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Teste poseidon outubro/ novembro

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Teste poseidon outubro/ novembro

Mensagem por Freddie P. Sykes em Sex 17 Out 2014, 20:04

Características físicas e psicológicas:
Freddie possui olhos castanhos que combinam com a cor de seus cabelos desgrenhados na altura do pescoço. Possui várias tatuagens espalhadas pelo corpo, todas altamente criticadas por sua mãe Jenny. Cresceu em família rica, junto de sua irmã mais nova, o padrasto e sua avó, sendo que todos sempre reclamaram sobre o fato de que o herdeiro da família se vestia de forma tão desleixada, ouvia músicas tão agressivas e era tão despreocupado com os negócios da família.
Devido a tanta pressão, o garoto encontrou na escola um modo de evitar sua casa e se divertir, tornando-se o ala do time de basquete, onde conheceu seus melhores amigos e conseguiu ficar "popular" devido à seu talento nato para o esporte e sua ótima condição física. Com 17 anos, e apesar de não ser do tipo mais alto para o esporte, medindo 1,74m, possui uma grande habilidade de salto e tomadas de decisão rápidas que o tornaram um titular com facilidade. Procura manter sempre seus amigos por perto, tal como sua namorada Rachel, uma garota de família menos avantajada, a qual sempre arruma uma desculpa para apresentar à sua família com medo da reação deles. Tudo o que o rapaz queria era ser alguém comum, sem tantas responsabilidades ou pressão, apenas gostaria de saber como é ser alguém sem tantas expectativas nas costas.

História do personagem:
Que tipo de garoto de 17 anos fica de castigo por ter tirado uma nota abaixo de 8? Particularmente nunca entendi porque logo eu tinha de ser herdeiro da família "Palmer Sykes", como minha avó sempre dizia. Nunca entendi o motivo de ter os dois sobrenomes da família, ao invés de simplesmente saber quem era meu pai, tal como qual era o problema em jogar basquete? Era apenas um esporte comum, ao menos para todos os garotos da minha idade, mas não para minha mãe e padrasto, que não importa o quão o ajudasse ou fosse legal, também era contra "ficar jogando uma bola num aro e ficar suado" como todos em casa falavam. O único que talvez me entendesse ali era Pete, um labrador que tinha uma estranha mania de se perder dentro da própria casa, tudo para buscar uma bolinha que eu jogava. Era um animal e obviamente não ia começar a falar ou recriminar-me, mas só por ouvir e depois lamber meu rosto no fim da sessão de conversa com o cachorro, já fazia valer a pena a conversa sem respostas.
Não podia sair de casa durante uma semana, tempo que minhas mãe e avó viam como suficiente para "colocar a cabeça no lugar", passando por sessões diárias com uma psicóloga que tentava grampear na minha mente que eu não tinha opção, que devia orgulhar minha mãe e ser um executivo de sucesso, passando à frente a tradição de sua família. Por algum motivo, ela achava que repetir aquilo me transformaria num robô, que eu algum dia me daria conta do quanto é inútil correr atrás da minha própria felicidade, e me dedicar apenas a ter o título de o filho de Jenny P. Sykes, herdeiro dos negócios da família e robôzinho engravatado.
Nunca havia notado, mas o único lugar daquela casa que me dava liberdade era a piscina, por algum motivo eu mergulhava e era como se a água limpasse minha cabeça, como se meus problemas boiassem junto com meu corpo, e meus poros fossem espirrando-os como se fosse uma esponja sendo pressionada. Sempre que chegava do colégio e não queria ouvir as discussões e broncas da minha família, me atirava na água e ficava ali, por algum motivo minha mãe nunca me deu um esporro quando estava ali, era como se ela soubesse que era uma forma para me livrar do estresse, e respeitasse isso.
Minha semana de prisão domiciliar passou mais rápido que parecia, passava o tempo todo treinando arremessos e enterradas numa cesta que coloquei no jardim, estava bem empolgado, teria um jogo em menos de uma semana, Rachel me ligava todos os dias, e isso era algo realmente muito revigorante, sua voz me acalmava, e não tinha nada melhor do que ouvi-la após treinar durantes horas, ou até mesmo de manhã quando ela me ligava para que eu não me atrasasse para a escola. Caminhei até sua casa no primeiro dia de liberdade sem a "carona da mamãe" até a escola, era bem longe do meu bairro, mas era só um caminho mais longo até o colégio, nada demais. Toquei a campainha e logo pude ouvir sua voz dando tchau para seus pais, mais alguns instantes e podia vê-la abrindo a porta. Era linda, seus cabelos negros na altura do pescoço, os olhos tão escuros que me lembraram do quanto tive problema para chamá-la para sair, tinha medo daquele olhar penetrante, e como de costume vestia a camiseta do uniforme, uma saia com meia-calça por baixo e um par de all-stars. Me olhou como se eu tivesse feito algo muito errado, caminhou até o portão retirando os cabelos do rosto e esboçando um sorriso tímido que sempre melhorava meu humor.

- Já tá liberado? Sem mamãe te levando na escolinha? Parecia uma criança de 10 anos chegando com sua mãe todos os dias, só faltou ela te chamar de "meu bebê" e falar pra não aceitar doces de estranhos. - Ela riu, enquanto abria o portão e me dava um beijo na bochecha.

- Finalmente, dá pra acreditar? Uma nota 7 e ela ficou assim, mas tanto faz, me conta como foi ficar 3 dias sem me ver, admite que foi o pior final de semana da sua vida, eu sei que foi. - Respondi, colocando meu braço em torno de seu ombro e retribuindo-a com um beijo, coloquei a mão no bolso e caminhamos para a escola.

Rachel me provocava o tempo todo, chamando de filhinho de mamãe e fazendo piadas sobre como era engraçado me ver chegando na escola que era a três quarteirões de minha casa no carro de minha mãe, e depois como ela ficava me esperando meia hora antes da aula acabar, tudo para assegurar-se que eu não ia fugir ou nada do tipo. Rimos durante o caminho todo, caminhávamos devagar para conseguirmos colocar o assunto em dia, por que todos os meus dias não podiam ser assim? Ser alguém normal devia ser mais ou menos daquela forma, ter uma namorada implicante, jogar basquete, estudar e sair com os amigos, por que logo eu?
Chegamos no colégio cerca de 10 minutos depois, nos despedimos e fui para minha sala. Uma das vantagens de ser jogador de um time de basquete é que em dias de jogo você só precisa comparecer na primeira aula e depois é liberado para o aquecimento e etc. Nunca quis saber o motivo, mas o Sr. Jenkins não gostava muito de mim, me tratava como um garoto mimado que precisava de atenção especial, mas fazer o que? Eu também odiava a matéria dele, o que eu vou querer sabendo quem foi o presidente que morreu a 50 anos atrás? História realmente é algo bem desnecessário. A única coisa em sua matéria que me interessava foi durante a semana de estudos sobre a mitologia grega, mas depois disso nunca mais achei graça, ele mudou a matéria de Deuses e etc para imigração asiática em uma semana, fora que aquele jeito de anão revoltado de 60 anos de idade era algo bem esquisito, seu pescoço era inclinado para a frente como o de uma tartaruga, ele tossia durante a aula e nos chamava de "crianças irritantes".
O sinal tocou e saí da sala com minha mochila, me dirigi ao vestiário do time, mas por algum motivo estava vazio, ninguém estava na quadra também, fui até a sala do treinador e bati na porta, entrando ao ouvir o velho rádio do treinador ligado. A sala era bem organizada, e no centro, sentado em uma cadeira e fazendo anotações, estava o treinador Harrison, com seu típico uniforme de professores e seu boné verde que combinava com as cores do uniforme. Era alto e não aparentava ter mais de 35, sua barba era bem feita e seus olhos eram calorosos.
- Com licença treinador... Cadê todo mundo? Os vestiários estão vazios a na quadra não tem ninguém, nem do outro time.

- Ah, claro, acho que como você não pôde vir sexta, algum dos pirralhos esqueceu de avisar, o jogo foi cancelado, os detalhes eu não me lembro, sabe que tenho memória fraca. - Ele respondeu como se fosse algo natural, aparentando estar mais calmo do que normalmente era - Enfim, soube que está livre do castigo? Que bom garoto, que bom! Acho que devíamos aproveitar e ter uma conversa um pouco mais séria hoje, sente-se por favor.

- Ah... Ok, mas acho melhor não demorar né? Já que não vai ter jogo, tenho que voltar pra aula antes que a professora de química ligue pra minha mãe super compreensiva e diga que eu matei aula, e aí mais uma semana de castigo. - Argumentei, fechando a porta e sentando-me na cadeira de frente para o treinador, seus olhos pareciam mais sérios do que a alguns instantes atrás, como se estivesse a ponto de me dar uma notícia de morte de alguém.

Sua expressão facial parecia cada vez mais diferente do comum, respirou fundo algumas vezes e começou a falar.

- Bem, quanto a isso fique tranquilo, sua mãe sabe exatamente sobre essa conversa, apesar de não aprovar nem um pouco que você saiba, ela entende que é necessário para sua segurança. Agora deixe-me contar... Sabe, Fred, algumas vezes os Deuses tentam sair de suas rotinas e vêem à Terra para fazer coisas que um humano comum faz, isso se tornou algo bem normal, e as vezes eles conhecem humanos que gostam e posteriormente se apaixonam, e então eles tem filhos com esses humanos. Esses filhos nascem com os dons de seu progenitor divino. Conhece a história de Hércules, garoto? - Questionou, debruçando-se sobre a mesa com uma aparência de quem não sabia nem um pouco como contar histórias.

- Conheço sim, aquele que era filho de Zeus com uma humana, certo? Que era treinado pra ser um herói e...

- Exato! - Respondeu, animando-se com a resposta o suficiente para nem me deixar terminá-la. - É isso mesmo, garoto! Ei, eu não devia me empolgar tanto com isso. Enfim, deixe-me continuar. - Indagou, recompondo-se e ajeitando os óculos - Enfim, essa história de Hércules é real, e atualmente nós temos muitos semideuses no acampamento.

- Nós? Treinador, me desculpa, mas poderia ser mais direto?

- Ok, então... Ser um semideus é perigoso, ainda mais agora que parece estar havendo um aparecimento de monstros muito grande. Achei que tivéssemos acabado com isso da última vez, mas... Tanto faz, o que importa é qu-

- Chega, posso continuar a conversa?

Uma voz feminina vinha da direção da porta que ia se abrindo, interrompendo o treinador. Me surpreendi bastante quando vi minha mãe parada ali se controlando para não chorar. Minha mãe, chorando?

- Mãe, o que aconteceu? - Perguntei-a enquanto me levantei e fui ao seu encontro, pedi para que se sentasse e ela assim o fez. Puxei uma outra cadeira e me sentei ao seu lado, aquilo não era nada normal, só a vi chorando uma vez, e nem me lembro do motivo.

- Está tudo bem, Freddie. Prefiro ser eu mesma a explicar-lhe a situação do que terceiros. Ouça-me meu filho, serei bem direta... Suponho que ele já o tenha falado sobre semideuses e acampamento, certo?

