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Teste Hades Janeiro 2014

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Teste Hades Janeiro 2014

Mensagem por Tessa M. Eisenhower em Ter 21 Jan 2014, 15:42



Teste
Para filha de Hades
 


    
Características Físicas:
Lucy é uma garota baixa. Seus longos e ondulados cabelos são castanhos; seus olhos são dourados como âmbar e sua pele é pele branca como papel. Gosta de usar jeans surrados e camisetas largas, e não se importa muito com a aparência. É uma garota bonita, apesar de não perceber isso.

   
Características Psicológicas:
Lucy é uma garota que não leva desaforo para casa. Sempre foi durona e briguenta, e jurou a si mesma nunca mais chorar por nada. Não aceita muito bem o fato de ser uma semideusa, ou que seu pai seja o senhor do submundo, ou que esteja sempre em perigo por culpa de sua aura. É um tanto quanto antissocial, mesquinha, e sempre pensa nela em primeiro lugar. A única pessoa que lhe importa é sua meia-irmã mais nova, Luna. Não é muito amigável e, dependendo da situação, é cínica, antipática e cruel. Lucy criou essa máscara, a fim de esconder seu medo.
 
História:
 
    Dia 31/10/2013
    Quem eu sou? Sinceramente, eu não sei. Ou pelo menos não sabia, até a noite de Halloween. 
   Sempre fui uma pessoa antipática. Motivo? Bom, não sou do tipo de gente que tolera muitas pessoas por perto. Mas não só isso. Era como se eu afastasse as pessoas. Como se elas tivessem medo de mim. Isso era estranho, apesar de eu ser meio ranzinza à vezes.
   Eram cinco e meia da tarde, e eu estava indo para casa. E por onde eu passava, almas me olhavam e recuavam.
  Desde que eu me entendo por gente, consigo falar com os mortos. Não sempre, claro. Eu nunca fui até eles: eles sempre vêm até mim. Sempre estão de passagem, e nunca incomodam a mim ou a outros vivos.
   Suspirei. Como hoje é o dia do Halloween, significava que o véu dos mundos estaria mais fino e fácil de atravessar. Ótimo. Como se não bastasse, eu teria de passar a noite na rua com minha meio-irmã mais nova, Lucy, indo de casa em casa pedindo doces ou travessuras.
   Cheguei em casa e fui recebida por minha mãe, que estava no hall de entrada.
   - Tadaima, okassan... – falei para ela. Minha mãe sorriu.
   - Okaeri, Lucy. – minha mãe se chama Yuuki. Sabe, ela e eu somos japonesas. Tá, ela é japonesa. Sou só descendente. Ela é uma mulher bem bonita, considerando que tem 40 anos: seus cabelos são negros, sedosos e curtos. Sua postura, impecável. Sua pele é branca como papel.
   Minha mãe é uma ótima advogada, e uma mãe excelente. Ou seria, se não fosse pelo fato de que ela quer que eu fale, às vezes, em japonês. Não que eu não goste, na verdade não ligo. Mas às vezes, enche o saco!
  - Você vai levar sua irmã, não é? – ela perguntou, sorrindo. – Para pedir doces na rua... – Suspirei, frustrada.
  - Mãe, ela não é minha irmã! – respondi, fechando a cara. Não me entenda mal, não é que eu não goste da Luna. Na verdade, eu a amo. Mas é que, para mim, ser “irmã” é ser filha do mesmo pai e da mesma mãe. Ou seja, de ambos os pais. E não só apenas de um.
  Depois que meu pai abandonou a mim e à minha mãe quando eu era apenas um bebê, ela casou-se novamente com Bill, um empresário. Ele é um homem sério, mas ao mesmo tempo bondoso. Sempre notei que ele ama muito a minha mãe.
  Quando fiz 5 anos, Luna nasceu. E eu comecei a notar o quão diferente eu era de minha meio-irmã. Ela é loira, dos olhos verdes. E eu sou morena, dos olhos âmbar. Estranho? Com certeza! Deveríamos ser parecidas, não? Comecei a fazer perguntas para minha mãe do motivo de eu ser diferente de Luna, e ela disse que quando eu fosse mais velha, eu saberia.
  E, no meu aniversário de 15 anos, ela me conta que Bill não é meu pai. Oh! Que inusitado! Isso era mais que óbvio para mim. Quando perguntei quem era meu pai, ela se limitou a responder:
  - E-Eu não me lembro, Lucy. Só sei que ele não pôde ficar conosco. Mas ele era um homem lindo e amável. – só. Se ela estava mentindo? Provavelmente. Só por ter gaguejado logo no começo. Acham que eu não conheço minha mãe?
   Após as minhas palavras, a vi franzir o cenho, em desaprovação.
   - Não ouse repetir isso, Lucy Scarllet! – ela falou, apontando o dedo para mim. – Luna é sim sua irmã!
  - Meia-irmã! – rebati, encarando-a. Sempre fui uma garota difícil, com o temperamento um tanto quanto... Explosivo. Mamãe diz que herdei isso de meu pai. – Eu não tenho obrigação nenhuma de levar a pentelha para pedir doces ou travessuras na rua! – falei, tirando meus sapatos no hall e correndo para as escadas logo depois. Subi até chegar ao segundo andar, entrando em meu quarto e trancando a porta logo em seguida.
   Exausta, fui direto para minha cama. Sempre que eu discutia com minha mãe, ficava cansada.  Ela tinha o dom para me cansar em uma briga. Tá certo que nem foi uma briga tão... Bom, nem foi uma briga. Exagero meu? Com certeza!
   Suspirando, peguei meus fones de ouvido mas, antes que eu tivesse a chance de colocá-los no ouvido para escutar Metallica, fui surpreendida por algumas batidas na porta. Revirei os olhos e, de má vontade, pus-me de pé, destrancando e abrindo a porta de meu quarto. E, para a minha surpresa, Luna estava ali.
   Seu resto delicado estava com um semblante triste. E isso, estranhamente, fez com que eu me sentisse mal. Mas logo me recompus.
   - O que quer aqui, Luna? – perguntei para minha meio-irmã. Ela apenas me encarou.
   - Lucy... – sua voz era calma. Mas eu sentia a tristeza que vinha dela. – Por que você não gosta de mim? – perguntou. Engoli em seco. Ela nunca me fizera essa pergunta antes.
   - Não é que eu te odeie, Luna... – forcei um sorriso. Fiz-lhe um cafuné e, depois, ajoelhei-me em sua frente. – O que acha de sairmos para pedir doces, hein? – mudança de assunto: essa era minha especialidade.
   Ela me encarou, com os olhos brilhando. O assunto sobre eu supostamente “não gostar dela” fora esquecido. Apesar de ser minha meio-irmã... Não nego que a amo demais. “Então por que o drama com sua mãe?” você deve ter pensado. É que sou uma pessoa difícil. Não tenho jeito para lidar com as pessoas. Pode-se dizer... Antissocial. E sempre digo algo que magoa a outra pessoa. E eu tenho muito medo de magoar Lucy. Claro que não é só por isso: sou esquisita, estranha, falo com gente morta! Acha que eu quero Lucy perto de tudo isso?
     - Podemos mesmo? – ela perguntou, abrindo um sorriso. Confirmei com a cabeça e, após me dar um abraço, Luna correu porta afora, indo vestir sua fantasia.
 
