O Mistério da Raposa

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O Mistério da Raposa

Mensagem por Margites Lefebvre em Qui 11 Jul 2019, 22:44


O Mistério da Raposa

S
e não existem humanos, eu poderia dizer que é um mundo de humanoides? As cidades de Agonai são povoadas por animais e nessa ilha Rinkei e sua família lutam para sobreviver. Mas qual mudança aconteceria na vida deles se Rinkei não fosse quem pensa que é? Saque sua espada e não deixe suas costas desprotegidas.


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Prólogo

Mensagem por Margites Lefebvre em Qui 11 Jul 2019, 23:39



O Mistério da Raposa
Prólogo - Que abram as janelas




B

em, eu poderia deixar que o livro se iniciasse agora, afinal é o que se espera quando começamos a ler. Devo admitir envergonhado que, infelizmente não é o que farei nesse momento.


Não te darei hipérboles exaltando a grandiosidade deste livro, sequer o irei menosprezar. Apenas abrirei a janela para que possa entrar no mundo que o aguarda nas páginas que estão por vir, cabe a você julgar.


Mas janela, não porta. Atravessar portas não exige um mínimo de esforço de qualquer um que o tente, quando estão abertas é claro. Mas atravessar uma janela? Isso não exige só mais esforço por parte do indivíduo, mas mais vontade, mais coragem, audácia e, diga–se de passagem, mais meninice.


Comecemos então.


Imagine um mundo com apenas duas enormes ilhas, muito distantes uma da outra, cercadas por um enorme oceano. Uma repleta de montanhas cujos cumes são praticamente invisíveis e outra habitável, com praias, florestas, lagos e tudo o que é necessário para a vida. Foque na segunda.


Mas nenhuma boa história é feita sem que haja pequenas modificações nos arredores. Muitos utilizam magias, monstros, lendas e outras maravilhosas coisas de se ler, admiro-os muito. Mas não me convém usar muito disso, afinal creio que tudo já tenha sido criado e, o que ainda não foi, não cabe a mim escrever.


As histórias são poesias vivas que escolhem seus contadores.


Imagine então que não existem humanos. Engula qualquer rastro de arrogância, engula seu ego. Admita que, neste mundo, você não existiria. Ao menos não como gostaria de existir.


Imagine que os animais têm consciência, não deve ser difícil. Imagine que podem pensar, sentir, discernir, criar e tudo o que nós podemos.
Não pretendo chatear sua leitura com mais detalhes do que descobrirá por essas páginas, afinal a leitura é a exploração ao inexistente e não há o que explorar se soubermos o caminho.


____________________




Cifis nunca falava muito. Nunca houve grande necessidade de tal. Tudo o que saía de sua boca parecia desagradar as pessoas que a rodeavam, principalmente os que nunca ouviram muito. Que nunca tiveram necessidade de tal.


Então, com o tempo, até o pouco que falava se tornou raro. Afinal, ninguém entendia o que ela dizia, só o que falava.


Se levantou da cama que improvisara, a floresta podia sim ser confortável com o tempo. Acordar com o sol nascente e o cantar dos pássaros, preenchiam o silêncio de uma das poucas formas que a agradavam.


Não perderei seu tempo narrando a superficialidade dos hábitos matinais da garota. Não me cansarei lhe dando roupas, itens ou pertences da garota. Contente-se em saber que ela parece uma jovem adulta.


Sim, eu sei que você precisa de cores para a colorir, mas não são necessárias realmente. Até que ponto as cores das pessoas realmente importam? Quer dizer, pressupondo que ela seja uma pessoa.


Costumam chamar pessoas como Cifis de nômades. Então apenas saiba que ela chegou à Décku quando o Sol estava à pino.


Sua presença nos lugares sempre causava a mesma reação. As portas se abriam, as pessoas a admiravam ao a ver de longe, mas a aura silenciosa da garota parecia trazer um desconforto quando se aproximavam.


– Olá senhorita, não estaria interessada em alguma bebida exótica ou uma noite de diversões? – Disse um vendedor ambulante para a garota, dando uma piscadela


Ela apenas abanou a cabeça sem dar atenção ao homem, se ele quis dizer algo mais, foi silenciado.


Cifis entrou na primeira taberna que viu, seu corpo tremia de fome e sua cabeça latejava pela mesma razão. Claro que outro rebuliço começou. Incialmente eram apenas cochichos de homens decidindo quem a teria, depois outras imbecilidades foram sendo ditas. Novamente, ela não se pronunciou e seguiu caminho, novamente os homens foram se silenciando.


Um pão de trigo, algumas fatias de queijo e o vinho mais caro do local. Bem, saiba que ela tinha algumas economias consigo. Procurou uma mesa vazia e se sentou, comendo tão calmamente que parecia não emitir sequer um ruído. E então começou, como sempre.
Primeiro a garçonete do local se sentou à mesa e, numa troca rápida de palavras, começou a se desmontar em segredos.


Claro que tudo começou simples. Apenas delitos que a mulher presenciara durante sua infância, como sua mãe e pai com outros parceiros, pequenos furtos que ambos a ensinaram a fazer, pessoas sendo espancadas enquanto ela assistia. O básico.


Tudo sempre piorava com o tempo. Furtos e roubos da própria garota na juventude, o pai matando a mãe, ela própria matando o pai. Cifis continuava a ouvir atentamente enquanto comia, nada realmente parecia ter mudado.


E então as maiores confissões. Em lágrimas a mulher admitia ter tido muitos filhos durante sua vida, alguns que poderia chamar até de irmãos, involuntariamente. Claro, isso não era pecado. Pecado fora matar ou vender todos para nobres, mesmo sabendo que nem todos os nobres pretendiam criar as crianças.


Então falou de seu marido, que fora pego no ato da traição e morto com sua própria cimitarra junto da donzela que o acompanhava. Não, morto não é a palavra, apenas a donzela fora realmente morta no ato. Ele morreu após alguns meses, depois de sua pele ficar completamente manchada com seu líquido e seus pulmões não funcionarem mais.


Não feche o livro ainda. O pior ainda não passou.


Não posso ser mais específico, porque a pobre garçonete não conseguia mais se lembrar de quantos homens embebedara e torturara após tantos anos trabalhando naquela taberna. Mas era inteligente e não desperdiçava nada. Utensílios poderiam ser feitos com as carcaças desses animais.


Terminou a partilha de segredos, ambos os lados satisfeitos, levantou–se e voltou ao trabalho.


– Um... – Apenas um sibilo vindo de Cifis.


Não vou me alongar muito com explicações e detalhes, você não se interessa ou sequer acharia relevante para os fatos seguintes.


Um homem sentara à mesa e fizera o mesmo que a balconista. Ele era um homem de Tagas, abençoado. Suas atrocidades eram tão abençoadas quanto. Sua batina não deveria ser preta e branca, mas vermelha. Dois.


Por último a criança, como de costume. Bem, qualquer coisa que Cifis ouvira naquele dia fora melhor do que o que a criança acabara de proferir. Nada vai ser insinuado sobre os atos da criança, não consegui a permissão dos pais. Nem consegui os encontrar. Três.


Cifis se levantou, já se acostumara. Já terminara sua refeição então simplesmente seguiu para o balcão do local, recolheu calmamente o dinheiro que havia dado e o restante que lá havia, colocando tudo junto em sua saca.


– Se eu não tivesse dado a terceira chance teria poupado certo tempo. – Suas palavras sempre suaves como o vento


Em seguida foi em direção à porta, era difícil passar por entre os corpos enquanto estes caíam de suas mesas. Bem, ao menos não sentiram dor enquanto morriam. Só morriam. Rápido igual suas vidas.


Agora Décku já não era mais agitada como estava quando Cifis chegara. Corpos caídos me meio às suas ações, incêndios pequenos começando em algumas casas, estalagens e tabernas. Bem, era esperado quando pessoas morriam manuseando velas em suas casas.


Saindo da cidade, mais comumente chamada de Capital, a garota voltou para a floresta de onde viera, andando calmamente sob o brilho do luar.


Esse ciclo parecia ser eterno. Sempre uma capital, sempre segredos, sempre maldade, sempre morte. Ela gostaria de saber onde seus irmãos estavam, espalhados pelo mundo.


De qualquer forma isso não seria realmente relevante, ela sabe o que aconteceria caso se reunissem. Então se preparou para outros séculos de isolamento, enquanto incumbia o mundo de refazer sua capital de outra forma. Esta fora a última chance.


Bem, imagino que não tenha sido difícil imaginar os animais podres que dominavam essa cidade. Espero também que não lhe tenha causado incomodo ao não descrever ainda a majestosa e animalesca visão que tenho de Cifis. Afinal, quero deixar sua imaginação florear pelo desconhecido, antes do choque do inesperado.


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Re: O Mistério da Raposa

Mensagem por Steve Keller em Sex 19 Jul 2019, 14:27

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Re: O Mistério da Raposa

Mensagem por Lamar Gibbs em Seg 29 Jul 2019, 15:58

Boa tarde, Margites Lefebvre! Aguardo a continuação do seu trabalho. Estou muito interessado nesse universo.
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Re: O Mistério da Raposa

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