarez desferiu inúmeros socos contra o semideus, por conta de sua força descomunal, não demorou muito que o nariz e boca do moreno sangrassem. Depois do décimo soco, o trio se cansou e largaram o herdeiro da discórdia que recusou despencar no chão, agarrando-se ao boneco de treinamento e cuspindo o líquido ferroso de sua boca.

Precisa treinar mais. — Provocou o filho de Ares ao dar as costas e deixar a arena.

Assim, Bertrand cerrou os punhos enquanto recuperava estabilidade. Estava enfurecido, não era a primeira vez que aquilo acontecia, sempre sofria algum tipo de discriminação dentro daquele lugar. Era tratado com um inimigo e mal podia reagir, filhos dos Olimpianos eram sempre mais confiáveis e poucos ficavam contra eles. Contudo, ele sabia que ao menos uma vez por ano, poderia contar com a visita da própria mãe e não foi diferente naquela noite. Sempre que passava por uma situação de desprezo, Éris aparecia em segredo. Ele analisou toda a arena em busca da deusa e avistou a figura pálida com um vestido esvoaçado e negro em uma das entradas do lugar. Novamente, ela segurava uma maçã brilhando em tom de ouro e, com um gesto do dedo, chamou pelo filho.

Quando se aproximou, ela suspirou de forma pesada e passou a mão pelos ferimentos no rosto de Michael enquanto oferecia a fruta para ele comer.

Eles me odeiam. — Murmurou ele.

Eles o temem. — corrigiu a deusa. Ela sorriu e, enquanto o semideus sentia a dor em seu rosto aliviar, Éris o envaidecia. — O ser humano teme tudo e todos que sejam diferentes. Você é especial, Michael.

O olhar da deusa reluzia, brilhava como se estivesse diante de um tesouro. Bertrand era a arma secreta da deusa da discórdia e não fazia ideia de que estava se tornando um fantoche de guerra. Àquela altura, considerava todo o Acampamento seu inimigo e a divindade se satisfazia com isso. Queria usar o filho para se vingar do próprio desprezo que sofrera durante éons. Ela depositou um beijo convidativo na testa do garoto e agarrou seu rosto com calma.

Por que não posso ficar com a senhora? Eu odeio esse lugar, você me impede de reagir. Eles merecem sofrer.  

Seja inteligente, rasteje entre eles como uma serpente silenciosa, espere o momento certo para o ataque e eu te garanto, meu filho — Ela respirou fundo e de sua boca escapou um hálito inebriante e doce. — Seu veneno será fatal.


Presumo que este garoto espancado seja Michelangelo — A voz do Sr. D. puxou Michael de volta para o presente, limpando sua mente das lembranças. Ele se referia aos ferimentos recentes no rosto do rapaz, provenientes do duelo secreto com o filho de Zeus em Paris. Michael se ergueu do sofá e o reverenciou, tinha aprendido a se abaixar para deuses, independente de quem fosse. Dionísio revirou os olhos e sentou-se em uma poltrona, ordenando que a cabeça de seu leopardo ficasse calada. — Eu estava assistindo Dança dos Famosos, menino, espero que seja importante.

Quíron pigarreou, chamando a atenção do deus para que fosse mais atencioso e Michael sorriu de forma simpática, embora falsa. Então, o centauro falou pelo meio-sangue, já que era melhor quando se tratava de convencer o deus.

Como eu disse, o Michael desconfia que tenha recebido um presente de Hera. — O imortal solicitou que o garoto mostrasse o bracelete para Dionísio, que arqueou as sobrancelhas mas logo em seguida fez descaso. Quíron revirou os olhos e prossegiu pacientemente. — Ao meu ver, poderia se tratar de qualquer um tentando se passar por ela... até mesmo sua mãe, Michael. — Avisou com extrema preocupação.

O Sr. D. gargalhou.

A única coisa com que aquela mulher perde tempo é se vingar das amantes de Zeus — Um trovão ribombou ao longe e o deus suspirou quando seu vinho transformou-se em água. — Por que ela o procuraria?

Antes que o instrutor pudesse tomar partido novamente, Bertrand respeitosamente o interrompeu.

Eu não faria os senhores perderem tempo se não tivesse certeza do que vi. Aquela mulher era majestosa demais, autêntica demais e bastante real pra ser uma ilusão ou outra divindade. — Retrucou calmamente, voltando-se para Quíron. Sabia que conseguia passar sinceridade pelo olhar e o centauro, de certa forma, confiava nele. — E em mais de vinte anos minha mãe nunca me procurou, não me surpreenderia se ela nem mesmo se lembrasse de mim.

Dionísio o interrompeu.

Certo, mas por que o alarde? Hera te visitou, bem-vindo ao time. Bem, creio que essa reunião corriqueira está encerrada.

Quero encontrá-la, jurar lealdade e devoção. Vim aqui pra isso, é o meu destino.

Palavras fortes para o filho de uma deusa menor. — O Sr. D. já não parecia mais tão paciente.

Não estou vendo nenhum filho de Zeus aqui, almejando algo tão grandioso.

Michael deixou de sorrir e encarou o deus com frieza no olhar, revelando parte de quem realmente era. Odiava ser subestimado. Dionísio não estava acostumado com aquele tipo de reação, por isso manteve-se em silêncio enquanto, provavelmente, desejava fulminar o filho de Éris com o olhar. O centauro intrometeu-se entre os dois na tentativa de acalmar os ânimos e repousou a mão sobre o ombro do deus, voltando-se para o meio-sangue.

Isso levaria alguns dias, Michael, eu e o Sr. D. precisamos conversar com calma. O que você sugere é extremo, Devotos passam por bastante riscos durante a pouca vida que possuem, mas não impossível. — Opinou o velho cadeirante enquanto as emoções dos outros dois estabilizavam novamente. — Por favor, o Acampamento é seu lar. Fique o tempo que precisar, em alguns dias te daremos a resposta.


Foi exatamente o que aconteceu, mesmo odiando a ideia de passar um dia sequer dentro daquele lugar, dividindo espaço entre filhos de Hermes e indefinidos, Bertrand o fez com paciência ao se lembrar de seu objetivo. Depois de cinco dias esquecido no "limbo", ele foi chamado pelo monitor do Chalé Onze, afirmando que o centauro Quíron o aguardava na Casa Grande. As feridas em seu rosto já tinham diminuído parcialmente, o que era ótimo, já que ele não queria se apresentar à Hera com uma aparência decadente. O semideus vestiu jeans, uma camiseta branca da marca Armani, par de tênis e uma jaqueta preta. Em seguida, armou-se com o bracelete no punho direito e a adaga embainhada na cintura, partindo na direção do casarão.

Ele sabia que podia esperar uma resposta positiva, tinha conquistado a confiança do centauro durante os anos que viveu ali como tática para ter o mínimo de vantagem. Mas a surpresa foi quando avistou uma presença a mais que a do centauro ao longe: Alvarez ainda estava vivo depois de tanto tempo e sorriu de escárnio ao vê-lo, acenando para o moreno.

Michael, fico feliz que tenha esperado — Congratulou Quíron e pediu para que ele se sentasse na cadeira disposta na varanda da Casa Grande, ao lado do filho de Ares. Michael o fez, disfarçando o rancor que tinha. — Tenho boas notícias, você será levado ao Olimpo. Os deuses se interessaram pela história e querem saber do que se trata.

Devem estar entediados. — Provocou Reys, logo recebendo um olhar de advertência do instrutor.

Alvarez é nosso principal combatente, ele estará com você em caso de empecilhos. A viagem pode ser bastante perigosa, rapaz, eu temo pela sua segurança, mas

O Sr. D. interrompeu o diálogo ao ranger o piso da varanda, sentando-se ao lado do grupo e bebendo uma Diet Coke.

Mas você é obrigado a ir. Sabe, Zeus também costuma ser bastante possessivo com sua esposa — Ao sentir o gosto da bebida descer pela garganta, Dionísio fez cara de nojo. — Ele logo quis saber quem está atrás dela. Os deuses, tão dramáticos.

Todos ficaram em silêncio enquanto a divindade terminava de beber o refrigerante por inteiro, suspirando de satisfação e amassando a latinha antes de jogá-la no colo de um sátiro que passava do lado de fora. Aquelas criaturas adoravam morder aquilo, por mais bizarro que fosse. O Sr. D. se ergueu e disse algo sobre o beijo de Rachel e Ross, voltando para dentro da Casa Grande. Quíron revirou os olhos diante da cena e voltou a falar.

Argos vai levá-los. Imagino que já esteja pronto.

Mesmo diante da complicação e provocações, Michael finalmente sentiu-se satisfeito, sorrindo de modo vitorioso. Estava cada vez mais próximo de conquistar seu espaço entre os deuses. Ele assentiu e, com a autorização do centauro, estava liberado para a viagem. Com tudo pronto, seguiu até a van de Argos ao lado de Alvarez. Nem mesmo a presença do filho de Ares conseguiria tirar seu foco daquela tarde. Partiram em direção de Manhattan.


