Percy Jackson e os Olimpianos RPG BR
Bem vindo ao maior fórum de RPG de Percy Jackson do Brasil.

Já possui conta? Faça o LOGIN.
Não possui ainda? Registre-se e experimente a vida de meio-sangue.

Teste para filhos de Hades

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Teste para filhos de Hades

Mensagem por ♦ Eos em Dom 14 Jul 2013, 18:53

Teste para filhos de Hades


Aqui devem ser postados todos os testes para os concorrentes a filhos de Hades deste mês. As postagens podem ser realizadas até as 23h59min do dia 21 do mês corrente. Postagens após o prazo serão desconsideradas. Resultado no primeiro dia do mês seguinte.

Vejam as regras completas aqui [clique]

Boa sorte, campistas!


Thanks, Dricca - Terra de Ninguém
♦ Eos
Administradores
Mensagens :
1421

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Teste para filhos de Hades

Mensagem por Olivia Skyller em Ter 15 Jul 2014, 02:40


Teste para filho de Hades


Características físicas:

Pela criação maltratada que sempre sofreu, Willian possui um corpo magro e pele pálida. Seus olhos possuem olheiras profundas e seu olho fundo demonstra que o rapaz não se alimenta com fartura. Dono de cabelos negros e mal cortados, sua estatura é mediana, possuindo 1,73 de altura. Sua boca não possui vermelhidão, sendo quase da coloração exata de sua pele. Pessoas que olhem o rapaz pela primeira vez, certamente lamentam pela sua aparência sofrida e anêmica, alguns poderiam até dizer que ele é um mendigo bem vestido e higienizado. Em eu corpo, pode ser encontrado oito tatuagens que demarcam o tempo que o rapaz esteve preso, por sorte sendo elas todas possíveis de serem tampadas por roupas comuns, desde que o rapaz não use regata.

Características psicológicas:

Willian desde pequeno foi tratado como um prisioneiro, sendo muitas vezes que uma boa educação fora abnegado ao rapaz, que basicamente aprendeu tudo o que sabe com seus parentes e livros. Bastante frio e calculista, não é comum que o Malevik abra sua boca para jogar conversa fora ou fazer comentários inoportunos, sendo que cada uma de suas falas é totalmente pensada. Por mais que possua uma visão negativa da vida, e que por ter sido preso aprendeu a não ter piedade; ações como o florescer de uma planta e um sorriso juvenil confundem Willian, de modo que o rapaz no fundo ainda possui um pouco de esperança de um dia poder ver a beleza da vida.

Historia do personagem


Nascido em 1991 em um local da Pensilvânia, minha vida sempre foi recheada e adornada de mistérios. EU não era um bebê comum. Filho de Anastacia Malevik, meus primeiros anos de vida foram cercados de luxo e riquezas. Minha família era um tanto quanto rica, alguns diziam que nossa linhagem era um tanto quanto extensa, sendo que constantemente éramos tidos como descendentes de um dos filhos do Conde Drácula.

A Romênia não é um lugar ruim para se viver, a menos que você more, assim como eu, em um castelo antiquado em um vilarejo distante. Quando completei três anos e meio de idade, minha mãe se casou com Rodolph Campelo, filho mais velho de uma das famílias de classe media alta do vilarejo. Pela rixa que as duas famílias possuíam, uma grande briga ocorreu em minha família; sendo que grande parte de meus tios e primos se mudaram para outros lugares do mundo, e alguns até mesmo faleceram e desapareceram sem explicação alguma, ficando com o tempo apenas eu, minha mãe e meu padrasto no castelo.

Meu nascimento tinha como acompanhamento um conto. Diziam que minha mãe estava desesperada para impedir a morte de seu pai; de modo que com a ajuda de uma “velha bruxa” e tia de Rodolph, minha progenitora tinha feito um ritual. Nesse ritual muitos diziam que minha mãe tinha se encontrado com um demônio, que por sua vez tinha pedido uma relação sexual em troca de garantir mais alguns anos de longevidade ao meu avô.

Misteriosamente, de fato Willian Malevik Kroon viveu por mais um longo ano; até mesmo chegou a me conhecer, o bebê que diziam ter sido fruto da relação de uma humana com o próprio demônio. Obviamente minha mãe sempre negou tamanhas acusações, como algo como aquilo poderia ser verdade? Infelizmente em um vilarejo como aquele, contos e lendas sempre são tidos como verdadeiros.

Cego pelo fato de “ser” padrasto de um “demoniozinho”, meu padrasto de alguma forma fez com que minha mãe tivesse vergonha de mim, e que o deixasse tomar suas próprias medidas educacionais perante a mim. Como consequência disso, acabei passando os demais anos de minha vida trancafiado, sendo alimentado com sobras e comidas que o casal já não mais usaria. Sempre existia alguma desculpa para que os cidadãos do vilarejo não se importassem com meu sumiço. Em momentos diziam que eu estava a morar na casa de uma tia, já em outros quando eu era mais rapaz, diziam que eu estava estudando fora do país.

Infelizmente apenas quando completei dezoito anos recebi minha liberdade, já não conseguiam mais me torturar e prender, de modo que apenas disseram que eu não deveria contar a ninguém sobre as torturas, ou caso contrario a morte era o que me aguardaria. Encontrando um refugio mais familiar na paróquia de padre Benedito; acabei sendo adotado pelo homem, claro que com o compromisso de um dia seguir seus passos e ensinamentos.

Poucos antes que pudesse chegar à metade de meus estudos; um dia enquanto comprava frutas para o padre, avistei minha mãe e Rodolph se aproximarem de mim. Uma breve discussão e agressão física em meu rosto; marcaram aquele encontro como “o primeiro encontro de uma família feliz e sorridente”. Enquanto minha mãe chorava e era puxada por meu padrasto, uma confusão se formava. Uma escuridão estranha e envolvente tomava conta do céu, nem mesmo a lua podia mais ser vista. O vento assoprava com força meus cabelos, e logo após eu dar três passos em direção a meus familiares, uma explosão em seu carro acontece, de modo que ambos foram lançados para longe.

A confusão aumentou ainda mais. Com todos os cidadãos chocados, assustados e curiosos pelo acidente ocorrido; eu mal conseguia processar tudo o que estava a ocorrer. Vendo o corpo de Rodolph em um canto, jogado e sendo esquecido; lentamente me aproximei. Enquanto todos estavam com suas atenções voltadas para o carro, abaixei para verificar o estado em que ele se encontrava. Meu queixo caiu ao ver o estado real de meu padrasto. Seu corpo além de ter recebido os machucados da queda, tinha sido esfaqueado inúmeras vezes, o homem estava sangrando igual porco. Ao lado do corpo, um punhal rústico pendia ensanguentado sobre o solo, sem duvida alguma era a arma do crime. Segurando a arma em minhas mãos, não sabia exatamente o que fazer, até que uma voz me despertou. – Vejam, olhem isso. É ele! Criminoso! Assassino! Filho do diabo! Eu não conseguia entender o que estava acontecendo, de repente uma multidão de pessoas estavam indo em minha direção; apontando lanternas para meu rosto e ditando ofensas e palavrões para mim.

Policiais locais aproximaram e tentaram deter a multidão enfurecida, enquanto eu conseguia ver os olhos de padre Benedito ao longe. O delegado do distrito policial do vilarejo se aproximava, e enquanto todos se horrorizavam, eu mal sabia o que estava acontecendo e era levado até a delegacia. Acabei ficando em uma cela provisória, enquanto o delegado ouvia cidadãos que estavam presentes na hora do acidente, o homem chegou até mesmo a ouvir o que Benedito tinha para falar. Após todos testemunharem, dois policiais me levaram até seu delegado, que continha uma expressão de terror em seu semblante. – Sinto muito rapaz, mas seu passado... o padre nos contou o que aquele homem fazia a você. Por um momento senti como se a boca de meu estômago estivesse sendo esmurrada. Poucos dias depois de começar seus estudos com o padre, tinha contado a ele toda a minha historia de vida, incluindo o modo como tinha sido criado pelos meus familiares. – Isso não justifica esse crime. Sua mãe... meu Deus, até mesmo sua mãe você teve coragem. Não temos outra escolha Will, você será detido até que possamos fazer seu julgamento.

Os dias pareciam passar lentamente, certo que eu já estava acostumado a ser preso e esquecido, mas pensava que aquela fase já tinha ficado para trás. Apenas um mês e três semanas e meia depois do ocorrido, meu julgamento de fato foi marcado. Todo o vilarejo compareceu no local, o juiz seria um dos tios de Rodolph, certamente aquilo não seria bom para mim. O defensor publico que me “defenderia” no caso parecia não se importar se eu pegasse pena máxima, alias naquela cidade eu duvidava que alguém se importaria. Acredito que aquele era o julgamento mais rápido da historia. Após terem ouvido apenas cinco testemunhas, o juiz decretara que eu deveria cumprir pena de 12 anos e seria transferido para uma penitenciaria de segurança máxima localizada na Irlanda.

Todos pareciam dar graças a Deus pelo resultado de meu julgamento, a família Campelo em especial ficaria ainda com todas as propriedades de minha família que a cada dia mais estava desaparecida; enquanto eu mesmo não sabendo corretamente, estava sendo lançado diretamente na boca do “inferno”. Dois dias após o registro de minha pena, forças policiais especiais me levaram até o meu covil, esperava apenas que ao sair de lá ainda me lembrasse de como era bom andar livremente.

[...]

Os anos se passaram lentamente. A penitenciaria máxima onde estava cumprindo com minha pena, localizava-se em algum lugar da costa irlandesa, o odor salgado do mar todos os dias preenchia minhas narinas com o frescor da umidade, mas durante as noites quase faziam com que eu sofresse uma hipotermia graças ao frio. Durante minha estadia naquele local, meu corpo tinha sofrido marcas demonstrando minha sobrevivência naquele buraco, cada tatuagem demonstrava o quão influente ficava a cada dia naquele lugar, naquele momento já conseguia contar oito desenhos e sinais pelo meu corpo. Sozinho, precisei aprender a me defender, apesar de que os presos por alguma razão sempre pareceram me temer, o que garantiu um isolamento ainda maior; mal conseguia me aproximar de um daqueles homens para conversar.

Eu era o mais novo em todo aquele lugar, estava prestes a completar vinte e três anos de idade e para não enlouquecer de vez, estava prestes a dar um presente para mim mesmo. Alguns presos de alta periculosidade estavam organizando um motim e uma fuga da prisão. Graças aos meus contatos estava sabendo exatamente de seus planos, aquela era a única oportunidade de saída daquele lugar, pois algo me dizia que meu corpo e minha mente não aguentariam mais oito anos se eu continuasse preso, vivendo diariamente em um cubículo de vinte e cinco metros quadrados.

Dois dias após o meu aniversario, a lua estava radiante e sublime no céu, o mar parecia um tanto quanto bravo e as constelações emergiam como bússolas na escuridão; parecia que a própria natureza sabia do que faríamos, parecia que estavam querendo nos guiar para longe dali, mesmo que talvez alguns não merecessem. Eu era apenas um inocente em meio aos bandidos, um inocente que por pura sorte e ousadia tinha conseguido sobreviver na jaula daqueles leões famintos.

Eu não iria ousar fazer parte daquele esquema sujo, apenas desejava ser rápido e esperto o suficiente para aproveitar a oportunidade que teria. O relógio do corredor demarcava quinze minutos para a meia-noite, o horário exato da troca de guardas, e também o horário em que o circo começaria a pegar fogo. Comandados por Samuel Salvatore, italiano e chefe de uma das famílias mafiosas de Veneza; um grupo de presidiários foi solto graças a um carcereiro corrupto que também tinha conseguido algumas armas para os rebeldes. Em poucos minutos toda a confusão tinha se espalhado, guardas e bandidos trocavam agressões, em meio aquela batalha o fedor fétido da morte se alastrava pelos corredores.