Fiz que sim com a cabeça, olhando-a fixamente. O sr. Harrison ficou quieto e apenas observou minha mãe discursar.

- Você é um desses semideuses, não só um deles, você está mais propenso a riscos do que a maioria. - Ela enxugou as lágrimas enquanto tocou meu rosto e me olhou nos olhos - Você é filho de Poseidon, meu filho, e isso é muito perigoso, monstros podem encontrá-lo, então tomei a decisão de lhe contar tudo. Há um acampamento seguro para os filhos de Deuses, um lugar onde você estará seguro, e quando os problemas forem resolvidos você poderá voltar pra casa.

- Como assim? Eu sou filho de um Deus? Você tá me mandando embora, diz que eu corro perigo, aparece chorando, me contando uma coisa dessas como se fosse normal?

- Filho, não temos tempo, você precisa ir com o sr. Harrison agora mesmo, ele lhe explicará tudo, eu prometo. Apenas confie em mim por enquanto, sei que não é fácil, mas pense bem, eu já menti alguma vez pra você?

Suspirei e olhei-a nos olhos mais uma vez, com certeza ela não estava mentindo.

- Ok mãe, eu confio em você, apesar de parecer loucura. - Respondi, num impulso abracei-a com força como se sentisse que não veria ela por um bom tempo.

Fomos em direção ao portão do colégio, onde um Chevette velho e mal-conservado estava nos esperando com as portas abertas. Não sabia sobre o que estava mais preocupado, o fato de ter de deixar minha mãe ali daquele jeito, e minha namorada Rachel sem nem saber o que acontecera - apesar de que o sr. Harrison ter me garantido de que eu poderia me explicar com ela depois - ou o fato de que teria de viajar naquele carro destruído, que provavelmente ia se desmontar peça-por-peça até o final do trajeto.
Não estava entrando no carro do treinador Harrison por querer, ou por concordar com a história que ele e minha mãe me contaram, estava indo por ela. Vai por mim, quando uma mulher durona como a sra. Jenny Palmer Sykes chora como uma garotinha, é porque tem mais coisa em jogo do que você acha que tem. Obviamente não acreditava na história, você acreditaria se te dissessem que é filho de um Deus? E se falassem de perigos, mas não explicassem o tipo de perigo? Então, foi assim que me senti. Passei 4 horas ouvindo o treinador explicar as coisas, sendo que metade desse tempo ele se gabava de como tinha sorte de estar com um filho de Poseidon no banco do passageiro de seu carro e não ter acontecido nenhum problema até então. Acho que ele falou cedo demais. Olhou para a frente enquanto repetia sobre ser sortudo pela nona vez, quando interrompeu a própria fala e gritou "HARPIA!". Olhei para onde ele olhava e não entendi o que era aquilo, uma mistura de mulher com galinha estava a cerca de 40 metros de distância na estrada.

- Corra garoto, corra! - Ele exclamava, enquanto parou o carro e revirou o banco de trás, removendo um cajado de madeira e saindo do carro rapidamente. A tal "harpia" não tirava seus brilhantes olhos de mim, e avançou em minha direção como se tivesse encontrado o almoço. Naquele momento eu tive a certeza de ter feito a decisão certa em ir, ok, pode parecer uma frase suicída, mas imaginem se além de mim, ela fosse atrás de Rachel e da minha família? Se era pra morrer, que fosse uma pessoa só, ao invés de várias, ainda mais por minha culpa. As palavras "perigo, semideus" não paravam de ecoar em minha cabeça, e foi ali que eu entendi o tipo de perigos eu corria, ironicamente, descobri o perigo quando achei que não fosse mais ter que me preocupar com isso, afinal eu já estava morto ali. A criatura me golpeou com sua asa enorme, empurrando-me metros para trás, caí na estrada e rolei, meu corpo estava todo machucado da queda, meu queixo e meu ombro ralados sangravam. Olhei para a frente enquanto o sr. Harrison se punha entre eu e o monstro. Balançava seu cajado como se estivesse se preparando para atacá-la.

- Fuja, siga pela floresta à direita, se o fizer vai conseguir chegar ao acampamento.

Ele parecia bem mais sério do que normalmente era, não discuti, apenas me levantei e corri. Olhei para trás uma única vez, enquanto o treinador avançava em direção à harpia. Por algum movivo ela se sentia bem mais atraída por mim do que por um cara de 35~40 anos com um uniforme de educação física. Como eu não sei, mas não passou muito tempo e o monstro estava novamente atrás de mim, apenas continuei a correr, não podia fazer nada além disso. Avistei à minha frente uma espécie de portal, e corri por lá, não era como se eu soubesse o que ia acontecer, apenas corri por ali porque era o caminho que eu já estava seguindo. Lembro de ter sido atingido nas costas mais uma vez, e assim fui lançado metros à frente.
Acordei no dia seguinte, ou ao menos foi o que me disseram, sentia dor de cabeça, minha testa e ombro esquerdo estavam enfaixados. Quando abri os olhos, vi um homem barbudo conversando com uma enfermeira, mas quando viu que eu havia acordado, disfarçou o assunto e se voltou para mim, apoiando seu queixo no cajado que tinha em mãos, e olhando para mim com aquele olhos castanhos.

- Finalmente acordou, sr. Sykes? - Esboçou um sorriso, enquanto coçava a barba.

- Quem é você? Onde eu tô? - Questionei, fazendo força para levantar. Quando finalmente me sentei, levei mais um susto, ele tinha... um corpo de cavalo? Aquilo era impossível, torci para que estivesse sonhando, e acordasse logo com minha avó brigando comigo por me atrasar para a aula de francês.

- Eu sou Quíron, o líder das atividades do Acampamento Meio-Sangue. Sim, eu sou um centauro, metade homem e metade cavalo. Agora por favor, tenha a paciência de ouvir o que tenho a lhe explicar.

Ele realmente explicava bem, me contou todos os relatos do treinador Harrison, que na verdade era um semideus filho de Hermes, mais velho do que a maioria, que agora era um ajudante que levava os semideuses para o acampamento. Explicou o porque da harpia continuar me seguindo ao invés de lutar com ele, que também era um semideus, parece que "meu sangue era mais chamativo", e isso a instigava. Contou-me como eu desmaiei após ser jogado pelo próprio monstro para dentro da barreira mágica, e depois fui levado à enfermaria pelo sr. Harrison. Eram realmente muitas as dúvidas que eu tinha, mas Quíron explicou tão esclarecidamente que realmente me convenci de ser filho de um Deus, e de que tudo aquilo era real. Tempo depois voltei a dormir, desta vez acordei cerca de 13 horas depois, quando o terceiro dia de loucura começou, e então fui instruído em meus treinamentos e tudo que o velho centauro dizia ser essencial para um semideus.

Trama livre:
Admito que treinar parecia mais difícil quando eu apenas assistia, quando fui reparar, nem era tão diferente de basquete, só o que mudava é que você tinha como objetivo atingir alvos, desviar de espadas e dar o famoso "tuchê" no oponente, tudo isso durante uma luta de espadas com as quais eu nunca sequer brinquei. Depois de ser desarmado três vezes por um filho de Ares chamado de Harry, eu comecei a me lamentar por não ter aceito fazer aulas de esgrima como minha avó sempre me recomendou, "Melhora sua concentração, e um dia você pode precisar", ela dizia, será que ela dizia isso por saber de algo ou apenas falava pra me dar um incentivo a fazer a mesma coisa que os outros riquinhos da minha idade? Isso eu perguntaria na primeira vez que a visse, isso é, se não morresse antes. Já se faziam duas semanas que cheguei ao acampamento, nesse tempo consegui o impressionante recorde de duas derrotas no jogo de "Captura à bandeira", meu tempo para ser derrotado num confronto de espadas aumentara para 3 minutos com Harry pegando leve, eu aprendi finalmente a usar aquela corrente cuja controlava a água, apesar de isso não ter a coisa mais útil do mundo quando você não tem poder o suficiente para controlar a água por muito tempo. Ah! Esqueci de algo importante, dominei a habilidade incrível que mudaria minha vida, a de não me molhar ao entrar na água, fora fazer esferas d'água que não causavam muito dano e só serviam como distração e/ou forma de irritar os outros. O lado bom era: Não tinham muitos filhos de Poseidon, então eu tinha que dividir meu chalé com poucas pessoas, ao invés de dormir com 30 irmãos e irmãs como alguns chalés, acho que Poseidon era um Deus um pouquinho mais recatado, conseguia se controlar para não se apaixonar muitas vezes. E fora isso, ainda tinham meus amigos novos de acampamento, a maioria eram o pessoal que jogava basquete comigo no tempo livre, se bem que eu acho uma grande trapaça ter cinco filhos de Apolo num time, eles sempre acertavam cestas de três pontos, não importavam quantas enterradas fizesse, não era o suficiente. Mas chega de ser tão negativo, eu realmente estava me adaptando, só que não conseguia parar de pensar em Rachel, eu sentia muita falta dela, em duas semanas só consegui falar com ela uma vez, porém a notícia boa era que ela ainda preferia manter um namoro a distância do que se irritar comigo. Prometi que iria visitá-la assim que possível.
Tempo depois, após o jantar, Quíron queria falar comigo, parece que meus irmãos não era tão confiáveis quanto parecia, e ele ficou sabendo que eu planejava melhorar minhas habilidades e procurar por meu pai.

- Quíron, você não deve estar me entendendo... Eu preciso de respostas! Não é tão fácil simplesmente aceitar que seu pai é um Deus e que nunca falou com você, eu quero saber o que o levou a deixar minha mãe, quero entender os motivos de ele nunca ter ido ao meu encontro, se era perigoso ficar sozinho, por que nunca me mandou pra cá antes? Não adianta simplesmente me dizer que não, que é errado, eu preciso fazer isso por mim, não é algo que você entenda. - Tentei explicar, eu realmente me senti determinado a encontrá-lo, ainda que me dissessem que era impossível para um novato ir até o reino do mar.

- Não estou repreendendo você, Freddie. - Seu tom de voz era calmo, como sempre, não que isso ajudasse muito naquela situação. - Você deve entender que é perigoso sim, se pelo menos pudesse esperar mais um pouco, eu lhe ensinarei o que for necessário, e então se realmente desejar ir, ok, não poderei impedir e nem irei prendê-lo, apenas faça isso.

- Tenho uma outra proposta. Você me treina durante mais uma semana, e após isso, eu irei, não quero companhia, irei sozinho, é algo meu, não posso simplesmente incluir outras pessoas nisso, e nem quero incluí-las.