Em cerca de cinquenta minutos, a van de Argos alcançou o centro de Manhattan em meio ao tráfego caótico da cidade. Era horário de fim de expediente, por isso, as ruas principais estavam interditadas por inúmeros carros, tornando o deslocamento lento. O sol estava se pondo, dando lugar à luz dos postes enquanto a lua não aparecia em meio ao céu semi-noturno. Michael ignorava o som incessante de buzinas e as reclamações do outro campista ao seu lado enquanto dedilhava a lâmina de sua adaga e observava o movimento dos mundanos do lado de fora da van. O Empire States despontava a quatro quarteirões dali e eles poderiam caminhar até lá facilmente, mas Michael estava calmo, sabia que a afobação era uma grande inimiga em momentos importantes como aquele.

Depois de quinze minutos parados em completo silêncio, foram surpreendidos por um som estrondoso de motores barulhentos se aproximando. Tratavam-se de duas motocicletas Harley Davidson, uma parada em cada lado da van, conduzidas por homens de barba cheia, cabelos longos e jaqueta de couro, além de carregarem escopetas gigantes nas costas, como nos filmes de Hollywood. De imediato, Alvarez sentiu-se eufórico e atraído pelas máquinas enquanto Argos, ao olhar pelos retrovisores, não conseguiu esconder a expressão de temor nos olhos, virando-se de forma assustada para o filho de Éris. Diante da cena, Michael voltou a olhar o motociclista ao seu lado da van e notou algumas particularidades. Primeiro, o capacete coquinho em sua cabeça tinha se tornado um elmo de bronze com aberturas lateiras para chifres animalescos. Segundo, a escopeta presa em suas costas era, na realidade, uma lança de ferro extremamente afiada. Por último, o que antes era a motocicleta revelou-se parte dos homens, mas da cintura pra baixo, o corpo era de um touro de pêlo preto.

O monstro encarou Mich de volta e, sorrindo de forma sádica, desferiu um soco na porta da van, amassando a lataria. Com a ajuda do segundo, conseguiram mover com força o veículo, jogando-o contra a parede de um edifício em construção e causando extremo alarde da cidade. Com o impacto, o filho de Éris sofreu um deslocamento no ombro esquerdo, causando-lhe dor.

Bucéfalos — Resmungou Reys, enfurecido. Aparentemente, ele não tinha sofrido dano algum e, por isso, foi o primeiro a sair do veículo com escudo e espada em mãos. — Filhos da puta!

Michael tentou ignorar a dor, ainda dentro da van, deslocou-se com dificuldade na direção de Argos que parecia desacordado. Mesmo com tantos olhos e pálpebras espalhados pelo corpo da criatura, o moreno procurou pela artéria do pescoço a fim de sentir a pulsação do sangue, contastando que ainda estava vivo e respirava normalmente. Não era sua maior preocupação, já que o vigia era um tipo de imortal. Assim, ele se dispôs de um dos escudos reservas trago pelo filho de Ares e pôs-se van afora.

Juntou-se ao filho de Ares do lado de fora e viu o inimigo do outro lado, a criatura parecia bater os cascos no chão, como um verdadeiro touro. Michael focou sua atenção no bucéfalo com o intuito de compreender suas intenções e a única coisa que ele sentiu foi a necessidade de matar. O filho de Éris ergueu o escudo no braço esquerdo e armou-se com a adaga de bronze na mão direita, já que seu bracelete ainda não tinha utilidade. Em seguida, veio o problema, ele lembrou-se do segundo monstro.  

Tem algo errado, eram dois. — Tentou avisar Reys, mas ambos foram surpreendidos quando o segundo oponente apareceu de supetão, desferindo um machado contra o herdeiro da guerra.

Não que Michael se importasse, mas aliviou-se quando viu que o rapaz conseguiu erguer o escudo e defender-se, afinal, seria difícil e desgastante enfrentar as duas criaturas sozinho. Assim, o semideus deu atenção ao híbrido armado com a lança de ferro, mas assim que se virou para olhá-lo, viu que ele estava erguendo a arma pronto para lançá-la em sua direção. Sua reação foi convocar o poder da fadiga, solicitando o apoio de Ponos, seu meio-irmão daemon. Seus olhos reviraram-se até que a íris sumissem, tornando-se completamente brancos enquanto ele reunia a energia maligna entorno do bucéfalo. O monstro trotou para tomar impulso no golpe a distância, no entanto, sentiu o próprio corpo pesar como se tivesse caído em suas costas uma bigorna, automaticamente, ao jogar a lança, ela não atingiu a proporção de força suficiente para alcançar o semideus.

Bertrand, sem poupar tempo, disparou correndo em direção do oponente com agilidade e, ao mesmo tempo, cautela. No pouco tempo em que se aproximava, analisou todo o ambiente ao redor do monstro e planejou seu ataque. Rapidamente lançou a adaga, mirando-a na altura do joelho animalesco da criatura. O bucéfalo não se atentou à pequena arma e, mesmo desarmado, continuou a trotar sendo facilmente atingido pela lâmina. Gritou de dor, tirando facilmente a adaga de sua perna enquanto Michael deslocou-se do chão à capotaria do carro, teto e desejou que sua arma voltasse à sua mão. Assim aconteceu, com o item em mãos novamente, abandonou o escudo e jogou-se contra os ombros do homem-touro. Mesmo com dificuldade, agarrou-se aos cabelos da criatura, passou as pernas por dentro dos braços e firmou os pés contra as costas do inimigo.

Sem querer dar tempo para reação, ele empunhou a adaga novamente e desferiu um golpe preciso e fatal na cabeça do bucéfalo, passando a lâmina pela abertura frontal dos olhos e nariz do elmo e trespassando sua testa. Em questão de segundos, o monstro parou de se debater e foi reduzido a um amontoado de pó que foram espalhados pelo ar quando Michael tocou o chão. O alívio foi momentâneo, pois ao procurar por Alvarez e o inimigo restante, deparou-se com uma situação que poderia complicar suas chances de ser aceito por Hera.

Reys tinha desferido a espada no ombro do bucéfalo que enfrentava, um movimento estúpido, pois bastou a dor para que o monstro se enfurecesse. Assim, agarrou o filho de Ares pelo braço em que o garoto segurava o escudo e o aperto com tanta força que o quebrou, tirando do campista um grito de dor. Em seguida, jogou o rapaz contra a lataria da van em um impacto forte. Com o braço quebrado e fraco o bastante pra sequer levantar, o imbecil se tornaria o próximo acréscimo na estátisticas de semideuses mortos. Bertrand não podia permitir aquilo, não naquele momento, por mais que adorasse imaginá-lo morrer da forma mais dolorosa possível.

Então, ele correu a tempo de evitar que Alvarez fosse atingido em cheio pelo machado, intrometendo-se no meio dos dois e usando o escudo para defender a si próprio. A falha, no entanto, veio de surpresa e de forma que ele não esperava. O escudo estava armado no braço esquerdo, no mesmo lado em que ele havia sofrido o deslocamento no ombro - isso acarretou um erro grave de defesa, já que ao empunhar o item, sentiu a dor retornar novamente e isso enfraqueceu a firmeza. Assim, conseguiu impedir que o machado o atingisse de forma vital, mas a arma do oponente foi mais forte a ponto de mover o item defensivo para baixo e parte da lâmina que havia cravado no material do escudo atingiu de raspão o rosto de Michael.

Ele só teve tempo de fechar os olhos e tentar virar a face para o lado, mas não adiantou muito, o machado tinha feito um rasgo acima da sobrancelha até a maçã esquerda do rosto, por muita sorte não atingiu o olho e o cegou. Mesmo com bastante dor e surpesa, Mich escutou as palavras de atenção do filho de Ares, de relance notou que a espada do mesmo estava em seus pés. Sem demora, o semideus fez algo que raramente faria: agiu por impulso - diante das circunstâncias, demorar pra planejar um ataque seria estupidez. Então, ao mesmo tempo que o bucéfalo puxava o machado com força para tirá-lo do escudo, Bertrand se livrou do item para que pudesse empunhar a espada com ambas as mãos e girou o corpo para a esquerda antes de desferir o ataque de sorte. Mirou a lâmina na altura do pescoço do monstro que, ao encarar os olhos de Alvarez foi tomado por um efeito de paralisação, mal tendo chances de reação.

Com tudo aquilo, o segundo oponente tinha sido derrotado, mandado de volta ao Tártaro. Michael respirou fundo e, após o alívio de mais uma provação, analisou o ambiente ao redor. Tudo estava um caos, carros fora da pista, a van quase destruída, os mundanos correndo e se afastando enquanto era possível escutar sirenes se aproximando. Não sendo o suficiente, nuvens carregadíssimas começaram a se formar no céu, tendo concentração no topo do Empire States enquanto o lugar era fulminado por raios. Reys estava em silêncio evitando grunhir de dor pelo braço quebrado, mas parecia ainda mais consternado por ter sido salvo pelo filho de Éris.

A chave ainda está na ignição, fuja com Argos, vocês não tem tempo.

Antes que pudesse escutar qualquer tipo de contestamento, o herdeiro da discórdia prosseguiu pelas ruas em direção ao arranha-céu desejado. Nada, fossem monstros, semideuses ou mundanos o impediriam de buscar seu destino.


