Ficha de Reclamação para Deuses Menores

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Ficha de Reclamação para Deuses Menores

Mensagem por Organização PJBR em Qua 12 Set 2018, 12:58

Relembrando a primeira mensagem :


Ficha de Reclamação


Este tópico foi criado para que o player possa ingressar na sua vida como semideus filho de um deus menor.  Avaliamos na ficha os mesmos critérios que no restante do fórum, mas fichas comuns exigem uma margem menor de qualidade, porém ainda será observada a coesão, coerência, organização, ortografia e objetividade. Abaixo, a lista de deuses menores disponíveis em ordem alfabética, com as devidas observações.





   
   
 
 
   
   
 
 
   
   
 
 
   
   
 

   
   
 
 

   
 
 

   
 
 
   
   


   
   


   
   


   
   


   
   


   
   


   
   


   
   


   
   



   


   
   


   
   


   

DeusesAvaliação
DeimosComum
DespinaRigorosa
ÉoloComum
EosComum
ÉrisRigorosa
HebeComum
HécateRigorosa
HéraclesComum
HipnosComum
ÍrisComum
MacáriaRigorosa
MelinoeRigorosa
NêmesisRigorosa
NikéComum
PhobosComum
PerséfoneRigorosa
SeleneComum
TânatosComum
TiqueComum




Recompensa de reclamação


As fichas de reclamação valem, além da aprovação no grupo almejado, um rendimento de experiência de no máximo 100 xp para o jogador — caso este tenha apresentado ao menos uma dificuldade combativa na narração. O rendimento deve ser de acordo com a avaliação e só será bonificado caso o semideus tenha sido reclamado, portanto fichas rejeitadas não rendem nenhuma experiência.


Item de reclamação


Não existem mais itens de reclamação por progenitor, sendo o único presente a adaga a seguir:

{Half Blood} / Adaga Comum [Adaga simples feita de bronze sagrado, curta e de duplo corte. A lâmina possui 8cm de largura, afinando-se ligeiramente até o comprimento, que chega a 20cm. Não possui guarda de mão e o cabo é de madeira revestido com couro, para uma empunhadura mais confortável; acompanha bainha de couro simples.] {Madeira, couro e bronze sagrado} (Nível mínimo: 1) {Não controla nenhum elemento} [Recebimento: Item de Reclamação]


A ficha


A ficha é composta de algumas perguntas e o campo para o perfil físico e psicológico e a história do personagem e é a mesma seja para semideuses ou criaturas.

É obrigatório que, na ficha, conste o momento de reclamação do personagem. Ou seja, o momento em que o devido deus o reconhece como filho(a).

Plágio não será tolerado e, ao ser detectado, acarretará um ban inicial de 3 dias + aviso, e reincidência acarretará em ban permanente. Plágio acarreta banimento por IP.

Aceitamos apenas histórias originais - então, ao usar um personagem criado para outro fórum não só não será reclamado como corre o risco de ser punido por plágio, caso não comprove autoria em 24h. Mesmo com a comprovação, a ficha não será aceita.

Fichas com nomes inadequados não serão avaliadas a menos que avisem já ter realizado o pedido de mudança através de uma observação na ficha. As regras de nickname constam nas regras gerais no fórum.



TEMPLATE PADRÃO:
Não serão aceitas fichas fora desde modelo

Código:
<center>
<a href="goo.gl/6qY3Sg"><div class="frankt1">FICHA DE RECLAMAÇÃO</div></a><div class="frank1"></div><div class="franktextim">[b]— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?[/b]

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[b]— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):[/b]

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[b]— História do Personagem:[/b]

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</div><div class="frank2"></div> <div class="frankt2">Percy Jackson RPG BR</div></center>


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Re: Ficha de Reclamação para Deuses Menores

Mensagem por Poseidon em Dom 23 Ago 2020, 23:51



Atualizado

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Re: Ficha de Reclamação para Deuses Menores

Mensagem por José Oliveira em Qui 15 Out 2020, 16:09


FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

 Escolhi a Deusa Eos pela sua estética angelical, que é um ponto fundamental da trama do meu personagem. Além disso, a sua história é muito bonita apesar de pouco explorada nos livros.

— Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

Características Físicas

 José Oliveira é um adolescente de 18 anos, a sua pele é queimada pelo sol escaldante da região onde vive e seus olhos são de um âmbar profundo e delicado. Seus traços são leves e angelicais, exceto pelo nariz arredondado que herdou de seu pai mortal. Tem 1,73 de altura e é constantemente confundindo por mais novo, ninguém acredita quando ele diz ter 18 anos.

Características Psicológicas

 José teve uma infância tranquila e muito feliz no interior litorâneo da Bahia, por isso cresceu um tanto ingênuo sem conhecer maldade no mundo. A liberdade que o recôncavo baiano o proporcionava aguçou sua curiosidade. Além disso herdou de seu pai o caráter pacificador e o intenso senso de justiça. Por preservar sua ingenuidade infantil também mantinha o espírito travesso de garoto brincalhão.


— História do Personagem:

 Ilhéus transbordava a beleza do recôncavo baiano em sua brisa marítima que se misturava ao modo de vida interiorano do povo humilde daquele lugar. Porém, a quietude já não era tanta desde que em 2001, numa manhã como qualquer outra o criador de galinhas e vendedor de ovos, Joaquim Oliveira estava a despejar o milho no galinheiro quando uma luz de brilho intenso fez seu coração palpitar. Joaquim, católico de criação, não acreditava em tamanha benção ao ver a bela anja de traje rosado e olhar âmbar em sua frente, e mais incrédulo ficou quando aquele ser de tamanha divindade o beijou com cobiça e desejo nada angelicais.

