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Missão OP fácil para Charlie A. Schmitz - Sumiço misterioso

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Missão OP fácil para Charlie A. Schmitz - Sumiço misterioso

Mensagem por 112-Ex-Staff em Sex Jun 13, 2014 1:44 am


Sumiço misterioso
Lute como um guerreiro e morra como um herói

O filho de Hefesto como sempre fazia nas tardes de tédio, estava ajudando um de seus meio-irmãos mais experientes nas forjas. Na ultima semana uma grande quantidade de equipamentos tinha Sido encomendado naquela forja, sendo que todos eram equipamentos para o acampamento. Com muita sorte ele conseguiu ajudar a terminar aquele árduo trabalho a tempo, agora faltaria apenas entregar as armas no arsenal. No dia seguinte, aproveitando que não teria treinamentos pela parte da manhã, Charlie foi até a forja, com o objetivo de levar de uma vez todos os equipamentos para o local combinado; mas eis que surge uma surpresa, cadê as armas?

Pontos obrigatórios:


- Faça uma introdução coerente aos fatos acima propostos.
- Você ficará desesperado por não saber o que teria acontecido com as armas.
- Desesperado, já que você e o seu meio-irmão era os únicos que possuíam a chave da forja, você terá a ideia de investigar o que aconteceu.
- Junte pelo menos três pistas coerentes que levem você a suspeitar de um filho de Hermes.
- Você terá que arrumar alguma forma de obter informações com o filho de Hermes. Ele não irá querer dar de bom grado, e nem ao menos sucumbira por chantagem. Caso lute com ele, o garoto terá um nível a menos que você.
- Ao conseguir obter as informações, você conseguira mais duas pistas sobre em qual lugar os equipamentos estariam.
- Ao conseguir chegar no local certo e pegar os equipamentos, um filho de Herácles irá aparecer poucos minutos depois de você chegar.
- Ele será o grande responsável por aquele roubo, irá explicar para você como pegou os equipamentos e o por que. Em seguida ele pedirá que você largue os equipamentos. Ele não poderá ser enganado, de modo que ou você entregará os equipamentos para ele, ou terá eu lutar. Caso lute o filho de Herácles será do mesmo nível que você.
- Dê um desfecho criativo para a sua missão.
- O prazo para sua postagem é de 15 dias, caso tenha alguma justificativa para aumentar o prazo favor me comunicar por MP.
- Dê um desfecho criativo para sua missão.

Dicas de postagem:

- Caso use templates, certifique-se de usar um que não prejudique a leitura.
- Cuidado com cores muito claras e berrantes.
- Use cores para separar suas falas.
- Revise seu texto quantas vezes for necessário.
- Use um corretor ortográfico.
- Poderes e armas em spoiler no final da missão.

Cumpra sua missão ou morra tentando!






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Re: Missão OP fácil para Charlie A. Schmitz - Sumiço misterioso

Mensagem por 112-Ex-Staff em Qui Jul 10, 2014 12:29 am

Pela não postagem do player dentro do prazo dado, o semideus sofrerá um desconto de 25% em HP e MP, e a missão será colocada em aberto.

Requisitos mínimos: Ser filho de Hefesto.


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Re: Missão OP fácil para Charlie A. Schmitz - Sumiço misterioso

Mensagem por Kim Joon Ho em Sex Abr 28, 2017 10:40 pm

Solicitando a missão novamente.
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Re: Missão OP fácil para Charlie A. Schmitz - Sumiço misterioso

Mensagem por Kim Joon Ho Ontem à(s) 5:40 am


infernal lovers
missão one-post interna fácil em aberto

Agressivo, Otto bateu seguidas vezes com o martelo de forja na lâmina incandescente, fazendo-me parar de trabalhar na espada que eu finalizava — ao fixar o cabo de madeira na sua base — e olhá-lo receoso, hesitando longos segundos antes de tentar alguma aproximação. Aquilo não era novidade alguma para mim, não; ele estava assim havia dias. Era o que acontecia com meu meio-irmão sempre que havia um misto de "excesso de trabalho" com "vida pessoal complicada".

Naqueles dias, nos preparávamos para um evento. Não um qualquer, claro; era um torneio entre todos os chalés, uma competição em equipe muito mais acalorada do que um simples Caça à Bandeira. A grande ideia, segundo Quíron e os Conselheiros, era que os únicos equipamentos que poderiam ser utilizados seriam os do Arsenal, algo que demandava uma quantidade exorbitante de armas — quantidade essa que ainda não tínhamos. E em reflexo disso, a maioria de nós, forjadores, estava atolado em trabalho até o pescoço.

Eu até mesmo havia abandonado a minha forja para ajudar Otto, meu meio-irmão mais próximo.

Isso significava que eu tinha passado os seis últimos dias montando espadas, colocando pontas de aço em lanças e acoplando hastes de madeira em armações de bronze, formando bestas, enquanto Otto fazia o seu melhor colocando essências de elementos nos itens pedidos, ou mesmo forjando equipamentos mais complicados. A espada de duas mãos que ele enfim moldava era uma das últimas peças do dia, mas o rapaz agia como se fosse a primeira, por mais exausto que estivesse. Parecia estar descarregando a raiva, usando seu martelo de forja como condutor.

— Ei... — comecei a falar, sendo aparentemente ignorado. Pigarreei alto para chamar a sua atenção e, enfim, mantive meu corpo ereto, focalizando minhas íris negras em seu rosto. Com meus 1,90m, era estranho ter que olhar para baixo quando ia falar com ele, alguém tão mais experiente do que eu. (Estranho pensar que a altura é sinônimo de poderio, não?) — Otto.

Ele deu uma última batida violenta na lâmina, fazendo-a entortar com a fúria do golpe, e fuzilou-me com os olhos ao direcionar aquela carranca para mim. Conseguiu a proeza de fazer aquilo se parecer mais com um bumerangue do que com uma espada.

Ele soltou o ar preso em seus pulmões e largou o martelo, saindo de perto da sua mais nova destruição. Parecia estar no seu limite.

— Desculpe por isso. Eu só... preciso de dez segundos de paz. É tanta coisa nas minhas costas ultimamente que pareço estar lutando contra centenas de monstros ao mesmo tempo. Só queria que essa droga de competição passasse logo — desabafou. Em conseguinte, deixou-se cair sobre uma cadeira próxima e alisou o rosto com as palmas grosseiras, parecendo tentar alinhar as suas energias, mas visivelmente exasperado.

Otto precisava descansar.

— Falta pouco aqui, depois só vamos precisar levar tudo para o Arsenal. Volte para o chalé, descanse um pouco antes de amanhã... Não está em menor condição de continuar aqui. Eu termino tudo para você. — Meu irmão ergueu seus olhos para mim com visível receosidade. Nos olhamos por três longos segundos antes de ele voltar a falar, e a todo momento eu sustentei o seu olhar, seguro do que dizia. Eu podia fazer aquilo.

— Não. — Seu tom não era grosso, mas sim dotado de uma preocupação real. Era como se aquela tarefa fosse única e exclusivamente sua. Como se só ele fosse capaz de terminar a encomenda de Quíron. Apesar de ter meu ego ferido por um rápido momento, entendi que, como sempre, Otto estava tentando honrar as suas promessas. Era alguém sério demais para não fazê-lo. — Eu não posso te deixar sozinho, eu...

... preciso terminar o que comecei o interpelei, imitando a sua voz e fazendo aquele semblante de preocupado. Foi o suficiente para ele abrir o seu sorriso costumeiro e anuir levemente com a cabeça. Eu havia acertado o que ele estava prestes a dizer. — Eu tenho uma forja, lembra? E a deixei fechada para poder ajudar você aqui, assim como muitos fizeram. Eu posso fazer isso. Não me faça achar que você está duvidando de mim — argumentei de maneira descontraída. — Além disso, você não faria nada direito. Digo, não é como se alguém fosse usar aquele bumerangue para derrotar um oponente.

Os olhos de Otto correram até a espada que ele havia entortado bem no meio, fazendo-o suspirar. Ele levantou-se, retirou um molho de chaves do bolso dianteiro e jogou na minha direção. Sua expressão era, enfim, de conforto; meu irmão parecia estar feliz por finalmente poder descansar, mesmo que já fosse fim de tarde.

— Obrigado, Joonnie. Não queria te deixar sozinho com isso, mas se faz tanta questão... e como eu realmente estou precisando... — Ele interrompeu a fala quando viu meu sorriso, refletindo também um em seus lábios. — Feche bem a forja. E se puder, leve as armas amanhã para o Arsenal, antes da competição. Como eu vou projetar as armadilhas na Floresta junto do Chord e do Michelangelo, não vou ter tempo. Estou contando com você.

E depois de um apertão em meu ombro e uns tapinhas nas costas, o baixinho desapareceu pela porta da área de forja, deixando-me a sós com os aparatos. Ainda rindo da situação, voltei a minha atenção ao que era importante: o trabalho. Encaixei o cabo na lâmina, certificando-me que não estava frouxo, e o revesti rapidamente com couro, prendendo a última tira com um prego bem batido.

Ingeri rapidamente dois elixires energéticos. Era hora de terminar as últimas peças da encomenda.

•••

Se eu não estivesse usando luvas no dia anterior, certamente teria uma porção de calos nas mãos. Havia trabalhado por horas a fio a fim de terminar as armas, enfileirando-as uma por uma nas bancadas da forja, meticulosamente.

Naquela noite, quando voltei para o meu chalé querendo somente e tão somente a minha cama, o meu meio-irmão perguntou novamente com veemência se eu havia terminado tudo e fechado a forja como deveria. Eu, tranquilo — e com preguiça de me irritar com o excesso de cuidado dele —, disse que sim, havia feito tudo da maneira como ele disse, inclusive me certificado disso. Só faltava ir pegar as encomendas e levar ao Arsenal, como ele bem havia instruído.

E era exatamente isso que eu estava indo fazer pela manhã bem cedo.

Parei frente às portas da construção e tateei os bolso à procura das chaves, retirando um molho dos grandes logo em seguida. Abri rapidamente a porta e fechei-a atrás de mim, indo diretamente para onde eu havia deixado todas as armas e...

Jesus.

No lugar em que deveriam estar espadas, arcos, bestas e lanças, dos mais variados efeitos, tipos e tamanhos, havia apenas um vazio desesperador. A forja estava intacta, exatamente como eu tinha deixado na noite anterior — a não ser pelas armas terem desaparecido, claro. Era como se alguém tivesse levado-as e tido o perfeccionismo de deixar tudo exatamente como estava. "Será que a exaustão de ontem me fez colocar as armas em outro lugar?", pensei, confuso; mas não havia como, eu tinha mesmo colocado todas ali.

Para ter certeza, olhei abaixo de cobertas, em armários e mesmo na própria área de forja, encontrando nada mais do que outras encomendas inacabadas — paralisadas por causa do torneio —, enquanto repetia "caralho" na mente, certo de que tinha feito uma merda das grandes.

Se fosse até Otto para dizer que todas as armas que forjamos tinham desaparecido, e que, assim, todo o seu estresse dos últimos dias havia sido em vão, não duvidava nada que ele me pulverizasse em segundos. Tinha feito questão de me perguntar mil vezes se havia fechado bem a forja e me certificado de que tudo estava nos devidos conformes, afinal.

"Então, Otto, sobre aquilo de ter fechado a forja direito...", imaginei-me falando para ele, vacilante. "Pois é, cara... acho que não rolou. As armas meio que sumiram." Depois disso, tinha a nítida impressão de que acabaria sendo mandado para as enfermarias, desacordado e com os ouvidos sangrando só pela gritaria que precisaria aturar.

Mesmo enlouquecendo com aquele sumiço, comecei a pensar direito em tudo: como as armas tinham sumido se a forja sequer possuía sinais de arrombamento? Digo, eu tive que destrancá-la para entrar, não tive? Isso significava que ela estava fechada antes de eu chegar. E como não havia outra entrada ali, nem mesmo era possível se teletransportar para dentro ou atravessar as paredes devido a um dispositivo que o meu meio-irmão havia criado... isso tornava o roubo impossível.

A menos que alguém tivesse o conhecimento sobre uma abertura de segurança daquela porta.

Além disso, era claro: somente alguém muito habituado a furtos teria roubado com extremo perfeccionismo, no mínimo. Eu já tinha pelo menos um local certo para ir caso resolvesse não contar tudo para Quíron e investigar aquilo por mim mesmo: o Chalé 11.

Enquanto fazia uma segunda busca no local para ter certeza de que não havia guardado-as em outro lugar, encontrei uma pena de fênix largada perto da entrada. Não via uma daquela havia semanas, mas certamente a teria encontrado na noite anterior; eu havia limpado a forja inteira antes de sair — ou pelo menos varrido — e não tinha encontrado pena alguma por lá, nem sinal dela. Poderia estar muito errado, no entanto... aquilo estava me cheirando mesmo a roubo.

Digo, poucas foram as vezes que Otto usou penas de fênix em sua forja. No entanto, aquela era sua marca registrada: quando forjava algo realmente especial, colocava uma pena rubra para sinalizar que ele havia feito, sendo reconhecido por todo e qualquer meio-sangue que o conhecesse.

O ponto-chave era que, até onde eu sabia, só havia uma pessoa que se encaixaria perfeitamente naqueles três perfis: só uma pessoa possuía conhecimento sobre a abertura extra, era experiente em roubos e tinha uma arma com uma pena de fênix, tudo ao mesmo tempo.

Eu precisava ter uma conversa com Lisandr. No mano a mano.

Fechei a forja com brutalidade e me preparei para correr até a área dos chalés, sabendo que não tinha tempo a perder. Era quase certeza que ele estaria no seu dormitório — como fazia na maior parte do tempo desde o dia que o conheci —, brincando com suas facas de arremesso ou procurando algum irmão distraído para roubar.

Não sabia como é que Otto havia se apaixonado por ele.

— Hey, Joonho! — chamou uma voz atrás de mim, antes que eu pudesse sair d'As Forjas. Virei-me rapidamente para encarar aquela montanha de músculos enfiada numa calça jeans e numa camisa do Acampamento (ambos parecendo ser um número menor do que o dele). O que mais chamava a atenção no seu visual era seu cabelo perfeitamente alinhado e colocado para cima num undercut impecável, parecendo ter litros e mais litros de fixador. E isso sem falar da pesada maquiagem em seu rosto, é claro.

Hunter Eitherfox se excedia na vaidade até mesmo para os padrões dos filhos de Afrodite, muito embora seu progenitor divino fosse Héracles.

Pela agonia que senti ao vê-lo mesmo que ainda de longe, teria pedido para morrer naquele mesmo instante. Entretanto, para a minha alegria, ele era o melhor amigo de alguém que eu estava coincidentemente indo interrogar. Que presente dos deuses, não?

— O que está fazendo na forja do Otto tão cedo? Não deveria estar com seus irmãos nos preparativos para o torneio?

— Hey... — disse, sorrindo para ele da maneira mais natural que pude (ou seja, eu parecia estar claramente desconfortável com o contato). Resolvi que ignoraria isso. — Eu tive que vir pegar os itens que forjamos para o torneio. O Otto é que está lá nos preparativos, já que eu não vou participar. Fiquei de entregar tudo no Arsenal hoje cedo.

— Mas... achei que ele é que viesse pegá-las. — falou ele, estranhando a cena. Franziu o cenho e girou a sua cabeça levemente para a esquerda de maneira que ficasse olhando-me torto. Parecia confuso. — E onde as armas estão, se você veio pegá-las?

— Ah, as armas? — Estava fodido. Se ele descobrisse, falaria para Lisandr ou mesmo diretamente para Otto, não dando-me a oportunidade de consertar aquilo antes de ser descoberto. Eu precisava enrolá-lo e partir para o que me interessava naquela conversa. — Esqueci de pegar as minhas luvas, estou indo agora pegá-las no chalé. Procedimento de segurança, sabe como é. Mas ei, Otto pediu para eu te perguntar caso te encontrasse: viu o Lisandr por aí? Ainda não deu as caras hoje.

A expressão do filho de Héracles pareceu se suavizar. Ele endireitou a sua postura e, sorrindo, respondeu depois de rápidos segundos:

— Não deu as caras? Certeza? Porque vi ele por aqui há pouco tempo... Uma hora, talvez. Ele estava aqui perto da forja do Otto. Deve estar no chalé a essa altura. Tentei chamar ele, mas foi em vão, porque nem ouviu; e sabe como é, como não sou de ficar me esganiçando por aí, então desisti.

Bingo.

— Ah, certo. Eu vou... dizer a ele. Agora tenho que ir, já estou atrasado. Até mais, Hunter. — Sequer esperei pela resposta dele; corri rapidamente para os chalés desviando de semideuses aleatórios e, antes de ir confrontar Lisandr, voltei ao meu dormitório para pegar Constructio e Contritio — as minhas armas, ganhas na reclamação. Com ajuda das tiras de couro que eu havia feito, atei o machado às costas e o martelo à cintura, indo às pressas para o Chalé 11.

Entrei sem nem ao menos ser convidado.

Por causa da competição, boa parte dos semideuses estava concentrada em pontos específicos do Acampamento, preparando suas estratégias para o que aconteceria em pouco tempo. Essa era a razão para o chalé estar inusualmente vazio naquela manhã. Se o que Hunter falou era mesmo verdade, então Lisandr estaria bem ali, no lugar mais propício para o interrogatório que eu faria.

Subi silenciosamente a escadaria e parei à porta do dormitório masculino, hesitando antes de entrar. Apurei meus ouvidos para descobrir se tinha ou não alguém ali dentro (já que era um ambiente incrivelmente barulhento), mas o estranho silêncio impeliu-me a entrar.

Ao passar violentamente pela porta e erguer meus olhos para o ambiente, o vi sentado na cama exatamente à frente da entrada, polindo um agrupado de facas de arremesso. Suas expressões élficas focaram-se em mim no momento em que entrei, parecendo ser o suficiente para fazê-lo arquear as sobrancelhas como quem perguntava "o que você está fazendo aqui?", parando o que fazia para me encarar.

— Otto pediu para eu te procurar — falei, pensando rápido. Ele mudou o seu arquear de sobrancelhas para uma expressão neutra, ainda que tivesse retesado seu corpo inteiro. — E Hunter me disse que você estava aqui.

— Disse? — repetiu como se estivesse incrédulo. Eu confirmei com a cabeça, esperando que ele dissesse algo. Poderia se entregar antes mesmo de eu acusá-lo — e como eu não gostava de acusar ninguém sem provas mais do que concretas... — O que o Otto quer? Vai se desculpar porque me traiu com um qualquer, como se nosso namoro não fosse nada? Porque não vem falar comigo há dias.

Traiu?

Eu lutei contra o ímpeto de boqueabrir-me, mesmo sem ter entendido o inquirimento de Lisandr. Na minha cabeça as engrenagens rodavam e formulavam a ideia com o maior sentido: se Otto havia mesmo traído Lis, o filho de Hermes poderia muito bem ter roubado as armas que fizemos somente para se vingar. Fazia o tipo dele.

— Ele... não disse o que queria. Só disse para irmos à floresta o quanto antes. Está lá se preparando para o torneio, com os nossos meios-irmãos.

Antes que eu pudesse sequer continuar a falar, Lis lançou uma de suas facas de arremesso na minha direção, bem na altura do meu rosto. Por reflexo e a mais pura sorte, eu botei um pé mais à frente do meu corpo e girei 45º em meu próprio eixo, fazendo a faca passar de raspão no meu queixo e romper superficialmente a carne, fazendo sangue brotar vagarosamente dali.

Ainda em reflexo, retirei meu martelo da cintura e voltando à minha posição original eu o lancei, tentando atingir Lisandr; meu azar era que o garoto era rápido demais, pulando para o chão pouco antes da minha arma destruir, sem o menor esforço, a cabeceira da sua cama.

— Você está louco? Quer me matar atirando uma faca dessas em mim? — o repreendi, sacando meu machado por pura precaução. O filho de Hermes pulou para outra cama, ainda com diversas facas de arremesso em mãos, e fincou em mim aqueles seus olhos penetrantes. Parecia dotado de extrema arrogância.

— Se eu estou louco? Você acabou de destruir a minha cama!

— Rouba a cama de alguém. Parece que você é ótimo em roubar coisas — retorqui, sendo fuzilado por sua carranca. Ele lançou mais uma, duas facas de arremesso, das quais eu escapei por pouco: uma delas ele errou, fazendo-a passar rente ao meu tronco e fatiar a minha camisa do Acampamento, enquanto a outra eu bloqueei com a lâmina do machado — que, pesado, me impedia de fazer qualquer coisa além de segurá-lo com ambas as mãos e usá-lo como bem sabia.

— Eu sou filho do deus dos ladrões. Isso é normal para alguém como eu. — Ele, então, tentou outra estratégia: lançou uma de suas facas de arremesso e sacou a sua adaga, vindo em minha direção logo em seguida.

A faca foi aparada com o cabo do meu machado, por pouco; ela desviou num último momento, quando botei o cabo da minha arma para receber o impacto por mim, por pouco não sendo atingido na altura do coração. Só não tive tanta sorte com o golpe direto do filho de Hermes: ele fez um corte horizontal bem no meu abdômen, na altura do diafragma, que me fez berrar de dor e quase decepar a sua mão por isso, girando rapidamente meu machado e descendo na direção da adaga dele. A sua sorte foi ter puxado sua mão para si bem nesse momento, fazendo a sua própria arma receber todo o impacto do golpe.

A lâmina esverdeada caiu no chão, cacofônica. Ele estava desarmado.

Apesar disso, ágil, ele deu-me um belo cruzado no rosto, fazendo-me recuar alguns passos visando manter meu o equilíbrio e, ainda, afrouxar o aperto no machado. Havia sido mais do que o suficiente para ser desarmado com um chute no peitoral.

O retinir da minha arma e a expulsão do ar em meus pulmões pareceram estar compassados ao soco que meu corpo automaticamente deu em seguida — como se fosse um reflexo —, atingindo o rosto de Lisandr com toda a força que eu poderia ter inconscientemente reunido. Desprevenido, ele havia sido pego na surpresa.

Mesmo com meus cortes no queixo e no abdômen protestando em dor, com dificuldade para respirar e com minha mão latejando pelo soco que havia acabado de dar, não parei: dei um diretamente em sua barriga e, ademais, concentrei um punhado de energia em minha mão direita como se a potencializasse, descarregando tudo em Lisandr, de uma só vez. Assim que atingi o filho de Hermes com um soco no peitoral, ele cambaleou rapidamente para trás, trôpego, e desabou rente à parede do seu chalé.

Eu aproveitei a brecha para tentar botar a minha respiração em ordem e sacar um frasco de elixir, bebendo tudo em poucos goles. Esperava que aquilo fizesse efeito logo, restaurando a minha energia.

Eu andei vacilante até ele e o ergui pela gola da camisa, vendo-o com dificuldade para respirar. Como bem sabia que ele era traiçoeiro, joguei-o na cama mais próxima e coloquei-me sobre ele, segurando suas mãos no alto enquanto o encarava. Era hora de fazê-lo confessar.

— Você... não é o Otto... mas até que tem, ugh, pegada. — Eu o acertei com mais um soco (mas desta vez com força moderada) somente por ter feito piada naquele momento. Ao meu ver, um filete de sangue escorria de sua boca, parecendo ter aberto um corte ali durante algum dos socos.

Por sinal, ele arfava e dava gemidos toda vez que se endireitava abaixo de mim, avariado pelos socos que eu dei. Também pudera, com meus quase dois metros de altura, meus músculos bem marcados e minha força naturalmente ampliada, era surpreendente que não tivesse sido nocauteado com o meu primeiro direto, imagine só com o poder que havia usado no último golpe...

— Você deve estar muito puto para ter feito o que fez, não é? E ainda mais por ter me atacado de graça. Eu não tenho nada com os seus rolos, mas...

— Ora, vamos, Joonho — ele interpelou-me. — Nós dois sabemos bem que Octavio nunca mandaria você me procurar. Provavelmente, sequer te contou dos problemas dele, da traição e da nossa briga, por mais que você seja inteligente o suficiente para perceber isso sozinho. O pior defeito daquela mula é querer carregar tudo nas costas, como se fosse o Atlas segurando o peso do céu.

Meu (provável ex-)cunhado estava coberto de razão: Octavio — ou Otto, como mais era chamado — era reservado demais, guardando tudo para si mesmo quando não é capaz de lidar com isso. Eu não sabia da traição, por exemplo, ou sequer sabia da briga; como Lis bem disse, eu apenas havia percebido. E isso porque eu era o semideus mais próximo a ele.

— E Hunter também não teria me entregado. Eu já presumia que você soubesse de tudo, por isso veio aqui me procurar no meu... habitat natural. Posso não ser filho de Atena, mas filhos de Hermes também são muito inteligentes, caso você não saiba.

Eu ignorei a sua fala, por mais que estivesse ávido por refutar sua segunda certeza. Parti direto para o que interessava: a confissão.

— Conte o que fez, como fez, quando fez. Desde quando vinha armando isso? Como conseguiu ser tão sutil? — Mesmo subjugado, ele me olhava com densa petulância, sabendo que eu tinha algo que ele precisava. Sua boca manchada de rubro contorceu-se num sorriso e mostrou seus dentes sujos de sangue, elevando aquele cheiro férreo até as minhas narinas. — Seu namorado não está nada feliz com isso.

— Garanto que ele sequer sabe — retorquiu o semideus. — Se soubesse, teria ele mesmo vindo aqui me procurar, não você. Já te disse que não sou burro, Joonho.

Sem paciência, desferi mais um soco em seu rosto — desta vez com força normal —, deixando-o zonzo por mais tempo. Ele arrastou a sua recuperação por segundos.

Responda.

— Eu não fiz. Não roubei nada. Sequer entrei naquela forja desde que Otto parou de vir me ver. Aliás, foi por causa dela que você veio, não foi? Não deve ter encontrado sinais de arrombamento. Uriah deve ter sido muito perfeccionista ao entrar lá usando a abertura extra.

— Quem é Uriah? E como assim não foi você? É claro que foi, não teria vindo aqui se não, assim como você também não teria me atacado se fosse inocente. Você não me engana, Lisandr. — Mais uma risada sua, mais um soco meu e continuamos naquele jogo de morde e assopra. Tirar as informações completas dele estava me custando mais do que eu esperava. — Explique-se. Não tenho todo o tempo do mundo. Ou toda a paciência.

Lis olhou-me desfocadamente e respirou fundo, tomando fôlego. Abriu bem seus olhos, exercitando as pálpebras, e limpou a sua garganta antes de continuar. Otário como era, ainda deixei-o limpar o sangue que escorria vagarosamente por seu rosto; mas isso pareceu dar resultado, porque ele adotou uma expressão mais séria e olhou-me com afinco, abrindo seus lábios para enfim dizer algo concreto:

— Eu já te disse. Não sei de nada. Tudo o que posso te dizer é que as armas estão na Floresta. Deve ser em alguma parte perto do Punho de Zeus, talvez até mesmo dentro do Labirinto... — Ele parecia realmente pensar sobre, não me ludibriar. No entanto, como já tinha um certo pé atrás com ele e estava cegamente crendo que havia sido ele o ladrão, não levei a pista muito em conta; ele poderia estar me induzindo a ir para um local completamente oposto ao que estavam as armas. — Procure por uma rede tecida à mão. Uriah é um ótimo tecelão. Deve estar camuflada, escondendo a pilha de armas entre as árvores... Mas você deve encontrar, metido como é.

Eu olhei feio para ele e torci o nariz, saindo de cima do seu corpo. Recuperei o meu martelo entre os destroços da sua cama e o coloquei em minha cintura, fazendo o mesmo com o meu machado — só que recuperando-o do chão polido e atando-o às minhas costas.

— Como vou saber se você está ou não mentindo? Estou crendo que você está envolvido nisso até o pescoço. Achei a pena da sua faca caída na forja do Otto, foi um dos motivos que me fez vir aqui. E você sabe como essas penas são raras nas forjas dele. Você é um dos únicos que tem o privilégio de tê-la... ou teve, porque perdeu.

Lis levantou-se vagarosamente da cama em que estava e abriu o seu baú para mim, mostrando roupas mal dobradas, alguns itens de ouro, prata e bronze (perceptivelmente furto de roubos) e, ainda, algumas armas; dentre elas, uma caprichosa faca de bronze com cabo revestido em couro, cujos entalhes na lâmina diziam em grego "efêmero como a paixão", estava repousada destacadamente. No final do seu cabo, um gancho de aço prendia uma pena muito vermelha, àquela altura já açoitada pelo tempo e um pouco chamuscada, mas ainda assim incrivelmente linda. Indubitavelmente, era uma das penas que Otto colocava em suas forjas.

— Eu não uso essa arma há éons. Não há como eu ter perdido o primeiro presente que Otto me deu, anos atrás. Eu não fui capaz de usá-la durante todo esse tempo por causa disso. Se deixasse a pena se perder por aí, jamais me perdoaria... Essa tal pena que você encontrou, Joonho, não era minha. Deve ser de Uriah.

Ele pareceu triste ao dizer a última frase, como se Otto ter dado a pena a outro garoto ferisse gravemente os sentimentos do filho de Hermes. Talvez fosse a simbologia: o primeiro presente. Talvez lhe doesse saber que aquilo se tornava menos especial se fosse feito com todo mundo.

— Eu vou averiguar isso. Não tenho muito tempo antes do início do torneio, de qualquer forma. Mas se você estiver me enganando, se fizer Otto ser punido por isso, eu juro que faço bem mais do que dar uns míseros socos em você.

Lis voltou para a cama em que estava e deixou-se cair levemente, rindo alto, entrecortante. Seus olhos miravam o teto num torpor induzido.

— Você estaria bem acabado também não fosse esse seu maldito elixir. Sorte sua também eu não ter tentado te matar de verdade, apesar de que teria acabado morto se não fosse rápido o suficiente para escapar dos seus golpes. Mas você vai sentir bastante dor se não procurar uma enfermaria logo.

Eu não me dei o trabalho de responder; passei pela porta do dormitório e, olhando uma última vez para a bagunça em que ele se tornou, a fechei logo atrás de mim. Meu novo destino era o Punho de Zeus.

•••

A caminhada foi estranhamente silenciosa. Não via semideuses em lugar nenhum, e isso só fazia crescer a já monstruosa ansiosidade dentro de mim. O evento havia começado? A falta das armas tinha sido percebida pelos campistas, incluindo Otto? Aigoo!

Eu pensava nisso a todo momento, mesmo enquanto esquadrinhava a área do Punho. Não havia o menor sinal de escavamento, muito menos redes ou qualquer coisa parecida; o local parecia tão intocado quanto, mais cedo naquele mesmo dia, a forja de meu irmão. "Se as armas estiverem mesmo aqui...", pensei "isso só mostra que o responsável é muito furtivo".

E realmente era, tenho que dizer. Só depois de muito tempo procurar, passando cinco minutos circundando a área, é que deparei-me com um punhado de folhas anormalmente juntas. Havia um finíssimo cabo ligado a elas, quase imperceptível — mas não aos meus olhos treinados. Aquela era uma armadilha, e não parecia ser uma de Otto; estariam ali as armas, servindo de isca para disparar algo em quem tentasse recuperá-las?

Eu recuei alguns passos por precaução. Estendi minha mão para o punhado de folhas e tentei ativar uma das habilidades que tinha descoberto possuir, elevando metal apenas com a força do pensamento. Um formigamento arrepiante passando por minha espinha denotava que a habilidade estava em uso, e logo uma ponta afiada abriu caminho entre as folhas, flutuando vagarosamente bem à minha frente. Só podia ser uma das adagas que tínhamos feito.

Não tive tempo de tentar desarmar aquela emboscada e recuperar as armas. Assim que a adaga veio para as minhas mãos, uma flecha passou zunindo por meus ouvidos, cravando-se numa árvore próxima com uma força assustadora. Instintivamente olhei para trás, vendo um corpulento rapaz olhar-me com superioridade; o arco pendia ao lado do seu corpo, bem seguro em suas mãos.

— Largue — ele avisou. Pelo seu tom de voz, aquele era mais do que uma simples instrução. — Largue, ou a próxima flechada não vai ser errada propositalmente.

— E eis que temos o culpado voltando à cena do crime. Que típico — disse enquanto erguia uma sobrancelha, mas ainda assim largando a adaga no chão. Levei minha mão ao meu martelo por pura precaução, ainda olhando-o; aquele era Uriah, afinal?

— A cena do crime é a forja, seu idiota. Deveria saber que meteria seu nariz onde não foi chamado. Está sempre farejando o chão atrás de Otto, não está? Parece até ter um interesse mais do que amistoso nele.

Então ele me conhecia. Isso dizia mais do que aparentava, mostrando que havia estranhamente algo entre ele e Otto — ou mostrando que o garoto era um stalker. Sabia que meu meio-irmão me considerava como o semideus mais próximo a ele, sendo a recíproca verdadeira, mas não era como se saíssemos por aí andando juntos o tempo inteiro e declarando amores para quem quisesse ouvir. Na verdade, preferíamos apenas ser aquele porto-seguro silencioso: alguém que está sempre ali para te ouvir e ajudar, mas que não é necessariamente seu parceiro diário.

Otto tinha Lisandr. E possivelmente tinha um amante, também. Eu tinha Heechul e a minha forja. Estávamos bem assim.

— Pareço, é? Ou isso é só mais uma invenção da sua mente doente? Porque, veja só, para participar de um plano desses contra Otto... tem que ser muito doente — conduzi a segunda confissão do dia, arrancando do rapaz um semicerrar de olhos. — Lis me contou. Depois de alguns socos, é claro. Contou que o plano era inteiramente dele, que você apenas o ajudou tecendo a rede e escondendo os itens aqui.

Ele riu soprado e soltou seu arco no chão, largando também a aljava junto dele. Retirou a clava que pendia em suas costas e bateu duas vezes contra sua própria mão, olhando-me sugestivamente. Saquei Constructio como bem era esperado, preparando-me para uma investida sua. Mas ela não veio.

— Ele não fez nada disso. Aquele idiota é que me ajudou. Deu todas as informações que eu precisava, facilitou tudo e bingo, meu plano estava em prática. Funcionando perfeitamente até você chegar. Uma pena que não conseguirá sair daqui a tempo de ir avisar seu irmão, Joonho. O evento já está para começar.

Então, como se fosse a deixa, um som de berrante cortou o silêncio no Acampamento. Aquele era um sinal, mas de quê? De início do evento? De agrupamento? Mas como, se as armas nem mesmo tinham sido entregues?

Em resposta, Uriah deixou um sorriso enfeitar seus lábios. Parecia imensamente satisfeito ao ver seu plano dando certo, e não duvidava nada que realmente estivesse.

— Assim que derem falta dos itens que peguei mais cedo, usando a abertura que Lisandr me disse funcionar, irão prontamente culpar Otto. E você também será culpado, de quebra. Mas aí eu aparecerei como o heroi salvador, aquele que veio para mostrar como o cruel filho de Hermes roubou os itens do filho de Hefesto, apenas para vingar sua traição. — continuou a tagarelar, cumprindo o ciclo daquela previsível situação: depois de voltar à cena do crime e ser pego pelo mocinho, o vilão conta todo o seu plano malévolo, logo antes de ser incrivelmente derrotado. — E eu, o amante perfeito, entrarei como atual nessa história toda

Só então eu estaquei. Meu cenho franziu imediatamente, movido pelas últimas palavras do semideus. Amante perfeito? Atual? Então... Uriah era a terceira pessoa naquela relação? E se era, como Lisandr tinha cooperado com ele? A menos que não soubesse, é claro. Mas por que motivo...

— AISH! — exclamei nos segundos que se seguiram a fala, sentindo minha cabeça dar um nó pelo acúmulo de informações. Sentia como se a situação fosse um enorme quebra-cabeça, mas que nada se encaixava direito — ou pior: encaixava tanto aqui quanto ali e acolá. — O que quis dizer? Que tipo... Que tipo de plano você tinha? Como isso aconteceu? Como você se aliou ao Lis?

— Acho que já falei demais. E você já tem coisas demais a pensar, não? Vamos apenas... resolver isso. Saia, vá embora. Não me atrapalhe, ou vai ser pior para você, Kim Joonho. Estou avisando. — Mas eu não saí do canto. Pelo contrário: abri um pouco mais minhas pernas, retirei o machado de minhas costas, soltei-o no chão para poder segurar meu martelo com ambas as mãos e curvei um pouco o corpo, esperando pelo ataque dele.

— Não vou a lugar algum. Você que vai. Para as Enfermarias. Ou provavelmente para bem longe daqui. Não duvido que seja exilado.

Uriah riu, seco e em pura raiva. E em seguida, atacou. Aquele corpo tão grande quanto o meu avançou em alta velocidade, brandindo a clava como se não fosse nada, apesar do tamanho.

O primeiro ataque foi na vertical, tendo esmagado-me se não houvesse rolado para o lado no último instante. O segundo veio logo depois do primeiro, na mesma direção, só que dessa vez mais perto; ainda agachado por ter rolado, esquivei-me para trás e deixei que sua clava batesse contra o solo, aproveitando a brecha para desferir uma joelhada em seu rosto.

Meu joelho bateu em seu nariz. Um barulho estranho ecoou, seguido do grito de Uriah. A clava foi para o chão, mas o semideus não; ele olhou feio enquanto o sangue corria de suas narinas, sujando-lhe o rosto e a camisa alaranjada que trajava.

Aproveitando aquele momento de torpor, ergui-me num salto e manejei o martelo contra o peitoral do rapaz, conseguindo apenas acertar o vento quando ele esquivou com agilidade. Mas não foi tudo: ele segurou e girou meu pulso, fazendo-me soltar o martelo, e ainda usou meu próprio peso como alavanca para jogar-me para a frente, descrevendo um arco no ar enquanto era impulsionado.

Caí com um baque surdo no chão; o ar foi expelido de meus pulmões, e no lugar dele uma dor lancinante me atingiu, denotando que havia quebrado alguma coisa. O semideus deveria ter usado muita força para jogar-me daquela maneira.

Arco, clava, força... era uma prole de Héracles, com toda a certeza. Não havia como lutar contra ele diretamente, mesmo que, como filho de Hefesto, minha força corporal fosse ampliada.

— Eu mandei sair. Agora vou ter que terminar essa batalha que começamos, Joonho. Vou adorar dizer como te peguei no flagra vigiando as armas, tendo te impedido de continuar com esse plano contra Otto, sendo cúmplice de Lisandr.

Ele foi até o meu martelo, pude perceber. Seus passos vagarosamente até mim, dando-me a chance de executar um rápido plano, mesmo deteriorado como estava. Ainda deitado, senti o cabo frio chegando aos meus dedos, permitindo ser seguro com firmeza. No momento em que Uriah preparou-se para atingir-me com minha própria arma, virei-me fugazmente de lado e cravei a lâmina da adaga em sua perna, obrigando-o a soltar o martelo em reflexo.

Com dificuldade, eu me levantei. Olhei para onde o rapaz estava e um leve sorriso passou por meus lábios. Durante uma ofegada, segurei firme no cabo de Constructio e o lancei na direção de Uriah, que o aparou, mas deu dois passos para trás, como esperado.

Seu pé pressionou o amontoado de folhas. O cabo metálico tensionou. Uma rede prateada surgiu do chão e prendeu o semideus num emaranhado de fios, soltando uma audível descarga elétrica, levando-o ao chão. Uriah estava desmaiado, derrotado.

Enfim pude me deixar cair, cansado demais para ficar de pé.

Tateei meu bolso dianteiro à procura de um pequeno frasco. Seu líquido azulado parecia intacto, embora o vidro não estivesse na melhor das condições: havia trincado próximo ao gargalo, não quebrando por pouco. Agradeci aos deuses por ainda ter o elixir e, rapidamente, o entornei, sentindo o gosto revigorante preencher-me rapidamente. Em seguida veio outro, mas desta vez numa cor verde-esmeralda; igualmente revigorante, no entanto.

Minutos depois, já era capaz de ficar de pé sem grandes dificuldades.

Pareceu ser uma deixa para todos chegarem ali. Quíron vinha à galope, com uma altiva garota de cabelos negros em seu encalço. Atrás dela, Otto, Chord, Michelangelo, Lisandr e Hunter fechavam o ciclo de visitantes, além de uma conhecida Curandeira de Asclépio e mais um bando de curiosos.

O centauro parecia querer explicações.

•••

Otto olhava-me com preocupação. Estava sentado numa cadeira que sequer deveria estar ali, fitando-me enquanto, interiormente, parecia travar uma batalha contra as frases não ditas. Na maca ao lado, Lis tratava de seus ferimentos — assim como eu —, olhando-nos de relance a cada dois minutos.

Descobri da pior forma que não sabia de muito da vida de meu meio-irmão, desenterrando uma série de situações que o levaram até onde estava. Descobri que ele não era tão honroso assim. Ou tão sincero — tanto comigo quanto com Lis e consigo mesmo. Supunha muito, e queria logo que ele me desse a sua versão. Mas não julgava que ele fosse fazê-lo logo.

Entretanto, contrapondo-se às minhas expectativas, ele enfim contou-me tudo.

Ele namorava Lisandr havia dois anos. Mas desde os últimos três meses, encontrava-se às escondidas com Uriah. Dizia sentir falta de um prazer mais carnal, visual. E Lis, com seu corpo de músculos magros e nada escultural, não podia satisfazer isso. Não acreditei muito nele; aquela era uma desculpa barata, no mínimo. E foi isso mesmo o que Lis jogou em sua cara ao descobrir, dias antes.

Otto não queria perder Lis, mas também não queria ter que abrir mão de Uriah. Na dúvida, decidiu afastar-se dos dois para não se confundir ainda mais, calhando de ter que focar no evento que se aproximava — o que, apesar de ter atrapalhado ao exaurir seu físico, também ajudou a manter sua mente ocupada.

Uriah não ficou contente com isso. Lis tampouco. O filho de Hermes ardilosamente fez Hunter, seu melhor amigo e meio-irmão de Uriah, colocar na cabeça do filho de Héracles que ele deveria se livrar de Lis, fazer Otto odiá-lo. A mando de Lisandr, propôs um roubo à forja, o que Uriah prontamente acatou. E, pensando que Lisandr não sabia que Uriah era o amante, ele o convidou para o plano, usando da mesma desculpa de Hunter: Lis deveria se vingar, afinal havia sido traído!

No fim, ao esconder as armas na floresta, havia ficado por lá para denunciar o plano inteiro e culpar o filho de Hermes. Mas deu com os burros n'água quando eu o detive, jogando-o na própria armadilha elétrica — que não causou muitos danos a ele, aliás, além de uma rápida inconsciência.

Detendo-o, também detive Lisandr; apesar de estar cooperando com o rapaz e tendo sido dele a ideia inicial daquele plano todo, planejava sair ileso da situação. Assim como Uriah pretendia fazer, jogaria a culpa toda no outro: diria que o filho de Héracles fez tudo e, assim, mostraria a Otto o quão ardiloso poderia ser aquele garoto. Mas isso foi para o ralo quando contei a verdadeira versão, dizendo que ambos estavam envolvidos e que, assim, Lis não era inocente. Ele acabou tendo que contar a verdade, dizendo tudo o que estou passando agora para você.

Confuso, eu sei. Digo ainda hoje que não sei bem o que aconteceu. Foi apenas um amontoado de fatos, uma série de tentativa de traições após a traição, partida de Otto. Foi apenas um plano mirabolante, criado inicialmente por Lis, executado por Uriah, mas saindo com danos colaterais para ambos: tanto o filho de Hermes quanto o de Héracles estavam exilados, punidos ao mancomunarem contra o Acampamento e entrarem em batalha direta contra um semideus inocente, vulgo eu mesmo.

E é por esse motivo, meu caro, que eu não me envolvo com o amor. Amantes podem ser infernais, caso não saibam controlar o ardor de uma paixão. E apesar da minha pirotecnia, era mais seguro nem arriscar.

Adendos:
1. Lamento caso realmente tenha ficado confuso. A ordem dos fatos seria: Lis querendo mostrar a Otto quem Uriah era, armando um plano mirabolante para conseguir isso > Lis influenciando Hunter a induzir Uriah ao plano > Uriah usando o plano para detonar Lis, convidando-o para participar > plano decorrendo-se normalmente, com roubo, etc. > Uriah pretendendo colocar a culpa no Lis, mas sendo derrotado pelo Joonho > Lis pretendendo sair ileso dessa, mas sendo desmascarado pela derrota de Uriah > Lis e Uriah sendo exilados.

2. Esse post foi feito quase que inteiramente meses atrás. Apenas do penúltimo salto temporal adiante é que não, então sorry se estiver com alguma discrepância na forma com que foi escrito. Juro que, na revisão que fiz, tentei mudar o máximo para se adequar ao meu estilo atual (????) de escrita. ;u;

3. Estou com baixíssima MP. Mas ingeri o equivalente a 20 MP logo antes do primeiro salto temporal, e considerando que devo ter gastado uns 15 MP apenas na luta (ocasião em que ingeri o elixir titânico), não devo ter sofrido tanto com isso. Favor considerar o uso de elixires (ordem cronológica): dois elixires da energia (fraco, recupera 10 MP); um elixir da energia (titânico, recupera 100 MP); um elixir da energia (fraco, recupera 10 MP); e um elixir da vida (fraco, recupera 10 HP).

4. Palavras como "aish" e "aigoo" são exclamações comuns na língua coreana, utilizadas aqui pela ascendência do Joonho. O significado não importa tanto, sabendo sua equivalência: aff, oxe e afins (na minha livre interpretação rs).


— Itens:

Ω {Contritio} / Machado [Machado duplo com lâmina de bronze sagrado, marcada com os símbolos de Hefesto. Possui runas em sua extensão, lembrando um machado vicking. É uma arma pesada, que exige as duas mãos para o manuseio. No nível 20 transforma-se em uma luva de couro batido, com o punho formando um bracelete de metal, que pode ser utilizada na forja como proteção durante o trabalho, facilitando o manuseio de materiais.] {Bronze Sagrado} (Nível Mínimo: 1) {Não Controla Nenhum Elemento} [Recebimento: Presente de Reclamação de Hefesto]

Ω {Constructio} / Martelo [Martelo de ferreiro feito em titânio resistente ao fogo] {Titânio} (Nível Mínimo: 1) {Não Controla Nenhum Elemento} [Recebimento: Presente de Reclamação de Hefesto]

• Elixir da Vida (fraco): Recupera 10HP.
• Elixir da Energia (fraco): Recupera 10EP.
• Elixir da Energia (fraco): Recupera 10EP.
• Elixir da Energia (fraco): Recupera 10EP.
• Elixir da Energia (titânico): Recupera 100EP.


— Poderes e Habilidades:

{Hefesto — Passivo;} Nível 1 - Perícia com armas pesadas: Por geralmente ter mais força do que agilidade, os filhos de Hefesto tem facilidade em usar armas pesadas. Martelos, machados e marretas são suas melhores amigas na hora do combate.

{Hefesto — Passivo;} Nível 1 - Braço de Ferro: Naturalmente, filhos de Hefesto são fortes e bem desenvolvidos. Sua força é consideravelmente maior comparada a outros semideuses em mesmo níveis, a exceção das crias de Héracles. Não são muito ágeis.

{Hefesto — Passivo} Nível 2 - Projetista dedicado: Você é capaz de entender e fazer desenhos técnicos voltados à projetos de engenharia mecânica. Adicionalmente, filhos de Hefesto são acostumados a lidar com engenhocas e peças, reparando em pequenos detalhes, por isso é mais difícil esconder algo deles - são observadores atentos. Poderes de distração tem efeito reduzido em 25%, quando provenientes de oponentes que tenham até 5 níveis acima ao do filho de Hefesto em questão. [Novo]

{Hefesto — Passivo} Nível 3 - Avaliador: Possui um ''olho clínico'', conseguindo descrever principais características e vantagens de certos objetos apenas de observá-los com atenção. Não consegue discernir habilidades mágicas nem funções avançadas, é apenas um reconhecimento inicial.

{Hefesto — Passivo;} Nível 5 - Ambidestria: O filho de Hefesto está acostumado com o trabalho manual e vive ocupado, precisando desenvolver habilidades para otimizar seu tempo. A ambidestria advém desse esforço. Contudo, algumas limitações físicas ainda existem: Armas de duas mãos não podems er empunhadas com uma só, independente da força, o que faz com que seja impossível usar mais de uma arma ao se utilizar uma deste tipo, como um machado de guerra ou uma espada bastarda.

{Hefesto — Ativo} Nível 2 - Mão de ferro: Ao canalizar suas forças no punho, consegue concentrar energia para aumentar o impacto de seus golpes, tornando-se tão eficaz quanto um martelo (apenas em termos de impacto contra o oponente, mas não afeta armaduras ou escudos se golpeados com esse poder, nem aumenta o impacto da arma - válido apenas para as mãos nuas. Cada ativação dura 3 rodadas. Uma vez a cada 5 rodadas. [Novo]

{Hefesto — Ativo} Nível 6 - Magnetocinese inicial: Capacidade de controlar metais leves, podendo fazê-los levitar e se deformarem levemente. Caso algum objeto metálico seja lançado na direção do filho de Hefesto, este poderá desviá-lo a depender da velocidade e força do lançamento. Não afeta metais mitológicos de qualquer tipo nesse nível, e não desvia materiais empunhados pelo inimigo. A deformação será pequena, não mudando ou entortando uma lâmina imediatamente, o que torna o poder não muito viável em combate. Para uma deformação contínua, requer concentração, não fazendo qualquer outra ação além do uso do poder, e gasto de Mp igualmente duradouro. [Modificado]

Kim Joon Ho
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