Quando Mich apresentou-se à recepção do Empire States, não estava tão elegante quanto gostaria. As roupas, outrora limpas e perfumadas, estavam sujas do próprio sangue, poeira e encharcadas pela chuva repentina. Seu cabelo molhado despencava na testa, escondendo o novo ferimento na sobrancelha e bochecha. Enquanto passava a mão, imaginou que aquilo lhe custaria uma cicatriz permanente. As pessoas ao redor encaravam ele assustadas, não era comum alguém naquele estado adentrar no edifício. O recepcionista, tão assustado quanto, levou o telefone fixo ao ouvido pronto para falar com a equipe de segurança, mas foi impedido pelo semideus que o devolveu ao gancho. Tinha passado por muita coisa pra ser barrado por humanos.

Eu tenho uma reunião no Seiscento.

De imediato, o homem arqueou a sobrancelha como se não soubesse do que aquilo se tratava - exatamente como Quíron tinha o avisado, "Eles tentarão persuadi-lo de que não existe Olimpo algum, terá de provar que é um semideus".

Realmente não existe esse andar, senhor. Terei que pedir que se retire.

Antes que ele pudesse novamente tentar chamar a segurança, Michael olhou para o bracelete no próprio pulso. Seria impossível negar sua descendência divina se pudesse transformar aquilo numa espada, mas o item parecia ter um bloqueador. Então, enquanto avistava o grupo de seguranças se aproximando, o semideus tentou apelar para a deusa que tinha lhe presenteado com Argos dias atrás em Paris. Hera teve um motivo para abordá-lo e, talvez, o queria ali tanto quanto ele próprio.

"Hera, rainha soberana, peço seu auxílio nesse momento. Conduza meu destino ao seu."

Quase que instantaneamente, o bracelete assumiu um brilho dourado, tirando do recepcionista uma expressão de susto. Michael moveu o pulso e, para sua sorte, o item transmutou-se para a espada prateada com a pena de pavão entalhada em ouro. De imediato, foi solicitado que os seguranças abortassem a ação de retirada e o homem responsável pela recepção o encarou de forma séria e o rosto empinado. Em seguida, entregou ao semideus uma chave aparentemente normal, mas com o símbolo do ômega grego em bronze. Após aquilo, a espada retornou à forma ornamental e ele prosseguiu em direção aos elevadores em silêncio, sem ser impedido. Ao se aproximar, o ômega brilhou e um elevador alternativo apareceu magicamente na parede, revelando a passagem secreta para o Olimpo.

Sem medo, o filho de Éris o adentrou e nem mesmo precisou solicitar andar algum, já que a viagem foi espontânea e muito mais rápida que um elevador comum. Assim que chegou ao topo, sentiu como se tivesse atravessado um véu que separava o mundo mortal do universo dos deuses. Ali, seu lado deus estava muito mais nítido e cintilava com força, tal sensação tornou-se ainda mais intensa quando ele se deparou com o cenário. Era um monte repleto de edifícios e pilastras gregas, com luzes que bruxaleavam constantemente dentro deles e tochas de fogo que cintilavam o caminho até o salão dos deuses, as labaredas refletiam no chão que era de mármore branco.

Bertrand respirou de forma profunda e sorriu, mesmo ferido, mesmo em farrapos e cansado, sorriu com satisfação. Toda a sua vida tinha sido levado a acreditar que não era só mais um semideus qualquer e ali estava ele, diante do Olimpo. Ainda assim, ele sabia o tipo de recepção que deveria esperar dos Olimpianos - afinal, se até os filhos deles o odiavam...

Quando entrou no salão, estremeceu, sentindo toda a energia divina ao seu redor, era uma sensação intimidadora e, ao mesmo tempo, atraente. O lugar era tão belo quanto o restante do monte, brilhava e se Michael fosse crente de algum tipo de salvação, diria que aquele era o paraíso; exclusivo para os absolutos deuses sociopatas e egocêntricos. A posição dos tronos era semelhante à posição dos doze chalés no Acampamento e eram enormes, além de brilharem. O olhar de ambição do filho de Éris foi disfarçado quando as divindades se materializaram em suas formas humanas, provavelmente para evitar que ferissem o jovem prostrado no meio deles. Ele analisou rapidamente todos, mas seu olhar fixou-se no casal Real.

Zeus e Hera, os percursores da vida medíocre que os bastardos levavam no mundo mortal, sentados em tronos confortáveis e com um ar de soberania ao redor deles. O rei vestia uma toga azul com adornos em ouro, cabelos grandes ondulados e uma barba cheia de cor grisalho escuro. Já a rainha tinha a mesma aparência revelada em Paris, cabelos ondulados de cor castanho-cobre e um vestido branco com adornos de ouro além de penas azuis e verdes de pavão na saia. Ambos tinham coroas reluzentes. Zeus manteve-se sério analisando o meio-sangue enquanto Hera sorria.

És o filho da discórdia — Vociferou o deus dos céus, não estava perguntando tampouco afirmando, manteve-se em silêncio para analisar a reação de Michael, mas o meio-sangue manteve a postura reta e o rosto levantado, apesar das dores que sentia. — Imagino que não tenha feito tudo isso para se calar aqui, criança.

Devia ser incinerado pelo o que causou na avenida. — Murmurou o deus Ares, claramente incitando a violência independente do que tivesse acontecido lá embaixo.

Sabes o mandante daquilo, irmão. — Respondeu Atena de prontidão, atraindo a atenção e curiosidade de Mich embora ele mantivesse o olhar para os reis.

Silêncio! — Zeus ordenou ao mesmo tempo que raios ecoavam do lado de fora. — Deixem que fale.

Então, mesmo contrariados, o restante dos deuses mantiveram o silêncio. Bertrand inspirou profundamente e, ao invés de se dirigir ao rei, reverenciou a rainha ao ajoelhar-se em sua direção. Abaixou a cabeça enquanto pensava calmamente nas palavras que iria proferir, engolindo-as em seco assim como engoliu o orgulho ao se preparar para aquele momento.

Rainha, passei por provações para estar aqui. Entendo que meu destino é ser leal à senhora e servir ao Olimpo, por isso peço a chance — Mesmo se entregando a palavras submissas, ele deixou o bracelete em seu pulso a vista para que a deusa pudesse ver e se lembrar de como era cúmplice da morte de Kyle, filho de seu marido, em Paris. — Torne-me um Devoto.

Adendos & Recompensa Almejada:
Deixei o final em aberto seguindo a lógica de que posso ou não ser aprovado. Pois bem, além da recompensa em xp (mesmo que reduzida para 200 ou 100), almejo a entrada para o grupo extra Devotos de Hera.

Sobre as citações ao que realmente houve em Paris foi o caso em que Hera o incitou, através da inveja, a assassinar um filho de Zeus. Por isso, enquanto isso continuar em segredo, é uma carta na manga que torna a deusa cúmplice do filho de Éris. Tal enredo foi desenvolvido na missão Um inimigo em comum, link abaixo.

http://percyjacksonrpgbr.forumeiros.com/t13115-missao-one-post-um-inimigo-em-comum-michael-bertrand#282158

Sobre o item Argos, ele não pode ser utilizado até que a conta alcance o nível 10. No entanto, a utilidade dele na DIY foi totalmente ornamental e, apenas no final, através do desejo de Hera (ou seja, sem a interferência da vontade de seu portador Michael) o bracelete transmutou-se em espada para que o guardião do Olimpo cedesse o acesso ao monte. Espero que tenha ficado claro.

No mais, desejo que tenha tido uma boa leitura.
Armamento:
{Half Blood} / Adaga Comum [Adaga simples feita de bronze sagrado, curta e de duplo corte. A lâmina possui 8cm de largura, afinando-se ligeiramente até o comprimento, que chega a 20cm. Não possui guarda de mão e o cabo é de madeira revestido com couro, para uma empunhadura mais confortável; acompanha bainha de couro simples.] {Madeira, couro e bronze sagrado} (Nível mínimo: 1) {Não controla nenhum elemento} [Recebimento: Item de Reclamação]

{Argos} / Espada [É uma espada comum, a lâmina é de prata com uma pena de pavão desenhada em ouro, mede 90 cm e qualquer pessoa com um conhecimento mínimo sobre armas sabe lidar com ela. Devido ao pouco peso, é empunhada com uma única mão, deixando a outra livre para utilizar escudos ou outros itens. O cabo é de madeira simples. Transforma-se em um bracelete quando não utilizado, seguindo os mesmos entalhes da espada.] [Ouro, prata e madeira] (Nível mínimo: 10) [Recebimento: Missão Um inimigo em comum, avaliada por Éris e atualizada por Hera]
Passivos:
Nível 1
Aura oculta - O filho de Éris não tem qualquer marca ou indicação de sua filiação. Sua aura é invisível para quaisquer outros personagens, exceto se tiverem, além dos meios para descobrir isso, uma margem de poder  grande (10 níveis ou mais) ou forem deuses. Qualquer outra condição só mostrará a filiação de grupo extra, mas não sua origem genitora.

