Evento secundário — This is Halloween!

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Evento secundário — This is Halloween!

Mensagem por Marte Ultor em Sab 02 Nov 2019, 13:20




This is Halloween!

Evento secundário — This is Halloween!  Wt4hXwV

— O diabo, quando acuado, vocifera. O que é ruim por si mesmo se destrói.

A dez minutos da meia noite, o Acampamento Meio-Sangue se encontrava em completo silêncio, não havia sequer o canto de corujas. Era como se até mesmo aquelas criaturas inferiores soubessem do perigo que o dia das bruxas traria no dia seguinte. O breu instaurado, contudo, foi iluminado por um ponto de fogo crepitando dentro da Casa Grande. O centauro Quíron encontrava-se sentado na cadeira de rodas em frente a lareira enquanto, na entrada da sala, havia um homem segurando uma pequena abóbora em mãos; tinha um corpo musculoso por baixo do sobretudo que vestia e uma máscara branca demoníaca escondendo o rosto — seus olhos cintilavam em vermelho.

— Fizeram uma ótima decoração, considerando os fatos — Ele seguiu em direção ao diretor e sentou-se confortavelmente na poltrona ao lado. Ao tirar a máscara, revelou um rosto repleto de cicatrizes de guerra, sendo Phobos, deus das fobias. — Vocês não entenderam a mensagem, não é? Agora, devo tomar uma atitude.

Sabendo de quem se tratava, Quíron não perdeu a compostura tampouco demonstrou medo. O deus em sua frente era um dos menos toleráveis mas, até então, servente das diretrizes do Olimpo. No fundo o centauro sabia que ele trazia consigo mau agouro.

— O que faz aqui? Imagino que tenha pedido a permissão dos dozes. — O questionamento foi feito em certo tom de provocação, tirando o sorriso antipático do rosto da divindade.

Com uma reação totalmente previsível, Phobos despedaçou o fruto com um único movimento de mão e se levantou visivelmente ofendido. A fama que o mesmo ostentava entre os olimpianos era bastante conhecida, o deus odiava acatar ordens e só o fazia por, ironicamente, temer a fúria de Ares e Deimos. Em poucas palavras, era um covarde e os covardes são sempre os piores. Uma ventania forte invadiu aquela sala, trazendo consigo a poeira onírica dos sonhos que logo formou uma figura humana — um segundo homem, este no entanto vestia-se com uma túnica em cor dourada, sendo ele Morfeu.

— Não há necessidade, viemos propor um simples desafio! — Vociferou o deus do medo antes de abrir espaço para o outro ao seu lado.

— Em outras circunstâncias seria um prazer te rever, centauro, mas sinto em dizer que seus alunos estão presos nos próprios sonhos. Enquanto meus poderes perdurarem, nada do que fizer na vida real será capaz de despertá-los.

— Se sobreviverem no mundo dos sonhos, acordarão ao fim do Halloween, senão... morte. — Completou Phobos.

— Reino Onírico —

Os campistas acordaram repentinamente no meio da noite, mas nenhum deles estava no mundo real. O lugar era o acampamento, estavam em seus respectivos chalés e dormitórios, mas no reino dos sonhos; o céu estava coberto de nuvens em tons escuros de verde, trovões ribombavam e abafavam qualquer outro som ambiente, raízes de espinhos brotavam do chão e se espalhavam pelas construções, vermes e insetos se acumulavam sobre a terra.

Despertaram mas não podiam interagir entre si, cada um deles estava preso em desafios particulares. Morfeu tinha aberto os portões de seu reino para as fobias e males enviados por Phobos. A dupla, agora aliados da deusa Éris e ressentindo o descaso do Olimpo para consigo, queria enviar uma simples mensagem: não estavam seguros. Quíron teve de engolir em seco e ver as consequências de sua mentira sem poder sequer reagir. Os semideuses encontrariam no meio do Acampamento Meio-Sangue uma fenda brilhante que a cada minuto perdia a força. A fenda era a única saída para o mundo real e, se enfraquecesse completamente, desapareceria sem deixar rastros.

Quais perigos o Halloween traria?

Pontos Obrigatórios

— A narração dos participantes deve começar a partir do momento em que acordam no Reino Onírico. Sejam condizentes com o tema e ambiente proposto pelo evento.

DESAFIO: narre como seu personagem descobriu que estava preso em um sonho lúcido. Não cobro ações e trechos prolongados apenas por se tratar um desafio, no entanto, cobro criatividade e coerência.

— Ao avistar a fenda citada, o personagem deve reagir como bem quiser, seja tentando atravessá-la, encostando, estudando-a, que seja! Porém, a fenda não terá efeito algum de início; neste momento, pequenas fobias o atacarão, aquelas fáceis de serem vencidas e seu personagem descobre que, a cada medo derrotado, a fenda brilha com maior intensidade.

DESAFIO PRINCIPAL: seu personagem deve enfrentar um grande desafio, seja ele físico, emocional ou psicológico. Phobos é o deus de fobias íntimas, portanto, ele conhece seus medos melhor do que você e sabe como usá-los.

— O desfecho deve conter pensamentos e emoções do personagem após o embate. Por fim, narre o mesmo sendo sugado pela fenda, nada mais além disso.

Pormenores

— O evento deve ser feito e será avaliado nos moldes de uma One-post. É individual, de forma que personagens não podem interagir, mesmo que se conheçam, incluindo npcs.

— É um evento secundário, mas ainda possui importância para a trama. Tudo o que fizerem, as escolhas que tomarem e as consequências serão consideradas na vida real dentro da trama.

— Há risco de morte para os players que não atingirem o rendimento de 80%.

— Além da experiência e dracmas, a recompensa para os 3 primeiros colocados serão:

1º lugar: {Fobor} / Espada Onírica [Os piores medos derrotados pelo semideus se materializaram na vida real, assumindo a forma de uma poderosa espada cuja lâmina alongada mede seus 110 cm, podendo ser manuseada com uma ou duas mãos. A espada é sólida para o portador, sendo feita de titânio e platina, conferindo uma cor limpa junto dos fios de poeira onírica que adornam a lâmina e uma incrível resistência a golpes e corrosão. Há três poderes contidos na arma, mas deve-se usar apenas 1 por vez. Efeito 1: a poeira onírica presente na lâmina se dispersa no ar, prendendo o alvo em um pesadelo que o paralisa por dois turnos. Efeito 2: os medos possuem auras horríveis, sendo assim, a lâmina espalha em campo de batalha uma aura que instiga nos oponentes a covardia, dificultando seus ataques em 20% durante dois turnos. Efeito 3: quando em mãos erradas, a espada torna-se poeira onírica por completo, impedindo seu manuseio. Para os dois primeiros efeitos, resistências podem ser aplicadas.] {Titânio e platina} (Nível mínimo: ?) {Não controla nenhum elemento} [Recebimento: evento This is Halloween, primeiro lugar.]

2º lugar: {Onirius} / Fenda Onírica [Ao vencer o desafio do reino onírico, o campista acordou com uma marca na vida real; em forma de tatuagem, é o desenho do filtro dos sonhos na palma da mão direita. Mais do que uma marca comum, ao desejo do semideus, ela abre uma fenda entre os mundos e permite que uma única arma seja ali guardada, fornecendo um item extra em missões e eventos, ignorando limitações. Pode ser ativada a qualquer momento e fornece espaço para qualquer tamanho, desde que apenas um item.] {Tatuagem} (Nível mínimo: ?) {Não controla nenhum elemento} [Recebimento: evento This is Halloween, segundo lugar.]

3º lugar: Pack de Dracmas 3x [O player recebe um pack que poderá ser usado até 3x em narrações distintas. Todo dracma ganho na recompensa final, será triplicado. Uso: 0/3] [Recebimento: evento This is Halloween, terceiro lugar.]

— Os demais participantes, ao atingirem o rendimento mínimo, serão recompensados de acordo com os quesitos de avaliação. A recompensa máxima é de: 800 XP + 400 dracmas.

Evento temporal. Players presos em narradas, one-posts e SMs devem finalizá-las antes de participar.

— O prazo se estende por um mês, portanto, o evento será finalizado no dia 02/12/2019 às 23:59.

Marte Ultor
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Re: Evento secundário — This is Halloween!

Mensagem por Skylar W. Krøhonen em Sab 16 Nov 2019, 11:11




halloween
tear me apart


“Acordei e me olhei no espelho a tempo de ver meu sonho virar pesadelo”.

— Paulo Leminski.




A primeira distinção nítida fora a de um fractal perolado que invadia o recinto como um intruso pela fresta entre as venezianas, uma linha pálida de um luar fraco que insistia em clarear as trevas abundantes que reinavam, até então, soberanas. Piscou algumas vezes, os movimentos letárgicos coerentes à hora avançada da madrugada, marcada em palitos vermelhos no relógio digital a baterias em seu criado-mudo: três da manhã. Deixou-se deslizar sobre a força dos músculos braçais, que ergueram o tronco como pilastras coríntias até que colocasse a si mesma sentada na beirada da cama, lançando para o lado a manta veludosa e quente que outrora lhe cobria as pernas nuas — estava frio, mais do que deveria. O vento álgido soprava sussurrante noite adentro, como uma força da natureza ansiosa em verbalizar segredos e mensagens ocultas. Arrastava-se para o interior do alpendre como um invasor, movimentando o tecido volátil escuro das cortinas roxas até tocar-lhe a face em uma fricção mórbida e anormalmente gélida.

Percebeu somente então que o folgo escapulido de seus lábios condensava-se em diminutas nuvens de vapor branco mediante a face. A mão trêmula aproximou-se do vidro embaçado da janela, de onde pudera avistar medianas silhuetas distantes imersas em um érebo opressor, animalesco e perverso. Fechou-a, por fim, findando aquele assobiar verossímil da ventania noturna, deixando que o agridoce do silêncio sepulcral reverberasse em estranhos paradoxos pelo quarto pequeno no chalé de Nyx. A intuição é uma das armas mais poderosas de um meio-sangue, dissera-lhe Quíron no dia em que chegara à Long Island. O primeiro ensinamento do centauro foi o pensamento que tornou-se em seu âmago uma constante nos minutos que se seguiram enquanto mantinha-se em pé, parada no escuro. Apanhou o sobretudo de lã negra que encontrava-se debilmente jogado sobre o encosto de sua cadeira, vestindo-o sobre a camisola de cetim esbranquiçado e rendado, que forneceria pouca ou nenhuma proteção contra as estatísticas negativas de temperatura nas dependências externas da cabana.

Saiu sem qualquer restrição, fazendo-o dominada por um impulso interno que a compelia mais forte que qualquer outro de seus desejos. A textura da madeira rígida a qual compunha o piso de sua morada fora substituída pela textura macia e úmida da grama, bem como da terra batida. O vento ali fora era mais rigoroso, repuxando o casaco comprido como mãos invisíveis ansiosas para arrancá-lo.

Calmamente, dirigiu as íris escuras como vórtices em algum ponto acima de si mesma, tal fora o movimento que havia a necessidade de jogar a cabeça para trás para melhor visualizar os céus. A ambientação obtida como resposta assustou-a em um assombro secreto, primal, de maneira que o calafrio que eriçou os finos pelos de seus braços em nada tinha relação à baixa temperatura do acampamento àquele horário ou ao vento que a rondava. O primeiro elemento notado foi a Lua: inchada em prata, imperfeita e gigantesca sobre o mundo, como um pingente peculiar emanando energia branca e parva às nuvens mais próximas, essas por sua vez detentoras de tonalidades sulfúricas de um verde fechado, agressivo e venenoso. As estrelas que pôde contar eram imagéticas, beirando o azul turquesa ou um fúcsia esmaecido, contrapondo o brilho pálido doentio do satélite lunar. Hylla não reconhecia o mapa estelar, como seria próprio fazê-lo, uma vez que sua ascendência divina a privilegiava com certos entendimentos. Além disso, era uma assídua estudante dos corpos celestes; não conseguia assemelhá-los, todavia, ao que lhe era proposto. Teriam aquelas estrelas nomes? Se sim, quais seriam? Nomes tão antigos, imaginou, que sua língua não teria capacidade de pronunciá-los corretamente. Tão antigos quanto aquele céu e aquele chão, ou aquela Lua flutuante sobre sua cabeça. Nomes velhos, ancestrais, tão velhos quanto a natureza humana e suas obras.

Algo estava errado — e precisava desvendar o que era.

Em sua primeira avaliação, percebeu o quão solitária estava. Mesmo que o toque de recolher garantisse a calmaria naquela hora avançada, era quase impossível que os outros sons do mundo não tocassem em uma orquestra natural. Naquela distorção — única palavra adequada que encontrou para descrever aquele lugar —, nem mesmo isso era um imperativo. Havia o vento frio, o chacoalhar de suas roupas contra o corpo e nada mais; nem mesmo os sons distantes do mar na praia, ou dos animais noturnos em suas vidas trevosas. Hylla suspirou quando uma ideia apeteceu-lhe ao surgir como uma lâmpada que se acende, visando clarear a mente. Sonhos, em especial precógnitos, eram comuns a pessoas como ela. Todavia, a ausência de ações que não fossem as suas faziam-na duvidar que aquele espaço onde encontrava-se era, de fato, uma mensagem profética usual. Um trovão altaneiro ribombou entre as nuvens carregadas, as quais agora pareciam empenhadas em cobrir aquele débil satélite lunar que servia como fonte de iluminação. Eram descargas velozes e furiosas, como gritos de uma divindade insultada, que desciam e rasgavam as moléculas de oxigênio em seu caminho até encontrarem a terra a qual castigavam.

Olhando sobre o ombro, imaginando se poderia regressar ao chalé de Nyx onde provavelmente estaria segura, percebeu que vinhas cresciam pelas laterais escuras da construção; ou melhor, raízes diabólicas e ameaçadoras, mais grossas que seus braços, donas de espinhos pontiagudos, enlaçando-se sobre as paredes externas e invadindo a residência tomando-a para si. A norte-irlandesa percebeu a seguir que não somente ali, mas em todas as outras construções mais próximas, as ervas também cresciam e dominavam edificações. Os archotes que ladeavam a porta de entrada da casa destinada à prole da deusa-noite, com um sopro violento do vento, apagaram-se.

Aquela imagem causou-lhe angústia, sentimento esse que não demorou-se a ser moldado em medo.

Ainda plantada no mesmo local que estivera, sentiu levianos toques nos pés descalços. Ao descer as íris para aquelas partes de seu corpo, percebera que da terra macilenta e fofa emergiam pequenos seres rastejantes, asquerosos, em conjunto a insetos diminutos e notavelmente mais ágeis. Ansiavam em escalar suas pernas, mas afastou-se antes que o fizessem, percebendo com um temor secreto e impulsivo que formas de vida semelhantes àquelas ascendiam à superfície em muitos outros pontos. Estranhas e coloridas libélulas sobrevoavam a atmosfera, geradas quase que instantaneamente em abiogênese, e moscas grandes e ruidosas passaram a rondá-la. Atingiu uma com um tapa quando esta aproximou-se em demasia, desatando a correr daquele espaço rumo ao desconhecido imerso em negrume.

Seus passos direcionaram-na adiante, rumo à área centrista para onde todos os chalés convergiam. Hylla era uma moça resignada a seu próprio modo, não pelo desprezo às atividades de socialização, mas sim por uma convenção pessoal de sua personalidade lacônica muitas vezes mal interpretada como arrogância ou antipatia. Agora, deparando-se com aquele mundo escuro no qual estava submersa, a ideia da solidão a deixava aterrorizada. Confirmou que era a única ser vivente naquele mundo fantasioso quando nenhuma outra alma viva manifestou-se dos chalés escuros, tomados pelas mesmas raízes que vira anteriormente. Fechou os olhos, tentando canalizar aquela parte de si guiada pela racionalidade — vide que seu lado contemplativo começara a colapsar face aos parâmetros dessa dimensão.

“É um sonho, só pode ser um sonho”, mentalizou. Não poderia ser ferida, ou será que mesmo aquela certeza antes sólida agora era passível de cair por terra? Antes que chegasse ao fim daquela linha de pensamento, uma auréola vibrante atraiu sua atenção. Virou-se cuidadosamente, recebendo diretamente na face o reluzir azul nebuloso, um vórtice paralisado em plena atmosfera, onde nenhuma perturbação em sua superfície estática podia ser detectada. Parecia uma rachadura, um ponto aberto naquele tecido horrível onde fundamentava-se sua sina dos sonhos. “Fria, disfuncional”, caracterizou. Ergueu uma mão pálida no ar, levando os dedos finos ao encontro daquele pedaço condensado de atmosfera. Os dígitos tocaram aquela massa disforme, fazendo-a reagir como uma pulsação tímida, azulada.

Como se a tivesse despertado.

O vento que soprou agitou-lhe os cabelos curtos, uma brisa ébria que cercou-a como um manto. Não demorou a subir, como se uma força invisível atuasse sobre o corpo voluptuoso, tirando-o do chão com delicadeza ímpar permitindo-a ascender ao Véu de Nyx, suprindo em centímetros vagarosos a distância entre si mesma e o domo celeste corrompido. Não entendeu — ainda assim, um sorriso quase ingênuo brotou em seus lábios conforme explorava aquela nova capacidade: o voo tímido, fantasioso, parte de uma liberdade construída naquela dimensão. Todavia, ao perceber que subia demais, fora tomada por um sentimento vertiginoso que fê-la estremecer, tentando concentrar-se em retornar ao chão. Era impossibilitada, como se a gravidade não lhe fizesse questão agora, deixando-a ser expelida de Gaia rumo às nuvens densas de um verde musgo acima. Os pensamentos irracionais vieram em seguida, fazendo com que um tremor ansioso tomasse conta de seus músculos, e o corpo sanasse a necessidade por oxigênio aumentando a frequência de sua respiração. As fibras cardíacas apertaram-se, circulando velozmente o sangue em suas artérias; nascia um pânico velado e predatório em seu peito.

O peso opressor característico de uma crise de ansiedade ou pânico — como se o medo ocupasse toda a caixa torácica, impedindo sua respiração — abateu-se sobre a jovem Werstonem. Mesmo que as narinas e os pulmões clamassem pelas moléculas necessárias, o oxigênio lhe escapava, zombeteiro. E ela, indo cada vez mais alto naquela flutuação, desesperava-se ainda mais. Daquele ponto, muito acima das árvores e das construções, tinha uma visão ampla do acampamento desde a praia à colina meio-sangue, ou pelos campos de morangos e pelos estábulos. Tudo estava escuro; não trevas aprazíveis nas quais Hylla gostava de passar o tempo, mas sombras muito antigas e indomadas, ancestrais, quase vivas. Lá embaixo, podia distinguir apenas o brilho índigo da fenda que avistara há poucos minutos, como um farol que se afasta cada vez mais. Lágrimas brotaram em seus olhos, porém fechou as pálpebras com força antes que mais se acumulassem, deixando-as escorrerem pelas bochechas em caminhos meândricos sobre as sardas.

“Mãe, rogo-te, mostre-me o caminho certo”, fizera uma prece silenciosa. Ainda assim, teria sua matriarca a capacidade de ouvi-la? Não queria esperar um socorro de Nyx, o qual era quase impossível de acontecer. Estava sozinha, como sempre. Altura era o medo primal de Hyl — não gostava de âmbitos altos, ou da ideia de estar muitos metros separada do chão, ainda mais se pudesse ver a paisagem como agora. A mente lhe pregava peças tenebrosas, por isso fechara os olhos. Quando criança, havia sido ensinada pelo pai que o medo é parte do instinto humano, talvez o mais importante artifício do cérebro para manter a espécie segura, viva. “O medo é parte sua”, disse para si mesma, mentalizando aquele mantra como se pudesse enxergar as palavras reluzindo na escuridão atrás de suas pálpebras. “Respire, sinta seu coração. É apenas um sonho”. Para pessoas ansiosas como ela, exercícios de respiração remetiam a um escapismo rápido da maioria das crises.

Então, manteve a mente focada nos pulmões. Imaginou-os expandindo-se sob seu comando, bem como o oxigênio invadindo seu organismo pelas vias respiratórias, dominando os vasos e o sangue em si. Repetiu aquele circuito mental, esforçando-se para que o corpo obedecesse as regras que impunha, até que percebeu o miocárdio desacelerar e, gradativamente, retornar ao seu estado inicial. O vazio anterior do ar que lhe tocava as costas foi substituído pela dureza do solo, e quando abriu os olhos, encarou o céu distante. Estava deitada em pleno local de onde aquela viagem havia começado, e levantou-se rapidamente sacudindo a terra do casaco que usava sobre a camisola de cetim. A poucos metros de si, o vórtex emitia não mais aquela tímida luminosidade em tom índigo — dobrava-se em um púrpura chamativo e violáceo, uma tonalidade abusiva e profunda. Estava fortalecido, mas não o suficiente.

Aquele mundo curioso e abrangente parecia valer-se de seu inconsciente para testá-la, como se estivesse ansioso em vê-la falhar. Seria levada à síncope de sua sanidade.

Como se confirmasse sua teoria, a segunda abordagem daquela dimensão errônea adveio na forma de um tremor. A priori, uma perturbação tão leviana e silenciosa que a fizera duvidar de sua existência. Não tardou, no espaço de segundos, para que o segundo abalo sísmico agitasse a copa das árvores coníferas do limiar dos bosques à distância. Uma fenda — não muito diferente daquela brilhosa que Hylla analisava anteriormente — abriu-se sob seus pés como uma bocarra disposta a engoli-la. Gritou quando caiu, pega de surpresa, tombando de costas contra algo estofado. Piscou algumas vezes após o tombo, percebendo que estava à profundidade de alguns metros em uma cova; mais precisamente, em um caixão de sua estatura. Antes que pudesse levantar, o sarcófago amadeirado fechou-se automaticamente e em surpreendente velocidade, não importando a força que fazia para empurrar a tampa, não obtinha resultados.

Com um terror absoluto, ouviu o som da terra caindo novamente sobre a tampa de madeira escura. Os braços magros não podiam contrapor aquele peso que aumentava progressivamente e, em questão de segundos, fora enterrada viva. O espaço exíguo que dispunha era abafado, diferentemente do que havia pensado — um calor obsessor apoderava-se de seu corpo, retido naquele espaço ínfimo, enquanto ela arfava. Se respirasse demais, todavia, esgotaria o já limitado estoque de oxigênio. Não dispunha de luz, nem um mísero aglomerado de fótons. Restava a Hyl o silêncio. Amargo, férrico e amoníaco, incômodo e doloroso. Um silêncio preso a um calor que a fazia suar, colando sua vestimenta fina de cetim às costas e às curvas do corpo magro, e de repente o casaco que anteriormente a blindava do frio era o principal empecilho naquela situação.

Agonia.

Os movimentos restritos desafiavam-na, não podia erguer os braços ou movê-los para além da lateral do corpo. Não podia girar, colocar-se de lado, assumir outra posição além daquela que inicialmente ocupava no interior estofado e branco: deitada como um cadáver. Calor. As unhas tentavam inutilmente rasgar o forro de veludo pálido, quase adiposo, de seu leito. Ansiava por tirar aquelas roupas que subitamente tornaram-se nefastas, quentes, cada centímetro de sua epiderme implorando pelo toque gelado do vento de outrora. Condenada. Se aquilo era um sonho, o que aconteceria com seu corpo físico caso falhasse? Ou o que aconteceria à sua consciência? Hylla negava-se a perecer sob aquele céu místico e encantado, deturpado.

Suspirou. — Unus quisque mavult credere... — sussurrou. — Quam judicare. — aquele antigo provérbio, em suma, falava sobre discernimento acima da crença. O que dizia seu julgamento? Estavam tentando desestabilizá-la, agora com maior violência que anteriormente. “Clareie a mente, Hylla”, pensou. Deixou que a mente flutuasse, impulsionando os sentidos para longe daquele calor sufocante que a prendia, bem como aquele local apertado. Mentalizou a textura da terra, os sentidos físicos reagindo ao toque do vento, a forma como os cabelos pretos eram movidos com a brisa noturna. Permitindo que aquele pensamento a dominasse e, consequentemente, aflorasse, o ambiente onde estava deixou de ser tão incômodo. O benefício de se perceber um sonho lúcido era a capacidade de dobrá-lo mediante sua vontade; foi como a norte-irlandesa agiu. Enquanto a mente se concentrava em concretizar tais raciocínios, o corpo reassumiu o controle. Os batimentos velozes do coração aos poucos foram normalizados, e a calmaria interna que passou a guiá-la fora peça chave para libertar-se daquela ilusão.

Hylla viu-se mais uma vez no chão, onde quedou-se suavemente. A atmosfera aberta do acampamento havia retornado, e no solo não havia nenhum indício da fenda que se abrira para engolir a filha de Nyx. Diferentemente da ilusão de altura, o jogo com a claustrofobia a tocara muito mais — como se houvesse atingido uma zona deveras sensível de sua psiquê, deixando-a trêmula e apática no local onde estava. Abraçou a si mesma com força, como se utilizasse os braços como proteção ao que poderia feri-la. Bom, tratando-se daquele lugar, qualquer coisa poderia ser possível.

Não longe de si, a fenda encantada alternou-se do púrpura e um rosa floral, congruente. Leitoso, expelindo filetes de mesma cor contra a escuridão; parecia mais reativo também, com pequenas luzes de éter circulando-o. Estava mais forte que outrora, supôs.

Muito acima, as nuvens esverdeadas rondavam-na como um redemoinho, convergindo. Observou aquele movimento tornar-se veloz como uma engrenagem, enquanto as condensações de vapor trocavam entre si relâmpagos selvagens e indóceis — as cargas elétricas também pareciam acompanhar a movimentação circular, concentrando-se em um único ponto e, somente então, despencando com força em uma chuva de raios sobre o chão. O mais poderoso deles provocou um clarão momentâneo, fazendo-a colocar o braço frontal aos olhos para proteger-se. Passado o susto inicial, pudera observar com clareza que algo tomava forma onde o raio atingira a grama, formando ali um círculo perfeito. As sombras condensadas assumiam os traços de um vestido comprido, quase uma túnica sem mangas, com um generoso decote entre os seios empinados daquele ser. A pele branca reluzia doentiamente como a Lua no céu, tão pálida e fina que, se muito bem observada, era possível notar o padrão de veias azul-esverdeadas sob ela.

Werstonem sentiu-se paralisada ao reconhecer, impressa em outro corpo, sua face. A duplicata viu-a de imediato, abrindo um sorriso que beirava a sagacidade e o sarcasmo; caminhava decidida e muitíssimo bela, senhora de uma sensualidade até então desconhecida pela norte-irlandesa. Utilizava brincos de argola em tom dourado, adquirindo um charme e iluminação ao rosto polvilhado por sardas. O diferencial entre ambas eram as íris: enquanto os da original mantinham-se encobertos naquele pélago sombrio de trevas noturnas abismais, os de sua companheira eram de um vermelho claro como rubis lapidados. Olhos que destroem.

Esse olhar na sua face, paralisado, quase em dor, é dedicado a mim? — sussurrou-lhe a outra. Aproximou-se de forma tão leve, era como se flutuasse, caminhando como um anjo em veludo negro até alcançá-la. — Não me reconhece? — sorriu, fria. Os braços magros e nus envolveram-na como amarras em um abraço, trazendo-a junto ao seu corpo com força férrea. Os lábios carnudos, pintados em um batom matte vermelho, cor essa jamais usada por Hylla, tocaram-lhe a bochecha em um beijo sedutor.

O que quer? — foi a única pergunta inteiramente formulada e cabível ao momento que conseguira progredir além dos pensamentos, verbalizando. Seu clone afastou-se centímetros para que pudesse observá-la; havia raiva, muita raiva diluída naquelas íris vermelhas. Talvez fosse a parte de si destinada àquele sentimento, imaginou.

Entendê-la. — sorriu, como se a resposta fosse suficiente. Não o era, contudo. Antes que Werstonem protestasse, exigindo algo mais claro dos lábios da falante, o mundo dissolveu-se em trevas. No momento a seguir, era como se flutuasse no espaço sideral, cercada por estrelas e constelações velhas que não faziam sentido para si. Perto dela, apenas sua gêmea. — Quer saber porquê estou aqui, eu suponho. Sempre estive aqui, sempre estarei; você me alimenta, mesmo negando-me. Mas tudo que quero é te mostrar que estou viva, você queira ou não. Mostrarei, irmã, onde nasci. — a coloração espacial se desfez, enquanto outro mundo teatral ganhava forma. Antes a escuridão noturna do acampamento vazio foi substituída pela claridade tímida de um sol poente, o qual derramava seu brilho alaranjado como uma auréola de fogo sobre as árvores de um jardim. Parada nele, a criatura jovem segurava com força uma boneca de pano costurada à mão, presente de seu último Natal. Junto a si, eram aglomeradas as folhas caídas e secas das árvores mais próximas, aludindo a um outono frígido de dias que encurtavam.

Reconheceu o antigo brinquedo, o local, bem como a criança de sete anos fincada no chão como uma estátua renascentista. Os cabelos curtos eram suavemente tocados pela ventania boreal da Irlanda do Norte, e os lábios entreabertos dedicavam um suspiro cálido ao carro que cada vez mais se distanciava pela estrada além do limiar da propriedade da família.

Eu lembro que estávamos tristes nesse dia. Papai prometeu levar-nos até Belfast, mas você nunca podia sair por tempo demais, ele dizia ser perigoso. Então ficamos. — sua gêmea narrou, apoiando o peso do corpo contra o da verdadeira Hylla. Essa última sentiu um soluço crescer no fundo do peito. Os dedos delicados da outra percorreram seu braço, entrelaçando suas mãos em um aperto. — Você se arrepende de ter ficado? — sussurrou, seu timbre impondo um arranhar animalesco à fala.

Hyl assentiu, a primeira lágrima percorrendo velozmente a bochecha e caindo ao chão. Finalmente, a criança virou-se, encarando-as. Ou melhor, através delas, para alguém que se aproximava por trás. O outro sujeito atravessou-as como se seu corpo fosse névoa, reformulando-se após o contato. Ainda tinha suas roupas de viagem, com luvas de couro negro nas mãos. O casaco o protegia do frio, emoldurando o rosto liso e branco. Mexeu nos cabelos castanhos cor de madeira, esticando a mão para acariciar o rosto da pequena.

Não o deixe tocá-la! — exclamou em um ímpeto feroz, fazendo menção em ir até os dois protagonistas da cena antes que seu outro eu a segurasse com força anormal pelo pulso, impedindo-a de interferir. Puxou-a contra si, deixando-a perto o suficiente de seu rosto para que ambos os narizes das idênticas se tocassem.

É inevitável, Hylla.

Olhou sobre o ombro, visualizando-o sorrir para a criança enquanto bagunçava seus pequenos cabelos pretos. A menor sorriu sob o toque acolhedor — e isso causou na Hylla atual um ódio imensurável. O homem que estava ali era seu tio, o único irmão de seu pai, mais velho e que vivia distante deles, na Inglaterra. A viagem de quatro dias de Aleksander Werstonem coincidira com a viagem do parente, Kieran, à Belfast, capital da Irlanda do Norte e centro urbano mais próximo da área isolada onde o caçula vivia com a filha. Pois seu tio Kieran ficaria hospedado ali, tomando conta da sobrinha enquanto seu progenitor estivesse fora.

Viu-o sussurrar algo no ouvido da garotinha, e ela em seguida assentiu animadamente. A proposta era de fazerem um bolo, comer doces e criar desenhos. Então ele, anteriormente abaixado perto dela, levantou e estendeu a mão para que a criança a segurasse.

Não! — quis gritar, alertar a pequena para que não o seguisse. Lágrimas irrompiam e desciam copiosamente pelas bochechas, frutos do coração atribulado e ferido, cujas chagas mais secretas eram abertas novamente em uma exploração desumana, brutal. — Não a deixe ir com ele, eu imploro. — tremia, tentando libertar-se da mão de seu clone ainda fechava fortemente sobre seu pulso. Puxava-se com todos os impulsos, temendo ainda descolar algum membro, mas não conseguia ser solta por ela. Ao contrário, deixava-a mais forte.

Você sabe o que acontece depois, não sabe? — a garota de olhos vermelhos, sua outra metade, abraçou-a por trás, de modo que sua boca tinha um encaixe divino próximo à orelha da semideusa. As pernas de Hylla fraquejaram, mas não tombou pois permanecia sendo sustentada por outrem. — “Esse é o nosso segredo”, foi o que ele disse. Foi quando eu nasci, Hylla. — monótona, protelou.

Viu com extrema dor quando a criança aceitou o convite do próprio tio, a quem sempre tentava agradar. Mas daquela vez havia sido diferente — ela lembrava, jamais esqueceria.

Ele morreu três anos depois, lembra? Acidente de carro. — rememorou sua algoz. — E quando a notícia chegou, seu pai trancou-se no escritório em luto. E você, no seu quarto, sorriu com alegria. Não somos diferentes, nós duas. Somos a mesma face da mesma moeda; a diferença é que, ainda que não goste de você, não finjo que você não existe. — os braços que contornavam a jovem Werstonem apertaram-na com mais força como uma cobra. Ansiavam em quebrar sua estrutura, além de corromper sua mente.

Ainda que as lágrimas deixassem turva sua visão, ela acompanhava os passos de Kieran levando a garotinha rumo a uma porta escura no cenário. Não conseguia distinguir se era a porta dos fundos da casa, ou a do quarto de hóspedes onde ele passaria as noites consecutivas. Vendo-o esticar a mão para a maçaneta, tentou libertar-se novamente — agora com uma vontade monstruosa, alimentada não pela tristeza do passado, mas pela raiva do presente. Um ódio carregado durante anos, uma mancha escarlate em seu coração. Arremeteu contra a dupla com tanta potência que os braços alheios soltaram-na, tentando inutilmente segurá-la pelo casaco. O tecido deste rasgou-se segundos antes que Hylla virasse, a palma da mão estendida percorrendo o ar, chocando-se violentamente contra o rosto da outra. O sorriso desapareceu de sua face, os dedos libertaram-na sob a incredulidade da ação.

Girou, indo rumo à garotinha que em breve seria tomada pelos piores sentimentos aos quais um ser humano pode ser submetido. Uma criança em idade tão tenra, sobrevivente da pior das violências sofridas, ainda dona de uma inocência que se perderia sob a brutalidade do homem em pouco tempo. Chorava, um choro compulsivo dominando-a cem por cento. Não por aceitar aquela sua parte odiosa e negativa, muito poderosa — mas um choro culpado, ácido, pela criança em si que morreria em breve se aquelas memórias se concretizassem novamente.

Antes que sumissem pela porta, agarrou o braço livre da criança. Puxou-a para si de surpresa, envolvendo-a em sua proteção, segurando-lhe a cabeça de forma que o rosto estivesse enfiado na curva de seu pescoço. Não a deixava ver mais nada, e também não abria os olhos. — Me perdoa... Pelo que, inevitavelmente, vai acontecer. E me perdoa por suprimir o que você vai sentir por anos, como se fosse algo ruim. Me perdoa por tudo isso. — sussurrou, as lágrimas misturando-se à saliva da fala, o corpo tremendo enquanto abraçava aquele ser pequeno e frágil. — Me perdoa pela descrença que você vai nutrir depois disso, pela raiva de si mesma, pela raiva do seu sangue, pela vergonha do seu corpo. Me perdoa por adiar tudo isso, por ter medo. O medo vai ser uma constante na sua vida a partir desse dia, desse momento. Medo de você, medo de mim. — não ousava abrir os olhos. Somente então, sentiu-se abraçada de volta por aquela pequena imagem sua. Fora um toque condescendente, tímido, acalentador. Diferentemente de tudo que já sentira, era como abraçar o pai que já se fora, a empregada que lhe cuidara durante os anos subsequentes, era como sentir os aromas da primavera e a ansiedade aprazível de conhecer novos lugares.

Ela desfez-se.

Não soube por quanto tempo ficou sozinha, ali ajoelhada no escuro. Quando reuniu energia para piscar as pálpebras e encarar o ambiente, viu-se novamente no acampamento meio-sangue. Sua casa a partir de agora. Estava escuro, como em uma noite de trevas absoluta, e as estrelas falsas sumiram por completo. Restavam aqueles trovões culposos e a Lua pálida, bem como caricaturas das construções reais do vale, essas dominadas por erva escura e mortífera. Estava ajoelhada, chorando, perdera o casaco. Agora, só a camisola de cetim estava suscetível aos toques do vento, aderindo-se ao corpo magro. Secou o excesso de lágrimas com o braço nu, tentando normalizar a respiração. Olhou sobre o ombro, para onde aquela fenda brilhosa no ar estava.

Pulsava, vermelha. Abria-se como um véu de fogo, uma auréola angelical vibrante que afastava a escuridão ao redor, preenchendo-a com um calor imaginário e quase revigorante. Sentiu os pelos de seu corpo se eriçarem mediante a atração imantada daquela forma vaga, como se estivesse sendo consumida, devorada. Estava sendo puxada, atraída — levada para dentro daquele casulo de luz, rumo ao desconhecido.


“Quem já não se perguntou: sou um monstro ou isso é ser uma pessoa?”

— Clarice Lispector.





Skylar W. Krøhonen
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Re: Evento secundário — This is Halloween!

Mensagem por Megan B. Nesbitt em Qui 28 Nov 2019, 17:42


Nightmare
Minha mãe sempre me dizia: você precisa ser mais forte se quiser vencer. Faça por merecer e só assim conquistará a glória. Pode parecer meio egoísta e mesquinho da parte dela, mas eu tive certeza de que devia ter ouvido seu conselho quando mais nova. Provavelmente já era tarde demais.

Nunca tive problemas para dormir, muito pelo contrário. Minhas noites de sono eram tão serenas como a de um bebê, mas por algum motivo, eu havia despertado na madrugada. O clima não era nada agradável e uma brisa de ar frio parecia penetrar o chalé de Éolo. Sem nenhum sinal de meus irmãos, apanhei a jaqueta mais próxima para me aquecer. O silêncio começou a me incomodar, combinado junto a baixa luminosidade que só aumentava a tensão. Havia algo errado.

— Olá? Tem alguém aí? — Questionei enquanto puxava as cobertas sobre as pernas. Nenhuma resposta.

Decidi investigar. Com o gládio em mãos, deixei para trás o pequeno quarto repleto de beliches velhas e segui para o hall de entrada. Cada passo parecia ecoar pelo cômodo, como se houvesse mais alguém ali. Com as portas abertas, as cortinas brancas balançavam freneticamente próximo aos vitrais. Pressionei o gume de minha lâmina com mais força.

— Mas o que… — quem diabos deixaria a porta aberta durante a madrugada?

Quando toquei a maçaneta, um calafrio percorreu meu corpo. Uma voz familiar ecoou sobre meus ombros, como um sussurro horripilante em meu ouvido.

— No final… Todos se vão…

— Quem está aí? — Me virei, batendo a porta. Minhas costas encontraram a madeira envernizada gelada. Do corredor, uma figura humana sorria enquanto me observava.

— Você sempre soube. É inútil evitar, afinal, você sempre vai ficar sozinha… — A voz era doce e infelizmente reconhecível.

— Mara? É você? — Indaguei perplexa.

— Sozinha. Para sempre. Hahahaha! — Seu corpo desapareceu na escuridão que tomou conta do local.

— Espera, não… Eu não… Mara! — Estendi o braço em sua direção enquanto tudo à minha volta era inundado pela escuridão.

Estava sozinha novamente. Como Mara poderia estar no acampamento? Alguém estava pregando uma peça? Quem era o monstro por trás daquilo? Meus pés começavam a doer devido ao frio. O ar ao meu redor parecia pesado, muito mais denso que antes. Meus olhos começavam a lacrimejar. O que era tudo aquilo? Cai de joelhos, apertando meus ombros com as mãos.

No fundo, eu sabia que ela estava certa. Desde que havia deixado minha família para trás, carregava esse fardo. Eu nunca deveria ter duvidado de minha irmã naquela noite. Eu nunca deveria ter ido embora. Se eu não o tivesse feito, talvez… Talvez, ela estivesse viva. E agora era apenas isso que me restava: a solidão. Sozinha, para sempre. Todos têm razão em me temer.

Eu não quero ficar sozinha… Eu não suporto a solidão.
Mara, eu não consigo.
Me perdoe.

Com as sombras tomando conta do meu corpo como raízes, meu maior pesadelo se realizava. Na escuridão, as vozes ecoavam: "Fraca", "Sozinha pra sempre", "Você merece isso". Cada palavra desferida pelas vozes conhecidas pareciam me cortar.

— Perfur. — Uma das vozes dizia, em um tom mais baixo que as outras.

Com dificuldade, soltei meu gládio e a resposta veio a tona. Com um gesto com a mão direita, impulsionei o máximo de energia possível contra o piso de linóleo. Concentrei a imagem de Mara antes de sentir o impulso do ar frio dispersar a névoa em minha volta, arremessando meu corpo contra a parede mais próxima. As trevas haviam partido, restando apenas o silêncio no hall do chalé.

Com muita dor no corpo e a visão prejudicada, pude sentir o toque de uma mão enquanto me levantava. Segurei firme antes de cambalear para frente.

— Mara…?

— Você não está sozinha. Nunca estará. — A imagem de minha irmã querida se dispersou antes de sorrir para mim. Com a visão turva e a arma que carregava o nome de guerra de Mara, tive a infeliz certeza do que estava acontecendo.

— Mara… Está morta. E eu estou presa num maldito sonho.


Quem estivesse por trás daquilo me conhecia muito bem. A cerca de quatro anos, durante uma disputa com a família rival, minha irmã Mara foi assassinada como um aviso pela ganância de minha mãe. Eu havia deixado ela para trás, já que se garantia contra o ataque dos marginais. Eu estava errada e minha família sequer se importara com o ocorrido, além de claro me culpar pelo ocorrido. Quando cheguei ao acampamento, havia decidido nomear meu gládio de batalha em sua homenagem, para que eu sempre lembrasse da única pessoa que esteve realmente ao meu lado.

A questão era: como um dos meus maiores medos estava sendo usado contra mim? Nunca havia comentado com ninguém a respeito e evitava pensar sobre aquilo. Enquanto percorria a trilha dos chalés pude ter a certeza de que aquele não era o mundo real. O ar era carregado de uma forma estranha. O céu parecia brilhar como a aurora boreal do pólo norte, além da vegetação morta ao redor das construções. Apressei meus passos, seguindo em direção a Casa Grande na esperança de achar a saída.

Ao se aproximar da fogueira um brilho intenso chamou minha atenção. Havia uma fenda no lugar da grande pilha de madeira onde nos reuniamos. A luz esverdeada parecia oscilar, instável e misteriosamente atraente. Saltei por um dos bancos de madeira para enxergar melhor o formato da aberração cromática e fui surpreendida. Do núcleo, a clareza se solidificou em uma forma peculiar. Uma ave planou, rangendo sua armadura metálica contra o chão antes de me encarar.

— A não…

O galo piou, saltando em minha direção com suas garras. Gritei, agachando-me instintivamente enquanto ele atravessava o banco as minhas costas. Pelos Deuses, como diabos aquele lugar me conhecia tão bem? Não acreditava que tinha tanto medo de uma criatura tão indefesa e inútil como as aves que voavam baixo. Não fazia o menor sentido para mim um ser com asas não voar — só podiam ser malignos, com certeza!

Corri na direção oposta, desviando da fenda brilhante. Seu brilho oscilou, revelando mais uma ave armada de seu interior. Eram aves da Estinfália, mas por algum motivo não voavam, apenas planavam em fúria. Meu coração estava acelerado enquanto eu corria para  trilha dos chalés novamente. Os "galos de briga" saltaram, arranhando minhas costas num golpe. Cai, choramingando ao sentir o gosto de terra tomar conta de minha boca. Girei o corpo, atacando uma das criaturas com o cotovelo. Pude ver com o canto dos olhos a outra, que saltou em minha direção. Soltei a respiração, sentindo uma leve pressão no estômago.

O ar se comprimiu girando ao meu redor bruscamente enquanto impulsionava as criaturas para longe. Uma cortina de poeira e terra se ergueu e pude me recompor mais uma vez. Segurei com firmeza o gládio em minhas mãos e tentei relembrar que aquilo não era real, apenas um sonho. Meu corpo começava a doer, ou seja, não era uma boa hora para arriscar usar habilidades especiais. O tornado se dissipou e a ave bateu suas asas, saltando por entre as pedras. Respirei fundo antes de golpeá-la com minha lâmina, atingindo seu pescoço em cheio. Sua "armadura" prendeu minha lâmina, fazendo com que eu inclinasse meu corpo um pouco. Prensei o punhal contra suas penas, repuxando com um corte rápido.

— Argh, pelos Deuses… — O sangue escorreu pelo fio da lâmina.

Antes que pudesse abaixar a guarda a outra ave retornou, acompanhada agora por um bando. Provavelmente a fenda havia liberado mais criaturas — o que só piorava minha situação. Não havia outra opção a não ser tentar me esconder em um dos chalés, então corri o mais rápido que pude. O ambiente parecia estar piorando, com uma aura malévola intensa. Precisava sair dali o quanto antes. Apanhei a maçaneta da porta do chalé de Zeus, empurrando-a antes de entrar. Deslizei recostada na porta até agachar no chão.

Como iria vencer um bando de aves saltitantes? Eu não fazia ideia. Tentei pensar no pouco tempo que tinha e no motivo de temer tanto animais tão indefesos. Geralmente eram galinhas, mas como nada para semideuses é no modo "fácil", tinha de ser aves da Estinfália. Certo, qual era o problema em não conseguirem voarem? Seria meu medo por elas? De altura? Não fazia sentido. Limpei o suor da testa, respirando ofegante enquanto pensava numa solução.

— Eu odeio suar… Que merda… — Praguejei e então parei por um instante — Eu não consigo não suar… Talvez seja isso. Eu não tenho medo de pássaros que não voam, e sim de imperfeições.

Tudo fazia sentido. O meu problema não era os seres em si, e sim o que significava. Um ser alado que não voa, que patifaria! Qual era o meu problema em aceitar que nem todos eram perfeitos e que nem sempre todos estávamos dispostos a cumprir com um senso?

Saltei para fora do chalé, encarando o que era agora um coletivo de aves confusas. Elas piaram em uníssono, avançando com pequenos saltos em minha direção. Meu coração acelerou, meus membros congelaram e não conseguia me mover. Soltei o gládio, fechando os olhos e repetindo.

— Tudo bem. Está tudo bem. Está tudo bem. Está tudo bem…

O som estridente cessou e uma lufada de ar frio me derrubou. As aves haviam desaparecido e a alguns metros de distância a fissura se iluminou. Minhas mãos tremiam e eu mal podia respirar. Apanhei minha lâmina e segui em direção a fresta, só não esperava ser surpreendida pela enchente.

A fenda se expandiu, esguichando uma torrente de água escura contra o campo. Em segundos, uma onda avassaladora limpou pedras e árvores à minha frente. Sem tempo para reagir, corri em direção ao pinheiro mais próximo a fim de conseguir me salvar. Saltei, cravando o gládio contra a madeira apodrecida. A torrente avançou, empurrando-me contra a lâmina que se desprendera. A força da água era imensa, arrastando-me contra a correnteza que se formava em espiral.

Tentei respirar e nadar o máximo que podia, sem sucesso. A água fria e escura rodopiava cada vez mais rápido e mesmo que eu tentasse agarrar algo, seria derrubada novamente. Não pude pensar em qual medo a ser enfrentado, aceitando o destino enquanto me afogava nas águas turbulentas.


O silência reinava novamente. Minhas bochechas eram tocadas pela maré na escuridão, acariciando minha pele fria. Busquei ar com meus pulmões ao despertar, agitando os braços até perceber que não precisava. De alguma forma, estava conseguindo respirar. Olhei ao redor e para minha surpresa me deparei com uma imensidão escura. Nada, nem mesmo destroços da correnteza. Tentei me mover e nadar até a superfície, mas não sai do lugar. A alguns metros uma única fonte de luz surgiu: a fenda dimensional que havia começado aquilo parecia se aproximar cada vez mais.

Sua forma brilhou intensamente antes de expelir uma figura de seu interior. A forma humana cresceu e rodopiou até projetar alguém muito familiar. Era exatamente como da última vez que havia me encontrado com ela: terno branco com calças longas, sapatos fechados e um coque alto. Olhar penetrante e lábios carnudos que despertavam a atenção de qualquer um junto a um olhar misterioso. A única diferença era seu ar fantasmagórico, criado pela fenda que usaria a minha própria mãe para me vencer,

— Megan. Olha só o que você causou…

— Mãe. — Disparei. Minha voz estava submersa.

— Não acha que já está na hora de parar com esse seu joguinho? Não se divertiu o bastante?

— Não é um jogo. Nunca foi. Esse é o meu lugar e eu não irei voltar.

— Querida, olhe a sua volta. Não há nada e nunca haverá. Você sabe disso melhor do que ninguém. Tudo o que você fez até hoje só te trouxe caos… Por que agora seria diferente?

— Você não está certa! Nem é real!

— Eu posso não ser, mas no fundo no fundo… Você sabe a verdade. E a verdade dói, Megan.

— Eu não… Não causei isso. Você sempre tentou me culpar, nunca foi uma mãe de verdade. Sempre esteve mais presente pela família do que para mim! Eu sou a sua filha, porra!

— Eu sempre lutei pela minha família. Você optou por não fazer parte dela no dia em que deixou sua irmã padecer. — O fantasma cresceu.

— Foi um acidente! Eu já te disse!

— Esta fatalidade não pode definir toda a nossa história. E é por isso que eu estou aqui, para dar um fim nisso.

— Você acha que eu tenho medo de você? Eu rezo pelo dia em que eu possa destruir essa maldita família perfeita que você tanto preza. É por isso que eu luto. É por ela.

— Hahahahahaha. Você acha mesmo que o seu maior medo sou eu? Pare e pense, querida. Você sabe que na verdade o fracasso sempre foi o seu ponto fraco. Não é mesmo?

Engoli em seco. Meu punho fechou e suas palavras pareceram me cortar. Infelizmente ela tinha razão; o motivo pelo qual eu me cobrava tanto e por buscar incansavelmente a perfeição naquela vida não era a minha mãe. Não era o fardo da minha família. Eu simplesmente não poderia falhar. Desde a morte de Perfura, não poderia deixar que aquilo jamais acontecesse novamente.

— Não é mesmo? — O espectro se dissipou em uma névoa, rodopiando ao meu redor. Novas formas humanas surgiram, revelando cada uma das seis irmãs da família Nesbitt em uma versão fantasmagórica. Seus olhos esbranquiçados e suas bocas fechadas tornavam tudo ainda mais confuso. Elas começaram a gritar, relembrando os piores momentos em que haviam presenciado o meu fracasso.

Minha cabeça doía e suas vozes ficavam cada vez mais altas."Fracassada" Ä vergonha da família!" "Nunca mais fale comigo" "Você deveria se matar" "Não deveria ter nascido" "Quando vai criar vergonha?". Cada palavra me machucava, afinal, aquelas eram as únicas pessoas quais eu poderia me basear para calcular meu sucesso.

Com as lágrimas se misturando a água, pude sentir minha energia se esvaindo. Não havia como contra atacar, e começava a acreditar no que estava ouvindo. Me encolhi, abraçando os joelhos enquanto soluçava. Tentei me recordar dos motivos pela qual lutava, pelo que continuava e nada vinha a mente. Só os Deuses poderiam me ajudar naquele instante e eu duvidava muito que seria salva.

Quatro minutos foram o suficiente para que eu processasse todas as informações e ofensas e as convertesse em raiva. Mesmo com a voz abafada e a dor eminente, tentei gritar contra as projeções ao meu redor. Surpreendentemente o ar que saiu de minha boca estava nítido e suave — o que contradizia com meu estado emocional.

— Chega! — Uma bolha de ar brilhante surgiu após o fim da palavra. As vozes cessaram por um instante. Surpresa, toquei a fina camada da bolha que se dissipou e desencapsulou o ar ali presente. No ar, uma figura de um senhor de idade surgiu enquanto o ar se expandia.

A luz esverdeada iluminou o meu corpo, expandindo-se até os fantasmas que diminuíram e se afastaram. Respirei fundo, confusa porém determinada. Era como se pudesse ouvir meus próprios pensamentos agora. Lembrei-me de toda minha jornada — a chegada ao acampamento, o treinamento com Quíron, as palavras de Perfura, o conhecimento adquirido — e pude finalmente abraçar o pior que havia em mim. Assim como as galinhas, nem sempre eu seria perfeita. Não conseguiria suprir as expectativas de minha mãe, nem de minhas irmãs que de forma alguma eram as minhas.

— Vocês podem até ter razão quanto a meus erros… Mas foram eles que me fizeram chegar até aqui. — Joguei os braços para trás, impulsionando meu corpo em direção a fenda.

— E é por isso que eu luto. — Todos os fantasmas se uniram uma só forma novamente a frente a fenda — Para fracassar em ser como você.

Chocada, a figura de minha mãe tremeu antes de ser sugada novamente de volta a fenda que brilhou. Com a oscilação da fenda, meu corpo se inclinou para frente. A fissura se tornou mais forte, sugando tudo ao seu redor, incluindo a mim. Eu poderia tentar fugir ou lutar novamente, mas estava decidida.

Iria me permitir fracassar.




Informações:

Oi, obrigado por ler meu post. Gostaria de descrever alguns pontos importantes que podem ser úteis para compreensão do meu ponto de vista sobre o evento.

• Megan planeja seu próprio e implacável caminho até o trono da família Nesbit, justamente para destrui-la. Decidi trabalhar um pouco melhor a relação familiar dela neste post justamente para trazer o começo de uma resolução de conflitos que ela achava que havia resolvido, mas no fim da contas, sempre fugiu deles.

• Listei alguns medos e fobias que poderiam ser explorados de forma coesa junto a trama e a proposta do evento, sendo estes:
O medo de ficar sozinha no mundo, já que abandonou sua irmã e família.
O medo de aves baixas (?, não sei como descreve-las, me desculpe), uma metáfora a imperfeição dentro do campo semântico de seu pai (aves que não voam).
O medo de águas profundas, um medo mais próximo ao plano físico, já que não é o domínio de seu pai e logo fora da sua zona de  
conforto, o que leva também ao principal medo.
O medo de fracassar, não necessariamente pela pressão e histórico de sua família, mas sim pela auto-cobrança excessiva e ansiedade
criada por ela mesma.

Decidi criar medos mais simples e o mais complexo para dar uma complexidade maior a personagem.

• Alguns dos poderes foram utilizados de maneira específica, como por exemplo a habilidade Vento do Oeste de Zéfiro, a fim de melhor execução da situação.

Creio que sejam estas considerações principais. Novamente, agradeço a leitura e peço desculpas desde já por alguns erros.

Itens & Ornamentos:

❊ {Perfur} / Gládio [Semelhante a espada curta, porém esta tem a lâmina mais larga na base e maior no comprimento, medindo cerca de 80cm. Devido ao pouco peso, é empunhada com uma única mão, deixando a outra livre para utilizar escudos ou outros itens. O cabo é de madeira simples.][Bronze sagrado e madeira} (Nível mínimo: 1) {Não controla nenhum elemento}

Habilidades:

Passivas:

[nível 3] Fôlego ampliado: devido a capacidade respiratória conferidas aos filhos de Eólo, estes conseguem captar uma maior quantidade de oxigênio no organismo e controlar sua absorção/perda em pequenos níveis, ampliando assim suas capacidade de ficar sem respirar debaixo d'água ou em ar rarefeito, conseguindo aguentar o dobro de uma pessoa mediana (cerca de 3 minutos).

[nível 4] Cansaço reduzido: o filho de Eólo consegue captar mais oxigênio fazendo com que o coração e os outros órgãos trabalhem por mais tempo antes da fadiga, graças a oxigenação mais elevada da que de humanos e semideuses comuns, todavia, este poder não afeta a fadiga muscular, esta que cansa os músculos do corpo. Ainda assim, lhes proporciona certos benefícios, fazendo com que gastem cerca de 25% menos MP em atividades aeróbicas (mas não afeta gastos de MP por uso de poderes).

[nível 6] Bariometria & altimetria: o filho de Éolo / Aeolus sabe de forma instintiva a margem de altura e umidade relativa de um local. Não é um conhecimento exato, apenas estimado, mas que pode ser útil ao planejar suas ações.  

[nível 7] Previsão meteorológica: o filho de Éolo / Aeolus consegue prever naturalmente a condição meteorológica sentindo as frentes frias ou quentes que circulam ao seu redor, podendo identificar sua procedência e também quando a verdadeira tempestade irá atingir o local em que está. Não gasta energia, mas necessita de ao menos um turno de observação, sem realizar outras ações, e prevê com antecedência de dois dias apenas, no local aonde se encontra. Não prevê mudanças provocadas por poderes mitológicos ou fatores como intervenção divina.

[nível 12] Graciosidade: o filho de Éolo / Aeolus se move com muita graça e leveza em esquivas e investidas, podendo realizar movimentos complexos com um pouco mais de facilidade, porém, não significa sucesso imediato - apenas uma chance maior de acerto nessas manobras, cerca de 10%.

[nível 13] Furtividade: o filho de Éolo / Aeolus consegue se mover com furtividade devido à leveza de seus passos e movimentos podendo andar quase sem ser ouvido. Contudo, audições mais apuradas ou a falta de cuidado do semideus podem denunciar seus movimentos - o intuito de ser furtivo deve ser descrito.  

[nível 14] Audição apurada: o som se propaga pelo ar e, tendo domínio do elemento, este semideus acaba lidando melhor com as ondas sonoras. Sua audição é 2x melhor que a de um humano comum.  

[nível 16] Conhecimento aerodinâmico: filhos de Éolo / Aeolus tem noções de medida de altura, pressão e umidade do ar, bem como de cartas de navegação, mapas e radares feitos especificamente para pilotos/ viagens aéreas. Além disso, são capazes de instintivamente saber a altura de queda de um local, podendo utilizar isso para elaborar estratégias.

[nível 17] Corpo leve: filhos de Éolo / Aeolus não chegam a voar de forma natural, mas seus saltos são aprimorados, chegando a saltar 3x mais do que um humano normal em termos de altura e distância (até 9 metros em um único salto).  

[nível 18] Movimentação ampliada: por seu controle sobre o ar, a movimentação do filho de Éolo / Aeolus é naturalmente ampliada, por possuir menos atrito do que a de uma pessoa comum. Não se aplica a quantia de ação no turno ou alcance/ velocidade de ataque, apenas no deslocamento, sendo 50% maior do que de uma pessoa comum.

Habilidades Ativas:

[nível 11] Vento do oeste de Zéfiro: agora você pode convocar o vento do oeste de Zéfiro, que é suave e agradável. Ele acalma você e seus aliados e abençoa a mente de todos, deixando-a livre de temores. Ao usar este poder, você e todos os aliados em um raio de 20 metros ficarão livres de penalidades ocasionadas por auras de medo e raiva, se o inimigo for de nível igual ou menor, ou terão esses efeitos reduzidos em 50% para oponentes até 15 níveis acima, não fazendo efeito se a fonte for mais forte do que isso. O efeito dura 3 turnos, e só afeta auras passivas ou poderes emocionais, mas não poderes que provoquem danos, descontos ou efeitos adversos de forma mais direta.

[nível 13] Avanço: este poder dá ao filho de Éolo / Aeolus a capacidade de comprimir o vento e fazê-lo explodir logo em seguida. É muito útil para se aparar quedas livres, impulsionar corpos para frente ou para os lados ou simplesmente fazer as coisas serem jogadas para a direção que quiser. Apesar disso, é um poder defensivo, não tendo força suficiente para causar danos em algum oponente. O alcance é restrito a no máximo 3 metros.

[nível 15] Tempestade de vento: agora pode-se manipular os fluxos de vento do local conseguindo manipulá-los, criando uma grande ventania que pode jogar poeira, terra e qualquer outra coisa para cima atrapalhando o oponente. ataques à distância que necessitem de mira tem as chances de acerto reduzidas em 50%, enquanto que ações de ataque em geral são reduzidas em 20% - metade se o oponente tiver alguma resistência que influa, lembrando que o problema aqui, no corpo a corpo, são os detritos levantados pelo vento e, à distância, a ocultação do semideus em meio à tempestade. Os dois fatores não se somam. A tempestade dura 3 turnos.
Megan B. Nesbitt
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Re: Evento secundário — This is Halloween!

Mensagem por Bianca H. Somerhalder em Seg 02 Dez 2019, 02:55

à procura do caos...

Acordou exatamente à meia-noite, mas seu corpo demorou alguns longos segundos para reagir a qualquer pensamento que viesse a ter. Inicialmente, notou apenas o básico: a cama era mais dura do que a qual estava acostumada, e as paredes — que pareciam refletir o céu noturno — não estavam decoradas como as do seu apartamento. Em algum lugar do seu subconsciente, Bianca tinha memórias acerca daquele lugar. Ainda que fosse óbvio, entendeu a situação somente após um minuto.

Estava no Acampamento Meio-Sangue. Chegara no dia anterior e, apesar de não estar nada contente, era por um bom motivo. Encontrava-se no meio de uma missão para Circe. Não sabia ao certo quantos mentalistas moravam no local e, por isso, Somerhalder evitava ao máximo pensar sobre o assunto. Era secreto, afinal. Sua meta era entrar, realizar o que deveria e sair sem levantar nenhuma suspeita. Embora sua estadia ali fosse, por si só, um fato suspeito, até aquele momento não havia gerado nenhum questionamento. E pretendia que continuasse daquele jeito.

Naquele momento, entretanto, Bianca sentia que algo estranho estava acontecendo. Tinha decidido dormir cedo, algo atípico para ela, e o acordar súbito e a sensação de desnorteamento somente intensificavam sua noção de que alguma coisa estava errada. Era dia das bruxas, afinal. Quais perigos aquela data — teoricamente simbólica — poderia trazer? Com esse pensamento, a feiticeira levantou da cama no chalé de Selene e recolheu suas armas.

Sequer cogitou a possibilidade de que devesse continuar dormindo, pois era aquilo que normalmente iria querer fazer. Estava com sono quando se deitou, lembrava-se disso, mas naquele momento crucial se sentia acordada como nunca antes. Era quase como se tivesse que ficar acordada, obrigatoriamente. Seus sentidos estavam alertas, e as pálpebras anteriormente pesadas não queriam nem mesmo piscar.

Não prestou atenção ao redor, mas, quando pensou naquilo mais tarde, achou estranho que não tivesse ouvido nenhum meio-irmão respirar enquanto dormia. O único barulho era o de seus passos calmos até a porta, que se encontrava fechada. Quando Hale a abriu, foi como se a paz se encontrasse de súbito com o caos. Quase cogitou a possibilidade de que estivesse imaginando coisas. O céu estava totalmente coberto por nuvens estranhas, que possuíam um tom escuro de verde e faziam trovões abafarem qualquer outro possível som ambiente, embora ela não conseguisse ouvi-los segundos atrás; raízes de espinhos brotavam de vários lugares do chão, se espalhando pelas pilastras dos chalés e atraindo vermes e insetos, que se acumulavam sobre a terra. Além disso, tudo estava vazio. Nenhuma viva alma podia ser vista dentro do campo de visão de Somerhalder.

Durante os primeiros segundos, tudo o que Bianca conseguia fazer era se perguntar: o Acampamento não era pra ser um lugar feliz…? De todo modo, resolveu que o preferia daquele jeito. Era menos irritante, na opinião dela. A rotina normal de campistas sorridentes — como se não soubessem que as suas vidas eram um completo inferno — a deixava severamente com raiva. Contudo, a situação atual não deixava de ser estranha e atípica. A primeira coisa que passou pela sua mente, então, foi se comunicar com Circe. Estava em uma missão para ela, afinal, e a deusa sempre se mantinha atenta aos contatos que Somerhalder realizava.

Isso não fazia parte da missão, fazia? Não que eu esteja reclamando. Curiosidade, apenas. Nenhuma resposta, entretanto. Bianca esperou, achando que era uma demora calculada, mas de fato voz alguma preencheu sua mente. Tentou mais algumas vezes, porém teve de se conformar que Circe não iria respondê-la. Estranho, mais uma vez.

Deu alguns passos para longe do chalé de Selene, determinada a explorar aquele novo Acampamento. Era difícil, uma vez que espinhos brotavam do chão, mas a semideusa se esforçou para prosseguir sem se machucar. Enquanto o fazia, uma ideia subitamente apareceu em sua mente. Se Circe não respondia, talvez pudesse tentar se comunicar com Ares. Tinham ficado absurdamente próximos — fisicamente — já há algumas semanas, e o deus parecia se importar com a prole da lua. Embora não fosse sua opção preferida, Bianca não via muita alternativa, já que nada nem ninguém estava ali para ser consultado.

Ares? Talvez não se importe, mas algo está acontecendo… no Acampamento. Você deve saber. Gostaria de ficar ciente, também. Esperou, ansiosa. Aquele contato era mais difícil, pois o deus não era patrono de Bianca, como Circe era. Apesar disso, Somerhalder imaginou que ele atenderia ao chamado. Estava enganada. Por que ninguém se dava ao trabalho de respondê-la? Já começava a ficar sem paciência.

Ainda andava sobre o solo podre do Acampamento e, embora não tivesse planejado aquilo, percebeu que traçava caminho até a Casa Grande. Subitamente, ao pensar no local, achou extremamente improvável que tudo aquilo estivesse acontecendo sem que Quíron tentasse impedir. Ou, ainda mais, sem que Quíron mobilizasse todos os campistas em prol da causa.

Como um quebra-cabeça, as peças foram se encaixando na cabeça de Bianca. O Acampamento estava com a aparência totalmente horrenda, e nenhum campista ou supervisor parecia estar presente. Além disso, Somerhalder não era capaz de contatar ninguém mentalmente. Achou-se burra por não ter percebido anteriormente: tudo aquilo era um sonho. Ou melhor, um pesadelo. Mas, como imaginou que sua mente não era capaz de produzir tudo aquilo sozinha, deduziu que alguém — um deus, obviamente — havia os induzido à alucinação. Só não sabia quem se daria ao trabalho de fazer aquilo.

Enquanto listava todos os deuses que conhecia, tentando adivinhar qual tinha sido o filho da puta, algo estranho entrou no campo de visão de Bianca: uma fenda brilhava mais para a esquerda, chamando a atenção da semideusa. O brilho parecia gradativamente perder a força, mas ainda sugeria para a feiticeira que aquele era seu portal de saída para o mundo real. Acelerando o passo, somente parou quando se posicionou bem à frente da passagem.

Não sabia muito bem o que fazer. Imaginando que não deveria tentar atravessar de súbito, abaixou-se e pegou uma pequena pedra que estava no chão, logo jogando-a na direção da fenda. Nada aconteceu. A pedra ricocheteou e caiu no chão, intacta. Somerhalder começou a considerar a possibilidade de que estivesse errada, e aquilo não fosse saída para o mundo real coisa nenhuma, quando algo aconteceu. Uma pessoa atravessou a fenda; uma criança, pelo tamanho pequeno. De início, Bianca não conseguiu vê-la muito bem, mas, quando o fez, arrependeu-se.

A criança não tinha nenhuma feição. Era como uma pessoa comum, a não ser pela sua face sem olhos, boca e nariz. Seu rosto era uma tela em branco. Sem entender o que estava acontecendo, Hale deu um passo para trás. Não gostava de nada que envolvia crianças, pelo simples medo de que fosse obrigada a machucá-las.

Como se lendo seus pensamentos, o sonho agiu. Bianca não se lembrava de ter pegado sua adaga, mas, quando olhou para baixo, ela estava empunhada em sua mão. A figura à sua frente estava parada, significando que não representava nenhum perigo; entretanto, a cada segundo que a feiticeira demorava, a fenda mais adiante ia perdendo o brilho que exalava.

Entendia o que tinha que fazer, embora não quisesse. Teve de suspirar profundamente. Quando deu três passos para a frente e se posicionou diante da sua vítima, teve de fechar os olhos. Sentiu a adaga entrando na jugular da criança, assim como o sangue escorrendo pela sua mão. Apesar disso, quando as pálpebras foram abertas, nenhum desses elementos se encontravam presentes, mesmo que o coração da feiticeira ainda estivesse acelerado. A única coisa que chamava sua atenção era o brilho da fenda, daquela vez mais forte. Estava sozinha novamente.

Mas não por muito tempo. De repente, um vulto chamou sua atenção; parecia um homem, que se posicionou alguns metros atrás de Bianca. Embora a semideusa fosse perfeitamente capaz de enxergar no escuro, a figura parecia ter se misturado com as sombras, tornando suas feições irreconhecíveis. Encontrando um pouco de clareza em meio ao transtorno, se perguntou qual era o problema daquele pesadelo em construir rostos reais para os seus oponentes. E, de repente, percebeu que oponentes não era uma boa palavra para definir aquilo. Medos, talvez, seria melhor. Porque, sim, acabava de perceber a representação de suas fobias.

— Posso ajudar? — Perguntou, pois a figura não havia se pronunciado.

Um segundo depois, passou pela mente de Bianca que o homem havia sorrido. E, posteriormente, lembranças começaram a surgir em sua mente; lembranças dos dois, como se já se conhecessem há muito tempo. Se lhe perguntassem mais tarde, Somerhalder não conseguiria dizer que tipo de lembranças estavam invadindo sua mente, mas, naquele momento, elas pareciam perfeitamente claras. Inesperadamente, a semideusa começou a nutrir um sentimento forte pelo desconhecido — ou não — à sua frente. Era quase como se precisasse dele.

— Por que está tão longe?

Deu um passo para a frente. O homem deu um para trás. Sem querer, o coração de Bianca se apertou um pouquinho.

— Você é desprezível. Um monstro. Afaste-se de mim.

Passou pela sua mente que talvez tivesse medo da rejeição, mas a tristeza momentânea foi tão grande que abafou qualquer pensamento racional que viesse a ter. Lágrimas começaram a brotar de seus olhos, como se amar aquela pessoa fosse uma coisa que sempre tivesse feito. Abriu a boca para falar, mas não conseguiu produzir nenhum som.

— Ninguém nunca vai te amar.

Não ia… talvez ele tivesse razão. Sim, ele tinha. Abriu a boca novamente, daquela vez para admitir seus erros, mas parou no meio da ação. Aquela não era ela. Poderia até ter mesmo medo de ser rejeitada, mas não era o tipo de pessoa que se rebaixava àquele nível. Endurecendo a expressão, cruzou os braços e ajeitou a postura. Seja forte.

— Fico feliz, assim. Prefiro me manter longe de pessoas como você.

Não sabia ao certo se falava coisas com sentido, mas não ligou. Pareceu dar certo, afinal. O vulto sumiu e, quando Bianca olhou para a frente novamente, o brilho da fenda estava ainda mais forte, provavelmente proporcionado pelo seu novo triunfo. Pensou que já estava quase apta a ir embora, quando um barulho — talvez imaginado — a aturdiu. Paredes sólidas caíam em volta dela, trancando-a numa pequena cela sem nenhuma porta ou janela. Tudo o que cabia era ela, encolhida e espremida.

Claustrofobia. A respiração começou a desregular, e o coração batia cada vez mais rápido. Quanto mais nervosa ficava, mais a caixa se fechava em volta dela. Pelos primeiros minutos, não soube o que fazer. Então, pensou que talvez bastava se acalmar. Para isso, tentou pensar em coisas leves e satisfatórias, que faziam-na esquecer de que estava ali. Um dia na praia. A sensação de poder. A morte. O sangue. Após alguns minutos indefinidos, a caixa se desfez, e foi como se ela nunca tivesse estado ali. Daquela vez, o brilho da fenda fez Bianca colocar a mão na frente dos olhos para tapá-los.

Achou que tinha sido o suficiente. Começou a andar na direção da sua suposta saída, mas sentiu movimento atrás de si. Quando se virou, uma mulher desconhecida — mas com feição — portava uma espada. Imediatamente se moveu para pegar sua própria katana, mas não conseguiu. Até conseguia, na verdade, mas não tinha mais a habilidade necessária para manejá-la, ou nem mesmo a força necessária para erguê-la. Um terror assombroso se apoderou da semideusa. A possível oponente não atacou, e Bianca percebeu que o seu medo não tinha relação com vencê-la.

Em seguida, tentou usar algum de seus poderes. Nada. Sequer sabia como usar a adaga, quando tentou. O desespero estava começando a tomar conta de todo o seu corpo, e subitamente Somerhalder sentiu que suas mãos tremiam muito, perdendo o controle da situação. E ela soube, sem precisar de muito esforço: tinha muito medo da impotência, da mera possibilidade de perder todas as habilidades mortíferas que possuía. O pavor era tanto que, embora fosse um sonho e ela soubesse, sua mente não conseguia focar naquele fato. Não conseguia focar em nada, na verdade. Apenas na falta de poder.

— Eu poderia te derrotar facilmente, se quisesse.

Bianca abriu a boca para retrucar, dizer que a garota estava mentindo, mas não pôde. Não naquele momento. Numa última tentativa desesperada, avançou na figura com as mãos erguidas, tentando enforcá-la. Seus pés eram desengonçados e tropeçaram, de modo que a oponente se livrou com um único passo para o lado. Mesmo que tivesse alcançado o alvo, algo no subconsciente de Hale disse que ela não teria força o suficiente para enforcar o que quer que fosse.

Você não precisa matá-la, Hale. Se acalme. Mas parecia extremamente difícil, dada as condições. Bianca tentava repetidamente invocar poderes de Selene ou de Circe, mas falhava categoricamente. Ajoelhada na terra suja e com o corpo praticamente inteiro tremendo, a semideusa soltou um grito de desespero e raiva. Se tivesse sã, prometeria para si mesma que se vingaria do deus responsável por aquilo — embora a resposta parecesse óbvia para um observador, àquela altura.

Então, como se fosse sua última jogada desesperada, Bianca alcançou uma pedra pontuda no chão nojento do Acampamento e a apertou contra a sua palma direita, fazendo um corte impreciso. Subitamente, um líquido escarlate coagulou em sua palma, e a visão a acalmou um pouco. Não, o suficiente, entretanto. Levando a mão à boca, Hale provou do seu próprio sangue. Aquilo a despertou por completo, lhe deu uma clareza mental que nenhuma outra coisa lhe daria. O gosto metálico fez até seus pelos se arrepiarem, satisfeitos com a sensação proporcionada.

Enquanto sentia aquilo, Somerhalder se acalmou. E, quando ergueu o rosto novamente, não havia mais mulher nenhuma presente. Levantou-se com dificuldade, limpando o resto do sangue de sua mão na calça; como não era um corte profundo, não se preocupou com ele. Virou-se para a fenda e viu, com satisfação, que parecia quase cegante. Estava pronta para ir embora.

Sentia uma confiança na sua força, mas seus passos ainda eram vacilantes. Para conferir, empunhou a adaga. Sim, era ela mesma novamente, só que com mais ódio. Ganhando mais certeza em seus passos, aproximou-se da fenda.

De início, pensou que queria se vingar de quem havia feito aquilo com ela. Mas depois, com um entendimento mudo, percebeu que o deus responsável não tinha nada contra ela, mas sim contra o Acampamento. E aquilo ela apreciava. Subitamente, então, percebeu que uma guerra estava se formando. De novo.

E, se dependesse dela, iria novamente escolher o mesmo lado: aquele que apreciava o caos, acima de tudo. Aquele que queria derrotar Quíron e o Acampamento. Mais tarde, Bianca perceberia que aquilo talvez a levasse para o lado de Éris, deusa que já havia lhe traído anteriormente. Mas, sinceramente, nem sabia se se importava tanto assim. Estava disposta a abrir mão de tudo o que tinha em prol da destruição. Da guerra. Da morte.

Enquanto era sugada pela fenda rumo ao mundo real, Somerhalder soube que sua vida passaria por conturbações severas dali para frente.

🌙:
1. sobre o que a Bianca foi fazer no Acampamento: DIYs futuras virão. Aguarde informações;
2. os medos, em sequência: matar uma criança. rejeição. claustrofobia. impotência.
arsenal:
✘ {Lunar Shard} / Katana [Uma Katana elegante com a lâmina de prata sagrada, com uma coloração sutilmente azulada conforme o reflexo da luz. Sua lâmina é tão fina que pode perfurar a área entre duas costelas. Sua guarda de mão é de cerejeira com uma runa desenhada. Uma vez por batalha, durante dois turnos, aumenta em 10% a efetividade dos poderes relacionados à Circe. Transforma-se em isqueiro ornamental.] {Bronze Sagrado. Madeira. Magia.} (Nível Mínimo: 40) [Recebimento: missão "insane".]

✘ {Ostium} / Adaga [A arma possui trinta e cinco centímetros com a lâmina feita de ferro estígio e cabo de cerejeira, entalhado para se encaixar perfeitamente nas mãos do portador, sendo que sua chance de acerto se iguala ao de uma perícia. O dano causado por essa arma é tanto de perfuração quanto de corte, por possuir uma ponta bastante afiada, assim como seus gumes, de modo a causar 20% de dano a mais em relação à adagas comuns, além de possuir um formato propício à penetrar armaduras, bonificando o dano em 5%. Por ser uma adaga, é leve - trezentas gramas - e fácil de ser escondida, facilitando os golpes rápidos e furtivos. A arma foi envenenada magicamente, de modo que quando o portador desejar, sua lâmina ficará coberta pelo elemento, e durante dois turnos serão capazes de gerar um dano adicional de 20% além de gerar uma dormência na região, que ficará inerte por um turno. O efeito pode ser usado duas vezes por ocasião. Cada oponente derrotado com ajuda dessa arma aumenta a carga em um turno para a habilidade especial Cladem. O item é pessoal e intransferível. Acompanha uma bainha de couro.]{Couro, Cerejeira e Ferro Estige} (Nível mínimo: 10) {Veneno} (Cargas: 5) [Recebimento: evento "caça a bandeira".]
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Re: Evento secundário — This is Halloween!

Mensagem por Connor Anderson em Seg 02 Dez 2019, 14:20

Evento secundário — This is Halloween!  Cyberl10
This is Halloween

So this is how it feels to be scared


— Prologue
New one, stranger one, fearless one

Connor deitou para dormir e se lembrou de sua chegada ao acampamento. Esperara um embate pesado com algum monstro terrível que mutilasse semideuses e destruísse tudo à sua volta, mas acabara diante de um cão infernal ridiculamente acomodado à falta de poder dos meios-sangues que chegavam àquele lugar. A maior dificuldade do filho de Zeus fora lidar com o estresse trazido por uma filha de Ares inconsequente que poderia tê-lo matado, se ele fosse tão idiota quanto ela.

North Eden, querendo bancar a poderosa, atirara uma lança na direção da luta no momento em que Connor iria acertar o golpe final. O filho de Zeus não apenas desviou com maestria, mas agarrou a lança, matou o cão infernal finalmente e atirou o dardo de volta para a invasora, acertando o ponto exato entre os pés da menina. Depois de terminar de subir a colina, entrar no acampamento e ignorá-la completamente, Connor acabou surpreendido por North e mais três irmãos dela na Casa Grande, enquanto contava a Quíron uma história falsa sobre ter enfrentado mil e um perigos até chegar ali. Duelaram na arena. Connor venceu com poucos golpes e se retirou. Passou o resto do dia sob o olhar curioso dos colegas e do próprio Quíron.

Deitado, agora, em sua cama, havia um leve sorriso pretensioso em seu rosto. Bons sinais eram aqueles olhares disfarçados. Ele tinha capacidade suficiente para chamar a atenção dos colegas e, em breve, começaria a plantar a semente da discórdia que atrairia mais guerreiros para o Instituto, conforme sua tutora comandara. Sem alterações, sem emoções, sem medo. Aliás, Connor nem se lembrava da última vez que sentira medo, não se permitia ter essa sensação. Passara por treinamentos tão pesados desde tão cedo que nem sabia o que poderia lhe causar aquela sensação. Impassível como sempre, fechou os olhos e adormeceu, sem saber que, meia hora depois, o acampamento sofreria a estranha influência de dois deuses perigosos e que sua visão sobre o temor logo iria mudar.


— Chapter 1
Confusing thoughts

Algo perturbou o sono sem sonhos do recém-chegado e misterioso filho de Zeus, mas ninguém percebeu. Na verdade, não havia ninguém por perto. Connor abriu os olhos, que focaram o teto do chalé 01, e sentiu o coração palpitar. De novo..., pegou-se pensando. Odiava aquela sensação, mas ela aparecia de tempos em tempos desde a reclamação pelo líder do Olimpo. Era como se sua mente estivesse tentando lhe dizer alguma coisa, mas ele não conseguia ter ideia do que poderia ser.

Sentou-se. Esfregou os olhos, tentando afastar a sensação estranha ao mesmo tempo em que parecia cavar o mais fundo que podia em busca de uma resposta para tudo aquilo. Não conseguiu. Nem uma coisa nem outra. Acabou por abri-los novamente e deixá-los se ajustarem à luz verde escura que encobria a morada dos filhos de Zeus. Luz verde?

— Espera aí...

Connor correu a vista pelo chalé e não viu nenhum de seus poucos meios-irmãos. Tudo estava estranhamente silencioso, como se tivessem mergulhado o acampamento em uma piscina de algodão. Nada era audível, exceto por uma tempestade de trovões lá fora, e tudo era estranhamente... solitário. Sentiu um arrepio percorrer sua espinha, não gostava daquilo. Havia algum perigo por perto e ele precisava estar pronto. Tateou à sua volta e encontrou o embrulho de couro no qual envolvera sua faca.

Quando desceu da cama, o piso gelado do chalé sob seus pés trouxe-lhe uma sensação esquisita de saber onde estava. Não fazia sentido, até porque nem existiam tantas evidências assim para comprovar aquele ponto. Contudo, a sensação era de ainda estar sonhando e isso não o abandonava. A aflição estranha que sentia no peito era exatamente a mesma que ele sabia vivenciar quando sonhava, mesmo sem saber o que eram seus sonhos em tela preta. Nunca via imagens, nunca ouvia sons, mas a sensação era sempre a mesma. Solidão. Abandono.

— Seja racional, Connor. Foco! — Policiou-se. Tentou encontrar argumentos para acreditar que estava devidamente acordado e que, no melhor dos cenários, o acampamento estava sob ataque. Bem... estava, mas ele não sabia disso. Caminhou em direção à porta do chalé e passou pelas camas vazias, que davam a ele a sensação esquisita de que havia alguém ali ao mesmo tempo que não havia. Estava incomodado demais, odiava sentir-se vulnerável.

Abriu, por fim, a porta do chalé e se deparou com um negrume esverdeado que não tinha a menor chance de ser real. Pior do que isso: a sensação atordoante se tornou tão forte que era quase palpável. Estava sonhando, mas estava consciente dentro do sonho, como uma espécie de encantamento mágico bizarro. Servindo de trilha sonora, trovões ribombavam tão alto no céu que faziam o peito do garoto tremer de dentro para fora, e insetos surgiam de todos os lados, com sons nojentos e agoniantes. Além disso, havia espinhos crescendo perigosamente por todas as superfícies.

Por alguns segundos, Connor se deixou apenas observar tudo à sua volta. Um estranho questionamento começou a ganhar forma no fundo de sua mente — será que finalmente saberia a origem de toda aquela sensação? Era a primeira vez que Connor tinha ciência do que sonhava. Mais do que isso, tinha consciência. Talvez as respostas para as perguntas que ele nunca pudera fazer apareceriam, mas ele nem tinha noção de quais perguntas eram essas. Fora ensinado a nunca questionar, deveria apenas cumprir suas missões e ponto final. Como um robô.

Deu um passo adiante. Como acreditara, estava sozinho. O cenário ainda era o Acampamento Meio-Sangue, mas não havia Quíron analisando seus falsos relatos, nem campistas curiosos sobre o novato, nem North Eden torrando a paciência. Também não havia Amanda, sua tutora no Instituto, a mulher que o criara desde que ele se lembrava. Connor não sabia quem era sua mãe biológica e nem como tinha ido parar na instituição que o abrigara, sabia apenas que tinha sido criado para ser o semideus mais poderoso, que traria ordem ao mundo e que subjugaria os mortais.

Ao longe, uma luz estranha brilhou aos olhos do filho de Zeus. Com os dedos bem fechados em torno da faca, Connor avançou devagar na direção do brilho e, cheio de incertezas sobre o que estava havendo, descobriu uma fenda. Seria uma passagem para o despertar ou algum dispositivo mágico que daria nós em seus neurônios com algum sonho bizarro e sem sentido? Ele não tinha ideia e não via outra saída a não ser se aproximar.

Desviou-se dos insetos e espinhos no caminho até lá. Em algumas situações, não teve tanto sucesso e acabou espetado, mas nada de tão ruim aconteceu. Era tudo muito incômodo... Ao alcançar a fenda, sentiu-se extremamente tentado a tocá-la para tentar descobrir seu funcionamento, mas conseguiu se segurar o suficiente para fazer apenas uma análise visual antes de se arriscar tanto.

A coisa parecia ser feita de pura energia concentrada e, em dois ou três minutos, Connor conseguiu notar que a força diminuía. Se aquilo era um portal, havia prazo de validade e estava acabando. O brilho ficava cada vez mais fraco, a instabilidade era cada vez maior. Algo precisava ser feito, pois não havia outra alternativa visível. O garoto decidiu, então, tocar a fenda e sentiu uma aflição muito mais forte do que a que vinha sentindo durante todo aquele tempo

A sensação de abandono machucou seu peito como nunca antes. Não era aflição pelo desconhecido, era algo mais forte, que doía, como se o desamparo fosse durar para sempre. Sua mente voltou ao momento em que ele salvou o colega Daniel de se jogar de um prédio para testar os deuses. Naquela ocasião, só conseguira pensar em não deixar o garoto cair e não se permitira temer os numerosos metros de altura de onde estavam. Era sempre assim, sempre detendo os próprios sentimentos e sensações para cumprir seus deveres. Mas, pela primeira vez, percebeu o quanto estivera só.

Agora temia. Não pela altura em si, pois não tinha essa fobia, mas pela situação em que se encontrara. E se Daniel resolvesse atentar contra ele? E se não estivesse tão preparado para enfrentar um oponente? Connor fora muito bem treinado e encarava situações perigosas bem demais, mas... e se? E se, um dia, encontrasse alguém mais forte e sua vida chegasse ao fim? Alguém o resgataria? Alguém partiria em seu socorro? Amanda estaria ali para salvá-lo, se fosse necessário? Medo... Estou... com medo...

Ele não percebeu no momento, mas sua respiração ficou entrecortada. Pela primeira vez em muitos anos sentiu medo de verdade, não apenas a cautela necessária para tomar as melhores decisões. Medo. De encarar o desconhecido, de não cumprir sua missão, de não ser bom o suficiente. De que, no fim das contas, fosse apenas uma arma e estivesse sozinho.

— Chega! — Ralhou consigo mesmo. Aquilo era inaceitável. Não fora criado daquela maneira, envergonharia Amanda e o Instituto caso se permitisse pensar e agir de forma tão imatura. Era um soldado, um semideus, um ser superior. Era óbvio que era uma arma e estar sozinho significava que era forte o suficiente para não depender de ninguém.

Medo é algo permitido apenas às pessoas fracas, aos meros mortais — dissera Amanda, certa vez, quando um Connor ainda pequeno quis se recusar a enfrentar um oponente mais velho e muito forte. Você é filho de um deus. Aja como tal!

A lembrança lhe trouxe argumentos para combater suas indagações. Morrer? Era forte o suficiente para driblar a foice de Tânatos e, se ainda não fosse, faria de tudo para ser. O brilho da fenda aumentou um pouco. Não cumprir minhas missões... Fracasso era inaceitável, ele sempre encontraria uma solução, ainda que fosse preciso tentar pelas mais inúmeras vezes. Mais brilho. A fenda se fortalecia a cada medo vencido. E se eu não for bom o suficiente? Impossível, ele sempre seria o melhor, o mais poderoso, o mais forte. Amanda sempre deixara seu destino bem claro e desviar-se dele não era uma opção. A fenda brilhou mais novamente, Connor se sentiu recuperado.


— Chapter 2
Midnight memories

A fenda brilhou com mais força do que quando Connor a encontrara, como se o convidasse. Só poderia ser um portal, não havia outra explicação. Além disso, o rapaz tinha a impressão de que tudo à sua volta ficava mais escuro quanto mais encarava aquele estranho vórtice de energia. Aprumou-se, como sempre fazia. Mesmo vestindo pijamas, alinhou-se corretamente, passou a mão nos cabelos, arrumando-os (exceto por aquela única mecha que lhe caía sobre a testa) e ajeitou o colarinho. Faca na mão, caso algum problema surgisse, esticou o braço na direção do suposto portal e caminhou em sua direção, tocando-o profundamente e vendo seu braço sumir ao atravessar.

A visão durou milésimos de segundo apenas, pois, no momento em que começava a pensar que se livraria daquele lugar estranho, um grito pavoroso pôde ser ouvido dentro de sua mente. Um brado de dor e sofrimento que atingiu a mente de Connor com tanta força que ele caiu no chão, cercado de espinhos. A dor na pele espetada na queda pelas perigosas plantas ali crescentes foi mínima perto da angústia incontrolável e imensurável que sentiu. O grito repetia-se, uma vez atrás da outra, ininterruptamente, fazendo Connor chorar sem entender o que acontecia. Ainda assim, a sensação era tão familiar... Como uma memória.

Connor sentiu como se já tivesse ouvido aquele grito antes. Mais do que isso, como se tivesse vivido a situação na qual aquele brado tão sofrido tinha sido dado. Mas não podia ser possível. A voz pertencia a um homem adulto, claramente mais velho que ele, que só tinha 16 anos. O que estava acontecendo?

— Socorro! — Gemeu sem perceber. — Faz isso parar... Alguém faz isso parar, por favor...!

Connor levou as mãos à cabeça e apertou o couro cabeludo com força, desesperado. Queria se livrar daquela sensação, mas algo lhe dizia que aquilo era a fonte de todo o sentimento estranho que tinha toda vez que se deitava para dormir, a mesma sensação que sentira ao se ver naquele mundo de sonho consciente. Precisava enfrentar aquilo, precisava descobrir o que estava acontecendo, mas a dor era grande demais. O sofrimento era maior do que ele sequer poderia pensar em sentir. Nunca tinha imaginado que teria uma tristeza tão grande. E nem sabia a razão!

Resolveu se entregar ao fragmento de memória. Apesar da dor que sentia em seu peito, tinha que descobrir. Precisava enfrentar o medo absurdo e irracional que sentia. Deixou o grito preencher sua mente, suas lembranças, seu coração. Nenhuma imagem real se formou em sua cabeça, mas um quarto escuro pareceu surgir, uma sombra alta e corpulenta pareceu desabar assim que o brado foi dado, o que fez Connor acreditar que se tratava de um homem, o dono da voz. Tudo parecia muito grande, muito barulhento e, visualmente, muito poluído, mesmo que as imagens não fossem nítidas. Então tudo escureceu.


— Epilogue
Blurry past, strange present, any chance for a future?

Connor abriu os olhos. As lágrimas ainda rolavam por seus olhos sem que ele conseguisse conter, a dor em seu peito era forte demais, mas agora havia algo a mais: um dado esquecido que só poderia pertencer à sua vida, uma memória que fora suprimida por alguma razão desconhecida. Pela primeira na vida, Connor sentiu algo em seu íntimo, uma vontade que partia dele, o desejo de descobrir e entender algo por conta própria, que não era apenas um dever, uma missão, uma obrigação.

Ele encarou a fenda novamente, sentindo-se estranhamente atraído por ela. Connor nunca, jamais fazia nada por impulso, mas tudo aquilo era muito novo para ele. A racionalidade habitual e sua neutralidade deram lugar a um incômodo impossível de ser ignorado. Ele se levantou, sentindo-se motivado a fazer o que fosse necessário para entender o que fora aquela sequência dolorosa de imagens embaçadas em sua mente. Ergueu o braço novamente e tocou a fenda. Antes mesmo de perceber, já estava sendo sugado por ela e sua visão escureceu completamente.

~*~

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Re: Evento secundário — This is Halloween!

Mensagem por Melinoe em Ter 03 Dez 2019, 12:55

Prazo do evento estendido em 5 dias a partir de hoje. Boa sorte!

Prazo final: 08/12 às 23h59
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Re: Evento secundário — This is Halloween!

Mensagem por Annie Murray em Qui 05 Dez 2019, 12:30

Evento secundário — This is Halloween!  Indefs10
This is Halloween

feeling terrified


— Chapter 1
Thunder, feel the thunder

— MAMÃE! — Annie ergueu o corpo de súbito, as cobertas que lhe serviam de cama ensopadas de suor. Sonhara novamente. Constantemente via e revia uma tempestade tão forte que parecia que o céu e as ondas do mar estavam em guerra. Era a praia do acampamento, ela sempre reconhecia, e a última coisa que ouvia era um grito alto de dor e sofrimento. Ela não via de onde o gemido vinha, mas tinha uma certeza sobrenatural de que a dona era sua mãe.

Nunca vira fotos. Como meios-sangues nunca se dão bem com tecnologia, não chegou a conhecer o rosto de Valerie Murray, a semideusa que conseguira conquistar o coração de um deus. Ou o contrário, sempre pensava. Quíron costumava dizer que ela fora conquistada, nunca tinha tido a intenção de seduzir... e travava. Sempre assim. Toda vez que parecia que o centauro diria o nome do pai de Annie, ele se calava. Talvez nem fosse sua culpa, talvez os deuses o tivessem calado magicamente. Havia uma tal profecia, afinal de contas...

Ela esfregou os olhos e tentou se desligar da sensação estranha. O grito sempre ficava ecoando em sua mente por vários minutos, era agoniante. Depois de alguns segundos de respiração profunda na tentativa de se acalmar, Annie percebeu que tinha dado um berro ao acordar e olhou em volta, tentando enxergar através da escuridão quase completa do chalé de Hermes. A luz esverdeada que entrava pelas frestas das janelas era o que ainda a permitia visualizar as sombras das camas e das cobertas vazias. Deitou-se novamente.

— Espera aí!

Tão rápido quanto tinha se levantado antes, Annie se reergueu e deixou que os olhos se adaptassem à escuridão. O coração foi palpitando cada vez mais forte à medida que a menina foi vendo que o chalé estava completamente vazio. Nunca, em seus nove anos de vida, tinha visto aquela morada sem ninguém. Era o chalé mais populoso do acampamento, sua casa desde que nascera na enfermaria central.

— Mas o que é que tá acontecendo aqui?

A menina ficou de pé, estalou os ossos da coluna e correu na direção da janela mais próxima, esperando ver o chalé de Hermes todo do lado de fora, esperando pela cara desesperada dela. Eles sempre faziam pegadinhas com todo mundo, não é porque ela era a moradora mais antiga do local que se livraria disso. Provavelmente já era de manhã e todos estavam lá fora, com os rostos vermelhos de tanto segurar o riso. Abriu a janela com força.

— Tá bom, muito engraç... — Um trovão estrondoso cortou a fala da menina quando um raio riscou o céu cheio de nuvens verdes. Era como se Annie tivesse ido parar em Oz, em pleno reinado da Bruxa Má do Oeste, ou como se alguma coisa tóxica tivesse emanado de uma grande explosão. E, ainda, ela estava sozinha.

De forma desesperada, estabanada, Annie sapateou para o ponto mais longe da janela que existia no chalé. Tinha pânico de trovões e altura. Estava toda arrepiada, sentia-se fraca, as pernas bambearam a ponto de fazerem-na cair no chão e se encolher toda. De dentro do chalé, com a janela ainda aberta, a semideusa esticou o pescoço e tentou olhar lá fora, a fim de entender o que poderia estar acontecendo. Mais trovões ribombaram, e ela se assustou tanto que sentiu que iria desmaiar. Chegou a se entregar àquela estranha sensação de desfalecimento, mas, por algum motivo, permaneceu acordada. Ou... Isso não é real!


— Chapter 2
Searching for a way out

Era uma teoria bizarra, mas Annie não conseguia ver como seria possível que o acampamento estivesse sob um ataque no mundo dos acordados e não houvesse uma viva alma correndo de um lado pro outro em desespero. Se fosse uma guerra ou qualquer coisa do tipo, Quíron teria soado a concha de emergência e convocado todos a pegar suas armas e defender o refúgio. Não era o caso. O chalé de Hermes estava vazio e não havia outro som a não ser o dos trovões. Aquilo deveria ser algo em sua mente. Um maldito teste.

A garota se levantou furiosa. Odiava ser feita de tola e era exatamente como estava se sentindo naquele momento. Com passos firmes e fazendo um esforço hercúleo para ignorar os relâmpagos lá fora, Annie pegou sua faca e abriu a porta do chalé, decidida a resolver o enigma daquele pesadelo agoniante e voltar para o mundo real. Se aquilo era algum tipo de convocação para uma missão, saberia em breve. Se era alguma maneira absurda de seu pai desconhecido anunciar que a reclamaria antes dos 10 anos, a relação entre eles já começaria bem estremecida.

Annie se deparou com a loucura assim que pôs os pés do lado de fora do chalé 11. As paredes das moradas na trilha estavam cobertas por trepadeiras cheias de perigosos espinhos, como se o acampamento tivesse sido abandonado por décadas e ela fosse a primeira pessoa a retornar ao local. Pensar naquilo trouxe ainda mais arrepios à espinha da menina. E se o sonho fosse uma visão do futuro? O Acampamento Meio-Sangue era a única casa que Annie conhecia. Nascera ali e nunca saíra. Não sabia como reagiria se algo acontecesse ao seu lar.

— Calma, Annie, calma. — Disse a si mesma, respirando fundo. Queria fechar os olhos para se concentrar melhor, mas não teve coragem. — Isso é só na sua cabeça, nada disso está acontecendo de verdade. Se for uma visão, vamos impedi-la. Se for um chamado para uma missão, vamos descobrir a melhor forma de cumpri-la. Se for uma reclamação... Droga... Vamos acertar as contas com nosso pai. Palhaçada, viu...

Com todo o cuidado, a pequena caminhou por alguns metros, olhando em volta. Tentou se lembrar de todas as lições que aprendera com os instrutores. Os mentalistas sempre falavam muito sobre o cuidado que era necessário ter com a mente, então ela fazia o possível para não se desesperar com os trovões ribombando cada vez mais altos no céu esverdeado. Não era uma tarefa fácil e só piorava a cada passo dado.

O primeiro local pelo qual a menina decidiu passar foi a Casa Grande, mas nem precisou se aproximar para ver que estava tudo destruído. Um raio tinha caído na construção e havia escombros para todos os lados, as poucas paredes ainda de pé estavam queimadas pela descarga elétrica. Os pensamentos de Annie foram direto para Quíron, seu coração bateu forte e dolorosamente no peito e novamente foi preciso fazer muito esforço para lembrar que não havia mais ninguém por ali além dela. Quíron não tinha sofrido nenhum mal. Tudo aquilo eram seus temores falando alto e tentando desestabilizá-la.

Tentando continuar, Annie avistou o pavilhão do refeitório, mas decidiu que não havia o que ver por ali. Claramente estava vazio e nenhuma resposta poderia ser encontrada por lá. Optou, em seguida, pelo anfiteatro. Talvez alguma pista de tudo o que estava havendo pudesse ser encontrada perto da enorme fogueira que ficava acesa lá no centro quase todo dia. O anfiteatro era onde, normalmente, grandes coisas aconteciam. Annie vira três profecias serem dadas lá em noites de cantoria, alguma coisa muito especial tinha ali.

Decidiu correr. Estava começando a ficar sem forças para lutar contra os próprios medos. Era de se esperar que, àquela altura, começasse a se acostumar com o som dos trovões, mas eles só pioravam, como se o mundo estivesse a ponto de acabar. O corpo de Annie tremia de dentro para fora e ela sonhava acordada — embora ainda estivesse dentro de um sonho — com os momentos de calmaria que passava na praia. Desejou poder fazer isso, mas o risco de acabar eletrocutada era alto demais e preferiu não arriscar.

Chegando perto do anfiteatro, Annie avistou algo que destoava de todo o caos que havia ao redor. Uma estranha fenda brilhante pulsava como o bater de um coração quase morrendo. Estava enfraquecendo. Era a resposta, ou pelo menos o sinal, que Annie vinha procurando. Sem ter dúvidas, a menina desviou sua rota e partiu diretamente em direção à fenda, tomando o máximo de cuidado para não esbarrar nos espinhos crescentes para todo lado. Se alguma daquelas coisas fosse venenosa, ela não tinha ideia do que poderia acontecer.

Quando se aproximou da fenda, observou-a por alguns segundos e resolveu arriscar. Aquilo era o mais próximo de uma saída que ela tinha encontrado e não aguentava mais ficar naquele lugar, especialmente porque agora os raios tinham começado a cair dentro do acampamento com uma frequência muito maior e ela foi vendo, uma a uma, as construções caindo por terra.

— Não, não, não...

A parte racional de seu cérebro ainda gritava que era um pesadelo e que nada daquilo estava acontecendo de verdade, mas ver o acampamento cair por terra daquele jeito feria Annie como se uma espada perfurasse seu coração bem lentamente. Doía demais, fazia-a sentir-se desamparada, sozinha e, especialmente, abandonada pelo pai que nunca a tinha reclamado.

Não. Não poderia ceder àquilo. Tinha de vencer seus medos! Era um acampamento de semideuses, afinal, e aquilo poderia acabar acontecendo no mundo real um dia. Ela não poderia fraquejar, teria de sobreviver e arrumar um jeito de seguir em frente. Resolveu repetir isso a si mesma como um mantra, mas os calafrios causados pelo medo ainda estavam por ali. Foi quando Annie notou que a fenda se fortalecia a cada pensamento positivo que tinha sobre seus medos. Se ela os vencesse, talvez conseguisse sair dali!

Forçou-se a pensar na realidade. Nos campos verdejantes do acampamento, em Quíron fazendo biscoitos para os momentos das lições de Mitologia e nos campistas fazendo treinos. Pensou que logo iria acordar e que também treinaria bastante, que ficaria forte e que chamaria a atenção do pai desconhecido, que estaria pronta para a profecia. Nada naquele mundo de raios e trovões era real. Nada. Olhou para a fenda, estava bem mais brilhante agora. Sem dúvida poderia ir embora daquele pesadelo. Colocou a mão sobre a fenda, e o verdadeiro teste foi iniciado.


— Chapter 3
It's on your mind, defeat it!

Annie viu o solo se mexer sob seus pés. Sim, era um pesadelo e ela sabia disso, mas não havia mais como se lembrar disso. Foi como se uma montanha muito íngreme tivesse se erguido debaixo dela a sabe-se lá quantos metros, fazendo-a enxergar todo o acampamento lá do alto se quisesse. Era como um prédio de terra, grama e pedras. Ao perceber o que estava acontecendo, Annie perdeu completamente o controle e se agarrou ao chão, sem ter a menor vontade de levantar. Arriscou uma olhadinha em volta e quase desmaiou com a vertigem ridiculamente forte que sentiu. Não pensava em mais nada. Mas o problema maior viria agora.

— É assim que você espera ser reclamada? — Um coro de vozes soou na cabeça da menina. Havia Quíron, alguns colegas campistas, vozes baixinhas e delicadas como as das ninfas e grandes potências como se fossem dos deuses falando ao mesmo tempo. Mas, embora não as conhecesse, Annie percebeu seu corpo inteiro entrar em colapso quando sentiu que ali também estavam as vozes do pai e da mãe. — Você traz vergonha! Nunca será reconhecida, não merece a atenção dos deuses! Quíron só perdeu tempo com você até hoje, por que não toma vergonha e vai embora? Você é um atraso! Sua mãe morreu por nada!

Annie não percebeu logo de cara que estava soluçando de tanto chorar. Não sabia se estava gemendo ou gritando por socorro, talvez estivesse apenas pensando. Seu peito doía, sua cabeça parecia que ia explodir, seu corpo inteiro era só calafrios e ela apertava as mãos contra as orelhas, tentando não ouvir o que o conjunto de vozes dizia, mas era tudo em sua mente. Era impossível escapar. E eles continuavam falando que ela seria um fracasso, que nunca conseguiria ser forte como desejava, que todos aqueles treinos não serviriam para nada, porque ela sempre perderia suas batalhas. Ela não era digna de ser filha de um deus e de Valerie Murray.

— CHEGA! Por favor... chega! Eu não aguento mais!

— Viu só? Não aguenta! É fraca! Eu nunca vou reclamar você, Annie! Você é covarde! É medrosa e se deixa dominar pelos próprios medos! Você seria uma vergonha para o meu nome!

— Eu não sou covarde!

— Então por que você não toma uma atitude, Annie?! Vai ficar esperando até quando? E se seu pai não quiser te reclamar aos dez anos, como supostamente prometeu? Você nunca sequer ouviu a profecia, não é? Nem sabe se ela é real ou não! Então por que não faz algo por conta própria? Você é covarde!

— EU TENHO MEDO! É ISSO QUE VOCÊ QUERIA OUVIR? EU TENHO MEDO! Eu não quero envergonhar meus pais. Eu não quero ir contra tudo o que minha mãe foi quando estava viva! Não quero que meu pai se envergonhe de mim. Eu quero me fortalecer, eu quero ir além do que já sei que posso ir, mas tenho medo de nunca ser suficiente. Se tudo for em vão... Eu não quero que seja em vão... Não quero que Quíron se decepcione comigo...

— E de que vai adiantar se prender ao medo? Se agarrar ao chão, como faz agora, por medo de cair? É isso que quer fazer pelo resto da vida? Se você nunca se arriscar, nunca vai conseguir sair do lugar, Annie. E ficará presa neste pesadelo para sempre! Mexa-se! Mostre que pode dar orgulho aos seus pais e que os medos não são mais fortes que você. Pule do penhasco, enfrente os raios! É o mundo que deve ter medo de você, não o contrário!

Annie se forçou a se colocar de pé, aos prantos. Olhou para o acampamento lá em baixo e para a tempestade de raios que a cercava por todos os lados. Estava cansada de temer. Cansada de ser vítima de um nascimento que causou a morte da mãe, vítima de uma profecia que não permitia ao próprio pai que a reclamasse quando quisesse, vítima dos medos irracionais que a prendiam dentro de si mesma. Nunca seria dona de sua própria vida se permitisse que aquilo continuasse.

De repente, Annie sentiu os pensamentos se desanuviarem. Estava presa em um pesadelo horrível e seu propósito era enfrentar seus medos. Não poderia ser derrotada em sua própria mente se queria fazer jus a tudo o que Quíron tinha lhe contado sobre a mãe. Ela era filha de um deus e de uma semideusa, legado de Hécate, a deusa das encruzilhadas. Precisava escolher o próprio caminho em vez de deixar que as circunstâncias escolhessem por ela.

Olhou para o céu. Os raios riscavam a superfície esverdeada e os trovões faziam seus órgãos tremerem dentro de seu corpo, mas aquilo acabaria ali mesmo. Ela olhou para baixo e, num lapso de extrema coragem, algo que ela nunca tinha sentido antes, decidiu que a melhor solução era pular. E pulou. Sentiu o vendo fustigar seus cabelos e envolver seu corpo a cada centímetro da queda e, de repente, viu-se deitada no chão, encolhida em volta de si mesma, como se nada daquilo tivesse acontecido.

Vencera. Estava no chão novamente. A fenda brilhava como não tinha brilhado antes, estava forte, pulsando com muita potência. Annie ergueu a mão e a colocou sobre o vórtice. Sentiu o corpo ser sugado e não viu mais nada. Em seu último momento de consciência antes de apagar completamente, desejou apenas voltar para a realidade. E tudo se apagou.

~*~

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Re: Evento secundário — This is Halloween!

Mensagem por Alysson Hoechlin em Sex 06 Dez 2019, 14:46


Halloween
The past is the biggest ghost


A
ssim como muitos dos semideuses, Alysson sempre possuía dificuldade de dormir. Seja pela for muscular de uma luta, ferimento causado por monstros, mensagens divinas ou os indigestos pesadelos. Independente do motivo as noites de sonho tranquilo eram raras para a garota. Surpreendentemente neste dia havia sido diferente, logo ao encostar a cabeça no travesseiro o sono a tomou.

Do mesmo modo que rapidamente adormeceu, despertou em um sobressalto. A semideusa já havia se acostumado a esse modo de levantar da cama, mas dessa vez o ato não se sucedia a um pesadelo. Irritada e um pouco nervosa pela ocasião inesperada, sentou-se rapidamente, tentando assimilar o cenário a sua volta. O chalé de Afrodite estaria exatamente como sempre, exceto pelo detalhe de estar completando vazio.

– Onde infernos todos se meteram – exclamou para o cômodo vazio.

Sem se importar com as roupas calçou suas botas de combate, continuando com a calça moletom cinza e a camisa azul bebê da Moranguinho. No momento que atravessou o batente a menina sentiu a atmosfera deturpada. O ar estava pesado e estagnado, a lua não brilhava, as nuvens brilhavam em um tom doentio de verde, o espaço aberto de entre os chalés estavam tomados de prantas espinhentas e insetos rastejavam pelos cantos.

Aly engoliu em seco ao notar tudo isso, ela nunca confessaria em voz alta sua pequena fobia a insetos. Com a adaga em mãos dirigiu-se para o centro do acampamento, na tentativa de encontrar mais alguém. Quando mais passos a menina dava maior parecia o número de insetos e uma parte de seu cérebro teimava que eles ficavam maiores.

Logo que chegou sua esperança de encontrar outro semideus desapareceu, deixando apenas um calafrio e um gosto amargo na boca. Apesar da tentativa de se manter firme sua expressão denunciava o nervosismo latente. A ansiedade já a preenchia quando a menina notou algo no centro do local, uma fenda de energia quase apagada. Algo no fundo da sua mente deu um alarde de reconhecimento, seus olhos já viram algo similar.

A filha de Afrodite iniciou seu caminho em direção ao objeto parcialmente identificado. Rapidamente mais criaturas rastejantes surgiram e definitivamente estavam maior. Baratas, aranhas, grilos do tamanho de filhotes de cachorro e centopeias de 60cm de comprimento. Uma parte sua queria se afastar, mas ela tinha que chegar ao seu objetivo.

Ao se aproximar as criaturinhas tentavam escalar suas pernas. Rapidamente a menina usou sua delicadeza e agilidade para desviar e afasta-los. Com a adaga ela cortava aqueles que subiam em si. Seu coração e pulmões trabalhavam acelerados, suas pupilas dilatadas pela adrenalina desviavam para qualquer movimento. A semideusa saltou, esfaqueou, girou, cortou, pisoteou, correu, chutou, saltou de novo, continuando seu avanço em direção a escassa luz.

Perto da fenda os insetos não se aglomeravam, dando a ela um pequeno porto seguro para recuperar o ar. Seus joelhos tremiam levemente e tanto sua mente quanto o corpo estavam exaltados. Após conseguir um pouco de calma, a menina guardou a adaga na cintura e se virou para o vórtex.

Semelhante a uma fina coluna de luz a fenda flutuava a poucos centímetros do chão. Olhando atentamente ao objeto Alysson relembrou do que se tratava, um portal. Apesar da pouco experiência no mundo sobrenatural aquilo era algo já visto anteriormente, em uma das suas missões. Da última vez havia um deus envolvido, Aly não era tola o suficiente para entrar em um portal sem destino. Curiosamente o portal perecia possuir um brilho mais forte do que o anterior, antes de sua aproximação.

– Isso não faz sentido! – exclamou irritada – A última vez era a mer... Interferência de um deus. Porque um deus criaria um portal no acampamento e como Quíron deixar... – uma ideia surgiu em sua mente – ... ia. Provavelmente existe uma explicação para tudo. Isso deve ser uma ilusão ou sonho.

Esticando a mão ele tentou tocar a deformidade mas foi impedida por algo que agarrou seu braço. Como um raio a adrenalina percorreu seu corpo. A coisa que a prendia a puxou e jogou para longe, em meio aos insetos. No momento que os animais começaram a escala-la, desespero preencheu sua mente. Enquanto se debatia e afastava todos os aracnídeos e afins, uma parte sua pensou que nada mais a assustaria, estava errada.

O ser que a impediu de entrar na passagem se aproximou. Seu físico era de um homem comum, altura e porte médio, jeans e camisa branca. A única que o diferenciava de qualquer outro era seu rosto, encoberto por uma máscara carnavalesca. O objeto simulava um rosto branco feito de porcelana com uma máscara dourada. Do pescoço franjas carmesim e douradas saiam, assim como no topo, formando uma coroa.

A imagem poderia parecer um pouco sinistra mas não aterrorizante, a não ser para Aly. A semideusa já havia visto isto anteriormente, no dia que seu pai morreu e a reclamação de Afrodite aconteceu. Ignorando completamente os insetos a menina se afastou o máximo possível. Arrastando-se no chão, tentava de toda forma ir para longe. Ao contemplar a cena o mascarado soltou uma risada rouca e bêbada.

– Você não está sozinha, não é menininha?

– Isso é mentira! É um pesadelo! – gritou sem saber se pra si ou pra o outro.

Alysson não podia ver, mas uma parte sua tinha certeza que o homem exibia um sorriso abaixo da máscara. Quando o ser se aproximou ela decidiu sacar sua adaga, o que causa mais um risada dele. Incrivelmente consternada levantou do chão, sempre apontando a lâmina para o inimigo.

– Você vai embora! Desapareça! – exclamou com força.

– Seu truque falho nunca funcionou comigo. Vamos nos divertir, é carnaval. Você está sempre tão sozinha, vou te fazer companhia mocinha.

Para evitar que os lábios tremessem e a bile voltasse com força, a menina cerrou seus dentes. O gosto forte em sua boca trouxe algo além de enjoo, raiva. A filha de Afrodite não era mais a mesma menina assustada, muito menos uma perdida solitária. Ela se tornou uma guerreira, aprendeu a lutar, não seria derrotada facilmente. Ajeitando sua lâmina e respirando fundo não deu tempo para mais conversas.

Simulando um ataque frontal a menina saltou para a direita e desferiu um corte horizontal no braço do mascarado. Irritado o mesmo girou o corpo, tentando acertar um soco. Com sua natureza leve e fluida a garota desviou e chutou a perna do inimigo, desequilibrando-o. Aproveitando o momento deu um passo para trás, girou e desferiu um chute mais forte.

O homem foi ao chão e antes que pudesse levantar foi golpeado novamente. Alysson não daria chance de recuperação ao adversário. Seus golpes eram na maioria chutes e seguidos, impedindo contra ataques. Cansada ela se afasta e busca normalizar a respiração. Com essa ação o mascarado se ajoelha e começa a rir

– Você é fraca! Nunca terá a força necessária para ir até o final – sua voz mudou de divertida para seria – Depois que acabar com você irei atrás das sua amigas. Vou me divertir mui...

Sua fala foi interrompida por um golpe veloz da semideusa. Ela havia lançado a adaga no peito, acertando o coração. O golpe foi impressionante para alguém sem pratica. Em passos lentos a menina se aproximou do corpo caído e puxou a adaga de volta.

– Você não é nada, apenas um fantasma do passado. Que no fim vai cair no esquecimento.

Sem olhar para trás a filha de Afrodite caminhou em direção ao portal. Já havia passado o tempo de lágrimas e arrependimento. O passado era um ferimento que não se cura com atenção, ela iria em frente e não olharia para trás. Ela sabia seu caminho e chegaria nele. Caso alguém tentasse a impedir ela passaria por cima.

O vórtex brilhava e vibrava com força, era o momento de partida. Ao tocar na fenda seu corpo foi atraído para e dentro e transformado em luz. Tudo era luminoso até que se apagou.

Adendos:

Poderes:
[nível 2] Eterna boa forma (modificado, unido com Bons reflexos): a boa forma que você possui agora não confere apenas belas curvas, no caso das meninas, ou músculos definidos, no caso dos meninos, mas também confere certa agilidade e destreza para se esquivar de alguns ataques. É algo leve, contudo, e outros fatores podem interferir. Em combates, você transfere sua graça aos seus movimentos, o que faz com que seja capaz de se esquivar com mais facilidade, com movimentos belos e fluidos. Na prática, chances de esquiva aumentadas em 25% contra golpes normais.
Armas:

Adaga de reclamação
Obs:
Me dá a espada, nunca te pedi nada
É o que temos para hoje, bjs




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Re: Evento secundário — This is Halloween!

Mensagem por Sophia Einstein em Sab 07 Dez 2019, 21:27

Strange dreams
Se existe um local onde você não pode se esconder nem mesmo de si, esse é dentro de seus sonhos. Onde, literalmente, qualquer coisa pode acontecer e o céu é o limite. Bem-vindos(as) ao seu pior pesadelo.

Local: Seattle
Tempo: Passado (8 anos)
Trilha sonora: Underground


A última coisa que a menina se lembrava antes de ter adormecido, era que estava em Seattle após uma longa batalha contra uma criatura ainda desconhecida no trem. E que havia encontrado no box do banheiro feminino um excelente esconderijo para passar a noite, já que, em sua cabeça, os piores perigos que existiam ainda provinham apenas dos mortais (que ilusão a sua). Contudo, após as primeiras horas de sono, o som retumbante de um trovão acordou a menina que, com o coração saindo pela boca, colocou-se sentada no colchão, encarando, ainda desnorteada, o ambiente ao seu redor. Ao observar que o local onde se encontrava não tinha nada a ver com o onde havia adormecido, um rusgo confuso se formou entre as sobrancelhas da criança. Olhando ao seu redor, podia distinguir na escuridão diversos beliches, livros por todas as partes, mapas e o que parecia ser pessoas ocultas por cobertas. Aquilo não fazia a menor lógica na mente da menina que, girando as mãos em frente ao rosto, observava que os arranhados da batalha haviam desaparecido. Então, percebeu que estava de pijama. Uma vestimenta normal para qualquer um. Porém, existia um problema nisso: ela sequer tinha um pijama na mochila.

Aos poucos, Sophia começava a se perguntar sobre o quão maleável uma realidade poderia ser, fazendo-a se lembrar do que a senhorinha de seu último sonho estranho havia lhe dito: “Nem tudo é o que parece, cuidado”. Essa memória fez com que, instintivamente, a criança pegasse sua mochila que estava nos pés da cama e, de dentro dela, retirasse sua faca, dependurando seu acessório no ombro pela alça. Então, engolindo a seco, a menina começou a explorar o ambiente em busca de alguma pista do que aquilo se tratava. Sobre as mesas de trabalho, a garota encontrava diversos desenhos topográficos da região, encontrando-se em um dilema moral sobre levar um consigo ou não. Por mais errado que aquilo parecesse, ainda sim poderia ser útil. Então, com a promessa mental de devolver quando não fosse mais necessário, a menina colocou uma das folhas dentro da mochila e continuou seu trajeto. Abrindo os baús próximos aos pés das camas, a menina pode observar diversas armas medievais guardadas em segurança. Aquilo estava ficando cada vez mais confuso e o arrepio na espinha que tomava Soph em seu subconsciente deixava seus sentidos alertas. Nada de bom parecia estar prestes a acontecer.

Nas paredes, a menina observava diversas trepadeiras espinhentas que subiam pelo chalé, grossas e rígidas. Ela precisava encontrar uma saída para, quem sabe, avisar alguém ou, ao menos, descobrir onde estava. Caminhando até as mesmas, a menina poderia golpear os espinhos até o fim, mas aquilo seria muito pouco produtivo. Teria que ter uma maneira mais rápida e eficaz de descobrir onde estava uma saída. Fechando os olhos, ela tentou imaginar uma casa, apenas as estruturas externas. Obviamente, se a parede era de tijolos, não teria o mesmo material de janelas e portas. O que a fez ter uma ideia. Aproximando-se dos muros que delimitavam o ambiente, ela abria pequenos espaços para que sua mão fechada em punho conseguisse golpear a superfície. Ouvir a diferença de som causada era difícil pelo retumbar dos trovões, mas, finalmente, a menina conseguiu localizar a janela. Então, passou a golpear os tentáculos vegetais com a adaga, abrindo espaço para conseguir passar, porém, o impensável a parou.

Pela janela, água começou a jorrar para dentro do chalé em uma velocidade absurda, fazendo com que a criança cambaleasse alguns passos para trás. O ambiente estava submergindo rapidamente e ela precisava acordar as pessoas adormecidas. Do contrário, morreriam afogadas. Correndo até os beliches, a menina começava a sacudir os corpos ainda ocultos pelas cobertas, gritando em um tom urgente.

— ACORDEM! SAIAM! CORRAM! — As ordens não surgiam efeito algum, nem mesmo suas tentativas de despertar qualquer um dos corpos. Então, optando pela opção mais difícil, a criança descobriu o primeiro corpo com a ideia de arremessa-lo pela janela. Porém, um grito mudo saiu da boca da menina ao revelar o rosto da pessoa: sua mãe mortal. Naquele momento, a criança engoliu a seco, afastando-se com os olhos lacrimejados e em choque. Sophia precisou de alguns instantes para recuperar o controle de si mesma, respirando fundo algumas vezes e passando para os corpos seguintes. Afinal, se ainda existia a chance de salvar alguém ali, ela não a desperdiçaria. Porém, conforme a menina descobria os corpos, eram sempre da mesma pessoa, com exceção do último que se tratava de uma versão mumificada da senhora que lhe observava sempre na biblioteca de Nova York. Sophia sequer conseguia chorar, tamanho o seu desespero ao perceber que já estava com água na altura dos joelhos.

Foi nesse momento, enquanto encarava o rosto da mulher anciã, que o queixo do cadáver tombou, fazendo com que uma enorme aranha começasse a colocar as patas peludas para fora. A visão do aracnídeo, para a prole da Sabedoria, fez com que a criança soltasse um grito de susto e desse um pulo para trás, caindo sentada na água que, agora, já estava com uma coloração avermelhada. Confusa, com a mão livre, Sophia ergueu um pouco o líquido vermelho e, ao sentir o cheiro, percebeu que aquilo se tratava de sangue.

A respiração da criança estava trêmula, mas o desespero ainda a impedia de chorar e, se levantando, a semideusa tentou correr o mais rápido que conseguia para a saída que havia aberto, tendo suas passadas cada vez mais dificultadas pelo líquido. Jogando sua mochila para fora, a menina passou a tentar escalar até a saída, sentindo os espinhos que perfuravam sua pele. O que, se não fosse os altos níveis de adrenalina que enfrentava, sem dúvidas lhe causariam dor extenuante. Ignorando os cortes, a menina saiu do chalé ao cair, em um baque mudo, no terreno do lado de fora.

Com o coração frenético, Sophia começou a se colocar em pé, percebendo que não existia fonte alguma daquela água e, depois, do sangue. Nenhuma explicação lógica existia para aquilo tudo e isso era visível na expressão confusa no rosto da semideusa que, recolhendo sua mochila do chão, começava a murmurar consigo mesma. — Okay... O que está acontecendo aqui? — Foi então que, pensando rapidamente em cada evento sucessivo, as peças começavam a se encaixar em sua cabeça. Aquilo não poderia ser real. Nem mesmo nas situações mais estranhas que havia passado nos últimos dias, as coisas eram tão desconectadas entre si quanto naquele cenário. Sua mãe estava morta, ela havia visto a morte de sua progenitora. E, nem mesmo no pior dos cenários, a senhora da biblioteca estaria naquele nível de decomposição em tão pouco tempo. Só podia se tratar de um sonho. Ou melhor, um terrível pesadelo.

Já consciente de que aquilo se tratava de uma obra de seu próprio subconsciente, então, a menina começou a observar o novo cenário que enfrentava. Olhando ao redor, percebeu que se parecia muito com o sonho que havia tido com a bibliotecária dois dias antes. Entretanto, tudo parecia abandonado há anos e aquilo era um problema, pois Sophia sabia que jamais havia conhecido de fato aquele lugar. Ou seja, não possuía base de avaliação alguma sobre aquilo fazer sentido ou não. Do chão, baratas, besouros e minhocas se moviam. Contudo, nada causava mais a sensação de mãos frias em Sophia do que as aranhas que escalavam por suas pernas, fazendo com que a menina beirasse aos gritos de pavor a cada nova sensação de perninhas se movendo em sua pele. Todavia, precisava encontrar a solução sobre como sair daquele local.

Conforme caminhava, observava que mais locais parecidos com chalés estavam distribuídos pelo seu campo de visão. Contudo, envoltos por grossas camadas de espinhos, tornando-os quase indistinguíveis. Porém, conforme explorava o local, a semideusa não conseguia ignorar a sensação de que estava sendo constantemente observada, por mais que não conseguisse ver ninguém além de si mesma.

Ainda desconfiada, Sophia continuava seu percurso, sempre atenta a qualquer ruído fora do normal, quando algo parecia brilhar ao longe. A loirinha, unindo as sobrancelhas, passou a apressar as passadas em direção a única fonte de iluminação do local, mas diminuiu, escondendo-se atrás de um tronco de árvore, ao se aproximar o suficiente. Tratava-se de uma espécie de fenda, dependurada em pleno ar. Olhando ao redor, a menina caminhava dando voltas em torno de si mesma e empunhando com força sua adaga, até o que parecia ser uma praia abandonada, até que ficou diante da mesma. Com um bico de lado formado nos lábios, então, Soph resolveu arriscar, passando de leve a adaga na mesma antes de tentar algum contato mais direto. Nada aconteceu. Então, a criança optou por tocar com os dedos, sempre muito atenta não apenas ao comportamento da fenda, mas também a aproximações inesperadas. Mais uma vez, o resultado foi um grande nada. Afastando-se um passo para visualizar melhor a extensão da mesma, algo desviou sua atenção. Em seu corpo, o arrepio já conhecido por perninhas magricelas e peludas subindo por suas pernas, tomavam conta de seu consciente. A menina tinha verdadeiro pavor de aranhas. Engolindo a seco, a criança segurou com mais força sua adaga, começando a afastar as mesmas com a lâmina. Contudo, isso não as impedia de retornar e, muito menos, de mais aracnídeos se aproximarem da semideusa. Um medo tolo para a maioria das pessoas. Porém, Sophia tinha aracnofobia e aquilo a deixava maluca. Com o queixo trêmulo, a criança começava, agora, a golpear as aranhas com a lâmina, mesmo que isso lhe rendesse alguns cortes em suas próprias pernas, o que parecia aumentar ainda mais a vontade daquelas criaturinhas horrendas em lhe atacar. — Isso não está dando certo. — Reclamou consigo mesma, passando a tentar manter a calma para bolar algum plano que, de fato, fosse funcionar. Mesmo que não percebesse que, a cada aranha morta, a fenda brilhasse com maior intensidade. Contudo, seu foco era em se livrar das criaturas.

Foi então que percebeu a praia ao seu lado. Sophia nunca havia sido uma grande fã de mar e piscinas, mas, situações de desespero pediam medidas desesperadas. Sem hesitar, a criança atravessou as aranhas que a circulavam, tentando ignorar que mais ainda subiam por seu corpo ao fazer isso e se jogou na água, deixando que as mesmas morressem afogadas. E lá ficou até que o restante ainda sobrevivente do grupo desaparecesse, tendo seus olhos ofuscados pela luz (agora intensa) da fenda. Porém, ao sair da praia e retornar para a areia buscando verificar novamente a fenda, alguém atrás de si a chamou.

O som de risadas de sua mãe chegou aos seus ouvidos. Ela divertia-se com outra mulher, alta, com cabelos sedosos e escuros. A pele bronzeada contrastava com os olhos cinzentos da desconhecida. E sua mãe... Bem, ela sequer se parecia com a mulher com quem havia crescido. Estava limpa, sóbria, sem as olheiras ou a maquiagem borrada pelas madrugadas passadas em bares. Aquela cena causou um sorriso no rosto da menina, por mais que estivesse presa em um pesadelo. Apesar dos pesares, a mortal ainda era sua mãe e ela a amava. Foi então que duas mãos pousaram sobre os ombros da criança. Gélidas, ossudas, mas não tão apavorantes quanto a voz que lhe sussurrou em seguida. O timbre exalava crueldade em si, fazendo com que a menina se enrijecesse e sequer conseguisse reagir fisicamente, enquanto a fenda perdia brilho atrás de si.

— Uma família feliz e unida. Não é maravilhoso? — Indagou a voz. Sophia adoraria ver o rosto de quem lhe falava, mas seu corpo não mais lhe obedecia. — Mas isso não é de verdade. — A criança rebateu, continuando a tentar se manter sã, enquanto a fenda começava, aos poucos, a perder brilho atrás de si. — Porém, poderia ser. É como seria a vida dela... Antes de você causar todo o seu sofrimento. — Cada palavra que a criatura falava entrava na mente da criança que engoliu a seco, sentindo os olhos lacrimejarem. Sim, ela quem havia causado tudo aquilo para sua mãe. — Sophia... Você a matou. A matava todos os dias. — Ele rebateu, cravando as unhas na pele dos ombros da mais nova.

Foi nesse momento que a mulher mais alta desapareceu, deixando sua progenitora sozinha e uma terceira figura entrou no cenário. Se tratava de Sophia que se aproximava da mãe, agora tombando de joelhos e implorando, em pleno desespero, por sua vida. A semideusa encarava tudo, impotente e preocupada. Então, sua marionete, ergueu o braço estendido, empunhando uma arma, fazendo com que o coração da criança parasse por alguns instantes.

— Não... Não... — A menina sussurrava, negando com a cabeça, enquanto sua sósia sorria de forma cruel e disparava, fazendo com que sua mãe tombasse no chão, morta. — NÃO! POR QUE VOCÊ DEIXOU? — A semideusa se debatia, agora em prantos e desespero. — POR QUE VOCÊ FEZ ISSO COM ELA? — Perguntava, descontrolada, para as mãos que a mantinham imóvel. Então, uma risada de desdém foi ouvida. 

— Eu? Quem fez isso foi você... — Disse, com uma crueldade cortante, resultando em mais revolta na criança que rebatia. — Eu não fiz nada! Estava parada aqui! — Argumentava, mas mais uma risada foi emitida por seu contentor. — Tem certeza? — Nisso, a menina olhou para sua mão livre que segurava um revolver. Não qualquer arma, a mesma usada para o assassinato de sua mãe. — Não! – Protestou a criança que sentiu os joelhos se afrouxando até que caísse sobre eles na areia, murmurando. — Eu não fiz isso... Isso é só um sonho... É só um sonho... Eu não fiz isso... — Falava, já beirando à loucura. Porém, a voz não cessava por ali, parecendo se divertir com a situação.

— Você não só fez, como não é digna da companhia de ninguém. Por isso, está sozinha. Você não merece ter amigos, família, nem nada disso. — Cada acusação, perfurava a menina de maneira dolorosa em uma tortura psicológica e emocional. Phobos sabia exatamente os medos que a criança escondia até de si mesma. Em prantos, Sophia tentava reagir, mas não conseguia. Porém, a revolta por aquelas palavras que continuavam a ser ditas repetidamente, começava a se acumular dentro de si. E, decidida, a semideusa conseguiu usar aquilo como sua força final. — Isso é mentira! — Gritou de volta, levantando-se com o rosto banhado e as mãos em punho. — Não importa o que alguém tenha feito, essa pessoa SEMPRE vai ser digna de ter um futuro! — A criança falava, agora ganhando força a cada palavra. Não aguentava mais conviver com aquela navalha enfiada no peito ou aquela voz em sua cabeça que sempre dizia que ela não era digna de ninguém. — Nada vai mudar que eu perdi minha mãe ou que ela precisava de ajuda, mas eu fiz SIM tudo o que eu podia! Eu lutei por ela! — Aos poucos, as palavras da bibliotecária em seu sonho anterior começavam a ficar mais reais em sua mente. — Eu lutei para trazer ela de volta ao que ela era até o último suspiro dela! Assim como eu vou lutar por mim mesma até o fim!

Conforme a menina se defendia, a criatura perdia mais e mais controle sobre si mesma, causando revolta na entidade. — E não vai ser um sonho idiota que vai me fazer desistir de mim mesma ou de qualquer um que se aproxime de mim! Porque família vai muito além do que sangue e TODOS têm direito a terem para quem retornar! Eu posso não ter ninguém agora, mas isso é temporário! Eu vou ter alguém! Vou ter uma nova família que vai lutar por mim tanto quanto pretendo lutar por eles! — Sophia estava soltando tudo o que estava engasgado em sua garganta desde que havia nascido e, aos poucos, transformando aquele terrível pesadelo em um desabafo de sua mente. — E, talvez, se minha mãe tivesse permitido que mais gente se aproximasse dela, mais pessoas haveriam lutado por ela e teríamos salvado ela dela mesma! — Com isso, a criatura acabou desaparecendo, deixando a menina com a respiração ofegante, encarando o nada, enquanto tentava secar o rosto molhado pelas lágrimas com as costas das mãos trêmulas.

Novamente, estava sozinha na praia. Sua cabeça, parecia estar prestes a explodir, mas a fenda a sua frente estava quase a cegando. Algo, em sua intuição, fez com que a prole de Atena sentisse que devesse se aproximar desta e assim o fez. Com passos lentos, a menina sentia que uma força invisível a puxava para o interior da abertura e, elevando sua mão diante do rosto, a semideusa observou que a delimitação de seu corpo estava se desfazendo, deixando-se levar para dentro da mesma.


arsenal:
{Half Blood} / Adaga Comum [Adaga simples feita de bronze sagrado, curta e de duplo corte. A lâmina possui 8cm de largura, afinando-se ligeiramente até o comprimento, que chega a 20cm. Não possui guarda de mão e o cabo é de madeira revestido com couro, para uma empunhadura mais confortável; acompanha bainha de couro simples.] {Madeira, couro e bronze sagrado} (Nível mínimo: 1) {Não controla nenhum elemento} [Recebimento: Item de Reclamação]
Sophia Einstein
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Re: Evento secundário — This is Halloween!

Mensagem por Lavinia S. Larousse em Dom 08 Dez 2019, 10:41



heatwaveAnd in my dreams my mind floats back to that hot hazy night and the fiery horizon, rose coloured sky
Um calafrio percorreu por toda a extensão do seu corpo imerso nos edredons, fazendo com que despertasse vagarosamente de seu sono. Sem abrir os olhos, aproveitou por mais alguns instantes a sensação de estar em total repouso e silêncio, perfeitamente confortável na cama cinco do chalé de Despina. Seus irmãos não conseguiam entender o fato de uma semideusa do frio gostar tanto de ficar entre os cobertores, mas era exatamente este o ponto — quanto mais frio você sente, mais gostoso é amontoar-se no colchão repleto de mantas e travesseiros, sentindo seu corpo saciar-se no aconchego térmico tal qual um grande gole d’água quando se está com muita sede.

As cortinas brancas balançavam conforme a brisa mágica circulava dentro do dormitório, permitindo que assim as janelas ficassem fechadas a maior parte do tempo, um pequeno privilégio para quem poderia criar seu próprio ar-condicionado. O que intrigou a meio-sangue, tirando-a de seu estado de pura serenidade interior, foram os flashes de luz que dançavam pelo lado de fora, iluminando porções aleatórias do chalé e irritando seus sentidos agora completamente dispersos. Ao abrir os olhos para checar do que se tratava o show de cintilância, surpreendeu-se ao se encontrar sozinha em meio ao cômodo vazio.

Levantou bruscamente, alcançando a porta e deparando-se com um improvável cenário do lado de fora: centenas de monstros e semideuses disputavam por suas vidas em uma confusa simultaneidade de golpes de lâminas e lampejos de poderes coloridos. Como todos teriam acordado sem avisá-la? Poderia ela ter ficado adormecida até o amanhecer, sem conhecimento da nova invasão? Sem tempo para questionar mais à fundo a coerência dos acontecimentos, partiu para o campo de batalha. Suas roupas eram as de sempre: camiseta laranja do Acampamento, um tênis qualquer e shorts de cintura alta, apoiando a bainha da espada de Psiquê. Havia dormido assim?

— Lavinia, onde você estava? — questionou Christopher, arfando, assim que esbarrou com a filha de Despina. O sangue escorria por seu braço, misturando-se com o suor de quem já lutava há tempo. Todos ao redor pareciam cansados e machucados, mesmo os melhores guerreiros de Ares.

— Eu estava… — hesitou por um instante, sentindo-se confusa e envergonhada ao mesmo tempo — eu estava dormindo…

A garota teve de assistir o semideus lançar-lhe um olhar de reprovação, deixando escapar um lamento frustrado antes de se afastar sem dizer mais palavras. Stone deu um passo à frente, mas sua mão não alcançou o rapaz em tempo.

A situação a deixou levemente abalada, mas desculparia-se depois. Sacou a espada da bainha e a dividiu em duas, tendo uma lâmina em cada mão. Estava pronta para participar da luta e defender o Acampamento, enfim. Ao momento em que se virou, pôde ver uma mulher etérea aproximar-se de uma criança que não aparentava passar de dez anos. O pequeno, com apenas uma faca em mãos, golpeou o vento ao tentar atingir a criatura fantasma. Lavinia sabia que se tratava de uma Banshee, um morto-vivo poderoso e difícil de vencer.

Teve o impulso de conjurar um escudo entre a criança e o monstro assim que percebeu que este investiria contra seu adversário. A entidade, entretanto, atravessou a camada de gelo sem dificuldades, chegando tão próximo do semideus que era possível ver sua energia vital sendo sugada, fazendo com que a criança caísse no chão, extinta.

— Não! — gritou a meio-sangue, chamando a atenção da criatura alguns metros de distância. A Banshee olhou com suas orbes completamente brancas para a garota e inexpressivamente virou-lhe as costas, desaparecendo em meio ao caos.

“O que está acontecendo?”, pensava. Enquanto caminhava em direção à Casa Grande deparou-se com Ayla, uma filha de Selene que não encontrava há alguns anos, pois esta já não permanecia mais no Acampamento Meio-Sangue. A semideusa empunhava uma espada longa com maestria, destroçando Gárgulas conforme se aproximavam. Parecia haver um grupo ao seu redor, onde ela era a líder.

— Ayla! — chamou ao longe, correndo na direção da equipe sem ser atingida por nenhum monstro, inexplicavelmente — Eu estou indo ajudá-la, aguente firme!

A morena virou-se e lançou-lhe um olhar de reprovação, assim como fora alguns minutos atrás com o filho de Ares. Os outros campistas não se deram ao trabalho de notá-la se aproximando. Lavinia começou a sentir a angústia apertando em seu peito, nada daquilo parecia estar certo.

— Não há necessidade agora, já fizemos o que você deveria ter feito antes. — bradou em tom de desprezo, voltando sua atenção novamente aos monstros de pedra que vinham incessavelmente.

A filha de Despina ficou atônita. Sentiu-se incapaz, incompetente, obsoleta… sem conseguir conter, deixou uma lágrima rolar pelas bochechas. Estava envergonhada e com raiva de si mesma. Como poderia ter perdido o controle da situação daquela maneira? Já não conseguia mais culpar as outras pessoas por não chamá-la para o combate: ela era a monitora, ela quem deveria ter avisado à todos, não o contrário. Talvez devesse eximir-se de seu cargo, afinal.

Todos que passavam por ela pareciam odiá-la agora. Não sendo o bastante o fato de que não estava colaborando, tinha a sensação de que atrapalhava. Era como ter voltado ao colegial, onde as crianças a escolhiam por último na hora de praticar um esporte, pois não a queriam no time. Aquele antigo trauma estava sempre em seu peito, mas havia se iludido de que no Acampamento estava tudo diferente, de que agora poderia ser reconhecida em algo que era boa. Porém, descobriu novamente que não era mais boa em absolutamente nada.

Ainda à caminho da Casa Grande, percebeu uma estranha movimentação perto de onde deveria ser o estreito do lago. Ao invés de água, havia uma grande fenda onde não se podia ver até onde ia sua profundidade. Tentou, mas não conseguiu chegar muito perto — era como se um estranho campo de força a impedisse. Não sabia mais o que fazer, então chegou à conclusão de que deveria pedir ajuda.

Focou sua mente em contatar qualquer mentalista que poderia estar próximo, mas ninguém respondeu ao seu chamado, nem mesmo a deusa da alma. Seu contato com o grupo havia se perdido completamente, não sendo possível nem mesmo sentir algum companheiro por perto. Sua agonia transformou-se em indagação e desconfiança, fazendo-a repensar novamente os últimos acontecimentos.

— Ugh! — esbravejou, quando o baque de realidade caiu sobre si. Não era a primeira vez (nem mesmo a segunda) que ficava presa no reino onírico, incapaz de acordar de fato. Começou a questionar-se agora quem estaria por trás de tudo aquilo, mas não teve tempo suficiente.

Todos os campistas ao redor da fenda viraram de uma vez só na direção da filha do inverno. Ao invés de ignorá-la, como faziam instantes atrás, agora empunhavam suas armas contra a garota, investindo golpes com toda a força possível. Rostos conhecidos, meio-irmãos, seus amigos mais próximos, todos voltados contra ela.

Lavinia não daria conta. Suas espadas dançavam ao redor de seu corpo, bloqueando os maiores golpes que recebia, mas era atingida vez ou outra. Sua camiseta laranja agora já apresentava marcas vermelhas de sangue. Os campistas se amontoavam para tentar acertá-la, fechando-a em um círculo cada vez menor e mais sufocante.

Seus olhos azuis tornaram-se quase brancos quando usou uma de suas habilidades como manipuladora do tempo. Tudo ao redor ficou lento, incluindo as pessoas. Os pássaros no céu batiam as asas devagar, o som das lâminas e explosões acompanhava o ritmo lento. Não era nem um pouco agradável, mas necessário naquele momento.

Stone marchou para fora do tumulto, afastando com força todas as pessoas em seu caminho. Decidiu que não lutaria mais contra seus colegas de Acampamento, mesmo que eles inconscientemente tentassem lhe ferir. Sabia que tudo não passava de uma ilusão e, mesmo que fosse verdade, conseguiria superar todas as adversidades. Desde muito nova havia aprendido a conviver com seus próprios demônios, era ineficaz tentar afogá-los quando todos já sabiam nadar. Seus medos permaneceriam com ela durante todos os dias até sua morte. A velocidade do tempo agora estava normal novamente, e as faces que a fitavam ainda apresentavam a mesma expressão de desdém.

— Me desculpem se eu os desapontei. Saibam que eu ainda estou comprometida e não vou me deixar abalar novamente. Juntos vamos enfrentar qualquer adversidade que nos for apresentado. — Anunciou para todos que estavam em frente, mas o que sucedeu não foi o esperado.

Não teve respostas para seu discurso. O cenário drasticamente mudara para um Acampamento em chamas, seguido pela queda de todas as criaturas vivas que estavam em seu campo de visão. Todos estavam mortos e aquele seria o fim de tudo.

“Não é real, não é real…”, pensava enquanto se aproximava novamente da grande fenda que dividia o espaço. Desviava dos corpos falecidos, tentando não olhar para baixo enquanto cruzava o campo de batalha. Percebia que agora a fissura estava consideravelmente maior. Uma onda de calor irradiava pela rachadura no chão, fazendo com que seus sentidos ficassem levemente debilitados. Suas espadas agora pareciam derreter em suas mãos.

Criaturas aladas começaram a surgir da fenda, com seus corpos derretidos ou ainda pegando fogo. A carne era visível, mas o monstro não poderia ser identificado como algum animal, tamanha sua desconfiguração. Avançavam, um por um, contra a semideusa que já estava cansada daquilo tudo. Gritavam conforme eram atingidos pelas espadas, caindo no chão em um amontoado de sangue e matéria. Era a coisa mais horrenda que já tinha visto. Conforme derrotava os inúmeros adversários, a rachadura no chão aumentava, agora sorvendo seu corpo para dentro. Lavinia resistia, não querendo cair no abismo que estava em sua frente, mas não teve escolha.

Em um último ato de coragem, deixou ser abraçada pela escuridão.


🌨:
Oie. Os grandes medos da Lavinia são 1. ser incapaz, falhar, tornar-se desnecessária, 2. ser odiada pelas pessoas que são próximas ou convivem com ela, 3. ver seu lar ser destruído e sua família/amigos mortos. Como superação ela tenta ser sempre uma pessoa melhor, aceitando que possui medos e que eventualmente vai falhar, mas sem nunca desistir de si mesma.
PODERES:
Ativos: [nível 5] Ice shield: cria uma barreira de gelo que pode servir como escudo, é feito a partir de alguma superfície e tem o seu tamanho, mas é fino, barrando apenas golpes físicos de poder igual ou menor que o do semideus, ou reduzindo dano de poderes até 5 níveis superiores. Não faz efeito em poderes acima disso, e não se move após criado. 1 vez a cada 3 rodadas, dura duas rodadas.

[Nível 10] Efeito borboleta: Ao ativar essa habilidade, tudo ao seu redor começa a passar em câmera lenta enquanto o mentalista fica na velocidade normal. Uma das características dessa habilidade é que, quando em uso, os olhos do mentalista brilharão em um azul gelo intenso. Pode ser usado apenas duas vezes por missão ou evento e tem duração de apenas um turno por vez, gasto normal.

Passivos: [Nível 10] Perícia com espadas: Mentalistas desenvolvem habilidades com espadas, aprendendo a manuseá-las mais facilmente e conseguindo realizar movimentos com uma certa habilidade. Note que é uma habilidade progressiva e indica apenas uma habilidade melhor se comparado a outros usuários que não possuam tal coisa, mas não dá ceteza sobre suas ações ou acertos.

[Nível 11] Esforço persistente: Psiquê empreendeu esforços além da capacidade humana para cumprir as tarefas impostas a ela, para que pudesse recuperar seu amor. Seus seguidores adquirem a mesma tenacidade física, e, a partir deste nível, o custo de MP para atividades físicas mundanas é reduzido em 50%. Não afeta o gasto por uso de poderes, apenas atividades normais, como correr e etc.

[Nível 17] Mente afiada: Mentalistas possuem a mente rápida, capaz de elaborar planos com facilidade mesmo em situações em que se encontram em desvantagem. Quando seus ataques envolvem uma estratégia (indo além dos golpes diretos, e com a linha de pensamento explicada, dentro do que é coerente) seus ataques ganham uma chance de acerto 10% maior (mas não afeta dano nem a capacidade do alvo de se defender). Não se aplica à estratégia em equipe. Caso já possua alguma habilidade similar, o efeitod e ambas se acumula parcialmente, indo para 15% (de ambas, não de cada uma).

[nível 20] Ritmo lento: sua temperatura é mais gelada e sua circulação mais lenta que o comum. Por causa disso, filhos de Despina / Despoina não sofrem de hemorragias, exceto em casos muito graves - como poderes de uma fonte de ao menos 10 níveis superior. Danos que provocariam hemorragias - como golpes críticos - são reduzidos em 20%.  

[nível 27] Desvendar: filhos de Despina / Despoina dominam segredos. Por isso, possuem uma visão empática semelhante a de outros semideuses, podendo saber o estado de espírito de seus oponentes. Válido apenas para sentimentos gerais, como medo, raiva, etc, mas não pensamentos ou a motivação do sentimento. Para todos os efeitos, é uma condição mental, e pode ser bloqueada ou sofrer resistências pertinentes.
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Re: Evento secundário — This is Halloween!

Mensagem por Veronika Stowe em Dom 08 Dez 2019, 19:01


Star Nightmare
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— Kim… Acorde.

— Hãm… Onde eu estou…

— Está na hora.

— Hora…?

— Acorde! — O tom de voz crescente me assustou.

— Não! — Reclamei, despertando finalmente de meu sono. Minha respiração estava ofegante quando limpei o suor da testa com as mãos. Olhei ao meu redor, confusa. Não parecia estar em casa.

Puxei o pequeno cabo do abajur que iluminava a escrivaninha e assim pude me localizar. Um quarto grande, coberto por um piso de madeira escura e diversas camas antigas. Janelas fechadas e grandes cortinas escuras de dar inveja a qualquer vampiro. Uma coisa tinha certeza: não estava em casa. Aliás, fazia algum tempo que não sabia mais o que era ter um lar e voltar para o chalé de Nyx só piorava isso.

O silêncio do chalé foi cortado por um solavanco atrás da porta a alguns metros do beliche. Puxei da escrivaninha meus equipamentos, calçando o primeiro par de botas que encontrei. Caminhei até a porta, segurando firme na maçaneta. Algo não parecia estar certo do outro lado. Pude ouvir alguns passos e então abri, encontrando apenas um corredor vazio e alguns sapatos. Suspirei, aliviada, mas não tive tempo para relaxar. A risada amedrontadora de uma criança ecoou em minha mente, numa cena digna de um filme de terror.

Segui pelo corredor, tentando me concentrar no elo telepático dos mentalistas. Nada. Era como se o canal estivesse desligado ou fora do ar, o que era estranho até mesmo para Psiquê. Tentei enviar uma mensagem telepática mais uma vez, sem sucesso novamente, o que começava a me preocupar. Deixei o chalé para trás, encarando um acampamento como nunca havia visto antes. Ruínas nos chalés, fauna e flora contaminadas e uma espécie de céu poluído.

— O que houve por aqui… Quíron. Ele deve saber o que aconteceu. — Indaguei esperançosa.

Durante a caminhada pela trilha dos chalés tentei identificar o céu sob minha cabeça e era como se todas as constelações não existissem mais, apagadas do universo junto ao meu senso de localização. Aterrorizadamente, com certeza, mas esse era o menor dos problemas. Quando cheguei na varanda da Casa Grande, agora destruída como uma cabana velha e suja, pude presenciar um alerta em minha mente. A vegetação ao meu redor cresceu, criando uma muralha gramínea que tomava forma. Toquei meu anel, trazendo a tona sua forma de espada para combate.

A grama se moveu rapidamente, me cercando com facilidade. Desferi um golpe, cortando a vegetação que se regenerou rapidamente. Ataques diretos não funcionaram, com certeza. Precisava de um novo plano. Talvez fogo? Conseguia conjurar fogo? O gramado crescente cobriu o céu, me deixando presa em uma cúpula “vegana”. A luminosidade cessou, restando apenas o silêncio e a escuridão ao meu redor. Respirei fundo, enquanto meu coração começava a palpitar mais rápido. O que estava acontecendo?

Minhas mãos tremiam e a minha espada caiu no chão. O simples fato de pensar em estar presa por um momento era aterrorizante, mas aquilo estava acontecendo de verdade. Não pude me conter, caindo de joelhos contra o gramado. As parede se contorciam, diminuindo cada vez mais seu tamanho. Agitada, encostei as mãos em meus ombros. Era como se tivesse perdido controle do meu corpo. Maldita claustrofobia.

Alguns minutos sem conseguir sequer pensar e quase desistindo me lembrei do exercício ensinado por um mentalista uma vez. Segurei firme meu pulso, forçando minha respiração pesada e ofegante. Quando a normalizei, tentei me concentrar apenas no momento, a mercê dos meus sentidos. O que estava sentindo? O que havia ao meu redor?

— Grama… Escuro… Chiado… Odor de grama?
— Questionei. A cúpula começou a diminuir mais, se aproximando de minha cabeça.

— Ok, estou sentindo calor… Dor no corpo… Meu pulmão dói. Respirar dói.


Quando a vegetação se comprimiu ao máximo, já estava fatigada demais para conseguir lidar com aquilo. Encolhi meu corpo, deitando de lado sobre os cipós. Desacelerada, minha respiração era baixa e pude sentir o cansaço tomar conta. Não estava mais com medo, apenas exausta mentalmente e fisicamente daquilo. De estar presa. Deixei a escuridão toma conta, sem hesitar em desistir ou descansar naquele instante.

Puxei o ar com força. Meus olhos se abriram e pude sentir a brisa gelada sobre minhas costas. Estava de volta a Casa Grande, sozinha. Era como se a prisão não tivesse existido. Levantei, segurando minha espada novamente. Estava um caco e provavelmente tinha sido uma ilusão. O que me levou a conclusão de que aquele não era o acampamento. Finalmente consegui me recordar; não estava no acampamento a alguns meses, ou seja, aquilo era um sonho. Um péssimo sonho.

Procurei Quíron dentro os destroços da Casa Grande, mas não tive sucesso. O centauro não estava ali e nenhuma alma viva parecia frequentar o local a anos. Segui pela trilha novamente, agora com a sensação de perigo iminente. Ao me aproximar da grande fogueira, uma luz chamou minha atenção. Era uma espécie de fenda dimensional, oscilando sobre uma pilha de madeira. Rodeada por bancos velhos e árvores destruídas, a fenda parecia crescer cada vez mais. Me aproximei, tocando a anomalia com a ponta da lâmina. Sua luz estremeceu, emitindo um flash que me derrubou. Do centro, uma nuvem de fumaça foi expelida, tomando forma aos poucos. Em segundo uma nuvem escura tomou conta do céu, expelindo uma garoa fina de cor duvidosa sobre o campo.

Trovões cortaram os céus, assim como os ventos se agitavam cada vez mais. Era uma tempestade. Eu odiava tempestades pois me lembravam das noites sozinhas na mansão. Deuses, como era horrível. Levantei, investindo contra a fenda já que ela deveria ser a fonte de poder da anomalia. O golpe atravessou a luz, sem nenhum efeito. Como resposta, um relâmpago atingiu o chão a poucos metros, arremessando-me para longe. Tossi, sentindo a água fria perfurar minha pele aos poucos. Da fissura, uma nova criatura emergiu.

Um forma humanoide estranha, corpulenta e colorida? Com dois metros de altura e um terno amarelo, um palhaço segurava um porrete com espinhos na ponta. Sua risada parecia mais alta que a tempestade que só ganhava força nos céus. Uma das árvores foi atingida por mais um relâmpago as minhas costas, explodindo a madeira. Mais uma coisa que eu não suportava e só de vê-lo na minha frente, meu corpo tremeu. Segurei firme a espada, repetindo a mim mesma de que aquilo não era real e de que precisava enfrentar meus medos.

O palhaço correu até mim, rindo em um ataque com seu bastão. Contra-ataquei, bloqueando com minha espada na defensiva. Tomei impulso, saltando em seguida e empurrando-o para trás com o ombro. Seu odor carnavalesco e olhar penetrante me tiravam do sério. Ele atacou novamente, dessa vez com um balão vermelho que inflou da manga de seu paletó horrendo. O estouro comprimiu o ar, arremessando-me novamente para o chão.

— Hora de brincar, Kim! — Disparou o palhaço entre risadas.

— Tinha que ser uma palhaço! Só por que eu tenho medo de palhaços! — Foi quando finalmente entendi o que estava acontecendo — Medo. É isso! Esse lugar está usando meus medos.

— Hahaha! Hora do show!
— A criatura tirou uma buzina de seu bolso, pressionando o botão e emitindo uma onda sonora que avançou em minha direção.

Estremeci, cruzando os punhos na altura do peito para criar um campo de força. O som cessou, interceptando seu ataque diretamente para o espanto da criatura.

— Vamos brincar.
— Avancei, deixando a barreira para trás. Ter noção de que aquilo estava sendo usado contra a minha vontade tornava tudo mais fácil, como se fosse natural ter que enfrentar algo tão bobo que sempre esteve ali.

Golpeei seu peito, rasgando parte de sua roupa enquanto ele urrava. Ataquei mais uma vez, finalizando-o com um corte perfurante em seu peito, sem piedade. Sua expressão risonha desapareceu, restando apenas lágrimas sobre a maquiagem branca de sua face. Retirei a lâmina e ao fazer o corpo do palhaço triste se desfez em névoa. A alguns metros dali a fenda brilhou, sendo afetada provavelmente pelo combate. Restava mais um problema: a tempestade. A chuva se tornou mais forte, dispersando mais e mais água fria sobre o campo. Os ventos começavam a levantar os bancos e troncos, atirando-os em minha direção. Saltei, caindo sobre uma poça de lama a fim de evitar ser esmagada pelas toras voadoras.

O relâmpago desceu, explodindo parte do terreno em uma linha que se aproximava em direção. Corri, deixando para trás um rastro de destruição e um punhado de terra queimada. Pensei brevemente no que me aterrorizava sobre as tempestades: a falta de controle do ambiente ou o desespero por abrigo. Finquei minha lâmina sobre o solo e segurei firme em seu cabo, evitando assim ser levada pela corrente de ar. Tentei dispersar meus pensamentos, permitindo que a tempestade me atingisse. Se aquilo não era real e não poderia combater fisicamente, só precisava enfrentá-lo de uma vez.

O relâmpago tocou o solo novamente, arrastando uma pilha de terra até finalmente me encontrar. Com as perna trêmulas e sem mesmo conseguir enxergar em meio a chuva, pude sentir o calor do feixe de energia cessar quando estava prestes a me atingir. O vento se foi e uma brisa tomou conta do local. O céu voltou ao normal e a água fria havia secado. Eu deveria estar morta, mas sabia que permitir o acaso acontecer era a solução, confirmando minha teoria com o brilho intenso da fenda.

Cambaleei até a fissura, exausta. Não conseguiria lutar mais uma vez contra qualquer coisa que saísse daquele buraco brilhante. Meu cérebro pareciam ovos mexidos no café da manhã a aquela altura do campeonato. Quando me ajoelhei a sua frente, um brilho intenso tomou forma. Mais uma vez uma figura humanoide cresceu sob meus olhos, só que desta vez, uma figura familiar. Uma moça branca, trajando um manto negro comprido que parecia se fundir com o ambiente. Com estrelas brilhantes pigmentadas sobre o tecido, a deusa Nyx parecia irritada ao me ver naquela situação.

— Taeyeon. — Sua voz era profunda e grave — Por quê você ainda está aqui?

— Mãe… Nyx… O que está acontecendo? Isso é um sonho, não é mesmo?

—  Minha prole… Talvez tenha sido um erro ter lhe escolhido. Vejo claramente que a profecia irá se realizar. Palhaços? Tempestades? Tu és uma semideusa. Sempre achei que iria conseguir atingir a bravura de Aquiles.

— Mas eu…

— Que decepção. Moros, meu filho, o único destino irá reinar, destruindo a todos. E a culpa será sua. Você falhou. Seu pai estava deveras correto; tu és uma falha.

— Não… Nyx, eu não… — Começava a perder o controle de minha emoções, com lágrimas rolando por minhas bochechas sujas.

— Como ousa? Brincar com o destino. Sacrilégio!

—  Eu não escolhi isso! — Gritei, batendo os punhos contra a lama.

— O que?


—  Eu não escolhi essa merda de profecia. Eu não decidi o meu futuro. Eu nunca quis ser responsável pelo seu futuro ou por ter que salvar a todos. Eu só queria.... Não ser um fardo. Viver a minha vida. Criar o meu próprio destino.

— Como ousa! Semideuses possuem um único destino: servir ao mundo mitológico e preservar sua essência! Tu foi abençoada por esta profecia e é assim que agradece ao mundo?

—  Eu nunca quis isso. E você chama isso de benção? Se é uma benção, porque abandonou a todos quando tudo ficou sujo? Heim? É isso que os Deuses fazem, correm para os seus filhos quando tudo dá errado ou precisam resolver seus problemas.

— Sacrilégio! — O manto da deusa se expandiu, cobrindo parte do campo ao meu redor.

— Quer saber de uma coisa? Eu achava que tinha medo de tudo relacionado a você. Essa profecia estúpida, seu maldita filho e tudo mais, mas eu estava errada. E vocÊ me ajudou a perceber isso. Finalmente pude entender que o meu futuro depende de mim, apenas. E não vai ser uma réplica barata da minha mãe que vai me dizer o que fazer.


— Aaaaaaargh!


— Foda-se você e sua profecia. Dessa vez, eu vou fazer meu próprio destino! —
Gritei, saltando em sua direção com a espada em fúria. Com um corte crescente, a imagem de minha mãe tremeluziu no ar, dispersando a névoa de seu manto em todas as direções. Cai, com o peso da névoa que implodiu em um redemoinho. Sozinha, exausta e emocionalmente instável pude ver a fenda crescer novamente a minha frente.

Como um zíper a energia brilhante expandiu, sugando toda a energia obscura que cobria o acampamento. Assustada e debilitada tentei me afastar com os pés, sem sucesso. A mercê da energia palpitante, pude finalmente compreender que nem sempre o destino é certeiro e final em suas decisões — principalmente quando um irmão seu é responsável por isso. Precisava salvar o mundo celeste e preservar a memória de Nyx, mas da maneira certa. Da minha maneira. Com um novo plano a ser traçado e o orgulho ferido deixei finalmente a o sonho tomar conta enquanto viajava pelo túnel iluminado de volta a realidade.

Informações:

Obrigado por ler. Gostaria de pontuar algumas informações para melhor compreensão da trama e do post da personagem.

Após anos em batalha com os Deuses e sentido-se traída por seus filhos e companheiros primordiais, Nyx decidiu desaparecer da vista de todos, trazendo a preocupação e o caos no mundo. Com o desaparecimento de sua mãe, Moros, deus do Destino decidiu absorver parte do controle da senhora da noite. Com sua personalidade e poder fragmentado entre três aspectos do universo, Kim foi escolhida a resgatar todos os fragmentos de sua alma para restabelecer o equilíbrio do mundo.

Existe uma profecia que define a personagem uma jornada pelo mundo em busca de fragmentos da alma de Nyx (por isso ela se juntou ao Mentalistas, além de conseguir manter o auto controle sob suas emoções e traumas do passado).

Acho que não preciso explicar muito mais, apenas as DIY que estão por vir.

É isso.

Equipamentos:

☩ {Yin Yang} / Espada [Uma espada de punho prateado e com um desenho bem talhado de uma borboleta em azul. Sua lâmina é de uma beleza diferenciada, pela divisão do cume central, metade dela possui um material negro e a outra metade é feito de prata sagrada. Seu corte é duplo e sua ponta afinada, uma espada bastante resistente. Essa arma vem em uma bainha preta com entalhes azuis em borboletas, ela se adapta ao corpo do mentalista podendo ser usada do modo que este desejar carregar a espada.] [Materiais: Prata Sagrada e Material Negro] (Nível Mínimo: 1) {Elemento: Psíquico} [Recebimento: Presente por ser mentalista]

Habilidades:

Habilidades Passivas:

Nível 2
Olhos noturnos
- Filhos de Nyx / Nox adaptam melhor à noite e passam a enxergar em ambientes de escuridão, mantendo o mesmo alcance e acuidade visual de sua visão normal.

Cura Noturna - À noite ou em locais onde a sombra predomina (locais completamente escuros - uma sala vedada, por exemplo, mas não a sombra de uma árvore ao meio-dia) o filho de Nyx / Nox consegue se curar involuntariamente. Contudo, apesar de não ter controle tem certo limite. Sua regeneração é contínua, mas pequena – não é como se ele fosse imortal ou invulnerável, regenerando apenas 3% de HP e MP por turno – e no máximo 60 por noite. A cura só é ativada com o personagem em repouso ou sem fazer esforço.  [Creio que deva ser levado em consideração nos descontos, ver cálculo de energia abaixo]

Nível 6
Guiado pelas Estrelas -
O filho de Nyx / Nox sabe instintivamente o nome de cada galáxia, cometa ou astro conhecido, mesmo sem nunca ter lido nada sobre o assunto. Além disso, se perdido, poderá perfeitamente se guiar pelas estrelas, reconhecer sua exata localização por elas e assim seguir o caminho correto, desde que em um ambiente natural onde possa ver o céu, e este não seja afetado por magia que possam alterar sua percepção.

Nível 9
Sentidos Noturnos I
: Audição - A noite, a maioria das criaturas dormem, e todo som provocado parece ampliado para aqueles que os escutam. No caso de Nyx / Nox isso se torna real a seus filhos, que tem a audição ampliada em 50%, tanto em alcance quanto em acuidade. [Separado de "Habilidade noturna"]

Sentido temporal - O filho de Nyx / Nox tem consciência de quanto tempo falta para amanhecer - momento em que seus poderes voltarão ao nível normal - e saberão a hora aproximada no período noturno, desde que sejam capazes de visualizar o céu e não se encontrem em um local modificado magicamente.  

Nível 13
Habilidade Noturna I: Destreza
-  O seu poder aumenta quando a noite chega. Neste nível, sua capacidade de deslocamento em metros é um pouco maior que a de um humano comum ou semideus sem habilidades de deslocamento, recebendo um bônus de 25% apenas para limites de deslocamento normais. [Separado do antigo "Habilidade noturna"]

Nível 14
Sentidos Noturnos II:
Olfato - Filhos de Nyx / Nox são mais aptos durante a noite, e agora possuem seu olfato ampliado neste período. Seu alcance e capacidade de distinguir odores recebe uma bonificação de 50% se comparado a um semideus sem tais habilidades. [Separado de "Habilidade noturna"]

Nível 17
Segredos II: Pensamentos
- Nyx / Nox guarda segredos, e seus filhos também, de forma distinta e inconsciente: o fato é que leituras mentais não são tão efetivas sobre eles, só fazendo efeito se o oponente for de nível igual  ou maior ou se o semideus conscientemente permitir. Isso se aplica apenas a leituras, mas não a outros tipos de ataques mentais.  

Nível 18
Habilidade Noturna II: Esquiva
-  O seu poder aumenta quando a noite chega. Agora, além da destreza propriamente dita você recebe uma bonificação de 10% em ações de esquiva. [Separado do antigo "Habilidade noturna"]

Nível 09: Mente focada [Novo]
Mentalistas desenvolvem uma mente mais afiada e capaz de se concentrar melhor nas tarefas que precisa executar. Assim, todos eles passam a resistir melhor a poderes de confusão e distração mental, que não fazem mais efeitos se provenientes de oponentes até 5 níveis inferiores, e entre essa margem e até 5 níveis acima do curandeiro, são reduzidos à metade, funcionando normalmente além disso.

Nível 10: Perícia com espadas [Novo]
Mentalistas desenvolvem habilidades com espadas, aprendendo a manuseá-las mais facilmente e conseguindo realizar movimentos com uma certa habilidade. Note que é uma habilidade progressiva e indica apenas uma habilidade melhor se comparado a outros usuários que não possuam tal coisa, mas não dá ceteza sobre suas ações ou acertos.

Nível 11: Esforço persistente [Novo]

Psiquê empreendeu esforços além da capacidade humana para cumprir as tarefas impostas a ela, para que pudesse recuperar seu amor. Seus seguidores adquirem a mesma tenacidade física, e, a partir deste nível, o custo de MP para atividades físicas mundanas é reduzido em 50%. Não afeta o gasto por uso de poderes, apenas atividades normais, como correr e etc.

Nível 14: Resistência mental II

A resistência dos mentalistas é ampliada, e agora não apenas leituras, mas invasões mais profundas e ataques também tornam-se mais difíceis, adquirindo imunidade a este tipo de poder caso o oponente possua até 10 níveis abaixo, e uma resistência de 50% caso esteja entre este nível e 10 níveis acima. Além disso, ainda são afetados normalmente. [Modificado]

Nível 15: Otimismo [Novo]

Psiquê é, acima de tudo, a deusa do otimismo: ela não desistiu diante das adversidades, mantendo-se otimista de que iria vencer os desafios impostos. Essa é uma convicção forte e esperada de seus seguidores, que desenvolvem um senso similar. Assim, eles tornam-se mais resistentes a poderes de manipulação mental que visem provocar tristeza ou raiva (como fúria) - mas ainda podem ser submetidos a isso voluntariamente. Do contrário, poderes do tipo provenientes de fontes menores não os afetam.

Nível 19: Resistência à ilusão [Novo]
Por sua percepção maior dos aspectos ao seu redor, Mentalistas tornam-se resistentes à ilusões. Poderes do tipo que sejam de fontes ao menos 10 níveis abaixo deles não funcionam, e acima disso e até 10 níveis superiores, a eficácia é de apenas 50%. Acima disso, funcionam normalmente.

Habilidades Ativas:

Nível 12: Campo de Força: Cria uma barreira semi-invisível de cor azulada a sua volta, que bloqueia ataques que possuam componentes físicos. Dura apenas 1 turno e ataques corporais de personagens mais poderosos podem quebrar a defesa (personagens de nível igual ou abaixo tem o ataque bloqueado, e até 5 níveis acima reduzido em 50%, acima disso, o campo é inefetivo). [Modificado]

Cálculo de HP/MP:


Antes:
HP: 150
MP: 150

Depois:
HP: 100 (-50 por danos de arremessos, quedas e esforço físico)
MP: 85 (Skill Ativa 4 x 12 = 60. + Redução de 50% dos efeitos passivos)
Veronika Stowe
Veronika Stowe
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Re: Evento secundário — This is Halloween!

Mensagem por Ayla Lennox em Dom 08 Dez 2019, 21:08


o diabo é perto, deus é longe
pois dizem que os deuses esconderam as coisas
e que um dia estas te acertam de lado sem aviso
(miguel cardoso, VÍVERES)

Vá embora.

Se encarasse a penumbra por tempo suficiente, talvez pudesse enxergar a angústia condensada em uma silhueta esguia a pesar sobre seu peito. As inquietações que vinha carregando eram traiçoeiras, mas aquela urgência para partir era diferente – não exatamente nova, mas diferente – e deixava claro que não poderia ser contrariada.

A consciência lhe voltava aos poucos, procurando sentido nos arredores como quem procura pelas próprias roupas jogadas no chão ao acordar no quarto de um estranho. Não tinha rumo até ver uma porta entreaberta nas proximidades. Tão logo a viu, seus pés se apressaram e suas mãos a alcançaram, abrindo-a em um único empurrão.

Vá embora.

A luz que rasgou o céu feriu seus olhos despreparados. Não era luz de lua, menos ainda de sol. Era um fulgor de fúria que pelos ingênuos poderia ser atribuída a um acaso tempestuoso, mas a semideusa poderia facilmente nomear Zeus na trilha do raio que foi seguido por um rugido rouco de um trovão.

Naquele súbito de clareza, soube onde estava. Soube, acima de muitas outras coisas, que aquilo não era e nem poderia ser real.

De pé na entrada do chalé dezoito, Ayla vestia a camiseta laranja do acampamento. Era um traje que lhe causava estranheza pelo anacronismo; pouco importava se o tamanho servisse bem em seu corpo, era uma peça que não a cabia mais.

— Inferno. — Grunhiu.

Sentiu a náusea golpear seu estômago assim que viu a terra ser rasgada sob seus pés, exibindo raízes pontiagudas e animais prontos a se alimentarem de restos que a vida haveria de enterrar. Não era um cenário desolador por completo, mas parecia estar preparado para receber a ruína.

Era um chão que, mais uma vez, aguardava morte.

Seus olhos varreram o ambiente que parecia estar estranhamente deserto até encontrarem uma fenda bruxuleante à sua frente. Aquele estreito vago e de aparência frágil era o mais próximo de uma escapatória que tinha, por isso não poderia permitir que sumisse. Não antes que o atravessasse para longe do que quer que aquele mundo fosse.

Não correu. Precisava experimentar cada passo dado naquele chão trêmulo e cada cor daquele filtro empoeirado e mórbido que pairava pelo Acampamento, só assim daria sentido àquela armadilha dos deuses – senão eles, quem mais a levaria até ali?

Três uivos distintos fizeram com que hesitasse. Os animais se anunciaram e em poucos segundos já ocupavam lugar em uma espécie de barreira em frente ao suposto portal, todos de cores diferentes e, exceto pelo tamanho avantajado, eram um retrato perfeito de lobos comuns. Lennox, contudo, não era ingênua a ponto de crer que houvesse qualquer coisa comum naquele trio.

— Me deixem ir. — Disse. — Saiam do caminho.

Não houve reação. Deu um passo à frente e recebeu em resposta um rosnado, de maneira que os pelos em sua nuca se eriçaram imediatamente. Algo estava errado. O alfa, de pelagem totalmente branca, sentou-se. Os demais, cobertos em tom cinza e preto, assumiram posição de ataque.

— Não precisamos lutar. — Explicou a garota, contendo o impulso de recuar. — Estamos do mesmo lado. Sempre estivemos.

— Não conhecemos você. — Disse o branco. — Não é ninguém.

Oblívio. Estavam ali para levá-la ao fim que vinha evitando. Os três, juntos. O divino, o mortal, o meio-termo entre ambos. Não seria mais o que acreditava ser. Iriam moldá-la como desejavam. Outra vez.

Não.

Pelo que registrou como a primeira vez em muito, lançou-se de peito aberto à luta, lembrando do que queria dizer a palavra risco. Sentia-se frágil. Sabia que precisaria fugir, eventualmente. Que já não resistiria¹ como antes, e não havia uma barreira sequer entre ela e a antecipação de seu fim. Com a mão trêmula, ergueu a adaga velha para que acertasse o tórax do animal quando estivesse mais exposto, certa de que aquela seria sua única chance.

Esperou que avançassem contra si até o momento do salto, que não veio. Em vez disso, reparou apenas no brilho crescente da fenda.

— Mesmo com medo, sequer hesita, não é mesmo? — Questionou o lobo branco, encarando-a com íris acinzentadas com as dela. —  Violência é como responde. Acha que não tem mais nada a perder, nem a si mesma.

— Nunca tive outra escolha. — Ayla deu de ombros.

Seria loucura dizer que ouviu um riso seco escapar por entre os caninos da criatura, mas como nunca soube ao certo o quão presa à sensatez, resolveu não duvidar. Antes de recolher-se rumo à floresta, o lobo riu. Breve, quase como uma lufada de ar amarela e sem humor real algum, mas era um fato, mas certamente com motivo.

Poderia muito bem ter sido um desafio. Algo como um silencioso "Veremos." escondido em cada passo do trote que o levava por entre as árvores.

Talvez tivesse sido.

— Não teve escolha? — Uma voz infantil serpenteou pelo ar. — Mas... você escolheu nos deixar.

Virou-se de súbito em busca da origem daquelas palavras, sem sucesso algum. Era uma acusação nova e densa, do tipo que não podia ignorar, não naqueles termos. Encontrou apenas o vazio. Portas de chalés abertas, cortinas que dançavam pelos peitoris de janelas abertas, folhas secas que caíam, mas ninguém ao alcance de seus olhos.

— Era seu dever lutar. Lutar por nós. — Uma nova voz, dessa vez mais velha, alcançou seus ouvidos.

— Escolhemos esperar você, Ayla. — Foi a vez de uma garota chamá-la. — Foi uma escolha errada...

Finalmente sentiu um puxão na barra de sua calça, que logo alcançou sua panturrilha. Era um toque gélido e cortante. Pesado como quem desfalece. Focou no chão, que já não era um emaranhado de raízes e grama, mas de camisetas alaranjadas tingidas em escarlate que se misturavam à terra em um marrom pútrido e malcheiroso. Eram campistas, todos estavam exatamente da maneira que lembrava de vê-los quatro anos antes.

— Eu lutei, não lembram? — Questionou, exasperada. — Eu já pertenci a este lugar! Essa guerras já foram minhas!

Mais mãos. Mais rostos. Cada um deles tentava erguer o corpo fraco do chão às custas da lupina, que precisava lutar para permanecer de pé enquanto se desvencilhava de alguns toques se muito sucesso. Os conhecidos olhos fundos, vagos, sem vida. Curandeiros, novatos, outros monitores que estiveram ao seu lado até... até o levante. O momento em que percebeu o abandono dos deuses.

Sentiu-se abandonada naquele instante também.

— Por que desistiu de nós, Ayla? — Todas as vozes se uniram em uníssono, mas ela as ouviu como um sussurro ao pé de seu ouvido. — Veja o que tivemos que fazer.

Apontaram para a fenda, que reluzia com mais intensidade e tinha as bordas mais vivas. Não parecia mais uma saída, no entanto. Apresentava-se como uma espécie de fogueira cujas labaredas lambiam o céu sem gerar calor algum, sem parecer iluminar os arredores. Era uma formalidade de despedidas.

Era um fogo feito para queimar mortalhas.

E a culpa era dela.

— Eu... — Tentou dizer, mas as palavras não lhe escapavam.

Já estava no chão. Tinha os meios necessários pra lutar, mas contra aquilo não fazia sentido. Por um instante, desejou suportar o fardo de Atlas brevemente, só para que experimentasse um pesar diferente daquela culpa que pensou ter expurgado ao deixar as fronteiras. Estava cansada. Tão cansada quanto no dia em que desistiu pela primeira vez.

— Eu não consigo.

As palavras escaparam dentro do que seria mais um suspiro supostamente final. Cedeu à força que a puxava para... bom, para qualquer lugar que não fosse mais ali.
ademais:
+ e aí, tranquilo? tô meio enferrujada nisso de narrar. espero que o post não esteja tão ruim e dê pra entender tudo de boa;
+ a ayla descobriu que o rolê não é real não só por estar no camp/com a camisa do camp, mas porque há muito decidiu não retornar ao lugar e menos ainda pra lutar por ele;
+ as fobias pequenas eu personifiquei na alcateia pra representar o medo da ayla de não ser mais reconhecida/se reconhecer. é difícil explicar, mas os bichos remetem à identidade dela e o que construiu (seja no camp, seja com os deuses ou sozinha);
+ outro medo é de estar indefesa, joguei isso aí de um jeito meio subjetivo também deixando ela sem a jaqueta;
+ finalmente, como gabriel garcía diz, é como se o tempo desse voltas sobre si... a ayla tem medo de reviver as perdas que teve no camp. o levante bagunçou a cabeça dela uns anos atrás, tirando principalmente a ideia de segurança e tal e achei importante colocar isso como "grande desafio";
+ bom, o ponto obrigatório diz que a gente precisa enfrentar e não necessariamente vencer, por isso o desfecho assim;
itens:
{Half Blood} / Adaga Comum [Adaga simples feita de bronze sagrado, curta e de duplo corte. A lâmina possui 8cm de largura, afinando-se ligeiramente até o comprimento, que chega a 20cm. Não possui guarda de mão e o cabo é de madeira revestido com couro, para uma empunhadura mais confortável; acompanha bainha de couro simples.] {Madeira, couro e bronze sagrado} (Nível mínimo: 1) {Não controla nenhum elemento} [Recebimento: Item de Reclamação]

♦ {Resistance} / Jaqueta [Feita externamente de couro negro batido(o que já dá à vestimenta a resistência de uma armadura de couro), aparentando ser uma jaqueta comum, Resistance oculta suas verdadeiras propriedades de proteção em batalha. Internamente revestida por mitral, fornece grande resistência à semideusa, além da leveza característica do material, de modo que o peso não a prejudica quase nada. Além disso, o item recebeu o encantamento defensivo contra fogo, tornando-se completamente imune ao elemento – não dá imunidade à usuária, apenas à jaqueta.] {Couro e mitral} (nível mínimo: 27) {Controle sobre o Fogo} [Recebimento: The Dragon's Flame - Forja de Harry S. Sieghart] ¹mencionada

Ayla Lennox
Ayla Lennox
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Re: Evento secundário — This is Halloween!

Mensagem por Brooklyn S. Palmer em Dom 08 Dez 2019, 23:24

so can we pretend, sweetly before the mystery ends? I am a man with a heart that offends with its lonely and greedy demands. There's only a shadow of me; In a matter of speaking, I'm dead.
Aviso: Pode ter conteúdo sensível para algumas pessoas, mais especificamente relacionado à assédio.

Dizem as más línguas que você é incapaz de lembrar de qualquer coisa três segundos após despertar, por isso, no momento em que as pálpebras de Brooklyn se escancararam, ela não teve medo por estar em um lugar completamente desconhecido. Não estranhou as cobertas alaranjadas cobrindo-lhe as pernas ou as inúmeras beliches que lhe rodeavam. Todavia, não houve torpor no mundo que resistisse o sentimento de estranheza que a colombiana sentiu ao perceber que nenhum flash de memória sobre o local lhe invadia a mente e nenhum sintoma de ressaca manifestou-se em seu corpo para lhe trazer a tranquilidade da possibilidade de estar na casa de algum desconhecido após uma noite no bar.

Com as mãos trêmulas, ergueu-se do colchão repentinamente apenas para abrir as cortinas da janela mais próxima e encontrar-se com a noite tempestuosa presente do lado de fora dos aposentos em que se encontrava. As nuvens de tons escuros de verde e as raízes monstruosas brotando do chão pareciam os menores dos problemas para Santiago, visto que ainda era incapaz de reconhecer as construções em seu derredor e os trovões violentos abafavam até mesmo o chilrear irritante produzidos pelos ventos. Se ela pudesse descrever seu pior pesadelo para alguém, provavelmente a imagem produzida por sua imaginação seria absurdamente verossimilhante ao cenário atual em que se encontrava naquele momento.

“Onde diabos é aqui?” Pensou, angustiada e correndo para descer as escadas apressada, porém sem deixar de notar os símbolos entalhados nas paredes que a rodeavam. Sóis, notas musicais, liras e arcos. Todas as imagens que remetiam a Apolo se estavam cravadas em alto relevo nas barreiras de concreto que a prendiam dentro daquele lugar, debochando de seu desespero por estar em um lugar desconhecido e fazendo sua urgência para chegar ao lado de fora ainda maior.

Apenas quando sentiu a terra gelada contra seus pés descalços foi que a cria do Sol conseguiu interromper seus passos, a construção recém-abandonada já em uma distância segura. Tentando recobrar o fôlego, a semideusa cerrou os punhos contra o tecido delicado de sua camiseta e fechou os olhos com força na esperança de que isso a fizesse esquecer do que estava acontecendo naquele exato momento, algo impossível visto que seu corpo estremecia a cada trovoada que ouvia.

Tudo está bem, tudo está bem — sussurrou esperando que aquelas simples palavras fossem o suficiente, os cabelos loiros servindo quase que como uma persiana para o mundo exterior.

Palmer, então, continuou a caminhar com passadas curtas e os ombros encolhidos, havia avistado uma casinha diferente das demais daquele local e se moveu pela esperança de encontrar alguém ali para lhe dizer o que estava acontecendo. Concentrava-se na sensação do ouro gelado de seu broche contra seus dedos e no caminho que traçava como forma de ignorar não apenas a tempestade, mas também a constatação que seu olfato era incapaz de registrar qualquer odor — algo que parecia quase improvável para a colombiana em um lugar como aquele.

Girando a maçaneta da casa, Brooklyn adentrou o local como uma criança indo para o quarto dos pais após ter um sonho ruim. Assim como toda a extensão que já havia percorrido, não havia ninguém, no entanto a garota não deixou de estranhar ao deparar-se com uma gigante fissura de brilho falho no meio do local. A passos tímidos, aproximou-se da abertura no chão lentamente e, ao parar em frente à fenda, quase deixou passar despercebida a imagem de seu reflexo no vidro da janela da moradia. Franziu o cenho em estranhamento, não possuía uma camiseta laranja e muito menos uma camiseta do… Acampamento Meio-Sangue?

E foi apenas naquele instante que as engrenagens na cabeça da jovem pareceram trabalhar. Estava no lugar que todos haviam lhe falado, o lugar onde tudo era melhor para pessoas como ela, onde poderia ficar segura sem a preocupação de ser atacada por monstros. Sua mãe havia lhe contado sobre aquele refúgio em sua última carta, queria que ela tivesse a oportunidade de morar ali para que pudesse, enfim, ficar em segurança. Tinha até mesmo fracas memórias de Ayla lhe dizendo que ficaria segura ali.

Mas não existia um conceito mais surreal para Brooklyn quanto o de segurança e um sorriso brando formou-se em seu rosto com esse pensamento. Só poderia estar sonhando. Em tal caso, o que explicava a rachadura brilhante sob seus pés? Seria um daqueles casos em que você começa a cair em um sonho e acaba, inevitavelmente, acordando? Se fosse assim, que mal faria se jogar ali dentro, certo?

Sem muito divagar, jogou-se na fenda e permitiu que a escuridão do portal sem destino a engolisse na expectativa de acordar de volta em seu apartamento. Contudo, não foi isso que aconteceu. Muito pelo contrário, Santiago acabou por ser vomitada de volta para o casarão, de volta para a borda do abismo sem fundo que parecia ter perdido ainda mais seu brilho, quase como se estivesse desaparecendo aos poucos. Aquilo estava errado, não deveria acontecer daquela forma e a filha de Apolo gritou de frustração, o que pareceu não ter sido a melhor das ideias após alguns segundos.

De dentro da fissura, água começou a sair rapidamente e alagar aquela pequena sala quase como a cena de Alice no País das Maravilhas, exceto que ali não eram lágrimas e que a inundação não parecia que iria parar em qualquer momento. Sentindo um nó formar em sua garganta, Brooklyn prendeu a respiração e mergulhou para chegar à porta, tentando desesperadamente conseguir acesso à uma saída que estava claramente trancada. Ao voltar ao que restava de superfície, a única coisa que parecia real era o gosto salgado do fluido que, em poucos minutos, a afogaria sem piedade alguma de sua pobre alma, sem perguntar sequer se a latina estava pronta para abraçar a morte.

“É só um sonho, Santiago, é só um sonho. Você não vai morrer” sua mente repetia, porém seu corpo não era capaz de acompanhar seu cérebro e seu coração apenas acelerava mais. Àquele ponto, a água já parecia estar preenchendo aquele lugar ainda mais rápido apenas para torturar Brooklyn e, logo, a casa já estaria inundada até o teto. “De longe, meu pior pesadelo” pensou antes de puxar o ar para seus pulmões uma última vez e mergulhar novamente.

Nadou pela sala enquanto ainda conseguia, tentando encontrar uma saída e, visto que a porta já não lhe era mais útil, foi até as janelas. Os trincos pareciam emperrados e quase impossíveis de abrir, mas a semideusa não era do tipo que desistia e, com os pés apoiados na parede, lutou para abrir a fechadura até conseguir. No entanto, o oxigênio já lhe fazia falta e a hispânica já não era capaz de segurar mais a respiração, o que fez com que o líquido salgado invadisse seus pulmões sem muitas cerimônias.

Não havia notado que havia perdido a consciência até sentir uma mão áspera vilipendiando seu rosto com um tapa grosseiro. Tossiu para fora a água salgada de seus pulmões, ainda na mesma sala em que estava antes, no entanto acompanhada dessa vez. Estava deitada sobre o chão com um homem barbudo e suado com os dois joelhos ao lado de seu corpo. Ele tinha uma aparência genérica, lembrando muito os clientes que deitavam-se com Palmer em um passado não muito distante e violavam-lhe o corpo e a alma.

Finalmente acordou. — Sorriu o homem, os dentes amarelos e a respiração quente contra o rosto da latina. — Não teria graça com você inconsciente, amor.

O que não teria graça? — Perguntou como se já não soubesse, a náusea tomando conta de todos os seus sentidos quando os dedos grossos lhe tocaram a pele.

Você sabe… Isso.

E tentou beijar o rosto da semideusa, que desviou do toque com uma expressão de nojo. Sentia-se impotente, fraca, era uma sensação que nunca imaginou que fosse sentir novamente em sua vida. Medo de algo que deveria desejar, medo de mãos sem pena de utilizar-se da violência para conseguir qualquer coisa que quisessem. Cuspiu no rosto do homem e esse, sem complacência alguma, lhe puxou as madeixas loiras com uma mão e lhe estapeou o rosto novamente com a outra.

Não seja difícil, sua desgraçada. Você sabe que nós dois queremos isso. — Já estava mais irritado, sem paciência para lidar com a moça.

O barbudo segurou a borda da camiseta de Brooklyn, movendo o algodão para cima e deixando o abdômen da meio-sangue à mostra e levantando o quadril da garota para beijá-lo. Entretanto, ela não queria isso e sabia. Ninguém mais tinha o direito de tocar em seu corpo sem sua permissão, ninguém mais tinha a liberdade de ditar os seus desejos, sua libido.

Acertou um soco contra o rosto do rapaz, fazendo-o recuar. O ódio lhe subia pelo corpo e a garota o empurrou com força para trás, retirando a adaga do cós de sua calça e colocando na garganta do infeliz assim que ergueu-se do chão. Apertou o metal com força contra a pele alva do pomo-de-adão do homem e assistiu o sangue descer lentamente por seu pescoço. Um turbilhão de emoções pareciam invadir sua mente, confundindo seus pensamentos, entretanto não havia motivação alguma dentro da loira em matar a criatura em sua frente.

Não vale a pena. Você nem real é — concluiu em voz baixa, chutando o peito do homem para que caísse dentro da cratera que provavelmente o criara.

E por falar na fenda, ela parecia brilhar um pouco mais e Brooklyn orava para que aquilo significasse que poderia voltar para casa. Um erro tolo, pois uma figura começou a formar-se a partir das sombras de dentro da fissura e várias formas foram tomadas até transmutar-se em um dos monstros mais temidos pela filha do Sol. Um humano e, mais especificamente, uma mulher ganhava seus traços aos poucos. Quando finalizada foi possível notar seus cabelos longos, sua estatura média e seus olhos caleidoscópicos donos uma melancolia quase sufocante. Todas as características a lembravam de algumas das figuras femininas que já passaram por sua vida, quase como se houvessem incontáveis rostos em um só.

Com um passo, a desconhecida aproximou-se da colombiana com um sorriso triste e cheio de um sentimento desconhecido pela moça. Algo semelhante à pena e que, por alguma razão, fez o órgão vital da garota apertar-se no peito como se já soubesse quais seriam os acontecimentos a seguir. As respirações de Santiago eram curtas e as digitais pressionadas contra seu rosto lhe traziam um afeto já esquecido há anos, o que fez com que sua mão viajasse para tocar a da morena como forma de fazer aquele toque perdurar um pouco mais.

Você sabe, não é? — A voz da outra moça era baixa, um sussurro dócil e repleto de ternura. — Nada que você fizer será o bastante para que alguém fique. Seu destino é esse, assistir as pessoas que ama indo embora uma por uma.

Balançando a cabeça lentamente, Palmer assentiu, uma gota cristalina deixando seus olhos por não aguentar ouvir a verdade. Nunca seria boa o suficiente para fazer alguém ficar e temia que sua vida continuasse assim, uma série de amores que a abandonariam em seguida. Colocou a palma que outrora segurava a mulher em seu pulso, a pulseira que ganhara junto à Alloy parecendo pesar tanto quanto o broche que recebera de Apolo por ter cumprido uma missão com Ayla. A estranha parecia saber o significado por trás daquele gesto, uma vez que ela apenas balançou a cabeça negativamente e girou sobre os calcanhares para sair do lugar pela porta, a mochila pendurada no ombro mexendo-se levemente junto caminhar da jovem.

E Brooklyn a deixaria ir sem luta, sem segurar aquela estranha que se assemelhava tanto às pessoas que ela amava ou deixou de amar. Que sentido tinha em lutar? Suas lágrimas já pareciam incontroláveis à medida que os pés da moça se aproximavam mais da saída. Ela iria embora de todo jeito, certo? Não tinha motivo para ficar com alguém tão suja quanto a hispânica.

Espera. — Em um impulso, a semideusa pronunciou com um tom esganiçado as palavras que pareciam estar presas em sua garganta desde o dia em que vira um homem acertar uma bala contra a testa de sua mãe. Sua tão amada mãe. — Eu não quero que você vá. Eu não quero que me deixe, por favor.

Um soluço escapou dos lábios finos da loira e a outra virou-se para ela, aparentando aliviada e, até mesmo, feliz de ouvir as frases que haviam acabado de ser proferidas. Todavia, antes que as duas pudessem conversar, antes que pudessem se aproximar outra vez, a visão periférica de Brooklyn registrou um forte brilho saindo da fenda e essa é a última coisa que sua mente a permitiu recordar antes que ela fosse sugada pela fissura.


lê aqui, bro:
Oi, perdoa se ficou ruim, faz muito tempo que eu não escrevo e devo ter deixado uns errinhos escaparem na revisão 😔😔

Enfim, os medos citados da Brooklyn foram os seguintes:
1. Afogamento;
2. Toques indesejados, assédio, estupro (Pra quem não lembra, a Brooklyn era sex-worker e fazia parte de uma gangue durante a adolescência. Tem DIY e narrada contando sobre o que ela passou em relação à violência sexual, então né.);
3. Abandono.


Ah, fun fact! O motivo pelo qual ela não sentia cheiro nenhum é porque é impossível você sentir cheiros em sonhos.
Armas:
{Half Blood} / Adaga Comum [Adaga simples feita de bronze sagrado, curta e de duplo corte. A lâmina possui 8cm de largura, afinando-se ligeiramente até o comprimento, que chega a 20cm. Não possui guarda de mão e o cabo é de madeira revestido com couro, para uma empunhadura mais confortável; acompanha bainha de couro simples.] {Madeira, couro e bronze sagrado} (Nível mínimo: 1) {Não controla nenhum elemento} [Recebimento: Item de Reclamação]

☾ {Förmörkelse} / Arco longo [A primeira vista, é apenas um broche dourado com o formato de um Sol e uma Lua juntos, porém é capaz de transmutar-se em um arco. Mesmo com o material que é feito, é leve o suficiente para ser utilizado sem atrapalhar a mira. Consegue formar flechas de luz proporcional à que existe no ambiente em que a filha de Apolo se encontra no momento.] {Materiais utilizados: Ouro] (Nível Mínimo: 20) {Luz} [Recebimento: SM — Dusk till Dawn, avaliada e atualizada por Phobos]

{Beyond} / Pulseira [Trata-se de uma pulseira dourada com o formato intrínseco e delicado de uma coroa de louros. Sendo dada como recompensa à semideusa pela vitória na páli, por trás da natureza acessória, o item esconde seu verdadeiro poder: uma vez por missão/evento e com uma duração de 3 rounds, o usuário é bonificado em 25% nas suas ações ofensivas, seja em golpes físicos diretos ou uso de poderes. Caso esteja lutando com um ou mais semideus/criatura mágica a seu lado, o bônus sobe para 30%] [Ouro, magia] (Não controla nenhum elemento) {Nível mínimo: 20} [Recebimento: Missão narrada "Team" - Avaliada por Chelsea H. Drevoir e Atualizada por Psiquê.]
Brooklyn S. Palmer
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Re: Evento secundário — This is Halloween!

Mensagem por Melinoe em Ter 10 Dez 2019, 20:27



Avaliação


1. O gasto de HP/MP foi considerado padrão para aqueles que não narraram ferimentos ou não utilizaram poderes ativos: 10 HP e 20 MP para cada. Para aqueles que colocaram nos spoilers poderes quanto ao gasto de MP reduzido, eles foram considerados.
2. Por se tratar de um sonho, o custo dos poderes ativos foi reduzido para [nível do poder x 3].

Brooklyn S. Palmer: 1º lugar

É incrivel te ver de volta, Brooks. Mas vamos ao que interessa.
Tua narração é insuperável. Te coloca dentro do texto e te faz querer mais e cada vez mais rápido para saber o que vai acontecer. Flui naturalmente, como se você estivesse sentindo cada mínima coisinha. É envolvente, mortificante e me fez parar uns segundos depois de terminar para respirar e assimilar tudo o que eu tinha lido. São poucas as pessoas com esse dom e fico feliz de te dizer que você é uma delas. Parabéns!

— Coerência: 50 de 50 possíveis
— Coesão, estrutura e fluidez: 25 de 25 possíveis
— Objetividade e adequação à proposta: 15 de 15 possíveis
— Organização e ortografia: 10 de 10 possíveis

Total: 100 pontos (multiplicador x8): 800 pontos de experiência + 400 dracmas + item
Descontos: -10 HP e -20 MP

{Fobor} / Espada Onírica [Os piores medos derrotados pelo semideus se materializaram na vida real, assumindo a forma de uma poderosa espada cuja lâmina alongada mede seus 110 cm, podendo ser manuseada com uma ou duas mãos. A espada é sólida para o portador, sendo feita de titânio e platina, conferindo uma cor limpa junto dos fios de poeira onírica que adornam a lâmina e uma incrível resistência a golpes e corrosão. Há três poderes contidos na arma, mas deve-se usar apenas 1 por vez. Efeito 1: a poeira onírica presente na lâmina se dispersa no ar, prendendo o alvo em um pesadelo que o paralisa por dois turnos. Efeito 2: os medos possuem auras horríveis, sendo assim, a lâmina espalha em campo de batalha uma aura que instiga nos oponentes a covardia, dificultando seus ataques em 20% durante dois turnos. Efeito 3: quando em mãos erradas, a espada torna-se poeira onírica por completo, impedindo seu manuseio. Para os dois primeiros efeitos, resistências podem ser aplicadas.] {Titânio e platina} (Nível mínimo: 30) {Não controla nenhum elemento} [Recebimento: evento This is Halloween, primeiro lugar.]

Lavinia S. Larousse: 2º lugar

Que texto, senhoras e senhores. Que texto! Não foi longo, mas nem por isso foi corrido. Expôs tudo o que deveria ser exposto com total maestria, deixou os medos da personagem perfeitamente claros e a luta contra esses medos me fez sentir a emoção que ela sentia. Parabéns, nada de falhas! O texto faz com que o leitor queira saber mais sobre a trama da Lavínia e suas relações com os demais campistas.

— Coerência: 50 de 50 possíveis
— Coesão, estrutura e fluidez: 25 de 25 possíveis
— Objetividade e adequação à proposta: 15 de 15 possíveis
— Organização e ortografia: 10 de 10 possíveis

Total: 100 pontos (multiplicador x8): 800 pontos de experiência + 400 dracmas + item
Descontos: -10 HP e -55 MP

{Onirius} / Fenda Onírica [Ao vencer o desafio do reino onírico, o campista acordou com uma marca na vida real; em forma de tatuagem, é o desenho do filtro dos sonhos na palma da mão direita. Mais do que uma marca comum, ao desejo do semideus, ela abre uma fenda entre os mundos e permite que uma única arma seja ali guardada, fornecendo um item extra em missões e eventos, ignorando limitações. Pode ser ativada a qualquer momento e fornece espaço para qualquer tamanho, desde que apenas um item.] {Tatuagem} (Nível mínimo: 30) {Não controla nenhum elemento} [Recebimento: evento This is Halloween, segundo lugar.]

Bianca H. Somerhalder: 3º lugar

Puts, sensacional. A narração foi incrível do começo ao fim. Parabéns pelo desenvolvimento, você consegue me surpreender todas as vezes. Valeu a pena escolher você! Como sempre, procurei por qualquer falha porém: perfeita sem defeitos.

— Coerência: 50 de 50 possíveis
— Coesão, estrutura e fluidez: 25 de 25 possíveis
— Objetividade e adequação à proposta: 15 de 15 possíveis
— Organização e ortografia: 10 de 10 possíveis

Total: 100 pontos (multiplicador x8): 800 pontos de experiência + 400 dracmas + item
Descontos: -10 HP e -20 MP

Pack de Dracmas 3x [O player recebe um pack que poderá ser usado até 3x em narrações distintas. Todo dracma ganho na recompensa final, será triplicado. Uso: 0/3] [Recebimento: evento This is Halloween, terceiro lugar.]



Hylla K. Werstonem

Sua narração é, de certa forma, complexa e intrigante. Única, com certeza. Você fornece detalhes em demasia e, embora isso não seja ruim, chega a ser quase. No momento, você narrou de uma forma que ainda pode ser considerada interessante, mas tome cuidado para não exagerar demais; às vezes, muitos detalhes tornam o texto cansativo e enjoativo. De todo modo, vamos aos pequenos detalhes.

Primeiramente, notei um erro (embora raro) no uso de vírgulas, e queria esclarecer isso brevemente. Nos trechos: "Olhando sobre o ombro, imaginando se poderia regressar ao chalé de Nyx onde provavelmente estaria segura [...]" e "[...] enlaçando-se sobre as paredes externas e invadindo a residência tomando-a para si.", deveria haver vírgula antes dos dois termos em itálico. A falta de vírgulas torna a leitura atropelada, então atente-se a isso. Note que, nos exemplos que citei, elas principalmente são usadas para separar um período do outro.

Além disso, também notei uma confusão no uso dos porquês. Por exemplo, no trecho: "Quer saber porquê estou aqui, eu suponho.", não era necessário o acento circunflexo. Isso acontece pois o porquê, com acento, é utilizado como um substantivo; para diferenciar, saiba que ele é um sinônimo de motivo. Substitua uma palavra pela outra: "Quer saber motivo estou aqui, eu suponho.". Como a frase ficou incorreta, sua escolha de uso também está.

Por último, apenas quero salientar que a letra do seu template é extremamente pequena, o que dificulta a leitura. Não foi um problema tão grande para mim, mas pode ser para outros avaliadores, então tome cuidado com isso.

— Coerência: 50 de 50 possíveis
— Coesão, estrutura e fluidez: 20 de 25 possíveis
— Objetividade e adequação à proposta: 15 de 15 possíveis
— Organização e ortografia: 08 de 10 possíveis

Total: 93 pontos (multiplicador x8): 744 pontos de experiência + 370 dracmas
Descontos: -10 HP e -20 MP

Megan B. Nesbitt

Seu texto foi bom, num contexto geral. Encontrei muitos erros de ortografia e coerência estrutural, mas notei também bastantes pontos positivos durante a narração. Você conseguiu inserir sua trama no evento, o que achei realmente satisfatório, e todos os seus medos foram bem pensados e articulados. Além disso, o plot me surpreendeu um pouco, porque eu nunca pensaria que você queria derrubar sua própria família. Enfim, gostei. Mas também preciso apontar os erros.

A crase foi um grande problema, devo admitir. Você a usava certo algumas vezes, mas esquecia dela na maioria. Alguns exemplos são: "[...] combinado junto a baixa luminosidade que só aumentava a tensão." e "Com dificuldade, soltei meu gládio e a resposta veio a tona." Nesses lugares em itálico, há a falta de crase. Quando tiver dúvidas sobre onde colocá-la, faça um pequeno exercício: substitua o substantivo feminino após a crase (no caso, baixa luminosidade) por um substantivo masculino, e veja se o à se transformou em ao. Por exemplo: combinado junto ao baixo brilho. Como foi necessário colocar ao, deve ter crase.

Também notei alguns erros estruturais, por exemplo: no trecho "Com as portas abertas, as cortinas brancas balançavam freneticamente próximo aos vitrais.", a palavra próximo está se referindo às cortinas, então seu gênero e número deveria concordar com o sujeito, tornando-se próximas. Além disso, no trecho "Ao se aproximar da fogueira um brilho intenso chamou minha atenção.", você subitamente mudou da primeira pessoa para a terceira; o correto seria "ao me aproximar".

Tiveram palavras que faltaram a acentuação, como caí e reuníamos, e notei que você tem o costume de sempre utilizar letras minúsculas após as reticências, o que não é correto. Caso a ideia antes das reticências não tiver sido concluída, utilize letra minúscula.

Queria ressaltar que você deve buscar coerência intraparagrafal. Algumas vezes, você subitamente muda de assunto entre uma frase e outra. Por exemplo: "Alguém estava pregando uma peça? Quem era o monstro por trás daquilo? Meus pés começavam a doer devido ao frio.". Tente articular melhor, encontrar uma ligação entre os acontecimentos.

E, por último, atente-se à narração original, pois você esqueceu do detalhe em que vermes e insetos se acumulavam sobre a terra. Não foi um grande problema, visto que isso pouco influenciava na narração, mas futuramente a desatenção poderá trazer problemas maiores de coerência.

— Coerência: 45 de 50 possíveis
— Coesão, estrutura e fluidez: 20 de 25 possíveis
— Objetividade e adequação à proposta: 15 de 15 possíveis
— Organização e ortografia: 05 de 10 possíveis

Total: 85 pontos (multiplicador x8): 680 pontos de experiência + 340 dracmas
Descontos: -20 HP e -132 MP

Connor Anderson

Não tenho muito o que ressaltar negativamente sobre você, Connor. Sua narração é limpa e livre de qualquer erro ortográfico, o que torna a leitura leve e agradável. A personalidade do seu personagem também é interessante, e devo dizer que nesse evento em especial foi divertido ler sua participação, pois você basicamente não sentia medo, até o momento atual. E isso foi encantador. Os desafios foram criativos e você lidou com eles de forma inteligente, e não tenho nada para reclamar aqui. Apesar disso, queria te dar um aviso: lembre-se de colocar em spoilers as armas que você cita durante o texto. Mesmo que você não tenha de fato usado a adaga, ela foi citada, então deveria ser constada no final. Ainda assim, isso não é um erro, somente um deslize.

— Coerência: 50 de 50 possíveis
— Coesão, estrutura e fluidez: 25 de 25 possíveis
— Objetividade e adequação à proposta: 15 de 15 possíveis
— Organização e ortografia: 10 de 10 possíveis

Total: 100 pontos (multiplicador x8): 800 pontos de experiência + 400 dracmas
Descontos: -10 HP e -20 MP

Annie Murray

Reloi Annei, devo dizer que adorei o texto. Muito bem escrito, sem nenhum erro a ser mencionado. Uso correto de travessão, dos porquês, sem repetições de palavras, concordância e coerencia impecáveis.

Quanto ao conteúdo, foi interessante ler pois eu tenho uma irmã mais nova e pude acompanhá-la lutar contra seus medos (principalmente o do escuro). É interessante como a mente das crianças trabalha o medo e a razão e acho que você conseguiu trazer isso muito bem para sua personagem. Parabéns.

— Coerência: 50 de 50 possíveis
— Coesão, estrutura e fluidez: 25 de 25 possíveis
— Objetividade e adequação à proposta: 15 de 15 possíveis
— Organização e ortografia: 10 de 10 possíveis

Total: 100 pontos (multiplicador x8): 800 pontos de experiência + 400 dracmas
Descontos: -10 HP e -20 MP

Alysson Hoechlin

Oi, Alysson! É um prazer fazer sua avaliação. Vamos lá! Gostei muito de como você colocou a trama da sua personagem dentro da narrativa, demonstrando o crescimento que ela teve em relação aos temores e como ela vem aprendendo a superá-los. Parabéns! Também gostei do fato de que você não se prolongou tanto em descrições e não se ocupou em fazer um texto absurdamente longo só porque era um post de evento. Em termos de extensão, seu texto não ficou cansativo e nem corrido. Sua medida foi bem certa. Contudo, notei alguns equívocos gramaticais que, infelizmente, não poderei deixar passar, pois foram bem frequentes. Vamos aos detalhes.

O principal problema é a ausência de vírgulas em locais necessários, como em "Logo que chegou[a vírgula viria aqui] sua esperança de encontrar outro semideus desapareceu (...)". Pode parecer que não, mas essa ausência da pontuação atrapalha a leitura, acabando com a fluidez, deixando tudo atropelado ou confuso. Tome cuidado com isso. DICA: Não caia na falácia, que aprendemos na escola, de que a vírgula é uma pausa para respirar. Vírgulas separam termos de acordo com regras justamente para evitar confusões na leitura. No trecho que destaquei acima, "sua esperança de encontrar outro semideus" quase virou sujeito. Aí vi o "desapareceu" lá na frente e tive que voltar ao início da frase para retomar o sentido que você quis passar. Imagine a frase "Não vejo a hora de comer, amigos...". Sem a vírgula, a pessoa que disse isso vira um canibal. Cuidado.

Fora isso, notei problemas de digitação que, em maioria, não foram graves. Alguns exemplos são "pranta" no lugar de "planta" e "for" no lugar de "dor". Mas houve ausência de acentuação em "afastá-los" e de interrogação em "– Onde infernos todos se meteram". Às vezes, mesmo com uma leitura antes da postagem, certas coisas acabam passando mesmo, mas fica como alerta para uma próxima postagem. Também houve o caso de "o espaço aberto entre os chalés estavam", no qual o verbo aparece no plural, embora devesse concordar com "espaço", que era singular. Muito cuidado com isso.

Outro problema foi a mudança repentina de tempo verbal em alguns momentos. Ora você narrava no pretérito, ora no presente. Isso gera um texto sem coesão, então escolha um tempo verbal e mantenha-se nele. Raros são os casos em que conseguimos uma alternância de presente e pretérito sem prejuízo, tome muito cuidado quando tentar isso. Por fim, um erro comum a muitos textos é o uso do pronome "si" de forma errônea. No trecho "Com a adaga ela cortava aqueles que subiam em si", sei que você quis dizer que os insetos subiam na semideusa, mas o "si" fez sua oração dizer que os insetos subiam neles próprios. Usar "nele(s)" e "nela(s)" não é coloquial, ok? Cada um tem seu momento certo para ser utilizado.

Observação: para as falas, não use meia-risca, use travessão.

— Coerência: 50 de 50 possíveis
— Coesão, estrutura e fluidez: 18 de 25 possíveis
— Objetividade e adequação à proposta: 15 de 15 possíveis
— Organização e ortografia: 05 de 10 possíveis

Total: 85 pontos (multiplicador x8): 680 pontos de experiência + 340 dracmas
Descontos: -10 HP e -20 MP

Sophia Einstein

Reloi Sophia! Quando eu não acompanho o desenvolvimento de um personagem, adoro quando os elementos de suas narrativa anteriores é introduzido dentro do texto que estou avaliando e me faz ter vontade de ler o texto anterior. Foi isso que senti com o seu. É uma sensação de Cliff Hang, só que eu não preciso esperar pois é de algo já feito.

Sua escrita não possui furos, eu margens para dupla interpretação. E acredito que tenha atendido às espectativas da aracnofobia dos filhos de Atena.

Contudo, houve apenas um deslize em sua narrativa: a arma de fogo é escrita com acento agudo “Revólver”, sem ele a palavra se torna o verbo “revolver”, sinônimo de “revirar”. Um erro mínimo, mas que em algumas situações pode fazer muita diferença.

— Coerência: 50 de 50 possíveis
— Coesão, estrutura e fluidez: 25 de 25 possíveis
— Objetividade e adequação à proposta: 15 de 15 possíveis
— Organização e ortografia: 09 de 10 possíveis

Total: 99 pontos (multiplicador x8): 792 pontos de experiência + 396 dracmas
Descontos: -10 HP e -20 MP

Kim Tae-yeon

Acho que já li algo seu e critiquei bastante. Fico muito contente por perceber que você as levou a sério e procurou realmente melhorar o que era necessário. Seu post está realmente muito bom, embora não esteja perfeito. Falta um pouquinho de narrativa, mais envolvimento de como seu personagem reage aos estímulos impostos, mais sensações, mais detalhamento. Vi por algumas vezes – mesmo em um post mais curto que o habitual – várias falas sem qualquer reação da sua personagem, apenas uma sobre a outra. Há também várias frases curtinhas, que poderiam ser evitadas com outros tipos de pausas que não o ponto final. Normalmente, o abuso de pontos finais deixa o texto um tanto cansativo de ler. No mais, parabéns!

— Coerência: 50 de 50 possíveis
— Coesão, estrutura e fluidez: 15 de 25 possíveis
— Objetividade e adequação à proposta: 15 de 15 possíveis
— Organização e ortografia: 6 de 10 possíveis

Total: 86 pontos (multiplicador x8): 688 pontos de experiência + 344 dracmas
Descontos: -50 HP e -46 MP

Ayla Lennox

Como sempre, uma narração excelente. Mesmo que você alegue falta de costume em narrar, seu texto ficou muito bem construído. Fiquei envolvida do início ao fim, e realmente senti junto com a Ayla. Embora seus medos tenham sido poucos, eles foram bem explorados e explicados. Ainda assim, tive a impressão de que você estava correndo um pouco, com pressa para acabar. Ao final do texto, por exemplo, você trouxe inúmeras observações para explicar os acontecimentos, quando poderia ter feito isso dentro da própria narração, deixando o leitor ciente do que se passava já no decorrer. Isso foi um pequeno deslize, na minha opinião, mas o resto está primoroso.

— Coerência: 50 de 50 possíveis
— Coesão, estrutura e fluidez: 23 de 25 possíveis
— Objetividade e adequação à proposta: 15 de 15 possíveis
— Organização e ortografia: 10 de 10 possíveis

Total: 98 pontos (multiplicador x8): 784 pontos de experiência + 392 dracmas
Descontos: -10 HP e -20 MP

Atualizado.


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Re: Evento secundário — This is Halloween!

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