Aproveitei a deixa para colocar meu plano pessoal em pratica. Há dias tinha conseguido que um traficante holandês me desse uma chave de fenda, em troca é claro de toda a minha refeição noturna durante uma semana; odiava aqueles gordos mas pelo menos aquele poderia de certa forma ter garantido minha fuga. Usando a chave de fenda para forçar a cela e destruir o controle digital que me mantinha trancado naquele cubículo; me via livre como talvez nunca estivesse sido verdadeiramente.

Correndo o mais rápido que conseguia em direção contraria a confusão, notei que o bando de Salvatore já tinha obtido parte de seu sucesso, as grades já estavam todas destrancadas pelo comando digital dado pela sala de segurança, aos poucos todo o presídio estava sendo dominado. Já estava no pátio principal quando ouvi o barulho dos primeiros tiros, pelo visto nenhum dos dois lados estava a fim de brincar. Tentando me esconder por entre as sombras, as luzes dos holofotes de busca eram um empecilho grande para minha agilidade, de modo que acabei gastando mais tempo do que desejava para conseguir me aproximar dos muros de contenção. Antes que eu pudesse escala-lo, ouvi o barulho de um tiro e um baque surdo logo atrás de mim, um dos prisioneiros tinha sido acertado logo em minha retaguarda, começando a sangrar medonhamente no chão.

Tinha certeza que possivelmente eu era o próximo, e colocando minhas mãos e braços a frente de meu rosto; fechei meus olhos temendo que aquele fosse o minuto final de minha vida. Ao ouvir outro baque surdo, acabei me perguntando se a sensação de morte era realmente aquela, indolor e calma. Ousando abrir meus olhos, tateei meu corpo sem acreditar; eu estava intacto e ileso. A poucos metros de minha frente, um dos guardas estava caído e com a cabeça sangrando, tinha sido acertado misteriosamente por uma pedra mediana. O buraco da pedra no muro me fez assustar, como aquela pedra poderia ter saído dali daquela maneira? Felizmente aquilo não seria problema meu. Impulsionando meu corpo para cima, comecei a escalar lentamente o muro de contenção feito de pedra, infelizmente a minha noite não estava sendo totalmente de sorte.

Chegando ao alto do muro, senti uma luz me iluminar, era um daqueles malditos holofotes. Abaixo de mim apenas uma escuridão indômita parecia existir; conseguia ouvir o barulho das ondas batendo com força nos muros e pedreira, sabia que ali em minha frente estava não apenas o mar, mas um mergulho para a morte. Estava me sentindo burro por não ter pensado sobre aquilo, não teria mais maneira alguma de escapar, eu deveria escolher entre o suicídio ou o aprisionamento. Antes que pudesse fazer minha escolha, um tiro cortou o céu, a bala que estava endereçada a mim, acertou minha coxa direita, fazendo com que o impacto jogasse meu corpo para dentro da escuridão, tudo estava acabado.

Sentia o vento litorâneo acariciar meu corpo em um abraço gélido e mortal, não sabia como a morte era e também não deveria ter tanta pressa para descobrir, já que segundos era o que eu tinha de vida. Fleches sobre minha infância passaram sobre minha mente, será que de fato eu era filho do demônio? Talvez só aquele fato explicasse a vida infernal que tinha tido. Meu corpo conseguia sentir aos poucos a temperatura congelante de minha sepultura aquosa, que fosse assim o modo como Willian Malevik, o filho do capiroto morresse.

Entretanto, antes que eu pudesse abraçar a morte, algo agarrou o tecido de meu macacão e um de meus ombros, quando pude perceber eu estava voando. Perguntava para mim mesmo se estava ficando louco. Não conseguia imaginar o que estava acontecendo, e sentindo minha coxa ardendo e empapada de sangue, acabei desmaiando em meio a aquela estranha sensação que provavelmente poderia apenas ser delirante.

[...]

Ao acordar e conseguir abrir meus olhos, estava deitado sobre vários caixotes enormes, e apenas conseguia ver borrões em meio aquela claridade cegante. Mal entendia o que aqueles seres cochichavam, assim como não estava a entender nada, como eu poderia ter sobrevivido? Focalizando melhor os seres ao meu redor, consegui perceber que eram homens, talvez russos ou turcos, mas eram homens. Estava me sentindo um pouco aliviado, mas ao tentar me mexer, senti uma dor perfurar minha coxa esquerda; ela estava enfaixada. Lembrava-me do tiro que tinha tomado, lembrava da noite passada (?) em que tinha conseguido fugir da penitenciaria (?). Antes que eu pudesse tentar dizer algo, um garoto de aparentemente treze ou quatorze anos de idade, passou por entre todos os outros homens. – Você fala a minha língua, não é mesmo? Ainda não estava entendendo muito bem o que acontecia, mas tinha conseguido entender o que o garoto dizia. Antes que eu pudesse abrir minha boca para falar, o garoto sorriu. – Meu nome é Ralph Skarvin, fui criado na Romênia apesar da família do meu pai ser russa. Aquele garoto parecia contente com aquela situação, esbanjava um sorriso largo de ponta a ponta de seu rosto. – Eu... Colocando seu dedo indicador em minha boca, Ralph se aproximou um pouco mais. – Guarde suas forças marujo, precisará dela quando estiver conseguindo andar, bem-vindo a bordo. Antes que eu pudesse tentar questionar algo, o menino sumiu com a mesma facilidade em que tinha aparecido, deixando-me aos cuidados dos demais homens.

Os dias não demoraram a passar, eu já conseguia me mover como antes, e não sei se era por não conhecerem meu idioma, ou talvez por não terem um interesse tão grande; mas em momento algum a tripulação daquele navio tinha perguntado quem eu era, de onde eu vinha ou como tinha chegado até eles; confesso que aquilo era um enigma até para mim. Segundo Ralph, eu agora era tripulante de um navio russo cargueiro. Estávamos nos dirigindo para a costa de Nova Iorque, aonde deveríamos entregar todos os contêineres em segurança.

Aquele garoto era realmente um bom amigo. Além de me fazer companhia, estava como podia me ensinado um pouco de inglês, mesmo que apenas o suficiente para eu sobreviver em meio a América. O garoto ainda tinha me contado um pouco de sua historia, era filho do capitão da embarcação; nascido na Romênia e criado na Rússia sendo que já fazia cinco anos que trabalhava junto de seu pai, orgulho era o que não faltava em seus olhos e por instantes senti inveja.

Quando estávamos a um dia de navegação para chegar ao porto de Nova Iorque - Nova Jersey, o dia se transformou em uma noite tempestuosa. Raios e trovões cortaram os céus à medida que o mar se agitava e as ondas ficavam perigosamente grandes. A tormenta nos assolou, de modo que por sorte o navio não foi feito em dois. Água invadiu o convés principal, marinheiros rezavam pelas suas vidas e a morte parecia que nos abraçaria. Antes que um perigo maior pudesse nos atormentar, como uma brisa de vento a tempestade se extirpou, as ondas acalmaram e os céus pararam com o ranger elétrico.

O restante da viajem foi um tanto quanto tranquilo, de modo que pela manhã chegamos ao porto. Gaivotas e o cheiro de peixe caracterizaram nossa chegada, a manhã nos dava boas-vindas á cidade e vários contêineres e outros navios podiam ser vistos. Dei graças a Deus ao desembarcar, não aguentava mais estar em alto mar, a terra era o meu lugar e meu corpo concordava completamente com aquilo.

Aquele era o momento de me despedir do restante da tripulação. Agora com minha perna totalmente curada, roupas novas e alguns calos nas mãos de tanto limpar o convés, não poderia pagar de forma alguma pelo tanto que eles tinham me ajudado; apenas é claro tendo uma nova vida como me pedirá Ralph. Eu não fazia ideia o que fazer agora que estava nos Estados Unidos; apenas tinha em meus bolsos alguns dólares dados pelo capitão do navio, e um bilhete com um endereço no qual um amigo deles poderia me hospedar.

Pegando um táxi, mostrei ao motorista em qual endereço ele teria que me deixar, os dólares mal davam para pagar aquele veiculo, restaria para mim apenas três dólares em meus bolsos. Não era sentimental e a tempos achava ter perdido o ato de sentir emoções, se é que um dia eu tinha conseguido sentir. Mas naquele momento algo estranho dentro de mim fazia meu estômago revirar. Talvez pesar por deixa-los, medo do desconhecido ou por estar agora sozinho em um lugar aonde mal sabia falar a língua nativa. O que importava era que eu deveria seguir, olhar para frente e fazer daquela oportunidade um recomeço.

[...]

Ao chegar ao endereço correto, o táxi freou e encostou ao lado de uma banca de jornal. Estava a poucos metros de uma estação de metro. O lugar era um tanto quanto mal acabado, mendigos podiam ser vistos nas ruas, ladrãozinhos espreitavam sua próxima vitima e pessoas humildes andavam pelas ruas. Estava de frente a um prédio antigo, não sabia quem morava naquele lugar, apenas tinha certeza de que não seria alguém que tivesse uma boa instrução social. Antes que pudesse adentrar ao edifício, um barulho em um beco me chamou a atenção. Deveria ser um idiota de ir ver o que era, no mínimo merecia ser assaltado ou tomar uma surra pela minha ingenuidade, mas felizmente não era nada daquilo que aconteceria.

Um estranho ser estava se levantando em meio a latas de lixo, ao que parecia era alguma espécie de mulher com asas e garras, um monstrengo que apenas deveria ser prova de que o tempo em alto mar não tinha me feito bem. O ser estranho (uma fúria) vinha em minha direção, parecia um pouco cansado mas ao mesmo tempo contente, se é que aquele ser conseguia sentir algo como a felicidade. – Até que enfim, já estava pensando que aquela lata velha não iria mais parar. Minhas asas... Esfreguei a minha mão sobre meus olhos. A mulher ave estava falando algo, aquele bicho horrendo estava tentando começar um dialogo comigo. – Mas o que? Quem e o que é você? Meus olhos estavam esbugalhados, não possuía nada para me proteger contra aquilo, estava indefeso na frente de um inimigo estranho.

Por instinto, agarrei a tampa de uma das latas de lixo, talvez caso fosse preciso poderia usar aquilo em uma luta. Parando diante de mim, a monstra bateu suas asas como se quisesse ajeita-las. – Eu sou uma das servas de seu pai, alias sou a mais bela das fúrias ao seu dispor. As asas que se assemelhavam com as de morcego balançavam, enquanto o ser fazia uma reverencia para mim. Se aquilo era a fúria mais bonita, não queria em hipótese alguma conhecer a mais feia. – Achei que nunca chegaria, já estava fazendo tanto tempo que eu tinha deixado você naquele navio... uma péssima ideia é verdade, aposto que Zeus e principalmente Poseidon não ficaram nada felizes, infelizmente era a única forma de conseguir trazê-lo até Nova Iorque. De fato eu apenas poderia estar enlouquecendo. Quem eram aquelas pessoas que ela citava? Zeus e Poseidon, talvez diretores do presídio em que eu estava preso a alguns dias atrás?  Não fazia ideia e para piorar minha situação, ao que parecia era aquilo quem tinha me deixado no navio e salvado a minha vida. – Desculpe, deve ter me confundido com alguém. A fúria bateu uma de suas mãos sobre sua cabeça horrenda, parecendo não acreditar que tinha ouvido minhas palavras. – Burro igual o pai. Imediatamente uma cratera foi aberta perto dos pés do monstro, obrigando-a a erguer voo. – Era brincadeira. De sua boca ainda saíram palavras que pareciam maldições, a língua era um tanto quanto diferente mas para a minha surpresa eu a entendia (em grego).

Se recompondo, a fúria aproximava um pouco mais de mim, parecendo querer ficar o mais distante possível da cratera que agora se fechava misteriosamente. – Enfim, estou aqui para levar você até ao acampamento, espero que esteja preparado. Batia na minha cabeça e piscava meus olhos o mais rápido que conseguia, talvez aquilo tudo tinha sido um sonho, só poderia ser aquilo. – Acampamento? Antes que eu pudesse obter respostas, o monstro abriu suas asas e começou a voar, deixando minhas palavras ignoradas ao vento. Sem ver mais nenhuma alternativa, comecei a correr atrás dela, conseguindo acompanhar seu voo já que ela parecia não fazer esforço algum para me deixar para trás. As pessoas na rua olhavam para mim com uma cara engraçada, provavelmente eles me achavam loucos, principalmente por que por algum motivo eles pareciam não ver a fúria, pelo menos não da mesma maneira que eu a via.


