{Dream} — Missão One Post Contínua para Ariel Hargraves

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{Dream} — Missão One Post Contínua para Ariel Hargraves

Mensagem por Maisie De Noir em Ter 16 Jul 2019, 21:52


Dream

Fazia algumas semanas que Ariel não sonhava. Seus sonos sempre foram tranquilos onde ele simplesmente apagava e acordava no dia seguinte totalmente descansado. Imaginava que o sonho recorrente que tinha finalmente havia acabado, porém nesta noite ele percebeu que estava enganado.

Diretrizes


— Escreva uma introdução expondo um pouco do seu personagem e de sua trama.

— Reaja ao que foi apresentado acima.

— O sonho é o mesmo que você tem tido, mas há mudanças nele. O rio é diferente e na outra margem, há um jardim bonito que leva até um palácio. Dessa vez não há ninguém o alertando sobre entrar nele, mas sempre que se aproxima demais da água sente como se estivesse esquecendo algo muito importante.

— Algo no palácio chama sua atenção, como se o convocasse a seguir naquela direção. Encontre uma forma de atravessar o rio sem entrar em contato com as águas serenas. Termine seu post chegando a outra margem.

— Tenha atenção nos detalhes e descrições, explorando sentimentos e sensações do que vivencia.  

Informações adicionais


— Missão one post contínua para Ariel Hargraves.

— Condições climáticas: Indiferente.

— Local de inicio: Acampamento Meio-Sangue.

— Horário: 21:40.

Status


Ariel Hargraves — Nível 2

HP: 110/110
MP:110/110

Regras


— Não utilize cores cegantes e/ou templates com menos de 400px de largura.

— Poderes (com nível, separados por ativo e passivo) e armas em spoiler no final do texto.

— Prazo de postagem até 23h59, segundo o horário de Brasília, do dia 26/07/2019

—O critério de avaliação usado será o baseado neste sistema (clique).

— Agradeço se me enviar uma mensagem assim que postar.




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Re: {Dream} — Missão One Post Contínua para Ariel Hargraves

Mensagem por Ariel Hargraves em Qui 18 Jul 2019, 10:29

beautiful nightmare
"Venha até mim, semideus. Venha. Você é meu herói e tem um dever a cumprir."

A voz de Hades ecoa repetidamente na minha cabeça. Ela começa mais alta e grave e se perde nas repetições, tornando-se confusa e difícil de compreender até que seja apenas um murmúrio. Todavia, a mensagem que traz consigo é bastante clara: Hades, por algum motivo, precisa que eu vá até ele. Não tenho nenhuma resposta pronta para refutar e dizer que não posso (quando, na verdade, não quero e nem tenho motivos para querer). Por que eu deveria ajudá-lo?

Meus olhos se abrem finalmente. É como se o torpor acabasse e eu fosse capaz de respirar novamente. Vasculhando por todos os lados, há apenas cavernas escuras e muito provavelmente frias. Ainda tenho apenas uma camiseta laranja e um jeans com os joelhos rasgados no corpo. Não estou muito preparado para enfrentar o frio. Por isso, sigo adiante, caminhando sem um rumo muito definido. Há uma trilha, no entanto, que me guia instintivamente. Não penso muito e a sigo, apenas.

Presto mais atenção no trajeto. Há metais e pedras preciosas no caminho, algumas quase enterradas e outras cintilando na superfície. Há pepitas gigantescas de ouro com gravuras em inglês. Minha mente se contorce um pouco, mas as palavras se desembaralham com um esforço até formar alguma frase que tenha um sentido: PATRIMÔNIO DOS ESTADOS UNIDOS. Quando olho para cima, não vejo exatamente um fim, mas também não há um céu. É tudo simplesmente preto. Também não há nenhum sinal de iluminação por onde passo, mas incrivelmente consigo enxergar por onde ando.

A trilha chega ao fim. Um calafrio sobe rapidamente do calcanhar até o final da minha espinha, no topo do pescoço. É um rio, como tenho sonhado frequentemente. Ele não soa tão familiar como das outras vezes. Talvez seja um pouco diferente. Quando chego mais próximo da água, algum sexto sentido me avisa para manter distância. Pode ser que seja perigoso se banhar por aqui. Não há nenhuma placa que alerte sobre animais perigosos ou monstros, mas em um lugar como esse, não é necessariamente um tubarão o maior dos problemas, acredito. Algo escapa da minha mente quando me aproximo, só não sei exatamente o quê. Não consigo lembrar.

Do outro lado do rio há um palácio enorme. Parece ser feito todo de mármore, pela maneira que reluz. Mal consigo contar suas torres pela distância, mas são bem numerosas e altas. Logo na frente repousa um jardim estonteante. Aposto que as flores tem os aromas mais enebriantes do mundo. São tantas espécies de plantas que fazem minha mente se aturdir um pouco. Há algo mais, ainda, que como energia estática me faz querer se aproximar da construção. Preciso atravessar o rio. Só não posso nadar.

— Vai atravessar? — Uma voz se manifesta atrás de mim.

Eu pulo e me viro. Não é algo muito comum com o que me deparo. É uma garota espectral, constituída de energia fantasmagórica. Uma alma penada, quem sabe. Ela tem um olhar triste e um pouco entediado. Usa um vestido e o cabelo solto até os ombros. Quando levanta o olhar até meu rosto, ela sorri. Não carrega exatamente felicidade no sorriso, embora pareça contente por ver alguma pessoa viva por perto. Aliás... Eu estou vivo? Espero que ainda sim, porque não me lembro exatamente como vim parar aqui.

— Não sei se devo — respondo.

— Bem, eu estou esperando Caronte me buscar. Não tenho como pagá-lo. Você tem? — pergunta a garota.

— Não, não tenho. Há quanto tempo está esperando? — pergunto, curioso.

— Trinta e nove anos, eu acho, se não me perdi nas contas. Faltam só... Sessenta e um? — Ela conta nos dedos, parecendo um pouco confusa. Seus olhos giram rápido como um turbilhão.

Tento não parecer muito assustado, apesar de estar. Não posso esperar cem anos por alguém para me fazer atravessar o rio. Sinto pena da garota, mas acredito que ela já tenha se acostumado com a espera. Temo que também tenha se perdido nas contas. Se for a mesma Hazel que conheci, não deve fazer mais do que cinco anos que morreu. Ficar sozinha a enlouqueceu, provavelmente.

— Meu nome é Hazel, à propósito. O seu deve ser... Romeu! — diz, esperançosa.

— É Ariel. Ariel Hargraves — estico a mão para cumprimentá-la, mas ela não reage. Coloco a mão no bolso depressa para evitar um maior constrangimento. — Sabe se existe um outro meio de atravessar? Eu meio que preciso chegar até o outro lado.

— Não que eu saiba, pelo menos... — Diana responde e passa a observar o chão, entristecida. — Você não vai esperar comigo, né?

— Sinto muito — digo. — Você está m- — penso um pouco antes de perguntar, mas sinto que preciso. — Você está morta?

Ela torce um pouco o cenho, hesitante. Depois de perguntar, seu nome refresca minha memória.

— Sim. Morri atropelada por um trem enquanto fugia de alguma mulher-cobra muito estranha.

Diana deve ter sido uma semideusa. Não teve a sorte de chegar até o Acampamento. Eu sabia! Não sei porque Quíron não a levou comigo para o Acampamento. Eu sabia que ela era uma semideusa.

— Você não parece atropelada. Está ótima! — tento animá-la, mas acho que peco com a escolha de palavras.

— Obrigada, eu acho — Diana sorri. Até parece um pouco feliz com o elogio, mas a melancolia não escapa do seu semblante.

— Veja, Megera! É ele! — Alguém grita acima de mim.

Antes de tentar ver quem é Megera, dou uma última olhada à Hazel. É a mesma garotinha que resgatei nos becos do Bronx, que fugia de ciclopes, pouco tempo antes de ser levado até o Acampamento. Quíron não quis a levar comigo porque disse que estava segura com a minha mãe. Sinto gosto de ferro na minha língua. Não é exatamente raiva, mas não é nenhum sentimento muito bom também. Depois, viro a cabeça para cima.

É uma mulher — ou alguma coisa muito similar — com uma constituição estranha. Ela tem o rosto e todo o resto do corpo enrugado. Os cabelos são enfumaçados e posso jurar ver algumas cobras marrons flutuando por ali. Os olhos vermelhos carregam uma cólera flamejante; os dentes, por sua vez, são na verdade presas afiadas e pontudas. É um monstro, certamente. À julgar pelo nome que diz, uma das benevolentes. Eu não seu diferenciá-las, mas nem preciso. Fugiria de qualquer uma das três sem pestanejar.

— Alecto, tem certeza? — Mais uma surge. É bem parecida com a irmã, se não por um detalhe ou outro. — Podemos dizer que não o encontramos. Olha só! Sinta o cheiro. Minha barriga agradeceria por uns quatro dias seguidos. Veja bem que decisão vai tomar, sis.

— Sua burra! Não podemos enganar um deus! Se Hades descobrir sua conspiração, você vai acabar no Tártaro que nem Tisífone! — esbraveja, irritadiça com a desobediência de Megera. — Eu avisei que aquela idiota não deveria se meter com não um, mas dois filhos de Júpiter!

Filhos de Júpiter? Aproveito o tempo em que as duas discutem se vão me fatiar e me saborear num espeto ou me entregar a Hades para correr. Abraço o pulso de Hazel e ela parece espantada com meu toque. Talvez meu parentesco me permita interagir com um pouco mais de afinco com seres espectrais, mas não me resta nenhum segundo para fazer deduções assim. Foco apenas em correr das duas.

Assim que Alecto percebe, estapeia Megera por sua tolice e parte em um rasante na minha direção. Jogo todo meu corpo no chão e Hazel me acompanha. A fúria range os dentes e se vira rapidamente. Não consigo nem me levantar e um par de garras me pega pelo ombro. Ai! Elas arranham um pouco, mas detém certa delicadeza para não me machucar muito. Passo as mãos pelos bolsos, procurando por alguma arma que pudesse me ajudar, mas não encontro nada.

Espere! Elas queriam me entregar para Hades? Isso é perfeito!

— Vocês vão me entregar para Hades? — pergunto para ter certeza.

— Sim? — Megera responde, esperando que a irmã confirme sua resposta.

— Ande logo, burralda. Aliás, voe! — grita, ainda mais irritada.

— Poderia me fazer um favor? — digo.

— Claro que não, seu idiota. Já estou fazendo o favor de te deixar vivo. Se não calar a boca, eu arranco seus olhos — Alecto, mais furiosa a cada segundo, responde.

— Se fizesse isso, Hades não gostaria. Poderia levar Hazel com a gente? Por favor... — sorrio, simpático. — Ou então eu conto que vocês querem me comer. Ah, também conto que estão tramando contra Hades! Querem derrubá-lo junto dos outros monstros do Tártaro para reinar no submundo. Perséfone ficaria muito triste com vocês, meninas.

Tento juntar um misto de amargura e confiança na minha voz durante o blefe. Mesmo relutante, Alecto engancha em Hazel com uma das suas patas inferiores e alça voo com a fantasma. Pisco com o olho esquerdo para a garotinha enquanto voamos sobre o extenso rio que tem uma água translúcida. Parece não ter uma profundidade definida — como se fosse infinito — e mergulhar ali poderia ser fatal, visto a força com que a correnteza se arrasta.

Não aterrissamos exatamente. Somos despejados do outro lado do rio, diante dos jardins do imenso palácio. Hazel quase flutua, sem dificuldade alguma para se erguer e também não parece sentir dor alguma. Eu sinto pontadas em regiões aleatórias do corpo decorrentes da queda desajeitada, mas nada que dure muito tempo. Estapeio a camiseta laranja e ergo o olhar, mirando na porta frontal do palácio. Estufo o peito, contente por ter conseguido ajudar Hazel. Espero, pelo menos, a ter trazido para o lugar correto.

As duas benevolentes acima de nós murmuram palavrões e outras coisas que prefiro não escutar. Não existe nenhum motivo preciso para que elas tenham acatado a minha chantagem, se não uma possível autoridade de um filho de Hades, além de que tinham sido ordenadas para me entregar inteiro. Hazel é um brinde no pacote especial.

— Bem... Pelo menos atravessou. Não precisou esperar os cem anos — quebro o silêncio.

— É — Hazel diz, não soando muito contente. — Onde estamos?

— Não sei, mas acho que temos que entrar.

ariel:
Oi! Então, só reiterando: Hazel é uma personagem da trama do Ariel, uma semideusa que Quíron por algum motivo não levou ao Acampamento quando levou ele também. Agora ela está morta e ter a reencontrado será essencial pra trama. Ariel não sabe que está sonhando ainda. E, como se trata de um sonho, acredito que seja possível que as erínias (de certo modo) "obedeçam" ele.

Poderes passivos
[nível 1] Sentidos etéreos: os filhos de  Hades / Plutão conseguem ver, ouvir e se comunicar com seres etéreos, como espíritos que já deixaram o mundo dos vivos e assombrações. Isso não dá ao semideus a capacidade de controlar tais fantasmas, e os espíritos não são obrigados a respeitá-lo, apenas conseguirão se comunicar com eles. Contudo, isso não os torna aptos à interação física - seres etéreos não podem ser tocados diretamente a menos que se materializem, utilizando seus próprios poderes, independente do nível do filho de  Hades / Plutão.

[nível 2] Visão noturna: a escuridão é algo intimamente ligada ao filho de  Hades / Plutão, não os afetando da mesma forma do que sobre outros semideuses. Assim, quando no escuro – desde que este seja natural, ou seja, formas de escuridão mágicas fazem efeito normalmente -, a visão dos semideuses não é prejudicada, de modo que eles conseguem enxergar sem problemas, mantendo a mesma acuidade e alcance da visão normal.
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Re: {Dream} — Missão One Post Contínua para Ariel Hargraves

Mensagem por Maisie De Noir em Sab 20 Jul 2019, 12:22


Dream

O campo florido que antecedia a entrada do palácio parecia cantar junto ao barulho do rio, preenchendo o lugar com uma doce melodia murmurante. Conforme observava o local, semideus e fantasma bocejavam ao sentirem uma letargia bem-vinda que os deixavam serenos, sem qualquer preocupação.  

Diretrizes


— O chamado ainda está presente, mas dessa vez mais suave. Siga o caminho de flores até a entrada do palácio.

— O palácio parecerá vazio e incrivelmente silencioso. Explore o quanto tiver vontade, até subir em uma das torres mais altas e depararem-se com um quarto com portas abertas, onde no centro há uma cama enorme com dossel de onde pendem tecidos finos de cor escura escondendo um homem adormecido.      

— Quando tentarem se aproximar, serão jogados para fora e as portas fechadas abruptamente sem nenhum som. Diante delas estará um jovem alado com expressão severa que se apresentará como Morfeu, caso perguntem. Em sua mente, ouvirá ele lhe mandar procurar Fantasia que se esconde no palácio.

— Procurem-na tento alguma dificuldade até encontrar um comodo onde deduzem que ela esteja.

— Termine o post adentrando no aposento e não se esqueça dos detalhes que o fizeram acreditar que aquele era o lugar certo.

— Vocês dois estão sonolentos, ou seja, seus movimentos e reflexos estão reduzidos em 25%.  

Informações adicionais


— Missão one post contínua para Ariel Hargraves.

— Condições climáticas: Indiferente.

— Local: Palácio de Hipnos - Sonho.

— Horário: Indiferente.

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— Poderes (com nível, separados por ativo e passivo) e armas em spoiler no final do texto.

— Prazo de postagem até 23h59, segundo o horário de Brasília, do dia 30/07/2019

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Re: {Dream} — Missão One Post Contínua para Ariel Hargraves

Mensagem por Ariel Hargraves em Seg 29 Jul 2019, 10:50

beautiful nightmare
“Não tema, semideus.”

A voz é tenra, envolvente. Para ser mais exato, nas poucas vezes que me encontrei com Hades, ele tinha um timbre um pouco diferente. Era um tanto amargurado, rouco, como se carregasse a sentença de milhões de mortos. Mesmo assim, ainda acredito que ele queira algo de mim. Não sei exatamente qual o motivo me trouxe até aqui, mas segui a trilha como magnetismo. Algo bom que não deve ser. É estranho, também, que conforme andamos dentre os jardins, tudo parece ficar mais lento e difícil de acompanhar.

Meus sentidos se perdem aos poucos. Primeiro meus olhos ficam mais cansados e automaticamente as pálpebras são mais pesadas e se recusam a ficar em seu devido lugar. Depois são os ouvidos que relutam para captar os sons; tudo parece estar cada vez mais distante. Sinto como se tivesse duas bolas de boliche amarradas em cada tornozelo. Os passos são retardados e mecânicos. Não sei muito bem para onde estou indo, mas não deixo de caminhar na direção das portas do palácio.

— Você também está se sentindo estranha, Hazel? — pergunto.

— Um pouco. Tudo está meio… Atrasado, não sei… Mas me sinto muito bem.

A sensação também pode ser traduzida como sono, eu acho. Mas de onde é que isso veio? Hades? E fantasmas também sentem sono? No entanto, Hazel está certa. É uma sensação muito boa.

Viro o corpo todo para trás, tentando buscar por pelo menos uma das benevolentes, mas não há nenhum rastro delas pelo céu — aliás, será mesmo que posso chamar essa escuridão toda de céu? —, nem mesmo o odor estranho que elas têm paira mais no ar. É assim que percebo uma melodia soturna que espalha calmaria pelo lugar aberto. De onde será que vem? Eu continuo me questionando, mas nenhuma resposta é realmente necessária. Aqui embaixo até parece bastante confortável. A trilha sinuosa que as rosas fazem até pareceria longo em outras circunstâncias, mas eu o atravessei sem nem mesmo ter noção de tempo.

Essa etapa exige um pouco mais de prudência. A porta imensa parece ser pesada e sinto que algo muito perigoso se esconde atrás dela. Levo a mão no queixo, ponderando se devo mesmo entrar ou se isso seria um erro. Prudência? Quem foi que disse isso? Apenas ouço um rangido e quando me dou por conta Hazel já está lá dentro.




Estava enganado. Não há nada de perigoso no palácio. Aliás, não há nada, porventura. Tudo é extremamente amplo, vazio e quieto. O piso é escuro, mas não sei dizer se de alguma pedra como obsidiana ou ônix ou simplesmente alguma madeira incrivelmente polida. Há alguns pilares de sustentação espalhados pelo Hall, assim como vários pares de escadas que se dividem serpenteando por todo o espaço livre. É possível se perder mesmo sabendo para onde se quer ir, eu acho. Hazel é muito impulsiva e novamente parte sem nem mesmo me convidar para acompanhá-la. Eu a sigo. Sinto a obrigação de fazer isso.

A fantasma curiosa se direcionou para a primeira escada que viu, aparentemente. Ela sobe devagar, aproveitando para vislumbrar melhor tudo de cima. Tudo emana uma energia pacificadora. É como se as paredes me convidassem para tirar uma soneca e sonhar com um mundo utópico em que a paz mundial existe. É uma proposta tentadora, inclusive, e tenho que lutar comigo mesmo para não cair no sono enquanto escalo os degraus.

— Ei! — chamo por Hazel.

— O que foi? — Ela responde e olha para baixo, do topo da escada.

— Aonde está indo?

— Não sei. Aonde quer ir?

— Talvez devêssemos procurar Hades. Ele me trouxe até aqui — será?

Hazel está certa de novo. Não faço a menor ideia do que estou fazendo por aqui. É um palácio gigante. Não tenho nem mesmo certeza de como vim parar aqui. Mesmo assim, algo me diz que preciso tomar cuidado pelos corredores desse lugar.

Todavia, no momento, tudo que faço é seguir o encalço de Hazel. Ela saltita por entre os lances de escada sem nenhum rumo específico. Subimos e descemos várias escadarias diferentes, passando por portas bastante atrativas, que pedem por ser abertas, mas evitamos tocá-las por enquanto. Há uma entrada, contudo, que simplesmente nos chama. Temos de seguir até um corredor mais largo e alto. Do parapeito de uma espécie de varanda interna, quando olhamos para baixo, tudo se mistura em uma espiral por causa da altura. Acho que chegamos no ponto mais alto.

É uma área um pouco mais ornamental. As pilastras são menos grossas e têm gravuras em relevo, lembrando muito os vasos que contam as histórias gregas. Há, também, algumas estatuetas espalhadas na altura de crianças rechonchudas com asas, quase como cupidos. Poderiam ser confundidos com eles, mas não carregam nenhum arco-e-flecha e têm algo parecido com chifres no meio dos cachos. Hazel para diante de uma torre radial que possui quatro portas, uma em cada ponta de escada — não havia percebido antes, mas parece uma espécie de torre central, já que há diversos pontos que se direcionam ao mesmo lugar. Eu me aproximo um pouco mais.

Há um dossel escuro bem no centro do cômodo, acobertando uma cama queen-size que parece ser extremamente aconchegante.

Hazel se aproxima. Ela é destemida e não tem nenhuma cautela. Talvez não tenha medo de morrer.

— Alguém está dormindo aqui — disse.

— Então acho melhor não atrapalharmos.

Até tento impedi-la, mas é tarde demais. Hazel puxa os tecidos leves e fluidos, se esgueirando por entre eles para sondar o homem que repousa na cama. Mal consigo vê-lo de relance e sou arremessado para trás, como se alguém me puxasse pelos ombros imediatamente para fora do quarto. Hazel me acompanha, voando violentamente para fora. As portas se fecham em um estrondo que não produz ruído algum, mas minhas mãos vão involuntariamente aos ouvidos para preveni-los do barulho. Somos, depois, silenciosamente depositados em pé diante de uma das quatro portas, sem sentir nenhuma dor proveniente do empuxo.

— Ufa! Pensei que morreria de novo — Hazel desabafa, passando a mão na testa para tirar o suor. Só que não há suor por ali e algo parece clicar em sua memória, posso ler em sua expressão, que diz algo como "droga, já estou morta."

Sinto pena da sua descoberta, mas não consigo prender um riso. Ela retribui, um pouco constrangida, o que me faz sentir uma pitada de culpa.

Enquanto nos entreolhamos com semblantes penosos, alguma coisa se manifesta diante da porta. Sigo com os olhos inconscientemente e me deparo com um ser alado. Ele carrega uma expressão inflexível, apesar do rosto angelical contrastante. Suas asas estão contraídas nas costas, mas estão lá. Ele olha para mim e pondera um pouco. Depois olha para Hazel e posso ler seu ar de dúvida. Ele deve estar se questionando o que um espectro faz por aqui.

"Que bom que chegou." A mesma voz de anteriormente ecoa na minha cabeça. "Ca-han... Chegaram, desculpe." Ela corrige pigarreando. Certamente não esperava por Hazel. Acho que ela ouve a mesma coisa e olha para cima e para os lados, procurando de onde vem. Eu aponto para o homem com asas na nossa frente, indicando a origem da voz. Ela demonstra surpresa e revela incerteza ao franzir o cenho.

— Quem é você? — Hazel pergunta.

— Hazel! — repreendo, temendo ser lançado aos ares de novo. Olho para trás e mal consigo enxergar o chão.

"Hum... Eu sou Morfeu, e você?"
Morfeu colocou uma expressão pensativa no rosto, depois me olhou de escanteio. "Hazel, certo? O que faz aqui, Hazel? Não deveria estar nos Campos Elíseos ou coisa parecida?"

— Eu vou para lá? Que ótimo! — Hazel comemorou. Parece que receber a notícia de ir para a parte boa do submundo mudou seu astral. — Eu estava esperando Caronte e Ariel me trouxe até aqui. Acho que Hades o chamou.

Incrivelmente, eu tentei dizer alguma coisa. Mas só conseguia mexer os lábios sem produzir nenhum som. O que está acontecendo?

"Hades? Hm. Não."

Morfeu?

Eu posso ter me enganado, no final das contas. Faz um bom tempo que não ouço a voz do meu pai. Pensei que talvez pudesse ter mudado — não é como se deuses fossem imutáveis, acredito — ou ele ter escolhido aparecer para mim de uma outra forma. Não foi estranho ter o ouvido sem sua melancolia particular. Um sentimento de decepção toma conta de mim. Acho que não consigo mantê-lo para dentro e acabo exteorizando com uma careta estranha. Mantenho o olhar baixo, evitando contato direto com Morfeu. Acho que ele percebe, visto que mexe um pouquinho uma das asas.

— Não foi Hades? — pergunto, com uma gota de esperança na voz.

Morfeu não responde, mas emenda uma outra resposta. "Preciso que você busque por Fantasia, minha irmã. Ela simplesmente sumiu. Eu não posso dar conta das fantasias oníricas! Essa não é minha função." Isso não me agrada muito, e acho que nem mesmo a Hazel. Ela está no submundo em busca de redenção e não de aventuras. Algo me diz que ela terá de fazer isso junto comigo, já que veio até aqui arrastada pela minha missão duvidosa. "Certamente, Hades tem planos para você, meio-sangue. Mas por enquanto, isso não está em discussão. Pode buscar minha irmã? Preciso voltar ao meu posto. Não posso deixar que enxeridos atrapalhem o sono de Hipnos." Ele, então, lançou um olhar lancinante na direção de Hazel, que encolheu a cabeça entre os ombros.

— Eu tenho como recusar? — pergunto por audácia. Não tenho a intenção de recusar uma tarefa de um deus. Ainda temo minha vida.

"Não." A resposta foi decisiva e curta. Nem mesmo produziu um eco na minha mente. "Se eu fosse você andaria logo. Há muitas pessoas enlouquecendo lá em cima. Você pode ser o próximo." Não entendi muito bem o que quis dizer. Se exatamente me alertava ou me ameaçava, e muito menos qual a correlação da loucura com o sumiço de Fantasia, mas acenei com o queixo, assentindo. Morfeu desapareceu rapidamente e as portas da torre central não voltaram a se abrir. Sua voz se dissipou da minha cabeça e tudo o que me restou foi o barulho murmurante e hipnótico do rio lá embaixo.




Hazel e eu partimos na busca por Fantasia, como pedido por Morfeu. Não temos nenhuma dica de por onde começar ou como. Apenas subimos e descemos escadas aleatoriamente, escolhendo qual aparenta ter o menor número de degraus para não nos cansarmos tanto — ou me cansar. Não acho que fantasmas tenham uma reserva limitada de stamina.

— Vamos precisar nos separar, eu acho… — concluo e lanço um olhar para Hazel, que parece pensativa.

A fantasma deu uma volta no próprio eixo para observar a infinidade de escadas no palácio e disse:

— Eu não acho uma boa ideia, mas talvez seja mais rápido.

— Sim. Apenas tome cuidado, ok? Não saia por aí atrapalhando o sono dos outros de novo.

— Vou tentar.

— Prometa.

Hazel não prometeu nada. Ela só virou as costas e saiu andando. No meio do caminho, levantou o polegar por cima do ombro em afirmação, mas posso jurar que também vi os seus dedos da outra mão se cruzarem de figas.

— Não morra! — grito, acenando. — De novo…

A ideia de nos separar, apesar de perigosa, é a mais viável. Poderíamos gastar horas, senão até um dia inteiro subindo e descendo exaustivamente por portas que não podemos simplesmente abrir. Não sabemos nem onde estamos direito, e agora acabo de descobrir que não foi Hades quem me trouxe até aqui. Não tenho meu pai me protegendo, então não me parece um ambiente muito seguro. Espanto os pensamentos e firmo alguns passos, me aproximando de uma porta no fim do corredor em que me encontro.

Certamente, ficar espiando por brechas ou ouvindo atrás das paredes não me levaria em lugar algum. Bato na porta, esperando que alguém a abra.

São dois olhos com a esclera inteiramente enegrecida que me encaram assim que o portal se escancara silenciosamente. As pupilas tem uma coloração levemente mais clara, em que consigo observar cenas terroríficas e amedrontadoras. Ele parece emanar uma onda eletromagnética feita especialmente para causar calafrios. Meus pelos até de onde nem imaginava que tinha ficam arrepiados. Mal consigo olhar para o restante do corpo, que só é captado pela minha visão periférica; aqueles orbes afundados num rosto afunilado e cadavérico são extremamente convidativos.

Há uma aura enevoada ao redor do homem, que também tem um par de asas escuras atrás do corpo, muito parecidas com as de Morfeu. A penugem se movimenta um pouco, no mesmo ritmo da névoa, ao contrário do outro deus. Ele se aproxima e meu corpo se paralisa automaticamente.

— Mas veja só o que temos aqui… Um semideus espevitado — disse o homem alado, com uma voz monótona e cheia de cólera.

— Des-desculpe. Eu n-n-não quis incomodar. Já estou de saída — digo, e minha voz é rateada pelas sílabas.

— Não. Eu não me incomodo que se prolongue. Adoro receber visitas — respondeu. —, não são muito comuns por aqui.

Um sorriso ímpio se costura imediatamente nos lábios finos e excessivamente pálidos. Entre as cenas horripilantes que passam no fundos dos olhos do homem, consigo observar meu reflexo embaçado. Meu rosto parece ter sido mumificado. Nenhum músculo se movimenta.

— Sinto muito perguntar, mas quem é você?

— Sou Ícelo. Não acho que tenha ouvido falar de mim, mas sou alguém que sempre está zanzando por aí, aterrorizando mortais ou coisa do tipo. Algo o incomoda, meio-sangue? — Ícelo pergunta ameaçadoramente. Não ouso respondê-lo.

— Não exatamente… — digo, um tanto receoso.

— Precisa de algo?

— Você poderia me ajudar? — aposto.

Ícelo pensa um pouco e se curva na minha direção, como se fosse necessário se aproximar para me olhar mais de perto. No entanto, tudo o que faz é com que eu sinta ainda mais medo da sua presença. Talvez seja um teste. Continuo inerte, tentando não tremer com seu avanço. Meus punhos cerram por reflexo e as juntas até ficam brancas com a força que aperto as unhas contra a palma, tentando não cair em seu transe hipnótico. Agora, talvez, a fala de Morfeu sobre a loucura faça um pouco mais de sentido. Chuto que Ícelo seja um deus dos pesadelos ou alguma coisa associada a isso. Ele tem um ar frio e meticuloso.

— Talvez… — pondera Ícelo.

— Sabe onde está Fantasia? — pergunto, um pouco assustado. Vale arriscar.

— Fantasia? Hm... Vejamos...

Ícelo parece pensativo e, então, se aproxima de mim. Quando ele encosta sua unha ferrenha e pontiaguda no meu pescoço, sinto uma onda gelada preencher cada centímetro de pele do meu corpo. Minha mente fica mais bagunçada e agitada, sendo vasculhada por algum intruso indesejado. As memórias mais antigas vêm à tona. Pipa, Hades, até mesmo Hazel e Quíron aparecem algumas vezes. Ícelo recua, com o lábio torcido. Parece ter desaprovado minhas lembranças. Depois, como um efeito de vinheta, minha vista vai escurecendo pouco a pouco.




Ariel!

Ouço lá no fundo alguém me chamar.

Ariel, acorde!

Meus olhos se abrem dolorosamente. Não demoro acostumar com a luminosidade — ela é bem pouca, inclusive — mas estranho onde estou. Há uma outra porta mais ornamental que todas as demais em nossa frente, e Hazel me segura entre seus braços, deitado no chão. Ela tem uma expressão assustada de quem viu algo que não gostou. Também consigo perceber certa repreensão no seu olhar menos tênue que o usual.

— Ícelo disse para você não se meter onde não deve — repreendeu Hazel.

— É... E o que ele fez?

— Nos contou onde está Fantasia. Mas só porque você é um filho de Hades, ele disse.

— E onde ela está?

— Atrás dessa porta — Hazel olhou para cima, para a porta ornamentada.

Algo dentro de mim me alerta para não depositar muita confiança em Ícelo. Principalmente porque não sei o que ele fez comigo.

É difícil levantar, principalmente quando minha cabeça parece pesar mais de meia tonelada. Minha visão ainda balança um pouco, e tudo parece estar muito distante. Será mesmo que Fantasia está por aqui? Espero que Hazel abra a porta, porque não estou mais com coragem o suficiente para fazer isso. Aguardamos, juntos, em frente a porta apontada por Ícelo.

ariel:
Percebi que ali em cima coloquei o nome de Hazel como Diana alguma vezes. Sorry... Caso tenha ficado alguma dúvida, esclarecendo isso. O obstáculo foi Ícelo, deus de alguma coisa relacionada a pesadelos, acho.

Poderes passivos
[nível 1] Sentidos etéreos: os filhos de  Hades / Plutão conseguem ver, ouvir e se comunicar com seres etéreos, como espíritos que já deixaram o mundo dos vivos e assombrações. Isso não dá ao semideus a capacidade de controlar tais fantasmas, e os espíritos não são obrigados a respeitá-lo, apenas conseguirão se comunicar com eles. Contudo, isso não os torna aptos à interação física - seres etéreos não podem ser tocados diretamente a menos que se materializem, utilizando seus próprios poderes, independente do nível do filho de  Hades / Plutão.

[nível 2] Visão noturna: a escuridão é algo intimamente ligada ao filho de  Hades / Plutão, não os afetando da mesma forma do que sobre outros semideuses. Assim, quando no escuro – desde que este seja natural, ou seja, formas de escuridão mágicas fazem efeito normalmente -, a visão dos semideuses não é prejudicada, de modo que eles conseguem enxergar sem problemas, mantendo a mesma acuidade e alcance da visão normal.
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Re: {Dream} — Missão One Post Contínua para Ariel Hargraves

Mensagem por Maisie De Noir em Qui 01 Ago 2019, 14:44


Dream

Hazel tentou várias vezes, mas parecia impossível para ela ser capaz disso. Entretanto quando o jovem semideus avançou e segurou a maçaneta, foi puxado por um redemoinho de sombras para um lugar desconhecido e solitário. Ali, estaria o seu maior desafio.

Diretrizes


— Quando as sombras finalmente se dispersarem, você se verá de frente para seus piores pesadelos.

— Exijo que narre três de seus maiores medos e os detalhe bem. Entretanto além dos efeitos da sonolência, você também estará com um efeito semelhante à paralisia do sono (clique para saber mais).

— Enfrente-os e os derrote. Como dito antes e reforço novamente: você está sozinho.

— Vocês dois estão sonolentos, ou seja, seus movimentos e reflexos estão reduzidos em 25%.  

Informações adicionais


— Missão one post contínua para Ariel Hargraves.

— Condições climáticas: Indiferente.

— Local: Palácio de Hipnos - Sonho.

— Horário: Indiferente.

Status


Ariel Hargraves — Nível 2

HP: 110/110
MP:110/110

Regras


— Não utilize cores cegantes e/ou templates com menos de 400px de largura.

— Poderes (com nível, separados por ativo e passivo) e armas em spoiler no final do texto.

— Prazo de postagem até 23h59, segundo o horário de Brasília, do dia 15/08/2019

—O critério de avaliação usado será o baseado neste sistema (clique).

— Agradeço se me enviar uma mensagem assim que postar.




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Re: {Dream} — Missão One Post Contínua para Ariel Hargraves

Mensagem por Ariel Hargraves em Sex 09 Ago 2019, 09:29

beautiful nightmare
Hazel ficou visivelmente transtornada quando não conseguiu abrir a porta, pude perceber. Ela está batendo o pé fantasmagórico no chão até agora, inquieta, além de murmurar algumas coisas muito feias de serem repetidas. Em minha mente, crianças de nove anos não conheciam palavrões tão profundos e cheios de mágoa. Acredito que isso tenha a ver com seu passado um pouco turbulento.

No entanto, peço para que pare de xingar com um aceno controlado. Ela assente, mas permanece com os olhos furiosos mirando a porta logo em sua frente. Mal consigo perceber como ela reage novamente. Apenas sinto meu corpo sendo encolhido e a vista escurecer pela terceira ou quarta vez, engolindo tudo em um turbilhão escuro.

☠

Os meus olhos custam a abrir. É como se algo muito pesado segurasse as pálpebras bem onde elas estão para que não se movam nem um milímetro. Contudo, com muito esforço e concentração, consigo afastá-las o suficiente para enxergar uma brecha do que está ao meu redor. Ou quase isso.

Não há muita coisa para ser vista, na verdade. Onde minha visão periférica alcança, consigo encontrar minhas mãos e meus pés, mas o restante é um vazio imenso e infindável. Tudo é silencioso, gelado e um tanto mórbido. Conto até três e pisco. Depois, repito. Um, dois, três, pisco. Mais ou menos na sétima tentativa, tudo gira de novo.

Que droga!


Algum tipo de líquido nocivo enche minhas narinas e, pouco a pouco, vai se alastrando pelas vias aéreas. Antes que eu possa titubear, sou içado para fora. O que consigo enxergar é que estou pendurado de cabeça para baixo, mas meus braços não se movem — não muito, mas consigo mexer a pontinha dos dedos — e consigo sentir algo rastejar pelo meu corpo. Não é nada vivo. Também consigo sentir uma onda extra de frio e, aparentemente, estou somente com a calça jeans no corpo.

Um pouquinho mais de esforço tem um resultado positivo. O que traça caminhos pelo meu tronco são, na verdade, gotas de água que deslizam na direção do meu rosto. Acho que estou praticando mergulho forçado. A ideia faz com que meus olhos pisquem com mais força e até meus cílios fiquem arrepiados. Detesto água. Não exatamente detesto. Eu tenho um pouco — ou muito, talvez — de pavor de água.

O líquido nocivo não era, também, nenhum veneno ou ácido. Apenas água. Tudo de novo. Sou mergulhado com a cabeça no tanque. Até que as bolhas de ar sejam extintas, nada me puxa de volta à superfície. Sinto a água invadir espaços que não foram feitos para ela pela segunda vez. Tudo dói e arde. Até meus olhos começam a lacrimejar — e as lágrimas se dispersam no volume de água do tanque. Quando todo o ar que me resta foge dos pulmões, sou puxado violentamente para cima, para retomar o fôlego com um suspiro desesperado, que implora por uma chance de viver.

Eu tendo me debater, mas meu corpo não responde. Isso só faz com que tudo seja muito pior vezes cinco. Eu não consigo nem mesmo abrir a boca para segurar um pouco mais de ar antes de ser atirado contra o tanque de água de novo. Não quero padecer de uma maneira tão idiota. E com água. É aterrorizante que essa possibilidade exista.

Glurrrr.

Começo a me afogar instantaneamente.

Dessa vez, junto com a água, uma onda de coragem também adentra o meu corpo todo. Não sei exatamente de onde vem, mas me faz respirar fundo mesmo submergido. Acelero o processo de afogamento por vontade própria, inspirando o máximo que pode. A dor se controla e reduz pouco a pouco, até que eu tenha a visão escurecida mais uma vez.

☠

Agora o que me cerca é ainda um cenário vazio e escuro, mas uma silhueta muito familiar está sentada na minha frente, de costas. Eu estou em pé, com uma arma em minha mão. É uma arma de fogo, parecida com um revólver, diferente de qualquer armamento semideus com que estou acostumado. Tendo em vista minha última alucinação — espero que seja isso. Por favor, sejam alucinações — eu já sei o que tenho que fazer.

É uma sensação muito estranha ter todo o seu corpo ao seu alcance mas não conseguir se mover nem um pouquinho. Instintivamente, consigo mexer a ponta dos dedos ou piscar os olhos. Somente isso. O restante permanece em um transe, desacordado, como se me obrigasse a tomar uma atitude premeditada — se eu tivesse uma escolha agora, ela seria atirar ou atirar. Não há nada mais que eu possa fazer.

Eu pressiono um pouco o gatilho, mas não o suficiente para disparar. Meu peito se aperta, e só então percebo quem é que está na minha frente.

Pippa.

Mãe.

Fecho os olhos e tento imaginá-la sorrindo.

Boas lembranças me vem à mente, como quando fugimos de um ciclope por um beco e encontramos Hazel se escondendo em um monte de lixo. Ela foi muito esperta em camuflar seu cheiro com o odor de chorume, mesmo que isso tenha nos deixado muito fedidos por pelo menos uns quatro dias. Pippa ficou muito contente em resgatá-la, principalmente porque foi na mesma semana que parti para o Acampamento.

Isso não é de verdade, Pippa. Não se preocupe. Não fique mal, Ariel. Sua mãe está bem. Tento me convencer, e então um estampido invade meus ouvidos.

O ar foge dos pulmões no mesmo instante. Abro os olhos e me deparo com algo que não gostaria de ter visto. Pippa está logo diante de mim, caída no chão. Seus cabelos loiros estão embrumados em cima do rosto, escondendo uma mancha enorme de sangue que escorre bem do meio da testa. Mesmo pálida e sem qualquer traço de vida, ela é linda. É só um sonho ruim, muito, muito ruim. Um pesadelo. Ainda que eu tenha ciência que isso não seja real, parece ser. Isso tudo piora a sensação de estranheza que sinto, que não é necessariamente o luto.

Mas antes que eu possa me prolongar, sou envolto por trevas de novo.

☠

Não sei onde estou agora.

É um lugar menos vazio. Há três estátuas — ou algo muito parecido com elas — na minha frente. Todas elas usam uma máscara dourada e o do meio tem um martelo de juiz na mão. Prestando mais atenção aos detalhes, pareço estar em um juri macabro. Aposto que os três diante de mim são almas julgadoras ou coisa muito parecida. Somente estar próximo deles me faz ter calafrios.

— Ele não fez absolutamente nada — decretou uma das estátuas, e as outras ganharam vida.

— Hum... Também não foi ruim.

— Nem ruim o suficiente para os Campos de Punição, nem bom o suficiente para os Campos Elísios. Asfódelos?

— Certo. Eternidade nos Asfódelos.

— Nenhuma segunda chance?

— Sem segunda chance pro aqui.

— Ariel Hargraves, sua sentença é eternidade nos Campos Asfódelos. Não se lembrará que é você, de onde veio ou porque está lá. Aliás, o motivo é exatamente esse: não há motivos. Você não serviu para ser bom e nem para ser ruim. Pelo menos não será punido infinitamente.

Ele martelou. Não tive nem tempo para reagir — nem que eu conseguisse. Parecia muito mais torturante passar a eternidade nos Asfódelos. Nunca conheci essa parte do submundo, mas não me era nada, nada agradável. Eu preferiria ser chicoteado que passar o resto do resto com os medianos desmemoriados. Que horror! Não faça isso comigo, por favor, senhor juiz!

Deixe-me voltar! Serei uma pessoa boa. Ou até uma pessoa má. Eu só não quero os Asfódelos.

Nada sai dos meus lábios. Uma fita imaginária é atada na minha boca e, de repente, me sinto ser puxado para cima, como se algo descolasse do topo da minha cabeça. São minhas memórias sendo tiradas de mim? O que está acontecendo?

— Quero uma segunda chance! — brado, e então tudo deixa de ser embaçado e dolorido.

— Ele falou?

— Hum. Sim. Está pedindo por uma segunda chance.

— Sim, eu ouvi...

— Daremos isso a ele?

— Veja a fundo. Ele realmente quer isso.

Eles aproximaram-se do meu rosto e seus olhos varreram minha alma, pude sentir. Investigavam meus desejos mais profundos. Eles sabiam que lá no fundo eu queria ser alguma coisa, e não irrelevante para habitar os Asfódelos. Havia certo pesar, também. Eu jamais aceitaria pertencer ao lugar mais entediante do mundo para sempre. Eu não poderia ser sentenciado aos Asfódelos. Jamais! Jamais!

— Ok.

— Mande-o de volta à superfície. Segunda chance para Ariel Hargraves, filho de Hades.

Acho que normalmente eles não fariam isso. No entanto, como se trata do meu pesadelo, as minhas vontades são muito mais levadas em consideração do que a realidade, talvez. Acredito que apenas a minha interposição tenha sido o suficiente para uma segunda instância. Talvez o desespero empregado na voz também tenha sido um murmúrio por piedade. Eu preciso agir mais, falar mais. Preciso mostrar quem é Ariel.

Não sei, não sei. Antes de obter respostas, tudo escurece de novo... Que coisa.

ariel:
1. água;
2. ficar sem a mãe;
3. o julgamento pós-morte.

sim, o ariel é bem morno. por isso reações rasas aos acontecimentos. e por isso os asfódelos no final.

Poderes passivos
[nível 1] Sentidos etéreos: os filhos de  Hades / Plutão conseguem ver, ouvir e se comunicar com seres etéreos, como espíritos que já deixaram o mundo dos vivos e assombrações. Isso não dá ao semideus a capacidade de controlar tais fantasmas, e os espíritos não são obrigados a respeitá-lo, apenas conseguirão se comunicar com eles. Contudo, isso não os torna aptos à interação física - seres etéreos não podem ser tocados diretamente a menos que se materializem, utilizando seus próprios poderes, independente do nível do filho de  Hades / Plutão.

[nível 2] Visão noturna: a escuridão é algo intimamente ligada ao filho de  Hades / Plutão, não os afetando da mesma forma do que sobre outros semideuses. Assim, quando no escuro – desde que este seja natural, ou seja, formas de escuridão mágicas fazem efeito normalmente -, a visão dos semideuses não é prejudicada, de modo que eles conseguem enxergar sem problemas, mantendo a mesma acuidade e alcance da visão normal.
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Re: {Dream} — Missão One Post Contínua para Ariel Hargraves

Mensagem por Maisie De Noir em Seg 12 Ago 2019, 18:22


Dream

Vamos lá, Ariel. Falarei englobando todos os turnos, destacando apenas algumas coisas que me chamaram atenção em algum específico. Você escreve bem e conseguiu dar bastante detalhes que eu cobrei na missão, entretanto em todos os turnos houve algo que me desapontou em algum momento e falarei mais abaixo.

No primeiro turno houve a constante mudança do nome do fantasma entre Hazel e Diana. Você até mesmo percebeu o seu erro e isso vai lhe trazer alguns descontos.

No segundo turno, em relação a todos os gatilhos, você foi apenas um coadjuvante. Hazel entrou no quarto de Hipnos, Hazel chamou atenção de Morfeu, Hazel "encontrou" uma sala que deveria ser a de Fantasia. Você foi apenas um personagem secundário que seguia as ações geradas por ela. Ainda nesse turno, você me descreveu Ícelos como sendo uma dificuldade para achar a sala onde a outra deusa estaria, porém a forma como você narrou isso não me fez nem mesmo considerar como uma dificuldade. Além de não tê-lo o atrapalhado em nada, segundo você ainda lhe deu a informação de onde estaria Fantasia, mas isso entra em conflito com um dos pontos obrigatórios:
@Maisie De Noir escreveu:" não se esqueça dos detalhes que o fizeram acreditar que aquele era o lugar certo."

Sua resposta seria que o deus lhe disse e você confio plenamente nele? Isso lhe rendeu problemas no próximo turno.

Como não cumpriu no mínimo dois pontos obrigatórios no turno anterior, no terceiro as coisas se tornaram diferentes e Ícelos foi o que você encontrou naquela sala. Precisei especificar bem que estaria sozinho, afinal provavelmente você encontraria uma forma de usar Hazel novamente ao seu favor, mas note bem que você, mais uma vez, deixou um ponto obrigatório de fora:
@Maisie De Noir escreveu:— Enfrente-os e os derrote.

Você não fez isso. Apenas os detalhou e narrou. O máximo que poderia considerar é forçar o afogamento, mas ainda assim você não buscou de fato uma saída da situação.

Esses foram os maiores problemas que encontrei e foram também os que modificaram totalmente a missão para que no final o plot inicial não pudesse se desenvolver, mudando a narrativa. Atente-se a esses detalhes e procure ser mais o protagonista da sua própria missão. No mais, parabéns!

Resultado


— Coerência: 30 de 50 possíveis
— Coesão, estrutura e fluidez: 25 de 25 possíveis
— Objetividade e adequação à proposta 7 de 15 possíveis
— Organização e ortografia 9 de 10 possíveis

Total: 71 pontos = 319 xp + 31 dracmas + Item

{Bad Dream} / Espada [Possuindo cerca de 80cm de comprimento, a lâmina da espada é negra devido ao seu material e o cabo é simples, tendo apenas o detalhe de uma pedra preciosa em sua guarda. Seu diferencial entretanto é tanto uma benção quanto uma maldição: sua lâmina emite uma aura de sonolência leve que diminui os reflexos de oponentes que não possuem resistência e sejam de nível menor ou igual do semideus em 10%, entretanto esta mesma aura atrai sombras que podem atacar o portador da arma caso a use demais, não sendo possível controlar tais criaturas.] (Nível Mínimo: 5) [Ferro Estígio] [Sono] [Recebimento: Dream, avaliada por Maisie De Noir e atualizada por Eos]

Descontos


20 HP
20 MP


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Re: {Dream} — Missão One Post Contínua para Ariel Hargraves

Mensagem por 153 - ExStaff em Seg 12 Ago 2019, 18:35



Atualizado

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Re: {Dream} — Missão One Post Contínua para Ariel Hargraves

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