Quíron ponderou sobre minha proposta, não parecia algo realmente difícil, se eu morresse eles não perderiam nada, não era o semideus mais útil e nem parecia um super prodígio. Me deu um sinal de "sim" com a cabeça, e então virou as costas e saiu. Naquela noite, estava tão cansado que dormi no exato momento em que deitei, e aí vem a pior parte para os semideuses. Uma fumaça verde tomava conta de meu sonho, e logo me vi num templo, cavalos marinhos e todo outro tipo de animal aquático estava ali, desde baleias e golfinhos a pequenos peixes, rodeavam aquele enorme palácio como se fossem guardas. Por algum motivo, não pareciam me ver como inimigo, provavelmente por me reconhecerem como filho de seu Deus. Me aproximei com uma correnteza que me deixou na porte do palácio, as portas se abriram sozinhas e comecei a caminhar para dentro. Estátuas e quadros tomavam conta daquele local, e logo cheguei numa sala que me lembrava muito o salão oval, da vez que fui à Washington com minha escola. No centro do salão, um homem de cabelos grisalhos segurava um tridente, como se não pudesse me ver. Aproximei-me, esperançoso.

- Pai? Poseidon? Ei? - Por algum motivo ele não podia me ver, não importava o quanto gritasse.

No momento em que ia estendendo minha mão para alcançá-lo, toda minha visão foi tomada por bolhas e uma forte correnteza me puxou para fora do palácio, fechando as portas assim que saí com tamanha força que acordei.
Aquela semana não parecia passar nunca, permaneci no acampamento treinando e dando meu máximo, abri mão das partidas de basquete com os outros, apenas para me preparar para minha "missão especial" como meus irmãos vinham chamando. Todos do acampamento me olhavam como se eu fosse suicída, como se fosse loucura querer sair do acampamento três semanas após entrar, tudo isso para ir procurar um Deus, que costumava ser bem difícil. Não ligava muito pra isso, óbvio que não queria morrer, mas era para isso que vinha me preparando, e não queria perder a chance de encontrar-me com meu pai.
Finalmente acabou o prazo, e Quíron finalmente me dera a permissão para deixar o acampamento, advertindo-me algumas vezes mais e tentando me convencer a levar alguém. A única coisa que o pedi foi para falar alguns minutos com Rachel, através de uma mensagem de Íris, e ele me pareceu bem confiante ao permitir, como se tivesse a impressão de que eu não voltaria. Joguei a moeda na água e exclamei:

- Rachel Johnson Potter, Ohio.

O ar tremeluziu e logo pude vê-la, linda como sempre. Seus cabelos estavam presos e ela estava lendo um livro, deitada de barriga para baixo na cama, com seus óculos de leitura. No canto, num criado-mudo, pude ver a foto que tiramos quando fomos ao parque de diversões no último verão, e isso me dava muita saudade.

- Ei. - Chamei.

Ela assustou-se e deixou o livro cair. - Oi! Quanto tempo, eu preciso aprender a usar esse sistema de mensagens de sei lá o que, ou você precisa de mais moedas, eu fico com saudade sabia?!

- É... Eu sei, desculpa, mas isso é bem complicado. E aí, tudo bem? Fez o que te pedi? Minha mãe tá bem?

- Tá sim, eu conversei com ela e ela me explicou, parecia bem receosa de contar isso pra alguém que nunca havia conversado com ela, mas acho que quando expliquei o que sabia sobre você e o que você tinha me contado, ela ficou mais tranquila.

Por algum motivo, não sei se era aquele sorriso despretencioso ou a notícia de que minha mãe estava bem, mas conversar com Rachel me tranquilizou bastante.

- Tô com saudade sabia? De todo mundo, avisa que eu volto assim que puder, e quando eu voltar vou te mostrar umas mágicas novas que eu aprendi aqui. Ah, e ainda não esqueci dos nossos planos de ir acampar, ok? Assim que eu tiver uma folga a gente vai tirar o fim de semana, não, a semana toda pra gente. - Tentei parecer menos preocupado do que realmente estava. - Enfim, precisava que você me desse algumas palavras de coragem do jeito que sempre faz, sabe? Tipo como se eu tivesse indo pra um grande jogo e tal, e eu sempre ia bem porque tinha você torcendo por mim.

- Ok então né... Primeiro, se você morrer ou fizer alguma besteira, eu te mato, lembra que independente do que for fazer, pensa direito e vê se deixa de ser um pouco babaca como sempre é, querendo resolver as coisas no seu mundinho infantil. Enfim, tô torcendo por você, e eu sei que você volta, sabe por que? Porque eu tô torcendo, e você sempre consegue quando eu tô torcendo. Ah, última coisa, é bom você me mandar outra dessas mensagens assim que voltar. Se fizer alguma coisa antes disso, nem que seja dormir, vai se ver comigo ok?

Não me segurei e comecei a sorrir, era impossível segurar um sorriso na presença dela, ou falando com ela, tanto faz. - Ok, não vou morrer, a menos que você invente de cozinhar de novo, aí é bem capaz. Agora tenho que ir, vou ali matar alguns monstrinhos e conhecer meu pai, se bem que acharia bem melhor só conhecer meu pai. Beijo, até logo, manda um abraço pra minha mãe tá?

Não pude falar mais nada antes que a mensagem de Íris se desfizesse. Estava sorridente e meu humor melhorou 110% , despedi-me de Quíron e de meus irmãos que foram me dar um tchau na barreira. Não olhei para trás, teria muito tempo para fazer isso quando voltasse. O bom de ser filho de ricos é que você sempre tem algum dinheiro ou cartão em mãos, e como meu pai comandava o mar, por que não ir pra lá? Peguei um táxi em direção à praia mais próxima, e de lá segui para uma barraca de aluguel de barcos. Pra minha sorte tinha um barco melhor do que um a remo, e o dinheiro que eu tinha era suficiente pra um barco à motor. Tinha 12 horas para retornar, e se o barco fosse danificado devia pagar o concerto. Deixei o contato de minha mãe caso esse "se" viesse a acontecer, acho que depois te lutar contra um monstro - no meu caso, fugir dele - você aprende que nada é impossível pra um semideus.
Naveguei até não poder ver mais a areia no horizonte, onde tudo se resumia a água.

- Bem que você podia dar uma ajudinha, né pai? Sei lá, ao menos me dar um sinal de pra onde ir, quem sabe? - Gritei, na esperança de que ao menos um cardume de peixes surgisse em formato de seta, ou algo do tipo, mas nada aconteceu. Parece que eu tinha que fazer tudo sozinho mesmo, ok então. Não tinha certeza da hora, mas considerando o número de vezes que tive que parar e comer alguma coisa que tinha na mochila, e que o sol já havia sumido a um bom tempo, acho que as 12 horas pra devolução já tinham passado. Na pior das hipóteses teria de pagar um acréscimo no valor, nada que eu não pudesse fazer. Desliguei o barco no meio do nada, as estrelas tomavam conta do céu escuro, minha gasolina estava abaixo de 30%, o que significava que eu tinha no máximo mais 3 horas e meia, considerando que os outros 70% foram embora em cerca de 12 horas. Deitei-me no piso de madeira do barco e ali acabei tendo um outro sonho.

Em meu sonho, sentia como se pudesse entender todo o "mapa" aquático ao meu redor, como se fosse uma grande rede de informações conectadas, como a internet. Meu sonho foi tão rápido, mudou em questão de minutos. Pude ver Rachel e minha mãe conversando, mamãe parecia bem mais controlada do que da última vez, dava até pra ver a sra. Jenny Palmer Sykes de volta à ativa, enquanto conversava, tinham dois notebooks em sua mesa, processando arquivos de uma das empresas, e minha irmãzinha entrava na sala. Seu nome era Cloe, tinha feito 5 anos mês passado, eu era bem apegado à ela, mas nunca nos víamos direito porque enquanto eu estava na escola, ela estava em casa, e depois ela estava na escola e eu chegava em casa. Nós víamos por poucos minutos antes que desse a hora de ela ir dormir, mas isso não mudava o que eu sentia por ela. Era uma garotinha baixinha, sempre com uniforme da Academia Infantil de Garotas, uma escola que minha mãe e meu padrasto encontraram do outro lado da cidade, diziam ser o melhor local para crianças, mas nunca concordei com isso. O que ela aprenderia? A ser uma dama adequada à sociedade?

Estranhamente, não tive nenhum sonho esquisito naquela noite, apesar de sempre estar esperando a hora que os pesadelos começavam. Acordei com o som de gaivotas ao longe, lavei meu rosto no mar e tomei meu café da manhã improvisado com Snickers e uma maçã, minha mãe me mataria se visse aquilo. Liguei o motor e lá fui eu para mais um tempo de procura ao papai. O sol estava realmente forte, e o tempo passou mais rápido do que devia, minha gasolina estava no vermelho já haviam 10 minutos e não sabia quanto mais duraria. Para minha sorte, ela acabou ali mesmo, e fiquei parado. Bem que podiam ter me ensinado a controlar a água, não achava que minha corrente fosse o suficiente para a água do oceano, estava acostumado a pequenas quantias, e mover um barco era demais, disso tinha certeza. Se meu pai pretendia me ajudar, poderia fazê-lo na hora em que apareceu um monstro voando raso, era como uma pele marrom meio-mulher, cerca de 1,50m. Aprendi no acampamento a chamá-lo pelo nome certo: Fúria, ou Erínia. No momento em que me viu, eu sabia que estava ferrado, seu grito era alto e ensurdecedor, e voou em minha direção. Toquei minha braçadeira e ali estava minha corrente, controlei a água do mar eu sua direção, embora não tivesse dano para pará-la, arremessando a corrente em sua direção. Era rápida o suficiente para desviar, mas achei que podia lidar com uma, estávamos no mar, eu devia ser capaz de fazer alguma coisa. Brandi a corrente mais uma vez, e com a mão vazia - esquerda - criei duas esferas d'água, uma sucessiva à outra, arremessando-as em sua direção, movendo a corrente ao mesmo tempo, até que finalmente à prendi pelas ásas, e o monstro caiu na água. Seus berros não paravam ainda que estivesse quase afogada, removi minha adaga e cravei-a no crânio do monstro. Até que eu estava melhorando - pensei. Talvez cedo demais, aqueles gritos da Fúria haviam atraído outras três, e agora eu com certeza não seria páreo. Tentei ao máximo, controlei as águas ao meu redor para atacá-las, mas pareciam estar brincando comigo, se divertindo com suas garras arranhando e perfurando meu corpo. Lembrei das palavras de Rachel, "Se você morrer, eu te mato", isso era esquisito, mas foi como algo que me deu coragem, como ela sempre fazia. Ataquei o suficiente para acabar com mais uma Fúria, mas esse era meu limite, não importava o que fizesse, todos os meus truques já haviam sido usados e nada funcionara, o ataque final se aproximou quando ambas as duas restantes me empurraram do barco, e depois afundando-o encima de mim. Minha cabeça doía, e bati com a cabeça em algum coral ou algo do tipo, perdendo a consciência.

Essa história de desmaiar e acordar estava ficando bem irritante, era a segunda vez em menos de um mês, mas ainda era melhor do que morrer ali. Acordei me sentindo revigorado, minhas feridas não doíam tanto, e consegui me levantar com certa facilidade. No exato momento em que vi, sabia onde estava, o palácio dos meus sonhos. Peixes, golfinhos e cavalos marinhos nadavam de um lado para o outro, e eu podia vê-los a centímetros de mim. Por fim, todos seguiam na mesma direção. Um grande coral dentro do palácio, era como um escritório enorme, faziam fila do lado de fora. Por algum motivo, senti que poderia entrar, e assim o fiz, podendo ver de longe um homem com aparência até que jovem, cerca de 40 anos, eu chutaria, cabelos castanhos e olhos que combinavam, era alto e vestia uma armadura com detalhes de ondas. Vários animais aquáticos rodeavam-no, mas quando me viu, deu um jeito de evitar-lhes por um instante e ir até mim. Não disse nada até que estivéssemos a sós, na sala ao lado, que era como o salão oval do meu sonho.

- Então você veio, Freddie. Estava preocupado, você não acordava a dois dias. Não sabe o quanto tenho esperando pra falar com você, mas não é algo que eu possa fazer facilmente, há uma regra e... - Parecia bem preocupado, não sei explicar bem, nunca o tinha visto antes, mas parecia procurar as palavras para se explicar, da mesma forma que eu fazia, preferia falar antes que a pessoa, era uma tentativa de diminuir o tamanho da bronca.

- Eu sei, já me contaram disso, pai. Posso te chamar assim né? - Esbocei um sorriso, por algum motivo, nunca quis conhecer meu pai, mas estava feliz de finalmente poder falar com ele.

- Claro que pode, afinal é isso que eu sou né? Apesar de tudo... Olha, preciso te explicar as coisas, primeiro, nunca quis abandonar vocês, mas sua mãe e eu entramos em acordo de que era melhor. Ela me pediu para que só mandasse alguém cuidar de você caso sentisse algo ruim, ela não queria que isso arruinasse sua vida, mas infelizmente não pude evitar mais do que isso. - Seu olhar passou a ser distante, sua expressão se tornou triste, mas por alguns instantes pude entender o que significava e porque sumiu.

- Tudo bem, eu tenho um padrasto bem legal até, apesar de ser bem chato ter toda a família querendo que eu seja um executivo, mas eu já superei isso.

- Entendo... Sabe, acho que devia me contar mais da sua namorada, sim, eu sei, sempre estive te vigiando, tenho meus métodos. Como deve ter percebido na sala do lado, sou alguém bem ocupado, mas posso arrumar algum tempo.- Ele voltou a sorrir.

Passamos cerca de 7 minutos conversando, mas pareceu bem mais, ele me explicava como eu havia sido encontrado por um grupo de focas, que me levaram até o palácio submarino, ou seja, procurei-o por todo canto e até que dei a sorte de cair na água e bater a cabeça.

- É isso meu filho, mas agora acho que você tem que ir, meu irmão Zeus não tolera muito que Deuses falem com seus filhos. Mas vou te ajudar, eu vi que o barco que você estava quebrou, então... - Poseidon assoviou e um golfinho veio ao seu encontro - Aqui está sua carona

Agradeci e nos despedimos, não era como se nunca mais fosse vê-lo, mas preferia pensar nas pessoas que iria ver agora do que em um pai que acabei de conhecer. Segurei no golfinho e ele me levou para fora do reino, que agora eu sabia o nome, Atlantis. Dei tchau para o animal e agradeci a carona, depois peguei um táxi de volta para o acampamento, onde mal podia esperar para contar à Rachel como foi meu encontro com meu pai.
Legenda:
Freddie P. Sykes
Rachel
Quíron
Jenny P. Sykes (mãe)
Treinador Harrison
Poseidon

Equipamentos usados:

{Atlântis} / Corrente [Corrente de 2,7 metros feita de rochas oceânicas. Quando em repouso transforma-se em uma braçadeira feita de courina de Hidra. Restabelece 5% da energia, uma vez em qualquer ocasião. Quando manipulada pelo seu dono, está vos dá dons aprimorados sobre a água] {Oricalco, Couro de Hidra} (Nível Mínimo:1) {Controle sobre a Água/Ofensivo e Defensivo} [Recebimento: Presente de Reclamação de Poseidon]

♦ Faca [Sua lâmina bronzeada mede cerca de 24 cm, e seu cabo tem o mesmo comprimento padrão. É bastante afiada e é perfeita para ataque ágeis e rápidos. O bom desta arma é sua eficiência tanto para mãos hábeis quanto para manuseios mais inexperientes, pois é uma arma curta, fácil de esconder e ao mesmo tempo fácil de manusear. Seu punho é feito de aço, mas uma camada de couro escuro cobre o aço para que o usuário possa segurá-la firmemente. Na parte inferior da lâmina, próxima ao cabo, há entalhado as siglas do Acampamento "CHB"; uma propriedade que só os meio-sangues e criaturas místicas podem ter e usar (ajuda um pouco na destreza)] {Bronze, aço e couro} (Nível mínimo: 1) {Nenhum elemento} [Recebimento: Administração; item inscrição padrão do fórum]

Poderes utilizados:
Bolas de Água [Nível 01]: Você poderá criar duas bolas de água em sua mão, não serão tão ofensivas, será mais como uma distração, mas se o ser for ligado ao fogo, poderá sofrer algum dano. O MP gasto é o narrador que decide.
Freddie P. Sykes
Indefinido
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Re: Teste poseidon outubro/ novembro

Mensagem por Guilherme Rodrigues em Ter 21 Out 2014, 13:07

Características físicas e psicológicas:
Guilherme possui olhos azuis claro que contrastam com seu cabelo de tom castanho caramelo curto e penteado para trás.  Seus maxilares são retos e seu queixo levemente ovalado, ambos acompanhados de uma cerrada barba do mesmo tom do cabelo.
Sua altura é de 1,83 e pesa aproximadamente 78 quilos, sendo que por gostar de surfar e correr na praia seu físico é de uma pessoa que pratica exercícios e possuí uma excelente saúde.  Seu tom de pele é claro, porém com um leve bronzeado. Costuma usar bermudas, tênis, regatas ou camisetas leves, devido ao clima frequente em sua cidade litorânea, com exceção de tais roupas quando está em seu traje de mergulho.
É um garoto fechado em si mesmo devido ao modo como cresceu, mas com um pouco de conversa logo se torna um amigo fiel. Não costuma mudar muito de humor sendo sempre meticuloso quando aos sentimentos que experimenta. De modo geral se mantem alegre e divertido. Mas como qualquer pessoa costuma apresentar momentos em que duvida de seu potencial, fator gerado pela falta tanto materna quanto paterna em sua infância, e outros momentos em que sua curiosidade/ansiedade o metem em problemas.
Não possui grandes ambições em sua vida fora se formar na universidade de Melbourne, Austrália, e ser um pesquisador marinho. Sem pretensões até o momento de um relacionamento, mas espera um dia ter uma família.

Breve História do Personagem (Mais será narrado durante a trama livre):
Nascido no dia dezessete de maio de mil novecentos e noventa e cinco na cidade de Melbourne, Austrália, Guilherme McWood Rodrigues (mais conhecido por Gui), é filho de Alice McWood Rodrigues e não possui pai, visto que este abandonou a mãe quando estava grávida.
Alice perdeu a guarda de Gui quando ele ainda era uma criança por insanidade mental, sendo encaminhada para o manicômio do estado e seu filho para o orfanato da cidade.  Lá foi acompanhado pelo tutor sr. Abeforth, um velho de poucos amigos e seriedade sólida, e a senhora Boulevare, a cozinheira doce e gentil que dispensou um pouco de afeto ao jovem.
Embora houvesse passeios e atividades para as crianças do orfanato Gui cresceu privado disto, se dedicando através de seu tutor ao estudo domiciliar e a leitura de livros indicados. O garoto começou a crescer forte e saudável, todavia vez ou outra era acometido a cenas e sonhos estranhos que o atormentavam. Certa vez, durante uma caminhada até a cozinha para beber água, ele se deparou com a luz do escritório principal acesa; Era possível ouvir as vozes de Abeforth e Boulevare conversando sobre a proteção de determinado garoto do orfanato e inimigos monstruosos espreitando para ataca-lo. Ao ouvir seu nome como o de tal garoto, ele correu novamente para seu quarto. Com o passar do tempo, acabou considerando o ocorrido como um sonho. Até os dezenove anos o orfanato Saint Klaus foi o lar do adolescente, que após completar tal idade foi convidado pela universidade de Melbourne para cursar biologia marinha em seu campus.
A partir de então ele passou a morar sozinho em um apartamento cedido pela entidade de ensino e sendo bancado pela mesma. Não possui melhores amigos, apenas conhecidos e colegas, sendo fechado sobre seu passado, mas simpático e divertido com os que puxam assunto. Na faculdade seu exemplo é a professora Glenda, bióloga marinha que ministra as aulas de pesquisa de campo.  E foi numa destas aulas que Gui viveu sua primeira aventura como semideus, conhecendo seu pai e seus domínios. Esta aventura ajudou com que ele se identificasse e firmasse sua identidade há muito perdida.
Atualmente, ele mora no acampamento meio sangue. Foi mandado até lá por seu pai após cumprir uma missão em Atlantis, a fim de ficar seguro e ajudar na guerra de titãs que estaria por vir. Por ser um novato, ainda não possui habilidade com os poderes de seu pai, embora treine com afinco para se tornar poderoso como o irmão Percy Jackson.

Trama Livre:

“Talvez hoje eu não devesse ter levantado da cama!”
Esse era o único pensamento que meu cérebro, aturdido e cansado, conseguia processar naquele momento. Meu corpo doía, meus olhos lutavam para se manterem abertos e meu coração clamava por cessar o fraco ritmo que agora me mantinha vivo. E pensar que era para ser apenas mais um dia normal...

7:00 horas em ponto! Meu despertador nunca falhava, assim como o murro que metia nele assim que começava o estardalhaço para que me levantasse. Ainda atordoado pelo sono que se recusava a esvair de meu corpo, fiquei sentado por sobre o edredom alguns minutos até dar um longo bocejo e esticar meus braços alongando-os.
Caminhei até uma pilha de roupas jogadas no canto do meu quarto; Dalí tirei um short estampado com hibiscos de cores vívidas e minha usual regata preta. Os vesti indo em seguida para o banheiro a fim de realizar minha higiene matinal. Por fim, enquanto ajeitava meu cabelo, que parecia não colaborar com o objetivo, recordava o quanto era bom estar morando sozinho.  Não que anteriormente eu vivesse cercado de pessoas, pelo contrário, no começo éramos somente eu e minha mãe. Sobre ela, existiam apenas memórias vagas que eu tentava ocultar. Alice McWood Rodrigues era uma mulher tão linda e divertida que vivia cercada de amigos e pretendentes; Os cabelos ondulados e negros como o céu noturno só ressaltavam os olhos verdes atraentes, que por trás escondiam uma inteligência incrível ou pelo menos foi o que me disseram já que isso ocorreu antes do meu nascimento. Minha mãe hoje era nada mais que uma  mulher presa dentro de sua própria mente, internada no Hospital Princess Alexandra na cidade Brisbane mais especificamente na ala para pessoas com sanidade mental comprometida. Desde que eu nasci os vizinhos diziam que ela havia mudado e apostavam que era por causa do idiota do meu pai que a havia deixado pouco depois de saber que ela estava grávida. De lá para cá, Alice começou a afirmar coisas loucas e sem sentido como, por exemplo, que um deus havia se apaixonado por ela ou até mesmo que o mar sussurrava seu nome docemente. Cada vez mais ela piorava e bastou somente isso para que fosse encaminhada para o Princess Alexandra e eu, com um ano e meio, fui retirado do meu lar e levado para o Saint Klaus, um orfanato para todos os tipos de crianças sem pais.
Chacoalhei minha cabeça!

“Qual é Gui, não é hora para ficar perdido no passado...”

Assim, peguei minha mochila que estava jogada em cima do sofá, atravessei a sala a largos passos e bati a porta da pequena kitchenette que agora eu podia chamar de minha. Desci as escadas do prédio passando pelo vizinho do 14 (um homem idoso de cabelos brancos e ralos que cheirava a canela e acabava de chegar da padaria) e pelo garoto estranho do 3, de cabelo ruivo e sardas, que tinha uma banda de rock pesado.
Rumo à faculdade, as lembranças começam a voltar à tona. O que parecia mais incrível era o porquê estavam voltando, se sempre se mantiveram tão bem guardadas?
O orfanato não era um mau lugar. Pelo contrário foi um lar quente e aconchegante durante minha infância e minha adolescência. Sim, eu fiquei bastante tempo por lá. Porém, se me perguntar se foi tempo o suficiente para fazer amigos responderei que  foi o tempo necessário. Tão logo quando cheguei, dizem que a senhorita Boulevare, a cozinheira (uma mulher de uns cinquenta anos avançados, de pele flácida, barriga sobressalente e cabelo sempre amarrado em coque) se apaixonou por mim, me acolhendo como seu protegido. Não éramos em muitas crianças, 16 ou 17 talvez, todas ao comando do sério e mal humorado senhor Abeforth. Sério, se você desejasse não conhecer uma única pessoa no mundo eu te diria para escolher ele; um velho ranzinza de não mais que um metro de sessenta de altura, com óculos finos por sobre o nariz torto.
Enquanto eu vivi por sobre o teto daquele lugar esse senhor me privou de qualquer diversão que eu pudesse ter. Uma vez por semana todas as crianças iam para o parque brincar, com exceção minha que deveria ficar meu quarto lendo livros chatos e empoeirados que ele selecionava, quase que vingativamente, para mim. Festas de aniversario no salão social do bairro com todos da vizinhança? Nem pensar. Poder ir para a escola caminhando como os outros mais velhos faziam? Inimaginável tal ação! E digo hoje que até mesmo quando parecia que iria ser adotado, sentia que Abeforth dava um jeito de espantar a família e me exilar novamente ao destino de órfão. Meu consolo? A doce senhora Boulevare me levava escondido para a sua cozinha e me enchia de pãezinhos
As coisas não mudaram muito conforme os anos passavam. Fazia alguns amigos, passava a acreditar que seriamos inseparáveis e logo eles eram adotados; iam embora enquanto eu analisava qual era meu defeito para nunca sair dali. Felizmente quando o adolescente completava 19 anos, ele tinha a liberdade de sair do orfanato por sua própria conta e assim ter sua moradia estudantil enquanto cursava a faculdade. Tudo isso era possível desde que você tivesse ótimas notas, o que atraia a atenção de organizações de ensino dispostas a pagar sua comida, apartamento e ainda lhe dar uma mesada boa para fazer a imagem de boa entidade. E esse foi meu passo para a liberdade: Prestes há completar 19 anos recebi o convite da University of Melbourne, uma das melhores organizações da Austrália. O problema é que eu não era um bom aluno, nunca fui, mas de qualquer modo aquela faculdade me queria. Era estranho, mas era isso ou continuar minha vida ali. Na hora da despedida um fato interessante ocorreu, uma lembrança vaga em minha memória, mas que, todavia eu não faço muita questão de entender. O sr. Abeforth me abraçou, até um pouco forte demais para a idade dele, e disse:

_Preste atenção meu jovem, enquanto você esteve sobre este teto pude ficar de olho a cada passo seu. Porém, agora que nem a senhora Boulevare e nem eu estaremos por perto não desfaça todo nosso trabalho! Há muitas coisas lá fora, coisas que uma pequena prole irresponsável do mar nem pode imaginar encontrar. Apenas... Se cuide!

Ok! Confesso que as partes “Ficar de olho”, “Desfaça todo nosso trabalho”, “Coisas lá fora” e “Prole irresponsável do mar” me deixaram altamente confuso. Minha conclusão? O velho Abeforth já não era mais o mesmo. Já a senhora da cozinha agarrou-me por entre seus gordos braços, dando-me beijinhos no cabelo e dizendo o quanto sentiria falta da minha presença. Dei uma ultima olhada para trás, após passar pelo portal da construção velha pintada de verde com um letreiro corroído pelo tempo onde se lia “ORFANATO SAINT KLAUS”.
                                                                                    ...
O resto da manhã, após chegar à faculdade, foi normalmente tedioso: aulas lotadas de exercícios e professores que não paravam de falar e falar.
Não que eu não gostasse do meu curso, biologia marinha, mas como já havia dito não era o tipo de aluno exemplar: Minha mente recusava a se concentrar somente na explicação do professor ou na busca pela resposta do exercício. Não! Ela ia de lá para cá em um turbilhão de pensamentos que atrapalhavam desde processos bio-sintetizantes marinhos até historia das descobertas das espécies.  E no fundo, bem lá no fundo, eu sabia que o único motivo de ter escolhido esse curso era uma única aula: Pesquisa campal marítima! Para minha sorte era esta a próxima aula!
A senhorita Glenda, responsável pela cadeira da minha matéria favorita, ia à frente de todos os alunos nos guiando para a areia. O cabelo loiro comprido e liso balançava com a brisa marítima de inicio da tarde.

_Pois bem, quero a atenção de todos! – Ela disse com a voz macia enquanto parávamos a beira do mar._ Analisaremos hoje a cadeia de corais que estão espalhadas por toda a encosta marinha. Quero que vocês procurem três formações e as fotografem para mais tarde termos a possibilidade de identificar cada uma. Lembrem-se dos limites já estabelecidos para nossas pesquisas, não se percam e lembrem-se...

_Não tocar, estragar ou incomodar, pois somos visitantes no mar! –Respondemos todos nós alunos em uníssono como já éramos acostumados

_É isso aí! –Sorriu a professora com seus olhos cor de água marinha brilhando.

Dirigi-me para o local onde costumava surfar nas tardes vagas ou onde durante as aulas sempre fazia minhas melhores pesquisas: Ali a areia era muito mais branca e as ondas quebravam sonolentamente por sobre meus pés. Abri minha mochila e retirei a câmera subaquática e a roupa de mergulhador com minha mascara enrolada cuidadosamente dentro dela. Vesti-me, coloquei a câmera no pescoço e caminhei mar adentro até a fundura suficiente para submergir e começar a nadar.
Meu corpo se arrepiou por baixo da roupa de neoprene assim que estava totalmente imerso pela água salgada. Aquele lugar, o mar, fazia com que todos os pensamentos da minha cabeça se esvaíssem e eu pudesse relaxar enquanto admirava cada mínimo detalhe da paisagem.  E não demorou muito para que avistasse uma cadeia de corais em formação; com uns três metros apenas, de cor purpura forte e aspecto de solenoides. Aproximei-me para fotografa-la.
E é aí que as coisas passaram a não ser mais parte do meu “dia normal”. Antes que me posiciona-se para apertar o botão de captura fotográfica, algo brilhante refletiu há uns seis metros dos corais. Não vi com certeza o que era, mas aparentava ser grande e ágil pelo modo como fugiu.
“Bem, se isso é alguma espécie de peixe eu não vou ficar aqui parado sendo que posso  descobrir algo tão incrível!” –Eu pensei. É claro, qualquer um pensaria: Quem seria tão idiota para seguir algo grande que nem sabe o que é até o meio do mar durante o período de aula? E a resposta seria algo como: Alguém que se distrai facilmente a ponto de esquecer a aula e o eminente risco de ser qualquer coisa perigosa, resumindo, eu!
E assim, eu nadei para a direção onde o “grande e incrível algo misterioso” havia ido, procurando por todo lado alguma pista adiante. Quando estava prestes a desistir da minha caçada, sem sinal algum de como prosseguir, o brilho prateado ressurgiu não tão longe de onde eu estava. Aliás, onde eu estava? Não sabia o quanto já havia nadado para longe da praia, porém se havia chego até ali iria continuar até descobrir o que estava seguindo; e eu tinha certeza de que não seria em vão.
A maré parecia estar a meu favor e meus braços não se cansavam embora já fizesse algum tempo que eu estava submerso. Olhei para o nível de oxigênio indicado no interior de minha máscara: ainda dava para mais uma meia hora. Ok, se não houvesse progresso emergiria e ,me localizando, voltaria para a praia. Mas foi então que o brilho refletiu desta vez mais forte, adentrando a uma caverna, alguns metros abaixo. Meu coração palpitou com a proximidade e sem pensar me lancei para a entrada da construção rochosa; ali a luz solar não tocaria o interior fazendo com que o “grande e incrível algo misterioso” deixa-se de brilhar.
Juntei as informações que já possuía: O brilho poderia indicar escamas, a velocidade com que ele se deslocava indicava nadadeiras fortes e corpo anatômico e o fato de não ter me atacado quando estávamos na praia demonstrava que talvez fosse um ser pacifico. Dei uma ultima olhada para o Sol que atravessava a água cristalina chegando até ali em baixo. “É agora!” Adentrei a caverna e nadei um pouco adiante.

“Caramba, o que é isso???”
De repente minha mente se apagou.
***

_Não sei por que precisamos dele! Poseidon está errado.

_Fique quieto, não queremos que ele acorde!

_Ora, como se eu me importasse...

Meus sentidos começaram a retornar devagar enquanto ouvia esse diálogo com vozes desconhecidas; Sentia meu corpo deitado sobre algo macio. A segunda voz era dura e áspera, já a primeira aparentava ser de alguém mais jovem, era rápida e ansiosa, e tão logo ambas se calaram, fazendo-me ouvir o bater de uma porta a seguir. Resolvi pouco a pouco abrir meus olhos; a claridade me impediu num primeiro momento de me localizar, mas logo minha visão pode assimilar a cima de mim uma abóbada branca gesso com detalhes de conchas e cavalos marinhos. Estava por sob uma cama de lençóis azuis claros, posta dentro de um quarto de formato redondo e paredes alvas, onde havia somente mais uma escrivaninha e uma grande janela oval. Nunca estive ali. Analisei se as vozes tinham tomado uma boa distancia e me levantei, procurando saber onde estava ou como havia ido parar ali, mas foi quando notei algo totalmente estranho: Ainda estava imerso na água! Não estava utilizando a mascara e muito menos tinha oxigênio, porem eu respirava perfeitamente. Sentia um leve arrepio por sobre a roupa de mergulhador, como se uma fina camada de ar impedisse de me afogar. “Gui, é apenas um sonho, só pode ser isso.” Tentei me acalmar. Sendo um sonho ou não ficar ali naquele quarto não me parecia o melhor a fazer; caminhei até a janela e notei que uma espécie de bolha funcionava como vidro. Do lado de fora era possível ver pequenas casas brancas, várias algas, golfinhos e outros seres marinhos que não conseguia identificar pela altura e distancia a que estava do chão. “É isso! Só pode ser uma torre. Vou ter que estourar esta bolha e dar um jeito de não cair... Espera! Estou na água; não vou cair, basta nadar para a superfície... Seja lá o quão a cima ela esteja!” Minha cabeça estava completamente perturbada. Comecei a socar a bolha com meus punhos, mas ela era flexível demais para não estourar e nem desgrudar de sua armação. Quando começava a me irritar e aumentar a força com que tentava ultrapassar a janela, a porta se abriu.
Um homem com cabelo e barba negra, olhos tão azuis quanto os meus, alto, de pele bronzeada e não muito velho estava parado no portal do quarto, analisando o que eu estava tentando fazer. Parei abruptamente esperando uma reação do estranho.

_Elas são as mais resistentes que existem em toda a Atlântis. Não vai conseguir estoura-las, filho.

Minha mente gravaram as palavras “Atlântis” e “filho” com perplexidade.

_Me perdoe, mas o senhor disse Atlântis e me chamou do que?

O homem deu uma risada forte como uma onda que se quebra na praia.

_Creio que não sou tão bom com apresentações: Sou Poseidon, rei de Atlântis e seu pai.

_ Ahn... Ok! Não sei como dormi ou se me afoguei enquanto seguia a coisa estranha e morri, mas este é o sonho ou o paraíso mais estranho que eu já tive ou sonhei em ir depois de partir dessa pra melhor.

_Morrer? Sonhar? –Outra risada longa. _Ah não! Vocês semideuses são hilários. Sente-se aqui. Irei lhe explicar tudo.

Não me movi nem um pouco continuado perto da janela para alguma emergência.

_Se não é um sonho porque estou debaixo da agua sem me afogar? Ou o que estou fazendo aqui? Melhor ainda, o que é Atlântis? Porque meu pai está aqui debaixo do mar?

_Ei, ei meu caro jovem, vamos por partes, certo?! Primeiramente você não se afoga porque estou controlando a água a sua volta, é uma habilidade que se você treinar logo mais conseguirá fazer sozinho. Em seguida, sim, realmente sou seu pai e o trouxe aqui para que você exerça seu papel como meu filho.

Recapitulei a fala de Poseidon. Esse nome me era familiar de livros que o sr. Abeforth lia para mim no orfanato. Acho que a senhorita Glenda também já o havia dito em suas aulas. Na mitologia grega ele era o deus dos mares. Até mesmo uma vaga memória desse nome surgiu naquele momento: Minha mãe, em uma das ultimas visitas há alguns meses atrás, o pronunciara para mim, dizendo que a hora de encontrar Poseidon estava chegando. Minha mãe... Uma raiva brotou dentro de mim.

_Levando em conta que tudo isso seja verdade e você é meu pai, então acho que também é o responsável por deixar minha mãe daquele jeito. Como pode? Abandonar-nos?

Meus olhos se tornavam azul escuro e mesmo debaixo da água sentia um calor em meu peito.

_Guilherme, acalme-se. Não ache que foi fácil abandonar você e sua mãe, pelo contrario, foi uma das situações mais dolorosas que já passei. Eu amei muito sua mãe, mas até mesmo deuses seguem regras; não poderia passar minha vida toda com ela e deixar Atlântis as cracas. Porém não fui indiferente:  Ainda visito sua mãe no Princess Alexandra. E até mesmo você, como acha que um filho de Poseidon iria crescer com tantos monstros lá fora? Semideuses não duram sozinhos. No orfanato o senhor Abeforth  e a senhora Boulevare o protegiam e na faculdade a senhorita Glenda era designada para esta tarefa. Afinal, como você acha que conseguiu sua bolsa para a própria University of Melbourne?

_É impossível! Abeforth, Sra. Boulevare, Glenda... São todas pessoas normais!

_Não, não são. São funcionários do acampamento meio sangue, lar de todo semideus e seu futuro lar por assim ser.

_Acampamento o que?

_Você entenderá tudo mais tarde. –Disse Poseidon. _O que você precisa saber é que eu o trouxe até aqui por que preciso de você.

_Você não me trouxe até aqui. Eu estava na aula e algo estranho apareceu e entrou numa caverna e então...
O deus dos mares rios e cortando minha fala assoviou. A porta se escancarou mais uma vez e por ela entrou a coisa mais estranhamente bela que eu já tinha visto. Possuía um longo rabo de peixe com escamas multicoloridas e do tronco para cima tinha a forma de um belo alazão branco. Sua crina flutuava com o balanço da água que ele próprio causara. Poseidon acariciou o dorso do animal.

_Este é Speedo, um hipocampo, o responsável que mandei para atrai-lo até aqui. Aliás, ele pede desculpas pela cabeçada e pelo susto, mas como deve imaginar a localização de Atlântis é altamente secreta.

_Foi isso que vi na caverna, mas eu achei que não era possível! Como... Como isso existe? –Perguntei assustado.

Speedo bufou como se o uso da palavra “isso” lhe ofendesse. Comecei a recordar tudo o que o antigo tutor do orfanato me ensinara com suas historias. Monstros, heróis, deuses, criaturas incríveis...
Poseidon olhou para mim sorrindo enquanto via que eu começa a entender as peças do quebra cabeça.

_Tudo bem. –Respirei fundo, o que debaixo d’água ainda parecia novidade. _Você disse que precisa de mim, certo? Para que?

A expressão de meu pai mudou para séria.

_Meu filho, um grande tesouro do meu reino com poderes imensuráveis deve ser resgatado. No começo de tudo quando Pontos, o mar primitivo gerado de Gaia, ainda dominava os mares, durante o casamento de seu filho Nereu, o velho do mar, e a oceânides Dóris, filha do Oceano, presenteou-os com uma pérola, a primeira delas, feita pelos seus outros filhos Telquines. Tal pérola tinha a função de proteger o reino de Nereu, o mar Egeu, fazendo com que toda a guarda, e o próprio filho de Pontos se fortificassem.
Acontece que nós Olimpianos estamos em um mau momento: Meu pai, assim como de seus tios Zeus, Hades, Hera, Héstia e Demeter, o titã Cronos, está se levantando e digamos que não há uma boa relação paternal entre todos nós. Será o fim do mundo caso isso aconteça. A fim de evitar isso, se porventura à guerra vier a acontecer, meu tridente não deverá ser a única arma em combate, por isso se pudéssemos ter a pérola de Nereu em mãos talvez nossa chance fosse maior.

_Mas porque eu deverei ir buscar esta pérola? Por que não você mesmo já que é um deus imortal? –Me pronunciei tentando acompanhar uma linha de raciocínio.

_Somente um filho de Poseidon poderia abrir a caverna onde a pérola foi guardada antes da primeira queda de Cronos, onde Nereu e Dóris a depositaram. Seu irmão mais novo, Percy Jackson, está em terra firme impedindo que os seguidores do titã do tempo o acordem. Então já é hora de você assumir sua missão.

“Espera aí: Eu tinha um irmão? E que historia era essa de ver meu pai pela primeira vez e ele já querer me mandar pra uma missão mortal?”

Poseidon continuou:

_A caverna é guardada por uma cria de Cetus que não me obedece como senhor do mar, tendo em vista que foi domada por Nereu há muito tempo atrás. É uma espécie de serpente marinha ágil e feroz. Sua missão será passar pela criatura, abrir a passagem na caverna e voltar em segurança com a pérola. Faça isso e Atlântis estará mais forte na guerra contra os titãs.

_Não é por nada, mas você não acha, com todo o respeito pai, que isso é causar uma primeira má impressão a um filho? –Disse sarcasticamente.

Poseidon fechou o semblante; sua expressão era um misto de culpa e súplica.

_Entenderei se nunca me perdoar pelo passado, mas peço que ajude meu povo e todos os habitantes do mundo de padecerem diante dos titãs. Preciso de você filho. Não o deixarei desamparado novamente. –Poseidon olhou para a porta e chamou em voz de comando:

_Fluctus! Otium!

Não que eu tivesse tido muitas aulas de latim, mas podia jurar que ele pronunciara algo como “ondas” e “calmaria”. Adentraram ao quarto um ser metade homem, com patas dianteiras de cavalo e rabo de peixe, e outro metade homem metade peixe.

_Vossa majestade! –Disse o com patas de cavalo. Sua parte humana possuía cabelos negros trançados até o começo da parte equina. Os olhos negros contrastavam com o pelo castanho escuro e a cauda acinzentada. Recordei ao ouvir sua voz: Ele era o dono da voz dura que havia ouvido no quarto mais cedo.

Poseidon retomou a palavra:

_Guilherme, este são Fluctus, o Ictiocentauro e Otium, membro de nossa guarda. Além de Speedo, eles o acompanharão até o sudoeste, rumo a caverna da pérola de Nereu.

_Será uma honra acompanha-lo nesta missão. –Disse Fluctus tentando ser cordial e ao mesmo tempo lançando um olhar para que Otium dissesse alguma coisa também.

-Ah sim! Vai ser uma honra. –Disse o sereiano de voz juvenil, talvez um pouco mais velho que eu, de pele clara, cabelo loiro como cacheado e olhos castanhos. Ele parecia não querer ser tão simpático.

_Creio que seja hora de partir. –Disse meu pai fixando firmemente seus olhos em mim e por alguns segundos reconheci os meus próprios nele. _Acredite filho, você é muito mais poderoso do que imagina. Sei que pode ser muita coisa para um único dia e que as coisas irão mudar muito em sua vida daqui em diante, mas lembre-se: Você é filho de Poseidon, senhor dos mares. E agora você deve agir como tal e impedir que nosso inimigo se levante.

A única coisa que consegui fazer foi assentir com a cabeça, sentindo um peso gigante ser colocado por sob meus ombros. Poseidon não disse muito mais coisas, mas me entregou uma corrente de oricalco dizendo que era uma arma e um presente para me ajudar no controle da água, podendo vir a ser útil em um embate. Quando inutilizada ela se transformaria em uma braçadeira de couro de hidra. Após isso, apresentou-me seus incentivos, deu-me mais alguns conselhos e após um aperto de mão e saiu do quarto.
Tão logo, meus novos amigos aquáticos e eu nadávamos para o sudoeste, rumando para a caverna de Immersum.
           
  ***
Após sair de Atlântis, e confesso ter achado o lugar mais incrível do mundo com todos aqueles seres novos e estranhos ao mesmo tempo, aquelas construções aconchegantes e as exceções à física como, por exemplo, ainda estar respirando pela benção de Poseidon, passamos por uma floresta de algas verde escuras, vários recifes de corais e navios naufragados. Durante todo o trajeto, apenas Speedo fazia questão de se mostrar brincalhão ao meu redor, enquanto vez ou outra Fluctus dizia para onde seguir. Prestes a cruzarmos a ultima enseada até a caverna, Otium se virou para mim e disse:

_Tudo bem, já chega! Não faço a mínima ideia de que porque Poseidon nos mandou como sua  babá. Somos mais fortes, ágeis e você é apenas um adolescente que por infelicidade do Olimpo descende do deus dos mares.

Fluctus encarou Otium com repreensão, mas antes que ele pudesse dizer algo eu disparei:

_Desculpe-me, porem quando eu tracei minha rotina hoje não havia descobrir que sou filho de um Deus, que meu pai está vivo, que existem figuras mitológicas, que o mundo está prestes a acabar, que agora tenho que ajudar a salva-lo e ainda por cima ouvir a pequena sereia  reclamando.

Otium poderia ter mudado seu nome para Odium, porque podia jurar que no mínimo levaria um bom murro sereiano. Ao contrario disso, o Ictiocentauro interviu:

_Por favor, os dois parem! Temos uma missão muito mais importante que ter inveja do semideus e dar piti por se descobrir um. A caverna está perto e devemos ficar atentos. –Se aproximando e mim completou: _ Não se preocupe, Otium apenas quer mostrar seu valor como membro mais novo da guarda. Não é nada pessoal.

E eu realmente esperava que não fosse.
***

Após mais algumas horas nadando, a noite já caía e agora eu vinha montado por sob as costas de Speedo que tão logo permitiu, avistamos a caverna há uns 30 metros de distância, próximo a ele um submarino militar que parecia ter sido utilizado em alguma guerra não tão antiga repousava, trazido pelas ondas e balançando na beira de um penhasco. Quanto à caverna, ela era enorme, formando uma montanha submersa de rochas brancas e aparentava ter somente uma pequena entrada, bem guardada por uma gigante serpente de escamas mostarda, cabeça fina com guelras laterais e dentes sobressalentes a bocarra. Ela devia ter uns sete metros e parecia agora repousar no cascalho que adornava a passagem para o interior.
Por algum tempo discutimos nossa estratégia: Como somente um filho de Poseidon teria acesso à abertura da caverna, eu deveria esperar Fluctus e Otius distraírem o mini-cetus para que então eu entrasse e saísse com a pérola. E assim começamos a executa-lo.
Posicionei-me atrás de uma rocha, enquanto Fluctus avançou até a serpente. Ele desembainhou uma espada, que parecia ser feita de oricalco também, e sem pensar duas vezes cravou-a no dorso do réptil que acordou assustado procurando agilmente o que o atingira. Após notar seu agressor ela se moveu como uma enguia a fim de abocanhar o ictiocentauro que se deslocou para cima, tentando livrar a passagem. Tão logo, Otius acenou de outra rocha que eu deveria tentar entrar na caverna, enquanto ele já nadava em direção a serpente para ajudar Fluctius.
Rapidamente tentei dizer a Speedo que ficasse ali, e por mais incrível que parecesse o ser marinho chacoalhou a calda em afirmativo. Será que podia falar com animais marinhos? Não era hora de pensar isso. Nadei o mais depressa para a entrada, tendo como ultima visão a serpente jogando Otius contra o rochedo.
No interior da construção rochosa nada de monstruoso havia.  Ela possuía um formato circular, no qual na parede oposta à entrada brilhava uma tênue luz esverdeada.  Não podia ser só aquilo, tinha que achar a pérola de Nereu. E se fosse a caverna errada? E se eu não fosse capaz de cumprir essa missão, sendo que nem ao menos eu estava correndo risco de vida como meus amigos lá fora?
Foi então que a luz verde começou a tremular e tomar forma.
Bastou pouco tempo para que ela se tornasse o senhor Abeforth, sentado em sua escrivaninha no Saint Klaus. Mas meu tutor agora possuía um sorriso em seu rosto, como me convidando a rir sem motivo.

_Ora, ora Guilherme! Bem que lhe disse para tomar cuidado com o que encontraria fora do orfanato. Perigos e riscos! Esse orfanato não lhe foi bom? Não lhe fez bem? –Ele deu uma risada suave e macia. _Agora que você sabe toda a verdade, porque não volta a morar por sob este teto? Venha, tudo será diferente. Você não precisa ajudar aquele que o abandonou.

Minha mente girou! Aquilo era a oferta de um lar feliz? O sr. Abeforth nunca havia sido simpático assim, muito menos demonstrado carinho. E se eu voltasse? Talvez pudesse ser feliz lá no Saint Kla... Voltei à realidade! Não podia me dar ao luxo de me imaginar retornando; era aqui e agora, tinha que achar a pérola. Deveria haver alguma entrada secreta ou algo do tipo.

A luz tremulou novamente, agora tornando a ser a professora Glenda que, mais linda do que nunca, me dizia:

_Meu melhor aluno porque se foi? Você era uma promessa tão grande! Ou melhor, ainda é; basta voltar para Melbourne. Você poderá ser meu auxiliar após se formar. Que tal nos dedicarmos juntos a explorar o mar sem nos preocuparmos com todo o resto do mundo? Você nasceu para ser grande, para ser o maior pesquisador do nosso tempo.

Um baque na encosta fez minha professora se calar e minha consciência recuperar o verdadeiro motivo pelo qual estava ali.
Mas a luz não se deu por vencida e tão logo ela se parecia com minha mãe; ou melhor, não se parecia tanto com a Alice que eu conhecia, mas sim a antiga Alice, bela e vivaz.

_ Oh meu doce filho, pobre coitado! Tão menino e Poseidon o mandou para a morte. –Sua voz macia era quase como uma cantiga de ninar. _Porque não fica aqui comigo? Venha, me abrace e então seremos somente eu e você, protegido entre meus braços, nada poderá nos separar e nem lhe machucar.
Meu peito ardeu. Aquela era minha mãe como deveria ser, sem que Poseidon a tivesse visitado, sem que a loucura a tivesse dominado. Eu precisava dela, eu queria fica com ela...

Novo baque causou um tremor na parede, me fazendo levar a conclusão vaga de que a luta lá fora estava séria. Mas o que importava? Minha mãe estava ali. Não tinha que me preocupar com o mundo, apenas abraça-la, fechar meus olhos e descansar sem preocupações.  Dei alguns passos na direção dela. E foi então que notei que minha mãe agora estava muito mais perto de mim, fazendo com que eu não necessitasse andar tanto: Os tremores e barulhos não eram da luta lá fora, mas eram das paredes da caverna que pouco a pouco se fechavam, enquanto o Sr. Abeforth, a senhorita Glenda e minha mãe me distraiam, fazendo com que eu não me movesse para então ser esmagado.
A luz se dividiu em três pontos da caverna cada uma tomando uma forma já adquirida e ao mesmo tempo me seduzindo com as promessas de uma vida que sempre desejei anteriormente. Fechei meus olhos, cerrei o maxilar e pensei comigo:

“Não importa como foi o passado, essa é a chance de fazer meu futuro! Não posso ceder, não posso ceder... Eu sou filho de Poseidon e irei honrar meu pai até o final!”

As luzes estremeceram uma ultima vez e sumiram enquanto as paredes da caverna paravam estáticas. Um tridente brilhou aonde antes havia a primeira luz revelando uma concha fechada dourada. Sem pensar duas vezes, agarrei-a e forçando um pouco a abri. A pérola de Nereu estava lá! Guardei num dos bolsos de meu traje de mergulhador.
Corri para a saída da caverna, onde Fluctius tentava mais uma investida na nada cansada serpente do mar. Otius estava desacordado contra o rochedo ao qual havia sido atirado. Nadei para trás de uma rocha a tempo de sinalizar para Fluctius que já havia saído.
Ele derrubou algumas pedras para distrair o monstro e nadou ao meu encontro.

_Ande Guilherme, dê-me a pérola. Eu a guardarei em segurança para ser entregue a Poseidon.
Coloquei a mão no bolso para pegar a concha com a pérola, mas parei e disse:


_Antes devemos salvar Otius.

_Não, alguns sacrifícios são necessários. Me de a pérola! Temos que ir. –Disse mais duramente Fluctius.
_Não! Vamos salvar Otius primeiro. Ninguém ficará.

O ictiocentauro sorriu desta vez diferente, com desdém.

_Como os semideuses são altruístas... –Nesse meio tempo o filho de Cetus havia se recomposto das rochas e percebendo nossas posições se dirigia para atacar-nos._Sabe, de certo modo Otius tinha razão quanto a você ser peso morto. –A fera chegava perto. _Seu irmão, Percy, é um dos semideuses da profecia que ajudará a salvar o mundo com todo o seu poder. –O monstro estava com a boca aberta, faltava pouco e ele abocanharia Fluctius. _Agora você não serviu de nada além de abrir a caverna, mal sabe utilizar os dons de Poseidon. –O monstro iria dar o golpe fatal. _Chega amigo! Nossa encenação acabou. Já temos o que queremos e os titãs irão nos recompensar quando entregarmos isso para Oceano.

O monstro marinho parou onde estava me encarando friamente.

_Tudo bem semideus, agora aceite que você não pode vencer a serpente e me entregue a pérola. Quem sabe, se colaborar, os titãs não tenham piedade e o matem rapidamente?

_Você traiu a confiança meu pai! Como pode? Não vou dar a pérola! –Disse me afastando um pouco.

_Ora, os olimpianos vão cair de qualquer modo.  É hora de reviver os tempos de glória antigos, a era dos titãs! E se você não vai colaborar, só vejo um modo de terminar isso. –Ele olhou para a besta marinha e disse: _Ataque!

Minha única reação foi nadar para o mais longe possível do animal, enquanto tentava segurar o desespero da morte iminente e traçar um plano bom o suficiente. Não me arriscava a olhar para trás, mas sabia que meu fim estava nadando colado. Foi então que minha mente pareceu se clarear: Estava na água, era filho do deus dos mares, eu tinha um grande poder segundo meu pai! Confiança surgiu dentro de mim. Não sei como, mas eu iria vencer aquele monstro e levar a pérola de Nereu até Poseidon.  Coloquei minha mão sobre a braçadeira que havia ganhado e automaticamente ela se tornou a correte de dois metros e setenta de oricalco. Brandi-a contra o monstro lançando uma torrente submersa contra suas escamas.
Fluctius assistia tudo com um sorriso já de triunfo, vez ou outra falando como seria bom quando a titanomaquia voltasse.
A fera não parecia se intimidar com minha nova arma e eu sabia que como filho novato de Poseidon aquilo não seria suficiente para acabar com ele. Deveria pensar como o mar, utilizá-lo a meu favor. E foi assim que comecei a executar meu plano suicida.
A serpente era muito veloz, mas eu tinha um auxílio mais rápido. Assoviei, para pouco depois ver meu amigo hipocampo nadar em minha direção percebendo o perigo em que estava se metendo. Quando ele já estava bem próximo agarrei em sua crina, tentando direcioná-lo para que lado ir; ele pareceu entender os comandos.
Dirigimos-nos até o submarino que tínhamos visto assim que chegamos à caverna. Torci para que a entrada dele ainda funcionasse, mas sem querer arriscar brandi minha corrente mandando uma rajada de água forte por sobre a tampa de rosca. Aquilo, comandar a água com a corrente, foi tão natural quanto nadar, como se o mar fosse uma parte do meu corpo. A tampa estourou. Pulei das costas de Speedo  no teto do submarino enquanto o hipocampo continuava nadando em frente. A serpente não estava longe.
Observei rapidamente em volta ao entrar no veiculo naval para ver se encontrava alguma coisa e então o primeiro baque. A besta marinha se chocava contra a parede metálica. Não havia muito tempo, a serpente se enrolava em torno do submarino para esmagá-lo comigo dentro.  Era a hora de arriscar! Nadei pelo interior inundado da máquina de guerra até a tampa de acesso. O monstro não bobeou e com sua cauda firme atingiu-me jogando contra a lataria. Um pedaço de carne do meu braço se rasgou ao enroscar na placa metálica solta do submarino. Urrei de dor enquanto o sangue brotou tingindo a água. Levantei-me andando sobre o teto. Outra vez a cauda me acertou causando dor e náusea por algum osso quebrado no tórax. Mais um golpe e falharia.
Dei uma ultima olhada para o traidor Fluctius, que sorriu vitorioso. E foi então: Aproveitando o dorso da serpente enrolado na lataria do submarino, utilizei o presente de meu pai prendendo firmemente entre o monstro e a tampa metálica. O monstro escaparia caso não ficasse ali. Minhas mãos arderam involuntariamente e delas brotaram duas bolas de água grandes e potentes. Atirei-as contra a cabeça da serpente quando ela estava prestes a dar o bote novamente. Ela recuou. E nesse processo repentino o primeiro solavanco ocorreu: O penhasco estava cedendo, o submarino iria cair e esmagar ambos; eu e meu inimigo marinho. Assim aconteceu, numa última tentativa de se soltar, a serpente marinha se retorceu acertando com sua cauda uma ultima vez, me lançando antecipadamente para as profundezas para morrer, não pelo tombo, mas por não ter forças para nadar novamente para cima. E enquanto caia, ouvi o icticentauro gritar pavorosamente, talvez lamentando a pérola caindo juntamente comigo e o submarino vindo juntamente com uma serpente raivosa e desesperada para a morte.

“Talvez hoje eu não devesse ter levantado da cama!”

Esse era o único pensamento que meu cérebro, aturdido e cansado, conseguia processar naquele momento. Meu corpo doía, meus olhos lutavam para se manterem abertos e meu coração clamava por cessar o fraco ritmo que agora me mantinha vivo. E pensar que era para ser apenas mais um dia normal... Mas não era. Então fechei os olhos e desejei que fosse rápido.
***


Acordei assustado! Era manhã e se eu havia morrido, o paraíso era idêntico ao palácio do meu pai, mas exatamente o quarto onde estive pela primeira vez. E olha só que até mesmo meu pai se encontrava ao meu lado.

_Relaxe, você ainda não morreu! –Meu pai riu maciamente.

_Como... como eu não morri? Eu ia ser esmagado e não ia conseguir sair. Mesmo se conseguisse, Fluctius, ele é um traidor e estaria lá me esperando.

Meu pai pigarreou e disse:

_Deixe-me explicar, você estava caindo para ser esmagado e ouviu Fluctius gritar certo? Porém não era pela pérola que caia e sim de dor pelo golpe que Otius o deferiu enquanto estava entretido com a queda do submarino. Recuperado da inconsciência, ele empunhou sua espada e passou a fio o pescoço do nosso traidor.

_Mas isso não explica como estou aqui! –Exasperei.

_Acho que gostará de saber o que aconteceu: Um amigo eqüino seu mergulhou mortalmente a ponto de pega-lo antes que o submarino caísse em terra. –E nessa hora Speedo adentrou o quarto relinchando ao me ver. _Ele não via a hora de você acordar!

Acariciei a crina do hipocampo e logo a caricia se transformou num abraço apertado com lágrimas.

_Hey garoto, muito obrigado por ter se arriscado. Você é incrível! –Olhei para meu pai enquanto colocava a mão no meu bolso. _E a pérola de Nereu?

_Não se preocupe, já a pegamos! –Ele mostrou o tridente com uma pérola fixada ao centro do cabo. _ O exército de Oceano terá um pouco mais de trabalho para nos atacar. Você cumpriu sua missão filho, estou honrado por ser seu pai.
Um sorriso involuntário brilhou em meu rosto.

_Mas pai, eu não fiz nada! Fui salvo pelo Speedo e foi Otius que abateu Fluctius. Como pode ter honra disso se eu nem ao menos sou poderoso?

Poseidon olhou seriamente.

_Ser um filho de Poseidon não é saber simplesmente comandar os mares ou ter poderes incríveis, porque isso Gui, você treinará e um dia conseguirá se tiver esforço. Porém coragem, altruísmo, firmeza e convicção são os verdadeiros dons de um filho de Poseidon. E foi isso que você demonstrou! Ser um verdadeiro filho do deus dos mares.

Olhei firmemente para meu pai. Algo ardia em meu peito, algo chamado orgulho.
Meu pai continuou:

_Porém, seu lugar não é aqui. Assim que estiver totalmente recuperado com o néctar e ambrosia, nossos remédios utilizados para a cura de semideuses, você será encaminhado para o acampamento meio-sangue. Lá deverá ser seu novo lar a partir de agora, principalmente porque eles necessitarão de sua ajuda, assim como seu irmão Percy. Mas não se preocupe, não ficarei longe, mas sim manterei contato. E mesmo quando estiver longe, seu novo amigo hipocampo rondará o acampamento para ajudá-lo.

_Você promete? –Sorri para ele.

Ele assentiu.
***
Havia já dois dias que eu tinha visto meu pai pela última vez. Nesse meio tempo voltei para a Austrália com a carona de Speedo para pegar minhas coisas e tão logo depois ele nadava para a América do Norte, rumo ao acampamento.
Após atravessar a floresta avistei um portal com o nome do acampamento gravado em cima. Ao seu lado um grande pinheiro com um velocino tão dourado quanto o sol pendurado em seus galhos. Parei sobre o pórtico e olhei vendo vários jovens caminhando por entre chalés diferentes. Da multidão um rosto familiar ranzinza com óculos por sobre o nariz torto vinha ao me encontro, saltitando em pernas de, para meu espanto, bode! O Sr. Abeforth saudou-me e após conversarmos sobre todo o passado e segredos que na época eu não sabia, ele indicou meu chalé.
Meu irmão não se encontrava lá, havia saído para uma missão em um tal labirinto. Mas na cama onde minhas coisas deveriam ficar havia um pacote com um recado:

“Pela sua última perspicácia com meu presente, achei melhor arranjar-lhe um novo. Só tome cuidado com este, porque eles não nascem de algas!”
Ao desembrulhar, uma braçadeira de couro de hidra. Sorri, agradecendo mentalmente por finalmente ter me encontrado.
Guilherme Rodrigues
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Acampamento meio sangue

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Re: Teste poseidon outubro/ novembro

Mensagem por ♦ Eos em Seg 24 Nov 2014, 00:56

Freddie P. Skyes - Não reclamado. Sua narrativa em si não apresenta tantos problemas, Freddie, exceto pela virgulação excessiva em alguns pontos e/ ou troca de pontos finais por vírgulas. O problema maior foi a coerência - em especial a coerência com o cenário. Por exemplo: é realmente perigoso ser um semideus, mas porque a mãe do personagem e o treinador sátiro) só contaria nesse momento? (Lembrando que os perigos são a partir dos 13 anos - Percy só deu sorte pelo cheiro do padrastro). Na trama, vários furos - o próprio acampamento possui a praia no seu limiar, por exemplo. Outro ponto foi o motivo da visita: deuses não falam com semideuses com frequência nem permitem uma visita sem motivo ou por motivos mais fúteis - além da questão dos locais de poder em si, há a questão das leis divinas, evitando contato direto exceto em momentos críticos. Ainda que possa alegar ter feito isso para salvá-lo do ataque, entramos em outro ponto: a fúria. Fúrias são servas de Hades. Elas não saem caçando semideuses por  aí, mesmo filhos de 3 grandes, se não tiver um motivo. Thalia foi perseguida por ser fruto de um juramento quebrado, como ocorre também com Percy, ainda que no caso dele buscassem na realidade o raio. Fora isso, fúrias não costumam sair do tártaro. Outro ponto é que na mitologia existem apenas 3 delas, e isso é mantido denro do cenário de Percy Jackson. Enfim, são pontos que devem ser levados em conta e melhorados, mas você possui potencial. Boa sorte na próxima tentativa.



Guilherme Rodrigues - Não reclamado. A história deve ser desenvolvida - não basta um resumo - sendo que a trama deve ser algo separado, como consta nas orientações (e acredite, você apresentou material para isso). Para a história, aprofunde mais a vida do personagem e sua descoberta do mundo mitológico. Baseie-se nas histórias de fichas de reclamação aprovadas, em questão de formato - da forma como expôs, dificilmente seria aceito. Cuidado com alguns detalhes, como pontuação e uso de maiúsculas (após ponto e vírgula ainda é utilizado letra minúscula). Ainda na pontuação, use o travessão para indicar a fala. Caso tenha problemas por questão de teclado (sei que é mais complicado utilizar no notebook) utilize o hífen (-) para indicar as falas. Da organização geral, pule linha com a mudança entre parágrafos e justifique o texto - é uma formatação básica mas que deixa mais organizado. Da coerência: o fórum já passou por sua guerra há muito tempo, então, evite citar os eventos e personagens do livro - até porque, algumas coisas transcorreram e ainda transcorrem de forma diferente aqui (os poderes e armas já são um bom exemplo de diferenciação). Lembrando também que os ictiocentauros evitam Poseidon, apesar de serem em geral benignos e viverem no mar (como demonstrado na saga dos heróis do olimpo, onde auxiliaram os semideuses após o encontro com o monstro marinho). Outros pontos: como você conhecia oricalco, sendo um mateial especial dos semideuses? Cuidado com detalhes como a questão temporal - seria basicamente impossível o hipocampo salvá-lo, uma vez que no tempo que você  - e o penhasco - desabavam, ele estava longe, teria um grande trajeto até mergulhar e alcançá-lo (correndo contra os destroços) e na volta acabaria submerso junto com você, uma vez que não deteu o desmoronamento, que continuaria ocorrendo. Retirá-lo dos escombros seria mais coerente, se ainda sobrevivesse ao soterramento. Você apresenta uma boa narrativa, com poucas falhas, e criatividade para a história, mas desenvolva dentro dos moldes do teste e conserte os erros e tenho certeza que será aprovado em uma tentativa futura!
♦ Eos
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Re: Teste poseidon outubro/ novembro

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