[...]

Minhas pernas já estavam cansadas, começavam a ficar doloridas pelo extenso caminho que tinha percorrido. Estávamos em algum lugar desértico, apenas campos agrícolas e rodovias podiam ser vistas no local. Desejava parar, sentia que se caminhasse um pouco mais meus pés começariam a sangrar, mas a fúria não me dava descanso algum, no máximo diminuía sua velocidade para que eu pudesse andar. De repente a mulher alada parou, pousando em um canto da rodovia. Dei graças a Deus por enfim poder descansar, ou pelo menos era o que eu pensava que faria. Antes que pudéssemos conversar, um homem que estava encostado em uma árvore pareceu nos encarar, dando um sorriso malicioso em seu rosto. Ele era um tanto quanto grande e careca, sua aparência era horrenda e certamente boa coisa ele não queria.

Antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, o homem começou a caminhar em nossa direção, e quanto mais ele se aproximava eu notava qual era de fato sua verdadeira aparência. Aquele grotesco homem possuía apenas um olho em sua face, usava roupas imundas de aparência nojenta, e carregava em suas mãos um pesado galho de árvore. Eu não conseguiria correr, duvidava que até mesmo conseguiria lutar contra aquele ser, provavelmente aquele era o momento de minha morte.

Antes que o monstro pudesse se aproximar o suficiente para me golpear, a fúria pareceu reagir, voando a seu encontro e fazendo com que em suas mãos surgisse um chicote negro cercado por labaredas de fogo vermelho. Fiquei boquiaberto sem saber o que fazer, até ouvir a voz esganiçada de minha “guia”, dizendo que eu deveria correr enquanto era a tempo, que em meio a aquelas árvores e colinas eu encontraria um novo lar seguro. Não pensei em contestar, ambos os monstros começaram a brigar entre si, talvez nem ao menos eu teria tempo o suficiente para pensar, então minhas pernas começaram a se mover praticamente sozinhas, eu estava correndo entre as árvores e vegetações sem nem ao menos saber exatamente para aonde. Antes eu pudesse saber qual teria sido o desenrolar daquela luta, tropecei em um galho e ganhei alguns cortes novos em minhas mãos. Ao erguer minha cabeça, vi em minha frente um portal feito com mármore branco, ao lado de um gigantesco pinheiro. Abaixo daquela entrada e daquela colina, conseguia avistar o borrão de vários chalés, e varias pessoas andando de um lado para o outro, talvez aquele fosse o lar que a fúria tinha mencionado, talvez aquele fosse o lugar que seria minha nova casa e o símbolo de uma caveira arroxeada surgia sobre minha cabeça.


Historia sobre a visita ao mundo inferior

Dias, semanas e meses passaram na mesma velocidade que o vento mais veloz. Aos poucos me acostumei com a rotina daquele acampamento, mesmo que ainda não tivesse de fato conseguido fazer nenhuma verdadeira amizade. Quíron sempre tinha sido o mais atencioso possível para comigo. O centauro ajudou em minha instrução sobre mitologia grega, sobre grego e inglês, e até mesmo sobre etiqueta e convivência; já que eu tinha sido criado como um animal e o pouco que sabia sobre convivência e cortesia tinham sido aprendidos com o mesmo padre, que não me ajudara a escapar de uma acusação falsa.

Pouco tempo depois de ter sido reclamado, tinha recebido uma espada como presente; a mesma espada que alguns de meus meio-irmãos possuíam. Aquela arma tinha se tornado praticamente parte de mim, a amava como se o próprio Éros tivesse acertado uma de suas flechas em mim e em minha espada. Os treinamentos que fazia com ela a cada dia se demonstravam mais efetivos, com o tempo aprendi a manuseá-la tão bem que poderia de fato chegar a conseguir travar uma batalha de verdade.

[...]

Em um dos belos dias de verão, descansava em meu chalé pelas sombras que cobriam meu corpo. Não me sentia interessado em confraternizar de meu tempo livre com aqueles outros campistas, alguns meses seriam ainda um tempo muito curto para que eu conseguisse recuperar anos perdidos de minha vida.

Darkness estava “deitada” comigo sobre a cama, descansando sua lâmina gélida e amedrontadora ao lado de meu corpo. Estava quase caindo no sono quando um arrepio gélido fez os pelos de minha nuca se eriçarem. Um baque surdo acertou uma das paredes de meu chalé, fazendo com que o som ecoasse dentro de meu chalé, de modo que até as caveiras balançavam em uma dança estranha.

Pegando minha arma e saindo porta afora, notei que nenhum campista estava por perto. Não culpava nenhum deles por isso. Primeiro por que de fato o chalé de Hades era um tanto quanto sombrio e amedrontador para aqueles que temiam a morte, segundo por que eu e os meus pouquíssimos meio-irmãos éramos um tanto quanto “inusitados”; e terceiro por que o dia estava realmente perfeito, certamente todos possuíam coisas melhores para fazer.

Olhando um pouco mais atentamente para os lados, a fim de descobrir o que tinha causado aquele barulho, vi um vulto passando por perto de um outro chalé, que pelo seu “falso” esplendor, reparei ser o chalé de Zeus.

Com minha curiosidade atiçada, caminhei sorrateiramente pelo lugar, tentando ir atrás e quem sabe seguir o vulto misterioso. Não conseguia chegar perto daquele ser, não importava o quanto eu tentava me apressar. Apenas ao chegar em meio a floresta, consegui alcançar o vulto. Para minha surpresa, aquele ser possuía penas e um corpo feminino um tanto quanto horrendo. Já fazia muito tempo é verdade, mas nunca esqueceria aquele ser, nunca esqueceria o semblante da fúria que tinha me guiado a mando de meu pai até ao acampamento meio-sangue.  

A monstrenga abrirá um sorriso ao ver-me, estávamos sozinhos em meio aquela parte da floresta e torcia para que aquela visita fosse apenas uma cortesia, e não um desafio. Uma das coisas que tinha aprendido naquele acampamento era o fato de não confiar em monstros, por isso instintivamente minha mão direita foi apressadamente ao encontro do cabo de minha espada. – Você por aqui, e depois de todo esse tempo? O sorriso no semblante da fúria parecia aumentar ainda mais. – Primeiro acho melhor relaxar. Por enquanto não acredito que irá precisar embainhar sua espada. E sim, aqui estou eu novamente meu caro; pensei que talvez ficaria um pouco mais contente ao me ver. Aquelas palavras me atingiram como um golpe de uma adaga em meu estômago. Senti um pouco de vergonha por ter pensado por um momento se quer usar minha arma, aquela não era uma monstrenga fúria qualquer, mesmo ainda contendo sua essência monstruosa, de alguma forma eu estava em divida com aquele ser.

Relaxando meu corpo, encarei com meus olhos o olhar do monstro. – De qualquer maneira, sabe que aqui não é um lugar tão seguro para você; certamente alguns desses campistas a atacariam antes mesmo de deixa-la pronunciar uma palavra se quer. Não queria que aquelas palavras soassem como uma ameaça, mas de fato tudo aquilo que eu tinha dito era verdade, ela sabia que o acampamento não era exatamente um lugar aonde monstros eram bem vindos. – Não ouse lembrar-me de situações das quais eu tenho total conhecimento Willian, apenas os deuses sabem o quanto foi difícil conseguir entrar nesse maldito lugar. Apenas estou aqui por que seu pai ordenou. Mais uma vez aquelas palavras acertaram o meu ser em cheio, dessa vez como se uma espada estivesse atravessado meu coração e meus pulmões. – Hades? O que ele quer para ter enviado você até aqui? A fúria cruzou seus braços, aparentando ter tédio por precisar repetir algo que provavelmente ela tinha dito para si mesmo milhares de vezes. – Os mistérios do Lord e rei do submundo não devem ser ignorados semideus, talvez algum dia você entenda o porquê ele nunca apareceu para você em meio a sua infância. Lanças. Varias lanças imaginarias estavam perfurando todo o meu ser, aquelas palavras começavam a me fazer mal. – Acho melhor você apenas dizer o que veio fazer aqui...  Aquelas palavras pareciam ter sido carregadas com insegurança, mas de fato a fúria também parecia não querer ficar muito mais tempo ali, talvez era uma tentação grande demais sentir o cheiro de tantos semideuses “deliciosos”. – Será como o senhorzinho desejar. Hades deseja que você compareça a seus domínios, ele parece ter algo de importante a mostrar para você; apenas estou aqui para guia-lo a um pequeno passeio pelo submundo.

Raiva, loucura, ira, felicidade e comoção. Todos aqueles sentimentos pareciam bailar descontroladamente em meio interior. Meu pai estava de seu “jeitinho”, convidando a mim para ir até seus domínios; provavelmente ou algo estava acontecendo ou ele pensava em recuperar o tempo perdido. Não fazia ideia de como conseguiria chegar até o reino de Hades. Ao que alguns campistas mais experientes falavam, existia uma passagem em Los Angeles, algumas varias outras por todo os EUA; mas duvidava que conseguiria chegar até uma delas. Parecendo notar minha expressão de duvida, a fúria riu e deu alguns passos para o lado. – Venha logo garoto, antes de qualquer coisa precisamos sair desse lugar.

Andando na espreita das sombras da floresta, eu e minha guia íamos em direção a saída do acampamento. Graças aquele dia ensolarado, os filhos de Héracles que estavam montando vigia, estavam um tanto quanto distraídos, brincando entre si e se preocupando em retirar partes de suas armaduras, em uma tentativa quase inútil de escapar do calor. Aproveitando a deixa, atravessamos a saída do acampamento o mais rapidamente e cuidadosamente possível, deixando o grande pinheiro de Thália para trás.

Ao chegarmos ao começo da colina, sentia que estávamos mais perdidos do que anteriormente, e que apenas tínhamos resolvido um breve problema. – Espere aqui garoto tolo, já irei voltar com a nossa carona. Apenas observando a fúria se distanciar, ficava cada vez mais curioso para saber o que ela tinha em mente. Quando ela voltou, desejei que a mulher asa de morcego estivesse apenas brincando, ela estava trazendo junto de si um cão infernal. O cão não parecia nada amigável, o modo como ele olhava para mim não era nada agradável.

Mesmo que ele parecesse reconhecer um pouco minha aura, na primeira bobeada que a fúria deu; o animal maldito correu para cima de mim. No mesmo momento desembainhei minha espada, pesando todo o meu corpo para a esquerda e por muito pouco conseguindo esquivar daquela investida. Tinha aproveitado o momento para tentar engatinhar o máximo possível para longe do monstro, que já se recuperava do erro cometido e deixava uma espessa baba escorrer de sua boca.  

Antes que eu pudesse fazer algo, já podia sentir aqueles dentes afiados rasgando minha carne; iria acabar morto por aquele maldito. Sentindo o corpo quente do cão infernal já a centímetros do meu, ouvi o som de algo rasgando o ar, e olhando para minha frente, conseguia ver a fúria segurando uma corrente na qual a outra ponta estava presa no pescoço do bichano. A corrente parecia ser feita de algum metal mágico, já que a criatura não conseguiu se soltar e apenas pode se render a sua dominadora. Confesso que senti uma onda de alivio correr todo o meu corpo, por pouco consegui escapar de ter minha cabeça arrancada.