Perícia com adagas - Preferem ataques furtivos e discretos, armas fáceis de serem ocultadas mas nem por isso menos mortais nas mãos certas. Eles adquirem, por isso, uma compreensão maior sobre o uso dessas armas - adagas e punhais sempre serão mais fáceis de serem manuseadas por eles. O conhecimento não é automático, mas o aprendizado tende a ser mais fácil. A perícia é evolutiva, e depende do nível do semideus. Quanto maior, maior será sua habilidade com essas armas. Afeta adagas, facas e punhais.

Nível 2
As you wish - As proles da deusa adquirem uma compreensão melhor das motivações das criaturas - o que procuram, suas paixões, o que os desestabiliza. Esse é um poder passivo, que permite ao semideus saber os anseios dos seus adversários e - consequentemente - qual a melhor forma de tentá-los, desviando-os do seu caminho. No caso, o desejo do personagem - não um desejo sexual, mas suas ambições e motivações mais fortes, sejam materiais ou sentimentais. Não permite a manipulação, apenas o conhecimento, e personagens mental/ sentimentalmente resistentes tem essa visão bloqueada, mas apenas se forem de nível igual ou superior.

Nível 3
Controle dos Males I: Pseudologos - Recebem poderes relativos aos daemons de Éris e seus companheiros inseparáveis. Neste nível, Pseudologos os influencia: eles se tornam peritos em analisar pessoas através da linguagem corporal. Isso faz com que esconder seus reais sentimentos ou mentir para um deles seja muito mais difícil. Nível não interfere tanto aqui, uma vez que os sinais corporais independem deles, exceto para casos de semideuses específicos, que possuam poderes relativo à ocultação sentimental - nesse caso, se forem de nível igual ou maior suas reações podem ficar ocultas. Adicionalmente, a leitura corporal de um filho de Éris sempre vai ser dificultada, uma vez que eles sabem quais reações são esperadas e como controlá-las. Mentiras comuns são mais difíceis de serem descobertas, e poderes de manipulação igualmente - personagens de nível igual ou menor terão sempre 50% de chance a menos de notar tais coisas, não sabendo se o poder fez efeito sobre eles ou não caso sejam de nível igual ou menor, e igualmente tendo uma percepção menor quando o filho de Éris for sutil ao utilizar estes recursos. Claro que, se exagerar ou deixar brechas propositais, eles serão descobertos. Não significa que sejam imunes/ resistentes aos poderes, apenas não demonstram suas reações a tal.

Nível 4
Gosto pelo perigo - As proles são rodeadas por uma aura que instiga seus alvos. Isso faz com que eles próprios possam se tornar uma tentação em si, como se envoltos por uma aura sobrenatural - não mudará a aparência, mas mesmo que seja feio, o semideus ainda será considerado "instigante", "carismático", "exótico" ou similar - o famoso "ele não é bonito, mas tem um certo "que" que não dá pra explicar". Seus poderes de charme são ampliados em 5% a partir deste nível, aumentando para 10% no nível 14, e mais 5% a cada 10 níveis subsequentes, chegando ao máximo de 25% no nível 44.
Ativos:
Nível 1
Posse - utilizando o encantamento na arma, permite que ela se torne retornável. A distância máxima que ela pode ser atirada ainda dependerá da força do semideus e do tipo de arma. Não garante o acerto de um ataque, apenas a recuperação do item se usá-lo à distância. Cada ativação permite à arma do meio-sangue ficar encantada por 3 turnos.

Nível 3
Convocação I: Fadiga - Invocando o poder de Ponos, essa habilidade afeta um alvo dentro da linha de visão em um raio de 20m. O alvo afetado fica fatigado, perdendo 50% do seu deslocamento, como se estivesse sob um efeito de lentidão, durante 3 turnos. Resistência à fadiga pode minimizar o efeito. 1 vez por combate.
Búcefalos:
Passivos

(-) Parentesco mitológico: Por sua similaridade, bucéfalos tem praticamente os mesmos poderes e habilidades de um centauro, exceto pela perícia com arcos, a ausência do berrante  – ainda que também possa utilizá-los – e pelos poderes adicionais descritos.

(10) Infantaria: Bucéfalos desenvolvem a perícia com armas de ataque corporal. Neste nível,  ela se aplica apenas a armas de haste. A perícia é evolutiva, e indica uma familiaridade, não aprendizado imediato ou golpes invencíveis.

Ativos

(5) Arremesso forte: Ao ativar esta habilidade, Bucéfalos conseguem arremessar armas que normalmente não seriam utilizadas para tal, utilizando sua força. Isso se aplica a lanças em geral e à outras armas corporais, desde que de uma mão. Ainda assim, exige um gasto de energia e esforço para obter o efeito desejado. Cada arremesso  equivale a uma utilização.

 
Michael Bertrand
avatar
Devotos de Hera
Mensagens :
198

Localização :
Nova York

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Thou shalt not kill.

Mensagem por Dionísio em Qui 11 Out 2018, 10:51


MICHAEL BERTRAND




    Olá, Michael! Quero dizer que esse foi um daqueles textos que, mesmo ansiando pelo final, a gente torce para que se delongue. Não é a primeira vez, também li sua ficha, que te mostras um exímio escritor. Dito isso, só posso dizer que estou muito, muito animado e ansioso pelo que desenvolverás ao longo do tempo e na trama do personagem. Então, parabéns!Vou fazer apenas um breve comentário. Não há descontos de ortografia, embora eu tenha encontrado alguns erros, principalmente porque eu considero o todo. Seu texto está muito bem estruturado e com uma ortografia próxima do perfeito. Julgo que, se há cinco erros, ou mesmo dez, em um total de mais de seis mil palavras, a porcentagem é tão ínfima que não necessita gerar descontos.O único desconto que eu considerei fazer foi na sua descrição de batalha porque em dado momento tu utilizaste um artigo definido quando caberia um indefinido e, por esse motivo, eu precisei retomar a leitura e ver se aquele objeto já havia sido citado. Todavia, questão de uma letra.Ah, mais um comentário, estou me delongando, me perdoe pela demora: amei sua descrição de como Dionísio, vulgo eu, agi.Terminamos aqui, a palavra de hoje talvez seja: magnífico!



PONTUAÇÃO:

— Coerência: 50 de 50 possíveis
— Coesão, estrutura e fluidez: 25 de 25 possíveis
— Objetividade e adequação à proposta 15 de 15 possíveis
— Organização e ortografia 10 de 10 possíveis
Total: 100 pontos (multiplicador = 2): 200

DESCONTOS:

- 30 de HP (corte no rosto e deslocamento do braço, além do impacto dentro do veículo)
- 31 de MP (15 cansaço + 16 pelo uso dos poderes ativos)


    Recompensa: 200 XP's e 20 dracmas + Entrada aceita para o grupo Devotos de Hera.



ATUALIZADO




Dionísio
avatar
Deuses
Mensagens :
51

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Thou shalt not kill.

Mensagem por Michael Bertrand em Dom 18 Nov 2018, 11:43

SATAN HAS ONE SON
Não precisa ter medo.

Deixou as palavras escaparem da garganta junto com a fumaça acumulada do cigarro, assoprando-as de forma suave. Michael, vestido em um sobretudo, caminhava pelo subúrbio de Nova York ao lado de um casal de mendigos, dependentes químicos. A mulher, mesmo jovem, aparentava ter cinquenta anos, devido as inúmeras rugas e feridas espalhadas pelo rosto, assim como o marido, que escondia a maioria dos machucados através de uma barba cheia e emaranhada. Ambos caucasianos de cabelos castanhos e sujos, tão sujos como as roupas rasgadas e maltrapilhas que vestiam, protegiam-se apenas com um cobertor.

Valeu, cara. Essa vadia gastou toda nossa grana com um bagulho meia boca ontem, sozinha, sem dividir. — O homem tirou do casaco velho um cantil contendo o resto de um uísque e bebericou, inquieto. — Puta... você não leu a bíblia?

A dupla, como toda e qualquer pessoa dependente, acreditou facilmente nas palavras de Bertrand. Andaram por quarteirões até finalmente encontrarem um prédio interditado, sem qualquer pessoa vivendo nele.

Vadia é a mãe! — Gritou a esposa, fungando o nariz e tremendo, mesmo tampada com o cobertor. — Deus te castigará por falar da bíblia! Dois filhos no orfanato, falidos e sem teto, você nos arrastou pra merda!

Com isso, o homem desferiu um tapa forte contra a mesma, causando seu tombo. Gritou enfurecido ao respondê-la, de forma que o meio-sangue conseguiu enxergar cuspe escapando da boca e grudando em sua barba.

Não fala disso perto de estranhos, VADIA!

Michael interferiu ao tocar o ombro do mendigo, sinalizando um gesto com a mão próxima do ouvido, pedindo silêncio. A abstinência o fez acatar, já que preferia mil vezes passar a noite chapado do que não obedecer e perder uma curtição gratuita. Mas, para eles, só haveria dor. Então, o devoto adentrou a abertura entre as tábuas que tampavam a entrada do prédio, se dirigindo ao segundo andar e sendo seguido pela dupla até o último quarto ao fundo.