   Eram sete e meia da noite, e nós estávamos caminhando pela calçada. Crianças e adolescentes andavam de um lado para outro, com as mais variadas fantasias: bruxas, fadas, gnomos, fantasmas... E, falando em fantasmas, havia ali os falsos... E os verdadeiros.
   Almas penadas, que andavam de um lado para o outro, passando pelos vivos, sem que os mesmos percebessem. Mas os mortos não se aproximam de mim. Não mesmo. Assim, mantenho Lucy por perto. Mais por precaução.   
   E então, o avistei. Meu pesadelo vivo. Um garoto alto, com cabelos loiros, curtos e arrepiados e olhos azuis escuros. Ele usava a fantasia de Legolas, do Senhor dos Anéis. Um arco e uma aljava, ambos dourados, estavam em suas costas. O garoto é uma pessoa animada e alegre. E bem bonito, na verdade. Mas vivia dando em cima de mim, e nunca me deixava em paz.
   Assim que me avistou, ele sorriu e correu até minha irmã e eu.
   - Lucy! – ele disse, abrindo um luminoso sorriso. – É um prazer ver você! – o garoto me abraçou e eu comecei a lutar para me soltar.
   - Chase, me solta! – falei para ele. Então, o projeto de Legolas me soltou e olhou para mim.
   -Ah, Lucy, você é tão má! – ele fingiu uma cara triste, levando a mão à testa e fazendo drama. Revirei meus olhos para o garoto.
   - Para de drama, projeto de Legolas. – falei, franzindo o cenho.
   - É... Lucy... – Luna me chamou, e eu olhei para ela com uma cara de “diga, pirralha”. Então ela continuou: - Vocês são namorados?
   E, nesse momento, eu quase me engasguei com minha própria saliva. Mas que diabos... Chase apenas se limitou a rir e a afagar a cabeça de minha meio-irmã.
   - Oh! Mas que menina mais observadora! – ele falou, sorrindo. Sério, será que ele nunca cansava de sorrir? – Quem é você, pequena fada? – perguntou, observando a fantasia de minha meio-irmã.
   - Ela é Luna, minha meio-irmã. – falei, antes que a pirralha pudesse responder. Meu... É... “Amigo” levantou as sobrancelhas.
   - Você tem uma irmã e nunca me contou? – seu tom de voz estava sério. Estranhei isso, mas logo me senti frustrada por ele me cobrar esse tipo de coisa. Quem ele pensa que é?
   - Nunca lhe contei porque não te interessa! – rebati, pegando no pulso de Luna e arrastando-a pela calçada. – Vamos, Luna. Vamos continuar a pegar doces para você.
   - Ai! Lucy, me solta, isso machuca! – ela reclamou, mas não dei atenção a ela. Só queria distância daquele garoto. O que não adiantou muita coisa, pois ele nos seguiu.
   Resolvi ignorá-lo. Enquanto caminhávamos, Luna me perguntava sobre Chase: se ele era meu namorado, se eu gostava dele, se ele era carinhoso comigo, porque eu o tratava mal... E, a esse ponto, nós havíamos chegado à esquina e minha paciência já estava zerada. Encarei-a com raiva.
   - Luna! Nós não somos namorados! – falei para ela. – Chega garota, cansei! Se quiser pedir doces, vai sozinha! – soltei a mão de minha meio-irmã e atravessei a rua.
   - Lucy! Espera! Eu... – e, de repente, uma batida alta e gritos me fizeram virar para trás. E, assim que eu vi a cena, senti meu corpo inteiro amolecer.
   Um carro. Uma batida. E uma vida perdida. A vida de Luna. Um carro havia atropelado minha meia-irmã. Ela estava no chão, caída, com seu pescoço virado em um ângulo estranho. À sua volta, havia uma poça de sangue. Em seu corpo, havia escoriações e sua perna estava com uma fratura exposta. Seu vestido, antes rosado, agora estava vermelho e rasgado.
   Caí de joelhos no chão, meu estômago revirando. E então, coloquei meu lanche da tarde para fora. Comecei a tremer como louca e lágrimas acumularam-se em meus olhos. Senti um par de mãos ao meu redor. Eu sabia que era Chase, pois ele havia me seguido até ali.
   - Lucy... Vem, vamos sair daqui... – sua voz era gentil e doce. Mas demonstrava certo... Medo? Seria isso?
   Meu coração batia freneticamente. Minha respiração estava acelerada. E só uma coisa martelava em minha cabeça: que eu era a culpada pela morte de Luna.
   - LUNA! – gritei, em meio a meu desespero e lágrimas, o nome de minha meia-irmã ecoando pela noite.
 
   Dia 2/11/2013
   Estávamos no velório de minha meia-irmã. Eu estava com meu vestido preto. Meus cabelos estavam desgrenhados, pois não sentira vontade de arrumá-los. As pessoas que por mim passavam, davam os pêsames. Mas eu não ligava. Não queria ouvir das pessoas que elas sentiam muito. Soava... Falso. Superficial.
   Não fui ver o corpo de Luna no caixão. Entraria em colapso se eu visse. Mais do que eu já estava. Eu não conseguia pensar em nada. Não conseguia falar nada. Eu não havia comido ou dormido já faziam dois dias.
   Estava sentada num banco perto da parede oposta à aquela caixa de madeira, olhando para o vazio. Não conseguia parar de pensar o quanto eu era culpada. Se eu não tivesse soltado a mão dela! Lágrimas silenciosas rolaram meu rosto, enquanto meu coração começava a disparar novamente.
   Pus-me de pé e saí daquele lugar. Não iria aguentar ficar ali. Assim que passei pelas portas da frente da funerária, deparei-me com Chase. Ele estava com uma camiseta preta, jeans, casaco preto e tênis. Seu olhar, que sempre transbordava alegria, agora demonstrava tristeza.
   - Lucy... – ele disse, me puxando para um abraço. Estranhamente, eu não rejeitei. Acho que estava tão em choque pela morte de Luna, que não me importava com o resto. – Sinto muito.
   “Sinto muito.”. Como eu odiava essas palavras.
   - É minha culpa, Chase. – sussurrei, as lágrimas ainda caindo.
   O garoto alisou minha cabeça, tentando me consolar. Não deu certo.
   - Lucy, sei que é um mau momento, mas precisamos conversar. – Chase me olhou nos olhos e, por um momento, seu olhar ficou sério. Então, ele sentou-se no chão e eu repeti seu gesto, sentando-me ao lado dele.
   Não estava a fim de papo, mas... Parecia que era algo sério. Então, parei para ouvi-lo.
   - Aquele carro... Queria atropelar você. – Chase falou, por fim.
   Surpresa, virei meu rosto em sua direção.
   - Como assim, do que você está falando?
   - Você não é uma pessoa normal, Lucy. Levei um tempo para perceber de quem você é filha, mas após coletar alguns dados e, depois de ontem, finalmente descobri.
   - O que? Do que você está falando? – perguntei-lhe, completamente confusa. Chase me encarou, seu olhar preocupado. – Como assim o carro queria me atropelar?
   Chase suspirou.
   - Lucy, você sabe quem é seu pai? – neguei com a cabeça. Por que ele estava perguntando do meu pai agora? – Eu desconfiei. – ele suspirou. – Você é como eu. Uma semideusa.
   Uma o quê? Meu cérebro não conseguia processar essa informação. Uma o quê? Semideusa? Como assim? Isso é ilógico, e impossível. Deuses não são reais. Empurrei-o, ou pelo menos tentei. Chase apenas segurou-me pelos pulsos.
   - Você está louco, Chase. Vá embora! – falei para ele. Meu coração batia freneticamente e minha respiração estava acelerada.
   - Estou? Tem certeza? – ele me empurrou, até que eu ficasse contra a parede. – Você vê pessoas mortas, não é? As pessoas geralmente ficam longe de você, certo? Não só elas, mas as almas também.
   Meu queixo caiu. Como ele...
   E, de repente, minha mãe saiu de dentro da funerária, acompanhada de Bill. Seus olhos estavam inchados e vermelhos. Nas suas trêmulas mãos, um lenço encharcado por suas lágrimas.
   - Mãe... – falei. Meu “amigo” me soltou, e eu fui em sua direção, mas parei assim que vi seu lhar. Uma mescla de raiva e ódio me atingiu, fazendo meu corpo paralisar e começar a tremer de leve.
   - A culpa é sua. – ela disse. – Por ser filha daquele homem! A CULPA É TODA SUA! – ela falou, indo em minha direção e sendo parada por Bill. Meu padrasto me olhou com solidariedade.
   - Yuuki. Não diga isso. – ele falou, abraçando minha mãe. Meu coração falhou algumas batidas, e eu senti que me despedaçava por dentro. A raiva que eu vira em seu olhar... Caí de joelhos, completamente sem chão.
   - E você, Chase. Leve-a aquele lugar. O Acampamento Meio-Sangue. Não quero mais essa garota em minha casa! – e, após essas palavras, ela virou as costas e saiu.
   Eu estava tão concentrada em minha própria culpa, que nem me lembrei de resistir quando Chase me puxou para cima e me colocou em uma van. Tudo era muito confuso: filha daquele homem, minha mãe dissera. Acampamento Meio-Sangue. Que raios de lugar era esse, afinal? E quem era meu pai?
   Comecei a chorar de desespero e amargor. Chase colocou um braço em meus ombros e não disse nada. Pela primeira vez, permiti-me ficar feliz por isso: uma das melhores formas de confortar alguém era ficar em silêncio.
   Não vi para onde a van ia, ou quem estava dirigindo. Para mim, isso agora não importava. Na verdade, nem ligava para isso.
   - O que eu disse antes era verdade, Lucy. – ouvi Chase falar. Olhei para ele.
   - Quem sou eu? Ou melhor, o que sou eu? – perguntei, entre soluços.
   - Você é uma semideusa. – o garoto falou, após soltar um suspiro. – Assim como eu. Sua mãe é mortal. E, seu pai, um deus. – ele deu um sorriso, passando o polegar em minhas bochechas, limpando a trilha de lágrimas.
   - Quem é seu pai?
   - Apolo, o deus do sol, da música, etc, etc, etc... – ele falou, movimentando as mãos em um gesto contínuo. – Já você...
   - O que tem eu? – perguntei. Antes, ele dissera que havia descoberto quem era meu pai. Depois do que houve hoje, não ficaria surpresa com qualquer notícia que ele me desse. Quem diria que eu estava tão errada? – Você disse que sabia quem é meu pai. Conte-me! Por favor!
   Vi Chase hesitar por um momento, como se ponderasse sobre me contar quem era meu pai. Novamente, meu coração falhou algumas batidas. Medo. Era isso que eu sentia agora. Medo de descobrir a verdade.
   - Sim, eu descobri. – ele respondeu, cauteloso. O garoto abriu a boca para falar algo, quando o motorista da van parou. Chase suspirou, um tanto aliviado. – Venha. Vou levar você para alguém que possa te contar isso de uma forma... Melhor que eu.
   Então, ele me puxou para fora da van, e eu me deparei com uma colina, de grama verde-clara e, no topo, um pinheiro. Havia algo enroscado nele. Um lagarto gigante. Não, não era um lagarto. Era um...
   Recuei.
   - Aquilo é um...
   - Dragão. – Chase sorriu. – Não se preocupe, Peleu não vai lhe fazer mal nenhum. – e então, tomando minha mão, o garoto me conduziu colina acima. Passamos por Peleu, o dragão, e eu senti meu queixo cair quando vi o que havia colina abaixo.
   Um acampamento. Mas não um acampamento qualquer: o tal acampamento meio-sangue. No lado oposto à colina, havia o mar. E, perto dele, haviam vários chalés, de diferentes cores. De um lado, havia a floresta. Havia também um campo de plantio, que não consegui identificar bem o que era. Vi uma arena, um pavilhão, uma espécie de anfiteatro...
   Chase me conduziu pelo acampamento, e todos os outros... Hum... Campistas, me olhavam estranhamente. Enquanto me conduzia para o local que ele chamou de Casa Grande, onde morava o diretor do acampamento, o garoto me dizia o que aquele lugar realmente era: um acampamento para treinamento de semideuses, pois o mundo lá fora era perigoso para crianças como nós. Contou-me, também, que todos os seres mitológicos eram reais.
   Era difícil assimilar tudo. Era muita coisa para minha cabeça. Deuses, monstros, semideuses... Eu nem havia superado um trauma, e já vinha mais coisa para eu superar? Seria impossível.
   Quando nos aproximamos da Casa Grande, vi que, na varanda, havia um híbrido de homem e cavalo. Um centauro. Assim que nos aproximamos, ele me encarou.
   - Senhorita Scarllet... – ele disse, fazendo uma pequena reverência. – Meu nome é Quíron, o monitor de atividades do Acampamento Meio-Sangue. – o centauro sorriu, depois virou-se para Chase. – Obrigada por trazê-la em segurança, Chase.
   - Por nada, senhor Quíron. – e, após se despedir de mim, o garoto saiu de lá, deixando-me a sós com o centauro.
   - Então, senhorita Scarllet, sei que está passando por um momento bem difícil... – Quíron falou, alisando a barba. Olhei para baixo, escondendo-me em meus cabelos, que caíram ao redor de meu rosto. – Mas quero que me acompanhe. Vou levá-la até sua nova casa.
   Levantei os olhos.
   - Nova casa? – perguntei, meu coração acelerando. Ele assentiu.
   - Sim, sua nova casa. Venha comigo. – o centauro trotou para fora da varanda, e eu o segui. Caminhamos pela área dos chalés, e ele foi me dizendo a qual deus grego os chalés pertenciam. Chalé 1, Zeus; Chalé 2, Hera; Chalé 3, Poseidon; Chalé 4, Deméter; Chalé 5, Ares; Chalé 6, Atena; Chalé 7, Apolo; Chalé 8, Ártemis; Chalé 9, Hefesto; Chalé 10, Afrodite; Chalé 11, Hermes; Chalé 12, Dionísio.
   E, então, Quíron parou na frente do chalé 13. Ele era feito de pedras negras, que eu reconheci: obsidiana, vidro vulcânico. Na entrada, haviam tochas, que portavam um fogo verde. Era, de certa forma, assustador.
   - E este chalé, Quíron? Pertence a qual deus grego? – perguntei. Em algum lugar dentro de mim, eu temia saber. Mas eu já estava tão chocada que nenhuma outra notícia me chocaria por hoje.
   - Este chalé pertence ao seu pai, Lucy. Hades, o deus do submundo.
   Como eu estava enganada. Essa notícia fora o ponto alto de meu dia. E, mais uma vez, eu sentia o mundo desaparecer debaixo dos meus pés.
 
 
TRAMA:
 
   Faziam alguns dias que eu estava no Acampamento Meio-Sangue. O lugar era legal e tudo mais, mas eu sentia saudades de casa, da minha mãe e o que eu mais queria era poder voltar. Queria mesmo. Mas eu não podia. Ela me mataria.
   Mas eu não conseguia dormir. Em meu chalé, o máximo que eu conseguia fazer era olhar para o teto. Os roncos de meus irmãos enchiam meus ouvidos, e isso deveria fazer com que eu me sentisse bem e segura, afinal eles era, tecnicamente, minha família, certo? Errado. A cada dia que eu ficava ali, eu me sentia mais e mais sozinha e impotente. Tantos semideuses poderosos e tudo que eu conseguia fazer era, no máximo, levitar pedras a 30 centímetros do chão. Nível de inutilidade? Cem por cento.
   Eu queria tanto voltar naquele dia, e impedir a mim mesma de soltar a mão de Lucy! Queria poder... E uma ideia me veio à mente. Claro! Sou filha do deus dos mortos, certo? Então eu, tecnicamente, poderia fazer o que eu pensava.
   Com meu coração aos pulos, levantei-me da cama e, sem acordar meus irmãos, troquei de roupa, colocando minha calça legging, camiseta do Nirvana, casaco de frio e botas. Peguei minha espada e saí do chalé, indo até a área dos estábulos. Eu havia arrumado algo para fazer, mas Quíron nunca deixaria que eu fosse. Não sozinha, pelo menos. Mas não queria ninguém me atrasando.
   Abri a porta dos estábulos, que rangeu audivelmente. Olhei para os lados e, depois, adentrei rapidamente, com medo de que alguém me visse a me dedasse para Quíron ou o Sr. D. Então, caminhei até a última baia, onde havia o único pégaso no acampamento que gostava de mim.
   - Buttercupp! – falei, abrindo um sorriso mínimo. O pégaso me encarou e relinchou em desaprovação. – Sei que é tarde, mas poderia me dar uma carona até o cemitério?
   Buttercupp relinchou como quem diz “Você é louca?”. Então, eu tirei do bolso do casaco algo que eu havia pegado no chalé antes de sair: torrões de açúcar. Estendi a mão para o pégaso, que pareceu se acalmar. Mas, mesmo assim, olhou-me desconfiada.
   - Por favor, Buttercupp! – implorei. – Te dou mais torrões de açúcar quando voltarmos, o que acha? – propus. Mesmo não gostando muito da ideia, ela se aproximou de mim e, após comer os torrões, deixou que eu montasse em seu lombo. Saímos do estábulo, Buttercupp abriu as asas e levantou voo.
   O ar noturno era frio, e cortava meu rosto. A lua estava alta no céu, e iluminava o caminho que eu e o pégaso trilhávamos. Não haviam nuvens, tornando nossa visibilidade total.
   Eu sei que isso é algo irresponsável. Mas o que eu posso fazer? Eu queria visitar minha irmã, nem que eu tivesse que procurar por ela, lápide por lápide.
   Assim que avistei o cemitério, pedi para Buttercupp pousar. A contra gosto, ela o fez. Paramos entre algumas lápides mais novas. O vento continuava frio e sinistro, mas eu não me importava. Depois que descobri meu parentesco divino, eu havia perdido meu medo de muitas coisas. Meu medo do escuro, meu medo de fantasmas... Meu medo de morrer.
   Eu agia com mais indiferença que antes, claro. Tudo uma fachada. Não permitia que os outros se aproximasse com facilidade, e nem queria que eles se aproximassem.
   Ajeitei uma mecha do meu cabelo azul atrás da orelha, e comecei a procurar pela lápide de minha irmã.
   - Sidney Grohrs, Melinda Houst... – murmurei os nomes gravados nas pedras frias. Procurei por mais de uma hora, mas não havia encontrado ainda. Minhas pernas doíam, e eu queria sentar.
   Continuei caminhando por entre as lápides, até que escutei um barulho, fazendo os pelos de meu braço se arrepiarem. Olhei para os lados, procurando por quem, ou melhor, o que fez o barulho.
   E, de repente, senti o mundo virar. Caí de costas no chão.  Haviam me passado uma rasteira. O céu acima de mim ainda era negro, mas alguns pontos de luz dançavam à minha frente. O barulho de cobras ficou mais alto.
   Rapidamente, pus-me de pé e puxei minha espada da bainha. Em minha frente, havia uma mulher. Ou melhor, uma criatura com tronco de mulher e, da cintura para baixo, ela era um réptil. No lugar das pernas, haviam duas serpentes. Demorei um pouco, mas reconheci de um dos livros que eu lera no acampamento: ela era uma dracaena.
   - Filha de Hades! – ela disse, com os olhos brilhando. – Sabia que a encontraria aqui! – a mulher-cobra disse, brandindo uma lança em minha direção. Automaticamente, apontei minha espada para ela.
   - Sabe quem eu sou e mesmo assim quer me matar? – perguntei. – Você é mesmo muito tola. Sou uma das mais poderosas filhas de Hades, monstro. Por que acha que vim sozinha até aqui? – blefei, esperando que ela caísse. E, claro, ela não caiu.
   - Acha que eu acreditaria nisso, filha de Hades? – ela perguntou, rindo. “Bom, eu esperava que sim” pensei, mas guardei para mim mesma.
   Rodei o cabo da espada, fazendo-a dar um giro de 360º, passando pelas costas e palma da minha mão, agarrando o cabo quando ela voltou para a palma. Sim, eu tinha certa habilidade com espadas feitas de ferro estígio. Perícia com ferro estígio, por assim dizer. Era uma espécie de habilidade dos filhos de Hades.
   - Você vai morrer, semideusa. Faz muito tempo que eu não mato um da sua espécie. – ela disse, e então partiu para cima de mim com sua lança.
   Lancei-me para o lado, desviando por pouco de seu ataque. Se tinha uma coisa que um de meus... Meio-irmãos haviam me ensinado era a capacidade de invocar almas com a espada. Não gostava de perturbar a paz de quem já havia partido, mas... Então, em meio a meu desespero escondido e minha falta de opção, me concentrei.
   E, de repente, duas mãos esqueléticas surgiram da terra, erguendo os corpos logo em seguida. Só dois? Bom, era melhor que nada! Os esqueletos olharam para mim, como se esperassem ordens. Ordens que viriam de mim.
   Um arrepio percorreu minha espinha. Mas eu precisava dizer algo a eles.
   - É... Distraiam a dracaena, sim? – e, como se sua vida (ou seria morte?) dependesse disso, os esqueletos partiram para cima do monstro. Eu iria atacá-la por trás. Vi ali algumas pedras, do tamanho de uma bola de boliche.
   Concentrei-me em levitá-las, e atirei-as no monstro, enquanto ela lutava com os esqueletos. Depois, corri para me esconder entre as lápides, ainda levitando pedras e atirando-as. A dracanea levantou o escudo que portava, para se defender.
   Minha chance.
   Corri até avistar as costas dela e, quando consegui, parti para cima. Meu maior erro. Quando estava para penetrar sua pele com minha espada, ela se virou e bateu com o escudo em meu corpo, lançando-me no chão. A dracaena riu.
   - Achou que me enganaria com esse truque ridículo, semideusa? – ela perguntou.
   Dei-lhe um sorriso provocador.
   - Achou que esse era meu plano? – perguntei, encarando-a. Outro blefe, mas que funcionou melhor que o primeiro. Seu olhar ficou confuso, e eu vi minha chance. Chutei seu escudo e pus-me de pé rapidamente, perfurando-a com a espada de ferro estígio.
   Quer saber meu outro erro? Estar tão perto dela. Antes de se desfazer em pó, o monstro mordeu meu ombro. Gritei de dor e caí de costas no chão, sentindo meu corpo inteiro começar a parar de se mover.
   Comecei a respirar rapidamente e minha consciência começar a se desvair.  Não por causa do veneno da dracaena, mas pelo fato de eu ter gastado muita energia levitando aquelas pedras. Pensei, então, em tirar um cochilo ali mesmo ou chamar por Buttercupp para que ela me levasse de volta para o acampamento, quando ouvi passos. Meu coração acelerou e minha mente entrou em um conflito de querer descansar e querer que meu corpo se defendesse, o que me causou uma grande dor de cabeça. Mas eu não conseguia me mexer, o que me fazia descartar a segunda opção.
   E eu me sentia muito cansada, como se eu não tivesse dormido por, sei lá, umas três semanas. Então, apenas fiquei ali, torcendo para que, seja lá quem fosse, se ia me matar, que fizesse isso rapidamente. E, antes de perder a consciência, só pude ouvir sua voz.
   - Você me dá muito trabalho, Lucy. – e então, eu apaguei.
 
   Acordei em um quarto. Olhei para o teto. Era negro como o céu noturno. Sentei-me, mas senti-me tonta e comecei a cair lentamente, como se tudo estivesse em câmera lenta. Então, duas mãos seguraram meus ombros.
   - Não faça isso! Descanse! O veneno da dracaena fora retirado de ser organismo, mas você não pode ficar se mexendo assim! – escutei uma voz feminina ao meu lado. Olhei e me deparei com uma mulher. Seus cabelos eram negros como a noite, e seus olhos demonstravam uma frieza que me cortava por dentro. E tenho certeza que ela faria isso comigo se pudesse. – Meu senhor pediu para que mandasse você descansar, Lucy. – ela continuou. Depois, pôs-se de pé e caminhou porta afora.
   Meus olhos estavam arregalados. Eu sentia isso. Quem era aquela mulher? E onde eu estava? Olhei para o quarto. As paredes eram negras como obsidiana. O chão, era de ladrilhos pretos e brancos e, no centro, havia uma caveira desenhada (legal o que se pode fazer com alguns ladrilhos). Não haviam janelas. A luz do lugar era responsabilidade de algumas tochas com fogo grego.
   A única saída do lugar era a porta por onde a mulher passara, e eu estava pensando nas possibilidades de sair dali, quando um homem adentrou a porta, seguido pela mulher. E meu queixo caiu.
   O homem era bonito até. Tinha cabelos negros, e olhos âmbar, assim como os meus. Ele trajava uma vestimenta grega tão negra quanto as paredes do aposento onde eu me encontrava. Dele, eu sentia uma aura poderosa. A aura da morte. Então eu soube de quem se tratava.
   - Hades. – falei, por fim. O deus ergueu uma sobrancelha.
   - É assim que recebe seu pai, Lucy? – ele perguntou, me encarando. Depois, vi que lançou um olhar de desculpas à mulher ao seu lado. E eu finalmente soube quem ela era: Perséfone, sua esposa. Minha... Madrasta.
   - O que espera que eu faça? Te abrace e chore de felicidade em seu colo? – perguntei secamente. As narinas de Hades inflaram e seus olhos tomaram um brilho perigoso.
    - Olhe como fala comigo, mocinha! Sou seu pai!
   - Um bem negligente, não acha? – rebati e eu achei que ele fosse me fulminar ali mesmo.
   - Você é bem ousada, Lucy. Gosto do seu gênio. – ele falou, e eu notei que meu pai fazia força para se controlar. – Enfim, eu sei o motivo de você estar aqui.
   - Aqui... Onde? – perguntei, meio confusa, levando a mão ao ombro onde a dracaena me mordera. Hades riu, como se eu tivesse feito uma piada.
   - Nos meus domínios, é claro. Você está no mundo inferior. – ele me encarou. Em seus lábios, havia um sorriso. Mas em seus olhos, um sentimento que não consegui reconhecer. Desgosto? Raiva? Descrença? Não consigo dizer qual era. Mas, seja como for, era claro que ele não queria que eu estivesse ali.
   - Uma filha de meu senhor que nem sabe onde está. – Perséfone falou, com ironia na voz.
   - Querida, por favor. Poderia nos deixar a sós? – Hades lhe pediu. A deusa olhou para ele e depois para mim. Bufou, e então saiu do quarto.
   Hades suspirou, como se já tivesse passado por aquela situação algumas vezes. E, sinceramente, eu não me importava.
   Eu tinha um motivo para estar ali. E ia seguir em frente com meu plano. Não iria voltar atrás! Não mesmo!
   - Me desculpe por Perséfone. Ela não é muito... Paciente com meus filhos.
   - Puxa, nem imagino o porque... – sussurrei, enquanto olhava para minhas mãos, as quais eu havia cruzado em meu colo. Hades pareceu ignorar meu comentário.
   - O que eu quero dizer... – ele continuou. – É que sei o motivo de sua visita, Lucy. – ergui os olhos e encarei seu rosto imortal, surpresa. Ele... Sabia?
   - Não sei do que está falando, pai. – menti, e ele se limitou a me lançar um olhar frustrado.
   - Francamente garota, você é uma péssima mentirosa! – falou, irritado. – Você está aqui para levar sua irmã de volta, não é?
   Meu coração quase parou. Sim, esse era meu plano. Entrar no mundo inferior, procurar por Luna e, assim que encontrá-la, levá-la de volta para o mundo dos vivos, dando-lhe outra chance de vida. Poxa vida, minha meia-irmã só tinha dez anos quando morreu. Isso é justo? Claro que não!
   Eu é quem deveria estar morta, não ela.
   - Era para eu estar morta, pai. – falei, desviando meus olhos, vendo algo de interessante em minhas mãos. – Não Luna. Foi um erro ela morrer. E estou aqui para consertar esse erro. Vou achá-la e levá-la de volta.
   Hades não disse nada. Ficou imóvel em seu lugar. O que foi pior de que se tivesse dito algo. Então ele suspirou e caminhou até minha cama, sentando-se ao meu lado. Era estranho ver que o deus dos mortos era uma pessoa... Amável, até. Sempre tive uma imagem negativa de Hades. E, ver que eu estava errada, me surpreendia.
   - Lucy. – ele disse, e eu me obriguei a olhá-lo. – Você não pode fazer isso.
   - Mas pai... – comecei, mas ele levantou a mão em um gesto para que eu me calasse. E, pela primeira vez, obedeci.
   - Os mortos não podem voltar à vida. Você com certeza deve ter vindo para cá com o intuito de ressuscitar sua irmã, mas não posso permitir que faça isso. Não é seguro. Entenda, você é só uma mortal. Não pode mexer com coisas da vida e da morte. Luna está morta. E, se você tentar procurar por ela, terei que te castigar de um jeito que você não vai gostar. – Hades disse. Depois, ele se levantou. – Se recupere. Assim que estiver melhor, vou enviá-la para o mundo dos vivos em segurança. -  e saiu do quarto, me deixando sozinha.
   Lágrimas de raiva e frustração surgiram em meus olhos. Não podia fazer com que minha irmã voltasse à vida. Injusto? Totalmente. Em minha raiva, soquei a parede. Eu voltaria para o mundo dos vivos de mãos vazias.
Armas:
— {Darkness} / Espada [Espada de 90cm, feita de Ferro Estígio. Ajuda o usuário a canalizar a capacidade de controlar e convocar os mortos. Pode drenar almas, deixando a espada mais poderosa. Sua lâmina mede cerca de 70 cm, e sua base é mais grossa que a ponta. A guarda-mão é em forma de um crânio que tem seus dentes pontudos virados na direção do início da lâmina, como se ela saísse de sua boca. Os olhos do crânio são feitos por dois rubis. O cabo e a espiga são revestidos por um couro escuro, de cão infernal e sua bainha também.] {Ferro Estígio} (Nível Mínimo: 1) {Controle sobre as Almas. Número de almas canalizadas: 0} [Recebimento: Presente de Reclamação de Hades]
 
Poderes Utilizados:
Passivos
Aura da Morte I [Nível 1]: O filho de Hades emana uma aura que incomoda as pessoas - não chega a afastá-las, mas elas não ficam à vontade. É algo sobrenatural, sem explicação, mas elas tem medo de morrer ao chegar perto. Não afeta  semideuses ou seres mitológicos. Esta aura também afasta as almas muito mais fracas de você.[Modificado]

Respiração do Submundo [Nível 1]: O filho de Hades respira normalmente em locais de baixa pressão ou subterrâneos, fechados, desde que haja uma quantidade mínima de ar. Eles ainda são afetados por poderes de sufocamento, e condições precárias, se prolongadas, podem ser letais. 

Perícia com armas laminadas [Nível 1] Por ser filho de Hades, o semideus manipula perfeitamente as armas laminadas, ganhas como presente de reclamação, e possuem uma familiaridade ainda maior se elas forem de ferro estige.[Modificado]


Ativos
Necromancia I [Nível 1]: Pode invocar os mortos fazendo o ritual de cavar um buraco no chão, lançar oferendas à eles como cerveja, refrigerante e comidas de drive-thru. Depois, basta cantar em grego antigo quatro versos sobre invocação de mortos, dizendo o nome do fantasma que quer invocar ao final de cada verso. Quando o fantasma escolhido aparecer, deixe-o bebericar e comer a oferenda. Então, virará um espectro e poderá se comunicar com você por até duas rodadas. Nem sempre o fantasma aparecerá e se a lua estiver cheia, o processo tem mais chances de dar certo. O espectro poderá mentir, dependendo de quem ele é e sua relação com o filho de Hades. Apenas um fantasma por invocação, e no máximo uma invocação diária.

Geocinese I [Nível 1]: Pode mover pequenos pedaços de rocha e formações minerais, arrancando-os do chão, levitando-os, o que sua imaginação quiser. uma por vez, as quais não fazem mais do que distrair o inimigo ou atrapalha-lo, porém as pedras não são grandes o bastante para causar machucados sérios. Rochas sagradas ou abençoadas não podem ser manipuladas.


Observação:
Esse texto não é um plágio, só reutilizei-o... Podem olhar pelo IP. Qualquer coisa, mandem-me uma MP.

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Tessa M. Eisenhower
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Ficha de Reclamação

Mensagem por Laura Vause em Ter 21 Jan 2014, 20:39

Características físicas e emocionais:


Estatura mediana, cerca de 1, 70 de altura, corpo magro porém forte, com cabelos compridos e negros escorridos até a cintura, além de olhos azuis e frios como gelo. Uma garota bonita, se você conseguir ver além da aura de desprezo que a cerca. Está sempre procurando ficar longe de qualquer atenção e contato, busca sempre repelir as pessoas ao seu redor, mas no fundo de toda essa arrogância é uma pessoal sensível, apenas cansada de perder ou machucar as pessoas que ama.





História do personagem:




Barulho de tiros, a maligna risada de um louco, um esguicho de sangue, as últimas batidas de um jovem coração. Seu próprio grito e o vermelho cobrindo sua visão. Dor e ódio que se misturavam dentro de si. Um último doce sorriso, um morto abraço, passos pesados e perseguição.
Estas são as lembranças que Laura melhor guardou em sua mente. Lembranças da noite em que sua vida mudou para sempre.
***
Laura costumava ser uma criança feliz com seu irmão Loren e sua mãe, mas isso foi só até a primeira das tragédias por ela vividas acontecer: Sua mãe Aurora morrer de uma hora para outra, de um ataque cardíaco; Laura tinha 9, Loren 13.
A partir daí, as crianças foram criadas pela irmã de sua mãe, uma mulher sádica e fria que tinha prazer em fazer as crianças sofrerem, em abusarem deles como se fossem seus escravos, sempre os castigando, negando-os comida e os difamando, a eles e à sua mãe. Porém, Loren sempre protegeu Laura dos piores mal tratos, sempre tomando para si os piores trabalhos e castigos.
Após uma surra particularmente cruel, em que a tia dos garotos (agora com 12 e 16) ameaçou-os de morte, Loren decidiu que era hora de irem embora.
Por ser mais velho, tinha sido a ele que a mãe dos garotos havia revelado a verdade: Eram semideuses, filhos dela com Hades, o deus grego governante do submundo, e que quando tivessem idade suficiente iriam para o acampamento meio-sangue, localizado em Long Island, para receberem treinamento para se protegerem dos monstros que certamente viriam atrás deles. Mas ela não pensava que sua irmã fosse tratar as crianças com tamanha maldada e impedi-los de seguir sua sina, conforme aconteceu.
E foi para lá que rumaram, nessa mesma noite após guardarem em duas mochilas os poucos pertences que possuíam, juntamente com duas facas que pegaram na cozinha, alguma comida e o pouco dinheiro que conseguiram guardar antes de sua tia tomar deles tudo de valor que possuíam.
Tudo ia bem até que, ainda sem ter se distanciado muito da sua antiga morada, foram atacados por harpias. Por facas de aço normal não surtirem efeito em monstros, não puderam se defender. Loren ficou para trás para atrasar os monstros, e Laura correu como nunca havia corrido antes em sua vida. E disso se arrependeu por toda a sua vida, uma culpa que não consegue curar, o peso da morte de seu irmão para salva-la.
Mas como era muito nova e por não sair da casa da tia, não conhecia nada sobre a cidade, apenas voltou para casa, e disse que Logan havia desaparecido. Como não ligava o mínimo para seus sobrinhos, apenas bateu em Laura, bateu como nunca havia batido em qualquer um dos dois antes, bateu até Laura ficar perto da morte, e pela primeira vez ela não ligou. Achou que merecia aquilo, qualquer coisa era melhor que saber que seu irmão morrera por sua causa, que tudo era sua culpa.
A partir daí, as surras aumentaram consideravelmente, eram raros os dias que se passavam sem que Laura apanhasse, e como ninguém sequer olhava pra ela, ninguém sabia dos maus tratos que sofria. E o endereço daquele local seguro, sempre em sua mente...
Até que uma pessoa olhou pra ela e penetrou por suas defesas tão fortemente construídas e atingiu seu coração.
Demy se tornou sua primeira amiga e após um tempo a amizade evoluiu para algo mais. Demy se tornou o motivo da sua vida, dos poucos sorrisos que descobriu capaz de dar após a morte da sua mãe e futuramente do seu irmão.
***
Seu mundo estava em pedaços. Laura voltava da escola com os dedos entrelaçados aos de Demy, quando o homem se aproximou e apontou a arma para as garotas, gargalhou e apertou o gatilho.
Demy ainda sorria quando a bala acertou direto no seu coração. Caiu nos braços de sua amada, já morta.
Pela terceira vez o mundo de Laura se despedaçou, e a ira tomou sua mente, enquanto seu grito desesperado enchia o ar. Pousou o corpo de sua namorada delicadamente no chão, enquanto ódio e dor dilaceram o que restava do seu coração. No momento se decidiu pela ira e correu atrás do assassino que disparava pela rua. Ao virar uma esquina atrás do homem, Laura se depara com ele apontando a arma para ela com um sorriso maníaco no rosto. A visão da garota fica vermelha, de alguma forma seu ódio já profundo ficou ainda mais intenso e ela só queria arrebentar a cara daquele louco, ver seu sangue jogar... Nesse instante uma pequena pedra atingiu a cabeça do assassino, que se virou para trás, à procura do agressor. Laura aproveitou a essa brecha e se lançou contra seu corpo, derrubando ambos ao chão, e a ira da garota venceu. Deu o primeiro soco direto no meio do rosto do assassino, quebrando seu nariz e se deliciando com o sangue que esguichava. Sentou-se sobre seu corpo e continuou proferindo golpes contra ele, mesmo após desacordado, sendo parada apenas pelas pessoas que logo chegaram e a retiraram de cima dela, mas nesse momento nada mais importava, a última pessoa que amava havia morrido.
Com passos calmos, encharcada de sangue, se dirigiu ao corpo de Demy e deu um último beijo em seus lábios já frios, abraçou seu corpo gelado e correu pela noite escura e chuvosa de volta para aquele lugar em que passara toda a sua vida. E seria a última vez.
Laura chegou em sua casa encharcada pela chuva e sangue, tomou um banho jogando as roupas sujas fora e vestindo novas, guardou suas coisas em uma mochila e se dirigiu para sua “tia”, que praguejava contra a garota, já a jogando contra a parede e a imprensando com o braço em seu pescoço.
- Você é uma aberração, você e aquele sujo do seu irmão...Aquela vadia da sua mãe sempre andando para lá e para cá com aquele...aquele bruxo maldito!! Sujando o nome da nossa família, trazendo aquele homem pra casa da nossa família, a casa dos nossos pais, sujando o nosso precioso nome... E depois ainda arranja vocês, crianças malditas e sujas como o pai, pequenos demo-
Laura a interrompe, apertando seu braço em seu pescoço, a asfixiando.
- ESSA É A ÚLTIMA VEZ QUE VOU AGUENTAR ALGUMA PALAVRA SUA! VOCÊ JÁ ME FEZ MAL POR TODA UMA VIDA!! AGORA CHEGA, ESTOU SAINDO DAQUI, E SAIBA QUE A ÚNICA PESSOA SUJA AQUI É VOCÊ! – E continuou apertando seu pescoço até ela ficar roxa. Então soltou-a no chão, cuspiu contra ela, jogou todas as gavetas do armário no chão, até achar algum bom dinheiro e saiu pela porta do quarto para nunca mais voltar.
Seu destino? Acampamento meio sangue.
Já sabia que enfrentaria perigos, mas seu erro da primeira vez foi voltar, e jogar fora o sacrifício de seu irmão. Mas agora era chegar ou morrer.
Quando abriu a porta, deu de cara com um rapaz de pele clara, cabelos encaracolados compridos e pernas tortas.
- Quem é você? – Perguntou Laura.
- Laura? – Perguntou ao mesmo tempo o rapaz.
- Sim, sou eu – Laura o lançou um olhar avaliador, apertando a faca escondida do bolso da sua jaqueta – Quem é você e o que quer comigo?
- Sou Finn, um sátiro. – respondeu estendendo a mão - Vim te levar em segurança para o Acampamento Meio Sangue.
Laura apenas observou a mão estendida de Finn, o avaliando de cima a baixo.
- Como você sabe quem eu sou? Melhor, você sabe o que eu sou?
- Você é Laura Vause, filha de Hades. Seu pai enviou uma mensagem para o acampamento requisitando a sua proteção. Sua e de seu irmão – Finn abaixou lentamente sua mão, observando a garota.
O antigo rasgo da morte de Loren se reabriu ao escutar as palavras do sátiro, mas a garota não podia demonstrar fraqueza, então apenas disse friamente:
- Tarde demais. Loren está morto. Mas aceito sua ajuda, temos o mesmo destino - Laura respondeu, fechando a porta brutalmente atrás de si.
Finn encarou a garota, que apenas manteve seu olhar.
- Esperando o que? Vamos! E como você pretende nos proteger daqueles monstros? Os monstros que mataram Loren? – disse isso olhando diretamente para o sátiro, suas palavras com o intuito de o ferir.
- Com isso – respondeu o sátiro sem hesitar, pegando sua mochila das costas. Dela retirou uma espada de cor alaranjada/dourada, que apenas mostrou e guardou no mesmo lugar. Tirou também uma adaga do mesmo material e o entregou para Laura – Bronze celestial, um dos únicos materiais que funciona com monstros. Agora vamos.
Laura e Finn andaram em silêncio até a estação de metrô, onde compraram passagens para New York e embarcaram no metrô.
Desembarcaram na estação e foram em busca de um táxi para Long Island.
Iam atravessando uma rua mais vazia quando Finn parou no meio do passo, parando também Laura.
- DROGA! – disse farejando o ar.
-Que foi? – Laura apertou a adaga no bolso da jaqueta
- Monstros.
Bastou essa única palavra para Laura se pôr em posição de ataque, sacando a adaga do bolso.
-Vamos! – gritou o sátiro, e eles começaram a correr.
Na virada da esquina, apareceram duas mulheres com cobras no lugar de pernas, se arrastando na direção da semideusa e do sátiro.
-Opa – gritou o sátiro, retirando a espada da mochila. – Fique aí, eu dou conta!
O sátiro saiu correndo em direção aos monstros, e Laura apenas conseguiu ficar parada onde estava.
Finn deu uma estocada na primeira dracaenae, que estava armada com uma lança, e tentou dar uma estocada, que a mulher-cobra defendeu. A segunda foi em sua direção.
Laura não ia aguentar deixar também o sátiro morrer por sua causa, então foi em sua direção, tentando o ajudar.
Finn estava cercado pelas mulheres cobras, quando atacava uma, a outra aproveitava o espaço para ataca-lo. Ele deu um golpe com sua espada, que jogou uma das dracaenaes de costas para perto de Laura, que aproveitou a deixa para meter a adaga no pescoço do monstro, que explodiu em cinzas. Finn se virou para dracaenae restante e acabou com ela com um golpe de sua espada.
O sátiro se dirigiu para Laura:
- Você está bem?
- Sim – a semideusa acenou – Pelo visto você também.
O sátiro guardou a espada e gesticulou para que seguissem em frente. Algumas ruas adiante finalmente conseguiram um táxi, que os deixou em Long Island.
Dali, seguiram alguns metros a pé, até que chegaram a uma colina com um pinheiro guardado por um dragão. Laura estacou nesse ponto.
- Vamos, já estamos chegando – o sátiro sorriu ante a reação da semideusa.
Laura continuou em frente, até que atravessaram a barreira mágica que protegiam o acampamento.
- Bem vinda ao Acampamento Meio-Sangue – disse o sátiro, a empurrando em direção à Casa Grande.








Visita ao Mundo Inferior:




Ao chegar ao acampamento, Laura foi informada de algumas das suas habilidades. Umas dela inclusive, de lançar pedras com a força da mente (como fizera com o assassino) e, o que mais lhe interessara, invocar os mortos.
Na primeira lua cheia, cavara um buraco no chão e jogara refrigerante, conforme fora instruída, cantando frases em grego antigo, invocando sua mãe e seu irmão.
Estranhamente, apenas um espectro apareceu. Ele bebericou o refrigerante e depois se voltou para a semideusa. Laura reconheceu o fantasma como sua mãe.
- Mãe – a voz de Laura tremia, após todos esses anos sem ver sua mãe.
- Filha.
- Mãe...Sinto sua falta – as lágrimas escorriam por seu rosto.
- Faz tanto tempo...Minha filha.
- Por que foi tão cedo, mãe? Nós precisávamos de você!
- Todos nós temos a nossa hora – Aurora respondeu, estendendo a mão em direção à filha.
- Só lamento tanto, mãe... – Laura tentou encostar em sua mãe, mas sua mão apenas passou direto por dentro da dela – E é tão bom saber que sempre vou poder te ver agora.
- Os mortos precisam de sua paz, filha. Deixe- os onde estão.
- Mas mãe... – a semideusa olhou para o espectro de sua mãe, mas sabia que ela tinha razão – Tudo bem mãe, mas precisava falar com você.
- Por isso eu vim, para me despedir da minha filha – A voz de Aurora era triste – Fui embora tão rápido, nem pude me despedir dos meus filhos queridos... Diga a Loren que o amo, e a você também. E saibam que estou em um lugar melhor agora.
- Eu te amo mãe – Laura não teve coragem de dizer da morte do seu irmão. – Nunca vou te esquecer.
- Nem eu a vocês, meus filhos – o espectro começou a clarear, sumindo – Se cuidem...
Aurora desapareceu de vez, mas ainda não havia acabado para Laura. Lançou mais refrigerante no buraco e cantou novamente os versos, invocando dessa vez a dona do seu coração.
- Demy – sussurrou quando o espectro apareceu.
- Laura – o espectro respondeu. Ao contrário de Aurora, Demy parecia abatida, como alguém que não dormia e não se alimentava a dias.
- Meu amor, como está?
- Não sei...É tudo tão diferente – o espectro hesitava – Me deixa em paz, Laura.
- Demy?
- Meu lugar não é mais aqui, deixe-me voltar!
- Eu só precisava te ver, dizer que te amo e sempre te amarei...
- Eu também te amo, Laura, mas meu lugar não é mais aqui.
- Tudo bem – a garota fechou os olhos – Vá para casa.
- Só me faça uma promessa antes que eu parta?
- Claro, meu amor – Laura abriu seus olhos vermelhos de choro.
- Abra seu coração, não deixe que as mágoas do passado te fechem para o amor, para as coisas da vida! Veja a beleza do mundo, faça novos amigos, se permita amar!
- Eu prometo, meu amor.
- Adeus Laura, meu primeiro e único amor.
A semideusa observou enquanto o espectro desaparecia. Cansada pelas invocações e pelas emoções, apenas se dirigiu ao chalé e desabou em sua cama.  
***
Laura já estava a 3 semanas no acampamento meio-sangue. Estava apenas se preparando para o que pretendia fazer. Iria visitar Hades no submundo.
Tinha sua espada de ferro estígio, e havia treinado o suficiente para sobreviver algum tempo lá fora.
Cruzara as barreiras do acampamento e pegara um táxi rumo à estação de ônibus. Tentava obedecer a promessa que fizera à Demy, mas era difícil reparar nas cores do mundo quando seu coração estava tão ferido.
Chegando ao local, comprou uma passagem para Los Angeles.
Durante o percurso, tentou dormir, mas pesadelos tumultuavam seus sonhos, cenas que preferia esquecer apareciam sempre que fechava os olhos.
Após um tempo que pareceu extremamente longo para Laura, o ônibus finalmente chegou ao seu destino final.
Ao desembarcar do veículo, a semideusa foi à procura da entrada do submundo. Junto com ela desceram duas mulheres com calças e botas de couro de cobra. Ao se distanciar da estação, as duas mulheres passaram para a sua frente. Laura olhou desconfiada e sacou sua espada quando percebeu que tinham se transformado em mulheres que eram metade cobras.
- Dracaenaes de novo!
Quando vieram em sua direção, a garota deu um golpe em direção ao ombro da que veio primeiro, pela esquerda. A dracaenae desviou o golpe com seu escudo e deu uma estocada com sua lança em direção à barriga da semideusa, que desviou a arma com sua espada. Enquanto isso a outra dracaenae se aproximou por trás da garota, a cercando.
Laura se virou, tentando cortar o quadril da mulher, que apenas desviou. A outra dracaenae, se aproveitando da distração de Laura, tentou acertá-la. A semideusa se jogou no chão, rolando para o lado e assistiu quando a lança da dracaenae atingiu o outro monstro, que explodiu em cinzas. Dessa vez foi Laura que se aproveitou da distração de sua oponente e se levantou rapidamente, a acertando com uma estocada que atravessou as costas do monstro, que se desfez em pó.
A semideusa pensou por um momento e decidiu que pagar um táxi fosse melhor e se dirigiu de volta à estação de ônibus, onde haviam taxis posicionados em uma ala.
Laura pegou o primeiro que avistou e deu o endereço.
Após chegar à Valência Boulevard, pagou o taxista, saiu e deu de cara com um prédio em mármore negro, em que se lia “ESTÚDIOS DE GRAVAÇÃO M.A.C.” em letras douradas. O saguão estava lotado de pessoas. Mortos, Laura percebeu.
A garota se dirigiu até o balcão de segurança, onde havia um homem negro com cabelos tingidos de louro, vestido com um terno de seda com uma rosa negra em seu bolso.
- Caronte – Disse a semideusa com toda a arrogância que conseguiu reunir.
- Senhor Caronte, garota – o homem a olhou de cima a baixo – O que quer?
- Ir para o Mundo Inferior.
- E por que um semideus vivo deseja ir ao Mundo Inferior? – Caronte disse com voz ameaçadora.
- Preciso falar com meu pai – Laura não hesitou.
Caronte pareceu a reconhecer como uma filha de Hades e hesitou.
- Tudo bem, o barco está quase na hora de zarpar, entre.
Caronte conduziu a garota por um corredor até um elevador apinhado com almas de mortos. Em certo ponto, o elevador deixou de andar para baixo e sim para a frente. As roupas dos mortos foram substituídas por mantos cinzas e o terno fino de Caronte por um manto negro. O elevador se tornou um barco de madeira e estavam atravessando um rio negro e poluído. O Rio Styx. As almas e a garota desembarcaram. A seguir haviam duas filas, guardadas pelo cão de três cabeças, Cérbero.
A garota seguiu pela fila que ia mais rápido “Morte Expressa”, entrando por uma caverna com grama negra, lotada por uma multidão de almas. Continuou andando até chegar à entrada do palácio de Hades: um prédio de mármore negro, com as portas laterais guardadas por esqueletos em trajes militares.
Laura passou pelo vestíbulo e entrou pelas portas abertas, se deparando com a sala do trono de Hades O deus estava sentado em seu trono de ossos humanos fundidos e tinha pelo menos três metros de altura, usava mantos de seda preta e uma coroa de ouro trançado. Seu cabelo ia até os ombros e tinha cor de azeviche, a mesma cor do de Laura.
A garota deu um passo à frente, reunindo todo o desprezo, arrogância e frieza que possuía em sua voz.
- Pai.
- Filha – o deus lhe deu um olhar frio.
- Vim lhe agradecer – Laura adicionou escárnio e ironia à sua voz já carregada.
- Agradecer pelo quê, jovem arrogante? – seu pai lhe respondeu à altura.
- Por seduzir minha mãe e gerar dois semideuses nela. Por deixa-la morrer friamente. Por deixar-nos nas mãos de uma louca que nos maltratava. E principalmente, obrigada por deixar meu irmão morrer – a garota cuspiu aos pés do trono.
- Garotinha insolente!
Laura apenas o encarou com desprezo.
- Você pensa que eu, o governante do submundo, tenho tempo para cuidar de mortais? Você viu até aqui, viu a grandiosidade do meu domínio. Você realmente acha que posso controlar a vida de todas as mulheres com quem me deitei!
- Você é desprezível – cuspiu mais perto dos pés do seu pai e se pôs de costas.
- Ainda não terminei com você, garotinha!
Laura se virou com toda a sua arrogância:
- Diga.
- Eu realmente tinha apreço por sua mãe, mas ser deus não é fácil! Ou você, pequena ignorante, acha que ficamos o dia todo sentados sem fazer nada?! Todos os homens tem de morrer, e sua mãe não era diferente! Vocês mortais são todos tão desprezíveis! Mas não pense que eu deixaria minha cria morrer na mãe de simples harpias? Seu irmão está vivo! Vocês dois estão vivos até agora por minha causa! Eu que mandei aquele sátiro atrás de vocês! Agora vá!
- Mas... – a confusão substituiu a arrogância em sua voz.
- Sim, seu irmão está vivo, mas sem memória, vagando por aí. Agora vire uma semideusa de verdade, honre seu nome, honre suas origens! Torne-se uma campista experiente e vá atrás de seu irmão! Irei protege-lo até você estar pronta, e algumas vezes mais em sua caminhada, mas não pense que sempre estarei lá, faça as coisas por seu mérito.
- Eu irei – Laura recompôs sua máscara de arrogância – Mas não pense que é por sua causa. Apenas pelo Loren. Vou salvá-lo. Isso eu juro.
A garota se virou em direção à porta, mas se virou antes de sair.
- Obrigada, pai.
E foi embora de volta para o acampamento.
Agora tinha um objetivo, devia treinar, se tornar uma guerreira. E depois, salvar seu irmão, leva-lo para o Acampamento, ele que sempre a havia protegido e guardado do mundo. Agora era sua vez de salva-lo.
Laura Vause
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Re: Teste Hades Janeiro 2014

Mensagem por Jeffrey Arkynsaw em Ter 21 Jan 2014, 23:49

                                            -Características físicas-
 Jeff, como a maioria dos semideuses tem transtorno e dislexia, é magro, 1,48, de altura cabelo castanho liso caído até o queixo, olhos castanhos profundos.
                                        -Características psicológicas-
 Jeff sempre agiu de forma estranha, ele gostava muito da morte, as pessoas ao seu redor sempre tiveram medo dele, pois ele sempre os lembrava a morte. Até que dia ele conheceu John, e então viraram melhores amigos.
                                                     -História-
 Bem, se você quer saber a minha história, eu vou lhe contar, mas não pense que eu tive uma história normal, como a maioria dos semideuses, eu sou filho de Hades, então... aqui vai.
 Finalmente, chegara o último dia de aula.Desta vez eu estava determinado a ir e me despedir de John. Então corri para pegar o ônibus e me preparei para me despedir de John. Ele não estava no ônibus, mas fui à escola, com o objetivo de vê-lo uma última vez.
 Estava pegando o meu material no armário, quando ouvi uma voz.
-Não achou que eu não viria, né, Jeff?
 Virei e me deparei com um garoto de olhos verdes, cabelo castanho-claro, com uma barbicha semelhante a de um bode, e aleijado.
-John!-exclamei
-Preparado para a prova de ciências?-perguntou ele
-Claro!
-Então mariquinhas, estão preparados para levar uma surra depois da aula?-disse uma voz atrás de mim
 Era Cristy, a valentona da escola.
-Sim, estamos tão preparados quanto você para o teste final!-exclamou John
Então logo depois do teste o prof. Jones me chamou e disse:
-Vamos para a sala do diretor, agora.
 Eu não queria discutir, então escutei o que ele estava falando.
 Então quando chegamos, ele se virou e... era um gigante peludo com 2,50 de altura. Ele correu na minha direção, quando John apareceu sem calças e o empurrou. Os dois caíram.
 E John tinha... Pernas de bode! Mas não tinha tempo para perguntas. Corremos então John pegou uma espécie de cetro, feito de galhos de árvores. E quando o prof chegava para esmagar a gente, John se virou e deu com o cetro onde mais doía nele. Ele caiu e se contorceu de dor, quando John deu outro golpe no pescoço, devia quebrar sua traqueia, mas se tinha uma não quebrou.
 Então fomos até minha casa, quando chegamos, John correu a minha mãe e disse que eu tinha de partir.
 Então pegamos o carro e fomos. No caminho eles me contaram tudo até chegar numa estrada deserta, quando chegamos perto de um rio, minha mãe parou e disse:
-Meninos, se quiserem tomar água ou fazer pipi, essa é a hora!
 Constrangido fui beber água.Quando estava voltando, um bando de caveiras saiu da sombra de uma árvore e me puxaram até afundar na sombra...
-Finalmente, Jeff!-gritou um homem num trono preto cheio de ossos.
-Quem é você?-perguntei.
-Seu pai, Hades!-disse ele
-Bem, não temos muito tempo, então volte para sua mãe e seu amigo.
 De repente eu estava no carro, ao lado de John.
-Como veio parar aqui?-perguntou John
 Então contei a eles o que aconteceu.
                                                             -Narrativa-
 Um mês depois de chegar ao acampamento, Quíron me chamou na casa grande.
-Quer sair numa missão, Jeff?
-Quero.
-Salve seu amigo John, um garoto o sequestrou.
 Então peguei minha espada de ferro estígio e fui pela floresta em busca deles. No meio da floresta encontrei duas dracaenae, que me atacaram. Desviei do machado de mão da primeira e decepei-a, a segunda tentou cravar uma lança em mim, mas fui mais rápido e desviei-a, então ela deu outro golpe, fazendo um corte no meu ombro, então desviei de outro golpe, e passe a espada pelos corpos duplos dela. Depois de matar as dracaenae, continuei indo, cada vez mais fundo na floresta.
 Logo, vi um buraco, e ouvi John gritando lá embaixo. Entrei e me deparei com uns doze esqueletos. E o mestre deles tinha John ao se lado, amarrado em uma cadeira.
-Por quê está fazendo isso, Ericles?-perguntei
-Eu quero ver o que acontece quando se queima a planta em que o sátiro reencarna.-respondeu ele
-Ele morre de vez seu imbecil!
-AH! IMBECIL!? ATACAAAAR!-berrou ele.
 Chutei um esqueleto contra o outro. Eles desmontaram.Me abaixei e cortei a espinha de outro e logo bati no chão, que abriu uma rachadura gigante, da qual várias mãos esqueléticas saíram e levaram seis esqueletos. Sobraram três, um estava com uma lança, outo com um arco e outro com uma espada e um escudo. Atirei minha espada contra o que estava com o arco, arranquei uma flecha da parede e pulei a rachadura, peguei o arco, algumas flechas da aljava e atirei uma flecha no esqueleto com escudo, e outra em Ericles, peguei minha espada, desviei de um golpe do esqueleto da lança, e a tomei.
 Então bati na espinha dele com o cabo da lança e ele se desmontou, atirei a lança em Ericles que desviou, e então chutei o escudo do esqueleto, que caiu na rachadura.
-AH!-Ericles correu em direção à saída-Eu ainda pego você sátiro, vou te matar, e você também Jeffrey Arkynsaw! Escute o que eu digo, pois farei isso, e matarei seu amigo sátiro!
 Depois de dizer essas palavras ele fugiu. Corri e cortei as cordas de John.
-Por que ele não lutou?-perguntou ele
-Ele quer que a promessa dele se cumpra, então para ter certeza, ele fugiu.
-não podia ter nos queimado aqui mesmo?
-Podia, mas ele é idiota demais para isso.
 E juntos, voltamos para o acampamento e contamos a história para Quíron.
-Ele vai voltar, mas creio que não vá machucar ninguém.-disse Quíron-Mas devemos estar prevenidos para a volta dele, caso traga um exército de esqueletos.
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Re: Teste Hades Janeiro 2014

Mensagem por ♦ Eos em Sab 01 Fev 2014, 23:45

Lucy - cuidado apenas na revisão - você chegou, inclusive, a trocar o nome da sua irmã pelo seu durante o texto. Reutilizar um teste não aprovado no fórum do PJBR não é problema - comprovando a autoria e não tendo sido utilizado em qualquer outro fórum ou site - já que o objetivo do teste fixo é a melhora e reaproveitamento, em casos de não reclamação, fazendo com que o player não perca todo seu trabalho. Apenas tenha cuidado futuramente na revisão. Reclamada como filha de Hades.

Laura - seu teste foi razoável,mas poderia ser melhor. Algumas partes ficaram desconexas, incoerentes - por exemplo, saer suas origens só faz com que atraia monstros, e contar seria incoerente se a intenção era protegê-los. Outros pontos, como o assassinato da sua namorada - um pouco sem motivo - e sua batalha com o assassino (considerando sua força física, falta de treinamento e o fato de que ele estaria armado, além da "pedrinha" que desviou a atenção - se foi um poder seu, tente deixar mais claro nas descrições. Foque mais nisso, por sinal - as falas são importantes, mas a base é a narrativa, não o diálogo, e por vezes faltou isso. Não reclamada.

Jeff - Tanto as características físicas quanto as psicológicas foram pouco aprofundadas. Tente desenvolver mais, a partir daí. Na história e trama também faltou algo mais consistente - houve um excesso de fala e quase nenhum foco narrativo. A pontuação prejudicou o sentido das frases. Por exemplo, ao dizer "como a maioria dos semideuses, eu sou filho de Hades" dá a impressão que a maioria dos semideuses são filhos do deus do submundo, e não que sua história é diferente da maioria deles por ser filho de Hades - acredite, uma vírgula muda muita coisa. Tente ser mais coerente ao citar os deuses também - Hades não é do tipo que costuma sair do seu reino, e aparecer sem motivo para um semideuses é algo que nenhum Olimpiano faz. Seja coerente nas descrições e poderes - você é nível inicial,e nem ao menos ficou claro quem provocou a rachadura na parte da trama. Outro ponto foi que faltou a visita ao mundo inferior em si - não chega nem a ficar claro se você foi pra lá ou não, exceto pela menção de que caiu pela fenda. Por todos esses detalhes, não reclamado.
♦ Eos
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Re: Teste Hades Janeiro 2014

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