 Após tão intenso encontro, a anja partiu ofertando pouco consolo a Joaquim ao dizer que ele sempre poderia vê-la na beleza do sol nascente. O que ele fez todos os dias, admirava o nascer do sol na companhia dos seus galos e galinhas. Até que, de forma tão inesperada e radiante quanto quando a anja apareceu, no meio de um ninho de galinha entre os pequenos ovos apareceu um bebê de pele brilhante e cabelos dourados. O calor aconchegante que aquela misteriosa criança emanava irradiou por todo o galinheiro, levando os ovos a chocarem em profusão até que seu choro infantil se misturasse aos piados de dúzias de pintinhos.

 Joaquim era puro amor paternal naquele momento, imediatamente pegou o filho em seus braços e percebeu um pequeno recado ao lado dele, escrito em uma linguagem que o homem simples entendeu facilmente:

“ Cuide dele aí de baixo, que daqui de cima cuido eu.”

 Aquelas palavras foram um acalanto para o coração de Joaquim, que já acreditava ser pai de um anjinho. Empolgado, levou o pequenino até o padre da cidade de Ilhéus para relatar o ocorrido.

 O padre orientou Joaquim a criar o menino normalmente e o levasse para igreja aos domingos, para que seus traços de santidade fossem se revelando. E assim Joaquim Oliveira batizou seu filho de José Oliveira, para que o futuro anjo ou santo que fosse marcasse no nome sua origem humilde. O menino cresceu feliz naquele pequeno paraíso do recôncavo, acordava com o pai todos os dias ao nascer do sol. Durante a alvorada, o pequeno José resplandecia a luz do sol e se sentia envolvido em uma aura de amor. Ao falar disso ao pai ele dizia ser o amor de sua mãe que morava nos céus, o aconchegando. Quando o garoto sentia esse amor o envolver rezava para o Deus cristão que o permitisse encontrar sua mãe.

 Durante os dias de semana, José auxiliava seu pai nos cuidados com as galinhas e os galos que eram seus bons amigos. O pequeno José conversava com esses animais do mesmo modo que conversava com qualquer pessoa da cidade, apaziguava brigas entre os galos e consolava as galinhas queixosas pelo intenso calor da região. O mesmo acontecia com os passarinhos da mata que voavam de lá pra cá ao redor de José, o menino dos olhos âmbar ora os respondia em sua língua humana e ora cantava como se pássaro também fosse.
 
 Aos domingos, a rotina de José mudava, seu pai sempre o levava às missas dominicais cedo pela manhã e os outros fiéis logo notaram a distinção do garoto.  Apesar dos esforços de seu pai e do padre para que José tivesse uma infância comum, os boatos sobre sua possível natureza angelical se espalharam como pólvora pelo Brasil. Pessoas de todas as regiões do país o buscavam a procura de bênçãos e milagres, mas por acordo do padre com os fiéis o pequeno só atendia aos domingos.

Sua santa fama também trazia consequências, na escola as crianças passaram a tratá-lo com frieza. Não que fizessem mal a ele, afinal de contas o temiam e era esse temor que impedia que se aproximassem dele. Assim, os amigos de José eram as aves e sua professora de história, Helena, que enquanto os outros corriam em uma algazarra o contava belas histórias sobre Deuses e Deusas da Grécia. Depois de ouvir por várias vezes todas as histórias que Helena conhecia, ele sempre pedia para ouvir novamente a de Eos, a deusa do amanhecer, amaldiçoada pela deusa do amor a sempre amar demais.

 Aos 18 anos, a fama da angelical concepção de José já havia ultrapassado fronteiras. Pessoas, até mesmo de outros países, vinham até Ilhéus conhecer o suposto anjo. Até que em um domingo qualquer, uma dupla curiosa chegou à cidade a procura dos milagres do santo. Dois jovens esquisitos usando uma camisa laranja, que pelas manchas de suor não era nada adequada para o clima da região. Os exóticos viajantes logo entraram na fila para uma conversa privada com o requisitado José.

 A essa altura o garoto já tinha se acostumado com a presença de gringos. Sua professora Helena o havia ensinado a língua inglesa que ele dominou com certa facilidade, já conseguia se comunicar com os estrangeiros sem muitas limitações. Mas, esses dois tinham algo de diferente, eram mais jovens do que a maioria dos fiéis e pareciam mais ansiosos que o normal.

Assim que entraram na pequena sala de visitas da casa paroquial, que aos domingos ficava reservada para os fiéis desejosos de conversar com o garoto dito anjo, um dos jovens mais alto e de pele escura, tirou suas calças. O que poderia ser um gesto obsceno, era na verdade uma revelação muito pior: suas pernas eram as de um bode. José, nascido e criado no catolicismo, de imediato achou estar diante do próprio anticristo e fervorosamente exclamou:

– Vade Retro Satanás! Repreende Senhor!

 Os dois forasteiros não pouparam o riso diante do desespero do pobre coitado.

– Se acalma, vamos te explicar tudo– Disse o outro jovem que ainda mantinha suas calças vestidas.– Meu parceiro prefere te chocar primeiro para explicar depois, assim você acredita logo no que temos pra falar.

 Logo após José retomar o fôlego, os jovens seguiram explicando sobre a realidade implícita ao mundo em que vivia. A forma como deuses e deusas, uma delas sua mãe, controlam a natureza em seus mais diversos aspectos, os perigosos monstros que espreitavam aqueles como ele, um semideus. Os forasteiros também falaram de um lugar onde ele seria acolhido para melhor desenvolver suas habilidades e crescer em segurança.  A revelação de que ele vivia cercado de seres fantásticos despertou várias dúvidas e José ansiava por respostas.

– Oxe, mas então como eu sei quem é minha mãe? E se eu corro perigo o que tenho que fazer pelo amor de Deus? – disse José, mais ansioso do que nunca para desvendar a misteriosa identidade celeste de sua progenitora.

– Pelo amor dos Deuses, na verdade– corrigiu o garoto com pernas de bode soando um tanto irônico.

–A primeira pergunta, infelizmente, não podemos responder. Apesar de termos nosso palpite, sua progenitora divina só irá se revelar através da reclamação. A segunda é um pouco mais simples, você pode vir conosco pro Acampamento Meio-Sangue. – Respondeu com cautela, como se já tivesse tido essa conversa outras vezes, o garoto cuja camisa estampava o símbolo do local ao qual se referia.

– Mas onde fica esse lugar? E por que eu não posso continuar aqui por Ilhéus mesmo? Por aqui não tem monstro nenhum não viu, nunca vi nada disso.

– Olha realmente, no Brasil, que nós saibamos nunca houve um ataque das criaturas que nos perseguem. Também não quero ser o primeiro a descobrir. – Disse o menino das pernas de bode.

Independente de você estar em perigo ou não, o acampamento é um lar para nós semideuses. Você já deve saber que não vai se encaixar por aqui, você não imagina o quanto faz bem estar com seus semelhantes. – O garoto estava com um brilho nos olhos ao falar daquele lugar. – É realmente um lugar indescritível, a decisão é sua você pode continuar aqui e tentar se encaixar pelo resto da vida ou pode vir conosco e descobrir quem você é de verdade. Estaremos te esperando amanhã no Aeroporto Jorge Amado nosso voo é as oito da manhã, caso você não apareça entenderemos o recado.

– São muitas coisas pra pensar e ainda tem uma fila de gente esperando pra me ver aí fora, vocês deviam ir antes que o padre entre para me apressar. – Disse José com a mente ainda confusa por tudo que lhe foi revelado.

 Aquela dupla tão estranha deixou José a sós mas não saiu de sua mente. O garoto não conseguiu se concentrar em nada do que aqueles que vinham pedir sua bênção disseram, muito menos dormir a noite. Sua mente vagava por todas as possibilidades que aqueles garotos o haviam apresentado. Ao amanhecer, José se levantou às 4 da manhã com o primeiro cantar do galo. Seu pai também despertou e notou a estranheza nos gestos do filho.

– Mas já de pé Zézinho? O que houve? – Disse Joaquim preocupado com o destino daquele filho que ele amava, mas sabia estar destinado a muito mais do que aquele cantinho paradisíaco do recôncavo podia lhe proporcionar.

 José que sempre teve uma relação aberta com seu pai, explicou tudo do jeito que pode para não confundir seu velho. Disse que aqueles dois garotos estrangeiros sabiam da natureza de sua mãe e podiam lhe dar respostas sobre sua origem e identidade. Falou da necessidade de ir para um lugar onde havia outros como ele. José derramava lágrimas no abraço do seu pai, o menino amava aquela terra, sabia que não era parte dela mas nem por isso sua despedida seria menos dolorosa.

– Bora meu filho, cuidar das galinhas bora– Disse Joaquim com os olhos a encher de lágrimas.

 Enquanto pai e filho dividiam os trabalhos no galinheiro uma última vez e o sol despontava no horizonte, os passarinhos da mata se aproximavam pousando ao entorno de José cantando uma melodia desconhecida e complexa. Cada vez mais pássaros iam compondo aquele coro, José e Joaquim admirados continuavam a chorar diante da beleza daquela cena. José reconhecia cada um dos passarinhos das suas caminhadas na mata, até que um pequeno bem-te-vi voa até bem porto de seu rosto eo encara nos olhos. O pequeno pássaro se dirige ao menino em uma voz que emanava afeto:

– Meu filho, chegou a hora de você seguir seu destino. Vá eu te dou a minha benção. –

 O menino que resplandecia a cada amanhecer hoje brilhava como nunca. Acima da sua cabeça de forma luminosa, quase etérea, um galo imponente flutuava como se o marcasse. Seu pai se despediu tentando manter a compostura que já tinha perdido a muito tempo enquanto o menino não se esforçava para esconder a dor da partida. José entrou em sua humilde casa uma última vez para arrumar sua trouxa e logo em seguida partiu de encontro aos dois estrangeiros de camisa laranja e o destino que o aguardava.

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José Oliveira
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Re: Ficha de Reclamação para Deuses Menores

Mensagem por Benjamin Sousa em Qui 31 Dez 2020, 12:09


 
FICHA DE RECLAMAÇÃO
— Por qual deus deseja ser reclamado/ qual criatura deseja ser e por quê?

      Perséfone. Pois, embora eu não tenha uma trama elaborado para o meu personagem, acho que as qualidades de um semideus de Perséfone se encaixem bem com as características de Benjamin, além do fato desta ser minha deusa favorita.

 — Perfil do Personagem (Características Físicas e Características Psicológicas - preferencialmente separadas):

 Características Físicas:
      Possui 16 anos, 1,75 de altura, olhos azuis, variando de tom a depender da luz, às vezes parecendo esverdeado, cabelos loiros ondulados, rosto fino e pele bronzeada, de ficar exposto muito tempo no Sol pelos bicos que faz e fez. Corpo magro, ágil e esguio, mas atlético, com músculos definidos. Alguns machucados ao longo do corpo, principalmente no torso, cicatrizes pequenas e médias, de cortes que levou ao longo da vida, mas nenhum à mostra. Tem um sorriso calmo, que imita o do pai, mostrando confiança.

Características Psicológicas:
      Sempre independente, desde criança, por ter sido obrigado a se virar para conseguir sobreviver sozinho, introvertido, sempre evitou fazer amizades e criar laços, pois sabe a dor que é perdê-los, mas sempre carismático com os que optam por se aproximar. Não costuma confiar completamente, nem desconfiar totalmente de ninguém, impedindo que tenha feito reais amigos durante o tempo que passou sozinho. Não costuma guardar mágoas, pois sabe que o mundo gira, e pessoas podem mudar, assim como não costuma se abalar depois de uma derrota, pelo mesmo motivo. Os poucos que acabaram por conhecê-lo melhor, o questionam como ele não desanima depois de tudo o que passou, e a resposta é sempre a mesma: "Afinal, mesmo após o maior dos invernos, há de vir a primavera." com um sorriso singelo, antes de voltar ao que estava a fazer.

 — História do Personagem:

      Era um dia chuvoso em São Francisco, quando tudo aconteceu. Estávamos no meio de Janeiro de 2016, perto do meu aniversário de 12 anos, e eu estava muito empolgado. Finalmente, meu pai, Jacinto, que sempre foi meu melhor amigo, me deixaria acompanhá-lo em suas viagens, e disse que tinha uma especial planejada pra semana após o meu aniversário. Meu pai era um homem humilde, na faixa dos 40 anos, mas com uma cabeça que começava a ficar grisalha na época, era um homem quieto e na dele, sempre gostava de passar o tempo comigo, cuidando das flores de nossa floricultura.

      Ele sempre fora uma inspiração pra mim. Era o meu melhor amigo, e eu sabia que queria ser exatamente como ele é, sempre alegre, sempre sorrindo, mesmo quando passávamos por apertos, algo que não era tão incomum, já que morávamos em um quartinho dentro da floricultura, por não termos dinheiro para alugar um apartamento. Mesmo assim, a alegria que ele me mostrava, a felicidade em seu sorriso e seus olhos era genuína, e eu sempre quis entender isso.

      A manhã veio como qualquer outra. Acordei às 8 da manhã, e fui me arrumar no banheiro. Fiz um sanduíche do resto que tinha de geleia e pasta de amendoim, e fui para a loja encontrar meu pai, que estava varrendo, como era costume nesse horário. Pela primeira vez em muito tempo, vi uma expressão totalmente diferente no rosto do meu pai, notei logo que tinha algo o incomodando, e fui abraçá-lo.

      — Bom dia, pai! — disse enquanto o abraçava — Tem algo lhe incomodando?

      — Não, Ben. — respondeu enquanto retornava com seu sorriso de sempre no rosto — Está tudo bem, filho, só estava pensando naquela nossa viagem. — olhando hoje, vejo que disse isso para me distrair do assunto, tática que funcionou com sucesso.

      — A viagem! — exclamei animado — Pode me dar ao menos uma dica, pai, por favor? Diz pra mim o nome do lugar, ou o que é, ou o que vamos fazer lá. Por favor... — implorei, sabendo que meu velho não iria resistir.

      — Certo, filho, vou contar. — disse, rindo do meu entusiasmo — É um acampamento de verão, para jovens especiais, assim como você, Benjamin, e fica em Nova York, na ilha de Long Island. — quando disse onde eram, meus olhos se iluminaram imediatamente. Nunca havia saído de São Francisco na minha vida inteira, e sempre quisera conhecer outros lugares.

      Então uma moça entra na loja, bonita, com cabelos negros, um rosto fino, e lábios carnudos e vermelhos, olhos verdes, frios, e, se não fosse o que ocorreu depois, acharia loucura minha, mas juro que vi suas pupilas fendidas. Conhecíamos os clientes, e sabíamos que ela nunca estivera na loja antes. Então, como de costume, fui regar e cuidar das flores, enquanto meu pai foi atender a mulher. Não sabia o que era, mas senti uma sensação estranha quando ela chegou, algo como um frio na espinha. Meu pai então conversou com a moça um pouco, e veio falar comigo. Sua feição novamente era diferente de todas as que eu já houvera visto dele. Ele parecia aterrorizado, o que, imediatamente, me deixou morrendo de medo.

      — Filho, parece que vamos ter que antecipar nossa viagem. Vá direto pra fora, pela saída dos fundos, e me espere na frente da loja, mas não olhe pelo vidro. — dava pra sentir o temor na sua voz.

      — O que foi, pai?! Aconteceu alguma coisa? Quem é essa mulher? — Perguntei, com pânico nos olhos, e meu corpo tremendo de medo.

      — Não precisa se preocupar com isso, filho. vai ficar tudo bem. Mas quero que me prometa uma coisa, Ben. —  Ainda com um tom sério, o que me fez achar que era algo realmente importante.

      — Se algo acontecer, não importa quando, ou onde estivermos — falou, colocando um papel fechado no bolso da minha calça — vá o mais rápido possível para este endereço. E nunca se esqueça, meu filho — e disse as palavras que me confortariam pelos anos que se passaram — Eu amo você, meu filho, e não importa quão grande, frio e devastador seja um inverno — o sorriso então que sempre esbanjava, voltou ao seu rosto — ele sempre será seguido pela primavera.

      Então meu pai me pediu para que eu fosse logo, e disse que estaria fora em 5 minutos para irmos. Fui para o lado externo da loja, mas meu pai estava demorando muito, e eu acabei por olhar pelo vidro, para ver o que estava acontecendo. Essa foi a visão mais sinistra que eu vi em minha vida. A moça estava exatamente igual, mas como agora a estava vendo por trás, olhei para a parte inferior do seu corpo e, imediatamente, caí no chão. Ao invés de pernas, a moça tinha uma enorme cauda de serpente! Eu só poderia estar ficando louco, achei, então olhei de novo, e vi que ela havia me visto, e foi se aproximando lentamente do vidro da floricultura, mas meu corpo estava paralisado, e não pude fugir. Foi então que vi meu pai atirando um jarro de flores nela, o que a fez se virar e atacá-lo, enquanto ele gritava para que eu fugisse. Reuni então todas as forças que tinha e consegui atravessar a rua, e passar pelo quarteirão, chorando de medo, e pensando no que poderia acontecer com meu pai. Fui um covarde, e não pude ajudá-lo, este sempre será meu maior arrependimento.

      Foi só quando havia corrido quadras que pude ouvir as sirenes indo em direção à floricultura. No mesmo instante parei, me virei, e vi fumaça vindo da direção da floricultura. O desespero foi tão grande, que não pude me controlar e, quando vi, já estava voltando. Quando cheguei novamente, vi a floricultura pegando fogo, com bombeiros entrando para buscar sobreviventes, tentando apagar o fogo. Então, enquanto olho as chamas destruindo o lugar que chamei de lar, desesperado, sem saber o que pensar, sem saber sobre o meu pai, ou o que estava acontecendo, fito a vidraça da floricultura, e de repente, o rosto daquele monstro apareceu no vidro enquanto se desfazia em pó. Não sei se pelo susto, pela exaustão, ou por tudo misturado, mas minha visão começou a escurecer.

      — Quem é o garoto? — perguntou uma voz masculina, preocupada — Michael, você conhece essa criança?

      — É o filho do seu Jacinto, que morreu no incêndio da floricultura — falou uma voz conhecida, masculina, com pena.

      — Coitadinho — disse uma voz feminina, também conhecida — esses dois eram unha e carne, sempre que eu ia comprar flores ambos estavam lá para me atender.

      — Ele não ia pra escola? — perguntou novamente a voz rouca

      — O pai o ensinava em casa, ele tem TDAH e era difícil acompanhar os outros alunos da turma. — respondeu a segunda voz

      Com meus sentidos ainda retornando, reconheci duas vozes, eram Michael e Julie, dois clientes da floricultura, que integravam a força policial. Enquanto recobrava a consciência, remoí as frases que ouvira, até entender:

      — Meu pai o quê?! — perguntei enquanto me sentava melhor e comecei a abrir meus olhos, vendo que estava dentro da delegacia

      Os olhares, penosos e culpados, dos três, que se entreolhavam, se perguntando qual dos três iria contar pra mim que perdera a única pessoa que já tive na vida. Michael então se ajoelha para falar comigo:

      — Ben, pode me dizer do que se lembra que aconteceu antes de chegar aqui?  — perguntou, tentando me fazer sentir seguro

      — Antes... — então, com a cabeça ainda doendo, comecei a me lembrar — Estávamos em um dia comum, quando uma moça apareceu, e atacou o meu pai. Ele me mandou fugir, mas quando voltei, a floricultura estava pegando fogo. — falei, sem perceber o quão louco tudo aquilo parecia.

      — Uma mulher? — Perguntou Michael, incrédulo, provavelmente achando que eu bati a cabeça na queda após desmaiar. — Mas, Ben, não havia mais ninguém lá.

      — A moça do serviço social chegou. — disse Julie, como que aliviada, por poder me passar para alguém mais competente.

      Mas quando a moça entrou na delegacia, seus olhos me fizeram estremecer. Aqueles olhos verdes, fendidos, frios e mortais de novo. Imediatamente olhei para as pernas, e assim como a outra, possuía apenas uma  longa cauda de serpente. Procurei imediatamente ao redor, mas é como se ninguém conseguisse ver. Eu gritei, e dei para trás no sofá.

      — Vocês não veem?! Ela é igual a mulher que atacou meu pai! — gritei, aterrorizado e com pânico nos olhos. E noto que todos na delegacia, começam a me encarar, como se estivesse ficando louco.

      — Ben, calma, ela é apenas a pessoa designada pelo serviço social, e irá falar com você agora, em particular — Julie, tentou me convencer.

      Então finalmente entendi minha situação. Olhei ao redor, e vi que havia uma brecha. Agora, com meus sentidos já normalizados, decido fazer um movimento rápido. Então levanto, e peço para me dizerem onde posso pegar um copo de água, enquanto espero o momento ideal, procurando uma brecha para escapar pela porta, já que nenhum dos policiais esperava que eu tentasse fugir. Na hora que essa brecha surge, corro com todas as minhas forças para passar pela porta.

      Escapei, mas sabendo que se tentasse fugir correndo, não demoraria muito para ser pegue. Então corri o mais rápido que pude para conseguir dobrar na primeira esquina, e me esconder debaixo de um carro. Pelo cansaço, e pelo medo, não sei quanto tempo se passou, só lembro que ouvi minha barriga roncar, e vi um ônibus chegando. Corri para fora e entrei no ônibus, enfiei a mão no bolso e encontrei cinco dólares. Paguei a passagem, e quando ia me sentar, ouvi o motorista me chamando:

      — Ei, garoto, deixou cair esse papel — falou me dando um pedaço de papel amassado

      Agradeci, e, ao pegar o papel, reconheci imediatamente: o último presente que meu pai me deu... Lágrimas escorriam no meu rosto, uma vontade de gritar sem igual. Então abri o papel, e li um endereço: "Colina meio-sangue, Long Island, NY". A vida, a partir deste dia, não seria fácil, mas nunca desistiria de cumprir a promessa que fiz ao meu pai.

      Fito aquele endereço, chorando como quando era criança, com um pequeno cupcake com uma vela na minha frente. Sopro a vela, com um pensamento fixo na cabeça:

      — Demorou, meu pai, mas finalmente estou cumprindo minha promessa. Esse inverno vai enfim acabar. — Digo, finalmente recolocando meu sorriso no rosto.

      Desde que fugi, sobreviver não tem sido fácil. A fome e o medo foram meus companheiros pelos anos que se passaram, mas eu não fui o primeiro garoto de rua, e não serei o último, e diferente de muitos que encontrei no caminho, eu tinha um rumo, e esse rumo me guiou, e foi o responsável por me fazer chegar  até aqui. Tive que fazer muitos trampos, desde então, limpando loja, cortando gramado, lavando carros, ajudando a descarregar caminhão, e muitos outros para comprar o que comer no dia, às vezes uma roupa nova quando as minhas rasgavam, cobertores e jornais, para arrumar um canto onde dormir, banhos na rodoviária, o meu estilete companheiro, que, por sorte, nunca precisei usar, e de vez em quando um presente como um livro de botânica, para me lembrar da minha grande paixão. Por muitas vezes, quando as coisas estavam melhorando, até parei, e pensei em me estabilizar, mas logo eu via aqueles malditos monstros, de vários tipos. Homens com um olho só, mulheres cobra, e dezenas mais, rondando por aí. Para sobreviver, sempre que via que eles estavam aparecendo, fugi.

      Mas isso já passou. Finalmente cheguei em Nova York. Foram 4 anos impossíveis, mas que passaram, e agora minha sorte está para mudar. Só preciso saber o que exatamente é a colina meio sangue, pois não faço ideia de como chegar lá. Já tem mais de um mês que estou morando por aqui e ainda não achei nem sequer uma pessoa que soubesse onde isso fica, mas não irei desistir. Bom, ficar divagando e relembrando não vai me ajudar agora. O dinheiro que juntei está quase no fim, acho bom procurar um emprego nas redondezas, pelo menos assim consigo sobreviver enquanto procuro.

     Saio do pequeno abrigo que fiz no beco, com papelão velho, e, se quero mesmo arrumar um emprego, a primeira coisa é ir na rodoviária tomar um banho e usar essas roupas novas que comprei na última cidade que visitei. Então vou de encontro a rodoviária local, tomo meu banho, visto minhas roupas novas, e decido bater de porta em porta, à procura de um lugar para trabalhar. Como de se esperar, um garoto de 16 anos desconhecido que nunca nem sequer foi à escola não consegue emprego com muita facilidade, e depois de horas debaixo do Sol, recebendo nãos, acho melhor procurar os bicos de sempre, descarregando caminhão. Mas antes de desistir completamente, vejo uma floricultura, o único lugar que não passei ainda. "Que mal faria?". Então entro na floricultura, com um sorriso, pois mesmo com as rejeições, sei que aqui é onde tenho mais chances.

      — Boa tarde, jovem, o que deseja? — pergunta a moça que se encontra atrás do balcão. Uma moça jovem, diria que nos seus 23 anos, cabelos ruivos, olhos verdes, e um sorriso que me lembrava do lar. — Procurando algo em específico?

      — Boa tarde, — repondo sorrindo, confiante de que dessa vez eu conseguiria — na verdade eu vim perguntar se você teria vaga para um assistente ou aprendiz nesta loja. — e enquanto faço meu pedido, aproveito para olhar as flores, sentir os aromas, e só de estar neste ambiente, eu consigo lembrar como é ser feliz. Nesses últimos 4 anos não tive muito tempo, mas em cada oportunidade que tive, aproveitei para ir em jardins ou campos e apenas sentir essa energia magnífica que emana das flores.

      — Pra falar a verdade, acho que uma ajuda não cairia mal. — fala enquanto olha ao redor — Está em que série querido?

      — Bom, — novamente, me sinto envergonhado ao dizer aquilo — eu meio que nunca fui à escola. — mas antes de receber mais um não, já me adianto — Mas eu entendo de flores e botânica. Meu pai era florista, e eu sempre o ajudava em tudo na floricultura que tínhamos, e eu posso cuidar das plantas aqui. — falo, tentando ao máximo não demonstrar o desespero na minha voz.

      — Entendo. — e no momento que ela diz isso, eu já começo a me preparar para a rejeição — E o que você acha de 10 dólares a hora? — diz, com um sorriso simpático.

      — Sim, senhora, com toda a certeza — respondo ainda perplexo, isso é muito mais do que qualquer emprego, bico ou trabalho que eu já tive, mal conseguia conter a alegria que senti ao ouvir isso

      — Está contratado então. Quando pode começar? — ao ouvir essa pergunta, já vou procurando onde estava a vassoura mais próxima.

      — Agora mesmo, senhora — digo, pegando a vassoura e varrendo o lugar antes de começar a olhar as flores.

      — Por favor, não me chame assim. — responde rindo — Me faz sentir velha. Meu nome é Elizabeth, e qual o seu?

      — Benjamin. Benjamin Sousa.

      — Acho que nos daremos muito bem, Benjamin. — E esse sorriso no rosto dela me é familiar.

      Dois meses se passaram, e eu ainda não achei uma informação sequer sobre o paradeiro desta tal colina meio sangue, mas, dessa vez, acho que consegui um lugar onde posso me estabilizar. Tenho morado em um Airbnb desde que aceitei este emprego, e é incrível saber novamente como é ter um teto pra morar. Estou me alimentando bem, tenho roupas novas, e meu cabelo finalmente está cortado por um barbeiro ao invés de pelo meu canivete em frente a um espelho, e minha chefe é incrível, esta vida não poderia estar melhor.

      Vou para o trabalho, como mais um dia qualquer, cuido das flores, enquanto Elizabeth atende os clientes, e hoje vem um garoto que me chama a atenção. Um jovem magro, não muito alto, com cabelos castanhos cacheados, que entra na loja de muleta. Mas não é a aparência que me intriga, tem algo de diferente neste rapaz, só não sei dizer o que é. Ele entra juntamente com uma jovem, cuja beleza é inacreditável. Seus cabelos lisos, com ondulações ao longo das mexas, castanhos, e olhos negros como a noite, um corpo exuberante, que me deixa perplexo. A garota não nota que estou olhando, mas o garoto que a acompanha começa a me encarar com um olhar estranho. Retorno à realidade, e volto a regar as flores, mas noto que o garoto quase não deixou de me encarar. Quando eles saem, Elizabeth me chama:

      — E aí, Benjamin, vejo que gostou da Maria. — diz, rindo pra mim — A garota realmente consegue capitar olhares quando passa, mas o amigo dela, Robert, costuma ser superprotetor com ela, e ele viu você encarando. — conclui, desatando a rir de vez.

      — Não é bem isso — respondo, enrubescendo — mas como conhece eles?

      — Eles são clientes da loja, costumam vir com mais frequência próximo do dia dos namorados, quando ela costuma fazer os planos de cupido na escola, e enviar para alguns pretendentes.

      — Ah sim. — respondo, pensando naquele garoto que estava com ela.

      — Enfim, vou deixar o lixo lá fora, e depois fechar. — disse enquanto saía pelos fundos da loja

      — Certo, Elizabeth, vou acabar aqui também então.

      Termino então de regar as flores, e noto que ela está demorando mais que o normal. Vou ver se algo aconteceu ou se ela precisa de ajuda, mas quando chego na saída, meu chão estremece. Eu a vejo caída no chão, e em pé em frente ao corpo inconsciente de Elizabeth, um homem, de quase 2 metros de altura, com braços largos e fortes, e no meio de sua teste, um único olho. No momento que vejo a criatura, antes mesmo de conseguir pensar, estou fugindo novamente, indo para dentro da floricultura. Mas quando fecho a porta, eu paro bruscamente.

      "Mas o que diabos estou fazendo?! Vou fugir de novo? Como fiz ao longo de toda a minha vida? Abandonei meu pai, e todas as vezes que pressentia algum perigo, minha reação sempre foi fugir, correr, e buscar um lugar pra me esconder. Essa mulher lá fora, me acolheu, me protegeu e me deu uma vida, ela transformou meu longo inverno em primavera, e eu vou abandoná-la como fiz com meu pai?" Com meus pés ainda tremendo, cerro meus punhos e procuro o canivete no meu bolso. "Não vou abandoná-la, não irei fugir de novo, não importa se estou com medo. Ela não merece passar por isso, e eu não a deixarei na mão." Então pego uma tesoura de jardinagem. Posso ter ficado louco de vez, mas não serei um covarde por toda a minha vida, e não deixarei que mais alguém que eu me importo se fira se eu posso evitar.

      Ouço as batidas do monstro na porta, e sei que ele a arrebentará logo, então saio pela saída da frente, e antes que ele entre pela dos fundos, arrodeio e chamo por ele. O monstro me olha, e pela forma ameaçadora que ele possui, sei que se ele colocar aquelas mãos enormes em mim, eu estou morto. Então corro o mais rápido possível em sua direção, e quando aquela aberração tenta me agarrar, eu escorrego pelo chão, passando por entre suas pernas e com a tesoura, castro o monstro, para que a dor que ele sinta me dê algum tempo. O monstro cai de joelhos, e uso esta oportunidade para acabar de vez com isso. Corro na direção das costas do monstro, que agora, de joelhos, tinha a minha altura, saquei meu velho canivete, passando a mão para a frente do seu rosto, e enfiando no meio de sua testa, esperando acertar o olho da criatura. Mas ao invés de mais gritos e sangue, vejo uma visão que me levou de volta ao dia em que fugi. O monstro inteiro estava esfarelou-se em um pó dourado, bem na minha frente. E logo após isso, acima da minha cabeça, vejo brilhando uma espécie de holograma. Um narciso vermelho pairando em frente à minha testa, que rapidamente desaparece.

      Com essa visão, fico paralisado por alguns segundos, mas logo me lembro de Elizabeth, e vou correndo checar seus sinais vitais. Ela está viva. E meu coração se acalma, aliviado. Levo então minha chefe para dentro da loja, e começo a preparar um chá de jasmim, como o que meu pai fazia quando eu estava doente, para quando ela acordar.

      — O que aconteceu? — ouço sua voz, ainda fraca, enquanto ela se levanta — Minha cabeça dói, e não consigo lembrar de nada.

      — Um brutamontes te atacou para te assaltar, mas eu assustei ele e te trouxe pra dentro quando a vi. Infelizmente ele já havia te acertado, mas não roubou nada. — respondo, não cometendo o mesmo erro de dizer o que vi, pois com os anos aprendi que algumas informações, não precisam ser ditas. — então te trouxe pra dentro e preparei este chá, pode se servir — digo, entregando o chá para ela.

      — Estou começando a me lembrar... — fala, com a mão ainda na cabeça, enquanto toma o chá — Como conseguiu afugentar aquela cara imenso? — E o olhar no rosto dela, era de preocupação real.

      Então, decido contar pra ela, que aprendi a me virar nestes anos que vivi sozinho nas ruas, depois de perder meu pai, pois estou começando a criar um vínculo, algo que não faço desde a morte de meu pai, e não quero esconder dela meu passado. Mas para a minha surpresa, o olhar que ela me mostra não é de pena, como os outros, mas um olhar de orgulho, acompanhado daquele sorriso. "É isso!" Finalmente entendo porque foi tão fácil formar um laço com Elizabeth, porque aquele sorriso era tão familiar. É o sorriso dele, o sorriso que meu pai me mostrava.

      — Quando nos conhecemos — ela começa a contar — e você disse que seu pai era florista, eu comecei a suspeitar, e por você nunca falar dele, eu já tinha quase certeza. Você é como eu. Eu tenho esta floricultura, mesmo não entendendo muito sobre flores, pois ela era da minha mãe, e quando ela morreu, a floricultura era tudo oq eu possuía para me lembrar dela. Desde que você apareceu, você tem sido como um irmão para mim, e saber que você confia em mim para contar sua história, só me deixa feliz,

      Algo diferente está acontecendo. Eu sempre sorria quando estava com ela, sempre sorria em público, e de vez em quando, sozinho, chorava, lembrando da dor de perder tudo. Mas hoje, as lágrimas que caem do meu rosto, não vêm de nenhuma dor, e lembrar do passado, não está me fazendo mal. Muito pelo contrário, essas lágrimas, estão vindo com um sorriso, e a única coisa que me lembro agora, não é a perda do meu pai, mas o amor que ele sempre me deu.

      Eu posso dizer com certeza, que esses minutos foram os mais felizes da minha vida. Infelizmente, os tempos felizes também são passageiros. Enquanto conversamos, ouço alguém entrando na loja.

      — Estamos fechados. — Digo, tentando não demonstrar que estou chorando.

      — É urgente, não tem como esperar. — uma voz masculina, responde.

      — Eu vou lá então, Elizabeth.— falo calmo, secando as lágrimas enquanto olho para a minha nova irmã — Tome o chá, deite e descanse.

      Quando chego lá no balcão da loja, encontro aquele garoto, de antes, Richard, e, ao lado dele, está Maria, novamente, e novamente me perco ao olhar para ela, até que ele novamente me traz à realidade.

      — Nós estávamos por perto, e vimos tudo. — diz Richard, que está visivelmente apressado — Você teve muita sorte daquele não ser um ciclope adulto, ou você estaria morto agora!

      — Espera. — respondo, incrédulo — Vocês conseguem ver também?!

      — Conseguimos, e agora que você foi reclamado, temos que agilizar nossos planos e te levar conosco para a colina meio sangue. — diz Richard, enquanto sua amiga espera, olhando as flores — Minha missão era apenas trazer Maria, mas reconheci que você também era um, quando entramos na sua loja mais cedo.

      — Colina Meio Sangue. — repito, lembrando da promessa que fiz ao meu pai. E imediatamente fico triste, sabendo que, se for, irei deixar minha nova irmã aqui. Abrir mão de mais um laço.

      — Você poderá voltar, se quiser —  fala Richard, como se soubesse o que estou sentindo — No acampamento, receberá treinamento, para que situações como as de hoje, não ocorram novamente. Mas é um acampamento de verão, e depois que o verão passar, caso você se sinta pronto para protegê-la, você pode voltar e passar o resto do ano aqui.

      — Então ao menos me deixe me despedir... — e, feliz por não ter que abandonar Elizabeth, entrei para falar com ela.

      Conversamos, e ambos concordamos de que eu deveria ir, mas antes que pudesse me despedir de vez, abracei-a, e lhe entreguei uma flor, que havia pegue na floricultura.

      — Essa lótus é pra você. Significa proteção, pois onde eu estiver, sempre te protegerei.

      — Temos que ir — chama Richard.

      Enquanto ele nos leva para o acampamento, me pego imaginando como será minha nova casa nesses próximos meses. Sei que será totalmente diferente de tudo o que já vivi, mas não importa. Tudo o que me importa nesse momento, é que depois agora eu finalmente tenho um lar para retornar. E quando for forte o suficiente, retornarei para vivermos juntos, de uma vez por todas, porque depois de tantos anos, eu finalmente lembro o que é ter uma família.

 
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Benjamin Sousa
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