Eu só não acho que esse cara é um traficante, merda! — Murmurou a esposa enquanto massageava o rosto marcado pela agressão.

Michael manteve-se prostrado diante da janela quebradiça, analisando a chuva que se aproximava.

Puta ingrata... você tem o bagulho, cara?

Então, o semideus riu com desprezo ao se virar para eles, com as mãos entrelaçadas atrás das costas. Se aproximou lentamente, deixando uma faca de combate curta descer pela manga do sobretudo.

É curioso... se existisse um Deus, ele não teria deixado as coisas chegarem a esse ponto.

Com olhares de desconfiança, a dupla recuou um passo, mas não eram tão rápidos quanto o semideus. Bertrand desferiu a lâmina contra a garganta do homem e, em seguida, jogou a mulher contra a parede ao perfurar seu abdome.

— PRELÚDIO; SANGUE.

Ninguém entendeu como o assassino invadira sem arrombar a porta, já que seu pai constatou que tudo estava trancado ao chegar em casa naquela noite. Naquela fatídica noite de halloween.

Lembrava-se, como se revivesse aqueles momentos todos os dias, do semblante de Noah. Estava assustado, horrorizado, deixou a bíblia que sempre carregava debaixo do braço cair no chão ensanguentado. A vovó, felizmente, era uma vadia inconsequente que não faria falta alguma dentro de alguns dias, mas não era só com sua morte que o mortal estava consternado. Em meio ao corpo mutilado da matriarca Bertrand na sala de estar, o símbolo de Éris pairava em cima da cabeça do pequeno Michael. Um crânio putrefato em meio a uma labareda de fogo dourado, enquanto o som sibilante de uma serpente ecoava pelo ambiente.

Quem... quem fez isso? — Proferiu o pastor, ajoelhando-se diante do filho e analisando seu estado.

Mesmo com todo o sangue nas roupas da criança, mesmo com o cadáver visivelmente perfurado e as pequenas mãos do filho totalmente ensanguentadas, Noah ousou perguntar aquilo. Embora o questionamento, ele sabia em seu âmago o culpado daquela morte, mas preferiu apelar para qualquer alternativa sensata que não apontasse o próprio filho como assassino. Mich sorria contente enquanto passava os dedos do pé na poça de sangue.

O mundano estava pálido e enfraquecido pelo susto, mas ainda arranjou forças para se erguer e apoiar-se na escada. Tentava fazer com que uma lágrima escorresse por seu rosto, mas ele não sentia tristeza, não conseguia sentir nada além de terror. Com a voz trêmula, ordenou que o pequeno fosse para o banho enquanto se livraria das roupas da criança. Quando Michael desceu a escada, deparou-se com uma luz vermelha cintilante do lado de fora da casa e homens uniformizados. Os peritos retiravam o corpo de Adelaid em um saco preto e um dos policiais tirava as últimas palavras do depoimento de Noah.

Pastor, se seu filho viu alguma coisa, qualquer coisa, seria de grande valor pra investigação. — Afirmou o homem enquanto guardava o pequeno caderno onde anotou informações importantes.

Michael estava dormindo quando cheguei, o coloquei no banho enquanto vocês vinham... não queria que ele a visse — Noah mentia e condenava a própria alma e fé, mas temia a vida do filho. Respirou cabisbaixo. — Por favor, não quero envolver meu filho.

O policial voltou-se até a porta e, com pesar na voz, se despediu.

Preciso que fique na cidade durante a investigação. Sinto muito pela perda.

Então, quando todos se foram, Noah evitou olhar diretamente nos olhos da criança enquanto limpava com esfregão e pano o chão ensanguentado.

Por que levaram a vovó? — O pequeno perguntou de forma inocente ao seguir o pai.

Bertrand, que tentou ao máximo evitá-lo, suspirou e agachou-se diante do filho novamente e tocou seu rosto angelical.

A vovó... Michael, você machucou a vovó, ela não vai mais voltar. Você entende o que fez?

Apesar de assassino, Michael não entendia a grandeza de seus atos quando pequeno, não entendia que fazer o que fez era, de fato, errado. Ele balançou a cabeça em negação e coçou os olhos com sono, bocejando logo em seguida. Noah abraçou o filho para finalmente colocá-lo na cama, sentia como se estivesse a salvo com a criança adormecida, inconsciente. O quarto era aparentemente comum, com as paredes azuis e uma pequena estante para guardar materiais escolares, um guarda-roupa, uma cama. Não tinha nada demais, como brinquedos e outros objetivos infantis, pois o mortal acreditava que coisas do tipo afastariam a criança de Deus. Na parede atrás da cama havia um crucifixo pendurado, com a imagem de Jesus.

Ao tampar a criança e ajeitar seu travesseiro, ela sorriu e agarrou a blusa do pai para impedi-lo de se levantar.  

Papai, você acha que eles gostaram do meu presente?

De início, o pastor não entendeu absolutamente nada, questionando a própria sanidade do filho. Michael referia-se a mais de uma pessoa na casa e, por um momento, Noah se questionou se de fato alguém não tinha invadido o lugar e assassinado Adelaid. No entanto, a faísca de esperança desapareceu quando, de repente, o crucifixo na parede moveu-se sozinho, ficando de cabeça pra baixo.

Mesmo horrorizado, ele não conseguiu tirar os olhos do objeto. Sangue pingava do crucifixo.

— HERESIA.

A viagem ao leste da California durou bastante tempo, cerca de três dias na estrada, porém, em momento algum, Noah parou o carro. No suporte central ele resguardava uma garrafa térmica de café, a qual sempre mantinha cheia, e remédios para mantê-lo acordado. Vez ou outra tornava a olhar para trás, a fim de constatar que o filho dormia tranquilamente na cadeira conforto. Michael adormecido, com um sorriso suave no rosto e o crucifixo agarrado ao peito, era uma imagem angelical. Mas seu pai sabia que ele estava longe dos anjos.

Quando o veículo atravessou a entrada do internato, o mortal deixou um suspiro profundo de alívio escapar do peito. Sentia como se estivesse prestes a se livrar de um inimigo, mas a pessoa de quem se livraria era o próprio filho. Ao descer do carro, não teve nem mesmo coragem o suficiente para explicar ao pequeno a situação; uma freira descia os degraus do lugar, com um sorriso simpático no rosto. Noah entregou uma pequena mochila com os poucos pertences da criança para a velha e o retirou do banco do carro, segurando o pulso de Mich com força.

Quem é essa, papai? — Questionou uma, duas, três vezes sem resposta alguma.

Noah, o fiel pastor, cometia um dos maiores pecados da humanidade ao abandonar o próprio filho. Com aquele ato, ele não só condenou a própria alma, como a do resto da humanidade. Seu filho não era normal. Enquanto assistia o mortal se distanciando com o carro, Michael sentiu os dedos magros da senhora tocando delicadamente seu cabelo. Ao olhar para cima, o sorriso dela tinha desaparecido.

Sua casa é aqui agora, criança. E você deve respeitosamente me chamar por Irmã Domergue.

Então, de forma ríspida, entregou a mochila contra o peito do semideus e deu meia volta, retornando para o internato. O lugar era uma antiga construção, praticamente feita de madeira e gesso, mas era enorme - tinha, no total, quatro andares. No topo havia um sino e uma cruz despontando, lembrando uma igreja verdadeira. Foi a primeira vez que o garoto sentiu medo em sua infância, o lugar o amedrontava e, todas as noites, Michael se perguntava quando o pai voltaria para buscá-lo. Até que, depois de seis meses, passou a se questionar acerca do motivo de ter sido abandonado. Sabia que Noah não voltaria mais e, mesmo tão pequeno, seu coração encheu-se de mágoa. Depois de um ano, ele já não era mais a criança contente de antes.

As outras crianças, todo o tempo, zombavam dele. Afirmavam para as freiras que o pequeno Bertrand conversava sozinho em sua cama e, para as megeras, aquilo não era sustentável, não em solo sagrado. Causavam-lhe, propositalmente, punição por simplesmente responder as vozes em sua cabeça. Aos sete anos, enquanto caminhava até a trilha da floresta, foi quando o meio-sangue avistou o cão preto pela primeira vez.

Era uma tarde nublada, o céu derramava os primeiros pingos de chuva e o vento carregava as inúmeras folhas de outono. No meio da vegetação, ele distinguiu o animal grande e escuro, mas não sentiu medo. O monstro ocupava-se ao mastigar uma pomba de penas brancas como a neve, mas não demorou a notar a presença da criança. Encararam-se, a criatura logo abandonou a presa já morta e partiu, calmamente, em direção ao menino. Não o atacou, pelo contrário, aproximou o focinho do rosto de Michael para farejá-lo enquanto tinha o pelo acariciado. Seus olhos brilharam em um vermelho intenso, mas o momento durou pouco quando a Irmã Domergue apareceu do lado de fora do internato, gritando o nome da criança. O cão fugiu, deixando-o sozinho novamente.

Durante um mês, o filho de Éris continuou a visitar a floresta a fim de encontrar o animal. Nos primeiros dias, não obteve sucesso e passou a se preocupar com a fome do cão negro. As vozes na cabeça da criança ordenavam que ela oferecesse carne crua e, a partir daí, todos os dias Mich se deparava com uma ave semi-morta no chão. Elas eram levadas pelo vento contra os troncos das árvores e quebravam o pescoço, agonizando até morrerem. O garoto, então, apossou-se furtivamente das facas dispostas na cozinha e retornou à floresta, feliz em dilacerar as pequenas criaturas e dá-las ao monstro. No outro dia, quando voltava ao lugar, a oferenda sempre sumia.

O que é isso?! — Domergue gritou assustada.

Na frente dela estava um Michael com as mãos sujas de sangue, segurando uma faca cravada no peito de uma pomba, no meio da floresta. Era noite chuvosa de halloween, marcando os oito anos de idade do semideus. Rapidamente ele se levantou, temendo ser alvo de um castigo brutal novamente. A megera, tomada por repulsa, abandonou a lanterna no chão e agarrou o garoto pelo cabelo, arrastando-o até o edifício novamente. Era um temporal forte, de modo que toda a energia do lugar tinha acabado, forçando-os a usarem velas e os candelabros antigos. Um cenário de filme de terror.

O resto das crianças estavam prostrados na sala de orações, rezando e sendo supervisionados pelas freiras. No meio do lugar, logo a frente dos bancos, havia uma pequena banheira de madeira cheia de água. Servia como um método de purificação antes de cada oração, e todos os pequenos tinham de afundar o rosto nela por alguns segundos. O momento foi interrompido por uma Irmã Daisy histérica, carregando o filho de Éris até o centro e o forçando a ficar com o rosto debaixo d'água.

Eu não admitirei mais seus atos, criatura nefasta! A partir de hoje, vocês pestes estão proibidos de saírem!

Enquanto cometia o erro de tocar um fio de cabelo de Michael, ela não notou que os crucifixos pregados nas paredes da sala moviam-se sozinhos, causando medo nos outros que já não estavam mais tão entretidos no castigo do garoto. Nem mesmo as antipáticas freiras deixaram de se assustar. Ao notar o olhar de terror de todos, Irmã Daisy sentiu uma presença maligna forçando-a se virar e largar a cabeça de Bertrand. As velas se apagaram, deixando todos no meio da escuridão por breves segundos, até que a energia voltou de supetão, revelando a freira ajoelhada no chão, com um crucifixo perfurando sua garganta.

Enquanto todos gritavam e se desperavam, correndo como baratas tontas pelo lugar, Michael recuperou o ar e mal teve tempo de ver o corpo da mulher estendido no chão. Logo na porta, ele avistou o mesmo símbolo de quando tinha seis anos, o crânio preto com fogo dourado ao redor, cintilando no ar. Sentiu-se em um estado de hipnose, como se estivesse sendo atraído pelo mesmo.

Ao segui-lo, abandonou o lugar, seguindo em direção a floresta. Enquanto o temporal despencava, o garoto seguiu escuridão adentro, na esperança de encontrar o cão monstruoso, mas logo na entrada, notou que a pomba ainda estava lá. Continuou correndo, chamando pelo amigo, até trombar contra uma árvore. Caído no chão, piscou ínumeras vezes para encarar o que tinha na frente, logo se deparando com uma figura incomum. Não tinha batido em um tronco, mas sim em um homem, um homem montado em um cavalo. Não, o homem tinha corpo de cavalo.

Era Quíron, o centauro.

— O PRÍNCIPE QUE HÁ DE VIR.

Nove anos depois, Bertrand entendia parte da própria história. O ocorrido no internato o fez fugir com Quíron que, de prontidão, o levou ao Acampamento Meio-Sangue. Era um semideus, indefinido por conta dos padrões do lugar, mas ainda assim era filho de uma divindade. Com dezessete anos, já tinha aprendido a conviver com os próprios poderes e controlá-los, mas não as vozes na própria mente. Era impossível domá-las. Foram elas que o forçaram a retornar a Los Angeles em busca de respostas, em busca de satisfação. A mágoa pelo abandono ainda perdurava em seu âmago.

Relutante, estava prostrado do outro lado da rua, analisando o imóvel onde viveu até os seis anos. A casa já não parecia mais a mesma, como se tivesse sido deixada de lado há bastante tempo, suja, caída aos pedaços, com uma placa de "vende-se" no quintal, mas ainda assim, imponente em seu tamanho. Michael mal a reconhecia, mas sabia de um fato: Noah ainda estava ali. O homem que lhe devia explicações. Por dentro do bolso do casaco jeans, as mãos do moreno suavam e seus dedos estavam inquietos, arrancando incansavelmente os pequenos fios de costura da roupa.

Interessado na casa? — Uma voz doce e feminina o tirou dos devaneios.

Era uma garota jovem, aparentando dezoito anos, nada mais disso. De pele branca como a neve, fazia contraste com os cabelos ruivos amarrados em um rabo de cavalo. Tinha um aparelho nos dentes tortos e as sardas na bochecha ficavam ainda mais evidentes quando ela sorria. Bertrand notou que ela vestia um uniforme de enfermeira.

De certa forma. — Respondeu, voltando a atenção para a casa.

Ela não está em perfeitas condições... mas com uma reforma, é um bom lugar. — Disse, tirando da bolsa de ombro um molho de chaves. — Eu sou a cuidadora do dono há alguns meses. Câncer terminal... mas ainda pode conversar, se quiser conhecê-lo.

O filho de Éris assentiu em silêncio, seguindo a contente enfermeira ao outro lado da rua. O piso dos degraus estavam frágeis e, ao abrir a porta, ela rangiu por conta da madeira podre. Michael, logo de cara com a sala principal, lembrou-se do corpo da avó estendido no chão. Curiosamente, não sentiu nada com a lembrança. Subindo as escadas, deparou-se com o único retrato restante, sendo ele sentado no colo do pai em frente a lareira. Parou por um momento para analisá-la, mas ao ver a expressão de felicidade no rosto de Noah, sua mágoa se intensificou.

Vamos, ele deve estar acordado.

Ao bater na porta, a voz de Noah ainda era a mesma, embora enfraquecida e rouca, pedindo para que entrassem. O meio-sangue fechou os olhos enquanto o fazia, mas quando o abriu, a imagem que viu era no mínimo gratificante. O mortal estava magro e pálido, provavelmente passando pelo processo de quimioterapia devido a pouca quantidade de cabelos, e respirava através de aparelhos. O velho pastor, que mal tinha forças para mover um dedo, retirou a máscara do rosto para falar; estava incrédulo.

Não pode ser.

A enfermeira, desconfiada da reação do doente, encarou o jovem moreno atrás dela. Mich suspirou profundamente e mostrou à garota o próprio documento contendo foto e nome.

Ele é meu pai. Nos dê licença, sim?

Consternada, ela voltou a encarar o velho que, mesmo surpreso, gesticulou a mão para que ela saísse. Noah sabia tanto quanto o filho que não poderiam mais adiar aquele momento.

Vim me despedir. Vou para a França ainda essa semana.

Pensei que estaria em Long...

Island? Então, você sempre soube. — Deduziu o semideus, sem nem mesmo reagir, parado em frente a cama do mundano.

Eu soube quando sua avó morreu.

O filho de Éris não evitou o olhar arregalado, já que aquela noite era tão importante para ele quanto para o próprio pastor. Não se lembrava completamente do que tinha acontecido, apenas de sangue e fogo em ouro. Era como se sua mente tivesse apagado as partes mais importantes. Mas, no fundo, até mesmo ele já sabia o que tinha feito.

Pai... o que aconteceu naquela noite? — Finalmente deixou a aflição se apoderar, sentando-se no pé da cama do velho. Noah manteve-se calado, evitando olhar nos olhos do filho. Michael se irritou. — Você me deve respostas!

Assim, o mais velho juntou todo o folego que tinha para respondê-lo. Em uma voz trêmula, decidiu acabar com a ansiedade do moreno.

Você a matou, Michael. Não imagino o porquê, mas a matou.

Os olhos do meio-sangue encheram-se de lágrimas, mas ele não queria derramá-las. Não estava arrependido, apenas sentia raiva por tudo o que aconteceu. Noah tossiu, mas ao ver a expressão no rosto do jovem, continuou a falar. O velho sabia mais do que aparentava.

Sua mãe... eu... eu não a queria. Ela contrariava toda a minha fé, existe apenas um Deus, eu a achava maluca. Mas, assim como todo homem cede ao pecado da carne, eu o fiz e você foi concebido. Passei nove meses consternado até ela retornar e, ao ver aquela criança deixada em minha cama, enrolada em uma manta, pensei que era uma benção. Você era meu filho e não tinha culpa de meu pecado. — Com a lembrança, o mortal sorriu pela primeira vez em anos perto do filho. Até que, num resquício de realidade, sua expressão voltou a ficar ríspida. — Mas Michael, você é o próprio pecado. Você tem meu sangue, meus olhos, meu rosto, mas não é filho meu. É filho dela, concebido pelos males. Eu fui um simples veículo do mal que agora habita em você.