A fúria parecia se divertir com aquilo, controlava aquilo que segundo ela seria o nosso meio de transporte, garantindo que o cão não nos atacaria mais. – Vamos lá Willian de Hades, chegou a nossa hora; a carona está pronta. Tentava compreender o que ela falava, até conseguir me lembrar de alguns detalhes sobre os cães infernais. Ao lembrar que eles poderiam viajar pela sombra, meus olhos ficaram vidrados na criatura. – Pera você deve estar brincando, não deve querer realmente que eu monte nessa co... A fúria montou no pescoço do animal maldito. – Anda logo garoto, não temos todo o tempo do mundo. Não vai dizer que é um cagão que possui medo de um animalzinho simpático como esse. – Voltando a fixar minha espada na minha cintura, sentia alguns pelos de meu corpo eriçarem. Não possuía de fato escolha alguma, deveria montar naquele troço que a pouco desejava me matar.

Erguendo minha perna direita para cima, envolvi meu tronco sobre a pelagem enegrecida do cão, sentindo seu rosnar interno. O corpo do animal tremia levemente, enquanto eu me aconchegava e agarrava a cintura da fúria (sim, o receio era tamanho que acabei agarrando a cintura de uma asquerosa fúria!). Com um comando de voz, o cão infernal começou a correr pela mata adentro, e antes que batêssemos em cheio em uma árvore de tronco grosso, mergulhamos em uma inebriante escuridão.

Mesmo mantendo meus olhos bem abertos, não conseguia enxergar nada além de escuridão mais escuridão. Em um momento ou outro alguma caveira aparecia em nosso caminho, nada que a pata de nosso transporte não pudesse destroçar. O ar era úmido e gélido, apesar que também parecia ser um tanto quanto rarefeito.  Antes que meu corpo pudesse notar mais sensações, um clarão avermelhado apareceu do nada, deixando meus olhos irritados e me cegando por um breve momento.

Quando consegui abrir os olhos, estava em meio a um lugar horrendo e estranho. Um rio feito de larva estava a metros atrás de mim, a fúria aparecia ao meu lado e puxava o cão infernal para frente. Duas filas com inúmeras pessoas, estava formada em minha frente, apesar de todos nas filas terem uma péssima aparência e estarem com partes de seus corpos destruídos em sua maioria. O pior ainda estava por vir. Diante do começo dessas duas filas, um gigantesco cão de três cabeças estava olhando pessoa por pessoa, enquanto outras fúrias controlavam a multidão enlouquecida quando alguém tentava furar a fila.

Caminhávamos em meio às duas filas. – Ele ainda é um pouco jovem, por isso atacou você. Um dia quem sabe ele seja tão grande e forte quanto nosso grandalhão Cérbero. – A fúria acariciava o focinho do cão infernal que tinha nos levado até o submundo, se aquele era apenas um jovem cão infernal, não pretendia conhecer seus pais, apesar de que pelo visto duvidava que teria como evitar um encontro com o Cérbero. Algumas almas tentavam nos atacar em meio do caminho, sendo que uma ou outra notava uma aura estranha em mim, recuando para longe. – Saiam do caminho seus inúteis, estou escoltando o filho do dono disso aqui. Certamente aquela fúria não era como as demais, seu vocabulário e seu modo de falar eram diferentes, certamente ela deveria ser mais nova.

Com a fúria e o cão infernal na dianteira, não demorou a conseguirmos chegar até os portões de acesso ao reino de Hades. De um lado e de outro, paredes gigantescas de pedra negra se estendiam pelo mundo inferior afora, de modo que apenas aqueles portões guardados pelo cão de três cabeças forneciam entrada para qualquer ser que seja. Os portões eram feitos ferro estigío, enegrecidas e incrivelmente pesadas. Após meus “guias” passarem pelos porões, eu estava sozinho diante do Cérbero, sabia que minha morte estava bem diante de meus olhos.

Semicerrando levemente meus sírios sobre meus olhos, notei o monstrengo gigantesco se aproximar de mim com um grande interesse. A narina gélida do monstro encostou-se a meu corpo, fazendo arrepios aparecerem por toda a minha pele. Suas baforadas de ar denunciavam o fato do cão estar me farejando, provavelmente para se certificar que eu era um morto. Minha vontade era de gritar ao monstro que caso eu ainda não estivesse morto, que logo estaria. Não achei necessário aquele ato, até por que ele já abria lentamente sua boca, provavelmente se preparando para me abocanhar.

Preparado pra ser engolido vivo, sentia o odor fétido da boca daquele animal diabólico. Para minha surpresa, o bichano não me mordeu ou atacou. Sua língua áspera passou pela metade de meu corpo e cabeça, enchendo de baba toda a minha roupa e pele. Incrivelmente aquele monstro parecia feliz em me ver, pulava e latia em tom de felicidade em minha direção, como se fosse um velho amigo que o estivesse visitando. Tomando coragem, acariciei seu focinho, soltando uma risada ao sentir aquela pele gélida e úmida, achando incrível tudo aquilo. – Vamos meu jovem, acredito que o Lord não ficará satisfeito se nos atrasarmos. A voz esganiçada da fúria me trouxe de volta a realidade, meu pai estava me esperando em algum lugar atrás daquela fortaleza, em minutos eu iria ver pela primeira vez na minha vida o homem, ou deus se preferir, que de fato me gerou.

Afagando a cabeça do meio da criatura, dei um ultimo sorriso e passei por entre os portões. Imediatamente um grande barulho ecoou de almas gritando indignadas por eu ter “furado a fila”, todas elas claramente sendo contidas por um rosnar furioso de Cérbero. Uma nova fila se formava através do portão, dessa vez era apenas uma fila única que se alongava até a entrada de um pavilhão negro.

Mais uma vez eu, a fúria e o cão infernal andávamos em paralelo a fila, ouvindo alguns grunhidos de insatisfação com o nosso “acesso V.I.P”. Ao chegarmos à porta de entrada do pavilhão, duas fúrias conceberam minha nossa entrada, apenas mantendo o cão infernal fora para que não acontecessem confusões. O lugar parecia ligeiramente com o mesmo tribunal no qual tinha sido julgado e condenado; aquela lembrança não me trouxe satisfação por estar ali. Mármore negro e obsidianas enfeitavam todo o lugar, assim como algumas caveiras e tochas com fogo grego. De frente para um amontoado de almas sentadas e ansiosas, três seres vestidos como juízes aguardavam o próximo “sortudo”, a fim de julga-lo e decidir aonde aquela alma passaria o resto da eternidade.

Sentado em meio a todos, em um verdadeiro trono feito de prata, um homem de aparência rígida, cabelos ondulados e enegrecidos como a morte e barba por fazer; olhava tudo o que acontecia com grande interesse. As vestes do homem pareciam ter rostos aprisionados a túnica negra com detalhes dourados, aquele sem duvida alguma era o meu motivo de estar ali, aquele era Hades o deus do submundo.

Minhas pernas pareciam pesar uma tonelada, a cada passo que cada em direção ao deus, minha respiração ficava mais apressada e forte. Quando conseguimos chegar ao seu lado, o deus sorriu como se achasse tudo aquilo divertido. – Will! Pensei que nunca chegaria rapaz. É tão bom vê-lo assim, grande e... bem, talvez um pouco de comida não cairia mal em você em. De tudo o que já tinham me falado sobre aquele deus, de todas as maneiras que eu o tinha imaginado; certamente não esperava ou tinha imaginado jamais que aquelas seriam suas primeiras palavras que diria para mim. Um pouco desconcertado pro não saber o que fazer, estava me sentindo como uma criancinha assustada de sete anos.

Antes que eu pudesse responder algo, o deus bateu uma palma e todos se calaram. – Acredito que já foi mais do que útil, minha cara; pode voltar a suas outras tarefas. Aquelas palavras eram direcionadas a fúria, que após uma longa reverencia bateu suas asas e foi embora. Ela nem ao menos ousou dizer uma palavra se quer, alias ninguém naquela sala parecia ansioso para dizer algo até que o deus ordenasse. – Sentes meu filho, tenho certeza que irá entenderem breve o porquê solicitei sua presença aqui hoje. Estava um tanto quanto ansioso, minha boca nada dizia e parecia ter sido colada com a mais potente das colas.

Sentando em uma cadeira menor ao lado de Hades, assistia a um julgamento atrás do outro. Aquelas pobres almas que eram levadas até os campos de punição certamente eram malignas, apesar de que não desejava aquele castigo para ninguém. Quase uma hora após minha chegada, duas almas estavam sendo levadas a julgamento. Elas estavam um tanto quanto desfiguradas, mas eu as reconhecia, sabia exatamente quem eles eram. – Você consegue ver meu filho? Eles tiveram alguns problemas até chegar aqui, infelizmente a morte como tiveram não os beneficiou em nada, levaram todos esses meses para enfim conseguirem chegar até nosso julgamento. Aquelas eram as almas de minha mãe e de meu padrasto, que estavam aprisionadas e prontas para serem julgadas. – Sabe. Sei que fui um pai ausente, espero que algum dia me perdoe e entenda completamente o porquê nunca pude ajuda-lo. Apenas, não sei... acredito sinceramente que esse julgamento poderá ser muito esclarecedor para você. Meus olhos encaravam fixamente a alma daquelas duas pessoas, meus algozes que fizeram de minha infância um verdadeiro inferno.

O julgamento de ambos começou, aparentemente bastante tranquilo até ter chegado ao ponto de meu nascimento. Confessando todas as atrocidades que tinham cometido perante a vida, a situação de ambos não parecia nem um pouco favorável a um desfecho feliz. Lágrimas escorriam de meus olhos, não sabia o porquê daquilo, mas relembrar todo aquele sofrimento doía em meu interior. O julgamento avançava ininterrupto, até que o momento da morte de ambos foi demonstrado. Esperava que vários olhares decaíssem sobre mim, apesar de saber que era inocente. Ao contrario do que eu imaginava, minha mãe contava tudo o que se lembrava sobre a morte, todos os fatos que a antecederam e alguns dos segredos que nossa família guardava.

Tudo tinha começado pouco depois de meu nascimento, quando um de meus tios sabendo sobre o relacionamento “demoníaco” de minha mãe, queria me matar ainda bebê. De fato ele assim como alguns outros de minha família, era vampiro e possuía o segredo de nossa linhagem sanguínea. A família de meu padrasto há tempos atrás tinha sido fundada por lobisomens, alimentando uma rixa milenar. Insatisfeito por eu ainda viver, o maldito homem estava os ameaçando, dizendo que caso não me matassem iriam sofrer arduamente. Mesmo meu padrasto desejando acabar com tudo aquilo, minha mãe se recusará a ceder sobre as chantagens feitas, até mesmo duvidando das capacidades de meu tio.

Um dia antes de suas mortes, o vampiro ancestral tinha dito que acabaria comigo no crepúsculo do dia seguinte, já que ambos não conseguiam efetuar uma tarefa tão simplória. Arrependidos de como tinham me tratado por toda a vida, o casal estava decidido a não deixar que nada acontecesse comigo, e que se possível iriam até mesmo me avisar sobre o perigo que corria. Ao terem me encontrado, ambos estavam se certificando que nada iria acontecer, e ao irem até o carro para pegarem uma carta aonde tudo o que eu precisava saber estava escrito, o ardiloso ser das trevas explodiu o carro, terminando de matar ambos os esfaqueando.


O juiz estava prestes a dar o veredicto sobre o casal, quando Hades fez um aceno de mão e virou para mim. Tentei limpar as lágrimas o mais rapidamente possível, não desejava que aquele deus olhasse para mim em um momento de tamanha fraqueza. Dando um meio sorriso para mim, Hades se levantava e me levava consigo para fora daquele edifício. – A certas coisas que você não precisa ficar sabendo. Apenas gostaria que visse o perigo que sempre correu e corre até hoje, perigo esse que jamais descansa. Sua família guarda em seu intimo um segredo maldito, uma maldição que nem mesmo eu ousaria jogar em um mortal. Tome cuidado, por sorte consegui descobrir os planos de Kalazar (meu tio) antes que ele pudesse cumpri-lo. Ele esperava encontrar você após sair da prisão, para que pudesse terminar o que tinha começado sem que ninguém percebesse. Felizmente uma de minhas servas conseguiu salvá-lo, e levar você até o acampamento. Lá você estará seguro, sinceramente espero que nunca saia daquelas fronteiras, pelo menos não antes de estar preparado para enfrentar os perigos que o rodeiam a cada dia mais. Eu não sabia o que dizer. Tinha certeza que discutir ou tentar argumentar não iria resolver nada, apenas desejava vingança e descobrir qual segredo era esse que tinha feito minha vida merecer se tornar um inferno.

Tentando esconder todos os meus sentimentos de meu pai, notei que já estávamos fora do tribunal dos mortos, e que o submundo parecia dali um reino ainda maior do que minha mente poderia imaginar. – Espero que consiga tomar suas decisões o mais sabiamente possível, e que um dia entenda todo o seu passado, e quem sabe me perdoe por ter sido tão ausente. Apenas acenando afirmativamente com minha cabeça, desejava sair dali, ir para minha cama e afogar minha cabeça em meio a um travesseiro.

Puxando meus ombros para que o encarasse, Hades deu um suspiro. – Você é o meu filho mais velho dentro do acampamento. Seja um espelho para seus meio-irmãos, aprenda tudo o que precisa aprender; não seja apressado e saiba que sempre estarei ao seu lado de alguma forma. Compreendendo que aquela era uma despedida, novamente afirmei positivamente com minha cabeça, vendo o deus erguer suas mãos e sombras começarem a me envolver. Antes que eu pudesse entender o que estava acontecendo, apenas conseguia enxergar escuridão ao meu redor, até que uma luz preencheu meus olhos. Odiava aquela sensação de cegueira momentânea, mas não demorou muito para que eu conseguisse perceber onde eu estava. Estava no sopé da colina meio-sangue. Correndo para atravessar o portal de entrada do acampamento, apenas carregava em minha mente o pensamento de que minha vida tinha acabado de ganhar um sentido.


o primeiro passo de nossa existência muitas vezes pode ser o mais importante...
Thanks Doll at The Pretty Odd


Observações sobre armas e poderes:
A espada citada é a mesma espada de presente de reclamação dos filhos de Hades. Já que em minha historia ocorreu uma passagem de tempo entre a reclamação e minha visita ao submundo, achei pertinente citar que já tinha recebido minha arma. Também usei minhas habilidades de nível 1 como filho de Hades. Note que até ser reclamado todas foram usadas de maneira inconsciente, aparecendo apenas quando eu mais necessitava. Dei bastante ênfase para a minha aura do submundo, usada para justificar o por que as pessoas não gostavam e evitavam ficar perto de mim, e o por que algumas almas fugiram de mim no submundo.

Observações gerais:
Apenas irei levantar alguns pontos que acho pertinentes para um melhor esclarecimento sobre a ficha. A tempestade no mar foi causada por Zeus e Poseidon. Certamente ambos os deuses não ficaram felizes por terem mais um filho de Hades chegando em seus domínios, mas também sabiam que me matar poderia ocasionar uma guerra entre eles; de modo a apenas me darem um "bem-vindo" a sua maneira. Em relação a luta obrigatória. Por mais que tenha tido apenas duas leves lutas em que meu papel foi muito pequeno, acredito que ambas valem por uma e como não é especificado como necessita ser o embate, acredito que isso satisfaz o ponto exigido. A Transilvânia é um país pequeno, de modo que na Europa é comum prisioneiros serem transferidos para outros países que possuam a mesma lei prisional. Meu personagem possui sim 23 anos, e apenas conseguiu viver durante tanto tempo pois era mantido trancafiado em sua infância, depois viveu sempre em meio a podridão e pessoas imundas espiritualmente, de modo que seu cheiro semideus sempre foi encoberto.  Ainda em meio a viajem, o navio não passou pelo triângulo das bermudas, de modo que não é anormal dizer que não foi encontrado algum monstro já que mesmo sendo filho de um dos grandes, eu era apenas um único semideus enfraquecido. Em relação a fúria. As fúrias são servas de Hades e como mostrado nos livros, elas apenas cumprem o desejo de seu patrono e quando livres fazem o que bem entendem se não forem proibidas pelo deus; de modo que não é anormal uma fúria ter me ajudado tanto. Sobre a personalidade de Hades. Nos livros foi demonstrado que ele se importa bastante com seus filhos, mesmo que julgue um ou outro mais merecedor de sua atenção. Por mais frio que muitas vezes aparente ser, assim como os demais deuses Hades pode modificar um pouco sua personalidade dependendo da circunstância, e por querer se aproximar um pouco de Willian, ele agiu de uma forma mais "humanizada" com o rapaz. Acho que é apenas isso mesmo...
Olivia Skyller
Filhos de Hades
Mensagens :
114

Localização :
Quer um GPS?

Voltar ao Topo Ir em baixo

Eu sou Christopher Weiss, sou filho de Hades

Mensagem por kurisu em Ter 15 Jul 2014, 16:24

Teste para filho de Hades

  Características físicas:

Tenho uma estatura média, com mais ou menos 1,70 metros, tem quatorze anos, cabelos lisos e escuros, olhos mais negros que a noite, pele pálida, me deixando com o apelido de zombie ou morto-vivo sou de porte magro, mas forte o suficiente pra ser bom em lutas e brigas. Olhar serio e frio, quase nunca sorri, mas apesar de tudo é atlético, por mais que não aparente.


       
   Características psicológicas:

Sinceramente, é um garoto difícil de se entender, nunca se saberá o que passa em sua mente. Antissocial, não gosta de se envolver com pessoas muito menos conviver com elas, se afasta de qualquer um instintivamente, não se importa com os outros com facilidade, dá a mínima pelo que os outros pensam, mas é determinado, inteligente, e sempre faz cálculos invejáveis, tem habilidades incríveis, quando diz que irá fazer algo não desiste ate terminar, difícil de perder a paciência, mas quando perdida não é recarregável, perde o controle e vira um ser insano, sem controle. É um garoto no qual você não deveria se aproximar muito menos irritar. Então se vê-lo mantenha-se à distancia. E se ele não foi com a sua cara, prepare-se para o pior.

  História do personagem:

Meu nome é Christopher sou um semideus, filho de Hades... Não sei por onde começar... Tentarei pelo inicio...
  Sou adotado pelos meus pais Lilian e Arthur, eles são bons pais e sempre me incentivam a fazer muitas coisas. Esgrima. Basquete. Atletismo. Natação. Artes marciais. Literalmente tudo incluindo o fato de eu ser um escoteiro. A escola é sempre uma dedicação, eles trabalham como arqueólogos, principalmente quando o assunto e mitologias. Eles me ensinaram muito principalmente sobre mitologia Greco-romana, que é a favorita de ambos. Moramos em Freeport, uma cidade calma tranquila e muito bonita!
  Estudo na escola Leo F. Giblyn Elementary School e estou na oitava serie. Ela fica de frente a um parque o que me ajudou a praticar bastantes atividades incluindo a natação. Na escola não me envolvi muito, as pessoas se afastavam de mim e sempre tive dificuldade em fazer amigos. Cada dia na escola era um tédio, e então fui pego de surpresa num teste de beisebol. Todo dia corro no parque e depois nado e sempre muito bem sozinho. E toda vez sou observado por um mendigo maldito só que desta vez não era só ele. Um homem alto de porte médio veio até mim e pergunta se estou interessado em entrar no time de beisebol. A resposta? Claro que não.
   Para minha surpresa, ele parece não entender o que eu digo, resolvendo me encher na escola, com todo dia a mesma chatice, e numa tarde laranja, ele veio falar comigo de novo e quando estava prestes a fazer merda, aparece o maldito mendigo e pergunta:
– Algum problema Senhor Armom? – Com um sorriso estranho e forçado no rosto.
– Nenhum – Falou o professor Armom. Serio que esse é o nome dele?
– Então vamos Chris ¬– Ele fala comum sorriso, mas dessa vez não é um forçado, e o que me incomoda é, como ele sabe meu nome?
  Bem, vamos descrevê-lo, ele é grande e magro, tem uma barbicha com os pelos meio cinza, mas parece ser muito artificial, não fede como um mendigo qualquer, parece mais um animal molhado, e para minha surpresa, não é tão velho quanto parece de longe, óbvio que só se percebe isto de perto, não mudando o fato de ele ser uns três anos mais velho que eu no máximo. E por fim, ele usa umas muletas para andar, talvez tenha problemas nos pés e o seu hálito é de ferro. Tudo o deixando mais esquisito possível. Seguimos rumo à minha casa, já estava escurecendo e continuamos andando sem ele falar nada. Chegando à esquina da minha casa, ele puxa um assunto.
– E então, o que vai fazer amanha à tarde?
– Nada, e como você sabe meu nome?
– Não é tão difícil quando se é popular – Popular? Só se for o contrário disso. Sem falar que ele é um péssimo mentiroso, percebo instantaneamente que ele está mentido. ¬– Então posso te acompanhar amanhã?  
  Ele me acompanha até casa e vê Lily no jardim, acena com a cabeça e diz:
– Boa noite senhora Weiss.
– Bom dia Davis. Obrigada por cuidar do Chris, gostaria de jantar conosco?
– Não perderia isso por nada.
  Desde quando eles se conhecem? Não entendo nada, porém sigo o fluxo, sabendo que algo está errado. Entro em casa e vejo Arthur polindo sua espada favorita. Ela tem uns noventa centímetros sendo setenta de espada e vinte de cabo, não tão leve, mas não tão pesada. Pessoalmente eu gosto muito dela também. Passo por ele que quando me vê me olha do jeito que sempre me olha antes de praticarmos esgrima.
– Que tal brincarmos um pouco? ¬– Ele me diz sorrindo.
– Por que não? – Digo no mesmo tom divertido.
  Ele me joga uma espada qualquer e quando a toco me sinto familiar no mesmo instante. Sinto que pratiquei com ela há anos, o que não é um pouco de mentira já que sempre pratico com uma espada, mas pegar uma de verdade é uma sensação completamente diferente.
  Começamos. Olhamos-nos por um longo tempo como se decidíssemos quem vai começar e por fim cedendo á ansiedade, ataco-o com um golpe forte e alto. Ele defende, mas não com tanta facilidade. Seu olhar é sério e seu cabelo loiro tenta o fazer menos sério do que está de verdade. Ele é forte, porém e sinto seus músculos se flexionarem, já sei que ai vem seu próximo ataque. Ele passa a espada com velocidade e corta um pedaço da minha blusa, pois eu desviei instintivamente, e escuto Davis que está nos vendo da janela.
– Que desperdício eu gostava tanto dessa camisa.
Escuto Lilian rir lá dentro e logo aparece do lado dele. Distraio-me com eles e recebo uma investida de Arthur, usando um movimento com giro ele tira a espada da minha mão. Ele sempre me derrota com o mesmo movimento acertando meu pulso, isto dói tanto que vocês nem tem ideia.
– Se você tirar os olhos do seu adversário uma única vez ele não terá piedade.
– E você está tendo piedade? ¬– Digo sarcasticamente me arrependendo logo após de dizê-la. Ele me olha decepcionado e vai embora.
  Ele não é o tipo de pessoa que você iria querer ver decepcionado. Ele é muito bom e bonito, sendo quase perfeito tirando o fato de não falar muito, deve ser tímido. Entretanto a Lily não fica pra trás. Somos muito parecidos, pele muito clara e gélida, cabelos escuros e longos, que lhe moldam o rosto, e olhos tão escuros quanto à escuridão, a diferença é que ela sorri muito e sempre esta pra cima, gentil com qualquer um, tirando isso somos tão parecidos que já pensaram que sou mesmo filho dela por mais que eu seja adotado.
– Minha vez! – Escuto Lily dizer animada. – Vá tomar banho e prepare-se.
  Enquanto tomo banho escuto Lily bater na porta. Grito para ela entrar e ela prepara os materiais. Ela sem pré me faz truquezinhos de mágica. Não sei como ela os faz e sempre que pergunto ela diz que um dia vou entender o truque. Saio do banheiro pronto e sento na cadeira de frente pra mesa e ela. Primeiro ela começa com algo básico, ela acende uma vela com um isqueiro e se prepara pra fazer seu truque. O truque parece simples, ela passa a mão sobre a chama encostando um pouco nela e quando se conectam a chama muda de cor rapidamente, ela nunca me deixou a ver preparar a mesa então sempre penso que ela passa algo nas mãos, mas nunca tive certeza. Mas hoje ela resolveu abusar, ela sobe e desce a mão e por algum motivo a chama a segue e então algo sinistro ocorre, materiais de prata e ouro circulam a chama se movimentando em volta delas. Dou um pulo na cadeira e percebo que não é só isso. A sombra das pedras causadas pela chama no meu quarto escuro estão a onde as pedras estavam, e reparo que as pedras ainda têm suas sombras que se movem em volta da chama e as antigas sombras continuam onde as pedras estavam.
  Não entendo como ela faz isso, o que parece causar um esforço, talvez não, só finja estar fazendo um esforço pra eu pensar que é tudo real. Poderia dizer vários motivos, pois o quarto estava escuro e não a vejo arrumar a mesa, mas sinto como se fosse real. As luzes são ascendidas e tudo volta a ser como era, ela sorri pra mim e dizem uníssono com Arthur:
– O jantar está na mesa!
  Acordo da hipnose que ela me colocou não me acostumei a ver os shows dela, mas amo passar mais tempo com ela, e com o Arthur. Amo os dois, acho que são as únicas pessoas que amo. Desço as escadas e vejo Arthur e Davis à mesa, temos Burritos e muitas outras coisas, percebo que Davis esta morrendo de fome e vontade de atacar estes burritos, devem ser seus favoritos porque ele nem repara no resto da mesa. Antes do almoço sempre queimamos uma parte por algum motivo, e após isso comemos livremente.
  Treinando todos os dias, assistindo aos shows da Lily e participando dos escoteiros além das corridas, natação e esgrima com Arthur. Tudo estava perfeito até que no fim do outono.
  Chego à escola, as árvores em frente à escola estão com as folhas laranja e caindo, entro pelo portão e enquanto olho as folhas caírem pela janela escuto um tumulto na sala. Pergunto a menina do meu lado, porque sento na frente, o que houve.
– Ouvimos falar que nosso professor de educação física não vem então o outro professor da escola vai substituí-lo.
–Ah não... Vai ser o professor Armom?
–Quem?! – Ela me surpreende e eu não entendo mais nada. O professor Armom era o outro professor de educação física, todos o conheciam, era treinador do time de beisebol da escola. – Não temos esse professor! Que estranho garoto, de onde tirou esse nome ridículo?
  Estranho no mesmo instante. Como assim não temos esse professor? Ele me infernizou na metade dessa estação. E antes que eu possa falar algo ele entra. Um cara gordo e alto, incrivelmente gordo e alto entra, e eu entendo porque ninguém gosta dele, ele fede, não sei dizer a o que, mas ele fede, e muito. É horrível e cheio de cicatrizes em todos os cantos, olhos, não sei pela primeira vez me sinto confuso e não consigo olhar o rosto dele, me da uma dor de cabeça olhá-lo. Os meninos do time de beisebol da escola vão imediatamente cumprimentá-lo como se eles fizessem isso o tempo todo. Quero sair da sala, e saio, não devo nada a ninguém nessa escola, não me importo com ninguém mesmo. Sai da sala e vejo que ele está me seguindo, tento ir mais rápido até que esbarro com um monitor, e antes que ele possa falar algo o professor diz:
– Ele não esta se sentido bem... Vou acompanhá-lo até lá fora.
– Sim, mas fique de olho nele senhor Snack. – Sinceramente esse povo não deve ter bom gosto pra nomes.
– Vou ter.
 Ele me leva me leva a uma sala que eu nem sequer havia percebido antes. Quando entrei percebi que tinha algo errado naquela sala, ela fedia a sangue, e me tranca lá e vai embora. Não tento sair pela porta, óbvio que não posso sair por onde entrei e investigo a sala melhor descobrindo algo que não queria, ali no chão estavam dois corpos sem vidas, ambos os professores de educação física da escola, e sei que se continuar ali eu serei o próximo. Procuro e acho uma janela, passando por ela corro pra casa, chegando a casa estremeci com um frio na espinha. Algo estava errado mais errado ainda. Olho pela janela e vejo o carteiro morto no chão.
Estremeço. Não porque ele foi assassinado, mas sim porque não me afetou nem um pouco. Subo os degraus da escada e corro até a espada que estava na parede do quarto do meu pai, ao pegá-la, imediatamente sinto uma familiaridade com ela, como se já a usasse, era uma das espadas favoritas de meu pai, uma espada grega. Escuto um barulho e quando corro ao seu encontro dou de cara com Lily.
– O que você esta fazendo? – ela pergunta - hein senhor Christopher...
– Tem um estranho me seguindo... – digo, mas sei que ela não acreditaria nisso, e nem tenho tempo para explicar, corremos perigo.
– Acho que chegou a hora Lily... – escuto Arthur dizendo da porta lá em baixo – Tentamos segurar o máximo que podemos, ele já vai fazer quatorze anos... – ele para. Lily me abraça, não sei do que eles estão falando e de repente tudo é interrompido por um barulho. Alguém esta arrombando a porta.
– Lily! – Arthur grita como se estivesse fazendo um grande esforço – Faça o que você tem pra fazer... – escuto três pancadas enquanto ele fala – Depressa!
– Escute com bastante atenção o que vou dizer. – Lily fala apressadamente ¬– fuja o mais rápido que puder. Ache o acampamento meio-sangue e lembre-se do tempo que passamos juntos, vai ser de extrema importância. Seu verdadeiro pai vai te procurar e como ele diz, “não confie em ninguém ao menos que se jure pelo rio Estige”. Vá. Vá!
Corro como louco pelo corredor. Ainda consigo ouvir a voz da Lily em minha mente, ela estava segurando o choro, e eu nunca a vi chorar. Pulo por uma janela. Deveria ter pensado na queda. Mas me surpreendo a me ver levantado e correndo normalmente, passo a mil quando percebo que estou sendo seguido. Ainda com a espada na mão, entro num beco sem saída e me preparo para o pior. O que vejo é um mendigo engraçado com muletas o que me faz pensar como ele me seguiu. Davis o único que considero “amigo”.
– O que você pensa que...
– Juro pelo rio Estige que vim te salvar cara. – a voz dele parece mais seria do que o normal.
– O que isso significa?
Ele acena com a cabeça e sai correndo. Sem respostas e com muitas dúvidas o sigo. Ele faz um sinal e pegamos uma rua seguida de outra sem saber aonde vamos até que ele começa a falar sobre deuses gregos de uma forma resumida.
– Você conhece os deuses gregos, Zeus, Hades, Athena, historias sobre Heracles e etc.?
– Já conheço essas histórias, as escuto de Lily o tempo todo.
– Isso já adianta muita coisa.
– Mas o que isso tem haver comigo?
– Você esta correndo perigo e nem reparou quem estava te seguindo? – Tento me lembrar...
– Ele era grande, parecia forte, mas burro de algum jeito, ele não tentou dar a volta ao invés disso forçou a porta.
– E seu rosto?
Choco-me com a resposta. Como não reparei antes?!
– Ele só tinha um olho!
– Exatamente... Um ciclope. – Sua voz parece tentar esconder o medo, mas como eu já disse, ele é um péssimo mentiroso.
  Não acredito que estou sendo seguido por um ciclope, mas não temos tempo a perder. Não sei aonde vamos e me lembro de Lily dizendo algo sobre um acampamento. Antes que posso falar qualquer coisa sou interrompido por uma explosão. Não sei o que fazer. Viro-me para vê-lo. Como chegou aqui tão rápido? Antes que posso sugerir um confronto contra ele Davis já balança a cabeça e diz que está fora de questão eu enfrentá-lo, pelo menos não agora ele completa. O que vou fazer? E então um momento de dor me atinge, minha cabeça, sangue escorrendo, foi atingida. Pelo o que? Não importa, o que importa é que estou caído no chão, tonto, com a visão turva e já vou morrer, sei disso, e então perco os sentidos.
  Acordo e tento me lembrar do que houve. Tento sair de onde estou. Um quarto escuro e frio, o que se familiariza muito comigo, saio do quarto e começo a recordar vagamente de Davis entre eu e o ciclope pronto pra lutar. Suas pernas de bode, ele sempre teve pernas assim? A verdade é que não sei. Ele grita coisas que eu não escuto direito, mas sinto que não estávamos sozinhos. E quando começa a vir uma silhueta, eis que a mesma surge das sombras na minha frente. Uma criatura sinistra com asas de morcego, e garras afiadíssimas com um rosto enrugado. Esses eram os outros monstros que estavam lá. Empunho minha espada, e antes que posso pensar em atacar elas dizem:
– O senhor Hades te espera criança.
– Hades? O senhor do submundo? Eu morri mesmo?
– Siga-me ser ignorante...
  Sigo-as e vejo diversas coisas. Sempre escutei sobre o submundo, mas aquilo era verdadeiramente um abismo, o que não me assustava e não me incomodava nem um pouco. Pelo contrário, me senti ate alegre de saber que estava ali. Balanço a cabeça e penso, se sentir feliz por estar morto? Você só pode estar brincando! Continuo ate uma sala sombria onde se escutam sons de almas gritando de raiva, ódio, rancor e principalmente dor. Ele tem cabelos compridos, pele bem pálida, cabelos e olhos tão escuros que não posso defini-los da escuridão plena. Não é velho, parece ter entre vinte a vinte e seis anos. Não aguentando digo:
– Legal você sempre tem um fundo musical assim senhor Hades? – Quase rio, eu devo ter batido a cabeça muito forte pra ver estas ilusões.
– Que bom que você se identifica com isso meu querido filho. – Ele diz com sarcasmo. Se ele é mesmo meu pai, já sei de onde herdei o sarcasmo.
–Do que você está falando?
–Exatamente o que eu disse. Você é meu filho – Fico muito confuso e impotente ao ouvir isso. Mentira, lá no fundo eu me sinto feliz, sou filho de um deus, posso ser poderoso ter poderes herdar muitos dons e fazer muitas coisas no futuro. – Ou acha que tem dons por ser sortudo?
– Que dons? – Me finjo de inocente pra vê-lo revelar do que sou capaz.
–Não acha que você respira muito bem aqui em baixo? Pessoas normais teriam muita dificuldade.
–Nossa, serio?! Não creio que isso seja um dom. – Dou uma risada irônica.
–Habilidades com armas laminadas– Seus olhos sombrios ascendem como carvão em chamas e pareço ver almas gritando dentro deles. – Aura da morte, fazendo mortais se afastarem de você inconscientemente, e por fim necromancia e geocinesia.
–Necromancia e geocinesia? –Repito incrédulo.
–Surpreso? Como você acha que Lily faz seus truques?
  Agora tudo acabou comigo, tentei pensar que era um sonho, mas, isto esta parecendo real de mais, geocinesia, controle de rochas e minerais, isso explica como ela controla as pedras e o porquê de sermos parecidos, Lilian também é filha de Hades. Então me lembro do conselho dela.
–Jure pelo rio Estige que esta falando a verdade.
–Esta é a verdade...
–Jure! –Meu grito ecoa sobre a sala abafando até mesmo as almas que gritavam.
  Hades se levanta e só ai eu percebo o quão grande ele é, deve ter uns três a quatros metros. Ele desaparece se transformando em sombras que seu nem a minha frente voltando a ser ele, mas num tamanho menor como humano. Ele me encara e quando nossos olhos se encontram, tenho um arrepio, vejo dentro deles Arthur, Lily e Davis gritando de dor em meio ao fogo. Sinto que é um teste de reconhecimento, e o encaro com um olhar mais nervoso ainda não me cedendo ao medo. Ele sorri o que parece dizer que eu passei neste teste, ou que o pior está pra vir, afinal, se trata de Hades. Ele começa a crescer, mudando de forma e quando olho-o novamente, é um monstro com escamas, chifres, garras, presas e olhar demoníaco. Porém, sei que ele precisa de mim vivo, se não, por que teria me salvado quando estava prestes a morrer? Não cedo o olhar, mas assumo que esta criatura é de espantar, meio dragão meio homem. E finalmente ele volta à forma normal de tamanho humano e começa a rir. Rir não, dar gargalhadas, que são tão altas que ecoam por toda a sala.
–Gostei de você. É mesmo meu filho. –Ainda não parei de encará-lo. – Entendi, juro pelo rio Estige de que tudo o que disse nesta sala é verdade.
  Não sei como reagir a tudo isso. Foi tudo muito rápido e de uma coisa tenho certeza, fico feliz por ser irmão de Lily. E uma questão veio a minha mente.
–O que você quer de mim? –Hades parece confusão e não entende a pergunta.
–Como assim?
–Você deve querer algo de mim já que me salvou. –Ele da um sorriso, mas voltou a ter um olhar sombrio.
–Por enquanto vá ao acampamento e treine. Você saberá quando a hora chegar. Um dos meus cavalos irá te levar. –Surge um cavalo morto-vivo brotando do chão e das sombras. Ele é completamente preto, em decomposição e com alguns órgãos e ossos internos aparecendo e vou deixar claro que ele não fede.
–Impossível, não vou sem o Davis. – Hades me olha com um olhar surpreso.
–Aquele sátiro? –Sátiro, é isso que ele é...
–Sim, ele estava comigo e jurou me proteger.
–Não posso fazer nada por ele.
–Pode me levar até ele. – Ele me olha como se estivesse me avaliando.
–Vou lhe ensinar uma coisa, não tente chantagear um deus sem uma oferenda. –Ótimo, estou aprendendo muitas coisas hoje. Não tenho nada em mãos. O que vou fazer? A resposta surge em minha cabeça, tenho uma coisa sim.
–Em troca lhe ofereço a minha espada grega. –Ergo a espada à sua frente e deixo-a cair no chão. Os olhos de Hades sorriam com esta resposta, deixando claro que era isto que ele queria.
–Que seja feita a minha vontade. –Ele diz com o sorriso mais sinistro que você possa imaginar e a espada borbulha até desaparecer no chão da sala. –Aqui está sua carona, mas vou lhe dando um aviso, ele ira se teletransportar somente duas vezes, até o seu amigo e até o acampamento. Depois ele irá retornar até mim, pois estará cansado.
–Será mais do que o suficiente. –Digo montando no cavalo.
–Assim espero... Agora vá!
  Quando ele diz, tudo se escurece e reaparece numa sala, fico imóvel e deixo o cavalo preso, e saio correndo sem rumo. Ele deve estar aqui perto, tem que estar, e foi então que eu senti um cheiro de bode molhado e alguém choramingando. Davis. Ele esta chorando. Aproximo-me do choro, me escondendo atrás de uma pilha de caixas de papelão, a sala está cheia delas, e fitando ele dentro de uma panela sobre o fogo escuto o ciclope:
–Hahaha... Fazem anos em que eu não como um sátiro. Eu disse anos.
–Que os deuses estejam comigo.
  Escuto o ciclope rir e Davis choramingar e tento pensar em algo. O que eu sei sobre ciclopes? Bem, eles são resistentes ao fogo, incrivelmente fortes e grandes, eles desaparecem e viram pó se forem derrotados como todos os monstros, e tem um olho. Esperai somente um olho?! Se eles o perdessem não conseguiriam ver. A pergunta é como vou deixá-lo cego?
  E na minha frente está a resposta. As caixas podem ter alguma coisa pra me ajudar. Procuro desesperado por algo que seja útil, sei que não irão me ouvir porque o choro de Davis é alto, até demais, mas sem achar algo, nada além de revistas velhas, e engenhocas antigas e sem valor. Mas, algo brilha na pilha em frente ao ciclope, o que é aquilo? Forço as vistas e vejo. Um refletor. Aqui está cheio de móveis de casa também, corro dando a volta por trás das caixas sem fazer barulho nenhum e finalmente consigo alcançar o refletor, e tento pensar em como acendê-lo. Olho em volta a procura de uma tomada, mas sem sucesso. Perdendo as esperanças resolvo vasculhar as caixas por ali, e acho uma extensão, mas onde irei ligá-la, não posso demorar, não sei quanto tempo Davis vai ter. Corro o mais rápido que posso para não me entregar e acho uma tomada. Resolvo montar uma armadilha e antes que possa pensar percebo que não ouço o choramingo de Davis faz tempo, penso no pior, mas a realidade é pior do que eu esperava.
  A trás de mim estava o ciclope, que me pegou pelo pescoço e me suspendeu do chão, sua mão segura com facilidade meu pescoço que é pequeno se compararmos. Estou preparado para o pior e então ligo o refletor em seu olho. A reação é instantânea, ele me arremessa longe, bato em umas caixas e não consigo respirar durante uns três segundos, enquanto ele ainda está com as mãos nos olhos e praguejando, saio correndo, ele sai atrás de mim, mesmo sem ver direito ele me acompanha e está se aproximando. E desesperado, empurro caixas no chão para atrapalhá-lo, são como isopor acertando o trem, ele as desvia com uma mão facilmente. Então respiro fundo, jogo um liquidificador em uma direção e curvo na outra. Ele cai no truque.
  Corro até Davis, o chacoalho e quando ele me olha com sangue escorrendo pela testa, e “limpo” incrivelmente limpo e não parece mais um sem-teto. E sim um adolescente numa panela, eu sorrio e depois de desamarrá-lo pego a corda. Não vou cometer o mesmo erro, amarro a corda na saída fazendo uma armadilha e digo para ele correr, ele resiste, mas eu o empurro dizendo:
–É melhor você ir e trazer o cavalo de meu pai.
  Ele acena concordando e corre. Começo a montar a armadilha e sobre o chão jogo taxinhas que estavam jogadas ali dizendo “nos use, por favor!”, claro que não recusei o convite, joguei-as no chão no local onde o ciclope irá cair. Ele vem igual a um trem e como é burro demais pra pensar, caindo na minha armadilha sobre as taxinhas e se furando todo, corro como se minha vida dependesse disso, e depende mesmo.
  Vejo Davis rapidamente, ele corre segurando as rédeas do cavalo morto-vivo, o ciclope ainda não desistiu, ele é resistente e com taxinhas no corpo vem furiosamente em nossa direção, montamos no cavalo e quando o cavalo corre em direção à sombra mais próxima, o ciclope em sua última tentativa lança uma faca, que eu não o vi com ele, talvez tenha pegado depois e quando estava a ponto de me acertar, estremeço e teletransportamos nas sombras.
  Caímos no chão e ainda estou sendo abraçado por Davis, o cavalo vai embora, e fico sozinho, com Davis a beira da morte.
–Davis, não mora, por favor. – Sei que não vai diferenciar em nada, o sinto morrendo em meus braços.
–Fiz um bom trabalho? –Ele me pergunta querendo saber à resposta.
–Claro que sim! –Digo quase gritando.
–Subindo aquela colina está o acampamento meio-sangue, chegue lá em segurança e só ai eu completarei minha missão. Eu jurei que iria te proteger não jurei? –A voz dele está sumindo enquanto fala. –Você não é um filho de Hades?Então por que está chorando? Somente fiz o meu trabalho como seu sátiro, como amigo, e como guia. Suba até lá e diga, Davis Dantas cumpriu a sua mi...
  O ar sai do corpo que agora está sem vida e sem pulsação, ainda chorando o carrego em meus braços e subo a colina, sou recebido por um grupo de garotos armados, suas expressões se dividem em tristes e curiosos, até que um garoto pergunta:
–Quem é você?
–Este é Davis Dantas, ele cumpriu muito bem a sua missão, mesmo dando a vida por ela. –Um garoto sai do meio deles, parece forte e grande, e pronto pra matar qualquer um retruca me encarando.
–Ele perguntou quem é você, não ele!
–Fica calmo mano, ele acabou de perder seu sátiro.
–Sou Christopher Weiss, sou filho de Hades, e se você se referir a Davis assim mais uma vez assim... –Faço uma pausa e o encaro tão sinistramente quanto Hades, meu pai. – Eu juro pelo rio Estige que você vai se arrepender amargamente!
kurisu
Indefinido
Mensagens :
1

Localização :
desconhecida

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Teste para filhos de Hades

Mensagem por Hearven Schaller em Ter 19 Ago 2014, 21:00




Filho do Diabo


Ficha


Características

Olhos claros, cabelo mal-cortado, pálido, olheiras escuras, sorriso irônico; no geral, um garoto apresentável. E apresentável é exatamente o que ele não quer ser.
Com atitudes impulsivas e descuidadas, somadas à aparência desleixada, Hyden é o típico garoto-problema: irrita os outros por puro prazer e adora ser “do contra”. É egoísta e, como chamam-no, babaca. Entretanto, no fundo – bem no fundo –, ele se preocupa com as pessoas a sua volta, só não gosta de demonstrar.

(Caso queira mais detalhes da aparência do personagem, só dar uma olhadinha no avatar em uso.)


História

Hyden cresceu sozinho. Seus pais, que sempre se preocuparam mais com as suas contas bancárias que o seu bem-estar, nunca lhe deram atenção. Ele tinha qualquer coisa que o dinheiro pudesse comprar, mas não era o suficiente. E, assim, começou a fazer tudo que lhe diziam ser errado. Para ele, “não” significava o mesmo que “faça”. Se não podia ter atenção, contentava-se com o desgosto.
Começaram a realmente percebê-lo quando sua vida escolar tornou-se um inferno. De cinco escolas, fora expulso de quatro; a quinta não resistira ao incêndio. Os pais, a partir de então, tomaram diversas atitudes: psicólogos, colégios internos e intercâmbio. Nada adiantou. Mas ainda restava uma opção: o Acampamento Meio-Sangue.
Apenas a mãe de Hyden tinha conhecimento da existência dos deuses, e mesmo ela tentava negá-lo. Era difícil para qualquer mortal entender o mundo mitológico. Mas, dado o comportamento do garoto, não restava opção.

xxx

— Minha mãe disse que “só vou passar um tempo lá” — Hyden repetiu as palavras com ironia, olhando para o teto —, mas ela quer se ver livre de mim o quanto antes. E o meu pai não falou nada, só concordou — não estava surpreso por quererem mandá-lo para fora de casa, mas achava que dessa vez as coisas não seriam tão simples. — Babacas.
Anne se deitou de bruços na cama ao seu lado.
— Hy — ela o chamou com a voz arrastada. — Você vai me ligar quando estiver nesse acampamento?
Anne era sua namorada desde a sétima série, e exatamente o seu oposto: enquanto ele era o encrenqueiro irresponsável, ela, a menina doce e simpática que todos gostavam.
Hyden sorriu e acariciou-a na bochecha.
— Todos os dias. E, às noites — inclinou-se para sussurrar no ouvido da garota —, brincamos de strip poker por chamada de vídeo.
Ela riu e se virou para beijá-lo. Hyden envolveu-a nos braços, e ambos rolaram na cama entre beijos e mordidas. Caíram no chão, e riram.
Com ela, tudo era divertido. Seus dias, menos chatos. E, agora, tinha que passar sabe-se lá quanto tempo no acampamento para adolescentes problemáticos e ficar longe dela. Hyden tentara argumentar, mas sua mãe pouco lhe deu ouvidos. E o seu pai não fazia nada, só concordava.
— Acho que está na hora de ir — Anne disse, deviando-se de um beijo no pescoço para levantar. Ajeitou a manga da blusa no ombro e apoiou uma mão na cintura, fazendo pose autoritária enquanto fitava-o.
— Assim você parece a minha mãe — Hyden sentou-se. — Eu não quero ir.
— Precisa ir, Hy. Vamos logo, ou desistirei do strip poker à noite.
— Você sempre consegue me convencer — riu, levantando-se para roubar um beijo rápido. A mochila com suas roupas estava ao lado da cama, mas parou, olhando em volta. — Eu quase estava esquecendo… — foi até o criado-mudo e pegou a fotografia que tirara com Anne no verão passado. — Vamos.
O carro já estava esperando por Hyden, com o motorista segurando a porta aberta. O garoto parou e olhou por cima dos ombros, buscando alguém que deveria estar ali. Ninguém viera lhe dar nem um “até logo”. Só havia o motorista.
— Onde estão a minha mãe e meu pai?
— Estão ocupados, Hyden. Eles me deram a ordem de levá-lo — o homem era sério todo o tempo.
Era difícil para ele acreditar que seus pais não lhe davam a mínima importância. E se simplesmente sumisse, talvez até agradecessem. Só não fazia-o por Anne. Ela, sim, se importava com ele. Devia ser a única.
Hyden olhou para trás antes de entrar no carro. Vão se foder.


Era uma sala escura, iluminada apenas pela lareira. E mesmo com o fogo, Hyden podia sentir o frio presente no lugar. Havia um silêncio profundo ali. Não era feito apenas pela ausência de vozes ou barulhos, mas como se alguém quisesse que permanecesse daquela forma. As paredes, os móveis, o fogo… eles queriam falar, mas não podiam. O silêncio não permitia.
As chamas falharam por um momento, e surgiram sussurros. Não havia ninguém na sala, mas as vozes estavam lá. Eram murmúrios pesarosos, que ficavam mais rápidos e intensos a cada instante. Chamavam, pediam, e lamentavam, e lamentavam, e lamentavam. Entre as palavras, um nome que fê-lo arrepiar.
Hyden Mclair.



Acordou assustado com o motorista sacudindo-o sutilmente. Sua mão envolvia o cinto de segurança com tanta força que deixava seus dedos brancos. Quando se deu conta de onde estava, soltou a respiração presa.
— Já chegamos, Hyden.
O garoto olhou pela janela e viu-se numa estrada deserta, que findava numa trilha de terra. Podia ver árvores e, mais além, duas pilastras que sinalizavam a entrada de um lugar. Se – infelizmente – estivesse certo, aquele era o acampamento.
Hyden apontou.
— Aquilo ali é para onde vou? — perguntou com uma sobrancelha arqueada, e o homem fez que sim com a cabeça. — Não poderia ser melhor.
Com a mochila num dos ombros, Hyden viu o carro partir e deixá-lo parado na estrada. É só por algum tempo, repetiu para se convencer. Algo, no entanto, dizia-lhe que muitas coisas estavam por vir…


Narrativa

Um sátiro entrou no chalé de Hades, olhando nervoso para os lados.
Aquele lugar causava calafrios até mesmo nos semideuses residentes, em parte por causa da decoração macabra. Mas havia, também, uma aura negativa que afastava os seres vivos. E o cheiro de enxofre, que diziam ser o mesmo do Submundo, não era dos melhores. Era, no geral, um lugar a ser evitado.
Hyden estava sentado na cama com as costas encostadas na parede. Ao perceber que havia mais alguém no chalé, deixou a bolinha de tênis escapulir, e ela foi rolando até parar perto do casco do sátiro. Ergueu os olhos para o recém-chegado, esperando pelo possível sermão que viria.
— Hyden.
— O próprio.
— Então… — o sátiro tremeu dos pés à cabeça com um calafrio.
O filho de Hades revirou os olhos.
— Vai falar logo ou está difícil?
— Tudo bem, tudo bem. Q-Quíron está te chamando. Na Casa Grande. Tipo, agora. É para ir. Importante. Missão.
À menção da palavra “missão”, inclinou o corpo para frente, como se não tivesse ouvido direito, mas o sátiro correu para fora do chalé como o Diabo foge da cruz. Aquilo divertiu o garoto, que se espreguiçou para sair da cama. Por mais que não gostasse de acatar ordens, haviam atiçado sua curiosidade. E nunca fora numa missão.
Darkness descansava ao lado da cama, o ferro negro afiado como nunca. Hyden atou-a à cintura com a bainha, e sentiu-se mais poderoso. Aquela arma decerto não era comum. E então, saiu do chalé.


— Hyden, preciso que você vá até o Submundo — Quíron encarou o filho de Hades como se pudesse lê-lo por completo. Aquilo incomodava o garoto, mas tentava não demonstrar.
— Submundo? Eu? — o centauro confirmou. — Há vários outros semideuses. Por que escolheu a mim?
Quíron coçou a barba.
— Tudo bem, eu posso mandar outro.
— Ei, ei, eu não disse que não iria. O que eu tenho que fazer lá?
Um envelope foi estendido por cima da mesa, e Hyden o pegou. Quando estava prestes a abri-lo, foi interrompido.
— Não abra — pelo tom de Quíron, estava claro que não deveria fazê-lo. — Deve entregar ao seu pai. Em mãos.
— Hades, sem problemas.
— Somente para Hades. Fui claro?
Hyden balançou a cabeça, mas ainda tinha uma dúvida.
— Como eu chego no Submundo mesmo?
Quíron fez um gesto para a porta, e quando se virou, o garoto recuou um passo involuntariamente. A mão, por instinto, pousou no cabo de Darkness. O tempo que passara treinando na arena servira para melhorar o seu reflexo, afinal.
Parado na varanda estava o maior cão que Hyden vira na vida. Negro, com olhos rubros cor-de-sangue que seguiam qualquer movimento que fazia. Sua respiração pesada podia ser ouvida facilmente a um quilômetro de distância.
— Não pode estar falando sério.
— Tome cuidado, Hyden.
Antes que pudesse esboçar qualquer reação, a criatura avançou e, a partir dali, sua visão escureceu. O cheiro de enxofre tomou-lhe o nariz e vozes aflitas chamaram-no, suplicando por ajuda. Seu estômago virou do avesso, e quase vomitou. Se aquela era a sensação de estar no Submundo…
— Puta que pariu — capotou na vegetação morta ao sair das sombras. — Gostei.
O cão infernal desapareceu ao mesmo passo que surgira. Hyden olhou em volta, ainda desorientado, levantando-se para se firmar. À frente, agigantavam-se muralhas negras e impiedosas capazes de fazer o mais valente dos semideuses hesitar. E, atrás, uma vastidão de terra morta e descampados, até onde a vista podia alcançar.
Merda.
O caminho até os portões do castelo de Hades não era longo. À medida que avançava, um alerta de perigo martelava o seu âmago. Tinha a sensação de que estava esquecendo alguma coisa, um detalhe muito importante. Receoso, tirou Darkness da bainha, e o gemido da lâmina ecoou por muito tempo. Vozes, sussurros… aquilo era tudo muito assustador, mesmo para um filho do deus dos mortos.
Quando finalmente havia atravessado o percurso até o castelo, uma sombra se agigantou à frente. Uma sombra muito grande. Engoliu em seco, e a mão que segurava a espada começou a tremer. O rosnado congelou-o no mesmo lugar.
Cérbero, o cão de três cabeças. Ótimo detalhe para esquecer.
Desviar da patada rendeu-lhe boas cicatrizes. E, como se não bastasse, cada passo do monstro reverberava até muito longe, e era difícil manter o equilíbrio. Hyden recuou de costas, temendo a próxima investida. Enfrentava, naquele momento, a morte vindoura. E, num momento muito propício, lembrou-se de uma lição aprendida no acampamento.
Seu sexto sentido – déficit de atenção para os leigos – avisou-o do segundo ataque e fê-lo desviar por pouco. Darkness voou num arco, fazendo um corte no focinho da cabeça da esquerda. Isso só fez o Cérbero se irritar mais.
Hyden correu, buscando qualquer coisa que pudesse servir de abrigo. A meu caminho de um tronco de árvore morto, o rabo do cão acertou-o, jogando-o para longe. Mais feridas, mais cicatrizes. E, agora, Darkness não estava mais consigo. Mas algo estranho ocorreu.
Um barulho semelhante a um pato de borracha sendo amassado cortou o lugar e fez os rosnados cessarem. Hyden se sentou e viu, para sua estranheza, o Cérbero correndo para apanhar uma bolinha que fora arremessada. Ergueu uma sobrancelha, descrente. Em seguida, percebeu a presença poderosa que surgira.
Um homem: meia-idade, roupas negras e semblante duro. Sem dúvidas, Hades. E caminhava na sua direção, os passos fazendo o solo morto se dobrar sob seus pés. A postura imponente intimidava, e Hyden teve que se fazer esforço para não se ajoelhar. Por mais poderoso que fosse o deus, o moleque era orgulhoso. Fez-se de indiferente: manteve o queixo para cima e encarou Hades com casualidade.
— Corajoso, garoto — o deus parou à sua frente, observando-o com olhos frios e vazios. — Não esperava menos.
Hyden tirou o envelope do bolso e estendeu-o, mas não recebeu resposta. O papel simplesmente queimou em sua mão.
— O quê?...
— Eu já sei o que aquele centauro quer — disse o deus —, e a minha resposta é não.
Fora até o Submundo para, no final das contas, receber a recusa de Hades, sendo que nem sabia do que se tratava. Arriscara a vida à toa. Aquilo irritou-o; se havia uma coisa que não gostava nem um pouco era que fizessem-no de babaca. Não importava se era um deus.
— Você só pode estar de brincadeira — começou, e Hades arqueou uma sobrancelha. — Vim até o Submundo trazer um pedaço de papel que você queimou. Quase morri para o seu fucking cachorro de estimação. E você diz simplesmente “não”? Vá se foder.
Uma ruga surgiu entre os olhos do homem parado à sua frente, e Hyden sentiu o hálito frio da morte em sua nuca. Um dedo pálido foi erguido em direção de sua testa, mas parou a meio caminho. Hades sorriu.
— Cuidado com as palavras, Hyden. Mas gosto da sua audácia. Agora, me siga — virou-se e caminhou na direção dos enormes portões.
— Para onde?
Não houve resposta, tampouco alternativa. Fosse por que fosse, Hades queria alguma coisa com ele. E, por mais idiota que fosse, sabia que não estava em posição de escolher. Teve que seguir o deus.

Não abra:
Querido avaliador,

Eu deixei o final da narrativa meio em aberto para poder desenvolver a trama do personagem a partir dali. Espero que isso não atrapalhe. E, durante o texto, fiz uso da arma inicial dos filhos de Hades e a perícia com armas laminadas, que é um poder passivo. É isso. See ya.

Atenciosamente, Hy.
Hearven Schaller
Filhos de Hades
Mensagens :
91

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Teste para filhos de Hades

Mensagem por 112-Ex-Staff em Ter 19 Ago 2014, 23:25

Willian Campelo: Aprovado.

Embora tivessem alguns problemas na sua narração com relação ao modo como caracterizou Hades - o que sua explicação não conseguiu me convencer - e alguns erros de gramática menos graves, resolvi aprová-lo. Tome cuidado com os buracos em sua história e com a adição de elementos fora do universo de PJO, além de revisar melhor o bendito texto para não deixar passar falhas como a troca do "há" pelo "a". Bem vindo, prole de Hades.

kurisu: Reprovado.

Foram três os motivos principais pelos quais você não conseguiu ser reclamado por Hades. Primeiro: O seu nome está fora das regras. No PJBR, todos os nomes de personagens semideuses são compostos por nome e sobrenome. Segundo: A falta da parte narrativa da ficha. Como explicitado nas regras por Eos, a parte da reclamação e a narrativa são partes diferentes e tem de ser separadas. São histórias diferentes, portanto há essa falta. Terceiro: A grande incoerência de você ter morrido - deu a entender isso - e ressuscitado no meio da ficha. Só porque você é filho de Hades, não significa que é imune a morte e que possa ressuscitar a qualquer momento. Você ainda está submetido às leis do submundo. Houveram outros erros - a interpretação do deus Hades, por exemplo -, mas esses foram os que eu escolhi destacar.

Avaliado por Asclépio tesão e delicia

Atualizado
112-Ex-Staff
Indefinido
Mensagens :
1873

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Teste para filhos de Hades

Mensagem por Conteúdo patrocinado Hoje à(s) 16:15

Conteúdo patrocinado

Voltar ao Topo Ir em baixo

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum