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Campo de Austin ♠Local Público Oficial♠

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Campo de Austin ♠Local Público Oficial♠

Mensagem por Edward W. Kimoy em Sex 17 Jun 2011, 16:36

Relembrando a primeira mensagem :

Campo de Austin


O campo de Austin é um lugar ensolarado com gramas tão niveladas que são confortáveis de se deitar, perfeito para um piquenique, uma diversão em família ou até mesmo uma simples caminhada relaxante. Possui algumas árvores que fornecem sombras para quem está no lugar. Apesar de não ventar muito, é bastante refrescante e não faz muito calor. Por trás da vegetação existe um lago público para quem quer tomar um bom banho frio.

Algumas crianças brincavam no lugar com frisbees, cachorros corriam livremente e alguns fotógrafos registravam tudo.



"Que tal colocar uma roupa decente nesse seu avatar, mocinho(a)?"

Bailinhos do coreto:

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Re: Campo de Austin ♠Local Público Oficial♠

Mensagem por Anastasia S. Goldreen em Qua 02 Jan 2013, 17:32


And our time is running out
You can't push it underground


Pelos sorrisos que nós duas trocamos, estava na cara que algo iria sair daquela única conversa. Confiança, amizade, colegas, tanto faz. O importante, para mim, é que depois de tanto tempo vivendo no meu casulo escondida do mundo, ainda posso encontrar alguém para desabafar. Era engraçado e irônico que no meio do campo, em uma noite qualquer uma garota apareceu e começamos a conversar. Destino, seu bobo.
Ao olhar nos olhos de Irina, uma compreensão tomou minha mente. Talvez não devesse chorar mágoas passadas por meus pais. Era óbvio que ver seu pai tomando entorpecentes e decaindo em sua carreira, era algo forte. Quantos anos ela deveria ter?
Ao decorrer do tempo às coisas doloridas saram. Podem ter cicatrizes feias, mas um dia pode simplesmente estar fechada. Pelo menos você tem uma noção de onde seu pai está. — Falo abaixando o tom de voz a cada palavra.
Não sabia se sentia uma inveja por ela saber onde encontrar o pai ou se sentia sorte por não saber do meu. As coisas eram complicas com os pais mortais. Alguns tinham sorte e viviam em uma família mais do que perfeita. Para outros, como eu, simplesmente ficavam em um orfanato até fugir.
A minha casa é em um... campo. Não sou só eu, claro. Tem vários outros sem pais, um tipo de orfanato para adolescentes “complicados”. — Solto uma risada, sabendo perfeitamente que estava blefando.
Éramos todos complicados e morávamos em um campo. Mas não somos órfãos de verdade. Que minhas palavras não me entregassem.
Não conheci a minha também. Acho que é mais um ponto em comum .. — Um sorriso preenche meus lábios.
O fantasma continuava ali e a cada momento, eu perdia um pouco do meu controle.



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Re: Campo de Austin ♠Local Público Oficial♠

Mensagem por Irina Heargraver em Qua 02 Jan 2013, 18:18






Life can be happy sometimes




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O olhar da jovem pousou brevemente no sorriso de Ana. Sentia-se confiante e calma ali, um fato extremamente raro.

— E esse fato é extremamente reconfortante. Minha vida tem sido bem confusa ultimamente, mas acho que a certeza de que tudo melhora ajuda um pouco a enfrentar os problemas. — Acenou rapidamente e deixou seu corpo cair para trás, soltando uma leve risada em seguida.

Tudo estaria perfeito se não fosse o fantasma, e era por causa do mesmo que fizera aquela manobra. Boa parte de seu rosto estava oculto para Ana e ela podia ordenar que ele fosse embora dali, e de sua vida também. Irina fechou os olhos e depois os abriu, fitando o céu do Texas.

— Vá embora daqui. — Entoou baixinho em uma voz fria e intangível, mas que também era cheia de um poder tenebroso.

O espectro fitou o rosto da semideusa e assentiu, rapidamente desaparecendo como uma névoa esbranquiçada. Com um choque o receio tomou conta de Irina, será que Anastasia ouvira suas palavras? Levantou-se apressadamente e fitou os olhos da outra com um leve sorriso.

— Somos cheias de semelhanças. — Riu baixinho, tentando encobrir o medo. — O lugar onde eu moro também é assim, como um orfanato para adolescentes problemas. É um local belo, de verdade. Mas é mais especial para mim, que vivi em um hospital para doentes.

Era difícil tocar no passado, mas de algum modo não queria manter segredos com Ana, exceto um.

Poderes Utilizados:


Poderes ativos

• Voz de Poder - Nível 3 -
Sua voz estará carregada com um poder fantasmagórico que irá fazer com que qualquer fantasma lhe obedeça.



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Re: Campo de Austin ♠Local Público Oficial♠

Mensagem por Anastasia S. Goldreen em Qua 02 Jan 2013, 18:40


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Meu peito doía com algumas das revelações recentes. Era difícil voltar aos assuntos encerrados e fala-los em voz alta. Uma parte de mim sabia que era essencial, porém outra odiava admitir que precisasse disso. Ao meu lado direito a grama estava completamente arrancada. De tufos em tufos, liberei minha raiva e ansiedade. Coitada da grama.
Prestei atenção em cada palavra pronunciada pela garota, tentando ignorar o fato do fantasma estar ali. Em outros momentos, teria achado normal o fato de ela ter deixado o corpo cair para trás e a risada ser solta. Porém, o som da voz extremamente baixa dela me pegou. Se fosse uma mera mortal, meus ouvidos não teria sido capazes de escutar algo. Porém, os poderes herdados pela minha mãe e pelos poderes de feiticeira os meus sentidos eram todos aguçados. Rezava para que fosse impressão, uma mera casualidade. Mas o fantasma foi embora, assim que seu olhar confuso deu-se por ter sido mandado embora. A curiosidade coçava meu corpo, escorregadia e perigosa. Perguntar ou não, eis a questão.
Mantive minha expressão neutra, sem querer entregar-me. Teria que ter certeza antes de jogar a primeira pedra. Palavras são perigosas se ditas em um momento inoportuno.
O riso dela tomou conta dos meus ouvidos, outra vez. Permiti que o meu próprio sorriso saísse, misturando-se ao dela. As semelhanças se batiam cada vez mais, encaixando-se nos fatos que eu conhecia tão bem.
Meus olhos prenderam-se aos olhos da garota, sentindo o poder tomar conta de minhas entranhas. Os pontos delicados — os que eu não ousaria perguntar — saltaram para mim, enchendo-me de informações. Era horrível invadir sua privacidade desta maneira. Percebi os detalhes sobre seu pai se tornar verdadeiros e uma nova revelação tomar conta de mim.
Eu sabia que intuições eram poderosas, mas rezei que Irina não tivesse o mesmo destino que o meu.
Você sabe o nome de sua mãe? — Soo casual.
Não queria prensá-la contra parede ou colocar as cartas sobre a mesa tão rápido. Mistério era algo delicioso.
Algo me diz que nós duas já nos cruzamos por ai, quem sabe. — Palavras soltas, sem nexo e talvez mentirosas.
O problema é que em cada mentira pode haver uma verdade oculta.
Era o que queria descobrir.


Poder Utilizado:
Leitor de Almas [Nível 3]
Essa habilidade lhe permite ler a alma de seus oponentes. Dessa maneira, encontrará pontos delicados de seu passado. Isso pode ser útil para achar fraquezas.



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Re: Campo de Austin ♠Local Público Oficial♠

Mensagem por Irina Heargraver em Sex 04 Jan 2013, 12:32






Dangerous



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Um vento frio e tenebroso varreu o Campo de Austin no segundo em que Irina fitou o rosto curioso de Ana. Sentia-se nervosa e assustada com a reação da loira. Deveria mentir sobre a nomenclatura de sua mãe? A cada batida cardíaca a cabeça da semideusa latejava com força. Tinha feito besteira, e das grandes. A garota levou uma mão ao cabelo escuro e bagunçou-o um pouco. Os olhos azuis estavam simplesmente mais enegrecidos, pela dor ou pelo medo, talvez.

— Não sei, e fico alegre por isso. Ela me abandonou quando eu era criança. Simplesmente foi mandar lá no inferno, onde tem um posto de rainha de alguma coisa. Vejo coisas que ninguém mais vê. Sinto coisas que ninguém mais sente. Se eu fosse masoquista agradeceria á minha mãe, mas ainda tenho sanidade o suficiente para odiá-la pelo que fez e pelo que me lançou. — Tentou soar doce por culpa da amargura das palavras, mas não funcionou. A aspereza ainda se encontrava lá.

Acenou brevemente, tentando amenizar o ar que se instalara ali após a última revelação. Como que por impulso, Irina levou á destra mão até o local onde estaria seu colar de topázio.

— Droga esqueci o meu colar. Desde que me entendo por gente que tenho aquele acessório, um colar de topázio simples. Foi meu pai quem me deu, segundo ele era de minha mãe. — Balançou a cabeça com a ironia que se encontrava ali, odiava aquela mulher, mais ainda utilizava um item que fora seu.

O medo amenizara um pouco. Ana continuava tensa desde a ordem da garota para a saída do fantasma. Ela realmente ouvira?

— Talvez sim, talvez não. Também tive essa impressão, mas não tenho uma nítida certeza. — Mordeu o lábio inferior e olhou para o aglomerado de árvores que se via a esquerda.

Tinha vontade de dar uma tapa em si mesma, era o seu fim. Tinha falado demais, informações em excesso podiam acabar com aquela amizade ou até ir além. Estava extremamente nervosa e preocupada com o destino da conversa. Porque diabo Ana ficara tão tensa?




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Re: Campo de Austin ♠Local Público Oficial♠

Mensagem por Anastasia S. Goldreen em Sex 04 Jan 2013, 13:58


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O ar estava gélido. Em outras ocasiões citaria “reza a lenda que quando a temperatura baixa há um espírito”. Mas era óbvio que o espírito estava dentro de mim e talvez da minha desconhecida. Plantado pela minha mãe, deusa dos fantasmas, a nossa essência era escura e fria. Era difícil ver alguma cria dela ser calorosa como os filhos de Apolo, por exemplo. Estamos fardados a ser assim para sempre, ter ódio e rancor guardados. Minha mente corria a mil, pensando o que poderia fazer para obter mais informações. Ela não iria dizer o nome em voz alta, nem mesmo eu me atreveria. Ou, quem sabe, apenas não soubesse. Mas as revelações e ligações recém-descobertas era algo extraordinário. As palavras de Irina pesaram sobre meus ombros. Eu me sentia daquela forma às vezes e odiava minha mãe por isso, mas odiava mais ainda por saber que não era apenas eu naquele barco.
Nossas dores sempre se fazem presentes em momentos inoportunos. Culpo meus pais por esse fardo também. — Rio com a piada do inferno. Ah, se ela soubesse que realmente existe um inferno aonde pessoas vão .. — Ver e sentir coisas que ninguém sente é algo em que me especializei. Talvez nós duas possamos compartilhar experiências. — Bato levemente meu ombro contra o dela.
Sua voz continua carregada de dor, assim como a minha. A diferença é que eu já expus toda a dor e raiva nas batalhas que segui. Quem disse que violência não ajuda?
Colar de topázio, outra coincidência? Duvido muito. Minha mão vai ate o meu por baixo da roupa automaticamente. Mostro ou não?
Sabe, a única coisa que me restou foram dois presentes. Possuo um baú onde sempre estiveram meus presentes lá, seguros. Depois de anos, ainda o possuo. Mesmo velho ele esta lá guardando pertences preciosos. Odeio meus pais e odeio o que fizeram comigo, mas não consigo abrir mão da única coisa que me liga ao passado deles. — Falo com a garganta apertada, olhando para as estrelas.
Meus punhos se fecham, canalizando tudo de ruim naquele gesto.
É, talvez a gente já tenha se cruzado. — Paro de olhar as estrelas, voltando meus olhos para Irina — Não deveria abrir tanto meu coração, se é que existe um, mas gostaria de mostrar uns truques. O problema é que vou ser um alvo fácil para, ãhn.. — Não podia dizer monstros — Suas gozações ou medo da aberração.
Minha volta por cima era espetacular. Tirando o fato de ficar parecendo um idiota.



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Re: Campo de Austin ♠Local Público Oficial♠

Mensagem por Irina Heargraver em Seg 14 Jan 2013, 18:44






A few seconds for the end



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— É, de todo não odeio minha mãe. Um pouco claro, por ela ter me deixado, mas sou capaz de perdoar ela. — Comentou baixinho, seus olhos azuis espelhavam tristeza.

Com calma e naturalidade Irina pegou uma florzinha e virou-se de costas para Ana. A jovem suspirou brevemente sobre a flor e a mesma se transformou em gelo. Com um breve sorriso ela estendeu a flor para Anastasia.

— É um truque meu. Se quiser pode mostrar os seus. — Seus olhos azuis oscilaram um pouco. O que eram os truques de Ana?

Irina fitou algumas crianças humanas que brincavam junto de um cão. Um sorriso carregado de maldade tomou os lábios da filha de Melinoe. E se aquela festinha acabasse ? A garota ainda tinha um lado perverso, de não todo excluído. Agindo como uma verdadeira idiota, a jovem se levantou e caminhou alguns breves passos na direção das árvores. Estava cansada de ficar sentada, seu espírito inquieto desejava ação. Se tivesse sorte um monstro apareceria.

— Vamos andar. Aí você aproveita e me fala que truques são esses. E não, não te chamarei de aberração, afinal a criatura de outro planeta sou eu. — Entoou levemente e mordeu o lábio inferior, sentindo a verdade de suas palavras.

Irina era uma verdadeira anomalia.




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Re: Campo de Austin ♠Local Público Oficial♠

Mensagem por Anastasia S. Goldreen em Seg 14 Jan 2013, 19:00


who are you?

A flor levemente congelada pesa em minhas mãos. Em todo caso, meus pensamentos sobre Irina não estava errados. Ela possuía um sangue diferente dos humanos, talvez possuísse só a metade deste sangue, assim como eu. Aquele brilho estranho nos olhos de Irina me assustou um pouco, deixando-me na evasiva. Está sendo idiota. Se ela é igual a você, deverá perguntar de quem é filha e o que esta fazendo aqui. Abro a boca para falar ao mesmo tempo em que Irina se levanta. Seus pés vão se movimentando, enquanto sua voz chega até mim convidando-me a andar. Sem hesitar, sigo o seu ritmo e chego perto dela. Truques.. quais deles eu poderia mostrar? Lembrando-me novamente daquele brilho estranho nos olhos de Irina, olho para as crianças e o cão. Havia felicidade e divertimento ali.
Bem, meu truque está lá. — A última palavra foi o suficiente para a névoa começar a aparecer.
A névoa do tipo normal descia tranquilamente, enquanto as crianças paravam e cantarolavam palavras decepcionadas. O tom cinza tomou conta daquela parte do campo, dificultando um pouco a vista daqueles que estavam dentro dela. Sorrindo, olho para a Irina de soslaio, imaginando por um segundo se estaria brincando sobre não me chamar de aberração.
Quem não chamaria?


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Re: Campo de Austin ♠Local Público Oficial♠

Mensagem por Ana M. Thernadier em Qua 27 Nov 2013, 17:52


Não penso, não existo. Só assisto.

Where is my mind?


Segundos, minutos, horas tinham se passado desde que começara a caminhar por aquele estranho lugar, mas sua mente continuava nebulosa e profundamente confusa. Mas já era de se esperar, afinal, não é sempre que se acorda sem nenhuma anotação mental, recordação ou pensamento. Era como se houvessem derramado um balde de tinta branca uniformemente em um quadro recém pintado.
Como você se sentiria caso acordasse em um lugar completamente desconhecido, com pessoas desconhecidas e objetos, bugigangas, aparatos completamente desconhecidos? Certamente estaria confuso, intrigado, cagando de medo, curioso... Agora imagine isso amplificado em dez vezes, e vai sentir o mesmo que essa garota sentiu quando acordou no meio de um parque lotado de crianças assassinas, amantes letais e estranhas estruturas metálicas completamente hostis e mortais.
Espero que tenha entendido a sensação, pois é ela que rege o raciocínio precário de nossa personagem recém chocada com a realidade. Há alguns momentos atrás, podia jurar que não existia, se é que isso é possível. Então, do nada, BOOM. Agora você é.
Perguntas, perguntas e mais perguntas preenchiam sua mente. Quem era? O que estava fazendo naquele lugar? Onde era aquele lugar? Por que o chão era verde? Por que o céu é azul? Por que as outras pessoas não pareciam se importar com nada? Por que, porquê, por quê?
Quanto mais se focava nas perguntas, mais distante se sentia da resposta. Ciente disso conforme o tempo passava, decidiu, inconscientemente, fazer uma pausa e examinar bem o ambiente ao redor. Poderia já ter estado ali - em outra vida, talvez -, pois aparentava ser um lugar agradável. O sol lançava raios luminosos que deixavam tudo em seu caminho com um tom singular de dourado, mas a garota não conseguiu enxergar a poesia nisso. Sua mente era e ainda seria, por muito tempo, uma enxurrada de questionamentos.

Informações Extras:

~> Post de número #00
~> POV Narrador externo
~> A interagir com ???
~> Poderes utilizados Nenhum
~> Arsenal Relógio de Bolso Dourado [Ao mesmo tempo que serve para ver as horas, este relógio pendurado em uma corrente tem uma segunda função: Esquecer. Sim, simplesmente apagar um acontecimento da mente de um indivíduo - desde que este não tenha proteção mental, ou use dos poderes referentes a este assunto. Isto também é possível graças ao manipulador de névoa que contém neste relógio. O dono do relógio tem de ter em mente o acontecimento que será apagado na mente da vítima, sendo, normalmente, necessário que este tenha estado presente quando o acontecimento sucedeu. O ato do esquecimento deixará um vazio na mente da vítima, que será preenchido por um outro acontecimento qualquer criado pela névoa na mente deste, o que relativamente acontece pelos seres humanos utilizarem da névoa para tornar os acontecimentos absurdos mais "reais". A ativação desta segunda função do relógio apenas acontece quando a vítima visualiza o objeto, e o detentor do acessório está com o acontecimento em mente, e pronuncia a palavra secreta. Sendo esta escrita na parte de trás do relógio quando o detentor tocou pela primeira vez no relógio. Caso ele esqueça a palavra, ali estará ela, entalhada no relógio. Dizem, somente dizem, que este foi forjado por mãos divinas, podendo assim ter outras funções que no momento são desconhecidas. Existem outras três cópias do relógio espalhadas pelo mundo. Ele foi criado para ter uma bateria infinita (então não se preocupe com isto) e escolhe seu próprio dono.]; Guardado no bolso, embora a personagem ainda não tenha consciência disso..
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Re: Campo de Austin ♠Local Público Oficial♠

Mensagem por Steve C. Wizard em Qua 27 Nov 2013, 23:21




Deixa que o cego te guia



Não eram mais do que cinco da manhã quando ele decidiu fugir. De novo.
Desde que acordara sem memória na enfermaria do acampamento, sua vida tinha tomado rumos extremamente programados. Ele não sabia se o Steve de antes pensava o mesmo que o Steve de agora, mas não fazia diferença; o que seu eu passado pudesse ter julgado certo, errado, bonito, feio, não mais importava. Só os olhos desse recém desperto semideus é que contavam. Se os deuses lhe negavam seu passado, faria ele mesmo seu futuro, e isso não era exatamente uma boa notícia aos olimpianos, considerando que os rumores sobre seus "feitos e poderes" de antigamente eram verídicos. Que se fodam todos, pensava com frequência antes de agir estupidamente como estava prestes a agir.
Subiu a colina consciente de que voltaria. Só preciso de um tempo pra mim, mentalizou. O interior dos bolsos da jeans se afogava em dólares amassados, dracmas, uma caneta e uma agenda, fita isolante e duas barras de cereal. Tudo que um semideus ambicioso podia almejar.
Na estrada acenou ao primeiro ônibus que passou. O veículo parou ao acostamento, e a porta deslizou para o lado.
— Ainda tem um assento? — Steve perguntou.
— Você tem dinheiro? — o motorista revidou, direto.
— O suficiente.
O motorista era um velho calvo, com o pouco cabelo que lhe restava tão branco quanto a neve de inverno, e uma dentadura tão proeminente que parecia a ponto de saltar boca afora. Usava camisa e calça sociais dessas empresas de transporte, e tinha um crachá próximo ao bolso da camisa que dizia "Manfred. Motorista.", uma sugestão um tanto quanto óbvia. Manfred gesticulou com a cabeça para que o jovem subisse, e ele assim o fez. Agradeceu ao senhor com um aceno. Já no interior do ônibus, deparou-se com poucos passageiros, e eram ainda menos numerosos os que estavam acordados. Os despertos dividiam-se entre os que liam algum livro, os que mexiam no celular e os que assistiam a algum filme qualquer que passava na TV do ônibus. Um lugar perigoso, Steve preveniu-se. É melhor que eu mantenha distância desses eletrônicos se não quiser ver alguns mortais uma cabeça mais baixos.
Sentou-se ao lado de uma jovem atraente que lia um exemplar de O Código Da Vinci, de Dan Brown. Steve não se lembrava de já tê-lo lido, ou de sequer alguma vez ter demonstrado interesse por uma leitura que fosse, mas o belo rostinho que defrontava aquelas páginas acabaram por deixá-lo realmente interessado em literatura.
— Com licença — disse ele, trazendo a atenção dela para si enquanto se sentava. —, permite-me fazer-lhe uma pergunta?
— Mais uma? — respondeu ela em tom de deboche. — Faz aí.
— Hum... Para onde esse ônibus vai?
— Pensei que você tivesse uma cantada melhor que isso — e então voltou seus olhos ao livro.
— Não foi uma cantada — ele respondeu na defensiva. — Eu não sei mesmo aonde isso vai.
Ela fechou o livro e os olhos, respirando fundo, e depois fitou-o.
— Nesse caso, fique sabendo: Austin. Como diabos você entra num ônibus desses sem saber aonde vai e, ao que vejo, sem bagagem?
— Só preciso sair desse lugar por uns dias...
— Está fugindo do quê? — perguntou ela, desconfiada.
— Matei um homem. — disse, tão sério que por um instante ele mesmo acreditou. — É brincadeira — concluiu ao ver que a assustara. E riram.

Passou-se mais de um dia. Nisso, houve duas trocas de motorista, e, surpreendentemente, cada um que assumia parecia mais velho que o anterior. "Sou capaz de apostar dez pratas que esse cara é cego", comentou à Alicia, referindo-se ao último motorista, que mais parecia uma múmia com imensos óculos. "Nem cego nem surdo", respondeu lá da frente o velho. Alicia riu da cara de Steve como se acostumara a fazer.
Foram trinta horas de viagem, trinta horas que se passaram rapidamente, visto a boa companhia que ele arrumara. E por fim se despediram, e ele ficou observando-a sumir da rodoviária, com aquele seu andar sexy, meio rebolado, meio salto.
Então viu-se só.
Saiu da rodoviária e caminhou, caminhou, caminhou, sem rumo, sem preocupações. Seus pés o guiaram por um labirinto de ruas, vielas, avenidas e pontes, até que decidiu que era hora de parar. O sol a pino indicava o meio dia, e sua barriga indicava fome. Avistou um parque. Uma confusão de verde e laranja, de crianças e idosos, de jovens apaixonados a jovens atletas. Havia ali alguns quiosques, e julgou que deveriam ter algo que prestasse a se comer. Despreocupadamente, dirigiu-se ao que primeiro chamou-lhe a atenção, uma barraca de hot dog.

Armas Levadas:
✞ {Graveolentiam} / Lança [Amplia o poder mágico. Quanto ativada, assume a forma de uma lança de ouro envolta em uma aura de magia, a extremidade de baixo é tão afiada quanto uma lança comum, mas a de cima é ornamentada com pedras e runas mágicas, exalando poder. Desativada, assume a forma de uma caneta, sempre guardada em conjunto com o grimório] {Ouro} (Nível Mínimo: 1) {Controle sobre a Magia; defensivo e ofensivo} [Recebimento: Presente de Reclamação de Hécate]

✞ {Athar} / Grimório [Necessário para realizar magias, é um livro encadernado em couro e metal, com páginas infinitas - a cada nova habilidade aprendida, o encantamento aparece automaticamente escrito nele. Indestrutível. Assume o formato de uma agenda com espaço para guardar uma caneta - a lança em sua forma simples e ambos sempre retornam ao bolso do filho de Hécate] {Metal e Couro} (Nível Mínimo: 1) {Não Controla Nenhum Elemento} [Recebimento: Presente de Reclamação de Hécate]
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Re: Campo de Austin ♠Local Público Oficial♠

Mensagem por Ana M. Thernadier em Qui 28 Nov 2013, 18:31


Lembre-se de dar corda no relógio.

Where is my mind?

Não fique parada aí para sempre, garota. Quer morrer?
Como? — Ela olhou ao redor, assustada, procurando qualquer coisa capaz de se comunicar. Podia jurar ter ouvido uma voz feminina soar bem próxima ao seu ouvido, tanto que seus pelos se arrepiaram. Mas tudo o que enxergava era um imenso campo verde decorado com árvores frondosas, algumas pessoas vivendo suas vidas. Nenhuma tão próxima a ponto de ter dito aquilo. Quando estava quase convencida de ter imaginado tal som...
Vá caminhar.
Deu um passo, mas depois parou repentinamente. Quem diabos estava ali e por que não se revelava? Estreitou os olhos e se pôs a pensar, mas não conseguiu concluir nada concreto. Então, decidiu fazer o que mandava, afinal, tinha o pressentimento de que lhe levaria até algum lugar.  
Só não sabia o que aconteceria depois que chegasse a algum lugar.

Caminhar servira para que descobrisse o quão abençoado e perfeito era aquele âmbito, mas sentia que havia algo fora de encaixe. Os cidadãos presentes pareciam fazer parte do cenário, movendo-se sempre em um ritmo programado, um tempo estipulado. Não era como se tivessem recém acordado sem saber de nada, nada mesmo, como ela. Deu se conta, então, que ela era o que estava errado ali.
Bicicleta passando! — Um esquisitão a tirou bruscamente de seus pensamentos, passando bem próximo com um objeto bem peculiar de duas rodas. Ele fez uma expressão dura e estranha. — Nunca te ensinaram a não encarar? — E voltou ao seu exercício. Provavelmente esqueceria da garota em cinco ou dez minutos. Mas ela não.

Passado bastante tempo caminhando e se perguntando no que o homem quis dizer com ''não encarar'', deu-se conta que estava chegando ao limite do parque. Ali, o número de pessoas era maior, bem como a quantidade de quiosques e ambulantes vendendo coisas. Um cheiro peculiar penetrava por suas narinas e atiçava vontades em seu âmago, mas não sabia exatamente o quê. Resolveu se aproximar sorrateiramente do quiosque mais próximo, onde havia apenas dois jovens, sendo um deles o atendente.
Você não o conhece.
Exasperada, olhou instintivamente para os garoto servente e servido, buscando qualquer traço de familiaridade, reconhecimento, qualquer coisa. Nada. Mas algo lhe disse que, se não fosse de fato importante, não teria ouvido a voz. Por essa e outras sensações, decidiu falar, sem escolher um alvo específico:
Quem é você?


Informações Extras:

~> Post de número #02
~> POV Narrador externo - ???
~> A interagir com ???
~> Poderes utilizados ???
~> Arsenal Relógio de Bolso Dourado [Ao mesmo tempo que serve para ver as horas, este relógio pendurado em uma corrente tem uma segunda função: Esquecer. Sim, simplesmente apagar um acontecimento da mente de um indivíduo - desde que este não tenha proteção mental, ou use dos poderes referentes a este assunto. Isto também é possível graças ao manipulador de névoa que contém neste relógio. O dono do relógio tem de ter em mente o acontecimento que será apagado na mente da vítima, sendo, normalmente, necessário que este tenha estado presente quando o acontecimento sucedeu. O ato do esquecimento deixará um vazio na mente da vítima, que será preenchido por um outro acontecimento qualquer criado pela névoa na mente deste, o que relativamente acontece pelos seres humanos utilizarem da névoa para tornar os acontecimentos absurdos mais "reais". A ativação desta segunda função do relógio apenas acontece quando a vítima visualiza o objeto, e o detentor do acessório está com o acontecimento em mente, e pronuncia a palavra secreta. Sendo esta escrita na parte de trás do relógio quando o detentor tocou pela primeira vez no relógio. Caso ele esqueça a palavra, ali estará ela, entalhada no relógio. Dizem, somente dizem, que este foi forjado por mãos divinas, podendo assim ter outras funções que no momento são desconhecidas. Existem outras três cópias do relógio espalhadas pelo mundo. Ele foi criado para ter uma bateria infinita (então não se preocupe com isto) e escolhe seu próprio dono.]; Guardado no bolso, embora a personagem ainda não tenha consciência disso..
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Re: Campo de Austin ♠Local Público Oficial♠

Mensagem por Steve C. Wizard em Sex 29 Nov 2013, 23:13

Deixa que o cego te guia


— Fica cinco dólares — anunciou o vendedor.
— Cinco dólares?! — Steve rebateu, alterado. — Vem com a minha mãe junto?
— É esse o preço, garoto. Se não quer pagar, que passe fome.
Por fim, o orgulho não foi maior do que a fome. De mal grado, Steve jogou no balcão a nota de cinco dólares mais amassada e surrada que tinha no bolso. O apático vendedor entregou-lhe seu hot dog e voltou sua atenção às panelas e instrumentos de seu quiosque. O semideus ficou ali enquanto comia, abusando na quantidade de ketchup, maionese e mostarda disponíveis. Onde já se viu?, pensava. Cinco malditos dólares num cachorro quente desse tamanho? Antes tinha até cogitado pegar algum refrigerante, mas, dado o preço do lanche, julgou que não faria bem ao seu coração perguntar quanto uma lata de coca estava custando.
Pouco passara da metade do hot dog quando uma pessoa o chamou.
Nem precisou olhar a garota que dirigia-se a ele para que se sentisse mal. A voz dela o atingiu como um enxame furioso; seu corpo inteiro começou a formigar, e sua mente explodiu em turbilhões de confusão e dor. Eu conheço essa voz, ocorria-lhe um pensamento, ao passo que uma onda de outros pensamentos, imagens e memórias sobrepunham a afirmação, de modo que ele a esquecia pouco depois de tê-la constatado.
Começava já a se encolher. O hot dog lhe escapara dos dedos, e, pelos deuses, aquilo doera mais do que os solavancos em sua cabeça. Foi quando pensou que cairia no chão, agonizando, tudo voltou ao normal. Aos poucos afastou as mãos que se apertaram involuntariamente contra a própria cabeça, e ergue-se mais e mais, até ficar em pé. Virou-se e defrontou a garota que o chamara. Tinha cabelos negros que pareciam errados ali, olhos azul-esverdeados intensos, e uma pele alva. Steve era, quando pouco, uma cabeça mais alto que ela.
Mas quando a olhava, não a via exatamente como então... Via-a loira.
Foi então que fez-se consciente da lembrança que fervilhava em sua cabeça. Uma memória que lhe surgira naquele exato instante, entrecortada, mas... suficiente. Aquela garota era a ex líder dos mênades. Rafaella lhe contara que ele havia sido parte desse grupo, mas quando acordou sem memória, as dádivas do deus tinham sumido junto com todo o resto; mencionara também a líder do grupo por certa época. Como era seu nome? Andy? Sandy? Mandy...
— Eu... eu sou Steve — disse ele, acuado. — Não me reconhece? Você... eu conheço você.

Armas Levadas:
✞ {Graveolentiam} / Lança [Amplia o poder mágico. Quanto ativada, assume a forma de uma lança de ouro envolta em uma aura de magia, a extremidade de baixo é tão afiada quanto uma lança comum, mas a de cima é ornamentada com pedras e runas mágicas, exalando poder. Desativada, assume a forma de uma caneta, sempre guardada em conjunto com o grimório] {Ouro} (Nível Mínimo: 1) {Controle sobre a Magia; defensivo e ofensivo} [Recebimento: Presente de Reclamação de Hécate]

✞ {Athar} / Grimório [Necessário para realizar magias, é um livro encadernado em couro e metal, com páginas infinitas - a cada nova habilidade aprendida, o encantamento aparece automaticamente escrito nele. Indestrutível. Assume o formato de uma agenda com espaço para guardar uma caneta - a lança em sua forma simples e ambos sempre retornam ao bolso do filho de Hécate] {Metal e Couro} (Nível Mínimo: 1) {Não Controla Nenhum Elemento} [Recebimento: Presente de Reclamação de Hécate]
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Re: Campo de Austin ♠Local Público Oficial♠

Mensagem por Ana M. Thernadier em Sab 30 Nov 2013, 12:26


Apenas me obedeça. Não conte a ninguém.

Where is my mind?


Os três segundos que se pararam após sua fala foram os mais longos registrados em sua recente existência. Nesse período, disparou olhares tanto para o atendente quanto para o outro jovem, certificando-se que eles haviam ouvido a pergunta.
O cara do cachorro quente. — O vendedor deu de ombros e apontou para um objeto de forma retangular preso em sua camisa, mas ela não entendeu o que queria dizer com isso. Deduziu então que não era esse quem havia feito a voz falar. Virou-se para observar o outro.
Gotcha.
 A garota esperava algo similar à resposta d'O cara do cachorro quente vinda dele, mas o que viu foi um ''pouco'' fora de suas expectativas. Parecia que, só pelo som de sua voz, ele havia sentido dor e se contraído por causa disso. O objeto em sua mão caíra e se espatifara no chão, fazendo um delicioso aroma entrar por suas narinas e encher sua boca de saliva. Teria perdido o foco e avançado no alimento mesmo no chão, se ele não houvesse chamado sua atenção.
''Eu... eu sou Steve'', disse. Sua expressão parecia sofrida e confusa, e seu tom de voz oscilara levemente, talvez por nervosismo. Perguntou algo sobre reconhecê-lo e disse, sem muita convicção, que a conhecia. Isso chamou sua atenção, já que ela mal sabia quem era ela mesma.
Hm... — Estreitou os olhos e o analisou de cima a baixo pelo menos três vezes. Sua aparência, suas roupas, seu físico, seu tamanho anormalmente alto... Tudo buscando um resquício de familiaridade, uma centelha de memória, qualquer coisa que pudesse remetê-la ao passado. Mas nada. Tentou dar um palpite: — Você é o cara da bicicleta? Acho que não, ele era menos atraente.
Inconscientemente, levou as mãos até o lugar mais próximo que pôde encontrar: Estranhas aberturas em sua calça. Enfiou o mais fundo, como se aquele ato poderia aliviar seu conforto mediante a reação do garoto. No entanto, sua mão direita fora interrompida no trajeto por algo redondo e frio. Fechou os dedos sobre ele e o puxou à tona.
O que é...? — Era algo deveras estranho, que emitia um brilho cálido e sinistro. Mesmo sob a luz do Sol, sentiu um imenso frio na espinha que não tinha relações com a temperatura do lugar, por sinal bem menor. Tudo ao seu redor parecia estar mais lento, tanto o garoto quanto qualquer outra coisa existente.
Guarde-me agora.
 Dessa vez, ela soube exatamente de onde vinha a tal voz. Não era alguém invisível sussurrando, tampouco imaginação. Era o próprio objeto. A mão que o segurava imediatamente se contraiu e, sem o comando de sua dona, levou-o de volta ao seu antigo lugar. Tudo voltou ao normal no mesmo instante, e preferiu voltar a encarar o garoto como se nada tivesse acontecido.
Nunca te vi antes.



Informações Extras:

~> Post de número #03
~> POV Narrador externo - ???
~> A interagir com Cara do cachorro quente & Steve
~> Poderes utilizados ???
~> Arsenal Relógio de Bolso Dourado [Ao mesmo tempo que serve para ver as horas, este relógio pendurado em uma corrente tem uma segunda função: Esquecer. Sim, simplesmente apagar um acontecimento da mente de um indivíduo - desde que este não tenha proteção mental, ou use dos poderes referentes a este assunto. Isto também é possível graças ao manipulador de névoa que contém neste relógio. O dono do relógio tem de ter em mente o acontecimento que será apagado na mente da vítima, sendo, normalmente, necessário que este tenha estado presente quando o acontecimento sucedeu. O ato do esquecimento deixará um vazio na mente da vítima, que será preenchido por um outro acontecimento qualquer criado pela névoa na mente deste, o que relativamente acontece pelos seres humanos utilizarem da névoa para tornar os acontecimentos absurdos mais "reais". A ativação desta segunda função do relógio apenas acontece quando a vítima visualiza o objeto, e o detentor do acessório está com o acontecimento em mente, e pronuncia a palavra secreta. Sendo esta escrita na parte de trás do relógio quando o detentor tocou pela primeira vez no relógio. Caso ele esqueça a palavra, ali estará ela, entalhada no relógio. Dizem, somente dizem, que este foi forjado por mãos divinas, podendo assim ter outras funções que no momento são desconhecidas. Existem outras três cópias do relógio espalhadas pelo mundo. Ele foi criado para ter uma bateria infinita (então não se preocupe com isto) e escolhe seu próprio dono.]; Recém-encontrado.
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Re: Campo de Austin ♠Local Público Oficial♠

Mensagem por Luana C. Feither em Seg 02 Dez 2013, 15:14

Other Side of Family

Eu não me lembrava como era sentir aquela calma, aquela paz, como se nada no mundo pudesse te abater e tudo fosse tão perfeito que mal poderia acreditar que algum dia houvesse lágrimas de seus olhos. Saber que a vida era complicada e ao mesmo tão fácil, e por isso você amava vive-la. Havia anos desde que eu sentira essa bonança pela última vez. Tanto tempo que talvez Charles ainda era meu irmão amado e Charlotte estava ao nosso lado. Entrementes, sendo uma semideusa, um sentimento como este não se pode permitir crescer, apossar-se do coração já dilacerado por cada mortalha queimada anualmente no refeitório do acampamento meio-sangue. Por isso, tentei me focar no rádio tocando música estrangeira; Perguntei-me, será que afora as pessoas tinham a mesma aversão que os americanos tinham à música estrangeira? Provavelmente. Mas aquela ali me agradava, e eu sabia um pouco do português. Vantagens de se ter uma mãe que levava você para qualquer lugar do mundo.

Acelerei o carro. Aí vai mais uma vantagem da vida: ter um carro – que provavelmente voa, mas eu não quero testar – automático, então é bem mais fácil perder o controle da aceleração. A rodovia que ligava Califórnia à Michigan estava quase deserta, por vezes o silêncio era rompido por caminhoneiros e suas buzinas descontroladas e sarcásticas. Eu não me achava uma pessoa bonita, porém isso, obviamente, parecia ser uma característica de ser filha do homem mais bonito do Olimpo.

O trovão estremeceu o asfalto.

Ok. Deus mais bonito do Olimpo.

De qualquer forma, aquela estrada parecia o caminho para felicidade. A velocidade ao máximo, o vento diretamente proporcional. Em minha viagem, apenas diminuí a velocidade para contemplar uma placa preta, no meio da estrada com os dizeres “God are coming back”. Embora eu tivesse a certeza de que os deuses do olimpo eram os governantes do mundo, aquele tipo de coisa costumava mexer comigo. Veja bem, antes de eu me tornar uma filha de Apolo por completo, matar monstros, contemplar um titã realmente malvado tentar destruir o mundo e todas essas situações de quase morte que implicavam nessa situação de ser metade deusa, eu costumava acreditar nesse Deus maior. Minha mãe nunca escondeu nada sobre meu pai, e, embora eu acreditasse nela, não podia deixar minha fé nesse Deus maior ser interrompida. Um pouco depois de eu chegar no acampamento, me vi pensando na possibilidade de haver outros deuses, talvez até esse Pai que deu a vida pelos humanos. Infelizmente, tantas coisas aconteceram e essa fé fora esquecida. E placas como aquelas, deixadas como um aviso aos “pecadores”, lembravam-me de que aquele sentimento ainda estava ali.

Acelerei novamente. Não tinha tempo de pensar nisso. A vida estava muito conturbada para se permitir levar por pensamentos levianos como este. A única coisa que eu deixava levar minha mente pra longe era a canção calma que ainda estava tocando, e pensando nela, acelerei mais e mais. Houveram mais placas a quais não dei noção. O gps me direcionava a seguir em frente. Pensei no quão difícil fora conseguir aquele endereço. Ok. Talvez não fora. Procurar por Melissa Feither na lista telefônica e bang. Ela cedera o endereço assim que soube quem eu era. Apenas rezava pra não ter avisado à Mary.

Finalmente, cheguei à um ponto em que o GPS pediu para que eu virasse à direita. É o GPS dos deuses! Não há como está errado, certo? Infelizmente, não estava. E ele me apontava uma estrada de terra, enlameada pela chuva e que provavelmente sujaria todo meu carro – que eu usava na cor preta há meses. Fechei os olhos e suspirei. Um mal necessário.

A estrada se alongava por quinze minutos por entre um bosque frio. E o que eu encontrei lá foi o lugar mais bonito do mundo.

Era como os jardins do Olimpo – que eu já tinha visita uma vez –, cheio de flores, o gramado verde, passarinhos cantando livremente e o frio quase inexistente. Era como o paraíso. Não estava chovendo, então pude assumir que o cheiro era de algum riacho ali perto. A agua corrente, trazendo calmaria. Ergui os braços, fechando os olhos e sentindo aquela harmonia que aquele lugar trazia. Girando, girando, movendo o corpo como se os passarinhos estivessem cantando para eu dançar.
- Você poderá discordar de mim, mas você é idêntica à sua mãe. – uma voz nada frágil como eu esperava surgiu, trazendo-me de volta à realidade. – Olá, minha querida.

Eu puxei meus óculos escuros, antes pendurados na blusa branca. Eu não havia analisado muito bem o que estava usando, mas era tão básico. Jeans, all star, blusa. E minhas mechas agora eram brancas e não coloridas como costumava ser. Como aquela senhora poderia me reconhecer se nunca tinha me visto?

Aproximei-me, temerosa. Talvez fosse um monstro? Um deus menor querendo acabar com a minha busca? Alguma brincadeira de Connor Stoll e Rafaella? Esses filhos de Hermes... Entretanto não era nada disso, e assim que subi as escadas da casa – que definitivamente, era uma versão menos cuidada e colorida da Casa Grande – ela me surpreendeu com seus braços gordos e abraçou-me.

Não houve necessidade de falar mais nada. Quando a doce senhora me largou, apenas me puxou para dentro da casa, mostrando-me o quarto como se eu estivesse acostumada a estar lá. Havia um livro sobre a mesa. É claro que ela já sabia o que eu buscava aqui. Aos poucos, o sol se pôs e eu prossegui na minha leitura. O livro era dourado, contava a história dos Feither e sua crença no politeísmo, na feitiçaria e assuntos obscuros. Contava com relatos de próprios membros da família sobre a lenda e como ela perseguia os filhos mais velhos de todas as mulheres da família. Quando ficou muito escuro, a senhora – que eu ainda não me acostumei a chamar de avó – entrou com um prato de biscoitos e um copo de leite. Estatura média e robusta, era o completo estereótipo de avó. Eu me perguntava como eu demorei tanto tempo pra visita-la.

Quando eu podia sentir o carro sol de meu pai aproximando – vulgo amanhecer –, repousei olhando pra janela. Eu não podia ficar ali como se residisse. Tirei um dracma do bolso e saí da casa, indo até o riacho. A moeda foi jogada delicadamente e eu mal sabia pra quem estava mandando uma M.I até me ouvir dizendo:

- Anne Elle Kammie, qualquer lugar... – disse, bocejando. Então lembrei dos boatos que havia escutado por Los Angeles com aqueles semideuses. – Canadá.

Nem que eu tivesse perdendo aquele dracma, eu queria que os boatos estivessem errados e Anne não estivesse no Canadá. Então a imagem da deusa Íris apareceu, sorridente, na Mensagem. Ok, eu estava aliviada, os boatos estavam errados.

- Você errou o lugar. Eu poderia fazê-la gastar outro dracma comigo, srta. Feither, se não fosses uma das minhas semideusas favoritas. – e então sorriu de novo. – Porém Anne Elle está em um lugar que tornou muito fácil de ser encontrada. Berlim, Alemanha.

Meu rosto se transformou em uma careta. Anne estava muito longe de mim. E embora não estivéssemos o tempo todo juntas, ela não se manteria tão longe ao ponto de que não pudesse voltar logo se eu precisasse de ajuda. Logo não tive muito tempo de pensar nisso e encontrei seu rosto, adormecido, sobre vários livros em uma... Biblioteca totalmente para mortais?

- Olhe só para você, Elle. Parece com uma mortal. – eu ri, sabia que tinha a acordado. – Chega a ser decadente vê-la nesse estado. A propósito, esse lugar não deveria estar fechado?

Ela ergueu a cabeça, arrumando o cabelo. Se fosse quaisquer outro semideus ou mortal, sairia correndo desse olhar assassino dela até em uma mensagem de íris, mas como era eu, não tinha o que temer. Era a única pessoa com quem eu poderia me sentir segura, salva, sem medo. E era como eu estava agora. Todo o terror de ter lido aquelas páginas chegava a me amedrontar.

- Nada está fechado para mim. – respondeu, rispidamente. – O que você quer, Feither?

- Preciso de você.

Ninguém teria percebido, mas o olhar frio dela suavizou com as minhas palavras. Entrementes foi por tão poucos segundos que era quase impossível notar. Ela voltou sua atenção para os livros, como se eu não estivesse realmente ali. Típico.

- Onde você está? – ela disse, sem me olhar, ou olhar ao holograma. Tanto faz.

Olhei para trás, onde poderia sentir o olhar de minha avó, me vigiando, com aquela preocupação que sempre desejara que Mary tivesse, aquele olhar que Anne só reservava a mim. Ou ao tal novo filho de Apolo do Canadá como diz os boatos, os quais não conseguiria acreditar.

- Longe. – foi uma resposta vaga, mas era necessário. Anne Elle era quase tão inconstante quanto Grimmjow, não podia saber se ela decidiria matar minha vó por causa da lenda, só pra me salvar. Não que isso fosse fazê-lo. – Pode me encontrar no Texas? Austin? Preciso de Tortillas. Chego em, no máximo, três horas. - e então pensei nas funções do carro que meu querido pai tinha me dado. – Talvez em uma. Você me achará.

Ela não precisou responder, apenas passei a mão na mensagem, murmurando um “amo você”, como sempre fazia e ela ignorava. Sabia que Anne estaria lá. Ela sempre estava.



Cheguei à Austin em menos tempo do que pensava. Embora o vento tenha me acordado por completa, comprei um café extra grande com minhas tortillas, indo para o Campo de Austin. Eu conhecia aquele lugar. Ou ao menos foram o que os boatos chegaram a mim. Anne e Charles haviam matado minha pequena irmã Sophie ali, sem dó nem piedade. Como uma fissura, fiquei olhando para o lago. As crianças brincando como se não houvesse nada realmente pra se preocupar, e, no mundo deles, não havia. Sempre há os semideuses para tudo concertar quando está prestes a desmoronar.
Aconcheguei-me, meio sentada encostada na árvore, bebericando o café. Esperando a minha querida irmã aparecer e me salvar daquela confusão.

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Re: Campo de Austin ♠Local Público Oficial♠

Mensagem por Helena J. Eickenberg em Qua 04 Dez 2013, 14:58




Want You in My Life


O breve som da fechadura destrancando-a acometeu um sorriso de satisfação no rosto da assassina, afinal, aquele truque com grampos de cabelo era tão fácil e por incrível que pareça, sempre funcionava. Seu novo vício? Biblioteca de Humboldt, Berlim, Alemanha. Se alguém visse onde realmente estava, com toda certeza se surpreenderia. O que uma garota como aquela estaria fazendo em meio a tantos livros? Não era filha de Atena, muito menos apegada a conhecimentos. Errado. Anne Elle gostava muito de ler, era de onde retirava muitas de suas estratégias e também determinava um passatempo calmo que não envolvesse sangue. Além de tais motivos, também se encaixava uma pesquisa em especial, pois procurava registros de sociedades antigas, até que encontrasse algo que sinalizasse sem a primeira família a se firmar na terra, para assim poder controlar o monstro preso em um cajado.

O pergaminho da mitologia nórdica, especificamente da Lenda do Cajado de Odin, estava escondido em meio aos documentos de valor da filha de Éolo, localizado no apartamento em Toronto, dentro de um baú a prova de fogo e mágico, ao qual apenas atende pela voz e sangue de sua dona, no caso, Annelle Delacourt. Ninguém descobriria facilmente o que a garota planejava para alcançar seu objetivo tão almejado, a grande vingança contra o deus Éolo. A única deusa que em algum momento poderia considerar tal motivo puro era sua mestra, Nêmesis.

Após subir até o majestoso e pouco frequentado último andar, levitou alguns livros da seção “Mitologia & Lendas & História de Civilizações Antigas”, despejando-os sobre uma grande mesa, atrás de estantes. A poeira que subiu ao movimento brusco identificou que estes não foram abertos ao menos há um ano. O cheiro não era convidativo, lembrava mofo de alguma forma e ao abri-los, deparou-se com páginas amareladas. Sorriu, satisfeita e sentou sobre as cadeiras, puxando um dos livros de mitologia grega. Folheou as páginas, pulando o que já sabia por experiência ou havia aprendido no Acampamento Meio-Sangue. Por horas ficou ali, puxando um livro por vez e lendo-os até a última página. Não sabia dizer quanto tempo demorara até a cabeça, já não mais absorvendo conhecimentos, caiu sobre uma das páginas amareladas e o sono ganhou, puxando-a para o mundo dos sonhos em uma velocidade extraordinária.

Uma voz que primeiramente pensou ser de seu sonho, a fez movimentar preguiçosamente, mas não a acordou. Porém, ao escutar “mortal”, um arrepio passou por sua espinha, alertando uma presença próxima. Ergueu a cabeça, enquanto deslizava a mão para próximo a bota e fazia menção de puxar a faca que escondia ali. A mão livre ajeitou as madeixas negras dos cabelos e depois esfregou rapidamente os olhos, focando a visão preguiçosamente para Luana Feither. Não foi difícil reconhecer que era apenas um holograma, afinal, a leve borda cristalizada do tal mostrava que era apenas uma projeção, fácil de reconhecer se olhar atentamente, desse modo não seria enganada por bobeiras. A assassina bufou e recostou-se na cadeira, soltando o cabo da faca sem nem mesmo puxá-la de seu esconderijo.

- Nada está fechado para mim. – Respondeu e como sempre, com um tom no mínimo ríspido. Sabendo obviamente que haveria um motivo por detrás de tal presença de sua irmã ali, arqueou a sobrancelha e continuou. – O que você quer, Feither?

A resposta não fora uma surpresa, mas mesmo assim, foi agradável. Os olhos antes frios e sem amoção, por um momento, adquiriu um brilho de satisfação. Gostava do fato de que aquela filha de Apolo sempre precisaria de Anne para algo e nunca realmente a deixaria de lado, esquecida, apenas um borrão em sua memória. O fato de que logo a encontraria, animou a vingadora, que prontamente levantou, arqueando as belas asas bicolores. Virou-se de costas, já caminhando em direção a janela fechada daquele último andar. Nick, seu grifo, a esperava sobre o telhado mais próximo, vigiando caso ameaças apareçam ou caso a sua dona precisasse de carona.

- Onde você está? – Disse, sabendo que a sua irmã não desligaria sem dizer a própria localização. Deu de ombros ao escutar a localização que desejava, mesmo desconfiando por um momento o fato dela não ter dito no mínimo onde estava. Perguntaria, mas não agora, estava com pressa. Sorriu, agradecida pelo fato de ainda estar de costas e Luana não poder ver aquele lapso de felicidade. – Eu sempre te encontro, você sabe disso. – Ao dizer isso, olhou para trás e suspirou, ela já havia desligado ou apagado a imagem, tanto faz.

Saltou do parapeito da janela, deixando-a aberta e antes de encontrar o chão, o grifo passou por baixo, fazendo-a cair por cima do mesmo. Segurou-se no pescoço dele apenas para ajeitar-se e sussurrou “Texas, Austin” para o mesmo. Sabia que ele encontraria o caminho rapidamente e logo estaria ali, devido a velocidade impressionante que aquele animal poderia adquirir em ar.

Não demorou mais do que três horas para avistar os arranha-céus da cidade, as casas, o mar e o verde da quantidade quase impressionante de árvores abaixo de si. Relembrou-se do Campo onde matara Edward, seu ex-namorado da época em que morava no acampamento e a namoradinha dele, coincidentemente irmã por parte de Apolo de Luana Feither. Todos sabiam desse fato, já tinha escutado milhares de vezes o que outros meio-sangues pensavam quando estavam indo para Texas, então obviamente, ciente desse acontecimento, Luana estaria esperando-a ali. Era típico do comportamento de sua irmã, passar um tempo em locais em que houve tragédias relacionadas com ela. Direcionou o grifo para tal localidade e pousou em um canto mais longínquo do campo Austin, onde não estivesse com muitas pessoas. Parou em uma Starbucks ali perto e pediu um expresso, logo caminhava novamente em direção ao campo segurando um copo de café. Bebericava ás vezes, sentindo o corpo responder aquele estimulo, ficando alerta cada vez mais. Respirou fundo, sentindo o odor característico da filha de Apolo, sol com sais de banho. Não sabia porque, mas sempre sentiu aquele cheiro proveniente de Luanna, portanto acostumou com isso e assim, era fácil localizá-la. Encontrou-a sentada encostada em uma árvore, também segurando um copo com café e perdida em pensamentos, como sempre.

- Remoendo o trágico acidente que aconteceu aqui tempos atrás? – Perguntou com sarcasmo, enquanto sentava ao lado da mesma e levava o copo aos lábios, bebericando o líquido de gosto forte.





# Post 001;
# Alemanha: Berlim; Biblioteca de Humboldt | EUA: Texas; Austin; Campo Austin;
# Interação: Luana Feither;
# Música: You – The Pretty Reckless;
# Vestindo:  Here
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Re: Campo de Austin ♠Local Público Oficial♠

Mensagem por Luana C. Feither em Qui 05 Dez 2013, 17:36

The Circumpunct

Nunca experimentei a sensação de se sonhar acordada, mas quando aconteceu eu não consegui desligar as imagens. Eu não tinha presenciado o acontecimento, entretanto minha mente pregava peças e imaginava cada detalhe dele. Anne e Charles chegando e matando Edward e sua namorada Sophie, consequentemente minha irmã. O sangue, os gritos, e Charles não esboçaria nenhum remorso. Anne dissera que ela só estava no lugar errado e na hora errada. E eu acreditava nela. E graças aos deuses, ela me despertou do sonho ruim.

Os passos não fizeram tanto barulho no gramado, mas eu conseguia por demais ser observadora. Poderia ser as outras pessoas que se divertiam ali, claro, porém era impossível eu não senti-la perto. Anne estava exatamente do mesmo jeito que na M.I. Ou seja, ela tinha vindo direto pra cá assim que chamei.

Eu esperei alguns minutos assim que ela se pronunciou. Sem querer. Eu simplesmente não conseguia falar nada. Havia estado em Austin depois da morte de Sophie e talvez, só talvez, a emoção estivesse me corrompendo porque eu me identificava com aquilo. A morte. Estava tão próxima que meu coração bombeava o sangue com mais força que o habitual. Sem demonstrar o medo e, torcendo para que Anne não estivesse ouvindo meus pensamentos, entreguei o grande e pesado livro à ela, abrindo-o com o dedo sem olhar. Estava marcado com uma caneta.

- Não sei do que você tá falando. Nada aconteceu aqui. – respondi, fechando os olhos. E aguardei.

Não sei se ela estava lendo lentamente, mas os minutos seguintes decorreram como séculos sem fim. E quando ela virou a página – a parte da lenda e de como as crianças eram marcadas para salvar o mundo – eu puxei a manga da minha camisa, mostrando meu pulso. Uma marca pequena, nada chamativo, mas que se olhasse de perto poderia ver um símbolo. Um circumponto. Também símbolo da Maçonaria, claro, mas significava bem mais do que isso. Era o local de onde haveria de começar o derramamento de sangue.

Meu local de morte.

- Se você está pensando no motivo de eu ter te chamado... – eu tentei olhar em seus olhos, sentindo meus olhos arderem. – Não foi pra dizer adeus. Estou indo viajar, tentar impedir que eles me alcancem até eu achar esse cajado idiota. E preciso que você venha comigo.

Soltei o ar junto com as palavras. O café não esfriava em minha mão, uma falta de controlo dos poderes por causa do nervosismo. Se eu continuasse assim, ele nunca esfriaria.

- Olha, tudo bem se você não for. Parecia ocupada quando eu... Liguei? - pisquei. Quatro anos e eu ainda não sabia como me referir à uma mensagem de íris. - Eu só achei que teria mais chances de sair viva caso você não quiser que eu morra. De qualquer forma, é só um pedido. Vou achar o artefato com ou sem você.
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Re: Campo de Austin ♠Local Público Oficial♠

Mensagem por Helena J. Eickenberg em Qui 05 Dez 2013, 21:04





Want You in My Life


Coincidência ou obra do destino? Eis a questão. Anne Elle, ao pegar o livro, começou a ler com uma rapidez quase anormal, afinal, depois de ter lido tantos livros em meses, estava mais do que acostumada. Reconheceu a passagem imediatamente, sobre o cajado de Odin, e tinha dias que estava procurando a primeira família fixa nessa terra. Encontrou, quando menos esperava. Nesse exato momento o maldito destino começou a arquitetar seu plano maligno e colocar as duas irmãs em uma encruzilhada. Sua estratégia era simples, sequestrar a menina da família e levar ao sacrifício, procurar as pedras. Agora estava realmente irritada e como manifestação disso, inconscientemente, a semideusa fez com que as nuvens carregadas formassem um véu negro no céu e seguidamente, raios e trovões cruzaram o manto. Não podia simplesmente matar Luana. Nunca faria isso. Seria incapaz.

Mas...

NÃO EXISTE MAS!

Logo, as engrenagens do cérebro da vingadora começaram a funcionar e o olhar da mesma tornou-se vago, ignorando quase completamente a presença de Luana Feither. Os viajantes estavam a procura do cajado para fins próprios, como Anne, mas eles não sabiam que a chave para todo o processo estava ao poder da filha de Éolo. Tinha Luana Feither, a descendente do sexo feminino necessário para o sacrifício. Não, não podia matar a única pessoa que realmente amava para completar sua vingança. Tudo o que fazia era protege-la, não iria simplesmente ignorar tudo que fizera por uma ambição. Poderia achar outro jeito. Ao menos que...

- Mágica. União. – Sussurrou e um sorriso sombrio abriu em seus lábios vermelhos carnudos. – Nós vamos juntas te tirar dessa. Eu tenho meus próprios interesses nisso. Por enquanto, não podemos partir em viagem. Você precisa ficar em Toronto. Eu posso lhe arrumar um apartamento. Logo, iremos vasculhar o ferro velho dos deuses. Precisamos de um artefato mágico que nos ligue espiritualmente, de uma forma tão profunda, que mesmo se você perder todo o sangue, ficará viva por tempo suficiente... O altar apenas precisa do seu sangue inteiro, mas não de sua morte. – A linha de pensamento deixava os dizeres confusos, mas pouco se importava, estava em meio a um raciocínio. – E mesmo que você fique longe, eu poderei sentir você e quando está em perigo. Eu sei que existe algum artefato assim, eu li em um livro. Era um sobre mitologia grega, uma lenda, mas pode ser verdadeira e se for, está obviamente no ferro velho do Olimpo. Parece loucura, mas eu não vou deixa-la morrer. Precisamos montar uma estratégia antes de pular em um penhasco. – Obviamente, tinha seus próprios interesses, mas temia falar e a filha de Apolo recuar.

Não lembrava realmente quais eram as consequências do uso do artefato, pois sempre havia os prós e contras, não era atoa que estava no ferro velho mais perigoso do mundo. Obviamente, havia mais história nisso do que podia lembrar, por isso precisava pesquisar mais. Puxou o braço da garota a fitou o símbolo, contornando-o com os dedos.






# Post 002;
# EUA: Texas; Austin; Campo Austin;
# Interação: Luana Feither;
# Música: You – The Pretty Reckless;
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Re: Campo de Austin ♠Local Público Oficial♠

Mensagem por Luana C. Feither em Sex 06 Dez 2013, 14:01

Change of Plans

Quando as nuvens começaram a se formar com uma tempestade, foi minha deixa pra estremecer. Como eu fora tão estúpida? Nenhum sentimento, no seu maior auge, faria Anne desistir de sua vingança contra os deuses. E com a lenda em suas mãos, ela tinha a oportunidade perfeita de dar um recomeço à ela. Olhei nos olhos frios dela, encarando o nada à sua frente, só pra perceber que ela estava tramando algo. E esse algo era a minha morte. Infelizmente, eu não tinha como ganhar dela em uma luta. Foi quando eu levantei, me afastando calmamente. Tentando não revelar o pavor que estava sentindo.

Não ousei pegar meu pingente celta – que se revelaria um arco ao meu toque – e como encontraria com ela, não havia tirado minhas armas do bagageiro do carro. Eu estava em péssima situação. Agora, Anne já não era mais minha irmã. Ela olharia para mim como uma presa, só um objeto a se destruir para alcançar o seu adorável destino.

Os trovões soaram mais fortes, o chão tremia e logo o Campo estava quase vazio. O frio não me afetava e o vento seria acolhedor se eu não soubesse que poderia ser jogado contra mim. Mas, felizmente, Anne sempre me surpreendia. E cada palavra que saiu dos seus lábios desmanchava a onda de terror que antes havia dentro de mim.

Eu quase esqueci dos boatos sobre Canadá. Quase.

- Por que Toronto? – indaguei enquanto ela falava palavras sem sentido, seu pausa. – Tenho parentes em Michigan, posso ir pra lá. E a menos que vampiros existam como o Drácula, não um meio de eu sair dessa além de fugir.

Ela continuou falando sobre seu plano e, embora eu estivesse aliviada de ela não ter se virado contra mim, não entendia nada que era dito. Então aquela pequena luz acendeu meu cérebro, revivendo a lenda que minha mãe contou a mim e Luke quando éramos menores. Sobre a garota Liah e como ela escapou da morte. E aquilo reviveu uma coisa há muito esquecida: esperança.

- Espera, espera. Poupe o seu fôlego, Anne. – ergui as mãos enquanto ela puxava meu pulso para ver o símbolo, seu toque foi um calmante. – Eu tenho um plano.

Fechei os olhos, tentando me concentrar e pensar na lenda que era contado à todas as crianças da família Feither. Era fácil. O colar pedido por Lia e seu amante para que pudessem continuar vivos mesmo quando o monstro fosse solto. Ele não fora utilizado, pois Lia o tirara antes de se matar em uma caverna próxima ao lugar que fora concebida. Delfos. É claro que com a mudança do poder da Grécia para os Estados Unidos, era possível que o Ferro Velho fosse a opção certa. Entretanto... A outra parte do colar ainda estava na família, o amante havia dado ao pai de Lia antes de recorrer ao suicídio, e eu sabia com quem estava.

O presente de Luke estava sempre enrolado no braço esquerdo, o contrário de onde ele costumava amarrar. Ele me dera uma semana antes da sua morte. Havia roubado de mamãe e achara-o interessante, achava que tinha interligação com a lenda de Lia. E estava certo. Suspirei e desenrolei-o, temerosa.

- O colar existe, mas é inútil sem a outra parte. – falei, entregando-o para minha irmã, segurando sua mão como se ela estivesse me puxando de um penhasco ao qual cairia a qualquer momento. – Podemos usá-lo para rastrear, mas... Eu não acho que seja uma boa idéia, além do mais, é mais fácil fugir. Mesmo se eles drenarem meu sangue, o monstro vai acordar, Anne! Eu não...

As palavras sumiram, a voz se perdeu no ar. Mais uma vez eu fitei os azuis olhos de Anne, buscando a verdade. Sim, ela mesma dissera. Havia um outro motivo, seu motivo próprio.

- Você quer reviver o monstro. – sussurrei, convicta, puxando o colar de volta e me afastando.
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Re: Campo de Austin ♠Local Público Oficial♠

Mensagem por Helena J. Eickenberg em Sab 07 Dez 2013, 01:36




Want You in My Life


Era um fato que uma hora ou outra, Luana Feither descobriria onde Anne estava vivendo. Toronto, Canadá. Hóspede de um filho de Apolo. Bem, não era apenas isso, porque costumava dormir no mesmo quarto que ele. Na mesma cama. Com ele. Não podia negar que os filhos do deus da perfeição perseguiam a assassina e despertavam algum desejo na mesma, eram o fruto proibido dela. E bom, tudo que é proibido, sempre seria mais divertido para Anne Elle. As palavras de sua irmã deixaram claro o desgosto que aquilo causara nela, mas sinceramente, isso não era o assunto foco. Alguma hora poderia conversar sobre isso com a pequena. Ou não. Sorriu, divertindo-se com o fato de que ela sempre tentava encontrar um humor naquelas situações, prova disso era a piadinha sem graça sobre Michigan.

Vampiros? Obvio que existiam. Não era atoa que a sua faca letal para semideuses e humanos era banhado em no sangue desses chupa-cabras. Porém, preferiu não comentar isso naquele momento, talvez fosse macabro demais o fato de que matava humanos usando apenas aquela lâmina, mesmo que ela soubesse disso.

Observou o olhar da filha de Apolo se intensificando e o fato de que ela parara repentinamente de falar, significava apenas uma coisa. Estava em pleno raciocínio. Devido a isso, concentrou-se nos pensamentos a sua volta e imediatamente, deslizou para dentro da mente de sua irmã, fechando imediatamente os olhos. Assim, seguiria mais facilmente a linha de pensamento estratégico dela. Recebeu imagens confusas primeiramente, mas logo depois começou a liga-las. O artefato existia, de fato. Porém, eram dois colares, um apenas não funcionava. Acompanhou as imagens de Liah, uma descendente de Luana, e seu amado. Ambos usando os colares pelo motivo certo, para sobreviverem juntos quando o monstro fosse solto. Era exatamente esse item que deveria achar. Não poderia estar longe. Se não estivesse no ferro velho do Olimpo, deveria seguir a história de vida de Liah, achar a tal caverna que ela jogara por perto o artefato e começar a busca por ali, que provavelmente demoraria anos. A menos que...

Luana Feither mudou imediatamente os pensamentos e agora raciocinava contra Anne Elle. Ela agora ligava os pontos, pois conhecia muito bem a filha de Éolo para perceber segundas ou primeiras intenções no assunto. Suspirou, irritada por ela ter descoberto. Sabia que não poderia esconder isso para sempre, mas pelo menos até ela... Ah, não sabia. Só não queria que a irmã a olhasse daquele modo acusativo e reprovador. Novamente suspirou, girando o colar entre  os dedos distraidamente. Um trovão ribombou e seguidamente, um raio iluminou o céu por poucos segundos. Odiava vê-la se afastando.

- Sim, eu disse que tenho meus interesses. Mas, como você deve saber muito bem, eu não quero destruir o mundo e reinar sobre os destroços ridículos do que sobrou, o que era o desejo ilógico de Cronos. Eu tenho uma vingança para completar e esse monstro será de bom uso. E eu não varia isso a custas de sua morte, ao menos se houvesse um jeito de você NÃO morrer. Depois, bom... Pensarei em um jeito de volta-lo para o cajado. – Disse calmamente e novamente, retomando a frieza cotidiana, Como se nada daquilo a incomodasse. – Mas bem, eu posso pensar em outra coisa. – Levantou-se teatralmente, como se simplesmente deixasse a proposta para trás e esticou as belas asas bicolores, pronta para alçar voo em pleno campo. Pouco ligava para a plateia.



Código:
Poder ativo;

Nível 10 ~ Leitura de mentes II

Você agora tem certo controle, podendo não escutar mentes. Porém, você não tem a capacidade de achar o que quer na mente da pessoa e sim ver o que ela pensa no momento.
Nível 12


Nível 12 ~ Aerocinese Avançada

Agora você pode controlar gigantes correntes de ar, podendo ser extremamente frias capaz de congelar o inimigo ou extremamente quentes. Com a junção de duas correntes vindas de direções opostas, você pode criar tempestade e também pode criar tufões e furacões. (A intensidade e tamanho do furacão e da tempestade depende de seu nível)




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Re: Campo de Austin ♠Local Público Oficial♠

Mensagem por Luana C. Feither em Seg 09 Dez 2013, 13:52

Just One Yesterday

I though of angels, choking on their halos.


Quando o trovão se chocou contra o chão, meu corpo acompanhou o chão no estremecer. Como o usual. O vento enfurecido açoitava meu corpo e, apesar dos meus poderes, eu senti o frio. Diferente de qualquer outro, aquela onda fria percorreu meu sangue até ser bombeada no meu coração e por alguns segundos, achei que aquilo o fosse congelar. Minha respiração ficou mais árdua de se prosseguir, meus pés ficaram tão pesados que eu não conseguia mais movê-los para longe de Anne Elle. Aquela que, vista de longe, parecia-se como um anjo bondoso e lindo, mas se você olhasse de perto – embora nada fosse perto o suficiente para enxergar quem ela realmente era – um ser fechado para sentimentos bons, deixando só sua maleficência. Um dia, aquele anjo tinha sido sufocada por suas auréolas. Entretanto aquele tempos já foram e aquela ali era sua pura essência.

Anything you say can and it will be held against you.


Suas palavras me atingiram como o trovão. Elas sempre eram proferidas em meus encontros Anne e sempre precedia o mesmo acontecimento: sua partida. Da primeira vez que as ouvi, estávamos no Túnel, rodeadas de monstros e seres primordiais, com Charles e Paolla em um embate de quase morte. Eu havia ficado tão assustada com a possibilidade de machucar Elle que preferi me suicidar ao ver isto acontecer. Ela me salvara, me colocara em um táxi e destruira Cronos.

So only say my name, it will be held against you.


E a segunda vez foi meu dia de humilhação. Depois de chorar e tentar mostrar que eu a amava, ela se foi e me deixou com aquela vontade de suicídio – outra vez. Charles me salvara e, consequentemente, o meu carro. E depois eu me revelara e fugira com Lucca para São Francisco. Voltei ao meu carro apenas por sua grande utilidade. E beleza, claro.
Então, agora que ela estava o fazendo outra vez, eu não ia fazer isso, certo? Tinha crescido e haveria lidar com as consequências mesmo sem ela. Iria dar um jeito de fugir, viver como nômade até quando pudesse aguentar. Talvez morrer em algum lugar onde os Viajantes não pudessem me encontrar e me usar para libertar o tão terrível monstro.

Errado.

Ok. Eu não ia fazer mais uma tentativa falha de morte, porém não iria fugir sem Anne. Eu tinha plena noção de que não teria chance alguma de ter uma vida longe dela. Não sou tão burra. E não queria ter uma meia vida por não ter corrido atrás da única chance que eu tinha. Pulei e segurei sua mão antes que ela alcançasse uma altura maior. Por um momento, quis que voltasse ao tempo em que eu era uma ingênua no acampamento meio-sangue em nossa primeira batalha lado a lado. Contra uma garota do Princesa Andrômeda, filha de Deimos. Nunca esqueceria. Aqueles sim era tempos felizes.

If heaven’s grief brings hell’s rain then I’d trade all my tomorrow for just one yesterday.


- Fica, mana... – foi quase um choramingo e eu me surpreendi por ver que a sensação de perde-la outra vez tivesse me atingido tão forte.  – Eu vou morrer sem você, sabe disso.
Funguei, largando seu braço, voltando para perto da árvore, sentando-me encolhida, abraçando minhas pernas. Eu estava com tanto medo assim? Ainda não tinha notado. Talvez a esperança tivesse me convencido de que tudo ficaria bem, entrementes a mera sensação de que tudo estava desandando, tinha me deixado fora de controle. O medo transbordava de dentro de mim.

- Seja lá o que você queira, eu sempre vou estar ao seu lado... Você devia saber disso. – eu abaixei a cabeça, fitando o gramado nivelado, evitando encontrar o olhar de pena dela. – Apenas não me peça para ir à Toronto, eu prefiro acreditar que os boatos são só boatos.

Puxei uma das gramíneas, girando-a nos dedos, como se fosse a coisa mais interessante no mundo a se fazer. Como se, em algum lugar, não houvessem pessoas arquitetando planos para me matar da forma mais dolorosa possível.

- Eu estarei contigo em qualquer lugar que for. Como no passado.

I know I’m bad news. But just one yesterday. I save it all for you.
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Re: Campo de Austin ♠Local Público Oficial♠

Mensagem por Helena J. Eickenberg em Seg 09 Dez 2013, 14:29





Want You in My Life



Aquele toque. Aquela voz. Aquele choramingo. Se fosse qualquer um, a assassina iria se ater a um riso sádico e continuaria a voar, mas aquela era Luana. Sua irmã, a única parte pura dentro de si. Sabia que ela não sobreviveria sem a sua ajuda, então mesmo que saísse dali, iria vigiá-la de longe e mataria qualquer ameaça que aparecesse por perto dela. Anne SEMPRE estava a espreita daquela filha de Apolo, era por isso que a mesma poucas vezes encontrava perigos, a morena sempre eliminava-os antes de representar qualquer ameaça para ela. A mão magra e macia segurava a filha de Éolo, para que esta não continuasse seu voo e implorava que ficasse, independente dos motivos.

E Anne Elle ficaria.

Porque independente de seus objetivos, a sua irmã estar em perigo despertava a parte materna da garota, que provavelmente não existiria se ela não tivesse conhecido a ingênua Feither no acampamento meio-sangue. Ela sentia necessidade de cuidar daquela pequena, pouco importava sua idade e suas habilidades, ainda era um pedaço frágil de porcelana que deveria ser lidado com extrema leveza.

Portanto, a vingadora tocou novamente os pés no chão, encolhendo as asas e observou as ações de Luana. Ela soltou a mão e voltou a sentar-se na árvore, porém desta vez estava tensa e encolhida, os olhos brilhavam em lágrimas á vir. Não resistiu nem mais por um segundo e se aproximou dela, sentando também ao lado e puxando-a para si. O braço envolveu-a pelos ombros enquanto o outro a trazia para perto. A abraçou com amor. O único jeito de trazer a tona sentimentos e carinho era quando aquela garota estava por perto. Ela era leve como uma pena, não sabia se era porque Anne era forte demais ou se porque Luana era pequena demais. Suspirou, mantendo-a no aconchego, enquanto estalava os dedos de uma mão e a tempestade cessava aos poucos. O vento cortante transformava-se em uma brisa agradável, porém gélida, os trovões e raios cessaram e só sobraram as nuvens pesadas ainda sobre o céu.

- Vá para Michigan, nos encontraremos todos os dias. Há detalhes a serem tratados antes de viajarmos. – Sussurrou, deixando claro de que a acompanharia. – Eu sempre a protegi, não será agora que vou parar.

Se alguém visse aquele comportamento da assassina, duvidaria de sua fama, porém naquele momento, a garota pouco se importava. Se alguém, por mais inocente que fosse as intenções, a atrapalhassem naquele momento, seria transformado em uma carcaça insignificante. Porque, apesar de amor ser uma fraqueza, também poderia significar força e resistência. E nesse caso, os últimos seriam a realidade atual.


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Re: Campo de Austin ♠Local Público Oficial♠

Mensagem por Luana C. Feither em Seg 09 Dez 2013, 15:39

Young Volcanoes

When Rome’s ruins, we are lions free of the coliseums.


Eu não olhei para ver se Anne Elle tinha ficado ou ignorado meu comportamento infantil – que sempre mudava quando ela estava por perto para uma criança de cinco anos – de modo que quando senti seu toque, meio que assustei. Independente da surpresa, a reação ao seu abraço fora imediata. Fazia quanto tempo desde que isso acontecera? Alguns meses, desde o episódio na fonte. Eu precisava aproveitar. Então a abracei igualmente forte, me permitindo chorar de verdade, como nunca antes. Não sabia que a sensação de perde-la traria tanto medo, mas logo soube o porque. Anne era a única coisa que ainda tinha depois de cinco anos de altos e baixos desde que chegara ao acampamento. Todos se foram, todos estavam vivendo em sua vida, presos em sua própria rotinas e vontade, enquanto eu estava com parada no passado.

In poison places, we are anti-venom. We are the beginning of the end.

Ali tinha sido meu momento pra sair dele e encarar que meus momentos felizes de campista haviam cessado. Era um novo começo que estava potencialmente destinado a ter um fim próximo. Mesmo assim, eu segurava a Anne como se o tempo pudesse parar e eu ficaria mais um pouco agarrada nela e ninguém poderia me fazer mal. Infelizmente, as coisas não poderiam acontecer assim. E se eu quisesse ter mais momentos como esse, teria que seguir o que a filha de Éolo dizia.
Tonight the foxes hunts the hounds, it’s all over now before it has begun.
Aos poucos, as lágrimas foram parando e eu afrouxando o aperto do meu abraço em Elle. A respiração regularizou e mesmo quando os trovões pararam e meu coração voltou a bater normalmente, eu não a larguei. Fiquei ouvindo sua voz tão suave, sussurrando. Estava seguro agora. Ela estaria ao meu lado.

So we already won.


Afastei-me, tentando não olhar diretamente pra ela, um pouco embaraçada pela cena anterior. Eu sabia que ela não ligava pro fato de eu agir como uma criança, mas isso não me impedia de sentir com vergonha. Tirei o chapéu preto da cabeça dela, tentando sorrir;

- Tudo bem, eu vou achar um lugar pra ir. – respondi. No fundo, ainda estava com medo da reação de minha irmã ao conhecer minha avó. E é claro que ela estava ouvindo minha mente. “Oi, mana, saia daqui”, pensei, estupidamente. – Todos os dias mesmo, certo? Eu posso achar novas informações a qualquer momento. Vou me esforçar pra encontrar tudo o que eu puder.

We are wild, we are like young volcanoes.
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Re: Campo de Austin ♠Local Público Oficial♠

Mensagem por Helena J. Eickenberg em Seg 09 Dez 2013, 16:26





Want You in My Life



Como uma mãe faria, apenas apertou Luana em seus braços, deixando-a chorar o quanto quisesse. Por estar dentro da mente da garota, sabia exatamente o porque dela estar fazendo um rio de lágrimas. Medo. Do que? Perder a assassina. Algo tão sem sentido como amar uma assassina, mas era isso, a vida das duas só fazia sentido quando estavam juntas. Do resto, ficavam perdidas. Qualquer um que olhasse, no mínimo se emocionaria com tal cena, mas pouco importava para a vingadora quem as espreitava, contando que não tivesse armas. Estava inserida em um mundo particular, onde só existiam as duas e nada mais pudesse atrapalhar. Suspirou, acariciando os cabelos castanhos escuros mechados em branco de modo a fazer com que ela percebesse sua presença e que logo se acalmasse. Dizia palavras como “calma, estou aqui, não sairei” ou “você está a salvo agora”.

Logo, Feither se afastou e mesmo sem ler a mente dela, era perceptível que estava no mínimo envergonhada pela cena. Riu baixo, divertindo-se com a situação. Deixou com que ela retirasse o chapéu de sua cabeça e logo uma brisa agitou as madeixas, bagunçando os cabelos negros. Arqueou a sobrancelhas, ao perceber que a vó da filha de Apolo estava relacionada com a história. Ficou curiosa e sorriu ao escuta-la reclamar em pensamentos com a plena noção de que a mente estava recebendo uma “visita”.

- Então pesquise, enquanto isso eu farei as minhas próprias investigações. Sabe que tenho meus... Contatos. – Disse, lembrando dos espiões apostos por um pedido de Anne. – Eu irei fazer os preparos para a viagem e você, colete as informações. Nossa próxima parada é o ferro velho do Olimpo. – Sorriu sombriamente, fitando os olhos castanhos de Luana. – Depois quero um relatório completo sobre sua vó, sei que teme a vida dela. Quero saber o por quê.


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Re: Campo de Austin ♠Local Público Oficial♠

Mensagem por Luana C. Feither em Seg 09 Dez 2013, 17:06

I forgot you fly

Um sorriso dela valia por tudo. Então eu balancei a cabeça, concordando com tudo e por fim me levantando do chão e sentindo o ar gélido preencher meus pulmões. Chega de lágrimas, era hora de agir. Ignorei, parcialmente, a curiosidade dela sobre minha vó. Até porque eu não sabia bem o que deveria temer, ou o que fazer pra remediar isso.

Sorri, erguendo minha mão para ajuda-la a se levantar. O chapéu dela ainda na minha cabeça. Eu meio que não queria tirar.

- Eu passarei informações todos os dias. – respondi, pensando em quantos livros empoeirados eu teria que tirar da prateleira e quantos remédios de alergia eu teria que tomar pra sobreviver a isso. – Quer uma carona? – então eu olhei para as asas e quase ri. Fora uma pergunta estúpida. – Desculpe, esqueci que você voa.

Eu dei meu melhor meio sorriso. Queria vê-la partir antes de pegar o carro e voltar ao chalé maravilhoso de Mel.
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Re: Campo de Austin ♠Local Público Oficial♠

Mensagem por Helena J. Eickenberg em Seg 09 Dez 2013, 18:05




Want You in My Life




O simples gesto de ignorar a pergunta de Elle, a fez ficar ainda mais curiosa quanto a ela. Será que aquela avó representava algum tipo de perigo para Luana? Arqueou a sobrancelha, incomodada com aquilo, afinal, precisava proteger a filha de Apolo agora mais do que nunca. Viajantes e outros perigos se espreitavam e logo que descobrissem que ela era quem eles tanto queriam, tudo iria se agitar e seria um completo e agradável banho de sangue. Sorriu sombriamente, apenas por imaginar as cenas macabras em sua mente psicótica.

Agora que já tinha os meios de alcançar seu destino, só lhe faltava o empurrãozinho necessário para o começo da jornada, que seria descobrir tudo sobre os colares de Liah. Logo, estariam em uma missão por si sós que seria no mínimo, de um perigo extremo. Luana estava sendo caçada, então por enquanto eram as presas, mas logo Anne Elle inverteria as posições e passariam e ser predadoras. Afinal, não podiam fugir para sempre, precisavam de uma armadilha para esses viajantes e quanto mais rápido eliminar essa ameaça, mais perto estarão do cajado de Odin. Uma linha de raciocínio estratégica, era assim que deveria funcionar daqui em diante.

Aceitou a mão para levantar-se e sorriu, levando uma mão a uma madeixa que caia sobre os rosto dela. Observou que ela ainda estava com seu chapéu preto, por isso tocou nele, porém não o retirou. Ia recusar a carona, mas ela logo lembrou que a vingadora tinha seus próprios meios para chegar em casa.

- Não me leve a mal, mas eu prefiro ir pelo ar. Não sou muito fã desses automóveis, são muito... Fechados. Limitantes. – Reclamou como se fosse uma humana qualquer reclamando de muita poluição. Luana a conhecia, então provavelmente lembrava que qualquer lugar que fosse muito fechado, era no mínimo desagradável para Anne. – Ah, e pode ficar com meu chapéu, percebi que gostou dele. – Sorriu e deu uma batidinha de leve sobre o acessório, fazendo-o cair para o lado, ficando meio torto. – Quando chegar em Michigan e onde vai se hospedar, entre em contato comigo e me mande o endereço. Mantenha sempre a janela do seu quarto aberta, eu posso aparecer a qualquer hora.

Virou-se de costas e correu com uma velocidade incrível, típico de uma cria do deus dos ventos. Com um impulso sobre a grama, esticou as asas e agitou-as. Logo, estava a uma altura razoável, sobre as nuvens onde a visibilidade para a vingadora era melhor. As asas bicolores batiam majestosamente e esticavam para planar e a garota sentia o vento a castigar lhe o rosto e as peles. Por mais desagradável que fosse para qualquer prole dos outros deuses, para essa em especial era gostoso, fazia sentir-se viva e leve. Suspirou, aliviada por finalmente ter quem queria por perto. Tinham uma missão em comum e devido a isso, seriam completamente inseparáveis daqui em diante. Um sorriso satisfeito cruzou os lábios dela, quase nunca visto por qualquer um. Era felicidade e talvez, uma leve pitada de esperança. Voava para seu destino, onde era seu lar, ao lado de Dammyen Lewth. Canadá, Toronto.


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Re: Campo de Austin ♠Local Público Oficial♠

Mensagem por Luana C. Feither em Ter 10 Dez 2013, 19:58

Love You, Sister

O vento ainda me açoitava, mas depois de um tempo, acostumei a ele. E então ela se aproximou para tocar o chapéu e, como eu imaginei que ela o retomaria para si, abaixei a cabeça. Felizmente isso não aconteceu. Fitei o sorriso dela, imaginando como eu conseguira viver tanto tempo sem ela. Ela havia substituído Charles ou quem quer que fosse, era minha família. “E está morando com outra pessoa, dando atenção a outra pessoa, sendo família de outra pessoa, menina iludida”, o pensamento veio a mente quase sem querer. Era preferível a mim não pensar nisso, iria me magoar de qualquer jeito.

E pela sua expressão e fala, nós quase parecíamos irmãs normais, nos divertindo no campo. Eu guardei o colar no bolso enquanto ela falava comigo e eu sorria como uma idiota. Ajeitei a mecha branca atrás da orelha quando o chapéu se inclinou ao lado.

- Tudo bem... Eu vou esperar você lá. – sorri, meio desconfortável. – A porta estará aberta.

Assisti ela se impulsionar e exibir suas exuberantes asas, indo para longe. Murmurei, mentalmente um outro “amo você”. Porque eu sabia que ela não escutaria. Girei a chave no dedo indicador, recolhendo o grande livro dos Feither do gramado, retirando-me do Campo. A viagem para casa não foi tão longa e assim que eu cheguei, deixei a janela aberta.
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