O que isso quer dizer?

"Então vi uma besta com dez chifres e sete cabeças saindo do mar. Haviam dez coroas reais em seus chifres e nomes blasfemos em suas cabeças. E todos na terra irão louvá-lo."

Com isso, as luzes do quarto piscaram de forma incansável e o filho de Éris sentiu um aperto no peito enquanto as lágrimas finalmente escapavam pelo rosto. Mesmo no leito de morte, Noah ainda o renegava com profecias.

Eu não conseguiria amar um monstro.

— AMOR DE MÃE.

A deusa respirava o ar rarefeito do submundo como uma pessoa comum respiraria o ar fresco da superfície. Apesar de ser renegada pelos deuses, era dentro dos portões de Hades que Éris se sentia confortável e bem-vinda. O calor e a energia de dor que o reino emanava era como um analgésico natural para a mulher. O cabelo negro era esvoaçado pelo vapor quente do lugar, assim como seu vestido feito de sombras. Sua pele pálida fazia contraste com a vestimenta e os olhos dourados brilhavam intensamente. Ela tinha um plano. Sendo quem era, bastava apenas o despencar de uma folha no outono para que a maldita tentasse o mundo a discordar - e junto da discórdia, há fragilidade.

Enquanto descia em direção ao inferno, conseguiu distinguir três figuras distintas sobrevoando o lugar. As fúrias, servidoras leais do deus Hades, odiavam intrusos.

Veja, Alecto, carne fresca. — Afirmou Megera, pousando em frente à deusa e armando-se com o próprio chicote.

Tsc, tsc. Vamos levá-la com vida ao nosso senhor? — Gargalhou a outra.

Tisífione, a mais observadora das três, manteve-se calada e sem agir. Mesmo com a expressão furiosa de sempre, ela sabia que a mulher a frente delas não era comum.

Caladas, idiotas. Ela é uma deusa.

Éris gargalhou e exibiu a língua serpentina de cor preta pra fora da boca, revelando-se.

"Nosso senhor", garotas? Isso é tão... patriarcal. — Então, ao respondê-las, estalou os dedos com suavidade. Alecto e Megera foram reduzidas a pó, forçando a fúria restante a assumir uma posição defensiva. A deusa manteve-se parada, encarando Tisífione até que a mesma finalmente percebesse que não era párea. A criatura assim o fez, ajoelhando-se logo em seguida. — Não se preocupe, querida, Hades pode tirá-las do Tártaro.

Então, prosseguiu o trajeto definido enquanto a Fúria manteve-se ajoelhada e submissa. Sendo uma deusa ctônica, foi extremamente fácil ultrapassar os limites entre o submundo e o Tártaro. Este último era ainda tão obscuro quanto o primeiro, cuja única fonte de luz era um lago de fogo e enxofre cintilando pelo lugar, que se estendia até uma cachoeira. O solo era uma mistura de terra quebradiça com carcaças de gigantes, mas não estavam mortos. Um deles ainda respirava e movia os olhos, com parte do corpo pra fora do chão e o restante submerso no lago. Éris prosseguiu caminhando ao descer um precipício íngrime, levando a um local que nem mesmo o fogo fornecia luz. Era obscuro, feito para o esquecimento.

Ela seguiu até encontrar uma caverna, mas sendo uma deusa, enxergava perfeitamente os contornos, formas e cores, mesmo na escuridão. Enquanto caminhava, enxergou no chão inúmeras carcaças de serpentes, todas mortas. Ao fundo, no centro do lugar, avistou uma figura ajoelhada e acorrentada, cabisbaixa. Quanto mais se aproximava, as serpentes ressuscitavam, sibilando de forma eufórica diante da presença de Éris.

Próxima o suficiente, ela analisou a distinta criatura presa a correntes. Era indefinida, tendo o busto feminino e magro, com ossos marcando a pele pálida e cinza, com asas de morcego dependuradas nas costas. O rosto, embora animalesco, era masculino. O ser respirava pesadamente, de forma ranhenta, deixando claro seu estado deplorável.

Depressivo. Seu outro eu era mais atraente. — Suspirou ela sem esconder o tom de diversão na voz.

O que uma herege faz aqui?

Herege? Querido, eu estou apenas uma classe abaixo do seu pai. — Respondeu de prontidão, com toda a antipatia que sabia instigar. — Anyway, eu tenho uma proposta e, devido ao seu estado, posso chamá-la de irrecusável.

O diabo, mesmo enfraquecido, era orgulhoso. Para ele era inconcebível acatar aos mandamentos de uma entidade que, há milênios, estava tão esquecida e enfraquecida quanto ele próprio. Era inconcebível que, outrora um anjo magnífico, estivesse tão impotente. Com o silêncio da criatura, Éris revirou os olhos.

Eu te ensinei alguns truques quando você caiu. Essas pobres criaturas? Mal te responderiam, se não fosse por mim. — Afirmou ela em um tom ameaçador, referindo-se às serpentes rastejando-se pelo covil. — Mas isso nem de longe foi o melhor que te fiz e acontece que eu não faço favores, vim cobrar sua dívida. Não é culpa minha sua crença ter sido esquecida... o diabo tornou-se clichê, esperando por um armagedom que não chega.

Com isso, Satanas encontrou forças para erguer o rosto e encarar a deusa, revelando olhos de cor caramelo e craqueados, além de reptilianos.

Estou ouvindo.

A deusa emitiu um sorriso de satisfação, tendo a total certeza de que o convenceria facilmente.

A humanidade apenas respeita aquilo que teme. A necessidade de destruição neles é tão grande quanto a de matar a sede, eles precisam temer pela própria vida. Não há valor nessas crianças, e imagino que você saiba disso. Destruição é eminente, a ideia é alcançá-la.

Premissa interessante, mas como você vê, não estou em posição de agir. A não ser que esteja aqui para me libertar, herege.

Too fast, baby. Não sou tão poderosa para lidar com o Tártaro dessa forma, mas — Então, enquanto falava, a deusa fez com que o vestido de sombra se dissipasse de seu corpo. — Podemos usar alguém. Um ser poderoso, corrompido, que carregará consigo a blasfema.

Quando as sombras sumiram, reveleram um detalhe que ninguém tinha notado até li, nem as Fúrias, nem os Titãs, nem o diabo. Éris carregava um filho no ventre. Ela alisava a barriga na frente do anjo caído, com um sorriso de triunfo.

Uma criança tão especial que conduzirá o fim da humanidade. Meu peão, seu anticristo.

O diabo sorriu e, com dificuldade, se ergueu.

Com um beijo selamos esse pacto. — Disse ele.

Então, Éris se aproximou do senhor das trevas e, delicadamente, beijou a boca ressecada da criatura. Ao fim do ato, uma serpente de cor preta subiu pela garganta de Satanas, seguindo pela boca e adentrando a garganta da deusa, descendo por seu corpo. A criança gerada no ventre da divindade, naquele momento, já não era simplesmente um feto comum. Ambos viram o triunfo quando enxergaram a mão da criança se arrastando pela barriga da mãe.

— AVE SATANAS.

O corpo da mulher esfriava no canto da sala, enquanto Michael arrancava os braços e pernas do outro cadáver. O coração arrancado de seu peito já não batia mais, prostrado no centro do pentagrama feito com os quatro membros de cada um dos dois. O temporal, como em todos os outros dias, silenciava todos os outros sons fora do quarto, além de abafar o ritual que estava prestes a fazer. Era o momento perfeito.

O filho de Éris se despiu totalmente, ficando nu e ajoelhado diante do culto de sangue. Michael acendeu as últimas velas ao redor e feriu as próprias mãos com a faca, desenhando um círculo de sangue humano ao redor do símbolo satânico e despejando parte do sangue em cima do coração.

É chegado o momento, Pai. Guie-me com sua sabedoria, e me torne forte com você.

Bertrand, então, tocou o símbolo de carne e fechou os olhos a fim de sentir a presença de seu Pai. O êxtase que subia de seus dedos até a nuca era gratificante enquanto o sangue ao redor fervia em calor. Era seu momento de glória.

A vitória é tão próxima, mas ainda distante... eles insistem em lutar. Mostre-me o caminho, Pai!

Após breves segundos de silêncio, o filho de Éris passou a escutar as vozes na própria mente outra vez. Elas o auxiliaram e, em questão de poucos minutos, Michael finalmente sabia o que fazer. Serpentes brotaram do símbolo prostrado no chão, rastejando-se ao redor do meio-sangue, enquanto ele passava o líquido carmesim no próprio corpo - da intimidade ao pescoço. Por fim, Bertrand se apossou do coração de sua vítima, com o próprio sangue despejado sobre ele, e o mordeu com toda a intensidade. Dilacerou o órgão entre os dentes e o digeriu, até que não sobrasse muito. Ao abrir os olhos, eles tornaram-se totalmente negros - íris e escleras -, demoníacos.

Ave Satanas.

Adendos:
O objetivo da DIY foi mostrar, por fases, o passado e modelagem do persoangem que o levou ao momento atual.

Na primeira fase do prelúdio (SANGUE), tudo aconteceu na noite de Halloween onde Michael, aos seis anos, assassinou a avó - vide o que narrei na minha ficha de reclamação, clique. A partir daquele momento, ele não só foi reclamado como filho de Éris, mas passou alucinar com criaturas astrais e oferecer presentes a elas, que na realidade eram seres malignos que desde sempre o protegiam.

Por isso, mesmo reclamado, a incidência de monstros em sua trajetória fora do camp era dificultada. Na segunda fase (HERESIA), foi mostrado o momento em que a criança passou a perder a inocência precocemente ao ser abandonada pelo pai. Ali, além de sofrer terror psicológico de todos os membros do internato cristão, as alucinações se intensificaram de modo que se materializavam na forma de um cão negro. As oferendas, automaticamente, passaram a se tratar de animais mortos na floresta. A morte da freira retratou claramente o objetivo dos seres malignos ao redor dele, protegendo-o de uma agressão de risco (algo que pretendo desvendar em outra DIY). Já no final, ele foi abordado por Quíron, mas na realidade prefiro desenvolver essa parte tão importante da trama em futuras narrações.

Na terceira fase (O PRÍNCIPE QUE HÁ DE VIR), trata-se do momento em que Michael está prestes a viajar para fora e pretende tirar satisfação com o pai mortal acerca do abandono. Noah, por ser um pastor e conservador extremo, tratou todos os acontecimentos como uma profecia comum da bíblia. Ele enxergava o filho como um monstro concebido não só por uma deusa, mas por um ser maligno carregado com ela. A partir dali, o resquício de empatia e emoção que Michael ainda tinha, passou a desaparecer junto da mágoa. Soube que estava sozinho e precisaria encontrar o próprio caminho, tentando digerir as palavras ditas pelo mundano. Ainda nesse momento ele não imaginava da relação entre ele, Éris e o diabo.

Na quarta e última fase do prelúdio (AMOR DE MÃE), é mostrada uma Éris grávida do Michael, abordando o enfraquecido Satanas no mais profundo Tártaro. A premissa é que as duas entidades tenham feito tratos durante milênios, fato que constatei com o trecho onde ela cita os truques com serpente, referindo-se ao pecado de Adão e Eva no jardim. A ideia é que o diabo cristão, com a ajuda de Éris, tenha arranjado refúgio dentro do inferno grego, mesmo com a consequência de enfraquecimento. Imagino que, por se tratar de um RPG fitício, tenho licença o suficiente para fazê-lo dentro de minha trama pessoal. No fim, selaram um pacto, cujo alvo era a própria criança no ventre da mulher que, desde então, tornou-se o veículo de um grande mal.

Na última parte da DIY, Michael está realizando um ritual satânico, pedindo o auxílio do diabo em sua cruzada contra seus inimigos. Como já deixei claro em postagens passadas, Mich tem bastante mágoa e rancor de seu passado tanto quanto fora do camp quanto dentro, fatores que fortalecem ainda mais sua ligação com Satanas, já que a ausência de felicidade o arrasta para a perdição.

Para resumir, o Michael não é de fato o anticristo. A premissa é que ele seja uma tentativa, um projeto maligno, que pode muito bem ter sucesso em seus planos ou falhar - isso vai depender do decorrer do rpg. Nunca se sabe quando podem haver mortes, certo? Não houve o uso de habilidades e itens mágicos nesta DIY.
Recompensa almejada:
É compreensível que haja modificações, mas peço encarecidamente que o avaliador me consulte antes, para que entremos num consenso.

{Devil's tongue} / Benção [Michael carrega em si a essência do diabo - através de rituais de sangue, Satanas o bonifica com uma habilidade útil. Quando desejado, o semideus assume olhos demoníacos e uma lábia mágica persuasiva: aqueles de nível inferior responderão aos comandos do filho de Éris até que o mesmo encerre o efeito ou ao fim de três turnos. Sempre desprezado, esta habilidade é um tanto quanto irônica; é necessário que o alvo sinta qualquer tipo de sentimento postivo para com ele (amor, carinho, afeto, amizade, atração). É como um tipo de hipnose.]{Benção}(Nível mínimo: ?){Não controla nenhum elemento}[Recebimento: DIY Satan has one son]

 
Michael Bertrand
avatar
Devotos de Hera
Mensagens :
198

Localização :
Nova York

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Thou shalt not kill.

Mensagem por Eros em Seg 19 Nov 2018, 06:50


MICHAEL BERTRAND



Querido devoto de Hera,

Devo começar deixando claro o quão incrível seu texto foi, ao meu ver. Acredito que você saiba muito bem como dar vida às próprias ideias, carregando sua escrita de personalidade e profundidade em proporções ótimas. A maneira como organizou as ideias também foi excelente e sem margens para confusões quanto à linha cronológica ou casualidades da vida do protagonista. Embora eu tenha ficado confuso a respeito da necessidade de alguns trechos a princípio, entendi estes com o desenrolar da trama.

Alguns pontos, no entanto, deixaram a desejar (explicando assim a perda de nota na avaliação). Comecemos então pelo quarto quesito: organização e ortografia. Confesso que não sou tão grilado com gramática (já que também não sei muita coisa e estou longe de ser alguém apto a julgar conhecimento alheio), mas como devo ser mais rígido pelo contexto e necessidade, vamos às explicações:

• A regência da palavra "devido".

Primeiro achei que tinha sido apenas um erro de digitação, no trecho do primeiro parágrafo onde notei o "...devido as inúmeras rugas e feridas espalhadas pelo rosto...". Contudo, reparei mais adiante no texto que você mais uma vez esqueceu da crase após "devido". E, considerando que sua regência pode ser considerada indireta, a preposição "a" deveria estar presente. Não sei se no caso dessa missão foi apenas falta de atenção, mas achei válido comentar. Seguindo essa linha de raciocínio, emendo o contexto dos comentários abaixo.

• Falta de atenção ou revisão geral.

Senti que em alguns parágrafos faltou uma revisão de texto mais atenta. Falo de parágrafos, porque os erros de digitação pareceram constantes em trechos específicos da narrativa. Exemplo:

"O resto das crianças estavam prostrados na sala de orações, rezando e sendo supervisionados pelas freiras. No meio do lugar, logo a frente dos bancos, havia uma pequena banheira de madeira cheia de água. Servia como um método de purificação antes de cada oração, e todos os pequenos tinham de afundar o rosto nela por alguns segundos. O momento foi interrompido por uma Irmã Daisy histérica, carregando o filho de Éris até o centro e o forçando a ficar com o rosto debaixo d'água."

O erro de concordância nominal, já que "o resto" era o núcleo do termo da primeira oração e não "crianças", foi notável. Além disso, reparei em alguns errinhos bobos de digitação ao longo da postagem também: o "haviam" durante a passagem bíblica citada por Noah (haver no sentido de "existir" é impessoal); a palavra "eminente" no lugar de "iminente" (já que a primeira se refere a alguém ou alguma coisa superior, enquanto que a segunda a alguma coisa que está prestes a acontecer) e alguns acentos faltando em palavras.

À parte dos pontos citados acima, descontei também um pouco em coerência pela presença de Quíron na história. Acredito que sua saída do Acampamento Meio-Sangue para escoltar seu personagem tenha sido um pouco estranha. Reconheço que cada semideus, aqui, é o grande protagonista de sua própria história, porém alguns fatos podem parecer exagerados (como esse) mesmo nessa realidade. Ao contrário, ironicamente, de Mich ter sido escolhido a dedo pelo próprio Satanás.

De qualquer forma, querido, sua missão foi muito boa e alcançou pontuação suficiente para a habilidade requisitada. Esta, por sua vez, foi alterada apenas para evitar furos interpretativos futuros. Te parabenizo pelo bom desempenho e espero poder continuar acompanhando sua história.

PONTUAÇÃO:

— Coerência: 40 de 50 possíveis
— Coesão, estrutura e fluidez: 25 de 25 possíveis
— Objetividade e adequação à proposta 15 de 15 possíveis
— Organização e ortografia 8 de 10 possíveis
Total: 88 x 2 (reduzido pelo pedido, ou então seria por 4) = 166 pontos

Recompensa: 166 pontos de experiência e 17 dracmas + a habilidade a seguir:

{Devil's tongue} / Benção [Michael carrega em si a essência do diabo - através de rituais de sangue, Satanas o bonifica com uma habilidade útil. Quando desejado, o semideus assume olhos demoníacos e uma lábia mágica persuasiva: aqueles de nível inferior responderão aos comandos do filho de Éris até que resistências mentais ou emocionais de nível igual ou superior possam ser aplicadas. Sempre desprezado, esta habilidade é um tanto quanto irônica; é necessário que o alvo sinta qualquer tipo de sentimento postivo para com ele (amor, carinho, afeto, amizade, atração). É como um tipo de hipnose.]{Benção}(Nível mínimo: 10){Não controla nenhum elemento}[Recebimento: DIY Satan has one son]


ATUALIZADO




Eros
avatar
Deuses
Mensagens :
197

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Thou shalt not kill.

Mensagem por Conteúdo patrocinado

Conteúdo patrocinado

Voltar ao Topo Ir em baixo

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum